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DICIONÁRIO FINANCEIRO.

American Depositary Receipt (ADR)

Os investidores internacionais estão cada vez mais interessados em buscar novas oportunidades nas
economias de países emergentes. Para aproveitar o crescente interesse e facilitar o acesso desses
investidores ao capital de empresas nacionais e, dessa forma, aumentar a captação de recursos externos, as
grandes companhias brasileiras utilizam um instrumento muito comum nesses casos: os ADR (American
Depositary Receipts). Os ADR são recibos de depósito norte-americano, que representam ações de
empresas estrangeiras, não negociáveis no país das empresas emissoras.

"A emissão do ADR significa que a empresa lançou títulos no mercado interno e no externo. Isso acontece
porque o mercado interno não consegue comportar o tamanho da captação que a empresa necessita".

Há quatro tipos de programas de ADR que se diferem pelo objetivo que a empresa pretende com a
emissão, quantidade de exigências feitas pelas autoridades nacionais, como a Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) e, internacionais, como a Securities Exchange Commission (SEC), CVM norte-
americana. "Tudo depende do objetivo da empresa. Em geral, a empresa que entra no programa nível 1
quer apenas ser mais conhecida no exterior, para facilitar futuras captações. No nível 2, a empresa já tem
pretensões maiores. O nível 3 é o mais completo e oneroso. Requer todos as aprovações possíveis e tem
que passar por ampla divulgação de toda a operação",

Há quatro tipos de ADR, divididos em níveis, que seguem diferentes critérios. Veja abaixo a diferença
entre os quatro tipos:

Nível I:

• Não precisa atender normas contábeis americanas;


• Negociados no mercado de balcão (fora do mercado organizado);
• Não é lançamento de novas ações;
• Ações adquiridas no mercado secundário;
• Tem o objetivo simples de colocar ações no mercado norte-americano, preparando o
terreno para futuros lançamentos primários;
• É o método mais simples, pois não precisa atender todas as exigências da Securities
Exchange Commission – SEC (a CVM norte-americana).

Nível II:

• Deve atender normas contábeis americanas;


• Não é lançamento de novas ações;
• Maiores exigências da SEC, por ser obrigatório o registro do ADR em Bolsa de Valores;
• Há negociação em Bolsa.

Nível III:

• Mais completo e oneroso;


• Deve atender requisitos da SEC e das Bolsas;
• Deve atender normas contábeis americanas;
• Tem como objetivo o levantamento de recursos para a empresa;
• Atendimento total às exigências da SEC;
• Como o nível II, deve prever um programa de divulgação institucional de alta qualidade.

Nível 144 A:

• Menos oneroso que o nível três;


• É lançamento privado;
• Negociado no Sistema Portal;
• Colocado apenas para investidores institucionais qualificados;
• Não há necessidade de formalidades de registro em Bolsa.

Alavancagem

Imagine que um investidor queira comprar R$ 50 mil em determinada ação e disponha de apenas R$ 30
mil. Esse investidor tem tanta certeza de que vai obter lucro com o papel que pede um empréstimo de R$
20 mil para cobrir o restante da operação. Se as previsões dele se concretizarem, ao fim de determinado
período poderá vender o papel e apurar dinheiro suficiente para pagar o empréstimo e ainda lucrar. Mas,
se a ação se desvalorizar, ele terá que conseguir mais dinheiro para cobrir o prejuízo. A isso, o mercado dá
o nome de alavancagem.

Alavancagem significa obter recursos para investimentos e realização de operações. Esse tipo de operação
possibilita a uma empresa, fundo de investimento ou indivíduo se fortalecer numa posição através de
capitais de terceiros. Na prática, quem opera alavancado investe mais do que de fato possui.

Risco é tão elevado quanto possibilidade de ganho

A alavancagem é uma operação muito arriscada, pois só se consegue êxito quando as expectativas
efetivamente se confirmam. Ou seja: os ganhos obtidos através dos investimentos e aplicações têm de
superar os custos do capital obtido. "O investidor deve estar muito bem informado para entrar numa
posição alavancado",

No mercado financeiro, a alavancagem é realizada quando o investidor ou até mesmo os fundos de


derivativos realizam investimentos em montantes superiores aos que eles possuem, utilizando capitais de
terceiros. "Muitos fundos de derivativos operam com algum grau de alavancagem", Estes investem um
montante acima do seu patrimônio e se endividam para obter maiores ganhos.

Quem aplica em um fundo de investimentos que opera alavancado tem que ter consciência do risco. Se as
expectativas do gestor se confirmarem, a alavancagem pode resultar em um rendimento extraordinário. No
entanto, se ocorrer o inverso, o fundo dará prejuízo e os cotistas podem até mesmo ser obrigados a colocar
mais dinheiro para cobrir o prejuízo. Por isso, é importante ler com atenção o regulamento dos fundos
antes de aplicar. Se o fundo puder operar alavancado, esta informação, por lei, deve constar no
regulamento.

Empresa também pode operar alavancada

No universo empresarial, a alavancagem mostra o total de capitais de terceiros utilizado em investimentos


por uma empresa. Em um sentido mais restrito, alavancagem pode ser a relação entre endividamento de
longo prazo e o capital empregado por uma empresa. Quanto maior for este quociente - ou seja, quanto
maior a utilização de capitais de terceiros de longo prazo - maior é o grau de alavancagem da companhia.

Uma empresa que faz seus investimentos utilizando capitais de terceiros, como financiamentos de longo
prazo, possui elevado grau de alavancagem. Isso mostra que esta companhia não utiliza seus próprios
recursos para crescer. Mesmo neste caso, há um grande risco embutido. Os lucros obtidos em decorrência
dos investimentos realizados devem compensar os custos dos capitais de terceiros utilizados na realização
dos investimentos.

Por isso, antes de comprar papéis de uma empresa, uma boa dica é verificar se ela está ou não operando
alavancada, e qual o grau de alavancagem. Se for muito alto, mesmo que a empresa tenha um desempenho
extraordinário nos próximos anos, sobrará pouco ou nenhum lucro para ser distribuído entre os acionistas,
já que boa parte da receita será utilizada para cobrir obrigações.

Balanço

Em época de divulgação de resultados, os investidores ficam muito atentos aos chamados balanços das
empresas que têm capital aberto nas Bolsas de Valores. A explicação é simples: o balanço mostra a saúde
financeira de uma empresa e, conseqüentemente, indica se os acionistas poderão receber bons dividendos
(parte dos lucros). Essa expectativa, muitas vezes, afeta o mercado acionário, empurrando as ações para
cima ou para baixo.

O Balanço é um documento que mostra os ativos, passivos e demonstrativos de resultados e de fluxo de


caixa num determinado período.

Os ativos representam as disponibilidades de investimentos da empresa, como caixa, estoques e bens; e os


passivos são os compromissos, como contas a pagar, fornecedores, financiamentos, entre outros. O
demonstrativo de resultados (DRE) revela o desempenho do faturamento, das contas de receita e despesa e
do resultado final (lucro ou prejuízo). Já as demonstrações de fluxo de caixa, chamadas de Demonstrativo
das Origens de Aplicações dos Recursos (DOAR), mostram quanto a empresa recebeu e pagou (receita
menos despesa)

Jjunto com os balanços, as empresas divulgam notas explicativas. As de capital aberto são obrigadas a
divulgar, especificamente, todas as medidas tomadas no exercício anterior e os planos para o período
seguinte. “Esses detalhes são importantes e são lidos com atenção pelos investidores”,

Os analistas fundamentalistas costumam avaliar o comportamento financeiro de uma empresa comparando


os balanços, já que é possível detectar a evolução de uma ou mais contas e projetar a evolução dos
resultados.

Arbitragem

A arbitragem sempre existe em situações onde ocorrem discrepâncias entre duas taxas que deveriam ser
iguais. Sempre que houver alguma diferença entre uma mesma taxa, haverá a arbitragem. A operação
consiste em lucrar exatamente na diferença entre elas. Vamos entender isso melhor:
Suponhamos que existam duas cidades próximas A e B, de maneira que não há custos de transporte e de
transferência de dinheiro entre elas. Por ter um mercado financeiro mais desenvolvido, a taxa de juros na
cidade A é inferior à da cidade B. Na cidade B, o volume de crédito ofertado não atinge o total da
população demandante e, portanto, como a demanda supera a oferta, a taxa de juros sobe até que o valor
dela limite a demanda ao tamanho da oferta.

Este é o cenário ideal para o arbitrador. A operação consiste em adquirir empréstimos à uma taxa inferior
na cidade A e, posteriormente, emprestar este montante na cidade B a taxas superiores. Por exemplo, o
arbitrador capta este dinheiro na cidade A com taxa de juros no valor de 5% e empresta novamente na
cidade B com taxa no valor de 8%. O lucro da operação está na diferença entre as duas taxas.

Por que a Arbitragem é importante para o equilíbrio dos mercados?

O arbitrador é um elemento muito importante no mercado. Através de sua atuação, as taxas convergem,
criando uniformidade nos mercados.

Seguindo o exemplo acima, sendo percebida a existência de uma diferença entre as taxas das duas cidades,
a procura por crédito na cidade A com o intuito de novamente emprestar este dinheiro na cidade B
aumentará muito. O aumento de demanda por crédito na cidade A irá pressionar o preço dos juros nesta
cidade. Ao mesmo tempo, na cidade B, o aumento da oferta de crédito irá baixar o preço da taxa de juros.

Estes dois movimentos são simultâneos e somente irão parar no momento em que as taxas se igualarem,
por exemplo no patamar de 6,5%. A taxa de juros das duas cidades se uniformizou e não se torna mais
interessante a operação de arbitragem.

Arbitragem com a taxa de câmbio

Esta recente desvalorização do real é vista, por muitos economistas como exagerada. Haveria então, um
desequilíbrio na taxa de câmbio brasileira que estaria sobredesvalorizada. É possível imaginar, portanto,
operações de arbitragem com esta taxa. Veja como:

Se o investidor possui dólar ou ativos em dólar, este pode sempre transformá-los em reais. Momentos
como estes parecem ser ideais para isto. Ao converter uma quantidade de dólar em reais, o investidor
obterá um montante superior de moeda nacional do que receberia se o câmbio estivesse equilibrado. Por
exemplo, se o investidor trocasse US$ 100 à uma taxa de câmbio dólar/real no valor de R$ 2,30, ele
receberia R$ 230.

Com o retorno do câmbio ao seu patamar de equilíbrio, o investidor irá realizar a arbitragem se novamente
transformar seus reais em dólares, obtendo uma quantia em dólares superior a inicial. Se, por exemplo, a
taxa de câmbio dólar real cair para R$ 2,00, ao trocar novamente as moedas, o investidor obterá US$ 115,
um valor 15% acima do que possuia.

Por que as taxas de juros de todo mundo não são iguais?

Se as taxas de juros tendem a se equalizar através da arbitragem, por que as taxas de juros de todo mundo
são iguais? Por causa do prêmio de risco. É muito simples, a taxa de juros americana é livre de risco. Ou
seja, aplicar em títulos do tesouro americano garante um rendimento sem riscos. Para qualquer investidor
aplicar seu dinheiro em outro lugar, com algum risco, ele deve auferir ganhos maiores devido ao risco que
este passa a correr. O prêmio de risco é a diferença entre as taxas de juros. Ou seja, as taxas seriam iguais
se o risco nos dois lugares fossem iguais.
Perceber a possibilidade de realizar uma operação de arbitragem é muito difícil, devido à esta diferença
entre as taxas de juros de dois lugares. Contudo, o arbitrador é capaz de fazer isso, pois possui
informações que permitem-no identificar estas diferenças.

O risco de uma operação de arbitragem é muito baixo, pois o arbitrador não está apostando, ele não usa
suas expectativas para nada. Ele usufrui de um desequilíbrio entre duas taxas e obtém ganhos na diferença
entre elas.

Balanço de Pagamentos

O Balanço de Pagamentos é um registro sistematizado de todas as transações econômicas do país com o


resto do mundo. Este registro é fundamental para controlar a evolução das transações externas – entradas
x saídas de divisas - e serve como base de informações para que o governo tome decisões de política
macroeconômica.

Os investidores domésticos e estrangeiros prestam muita atenção ao Balanço de Pagamentos porque,


através dele, medem a capacidade do país honrar seus compromissos no exterior. Quando sai mais
dinheiro do país do que entra, as contas externas ficam desequilibradas.

"O Balanço de pagamentos mostra a vulnerabilidade do país frente ao resto do mundo. Hoje, este é o
maior problema do Brasil", explica o economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, professor do Instituto
Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec).

Déficits sucessivos no Balanço de Pagamentos indicam fragilidade das relações externas e isto vai refletir
diretamente nas reservas internacionais (em moeda estrangeira). Essas ficarão reduzidas se usadas
constantemente para cobrir os déficits. Quando isso ocorre, muitas vezes o país é obrigado a recorrer a
empréstimos de regularização junto ao FMI, para poder honrar seus compromissos e resguardar parte de
suas reservas.

Superávit do Balanço de Pagamentos, por sua vez, é considerado bastante positivo pelo mercado. Ou as
exportações do país cresceram, ou ele está vendendo mais seus serviços ao exterior, ou mais capitais estão
entrando para investimentos.

A estrutura do Balanço de Pagamentos

Os registros são feitos usando o sistema de partilhas dobradas, semelhante ao do Balanço Patrimonial da
Contabilidade empresarial. Isto significa que a cada valor positivo que entra numa conta, deve entrar um
valor negativo igual em outra.

Toda transação que contabiliza entrada de dinheiro no país recebe o sinal positivo. A contrapartida se dá
na conta caixa do Banco Central. Nesta conta, ao contrário das demais, a entrada de dinheiro tem sinal
negativo e vice-versa. Ela segue o sistema contábil empresarial, no qual entrada de dinheiro é um débito
da economia local em relação ao resto do mundo. E saída de dinheiro, por sua vez, é um crédito da
economia frente ao resto do mundo.

Conheça os principais itens da estrutura do Balanço de Pagamentos (veja a estrutura resumida):

1. Balança Comercial:
É o primeiro item da estrutura do Balanço de Pagamentos. A Balança Comercial (ou Balanço Comercial,
como preferem alguns economistas) contabiliza todas as exportações e importações do país. O saldo da
Balança comercial é o total das exportações menos as importações. Este pode ser superavitário, quando as
exportações superam as importações, ou deficitário, quando as importações são maiores que as
exportações.

É importante frisar que os valores são contabilizados sob a forma FOB (Free on Board), que nada mais é
do que o preço do produto já dentro do navio, incluindo o transporte até o porto, porém excluindo o frete
(preço do transporte até o seu destino final) e o seguro das mercadorias, importante para se garantir contra
qualquer contratempo durante o transporte do produto.

2. Balanço de Serviços:

A segunda conta do Balanço de Pagamentos é o Balanço de Serviços. Podemos dividir esta conta em duas:
Serviços de Fatores e de Não Fatores. Na primeira, se contabilizam todos os pagamentos efetuados e
recebidos do exterior dos derivados dos fatores de produção, como lucros, salários, dividendos e juros.

Serviços de não fatores incluem os pagamentos e recebimentos dos serviços de fretes e seguros dos
produtos importados e exportados. Os gastos realizados por brasileiros na compra de produtos e serviços
em suas viagens internacionais também são saídas de dinheiro e entram no Balanço de Serviços, assim
como os gastos dos turistas em nosso território. Serviços governamentais e demais serviços, como
royalties e direitos autorais e de publicidade, completam o Balanço de Serviços de Não Fatores.

3. Transferências Unilaterais

As transferências unilaterais são doações e remessas de dinheiro de imigrantes para seus familiares nos
seus países de origem, assim como remessas de dinheiro de brasileiros no exterior para suas famílias aqui.

4. Transações em Conta Corrente

O Saldo das Transações Correntes é a principal conta do Balanço de Pagamentos. Ela é a soma dos
resultados da Balança Comercial, da Balança de Serviços e das Transferências Unilaterais. É também a
conta mais valorizada pelo mercado, pois leva em consideração a capacidade que o país tem de
efetivamente acumular reservas. O superávit desta conta significa que entraram dólares que efetivamente
ficarão no país. Não há pagamentos de volta para estes.

Porém, o professor Carlos Thadeu faz um alerta: "O Brasil é um país naturalmente importador de capitais.
Precisa importar máquinas e tecnologia, para crescer. Não se deve esperar que o país passe a ter superávit
em Transações Correntes", afirma. A entrada de capitais, investimentos diretos e financiamentos externos
é importante para o desenvolvimento da economia do país. Mas, em contrapartida, o país envia grandes
remessas de lucros, dividendos e, principalmente, juros para o exterior.

Isto não significa, porém, que o Brasil deva ter grande déficit em Transações Correntes. Quando isso
ocorre, faz-se necessária a entrada de grandes montantes de capitais externos para financiar este déficit e
os investidores passam a ter dúvida quanto à capacidade do país cumprir seus compromissos.

"O país deve manter um déficit controlado", complementa Carlos Thadeu. Assim, consegue seu objetivo
de importações e ao mesmo tempo, se mantém atraente à entrada de capitais externos.

5. Movimento de Capitais Autônomos:


A conta seguinte do Balanço de Pagamentos é o Movimento de Capitais Autônomos. Estes movimentos se
dão na forma de empréstimos, financiamentos, investimento externo direto, amortização de empréstimos
obtidos, reinvestimentos e capitais de curto prazo.

Como o próprio nome diz, é todo o dinheiro que saiu ou entrou no país ao sabor do mercado, por mera
vontade dos investidores, seja para investimentos em bolsas e fundos, seja em investimentos de prazos
mais longos.

Esta é outra conta muito importante para o país. O Brasil consegue ter um grande superávit nesta conta,
principalmente pela entrada de grandes montantes de capitais em investimentos externos diretos. Estes
investimentos são representados por remessas de empresas estrangeiras para o país para a construção de
novas fábricas, por exemplo. Quando uma estatal é privatizada e comprada por empresa estrangeira, o
dinheiro que entra para o pagamento também é contabilizado como investimento direto. Este superávit
possibilita ao país manter um déficit controlado em transações correntes, como já explicado acima.

6. Saldo do Balanço de Pagamentos

O Saldo do Balanço de Pagamentos é a soma do Saldo das Transações Correntes com o Movimento de
Capitais Autônomos e Erros e Omissões (um valor estimado para anular as imperfeições que normalmente
ocorrem).

7. Capitais Compensatórios

A última conta do Balanço de Pagamentos é o Movimento de Capitais Compensatórios. Esta conta inclui a
conta de caixa do Banco Central, que mede a variação de reservas internacionais (em moeda estrangeira)
do país, empréstimos de regularização e atrasados comerciais.

O Saldo do Balanço de Pagamentos tem o mesmo valor absoluto e sinal contrário ao Movimento de
Capitais Compensatórios. Isto se ocorre porque, como explicado anteriormente, para cada valor que entra
nas contas existe uma contrapartida no mesmo montante. Esta contrapartida, na maioria das vezes, se dá
na conta caixa do Bacen, que mede a variação das reservas.

O Movimento de Capitais Compensatórios mostra de onde sai o dinheiro quando o Balanço de


Pagamentos é deficitário e para onde vai o dinheiro quando o país obtém superávit. Nesta conta podemos
verificar a variação das reservas internacionais do país, que aumentam quando o país atinge superávit e
diminuem quando o país obtém déficit.

Base Monetária

A Base Monetária é usualmente entendida como a quantidade de moeda que circula na economia. Este
conceito não é totalmente correto. O Banco Central é o responsável pela criação e destruição da Base
Monetária. Portanto, a Base Monetária é igual ao estoque de moeda emitida pelo Banco Central desde seu
início. Na prática porém, esta emissão não ocorre voluntariamente em benefício de um agente econômico,
mas sim em resposta a uma operação em que o Banco Central receberá algo em troca. Vamos explicar isto
melhor:

A Base Monetária é o passivo do Banco Central. Não é um direito, mas uma obrigação. Por exemplo: um
exportador que acaba de receber o pagamento da venda de seu produto em dólares procura o Banco
Central para trocar seus dólares por reais. Os dólares que o Banco Central recebe vão aumentar as reservas
internacionais do país, que tornam-se propriedade, são o ativo, do Banco Central. Da mesma maneira, esta
emissão feita ao exportador aumenta a Base Monetária, o passivo, compromisso do Bacen.

O exemplo contrário é o do importador que possui reais e deseja obter dólares para efetuar os pagamentos
necessários no exterior. Neste caso, o Banco Central cederá divisas, diminuindo o seu ativo, e ao mesmo
tempo adquirirá reais, caindo o montante de suas obrigações (passivo).

A Base Monetária é contabilmente igual ao papel moeda em poder do público mais as reservas bancárias
compulsórias dos bancos comerciais recolhidas pelo Banco Central. Consideram-se papel moeda em
poder do público tanto o dinheiro que está efetivamente nas mãos dos cidadãos quanto o que está no caixa
dos bancos para suprir os saque que serão feitos.

As reservas bancárias compulsórias recolhidas pelo Banco Central são obrigações dos bancos comerciais,
que devem legalmente separar uma parte pré-determinada dos depósitos à vista do público, sob a forma de
depósito compulsório que é remetido ao Banco Central.

O que faz a Base Monetária se alterar?

Um depósito à vista de um agente particular não altera a Base Monetária. Este depósito deixa a forma de
papel moeda em poder do público e passa para a forma de reservas bancárias compulsórias no Bacen e
reservas bancárias no caixa dos bancos. Portanto, neste caso, não houve variação da Base Monetária.

Por outro lado, se a empresa recebe dólares em decorrência de uma exportação e procura o Banco Central
para trocá-los por moeda nacional, o Banco Central recolhe os dólares, aumentando seu ativo, e cede reais
à empresa, aumentando a Base Monetária.

Benchmark

Sempre quando se apura o desempenho de alguma ação, seja um investimento ou um medida tomada
dentro de uma empresa, é preciso ter como base ou padrão algum outro índice ou medida. O mercado
financeiro “roubou” um termo utilizado pelas empresas para avaliar, medir e comparar produtos, serviços,
processos e funções de empresas conhecidas como as melhores, com o objetivo de aprimorar a
organização: o termo é o benchmark ou benchmarking.

No mercado financeiro, esse termo é utilizado para determinar um índice que servirá como parâmetro para
comparação de investimentos. Um fundo de ações, por exemplo, pode ter o Ibovespa como benchmark. Já
um fundo cambial tem como benchmark a variação do câmbio.

“Em geral, todos os fundos têm um benchmark. No entanto, se ele tem uma carteira muito diversificada,
como 40% em ações, 40% em títulos públicos, 20% em papel cambial, fica difícil fechar um benchmark”,
diz Marcelo Afonso, gerente de Asset Management do Banco BNL. “O benchmark é um parâmetro para
avaliar o desempenho do fundo”, explica.

O investidor que aplica em ação também pode criar seu próprio benchmark. Para isso, basta que trace um
objetivo e compare este objetivo com algum dos índices do mercado, a rentabilidade da carteira tem que
ser maior ou igual à do índice escolhido como benchmark para que haja sucesso. Há muitos índices, além
do Ibovespa, como o IBX (as 100 mais negociadas da Bovespa), o FGV-100 (da Fundação Getúlio
Vargas), o IBE (índice que congrega as empresas mais negociadas do setor elétrico).

Veja alguns exemplos de benchmarks dos fundos de investimento:

Fundo DI: Tem como benchmark a variação da taxa de juros dos Certificados de Depósito Interbancário
(CDI) e da taxa básica da economia, a Selic. São mais usados pelos investidores conservadores, que não
querem risco em sua carteira de investimento.

Fundo cambial: Usam como benchmark a taxa de câmbio, ou seja, caso o câmbio dispare o investidor
posicionado neste fundo ganha. No caso contrário, o investidor perde rentabilidade. Em geral, esses
fundos rendem a variação do câmbio mais o cupom cambial. São uma boa arma para o investidor se
proteger do chamado risco cambial, caso tenha dívidas em moeda estrangeira.

Fundo de ação: Cada fundo de ação pode ter um benchmark diferente, ou nem mesmo ter um. O mais
comum é o tipo que usa o Ibovespa (índice da Bolsa de Valores de São Paulo) como benchmark. Isso
porque esse índice é composto pelas ações mais negociadas na bolsa, portanto, reflete de maneira mais fiel
o comportamento do mercado.

Blocos Econômicos

Assim como o Brasil, todas as nações do planeta buscam avidamente um objetivo em comum: incrementar
o volume de exportações e importações. Para isso, tentam, assim como as empresas, fechar parcerias com
outros países, a fim de conseguir reduzir os custos e buscar suprir as próprias necessidades e as dos
parceiros.
A partir desse conceito se chegou ao que chamamos dos mercados comuns, que são área de negociação
livre de impostos, parcial ou totalmente, e com legislação mais flexível para estimular a negociação e
diminuir o volume de negócios concretizados fora dessa área.

Para se ter uma idéia, antes da criação das organizações multilaterais na década de 50, com a convenção
de Bretton Woods, o comércio internacional respondia por 10% apenas do PIB mundial. Em 1998, o
volume já representava 25%.

Em tempos de economia globalizada, a necessidade de estabelecer parcerias e fortalecer as relações


comerciais virou uma necessidade cada vez maior para os países. No Brasil, a importância da balança
comercial para o equilíbrio das contas tem se tornado crucial e vital para o cumprimento das metas com o
FMI. Mas não é só: as relações comerciais externas afetam diretamente os setores e empresas, mexendo
com toda a economia e o mercado financeiro.

Mas eliminar obstáculos aduaneiros e fortalecer as exportações são apenas alguns dos benefícios iniciais
que os acordos de comércio internacional podem ofercer. De acordo com Márcio Sette Fortes,
coordenador do recém-criado MBA em Negócios Internacionais do Ibmec, no Rio, existem normalmente
cinco estágios até se chegar a ser um bloco econômico com interação econômica. “O primeiro é a criação
de uma zona de livre comércio, que elimina basicamente obstáculos aduaneiros.

É o caso do Nafta, mas neste caso há outros acordos específicos envolvidos”, explica ele. “ O segundo
passo é a união aduaneira, como é o caso do Mercosul, na qual, além das vantagens aduaneiras, os países
membros acordam uma política comercial uniforme também com outras nações que estão for a do acordo.
Uma espécie de padronização da pauta de importações”.
O terceiro passo, segundo Fortes, é a transformação em mercado comum. Neste estágio, são eliminadas
restrições de capital e trabalho, há livre circulação entre os países envolvidos. Na etapa seguinte, ocorre a
união econômica, ou seja, as políticas econômicas começam a ser padronizadas. Por fim, se dá a
integração econômica completa, que seria o quinto e último estágio. “As políticas monetária, fiscal e
social são uniformizadas e é criada uma autoridade com autonomia para regular.

Na Europa, por exemplo, com o mercado comum hoje só se fala em Banco Central Europeu, parlamento
europeu etc, são órgãos independentes dos países integrantes do bloco”, explica Fortes. “Mesmo assim
ainda há sempre a necessidade de fazer ajustes, porque as bases industriais e as políticas dos países antes
da união eram muito diferentes em vários casos”.

Os blocos econômicos mais relacionados com a economia brasileira:

Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul) – União aduaneira entre Brasil, Paraguai, Uruguai e
Argentina. Começou em março de 1991, com o chamado Tratado de Assunção. No continente americano,
no entanto, os quatro países do Mercosul representam apenas 8% do PIB contra o gigante Nafta (veja
abaixo) que responde por 88% do PIB continental.

Mesmo assim, antes do início do acordo, em 1990, as trocas entre os quatro países membros eram de US$
3,9 bilhões e em 1995 já haviam pulado para US$ 12,4 bilhões, mais do que o triplo. As relações, no
entanto, tornaram-se complicadas e o acordo chegou a tender ao colapso, mas foi relançado no último ano.
A meta é criar uma comunidade econômica entre os quatro países, para facilitar e incrementar o comércio,
com a eliminação cada vez maior das barreiras aduaneiras.

As polêmicas mais recentes envolvem a exportação de calçados e frangos do Brasil para a Argentina, que
acusou o país de dumping (concorrência desleal de preços, com venda abaixo do valor de custo) e
resolveu estabelecer preços-base para a entrada dos produtos. Hoje, o quilo do frango brasileiro, por
exemplo só pode entrar na Argentina a US$ 0,98. Com isso, a remessa se reduziu à metade e houve uma
perda de receita da ordem de US$ 1,2 bilhões. O Brasil promete recorrer formalmente à OMC caso a
Argentina não retire a restrição.

Nafta (North American Free Trade Agreement) – O acordo que já existia entre Estados Unidos e
Canadá desde 1989 foi ampliado com a inclusão do México. Em 1994 começou a vigorar o acordo que
prevê a eliminação das barreiras alfandegárias em quinze anos, mas cerca de 50 foram rompidas logo no
primeiro ano.

Hoje o Nafta representa 88% do PIB continental. Para tentar atenuar impactos maiores causados pela
progressiva competitividade que o México vem ganhando em alguns setores, o Brasil vem tentando
retomar alguns acordos bilaterais que já manteve com o país. Mesmo assim, com a progressividade da
eliminação das barreiras do México para os EUA, a exportação do Brasil para este último deve ser
afetada.

Atualmente, o Nafta é o maior mercado integrado mundial e os países membros já tomam também
algumas providências contra prejuízos sociais – principalmente o desemprego - que possam ocorrer com o
acordo. Uma das medidas tomadas é a criação do Banco Norte-Americano de Desenvolvimento.

Alca (Área de Livre Comércio das Américas) - A proposta dos Estados Unidos é criar esta área de livre
comércio que seria uma espécie de união entre os países do Mercosul e do Nafta. Com isso, segundo o
coordenador do Ibmec, Márcio Fortes, a América Latina poderia se transformar numa grande plataforma
de exportação para os EUA, que sozinhos, já respondem por 78% do Produto Interno Bruto (PIB) do
continente. Por conta disso, o Brasil vem tentando postergar os prazos inicialmente propostos pelos
Estados Unidos e tentando barganhar melhores acordos para a entrada dos produtos brasileiros naquele
país.

Mercado Comum Europeu – Inspirado a partir do sucesso do Plano Marshall, com o objetivo de criar
uma economia de larga escala para a região e proporcionar a flexibilização das barreiras tarifárias e
alfandegárias dos países da região, o Mercado Comum Europeu é a hoje o modelo mais efetivo de
integração regional. Os países membros da União Européia têm seus interesses defendidos pelo
Parlamento Europeu, onde além das relações comerciais, assuntos como direitos humanos, aliança militar,
políticas sociais e públicas integradas são debatidos e deferidos. Apesar de ainda não ter sido adotada por
todos os países membros, o Euro, a moeda da União Européia, já é apontada como modelo de integração
total econômica. Os países que compõem o bloco são Inglaterra, Irlanda, França, Espanha, Portugal,
Luxemburgo, Holanda, Itália, Bélgica, Alemanha, Áustria, Dinamarca, Suécia, Finlandia e Grécia.

Bolsas e Índices

Não bastasse a enorme quantidade de indicadores financeiros que sempre foram despejados diariamente
sobre o cidadão comum pela imprensa especializada, a globalização acrescentou um pouco mais de
complexidade à tarefa de acompanhar seus investimentos. Jornais e TV passaram a tratar de preços de
títulos da dívida externa Argentina, do câmbio na Indonésia e da bolsa de valores na Alemanha como
temas cotidianos. Com a revolução provocada pela Internet no mundo dos negócios e dos investimentos,
este mesmo cidadão comum descobriu que na terra do capitalismo havia não apenas uma bolsa de valores,
mas, pelo menos, duas. E mais: segundo a mídia, o índice Dow Jones representa a velha economia e o
índice Nasdaq representa nova economia. Parece complicado, não? E é.

Na verdade, é muito mais complicado do que parece. Os índices de ações foram criados de forma a
simplificar o entendimento do que ocorre em um determinado mercado de ações ou com as ações e
empresas com determinadas características, ou com ações com determinado comportamento negociadas
em uma bolsa, um país, uma região e até mesmo em termos globais. O índice serve como indicador do
comportamento das ações, mas por ser uma abstração estatística, pode não ser representativo do mercado
como um todo ou de um determinado momento do mercado. Por ser uma ponderação, naturalmente há
desempenhos individuais melhores e piores que o comportamento do índice. Por ser selecionado e/ou
ponderado com base no passado, pode não ser representativo da atual dinâmica do mercado. Em todo
caso, ainda não foi desenvolvida ferramenta mais eficiente para mensurar o desempenho do mercado
acionário. A tentativa de produzir índices melhorados gerou uma grande profusão deles.
Os EUA abrigam mais de uma dezena de bolsas de valores em atividade. Dentre elas, as mais conhecidas
são a NYSE (New York Stock Exchange), Amex (American Exchange) e Nasdaq (National Security
Dealers Association Quotes). Mais de uma centena de índices são calculados diariamente buscando medir
os desempenhos dos mercados acionários. Dentre estes, algo em torno de dez merecem grande atenção de
investidores e profissionais de finanças de um modo geral. As distinções podem ser, por exemplo, na
quantidade de ações acompanhadas pelo índice, pelo setor de atividade das empresas nele representadas,
pelo tamanho das empresas e pela bolsa onde as ações são listadas. O mais tradicional deles, o Dow Jones
Industrial Average, foi criado em 1884 e sua carteira engloba ações de apenas trinta empresas e sua
ponderação adota o princípio de quantidades idênticas, isto é, o índice varia em conformidade com uma
carteira teórica de ações que contém uma ação de cada uma das trinta empresas consideradas. Este índice
é calculado por uma empresa de notícias econômicas e não representa uma bolsa específica. Ações de
empresas da chamada nova economia podem fazer parte de sua carteira, como, de fato, o fazem
atualmente Microsoft e Intel.

Outro índice tradicional nos EUA é o S&P500, desenvolvido em 1923 pela empresa de avaliação
econômica Standard&Poor's. A carteira teórica deste índice contém ações de 500 empresas, respeitadas
certas participações setoriais. A ponderação é proporcional ao valor de mercado do free float da empresa,
isto é, das ações que não estão em mãos de controladores. S&P500 também pode conter ações listadas em
diferentes bolsa de valores norte-americanas.

Já o Nasdaq Composite restringe-se às ações de empresas listadas na bolsa eletrônica Nasdaq. Sua carteira
teórica abrange todas as ações de todas as empresas ali negociadas (mais de 4.850), ponderadas segundo o
valor de mercado. Ao contrário do que se supõe, o índice Nasdaq não é exclusivo de ações de empresas de
tecnologia de informação ou biotecnologia. Há empresas de transporte, energia, bancos, comércio e
indústrias em geral.

Além destes, são relevantes os índices S&P100, Nasdaq 100, Russell 2000, Wilshire 5000 e Pacific High
Tech, este último, representativo das empresas da nova economia listadas na Pacific Exchage, da
California. Note que, apesar da relevância das bolsas NYSE e AMEX, seus próprios índices não gozam do
mesmo prestígio dos citados acima. No Brasil, embora a oferta de índices seja consideravelmente menor,
ela é suficientemente grande para confundir o novo investidor e suficientemente pequena para insatisfazer
o profissional sofisticado.

O mais conhecido dos nossos índices é o Ibovespa, calculado desde 1968 pela Bolsa de Valores de São
Paulo com base nas ações de maior liquidez nos últimos 12 meses e ponderado também pela liquidez. O
grande inconveniente deste índice está no fato de que ele tende a gerar concentrações crescentes de
liquidez. A mesma Bovespa calcula o Índice Brasil (IBX), abrangendo as cem empresas mais líquidas na
bolsa, ponderadas pelo valor de mercado do free float. Este tipo de ponderação pode produzir distorções
na representatividade, pois o mercado pode dedicar mais interesse a uma dada empresa sem que o valor de
seu free float seja proporcionalmente elevado.

O Índice de Energia Elétrica (IEE) também é um produto criado na Bovespa. Ele abrange apenas
empresas do setor de energia elétrica e sua carteira é selecionada por critérios de liquidez, mas a
ponderação segue o modelo de pesos iguais a cada reponderação. Este tipo de ponderação é pouco
representativo do mercado, desrespeitando o valor da empresa e o interesse que os investidores têm nela.
Todos estes índices envolvem apenas ações de empresas listadas na Bovespa. A Comissão Nacional de
Bolsas de Valores criou em 1983 o Índice Brasileiro de Ações (IBA), cuja carteira é produzida através de
seleção por liquidez e ponderação por capitalização do free float. As ações que o compõem podem ser
listadas em qualquer uma das bolsas associadas. Com a derrocada das bolsas regionais e o processo de
incorporação destas pela Bovespa, o IBA vai perdendo razão de existir, pois tende a reproduzir os índices
da Bovespa.

A Fundação Getúlio Vargas, por sua vez, calcula desde 1986 o FGV-100, índice que reúne ações de cem
empresas não-financeiras de capital privado ponderadas pela capitalização do free float. A recusa de ações
de empresas estatais em sua carteira fez com que o FGV-100 se afastasse da realidade do mercado que, a
partir de 1991, passou a concentrar negócios em empresas do governo na expectativa de que o Programa
Nacional de Desestatização valorizasse aqueles papéis.

O fim da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro fez desaparecer o IBV que, embora sendo o mais antigo
índice de ações do Brasil, já havia sofrido alterações nos critérios de formação de sua carteira. Pelo
mesmo caminho foi o SENN, índice dos negócios fechados via pregão eletrônico nacional. A Sociedade
Operadora de Mercado de Ativos (SOMA) também tem seu índice de lucratividade, mas as
reorganizações por que tem passado o setor de telecomunicações fizeram desaparecer a já baixa liquidez
das ações de empresas listadas neste mercado

De um modo geral, hoje o mercado brasileiro é mal servido de índices de ações, pois há carência de um
índice mais abrangente que o Ibovespa e o IBX, mas que guarde representatividade com o mercado atual.
Uma carência maior se faz sentir no segmento de índices setoriais, onde o IEE é único representante,
ainda que com sérias deficiências técnicas. Estranhamente, o setor de telecomunicações, que guarda a
maior parcela dos negócios com ações nas bolsas brasileiras e que abrange um número muito maior de
ações listadas, não tem seu próprio índice setorial. O investidor em portfolios orientados a setores
ressente-se de índices contra os quais possa avaliar o desempenho de uma ação isolada, de um fundo, ou
de um gestor de recursos.

Certificado de Depósito Interbancário - CDI

O Certificado de Depósito Interbancário, CDI, é um certificado utilizado para firmar operações entre
bancos. A taxa média diária do CDI é utilizada como parâmetro para avaliar a rentabilidade de fundos,
como os DI, por exemplo. “O CDI é utilizado para avaliar o custo do dinheiro negociado entre os bancos,
no setor privado. Como o CDB (Certificado de Depósito Bancário), essa modalidade de aplicação pode
render taxa de prefixada ou pós-fixada.

Como o CDI quantifica o custo do dinheiro para os bancos em um determinado dia, ele é utilizado pelo
mercado como parâmetro para fundos de renda fixa e DI. “Quando o gestor informa ao investidor que um
fundo rende 95% do CDI, isso significa que, ao calcular essa percentagem, o investidor poderá saber
quanto rendeu ou rende o fundo”.Portanto, ele pode ser considerado um parâmetro para esses fundos, que
têm em sua composição grande parte de títulos pós e prefixados.

O CDI é usado também como parâmetro para operações de Swap (contrato de troca de qualquer tipo, seja
ele de moedas, commodities ou ativos financeiros), na Bolsa de Mercadoria & Futuros (BM&F) para o
ajuste diário do DI futuro.

Apesar de o CDI poder ser usado como parâmetro para mostrar a rentabilidade de alguns tipos de fundos
de investimento, é fundamental que o investidor conheça a composição do fundo para saber que
influência tem no desempenho do investimento. “Nos fundos cambiais ou derivativos, por exemplo, o CDI
não tem influência nenhuma”,

Cotas de Fundos

Aplicar em um fundo de investimento significa, na verdade, adquirir uma quantidade de cotas desse
fundo. As cotas nada mais são do que participações que o investidor tem sobre o patrimônio da aplicação.
Isso quer dizer que, se o fundo possui 1.250 cotas e o cotista detêm 125 destas, ele tem direito a 10% do
patrimônio. Para saber a valorização bruta do produto, basta multiplicar a quantidade de cotas atuais pelo
valor da cota no dia.
"O valor aplicado corresponde a um número determinado de cotas. Por exemplo, se o investidor faz um
aporte de R$ 10 mil e cada cota equivale a R$ 1 mil, ele possui dez cotas.

O número de cotas pode ser visualizado através do extrato do fundo fornecido pela instituição financeira e
na página de características do fundo (que disponibiliza a última cota).

Valor da cota sofre incidência de IR

"As cotas correspondem à rentabilidade dos papéis líqüida de taxas e despesas, como taxas de
administração e performance e despesas de auditoria e publicidade

Entretanto, o valor da cota divulgado pelo administrador do fundo não é liquido de impostos. Sobre ele
ainda há incidência de Imposto de Renda. "Nos casos de fundos de renda fixa, são deduzidos 20% de IR
sobre o ganho de capital. Já nos de renda variável o percentual cai para 10% no resgate",

Para os Fundos de Investimento Financeiro (FIFs) - regulamentados pelo Banco Central e mais
conhecidos como fundos de renda fixa - há incidência mensal de IR, o que abocanha cotas do saldo da
aplicação. O Imposto de Renda também é cobrado no resgate de tais fundos. O valorização diária das
cotas expressa o valor dos ativos que compõem a carteira do fundos.

Investidor de renda fixa pode saber cotas no momento da aplicação

Quem aplicar em fundos de renda fixa conservadores e DI poderá saber na data o número de cotas
correspondentes ao valor aplicado. Isso acontece porque as transações são realizadas em D+0, ou seja, no
mesmo dia da aplicação. Já fundos derivativos e multicarteira geralmente têm operações em D+1 - o
dinheiro é aplicado na data, mas a compra das cotas só é efetivada no dia seguinte, quando o investidor
ficará sabendo o valor de cada uma delas.

No caso de renda variável, se a aplicação foi realizada uma única vez e não foi feito resgate, o número de
cotas será sempre o mesmo. Entretanto, sua equivalência em reais (ou outra moeda) altera-se de acordo
com a rentabilidade do fundo.

Segundo Sanchez, pessoas físicas têm o hábito de acompanhar a valorização do fundo através do
financeiro, não das cotas. "Entretanto, essa é a melhor maneira de acompanhar a rentabilidade dia-a-dia.
Para isso, o investidor deve dividir a cota do dia pela do dia anterior. Já na poupança, é preciso esperar um
mês e aguardar a divulgação da Taxa Referencial de Juros (TR)", compara

Câmbio Fixo X Câmbio Flutuante

Uma das principais decisões de política econômica de qualquer governo é sua posição quanto ao câmbio.
Existem duas modalidades básicas de políticas cambiais, o câmbio fixo e o câmbio flutuante.

No mercado de câmbio, como em qualquer outro, os preços são definidos pela lei da oferta e da procura.
Isto significa que, quando há mais pessoas comprando dólares do que vendendo, ou seja, excesso de
demanda, o preço da moeda norte-americana sobe. Da mesma maneira, quando há poucos compradores
frente a uma grande oferta de dólares, excesso de oferta, o preço da moeda americana cai.
Em um regime de câmbio flutuante, o Banco Central não interfere no mercado de câmbio. O preço da
moeda norte-americana é determinado exclusivamente pela interação das forças da oferta e da demanda.

Existe também uma pequena variação desse regime chamado de bandas cambiais, artifício utilizado pelo
Banco Central logo após a desvalorização do real em 1999. Neste caso, o câmbio é flutuante, mas o Banco
Central cria alguns parâmetros de variação do câmbio. Quando este atinge um determinado valor para
cima ou para baixo, o Banco Central intervém comprando ou vendendo dólares no mercado. Com isso, O
Banco Central garante um controle do câmbio dentro da banda que lhe convém e deixa que ele flutue
livremente neste intervalo.

No regime de câmbio fixo, o Banco Central fixa o valor da taxa de câmbio. Ele deve cobrir todos os
excessos de oferta ou de demanda no mercado de câmbio. Por exemplo, se existem mais pessoas querendo
comprar dólares do que vendê-los, o Banco Central deve colocar dólares à venda no mercado para
equilibrar a oferta com a demanda e assim assegurar que o câmbio não se alterará.

Vantagens e desvantagens

Para implantar uma política de câmbio fixo, o país deve possuir reservas internacionais muito
consistentes. Ele deve passar a imagem ao investidor de que é capaz de cobrir o excesso de demanda por
dólares com suas reservas.

Se os fundamentos do país estiverem instáveis e ele não passar segurança aos investidores, haverá uma
corrida especulativa em cima de sua moeda. Isso ocorre quando as reservas internacionais não são
suficientes para segurar as saídas de dólares. Nesse caso, o país não será capaz de intervir no câmbio e a
desvalorização será inevitável. Com isso, todos os investidores procurarão dólares para obter lucros com a
desvalorização. É o chamado ataque especulativo!

Nesse sentido, os países que adotam o câmbio fixo estão muito mais sucessíveis a crises externas, como as
muitas que ocorreram no final da década passada. Quando os investidores começarem a duvidar da
capacidade do país de segurar o câmbio, este será vítima de uma corrida especulativa.

A maior vantagem do câmbio fixo é a estabilidade que este traz para a economia. Há facilidades na
elaboração de contratos de compra e venda internacionais, pois sabe-se que o câmbio não se alterará.

A maior vantagem do câmbio flexível é não estar sujeito a este tipo de crise. Não são as reservas
internacionais que variam, mas sim a própria taxa de câmbio. Sua grande desvantagem é a incapacidade
de prever as futuras flutuações da moeda americana, o que atrapalha bastante as empresas e os indivíduos
importadores e exportadores na formação de suas expectativas futuras tanto em relação aos preços, quanto
em relação às quantidades.

Contas Públicas

Em tempos de metas rígidas acordadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), as contas públicas
estão mais do que nunca na mira dos analistas econômicos. Mas o que tem você a ver com a balança
comercial, o superávit primário e o déficit em conta corrente? Na verdade, muita coisa. A linha de
condução que o Governo dá às suas contas é absolutamente determinante para prever os cenários no curto
e médio prazo e se programar para tempos que podem ser de vacas gordas ou magras, de recessão ou
desenvolvimento, de investimento seguro ou de risco.
O cenário hoje das contas do Governo é visto como positivo pelos analistas. Isso porque desde o fim do
ano passado a dívida líquida, que é a soma da dívida interna com a dívida externa, diminuiu. Isso foi
possível graças a alguns ajustes feitos com as reformas administrativa e da Previdência, com o aumento da
arrecadação devido à criação de novos tributos e com a retomada do crescimento econômico, para citar os
fatores mais decisivos. Com o corte que o BC determinou na Selic, o cenário para a dívida interna fica
ainda mais favorável, pois o Governo deve economizar cerca de R$ 5 bilhões só no pagamento dos juros.

Tudo isso colabora para o cumprimento das metas acertadas com o FMI, o que ajuda na captação de
dinheiro e gera efeitos positivos sobre o balanço de pagamentos. É claro que todo esse cenário positivo
pode ser afetado por uma grande crise econômica como as da Ásia e da Rússia ou uma reviravolta na
economia americana, mas por ora, o chamado risco país do Brasil continua controlado. Muito
complicado? Então entenda em detalhes como funcionam as contas do Governo:

Balança Comercial – É a diferença entre a exportação e a importação de bens e serviços. Normalmente, a


conta é feita separadamente para os serviços, que englobam o pagamento de juros, fretes, royalties etc e
por isso têm um peso muito grande. Esta é a chamada conta-serviço ou balanço de serviços.

Conta-corrente - É o resultado da balança comercial mais a conta-serviço e mais as transferências


unilaterais (doações, remessas e outros valores que não terão retorno). No Brasil, como a conta-serviço é
muito alta, há um constante déficit em conta corrente. O desafio do Governo é diminuí-lo.

Conta-Capital - É onde são computadas as entradas e saídas de capital como empréstimos, amortizações
de dívidas, investimentos diretos e financiamentos.

Balanço de pagamentos - Somando-se a conta-corrente mais a conta capital, encontra-se o resultado do


balanço de pagamentos. Como há déficit constante na conta-corrente, é preciso captar muita entrada de
recursos para criar saldo positivo na conta capital e amenizar o déficit do balanço de pagamentos.

Captação externa – Quanto mais a dívida cresce, mais dependentente o país fica da captação de dinheiro
externa. A soma do déficit em conta corrente mais as amortizações (valores que serão pagos para abater a
dívida) correspondem ao valor mínimo que o Brasil precisa captar por meio de empréstimos no exterior.
Hoje, essa conta fica em torno de US$ 50 bilhões.

Risco país - Como precisa captar dinheiro no exterior, o país precisa manter o déficit em um nível
sustentável para não afugentar os investidores estrangeiros. Isso é chamado por alguns economistas de
risco país ou risco Brasil: se o déficit é muito grande e o país vai perdendo capacidade de pagamento, o
risco Brasil é considerado maior, ou seja, os investidores consideram o país como um investimento de
muito risco, explica o coordenador da pós-graduação da UFRJ, Francisco Eduardo. Isso é medido pelo
tamanho do déficit em conta-corrente em relação ao PIB.

Crescimento da dívida - No Brasil, o déficit cresceu muito depois do Plano Real e já chegou a 5% do
PIB no pós-crise da Ásia. Quando se chega a esse ponto, o Governo geralmente toma medidas para
diminuir a sua vulnerabilidade, como renegociar a dívida externa e as metas com o Fundo Monetário
Internacional. O déficit em conta corrente hoje é em torno de US$ 23 bilhões. Já chegou a ser de US$ 30
bilhões.

Equílibrio – De acordo com o professor do Ibmec, Carlos Thadeu de Freitas, a saída para os países que
devem muito – e o Brasil está entre eles – é exportar mais. "Não dá para cortar muito as importações
porque isso afeta o crescimento e os preços internos. É importante também começar a substituí-las. Isso já
está acontecendo porque o dólar ficou muito caro", lembra ele. "Além disso, é preciso manter a taxa de
câmbio flutuante, buscar o equilíbrio fiscal e adotar uma política monetária saudável com juros básicos
nem muito altos e nem muito baixos"

Contas internas – De acordo com Carlos Thadeu, a solução é aumentar a poupança interna, ou seja
fortalecer a economia e equilibrar as contas públicas, para ficar menos vulnerável e gerar o superávit
primário. Com isso, é possível diminuir a dívida líquida, que é a soma da dívida interna mais a externa
menos as reservas cambiais.

Superávit Primário – O resultado das receitas do Governo menos as despesas sem contar as despesas
com pagamento de juros, gera o superávit (se for positivo) ou o déficit (se for negativo) primário. Com
algumas medidas como aprovação das reformas administrativa e da Previdência, a desvalorização da
moeda e a criação de impostos como a CPMF, que geraram aumento da arrecadação, o Governo tem
conseguido, a partir do fim do ano passado, obter superávit primário.

Taxas de juros – A queda recente determinada pelo Banco Central para a taxa básica (Selic) também
afeta as contas. Se por um lado, torna o Brasil menos atrativo para os investidores estrangeiros, por outro
reduz essa necessidade de recursos externos para financiar o déficit porque diminui o custo do Governo
com o pagamento de juros nas dívidas internas.

Fatores externos – Cumprir as metas acertadas com o FMI, diminuir o tamanho da dívida líquida e
fortalecer a economia interna são fatores determinantes, mas que mesmo funcionando podem não ser
suficientes para gerar crescimento e manter o cenário favorável. Uma crise econômica como a que
aconteceu na Ásia e na Rússia afeta determinantemente a economia dos países dependentes do capital
externo, como o Brasil.

Cupom Cambial

Para avaliar se um investimento em moeda estrangeira está pagando um juro mais interessante do que um
similar em moeda nacional, o investidor precisa estar atento ao que o mercado chama de cupom cambial.
Geralmente, os gestores de fundos cambiais já fazem esse trabalho, mas nada como ter certeza das
possibilidades de ganhos reais de uma aplicação.

O cupom cambial é a diferença entre a taxa básica de juros internos (Selic) e a desvalorização da taxa de
câmbio do país. “Ele serve como uma referência para se investir em moeda estrangeira, um benchmark”,

Costa Rego explica que o resultado do cupom cambial é o rendimento real de um título em dólar. “Aí, o
investidor compara o que está dando mais retorno, se o investimento em dólar ou em moeda nacional. E,
com esses dados em mãos, orientar seus investimentos”.

Veja no exemplo abaixo como calcular a valorização do cupom:

Para uma taxa básica de juros projetada de 14% ao ano e uma variação cambial de 5% ao ano, o
rendimento do cupom cambial é de 8,5% ao ano. Veja o cálculo:
Cupom cambial = Selic / variação cambial , ou seja, no nosso exemplo 1.14 / 1.05 = 8,5.

Portanto, a valorização do cupom cambial é de 8,5% ao ano.

Veja como fazer a análise comparativa entre uma aplicação em moeda nacional e estrangeira:

Comparando com um título interno, descontado a inflação, o rendimento do cupom cambial, neste
exemplo, é mais interessante. Se considerarmos a valorização de um fundo DI em 2000, 13,5%, menos a
inflação do período, 5,5%, o ganho foi de 8%. Enquanto que, com o nosso exemplo acima, o rendimento
do título em moeda estrangeira é de 8,5% ao ano.

Debêntures

O governo, quando precisa de dinheiro, recorre ao mercado emitindo títulos públicos pré e pós-fixados. A
mesma coisa acontece com as empresas, quando emitem debêntures. Apesar de as ações servirem também
para financiar as empresas, a diferença básica no caso da debênture é que o proprietário do papel não
passa a ser sócio da empresa, apenas vira credor dela, que passa a ter um compromisso em um
determinado prazo e a pagar juros periódicos (anuais, em geral) até o resgate, ou vencimento do título.

O sistema oferece vantagens para as empresas que emitem debêntures, pois não precisam se endividar
com bancos a taxas de juros estabelecidas pelas instituições financeiras, e têm um custo muito mais baixo
do que na emissão de ações. Mas é também vantajoso para o comprador, que ganha mais uma
possibilidade para diversificar sua carteira a um baixo risco, recebendo de tempos em tempos e no
vencimento juros pré ou pós-fixados, conforme determinar o emissor.
Uma outra diferença essencial entre os dois tipos de ativos é que a ação é um investimento de renda
variável, ou seja, é impossível prever qual será o seu rendimento daqui a alguns anos ou mesmo até o dia
ou a hora seguinte. Quem investe em ações não está livre sequer de o papel perder valor de um dia para o
outro e, nesse caso, não há nem rentabilidade, mas sim prejuízo.
Já as debêntures são ativos de renda fixa, ou seja, papéis que têm um valor de face a ser recebido no seu
vencimento, além dos juros estipulados na sua emissão, que podem ser pré-estabelecidos ou obedecerem
algum índice (juros + IGP-M, TR, ou CDI por exemplo).
Dependendo do estatuto da empresa emissora e do acordo feito com os credores, a debênture pode ainda
ser conversível em ações da empresa dentro de determinado prazo, passando o seu titular então a receber
dividendos (participação nos lucros) ou a poder participar das deliberações das assembléias gerais. Dessa
forma, o debenturista passa a configurar como sócio da companhia, acionista, efetivamente.
As regras de cada emissão de debêntures são específicas para cada série emitida. Ou seja, prazo de
vencimento, remuneração, conversão, todos esses pontos são negociados entre empresa emissora e credor.

D+0, D+1, D+2

No mercado de capitais, tanto no mercado à vista, como no futuro, no termo e opções, existem prazos
definidos de liquidação das operações, ou seja, o dia que o vendedor receberá seu dinheiro e que o
comprador receberá ações ou títulos. Esses prazos são chamados de D. Essa letra vem acompanhada pelo
símbolo + seguida por um número. O número indica em quanto tempo a operação será liqüidada.

A regra da bolsa de valores exige que o dinheiro seja entregue ao investidor em D+3, ou seja, três dias
após a venda das ações. Dessa forma, se a operação é fechada numa terça-feira, a liqüidação é feita na
sexta-feira (três dias úteis depois). A operação continua sendo em D+3 mesmo quando é realizado day-
trade (quando, num mesmo dia, o investidor compra e vende a mesma ação). Ele só receberá apenas três
dias depois.

O vendedor, no entanto, tem que entregar os títulos na Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia
(CBLC) em até D+2, no máximo dois dias depois de fechada a operação, para que haja tempo de repassá-
los ao comprador no terceiro dia.

“O esquema de liquidação funciona, comparativamente, a compensação do cheque no banco. O cliente


tem que esperar para ter acesso ao dinheiro

Há apenas um detalhe nas operações a termo. A liqüidação também é em D+3, mas começa a ser contado
no 27o dia, porque, nesse caso, já fica pré-determina o preço, a quantidade e a data da liquidação da
operação.

As liquidações das operações realizadas nas bolsas de valores são sempre feitas pela CBLC, uma empresa
que garante as operações fechadas em todas as bolsas de valores no Brasil. A CBLC é uma câmara de
compensação de âmbito nacional, voltada para a liquidação de títulos e valores mobiliários, criada para
tornar o sistema de liqüidação de bolsa mais seguro e eficiente.

Fundos
Já as aplicações em fundos de renda fixa são feitas em D+0/D+0. O primeiro D+0 significa o tempo da
operação de entrada e o segundo, de saída. Isso significa que quando o investidor resolve aplicar em uma
segunda-feira, o dinheiro já entra, nesse caso, no mesmo dia. Quando ele pede o resgate, também recebe
no dia do pedido.

A liqüidação dos fundos derivativos e multicarteira são diferentes. Geralmente, a operação é fechada em
D+1/D+1, ou seja, se o investidor resolve aplicar hoje, envia o dinheiro no mesmo dia, mas só vai comprar
as cotas no valor que estiver valendo no dia seguinte. Para resgatar, o investidor também terá que esperar
um dia após a ordem de resgate para receber seu dinheiro. E esse valor será corrigido ao valor do dia
seguinte.

Por exemplo: se hoje a minha cota vale R$ 10 e eu peço para resgatar, apenas amanhã vou ficar sabendo
quando receberei. Isso porque essa mesma cota pode ter valorizado de um dia para o outro ou mesmo
desvalorizado. Essa mesma regra D+1/D+1 vale também para os fundos cambiais.

“Na realidade, essas datas de liquidações podem mudar de banco para banco. Nós, do Santander,
oferecemos também fundos multicarteira D+0/D+1, ou seja, na entrada ele paga a cota do próprio dia e, no
resgate, a cota do dia seguinte

As liqüidações em fundos de ações, em geral, são mais complexas. Para aplicação, a operação e a cota são
fechadas em D+1, mas a liquidação financeira é em D+4. “Quando o cotista pede resgate, o valor
considerado é o do dia seguinte, mas o dinheiro só é entregue no quarto dia”,

Resumo das liqüidações:


Mercado à vista, futuro, termo e opções - D+3 (na operação a termo, o D+3 começa sempre a ser contado
no 27o. dia)

Fundos de renda fixa - D+0/D+0

Fundos derivativos e multicarteira - D+1/D+1

Fundos cambiais - D+1/D+1

Fundos de ações – D+1 para investimento e D+4 para resgate, sendo que o valor da cota a ser recebido é
D+1.

Derivativos no mercado financeiro

Para tentar se defender de oscilações de preços futuros de um ativo financeiro ou até mesmo alavancar
suas aplicações, investidores apostam em derivativos, que são ativos financeiros que derivam, como o
próprio nome já diz, de um outro ativo.

As modalidades mais utilizadas são a termo e de opções nas bolsas de valores e as operações na Bolsa de
Mercadorias & Futuro (BM&F), como negociação de algumas commodities agrícolas, câmbio, ouro e
índices como o futuro do Ibovespa.

Quem acha que o preço do ativo a ser negociado vai subir entra na operação como comprador. Assim,
garante que, mesmo que daqui a um tempo o preço suba, ele comprará pelo preço combinado. Mas se o
preço cair, o investidor pode ter que pagar pela quantia combinada, que pode ser maior do que a
encontrada no mercado à vista.

Em opções, depois de pagar um prêmio ao vendedor, o comprador pode ou não exercer seu direito de
compra, ou seja, pode optar. Os vencimentos ocorrem sempre na terceira segunda-feira dos meses pares
do ano. Já no contrato a termo, passado o tempo combinado – os vencimentos acontecem normalmente 60
ou 90 dias a partir da assinatura do contrato – as duas partes são obrigadas a liqüidar a operação.

No mercado a termo, é preciso depositar garantias. No caso do vendedor coberto (que já tem as ações), as
próprias ações negociadas. Já as garantias do vendedor e do comprador descoberto são depositadas em
dinheiro, títulos e cartas de fiança, por exemplo. No contrato de opções, o comprador tem que pagar uma
quantia ao vendedor pelo direito, se quiser, de comprar as ações. Mesmo que não compre, o dinheiro do
prêmio não é devolvido.

Liqüidar antes do prazo

As operações a termo podem ser liqüidadas antes do vencimento e, por isso, é definido no contrato quem
pode pedir antecipação e se o valor a ser pago terá que ser integral ou proporcional ao número de dias
combinado.

Os derivativos são usados para fazer hedge. Se uma empresa tem dívidas a pagar em dólar pode fechar na
BM&F um contrato de dólar futuro para garantir que pagará a cotação desejada quando tiver que quitar a
dívida. "Dessa forma, mesmo que a moeda americana ultrapasse a cotação fixada, a empresa comprará
pelo preço combinado. Neste caso, ela estará protegida, ou seja, fez um hedge",
Os derivativos, quando não são usados como hedge, são investimentos de alto risco. Vamos supôr que
alguém resolveu fechar um contrato futuro de café como vendedor e apostou que, se hoje vale R$ 14, vai
custar R$ 12 daqui a 30 dias. Passado esse prazo, se a cotação cair apenas para R$ 13, e esse alguém não
tiver o café, terá que comprar no mercado por R$ 13 para vender por R$ 12 (o valor combinado). Ou seja,
vai perder dinheiro,

Direito de subscrição: risco para novatos


O direito de subscrição é um estágio anterior à ação. Isso significa que a empresa, ao lançar ações no
mercado, dá preferência ao seu acionista de comprá-las a um valor preestabelecido, por período
determinado. Caso o acionista não queira exercer essa opção de compra, pode abrir mão e vender o
direito. E é exatamente aí que o marinheiro de primeira viagem precisa ficar atento para não perder
dinheiro.

“Para o investidor novato é uma operação de muito risco. Isso porque, para avaliar se comprar o direito
valerá a pena, é preciso que ele esteja vivendo o dia-a-dia do mercado, pois muitas dessas informações
não são disponibilizadas oficialmente. Ele só consegue através do próprio mercado”,

Um dos pontos principais é saber se a tendência dos papéis da empresa é de queda ou de alta. “O direito já
estabalece um preço prefixado para a ação, portanto, ele tem que ter informações suficientes para prever
que, na época do vencimento do direito, o preço que pagará pela ação mais o que ele pagou pelo direito
será menor do que a cotação do dia do papel”. “Do contrário, ele vai perder dinheiro”, complementa.
“Como se pode ver, não é uma opção para quem acabou de entrar no mercado de ações”, alerta.

Não há muita razão para quem não tem ações comprar uma subscrição. “Em geral, quem compra direito
de subscrição é o investidor que quer alavancar sua posição no momento (veja, abaixo, como é essa
operação). A não ser que o investidor não tenha dinheiro para comprar a ação naquela hora e tenha certeza
que o terá, no futuro, para comprar o direito”, explica. “Ainda assim, ele pode apostar na valorização da
empresa e vender o direito para outro por um preço um pouco maior do que comprou. Mas é uma
operação para quem já está acostumado com o mercado”, alerta. Marcos aconselha, para quem quer entrar
no mercado, começar comprando ações. “É melhor buscar uma boa empresa e investir diretamente nas
ações dela”,

Vamos ao exemplo:

Supomos que o investidor tenha pago para um acionista desinteressado R$ 1 para ter o direito de
subscrever a ação da empresa “X”. Nesse contrato está estabelecido que ele pode comprar em definitivo a
ação da empresa por R$ 14 até o dia 25/9/2000. Caso perca a data ou não tenha, na época, dinheiro
suficiente para pagar pela ação definitiva, o direito (e o dinheiro pago por ele) vira pó. Ou seja: além de
não ter a ação, o investidor ainda fica sem o dinheiro que empregou na compra do direito de subscrição.
Em último caso, o que ele pode fazer para não perder tudo é, antes do vencimento do direito, vender para
outro a um preço menor. Assim, pode ser que perca menos.

O que á alavancar posição:

É uma jogada do mercado. Digamos que o investidor tenha ações da empresa “B”, que faz chamada de
capital e abre direito de subscrição no valor de R$ 1, para compra da ação dentro de 90 dias a R$ 13,
sendo que, na data da subscrição, a ação da empresa esteja cotada a R$ 14.

1. O investidor vende suas ações a R$ 14, paga R$ 1 pelo direito de subscrição e fica com R$ 13, que
serão aplicados em renda fixa no mercado pelos 90 dias (prazo do vencimento do direito de subscrição).

2. Na data do vencimento, o investidor resgata o dinheiro aplicado em renda fixa (R$ 13,26, levando-se
em conta rendimento líquido de 2% no período) e recompra as ações por R$ 13 (o preço fixado).

3. Hipótese 1: Digamos que, nesta data, a ação já esteja cotada a R$ 20. O investidor ganhou:

R$ 7 (diferença entre o valor da subscrição, R$ 13, e o valor de mercado R$ 20) + R$ 0,26 (os rendimento
da aplicação em renda fixa) – R$ 1 (preço pago pela subscrição) = R$ 6,26

4. Hipótese 2: Digamos que, nesta data, a ação esteja cotada a R$ 12. O investidor perdeu porque não
valerá a pena comprar a ação por R$ 13 (valor da subscrição). O ganho em renda fixa (R$ 0,26) não cobre
o valor pago pela subscrição (R$ 1).

Dívida Pública

Quando alguém gasta mais do que ganha, fica com as contas no vermelho e é obrigado a pedir dinheiro
emprestado para cobrir o rombo. Quando o Governo – federal, estadual ou municipal - arrecada, na forma
de tributos, um montante aquém do esperado para cobrir seus gastos, ocorre a mesma coisa. É esta a raiz
da dívida pública.

A principal diferença entre um trabalhador endividado e um governo endividado se dá na hora do


pagamento da dívida contraída. Em geral, o trabalhador endividado pede um empréstimo a um banco,
financeira ou mesmo a um amigo ou parente. Os governos, porém, têm outras formas de financiar seus
déficits. A aquisição de empréstimos junto a instituições financeiras é apenas uma delas.

A forma mais utilizada pelo Governo Federal para cobrir o déficit público é o lançamento de títulos no
mercado. Esses títulos têm prazo de resgate definido e podem ser pré ou pós-fixados, lastreados em juros
ou em outras moedas, como o dólar.

Ao vender um título, o Tesouro Nacional consegue recursos para cobrir o déficit, mas se compromete a
devolver, na data de resgate, o valor emprestado acrescido de remuneração (juros ou a variação do dólar,
por exemplo). Ao montante total de títulos em circulação no mercado, mais as outras modalidades de
empréstimos contraídas, dá-se o nome de dívida pública.

Para o Governo Federal, a rolagem de sua dívida através da emissão de títulos pode ser interessante
quando os juros são baixos. O governo pode levar vantagem também quando os títulos são prefixados – a
taxa de remuneração é fixada no ato da venda - e há expectativa de aumento de juros. Da mesma forma, é
muito interessante para o governo a emissão de títulos pós-fixados quando há a expectativa de redução dos
juros.

Além de emitir e vender seus títulos para o mercado financeiro nacional, o Tesouro pode emitir títulos no
exterior. São os chamados C-Bonds. Esse títulos têm um conceito um pouco mais sofisticado pois, na
remuneração que será paga por eles, está embutido o risco de inadimplência do país. Quanto maior a taxa
que o mercado pede para esses títulos, maior a estimativa de risco que os agentes internacionais estão
projetando.

Assim como o Governo Federal, os governos estaduais e municipais também podem emitir títulos para
financiar suas dívidas, embora essas emissões sejam condicionadas à prévia aprovação do Senado Federal.
Os títulos estaduais e municipais têm menos aceitação, pois o risco de inadimplência é maior. O resultado
é que eles embutem uma remuneração muito alta aos compradores e se tornam uma forma cara de
financiamento. Por isso, estados e municípios acabam preferindo contrair empréstimos junto a instituições
financeiras ou pedir socorro ao Governo Federal.

Outra forma que o Governo Federal tem que cobrir déficits é emitir mais moeda para pagar suas dívidas.
A expansão monetária que resulta deste processo é, no entanto, responsável pelo aumento da inflação.

Dividend Yield

O pagamento de dividendos no Brasil não era um fator relevante pouco tempo atrás. Antes do Plano Real,
com inflação elevada, a maior preocupação de quem investia em ações era observar a cotação dos papéis.
Na maioria dos casos, o pagamento só é efetuado em junho ou julho, com uma inflação de, digamos, 20%
ao mês, o rendimento, seis meses depois, se desvalorizava 120%. "O investidor perdia dinheiro"

Mas os tempos mudaram. Os dividendos vêm ganhando cada vez mais importância. O mercado costuma
avaliar esse retorno financeiro obervando um índice chamado de Dividend Yield, que mede o ganho com
dividendos proporcionalmente ao de mercado.

Se uma empresa vai pagar R$ 100 milhões em dividendos e tem 50 milhões de ações em poder do
mercado, o dividendo pago por ação será de R$ 2. Para saber o dividend yield, basta dividir esse valor (R$
2) pela cotação da ação (suponhamos que seja R$ 20). O dividend Yield, nesse caso, é de 10%.

Os analistas explicam que o ideal é tentar comprar papéis que tenham liquidez no mercado e que também
rendam bons dividendos, ou seja, que faça uma distribuição generosa de seus lucros. Papéis de primeira
linha, como Ambev e Petrobras, costumam dar um dividend yield baixo, porque a cotação do papel é
muito alta.

Além disso, as empresas que ainda têm grande potencial de crescimento também, normalmente, pagam
pouco ou não pagam dividendos porque reinvestem seus lucros.

Dividendos e Juros sobre Capital Próprio

Toda companhia aberta, que são aquelas empresas que têm ações na bolsa, possui diversos acionistas.
Estes recebem, ao fim de cada exercício contábil (normalmente, um ano), a sua parte na divisão dos lucros
que a empresa teve no período, o chamado dividendo.

É importante frisar que eles são distribuídos a partir do lucro líquido apresentado pela empresa no período.
O pagamento de dividendos é obrigatório e proporcional ao número de ações que cada acionista possui.
Tal benefício é livre de tributação.
As empresas distribuem os dividendos após a dedução do Imposto de Renda. Portanto, toma-se como base
o lucro líquido para a distribuição.

Veja a seguir um exemplo de demonstrativo de resultado do exercício (DRE) de uma empresa


hipotética:

Demonstração de Resultado do Exercício Ano:


Empresa S.A. 200X
Receita Operacional Bruta: R$ 3.000.000,00
Deduções da Receita Bruta (Impostos sobre Vendas): R$ (300.000,00)
Receita Operacional Líquida: R$ 2.700.000,00
Custo dos Produtos Vendidos e dos Serviços Prestados: R$ (1.350.000,00)
Lucro Bruto: R$ 1.350.000,00
Despesas Operacionais: R$ (472.500,00)
- Despesas com Vendas: R$ (135.000,00)
- Despesas Gerais e Administrativas: R$ (135.000,00)
- DESPESAS FINANCEIRAS R$ (202.500,00)
- Correção Monetária -
Lucro Operacional: R$ 877.500,00
Outras Receitas/ Despesas não Operacionais: R$ 8.775,00
Lucro Antes do Imposto de Renda: R$ 886.275,00
Imposto de Renda: R$ (186.117,75)
Lucro Líquido: R$ 700.157,25
DIVIDENDOS R$ 280.062,90
LUCROS RETIDOS R$ 420.094,35

Juros sobre capital próprio funcionam de outra maneira

Ao contrário dos dividendos, a empresa não paga os juros de acordo com o desempenho que obtido no
período. Os juros sobre capital próprio são distribuídos com base nas reservas de lucros da empresa, ou
seja, os lucros apresentados nos anos anteriores e que ficaram retidos na empresa.

Por exemplo, uma empresa que normalmente destina um montante próximo a R$ 300 mil a seus acionistas
pode ter um ano ruim e maus resultados. Com lucro líquido inferior, a empresa terá um montante em
dinheiro menor a distribuir em forma de dividendos, por exemplo R$ 100 mil. Se tal empresa tem grandes
reservas de lucros e um bom caixa, de maneira que não necessite de tais recursos, ela tem a opção de
distribuir também, os juros sobre o seu capital próprio, e assim garantir uma remuneração melhor a seus
acionistas. Ou seja: ao invés de receber apenas os R$ 100 mil relativos a dividendos, eles receberão
rendimentos derivados dos juros sobre capital próprio.
As empresas auferem vantagens no pagamento de juros sobre capital próprio. No demonstrativo de
resultado, esse pagamento é descontado da empresa sob a forma de despesas financeiras. Quanto maior as
despesas da empresa, menor o lucro. Como o Imposto de Renda incide sobre o lucro, ela consegue pagar
menos imposto.

EBITDA

No reino das siglas financeiras, o EBITDA talvez seja uma das mais populares. EBITDA significa
Earnings Before Interests, Taxes, Depretiation and Amortization. Em bom português, significa lucro antes
de juros, imposto de renda, amortização e depreciação.

O EBITDA é um número muito valorizado pelo mercado na avaliação de uma empresa. Isso porque
espelha o desempenho da empresa levando em consideração, somente os ganhos gerados por sua atividade
principal.

O EBITDA não contabiliza os pagamentos de juros de empréstimos, a depreciação de equipamentos e


instalações, o pagamento do imposto de renda e a amortização do diferido. Ele é, portanto, um indicador
muito importante, pois mede a produtividade e a eficiência do negócio.

O mercado valoriza ainda mais a variação percentual de crescimento ou queda do EBITDA em relação ao
período anterior do que o valor do EBITDA isoladamente. Este percentual mostra aos investidores se a
empresa em questão conseguiu ser mais eficiente ou aumentar sua produtividade.

Por isso, em informações sobre companhias abertas, você vai encontrar com freqüência referências ao
EBITDA. Um bom exemplo é a notícia abaixo, sobre a divulgação dos resultados da Companhia
Siderúrgica Nacional (CSN):

"O EBITDA da CSN alcançou R$ 1,3 bilhão em 2000. O valor recorde ficou 18% acima do registrado em
99. Do total, 2,5% do Ebitda foram destinados ao Programa de Participação nos Lucros e Resultados
(PLR) dos empregados da empresa."

Agora que você já sabe o que é o EBITDA, veja como ele é calculado:

As companhias abertas são obrigadas, por lei, a divulgar trimestralmente o Demonstrativo de Resultado do
Exercício (DRE), que é a demonstração contábil, na qual apresentam o lucro alcançado no período.

Demonstração de Resultado do Exercício Ano:


Empresa S.A. 200X
Receita Operacional Bruta: R$ 12.345,00
Deduções da Receita Bruta (Impostos sobre Vendas): R$ (1.234,00)
Receita Operacional Líquida: R$ 11.111,00
Custo dos Produtos Vendidos e dos Serviços Prestados: R$ (5.432,00)
Lucro Bruto: R$ 5.679,00
Despesas Operacionais: R$ (878,00)
- Despesas com Vendas: R$ (233,00)
- Despesas Gerais e Administrativas: R$ (321,00)
- Despesas Financeiras R$ (324,00)
- Correção Monetária -
Lucro Operacional: R$ 4.801,00
Outras Receitas/ Despesas não Operacionais: R$ (355,00)
Lucro Antes do Imposto de Renda: R$ 4.446,00
Imposto de Renda: R$ (259,25)
Lucro Líquido: R$ 4.186,76

Para calcular o EBITDA, nós teremos que adicionar ao Lucro Operacional, o valor total da depreciação de
seus bens (imóveis e equipamentos, entre outros) que, normalmente, já está inclusa no custo dos produtos
vendidos.

Além disso, não devemos subtrair as despesas financeiras e a correção monetária. Assim, podemos chegar
diretamente ao EBITDA seguindo o quadro abaixo.

Demonstração de Resultado do Exercício Ano:


Empresa S.A. 200X
Receita Operacional Bruta: R$ 12.345,00
Deduções da Receita Bruta (Impostos sobre Vendas): R$ (1.234,00)
Receita Operacional Líquida: R$ 11.111,00
Custo dos Produtos Vendidos e dos Serviços Prestados: R$ (5.432,00)
Lucro Bruto: R$ 5.679,00
Despesas Operacionais: R$ (323,00)
- Despesas com Vendas: R$ (233,00)
- Despesas Gerais e Administrativas: R$ (321,00)
+ Depreciação R$ 231,00
EBITDA R$ 5.356,00

Fechamento de capital

O fechamento de capital acontece quando uma empresa, que é registrada como Sociedade Anônima,
resolve dividir as ações entre poucos acionistas, ou seja, retirá-las da Bolsa de Valores. Isso pode
acontecer por diversos motivos. Os mais comuns, são reestruturações societárias, fusões, aquisições e
apenas tentativa de reduzir custos.

Uma empresa pode fazer fechamento de capital ou fechamento branco de capital. A diferença, segundo o
analista, é que no primeiro caso é anunciada a intenção de retirar as ações da Bolsa. Já no segundo caso,
há uma oferta de recompra de ações sem que haja anúncio oficial de fechamento.

Que quem quer realmente fazer fechamento de capital avisa logo, porque se conseguir a adesão de 2/3 dos
minoritários pode, por lei, tirar a empresa da Bolsa de Valores. Já quem não anuncia que quer fechar o
capital e não consegue adesão total dos acionistas em oferta pública, só pode fazer nova oferta em dois
anos,

Formas de Intervenção do Banco Central no mercado de câmbio

Crise nos Estados Unidos, iminência de guerra e novos recordes na cotação do dólar! Isso parece familiar,
não é? Mas qual é a real relação entre a cotação do dólar e os acontecimentos políticos e econômicos que
volta e meia atormentam os mercados no Brasil e no mundo.

É um comportamento natural do ser humano, procurar os investimentos mais conservadores e confiáveis


sempre que se sente inseguro em relação ao comportamento da economia e, conseqüentemente, da Bolsa
de Valores. Nesse sentido, os investimentos tendem a migrar para aplicações que oferecem risco reduzido.

Os investidores estrangeiros tiram seus recursos do Brasil, que é considerado um mercado de risco
elevado, e transferem seus recursos para aplicações mais seguras, como os títulos do tesouro americano. A
retirada em grande escala desses recursos pressiona a taxa de câmbio, já que, para retirar o dinheiro do
país, o investidor deve primeiramente convertê-lo em dólares. Com isso, a demanda por dólares aumenta
substancialmente.

Ao mesmo tempo, o investidor nacional tenta se proteger contra essas flutuações e, da mesma forma
procura fundos cambiais e compra dólares (hedge). Esse aumento repentino da demanda por dólares no
mercado de câmbio traz um desequilíbrio, já que a demanda por dólares passa a estar bem maior que a
oferta. O novo equilíbrio só se dá com um aumento de preço nesse mercado, de acordo com as leis de
oferta e demanda.

A característica de um câmbio flutuante é permitir estas oscilações de preços. Em momentos de crise, o


pânico costuma influenciar o comportamento dos agentes da economia (indivíduos, empresas, entre
outros) que, para se protegerem, começam a comprar dólares. Com o aumento da demanda e sem a devida
intervenção da autoridade monetária - o Banco Central - esse contínuo crescimento da cotação da moeda
americana a eleva a níveis incompatíveis com a real capacidade da economia brasileira. Nesse sentido, a
intervenção do Banco Central é perfeitamente justificável.

Como o BC intervém no mercado de câmbio

A maneira mais simples de realizar tal intervenção é colocar mais dólares no mercado, ou seja, entrar no
mercado para vender dólares. Ao colocar mais dólares à venda, o Banco Central consegue aumentar a
quantidade de moeda norte-americana ofertada e fazer frente ao crescimento da demanda. Assim, oferta e
demanda se igualam e a cotação da moeda americana pára de subir. Muitas vezes, a quantidade ofertada
chega a ultrapassar a demanda e a cotação recua.

Ultimamente, a forma mais utilizada pelo Banco Central é a emissão de títulos indexados ao dólar. “O
investidor prefere a compra de tais títulos, pois estes representam uma proteção a mais para o investidor,
já que este sai ganhando mesmo que a cotação do dólar não suba, através do cupom, que tem seu
rendimento na forma de juros, atrelado à taxa Selic,” afirma Carlos Thadeu de Freitas, economista e
professor do IBMEC. Com isso, o Banco Central segura um aumento da cotação do dólar, pois parte da
demanda que iria comprar dólares, migra para a aplicação em títulos.

Outra forma de intervir no mercado de câmbio é atuar no mercado futuro. Contudo, esse método não é
recomendado pelo FMI e já deu muitos prejuízos ao Banco Central, em 1999, quando houve a
desvalorização do real. Essa forma de intervenção não é mais usada pelo Banco Central. Por ser um
mercado muito alavancado, essa prática traz grandes prejuízos em caso de efetiva valorização do dólar.

Hedge

Todo investidor que se preze tem medo do risco que uma operação possa trazer. Não importa o tipo ou o
volume. O fato é que, mesmo que mínimo, há sempre um risco para quem investe. Por isso, é importante
que o investidor saiba que há formas de se proteger e diminuir a possibilidade de ser pego de surpresa por
algum revés da economia. Uma das operações mais usadas e mais eficientes para proteção de investimento
é o hedge.

Numa tradução literal do inglês, “hedge” quer dizer “cerca”. Na prática, é uma forma de proteger uma
aplicação contra as oscilações do mercado. “O hedge significa menos risco para a posição do investidor,
seja ela qual for”,Apesar de ser muito usado em operações cambiais, o hedge é também muito comum na
proteção de preço de commodities. “Principalmente as agrícolas, que têm fortes oscilações de preços”,

O investidor que faz um hedge admite que está assumindo uma posição de risco e que pode não ganhar
tudo aquilo que espera. “Mas, pelo menos, ele se protege e não perde tudo. Há operações tão arriscadas
que o investidor pode até ser obrigado a colocar mais do que investiu”

Os operadores e analistas do mercado, em geral as pessoas mais acostumadas com esse tipo de operação,
costumam usar a expressão “hedgiar” ou “fazer um hedge”. Isso significa que estão montando estratégias
de proteção para diminuir o risco. As operações de hedge devem constar no regulamento dos fundos de
investimentos. Portanto, se o investidor observar qualquer menção a esse tipo de operação, deve saber que
o gestor do fundo está fazendo operações muito arriscadas e que está tomando providências para reduzir
os riscos dessas operações.

Em geral, as operações de hedge são realizadas na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). Digamos
que uma empresa tenha dívidas em dólar, e queira se prevenir de eventual alta da moeda norte-americana.
Ela vai a BM&F e compra um contrato de dólar futuro, garantindo que, em determinada data, poderá
comprar determinada quantia de dólares a determinada cotação. Se o dólar ultrapassar a cotação fixada, a
empresa estará protegida, pois terá direito a comprar a moeda a um preço mais baixo. Operações como
essa na BM&F, no entanto, têm um custo. Por isso, só são feitas por empresas ou bancos.

Veja o exemplo de como fazer uma simples operação de hedge:

Mas há alguns tipos de hedge que o pequeno investidor pode fazer, sem precisar recorrer a BM&F.
Suponhamos que uma família vá fazer uma viagem ao exterior e debite a maioria de suas despesas em
cartão de crédito. Como qualquer gasto no exterior é calculado em dólar pela administradora, o valor das
contas virão indexadas à variação da cotação dessa moeda. Para se proteger de qualquer crise cambial, o
investidor calcula em média quanto gastará em sua viagem e compra o mesmo valor em dólar ou
simplesmente aplica o dinheiro num fundo cambial (atrelado ao dólar). Ao retornar da viagem, pode
vender os dólares comprados e, com o equivalente em reais, pagar sua fatura. Assim, ele livra-se do risco
de uma crise cambial, com desvalorização da moeda nacional, no nosso caso o Real.

Veja agora como o produtor agrícola faz para “hedgiar” sua safra:

Vamos dizer que um produtor de milho esteja planejando sua colheita para daqui a quatro meses. No
entanto, ele não sabe a que preço vai estar o produto naquela época. Para evitar que perca muito, caso haja
uma queda brusca de preço, ele compra uma opção de venda. Com isso, garante que vai vender o produto
a determinado preço, em determinada data. Essa opção de venda protege o produtor contra as fortes
oscilação do preço do produto no mercado. Mas, caso o preço do milho ultrapasse o preço fixado na opção
de venda, o produtor não é obrigado a exercer a operação. Isso é uma forma de hedge.

Ibovespa Futuro

Fugir dos grandes riscos e obter excelentes ganhos. Esses são os principais objetivos de quem investe em
ações. E é para diminuir a propensão a esse risco ou para especular os movimentos do mercado acionário,
com o objetivo de obter maiores ganhos, que os investidores usam o Ibovespa Futuro. Este índice, que é
negociado através de um contrato futuro (como é chamada a negociação) também influencia o pregão da
Bovespa, já que reflete a projeção para o mercado à vista.

O Ibovespa Futuro, que é negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), foi criado para ser um
hedge do investidor, mas, como se trata de algo sofisticado e envolve grandes quantias de dinheiro, deve
ser usado com cautela. "O Ibovespa Futuro é muito usado por grandes bancos e tesourarias, pois demanda
muito dinheiro, o que geralmente não está disponível para pessoa física

O cálculo do índice é feito através do valor real do Ibovespa, da data de vencimento do mercado e da
projeção de taxa de juros para esta mesma data.

Veja o exemplo:

Suponha que o Ibovespa se encontra com 16.200 pontos na terça-feira e a projeção de juros da BM&F
para o dia 18 de abril, quarta-feira, que é a data do próximo vencimento, é de 2%. Deve-se multiplicar os
16.200 pontos por 2%, o que dá 16.524. Neste caso, há uma diferença de 324 em relação ao Ibovespa,
valor que representa a relação "justa" entre o mercado à vista e o futuro.

"O investidor deve observar com cuidado qualquer alteração nesta relação, pois isso pode indicar alguma
nova tendência do mercado. Tanto alguma mudança no cenário de juros como no dólar ou nos mercados
em geral", No decorrer do tempo, o mercado futuro tende a se aproximar do à vista, sendo que no dia do
vencimento, ambos estarão no mesmo nível.

Caso a previsão da taxa seja baixa, a tendência é de que se venda papéis à vista e se compre futuros. Caso
contrário, com uma taxa alta, adquire-se papéis na Bolsa e vende-se na BM&F. Assim, fazendo operações
nos mercados à vista e futuro, diminui-se o risco que há por se aplicar em Bolsa e é possível obter maiores
ganhos, através da especulação.

OIbovespa Futuro sente primeiro o resultado de notícias. "Se acontece um bombardeio no Iraque, por
exemplo, o mercado futuro sente o reflexo primeiro e passa isto, posteriormente, para o mercado à vista.
Além disso, o Ibovespa futuro reflete a taxa de juros vigente"

Ibovespa, IBX, IEE, ITEL e IGC:

É um erro muito usual resumir a bolsa de valores de São Paulo ao seu índice “principal”, ou seja,
quantificar o seu desempenho, exclusivamente, pelo resultado do Ibovespa. O que a mídia esquece, e os
investidores devem ficar de olho, é que existem outras referências para se observar na hora de decidir
investir ou não em determinados papéis.
Os índices servem para orientar os investidores através de uma carteira, atualizada periodicamente
(quadrimestralmente, na maior parte dos casos) e composta pelas ações que tiveram melhor desempenho
nos últimos 12 meses. Para isso, cada índice segue critérios específicos.
Os índices setoriais, por exemplo, são separados por área de atuação e servem para orientar o investidor,
tanto numa queda abrupta como numa alta elevada na bolsa paulista. Através deles, é possível perceber de
onde veio o impacto que atingiu o Ibovespa, ou seja, qual foi o setor que puxou o índice para cima ou para
baixo. Os índices setoriais são: o IEE, que reúne empresas de energia elétrica, e o ITEL, que abrange as
principais ações do setor de telecomunicações.
Outro índice da bolsa paulista é o IGC (Índice de Governança Corporativa), que inclui empresas com
políticas de valorização dos acionistas minoritário, ou seja, as do Novo Mercado e as classificadas nos
níveis 1 e 2 de governança corporativa da Bovespa.
“A bolsa caiu 3,5% no quadrimestre, enquanto ITEL caiu 19%”, As teles correspondem a cerca de 40% do
Ibovespa e, por isso, o setor tem um grande peso nos péssimos resultados do índice nos últimos meses.
O índice, que começou a valer no início de 2002, tenha vindo em um momento tão inoportuno. “O Itel
pegou a bolsa num momento muito ruim. A Bovespa perdeu muita liquidez nos últimos cinco anos e isso
faz com que muitas novidades, como os índices setorizados, não tenham espaço para serem utilizados.
Antes desses volumes cada vez menores, de US$ 300 milhões ao dia, haveria espaço para outros índices”,

Outro fator que dá um peso maior ao Ibovespa do que ele deveria ter é a força da mídia, que pouco
divulga os outros índices e acaba generalizando uma sensação, de baixa ou de alta, em função de uma
única referência. “O Ibovespa ainda vai ser o benchmark por muito tempo”.
Ibovespa, IBX, IEE, ITEL e IGC: conheça os principais índices da Bovespa

Iíndice Beta
Para que você conclua uma análise de determinada empresa é preciso ter em mãos dados sobre seu
desempenho no mercado. Saber com que freqüência é negociada e o volume dessa negociação são pontos
básicos. No entanto, há uma medida muito importante que determina a sensibilidade das ações de uma
empresa em relação ao índice a que estão atreladas. O índice, no caso do Brasil, é o Ibovespa. E essa
medida é conhecida como beta, simbolizado pela letra grega β.

Em geral, o beta reflete o comportamento do papel em relação ao Ibovespa nos últimos 18 meses de
operação. No entanto, ele pode ser calculado em qualquer período. "Podemos calcular o beta dos últimos
três meses. Entretanto, a análise se torna mais completa quando olhamos para um horizonte mais longo",.

A função básica do beta é ser um indicador de riscos. "O beta pode ser classificado como agressivo
(quando é maior que 1); neutro (igual a 1) e defensivo (menor que 1). Dessa forma, o investidor pode ter
uma noção de qual será a tendência de comportamento do investimento",.

Para que você entenda melhor como o beta funciona, veja o exemplo:

Se uma ação se comporta exatamente como o Ibovespa, dizemos que ela tem beta=1. Se a ação variar mais
que o Ibovespa, mas no mesmo sentido, ela terá beta>1 (beta maior do que um). Se variar menos,
mantendo o mesmo sentido, o beta será menor do que um (beta < 1). Uma ação com beta muito maior do
que 1, por exemplo, tende a subir mais que o Ibovespa quando este está em alta. Em compensação, tende a
cair mais quando há baixa na bolsa.

No fim das contas, a escolha é sempre do investidor, mas é preciso estar alerta. "O investidor pode optar
por qualquer um dos tipos, mas ele tem que estar consciente de que, no caso de um beta agressivo, ele
pode ganhar muito, mas perder com a mesma intensidade. Em momentos de alta volatilidade, como agora,
um papel agressivo pode levar o investidor à loucura",

EMPRESA BETA (β) - 18 meses

Empresa "A" 1,50

Empresa "B" 1,01

Empresa "C" 0,42

Supomos que as ações das empresas do quadro acima sejam negociadas na Bovespa e, portanto, estejam
atreladas ao Ibovespa. A empresa "A" pode ser classificada como um investimento agressivo, pois o valor
de sua ação pode oscilar, em média, 50% a mais que o Ibovespa. Nesse caso, o investidor pode obter
ganhos altíssimos, entretanto seu risco cresce na mesma proporção.
Já a empresa "B", pode ser classificada como beta neutro, ou seja, ela não foge muito do resultado
apresentado pelo índice e vai estar sempre seguindo mais ou menos o Ibovespa. E a "C" é considerada um
investimento de perfil mais defensivo, pois a probabilidade de o papel ter grandes oscilações é pequena.

Vale lembrar que o Beta é utilizado como parâmetro para qualquer índice, não só o Ibovespa. Basta que
para isso, as ações da empresa estejam sendo negocidas por esse índice. Exemplo, se fosse nos Estados
Unidos, o índice utilizado seria o Dow Jones ou o Nasdaq (para as ações de tecnologia); na Argentina, o
Merval; e no Japão, o Nikkei.

Na seção Raios X do InvestShop.com, você encontra o beta de todos os papéis negociados na Bolsa de
Valores de São Paulo.

Índice de Basiléia

Em 1988, o BIS (Bank for International Settlements) ou, em português, Banco de Compensações
Internacionais, criou o Comitê da Basiléia sobre a Fiscalização Bancária. Em julho de 1988, este Comitê
publicou o famoso Acordo da Basiléia, cujo objetivo era criar regras para diminuir o risco de insolvência
bancária. Os bancos passaram a ter que obedecer a padrões de alocação de capitais em ativos de risco.
Além disso, foram obrigados a manter um patamar mínimo de capital patrimonial. Um dos mais
importantes índices que medem a solvência de um banco é o chamado Índice da Basiléia.

O Índice da Basiléia determina que os bancos devem ter um patrimônio mínimo equivalente a
determinada percentagem do montante de capital alocado em ativos de risco. A porcentagem mínima
aceita internacionalmente é de 8%. Mas, no Brasil, convencionou-se a aceitar um mínimo de 11%. O
recém-anunciado programa de saneamento do Banco do Brasil pretende elevar o índice da instituição dos
atuais 8% para 11,5%.

Todos os ativos financeiros são avaliados de acordo com o risco oferecido. Existem dois tipos básicos de
risco: o risco de crédito e o risco de mercado.O primeiro acordo da Basiléia se concentrou na avaliação
dos riscos de crédito. Assim, o que de fato foi levado em consideração foi a capacidade de o banco não
receber o dinheiro aplicado de volta.

"Para cada aplicação de risco que o banco realizar, é necessário ter capital patrimonial mínimo equivalente
a 8% do montante investido". Um banco que fizer uma aplicação de risco de R$ 100 milhões, por
exemplo, deve possuir capital patrimonial mínimo de R$ 8 milhões.

No novo Acordo da Basiléia, que deve ser divulgado no fim deste ano, o risco de mercado passará a ter
peso maior do que no acordo atual. O risco de mercado leva em conta a variação de preço dos ativos que
compõem a carteira do banco.

Como o Índice de Basiléia afeta o bancos brasileiros?

Quanto maior o índice de Basiléia de um banco, menor o seu risco de quebrar. Um banco privado, que usa
o índice no patamar mínimo de 8%, pode obter um lucro maior. No entanto, corre maiores riscos.

No caso do Banco do Brasil, o aumento do índice terá reflexos bastante positivos. O aumento de 8% para
11,5% resultará, principalmente, da transferência para o Tesouro Nacional de empréstimos feitos pelo
banco que dificilmente serão recuperados, principalmente empréstimos agrícolas. Além disso, foram
estabelecidas normas para que o banco não volte a emprestar recursos a devedores de alto risco. As
medidas devem ter impacto significativo nos próximos resultados do BB.

Indices Americanos

A Bolsa de Valores de São Paulo costuma sofrer muita influência dos mercados internacionais,
especialmente dos EUA. Por isso, acompanhar os principais acontecimentos da economia americana é
tarefa obrigatória para os investidores brasileiros.

Entre os diversos fatores que provocam altas e baixas dos papéis norte-americanos estão alguns
indicadores cujas variações sinalizam problemas e antecipam crises.

Desemprego, vendas, índices de preços e confiança do consumidor são alguns dos índices que podem
mexer com o mercado ianque e, por efeito dominó, com a bolsa paulista.

Conheça alguns principais índices americanos:

Consumer Price Index– CPI (Índice de Preços ao Consumidor)

O Índice de Preços ao Consumidor calcula a variação média dos preços de uma cesta pré-determinada de
bens e serviços do varejo. O CPI é também uma referência de inflação nos Estados Unidos. É muito
utilizado pelo governo norte-americano.

Em conjunto com outros indicadores, é utilizado como parâmetro pelo Federal Reserve (FED, o Banco
Central norte-americano) para fixar a taxa de juros da economia dos Estados Unidos. O índice é divulgado
mensalmente pelo Departamento de Trabalho dos EUA.

Producer Prece Index – PPI (Índice de Preços ao Produtor)

O Índice de Preços ao Produtor mede a variação de preços no atacado. É considerado o segundo índice de
inflação mais importante dos Estados Unidos, depois do CPI. Mede a variação dos preços dos principais
produtos, equipamentos e serviços utilizados na cadeia de produção (aço, minérios, combustíveis, energia
elétrica, alimentos, equipamentos etc). Seria equivalente ao IPA (índice de preços no atacado) divulgado
no Brasil. É divulgado mensalmente pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos.

Gross Domestic Products – GDP (Produto Interno Bruto)

O Produto Interno Bruto de um país compreende o conjunto de todos os bens e serviços produzidos na
região. A variação do PIB mostra como anda o crescimento da economia. Os dados Gross Domestic
Products são referentes a um trimestre. São divulgados no mês seguinte ao período da medição. Depois,
há duas revisões no mesmo trimestre.

Industrial Production and Capacity Utilization (Produção industrial)

O Industrial Production mede a variação na produção das indústrias, minas e utilidades dos Estados
Unidos. Inclui dados sobre a capacidade industrial e capacidade utilizada. É considerado um indicador de
inflação futura, pois, se a demanda for maior do que a oferta, pode haver uma pressão sobre os preços. Os
investidores norte-americanos acompanham de perto este índice. É considerado muito importante e pode
mexer com o mercado. O Federal Reserve divulga os dados por volta do dia 15 de cada mês.

Beige Book (Livro Bege)

É um relatório que reúne diversos índices econômicos relacionados às doze regiões onde o Federal
Reserve (FED, Banco Central americano) possui escritórios. Os dados provêm de relatórios de bancos e
de entrevistas com economistas, analistas financeiros, empresários e acadêmicos. Inclui uma análise do
FED sobre os resultados. Pode indicar o que o banco central americano pensa sobre os rumos da economia
norte-americana. É divulgado oito vezes ao ano.

Employment Situation (Situação do Emprego)

O relatório de situação do emprego contém duas pesquisas principais. A primeira, household survey,
apresenta dados sobre força de trabalho e taxas de desemprego. Já a segunda, establishment survey, traz
informações sobre número de empregos gerados na economia, horas trabalhadas e salários dos
trabalhadores urbanos. O Employment Situation é considerado um dos indicadores mais importantes da
atividade econômica norte-americana. É divulgado na primeira sexta-feira do mês pelo Departamento de
Trabalho dos Estados Unidos.

Initial Jobless Claims (Pedidos de Seguro Desemprego)

O Initial Jobless Claims calcula o número de pessoas que preencheram pedidos de seguro desemprego
pela primeira vez. É considerado um bom medidor das condições do mercado de trabalho e da situação do
emprego. Portanto, pode sinalizar quando há desaquecimento na economia norte-americana. É divulgado
toda quinta-feira pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos.

Consumer confidence (Confiança do consumidor)

O Índice de Confiança do Consumidor mostra se os norte-americanos estão animados com a saúde


econômica do país e com suas perspectivas. É dividido em duas partes. A confiança na situação
econômica atual representa 40% do índice. A expectativa para os meses seguintes representa os outros
60%. O indicador é divulgado na última terça-feira do mês pelo Conference Board.

Retail Sales (Vendas no varejo)

O Retail Sales é um relatório que mede quanto foi gasto nos EUA em vendas no varejo. Este indicador é
muito usado para antecipar mudanças na economia antes que elas atinjam os níveis de produção, já que
mostra a situação do consumo. O índice não inclui o setor de serviços. Os dados são divulgados
mensalmente pelo Serviço de Recenseamento do Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Treasury Budget (Orçamento do Tesouro)

O orçamento do governo dos Estados Unidos é divulgado pelo Tesouro americano mensalmente. Os
resultados fiscais costumam ser analisados pela base anual, já que os dados variam muito a cada mês. Os
investidores ficam de olho, principalmente, no mês de abril, quando são computados os pagamentos de
Imposto de Renda.

Personal Income (Rendimento Pessoal)


Personal Income é o valor total recebido por uma família. Inclui salários, rendas com aluguel, auxílio do
governo e os ganhos financeiros. O índice mede, portanto, a renda individual dos norte-americanos. É
considerado um bom indicador do consumo e da atividade econômica dos Estados Unidos. O Rendimento
Pessoal é divulgado no primeiro dia útil do mês.

Leading Indicators

Relatório que reúne dez indicadores que sinalizam pontos importantes para a economia dos Estados
Unidos. Entre os índices divulgados estão: vendas, permissões para construção, pedidos de seguro
desemprego, confiança do consumidor e custo de mão-de-obra. O relatório é divulgado nos primeiros dias
do mês pelo Conference Board.

University of Michigan Consumer Sentiment Index (Índice de Sentimento do Consumidor da


Universidade de Michigan)

O Consumer Sentiment é um índice de confiança do consumidor. Sua importância para o mercado é


considerada reduzida, menor do que a Consumer Confidence do Conference Board. Às vezes, é usado por
analistas em conjunto com outros medidores de confiança. É divulgado na quarta sexta-feira do mês.

Durable Goods Orders (Encomendas de bens duráveis)

O relatório mede o número de pedidos de produtos manufaturados duráveis. É considerado um indicador-


chave para saber se a economia norte-americana está aquecida. Os novos pedidos de bens e materiais são
também um componente importante do Leading Indicators. O resultado desta pesquisa pode mexer com o
mercado. É divulgado por volta do 26º dia do mês pelo Serviço de Recenseamento do Departamento de
Comércio dos Estados Unidos.

Housing Starts (Construção de casas novas)

O housing starts mede as construções já iniciadas e as permissões para construção de novas casas
privadas. Às vezes, pode mexer com o mercado, mas é considerado um índices de importância mediana.
Um aumento no número de residências pode indicar crescimento da economia. É divulgado por volta do
18º dia de cada mês, pelo Serviço de Recenseamento do Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Existing Home Sales (Vendas de casas existentes)

O Existing Home Sales mede as vendas de casas existentes. Inclui uma média de preços dos imóveis e um
índice que calcula quanto tempo seria necessário para esgotar a oferta de casas existentes no atual ritmo de
vendas. É considerado um índice de importância mediana pelo mercado. A Associação dos Corretores dos
Estados Unidos divulga o índice no 25º dia do mês.

New Home Sales (Vendas de casas novas)

O New Home Sales mede as vendas de casas novas. Inclui uma média de preços dos imóveis e um índice
que calcula quanto tempo seria necessário para esgotar a oferta de casas novas no atual ritmo de vendas. É
considerado um índice de importância mediana pelo mercado. A Associação dos Corretores dos Estados
Unidos divulga o índice no 25º dia do mês. É divulgado mensalmente, pelo Serviço de Recenseamento do
Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Wholesale Trade (Vendas no atacado)


O Wholesale Trade traz informações sobre as vendas e os estoques do setor atacadista norte-americano. É
considerado um índice de pouca influência no mercado. O Serviço de Recenseamento do Departamento de
Comércio dos Estados Unidos divulga os dados por volta do oitavo dia de cada mês.

IPCA

A sigla IPCA significa Índice de Preços ao Consumidor Amplo. O famoso índice é pesquisado pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento é realizado durante os dias do mês
de referência e seus resultados são comparados com o período base, ou seja, o mês anterior.

As pesquisas são realizadas nas principais regiões metropolitanas do país: Rio de Janeiro, Porto Alegre,
Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Salvador, Fortaleza, Curitiba, Distrito Federal e no município
de Goiânia.

A população alvo do IPCA são as famílias cujas rendas compreendem entre um e quarenta salários
mínimos, quaisquer que sejam suas fontes de renda.

Como o resultado do IPCA mexe com a sua vida?

O IPCA teve sua relevância aumentada, após a implementação das metas de inflação como forma de
âncora do sistema econômico nacional, em 1999. O índice passou a ser usado como parâmetro pelo Banco
Central para calcular a inflação brasileira. Desde então, o mercado aguarda com muita ansiedade o seu
anúncio, que normalmente acontece nos primeiros 10 dias do mês seguinte.

A inflação medida pelo IPCA é uma ferramenta importante, usada pelo Banco Central em suas reuniões
de política monetária para apurar a taxa Selic. Sempre que a inflação se encontra acima das expectativas e
começa a ameaçar a meta anual de inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) examina a
possibilidade de aumentar os juros básicos da economia, com o objetivo de frear a atividade econômica e
desacelerar a demanda agregada e, em conseqüência, diminuir a inflação.

Da mesma maneira, quando a inflação se encontra abaixo do esperado pelo Banco Central e a meta de
inflação está longe de ser comprometida, o Copom enxerga espaço para diminuições da taxa de juros. Essa
medida deve aquecer o comportamento da economia, aumentando a produção das empresas, o número de
trabalhadores empregados, a massa de salários e, em conseqüência, a demanda agregada (procura da
população por todos os produtos da economia).

Índice de Força Relativa (IFR)

Como saber se é a hora certa de comprar determinado papel? Uma boa maneira é aprender a interpretar o
indicador mais utilizado em análises desse tipo, conhecido como Índice de Força Relativa (IFR). O IFR é
um dos indicadores técnicos mais utilizados para saber se uma ação está em seu momento de compra ou
de venda. “O IFR dá ao investidor a condição de avaliar os pontos de compra e venda de um determinado
papel. A grosso modo, diria que o que fica abaixo de 20 está em posição de compra e, acima de 80, em
posição de venda

A análise não deve ser feita somente pelo IFR. “Eu costumo analisar a situação da empresa de uma
maneira mais ampla, ou seja, o que ela pode dar de dividendos ao investidor. No entanto, o IFR pode ser
usado como parâmetro para o investidor saber a hora de comprar ou vender o papel. Ele não deve ser o
único ponto de análise na compra ou venda de ações”,

Exemplo de cálculo:

Vamos dizer que a média das altas de um determinado papel no período de 10 dias tenha sido 13% e das
baixas 3%. Então a conta é (100 X 13) / (13+3). O resultado do Índice de Força Relativa será 81,25, ou
seja, é bom momento para vender o papel.

Agora o exemplo contrário. Digamos que a média das altas de um determinado papel tenha sido 3% e das
baixas 25%. Utilizando a mesma fórmula acima, chegamos ao seguinte resultado: o Índice de Força
Relativa é 12, ou seja, é uma boa hora para comprar o papel.

Veja abaixo o gráfico de uma empresa e observe as curvas do IFR:

Observe bem o primeiro gráfico (IFR 9d), ou seja, o gráfico de Índice de Força Relativa feito sobre a
variação dos últimos nove dias. Atente que, em alguns dias a empresa bate variação acima de 80 e, em
outros, abaixo dos 20.
Instrumentos de Política Monetária

O Banco Central muitas vezes se encontra em situações nas quais necessita por determinadas razões
expandir ou contrair a base monetária (quantidade de moeda que circula na economia). Muitas vezes, o
governo tem o interesse de fomentar a atividade econômica interna e, para isso, pode utilizar uma política
monetária mais frouxa, que estimule o crescimento econômico. Da mesma maneira, quando o interesse do
governo é frear a atividade econômica, o Banco Central pode, através de determinados instrumentos de
política monetária, contrair a base monetária.

Existem três instrumentos, pelos quais o Banco Central realiza política monetária: open market, depósito
compulsório e taxa de redesconto. Quando o governo deseja expandir o crescimento econômico, pode
realizar um deles ou todos simultaneamente. Uma prática comum é combinar tais políticas monetárias
com políticas fiscais, aumentando seus gastos.

Atualmente, há no governo uma forte preocupação inflacionaria. Portanto, a postura do governo têm sido
contrair a base monetária para frear o crescimento da economia. Ao fazer isto, ele garante que menos
dinheiro ficará disponível para a população realizar seus gastos. Assim, os gastos diminuem e os preços
tendem a se estabilizar com a redução da demanda.

Veja como funciona cada um dos instrumentos de política monetária:

Open Market

O Banco Central muitas vezes entra no mercado para comprar ou vender títulos, esta política é chamada
de open market (mercado aberto). Quando o Banco Central tem o objetivo de expandir a base monetária,
entra no mercado comprando títulos. Ao fazer isto, ele coloca em circulação um determinado montante de
dinheiro que estava em seu poder. Com mais dinheiro em mãos, ou seja, com uma renda maior, a
população irá comprar mais, viajar mais, investir mais, resumindo, irá gastar mais.

Isso tem um efeito muito positivo para o crescimento econômico, já que os vendedores irão encomendar
mais de seus fornecedores, estes irão por sua vez comprar mais mercadorias das fábricas. Os empresários
irão contratar mais pessoas para realizar a produção e por sua vez encomendar mais matéria prima. O
agricultor irá contratar mais ajudantes, comprar mais fertilizantes e a economia toda cresce. Os
trabalhadores irão receber uma massa maior de salários e gastar ainda mais e então todo o processo se
repetirá.

A situação contrária ocorre quando o Banco Central coloca títulos à venda. Ao vender títulos, o Banco
Central recolhe dinheiro das mãos da população. As pessoas se sentem menos estimuladas à gastar e,
consequentemente, o nível de atividade diminui.

Depósito Compulsório

O depósito compulsório é uma taxa fixada pelo Banco Central, que determina que uma parte dos depósitos
à vista feita pela população nos bancos comerciais vai para o caixa do Banco Central. Este, por sua vez,
pode aumentar ou diminuir a taxa do depósito compulsório de acordo com seus interesses. Mas a mudança
só vale para os novos depósitos.

Quando o Banco Central diminui a taxa do compulsório, o montante que os bancos comerciais devem
enviar para o Banco Central diminui. Com isso, eles conseguem reter um montante maior para emprestar.
Ou seja, a quantidade de crédito disponível à população aumenta. Com isso, mais dinheiro fica disponível
para a população e a base monetária se expande, e a partir daí, os gastos aumentam e a economia cresce
como um todo.

Quando o Banco Central aumenta a taxa do compulsório, ocorre a situação inversa. Os bancos comerciais
vão dispor de menos recursos para emprestar. O crédito disponível para a população diminui e a base
monetária se contrai, desacelerando a economia.

Taxa de redesconto

A taxa de redesconto é a taxa de juros cobrada pelo Banco Central nos empréstimos aos bancos
comerciais. Muitas vezes os bancos comerciais necessitam de empréstimos de curto prazo para cumprir
alguns compromissos que, por falta de liquidez no período, não teriam como cumprir. O Banco Central
funciona como uma espécie de emprestador de última instância para os bancos comerciais.

Quando o intuito do Banco Central é injetar dinheiro no mercado, ou seja expandir a base monetária, ele
abaixa a taxa de redesconto. Os bancos comerciais se sentirão mais estimulados a pegar mais empréstimos
com o Banco Central e com isso, irão reservar uma parte maior de seus recursos para empréstimos e
reservarão uma menor parte para as necessidades de curto prazo. Como conseqüência, o crédito disponível
aumenta, a base monetária também, e a economia é aquecida.

Quando o Banco Central aumenta a taxa de redesconto, os bancos comerciais irão reservar uma maior
parte de seus recursos para o cumprimento de suas necessidades de curto prazo e diminuirão o montante
reservado aos empréstimos. Com isso, a base monetária se contrai e a economia desacelera.

International Exchange (iX)

No fim de abril, as bolsas de Frankfurt e de Londres, duas das mais importantes bolsas européias,
anunciaram sua fusão, da qual nascerá a International Exchange (iX). Isso incluirá, além da parceria das
duas bolsas na iX, a criação de um mercado blue chip em Londres e, em Frankfurt, de um mercado que
negociará papéis com grande potencial de crescimento. Este último deve operar em conjunção com a
Nasdaq, a bolsa eletrônica de papéis de tecnologia.

A fusão entre as duas bolsas já está sendo questionada pelos grandes bancos internacionais. Na última
segunda-feira, representantes do Crédit Suisse, Merrill Lynch e UBS Warburg reuniram-se com
representantes da iX para questionar alguns obstáculos à fusão.
Um dos problemas é que a estrutura acionária da nova bolsa: Londres tem mais membros que Frankfurt,
por causa do grande número de pequenas corretoras que atuam no mercado britânico.

Os bancos temem também que Frankfurt se transforme no centro dominante da Europa, pois, na parceria
com a Nasdaq, passará a concentrar o mercado de ações de tecnologia.

Juros Simples X Juros Compostos

Qual o valor total que será pago por um empréstimo de R$ 10 mil, por um período de 5 meses, com juros
de 5% ao mês: R$ 12.500 ou R$ 12.762,82? As duas respostas estão corretas. Tudo depende do regime
utilizado para o cálculo dos juros. Com juros simples, a primeira opção é a que vale. Mas, com juros
compostos, a conta aumentará R$ 262,82.

Na prática, quase todos os empréstimos ou financiamentos concedidos no Brasil são calculados pelo
regime de juros compostos. Mas nem sempre foi assim. Até 1976, quando a inflação começou a explodir
e as taxas de juros chegaram à estratosfera, o mercado financeiro brasileiro utilizava somente juros
simples. "Depois disso, passamos a ser o maior consumidor de HP 12C (calculadora financeira) do
mundo".

Somente desconto de duplicatas e ACCs (Adiantamentos de Contrato de Câmbio) utilizam regime de juros
simples. No Brasil, que fique bem claro. Porque o mercado financeiro internacional utiliza juros simples
em quase todas as operações. "A conta é muito mais fácil. E a diferença de regimes só é significativa
quando as taxas são mais altas".

A diferença entre juros simples e compostos é um dos conceitos básicos da matemática financeira. Por
isso, é importante compreendê-la..

Obviamente, para quem empresta ou aplica dinheiro é muito mais vantajoso calcular o valor final pelo
regime de juros compostos. Já para quem pede emprestado, o melhor seria o regime de juros simples.

LTN, LFT e NTN-C

Como toda grande empresa que precisa se financiar, o Governo Federal emite títulos para captar recursos
no mercado. Os três principais títulos são chamados de Letras do Tesouro Nacional (LTN), Letras
Financeiras do Tesouro (LFT) e Notas do Tesouro Nacional – Série C.

As LTNs são papéis de perfil prefixados, ou seja, têm a taxa de juro que será paga no vencimento
preestabelecida, as LFTs têm perfil pós-fixado, corrigidas pela taxa Selic (indicador da taxa básica de
juros da economia).

Esses títulos são leiloados toda semana pelo Governo e são considerados uma opção atrativa para as
instituições financeiras e, desde janeiro de 2002, para pessoas físicas. As LTN e LFT são emitidas apenas
para captações feitas no mercado interno.

Veja como funciona esse sistema: o Governo precisa de capital para honrar suas dívidas tanto de longo,
como de curto prazo. Só que não é capaz de gerar receita suficiente para honrar todos esses
compromissos. Então, vai ao mercado e faz uma oferta de títulos com taxas pós ou prefixadas.

As instituições financeiras interessadas compram esses títulos, emprestando dinheiro ao Governo para que
honre suas dívidas. Depois, colocam os papéis nas carteiras dos fundos de investimento. Com o início da
venda direta de títulos públicos pela internet, o governo pretende pulverizar a dívida.

Com a tentativa do governo de mudar o perfil da dívida interna, o governo passou a alongar os prazos de
vencimento. Os títulos disponíveis hoje no Tesouro Direto:

Tipo de Título Vencimento Indexador


LFT 16 de fevereiro de 2005 Selic
LFT 18 de janeiro de 2006 Selic
LFT 17 de janeiro de 2007 Selic
LTN 01 de abril de 2004 Prefixados
LTN 01 de julho de 2004 Prefixados
LTN 01 de outubro de 2004 Prefixados
LTN 04 de janeiro de 2005 Prefixados
NTN-C 01 de dezembro de 2005 IGP-M
NTN-C 01 de abril de 2008 IGP-M
NTN-C 01 de julho de 2017 IGP-M
NTN-C 01 de abril de 2021 IGP-M
NTN-C 01 de janeiro de 2031 IGP-M

Entenda o que significa cada sigla:

LTN: Sigla para Letras do Tesouro Nacional. Título de dívida prefixado usado pelo Tesouro como
instrumento de captação de recursos.

LFT: Sigla para Letras Financeiras do Tesouro. Trata-se de uma modalidade de empréstimo do Governo
brasileiro, na qual ele lança LFT no mercado para captar recursos. As instituições financeiras interessadas
compram essas LFT (portanto cedendo dinheiro ao Governo) e as resgatam no período e valores
previamente combinados. Estes papéis são pós-fixados, rendendo a taxa acumulada no mercado Selic.

NTN-C: Sigla para Notas do Tesouro Nacional- Série C. Também são títulos prefixados, mas além da
taxa combinada no momento de sua compra, têm sua rentabilidade vinculada à variação do IGP-M. Outra
diferença é o pagamento de juros semestrais, sendo o resgate do valor principal feito no vencimento

Lair X Lajir

O LAIR (lucro antes do imposto de renda) e o LAJIR (lucro antes dos juros e imposto de renda) são
conceitos de análises e medições de fluxo de caixa das empresas muito utilizados pelos departamentos
financeiros e até mesmo por investidores dispostos a desembolsar capital para ter participação em um
determinado negócio, ou seja, que desejam tornar-se sócios.

Com esses dois indicadores, que medem a performance da empresa em momentos distintos, é possível
criar planos de negócios ou alterar um que não vem saindo como o esperado. Isso porque eles apontam
como a empresa está capitalizando seu superávit (aplicando no mercado financeiro o dinheiro que sobra) -
ou quanto está gastando para financiar seu déficit –, no caso do LAIR; e qual está sendo o retorno do
negócio, no caso do LAJIR.

O LAIR é a forma mais correta para se ter uma idéia da geração de caixa de uma empresa. Esse indicador
considera as despesas, receitas, os juros recebidos ou pagos pela empresa. “Com esse indicador é possível
saber se a estrutura de capital da empresa está adequada”,
A estrutura de capital a que Marco se refere diz respeito à maneira com que a empresa controla suas
finanças. Exemplo: caso a empresa seja superavitária, ela vai procurar remunerar esse dinheiro no
mercado financeiro da melhor forma, gerando receita

Caso seja deficitária, terá que ir ao mercado buscar quem a financie a um custo adequado, o que gerará
gastos extras. “A partir do LAIR pode-se ter o diagnóstico de quanto está sendo esse gasto extra e, se
necessário, adequá-lo”. Como o LAIR só expurga os gastos com Imposto de Renda, todos os outros custos
e receitas podem ser analisados.

Já o LAJIR (Lucros Antes dos Juros e Imposto de Renda), possibilita mostrar como a empresa está se
saindo com relação ao seu negócio, sem contabilizar os gastos financeiros. “É estritamente comercial, e
diz respeito apenas ao desempenho do negócio da empresa”

Leilão de ações

Para manter qualquer operação transparente e evitar favorecimentos, a Comissão de Valores Mobiliários
(CVM), que regula o mercado de ações no Brasil, criou certas regras, que se desdobram em instruções. O
leilão é uma das mais fortes nesse sentido. “Os leilões são nada mais do que uma maneira de dar
transparência a uma operação e criar condições para que todos os interessados possam participar em
igualdade de condições; seja em nível de informações, seja em nível de oferta de preços “Existem algumas
hipóteses determinadas na instrução 168, que prevêem em quais casos se abrem os leilões”, complementa.

Um caso típico de utilização dos leilões foi o processo de privatização das empresas estatais. “O Governo
teve que abrir a empresa para todos os interessados. Até mesmo informações confidenciais, são as
chamadas data rooms. Isso permite que todos que entrem no leilão estejam em condições de igualdade”,
Mesmo pode acontecer com papéis de empresas privadas, negociados por pessoas físicas. “Se alguém
quiser vender ou comprar um papel que não é negociado há algum tempo, a bolsa tem que colocar por um
período em leilão para que outros possam ofertar e entrar na negociação. Isso não é necessário para um
papel de muita liquidez, pois ele já tem um preço e um volume de negociação bem determinados pelo
mercado”,

O leilão, em geral, é muito benéfico para o mercado. “O leilão dá oportunidades para outros investidores
entrarem na negociação e se habilitarem a ela. Isso evita favorecimento de grupos”. No entanto, para
poder se aproveitar do leilão o investidor precisa ficar atento. “Tem leilões que duram apenas cinco
minutos, 15, uma hora e, até de 24 horas”, “O que precisa ficar bem claro é que um leilão só ocorre
quando há uma negociação. Ou seja, quando dois investidores já fecharam negócio e vão registrar a
operação, a bolsa analisa e, dependendo do caso, coloca em leilão. Nesse caso, pode entrar um terceiro
investidor oferecendo mais e, então, é feita uma tomada de lances até chegar a uma conclusão”..

1. Por tempo de negociação:

Quando uma ação não é negociada há cinco pregões e, após esse prazo, ela volta a ser negociada, a bolsa a
coloca em leilão para estipular um novo preço de mercado para essa ação. Outros investidores entram no
negócio para ofertar pelo papel.

2. Volume anormal de negociação:

Quando uma empresa que, por exemplo, historicamente negocia um lote de 1.000 ações vem ao pregão
com uma oferta de 10.000. A bolsa coloca em leilão para “alertar” os investidores de que há uma oferta
for a do comum no mercado.

3. Alta variação de preço:

Quando uma determinada ação tem valorização ou depreciação muito altas, também é um caso de leilão.
Isso porque esse é um caso atípico.

Linhas de Tendência

Na análise técnica, o analista utiliza as variações de preços dos papéis ao longo do tempo representados
dentro de um gráfico como forma de interpretar suas tendências e definir suas estratégias. O intervalo de
tempo necessário para se avaliar um papel é bastante variável, mas a análise do papel por um período de
no mínimo 90 dias deve ser suficiente para o investidor avaliar o gráfico da empresa e traçar suas
estratégias de atuação.

Os preços das ações não variam ao longo do tempo na forma de retas, na verdade, as variações dos preços
representados no gráfico se dão na forma de ziguezague. Nestes ziguezagues formados pelo movimento
dos preços representados no gráfico, podemos identificar topos e fundos.

Topos são pontos no gráfico onde o preço de determinado papel toma a direção oposta ao movimento de
alta e, ao fazer isto, a representação gráfica do preço da ação toma o formato de um topo. No gráfico 1, os
topos estão identificados com a letra T.

Já os fundos são pontos no gráfico onde o preço do papel toma a direção oposta ao movimento de baixa
formando assim um fundo. Também no gráfico 1, os fundos estão identificados com a letra F.

Gráfico 1: R$
*Valores em Reais (R$)

Existem três tipos de linhas de tendência: as de alta, as de baixa e as laterais. No gráfico 1, o preço da ação
em questão segue sem tendência no início do gráfico. A linha 1, representada por L1, apresenta topos e
fundos irregulares na horizontal, caracterizando, assim, uma linha de tendência lateral.

O que caracteriza as tendência de alta ou baixa?

As tendências de alta e baixa são facilmente identificadas. As de alta apresentam fundos e topos
ascendentes, ou seja, os fundos novos que se formam estão sempre acima dos fundos anteriores, formando
um ziguezague para cima. Sempre que isso ocorrer temos uma tendência de alta. No gráfico 1, uma
tendência de alta é representada pela linha L2.

Outros exemplos de tendências de alta estão no gráfico 2, identificadas pelas linhas L3 e L4. Perceba que
tais linhas são cortadas pelo gráfico, quando o preço da ação corta a linha de tendência. Isso mostra para o
investidor que a tendência de alta chegou ao fim e que o papel atingiu seu ponto de venda. Sempre que
determinada ação alterar sua tendência, o investidor poderá facilmente identificar este movimento,
caracterizado pelo momento em que a linha de tendência corta o gráfico.

Gráfico 2: R$
*Valores em Reais (R$)

Ao contrário das tendências de alta, as de baixa, da mesma maneira se caracterizam por apresentar topos e
fundos descendentes, ou seja, os topos novos que se formam são sempre inferiores aos topos anteriores,
conforme o gráfico 3. Neste gráfico, a linha L5 representa uma tendência de baixa. Assim, como na
tendência de alta, quando a linha de tendência corta o gráfico, ela mostra que o movimento de baixa
acabou e pode indicar ao investidor um bom ponto de compra.
Gráfico 3: R$

*Valores em Reais (R$)

Para concluir, é importante lembrar que a análise técnica é puramente gráfica, não usa nenhum tipo de
ferramenta fundamentalista e, portanto, não faz nenhum tipo de previsão de resultados futuros. O objetivo
é traçar estratégias de atuação na bolsa, levando em conta os preços do papel, sem examinar os números
das empresas. Portanto, todas as mudanças de tendências são verificadas através do gráfico, como
explicado acima. Fatos "da vida real" não têm a menor influência na análise técnica.

Liquidez

Imagine se você gastar todas as suas economias comprando aquele carrão importado e, na hora de
revendê-lo, não conseguir comprador? Ou, pior, não recuperar nem metade do dinheiro investido? É mais
ou menos assim quando se negocia a compra de ações de uma empresa que não tem boa liquidez no
mercado.

O conceito teórico (e prático, também) de liquidez é a capacidade de um título ser convertido em moeda,
ou seja, quanto mais rápido e em melhores condições o papel for negociado, maior é sua liquidez. O título
de maior liquidez em uma economia é o papel-moeda, ou seja, o dinheiro nosso de cada dia. Por quê?
Simples. Ele pode ser trocado a qualquer hora, por qualquer bem que tenha seu valor correspondente.

É muito importante saber se a empresa tem boa liquidez no mercado. “Dessa forma, o cliente pode
diminuir os riscos de perder dinheiro por não ter tido condições de negociar os seus papéis no momento
mais adequado”.

A questão da liquidez se torna mais acentuada em momentos em que o mercado está bastante volátil.
“Quando o mercado encontra-se em situação de alta volatilidade a variação de valores dos papéis de uma
empresa é muito freqüente. Nesse cenário, um papel de baixa liquidez se torna ainda mais difícil de ser
negociado

Para saber se uma empresa tem boa liquidez no mercado, você deve observar alguns detalhes importantes:

1. Analise o índice de negociação diária da empresa. Desta forma, você terá uma noção de quanto foi
negociado em torno dessa empresa no período (normalmente, a análise é feita em um período de 21 dias).

2. Procure saber qual é o valor de mercado (market cap) da empresa. Assim, você estará ciente de que,
pelo menos naquele dia, os papéis da empresa estão sendo negociados a um valor satisfatório. Com esses
números em mãos, você pode, ainda, ter noção do tamanho da empresa e o valor dela que é negociado no
mercado. Quanto maior ela for e maior o valor negociado em bolsa, mais fácil de negociar seus papéis;

3. Descubra entre os operadores do mercado se os papéis da empresa que você está analisando estão
concentrados nas mãos de poucos acionistas. Isso porque, quanto mais concentrados os papéis, mais difícil
será negociá-los com freqüência. Mas atenção, não há nenhum tipo de fonte oficial para esse tipo de
informação. Portanto, vale mais a experiência e o feeling do consultor.

Veja o comparativo dos itens de maior importância para detectar se uma empresa tem ou não boa liquidez
no mercado:

Itens para análise EMPRESA A EMPRESA B

Volume médio negociado $ (21d) 10,552 k maio/2000 194,772 maio/2000

Valor de mercado $ (market cap) em 12.5.2000 4,134 M 273,106 K

Data da última negociação 12.5.2000 – 7d – 1 sem. 12.5.2000 – 7d – 1 sem.

Legenda:
K = x 1.000
M =x 1.000.000
21d = média dos últimos 21 dias
7d = sete dias
1 sem. = uma semana

Observação: Dados como os acima podem ser encontrados na seção Raios X.

Conclusão da análise de liquidez das duas empresas:

Observe que a empresa A possui média de negociação diária muito superior a da empresa B. Isso indica
maior volume de negociação, o que pode facilitar caso você queira comprar ou vender papéis relacionados
à ela.

O valor de mercado da empresa B é muito inferior ao da empresa A. Caso você adquira papéis da primeira
pode ficar um pouco difícil de repassá-los em caso de alguma turbulência no mercado.
Apesar de, nesse caso, as duas empresas terem a mesma data como último dia de negociação, isso nem
sempre ocorre. Portanto, esteja atento: se a empresa em que você está de olho tiver sido negociada há mais
de três dias da data de pesquisa, desconfie. Ela pode não ser negociada com muito freqüência e, aí, quando
você quiser se desfazer dos papéis, se verá preso ou terá que vendê-los a preços mais baixos do que os que
comprou.

M1, M2, M3 e M4

É uma coisa corriqueira para qualquer pessoa lidar com moedas, notas, caderneta de poupança. E quem
nunca ouviu falar nos fundos de investimento e títulos da dívida pública? Pois é, todos estes são ativos
financeiros.

Ativos financeiros podem tanto ter a forma de dinheiro, como podem identificar a posse sobre algum
direito. Por exemplo, ao se colocar dinheiro na poupança, o investidor recebe uma caderneta de poupança.
A posse de uma caderneta de poupança identifica que o investidor possui direito sobre tal montante e da
mesma maneira, o banco tem um débito com o investidor, uma dívida.

Os ativos financeiros são classificados de acordo com sua liquidez. Liquidez é a capacidade deste ativo se
transformar efetivamente em dinheiro. Os ativos mais líquidos são aqueles que mais rápido se
transformam em dinheiro, aqueles dos quais o investidor pode dispor mais facilmente. O ativo mais
líquido da economia é a moeda.

Os ativos mais líquidos são também os que mais circulam na economia e por isso mesmo são os meios de
pagamento: moedinhas, notas e depósitos à vista (cheques). O agregado monetário na forma destes ativos
é chamado de M1.

Depois dos meios de pagamento, o ativo mais líquido, aquele que pode mais rapidamente ser
transformado em dinheiro são os títulos da dívida pública. Existe um mercado muito desenvolvido destes
títulos e, portanto é muito fácil vendê-los quando preciso. O agregado monetário, alocado no conjunto dos
meios de pagamento mais os títulos da dívida pública são conhecidos como M2.

M3, por sua vez, é igual ao M2 mais o montante alocado nas cadernetas de poupança, menos líquidas que
os títulos da dívida pública. Elas são, contudo mais líquidas que os títulos de dívida privados, que
somados ao M3, formam o M4.

Confira o esquema gráfico:


Marcação a Mercado

A marcação a mercado é uma regra que exige dos fundos de investimento a divulgação diária do exato
valor de mercado dos títulos que compõem o portfólio do fundo.

Quando um fundo não contabiliza os ativos da carteira ao valor de mercado, as cotas podem não estar
espelhando o patrimônio real do fundo, o que pode ocasionar perdas aos cotistas no caso de saques de
valores elevados.
Em fevereiro de 2002, o Banco Central, através da circular número 3.086, estabeleceu a obrigatoriedade
de adequação dos fundos de investimento às novas regras de marcação a mercado, estipulando como prazo
final o mês de setembro/02 para que os gestores realizassem as adequações necessárias.
Porém, em 29/05/02, a CVM, que agora assumiu a co-responsabilidade pelo setor de fundos de
investimento, em consonância com o Banco Central, publicou a Instrução 365, que alterou a Circular
3086/02, antecipando a data de enquadramento para 31/05/02.
Os gestores que até então não haviam ajustado ou realizado ajuste parcial das carteiras de seus fundos,
tiveram que fazê-lo integralmente logo após a divulgação da Instrução, gerando impacto nas quotas de
alguns fundos de investimento.
A marcação a mercado já era praticada em muitos fundos de investimento. De acordo com os gestores, o
controle de risco e a preocupação com a divulgação diária de cotas cresceu muito nos últimos cinco anos,
até por conta de uma série de crises globais, que geraram essa necessidade.
No entanto, muitos fundos que esperavam diluir as perdas até setembro foram obrigados a refletir as
perdas imediatamente. Com isso, foram registradas desvalorização inclusive nas cotas dos fundos DI.
Em 14/08/02, a CVM baixou a Instrução 375, que permite que os fundos de investimentos voltem a
divulgar a rentabilidade de suas cotas de acordo com a curva de juros, como era praticado antes de maio.
Porém, a medida só é válida para os títulos com prazo de vencimento inferior a um ano a partir da data da
norma.

Média Móvel

A média móvel é uma ferramenta da análise técnica que consiste na média das cotações de fechamento de
uma ação em um determinado número de pregões. Essa média muda diariamente porque leva em
consideração somente os últimos pregões.
No final de cada pregão, a cotação de fechamento da ação é incluída na média móvel e a última cotação é
descartada para que só sejam considerados determinado número de pregões. Esse número varia de acordo
com o estilo de cada analista.
No Brasil, a média móvel é normalmente calculada levando em conta os últimos 9 pregões, que é um
número que se adapta bem ao volátil mercado brasileiro. Mas o número de pregões vai depender
exclusivamente do perfil do investidor. Por exemplo, o investidor de longo prazo usa uma média móvel
mais longa, onde a duas linhas não ficam se cruzando a todo tempo e o investidor só vai se desfazer de
uma posição muito depois.
As médias móveis mais curtas são procuradas pelos investidores de curto prazo que compram e vendem as
ações em um curto espaço de tempo, pois as duas linhas se cruzam constantemente.
A média móvel é usada na análise gráfica de uma forma muito simples. É feito um gráfico com a média
móvel a cada dia e com o fechamento diário do papel. Neste gráfico comparativo, o investidor pode
analisar e comparar as duas linhas.
A média móvel indica o momento de compra ou venda do papel, ou seja, o momento no qual o papel
começa a reverter seu movimento. Por exemplo, um papel que esteja numa trajetória de baixa vai
apresentar um gráfico onde a linha que representa os preços dos fechamentos diários está abaixo da linha
da média móvel.
No momento em que os preços começam a se recuperar, a linha dos preços de fechamento começa a subir
e cruza a linha da média móvel. Isso acontece porque ela ainda considera os preços dos últimos pregões
onde o papel estava caindo, ou seja, esta linha sobe numa trajetória menos forte do que a outra.

Você perceberá nos gráficos abaixo que:

Toda vez que a linha dos preços de fechamento cruza a linha que representa a média móvel, o gráfico
indica que houve uma reversão de tendência e que o investidor deve comprar ou vender o papel.

Toda vez que a linha dos preços cruza para cima, é hora de comprar, já que a tendência passou a ser
positiva.

Por outro lado, quando a linha dos preços cruza para baixo, é hora de vender, pois a tendência passou a
ser negativa.
O gráfico abaixo foi montado levando-se em conta os últimos 9 pregões:

*Valores em Reais
Agora confira o gráfico com a média móvel de 30 pregões:

*Valores em Reais

Veja também o gráfico com a média móvel de 3 pregões:

*Valores em Reais

Por fim, o investidor deve ter em mente que a ferramenta funciona bem quando realmente existe uma
tendência no papel analisado. Quando ele anda de lado, normalmente a média móvel dá muitas indicações
que não se confirmam. É possível também combinar, em um mesmo gráfico, médias curtas e longas para
extrair as relações entre elas.

Mercado aTermo
Um investidor deseja comprar um lote de ações, pois aposta na alta desse papel, mas não tem toda quantia
necessária no momento. Uma saída para não perder a oportunidade de lucrar, mesmo sem ter o dinheiro
em mãos, é operar no mercado a termo.
Dessa forma ele comprará a ação por um preço fixado e no prazo determinado, que pode ser de 30, 60 ou
90 dias, liquidará o papel, pagando o valor combinado mais a taxa de juros. No ato da contratação ele
deverá ter apenas uma margem, um percentual da quantia que funciona como garantia de pagamento.
Assim, ele pode vender a ação e ficar com o lucro da valorização do papel.
“O comprador” opera no mercado a termo por três motivos: não possui o dinheiro necessário para
comprar o lote à vista; não quer disponibilizar todo seu dinheiro em apenas um investimento ou deseja
fazer uma alavancagem. “Esse tipo de investimento é só para quem tem uma certa experiência, pois foi
feito para quem quer se alavancar e possui recursos garantidos. O único agravante é que o mercado exige
uma margem, que pode ser coberta com dinheiro, títulos públicos ou ações”,
“Supondo que o investidor compre um papel que custa R$ 100,00 à vista, com uma taxa de juros de R$
1,85. No prazo da liquidação ele terá que pagar R$ 101,85. Se no meio do caminho o preço do papel sobe
para R$ 105,00, ele pode liquidar e receber a diferença. Se ele achar que o preço da ação irá cair, ele
também pode vender o papel antes do prazo para não ter prejuízo.”
O investidor deve ter, no mínimo, 15% do valor total acertado no contrato e dá outro exemplo de
investidor que pode operar a termo. “Se você vendeu um imóvel, mas só vai receber daqui a 30 dias, pode
comprar a termo e ainda lucrar”,
Outro tipo de estratégia muito comum nesse mercado é a chamada operação caixa, que consiste em vender
um papel à vista e, em seguida, comprar a termo a mesma ação. Dessa forma o aplicador pode fazer caixa
e manter sua participação na empresa.
A maior parte dos compradores a termo é de pessoas físicas, com o intuito de ganhar dinheiro em cima das
expectativas sobre o comportamento de alta do mercado financeiro. Em dezembro de 2002 as operações a
termo representaram 4,31% do volume operado na Bovespa.
Na ponta inversa desta operação está o chamado financiador, que vende a ação. Os vendedores são
instituições financeiras ou fundações e as corretoras de valores funcionam como intermediárias entre
compradores e vendedores. Quem vende a termo está fazendo uma operação sem risco e ganha com a taxa
de juros, fazendo uma operação de renda fixa na Bolsa.

Mercado primário x Mercado secundário

Uma empresa abre o seu capital com o objetivo de captar recursos de terceiros para projetos específicos.
Para tanto, tem que seguir uma série de exigências da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que
autoriza a abertura de capital. Ao fazer a primeira emissão de títulos (sejam debêntures ou ações), a venda
é feita no mercado primário.

O mercado primário é a primeira negociação dos títulos. Toda vez que a empresa emite ações pela
primeira vez e a cada nova emissão de ações, a colocação é feita no mercado primário. A partir daí, toda
negociação que for feita com esses títulos ocorrerá no mercado secundário.

O pregão da bolsa de valores é o melhor exemplo de mercado secundário. Nele, compradores e


vendedores se encontram para negociar as ações já disponíveis. Assim, o pregão diário da Bovespa é o
mercado secundário de ações das empresas brasileiras.
Quando a empresa faz uma subscrição de novas ações, a situação se assemelha muito à primeira emissão.
Portanto, ocorre no mercado primário. Neste tipo de operação, o acionista tem o chamado direito de
subscrição, que lhe confere a preferência para compra das novas ações. A nova emissão ocorre no
mercado primário porque o grupo de ações subscritas está sendo negociado pela primeira vez.

O preço das ações em uma nova emissão é baseado em três fatores: valor patrimonial, média das cotações
em bolsa ou projeção de resultados. Se a empresa já possui ações em bolsa, o preço será a média das
cotações de fechamento das ações da empresa nos últimos três meses. Caso a empresa ainda não tenha
ações em bolsa (isto ocorre quando é feita a abertura de capital, o chamado IPO), o preço será baseado no
valor patrimonial. Há casos raros em que a companhia pede ágio, ou seja, aumento no preço de suas ações
baseado numa projeção de resultados positiva. Neste caso, o preço seria baseado na média de cotações ou
no valor patrimonial acrescido deste ágio.

No mercado secundário, o preço dos títulos é sempre determinado pelo próprio mercado. Não há como a
empresa interferir diretamente na cotação.

Podemos também dividir o mercado de títulos públicos em primário e secundário. A regra é a mesma para
a negociação de ações ou debêntures. Os títulos públicos ao serem colocados pela primeira vez no
mercado, são vendidos no mercado primário.

A negociação de compra e venda de títulos que se segue entre os bancos, uma vez que estes já foram
emitidos e adquiridos pela primeira vez, é o mercado secundário. Toda a troca da posse destes títulos se dá
no mercado secundário.

Outros exemplos de mercado secundário são a Nasdaq, Soma, ou seja, as bolsas de valores, sempre que as
ações forem negociadas pelos seus proprietários. O mercado de balcão também é mercado secundário, já
que as ações são negociadas após sua emissão ou subscrição.

NTN-B

O Tesouro Nacional voltou a ofertar NTN-B (Nota do Tesouro Nacional – série B), um título indexado ao
IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística). Até então, o único título disponível no Tesouro Nacional atrelado a um índice de inflação era
o NTN-C, indexado ao IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio
Vargas.

O Tesouro Nacional já havia emitido papéis atrelados ao IPCA no ano passado em uma oferta pública de
R$ 200 a R$ 300 milhões. Além disso, esta categoria de título já havia sido utilizada em uma operação de
troca com o fundo de pensão da Petrobras.

A idéia de voltar a oferecer títulos lastreados no índice oficial de inflação é uma aposta do governo no
controle da inflação e na queda da taxa básica de juros. A atratividade dos títulos está diretamente
vinculada ao cenário de juros mais em conta. O IPCA é o índice que baliza o sistema de metas de inflação.
A previsão para 2003 é de que o índice encerre o ano em 8,5% e 2004, em 5,5%.

A oferta começa com lotes pequenos, mas a intenção do governo é aumentar à medida que a demanda
pelos papéis comece a crescer. Hoje, a taxa Selic está em 20% ao ano.
Os papéis ofertados têm pagamento de juros semestral no valor de 6% ao ano. As datas de pagamento são
definidas retrospectivamente a cada seis meses a partir da data de vencimento da NTN-B.

O IPCA é calculado através de uma coleta de preços que se situa do dia 15 do mês anterior ao dia 15 do
mês de referência. As pesquisas são realizadas nas principais regiões metropolitanas do país: Rio de
Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Salvador, Fortaleza, Curitiba, Distrito
Federal e Goiânia.

A população alvo do IPCA é formada por famílias cujas rendas compreendem entre um e quarenta salários
mínimos, quaisquer que sejam suas fontes de renda.

Negociação via sistema eletrônico X viva-voz

Quando começam a aplicar suas economias em ações, os investidores novatos pouco imaginam que há
diferentes maneiras de se comprar uma ação: a negociação via pregão e a via sistema eletrônico. Pelo
nome já dá para notar que uma tem mais tradição do que a outra, que chegou com a avalanche da
tecnologia.

As duas negociações se diferenciam basicamente pela maneira com que são feitas: na eletrônica, via
computador, qualquer pessoa pode acompanhar a cotação do papel e fazer a oferta de compra ou venda,
fechando, assim, o negócio. “Não há necessidade de um operador para fechar. O investidor é o próprio
operador”,

Já a negociação viva-voz, é feita no salão de pregão da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) e
somente os operadores das corretoras credenciadas têm acesso. A ordem de compra ou venda é dada pelo
investidor à mesa de sua corretora, que repassas as informações aos operadores, fechando a operação. “Em
geral, esse tipo de negociação é feita somente com alguns papéis, os de maior liquidez, e com lotes muito
grandes”,

Todas as ações listadas na Bovespa são negociadas pelo sistema eletrônico e que a tendência é de que no
mercado só fique mesmo essa modalidade de pregão. “A negociação viva-voz é mais ágil, pois tudo é
resolvido no momento em que o operador fala, mas já há um movimento para acabar de vez com esse tipo
de negociação”,

Ele explica que em países como Japão e Estados Unidos há um pregão híbrido, em que operadores e
aparelhos eletrônicos trabalham juntos. “Não há mais aquela tradicional gritaria”, diz. Num médio prazo,
mesmo nesses países, os pregões também serão eletrônicos. “Essa é uma tendência mundial”.

Fracionário só pelo sistema eletrônico

A negociação no mercado fracionário, cujo alvo são os pequenos investidores pois se negociam
quantidades menores do que o à vista, só pode ser feita via sistema eletrônico. “Essa negociação,
inclusive, é mais cômoda para o pequeno investidor pois não há como cair em casos de leilão. A
interferência do viva-voz, nesse caso, é nenhuma”,

Objetivo do fracionário é o de separar o grande investidor do pequeno. Entretanto, a cotação da ações


andam muito coladas. “São mercados muito próximos. Um anda junto com outro”
Mercado de opções

Com a recuperação do investimento em ações em 2003, o mercado de opções tem se tornado cada vez
mais atraente. Com volumes cada vez maiores, vem se consolidando como uma alternativa para quem
deseja alta rentabilidade e aceita correr riscos na mesma proporção. No último vencimento, em 15 de
setembro, a Bovespa registrou o maior volume em opções nos últimos três anos e meio, de R$ 991
milhões.

O que é o mercado de opções?

Se um investidor acredita que uma ação irá se valorizar no mercado dentro de um período, mas não deseja
assumir o risco de incluir o ativo em carteira, uma boa saída é apostar no mercado de opções. Nele, são
negociados direitos de compra ou venda de um lote de ações, com preços e prazos preestabelecidos.

Por esses direitos, o titular de uma opção paga um prêmio e pode exercê-los até a data do vencimento.
Dessa forma, o investidor compra a possibilidade de exercer a compra efetiva do ativo no vencimento da
opção. Assim, ele consegue ganhar com a rentabilidade do ativo, com a chance de desembolsar menos
dinheiro.

É possível ganhar de duas formas: caso a cotação da Opção tenha subido, o investidor pode revendê-la a
um preço superior ao de compra ou ainda, se a ação tiver sofrido uma forte valorização, ele pode exercer o
direito de compra ao final do prazo de vencimento.

A cotação da opção é feita pela Bolsa de Valores de São Paulo, que fixa como parâmetro o preço do
primeiro negócio fechado. O preço de exercício, valor que terá que ser pago pelo investidor caso queira
exercer o direito de compra, também é fixado pela Bovespa.

Apesar da aparente atratividade, operar no mercado de opções requer alguns cuidados. Diferente das
ações, as opções têm um tempo de vida limitado, só são negociadas até a data do vencimento. O investidor
deve estar consciente de que existe o risco do dinheiro aplicado na opção “virar pó” com a chegada da
data de vencimento. Além disso, seu preço varia conforme as alterações verificadas no preço da ação, o
ativo-objeto.

As opções podem ser entendidas como uma outra forma de se investir na valorização de uma ação. O
exercício só ocorre, quando, ao chegar a data de vencimento, o investidor decide comprar a ação objeto
naquele preço já determinado. Ninguém exerce o direito caso o valor predeterminado esteja acima da
cotação da ação no mercado à vista.

Nesse tipo de negociação, o investidor não tem a obrigação de exercer a compra da ação no vencimento.
Ele só optará pelo negócio se o papel estiver mais valorizado no mercado à vista do que o preço de
exercício. Confira o exemplo:

No vencimento de 15 de setembro, as opções que movimentaram o maior volume de negócios foram


Telemar PN a R$ 38,00 por lote de mil (R$ 202,9 milhões), Telemar PN a R$ 34,00 por lote de mil (R$
167,7 milhões), Telemar PN a R$ 36,00 por lote de mil (R$ 165,9 milhões), Telemar PN a R$ 40,00 por
lote de mil (R$ 152,6 milhões) e Telemar PN a R$ 32,00 por lote de mil (R$ 117,5 milhões).
Imagine um investidor que tenha comprado opções de Telemar a R$ 40 no dia 1º de setembro a R$ 1,89.
No dia do vencimento, a cotação desta opção chegou a R$ 3,00. No mesmo período, o ativo objeto subiu
de R$ 39,35 para R$ 41,54.

O investidor dispunha das seguintes alternativas:

1. Vender a opção tão logo tenha notado que sua cotação avançou acima do prêmio pago, neste caso de R$
1,89 no momento da compra. Dessa forma, o lucro é a diferença entre o valor pago e o vendido.

2. Aguardar o vencimento e apostar que a ação subirá mais de R$ 41,24 para compensar o valor pago pelo
direito de exercer (prêmio) de R$ 1,89 e pela compra efetiva do papel, R$ 39,35. Nesta opção, ele também
realizaria lucro.

3. Caso a cotação do prêmio da opção ficasse abaixo de R$ 1,89, o investidor poderia vender e realizar o
prejuízo ou aguardar para observar se a cotação voltaria a subir. Quanto mais perto do vencimento, maior
a pressão para que a cotação da opção caia.

Investir em opções costuma exigir muito mais atenção por parte do investidor. É preciso conhecer bem o
mercado, avaliar tendências e verificar de perto o andamento dos papéis negociados. É uma operação mais
sofisticada do que a compra de ações. Por isso, é importante ter uma estratégia de investimento montada.

Principais termos utilizados no mercado de opções

Prêmio – Preço da Opção

Em função dos direitos adquiridos e das obrigações assumidas no lançamento, o titular (comprador) paga
e o lançador recebe uma quantia denominada prêmio. O prêmio, ou preço da opção, é negociado entre
comprador e lançador, por meio de seus representantes no pregão da bolsa. Ele reflete fatores como a
oferta e a demanda, o prazo de vigência da opção, a diferença entre o preço de exercício e o preço à vista
da ação-objeto, a volatilidade de preço, bem como outras características da ação-objeto.

Ativo-objeto

É o ativo sobre o qual a opção é lançada (ações e índices).

Mês do Vencimento

É o mês em que expira a opção. Na Bovespa, os vencimentos são mensais, sempre na terceira segunda-
feira do mês.

Preço de Exercício

É o preço pelo qual será exercida a opção.

Ondas de Elliot
Entender os movimentos de alta e baixa do mercado. E mais do que isso, antever estes movimentos é o
objetivo a que se propõe a Teoria de Elliot. Uma das mais conhecidas ferramentas de análise gráfica, ela
foi criada e desenvolvida pelo contador R.N. Elliot, nas décadas de 30 e 40.
“A teoria foi criada para o acompanhamento de índices, como o Dow Jones ou o Ibovespa, por exemplo.
Embora possa ser utilizada para observar ações isoladas, ela é mais recomendada na avaliação de índices,
pois tenta apreender o sentimento geral do mercado”,

De acordo com a teoria desenvolvida por Elliot, os movimentos do mercado seguem um padrão.
Realizando estudos em cima das séries históricas de preços do índice Dow Jones Industrial, Elliot
concluiu que havia uma regularidade no movimento dos mercados em geral. Para ele, o fator principal
deste padrão é determinado pela psicologia das massas, um comportamento que se repete em cenários
distintos.

De acordo com os estudiosos modernos, a tendência do mercado antecede os fatos. Ou seja, se estivermos
diante de uma fase favorável, um acontecimento negativo pode ter seu impacto minimizado. “Os fatos
perseguem a tendência, os eventos não provocam as evoluções do mercado. A notícia é jornal de ontem e
a análise gráfica está de olho na tendência futura”,

As ondas de Elliot são formadas por dois conjuntos: o primeiro é composto por cinco ondas. É o chamado
período de alta: são três altas intercaladas por duas baixas. Nesta fase as ondas são indicadas por números.
O segundo é formado por três ondas. É o período de correção, composto de duas quedas intercaladas por
um repique, denominadas por letras do alfabeto. “Este conjunto forma os ciclos de alta e baixa na bolsa
que se reproduzem permanentemente”, Veja o exemplo abaixo:

Esta teoria pode ser aplicada em gráficos diários, mensais e anuais. Um paralelo entre o modelo proposto
por Elliot, desenvolvido nas décadas de 30 e 40, e a Teoria do Caos, que busca no aparente acaso uma
ordem intrínseca determinada por leis precisas.

Exemplos de aplicações são o quebrar das ondas do mar, o crescimento populacional e a flutuação do
mercado financeiro. “A Teoria do Caos aplica hoje através dos fractais a idéia de que um mesmo formato
se reproduz permanentemente”, Fractais são formas geométricas, de aspecto irregular ou fragmentado,
que podem ser subdivididas indefinidamente em partes, as quais, de certo modo, são cópias reduzidas do
todo.

Ondas de Elliot x série de Fibonacci


A ordem numérica das Ondas de Elliot é regida por uma relação matemática, que pode ser verificada nos
mais diversos fenômenos naturais. Trata-se da chamada série de Fibonacci. O inventor, um matemático
italiano do século XIII, notabilizou-se, entre outras coisas, pela introdução da numeração arábica em
substituição à romana no Ocidente. De acordo com a série de Fibonacci, cada número representa a soma
dos dois anteriores (1,2,3,5,8,13...). Por exemplo, o 3 é a soma de 2 e 1, o 5 é a soma de 2 e 3, e assim
sucessivamente.

Além disso, a razão entre dois números consecutivos da série tende a 1,618 ou ao seu inverso, 0,618.
Ambos são conhecidos desde a Antigüidade como razão ouro ou número áureo. “Esta relação está
presente nos fatores mais distintos, desde as pirâmides do Egito, a casca do caracol ou a constelação de
Andrômeda, o que só contribui para aumentar ainda mais o esoterismo em cima do tema”, afirma
Ghitnick.

Combinações com outras ferramentas

Uma das principais vantagens da aplicação das ondas de Elliot é que elas não excluem a utilização de
outras ferramentas de análise gráfica. “Como toda a análise gráfica, a aplicação das ondas de Elliot é
empírica, parte da observação do mercado”,

A teoria de Elliot funcionaria como um mapa estratégico do mercado que poderia ser combinada com
outras ferramentas, a fim de se obter a melhor rentabilidade, “Ao utilizar ferramentas combinadas, o
investidor tem a chance de confirmar cenários e propor um conjunto coerente”.

A principal dificuldade na aplicação da teoria é o caráter genérico da ferramenta. “É preciso ir pelo


processo de tentativa e erro. Você cria alguns cenários do que pode acontecer, tentando identificar a fase
ou onda em que se encontra o mercado no momento”,

No modelo de trabalho de Ghitnick, por exemplo, a bolsa iniciou um ciclo em 92 durante o impeachment
do presidente Fernando Collor e só terminou em julho de 97. A onda dois terminou em outubro do ano
passado, quando a Bovespa deu início a uma trajetória de recuperação. De lá para cá, a bolsa teria iniciado
a onda três. Neste exemplo, o analista trabalha com valores em dólar e escala logarítmica.

Cada uma das ondas possui características específicas.

Onda 1: A onda um costuma ser marcada pela incerteza já que funciona como uma interrupção de um
ciclo de baixa.
Onda 2:A onda dois tende a devolver boa parte dos ganhos acumulados na um, sem nunca ultrapassá-los.
Onda 3: A três é a mais dinâmica e não pode ser a menor do primeiro ciclo de altas.
Onda 4: A onda quatro é uma correção mais moderada do que a dois.
Onda 5: Caracteriza o fim da alta, um momento de otimismo generalizado, em que o pequeno investidor
adere em massa. É o prenúncio do início do ciclo de quedas.
Onda a: Queda bastante acentuada.
Onda b: Repique das perdas verificadas na "onda a", ilusão de retomada da alta.
Onda c: É a mais violenta, momento de pânico de venda de papéis.

On, PN, PNA, PNB


Para facilitar a negociação e incentivar os empresários a colocarem suas empresas disponíveis no mercado
de ações, através das Bolsas de Valores, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) criou algumas siglas
que representam o tipo de ação e que direitos ela confere ao seu portador.

“Quando criou-se a diferenciação entre PN (preferenciais) e ON (ordinárias) foi exatamente para


incentivar novas empresas a abrirem o capital pois, desta forma, o empresário poderia manter o controle
de sua empresa”,

A lei determina que, no máximo 2/3 da empresa podem ser fracionados em ações sem direito a voto, as
PN. A nova Lei das S/A, que está tramitando no Congresso, porém, propõe que esse limite passe para
50%.

Quem olha para a carteira que compõe o Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores São Paulo), por exemplo,
observa que não é só entre PN e ON que a diferença aparece. Há ainda as classes de ações PN, que
começam em “A” e vão até a letra que a empresa julgar suficiente. “A empresa tem liberdade de criar
quantas classes quiser. Elas se diferem por observações colocadas no estatuto da empresa, como
preferência de recebimento de dividendos ou dividendos especiais”,

Apesar de algumas empresas ainda utilizarem as classes de ações PN, Félix explica que essa não é mais
uma prática comum e a tendência é de que não haja mais esse tipo de diferenciação. “Hoje em dia, isso
não é muito comum. O mercado já não aceita mais essas classes”,

Veja abaixo os diferentes tipos de ações e suas siglas:

Ordinárias (ON) – As ações ordinárias dão ao seu portador direito a voto em uma determinada empresa.
Os controladores da empresa têm que ter, no mínimo, 50% mais uma ação ordinária.

Preferenciais (PN) – Ações preferenciais são aquelas que dão aos seus portadores preferência no
recebimento de dividendos e restituição de capital no caso de extinção de determinada empresa. Mas não
dão direito a voto.

Classes de ação - As ações preferenciais (PN) são subdivididas em classes que representam o que cada
acionista detentor da ação tem direito. Exemplo: dependendo do caso, a empresa pode dar preferência os
dividendos para o acionista PNA em relação aos PNB. Para saber quais são esses direitos, o acionista
precisa consultar o estatuto da empresa. As subdivisões são: PNA (ações PN de classe A), PNB (ações
preferenciais de classe B) e, em geral, seguem desta forma até PNH (ações preferenciais de classe H). Se a
empresa quiser, por exemplo, pode continuar emitindo, chegando até a uma PNZ. Hoje em dia, as
empresas dificilmente criam essa série de ações.

Ptax

A Ptax é a informação oficial sobre a cotação das moedas estrangeiras no Brasil. No Sisbacen, que é o
sistema através do qual todas as instituições financeiras se comunicam com o Banco Central, é possível
consultar a Ptax de todas as moedas.

Como o dólar é a moeda mais negociada no país, quando se fala em Ptax, o termo é logo associado à
moeda norte-americana. A Ptax é a cotação oficial da moeda e é definido através da média ponderada das
negociações do dólar - no caso da moeda norte-americana - no decorrer do dia.
Se, num determinado dia, são fechados apenas os seguintes negócios: um entre duas instituições no valor
de US$ 10 milhões à cotação de R$ 1,90. Logo depois, é fechado outro negócio de US$ 20 milhões a R$
2. A Ptax é a média ponderada das duas operações, no caso R$ 1,9666.

Este cálculo é feito levando em conta as várias operações efetuadas durante o dia. O Preço da Taxa, ou
taxa Ptax, então, é divulgado pelo Banco Central. O BC divulga Ptax parciais, em intervalos de meia hora,
e, depois, divulga a Ptax do dia. São levadas em conta as operações com liquidação em dois dias, que é o
prazo padrão do mercado.

A Ptax serve com parâmetro em várias situações. Por exemplo, num papel indexado ao dólar, é paga a
variação do dólar mais uma remuneração. Essa variação do dólar é medida pela Ptax do dia contra a Ptax
do dia anterior. Para fazer gráficos, também é utilizada a Ptax.

Política de Investimento

Na hora de procurar um fundo para investir, tão importante quanto saber a composição da carteira é
avaliar sua Política de Investimento. Com isso, será possível escolher o produto que melhor se adeque às
características do investidor: mais conservador, moderado ou arrojado.
O investidor deve ter em mente que a opção por cada um desses perfis terá como conseqüência direta a
margem de ganho. Quem se arrisca mais tem chance de ter rendimentos mais altos. No entanto, a
propensão ao risco deve ser uma escolha pessoal, em função da urgência em se obter resultados e de sua
tranqüilidade diante das oscilações do mercado.
A política de investimentos de um fundo é a sua “identidade”. Já a carteira, dependendo do perfil de risco
e dos ganhos obtidos, pode ser alterada de acordo com o movimento do mercado.

Os recursos podem ser aplicados tanto em ativos de renda fixa pré ou pós-fixados, operações em mercados
derivativos (de renda fixa, ou renda variável), câmbio, ações, títulos da dívida externa e/ou commodities
agrícolas (café, boi, milho, algodão, soja e açúcar). O risco, nesse caso, é alto em função das operações de
derivativos, câmbio, e as eventuais operações de alavancagem (utilização de recursos de terceiros para
aumentar as possibilidades de lucro).
Determinadas categorias de fundos têm política de investimento idêntica nas diferentes instituições em
que são oferecidas. É o caso dos fundos DI, de renda fixa, que têm, no mínimo, 95% dos recursos
alocados em títulos que acompanham a variação do CDI (Certificados de Depósitos Interfinanceiros). Do
total, pelo menos 80% é composto por títulos do Banco Central e do Tesouro.
Para esse tipo de fundos, vale a pena olhar a tendência de cada carteira, de cada instituição. A diferença
entre elas costuma estar justamente no percentual de investimento em títulos públicos - alguns fundos do
mercado chegam a alocar 100% da carteira – o que garantirá rentabilidades diferentes.
Pontos do pregão

Todo dia, no fechamento do pregão das bolsas de valores, dois números são divulgados e comemorados -
ou lamentados - pelos operadores: o fechamento do dia em pontos e em percentual. Eles significam, na
média, dia de bons ou maus negócios.

No Brasil, esse número é mais amplamente divulgado em forma de porcentagem. No entanto, é também
divulgado por números de pontos, forma adotada por mercados como o norte-americano. Veja o exemplo
dessa notícia fornecida pela Agência Folha: “A Bovespa fechou em baixa de 0,79%, com 17.310 pontos”.
Os dois números representam o mesmo resultado, só que de forma diferente.

O número de pontos do dia é calculado pelo somatório da média de desempenho dos papéis que compõem
o Índice Bovespa, Ibovespa. Após concluir o somatório do fechamento das ações em um determinado dia,
é feito o comparativo com o dia anterior. Este comparativo é que é representado pelo percentual.

Veja o exemplo:

Suponhamos que o total de pontos negociados no dia anterior seja de 14.000 e que a valorização das ações
listadas no índice tenha sido de 1%, o total de valorização do dia é de 14.140 pontos. No caso de
desvalorização é a mesma coisa.

Vamos dar como exemplo que, no dia seguinte após a valorização de 1% (14.140 pontos), a variação dos
papéis tenha sido negativa em 10%, o resultado é de 12.726 pontos no dia. Para se chegar a esse resultado,
no primeiro dia de operação da bolsa é feita uma convenção que estipula um número de pontos em cima
do qual as variações serão calculadas.

PPI

Nesta sexta-feira o Bureau of Labour and Statistics (Departamento de Trabalho dos Estados Unidos)
divulgará o índice de preço ao produtor (PPI) da economia norte-americana. Mas o que isso tem a ver com
você? Simples.

O número que for divulgado, em conjunto com outros, será usado como parâmetro pelo Federal Reserve
(FED), o Banco Central norte-americano, na sua próxima reunião, em julho, para fixar a taxa de juros da
economia dos Estados Unidos, o que pode influenciar diretamente o mercado latino-americano.

“Esse índice é usado pelo FED como parâmetro do comportamento dos preços da economia. A partir dele
e de alguns outros índices, é feita uma análise para chegar a conclusão do aumento ou não dos juros e de
quanto”,

Preço justo
Freqüentemente mencionado nas análises fundamentalistas, o preço justo é um dos critérios para avaliar se
o papel está caro ou barato. Ou seja, o preço justo de uma ação nada mais é do que a estimativa do valor
de uma empresa dividido pelo número de ações que ela tem.

A partir daí, é possível dizer se uma ação está cara ou barata. Por exemplo, se o preço justo de um papel é
R$ 70 e ele é negociado na Bolsa por R$ 50, está abaixo do preço justo, portanto, barato, e tem
possibilidade de valorização naquele momento.

Por exemplo, de acordo com projeção da consultoria Lopes Filho & Associados, o valor de mercado justo
da Petrobras é de cerca de R$ 75 bilhões. Dividindo-se esse valor pelo número total de ações de 1,086
bilhão chega-se a um preço justo por ação de R$ 69,06, ou seja, o valor justo de cada ação fica em torno
de R$ 70.

No entanto, chegar ao preço justo (ou preço alvo ou target price) não é tarefa fácil e depende de uma série
de cálculos. É necessário utilizar uma complexa metodologia de avaliação baseada na projeção do fluxo
de caixa de longo prazo da empresa, descontado a valor presente.

Isso quer dizer que o analista projeta, inicialmente, o fluxo de caixa (receitas, despesas, entre outros
pontos) da empresa para os próximos anos, com base no quadro macroeconômico, informações sobre
investimentos da empresa, previsões de crescimento do setor em que a empresa atua, entre outras
variáveis. Para ter acesso às informações e planos das empresas, os analistas costumam fazer visitas
periódicas às companhias e também estudam minuciosamente os balanços.

De acordo com analistas da consultoria Lopes Filho & Associados, o período da projeção pode variar.
Geralmente, são feitas projeções para um prazo de cinco anos, mas há quem faça para três e até para 10
anos ou mais.

Depois de fazer a projeção de fluxo de caixa para o período estabelecido, o analista calcula a perpetuidade
do fluxo, já que a previsão é que a companhia dure para sempre.

Depois dessa etapa, ele traz o fluxo de caixa projetado para o que se chama de valor presente. Para trazer
ao valor presente, é necessário descontar em todos os anos da projeção do fluxo de caixa a chamada taxa
de custo de capital. Essa taxa, que também tem cálculo complexo, inclui uma série de variáveis, como o
risco do negócio e o custo da dívida da empresa, entre outras.

Após uma série de cálculos e projeções, o analista chega ao valor justo da empresa e divide esse número
pela quantidade de ações disponíveis no mercado, chegando ao preço justo do papel.

O preço justo pode não ser idêntico, na comparação entre as consultorias. Segundo ele, um analista pode
embutir um risco maior do que outro e isso afeta o cálculo, além de outros fatores.

De acordo com especialistas, essa variação é normal, pois as análises envolvem projeções de longo prazo
e as premissas levadas em conta por cada analista podem variar. Por exemplo, um analista pode projetar
um PIB de 4% para determinado ano, outro pode projetar um PIB de 5%, e assim por diante, e todas essas
variações podem influenciar no cálculo e no resultado final.
Prêmio de Risco

A perspectiva de aumento dos juros americanos tem tirado o sono de muitos investidores. Mas afinal, por
que os títulos brasileiros devem tornar-se menos atraentes para o investidor? Como é calculada a diferença
dos juros entre dois países?

Dificilmente encontraremos taxas de juros iguais em vários países. Normalmente, podemos verificar taxas
de juros mais semelhantes em países de economias similares, no mesmo nível de desenvolvimento. A
razão disso tudo é o chamado prêmio de risco.

O investidor, ao alocar seus recursos, procura sempre uma aplicação que lhe proporcione o maior ganho
possível e, da mesma maneira, o menor risco possível. Os títulos do tesouro norte-americanos são
considerados pelo mercado como "risco zero". Eles garantem, então, uma rentabilidade segura para o
dinheiro.

Para o investidor colocar seus recursos em outro país, com algum risco, ele deve obter ganhos maiores
como forma de incentivo, senão ele deixa seu dinheiro nos Estados Unidos, onde o risco é nulo. A
diferença dos juros entre dois países reflete o prêmio de risco do país no exterior. É o diferencial de ganho
que ele vai obter se alocar seu dinheiro em um país com um risco de falência maior. Quanto maior for a
taxa de juros de um país, maior é o seu risco de quebrar.

Como é calculado o Prêmio de Risco

Como se mede a diferença de taxas entre dois países? Dois fatores são levados em consideração na
determinação do prêmio de risco. O risco-país e o risco cambial. O risco-país mede a chance do país
quebrar e declarar moratória, o que impediria o investidor de recuperar seu dinheiro.

O risco cambial é o risco de o país desvalorizar sua moeda. Isso ocorre porque grande parte do montante
aplicado neste país perderia seu valor. Para aplicar em determinado país, primeiramente, há de se
converter o montante para a moeda local. Por exemplo, um investidor estrangeiro que converteu seu US$
1 milhão em reais para investir no Brasil quando a taxa de câmbio estava a R$ 1,00 e ganhou 20% ao ano,
saiu do país, no final do ano, com US$ 1,2 milhões.

Se entrasse com os mesmos US$ 1 milhão, convertesse em reais e investisse na mesma aplicação, ele
ganharia os mesmos 20% ao ano. No momento da conversão, se a taxa estivesse R$ 1,00, ele teria R$ 1
milhão e possuiria no final do ano R$ 1,2 milhões.

Agora, se na hora da reconversão para dólares, ocorresse uma desvalorização do real e a taxa de câmbio
pulasse para R$ 2,00, o investidor estrangeiro obteria somente US$ 600 mil, metade dos US$ 1,2 milhões
que ele obteria se não ocorresse a desvalorização. Neste caso, o investidor perdeu dinheiro, portanto o
risco cambial também é fundamental na determinação do prêmio de risco.

Risco-Brasil

Os títulos da dívida externa dos Estados Unidos são considerados os mais seguros do mundo. Quando
alguém investe neles, corre um risco próximo a zero. Outros países, no entanto, não inspiram tanta
confiança nos investidores quanto a nação mais rica do mundo. É o caso do Brasil, que já declarou
moratória e não parece tão previsível quanto os EUA. O risco-Brasil é justamente uma tentativa de
quantificar o risco de se investir no país.

Mais do que o risco, este indicador expressa o grau de confiança do investidor externo no Brasil. E
diversos fatores podem interferir na decisão de aplicar ou não no país: a credibilidade política e
institucional, a transparência e previsibilidade, a vulnerabilidade a choques internos e externos, a carga da
dívida do setor privado e público e o histórico recente de pagamento são alguns exemplos.

Uma das formas de medir o risco-Brasil é através dos títulos da dívida externa. Dependendo do grau de
confiança do investidor nestes papéis, ele vai aceitar pagar mais ou menos por eles. Se ele acredita que o
Brasil pode não honrar seus compromissos, exige ganhos maiores na hora de obter o título e vice-versa.

Para quantificar o risco, utiliza-se como referência os títulos do Tesouro americano, considerados seguros.
O risco-Brasil é calculado pela diferença entre os juros pagos pelos papéis brasileiros com determinado
prazo e os juros pagos pelos americanos com mesmo vencimento. O número é expresso em pontos-base.

Num exemplo apenas ilustrativo, se a taxa de rendimento do título brasileiro for de 8% e a do título
americano de 2,5%, o risco-Brasil será de 6,5% ou 650 pontos-base.

O C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, é o mais utilizado para calcular o risco-país, mas
não o único. O banco J. P. Morgan Chase criou um indicador denominado Embi+ Brasil, uma média que
reúne alguns dos principais títulos da dívida brasileira de diversos prazos. O resultado seria um índice
mais completo do que aquele que usa apenas o C-Bond.

Nos últimos meses, o risco-Brasil tem caído conforme o aumento da confiança dos investidores. No auge
da crise das eleições de 2002, atingiu seu pico, 2.450 pontos-base. Em 2003, com a recuperação do
otimismo, este número retraiu e chegou a uma média inferior aos 700 pontos-base.

Rating

Num mundo cada vez mais globalizado, investidores, empresas e instituições de todo o mundo
expandiram as fronteiras de suas aplicações financeiras. As empresas de classificação de risco têm o
objetivo de orientar e minimizar os riscos destes investidores.

As principais agências de ratings estão em diversas partes do mundo e não se limitam a classificar apenas
o risco do investimento nos países, mas também em governos regionais e muitas empresas. As maiores
agências de rating são: Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch.

Mas o que é o rating e como ele é usado pelo investidor?

Vamos nos concentrar nos ratings de países ou ratings soberanos. O rating é uma classificação de risco.
Ele mede a capacidade e a disposição de um país de honrar, conforme estabelecido em contrato, suas
obrigações. Ou seja, os títulos de dívida do governo brasileiro têm um determinado rating e este será
examinado pelos investidores que desejam investir na compra de títulos brasileiros.

Hoje em dia, dificilmente algum título de obrigação consegue atrair investidores sem uma classificação de
risco. Portanto, muitas vezes, o emissor tem todo o interesse de ter a sua classificação de risco.
Na maioria das vezes, o investidor baseia suas decisões na classificação de risco fornecida pelas agências
para decidir investir em um título de dívida de um país emergente, que, como paga juros maiores,
certamente, vai lhe garantir ganhos superiores aos auferidos por títulos de países desenvolvidos.

Em geral, o investidor nunca visitou o país no qual pretende investir nem sabe se irá receber o retorno de
seu investimento. Cabe as agências o papel de estudar a situação financeira do país e examinar sua
capacidade de pagamento.

O que é levado em conta no momento de calcular o rating?

Como já explicado neste texto, a grande função da Agências de Rating é medir a capacidade de
pagamento de sua dívida nos moldes do contrato original. A partir disso, é realizado um profundo estudo
da situação econômica, da estrutura financeira e das condições comerciais que podem impedir ou
dificultar o pagamento da dívida.

Regras do leilão

O Leilão é um procedimento adotado pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que tem como
objetivo principal buscar o preço justo de mercado, ou seja, as melhores condições entre preço e oferta,
através da livre interferência de compradores e vendedores.

O leilão serve para ajustar qualquer divergência que haja entre ofertas. “O leilão faz com que o mercado
tenha a chance de encontrar o patamar de negociação justo, impedindo que haja manipulação nos preços”,
afirma.

O leilão, em geral, é muito benéfico para o mercado. “O leilão dá oportunidades para outros investidores
entrarem na negociação e se habilitarem a ela. Isso evita favorecimento de grupos”,

Há situações específicas no mercado, que levam a Bovespa a colocar determinada negociação em leilão,
ele as separa em dois grupos:

1 - Interferência do pregão viva-voz no eletrônico:

De acordo com Parga, a regra mais importante a ser respeitada é a de que os melhores preços têm
prioridade de negociação. Isso significa que quem tem a oferta de compra com o maior preço, tem
prioridade na compra e quem tem a oferta de venda com o menor preço, tem a prioridade de venda. “No
caso de ofertas com preços iguais, a preferência é dada por ordem de chegada”, explica.

Quando o investidor coloca uma ordem pelo sistema eletrônico de negociação (Megabolsa) ou pelo Home
Broker a um determinado preço, ela aparece nas telas de cotação do Megabolsa e nas telas de cotação do
site, podendo ser visualizada por todos os outros investidores.

Quando uma ordem é apregoada (executada) pelo operador de uma corretora no pregão viva-voz - forma
tradicional de colocar uma ordem de compra e venda de uma ação - ela não aparece na tela. Como a
ordem é falada e muito dinâmica, apenas algumas agências de divulgação de cotação informam essas
cotações. No entanto, com caráter exclusivamente ilustrativo. Como as telas de cotação mostram apenas
as ofertas eletrônicas, pode haver uma oferta no viva-voz melhor do que aquela visualizada na tela de
cotação do site.

Veja o exemplo de como uma ação pode ir a leilão, usando a tela de cotação abaixo com Petrobras
PN (PETR4):

Na tela de cotação abaixo há informações dos negócios em execução com Petrobras PN (PETR4).
Observe que a melhor oferta de compra de 100 ações foi colocada pela corretora 204 (Spirit), por R$
46,55 por ação. Como esse é o sistema eletrônico, neste mesmo momento um operador de pregão de uma
outra corretora pode estar fazendo uma oferta (apregoação), no salão de negociação da Bolsa, melhor do
que a da corretora 204, por exemplo, a R$ 46,65.

Como a apregoação (oferta no viva-voz) não é registrada no sistema eletrônico, essa informação não será
mostrada na tela de cotação. Caso algum vendedor execute uma venda de 100 ações a R$ 46,55, no
sistema eletrônico, ela será executada (fechada) e confirmada.

No entanto, como a oferta do operador do pregão foi melhor, ele terá cinco minutos para recorrer ao
diretor de pregão da Bovespa, Antônio Roberto da Costa, que vai apurar se a reclamação é procedente.
Para que a reclamação seja aceita pelo diretor, o operador tem que apresentar no mínimo duas
testemunhas que confirmem a apregoação (oferta) feita por ele naquele momento.

Caso o diretor de pregão julgue que o operador teve razão na reclamação, o negócio acima (100 ações
PETR4 a R$ 46,55 cada) é cancelado. A partir de então, o diretor interrompe (congela) todas as
negociações com esta ação (PETR4). Imediatamente após o congelamento da operação, ele coloca a
quantidade questionada (100 ações PETR4) em leilão com preço inicial de R$ 46,65, cotação reclamada
como melhor pelo operador de pregão.

O operador que reclama a melhor oferta é obrigado a fazer a compra no mínimo pelo valor que ele disse
que pagava. “Se ele fez a oferta e reclamou com o diretor, tem que comprar a ação no leilão”, explica. É
claro que o operador só será obrigado a comprar caso não haja disputa no leilão.

Ricardo avisa ainda que a diferença entre a cotação do pregão e a do Home Broker costuma ser mais
freqüente com ações de muita liquidez. “Isso porque, elas são negociadas com muita rapidez",

Toda essa operação é feita com extrema rapidez e dinâmica. “Tudo isso acontece em alguns segundos. O
diretor decide, o leilão acontece e o negócio é fechado”,. Após o final deste leilão, o papel (PETR4) volta
a ser negociado normalmente.

2 - Adequação aos parâmetros de negociação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM):

A CVM, através da instrução 168, determina que alguns parâmetros de negociação sejam respeitados.
Caso eles sejam ultrapassados, imediatamente a Bovespa congela a negociação com o papel e coloca a
operação sob suspeita em leilão. Veja alguns casos:

1. Por tempo de negociação:


Quando uma ação não é negociada há cinco pregões e, após esse prazo, ela volta a ser negociada, a Bolsa
a coloca em leilão para estipular um novo preço de mercado para essa ação. Outros investidores entram no
negócio para ofertar pelo papel.

2. Volume anormal de negociação:


Quando uma empresa que, por exemplo, historicamente negocia um lote de 1.000 ações por dia vem ao
pregão com uma oferta de 10.000. A Bolsa coloca em leilão para “alertar” os investidores de que há uma
oferta fora do comum para o determinado papel no mercado.

3. Alta variação de preço:


Quando uma determinada ação tem valorização ou depreciação muito altas, também é um caso de leilão.
Isso evita que algum grande investidor manipule o mercado.

A listagem de todos os casos em que o macanismo do leilão pode ser acionado, são encontrados no site da
Comissão de Valores Mobiliários, CVM. Veja a instrução 168.

Recessão X Crescimento

Você já dever ter ouvido falar que o mundo está em recessão. O fantasma da desaceleração econômica
assusta tanto os brasileiros quanto os americanos e europeus. Mas, o que significa recessão e por que isso
é tão ruim?

A atividade econômica dentro de um país é medida pelo seu Produto Interno Bruto, o famoso PIB. Esse
indicador mede tudo o que foi produzido no país durante um certo período. Ou seja: quando ouvimos que
o PIB do Brasil cresceu, isso quer dizer que a produção total (de bens e serviços) dentro do país cresceu, a
economia brasileira cresceu, gerou mais empregos, fez mais investimentos e as empresas conseguiram
maiores lucros.

A recessão é exatamente o contrário. Num cenário de recessão, a economia está produzindo menos e
investindo menos, as empresas estão demitindo funcionários para cortar gastos e diminuindo a produção,
os trabalhadores passam a gastar menos com medo de novas demissões, os estabelecimentos comerciais
passam a vender menos e diminuem suas encomendas, causando mais demissões. A economia entra numa
espécie de círculo vicioso, a recessão começa se auto-alimentar.

Por que existe recessão?

A recessão pode iniciar de inúmeras maneiras, mas todas elas têm algo em comum. São decorrentes de
algum fato que reverte as expectativas dos agentes econômicos para uma queda do desempenho da
economia. Normalmente, os bancos centrais, através da taxa de juros, têm o poder de estimular tanto o
crescimento quanto a desaceleração econômica.

Vamos usar a economia americana como exemplo. Nos Estados Unidos, a elevação da taxa de juros para o
patamar de 6,5% ao ano, levou pessimismo a empresários e investidores em relação à continuidade do
crescimento econômico e, como conseqüência, estes interromperam novos investimentos no crescimento e
modernização da produção.

Se todos os empresários agirem assim, a economia não vai crescer. Os consumidores, da mesma maneira,
ao perceberem que está mais caro financiar suas compras, tendem a diminuir o seu patamar de gastos. A
diminuição dos gastos com investimentos e consumo é o início do processo recessivo.

Na economia americana, os empresários perceberam que a recessão estava começando muito antes do que
os consumidores. O FED, banco central americano, ao sentir a ameaça de recessão, prontamente baixou os
juros. A economia americana, não chegou efetivamente a entrar em recessão, principalmente devido aos
gastos dos consumidores, que nunca chegaram a cair. No entanto, há uma forte desaceleração, ou seja, a
economia quase não cresceu e a recessão é o próximo passo.

O rumo da economia dos EUA está indefinido, a taxa de juros está em seu patamar mais baixo desde
1962, e alguns analistas já esperam uma retomada do crescimento já no segundo semestre de 2002.

Por que uma recessão nos EUA é tão prejudicial para o Brasil?

A economia americana é a locomotiva do mundo. Por ser a maior do mundo, ela é responsável pela
demanda de exportações de inúmeros países. Uma eventual diminuição do mercado americano,
prejudicaria (e muito) as contas externas de determinados países, assim como as suas maiores empresas.

Vamos usar o Brasil como exemplo. Todos sabem que a economia brasileira é extremamente dependente
de capitais externos. Na medida em que o Brasil exporta menos para os Estados Unidos, o resultado de sua
balança comercial piora e o déficit em conta corrente aumenta. Com isso, a necessidade de entrada de
capitais no país cresce como forma de financiar o déficit em conta corrente para fechar o Balanço de
Pagamentos brasileiro. (Ver Entenda o Famoso Balanço de Pagamentos)

O aumento do déficit na conta corrente leva a um ajuste natural na taxa de câmbio que tende a subir mais.
A maior cotação do dólar faz com que a dívida externa brasileira fique ainda mais dispendiosa. Além
disso, quanto maiores as dificuldades de financiamento externo, maiores os obstáculos para obtê-lo, em
função da desconfiança dos investidores internacionais na capacidade de o país cumprir os seus
compromissos.

O Banco Central se vê então obrigado a elevar as taxas de juros. Isso é necessário para atrair investidores
estrangeiros que transferem para o país o capital tão necessário para o equilíbrio das contas externas
brasileiras. O aumento dos juros tem conseqüências recessivas para a economia brasileira, pois limita os
gastos dos agentes em consumo e investimento, assim como ocorreu na economia americana.

Por fim, as principais empresas brasileiras exportadoras têm suas vendas bastante prejudicadas, com a
diminuição de encomendas e cancelamento de novos contratos. Suas receitas são fortemente
comprometidas em uma situação do gênero. Provavelmente, a empresa deverá diminuir sua produção,
cortando empregos e investimentos.

Os setores na economia estão todos interligados. Uma redução na produção de um determinado setor,
afeta inúmeros outros responsáveis pelo fornecimento de matérias primas e insumos para o setor
prejudicado. Esse fato mais a elevação dos juros que se fizer necessária colocam a economia brasileira
também em recessão.

Rendimentos real e nominal

Se um investidor aplica R$ 100 e consegue um rendimento de 10% no mês, ele coloca no bolso R$ 110,
certo? Errado. Esse ainda é o rendimento bruto nominal, ou seja, sem descontar os impostos e a
inflação. No mercado financeiro, no entanto, o que interessa mesmo ao investidor são apenas os juros
reais, porque indicam quanto realmente será colocado no bolso.

Para descobrir o rendimento líquido real do investimento, é preciso antes calcular o valor do rendimento
líquido nominal, que é encontrado descontando do rendimento bruto – no nosso exemplo, 10% - os
impostos a serem pagos. Essas taxas variam de acordo com as aplicações efetuadas. Descontando 20% de
Imposto de Renda, por exemplo, sobre os 10%, o investidor achará um rendimento líquido nominal de
8%.

Sabendo, então, esse valor, o investidor já pode calcular seu rendimento líquido real. Para isso, basta
descontar a inflação do período. Isso porque, se a inflação sobe e os preços dos bens e serviços
acompanham, o dinheiro precisa crescer na mesma proporção para não se desvalorizar.

Descontando a inflação

O economista Décio Munhoz, membro do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, lembra
que a inflação que deve ser levada em conta, nesse caso, é a medida pelo Índice Geral de Preços do
Mercado (IGP-M), medida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Supondo que a inflação seja de 2%,
basta diminuir esses 2% do rendimento líquido nominal de 8%. O rendimento líquido real fica em 6%.

Essa cálculo só é usado para aproximações, para números pequenos e para fins didáticos, já que o
mercado financeiro trabalha com fatores de correção, explica o professor de economia da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), Fernando de Holanda Barbosa.

"Em uma conta envolvendo pequenos valores, o ganho aproximado é bem próximo do valor real. Mas 1%
ou 2% de grandes valores é muito dinheiro", explica o economista.

Confira as diferenças:

Rendimento bruto nominal – Representa quanto um investimento rendeu sem descontar os impostos e a
inflação.

Rendimento líquido nominal – É encontrado descontando do rendimento bruto nominal os impostos a


serem pagos.

Rendimento líquido real – É o dinheiro que vai realmente para o bolso do investidor. Para calcular,
basta descontar do rendimento líquido nominal a inflação do período de investimento.
Veja agora a regra matemática utilizada para o cálculo

Para descobrir exatamente o rendimento real de um investimento, o caminho é um pouco mais complexo.

Vamos experimentar fazer essa conta, então, com os nossos números, lembrando que eles são fictícios:

Outros caminhos

Há outras formas de se chegar a esse mesmo resultado.

Se o rendimento líquido nominal for menor que a inflação no perído da aplicação, o investidor estará
perdendo seu poder de compra. Se o problema for contínuo, o economista de Brasília diz que,
normalmente, os investidores começam a migrar para aplicações mais rentáveis.

Rendimento líquido X Rendimento bruto

Ao investir seu dinheiro num fundo de investimento ou mesmo quando aplica na Bolsa de Valores, o
investidor nem sempre está ciente do quanto ele está ganhando. Em alguns casos, o agente financeiro
divulga a rentabilidade bruta e, em outros, a líquida. Por isso, é importante estar atento e questionar na
hora em que se vê os rendimentos.

A diferença entre os dois tipos de rendimento. “O bruto é o total apresentado sem a dedução de impostos,
encargos ou contribuições sociais. Já o líquido é o que realmente vai para o bolso do investidor”.

Confira os exemplos e acompanhe o cálculo de incidência de impostos sobre as aplicações em Bolsa e nos
fundos de investimentos.

Os impostos, encargos e contribuições mencionados pelo professor diferem para cada tipo de
investimento. Para o investidor pessoa física que aplica em renda fixa, há desconto de 20% de imposto de
renda e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) decrescente até chegar a isenção, após 30 dias sem
movimentação. Confira a tabela completa de incidência do IOF.
Para os que aplicam em renda variável, o desconto é de 10% de Imposto de Renda e 0,30% de CPMF e as
taxas (0,035% de emolumentos, pagos à Bolsa, sobre o valor de compra e, depois, sobre o de venda, além
da corretagem, que é variável no mercado.

No caso dos fundos de investimento, além de todos os tributos citados acima, conforme o tipo de
aplicação, pode incidir ainda a cobrança das taxas de performance e de administração, que variam de
acordo com a instituição financeira.

O extrato de aplicação do cliente já mostra os valores com a rentabilidade líquida, ou seja, já descontados
taxas e impostos. “No entanto, não são todos que fazem isso. O cliente precisa ficar atento. Quanto mais
detalhada a informação, melhor”,

A rentabilidade da cota, aquela divulgada pelos gestores e veículos de comunicação, geralmente é bruta,
ou seja, sem os descontos de impostos. “Mas já descontadas taxas de administração e performance,
quando existentes”.

Vale ressaltar que o desconto da CPMF, 0,30%, só é realizado quando é feito algum tipo de
movimentação, retirada ou saque. “Se o dinheiro for mantido, aplicado, não há cobrança de CPMF. Agora,
no momento do saque, é feita a cobrança”,

Uma observação a ser feita para os investidores de bolsa: nas negociações de day trade, compra e venda
da ação no mesmo dia, os emolumentos caem para 0,025% e não há cobrança de CPMF.

Selic e CDI

Um fundo DI acompanha a rentabilidade do CDI, certo? Entretanto, ao analisar a carteira de um destes


fundos, o que se encontra, muitas vezes, são títulos públicos federais. Os títulos, por sua vez, costumam
ter como indexador a Selic diária, que é diferente da Selic meta. Confuso? Nem tanto, se entendermos o
significado destes termos.

A taxa básica de juros da economia brasileira, definida nas reuniões do Comitê de Política Monetária do
Banco Central (Copom), é conhecida como Selic meta. Nos encontros mensais, os membros do Copom
discutem uma série de fatores que afetam a economia, a fim de estabelecer qual será a taxa básica daquele
período.

“Eles examinam expectativas de inflação, taxas de juros dos países desenvolvidos, preços do petróleo,
entre outras variáveis, e definem uma taxa de juros, com o objetivo de cumprir a meta de inflação para o
ano”, .

Na reunião de fevereiro, o Copom optou por manter a Selic em 16,5% ao ano, com o objetivo de evitar
que a inflação de 2004 ultrapasse a meta de 5,5%. “A taxa estabelecida pelo Comitê, porém, é uma meta,
um alvo. No dia-a-dia, a Selic costuma ser um pouco maior ou menor do que a definida na reunião”,

A Selic diária, portanto, é um pouco diferente dos juros estabelecidos pelo Copom. Divulgada pelo
próprio Banco Central (BC), ela é uma taxa média das operações com títulos públicos no dia. Estas
negociações são registradas no Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), que dá origem ao nome
da taxa.
Um dos fatores que pode influenciar a taxa diária é a liquidez do mercado. Quanto mais dinheiro há em
circulação, maior a procura por títulos públicos federais e, portanto, menor a taxa oferecida pelo BC. Em
18 de fevereiro, por exemplo, a Selic meta era 16,5%, já a Selic do dia era 16,33% ao ano.

“Se a taxa diária começar a escapar muito da meta estabelecida pelo Copom, o BC vai atuar no mercado e
tentar trazê-la de volta”,.

Selic e CDI: taxas próximas

Os movimentos da Selic interferem nas mais diversas aplicações. Alguns dos investimentos mais
populares, como os fundos DI, têm como referência (benchmark) o CDI (Certificados de Depósito
Interfinanceiro), que, por sua vez, tende a acompanhar a taxa básica de juros.

“O CDI é o instrumento com que as tesourarias dos bancos negociam recursos de curto prazo”, “Mas
funciona também como indexador. A média das taxas negociadas entre os bancos é calculada diariamente
e usada como referência para aplicações financeiras”,

As taxas Selic e do CDI tendem a ser muito próximas. Por isso, um fundo DI ou de renda fixa, que tem
como objetivo acompanhar o CDI, costuma ter títulos públicos federais indexados à taxa básica de juros
em suas carteiras.

“O CDI é como se fosse uma taxa espelho da Selic, mas, enquanto um é estabelecido pelas negociações
entre os bancos, a outra é definida pelas operações com títulos do governo”,

Superávit Primário

Desde o anúncio do acordo com o FMI em agosto de 2002, mais um indicador econômico voltou a fazer
parte do noticiário: o superávit primário. Uma das exigências do FMI para conceder o empréstimo ao
Brasil foi fixar a meta do superávit primário em 3,75% do PIB (Produto Interno Bruto).

O superávit primário consiste na arrecadação do governo menos os gastos com as autarquias municipais,
estaduais, federal e as empresas estatais. Alguns exemplos de gastos nestas esferas são o pagamento de
funcionários públicos, aposentados e os gastos com fornecedores. O índice representa, para o investidor, a
capacidade de honrar compromissos de um país, à medida que dispõe de um saldo positivo. O raciocínio é
o mesmo utilizado para pessoas físicas: para obter crédito ou financiamento é necessário apresentar
histórico ou dados que comprovem a capacidade de pagamento.

Quando o FMI exige que o país aumente a meta de superávit primário está, na verdade, solicitando que o
Brasil sinalize para o mercado que tem receitas maiores do que as despesas. Dessa forma, o país ganha
credibilidade para continuar rolando suas dívidas.

A implicação direta de um aumento no superávit é a contenção de despesas, principalmente, no que se


refere ao repasse de verbas para estados e municípios. O peso do superávit primário no orçamento do
governo é tão forte, que a revisão do mínimo de 3,75% acordado com o FMI promete ser um dos pontos
mais importantes da fase de transição para o próximo governo. Ele tem influência direta sobre os gastos e
os cortes que o novo governo pode ser obrigado a fazer. Por outro lado, o corte de gastos diminui a
capacidade do governo de fazer investimentos no país e, a princípio, significa menos crescimento
econômico.
Superávit comercial

Desde que o dólar atingiu o patamar dos R$ 4,00 e se fixou na faixa dos R$ 3,70 a R$ 3,90, outro índice
econômico voltou a fazer parte das rodas de discussão: o superávit comercial. Em setembro, o país atingiu
o maior superávit comercial da história, de US$ 1,2 bilhão. No acumulado do ano, o superávit comercial
já ultrapassa US$ 9 bilhões e o Banco Central prevê para 2003 um superávit da ordem de US$ 15 bilhões.

O superávit comercial consiste na diferença entre as exportações e as importações realizadas num mesmo
período. É o item principal da balança de pagamentos.

Com o processo de desaceleração econômica, a demanda por produtos importados diminuiu. Não só por
parte das indústrias, que reduziram as importações de peças, equipamentos e máquinas, como do
consumidor, que diante de um cenário de crise, procura se ater ao essencial, dispensando os gastos com
supérfluos. Além disso, na conversão para o real, os produtos importados ficaram muito mais caros,
tornando-se pouco competitivos e atraentes para o consumidor.

A especulação eleitoral e as incertezas políticas levaram a uma subida expressiva da moeda americana. No
entanto, se por um lado, o país encontrou inúmeras dificuldades para obter crédito internacional e passou a
lidar com uma expectativa de crescimento econômico menor, nem todos saíram perdendo.

O produtor nacional passou a ter a capacidade de oferecer preços menores do que os concorrentes
estrangeiros. E ainda teve a oportunidade de aumentar sua margem de lucro ao reajustar os preços dos
seus produtos, mantendo a vantagem competitiva em relação aos similares importados. A conseqüência
disso é uma pressão nos índices de inflação desde junho.

Os exportadores também tiveram motivos para comemorar com a alta do dólar. Todos os custos com
salários, aluguel e insumos são em reais. Mas, na hora de exportar, o produto é convertido em dólar. Com
preços mais em conta, o produtor brasileiro ganha a oportunidade de vender mais.

Quando se fala em commodities como soja ou trigo, o incentivo à exportação é ainda maior: como o preço
destes produtos é fixado pelo mercado internacional, ganha-se muito mais na hora de converter o
pagamento para reais. O resultado direto de tantas vantagens competitivas é o aumento das exportações,
que decorre tanto do preço mais em conta dos produtos brasileiros no mercado internacional, quanto da
opção de exportar os produtos ao invés de vendê-los em território nacional.

Swap

O swap é uma operação financeira que, como o próprio nome diz, consiste numa troca. Uma troca de
fluxos monetários. O swap é normalmente usado como hedge. É um instrumento de defesa, usado quando
não se quer correr riscos. Então faz-se uma troca, um swap, de uma posição de risco para uma posição
mais segura.

Existem diversos tipos de swap, como swap de moedas, de juros e de indicadores. Como toda operação
financeira, o swap envolve duas partes com diferentes interesses. A parte que procura o swap com intuito
de se proteger, basicamente as empresas e os bancos que oferecem o swap com o intuito de lucrar nas
taxas cobradas. Porém, pode também ser realizada entre duas empresas e entre investidores particulares e
bancos.

Por exemplo, uma empresa tem o intuito de obter dólares, porém o mercado de dólares está muito
saturado e ela só consegue fazer esta captação no mercado de euros. Ela não deseja, no entanto, manter
este dinheiro em euro, pois possuiria seus ativos em dólares e um passivo em euros. A empresa não deseja
correr este risco.

Ela irá procurar então um banco que queira obter euro, para realizar o swap. Ela irá então trocar seus euros
por dólares com o banco, que cobra uma taxa para a realização da operação. Da mesma forma, a empresa
consegue se livrar do risco euro e passa a obter seu passivo também em dólar.

Outro tipo de troca muito comum, é o swap de taxa flutuante por taxa fixa. Uma empresa que faz uma
captação no mercado com taxas pós-fixadas faz um swap com um banco com o intuito de se proteger pois
acredita que a taxa de juros possa aumentar. Neste caso, o banco encaminhará os valores dos juros
flutuantes para a empresa, e esta fará o mesmo para o banco com os valores dos juros prefixados. Por isso
o swap é uma troca de fluxos.

Concluindo o exemplo, se as taxas de juros tiverem efetivamente subido, a empresa continuará pagando as
taxas iniciais para o banco e receberá deste o pagamento dos novos juros mais altos e irá remetê-lo ao seu
credor. Por outro lado, caso a expectativa do banco se confirme, este receberá da empresa uma taxa inicial
mais alta e obterá lucros, pois irá encaminhar à empresa o valor correspondente a juros mais baixos e
ficará com a diferença.

A empresa também pode realizar o swap para assegurar um rendimento fixo, sem riscos. No caso de uma
receita em moeda estrangeira, a empresa fica sujeita às variações cambiais. Então, ela procura um banco
para realizar o swap e garantir um rendimento seguro, como CDI. É estipulado um prazo e, no final deste,
o banco pagará à empresa o rendimento do CDI e receberá a variação cambial. Se o dólar valorizar 110%
do CDI, o banco pagará o rendimento do CDI e ganhará 10%. Se, por outro lado, este valorizar o
equivalente a 90% do CDI, a empresa continuará recebendo o rendimento completo e o banco arcará com
os 10%.

Neste caso, o combinado foi que a empresa recebesse 100% do rendimento do CDI, mas isto é variável.
Pode-se combinar a garantia de rendimento de qualquer porcentagem do CDI, assim como o seu prazo.

O banco corre o risco, pois tem outras receitas de várias outras formas e fontes, inclusive em dólares e em
taxas flutuantes. Ele não terá dificuldades em cobrir o combinado, pois tem várias fontes de captação,
inclusive em taxas flutuantes, moedas estrangeiras e depósitos, o que normalmente facilita muito sua
posição em relação a disponibilidade financeira para realizar o swap. Além do mais, o banco cobra uma
taxa para realizar a operação.

Suporte e resistência

Como saber qual é o melhor momento para comprar ou vender uma ação? Segundo os analistas técnicos, a
melhor maneira de prever isso é através da observação dos pontos de suporte e resistência nos gráficos de
tendência de preços de ações. Nestes gráficos, onde há espécies de zig-zags, pode-se observar que há
picos e fundos. Os picos são chamados de pontos de resistência e os fundos, de pontos de suporte.
Quando os preços das ações estão próximos ao nível do suporte, as compras feitas pelos investidores são
fortes suficientes para interromper o processo de queda durante algum tempo e, possivelmente até revertê-
lo. É o ponto onde as compras estão superando as vendas. Ou seja, indica que dificilmente os preços vão
cair abaixo daquele nível.

Já as resistências são os níveis de preços onde as vendas estão superando as compras dos investidores, o
que também pode interromper a tendência de alta das ações e até revertê-la. Assim, ao chegar neste ponto,
é difícil, mas não impossível, que os preços das ações ultrapassem esse nível. Mas, por outro lado, se os
preços ultrapassarem um pouco este ponto, se diz que eles estão quebrando a resistência e passam a ter
uma tendência forte de alta.

Para entender o que o investidor deve concluir disso, vamos a um exemplo numérico:

Suponha que, ao analisar o gráfico do suporte e resistência, o investidor observe que, no passado, a linha
subiu até R$ 20, caindo posteriormente e chegando até R$ 10. Se a curva chegar aos R$ 20 e começar a
cair, como já havia acontecido, é o momento certo de venda. Isso porque a tendência será de queda e,
conseqüentemente, os investidores começam a realizar lucro para não pegar maiores quedas.

Mas, em contrapartida, se os preços ultrapassarem o nível de resistência observado anteriormente (R$20),


quebrando a resistência, a tendência é de que o preço continue subindo. Isso faz com que seja bom
momento para adquirir mais papéis.

No caso da análise do nível de suporte, também pode-se concluir qual é o melhor momento de compra e
venda. Caso a linha de suporte, no passado, tenha ficado em R$ 20 e, posteriormente, tenha caído para R$
10, há a possibilidade de dois movimentos. Ou o preço volta a subir, respeitando o suporte de R$ 10 ou
rompe este nível, caindo mais.

Ao chegar ao nível de R$ 10, suporte observado anteriormente, pode-se concluir que é um bom momento
para compra, já que, a partir deste ponto, a tendência será de alta. Caso, depois de atingir o nível de R$ 10,
o preço continue caindo, rompendo assim o suporte, o investidor deve vender as ações, que entraram em
tendência de queda.

Infelizmente, a análise técnica, não faz milagres. Mas ao utilizá-la, o investidor pode evitar grandes perdas
durante as negociações através dos conceitos de suporte e de resistência. Ninguém pode saber qual será o
andamento do mercado, mas através da análise dos níveis de suporte e resistência é possível ao menos
reduzir as perdas nas negociações.

Quando e como é cobrada a taxa de administração

Observar a taxa de administração é uma das recomendações feitas aos investidores que estão escolhendo
um fundo de investimentos.Eessa observação pode influenciar diretamente na rentabilidade do fundo. “Se
o investidor adere a um fundo com taxa de 4%, por exemplo, o investidor não terá grande retorno, já que
descontará esse percentual e não uma taxa menor, de 1%, por exemplo”,

Neste caso, é importante que os investidores saibam como esta taxa é cobrada e entendam que um fundo
com taxa menor não necessariamente irá apresentar rentabilidade maior que um fundo com taxa maior.
Pois isso depende muito dos ativos nos quais o fundo aplica seus recursos.
A taxa de administração, que é o que o gestor ganha para fazer a administração do capital investido, é
anual, cobrada mensalmente e apropriada diariamente. Os fundos fazem a divulgação da taxa anual para
que os investidores possam compará-las, mas é o cálculo diário que determina quanto será retirado da cota
do fundo.

“A transferência diária é feita para que a cota não sofra grandes solavancos, o que influenciaria muito na
rentabilidade, e também para que seja possível que a cobrança da taxa seja feita pela média do patrimônio
do fundo. Assim, cada cotista paga o relativo ao que tem”,

Vale lembrar que o percentual cobrado de taxa fica a critério de cada gestor e deve constar no regulamento
de cada fundo. Isso ocorre devido ao fato de cada administradora ter estrutura e serviços diferenciados.
“As taxas podem variar de acordo com a complexidade do fundo, com os serviços oferecidos por cada
gestor e também devido à estrutura de cada um deles ”,

Ainda há os fundos que não cobram taxa de administração, mas mesmo assim, os custos do gestor
continuam os mesmos. “As despesas legais que o gestor tem para movimentar o capital do investidor
continuará sendo repassado, havendo ou não cobrança de taxa de administração”,.Este pode ser o caso de
um fundo que cobre taxa de performance. Ou seja, um prêmio pago ao gestor que conseguir melhor
desempenho.

Veja o exemplo : Levando em consideração um patrimônio de abertura de R$ 10 mil e uma taxa de


administração de 2%, deve-se dividir os 2% por 252, que é a média de dias úteis que o ano tem, e
multiplicar pelos R$ 10 mil. Neste caso, o resultado seria cerca de 0,79. Ou seja, o investidor estaria
pagando aproximadamente 0,79 centavos por dia de taxa de administração.

Confira a fórmula utilizada:

Valor da taxa no dia: taxa/100 x 1/252 x Patrimônio líquido

“Tag Along”

Nos últimos meses, empresas, como Itaú, Gerdau e Sabesp têm aumentado ou modificado a distribuição
do seu tag along para atrair investidores. O resultado é uma maior transparência no relacionamento com o
acionista e nas negociações que envolvem a venda do controle da empresa negociada. Mas o que isso quer
dizer? O que significa “tag along” e como isso mexe com a vida dos acionistas?
A expressão virou o tema da vez especialmente após a promulgação das mudanças na antiga Lei das
Sociedades por Ações, a Nova Lei das SAs, que incluiu – entre outros - o artigo 254-A, assegurando a
todos os acionistas de papéis ordinários um pagamento de, no mínimo, 80% do valor pago aos
controladores pelo bloco de controle. O tag along é justamente essa proporção do valor pago ao grupo
controlador que é pago aos minoritários.
Veja um exemplo:
Valor da ação ordinária da empresa R$ 5,00
Valor por ação pago pelo comprador aos R$ 9,00
controladores
Tag Along 80%
Valor por ação pago aos demais acionistas R$ 7,20 (80% de R$ 9,00)
É importante que o tag along seja estabelecido porque o que acontece de fato é que o bloco controlador de
uma empresa normalmente é vendido por um valor bastante superior ao preço da ação no mercado, se
fosse adquirida individualmente. “Quando o controlador vende a sua parte, está vendendo mais do que o
papel pelo valor do mercado, mas está negociando o controle, que tem um valor agregado maior”,
Pelos mesmos motivos, tem sentido o percentual não ser maior. “Poderia não ser justo com quem tinha o
controle, receber exatamente o mesmo percentual de prêmio”, lembrando dos riscos e responsabilidades
que assume quem detém o controle de uma empresa societária.
Com o tag along, a obrigação de fato passa a ser do adquirente, que deve fazer oferta pública de compra
das ações com direito a voto dos demais proprietários, respeitando o valor mínimo por ativo: 80%, com a
nova lei. Desta forma, os minoritários ordinaristas ganham o direito de acompanhar os controladores: se
um sai, o outro pode sair junto.
Faça o download da Lei nº 10.303, de 31 de outubro de 2001, a Nova Lei das SAs, em formato Microsoft
Word. Fonte: Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Taxa efetiva X Taxa nominal

Na hora de contratar um financiamento ou pagar alguma dívida o consumidor deve ficar atento se a taxa
estipulada em contrato é nominal ou efetiva. Muitas vezes, sem saber a diferença, ele acaba pagando mais
do que esperava.

Os contratos de financiamento, em geral, informam a taxa de juros nominal. Entretanto, a que realmente
vigora para o cálculo das prestações e do saldo devedor é a taxa efetiva, que é sempre maior do que a
primeira. Uma taxa de juros nominal de 12% ao ano, capitalizados mensalmente, corresponderá, na
prática, a uma taxa efetiva de 12,6825%.

“A taxa efetiva é aquela que realmente incide em determinada operação. Já a nominal é a taxa que é
divulgada para um período. Mas a que sempre nos é cobrada é a efetiva”,

Quem pega um financiamento de 1 ano, com taxa nominal de 12% ao ano capitalizada mensalmente,
estará pagando juros efetivos de 12,6825% por um motivo simples: no primeiro mês, será cobrado 1% de
juro. No segundo, o juro também será de 1%, mas incidirá sobre o saldo do mês anterior (já somado ao
juro do mês anterior), e assim sucessivamente. É que esses financiamentos são calculados no regime de
juros compostos (juro sobre juro)..

Ele tem toda razão: um financiamento em 25 anos, com juros nominal de 12% ao ano pagará, de taxa
efetiva, um total de 1.878,84%. Se a taxa nominal anunciada estivesse mesmo valendo, o juro seria bem
menor: 300%.

Diferença prática entre a taxa nominal e a efetiva:

TAXA NOMINAL TAXA EFETIVA


12% ao ano, capitalizados mensalmente 12,6825% ao ano
6% ao ano, capitalizados mensalmente 6,1678% ao ano
12% ao semestre, capitalizados mensalmente 12,6162% ao semestre
9% ao trimestre, capitalizados mensalmente 9,2727% ao trimestre
4% ao mês, capitalizados diariamente (dias úteis) 4,0773% ao mês

Veja a diferença conceitual de cada uma das taxas de acordo com o livro “Matemática Financeira”,
de Abelardo de Lima Puccini:

Taxa efetiva – É aquela em que a unidade de referência de seu tempo coincide com a unidade de tempo
dos períodos de capitalização. Assim, são taxas efetivas: 3% ao mês, capitalizados mensalmente; 4% ao
mês, capitalizados mensalmente, e assim por diante.

Taxa nominal – É aquela em que a unidade de referência de seu tempo não coincide com a unidade de
tempo dos períodos de capitalização. A taxa nominal é quase sempre fornecida em termos anuais e os
períodos de capitalização podem ser semestrais trimestrais ou mensais. Exemplos de taxas nominais: 12%
ao ano, capitalizados mensalmente; 24% ao ano, capitalizados mensalmente.

Taxa de Performance

Todo gestor de fundos de investimento tem como principal objetivo levar ao seu cliente o melhor em
rentabilidade. Isso significa que, dentro das ferramentas permitidas pelo regulamento do fundo, o gestor
vai procurar montar estratégias que tentarão levar o fundo a alcançar uma excelente performance.
Superado o objetivo, alguns gestores cobram uma “taxa de sucesso” - Sucess Fee – ou taxa de performace.

“Essa taxa é interpretada como um estímulo e um prêmio ao gestor que deu uma ótima rentabilidade ao
seu cliente”, Ttodo gestor se esforça para superar o índice fixado. “Além de dar boa reputação, a taxa de
performance traz boas receitas”

Para alguns tipos de fundos – especialmente os que podem ter rentabilidade muito alta e os que demandam
uma estratégia muito elaborada – o gestor estipula a taxa que será cobrada caso o rendimento do fundo
exceda a variação de um determinado índice, previamente combinado entre gestor e cliente.

Em geral, os fundos de renda fixa conservadores, moderados e agressivos; e os multicarteira usam o CDI
como índice fixador. Já os de Ação, usam o IGP-M. Os cambiais são os que mais diferem, pois cobram
performance sobre a variação e o cupom cambial. “A maioria dos fundos cambiais não cobra
performance, só os ativos”,

Veja o exemplo:

Um fundo X, de categoria multicarteira, avisa em seu regulamento que será cobrada taxa de performance
de 20% sobre o que exceder o CDI. Supondo que o rendimento tenha sido de R$ 1.000 e R$ 300 seja o
equivalente ao CDI, os 20% da performance incidirão sobre os R$ 700 restantes. Observe que a taxa de
performance é cobrada após o desconto de todas as outras taxas, como Imposto de Renda e taxa de
administração.

Não há nenhuma regra que proíba o gestor de cobrar esta taxa, ou mesmo o quanto cobrará. Qualquer
categoria de fundos, desde a mais conservadora, DI, até as mais agressivas, como multicarteira ou renda
fixa agressivo, podem fazer a cobrança.. "Um fundo DI não requer muita estratégia. Portanto, não vale a
pena pagar performance por um fundo desses"
É importante que o investidor esteja atento para as regras que constam no regulamento de cada fundo.
Neste documento, o gestor é obrigado a citar todas as ações que tomará para administrar da melhor forma
os recursos, além de ter que mencionar todos os tipos de custos - e de que forma serão cobrados -
incidentes na operação.

Valor Patrimonial x Valor de Mercado

Na análise de empresas, o investidor pode muitas vezes se deparar com alguns termos com os quais não
está familiarizado. A confusão muitas vezes continua na determinação do valor de uma empresa. Valor
patrimonial ou valor de mercado? Qual deles deve ser observado na hora de avaliar uma empresa?

Ao contrário do que muitos pensam, valor patrimonial e valor de mercado são na realidade coisas muito
diferentes. Apesar de ambos darem uma medida específica de valor para a empresa.

Vamos começar pelo valor de mercado. Sua definição é muito simples: é o valor que o mercado dá para a
empresa. Ele é atingido multiplicando o número total de ações pelo valor delas. Ou seja, seu valor
depende diretamente da variação do preço das ações da empresa na bolsa de valores. O valor de mercado
varia de um pregão para o outro, de acordo com a evolução do preço de suas ações na bolsa.

Por exemplo, a Companhia Siderúrgica Nacional (CST) têm um total de 71.729.000.000 ações. O preço de
fechamento das ações da empresa no pregão desta quarta-feira, dia 26 de março foi R$ 64,95 por lote de
mil ações, ou 0,06495 por ação. O valor de mercado da empresa é portanto: R$ 4.658.798.550.

O valor patrimonial mede o patrimônio efetivo da empresa. É o preço que ela vale de acordo com o
patrimônio que ela tem. Este indicador mede o ativo da empresa menos as dívidas que esta possui. Se todo
o ativo da empresa fosse adquirido sem a necessidade de endividamento, o ativo seria idêntico ao
patrimônio líquido. É um valor que mostra o retrato do valor da empresa no momento, seu patrimônio
num determinado momento.

O valor de mercado pode ser maior ou menor do que o valor patrimonial. Podemos fazer uma analogia
com o mercado de imóveis. Se você possui um imóvel e pretende vendê-lo, o preço de mercado pode ser
maior ou menor do que efetivamente ele vale, de acordo com o preço de mercado do local onde este se
situa. Um apartamento de três quartos tem um valor intrínseco, mas seu valor de mercado vai variar de
acordo com sua localização.

O valor patrimonial mede o preço da empresa de acordo com patrimônio que ela possui, os ativos que ela
possui. O valor de mercado mede o quanto o mercado precifica a empresa e o faz através da avaliação de
suas ações. Hoje, o valor considerado justo para uma empresa é calculado através do método do fluxo de
caixa descontado. Este método leva em consideração a projeção de receitas da empresa pelos próximos
anos, descontado por uma taxa de desconto.