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Técnica vocal e o canto 1

Textos de vários autores organizados por Consiglia Latorre

Técnica vocal e Canto


(A descoberta e a integração do nosso Corpo-Voz)

Neste curso buscamos a descoberta da voz, numa abordagem orgânica, proporcionando a cada pessoa um encontro com sua própria sonoridade,
seu ritmo, partindo da pesquisa e exploração da sua musicalidade. Durante as aulas, corpo e voz são trabalhados como veículos de uma expressão
sonora autêntica, desenvolvendo a capacidade criativa individual. Paralelamente desenvolve-se o fazer musical em grupo como rito e ato social.

A voz é uma das expressões mais ricas do ser humano e revela aspectos de nossa natureza biológica, psicológica e sócio-educacional.
Iniciamos nossa vida com um choro, o chamado choro ao nascimento. Esta emissão é um sinal de sobrevivência e da capacidade de
respirar e estar no mundo exterior. Assim, desde o início da vida, a voz torna-se um dos meios de interação mais poderosos do
indivíduo e se constitui no modo básico de comunicação entre as pessoas.

A Voz tem um papel fundamental na comunicação e no relacionamento humano. A comunicação é o compromisso maior do processo
fonatório. A técnica deve ser colocada a serviço dela. A comunicação expressiva faz parte do perfeito mecanismo vocal desenvolvido
pala educação vocal: saber o que está falando ou cantando, dar um sentido específico a cada momento da emissão envolver-se
emocionalmente e afetivamente. Comunicamo-nos de múltiplas formas: pelo olhar, pelos gestos, pela expressão corporal e facial e pela
fala. A voz, porém, é responsável por uma porcentagem muito grande das informações contidas em uma mensagem que estamos
veiculando e revela muita coisa de nós mesmos.
Ao longo da nossa vida vamos desenvolvendo uma voz que é única e nos identifica de modo particular. Esta voz é o
resultado de nossa vida emocional e recebe influências de nossa história familiar, cultural, social e emocional.
.
Corpo-voz
O cantor é ao mesmo tempo instrumento e instrumentista.
O corpo é o elemento concreto nas experimentações com a voz, seja ela falada ou cantada, e por meio do qual deixamos fluir a
criatividade e expressar as possibilidades de comunicação que temos com ele e por meio dele. Entre o corpo e a voz existe uma íntima
relação. É com eles que o cantor exterioriza sua afetividade e desempenha o papel intermediário entre o público e a obra musical.
Não é somente de produção de sons que nosso corpo se mostra cantando, mas primeiro da escuta como fonte de uma percepção mais
abrangente. A experiência vocal está diretamente ligada à experiência da escuta. O que se busca é a formação de ouvintes
sensíveis que possam reproduzir seus sons de forma consciente, sem deixar de lado a busca pela experiência do prazer inerente ao
fazer musical.

Para o cantor, a voz passa a desempenhar o papel de instrumento musical onde ele desenvolve a atividade artística e intelectual a qual
a inteligência participa, mas a primazia é dada à expressão e à emoção. Nenhum instrumento é comparável à voz, sendo a única a ter o
privilégio de poder unir o texto à melodia. Mas, só emociona dependendo da sensibilidade e da musicalidade do intérprete que, além
das notas e palavras, necessita conceber em suas interpretações a melhor forma de sentir e expressar o que não está “escrito”,
expressando o sentido da obra pelas inflexões e jogos tímbricos de sua voz, isto é das infinitas nuances da sua voz. Seu poder
expressivo refletirá tanto seu temperamento como sua personalidade. A voz e a personalidade estão estreitamente relacionadas e são
inseparáveis já que traduzem o ser humano na sua totalidade.

A descoberta e o contato com o próprio corpo é o primeiro passo para o desenvolvimento da expressão vocal. Este processo se dá por
meio de exercícios de aquecimento e relaxamento corporal, postura, respiração, ressonância, articulação visando à expressão
vocal como um todo.

Os exercícios são apenas sugestões de trabalho que enfatizam e privilegiam determinados parâmetros vocais. Porém, a voz é um todo,
há um processo existencial complexo relacionado à produção do som, que atua antes, durante e depois da emissão vocal.

Aquecimento e relaxamento corporal dinamico:


Para produzir um som agradável precisamos nos libertar de toda a tensão desnecessária. Cada parte do corpo recebe atenção especial
para que toda tensão seja eliminada e os exercícios fluam livremente. Aqui podemos “escutar nossos movimentos” e dar início à busca
de nossos sons.
Quando despertamos a consciência dos nossos movimentos, nosso corpo saberá se comportar para passar a intenção desejada.
Quanto mais exploramos e conscientizamos nossas possibilidades corporais, mais aptos e ricos em recursos estaremos para nos
expressarmos. O relaxamento evita que você sobrecarregue o seu corpo com tensões e desgastes desnecessários.
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Exercícios:
• Em pé de olhos fechados observando seu corpo, suas articulações, percebemos a entrada e saída de ar, como estamos
respirando. Observamos também se existe sensação de peso ou algum outro desconforto em alguma parte do corpo. Registre as
sensações percebidas.
• Alongue seu corpo, espreguiçando como sentir vontade em todas as direções e aproveitando para fazer alguns bocejos.
• Soltar o corpo para frente com os joelhos flexionados, fazer um pequeno balanço com o tronco soltando a cabeça e os braços.
• Massageando a planta dos pés: apóie e equilibre o corpo em um dos pés, como o outro pé massageie a planta como se estivesse
“amassando o barro” embaixo de seus pés. Faça o mesmo com o outro pé.
• Torcer o tronco e o quadril (a coluna) de um lado e de outro deixando os braços ao longo do corpo e a cabeça acompanha o
movimento.
• Abra e feche as mãos. Movimente os dedos das mãos e dos pés.
• Em pé procure alcançar o teto com as mãos. Tente sentir a musculatura se alongando, especialmente a dos braços e as laterais do
tronco.

Andar pela sala livremente observando seu corpo, rosto, que deve estar mais leve, mais presente, relaxado e tonificado.

• Aquecimento com as articulações do corpo, respiração e som das vibrações

Vamos aquecer e tonificar músculos e as articulações do corpo percebendo o fluxo respiratório e produzindo o som da vibrações:
Esses exercícios podem ser feitos com o som da vibração rrrrrrrr e brrrrrr em cada movimento circular feito com as articulações e
sempre perceber o fluxo da respiração sem ir até o final do ar. Soltar o maxilar permitindo que a inspiração aconteça sem precisar
“puxar” o ar.

Tornozelos:
Em pé, gire o tornozelo do pé direito para a direita, esquerda e novamente para direita .
Balance o pé livremente soltando a articulação. Fazer o mesmo com o pé esquerdo.

Joelhos : Em pé, colocar as mãos sobre os joelhos que estarão mais flexionados. Gire
os joelhos para um lado e para o outro, deixando o abdomem solto e a cabeça na
prolongação da coluna.

Quadril: colocar as mãos na cintura girar o quadril nos dois sentidos. Procure fazer um movimento suave para ir
soltando a articulação do quadril e perna. Você pode começar com círculos pequenos e depois ir aumentando o
diâmetro.

Ombros:
Levante o ombro direito e deixe cair livremente. Faça o mesmo com o esquerdo.
Levante os dois ao mesmo tempo e deixe cair livremente.
Gire os dois ombros nos dois sentidos respirando livremente .
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Braços e costas : esticar os braços para a frente na altura dos ombros, entrelaçar os dedos e virar as palmas das mãos para fora/
frente para alongar as costas e braços.
Braços e peito: esticar os braços para trás juntando as mãos e entrelaçando os dedos, girar as palmas das mãos para fora, alongando
o peito e braços.
Esticar os braços e a coluna: alongar os braços para cima, perto das orelhas e esticar como se quisesse alcançar algo no teto.
Pulsos : girar os pulsos para os dois sentidos, e depois soltar livremente.

Pescoço:

Movimentar o pescoço em diversas direções, deixando o maxilar e a língua relaxados:


• Para baixo e retornando ao centro, como se estivesse dizendo SIM
• Para trás esticando o pescoço, importante manter o maxilar relaxado e não contrair a cervical.
• Para os lados, esquerda e direita, como se estivesse dizendo NÃO
• Como se fosse encostar a orelha no ombro, cuidando para não subir o ombro, como se estivesse dizendo
TALVEZ
• Círculos: girar a cabeça bem suave nos dois sentidos, percebendo os pontos doloridos e respirando com
calma. (não fazer o som da vibração quando estiver girando a cabeça em círculos)

Massagear e movimentar toda a musculatura do rosto, aquecendo. Importante que o rosto, pescoço, língua e lábios possam
estar relaxados e tonificados.

Com a ponta dos dedos movimentos circulares:


Raiz do couro cabeludo, testa, sobrancelhas, osso zigomático ( osso da maça do rosto) , têmporas, em volta dos lábios e amassar geral
soltando os músculos do rosto, pescoço e nuca.

Massagear lateralmente a laringe ( sempre sem som)


Massagear a base da língua com as pontas dos dedos

Movimentos de língua:
• Varrer o céu da boca com a ponta da língua;
• Estalos (com a ponta da língua). Experimentar com o maxilar fechado e com o maxilar aberto para dar independência de
língua e maxilar;
• Fazer rotação da língua dentro da boca 6 vezes em cada direção.
• Colocar a língua para fora e deixar que ela volte sem tensionar o pescoço;

Movimentos de lábios e bochechas:


• Fazer o bico e sorriso (com os lábios fechados e depois com os lábios abertos)
• Beijos no ar
• Estalos com os lábios
• Com os lábios fechados em forma de bico, movimentar lateralmente o bico.
• Bochechas: inflar as duas bochechas e contar até 20.
• Inflar uma bochecha e ficar passando o ar de uma para outra.

Deslocar a pele do pescoço e nuca, massageando-os com as pontas dos dedos.


Segurar o músculo trapézio e fazer rotações leves e lentas com os ombros nas duas direções.
Fazer pequenas rotações com a cabeça, bem devagar, com o maxilar bem solto.

Andar livremente pela sala observando como ficou seu corpo e rosto. Você deve estar com a sensação do corpo mais leve, com
movimentos mais fluentes, as articulações mais soltas, melhor circulação geral, melhor contato dos pés com o chão e o topo da cabeça
voltado para o teto. O relaxamento existe quando começamos a sentir as partes do corpo.
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A função vocal e o aparelho fonador

A função vocal é um conjunto, um todo inseparável e homogêneo, determinado pela interação entre os diferentes órgãos vocais e
respiratórios. É uma atividade muscular que só pode se desenvolver e adquirir qualidades emocionais e expressivas buscando um
conjunto de sensações proprioceptivas e cinestésicas que se apóiam nas leis da física, da acústica, da fonética e da fisiologia dos
órgãos. Ela é vivida como um fenômeno vibratório e como uma sensação global de movimentos e de trabalho muscular.

No processo de desenvolvimento vocal aprende-se cada vez mais, o quão importante é o equilíbrio entre razão e sensibilidade; ciência
e arte; condições orgânicas e funcionais adequadas do aparelho fonador, assim como de todo o corpo, para que flua de maneira
harmoniosa.

As sensações auditivas variam em função do lugar onde o cantor se encontra e em função da acústica. Algumas vezes lhe parece que
sua voz vibra demais. Outras vezes, ele escuta mal e sua voz lhe parece ensurdecida. Se o cantor não quiser forçar a sua voz, deverá
estar atento às sensações internas -musculares e vibratórias pois estas não variam e não dependem do lugar onde ele se encontra.

Quando chega o momento de emitir a voz, o cantor deve preparar-se física e mentalmente para cantar. É preciso que ele se concentre
e faça a representação da imagem acústica do som, sua altura, seu colorido do ponto de vista auditivo, de seu mecanismo e das
sensações que ele provoca. Este comando motor e sensorial, que faz parte dos centros nervosos, provocará os diversos movimentos
dos órgãos e o trabalho da musculatura. Isto quer dizer que, praticamente o cantor se colocará em posição fonatória.

Como qualquer instrumentista, o cantor também necessita conhecer a fundo seu instrumento de trabalho, para que ele possa usá-lo
sem danos, preservando seu potencial vocal por mais tempo.

A constituição de cada pessoa tem suas próprias particularidades e determina suas características vocais. Estas características não
podem ser fabricadas pois são inerentes a sua estrutura vital. No entanto, podem ser pesquisadas, descobertas e exploradas até o seu
ponto mais belo e produtivo através da educação vocal. O cantor precisa percorrer todos os caminhos do som dentro dele. Há ocasiões
em que é até didaticamente interessante saber como o corpo se comporta durante o erro, qual é, enfim, a sensação do erro para poder
compará-la com a do acerto.

A voz é o resultado sonoro de um instrumento que exige cuidados e o


profissional da voz ao utilizá-lo, deve ter consciência de tudo que o
envolve. O instrumento vocal é formado pelo conjunto do ser humano. A
anatomia referente à voz não é composta por um único órgão e sim por
um conjunto de estruturas que se inter-relacionam para atingir o objetivo
vocal.

Os órgãos do aparelho fonador podem ser agrupados de acordo com o


papel que realizam no processo de emissão vocal. As funções principais
encontradas no processo de produção da voz são: Respiração,
Fonação, Ressonância e Articulação.

Objetivamente a voz é um som laríngeo, apoiado na respiração,


amplificado nos ressonadores e modelado nos articuladores.
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Respiração

A respiração é uma função vital que, no canto, aprendemos a controlá-la. A boa respiração é um dos grandes "segredos" da arte do
canto. Ao cantar os movimentos respiratórios devem ser, no momento do estudo, conscientes, para tornarem-se ativos e eficazes.
Nossa principal tarefa deve ser preparar a passagem adequada através da qual a corrente de ar possa fluir, circular, desenvolver-se e
atingir as necessárias câmaras de ressonâncias. Fundamental é a consciência dos nossos dos espaços internos.

Para que a voz possa ser produzida, usamos como matéria-prima o ar que vem dos pulmões. A respiração, definida como o processo
de troca gasosa entre um organismo e o meio a que pertence, e considerada o combustível da voz.

A voz é produzida quando o ar passa pelas pregas vocais que se unem e vibram, produzindo o som. Sendo assim, pode-se dizer que a
voz é o ar sonorizado. Quando inspiramos, o ar passa pelas narinas, boca, faringe, laringe, traquéia e finalmente brônquios, pulmões e
alvéolos, realizando a troca gasosa e de imediato a expiração.

Existem três padrões de respiração considerados naturais e sua denominação se refere aos locais onde percebemos a movimentação
de nosso corpo ao inspirarmos. São eles:
• costal superior: é aquele que utilizamos durante as atividades físicas, pois permite entrada mais rápida de ar e maior oxigenação.
Este padrão não é indicado par o canto pois não permite controle de saída do ar e tenciona a musculatura do pescoço, que está
localizada externamente a laringe;
• diafragmático abdominal ou inferior é o que utilizamos enquanto dormimos;
• costodiafragmático abdominal: conhecido como padrão ideal para fala e o canto pois prioriza a abertura das costelas e,
conseqüentemente, provoca anteriorização do osso esterno e abaixamento do diafragma, resultando numa expansão abdominal.

A respiração natural pressupõe uma contração muscular ativa durante a inspiração e passiva na expiração; Dessa forma, para que ar
entre e saia do pulmão e necessário principalmente o auxílio da musculatura torácica superior (diafragma, intercostais internos e
externos, transverso do tórax e músculos do pescoço) e abdominal (reto abdominal, oblíquo interno e externo
e abdominal transverso).

O diafragma divide a caixa torácica da abdominal. Conhecido


com o principal músculo da respiração, tem forma de cúpula e
insere-se nas vértebras, costelas, osso esterno e coluna lombar.
Possui um centro tendíneo que lhe dá resistência, liberando a
parte muscular que está em torno deste centro para
movimentação durante a inspiração e expiração.

Inspiração:
Os músculos envolvidos no processo de inspiração são o diafragma e os
intercostais externos. O centro tendíneo do diafragma contrai e abaixa a partir de
um comando cerebral que ocorre no início da inspiração. Entra em ação a parte
muscular do diafragma, que comprime as vísceras e empurra a parede abdominal
para a frente. Ao mesmo tempo, as bordas das costelas elevam-se e movimentam-
se para fora, se abrem lateralmente, por ação dos músculos intercostais externos,
resultando na expansão e no aumento do volume de caixa torácica. O ar é impelido
para dentro do pulmão e ocorre a inspiração.
Ao inspirar, perceba que você sente uma ligeira pressão na região das costas, logo
abaixo da região posterior das costelas. Essa sensação deve ser confortável e
ocorre porque os músculos entraram em atividade e expandiram a caixa torácica.
A região da clavícula permanece imóvel para evitar as contrações que se
propagariam no nível do pescoço, dos ombros e da laringe. A maneira como se
inspira é importante, pois dela depende a expiração. Utilizar o espelho é útil
para vigiar e impedir movimentos desnecessários de tensão.
O cantor tem que aproveitar a inspiração para descansar. As paredes
abdominais devem ter um relaxamento no ato inspiratório para não criar fadiga
muscular. Veremos que ao afrouxar a musculatura abdominal o depósito de ar está
provido mais do que imaginamos.
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Exercício básico para a percepção da inspiração relaxada:
Em muitos casos as pessoas fazem barulho ou forçam a inspiração numa tentativa de encher mais o pulmão de ar. Muitas vezes a
musculatura do abdomem está muito tensa e impede uma livre circulação de ar.
Experimente soltar todo o ar murchando a barriga. Fique alguns instantes sem ar, no máximo 3 segundos. Relaxe a musculatura do
abdomem deixando então o ar entrar, mas sem forçar sua entrada.
Ao fazer este exercício algumas vezes você vai perceber que não há necessidade de fazer esforço para que o ar entre. Ele entrará
sozinho, pois a entrada do ar é algo que acontece naturalmente quando sentimos necessidade de inspirar.
Esse exercício serve também para exercitarmos a elasticidade da musculatura abdominal, e percebermos que a inspiração deve ser
relaxada, confortável.

Expiração
A medida que os pulmões inflam, os músculos da inspiração diminuem sua atividade de maneira gradativa, colocando em ação as
forças passivas da expiração. Como conseqüência ocorre o ato da expulsão do ar para fora dos pulmões, o que causa a diminuição do
espaço interno do tórax. A açao os músculos intercostais internos resulta no fechamento das costelas e conseqüentemente elevação do
diafragma, que retoma a posição inicial. Assim finaliza a fase da expiração.

Expiração e uso do apoio:


Geralmente, o cantor ou estudante de canto aprende a relacionar o chamado apoio apenas ao músculo diafragma. Como vimos ele
tem grande importancia na respiração, pois é seu abaixamento que permite a entrada de ar nos pulmões. No entanto outros músculos
também participam do apoio à coluna de ar durante a expiração no momento do canto, principalmente os músculos da cinta abdominal :
grande reto abdominal, o transverso do abdomem e os oblíquos. Durante a expiração, os músculos da cinta abdominal são os mais
ativos durante o canto.
Também estão em atividade durante o apoio os músculos presentes na musculatura
torácica superior (diafragma e intercostais externos e internos) e musculatura torácica
inferior (quadrado lombar, oblíquos e ilíacos). São os movimentos da parede abdominal
e do tórax trabalhando em conjunto, que revelam a subida e a descida do diafragma e o
controle da saída do ar.
A firmeza e elasticidade destas musculaturas é que chamamos de manutenção do sopro,
técnica de apoio da voz. Esses músculos formam um teia de sustentação e sua
movimentação contribue para o movimento da parede abdominal. Porém, no momento
do apoio sua atenção deverá voltar-se para a região pubiana (4 dedos abaixo do
umbigo), localizada na região mais baixa de nosso abdomen e na qual estão inseridos
vários músculos descritos anteriormente.

Para o apoio, você deverá realizar uma pressão suave e firme da musculatura pubiana.
Essa contração gera uma pressão interna na região do abdomen que reflete no
diafragma. Este será levemente pressionado para cima, enquanto os músculos
intercostais internos irão entrar em ação, provocando lentamente o fechamento das 6 últimas costelas e, conseqüentemente, diminuindo
a dimensão do tórax. Toda essa movimentação colabora para empurrar o ar para fora dos pulmões. Assim ocorre o apoio no momento
do canto.

Vimos que existe toda uma complexidade de músculos que trabalham em conjunto, mas na prática é preciso tonificar a musculação
pélvica e abdominal para que o fluxo do ar mantenha-se constante. Em alguns momentos quando, por exemplo, cantamos notas
agudas, precisamos enviar ar à região da laringe com um pouco mais de vigor e o uso do apoio irá nos ajudar. O mesmo ocorre quando
queremos aumentar o volume/intensidade da voz.

É a agilidade e a tonicidade da musculatura que permitem uma melhor expansão e uma pressão melhor distribuída. O cantor deve
experimentar diferentes ritmos inspiratórios e expiratórios respondendo às exigências das músicas.
Comandar a musculatura respiratória é facilitar os movimentos naturais da laringe, da articulação, bem como adaptar as cavidades de
ressonância. A voz cantada exige uma atividade muscular permanente, constantemente adaptada a todas as situações. O cantor deve
estar atento ao trabalho dos seus músculos e estar consciente de sua técnica respiratória da qual depende a qualidade das
sonoridades.

Após a expiração, a musculatura respiratória fica em repouso. O processo de respiração para o canto acontece em 4 fases:
inspiração, suspensão, expiração e repouso. Assim entre um movimento respiratório e outro deverá sempre haver uma pequena
pausa. Mas esta pausa não deve ser prolongada par não provocar congestionamento nas veias do pescoço.

No que diz respeito a respiração esta é sentida, principalmente, como uma sensação de resistência, de sustentação firme e ágil ao nível
da cinta abdominal, do grande reto, da parte inferior do tórax e da região para-vertebral. Esta sensação de tonicidade muscular que é,
ao mesmo tempo, uma sensação de mobilidade e de movimentos, informa sobre a atividade dos órgãos, sobre sua posição, seu grau
de flexibilidade e eficácia.
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A postura e a respiração estão intimamente ligadas. A soma destas duas atitudes, isto é, da boa respiração e da boa postura é que
assegura, entre outras coisas, a boa qualidade da voz. Como nosso corpo é um todo, que só pode ser subdividido didaticamente é
importante lembrar também que sua postura corporal interfere nc padrão respiratório. Por esse motivo, você deverá observar se ser
corpo está ereto e sem tensões. Observe sua coluna e coloque a cabeça alinhada sem estar projetada para frente ou mesmo
pressionada para trás.

Exercícios básicos:
O grande problema da angústia respiratória dos cantores não está na falta de ar, mas em sua utilização errada. O importante não é a
quantidade de ar e sim a qualidade do movimento do ar.

Os exercícios respiratórios devem ser incorporados ao cotidiano, para desenvolver e agilizar a musculatura respiratória, pelo menos
durante dez minutos várias vezes ao dia. O exercitar será contínuo durante toda a carreira do cantor, mesmo por apenas alguns
minutos por dia.
• Conscientizar-se das vias aéreas superiores:
Inspirar e expirar pelo nariz com a boca fechada. Observar por onde o ar circula no interior do corpo, desde a entrada das narinas
pela cabeça, pela faringe, até os pulmões e de lá até a região central do corpo. Devagar e silenciosamente. Repetir.
Agora repetir o exercício respirando pela boca com o nariz tampado. Observar a circulação do ar. É diferente da anterior?
• Dar elasticidade às vias aéreas e à condução do ar. Respiração alternando as narinas:
Inspirar pela narina direita enquanto fecha a esquerda com um dedo. Reter o ar e trocar a posição da mão para tapar a narina direita.
Expirar pela esquerda e recomeçar. Realizar o exercício com ruídos tendo por objetivo desobstruir as vias aéreas; e
sem ruídos para conduzir o ar desde a glote até a bacia, num trabalho de coluna de ar.

• Alargamento das costelas:


De pé, postura correta, percepção do eixo central, língua e maxilar descontraídos. Cruzando os braços coloque suas
mãos sobre as últimas costelas, e inspirando lentamente pelo nariz deixe que elas se alarguem. Pausa e volta à
posição inicial expirando naturalmente pela boca. Repita algumas vezes, exercitando as pausas respiratórias,
percebendo o alargamento lateral das costelas.
A recomendação para que os braços sejam cruzados destina-se a inibir a parte superior do tórax, obrigando a um
maior alargamento na sua parte inferior.

Sentados:
Conservar a consciência do seu eixo principal e observar os espaços internos:
• Inspiração lenta - expiração lenta observando os espaços internos: lateral (costelas) , intercostal inferior ( costas, na
altura dos rins) e no abdomem. Respirar em cada espaço separadamente; na expiração pode ser feito o som do [f]
ou [s] sem forçar.
•A inspiração dissociada é a junção da respiração abdominal com a lateral - intercostal.
Comece inspirando abdominalmente, quando seu abdomem tiver se movimentado para frente só um pouquinho, você interrompe a
inspiração. Em seguida, faça a inspiração lateral e intercostal , que deve durar mais tempo do que a abdominal. Expire o ar pela boca,
fazendo o som de "sssssssss". No início o treino deve ser feito assim em duas etapas mesmo...com a prática, você conseguirá
executar essa inspiração num único movimento.
• Pensando nos espaços simultaneamente:
a- inspirar lentamente durante 7 segundos, e expirar durante 7 segundos.
b- inspirar lentamente, durante 7 segundos, reter por 2 a 3 segundos e expirar durante 7 segundos.
c- inspirar lentamente durante 7 segundos, reter por 2 a 3 segundos, expirar durante 7 segundos e “ ficar sem ar” por mais 3 segundos,
relaxar o abdomem deixando o ar entrar e começar novamente a inspirar.
d- Inspiração rápida- expiração rápida.

Os exercícios "FRENO-LABIAIS"
Inspire Solte o ar CONTINUAMENTE fazendo o som de SSSSSSSSSS
Inspire novamente - Solte o ar CONTINUAMENTE fazendo o som de XXXXXXX
Inspire novamente- Solte o ar CONTINUAMENTE fazendo o som de FFFFFFFFFF
Repita todos esses passos mas ao invés de soltar o ar continuamente,solte o ar dando MINÚSCULAS PAUSAS, assim: Sss
(pausa) Ssss (pausa) Ssss (pausa) ........ XX (pausa) XX(pausa) XX(pausa)...... Ffff (pausa) Ffff (pausa) Fffff (pausa).........
Esses exercícios que você solta o ar CONTINUAMENTE vão dilatar as vias aéreas e melhorar sua capacidade respiratória.
Os exercícios com a PAUSA vão trabalhar também a musculatura do diafragma. Lembre-se de fazê-los todos os dias e antes de
cantar.
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Fonação

A produção do som envolve vários órgãos que, em um trabalho conjunto, fazem soar nossa voz. São eles: o sistema respiratório, a
laringe, as cavidades de ressonância e os articuladores.

Embora o aparelho fonador não constitua especificamente um aparelho,


pulmões, brônquios, traquéia, laringe, pregas vocais, faringe, boca e fossa nasais
formam o conjunto de órgãos que participam do processo da fala e canto.

Segundo Perelo (1975), a laringe aparece na escala animal quando é


necessário proteger o aparelho respiratório contra a entrada de sólidos ou
líquidos que pudessem causar asfixia. Para ele, a laringe foi o primeiro
instrumento musical do qual o ser humano fez uso.

A laringe, que faz parte do aparelho respiratório está localizada na


região anterior do pescoço. Dependendo da idade, sexo, posição da cabeça, ato
da respiração, fala, canto e deglutição a laringe pode mover-se, elevando-
se, abaixando-se, deslocando-se para frente e para trás. Assim como suas
cartilagens e músculos, a laringe é extremamente versátil, capaz de
realizar numerosos ajustes que colaboram para a produção dos diversos tons
e intensidades vocais. Como órgão essencial da formação dos sons, a laringe
tem a função vocalizadora e a função de válvula que impede a passagem de
ar durante a deglutição e também a penetração de partículas de alimentos nas vias respiratórias.

Dentro dos anéis de cartilagens da laringe localizam-se as pregas vocais, em sentido quase
horizontal, que são pregas fibrosas e vibráteis, com grande poder de contração/ extensão. As
pregas vocais produzem as vibrações que se propagarão como som através da coluna de ar
originada dos pulmões. Elas realizam movimentos de aproximação (adução) e afastamento
(abdução) cuja velocidade corresponde à altura do som a ser produzido.
A diferença na produção do som grave ou agudo é resultado da ação muscular e da pressão do
ar, o que determina o número de vibrações de nossa prega vocal.

Resumo esquemático do aparelho fonador:


Parte Componentes Função
Pulmões, músculos abdominais, diafragma, músculos Produzem a coluna de ar que pressiona a laringe,
Produtores
intercostais, músculos extensores da coluna produzindo som nas cordas vocais
Vibrador Laringe Produz som fundamental
Ressonadores Cavidade nasal, faringe, boca Ampliam o som
Articulam e dão sentido ao som, transformando sons
Articulador Lábios, língua, palato mole, palato duro, mandíbula
em orais e nasais
Sensor / Ouvido - capta, localiza e conduz o som; cérebro - analisa,
Captam, selecionam e interpretam o som
Coordenador registra e arquiva o som
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Ressonância

No contexto da voz, o ar, ao fazer vibrar as pregas vocais, produz um


som fundamental, fraco, que precisa encontrar as cavidades de
ressonância para poder amplificar-se, dando mais riqueza de sonoridade
e vibração.
Os sons quando emitidos em direção às cavidades de ressonância, se
espalham, ampliando o raio de ação, enriquecendo os harmônicos,
tornando-os mais belos e com seu brilho natural.
Assim, o que escutamos não é somente o som que sai de nossas
pregas vocais. Na verdade esse som (ondas sonoras) é modificado, ou
melhor, é filtrado ao passar por nosso trato vocal, podendo ser
amplificado ou abafado.

Didaticamente vamos dividir as estruturas que fazem parte do trato vocal


em:
Caixa de ressonância inferior: traquéia, brônquios, pulmões e caixa
torácica;
Caixa de ressonância superior: laringe, faringe, boca e cavidades da
face e crânio.

Vamos fazer um exercício para sentir o som nestas cavidades:


Caixa de ressonância superior:
• Inspire e ao expirar emita o som do fonema [ M ] ,coloque as mãos no rosto para sentir os locais de vibração;
Caixa de ressonância inferior:
• Inspire e ao expirar emita a vogal [ A ] na região grave da sua voz e coloque as mãos no peito para sentir a vibração;

Essas estruturas interferem no som produzido pelas pregas vocais de diversas maneiras, seja modificando a ressonância ou
desempennhando as funções de articuladores do som.

Fisiologicamente as cavidades podem ser:


• fixas, isto é possuem paredes fixas (nariz – cavidades dos seios nasais, seios maxilares, seios esfenoidais e frontais, maxilar
superior e palato duro). São articuladores passivos do som
• móveis (mandíbula, pregas vocais, véu palatino (palato mole) faringe, boca, lábios e bochechas. Suas formas e dimensões são
variáveis dependendo das pessoas. São articuladores ativos dos sons.

As vogais e consoantes são produzidas a partir dos movimentos realizados por essas estruturas.

Palato
O palato se divide em 2 partes: o palato duro (sem mobilidade), e o palato mole
(flexível com mobilidade).

O palato duro está envolvido com a projeção da voz, e o palato mole com a formação
de sons orais e nasais.

O palato mole é formado por músculos que tem a capacidade de abaixá-lo, levantá-lo
e tensioná-lo. Quando elevamos o palato mole, ampliamos o espaço da orofaringe e fechamos o espaço da nasofaringe, produzindo os
sons orais. Quando produzimos os sons nasais, o palato mole se abaixa e permite que o som passe pelas cavidades nasais.
O funcionamento inadequado dos músculos elevadores do véu palatino pode causar um excesso de nasalidade da voz, pois os sons
passam para as cavidades nasais, mesmo no momento que deveriam ser produzidos somente nas cavidades orais. Os movimentos de
elevação do palato mole podem ser observados no início do bocejo.
Técnica vocal e o canto 10
Textos de vários autores organizados por Consiglia Latorre
Exercício para sentir o movimento do palato mole:
Inspire calmamente, ao expirar emita a vogal [A] , passando em seguida para a vogal nasal [ã] .
Repita algumas vezes. Se necessário encoste um dos dedos no palato mole para sentir melhor o
movimento.
Ao realizarmos este exercício, várias vezes, vamos perceber o movimento do palato mole no [ A ]
para trás ( levantado, e a saída do ar pela boca) e no [ ã ] para frente ( saída do ar pelo nariz) .

As estruturas do trato vocal se relacionam entre si. Quando cantamos, a modificação dessas partes não se dá isoladamente, mas sim
em conjunto. O efeito da ressonância surge porque as ondas sonoras se encaixam nos espaços existentes no trato vocal e quando
este encaixe é perfeito as ondas ressoam fazendo vibrar determinadas estruturas.

O trabalho dos músculos, os movimentos dos orgãos, e a consciência do tremor vibratório estão associados à propagação da onda
sonora através da cavidade faríngea que segue a parede músculo- membranosa situada ao longo da coluna vertebral. É ai o lugar da
voz como dizem os cantores. Lugar este que eles buscam com a ajuda de sons de boca fechada, meio utilizado para chegar a um
resultado sonoro, a uma sensação vibratória sentida de modos diferentes segundo a mobilização da laringe, a riqueza harmônica do
som laríngeo e a altura tonal.

Estas sensações não são percebidas pelo ouvinte, mas são essenciais para o cantor. Elas constituem um meio eficaz de domínio após
um longo treinamento. O conjunto destas sensações deve ser completado pelo controle audio-fonatório, isto é, pela escuta da propria
voz, já que o rendimento acústico e controlado pelo ouvido, o que permite avaliar e apreciar a qualidade dos sons. Assim o cantor
utilizará, por um lado as possibilidades de dominar a voz que ele escuta por via aérea e, por outro lado, um conjunto de vibrações buco-
faríngeas, nasais e laríngeas que chegam ao ouvido intemo por intermédio da via óssea. Para os sons graves, chegam pelos músculos
abaixadores da laringe, para os agudos, pelos músculos elevadores deste órgão.

Exercícios básicos desenvolver a percepção do som nas cavidades de ressonância: (estruturas do trato vocal)
• mastigação do [ M ]
1. mastigando, emita o som do [ M ] e sinta a ressonância;
Escolha um tom confortável e tente manter a emissão de ar constante. Usando as duas mãos, com as pontas dos dedos toque o rosto e
o crânio de leve e sinta a vibração. Sempre com o volume baixo.
2. mastigando o [ M ] seguido de vogais :
Orais: a, é, ê, i, ó, ô, u
Nasais: ã, e, i, õ, u
Ex: mmmmmmmmmmmmmaaaaaaaaaaaaaa...
3. repetir o exercício, iniciando com o [ M ] passando para as vogais e voltando para o [ M ].
EX . mmmmmmmmmmmmmmaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaammmmmmmmmmmmmmmmm
4. O mesmo iniciando com a vogal, passando para o [ M ] e voltando para a vogal. Fazer com todas as vogais.
• Emitir
[ M ] face, depois [ N ] nasal e após uma das vogais orais [ a ] espaço. Perceber os espaços. Sempre com volume baixo.

Ressonância e projeção vocal

O cantor deve se preocupar com a direção que ele vai dar ao sopro. Ele se situa, um pouco à frente
no grave e cada vez mais atrás e em cima à medida que vai aos agudos .
Para projetarmos com segurança sem forçar a voz devemos desenvolver a sensação do som
no palato. Procure ter a sensação dos tons caminhando pelo palato. Saindo da raiz dos dentes
superiores na emissão dos graves, início do palato duro e, caminhando em direção ao palato mole
para a emissão dos agudos. As notas agudas exigem uma ampla abertura da garganta (fundo da
garganta-aberta).
Exercitar a percepção dos tons caminhando pelo palato com a emissão dos sons
facilitadores: [ R ], [ BR ], [ Z ], [ V ], [ J ], [M]
Caminhando com os tons pelo palato em graus conjuntos na região central da voz :
Exemplo: emitindo os sons em graus conjuntos da Tonica até a Terça maior. Depois mudar a tonalidade de meio em meio tom sempre
numa tessitura confortável, na região central da voz. Repetir o exercício com a terça menor.
Técnica vocal e o canto 11
Textos de vários autores organizados por Consiglia Latorre
No o início de nossos estudos vamos conduzindo os sons para as caixas de ressonâncias. Mas devemos perceber ao longo de
nosso estudo, que todo o nosso corpo pode vibrar e ressoar. A ressonância perfeita utiliza todos os ressonadores do corpo de
forma dinâmica, flexível e equilibrada.

Na pesquisa dos espaços e ressonância vocal, cada pessoa deve percorrer todos
os caminhos do som dentro do próprio corpo. Uma figura que estimula a
imaginação, fazendo a voz projetar-se corretamente, é a de que o som nasce na
bacia, ganha força na cintura e, após encontrar os espaços, as cavidades de
ressonância, de propagação das alturas tonais, se projeta para fora.
As sensações auditivas variam em função do lugar onde o cantor se encontra e em
função da acústica. Algumas vezes lhe parece que sua voz vibra demais. Outras
vezes, ele escuta mal e sua voz lhe parece ensurdecida. Se o cantor não quiser
forçar a sua voz, deverá estar atento às sensações internas -musculares e
vibratórias pois estas não variam e não dependem do lugar onde ele se encontra.

Alguns princípios para a percepção dos movimentos dos órgãos ressonadores


necessários a uma boa projeção:
• Abrir a boca sempre no sentido vertical e evitar abrir no sentido horizontal-
lateral
• Manter a língua a maior parte do tempo baixa e plana, com os bordos
encostados nos incisivos inferiores, evitando sua retração;
• Alargar a faringe como durante o início do bocejo;

Uma boa projeção certamente depende de uma boa postura, de um bom apoio
muscular, de um bom posicionamento de som, de uma respiração correta, ou seja,
as técnicas vocais estão todas interligadas, entretanto, é preciso que a técnica
esteja a serviço do estilo e não o contrário. A técnica vocal adquirida poderá ser adaptada ao gênero escolhido, seja ele jazz, rock,
popular, lírico. O sucesso dessa adaptação via depender de muitos fatores e entre eles está a escolha de um repertório adequado, que
permita a produção confortável da voz. Dessa forma, é criado um estilo que em grande parte é resultado do feeling e da inteligência do
cantor.

O cantor através do controle auditivo modifica a qualidade de sua voz. Mas é necessário, também que ele o faça por meio de uma
técnica apropriada, utilizando movimentos precisos e pela percepção de certas sensações musculares que determinam as
coordenações musculares, sendo elas funções dos diferentes parâmetros: ALTURA, INTENSIDADE, TIMBRE, HOMOGENEIDADE,
AFINAÇÃO, VIBRATO, ALCANCE DA VOZ.

• Altura
Para mudá-la a altura da voz, é preciso mudar a pressão expiatória. Isto é, modular o grau de tonicidade da musculatura abdominal,
assim como o volume das cavidades supra-laringeas que modificarão a posição da laringe, o fechamento glótico, a freqüência das
vibrações das cordas vocais e o deslocamento da sensação vibratória.

• Intensidade
A intensidade da voz depende da pressão sub-glótica, ou seja, da sustentação abdominal que permite a potência. A intensidade se
concretiza por uma sensação de tonicidade que se distribui pelos órgãos vocais. Ela é percebida como uma energia transmitida, pouco
a pouco, ao conjunto das cavidades de ressonância e aos músculos faringo-laríngeos. O cantor, durante o seu trabalho, deve ter
consciência do dispêndio muscular que a intensidade requer, da dinâmica vocal apropriada e generalizada que provocarão o
enriquecimento do aspecto sonoro. A intensidade aumenta com a tonicidade e está associada à altura tonal, dependendo das vozes,
varia de 80 a 120 decibéis

• Timbre
Determinado por aspectos como a freqüência fundamental, os harmônicos e amplitude dos mesmos. Portanto, está relacionada `a
vibração das pregas vocais, ao tamanho e o formato do trato vocal e à tensão e tônus das paredes faríngeas, o que traz características
pessoais para a voz de cada indivíduo. A riqueza do timbre está em função do uso dos ressonadores, da pressão sub-glótica, da
posição mais ou menos alta da laringe, fechamento glótico e qualidade das mucosas, condições estas, essenciais à qualidade do
timbre, assim como da morfologia. Assim percebemos que o timbre é único, ou seja, cada um possui sua própria identidade timbrística,
determinada principalmente pela anatomia de cada um, que inclui aspectos como: tamanho das pregas vocais, estrutura anatômica dos
órgãos fonadores, número e ressonância dos harmônicos que acompanham os sons e capacidade de ressonância das cavidades do
trato vocal. O timbre da voz humana é uma característica individual e deve ser produto da descoberta e não da imitação;

• Homogeneidade
É uma qualidade essencial, que está em função da distribuição das zonas de ressonância e da fusão das diferentes sonoridades vocais
dada sua interação permanente. Ela só pode ser realizada pela harmonização progressiva de todos os órgãos indispensáveis a
fonação.
Técnica vocal e o canto 12
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• Afinação
Ela é o par da homogeneidade. Trata-se da pressão e da tonicidade bem distribuídas que irão determinar uma coaptação adequada das
cordas vocais. Assim como uma acomodação das cavidades de ressonância. A afinação e regulada por movimentos extremamente
delicados. Pelo domínio de um conjunto de sensações as quais é preciso ficar muito atento associado ao controle auditivo vigilante.
Alguns cantores cantam "baixo” porque eles não sustentam o sopro devido a uma hipotonia muscular. Outros cantam muito alto, eles
"empurram", seja por excesso de pressão ou porque o sopro se gasta rápido demais.

• Vibrato
Ele tem um efeito estético evidente e um papel primordial porque ele dá a voz sua riqueza expressiva, sua leveza e seu poder
emocional. Ele se caracteriza por modulações de frequência, (na razão de cinco a sete vibrações por segundo), acompanhadas de
vibrações sincrônicas da intensidade de dois a três decibéis e da altura ¼ de tom e ½ tom que tem uma influência sobre o timbre. Estas
flutuações são criadas pelo cantor e tem uma ação musical importante.
O vibrato só se adquire a medida que o cantor domina sua técnica e realiza da melhor maneira possível a junção faringo-laringea: seu
mecanismo fisiológico corresponde a finas tremulações do conjunto da musculatura respiratória e laríngea.

• Alcance da voz
Do ponto de vista funcional, o alcance vocal está sempre relacionado com a energia gasta e se traduz, principalmente, pela
consciência de uma tonicidade generalizada no corpo inteiro, às sensações proprioceptivas mais perceptíveis e ao enriquecimento do
jogo acústico do timbre.
A voz, diferentemente dos outros instrumentos, não é materializada e por esta razão e mais difícil de controlar É por este motivo
que o cantor deve ter a sua disposição, uma técnica segura, consciente baseada nas sensações e movimentos precisos que lhe
permitirão não perder o domínio da voz quando estiver nas grandes salas, nas igrejas, ao ar livre ou em locais desprovido de acústica.
Assim pode-se dizer que, a condição essencial para que a voz tenha alcance é o controle das sensações internas. São as
sensações musculares que, particularmente, informam sobre a atividade dos órgãos e seguindo-se a elas é a sensação de vibração que
permite situar o tremor vibratório. Isto é tão evidente que muitos cantores colocam a mão sobre a caixa craniana para senti-lo melhor
quando estão descobrindo as sensações da ressonância e projeção vocal. O cantor sente a necessidade de localizar essas sensações
e os instrumentistas também as buscam. Alguns deles tocam com os olhos fechados para sentir as vibrações de seu instrumento,
juntar-se a ele, isolar-se do público e concentrar-se melhor.

Projeção da voz :

Noção do espaço que se deseja atingir com a voz. (quadro elaborado pela fonoaudióloga: Glória Beuttemuller)
Técnica vocal e o canto 13
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Articulação
As palavras da música, a relação texto/música, devem ser muito claras e objetivas, para causar um processo de envolvimento com a
platéia.

Para que isto aconteça, deve-se levar em conta dois processos:


• Articulação: processo pelo qual os órgãos da fala moldam o som vocal em sons reconhecíveis da fala.
• Interpretação: processo pelo qual se carrega o espírito ou significado da música através do modo como se executa.

O primeiro passo para uma boa interpretação é o domínio de uma boa articulação.
Os articuladores tem a função de receber e moldar o som da laringe e dirigi-lo para o aparelho ressonador que irá influir na cor (timbre),
sonoridade e amplitude da voz. Outra função é ajudar na formação dos fonemas.

Articuladores:
• Mandíbula inferior: único osso móvel da face que deverá estar relaxado;
• Língua: deitada e rasa no fundo da mandíbula inferior e apoiada nos incisivos inferiores. Nas vogais e na maior parte das
consoantes a posição da língua deve ser a mesma. Apenas nas vogais “i” e “e” ela tem um levantamento natural, porém sempre
apoiada nos incisivos inferiores;
• Palato mole: abre o fundo da garganta ao levantar-se eliminando a aspereza da sonoridade tornando-a redonda;
• Lábios: naturais, sem contrações musculares, mas firme conforme a pronúncia; A posição ideal para os lábios, é aquela que ajuda
o rosto a ter uma expressão agradável, feliz. Deve-se evitar puxá-los exageradamente para os cantos ou para frente quando se
estiver cantando ou falando, pois isto pode modificar a qualidade sonora.
• Alvéolos, dentes e palato duro: também são articuladores porém passivos. A falta de dentes ou desalinhamento dos mesmos por
exemplo, provoca pronuncia imperfeita e até mesmo ruídos desagradáveis, como chiados ou mesmo assovios.
Obs: alvéolos dentários: cavidade dos bordos dos maxilares, onde se encontram as raízes dos dentes.

Agora veremos como a articulação funciona na vocalização:


Vogais: Fonemas produzidos por uma corrente de ar vibrante que passa livremente pela boca. As vogais são produzidas pelo diferente
posicionamento dos músculos que delimitam a boca: a língua, os lábios e o palato mole. Sendo assim, as vogais podem ser orais e
nasais.
• Vogais orais: a corrente de ar vibrante passa apenas pela cavidade bucal . São elas: [ a ] [ é ] [ ê ] [ i ] [ ó ] [ ô ] [ u ];
• Vogais nasais: a corrente de ar vibrante passa ao mesmo tempo pelas cavidades bucais e orais: [ ã ] [ e ] [ i ] [ o ] [ u ]
As vogais ainda podem ser classificadas como : abertas e fechadas
• vogais com sons abertos, claro e verticais: [ a ] [ é ] [ ó ] ;
• vogais com sonoridade escura , fechada e vertical: [ ô ] [ u ]
• vogais com sons escuros fechados e horizontais no grave , ou vertical no agudo [ ê ] [ i ] ;

Consoantes: São fonemas produzidos por uma corrente de ar proveniente dos pulmões que enfrenta obstáculos; dependem das
diferentes posições de língua e dos lábios. Ao ponto da cavidade bucal em que se localiza o obstáculo à corrente de ar dá-se o nome de
ponto ou zona de articulação.
As consoantes são o que chamamos de “barreiras articulatórias”. “Barreiras" à passagem do ar/som”. Pois todas elas vão exigir pontos
de encontro entre a língua, as arcadas dentárias, a úvula (campainha) e os lábios.Por exemplo: o "m" é bilabial, porque qualquer
palavra com "m" a gente pronuncia tocando os lábios superior e inferior; já o "f" é labiodental, porque precisamos que o lábio inferior
toque a arcada dentária superior; e o "k" é velar porque faz a gente “mexer” a úvula (campainha).

As consoantes são responsáveis por impulsionar o som ao se juntar às vogais. São a base de sustentação aérea. São o pontapé inicial
do jogo da fala e do canto. Experimente e perceba em você como se processam estas “barreiras” para que, no canto, você possa ter
boa dicção e ser inteligível para os seus ouvintes ou para o seu público.

Zona de articulação das consoantes:


• Bilabiais: contato dos lábios superior e inferior : [ p ] [ b ] [ m ]
• Labiodentais: o lábio inferior toca os dentes incisivos superiores: [ f ] [ v ]
• Linguodentais: a língua toca a face interna dos dentes incisivos superiores: [ d ] [ t ] [ n ]
• Alveolares: a língua toca os alvéolos dos dentes superiores: [ s ] [ z ] [ l ]
• Palatais : o dorso da língua toca o palato duro ou céu da boca: [ x ] [ j ] [ lh ] [ nh ]
• Velares : a parte posterior da língua toca o palato mole [ k ] [ g ]
Técnica vocal e o canto 14
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Exercício de articulação ( pode ser feito em cânone) :

Articulação e expressividade:
O rosto é um dos componentes básicos do aparelho fonador, pois nele estão a maioria dos recursos de ressonância, os de articulação e
os de expressividade da comunicação vocal. Expressão facial deve estar conectada com a intenção que o intérprete está passando em
cada gesto musical.

Pronúncia:
Uma boa pronúncia é uma das condições para fazer compreender o sentido e o caráter de uma música, isto é, unindo-a sempre com a
expressão. Pronunciar, frasear, interpretar ocupa um dos pontos mais altos da ciência do canto.
A pronúncia e a articulação são dois requisitos necessários para a clareza do canto. A nítida pronúncia encontra no canto bem
articulado a máxima importância. O cantor que não se faz compreender pode destruir quase inteiramente o efeito da música e da
interpretação, que está intimamente ligada ao texto, à relação texto-música.

Classificação vocal

A classificação de uma voz é um tema de real importância no estudo do canto. Um assunto a ser tratado com muito critério, porque de
uma boa ou má classificação depende o desenvolvimento de um cantor. Existem vozes naturais que podem ser imediatamente
classificadas. Outras, mais numerosas, só podem ser classificadas após longos meses. O professor precisa estar atento e vigilante no
que diz respeito a esse particular. Em muitos casos, requer uma demorada e paciente observação, o que leva algum tempo, para não
cometer o equívoco de se classificar erroneamente e o aluno cantar numa tessitura que não lhe seja conveniente.

A classificação vocal tradicionalmente se refere mais ao uso da voz na música erudita. A música erudita é mais rígida na tonalidade,
andamento e interpretação:
Técnica vocal e o canto 15
Textos de vários autores organizados por Consiglia Latorre
A música popular permite maior flexibilidade, incluindo mudanças de tonalidade que se adaptam melhor à tessitura do cantor,
oferecendo maior possibilidade de exploração de ritmos e efeitos vocais.

Extensão, tessitura e registro:

Extensão: Refere-se ao limite de sons emitidos por uma voz, do grave ao agudo, mesmo além dos limites naturais da sua tessitura.
A extensão vocal pode variar de acordo com :
• A forma e o volume das cavidades de ressonância : Que são variáveis para cada indivíduo.
• O comprimento e a espessura das cordas vocais.
• O timbre que é uma qualidade do som que permite diferenciar cada pessoa, de reconhecê-la. Ele é apreciado de modos
diferentes.

Tessitura : é o conjunto de notas onde o cantor emite a voz com conforto e total homogeneidade.

Registros : a voz cantada é dividida em vários registros : basal, modal ( subdividido em peito, médio e cabeça) , falsete e flauta.

Registro médio: é a parte central da tessitura de uma voz. Ao iniciarmos o estudo do canto, é mais prudente vocalizarmos no registro
médio, alcançando depois a nossa tessitura, para não causar demasiado esforço e posterior dano às cordas vocais.

Ex: soprano

Os registros têm realidade auditiva, muscular, acústica e aerodinâmica diferentes.


Todos teoricamente temos zonas de passagem que podem ser mais ou menos evidenciadas por meio das quebras de registros. Alguns
cantores são naturalmente mais hábeis e essas zonas não aparecem, outros as usam como recurso interpretativo, outros ainda não têm
controle sobre elas, devendo exercitar-se especificamente.

As regiões de passagem, ou seja, da mudança de um registro para outro, ocorrem devido a troca de predominio muscular.
Técnica vocal e o canto 16
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As pesquisas recentes observaram que registro vocal não está relacionado a ressonancia e sim as atividades dos músculos envolvidos
no ato de cantar. A ressonancia do som ocorre no espaço onde as ondas sonoras são amplificadas, como por exemplo, cavidade oral,
cavidade nasal, cavidade faringea.

A voz de peito é predominantemente de caráter masculino, enquanto que a de cabeça é de abrangência feminina.
O que não significa que homens não consigam atingir a voz de cabeça e nem que as mulheres não registrem a voz de peito.
Na voz cantada até os baixos (os mais graves do gênero masculino) alcançam voz de cabeça em seus tons mais agudos e, os
barítonos e tenores o fazem com mais facilidade, por serem, naturalmente, menos graves.
As sopranos (as mais agudas do gênero feminino) também chegam a voz de peito se trabalharem nos extremos de seus tons mais
graves. As mezzos e as contraltos atingem-nos com maior facilidade. Como todos os tipos de vozes tem notas graves, médias e
agudas, devemos fazer estas considerações.

Mas, afinal, o que quer dizer voz de peito e de cabeça? Na emissão de peito sentimos a vibração sonora no peito (se colocar a mão no
peito você pode sentir), enquanto que na voz de cabeça, sentimos a ressonância do som na cabeça.
As pessoas que não estão acostumadas ou condicionadas à voz de cabeça (tons agudos e agudíssimos) até sentem uma leve tontura e
até dor de cabeça. A prática ensina e exercita a colocação da voz de peito e cabeça na "caixa" de ressonância adequada (ressonador).

O FALSETE, como o próprio nome já induz, significa voz FALSA.


São as falsas pregas vocais que você usa para executar esse tipo de som; músculos que não têm participação direta na ativação das
pregas verdadeiras.

O falsete era inicialmente empregado para performance de "falsa voz feminina", quando cantores na igreja cantavam notas agudas.
Embora geralmente utilizemos “voz de cabeça” como sinônimo de falsete, isso é errôneo. Também utilizado como recurso para alcançar
tons mais agudos, principalmente pelos homens, o falsete não requer esforço muscular, como apoio abdominal ou respiração costo-
diafragmática, o que torna a laringe (região onde se abrigam as pregas falsas e verdadeiras) a responsável por produzir este tipo de
som.

Quanto à comparação do falsete com a voz feminina:


Sem entrar na descrição científica, existe um registro nas vozes femininas, chamado registro de flauta, que se assemelha em muitos
aspectos ao falsete. Fica situado acima de um dó ou dó sustenido sobre-agudo, e deve ser trabalhado da mesma maneira: leveza,
flexibilidade, rapidez, agilidade.

O Objetivo da prática do estudo do canto é, entre outras coisas, proporcionar uma desenvoltura na emissão das notas da tessitura de
forma homogênea. Ao realizar os vocalizes é importante que o aluno ou aluna emita um som equilibrado dos graves até os agudos.
Sugerimos que no início os vocalizes sejam realizados com volume moderado e emissão suave. Quando emitimos uma nota com muito
volume, solicitamos uma ação muito intensa do músculo vocal e isso dificulta a passagem para as notas agudas, na medida em que
estas solicitam maior açao do músculo tensor das pregas vocais.

Vozes Infantis:
As vozes, tanto de meninos quanto de meninas, sob o ponto de vista musical não apresentam muita diferença e, por isso são
classificadas como vozes infantis. Teoricamente, meninos e meninas desde que nascem até a adolescência tem pregas iguais.

Adolescencia: Mudança de voz


É na puberdade que acontecem as mudanças na voz. A puberdade acontece entre meninos de 12 aos 16 anos, e entre meninas dos 11
aos 14. As idades acima variam devido a precocidade ou retardo do desenvolvimento de todos os órgãos. A mudança de voz
caracteriza-se pelo crescimento anatômico da laringe em todas as direções.
Meninos:
Quando as mudanças ocorrem durante a puberdade, no menino, a laringe cresce rapidamente em tamanho e as pregas vocais tornam-
se cerca de um centimentro mas longas, fazendo com que o limite inferior do tom de voz caia de uma oitava, adquirindo mudanças no
timbre, maior sonoridade e resistência.
Meninas
A mudança é menos brusca, sem rouquidão, mantém sua altura m tornando-se aveludada, melhorando a extensão, timbre e
intensidade.

È bastante controvertida a opinião dos autores sobre se o adolescente deve ou não cantar nesse período. Acredito que com o
acompanhamento de bons profissionais na área do canto não haveria incoveniente nisso.
Técnica vocal e o canto 17
Textos de vários autores organizados por Consiglia Latorre

Saúde e Higiene vocal

O termo saúde vocal (ou higiene vocal) refere-se aos cuidados que cada indivíduo deve ter com a sua voz para prevenção de
qualquer alteração vocal bem como a manutenção da qualidade desta voz. Embora partam de princípios básicos comuns, esses
cuidados devem ser pensados individualmente, pois cada pessoa será sensível a cada um deles de forma diferente.

1. Cantar/Falar requer gasto de energia, portanto cante/fale quando estiver em boas condições de saúde, a fim de não cometer
esforços físicos;
2. Use roupas confortáveis, que não apertem principalmente na garganta, peito, cintura e abdômen;
3. Adote o hábito de beber água, principalmente quando souber que fará uso maior de sua voz.;
4. Aqueça e desaqueça a voz, antes e depois de usar a voz por muito tempo. O aquecimento trabalha a flexibilidade muscular,
necessária para que a extensão vocal ocorra sem tensão. O desaquecimento é necessário para retornar à voz falada natural;
5. Ingira alimentos leves e de fácil digestão para evitar o refluxo gastroesofágico;
6. Evite pastilhas refrescantes antes de cantar/falar. Estas geralmente têm efeito "anestésico" e você pode cometer abuso vocal
sem se dar conta.
7. Monitore sua voz; aprenda a ouvir sua qualidade vocal e a reconhecer suas sensações de tensão/esforço desnecessários.
8. Procure evitar conversar em lugares ruidosos como: reuniões sociais, ruas muito movimentadas, dentro de carro em
funcionamento, dentro do metrô, em danceterias ou shows de música, etc.
9. Quando estiver em grupo (como em sala de aula, por exemplo), procure falar no centro do ambiente, para que a acústica do
local se encarregue de propagar sua voz; assim, você estará poupando-se de um esforço desnecessário.
10. Procure falar/cantar de forma tranqüila: respire adequadamente, pausadamente, procurando não esmagar a voz nem usar o
"ar de reserva" durante uma conversa/canto.
11. Evite pigarrear e cochichar , pois estes atos são extremamente agressivo para a voz;
12. Quando for inevitável o uso prolongado de sua voz, procure contrabalançar, fazendo um repouso vocal de pelo menos 30
minutos, a fim de poupar a musculatura fonatória e irrigar as cordas (pregas) vocais.
13. SEMPRE ESTEJA ATENTO À SUA RESPIRAÇÃO. Aprenda a descobrir as pistas que o seu corpo dá: Como ele está antes
do relaxamento? Qual é a parte de seu corpo que mais demora a relaxar? Quais são os músculos que você retesa quando
fica tenso? Como está sua respiração? Questione sempre! OBSERVE!
14. NÃO USE DROGAS! O fumo irrita e altera a estrutura celular do aparelho fonatório; o álcool, tem um efeito anestésico e
relaxante muscular que leva ao esforço e à fadiga vocal; outras drogas, como canabinóides ou alucinógenos, são ilegais e
podem causar severos danos à saúde vocal .

Técnica vocal aplicada ao canto popular

É a escolha estética que exige a sistematização de uma técnica, e não o contrário. Se o aluno quer cantar bossa-nova, por
exemplo, terá como objetivo aprender coisas diferentes de quem quer cantar rock ou ópera. Isso inclui estilos e também técnicas
de emissão vocal diferenciadas, num estágio avançado do seu estudo. Inicialmente todos que querem se aperfeiçoar no estudo
da voz percorrem o mesmo caminho de reconhecimento do esquema corporal-vocal, do aparelho respiratório, fonador e
articulador, etc.

Na hora de optar por um caminho estético, cantar “bossa-nova” por ex e com o uso do microfone ao invés de ser um cantor de
ópera, esta escolha faz a diferença ao se trabalhar tecnicamente volume e colocação de voz . Para cantar bossa nova
necessitamos de pouco volume, qualidade de voz soprosa, mais do que projeção vocal. Assim a sonoridade exigida por este ou
aquele estilo fica preservada e natural. As técnicas eruditas, com suas sonoridades próprias, se aplicadas a esse contexto sem
nenhuma adaptação ou acréscimo, não servem. Produzem sons e fraseados que não conseguem se adequar a realidade estética
da bossa nova.

Para o cantor é essencial: gostar da própria voz; dominar técnicas de respiração adequada; ter boa percepção da forma como
seu corpo é utilizado a serviço do canto; conhecer o gesto corporal de cada canção; trabalhar com uma aparelhagem adequada
tanto no ensaio quanto na apresentação; ter harmonia e entrosamento com os instrumentistas que o acompanham; escolher as
tonalidades de acordo com a sua tessitura vocal; escolher o repertório que faz com que o cantor tenha prazer de cantar.

“Acredito que a música tem a capacidade de mudar a disposição das pessoas e que seria muito bom que fizesse parte
de todos , cotidianamente. “ Consiglia Latorre
Técnica vocal e o canto 18
Textos de vários autores organizados por Consiglia Latorre

REFERÊNCIAS
ABREU, Felipe. “Características do Canto Erudito e do Canto Popular Urbano no Ocidente Contemporâneo”. Revista Backstage. Rio de
Janeiro: H. Sheldon, 2000.
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BAE, Tutti. Canto uma consciência melódica. São Paulo:Irmãos Vitale , 2003.
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