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Escola da Magistratura do DF

Curso Preparatório para Ingresso na Carreira da Magistratura


Disciplina: Direito Penal
Professor: Wagner Junqueira
Anotações de Sala de Aula

17/02/06

Bibliografia
Damásio – Volume I
Mirabete – Volume I
César Roberto Bitencourt – Volume I – Ler Capítulo 11 a 16
Luiz Régis Prado – Volume I
Código Penal Interpretado:
Mirabete e Nucci
Jurisprudência
STF e STJ
Prova
Estudar desde logo.

O FATO TÍPICO

• Quatro grandes temas, se dominarmos poderemos dizer que sabemos


Direito Penal: Fato Típico, Antijuridicidade, Culpabilidade e Punibilidade.
• Direito Penal é o conjunto desses itens, temos que conhecê-los
funcionando em conjunto. Serão divididos por questão didática. Hoje, estudaremos fato
típico.
• O perigo é que aprendendo de forma parcelada não entendermos o
conjunto, enquanto estamos ministrando conteúdo específico é preciso entender o
conjunto, como funciona na prática.
• Às vezes um concurso faz uma pergunta simples em um teste objetivo,
o candidato observa, por exemplo, uma exclusão da culpabilidade, mas na verdade só
poderemos falar de culpabilidade se houver fato típico, antijuridicidade. Esse é um erro
que se comete na análise de um caso penal. Primeiro é preciso verificar o fato típico,
para depois passar para a antijuridicidade. Não podemos inverter o raciocínio, há uma
seqüência de raciocínio.
• Em direito penal vamos ter que aprender a pensar como na
matemática, com visão lógica. Direito Penal é lógica acima de qualquer coisa, é uma
matéria das mais fáceis de aprender quando se consegue ver a lógica da coisa.
• Existem exceções da regra, isso o diferencia da matemática e da
lógica, quando ocorre isso se chama de POLÍTICA CRIMINAL, ou seja, opção do
legislador. O restante encaixa-se perfeitamente no raciocínio.
• Hoje não vamos tratar de ilicitude, culpabilidade e punibilidade.
Apenas discussão do fato típico. Depois ilicitude e assim por diante.

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• Na parte especial o raciocínio vai funcionar, a seqüência lógica, a visão


holística vai funcionar.
1. FATO TÍPICO
• No primeiro momento é preciso entender que o fato típico é um
esquema para preservar o princípio da reserva legal, não há crime sem lei anterior que
o defina, nem pena sem prévia cominação legal. É preciso que o crime se amolde ao
tipo penal previsto. O encaixe em uma norma penal incriminadora, isto é, o fato típico
deve estar previamente previsto na norma penal incriminadora, com a previsão de uma
pena.
1.1. ELEMENTOS DO FATO TÍPICO:
 Conduta
 Resultado da Conduta
 Nexo de Causalidade ou Nexo Causal entre a Conduta
e o Resultado
 Tipicidade em sentido estrito: conformação de todos os
elementos se adequam à uma norma penal incriminadora
• O primeiro requisito do crime, o fato típico, consiste no enquadramento
do fato ao conjunto de elementos descritivos contidos na lei penal.
• Para que haja punição é necessário que exista um elemento subjetivo
que integre a conduta: dolo ou culpa, toda conduta em direito penal ou é dolosa ou
culposa. No direito penal moderno não se admite mais a punição sem que haja dolo ou
culpa do agente, hoje não há mais responsabilidade penal objetiva.

• No Brasil, alguns autores (Damásio, Mirabete, Ariel Dotti) conceituam


crime como o fato típico e antijurídico (conceito analítico ou bipartido). Esse
conceito é o dominante, a partir de 1984, todos tinham tal posicionamento. Para eles, a
culpabilidade é mero pressuposto de aplicação da pena.

• Para os demais doutrinadores nacionais, alinhando-se à doutrina


internacional, o crime possui um conceito tripartido: é o fato típico, antijurídico e
culpável.

• Muñoz Conde (doutrinador espanhol) define crime como o fato típico,


antijurídico, culpável e punível.
• A pessoa ainda pode deixar de responder por não ser punível, no caso
das escusas absolutórias. Não há lógica no conceito tripartido. Talvez por isso Basileu
Garcia dizia que alcança a punibilidade.
Exemplo: Deputado ou senador pratica um crime, mas não é punido.
• Na história do Direito Penal brasileiro preponderou o conceito bipartido,
no mundo o tripartido.

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• Importante para nós não é saber se a culpabilidade integra ou não,


mas sim saber o que são esses quatro grandes temas. Lidar com os quatro conceitos.
• Essas Teorias são melhor entendidas pelo viés da filosofia. Mas em se
tratando do pensamento humano é difícil dizer o que é certo e errado.
1.2. CONDUTA
• Conduta é a ação ou omissão humana voluntária, consciente e dirigida
a determinada finalidade. Existem várias teorias a respeito da conduta:
1.2.1.NATURALISTA (CAUSALISTA):
• Considera a conduta (ação) como um movimento corporal
voluntário, que causa um resultado. Portanto, não constituem ação os atos
involuntários (atos reflexos ou cometidos sob coação física).
• O dolo e a culpa são as duas espécies em que se divide a
culpabilidade. Dolo e culpa inserem-se no conceito de culpabilidade, e não no
conceito de ação (conduta). A culpabilidade abrange, também, a imputabilidade
e a exigibilidade de conduta diversa (para alguns autores).
• O crime é um todo indivisível. Mas, num primeiro momento, no
exame da tipicidade, examina-se apenas se determinada conduta é voluntária,
e se a mesma causou ou não o resultado. O aspecto do dolo e da culpa é
deixado para um exame posterior, a ser feito na verificação da culpabilidade.

• O tipo é um molde exclusivamente objetivo, destinado


apenas a uma seleção preliminar das condutas penalmente relevantes.
• Somente circunstâncias de tempo e local na Teoria Causalista,
ou seja, só se interessava por aquilo que poderia ser facilmente percebido por
quem estivesse assistindo a cena.
• Os elementos subjetivos, as condições pessoais do agente,
seu dolo e sua culpa, não eram analisados dentro do conteúdo do fato típico,
eram deixados para o segundo momento, na análise da CULPABILIDADE.
• O dolo e a culpa eram espécies da culpabalidade, que era
dolosa ou culposa.

• Criticável porque a conduta é vista como simples


comportamento. Não se examina se o resultado é querido pelo agente, mas
somente o nexo causal entre a conduta e o resultado. A finalidade da conduta
só pode ser apreciada na culpabilidade. Existe, portanto, dificuldade em se
conceituar a tentativa, que não tem resultado, bem como os crimes omissivos,
que não exigem uma conduta mecânica e só podem ser explicados pelos
elementos subjetivos (finalidade da ação e ânimo do agente). Além disso, os
crimes dolosos e culposos seriam tratados da mesma forma, já que o resultado

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é o mesmo, e os crimes de mera conduta (sem resultado naturalístico) não são


explicados.
• Problema para definir a tentativa, quando você pratica o
resultado e não é querido só existe explicação dentro do elemento subjetivo,
mas esse elemento não é analisado no fato típico, então como tipificar na
teoria causalista?
• Essa teoria dá valor ao resultado, logo como elemento
subjetivo não é analisado no fato típico, no primeiro momento, crimes dolosos e
culposos são tratados da mesma maneira porque provocam o mesmo
resultado.
• Outra dificuldade é em relação ao crime omissivo, quando a
pessoa não faz movimento e provoca um resultado. Já que a conduta no
causalismo é movimento corporal.
• Só poderia agir com dolo ou culpa se antes de tudo fosse
culpável.
• Para alguns era necessária a exigibilidade de conduta diversa.
• Se não for voluntário não há conduta, que é movimento
corporal voluntário.
Exemplo: Alguém com um espirro enfia uma faca em alguém, não é conduta. Então
não é fato típico, por ausência de conduta que é elemento do fato típico.
1.2.2.FINALISTA DA AÇÃO:
• Hoje em dia existe um movimento chamado de pós-finalismo
como se estivesse sendo superado pela Imputação Objetiva.
• A Teoria Finalista nunca foi superada, as tentativas são
infrutíferas, inclusive a Imputação Objetiva.
• No Brasil, até hoje, aplicamos a Teoria Finalista da Ação,
nosso código é essencialmente finalista.

• A Revolução do Pensamento Finalista: a conduta é a


manifestação da vontade dirigida para o resultado, para uma finalidade.
Para que a conduta seja algo compreensível, é necessário ver o propósito
(vontade) com a qual foi praticada (é preciso verificar se a conduta tinha ou
não, como fim, a realização do fato típico). Daí a máxima finalista de que a
causalidade é cega, ao passo que a finalidade vê.
• O dolo que estava na culpabilidade vem para a conduta, vem
para o fato típico.

• A idéia do finalismo foi trazer todo o elemento psíquico para


a conduta. Com esse objetivo, o dolo e a culpa foram retirados da
culpabilidade e colocados na conduta, e, em conseqüência, no tipo.

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• O fato típico é composto de elementos objetivos e


subjetivos, ainda que não descrito: o dolo e a culpa.
• O finalismo entende que o delito culposo é a infração de um
dever objetivo de cuidado. Na culpa, a finalidade da ação é atípica, dando-se,
porém o fato típico pela ausência das cautelas devidas.

• Com a migração do dolo e da culpa para a conduta, a


culpabilidade passou a ser entendida como um juízo de censurabilidade,
de reprovação, e passou a ter como elementos a imputabilidade, a potencial
consciência da ilicitude e a exigibilidade de conduta diversa.
• O dolo no causalismo é normativo porque continha a potencial
consciência da ilicitude.
Exemplo: Quero matar alguém, vou até lá e atiro, realizo o meu dolo. Isso não quer
dizer nada a respeito da potencial consciência da ilicitude. Ilícito é algo errado, saber que o que
está sendo feito é errado, contra a lei. Uma coisa é fazer o que quer DOLO, outra coisa é saber
que o que quer é ERRADO, consciência da ilicitude. Quando junta as duas coisas passa a ter o
DOLO NORMATIVO.
• No Finalismo a consciência da ilicitude foi retirada do dolo, o
dolo se torna natural. A consciência da ilicitude se torna autônoma, fica na
culpabilidade.
• A culpabilidade passa a ser a reprovabilidade da conduta
praticada pelo agente, censurabilidade da conduta, será medida e analisada
por três requisitos:
• Imputabilidade
• Potencial consciência da ilicitude
• Exigibilidade de conduta diversa
• O que importa para esta teoria é o desvalor da conduta, que
possibilita tratar de forma distinta o crime doloso e o culposo e vislumbrar o
conceito de tentativa.
1.2.3.SOCIAL DA AÇÃO (TEORIA MISTA)
• É uma síntese das teorias naturalista e finalista. Atribui ao dolo
e à culpa uma função dupla, colocando-os não só na conduta (e no tipo), mas
também na culpabilidade.
• A culpabilidade é também censurabilidade, contendo como
elementos o dolo ou a culpa, a imputabilidade, a potencial consciência da
ilicitude e a exigibilidade de conduta diversa.

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• Assim como na teoria naturalista, dá muita importância ao


desvalor do resultado. A conduta é o comportamento socialmente relevante,
dominado (dolo) ou dominável (culpa, omissão) pela vontade.
• Pode ser punido porque quis, ou embora tendo condição de
evitar não o fez.
• Conduta dominada pela vontade, pelo dolo. Ou dominável pela
vontade, culpa ou omissão.
• O dolo ou a culpa têm aplicação dupla, são elementos da
culpabilidade ao lado da:
• Imputabilidade
• Potencial consciência da ilicitude
• Exigibilidade de conduta diversa
• Não houve voz que se levantasse no Brasil, pouco discutida.
Nosso código adotou em um dos seus dispositivos.
• A dificuldade de se conceituar o que seja relevância social da
conduta é visível, pois exige um juízo de valor. O critério é por demais vago e
impreciso, tornando indeterminada a tipicidade.

TEORIAS DA AÇÃO ou TEORIAS DA CONDUTA


TEÓRI TEORIA CAUSALISTA TEORIA FINALISTA TEORIA SOCIAL
COS (VON LISZT, BELING) (WELZEL) (JESCHECK, WESSELS)
Primeira Idéia para se
compor um sistema de
Direito Penal
Movimento corporal Conduta dirigida para o Conduta socialmente
AÇÃO voluntário resultado relevante, dominada ou
+ (a ser examinada desde dominável pela vontade
Causação do resultado logo)
Prática do fato típico prática do fato típico
(tipo objetivo) (tipo objetivo)
TIPO Prática do fato típico + +
(tipo objetivo) Lesão intolerável dolo ou culpa
(tipo subjetivo)
Obs: dolo (natural) ou
culpa vieram para a
tipicidade.
(tipo subjetivo)

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DOLO (normativo) OU CENSURABILIDADE CENSURABILIDADE


CULPA (como conteúdo da (como conteúdo da
(como espécies da culpabilidade) culpabilidade)
culpabilidade)
CULPA Requisitos da Requisitos da
BILI IMPUTABILIDADE censurabilidade: censurabilidade:
DADE (como pressuposto do dolo • Imputabilid • Dolo
e da culpa) ade (motivação interna) ou
• Potencial culpa
EXIGIBILIDADE DE consciência da • Imputabilid
CONDUTA DIVERSA ilicitude ade
(para alguns autores) • Exigibilidad • Potencial
e de conduta diversa consciência da
ilicitude
• Exigibilidad
e de conduta diversa

• São formas de conduta:

• Ação – é o ato de fazer, provocar alguma coisa. Claro que na Teoria


Finalista significa fazer com a intenção de alcançar determinado resultado, inclui o
dolo do agente. Manifesta-se por intermédio de um movimento corpóreo tendente a
uma finalidade.

• Omissão – É a não-realização de um comportamento exigido que o


sujeito tinha a possibilidade de concretizar. Deixar de fazer algo quando a lei
determina que se faça. É um ato contrário à lei antes de tudo. Essa omissão, deve-
se ter muito cuidado, pode ser omissão própria (o próprio crime descreve a
omissão, tal como a omissão de socorro; a omissão de notificação de doença em
que o médico deixa de comunicar, todas as vezes que o médico deixa de
comunicar à autoridade, somente pode ser praticado por omissão, sempre um
crime unissubsistente, tem o dever de socorrer, ou socorre ou não há crime, deixa
de fazê-lo e já está consumado, ou faz ou não faz, não admite a tentativa, sempre
impossível, lógico) e omissão imprópria (a lei descreve somente a ação e o
resultado, matar alguém, ação matar, resultado é a morte de alguém, o cadáver, se
alguém conseguir provocar o resultado por omissão estará matando alguém e
estará incluído no fato típico, a lei penal não descreve a conduta omissiva,
descreve uma conduta, geralmente uma ação e um resultado, se alguém conseguir
chegar por uma omissão, plurissubsistentes, são sempre crimes materiais, pode
alcançar por ação ou omissão).
Exemplo: Dia de sábado de manhã, em redor da piscina de um clube. No meio da
piscina alguém começa a se afogar. Ninguém faz nada, nós poderíamos dizer: omissão de
socorro. Nós temos o dever jurídico, imposição legal de salvar a pessoa que está se afogando?
Não há lei que nos ordene, a nossa omissão só pode ser própria, crime omissivo próprio,

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omissão de socorro. Pensem no salva-vidas contratado que assiste a tudo de braços cruzados,
aquelas pessoas que por meio de contrato se compromete têm o dever jurídico, não
responderá pela omissão própria, mas sim imprópria, se não fizer nada cometerá homicídio por
omissão. No crime omissivo impróprio há sempre o dever jurídico, por isso
responsabilizado pelo resultado, não provocou o resultado, está sendo punido por não ter
evitado o resultado. Tinha o dever legal de evitá-lo. Para os banhistas tanto faz que morra ou
não, sempre omissão de socorro, o crime continuará, claro que haverá causa de aumento de
pena. A nossa omissão já estará caracterizada, não depende de resultado naturalístico, é um
crime de mera omissão. Já no omissivo impróprio só existe punição se houver um resultado,
morte, tentativa criminosa (circunstâncias alheias a sua vontade).

• A ocorrência de caso fortuito (evento imprevisível, não provocado


pelo homem – rompimento da barra de direção do automóvel, provocando um
atropelamento) ou força maior (inevitabilidade do resultado, causada por força da
natureza – inundação, terremoto – ou coação física irresistível) exclui o fato típico, por
ausência de dolo ou culpa. São excludentes de tipicidade: caso fortuito e força
maior. A pessoa não poderá ser responsabilizada penalmente. Uma força externa
controlava o resultado e não a própria pessoa.

• Não há conduta penalmente relevante sem dolo ou culpa, porque não


há responsabilidade objetiva no nosso ordenamento jurídico. São os elementos
subjetivos. Sem fato típico não há crime.

• Os movimentos reflexos (ataque epiléptico, espirro), que independem


da vontade, e os estados de inconsciência (sonambulismo, sono profundo, hipnose
profunda), desde que involuntários (do contrário, serão exemplos de actio libera in
causa), excluem o fato típico, por ausência de dolo ou culpa.
• O Crime Omissivo só tem explicação por meio do seu elemento
objetivo: o dolo.
• Dolo e Culpa estão no fato típico, dentro do fato típico já se diferencia a
conduta doloso e culposa, por isso tratados de forma diferenciada.
1.3. RESULTADO
1.3.1.TEORIA JURÍDICA ou NORMATIVA

• Segundo a teoria jurídica ou normativa (defendida por Mirabete,


Pierangeli e Zaffaroni), resultado é a lesão ou perigo de lesão de um interesse
protegido pela norma penal. Portanto, para essa teoria, todos os crimes têm
resultado, e o resultado é elemento obrigatório do fato típico.
• Essa é a Teoria adotada no mundo todo.

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• Não está preocupada com o resultado visto pelas pessoas, mas com a
normatização do tema, todo crime tem que ter resultado, pois todo crime tem um bem
jurídico protegido pela norma penal.
• Todo crime tem objetividade jurídica. Conduta penal tem que ser
conduta importante. Só faz sentido inserir uma norma penal incriminadora quando
proteger um bem jurídico relevante.
• O resultado é sempre a lesão ou um perigo de lesão ao bem jurídico,
todo crime tem um resultado: lesão ou perigo de lesão.
• Crimes de Dano
• Crimes de Perigo
• Mirabete defende tal teoria, mas a visão do Damásio prevaleceu.

• Para a Teoria Normativa o resultado pode ser a lesão ou perito de


lesão, então todo crime tem resultado, sendo esse um elemento obrigatório.
1.3.2.TEORIA NATURALÍSTICA

• Segundo a teoria naturalística (recentemente abandonada por


Damásio), resultado é a modificação do mundo causada pelo comportamento
humano. Como a lei prevê crimes que não implicam em modificação do mundo, pode-
se afirmar que essa teoria admite crimes sem resultado. Segundo essa teoria, os
crimes podem ser materiais, formais e de mera conduta (sem resultado).
• Pode ser observado pelo mundo exterior.
• O resultado não é obrigatório do fato típico.
• Nem todo crime descreve resultado. Acabou de explicar a omissão.
• O grande doutrinador sempre foi o Damásio, sempre foi o árduo
defensor da teoria naturalística do resultado. Se determinado crime é material, formal
ou de mera conduta. É a Teoria Naturalística do Resultado.
a) Material: descreve a conduta e o resultado. No homicídio que
é crime material, não há outro jeito, é preciso que a vítima morra, senão é
tentativa.
b) Formal: descreve a conduta e o resultado, porém este é
desnecessário para a consumação, que se consuma somente com a
conduta. De forma simples o resultado é descrito como a intenção do
agente. No crime formal a intenção do agente é o resultado, então tanta faz
o resultado ocorrer ou não.
Exemplo: Art. 158.
Extorsão
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou
para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa.

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c) Mera Conduta: não há resultado, somente conduta. Consuma-se apenas com a


conduta. Não há descrição sequer do resultado.

1.4. RELAÇÃO DE CAUSALIDADE ou NEXO CAUSAL


• Para haver fato típico, é necessário que exista relação de causalidade entre conduta e
resultado.
• Tem que demonstrar que foi a conduta que examinamos que causou o resultado.
Mesmo que seja o perigo de lesão.
Exemplo: Alguém atira na vítima e mata. Tem que comprovar que foi o disparo da
arma de fogo que causou a morte da vítima, aquela arma.
• Comportamento típico do brasileiro: avaliação apressada dos fatos.

• O nosso CP adotou a teoria da “conditio sine qua non” (Teoria da Equivalência dos
Antecedentes Causais), que considera causa a ação ou omissão sem a qual o
resultado não teria ocorrido (art. 13, caput, 2ª parte).
Relação de Causalidade
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa.
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. (Alterado pela L-
007.209-1984)

• Vamos analisar a conduta e pensar que se desaparecesse daria ou não causa.

• Exemplo: Alguém atirou e matou a vítima. Se o senhor não tivesse vindo à aula o
sujeito teria morrido do mesmo jeito? Sim. Então não tem relação.
►Quem vendeu a arma para o homicida?
O comerciante deu causa ao resultado? Por essa Teoria ele deu. Quem construiu o prédio
também deu causa à morte do aluno, pois o crime não teria ocorrido aqui. O pai e a mãe do
autor do disparo também, já que colocaram o sujeito no mundo. Tende a levar ao infinito,
todo mundo dá causa a tudo.

• Causa é a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Quando se
suprime a ação ou omissão e o resultado não ocorra não é relevante.

• Para se saber se um antecedente foi causa do resultado, deve-se procurar eliminá-lo


mentalmente, e verificar se o resultado, sem ele, teria acontecido. Assim, se a vítima é
atropelada na fuga, quando fugia da agressão, há relação de causalidade, pois se a
agressão fosse suprimida, a vítima não fugiria e não seria atropelada.

• Critica-se essa teoria com a afirmação de que a corrente causal iria ao infinito,
incriminando o vendedor da arma que causou a morte de alguém, o seu fabricante, etc.
Todavia, a objeção não tem razão de ser, pois mesmo estabelecida a relação de
causalidade entre esses atos e o resultado, a relevância penal acha-se limitada pelo

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elemento subjetivo do fato típico: só pratica conduta típica quem age com dolo ou
culpa.
• Para quem adota, quanto à natureza do resultado, a teoria naturalística, somente se
exige nexo causal para configuração do fato típico nos crimes materiais, pois nos
formais não se exige que o resultado se produza, e nos de mera conduta nem
resultado há.
• Na Europa e na Alemanha o DP é muito avançado, não usam mais essa Teoria, não
adotam no Código Penal nenhuma teoria específica. Não é absurdo adotar tal teoria
para fixar o nexo causal, porque é apenas um dos quatro elementos do fato típico,
mesmo que o nexo causal leve ao infinito, há os demais elementos, pois é preciso
preencher TODOS OS REQUISITOS.
• O dolo e a culpa integram a conduta, ou seja, mesmo quem esteja ligado pelo nexo
causal, se não tiverem agido com dolo ou culpa não poderão se incriminados.

• Quem vendeu a arma teve dolo ou culpa? Senão não responderá. Quem fabricou?
Quem construiu o prédio? Não responderão, porque tais pessoas não agiram com dolo
ou culpa. Os elementos só funcionam em conjunto. Devem ser analisadas
individualmente, mas também em conjunto. Quando se juntam as peças, conclui-se
que somente quem fez o disparo responderá, no exemplo acima.
• Quem adota a Teoria Naturalística, que admite crimes formais (com resultado) e de
mera conduta (sem resultado), vai dizer que o nexo causal não é um elemento
obrigatório, já que não há resultado.
• Quem adota a Teoria Normativa quanto ao resultado, no sentido de que todo crime tem
um resultado (lesão ou mero perigo de lesão), exige o nexo causal como elemento
obrigatório do fato típico.

2. RELEVÂNCIA DA OMISSÃO
►Quando faz sentido falar de omissão penalmente relevante?
Quando o crime é omissivo próprio já há uma norma penal incriminadora que diz “deixar de
fazer”, já está no próprio tipo penal. Isso é importante nos crimes omissivos impróprios, o
tipo penal descreve a conduta e o resultado, a omissão não é descrita expressamente.
Quem é que tem o dever jurídico de impedir que o resultado ocorra?
Omissão Própria – está descrita na lei
Omissão Imprópria – não está descrita na lei

• Omissão Imprópria: tem que estar na lei, na parte geral do código penal, tem que
estabelecer quando a omissão é penalmente relevante. O crime omissivo impróprio é
exemplo de TIPICIDADE INDIRETA, quando tem que combinar o tipo penal com uma
regra da parte geral.

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Exemplo: Tentativa não está na parte especial, mas no art. 14 da parte geral.
Exemplo: Também na participação, art. 29, quem de qualquer forma contribuiu para o
crime. Art. 121 c/c art. 29.
Exemplo: Omissão imprópria, o salva-vidas só responde pela combinação do art. 121 com
o art. 13, § 2º.

• Com a modificação operada no projeto de lei que originou a reforma do CP (Lei nº


7.209/84), ficou estabelecida uma contradição doutrinária: enquanto o caput do art. 13
adota o nexo de causalidade na omissão pela teoria naturalística (ação e omissão se
equiparam como causas do resultado), o § 2º do mesmo dispositivo encampa a teoria
normativa (a omissão não é causa do resultado, atribuindo-se este ao agente por não
ter agido para impedi-lo quando tinha o dever de fazê-lo).
• Segundo a melhor doutrina (que adota a teoria normativa), não existe relação de
causalidade física entre a omissão e o resultado. A estrutura da conduta omissiva é
essencialmente normativa, não naturalística. O nexo causal é entre o resultado e a
conduta que o sujeito estava juridicamente obrigado a realizar e omitiu. Ele responde
pelo resultado não porque o causou com a omissão, mas porque não o impediu.
Logicamente, a questão só existe quanto aos crimes omissivos impróprios (materiais),
pois nos omissivos próprios o resultado apresenta um conteúdo meramente jurídico
(são crimes de mera conduta).
• A relevância da omissão é nexo de causalidade. A diferença é que quando é
praticado por ação há nexo de causalidade entre conduta e resultado, na
omissão é entre a conduta que estava obrigado a praticar e não praticou e o
resultado.
• O agente é punido não por ter causado o resultado, mas por não ter EVITADO o
resultado.
• Nexo da causalidade na omissão é chamado de RELEVÂNCIA DA OMISSÃO.

• São pressupostos da causalidade omissiva (nos crimes comissivos por omissão):

a) Reconhecimento de que a movimentação do omitente provavelmente teria


evitado o resultado: será que se o salva-vidas pulasse teria evitado o
resultado? Claro que não é certeza, não precisa provar para punir o salva-
vidas que se tivesse pulado salvaria o banhista com a sua ação, apenas que
havia uma chance.
b) Violação do dever de agir (art. 13, § 2º), estão previstos expressamente, é a
lei que vai dizer quem é obrigado a evitar o resultado, ou seja, quem se omite.

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c) Possibilidade de agir: se a pessoa pudesse ter feito alguma coisa, no caso do


clube se alguém colocasse uma arma na cabeça do salva-vidas e dissesse que
se pulasse morreria, isso irá excluir o nexo de causalidade.

• Resta saber se o risco que correria o omitente pode justificar sua inação. Não
podem invocar a presença do perigo os que têm a obrigação de enfrentá-lo
(bombeiros, policiais) e aqueles que hajam provocado a situação perigosa precedente.
Relevância da Omissão
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O
dever de agir incumbe a quem: (Alterado pela L-007.209-1984)
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.

• Os congressistas modificaram o texto do art. 13, caput, há uma contradição com o § 2º,
provocou o seguinte, o resultado só é imputável a quem lhe deu causa.
• Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Pelo
artigo 13, caput, o salva-vidas matou o banhista, quando na verdade não matou
ninguém, apenas deixou de salvar. Eis a contradição. Então, DEVIA e PODIA, só faz
sentido se reconhecer antes que a omissão não é causa do resultado, se achar que a
omissão é que é a causa do resultado não precisaria normatizar. Caput adota a Teoria
Causalista e o § 2º adota a Teoria Normativa. O parágrafo segundo traz a Teoria
moderna e o caput a visão superada.
• Tem o dever de agir (art. 13, § 2º) quem: (DEVE ESTAR ESTABELECIDO NA LEI,
se não estiver não poderá ser punido):
a) Tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância: essas
obrigações advêm das atividades que implicam em obrigação de cuidado ou
vigilância (militares, policiais, bombeiros, médicos, tutores, curadores) ou das
relações de poder familiar, casamento, família, etc. Exemplo: art. 1.634 do CC.
Legislações específicas, leis que regulamentam as atividades dos policiais.
Norma penal em branco e tipicidade indireta ao mesmo tempo.
b) De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado –
assume a posição de garantidor, com ou sem contrato, aquele que fornece
seus serviços de vigilância, engenheiro, guia, enfermeiro, salva-vidas, babá,
etc. Quem oferece seus serviços.
Exemplo: Qualquer pessoa que forneça com contrato ou sem contrato os seus
serviços para garantir o bem de alguém, vai de férias escalar uma montanha, um alpinista, que
não poderá ocorrer nada de mal com você. Só há obrigação contratual, quando não há a legal.
Exemplo: Passageiro que passou mal a bordo, alguém perguntou se havia um médico
a bordo. O médico não se manifestou, vai responder pelo resultado, no caso foi a morte

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daquele que viajava. Há atividades em que a pessoa não pode se eximir alegando que NÃO
ESTÁ EM SERVIÇO.

c) Com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado –


quem cria o perigo, dolosa ou culposamente, tem o dever de impedir que
este venha a converter-se em dano. Não é legal e sequer contratual. Não
existe responsabilidade objetiva no Direito Penal, o provocar o perigo significa
provocar com dolo ou culpa evidentemente.
Exemplo: Fazendeiro maluco adora colocar fogo para queimar a plantação para
transformar em pasto. Imaginem que ateou fogo que se alastrou, está chegando à casa do
vizinho. Quem provocou o perito foi o sujeito que ateou fogo, assim tem a obrigação de evitar o
resultado.
Exemplo: Se provocou o perigo, a partir desse momento é responsável por evitar o
resultado, a lei determina, se é obrigado e não o faz, está agindo provavelmente com dolo
eventual em relação ao resultado. Em algumas hipóteses a doutrina entende como culpa
consciente.

Exemplo: Alguém procurou atendimento, foi medicada e foi para casa. Voltou para o
hospital, mesmo médico, mesmo plantão. Já dei atendimento. A pessoa morreu esperando. Foi
acusado de homicídio por omissão imprópria e dolo eventual. A maioria entendeu que houve
culpa por negligência, deixar de prestar socorro quando deveria deixar de fazê-lo, homicídio
culposo. Responsabilizou-se em virtude da lei. A opinião do professor como estudioso do
Direito Penal é dolo eventual, já que a pessoa estava doente, foi medicada pelo próprio médico
e retornou ainda passando mal.
Exemplo: O banhista está morrendo na piscina. Uma coisa é estar assistindo a cena:
dolo direito ou eventual. Outra coisa e conversar com uma moça e não ver o banhista, agora
não há dolo direto ou eventual, agora foi negligente.

• A omissão penalmente relevante pode dar causa a crimes dolosos e culposos.


Exemplo de crime culposo: o salva-vidas não percebe que o banhista está se
afogando, por ter se distraído numa conversa, vindo o banhista a falecer.

3. SUPERVENIÊNCIA DE CAUSA RELATIVAMENTE INDEPENDENTE


Superveniência de Causa Independente
§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só,
produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou. (Alterado pela L-
007.209-1984)

• Ainda está dentro do tema Nexo Causal.

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• Quando ocorre um resultado jurídico, uma morte de alguém, nem sempre há uma
causa, pode haver duas ou mais causas para o mesmo resultado. Às vezes, quando
tomamos conhecimento de um fato não sabemos o que deu causa, existem várias
possibilidades.
Exemplo: Alguém vai perder sua vida, existem duas coisas que podem contribuir, a
primeira coisa é a conduta da pessoa que vai tentar contra a vida. A conduta do agente que
está iniciando a conduta, outra coisa é o fato que vai caminhar paralelamente à conduta, essa
causa paralela também pode causar o resultado. Isso quer dizer que no final vai acontecer a
morte por culpa exclusiva do agente, culpa lato sensu, dolo, ou vai acontecer a morte em
virtude exclusivamente da causa paralela. Poderá também ser a combinação das duas coisas.
• Claro que se no final a causa paralela não ajudar em nada é como se o crime tivesse
sido causado somente pelo agente, podemos excluir a causa paralela da história.
Exemplo: Avião caindo sobre alguém, porém já estava morta. A queda do avião não é
mais importante.
• Quando a causa paralela provoca sozinha ou quando contribuiu para o resultado. Isso
é o que nos importa.
• A vítima vai morrer, pode morrer em virtude da conduta praticada com o agente em
concurso da causa paralela ou somente da causa paralela. Quando morrer só pela
vontade do agente não tem dificuldade, vamos excluir tal hipótese. A causa paralela
que caminha junto à conduta do agente.

• Junto à conduta do agente, podem ocorrer outras condutas, condições ou


circunstâncias que interferem no processo causal. Essas causas podem ser
absolutamente ou relativamente independentes do comportamento do agente e,
segundo o momento em que ocorrem, podem ser preexistentes, concomitantes ou
supervenientes à conduta do sujeito ativo.
 Preexiste: age antes do agente.
 Concomitante: age junto com o agente.
 Superveniente: age depois do agente.

• A causa é absolutamente independente quando, por si só, produz o resultado, não se


ligando de forma alguma com a conduta. Nesse caso o agente não provoca o
resultado. O motivo anterior provoca a morte sem que o agente contribua.
Exemplo: “A” atira em “B”, que vem a falecer em virtude do veneno que havia ingerido
(preexistente), a única causa da morte foi o envenenamento prévio. No momento dos disparos
o veneno já havia feito efeito. A solução jurídica, o agente atirou na vítima, mas não matou.
Não conseguiu matar por circunstâncias alheias a sua vontade, então é TENTATIVA. Quem
matou foi o veneno. O agente não provocou o resultado morte, porque não existe nexo de
causalidade com a morte. O resultado só é imputado a quem deu causa. Se o agente não

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tivesse feito os disparos a vítima teria morrido, logo responderá pela conduta anterior e não
pela morte.
Exemplo: “A” fere “B” no exato momento em que este vem a falecer exclusivamente
em virtude de um ataque cardíaco (concomitante). Ressalte-se não foram os disparos que
provocaram o ataque cardíaco. O agente somente tentou provocar a morte, então será
responsabilizado pela tentativa e não pela consumação.
Exemplo: “A” ministra veneno na alimentação de “B” que, quando está tomando a
refeição, vem a falecer em virtude de um desabamento. No exato momento em que está
mastigando as garfadas um avião cai e a vítima morre em razão do desabamento, há veneno
nas vísceras, mas a morte foi causada pelo esmagamento do crânio, o veneno não funcionou.
(superveniente). Porque aconteceu após o envenenamento, exclui a imputação em
relação ao homicídio consumado, por circunstancias alheias a sua vontade não
conseguiu consumar, então responderá por tentativa.
Nesses exemplos, a morte de “B” não pode ser imputada a “A”, pois ainda que
inexistente a conduta, o resultado teria igualmente ocorrido. O problema é resolvido pelo caput
do art. 13: há exclusão do nexo causal, pois o resultado não tem relação com a conduta
do agente. Assim, o agente não responde pelo resultado, mas somente pelos atos
praticados antes da sua produção, ou seja, pela tentativa.

• A causa é relativamente independente quando se constitui a principal responsável


pelo resultado, é desconhecida pelo agente e só atuou em face da conduta deste.
Aqui se soma à conduta do agente.
Exemplo: “A” golpeia “B”, que vem a falecer por ser hemofílico Queria continuar
golpeando, por circunstancias alheias, sofreu um único golpe de faca, as pessoas seguraram.
(preexistente). Mesmo que esteja sendo favorecido por uma causa pararela
desconhecido o que importa é que conseguiu seu intento. Se o agente não tivesse
praticado as facadas a vítima não teria morrido. Nos termos da lei para ser responsabilizado
basta ele ter dado causa. Homicídio consumado. Art. 13, caput.
Exemplo: “A” atira em “B”, no exato instante em que este está sofrendo um ataque
cardíaco, provando-se que a lesão contribuiu para a eclosão da morte (concomitante). O
agente não sabe do ataque cardíaco, houve disparos que causaram lesão e um ataque ao
mesmo tempo, os disparos ajudaram a provocar a morte, que não foi causado de forma
exclusiva, os disparos até ajudaram na eclosão. Nesse caso é concomitante à causa paralela,
colaborou para o resultado. Art. 13, caput.
Exemplo: “A” atira em “B”, que, mortalmente ferido, é levado ao hospital, onde vem a
falecer em virtude de um incêndio (superveniente). Nos dois primeiros exemplos (causa
relativamente independente preexistente ou concomitante), as causas não excluem a linha
de desdobramento físico das ações, de modo que, em face do art. 13, caput, os agentes

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respondem pelo resultado morte, já que a conduta foi a causa do resultado, apesar de não
ter sido a única.
No terceiro exemplo (superveniência de causa relativamente independente),
exceção à regra (política criminal, pura opção do legislador), o agente não responde pelo
resultado, mas somente pelos atos anteriores (tentativa), em face do § 1º do art. 13, já que a
superveniência da causa fez com que o evento ocorresse de forma diversa da que teria
ocorrido se a série causal antecedente prosseguisse na sua atuação normal. Se a vítima
não tivesse sido ferida, não seria levada ao hospital e não morreria vítima de incêndio. Assim, a
causa provocadora da morte é relativamente independente em relação à conduta anterior.
Está mal formulado, superveniência de causa relativamente independente, se a causa
por si só produziu o resultado é por si só independente. Não é a causa que por si só, na
verdade ajudou a produzir o resultado, não existe antes da conduta do agente e sequer ao
mesmo tempo, é superveniente então exclui a imputação. Responderá apenas pelos atos
anteriores.
• Houve um rompimento do nexo causal e a morte foi provocada por outro fator, por isso
causa paralela, mas se não houvesse a conduta do agente não ocorreria a morte do
agente. No fundo é difícil entender que a superveniente de causa relativamente
independente é causada de forma diferente é somente em razão de POLÍTICA
CRIMINAL, o legislador ESCOLHEU tratar de forma diferente.
• Não existe explicação técnica, apenas de política criminal. Então, conclui-se: a opção
não é lógica.
• A regra é a do artigo que está no caput, que deveria ser aplicada a todos os casos.
• A expressão contida no § 1º do art. 13 (“causa que por si só produz o resultado”) não é
de perfeição técnica, pois recorda a independência absoluta da causa superveniente. O
que o legislador quis dizer é “quando for a principal responsável pelo resultado”.

4. TIPICIDADE
• A tipicidade no sentido estrito é o quarto e último dos elementos do fato típico. É a
perfeita correspondência exata entre o fato praticado pelo agente e a descrição contida
na norma penal incriminadora. É a obediência ao princípio da reserva legal.
• O tipo penal tem duas funções:

a) De garantia: sustentando o princípio da reserva legal, de preservação do


princípio da reserva legal.
b) Indicar a antijuridicidade do fato: a sua contrariedade ao ordenamento
jurídico. Praticado um fato típico, presume-se também a sua antijuridicidade,
presunção que somente cessa diante da existência de uma causa que a
exclua. Presumimos que o fato típico é antijurídico, não é questão automática,
mas que todo fato típico é presumivelmente antijurídico, tal presunção de

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ilicitude só cai quando se prove no processo uma causa de exclusão.


Presunção de admite prova em contrário.

• Nem sempre a adequação do fato ao tipo penal se opera de forma direta (tipicidade
direta),

• Quando é necessário para se chegar à tipicidade que se complete o tipo penal com
outras normas, contidas na parte geral do CP é o que se chama de tipicidade indireta.
Exemplo: tentativa (art. 14, II) e concurso de agentes, nas modalidades co-autoria
parcial (funcional) e participação (art. 29).
• Os elementos que compõem o tipo penal podem ser:

a) Objetivos (descritivos) – Se referem à materialidade da infração penal (forma


de sua execução, tempo, lugar, sujeito ativo, sujeito passivo, objeto, meios
empregados pelo agente, etc.). A fórmula do tipo é composta pelo verbo que
expressa a conduta, acompanhado de complementos e circunstâncias (ex.:
matar alguém). Diz respeito ao crime. Todo crime tem algum elemento objetivo,
não existe fato típico sem descrição objetiva.
b) Subjetivos – Se referem a certas particularidades psíquicas da ação. Dizem
respeito à pessoa que pratica o crime. Está sempre implícito no tipo penal: dolo
ou culpa. O dolo genérico e a culpa são elementos subjetivos do tipo. Nos tipos
que somente contém elementos objetivos, a carga subjetiva da conduta
esgota-se no dolo (implícito no tipo). Em outros, porém, o tipo subjetivo é
composto do dolo e de outros elementos subjetivos contidos na descrição da
norma penal incriminadora. Esses outros elementos subjetivos do tipo situam-
se além do dolo, e podem ser um fim especial visado pelo agente (dolo
específico), como as expressões “para fim libidinoso” (art. 219), “para si ou
para outrem” (art. 155), “com o fim de lucro” (art. 231, § 3º), etc., ou a ciência
de algum detalhe, como as expressões “que sabe ser” (art. 180), “conhecendo
essa circunstância” (art. 235, § 1º), etc., ou, ainda, certas características
psíquicas do agente, como a crueldade, o motivo fútil, etc. A punição por culpa
é uma exceção. A resposta está na cabeça do agente, nunca somente nos
fatos. A resposta está sempre no enunciado da questão, nunca nas
alternativas. No concurso público em questão de direito penal a resposta está
sempre no enunciado, não há como fugir disso. O examinador tem que
descrever o elemento subjetivo no enunciado. O difícil é achar a solução no
processo, ao contrário do concurso público não conseguimos descobrir o que a
pessoa queria fazer. Quando não há prova da infração absolve ou desclassifica
para crime menor. Há crimes formais que dizem a conduta e o resultado, mas
há crimes em que o resultado não é necessário. Exemplo disso é a extorsão.
Seqüestro de alguém par a pedir um resgate, finalidade além do dolo.

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Seqüestro ou cárcere privado exige apenas o dolo genérico, extorsão mediante


seqüestro, o fim do seqüestro é a extorsão. O motivo fútil, a crueldade são
qualificadoras, tais características psíquicas do agente são elementos
subjetivos do autor, nem sempre será o dolo genérico implícito no tipo penal.
c) Normativos – Há outro elemento subjetivo que vai além do dolo. Finalidade
específica que é mais especifica que o dolo. São expressões que exigem uma
avaliação do seu significado jurídico (“documento” – art. 297, “função
pública” – art. 328) ou social (“mulher honesta” – art. 215, “decoro” – art. 140,
“dignidade” – art. 140), ou que se referem à antijuridicidade (“indevidamente” -
art. 319, “sem justa causa” - art. 244, “fraudulentamente” – art. 177). Qualquer
descrição que diga respeito à antijuridicidade, fazer isso “indevidamente”,
porque diz respeito à antijuridicidade, porque fazer devidamente é lícito. “Sem
justa causa”.
Exemplo: O rapto passou a ser seqüestro bastando a finalidade libidinosa, até o
homem poderá ser vítima.

• Em princípio, a lei deve restringir-se à descrição objetiva do fato, evitando a


necessidade de um juízo de valor na apreciação da tipicidade. Entretanto, isso nem
sempre é possível. O tipo pode ser:
a) Normal – Contém apenas elementos objetivos (homicídio). O dolo fica
sempre implícito. Seria ideal.
b) Anormal – Contém elementos subjetivos ou normativos, além dos objetivos,
razão pela qual exige apreciação mais acurada da conduta. Há prejuízo ao
princípio da reserva legal, porque o elemento subjetivo está na cabeça do
agente, o conteúdo ou significado é diferente para cada um dos operadores do
direito, às vezes, a própria lei dá o conceito, como o de funcionário público.

5. PRINCÍPIO DA INSIGNIICÂNCIA OU BAGATELA

• Pela teoria normativa do resultado quando o crime é de dano é este dano é


insignificante pode não valer a pena a punição penal. Convencionou-se que as lesões
jurídicas muito pequenas ficam excluídas de punição penal por ausência de tipicidade,
porque o resultado é insignificante.

• Por essa razão tem-se entendido que subtração de clipes, canetas, folhas de papel são
atípicos.
• Também em relação ao funcionário público. Exclusão da significância.

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• Até pouco tempo atrás quando se usava telefone com ficha, amarrava uma linha na
ficha. Atualmente a modalidade é outra, raspa o cartão nos lugares certos. Estelionato.
Tem-se entendido pela aplicação do Princípio da Insignificância.
• O Princípio da Insignificância foi elabora por Claus Roxin que elaborou também a
Imputação Objetiva. Forma de exclusão do Fato Típico.
• Tornar o fato atípico não é possível, mas tornar mais benéfico. Atenuante inominada.
No caso de peculato de bem de pequena monta. Só é possível fazer esse raciocínio se
houver norma penal autorizando.
• No Brasil é comum fazer norma penal por jurisprudência, não há crime quando a
pessoa paga o cheque sem fundos antes do recebimento da denúncia, não há norma
para isso. Cheque é ordem de pagamento à vista, modalidade de estelionato. Depois
corre e paga o cheque, mesmo tendo o dolo de emitir o cheque sem fundo. O STF
inventou uma exclusão por Súmula. Exclui a tipicidade sem motivo legal. Não aceita
política criminal por jurisprudência, só pode fazer pelo legislador.

Exemplo: Imaginem o funcionário público que subtrai folhas de papel, individualmente


a conduta está amparada pelo princípio da bagatela, faz isso todo dia. No final do ano suprimiu
500 resmas, caiu o princípio da bagatela, continuidade delitiva, as ações são um todo. No final
a lesão não são 10 folhas, mas 500 resmas de papel.
Exemplo: Insignificância perante o bem e o outro conceito perante à vítima. Quem
considera a violação do bem jurídico penalmente protegido, fui a um local e a pessoa me
segurou, por dois segundos depois me soltou e fui embora. O bem jurídico protegido é a
liberdade, não faz sentido punir por tão pouco tempo. Outra interpretação é a de que foi furtada
uma bicicleta, a vítima é muito rica, tem cinco carros na garagem, que falta fará a bicicleta.
Predomina perante a norma legal. No caso do furto, se a coisa é de pequeno valor há redução,
não é princípio da insignificância, mas redução.

COISA DE PEQUENO VALOR: (diminuição da pena no furto) até um salário mínimo.


Somente se aplica quando a coisa não vale nada mesmo, porque está excluindo a tipicidade,
porque no furto já está reduzindo a pena. Ou uma coisa ou outra.

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6. TIPO DO CRIME DOLOSO


6.1. CONCEITO DE DOLO

• O dolo, de acordo com a teoria finalista da ação, é elemento subjetivo


do tipo (implícito). Integra a conduta, pelo que a ação e a omissão não constituem
simples formas naturalísticas de comportamento, mas ações ou omissões dolosas.
• Dolo é a vontade de realizar o tipo objetivo, orientada pelo
conhecimento de suas elementares no caso concreto.

6.2. TEORIAS SOBRE O DOLO

• Da Vontade – Age dolosamente quem pratica a ação voluntariamente,


e com consciência da conduta e do resultado;

• Da Representação – Dolo é a previsão do resultado. Quem prevê o


resultado da sua conduta, mesmo que não queira o resultado.

• Do Assentimento (consentimento) – Dolo é a previsão do resultado


como certo, provável ou possível, não exigindo que o sujeito queira produzi-lo. É
suficiente seu assentimento.

• Art. 18 – quis (dolo direto – teoria da vontade) o resultado ou


assumiu o risco (dolo eventual – teoria do assentimento)

• Para a Teoria Finalista da Ação, o dolo é natural, representado pela


vontade e consciência de realizar o comportamento típico que a lei prevê, mas
sem a consciência da ilicitude (o dolo persiste, ainda que o agente não saiba que seu
comportamento é antijurídico. Nesse caso, continua havendo o dolo, e apenas a
culpabilidade do agente ficará atenuada ou excluída – art. 21). Não contém a
consciência da ilicitude, quer provocar o resultado, ainda que ele não saiba que o
comportamento é ilegal. Basta ter consciência da conduta e do resultado, basta que
QUEIRA provocar.

• Já para a Teoria Causalista, o dolo é normativo, pois contém a


consciência da ilicitude. Assim, para a teoria finalista da ação o dolo é elemento
subjetivo do tipo, integrando o próprio comportamento, enquanto que para a teoria
causalista o dolo integra a culpabilidade, e não a conduta. O dolo era normativo, tinha
que saber que a sua conduta era ilícita. Teria que ter conhecimento da ilicitude.

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6.3. SÃO ELEMENTOS DO DOLO


O dolo alcança tudo o que ocorre.
• Consciência:
• da conduta;
• do resultado; e
• da relação causal que existe entre os dois.

• Vontade de realizar a conduta e produzir o resultado.


• O dolo abrange não só o objetivo que o agente pretende alcançar,
mas também os meios empregados e as conseqüências secundárias de sua
atuação.
Exemplo: Furto em uma residência. Ingressar na residência, quer entrar. Isso quer
dizer que se ingressar na residência, mas não conseguir dar início a subtração já praticou
violação de domicílio. Há teorias que dizem que se entrou e não conseguiu furtar, não praticou
nada.

6.4. O DOLO PODE SER:


a) Dolo Direto: o agente realiza a conduta com o fim de obter o resultado, vai
praticar os atos necessários para alcançar o resultado. Sabe o que quer fazer.
Vai praticar os atos necessários para atingir o objetivo visado.
b) Dolo Indireto – A vontade do agente não é exatamente definida. Quando o
próprio agente não tem uma finalidade definida, nesse caso se subdivide em:
b.1) Dolo Indireto Alternativo – A vontade do agente se dirige a um ou outro
resultado (matar ou ferir), algum resultado em várias hipóteses, tanto faz para ele.
Adota-se a Teoria da Vontade.
b.2) Dolo Indireto Eventual – A vontade do agente não se dirige à obtenção do
resultado. O que ele quer é praticar a conduta, mas prevendo que o resultado
possa ocorrer, assume, assim mesmo, o risco de causá-lo (ex.: praticar o
militar “roleta russa” com seus subordinados, para experimentar-lhes a sorte,
matando um deles). Adota-se a Teoria do Assentimento. Pratica a conduta de
qualquer jeito, assume o risco. Não deseja, mas faz. Assumir o risco é que
caracteriza.
• O art. 18, I, define crime doloso como sendo aquele no qual “o agente quis o resultado”
(dolo direto ou alternativo) ou “assumiu o risco de produzi-lo” (dolo eventual). No
primeiro caso, o CP adotou a teoria da vontade, e, no segundo, a teoria do
assentimento.

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• De acordo com a teoria causalista, dolo genérico é a vontade de realizar fato descrito
na norma penal incriminadora, e dolo específico é a vontade de produzir um fim
especial. Assim, no homicídio, é suficiente o dolo genérico, uma vez que o tipo não
menciona nenhuma finalidade especial. Já o rapto é praticado “para fim libidinoso”
(dolo específico). Para a teoria finalista da ação não existe essa divisão, pois o dolo é
único, sendo o fim especial (que a teoria clássica chama de dolo específico) elemento
subjetivo do tipo.

• Existe dolo geral quando o agente, supondo ter conseguido o resultado pretendido,
pratica nova ação que, esta sim, vem a produzir aquele evento.
Exemplo: Esfaquear a vítima e, acreditando que já se encontra morta, jogá-la no rio,
vindo ela a falecer por afogamento.
O agente responde por homicídio doloso consumado em decorrência do dolo geral,
quando, tecnicamente, haveria tentativa de homicídio seguida de homicídio culposo.
Exemplo: Ocultar o cadáver e a vítima joga no rio. Primeira conduta porretada,
tentativa de homicídio. Joga no rio, homicídio culposo. Na prática dois crimes, pela Teoria do
Dolo Geral, ao invés de punir por dois crimes tentativa de crime doloso, pune pelo crime doloso
consumado, homicídio.
Apenas uma teoria, não significa que temos que aplicar. Tem lógica considerar uma
tentativa de homicídio mais um homicídio e considerar ao final como homicídio, de novo fora de
lógica. Então tem que ter dispositivo legal, já que é política criminal.

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