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O XADREZ NO ÂMBITO ESCOLAR

O ensino e aprendizagem do xadrez no ambiente escolar é uma atividade que além de


proporcionar o lazer também dá a possibilidade de valorizar o raciocínio através de um
exercício lúdico, podendo alcançar, dentre outros, os seguintes objetivos:

- Desenvolver o raciocínio lógico;


- Desenvolver habilidades de observação, reflexão, análise e síntese;
- Compreender e solucionar problemas pela análise do contexto geral em que estão inseridos;
- Melhorar o desempenho nos estudos;
- Despertar o espírito reflexivo e crítico;
- Ampliar a capacidade para tomada de decisões;
- Desenvolver a inteligência espacial;
- Formular hipóteses e prever resultados;
- Elaborar estratégias de enfrentamento de questões;
- Interpretar e criticar resultados;

O xadrez não é só um jogo, não é só uma arte e nem é só uma ciência. O xadrez é a mistura
de todos estes elementos. E é por esse e por muitos outros motivos que o xadrez é
considerado uma ótima matéria para ser aplicada na escola. Você deve estar perguntando no
que o xadrez influência na educação?

O xadrez é o segundo esporte mais praticado no mundo, abaixo apenas do futebol. É um


grande impulsionador da imaginação, que também contribui para o desenvolvimento da
memória, da capacidade de concentração e da velocidade de raciocínio. Foi constatado
que o xadrez desempenha um importante papel socializante, por ensinar a lidar com a
derrota e com a vitória, mostrando que a derrota não é sinônimo de fracasso nem vitória
é sinônimo de sucesso.

O xadrez é capaz de mostrar as conseqüências de atitudes displicentes, que não tenham


sido previamente calculadas e, por conseguinte, estimula o hábito de refletir antes de
agir, além de ensinar a arcar com as responsabilidades dos próprios atos.

O xadrez é uma arte de grande beleza e apresenta imensa riqueza de possibilidades. É


um passatempo agradável e instrutivo que entreteve grandes personalidades de nossa
história como Napoleão, Einstein, Voltaire, Goethe, Montesquieu, Benjamin Franklin,
Victor Hugo, Machado de Assis e Monteiro Lobato – para citar apenas alguns. E hoje é
um esporte que pode ser jogado não presencialmente, através de redes de computadores
como a Internet, estando o adversário em qualquer lugar do planeta, e por isso o que
mais cresce em adeptos, sendo já considerado o esporte do novo milênio.

Se quisermos também uma explicação científica que mostre os benefícios práticos que
podem ser alcançados pela prática desse esporte, poderíamos apresentar opiniões e
pesquisas de pedagogos, psicólogos, intelectuais e instrutores de xadrez. Resumindo os
resultados, conclui-se o xadrez contribui para o desenvolvimento das faculdades
mentais.
Num estudo realizado na Alemanha, comparando o desenvolvimento de grupos de
estudantes de diversas idades, separando-os em dois grupos: os que jogavam e os que
não jogavam xadrez, concluiu-se que:

O xadrez estimula a atividade intelectual e estabiliza a personalidade de crianças e


jovens durante seu crescimento. Isso é evidente, sobretudo, na puberdade: crianças que
jogam xadrez apresentam menos crises decorrentes das transformações dessa fase etária
do que as que não jogam.

O raciocínio lógico e a capacidade de cálculo são estimulados, produzindo excelentes


resultados no desempenho escolar, com destaque particularmente notável nos casos da
Física e da Matemática.

Em aspectos gerais, os alunos que jogam xadrez apresentam nítida superioridade em


força de vontade, tenacidade, memória e concentração.

O xadrez ensina a criança a avaliar as conseqüências dos seus atos, tornando-as mais
prudentes e responsáveis. Também em pesquisas realizadas na Inglaterra, chegou-se à
conclusão de que a concentração e a habilidade em formular e posteriormente
concretizar planos no tabuleiro contribui significativamente para a tomada de decisões e
execução das mesmas no jogo muito mais importante, que é o jogo da vida.

No caso das crianças e jovens, o xadrez estimula o desenvolvimento intelectual; no caso dos
adultos e idosos, o xadrez contribui preservando por mais tempo a agilidade mental.

Enfim, a prática cotidiana do xadrez é capaz de desenvolver nos jogadores, fatores que vão
muito além dos relacionados diretamente ao esporte.

Assim, de uma forma geral, percebe-se que a inserção das atividades que envolvem o ensino e
aprendizagem do xadrez na escola vem contribuir na formação de indivíduos (alunos) e
pessoas capazes de enfrentar os diversos desafios que estão por surgir e, mais do que isso,
saber que suas ações e atitudes voltam-se para o processo do desenvolvimento cognitivo, pois
se acredita que este possa viabilizar respaldo intelectual nos vários contextos em que estão
inseridos.

O Valor Educativo do Xadrez

Partindo da premissa de que o desenvolvimento do raciocínio é elemento fundamental para


que a cidadania se efetive, apresentamos o jogo de Xadrez como complemento à educação
escolar. Segundo Charles Partos, mestre internacional suíço, o aprendizado e a prática do
xadrez desenvolvem as seguintes habilidades:

- a atenção e a concentração;
- o julgamento e o planejamento;
- a imaginação e a antecipação;
- a memória;
- a vontade de vencer, a paciência e o autocontrole;
- o espírito de decisão e a coragem;
- a lógica matemática, o raciocínio analítico e sintético;
- a criatividade;
- a inteligência;
- a organização metódica do estudo;
- o interesse pelas línguas estrangeiras.

Vejamos um comparativo entre as características intrínsicas ao jogo e suas implicações


educativas ao jogador (Características do xadrez / Implicações educativas):

» Concentração enquanto imóvel na cadeira / Desenvolvimento do autocontrole psico-


físico;

» Fornecer um número de movimentos num determinado tempo / Avaliação da hierarquia do


problema e a locação do tempo disponível;

» Movimentar peças após exaustiva análise de lances seguintes / Desenvolvimento da


capacidade para pensamento abrangente e profundo;

» Encontrado um lance, procura outro melhor / Empenho no progresso contínuo;

» De uma posição em princípio igual, direcionar a uma conclusão brilhante


(combinação) / Criatividade e imaginação;

» O resultado indica quem tinha o melhor plano / Respeito à opinião do interlocutor;

» Entre várias possibilidades, escolher uma única, sem ajuda externa / Capacidade para o
processo de tomar decisões com autonomia;

» Um movimento deve ser conseqüência lógica do anterior, devendo apresentar o


seguinte / Capacidade para o pensamento e execução lógicos, autoconsistência e fluidez
de raciocínio.

Algumas Justificativas se Fazem Necessárias

Algumas pesquisas educativas relacionadas com o xadrez provam a influência positiva deste
jogo/esporte sobre seus praticantes.

Por exemplo, há mais de cem anos, Binet (1891) foi o primeiro que começou a estabelecer
relações entre o xadrez e sua influência sobre aspectos da mente tais como: inteligência,
concentração, imaginação e memória.

Rank (1974), trabalhando com dois grupos de estudantes, um que estudava o xadrez e outro
sem instrução enxadrística, demonstrou que o grupo que estudava o xadrez em cursos
dirigidos apresentava uma performance melhor tanto na parte de cálculos como na parte
verbal.

Stephenson (1979), trabalhando com programas intensivo de xadrez provou o aumento do


rendimento escolar nas atitudes, esforço, concentração e auto-estima em, pelo menos, 50% de
seus estudantes.

Browm (1981), afirma que a difusão do xadrez no meio escolar contribui, não somente para se
exercitar as qualidades pessoais de cada indivíduo como também ajuda a superar problemas
de convívio em grupo e de conduta.

Nesse mesmo ano, Cristiansem, trabalhando com programas de xadrez para crianças de 10 e
11 anos demonstrou que este influenciava positivamente o rendimento geral de seus alunos.

Fergusson, em 1983, demonstrou a influencia decisiva do xadrez sobre o pensamento crítico


de estudantes que haviam sido submetidos a cursos intensivos desta disciplina.

Anteriormente, já relatamos alguns resultados de pesquisas realizadas por Charles Partos,


professor do Departamento de Instrução Pública do Cantão do Valais (Suíça).

"Depois de anos pesquisando o desenvolvimento da concentração em crianças e adolescentes


posso afirmar que o progresso mais acentuado coincide-se com o começo da prática do
xadrez, o qual influe, sem dúvida, na mentalidade deles". KROGIUS, N. V. La psicologia em
ajedrez.

"A impossibilidade de conhecer o melhor lance em uma partida de xadrez é que eleva o xadrez
de um jogo científico para uma forma de arte, um meio de expressão individual". JOHN R.
BOWAN (Físico)

Por isso o xadrez merece credito, porque ensina o mais importante na solução de um
problema, que é saber olhar e entender a realidade que se apresenta.

E, além disso, aprender que as peças no xadrez não têm valores absolutos, que se deve
controlar as posições das demais peças, tanto as próprias como as do adversário, para armar
uma estratégia. Ter a percepção de flexibilidade e reversibilidade do pensamento que ordena o
jogo.

Quantas vezes podemos notar crianças, por exemplo, ao não entenderem o que o enunciado
do problema lhe diz. Não sabem solucioná-lo, aprendem fórmulas de memória, quando
encontram textos diferentes não acham a resposta correta.

Devemos conseguir que as crianças e jovens encontrem seus próprios sistema de ação e para
isso teremos que evitar, sempre que possível, as soluções mecanizadas.

Assim na escola secundária com os dados de um teorema e sua idéia, a demonstração pode
ser encontrada pelo aluno, porém para que isso aconteça é importante um certo treinamento
na escola fundamental.

Sentindo a importância que o jogo de xadrez tem hoje no âmbito escolar no mundo e no Brasil,
é que elaboramos esse projeto xadrez na escola.

Trata-se de um instrumento de grande relevância para divulgar e difundir o xadrez, tornando-o


popular e objeto de estudo para ser admirado, praticado e construir uma disciplina opcional ou
curricular obrigatória nas escolas.

Nossa idéia é que em uma época em que os conhecimentos se ultrapassam em quantidade e a


vida é efêmera, a melhor ferramenta que a criança pode obter em sua escolaridade é
um PENSAMENTO ORGANIZADO, utilizando para isso o xadrez como recurso.

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