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Universidade Tiradentes

Centro de Ciências Sociais Aplicadas


Departamento de Direito
Disciplina: Direito Constitucional I
Docente: Marcos Roberto Gentil Monteiro

A teoria formal e a teoria material da Constituição

I – A teoria formal da Constituição

Com seu máximo expoente em HANS KELSEN, e sua “Teoria pura do


Direito”, apesar de legar à ciência constitucional o princípio da supremacia das
normas constitucionais, pretendeu, sob o escopo de conferir neutralidade científica
à ciência do Direito, retirar de seu objeto qualquer apreciação respeitante a
valores. Dessa forma, amesquinhou o objeto do Direito Constitucional, retirando
do âmbito de seus estudos qualquer especulação sociológica ou filosófica,
reduzindo todo o Estado ao fenômeno jurídico. Sob esse enfoque, até o estado
nazista alemão fora Estado de Direito, posto que se escorava em normas
constitucionais positivas. Sobre tal reducionismo, discorre com maestria PAULO
BONAVIDES: “Esse positivismo confere um poder limitado ao legislador para
dispor sobre o Direito, amparado na crença fácil de que a sociedade, ou melhor, a
realidade do Estado constitucional, se deixa reger todo por regras ou normas
jurídicas”.

II – A teoria material da Constituição

Como reação ao formalismo constitucional predominante no Século XIX,


surge pelas elaborações de RUDOLF SMEND, CARL SCHMITT e HERMAN
HELLER a alternativa social contrária ao formalismo liberal, pretendendo integrar
na Constituição as preocupações ideológicas e axiológicas, com o escopo de
dotar a interpretação constitucional de sentido. Respeitante à teoria material da
Constituição, escreve PAULO BONAVIDES: “Aquelas direções estavam volvidas
para o conteúdo e a matéria dos preceitos normativos, de preferência à forma e às
categorias. Relativamente à Constituição, pretendiam em primeiro lugar fixar-lhe o
sentido, o fim, os princípios políticos, as teses ideológicas que a animavam, a
realidade social e íntima, verdadeira, substancial, que ela exprimia, enfim, aquele
conjunto de valores, idéias e fatos sempre inafastáveis, na sua dimensão histórica
e vital, capaz de faze-la a um tempo consciência da Sociedade e expressão de um
projeto dinâmico e prospectivo”.

Contudo, a teoria material da Constituição, que a torna dependente de um


decisionismo político extremo, compromete a juridicidade das Constituições,
causando tantos prejuízos ao Estado Democrático de Direito quanto o
esvaziamento axiológico e sociológico, pretendido pela teoria formal da
Constituição.

Par solucionar tal dilema, urge a compatibilidade dessas teorias opostas em


uma moderna concepção de sistema constitucional, única capaz de compreender
o sistema constitucional em sua complexidade. Dessa forma o sistema
constitucional abrangeria simultaneamente a Constituição, as leis a ela
complementares, bem como as leis ordinárias materialmente constitucionais, mas
também o conjunto de instituições de natureza política, tais como os partidos
políticos e a opinião pública.