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MULHERES CAMPONESAS, RESISTÊNCIA E AS POLÍTICAS DO

GOVERNO BOLSONARO
Leila Santana da Silva
Coordenação Nacional do MPA

As mulheres camponesas nesta conjuntura reafirmam sua presença fundamental,


pois sua expressão vem da luta e da produção de alimentos. Estas mulheres na América
Latina produzem mais de 45% dos alimentos e é por nossas mãos que passam até 80%
dos alimentos consumidos pelo povo no mundo. Além disto, as camponesas
desempenham um papel crucial na preservação da biodiversidade, garantindo assim
tanto à soberania quanto a segurança alimentar tão ameaçadas neste momento político
com o risco do retorno efetivo da fome, riscos à soberania nacional e o
desmantelamento institucional de políticas públicas essências e voltadas à população
pobre.
Neste enfrentamento, vivemos um momento de derrota estratégica, mas,
também, de reposicionamento das nossas forças para estimular as lutas da classe
trabalhadora, tendo como horizonte a construção do poder popular. Nesta construção, as
mulheres tem significativa importância/participação entendendo a marca forte do
patriarcado em tempos de conservadorismo neofascista de um lado e a ativa
contribuição histórica das nossas lutadoras nos enfrentamentos recentes por outro. Por
estes desafios a resistência das mulheres camponesas iniciada em 2019, a partir do 08 de
março, foi marcada pelo caráter anti capitalista, antirracista e anti imperialista, para
refletir o esfacelamento do modelo de desenvolvimento hegemônico, o avanço dos
desmontes efetuados pelo Governo Federal de extrema direita e seus impactos na vida
dos/as trabalhadores/as, da natureza e, principalmente, das mulheres.
As diversas formas de violências naturalizadas de forma institucional pelo atual
Governo é uma das marcas deste novo momento histórico. O aumento das violências
contra as mulheres no Brasil e o estímulo ao ódio demarcam o lugar das mulheres
dentro das políticas públicas e da atenção do Governo militarizado posto: só nos
primeiros 21 dias de 2019 nos chegam mais de 126 casos de feminicídio!
Perdas e impactos aliado aos dados da pobreza!
Dentro dos ataques postos à classe trabalhadora temos o desmonte das
conquistas históricas ao redor da Previdência Social como direcionamento político do
Governo Bolsonaro e suas mãos militarizadas. Nesta pauta, além do processo de
capitalização imposto à Previdência Social que nos trazem riscos mais complexos, os/as
segurados/as especiais tem sido alvo dos ataques permanentes da reforma.
A atual reforma impõe que os/as camponeses/as se aposentem, homens e
mulheres igualmente, com 60 anos e, enquanto regra de transição, temos para as
mulheres: a partir de 1º de janeiro de 2020 a idade de aposentadoria será acrescida em
06 (seis) meses a cada ano, até atingir 60 (sessenta) anos. Sabendo da sobreposição de
jornadas de trabalho e diversas violências vividas no cotidiano percebe-se que as
mulheres camponesas são empurradas para o agravamento da sua condição de pobreza e
apenamento do trabalho pela ampliação do tempo do exercício de trabalho.
Neste rumo, as regras de contribuição para os/as atuais segurados/as especiais se
mantém a contribuição previdenciária incidente sobre a venda da produção rural, mas
estabelece uma contribuição anual obrigatória no valor mínimo de R$ 600,00 para o
grupo familiar. Ao lado disto se não houver comercialização da produção rural durante o
ano civil, o grupo familiar deverá fazer o recolhimento do valor integral de R$ 600,00,
mas se o valor da contribuição sobre a venda da produção for inferior ao valor mínimo
de R$ 600,00, caberá ao grupo familiar recolher a diferença para fins de manutenção da
qualidade de segurado especial. Dados Dieese + Orçamento para 2019 e onde são as
mulheres (+ normativas internas da Previdência sobre o seguro defeso e etc.)!!
A Previdência Social não poderá ser reformada e resumida a um entendimento
meramente financista, como quer a tecnocracia do poder, pois a Previdência é mais que
uma simples análise de muitos cifrões e falso discurso do déficit, ela é um dos alicerces
do mundo do trabalho, é cidadania, respeito e enfrentamento às desigualdades sociais,
de gênero e regionais, por isto a reforma nestes moldes continuamos em luta e
resistência.
Para nós, Mulheres Camponesas do MPA, dentre tantas pautas táticas, defender a
democracia e a soberania alimentar como forma de gerar vida de qualidade para o
campo e para cidade será fundamental e nos ajudará a enraizar as demais bandeiras de
luta dos próximos períodos, pois é o momento de resistir, radicalmente, por acreditar na
luta contra todas as opressões que nos atingem enquanto mulheres, entendendo que “eu
não sou livre enquanto alguma mulher não o for, mesmo quando as correntes dela forem
muito diferentes das minhas”, como já nos afirma a lutadora negra Audre Lorde.

MPA Brasil em luta permanente!

“Sou Feminista, não abro mão, do Socialismo e da Revolução”.