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sofia

Desidério Murcho
King's College London

"O estudo da filosofia não é para se


saber o que os homens pensaram,
mas o que é a verdade das coisas."

Tomás de Aquino

Pode-se pensar que a lógica não tem qualquer interesse para a


filosofia por ser "meramente formal". Um argumento pode ser
válido, poderá alguém argumentar, mas isso não garante que a
conclusão seja verdadeira. Como o que interessa à filosofia são
as conclusões verdadeiras, a lógica não tem qualquer
interesse, diria essa pessoa.

A resposta a este argumento é chamar a atenção para duas


coisas. Em primeiro lugar, como veremos, nem toda a lógica é
"meramente formal". A lógica informal, precisamente, não é
formal. A lógica informal estuda muitos aspectos da
argumentação que não são estudados pela lógica formal.
Todavia, não é possível dominar a lógica informal sem dominar
os aspectos elementares da lógica formal. A lógica formal é o
alicerce a partir do qual se pode erguer a lógica informal.

Em segundo lugar, o argumento ignora que as conclusões


verdadeiras ou plausíveis devem ser justificadas e as suas
consequências explicitadas. O papel da lógica na filosofia
torna-se manifesto quando se compreende que os filósofos
procuram, implícita ou explicitamente, bons argumentos para
defender as suas ideias. Mas para que um argumento seja bom
é necessário que seja válido. E é a lógica que ajuda a
determinar se um dado argumento é ou não válido.

Clarificação e validade
A lógica desempenha dois papéis na filosofia: clarifica o
pensamento e ajuda a evitar erros de raciocínio. A filosofia
ocupa-se de um conjunto de problemas. Os filósofos, ao longo
da história, têm dado resposta a esses problemas, tentando
solucioná-los. Para isso, apresentam teorias e argumentos. A
lógica permite assumir uma posição crítica perante os
problemas, as teorias e os argumentos da filosofia:

1.A lógica permite avaliar criticamente os problemas da


filosofia. Se alguém quiser refletir sobre o problema de
saber por que razão a cor azul dos átomos verdes é tão
estridente, o melhor a fazer é mostrar que se trata de um
falso problema. Para isso são necessários bons
argumentos; não basta afirmar que se trata de um falso
problema.

2.A lógica permite avaliar criticamente as teorias dos


filósofos. Será que uma dada teoria é plausível? Como
poderemos defendê-la? Quais são os seus pontos fracos e
quais são os seus pontos fortes? E porquê?
3.A lógica permite avaliar criticamente os argumentos dos
filósofos. São esses argumentos bons? Ou são erros subtis
de raciocínio? Ou baseiam-se em premissas tão discutíveis
quanto as suas conclusões?
A lógica representa para a filosofia o que o laboratório
representa para o cientista empírico: é o palco onde as ideias
se testam e avaliam criticamente. Sem esta atitude crítica não
há atitude filosófica. Logo, sem lógica não pode haver uma
verdadeira atitude filosófica.

Alguns filósofos não apresentam muitos argumentos.


Manifestam apenas as suas ideias inspiradas e visões criativas
do mundo. Mas o objectivo do estudo da filosofia não é
aprender a repetir acriticamente essas ideias. O objectivo do
estudo da filosofia é saber discutir essas ideias. Ora, não é
possível discutir as ideias dos filósofos e adoptar uma posição
crítica sem dispor dos instrumentos lógicos adequados. Pois
discutir ideias é considerar os argumentos que se podem
avançar a favor dessas ideias e compará-los com os
argumentos que se podem avançar contra elas. E, como é
evidente, para comparar a solidez dos diferentes argumentos,
a favor e contra uma dada ideia, é necessário dominar a lógica,
formal e informal.

Exercícios
1.* "A lógica não tem qualquer interesse para a filosofia porque é meramente
formal." Concorda? Porquê?
2.* "A lógica ocupa-se da validade, mas a filosofia ocupa-se da verdade; logo, a
lógica é irrelevante para a filosofia." Concorda? Porquê?
3.* "A lógica não é importante para a filosofia. Os filósofos não fazem
demonstrações; apresentam ideias inspiradas, visões criativas do mundo."
Concorda? Porquê?

A criatividade
O estudo quer-se criativo, aberto a novas ideias, crítico e
formativo. E a filosofia é uma disciplina cujo estudo perde o
sentido se não se orientar por estes ideais — porque ao
contrário do que acontece noutras disciplinas, não há "A
Filosofia" para ser estudada. Há apenas os problemas
filosóficos e as diferentes teorias e argumentos que os filósofos
apresentam, não havendo uma "síntese" ou um consenso que
se possa estudar como "A Filosofia". Na filosofia, está-se quase
desde o início nas fronteiras do conhecimento. Por isso, é
necessário aprender a filosofar e não aprender uma ou outra
filosofia — a preferida do professor ou dos autores dos
programas do ensino secundário. E aprender a filosofar é
aprender a discutir os problemas, as teorias e os argumentos
apresentados pelos filósofos — e não aprender a repetir as
ideias dos filósofos.

Dado que não é possível discutir correctamente ideias


filosóficas sem saber lógica, saber lógica é uma condição
necessária — mas não suficiente — do estudo de qualidade da
filosofia. Sem a disciplina argumentativa que a lógica
proporciona, a discussão filosófica nunca atinge o nível de
interesse, sofisticação e criatividade que se vê atingir nos
grandes filósofos ao longo da história — pois não é razoável
esperar que todas as pessoas tenham a intuição lógica dos
grandes filósofos do passado; nem é possível ir mais longe do
que foram os grandes filósofos do passado se não tivermos à
nossa disposição instrumentos mais aperfeiçoados do que eles
tinham.

Assim, para que se possa enfrentar a filosofia de forma criativa,


é necessário estudar os instrumentos críticos elementares que
permitirão formular com clareza os problemas, as teorias e os
argumentos da filosofia, e que permitirão adoptar uma postura
crítica — defendendo cada estudante as suas próprias ideias
com bons argumentos. A arte da filosofia é a arte da
fundamentação das nossas ideias recorrendo a argumentos
sólidos, criativos e inteligentes. Dominar essa arte é ter a
capacidade para distinguir os argumentos com essas
características daqueles que não as têm, e ter a capacidade
para mudar de ideias quando somos incapazes de as defender
com bons argumentos. O pensamento logicamente disciplinado
não inibe portanto a criatividade; pelo contrário, promove-a.

Promove-a também por uma segunda razão. Uma das


condições de possibilidade da criatividade é a capacidade para
pensar em alternativas. Onde nos parece que só há uma
alternativa, o pensador criativo descobre outra. Onde parece
que não há solução, o pensador criativo descobre uma. Ora, a
lógica ajuda-nos a pensar em diferentes possibilidades;
portanto, estimula a criatividade no pensamento. Para
determinar se um argumento é ou não válido é necessário
determinar se há alguma maneira de as premissas serem todas
verdadeiras e a conclusão falsa. Uma falácia é precisamente
um argumento que parece válido a uma pessoa sem formação
lógica porque ela não é capaz de ver que numa das
alternativas possíveis as premissas são todas verdadeiras e a
conclusão falsa. O estudo da lógica contribui assim
decisivamente para a criatividade filosófica, pois habitua-nos a
pensar em circunstâncias novas que de outro modo não
teríamos em consideração.
Exercícios
1.* "A lógica impede a criatividade ao impor um colete-de-forças ao
pensamento." Concorda? Porquê?
2.* "O que conta no estudo da filosofia não são os cálculos da lógica, mas a
apreciação dos edifícios conceptuais propostos pelos filósofos." Concorda?
Porquê?

O modelo do pensamento consequente


O pensamento consequente é o pensamento fundamentado.
Um pensamento é consequente quando se baseia em razões e
retira correctamente consequências das razões em que se
baseia. Por exemplo, uma pessoa pode pensar que Deus existe
por achar que, se não existisse, a vida não faria sentido. Ou
pode pensar que o aborto é um mal por achar que matar um
feto é um assassínio. Esta actividade de retirar consequências
de ideias pode ser bem ou mal executada.

A lógica permite determinar que consequências se retiram


correctamente das nossas ideias, e que consequências só
aparentemente se retiram delas. Uma demonstração lógica é
um modelo abstracto e simplificado do pensamento
consequente, como veremos. Ao tomar consciência das
diversas formas através das quais se pode errar ao pensar
mesmo nos casos simplificados da lógica, adquire-se não
apenas rigor mas também cautela e maturidade. Aprende-se a
não aceitar as nossas ideias e os nossos argumentos sem uma
reflexão ponderada, pois percebemos que nos podemos
enganar a pensar, retirando consequências que não podem ser
retiradas, ou não nos dando conta de que das nossas ideias se
podem retirar consequências falsas — o que mostra que as
nossas ideias são falsas.
Por exemplo, alguém poderá defender a seguinte ideia, hoje
em dia muito popular: "Todas as verdades são relativas". Sem
formação lógica, acontece duas coisas a essa pessoa. Em
primeiro lugar, não se apercebe que a sua ideia é auto-
refutante — isto é, não se apercebe que a verdade da sua ideia
implica a sua falsidade. Se todas as verdades são relativas,
também esta é uma verdade relativa; mas ser uma verdade
relativa significa que para algumas pessoas, ou em algumas
circunstâncias, ou para algumas comunidades, esta ideia é
falsa. Logo, se for verdade que todas as verdades são relativas,
é falso em algumas circunstâncias que todas as verdades são
relativas. Em segundo lugar, não só essa pessoa não se
apercebe desta dificuldade lógica elementar a que tem de
responder, como sente que quem lhe apresenta este contra-
argumento a está a enganar. Como o contra-argumento se
baseia num raciocínio ligeiramente complexo e a pessoa em
causa não tem instrumentos para avaliar a sua correcção,
sente que está a ser enganada. O resultado desta situação é
que essa pessoa não está equipada para discutir ideias
filosóficas — tudo o que consegue fazer é dar voz aos
preconceitos do seu tempo, sem ter capacidade crítica para se
distanciar das suas próprias ideias e procurar responder aos
argumentos que se levantam contra elas. Nestas
circunstâncias, o estudo da filosofia deixa de conduzir à
liberdade do pensamento crítico, e torna-se apenas um meio
para sustentar preconceitos com nomes sonantes de filósofos e
palavras complicadas.
Exercícios
1. O que é o pensamento consequente? Caracterize a noção e dê alguns
exemplos.
2. Em que medida a lógica ajuda a pensar consequentemente?
3. Por que razão é importante pensar consequentemente?

Desidério Murcho

desiderio@ifac.ufop.br
Extraído de O Lugar da Lógica na Filosofia, de Desidério Murcho (Plátano, 2003)
Termos de utilização ⋅ Não reproduza sem citar a fonte

Lógica - Introdução: Uma porta ao mundo da


filosofia e da ciência
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Heidi Strecker, Especial para Página 3 Pedagogia & Comunicação

12/12/200510h52

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Tomemos o seguinte raciocínio:

Todos os homens são mortais.


Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.

Pois bem, este é um raciocínio >lógico. Os dois primeiros enunciados são as


premissas e o último enunciado é a conclusão. Os fatos apresentados (o fato de que
todos os homens são mortais e o fato de que Sócrates é homem) servem de evidência
para a conclusão. São eles que sustentam a conclusão.
Mas o que é lógica? Veja o que ensina a filósofa Marilena Chauí:
Ao usarmos as palavras lógico e lógica estamos participando de uma tradição de pensamento
que se origina da Filosofia grega, quando a palavra logos – significando linguagem-discurso e
pensamento-conhecimento – conduziu os filósofos a indagar se o logos obedecia ou não a
regras, possuía ou não normas, princípios e critérios para seu uso e funcionamento. A disciplina
filosófica que se ocupa com essas questões chama-se lógica.
A lógica é um dos campos da filosofia, e pode ser considerada uma disciplina introdutória
para qualquer estudo filosófico. Isso acontece porque a lógica lida com raciocínios e
argumentos, e raciocínios e argumentos fazem parte de qualquer reflexão filosófica, seja
ela no campo da teoria do conhecimento, da ética, da filosofia política ou da estética.

Hoje em dia temos a lógica tradicional e a lógica matemática ou simbólica. A lógica


tradicional é mais simples e mais acessível que a lógica matemática, mas nem por isso
tem menos importância. Pelo contrário, a lógica matemática desenvolveu-se graças aos
avanços da lógica tradicional. A base da lógica tradicional foi formulada pelo filósofo
grego Aristóteles e foi reelaborada durante a Idade Média. Na segunda metade do
século 19 a lógica teve um enorme desenvolvimento até chegar a seu estágio atual, a
lógica matemática ou simbólica.

Os estudiosos definem a lógica de diversas maneiras:

"O estudo da lógica é o estudo dos métodos e princípios usados para distinguir o raciocínio
correto do incorreto."

Irving Coppi
"A lógica trata de argumentos e inferências. Um de seus propósitos básicos é apresentar
métodos capazes de identificar os argumentos logicamente válidos, distinguindo-os dos que
não são logicamente válidos."

Wesley Salmon
"A tarefa da lógica sempre foi a de classificar e organizar as inferências válidas, separando-as
daquelas que não o são. A importância desta organização não deve ser subestimada, pois
usam-se as inferências (de preferência válidas) tanto na vida comum como nas ciências
formais, sendo um exemplo a matemática."

Jesus Eugênio de Paula Assis


"Para Aristóteles, a lógica é a ciência da demonstração; (...) para Lyard é a ‘ciência das regras
do pensamento’. Poderíamos ainda acrescentar: (...) é a ciência das leis ideais do pensamento
e a arte de aplicá-las corretamente na procura e demonstração da verdade."

Maria Lucia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires


Estas definições têm alguma coisa em comum. Todas elas se referem a inferências
válidas, a raciocínios corretos, a leis do pensamento. O homem sempre foi fascinado pelo
pensar e pelas regras deste pensar.

Voltemos ao nosso raciocínio inicial:

Todos os homens são mortais.


Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.

Nosso raciocínio é correto. Sócrates é mortal! Temos três proposições. As duas primeiras
proposições servem de evidência para a última. Vamos dizer isto em outras palavras:
Temos duas premissas que servem de evidência para a conclusão.

Estamos estudando as relações entre as proposições. Estamos estudando o argumento,


examinando se ele é válido ou inválido. Essa é a tarefa da lógica. Não estamos discutindo
as ideias de Sócrates e sua condição de homem.

Tradicionalmente a lógica foi considerada um portal de acesso ao estudo da filosofia e


das ciências.Faz sentido. Discutir e argumentar faz parte do debate sobre qualquer
questão. No caso das ciências, conhecer um pouco de lógica pode ser muito valioso. As
ciências foram construídas usando procedimentos lógicos e o método científico pode ser
visto como lógica aplicada.

Heidi Strecker, Especial para Página 3 Pedagogia & Comunicação é filósofa e educadora.

Navegando na Filosofia . Carlos Fontes


Como
podere
mos
definir
a
ciência
que se
ocupa
da
descob
erta e
formula
ção das
leis do
pensa
mento
correct
o?

Quais
as
princip
ais
etapas
da sua
evoluçã
o
históric
a?

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Conceitos

Conceito. Demonstração. Raciocínio. Juízo. Lógica

Síntese da Matéria

Definição e Evolução da Lógica

3. Em contraposição a este conceito de lógica formal, surgiu um outro - o


de lógica material - para designar o estudo do raciocínio no que ele depende
quanto ao seu conteúdo ou matéria.

4. Esta distinção entre lógica formal e lógica material permite-nos agora


perceber porque:

Tendo em conta a sua forma, o raciocínio é correcto ou incorrecto


( válido ou invalido). Mas se atendermos à sua matéria, a
conclusão pode ser verdadeira ou falsa.

Exemplo:

Nenhum homem sabe dançar


Este dançarino é homem
logo,
Este dançarino não sabe dançar

Este raciocínio é formalmente correcto, uma vez que


a conclusão está correctamente deduzida. Mas a
conclusão é falsa, uma vez que é falsa a primeira
proposição ("Nenhum homem sabe dançar").
Estamos perante um raciocínio que tem validade
formal, mas não tem validade material. Logo temos
que concluir que é falso

5. Desde a sua criação a lógica tem registado enormes aperfeiçoamentos,


sobretudo, a partir de meados do século XIX . É costume dividir-se a sua
história em três períodos: Período Clássico, Período Moderno e Período
Contemporâneo.

2.1.Período Clássico ( Séc.IV a.C) até ao século XIX). A lógica


formal aristótelica domina por completo este período. A lógica
exprime-se numa linguagem natural. Dava uma enorme
importância ao estudo dos raciocínios dedutivos, isto é, aqueles
onde passamos do geral para o particular, do conhecido para o
desconhecido. Os estudos de lógica davam grande ênfase à
analise de enunciados que continham exactamente dois termos,
dos quais se extraia uma dada conclusão. A lógica foi vista até ao
século XVI como o principal instrumento do conhecimento
científico: a) Os filósofos haviam estabelecido um conjunto de
princípios, de natureza metafísica, que eram considerados não
apenas verdadeiros, mas também como a explicação para tudo o
que existia. Tudo havia sido deles derivado; b) Com base nestes
princípios, os cientistas raciocinando de uma forma dedutiva,
procuravam explicar todas as coisas que existiam e ocorriam. c) A
lógica procurava definir as leis do pensamento que nos permitiam
chegar à Verdade.

2.2. Período Moderno (Século XIX a princípios do século XX).


Tomando a matemática como modelo, lógicos como George
Boole, Frege ou Bertrand Russell construíram uma linguagem
artificial -simbólica para a expressão do conteúdo do pensamento
lógico. O raciocínio é visto como cálculo matemático. Esta lógica é
denomina lógica matemática ou simbólica.

2.3. Período Contemporâneo (Século XX ). Assiste-se neste


período à expansão e diversificação da lógica matemática, o que
se traduz no aparecimento de novos ramos no estudo da lógica,
tais como:

-Lógica Combinatória (estuda certos processos ralacionados com


variáveis),

- Lógica Modal ( estuda as conexões entre os enunciados tendo


em conta a sua modalidade);

- Lógica Polivalente (estuda os calculos que contemplam mais de


dois valores (verdadeiro ou falso) para o mesmo enunciado.

-Lógica Deontica (estuda os enunciados normativos sob o ponto


de vista lógico)

A lógica matemática veio a exercer uma influência decisiva no em


muitos domínios, como na Electrónica, Cibernética, Informática,
Neurofisiologia, Linguística, Inteligência Artificial...

Carlos Fontes

O que é lógica?

Lógica é uma parte da filosofia que estuda o fundamento, a estrutura e as


expressões humanas do conhecimento.
A lógica foi criada por Aristóteles no século IV a.C. para estudar o pensamento
humano e distinguir interferências e argumentos certos e errados.
Aristóteles estabeleceu um conjunto de regras rígidas para que conclusões
pudessem ser aceitas como logicamente válidas: o emprego da lógica leva a uma linha de raciocínio
baseado em premissas e conclusões.
Por exemplo: se for observado que "todo ser vivo é mortal" (premissa 1), a seguir é constatado que "João é
um ser vivo" (premissa 2), como conclusão temos que "João é mortal".
Desde então, a lógica Ocidental, assim chamada, tem sido binária, isto é, uma declaração é falsa ou
verdadeira, não podendo ser ao mesmo tempo parcialmente verdadeira e parcialmente falsa. Esta
suposição e as leis da identidade (A é A), da não contradição (A não é B), e do terceiro excluído (A é A e
não pode ser B) cobrem todas as possibilidades e formam a base do pensamento lógico Ocidental.
A Lógica ao mesmo tempo em que define as leis ideais do pensamento, estabelece as regras do
pensamento correto, cujo conjunto constitui uma arte de pensar. E como o raciocínio é a operação
intelectual que implica todas as outras operações do espírito, define-se muitas vezes a lógica como a
ciência do raciocínio correto. A Lógica é então necessária para tornar o espírito mais penetrante e para
ajudá-lo a justificar suas operações recorrendo aos princípios que fundam a sua legitimidade.
Em outras palavras, lógica é arte que nos faz proceder, com ordem, facilmente e sem erro, no ato próprio
da razão.
O que é Lógica:
Lógica é um substantivo feminino com origem no termo grego logiké, relacionado com
o logos, razão,palavra ou discurso, que significa a ciência do raciocínio.
Em sentido figurado, a palavra lógica está relacionada com um maneira
específica de raciocinar, de forma acertada. Por exemplo: Isso nunca vai
funcionar! O teu plano não tem lógica nenhuma!
Os problemas ou jogos de lógica são atividades onde um indivíduo tem que
usar um raciocínio lógico para resolver o problema.

Lógica aristotélica
De acordo com Aristóteles, a lógica tem como objeto de estudo o pensamento,
assim como as leis e regras que o controlam, para que esse pensamento seja
correto. Para o filósofo grego, os elementos constituintes da lógica são
oconceito, juízo e raciocínio. As leis da lógica correspondem às ligações e
relações que existem entre esses elementos.
Alguns sucessores de Aristóteles foram responsáveis pelos fundamentos da
lógica medieval, que perdurou até o século XIII. Pensadores medievais como
Galeno, Porfírio e Alexandre de Afrodísia classificavam a lógica como a ciência
de julgar corretamente, que possibilita alcançar raciocínios corretos e
formalmente válidos.

Lógica de programação
A lógica de programação é a linguagem usada para criar um programa de
computador. A lógica de programação é essencial para desenvolver programas
e sistemas informáticos, pois ela defina o encadeamento lógico para esse
desenvolvimento. Os passos para esse desenvolvimento são conhecidos como
algoritmo, que consiste em uma sequência lógica de instruções para que a
função seja executada.

Lógica de argumentação
A lógica de argumentação permite verificar a validade ou se um enunciado é
verdadeiro ou não. Não é feito com conceitos relativos nem subjetivos.São
proposições tangíveis cuja validade podem ser verficada. Neste caso, a lógica
tem como objetivo avaliar a forma das proposições e não o conteúdo. Os
silogismos (compostos por duas premissas e uma conclusão), são um exemplo
de lógica de argumentação. Por exemplo:

O Fubá é um cachorro.
Todos os cachorros são mamíferos.
Sobre a Lógica na Filosofia

24 de Junho de 2009 por wpmatheusvenancio


Dissertação sobre as principais singularidades da disciplina: Lógica, ou seja, qual o seu
Universo de discussão teórica, metodológica e qual a sua importância para a Filosofia.
A lógica tem origem no grego, tal ciência surgiu para conciliar os pensamentos filosóficos, as idéias que
surgiam mediando a verdade ou a falsidade de um argumento, ou seja, a lógica se tornou uma grande
ferramenta como método de avaliação de uma idéia, dos argumentos. No entanto vários autores
destacam a dificuldade em definir a lógica, devido às mudanças e evoluções das ciências, como define
Cesar A. Motari:
Lógica: é a ciência que estuda princípios e métodos de inferência, tendo o objetivo principal de
determinar em que condições certas coisas se seguem, são conseqüências, ou não, de outras (Motari,
200, p. 2).
Um grande ícone da lógica seria o filosofo grego Aristóteles (384-322 a. C), ou seja, Aristóteles contribuiu
em varias áreas do pensamento, como a ética, política, física, metafísica, psicologia, poesia, retórica,
zoologia, biologia historia natural e a lógica. Aristóteles foi o criador do silogismo, que foi uma forma
particular de argumentação, ficou nomeada de lógica aristotélica. O silogismo é formado sempre por duas
premissas e uma conclusão. Alem disso apenas preposições denominadas categóricas poderiam fazer
parte de um silogismo. Exemplo de silogismo:
Todo gato é preto. Miau é um gato. Miau é preto.
Em metafísica, Aristóteles enunciou seus três princípios da lógica:
1. Principio da não contradição:
“E impossível que o mesmo atributo pertença e não, ao mesmo tempo e sob a mesma relação, ao
mesmo sujeito”. Simbolizado por ~ ( p. p )
2. Principio do terceiro excluído:
“Não é possível que haja uma posição intermediaria entre dois enunciados contraditórios: é necessário
ou afirmar ou negar um único predicado, qualquer que ele seja, de um único jeito”. Ou ainda “Dado um
enunciado, ou ele é verdadeiro, ou ele é falso, não existi terceira hipótese”. Simbolizado por ( p v ~p )
3. Princípio da identidade:
“Dado um enunciado, ele é sempre igual a ele mesmo”. Simbolizado por p = p ( Nahara; Weber, 1997,
p. 51).
Mesmo Aristóteles com sua grande contribuição, e tendo se preocupado em qualificar os tipos de
silogismo, tal técnica se mostrou muito limitada, porém foi durante muito tempo a única existente na
Grécia. No entanto houve outros pensadores que desenvolveram uma lógica diferente da de Aristóteles:
Crísipio (280-250 a. C) . No entanto, as obras de Aristóteles ainda superaram seu concorrente, visto
desta forma na Grécia, como concorrentes, por isso suas obras não foram conciliadas em uma única
teoria.
Só no século XIX que outros grandes pensadores foram se ater ao assunto, tais como:
George Boole (1815- 1864), pensador de grande importância para o raciocínio lógico, trouxe uma
linguagem simbólica, a matematização da lógica, Boole também apresentou o chamado calculo lógico,
com numero infinito de formas válidas de argumentos.
Gottlob Frege (1848-1925), trouxe sua contribuição para a lógica, o calculo do predicativo e a utilização
de linguagens artificiais. A preocupação de Frege era a sistematização do raciocínio matemático, ou seja,
em encontrar uma caracterização precisa do que seria uma demonstração matemática (Motari, 2001, p.
29).
Daqui até os dias atuais o uso da lógica se tornou indispensável para a evolução em várias áreas do
conhecimento. Podemos afirmar que a lógica foi a ferramenta mais usada para evolução cientifica, temos
também, como no último tópico, visto acima, que o uso da linguagem, da simbolização para a utilização
da lógica, se torna inseparável, como exemplo de linguagem: a linguagem de programação, utilizada
para programas de computadores, que abrange a tecnologia da informática, em diversas fábricas do
mundo todo, sendo utilizado nos PLC – comando lógico programável, CNC- comando numérico
computadorizado, entre outros, ou seja o uso da lógica que ainda em expansão, foi muito útil para
expansão tecnológica, ou seja vemos a necessidade e a união entre a linguagem e matemática,ou os
vários modos da simbolização, da combinação entre esses para o uso da lógica. A lógica não se volta
para as analises dos conteúdos, mais sim para a forma do todo, entre a razão para o ponto de partida e a
conclusão final obtida.
BIBLIOGRAFIA
Douglas Ap. Mariani Franklin da Silva, 2009 – Unifran, Universidade de Franca – Porfolio Terceiro
Semestre
referencial aristotélico O Nascimento da Filosofia »

Lógica e filosofia da ciência


O primeiro tipo de investigação que compõe a teoria filosófica da ciência corresponde à análise
lógica da estrutura das teorias científicas e ao posicionamento filosófico (epistemológico ou
metodológico) concernente à natureza e à dinâmica das teorias científicas. O objetivo desta
parte da investigação é proceder a um estudo das concepções epistemológicas e
metodológicas que embasam a análise lógica das teorias, hipóteses, leis e dados empíricos ou
experimentais e das mútuas relações entre esses componentes do discurso científico
logicamente estruturado.
Considera-se central para este tipo de investigação a distinção entre epistemologia e
metodologia. Segundo essa distinção, a epistemologia faz um uso descritivo da linguagem no
tratamento das questões de natureza e fundamento, procurando estabelecer princípio e
padrões que determinam os contornos, os limites e os fins da atividade científica. A
metodologia, por outro lado, faz um uso normativo da linguagem no tratamento das questões
de método, procurando estabelecer um sistema de regras que, respeitando os contornos,
limites e fins definidos ou estabelecidos de certo modo pela epistemologia, proporcionem os
meios para atingir os fins propostos. Convém lembrar que, em virtude da complementaridade
entre o uso descritivo e o uso normativo da linguagem, a discriminação de uma tese ou
concepção como sendo epistemológica ou metodológica depende em grande medida do
contexto.
A distinção contextual entre epistemologia e metodologia revela-se particularmente operante
para duas questões centrais da lógica e da filosofia da ciência, a saber: a) o problema da
relação entre teoria e experiência, em particular em autores como Duhem, Carnap, Popper,
Körner, Stegmüller e Van Fraassen e b) o problema da racionalidade da ciência,
particularmente no que diz respeito à escolha das teorias científicas, em autores como
Lakatos, Kuhn, Hanson e Laudan. É neste âmbito que se procura fazer uma avaliação das
principais correntes do pensamento acerca da estrutura das teorias científicas e acerca de seu
status cognitivo: convencionalismo, empirismo (de suas formas mais radicais como o
operacionalismo e o positivismo lógico até suas formas mais atenuadas como o
convencionalismo metodológico ou o dedutivismo), instrumentalismo, pragmatismo e
construtivismo.
Após o grande impacto da obra de Thomas Kuhn na década de 1960, desenvolveram-se nos
anos seguintes diversas concepções filosóficas alternativas acerca da ciência. Ao longo do
projeto temático, não deixaremos de examinar detalhadamente algumas dessas concepções
contemporâneas acerca da ciência, que em muitos aspectos apresentam mudanças
significativas em relação às posições tradicionais de Popper, Kuhn, Lakatos e Feyerabend. É o
caso, por exemplo, da retomada do realismo científico (Boyd), da abordagem estruturalista
(Sneed, Stegmüller), do empirismo construtivo (van Fraassen), do realismo interno (Putnam),
do modelo reticulado de racionalidade (Laudan), da estratégia "bootstrap" de confirmação
(Glymour) etc. Esses "pacotes" filosóficos envolvem não apenas teses semânticas, ontológicas,
metodológicas e epistemológicas, mas também visões historiográficas da ciência,
especialmente sobre a relação entre filosofia da ciência e história da ciência.
Cabe notar que o estudo, em particular, de Larry Laudan apresenta sugestões interessantes
para nosso programa, as quais serão detidamente analisadas. Em duas obras de Laudan,
Science and Values e Beyond Positivism and Relativism, acha-se exposto um abrangente
programa de pesquisa acerca dos temas da racionalidade científica e do progresso científico.
Laudan aborda esses temas por meio de um aparato conceitual que tem como elementos
principais o modelo reticulado de racionalidade e a concepção naturalista de metodologia e
axiologia. Perpassando toda a obra laudaniana, encontramos uma decidida oposição tanto ao
realismo metodológico como ao relativismo cognitivo. Laudan, especialmente em Science and
Values, mostra-se fortemente crítico com relação a Kuhn, na medida em que o modelo de
mudança científica deste último, formulado em termos de "paradigmas" e "revoluções", possui
caráter holista, e também na medida em que Kuhn procura sustentar que as escolhas teóricas
são subdeterminadas pelas normas metodológicas. O capítulo 10 de Beyond Positivism and
Relativism estabelece uma conexão com a perspectiva da sociologia da ciência, apresentando
uma crítica ao chamado "programa forte".

Bibliografia
Benthem, J. van, "The logical study of science", Synthese, 51 (1982), p. 431-472.
Beth, E.W., "Towards an up-to-date philosophy of the natural sciences", Methodos, 1 (1949),
p. 178-185.
Bonjour, L., The structure of empirical knowledge. Cambridge, Mass.: Harvard University
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"A Lógica não serve para nada?"

Quando comecei, já nos anos 70, no meio das iras dos "lógicos profissionais", a desenvolver as
minhas primeiras críticas aos alcances da Lógica formal (LF) como instrumento de análise filosófica,
não conhecia os textos de Nietzsche sobre lógica (eu os conheceria somente na década de 90). Mas,
curiosamente, tinha já escrito textos nos anos 80 onde afirmava que a minha filosofia da lógica era
basicamente "nietzscheana". Questão de instinto. (Lembrar também que no subtítulo de A Lógica
condenada. Uma abordagem extemporânea de filosofia da lógica (1987), se utilizava um conceito tão
nietzscheano como "extemporâneo"). Na verdade, as minhas críticas formulavam, de maneira mais
clara e analítica (ou seja, de maneira menos genial) a idéia fundamental de Nietzsche: o desacordo
básico e primitivo entre a linguagem (e as formas lógicas) e o mundo.

A característica mais evidente das introduções à lógica é a sua monotonia. A teoria lógica elementar é
apresentada como uma doutrina consolidada, sem nenhuma crítica incisiva contra qualquer aspecto de
sua exposição padrão. Não quero dizer (o que seria factualmente falso) que a lógica clássica não seja
contestada, expandida ou minguada, pois é isso, precisamente, o que fazem as lógicas "não-
clássicas". O ponto é que todas as contestações, expansões ou diminuições tomam a "lógica clássica",
inevitavelmente, como ponto de referência (já na própria denominação de "não-clássico"). A lógica
clássica deve ficar perfeitamente estabelecida para que todos esses "desvios" possam ser formulados.

Todas as introduções à lógica seguem exatamente o mesmo esquema: capítulos iniciais sobre a noção
de "lógica" e de "argumento", esclarecimentos acerca de "distinções essenciais" (verdade e validez,
uso e menção, etc), algumas noções de teoria de conjuntos, algumas informações sobre a história
oficial da lógica, alguma apresentação do cálculo de sentenças e as tabelas de verdade, outra do
cálculo de predicados de primeira ordem, um capítulo sobre dedução, e capítulos finais sobre o
sistema da identidade, algo de meta-lógica, talvez alguma coisa sobre sistemas não-clássicos ou
aplicações da lógica na ciência ou na linguagem comum. Variados números de exercícios, às vezes
com soluções. (Como os 4 evangelhos, todos diferentes, mas todos contando a mesma história).

Por minha parte, não consigo expor a "lógica elementar" sem tropeçar continuamente com graves
inconvenientes de concepção, com noções que me parecem duvidosas, com formulações com as que
não posso concordar. Simplesmente não consigo avançar além das duas ou três primeiras páginas.
Para explicar isto melhor, relaciono a seguir algumas das coisas que cansativa e rotineiramente se
dizem acerca desta disciplina, e cuja problematização tem constituído a minha filosofia da lógica:

1. A idéia de que a lógica é completamente geral, não se referindo a nenhum tipo de objeto em
particular; todos os objetos, seja qual for seu contexto ou o tipo de matéria de que se trate, seriam
afetados pelas leis da lógica, pelo fato destas serem completamente gerais e do mais alto grau de
formalidade. Isto fica claro toda vez que se salienta que os conteúdos dos raciocínios não interessam,
que a matéria pode ser qualquer uma, que um raciocínio pertencente a qualquer domínio temático
deverá submeter-se às leis da lógica. Significa que a lógica, na sua generalidade, refere-se a uma
espécie de "objeto qualquer".

2. A idéia de que, na aplicação da lógica aos raciocínios ordinários, deve conceder-se que o
instrumento lógico tem, certamente, limites, mas que fazendo certos esforços para construir
paráfrases, os raciocínios ordinários acabarão "encaixando", de maneiras mais ou menos naturais,
dentro dos esquemas da lógica, e que a sua validez pode ser avaliada pelos seus métodos. É hoje um
lugar comum que os lógicos reconheçam as muitas limitações analíticas do aparato formal fornecido
por LF: não há livro que não assinale para dificuldades, inconvenientes e limitações da análise lógica.
Sustento, entretanto, que não se dimensionam corretamente os alcances destes problemas, e a sua
importância para as relações da lógica com a análise filosófica. (O problema, então, não é de
observação de dados, mas de reflexão acerca deles).

3. A idéia de que todas as conexões lexicais (advogado/profissional, fechado/aberto, solteiro/casado,


etc) devem ficar fora do escopo da lógica precisamente por não serem gerais, nem estritamente
formais, mas conexões baseadas em considerações "de conteúdo". Para LF é absolutamente óbvio
que a passagem inferencial de, digamos, "x é verde" para "x é colorido", ou de "x é advogado" para "x
tem uma profissão", etc, não são passagens lógicas, pois elas não são formais, mas dependentes do
significado dos termos empregados.

4. A idéia de que a lógica elementar tem uma parte puramente sentencial, onde se opera com unidades
indecomponíveis, e uma parte quantificacional, onde se opera com uma "análise interna de
sentenças". Seja que se comece a exposição pela parte sentencial e se acrescente depois a parte
quantificacional, seja que se apresente a lógica de primeira ordem com a sentencial já como sub-parte,
de qualquer forma trata-se de dois setores da lógica que devem ser expostos como estruturas
completamente estáveis e objetivas. (Tão forte é esta articulação sentencial/quantificacional que ela
afeta inclusive às lógicas "divergentes": temos uma lógica modal sentencial e uma lógica modal
quantificacional, uma lógica paraconsistente sentencial, uma lógica paraconsistente quantificacional,
etc).

5. A idéia de que a lógica foi criada por Aristóteles, deu um "cochilo" durante vários séculos, e foi
redescoberta por Frege no século XIX, sem nada ter havido de importante nos séculos intermediários.
(Como curiosidade expositiva notável, e prova da mencionada monotonia, não conheço quase
nenhuma história oficial da lógica que não se refira à famosa afirmação de Kant sobre a lógica ter
nascido já acabada da mente de Aristóteles, como sendo um tremendo erro de apreciação. Nunca vi,
em nenhum lugar, o menor esforço para tentar compreender o sentido da frase do grande filósofo).

Eu vejo nesta monotonia um dos traços característicos do filosofar acadêmico profissionalizado do


século XX. Filosofa-se segundo palavras de ordem da "comunidade", através de exposições
padronizadas, sem qualquer aceno para uma visão crítica e abridora de caminhos. A "comunidade" de
filósofos (e de lógicos!) tomou o lugar da autoridade e da censura, em lugar do Estado ou da Igreja,
como ainda no século XIX. Quando a uniformidade monótona é internalizada pela comunidade, os
mecanismos de censura externa se tornam desnecessários, e cria-se uma falsa impressão de
liberdade intelectual.

Eu creio haver algo de verdadeiro na idéia de que LF se afastou da filosofia, ainda que não concorde
com os argumentos e observações dos filósofos tradicionalistas quando falam acerca deste assunto.
Meu ponto de partida, na minha própria formulação das questões lógicas, é a busca de uma teoria
lógica – semi-formal ou informal - que seja de interesse primordial para o filósofo, tal como concebido
no link Filosofia, ou seja, para alguém interessado em pensar e refletir ao longo de um continuum de
possibilidades, onde a análise lógica é um dos pólos e a existência humana o outro. Se o que nos
interessa é o estudo lógico-analítico de raciocínios daqueles que o filósofo faz, a preocupação central
da teoria lógica poderia não ser a "máxima generalidade" ou a "formalidade de mais alto nível", mas a
generalidade e formalidade que sejam adequadas ao estudo daqueles raciocínios.
Levando tudo isto em consideração, a minha apresentação da lógica poderia resumir-se nos cinco
seguintes itens:

1'. Contra a ultra-generalidade.

Eu creio que a afirmação 1 é falsa. Na escolha dos "termos lógicos" (conectivos, quantificadores, etc)
há, ao mesmo tempo, uma escolha do tipo de objeto do qual a lógica se ocupará. O específico tipo de
objeto que LF estuda é, por exemplo, um objeto não afetado pela temporalidade, pela causalidade e
pelos processos reais, um tipo de objeto totalmente sensível a operações tais como a comutatividade,
a contraposição, o destaque, etc. Mas nem todos os objetos do mundo são deste tipo. Por que supor
que o "objeto qualquer", com independência dos diferentes âmbitos temáticos, deva ser, por exemplo,
um objeto atemporal? Eu diria, pelo contrário, que se faltar a temporalidade, isso prova que a lógica
não está tratando com o "objeto qualquer", mas com um tipo peculiar de objeto desprovido de
temporalidade.

2'. Contra a adequação.

Eu creio que os contra-exemplos e dificuldades de aplicação que os próprios lógicos freqüentemente


encontram na aplicação dos esquemas de LF ao raciocínio ordinário e ao discurso filosófico, têm uma
importância maior do que os lógicos estão dispostos a conceder, no seu poder de abalar a habitual (e
monótona) apresentação da lógica (se a mesma se pretende analítica e com interesse filosófico). As
paráfrases "reduzem", às vezes barbaramente, a variedade das formas dos objetos aos esquemas
lógicos pre-determinados. Os artifícios dos quais os lógicos lançam mão para obter o "encaixe" nos
esquemas e a relativa arbitrariedade das paráfrases, cheia de decisões cruciais acerca da tradução
mais "bem sucedida", mostram que LF é muito mais inadequada do que habitualmente se pensa, e
que deveriam ser tiradas as conseqüências disto. Trata-se, por conseguinte, não apenas de insistir nas
inadequações, já perfeitamente visualizadas, nem de ficar analisando exemplos avulsos de
inadequação, mas de situar a crítica baseada nessas observações num âmbito abrangente e radical de
reflexão.

3'. Contra a exclusão das formas lexicais.

Se o que interessa inicialmente são os raciocínios ordinários do tipo que os filósofos fazem, nada mais
típico deles do que as conexões entre peças lexicais, num sentido largo (não apenas as conexões
"analíticas" estudadas na literatura, mas conexões que estão na interface entre dicionários e
enciclopédias, conexões lexicais de variados tipos). Se LF visa um tipo de "generalidade" que deixa
totalmente de lado por princípio, como habitualmente é feito, as conexões lexicais como sendo
"materiais", terá deixado de lado um dos traços mais interessantes dos raciocínios ordinários. A
introdução de estudos formais sobre conexões lexicais talvez deva modificar substancialmente toda a
apresentação da lógica, diluindo-se a própria noção de "lógica clássica" como hoje entendida. É falso
que as conexões lexicais sejam puramente materiais: os lingüistas e meu colaborador Olavo L.D.S.
Filho, na obra escrita em co-autoria Inferências Lexicais e Interpretação de redes de predicados,
mostraram que as conexões lexicais podem considerar-se formais à luz de novas análises diferentes
das oferecidas por LF, análises que trabalham com redes de peças lexicais, procurando estruturas
recorrentes e formalizáveis. Assim, este ponto é a estrita contrapartida do item 1: assim como as
formas lógicas usuais de LF não são tão formais e gerais quanto se pretende, as conexões lexicais
não são tão materiais e "extralógicas" quanto habitualmente se supõe.
4'. Contra o referencial fixo da "lógica clássica"

Por conseguinte, a construção da teoria lógica, se o nosso interesse primordial for filosófico, poderia
iniciar-se a partir das conexões lexicais. O vinculo de, pelo menos, dois predicados, é -se poderia
dizer- o ato inaugural da lógica: as conexões intersentenciais e a quantificação poderão vir depois. Se
a conexão entre "x é verde" e "x é colorido" é formalmente estabelecida, as conexões entre essas duas
sentenças ("x é verde e x é colorido", "x é verde ou x é colorido", Se "se x é verde então "x é colorido",
etc) e as generalizações sobre seu conteúdo ("Para todo x, se x for verde, então x é colorido", "Existe
um x tal que é verde e colorido", etc) poderão ser derivadas a partir daquela conexão primitiva. Se ela
não existir, as sentenças e quantificações não decorrerão. A idéia é que as conexões lógicas usuais
(sentenciais e quantificacionais) podem considerar-se como derivadas se suspendermos a proibição
de considerar as conexões lexicais como não formais.

5'. Contra a história oficial da lógica.

Como ponto final mas não banal: ao longo de toda a história da filosofia houve numerosos filósofos
que tiveram intuições acerca da interação entre formas e conteúdos dentro da constituição da teoria
lógica; eles dirigiram críticas à pretensa "máxima generalidade" das estruturas lógicas, tecendo
considerações acerca de como os conteúdos poderiam ser formalmente estudados. Hegel, Dewey e
Husserl são, por exemplo, três filósofos modernos que construíram teorias lógicas nesse sentido, e
foram completamente apagados da história oficial da lógica. Muitos outros filósofos (notadamente,
Descartes, Locke e Kant), durante o "período obscuro" onde, habitualmente, se afirma
(monotonamente e sem crítica) que "não houve nada de valioso em termos lógicos", tiveram idéias
críticas contra a formalidade unilateral da lógica usual (na sua forma aristotélica escolástica ou
moderna) e intuições construtivas acerca de outras maneiras de apresentar a lógica. Obviamente, isto
da origem a uma história da lógica absolutamente diferente da que temos hoje.

No meu livro de 87, A Lógica Condenada, já se podem encontrar desenvolvimentos de todos estes
tópicos. Posteriormente, continuei desenvolvendo minhas idéias e apresentando-as em outros âmbitos
geográficos de discussão. Estas idéias foram apresentadas na França e no México com receptividade
e interesse. Os textos mais completos sobre estas questões, além dos artigos recentes "Es realmente
la lógica tópicamente neutra y completamente general?" e “Redes predicativas e inferências lexicais
(Uma alternativa à lógica formal na análise de línguas naturais)”, são os livros 10 e 13 também
mencionados no link Escrevo.

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TEXTOS DE LÓGICA E FILOSOFIA DA LINGUAGEM

Acerca da expressão 'Das Nichts nichter' : uma leitura analítica


http://hdl.handle.net/10482/10206

Como fazer coisas-em-si com palavras


http://hdl.handle.net/10482/10189
Es realmente la lógica tópicamente neutra y completamente general?
http://hdl.handle.net/10482/15234

Lógica y dialéctica : lecturas oblicuas


http://repositorio.unb.br/handle/10482/15384

Margens das filosofias da linguagem


http://hdl.handle.net/10482/15264

Nada e negação (Entre Wittgenstein e Sartre)


http://repositorio.unb.br/handle/10482/15386

O mundo bem ganho : inferências sem "inferencialismo"


http://hdl.handle.net/10482/10178

Redes predicativas e inferências lexicais


(uma alternativa à lógica formal na análise de línguas naturais)
http://hdl.handle.net/10482/14961

Três graus de divergência lógica : Hegenberg, Da Costa, Sampaio


http://hdl.handle.net/10482/15233

A Lógica
Distinção de Validade/Verdade

Å 1. A lógica e a coerência do pensamento e do discurso


Eu chamo-me Catarina e não me chamo Catarina.
- De facto, o discurso proferido, é incoerente, não tem lógica. Aquilo que é dito não só está de
acordo com o que efectivamente acontece, como evidência algumas contradições.
O Homem no seu dia-a-dia conduz o seu pensamento e por consequência, o seu discurso –
segundo determinadas exigências da lógica, certos princípios eregras que o tornam coerente.
Caso contrario as pessoas não se entendiam.
- Por conseguinte, estes são as condições que nos permitem relacionar, orientar e estruturar os
nossos pensamentos de forma coerente. Há uma ordem lógica e racional que é preciso seguir
para nos orientarmos no mundo e conhecer a verdade.

èDefinição de Lógica:

‘ A ciência das leis necessárias do entendimento e da razão em geral ou, o que é a mesma
coisa, da simples forma do pensamento em geral, designamo-la de Lógica. ’ – Kant

- A disciplina filosófica que se dedica ao estudo das leis, princípios e regras a que deve
obedecer o pensamento e o discurso é precisamente a lógica.
- no seu sentindo etimológico, ela é a ciência do ‘logos’. O termo ‘logos’ de origem grega ,
significa : palavra, discurso , pensamento, razão. Como tal, a lógica terá por objecto o
pensamento e o discurso, preocupando-se com a sua correcção.
- A psicologia ocupa-se do estudo dos mecanismos e processos mentais, a lógica apenas terá
em consideração o resultado desses processos: o pensamento como produto, traduzido
em enunciados.
- Torna-se pois, necessário obedecer a determinadas regras para a elaboração dos nossos
raciocínios, ou argumentos. A lógica permite estabelecer essas regras, de modo a
distinguir os raciocínios válidos daqueles que não o são.

î Importância da lógica:

- Ela ajuda-nos a adquirir competências que nos permite avaliar a validade dos
argumentos que nos são apresentados, contribuindo assim para desenvolver a autonomia
e o espírito critico.
- Ela proporciona-nos meios que possibilitam a organização coerente dos pensamentos,
desenvolvendo competências argumentativas e demonstrativas, a fim de os podermos
comunicar com rigor, coerência e inteligibilidade.
- Ela permite-nos analisar diversos tipos de discurso, do científico ao político, para nos
certificarmos da sua validade formal
- Final/, ela possibilita-nos a analise de ideias, juízos, raciocínios e métodos de inferir,
permitindo representar, através de uma linguagem rigorosa, conceitos que pela subtileza
escapam a toda a toda a determinação precisa com a linguagem corrente. É por meio desses
recursos que pensamos a realidade e a podemos conhecer.

ï Princípios Lógicos (princípios básicos do nosso pensamento)


a) Principio de Identidade - de acordo com este principio, se se coloca uma proposição,
temos de colocar a mesma proposição, isto é, uma proposição é equivalente a si mesma.

Ex.: se eu me chamo Catarina, logo chamo-me Catarina

- O que acima de tudo, importa reter relativamente a este princípio é que ele exige que, no
decurso de um procedimento argumentativo ou demonstrativo, se mantenha o mesmo
significado dos termos e das expressões.

b) Principio de (não) Contradição – segundo este principio, é impossível aceitar uma


proposição e, ao mesmo tempo, a sua negação. De acordo com Aristóteles, no que se refere à
dimensão lógica, dizemos que é impossível que a afirmação e a negação sejam verdadeiras ao
mesmo tempo.

Ex.: Se é verdade que me chamo Catarina, então é falso que não me chamo Catarina.

- Do ponto de vista ontológico, a mesma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo,
segundo a mesma perspectiva, ou, então, é impossível que o mesmo atributo pertença e não
pertença ao mesmo sujeito, ao mesmo tempo e segundo a mesma relação.

- Eu sou alta e não sou alta (não entro necessariamente em contradição, posso ser alta em
relação à kanita e não ser em relação à Mariana : D )

- Possuindo estas dimensões – lógica e ontológica – o principio de não contradição estrutura a


realidade e o nosso pensamento, estando na base das afirmações que produzimos acerca
dessa realidade.

c) Princípio do Terceiro Excluído – de acordo com este princípio, na sua vertente lógica,
sendo dada uma proposição, tem de a afirmar ou de a negar. Segundo Aristóteles, de duas
proposições contraditórias, uma delas tem de ser verdadeira e não podem ser ambas falsas, ou
seja, não é possível que haja qualquer entre enunciados contraditórios.

Ex.: Ou eu me chamo Catarina ou eu não me chamo Catarina.

- Na sua formulação ontológica, este princípio diz-nos que uma coisa deve ser ou então não
ser, não há terceira possibilidade.

A Importância destes Princípios

Estes três princípios são pressupostos de todo o pensamento consistente. Sem eles, nenhuma
verdade pode ser concebida. Sendo leis fundamentais, exigem que lhes obedeçamos se
queremos o nosso pensamento tenha rigor e coerência. Quando pensamos e quando
traduzimos o nosso pensamento em discurso (oral ou escrito), utilizamos estes princípios, os
quais determinam todo o nosso exercício racional.
- Eles revelam-se no discurso, porque o discurso é a tradução do pensamento.
Todavia, para pensar precisamos não só de princípios, como também de
instrumentos lógicos – O CONCEITO; O JUIZO E O RACIOCINIO.

ï Os instrumentos lógicos do pensamento

O conceito e o termo

a) O conceito de ‘ conceito ’
O conceito é, numa perspectiva lógica, o elemento básico do nosso pensamento. Só há
pensamento porque há conceitos. Além disso, existe uma relação muito estreita entre os
conceitos e as palavras. As palavras são fundamentais na elaboração do nosso pensamento e,
por conseguinte, na estruturação da nossa visão do mundo. O pensamento e a linguagem
verbal são simultâneos e interdependentes.
- É necessário utilizar as palavras adequadas a fim de que os conceitos se tornem claros.
Importa, pois, clarificar devidamente o conceito, para que nos possamos entender
correctamente.
- O Conceito é um instrumento mental que utilizamos para pensar as diversas realidades
(sejam materiais ou espirituais, concretas ou abstractas) o conceito dá-nos
uma representação dessas realidades.
- O conceito resulta de uma construção, não é preexistente.

Essas representações obtêm-se através da experiência, envolvendo diversas operações:

¾ Dados empíricos – conjunto de elementos que obtemos através da observação e da


experiência

¾ Comparação – é exercida sobre os diversos objectos ou seres, procurando o que têm em


comum (características essenciais) e o que é próprio deste ou daquele (características
acidentais)

¾ Abstracção – consiste em separar mentalmente as características do objecto, retendo apenas


as que são comuns, e pondo de lado o que é individual.

¾ Generalização – consiste em aplicar as características comuns aos elementos pertencentes a


toda a classe

FORMA-SE O


!!! CONCEITO !!!
Conceito = elemento essencial do pensamento. Consiste na representação intelectual, abstracta e geral d
essência de um conjunto de seres e justamente por nada afirmar ou negar, constitui o elemento básico do
pensamento. É uma síntese que reúne as características comuns ( ou invariantes) de uma diversidade de
seres ou acontecimentos.

- Os conceitos são o conteúdo significativo


- As palavras são unicamente os signos, os símbolos das significações

Dividem-se em

Conceitos Objectivos Conceitos Funcionais

C. Objectivos – são os conceitos que se referem a objectos. Mas alguns são empíricos, nem
todos resultam de um processo de abstracção através da experiência sensível. Existem
também os conceitos que não correspondem a seres materiais e visíveis, mas a seres ideais,
metafísicos ou axiológicos (alma, Deus, Bondade)

C. Funcionais – aqueles que estabelecem as relações entre os anteriores (verbos, conjunções,


os advérbios…)

- O conceito não deve reunir em si elementos contraditórios.


- O conceito deve restringir-se ao campo da possibilidade lógica.
- Os conceitos não existem isolados, mas formam redes conceptuais.

b) O Termo

- Um conceito pode ser expresso por vários termos


- Um termo pode ter várias significações, isto é, pode expressar vários conceitos
- O termo é a vestidura convencional e simbólica do conceito pela qual este se fixa e se
delimita
- O mesmo conceito pode ser expresso por termos diferentes ( diferentes línguas por exemplo)
- O mesmo termo pode expressar diferentes conceitos (compasso – instrumento de desenho /
divisão se tempo na musica)

ä Do ponto de vista lógico:


- Não confundir termo com palavra;
- O termo pode ser constituído por uma ou por varias palavras, quando constituído por mais
que uma palavras, os termos designam-se por expressões conceptuais (ser vivo, animal
domestico.)

c) Extensão e Compreensão

Extensão (denotação) de um conceito – é o conjunto de seres, coisas, membros que são


abrangidos por ele, ou seja, são os elementos da classe lógica que é definida pelo conceito.

Compreensão (intensão) de um conceito – é o conjunto de qualidades, propriedades,


notas, características ou atributos que definem esse conceito.

ö A Compreensão e a extensão variam na razão inversa ou seja, à medida que aumenta a


extensão, diminui a compreensão. Á medida que a extensão diminui, aumenta a compreensão.
Por outras palavras, quanto maior é o numero de elementos a que o conceito se aplica
(extensão), menor é a quantidade de características comuns (compreensão)

Ser

 Ser vivo Extensão

Animal

Vertebrado

Compreensão Mamífero 
Cão
- Estes conceitos estão dispostos por ordem decrescente quanto á extensão e por ordem
crescente quanto à compreensão.

Ordem decrescente de extensão  Ordem crescente da compreensão

Å O Juízo e a Proposição

Características dos juízos

- Os conceitos formam redes conceptuais, logo quando pensamos, relacionamos conceitos, e


relacionar conceitos é o mesmo que julgar ou formar juízos.

Julgar é sinónimo de predicar. Com efeito, qd formam um juízo, afirmamos ou negamos alguma
coisa (o conceito de predicado) relativamente a outra coisa (o conceito de sujeito).

Ex.: a casa é branca


- O sujeito (a casa) é o ser a quem se atribui o predicado, é o conceito relativa/ ao qual se
afirma ou nega algo
- O predicado (branca) é aquilo que se diz do sujeito, podendo ser afirmado ou negado.
- A cópula (é) é o elemento que relaciona o sujeito com o predicado
 Se o sujeito (S) e o predicado (P) representam o conteúdo ou a matéria do juízo, a cópula
representa a sua forma, podendo ser afirmativa (é) ou negativa (não é)

Função do juízo = afirmar ou negar


S é P (formula clássica)

Em síntese:

Podemos definir o juízo, como a operação mental que permite estabelecer uma relação de afirmação ou d
negação entre os conceitos, podendo tal relação ser considerada verdadeira ou falsa.

- Qualquer frase declarativa pode transformar-se num juízo do tipo S é P

Catarina Ferreira

A filosofia possui interesse em investigar a verdade das coisas. O uso da razão é


necessário para que a verdade seja descoberta e a lógica é a forma de usar corretamente
o raciocínio. Assim, a lógica tenta investigar as leis do pensamento e a forma correta de
pensar.

Para pensar um pouco sobre lógica é preciso, em primeiro lugar, conhecer alguns termos
usados. A lógica tem como objeto de estudo a proposição, isto é, a atribuição de um
predicado a um sujeito. A proposição é a forma de exprimir juízos feitos pelo pensamento.
A sequência de proposições é um raciocínio.

Dito isso, as proposições são formadas por termos. Quando afirmamos que “João é
homem”, essa proposição é a atribuição do predicado “homem” ao sujeito “João”. Os
termos de nossa proposição podem ser caracterizados e foi o filósofo grego Aristóteles
quem propôs a divisão dos termos em diversas categorias. Para ele, os termos podem ser
divididos em dez categorias: substância, quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo,
posição, posse, ação e paixão (passividade). No nosso exemplo, “João” é a substância e
“homem” é a qualidade.

As categorias, por sua vez, possuem outras classificações. A partir da qualidade,


as proposiçõespodem ser afirmativas ou negativas. Por exemplo: “João é homem” e “João
não é mulher”. Do ponto de vista da quantidade, as proposições podem ser de três
tipos: universais, particulares e singulares. Universais: “Todo João é homem” ou “Nenhum
João é mulher”; particulares: “Alguns homens se chamam João” ou “Alguns homens não se
chamam João”; e singulares: “Este homem se chama João” ou “Este homem não se chama
João”.

Além disso, as proposições podem ser classificadas pela modalidade, sendo necessárias,
não necessárias e possíveis. Se o predicado está contido no sujeito, como na proposição
“O quadrado é uma figura com quatro lados”, a proposição é necessária. Se o predicado
não está contido, como em “Nenhum quadrado é uma figura com três lados”, a proposição
é não necessária. Se o predicado é indiferente, como em “Alguns homens se chamam
João”, a proposição é possível.

Há ainda uma classificação das proposições a partir da relação. Essa classificação está de
acordo com os três princípios lógicos: o princípio de identidade, o da não contradição e o
do terceiro excluído. O princípio de identidade é autoevidente e determina que uma
proposição é sempre igual a ela. Disso pode-se afirmar que A=A. O princípio da não
contradição afirma que uma proposição não pode, ao mesmo tempo, ser falsa e
verdadeira. Não se pode propor que um triângulo possui e não possui três lados, por
exemplo. O princípio do terceiro excluído afirma que ou uma proposição é verdadeira ou é
falsa, e não há uma terceira opção viável.

Da relação entre proposições, temos as contraditórias, por exemplo: “Todo João é homem”
e depois “Algum João não é homem”. Existem as contrárias, por exemplo: “Todo João é
homem” e “Nenhum João é homem”. E há também as subalternas, por exemplo: “Todo
João é homem” e “Algum João é homem”.

A partir dessas relações entre as proposições, Aristóteles pensou numa forma adequada
de raciocinar. Essa forma, o silogismo, é uma inferência, isto é, concluir algo de
proposições anteriores. O exemplo clássico é o silogismo:

Todo homem é mortal.


Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.

O silogismo é formado por três proposições: premissa maior, premissa menor e conclusão.
A conclusão é inferida das duas premissas iniciais através do termo médio. Temos, então,
uma estrutura como a seguinte:

Premissa maior: Termo médio e Predicado.


Premissa menor: Sujeito e Termo médio.
Conclusão: Sujeito e Predicado.

No nosso exemplo, o Termo médio é “homem”, o Predicado é “mortal” e o Sujeito é


“Sócrates”. De uma maneira mais abstrata:

Se A = B
Se B = C
Logo, A = C

É certo que, ao longo da história, diversas críticas foram feitas à forma clássica de se
pensar logicamente. Hoje, na era da informação e da tecnologia, há estudos de linguagem
de programação e de fundamentos lógicos matemáticos que contrapõem a forma de se
pensar do silogismo, inclusive discutindo a validade dos princípios lógicos. Há, portanto, a
lógica paraconsistente, a lógica paracompleta e a lógica difusa que irão criticar os
princípios da não contradição e o do terceiro excluído.
Filipe Rangel Celeti
Colaborador Mundo Educação
Bacharel em Filosofia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - SP
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
- SP

Apontamentos de Lógica Filosófica


(resumo dos apontamentos das aulas de Lógica do Dr. Marques - UCP - Teologia - Porto)

Lógica espontânea - é aquela que surge da actividade espontânea da razão


humana no exercício da sua actividade.
Lógica natural - aquela que o comum dos humanos utiliza; os que
raciocinam bem sem que tenham estudado lógica.
Lógica - ciência e arte do acto da razão pela qual o homem no próprio acto
da razão procede (avança), fácilmente e ordenadamente e sem erro.
A lógica é ciência e arte. Arte, porque tem um conjunto de normas, métodos
e regras para que o raciocínio seja bem feito. Ciência porque dá razão a
essas normas, conhecimento justificado.
A lógica, pode ser
- formal - porque baseia-se na forma em que o conhecimento é tratado
racionalmente.
- não formal - ...
O objecto da lógica é o próprio acto da razão.
O objecto material da lógica é o conhecimento.
O acto da razão é o objecto formal. A Psicologia encara-o quanto à génese, à
natureza. A Gnoseologia investiu o seu valor e a sua verdade. A Lógica toma
a sua especificidade como a correcção dos actos da razão.

O método da lógica é reflexivo. A lógica divide-se em três grandes partes:


- Simples apreensão
- Juízo
- Raciocínio.

O conhecimento é tratado por:


- filosofia do conhecimento - lógica maior
- lógica - lógica menor
- psicologia
O conhecimento é uma acção emanente, que brota dele e nele fica.

SIMPLES APREENSÂO

Simples apreensão é aquele primeiro acto da nossa inteligência pelo qual ela
capta algo sem nada afirmar ou negar. Trata-se do acto pelo qual obtemos as
noções das coisas.
Nesta apreensão a inteligência ao conhecer um objecto apreende algo dele e
deixa algo. O que ela apreende é o que ela é.
Um objecto conhecido tem dois aspectos importantes:
- Objecto material - o próprio objecto que se conhece.
- Objecto formal - o próprio objecto enquanto presente em nós.
A lógica trata de objectos formais, conceitos, não coisas.
O conceito , um termo mental, é a representação intelectual de um objecto.
A inteligência fecundada por um objecto dá à luz um conceito dentro de si.
Sinónimos de conceito: termo mental, ideia, noção, intenção, espécie
expressa.
O conceito pode ser considerado:
- em relação ao sujeito - modificação da inteligência
- em relação ao objecto - objecto presente na inteligência.

Na simples apreensão existe abstracção. Se ao nível sensorial a abstracção


é parcial, ao nível intelectual a abstracção é total.
O conceito é uma representação intelectual, anorgânica e imaterial.
O fantasma é uma imagem comum ou uma imagem própria, uma
representação sensorial.

O conceito é significado pelo termo oral. As nossas palavras significam as


nossas ideias ou conceitos. O termo oral é sinal do termo mental.
Termo oral - são palavras que significam "Vox significativa ad
placitum" ou Sinal do conceito expresso pela boca "Signum conceptus
ore expressum".
Sinal é aquilo que revela à mente algo distinto de si (sinal) "Id quod aliquid
a se diversum revelat".

Sinal
Instrumental ("Ex quo cognito") - é aquele que necessita
primeiramente de ser conhecido na sua própria identidade para que
depois o sujeito conhecente chegue ao conhecimento. (aquele que
para saber o que é tem de se conhecer; ex: fumo)
Formal - é aquele que leva ao conhecimento de algo sem que esse sinal seja
conhecido (ex: imagem dum objecto na minha retina; sem ver a imagem na
retina).
Natural - é aquele que significa por sua própria natureza e
independentemente duma actividade humana (independente da vontade
humana) (ex: fumo = combustão; pegada, impressão digital)
Artificial (convencional) - é aquele que significa dependentemente da
vontade humana. (sinais de trânsito, semáforos, bandeira=país)

O conceito é um sinal formal e natural. Imediatamente as nossas palavras


traduzem os nossos conceitos, mas também significam as coisas.

Compreensão: Conjunto de notas que formam (integram) um conceito.


ex: compreensão do conceito Homem - substância, corpo, vivo, sensitivo
(Animal), racional.

Extensão: Conjunto de indivíduos a que se estende um conceito. (conjunto


de indivíduos ou seres a que se pode atribuir esse conceito).

Extensão e compreensão variam na razão inversa.

Divisão dos termos


- Em razão da compreensão
1º - simples ------ composto
2º - concreto ----- abstracto
3º - positivo ------ negativo
4º - categoremático ----- sincategoremático
- Em razão da extensão
1º - singular ----- comum
2º - particular ------ colectivo
- Em razão da perfeição ou modo de significar
1º conceito
Claro
Distinto
Confuso
Obscuro
2º conceito
Completo
Incompleto
3º conceito
Compreensivo
- Em razão da relação entre eles
Mesma extensão e compreensão
Idênticos
Diferente extensão e compreensão
Conexos
Díspares
Opostos
Contraditórios
Contrários
Privação
Relativos

Em razão da compreensão
 Simples - é o que é constituído por um só elemento (nota,
característica) ex: ente
 Composto - é o que consta de mais que uma nota. ex: Homem (animal
racional)
Em escolástica (filosofia ensinada na idade média nos seminários
católicos)
Simples - termo que significa uma única essência - Homem
Composto - termo que exprime uma essência complexa ex: sábio
= homem + sabedoria

 Concreto - é o que designa um sujeito com uma determinada forma


ex: justo, sábio (atribuído a alguém determinado).
 Abstracto - é o que designa uma forma sem sujeito ex:sabedoria (um
conceito abstracto não pertence como característica de alguém).

 Positivo - é o que exprime uma coisa real, ser (de perfeição) ex:
médico, vida, luz, imortal
 Negativo - é o que denota ausência disso. ex: cegueira, morte, trevas

 Categoremático - é o que por si só tem sentido completo. ex: homem,


beleza
 Sincategoremático - é o que só tem sentido junto de outros. ex:
alguns

Em razão da extensão
Singular - é o que convém a uma só pessoa. É aquilo cuja essência é
incomunicável e em si é indiviso e distinto de tudo o mais. ex: João
Paulo II, ninguêm diz o que ele diz a não ser ele mesmo
(incomunicável).
É próprio duma pessoa: forma, local, tempo, figura, pátria, nome,
estirpe. Estas são aquelas 7 coisas que um e outro não têm, "Haec
sunt ea septem quae non habet unus et alius".
Comum - é aquele termo que é participado por vários sujeitos (ex:
animal, homem). Quando a natureza que é participada por vários
sujeitos, o é no mesmo sentido, temos oComum Universal (unívoco,
no mesmo sentido) (natureza - muitos numéricamente e
especificamente). Quando a natureza que é participada por vários
sujeitos, o não é no mesmo sentido, mas em sentido diversos, temos
o Comum Análogo ou imprópriamente dito. ex: (Deus é ente. O
Homem é ente. Um acidente é ente.) Tudo o que pudermos predicar de
Deus é sempre análogo, porque não há conhecimento próprio de Deus.
Deus não raciocina. O raciocínio é de alguém que não conhece tudo e
se aperfeiçoa passando do desconhecido para o conhecido.

 Particular - é aquele em que do conjunto , abrange apenas uma parte


(ex: pobre - do conjunto homem apenas abrange uma parte)
 Colectivo - uma tribo; exército português (se for só exército, então é
universal)

Em razão da perfeição ou modo de significar


 Claro - um conceito é claro quando através dele distinguimos a
realidade por ele apresentada de outra semelhante(ex: distinguem-se o
burro do cavalo). Caso contrário temos um conceito Obscuro. O
conceito Claro é Distinto quando através dele se distinguém todas as
notas constitutivas do conceito. Caso contrário é Confuso. (ex: se sei
que o homem se distingue do chimpanzé, mas não sei em quê, tenho
um conceito claro confuso!)
 Completo (adequado) quando exprime todas as notas constitutivas do
indivíduo. Incompleto (inadequado) quando não sabemos a última
diferença específica. Quando não conhecemos todas as notas
constitutivas dum conceito.
 Compreensivo é o que esgota a cognossibilidade dum ser. Só Deus o
tem.

Em razão da relação entre eles, tendo como base a compreensão e a


extensão.
 Idênticos quando têm a mesma extensão e compreensão
 Conexos são os que de alguma maneira se incluem como
representando a mesma realidade no todo ou em parte. Estes
são Equivalentes ou Convertíveis quando se incluem mutuamente
(Homem / Risível). Se a inferência só se dá numa direcção temos os
conceitos conexos Inconvertíveis ou Não Equivalentes (Homem /
Animal).
 Díspares são os que significam coisas que não têm nada a ver umas
com as outras (sábio / amarelo)
 Opostos são aqueles que de alguma maneira se excluem e o seu
conteúdo não se pode verificar simultaneamente no mesmo sujeito.
 Contraditórios são aqueles em que um tira o que o outro põe
sem acrescentar nada (ex: Homem / não Homem)
 Contrários são aqueles que se excluem, mas de tal maneira que
entre eles há uma possibilidade intermédia (ex: avarento /
esbanjador)
 Que se opõem privativamente (Privação) quando algum denota a
ausência de alguma perfeição que devia estar e não está (ex:
visão / cegueira) Isto também se revela importante no âmbito
moral. O mal é a ausência duma perfeição que devia estar.
 Que se opõem relativamente (Relação) quando um conota o
outro e só existe simultaneamente com ele (ex: pai / filho ;
patrão / empregado)

Divisão e propriedade dum termo especial


Os modos pelos quais se atribui um predicado a um sujeito (predicar) chama-
se Predicáveis.
O termo Universal é aquele que está apto a ser predicado de vários sujeitos
univocamente (no mesmo sentido).
Os predicáveis são cinco e só cinco porque só posso atribuir à maneira de
algo a ver com a Essência e a algo Não Essencial. Se se predica à manerira
de algo Essencial, então ele é algo da essência, Indeterminado ou então
Determinado. No caso de ser determinado, então ele é de uma Natureza
Específica ou de Essência Completa. No caso de ser Não Essencial, então
pertence ou resulta da essência ou não

Essência
Determinado
natureza específica - Específico
essência completa - Espécie
Indeterminado - Genérico
Não Essência
Resulta da essência - Próprio
Não resulta da essência - Acidente Lógico

Genérico - algo geral, essencial, indeterminado


Específico - diferença específica, determinante do determinado
Espécie - à essência completa, natureza específica completa
Próprio - não pertence à essência específica mas resulta dela e só está
presente onde está a essência
Acidente Lógico - não pertence à essência específica nem resulta dela

Os Predicamentos
- Metafísicos são géneros supremos enquanto significam
predicados reais que se podem atribuir a um sujeito. 10 Segundo
Aristóteles. (exprimem realidades)
1. Substância
1. Quantidade
1. Relação
1. Qualidade
1. Acção
1. Paixão
1. Lugar
1. Quando
1. Estado
1. Hábito

Dividem-se em dois grupos


Substância -aquilo que compete em si e não noutro
como em sujeito de inerência
Acidente - aquilo que não compete existir em si mas
noutro como em sujeito de inerência
- Lógicos são uma série ou ordenação lógica feita pela inteligência segundo
a qual distinguimos todas as ideias genéricas e específicas a começar num
género supremo.
Todos os 10 predicamentos metafísicos podem ser chamados géneros
supremos pois acima deles não há mais géneros.Só há o ente que não é
género supremo mas sim noção transcendente.
Substância
Corpórea - Corpo
Animado - Vivente
Sensitivo - Animal
Racional - Homem
Irracional
Não sensitivo (planta)
Inanimado
Não Corpórea
O modo de atribuir o acidente metafísico é um acidente lógico
Definição
É a oração que diz o que a coisa é "oratio dicens quod quid est"

Definição
Nominal - a partir do próprio nome, etimológica (teologia - tratado de Deus)
Real - tem a ver com a própria coisa a definir, exprime o que é, como surge.
Por princípios ou causas intrinsecas
Essêncial
Metafísica - feita por
último género e
diferença específica
ex: animal racional
Física -
componentes
realmente
constitutivos
ex: Homem = ser
com matéria e
espírito
Descritiva
Própria - o que não
é essencial mas
resulta da essência
ex: Homem = risível
Accidental - enuncia
propriedades que
não são da essência
nem resultam da
essência.
Por princípios extrínsecos
Eficiente - homem,
criado por Deus;
alma, forma criada
por Deus
Exemplar - homem, ser criádo à imagem de Deus
Final - homem, ser
criado para amar a
Deus e gozar com
ele da eternidade
Genética - define a
coisa pela sua
génese ex:
circunferência
resulta do
movimento sobre
um ponto
A definição real essêncial e metafísica é a mais perfeita pois revela o género
próximo e a última diferença específica. ex: Homem = Animal Racional

Leis da definição
A definição tem que ser mais clara que o definido
tem que ser convertível com o definido
deve ser breve mas completa
não deve ser negativa, a não ser nas privações e nos termos contraditórios
deve ser por género próximo e última diferença específica, sempre que
possível
Divisão Lógica
Divisão é a decomposição de um todo nas suas partes. Se se trata de um
todo real temos uma divisão real. A lógica não trata do todo real, mas do todo
lógico.

Todo Lógico - é aquele em que o Todo se encontra nas suas partes na


totalidade da sua essência e na totalidade das suas virtudes. As partes desse
todo chamam-se partes subjectivas. ex: Animal , cão, gato, boi, homem

Todo Integral - é aquele que não se encontra nas suas partes nem na
totalidade da sua essência, nem na totalidade das suas virtudes. Às partes
deste todo chama-se partes integrantes. ex: partes do corpo

Todo Potestativo - é aquele que se encontra nas suas partes na totalidade


da sua essência, mas não na totalidade das suas virtudes. ex: A alma
humana não tem a virtude da visão nos ouvidos.

O JUÍZO

Simples Apreensão Juízo

Produto Interno
daactividade interior
Conceito Enunciação

Sinal externo do produto


interno
Termo oral Proposição

Os conceitos e os seus sinais destinam-se a ser combinados em juízos.


Juízo é aquele segundo acto da nossa inteligência pelo qual atribuimos um
predicado a um sujeito afirmando ou negando
O juízo é o acto mais perfeito do nosso conhecimento, pois julgando é que o
homem sabe que tem a verdade.
Um juízo tem de ter três elementos:
1. Sujeito - aquele que está revestido dos predicados
1. Predicado - a propriedade acolhida ou negada
1. Cópula (verbo ser)
Um juízo possui também vários momentos:
1. A apreensão de um sujeito e de um predicado.
1. Comparação entre o predicado e o sujeito para ver se o predicado
convém ao sujeito.
1. Perspeciência ou visão do nexo de conveniência ou inconveniência.
1. Visto o nexo, afirmação da conveniência ou não conveniência do
predicado ao sujeito. Isto é já propriamente o juízo.
Se a inteligência vê que o nexo é necessário, temos um juízo necessário.
Se o que se diz ou se nega está conforme com a realidade temos o juízo
verdadeiro. Se for falso diz-se juízo erróneo.

A) Natureza da Proposição
A proposição é o sinal da enunciação ou juízo.
Numa proposição temos três elementos:
Sujeito - aquilo de quem se afirma ou nega diversos
atributos
Predicado - aquilo que é atribuído ao sujeito
Cópula - aquilo que faz a ligação de identificação ou
não identificação entre os dois elementos anteriores.
O sujeito e o predicado constituem a matéria da proposição.
À cópula dá-se o nome de forma da proposição.

B) Divisão das proposições


Simples - são as que têm um só sujeito e um só predicado
Compostas - são as que têm ou mais que um sujeito, ou mais que um
predicado, ou mais do que um sujeito e mais do que um predicado.

C) Propriedades das proposições - ou sejam as relações lógicas existentes


entre elas.
Oposição das proposições
Equivalência das proposições
Conversão das proposições

Os diversos tipos de oposição exprimem-


se pelos seguintes símbolos:
A - Universal Afirmativa E - Universal Negativa
I - Particular Afirmativa O - Paricular Negativa

A - Todo o homem é mortal


E - Todo o homem não é mortal = Nenhum homem é mortal
I - Alguns homens são santos
O - Alguns homens não são santos.

Divisão das proposições Simples


Em razão da matéria - em razão da natureza da
relação entre o predicado e o sujeito.
Necessárias -o predicado convém
necessáriamente ao sujeito porque faz
parte da essência do sujeito ou deriva da
essência deste. ex: o homem é racional; o
homem é risível
Impossíveis - são aquelas em que o
predicado repugna ao sujeito. ex: o círculo
é quadrado; o homem não é mortal.
Contingentes - o predicado pode convir ou
não convir ao sujeito. ex: o homem é
branco; o homem é justo.

Em razão da verdade ou da conformidade ou não


conformidade com a realidade.
Verdadeiras - são aquelas que estão
conformes à realidade. ex: o extenso é
divisível.
Falsas - são aquelas que não estão em
conformidade com a realidade.

Em razão da qualidade
Afirmativas - são aquelas em que a cópula
não está precedida da partícula negativa
não.
Negativas - são aquelas que têm a cópula
precedida da partícula não.
Leis das proposições quanto à qualidade.
Na proposição afirmativa o predicado toma-se em toda a
sua compreensão mas não em toda a sua extensão
(predicado particular).
Na proposição negativa o predicado toma-se em toda a sua
extensão mas não em toda a sua compreensão (predicado
universal).

Em razão da quantidade - para se conhecer a quantidade duma proposição


atenta-se no sujeito
Universais - são aquelas em que o sujeito
é um termo universal. ex: todo o homem é
animal
Particulares - são aquelas em que o sujeito
é um termo particular. ex: alguns homens
são sábios.
Singulares - são aquelas em que o sujeito
é um termo singular. ex: João Paulo II é
Papa.
Indefinidos - estas proposições
normalmente chamam-se universais. A
diferença está no que precede o sujeito:
estas não possuem o "todo". ex: o homem
é animal.

Em razão da forma - (não foi dado)

C) Propriedades das Proposições


Oposição das proposições
Proposições opostas são as que de algum modo se excluem, se
repugnam. As proposições podem opor-se quanto à qualidade,
quanto à quantidade e quanto à qualidade e quantidade.

Contrárias (opoêm-se na qualidade) são aquelas


proposições que tendo o mesmo sujeito e o mesmo
predicado, são ambas universais, uma afirmativa e outra
negativa.
Subcontrárias (opoêm-se na qualidade) são aquelas
proposições que tendo o mesmo sujeito e o mesmo
predicado, são ambas particulares, uma afirmativa e outra
negativa.

Contraditórias (opoêm-se na qualidade e na quantidade)


são aquelas que tendo o mesmo sujeito e o mesmo
predicado, são uma afirmativa e outra negativa, uma
particular outra universal.

Subalternas (opoêm-se na quantidade) são aquelas que


tendo o mesmo sujeito e o mesmo predicado, são ambas
afirmativas ou ambas negativas, uma universal outra
particular.

Lei das Proposições contraditórias


Não podem ser em nenhuma matéria nem ambas
verdadeiras nem ambas falsas.
Justificação: Uma proposição nega o que outra afirma. O
princípio da contradição diz que aquilo que é, enquanto é,
não pode ser e não ser.

Lei das Proposições contrárias (ambas universais)


1. Não podem ser ambas verdadeiras em nenhuma matéria
(necessária ou contingente) porque uma nega o que a outra
afirma.
1. Não podem ser ambas falsas em matéria necessária pois se
o predicado convém necessáriamente ao sujeito, ou
convém a todos ou não convém a nenhum.
1. Podem ser ambas falsas em matéria contingente, pois se o
predicado pode convir ou não convir ao sujeito, pode convir
a uns e a outros não. Em matéria contingente há a
possibilidade de um meio termo.

Lei das Proposições subcontrárias (ambas particulares)


1. Não podem ser simultâneamente falsas em nenhuma
matéria pois de outro modo as contrárias seriam ambas
verdadeiras.
1. Podem ser simultâneamente verdadeiras em matéria
contingente mas não em matéria necessária. Se o
predicado pode ou não convir ao sujeito (matéria
contingente), logo pode estar nuns e noutros não. Se o
predicado convém necessáriamente ao sujeito (matéria
necessária) ou está em todos ou não está em nenhum.

Lei das Proposições subalternas


1. São simultâneamente verdadeiras ou falsas em matéria
necessária, pois se o predicado convém necessáriamente
ao sujeito ou convém a todos ou não convém a nenhum.
1. Em matéria contingente
a. Se a subalternante é verdadeira, a subalternada
também o é
b. Se a subalternante é falsa, não se segue que a
subalternada também o seja.
Conclui-se
1. Da verdade da subalternante conclui-se a
verdade da subalternada.
2. Da falsidade da subalternante não se pode
concluir a falsidade da subalternada.
3. Da falsidade da subalternada segue-se a
falsidade da subalternante
4. Da verdade da subalternada não se segue a
verdade da subalternante.

Equivalência das proposições é a propriedade de duas proposições opostas


virem a ter a mesma significação, utilizando a partícula negativa não.
Mnemónicas
Prae contradic - para as contradictoriae
Post contra - par as contrariae
Prae postque subalter - para as subalternae

1. Proposições contraditórias - Duas proposições contraditórias


tornam-se equivalentes antepondo ao sujeito de uma delas a
partícula negativa não. Esta partícula alterará a qualidade e a
quantidade da proposição. ex: Todo o homem é justo <>
Nem( todo o homem é justo) = (Nem todo o homem) não é justo =
Alguns homens não são justos.
2. Proposições contrárias - Duas proposições contrárias tornam-se
equivalentes pospondo a partícula não ao sujeito de uma delas.
Esta partícula alterará somente a qualidade. ex: Todo o homem é
justo <> Todo o homem não( é justo).

3. Proposições subalternas - Duas proposições subalternas tornam-


se equivalentes antepondo-se e postpondo-se ao sujeito
simultâneamente a partícula negativa não numa das proposições.
ex: Todo o homem é justo <> Nem (todo o homem não (é justo)) =
(Nem todo o homem) não (não é) justo = Algum homem é justo

4. Proposições sobcontrárias não admitem equivalência por serem


ambas particulares.

Conversão das proposições é a mudança de uma proposição noutras pela


transposição do sujeito e do predicado. A verdade e a qualidade da
proposição mantém-se sempre. A quantidade depende da conversão
utilizada.

a. Conversão sImplEs - é aquela em que o sujeito passa para


predicado e o predicado para sujeito, mantendo-se a
qualidade, a quantidade e a verdade da proposição. Só as
proposições E e I se pode usar a conversão sImplEs. Esta
conversão pode ser feita devido ao sujeito e predicado
terem a mesma extensão. ex: Nenhum homem é planta.
Nenhuma planta é homem; Algum homem é santo. Algum
santo é homem.

b. Conversão "per AccidEns" - é aquela em que o sujeito


passa para predicado e o predicado para sujeito, mudando
somente a quantidade da proposição. As proposições nas
quais se pode utilizar esta conversão são as E e A. ex:
Nenhuma planta é pedra. Alguma pedra não é planta; Todo
o homem é animal. Algum animal é homem. (no caso da E,
por ser susceptível de conversão simples, não há alteração
da quantidade)

c. Conversão por cOntrAposição - é aquela em que o sujeito


passa para predicado e o predicado para sujeito,
conservando a qualidade, a quantidade e a verdade, mas
infinitando os termos. (para infinitar os termos antepõe-se a
partícula não a cada um deles). ex: Todo o homem é animal.
Todo o não animal é não homem; Algum corpo não é vivo.
Algum não vivo não é não corpo.

Resumo
fEcI - simpliciter convertitur
EvA - per accidens
AstO - per contrapoisitionem

O RACIOCÍNIO

Só o homem possui raciocínio. A sua inteligência é discursiva logo a maior parte dos
conhecimentos são obtidos por raciocínios. Raciocinar é discorrer (correr através de),
é passar de verdades conhecidas a verdades menos conhecidas.

Raciocínio é a operação da nossa mente a partir da qual o conhecimento duma


verdade se chega a outra verdade, do antecedente se deduz o consequente, das
premissas a conclusão.

Para haver raciocínio


Tem de haver verdades conhecidas
Essas verdades são a causa da verdade desconhecida que se
passa a conhecer (é um conhecimento ex alio)

Num raciocínio tem que se considerar três elementos


- o antecedente
- o consequente
- a consequência
O antecedente exerce uma causalidade lógica sobre o consequente.

Um raciocínio possui
Matéria remota - conjunto de termos de que o raciocínio consta.
Matéria próxima - conjunto de juizos de que o raciocínio consta. É
nesses juizos que se encontram inseridos os termos.
Forma - é a conveniente disposição da matéria.
Condições - requeridas para um raciocínio
- premissas - o conhecimento do antecedente
- princípios - a existência de juizos imediatos,
indemonstráveis. Não se pode demonstrar tudo, algumas
verdades são visíveis por si.
- o consequente tem que estar contido de alguma forma no
antecedende.
- o antecedente não pode ser menos certo que o
consequente.
- o antecedente deve ser mais conhecido que o consequente.
Simples Apreensão Juízo Raciocínio

Produto Interno
daactividade
interior Conceito Enunciação Raciocínio

Sinal externo do
produto interno
Termo oral Proposição Argumentação

Não há raciocínio sem juizo. Não há juizo sem conceitos.

Argumentação é uma operação complexa em que um consequente é inferido de um


antecedente.

A argumentação pode ser


Inductiva - Parte do particular para o universal.
Dedutiva - Parte do universal para o particular.

Dedução ou Silogismo
Aristóteles (fundador do raciocínio dedutivo) definiu silogismo da seguinte
forma: "Oratio in qua, quibusdam positis, aliquid apositis necesse est
contingere eo quod haec sint posita". Oração na qual, postas
umas certas coisas (premissas), uma outra coisa se seguirá (conclusão)
necessáriamente pelo facto daquelas certas coisas terem sido postas.
Silogismo é aquela argumentação em que de um antecedente se deduz
necessariamente um consequente; é aquela argumentação em que dois extremos se
comparam entre si para ver se se convêm ou não. ex: O animal é mortal. Ora o
homem é animal. (antecedentes). Logo o homem é mortal. (conclusão)
O Silogismo perfeito tem três juízos
- Simples - constituídos por proposições simples
- Composto - constituídos por proposições compostas
- Condicional - constituído por uma proposição condicional.

Um silogismo tem três termos diferentes. Os termos que se comparam chamam-se


extremos. O silogismo tem dois extremos
Termo médio - é aquele que serve de meio de comparação entre o
extremo maior e o extremo menor. É o único que se repete duas vezes
nas premissas e nunca entra na conclusão.
Extremo maior (ou termo maior) - é aquele que possui maior extensão.
Extremo menor (ou termo menor) - é aquele que possui menor
extensão.
ex (1ª premissa) O animal é mortal
(2ª premissa) O homem é animal
(conclusão) O homem é mortal
Termo médio: animal; Termo maior: mortal; Termo menor: homem

Princípios de um silogismo:
Princípio de conveniência - Duas coisas convêm a uma terceira convêm
entre si. ex: O animal é mortal; O homem é animal; O homem é mortal
Princípio de discrepância - Duas coisas das quais uma convém a uma
terceira e a outra não, não convêm entre si. ex: O sensível é animal; A
pedra não é animal; A pedranão é sensível.

"Dictum de omni" - o que se diz de um sujeito universalmente


considerado, diz-se de todo o particular nele contido. ex: Todo animal é
mortal.

"Dictum de nullo" - O que se nega dum sujeito universalmente


considerado, nega-se de todo o particular nele contido. ex: Todo animal
não é imortal.

Leis do silogismo
As leis do silogismo são 8. As 4 primeiras referem-se à matéria remota e as 4
últimas referem-se à matéria próxima.

1. ôTerminus esto triplex: maior, mediusque, minorqueö. Os


termos devem ser três: o maior, o médio e o menor. Justificação: A
essência do silogismo é confrontar dois termos com um terceiro.
exemplo que peca contra esta lei: O cão ladra; Uma constelação é cão;
Uma constelação ladra. (tem 4 termos). Neste silogismo cão está
tomado em dois sentidos diferentes.

1. ôLatius hos quam praemissae conclusio non vultö. Na conclusão


os termos não podem ter maior extensão que nas premissas. exemplo
que peca contra esta lei: Todo o círculo é figura(particular); Todo o
círculo é redondo; Toda a figura (universal) é redonda; Todo o homem é
vivo (particular); Todo o bruto não é homem; Todo o bruto não é vivo
(universal)

1. ôNequaquam medium capiat, conclusio oportetö. O termo médio


não pode entrar na conclusão. Justificação: a função do termo médio é
apenas servir de meio de comparação dos extremos. A sua função
esgota-se nas premissas. A conclusão diz somente se os extremos
convêm ou não entre si.

1. ôAut semel aut iterum medius generaliter estoö. O termo médio


deve ser pelo menos uma vez universal. Justificação: caso contrário
seria duas vezes particular. Sendo duas vezes particular equivaleria a
dois termos, e o silogismo passaria a ter quatro termos.

1. ôUtraque si praemissa neget, nihil inde sequeturö. Se as


premissas são ambas negativas não se pode tirar nunhuma conclusão.
Justificação: Assim não se aplicaria nem o princípio de conveniência
nem o princípio de discrepância. Saber-se-ia que duas coisas extremas
não convêm a uma terceira, mas não se saberia se convêm entre si.

1. ôAmbae affirmantes nequeunt generare negantemö. Duas


premissas afirmativas não podem originar uma conclusão negativa.
Justificação: Princípio de conveniência.

1. ôNihil sequitur geminis ex particularibus unquamö. De duas


premissas particulares nenhuma conclusão se pode tirar.
Justificação:
1ª hipótese - ambas premissas são negativas => 5ª lei;
2ª hipótese - ambas premissas são particulares afirmativas indica que os
sujeitos são particulares e os predicados particulares =>1ª lei, 4ª lei
3ª hipótese - Se ambas as premissas são particulares, uma afirmativa, outra
negativa, indica que os sujeitos são particulares e há apenas um termo
universal. Pelo princípio de discordância (discrepância ?) a conclusão será
negativa sendo portanto o seu predicado universal. Como só temos um termo
universal esse teria que vir para a conclusão para que na conclusão a extensão
seja maior do que nas premissas.. Só que o termo médio tem que ser pelo
menos uma vez universal, esse termo médio será também o termo universal, só
que o termo médio não pode entrar na conclusão.

1. "Peiorem sequitur semper conclusio partem". A conclusão segue


sempre a pior parte. Se as premissas forem uma particular outra
universal, a conclusão será particular. Se as premissas forem uma
afirmativa outra negativa, a conclusão será negativa. Se se verificarem
as duas coisas simultaneamente, a conclusão será particular negativa.
Justificação:
1ª hipótese - se as premissas forem uma particular, outra universal, ambas
afirmativas tem-se três termos particulares (sujeito da premissa particular e os
predicados das duas por serem afirmativas) e um termo universal (sujeito da
premissa universal). O termo universal terá que ser termo médio porque o
termo médio tem que ser pelo menos uma vez universal. Como o termo médio
não pode entrar na conclusão, a conclusão terá de ter como sujeito um dos
outros termos particulares. Esses termos não podem passar a universias pois na
conclusão os termos não podem ter uma extensão maior do que nas premissas.
A conclusão terá de ser particular.
2ª hipótese - se as premissas são uma afirmativa outra negativa e
ambas universais, a conclusão terá de ser negativa pelo princípio de
discrepância.
uma particular outra universal, temos dois termos particulares (sujeito da
particular e predicado da afirmativa) e dois termos universais (sujeito da
universal e predicado da negativa). A conclusão pelo princípio da discrepância
terá de ser negativa. Como a conclusão é negativa, o predicado é universal.
Como há dois termos universais, um terá de ser o predicado da conclusão e o
outro o termo médio porque este tem de ser pelo menos uma vez universal e o
termo médio não pode entrar na conclusão. Assim, o sujeito da conclusão tem
de ser um dos termos particulares, e terá de se manter particular porque na
conclusão os termos não podem ter uma extensão superior ao das premissas.
As figuras do silogismo
A figura de um silogismo é a conveniente disposição dos termos em ordem a
uma conclusão correcta, tendo como critério a função desempenhada pelo
termo médio.
1ª figura - Sub prae prima - O termo médio desempenha a função
de sujeito na premissa maior e de predicado na premissa menor.
Lei da 1ª figura - ôSit minor affirmans maior vero
generalis.ö - A premissa menor tem que ser afirmativa e
a maior universal.
Justificação: Se a premissa menor for negativa, pelo princípio de
discrepância a conclusão seria negativa e o seu predicado
universal. Como a conclusão não pode ter uma extensão superior
às premissas, o predicado da premissa maior tem de ser universal o
que faz com que a premissa maior seja negativa. Mas assim ambas
premissas tinham de ser negativas, e de duas premissas negativas
nada se pode concluir. Assim a premissa menor como não pode ser
negativa é positiva o predicado é particular. Como o termo médio
tem de ser pelo menos uma vez universal, então o sujeito da
premissa maior tem de ser universal. Como o sujeito da premissa
maior é universal a premissa maior é universal.

2ª figura - Bis prae - O termo médio é predicado de ambas as


premissas.
Lei da 2ª figura - ôUna negans esto, nec maior sit
specialisö. - Uma premissa tem que ser negativa e a
maior universal.
Justificação: O termo Médio é predicado das premissas, como tem
de ser pelo menos uma vez universal, uma das premissas tem de
ser negativa. Como uma das premissas é negativa, a conclusão é
negativa devido ao princípio da discrepância. O predicado da
conclusão é universal porque a conclusão é negativa. O predicado
da conclusão é termo maior e sujeito da premissa maior. Como a
conclusão não pode ter extensão maior do que as premissas, o
sujeito da premissas maior tem de ser universal.

3ª figura - Bis sub(jectum) - O termo médio desempenha a função


de sujeito em ambas as premissas.
Lei da 3ª figura - ôSit minor affirmans, conclusio
particularis.ö - A premissa menor tem que ser
afirmativa e a conclusão particular.
Justificação: Se a premissa menor for negativa, pelo princípio de
discrepância a conclusão seria negativa e o seu predicado
universal. Sendo o predicado da conclusão universal o predicado
da premissa maior, este terá de ser universal pois o termo não pode
ter maior extensão na conclusão do que nas premissas. Para o
predicado da premissas maior ser universal, a premissa maior tem
de ser negativa. Mas de duas premissas negativas nada se segue.
Assim a premissa menor tem de ser positiva, e o seu predicado
menor. Como o predicado da premissa menor é o sujeito da
conclusão, e na conclusão o termo não pode ter maior extensão do
que nas premissas, o sujeito da conclusão tem de ser
necessáriamente particular. Assim sendo, a conclusão é particular.

4ª figura - 1ª inversa - O termo médio desempenha a função de


predicado na premissa maior e de sujeito na premissa menor.
Lei da 4ª figura -
1ª parte: Se a maior é afirmativa, a menor deve ser universal.
Justificação: Se a premissa maior for afirmativa o seu predicado
será particular. Como o termo médio é predicado da premissa
maior que é particular, e o termo médio tem de ser pelo menos
uma vez universal, então o termo médio sujeito da premissa menor
tem de ser universal.

2ª parte: Se a premissa menor é afirmativa, a conclusão é


particular.
Justificação: Sendo a menor afirmativa o seu predicado é
particular. Como o predicado da premissa menor é sujeito da
conclusão, a conclusão tem de ser particular para que o termo na
conclusão não tenha maior extensão do que nas premisssas.

3ª parte: Se uma é negativa, a maior deve ser universal.


Justificação: Sendo uma negativa a conclusão, pelo princípio de
discrepância, tem de ser negativa. Sendo a conclusão negativa o
seu predicado será universal. Como o predicado da conclusão é
sujeito da premissa maior, esta tem de ser universal para que o
termo não tenha na conclusão extensão maior do que na premissa.

Modos de um silogismo
O modo de um silogismo é a diversa disposição das premissas tendo em conta
a sua quantidade e qualidade.
Os modos possíveis são tantos quantoas as possibilidades de combinação da
premissas tendo como base a quantidade e a qualidade. Há 64 modo possíveis,
destes apenas 19 são legítimos.

Modos da 1ª figura
AAA EAE IA OA Barbara Celarent
AE EE IE OE
AII EIO II OI Darii Ferio
AO EO IO OO
Modos da 2ª figura
AA EAE IA OA Cesare
AEE EE IE OE Camestres
AI EIO II OI Festino
AOO EO IO OO Baroco

Modos da 3ª figura
AAI EAO IAI OAO Darapti Felapton Disamis Bocardo
AE EE IE OE
AII EIO II OI Datisi Ferison
AO EO IO OO

Modos da 4ª figura
AAI EAO IAI OA Darapti Fresanton Dimatis
AEE EE IE OE Carmentes
AI EIO II OI Fresisomorum
AO EO IO OO

AO modos que violam algumas das oito leis dos silogismos


AO modos que violam a lei da respectiva figura
AOO modos legítimos

Formas especiais de silogismo


Dilema - silogismo em que a premissa maior é uma proposição disjuntiva composta
de duas partes das quais conclui-se sempre o mesmo, não dando ao adversário
qualquer hipótese de retorquir. Assim argumentou Tertuliano a propósito das
perseguições aos cristãos.
Regras do dilema
1. A disjunção deve ser completa
1. A conclusão deve ser necessária para que o adversário não a possa negar.
1. Não se deve dar ao adversário hipótese de retorquir, de forma a tirar uma
conclusão oposta à primeira.

Entimema - silogismo em que uma das premissas se encontra subentendida, porque


facilmente se depreende. ex: Todos os homens são mortais. Logo Pedro é mortal.

Epiquerema - silogismo em que para além de apresentar as premissas apresenta a


justificação dessas premissas. ex: O que é espiritual é imortal porque é incorruptível.
A alma humana é espiritual porque tem operações espirituais. A alma humana é
imortal.

Polissilogismo - cadeia de silogismos em que a conclusão de um é a premissa maior


do seguinte

Sorites - cadeia de silogismos em que o predicado da 1ª proposição é sujeito da


seguinte, e o predicado desta última é sujeito da seguinte e assim sucessivamente de
tal forma que a conclusão possui o sujeito da 1ª proposição e o predicado da última.

Argumentação Sofística.

Sofisma - Argumentação que embora pareça correcta não o é, devido a vários vícios
que lhe são inerentes. Um sofisma não propositado chama-se Paralogismo porque
não houve má intenção.

Alguns tipos de sofismo:


Petição de princípio - sofisma em que se supõe como certo aquilo que
se quer provar
Círculo vicioso - sofisma no qual duas coisas se demonstram uma pela
outra.
Tomar a não causa como causa - sofisma em que se toma o antecedente
como causa. Com efeito toda a causa é antecedente, mas nem todo o
antecedente é causa. ex: O cristianismo surgiu antes da queda do império
romano. O cristianismo foi a causa da queda do império romano.
Sofisma do consequente - sofisma em que pelo facto de se deduzir um
consequente dum antecedente, se pretende deduzir o antecedente do
consequente. ex: Pedro corre. Logo move-se. Pedro move-se. Logo
corre.

Noções breves do interesse pelos silogismos

Se a conclusão não avança mais do que dizem as premissas então ela (conclusão) não
tem interesse.
A matemática só usa o método dedutivo, e não o inductivo.

O homem é mortal . O homem não é mortal


porque todos morrem, mas porque ser mortal é
essência do homem

Todos os habitantes da aldeia morreram no


terramoto. É preciso verificar que todos
morreram. Não é essência dos habitantes
morrerem no terramoto.

discorrer ... dis correr


consciência - cum scientia - ciência
concomitante
ter a ciência que acompanha ... a própria acção
consciência de que vejo - ter a ciência que
acompanha o acto de ver enquanto vejo.

Bibliografia:
Carosi, Curso de filosofia, vol I, Lógica, Edições Paulinas
J. Meritan, Elementos de Filosofia, Lógica Menor, Livraria Agir Editor, Brasil
Verneaux, Introduction Générale et Logique, Beauchesne, Paris
Jolivet, Traité de Philosophie, vol I, Logique

Perguntas

1- O animal é mortal
O cão é animal
O cão é mortal

2- O homem é vivente
A planta não é homem
A planta não é vivente

3- Algum animal é homem


Nenhum cavalo é homem
Nenhum cavalo é animal

4- A planta não é animal


O homem é animal
O homem não é planta.

5- Algum homem é ignorante


O homem é racional Algum ignorante é racional

6- Todo o animal é substância


Nenhum animal é planta
Nenhuma planta é substância

7- Todo o animal é vivente


Algum vivente é planta
Alguma planta é animal

8- Todo o homem é animal


Todo o animal é substância
Alguma substância é homem

9- Nenhum corpo é espírito


Toda a estrela é corpo
conclusão:

10- Todo o animal é substância


Todo o animal é vivente
conclusão:

11- Todo o animal é substância


Ora o boi é substância
conclusão:

12- A difamação é uma injustiça


A injustiça é um acto mau
A difamação é um acto mau.

Soluções:

1- silogismo correcto
2- silogismo incorrecto
3- silogismo incorrecto
4- silogismo correcto
5- silogismo correcto
6- silogismo incorrecto
7-
8-
9- Nenhuma estrela é espírito
10-
11-
12-

Teste de Lógica - 23 de Janeiro de 1998

1. Duas proposições contrárias podem ser ambas falsas em matéria contingente.


Porquê?

2. O que é um sinal? Dê um exemplo de um sinal que seja simultaneamente


natural e instrumental. e diga por que o é.
3. São os modos possíveis na 1ª figura.
que são modos do silogismo?
Elimine os modos ilegítimos, dizendo em cada caso por que são ilegítimos.

4. "O cão é sensitivo, mas não é racional" – Diga se os predicados são particulares
ou universais justificando a resposta.

5. Como se dividem as proposições quanto à quantidade ?

6. Nenhum animal é incorruptível


Todo o animal é vivo Qual a conclusão e porquê?

7. que é uma definição? Como se faz uma definição essencial metafísica?

8. Qual é a lei da figura a que confere o esquema? Justifique-a

9. Qual a diferença entre predicado e predicável? São só cinco os predicáveis.


Justifique.

10. De duas premissas negativas nenhuma conclusão se pode tirar.


Justifique.

11. A conclusão segue sempre a pior parte. Justifique.


12. Diz-se que a lógica é ciência e arte. Porquê?

13. O que é um conceito? E um conceito universal? Exemplifique.