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O PERFIL DOS IDOSOS SUL-MATOGROSSENSES E SUAS DEMANDAS SETORIAIS

Bertholdo Figueiró Neto1


Leandro Bolzan de Rezende 2
Lucas Braga Pires 3

Resumo

Este artigo aborda o perfil dos idosos sul-matogrossenses e suas demandas setoriais
de consumo. O objetivo, além de caracterizar essa população no estado de Mato Grosso do
Sul, é entender as necessidades desse público que cresce de forma acelerada. Para a
elaboração desse artigo foram estudas pesquisas demográficas e comportamentais de
instituições de alta credibilidade nacional.

Palavras-chave: terceira idade; idoso; perfil de consumo .

1 Introdução

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2002), no ano de 1991


a população com mais de 60 anos era de 10.722.705 indivíduos. Em 2000, a população já era
de 14.536.029 e estimativas apontam que, em 2020, o Brasil terá mais de 30 milhões de
pessoas com idade superior a 60 anos. Logo, é possível inferir que a população idosa
brasileira vem crescendo a taxas significativas nos últimos anos, o que gera a necessidade de
um posicionamento estratégico diferenciado pelas empresas.
Ademais, segundo Camarano (1999), o idoso brasileiro está em melhores condições
de vida que a população mais jovem, pois tem maior rendimento, casa própria e contribui

1
Acadêmico do Curso de Administração de Empresas pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
(ironfigueiro@hotmail.com).
2
Acadêmico do Curso de Administração de Empresas pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e
Especialista em Gerenciamento de Projetos (MBA Executivo) pela Universidade Gama Filho.
(lb_rezende@yahoo.com.br).
3
Acadêmico do Curso de Administração de Empresas pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
(brpires_lucas@hotmail.com).
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significativamente na renda familiar. Nas famílias em que os idosos são chefes, encontra-se
uma proporção expressiva de filhos residindo na mesma habitação. Além disso, ao longo do
tempo observaram-se melhorias no nível de renda da população idosa.
Partindo dessa premissa, caracterizar e entender perfeitamente o perfil sócio-
demográficos dos idosos torna-se o ponto de partida para a mudança de paradigmas e a
compreensão do poder de consumo desse mercado.
O entendimento desse segmento nos permite levantar quais são as demandas
setoriais dos idosos brasileiros, em especial os sul-matogrossenses. Nesse sentido, algumas
instituições e empresas de pesquisas têm desenvolvido trabalhos que visam compreender o
perfil dos idosos e suas principais demandas e necessidades de consumo.
Diante das questões apresentadas, dividimos este artigo em outras três partes. Na
primeira traremos o conceito de idoso com suas designações legais e mais de outros
estudiosos. A segunda parte do presente aborda a metodologia utilizada para a obtenção
dos dados desta pesquisa. As questões suscitadas nessa introdução serão aprofundadas na
terceira parte, onde discutiremos o perfil sociodemográfico do idoso e suas demandas
setoriais.

2 Objetivos

O objetivo geral desse artigo é entender o perfil do idoso sul-matogrossense e suas


demandas setoriais, de modo a definir quem são, como vivem, onde estão, quanto ganham,
com quem residem, quais suas origens, o demandam do comércio e que expectativas têm
em relação aos serviços prestados.

3 Teoria

A fundamentação teórica tem como foco definir a segmentação de mercado com


vistas aos benefícios da utilização da técnica, as dificuldades inerentes à sua implementação
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e quais as principais variáveis utilizadas para segmentar um mercado. A identificação dos
fatores que influenciam o comportamento de compra do consumidor e a definição do
mercado também será aqui apresentada. Ademais, devido a importância do tema, aspectos
legais que naturalmente envolvem a caracterização de idosos para a sociedade também
serão apresentados.
A classificação dos indivíduos em determinados grupos existe em toda sociedade e
visa principalmente destinar papéis a esse grupo de pessoas (IPEA, 1999). A divisão da
sociedade em grupos permite aos governantes promoverem ações direcionadas a cada tipo
de público, bem como a divisão de investimentos e a compreensão das dinâmicas sociais.
No setor privado, a utilização de tais classificações é realizada para direcionar seus
esforços de marketing para cada tipo de consumidor. Em outras palavras o setor privado
busca identificar quais são os segmentos de mercado existentes. Para Kotler & Armstrong
(2007), segmento de mercado é “um grande grupo identificado a partir de suas preferências,
poder de compra, localização geográfica, atitudes de compra e hábitos de compra similares”.
A segmentação consiste em uma estratégia que é situada entre o marketing de
massa e o marketing individual. Supõe-se que os compradores de determinado segmento
tenham preferências e necessidades muito similares. No entanto, sempre existirão
diferenças entre dois compradores, conforme Kotler & Armstrong (2007)
A segmentação auxilia as empresas a atingir o mercado de maneira mais eficiente e
efetiva com produtos e serviços que satisfaçam às necessidades específicas dos públicos
focados. A própria escolha de canais de distribuição e de comunicação torna-se mais fácil ao
utilizar a segmentação. Soma-se a essas razões o fato de a empresa enfrentar menos
concorrentes operando em um segmento específico. Segmentar um mercado não é, no
entanto, uma tarefa simples. Na realidade não existe uma maneira única de segmentar um
mercado, deve-se tentar realizar essa tarefa utilizando diferentes variáveis de segmentação,
sozinhas e combinadas, objetivando encontrar o melhor modo de observar a estrutura do
mercado. No quadro seguinte são apresentadas as principais variáveis de segmentação de
mercado consumidores:
Tabela 1: Principais variáveis de segmentação para mercados consumidores
Geográficas
América do Norte, Leste Europeu, Oriente Médio, Costa do
Região do mundo ou país
Pacífico, China, Índia, Canadá.
Região do país Sul, Norte, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste.
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Menos de 5 mil; de 5 mil a 20 mil; de 20 mil a 50 mil; de 50 mil
Tamanho da cidade a 100 mil; de 100 mil a 250 mil; 250 mil a 500 mil; de 500 mil a
1 milhão; 1 milhão a 4 milhões; acima de 4 milhões.
Densidade Urbana, suburbana, rural.
Clima Temperado, tropical, semi-árido.
Demográficas
Abaixo de 6; de 6 a 11; de 12 a 19; 20 a 34; de 35 a 49; de 50 a
Idade
64; 65 ou mais.
Sexo Masculino, feminino.
Tamanho da família De 1 a 2; de 3 a 4; 5 ou mais.
Jovem, solteiro; jovem, casado, sem filhos; jovem, casado, com
Ciclo de vida familiar filhos; mais velho, casado, com filhos; mais velho, casado, sem
filhos; abaixo dos 18 anos; mais velho, solteiro; outros.
Abaixo de 10 mil; de 10 mil a 20 mil; de 20 mil a 30 mil; de 30
Renda anual
mil a 50 mil; de 50 mil a 100 mil; acima de 100 mil.
Profissionais e técnicos; gerentes; funcionários públicos;
empresários; clérigos; vendedores; supervisores; operadores;
Ocupação
agricultores; aposentados; estudantes; donas-de-casa;
desempregados.
Ensino fundamental ou menos; ensino médio incompleto;
Nível de instrução ensino médio completo; ensino superior incompleto; ensino
superior completo.
Religião Católico; protestante; judeu; muçulmano; hindu; outros.
Etnia Asiático; hispânico; negro; branco.
Geração Baby-boomer; geração X, geração Y.
Norte-americano; inglês; francês; alemão; italiano; japonês;
Nacionalidade
brasileiro.
Psicográficas
Classe baixa, classe baixa alta, classe trabalhadora, classe
Classe social
média, classe média alta, classe alta baixa, classe alta alta.
Estilo de vida Realizadores, lutadores, sobreviventes.
Personalidade Compulsivo, gregário, autoritário, ambicioso.
Comportamentais
Ocasiões Ocasião comum; ocasião especial.
Benefícios Qualidade, serviço, economia, praticidade, rapidez.
Não-usuário, ex-usuário, usuário potencial, usuário iniciante,
Status do usuário
usuário regular.
Classificação do usuário Pequeno usuário, usuário médio, grande usuário.
Status de fidelidade Nenhuma, média, forte, absoluta.
Desconhecedor, consciente, informado, interessado, desejoso,
Estágio de preparação
pretende comprar.
Atitude em relação ao Entusiasta, positiva, indiferente, negativa, hostil.
produto
Fonte: KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de marketing. 12. Ed. São Paulo, Person
Prentice Hall, 2007

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Após identificar o segmento de mercado de atuação, o passo seguinte é buscar
fatores que influenciam o comportamento de compra do consumidor, fins de melhor
compreender o mercado focado.
Os fatores que influenciam o comportamento do consumidor envolvem
características culturais, sociais, pessoas e psicológicas, como pode ser visto na figura
abaixo:
Figura 1: Fatores influenciadores do consumo

Culturais Sociais Pessoais Psicológicos


•cultura •grupos de •idade e estágio •motivação
•subcultura referência no ciclo de vida •percepção
•classe social •família •ocupação •aprendizagem
•papéis e status •Situação •crenças e • Comprador
financeira atitudes
•estilo de vida
•personalidade
e auto-imagem

Fonte: KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de marketing. 12. Ed. São Paulo, Person
Prentice Hall, 2007
Para este trabalho, naturalmente, o fator pessoal “idade e estágio no ciclo de vida” é
o que se mostra de maior relevância, e por conseqüência carece de maiores detalhamentos.
Kotler & Armstrong (2007) caracterizam a importância dos fatores pessoais da seguinte
forma:
Ao longo da vida, as pessoas mudam os bens e serviços que compram, os gostos
quanto a roupas, comida, móveis e lazer geralmente são relacionados à idade. O
ato de comprar é também moldado pelo estágio do ciclo de vida da família –
estágios pelos quais as famílias à medida que seus membros amadurecem. Os
profissionais de marketing freqüentemente definem seus mercados-alvo em termo
de estágio no ciclo de vida e desenvolvem produtos e planos de marketing
apropriados para cada estágio. (Kotler & Armstrong, 2007)
Na esfera legal, dado o conjunto de implicações legais que envolvem lidar com o
segmento de idosos, a classificação mais utilizada para identificar essa população é, sem
dúvidas, a idade. Na cultura ocidental é comum caracterizar o idoso pela idade na qual este
está na vida produtiva, considerando-se idosos, portanto, aqueles indivíduos que alcançam
60 anos de idade (IBGE, 2002). Consoante ao entendimento do IBGE, segue o Estatuto do
Idoso, Lei n° 10.741, de 01 de outubro de 2003, que classifica esse grupo como “pessoas com
idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos”.

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Peixoto (2004) afirma que os fatores socioeconômicos e culturais (sexo,
escolarização, trajetória profissional, condições de saúde e valor da aposentadoria) são os
que mais determinam a situação de cada indivíduo de com o decorrer da idade. Assim, há de
se considerar que, em alguns casos, a classificação de idoso, única e exclusivamente pela
idade, não atende às necessidades. O grupo idoso, também conhecido como terceira idade,
já apresenta características que permitem a distinção de subgrupos dentro de si. As variáveis
psicológicas, biológicas, culturais e sociais se manifestam de forma diferente em cada
indivíduo, uma vez que uma pessoa inserida em determinada região pode não apresentar
uma característica de outra região, bem como a classe social em que se encontra pode
propiciar condições melhores de saúde e educação que afetariam, por exemplo, os fatores
biológicos, psicológicos e culturais.

4 Metodologia

O presente estudo é baseado em pesquisas realizadas por consagrados organizações


de pesquisas brasileiras, tais como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Serviço
Social do Comércio, Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, sítios eletrônicos
especializados em marketing e business, e, ainda, artigos de estudiosos da área.
Os principais dados que balizam a análise nesse trabalho são os provenientes do
estudo intitulado “Perfil dos Idosos Responsáveis pelos Domicílios no Brasil – 2000”
realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, o qual destacou do Censo
Demográfico 2000 as características básicas daquele levantamento, dando-se ênfase a
condição do idoso no domicílio, sua situação educacional e seus rendimentos. O universo
pesquisado abrangeu 5.507 municípios espalhados por todo o Brasil, sendo os dados
categorizados em nível Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação e Municípios das
Capitais.
Esse trabalho utilizou como dados para identificar como e onde os idosos brasileiros
vivem e, sobretudo, quais seus hábitos de consumo, a pesquisa realizada pelo Serviço Social
do Comércio de São Paulo, SESC SP, intitulada “IDOSOS NO BRASIL – vivências, desafios e
expectativas na 3ª idade” a qual caracteriza-se como de excelente amparo para a
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implementação de ações estratégicas e mercadológicas voltadas para esse público.
Devemos, entretanto, fazer uma ressalva para o fato de que tais informações foram
coletadas nos grandes centros populacionais.
Complementando os estudos já citados, segue a pesquisa de marketing realizada pela
Rede Bahia de Televisão, filial da Rede Globo de Televisão, sobre o perfil de consumo dos
idosos brasileiros.
De um modo geral, encontra-se em todas as fontes um desenho do perfil sócio-
demográfico da população idosa brasileira, sendo possível obter dados seguros sobre esse
segmento no que diz respeito ao estado de Mato Grosso do Sul.

5 Resultados e Discussão

5.1 Perfil Sócio-demográfico da população idosa

O fenômeno de crescimento da população idosa não é um fato isolado, tão pouco


recente. Nos últimos anos observa-se uma aceleração na taxa de crescimento da população
idosa. De acordo com o estudo Síntese dos Indicadores Sociais 2005 do IBGE, o Brasil possui
17,6 milhões de brasileiros com mais de 60 anos, o que representa cerca de 9,7% da
população. A projeção para 2020 é que esse segmento chegue a mais de 30 milhões pessoas,
ou seja, 13% da população brasileira.
Uma taxa que pode expressar bem o crescimento da população idosa brasileira é a
relação idoso/criança4. Pesquisa do IBGE (2002) revela que, em 1980, a proporção era de
15,9%, passando para 21% em 1991 e, finalmente em 2000 a relação passa para 28,9%.
Mato Grosso do Sul ainda fica abaixo da média brasileira, ficando com relação em 24,69%.
Pode-se observar que a relação idosos/crianças praticamente dobra em cerca de 20 anos.
Voltando ao caso sul-matogrossense, apesar de possuir média da relação idoso/criança
menor que a brasileira, em termos relativos o número de idosos entre 1991 e 2000 cresceu
aproximadamente 50%, passando de 104.852 para 157.157.
4
O IBGE considera criança aqueles entre 0 e 14 anos de idade.
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O crescimento da população idosa mundial vem sendo observada desde 1950, onde
existiam cerca de 204 milhões de idosos, cinco décadas depois, nos idos de 2000, a
população chegava a 579 milhões de pessoas. As projeções são mais desafiadoras, estima-se
que em 2050 essa população chegue 1,9 bilhão de pessoas, um montante equivalente à
população infantil de 0 a 14 anos de idade (ANDREWS, 2000). Nota-se que a taxa de
crescimento brasileira é maior que a mundial, pois o crescimento que verifica-se em duas
décadas só foi alcançado em cinco em proporção mundial. As razões que levam a esse
crescimento acelerado são várias, porém pode-se apontar a diminuição da taxa de
fecundidade e o aumento da expectativa de vida. ANDREWS (2000) nos revela que desde
1950 a esperança de vida ao nascer em todo o mundo aumentou 19 anos.
As projeções mundiais para 2050 vão além, IBGE (2002) estima que a relação de
idosos na população será de um para cinco e em países mais velhos a relação chegará de um
para três. Atualmente a relação de idosos na população mundial é de um para dez. O
número de pessoas com mais de 100 anos aumentará significativamente nas próximas
quatro décadas, ANDREWS (2000) estima que o número de pessoas com 100 anos ou mais,
que hoje é de 145 mil, aumentará 15 vezes, chegando a cerca de 2,2 milhões de pessoas.
Fato relevante que deve promover mudanças nas relações de trabalho é a relação entre
população ativa e inativa, pois se projeta a redução desse índice para menos da metade com
o aumento da população idosa.
O Censo 2000 (IBGE, 2002) reporta que a população idosa brasileira era de
14.536.029, praticamente 4 milhões a mais que em 1991, quando esse segmento possuía
10.722.705 pessoas. Dentro desse universo houve um crescimento mais acentuado entre
aqueles com 75 anos ou mais, variou cerca de 49,3%. Em termos relativos, as capitais que
apresentam maior proporção são Rio de Janeiro, 12,8%, e Porto Alegre, 11,8%. As capitais
com menor relação estão situadas na região norte, sendo Boa Vista responsável por 3,8% e
Palmas, a menor relação, por 2,7%. Em números absolutos a cidade de São Paulo registra
aproximadamente 1 milhão de idosos. Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, é a décima
segunda capital com maior relação de idosos em sua população, possuindo 7,26% e, em
termos relativos, 48.215 mil habitantes.
Comparando-se a representatividade da população idosa brasileira de 1991 e 2000
com o número de habilitantes da terceira idade no estado de Mato Grosso do Sul, todos
segundo o IBGE (2002), chega-se a conclusão que a população idosa sul-matogrossense
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ainda encontra-se em níveis pouco superiores a média brasileira de 1991. Esse dado permite
verificar que o estado possui uma população mais jovem e, portanto, mais ativa, o que
implica em maior mão-de-obra disponível.
O fato dos níveis apresentados serem próximos aos números brasileiros de 1991
permite projetar o futuro com base na série história da média brasileira, como pode-se
verificar no gráfico 1 a seguir, e obter um cenário mais realista, possibilitando antecipar
problemas e necessidades que advenham do crescimento da população idosa.

Gráfico 1: Distribuição percentual da população residente de 60 anos ou mais


de idade, em relação à população residente total, % segundo os grupos de
idade - Brasil - 1991/2000 e Mato Grosso do Sul - 2000.
8,60

9
7,30

7,30

8
7
6
5 1991
2,70

4
2,54
2,50

2000 - BR
2,10

2,10
1,90

1,90

1,73
3
1,60

1,60
1,37
1,30

2000 - MS
2
1
0
60 anos ou 60 a 64 anos 65 a 69 anos 70 a 74 anos 75 anos ou
mais mais

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Perfil dos idosos


responsáveis pelos domicílios no Brasil – 2000. Rio de Janeiro: 2002.
Para que compreender perfeitamente o perfil sócio-demográfico da população idosa
brasileira, este estudo foi divido em cinco partes, as quais se relacionam a uma determinada
característica desse segmento, ou seja, sexo, raça e religião, distribuição, condição no
domicílio, situação educacional e rendimento.

5.1.1 Sexo, raça e religião

A população idosa brasileira é, de um modo geral, mais feminina, o que acompanha a


realidade da população não idosa. No segmento da terceira idade encontrava-se 54% de

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mulheres em 1991 e 55% em 2000. A população não idosa possui, segundo o SESC (2006),
uma maior predominância feminina, sendo as mulheres 57% do total. A despeito do
analisado, pode-se verificar que a longevidade masculina aumentou dois pontos percentuais
em relação à população não idosa, mas apesar do crescimento do número de homens idosos
em relação aos não idosos, a predominância de mulheres ainda verifica-se em razão desta
possuir, no Brasil, oito anos de expectativa de vida a mais que os homens (IBGE, 2002). Em
Mato Grosso do Sul, observa-se o fenômeno inverso, isto é, a população idosa é mais
masculina que feminina, sendo a relação, em 1991, de 51,87% de homens e, em 2000, de
50%. A capital sul-matogrossense segue a tendência brasileira com a o índice de 54,53% de
mulheres.
A pesquisa conduzida pelo SESC (2006) sobre os idosos no Brasil revela que a
população brasileira, de um modo geral, é predominantemente branca (42%), sendo
acompanhada de perto por aqueles que se declararam pardos (37%) e, em menor
proporção, por negros (14%). Quando se considera somente os idosos esses números se
destacam, tendo, principalmente, a população branca um grande crescimento, passando a
representar 51% do total, restando 31% de pardos e 12% de negros. Ao se tratar da
ascendência racial, observa-se uma clara inversão em relação aos números da população
brasileira em geral e dos não idosos, onde 38% do total declaram sua ascendência como
negra e branca (parda) e somente 29% como branca, ao passo que os idosos declaram que
30% têm origem negra e branca (parda) e 42% como branca. Os dados apresentados
refletem o retrato da história brasileira, onde os brancos sempre estiveram nas camadas
sociais mais abastardas que, por conseqüência, conseguiram prolongar sua expectativa de
vida graças a melhores condições financeiras de investir em saúde.
No tocante a religião, SESC (2006) apresenta que os idosos são mais católicos e
menos evangélicos que os não idosos, sendo a relação de 73% para 62% dos católicos e de
21% para 26% dos evangélicos respectivamente. A maior diferença quanto à religião pode
ser observada entre homens e mulheres idosos, isto é, 26% do total de mulheres se
declaram evangélicos, enquanto eles representam somente 15% do total dos homens.

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5.1.2 Distribuição urbana-rural

A população idosa, acompanhando o processo de urbanização brasileiro, é


predominantemente urbana, passando, segundo IBGE (2002), de 76,6% em 1991 para 81,4%
em 2000. Apesar da grande distribuição da terceira idade nas cidades, quando perguntado
sobre onde passou a maior parte da vida esse número de idosos urbanos cai para 51%,
contra 38% em áreas rurais e 10% entre um e outro. A média observada de 81,4% de idosos
em áreas urbanas está alinhada a média de não idosos, o que permite visualizar claramente
o processo migratório do campo para as cidades.
O estado de Mato Grosso do Sul tem mais idosos nas regiões urbanas do que nas
zonas rurais, sendo a proporção de 85,54% nas cidades contra 14,46% no campo conforme
indica IBGE (2002). O presente número representa um crescimento na população idosa
urbana de aproximadamente 4% em relação ao censo de 1991, onde o percentual era de
81,83%. A cidade de Campo Grande possui um perfil essencialmente urbano com 98,86%
dos idosos residindo fora da zona rural. Pode-se resumir a distribuição dos idosos conforme
apresentado no gráfico 2, que apresenta os idosos por distribuição por tipo de domicílio:

Gráfico 2: Pessoas de 60 anos ou mais de idade, responsáveis pelos


domicílios, distribuição percentual, por tipo de domicílio - 2000
98,86
85,54
81,40

100,00
90,00
80,00
70,00
60,00 Brasil
50,00 Mato Grosso do Sul
18,60

40,00 Campo Grande


14,46

30,00
20,00
1,14

10,00
0,00
Urbano Rural

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Perfil dos idosos


responsáveis pelos domicílios no Brasil – 2000. Rio de Janeiro: 2002.

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5.1.3 Condição no domicílio

A terceira idade possui uma grande representatividade no modelo organizacional da


família brasileira, pois, segundo o IBGE (2002), esta é responsável por 62,4% dos domicílios
onde vive algum idoso. Os idosos que são cônjuges estão em 22% dos domicílios, seguidos
por 15,1% daqueles que são outro tipo de parente, isto é, filho(a), enteado(a), pai, mãe,
sogro(a), irmão ou irmã. Em Mato Grosso do Sul os dados são análogos, figurando em 61,8%,
21% e 16,5% respectivamente. Em Campo Grande o número de idosos responsáveis pelos
domicílios é ligeiramente menor, ficando em 59,3%.
Considerando-se todo o universo dos domicílios brasileiros, os idosos figuram como
responsáveis em 20% deles, ou seja, 8.964.850 lares. Essas pessoas quando classificadas
quanto ao gênero observa-se diferenças significativas, pois 62,4% dos domicílios estão sob
responsabilidade de homens. Esse número, baseado em IBGE (2002), apesar de muito maior
que o feminino, sofreu uma grande diminuição em relação ao Censo Demográfico de 1991,
quando o mesmo era de 68,1%. Em média, os idosos responsáveis pelos lares brasileiros têm
69,4 anos, apresentando pequena variação entre homens (68,9) e mulheres (70,2). Mato
Grosso do Sul possui uma média de homens respondendo por domicílios maior que o
número nacional, uma vez que no estado 68,4% dos lares está sob a responsabilidade de
homens, o que representa, em valores absolutos, 65.418 residências. Quando se considera
somente a capital do estado nota-se valores menores, pois somente 63% (17.878) dos lares
estão sob responsabilidade dos homens, valor bem menor que os 70,3% (11.675)
observados no Censo Demográfico de 1991.
Um fenômeno que cresceu na faixa de 16,2% e que merece destaque é o número de
idosos residindo em domicílios unipessoais, ou seja, sozinhos. No Censo Demográfico de
1991, foram observados 15,4% da população idosa nessa situação, enquanto em 2000 foram
observados 1.603.883 lares nessa condição, o que representa 17,9% do total de domicílios
com idosos. Quando classificados pelo gênero fica claro que o número de idosas residindo
sozinhas é muito maior que o de homens, pois elas respondem por 67,9% (1.072.591) dos
lares unipessoais. O IBGE (2002) explica esse fenômeno através da tendência dos homens
“viúvos ou separados se recasarem com maior freqüência que as mulheres nas mesmas
condições”. Quando se observa a distribuição dos lares unipessoais entre as capitais verifica-
Página 12-25
se uma grande disparidade, estando a capital sul-matogrossense entre os extremos
brasileiros com 18,3% dos domicílios de idosos nessa situação, onde Porto Alegre figura com
o maior percentual, 27,1%, e São Luís o menor percentual, 8,6%.
Quando se considera somente os lares onde o idoso reside com os familiares
observa-se que a média brasileira de componentes está na casa de 3,2 pessoas, o que
representa uma pequena queda em relação ao índice apresentado no Censo Demográfico de
1991, o qual era de 3,5 pessoas. Como se é de esperar, esse índice possui variação entre as
regiões do Brasil, tendo o Sul a média de 2,8 componentes contra 4,3 na região Norte. O
Centro-Oeste acompanha a média brasileira com 3,1 pessoas por domicílio. Para detalhar o
número de residentes em domicílio de idosos, pode-se utilizar a pesquisa realizada pelo SESC
(2006) com o intuito de determinar o perfil do idoso brasileiro, na qual se obteve o seguinte
resultado: em 15% reside só, em 29% residem duas, em 19% três, em 16% quatro, em 10%
cinco, em 5% seis e em 5% seis ou mais pessoas.
Quanto a quem vive nesses domicílios, verifica-se através da pesquisa SESC (2006)
que a grande parte dos idosos (54%) vive com os filhos, sendo seguido pelo cônjuge (51%),
netos (30%), genro/nora (10%) e em menos proporção com irmãos(ãs) (4%), empregados
domésticos residentes (2%), sogro(a) (1%), agregados não parentes (2%) e outros parentes
(7%). Ao classificar os idosos entre homens e mulheres obtêm-se significativas variações,
pois 71% dos homens vivem com seus cônjuges contra 36% das mulheres, do outro lado as
mulheres vivem mais com os netos e genros/noras que os homens, com 36% e 13% contra
23% e 7% dos homens respectivamente. O cônjuge e os filhos são indicados como as pessoas
mais próximas no que diz respeitos a cuidados, sendo os primeiros indicados por 38% e os
segundos por 27% dos entrevistados.
Quanto à composição dos lares onde residem idosos, pode-se observar com base nos
dados do Censo Demográfico 2000 que em 54,5% desses domicílios residem filhos ou
enteados. Dessa população, pode-se verificar que 49,7% dos residentes têm 18 anos ou
mais. Fato interessante é que 15% dos residentes nesses lares possuem até 18 anos, o que
nos permite inferir que podem ser fruto de “uniões com cônjuges mais jovens”. Os dados de
Mato Grosso do Sul são pouco inferiores à média nacional com 50,5% residindo com filhos
ou enteados. Dentro desse universo, 44,8% moram com maiores de 18 anos e 15,4% com
pessoas até 18 anos. A capital sul-matogrossense apresenta percentuais maiores que o
estadual, os quais revelam que 52,38% dos idosos responsáveis por domicílios residem com
Página 13-25
filhos ou enteados. Em Campo Grande 47,96% residem com maiores de 18 anos e 11,07%
com residentes até 18 anos. Pode-se verificar no gráfico 3 a distribuição dos idosos por tipo
de domicílios e grupos de idade dos filhos no domicílio:

Gráfico 3: Pessoas de 60 anos ou mais de idade, responsáveis pelos


domicílios, por tipo de domicílio e grupos de idade dos filhos no domicílio -
2000
54,50
52,80
52,38

49,70
47,96
47,70
60,00
50,00
40,00
19,00
18,25
17,90

30,00
Brasil
20,00
6,70
6,40

6,20
5,90
4,99

4,69
2,30
2,10

Mato Grosso do Sul


1,39

10,00
Campo Grande
0,00

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Perfil dos idosos


responsáveis pelos domicílios no Brasil – 2000. Rio de Janeiro: 2002.
O tipo mais comum de arranjo familiar dos idosos é o de casal com filhos e/ou outro
parente, o qual representa 36% dos domicílios. Quando classificados pelo gênero, observa-
se que os homens tendem a formar arranjos através de casais, ou seja, casal sem filho
(25,9%) ou casal com filho e/ou outro parente (55,5%), enquanto as mulheres têm tendência
a se arranjar morando sozinha (31,8%) ou morando com filhos e/ou outros parentes (61,5%).
Ainda quanto aos domicílios dos idosos, porém agora observando as condições de
saneamento, isto é “com escoadouros ligados à rede geral ou fossa séptica, servidos de água
proveniente da rede geral de abastecimento e com lixo coletado direta ou indiretamente
pelo serviço de limpeza”, pode-se observar pelo IBGE (2002) que 56,8% dos lares de idosos
possuem condições adequadas de saneamento contra 15,6% em condições inadequadas.
Desponta positivamente a região Sudeste com o percentual de 79,5% de domicílios bem
atendidos e negativamente a região Norte com 24,1%. O Centro-Oeste figura abaixo da
média brasileira com 37,3% dos lares em condições adequadas, 47,9% em semi-adequação e
14,8% em estado inadequado.

Página 14-25
Em SESC (2006) pode-se verificar que os idosos vivem, em sua grande maioria, em
residência próprias, com 79% do total, sendo seguidos por 11% residindo em situação de
aluguel, 6% em residência cedida e 3% morando com algum parente. O índice dos não idosos
fica próximo com 64%, 22%, 7% e 5% respectivamente. Do universo de casas próprias
brasileiras, observa-se que 52% delas já estão pagas, 4% financiadas e somente 7% foram
recebidas como herança, o que pode representar um futuro mais confortável para as
gerações vindouras no que tange a residir em imóvel próprio recebido como herança.

5.1.4 Situação educacional

Quando se lida com estatísticas voltadas a situação educacional de populações idosas


consegue-se obter um reflexo das políticas educacionais das primeiras décadas do século
passado. A situação educacional dos idosos, muito mais que para os não idosos, representa
uma condição vida melhor para si e seus familiares. Muito mais que em décadas passadas,
os desafios atuais de nosso dia-a-dia exigem um maior grau de instrução fins de possibilitar
uma melhor compreensão e solução das dinâmicas sociais atuais.
No que tange a situação educacional dos idosos, observa-se nas últimas duas décadas
um grande avanço na redução da taxa de analfabetismo5 entre idosos. O número de idosos
alfabetizados levantados pelo Censo Demográfico 2000 revela que 64,8% sabem ler e
escrever um bilhete simples, o que representa um crescimento de 16,1% em relação ao
Censo Demográfico anterior, em 1991. Quando esses números são divididos por sexo,
verifica-se que a relação de homem e mulheres alfabetizados pesa mais para os primeiros,
onde se encontra 67,7% contra 62,6%. No cenário sul-matogrossense o quadro é semelhante
com 64% da população idosa alfabetizada, porém observa-se uma grande disparidade entre
homens (68,1%) e mulheres (59,8%).
O número médio de anos estudados revela que a situação educacional da terceira
idade é precária, pois os idosos têm, em média, 3,4 anos de estudo, sendo que os homens

5
“A alfabetização é medida pela proporção de pessoas que se declararam como sabendo ler e escrever pelo
menos um bilhete simples. Essa forma de investigação tem sido utilizada usualmente pelo IBGE nas suas
pesquisas domiciliares, o que proporciona o acompanhamento temporal desse indicador”. (IBGE, 2002)

Página 15-25
possuem 3,5 e as mulheres 3,1. Entre os Censos Demográficos de 1991 e 2000 foi observado
um crescimento nessa taxa de 25% entre os homens e 29,2% entre as mulheres. Os dados de
regionais revelam uma situação mais crítica que a observada no Brasil, pois Mato Grosso do
Sul possui média abaixo da nacional com 2,8 anos de estudos, sendo o 9° estado no ranking.
Campo Grande, apesar de estar acima da média nacional está distante dos índices
alcançados pelas outras capitais brasileiras com apenas 4,3, muito aquém dos 7,2
observados em Florianópolis, o que lhe confere a 20ª posição dentre as capitais.
Os dados do Censo Demográfico 2000 revelam que o analfabetismo funcional 6 é uma
realidade entre a terceira idade. Naquela data 59,4% dos idosos responsáveis por domicílios
tinham no máximo 3 anos de instrução. Em Mato Grosso do Sul o a situação é mais crítica,
pois o estado possui 65,8% daquele universo na condição de analfabetismo funcional, porém
é mais amena na cidade de Campo Grande, a qual possui 49,7% do universo considerado
nessa condição, o que lhe confere a 18ª posição entre as capitais. Os altos níveis
encontrados na pesquisa têm sua origem, principalmente, no número de responsáveis por
domicílios com mais de 75 anos de idade, os quais possuem nível de analfabetismo funcional
em 67,4% no cenário nacional. O gráfico 4 pode-se verificar a distribuição da população
idosa em relação aos anos de estudos com base na média brasileira, estadual, de Campo
Grande e entre homens e mulheres sul-matogrossenses:

Gráfico 4: Pessoas de 60 anos ou mais de idade, responsáveis pelos


domicílios, distribuição percentual, por sexo e classes de anos de estudo
- 2000
44,00
39,30
37,10

45,00
34,70

40,00
27,10
26,50

35,00
25,60

25,20
24,70
24,10

30,00 Brasil
20,50
20,10
17,60
16,80

25,00
15,30

Mato Grosso do Sul


20,00
Campo Grande
9,00
8,60

15,00
7,00

6,40

5,60
5,40
5,20
5,00
5,00

5,00

4,90
4,80

4,80

4,70
4,20

4,20
4,10
3,00
2,60

10,00 Homem MS
1,70

5,00
Mulher MS
0,00
sem a 1 1a3 4 anos 5a7 5 a 10 11 a 14 15 anos
ano anos anos anos anos ou mais

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Perfil dos idosos


responsáveis pelos domicílios no Brasil – 2000. Rio de Janeiro: 2002.
6
Pessoas com menos de 4 anos de estudo. (IBGE 2002)
Página 16-25
5.1.5 Rendimento

O estudo dos rendimentos de uma população fornece um bom critério para a análise
da capacidade de compra e, por conseqüência, da capacidade de promover um bem estar
para si e sua família. Nesse contexto, a terceira idade brasileira demonstrou um crescimento
de 63% entre os Censos Demográficos de 1991 e 2000, 21% pontos percentuais a mais que
os não idosos, porém ainda menor em valores nominais que esta última. Quando se
classifica esses dados entre rural e urbano pode-se notar um maior incremento nas zonas
rurais, as quais atingiram 76,8% de crescimento, 24,2% pontos percentuais a mais que os
não idosos destas zonas. Quando refere-se às áreas urbanas, o valor é de 54,9%, também
acima do crescimento das pessoas com mais de 10 anos, que ficou em 34,9%. Em Mato
Grosso do Sul o crescimento observado no período é pouco abaixo da média nacional,
ficando em 61,53% no geral, 59,06% na cidade e 65,70% no campo.
Apesar do crescimento acelerado da renda nas zonas rurais, as diferenças nominais
entre essas áreas ainda são acentuadas, sendo o valor do rendimento rural somente 40,18%
da renda urbana, que em termos nominais seriam, pelo Censo Demográfico de 2000, R$
739,00 nas cidades e R$ 297,00 no campo, perfazendo uma média de R$ 657,00. Esses
números são menos desiguais quando focamos somente em Mato Grosso do Sul, pois no
estado a renda rural representa 79,66% da urbana, que em valores nominais seriam R$
517,00 para R$ 649,00 e, na média, R$ 630,00.
O rendimento urbano e rural sul-matogrossense está abaixo da média nacional,
porém é suficiente para colocar o estado em posição de certo destaque, pois possui, no que
tange às zonas urbanas, valor inferior apenas em relação aos estados do sudeste, sul e
distrito feral. Quando considerado somente o rendimento das zonas rurais, o estado se
apresenta como destaque, ficando em quarto lugar, atrás somente de Distrito Federal (R$
1.326,00), Goiás (R$ 540,00) e São Paulo (R$ 531,00). Ao se analisar a cidade de Campo
Grande pode-se observar uma característica presente somente nesta capital, que é o maior
rendimento na zona rural em relação às áreas urbanas. A capital sul-matogrossense possui
em média o rendimento per capta idoso de R$ 958,00, o que se pode considerar uma média
relativamente baixa, assim como a média urbana que é de R$ 955,00, porém quando se
considera o rendimento das zonas rurais obtêm-se o valor de R$ 1.204,00, que é o terceiro
Página 17-25
maior dentre as capitais, ficando atrás somente de Florianópolis (R$ 1.651,00) e Brasília (R$
1.326,00).
O IBGE (2002) entende que o salário mínimo destina-se a cobrir as despesas básicas
de uma pessoa, sendo, portanto, considerado o divisor de águas da pobreza. Apesar de
observar-se anteriormente que a média nacional está acima do valor do salário mínimo, a
grande verdade é que quase metade (44,5%) dos idosos responsáveis por domicílios
recebem até um salário mínimo e quando se atem somente ao estado de Mato Grosso do
Sul obtêm-se um valor mais consideráveis, isto é, 47,3% dos idosos nessa situação. No
gráfico 5 pode-se visualizar as diferenças em salários mínimos entre as populações urbanas e
rurais do Brasil, do Mato Grosso do Sul e de Campo Grande.

Gráfico 5: Pessoas responsáveis de 60 anos ou mais de idade, total e


respectiva distribuição percentual, por classes de rendimento nominal mensal
e situação do domicílio - 2000
65,00

70,00
47,70
47,30

60,00
39,80

50,00
35,30
34,80

Brasil Urbano
29,80

40,00
23,50
22,90

20,90

Brasil Rural
17,20
16,00

30,00
15,20

15,20

15,10
15,10

10,60
10,20

10,10

MS Urbano
8,80

20,00
8,50

8,10
7,90

7,70

7,40
7,20
7,00
6,60

6,20
5,20

5,20
5,00

4,90
4,40

4,30
3,80

10,00 Ms Rural

0,00 CG Urbano
CG Rural

Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Perfil dos idosos


responsáveis pelos domicílios no Brasil – 2000. Rio de Janeiro: 2002.
Em SESC (2006), observa-se que 92% dos idosos têm alguma fonte de renda própria,
sendo o percentual mais representativo entre os homens, onde se encontram 97% contra
87% das mulheres. Como grande parte dos idosos é responsável pelo domicílio, encontra-se
o percentual de 88% contribuindo para a renda familiar, distribuídos entre 95% para homens
e 83% para mulheres.
A principal fonte de renda do idoso brasileiro, como se pode esperar, vem da
aposentadoria. Entre os homens observa-se o percentual de 39% de aposentados por tempo

Página 18-25
de serviço e 28% por idade, enquanto entre as mulheres encontram-se os percentuais de
28% e 26% respectivamente.
SESC (2006) revela, ainda, que os idosos homens têm significativa permanência na
população economicamente ativa, onde se observa que 36% continuam trabalhando. Os
dados que compões tal percentual são formados por 15% de idosos que não são
aposentados e exercem atividade remunerada, 3% que se consideram desempregados e
18% que estão aposentados, porém continuam exercendo atividade remunerada. Entre as
mulheres os percentuais são menores, sendo que somente 13% das idosas estão na
população economicamente ativa, dentre as quais 8% são referentes àquelas que não
aposentaram e 5% àquelas que continuam trabalhando.

5.2 Demandas Setoriais

O mercado brasileiro não despertou para o potencial de consumo dos idosos, não
sendo possível comparar, de forma alguma, a terceira idade de hoje com os idosos de duas
ou três décadas atrás.
Esse nicho de mercado cresce vertiginosamente com o passar dos anos, sendo que já
observamos no velho continente, campanhas e promoções voltadas especificamente a este
público.
Em estudo de mercado realizado pela Rede Bahia de Televisão, filial da Rede Globo
de Televisão, em setembro de 2005 e em SESC (2006), foram verificados dados reveladores
sobre as demandas setoriais dos idosos brasileiros, as quais serão apresentados a seguir.

5.2.1 Vestuário

A vestimenta é um problema enfrentado por grande parte dos idosos, pois o


mercado não possui linhas destinadas a esse nicho de mercado. Dados apontam que 36%
dos idosos não encontram roupas que lhe agradem com facilidade. Nesse universo, 42% dos
Página 19-25
entrevistados têm dificuldades em comprar roupas sociais, ao ponto que mesmo quando
encontram os modelos não os agradam. Percentual tão elevado é observado em razão dos
números disponíveis não serem adequados ao tamanho dos idosos, bem como as cores e
estampas apresentadas são desalinhados às tendências da moda. Outro ponto observado
pelos idosos sobre a falta de vestimenta diz respeito à escassez de roupas adequadas às
pessoas hospitalizadas.
Ainda no que tange a vestimenta, porém observando-se os calçados, verifica-se que
existe uma demanda latente em relação a calçados com aparência similar aos já
comercializados nas empresas do ramo, porém que apresentem um maior grau de conforto
e que tenham o mesmo custo para o cliente. Nesse ramo de negócios alguns itens são
apontados como mais difíceis de se encontrar, quais sejam: sapatos para festas e uma linha
especial que atenda a necessidades dos diabéticos.

5.2.2 Alimentação

Os dados da pesquisa da Rede Bahia de Televisão revelam pontos interessantes do


perfil de consumo do idoso brasileiro. Essa população específica gasta, em média, 24% de
sua remuneração com alimentação. O ramo de restaurantes se beneficia desse percentual,
uma vez que 75% dos idosos afirmam que freqüentam estes estabelecimentos pelo 3 vezes
ao mês, porém reclamam que a maioria desses locais não possuem condições de
acessibilidade adequadas a este público, dada a ausência de rampas de entrada com barras
de apoio e pisos antiderrapantes. Não obstante à questão de infra-estrutura, figuram como
problemas observados a ausência de lugares reservados a cadeirantes, bem como serviços
de atendimento especial e orientação quanto à escolha da alimentação.
O gasto de alimentação com supermercados revela uma característica muito
importante para o segmento, isto é, os idosos fazem suas escolhas de consumo baseados na
qualidade e não no preço. Dos 93% de idosos que freqüentam supermercados, 62%
escolhem com base na qualidade e na marca, enquanto somente 27% desse percentual são
sensíveis ao preço. Dentre as dificuldades mais apontadas por essa população estão a
dificuldade de encontrar produtos naturais e diet, bem como produtos integrais, tais como
Página 20-25
arroz e macarrão, e, ainda, cosméticos específicos. Não obstante às queixas apresentadas,
apontam-se, ainda, as referentes ao atendimento precário dos caixas, dos carrinhos de
compras não apropriados para tal público e as grandes filas, mesmo nos caixas preferenciais
para idosos.
Complementando a pesquisa da Rede Bahia de Televisão, SESC (2006) aponta que os
principais alimentos consumidos pelos idosos são arroz (92%), feijão (90), verduras (72%),
carne vermelha (71%), carnes brancas (66%), legumes (55%), leite e derivados (47%), frutas e
sucos (46%), café (44%), pães e lanches (41%), massas (31%), ovos (26%), biscoitos (16%),
farinha (16%), fubá (13%), mandioca (13%), doces (10%), refrigerantes (9%), frios (7%) e
produtos enlatados (4%).

5.2.3 Cuidados Pessoais

No quesito cuidados pessoais os idosos se mostram muito preocupados com o bem


estar pessoal, pois 80% dessa população afirmam freqüentar salão de beleza ou barbeiro.
Apesar da procura por serviços desse tipo, alguns problemas têm sido observados, uma vez
que grande parte aponta que não estão satisfeitos com os serviços de depilação, quanto aos
produtos de maquiagem e tinturas utilizados, bem como o tamanho das letras nos rótulos
dos cremes e sabonetes, o que pode, de certa forma, ser estendida para outra gama de
produtos.

5.2.4 Lazer e Recreação

SESC (2006) aponta que as principais atividades realizadas pelos idosos são assistir
televisão (93%), ouvir rádio (80%), cuidar de plantas (63%), leitura (52%), cantar (23%), jogar
carta, dominó e/ou xadrez (19%), bordado, tricô e/ou crochê (16%), palavras cruzadas (13%),
ir a bailes ou danças (12%), visitar museus e/ou exposições (12%), ir a show de música (11%),
ir ao cinema (9%), artesanato em geral (8%), dentre outras. Complementando o estudo do
Página 21-25
Serviço Social do Comércio pesquisa da Rede Bahia de Televisão revela que 77% dos idosos
citam como atividade preferida a caminha, acompanhado de 72% que apreciam passear nos
Shopping Centers e 62% que gostam de viajar.

5.2.5 Turismo

Como verificamos anteriormente, segundo a Rede Bahia de Televisão, 62% dos idosos
apontam como preferência de lazer a realização de viagens. Paralelo a predisposição desse
nicho para a realização do turismo, outro fator que contribui para potencializar a atividade
para esse público é a disponibilidade de tempo por parte dessa população, o que permite,
inclusive, fornecer pacotes mais atrativos em épocas de baixa temporada.
Apesar de promissor, algumas considerações precisam ser feitas para a prestação
adequada dos serviços, pois ao se montar um pacote de turismo deve-se atentar para
detalhes referentes à alimentação, hospedagem e transporte.
Nesse sentido, apontam-se como boas práticas adequadas a esse nicho a escolha de
hotéis com pisos antiderrapantes, rampas de acesso, corrimões, banheiros com apoios de
segurança, check-in rápido e funcionários para carregar bagagens. No quesito alimentação,
porém ainda ligado aos hotéis, é importante que o local escolhido forneça um cardápio leve
e balanceado e que sirva as três refeições. Quando a locomoção deve-se optar por
transportes que tenham motoristas pacientes e atenciosos, bem como ônibus com poltronas
confortáveis e espaçosas, banheiros adequados e escadas adaptadas para fácil acesso no
embarque e desembarque.

5.2.6 Finanças

Dois produtos que estão sendo disponibilizados para o público idoso e que não
beneficiam somente as instituições financeiras, mas todos os ramos de negócios, são o

Página 22-25
empréstimo atrelado ao pagamento do INSS e os cartões de crédito exclusivos para
pensionistas da Previdência Oficial.
O primeiro produto, o empréstimo com pagamento atrelado ao benefício do INSS,
movimenta mais R$ 4,3 bilhões de reais, tendo mais de dois milhões de beneficiados,
conforme afirma a filial da Rede Globo de Televisão na Bahia. O risco em tal tipo de
financiamento é praticamente nulo, uma vez que o desconto é realizado diretamente junto
ao crédito disponibilizado pelo Instituto Nacional da Seguridade Social, bem como não se
promove o endividamento do indivíduo, uma vez que o Governo Federal limita o desconto a
10% do valor do benefício.
O segundo produto, o cartão de crédito exclusivo para pensionista do INSS, trata-se
de um cartão de crédito como qualquer outro disponível no mercado, porém com a grande
vantagem de não cobrar anuidade e possibilitar ao beneficiário o financiamento de suas
despesas através de crédito rotativo com taxas muito abaixo das praticadas pelo mercado, o
qual disponibiliza, em média, a 12% ao mês contra 4% nesse tipo de cartão, bem como
estende o prazo de pagamento para 40 dias.

5.2.7 Saúde

Em SESC (2006) observa-se que 81% dos idosos afirmam possuir algum tipo de
doença, sendo que as maiores queixas são referentes a hipertensão, problemas de vistas e
dores nas costas. A grande maioria dessa população utiliza o Sistema Único de Saúde (68%),
porém 35% ainda optam por soluções particulares, uma vez que 24% utilizam plano de
saúde particular e 11% paga médico ou hospital particular. A pesquisa aponta, ainda, que
71% dos idosos pagam pelos medicamentos que necessita.
Os dados apresentados por SESC (2006) permitem a identificação de atuação por
parte de farmácias e profissionais e instituições de saúde, mas também permite aos demais
segmentos entender as limitações de saúde dos idosos, possibilitando o desenho de mix de
produtos e campanhas mais adequadas a realizada daquela população.

Página 23-25
6 Conclusão

O segmento de mercado dos idosos possibilita o investimento de diversos setores da


economia, em especial em Mato Grosso do Sul e Campo Grande, onde os dados
apresentados mostram que a terceira idade ainda está se desenvolvendo.
Como se verifica no decorrer desse estudo, fatores como o crescimento de um
grande contingente de idosos no país, expresso pela relação idoso/criança, mostra que esse
público praticamente dobrará em 20 anos no Brasil. Embora a referida proporção seja
menor em Mato Grosso do Sul, a pesquisa IBGE (2002) revela que o número de idosos
cresceu 50% entre 1991 e 2000, passando de 104.852 para 157.157 indivíduos.
Potencializando a vantagem de crescimento desse nicho de mercado, a renda da
população que o compõe também se mostra atrativa, pois o estado fica atrás somente das
regiões mais desenvolvidas do país, isto é, sul e sudeste. A renda no estado, conforme
apresentado por IBGE (2002) é de R$ 649,00 na cidade e R$ 517 no campo. Apesar da
diferença existente, observa-se na capital que a renda do idoso da zona rural é ainda mais
atrativa que a média estadual, uma vez que o valor observado de R$ 1.024,00 é o terceiro
maior do Brasil.
Os vetores crescimento populacional e aumento da renda permitem aos empresários
obterem maiores lucros com o desenvolvimento de produtos e serviços destinados a
atender a esse novo público, a exemplo dos resultados obtidos nos países de população mais
velha.
O momento para entrar nesse mercado não poderia ser melhor, pois o crescimento
acelerado dessa população motivou o Governo Federal a desenvolver linhas de créditos
específicas para esse público, o que os habilita a consumir com maior intensidade que
anteriormente.
Os empreendedores que pretendem segmentar seus produtos e serviços para o nicho
de mercado dos idosos devem ter em mente que este público é altamente exigente e que
não são, em sua maioria, sensíveis a preços, mas sim procuram produtos de qualidade e
marca consolidada, bem como serviços adaptados a suas necessidades de acessibilidade.

Página 24-25
Abstract

This article approaches the profile of the sul-matogrossenses and its sectorial demands of
consumption aged. The objective, beyond characterizing this population in the state of Mato Grosso
do Sul, is to understand the necessities of this public who grows of sped up form. For the elaboration
of this article, had been studied demographic and mannering research of institutions of high national
credibility.

keyword: third age; aged; consumption profile.

7 Referências Bibliográficas

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