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UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU


CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS
DEPARTAMENTO DE DIREITO
PLANO DE AULA
(DP I – 2010.2 - Aula nº 02)

Identificação:
Disciplina: Direito Penal I
Departamento: Direito
Curso: Direito
Professor: Antoniel Lobo Cardoso

Carga Horária:
90 minutos.

Ementa:
Princípios aplicáveis ao Direito Penal.

Bibliografia utilizada:

- Capez, Fernando. Curso de Direito Penal, volume 1; parte geral (arts 1º a 120). 11ª.
ed. Rev. e atual. – São Paulo; Saraiva, 2007.
- Bitencourt, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal: parte geral, volume 1 – 11ª. ed.
Atual. – São Paulo; Saraiva, 2007.
- Prado, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, parte geral: arts. 1º a 120. 8ª ed.
rev. atual. e ampl. – São Paulo: editora Revista dos Tribunais, 2008. Vol. 1.
- Greco, Rogério. Código Penal comentado, 2ª ed. – Niterói – RJ. Ímpetus, 2009.

Objetivos:

Capacitar o aluno a identificar conceitos básicos relacionados com o Direito Penal,


particularmente a parte geral do Código Penal;
Instruir e capacitar o aluno a identificar e resolver problemas relacionados com a
matéria sob análise;
Oferecer ao aluno uma visão ampla, clara e, tanto quanto possível, integral da
interpretação e aplicação dos institutos referidos na ementa aos casos concretos;
Exercitar o aluno na análise dos fatos e circunstâncias relevantes para o Direito Penal,
especialmente a parte geral do Código Penal.
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CONTEÚDO:

1. INTRODUÇÃO.

2. PRINCÍPIOS DE DIREITO PENAL CONSTITUCIONAL.

2.1 Conceito de princípios:


2.2 Princípio da Reserva Legal (da legalidade) e da anterioridade
2.3 Princípio da irretroatividade da lei penal (ou Princípio da Retroatividade da
Lei Penal Benéfica);
2.4 Princípio da intervenção mínima (ou da necessidade, ou da ultima ratio, ou da
subsidiariedade);
2.5 Princípio da humanidade;
2.6 Princípio da pessoalidade da pena (ou da responsabilidade pessoal ou da
intranscendência da pena);
2.7 Princípio da individualização da pena;
2.8 Princípio do juiz natural;
2.9 Princípio do devido processo legal;
2.10 Princípio do contraditório e da ampla defesa;
2.11 Princípio do estado de inocência (para alguns, princípio da presunção da
inocência);
2.12 Princípio da limitação das penas (ou das penas impossíveis);
2.13 Princípio da vedação à auto-incriminação;

3. OUTROS PRINCÍPIOS DE DIREITO PENAL.

3.1 Princípio da lesividade;


3.2 Princípio da fragmentariedade;
3.3 Princípio da insignificância;
3.4 Princípio da proporcionalidade;
3.5 Princípio da culpabilidade (princípio da responsabilidade subjetiva)
3.6 Princípio da determinação taxativa (ou da taxatividade);
3.7 Princípio da igualdade;
3.8 Princípio da adequação social;
3.9 Princípio da confiança;
3.10 Princípio da materialização do fato;
3.11 Princípio da alteridade ou da transcendentalidade;
3.12 Princípio da co-culpabilidade (ou da co-responsabilidade)

4. QUESTÕES DE PROVAS ANTERIORES.

5. REVISÃO.
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1. INTRODUÇÃO.

Os princípios e idéias tornam-se indispensáveis a uma correta e perfeita aplicação da lei,


fazendo com que esta venha a realizar o importante fim a que se propõe o Direito:
disciplinar a convivência social.
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2. PRINCÍPIOS DE DIREITO PENAL CONSTITUCIONAL

2.1 Conceito de princípios:

O doutrinador Celso Antonio Bandeira de Mello define os princípio jurídicos da


seguinte forma: „mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele,
disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito
e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência, exatamente por definir
a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá
sentido harmônico‟.

É de bom alvitre distinguir entre princípios de natureza penal constitucional – princípios


penais propriamente ditos – previstos na Constituição. E outros princípios de conteúdo
não especificamente penais (de caráter geral), também consagrados no texto
constitucional que versam sobre matéria penal.

O certo é que, tanto uns, quanto outros operam como fundamento e limite do exercício
da atividade punitiva estatal.

2.2 Princípio da Reserva Legal1 (da legalidade) e da anterioridade

O Princípio da Legalidade é, na verdade, um fixador do conteúdo das normas penais


incriminadoras, ou seja, os tipos penais, mormente os incriminadores, somente podem
ser criados através de lei em sentido estrito, emanado do Poder Legislativo, respeitando-
se o processo legislativo previsto na Constituição Federal.

O Princípio da Anterioridade, por sua vez, significa que a lei penal incriminadora
somente pode ser aplicada a um fato concreto caso tenha tido origem antes da prática da
conduta para a qual se destina.

Estão contidos no CF, 5º, XXXIX: “não há crime sem lei anterior que o defina, nem
pena sem prévia cominação legal”, e, também, no CP, 1º: “Não há crime sem lei
anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal”.

Em latim: „nullum crimen nulla poena sine lege‟. Formulação que se deve a Feurbach2.

Assim, pelo princípio da legalidade, a elaboração de normas incriminadoras é função


exclusiva da lei, isto é, nenhum fato pode ser considerado crime e nenhuma pena
criminal pode ser aplicada sem que antes da ocorrência desse fato exista uma lei
definindo-o como crime e cominando-lhe a sanção correspondente. A lei deve definir
com precisão e de forma cristalina a conduta proibida.

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Alguns autores procuram levar a efeito uma distinção entre o princípio da legalidade e o da reserva legal.
Segundo parte da doutrina, a diferença residiria no fato de que, falando-se tão-somente em Princípio da Legalidade,
estaríamos permitindo a adoção de quaisquer dos diplomas elencados pelo CF, 59 (lei complementares, leis
ordinárias, leis delegadas, medidas provisórias, decretos legislativos, resoluções); ao contrário, quando fazemos
menção ao Princípio da Reserva Legal, estamos limitando a criação legislativa, em matéria penal, tão-somente às
leis ordinárias – que é a regra geral- e às leis complementares.
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Anselm von Feruerbach.
5

É o princípio da legalidade, sem dúvida alguma, o mais importante do Direito Penal, já


que não se fala da existência de crime se não houver uma lei definindo-o como tal. Tudo
o que não for expressamente proibido é lícito em Direito Penal.

É do princípio da reserva legal que decorre a proibição do direito costumeiro3 e da


analogia4 como fonte do Direito Penal. Exceção, no último caso, quando „in bonam
partem”.

Os princípios aplicam-se, também, às contravenções penais?: Por força da tradição do


princípio, vem-se usando a palavra crime em vez de infração penal, que seria o gênero,
da qual são extraídas as espécies crime e contravenção penal.

Entretanto, é posição tranqüila a leitura extensiva do conceito de crime para abranger


também a contravenção, submetida igualmente aos princípios da reserva legal e da
anterioridade.

Assim, legalidade e anterioridade são fatores de segurança jurídica, já que o indivíduo


somente se sentirá protegido contra os abusos do Estado se tiver a certeza de que as leis
penais são aplicáveis para futuro, a partir de sua criação, não retroagindo para abranger
condutas já operadas no tempo.

2.3 Princípio da irretroatividade da lei penal (ou Princípio da Retroatividade da


Lei Penal Benéfica)

CF, 5º, XL: “A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”.

Expressa a exigência da atualidade da lei, impondo que a mesma, como princípio, só


alcança os fatos cometidos depois do início de sua vigência, não incidindo sobre fatos
anteriores.

Conclui-se, portanto, que a regra da irretroatividade da lei penal aplica-se, tão-somente,


à lei penal mais severa.

Exceções:
a) O próprio CF, 5º, XL, segunda parte: “... salvo para beneficiar o réu”.
b) CP, 2º, parágrafo único: “a lei posterior, que de qualquer modo, favorecer o
agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença
condenatória transitada em julgado”.
c) Leis excepcionais e leis temporárias5.
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Costume: É uma das formas de integração das leis. É o uso reiterado de uma conduta com a consciência coletiva de
que a prática é obrigatória. Possui dois elementos: objetivo: o uso reiterado; subjetivo: a consciência da
obrigatoriedade. Pode ser: a) secundum legem: conforme a lei. Já foi erigido em lei, e, portanto, perdeu a
característica de costume propriamente dito; b) praeter legem: o que preenche as lacunas quando a lei for omissa; c)
contra legem: o que se opõe ao dispostivo de uma lei.
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Analogia: uma das formas de integração das leis onde se aplica a uma relação jurídica não disciplinada as normas
de direito objetivo aplicáveis a casos semelhantes. Ver LICC, 4º: „quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de
acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito‟.
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Leis excepcionais são as promulgadas para vigorar em situações ou condições sociais anormais, tendo sua vigência
subordinada à duração da anormalidade que as motivou. Leis temporárias são as que têm tempo de vigência
determinado em seu próprio dispositivo; diferem das excepcionais, porque decorrido o prazo para sua vigência não só
perdem a eficácia, com deixam de vigorar. Em verdade, deixam de existir. uma vez decorrido o prazo para sua
vigência não só perdem a eficácia, com deixam de vigorar. Em verdade, deixam de existir.
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Em resumo: a lei posterior mais severa é irretroativa. A lei posterior mais benéfica é
retroativa.

2.4 Princípio da intervenção mínima (ou da necessidade, ou da ultima ratio, ou da


subsidiariedade).

Vimos que o Direito Penal só deve preocupar-se com os bens mais importantes e
necessários à vida em sociedade.

Isso quer dizer que o Direito Penal não deve interferir em demasia na vida do indivíduo,
retirando-lhe autonomia e liberdade.

Afinal, a lei penal não deve ser vista como a primeira opção (prima ratio) do legislador
para compor os conflitos existentes em sociedade e que, pelo atual estágio de
desenvolvimento moral e ético da humanidade, sempre estarão presentes.

Há outros ramos do Direito preparado a solucionar as desavenças e lides surgidas na


comunidade, compondo-as sem maiores traumas.

O Direito Penal é considerado, a ultima ratio, isto é, a última cartada do sistema


legislativo, quando se entende que outra solução não pode haver senão a criação de lei
penal incriminadora, impondo sanção penal ao infrator.

Por isso, caso o bem jurídico possa ser protegido de outro modo, deve-se abrir mão da
opção legislativa penal, justamente para não banalizar a punição, tornando-a, por vezes,
ineficaz, porque não cumprida pelos destinatários da norma e não aplicada pelos órgãos
estatais encarregados da segurança pública.

Podemos, por isso, anotar que a vulgarização do Direito Penal, como norma
solucionadora de qualquer conflito, pode levar ao seu descrédito.

Atualmente, somente para exemplificar, determinadas infrações de trânsito possuem


punições mais temidas pelos motoristas, diante das elevadas multas e do ganho de
pontos no prontuário, que podem levar à perda da carteira de habilitação – tudo isso, se
o devido processo legal – do que a aplicação de uma multa penal, sensivelmente menor.

Enfim, o Direito Penal deve ser visto como subsidiário aos demais ramos do Direito.

Fracassando outras formas de punição e de composição de conflitos, lança-se mão da lei


penal para coibir comportamentos desregrados que possam lesionar bens jurídicos
tutelados.

Só se legitima a criminalização de um fato se a mesma constitui meio necessário para a


proteção de um determinado bem jurídico. Se outras formas de sanção se revelam
suficientes para a tutela desse bem, a criminalização é incorreta. Somente se a sanção
penal for instrumento indispensável de proteção jurídica é que a mesma se legitima.

O poder punitivo do Estado deve estar regido e limitado por este princípio. Com isso, o
que se quer dizer é que o Direito Penal somente deve intervir nos casos de ataques muito
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graves aos bens jurídicos mais importantes. As perturbações mais leves do ordenamento
jurídico são objeto de outros ramos do Direito.

O princípio da intervenção mínima é responsável não só pela indicação dos bens de


maior relevo que merecem a especial atenção do Direito Penal, mas se presta, também, a
fazer com que ocorra a chamada descriminalização.

Se é com base neste princípio que os bens são selecionados para permanecer sob a tutela
do Direito Penal, porque considerados como os de maior importância, também será com
fundamento nele que o legislador, atento às mutações da sociedade, que com sua
evolução deixa de dar importância a bens que, no passado, eram da maior relevância,
fará retirar do nosso ordenamento jurídico-penal certos tipos incriminadores.

O Direito Penal, portanto, deve interferir o menos possível na vida em sociedade.

Tal princípio encontra-se implícito na CF/88 quando diz serem invioláveis os direitos à
liberdade, à vida, à igualdade, à segurança e à propriedade (CF, 5º, caput), além de
colocar como fundamento do nosso Estado democrático de direito a dignidade da pessoa
humana (CF, 1º, III).

A correta leitura deste princípio procura evitar o que Francesco Carrarra denominou de
Nomorréia (ou nomomania), isto é, criação excessiva e descriteriosa de figuras
delituosas.

É objeto de discussão, com base no princípio da intervenção mínima, a manutenção das


contravenções penais em nosso ordenamento jurídico.

Se levarmos em contar que, dentro de uma concepção dicotômica das infrações penais,
ou seja, fazendo-se a divisão, entre, de um lado, os crimes/delitos e, do outro, as
contravenções penais, considerando-se que a estas últimas é destinada a proteção dos
bens que não gozam da mesma importância do que aqueles protegidos pelos
crimes/delitos, de acordo com o critério proposto pelo princípio da intervenção mínima
o Direito Penal deveria afastar as chamadas contravenções penais, permitindo que a
proteção dos bens por elas realizadas fosse destinada aos outros ramos do ordenamento
jurídico, já que não têm a relevância exigida pelo Direito Penal.

As vertentes do princípio da intervenção mínima são, portanto, como duas faces da


mesma moeda. De um lado, orientando o legislador na seleção dos bens mais
importantes e necessários ao convívio em sociedade; de outro, também servindo de
norte ao legislador para retirar a proteção do Direito Penal sobre aqueles bens que, no
passado, gozavam de especial importância, mas que hoje, com a evolução da sociedade,
já podem ser satisfatoriamente protegidos pelos demais ramos do ordenamento jurídico.

Assim, sendo o Direito Penal o mais violento instrumento normativo de regulação


social, particularmente por atingir, pela aplicação das penas privativas de liberdade, o
direito de ir e vir dos cidadãos, deve ser ele minimamente utilizado.

Numa perspectiva político-jurídica, deve-se dar preferência a todos os modos extra


penais de solução de conflitos. A repressão penal deve ser o último instrumento
utilizado, quando já não houver mais alternativas disponíveis.
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2.5 Princípio da humanidade

Consiste no reconhecimento do condenado como pessoa humana, e que como tal deve
ser tratado. É no não esquecimento que o réu é pessoa humana.

Indica que o Direito Penal deve pautar-se pela benevolência, garantindo o bem-estar da
coletividade, incluindo-se o dos condenados.

Estes não devem ser excluídos da sociedade, somente porque infringiram a norma penal,
trados como se não fossem seres humanos, mas animais ou coisas.

Este princípio sustenta que o Estado, no exercício exclusivo do jus puniendi, não pode
aplicar sanções que atinjam a dignidade da pessoa humana ou que lesem a constituição
físico-psíquica dos condenados.

Tal princípio encontra-se implícito na Constituição Federal em vários dispositivos,


dentre eles, destacam-se:

a) CF, 5º, XLVII6: “Não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra
declarada nos termos do artigo 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos
forçados; d) de banimento; e) cruéis”.
b) CF, 5º, XLIX: “é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral”;
c) CF, 5º, L: “às presidiárias serão asseguradas as condições para que possam
permanecer com seus filhos durante o período da amamentação”;

2.6 Princípio da pessoalidade da pena (ou da responsabilidade pessoal ou da


intranscendência da pena)

Dispõe que a pena deverá atingir apenas o sentenciado, ou seja, a punição não deve
ultrapassar a pessoa do delinqüente.

Previsto no CF, 5º, XLV: “nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a
obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei,
estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio
transferido”.

Ou seja, somente o condenado é que terá de se submeter à sanção que lhe foi aplicada
pelo Estado.

Quer o princípio constitucional dizer que, quando a responsabilidade do condenado é


penal, somente ele, e mais ninguém, poderá responder pela infração praticada. Qualquer
que seja a natureza da penalidade aplicada – privativa de liberdade, restritiva de direitos
ou multa -, somente o condenado é que deverá cumpri-la.
Havendo o falecimento do condenado, a pena que lhe fora infligida, mesmo que seja de
natureza pecuniária, não poderá ser estendida a ninguém, tendo em vista o seu caráter

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Esse dispositivo também representa o princípio da limitação das penas.
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personalíssimo, quer dizer, somente o autor do delito é que pode submeter-se às sanções
penais a ele aplicadas.

Todavia, se estivermos diante de uma responsabilidade não penal, como v.g., a


obrigação de reparar o dano, nada impede que, no caso de morte do condenado e tendo
havido a transferência de seus bens aos seus sucessores, estes respondam até as forças
da herança, conforme preceitua o CF, 5º, XLV e o CC, 1.9977.

Embora em sentido formal a pena, não possa ultrapassar, transcender, a pessoa do


condenado, sabemos que, informalmente, não somente aquele que praticou a infração
sofre os rigores da lei penal, como também todos aqueles que o cercam.

A família do condenado, geralmente, perde aquele que trazia o sustento para casa;

Os filhos deixam de ter contato com os pais;

Seus parentes sofrem o efeito estigmatizante da condenação criminal e todos, e não só o


condenado, passam a ser tratados como criminosos, etc.

2.7 Princípio da individualização da pena

Quer dizer que a aplicação da pena não deve ser padronizada, cabendo a cada
delinqüente a exata medida punitiva pelo que fez. Consiste no processo para retribuir o
mal concreto do crime, com o mal concreto da pena, na concreta personalidade do
criminoso.

Previsto no CF, 5º, XLVI: “a lei assegurará a individualização da pena e adotará, entre
outras, as seguintes”:

a) privação ou restrição de liberdade;


b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos.

Interpretando o texto constitucional, podemos concluir que a individualização da pena


ocorre em três momentos distintos:

1) Fase da cominação da pena: ocorre com a seleção feita pelo legislador, quando
escolhe para fazer parte do pequeno âmbito de abrangência do Direito penal
aquelas condutas, positivas ou negativas, que atacam nossos bens mais
importantes;
2) Fase da aplicação da pena: tendo o julgador chegado à conclusão de que o fato
praticado é típico, ilícito e culpável, dirá qual a infração penal praticada pelo
agente e começará, agora, a individualizar a pena a ele correspondente,
observando as determinações contidas no CP, 59. Primeiramente fixará a pena-
base de acordo com o critério trifásico determinado pelo CP, 68, atendendo às

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CC, 1977: „a herança responde pelo pagamento das dívidas do falecido; mas, feita a partilha, só respondem os
herdeiros, cada qual em proporção da parte que na herança lhe coube‟.
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chamadas circunstâncias judiciais; em seguida, levará em consideração as


circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de diminuição e de
aumento de pena. Neste momento, a individualização da pena sai do plano
abstrato (cominação/legislador) e passa para o plano concreto
(aplicação/julgador).
3) Fase da execução da pena: finalizando, também ocorre a individualização da
pena na execução penal, conforme determina o LEP, 5º8. A execução penal não
pode ser igual para todos os presos, justamente porque nem todos são iguais, mas
sumamente diferentes, e que tampouco a execução pode ser homogênea durante
todo o período de seu cumprimento. Não há mais dúvida de que nem todo preso
deve ser submetido ao mesmo programa de execução e que, durante a fase
executória da pena, se exige um ajustamento desse programa conforme a reação
observada no condenado, só assim se podendo falar em verdadeira
individualização no momento executivo. Individualizar a pena, na execução,
consiste em dar a cada preso as oportunidades e elementos necessários para
lograr a sua reiserção social, posto que é pessoa, ser distinto. A individualização,
portanto, deve aflorar técnica e científica, nunca improvisada, nunca
improvisada, iniciando-se com a indispensável classificação dos condenados a
fim de serem destinados aos programas de execução mais adequados, conforme
as condições pessoais de cada um.

Resumindo, individualizar a pena nada mais é do que ajustar a pena cominada,


considerando os dados objetivos e subjetivos da infração penal, no momento da
aplicação e da execução.

2.8 Princípio do juiz natural

A imparcialidade do Judiciário e a segurança do povo contra o arbítrio estatal encontram


no princípio do juiz natural uma de suas garantias indispensáveis.

O juiz natural é somente aquele integrado no Poder Judiciário, com todas as garantias
institucionais e pessoais previstas na CF.

CF, 5º, XXXVII: “não haverá juízo ou tribunal de exceção”.

CF, 5º, LIII: “ninguém será processado ou sentenciado, senão pela autoridade
competente”.

2.9 Princípio do devido processo legal

Princípio abrangente que significa, em linhas gerais, que todas as pessoa têm direito a
um processo justo. Sintetizado pela expressão: „due process of law‟.

Abrange, dentre outros, o princípio da ampla defesa e do contraditório.

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LEP, 5º: os condenados serão classificados, segundo os seus antecedentes e personalidade, para orientar a
individualização da execução penal.
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A individualização determina que a pena deve ser individualizada segundo as


características de cada autor: “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o
devido processo legal”.

2.10 Princípio do contraditório e da ampla defesa

CF, 5º, LV: “aos litigantes em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em
geral são assegurados o contraditório9 e ampla defesa10, com os meios e recursos a ela
inerentes”.

2.11 Princípio do estado de inocência (para alguns, princípio da presunção da


inocência)

Previsão: CF, 5º, LVII: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de
sentença penal condenatória”.

Consagra-se, portanto, a presunção „juris tantum‟11 de inocência.

Dessa forma, há necessidade de o Estado comprovar a culpabilidade do indivíduo, que é


constitucionalmente presumido inocente, sob pena de voltarmos ao total arbítrio estatal.

Deste princípio decorre a exigência de que a pena não seja executada enquanto não
transitar em julgado a sentença condenatória, ou seja, somente depois de a condenação
tornar-se irrecorrível é que a pena poderá ser executada.

A consagração do princípio do estado de inocência não afasta a constitucionalidade das


espécies de prisões provisórias, que continua, sendo, pacificamente, reconhecida pela
jurisprudência, por considerar a legitimidade jurídico-constitucional da prisão cautelar,
que, não obstante a presunção juris tantum de não culpabilidade dos réus, pode
validamente incidir sobre seu „status libertatis‟.

Desta forma, permanecem válidas as prisões temporárias, em flagrante, preventivas, por


pronúncia e por sentença condenatória sem trânsito em julgado.

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O contraditório consiste na necessidade de ouvir a pessoa perante a qual será proferida a decisão, garantindo-lhe o
pleno direito de defesa e de pronunciamento durante todo o curso do processo. Não há privilégios a nenhuma das
partes que não seja concedido à outra. Há uma “igualdade de armas” entre as partes. Determina, outrossim, que se dê
oportunidade à parte não só de falar sobre as alegações do outro litigante, como também de fazer a prova contrária.
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Tem-se que a ampla defesa constitui-se na possibilidade de utilização de todos os meios disponíveis em direito
para se provar inocência alegada em processo judicial.
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CC, 212: „salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I- confissão;
II- documentos; III- testemunhas; IV- presunção; V- perícia‟.
As presunções, portanto, são as conseqüências ou ilações que a lei ou o julgador deduzem de um fato conhecido.
A presunção poderá ser: a) comum; ou b) legal.
a) Presunção comum (hominis): é a que se funda naquilo que, ordinariamente acontece. É admissível nos casos em
que o é a prova testemunhal. Diz Pontes de Miranda que a presunção comum não é meio de prova nem dá motivo de
prova. É atividade do juiz. Do intérprete.
b) Presunção legal, (juris) é a que é estabelecida pela própria lei. Subdivide-se em: a) Presunção legal absoluta
(juris et de jure) quando a lei estabelece que certos atos ou fatos são tidos por verdadeiros, não admitindo prova em
contrario. b) Presunção legal relativa ou condicional (juris tantum) a que se tem por verdade quando não se prova
o contrário.
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2.12 Princípio da limitação das penas (ou das penas impossíveis).

No nosso Direito, existem penas que não podem ser impostas, pois há proibição
estabelecida pelo texto constitucional.

Previsto no CF, 5º, XLVII12 procura impedir qualquer tentativa de retrocesso quanto à
cominação das penas levadas a efeito pelo legislador.

Com efeito, a proibição de tais penas atende a um dos fundamentos de nosso Estado
Democrático de Direito, previsto no CF, 1º, III, que é a „dignidade da pessoa humana‟.

Quanto à pena de trabalhos forçados: devemos interpretar com cuidado a limitação


constitucional referente à pena de trabalhos forçados. O que o dispositivo quis dizer?
Seriam trabalhos impostos contra a vontade do condenado? Ou seriam trabalhos além
das forças do condenado?

Embora haja opiniões divergentes na doutrina, a primeira hipótese estaria descartada.

Isso porque, a LEP, em várias passagens menciona a obrigatoriedade do trabalho do


preso, como o LEP, 39, inciso V13, que diz ser dever do condenado a execução do
trabalho, das tarefas e das ordens recebidas, ou mesmo o LEP, 114, I14, que somente
possibilita o ingresso no regime aberto o condenado que estiver trabalhando ou
comprovar a possibilidade de fazê-lo.

A segunda hipótese também estaria descartada pela dificuldade de se estabelecer


parâmetro que definissem o que seriam trabalhos além das forças do condenado.

Em verdade, o que a CF quis proibir, conforme a doutrina majoritária, foi aquele


trabalho que humilha o condenado pelas condições como é executado.

O que a autoridade não poderá fazer é, por exemplo, determinar o espancamento do


condenado para forçá-lo ao trabalho. Tampouco poderá suspender sua alimentação,
visando assim, compeli-los a cumprir aquilo que lhes cabia fazer.

Embora não possa existir, efetivamente, a cominação de penas de trabalhos forçados, o


fato de volitivamente não querer trabalhar impedirá o condenado de conquistar vários
benefícios contidos na LEP, a exemplo, como dissemos, da progressão de regime (semi-
aberto para o aberto) e da remição, na qual, para os que cumprem pena sob os regimes
fechado e semi-aberto, para cada três dias trabalhados haverá um dia remido.

Quanto à pena de banimento: o banimento era uma medida de política criminal que
consistia na expulsão do território nacional de quem atentasse contra a ordem política
interna ou a forma de governo estabelecida.

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CF, 5º, XLII: „não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do CF, 84,
XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis‟.
13
LEP, 39, V: „constituem deveres do condenado: execução do trabalho, das tarefas e das ordens
recebidas‟.
14
LEP, 114, I: „somente poderá ingressar no regime aberto o condenado que: I- estiver trabalhando ou
comprovar a possibilidade de fazê-lo imediatamente‟.
13

Quanto às penas cruéis: a doutrina preleciona, com acerto que o antônimo de pena cruel
é a pena racional. Ou seja, se a pena não for racional, será cruel. Entram nessa categoria
todas as mutilações, tais como o decepamento da mão do ladrão, em países
muçulmanos, a castração de condenados por crimes de violência sexual, etc.

2.13 Princípio da vedação à auto-incriminação

Significa que o acusado não está obrigado a se auto-incriminar.

Previsto no CF, 5º, LXII.

O princípio sob análise não só permite ao acusado que permaneça em silêncio durante
toda a investigação, e, mesmo em juízo, como impede que seja ele compelido a produzir
ou contribuir com a formação da prova contrária ao seu interesse (nemo tenetur se
detegere).
14

3. OUTROS PRINCÍPIOS DE DIREITO PENAL

3.1 Princípio da lesividade

O princípio da intervenção mínima e da lesividade são como que duas faces de uma
mesma moeda.

Se, de um lado, a intervenção mínima somente permite a interferência do Direito Penal


quando estivermos diante de ataques a bens jurídicos importantes, o princípio da
lesividade nos esclarecerá, limitando ainda mais o poder do legislador, quais são as
condutas que poderão ser incriminadas pela lei penal.

Na verdade, nos orientará no sentido de saber quais as condutas que não poderão sofrer
os rigores da lei penal.

As proibições penais somente se justificam quando se referem a condutas que afetem


gravemente direitos de terceiros.

Tal princípio possui quatro principais funções:

a) Proibir incriminação de uma atitude interna: ou seja, ninguém pode ser


punido por aquilo que pensa ou mesmo por seus sentimentos pessoais. Jamais o
homem poderá ser punido por aquilo que há no íntimo do seu ser. Não se pode
ser punido por ter raiva, inveja, mesquinharia. Etc.

b) Proibir incriminação de uma conduta que não exceda o âmbito do próprio


autor: o Direito Penal não poderá punir aquelas condutas que não sejam lesivas
a bens de terceiros, pois que não excedem ao âmbito do próprio autor, a exemplo
do que ocorre com a auto lesão ou mesmo a tentativa de suicídio.

c) Proibir a incriminação de simples estados ou condições pessoais: ou seja,


procura-se impedir que o agente seja punido por aquilo que ele é, não pelo que
fez. Busca-se, assim, impedir que seja erigido um autêntico direito penal do
autor15.

d) Proibir a incriminação de condutas desviadas que não afetem qualquer bem


jurídico: por condutas desviadas podemos entender aquelas que a sociedade
trata com certo desprezo, ou mesmo repulsa, mas que, embora reprovadas sob o
aspecto moral, não repercutem diretamente sobre qualquer bem de terceiros. Não
se pode punir alguém pelo simples fato de não gosta de tomar banho
regularmente, por tatuar o próprio corpo ou por se entregar, desde que maior e
capaz, a praticas sexuais anormais.

Portanto, só pode ser castigado aquele comportamento que lesione direitos de outras
pessoas e que não seja simplesmente um comportamento pecaminoso ou imoral.
Assim, o Direito Penal só deve ser aplicado quando a conduta lesionar um bem
jurídico. As condutas de cunho moral, por mais escandalosas que sejam, são
desprovidas de lesividade para legitimar a intervenção penal.

15
O reprovável direito penal do autor procura penaliza o „ser‟ de uma pessoa, e não seu agir, sua conduta.
15

3.2 Princípio da fragmentariedade

Ou seja, além de atuar somente quando os demais ramos do Direito não foram
suficientes para reprimir e/ou corrigir a conduta ilícita, o Direito Penal somente irá
proteger determinados bens jurídicos.
De outra sorte, o Princípio da Fragmentariedade significa que nem todas as lesões a bens
jurídicos protegidos devem ser tuteladas e punidas pelo Direito Penal, pois este constitui
apenas uma parte do ordenamento jurídico.

Por essa razão é que o Direito Penal deve ser visto, no campo dos atos ilícitos como
fragmentário, ou seja, deve ocupar-se somente com as condutas lesivas mais graves aos
bens juridicamente tutelados.

Exemplo é a atipicidade do furto de uso e do dano culposo.

3.3 Princípio da insignificância

Alguns autores chamam este princípio de „princípio da bagatela‟(ou delitos de lesão


mínima). No entanto, a maioria da doutrina considera esta denominação errônea já que o
termo „bagatela‟ é mais usado para designar os „crimes de bagatela‟, ou seja, aqueles
crimes que não atingem, de forma significativa, um bem jurídico, onde a perturbação
social é mínima ou irrelevante.

O correto é dizer que o princípio da insignificância é aplicado aos crimes de bagatela.

Tal princípio foi introduzido por Claus Roxin, em por finalidade auxiliar o intérprete
quando da análise do tipo penal, para fazer excluir do âmbito de incidência da lei
aquelas situações consideradas como de bagatela. Portanto, o Direito Penal, por sua
natureza fragmentária, só vai aonde seja necessário para a proteção do bem jurídico.

Não deve o Direito Penal ocupar-se de bagatelas. Não se pode confundir, no entanto,
delito de bagatela com crime de menor potencial ofensivo. Estes últimos são definidos
pelo Artigo 6116 da Lei 9.099/95 e submetem-se ao processo e julgamento nos juizados
especiais criminais. Neles não se fala em aplicação do princípio da insignificância já que
possuem uma certa gravidade, ao menos perceptível socialmente.

A doutrina e jurisprudência têm, ainda, alguma resistência na aplicação deste princípio,


principalmente para os tipos penais que contenham, dentre os seus elementos, a
violência ou a grave ameaça, a exemplo do crime de roubo.

De acordo com o STF, para reconhecimento do princípio da insignificância, deverá o


juiz levar em consideração os seguintes requisitos:

- a mínima ofensividade da conduta do agente;


- a nenhuma periculosidade social da ação;
- o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;

16
Artigo 61 da Lei 9.099/95: „Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei,
as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não
com multa‟.
16

- a inexpressividade da lesão jurídica provocada;

3.4 Princípio da proporcionalidade

O princípio da proporcionalidade exige que se faça um juízo de ponderação sobre a


relação existente entre o bem que é lesionado ou posto em perigo (gravidade do fato) e o
bem de que pode alguém ser privado (gravidade da pena).

Toda vez que, nessa relação, houver um desequilíbrio acentuado, estabelece-se, em


conseqüência, inaceitável desproporção.

Quer dizer que as penas devem ser harmônicas com a gravidade da infração penal
cometida, não tendo cabimento o exagero, nem tampouco a extrema liberalidade na
cominação das penas nos tipos penais incriminadores.

Não teria sentido punir um furto simples com elevada pena privativa de liberdade, como
também não seria admissível punir um homicídio com pena de multa.

A tarefa, no plano abstrato (ou seja, da cominação da pena, de atribuição do legislador)


não é fácil, pois que, em virtude do grande numero de infrações penais existentes em
nosso ordenamento jurídico penal, cada vez fica mais complicado o raciocínio da
proporcionalidade.

Já no plano concreto, ou seja, no âmbito da aplicação da pena (aquele levado a efeito


pelo juiz), sua aferição não é tão tormentosa quanto àquela levada a efeito no plano
abstrato, isto porque o CP, 6817, ao implementar o critério trifásico de aplicação da
pena, forneceu ao julgador meios para que pudesse, no caso concreto, individualizar a
pena do agente, encontrando, com isso, aquela proporcional ao fato por ele cometido.

Assim, por exemplo, se após analisar, isoladamente, as circunstâncias judiciais, o juiz


concluir que todas são favoráveis ao agente, jamais poderá determinar a pena-base na
quantidade máxima cominada ao delito por ele cometido, o que levaria, ao final de todas
a três fases, a aplicar uma pena desproporcional ao fato praticado.

A quase-proporcionalidade, é inegável, encontra-se no „talião‟18, isto é, no olho por


olho, dente por dente.

Contudo, embora aparentemente proporcional, o „talião‟ ofende o princípio da


humanidade, pilar indispensável em uma sociedade na qual se tem em mira a dignidade
da pessoa humana.

Por essa razão é que o legislador constituinte preocupou-se em consignar a dignidade da


pessoa humana como um dos fundamentos do nosso Estado Social e Democrático de
Direito19.

17
CP, 68: „A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em seguida serão consideradas
as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de diminuição e de aumento‟.
18
Talião: do latim talis – igual – era a antiga pena, que consistia em infligir a alguém castigo perfeitamente
equivalente ao mal que fizera a outrem. Expressava-se pela fórmula “olho por olho, dente por dente” e teve larga
aplicação na legislação grega e romana estendendo-se até a idade média. A civilização moderna, no entanto, a aboliu.
17

3.5 Princípio da culpabilidade (princípio da responsabilidade subjetiva)

Quer dizer que ninguém será penalmente punido, se não houver agido com dolo ou
culpa, dando mostras de que a responsabilização não deve ser objetiva, mas subjetiva.

O próprio Código Penal em seu artigo 18 estabelece que somente haverá crime quando
estiver presente o dolo e a culpa.

Além disso, a redação do parágrafo único desse artigo: „salvo os casos expressos em lei,
ninguém será punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica
dolosamente‟.

Assim, a regra adotada é buscar, para fundamentar e legitimar a punição, na esfera


penal, o dolo do agente.

Não o encontrando, deve-se procura a culpa, desde que expressamente prevista, como
alternativa, no tipo incriminador.

3.6 Princípio da determinação taxativa (ou da taxatividade)

Expressa a exigência de que a lei penal, especialmente a incriminadora, sejam claras e o


mais possível, certas e precisas.

3.7 Princípio da igualdade

Conforme o CF, 5º, caput, todos são iguais perante a lei. Portanto, não poderá o
delinqüente ser discriminado em razão de cor, sexo, religião, raça, procedência, etnia,
etc.

3.8 Princípio da adequação social

Para o princípio da adequação social, apesar de uma conduta corresponder ao modelo


legal, ela não será considerada típica se estiver de acordo com a ordem social da vida
historicamente condicionada.

Em outras palavras, todo comportamento que, a despeito de ser considerado criminoso


pela lei, não afrontar o sentimento social de justiça (aquilo que a sociedade tem por
justo) não pode ser considerado criminoso.

3.9 Princípio da confiança

19
CF, 1º, III: „a República Federativa do Brasil, formada pela unio indissolúvel dos Estados e Municípios e do
Distrito Federal, consititui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos: I- a soberania; II- a
cidadania; III- a dignidade da pessoa humana; IV- os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V- o pluralismo
político. (SCDIVAP)
18

Funda-se na premissa de que todos devem esperar por parte das outras pessoas que estas
sejam responsáveis e ajam de acordo com as normas da sociedade, visando a evitar
danos a terceiros.
Por essa razão, consiste na realização da conduta, na confiança de que o outro atuará de
um modo normal já esperado, baseando-se na justa expectativa de que o comportamento
das outras pessoas se dará de acordo com o que normalmente acontece.

Exemplo 1: nas intervenções médico-cirúrgicas em que o cirurgião tem que confiar na


assistência correta que costuma receber dos seus auxiliares. (no casso de o enfermeiro
lhe passar medicamento trocado que, injetado no paciente o fez falecer, não haverá
conduta culposa do médico que atuou impelido pela natural e esperada confiança
depositada em sua funcionária).

Exemplo 2: motorista que trafega pela preferencial passa por cruzamento na confiança
de que o veículo da via secundária aguardará sua passagem.

3.10 Princípio da materialização do fato

Tal princípio diz que o substrato do ilícito penal há de ser sempre um comportamento
concreto e exteriorizado.

Ninguém pode ser punido pelo que pensa (mera cogitação) ou pelo modo de viver. Só
responde penalmente quem realiza um fato (Direito Penal do fato); está proibido punir
alguém pelo seu estilo de vida (leia-se: está vedado o chamado Direito Penal de autor20,
que pune o sujeito não pelo que ele fez, mas sim pelo que ele é). O Direito Penal nazista,
é exemplo histórico de Direito Penal de autor (o sujeito, na época nazista, era punido
não pelo que fazia, mas pelo que era: judeu, prostituta, homossexual, etc.).

3.11 Princípio da alteridade ou da transcendentalidade

Através desse princípio, proíbe-se a incriminação de atitude meramente subjetiva, que


não ofenda nenhum bem jurídico. O fato típico (crime/contravenção) pressupõe um
comportamento que transcenda a esfera individual do autor e seja capaz de atingir o
interesse de outrem (altero).

Ninguém pode ser punido por ter feito mal só a si mesmo.

Exemplo: suicida frustrado; pessoa que mutila (por essa razão a autolesão não é crime,
salvo quando houver intenção de prejudicar terceiros, como na auto-agressão cometida
com o fim de fraude ao seguro, em que a instituição seguradora será vítima de
estelionato).

3.12 Princípio da co-culpabilidade ou co-responsabilidade


20
O artigo 59 da Lei de Contravenções Penais (DL 3.688/41) é exemplo remanescente de nossa legislação de Direito
Penal de autor. (LCP, 59: „Entregar-se alguém habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter
renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover à própria subsistência mediante ocupação ilícita:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses. Parágrafo único. A aquisição superveniente de renda, que
assegure ao condenado meios bastantes de subsistência, extingue a pena‟).
19

Entende que a responsabilidade pela prática de uma infração penal deve ser
compartilhada entre o infrator e a sociedade, quando essa não lhe tiver proporcionado
oportunidade. Não é adotado entre nós.
20

4. PROVAS ANTERIORES:

Meus caros, vejam como tenho explorado o tema tratado nas aulas nº 01 e 02 em provas
aplicadas em semestres anteriores. O gabarito está no final da página. Boa sorte.

1- Assinale V ou F conforme a assertivas seja Verdadeira ou Falsa.

1.1 (..........) o princípio nullum crimen, nulla poena sine lege aplica-se a todo e qualquer
tipo de pena, inclusive às medidas de segurança;
1.2 (..........) A medida provisória, nem após sua aprovação pelo Congresso, pode instituir
crime ou pena criminal;
1.3 (..........) pelo princípio da legalidade, a exigência de lei prévia e estrita impede a
aplicação, no Direito Penal, da analogia in bonam partem, e, também, a aplicação da
analogia in malam partem, justificado por uma questão de justiça;
1.4 (..........) Tal qual a analogia in malam partem, a interpretação extensiva não é admitida
no Direito Penal porque importa em ampliar a figura penal a casos não expressamente
previstos;
1.5 (..........) Todos os bens juridicamente protegidos foram postos sob a tutela específica do
Direito Penal, principalmente aqueles com valoração social;
1.6 (..........) Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação
legal, mas esse princípio não se aplica às Medidas Provisórias.
1.7 (..........) O Princípio da legalidade não é aplicado no Direito Penal;
1.8 (..........) Se as práticas criminosas se tornarem rotineiras, não há qualquer impedimento
para a utilização do costume como fonte de leis penais incriminadoras;
1.9 (..........) A Medida Provisória, por ter força de lei, pode definir crimes e impor penas,
mas não é retroativa.
1.10 (..........) Ab-rogação é a revogação parcial de uma lei penal;
1.11 (..........) O princípio nullum crimen, nulla poena sine lege encontra-se expresso
tanto na Constituição Federal quanto no Código Penal;
1.12 (..........) A lei penal poderá retroagir para alcançar um fato praticado antes de sua
vigência;
1.13 (..........) O Princípio da legalidade é aplicado no Direito Penal;
1.14 (..........) Justificam-se as disposições penais quando meios menos incisivos, como os de
Direito Civil ou Direito Administrativo, não bastam ao interesse de eficiente proteção aos
bens jurídicos. Diz-se, portanto, que o Direito Penal é: fragmentário.
1.15 (..........) O Código Penal vigente é o Decreto-Lei nº 2.848/40.
1.16 (..........) O princípio da insignificância ensina que o Direito Penal não deve preocupar-
se com crimes de bagatela;
1.17 (..........) É possível, no Brasil, a aplicação da pena de morte;
1.18 (..........) Em razão do princípio da lesividade jamais se pode punir a auto-lesão.
1.19 (..........) A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos
anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado;

2. Assinale a alternativa correta:

2.1 Quais princípios exigem que a lei penal incriminadora seja editada antes da
ocorrência do fato criminoso:

a) da legalidade e da anterioridade da lei penal.


b) da extra e da ultra-atividade condicional da lei penal.
21

c) da abolitio criminis e da espacialidade.


d) da lei anterior e da lei posterior benignas.

2.2 Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal
condenatória. Trata-se do princípio do estado de inocência (para alguns, princípio da
presunção de inocência). Trata-se de presunção absoluta.

a) Correto, mas depende.


b) Errado, porque a presunção é Hominis;
c) Correto, mas pode ser, também, relativa, Juris tantum, portanto;
d) Errado, porque nenhum direito é, em si mesmo, absoluto.

2.3 Justificam-se as disposições penais quando meios menos incisivos, como os de


Direito Civil ou Direito Administrativo, não bastam ao interesse de eficiente proteção
aos bens jurídicos. Diz-se, portanto, que o Direito Penal é:

a) Incriminador e fragmentário;
b) Fragmentário e subsidiário;
c) Subsidiário;
d) Máximo;

2.4 A finalidade do Direito Penal:

a) É a proteção dos bens jurídicos mais importantes do ponto de vista político;


b) É a proteção dos bens jurídicos mais importantes do ponto de vista econômico;
c) É a proteção dos bens jurídicos mais importantes do ponto de visto social;
d) Todas as assertivas estão corretas.

2.5 O Código Penal vigente é:

a) A lei 9.072/90.
b) O Decreto-lei 2.848/40;
c) A Lei 7.209/84;
d) A Lei 8.069/90;

2.6 Por força de dispositivo constitucional, poderão os Municípios legislar sobre


Direito Penal?

a) Sim, desde que sobre normas penais não-incriminadoras;


b) Sim, desde que in bonam partem;
c) Sim, desde que autorizados por lei complementar e sobre questões especificas.
d) Não, porque é competência da União.

2.7 Não são todos os bens jurídicos que estão sob a proteção do Direito Penal, somente
os considerados mais importantes e necessários ao convívio em sociedade, daí o
caráter:
22

a) Subsidiário do Direito Penal;


b) Facultativo do Direito Penal;
c) Fragmentário do Direito Penal;
d) Alternativo do Direito Penal;

2.8 O Direito Penal não deve se preocupar com crimes de bagatela. Trata-se:

a) Do Princípio da insignificância;
b) Do Princípio da fragmentariedade da lei penal;
c) Do Princípio da irretroatividade da lei penal;
d) Do Princípio da legalidade;

2.9 De acordo com a Constituição Federal, podem legislar sobre Direito Penal:

a) A União e os Estados, igualmente;


b) A União, privativamente e os Estados por delegação e sobre questões específicas;
c) Os Estados, somente;
d) A União, os Estados e os Municípios;
e) Nenhuma das assertivas acima.

3. Responda:

3.1) Porque se diz que o Direito Penal é Subsidiário e Fragmentário?


3.2) O que é o princípio da insignificância?

4. Complete o espaço em branco com a assertiva que julgar correta: “De acordo
com a doutrina autorizada, o Direito Penal é mínimo e ___________, ou seja, deve
intervir o mínimo possível na vida das pessoas, protegendo apenas parcelas
daqueles bens jurídicos julgados mais importantes para a manutenção do convívio
social‟.

a) Subsidiário;
b) Sancionador;
c) Valorativo;
d) Fragmentário;
e) Máximo;

5. Considere o texto a seguir e assinale a letra a ou b abaixo. Em qualquer caso,


justifique sua resposta: “a Nova Lei de drogas (Lei nº 11.343 de 2006), aboliu, por
completo, a pena de prisão ao usuário de drogas (que pela lei antiga - Lei nº 6368
de 1976 - poderia ser condenado a uma pena de prisão). Manteve, porém, sua
conduta como sendo criminosa. Assim, continua a ser crime trazer consigo droga,
sem autorização, para consumo pessoal, mas com penas mais brandas (restrição de
direitos ou pagamento de multa). Portanto, a conduta criminosa ainda persiste. No
entanto, qualquer pessoa que antes da edição da Nova Lei de drogas já estivesse
23

respondendo a processo como mero usuário deverá ser julgada e, se for o caso,
condenada e cumprir a respectiva pena de prisão”.

(.........) Verdadeiro;
(..........) Falso;

6. A questão a seguir é composta de uma situação hipotética seguida de uma


assertiva a ser julgada (Certa ou Errada), caso seu julgamento seja pela opção
„Errada‟, justifique sua resposta.

Considere o seguinte trecho extraído e adaptado do jornal El País: “Autoridades do


Condado de Los Angeles (Califórnia) estudam a aplicação da sanção de castração
química (injeção contendo substâncias que inibem, por prazo determinado, o apetite
sexual) aos delinqüentes sexuais como uma possível medida para reduzir o alto índice
de violações que lá se produzem. A Junta de Supervisores que governa esse condado
ordenou ao Departamento de Saúde Mental a realização de um estudo que inclua os
aspectos médicos, legais e morais da castração como castigo para os culpados de delitos
sexuais. A medida foi debatida na Junta de Supervisores em decorrência da prisão de um
acusado de seqüestrar e violentar uma menor em determinada localidade. O suspeito
havia cometido abusos sexuais anteriormente e informou que padecia de transtornos
mentais”.

No Brasil, esta sanção poderia ser utilizada já que atenderia aos requisitos da
prevenção (geral e especial) bem como da retribuição da pena.

(.........) Certa.
(.........) Errada.

7. Considere o texto abaixo, literalmente extraído da rede mundial de


computadores no dia 30.03.10, no portal de notícias globo.com, analise a hipótese
apresentada e, após isso, e assinale (V) para verdadeiro e (F) para Falso,
justificando, em qualquer caso, sua resposta:

“BRASÍLIA - Dos 11 depoimentos agendados pela Polícia Federal para hoje sobre
a Operação Caixa de Pandora, apenas três investigados falaram com o delegado
federal Alfredo Junqueira, responsável pelo caso.

Segundo a Polícia Federal, responderam às perguntas do delegado o ex-secretário


de Educação do Distrito Federal, José Luiz Valente, o ex-presidente da Câmara
Legislativa Leonardo Prudente e o empresário Alcyr Collaço.

Além do governador cassado, José Roberto Arruda (sem partido), permaneceram


calados durante o depoimento o ex-secretário de Comunicação Weligton Moraes, o
ex-subsecretário de Justiça e Cidadania Luiz França, o ex-assessor da Secretaria
de Educação Gibrail Gebrim e Marcelo Carvalho, diretor do grupo empresarial do
ex-vice-governador Paulo Octávio (sem partido)”.

Hipótese: O desrespeitoso silêncio do ex-governador de Brasília José Roberto


Arruda é indicativo claro da prática dos ilícitos pelos quais está sendo acusado, o
24

que poderá contribuir para sua condenação desde que provados os fatos, o
resultado danoso e uma relação de ligação lógica entre ambos (fato e resultado).

(.........) Verdadeiro;
(.........) Falso;

8. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta:

I – A analogia é uma das técnicas empregadas para interpretação das leis penais;
II – Por uma questão de lógica, o indivíduo condenado por um fato que, quando
praticado, era definido como crime, não se beneficia de lei posterior que já não o
considera como tal;
III - Ninguém será privado da liberdade até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória, é a previsão expressa da Constituição Federal a respeito do princípio da
presunção de inocência;
IV - Quem for condenado por uma conduta, cuja sanção penal a legislação não prevê,
cumprirá pena de acordo com o prudente arbítrio do juiz, levando-se em consideração,
principalmente, a extensão do prejuízo causado à vítima e a gravidade da agressão ao
bem jurídico penalmente tutelado em respeito ao princípio da lesividade;

Estão incorretas:

a) Apenas uma delas;


b) Apenas duas delas;
c) Apenas três delas;
d) Todas elas;
e) Nenhuma delas;

9. Analise as assertivas abaixo e, após, assinale a alternativa correta:

I - Há hipótese constitucional prevista atualmente de pena de morte no Brasil, para certa


situação específica;
II – Pelo princípio da alteridade, o substrato do ilícito penal há de ser sempre um
comportamento concreto e exteriorizado;
III – Dentre as espécies de sanção penal adotadas pelo ordenamento jurídico-penal
brasileiro, a pena de multa é a única exceção lógica ao princípio da intranscendência, já
que, sendo de natureza pecuniária, poderá ser cobrada dos herdeiros do criminoso, mas,
apenas, no limite da herança recebida;
IV – Nullun crimen nulla poena sine lege: impede a adoção da analogia. A não ser que
seja in bonam partem;

Estão corretas:

a) Apenas uma delas;


b) Apenas duas delas;
c) Apenas três delas;
d) Todas elas;
e) Nenhuma delas;
25

10. Assinale a alternativa correta:

Juízo natural pela Constituição Federal é:

a) a possibilidade de criação de tribunais de exceção, para julgarem fatos já ocorridos;


b) a possibilidade de acordo com o caso, de mudar a autoridade que deve julgá-lo;
c) o direito de haver tribunal de exceção para julgar o fato praticado;
d) o direito de ninguém ser processado, nem sentenciado senão pela autoridade
competente;
e) o direito de manter a mesma autoridade para julgá-lo, mesmo se esta tiver sido
transferida;

11. A competência para legislar sobre Direito Penal é:

a) Concorrente ente União, Estados e Distrito Federal;


b) Exclusiva da União;
c) Privativa da União;
d) Comum entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios;
e) Autêntica, que pode ser textual ou posterior;

12. Em decorrência de garantias expressas ou não na Constituição Federal, o


Direito Penal:

a) É regido pelo princípio da fragmentariedade e da subsidiariedade não se submetendo


ao princípio da alteridade;
b) Admite responsabilidade penal que não seja pessoal;
c) Não está submetido ao princípio da intervenção mínima;
d) Deve obedecer ao princípio da proporcionalidade da pena e da intranscendência;
e) Constitui instrumento de controle social, econômico e político regido pela
característica da fragmentariedade;
26

GABARITO:

1.1 – V 2.1 – A 12 – D
1.2 – F 2.2 – D
1.3 – F 2.3 – C
1.4 – F 2.4 – A
1.5 – F 2.5 – B
1.6 – F 2.6 – D
1.7 – F 2.7 – C
1.8 – F 2.8 – A
1.9 – F 2.9 – B
1.10 – F 3.1 – DISCURSSIVA
1.11 – V 3.2 – DISCURSSIVA
1.12 – V 4–D
1.13 – V 5 – FALSA
1.14 – F 6 – ERRADA
1.15 – V 7 – FALSA
1.16 – V 8–D
1.17 – V 9 – B (I e IV)
1.18 – F 10 – D
1.19 – V 11 - C
27

5. REVISÃO

01. O Princípio da legalidade determina que não há crime sem lei anterior que o
defina;

02. O Princípio da anterioridade determina que a sanção penal tem que ter
previsão antes da ocorrência do fato;

03. O Costume e a Analogia não podem ser fontes de normas penais; (a não ser
quando „in bonam partem‟);

04. As medidas de segurança também estão submetidas ao princípio da reserva


legal;

05. Pelo Princípio da irretroatividade da lei penal, a lei penal não retroagirá,
salvo para beneficiar o réu.

06. Somente é permitida a irretroatividade da lei penal „in bonam partem‟.

07. A lei penal mais severa não pode retroagir;

08. As leis excepcionais e temporárias são exceções ao princípio da


irretroatividade da lei penal mais severa;

09. O Princípio da Taxatividade exige lei penal certa, clara e precisa;

10. O Princípio da Intervenção Mínima sugere que o Direito Penal deve intervir o
mínimo possível na vida em sociedade;

11. O Princípio da humanidade exige que o réu seja tratado como pessoa humana;

12. A pena não deve atingir a terceiros, mas sim, apenas a pessoa do infrator, é o que
determina o Princípio da Pessoalidade;

13. A individualização determina que a pena deve ser individualizada segundo as


características de cada autor;

14. Pelo Princípio do Juiz Natural, ninguém será processado ou sentenciado senão
pela autoridade competente, bem como não haverá juízo ou tribunal de exceção;

15. Todas as pessoas têm direito a um processo justo. É o Princípio do Devido


Processo Legal. „Due processo of law”;

16. O contraditório exige igualdade „de armas‟;

17. A ampla defesa permite a utilização de todos os meios de defesa admitidos em


direito;

18. O Princípio do Estado de Inocência consagra a presunção „juris tantum‟ do


estado de inocência;
28

19. O Princípio da Limitação das Penas proíbe o estabelecimento de certas


espécies de sanções penais;

20. Pelo Princípio da Lesividade, as proibições penais somente se justificam


quando se referem a condutas que afetem gravemente a direitos de terceiros;

21. Pelo Princípio da Insignificância, o Direito Penal deverá excluir do âmbito da


sua incidência aquelas situações consideradas de bagatela;

22. A Proporcionalidade indica que a pena deve ser proporcional ao crime. A


resposta penal do Estado deve ser proporcional à agressão;