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LICITAÇÕES
(Lei 8.666/93 e Lei 10520/02 - “Lei do Pregão”)

► Conceito: Procedimento administrativo prévio a todos os contratos da Administração Pública.

► Objetivo: Visa buscar a proposta mais vantajosa ao Poder Público.

► Garantia da Isonomia: Acesso de todos de forma igualitária aos contratos administrativos.

► Garantia do desenvolvimento nacional.

► O edital estabelece todas as normas e regras do procedimento licitatório, porém só pode


estabelecer regras dentro dos limites da lei, que não firam os princípios norteadores.

► Não se pode trazer mais nenhuma regra após o edital, sob pena de surpreender os licitantes e
fraudar o procedimento licitatório.

► Princípios específicos da licitação:

1) Vinculação ao instrumento convocatório: O edital obriga os licitantes e a Administração Pública


aos seus termos, inclusive quanto aos critérios objetivos que serão utilizados para a escolha do
vencedor.

2) Julgamento objetivo: Os critérios de escolha têm que ser objetivos.

3) Sigilo das propostas : As propostas serão sigilosas até o momento da sua abertura em conjunto.
Não viola o Princípio da Publicidade.

► Tipos de licitação (critérios de escolha do vencedor):

• Menor Preço: Vence a licitação aquele que apresentar o preço mais baixo.

• Melhor Técnica: Será escolhida com base na melhor técnica, objetivamente prevista no edital.

• Técnica e Preço: Combinado os critérios de melhor técnica e menor preço.

• Maior Lance: Utilizado quando a Administração vai alienar bens.

► Critérios de desempate: Lei 8.666/93, art. 3º, §2º: São critérios sucessivos, não alternativos,
devem se utilizar os critérios na ordem em que se apresentam.

• Bem produzido no país.

• Bem produzido por empresa brasileira.

• Bem produzido por empresa que invista em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no País.

→ Se nenhum dos critérios funcionarem haverá sorteio. (art. 45, §2º da Lei 8666).

→ Se uma das empresas empatadas for microempresa ou empresa de pequeno porte, esta terá
preferência em relação às demais. (LC 123/06). Não partirá para os critérios gerais de desempate.
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→ Caso a microempresa apresentar uma proposta até 10% maior que a vencedora, haverá empate.
No caso do pregão o benefício é de até 5%. (LC 123/06).

► Quem tem obrigatoriedade de licitar:

• Entes da Administração Direta.

• Entes da Administração Indireta.

• Fundos Especiais.

• Demais entes mantidos ou subvencionados pelo dinheiro público: Todos os entes que recebem
dinheiro público, incluindo terceiro setor, particulares e etc.

► Intervalo Mínimo: Prazo mínimo, previsto em lei, que deve ser respeitado pela Administração
Pública entre a publicação do edital e a data marcada para a abertura dos envelopes.

► Comissão de Licitação: Responsável pelo procedimento licitatório. A licitação não é feita pela
autoridade máxima do órgão, ela apenas define a necessidade de licitar, estabelece normas e
regulamentos, cria e publica o edital. Para se fazer a licitação, a autoridade do órgão deve designar
uma comissão composta por no mínimo 03 membros, onde pelo menos 02 devem ser servidores
efetivos do órgão. A comissão pode ser “especial”: quando a Administração designa uma comissão
pra cada licitação; ou pode ser “permanente”: Que é responsável por todos os procedimentos
licitatórios do órgão durante o período de um ano. A lei diz que após 01 ano não é possível a
recondução de todos os membros. A responsabilidade pelos atos da comissão é solidária.

► Modalidades Licitatórias:

→ O pregão possui lei específica (Lei 10.520/02), as demais são regidas pela Lei 8.666/93.

→ A Concorrência, a Tomada de Preço e o Convite são definidas em razão do valor do contrato a ser
celebrado; o que faz a Administração decidir qual delas usar é o valor do contrato. A Concorrência
para valores mais altos, Tomada de Preço para valores médios e Convite para valores mais baixos.
Diminuindo progressivamente a competição (Concorrência → Tomada de Preço → Convite ).

→ O Concurso, o Leilão e o Pregão são definidas em razão do objeto a ser contratado.

→ Quem pode mais, pode menos. Pode-se utilizar uma modalidade mais complexa para valores mais
baixos, porém não se pode fazer o contrário.

● Concorrência: Modalidade mais garantidora, qualquer pessoa pode participar da concorrência, não
há limitações para competição. É obrigatória a Concorrência para contratações de obras e serviços de
engenharia acima de 1,5 milhões; e para aquisição de bens e contratação de serviços que não sejam
de engenharia acima de 650 mil.

Exceções: A Concorrência é obrigatória, independentemente do valor do contrato, para:

a) contratos de concessão de serviço público (na concessão quem remunera o serviço é o usuário e
não a Administração - tarifa).
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b) contratos de concessão de direito real de uso: situações em que o Estado transfere ao particular o
direito real de usar um bem público.

c) contratos que envolvam aquisição ou alienação de imóveis.

Exceção: Se o imóvel a ser alienado foi adquirido por dação em pagamento ou por decisão judicial,
pode ser feita a Concorrência ou o Leilão.

d) contrato de empreitada integral: são contratos de obra onde o empreiteiro fica responsável por
todas as etapas da obra, desde o início até a entrega pronta para o uso.

e) licitações internacionais.

Exceção: 1) Se o órgão tiver um cadastro internacional de licitantes pode-se fazer Tomada de Preço
(desde que esteja nos limites de valor da Tomada de Preço) 2) Se não tiver fornecedor no país é
possível fazer licitação internacional na modalidade Convite, se estiver nos limites de valor deste.

→ Intervalo Mínimo (prazo mínimo entre publicação do edital e a abertura dos envelopes): Se é do
tipo Melhor Técnica, ou Técnica e Preço, ou se trata de empreitada integral, o intervalo mínimo é de
45 dias, nos outros casos é de 30 dias.

● Tomada de Preço: Só podem participar da tomada de preço os licitantes cadastrados no órgão, ou


aqueles que se cadastrarem com pelo menos 03 dias de antecedência da data marcada para a
abertura dos envelopes. Cadastro: cadastro prévio independe de licitação vigente; tem que haver
renovação do cadastro a cada ano; substitui os demais documentos de habilitação. Só é possível a
Tomada de Preço para a contratação de obras e serviços de engenharia de até no máximo 1,5
milhões; e para a aquisição de bens e outros serviços de até no máximo 650 mil.

→ Intervalo Mínimo: Se é do tipo Melhor Técnica, ou Técnica e Preço, o intervalo mínimo é de 30


dias, nos outros casos é de 15 dias.

● Convite: Só podem participar os convidados, que devem ser no mínimo 03, salvo comprovada
restrição de mercado (ex: se só existem 02 no mercado). Os convidados podem ser cadastrados ou
não. Pode participar do convite os não convidados que estiverem cadastrados e manifestarem
interesse com no mínimo 24 horas de antecedência da abertura dos envelopes. Só é possível o
Convite para a contratação de obras e serviços de engenharia de até no máximo 150 mil; e para a
aquisição de bens e outros serviços de até no máximo 80 mil. O convite não tem edital, utiliza-se a
“Carta Convite”, que não é publicada. Existe publicidade, mas esta é restrita uma vez que não há
publicação no Diário Oficial nem em jornal de grande circulação. A publicidade é feita pelo envio da
Carta Convite aos convidados e posterior afixação da Carta Convite no átrio da repartição em local
visível ao público. A Comissão de Licitação segue a regra geral (03 membros sendo 02 efetivos),
porém se o órgão comprovar escassez de pessoal, dispensa-se a comissão e a licitação será feita por
apenas 01 servidor efetivo. Quando aos convidados, não é obrigado a convidar só os cadastrados,
porém para cada nova licitação feita sobre o mesmo objeto, enquanto houver licitantes cadastrados
e não convidados, a Administração terá que chamar um convidado a mais, até esgotar a lista de
cadastrados.
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→ Intervalo Mínimo: Como não há publicação do edital, o intervalo mínimo começa a ser contado do
recebimento da carta convite por todos os convidados, ou da afixação da Carta Convite no átrio da
repartição – o que acontecer por último. O intervalo mínimo é de 05 dias úteis.

● Concurso: É uma modalidade licitatória para aquisição de trabalhos técnicos, artísticos ou


científicos. Ao vencedor do concurso é pago um prêmio (remuneração). A Comissão de Licitação é
uma Comissão Especial, em que os membros não precisam ser servidores públicos, basta que sejam
pessoas idôneas com conhecimentos na área do concurso.

→ Intervalo Mínimo: 45 dias.

● Leilão: Modalidade licitatória para alienação de bens. Somente para bens imóveis adquiridos por
dação em pagamento ou por decisão judicial (pode-se fazer também a Concorrência). Somente para
bens móveis inservíveis (desafetados), apreendidos (advindos de ato ilícito) ou penhorados
(empenhados, e não penhorados), cujos valores não ultrapassem 650 mil (acima desse valor, só
Concorrência). No Leilão não tem Comissão de Licitação, quem faz o Leilão é o leiloeiro, que pode ser
leiloeiro oficial ou servidor designado para isso. O Tipo de Licitação é sempre “Maior Lance”, vence o
Leilão aquele que oferecer o maior lance igual ou superior ao valor da avaliação.

→ Intervalo Mínimo: 15 dias.

● Pregão: É uma modalidade licitatória para aquisição de bens e serviços comuns. Bens e serviços
comuns são aqueles que podem ser designados no edital com expressão usual de mercado (ex:
caneta, jardinagem). Não se aplica em obras. Não há limite de valor. É uma modalidade mais célere,
pois as fases são invertidas: primeiro se analisa as propostas para depois analisar os documentos de
quem ganhou. Os lances podem ser verbais ou virtuais. O Tipo de Licitação é sempre “Menor Preço”,
vence aquele que oferecer o preço mais baixo. O Pregão também não tem Comissão de Licitação,
quem faz o Pregão é o pregoeiro, que é sempre um servidor.

→ Intervalo Mínimo: 08 dias úteis.

► Dispensa e Inexigibilidade de Licitação: Situações em que a Administração pode contratar sem


licitar.

● Inexigibilidade de Licitação: art.25, Lei 8.666/93 - É inexigível sempre que for inviável a
competição.

→ Rol exemplificativo do art.25: 1) Fornecedor exclusivo ou bem singular (ex: Só existe um


fornecedor no mercado; carta de Pero Vaz de Caminha). 2) Serviços técnicos especializados de
natureza singular (ex: melhor advogado do Brasil). 3) Artistas consagrados pela mídia.

→ É vedada a Inexigibilidade de Licitação para serviços de divulgação e de publicidade.

● Dispensa de Licitação: art.17 e 24, Lei 8.666/93 - A competição é viável, porém a lei taxativamente
dispensa a licitação.

→ Rol taxativo do art. 24 (dispensável) ||Decorar os 31 incisos do art.24||:


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1) Em razão do valor do contrato: contratações de até 10% do valor do Convite não precisam de
licitação, pode licitar mas não precisa. Exceção: Até 20% do valor do Convite quando se tratam de
Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista, Agências Executivas e Consórcios Públicos.

2) Guerra e grave perturbação da ordem.

3) Situações de Urgência: a dispensa diz respeito aos contratos diretamente ligados à situação de
urgência (para resolver a situação emergencial), e desde que esses contratos não ultrapassem 180
dias improrrogáveis.

4) Quando não acudirem interessados à licitação anterior e essa não puder ser repetida sem prejuízo
para a Administração: licitação deserta. Quando não aparece ninguém para licitar e causaria
prejuízos para a Administração fazer uma nova licitação. Não confundir com licitação fracassada,
onde todos os licitantes são desabilitados ou desclassificados, nesse caso faz-se nova licitação.

► PROCEDIMENTO LICITATÓRIO:

• Concorrência:

→ Se inicia com a fase interna, onde a Administração realiza atos preparatórios para a licitação: Faz-
se a exposição de motivos (explicação motivando a contratação, motivos da contratação); depois
ocorre a dotação orçamentária (define e comprova que há orçamento suficiente para a contratação);
depois designar-se-á a Comissão de Licitação; e por fim elaborará o edital e a minuta do contrato.

→ Fase externa: Se inicia com a publicação do edital no Diário Oficial e em jornal de grande
circulação (art.21 da Lei 8.666/93); marca-se uma data para abertura dos envelopes (Prazo Mínimo);
o prazo para a impugnação do edital, que poderá ser feita qualquer cidadão, começa a contar com a
publicação e vai até o 5º dia útil anterior a data marcada para a abertura dos envelopes, se tratando
dos licitantes, o prazo vai até o 2º dia útil anterior a abertura dos envelopes. Se ninguém impugnar o
edital, mesmo assim a Administração poderá alterar o edital em face de qualquer erro ou vício,
porém alterado o edital (de ofício ou mediante provocação) precisa haver nova publicação e
reabertura do prazo de Intervalo Mínimo, entretanto essa reabertura do prazo não é necessária se a
alteração do edital não modificar o conteúdo das propostas (alteração meramente material).

→ Fase de Habilitação: Abre-se os envelopes relativos à documentação da empresa, analisando se o


licitante está idôneo a contratar com o Estado. A lei estabelece os requisitos de habilitação, não pode
o edital estabelecer outros além dos previstos:

1) Habilitação jurídica (comprovação que existe no mundo jurídico, ex: registro na junta comercial);

2) Qualificação técnica (requisitos técnicos para o cumprimento do contrato, requisito discricionário);

3) Qualificação econômica e financeira (comprovação de condições financeiras para o cumprimento


do contrato, ex : apresentação de balanço patrimonial);

4) Regularidade fiscal (apresentação de uma certidão negativa de débitos ou de uma certidão


positiva de débitos com efeitos de negativa (exigibilidade suspensa));

5) Regularidade trabalhista (certidão negativa de débitos trabalhistas);


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6) Comprovar que não explora o trabalho infantil. (CF, art.7º, XXXIII).

→ A ausência de qualquer dos requisitos inabilita o licitante.

→ Se o licitante for microempresa ou empresa de pequeno porte (LC 123/06), ela pode participar da
licitação mesmo que ela não possua “regularidade fiscal”. Se vencedora, será concedido prazo de 2
dias úteis, prorrogáveis por mais 2, para que ela faça o saneamento, se regularizando com o fisco.

→ Da decisão de habilitação/inabilitação cabe recurso no prazo de 5 dias úteis, possuindo efeito


suspensivo. Não pode utilizar o recurso para juntar posteriormente documentos obrigatórios que já
deveriam ter sido juntados no ato da habilitação.

→ Se todos os licitantes forem inabilitados, a Administração concederá prazo de 08 dias úteis para
que os licitantes se adéqüem ao edital.

→ Fase de classificação e julgamento das propostas: Serão abertos os documentos contendo as


propostas dos licitantes.

→ Lei 12394/10 (art.3º da Lei 8.666) – A lei permite que a Administração conceda um benefício de
até 25% para produtos manufaturados e para serviços nacionais, visando a busca do
desenvolvimento nacional, ou seja, ela pode contratar um produto manufaturado ou um serviço
nacional por até 25% mais caro do que outro que não seja, desde que previsto no edital. A lei ainda
prevê que se pode estabelecer um benefício adicional (desde que não ultrapasse os 25%) se esses
produtos manufaturados e serviços nacionais decorrerem de inovação tecnológica.

→ Recurso também no prazo de 05 dias úteis, com efeito suspensivo.

→ E novamente se todos forem desclassificados, prazo de 08 dias úteis para que se adéquem ao
edital.

→ Fase de homologação: Acabam as funções da Comissão de Licitação e o procedimento é


encaminhado à autoridade máxima do órgão que irá verificar a regularidade do procedimento, se
estiver tudo certo: homologa-se; se tiver algum vício: anula-se; e se houver razões de interesse
público superveniente: revoga- se.

→ Em caso de não homologação (anulação ou revogação), caberá recurso no prazo de 05 dias úteis,
não tem efeito suspensivo.

→ Após homologação, Fase de Adjudicação: Dar o objeto da licitação ao vencedor. Não é


contratação, é uma fase do procedimento licitatório. Depois que adjudica a Administração não é
obrigada a contratar, ela fica vinculada, ou seja, não é obrigada a contratar, mas caso queira
contratar só o pode fazer com o vencedor da licitação. Já o vencedor é obrigado a contratar, sob
pena de sofrer sanção, no entanto para que ele seja obrigado a contratar ele deve ser chamado em
um prazo de até 60 dias contados da abertura da proposta. Passados os 60 dias ele deixa de se
obrigar. Caso o primeiro não queira contratar (pagando a penalidade, ou após os 60 dias), não se fará
nova licitação, chamará o segundo contratar nos termos da proposta do primeiro, se este não puder
chamará o terceiro, quarto... Pois Administração não pode contratar com proposta maior.
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→ Resumindo as fases da Concorrência: Publicação do edital; fase de habilitação; classificação das


propostas; homologação e adjudicação.

• Tomada de Preço: Possui uma única diferença em relação à concorrência: não possui fase de
habilitação, pois os licitantes já foram cadastrados e o cadastro funciona como habilitação prévia.

• Convite:

→ O convite também não tem fase de habilitação.

→ Prazos para recurso são de 02 dias úteis.

→ Se todos os licitantes forem desclassificados, abrirá o prazo de 03 dias úteis para se adequar ao
edital (e não de 08 dias).

→ Não existe fase de publicação de edital, existe o envio da carta convite aos convidados e posterior
fixação desta no átrio da repartição, mas não há publicação do instrumento convocatório.

• Pregão:

→ Fases invertidas do procedimento.

→ Primeiro a publicação do edital, depois vem à classificação das propostas para depois a
habilitação; e primeiro adjudica para depois homologar.

→ Publicação do edital; classificação das propostas; habilitação; adjudicação; homologação.

→ É mais célere pois só habilita o vencedor.

→ Na fase de classificação tem-se a apresentação de lances verbais.

→ Após abrir os envelopes, classificam-se os vencedores e encaminham esses vencedores a fase de


lances verbais. Devem passar para os lances verbais a melhor proposta e todas que não
ultrapassarem 10% da melhor proposta. Deve passar para os lances verbais no mínimo 03 propostas,
se houver menos de 03 pode-se chamar outra mesmo que ultrapasse os 10%. Que como já vimos, o
pregão é sempre licitação do tipo menos preço.

→ Passados os lances verbais a Administração chama o vencedor para habilitá-lo. Depois encaminha
para adjudicação, que é feita pelo próprio pregoeiro.

→ Só após adjudicado é que se encaminhará para a autoridade do órgão para fazer a homologação.

→ Não tem recursos. O pregão não pode parar, por isso não há recurso entre as fases. Só pode haver
recurso ao final do pregão. Prazo para recurso é imediato. Se for manifestada imediatamente a
intenção de recorrer, a Administração concederá prazo de 03 dias para apresentar as razões do
recurso.

CONTRATOS ADMINSITRATIVOS
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► Nem todo contrato que o Estado celebra é contrato Administrativo, ele pode contratar civilmente
sem as prerrogativas de Poder Público.

► Contratos Administrativos são aqueles em que a Administração celebra com prerrogativas de


Poder Público; são aqueles em que ela atua considerando a supremacia do interesse público sobre o
privado; não há igualdade entre as partes.

► Todo contrato administrativo são contrato:

1) de adesão: não admitem rediscussão de cláusulas. O particular adere no momento em que aceita
participar da licitação.

2) Consensual: Se torna perfeito ou acabado com o consenso das partes, diferente do contrato real,
que só se aperfeiçoa com a entrega da coisa.

3) Comutativos: As cláusulas já estabelecem os direitos e obrigações predefinidas, ao contrario do


contrato aleatório, onde uma das partes está sujeita a um risco futuro e incerto.

4) Formal: Possui forma predefinida por lei (art.55 da Lei 8.666), todas as cláusulas são necessárias à
validade do contrato. Obedecida às cláusulas, forma-se o contrato administrativo que a lei denomina
instrumento de contrato ou termo de contrato. Em alguns casos a Lei 8.666 dispensa a forma do
contrato administrativo, ele é indispensável somente nos contratos cujo valor exija licitação na
modalidade Concorrência ou Tomada de Preço (obras acima de 150 mil e aquisição de bens ou
serviços acima de 80 mil). Para valores inferiores a estes é possível substituir o instrumento de
contrato pela carta contrato, nota de empenho da despesa, ou pela ordem de serviço. Seja qual for o
valor, o contrato precisa ser documentado, não é admitido contrato verbal, exceção : É possível
contrato verbal para aquisição de bens de até 5% do valor do convite, e desde que este seja um
contrato de pronta entrega e pronto pagamento (contrato que não gera obrigações futuras). A
eficácia do contrato depende da publicação, após ser celebrado: A Administração tem até o 5º dia
útil do mês seguinte aquele em que o contrato foi celebrado, para providenciar a publicação. Após
isso se tem 20 dias corridos para que a publicação ocorra. Se a Administração não publicar o contrato
é válido, mas não é eficaz.

► É possível subcontratação nos contratos administrativos desde haja previsão no edital e no


contrato, e autorização do poder público. Majoritariamente se entende que a subcontratação deve
ser parcial, nunca do contrato inteiro. Nos contratos de concessão de serviços públicos, a
subconcessão depende de licitação na modalidade Concorrência.

►Cláusulas exorbitantes: Prerrogativas do Estado; supremacia do interesse público sobre o privado


aplicada sobre os contratos administrativos. Cláusulas que estão implícitas em todos os contratos
administrativos, elas decorrem de lei.

1) Alteração unilateral: Não pode alterar o objeto do contrato, mas pode-se alterar o projeto ou o
valor, adequando o contrato ao interesse público. A alteração quantitativa pode chegar até no
máximo 25% do valor original do contrato (para mais ou para menos), Exceção : Nos contratos de
reforma (de equipamento ou de edifício) a alteração para mais pode chegar até 50%. Não pode
alterar o equilíbrio econômico e financeiro do contrato, por exemplo, se aumentar o tamanho da
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obra tem que aumentar o valor a ser pago proporcionalmente. Não pode haver alteração que atinja a
margem de lucro pactuada.

2) Rescisão unilateral: Poder que a Administração tem de terminar o contrato antes do prazo
previsto. Não depende de decisão judicial nem da autorização do particular. A rescisão pode se dar
por motivo de inadimplemento (não cabe indenização) ou por motivo de interesse público (cabe
indenização). Se o Estado for inadimplente, o particular nunca pode rescindir o contrato (pode tão
somente suspender a execução do contrato se o inadimplemento ultrapassar os 90 dias). No
contrato de concessão de serviço público a rescisão por motivo de interesse público recebe o nome
de “encampação”, e a decorrente de inadimplemento recebe o nome de “caducidade”.

3) Fiscalização da execução do contrato: O particular tem o dever de suportar essa fiscalização; é um


poder-dever do Estado, podendo este responder pelos atos do particular se faltar com o poder-dever
de fiscalizar.

4) Ocupação temporária de bens: A Administração pode ocupar temporariamente os bens da


contratada, em face do princípio da continuidade, e diante de situação excepcional, para garantir a
prestação de determinado serviço.

5) Aplicação de Penalidades: A Lei 8.666 prevê 4 penalidades possíveis: a) Advertência; b) Multa →


isolada ou cumulativamente; c) Suspensão de contratar com o Poder Público → prazo máximo de 02
anos, abrange somente o ente federativo que aplicou a pena (Administração Direta e Indireta
daquele que aplicou a penalidade); d) Declaração de Inidoneidade (também não pode ultrapassar 02
anos, abrange a toda a Administração Pública, ultrapassa o ente federativo que aplicou a pena), exige
reabilitação para a empresa voltar a ser idônea (ressarcimento pelos danos causados).

► O equilíbrio econômico e financeiro do contrato não pode ser alterado (haverá atualização de
valores e reajustes regulares de preços previstos no contrato), porém existem situações
excepcionais, alheia a vontade das partes, que desequilibram a relação contratual, nesses casos
haverá a revisão ou recomposição de preços onde o Estado irá reequilibrar o contrato. Teoria da
Imprevisão.

► Teoria da Imprevisão:

1) Caso fortuito e força maior.

2) Interferências imprevistas (sujeições imprevistas): São preexistentes ao contrato mas as partes


não sabiam e elas vem à tona durante a execução do contrato e desequilibra-o. (ex: no meio da obra
descobrem que existe uma rocha intransponível).

3) Fato da Administração e o fato do Príncipe: Situações causadas pelo próprio Estado que
desequilibram a relação contratual, o Fato da Administração acontece quando o Estado desequilibra
o contrato pelo descumprimento contratual, omitindo-se onde deveria atuar ou atuando onde
deveria omitir-se dentro do que foi estipulado no contrato. O Fato do Príncipe ocorre quando o
Estado atua fora do contrato, de forma geral e abstrata, porém essa atuação interfere e desequilibra
a relação contratual.
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► Duração dos contratos administrativos (art.57 da Lei 8.666): Como regra, o prazo de duração do
contrato é o mesmo prazo de duração do orçamento (crédito orçamentário): 01 ano.

Exceções: a) Se o contrato estiver previsto no plano plurianual (plano que prevê as despesas que
ultrapassam 01 ano), ele pode durar no máximo 04 anos. b) Prestação de serviços contínuos: máximo
de 60 meses (excepcionalmente, se devidamente justificado, pode ser prorrogado por mais 12
meses). c) Aluguel de equipamentos e programas de informática: prazo máximo de 48 meses. d)
Outros até 120 meses (art.24). e) Os contratos que não geram despesas, a duração não precisa
respeitar a duração do crédito orçamentário.

► Não existe contrato administrativo por prazo indeterminado, uma das cláusulas necessárias do
contrato administrativo é o prazo.

► Só pode haver prorrogação se houver previsão no edital e no contrato, e autorização do Poder


Público, comprovando que é mais vantajoso prorrogar do que celebrar novo contrato.

► Garantias: A Administração pode exigir do particular contratado uma garantia (caução) da


execução do contrato. Essa garantia é de no máximo 5% do valor do contrato, quem define o valor da
garantia é o Estado, a lei apenas define o valor máximo. Exceção: Contratos de grande vulto,
contratos que envolvam alta complexidade técnica ou que envolvam riscos financeiros consideráveis,
a garantia pode chegar até 10% do valor do contrato. Quem define a forma de prestar garantia é o
particular contratado, dentro dos limites estabelecidos pela lei: em dinheiro, em títulos da dívida
pública, por meio de seguro garantia, ou fiança bancária.

► Hipóteses de Extinção do Contrato:

1) Forma natural: a) Advento do termo (quando possui prazo definido); b) Cumprimento do objeto.

2) Anulação: Se o contrato possuir vício de ilegalidade.

3) Desaparecimento da pessoa contratada ou da coisa objeto do contrato.

4) Rescisão: a) Unilateral - feita sempre pelo Estado (por inadimplemento do particular ou por
motivo de interesse público); b) Judicialmente - Utilizada pelo particular em face ao inadimplemento
do Estado. c) Acordo das Partes - Bilateral ou distrato. d) De pleno direito - Decorre de uma situação
alheia a vontade das partes, impedindo a manutenção do contrato.