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UNIVERSIDADE

CATÓLICA DE
BRASÍLIA

Mestrado em Direito

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO


SENSU EM DIREITO INTERNACIONAL COMO
INSTRUMENTO DE INTEGRAÇÃO
TRIBUTÁRIA, ECONÔMICA E POLÍTICA.

Dissertação:

LAVAGEM DE DINHEIRO:
A AÇÃO INTERNACIONAL NO COMBATE AO CRIME ORGANIZADO E A SUA
INFLUÊNCIA NO ORDENAMENTO JURÍDICO-ECONÔMICO BRASILEIRO

Autor: Hugo Wolovikis Braga

Brasília 2006
2

HUGO WOLOVIKIS BRAGA

Dissertação:

LAVAGEM DE DINHEIRO:
A AÇÃO INTERNACIONAL NO COMBATE AO CRIME ORGANIZADO E A SUA
INFLUÊNCIA NO ORDENAMENTO JURÍDICO-ECONÔMICO BRASILEIRO

Dissertação apresentada ao Curso de


Mestrado em Direito Internacional
Econômico da Universidade Católica de
Brasília.
Orientador: Professor Doutor João Rezende
Almeida Oliveira

Brasília
2006
3

Dedico este trabalho à minha família e aos meus


estagiários, que contribuíram para a produção do
mesmo.
4

Agradeço aos meus professores pela estimada


atenção e orientação durante o curso de
mestrado.
5

RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo demonstrar a ação internacional no combate ao

crime organizado, no âmbito da lavagem de dinheiro. Verifica-se que o crime organizado

desenvolveu-se juntamente com a globalização através da inserção de valores no sistema

financeiro internacional configurando-se a lavagem de dinheiro. Com o desenvolvimento

da tecnologia, sofisticaram-se os mecanismos de reinserção de capitais ilícitos na

economia, fazendo com que as nações e os organismos internacionais efetivassem

congressos, convenções, tratados multilaterais, acordos bilaterais, editassem leis e normas,

adotando medidas que possibilitassem identificar a lavagem de dinheiro, objeto de crime.

Criaram-se órgãos para controle e cooperação de dados entre os Estados, com ênfase ao

Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI). Focalizaram-se os esforços para a

produção de meios e métodos cada vez mais eficazes no combate à lavagem de dinheiro em

âmbito transnacional. No nosso país, a Lei n. 9.613, de 03/03/98, que tipificou o crime de

lavagem de dinheiro, será objeto de análise. Expor-se-ão as iniciativas de organismos

brasileiros na esfera nacional e internacional que auxiliam na implementação das leis que

fiscalizam o sistema financeiro nacional. O trabalho tem por finalidade identificar a

influência no ordenamento jurídico-econômico brasileiro da ação internacional de combate

ao crime organizado através do branqueamento de capitais e demonstrar a necessidade de

uma legislação e jurisprudência seguras para o desenvolvimento sócio-econômico do

Brasil.

Palavras-Chave: lavagem de dinheiro, crime organizado transnacional, globalização, GAFI,

jurisprudência.
6

ABSTRACT

The present work aims to demonstrate the international action in organized

crime combat in the scope of laundering money. It verifies that organized crime was

developed with globalization through the insertion of values on the international

financial system configuring the money laundering. With technology development, the

mechanisms of reinsertion of illegal capitals in economy had been sophisticated, that’s

why nations and international organisms effective congress, conventions, multilateral

treaties, bilateral agreements, edit laws and rules adopting measures that make possible

to identify the crime’s object, money laundering. It created organizations to control and

cooperation of information between States with emphasis at Financial Action Task

Force (FATF). It focuses the efforts to product ways and methods even more effective

on money laundering combat at the transnational scope. In our country the Law n° 9.613

of 03/03/98 that typified the laundering money crime will be the object of this analysis.

It will expose the initiatives of Brazilians organisms in national and international sphere

that helps on implementation of laws that inspect national financial system. The work

intends to identify the influence on Brazilian economic-juridical ordinance of

international action on organized crime combat through capitals whitening and shows

the necessity of securities law and jurisprudence to social and economic development of

Brasil.

Keywords: money laundering, transnational organized crime, globalization, FATF,

jurisprudence.
7

SUMÁRIO

RESUMO______________________________________________________________ 05

INTRODUÇÃO _________________________________________________________ 09

METODOLOGIA________________________________________________________ 18

CAPÍTULO 1 - A GLOBALIZAÇÃO, O CRIME ORGANIZADO E A LAVAGEM DE


DINHEIRO _____________________________________________________________23

1.1 O Crime Organizado_____________________________________________25


1.2 A Lavagem de dinheiro __________________________________________ 32

CAPÍTULO 2 – AÇÃO INTERNACIONAL SOBRE LAVAGEM DE


DINHEIRO_____________________________________________________________38

2.1 Ações Internacionais_____________________________________________38


2.1.1 – A Convenção de Viena de 1988______________________________39
2.1.2 – A Declaração do Comitê da Basiléia de 1988____________________40
2.1.3 – A Convenção de Estrasburgo de 1990_________________________41
2.1.4 – A Diretiva 308/1991, das Comunidades Européias_______________43
2.1.5 – A Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Regulamento
Modelo de 1992________________________________________________ 44
2.1.6 – A Convenção de Palermo de 2000____________________________45
2.2 GAFI - Grupo de Ação Financeira Internacional _______________________ 48
2.2.1 – O GAFI e as Pessoas Politicamente Expostas (PEPs)______________52
2.2.2 – Grupo de Ação Fiunanceira da América do Sul Contra Lavagem de
Ativos (GAFISUD)______________________________________________ 56
2.2.3 – Grupo Egmont ___________________________________________ 59
2.2.4 – Grupo Wolfsberg__________________________________________61
2.3 Patrioct Act de 2001______________________________________________68

CAPÍTULO 3 - A LEI BRASILEIRA DE LAVAGEM DE DINHEIRO E A


LEGISLAÇÃO ANTERIOR _______________________________________________70

3.1 – A Lei sobre Capitais Estrangeiros__________________________________70


3.2 – O Código Tributário Nacional (Sonegação Fiscal)_____________________72
3.3 – A Lei do Sistema Financeiro (Colarinho Branco)______________________79
3.4 – As Normas e Resoluções do Banco Central (Recadastramento)___________81
3.5 – A Lei de Lavagem de Dinheiro e os Crimes Antecedentes_______________82
8

CAPÍTULO 4 – O BRASIL E A LAVAGEM DE DINHEIRO_____________________89

4.1 – A Lei nº 9.613 e os Órgãos de Combate a Lavagem de Dinheiro__________89


4.1.1 – Conselho de Atividades Financeiras (COAF)_________________ 89
4.1.2 – Ministério da Justiça – Departamento de Recuperação de Ativos e
Cooperação Jurídica Internacional (DRCI)_________________________95
4.1.3 – Ministério da Fazenda ___________________________________99
4.1.4 – Banco Central do Brasil__________________________________99
4.1.5 – Secretaria da Receita Federal (SRF)________________________108
4.1.6 – ENCLA e GGI- LD____________________________________111
4.2 – Incorporação de Tratados e Acordos de Cooperação no Brasil __________114
4.3 – Estudo de casos e as Decisões do STJ e STF ________________________120
4.3.1 – Caso do Propinoduto ___________________________________121
4.3.2 – Caso do Prefeito de São Paulo ____________________________124
4.3.3 – Caso do Doleiro _______________________________________125

CONCLUSÃO _________________________________________________________128

REFERÊNCIAS ________________________________________________________13
9

INTRODUÇÃO

A globalização e o desenvolvimento da economia internacional criaram novos

desafios para a sociedade. Nesse contexto, a lavagem de dinheiro passou a ser objeto de

interesse crescente no âmbito da economia mundial. Logo, o combate a esse tipo de ação

assumiu fundamental importância em razão das conseqüências financeiras e sociais deles

advindas. Segundo Arnaud:

A globalização está intimamente ligada ao pós-modernismo,


possuindo uma problemática relacionada, porém relegada pelas diversas
comunidades científicas. A infundada diáspora entre a globalização e o
pós-modernismo decorre da preferência do público que as estuda,
economistas em relação à primeira; filósofos e sociólogos quanto ao
segundo. Em um estudo jurídico como este, torna-se de menor relevância
a nomenclatura que se utiliza para denominar um determinado fenômeno
que apresenta aspectos econômicos, sociais e jurídicos simultaneamente.1

A globalização, assim, “propiciou ao capital internacional maior facilidade para

movimentar seus valores, com a vantagem de poderem operar no anonimato”, como

informa Lilley2, especialmente no que tange aos paraísos fiscais e sistema financeiro

internacional, diante do alto grau de liberalização.

A ampliação da rede de informações, com o advento da Internet, foi também um

fator dinamizador da movimentação de valores, tornando o cenário mundial mais propício à

1
ARNAUD, André-Jean. O Direito entre a modernidade e a globalização: lições de filosofia do direito e
do Estado. Rio de Janeiro: Renovar, 1999. p 195.
2
LILLEY, Peter, Dirty Dealing. The untold truth about global money laundering. New York: Renovar,
2001.p.26
10

lavagem ou branqueamento de capitais, pelo trânsito acelerado de recursos nos mercados

financeiros internacionais. O crime organizado encontrou um ambiente fértil e propício ao

seu desenvolvimento.

Diante do avanço da criminalidade organizada e, especialmente, da dificuldade por

parte dos Estados em reprimir as novas condutas, foram criados meios jurídicos de controle

ao anonimato na livre circulação do dinheiro. A maioria dos países da comunidade

internacional liderada pelos Estados Unidos, tendo como motivação principal o poder de

mando sobre os recursos transnacionais e o combate às drogas e ao terrorismo, criou

normas contra a lavagem de capitais. Esse aspecto é claramente referido por Pitombo, in

verbis:

Mostra-se inegável, a par da consciência de certos governos ao


problema da droga, a pressão norte-americana para a adesão ao
combate à lavagem de dinheiro. Trata-se de conseqüência, oriunda da
denominada “guerra às drogas” 3, encampada pelos Estados Unidos da
América4, desde a administração Ronald Regan5.

Deve-se atentar, todavia, para a existência do aspecto


econômico-financeiro envolvido nessa guerra, cuja origem se prende ao
fato do dólar norte-americano ser a moeda utilizada no narcotráfico6. Há
evidente preocupação com os bilhões de dólares envolvidos, anualmente,

3
GRAY, John. Falso Amanhecer – os equívocos do capitalismo global. Trade. M.Altman. Rio de Janeiro:
Record, 1999. p.154.
4
BUSTOS RAMÍREZ, Juan. Coca – Cocaína – entre el derecho y la guerra. Santa Fé de Bogotá: Temis,
1996.
5
POWIS, Robert E. Os lavadores de dinheiro. Trad. B. T. Lambert. São Paulo: Makron Books, 1993, p.258-
311.
6
CUREAU, Sandra. Lavagem de Dinheiro. RPGR, n.6, s.d., p.193.
11

em money laudering, que se encontram fora das fronteiras norte-


americanas.7

Demonstra-se que, além do interesse da nação norte americana no combate à

lavagem de dinheiro, existe um interesse fiscalizatório no uso de sua moeda. Verifica-se

que, a partir do governo Reagan, o dólar deixou de ter seu lastro em “ouro”, tornando-se a

maior moeda de circulação no mundo por ser um ícone de referência no comércio

internacional. Hoje, nota-se o seu emprego no trafico de órgãos, terrorismo e outras práticas

criminais.

O Brasil, por sua vez, vem aumentando a sua participação comercial e financeira no

mercado mundial, demonstrada pelo extraordinário crescimento da sua área comercial, do

setor de capitais, a exemplo do desenvolvimento de títulos na Bolsa de Valores, de bens, de

mercadorias e de seus derivativos, e de serviços, tanto do setor privado quanto do setor

público. Portanto, o Brasil não poderia ficar alheio ao cenário internacional, sob pena de

isolar-se no seu relacionamento transnacional.

A presente dissertação busca principalmente identificar a influência das

recomendações internacionais no combate ao crime organizado, inclusive do Groupe

d’Action Financière (GAFI) ou Financial Action Task Force on Money Laundering

(FATF) - Grupo de Ação Financeira sobre Lavagem de Dinheiro - no ordenamento

jurídico-econômico brasileiro com edição de nova legislação, e o seu reflexo na tentativa de

alcançar determinada segurança jurídico-econômica e jurisprudencial, necessária ao

desenvolvimento sócio-econômico brasileiro.

7
PITOMBO, Antonio Sergio A. de Morais. Lavagem de Dinheiro – a tipicidade do crime antecedente.
São Paulo: Revista dos Tribunais. 2003, p.49.
12

Far-se-á, no capítulo 1, preliminarmente, um breve histórico sobre o

desenvolvimento do crime organizado transnacional. Em seguida, será mostrada a evolução

da lavagem de dinheiro em face da globalização.

Embora esteja-se discorrendo sobre fatos históricos, é sempre bom lembrar as lições

de Hespanha8 e Godoy9, que demonstram a interpretação histórica relativa dos fatos

ocorridos em determinado Estado e em determinada era.

A atividade de “lavar”10 valores provenientes do crime e outras atividades não é

recente. Consta que já ocorria em vários continentes, inclusive na China há 3000 anos. Em

meados da década de 20 do século passado, as transações realizadas, com o objetivo de

lavar capitais pelas máfias italianas e organizações criminosas congêneres, inclusive nos

Estados Unidos, deram maior relevo à matéria. A partir daí, observa-se o seu

desenvolvimento acelerado no mercado financeiro e de sua influência internacional e suas

conseqüências, que serão, igualmente, objeto de nosso trabalho.

O relato histórico tem realce após a década de 80, quando o tema se torna objeto de

maior atenção por parte de Chefes de Estados e Organismos Internacionais, que

intensificam, por conseguinte, encontros, congressos, e convenções. A preocupação de

associações internacionais de juristas, como a de Direito Penal, sediada em Pau, na França -

Association International de Droit Penal (AIDP) – reflete-se na realização de simpósios

8
HESPANHA, Antônio Manoel. A Técnica da História do Direito. Fundação Calouste Gulbenkian: São
Paulo, 1993.
9
GODOY, Arnaldo. Direito e História: uma relação equivocada. Sergio Antonio Fabri:Porto Alegre, 2006.
10
Cumpre examinar a propriedade da expressão da lavagem de dinheiro, para designar essa idéia abstrata e
geral. – money laudering, riciclagio del denaro, blanchiment de l’argent, geldwache, blanqueo de capitales,
lavado de dinero, branqueamento de capitais são uma das diversas denominações utilizadas no direito
estrangeiro. – ABBAGNANO e SILVA SILVA, apud PITOMBO, Antônio Sérgio A. de Moraes. Lavagem
de Dinheiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003. p. 21.
13

nacionais e internacionais para a discussão do tema. Cite-se como exemplo, o XVI

congresso mundial ocorrido, em 1999, em Budapeste, na Hungria, no qual foram formados

grupos temáticos para discutir a matéria, sob o ponto de vista penal, processual penal e

internacional11, visando dar homogeneidade a conceitos e mecanismos mais simplificados

para a melhoria da cooperação internacional, ferramenta importante para a luta contra a

macro criminalidade transnacional.

Com essa repercussão mais ampla, a análise da globalização com a expansão dos

mercados, além dos efeitos políticos e jurídicos, passou a mobilizar doutrinadores e juristas

na busca de conceituações adequadas ao novo contexto. A delimitação da temática foi bem

explanada pelo ex-diretor executivo do Banco Mundial, Moisés Naím, em 2005, nos

Estados Unidos, em “Illicit (How Smugglers, Traffickers, and Copycats Are Hijacking the

Global Economy)”, in leteris:

Governos que costumavam filtrar e limitar a entrada de


multinacionais estrangeiras começaram efetivamente a atraí-las para
investimentos no país. Essa mudança de direção colocou vastas somas de
dinheiro em circulação: desde 1990, o portifólio internacional de
investimentos passou de menos de cinco bilhões de dólares ao ano para
quase 50 bilhões em 2000; o investimento direto anual de estrangeiros em
projetos e empresas de base cresceu de 209 bilhões de dólares em 1990
para 560 bilhões em 2003. Isso também é bom para a lavagem de
dinheiro. Mais transações significam mais oportunidades para tirar
proveito do dinheiro ilícito e reinseri-lo, sem obstáculos, no fluxo oficial.
12

11
Revue internationale de droit penal. Les systèmes Pénaux à l’épreuve du crime organisé. XVIe Congreès
international de droit pénal Budapest (hongrie), 5-11 septembre 1999. Résolutions. Association Internationale
de Droit Pénal, 70e année – nouvelle série, 3e et 4e trimestres 1999. Toulouse, France, Editions Érès, 1999,
12
NAÍM, Moisés. Ilícito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006, pg 129.
14

Vale ressaltar as informações de Dipp:

“ÉPOCA - Quanto se lava de dinheiro no Brasil a cada ano?


Gilson Dipp - Não há dados confiáveis. Fala-se em R$ 5 bilhões, R$ 6
bilhões. O que se tem de mais concreto é que o dinheiro lavado por ano
no mundo atinge um quarto da economia do planeta. Agora, com as varas
especializadas, é que começamos a produzir estatísticas. Mas certamente
a movimentação é grande.” 13

A globalização influenciou demasiadamente o fomento à lavagem de dinheiro e a

facilitação de seus métodos. As novas tecnologias ajudaram as transações e o aumento do

capital circulante pelo mundo. Uma possível fiscalização de recursos sem origem definida

tornou-se difícil devido ao enorme montante de valores inseridos no sistema financeiro

internacional.

Marco histórico no combate à lavagem de dinheiro foi o encontro da Organização

das Nações Unidas realizado em Nápoles, Itália, em 1994, sobre o qual Saddi relata que:

O momento em que foi dada grande atenção a uma necessidade


cada vez mais crescente em identificar grupos empresariais que aplicam
o dinheiro do crime, movimentando milhões de dólares todos os anos sem
ter que justificar tal movimentação, sendo que o seqüestro dos bens
adquiridos com o dinheiro do crime e o congelamento das fortunas
seriam pontos a serem abordados para um tratamento legal mais
intensificado.14

13
Revista Época 335. Lava-jato de dinheiro. Ministro do STJ Gilson Dipp
14/10/2004
14
GOMES apud SADDI, Jairo. Lavagem de dinheiro no direito comparado: a experiência americana.
Revista de direito mercantil. São Paulo, ano XXXIX, v. 117, p. 118-119, jan.-mar. 2000.
15

O confisco de bens e valores de empresas que movimentam dinheiro proveniente de

crime é uma boa medida desde que não atinja a segurança jurídica, essencial ao

desenvolvimento da livre iniciativa. O confisco é uma medida muito forte. O presente

trabalho pretende demonstrar que a ação referida deverá ser usada cuidadosamente, pois

uma ação injusta baseada em simples indícios, poderá arruinar uma empresa e trazer graves

reflexos sociais e econômicos.

As medidas tomadas no âmbito dos Organismos Internacionais, tais como tratados,

acordos e convenções, com especial atenção às Recomendações do GAFI serão mostradas

no capítulo 2. Além de um histórico sobre o Grupo sediado em Paris, bem como a análise

de suas recomendações, o trabalho elucidará o papel e a imagem do Brasil no cenário

mundial. Serão, ainda, descritos o GAFI-SUD (Grupo de Ação Financeira da América do

Sul Contra Lavagem de Ativos) e os Grupos Wolfsberg (reunião de bancos privados) e

Egmont (reunião de órgãos de Estado), que tratam do mesmo assunto.

Tecer-se-á comentários sobre o crime organizado e as disposições dos Tratados e

Convenções dos quais o Brasil é signatário. Pretende-se demonstrar a posição brasileira

relativamente às conseqüências de tais recomendações sugeridas pela comunidade

internacional.

As formas pelas quais foram tais determinações implantadas no Brasil, bem como o

regime normativo, serão apresentados no capítulo 3, com destaque para a legislação que

regulamenta o sistema financeiro e tributário nacional, ilustrada com um relato da

conjuntura nacional pretérita à lei de lavagem de dinheiro.


16

Como fonte deste estudo citar-se-á a legislação brasileira, a Lei 9.613 de 03 de

março de 1998, posteriormente alterada pela Lei 10.467, de 11 de junho de 2002 e pela Lei

10.701, de 9 de julho de 2003, que teve como finalidade tipificar a nova conduta, dispondo

sobre a prevenção de operações ilícitas com a da utilização do sistema financeiro, e criar

uma unidade de inteligência financeira – aqui denominada Conselho de Controle de

Atividades Financeiras (COAF). Os crimes elencados no artigo 1º do referido diploma legal

serão analisados.

A Lei de Lavagem de Ativos acima citada será abordada também no 3º capítulo,

com ênfase nos crimes antecedentes, sua tipologia e mecanismos previstos.

O capítulo 4 destacará a estrutura e a competência dos órgãos que implementam as

determinações emanadas da legislação que regulamenta e tipifica a lavagem de dinheiro,

bem como as competências dos órgãos da administração pública que fiscalizam as

atividades financeiras. Entre estes: o Banco Central (BC), a Secretaria da Receita Federal

(SRF), o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeira), o Ministério da Justiça,

mais precisamente o DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação

Jurídica) ocasião em que serão analisados os acordos de cooperação bilateral, além do

Gabinete de Gestão Integrada.

O ENCLA, Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Ativos, criado no final

de 2003, é formado por representantes de várias instituições públicas engajadas na luta

contra a lavagem de ativos, para apresentar políticas públicas, com discussões periódicas. A

sua tônica e a articulação permanente dos órgãos participantes em três áreas básicas de

atuação: estratégia, inteligência e operacional. O Ministério da Fazenda, dispõe que :


17

A Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro (ENCLA)


estabelece novo sistema para o combate à lavagem de dinheiro no Brasil,
baseado no princípio da articulação permanente dos órgãos públicos em
três áreas de atuação: estratégica, de inteligência e operacional.15

Elucidar-se-á, no último capítulo, o tramite dos tratados e acordos internacionais no

processo legislativo brasileiro para melhor demonstrar o entendimento dos tribunais com

relação ä eficácia dos tratados no ordenamento jurídico nacional.

O entendimento dos Tribunais sobre os dispositivos da Lei n. 9613/98 e os tratados

e acordos internacionais ratificados pelo Brasil será, também, apresentado como fonte de

pesquisa. Será realizado ainda um breve estudo de casos recentes sobre o tema lavagem de

dinheiro, demonstrando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do

Supremo Tribunal Federal(STF).

15
Cartilha do Ministério da Fazenda: Disponível em: < "http://www.mj.gov.br/drci/lavagem/GGI2.htm">
Acesso em : 25 set. 2005.
18

METODOLOGIA

Problema de Pesquisa

O trabalho científico é definido pelo problema de pesquisa. É indispensável

demonstrar a metodologia a ser utilizada para que os resultados obtidos possam ser

considerados e avaliados pela comunidade científica. Segundo Kelinger:

O fato de ser difícil ou impossível colocar um problema de


pesquisa, satisfatoriamente, num dado momento, não nos deve permitir
deixá-lo de lado ou perder de vista a desejabilidade ou a necessidade de
fazê-lo. Nem essa dificuldade deve ser utilizada como uma racionalização
para evitar a explicitação do problema. 16

Uma vez delimitado o tema central da dissertação, define-se o problema: Qual a

ação internacional de combate ao crime organizado e a sua influência no ordenamento

jurídico-econômico brasileiro, no que se refere à lavagem de dinheiro?

A escolha do termo “ordenamento jurídico-econômico” teve o objetivo de delimitar

a pesquisa, afim de que a parte jurídica ficasse voltada, apenas, para o seu aspecto

econômico, assim entendido aquele referente às reaplicações de valores nos mercados

financeiros nacionais e internacionais.

16
KELINGER, Fred N. Foudation of Behavioral Research. N.Y. Holt, Rinehart and Wiston Inc.1973,
capítulo 2. Tradução: Heliane M. Nascimento.
19

O problema requer uma abordagem sobre o crime organizado, apenas como

subsídio à ação internacional na lavagem de dinheiro, o que gera a necessidade da

adaptação legislativa no Brasil aos ditames internacionais, interferindo na estrutura legal

brasileira e nos aspectos relativos às conseqüências sócio-econômicas.

Objetivo

Demonstrar como a ação internacional tenta tipificar o crime organizado através da

criminalização da lavagem de dinheiro. Constatar a influência internacional no

ordenamento interno brasileiro e mostrar a diferenciação da lavagem de dinheiro de origem

ilícita (crime) da lavagem de dinheiro de origem não criminosa (auto-lavagem, sonegação

fiscal e evasão de divisas) e identificar as dificuldades e controvérsias entre os poderes

(executivo, legislativo, judiciário) e entre os diversos tribunais.

Hipóteses

A satisfação das necessidades humanas foi sempre o objetivo primordial do

indivíduo. Diante das dificuldades sociais em um País, onde a grande maioria é paupérrima,

não é possível proporcionar qualidade existencial ao seu povo com os escassos recursos

internos. Um país com grande mercado consumidor, com recursos naturais e condições

climáticas satisfatórias poderá obter uma melhoria geral se conseguir captar recursos

internacionais para o aumento do produto interno bruto.


20

No Brasil, a instabilidade política, social e econômica, somada à insegurança

jurídica, fazem com que Leis e decisões mudem de acordo com o momento em razão das

pressões de grupos de interesse, trazendo problemas ao desenvolvimento do País.

Assim, não se tem uma condição ideal para captar-se investimentos necessários ao

aumento do setor produtivo brasileiro.

A globalização tecnológica e o volume de recursos financeiros no mundo são

elementos favoráveis ao crime organizado. A ação nacional no combate ao crime

organizado, através da reinserção de ativos na economia, pode interferir no ordenamento

jurídico-econômico brasileiro. A legislação contra a lavagem de dinheiro tem se

desenvolvido ao longo do tempo e a lei de lavagem de dinheiro brasileira teve a influência

de normativas internacionais, porém sempre vinculada a crimes antecedentes.

Procedimentos Metodológicos

Trata-se de um trabalho exploratório que se utiliza do método hipotético-dedutivo

comum.

A análise será desenvolvida pela técnica de pesquisa doutrinária e documental no

ramo do conhecimento do Direito Nacional e Internacional, bem como sobre os aspectos

históricos relevantes ao objeto desta pesquisa. “No método científico hipotético-dedutivo, o


21

teste das hipóteses tem como pressuposto eliminar falsas teorias e identificar pontos fracos

na teoria.”17

Utilizar-se-á das informações contidas na literatura, nacional e internacional, com

base teórica na obras existentes. Abordar-se-á o Direito Internacional e a legislação

brasileira pela sua jurisprudência, explicitadas nas referências bibliográficas. “Karl Popper

(1989) afirma que a ciência não progride pelo acúmulo de verdades superpostas, mas por

revoluções constantes. A Ciência progride pela permanente correção de seus erros e pela

audácia de seus pesquisadores na formulação de novas hipóteses.” 18

O objeto de análise é construído tendo em vista a atualidade e evolução do assunto.

Buscar-se-ão autores recentes que examinam o contexto e a dinâmica da matéria, aliados.

Segundo Leite:

O Direito continua restrito a um território essencialmente nacional,


de modo que a maioria das técnicas jurídicas existentes não permite
apreender, senão de modo muito impróprio, uma realidade que é
internacional na sua essência. 19

No presente estudo pretende-se demonstrar as dificuldades em equalizar-se as

decisões judiciais sobre a lavagem de dinheiro a partir de conseqüências constatáveis.

17
MACÊDO, Manoel Moacir Costa. Metodologia Científica Aplicada. Brasília: Escala Gráfica e Editora, de
2005.p.41.
18
POPPER, Karl apud MOACIR, Manoel Costa Macedo. Metodologia científica aplicada. Scala Gráfica
Editora, Brasília:2005, pg41.
19
LEITE, Eduardo de O. A Monografia Jurídica. Revista dos Tribunais. volume 1. São Paulo:2003, pg
306.
22

Finalmente, após essa explanação metodológica dar-se-á inicio ao trabalho

científico desenvolvido no curso de mestrado. Tentar-se-á responder ao problema da

pesquisa e comprovar a validade das hipóteses.


23

1. A GLOBALIZAÇÃO, O CRIME ORGANIZADO E A LAVAGEM DE DINHEIRO

O crime organizado e a lavagem de dinheiro têm sentidos complementares. Não é

possível examinar com profundidade um sem a análise do outro. A globalização com o seu

desenvolvimento tecnológico facilitou o ingresso dos valores obtidos com o crime no

mercado financeiro internacional.

A sociedade moderna vive um constante processo de globalização onde não há mais

fronteiras para o crime organizado, que com suas organizações criminosas transnacionais e

alianças constituem um conglomerado perigoso para o mundo. Esse tipo de organização

gera curiosidade, e de acordo com Pitombo: “As organizações criminosas despertam a

atenção do público em geral, dada à curiosidade das pessoas em conhecer seus integrantes,

suas atividades, sua estrutura e o poder que possuem”. 20 Ainda, segundo Pitombo:

[...] em diversos países, a aludida perspectiva serviu de pretexto


para a criação de um direito penal pragmático, vazio de considerações
éticas, porém repletos de respostas autoritárias. Segundo Hassemer, a
criminalidade organizada transformou-se no “abre-te-sésamo” para
desencadear o arsenal de instrumentos de intervenção estatal em nome da
prevenção de perigos e da e elucidação de crimes.

Deve-se observar que o crime organizado é um dos inúmeros problemas que a

sociedade moderna deve combater, assim como a lavagem de dinheiro. Verifica-se que a

20
PITOMBO, Antônio Sérgio A. de Moraes. Lavagem de Dinheiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003.
p. 21.
24

efetiva ação de combate ao crime organizado deve ocorrer em todas as esferas da

sociedade, desde a polícia municipal até os organismos internacionais com auxilio da

interpol. Vale ressaltar que como a lavagem de capitais, a corrupção é um dos braços do

crime organizado. Segundo Ramina:

A sociedade, de uma maneira geral, parece ter percebido o alto


custo da corrupção, e particularmente quando implica a remessa de
capitais para o estrangeiro, comprometendo o desenvolvimento
econômico. Com conseqüência, a legitimidade da ordem política fica
abalada. Ademais, os riscos aumentam quando se estabelecem vínculos
entre a corrupção e o crime organizado, visto que tais liames têm
potencial para ameaçar seriamente às estruturas socio-econômicas dos
Estados. Devido ao grande poder que certos grupos detêm, o crime
organizado pode destruir as instituições comprometendo, terrivelmente, a
democracia e o papel do direito na sociedade. O problema da corrupção
é, antes de ser um problema dos cidadãos, um problema institucional.21

Assim a globalização tem forte correlação para o fomento e disseminação do crime

organizado e da lavagem de dinheiro, que é assunto muito relevante para a sociedade

contemporânea e que será objeto de estudo deste capítulo. Segundo Ziegler:

Tratando-se de crime organizado, criminalidade econômica ou


corrupção grave, os acusados desfrutam muitas vezes de considerável
vantagem. Dispondo de excepcionais recursos financeiros, podem
contratar os advogados mais respeitados e brilhantes. O desequilíbrio é
patente entre o ministério público e a defesa: um grande advogado pode
dedicar a um caso assim recursos e um tempo infinitamente maiores
àqueles que dispõe um simples procurador.22

21
RAMINA, Larissa L. O. Ação Internacional contra a Corrupção. Curitiba: Juruá Editora, 2002.p.133.
22
ZIEGLER, Jean. Os Senhores do Crime. São Paulo: Record. 2003. p. 305.
25

O potencial lesivo do crime organizado é de difícil cálculo. Entretanto pode-se

alegar que seu poder tende a deteriorar a sociedade através do medo e da insegurança que

ele proporciona, abalando assim os pilares do Estado Democrático de Direito, como

veremos a seguir.

1.1 - O CRIME ORGANIZADO

De modo a proporcionar a maior inteligibilidade ao tema em estudo, realizar-se-á

uma prévia explanação do contexto histórico que evidenciou a necessidade de estabelecer

conceitos básicos quanto a tópicos que serão parte integrante do texto.

As máfias constituíram-se como as primeiras organizações criminosas que

apareceram no mundo atual. Referenciam-se23 a conexão norte-americana-italiana, a Máfia

Siciliana e a Cosa Nostra, e as inúmeras organizações criminais mundialmente conhecidas.

Pode-se citar, dentre tantas, a Camorra , a N’drangheta, a Sacra Corona Unita, a

Boryokudan e a Yakuza . Segundo Pitombo:

[...] A título de exemplo, podem-se observar as múltiplas


ramificações entre as máfias italianas (Camorra, Cosa Nostra,
N’dranghetta, Sacro Corona Unita), a máfia japonesa Yakuza, o crime
organizado norte-americano, as organizações criminosas russas, os

23
PARODI, Lorenzo. Disponível em: <"http://www.fraudes.org/fraudes/lavagem.asp">.Acessado em: 12 jun.
2005.
26

cartéis colombianos, as tríades orientais, as gangues nigerianas, dentre


outras24.

É necessário citar a experiência norte-americana no combate ao crime organizado e

à lavagem de dinheiro, quando o contrabando de bebidas desafiava a “Lei Seca” na década

de 1920, evoluindo para o tráfico de drogas iniciado em 1960 e prosseguindo até os dias de

hoje. Gangues de operadores independentes seriam logo organizadas por uns poucos

criminosos criativos que usariam a corrupção e a extorsão para preservar suas organizações.

Tem-se também, num período não tão remoto e muito mais popular, a máfia

americana de 1920 e Al Capone25 como precursores das práticas de lavagem. Segundo

Cláudia Fernandes dos Santos: “o mais famoso destes criminosos foi Al Capone que,

enquanto operava fora de Chicago, dirigia um sindicato nacional do crime, grande e

poderoso. Todos sabiam que ele era um assassino, contrabandista e extorquia dinheiro, mas

não podiam prová-lo” 26.

Al Capone foi preso por sonegar impostos e não pelos crimes que havia cometido.

Os criminosos que se seguiram naquelas práticas ilícitas não cometeram o mesmo erro,

passando a inserir os valores no mercado financeiro de modo que as operações financeiras

acabassem por transformar o dinheiro sujo em limpo.

24
PITOMBO, Antônio Sérgio A. de Moraes. Lavagem de Dinheiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003.
p. 27.
25
"Gangster norte-americano. Alfonso Capone, também conhecido como Scarface ("Cara Cortada"), passa à
história como representante característico de uma época histórica dos Estados Unidos, caracterizada pelo
tráfico de bebidas alcoólicas durante o proibicionismo e a assunção por organizações delituosas de diversas
funções (comerciais, policiais, etc.) próprias das instituições públicas. " Al Capone. Vidas Lusófonas.
Disponível em: <"http://www.vidaslusofonas.pt/al_capone.htm" >. Acessado em: 15 set de 2005.
26
SANTOS, Claudia Fernandes. Lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. Jus Navigandi,
Teresina, a. 7, n. 63, mar. 2003. Disponível em: <"http://www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=3838">.
Acessado em: 15 set de 2005.
27

As organizações criminosas demonstram alta capacidade de degeneração da

sociedade em nações distintas. Enquanto se preocupa com a obtenção de lucros mediante a

exploração de atividades ilícitas, estes organismos empresariais concentram grande poder

econômico. O dinheiro atrai o poder, e vice-versa. Segundo Cláudia Santos:

Cuba, com o apoio de máfias italianas, tornou-se o primeiro


centro financeiro offshore. Assim, começaram a tomar dimensões
internacionais as formas de ocultação e dissimulação de bens, direitos e
valores.27

Após a Segunda Guerra Mundial, com o incremento da internacionalização dos

capitais na Europa, ocorreu um esforço dos países no sentido de descobrir atividades das

organizações criminosas que gerassem produtos. Na Itália, o governo italiano empenhava-

se para desvendar práticas que ocultavam os produtos dos crimes organizados. Inclusive na

sua legislação penal, a máfia representava gênero especial de associação criminosa, distinto

das comuns quadrilhas e bandos. A partir de 1982, estão previstas normas sobre a matéria.

O fim da Guerra Fria (1946-89) estabeleceu um marco referencial para a

intensificação da internacionalização do capital. O mundo socialista estava desagregado e

representava um novo território a ser conquistado pelo capital, uma vez que constituía nova

fronteira de negócios, espaço perfeito para a transferência de capitais excedentes e de

tecnologias. Intensificaram-se, assim, a generalização dos movimentos de capital em escala

mundial.

27
SANTOS, Cláudia Fernandes dos. Lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. Jus Navigandi,
Teresina, a. 7, n. 63, mar. 2003. Disponível em: <http://www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=3838>
Acessado em: 30 set de 2005.
28

Nos anos sessenta, momento histórico em que as drogas se apresentaram como fonte

de grande lucratividade, fortaleceram-se, ainda mais, as técnicas de lavagem de dinheiro

que tomaram uma amplitude muito maior, abrangendo não somente o Continente

Americano, mas todo o planeta.

Os Bancos constituíram-se na melhor forma de inserção de valores oriundos de

atividades ilícitas no mercado financeiro. Buscando evitar tal fato, em 1970, os Estados

Unidos criou a lei do Sigilo Bancário, estabelecendo a obrigação dos bancos e outras

instituições financeiras informarem o governo federal das transações em dinheiro de mais

de $ 10,000 (dez mil dólares). Ocorre que, somente em 1986, a lavagem de dinheiro foi

criminalizada nos Estados Unidos.

Em 1989, os Estados Unidos, juntamente com o G-7, intensificaram o combate

internacional contra a lavagem de dinheiro apresentando o GAFI como instituição para tal

fim, sendo que este ponto será explorado no próximo capítulo.

Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, na cidade de Nova Iorque,

os Estados Unidos tomaram medidas mais severas para diminuir os riscos da lavagem de

dinheiro, ampliando normas e recomendações ao combate do terrorismo.

Vedi define o Crime Organizado como sendo “fenômeno criminale costituito da gruppi

impegnati in attivitá criminali di caratere essenzialmente violento e motivado dal profitto”28.

28
FITTUNI, Leonid I. Transnational Organized Crime. CIS. 1995
29

Com a definição acima citada, verifica-se que o crime organizado é um fenômeno

criminal constituído de um grupo focado em atividade criminal de caráter essencialmente

violento e motivado pelo lucro ilícito.

A criminalidade organizada é nociva à sociedade. Ela afeta, de forma silenciosa, o

poder do Estado e a sua soberania. Vale ressaltar, ainda, as lições de Monet: “A noção de

‘criminalidade organizada’ é frequentemente empregada nos círculos policiais, mas sua

definição carece de rigor.[...]”29

A Convenção das Nações Unidas Contra o Crime Organizado Transnacional, que

foi integrada ao ordenamento jurídico nacional pelo Decreto 5015/04, define crime

organizado no artigo 2 alínea “a” como sendo: “Grupo estruturado de três ou mais pessoas,

existentes há algum tempo e atuando concertadamente com o propósito de cometer uma ou

mais infrações graves ou enunciadas na presente Convenção, com a intenção de obter,

direta ou indiretamente, um beneficio econômico ou outro benefício material”.

Segundo Zaffaroni: “Em verdade, penalistas e criminólogos confessam não saber

definir crime organizado: categoria frustrada. Todavia, mesmo sem alcançar o conceito,

tem-se ofertado traços do crime organizado, que vêm auxiliar seu entendimento.”30

Ainda sobre os conceitos de crime organizado vale ressaltar Reale Junior: “De

início, deve observar que crime organizado diferencia-se da prática organizada de delitos,

pois tem como dado característicos a duração, o que o aproxima da idéia de Instituição.”31

29
MONET, Jean-Claude. Policias e Sociedades na Europa, USP, São Paulo, 2001, pg184.
30
ZAFFARONI, Eugenio Raúl. Crime organizado: uma categorização frustrada, São Paulo, RT, 2004,
p.45.
30

Há semelhanças entre instituições e crime organizado. Afinal, ambos perduram no

tempo. Compõem-se de pessoas com objetivos comuns e personificam uma organização,

que passa a ter autoridade. Segundo Ianni, tais organizações possuem; “hierarquia para

estabelecer regras e dirimir conflitos.” 32

Aproxima-se, também, o crime organizado, da noção de empresa, à medida que a

atividade criminosa exibe-se como negócio, com o propósito de gerar o máximo de lucro

em determinado território ou setor da economia. Segundo Nusdeo:

Como já tantas vezes ressaltado, todo sistema econômico além do


pressuposto psicológico-comportamental e da mecânica própria de
funcionamento, que o definem como modelo, exige para a sua
implantação concreta um conjunto de instituições detalhadamente
trabalhadas e consistentes entre si. No caso da economia de mercado, a
partir do ultimo quartel do século XVIII, isso se deu segundo duas etapas
sucessivas: o movimento constitucionalista e, logo após, o de codificação
do Direito privado nos países de tradição romano-germânica.
Desenvolvimento paralelo, embora formalmente diverso, deu-se nos
países de tradição anglo-saxônica.(grifo nosso)33

Logo, faz-se o paralelo entre instituições econômicas e o crime organizado, tendo

em vista o caráter institucional que é elemento essencial para a estrutura do mesmo.

Segundo Fernando Henrique Cardoso: “O crime organizado é o outro lado da

moeda da globalização. As novas tecnologias e a abertura das fronteiras também permitem

31
REALE JUNIOR, Miguel. Crime Organizado e Crime Econômico RBCC, n.13, jan-mar./1996,p.183.
32
IANNI, Francis A. J. Rulles of conduct in “crime families”. In: SAVITZ, Leonard D.; JOHNSTON,
Norman. Comtemporary criminology. New York: John Wiley & Sons, 1982, p. 272.
33
NUSDEO, Fábio. Curso de Economia – Introdução ao Direito Econômico. São Paulo: Revista dos
Tribunais.2005. p.131-132.
31

que as atividades ilícitas se estruturem profissionalmente e em escala planetária.”34. Faz-se

necessário, portanto, a análise conjuntural da lavagem de dinheiro no contexto do crime

organizado e da globalização moderna.

Explicita Gomes sobre o retrocesso do sistema penal brasileiro, in literis:

Idêntico progresso que a civilização experimentou


particularmente nas últimas décadas no âmbito das comunicações, da
tecnologia, da informática, etc. não se verificou pari passu, no Direito
Penal. Pelo contrario, a impressão que se tem quanto mais a tecnologia e
a sociedade avançam (na perspectiva da denominada “sociedade de
riscos” – Ulrich Beck -), mais retrocesso se constata na ciência e
legislação penais, que hoje se caracterizam pelo abuso e hipertrofia do
castigo penal (vivemos a era do Risikostrafrecht).35

Sendo o Direito Penal o ramo do direito que pretende proteger os bens mais

preciosos do ser humano, ele deve atender äs demandas sociais da melhor maneira possível.

No entanto, temos nos dias atuais um direito extremamente enrijecido por seguir a linha

positivista verificando-se com a globalização um avanço significativo do corpo social onde

o direito penal não consegue alcançá-lo.

Além do caráter internacional, nota-se o enorme potencial econômico que o crime

organizado possui proveniente das suas atividades ilícitas. As altas somas de valores

obtidas pelos inúmeros crimes realizados passaram a circular entre os Estados, acarretando

34
CARDOSO, Fernando Henrique apud NAÍM, Moisés. Ilícito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006,
Capa.
35
GOMES, Abel, As quadrilhas armadas e a competência para o julgamento das ações penais
respectivas. Revista de Direito da Defensoria Pública, Rio de Janeiro, v.7, n. 9, p.242-255. jul. 1996, pg13.
32

a ampliação da conexão, a fácil ocultação de resultados econômicos dos crimes e a inserção

do dinheiro na economia (Lavagem de dinheiro).

“O crime organizado e lavagem de dinheiro mostram-se temas tão interligados que

parece impossível escrever um sem analisar o outro.” 36 Segundo Fittuni:

As organizações criminosas e a lavagem de dinheiro não coexistem


separadamente. Não é possível imaginar uma organização criminosa que
não pratique a lavagem de dinheiro obtido ilicitamente, como forma de
viabilizar a continuidade dos crimes, sempre de maneira mais
apropriada37.

Portanto, analisar-se-á a lavagem de dinheiro na dinâmica da sociedade moderna

carente de um direito penal compatível com a realidade. A lavagem de dinheiro observar-

se-á pela ótica da globalização que em certo sentido fomentou e auxiliou o aumento e o

dinamismo de tal ação criminosa, conforme o próximo tópico.

1.2 A LAVAGEM DE DINHEIRO

A utilização de métodos que ocultassem valores ou bens remonta há tempos em que

nem existia o dinheiro, a moeda, a circulação de capitais e, muito menos, o comércio

36 36
PITOMBO, Antônio Sérgio A. de Moraes. Lavagem de Dinheiro. São Paulo: Revista dos Tribunais,
2003. p. 22.
37
PELLEGRINI, Angiolo; COSTA JR., Paulo José da. Criminalidade Organizada. Jurídica Brasileira,
1999. p. 55.
33

eletrônico. Logo, "[...] a lavagem de dinheiro nasceu na China de 3000 anos atrás, quando

mercantes adotavam, para proteger os próprios patrimônios das garras dos governantes da

época, técnicas muito parecidas às usadas hoje pelos lavadores." 38

No começo do século XXI verifica-se o maior salto tecno-científico da humanidade.

A dificuldade dos governos em controlar a dinâmica de bens, pessoas, idéias e serviços,

ocorreu devido às grandes mudanças nas comunicações e transportes.

A progressiva integração dos mercados para uma economia planetária que é

denominada globalização, não deixa de ser um processo complexo devido aos mercados

supra-citados serem outrora nacionais, singulares, governados por sistemas e culturas

particulares. Segundo Ziegler a globalização se define como sendo:

Formulada pelo especulador em bolsa e professor de economia


David Ricardo no início do século XIX, a realização da lei dos custos
comparativos de produção e distribuição generaliza-se. Todo bem, todo
serviço será produzido onde seus custos forem mais baixos. O planeta
inteiro torna-se assim um gigantesco mercado no qual os povos, as
classes sociais e os países entram em competição.39

O capital financeiro autonomizou-se gradualmente. Bilhões de dólares flutuam sem

amarras. Este processo não vem de hoje, mais se acelera a um ritmo espantoso. Vale

ressaltar um outro fenômeno que é a ruptura extrema entre a economia real (com origem) e

a economia virtual (sem origem declarada).

38
PARODI, Lorenzo, Monitor de Fraudes: Lavagem de dinheiro e seus perigos. Consultor Jurídico, 12 de
maio de 2004. Disponível em:<"http://www.fraudes.org/fraudes/lavagem.asp">.
39
ZIEGLER, Jean. Os Senhores do Crime. Record, Rio de Janeiro:2003. p.35.
34

Para entender a profusão de oportunidades para lavagem de dinheiro, convém dar

um passo atrás para compreender melhor esse quadro. O sistema financeiro mundial é hoje

extremamente diferente do que era anos atrás. Segundo pesquisa de Naím: “O volume de

moeda movimentado pelas autoridades monetárias das principais nações do mundo

aumentou de 6,8 trilhões de dólares em 1990 para 19,9 trilhões em 2004.”40

A transformação da indústria e do comércio global seria impossível sem as

inovações e ferramentas da globalização. Em toda parte, os métodos de comércio,

principalmente o de drogas, refletem no avanço e expansão de novas tecnologias. A

revolução financeira ocorrida nos últimos dez anos constitui-se no fato que mais beneficiou

o comércio de drogas. Isto significou para Naím que:

O crescimento espetacular do comércio de cocaína e heroína na


década de 1980 despertou os governos para o fluxo de narcodólares que
cruzam as fronteiras: o comercio de drogas, estimam, gera a cada ano
cerca de 85 bilhões de dólares disponíveis para lavagem.41

Terroristas, traficantes, indústria do sexo, contrabandistas de órgãos são alguns dos

usuários dos serviços financeiros ilícitos. Vale ressaltar que também fazem parte de tais

serviços os indivíduos corruptos que geralmente atuam tanto como coadjuvantes como

protagonistas. Tais sujeitos vão de fraudadores de impostos a funcionários de alfândegas,

policiais e outros em posição fundamental no governo.

Obviamente, várias gerações de autocratas ocultaram os dividendos de suas riquezas

em contas numeradas na Suíça ou em outros paraísos fiscais. Precisa-se destacar que, nem

40
NAÍM, Moisés. Ilícito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006, pg 128
41
NAÍM, Moisés. Ilícito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006, pg 143
35

sempre, as contas não declaradas no exterior são objeto de crime, muitas vezes servem para

defender o capital das garras de regimes autoritários ou protegê-los de outras situações

conflitantes nos países de origem dos recursos. Para Senna: "Nas duas últimas décadas, a

lavagem de dinheiro e os crimes correlatos [...] tornaram-se delitos cujo impacto não pode

mais ser medido em escala local. [...], seus efeitos perniciosos hoje se espalham para além

das fronteiras nacionais" .42

Assim sendo, a Lavagem de Dinheiro está transpondo fronteiras, e essa expansão

faz com que se torne cada vez mais difícil o seu controle, o que dificulta a ação dos meios

utilizados para o seu combate.

O combate à lavagem de dinheiro passou a ser tema de encontros e convenções.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE):

Chefes de Estado e de Governo, bem como organismos


internacionais, passaram a dispensar mais atenção à questão. Poucas
pessoas param para pensar sobre a gravidade do problema,
principalmente porque a lavagem de dinheiro parece distante de nossa
realidade. 43

Luiz Flávio Gomes destaca como fato marcante na história do combate à lavagem

de dinheiro o encontro da ONU realizado em Nápoles em 1994, na Itália:

Momento em que foi dada grande atenção a uma necessidade


cada vez mais crescente em identificar grupos empresariais que aplicam
o dinheiro do crime, movimentando milhões de dólares todos os anos sem

42
SENNA, Adrienne Giannetti Nelson de. Cartilha sobre lavagem de dinheiro. Ministério da Fazenda –
Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Brasília..
43
OECD. Disponível em: < "http://www1.oecd.org/fatf/pdf/40Rec-1996_pt.pdf"> Acessado em: 14 jan 2006.
36

ter que justificar tal movimentação, sendo que o seqüestro dos bens
adquiridos com o dinheiro do crime e o congelamento das fortunas
seriam pontos a serem abordados para um tratamento legal mais
intensificado.44

A utopia de tal controle fica claro: não é possível congelar os recursos financeiros

internacionais. O dinheiro da “lavagem” reincluído no mercado internacional perde sua

característica de ilegalidade.

Assim, o GAFI (Grupo de Ação Financeira Sobre Lavagem de Dinheiro) ou FATF

(Financial Action Task Force on Money Laundering), constitui-se entre os principais

organismos internacionais de referência nesse trabalho; é o principal agente de integração e

coordenação das políticas internacionais. Neste sentido ele foi criado em 1989 por

iniciativa dos países do G-7 (Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Japão,

Itália, Canadá e posteriormente a Rússia). Assim, trata-se também, de controlar os recursos

abundantes no mercado mundial praticamente perdidos por causa da inconversibilidade do

padrão ouro para o dólar.

Tal organismo internacional publicou, em 1990, um documento denominado

Quarenta Recomendações, cujos objetivos principais são o desenvolvimento de um plano

de ação completo para combater a lavagem de dinheiro e a discussão de ações ligadas à

cooperação internacional com vistas a esse propósito.

44
GOMES apud SADDI, Jairo. Lavagem de dinheiro no direito comparado: a experiência americana.
Revista de direito mercantil. São Paulo, ano XXXIX, v. 117, p. 118-119, jan.-mar. 2000.
37

Ao elaborar o texto legal que tipifica a lavagem de dinheiro no Brasil, o legislador

pátrio se viu compelido pela globalização a imitar a experiência de outros países que tratam

do assunto utilizando-se da ação internacional, como veremos a seguir.


38

2. AÇÃO INTERNACIONAL SOBRE LAVAGEM DE DINHEIRO

Na evolução das organizações criminosas encontra-se como lugar certo a lavagem

de dinheiro, seja para esconder o lucro proveniente de crime, seja para reintegrá-lo com a

aparência de lícito ao sistema financeiro internacional. De acordo com o Conselho de

Controle de Atividades Financeiras (COAF):

O crime de lavagem de dinheiro caracteriza-se por um conjunto


de operações comerciais ou financeiras que buscam a incorporação na
economia de cada país, de modo transitório ou permanente, de recursos,
bens e valores de origem ilícita e que se desenvolvem por meio de um
processo dinâmico que envolve, teoricamente fases independentes que,
com freqüência, ocorrem simultaneamente. 45

Numerosos fatos concretos permitiram a identificação de um conjunto estável de

características comuns, ao qual se deu o nome lavagem de dinheiro. Portanto, o presente

capítulo tratará da ação internacional relacionada ao assunto.

2.1 – AÇÕES INTERNACIONAIS

O pretendido estudo analisará os principais instrumentos internacionais de combate

à lavagem de dinheiro no âmbito internacional.

45
Sobre o COAF. Ministério da Fazenda – Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Brasília.
Disponível em: < https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_sobrecoaf.htm>.
39

2.1.1 – A Convenção de Viena de 1988

A Convenção de Viena de 1988, foi o mecanismo de vanguarda para o combate a

lavagem de dinheiro no âmbito internacional. Esse foi o primeiro instrumento jurídico

internacional a tipificar as condutas de operações de lavagem de dinheiro. Segundo

Mendroni:

Foi a Convenção, em Viena, Áustria, em 1988, que foram adotadas as


primeiras medidas para o combate ao narcotráfico e lavagem de
dinheiro. Após a constatação de que os traficantes utilizavam o dinheiro
obtido ilicitamente pelos ganhos decorrentes da venda de substâncias
entorpecentes, para incrementar a “industria do tráfico”, conclui-se que
somente buscando a punição destes ganhos se poderia chegar a um
combate efetivo e eficiente.

No Brasil, em 14 de junho de 1991, com a Aprovação do Texto da Convenção de

Viena sobre o tráfico ilícito de entorpecentes e substâncias psicotrópicas iniciou-se os

trabalhos para a normatização dos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e

valores e a prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos. Logo após, em 26

de junho do mesmo ano, após a homologação pelo Congresso Nacional através da

promulgação da mesma Convenção pelo Decreto n.º 154/9146.

A Convenção de Viena refere-se ao tráfico ilícito de entorpecentes e substâncias

psicotrópicas. O narcotráfico, porém, não é a única fonte das operações de lavagem de

dinheiro.

46
Decreto n° 154, de 26 de junho de 1991.
40

A Convenção de Viena influenciou, também, a formulação da lei de lavagem de

dinheiro no Brasil. Logo "(...) em 1988, o Brasil assumiu, nos termos da Convenção,

compromisso de direito internacional ratificado em 1991, de tipificar penalmente o ilícito

praticado com bens, direitos ou valores oriundos do narcotráfico." 47

O legislador pátrio elaborou uma norma mais abrangente que foi a Lei 9613/98, que

será estudada no capitulo 3, reservando o novo tipo penal a condutas relativas a bens,

direitos ou valores oriundos, direta ou indiretamente, de crimes graves e com características

transnacionais. “De qualquer maneira, é preciso ter em mente que não se quis banalizar o

ilícito de lavagem de dinheiro, nem se permitiu misturá-lo com a receptação,, como

observa Nelson Jobim”.48(Grifo Nosso)

2.1.2 – A Declaração do Comitê de Basiléia de 1988

A Declaração de Basiléia foi realizada em dezembro de 1988, onde foram

produzidas diretrizes com objetivo de impedir e/ou prevenir a utilização de transações

financeiras nos atos de lavagem de dinheiro, direcionando-se ao sistema financeiro

internacional. Aparece como uma declaração de princípios e não possui caráter

obrigacional. Segundo Mendroni:

47
BRASIL. Exposição de Motivos n.º 692/MJ. Ministério da Fazenda. Disponível em:
<https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_lavagem.htm>..
48
Exposição de Motivos n.º 692/MJ, de 18 de dezembro de 1996, Supremo Tribunal Federal. Disponível em:
<http://www.stf.gov.br/institucional/ministros/republica.asp?cod_min=151>.
41

Os princípios para avaliação de sistema de controle interno devem


abranger : visão gerencial e formação de um controle; avaliação de
risco; efetivação das atividades de controle, informação, comunicação e
monitoramento; avaliação dos sistemas de controles internos por parte
das autoridades legalmente designadas com poderes de supervisão.49

O objetivo desta Declaração de Princípios foi impedir que os bancos fossem usados

como intermediários para a transferência ou o depósito de valores que tivessem origem na

atividade criminosa, evitando assim, que a credibilidade do Banco fosse abalada.

Nos termos do Direito Internacional Público, “os princípios declarados pelo Comitê

de Basiléia não configuram um tratado, nem foram formalizados para tanto, não refletindo

juridicamente em qualquer ordenamento, trata-se de texto simples e informal que se limita a

expor precauções e aponta linhas gerais.50”

Conclui-se que o instrumento ora estudado não tem grande interferência no Direito

Internacional Público, mas é de fundamental importância para bancos privados que são

elementos chave para efetivação do crime de lavagem de dinheiro.

2.1.3 – A Convenção de Estrasburgo de 1990

A Convenção de Estrasburgo51 elaborada em 1990, pelo Conselho da Europa,

tratou de assuntos relacionados à lavagem de dinheiro, seguimento, embargo e confisco dos

49
MENDRONI, Marcelo Batlouni. Crime de Lavagem de Dinheiro. São Paulo. Atlas, 2006. p.16.
50
GODINHO, Jorge Alexandre Fernandes. Do crime do branqueamento de capitais: introdução e
tipicidade. p. 73.
51
A cidade de Estrasburgo é conhecida como uma das capitais da Europa, devido às inúmeras instituições
européias que ela abriga, entre as quais o Conselho da Europa, o Parlamento europeu (dividido com Bruxelas)
e a Corte Européia dos Direitos Humanos.
42

produtos do delito. Entrou em vigor somente em 1993, em razão de problemas de

ratificações.

Trata-se de medidas de combate a crimes graves, exigindo que os signatários

criminalizem a lavagem de dinheiro e estabeleçam medidas legais de embargo e confisco,

com o intuito de privar os criminosos do proveito de capitais ilícitos. Outrossim, forneceu

uma definição de produto, bens, instrumentos, confisco e delito principal e preencheu

algumas classificações que impediam a assistência judicial no âmbito penal. Segundo

Bonfim:

A titulo de novidade, ampliou o catálogo de delitos prévios


(chamados inadequadamente de “delito principal”) a outros crimes que
geram proveito econômico, afastando a exclusividade do narcotráfico
disposta na Convenção de Viena. Também, deixou a critério das partes a
punição ou não do autor do crime de lavagem de dinheiro, que também
praticou o crime antecedente, além do que apresentou medidas de
incriminação facultativa, como a tipificação penal de condutas culposas e
outros.52

A Convenção se preocupa em impor a perda do produto do crime, constituindo-se

em um importante instrumento de combate a esse tipo de conduta.

Conclui-se que a Convenção de Estrasburgo é mais um dos inúmeros instrumentos

legais que compõem a ação internacional de combate a lavagem de dinheiro, composta por

Países do Leste, com 27 membros.

52
BONFIM, Márcia Monassi M.; BONFIM, Edson M. Lavagem de Dinheiro. São Paulo. Malheiros, 2005.
p.19.
43

2.1.4 – A Diretiva 308/1991, das Comunidades Européias

A diretiva 308/1991, aprovada pelo Conselho das Comunidades Européias em 10 de

julho de 1991, estabeleceu medidas para prevenir e dificultar a utilização do sistema

financeiro na lavagem de dinheiro.

A diretiva tem caráter obrigatório53 para os países membros e objetiva harmonizar

as respectivas legislações no tocante a previsão de regras mínimas de prevenção a lavagem

de dinheiro, tutelando o sistema financeiro.

Segundo Souto: “A Diretiva padece de caótica estrutura, um completo conteúdo e

indeterminação, fruto de muitas transações.”54

Dentre outras medidas relevantes impostas às instituições financeiras e demais

implicados, destacam-se a obrigatoriedade de identificação de clientes, a de comunicação

de operações suspeitas e a de não realização de ditas transações suspeitas. Segundo Bonfim:

O instrumento em análise conseguiu operar modificações nas


diversas legislações dos países de Comunidade Européia, quer no aspecto
preventivo – onde a harmonização é maior -, quer no repressivo,
evidentemente pela necessidade e eficiência de sua normativa. Aliás,
embora obrigatória somente no âmbito da Comunidade Européia, as
determinações dessa Diretiva foram parcialmente trasladas ao direito

53
Ao contrário das medidas contidas na Declaração dos Princípios da Basiléia de 1988 e das Recomendações
do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI).
54
SOUTO, Miguel Abel. El blanqueo em la normativa internacional. Santiago de Compostela,
universidad, Serviço de Publicacion e Intercambio Cientifico, 2002.
44

brasileiro, mais concretamente ao Capítulo V, da nossa Lei de Lavagem


de Dinheiro.55

A Diretiva 97/2001, aprovada pelo Conselho das Comunidades Européias em 4 de

dezembro de 2001, alterou a Diretiva 308/91. O novo instrumento modificou o conceito de

atividade criminosa da qual procedem os bens e valores e alargou os tipos de atividades e

profissionais obrigados ao cumprimento das medidas preventivas. Foram incluídos

auditores, agentes de propriedade imobiliária, notários, advogados e pessoas que

comercializem artigos de elevado valor, quando o pagamento se realize em dinheiro e em

quantia igual ou superior a 15.000 euros.

2.1.5 – A Organização dos Estados Americanos (OEA) e o


Regulamento Modelo de 1992

A OEA estipulou em 1992, o Regulamento Modelo sobre Delitos de Lavagem

Relacionados com o Tráfico Ilícito de Drogas e outros Delitos Graves, elencando o tráfico

ilícito de entorpecentes e outros crimes. Preocupou-se, também, com a questão da

prevenção do crime e a criação de um órgão central para combatê-lo.

Com o objetivo de criar uma estratégia continental de combate ao narcotráfico, foi

instituída na OEA a Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas

(CICAD). Tal instituição tem como objetivo definir um plano de alcance hemisférico que

facilite a execução de programas capazes de enrijecer as tentativas nacionais de combater

as práticas criminosas ligadas ao tráfico de drogas. A atuação do Brasil no âmbito da

55
BONFIM, Márcia Monassi M.; BONFIM, Edson M. Lavagem de Dinheiro. São Paulo. Malheiros, 2005.
p.21.
45

CICAD tem sido efetivada nos trabalhos realizados junto ao Grupo de Peritos em Lavagem

de Dinheiro e junto ao Mecanismo de Avaliação Multilateral e à Subcomissão de Controle

Financeiro do recém criado Comitê Internacional contra o Terrorismo - CICTE56.

Na Cúpula das Américas de 1994, foram expostas aos Estados membros da OEA a

ratificação da Convenção de Viena e a tipificação do crime de lavagem de dinheiro. Na

cúpula de 1998, aprovou-se um sistema de avaliação multilateral para temas relacionados

ao tráfico ilegal de entorpecentes e delitos relacionados, dentre eles a lavagem de dinheiro.

De acordo com Mendroni:

Os principais pontos do Regulamento Modelo sobre Delitos de


Lavagem de Dinheiro Relacionados com Tráfico Ilícito de Drogas e
Delitos Conexos são: tipificação do crime de lavagem como crime
autônomo; medidas cautelares sobre bens, produtos ou instrumentos do
crime; confisco e destinação dos bens, produtos e instrumentos; [...]
cooperação internacional57.

Além legislação prevista na OEA, que muito influenciou a atitude do governo

brasileiro, é fundamental citar a Convenção de Palermo, que veremos a seguir, marco

internacional no combate ao crime organizado.

2.1.6 - A Convenção de Palermo de 2000

A Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional,

conhecida como Convenção de Palermo, foi assinada em 15 de novembro de 2000, em

56
COAF. Disponível em: https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/sobrecoaf/cicad-oea.htm acessado em
13/11/2006
57
MENDRONI, Marcelo Batlouni. Crime de Lavagem de Dinheiro. São Paulo. Atlas, 2006. p.1
46

Nova York. Em 29 de janeiro de 2004, o compromisso brasileiro entrou em vigor

internacionalmente após a aprovação do Congresso Nacional e o depósito de instrumento

da sua ratificação junto à Secretaria Geral da ONU. No ordenamento interno brasileiro

passou a vigorar em 28 de fevereiro de 2004, depois da promulgação pelo Exmo. Sr.

Presidente da República.

O Artigo 6 da referida Convenção ratifica a legislação brasileira sobre o assunto e

traz novas interpretações, cita-se:

Artigo 6

Criminalização da lavagem do produto do crime

1. Cada Estado Parte adotará, em conformidade com os princípios


fundamentais do seu direito interno, as medidas legislativas ou outras
que sejam necessárias para caracterizar como infração penal, quando
praticada intencionalmente:...58

O artigo supra citado evidencia que o tratado terá eficácia, desde que adstrito aos

princípios fundamentais de direito interno. Desde então, a Convenção de Palermo passou a

ter eficácia e força de Lei Ordinária no Brasil. Na linha da jurisprudência do Supremo

Tribunal Federal (STF), que conferiu mesma valia jurídica para os tratados na estrutura

hierárquica das leis ordinárias.

Cabe ressaltar o recente relato do Min. Celso de Mello no ADI 1480DF:

58
DJ. Disponível em: www.dji.com.br/decretos/2004-005017/2004-005017-01-05.htm acessado em
25/10/2006
47

Os tratados e convenções internacionais, uma vez regularmente


incorporados ao direito interno, situam-se, no sistema jurídico brasileiro,
nos mesmos planos de validade, de eficácia e de autoridade em que se
posicionam as leis ordinárias, havendo em conseqüências, entre estas e
os atos de direito internacional público, mera relação de paridade
normativa” e ainda, que “no sistema jurídico brasileiro, os atos
internacionais não dispõe de primazia hierárquica sobre as normas de
direito interno. A eventual precedência dos tratados ou convenções
internacionais sobre as regras infraconstitucionais de direito interno
somente se justificaria quando a situação de antinomia com o
ordenamento doméstico impuser, para a solução do conflito, a aplicação
alternativa do critério cronológico (lex posteriori derogat priori) ou,
quando cabível, do critério da especialidade.59.

O primeiro julgado do habeas corpus ocorreu na turma e o segundo no plenário.

Conclui-se que esta Convenção é lei e, como tal, deve ser implementa, cumprida e

respeitada pelos seus objetivos e âmbito de aplicação.

Hoje, são de competência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a homologação de

cartas rogatórias estrangeiras. Tal mudança é proveniente da emenda constitucional nº 45,

de 2004, que transferiu a competência sobre a matéria do STF para o STJ. Contudo, poderá

caber ao STF analisar o assunto que for de sua competência, em grau de recurso.

O regimento interno do STJ deveria ser alterado em conseqüência da Emenda

Constitucional. O Presidente do STJ, à época, prolatou resolução provisória, até que a

aprovação do regimento interno daquela corte fosse efetivado.

59
STF (MC) ADI 1480DF, rel. Min. Celso de Mello, Tribunal Pleno, in DJU de 18.5.2001, p.429, seção 1.
48

Segundo Francisco Rezek, “o Brasil, ao contrário de outros países, não permite, de

acordo com a Constituição de 1988, que a lei internacional prevaleça sobre a lei

nacional.”60O STF pode considerar inconstitucional o tratado internacional assim como tem

a competência de fazê-lo com as leis nacionais, segundo modelo de República e

Presidencialismo. O mesmo acontece nos Estados Unidos, que não prioriza os tratados

internacionais sobre as leis nacionais.

O tratado corresponde a uma lei ordinária no contexto jurídico brasileiro, desde que

aprovado pelo legislativo e promulgado pelo Presidente da República. O princípio de que a

lei posterior revoga a anterior, ocorre também com os tratados e acordos internacionais,

como veremos no capítulo 4.

Esta observação é de grande relevância para a presente dissertação, como verifica-

se no capítulo 3, pois a eficácia da Lei 9613/98, requer significativa cooperação

internacional e importante conhecimento da natureza dos tratados e acordos de cooperação

para o combate à lavagem de dinheiro.

2.2 – GAFI - GRUPO DE AÇÃO FINANCEIRA INTERNACIONAL

O Grupo de Ação Financeira sobre Lavagem de Dinheiro - GAFI ou FATF -

Financial Action Task Force on Money Laundering foi criado em 1989 pelo G-7, grupo de

países mais industrializados do mundo composto por: Estados Unidos, França, Reino

60
REZEK, José Francisco. Direito Internacional Público. São Paulo: Saraiva, 1989. p. 88
49

Unido, Alemanha, Itália, Japão, Canadá. Posteriormente entrou a Rússia. O grupo se insere

no âmbito da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE, com a

finalidade de examinar medidas, desenvolver políticas e promover ações para combater a

lavagem de dinheiro.

Desde a sua criação, o GAFI tem incentivado a adoção e implementação de medidas

designadas para conter o uso do sistema financeiro por criminosos. Ele foi incumbido da

responsabilidade técnica de examinar os diversos procedimentos de lavagem de dinheiro,

analisando as ações que já tenham sido utilizadas em nível nacional e internacional, e de

implementar as medidas que ainda precisem ser tomadas no combate à lavagem de

dinheiro.

Em 1990, o FATF/GAFI publicou as “40 Recomendações” com o intuito de

estabelecer as ações a serem seguidas pelos países no combate ao crime de lavagem de

dinheiro, que foram revistas em 1996 a fim de abranger a experiência acumulada ao longo

dos seis anos e refletir a evolução ocorrida no combate a este tipo de crime.

Durante os anos de 1991 e 1992, o GAFI expandiu os seus associados de 16 para 28

membros. Desde então o Grupo de Ação Financeira continuou a examinar os métodos

utilizados para lavar capitais de origem ilícita e completou dois círculos de cooperação

mútua dos seus países membros e suas jurisdições.

As 40 recomendações foram posteriormente revisadas para refletir as mudanças que

ocorreram na lavagem de dinheiro e reforçar aquelas que vigoram e são relevantes no

combate a essa atividade. Buscava-se encorajar outros países ao redor do mundo a adotar
50

medidas anti-lavagem de dinheiro. As modificações introduzidas, segundo Mendroni,

foram direcionadas para:

Estender também as empresas não financeiras, passíveis de serem


utilizadas para a lavagem de dinheiro, a aplicação de medidas até então
limitadas ao setor financeiro; obrigar a comunicação de operações
suspeitas e a declaração da origem dos recursos; fiscalizar os
movimentos transfronteiriços de ativos; promover um controle maior das
casas de câmbio, tendo em vista Ter sido registrado um aumento de
operações de lavagem por meio destes estabelecimentos61.

Para efeitos de cooperação internacional, toma-se como padrão de equivalência

procedimentos para o controle da lavagem de dinheiro utilizados pelos países não

integrantes ao Financial Action Task Force (FATF) ou Grupo de Ação Financeira sobre

Lavagem de Dinheiro (GAFI).

O Brasil é membro efetivo do FATF/ GAFI, desde junho de 2000, juntamente com

outros vinte e oito países. A Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas

(CICAD) elaborou, em 1992, o “Regulamento Modelo sobre Delitos de Lavagem

Relacionados com o Tráfico Ilícito de Drogas e Outros Delitos Graves”, que foi aprovado

pela Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Merece destaque, ainda no campo internacional, o Comunicado Ministerial da

Conferência da Cúpula das Américas sobre os Procedimentos de Lavagem e Instrumentos

Criminais, realizada em Buenos Aires em 1995. Na esteira deste movimento de combate à

61
MENDRONI, Marcelo Batlouni. Crime de Lavagem de Dinheiro. São Paulo. Atlas, 2006. p.19.
51

lavagem de dinheiro, o Brasil editou a Lei nº 9.613, de 03.03.98, que será tratada

posteriormente. Nesta perspectiva:

O GAFI/FATF, autoridade mundial no combate àquela


modalidade criminosa, marcou o seu décimo aniversário no mês de junho
de 1999 com o anúncio de convite de adesão ao Grupo de três países da
América Latina, entre eles o Brasil. Para tanto, esses países teriam de
assumir o compromisso de seguir as " As Quarenta Recomendações ",
desempenhar ativamente um papel de liderança regional e se submeter a
um processo de avaliação mútua. Num primeiro momento, os países têm o
status de membros observadores, tornando-se membros efetivos após
aprovação na primeira avaliação.62

Além das quarenta recomendações acima citadas, foram adicionadas mais Oito

Recomendações Especiais que foram exemplificadas pelo Fundo Monetário Internacional e

pelo Banco Mundial como os padrões internacionais para o combate ao branqueamento de

capitais e ao financiamento do terrorismo.

Em 2001, a missão do GAFI foi desenvolver novos mecanismo anti-lavagem na luta

contra o financiamento terrorista, agregando mais uma tarefa à missão do grupo.

Atualmente, o Brasil participa ativamente do Grupo de trabalho sobre o Financiamento do

Terrorismo, Grupos de Revisão da Europa e das Américas para países e territórios não

cooperantes (NCCT), Grupo de Revisão das Quarenta Recomendações e preside o Grupo

Ad Hoc das Américas do GAFI/FATF.

62
Disponível em Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI)
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA < www.mj.gov.br/drci > visitado em14/10/2006.
52

O trabalho desenvolvido pelo Brasil foi reconhecido, tendo o GAFI/FATF

constatado em seus Relatórios Anuais de 2001 e 2002 o cumprimento pelo Brasil de suas

"Recomendações", que certifica a boa imagem do país perante a comunidade internacional.

Pode-se apontar como uma das influências das recomendações do GAFI, um

possível reflexo a médio e curto prazo sobre a observação das Pessoas Politicamente

Expostas no Brasil (PEPs).

2.2.1 – O GAFI e as Pessoas Politicamente Expostas (PEPs)

O conceito de “PEPs” se estende às pessoas politicamente expostas, como sendo

autoridades de alto escalão, atuais ou passadas, do executivo, legislativo ou judiciário do

governo de um país; pessoas que ocupem função ou cargo elevado em um partido político

importante; ou, o que é de maior importância e interesse para os eleitores. PEP pode ser um

familiar, amigo íntimo ou sócio de negócios de uma autoridade pública, inclusive o

advogado, contador, consultor financeiro, corretor ou banqueiro. Além do mais, esta não é

uma lista exaustiva de quem pode ser considerado PEP. Na verdade, é basicamente

qualquer pessoa considerada como consultor de confiança ou confidente da autoridade

pública. PEPs também incluem indivíduos que ocupam cargos em instituições controladas

por governos, entre elas bancos ou companhias de petróleo e seus respectivos associados

mais próximos, familiares e consultores.


53

O Brasil é participante do GAFI e signatário da Convenção das Nações Unidas

contra a Corrupção, aprovada pelo Decreto Legislativo 348, de 2005 e promulgada pelo

decreto executivo 5.687 de 31 de dezembro de 2006. No artigo 52 desta convenção, está

prevista a adoção das PEPs. A administração federal deveria, sobre a Controladoria Geral

da União, definir até março de 2006, quem são as pessoas expostas politicamente, no

Brasil.

A Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, no seu artigo 52º, diz que:

Prevenção e detecção de transferências de produto de delito

1. Sem prejuízo ao disposto no Artigo 14 da presente Convenção, cada


Estado Parte adotará as medidas que sejam necessárias, em
conformidade com sua legislação interna, para exigir das instituições
financeiras que funcionam em seu território que verifiquem a identidade
dos clientes, adotem medidas razoáveis para determinar a identidade
dos beneficiários finais dos fundos depositados em contas vultosas, e
intensifiquem seu escrutínio de toda conta solicitada ou mantida ou pelo
nome de pessoas que desempenhem ou tenham desempenhado funções
públicas eminentes e de seus familiares e estreitos colaboradores. Esse
escrutínio intensificado dar-se-á estruturado razoavelmente de modo que
permita descobrir transações suspeitas com objetivo de informar às
autoridades competentes e não deverá ser concebido de forma que
atrapalhe ou impeça o curso normal do negócio das instituições
financeiras com sua legítima clientela. (Grifo nosso)

2. A fim de facilitar a aplicação das medidas previstas no parágrafo 1 do


presente Artigo, cada Estado Parte, em conformidade com sua legislação
interna e inspirando-se nas iniciativas pertinentes de suas organizações
regionais, interregionais e multilaterais de luta contra a lavagem de
dinheiro, deverá:
54

a) Estabelecer diretrizes sobre o tipo de pessoas físicas ou jurídicas


cujas contas as instituições financeiras que funcionam em seu território
deverão submeter a um maior escrutínio, os tipos de contas e transações
às quais deverão prestar particular atenção e a maneira apropriada de
abrir contas e de levar registros ou expedientes relativos a elas;
e...(Grifo Nosso)63

Assim, o conceito de Pessoas Politicamente Expostas refere-se àquelas que exercem

cargos eletivos ou na alta administração dos poderes legislativo, executivo, judiciário e seus

parentes.

Não existe ainda um conceito de PEPs na literatura jurídica brasileira. Porém,

encontramos alguns conceitos nos textos levantados64.

Conceituar PEPs significa identificar políticos, altos funcionários públicos, seus

parentes e sócios, que poderão ser alvo de estrita investigação em relação à origem da

riqueza e à movimentação bancária. Não há na legislação nacional algo que se

compatibilize com tal prática. A Lei de Lavagem de Dinheiro e a Lei do Colarinho Branco

são silentes no assunto. O Órgão Nacional encarregado de comunicação de operações

63
Disponível em Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI)
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA < www.mj.gov.br/drci > visitado em14/10/2006.
64
1 - Texto "projeto de parecer” da Comissão dos Assuntos Econômicos e Monetários destinado à Comissão
das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos sobre a proposta do Parlamento Europeu relativa à
prevenção da utilização do sistema financeiro para efeitos de branqueamento de capitais, incluindo o
financiamento do terrorismo. O que nos interessa no aludido texto é a alteração 13, artigo 3, ponto 10 que
reza ín verbís:10) "Pessoas politicamente expostas". 2 - Artigo – PEPs, Política e Lei Patriota – artigo do
escritório de advocacia DIAZ-KAISER..(Assunto será abordado a seguir). 3 - Artigo – Wolsberg FAQ´s in
Politically Exposed Persons. 4 - Artigo – Diretrizes Globais de Prevenção aos Crimes de Lavagem de
Dinheiro para Private Banking. (the wolsfberg group). 5 - Artigos – BSA Compliance and Politically Expose
Persons; Comments on Review of the FAFT Forty Recommendantions Consultation Paper(transparency
international). 6 - Artigo - Os Princípios de Prevenção aos Crimes de Lavagem de Dinheiro para Bancos
Correspondentes ( the wolfsberg group).7 – Governo quer que os bancos monitorem contas de políticos-
Valor Econômico
55

suspeitas – O COAF, também não traz em seu corpo de normas algo a respeito de tal

conceito.

Vale ressaltar que os sistemas bancários da Suíça e do México já tratam do assunto

PEPs. Como exemplo pode-se citar o Banco UBS (Suíça) que pressionou os clientes PEPs a

fecharem suas contas e mudarem de Banco, tendo em vista que os mesmos estavam numa

lista de Pessoas tidas como Politicamente Expostas. No caso do México alguns bancos

utilizam uma identificação e algumas normativas para os PEPs, como o Banco Azteca.

O risco de adoção pela lei brasileira do conceito de PEPs seria a vulnerabilidade do

núcleo de segurança dos bancos envolvidos e possivelmente a quebra poderia ferir o

principio constitucional (CF inciso 10 art. 5) da quebra do sigilo bancário. Tal fato

constitui-se numa barreira para a investigação do crime organizado.

Assim, o GAFI e os Organismos Internacionais produzem reflexos no ordenamento

jurídico e econômico brasileiro, ao formular diretrizes para o sistema bancário com o

objetivo de efetivar normas de atendimento ao cliente sendo nelas inseridos instrumentos

que identifiquem, segmentem e monitorem as operações de pessoas com perfil PEPs. Para

o Brasil inserir-se no contexto internacional dos países que buscam cumprir as

recomendações do GAFI, deverá normatizar a matéria e criar mecanismos para identificar

PEPs.

No final de novembro de 2005, foi realizada reunião em Pirinópolis (GO) sobre

PEPs, cujo tema foi objeto de uma reportagem do jornal Valor Econômico de 28/11/2005.
56

“O governo quer que as instituições financeiras passem a


monitorar as contas de ministros, parlamentares, funcionários públicos,
dirigentes de empresas estatais e partidos políticos, e de seus familiares e
associados. O objetivo é prevenir desvios de recursos públicos em casos
de corrupção. Com o monitoramento, toda vez que uma pessoa ligada ao
Estado tentar fazer uma movimentação financeira considerada atípica, os
bancos avisarão as autoridades, que, assim, poderão bloquear as contas e
cobrar explicações.

Esse tipo de monitoramento já é feito em vários países. A idéia,


formulada inicialmente pelo Ministério da Justiça, é introduzir, no Brasil,
o conceito de "Pessoas Expostas Politicament" (PEPs). "Trata-se de uma
importante ferramenta de prevenção à corrupção [ ...]

O GAFI introduziu uma série de reflexos no sistema jurídico brasileiro, contudo tal

análise será feita no ultimo capítulo deste trabalho.

2.2.2 – Grupo de Ação Financeira da América do Sul Contra Lavagem

de Ativos (GAFISUD)

O GAFISUD é uma organização inter-governamental de base regional que reúne os

países da América do Sul para combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do

terrorismo, através do compromisso de aperfeiçoamento contínuo das políticas nacionais e

o aprofundamento nos diferentes mecanismos dos países membros.

Tem personalidade jurídica e status diplomático, a sua sede e secretaria estão

localizadas na República Argentina. Os seus órgãos de funcionamento são o Pleno de

Representantes, o Conselho de Autoridades e a Secretaria do Grupo.


57

O Grupo foi criado formalmente em 8 de dezembro de 2000, em Cartagena das

Índias, Colômbia, mediante a assinatura do Memorando de Entendimento constitutivo pelos

representantes dos governos de nove países: a Argentina, a Bolívia, o Brasil, o Chile, a

Colômbia, o Equador, o Paraguai, o Peru e o Uruguai.

Participam como observadores: Alemanha, Banco Mundial, Banco Interamericano

de Desenvolvimento, Egmont, Espanha, Estados Unidos da América, FMI, França, México,

Portugal e Nações Unidas. Também assistem às suas reuniões, como organizações afins, o

Grupo de Ação Financeira Internacional sobre lavagem de dinheiro (GAFI/FATF), o Grupo

de Ação Financeira do Caribe (GAFIC/CFATF) e a Organização dos Estados Americanos

(OEA), através da Comissão Interamericana Contra o Abuso de Drogas (CICAD).

O GAFISUD conta ainda, com o oferecimento pelo governo do Uruguai-

Montevidéu, que pôs à disposição do Grupo o seu centro de treinamento em matéria de

lavagem de dinheiro.

O GAFISUD foi criado à semelhança do Grupo de Ação Financeira Internacional

(GAFI), aderindo às suas Quarenta Recomendações como padrão internacional contra a

lavagem de dinheiro e prevendo o desenvolvimento de Recomendações próprias de

melhoramento das políticas nacionais para lutar contra este crime de legitimação de fundos.

O GAFISUD agregou à sua missão a luta contra o financiamento do terrorismo,

acrescentando este objetivo a sua atuação contida no Memorando de Entendimento e

articulando um Plano de Ação contra o Financiamento do Terrorismo. Tal plano incorpora

os compromissos veiculados pelas Nações Unidas, as Recomendações Especiais do GAFI


58

na matéria e uma série de linhas de atuação próprias que atendem à prevenção do crime do

ponto de vista das peculiaridades regionais.

O compromisso de cumprimento das diretrizes contidas nas Quarenta

Recomendações que o GAFISUD assumiu como próprias, supõe a vocação de obter os

instrumentos necessários para uma política global completa para combater este tipo de

crime. Então, procura-se uma atuação integradora de todos os aspectos legais, financeiros e

operacionais e de todas as instâncias públicas responsáveis por essas áreas.

Por isso, o compromisso tende a:

a) a tipificação do delito de lavagem tendo como crime antecedente não apenas o de

tráfico de entorpecentes e outros crimes graves;

b) a construção de um sistema de prevenção do crime que incorpore o dever para o

sistema financeiro de identificar o cliente e comunicar operações suspeitas;

c) a incorporação, nos sistemas legais, das medidas que possibilitem rastrear

eficazmente o crime tanto na fase pré-judicial como judicial;

d) e o desenvolvimento dos mais avançados mecanismos de cooperação entre

Estados para a investigação e rastreamento do crime.


59

2.2.3 - Grupo Egmont 65

Nos últimos dez anos, a luta contra a lavagem de dinheiro tem sido uma etapa

essencial no combate ao tráfico de drogas, às atividades do crime organizado e a outros

crimes graves. Ao longo desses anos, muitos países, seguindo recomendação internacional,

criaram agências governamentais especializadas no combate à lavagem de dinheiro.

Tendo em vista o caráter transnacional do crime de lavagem de dinheiro, em 1995

algumas Financial Inteligency Unit (FIU) se agruparam de maneira informal no âmbito de

uma organização chamada Grupo de Egmont (o nome foi dado em função do local da

primeira reunião que ocorreu no Palácio de Egmont-Arenberg, em Bruxelas, Bélgica). O

objetivo da criação desse Grupo é o de promover um fórum visando incrementar o apoio

aos programas nacionais de combate à lavagem de dinheiro dos países que o integram. Este

apoio incluiu a ampliação de cooperação entre as FIU e a sistematização do intercâmbio de

experiências e de informações de inteligência financeira, melhorando a capacidade e a

perícia dos funcionários das unidades, gerando uma melhor comunicação através da

aplicação de tecnologia específica.

Há uma preocupação do mercado na criação de uma organização supranacional que

funcionaria quase como uma agência de espionagem financeira mundial.

Desde sua criação, o Grupo de Egmont tem realizado


reuniões plenárias todos os anos, nas quais são discutidas questões
relevantes sobre a lavagem de dinheiro no mundo e avaliadas as
65
Algumas Financial Inteligency Unit (FIU) se agruparam de maneira informal no âmbito de uma
organização chamada Grupo de Egmont (o nome foi dado em função do local da primeira reunião que ocorreu
no Palácio de Egmont-Arenberg, em Bruxelas, Bélgica).
60

novas agências criadas que possam ser consideradas FIU e que


estejam aptas a integrar o Grupo, passando assim a ter acesso a
todas as facilidades existentes tais como treinamento de
funcionários, participação nos grupos de trabalho, trocas de
experiências, e acesso a uma rede de segurança internacional,
Egmont Secure Web, que permite realizar intercâmbio de
informações com unidades de outros países e com a administração
central do Grupo de Egmont, assim como disseminar e receber
novidades sobre as ações do Grupo e de outros organismos
internacionais envolvidos no combate à lavagem de dinheiro, além
da possibilidade de acesso a assuntos como seminários, reuniões e
programas de capacitação promovidos pelos grupos de trabalho do
Grupo de Egmont.66

Durante a sétima reunião plenária que ocorreu em Bratislava, República Eslovaca,

no período de 26 a 28 de maio de 1999, o COAF foi acolhido como membro do Grupo de

Egmont. Esta aceitação, sem dúvida, demonstra o reconhecimento internacional ao trabalho

desenvolvido no Brasil pelo COAF na luta contra a lavagem de dinheiro, e certifica a boa

imagem do nosso país no que toca a essa questão.

Agências denominadas "Unidades de Inteligência Financeira" FIU (sigla em inglês),

são agências nacionais centrais responsáveis por receber, analisar, requerer e distribuir às

autoridades competentes as denúncias sobre informações financeiras referentes a operações

suspeitas e requeridas pela legislação e normas nacionais para combate à lavagem de

dinheiro.

66
Ministério da Fazenda: “https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/sobrecoaf/Egmont.htm”
61

Assim, no Brasil, a Lei n° 9.613 de 3 de março de 1998, tipificou o crime de

lavagem de dinheiro e criou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF.

De acordo com o Grupo de Egmont:

A luta contra a lavagem de dinheiro tem sido parte essencial do


imenso esforço para combater o tráfico ilegal de entorpecentes, as
atividades do crime organizado e recentemente o financiamento de
atividades terroristas. Tornou-se aparente com o passar dos anos, que
bancos e outras instituições financeiras eram uma fonte importante de
informação sobre a lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros, que
estavam sendo investigados pelos esforços da lei. Coincidentemente,
governos do mundo inteiro começaram a reconhecer os perigos
corrosivos que os crimes financeiros não checados causavam a sua
economia e aos sistemas políticos.
Para aderir ao caso, um número de agências governamentais
especializadas foram criadas de acordo com que os paises desenvolveram
sistemas para lidar com o problema da lavagem de dinheiro. Agora, essas
entidades são comumente referidas como “unidades de inteligência
financeira” ou “UIF”. Eles oferecem para as agencias de direito do
mundo uma avenida importante para informações complementares. 67

2.2.4 - Grupo Wolfsberg

O Grupo Wolfsberg68 é uma associação de 12 bancos globais, que representa

preocupações internacionais relacionadas ao Private Banking.69 O Grupo, assim chamado

67
“http://www.egmontgroup.org/about_egmont.pdf
68
Banco Mundial, BID, FMI, Grupo Egmont e Organização das Nações Unidas
.http://www.gafisud.org/english/index.html.
69
O Grupo de Wolfsberg consiste nos seguintes bancos internacionais: ABN Amro N.V., Santander Central
Hispano S.A., Bank of Tokyo-Mitsubishi Ltd., Barclays Bank, Citigroup, Credit Suisse Group, Deutsche
Bank A.G., Goldman Sachs, HSBC, J.P. Morgan Chase, Société Générale, UBS AG.
62

em homenagem ao Château Wolfsberg, localizado no nordeste da Suíça, onde foi criado,

estabeleceu quatro conjuntos de princípios para o Private Banking:

1. Princípios Anti-Branqueamento de Capitais (ABC) para o Private Banking

Estes princípios representam a visão do Grupo quanto às orientações adequadas

para lidar com indivíduos possuidores de altos rendimentos líquidos e com os

departamentos de Private Banking das instituições financeiras. Estes departamentos tratam

da identificação do cliente, bem como do beneficiário efetivo das contas e de situações que

exijam uma vigilância acrescida, tais como operações não usuais ou suspeitas.

Os onze princípios envolvem:

1. Aceitação do cliente: orientações gerais

2. Aceitação do cliente: situações que exigem vigilância acrescida /atenção

3. Atualização da ficha do cliente

4. Procedimentos ao identificar atividades não usuais ou suspeitas

5. Acompanhamento

6. Responsabilidades de controle

7. Comunicação
63

8. Educação, formação e informação

9. Requisitos de conservação de documentos

10. Exceções e desvios

11. Organização anti-branqueamento de capitais.70

A Declaração de Wolfsberg sobre a Eliminação do Financiamento do Terrorismo

descreve o papel que as instituições financeiras deveriam assumir no combate ao

financiamento do terrorismo, com o objetivo de intensificar a contribuição das instituições

financeiras para a resolução deste problema internacional. 71 A Declaração sublinha que as

instituições financeiras devem auxiliar as autoridades competentes no combate ao

financiamento do terrorismo através da prevenção, da detecção e da troca de informação.

Esta declaração mostra que deveriam ser melhoraradas as políticas e os

procedimentos de “conheça o seu cliente” (CSC), através da verificação de listas de

terroristas conhecidos ou suspeitos. Além disso, os bancos deveriam desempenhar um papel

ativo na ajuda aos governos, aplicando uma vigilância acrescida sempre que detectassem

atividades suspeitas ou irregulares. Uma vigilância acrescida é particularmente importante

quando os clientes estão envolvidos em setores ou atividades já identificados pelas

autoridades competentes como tendo sido utilizados para o financiamento do terrorismo. A

Declaração apóia o fortalecimento da cooperação internacional e a aprovação das

Recomendações Especiais do GAFI.

70
http://www.wolfsberg-principles.com/privat-banking.html.
71
http://www.wolfsberg-principles.com/index.html.
64

Observamos que com o objetivo de eliminar o financiamento terrorista, os grandes

bancos criaram um cadastro internacional dos maiores depositantes, informação que é

crucial à detenção do poder político das grandes corporações.

O Grupo Wolfsberg adotou um conjunto de 14 princípios para reger o

estabelecimento e a manutenção de relações da banca correspondente a nível global72. Os

princípios proíbem os bancos internacionais de realizar negócios com “bancos de fachada”.

Além disso, tais princípios utilizam uma estratégia de avaliação do risco no

estabelecimento de relações da banca correspondente, elaborada com o propósito de avaliar

o nível adequado de vigilância que um banco deve adotar em relação aos bancos

correspondentes, seus clientes.

Ao avaliar os possíveis riscos, os princípios de Wolfsberg exigem que um banco

correspondente considere as seguintes informações relativas ao banco cliente:

a) domicílio;

b) titularidade e estrutura de gestão;

c) carteira comercial, e

d) base de clientes.

Este perfil de riscos tem como objetivo ajudar os bancos a aplicar os procedimentos

de CSC, quando prestam serviços da banca correspondente. Os princípios também

72
http://www.wolfsberg-principles.com/financing-terrorism.html.
65

especificam a identificação e o acompanhamento das operações ou atividades não usuais ou

suspeitas.

Os princípios para bancos correspondentes abrangem os seguintes temas:

1. Preâmbulo

2. Banca correspondente

3. Responsabilidade e supervisão

4. Vigilância baseada no risco

5. Normas de vigilância

6. Vigilância acrescida

7. Bancos de fachada

8. Bancos centrais e organizações supra-nacionais

9. Agências, sucursais e filiais

10. Aplicação à base de clientes

11. Atualização das fichas dos clientes

12. Acompanhamento e comunicação de atividades suspeitas


66

13. Integração com o programa anti-branqueamento de capitais

14. Recomendação de um Registo Internacional.

Este conjunto de princípios identifica as questões que devem ser abordadas para que

as instituições financeiras possam desenvolver procedimentos adequados de

acompanhamento, de verificação e de busca, aplicando uma estratégia baseada no perfil de

risco. Os princípios reconhecem que o perfil de risco pode ser diferente para uma

instituição financeira, como um todo, e para as suas unidades individuais, dependendo dos

negócios realizados por uma determinada unidade. Os princípios reconhecem ainda que

qualquer procedimento de acompanhamento, verificação ou busca deve limitar-se a detectar

os clientes e as operações com características identificáveis, distintas das que caracterizam

os comportamentos aparentemente legítimos.

De acordo com estes princípios, as instituições financeiras devem criar

procedimentos adequados que permitam identificar atividades e padrões não usuais de

operações. Como as operações, os padrões ou as atividades não usuais não têm de ser

suspeitos em todos os casos. As instituições financeiras devem ter a capacidade de analisar

determinados padrões, ou seja, verificar se tais padrões são de natureza suspeita em relação

ao possível branqueamento de capitais.

Os princípios incentivam a aplicação de uma estratégia baseada no risco para o

acompanhamento das atividades. Além disso, promovem a utilização de verificações e

filtros em tempo real, o que requer a análise da operação antes da sua execução, sempre que
67

houver uma interdição ou sanção em vigor. Encoraja-se a realização de buscas retroativas

de acordo com a estratégia de risco adotada pela instituição.

A maior parte do acompanhamento continuado de atividades não usuais e

potencialmente suspeitas deve ser realizada através do monitoramento das operações. O

acompanhamento com base no risco, para a identificação de possíveis atividades de

branqueamento de capitais, requer o desenvolvimento de modelos que identifiquem os

potenciais riscos de branqueamento de capitais e forneçam meios para a classificação, para

compará-los com as operações realizadas. Um procedimento adequado de acompanhamento

de operações deve comparar a informação sobre as operações com os riscos identificados

(tais como a localização geográfica da operação, o tipo de produtos e serviços oferecidos e

o tipo de cliente que realiza a operação), com base nas diversas tipologias de

branqueamento de capitais e de outras atividades ilícitas, para determinar se a operação é

não usual ou suspeita.

O Grupo Wolfsberg, formado pelos maiores bancos privados, tenta dar uma

orientação global no estabelecimento e manutenção de relacionamento com

correspondentes bancários. Tem como objetivo evitar operações internacionais para fins

criminosos.

O Grupo Egmont e o Grupo Wolfsberg se assemelham muito em objetivos.

Contudo, suas naturezas são distintas, tendo em vista este tratar-se de um grupo de pessoas

jurídicas regidas pelo direito privado e aqueles de pessoas jurídicas estatais regidas pelo

direito público dos Estados provenientes.


68

2.3 – PATRIOCT ACT DE 2001

Nos Estados Unidos da América (EUA), depois dos ataques terroristas a Nova

York em 11 de setembro de 2001, nasceu a Lei Patriota (Patrioct Act) engendrada pelo

Presidente dos Estados Unidos, com o apoio de ambos os partidos no Congresso Norte-

Americano.

A Lei Patriota – U.S.A. PATRIOT ACT – tentou fornecer ferramentas necessárias

para interceptar e obstruir o terrorismo. Trata-se de um esforço coletivo contra um mal

maior. Este recurso contém cláusulas temporárias.

O Objetivo do Patrioct Act é a de lutar contra o terrorismo. Além dos inúmeros

impactos para os nacionais americanos, podemos apontar reflexos de tal instrumento em

todo o planeta. A referida Lei acabou estendendo a jurisdição extraterritorial dos Estados

Unidos para incluir delitos de corrupção pública no exterior, exigindo que bancos e outras

instituições financeiras dos EUA implementassem programas de Diligência Devida

Reforçada (EDD) de autoridades públicas de alto nível no exterior, ou Pessoas

Politicamente Expostas (PEPs).

Demonstra-se que a tipificação PEPs seria um dos efeitos da influência da ação de

combate ä lavagem de dinheiro internacional.


69

Mais especificamente, a Lei Patriota passou a incluir os seguintes delitos à atual

lista de mais de 200 Atividades Ilícitas Específicas (SUAs, em inglês) cobertas pela

legislação tradicional dos EUA sobre lavagem de dinheiro73: suborno de autoridades

públicas, malversação e apropriação indébita de fundos públicos, extorsão e estelionato.

Todos estes delitos de corrupção pública, se cometidos no exterior, em solo estrangeiro,

estão sujeitos à competência jurídica criminal dos Estados Unidos se qualquer parcela dos

fundos obtidos com tais crimes for transferida aos Estados Unidos.

Mesmo sem discutir as complexidades da possível infração e violação da soberania

de outros países, a escolha das questões jurídicas apresentadas ou o potencial de abuso e

manipulação política que o exercício da jurisdição territorial da Lei Patriota acarreta, vale a

pena questionar a quem se aplica as definições destes delitos de corrupção pública no

exterior.

Conclui-se que a Lei Patriota, prorrogada pelo Congresso Americano, incrementou

substancialmente os mecanismos internacionais de combate à lavagem de dinheiro. Mas,

tem-se claro que a Nação que sempre pregou os direitos econômicos, sociais e políticos

(direitos individuais) estão, com o instrumento supracitado, restringindo-os, o que causa

questionamento pela sociedade internacional.

73
Lei de Proteção às Vítimas do Tráfico dos Estados Unidos. 18 USC séc. 1590
70

3. A LEI BRASILEIRA LAVAGEM DE DINHEIRO E A LEGISLAÇÃO ANTERIOR

As formas pelas quais foram as recomendações do GAFI implantadas no Brasil,

bem como o regime normativo, serão apresentados no presente capítulo com destaque para

a legislação que regulamenta o sistema financeiro e tributário nacional, culminando com

um relato da conjuntura nacional pretérita à Lei de Lavagem de Dinheiro.

A Lei de Lavagem de Dinheiro será abordada com ênfase nos crimes antecedentes e

nos mecanismos previstos.

Como fonte de nossa pesquisa, citar-se-á a Lei 9.613, de 03 de março de 1998,

posteriormente alterada pela Lei 10.467, de 11 de junho de 2002 e pela Lei 10.701, de 9 de

julho de 2003, que teve como finalidade tipificar a matéria, dispondo sobre a prevenção de

operações ilícitas com a utilização do sistema financeiro, e, também criar uma unidade de

inteligência financeira denominada Conselho de Controle de Atividades Financeiras

(COAF). Os crimes elencados no artigo 1º do referido diploma legal serão analisados.

3.1 A LEI SOBRE CAPITAIS ESTRANGEIROS

Ao comentar os normativos legais é necessário ressaltar os aspectos relacionados

com as normas cambiais mais antigas, de 1933 e 1946, e a Lei que regula o Sistema

Financeiro Nacional, esta já de 1986. Tais itens serão abordados a seguir no capítulo 3.2.

Inicia-se pelo estudo da Lei 4131/62 que disciplina a aplicação do capital

estrangeiro e as remessas de valores para o exterior e dá outras providências.


71

Foi na década de 60, que o movimento nacionalista intensificou-se no Brasil. Havia

uma reação nacional à exploração do mercado brasileiro por empresas estrangeiras com a

conseqüente remessa de lucros ao exterior, sem qualquer limitação. Muitas vezes as

remessas eram desproporcionais ao que era investido inicialmente pela empresa.

O presidente João Goulard editou a Lei 4131/62, também chamada de Lei do

Capital Estrangeiro, cujos principais aspectos foram o controle dos capitais estrangeiros

investidos no país, o controle dos empréstimos externos, royalties, assistência técnica,

marcas e patentes.

O capital a curto-prazo é eminentemente especulativo, e quase sempre torna a

economia do País refém do risco de uma grave crise, em razão de qualquer alteração

econômica internacional.

Além do mais, observam-se inúmeras dificuldades enfrentadas pelas empresas

estrangeiras para investir com segurança no País em razão de sua burocracia, de seu sistema

tributário, de sua legislação trabalhista e da constante mudança na regulamentação

econômica.

Segundo Gerdau, “fazer negócios aqui (Brasil) é uma guerrilha. Convivemos com

toda sorte de distorções, Leis em excesso, custo alto do dinheiro e muitos impostos,

cobrados de forma errada.”74

74
GERDAU, Jorge Johannpeter; Veja. Edição 1902.27 de abril de 2005. Entrevista: O apagão da eficiência.
72

É importante deixar claro que para o desenvolvimento econômico, político e social,

os investimentos a longo prazo e os em capital-de-risco são os mais desejáveis. O capital-

de-risco contribui diretamente para o aumento do PIB (Produto Interno Bruto) criando

produtos, serviços e empregos. A partir daí, há uma maior renda e uma arrecadação

tributária conseqüente.

O capital a curto-prazo, com aspectos transitórios, está sempre na dependência de

qualquer alteração econômica internacional e não produz efeitos duradouros e

estabilizadores na economia nacional.

3.2 – O CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (SONEGAÇÃO FISCAL)

Cabe agora observar o Código Tributário Nacional. As normas tributárias são

reguladas em inúmeros diplomas normativos, tais como Constituição Federal, Leis,

Códigos, Resoluções, Tratados e Acordos Internacionais, Decretos e Portarias.

Faz-se aqui uma abordagem sucinta sobre os principais itens da legislação brasileira

referente às operações financeiras internacionais e um exame simplificado da Constituição

Federal de 1988, do Código Tributário Nacional, e de diversas Emendas que tratam da

matéria, bem como dos Tratados e Acordos Internacionais que são objeto das relações

mundiais e a sua eficácia na Ordem Interna.


73

Ressalta-se a opção dos investidores em aplicar recursos no País a curto prazo em

detrimento das operações de capital de risco, tendo em vista as incertezas jurisdicionais,

legislativas e políticas.

É imprescindível destacar o potencial do Brasil no que tange äs perspectivas

favoráveis relativas energia (hidráulica, eólica, solar, etc...), a recursos naturais (minerais,

agrícolas, etc), a condições culturais do mesmo tipo, em todo o território, bem como a

extensão territorial e de litoral marítimo.

Uma questão fundamental para explicar os dilemas atuais é a seguinte: O mesmo

investidor que aceita financiar o Brasil e as empresas brasileiras no exterior, em prazo

longo, aqui dentro só investe no curto prazo. Alegam a dificuldade de recuperação de

créditos e a insegurança para projetos a longo prazo.

É importante lembrar, ainda, os aspectos negativos de algumas decisões judiciais e

normas legislativas brasileiras, no contexto jurídico-economico nacional a serem expostas

no capítulo 4.

Por outro lado, existem diversas emendas à constituição editadas pelo Congresso

Nacional sobre matéria tributária. No pequeno período entre 1993 e 2004 foram aprovadas

quatorze Emendas Constitucionais que interferem diretamente na legislação tributária

nacional. EC 3, 12, 14, 20, 21, 29, 31, 32, 33, 37, 39, 42, 44 e 45.

Decretos são também importantes na área tributária, pois normalmente consolidam

as legislações sobre diversos tributos e as outras normas complementares, aquelas oriundas


74

das autoridades administrativas. Observa-se no sistema tributário nacional um excesso de

regulamentação tributária que não colabora para os aspectos da segurança jurídica.

Convém lembrar que a Constituição de 1988 recepciona no seu artigo 146, a Lei n

5.172 de 1963. Assim, o Código Tributário Nacional editado na ordem constitucional

anterior foi aproveitado na nova ordem constitucional como lei complementar.

Além do mais, vale a pena citar a necessidade de normas e leis complementares que

disponham sobre a matéria tributária. O próprio texto da Carta Magna, expressamente,

refere-se à necessidade de tal regulamentação. A falta de regulamentação também contribui

para a perpetuação da insegurança quanto ao tema.

No tocante a hierarquia dos normativos com relação a matéria tributária aplicadas

em decorrência dos tratados internacionais, vale ressaltar as lições de Moura Borges:

Em matéria tributária, contudo, os tratados internacionais


sobrepõem-se às leis internas, por expressa determinação do artigo 98 do
Código Tributário Nacional, segundo o qual "Os tratados e as
convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária
interna, e serão observadas pela que lhes sobrevenha." Ora, o Código
Tributário Nacional - Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 -, pelo
princípio da recepção, foi recepcionado pela nova ordem constitucional,
e, por regular matéria reservada a lei complementar, incorporou-se ao
ordenamento jurídico com a eficácia de lei complementar. Dada a sua
estatura, conforme lúcido ensinamento de José Francisco Rezek, "... uma
lei complementar à Constituição, disciplinando quanto por esta tenha
sido entregue ao seu domínio, pode, sem dúvida, vincular a produção
legislativa ordinária ao respeito pelos tratados em vigor" (Direito dos
tratados, p. 475). Deve observar-se, porém, a impropriedade
75

terminológica do artigo 98 do Código Tributário Nacional: em caso de


conflito, o tratado internacional que versa matéria tributária prevalece
sobre a legislação interna, sem no entanto revogá-la ou modificá-la.75

Nota-se que a dinâmica dos tratados intencionais são diferenciados dos

tratados e acordos internacionais que não tratem de matéria tributária. (Grifo nosso)

Por outro lado, atualmente, podemos apontar algumas questões que ainda não foram

disciplinadas para dar eficácia à norma legal. Exemplo claro é o parágrafo único do art. 116

do CTN, assim redigido:

A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou


negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a
ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos
constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a
serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela LC nº 104, de
10.1.2001).76

A primeira tentativa de disciplinar o referido parágrafo único foi rejeitada pelo

Congresso, ao não aceitar os arts. 13 a 19 da MP 66. Assim continua sem disciplinamento.

Agora, aquilo que o Governo Federal não conseguiu obter via Poder Legislativo,

pretendeu realizar manu militari — autorizando que seus agentes considerassem “ilegais”

empresas reconhecidamente “legais”, ante o fracasso da tentativa de tributá-las mais

pesadamente por meio da MP 232/04.

75
BORGES, Antonio de Moura, O fornecimento de informações a administrações tributárias estrangeiras
com base na cláusula da troca de informações, prevista em tratados internacionais sobre matéria tributária,
disponível em: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1611&p=2. Acessado em: 12/06/2005.
76
76

A MP 232 queria punir os prestadores de serviço com mais tributação por achar que

eles deixaram de ser empregados por opção. Nada mais falso. A dinâmica do mercado de

trabalho fez com que as empresas passassem a se interessar pela sua colaboração como

especialistas para trabalhar, sem subordinação, de forma intermitente ou contínua, e com

um foco muito bem definido em tarefas específicas.

O mercado não deu opções a esses profissionais: para viver, eles tiveram de buscar

outra forma de prestar seus serviços e, para tanto, valeram-se dos meios legais para

constituir suas empresas. Assim ocorre com as empresas onde trabalham arquitetos,

engenheiros, consultores e outros profissionais que realizam projetos específicos que têm

começo, meio e fim.

Em todos os países, em face da globalização, acontece o aumento do trabalho

prestado por empresas desse tipo. Querer reverter esse processo é contrariar as tendências

mundiais da concorrência e do mercado de trabalho. Ademais, a comparação entre tributos

pagos como empregados e como pessoa jurídica exige muitos cuidados. Nesse exercício, é

necessário levar em conta os benefícios e os custos de cada situação.

Precedentes desta natureza, sem base legal, são claramente violadores do art. 170,

parágrafo único, da CF, em nada beneficiando as relações de equilíbrio e respeito entre

Fisco e Contribuinte. Pelo contrário, geram tensões e insegurança, as quais dificultam a

implantação da justiça tributária. Segundo Ives Granda:

Tem o Fisco o direito de tudo exigir dentro da lei, pertencendo-


lhe o poder de imposição fiscal. O contribuinte tem o direito de se
defender de tudo aquilo que o Poder Público pretende fora da lei. Como
77

ocorre com a norma antielisão, ainda não regulamentada. A defesa da


sociedade está, exatamente, na utilização do escudo da lei. Tudo pode o
Fisco dentro da lei. Nada fora dela. (grifo nosso)77

Investidas desse tipo ignoram as transformações que comandam o mercado de

trabalho, criam incerteza para quem contrata e para quem é contratado e conspiram contra a

geração de empregos formais — em um país que tem 60% de sua força de trabalho na

informalidade.78

A brutal carga tributária imposta ao contribuinte, sem contrapartida em benefícios

leva-os a sonegar impostos. Logo, comprova-se a insegurança jurídica do nosso sistema

tributário.

A sonegação fiscal é discutida amplamente pelos estudiosos do Direito Tributário.

Hoje, em face da não regulamentação do único do art. 116 CTN dúvidas permanecem.

Razão por que fica difícil utilizar-se do Código Tributário Nacional para alcançar-se a

penalização das ocultações e reinserção de valores na economia objeto da Lei de Lavagem

de Dinheiro.

Com relação à sonegação fiscal, é necessário criar um paralelo entre a lavagem de

dinheiro e a sonegação fiscal, propriamente dita. “Parece equivocada a idéia de incluir a

sonegação fiscal como crime antecedente ao de lavagem de capitais.”79

77
MARTINS, Ives Granda Silva, O escudo da lei. O GLOBO, 12/09/2005
78
Fonte: PASTORE, Jose, Contratação por Prazo Determinado, Apresentado na Comissäo de Assuntos
Sociais do Senado Federal, Brasilia, 09-04-1997
79
Fernando (Advogado Autônomo - - ) Artigo < http://conjur.estadao.com.br/static/text/37432,1 >
78

A sonegação fiscal de direitos licitamente obtidos não confere ilicitude ao dinheiro

"lavado". A lei de lavagem contempla todo e qualquer valor obtido mediante crime e que

venha a ser utilizado para a aquisição de ativos.

Quanto à anistia fiscal para depósitos no exterior, entende-se que a oposição ao

repatriamento de valores no exterior não seria benefício ao Brasil. Retornar estes capitais ao

País ou mesmo auferir impostos sobre tais valores que lá permaneçam constitui medida

inteligente. Talvez, as pessoas que estejam comentando o assunto desconheçam o objetivo

econômico do mercado brasileiro. Só deveriam ser abrangidos pela lei de anistia fiscal dos

valores obtidos que não sejam produto de crime (Grifo Nosso). Cuja prescrição fiscal já

tenha ocorrido.

Sob o ponto de vista histórico, devemos lembrar que o nosso País viveu inúmeras

situações de intranqüilidade econômica, bloqueios de saques, instabilidade econômica em

face das eleições presidenciais, levando os investidores a procurar lugares mais seguros no

exterior para suas aplicações financeiras.

Hoje a realidade econômica é outra. Parece sem sentido e cruel perseguir as pessoas

denunciadas, para se obter, apenas, uma “pena criminal”. A justiça de outros países não irá

bloquear contas que não estejam enquadradas em sua legislação. Tentar fazê-lo constituir-

se-á uma tarefa internacional hercúlea e sem resultados.

Far-se-á no próximo sub-capítulo uma abordagem pretérita da legislação contra a

“lavagem de dinheiro” estabelecida pelas leis anteriores.


79

3.3 – A LEI DO SISTEMA FINANCEIRO (COLARINHO BRANCO)

Um dos intuitos do trabalho é mostrar as leis que orientam nosso Sistema Financeiro

com enfoque na Lavagem de Dinheiro. Abaixo estão os principais instrumentos legais que

auxiliam as autoridades a combaterem o crime organizado e a lavagem de dinheiro.

Vale a pena citar o Decreto 23.258 de 1993 como exemplo de regulamento que tenta

barrar o super faturamento, que nos tempos atuais representa boa parte do montante do

dinheiro lavado no país.

Segundo o Decreto 23.258 de 1933, são consideradas operações de câmbio

ilegítimas, as realizadas entre bancos, pessoas naturais ou jurídicas, domiciliadas ou

estabelecidas no País, com quaisquer entidades do exterior, quando tais operações não

transitem pelos bancos habilitados a operar em câmbio; as realizadas em moeda

brasileira por entidades domiciliadas no País, por conta e ordem de entidades

brasileiras ou estrangeiras domiciliadas ou residentes no exterior.

A Constituição Federal, de 1988 no seu artigo 194, dispõe que o sistema financeiro

nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir

aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as

cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão, inclusive,

sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram. (Alterado pela

EC-000.040-2003).
80

A Lei n° 7.492/86, foi editada tendo em vista os problemas apresentados, na

ocasião, sobre os crimes contra o sistema financeiro nacional. Intitulou-se como a “Lei do

Colarinho Branco” porque os ilícitos eram impetrados por agentes infiltrados no sistema

bancário e do mercado de capitais, originando as famosas “contas laranja” (abertas por

terceiros que não tinham participação direta com a aplicação dos recursos ilícitos).

Com a vigência desta legislação foi possível impor-se sanções às práticas

perpetradas por indivíduos (pessoas físicas ou jurídicas) que ocasionavam riscos graves ao

sistema financeiro nacional.

O Banco Central tornou-se o principal ator para a aplicação da referida norma.

Várias normas e resoluções foram editadas para controlar e fiscalizar os elementos

integrantes da economia.

Os principais riscos para o sistema financeiro foram, então, assim classificados:

Risco de reputação: risco atual ou futuro para os resultados e o capital proveniente

da percepção desfavorável da imagem da instituição financeira por seus clientes,

contrapartes, acionistas ou órgãos reguladores;

Risco legal: risco atual ou futuro para os resultados e o capital proveniente de

violações ou não-conformidade com leis, regras, regulamentações, acordos, práticas

prescritas ou padrões éticos;


81

Risco operacional: risco atual ou futuro para os resultados e o capital proveniente de

falhas nas transações com clientes ou contrapartes (seqüestro, por ordem judicial, de

recursos que passaram a integrar o giro do banco).

3.4 – AS NORMAS E RESOLUÇÕES DO BANCO CENTRAL

(RECADASTRAMENTO)

Em 1964, criou-se o Banco Central da República do Brasil (o título era assim) que

agrupou as funções da moeda e do crédito, do câmbio, dos fatos e projeções econômicas, o

controle dos bancos, do sistema econômico e do seguro agrícola, com as análises e normas

respectivas.

Foi criada a Gerência de Capitais Estrangeiros (Firce) que ficou encarregada do

registro, fiscalização e edição de normas sobre o assunto. Foram organizados os

Departamentos de Investimentos, Reinvestimentos, de Empréstimos externos, de

“royalties”, de Assistência Técnica. Posteriormente, criou-se o controle do capital brasileiro

investido no exterior

Em face às limitações de remessa de lucro dos investimentos no Brasil, advindas

com a nova legislação, os credores internacionais verificaram que seria mau negócio

investir no Brasil, na forma de capital-de-risco. Começaram, então, a programar suas

subsidiárias brasileiras a contraírem empréstimos das matrizes. Assim, aumentavam o nível


82

de endividamento sob a forma de empréstimos externos, o que permitia um pagamento de

juros - quase sempre semestral - pelas empresas no Brasil.

Isso tornava a subsidiária não lucrativa. Portanto não havia lucro, ou lucro razoável,

nos balanços e conseqüentemente não havia tributação no País.

Novamente, a legislação teve que ser modificada. Foi preciso estabelecer-se uma

taxa de juros aceitável, com base nas taxas internacionais e um “spread” - refere-se a

segurança e o risco das aplicações no País - que representasse um pequeno ganho sobre os

juros.

Objetivamente, fez-se o primeiro escalonamento dos empréstimos no País, para que

o vencimento do principal não implicasse em uma pressão sobre as reservas internacionais

do Brasil.

Compulsoriamente, passou-se a estabelecer prazos mínimos para o resgate do

principal dos empréstimos.

3.5 – A LEI DE LAVAGEM DE DINHEIRO E OS CRIMES ANTECEDENTES

A Lei nº 9.613, foi editada no Brasil em de 03 de março de 1998. Posteriormente,

foi alterada pela Lei nº 10.467, de 11 de junho de 2002, e pela Lei nº 10.701, de 9 de julho

de 2003. A finalidade era tipificar o crime de lavagem de dinheiro, dispor sobre a

prevenção da utilização do sistema financeiro e criar o Conselho de Controle de Atividades

Financeiras (COAF), assuntos a serem abordados na seqüência.


83

Em nosso país, iniciaram-se os trabalhos para a normatização dos crimes de

lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores e a prevenção da utilização do sistema

financeiro para os ilícitos, em 14 de junho de 1991, com a Aprovação do Texto da

Convenção de Viena sobre tráfico ilícito de entorpecentes e substâncias psicotrópicas, pelo

Decreto Legislativo n.º162, e logo após, em 26 de junho do mesmo ano, através da

promulgação da mesma Convenção, pelo Decreto n.º 154, do Poder Executivo.

A Convenção de Viena ateve-se ao tráfico de entorpecentes e substâncias

psicotrópicas. Porém, o narcotráfico não é a única fonte das operações de lavagem de

dinheiro e nosso legislador elaborou uma norma mais abrangente, incluindo o terrorismo e

seu financiamento, o contrabando de armas, a extorsão mediante seqüestro entre outros,

reservando o novo tipo penal a condutas relativas a bens, direitos ou valores oriundos,

direta ou indiretamente, de crimes graves e com características transnacionais.

A Convenção acima citada influenciou, também, a formulação da Lei de Lavagem

de Dinheiro. Para tanto foi elaborada a Exposição de Motivos n.º 692/MJ, de 18 de

dezembro de 1996, onde verifica-se o seguinte: "... em 1988, o Brasil assumiu, nos termos

da Convenção, compromisso de direito internacional, ratificado em 1991, de tipificar

penalmente o ilícito praticado com bens, direitos ou valores oriundos do narcotráfico." 80

80
BRASIL. Exposição de Motivos n.º 692/MJ. Ministério da Fazenda. Disponível em:
<https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_lavagem.htm>..
84

Como observa Nelson Jobim: "De qualquer maneira, é preciso ter em mente que não

se quis banalizar o ilícito de lavagem de dinheiro, nem se permitiu misturá-lo com a

receptação.”81(Grifo Nosso)

O rol dos crimes tipificados como fonte das operações de lavagem de dinheiro é

taxativo, como se observou no estudo histórico realizado anteriormente, reduzindo ao

máximo a possibilidade de tipos penais abertos. Estes crimes serão abordados a seguir.

Os crimes contra a ordem tributária não foram incluídos no rol dos crimes

antecedentes, visto que não representariam um aumento do patrimônio para o agente, que,

tão só, manteria o patrimônio, ao escapar da obrigação fiscal.

Quanto aos crimes antecedentes, quando da conceituação realizada pelo artigo 1º da

Lei n° 9.613/98, percebeu-se a existência de uma lista taxativa. Todos aqueles crimes ali

elencados são os chamados crimes antecedentes. Segundo Barros:

É uma característica bem própria do crime de lavagem de


dinheiro o fato de possuir um crime que o anteceda, crimes estes que não
costumam ser praticados todos em um mesmo país, eles ultrapassam as
fronteiras, sem se curvarem a estas, para se concretizarem. Porém,
podem ocorrer dentro de um único país, dependendo de sua
grandiosidade. [...] Quando se fala em lavagem de dinheiro pressupõe-se
um crime antecedente, vários deles, sendo todos "considerados
principais, primários ou básicos, em relação ao crime de lavagem que é
acessório, secundário ou derivado. 82

81
Exposição de Motivos n.º 692/MJ, de 18 de dezembro de 1996, Supremo Tribunal Federal. Disponível em:
<http://www.stf.gov.br/institucional/ministros/republica.asp?cod_min=151>.
82
BARROS, Marco Antonio de. Lavagem de dinheiro: implicações penais, processuais e administrativas. p. 8-
32.
85

Os Crimes antecedentes estão especificados na Lei 9613/98. Vale ressalvar, que

ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou

propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de crime,

constitui lavagem de dinheiro.

Dentre os crimes tipificados pela Lei podemos citar os de tráfico ilícito de

substâncias entorpecentes ou drogas afins, de terrorismo e seu financiamento, de

contrabando ou tráfico de armas, munições ou material destinado à sua produção, de

extorsão mediante seqüestro, contra a Administração Pública, inclusive a exigência, para si

ou para outrem, direta ou indiretamente, de qualquer vantagem, como condição ou preço

para a prática ou omissão de atos administrativo,- contra o sistema financeiro nacional83,

praticado por organização criminosa, praticado por particular contra a administração

pública estrangeira. Tais práticas podem acarretar reclusão de três a dez anos e multa.

Incorrem na mesma pena as pessoas que, para ocultar ou dissimular a utilização de

bens, direitos ou valores provenientes de qualquer dos crimes antecedentes referidos neste

artigo, os converte em ativos lícitos, os adquire, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em

garantia, guarda, tem em depósito, movimenta ou transfere, importa ou exporta bens com

valores não correspondentes aos verdadeiros.

Também podem sofrer a mesma pena quem utiliza, na atividade econômica ou

financeira, bens, direitos ou valores, que sabem ser provenientes de quaisquer dos crimes

antecedentes referidos neste artigo, participa de grupo, associação ou escritório tendo

83
Ressalta-se, ainda, a grande utilização da Lei no 7.492, de 16 de junho de 1986 que refere-se aos crimes
contra o sistema financeiro.
86

conhecimento de que sua atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes

previstos na Lei 9613/98.

A Lei também tipificou a tentativa de lavagem de dinheiro e fez emissão ao artigo

14 do Código Penal Brasileiro. A Lei previu qualificantes com aumento da pena de um a

dois terços, nos casos de tráfico e contra o sistema financeiro nacional, se o crime for

cometido de forma habitual ou por intermédio de organização criminosa. Verifica-se

também, o tipo privilegiado da lavagem de dinheiro onde a pena será reduzida de um a dois

terços e começará a ser cumprida em regime aberto, podendo o juiz deixar de aplicá-la ou

substituí-la por pena restritiva de direitos, se o autor, co-autor ou partícipe colaborar

espontaneamente com as autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração

das infrações penais e de sua autoria ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto

do crime.

Ressalta-se, ainda, a Lei no 7.492, de 16 de junho de 1986, que refere-se aos crimes

contra o sistema financeiro.

No artigo 1º, aponta-se que se a lavagem de dinheiro foi fruto de contravenção, não

se aplica a lei, pois esta só prevê a criminalização dos capitais provenientes do crime.

Observa-se que a lavagem de dinheiro resultante de jogo do bicho e outras contravenções

não produz o crime de branqueamento de capitais.

O inciso II do artigo primeiro, não define o que seja “terrorismo”. Assim, se for

introduzido no Brasil bem proveniente de terrorismo cometido no estrangeiro, não haverá

incidência desta lei, pois o ordenamento pátrio não caracteriza este crime.
87

No caso do crime de extorsão previsto no inciso IV, do artigo primeiro, verifica-se:

“suponha-se que o dinheiro lavado provenha de crime de extorsão indireta (CP, art. 160). A

lavagem não configura delito, tendo em vista que o inciso menciona extorsão mediante

seqüestro (CP, art. 159).”84

No inciso V e VI nota-se que se a lavagem de dinheiro for cometida contra

Administração Pública e o Sistema financeiro de outros países não se caracteriza o tipo

lavagem de dinheiro expressa na Lei Nacional. Tendo em vista a Lei utilizar expressamente

o termo “Sistema Financeiro Nacional”.

Finalmente, no inciso VII observa-se que organização criminosa não tem definição

nas normas internas brasileira. Tendo em vista o Brasil ser signatário da Convenção da

ONU sobre a Convenção de Palermo, o conceito (citado no capítulo 1) não cuida das

organizações criminosas nacionais, somente das internacionais.

Verifica-se que nem a sonegação fiscal e nem a evasão de divisas estão no rol de

crimes antecedentes. Nas conclusões retomaremos o tema.

Vale ressaltar as lições de Mendroni referentes a Lei nº 9613/98: “A inversão do

ônus referido pela lei aplica-se somente no que diz respeito à comprovação da licitude dos

bens e não em relação à prova do(s) crime(s) de lavagem tipificado(s) na lei. Quanto a este,

o ônus evidentemente permanece com a acusação.”85 Tal elemento gera controvérsias entre

processualistas e penalistas no tocante à prova do dinheiro ilícito. O sujeito estaria sendo

84
JESUS, Damásio E. de, Ali-babá e o crime de lavagem de dinheiro, Disponível em:
http://jus2.uol.com.br/Doutrina/texto.asp?id=2818, Acessado em: 15/11/2006
85
MENDRONI, Marcelo Batlouni. Crime de Lavagem de Dinheiro. São Paulo: Atlas. 2006.
88

obrigado a contrariar um direito fundamental da carta magna de que ninguém é obrigado a

produzir prova contra si mesmo.


89

4. O BRASIL E A LAVAGEM DE DINHEIRO

Neste capítulo destacar-se-ão as competências dos órgãos de administração que

fiscalizam as atividades financeiras. Entre estes: o Banco Central (BC), a Secretaria da

Receita Federal (SRF), o COAF(Conselho de Controle de Atividades Financeira), o

Ministério da Justiça, mais precisamente o DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos

e Cooperação Jurídica) ocasião em que analisaremos os acordos de cooperação bilateral,

além do Gabinete de Gestão Integrada, criado no final de 2003, órgão formado por

representantes de várias instituições públicas engajadas na luta contra a lavagem de ativos,

para apresentar as políticas públicas, com discussões periódicas sobre a estratégia nacional

de combate à lavagem de ativos (ENCLA). A tônica desse órgão é a articulação permanente

dessas instituições em três áreas básicas de atuação: estratégia, inteligência e operacional.

4.1 – A LEI N° 9613/98 E ÓRGÃOS DE COMBATE A LAVAGEM DE DINHEIRO

A Lei n° 9.613/98 também é responsável pela criação do Conselho de Atividades

Financeiras – COAF, este, tendo sua efetivação, tão só, com a edição do Decreto. 2.799 de

08 de outubro de 1998, que aprovou o estatuto do COAF.

4.1.1 – CONSELHO DE ATIVIDADES FINANCEIRAS - COAF

O COAF tem a finalidade de disciplinar, aplicar penas administrativas, receber,

examinar e identificar ocorrências suspeitas de atividade ilícitas relacionadas à lavagem de

dinheiro.
90

O COAF é composto pelos seguintes órgãos: Presidência, Plenário, Secretaria-

Executiva, sendo que o Plenário é formado pelo Presidente, nomeado pelo Presidente da

República, por indicação do Ministro de Estado da Fazenda, e por oito Conselheiros. "Os

Conselheiros, designados em ato do Ministro de Estado da Fazenda, por indicação dos

respectivos Ministros de Estado, são escolhidos dentre os integrantes do quadro de pessoal

efetivo dos órgãos que compõe o Plenário." 86

Os órgãos que compõem o Plenário são: "Agência Brasileira de Inteligência,

Departamento de Polícia Federal, Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, Secretaria da

Receita Federal, Superintendência de Seguros Privados, Ministério das Relações Exteriores,

Comissão de Valores Mobiliários, Banco Central do Brasil"87

O COAF está autorizado pelo artigo 1.º, parágrafo único de seu Estatuto, a manter

núcleos descentralizados, utilizando-se da infra-estrutura das unidades regionais dos órgãos

a que pertencem os Conselheiros, proporcionando uma cobertura mais ampla de todo

território nacional.

Pode-se perceber que o Estatuto do COAF foi criado e moldado no sentido de

proporcionar uma ligação entre este e os demais órgãos que mantém contato diário com os

episódios de lavagem de dinheiro, levando todos estes a um intercâmbio de informações

com base em sua ligação gerada com a formação do Plenário. Tem-se a oportunidade

primeira de integração do território nacional e, posteriormente, a integração deste ao

86
Sobre o COAF. Ministério da Fazenda – Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Brasília.
Disponível em: < https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_sobrecoaf.htm>..
87 163
Sobre o COAF. Ministério da Fazenda – Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Brasília.
Disponível em: < https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_sobrecoaf.htm>.
91

restante do mundo, visto que o COAF não trabalha sozinho, mas sim, reunido com todas as

agências internacionais que compõe o Grupo de Egmont e o GAFI.

A primeira parte da lei 9.613/98, apresentada no capítulo anterior, trata dos crimes

antecedentes já a segunda parte refere-se ao COAF.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras - COAF foi criado, no âmbito

do Ministério da Fazenda, , com a finalidade de disciplinar, aplicar penas administrativas,

receber, examinar e identificar as ocorrências suspeitas de atividades ilícitas previstas na

Lei de lavagem de dinheiro, sem prejuízo da competência de outros órgãos e entidades

O COAF tem competência e dever quando não existir órgão próprio fiscalizador ou

regulador, serão expedidas pelo COAF, competindo-lhe, para esses casos, a definição das

pessoas abrangidas e a aplicação das sanções enumeradas instruções referidas no art. 12.da

lei de lavagem de dinheiro. O COAF deverá, ainda, coordenar e propor mecanismos de

cooperação e de troca de informações que viabilizem ações rápidas e eficientes no combate

à ocultação ou dissimulação de bens, direitos e valores.

Poderá ainda, o COAF, requerer aos órgãos da Administração Pública as

informações cadastrais bancárias e financeiras de pessoas envolvidas em atividades

suspeitas. Ele comunicará às autoridades competentes para a instauração dos procedimentos

cabíveis, quando concluir pela existência de crimes previstos na Lei, de fundados indícios

de sua prática, ou de qualquer outro ilícito.


92

A composição do COAF da-se por servidores públicos de reputação ilibada e

reconhecida competência, designados em ato do Ministro de Estado da Fazenda, dentre os

integrantes do quadro de pessoal efetivo do Banco Central do Brasil, da Comissão de

Valores Mobiliários, da Superintendência de Seguros Privados, da Procuradoria-Geral da

Fazenda Nacional, da Secretaria da Receita Federal, de órgão de inteligência do Poder

Executivo, do Departamento de Polícia Federal, do Ministério das Relações Exteriores e da

Controladoria-Geral da União, atendendo, nesses quatro últimos casos, à indicação dos

respectivos Ministros de Estado. O Presidente do Conselho será nomeado pelo Presidente

da República, por indicação do Ministro de Estado da Fazenda

As decisões do COAF relativas às aplicações de penas administrativas caberá

recurso ao Ministro de Estado da Fazenda. O COAF tem organização e funcionamento

definidos em estatuto aprovado por decreto do Poder Executivo

O COAF insere-se no âmbito do Ministério da Fazenda. Os princípios que regem a

sua organização e estrutura estão expressos em seu Estatuto, promulgado pelo Decreto nº

2.799, de 08.10.98, e na Portaria nº 330, de 18.12.98, que aprova o Regimento Interno do

COAF , regulando seu funcionamento.

A Lei supracitada, atribuiu às pessoas jurídicas de diversos setores econômico-

financeiros maior responsabilidade na identificação de clientes e manutenção de registros

de todas as operações e na comunicação de operações suspeitas, sujeitando-as ainda às

penalidades administrativas pelo descumprimento das obrigações.


93

Para efeitos de regulamentação e aplicação das penas, o legislador preservou a

competência dos órgãos reguladores já existentes, cabendo ao COAF a regulamentação e

supervisão dos demais setores.

As autoridades administrativas encarregadas de promover a aplicação da Lei nº

9.613, de 1998, são, além do COAF, o Banco Central do Brasil – BACEN, a Comissão de

Valores Mobiliários – CVM, a Superintendência de Seguros Privados – SUSEP, e a

Secretaria de Previdência Complementar – SPC, observada, por parte de cada uma, a sua

respectiva área de atuação. A tabela abaixo mostra as devidas divisões de funções entre as

instituições já citadas:

Instituições Financeiras BACEN


Compra e venda de moeda estrangeira ou ouro BACEN
Bolsas de valores e valores mobiliários CVM
Bolsa de mercadorias COAF
Bolsa de mercadorias e futuros CVM
Seguro, capitalização e previdência privada SUSEP
Entidades Fechadas de Previdência Privada (fundos de pensão) SPC
Cartões de crédito COAF
Administradoras de consórcios BACEN
Meio eletrônico ou magnético para transferência de fundos COAF
Empresas de arrendamento mercantil (leasing) BACEN

Empresas de fomento comercial (factoring)* COAF


Sorteios COAF
Promoção imobiliária ou compra e venda de imóveis COAF
Bingos COAF
Comércio de jóias, pedras e metais preciosos COAF
Objetos de arte e antiguidades COAF
88

88
Ministério da Fazenda <https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_lavagem.htm>
94

Recentemente, mediante a resolução nº 13, de setembro de 2005 o Coaf

regulamentou o procedimento que devem tomar as empresas de fomento comercial ou

mercantil(factoring), a seguir:

RESOLUÇÃO Nº 13, DE 30 DE SETEMBRO DE 2005”

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas empresas de


fomento comercial ou mercantil (factoring).

O Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras –


COAF, no uso da atribuição que lhe confere o inciso IV do art. 9º do
Estatuto aprovado pelo Decreto nº 2.799, de 8 de outubro de 1998, torna
público que o Plenário do Conselho, em sessão realizada em 30 de
setembro de 2005, com base no § 1º do art. 14 da Lei nº 9.613, de 3 de
março de 1998, resolveu:

Seção I
Das Disposições Preliminares

Art. 1º Com o objetivo de prevenir e combater os crimes de "lavagem" ou


ocultação de bens, direitos e valores, conforme estabelecido na Lei nº
9.613, de 3 de março de 1998, regulamentada pelo Decreto nº 2.799, de
8 de outubro de 1998, as empresas de fomento comercial ou mercantil
(factoring) deverão observar as disposições constantes da presente
Resolução.

Parágrafo único. Enquadram-se nas disposições desta Resolução as


pessoas jurídicas que exerçam a atividade de fomento comercial ou
mercantil (factoring) em caráter permanente ou eventual, de forma
95

principal ou acessória, cumulativamente ou não, em qualquer de suas


modalidades.89

4.1.2 – MINISTÉRIO DA JUSTIÇA - Departamento de Recuperação de


Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI)

O Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do

Ministério da Justiça, criado em 2003, tem entre suas atribuições rastrear e repatriar bens

que forem fruto da lavagem de dinheiro. Já foram encontradas divisas em contas de

paraísos fiscais, como as Ilhas Cayman e a Suíça, com indício de lavagem de dinheiro. À

pedido do governo brasileiro, tais dinheiros encontrados nessas contas bancárias foram

bloqueados. Observa-se que o retorno dos recursos encontrados somente poderá ocorrer

depois da sentença transitada em julgado. Esta é a regra internacional dos processos de

repatriação. Constata-se, pela primeira vez, que o Governo Federal tem uma política clara

para recuperar recursos desviados para o exterior.

Enviada ilegalmente para fora do País, a fortuna escondida em bancos estrangeiros

tem principalmente origem no tráfico de drogas, na corrupção, mas também na sonegação

de impostos. As cifras bloqueadas são tímidas perto da quantidade de dinheiro ilícito

existente no exterior. O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp cita

estimativas de organismos internacionais:

Pode haver até US$ 200 bilhões, de origem brasileira,


depositados em contas de bancos espalhados pelo mundo. Nem tudo é
ilegal. Mas esse valor é muito alto. Equivale ao da dívida externa

89
Ministério da Fazenda <https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_lavagem.htm>
96

brasileira; Somos um dos 20 países do mundo que mais envia dinheiro


para paraísos fiscais.90

A exigência de ter as sentenças transitadas em julgado é a principal garantia dos

detentores de recursos para a devolução dos valores remetidos. Como a Justiça no Brasil é

lenta, é difícil reaver o dinheiro que se encontra no exterior. “Há processos que demoram

mais de dez anos”91, reconhece o Subprocurador do Rio Grande do Sul, Mauro Renner,

presidente do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas.

É muito difícil combater esse tipo de crime sem a cooperação internacional. Temos

poucos acordos assinados e em vigor.

Os acordos de cooperação mútua definem as regras para a troca de informações

sobre transações bancárias pelos países signatários, entre outros itens. O acordo bilateral

com a Suíça, em tramitação no Congresso, possui alguns pormenores a mais do que os

outros, por exemplo, a apreensão dos bens enquanto o processo ainda está em andamento.

Nem todos os países permitem tais termos nos seus acordos. A legislação de cada

país onde está o dinheiro é de importante consideração, pois a evasão de divisas, crime no

Brasil, não é considerada em outros países. Nessas situações a repatriação é quase sempre

impossível.

O Ministério da Justiça estuda a elaboração de um projeto de lei que permita o uso

dos bens de pessoas acusadas de ocultar a origem do dinheiro, enquanto o processo ainda

90
Revista Época 335. Lava-jato de dinheiro. Ministro do STJ Gilson Dipp
14/10/2004
91
CARRAVILLA, André, Onde está o dinheiro, Correio Braziliense,10/6/2005.
97

está em tramitação. A proposta aplicar-se-á para os casos de lavagem de dinheiro

identificados dentro do Brasil. Há, contudo, diversas posições contrárias com relação ao

novo projeto, v.g..Letícia Teixeira: “Os recursos apreendidos não devem ser reinvestidos no

combate à lavagem de dinheiro. Dizem que pelo menos parte desse dinheiro deve ir para

políticas públicas que beneficiam toda a população, como Saúde e Educação.92”

Há pretensão de ampliar o entendimento dos crimes antecedentes à lavagem de

dinheiro. Do jeito que está hoje apenas oito crimes constituem lavagem. A sugestão é fazer

com que qualquer caso de dissimulação de origem seja considerado lavagem e estenda-se a

qualquer ilícito.(vide capítulo 2 – Artigo 1º da Lei 9.613, de 1998)

Tal fato contrariaria o espírito da lei nacional, pois banalizar-se-iam os delitos de

outra origem, que não são de origem criminosa.

Há ainda outra circunstância: pedidos para bloqueio das contas rastreadas, enviados

pelo governo brasileiro para o exterior, não são atendidos com rapidez, conforme o ministro

Gilson Dipp: “Aqui no Mercosul, que devia ser uma coisa ágil, eles demoram até para

responder uma carta rogatória (como são chamados os pedidos oficiais entre as Justiças de

dois países)”93. Mensalmente, o Ministério da Justiça envia pelo menos 200 cartas

rogatórias. O leque de solicitações vai do bloqueio de contas bancárias suspeitas ao

reconhecimento de um pedido de divórcio de pessoas que se casaram no exterior.

92
Letícia Texeira – Pesquisadora da ONG Transparência e Cidadania, Fórum Global:
articulação é arma contra lavagem de dinheiro, disponível em:
http://www.mj.gov.br/noticias/2005/Junho/rls090605forum.htm, acessado em 12/11/2006.
93
Revista Época 335. Lava-jato de dinheiro. Ministro do STJ Gilson Dipp
14/10/2004
98

Estão em vigor os seguintes acordos de cooperação jurídica em matéria penal:

Colômbia Decreto №. 3.895, de 23 de agosto de 2001. Acordo de


Cooperação Judiciária e Assistência Mútua em Matéria Penal
entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo
da República da Colômbia.
Estados Unidos Decreto №. 3.810, de 02 de maio de 2001. Acordo de
Assistência Judiciária em Matéria Penal entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados
Unidos.
França Decreto №. 3.324, de 30 de dezembro de 1999. Acordo de
Cooperação Judiciária em Matéria Penal entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo da República
Francesa.
Itália Decreto №. 862, de 9 de julho de 1993. Tratado sobre
Cooperação Judiciária em Matéria Penal entre a República
Federativa do Brasil e a República Italiana.
Mercosul Decreto №. 3.468, de 17 de maio de 2000. Protocolo de
Assistência Jurídica Mútua em Assuntos Penais entre a
República Argentina, a República Federativa do Brasil,
(Argentina, Uruguai, Paraguai)
República do Uruguai e a República Oriental do Uruguai.
Peru Decreto №. 3.988, de 29 de outubro de 2001. Acordo de
Assistência Jurídica em Matéria Penal entre o Governo da
República Federativa do Brasil e o Governo da República do
Peru.
Portugal Decreto №. 1.320, de 30 de novembro de 1994. Tratado de
Auxílio Mútuo entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo da República Portuguesa.

Além disso, encontram-se em tramitação no Congresso Nacional:

Canadá PDC 201/ 1995. Pronto para Pauta. Última ação (05/04/2001):
retirada de pauta, a requerimento do Sr. Dep. Marcondes
Gadelha (PFL).
China PDC 1558/2005. Proposta sujeita à apreciação do Plenário.
Última ação (24/05/2005): coordenação de Comissões
Permanentes (CCP). Encaminhada à publicação. Parecer da
Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania publicado
no DCD, de 25/05/05, p. 21110 COL 01, Letra A.
Coréia do Sul PDC 1323/2004. MESA: aguardando retorno. Última ação
(08/07/2005): transformado no Decreto Legislativo 786/2005.
DOU 11/07/05, p. 02, col. 02.
Cuba PDC 1732/2005. Proposição sujeita à apreciação do Plenário.
Última ação (16/09/2005): coordenação de Comissões
Permanentes (CCP). Proposição recebida para publicação.
Líbano PDC 1112/2004. Proposição sujeita à apreciação do Plenário.
Última ação (12/07/05): Matéria não apreciada em face da não-
conclusão da apreciação do PL 1.144/03, item 01 da pauta, com
prazo encerrado.
Suíça MSC 853/2004. Última ação (14/09/2005): Comissão de
Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
99

(CSPCCO). Designado relator, Dep. Antonio Carlos Biscaia (PT-


RJ)
Ucrânia PDC-2411/2002. Pronta para Pauta. Última ação (01/10/2003):
encaminhada à publicação. Parecer da Comissão de
Constituição e Justiça e de Redação. Publicado no DCD, de
02/10/03, Letra A.

Por fim, estão assinados, porém ainda não foram encaminhados para o Congresso
Nacional:
Angola Abril de 2005
Nigéria Setembro de 2005
Reino Unido Abril de 2005
Suriname Fevereiro de 2005
• ( Fonte DRCI, novembro de 2005)

4.1.3 – MINISTÉRIO DA FAZENDA

A portaria nº 350, do Ministério da Fazenda, de 16 de outubro de 2002, determina que

além do COAF, a Receita Federal e o Banco Central deverão trabalhar em harmonia para

combater a lavagem de dinheiro.

Segundo a portaria acima citada, no caso de a Secretaria da Receita Federal ou o

Banco Central venha a detectar indício que possa configurar a ocorrência de crime de

"lavagem de dinheiro" ou de ocultação de bens, direitos e valores, definido na Lei nº 9.613,

de 3 de março de 1998, eles deverão dar conhecimento imediato desse fato ao Conselho de

Controle de Atividades Financeiras (COAF), instaurar procedimento de investigação

dando conhecimento desse fato ao outro órgão, sem prejuízo da comunicação posterior dos

respectivos resultados ao COAF.

Assim, constata-se o papel fundamental do Ministério da Fazenda em regular e

administrar os demais órgãos do executivo no combate ä lavagem de dinheiro


100

4.1.4 – BANCO CENTRAL DO BRASIL

Em 1964, foi criado o Banco Central da República do Brasil (o título era assim) que

agrupou as funções da moeda e do crédito, do câmbio, dos fatos e projeções econômicas, o

controle dos bancos, do sistema econômico e do seguro agrícola, com as análises e normas

respectivas. E logo em seguida tratou de formular circulares e resoluções sobre inúmeros

institutos da economia brasileira.

Atualmente, o Banco Central do Brasil, a partir de agora identificado por BC,

modificou vários de seus departamentos para melhor adaptar-se às necessidades de

fiscalização ao sistema financeiro nacional.

O Departamento de Combate a Ilícitos Cambiais e Financeiros (DECIF) foi criado

em novembro de 1999, com a finalidade de formar com Unidades congêneres de outros

Órgãos uma rede de prevenção e de combate a ilícitos financeiros, entre os quais a lavagem

de dinheiro.

O Departamento de Combate a Ilícitos Financeiros e Supervisão de Câmbio e

Capitais Internacionais (DECIC) resulta da fusão do DECIF com o Departamento de

Capitais Estrangeiros e Câmbio (DECEC), ocorrida em 4.7.2005. Mantém as atribuições

anteriores e agrega a execução do controle cambial das exportações e importações e a

supervisão dos capitais estrangeiros no Brasil e brasileiros no exterior. Continua a integrar a

Área de Fiscalização do Bacen.


101

Devemos citar ainda os outros departamentos da ÁREA DE FISCALIZAÇÃO DO

BANCO CENTRAL DO BRASIL, são eles:

DESUP: Supervisão de Bancos e de Conglomerados Bancários;

DESUC: Supervisão de Cooperativas e Instituições Não-bancárias e de Atendimento

de Demandas e Reclamações;

DESIG: Supervisão Indireta e Gestão de Informação;

DECOP: Controle de Gestão e Planejamento da Supervisão;

DECAP: Controle e Análise de Processos Administrativos Punitivos;

O DECIC é o Departamento de Combate a Ilícitos Financeiros e Supervisão de

Câmbio e Capitais Internacionais, com as seguintes atribuições:

- Avaliação dos controles internos e Conformidade para prevenção à lavagem de dinheiro;

- Monitoramento diário das operações realizadas no mercado de câmbio;

- Controle cambial das exportações e das importações;

- Supervisão dos capitais estrangeiros no Brasil e dos capitais brasileiros no exterior;

- Instauração de Processos Administrativos Punitivos;

- Outras Atividades:
102

- Rastreamento de dinheiro por requisição judicial;

- Exame e decisão de demandas não previstas na regulamentação cambial ou que nele não

se enquadrem perfeitamente;

- Planejamento e execução do Censo de Capitais Estrangeiros no Brasil;

- Recepção e tratamento das declarações de Capitais Brasileiros no Exterior;

- Atendimento a demandas em geral do Judiciário, Ministério Público, Polícia;

- Colaboração com o MP, PF, MJ, CPI (inclusive mediante cessão de servidores);

- Participação em fóruns internacionais (reuniões do GAFI/FATF, GAFISUD, Comissão de

prevenção à lavagem de dinheiro e de financiamento ao terrorismo do Mercosul-SGT 4,

etc).

O arcabouço legal para os trabalhos do DECIC será mencionado em seguida.

Pelo Decreto 23.258, de 1933, são consideradas operações de câmbio ilegítimas as

realizadas entre bancos, pessoas naturais ou jurídicas, domiciliadas ou estabelecidas no

País, com quaisquer entidades do exterior, quando tais operações não transitem pelos

bancos habilitados a operar em câmbio; as realizadas em moeda brasileira por entidades

domiciliadas no País, por conta e ordem de entidades brasileiras ou estrangeiras

domiciliadas ou residentes no exterior.


103

Segundo o Decreto citado, são passíveis de penalidades as sonegações de coberturas

nos valores de exportação, bem como o aumento de preço de mercadorias importadas, para

obtenção de coberturas indevidas.

Segundo o Decreto-Lei 9.025, de 1946, é vedada a realização de compensação

privada de créditos ou valores de qualquer natureza, sujeitos os responsáveis às penalidades

previstas no Decreto 23.258, de 19 de Janeiro de 1933.

A Lei 4.131, de 1962, define que as operações cambiais serão efetuadas através de

estabelecimentos autorizados a operar em câmbio, com a intervenção de corretor oficial

quando previsto em lei ou regulamento, respondendo ambos pela identidade do cliente,

assim como pela correta classificação das informações por este prestadas, segundo normas

fixadas pelo Banco Central do Brasil. Constitui infração imputável ao estabelecimento

bancário, ao corretor e ao cliente, punível com multa de 50 (cinqüenta) a 300% (trezentos

por cento) do valor da operação para cada um dos infratores, a declaração de falsa

identidade no formulário que, em número de vias e segundo o modelo determinado pelo

Banco Central do Brasil, será exigido em cada operação, assinado pelo cliente e visado pelo

estabelecimento bancário e pelo corretor que nela intervierem.

Verifica-se infração, de responsabilidade exclusiva do cliente, punível com multa de

5 (cinco) a 100% (cem por cento) do valor da operação, a declaração de informações falsas

no formulário e infração, imputável ao estabelecimento bancário e ao corretor que

intervierem na operação, punível com multa equivalente de 5 (cinco) a 100% (cem por

cento) do respectivo valor, para cada um dos infratores, a classificação incorreta, dentro das
104

normas da Superintendência da Moeda e do Crédito, das informações prestadas pelo cliente

no formulário.

Encontra-se no mesmo dispositivo a infração de induzir ou manter em erro, sócio,

investidor ou repartição pública competente, relativamente à operação ou situação

financeira, sonegando-lhe informação ou prestando-a falsamente

. A Lei 7.492, de 1986, tipifica a figura da operação de câmbio não autorizada, com o

fim de promover evasão de divisas do País estabelece a pena de reclusão de dois anos a seis

anos e multa. Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promova, sem autorização

legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarados

à repartição federal competente.

Cabe ao Banco Central do Brasil ou ä Comissão de Valores Mobiliários – CVM,

verificar a ocorrência de crime previsto na Lei 7.492/86. Deverá informar ao Ministério

Público Federal, enviando-lhe os documentos necessários à comprovação do fato. O

Ministério Público Federal, sempre que julgar necessário, poderá requisitar, a qualquer

autoridade, informação, documento ou diligência, relativa à prova dos crimes previstos

nesta Lei. Ressalta-se que sigilo dos serviços e operações financeiras não pode ser invocado

como óbice ao atendimento da requisição anteriormente prevista.

. A Lei Complementar 105/01 prevê no artigo 9o, que o Banco Central e a Comissão

de Valores Mobiliários, se no exercício de suas atribuições verificarem a ocorrência de

crime definido como de ação pública, ou indícios da prática de tais crimes, informarão ao

Ministério Público, Secretaria da Receita Federal e outros órgãos públicos. Tal Lei também
105

prevê que o BC, a CVM e os demais Órgãos de fiscalização, nas áreas de suas atribuições,

fornecerão ao COAF as informações cadastrais e de movimento de valores relativos às

operações previstas no inciso I do art. 11 da Lei 9.613, de 3.3.1998.

O artigo 6º do Decreto 3.724, de 10.01.2001, estabelece que de conformidade com o

disposto no art. 9º da Lei Complementar nº 105/2001, o BC e a CVM, por seus respectivos

Presidentes ou servidores que receberem delegação de competência para a finalidade

específica, deverão comunicar, de ofício, à Secretaria da Receita Federal, no prazo máximo

de quinze dias, as irregularidades e os ilícitos administrativos de que tenham conhecimento,

ou indícios de sua prática, anexando os documentos pertinentes, sempre que tais fatos

puderem configurar qualquer infração à legislação tributária federal.

A violação do que acima foi dito constitui infração administrativo-disciplinar do

dirigente ou servidor que a ela der causa, sem prejuízo da aplicação do disposto no art. 10,

caput, da Lei Complementar nº 105, de 2001, e demais sanções civis e penais cabíveis

A quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas na Lei Complementar 105/01,

constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa,

aplicando-se, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis.

Incorrem nas mesmas penas quem omitir, retardar injustificadamente ou prestar falsamente

as informações requeridas nos termos desta Lei Complementar.

Finalmente, a Lei 9.613/1998, no seu artigo 11, inciso I, define que as instituições

dispensarão especial atenção às operações que, nos termos de instruções emanadas das

autoridades competentes, possam constituir-se em sérios indícios dos crimes previstos


106

como lavagem de dinheiro, ou com eles relacionar-se. Deve-se comunicar, abstendo-se de

dar aos clientes ciência de tal ato, no prazo de vinte e quatro horas, às autoridades

competentes, da realização de atividades suspeitas valendo ressaltar que as comunicações

de boa-fé não acarretarão responsabilidade civil ou administrativa.

A Circular BC 2.852/98, estabelece que tais exigências deverão alcançar as

instituições financeiras e as demais instituições autorizadas a funcionar pelo BC, as

administradoras de consórcios, as agências de turismo e hotéis credenciados a operar em

câmbio, as empresas emissoras de cartões de crédito com validade internacional, e as

dependências e representantes, no País, de instituições financeiras sediadas no exterior.

Ademais, dispõe sobre as seguintes obrigações:

- manter atualizados os cadastros dos clientes;

- manter controles internos para verificar a identificação do cliente

e a compatibilidade entre movimentações de recursos, atividade

econômica e capacidade financeira;

- manter registros de operações;

- promover treinamento para seus empregados;

- implementar procedimentos internos de controle para detecção de

operações suspeitas;

- comunicar operações ou situações suspeitas ao BC.


107

Vale ressaltar que a Carta-Circular BCB 2.826/98, exemplifica sobre as operações

ou situações passíveis de comunicação ao BACEN, relacionadas com:

- operações em espécie ou em cheques de viagem;

- manutenção de contas correntes;

- atividades internacionais;

- empregados das instituições e seus representantes.

Mediante os mencionados instrumentos normativos, o Banco Central poderá

reprimir a lavagem de dinheiro e o crime organizado com base na Lei 9613/98. Conforme

Liao, a atuação do BACEN antes da Lei 9.613/98, consistia em:

- atividades de prevenção e de combate a Ilícitos desenvolvidas em


departamentos diferentes, de maneira descoordenada, sem unidade de
comando e sem especialização;

- ausência de responsabilização criminal específica;

- ausência de responsabilização administrativa específica;

- comunicações à SRF e ao MPF de maneira lacônica e com base legal


não clara, obtida por interpretações extensivas;

- atuação do BACEN após a Lei 9.613/98:

- responsabilização Administrativa - art. 12 da Lei 9.613/98;

- responsabilização Criminal - art. 1º da Lei 9.613/98;


108

- Lei Complementar 105/2001;

- acesso on line das comunicações pelo COAF (setembro/2001);

- comunicações à SRF e ao MPF pormenorizadas, com base clara na LC


105/01. Para o MPF, até julho/02: 7.492 e/ou 9.613. Após julho/02, para
o MPF, só 7.492. Se 9.613, BC para COAF e COAF para MPF.

Portanto, verificou-se uma mudança na ação do BC, como abaixo:

- Mudança de foco:

BC: de fiscal onipresente e onisciente para fiscal de segundo grau


e supervisor;

IFs: de indiferentes para sujeitos obrigados, daí para


colaboradores necessários, daí para parceiros efetivos;

- Prevenção: avaliação dos sistemas de controles internos e


Conformidade para prevenção de lavagem de dinheiro; Conformidade
de câmbio;

Medidas coercitivas: termo de comparecimento, processo administrativo


punitivo;

- Comunicações ao Coaf, Ministério Público e Secretaria da Receita


Federal.94

A seguir demonstrar-se-á o trabalho da Receita Federal e do COAF com relação à

matéria.

4.1.5 – SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL (SRF)

94
Dados fornecidos por LIAO, Ricardo, Apresentação Bacem 2006.
109

A Secretaria da Receita Federal tem como Órgão especializado na área de

investigação a Coordenação-Geral de Pesquisa e Investigação – COPEI – criada em 200195.

A COPEI tem como competência a investigação e localização dos processos de lavagem de

dinheiro. Abaixo alguns dispositivos normativos que por si só explicam a atuação desta

Coordenadoria:

Destaca-se a Portaria 030/05 do Ministério da Fazenda (Regimento Interno da

Receita Federal), que afirma que a SRF deverá participar, observada a competência

específica de outros órgãos, nas atividades de repressão ao contrabando, ao descaminho e

ao tráfico ilícito de entorpecentes e de drogas afins e à lavagem de dinheiro.

Segundo a Instrução Normativa n 228/01, a prestação de informação ou a

apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos

verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade

ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando

os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decreto-lei nº

2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da

aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decreto-lei nº

37, de 18 de novembro de 1966.

A mesma instrução prevê que se detectado indício que possa configurar a ocorrência

de crime de "lavagem de dinheiro" ou de ocultação de bens, direitos e valores, definido na

Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998, a unidade da SRF responsável pela execução do

procedimento deverá dar conhecimento desse fato ao Conselho de Controle de Atividades

95
Portaria MF nº 259, de 24 de Agosto de 2001
110

Financeiras (COAF) e ao Banco Central do Brasil (BC), sem prejuízo da formulação de

Representação Fiscal para Fins Penais para o Ministério Público Federal.

A Instrução Normativa n 304/04, destaca que a pessoa jurídica que deixar de

apresentar a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) no prazo

estabelecido no pela lei, ou que apresentá-la com incorreções ou omissões, sujeitar-se-á às

seguintes multas:

I - R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, no caso de


falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo;

II - cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor


das transações comerciais, no caso de informação omitida, inexata
ou incompleta.

A omissão de informações ou a prestação de informações falsas na Dimob configura

hipótese de crime contra a ordem tributária prevista no art. 2º da Lei nº 8.137, de 27 de

dezembro de 1990, sem prejuízo das demais sanções cabíveis. Ocorrendo a situação

descrita anteriormente, poderá ser aplicado o regime especial de fiscalização previsto no

art. 33 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.

Finalmente, a Instrução Normativa 341/02, afirma que na omissão de informações,

o retardo injustificado ou a prestação de informações falsas na Declaração de Operações

com Cartões de Crédito (Decred) configura hipótese de crime nos termos do art. 10 da Lei

Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, e do art. 2º da Lei nº 8.137, de 27 de

dezembro de 1990, sem prejuízo das demais sanções cabíveis. Ocorrendo a situação
111

descrita no caput, poderá ser aplicado o regime especial de fiscalização previsto no art. 33

da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.

A Secretaria da Receita Federal/Coordenação-Geral de Pesquisa e Investigação –

(SRF/COPEI) vem atuando em operações de grande porte em parceria com o Ministério

Público Federal e a Polícia Federal no combate ao crime organizado. O entrosamento com

o COAF, BACEM e DRCI bem como com os órgãos de informação(UFI) dos países

membros do GAFI têm possibilitado informações de importância para seus trabalhos.

A tabela abaixo mostra o número de pessoas condenadas e presas pelo crime de

lavagem de dinheiro nos respectivos anos:

26 pessoas 2003

304 pessoas 2004

20 pessoas 2005 (até novembro)

* (Fonte SRF, Novembro de 2005).

4.1.6 – A Estratégia Nacional de Combate a Lavagem de Dinheiro

(ENCLA) e O Gabinete de Gestão Integrada de Prevenção e Combate à

Lavagem de Dinheiro (GGI–LD)

A Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro (ENCLA) é o Órgão

brasileiro que estabelece novos sistemas de combate à lavagem de dinheiro, tendo como
112

base as três áreas de atuação do princípio da articulação permanente dos órgãos públicos,

que são: estratégica, de inteligência e operacional.

O Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro tem a seguinte

estrutura:

Com respeito à área estratégica, criou-se, em dezembro de 2003, o Gabinete de

Gestão Integrada de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro (GGI–LD), encarregado

por manter a articulação das instituições governamentais responsáveis pelo combate ao

crime organizado e à lavagem de dinheiro. São membros do GGI–LD os órgãos do Poder

Executivo, do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e pelo Ministério Público e

secretariado pelo DRCI.96

Membros do GGI-LD:

- Advocacia-Geral da União (AGU)

- Agência Brasileira de Inteligência (ABIN)

- Banco Central do Brasil (BACEN)

- Casa Civil da Presidência da República (Casa Civil)

- Conselho da Justiça Federal (CJF)

96
Ministério da Fazenda <
http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Portarias/2005/MinisteriodaFazenda/default.htm >
113

- Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF)

- Controladoria Geral da União (CGU)

- Departamento de Polícia Federal (DPF)

- Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF)

- Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI)

- Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI)

- Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS)

- Ministério da Justiça (MJ)

- Ministério da Previdência Social (MPS)

- Ministério das Relações Exteriores (MRE)

- Ministério Público Federal (MPF)

- Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN)

- Secretaria da Receita Federal (SRF)

- Secretaria de Direito Econômico (SDE)

- Secretaria de Previdência Complementar (SPC)

- Secretaria Nacional Anti-drogas (SENAD)

- Secretaria Nacional de Justiça (SNJ)

- Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP)

- Tribunal de Contas da União (TCU)

-Tendo em vista o envolvimento de tantos órgãos e de vários poderes, percebe-se que os

temas ali discutidos terão maturação lenta.

A GGI-LD tem algumas metas (43) que objetivam os seguintes aspectos:


114

- Objetivo 1: Acesso a dados – metas 1 a 13.

- Objetivo 2: Recuperação de Ativos – metas 14 a 19

- Objetivo 3: Articulação Institucional – metas 20 a 25

- Objetivo 4: Capacitação e Treinamento – metas 26 a 33

- Objetivo 5: Atuação e cooperação internacional - metas 34 a 43.

Cada objetivo possui determinadas metas a serem cumpridas que se subdividem nos

respectivos órgãos do GGI-LD.

4.2 – INCORPORAÇÃO DE TRATADOS E ACORDOS INTERNACIONAIS NO

BRASIL

Em matéria de Direito Internacional, a autoridade exercida por um país em

determinado território faz do país um Estado soberano, que é um elemento indispensável e

reconhecido pelos demais países internacionalmente.

Os Estados celebram tratados e acordos internacionais e assumem direitos e

obrigações no âmbito internacional decorrentes dos mesmos. Isso ocorre através do

princípio pacta sunt servanda. Logo, tratados e acordos internacionais são instrumentos

necessários para que os Estados possam relacionar-se internacionalmente.


115

Tais instrumentos vêm sendo cada vez mais utilizados diante do aumento

significativo do intercâmbio entre os Estados. Ademais, a globalização aponta a

importância do aprimoramento nas relações comerciais, políticas, sociais e culturais, entre

outras.

Os Tratados ou Acordos Internacionais aprovados pelo Congresso Nacional passam

a ser parte integrante do direito interno quando são publicados, tornando-se objeto de

Decreto Presidencial (art. 49, inciso I, da CF) e (art 98 do CTN). De acordo com o artigo 49

da Constituição:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:

I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos


internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos
ao patrimônio nacional; Constituição Federal

Nos termos do artigo 98 do Código Tributário Nacional:

Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou


modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela
que lhes sobrevenha. CTN.

Convém trazer a colação a decisão emanada pelo Supremo Tribunal Federal

(ADINMC.1480 de 1997). Salienta a paridade normativa entre atos internacionais e normas

infra-constuticionais de direito interno.

E M E N T A: - AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE -


CONVENÇÃO Nº 158/OIT - PROTEÇÃO DO TRABALHADOR CONTRA
A DESPEDIDA ARBITRÁRIA OU SEM JUSTA CAUSA - ARGÜIÇÃO DE
ILEGITIMIDADE CONSTITUCIONAL DOS ATOS QUE
116

INCORPORARAM ESSA CONVENÇÃO INTERNACIONAL AO DIREITO


POSITIVO INTERNO DO BRASIL (DECRETO LEGISLATIVO Nº 68/92
E DECRETO Nº 1.855/96) - POSSIBILIDADE DE CONTROLE
ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE DE TRATADOS OU
CONVENÇÕES INTERNACIONAIS EM FACE DA CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA - ALEGADA TRANSGRESSÃO AO ART. 7º, I, DA
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA E AO ART. 10, I DO ADCT/88 -
REGULAMENTAÇÃO NORMATIVA DA PROTEÇÃO CONTRA A
DESPEDIDA ARBITRÁRIA OU SEM JUSTA CAUSA, POSTA SOB
RESERVA CONSTITUCIONAL DE LEI COMPLEMENTAR -
CONSEQÜENTE IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DE TRATADO OU
CONVENÇÃO INTERNACIONAL ATUAR COMO SUCEDÂNEO DA LEI
COMPLEMENTAR EXIGIDA PELA CONSTITUIÇÃO (CF, ART. 7º, I) -
CONSAGRAÇÃO CONSTITUCIONAL DA GARANTIA DE
INDENIZAÇÃO COMPENSATÓRIA COMO EXPRESSÃO DA REAÇÃO
ESTATAL À DEMISSÃO ARBITRÁRIA DO TRABALHADOR (CF, ART.
7º, I, C/C O ART. 10, I DO ADCT/88) - CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
DA CONVENÇÃO Nº 158/OIT, CUJA APLICABILIDADE DEPENDE DA
AÇÃO NORMATIVA DO LEGISLADOR INTERNO DE CADA PAÍS -
POSSIBILIDADE DE ADEQUAÇÃO DAS DIRETRIZES CONSTANTES
DA CONVENÇÃO Nº 158/OIT ÀS EXIGÊNCIAS FORMAIS E
MATERIAIS DO ESTATUTO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO -
PEDIDO DE MEDIDA CAUTELAR DEFERIDO, EM PARTE,
MEDIANTE INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO.
PROCEDIMENTO CONSTITUCIONAL DE INCORPORAÇÃO DOS
TRATADOS OU CONVENÇÕES INTERNACIONAIS.

A questão envolvendo a eficácia de tratados é relevante. Na prática, objetiva-se

saber se um Estado pode ou não invocar o seu ordenamento jurídico interno para se

esquivar do cumprimento daquilo que foi acordado internacionalmente. A resposta,

negativa, teria sido dada pela Convenção de Viena sobre Direitos dos Tratados (art.27),

bem como pelos reiterados pronunciamentos da Corte Internacional de Justiça.


117

Assim, a assinatura de um Tratado Internacional e a sua conseqüente ratificação no

País criaria norma que poderia mudar completamente o entendimento empresarial sobre o

panorama dos seus negócios no Brasil.

A tramitação de tratados no Brasil segue um rito que começa nas negociações,

segue para a assinatura, depois é encaminhado para Congresso Nacional, onde sendo

ratificado deverá ser promulgado pelo Presidente da República para fins de inclusão no

ordenamento interno nacional, para finalmente ser encaminhado à Organização

Internacional explicitada no tratado. Para melhor entendimento deste tramite explicar-se-ão

suas etapas.

- do Projeto

O Ministério das Relações Exteriores é o órgão competente do Poder Executivo

para promover negociações diplomáticas, negociando atos internacionais, sempre

assessorado pelo Ministério que tem competência relativa ao assunto em comento. O

projeto, depois de negociado, segue para as autoridades dos respectivos países para fins de

conhecimento. Nos tratados multilaterais, a negociação é feita no âmbito da organização

internacional e realizada conforme os procedimentos da mesma. As instruções do Governo

brasileiro devem ser observadas pela Delegação, cabendo à Divisão de Atos Internacionais

do Ministério das Relações Exteriores preparar o credenciamento da Delegação e a Carta de

Plenos Poderes.

– da Assinatura
118

Cabe ao Presidente da República celebrar atos internacionais, auxiliado pelo

Ministério das Relações Exteriores, que assegura a sua execução e mantém as relações com

outros Estados. A assinatura firma o consentimento de cada parte contratante encerrando

assim as negociações, e pode ser feita por qualquer autoridade que possua a Carta de Plenos

Poderes, que é firmada pelo Presidente da República e referendada pelo Ministro das

Relações Exteriores. A única exceção se refere aos atos internacionais firmados por

Embaixadores acreditados, que funcionam como extraordinário e plenipotenciário, não

precisando da Carta de Plenos Poderes para assinar esses atos.

– da Submissão ao Congresso Nacional

De acordo com a Constituição, os atos internacionais estão sujeitos a aprovação pelo

Congresso Nacional. O Ministério das Relações Exteriores prepara uma exposição de

motivos expondo os fatos relevantes, sempre ratificados pelos ministérios que têm

competência para o assunto da assinatura do instrumento, e solicita que o Presidente da

República o submeta ao Congresso Nacional. Aprovada e assinada, a exposição segue para

exame e aprovação pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. A aprovação

congressual é materializada por Decreto Legislativo, assinado pelo Presidente do Senado,

publicado no Diário Oficial da União.

- da Ratificação

Os atos firmados entre Estados são postos em vigor internacionalmente através da

ratificação e depositados no exterior, conforme o previsto no próprio texto do acordo.


119

Nos processos bilaterias, pode ser adotada a troca de notas, podendo o ato entrar em

vigor, na data de recebimento da segunda nota ou num prazo estipulado após essa data. Os

atos multilaterais são ratificados por meio de depósito da Carta de Ratificação junto ao país

ou ao órgão multilateral depositário, devendo ser comunicado, posteriormente, o fato aos

demais signatários. A entrada em vigor dependerá do cumprimento dos requisitos

estipulados em seu próprio texto.

– da Promulgação

A promulgação é um ato de direito interno, que delimita a validade e a

executoriedade do ato internacional no ordenamento interno brasileiro. Depois de publicado

o Decreto Legislativo que aprovou o ato internacional, o Poder Executivo promulga o ato

através do Decreto assinado pelo Presidente, e referendado pelo Ministro das Relações

Exteriores. Esse Decreto é acompanhado de cópia do texto e publicado no Diário Oficial da

União.

– do Registro nas Nações Unidas

De acordo com o artigo 102 da Carta das Nações Unidas, os atos internacionais

bilaterais celebrados entre o Brasil e outro país, serão encaminhados à Missão do Brasil

junto às Nações Unidas pela Divisão de Atos Internacionais. Lá serão registrados junto ao

Secretariado das Nações Unidas.97

Ressaltam-se as lições de Cachapuz de Medeiros:

97
Ministério das Relações Exteriores. Disponível em :< www.mre.gov.br > Acessado em: 17/08/2006.
120

As incertezas que cercam o processo de formação dos tratados no


plano do Direito Interno brasileiro conduzem ao surgimento de propostas
para que o Poder Legislativo regulamente a matéria por meio da lei ou
resolução.

No inicio da década de 1960, Haroldo Valladão organizou, por


incumbência do Governo Federal, um anteprojeto de reforma da Lei de
Introdução ao Código Civil Brasileiro, denominado “Lei Geral de
Aplicação das Normas Jurídica”.

Esse anteprojeto começou a tramitar, mas não chegou a se


converter em lei. Não obstante, volta ás vezes a ser cogitado por juristas e
legisladores.”98

Tal assunto é de fundamental importância para melhor implemento dos tratados e

segurança jurídica dos mesmos no ordenamento jurídico-econômico. Contudo tal matéria

foge aos objetivos do trabalho.

4.3 – ESTUDO DE CASOS E AS DECISÕES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

E DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Alguns casos sobre a aplicação da lei de lavagem de dinheiro serão citados, apenas

para explicitar as contradições existentes entre os poderes de Estado e os Tribunais, e estes

entre si. Conforme Lassale:

98
MEDEIROS, Antônio Paulo Cachapuz de. Perspectivas Contemporâneas do Direito. Brasília:Universa.
2004.p.135.
121

Entretanto o poder que se apóia na nação, meus senhores, embora


seja, como de fato o é, infinitamente maior, não está organizado. A
vontade do povo e sobretudo seu grau de acometimento, não é sempre
fácil de pulsar, mesmo por aqueles que dele fazem parte. Perante a
iminência do inicio de uma ação, nenhum deles é capaz de contar a soma
dos que irão tentar defende-la. Ademais, a nação carece desses
instrumentos do poder organizado, desses fundamentos tão importantes
de uma Constituição99

Verifica-se que o cidadão não possui o mesmo poder que o Estado e para isso o
direito vem tutelar e tentar diminuir tal diferença.

4.3.1 – Caso Propinoduto.

Trata-se de um suposto esquema de corrupção, com envio de aproximadamente US$

33,4 milhões para a Suíça, dinheiro proveniente do estado do Rio de Janeiro.

Em 2004, o juiz da 3ª Vara Federal Criminal, Lafredo Lisboa, e o Desembargador

André Fontes, que atuaram no processo, viajaram para a Suíça com o objetivo de repatriar o

dinheiro desviado pelo esquema. São milhões de dólares que estão depositados em um

banco suíço em nome de cinco fiscais de renda do estado e sete auditores da Receita

Federal. A comitiva se reuniu com integrantes da Justiça suíça e obviamente não colheram

resultados.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio de Mello concedeu a

todos os 11 fiscais estaduais e auditores federais envolvidos no escândalo do Propinoduto,

99
LASSALE, Ferdinand. A Essência da Constituição. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. 2001.p13.
122

o direito de deixarem o cárcere do Ponto Zero. Eles estavam cumprindo pena há um ano e

dois meses sem que houvesse decisão final transitado em julgado.O grupo só não poderia

deixar o país sem autorização judicial.

Em 2005, o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, concedeu

liminar a outro envolvido no caso titulado como Propinoduto. A ordem impediu que

autoridades Suíças fizessem inquirição de testemunhas e interrogatórios dos acusados no

caso.

O habeas corpus foi deferido contra decisão do Superior Tribunal de Justiça, que

autorizou a participação de autoridades da Suíça nas investigações sobre o caso, por

provável conexão nos processos penais instaurados nos dois países.

Com a liminar, estabelece-se que a realização de atos instrutórios deve ser feita

exclusivamente pelas autoridades brasileiras, com o simples acompanhamento, se for o

caso, de autoridades suíças.

O voto do relator, ministro Marco Aurélio, levou em consideração que o acordo de

cooperação jurídica em matéria penal, entre o Brasil e a Suíça, encontra-se ainda pendente

de aprovação pelo Congresso Nacional e, mesmo se estivesse em vigor, só poderia ser

realizado com o “respeito irrestrito à organicidade do Direito nacional”. A primeira

turma deferiu por maioria, o pedido de habeas corpus. Assim, a ordem foi concedida,

vencidos os ministros Carlos Ayres Britto e Cezar Peluso que entenderam ser de

competência do STJ a aceitação ou não da execução do feito.


123

Ao conceder a ordem, entende-se que a cooperação entre Brasil e Suíça deve

respeitar o direito nacional, pois a prática de determinados atos somente pode ser realizada

por meio de carta rogatória, como os ligados à audiência de instrução para fins de ação

penal. Segundo a Decisão do STF:

A relevância do que versado na inicial e o risco de se manter com


plena eficácia o quadro até aqui delineado, mediante a cassação da
liminar deferida pelo Vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça,
ministro Sálvio Figueiredo, está a conduzir à concessão de medida
acauteladora. Cumpre atentar para o princípio da realidade,
sobrepondo-se o conteúdo ao aspecto simplesmente formal. O
empréstimo do rótulo de procedimento de cooperação internacional a
certo instrumento não pode desaguar na prática de atos somente
passíveis de serem alcançados por meio de carta rogatória, como são
aqueles ligados à audiência de instrução, visando à persecução criminal.
A cooperação há de se fazer com respeito irrestrito à organicidade de
Direito nacional, reafirmando-se a República como revelada por um
Estado Democrático de Direito, para tanto se mostrando indispensável
que se homenageie a máxima segundo a qual o meio justifica o fim, mas
não este, aquele. Defiro a liminar para suspender a eficácia do que
deliberado pelo Órgão Especial do Superior Tribunal de Justiça,
mantida, assim, até o julgamento final deste habeas corpus, a óptica da
necessidade de se contar – para a realização de atos instrutórios, por
sinal com a participação exclusiva de autoridades brasileiras e simples
acompanhamento, se for o caso, de autoridades suíças – com o crivo do
Superior Tribunal de Justiça, em face da competência que a Constituição
Federal hoje lhe reserva no campo da execução das cartas rogatórias 100.

100
STF, HC 85.588, rel. Min.Marco Aurélio, DJ 16/03/2005 P 00015.
124

4.3.2 – Caso do ex-Prefeito de São Paulo

A Suíça enviou ao Brasil documentos sobre as movimentações financeiras do ex-

prefeito de São Paulo que responde na justiça por processo de evasão de divisas. Os

documentos, no entanto, não poderiam ser usados no processo, visto que na Suíça esse ato

não constitui um crime, apenas uma infração administrativa.

Os documentos mostravam que o suspeito mantinha duas contas na Suíça com

movimentação acima de US$ 200 milhões, uma no banco de Zurique, e a outra em um

banco de Genebra. As contas foram mantidas até janeiro de 1997, posteriormente

transferidas para Jersey, um paraíso fiscal localizado no canal da Mancha.

O Ministério Público Federal fez a denúncia em assunto diverso, criando um

incidente diplomático com a Suíça, que já colaborou com o Brasil em outros casos, e por

ser uma importante parceira nas investigações de crimes financeiros.

O MPF voltou atrás e fez o pedido de destranhamento dos referidos documentos do

processo.
125

Verifica-se, neste caso, que a diferença entre os instrumentos jurídicos de outros

países dificulta as investigações e possíveis repressões.

4.3.3 – Caso do Doleiro

Mais conhecido como Doleiro, o réu era operador no mercado de câmbio paralelo e

realizou operações financeiras ilegais com outro doleiro estimadas em US$ 121 milhões.

Durante depoimento na CPI dos Correios, ele disse que trocou dólares por reais em

2002, pedindo o apoio da CPI para negociar, a redução de suas penas, com o Ministério

Público, em troca de revelações que implicam diversos políticos que teriam enviado

dinheiro ao exterior.

Ele foi absolvido dos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira,

formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, no caso Banestado, mas condenado por

evasão de divisas com pena menor então fixada visto que o réu colaborou voluntariamente

com o Ministério Público Federal.

Como não se materializam nenhum dos crimes antecedentes mostrados

anteriormente no trabalho, o crime de lavagem de dinheiro não foi demonstrado, pois o

dinheiro em questão não foi proveniente dos crimes elencados na lei 9613/98.
126

Os casos citados demonstram certa insegurança jurídica que determinadas decisões

e jurisprudências causam ao ordenamento jurídico-econômico. Segundo Sieyès:

É necessário compreender, antes de tudo, qual é o objetivo ou o fim


da Assembléia representativa de uma nação: não pode ser diferente do
que a própria nação se proporia se pudesse se reunir e deliberar no
mesmo lugar. O que é a vontade de uma nação? É o resultado das
vontades individuais, como a nação é a reunião dos indivíduos. É
impossível conceber uma associação legitima que não tenha como objeto
a segurança comum, a liberdade comum, enfim, a coisa pública. Sem
dúvida, cada particular se propõe, além disso, fins particulares. As
pessoas se dizem: ao abrigo da segurança comum, poderei me entregar
tranquilamente a meus projetos pessoais, irei atrás da minha felicidade
como quiser, certo de só encontrar como limites legais aqueles que a
sociedade me prescreve pelo interesse comum em que tomo parte e com o
qual meu interesse particular fez uma aliança tão útil.101

Assim faz-se necessária a criação de leis coerentes e principalmente que o judiciário

respeite tais normativas e consolide uma jurisprudência segura para não atentar contra o

Estado Democrático de Direito.

Observa-se que as lições de Hesse, também, são importantes para a análise, pois

segundo ele:

A Constituição jurídica está condicionada pela realidade histórica.


Ela não pode ser separada da realidade concreta de seu tempo. A
pretensão de eficácia da Constituição somente pode ser realizada se levar
em conta essa realidade. A Constituição jurídica não configura apenas a
expressão de uma dada realidade. Graças ao elemento normativo, ela
ordena e conforma a realidade política e social. As possibilidades, mas

101
SIEYÉS, Emmanuel Joseph. A Constituição Burguesa. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. 2001.p.69.
127

também os limites da força normativa da Constituição resultam da


correlação entre ser (Sein) e dever ser (Sollen).102

Os casos aqui citados evidenciam a existência de conflitos entre os tribunais

superiores e nos seus próprios órgãos colegiados. Configura-se a necessidade de um

ordenamento interno coeso que constitua uma melhor segurança jurídica objeto dessa

dissertação.

102
HESSE, Konrad. A Força Normativa da Constituição. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor.
1991.p.24.
128

CONCLUSÃO

Ao terminar a presente dissertação é preciso demonstrar se o problema constituído

foi respondido: Qual a influência das ações internacionais no combate ao crime

organizado, através da lavagem de dinheiro, no ordenamento jurídico-econômico

brasileiro?

A escolha do termo “ordenamento jurídico-econômico” teve o objetivo de delimitar

a pesquisa, afim de que a parte jurídica ficasse voltada, apenas, para o seu aspecto

econômico, assim entendido aquele referente às reaplicações de valores nos mercados

financeiros nacionais e internacionais, conforme citados nos procedimentos

metodológicos.

O combate ao crime organizado apresenta diversos aspectos. Ficou demonstrado

neste trabalho, nos capítulos 1 e 2, as diferenças entre as leis internacionais e as leis

brasileiras sobre a matéria. Aqui, a Lei n 9.613/98, de Lavagem de Dinheiro, foi formulada

com a preocupação de combater o crime organizado no País e deixou os aspectos externos

para os tratados e acordos promulgados pelo nosso País.


129

Verifica-se a influência das legislações, tratados e acordos internacionais no

ordenamento jurídico pátrio. Neste aspecto, identificam-se elementos de inserção de idéias

e projetos provenientes da influência internacional na legislação para combater a lavagem

de dinheiro e o crime organizado no Brasil. Tal evento foi demonstrado no capítulo 2, onde

os instrumentos normativos internacionais foram analisados e ficou também evidenciado

que o crime organizado e a lavagem de dinheiro têm aspectos complementares e estão

definidos no contexto teórico desta dissertação.

A lei 9613/98, juntamente com outros dispositivos normativos, vem seguindo o

padrão internacional de combate à lavagem de dinheiro e o crime organizado. Ela é

autônoma, tem aplicação por si só, contudo somente poderá ser aplicada se houver crime

antecedente tipificado.

Tentou-se, neste trabalho, demonstrar as medidas de combate à lavagem de dinheiro

que criaram condições para identificar o crime organizado, um grande problema para a

sociedade moderna.

Ressalta-se, contudo, a jurisprudência dos diversos tribunais, pressionados pela

mídia, tais como: escândalos noticiados com ênfase publicitário, Comissões Parlamentares

de Inquérito espetaculares (CPI), força policial desnecessária, buscas e apreensões sem

limites que invadem e vulneram direitos fundamentais dos cidadãos. Destacam-se as

decisões inconseqüentes que não têm qualquer relação com o ordenamento interno, e a

jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.


130

Importante diferenciar a lavagem de dinheiro de origem criminosa (objeto da lei

9613/98) da reinserção de valores sem origem declarada na economia.

A sonegação fiscal só deve ser denunciada à lide após decisão fiscal em última

instância, na área administrativa, conforme a decisão do Supremo Tribunal Federal. 103

Conclui-se que há uma nítida diferença entre a aplicação de capitais quando têm

origem ilícita, caracterizando o crime especificado pela lei 9613/98, e aquela onde os

capitais não têm origem identificada. O ponto divisor, que distingue tal conclusão, parte do

elemento subjetivo que motiva a ocultação e dissimulação do dinheiro. No caso de capitais

ilícitos caracteriza-os como crime, conforme referido anteriormente. Quando a origem do

montante pecuniário que foi ocultado ou reinserido na economia for lícito, encontramos, no

elemento subjetivo, não um crime antecedente, mas sim um meio de proteção patrimonial

do indivíduo ou da empresa.

Os casos citados no capítulo 4, demonstram que as decisões divergentes dos

tribunais comprometem a segurança jurídico-econômica essencial ao desenvolvimento.

Também observam-se as dificuldades e controvérsias existentes entre os poderes

103
(AI 419.578, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 27.08.04) "HABEAS CORPUS - DELITO CONTRA A
ORDEM TRIBUTÁRIA - SONEGAÇÃO FISCAL - PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO-
TRIBUTÁRIO AINDA EM CURSO - AJUIZAMENTO PREMATURO, PELO MINISTÉRIO PÚBLICO,
DA AÇÃO PENAL - IMPOSSIBILIDADE - AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA A VÁLIDA
INSTAURAÇÃO DA 'PERSECUTIO CRIMINIS' - INVALIDAÇÃO DO PROCESSO PENAL DE
CONHECIMENTO DESDE O OFERECIMENTO DA DENÚNCIA, INCLUSIVE - PEDIDO DEFERIDO. -
Tratando-se dos delitos contra a ordem tributária, tipificados no art. 1º da Lei nº 8.137/90, a instauração da
concernente persecução penal depende da existência de decisão definitiva, proferida em sede de procedimento
administrativo, na qual se haja reconhecido a exigibilidade do crédito tributário ('an debeatur'), além de
definido o respectivo valor ('quantum debeatur'), sob pena de, em inocorrendo essa condição objetiva de
punibilidade, não se legitimar, por ausência de tipicidade penal, a válida formulação de denúncia pelo
Ministério Público.
131

(executivo, legislativo, judiciário) e as decisões conflitantes dos diversos tribunais que

exercem a jurisdição no Brasil.

Com tais considerações, ratifica-se a necessidade de combater o crime organizado e

a lavagem de dinheiro objeto de crime, mas sempre sem exagerar-se na utilização desse

instrumento quando tratar-se da reinserção de valores na economia que não sejam de

origem criminosa.

Conforme o exposto, fica claro que ainda existem muitas medidas normativas e

institucionais a serem implementadas para combater o crime organizado e a lavagem de

dinheiro. É imprescindível que os indivíduos e o Estado tenham o equilíbrio político-

jurídico necessário para decisões justas, baseadas em direitos equânimes, e sem desrespeitar

a verdade econômica.

Não se pode abrir mão, no Brasil, dos recursos bilionários de brasileiros no exterior

que não são objeto de crime. Tais recursos seriam de extrema utilidade se aplicados no

desenvolvimento da economia nacional. Vários países permitiram o ingresso desses capitais

em seu território com o objetivo de melhorar o perfil econômico das nações.

Isto posto, acredita-se que, apesar da amplitude do tema, o estudo apresentado além

de atingir os objetivos propostos poderá servir de subsídio a outro trabalho do gênero.


132

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OLIVEIRA, Álvaro Luiz Vereda A Regulação das Relações Econômicas Internacionais.


In: ARAGÃO, Alexandre Santos de. Revista de Direito da Associação dos Procuradores do
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145

RCL 4.418 HC 85.588, julgado em 05/10/2005, DJ 16/03/2005 PP-OOO30, LATOR :


MIN. MARCO AURÉLIO

RCL 4.418, julgado em 05/02/2006, DJ 25/05/2006 PP-OOO30, LATOR : MIN. MARCO


AURÉLIO

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trimestres 1999. Toulouse, France, Editions Érès, 1999.

STF, HC 58.731/DF. Rel. Min. Thompson Flores, in DJU de 3.4.81, p.2.854 – HC 51.977,
rel. Min. Thompson Flores, in DJU de 5.5.74, p.2127.

STF (MC) ADI 1480DF, rel. Min. Celso de Mello, Tribunal Pleno, in DJU de 18.5.2001,
p.429, seção 1.
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filosofia do direito e do Estado. Rio de Janeiro: Renovar, 1999. p 195.
2
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York: Renovar, 2001.p.26
3
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M.Altman. Rio de Janeiro: Record, 1999. p.154.
4
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Bogotá: Temis, 1996.
5
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Books, 1993, p.258-311.
6
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7
PITOMBO, Antonio Sergio A. de Morais. Lavagem de Dinheiro – a tipicidade do
crime antecedente. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2003, p.49.
8
HESPANHA, Antônio Manoel. A Técnica da História do Direito. Fundação Calouste
Gulbenkian: São Paulo, 1993.
9
GODOY, Arnaldo. Direito e História: uma relação equivocada. Sergio Antonio
Fabri:Porto Alegre, 2006.
10
Cumpre examinar a propriedade da expressão da lavagem de dinheiro, para designar essa
idéia abstrata e geral. – money laudering, riciclagio del denaro, blanchiment de l’argent,
geldwache, blanqueo de capitales, lavado de dinero, branqueamento de capitais são uma
das diversas denominações utilizadas no direito estrangeiro. – ABBAGNANO e SILVA
SILVA, apud PITOMBO, Antônio Sérgio A. de Moraes. Lavagem de Dinheiro. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2003. p. 21.
11
Revue internationale de droit penal. Les systèmes Pénaux à l’épreuve du crime organisé.
XVIe Congreès international de droit pénal Budapest (hongrie), 5-11 septembre 1999.
Résolutions. Association Internationale de Droit Pénal, 70e année – nouvelle série, 3e et 4e
trimestres 1999. Toulouse, France, Editions Érès, 1999,
147

12
NAÍM, Moisés. Ilícito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006, pg 129.
13
Revista Época 335. Lava-jato de dinheiro. Ministro do STJ Gilson Dipp
14/10/2004
14
GOMES apud SADDI, Jairo. Lavagem de dinheiro no direito comparado: a
experiência americana. Revista de direito mercantil. São Paulo, ano XXXIX, v. 117, p.
118-119, jan.-mar. 2000.
15
Cartilha do Ministério da Fazenda: Disponível em: <
"http://www.mj.gov.br/drci/lavagem/GGI2.htm"> Acesso em : 25 set. 2005.
16
KELINGER, Fred N. Foudation of Behavioral Research. N.Y. Holt, Rinehart and
Wiston Inc.1973, capítulo 2. Tradução: Heliane M. Nascimento.

17
MACÊDO, Manoel Moacir Costa. Metodologia Científica Aplicada. Brasília: Escala
Gráfica e Editora, de 2005.p.41.
18
POPPER, Karl apud MOACIR, Manoel Costa Macedo. Metodologia científica
aplicada. Scala Gráfica Editora, Brasília:2005, pg41.
19
LEITE, Eduardo de O. A Monografia Jurídica. Revista dos Tribunais. volume 1. São
Paulo:2003, pg 306.
20
PITOMBO, Antônio Sérgio A. de Moraes. Lavagem de Dinheiro. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2003. p. 21.
21
RAMINA, Larissa L. O. Ação Internacional contra a Corrupção. Curitiba: Juruá
Editora, 2002.p.133.
22
ZIEGLER, Jean. Os Senhores do Crime. São Paulo: Record. 2003. p. 305.
23
PARODI, Lorenzo. Disponível em:
<"http://www.fraudes.org/fraudes/lavagem.asp">.Acessado em: 12 jun. 2005.
24
PITOMBO, Antônio Sérgio A. de Moraes. Lavagem de Dinheiro. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2003. p. 27.
25
"Gangster norte-americano. Alfonso Capone, também conhecido como Scarface ("Cara
Cortada"), passa à história como representante característico de uma época histórica dos
Estados Unidos, caracterizada pelo tráfico de bebidas alcoólicas durante o proibicionismo e
a assunção por organizações delituosas de diversas funções (comerciais, policiais, etc.)
próprias das instituições públicas. " Al Capone. Vidas Lusófonas. Disponível em:
<"http://www.vidaslusofonas.pt/al_capone.htm" >. Acessado em: 15 set de 2005.
26
SANTOS, Claudia Fernandes. Lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. Jus
Navigandi, Teresina, a. 7, n. 63, mar. 2003. Disponível em:
<"http://www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=3838">. Acessado em: 15 set de 2005.
148

27
SANTOS, Cláudia Fernandes dos. Lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.
Jus Navigandi, Teresina, a. 7, n. 63, mar. 2003. Disponível em:
<http://www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=3838> Acessado em: 30 set de 2005.
28
FITTUNI, Leonid I. Transnational Organized Crime. CIS. 1995
29
MONET, Jean-Claude. Policias e Sociedades na Europa, USP, São Paulo, 2001, pg184.
30
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Paulo, RT, 2004, p.45.
31
REALE JUNIOR, Miguel. Crime Organizado e Crime Econômico RBCC, n.13, jan-
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JOHNSTON, Norman. Comtemporary criminology. New York: John Wiley & Sons, 1982,
p. 272.
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NUSDEO, Fábio. Curso de Economia – Introdução ao Direito Econômico. São Paulo:
Revista dos Tribunais.2005. p.131-132.
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Zahar Editor, 2006, Capa.
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penais respectivas. Revista de Direito da Defensoria Pública, Rio de Janeiro, v.7, n. 9,
p.242-255. jul. 1996, pg13.
36
PITOMBO, Antônio Sérgio A. de Moraes. Lavagem de Dinheiro. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2003. p. 22.
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Jurídica Brasileira, 1999. p. 55.
38
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em:<"http://www.fraudes.org/fraudes/lavagem.asp">.
39
ZIEGLER, Jean. Os Senhores do Crime. Record, Rio de Janeiro:2003. p.35.
40
NAÍM, Moisés. Ilícito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006, pg 128
41
NAÍM, Moisés. Ilícito. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006, pg 143
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43
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Acessado em: 14 jan 2006.
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experiência americana. Revista de direito mercantil. São Paulo, ano XXXIX, v. 117, p.
118-119, jan.-mar. 2000.
45
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Financeiras, Brasília. Disponível em: <
https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_sobrecoaf.htm>.
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Decreto n° 154, de 26 de junho de 1991. (em anexo)
47
BRASIL. Exposição de Motivos n.º 692/MJ. Ministério da Fazenda. Disponível em:
<https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_lavagem.htm>..
48
Exposição de Motivos n.º 692/MJ, de 18 de dezembro de 1996, Supremo Tribunal
Federal. Disponível em:
<http://www.stf.gov.br/institucional/ministros/republica.asp?cod_min=151>.
49
MENDRONI, Marcelo Batlouni. Crime de Lavagem de Dinheiro. São Paulo. Atlas,
2006. p.16.
50
GODINHO, Jorge Alexandre Fernandes. Do crime do branqueamento de capitais:
introdução e tipicidade. p. 73.
51
A cidade de Estrasburgo é conhecida como uma das capitais da Europa, devido às
inúmeras instituições européias que ela abriga, entre as quais o Conselho da Europa, o
Parlamento europeu (dividido com Bruxelas) e a Corte Européia dos Direitos Humanos.
52
BONFIM, Márcia Monassi M.; BONFIM, Edson M. Lavagem de Dinheiro. São Paulo.
Malheiros, 2005. p.19.
53
Ao contrário das medidas contidas na Declaração dos Princípios da Basiléia de 1988 e
das Recomendações do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI).
54
SOUTO, Miguel Abel. El blanqueo em la normativa internacional. Santiago de
Compostela, universidad, Serviço de Publicacion e Intercambio Cientifico, 2002.
55
BONFIM, Márcia Monassi M.; BONFIM, Edson M. Lavagem de Dinheiro. São Paulo.
Malheiros, 2005. p.21.
56
COAF. Disponível em: https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/sobrecoaf/cicad-
oea.htm acessado em 13/11/2006
57
MENDRONI, Marcelo Batlouni. Crime de Lavagem de Dinheiro. São Paulo. Atlas,
2006. p.1
150

58
DJ. Disponível em: www.dji.com.br/decretos/2004-005017/2004-005017-01-05.htm
acessado em 25/10/2006
59
STF (MC) ADI 1480DF, rel. Min. Celso de Mello, Tribunal Pleno, in DJU de 18.5.2001,
p.429, seção 1.
60
REZEK, José Francisco. Direito Internacional Público. São Paulo: Saraiva, 1989. p. 88
61
MENDRONI, Marcelo Batlouni. Crime de Lavagem de Dinheiro. São Paulo. Atlas,
2006. p.19.
62
Disponível em Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica
Internacional (DRCI) MINISTÉRIO DA JUSTIÇA < www.mj.gov.br/drci > visitado
em14/10/2006.
63
Disponível em Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica
Internacional (DRCI) MINISTÉRIO DA JUSTIÇA < www.mj.gov.br/drci > visitado
em14/10/2006.
64
1 - Texto "projeto de parecer” da Comissão dos Assuntos Econômicos e Monetários
destinado à Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos sobre a
proposta do Parlamento Europeu relativa à prevenção da utilização do sistema financeiro
para efeitos de branqueamento de capitais, incluindo o financiamento do terrorismo. O que
nos interessa no aludido texto é a alteração 13, artigo 3, ponto 10 que reza ín verbís:10)
"Pessoas politicamente expostas". 2 - Artigo – PEPs, Política e Lei Patriota – artigo do
escritório de advocacia DIAZ-KAISER..(Assunto será abordado a seguir). 3 - Artigo –
Wolsberg FAQ´s in Politically Exposed Persons. 4 - Artigo – Diretrizes Globais de
Prevenção aos Crimes de Lavagem de Dinheiro para Private Banking. (the wolsfberg
group). 5 - Artigos – BSA Compliance and Politically Expose Persons; Comments on
Review of the FAFT Forty Recommendantions Consultation Paper(transparency
international). 6 - Artigo - Os Princípios de Prevenção aos Crimes de Lavagem de Dinheiro
para Bancos Correspondentes ( the wolfsberg group).7 – Governo quer que os bancos
monitorem contas de políticos- Valor Econômico
65
Algumas Financial Inteligency Unit (FIU) se agruparam de maneira informal no âmbito
de uma organização chamada Grupo de Egmont (o nome foi dado em função do local da
primeira reunião que ocorreu no Palácio de Egmont-Arenberg, em Bruxelas, Bélgica).
66
Ministério da Fazenda:
“https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/sobrecoaf/Egmont.htm”
67
“http://www.egmontgroup.org/about_egmont.pdf
68
Banco Mundial, BID, FMI, Grupo Egmont e Organização das Nações Unidas
.http://www.gafisud.org/english/index.html.
151

69
O Grupo de Wolfsberg consiste nos seguintes bancos internacionais: ABN Amro N.V.,
Santander Central Hispano S.A., Bank of Tokyo-Mitsubishi Ltd., Barclays Bank, Citigroup,
Credit Suisse Group, Deutsche Bank A.G., Goldman Sachs, HSBC, J.P. Morgan Chase,
Société Générale, UBS AG.
70
http://www.wolfsberg-principles.com/privat-banking.html.
71
http://www.wolfsberg-principles.com/index.html.
72
http://www.wolfsberg-principles.com/financing-terrorism.html.
73
Lei de Proteção às Vítimas do Tráfico dos Estados Unidos. 18 USC séc. 1590
74
GERDAU, Jorge Johannpeter; Veja. Edição 1902.27 de abril de 2005. Entrevista: O
apagão da eficiência.
75
BORGES, Antonio de Moura, O fornecimento de informações a administrações
tributárias estrangeiras
com base na cláusula da troca de informações, prevista em tratados internacionais sobre
matéria tributária, disponível em: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1611&p=2.
Acessado em: 12/06/2005.
76
MARTINS, Ives Granda Silva, O escudo da lei. O GLOBO, 12/09/2005
77
Fonte: PASTORE, Jose, Contratação por Prazo Determinado, Apresentado na
Comissäo de Assuntos Sociais do Senado Federal, Brasilia, 09-04-1997
78
Fernando (Advogado Autônomo - - ) Artigo <
http://conjur.estadao.com.br/static/text/37432,1 >
79
BRASIL. Exposição de Motivos n.º 692/MJ. Ministério da Fazenda. Disponível em:
<https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_lavagem.htm>..
80
Exposição de Motivos n.º 692/MJ, de 18 de dezembro de 1996, Supremo Tribunal
Federal. Disponível em:
<http://www.stf.gov.br/institucional/ministros/republica.asp?cod_min=151>.
81
BARROS, Marco Antonio de. Lavagem de dinheiro: implicações penais, processuais e
administrativas. p. 8-32.
82
Ressalta-se, ainda, a grande utilização da Lei no 7.492, de 16 de junho de 1986 que
refere-se aos crimes contra o sistema financeiro.
83
JESUS, Damásio E. de, Ali-babá e o crime de lavagem de dinheiro, Disponível em:
http://jus2.uol.com.br/Doutrina/texto.asp?id=2818, Acessado em: 15/11/2006
152

84
MENDRONI, Marcelo Batlouni. Crime de Lavagem de Dinheiro. São Paulo: Atlas.
2006.
85
Sobre o COAF. Ministério da Fazenda – Conselho de Controle de Atividades
Financeiras, Brasília. Disponível em: <
https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_sobrecoaf.htm>
86
Sobre o COAF. Ministério da Fazenda – Conselho de Controle de Atividades
Financeiras, Brasília. Disponível em: <
https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_sobrecoaf.htm>.
87
Ministério da Fazenda <https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_lavagem.htm>
88
Ministério da Fazenda <https://www.fazenda.gov.br/coaf/portugues/i_lavagem.htm>
89
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90
CARRAVILLA, André, Onde está o dinheiro, Correio Braziliense,10/6/2005.
91
Letícia Texeira – Pesquisadora da ONG Transparência e Cidadania, Fórum Global:
articulação é arma contra lavagem de dinheiro, disponível em:
http://www.mj.gov.br/noticias/2005/Junho/rls090605forum.htm, acessado em 12/11/2006.
92
Revista Época 335. Lava-jato de dinheiro. Ministro do STJ Gilson Dipp
14/10/2004
93
Dados fornecidos por LIAO, Ricardo, Apresentação Bacem 2006.
94
Portaria MF nº 259, de 24 de Agosto de 2001
95
Ministério da Fazenda <
http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Portarias/2005/MinisteriodaFazenda/default.
htm >
96
Documento em anexo
97
Ministério das Relações Exteriores. Disponível em :< www.mre.gov.br > Acessado em:
17/08/2006.
97
MEDEIROS, Antônio Paulo Cachapuz de. Perspectivas Contemporâneas do Direito.
Brasília:Universa. 2004.p.135.

98
LASSALE, Ferdinand. A Essência da Constituição. Rio de Janeiro: Lúmen Júris.
2001.p13.
153

99
STF, HC 85.588, rel. Min.Marco Aurélio, DJ 16/03/2005 P 00015.
100
SIEYÉS, Emmanuel Joseph. A Constituição Burguesa. Rio de Janeiro: Lúmen Júris.
2001.p.69.
101
HESSE, Konrad. A Força Normativa da Constituição. Porto Alegre: Sergio Antonio
Fabris Editor. 1991.p.24.
102
(AI 419.578, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 27.08.04) "HABEAS CORPUS -
DELITO CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA - SONEGAÇÃO FISCAL -
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIO AINDA EM CURSO -
AJUIZAMENTO PREMATURO, PELO MINISTÉRIO PÚBLICO, DA AÇÃO PENAL -
IMPOSSIBILIDADE - AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA A VÁLIDA
INSTAURAÇÃO DA 'PERSECUTIO CRIMINIS' - INVALIDAÇÃO DO PROCESSO
PENAL DE CONHECIMENTO DESDE O OFERECIMENTO DA DENÚNCIA,
INCLUSIVE - PEDIDO DEFERIDO. - Tratando-se dos delitos contra a ordem tributária,
tipificados no art. 1º da Lei nº 8.137/90, a instauração da concernente persecução penal
depende da existência de decisão definitiva, proferida em sede de procedimento
administrativo, na qual se haja reconhecido a exigibilidade do crédito tributário ('an
debeatur'), além de definido o respectivo valor ('quantum debeatur'), sob pena de, em
inocorrendo essa condição objetiva de punibilidade, não se legitimar, por ausência de
tipicidade penal, a válida formulação de denúncia pelo Ministério Público.