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Afasias

Inaée Porto e Jussara Queiroz


SUMÁRIO

• Histórico
• Definições
• Etiologia
• Teorias
• Funções dos hemisférios e linguagem
• Classificação das afasias
• Lesões
• Comunicação alternativa/suplementar
• Referências
HISTÓRICO

Bouillaud (1825) reuniu


Gall (1758-1828) foi o evidências clínicas e Flourens (1824) afirmava
3000 a 2500 a.C os egípcios primeiro a relacionar a patológicas que que todas as partes do
já se referiam a perdas de fala a uma determinada reforçavam a ideia de cérebro eram
fala devido a lesões área do cérebro. Gall. equipotenciais e que não
cerebrais; existiam áreas específicas
com funções específicas.
HISTÓRICO

Andral (1840) concluiu que Carl Wernicke em 1874


a perda da fala não resulta publicou a descrição das
necessariamente de lesão no Broca (1865) foi o primeiro principais características da
lobo anterior, e que os a chamar a atenção para o afasia sensorial. Afirmou que as
distúrbios da fala podem ser fato de que a linguagem é regiões anteriores do cérebro são
uma função do HE. destinadas às funções motoras e
o resultado de lesões que não as regiões posteriores à funções
envolvem o lobo frontal. sensoriais.
DEFINIÇÕES

As afasias são distúrbios adquiridos de linguagem (ORTIZ,


2003).

A afasia é um distúrbio que afeta a linguagem mas não é um


distúrbio de linguagem (MCNeil, Doyle, 2000).

É uma alteração no conteúdo, na forma e no uso da linguagem


e de seus processos cognitivos subjacentes (ORTIZ,2003)
ETIOLOGIA

Acidente Vascular Cerebral (AVEH / AVEI);

Traumatismo craniano;

Doenças Infecciosas (Meningite);

Doenças Degenerativas (Alzheimer)


TEORIAS

Localizacionista Holística
FUNÇÕES DOS HEMISFÉRIOS NA LINGUAGEM

Hemisfério Esquerdo Hemisfério Direito


• Perda total da linguagem; • Dificuldade em adequar a linguagem e o discurso ao contexto
• Neologismo; de produção;
• Disprosódia; • Dificuldade de usar linguagem contextualizada;
• Manutenção da fala automática com redução da fala • Dificuldade em processar linguisticamente os vários
intencional; processos semânticos;
• Ecolalia; • Dificuldade de processar habilidades de nível textual;
• Anomia; • Dificuldade de perceber e organizar informações que
• Distúrbios pragmáticos e discursivos; envolvam aspectos emocionais;
• Parafrasia. • Dificuldade de lidar linguisticamente com ambiguidade.
CLASSIFICAÇÃO DAS AFASIAS

Afasias Afasias Formas


Emissivas Receptivas Mistas
Afasia
Afasia de
Afasia de Broca Transcortical
Wernicke
Mista

Afasia
Afasia de
Transcortical Afasia Mista
Condução
Sensorial

Afasia Afasia Amnéstica/


Transcortical Afasia Global
Motora Anômica
AFASIAS EMISSIVAS

Grupo de afasias cujo déficit de expressão é maior do que o déficit de compreensão

• A mais comum Na Fase Aguda


• Não fluente Escrita
• Expressão oral • Alterações graves
comprometida em vários (supressão/este-
Supressão de Anomia Compreensão reotipia)
graus fala e de
Parafasias
Redução e presente, preservada ou • Pode evoluir para
fonéticas e/ou
escrita ou Agramatismo especialmente levemente a fase aguda com
fonêmicas
estereotipia no discurso comprometida redução,
Afasia de agramatismo e
paragrafias
Broca
AFASIAS EMISSIVAS

• Fluente Na Escrita
• Parafasias fonêmicas (não abundantes) e
verbais formais
• Anomia ou parafasias semânticas podem
ocorrer na conversação Paragrafias literais
• Discurso com hesitações e autocorreções e grafêmicas
• Erros em prova de repetição (emissão
mais prejudicada do que na fala
espontânea). Bom desempenho
na cópia

Na leitura em voz alta


Afasia de tem melhor
desempenho do que
Condução em provas de
repetição
AFASIAS EMISSIVAS

• Não Fluente
• Redução de fala Na Escrita
• Linguagem espontânea reduzida
• Expressão lenta e breve
• Repetição é boa (melhor que fala
espontânea) Inércia (como na fala)
• Compreensão preservada
Afasia Leitura normal/pouco
Transcortical comprometida
Motora
AFASIAS RECEPTIVAS
Grupo de afasias cujo déficit na compreensão é mais grave e que possui um conjunto de características muito específicas

Não há compreensão de Expressão – discurso


fluente. Muita fala Fala com curva
palavras (ou
logorréica, melódica/entonação
compreensão mínima de
jargonofásica e com normais
um enunciado – raro)
neologismos

Tarefas de denominação Frequente associação


Articulação preservada
e repetição prejudicadas com anosognosia

Compreensão gráfica
tão comprometida Ditado alterado e pior
quanto ou pouco melhor que a cópia
que a oral.
AFASIAS RECEPTIVAS

Afasia Transcortical
Sensorial
• Fluente
• Déficits severos ou
moderados (+ comum) de
compreensão
• Realiza provas de repetição
muito bem
• Emissão oral fluente
• Parafasias semânticas,
anomias e circunlóquios
AFASIAS RECEPTIVAS

Afasia Parafasias semânticas


Amnéstica/Anômica Perífrases
• Fluente
Anomias
• Alterações semânticas Escrita com mesmas falhas do discurso oral
• Evolução de Wernicke ou (anomias, discurso evasivo) e paragrafias
Transcortical Sensorial
• Compreensão oral Leitura geralmente preservada
preservada ou levemente
comprometida
Compreensão adequada
FORMAS MISTAS

• Emissão e Compreensão
severamente comprometidas
• Emissão oral: estereotipias ou
ecolalias
• Supressão da escrita
• Repetição preservada, mas
com falhas.

Afasia
Transcortical Mista
AFASIA MISTA

Apresentam
características de vários
dos quadros descritos,
sem restringirem-se a
nenhum deles.

São muito comuns.


AFASIA GLOBAL

A afasia mais grave


• Comprometimento severo de emissão e da compreensão oral e gráfica

Mutismo na emissão oral


• Ou restrita a estereotipias e automatismos
No entanto, muitos
Supressão da emissão gráfica casos evoluem para
uma Afasia de Broca.
Variedade de formas clínicas
• Quando a compreensão melhora muito, mas não chega a ficar tão boa
quanto a esperada para uma Afasia de Broca, temos a afasia motora mista.
LESÕES SUBCORTICAIS

Diminuição na espontaneidade da fala


Disartria Distúrbio Afásico,
Mutismo
acompanhado de disartria ou
Anomia disfonia.
Perseveração
Parafasias
Dificuldades de compreensão
LESÕES NO HEMISFÉRIO DIREITO

Prosódia
Pode estar comprometida, em especial, a prosódia
emocional

Aspectos léxico-semânticos
Possível déficit da ativação voluntária das informações
semânticas

Aspectos textuais e pragmáticos


Dificuldades em compreender textos quando o tema não está
explícito ou onde o tema da enunciação não apareça.
COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA/SUPLEMENTAR

Deliberato et. al. argumenta que a comunicação suplementar por


uso da prancha temática serve de suporte para a transição
linguística

Possibilidade do desenvolvimento de outras modalidades de


linguagem: leitura e escrita, através do apoio dos símbolos.
REFERÊNCIAS

• DELIBERATO et. al. (2009). Introdução da Comunicação


Suplementar e Alternativa na Terapia com Afásicos. Rev. Soc.
Bras. Fonoaudiol., 14 (3): 402-10.
• Apostila