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UNIDADE

DIAGNÓSTICO
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1–) O QUE É O DIAGNÓSTICO ECONÔMICO-FINANCEIRO:

O produto da análise de balanço são relatórios escritos em linguagem corrente. Ao contrário das
demonstrações financeiras, os relatórios da análise devem ser elaborados como se fossem dirigidos
a leigos, ainda que não o sejam, isto é , sua linguagem deve ser inteligível por qualquer mediano
dirigente da empresa, gerente de banco ou gerente de crédito. É claro que isto não acontece com as
demonstrações financeiras que apresentam-se carregadas de termos técnicos. Assim, dentro do
possível, a análise de balanços deve também assumir o papel de tradução dos elementos contidos
nas demonstrações financeiras.
Deve-se atentar ao elaborar um relatório de análise de balanços para não fornecer apenas dados
e sim informações sobre esses dados.
Freqüentemente nos defrontamos com relatórios que se estendem em frases como:
“O índice de endividamento é de 220%; isto significa que para cada R$ 100,00 de capital
próprio existem R$ 220 de terceiros. Este índice mostra um crescimento de 10% em relação ao ano
anterior que, por sua vez já crescera 18%. Os recursos são predominantemente de curto prazo
(85%). Já os índices de liquidez encontrados foram respectivamente: liquidez geral: 1,25 ; liquidez
corrente: 1,40 e liquidez seca: 1,01, o que mostra que a empresa tem mais cruzeiros realizáveis do
que dívidas de curto prazo.”
Esse tipo de relatório transforma um tipo de dado encontrado nas demonstrações financeiras em
outros dados, o que para o leitor leigo pouco ou nada vale. Um relatório adequado de análise de
balanços deve, além do acima exposto, apresentar o seguinte:
“O grau de endividamento da empresa encontra-se em nível razoável em relação ao ramo de
atividade; entretanto vêm crescendo de maneira indesejável, pois a dois anos poderia ser
considerado bom. A composição do endividamento mostra um perfil de dívidas insatisfatório
devido à excessiva participação das obrigações de curto prazo. Já a liquidez da empresa pode ser
considerada em níveis satisfatórios.”

2–) EXEMPLO DE DIAGNÓSTICO ECONÔMICO FINANCEIRO:

2.1–) ANÁLISE DA SITUAÇÃO FINANCEIRA

ÍNDICES

2005 2006 2007


LC = 2,97 2,00 1,94
LS = 1,46 0,47 0,46
LG = 2,16 1,65 1,71
Comparação entre prazos de pagamentos e recebimentos

RODR= 35 dias ROFOR 2005= 9 dias (26)


RODR= 28 dias ROFOR 2006= 12 dias (16)
RODR= 24 dias ROFOR 2007= 23 dias (1)

HIATO FINANCEIRO

2005= 17,89 2006= 12,83 2007= 8,04

ANÁLISE

A capacidade de pagamento da empresa considerando a inclusão dos estoques (LC) é boa nos
três anos analisados. Se não consideramos a inclusão dos estoques (LS) apresenta-se boa em 2005 e
desfavorável em 2006 e 2007, identificando que nos dois últimos anos a empresa depende da venda de
seus estoques para pagar seus compromissos.
Quanto a capacidade de pagamento de curto e longo prazo (LG) apresenta-se boa nos três anos
analisados , com queda sensível de 2005 para 2006 e pequena melhora em 2007.
Apesar da capacidade de pagamento de apresentar-se boa, a mesma vem decrescendo nos
últimos anos, se a tendência de queda se mantiver a empresa poderá ter dificuldades de cumprir suas
obrigações no futuro.
Os decréscimos ocorridos nos índices que medem a capacidade de pagamento são originados
pela:
 Não sincronização entre os prazos médios de recebimento e pagamentos, tendo essa
sincronização melhorando em 2007, ainda não sendo ideal;
 Baixa rotação dos estoques, que levavam 126 dias em média para serem vendidos em 2005 e
2006, sendo que em 2007 essa situação piorou pois os mesmos levavam em média 161 dias
para serem vendidos, o que demonstra dificuldades de comercialização ou superinvestimento
em estoques;
O hiato financeiro apresentado nos três últimos anos é totalmente desfavorável.

SUGESTÕES:

 Obter melhores prazos com fornecedores, objetivando melhorar a sincronização entre prazos
médios de recebimentos e pagamentos;
 Aumentar a rotação dos estoques, ou seja, obter um retorno mais rápido dos valores investidos,
para tanto é necessário uma análise dos itens que compõem o mesmo, objetivando:
 Eliminar itens obsoletos ou deteriorados;
 Selecionar e investir em itens que apresentem mais rotatividade;
 Através de política adequada, melhorar a capacidade de vendas da empresa.
 Com essas ações haverá uma melhora no hiato financeiro da empresa e a conseqüentemente
manutenção da capacidade de pagamento.

2.2-) ANÁLISE DA SITUAÇÃO ECONÔMICA

ÍNDICES 2005 2006 2007


GET 27% 38% 39%
SG 3,70 2,62 2,57
GECP 72% 82% 88%
GCT 2,70 1,62 1,57
GII 41% 37% 33%
GICP 57% 60% 55%
RP 2,68 3,45 3,89
ANÁLISE

O endividamento total da empresa apresentou aumento de 11% de 2005 para 2006 e de 12% de
2005 para 2007, apesar do pequeno crescimento a empresa apresente um bom percentual de
endividamento.
Quanto a composição do endividamento verifica-se que um percentual elevado dos recursos de
terceiros utilizados pela empresa vencem a curto prazo, tendo havido um crescimento desses
capitais em 10% de 2005 para 2006 e em 16% de 2005 para 2007. Apesar do endividamento de
curto prazo apresentar-se acima do normal a empresa apresenta bons índices de liquidez para
garantia dessas dívidas.
O índice de solvência geral, apesar do decréscimo ocorrido nos últimos dois anos, é muito bom,
evidenciando que a empresa, no caso de liquidação, terá ativos suficientes para saldar sua dívidas.
A garantia oferecida pelos capitais próprios aos capitais de terceiros, apesar do decréscimo nos
últimos dois anos, é muito boa.
O grau de imobilização do investimento, apresentou um decréscimo de 4% de 2005 para 2006 e
8% de 2005 para 2007, esse índice era de 41% em 2005, 37% em 2006 e 33% em 2007 e identifica
o percentual dos recursos totais que foram aplicados no ativo permanente e Poe diferença no giro
dos negócios.
Como esse índice é considerado normal em torno de 50% e que numa indústria a tendência é
que fique acima desse percentual, constata-se que os índices da empresa apresentam-se abaixo do
razoável, o que indica que a empresa não está investindo na ampliação e modernização do ativo
permanente, o que poderá trazer problemas no futuro.
Apesar da empresa não estar aplicando novos recursos no ativo imobilizado, a atual capacidade
instalada está sendo bem aproveitada pela empresa, o que pode ser constatado através da análise da
rotação do permanente, que apresenta crescimento em 2006 e em 2007, identificando que a
produtividade do permanente é boa.
Quanto ao grau de imobilização dos capitais próprios verifica-se um crescimento de 3% de
2005 para 2006 e um decréscimo de 2% de 2005 para 2007, apesar das pequenas variações os
índices são considerados bons.

SUGESTÕES:

Na análise em conjunto dos índices, verificamos que todos apresentam-se bons, com exceção
do grau de endividamento de curto prazo e do grau de imobilização dos investimentos, cabendo as
seguintes sugestões:
 A empresa deve diminuir o percentual elevado de dívidas de curto prazo e
 Aplicar uma política de renovação e ampliação a atual capacidade instalada através da
utilização de recursos de longo prazo.

2.3-) ANÁLISE DA RENTABILIDADE

2005 2006 2007

RCP (7,0)% (6,8)% 5,0%


RI (5,1)% (4,2)% 3,0%
RO 1,110 1,272 1,297
Margem (0,046) (0,033) 0,023

ANÁLISE

No que se refere aos resultados obtidos, observa-se que em 2005 e 2006, não houve
rentabilidade dos capitais próprios nem retorno do investimento, pois a empresa apresentou
prejuízo nos dois anos, já em 2007 a empresa apresentou uma rentabilidade dos capitais próprios de
5% e um retorno do investimento de 3%, havendo portanto uma melhora significativa em relação a
2005 e 2006, mas ainda baixa em relação as taxas médias de juros de mercado.
Na análise da rotação (giro do ativo) verifica-se que o crescimento dos valores investidos no
ativo foi de 14% de 2005 para 2006 e 17% de 2005 para 2007, portanto inferior ao crescimento das
vendas que foi de 17% de 2005 para 2006 e de 25% de 2005 para 2007, esse fato deve-se
principalmente ao superinvestimento em estoque que teve um aumento de 67% de 2005 para 2006 e
84% de 2005 para 2007, bem como a queda verificada na conta de clientes e no ativo permanente.
Quanto a margem líquida de lucro apresentou valor negativo em 2005, valor negativo em 2006,
mas com melhoria em relação a 2005 e positiva em 2007. A causa da margem negativa em 2005 e
2006 deve-se ao percentual elevado dos custos dos produtos vendidos e 2% das despesas
operacionais ocorridas de 2005 em relação a 2007 ocasionou a melhoria do resultado em 2007.

SUGESTÕES:

Para melhorar a rentabilidade a empresa deverá aumentar a rotação dos estoques, bem como
procurar diminuir o custo dos produtos vendidos através de análise mais aprofundada dos itens
formadores do custo (matéria-prima, mão-de-obra, e gastos gerais de fabricação) procurando saber
qual deles está elevado, bem como tentar diminuir as despesas operacionais.
Com tais medidas haverá uma melhora no giro e na margem líquida do lucro, ocasionando uma
melhora na rentabilidade.