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CRISTIANO CHAVES DE FARIAS


LUCIANO FIGUEIREDO
MARCOS EHRHARDT JÚNIOR
WAGNER INÁCIO

,
CODIGO
para concurso~
DOUTRINA, JURISPRUDtNCIA E QUESTÕES DE CONCURSOS

4a edição
revista, atualizada e ampliada

2016

1f{_);1 .fitsPODIVM
EDITORA
www.editorajuspodivm.com,br
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Rua Mato Grosso, 175- Pituba, CEP: 41830-151 -Salvador- Bahia


Te!: (71) 3363-8617 I Fax: (71) 3363-5050
• E-mail: fale@editorajuspodivm.com.br

Copyright: Edições JusPODIVM

Conselho Editorial: Oirley da Cunha Jr., Leonardo de Medeiros Garcia, Fredie Oidier Jr., José Henrique Mouta,
José Marcelo Vigllar, Marcos Ehrhardt Júnior, Nestor Távora, Robério Nunes Filho, Roberval Rocha Ferreira
Filho, Rodolfo Pamplona Filho, Rodrigo Reis Mazzei e Rogério Sanches Cunhil.

Capa: Rene Bueno e Daniela Jardim (www.buenojardim.com.br)

Diagramação: Caetê Coelho (caete 1984@gmaif.com.br)

C669 Código Civil para Concursos I coordenador Ricardo Odier ·· 4. ed. rev. ampl. e atual.-
Salvador: Juspodivm, 2016.
1.632 p. (Códigos e Constituição para Concursos)

ISBN 978-85-442-0676-8

1. Legislação. 2. Direito Civil. I. Farias, Cristiano Chaves de. 11. fiqueiredo, Luciano L 111.
Ehrhardt Jr., Marcos. IV. Dias, Wagner Inácio Freitas. V. T tulo

COD 342.101

Todos os direitos desta edição reservados


. --------·--
a Edições JusPODIVM.
............. - -------]
É terminantemente proibida a reprodução total ou parcial desta obr,,, por qualrtuer meio ou processo,
sem a expressa autorização do autor e da Edições JusPODIVM. A violaç<'io dm c.·lireitos autorais caracteriza
crime descrito na legislação em vigor, sem prejuízo das sanções civi-; uhivets
··-~-~·-~"~' ·- ·--·······----~-"-~-
SOBRE OS AUTORES

CRISTIANO CHAVES DE FARIAS


Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia.
Mestre em Família na Sociedade Contemporânea pela Universidade Católica do Salvador- UCSal.
Professor de Direito Civil do Complexo de Ensino Renato Saraiva- CERS (www.cers.com.l:r).
Professor de Direito Civil da Faculdade Baiana de Direito.
Membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família- IBDFAM.

LUCIANO FIGUEIREDO
Advogado.
Sócio do Figueiredo & Ghissoni Advocacia e Consultoria.
Graduado em Direito pela Universidade Salvador (UNIFACS).
Especialista (Pós-Graduado) em Direito do Estado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Mestre em Direito Privado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Professor de Direito Civil, atualmente, na Universidade Salvador (UNIFACS).
Faculdade Baiana de Direito, Escola dos Magistrados dá Bahia (EMAB).
Associação de Procuradores do Estado da Bahia (APEB).
Fundação da Escola Superior do Ministério Público do Estado da Bahia (FESMIP); Curso JusP·Jdivm, Rede LFG de
Ensino e Complexo de Ensino Renato Saraiva (CERS). Palestrante. Autor de Artigos Científico~ e livros Jurídic::>s.
lucianolimafigueiredo@yahoo.com.br J www.direitoemfamilia.com.br.

MARCOSEHRHARDTJÚNIOR
Mestre em Direito pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Doutorando pela Universidade Federal de Pernambuco.
Professor Assistente de Direito Civil da UFAL.
Professor de Direito Civil nos cursos de pós-graduação da Escola Superior da Magistratura de Pernambuco (ESMAPE),
da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Faculdade Baiana de Direito.
Professor da Escola Superior da Advocacia de Alagoas (ESA/AL).
Professor do curso Juspodivm (BA).
Especialista em Direito Constitucional pela UFA L.
Integrante do quadro de especialistas da Câmara de Mediação e Arbitragem de Alagoas (CAMEAL;.
Advogado.

WAGNER INACIO
Professor de Direito Civil da FUPAC-MG.
Mestre e Doutorando em Direito Civil.
Professor em Cursos Preparatórios em Minas Gerais.
Advogado.
Consultor em Direito Civil.
Palestrante.
Conselheiro da 30" Subseção da OAB/MG de Ubá.
Avaliador ad hoc do INEP/MEC para cursos de Direito.
www.wagnerinacío.com.br.
professorwagnerinacio.blogspot.com.
twltter: @wagnerinacio.

5
Aos estudantes e estudiosos da ciência jurfdica que acre-
ditam que é possível uma sociedade mais justa, igualitária e
solidária, através de uma visão mais humanista do Direito.
CRISTIANO CHAVES

Dedico esta obra a todos aqueles que, de alguma maneira,


contribufram para este resultado final.
Ao timoneiro Ricardo Didier, por ter me permitido participar
deste festejado projeto. Amando Lisboa, Luísa Nunes e Lua na
Araújo, pela ajuda em pesquisas, informativos e na minha
doce loucura diária. Aos meus pares Cristiano Chaves, Marcos
Ehrhardt,
Nelson Rosenvald e Wagner Inácio, que se esmeraram por
demais nesta empreitada. Ao meu irmão e coautor de tantas
outras obras Roberto Figueiredo- o Querido Robertinho. Beto,
você pode até não ser formalmente um dos autores desta
obra, mas jamais irei escrever algo sem a sua participação. Aos
meus familiares: Zena, Teco e Tuca. Amo vocês! Por fim a mais
importante:
Minha Fá. Amor, mais um livro nascendo.
Mais uma conquista nossa. Você que está a cada segundo ao
meu lado tem a exata ideia da dedicação e amor colocado
neste projeto.
LUCIANO FIGUEIREDO

A todos que perseveram em seus estudos,


porque acreditam que a dedicação à busca do conhecimento
emancipa e ajuda a concretizar sonhos.
MARCOS EHRHARDT JR.

Ao jovem Antônio e à pequena Myrthes que são os


personagens centrais de meu trabalho, para que eles
saibam que cada esforço honesto tem sempre um sorriso de
agradecimento! E, no mundo, não há Vúlor maior!
WAGNER INACIO
PREFÁCIO

"Segundo um provérbio espanhol, sáo necessárias quatro pessoas para fitza uma boa salada: um pró-
digo para o azeite; um avarento para o vinagre, um conselheiro para o sal, e um louco para remexê-l,t."
ABRAHAM HAYWARD
Um dos momentos de aprazimento e deleite do escritor surge quando convidado a aprese:uar uma
obra de envergadura. Tanto melhor se redigida por quatro amigos com sólida formação jurídicc. e,
principalmente, aptos a compreender precisamente a necessidade de conhecimento de um esrudiosc
do Direito Civil do alvorecer deste século.
Cientes de que em uma sociedade complexa e plural, nenhum Código Civil pode aspirar a com-
pletude, Cristiano Chaves, Luciano Egueiredo, Marcos EhrhardtJr. e '\1/agncr Inácio Dias procunn:
extrair de cada um dos dispositivos do Código Reale não apenas o significado que lhe foi concedido
pelo legislador, mas principalmente a atualidade de seu alcance sistemático, em conexão com os
demais setores do direito privado e as elevadas aspirações da Constituição Federal.
Esta laboriosa tarefa foi cumprida com êxito, merecendo o enaltecimento da comunidade jurí-
dica. Não obstante a diversidade de formação teórica e prática de cada um dos autores, ao longo da
agradável leitura visualizamos um trabalho homogêneo, simultaneamente denso e envolveme, obje-
tivo e suave e, acima de tudo, preciso e crítico com relação àqueles segmentos do Código Civil •=J.Ue
merecem o maior cuidado do leitor, seja ele um profissional militante, acadêmico ou "concursei:o".
Das Alagoas, Bahia e Gerais se fc1. um belíssimo grupo de literatos, que agora entrega aos en-
tusiastas do dirciro privado um inseparável instrumento de estudos e manancial de conhecimenros.
Parabéns aos jovens e eruditos juristas por compartilhar tamanho conjunto de lições, brindando-nos
com um companheiro de rodas as horas. E que, merecidamente, tenha longa vida!!
Janeiro de 2013.
NELSON ROSENVALD
Pós-Doutor em Direito Civil pela Universidade Roma Tre
Doutor e Mestre em Direito Civil pela PUC-SP
Professor de Direito Civil do Complexo Damásio de Jesus
Procurador de Justiça do Ministério Público/MG

9
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1
OITO MÃOS E UM ÚNICO OBJETIVO:
SER COMPLETO

"imagino milhões de sorrisos, cada um com seu jeito de ser


Mas ligados no mesmo destino: um amor foito eu e você;
O céu e o mar, a lua e a estrela, o branco e o preto, tudo se completa de algum jeito;
Homem e mulher, a foca e o queijo, o incerto e o perfoito; Tiulo se completa de algum jeito."
(!vere Sangalo e Jvfônica San Galo, Completo, de Ivete Sangalo e Gigi)

Quanto esforço é necessário para sonhar?


Por impossibilidade absoluta, não é possível para uma pessoa humana responder, claramente, à
profundidade filosófica dessa indagação.
Pois bem, quando fomos exortados para conceber, a oito mãos, um conjunto de Comentários
ao Código Civil, especificamente voltados para concursos jurídicos, percebemos que tínhamos uma
tarefa hercúlea pela frente, apenas não conhecíamos as nuances da dificuldade: conseguir uma análise
crítica e objetiua da completude do Código Civil.
Abraçamos, então, a tarefa com um objetivo muito bem definido: entregar ao leitor (além dos
concursandos, a todos que labmam com a ciência jurídica, profissionais, professores e estudantes) um
trabalho completo- profundo e, ao mesmo tempo, otimizado em qualidade e quantidade, de forma a
viabilizar uma leitura clara, precisa, direta, com vasto conteúdo e, além de tudo isso, cativante, leve
nas informações transmitidas.
Sobreleva destacar a complexidade deste projeto, que consumiu mais de um ano de esforço
comínuo e uma dedicaçáo temporal acima da expectativa inicial. Somente para exemplificar a pro-
fundidade do trabalho, vale o registro de que o número de artigos do Código Civil corresponde,
ilustrarivamente, à soma dos dispositivos da Constituição Federal, do Código de Processo Civil, do
Código Penal e, além disso, do Código de Defesa do Consumidor.. .. Talvez porque tudo que diz
respeito ao Código Civil é superlativo, tanto pela extensão, quanto pela diversidade de temas. Um
mosaico de situações jurídicas para ser simplificado neste trabalho.
Assim nasceu este rrahalho. Com um objetivo preciso e certeiro e com oito mãos unidas para
a sua consecução, som,1ndo diferentes experiências profissionais em prol de uma ampla visáo do
Código Civil.
Naturalmente, o desenvolvimento dos textos destes Comentários teve de alternar dispositivos legais
que mereceram anota\:úes mais profundas e outros artigos que tiveram comentários mais precisos e
certeiros. A complexidade da matéria e relevância prática justificaram tais distinções, bem como a
eventual divergência douuinúia que foi devidamente apontada. Para além disso, foram preparados
didáticos diagramas c uma sdeção de referências jurisprudenciais para facilitar o estudo e a completa
compreensão de cada um dos dispositivos codificados. É, enfim, um liuro que pretende ser completo!
É chegada, enfim, a hora de entregar esta obra aos concursandos (oxalá, futuros aprovados
nos certames!!!) e aos juriqas em geral (profissionais e comunidade acadêmica). Desejamos que ela
evidencie a profundid;hk ,. completude dos nossos estudos. E que v;í além disso. Que seja um útil

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'''''''~1m•tJIIJr~aunra.t.J:ftiiPI•Iiâ;'d•'\~'R'i'•'
instrumento de estudo, pesquisa e trabalho, auxiliando o dia a dia de estudo e de trabalho, facilitando
o contato com os dispositivos do Código Civil de 2002, inclusive com as controvérsias doutrinárias
e a oriemação jurisprudencial.
Com isso, pretendemos uma mudança de paradigmas no significado concreto do Código Civil
para o cotidiano do jurista, através da facilitação de sua efetiva aplicação.
Como toda obra literária, este é um trabalho em construção, feito·em regime de colaboração.
Bem por isso, esperamos contar com você, estimado leitor, com as suas impressões, sugestões e críticas
para o constante aperfeiçoamento deste livro.
Desejamos uma excelente leitura e apresentamos votos de que consigamos estabelecer uma nova
forma de compreender o Código Civil, através da leitura leve e precisa dos seus dispositivos. Podem
ter a mais absoluta convicção, todos comentados com um único objetivo: permitir uma compreensão
completa, porém facilitada do Código Civil!
Entre os estertores de 2012 e o florescer de um 2013, que se espera completo de alegrias e in-
tensas felicidades!!!

CRISTIANO CHAVES LUCIANO MARCOS I WAGNER


DE FARIAS FIGUEIREDO
I EHRHARDT JÚNIOR INACIO

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NOTAÃ4a EDIÇÁO

O Direito Civil sempre foi marcado por uma serena estabilidade em seus institutos e categorias.
A linearidade c perpetuidade de pensamentos, geravam sobre este ramo uma forte segurança em suas
convicções e preceitos.
O ano de 2016, contudo, marcará uma nova nora nesta sinronia. Uma nota modificada em um
bemol, suficiente para trazer uma nova harmonia para todo o sistema. Pontos pacificados e solidifi-
cados ao longo de um século de codificação civil brasileira irão se liquefazer c serão reabsorvidos pela
estrutura, renovando-a. As pessoas, principalmente as acometidas com deficiências, serão deslocadas
para o centro de gravidade do Código, deixando o papel de coadjuvantes, de submetidas à incapaci-
dade, e passarão a ser reconhecidas pelo protagonismo que lhes é peculiar.
Assim, também esta obra se realinhou. Vários arrigos foram atualizados, suprimindo-se questões
que não mais pertençam a este novel sistema. Os arrigos revogados pelo novo Código de Processo
Civil foram recomentados, mantendo-se, por esta edição, os antigos comendrios para fins histórico-
-didáticos.
Foram incluídos novos gráficos, novas questôcs, novos comentários. Um Direito Civil ainda mais
voltado para a pessoa se avizinha e, com ele, um pensamento reconstruído deve se impor.
Mesmo mote, as controvérsias existcmes entre o novo Código cle.Processo Civil e o Estatuto
da Pessoa com Deficiência foram absorvidas, principalmente em relação aos arts. 1.768 a 1.773,
apresemando-sc o debate acerca da revogaçáo (ou não) dos mesmos. De outro tanto, em rclaçáo às
inovações trazidas pelo Novo Código processual, foram elas tratadas com a delicadeza que o mo-
memo requer, sendo mantidos em quadros separados eventuais comentários à anterior codificação
que possam ser de utilidade r,ara você, leitor.
Atente-se, leitor, que a menção ao CPC já se bz em relação ao Código de 2015, não mais se
referenciando os velhos artigos (de 1973), que jaz.cm aguardando que a areia do tempo (e dos pro-
cessos pendentes) possa lhes dar o devido descanso, figuras q'.te passam a ser parte da história do
Direito Brasileiro.
Mais uma vez, oito mãos se unem, com a única intenção de levar uma visão completa elo sistema
Civil brasileiro.
Entre as montanhas de Minas, o axé de S.dvador c as praias ele Maceió, no veráo de 2016.
Os autores.

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SUMÁRIO

*LEI N• 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002 • PARTE GERAL

LIVRO I - DAS PESSOAS.............................................................................................................................................. 27


TÍTULO I - DAS PESSOAS NATURAIS................................................................................................... 27
CAPÍTULO I -DA PERSONALIDADE E DA CAPACIDADE................................................................... 27
CAPÍTULO 11 - DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE........................................................................ 56
CAPÍTULO 111- DA AUSÊNCIA.......................................................................................................... 90
SEÇÃO I - DA CURADORIA DOS BENS DO AUSENTE ................................................................ 90
SEÇÃO 11- DA SUCESSÃO PROVISÓRIA ...... :............................................................................ 92
SEÇÃO 111- DA SUCESSÃO DEFINITIVA..................................................................................... 96
TÍTULO 11 - DAS PESSOAS JURÍDICAS................................................................................................. 100
CAPÍTULO I - DISPOSIÇÕES GERAIS............................................................................................... 100
CAPÍTULO 11- DAS ASSOCIAÇÕES.................................................................................................. 123
CAPÍTULO 111 - DAS FUNDAÇÕES .................................................................................................... 129
TÍTULO 111 - DO DOMICÍLIO .................................................................................................................. 136

LIVRO 11 - DOS BENS ................................................................................................................................................... 149


TÍTULO ÚNICO - DAS DIFERENTES CLASSES DE BENS........................................................................ 150
CAPÍTULO I - DOS BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS............................................................. 150
SEÇÃO I - DOS BENS IMÓVEIS................................................................................................. 150
SEÇÃO 11 -DOS BENS MÓVEIS ................................................................................................. 153
SEÇÃO 111 - DOS BENS FUNGÍVEIS ECONSUMÍVEIS.................................................................. 155
SEÇÃO IV - DOS BENS DIVISÍVEIS............................................................................................ 157
SEÇÃO V DOS BENS SINGULARES E COLETIVOS................................................................... 158
CAPÍTULO 11- DOS BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS....................................................... 160
CAPÍTULO 111 - DOS BENS PÚBLICOS.............................................................................................. 165

LIVRO 111- DOS FATOS JURÍDICOS ............................................................................................................................. 171


TÍTULO I- DO NEGÓCIO JURÍDICO ....................................................................................................... 172
CAPÍTULO I - DISPOSIÇÕES GERAIS............................................................................................... 172
CAPÍTULO 11 - DA REPRESENTAÇÃO.......... ................................................................. ............... .... 187
CAPÍTULO 111- DA CONDIÇÃO, DO TERMO EDO ENCARGO ............................................................. 190
CAPÍTULO IV - DOS DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO................................................................... 203
SEÇÃO I -- DO ERRO OU IGNORÂNCIA . .... ......... .......... ... .......................................................... 203
SEÇÃO 11 --DO DOLO ................................................................................................................. 208
SEÇÃO 111 DA COAÇÃO ........................................................................................................... 212
SEÇÃO IV DO ESTADO DE PERIGO ........................................................................................ 215

j SEÇÃO V DA LESÃO ............................................................................................................... 217


15
SEÇÃO VI- DA FRAUDE CONTRA CREDORES........................................................................... 220
CAPÍTULO V- DA INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO .................................................................. 225
TÍTULO 11 - DOS ATOS JURÍDICOS LÍCITOS.......................................................................................... 244
TÍTULO 111 -DOS ATOS ILÍCITOS •..•......•...••..•..•...•.•.......•...•........•..•..•..••......•......•......•.........•..•...•..•..••.. 245
TÍTULO IV -DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA................................................................................. 261
CAPÍTULO 1- DA PRESCRIÇÃO....................................................................................................... 261
SEÇÃO I - DISPOSIÇÕES GERAIS.................... ......................................................................... 261
SEÇÃO 11- DAS CAUSAS QUE IMPEDEM OU SUSPENDEM A PRESCRIÇÃO .............................. 268
SEÇÃO 111- DAS CAUSAS QUE INTERROMPEM A PRESCRIÇÃO ............................................... 274
SEÇÃO IV- DOS PRAZOS DA PRESCRIÇÃO .............................................................................. 278
CAPÍTULO 11- DA DECADÊNCIA............................ ................................................ ......................... 292
TÍTULO V- DA PROVA .......................................................................................................................... 295

* LEI N• 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002 .··.PAR~TE ESPECIAL

LIVRO 1- DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES ................................................................................................................... 319


TÍTULO 1- DAS MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES.............................................................................. 319
CAPÍTULO 1- DAS OBRIGAÇÕES DE DAR ........................................................................................ 319
SEÇÃO 1- DAS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA CERTA ................................................................ 319
SEÇÃO 11- DAS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA ............................................................ 327
CAPÍTULO 11- DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER .................................................................................... 330
CAPÍTULO 111 - DAS OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER....................................... ..... ..... ..... .................... 332
CAPÍTULO IV- DAS OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS ......................................................................... 334
CAPÍTULO V- DAS OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS E INDiVISÍVEIS .......................................................... 336
CAPÍTULO VI- DAS OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS......................................... ... ... .......................... 340
SEÇÃO I -DISPOSIÇÕES GERAIS.......................................................... . .. .... ........... ........... .... 340
SEÇÃO 11- DA SOLIDARIEDADE ATIVA ................................................................................ 342
SEÇÃO 111- DA SOLIDARIEDADE PASSIVA....... ............................. .. .......................... 346
TÍTULO 11 - DA TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES........................................... ................................... 352
CAPÍTULO I -DA CESSÃO DE CRÉDITO .................. ............................ . .. ... .. ...... ................. ....... 352
CAPÍTULO 11- DA ASSUNÇÃO DE DÍVIDA.............................................. .... . .. .. ....................... 359
TÍTULO 111 - DO ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ...................... ................................. 362
CAPÍTULO I -DO PAGAMENTO.................................................................... ... .. .. .. ....... ........... .... 362
SEÇÃO 1- DE QUEM DEVE PAGAR ................................................. . . ................... 362
SEÇÃO 11 - DAQUELES A QUEM SE DEVE PAGAR ............................. . . ........................ 364
SEÇÃO 111- DO OBJETO DO PAGAMENTO E SUA PROVA ................. . ......................... 366
SEÇÃO IV- DO LUGAR DO PAGAMENTO ...................................... . .......................... 374
SEÇÃO V - DO TEMPO DO PAGAMENTO ........................................... . .................... 377
CAPÍTULO 11- DO PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO ............................ . ......................... 378
CAPÍTULO 111 -DO PAGAMENTO COM SUB-ROGAÇÃO ......................... . .......................... 382
CAPÍTULO IV- DA IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO ................................... . .......................... 385
16
CAPÍTULO V- DA DAÇÃO EM PAGAMENTO.................................................................................... 386
CAPÍTULO VI- DA NOVAÇÃO ......................................................................................................... 388
CAPÍTULO VIl- DA COMPENSAÇÃO ............................................................................................... 392
CAPÍTULO VIII- DA CONFUSÃO ........................................................................................•......... ... 396
CAPÍTULO IX- DA REMISSÃO DAS DÍVIDAS ............................................................................... ... 397
TÍTULO IV- DO INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES........................................................................ 399
CAPÍTULO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS ............................................................................................... 399
CAPÍTULO 11 -DA MORA................................................................................................................. 404
CAPÍTULO 111- DAS PERDAS E DANOS ............................................................................................ 415
CAPÍTULO IV- DOS JUROS LEGAIS ............................................................................................... 421
CAPÍTULO V- DA CLÁUSULA PENAL.......................................................................................... ... 426
CAPÍTULO VI - DAS ARRAS OU SINAL........................................................................................ ... 432
TÍTULO V- DOS CONTRATOS EM GERAL............................................................................................. 437
CAPÍTULO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS .............................................................................................. 437
SEÇÃO 1- PRELIMINARES ....................................................................................................... 437
SEÇÃO 11- DA FORMAÇÃO DOS CONTRATOS ......................................................................... 454
SEÇÃO 111- DA ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIRO .......................................................... 458
SEÇÃO IV- DA PROMESSA DE FATO DE TERCEIRO ................................................................ 460
SEÇÃO V- DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS ................................................................................... 461
SEÇÃO VI - DA EVICÇÃO .......................................................................................................... 465
SEÇÃO VIl- DOS CONTRATOS ALEATÓRIOS ........................................................................... 470
SEÇÃO VIII- DO CONTRATO PRELIMINAR ............................................................................... 472
SEÇÃO IX- DO CONTRATO COM PESSOA A DECLARAR .......................................................... 474
CAPÍTULO 11- DA EXTINÇÃO DO CONTRATO .................................................................................. 475
SEÇÃO 1- DO DISTRATO ......................................................................................................... 475
SEÇÃO 11- DA CLÁUSULA RESOLUTIVA ................................................................................... 478
SEÇÃO 111- DA EXCEÇÃO DE CONTRATO NÃO CUMPRIDO ....................................................... 480
SEÇÃO IV- DA RESOLUÇÃO POR ONEROSIDADE EXCESSIVA ................................................. 485
TÍTULO VI-GAS VÁRIAS ESPÉCIES DE CONTRATO ............................................................................ 490
CAPÍTULO 1- DA COMPRA E VENDA .............................................................................................. 490
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS ............................................................................................. 490
SEÇÃO 11- DAS CLÁUSULAS ESPECIAIS À COMPRA EVENDA ................................................ 502
SUBSEÇÃO 1- DA RETROVENDA ............................................................................................. 502
SUBSEÇÃO 11- DA VENDA A CONTENTO EDA SUJEITA A PROVA ............................................. 505
SUBSEÇÃO 111- DA PREEMPÇÃO OU PREFERÊNCIA ................................................................ 506
SUBSEÇÃO IV- DA VENDA COM RESERVA DE DOMÍNIO ......................................................... 509
SUBSEÇÃO V- DA VENDA SOBRE DOCUMENTOS ................................................................... 510
CAPÍTULO 11- DA TROCA OU PERMUTA ......................................................................................... 511
CAPÍTULO 111 - DO CONTRATO ESTIMATÓRIO ............. .......................................................... ........... 512
CAPÍTULO IV- DA DOAÇÃO ........................................................................................................... 514
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS ............................................................................................. 514
SEÇÃO 11- DA REVOGAÇÃO DA DOAÇÃO........................................................................ ........ 521
17
fiihftt!1;1UI
CAPÍTULO V - DA LOCAÇÃO DE COISAS......................................................................................... 525
CAPÍTULO VI -DO EMPRÉSTIMO.................................................................................................... 533
SEÇÃO 1- DO COMODATO ........................................................................................................ 533
SEÇÃO 11 -DO MÚTUO ............................................................................................................. 536
CAPÍTULO VIl- DA PRESTAÇM DE SERVIÇO ................................................................................. 543
CAPÍTULO VIII- DA EMPREITADA ................................................................................................... 548
CAPÍTULO IX- DO DEPÓSITO .......................................................................................................... 554
SEÇÃO 1·- DO DEPÓSITO VOLUNTÁRIO ..................................................................................... 554
SEÇÃO 11- DO DEPÓSITO NECESSÁRIO .................................................................................... 559
CAPÍTULO X- DO MANDATO........................................................................................................... 565
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS .............................................................................................. 565
SEÇÃO 11- DAS OBRIGAÇÕES DO MANDATÁRIO ...................................................................... 569
SEÇÃO 111- DAS OBRIG.f\ÇÓES DO MANDANTE......................................................................... 571
SEÇÃO IV- DA EXTINÇÃO DO MANDATO .................................................................................. 573
SEÇÃO V- DO MANDATO JUDICIAL.......................................................................................... 575
CAPÍTULO XI -DA COMISSÃO ........................................................................................................ 576
CAPÍTULO XII -DA AGÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO ...................................:............................................ 583
CAPÍTULO XIII- DA CORRETAGEM ............................................................,..................................... 589
CAPÍTULO XIV - DO TRANSPORTE .... ... .. .... .. .... .... .......... ................ .... ............ ............ .... ..... ... .. ....... 594
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS.............................................................................................. 594
SEÇÃO 11 - DO TRANSPORTE DE PESSOAS .............................................................................. 601
CAPÍTULO XV- DO SEGURO........................................................................................................... 616
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS .............................................................................................. 616
SEÇÃO 11 - DO SEGURO DE DANO ............................................................................................ 633
SEÇÃO 111 -DO SEGURO DE PESSOA........................................................................................ 640
CAPÍTULO XVI - DA CONSTITUIÇÃO DE RENDA .............................................................................. 650
CAPÍTULO XVII- DO JOGO E DA APOSTA ........................................................................................ 654
CAPÍTULO XVIII- DA FIANÇA ................... ....................................................................................... 657
SEÇÃO I -DISPOSIÇÕES GERAIS......................................................................................................... 657
SEÇÃO 11 -DOS EFEITOS DA FIANÇA........................................................................................ 664
SEÇÃO 111 - DA EXTINÇÃO DA FIANÇA....................................................................................... 671
CAPÍTULO XIX- DA TRANSAÇÃO.................................................................................................... 672
CAPÍTULO XX- DO COMPROMISSO................................................................................................ 676
TÍTULO VIl- DOS ATOS UNILATERAIS .................................................................................................. 683
CAPÍTULO I - DA PROMESSA DE RECOMPENSA............................................................................. 683
CAPÍTULO 11- DA GESTÃO DE NEGÓCIOS ....................................................................................... 688
CAPÍTULO 111- DO PAGAMENTO INDEVIDO ...................................................................................... 693
CAPÍTULO IV- DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA......................................................................... 699
TÍTULO VIII - DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ............................................................................................. 701
CAPÍTULO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS............................................................................................... 701
CAPÍTULO 11- DO TÍTULO AO PORTADOR ........................................................................................ 708
CAPÍTULO 111-00 TÍTULO A ORDEM ............................................................................................... 712
18
CAPÍTULO IV- DO TÍTULO NOMINATIVO ......................................................................................... 717
TÍTULO IX- DA RESPONSABILIDADE CIVIL.. ........................................................................................ 718
CAPÍTULO 1- DA OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR ................................................................................. 718
CAPÍTULO 11 -DA INDENIZAÇÃO ..................................................................................................... 775
TÍTULO X- DAS PREFERÊNCIAS E PRIVILÉGIOS CREDITÓRIOS .......................................................... 796

LIVRO 11- DO DIREITO DE EMPRESA .......................................................................................................................... 807


TÍTULO I - DO EMPRESÁRIO ................................................................................................................ 807
CAPÍTULO 1- DA CARACTERIZAÇÃO E DA INSCRIÇÃO .................................................................... 807
CAPÍTULO 11- DA CAPACIDADE ...................................................................................................... 814
TÍTULO 1-A- DA EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA ....................................... 823
TÍTULO li -DA SOCIEDADE .................................................................................................................. 825
CAPÍTULO ÚNICO- DISPOSIÇÕES GERAIS...................................................................................... 825
SUBTÍTULO 1- DA SOCIEDADE NÃO PERSONIFICADA ............................................................... 831
CAPÍTULO 1- DA SOCIEDADE EM COMUM ...................................................................................... 831
CAPÍTULO 11 - DA SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO.......................................................... 836
SUBTÍTULO 11 - DA SOCIEDADE PERSONIFICADA...................................................................... 840
CAPÍTULO I - DA SOCIEDADE SIMPLES.......................................................................................... 840
SEÇÃO I - DO CONTRATO SOCIAL .... ... .. .... .. ..... ... .. ..... .. ..... ........... ... .... .. .... ....... .... .. .. .... .. .. ..... ... 840
SEÇÃO 11 -DOS DIREITOS E OBRIGAÇÕES DOS SÓCIOS ................................................. ......... 844
SEÇÃO 111- DA ADMINISTRAÇÃO .............................................................................................. 849
SEÇÃO IV- DAS RELAÇÕES COM TERCEIROS ............................................................... .......... 856
SEÇÃO V- DA RESOLUÇÃO DA SOCIEDADE EM RELAÇÃO A UM SÓCIO.................................. 860
SEÇÃO VI -DA DISSOLUÇÃO ........ ....... .... ..... ................................................................. ........ 863
CAPÍTULO 11 - DA SOCIEDADE EM NOME COLETIVO ................... .................................................... 867
CAPÍTULO 111- DA SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES............................................................... 869
CAPÍTULO IV- DA SOCIEDADE LIMITADA.... .......................................................................... ........ 872
SEÇÃO I -DISPOSIÇÕES PRELIMINARES .. .... ... ... ... ............................................. .................. 872
SEÇÃO 11 -DAS QUOTAS ....................... ... ........... ....................................................... ............. 876
SEÇÃO 111- DA ADMINISTRAÇÃO........... ...... . ........................................................................ 879
SEÇÃO IV- DO CONSELHO FISCAL ..... .. ......... ......................................................................... 882
~EÇÃO V- DAS DELIBERAÇÕES DOS SéiCIOS .......................................................................... 884
SEÇÃO VI -DO AUMENTO E DA REDUÇÂO DO CAPITAL........................................................... 888
SEÇÃO VIl -DA RESOLUÇÃO DA SOCIEDADE EM RELAÇÃO A SÓCIOS MINORITÁRIOS ............ 890
SEÇÃO VIII- DA DISSOLUÇÃO.......... .. ..................................................................... 890
CAPÍTULO V- DA SOCIEDADE ANÓNIMA.... ............................................................................ 891
SEÇÃO ÚNICA- DA CARACTERIZAÇÃO .. .. .................................................................. ... 891
CAPÍTULO VI- DA SOCIEDADE EM COMANDITA POR AÇÕES .......................................................... 897
CAPÍTULO VIl- DA SOCIEDADE COOPERATIVA.... .. ................................................................... 897
CAPÍTULO VIII- DAS SOCIEDADES COLIGADAS...... .. ................................................................... 900
CAPÍTULO IX- DA LIQUIDAÇÃO DA SOCIEDADE .. . .. .... ................................................................. 902
CAPÍTULO X- DA TRANSFORMAÇÃO, DA INCORPORAÇÃO,
19
DA FUSÃO E DA CISÃO DAS SOCIEDADES...................................................................................... 911
CAPÍTULO XI- DA SOCIEDADE DEPENDÊNTE DE AUTORIZAÇÃO .................................................... 915
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS.............................................................................................. 915
SEÇÃO 11- DA SOCIEDADE NACIONAL. ..................................................................................... 916
SEÇÃO 111- DA SOCIEDADE ESTRANGEIRA............................................................................... 918
TÍTULO 111- DO ESTABELECIMENTO ..............................................................:...................................... 920
CAPÍTULO ÚNICO- DISPOSIÇÕES GERAIS...................................................................................... 920
TÍTULO IV- DOS INSTITUTOS COMPLEMENTARES .....................,........................................................ 925
CAPÍTULO 1- DO REGISTRO........................................................................................................... 925
CAPÍTULO 11- DO NOME EMPRESARIAL ......................................................................................... 928
CAPÍTULO 111- DOS PREPOSTOS.................................................................................................... 933
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS.............................................................................................. 933
SEÇÃO 11- DO GERENTE .......................................................................................................... 933
SEÇÃO 111- DO CONTABILISTA E OUTROS AUXILIARES ............................................................. 935
CAPÍTULO IV- DA ESCRITURAÇÃO................................................................................................. 935

LIVRO 111 - DO DIREITO DAS COISAS .......................................................................................................................... 945


TÍTULO I- DA POSSE........................................................................................................................... 945
CAPÍTULO 1- DA POSSE E SUA CLASSIFICAÇÃO ............................................................................ 945
CAPÍTULO 11- DA AQUISIÇÃO DA POSSE........................................................................................ 956
CAPÍTULO 111- DOS EFEITOS DA POSSE......................................................................................... 961
CAPÍTULO IV- DA PERDA DA POSSE ............................................................................................. 973
TÍTULO 11- DOS DIREITOS REAIS ......................................................................................................... 974
CAPÍTULO ÚNICO- DISPOSIÇÕES GERAIS ...................................................................................... 974
TÍTULO 111- DA PROPRIEDADE............................................................................................................. 976
CAPÍTULO 1- DA PROPRIEDADE EM GERAL .................................................................................. 976
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES PRELIMINARES ............................................................................... 976
SEÇÃO 11- DA OESCOIJERTA ................................................................................................... 985
CAPÍTULO 11- DA AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE IMÓVEL.................................................... 986
SEÇÃO 1- DA USUCAPIÃO............................................................................................. 986
SEÇÃO 11- DA AQUISIÇÃO PELO REGISTRO DO TÍTULO ........................................................... 999
SEÇÃO 111- DA AQUISIÇÃO POR ACESSÃO .............................................................................. 1003
SUBSEÇÃO 1- DAS ILHAS............................................................................................ . . 1004
SUBSEÇÃO 11- DA ALUVIÃO........................................................................................... . .. 1004
SUBSEÇÃO 111- DA AVULSÃO....................................................................................... .... 1005
SUBSEÇÃO IV- DO ÁLVEO ABANDONADO.............................................................. ...... .. .... 1005
SUBSEÇÃO V- DAS CONSTRUÇÕES E PLANTAÇÕES.................................................... ... 1005
CAPÍTULO 111- DA AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE MÓVEL..................................................... .... 1007
SEÇÃO 1- DA USUCAPIÃO ..................................................................................................... 1007
SEÇÃO 11- DA OCUPAÇÃO............................................................................................. ... 1009
SEÇÃO 111- DO ACHADO DO TESOURO..................................................................... . ... 1009
SEÇÃO IV- DA TRADIÇÃO..................................................................................... .. . . .... 1010
20
&iii&M;IUI
SEÇÃO V- DA ESPECIFICAÇÃO ....................... :........................................................................ 1011
SEÇÃO VI- DA CONFUSÃO, DA COMISSÃO E DA ADJUNÇÃO ................................................... 1012
CAPÍTULO IV- DA PERDA DA PROPRIEDADE ................................................................................. 1012
CAPÍTULO V- DOS DIREITOS DE VIZINHANÇA ................................................................................ 1014
SEÇÃO 1- DO USO ANORMAL DA PROPRIEDADE ..................................................................... 1014
SEÇÃO 11- DAS ÁRVORES LIMÍTROFES .................................................................................... 1017
SEÇÃO 111- DA PASSAGEM FORÇADA ...................................................................................... 1017
SEÇÃO IV- DA PASSAGEM DE CABOS ETUBULAÇÕES ........................................................... 1019
SEÇÃO V - DAS ÁGUAS ............................................................................................................ 1019
SEÇÃO VI - DOS LIMITES ENTRE PRÉDIOS E DO DIREITO DE TAPAGEM ................................... 1022
SEÇÃO Vil- DO DIREITO DE CONSTRUIR ................................................................................. 1023
CAPÍTULO VI- DO CONDOMÍNIO GERAL ......................................................................................... 1027
SEÇÃO 1- DO CONDOMÍNIO VOLUNTÁRI0 ................................................................................ 1027
SUBSEÇÃO 1- DOS DIREITOS EDEVERES DOS CONDÕMINOS ................................................. 1027
SUBSEÇÃO 11- DA ADMINISTRAÇÃO DO CONDOMÍNIO ............................................................ 1031
SEÇÃO 11- DO CONDOMÍNIO NECESSÁRIO ............................................................................... 1032
CAPÍTULO Vil- DO CONDOMÍNIO EDILÍCIO ..................................................................................... 1033
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS ................... c.......................................................................... 1033
SEÇÃO 11- DA ADMINISTRAÇÃO DO CONDOMÍNIO ................................................................... 1046
SEÇÃO 111- DA EXTINÇÃO DO CONDOMÍNIO ............................................................................. 1050
CAPÍTULO VIII- DA PROPRIEDADE RESOLÚVEL. ...................................................................... 1050
CAPÍTULO IX- DA PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA ................................................................................ 1051
TÍTULO IV- DA SUPERFÍCIE .................................................................................................................1064
TÍTULO V- DAS SERVIDÕES ................................................................................................................1069
CAPÍTULO 1- DA CONST)TUIÇÃO DAS SERVIDÕES ......................................................................... 1069
CAPÍTULO 11- DO EXERCÍCIO DAS SERVIDÕES ............................................................................... 1072
CAPÍTULO 111- DA EXTINÇÃO DAS SERVIDÕES ............................................................................... 1075
TÍTULO VI- DO USUFRUT0 ..................................................................................................................1077
CAPÍTULO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS ............................................................................................... 1077
CAPÍTULO 11- DOS DIREITOS DO USUFRUTUÁRIO .......................................................................... 1081
CAPÍTULO IH - DOS DEVERES DO USUFRUTUÁRIO ......................................................................... 1084
CAPÍTULO IV- DA EXTINÇÃO DO USUFRUTO ................................................................................. 1088
TÍTULO VIl- DO US0 ............................................................................................................................1090
TÍTULO VIII - DA HABITAÇÃO ...............................................................................................................1091
TÍTULO IX- DO DIREITO DO PROMITENTE COMPRADOR ..................................................................... 1093
TÍTULO X- DO PENHOR, DA HIPOTECA E DA ANTICRESE .................................................................... 1099
CAPÍTULO I -DISPOSIÇÕES GERAIS ............................................................................................... 1099
CAPÍTULO 11 - DO PENHOR ............................................................................................................. 11 07
SEÇÃO 1- DA CONSTITUIÇÃO DO PENHOR ............................................................................. 1107
SEÇÃO 11- DOS DIREITOS DO CREDOR PIGNORATÍCI0 ............................................................. 1109
SEÇÃO 111 - DAS OBRIGAÇÕES DO CREDOR PIGNORATÍCIO ...................................................... 111 O
SEÇÃO /V- DA EXTINÇÃO DO PENHOR ................................................................................... 1111
21
SEÇÃO V - DO PENHOR RURAL. ............................................................................................... 1112
SUBSEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS ....................................................................................... 1112
SUBSEÇÃO 11- DO PENHOR AGRÍCOLA .................................................................................... 1113
SUBSEÇÃO 111- DO PENHOR PECUÁRIO ................................................................................... 1114
SEÇÃO VI- DO PENHOR INDUSTRIAL E MERCANTIL ................................................................ 1115
SEÇÃO VIl- DO PENHOR DE DIREITOS ETÍTULOS DE CRÉDITO ............................................... 1116
SEÇÃO VIII- DO PENHOR DE VEÍCULOS .........................................:......................................... 1120
SEÇÃO IX - DO PENHOR LEGAL ............................................................................................... 1122
CAPÍTULO 111 - DA HIPOTECA .......................................................................................................... 1123
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS .............................................................................................. 1123
SEÇÃO 11 -DA HIPOTECA LEGAL .............................................................................................. 1137
SEÇÃO 111 -DO REGISTRO DA HIPOTECA.................................................................................. 1138
SEÇÃO IV- DA EXTINÇÃO DA HIPOTECA .................................................................................. 1141
SEÇÃO V- DA HIPOTECA DE VIAS FÉRREAS ............................................................................ 1143
CAPÍTULO IV - DA ANTICRESE ........................................................................................................ 1144

LIVRO 11/- 00 DIREITO OE FAMÍLIA ...........................................................................................................................1153


TÍTULO I -DO DIREITO PESSOAL .........................................................................................................1153
SUBTÍTULO 1- DO CASAMENTO .............................................................................................. 1153
:;APITULO I -DISPOSIÇÕES GERAIS ............................................................................................... 1153
:::N'íTULO 11 -DA CAPACIDADE PARA OCASAMENTO ................................................................... 1162
CAPÍTULO 111- DOS IMPEDIMENTOS ............................................................................................... 1166
CAPÍTULO IV- DAS CAUSAS SUSPENSIVAS ................................................................................... 1170
CflPÍTULO V- DO PROCESSO DE HABILITAÇÃO PARA OCASAMENTO ........................................... 1173
CAPÍTULO VI - OA CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO ......................................................................... 1180
CAPÍTULO VIl- DAS PROVAS DO CASAMENT0 ............................................................................... 1186
CAPÍTULO VIII - DA INVALIDADE DO CASAMENTO .......................................................................... 1189
CAPÍTULO IX- DA EFICÁCIA DO CASAMENTO ............................................................................... 1206
CAPÍTULO X- DA DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE E DO VÍNCULO CONJUGAL ................................... 1215
CP.PÍTULO XI- DA PROTEÇÃO DA PESSOA DOS FILHOS ................................................................ 1236
SUBTÍTULO 11- DAS RELAÇÕES DE PARENTESCO ................................................................... 1247
CAPÍTULO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS .............................................................................................. 1247
C/<.PÍTULO 11- DA F!LIAÇÃ0 ............................................................................................................. 1255
Cf.t.PÍTULO 111- DO RECONHECIMENTO DOS FILHOS ....................................................................... 1272
CAPÍTULO IV- DA ADOÇÃO ............................................................................................................ 1279
CAPÍTULO V- DO PODER FAMILIAR ............................................................................................... 1282
SEÇÃO I - DISPOSIÇÕES GERAIS ............................................................................................. 1282
SEÇÃO 11- DO EXERCÍCIO DO PODER FAMILIAR ....................................................................... 1285
SEÇÃO 111 - DA SUSPENSÃO EEXTINÇÃO DO PODER FAMILIAR ............................................... 1287
TlTULO 11- 00 DIREITO PATRIMONIAL. ................................................................................................1290
SUBTÍTULO 1- DO REGIME DE BENS ENTRE OS CÔNJUGES ................................................................ 1290
CI\PÍTULO I - DISPOSIÇÕES GERAIS ............................................................................................. 1290
Cl\PÍTULO 11- DO PACTO ANTENUPCIAL ......................................................................................... 1316
22
,. I

CAPÍTULO 111 -DO REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL.. .................................................................... 1321


CAPÍTULO IV- DO REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL ................................................................. 1327
CAPÍTULO V- DO REGIME DE PARTICIPAÇÃO FINAL NOS AQUESTOS ............................................ 1330
CAPÍTULO VI - DO REGIME DE SEPARAÇÃO DE BENS ..................................................................... 1334
SUBTÍTULO 11- DO USUFRUTO EDA ADMINISTRAÇÃO DOS BENS DE FILHOS MENORES ......... 1335
SUBTÍTULO 111- DOS ALIMENTOS ............................................................................................. 1337
SUBTÍTULO IV- DO BEM DE FAMÍLIA ....................................................................................... 1374
TÍTULO 111- DA UNIÃO ESTÁVEL ..........................................................................................................1390
CAPÍTULO 1- DA TUTELA ............................................................................................................... 1412
SEÇÃO 1- DOS TUTORES ......................................................................................................... 1412
SEÇÃO 11 - DOS INCAPAZES DE EXERCER A TUTELA ................................................................ 1416
SEÇÃO 111- DA ESCUSA DOS TUTORES .................................................................................... 1417
SEÇÃO IV- DO EXERCÍCIO DA TUTELA ................................................................................... 1420
SEÇÃO V- DOS BENS DO TUTELADO ...................................................................................... 1428
SEÇÃO VI- DA PRESTAÇÃO DE CONTAS .................................................................................. 1430
SEÇÃO VIl- DA CESSAÇÃO DA TUTELA ................................................................................... 1433
CAPÍTULO 11 -DA CURATELA .......................................................................................................... 1434
SEÇÃO 1- DOS INTERDITOS ..................................................................................................... 1434
NOTA INTRODUTÓRIA AOS ARTIGOS 1. 768 A 1773 ........................................................................ 1439
SEÇÃO 11- DA CURATELA DO NASCITURO EDO ENFERMO OU PORTADOR DE
DEFICIÊNCIA FÍSICA .................................................................................................................. 1453
SEÇÃO 111- DO EXERCÍCIO DA CURATELA ................................................................................ 1454
TÍTULO IV- DA TUTELA, DA CURATELA E DA TOMADA DE DECISÃO APOIADA ................................... 1455
CAPÍTULO 111 - DA TOMADA DE DECISÃO APOIADA ........................................................................ 1455

LIVRO V- DO DIREITO DAS SUCESSÕES ...................................................................................................................1467


TÍTULO 1- DA SUCESSÃO EM GERAL. ..................................................................................................1467
CAPÍTULO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS ............................................................................................ 1467
CAPÍTULO 11- DA HERANÇA E DE SUA ADMINISTRAÇÃ0 ................................................................ 1480
CAPÍTULO 111- DA VOCAÇÃO HEREDITÁRIA... .. ............................................................ 1491
CAPÍTULO IV- DA ACEITAÇÃO ERENÚNCIA DA HERANÇA. .. ....................................................... 1496
CAPÍTULO V- DOS EXCLUÍDOS DA SUCESSP.O .. .. .............................................................. 1505
CAPÍTULO VI- DA HERANÇA JACENTE....... .. . ......................................................... 1512
CAPÍTULO VIl- DA PETIÇÃO DE HERANÇA.. . .......................................................... 1515
TÍTULO 11- DA SUCESSÃO LEGÍTIMA .................................................................................................. 1519
CAPÍTULO 1- DA ORDEM DA VOCAÇÃO HEREDITÁfiiA ............................................................. 1519
CAPÍTULO 11- DOS HERDEIROS NECESSÁRIOS....... ............................................................. 1536
CAPÍTULO 111- DO DIREITO DE REPRESENTAÇÃO.... ... .. ........................................................... 1540
TÍTULO 111- DA SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA ......................................................................................1544
CAPÍTULO 1- DO TESTAMENTO EM GERAL ................................................................................ 1544
CAPÍTULO 11- DA CAPACIDADE DE TESTAR............ ................................................................... 1547
CAPÍTULO 111- DAS FORMAS ORDINÁRIAS DO TESTAMENTO ......................................................... 1548
23
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS .............................................................................................. 1548
SEÇÃO 11- DO TESTAMENTO PÚBLICO ....................................................•................................ 1549
SEÇÃO 111- DO TESTAMENTO CERRADO .................................................................................. 1550
SEÇÃO IV- DO TESTAMENTO PARTICULAR .............................................................................. 1553
CAPÍTULO IV- DOS CODICILOS ...................................................................................................... 1555
CAPÍTULO V- DOS TESTAMENTOS ESPECIAIS ...........................................:................................... 1556
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS .............................................................................................. 1556
SEÇÃO 11- DO TESTAMENTO MARÍTIMO E DO TESTAMENTO AERONÁUTICO ........................... 1556
SEÇÃO 111- DO TESTAMENTO MILITAR ..................................................................................... 1557
CAPÍTULO VI- DAS DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS .................................................................... 1559
CAPÍTULO VIl - DOS LEGADOS ....................................................................................................... 1569
SEÇÃO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS .............................................................................................. 1569
SEÇÃO 11- DOS EFEITOS DO LEGADO E DO SEU PAGAMENTO ................................................. 1571
SEÇÃO 111 - DA CADUCIDADE DOS LEGADOS ........................................................................... 1574
CAPÍTULO VIII- DO DIREITO DE ACRESCER ENTRE HERDEIROS E LEGATÁRIOS ............................ 1575
CAPÍTULO IX- DAS SUBSTITUIÇÕES .............................................................................................. 1576
SEÇÃO I -DA SUBSTITUIÇÃO VULGAR E DA RECÍPROCA ........................................................ 1576
SEÇÃO 11- DA SUBSTITUIÇÃO FIDEICOMISSÁRIA ..................................................................... 1577
CAPÍTULO X - DA DESERDAÇÃO ..................................................................................................... 1581
CAPÍTULO XI- DA REDUÇÃO DAS DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS .............................................. 1583
CAPÍTULO XII- DA REVOGAÇÃO DO TESTAMENTO ......................................................................... 1586
CAPÍTULO XIII- DO ROMPIMENTO DO TESTAMENTO ...................................................................... 1588
CAPÍTULO XIV- DO TESTAMENTEIRO ............................................................................................. 1589
TÍTULO IV- DO INVENTÁRIO E DA PARTILHA ...................................................................................... 1595
CAPÍTULO I - DO INVENTÁRIO ........................................................................................................ 1595
CAPÍTULO 11 -DOS SONEGADOS .................................................................................................... 1597
CAPÍTULO 111 - DO PAGAMENTO DAS DÍVIDAS ............................................................................... 1598
CAPÍTULO IV- DA COLAÇÃO .......................................................................................................... 1600
CAPÍTULO V- DA PARTILHA .......................................................................................................... 1605
CAPÍTULO VI- DA GARANTIA DOS QUINHÕES HEREDITÁRIOS ...................................................... 1608
CAPÍTULO VIl- DA ANULAÇÃO DA PARTILHA ................................................................................ 1609

LIVRO COMPLEMENTAR- DAS DISPOSIÇÕES FINAIS ETRANSITÓRIAS .................................................................1613

24
- ~LEI N° 10.406,
DE 1ODE JANElfiO/DE 200.2'·j
• PARTE GERAL
LIVROI-
DASPESSOAS

~ rirutu.l.- pfl~ P~sso~s ~ATURA!s


~ciiPlrútó 1- oA PERsôNÂtmArie
'' ,,''
~ hié:k~A~ifikoe
·' .,, '':''''. ::·'·'·,._·,,o:··;·.
Art.. 1~ Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Além do sujeito, em busca da pessoa. O importante deste artigo é compreender bem o conceito
de sujeito de direito, distinguindo-o dos conceiws de personalidade e capacidade. Denomina-se sujeito
de direito o titular de interesses juridicamente protegidos, qualificado como tal por uma norma jurí-
dica que lhe imputa direitos e deveres com a finalidade de disciplinar relações econômicas e sociais.
Para o Direito, conforme anota Fábio Ulhôa Coelho, não apenas homens e mulheres, mas também
alguns seres ideais de natureza incorpórea são titulares de direitos e deveres na ordem civil (Curso de
Direito Civil, vol. I. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 138), uma vez que o atributo da personalização
não é condição essencial para figurar numa relação jurídica.
A personalidade jurí,Jíca significa uma auwrizaç;lo prt'via e genérica do ordenamento jurídico'
p.tr:l a pdt ica tk qualquer :tto jurídico que não seja proibido pdo Dirci1o. Assim, sujeitos de direito
despersonificados só podem plJtí,·:~r aro~ q\r.u1do expressamenrc .w:nriudos por lei e desde que tais
aros sejam inerentes à stu firulidad•· .. · ;•:.l•Ho os sujeitos de di:,·íro que s3o pessoas podem fazer
tudo a que não estejam proibidos no campo das relações privadas. conforme as>cgura a Constituição
Federal, art. 5°, inciso I L
Sujeito de Direito ., Pessoa. Desse modo, é possível estabelecer diferenças entre as categorias
sujeito de direito(gênero) e pessoa (espécie); além disso, deve-se ter em vista que a personalidade, na
acepção aqui empregada, é um atributo jundico e não uma característica imanente ao ser humano,
pois ao lado de homens e mulheres que nasceram com vida (pessoas nawrais), o Direito confere
titularidade de direitos e deveres a pessoas jurídicas, cnres não humanos, incorpóreos, mas dotados
de aptidão para a prática de aros jurídicos em geral.

SUJEITO DE DIREITO
Tudo aquilo que o Direito reputa
apto o ser titular de direito ou
devedor de obrigação.
I
I I
Personificado Sem personificação
Está autorizado a praticar todos Só pode praticar atos a que esteja
os atos jurídicos a que n!ío esteja explicitamente, autorizado pelo
expressamente proibido. Direito, de acordo com sua finalidade.

I
I l
[ Pessoa natural 1 Pessoa jurídica j
FONTE: EHRHARDT JR., Marcos. Direito Civil- Parte Geral e LINDB. 2.ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2011.
27
Art. 2° liliii!•il•btiR:h$i.t!j\j~6iill;t!11\1

Torna-se difícil em nosso sistema jurídico estabelecer a distinção acima, pois a personalidade
jurídica é atribuída pelo próprio sistema, e de acordo com a legislação vigente (art. 2°, CC/02), a
pessoa já nasce com o direito a ser sujeito de direitos. Apesar do exposto acima, deve-se registrar que a
doutrina tradicional não concebe tal distinção, referindo-se à pessoa como sendo sinônimo de sujeito
de direito, o que causa dissensos terminológicos, em especial quando do estudo da capacidade jurídica.

2. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR

Não se confundem o estabelecimento empresarial, dotado de personalidade jurídica, e a massa falida,


titular de personalidade judiciária e de pretensões específicas à sua peculiar condição. (STJ, REsp n• 438013,
Min. Rei. Herman Benjamin, DJE 04/03/2009).
Doutrina e jurisprudência entendem que as Casas Legislativas- câmaras municipais e assembleias legislativas
-têm apenas personalidade judiciária, e não jurídica. Assim, podem estar em juízo tão somente na defesa de
suas prerrogativas institucionais.
Não têm, por conseguinte, legitimidade para recorrer ou apresentar contrarrazões em ação envolvendo direitos
estatutários de servidores. (STJ, AGREsp n• 949899, Min. Rei. Arnaldo Esteves Lima, DJE 02/02/2009).

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. {PGM/VITÓRIA/2007) A respeito da pessoa natural e jurídica, julgue os itens que se seguem.
Ter capacidade de fato é ter aptidão para praticar todos os atos da vida civil e cumprir validamente as obrigações
assumidas, seja por si mesmo seja por assistência ou representação.

02. (AUX/JUR/MGS/2007/ESPP- adaptada) Em relação à personalidade e à capacidade jurídicas das pessoas


naturais, analise os seguintes itens:
11. Toda pessoa natural é detentora de capacidade jurídica para ser titular de direitos, mas nem todas detem Cd-
pacidade de fato para exercê-los.

03. {FINEP/ANALISTA/2009/CESPE- adaptada) Acerca de capacidade e emancipação no direito brasileiro, assinale


a opção correta.
A capacidade de fato é inerente a toda pessoa, pois se adquire com o nascimento com vida; a capacidade de
direito somente se adquire com o fim da menoridade ou com a emancipação.

E 2 c 3 E

4. ENUNCIADOS DE SÚMULAS DE JURISPRUDÊNCIA

STJ 525- A Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, apenas personalidade judiciária, somente
podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais.

Art. 2• A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a
concepção, os direitos do nascituro.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Nascimento com vida. O início da personalidade é marcado pela respiração, sendo irrelevan-
te até mesmo a ruptura do cordão umbilical ou a viabilidade da vida extrauterina para aquisição
da personalidade. Basta a entrada de ar nos pulmões do recém-nascido, sendo indiferentes suas
perspectivas de sobrevivência e evolução, para a preservação de todos os seus direitos, desde a
concepção.
28
Art. 2°

Se coda pessoa natural (física) possui o atributo da personalidade, o mesmo não acontece com a
capacidade jurídica, atribuco relacionado à possibilidade de o indivíduo praticar, por si, atos jurídicos,
ou seja, de modo direto, independentemente de auxílio de outra pessoa. Ser capaz signific« reunir
condições de discernimento e autodeterminação, isto é, apresentar possibilidades físicas e psíquicas
de compreender as consequências dos seus atos, distinguindo o lícito do ilícito, e dirigir sua atuação
de acordo com seus imeresses.

Atenção para não confundir capacidade de direito (ou de gozo, aquisição) e capacidade de
exercício (ou de fato). A primeira, para Sílvio Rodrigues, seria a "capacidade de ter direitos subjetivos e
contrair obrigações" (Direito Civil. Parte Geral, vol. 1, 32•. ed. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 39), pelo
que é equiparada por Orlando Gomes à própria noção de personalidade, não podendo ser recusada
(Introdução ao Direito Civil, 12•. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 165); enquanto a capacidade
de exercício estaria relacionada ao poder de praticar pessoalmeme os atos da vida civil, se:n necessi-
dade de representação ou assistência.

Capacidade de Direito. Vale advertir que os conceitos expostos no parágrafo antcr:or, apesar
de comumente empregados pela maioria da doutrina, não consideram a distinção emre sujeito de
direito e pessoa, pois a aptidão genérica, para ter direitos e deveres (=capacidade de direi co), conforme
já demonstrado, não é privativa dos suieitos personificados, uma vez que também é conferida pelo
sistema jurídico aos grupos despersonalizados em situações específicas. Nada obstante, por ser usual
na doutrina tradicional, será empregada nesta obra.

Barros Monteiro adverte que a captzcidade de exercício pressupõe a de direito, mas esta pod~ subsis-
tir sem aquela, uma vez que, por exemplo. uma pessoa pode ter o gozo de um direito sem ter o seu
exercício. em face de sua incapacidade absolma, hipótese em que seus imeresses serão prot·~gido; por
um represenralHt' legal (Cf DINIZ, lv!aria Helena. Curso de Direiw Civil Brasileiro. Teoria Geral
do Direito Civil. 24•. ed. São Paulo: S;.rai\'J, 2U07, p. I<Í-1).

A proteção que a lei confere ao ser humano em gestação no útero materno mere.:e atenção
especial. O nascituro já é sujeito de direito, embora ainda não possa ser considerado pessoa, o que
justifica que a proteção concedida aos seus :meresses fique condicionada ao seu nascimento com
vida. A discussão doutrinária acerca do assunto é acirrada e pode ser resumida, em linhas g~rais,
na reunião das teses conflitantes em dois grupos distintos: (A) corrente natalista e (B) corrente
concepcionisra.
29
Art. 2° liiiii!•II•M1Pâ\$i•U~1U!111t;mhJ

Atirge-se a capacidade plena com o presença das duas espécies aqui


relacionadas. Ser incapaz significa ter cpenas capacidade
de gozo, mas não de exerdcio.

Significa aptiçl~o para Refl'!re-se à aptid~o


contrair ciíreitos para exercer, por si só,"
e deveres na ordem civil. os atos da vida civil.

Equipara-se à noçã., de personali- Não pode subsistir sem


dade, não podendo ser recJsada. Até a capacidade de direito
recém·nasddos e pessoas sem discerni-
mento têm ta1 atributo.

Capacidade de direito Capacidade de exercício


CAPACIDADE
(de gozo) (de fato)

Apenas capacidade de direito


Aqw: faz-se aecessário que outra pessoa substitua INCAPACIDADE
ou complete a vontade do sujeito titular do direito.

FONTE: EHRHARDT JR'., Marcos. Direito Civil- Parte Geral e LINDB. 2.ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2011.

Natalistas versus Concepcionistas. Os natalistas advogam a tese de que ao nascituro não deve
ser reconhecida personalidade, embora lhe seja permitido o exercício de atos destinados à conservação
de direitos, consoante ::isposto no an. 130 do CC/02, na cc.ndição de titular de direito eventual, por
se encontrar pendeme ondição suspensiva (nascimento com vida). Os concepcionistas, por outro lado,
criticam a interpretação literal com que os partidários da perspectiva natalista enxergam a questão,
sustentando que com a ::onccpção (fecundação do 6vulo pelo espermatozoide) surge uma vida distinta,
que por ser independente organicamente de sua mãe biológica, merece proteção.

Antes de prosseguir nos comentários sobre tal embate de teorias, necessário esclarecer que a pacifi-
cação do tema ficou um pouco mais distame com os avanço> da engenharia genética. lmroduziram-se
novos aspectos ao dcb:::.te, pela necessidade de considerar a distinção entre o nascituro e o embrião,
já que a concepção de um novo ser humano tanto pode ocorrer in vivo, isto é, dentro do corpo da
mãe biológica, como in uitro, mediante utilização de técnicas de fertilização artificial.

O termo nascituro (na;citurus, aquele que está por nascer) deve, por conseguinre, ser emprega-
do para designar o se: já concebido que se encontra em desenvolvimento no ventre de sua genitora
(existência intrauterim), enquanto embrião é expressão utilizada para designar existência ultrauterina,
concebida artificialmente.

Embora alguns nâo estabeleçam nenhuma diferença de tutela jurídica entre as mencionadas
figuras, deve-se ressal:ar que, independentemente da forma de fecundação (natural ou artificial),
apen1s com a nidação do úgoto, ou seja, implantação da célula ovo (6vulo fecundado) na parede do
úterc é que se considera a existência de um nascituro. Trata-se de momento que serve de marco para
o início da discussão :t:::erca de várias questões bioéticas, como, por exemplo, a manipulação genética
de embriões e a utiliz:a.ção de métodos contraceptivos como a "pílula do dia seguinte".
30
Art. 2°

Há de se envidar esforços para a busca constante de meios de efetivação e facilitação da proteção


legal ao nascituro, redirecionando a discussão para os problemas pertinentes ao embrião, em face
das implicações éticas que encerram, já que o art. 2° do CC/02 não trata da proteção jurídica deste.

se encontra no ven-
tre de sua genítora
(existência intra
uterina).

natural, mas ainda


não agregado aa
útero matemo.

FONTE: EHRHARDT JR., Marcos. Direito Civil -Parte Geral e LINDB. 2.ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2011.

Importante destacar a existência de respeitáveis opiniões contrárias à distinção entre nascituro


e embrião aqui proposta. Para Silmara Juny Chinelato, deve-se adotar um "conceito amplo de
nascituro", abarcando o embrião pré-implamatório, ou seja, aquele que se encontra fora do ventre
materno. Para a referida autora, nestes casos, "concepção já existe, não havendo distinção na lei quanto
ao locus da concepção" CHINELATO, Silmara J. Estatuto Jurídico do Nascituro: O Direito Brasi-
leiro, in Questões controvertidas. Parte Geral do Código Civil. São Paulo. Método, 2008, p. 52).
Tal polêmica ganha intensidade apenas entre os autores que não fazem distinção dos concei-
tos de sujeito de direito e pessoa, tampouco entre embrião e nascituro, equiparando-os. Uma vez
percebida a distinção, torna-se mais fácil observar que independentemente de o sistema jurídico
ter ou não ter conferido personalidade jurídica ao nascituro, sua condição de sujeito apto a figurar
numa relação jurídica garante a titularidade dos direitos mencionados no parágrafo anterior.
Ainda se deve ressaltar que os arts. 1.799, inciso I e 1800, § 4°, do CC/02 tratam da possibili-
dade de nascimento de uma pessoa natural que não está concebida no momento da criação de um
ato jurídico que se produz para o caso de seu nascimento. Está-se dianre do testamento em favor
de prole eventual, ou seja, hipótese de deixar benefício para alguém que nem sequer foi concebido,
comumente denominado concepturo (nondum conceptus), o qüe só produzirá efeito se for concebido
em até dois anos contados da morre do testador.
Observe a seguinte indagação e, posteriormente, leia o coment;Írio que se faz abaixo.

.. (MPE-AC- Promotor de Justiça- AC/2008) Sabe-se que os direitos do nascituro são reconhecidos pela Lei.
Pode-se atuar em seu benefício nomeando-se curador, aceitando heranças, doações, assegurando-se seu
direito à vida e à saúde. Pergunta-se: a) o nascituro está sujeito ao poder familiar? b) quais os parâmetros
legais para a fixação de alimentos ao nascituro? Fundamente sua resposta, à luz da legislação vigente.

Tutela especial do nascituro. Para a efetivação da proteção deferida aú nascituro, visto se tratar
de ser humano em formação, necessário que se compreenda, com a liçáo de Silmara Chinelato, que a
ele deve ser deferida a tutela estabelecida no Estatuto da Criança e do Adolescente, além do que por
31
Art. 2° liilil!all•(!i'jij§\}i•fifj}t!\iil;t!lf-1
interpretação do art. 1.779, CC, percebe-se que o nascituro está sim submetido ao poder familiar,
no espectro do conjunto de deveres que emanan de tal poder (conhecidamente um poder-dever).
Não diferente é a legislação que trata dos alimentos gravfdicos, ao determinar que, havendo indícios
de paternidade e com base na proporcionalidade entre possibilidade de quem paga e necessidade de
quem pede, o magistrado poderá determinada o pagamento de alimentos em favor nascituro, que
serão convertidos, com o nascimento, em alimentos definitivos, até que se requeira revisão.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS


~ Enunciado 1•- Art. 2•: a proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos
direitos da personalidade, tais como nome, imagem e sepultura.

~ Enunciado 2•- Art. 2•: sem prejuízo dos direitos da personalidade nele assegurados, o art. 2• do Código Civil
não é sede adequada para questões emergentes da reprogenética humana, que deve ser objeto de um estatuto
próprio.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS
~ DIREITO CIVIL. INDENIZAÇAO REFERENTE AO SEGURO DPVAT EM DECORR~NCIA DE MORTE DE NASCI-
TURO. A beneficiária legal de seguro DPVAT que teve a sua gestação interrompida em razão de acidente de
trânsito tem direito ao recebimento da indenização prevista no art. 3•, I, da Lei 6.194/1974, devida no caso de
morte. REsp 1.415.727-SC, Rei. Min.luis Felipe 5alomão,julgado em 4/9/2014.

STJ 360- Acidente de trabalho. Pensão mensal. Nascituro. Dano moral. Prosseguindo o julgamento, a Turma
decidiu ser incabível a redução da indenização por danos morais fixada em relação a nascituro filho de vítima
de acidente fatal de trabalho, considerando, sobretudo, a impossibilidade de mensurar-se o sofrimento daquele
que, muito mais que os outros irmãos vivos, foi privado do carinho, assim como de qualquer lembrança ou con-
tato, ainda que remoto, de quem lhe proporcionou a vida. A dor, mesmo de nascituro, não pode ser mensurada,
conforme os argumentos da ré, para diminuir o valor a pagar em relação aos irmãos vivos. REsp 931.556-RS, Rei.
Min. Nancy Andrighi, j. 17/6/2008. 3• T.

STF 508- ADIe Lei da Biossegurança Prevaleceu o voto do Min. Carlos Britto, relator. Assim, numa primeira síntese,
a Carta Magna não faria de todo e qualquer estádio da vida humana um autonomizado bem jurídico, mas da vida
que já é própria de uma concreta pessoa, porque nativiva, e que a inviolabilidade de que trata seu art. 5° diria
respeito exclusivamente a um indivíduo já personalizado. ADI3510/DF, rei. Min. Carlos Britto, 28 e 29.5.2008. Pleno.

STF 661 ADPF e interrupção de gravidez de feto anencéfalo Prevaleceu o voto do Min. Marco Aurélio,
relator. Ressurtiu que a tipificação penal da interrupção da gravidez de feto anencéfalo não se coadunaria com
a Constituição, notadamente com os preceitos que garantiriam o Estado laico, a dignidade da pessoa humana, o
direito à vida e a proteção da autonomia, da liberdade, da privacidade e da saúde. ADPF 54/DF, rei. Min. Marco
Aurélio, 11 e 12.4.2012.(ADPF-54)

4. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR
Desnecessária a intervenção de representante do Ministério Público como curador de nascituro, no ato de
celebração de pacto antenupcial em que os nubentes estabelecem o regime de bens de seu futuro casamento.
(STJ, REsp n• 178254, Min. Rei. Aldir Passarinho Júnior, DJ 06/03/2006).

5. QUESTÃO DE CONCURSO
01. (TRT 8- Juiz do Trabalho Substituto 8• região/2014) Analise as afirmações a seguir e assinale a única alter-
nativa CORRETA:
a) O Código Civil vigente, ao salvaguardar os direitos do nascituro desde a concepção, consagra a teoria concepcionista,
vertente de pensamento segundo a qual possuindo direitos legalmente assegurados, o nascituro é considerado
pessoa, uma vez que somente as pessoas são sujeitos de direitos, tendo, portanto, personalidade jurídica.
b) A capacidade de direito ou de gozo é a aptidão que o ordenamento jurídico atribui às pessoas, em geral, e a
certos entes, em particular, estes formados por grupos de pessoas ou universalidades patrimoniais, para serem
titulares de uma situação jurídica. Entretanto, per razões biológicas ou psicológicas, nem todos podem exercer
pessoalmente esses direitos, motivo pelo qual se exige a capacidade de fato. Reunidos os dois atributos, fala-se
em capacidade civil plena.
32
Art. 2"

c) Os absolutamente incapazes não possuem aptidão para praticar pessoalmente quaisquer atos da vida civil e,
em razão disso, estão isentos de responsabilização patrimonial. Segundo o Código Civil vigente, a incapacidade
absoluta alcança os menores de dezesseis anos, os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o
necessário discernimento para a prática desses atos e aqueles que, mesmo por causa transitória, não puderem
exprimir sua vontade.
d) Construída a partir de uma concepção antropocêntrica do direito, a teoria dos direitos da personalidade con-
templada no Código Civil em vigor limita a possibilidade de sua aplicação à pessoa natural, sendo o ser humano
o único titular da tuteia de tais direitos.
e) Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo
de outras sanções previstas em lei. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida prevista
neste artigo o cõnjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o terceiro grau.

02. (FCC- Promotor de Justiça- PA/2014) Em vista da gravidez do cônjuge Fabiane, pessoa plenamente capaz
para os atos da vida civil, Lucas celebrou, por escritura pública, contrato de doação de bens móveis ao nascituro.
A doação foi aceita por Fabiane, que possui outros dois filhos com Lucas. Os outros dois filhos jamais receberam
bens de Lucas a título de doação. Neste caso, a doação feita por Lucas ao nascituro é
a) nula, por ferir a isonomia entre os irmãos.
b) válida, mas importando adiantamento do que couber por ocasião da herança.
c) juridicámente inexistente, pois a personalidade civil se inicia com o nascimento.
d) anulável, por ferir a isonomia entre os irmãos.
e) válida, desde que ratificada pelos irmãos.

03. (Cespe- Analista Legislativo- Consultor legislativo- Câmara dos Deputados(2014) Acerca da persona-
lidade jurídica, da capacidade civil e dos direitos da personalidade, julgue os itens a seguir.
Segundo o entendimento majoritário da doutrina civilista, a pessoa natural adquire personalidade juridica a
partir do nascimento com vida, aferido por meio do funcionamento do aparelho cardiorrespiratório.

04. (FCC- Analista Judiciário- Area Judiciária- Oficial de Justiça- TRT 1912014) O filho que Joana está espe-
rando sofre danos físicos em razão de negligência médica durante o pré-natal. O filho
a) poderá ajuizar ação de indenização tão logo nasça, pois a lei resguarda os direitos do nascituro e o filho poderá
ser representado por seus pais ou representantes legais.
b) não poderá ajuizar ação de indenização, pois não possuía direitos da personalidade quando da ocorrência dos danos.
c) não poderá ajuizar ação de indenização, pois o Código Civil adota a teoria nata lista.
d) poderá ajuizar ação de indenização, mas apenas depois de atingir a maioridade civil.
e) não poderá ajuizar ação de indenização, pois, embora a lei resguarde os direitos do nascituro, fá-lo-á apenas
com relação ao direito de nascer com vida.

OS. (Vunesp- Cartório- TJ- SP/2014) A proteção que o Código Civil Brasileiro defere ao nascituro(art. 2.'), desde
a sua concepção,
a) só diz respeito a direitos patrimoniais.
b) alcança também o natimorto no que concerne aos direitos da personalidade, tais como nome, imagem e se-
pultura.
c) pressupõe, obrigatoriamente e sempre, o nascimento com vida, assin demonstrado pelo exame médico-legal
conhecido por docimasia.
d) não alcança o natimorto.
06. (FUNCAB- Delegado de Polícia- ES/2013) Quanto à personalidade, pode-se afirmar que o nascituro:
I. t considerado íuridicamente pelo direito brasileiro pessoa.
11. Pode receber doação, sem prejuízo do recolhimento do imposto de :ransmissão.
111. Pode ser beneficiado por legado e herança.
IV. Tem direito à realização do exame de DNA, para aferição de paternidade, como decorrência da proteção que
lhe é conferida pelos direitos da persor.alidade.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e 11.
bl I e 111.
c) lleiV.
d) I, lle IV.
e) 11,111 e IV.
33
Arl3° jiiiiJ!•II•I$jQt$1•M11U1ill;t!1hj
01. (ANALISTA/TRT/17• Região/2009/CESPE) Os maiores de dezesseis anos e menores de dezoito anos de idade
são destiltufdos da personalidade jurídica, razão pela qual são absolutamente incapazes de exercer pessoalmente
os atos ca vida civil.

os. (TRE/MA/2009/CESPE- adaptada) Considerando o que dispõe o Código Civil a respeito das pessoas naturais,
das pe~soas jurídicas e do donicílio, assinale:
A perscnalidade civil liga-se ao homem desde seu nascimento com vida, independentemente do preenchimento
de qua'qLer requisito psfquico.

09. (TJ/SP/2009/VUNESP -adaptada) Assinale a alternativa correta.


Quand::> c artigo 2• do Códigc. Civil afirma que a lei põe a salvo os direitos do nascituro, o legislador reconhece
que a personalidade civil da (:essoa começa da concepção.

10. (MPE/P!l- Promotor Substituto/2011). Assinale a alternativa correta:


a) a capatídade de direito não é atribuída àqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o
necessário discernimento para os atos da vida civil.
b) a incapacidade de exercício nâo afeta a capacidade de direito, que é atributo de todo aquele dotado de perso-
nalidade jurídica.
c) a antecipação da maioridade derivada do casamento gera a atribuição de plena capacidade de direito àquele
menor de 18 anos que contrai núpcias, embora nada afete a sua capacidade de fato.
d) o reco~.hecimento da personalidade jurídica da pessoa natural a partir do nascimento com vida significa afirmar
que, a~.tes do nascimento, a pessoa é dotada de capacidade de fato, mas não tem capacidade de direito.
e) a interdição derivada de incapacidade absoluta enseja a suspensão da personalidade jurídica da pessoa natural,
uma vez que a capacidade é a medida da personalidade.
i@i t s I2 s I3 c I4 A I s· s I6 E I1 E t. s c l 9· E !to s I
Art. 3• São absolutamen:e incàpazes de exercer pessoalmente os átos da vida .civil os menores de 16
(dezesseis) anos. (redação dada pelá Lel13;146/15);

1. BREVES COMENTÁRIOS
Sistema de proteção da pessoa incapaz. Inovações advindas do Estatuto da Pessoa com
deficiência. O sis,ema jurídico brasileiro tem como regra geral a capacidade das pessoas naturais. A
incapacidade é algo excepcional, que depende de prévia previsão legal (rol taxativo). Ressalte-se que
em nosso país não exisre incapacidade de direito, pois, conforme prescreve o art. }0 do Código Civil,
toda pessca é capaz de direitos e deveres na ordem civil, ainda que apresente alguma deficiência física
ou tenha idade avançada. Es:a restrição legal ao exercício dos atos da vida civil destina-se a proteger
a pessoa do incapaz. Não se trata de limitação à personalidade jurídica. A incapacidade pode ser
absoluta cu relativa, dependendo do grau de imaturidade, da saúde e do desenvolvimento mental e
intelectual da pessoa. As hipóteses de incapacidade absoluta estão neste dispositivo, c os sujeitos aqui
relacionaC.c-s, sob pena de nulidade do ato (art. 166, inciso I, do CC/02) devem ser representados.
Com as inovações advindas cio Estatuto da pessoa com deficiência, Lei 13.146/15, uma nova estrutura
foi dada à teoria das incapacidades. Dentro deste contexto, em que várias e profundas modificações
foram estabelecidas, duas se destacam: a) a restrição da figura dos absolutamente incapazes aos
menores de 16 anos e b) o fim da figura da interdição, com a adoção excepcional da curatela e
criação da tomada <le decisão apoiada. Estas e outras modificações de maior relevo serão vistas
aqui e ao longo deste livro. De antemão, destaca-se que até mesmo em matéria probatória avançou
o EPD, ao determinar que a pessoa com deficiência poderd testemunhar em igualdade de condições com
115 demais pessoas, sendo-lhe ússcgurados todos os recursos de tecnologia assistíva.

A mais profunda repersonalização. Todas as modificações estabelecidas pelo estatuto denotam


urna forre moôificação em dois níveis da teoria das incapacidades, em favor de uma real repersonalização.
No primeiro nível, o estrutural, já apresentado, a figura do absolutamente incapaz ficou enclausurada
nos menor.;s de 16 anos e em um segundo nível, de maior destaque, o eficacial, procedeu-se a um (re)
pensar da própria incapacida:le que passa a deixar de ser compreendida como uma limitação e se espraia
34
Art. 3'

em uma nova linha de liberdade e autonomia. A colocação de uma pessoa na condição de incapaz,
tanto relativa quanto absolutamente, deve ser reconhecida como um elemento a mais em prol de sua
plena emancipação e autonomia, e não como uma condição de "só menos", uma cláusula de redução.
Chegou ao fim o pensamento de uma "meia-pessoa", de um ente limitado. Tanto assim que a curatela
foi colocada em condição excepcional, sempre que não for possível reconhecer a plena capacidade da
pessoa e, além disso, não se lhe for cabível a tomada de decisão apoiada (o que veremos no art. 4°,
ao tratarmos dos relativamente incapazes, por motivos didáticos). A nova disposição estrutural das
incapacidades aproximam a lei do que bem destacou Paulo Lôbo, ao afirmar que "a incapacidade civil,
repita-se, é apenas relativa ao exercício dos direitos patrimoniais; tem finalidade de proteção da pessoa
e não de discriminação ou estigma" (Direito Civil. Parte Geral 4ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p.l08)

A questão da vontade. Comumente, costuma-se afirmar que "o menor de 16 anos não tem von-
tade". Melhor seria sustentar que, embora existente, tal manifestação de vontade não é relevante
para o Direito, devendo os pais e, na falta destes, os representantes legais, praticarem, mediante
representação, todos os atos relativos àquele. Incapacidade não se confunde com falta de legitimação,
ou seja, a proibição legal para a prática de determinados atos jurídicos destinada a proteger interesses
de terceiros em situações que configurem conflitos de interesses (vide arts. 1.749, I; 1.647, 580 do
CC/02). Da mesma forma, não deve ser confundida com vulnerabilidade. Embora ambos sejam
protegidos por lei, ao vulnerável não é negada a prática direta do ato, como ocorre com o incapaz.

Os menores absolutamente incapazes (art. 3°, CC/02) são também denominados menores impú-
beres, enquanto os menores relativamente incapazes (art. 4°, I, CC/02) são conhecidos como menores
púberes. Aqui se dispensa qualquer pronunciamento judicial para sua configuração, sendo, pois, des-
necessário o processo de curatela. Os dispositivos referidos acima traram da chamada "incapacidade
natural", justificada pela falta de maturidade intelectual ou psicológica. Ela cessa com a maioridade
civil ou emancipação (art. 5°, CC/02).

Ausência da restituição integral. Nosso sistema jurídico não mais admite o instituto do bene-
fício de restituição (restitutio in integrum), que permitia o desfazimento de um negócio válido apenas
por ter sido prejudicial aos interesses do menor. No entanto, em várias passagens do Código Civil é
possív~l detectar dispositivos a prescrever comandos que protegem os incapazes, ou seja, que conferem
tratamemo jurídico mais vantajoso às pessoas indicadas nos arts. 3° c 4° do CC/02 (art. 198, I c/c
art. 208, art. 181, art. 588, art. 814 e art. 2.015)

Marco civil da primeira infância. A lei 13.257116 instituiu o Marco Civil da primeira infância,
aprimorando a caminhada repersonalizante que se iniciou com a Constituição Federal, evoluiu com
o Código Civil e deu salto com o Estatuto da Pessoa com deficiência. Apesar de não alterar o texto
do Código, o Marco Civil da primeira infância estabelece um conjunto de a<;ôes protetivas da pessoa
em desenvolvimento, neste período (anos iniciais da vida), em que o futuro cidadão está em condição
altamente sensível a condutas das mais variadas pessoas. De acordo com a lei, considera-se primeira
infância o período que abrange os primeiros 6 (seis) anos completos ou 72 (s<"renta e dois) meses de vida
da criança. Para alcançar seus fins, estabelece uma série de nortes para o legislador de políticas públicas,
com um especial destaque ao faro de que cabe a ele articular as dimensôcs é rica, humanista e política
da criança cidadã com as evidências científicas e a prática profissional no arendímento da primeira
infância. Medidas como a dilação do período de licença-paternidade, que passa a ser de 20 (vinte) dias,
demonstram a importância da presença da família para a formação da crian~ca-cidadã. Neste sentido,
vale pontual crítica em relação à timidez do legislador, que somente estendeu o prazo em relação aos
empregados de empresas que aderirem ao programa E!Jlpresa Cidadã, do mesmo modo que já procedia
em relação à licença-maternidade. Diante de novel legislação que tem por imuíro resguardar a criança e
que foca também a condição da gestante e da parturiente, desperdiçar a possibilidade de colocar o pai
ao lado da puérpera, quando esta mais precisaria dele, é, claramente, siruaçío de se lastimar.
35
Art. a• liiiii!•IM•ti~jiji}i•fi\1t6iiii;Mh1

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS


Enunciado 40- Art. 928: o incapaz responde pelos prejuízos que causar de maneira subsidiária ou excepcio-
nalmente como devedor principal, na hipótese do ressarcimento devido pelos adolescentes que praticarem
atos infracionais nos termos do art. 116 do Estatuto da Criança e do Adolescente, no âmbito das medidas sócio-
-educativas ali previstas.

Enunciado 138- Art. 3°: A vontade dos absolutamente incapazes, na hipótese do inc. I do art. 3°, é juridicamente
relevante na concretização de situações existenciais a eles concernentes, desde que demonstrem discernimento
bastante para tanto.

Enunciado 155- Art. 194: O art. 194 do Código Civil de 2002, ao permitir a declaração ex offlcio da prescrição
de direitos patrimoniais em favor do absolutamente incapaz, derrogou o disposto no§ 5° do art. 219 do CPC.

Enunciado 203 -Art. 974: O exercício da empresa por empresário incapaz, representado ou assistido somente
é possível nos casos de incapacidade superveniente ou incapacidade do sucessor na sucessão por morte.

3. INFORMATNOS DE JURISPRUDÊNCIAS
5TJ 385- Pensão. Incapacidade Permanente. Trata-se de recurso que pretende afastar a condenação por danos mo-
rais imposta à recorrente e, se mantida, a redução da indenização, bem como da idade limite para o recebimento da
pensão por lucros cessantes para sessenta e cinco anos. Quanto ao valor da indenização, o TJ manteve a condenação
da recorrente em cinquenta e dois mil reais. Para o Min. Relator, o quantum estabelecido não se evidenciou elevado,
situando-se em patamar aceito pela jurisprudência deste Superior Tribunal. O limite da indenização somente é fixado
com base na idade média de vida em caso de falecimento do acidentado. Na hipótese, cuida-se de incapacidade
permanente, de modo que deveria ser pago à própria vítima ao longo de sua vida, durasse mais ou menos do que
setenta anos. Tanto está errado o Tribunal em fixar setenta anos, como a ré em postular sessenta e cinco anos, porque
se cuida de vítima viva.(_.). t necessário deixar assim consignada a hipótese de eventual vindicação de herdeiros ou
sucessores, ao se considerar a literalidade do acórdão a quo. Diante disso, a Turma conheceu em parte do recurso e lhe
deu parcial provimento. Precedentes citados: AgRg no Ag 591.418-SP, DJ 21/5/2007,e REsp 629.001-SC, DJ 11/12/2006.
REsp 775.332-MT. Rei. Min. Aldir Passarinho Junior, julgado em 5/3/2009.

4. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR
Não se admite, como causa de extinção da punibilidade, nos crimes contra os costumes, a união estável de
vitima menor de 16 (dezesseis) anos, por ser esta incapaz de consentir validamente acerca da convivência
marital (Precedentes desta Corte e do c. Pretório Excelso}. Ordem denegada. (STJ, HC no 85604, Min. Rei. Felix
Fischer, DJE 15/12/2008).

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!é .i i.: é ·ATENÇAOI Âpes~r dás rnbdiff\:aÇõê~ sofridàs na legislaçã;'P!!n~l, àjurisprUdêhcia ~ihda se apresentiÍ'
1 ''·'dé relevo para a dÍscussãó davóntade do menor em tema de união estável: ;, " ; ·.... ,; · · ·· . • ·
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5. QUESTÕES DE CONCURSOS
01- {UFPR- Defensor Público- PR/2014) Acerca das Pessoas Naturais, é correto afirmar:
a) A personalidade jurídica pode ser conceituada como a aptidão genérica para adquirir direitos e contrair obri-
gações ou deveres na ordem civil, podendo sofrer limitações e gradações.
b) A capacidade de direito depende da capacidade de fato, razão pela qual aquela não se estende aos privados
de discernimento e aos infantes em geral, por exemplo.
c) O desfazimento d~ unidade biológica entre mãe e filho é suficiente para que este adquira personalidade jurídica.
Assim, o natimorto pode, por exemplo, receber e transmitir herança.
d) Os absolutamente incapazes devem ser representados e os relativamente incapazes devem ser assistidos por
seus representantes legais durante a prática de atos da vida civil, sob pena de nulidade, em ambos os casos.
e) t possível a declaração da nulidade de negócio jurídico realizado por pessoa absolutamente incapaz mesmo
antes da decretação judicial de sua interdição, desde que provada, de forma inequívoca, sua insanidade mental.

02. {Cespe- Defensor Público- RR/2013) Acerca da capacidade para os atos da vida civil, as~inale a opção correta.
36
lllli;ltiM•b~iAtiit!;tj Art. 4"

a) A personalidade civil da pessoa começa com o nascimento com vida. Assim, a proteção que o Código Civil defere
ao nascituro não alcança o natimorto no que concerne aos direitos da personalidade, tais como nom:, imagem
e sepultura.
b) A emancipação voluntária se dá por concessão conjunta e irrevogável dos pais, dependendo, ainda, de homo-
logação judicial.
c) Os pródigos são considerados pelo Código Civil como absolutamente incapazes de exercer os atos da vida civil,
incapacidade esta que deve ser decretada judicialmente por requisição do cônjuge ou familiar, já que o que se
protege é exatamente o patrimônio da família e não apenas o do pródigo.
d) Segundo a jurisprudência do STJ, não será necessária a interdição prévia para que seja anulado negódo jurídico
a ela anterior praticado por aquele que sofra de insanidade mental, desde que esta já exista no memento em
que tiver sido realizado o negócio jurídico.
e) De acordo com a regra do benefício da restituição, expressamente prevista pelo Código Civil, é pe·mitido ao
relativamente incapaz, ao adquirir capacidade civil, revogar os negócios pra:icados em seu nome quando ele
ainda era incapaz.

03. (UEG- Delegado de Polícia- G0/2013) Após um acidente automobilístico, um jovem de 14 (qt:at::>rze) anos,
filho único, perdeu seus pais que eram empresários do ramo de tecelagem em uma cidade do estad·::> de Go ás.
Segundo o artigo 3° do Código Civil, os menores de 16 (dezesseis) anos são considerados absolutamente in:a-
pazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil. O jovem, nesse caso, poderá
a) por meio de representante continuar a empresa antes exercida por seus pais, haja vista a exceção es:abelec da
no direito de empresa.
b) responder civilmente pela empresa, mesmo sem representação ou assistência, por força da funçã::> social da
empresa.
c) exercer a atividade de empresário, pois está em pleno gozo da capacidade civil e não está legalmente impedi :lo.
d) requerer autorização judicial para continuar exercendo a atividade empresarial dos pais, sem intervenção dos
representantes.
E 2 o I 3 A

Art. 4° São incapazes, relativamente àcertos atos, ou'a maneiil! ae os exercer:


I -os maiores de de'z~sseis e menoresde dezoito anos;. ,. · . . ·. : .
11- os ébrios habituais e os viciados em tóxico (redação dáaa pela Lei 13.146/15);
111 - aqueles que, por cau'sa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade (redação
dada pela Lei 13.146/15);
IV- os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial.

I. BREVES COMENTÁRIOS
O elemento central para a configuração das situações tratadas no :nciso II do art. 3'' do CCi02
é a desorganização mental, vale dizer, a ausência de discernimento. Carlos Roberto Gonçahres
adverte que a redação genérica dos dispositivos em análise abrange todos os casos de insanid<.de
memal, provocada por doença ou enfermidade mental, congênita ou adquirida, pçrmanente e
duradoura, desde que em grau suficienre para acarretar a privação do necessário discerr"imento à
prática dos atos da vida civil (GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol L
São Paulo: Saraiva, 2003, p. 87).
A total impossibilidade, ainda que transitória, de expressão de vontade era tratada no CC/02
como hipótese de incapacidade absoluta. Agora, com a releitura estabelecida pela Lei 13.g6/15, -em
claro viés progressista e repersonalizanre, ambos os casos (impossibilid:>.de permanente ou transitéria
de manifestação da vonrade) passam a configurar hipóteses para a determinação da curatela ~ a
incapacitação relativa da pessoa.
Com a edição do CC/02, a ausência deixa de ser causa de incapacidade absoluta e passa a ser
tratada de modo autônomo pela atual legislação, uma vez que a curadoria incide apenas sobre os bens
do ausente e não sobre sua pessoa.
37
Art. 4° llllil!•lp•JiQti1"4'1Jb1ill;ij]h1
Relativamente incapazes e a assistência. Os sujeitos de direito que estão relacionados neste
dispositivo devem ser auxiliados ?Or outra pessoa (assistente), sob pena de anulabilidade do negócio
celc::brado, ou seja, sua opinião é relevante para o Direito e sem sua vontade (ou contra ela) o ato
jurídico não se constitui. A in::a?acidade relativa originária da idade pode ser definida como uma
fase de transição entre a incapacidade absoluta e a aquisição da capacidade plena, quando atingida
a maioridade civil aos 18 (dezoito) anos de idade. Para o legislador pátrio, embora já tenha atingido
cerro grau de amadurecimentc, o maior de 16 (dezesseis) anos e menor de 18 (dezoito) ainda carece
de auxílio para a prática dos atos da vida civil, devendo contar indistintamente com a assistência do
pai ou da mãe (ou tutor em sua :alta), a quem compete o exercício da autoridade parenta!.
Atuação sem assistência. É possível encontrar no ordenamento jurídico diversas situações em
que o relativamente incapaz por idade está autorizado a agir independentemente da presença do
seu assistente, sem que tal faro implique invalidade do ato praticado. No Código Civil vigente é
permitido ao relativamente incapaz ser testemunha (inciso I do art. 228), aceitar mandato (art. 666)
e fazer testamento (parágrafo único do art. 1.860). Anote-se também a possibilidade de responsa-
bilização do incapaz por danos na hipótese descrita no art. 928 do CC/02. As exceções à regra da
incapacidade relativa são se limitam ao Código Civil, pois na legislação extravagante é possível ao
maior de 16 anos e menor de ~8 anos ser eleitor (direito de exercício facultativo- art. 14, § 1°, incisos
I e li) e celebrar contrato de trabalho (vide art. 7°, inciso XXXIII, CF/88) 1• Ainda em relação aos
relativamente incapazes, o E,;raturo da Pessoa com deficiência deitou por terra o inciso li do art.
228, estabelecendo a possibilidade de ser testemunha para aqueles que em, razão de limitação mental
não tenham discernimento para os atos da vida civil. Cabe ao Judiciário, através do devido suporte
técnico, apurar o testemunho, de forma a denotar a inserção social de tais pessoas.
Anote-se ainda que o ECA determina a obrigatoriedade do consentimento do maior de doze anos
de idade nos casos de adoção (art. 45, § 2°), o que reforça o entendimento do Enunciado n° 138 do
Conselho da Justiça Federal, que dispõe: "a vontade dos absolutamente incapazes, na hipótese do inc.
I do are 3°, é juridicamente relevante na concretização de situações existenciais a eles concernentes,
desde que demonstrem discernimento bastante para tanto". Nada obstante, o art. 180 do CC/02 veda
a aum declaração dolosa de capacidade ao prescrever que "o menor, entre 16 (dezesseis) e 18 (dezoi-
to) anos, não pode, para exim~r-se de uma obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou
quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior".
Curatela. O disposto nos incisos do art. 4<> (à exceção do I) retrata situações em que se faz
necess:írio um processo judicial para o estabelecimento da curatela do incapaz, para garantia de se-
guran<,~a jurídica das relações privadas, uma vez que a incapacidade mental é considerada um estado
permanente e contínuo, pois nosso ordenamemo não admite intervalos de lucidez. Uma vez reconhe-
cida a incapacidade, os aros d.-, pessoa desprovida de discernimento (ou com capacidade de discernir
reduzida) scráo tidos como inválidos. Anote-se que a hipótese do art. 4<>, inciso Ill, não necessita da
interposição de processo de <:uratela para nomeação de curador. Isto porque a limitação temporária
requer uma atuação célere para a proteção efetiva dos bens do incapaz. De outra tela, as situações
tratadas nos incisos II e IV do novel art. 4° podem não desembocar sequer em uma incapacidade,
visto ser possível aplicar-se a elas a tomada de decisão apoiada, comentada no art. 1.783-A, deste
Cód ig;o. Note-se que talmecli:la especial não cabe em relação ao inciso III do art. 4° em razão de a
tomada de decisão ser apoiada e não substituída.
Retomando a an:ílise do presente artigo, vale ressaltar que o inciso li trata daquele que é viciado
1a ingesráo clc bebidas alcoólkas ou no uso abusivo e imoderado de substâncias entorpecentes. Aqui

A~tes dos 16 anos o trabalho do menor só pode ocorrer na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos, conforme
d sposto na Emenda Constit~cional no 20/98 e no art 60 do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Art. 4°

também não se enquadram os casos de "embriaguez preordenada", ou seja, a ingestão excessiva de


bebida alcoólica com o objetivo de "tornar coragem" para o cometimento de ato lesivo. Trata a lei,
pelo contrário, daquele que tornou a droga ou a bebida parte da sua existência, um elemento essen-
cial para o desenvolvimento de seu dia, no mais das vezes um dia (e um viver) esvaziado, a-social,
construído que foi um mundo próprio para o dependente químico.
Limitação da incapacidade do pródigo. A incapacidade relativa do pródigo diz respeito apenas
a atos que possam comprometer seu patrimônio, ou seja, atos de disposição ou oneração dos seus
bens, conforme prescrito no art. 1.782 do CC/02. Logo, não existe nenhum tipo de limitação à
prática de atos pessoais, como exercer poder familiar sobre seus filhos, ser testemunha, votar e até
casar, desde que assistido, nesta última hipótese, na celebração do pacto antenupcial. Trata-se de um
indivíduo acometido de um desvio de comportamento que dissipa seus bens com risco de se reduzir,
por sua própria conduta, a estado de penúria. Merece registro a ampliação do rol dos legitimados para
requerer a curatela do pródigo. O art. 1.767 do CC/02 estende tal possibilidade a qualquer parente
sucessível e também ao Ministério Público, a quem compete a defesa dos incapazes, urna vez que o
objetivo da proteção do pródigo, dentro de uma perspectiva civil-constitucional, é a defesa de sua
dignidade e não de seus bens.
Índios. O legislador do CC/02 optou por não disciplinar a capacidade dos silvícolas, remetendo
a matéria para a legislação especial, mormente o Estatuto do Índio (Lei n° 6.001/73). Dessa forma,
não é mais possível considerar o índio como relativamente incapaz, devendo a ele ser aplicado o
disposto no art. 8° da Lei n° 6.001173.
Os conceitos descritos no art. 4° do CC/02 dependem de realização de perícia ordenada pelo
juiz, pois a existência ou não de discernimento é fato a ser atestado por um especialista (art. 1.771,
CC/02). Ocorre que os estados patológicos de deficiência ou desorganização mental podem evoluir
para patamares mais ou menos graves, de acordo com o tratamento dispensado ao paciente. Por
isso, nada impede que havendo motivo superveniente, o magistrado, a pedido, reveja a extensão da
curatela do incapaz, transformando declaração de incapacidade relativa em absoluta ou vice-versa
(art. 1.772). Ainda sobre o terna, importante verificar o disposto no art. 1.768 do CC/02, que trata
do rol dos legitimados para requerer a curatela do incapaz.
Antes de se concluir os comentários sobre este dispositivo, devem-se ressaltar as hipóteses de apa-
rente incapacidade. Não constituem causas autônomas de incapacidade limitações físicas à locomoção;
tampouco restrições a alguns dos sentidos (audição, visão ...). Está-se diante de pessoas plenamente
capazes, no sentido de que podem agir no mundo jurídico por si mesmas, mas que, no entanto, não
são autorizadas à realização de atos que necessitem da utilização do sentido deficitário.

O CC/02 revogou o disposto no art. 5°, inciso III, do CC/16, que relacionava corno absoluta-
mente incapaz o surdo-mudo que não pudesse exprimir sua vontade, excluindo a surdo-mudez como
causa autônoma de incapacidade.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

~ STJ 342 - No procedimento para aplicação de medida socioeducativa, é nula a desistência de outras prova~
em face da confissão do adolescente.

3. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

~ Enunciado 197- Arts. 966,967 e972: A pessoa natural, maior de 16 e menor de 18 anos, é reputada empresáric
regular se satisfizer os requisitos dos arts. 966 e 967; todavia, não tem direito a concordata preventiva, por nãc
exercer regularmente a atividade por mais de dois anos.
3!
Art. 4° liilii!•II•6~1R4$1•41Udlll;m~i
4. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

STJ 273 -Servidor. Dependência crônica. Alcoolismo. A Turma, ao prosseguir o julgamento, deLO provimento
ao recurso por entender que o servidor que sofre de dependência crônica de alcoolismo deve ser licenciado,
mesmo compulsoriamente, para tratamento de saúde e, se for o caso, aposentado por invalidez, mas, nunca,
demitido, por ser titular de direito subjetivo à saúde e vítima do insucesso das políticas públicas sociais do
Estado. RMS 18.017-SP, Rei. Min. Paulo Medina, julgado em 9/2/2006. 6' Turma.

STJ 301 -Adolescente. Personalidade antissocial.lnternação. Ofensa. Principio. Legalidade. Concedida a ordem na
hipótese de rêu menor portador de doença ou deficiência mental, visto que a medida sócio-educativa de internação
imposta com o fim de ressocializá-lo é inapta à resolução de questões psiquiátricas, cabendo a submissão do menor
a tratamento adequado. t necessária a liberação do menor, em regime de liberdade assistida, para submeter-se
à tratamento com o devido acompanhamento ambulatorial, psiquiátrico, psicopedagógico e familiar. Precedente
citado: HC 54.961-SP, DJ 22/5/2006. HC 47.178-SP, Rei. Min. Laurita Vaz, julgado em 19/10/2006. s• Turma.

5. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. {TRF 4- Juiz Federal Substituto 4' região/2014) Dadas as assertivas abaixo, assinale a alternativa correta.
O Código Civil de 2002 (Lei n• 10.406/2002), na redação vigente, dedica o seu Livro I à tutela jurídica das pessoas.
Com base nas disposições respectivas às pessoas naturais, é possível afirmar que:
I. São atributos da personalidade civil ou personalidade: nome, estado (status), domicílio, capacidade e fama.
li. A incapacidade é a restrição legal aos atos da vida civil, sendo esta, na Ordem Jurídica brasileira, exclusivamente,
de fato ou exercício.
111. Os pródigos, ainda que relativamente incapazes, podem praticar, validamente, atos de administração patrimonial,
como são exemplos a transação financeira perante bancos e a constituição de hipotecas sobre bens imóveis.
IV. Aemancipação voluntária pode ser concedida por ambos os pais ao menor com no mínimo 16 (dezesseis) anos
de idade, independentemente de homologação judicial, mas necessariamente concretizada em instrumento
público, sob pena de nulidade, devendo a escritura respectiva ser registrada no cartório do registro civil, à
margem do assento de nascimento.
a) Está correta apenas a assertiva I.
b) Estão corretas apenas as assertivas 11 e 111.
c) Estão corretas apenas as assertivas I, 11 e IV.
d) Estão corretas apenas as assertivas 11, 111 e IV.
e) Estão corretas todas as assertivas.

02. {ANAC/2009/CESPE) Segundo o Código Civil, são relativamente incapazes os menores de dezesseis anos e os
que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.

03. {FINEP/ANALISTA/2009/CESPE- adaptada) Acerca de capacidade e emancipação no direito brasileiro, assinale


a opção correta.
Os ébrios habituais são absolutamente incapazes e seus atos são considerados nulos, não competindo ao juiz
convalidá-los, nem a requerimento dos interessados.

04. (FINEP/ANALISTA/2009/CESPE- adaptada) Acerca de capacidade e emancipação no direito brasileiro, assinale


a opção correta.
Os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo, são considerados pessoas absolutamente incapazes.

OS. {TRE/RN- Técnico Judiciário- Area Administrativa/2011) João, casado com Dora, possui quatro filhos: Ana,
Fábio, Douglas e Mônica. Ana possui dezesseis anos e cinco meses; Fábio possui dezenove anos, mas é pródigo;
Douglas possui vinte anos, mas é excepcional, sem desenvolvimento mental completo e Mônica possui vinte e
cinco anos, mas, em razão de causa transitória, não pode exprimir a sua vontade. Nesta família, são incapazes,
relativamente a certos atos, ou à maneira de exercê-los.
a) Ana, Fábio e Douglas.
b) Ana e Douglas.
c) Ana, Fábio e Mônica.
d) Fábio, Douglas e Mônica.
e) Ana, apenas.
40
Art. s•

06. (Prefeitura Municipal d'! Tijucas- Advogado/2011) São incapazes, respe.::tivamente, de forma absoluta e
relativa, para atos da vida civil:
a) Os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; quem por enfermidade não tiver o necessário discer-
nimento para a prática dos atos.
b) Quem por causa transitória não puder exprimir sua vontade; os excepcionais, sem desenvolvimento mental
completo.
c) Quem por enfermidade não tiver o necessário discernimento para a prática dos atos; quem por causa transitória
não puder exprimir sua vontade.
d) Os menores de dezesseis anos; quem por enfermidade não tiver o necessário discernimento para a prática dos atos.
e) Os menores de dezesseis anos; quem por causa transitória não puder exprim·r sua vontade.

07. (Procurador Judicial- Pref. Mun. Serra Negra/SP) Nos termos do artigo 4' do CC, assinale a alternativa in-
correta. São incapazes, relativamente a certos atos, ou á maneira de exercê-los:
a) Os pródigos.
b) Os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos.
c) Os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
d) Os ébrios habituais, os viciados em tóxicos,e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido.
iiiht cl2 El3 E!4 El'.s Al6 sl·7 8

Art. s• A menoridàde cessa aós dezoito anos compÍetos, quando a pes;óa fica habiiÍtada à prática de
todos os atos da vida civil. · ·
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
1- pela concessão dos pais, ou de ul11 deles nâ (alta do outro, ÍlledÍante instrumento público, hidependente-
mente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido ó tutor; se o ín~mor tiver dezesseis anos completos;
11 - pelo casamento;
111- pelo exercfcio de emprego público efetivo;
IV- pela colação de grau em curso de ensino superiorp A ,, •

V- pelo estabeiecimênto civil ou comer~ial, ou ~~la e~í~tên~i~ de relação de emprego, desde que, em
função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. ·

I. BREVES COMENTÁRIOS
Emancipação e maioridade. O dispositivo trata das formas de cessação da incapacidade. A
menoridade cessa aos 18 (dezoito) anos completos, momento a parrir do qual a pessoa se torna apta
para a prática, por si só, de todas as atividades da vida civil que não exigirem limite especial, como
nas de natureza política. No entanto, é possível ao filho maior de idade, por exemplo, pleitear a
manutcnçáo do dever de prestar alimentos, imposto ao seu genitor, se demonstrar sua necessidade e
a possibilidade daquele de permanecer arcando com tal ônus, enquanto conclui seus estudos.
Pode-se definir a emancipação como a antecipação dos deitos da maioridade civil conferida às
pessoas enquadradas nos casos de incapacidade natural (incapacidade em razão da idade). As causas
que ~r aumrizam estão previstas no parágrafo único do art. 5° do CC/02 e podem decorrer de concessão
dos pais ou de sentença do juiz, como também de determinados fatos a que a lei atribui tal efeito. A
emancipação voluntária decorre de ato unilateral dos pais de menor relativamente incapaz que indepen-
dc de homologação judicial, embora exija instrumento público para sua concretização. Apesar de :1áo
constituir direito subjetivo do menor, só pode ser outorgada em seu interelse. A outorga de tal benefício
(ato irrevogável) depende da concordância de ambos os pais, ou de um ddes, na falta do outro.
Tem-se a emancipação judicial quando o tutor deseja antecipar os .::feitos da maioridade do tu-
telado maior de 16 anos. Trata-se da única espécie de emancipação que não dispensa homologa;:ão
judicial, para evitar que seja concedida apenas visando livrar o tutor do ônus da tutela, em prejuízo
do mc,nor. Durante o procedimento, que é regido pelo disposto nos arts. 719 e ss CPC, deverá ser
ouvido o r·eprcsentante do Ministério Público.
A1
Art. 5° liiiQ!•IM•I&fPfii•$1~t!ilil;fijhj

Ao contrário das espécies anteriores de emancipação, que só produzem efeito após o registro, a eman-
cipação legal produzirá seus efeitos a partir do ato ou fato que a provocou. O parágrafo único do art.
5o do CC/02 relaciona as hipóreses de emancipação legal, sendo a primeira delas o casamento. Segundo
o art. 1.517 do CC/02, a idade núbil é de 16 (dezesseis) anos, exigindo-se ainda autorização dos pais
(=assistência) para a celebração do casamento, em fuce da incapacidàde relativa dos nubentes. Todavia,
é possível, em casos excepcionais, obtenção de autorização judicial para realização de matrimônio entre
pessoas a':Jsolutamente incapazes. Concretizado regularmente o casamento civil, independentemente da
idade do menor, configura-se hipótese de emancipação, que não pode ser desfeita, mesmo se verificada a
dissoluçb da sociedade conjugal.
Dentre as outras hipóteses relacionadas no dispositivo em exame, a lei também permite emancipa-
ção se ex:istir esmbelecimento civil ou comercial, ou ainda relação de emprego, desde que, em função
de qualquer deles, o menor tenha economia própria. As hipóteses aqui descritas somente se aplicam ao
menor púbere, ou seja, ao relativamente incapaz (maior de 16 e menor de 18 anos). Nessas hipóteses
de emancipação não se necessita da autorização dos pais, pois decorrem da verificação da existência
de econ::>rnia própria, ou seja, da possibilidade de o menor garantir, pessoalmente, o seu sustento; em
outras palavras, assegurar, por seu trabalho, sua independência financeira. A existência de relação
de emprego ensejadora da emancipação deve ser comprovada por documento escrito, registrada em
carteira de trabalho, e ter caráter duradouro (não eventual), com subordinação e contraprestação.
Não basta a execução de tarefas esporádicas para a sua configuração.
Va~::. anotar que, assim como nas demais formas de emancipação legal acima apresentadas, uma.
vez ocorrida hipótese de antecipação dos efeitos da maioridade pelo estabelecimento civil ou comercial,
ou pela existência de relaç.áo de emprego, tem-se configurada situação irreversível; esta, uma vez alcan-
çada, garante ao menor a capacidade civil plena, ainda que o fàtor que a desencadeou deixe de existir.

Só produz efeito após registro Produz efeito a partir


(art. 99, inciso 11. CC/02) do fato que a provocou

Embora não
coostitua di-
reíro subjetivo
do menor, só (
pode ser out- I
orgadaem seu f
interesse e por
qúem eSteja ría
titplarldade do ·
j
pcder familiar.
'~'!""'f'"~""~'~)<'~''

FONTE: EHRHARDT JR., Marcos. Direito Civil-


Parte Geral e LINDB. 2.ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2011.
Art. 5°

Veja como o tema já foi cobrado.

.* ~IS!=U_R.SI\!~. • • , • • • . . • , · .

01. (MPE-SP- Promotor de Justiça- SP/2010) Em que casos a emancipaÇão deve ser concedida por sentença
do juiz?

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

~ STJ 358- O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial,
mediante contraditório, ainda que nos próprios autos.

3. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 530- art. 5°: A emancipação, por si só, não e lide a incidência do Estatuto da Criança e do Adolescente.

~ Enunciado 3°- Art. 5°: a redução do limite etário para a definição da capacidade civil aos 18 anos não altera
o disposto no art. 16, I, da Lei no 8.213/91, que regula especifica situação de dependência econômica para fins
previdenciários e outras situações similares de proteção, previstas em legislação especial.

Enunciado 41 - Art. 928: a única hipótese em que poderá haver responsabilidade solidária do menor de 18
anos com seus pais é ter sido emancipado nos termos do art. 5°, parágrafo único, inc. I, do novo Código Civil.

Enunciado 397- Art. 5°: A emancipação por concessão dos pais ou por sentença do juiz está sujeita à descons-
tituição por vicio de vontade.

4. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

~ STJ 313- Execução. Alimentos. Ilegitimidade ativa. Meio processual inadequado. Trata-se de ação de execução de
alimentos em que a filha, assistida pela mãe, enquanto menor de idade, pleiteia alimentos do pai, ora recorrido.
Durante a demanda, a filha tornou-se maior de idade e completou curso universitário, além de atualmente residir
com o recorrido. Na espécie, o pai ficou inadimplente por vários anos ao não prestar alimentos constituídos
por título judicial advindo de revisional de alimentos, cabendo à mãe o sustento da prole. Logo, a genitora
não é parte legítima na execução dos alimentos proposta pela filha contra o pai, uma vez que apenas assistiu
a menor em razão de sua incapacidade relativa, suprida pelo advento da maioridade no curso do processo. Do
mesmo modo, a execução de alimentos devidos unicamente à filha não é o meio processual próprio para que
a mãe busque o reembolso das despesas efetuadas. A Turma não conheceu do recurso. REsp 859.970-SP, Rei.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/3/2007. 3' Turma. (Informativo no 313)

Indenização por abandono afetivo. Prescrição. O prazo prescricional das ações de indenização por
abandono afetivo começa a fluir com a maioridade do interessado. Isso porque não corre a prescrição
entre ascendentes e descendentes até a cessação dos deveres inerentes ao pátrio poder (poder familiar). REsp
1.298.576, rei. Min. Luis F. Sa/omão,j. 21.8.12. 4" T. (lnfo 502, 2012}

Alimentos. Maioridade. Alimentando. A superveniência da maioridade não constitui motivo para a exo-
neração da obrigação de alimentar, devendo as instâncias ordinárias aferir a necessidade da pensão. A
obrigação estabelecida no acordo homologado judicialmente apenas pode ser alterada ou extinta por meio de
ação própria e os efeitos de eventual reconhecimento judicial da extinção da referida obrigação operam-se a
partir de sua prolação, em nada atingindo os débitos já consolidados, que, enquanto não prescritos, dão ensejo
à sua cobrança. O "habeas corpus" limita-se à apreciação da legalidade do decreto de prisão, não se tornando
meio adequado para o exame aprofundado das provas e verificação das justificativas fáticas apresentadas pelo
paciente. Ademais, a falta de pagamento integral das prestações alimentícias sub judice autoriza a prisão civil
do devedor. HC 208.988, rei. Min. Massami Uyeda, 9.8.11. 3" T. (lnfo 480, 2011)

Alimentos. Necessidade. Mestrado.l O advento da maioridade não extingue, de forma automática, o


direito à percepção de alimentos, mas esses deixam de ser devidos em face do Poder Familiar e passam
a ter fundamento nas relações de parentesco, em que se exige a prova da necessidade do alimentado.
2. t presumível, no entanto, - presunção "iuris tantum" :., a necessidade dos filhos de continuarem a receber
alimentos após a maioridade, quando frequentam curso universitário ou técnico, por força do entendimento
de que a obrigação parenta! de cuidar dos filhos inclui a outorga de adequada formação profissional. 3. Porém,
o estímulo à qualificação profissional dos filhos não pode ser imposto aos pais de forma perene, sob pena de
43
Art. s• llllil!•ll•liPtii•f!J\jU:iill;b!h1
subverter o instituto da obrigação alimentar oriunda das relações de parentesco, que tem por objetivo, tão só,
preservar as condições mfnimas de sobrevida do alimentado. 4. Em rigor, a formação profissional se completa
com a graduação, que, de regra, permite ao bacharel o exercido da profissão para a qual se graduou, indepen-
dentemente de posterior especialização, podendo assim, em tese, prover o próprio sustento, circunstância que
afasta, por si só, a presunção "iuris tantum" de necessidade do filho estudante. 5. Persistem, a partir de então,
as relações de parentesco, que ainda possibilitam a percepção de alimentos, tanto de descendentes quanto
de ascendentes, porém desde que haja prova de efetiva necessidade do alimentado. REsp 1.218.510, rei. Min.
Nancy Andrighi, 27.9.11. 3-T. {lnfo 484, 2011)

S. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (lESES- Cartórios- TJ- MS/2014) Sobre a capacidade civil, responda as questões:
I. A emancipação voluntária pelos pais feita por instrumento público pode ser revogada pelos próprios pais se
antes de completar 18 anos o filho emancipado apresentar comportamento inadequado, nas hipóteses previstas
em lei.
li. Não é possível emancipar um absolutamente incapaz.
111. Mesmo após a emancipação, o menor de 18 anos deve ser assistido para prática de certos atos da vida civil, nos
termos do código civil.
Assinale a correta:
a) Apenas a assertiva 11 é verdadeira
b) Todas as assertivas são verdadeiras.
c) Todas as assertivas são falsas.
d) Apenas as assertivas I e 11 são verdadeiras.

02. (Vunesp- Delegado de Polícia- SP/2014) Fabiana e Maurício, ambos com 16 (dezesseis) anos, são regularmente
casados. Os jovens, viciados em tóxicos, tiveram seu veículo roubado enquanto consumiam substância entor-
pecente em via pública. Foi instaurado inquérito policial para apuração dos fatos, mas não sobreveio ação penal
em virtude do roubo. No que tange à prescrição para reparação civil de Fabiana e Maurício, é correto afirmar que
a) Fabiana e Maurício, em razão da idade, são relativamente incapazes, não correndo a prescriÇão até que com-
pletem 18 (dezoito) anos.
b) o casamento dos jovens causou cessação de incapacidade, mas não para fins de contagem do prazo prescricional,
que passará a contar quando completarem 18 (dezoito) anos.
c) a contagem da prescrição se dará da data do fato, não havendo circunstância que cause impedimento ou sus-
pensão da prescrição.
d) por serem viciados em tóxicos, não corre a prescrição até que recuperem a plena capacidade, individualmente
considerados.
e) a instauração do inquérito policial suspendeu o curso do prazo prescricional, que voltou a correr após a conclu-
são do procedimento.

03. (lESES- Cartório- TJ- PB/2014) Sobre a capacidade civil, responda as questões:
A emancipação voluntária pelos pais deve ser feita mediante instrumento público, desde que o filho tenha ao
menos 12 anos completos.
11. O casamento civil válido de menores tem como consequência a emancipação legal dos cônjuges, independente
da sua idade à época do casamento.
111. A capacidade para prática de atos civis se torna relativa após completar 70 anos.
Assinale a correta:
a) Todas as assertivas são falsas.
b) Todas as assertivas são verdadeiras.
c) Apenas a assertiva 11 é verdadeira
d) Apenas as assertivas I e 11 são verdadeiras.

04. (FMP- Cartório- TJ- MT/2014) Em relação às pessoas naturais, assinale a afirmativa correta.
a) A única hipótese de emancipação judicial, que depende de sentença do juiz, é a do menor sob tutela que já
completou dezesseis anos de idade.
44
IIQI;ItiM•tfjQJ$1ef$j Art. 5°

b) O cônjuge, ainda que separado judicialmente, está legitimado para requerer a abertura da sucessão provisória
do ausente.
c) A interdição do pródigo interfere em atos de disposição e oneração do seu patrimônio, gerando, também,
limitações concernentes à sua pessoa, como, por exemplo, a proibição de fixar domicílio do casai.
d) Em razão de o dano moral consistir na lesão a um interesse que visa à satisfação de um bem jurídico extra-
patrimonial contido no direito da personalidade, como a vida, decoro, honra. imagem etc., a pretensão à sua
reparação é imprescritível.
e) Para que a mudança de domicílio da pessoa natural venha a se caracterizar, b3sta a troca de endereço.

os. (FMP- Cartório - TJ- MT/2014) Quanto à personalidade e à capacidade das pessoas físicas, assinale a afir-
mativa correta.
a) É nulo de pleno direito, não passível de convalidação, o negócio conclufdo pelo representante em conflito de
interesses com o representado, se tal fato era de conhecimento de quem com aque e tratar.
b) A emancipação legal exige instrumento público apenas nas hipóteses em que a outorga é feita por um dos
genitores.
c) A lei confere ao nascituro personalidade jurfdica.
d) A incapacidade relativa permite que o incapaz pratique atos da vida civil, desde que devidamente representado,
sob pena de nulidade.
e) A emancipação judicial é a deferida por sentença, ouvido o tutor, em favor do tutelado que já completou 16
anos.

06. (UEL- Delegado de Polícia- PR/2013) Acerca da capacidade civil das Pessoas Naturais, como previsto na Lei
Civil, assinale a alternativa correta.
a) A emancipação por concessão do pai, da pessoa menor de 18 anos e maior de 16, pode ocorrer desde que seja
em decorrência de sentença judicial, caso em que se dispensa a oitiva da mãe.
b) A emancipação por concessão do pai, faz cessar a menoridade, o que pode ocorrer mediante a lavratura de
escritura pública, independentemente de homologação judicial.
c) A emancipação da pessoa menor de 18 anos e maior de 16, que decorrente de orfandade foi posta sob tutela,
dar-se-á mediante sentença judicial, com a necessária manifestação do tutor.
d) A mulher solteira, viúva ou divorciada, que deixou de conviver com o pai de seu filho menor, poderá promover
sua emancipação, desde que este esteja registrado em nome dos dois, mediante Instrumento público a ser
homologado judicialmente. ,
e) Quem tem ao menos 16 anos e se mantém por economia própria, em decorrência de relação de emprego, pode
requerer judicialmente sua emancipação, com a prova de sua alegação.

07. {Juiz/TJ/T0/2007/1 FASE/CESPE- adaptada) Julgue os itens a seguir, relativos à pessoa natural.
IV. A emancipação concedida por sentença judicial refere-se aos casos em que o r1enorse encontre sob tutela, ou,
ainda, quando o menor pretenda emancipar-se independentemente da vontade dos país. Têm legitimidade
para requerer essa emancipação o menor interessado, o Ministério Público oo o tutor.

08. (Juiz/TRT/11 R/2007/1 FASE/FCC) Cessará, para os menores, a incapacidade pela co1cessão
a) do pai ou da mãe isolada ou conjuntamente, mediante instrumento público, hdependentemente de homolo-
gação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos.
b) dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, ou particular, firmado juntamente
com duas testemunhas, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, o·Jvído o tutor,
se o menor tiver dezesseis anos completos.
c) dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação
judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos.
d) dos pais, ou de um deles, ou do tutor se o menor não estiver sob o poder familiar, dependendo, em qualquer
caso, de homologação judicial, desde que o menor conte mais de dezesseis anos de idade.
e) dos pais em conjunto e por instrumento público, ou mediante sentença do juiz. se houver disco·dãncia entre
eles ou se o menor estiver sob tutela, desde que conte mais de catorze anos c e idade.

09. {Juiz/TRT/24R/2007/I FASE- adaptada} Sobre a personalidade e a capacidade:


11. Cessará. para os menores, a incapacidade pelo exerdcio de emprego público efetivo.

45
Art. 5°

10. (Juiz/TRT/SR/2007/2• ETAPA) Diz a lei que são hipóteses em que cessa a incapacidade dos menores, exceto:
a) Pela concessão dos pais, ou oe um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente
de homologação judicial.
b) Pelo casamento.
c) Pelo exerdcio de emprego p.íblico efetivo.
d) Pela existência de relação de emprego, desde que, em função dela, o menor com dezessete anos completos
detenha economia própria.
e) Pela colação de grau em cur>o de ensino superior.

11. (ADV/ECT/2007/CONESUL) São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer, os maiores
de 16 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito) anos. Porém cessará, para os menores, a incapacidade,
a) pela união estável.
b) pelo exercido de cargo em comissão em órgão público.
c) pela concessão dos pais, oc de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independente de
homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver 16(dezesseis) anos completos.
di pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, mesmo que, em função
deles, o menor com 16(dezesseis) anos completos não tenha economia própria, permanecendo na dependência
econômica dos pais ou representantes legais.

12. (ANALIS/JUD/TSE/CAD. 1/2007/CESPE- adaptada) A respeito das pessoas físicas e jurídicas, assinale a opção correta.
A emancipação voluntária é ato unilateral de concessão realizado pelos pais, em pleno exercício da autoridade
parenta!, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, desde que o menor já
tenha completado 16 anos. ·

13. (PGM/VITÓRIA/2007) A respeito da pessoa natural e jurídica, julgue os itens que se seguem.
A emancipação voluntária se dá por concessão conjunta dos pais ou por aquele que detiver a guarda do menor
ou, ainda, por sentença jud cial. Exige-se, para a concessão realizada pelos pais, além do instrumento público,
que estes estejam em pleno exercício da autoridade parenta! e a anuência do emancipado. Para a emancipação
do menor que se encontra• sob tutela, exige-se sentença judicial.

14. (MP/AM/Promotor/2007- adaptada) A respeito das pessoas naturais e jurídicas, assinale a opção correta.
A emancipação voluntária ::>ode ser revogada por sentença judicial, desde que os pais comprovem que o filho,
por fato superveniente, tornou-se incapaz de administrar a si e aos seus bens. Nesse caso, o emancipado retorna
à anterior situaçáo de inca::>acidade civil, e os pais podem ser responsabilizados solidariamente pelos danos
causados pelo filho que emanciparam.

15. (Juiz/TRT/SR/2007/1" etapa- adaptada) Marque a alternativa:


a) Dentre as hipóteses legais de cessação da incapacidade para os menores estão o casamento, o exercício de
emprego público efetivo e a colação de grau em curso de ensino superior.

16. (FINEP/ANALISTA/2009/CESPE- adaptada) Acerca de capacidade e emancipação no direito brasileiro, assinale


a opção correta.
A emancipação pela concEssão dos pais ocorre mediante instrumento público, independentemente de homo-
logação judicial.

17. (TJ/SP/2009/VUNESP- adaptada) Assinale a alternativa correta.


A incapacidade dos meno·es cessa com o casamento.

18. (STM- Analista Judiciário/2011) Com a maioridade civil, adquire-se a personalidade jurídica, ou capacidade
de direito, que consiste na aptidão para ser sujeito de direito na ordem civil.

19. (STM- Analista Judiciário/2011) O menor que for emancipado aos dezesseis anos de idade em razão de ca-
samento civil e que se separar judicialmente aos dezessete anos retornará ao status de relativamente incapaz.

20. (CFN - Advogado/2011 I )obre os temas Personalidade e Capacidade no Código Civil, marque a alternativa
INCORRETA:
a) Toda pessoa é capaz de d rei tos e obrigações na ordem civiL

46
l!lQ;UIM•l&jQt',_i,JJj Arl. 5°

b) A personalidade civil começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do
nascituro.
c) Os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido
são incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer.
d) Os menores de dezesseis anos são absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil.
e) Cessará, para os menores, a incapacidade, pela colação de grau em curso de ensino técnico.
Menor de 17 anos, por culpa, lesiana pessoa capaz, causando danos materiais. Reside com o pai e é órfão de mãe.

21. (FCC- Defensor Público- AM/2013) Considerando que o menor não é emancipado, ele
a) jamais responderá pelos prejuízos, por ser incapaz.
b) responderá subsidiariamente pela totalidade dos prejuízos, caso o pai não disponha de meios suficientes.
c) responderá subsidiária e equitativamer.te pelos prejufzos, caso o pai não disponha de meios suficientes.
d) responderá solidariamente pela totalidade dos prejuízos.
e) responderá solidária e equitativamente pelos prejuízos.

22. (FCC- Defensor Público- AM/2013) Considerando que o menor não é emancipado, o pai
a) não responderá pelos prejuizos se o filho dispuser de meios suficientes.
b) responderá direta e objetivamente pelos prejuízos que o filho houver causado.
~ c) responderá direta e subjetivamente pelos prejuízos que o filho houver causado.

I d) responderá subsidiária e objetivamente pelos prejuízos que o filho houver causado.

i
I
e) responderá subsidiária e subjetivamente pelos prejuízos que o filho houver causado.

23. (FCC- Defensor Público- AM/2013) Considerando que o menor foi emancipado, por ato voluntário do pai,
I
h a) o filho respÓ~derá sozinho pelos prejufzos.

I
b) pai e filho responderão solidária e equitativamente pelos prejuízos.
c) o pai responderá sozinho pela totalidade dos prejuizos.
d) pai e filho responderão solidariamente pela totalidade dos prejuízos.
i
f; e) o filho responderá sozinho, mas equitativamente, pelos prejuízos.
!
24. (Cespe- Defensor Público- RR/2013) Em fevereiro de 2009, Fábio, à época com dezessete anos de idade,
emancipado por seus pais, mas ainda com eles residindo, estava dirigindo um vefculo de sua propriedade quando
atropelou João, que, após ficar internado em unidade de tratamento intensivo por mais de seis meses, faleceu
em agosto de 2009. Revoltados e buscando reparação moral, a noiva, os filhos, os pais e os irmãos da vítima,
em maio de 2012, procuraram a DP para saber da possibilidade de sucesso de uma demanda indenizatória a
ser promovida contra os pais de Fábio, que possuíam bens suficientes para arcar com os prejuízos decorrentes
do falecimento de João.
À luz da legislação, da jurisprudência e da doutrina pertinente à responsabilidade civil, assinale a opção correta
a respeito da situação hipotética acima descrita.
a) De acordo com a jurisprudência do STJ, os irmãos do falecido não poderiam pleitear indenização por danos
morais em razão do falecimento de João, pois, dentro do núcleo familiar, somente podem pleitear indenização
o cõnjuge, os ascendentes e os descendentes.
b) A demanda indenizatória que a família pretende veicular está prescrita, pois o prazo prescricional para a repa·
ração de danos de qualquer natureza é de três anos.
c) Caso veicule a demanda indenizatória, a família obterá sucesso, pois o prazo prescricional para a reparação de
danos de qualquer natureza é de cinco anos.
d) O STJ entende que a emancipação por outorga dos pais não exclui, por si só, a responsabilidade decorrente de
atos ilícitos do filho. Dessa maneira, os pais de Fábio são civilmente responsáveis pelo evento danoso.
1:
e) Segundo a jurisprudência do STJ, a noiva do falecido tem direito à indenização decorrente da morte de seu
! futuro marido, pois o sofrimento decorrente da quebra de sua legítima expectativa em constituir uma família
i configura dano moral in re ipsa. ·
fi
II
I 47
I
Art. 6°

-,' ,,. ,,·~;~;: ~~!3;,;·~f;:}.:~ .'::;~d{0"'h'fJ;!:: s-~~ :~:· ·P0{l~;;,~J:!:i,r ;·: t~'<~·<>!'::.fit,;tl:'~{:f:~!;;íl~i)\; ':'!. ~;;;, j;r;~~,~it~/{ ··~,•'ii.f~V< :~·::~r:~.:~ f!~~tp:~~~tJ·:.~~~~fP!~;~#i~i~f.r,i~;i ·}~W~;.i~~~~ t~1~~''.{:~~t:.<)~~'-, ·:· '··
...•... ArU~A'existência da.pessoa na~tiJ~Lte~rr\iila c:qm~ rr\:o~té; p~e$unfêcsêesta;q4âÍ)to a.o~aíJ.$ent~;nôs .
c~~.()S ~ni:9!.W i! lei ~tltorí~ á ;~l:í~~tif~ ~~~.~f!!~~~o..~~~nl.~j~; .... •• .~;,: ,;1 .,;t:. : '.· ;. :..., ;,1,, ~;\;iW•; .

1. BREVES COMENTÁRIOS
Fim da pessoa. O dispositivo em análise inicia o disciplinamento do término da personalidade
civil. A morte marca o fim da existência da pessoa natural enquanto sujeitó de direito. Com o desapa-
recimento das funções cerebrais do organismo tudo termina (mors omnia solvit), uma vez que rodos os
bens patrimoniais e extrapatrimoniais do defumo se transmitem aos seus herdeiros. No entanto, por
determinação legal protege-se o corpo (ou restos mortais), a memória e a imagem do falecido. Se o
início da personalidade depende da respiração, seu término exige verificação da cessação da atividade
encefálica, ainda que os demais órgãos estejam funcionando. Encontram-se dispersos ao longo de rodo
o Código Civil os diversos efeitos provocados pela extinção da personalidade civil: a abertura da su-
cessão (art. 1.784), a dissolução da sociedade conjugal (art. 1.571, I), a extinção do poder familiar (art.
1.635, I), a cessação do dever de prestar alimentos (art. 1.700) e a extinção de contratos personalíssimos.
Encontram-se ainda efeitos na esfera penal, como a extinção da punibilidade (art. 107, inciso I do CP),
e no campo do processo civil, como a suspensão dos prazos previstos no art. 221, CPC.
Constatação da morte para fins de transplante. O Art. 3° da Lei 9.434/97 dispõe que a retirada
post mortem de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano, destinados a transplante ou tratamento
deverá ser precedida de diâgnóstico de morte encefálica, constatada e registrada por dois médicos
não participantes das equipes de remoção e transplante, mediante a utilização de critérios clínicos e
tecnológicos definidos por resolução do Conselho Federal de Medicina.
Terminalidade da vida, obstinação terapêutica e Morte Digna. Atualmente existem intensos
debates sobre a denominada terminalidade da Vida, isto é, o reconhecimento da necessidade de asse-
gurar aos pacientes portadores doenças crônico-degenerativas incuráveis que a obstinação terapêutica
do médico não impedirá uma passagem digna, vale dizer, com o menor sofrimento possível até a
sua morte. O Código de Ética Médica autoriza ao médico limitar ou suspender procedimentos e
tratamentos que prolonguem a vida do doente, na fase terminal de enfermidades graves e incuráveis
garantindo-lhe os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, na perspectiva
de uma assistência integral, respeitada a vontade do paciente ou de seu representante legal, inclusive
assegurando-lhe o direito da alta hospitalar. Evidencia-se importante mudança de paradigma, uma
vez que se reconhece que a prioridade deve ser a pessoa doente e não mais o tratamento da doença.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STF 331 - t legítima a incidência do imposto de transmissão "causa mortis" no inventário por morte presumida.
STF 35. Em caso de acidente do trabalho ou de transporte, a concubina tem direito de ser indenizada pela
morte do amásio, se entre eles não havia impedimento para o matrimônio.

~ STF 491. t indenizável o acidente que cause a morte de filho menor, ainda que não exerça trabalho remunerado.

DIREITO CIVIL. INDENIZAÇÃO REFERENTE AO SEGURO DPVAT EM DECORRI:NCIA DE MORTE DE NASCITURO.


A beneficiária legal de seguro DPVAT que teve a sua gestação interrompida em razão de acidente de trânsito
tem direito ao recebimento da indenização prevista no art. 3°, I, da Lei 6.194/1974, devida no caso de morte.
O art. 2° do CC, ao afirmar que a •personalidade civil da pessoa começa com o nascimento", logicamente abraça
uma premissa insofismável: a de que "personalidade civil" e "pessoa" não caminham umbilicalmente juntas. Isso
porque, pela co'lstrução legal, é apenas em um dado momento da existência da pessoa que se tem por iniciada
sua personalidade jurídica, qual seja, o nascimento. Conclui-se, dessa maneira, que, antes disso, embora não se
possa falar em personalidade jurídica- segundo o rigor da literalidade do preceito leg31-, é possível. sim, falar-se
em pessoa. Caso contrário, não se vislumbraria qualquer sentido lógico na fórmula "a personalidade civil da pessoa
começa", se ambas- pessoa e personalidade civil -tivessem como começo o mesmo acontecimento. Com efeito,
48
Arl. 7°

quando a lei pretendeu estabelecer a "existência da pessoa•, o fez expressamente. t o caso do art. 6o do c:. o
qual afirma que a "existência da pessoa natural termina com a morte", e do art. 45, caput, da mesma lei, segu1do
o qual "Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no
respectivo registro". Essa circunstância torna eloquente o silêncio da lei quanto à "existência da pessoa natural". Se,
por um lado, não há uma afirmação expressa sobre quando ela se inicia, por outro lado, não se pode consider<i-la
iniciada tão somente com o nascimento com vida. Ademais, do direito penal é que a condição de pessoa viva do
nascituro- embora não nascida- é afirmada sem a menor cerimônia. t que o crime de aborto (arts. 124 a 127
do CP) sempre esteve alocado no título referente a "crimes contra a pessoa" e especificamente no capítulo 'dos
crimes contra a vida". Assim, o ordenamento jurídico como um todo (e não apenas o CC) alinhou-se mais à teoria
concepcionista- para a qual a personalidade jurídica se inicia com a concepção, muito embora alguns direitos só
possam ser plenamente exercitáveis com o nascimento, haja vista que o nascituro é pessoa e, portanto, sujeito de
direitos- para a construção da situação jurídica do nascituro, conclusão enfaticamente sufragada pela majoritária
doutrina contemporânea. Além disso, apesar de existir concepção mais restritiva sobre os direitos do nascituro,
amparada pelas teorias natalista e da personalidade condicional, atualmente há de se reconhecer a titularidade
de direitos da personalidade ao nascituro, dos quais o direito à vida é o mais importante, uma vez que, garêntir
ao nascituro expectativas de direitos, ou mesmo direitos condicionados ao nascimento, só faz sentido se lhe for
garantido também o direito de nascer, o direito à vida, que é direito pressuposto a todos os demais. Portanto. o
aborto causado pelo acidente de trânsito subsume-se ao comando normativo do art. 3° da Lei 6.194/1974, haja
vista que outra coisa não ocorreu, senão a morte do nascituro, ou o perecimento de uma vida intrauterina. FEsp
1.415.727-SC, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 4/9/2014.

Separação judicial. Prescrição. Causa impeditiva. A causa impeditiva da prescrição entre cônjuges descrita
no art. 168, I, do CC/1916 cessa apenas com o divórcio, e não com a separação judicial. Essa causa subsiste en-
quanto o vínculo conjugal é mantido, o que ocorre apenas na hipótese de separação, já que o art. 1.571, § 1°,
do CC/02 expressamente prevê que o casamento válido só se dissolve pela morte de um dos cônjuges ou
pelo divórcio. A possibilidade de restabelecimento da sociedade conjugal conferida pelo art. 46 da Lei 6.515/77
aos casos de separação constitui razão suficiente para a manutenção da causa impeditiva. REsp 1.202.691. rei.
Min. Nancy Andrighi, 7.4.11. 3" T. (lnfo 468, 2011)
.................................................................................................................................... .............................................-......
.'

União estável. Meação. O art. 1.725 do CC/02 estabelece o regime da comunhão parcial de bens para reger as
relações patrimoniais entre os companheiros, excetuando estipulação escrita em contrário. Assim, com a mort;? de
um dos companheiros, do patrimônio do autor da herança retira-se a meação do companheiro sobrevivente, que
não se transmite aos herdeiros do falecido por ser decorrência patrimonial do término da união estável, conforme
os postulados do Direito de Famflia. Ou seja, entrega-se a meação ao companheiro sobrevivo, e, somente então,
defere-se a herança aos herdeiros do falecido, conforme as normas que regem o Direito Sucessório. 4. Frisa-se,
contudo, que, sobre a provável ex-companheira, incidirão as mesmas obrigações que oneram o inventariante,
devendo ela requerer autorização judicial para promover qualquer alienação, bem como prestar contas dos
bens sob sua administração. REsp 975.964, rei. Min. Nancy Andrighi, 15.2.11. 3" T. (lnfo 463, 2011)

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (PGE/RO- Procurador do Estado Substituto/2011). Os direitos patrimoniais do autor caducam decorr dos
setenta anos contados de 1• de janeiro do ano
a) subsequente ao da publicação da obra.
b) de seu falecimento.
c) subsequente ao de seu falecimento.
d) da publicação da obra.
e) antecedente ao de seu falecimento.
tifl!:i .1 c I
,' ' ' ~ ' '
Art. 7• Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação deausênci~:
1- se for extremamente provável a morte de quem ~stava em p~rigq.dé -.;i?<l?, · . :~·.;· :<::;; : ·,r: ;.
11- se alguém, desaparecido em campanhà ou feito prisioneiro, rião (o~ ~ncpntia<;l<!.~~~gói~ ~rips após
o término da guerra.
Parágrafo único. A declaração da morte presumicf~,nesses casos, solllerite po~érá>ser req\f.erlqadepois
de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sen~éhça fixar a datá provável do fàleàírrtento.,: ; • ··

49
Arl 7"

1. BREVES COMENTÁRIOS
Morte presumida. O disposto no artigo em análise tornou mais abrangentes as hipóteses de
reconb::cit::Iento de mcrte presumida do que as inicialmente previstas na Lei de Registros Públicos
(ar:s. T7 a 88), porquanto se passou a admitir a declaração da morte presumida sem decretação de
ausênc-a. A declaração da morte presumida, embora dispense a decretação de ausência, somente
poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data
provávd do falecimento. Como bem ressalta Carlos Roberto Gonçalves, a expressão genérica quem
~stava <m perigo de vida é conceito que não se circunscreve apenas a situações de catástrofe, podendo
ser apLcável, por exemplo, a vítimas de extorsão mediante sequestro, nos casos em que, mesmo após
o pagame:J.to do resgate, não mais se têm informações acerca do paradeiro da vítima (Direito Civil
Brasileiro, vol. I. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 119).
O sistema brasileiro passou a admitir a possibilidade de decretação de morte presumida com ou
sem declaração de amência, situações que não devem ser confundidas com regras previdenciárias
especificas (art. 78, § 1° da Lei n<> 8.213/91), que permitem a concessão de benefício em consequência
de d~asrre, acidente ou catástrofe, dispensando-se a declaração de morte presumida.
Os desaparecidos durante o Regime Militar. Vale ainda destacar que a Lei n° 9.140/95,
posteriormente alterada pela Lei 11° 10.536/02, considera mortos os desaparecidos durante o regime
rr_ilita.r, em razão de panicipação em atividades políticas no período de 02 de setembro de 1961 a 5
de outubro de 1988.
Sepultamento e a certidáo de óbito. Anote-se ainda que nos termos do disposto no art. 77 da Lei
de Registros Públicos nenhum sepultamento será feito sem certidão, do oficial de registro do lugar do
falecimento, exrraída após a lavratura do assento de óbito, em vista do atestado de médico, se houver no
lugar, ou em caso con:rário, de duas pessoas qualificadas que tiverem presenciado ou verificado a morte.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (rCespe- Juiz de Direito- PB/2015) Acerca das pessoas naturais, assinale a opção correta.
a) A emancipação voluntária depende de decisão judicial e de averbação no cartório do registro civil do lugar
onde estiver registrada a pessoa emancipada.
b) Acomoriência é a ::>rEsunção de simultaneidade de óbitos e o seu reconhecimento depende da demonstração
de que os comorientes faleceram nas mesmas condições de tempo e local, não se podendo comprovar qual
'Tlorte precedeu à5 demais.
c) :::J registro civil das pessoas naturais é obrigatório e tem natureza constitutiva.
d) A legislação civil b-asileira admite o reconhecimento de morte sem a existência de cadáver e sem a necessidade
de c eclaraçào de ausencia.
e:• Os nenores de dezesseis anos são absolutamente incapazes, de fato e de direito, e, mesmo que representados,
não têm legitimação para determinados atos.

02. (UESPI- Delegado de Polícia- Pl/2014) Ana desapareceu. Após declarada encerrada as buscas, em depoimento
à polícia, seu marido afirmou que matou a mulher e deu seu corpo aos cães, neste caso é CORRETO afirmar:
a) Anz teve morte p ·es,m1ida, sem necessidade de decretação de ausência.
b) Se Ana tivesse 70 an::>s, e há cinco não se tem notícias, será declarada a sucessão definitiva de Ana.
c) Deve ser decretada a sucessão provisória de Ana.
d) Caso Ana não seja encontrada em 2 (dois) anos será declarada ausente.
e) Deve ser declarada a ausência de Ana.

03. (FCC- Analista Judiciário- Exec. Mandados- TRT 1/2013) Analise a seguinte situação hipotética: O Brasil
declara guerra cont-a uma Força Revolucionária Boliviana que atua na fronteira de nosso pais, especialmente
envolvendo desmatamento da Amazônia e tráfico de entorpecentes. O Brasil destaca um grupo de mil soldados
Art. 7°

para a missão e, durante a guerra, os Soldados Milton e Davi, do Exército Brasileiro, são capturados pela Força
Revolucionária Boliviana e desaparecem. Neste caso, para ser declarada a morte presumida dos soldados Milton
e Davi, do Exército Brasileiro, sem decretação de ausência é necessário que eles NÃO sejam encontrados até
a) dois anos após o término da guerra.
b) um ano após o término da guerra.
c) cinco anos após o término da guerra.
d) três anos após o término da guerra.
e) seis meses após o término da guerra.

04. (MPE-SC- Promotor de Justiça- SC/2013) Segundo o Código Civil, o único caso em que a morte presumida,
sem decretação de ausência, pode ser declarada é quando for extremamente provável a morte de quem estava
em perigo de vida.

OS. (Juiz/TRT/24R/2007/I FASE- adaptada) Sobre a personalidade e a capacidade:


111. Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência, se for extremamente provável a morte de
quem estava em perigo de vida.
IV. Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência, se alguém, desaparecido em campanha
ou prisioneiro, não for encontrado até 2 (dois) anos após o término da guerra.

06. (TEC/SUP/MIN/RJ/2007/NCE)- Em grave acidente aéreo, Túlio, funcionário público sem qualquer bem em vida,
desapareceu nos escombros, sendo que, mesmo após muitas buscas, seu corpo não foi el)contrado, tendo ele
sido por todas as autoridades e familiares tido como morto. Bia, sua filha menor, desejando pensão pela morte
de pai, deverá requerer ao Juiz:
a) a declaração de ausência do pai;
b) o reconhecimento da comoriência do pai;
c) a declaração de morte presumida do pai;
d) o reconhecimento da comutação do pai;
e) a declaração de vacância do pai.

07. (TJ/AC/Juiz/2007- adaptada) Acerca de direito civil, assinale a opção correta.


Considere a seguinte situação hipotética. Uma embarcação naufragou no rio Amazonas e uma pessoa desapa-
receu no acidente. Apesar das inúmeras buscas e diligências das autoridades encarregadas da investigação, tal
pessoa não foi encontrada. Nessa situação, é lícito que a mencionada pessoa tenha sua morte declarada sem a
exigência da prévia decretação de ausência.

08. (Juiz/TJ/RR/2008/FCC) Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência,
a) se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida.
b) somente de alguém desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não sendo encontrado até 02 (dois) anos
após o término da guerra.
c) depois de dez (10) anos do desaparecimento da pessoa ou se o desaparecido contar oitenta (80) anos de idade
e suas últimas notícias forem de mais de cinco (OS) anos.
d) depois de vinte (20) anos do desaparecimento da pessoa, sendo suas últimas notfcias de mais de cinco {OS) anos.
e) sempre que alguém, tendo desaparecido de seu domicílio, contar cem (100) anos de idade.

09. (MP/AM/Promotor/2007- adaptada) A respeito das pessoas naturais e jurídicas, assinale a opção correta.
Poderá ser declarada judicialmente a morte presumida de uma pessoa desaparecida, depois de esgotadas todas
as possibilidades de enc·ontrá-la. Nesse caso, a sentença que decretar a ausência reconhece o fim da persona-
lidade da pessoa natural, nomeia-lhe um curador e, por fim, determina a abertura da sucessão definitiva.

10. (FINEP/ANALISTA/2009/CESPE) Pedro, seu filho Paulo, dez outras pessoas, o piloto e o co piloto viajavam de
avião quando sofreram grave acidente aéreo. Após vinte dias, a equipe de resgate havia encontrado apenas 10
corpos, em grande parte, carbonizados, fato que dificultou a identificação, e encerrou as buscas. Nove corpos
foram identificados e nenhum era de Pedro ou de Paulo .. A perícia concluiu pela impossibilidade de haver so-
brevivente. Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta.
a) Essa situação configura típico caso de morte civil, que a lei considera como fato extintivo da pessoa natural.
b) Trata-se de morte presumida, sem decretação de ausência.

51
Art. a• liiiil!eli•fi\j4:(.}1tf$jd!jii1;1!1hj
c) Nessa situação, deve ser declarada a ausência, somente podendo ser considerado como morto presumido nos
casos em que a lei autoriza a abertura da sucessão definitiva.
d) Nesse caso, não há de se falar em comoriência, por tratar-se de circunstância vedada na legislação vigente.
e) O desaparecimento de Pedro e Paulo impõe preliminarmente a nomeação de curador para administrar os bens
dos ausentes, se houver, devendo o juiz, de ofício, declarar ambos como ausentes e promover, em seguida a
sucessão provisória.

11. (TRE/MA/2009/CESPE- adaptada) Considerando o que dispõe o Código Civil a respeito das pessoas naturais,
das pessoas jurídicas e do domicílio, assinale:
Na sistemática do Código Civil, não se admite a declaração judicial de morte presumida sem decretação de
ausência.

12. (TJ/SP/2009/VUNESP- adaptada) Assinale a alternativa correta.


Presume-se a morte, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura da sucessão provisória.

13. (Procurador do Município de Londrina/PR/2011) "Ser capaz de direitos e deveres na ordem civil, quer dizer
que toda pessoa natural ou pessoa jurídica, possui direitos e obrigações perante a lei brasileira." Sobre a capa-
cidade, assinale a afirmativa correta:
a) A personalidade civil da pessoa começa na concepção.
b) A existência da pessoa natural termina com a morte, que é presumida quanto aos ausentes, quando autorizada
por lei a abertura de sucessão definitiva.
c) A menoridade cessa aos vinte e um anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os àtos
da vida civil. ·
d) Os menores de dezesseis anos são relativamente incapazes a certos atos, ou à maneira de ~s exercer.
e) Aemancipação por outorga dos pais poderá ser comprovada por documento particular com firma reconhecida
em cartório.

14. (PGE/RO- Procurador do Estado Substituto/2011). Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação
de ausência:
a) quando o ausente deixar mandatário que não queira ou não possa exercer ou continuar o mandato, ou se os
seus poderes forem insuficientes.
b) da pessoa desaparecida há mais de um ano e que não tenha deixado mandatário para representá-la nos atos
da vida civil.
c) se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até o término da guerra.
d) se a pessoa não residir no Brasil e for apresentado atestado de óbito firmado por oficial de nação estrangeira,
ainda que não traduzido.
e) se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida.

Art. s• Se doi; ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendoav~riguar se algum
dos comorientes precedeu aos outros, presi.llnir-se-ão simultaneamente mortos. · · · ··

1. BREVES COMENTÁRIOS
Comoriência. Existem situações nas quais é possível a dois ou mais indivíduos falecerem na
mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum precedeu aos outros, circunstância essencial para
a definição do direito sucessório aplicável ao caso. A morre simultânea, também denominada como-
ciência, somente se torna relevante se as pessoas que faleceram na mesma ocasião e por força de um
mesmo evento forem reciprocamente herdeiras umas das outras, pois nesta situação, sendo possível
provar-se a precedência da morte de um dos comorientes, aplicam-se normalmente as regras atinen-
tes à sucessão, isto é, na ausência de testamento, os bens do falecido transferem-se aos herdeiros de
acordo com a ordem de vocação hereditária prevista no art. 1.829 do CC/02. Quando não é possível

52
Art. 9°

apurar-se quem morreu em primeiro lugar a solução do nosso sistema jurídico é presumir que todos
morreram simultaneamente. Deste modo, não haverá transmissão de bens entre os comorientes, ou
seja, esses não participam da ordem de vocação sucessória dos outros.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Cespe- Procurador do Estado- Pl/2014) A respeito da pessoa natural, da pessoa juridica e dos bens, assinale
a opção correta.
a) A vontade humana não constitui elemento da personificação da pessoa jurfdica.
b) O atual Código Civil adotou a teoria ultra vires como regra; assim, a pessoa jurfdica sempre responde p:los atos
que seus administradores praticarem com excesso dos poderes conferidos a eles pelos atos constitutivos.
c) O direito à sucessão aberta é bem móvel por determinação legal.
d) Atento ao princípio da dignidade da pessoa, o Código Civil em vigor exige, para a aquisição da personalidade,
que o sujeito tenha vida viável, forma humana e condição social.
e) Comoriência corresponde à simultaneidade do falecimento de duas ou mais pessoas, sendo impossivel deter-
minar-se qual delas morreu primeiro. Nesse contexto, é dispensável que as mortes decorram do mesmo evento
fático, sendo essencial apenas o momento dos óbitos.

02. (Cespe- Analista Judiciário- Area Judiciária - TJ - CE/2014) Uma familia viajava de navio do Brasil para
a Europa e, no curso da viagem, o navio naufragou, tendo morrido os quatro integrantes dessa farrília. Não
foi possível identificar o integrante da familia que morreu primeiro. Robson era o mais velho, Marco;, o mais
novo, e João, maior de sessenta e cinco anos de idade. Rogério estava doente, em estágio terminal de ;ua vida.
Nessa situação hipotética, com base no disposto no Código Civil, dada a impossibilidade de constatar quem
morreu primeiro, presume-se que
a) Rogério morreu primeiro, por estar em estágio terminal da vida.
b) João morreu primeiro, por ser maior de sessenta e cinco anos de idade.
c) Robson morreu primeiro, por ser o mais velho.
d) todos morreram simultaneamente.
e) Marcos morreu primeiro.

03. (MPE-SC- Promotor de Justiça.., SC/2013) O avô João (70 anos de idade), o pai Jarbas (50 anos de idade) e
seus dois únicos filhos, Cristiano e Juliano (20 e 18 anos de idade, respectivamente), falecem em decorrência
de um grave acidente de trânsito, sem que se pudesse averiguar qual dos comorientes precedeu aos outros.
Nesse caso, levando em conta a necessidade de se inventariar os bens de João e Jarbas, segundo a legislação
civil pátria, presumir-se-ão mortos, pela ordem de idade, João, depois Jarbas, depois Cristiano e fir:almente
Juliano, o mais jovem.

04. (Juiz/TRT/SR/2007/1• etapa- adaptada) Marque a alternativa:


b) Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos comorientes
precedeu aos outros, presumir·se-ão simultaneamente mortos.

05. (Juiz/TJ/SPI2009!VUNESP) Comoriência é


a) presunção de morte simultânea de duas ou mais pessoas, na mesma ocasião, em razão do mesmo evento, sendo
elas reciprocamente herdeiras.
b) morte de duas ou mais pessoas, na mesma ocasião, em razão do mesmo evento, sendo elas recipro:amente
herdeiras.
c) morte simultânea de duas ou mais pessoas, na mesma ocasião, em razão do mesmo evento, independer temente
da existência de vinculo sucessório entre elas.
d) morte simultânea de duas ou mais pessoas, na mesma ocasião.
--------.----.----.---~,---~
i@l E 2 O 3 F 4 C 5 A

,; /Art. go Serão registrados em registro público:,


I;•,OS'naschilentos, casamentos e óbitos;

53
Art. go lililtl.tl•lr~JRtl1•btJl4tlll;btfj

f r' &:::tn.\: :s;;!;;:~0JJU;z~:,.;:::{;/t<:'. ·:-'~ / .: ; ~ ":.-.: ,: i;.>'· i.t (, _(jL~~--·: '!'t;t~:.: "~ ··, ·~.,::A.:-·- ,·;:; :5. iA~-;;::. ~ /;. ';;:.: ;:(f_:A·f ·+';! ~:/~ -~)A~:rdlft:"Yf 1
'.;,,ª ~tii<!nçipaÇ~qpor ç~tçrga doS; p<)JS,Ql!sPor.s~,nt~J:l.$\1 dp J!-!ifi i ·
',:<~i;'.:·-,_~,-~·"! •.>·~-:~_:·.-,'' ·>·7_--'.'' ··: --.-<_:\,'•···, .. ·, ,' _.·;, ·:-_,- '··:··. __.<_:· ;'~,
~i\Q~~~gi~\}}ppJ;j(\Çí!p~~.~f!\lQ~.'!!,~~9.ll)t\l/?y\Jf~)jttÍ)!Jl~f;i\ít'/'l 1};\ ' • •«' lé;í
.. ·. ; •lll;;.:;;a$~nteriçâ d~daratÕria d~ausêriéia e demortepresOmida.
·, '•: -~'//'::'-i·;:;;.:.:>i.;;)J:.·," /,/_--_,:>- ~- _. '. '" -; / - ' ,'' : ,"

L BREVES COMENTÁRIOS
Registros públicos. O estudo apurado deste dispositivo deve ser feito em conjunto com o disposto
na Lei n° 6.015/73, que trata dos Registros Públicos. Exige-se a publicidade do estado das pessoas
II
visando à proteção de direicos de terceiros. É obrigatório o registro de todo nascimento ocorrido em
território nacional, o que pode ocorrer no local do pano ou no lugar da residência dos genitores, nos
prazos prescritos em lei (arr. 50 da LRP), que também disciplina quem são as pessoas autorizadas a
requerer o referido registro (art. 52 da LRP).
II
Atenção para as exigências que devem ser observadas para o registro, que estão fixadas nos arts.
•;.4 e 55 da LRP. Em caso de natimorto ou de morte na ocasião do parto, também se faz necessário
I
efetuar o registro (art. 53 da LRP). Quanto ao registro do casamento, há de se observar o disposto
no art. 1.536 do CC/02 e 1:0 art. 70 da LRP. O registro da emancipação voluntária do relativamente
I
incapaz por seus país dispensa a presença de testemunhas (art. 90 da LRP). Só após o registro é que
a antecipação dos efeitos da maioridade civil produzirá efeitos. Com relação ao registro da ausência
e da interdição, deve-se observar o que disciplinam os arts. 92 e 93 da LRP. Ainda em relação ao
ausente, deve-se observar c,ue o cartório competente para efetuar o registro da sentença declaratória
de ausência é o do domicCio do auseme. Recorde-se que a atual doutrina defende o fim do uso da
palavra interdição, recomendando a utilização do termo curatela, livre de peias e estigmas.
Interessante ainda destacar que a Lei de Registros Públicos possuí disciplinamenro para hipóteses
de impossibilidade de se encomrar o cadáver de alguém por conta de catástrofes naturais, incêndios
ou naufrágios. O procedinenro de just((icação do assento de óbito está previsto no art. 88 do referido
diploma legal. Anota-se também que os aros relativos ao nascimento e ao óbito das pessoas naturais,
dentre outras hipóteses prtvistas pda Lei 11.481/07, por se relacionarem com o exercício da cidadania
são gratuitos (vide CF/88, inciso LXXVII).

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

STF 471 -ADIe Gratuidade de Certidão- Aduziu-se, ainda, que os oficiais exercem um serviço público, prestado
mediante delegação, não havendo direito constitucional à percepção de emolumentos por todos os atos prati-
cados, mas apenas o recebimento, de forma integral, da totalidade dos emolumentos que tenham sido fixados.
ADI1800/DF, rei. orig. Mín. Nelson Jobim, rei. p/ o acórdão Min. Ricardo Lewandowski, 11.6.2007. (ADI-1800)

STJ 460 Competência. Anulação. Registro. Imóvel. A Seção, ao conhecer do conflito positivo de compe-
tência instaurado em açáo declaratória de nulidade de registro de imóvel ajuizada na Justiça comum estadual
referente à arrematação promovida em execução trabalhista, declarou competente a Justiça do Trabalho por
entender que o ato apontado como nulo ocorreu no juízo especializado, cabendo exclusivamente a ele,
em processo próprio, a eventual desconstituição do julgado que homologou a referida arrematação. CC
86.065, Rei. Min. Luis Salamão,j. 13.12.2010. 2" 5.

STJ 463 Registro civil. Retificação. Profissão. {...) Dessarte, consignou não ser possível que se permita
desnaturar o institutc. da retificação do registro civil, que, como é notório, serve para corrigir erros
quanto a dados essenciais dos interessados, a saber, filiação, data de nascimento e naturalidade, e não
quanto a circunstâncias absolutamente transitórias, como domicílio e profissão. {. ..). Ressaltou, por fim,
que, se, de um lado, a regra contida no art. 109 da Lei 6.015/73 autoriza a retificação do registro civil, por outro
lado, ressalva que essa ·etificação somente será permitida na hipótese de haver erro em sua lavratura. Desse
modo, é mister a indispensável comprovação por prova idônea e segura da ocorrência de erro aparente
de escrita ou de motivo superveniente legítimo apto a embasar o pedido de retificação, o que não ocorreu
no caso. REsp 1.194.378, Rei. Min. Massami Uyeda, j. 15.2.2011. 3" T.
54
Arl.10

STJ 482 Registro público. Retificação. Erro de grafia. Obtenção. Cidadania Italiana. A Turma entendeu que
o justo motivo revela-se presente na necessidade de suprimento de incorreções na gr~fía do patronfmíco para a
obtenção da cidadania italiana, sendo certo que o direito à dupla cidadania pelo "jus sanguínis" tem sede consti-
tucional. A regra da inalterabilidade relativa do nome civil preconiza que o nome (prenome e sobrenome) estabe-
lecido por ocasião do nascimento reveste-se de definítlvídade, admitindo-se sua modificação, excepcionalmente,
nas hipóteses previstas em lei ou reconhecidas como excepcionais por decisão judicial, exigindo-se, para tanto,
justo motivo e ausência de prejuízo a terceiros.( ...). REsp 1.138.103, Rei. Min. Luis Salomão,j. 6.9.2011. 4• T. (lnfo 482)

Registros. Filhos. Retificação. Nome. Genitora. Nos termos de precedente deste STJ "É admissível a alteração
no registro de nascimento do filho para a averbação do nome de sua mãe que, após a separação judicial, voltou
a usar o nome de solteira; para tanto, devem ser preenchidos dois requisitos: (i) justo motivo; (ií) inexistência de
prejufzos para terceiros" (REsp 1.069.864-DF). REsp 1.123.141, rei. Min. Luis F. Salomão, 28.9.10. 4•T. (lnfo 449, 2010)

Acréscimo de sobrenome do cônjuge após a celebração do casamento. Aos cõnjuges é permitido incluir
ao seu nome o sobrenome do outro, ainda que após a data da celebração do casamento, porém deverá ser por
melo de ação judicial. REsp 910.094, Rei. Raul Araújo, j. 4.9.12. 4• T. (lnfo 503, 2012)

Direito civil. Alteração do assento registra! de nascimento. União estável. Inclusão do sobrenome do
companheiro. É possível a alteração de assento registra! de nascimento para a inclusão do patronímico do
companheiro na constância de uma un!ão estável, em aplicação analógica do art. 1.565, § 1•, do CC, desde que
seja feita prova documental da relação por instrumento público e nela haja anuência do companheiro cujo
nome será adotado. REsp 1.206.656, rei. Min. Nancy Andrighi,j. 16.10.12. 3° T. (lnfo 506, 2012)

Ação negatória. Paternidade. Vício. Consentimento. Trata-se de ação anulatória de registro de nascimento.
O tribunal "a quo" entendeu não estar caracterizado o vfcío de consentimento apto a ensejar a nulidade pre-
tendida. O reconhecimento espontâneo da paternidade apenas pode ser desfeito quando demonstrado vfcio
de consentimento, ou seja, para que haja a possibilidade de anulação do registro de nascimento de menor cuja
paternidade foi reconhecida, é necessária prova robusta de que o pai registra! foi de fato, por exemplo, induzido a
erro, ou ainda, de que tenha sido coagido a tanto. REsp 1.098.036, rei. Min. Sidnei Beneti, 23.8.17. 3•T. (lnfo481, 2017)

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Câmara Municipal Patos de Minas/MG- Advogado/2011) Serão registrados em registro público, EXCETO:
a) A emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz.
b) Os atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação.
c) Os nascimentos, casamentos e óbitos.
d) A sentença declaratória de ausência e de morte presumida.

02. (Cespe- Procurador Federal/2013) Ao contrário do que ocorre no registro de imóveis, a publicidade não é
uma função específica do registro civil das pessoas naturais, que tem por objetivo a autenticidade, a segurança
e a eficácia.

RH•1· B 2 E I

Art. ~0. Fàr~se-á ~ve~l>ação em. f~ÍJistro público:


1- das sentenÇas que d~çret~re'T' a n)Jiidad~ O\J anulaçlio do casamento, o dlv.qrç)~, ~~j!p~r,al~Hlf!<.ji.f\<ÍI ,
e o restabelecimento da sociedade conjugal; . . . . ''. ' . ' . . '
r , , ·· ·.·-,:: _, , , ,' , 1,

11.- dos atosj~çliciais Ot,i~el<tf~Íli<jllci~is que:d!!clararem.(lu reconhl!cerem a fili~i;ão; ,.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Averbação "'Anotação. Cuidado neste dispositivo para não confundir os conceitos de averbação
e de anotação. Se o objetivo é alterar registro existente, apontando qual fato jurídico o modifica ou
até mesmo cancela, utiliza-se a averbação. A anotação pode ser definida como as remissões feitas nos
livros de registro tendo por finalidade recordar, facilitar a busca, vincular diversos livros. Atenção
para a precisão dos conceitos: a anotação, ao contrário do que ocorre com a averbação, não atinge
o direito das partes. Sobre o tema, ver o art. 29 da LRP. Em relação aos incisos do dispositivo em
análise, recomenda-se um estudo aprofundado dos arts. 97, 100, 102 e 167 da LRP.
55
Art. 11 iiliill•il•4iAti1•6~1~t!1ilt;fi1hi
Adverte Venosa que a força probante dqs registros públicos em geral não é absoluta. Permanece
enquanto não for modificado o registro, ou cancelado, por meio de ação judicial, que tenha por in-
devido ou incorreto. Em geral as alterações depende de ação judicial. Mesmo as meras retificações de
erros materiais devem sempre contar com a supervisão de um magistrado (Código Civil Interpretado,
2• Edição. São Paulo: Atlas, 2011, p. 19-20).

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 272- Art. 10. Não é admitida em nosso ordenamento jurídico a adoção por ato extrajudicial, sendo
indispensável a atuação jurisdicional, inclusive para a adoção de maiores de dezoito anos.

• Enunciado 273- Art. 10. Tanto na adoção bilateral quanto na unilateral. quando não se preserva o vínculo com
qualquer dos genitores originários, deverá ser averbado o cancelamento do registro originário de nascimento
do adotado, lavrando-se novo registro. Sendo unilateral a adoção, e sempre que se preserve o vinculo originário
com um dos genitores, deverá ser averbada a substituição do nome do pai ou da mãe natural pelo nome do
pai ou da mãe adotivos.

• Registros. Filhos. Retificação. Nome. Genitora. Nos termos de precedente deste STJ "t admissível a alteração
no registro de nascimento do filho para a averbação do nome de sua mãe que, após a separação judicial, voltou
a usar o nome de solteira; para tanto, devem ser preenchidos dois requisitos: (i) justo motivo; (i i) inexistência de
prejuízos para terceiros" (REsp 1.069.864-DF). REsp 1.123.141, rei. Min. Luis F. Salomão, 28.9.10. 4" T. (lnfo 449, 2010)

Relação avoenga. Ancestralidade. Direito personalíssimo. O direito à busca da ancestral idade é persona-
líssimo e, dessa forma, possui tutela jurídica integral e especial nos moldes dos arts. 5° e 226 da CF. O art. 1.591
do CC/2002, ao regular as relações de parentesco em linha reta, não estipula limitação dada sua infinidade,
de modo que todas as pessoas oriundas de um tronco ancestral comum sempre serão consideradas parentes
entre si, por mais afastadas que estejam as gerações. Dessa forma, uma vez declarada a existência de relação de
parentesco na linha reta a partir do segundo grau, essa gerará todos os efeitos que o parentesco em primeiro
grau (filiação) faria nascer. REsp 807.849, rei. Min. Nancy Andrighi, 24.3.2010 (v./nfos. 257 e 425). 2° S. (lnfo 428, 2010)

Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e
irrenunciáveis, não podendo o seu exerdcio sofrer limitação voluntária.,

l. BREVES COMENTÁRIOS
São direitos da personalidade os direitos subjetivos reconhecidos a pessoa para a garantia de sua
dignidade, vale dizer, para a tutela dos seus aspectos físicos, psíquicos e intelectuais, dentre outros
não mensuráveis economicamente, porque dizem respeito à própria condição de pessoa, ou seja, ao
que lhe é significativamente mais íntimo.

Características dos direitos da personalidade. Representam o conjunto de garantias destinadas


à preservação dos modos de ser do indivíduo, e suas características podem ser assim sintetizadas: (a)
são absolutos, ou seja, oponíveis erga omnes, impondo à coletividade o dever de respeitá-los; (b) são
extrapatrimoniais, uma vez que seu conteúdo patrimonial não é suscetível de aferição objetiva; (c) são
indisponíveis, ou seja, não permitem abandono por vontade do seu titular (irrenunciáveis), tampou-
co sua cessão, seja gratuita ou onerosa, em benefício de terceiro ou da coletividade, razão pela qual
podem ser reconhecidos por sua intransmissibilidade e impenhorabilidade; (d) são imprescritíveis,
uma vez que não se extinguem pelo não uso, nem pela inércia na pretensão de defendê-los; (e) são
vitalícios, já que acompanham a pessoa desde seu nascimento até sua morte e não podem ser retirados
da pessoa. O rol dos direitos da personalidade apresentado no CC/02 é meramente exemplificativo,
ou seja, não se limira aos expressamente mencionados.

Vale destacar que o Enunciado n° 274 das Jornadas de DireitO Civil organizadas pelo Conselho
da Justiça Federal (CJF) dispõe que tais direitos são "expressões da cláusula geral de tutela da pessoa
humana, contida no art. 1°, I!!, da Constituição (princípio da dignidade da pessoa humana)': o que
56
I!N;!tll.t}iQifNH Art. 11

justifica sua regulamentação não exaustiva pelo Código Civil vigente e a necessidade de ponderá-los
em caso de colisão entre eles, uma vez que nenhum pode sobrelevar os demais, devendo o intérprete
assegurar-lhes coexistência, mediante preenchimento de seu conteúdo no caso concrero.
Apesar da indisponibilidade que lhes é característica, a doutrina vem admitindo que o exercício
dos direitos da personalidade possa sofrer limitação voluntária, ainda que não especificamente prevista
em lei, desde que tal limitação não seja permanente nem geral, e não contrarie a boa-fé objetiva e os
bons costumes, hipótese em que restaria configurado o abuso de direito de seu titular.
Do mesmo modo, excepcionalmente, admite-se a cessão gratuita de partes do corpo e a cessão
patrimonial de direitos autorais, conforme previsto nos arts. 28 a 30 da Lei 9.610/98.
Acrescente-se ainda que a não sujeição dos direitos da personalidade aos prazos prescricionais (im-
prescricibilidade) também não é absoluta, quando se estiver diante de meros efeitos patrimoniais reflexos.
A seguir, tem-se quadro comparativo entre os direitos de natureza obrigacional e os direiros da
personalidade, extraído da obra Figueiredo, Luciano Lima & Figueiredo, Roberto Lima. Direito
Civil- Obrigações e Responsabilidade Civil (Coleção Sinopses para Concursos). 3. ed. Salvador:
Editora JusPodivm, 2014.

Transmissíveis
Intransmissíveis
(inter-vivos ou mortis causa)

A tutela da dignidade e o direito ao esquecimento. Atualmente vem crescendo na doutrina as


discussões sobre direito ao esquccimcnro e o conflito entre direitos fundamentais privacidade vslivre
manifestação do pensamento. Ser;i que aquele que não tem o status de uma personalidade pública
tem de aceitar que os seus dados pessoais sejam acessados c divulgados sem qualquer limitação? Na
justificativa do Enunciado n° 531 do CJF afirmou-se que não atribui a ninguém o direito de apagar
fatos ou reescrever a própria história, mas, em contrapartida, assegurou-se a possibilidade de discu-
tir o uso que é dado aos fatos pretéritos. mais especificamente o modo e a finalidade com que são
lembrados. A discussão já chegou ao Superior Tribunal de Justiça, que ao apreciar o rema, assim se
pronunciou:"(..) Não obstante o co1rírio de perseguição e tolhimento pelo qu.1l passou tl imprensa brasileira
em décadas pretéritas, e a par de sua i negdueluil·tude histórica, a mídia do século XXI deve fincar a legi-
timarão de sua liberdade em ualores atuaL<, próprios e decorrentes diretamente d,1 importância e nobreza
da atiuidade. Os antigos fantasmas cLz liberdrzde de imprensa, embora deles não se passa esquecer jamais,
atualmente, não autorizam a atwzçrio infornuztitM desprendida de regras e princípios a todos impostos. 7.
Assim, a liberdade de imprensa luí de .<c r analisada a partir de dois paradigmtts jurídicos bem distantes
um do outro. O primeiro, de completo menosprezo tanto da dignidade da pessoa humana quanto da
liberdade de imprensa; e o segundo, o atual, de dupla tutela constitucional de ambo,- os valores. 8. Nesse
passo, a explícittt contenção constitucional á liberdade de iJ:formação,jimdada na inviolabilidade da vida
57
Art. 11 lljjiJ!•II•Q1Qt}it1Jjth1111Ut1h1
privada, intimidade, honra, imagem e, de resto, nos valores da pessoa e da família, prevista no art. 220,
§ ] 0, art. 221 e no§ 3° do art. 222 da Carta de 1988, parece sinalizar que, no conjlíto aparente entre
esses bens juridicos de especialíssima grandeza, há, de regra, uma inclinação ou predileção constitucional
para soluções protetivas da pessoa humana, embora o melhor equacionamento deva sempre observar as
particularidades do caso concreto. Essa constatação se mostra consentânea com oJato de que, a despeito de
a informação livre de censura ter sido inserida no seleto grupo dos direitos fondamentais (art. 5°, inciso
IX), a Constituição Federal mostrou sua vocação antropocêntrica no momento em que gravou, já na
porta de entrada {art. 1°, inciso 111), a dignidade da pessoa humana como - mais que um direito - um
fondamento da República, uma lente pela qual devem ser interpretados os demais direitos posteriormente
reconhecidos. Exegese dos arts. 11, 20 e 21 do Código Civil de 2002». (Superior Tribunal de Justiça-
Recurso Especial. no 1334.097-RJ. 4• Turma. Rei. Min. Luis Felipe Salomão. Ac de 28/05/2013,
DJe n° 31006510de 10/09/2013)

Tutela ao Corpo Vivo

Patentes

Modelos de Utilidade

Fonte: Figueiredo, Luciano Uma & Figueiredo, Roberto Uma. Direito Civil -Obrigações e Responsabilidade
Civil (Coleçao Sinopses para Concursos). 3. ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2014.
58
p!&ti;I•IM.tt~iPiii•J$1 Art. 11

A tutela da pessoa e o combate ao bullying. Pelas características naturais do desenvolvimento da


criança e do adolescente em tais momentos de nossa existência somos mais suscetíveis às agressões verbais,
apelidos pejorativos, enfim, atos que em nossa vida adulta podem passar despercebidos mas que em idades
mais jovens podem destroçar, arrasar, a personalidade da pessoa. A lei 13.185/15, que entra em vigor em
07 de fevereiro de 2016, instituiu o programa de combate à intimidação sistemática (bullying), definindo
esta como todo ato de violência ftsica ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivaçáo evidente,
praticado por individuo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidd-la ou agredi-la,
causando dor e angústia à vítima, em uma relaçá() de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. Ou
seja, pela primeira vez o Brasil ganha um conceito legal de bullying e firma as bases para um conjunto de

I repressões e políticas unidas em um programa nacional. Este programa passa a servir de possibilidade de
fundamentação para a atuação do Ministério da Educação e das Secretarias de Educação, tanto no âmbito
estadual quanto municipal. Do mesmo modo, o Governo Federal passa a contar com meios de organizar
todas as esferas de poder em prol da erradicação deste comportamento antissocial. Segundo determinado

I
na lei a intimidação sistemática pode ocorrer por ataques físicos, insultos pessoais, comentários sistemáticos
e apelidos pejorativos, ameaças por quaisquer meios, grafites depreciativos, expressões preconceituosas,
isolamento social consciente e premeditado (o conhecido "dar um gelo"), pilhérias (fazer graça com a
'

~
pessoa). Frise-se que tal lista é meramente exemplificativa, vez que o alcance do conceito abrange rodos os
aros de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo.
Situações, em rol exemplificativo, que geram a intimidação sistemática. A lei ainda se ocu-
pou em reconhecer a intimidação sistemática realizada através da rede de computadores (internete),
o denominado cyberbullying, que pode ocorrer, exemplificativamente, por meio:

'
I '
~~íi~11rlll:li,\.í'''<.'l depreciar, enviar mensagens intrusivas da intimidade, enviar ou adulterar fotos e dados pessoais que
resultem em sofrimento ou com o intuito de criar meios de constrangimento psicológico e social.

Deve geral de combate ao bullying. Através do programa os estabelecimentos de ensino, clubes

I e agremiações recreativas devem criar atividades e instrumentos de conscientização, prevenção, diag-


nose e combate à violência e à intimidação sistemática, sendo que os Estados e Municípios deverão
publicar relatórios bimestrais para o planejamento de ações.

I 2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

~ Enunciado 576- O direito ao esquecimento pode ser assegurado por tutela judicial inibitória.

Enunciado 532 -art. 11: t permitida a disposição gratuita do próprio corpo com objetivos exclusivamente
científicos, nos termos dos arts. 11 e 13 do Código Civil.

Enunciado 531- art. 11: A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito
ao esquecimento

Enunciado 4•- Art. 11: o exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde que
não seja permanente nem geral.

59
Art. 11

Enunciado 139- Art. 11: Os direitos da personalidade podem sofrer limitações, ainda que não especificamente
previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de direito de seu titular, contrariamente à boa-fé objetiva
e aos bons costumes.
Enunciado 274- Art. 11. 0; direitos da p.:rsonalidade, regulados de maneira não exaustiva pelo Código Civil,
são expressões da cláusula geral de tutela da pessoa humana, contida no art. 1°, 111, da Constituição (princípio
da dignidade da pessoa humana). Em caso de colisão entre eles, como nenhum pode sobrelevar os demais,
deve-se aplicar a técnica da ponderação.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

5TF 450- Quebra de Sigilo Bancário e Direito à Intimidade. Entendeu-se que, em face do art. 5°, X, da CF, que
protege o direito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas, a quebra do sigilo não poderia
implicar devassa indiscriminada, devendo circunscrever-se aos nomes arrolados pelo Ministério Público como
objeto de investigação no inquérito e estar devidamente justificada.lnq 2245 AgR/MG, rei. Min. Joaquim Barbosa,
rei. p/ o acórdão Min. Cármen Lúcia, 29.11.2006. (lnq-2245)

5TF 541 - ADPF e Lei de Imprensa O Min. Carlos Britto, relator, julgou procedente o pedido formulado, para
o efeito de declarar como não recepcionado pela Constituição Federal todo o conjunto de dispositivos da lei
impugnada, no que foi acompanhado pelo Min. Eros Grau, que se reportou aos fundamentos que expendera
no julgamento da medida cautelar. Inicialmente, tendo em conta o disposto nos artigos 220, §§ 1°, 2° e 3°, e 222,
todos da CF, o relator afirmou que, do ângulo objetivo, a imprensa seria uma atividade, enquanto, do ângulo
subjetivo ou orgânico, constituir-se-ia num conjunto de órgãos, veículos, empresas e meios, juridicamente
personalizados, sendo a comunicação social seu traço diferenciador ou signo distintivo.. ADPF 130/DF, rei. Min.
Carlos Britto, 1°.4.2009. (ADPF-130) .

5TF 541 - ADPF e Lei de Imprensa 2 Observou, por fim, que a Lei de Imprensa foi concebida e promulgada
num longo perfodo autoritário, o qual compreendido entre 31.3.64 e o infcio do ano de 1985 e conhecido como
"anos de chumbo" ou "regime de exceção", regime esse patentemente inconciliável com os ares da democracia
resgatada e proclamada na atual Carta Magna. Essa impossibilidade de conciliação, sobre ser do tipo material
ou de substância, contaminaria grande parte, senão a totalidade, da Lei de Imprensa, quanto ao seu ardiloso
ou subliminar entrelace de comandos, a serviço da lógica matreira de que para cada regra geral afirmativa da
liberdade é aberto um leque de exceções que praticamente tudo desfaz; e quanto ao seu spiritus rectus ou fio
condutor do propósito último de ir além de um simples projeto de governo para alcançar a realização de um
projeto de poder. ADPF 130/DF, rei. Min. Carlos Britto, 1°.4.2009. (ADPF-130)

5TF 663- Direitos da Personalidade Ementa: investigação de paternidade. Demada anterior julgada improce-
dente. Coisa julgada em sentido material. Superveniência de novo meio de prova (DNA). Pretendida "relativiza-
ção" da autoridade da coisa julgada. Prevalência, no caso. do direito fundamental ao conhecimento da própria
ancestralidade. A busca da identidade genética como expressão dos direitos da personalidade. Acolhimento
da postulação recursal deduzida pela suposta filha. Observância, na espécie, pelo relator, do princípio da cole-
gialidade. Reconhecido e provido.

Ressalva da posição pessoal do relator (Ministro Celso de Mello), minoritária, que entende que o instituto da
"res judicata", de extração eminentemente constitucional. por qualificar-se como elemento inerente à própria
noção conceitual de estado democrático de direito, não pode ser degradado, em sua condição de garantia
fundamental, por teses como a da "relativização" da coisa julgada. Na percepção pessoal do relator (Ministro
Celso de Mello), a desconsideração da autoridade da coisa julgada mostra-se apta a provocar consequências
altamente lesivas à estabilidade das relações intersubjetivas, à exigência de certeza e de segurança jurídicas e à
preservação do equilíbrio social. A invulnerabilidade da coisa julgada material deve ser preservada em razão
de exigências de ordem polftico-social que impõem a preponderância do valor constitucional da segurança
jurídica, que representa, em nosso ordenamento positivo, um dos subprincípios da própria ordem democrática.

Ação de investigação de paternidade e coisa julgada [RPG] Ressalte-se a evolução dos meios de prova para
aferição da paternidade- culminada com o advento do exame de DNA- e a prevalência da busca da verdade
real sobre a coisa julgada, visto estar em jogo o direito à personalidade. RE 363889, rei. Min. Dias Toffoli. 2.6.11.
Repercussão Geral. Pleno. (lnfo 629, 2011)

Relação avoenga. Ancestralidade. Direito personalíssimo. O direito à busca da ancestralidade é persona-


líssimo e, dessa forma, possui tutela jurídica integral e especial nos moldes dos arts. 5° e 226 da CF. O art. 1.591
do CC/2002, ao regular as relações de parentesco em linha reta, não estipula limitação dada sua infinidade,
de modo que todas as pessoas oriundas de um tronco ancestral comum sempre serão consideradas parentes
60
Art. 11

entre si, por mais afastadas que estejam as gerações. Dessa forma, uma ve~ declarada a existência de relação de
parentesco na linha reta a partir do segundo grau, essa gerará todos os efeitos que o parentesco em primeiro
grau {filiação) faria nascer. REsp 807.849, rei. Min. Nancy Andrighi, 24.3.2010(v.lntos. 257 e425). 2° S. (lnfo 428, 2010)

4. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Cespe- Defensor Público- PRI 2015) A respeito de direitos da personalidace, pessoas jurídicas e personali-
dade, julgue os itens a seguir, de acordo com a jurisprudência do STJ.
I. Caso determinada rede de rádio, por informações veiculadas em sua progranação, atinja a honra e a imagem
do próprio Estado, será admitida, nessa hipótese, ação indenizatória por dano moral pelo ente federativo em
desfavor da empresa de radiodifusão, devendo o locutor responder regressi•J,Jmente se tiver agido com dolo
ou culpa. Nesse caso, se o locutor for economicamente hipossuficiente, deverá a OP atuar na defesa dele.
li. O espólio possui legitimidade para postular indenização por danos morais pelos prejuízos decorrentes de ofensa
à imagem do falecido, em virtude da contratação de cartão de crédito após a morte do usuário, com a inscrição
do seu nome nos cadastros de devedores Inadimplentes.
111. A exagerada e indefinida exploração midiática de crimes e tragédias privadas deve ser impedida, a fim de se
respeitar o direito ao esquecimento das vítimas de crimes e, assim, presa-vara dignidade da pessoa humana.

02. {CAIPIMES- PGM- Grande ABC- Procurador{2015) Com relação aos direitos da personalidade, expressamente
previstos no Código Civil Brasileiro, pode ser afirmado o que segue:
a) O pseudõnimo adotado para atividades lícitas não goza da proteção que se dá ao nome.
b) É inválida, independentemente da finalidade, a disposição gratuita do prôpric corpo, no todo ou em parte, para
depois da morte.
c) os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, podendo o seu exerdcio sofrer limitação
voluntária.
d) Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição per-
manente da integridade física, ou contrariar os bons costumes.

03. (PUC - PR -Juiz de Direito Substituto- PRI2014) Sobre personalidace e direitos de personalidade, é COR-
RETA a assertiva:
a) Consistem em direitos da personalidade, dentre outros: o direito à vi:Ja, ao próprio corpo, à liberdade de
pensamento e de expressão, à liberdade, à honra, ao recato, à imagem e à identidade.
b) A personalidade civil começa com a concepção.
c) Os direitos de personalidade são, sem excEção, intransmissfveis, irrenundáveis e ilimitados.
d) Os direitos de personalidade perduram e podem ser exercidos pelo próprio titular, ou representante,
exclusivamente em vida.

04. (Cespe- Juiz de Direito- TJ-DFTI2014) f,ssinale a opção correta à luz do entendimento jurisprudencial pre-
dominante no STJ.
a) Admite-se a alteração do regime de bens dos casamentos celebrados após a vigência do Código Civil de 2002,
independentemente de qualquer ressalva em relação a direitos de terceiros, inclusive dos entes públicos, em
respeito ao princípio da autonomia dos consortes.
b) A paternidade socioafetiva decorrente de adoção à brasileira impede a anulação do registro de na>cimento para
o reconhecimento da paternidade biológica, ainda quando requerida pelo filho adotado nessas circunstâncias.
c) Permite-se a averbação, no termo de nascimento do filho, da alteração do patronlmico materno em decorrência
do casamento, mas não a averbação do nome de solteira da genitora, caso es,a, em decorrência de divórcio ou
separação judicial, deixe de utilizar o nome de casada.
d) A prática conhecida como adoção à brasiieira, assim como a adoção legal, rompe definitivamente os vinculas
civis entre o filho e os pais biológicos, desfazendo, por consequência, todos os consectários legais da paternidade
biológica, como os registrais, os patrimoniais e os hereditários.
e) O direito de reconhecimento da origem genética insere-se nos atributos da própria personalidade, de modo
que, entre o vinculo socioafetivo decorrente da adoção à brasileira e QS vínculos biológicos decorrentes do
nascimento, devem prevalecer os vínculos biológicos, sempre que o filho assim desejar.

OS. (Cespe- Juiz de Direito- TJ-DFT/2014) Acerca da prescrição e da proteçâ·) jurldica à intimidade, assinale a
opção correta.
a) A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação indu, ·)direito ao esquecimento.

61
Arl11 liliii!•II•'$1QJii•t$1U!liiJ@fi
b) O interesse público na divulgação de casos judiciais sempre deverá prevalecer sobre a privacidade ou intimidade
dos envolvidos.
c) A exibição não autorizada de imagem de vítima de crime amplamente noticiado à época dos fatos, ainda que
uma única vez, gera, por si só, direito de compensação por danos morais aos seus familiares.
d) A pretensão de cobran•;a de cotas condominiais aplica-se a regra geral da prescrição decenal, contada a partir
d:l vencimento de cadõ parcela, conforme disposto no vigente Código Civil.
e) A veracidade de uma notícia confere a ela inquestionável licitude, razão pela qual não há qualquer obstáculo à
sua divulgação, dado o direito à informação e à liberdade de imprensa.

06. (.Juiz/TRT/SR/2007/1• etapa -adaptada) Assinale a alternativa correta acerca da disciplina do Código Civil
sobre os direitos de personalidade:
Os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação
voluntária.

07. (PROC/PR/2007/COPS! Assinale a alternativa incorreta:


a) A Constituição Federal de 1988 e o Código Civil de 2002 reconhecem um direito geral à personalidade que não
se confunde com os direitos de personalidade tipificados.
b) Os direitos de personal dade podem ser protegidos mediante tutelas ressarcitórias e inibitórias.
c) Os direitos de personalidade, urna vez que fundados na dignidade da pessoa humana, não admitem conflitos
com outros direitos.
d) O 3to de disposição sobre um direito de personalidade pode ser revogado, sem prejuízo do dever de indenizar
d-=corrente do comportamento contraditório.
e) A violação do direito de imagem não exige a ocorrência de danos para ser tutelada.

08. (Juiz/TJ/PR/2007) Sob·e a constitucionalização do Direito Civil, é correto afirmar:


a) A; normas constitucionais que possuem estrutura de principio se destinam exclusivamente ao legislador, que
não pode contrariá-las ao criar as normas próprias do Direito Civil, não sendo possível, todavia, ao aplicador do
Di·eito, empregar os princípios constitucionais na interpretação dessas normas de Direito Civil.
b) A constitucionalização do Direito Civil se restringe à migração, para o texto constitucional, de matérias outrora
próprias do Direito Civi .
c) A doutrina que sustenta a constitucionalização do Direito Civil afirma a irrelevância das normas infraconstitu-
cbnais na disciplina das relações interprivadas.
d) A eficácia dos direitos fundamentais nas relações entre particulares, seja de forma indireta e rnediata, seja de
f:rma direta e imediata., é defendida pela doutrina que sustenta a constitucionalização do Direito Civil.

09. (FROC/MUN/SOROCABA/2008/VUNESP) Os direitos morais de autor são:


a) regociáveis após a morte do criador.
b) regociados da mesma maneira que os patrimoniais.
c) inalienáveis.
d) ré"flunciáveis.
e) objeto de contratos de icença.

10. (AUD/TCE/SP/2008/FC::) Os direitos da personalidade, com exceção dos casos previstos em lei, são:
a) irrenunciáveis, mas seu exercício sempre pode sofrer limita:;ão voluntária.
b) irrenunciáveis, mas não são intransmissíveis.
c) in:ransmissíveis, mas não são irrenunciáveis.
d) in:·ansmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercí:io sofrer limitação voluntária.
e) transmissíveis e renunciáveis, mas seu exercício não pode sofrer qualquer outro tipo de limitação voluntária.

11. (ANALIS/JUD/TRE/MS/2007/FCC- adaptada) No que conc"rne aos direitos da personalidade é correto afirmar
qLe:
E!es são intransmissíveis e irrenunciáveis, em regra, rnas o seu exercício poderá sofrer limitação voluntária.

62
llitJ;JeiM•t!fJPt$1•6\J Art. 1

I. BREVES COMENTÁRIOS
Legitimidade. O dispositivo trata da questão da legitimação e do momento adequado para ,
defesa dos direitos da personalidade. Inicialmente, compete exclusivamente ao titular do direito ,
legitimidade processual para a defesa deles em Juízo, já que ninguém pode, em nome próprio, pleiteai
direito alheio, salvo quando autorizado por lei, conforme dispõe o art. 18, CPC. No entanto, o dispo-
sitivo em análise prescreve que, em se tratando de morto, terá legitimação o cônjuge (ou companheiro)
sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau.

Prevenção e repressão. O dispositivo menciona a possibilidade de se recorrer ao Judiciário


contra lesão (dano já ocorrido) ou ameaça (dano prestes a acontecer) a direito da personalidade.
Considerada a perspectiva existencialista da codificação vigente, não se afigura razoável aguardar
a concretização do prejuízo se há como evitar sua ocorrência e reafirmar a supremacia do princípio
da dignidade da pessoa humana. Afinal, se a perspectiva patrimonialista cedeu lugar à proteção dos
direitos existenciais dos indivíduos, deve o julgador utilizar a técnica processual dentro deste norte,
prestigiando a proteção dos direitos, não sua mera reparação ou compensação.

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

~ DIREITO CIVIL DANO MORAL DECORRENTE DA UTILIZAÇÃO NÃO AUTORIZADA DE IMAGEM EM CAM-
PANHA PUBLICITÁRIA. Configura dano moral a divulgação não autorizada de foto de pessoa física em
campanha publicitária promovida por sociedade empresária com o fim de, mediante incentivo à ma-
nutenção da limpeza urbana, incrementar a sua imagem empresarial perante a população, ainda que a
fotografia tenha sido capturada em local público e sem nenhuma conotação ofensiva ou vexaminosa.
Precedentes citados: EREsp 230.268-SP, Segunda Seção, DJ de 4/8/2003; AgRg no REsp 1.252.599-RS, Terceira
Turma, DJe de 5/5/2014; e AgRg no AREsp 148.421-SP. Quarta Turma, DJe de 25/10/2013. REsp 1.307.366-RJ,
Rei. Min. Raul Araújo, julgado em 3/6/2014.

STJ 495 DANOS MORAIS. LEGITIMIDADE AO CAUSAM. NOIVO. MORTE DA NUBENTE .. Dessarte, concluiu-se
que a legitimação para a propositura da ação por danos morais deve alinhar-se à ordem de vocação heredi-
tária, com as devidas adaptações, porquanto o que se busca é a compensação exatamente de um interesse
extrapatrimonial. (...) Assim, conceder legitimidade ampla e irrestrita a todos aqueles que, de alguma forma,
suportaram a dor da perda de alguém significa impor ao obrigado um dever também ilimitado de reparar um
dano cuja extensão será sempre desproporcional ao ato causador. Portanto, além de uma limitação quanti-
tativa da condenação, é necessária a limitação subjetiva dos beneficiários nos termos do artigo supracitado.
(...).Precedentes citados: REsp 239.009-RJ, DJ 4/9/2000, e REsp 865.363-RJ, DJe 11/11/2010. REsp 1.076.160-AM,
Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 10/4/2012.

STJ 500 REDES SOCIAIS. MENSAGEM OFENSIVA. REMOÇÃO. PRAZO. A Turma entendeu que, uma vez noti-
ficado de que determinado texto ou imagem possui conteúdo ilícito, o provedor deve retirar o material do
ar no prazo de 24 horas, sob pena de responder solidariamente com o autor direto do dano, pela omissão
praticada. REsp 1.323.754-RJ, Rei. Min. Nancy Andrighi,julgado em 19/6/2012.

~ STJ 500 CDC. RESPONSABILIDADE CIVIL. PROVEDOR DE INTERNET. ANÚNCIO ERÓTICO. Para a Turma,
o recorrente deve ser considerado consumidor por equiparação, art. 17 do CDC. tendo em vista se tratar de
terceiro atingido pela relação de consumo estabelecida entre o provedor de internet e os seus usuários .. REsp
997.993-MG, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 21/6/2012.

STJ 499 INDENIZAÇÃO. MATÉRIA JORNALISTICA. DIREITO DE INFORMAR. LIBERDADE DE IMPRENSA. A


Turma deu provimento ao recurso para afastara responsabilização da empresa jornalística, ora recorrente,
pelo pagamento de indenização ao recorrido (magistrado), sob o entendimento de que, no caso, não existiria
ilícito civil, pois a recorrente teria atuado nos limites do exercício de informar e do principio da liberdade

63
Art. 12

da imprensa.(...) Portanto, essa contemporaneidade entre os eventos da divulgação do relatório final da CPI e
da publicação da notfcia eivada de ácida crftiça ao magistrado é levada em conta para descaracterizar o abuso
no exerdcio da liberdade de imprensa. Desse modo, embora não se possa duvidar do sofrimento experimentado
pelo recorrido, a revelar a presença de dano moral, este não se mostra indenizável, dadas as circunstâncias do
caso, por força daquela uimperiosa cláusula de modicidade" subjacente a que alude a Suprema Corte no
julgamento da ADPF 130-DF. Precedentes citados do STF: ADPF 130-DF, DJe de S/11/2009; do STJ: REsp 828.107-
SP, DJ 25/9/2006. REsp 801.109-DF, Rei. Mln. Raul Araújo, julgado em 12/6/2012.
r-----------~~;-----.~~'~----~.---,-----~----.--_,"""
:
• -;.-.~>~ "!'\~- ~ -~.---.,
Observação dos autores: A imperiosa cláusula de modicidácie a que se refére o informatl~o, destacada :
1 quqndo da ADPF 13Q.-DF, emq{tese]W{foú rlq() r~cepcionadá (inc6nst(tt)clpf1al} li Lei de Jmprehsa, estabeléceqúe. 1
1 o agente públicdodque exerÇa 'f!jnção públlca.éstásob constante vigfllásocral, não estdncto,jiottanto, imune izi 1
I Crft/cas. Qualquer suposta agressão à honrà. de um agente p'úb/ic:a dê~e sefsopesada c:qm atenção espéciàl, pois\ • I
: do çantrário correr-se-/a o risco de criar nebulosa visão da soéledqde sobre os atos por tálspess()as efetíVados, o· :
1 ' que; de mais a mÓis, pÓderia até mesmo Impossibilitar
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a fiscalitaçdd sobreestes agentes. ·· · · · ,\ ''
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STJ 497 DIREITO AUTORAL RETRANSMISSAO. TV. CLINICA MéDICA. A Turma, seguindo entendimento firma-
do nesta Corte, assentou que é legitima a cobrança de direito autoral de clínicas médicas pela disponibilização
de aparelhos de rádio e televisão nas salas de espera. REsp 1.067.706-RS, Rei. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 8/S/2012.

STJ 497 DIREITO PATRIMONIAL. OBRA CINEMATOGRÁFICA. A remuneração dos intérpretes em obra cine-
matográfica, salvo pactuação em contrário, é a previamente estabelecida no contrato de produção,- o que não
confere ao artista o direito à retribuição pecuniária pela exploração econômica posterior do filme. (art. 68, § 3°,
da Lei no 9.610/1998). REsp 1.046.603-RJ, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 8/5/2012.

STJ 495 DANOS MORAIS. MATÉRIA JORNALISTICA. PUBLICAÇAO DE FOTO SEM AUTORIZAÇAO. O Min.
Relator destacou que o direito à imagem, qualificado como direito personalíssimo, assegura a qualquer pessoa
a oposição da divulgação da sua imagem, em circunstâncias concernentes a sua vida privada e intimidade. Ob-
servou, contudo, que a veiculação de fotografia sem autorização não gera, por si só, o dever de indenizar, sendo
necessária a análise específica de cada situaç.:io. No presente caso, reputou-se que a matéria jornalística teve
como foco a intimidade do recorrido, expondo, de forma direta e clara, sua opção sexual.( ... ). REsp 1.235.926-
SP, Rei. Min. Sidnei Beneti, julgado em lS/3/2012.

STJ 49S INDENIZAÇAO. MATÉRIA JORNAL(STICA. DIREITO DE INFORMAR. LIBERDADE DE IMPRENSA.(...)


Inicialmente, observou o Min. Relator que, em se tratando de matéria veiculada pela imprensa, a responsabili-
dade civil por danos morais emerge quando a reportagem for divulgada com a intenção de injuriar, difamar ou
caluniar. Nessas hipóteses, a responsabilidade das empresas jornalísticas seria de natureza subjetiva, dependendo
da aferição de culpa, sob pena de ofensa à liberdade de imprensa. Assentou, ainda, que, se o fato divulgado
for verídico e estiver presente o interesse público na informação, não há que falar em abuso na veiculação da
notícia, caso em que, por consectário, inexiste o dever de indenizar, sendo essa a hipótese dos autos.(...). REsp
1.268.233-DF, Rei. Min. Massami Uyeda, julgado em 15/3/2012.

STJ 495 DANO MORAL DIREITO DE INFORMAR E DIREITO AIMAGEM. O direito de informar deve ser ana-
lisado com a proteção dada ao direito de imagem. O Min. Relator, com base na doutrina, consignou que, para
verificação da gravidade do dano sofrido pela pessoa cuja imagem é utilizada sem autorização prévia,
devem ser analisados: (i) o grau de consciência do retratado em relação à possibilidade de captação da sua
imagem no contexto da imagem do qual foi extraída; (li) o grau de identificação do retratado na imagem
veiculada; (iii) a amplitude da exposição do retratado; e (iv) a natureza e o grau de repercussão do meio
pelo qual se dá a divulgação. De outra parte, o direito de informar deve ser garantido, observando os
seguintes parâmetros:(i) o grau de utilidade para o público do fato informado por meio da imagem; (i i) o
grau de atualidade da imagem; (iii) o grau de necessidade da veiculação da imagem para informar o fato; e
(iv) o grau de preservação do contexto originário do qual a imagem foi colhida. (...)Precedentes citados: REsp
267.S29-RJ, DJ de 18/12/2000; REsp 1.219.197-RS, DJe de 17/10/2011; REsp 1.005.278-SE, DJe de 11111/2010; REsp
569.812-SC. DJ de 1°/8/2005. REsp 794.586-RJ, Rei. Min. Raul Araújo, julgado em 15/3/2012.

STJ 49S DANO MORAL. PUBLICAÇAO. REVISTA. (...) A Turma, por maioria, deu provimento ao recurso por
entender que a lei não fixa valores ou critérios para a quantificação do valor do dano moral.. REsp 1.120.971-RJ.
Rei. Min. Sidnei Beneti, julgado em 28/2/2012.

RE-ARE 660.861-MG. Rei. Min. Luiz FuxGoogle. Redes sociais. Sites de relacionamento. Publicação de men-
sagens na internet. Conteúdo ofensivo. Responsabilidade civil do provedor. Danos morais. Indenização. Colisão
entre liberdade de expressão e de informação vs. Direito à privacidade, à intimidade, à honra e à imagem.
Repercussão geral reconhecida. (lnfo 687, 2012)
64
Art.12

• Ação indenizatória. Legitimidade. Se reconhece, ante as particularidades do caso concreto, a leg'timidade


da sogra para propor ação indenizatória por acidente de trânsito que vitimou o genro. Na espécie, ficaram
demonstradas a relação de proximidade entre ambos, já que a vítima morava na casa da autora e era ela a
responsável pela criação dos netos, e a saúde debilitada de sua filha, companheira da vítima. REsp 865.363, rei.
Min. Aldir Passarinho Jr., 21.10.10. 4• T. (lnfo 452, 2010)

• Dano moral. Uso indevido. Imagem.( ...) A Hmitação do prazo decadencial disposta na citada lei não foi recep-
cionada pela CF, uma vez que incompatfvel com seu art. s•, X, que erigiu o dano moral a direito fundamental do
cidadão, de sorte que é inadmissfvel tratamento temporal diferenciado e privilegiado para essa espécie de lesão,
apenas porque perpetrada pela mídia, seus agentes e colaboradores. Ademais, o Plenário do STF declarou incons-
titucional a lei de Imprensa por inteiro( ... ). REsp 1.095.385, rei. Min. Aldir PassarinhoJr., 7.4.11. 4" T. (lnfo 468, 2011)

• Dano moral. Nepotismo cruzado. Reportagem televisiva. Não é a simples divulgação da imagem cue gera o
dever de indenizar; faz-se necessária a presença de outros fatores que evidenciem o exercício abusivo :lo direito
de informar ou mesmo de divulgar a imagem, causando situação vexatória no caso das pessoas públf.:as, assim
denominadas pela doutrina. REsp 1.237.401, rei. Min. Maria Gal/otti, 21.6.11. 4• T. (lnfo 478, 2011)

• Dano. Imagem. Nome. Guia. Plano. Saúde. O nome é um dos atributos da personalidade, pois faz reconhecer
seu portador na esfera íntima e em suas relações sociais. O nome personifica, individualiza e identifica a .::>essoa de
forma a poder impor-lhe direitos e obrigações. Desse modo, a inclusão dos nomes cos médicos recorridos em guia
de orientação de plano de saúde sem que haja a devida permissão é dano presumido à imagem, o que gera indeni-
zação sem que se perquira haver prova de prejuízo. REsp 1.020.936, rei. Min. Luis Salomão, 17.2.11. 4• T. (lnfo463, 2011)

~ Direito civil. Danos morais. Matéria jornalística sobre pessoa notória. Não constitui ato ilícito apto 3 pro-
dução de danos morais a matéria jornalística sobre pessoa notória a qual, além de encontrar apoio em matérias
anteriormente publicadas por outros meios de comunicação, tenha cunho meramente investigativo, reves:indo-
-se, ainda, de interesse público, sem nenhum sensacionalismo ou intromissão na privacidade do a•Jtor. REsp
1.330.028, rei. Min. Ricardo Vil/as Bôas Cueva, j. 6.11.12. 3• T. (lnfo 508, 2012)

Direito civil. Direitos da personalidade. Utilização de imagem de pessoa públicà sem autorização. Finalidade
exclusivamente econômica. Existência de dano moral. REsp 1.102.756, rei. Min. Nancy Andrigui, j. 20. 11.12. 3" T.
(In fo 509, 2012)

Direito civil. Obrigação de publicação da sentença condenatória. Ofensa à honra em veículo de comuni:ação.
É possível que sentença condenatória determine a sua divulgação nos mesmos veículos de comunícaçã:> em
que foi cometida a ofensa à honra, desde que fundamentada em dispositivos legais diversos da Lei de Imprensa.
AR 4.490-DF, rei. Min. V. 8. Cueva,julgada em 24.10.12. 2" S. (lnfo 507, 2012)

Danos materiais. Promoção publicitária de supermercado. Sorteio de casa. Teoria da perda de uma chance.l.
A recorrente recebeu bilhete para participar de sorteio em razão de compras efetuadas em hipermercado. 1~este
constava "você concorre a 900 vales-compras de R$ 100.00 e a 30 casas." Foi sorteada e, ao comparecer para receber
o prêmio, obteve apenas um vale-compras, tomando, então, conhecimento de que, segundo o regulamento, as
casas seriam sorteadas àqueles que tivessem sido premiados com os vale-compras. Este segundo sorteio, tcdavia,
já tinha ocorrido, sem a sua participação. As trinta casas já haviam sido sorteadas entre os demais par:'ápantes.
2. Violação do dever contratual, previsto no regulamento. de comunicação à autora de que fora uma das contem-
pladas no primeiro sorteio e de que receberia um segundo bilhete, com novo número, para concorrer às casas em
novo sorteio. Fato incontroverso, reconhecido pelo acórdão recorrido, de que a falta de comunicação a carg:J dos
recorridos a impediu de participar do segundo sorteio e. portanto, de concorrer, efetivamente, a uma dao trinta
casas. 3. Acircunstância de a participação no sorteio n,io ter sido diretamente remunerada pelos consumidores,
sendo contrapartida à aquisição de produtos no hipermercado. não exime os promotores do evento do de,;er de
cumprir o regulamento da promoção, ao qual se vincularam. 4. Dano material que, na espécie, não co-responde
ao valor de uma das trinta casas sorteadas, :nas à perda ela chance, no caso, de 30 chances, em 900, de cbter o
bem da vida almejado. S. Ausência de publicidade enganosa ou fraude a justificar indenização por dan::> m~ral. O
hipermercado sorteou as trinta casas prometidas entre os participantes, faltando apenas com o dever contratual
de informar, a tempo, a autora do segundo sorteio. Não é consequência inerente a qualquer dano material
a existência de dano moral indenizável. Não foram descritas nos autos consequências extrapatrimoniais
passíveis de indenização em decorrência do aborrecimento de se ver a autora privada de participar do
segundo sorteio. EDcl no AgRg no Ag 1.196.957, rei. Min. Maria I. Gallotti, j. 10.4.12. 4" T. (lnfo 495, 2012)

Direito civil. Responsabilidade civil. Dano moral por morte de parente. A indenização por dano moral decor-
rente da morte de parente deve ser fixada de forma global à família do falecido e com observância ao montante
de quinhentos salários mfnimos, usualmente adotado pelo STJ, ressalvada a possibilidade de acréscirro de valor
em se tratando de famílias numerosas. REsp 1.127.913, Hei. plac. Min. Luis F. Salomão,j. 20.9.12. 4" T. (lnfa 505, 2012)
65
Art.12 ''''"'•*l•l}1Qtii•'1U!1"1;mh1
..........................................................................................................................................................................................
Indenização. lesões corporais sofridas por associado em clube de campo. Disparo de arma de fogo efetuado
pelo segurança. Mantida a condenação de clube de campo ao pagamento de indenização por danos morais e
materiais a associado na importância de R$ 100 mil, em razão das lesões sofridas na face e em uma das pernas
decorrentes de disparos de anna de fogo efetuados pelo segurança do clube, nas dependências da associação
recreativa. (Súm. 211/STJ). REsp 827.010-SP. Min. Antônio Carlos Ferreira, j. 16.2.12. 4° T. (lnfo 491, 2012)

~ Cheque sustado. Devolução. Credor. Dano moral. O banco, ao entregar os cheques sustados ao devedor em
vez de fazê-lo ao credor, impediu o exerdcio de direitos cambiários inerentes ao título e, assim, cometeu ato
iHcito com consequente indenização pelo dano moral sofrido pelo credor. REsp 896.867, rei. Min. Luis Salomão,
10.5.11. 4• T. (lnfo 472, 2011)

Critérios. Fixação. Valor. Indenização. Acidente. Trânsito.1. Discussão restrita à quantificação da indenização
por dano moral sofrido pelo esposo da vitima falecida em acidente de trânsito, que foi arbitrado pelo tribunal
de origem em dez mil reais... 3. Elevação do valor da indenização por dano moral na linha dos precedentes desta
Corte, considerando as duas etapas que devem ser percorridas para esse arbitramento. 4. Na primeira etapa,
deve-se estabelecer um valor básico para a indenização, considerando o interesse jurídico lesado, com base
em grupo de precedentes jurisprudenciais que apreciaram casos semelhantes. 5. Na segunda etapa, devem ser
consideradas as circunstâncias do caso, para fixação definitiva do valor da indenização, atendendo a determi-
nação legal de arbitramento equitativo pelo juiz. 6. Aplicação analógica do enunciado normativo do parágrafo
único do art. 953 do CC/02. REsp 959.780, rei. Min. Tarso Sanseverino, 26.4.11. 3° T. (lnfo 470, 2011)

~ Dano moral. Travamento. Porta giratória.lnsulto. Funcionário. Banco. No caso as instâncias ordinárias con-
cluíram que, por período razoável (por mais de 10 minutos), o autor recorrido permaneceu desnecessariamente
retido no compartimento de porta giratória, além de ser insultado por funcionário de banco que, em postura de
profunda inabilidade e desprezo pelo consumidor, afirmou que ele teria "cara de vagabundo". Logo, restou pa-
tente a ofensa a honra subjetiva do recorrido, que se encontrava retido na porta giratória, em situação de extrema
vulnerabilidade, inadequadanente conduzido pelo vigilante e funcionários do banco e, ainda assim, foi atingido
por comentários despropositados e ultrajantes. REsp 983.016, rei. Min. Luis Salomão, 11.10.11. 4° T. (lnfo485,2011)

Erro médico. Prescrição. Termo "a quo".l. Ignorando a parte que em seu corpo foram deixados instrumentos
utilizados em procedimento cirúrgico, a lesão ao direito subjetivo é desconhecida e não há como a pretensão ser
demandada em juízo'. 2. O termo "a quo" do prazo prescriCional é a data em que o lesado tomou conhecimento
da existência do corpo estranho deixado no seu abdome. REsp 1.020.801, rei. Min. João O. Noronha, 26.4.11. 4° T.
(lnfo 470, 2011)

Indenização. Acidente aéreo. Fotógrafo. O recorrente, fotógrafo profissional especializado em fotos aéreas,
ajuizou ação de danos materiais e morais contra a recorrida. sociedade empresária de táxi aéreo, ao fundamento
de que, em razão da queda :lo helicóptero em que se encontrava, sofreu fraturas e danos psicológicos que o
impossibilitaram de exercer seu ofício por mais de 120 dias e o impediram de retomar os trabalhos de fotografia
aérea. Nesse contexto, faz jt:s o recorrente ao recebimento de lucros cessantes, visto que comprovadas a rea-
lização contínua da atividade e a posterior incapacidade absoluta de exercê-la no período de convalescência.
REsp 971.721, rei. Min. Luis Salomão, 17.3.11. 4° T. (lnfo 466, 2011)

Responsabilidade civil. Bebida alcoólica. Trata-se, na origem, de ação indenizatória por danos morais e
materiais promovida pelo ora recorrido em desfavor da ora recorrente, companhia de bebidas ao fundamento
de que, ao consumir, por diversos anos, conhecida marca de cachaça, tornou-se alcoólatra, circunstância que
motivou a degrad~ção de >•Ja vida pessoal e profíssiona:, vindo a falecer no curso da presente ação. Embora
notórios os malefícios do consumo excessivo de bebidas alcoólicas, tal atividade é exercida dentro da legalidade,
adaptando-se às recomendações da Lei 9.294/96, que modificou a forma de oferecimento ao mercado consumi-
dor de bebidas alcoólicas e não alcoólicas, ao determinar, quanto às primeiras, a necessidade de ressalva sobre
os riscos do consumo exagerado do produto. REsp 1.261.9•!3, rei. Min. Massami Uyeda, 22.11.11. 3° T. (In fo 488, 2011)

Responsabilidade civil. Médico. Cirurgia estética e reparadora. Este STJ já se manifestou acerca da relação
médico-paciente, conci•Jinc'o tratar-se de obrigação de rneio, e não de resultado, salvo na hipótese de cirurgias
estéticas. No entanto, no caso, trata-se de cirurgia de natureza mista- estética e reparadora- em que a respon-
sabilidade do médico não pode ser generalizada, devendo ser analisada de forma fracionada, conforme cada
finalidade da intervenção. Numa cirurgia assim, a responsabilidade do médico será de resultado em relação
à parte estética da intervenção e de meio em relação à sua parte reparadora. REsp 1.097.955, rei. Min. Nancy
Andrighi, 27.9.11. 3• T. (lnfo 484, 2011)

Dano moral. Apontamento de título para protesto. Pessoa jurídica. "Nas hipóteses em que a notificação é
feita diretamente no endereço indicado pelo apresentante, seja por portador do Tabelionato, seja por corres-
pondência registrada com aviso de recebimento, como E- usual, não há qualquer publicidade do apontamento
66
Art.12

do título para protesto" (REsp 1017970,). 3. Nessas circunstâncias, em regra, não tendo sido efetivamente lavrado
ou registrado o protesto do título, descabe indenização por dano moral. REsp 1.005.752, rei. Mín. Luis F. Salomão,
j. 26.6.12. 4• T. (lnfo 500, 2012)

Dano moral. Espera em fila de banco.l. A espera por atendimento em fila de banco quando excessiva ou
associada a outros constrangimentos, e reconhecida faticamente como provocadora de sofrimento moral, enseja
condenação por dano moral. REsp 1.218.497, rei. Min. Sidnei Benetí,j. 11.9.12. 3•T. (lnfo 504, 2012)

~ Dano moral. Exame clínico. HIV. Ação de compensação por danos morais ajuizada pela recorrente contra o
hospital pelo fato de o nosocômio ter emitido três exames de HIV com o resultado positivo equivocado. A min.
rei. ressaltou que o defeito no fornecimento do serviço, com exame repetido e confirmado, ainda que com a
ressalva do médico de que poderia ser necessário exame complementar, causa sofrimento à paciente, visto que
o recorrido assumiu a obrigação de realizar exame com resultado veraz, o que não ocorreu. REsp 1.291.576, rei.
Min. Nancy Andrighi, j. 28.2.12. 3• T. (lnfo 492, 2012)

Dano moral. Parlamentar. A fixação do valor de indenização por danos morais só pode ser revisada pelo
tribunal se o montante for irrisório ou exagerado, em flagrante inobservância dos princípios da razoabilidade
e da proporcionalidade. REsp 685.933, rei. Min. Raul Araújo,j. 15.3.12. 4• T. (lnfo 493, 2012)

~ Dano moral. Preservativo em extrato de tomate. O fato de a consumidora ter dado entrevista aos meios de
comunicação não fere seu direito à indenização; ao contrário, divulgar tal fato, demonstrando a justiça feita,
faz parte do processo de reparação do mal causado, exercendo uma função educadora. REsp 1.317.611, rei. Min.
Nancy Andrighi,j. 12.6.12. 3• T. (lnfo 499, 2012)

Dano moral. Repreensão em escola. legitimidade. Valor da indenização. Trata-se de ação de indenização
proposta pelos pais da vítima- uma adolescente já falecida ao tempo da propositura da presente demanda
- em conjunto com o seu ex-namorado à época dos fatos, contra diretora escolar que supostamente teria
repreendido, de forma excessiva, o casal de namorados que trocavam carfcias no pátio do colégio- mesmo
após advertência anterior pelo mesmo motivo. Consta ainda que, em razão dos fatos narrados, foi determinado
o desligamento do casal de estudantes do estabelecimento de ensino. Acolhida a pretensão nas instâncias
ordinárias, a diretora do estabelecimento comercial foi condenada ao pagamento de danos morais sofridos
pelo casal. (...) No mérito, não obstante a diretora tenha agido com rigidez para com os alunos, aparentou
cuidado que não extrapolou o limite do razoável, sobretudo porque não utilizou expressões incompatíveis
com o contexto educacional. Assim, os danos morais foram fixados em valor exacerbado e restou configurada
a exceção que autoriza a alteração pelo STJ do valor da condenação por danos morais. REsp 705.870, rei. Min.
Raul Araújo, j. 21.8.12. 4' T. (lnfo 502, 2012)

Danos morais. Abandono afetivo. Dever de cuidado.1. Inexistem restrições legais à aplicação das regras
concernentes à responsabilidade civil e o consequente dever de indenizar/compensar no Direito de Família.
2. O cuidado como valor jurídico objetivo está incorporado no ordenamento jurídico brasileiro não com essa
expressão, mas com locuções e termos que manifestam suas diversas desinências, como se observa do art.
227 da CF. 3. Comprovar que a imposição legal de cuidar da prole foi descumprida implica em se reconhecer a
ocorrência de ilicitude civil, sob a forma de omissão. Isso porque o non facere, que atinge um bem juridicamente
tutelado, leia-se, o necessário dever de criação, educação e companhia- de cuidado- importa em vulneração
da imposição legal, exsurgindo, daí, a possibilidade de se pleitear compensação por danos morais por aban-
dono psicológico. 4. Apesar das inúmeras hipóteses que minimizam a possibilidade de pleno cuidado de um
dos genitores em relação à sua prole, existe um núcleo mínimo de cuidados parentais que, para além do mero
cumprimento da lei, garantam aos filhos, ao menos quanto à afetividade, condições para uma adequada formação
psicológica e inserção social. 5. A caracterização do abandono afetivo, a existência de excludentes ou, ainda,
fatores atenuantes - por demandarem revolvimento de matéria fática- não podem ser objeto de reavaliação
na estreita via do recurso especial. 6. A alteração do valor fixado a título de compensação por danos morais
é possível, em recurso especial, nas hipóteses em que a quantia estipulada pelo Tribunal de origem revela-se
irrisória ou exagerada. REsp 1.159.242, rei. Min. Nancy Andrighi, j. 24.4.12. 3' T. (lnfo 496, 2012)

Direito administrativo. Responsabilidade civil. Dano moral. Pessoa jurídica. Honra objetiva. Violação.
Pessoa jurídica pode sofrer dano moral, mas apenas na hipótese em que haja ferimento à sua honra objetiva,
isto é, ao conceito de que goza no meio social.. REsp 1.298.689, rei. Min. Castro Meira,j. 23.10.12. 2• T. (lnfo 508, 2012)

Compra. Venda. lmóvel.lnadimplência.lncorporadorá. Danos morais. O acórdão recorrido chegou à con-


clusão de que a ocorrência de dano moral, no caso, decorreu do não cumprimento de contrato de promessa de
compra e venda de imóvel, cujo atraso já conta com mais de 10 (dez) anos, circunstância que extrapolao mero
aborrecimento. REsp 617.077, rei. Min. Luis Salomão, 5.4.11. 4" T. (lnfo 468, 2011)

67
Art. 12 iiiiii!•l••fi+1Rt1'1"!1Ueiili;M~i

Responsabilidade civil. Dano moral. Obra j!Jrfdico-informativa. Ressalvadas as hipóteses de responsabilidade


objetiva previstas no sistema de responsabilidade civil, não cabe Indenização se ausentes o dolo, a culpa ou o
abuso de direito. REsp 1.193.886, rei. Min. Luis F. Salomão, 9.17.70. 4•T. (lnfo4SS, 2010)

Intimação. Devedores. Purgação. Mora. Danos morais. Afasta-se a indenização ao argumento de que o
entendimento do tribunal •a quo" está em consonância com a orientação deste STJ quando afirma ser indis-
pensável a intimação pessoal dos devedores acerca da data designada para o leilão do imóvel hipotecado em
processo de execução extrajudicial realizado nos moldes do DL 70/66. Porém; entendeu que somente a perda
de uma oportunidade real, plausível e séria justifica a indenização por danos morais. No caso, a chance de que
fosse purgada a mora após a intimação pessoal dos devedores era remota e inexpressiva; REsp 1.115.687, rei. Min.
Nancy Andrighi, 18.11.10. 3" T. (In fo 456, 2010)

Danos morais reflexos. Legitimidade. Reconhece-se a legitimidade ativa dos pais de vítima direta para,
conjuntamente com essa, pleitear a compensação por dano moral por ricochete, porquanto experimentaram,
comprovadamente, os efeitos lesivos de forma indireta ou reflexa. REsp 1.208.949, rei. Min. Nancy Andrighi. j.
7.12.10. 3• T. (lnfo 459, 2010)

Danos morais. Hospital. Culpa. Aumenta-se o "quantum" indenizatório de danos morais, cabendo a culpa do
hospital psiquiátrico por não zelar pela segurança de seus pacientes, para evitar mortes decorrentes de agressão
de internado enfermo por outro paciente. Outrossim, contam-se os juros a partir da data do evento danoso,
porquanto, no caso, não se trata de responsabilidade contratual. REsp 825.275, rei. Min. Fernando Gonçalves,
2.2. 70. 4• T. (lnfo 421, 2010)
.................................................................................................................................................................... .....................
;;

Danos morais. Batismo. Na hipótese, tratando-se da celebração de batismo, ato único e significativo na vida da
criança, ele deve, sempre que possível, ser realizado na presença de ambos os pais. Assim, o recorrido (pai), ao
subtrair da recorrente (mãe) o direito de presenciar a referida celebração, cometeu ato ilfcito, ocasionando-lhe
danos morais nos termos do art. 186 do CC/2002. REsp 1.117.793, rei. Min. Nancy Andrighi, 4.2.10. 3• T. (lnfo 421, 2010)

Danos morais. Advogado.1. O advogado, ainda que submetido à relação de emprego, deve agir de conformida-
de com a sua consciência profissional e dentro dos par~ metros técnicos e éticos que a regem. 2. Em decorrência,
sua atuação em juízo, mesmo mantendo vínculo empregatício com a parte, será sempre relação de patrocínio,
sem submissão ao poder diretivo do empregador, que não se responsabiliza por supostas ofensas irrogadas
em juízo. REsp 1.048.970, rei. Min. Fernando Gonçalves, 15.4.10. 4" T. (lnfo 430, 2010) ·

Dano moral. Valor.lndenização.A fixação do valor do dano moral sofrido pelo autor, que ficou paraplégico e
se viu condenado a permanecer indefinidamente em uma cadeira de rodas, no montante de R$ 40 mil encontra-
-se em dissonância com as balizas desta Corte para casos análogos. Recurso parcialmente provido para majorar
o quantum indenizatório para R$ 250 mil). REsp 1.189.465, rei. Min. Nancy Andrighi, 26. 10. 10. 3" T. (lnfo 453, 2010)

Dano moral. Valor.O valor fixado pelas instâncias ordinárias a título de danos morais não se distanciou dos
padrões de razoabilidade, não se caracterizando como irrisório ou exorbitante, não devendo, por isso, ser alte-
rado. AgRg no Ag 1.152.301, rei. Min. Raul Araújo Filho, 15.6.10. 4" T. (lnfo 439, 2010)

Dano moral. Valor,A intromissão do STJ na revisão do dano moral somente deve ocorrer em casos em que a
razoabilidade for abandonada, denotando um valor indenizatório abusivo, a ponto de implicar enriquecimento
indevido, ou irrisório, a ponto de tornar inócua a compensação pela ofensa efetivamente causada. REsp 879.460,
rei. Min. Aldir Passarinho Jr., 6.4.10. 4" T. (lnfo 429, 2010)

Dano moral. Valor. Trata-se, na origem, de ação de indenização por danos morais em razão de expressões
ofensivas inseridas em matérias veiculadas em jornal publicado pela ora recorrente, as quais causaram abalo
à imagem do ora recorrido, juiz de direito. Diminui-se o valor da indenização para R$ 100 mil, devendo incidir
juros moratórios a partir do evento danoso e correção monetária a partir da prolação da decisão deste STJ. REsp
969.831, rei. Min. João Otóvio de Noronha, 22.6.10. 4" T. (tnfo 440, 2010)

Dano moral. Suspensão. Energia elétrica. Hospital.lndenização por dano moral indevida porque o corte no
fornecimento do serviço [em hospital particular] foi precedido de todas as cautelas legais, restabelecendo-se o
fornecimento após, mesmo com a inadimplência de elevado valor. REsp 771.853, rei. Min. Eliana Calmon, 2.2.10.
2° T. (lnfo 421, 2010)

Dano moral. Registro. Alienação. Imóvel. Esta Corte pacificou o entendimento quanto à legalidade do pro-
testo contra alienação de imóvel (EREsp 440837), que uniformizou a jurisprudência no sentido de se permitir
a averbação dentro dos limites do poder geral de cautela do juiz. REsp 687.300, rei. Min. Luis F. Salomão, 5.8.10.
4" T. (lnfo 441, 2010)
68
lli!Jdeld•lifjijJ}iaf;(J Art.12

Dano moral. Mestrado. Curso não reconhecido. A tese vencedora considerou só haver, no caso, o dano moral
já concedido, mas não estar configurado o lucro cessante. Ademais, o reflexo de uma prestação defeituosa não
poderia influir em questão diversa, o benefício na carreira da pessoa, o que transcende à possibilidade de ava-
liaç5o do potencial do lucro cessante. Também, considerou que não se poderia compreender apenas sob a ótica
I
1,
.
material curso de mestrado ou doutorado. REsp 998.265, rei. p/ac. Min. AldirPassarinhoJr., 15.4.10. 4"T. (lnfo430, 2010)

Dano moral. Fumante.2. É incontroverso nos autos que o Autor começou a fumar nos idos de 1988, mesmo
ano em que as advertências contra os malefícios provocados pelo fumo passaram a ser veiculadas nos maços
de cigarro. 3. Tal fato, por si só, afasta as alegações do Recorrido acerca do desconhecimento dos malefícios
causados pelo hábito de fumar, pois, mesmo assim, com as advertências, explicitamente estampadas nos ma-
ços, Miguel Eduardo optou por adquirir, espontaneamente, o hábito de fumar, valendo-se de seu livre-arbítrio.
4. Por outro lado, o laudo pericial é explícito ao afirmar que não pode comprovar a relação entre o tabagismo
do Autor e o surgimento da Tromboangefte Obliterante. S. Assim sendo, rompido o nexo de causalidade da
obrigação de indenizar, não há falar-se em direito à percepção de indenização por danos morais. REsp 886.347,
rei. Min. Honildo Castro, 25.5.10. 4° T. (lnfo 436, 2010)

~ Dano moral. Demora. Liberação. Hipoteca. A demora injustificada na liberação do gravame hipotecário dá
ensejo a condenação por dano moral, não se tratando de mero descumprimento contratual. REsp 966.416, rei.
Min. Massami Uyéda, 8.6.10. 3• T. (lnfo 438, 2010)

Termo inicial. Juros. Mora. Dano motal. O início do prazo para a fluência dos juros de mora, nos casos de
condenação à indenização por dano moral decorrente de responsabilidade extracontratual. ocorre na data do
evento danoso, de acordo com a Súm. 54/STJ. REsp 1.132.866, rei. piac. Min. Sidnei Beneti, 23.11.11. 2• S. (lnfo 488, 2011)

~ Responsabilidade civil. Hospital. Dano material e moral. Ademais, nos termos do§ 1° e§ 4° do art. 14 do
CDC, cabe ao hospital fornecedor demonstrar a segurança e a qualidade da prestação de seus serviços, devendo
indenizar o paciente consumidor que for lesado em decorrência de falha naquela atividade. REsp 1.145.728, rei.
p/ac. Min. Luis Salomão, 28.6.11. 4• T. (lnfa 479, 2011}

Responsabilidade. Acidente aéreo. Legitimidade. Irmão. Os irmãos têm legi,timidade ativa "ad causam"
para pleitear indenização por danos morais decorrentes do falecimento de outro irmão, quanto mais no caso,
em que ficou comprovado nas instâncias ordinárias haver fortes laços afetivos entre a vítima e a autora irmã.
Anote-se estarem vivos os pais da vítima, os quais celebraram acordo com a companhia aérea ré. AgRg no Ag
1.316.179, rei. Min. Luis Salomão, 14.12.10. 4" T. (lnfo 460, 2011)

Indenização. Sucessores. Legitimidade. O direito à indenização, isto é, o direito de exigir a reparação do


dano, inclusive de ordem moral, é assegurado aos sucessores do lesado, transmitindo-se com a herança. REsp
1.071.158, Rei Min. Nancy Andrighi; 25.10.11. 3° T. (lnfo 486, 2011)

Indenização. Danos morais. Denúncia. Polícia. I. Em princípio. não dá ensejo à responsabilização por danos
morais o ato daquele que denuncia à autoridade policial atitude suspeita ou prática criminosa, porquanto tal
constitui exercício regular de um direito do cidadão, ainda que, eventualmente. se verifique, mais tarde. que
o acusado era inocente ou que os fatos não existiram. 11. Todavia, configura-se o ilícito civil indenizável, se o
denunciante age com dolo ou culpa, e seu ato foi relevante para produção do resultado lesivo. 111. Caso em
que houve imprudência e excesso dos recorrentes, que além de fornecer informação equivocada, ameaçou
anteriormente a autora com vários telefonemas e, inclusive, de fornecer uma suposta gravação à mídia para
divulgação. IV. Reconhecida a responsabilidade da recorrente, cabível a indenização, quantificada, no caso, em
valor não abusivo. REsp 1.040.096, rei. Min. Aldir Passarinho .Ir., 8.2.11. 4" T. (lnfa 462, 2011)
.........................................................................................................................................................................................
Indenização. Danos morais. Sucessores. Aquele que é compelido a deixar imóvel no qual residia há anos, por
culpa de terceiro, sofre dano moral indenizável. REsp 1.040.529, rei. Min. Nancy Andrighi, 2.6.11. 3" T. (lnfo 475, 2011)

Indenização. Danos materiais e morais. Exame involuntário. Trata-se, na origem, de ação de reparação
por danos materiais e compensação por danos morais contra hospital no qual o autor, recorrente, alegou que
preposto do recorrido, de forma negligente, realizou exame náo solicitado, qual seja, anti-H IV, com resultado
positivo, o que causou enorme dano, tanto material quanto moral, com manifesta violação da sua intimidadeSob
o prisma individual, o direito de o individuo não saber que é portador de HIV (caso se entenda que este seja um
direito seu, decorrente da sua intimidade) sucumbe, é suplantado por um direito maior, qual seja, o direito à vida
longeva e saudável. Esse direito somente se revelou possível ao autor da ação com a informação, involuntária
é verdade, sobre o seu real estado de saúde. Logo, mesmo que o individuo não queira ter conhecimento da
enfermidade que o acomete, a informação correta e sigilosa sobre o seu estado de saúde dada pelo hospital ou
laboratório, ainda que de forma involuntária, ui como no caso, não tem o condão de afrontar sua intimidade,
na medida em que lhe proporciona a protec.'• Ie um direito maior. REsp 7.195.995, rei. pia c. Min. Massami Uyedo,
22.3.11. 3" T. (In fo 467, 2011}
69
Art. 12 liiiii!•II•41P4}1•6f1Ui!iii;L1hi
Danos morais. Reconhecimento. Curso superior. CRF.1. A instituição de ensino que não providencia, durante
o curso, a regularização de curso superior junto ao MEC, é responsável pelo dano moral causado a aluno que,
a despeito da colação de grau, não pode se inscrever no Conselho Profissional respectivo e, assim, exercer o
oficio para o qual se graduou. REsp 1.034.289, rei. Min. Sidnei Beneti, 17.5.11. 3" T. (lnfo 473, 2011)

Danos morais. Infecção hospitalar. Juros. Mora. Termo inicial(... ) segundo o entendimento do STJ, com a
redução da capacidade laborativa, mesmo que a vítima, no momento da redução, não exerça atividade remu-
nerada por ser menor, tal como no caso, a pensão vitalícia é devida a partir da data em que ela completar 14
anos no valor mensal de um salário mínimo. Em se tratando de dano moral, os juros moratórios devem fluir,
assim como a correção monetária, a partir da data do julgamento em que foi arbitrado em definitivo o valor da
indenização. REsp 903.258, rei. Min. Maria Gallottl, 21.6.11. 4" T. (lnfo 478, 2011)

Dano moral. Oficial. Cartório. Descumprimento. Ordem judicial. O oficial de cartório responde pelos danos
morais causados em decorrência de descumprimento de ordem judicial REsp 1.100.521, rei. Min. Nancy Andrighi,
8.11.11. 3°T. (lnfo487,2011)

Dano moral. Incorporação imobiliária. (...)certo que a Lei 4.591/64 (lei do Condomfnlo e Incorporações)
determina equiparar o proprietário do terreno ao incorporador, Imputando-lhe responsabilidade solidária pelo
empreendimento. Mas isso se dá quando o proprietário pratica atividade que diga respeito à relação jurídica
incorporativa (...) Dessarte, no caso, a responsabilidade exclusiva pela construção do empreendimento é, sem
d•Jvida, da incorporadora. REsp 830.572, rei. Min. Luis Salomão, 17.5.11. 4" T. (lnfo 473, 2011)

Dano moral. Genitores. Acordo. Esposa. Cuida-se de ação de reparação de danos morais ajuizada pelos
genitores do falecido em acidente de trânsito. O tribunal "a quo" reduziu a condenação a R$ 2 mil ao consi-
derar os valores constantes de acordo realizado pela ré com a compánheira e a filha da vitima. Contudo, não
há que restringir a indenização dos autores, pois eles possuem direito autônomo oriundo da relação afetiva e
de parentesco que mantinham com o falecido. REsp 1.139.612, rei. Min. Maria Gallotti, 17.3.11. 4" T. (lnfo 466, 2011)

Dano moral. Cartão megabônus. O envio ao consumidor do denominado cartão megabônus (cartão pré-pago
vinculado a programa de recompensas) com informações que levariam a crer tratar-se de verdadeiro cartão de
crédito não dá ensejo à reparação de dano moral, apesar de configurar, conforme as instâncias ordinárias, má
prestação de serviço ao consumidor. REsp 1.151.688, rei. Min. Luis Salomão, 17.2.11. 4" T. (lnfo 463, 2011)

Dano moral. Reportagem. Fatos refutados judicialmente.(. O prazo decadencial previsto no art. 56 da Lei de
Imprensa não foi recepcionado pela CF, por incompatível com o preceituado em seu art. 5°, inciso X. II. Ademais,
o STF julgou procedente a ADPF 130, declarando a mesma incompatibilidade, já agora de toda a Lei 5.250/67, de
modo a ratificar, defiritivamente, a pretensão de obsctaculizar o curso da ação pela decadência. til. Reconhecido
o dano moral, cabível a indenização, porém em patamar razoável, a fim de evitar enriquecimento sem causa.
REsp 1.263.973, rei. Min. Vil/as Bôas Cueva, 17.11.11. 3• T. (lnfo487, 2011)

Indenização. Dano moral. Retratação.lmprensa.1. Limitação da reparação por danos morais pelo tribunal
de origem à retratação junto à imprensa. 2. A reparação natural do dano moral, mesmo se tratando de pessoa
jurídica, não se mostra suficiente para a compensação dos prejuízos sofridos pelo lesado. 3. Concreção do prin-
cípio da reparação integral, determinando a imposição de indenização pecuniária como compensação pelos
danos morais sofridos pela empresa lesada. 4. Sentença restabelecida, mantendo-se o valor da indenização por
ela arbitrado com razoabilidade. REsp 959.565, rei. Min. Tarso Sanseverino, 24.5.11. 3" T. (lnfo 474, 2011)

Indenização. Número. Telefone. Divulgação. Televisão.1. A divulgação de número de telefone celular em


novela, exibida em rede nacional, sem autorização do titular da linha, gera direito a indenização por dano moral,
porquanto comprovado nos autos que esta foi seriamente importunada por inúmeras ligações que lhe fizeram
para conferir se o número noticiado na novela "Sabor da Paixão" correspondia, de fato, ao da atriz Carolina
Ferraz ou ao personagem por ela protagonlzado. REsp 1.185.857, rei. Min. Luis Salomão, 13.9.11. 4• T. (lnfo 483, 2011)

Provedor. Internet. Exclusão. Ofensa.1. O provedor de internet- administrador de redes sociais-, ainda em
sede de liminar, deve retirar informações difamantes a terceiros manifestadas por seus usuários, independente-
mente da indicação precisa, pelo ofendido, das páginas que foram veiculadas as ofensas (URL's). REsp 1.175.675,
rei. Min. Luis Salomão, 9.8.11. 4" T. (lnfo 480, 2011)

Dano moral. Uso. Imagem. Matéria jornalística.2. Havendo violação aos direitos da personalidade, como
utilização indevida de fotografia da vítima, ainda ensanguentada e em meio às ferragens de acidente automo-
bilístico, é possível reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, conforme art.12
do Código Civil/2002. 4. Relativamente ao direito à imagem, a obrigação da reparação decorre do próprio uso
indevido do direito personalíssimo, não havendo de cogitar-se da prova da existência de prejuízo ou dano. O
dano é a própria utilização indevida da imagem, não sendo necessiiria a demonstração do prejuízo material ou
moral. REsp 1.005.278, rei. Min. Luis F. Salomão, 4.11.10. 4" T. (In lo 45-1, 2010)

70
Art.12

Indenização. Danos morais. Jornal. A veracidade dos fatos noticiados na imprensa não deve consubstanciar
dogma absoluto ou condição peremptoriamente necessária à liberdade de imprensa, mas um compromisso
ético com a informação verossímil, o que pode eventualmente abarcar informações não totalmente precisas.
REsp 680.794, rei. Min. Luis F. Salomão, 17.6.10. 4" T. (lnfo 439, 2010)

3. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado s•- Arts. 12 e 20: 1) as disposições do art. 12 têm caráter geral e aplicam-se, inclusive, às situações
previstas no art. 20, excepcionados os casos expressos de legitimidade para requerer as medidas nele estabelecidas;
2) as disposições do art. 20 do novo Código Civil têm a finalidade específica de regrar a projeção dos bens persona-
líssimos nas situações nele enumeradas. Com exceção dos casos expressos de legitimação que se conformem com
a tipificação preconizada nessa norma, a ela podem ser aplicadas subsidiariamente as regras instituídas no art. 12.

Enunciado 140- Art. 12: A primeira parte do art. 12 do Código Civil refere-se às técnicas de tutela específica, aplicáveis
de oficio, enunciadas no art. 461 do Código de Processo Civil, devendo ser interpretada com resultado extensivo.

Enunciado 275- Arts. 12 e 20. O rol dos legitimados de que tratam os arts. 12, parágrafo único, e 20, parágrafo
único, do Código Civil também compreendem o companheiro.

Enunciado 398- Art. 12, parágrafo único: As medidas previstas no art. 12, parágrafo único, do Código Civil
podem ser invocadas por qualquer uma das pessoas ali mencionadas de forma concorrente e autônoma.

Enunciado 399- Arts. 12, parágrafo único e 20, parágrafo único: Os poderes conferidos aos legitimados para
a tutela post mortem dos direitos da personalidade, nos termos dos arts. 12, parágrafo único, e 20, parágrafo
único, do CC, não compreendem a faculdade de limitação voluntária.

Enunciado 400 - Arts. 12, parágrafo único, e 20, parágrafo único: Os parágrafos únicos dos arts. 12 e 20 as-
seguram legitimidade, por direito próprio, aos parentes, cônjuge ou companheiro para a tutela contra lesão
perpetrada post mortem.

4. ENUNCIADOS DE SÚMULAS

STJ 221. São civilmente responsáveis pelo ressarcimento de dano, decorrente de publicação pela imprensa,
tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veiculo de divulgação.

STJ 227. A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.

STJ 281. A indenização por dano moral não está sujeita à tarifação prevista na Lei de Imprensa.

STJ 362. A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde a data do arbitramento.

STJ 370. Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado.

STJ 387. É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral.

STJ 388. A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral.

STJ 402. O contrato de seguro por danos pessoais compreende os danos morais, salvo cláusula expressa de
exclusão.

STJ 403. lndepende de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa
com fins econômicos ou comerciais.

STJ 420. Incabível, em embargos de divergência, discutir o valor de indenização por danos morais.

5. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (CEFET- Promotor de Justiça- BA/2015) Assinale a alternativa CORRETA acerca dos direitos da personalidade:
a) Os direitos da personalidade são sempre intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo seu exercício sofrer
limitação voluntária, sem exceções.
b) O cônjuge sobrevivente ou qualquer parente do morto, em linha reta, ou colateral até o quarto grau, pode exigir
que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras
sanções previstas em lei.

71
Art.12 iiiiii!•IM•H~1Qt14•''1U!llll;fi1h1
c) É inválida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte,
para depois da morte.
d) A pessoa humana pode ser constrangida a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou intervenção
cirúrgica.
e) Todas as assertivas estão incorretas.

02. (FCC- Promotor de Justiça- PE/2014) A artista "X", que se apresenta totalmente nua frequente- mente em
casas noturnas, constatou que seus vizinhos sorrateiramente a espionavam, fotografavam e filmavam despida,
no interior de sua residência, divulgando o material em redes sociais. Nesse caso ela
a) poderá requerer judicialmente indenização por danos materiais e morais, mas não poderá formular pretensão
em Juízo para impedir ou fazer cessar esses atos praticados pelos vizinhos.
b) poderá requerer ao Juiz competente providências para impedir e fazer cessar esses atos.
c) nada poderá pleitear judicialmente para coibir esses atos em virtude das atividades profissionais que exerce.
d) não poderá requerer providências para impedir esses atos, entretanto terá direito a um pagamento pela divul·
gação nas redes sociais, cujo valor será arbitrado pelo Juiz.
e) só poderá impedir esses atos quando deixar de exercer atividades artísticas em que se apresente nua.

03. (FCC- Promotor de Justiça- PA/2014) Gilberto Costa, mais conhecido pelo pseudônimo Jacinto Perez, faleceu
deixando apenas sobrinhos. Depois de seu falecimento, passou a ser injustamente difamado em redes sociais.
As ofensas mencionavam ora Gilberto Costa ora Jacinto Perez. Os sobrinhos
a) poderão requerer que cessem as ofensas ao falecido tio, desde que tenham se dirigido a Gilberto Costa, apenas,
mas não reclamar perdas e danos.
b) nada poderão fazer, pois apenas os parentes em linha reta e os colaterais até o terceiro grau podem ajuizar ação
para resguardar os direitos da personalidade de pessoa falecida.
c) nada poderão fazer, tendo em vista que a personalidade cessa com a morte.
d) poderão requerer que cessem as ofensas ao falecido tio, não importando se dirigidas a Gilberto Costa ou a
Jacinto Perez, além de reclamar perdas e danos.
e) poderão requerer que cessem as ofensas ao falecido tio, não importando se dirigidas a Gilberto Costa ou a
Jacinto Perez, mas não reclamar perdas e danos.

04. (Cespe- Procurador do Estado- PGE-BA/2014) Acerca da responsabilidade civil, julgue os itens subsequentes,
à luz da jurisprudência dominante do STJ.
O espólio tem legitimidade para postular indenização pelos danos materiais e morais supostamente experi·
mentados pelos herdeiros.

OS. (Cespe- Juiz de Direito- TJ·DFT/2014) De acordo com o disposto no Código Civil e com o entendimento
jurisprudencial predominante no STJ, assinale 'l opção correta.
a) A decisão que reconhece a aquisição da propriedade de bem imóvel por usucapião não desconstitui hipoteca
judicial que tenha gravado anteriormente o referido bem, onerando o novo proprietário.
b) Na hipótese de desconsideração da personalidade jurídica de sociedade limitada modesta, com apenas dois
sócios detentores, cada um deles, de 50% do capital social, não é possível responsabilizar pelas dívidas dessa
sociedade o sócio que, de acordo com o contrato social, não exerça funções de gerência ou administração.
c) Empresa jornalística tem o dever de indenizar caso divulgue fatos investigativos que envolvam pessoa física
que seja posteriormente absolvida judicialmente.
d) A responsabilidade da imprensa pelas informações por ela veiculadas é de caráter subjetivo, não se cogitando
a aplicação da teoria do risco ou a responsabilidade objetiva.
e) A alteração de regimento interno de condomínio edilício depende de votação com observância do quórum
mínimo de dois terços dos condôminos, nos termos do disposto no Código Civil.

06. (TJ/SP/2009/VUNESP) A lesão a direito da personalidade dá ensejo à reclamação por perdas e danos. Em caso
de falecimento da vítima, quanto à legitimidade ativa ad causam, é correto afirmar que detém legitimidade:
a) o cônjuge sobrevivente, qualquer parente na linha rzta ou colateral até o quarto grau.
b) o cônjuge sobrevivente e qualquer parente na linha reta.
c) apenas o cônjuge sobrevivente.
d) o cônjuge sobrevivente, o companheiro ou qualquer herdeiro na linha reta ou colàteral até o terceiro grau.
72
Art.13

07. (MPF- Procurador da República/2011) Quanto aos direitos da Personalidade, pede-se afirmar que:
a) A personalidade é sujeito de direito e os seus caracteres são a intransmissibilidade, a irrenuncíabili::lade e a
indisponibilidade;
b) São direitos que se destinam a resguardar a dignidade da pessoa humana, median:e sanções, que podem ser
suscitadas pelo ofendido;
c) O lesado indireto, na indenização por morte de outrem, quando age contra o responsável, procede ETt nome
da vítima;
d) No dano moral, os lesados indiretos são aqueles que tem um interesse relacionado a um valor de afei~o que
lhes representa o bem jurídico da vitima.
B I 2 B I 3 o 1 4 E I s o I 6 A I :; D

Art. 13. Salvo po~ éxlgêncla médlcà, ~ defes~ q ato de disposição do próprio corpo, quando ímpt~rtar
diminuição perman'ehte da integridade físli:a;ou i::ohtratiar ós bons costumes.·
único. o_ªto previsto neste artigo será admitido para fins de transplante na forma esbibe!Édd~ ··
em leiParágrafb
espegjll. ; . ; . •· . ,; .

I. BREVES COMENTÁRIOS
Corpo vivo. Este dispositivo é dedicado à proteção do corpo vivo, elemento indispemávd à
conformação da noção de dignidade da pessoa natural juntamente com a salvaguarda da integ.:idade
moral e psíquica.
A proteção ao corpo vivo abrange não apenas a estrucura básico-fisiológica do corpo (seu fun-
cionamento escorreico), pois alcança a imagem natural deste corpo, vale dizer, a forma narural da
pessoa (com seus defeitos e limites). Uma agressão material a esta forma dará ensejo ao denom.nado
dano estético, reconhecido pelo STJ em sua Súmula 387.
O dano estético nasce de uma agressão à integridade física da pessoa, p:ovocando um prejuízo
à imagem-retrato da pessoa natural e não deve ser confundido com o da110 moral, que de..<tro de
uma perspectiva mais estrita, passou a ser reconhecido doucrinaria e jurisprudencialmente -:orno
agressão à reputação ou a integridade psíquica do sujeito. Desse modo, a lesão aos bens imateriais
que compõem a esfera jurídica da pessoa natural subdivide-se em danos morais c danos e~ét:icos,
que podem ser cumulados numa mesma ação de reparação civil.
Da interpretação do dispositivo, extrai-se a vedação da intervenção de terceiros sobre o corpo ele
outrem, salvo situações excepcionais, em geral, baseadas em necessidades medicas comprovacl;;.; (v.g.
amputações por coma de diabetes sem controle), desde que realizadas dentro da lex artis e rendtado
o livre convencimento informado do paciente.
A característica da indisponibilidade dos direitos da personalidade, quando analisada sob o prisma do
art. 13, aponta no sentido de só se admitir a modificação estética do corpo da pessoa natural com implan-
tes (piercings) e/ou pinturas de alegorias (tatuagens etc.) para aqueles que já atingiram a maioridad.: civil.
Questões polêmicas. Não se pode compreender como lícita a prática eles amputees, pess:J;;.s que
se mutilam para satisfazer desejo sexual próprio ou alheio. Resposta diversa se chí quando c desejo
de modificação decorre de um atàstamemo entre o sexo fisiológico c o psiwlógico, como no~ casos
dos transexuais. Em tais hipóteses, doutrina e jurisprudência reconhecem r, possibilidade de !:uscar
no Poder Judiciário a alteração do prenome c a redesignaçáo sexual na certidão de nascimen:o,
com todas as consequências decorrentes da mudança, como, por exemplo, a alteração do regime
previdenciário e cancelamento das obrigações de reservista das Forças Armadas.
Recorde-se ainda a prática de certos esportes de contato físico (MMA. Boxe etc.) ou conside-
rados radicais (skydiving, surfe, alpinismo, paraquedismo, bungee jumping, ccc.) geram lesóe<, que
eventualmente podem ser consideradas fatos geradores de responsabilidade :ivil por danos qo_ando
provocadas pela inobservância das regras esportivas.
73
Art.13 liiiii!•IM•h~jQ:J\ii•t}jftijiii;Mti

Por fim, interessante destacar que desde novembro de 2006, o Conselho Federal de Medicina vem
publicando resoluções que permitem ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos
que prolonguem a vida do doente, na fase terminal de enfermidades graves e incuráveis, garantindo-
-lhe os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, na perspectiva de
uma assistência integral, respeitada a vontade do paciente ou de seu representante legal, inclusive
assegurando-lhe o direito da alta hospitalar.

A questão vem sendo objeto de discussão em vários países, ora recebendo a denominação
de "testamento vital", "morte digna" ou "obstinação terapêutica". Já existem leis editadas, sen-
do importante destacar a recente experiência portuguesa sobre o assunto. No Brasil, o tema da
obstinação terapêutica passou a ser regulamentado no novo Código de Ética Médica instituído
pela Resolução CFM n° 1.931/2009. O tema voltará a ser objeto de comentários no artigo 15,
mais adiante.

POSSIBILIDADE
DE DISPOSIÇÃO DO
PRÓPRIO CORPO

Cônjug~ ou
. parentes consangul- Deve-se obedecer
neos até o quarto à ordem de recepta-
grau. Fora deste rol dores inscritos, com Vontade expressa l Autorização do
de legitimados para compatibilidade
para receber
do doador, !cônjuge ou parente,
figurar como re-
os órgãos
manifestada em
documento escrito
! maior de idade,
ceptadores, exige~se
autorização judiciàl de identificação
"" ~ "'""'"''"'"' - "
I obedecida
1
a linha
sucessória, reta
{ ou colateral, até
o segundo grau
j inclusive, firmada
' em documento
I subscrito por duas
testemunhas

I presentes à vérifi-
.. cação da morte.

Fonte: EHRHARDT JR. Marcos. Direito Civil - Parte Geral e LINDB. 2.ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2011.
74
Art.13

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

~
··························································································································································································
Enunciado 532 -Art. 13: É permitida a disposição gratuita do próprio corpo com objetivos exclusivamente
científicos, nos termos dos arts. 11 e 13 do Código Civil.

Enunciado 6•- Art. 13: a expressão "exigência médica• contida no art. 13 refere-se tanto ao bem-estar físico
quanto ao bem-estar psíquico do disponente.

~ Enunciado 276 - Art. 13. O art. 13 do Código Civil, ao permitir a disposição do próprio corpo por exigência
médica, autoriza as cirurgias detransgenitalização, em conformidade com os procedimentos estabelecidos pelo
Conselho Federal de Medicina, e a consequente alteração do prenome e do sexo no Registro Civil.

Enunciado 401 - Art. 13: Não contraria os bons costumes a cessão gratuita de direitos de uso de material
biológico para fins de pesquisa cientifica, desde que a manifestação de vontade tenha sido livre, esclarecida e
puder ser revogada a qualquer tempo, conforme as normas éticas que regem a pesquisa científica e o respeito
aos direitos fundamentais.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

5TJ 325- Transplante. Exclusão. Plano. Saúde. A Seção, apesar de não acolher os embargos por falta de similitude
fática entre os julgados em confronto, aduziu que, estando clara e de entendimento imediato, não é abusiva a
cláusula do contrato de seguro que exclui da cobertura contratual o transplante de órgãos. A hipótese tratava
de transplante heterólogo, isto é, da introdução de células de um organismo em outro. Precedente citado: REsp
319.707-SP, DJ 28/4/2003. AgRg nos EREsp 378.863-SP, Rei. Min. Fernando Gonçalves, julgado em 27/6/2007.

Responsabilidade civil. Médico. Cirurgia estética e reparadora. Este STJ já se manifestou acerca da relação
médico-paciente. concluindo tratar-se de obrigação de meio, e não de resultado, salvo na hipótese de cirurgias
estéticas. No entanto, no caso, trata-se de cirurgia de natureza mista- estética e reparadora- em que a respon-
sabilidade do médico não pode ser generalizada, devendo ser analisada de forma fracionada, conforme cada
finalidade da intervenção. Numa cirurgia assim, a responsabilidade do médico será de resultado em relação
à parte estética da intervenção e de meio em relação à sua parte reparadora. REsp 1.097.955, rei. Min. Nancy
Andrighi, 27.9.11. 3' T. (lnfo 484, 2011)

4. QUESTÃO DE CONCURSO
01. (FCC- Analista Judiciário- Area Judiciária- TRT 19/2014) Em razão de grave doença, Paulo está prestes a
perder os dois rins. Por esta razão, ele e seu pai, Carlos, são submetidos a exames clínicos cuja conclusão é a de
que pai e filho são compatíveis, e Paulo somente sobreviverá se Carlos lhe doar um rim. Carlos
a) deve doar um rim a seu filho, independentemente de sua vontade e mesmo que o ato implique risco de vida,
por se tratar de imposição moral.
b) pode doar um rim a seu filho, se esta for sua vontade e desde que tenham sido atendidos os requisitos de lei
especial.
c) não pode doar um rim a seu filho, nem que esta seja a sua vontade, por ser ato que implica ofensa à integridade física.
d) deve doar um rim a seu filho, independentemente de sua vontade e mesmo que o ato implique risco de vida,
por se tratar de imposição decorrente do poder familiar.
e) pode doar um rim a seu filho, mas apenas se não tiver outros filhos.

02. {MPE-SC- Promotor de Justiça- SC/2013) Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio
corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física ou contrariar os bons costumes. O ato a
que se refere a lei será admitido para fins de transplante, na forma estabelecida em lei especial.

03. (JUIZ/TRT/8R/2007/1A ETAPA- adaptada) Assinale a alternativa correta acerca da disciplina do Código Civil
sobre os direitos de personalidade:
É defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física,
ou contrariar os bons costumes, todavia, é válida a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte,
para depois da morte, com objetivo científico ou altruístico.

04. (ANALIS/JUO/TRE/MS/2007/FCC- adaptada) No que concerne aos direitos da personalidade é correto afirmar que:
É lícito o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física,
mesmo se não houver exigência médica.
75
Art.14 liiililel@tt!t1Ql}i•f$jU!Jilhfi1h1
os. (CESPE- Procurador BACEN/2013) No que se refere às pessoas naturais e jurídicas, assinale a opção correta.
a} A participação da pessoa em tratamentos terapêuticos ou científicos não ofende o direito à integridade física.
b} A indenização por dano moral torna relativo o caráter extra patrimonial dos direitos da personalidade.
c} Cooperativa que exerça atividade econômica visando ao lucro é considerada sociedade empresária, e não
simples.
d) O estatuto das associações está legalmente impedido de instituir associados com vantagens especiais, sob pena
da quebra ao direito da igualdade.
e} A lei permite que um artista ceda o uso da sua imagem por tempo indeterminado para publicação em deter-
minada revista.
1@:1 1 B I 2 c 1 3 E I 4 E I 5 A

Art.14. É válida, com objetivo científico, ou altruístico, á disposição gratuita do próprioc6rbo, no fodo
ou em parte, para depois da morte. · · r, · · ..•\

Parágrafo único. O ato de disposição pode ser Íjvrem~flte revqg?do a.ql,liJiquEir tEiml??·r·

1. BREVES COMENTÁRIOS
Corpo morto. A doutrina costuma subdividir os direitos da personalidade em três grupos, a
saber: (a) direitos à integridade física, (b) direitos à integridade intelectual (psíquica) e (c) direitos à
imegridade moral, o que não esgota todas as suas espécies, pois, conforme exposto acima, os direitos
da personalidade não se limitam às modalidades previstas no CC/02, devendó ser compreendidos
a partir de uma cláusula geral de proteção à dignidade humana, de modo a ampliar sua tutela a
qualquer situação concreta de violação a aspectos fundamentais da personalidade do ser humano,
sempre em constante evolução.
O artigo em análise trata do direito à integridade física, ao proteger a "livre manifestação da
personalidade através do c01po" e vedar "atos de autolesão que impõem prejuízo à saúde e a dignidade
da pessoa", adotando uma perspectiva unitária, entendendo não ser possível dissociar a própria pessoa
do seu corpo (TEPEDINO, Gustavo; BARBOSA, Heloísa Helena; MORAES, Maria Celina Bodin.
Código Civil Interpretado, vol. l. Rio de Janeiro. Renovar, 2004, p. 34-5).
O disposto nos arts. 13 e 14 do Código Civil dirigem-se à proteção da incolumidade corporal,
vale dizer, da proteção jurídica dispensada à vida e ao corpo humano, englobando tanto o corpo vivo,
como também o corpo morto (cadáver), estendendo-se também tal proteção para partes suscetíveis
de separação e individualização, tais como órgãos e tecidos.
Atenção para os limites de disposição de nosso próprio corpo: (a) impossibilidade de diminuição
permanente da integridade física e (b) bons costumes, sendo necessário observar, em qualquer das
duas hipóteses, a exigência médica. Como mencionado nos comentários ao art. 11, a indisponibilidade
não é absoluta, admitindo-se, por exemplo, a realização de cirurgias plásticas para fins estéticos e a
extração de órgãos, tecidos e membros, quando necessária por exigência médica (retirada de baço,
vesícula etc.).
Legislação extravagante. A Lei 9.434/97 disciplina a disposição gratuita de tecidos, órgãos e
partes do corpo humano, em vida ou post mortem, para fins de transplante e tratamento. Permite-
-se a pessoa juridicamente capaz dispor de tecidos, órgãos c partes do próprio corpo vivo, para fins
terapêuticos ou para transplantes em cônjuge ou parentes consanguíneos até o quarto grau, sendo
pressuposto para tal doação a ausência de risco para a integridade do organismo do doador, isro é, que
a retirada de órgãos duplos, de partes de órgãos, tecidos, não pode impedi-lo de continuar vivendo e
não deve representar grave comprometimento de suas aptidões vitais e saúde mental. Além disso, a
retirada não pode causar mutilação ou deformação inaceitável e deve corresponder a uma necessidade
terapêutica comprovadamente ind ispensávcl à pessoa receptora.
76
I!,!I;UIM•41Qtii•f$j Art. 14

Para outras pessoas que não sejam parentes do doador, no caso de disposição sobre o corpo vivo,
faz-se necessária autorização judicial (§ 3°, art. 9", Lei 9.434/97), vedando-se qualquer ato de dispo-
sição a título oneroso, por se tratar de coisas fora do comércio (art. 199, § 4°, CF/88). O indivíduo
juridicamente incapaz, com compatibilidade imunológica comprovada, poderá fazer doação nos
casos de transplante de medula óssea, desde que haja: (a) consentimento de ambos os pais ou seus
responsáveis legais, (h) autorização judicial e (c) o ato não ofereça risco à sua saúde.
A doação poderá ser revogada pelo doador ou pelos responsáveis legais a qualquer momento antes
de sua concretização, sendo importante ressaltar que de acordo com o preconizado no Enunciado
n° 277 das Jornadas de Direito Civil organizadas pelo CJF, o art. 14 do Código Civil, ao permitir a
disposição gratuita do próprio corpo para depois da morte, determinou que a manifestação expressa
do doador de órgãos em vida prevalece sobre avomade dos familiares, pelo que a manifestação de
vontade destes fica restrita à hipótese de silêncio do potencial doador. Trata-se do princípio do con-
senso afirmativo.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

~ Enunciado 277- Art. 14. O art. 14 do Código Civil, ao afirmar a validade da disposição gratuita do próprio
corpo, com objetivo cientifico ou altruístico, para depois da morte, determinou que a manifestação expressa
do doador de órgãos em vida prevalece sobre a vontade dos familiares, portanto, a aplicação do art. 4° da Lei
no 9.434/97 ficou restrita à hipótese de silêncio do potencial doador.

Enunciado 402- Art. 14, parágrafo único: O art. 14, parágrafo único, do Código Civil, fundado no consentimento
informado, não dispensa o consentimento dos adolescentes para a doação de medula óssea prevista no art.
9°, § 6°, da Lei no 9.434/1997 por aplicação analógica dos arts. 28, § 2° (alterado pela Lei no 12.010/2005), e 45,
§ 2°, do ECA.

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (TRF 4 -Juiz Federal Substituto 4• região/2014) Dadas as assertivas abaixo, assinale a alternativa correta.
O Código Civil de 2002 (Lei n• 10.406/2002), na redação vigente, se ocupa, nos artigos 11 a 21, da tutela jurídio
dos chamados direitos da personalidade, ou seja, da proteção jurídica de objetos de direito que pertencem 3
natureza do homem (direitos de humanidade). Mais adiante, no artigo 52 atribui também às pessoas jurídicas
a titularidade dos direitos da personalidade, desde que compatíveis com os aspectos múltiplos das atividades
que desenvolvem. A partir dos referidos dispositivos legais, é possível afirmar que
I. O ato de disposição do próprio corpo, para fins de transplante, é admitido pelo Código Civil de 2002, n3 forma
estabelecida por lei especial. Sendo assim, é permitido à pessoa plenamente capaz dispor, gratuitamente, de
tecidos, órgãos e partes de seu corpo vivo, para fins terapêuticos ou para transplantes, desde que resguardaca
a sua integridade física e psíquica.
11. É válida, com objetivo científico ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte,
para depois da morte, sendo que a livre manifestação expressa do doador dos órgãos em vida prevalece sob·e
a vontade de seus familiares.
111. Toda a pessoa natural tem direito ao nome, sendo que a forma fundamental de aquisição do patronímico é a
filiação. O atual Código Civil, no entanto, permite que o marido adote o patronímico da esposa, na medida em
que a própria Carta Constitucional de 1988 equiparou os direitos e deveres dos homens e mulheres.
IV. O direito ao nome empresarial (ou à denominação das sociedades simples, associações e fundaçõesí decorre da
proteção que a Lei Civil assegura às pessoas jurídicas, enquanto sujeitos do direito à identidade, ao passo que, do
ponto de vista da Ordem Pública, esses sujeitos de direito, titulares do nome ou da denominação, têm a correl;ota
obrigação de ter um nome pelo qual possam ser identificados perante a sociedade e os Poderes Públicos.
a) Estão corretas apenas as assertivas I e 11.
b) Estão corretas apenas as assertivas 11 e 111.
c) Estão corretas apenas as assertivas I, 111 e IV.
d) Estão corretas apenas as assertivas 11, 111 e IV.
e) Estão corretas todas as assertivas.
77
Art.15

02. (Cespe- Analista legislativo- Consultor legislativo- Câmara dos Oeputados/2014) Acerca da persona-
lt<lade jurldica, da capacidade civil e dos direitos da personalidade, julgue os itens a seguir.
Não se pode cogitar, no direito civil brasileiro, qualquer possibilidade de disposição $Obre o próprio corpo, no
todo ou em parte, seja tal disposição em vida, seja ela relacionada ao perlodo pós-morte.

03. (Cespe- Técnico Judiciário - Area Administrativa - TJ- SE/2014) Acerca da personalidade, julgue o item
abaixo.
É válida a disposição onerosa do próprio corpo, no todo ou em parte, com objetivo científico, para depois da morte.

04. (ANAUS/JUO/TRE/MS/2007/FCC- adaptada) No que concerne aos direitos da personalidade é correto afirmar que:
A disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte, é válida com objetivo
altruístico.
l@t 1. E I 2 E I 3. E I 4 c

At1;.• 1S. Ningllém pode serconstrangido a submeter,se, com risco de vida, a tratamento médiCo ou a
lntérvenção cirúrgica.

1. BREVES COMENTÁRIOS
}wtonomia da vontade e tratamento médico. O dispositivo legal consagra o princípio da auto-
nomia do paciente, sendo dever de qualquer profissional da medicina, ames de alguma intervenção,
propiciar ao paciente informação completa, em linguagem clara e acessível, sobre benefícios, riscos,
alternativas e objetivos do tratamento a ser realizado, pois a relação n1édico-paciente baseia-se na con-
fiança e nos deveres de lealdade e cooperação impostos pela cláusula geral de boa-fé objetiva. Aqui se
encontram os contornos do que se convencionou denominar princípio do consentimento informado.
Nenhuma intervenção médica pode ser imposta a paciente que depois de ser devidamente escla-
recido sobre a parologia a que está acometido, decide, de modo livre e conscieme, recusar tratamento
oferecido pelo médico. No entanto, o respeito a tal decisão não pode ser encarado de modo absoluto,
em especial nos casos de iminente perigo de vida. Por essa razão, o direito à recusa de tratamento
médico deve ser ponderado em razão das circunstâncias.

Ganhou destaque nos últimos anos o debate sobre o excesso terapêmico na rerminalidade da
vida. Atualmente o Conselho Federal de Medicina permite ao médico li mirar ou suspender procedi-
mentos e tratamemos que prolonguem a vida do doente, na fase terminal de enfermidades graves e
incuráveis, garantindo-lhe os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento,
na perspectiva de uma assistência integral, respeitada a vontade do paciente ou de seu representante
legal, inclusive assegurando-lhe o direito da alta hospitalar. Evidencia-se irnponame mudança de
paradigma, uma vez que se reconhece que a prioridade deve ser a pessoa doente e não mais o tra-
tamento da doença. Há de se ressaltar que se está diante de mera possibilidade e nào de situação
impositiva para qualquer caso de doença terminal, sendo indispensável o consentimento do doente
ou, em caso de impossibilidade de manifestação de vontade, de seu reprcsemanre legal, observados
ainda o diagnóstico médico e as circunstâncias do caso concreto.

2. ENUNCIADOS DE JORNADAS

Enunciado 533- art. 15: O paciente plenamente capaz poderá àeliberar sobre todos os aspectos concernentes
a tratamento médico que possa lhe causar risco de vida, seja imediato ou mediato, salvo as situações de emer-
gência ou no curso de procedimentos médicos cirúrgicos que não possam ser interrompidos.
Enunciado 403- Art. 15: O Direito à inviolabilidade de consciência e de crença, previsto no art. 5", VI, da Consti-
tuição Federal, aplica-se também à pessoa que se nega a tratamento médico, inclusive transfusão de sangue, com
ou sem risco de morte, em razão do tratamento ou da falta dele, desde que observados os seguintes critérios:
a) capacidade civil plena, excluído o suprimento pelo representante ou assistente; b) manifestação de vontade
livre, consciente e informada; e c) oposição que diga respeito exclusivamente à própria pessoa do declarante.
78
l!ltJ;UIM•f&JQt}i•b~j Art.16

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. {UEG- Delegado de Policia- G0/2013) Figura como um direito da personalidade a impossibilidade de cons-
tranger alguém a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica (artigo 15 do
Código Civil). Esse artigo faz referência a qual tipo de temática?
a) Possibilidade judicial de submeter um paciente com risco de vida, integrante das "Testemunhas de Jeová", à
transfusão de sangue.
b) Aborto necessário, uma vez que não há outro meio de salvar a vida da gestante.
c) Aborto, precedido de consentimento da gestante, no caso de gravidez resultante de estupro.
d) Ao dever de informar do médico responsável sobre a escolha de tratamento médico ou cirúrgico que imponha
risco de vida ao paciente.

02. {FCC- Analista Judiciário- Area Judiciária- TRT 9/2013) No tocante aos direitos da personalidade,
a) nenhuma pessoa pode ser constrangida a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou intervenção
cirúrgica.
b) é irrevogável o ato de disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte.
c) a ameaça ou a lesão a eles não se estendem aos mortos, por serem personalíssimas.
d) como regra geral, os direitos da personalidade são passíveis de livre transmissão e renúnciu.
e) é sempre possível a comercialização de partes do próprio corpo, se com a disposição não houver diminuição
permanente da integridade física do doador.

03. (Julz/TRT/BR/2007/1• etapa- adaptada) Assinale a alternativa correta acerca da disciplina do Código Civil
sobre os direitos de personalidade:
Com a finalidade da preservação do direito à integridade física é possfvel, mediante determinação judicial, a
adoção coativa de tratamento médico ou a intervenção cirúrgica.

04. (DEF/PUB/ES/2009/CESPE)- De acordo com o Código Civil, julgue os itens seguintes.


O indivíduo não pode ser constrangido a submeter-se a tratamento ou a intervenção cirúrgica com risco de
morte.
1$1:1 1 D I 2 E 4 c

Art. 16. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Identificação da pessoa. O nome da pessoa natural é um dos principais elementos que permi-
tem a identificação desta no grupo em que vive. Tutela-se o nome como algo inerente ao indivíduo,
verdadeiro signo distintivo, que tanto pode ser entendido em seu caráter individual (direito) como
em seu caráter público (dever), na medida em que o interesse coletivo na identificação do indivíduo
veda a realização de alterações arbitrárias no nome em prejuízo de terceiros. A lei 13.112 alterou o
art. 52, 1° da Lei 6.015/75 para determinar a igualdade de direito no registro de crianças, que pode,
agora, ser realizado, separada ou conjuntamente, tanto pelo pai quanto pela mãe da mesma, tendo-se
especial atenção para o fato de que "o nome do pai constante da Declaração de Nascido Vivo não
constitui prova ou presunção da paternidade, somente podendo ser lançado no registro de nascimento
quando verificado nos termos da legislação civil vigente" (art. 54, § 2° da LRP).
Elementos do nome, Em sua composição destacam-se o prenome (nome de batismo) e o sobre-
nome, também conhecido como apelido familiar ou patronímico, e que se caracteriza por indicar a
origem familiar, motivo pelo qual não pode ser livremente escolhido, sendo adquirido com o nasci-
mento e transmissível por sucessão. Os pais têm liberdade de escolha apenas em relação ao prenome,
não importando se simples ou composto. Importante é que não pode expor a pessoa ao ridículo, ou
seja, a liberdade de escolha não é ilimitada e arbitrária.
Além dos elementos acima destacados, podem-se também empregar outras partículas, como o
agnome ("júnior", "fílho", "neto", "sobrinho"...), que em geral apontam para o grau de parentesco ou
de geração, permitindo a identificação dos sujeitos que recebem o mesmo. nome e pertencem à mesma
79
Art. 16 liiiiil•ll•ijQJ}i•hfjUijiii@FI
família. Enquanto todo sujeito deve ser registrado com prenome e sobrenome, o uso do agnome, assim
como os axiônimos, não é obrigatório. Aqueles distinguem parentes, e estes são colocados adiante do
prenome, indicando uma forma de tratamento cortês (Senhor, Vossa Excelência ...) ou ainda a exis-
tência de títulos de nobreza, títulos acadêmicos, eclesiásticos, ou qualificações de dignidade oficial
(ministro, desembargador, senador, prefeito ...).
O pseudônimo, também conhecido como codinome ou heterônimo, distingue-se dos elementos
anteriores por ser escolhido pelo próprio indivíduo, que abraça uma designação normalmente destinada
a sua identificação em atividade de cunho artístico, literário, jornalístico ou cultural. Di Cavalcanti
(Emiliano de Albuquerque Melo) eSilvio Santos (Seno r Abravanel) são exemplos de pseudônimos re-
conhecidos, cuja proteção está assegurada pelo art. 19 do CC/02, da mesma forma que se dá ao nome.
Apelidos. Há ainda quem f.'lça uso de apelidos na identificação da pessoa natural. Neste particular
deve-se ter cuidado com o sentido do termo, uma vez que se está diante de uma palavra polissêmica,
que tanto pode ser utilizada como sinônimo de sobrenome (=apelido familiar), como no sentido
de cognome, isto é, algo que serve de aposto permitindo o reconhecimento do indivíduo (alcunha,
epíteto ou vulgo). Se com o passar do tempo tais designações se tornarem públicas e notórias, podem
substituir o próprio prenome ou serem incorporadas ao nome existente, tornando-o composto, como
nos exemplos de Luís Inácio (Lula) da Silva e Acelino (Popó) Freitas, conforme disposto no art. 58
da LRP. Neste artigo da Lei de Registros Públio::>s reside o princípio da imutabilidade ~dativa do
nome civil

Alteração do nome. Embora o art. 58 da Lei de Registros Públicos determine que o prenome
será definitivo, a regra da imutabilidade do nome não é absoluta, existindo diversas hipóteses que
permitem alterações, dentre as quais, vale citar as mais comuns: (a) registro do nome expõe seu por-
tador ao ridículo (art. 55, LRP); (b) prenome registrado com erro gráfico evidente (art. 110, LRP);
(c) alteração fundada na coação ou ameaça decorrente da colaboração com a apuração de crime
(parágrafo único, art. 58, LRP); (d) substituição por apelidos públicos notórios (art. 58, LRP); (e)
Adoção (art. 1.627, CC/02 e art. 47, § 5" ECA); (f) casamento ou divórcio (art. 1.565, §§ 1° e 2°).
Alteração pela via administrativa. Segundo disposto no art. 56 da Lei de Registros públicos
o interessado, no primeiro ano após ter atingido a maioridade civil, poderá, pessoalmente ou por
procurador bastante, alterar o nome, desde que não prejudique os apelidos de família. Expirado este
prazo decadencial, não será mais possível qualquer alteração pela via administrativa. Trata-se da única
possibilidade de modificação imotivada do nome civil.
Alteração do nome na jurisprudência. A tradicional regra da imutabilidade do nome tem sido
flexibilizada ao longo do tempo pela jurisprudência, para além das exceções previstas na Lei. Busca-se
a funcionalização de ral regra através da constatação de que o que deve ser protegido é o nome através
do qual o indivíduo é reconhecido no meio em que vive (prenome de uso), por seus amigos, colegas de
trabalho e familiares, ainda que não seja este o nome que consta do seu registro, respeitados o devido
processo legal (a alteração só pode ser procedida por sentença) e o interesse de terceiros. Imagine-se
alguém que foi registrada como "Mafalda Correia'' e nunca foi reconhecida pelo prenome de batismo, na
medida em que seu prenome de uso passou, por vontade própria, a ser "Carla". Não faz sentido manter
o registro de um nome que não serve para identificação, motivo pelo qual permite a jurisprudência sua
alteração, tanto na forma de acréscimo (Carla Maf.'llda Correia) com na forma de substituição (Carla
Correia), valendo o mesmo raciocínio para a alteração baseada nos apelidos públicos notórios, pelo que
o jogador de futebol Marcos Evangelista de Moraes, o Cafu, se quisesse poderia optar por se chamar
Mar.::os Cafu Evangelista de Moraes, ou, simplesmente, Cafu Evangelista de Moraes.

A possibilidade de modificação do nome civil já foi objeto de questionamento em questão sub-


jeriva.
80
fll9;i•IM•L~iQ§}i•hfj Arl.16

* DISCURSIVA
.. (MPE-SP- Promotor de Justiça- SP/2012) No direito brasileiro, a regra predominante é a da imutabili-
dade do nome civil. Entretanto, ela permite mudança em determinados casos. Explique as exceções à
regra e seus fundamentos.
----------------~-------------------------------------------------------------

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS


E-~~~-~-~~d~-;~·~-A~·~:·2~;·~·~;~~~~;;~-~~-~;c:;,;d·i~·;·ct~t~;~·~;·~~-~~~~~;~·~i~~-~~~-;·~~~~~-~-;~;·~;·~~~-~~~-~~-;~~-~~~
direitos da personalidade, tais como nome, imagem e sepultura.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS
..........................................................................................................................................................................................
STJ 294- Mudança. Prenome. Julgamento antecipado. Para o Min. Relator, impõe-se a dilação probatória quando
a parte pretende comprovar as alegações que traz para alterar o prenome e o julgado entende não estarem
presentes as condições excepcionais que justificariam aquela mudança, portanto não é posslvel 0 julgamento
dntecipado da lide. Com esse entendimento, a Turma deu provimento ao recurso. REsp 679.237-MG, Rei. Min.
Carlos Alberto Menezes Direito, julgado em 24/8/2006. 3• Turma .
..........................................................................................................................................................................................
STJ 460 Sobrenome. Supressão. A Turma negou provimento ao recJrso especial interposto pela família
judaica que pretendia suprimir o patronímico paterno sob a alegação de que o referido sobrenome nao a
identificava como pertencente ao judaísmo. De acordo com a min. rei., o art. 56 da lei 6.015/73 (lei dos
Registros Públicos) é norma cogente e estabelece a imutabilidade do apelido de famllia como garantia
de segurança jurídica, porquanto ele constitui sinal identificador da origem do indivíduo. Salientou
que o patronímico, antes de pertencer à pessoa, pertence a um grupo familiar com história e reputação
próprias, e a impossibilidade de sua supressão está relacionada à necessidade de preservação dos
direitos de personalidade. Asseverou, ainda, que as consequências desse ato poderiam ser especial-
mente prejudiciais aos filhos no futuro, que não teriam qualquer elemento hábil a vinculá-los à familia
paterna. Por fim, consignou que o art. 1.565, § 1°, do CC/02 não permite a supressão ou substituição do
nome dos nubentes, mas apenas faculta a qualquer deles o acréscimo do sobrenome do outro. REsp
1.189.158, Rei. Min. Nancy Andrighi,j. 14.12.2010. 3" T.
..........................................................................................................................................................................................
STJ S03 - Acréscimo de sobrenome do cônjuge após a celebração do casamento. Aos cõnjuges é permitido
incluir ao seu nome o sobrenqme do outro, ainda que após a data da celebração do casamento, porém deverá
ser por meio de ação judicial. (... ) A Turma entendeu que essa possibilidade deve-se estender ao período de
convivência do casal, enquanto perdurar o vínculo conjugal. Porém, nesta hipótese, o nome deve ser acrescido
por intermédio da ação de retificação de registros públicos, nos termos dos arts. 57 e 109 da Lei de Registros
Públicos (Lei no 6.015/1973). REsp 910.094-SC, Rei. Raul Araújo, julgado e:n 4i9/2012 .
.........................................................................................................................................................................................
Registro público. Retificação. Erro de grafia. Obtenção. Cidadania italiana.!. A regra da inalterabilidade
relativa do nome civil preconiza que o nome (prenome e sobrenome), es:abelecido por ocasião do nascimento,
reveste-se de definitividade, admitindo-se sua modificação, excepcionalmente, nas hipóteses expressamente pre-
vistas em lei ou reconhecidas como excepcionais por decisão judicial (art. 57, Lei 6.015/75), exigindo-se, para tanto,
justo motivo e ausência de prejuízo a terceiros. REsp 1.138.103, rei. Min. Luis Salomão, 6.9.11. 4" T. (lnfo 482, 2011)

Retificação. Registro civil. Prova.!. O nome é direito personalíssimo e. em princípio, é inalterável e imutável,
salvo as exceções previstas em lei. 2. Na ação de retificação de registro civil, quando alegada situação vexatória
de prenome comum, se houver impugnação, pelo Ministério Público ou outro interessado, o juiz deverá deter-
minar a produção de prova, nos termos do art. 109, § 1° da Lei 6.015/1973. REsp 863.916, rei. Min. Luis F. Salomão,
19.10.10. 4° T. (lnfo 452, 2010)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FEPESE- Promotor de Justiça- SC/2014) Analise o enunciado da questão abaixo e assinale se ele é falso ou
verdadeiro:
( ) De acordo com a Lei de Registros Públicos, o prenome será definitivo, acmitindo-se, todavia, a sua substituição
por apelidos públicos notórios. A substituição do prenome será ainda admitida em razão de fundada coação
ou ameaça decorrente da colaboração com a apuração de crime, por determinação, em sentença, de juiz com-
petente, ouvido o Ministério Público.

81
Art 17 liiiii!•I1•41Rti1•f}Jtlt;iiil;t!Jh1
02. (Cespe- Analista do MPU/2013) A respeito do direito ao nome, julgue os itens seguintes.
Acmite-se, após apreciação judicial, a retificação de registro civil para a inclusão de patronímico paterno no
final do nome do filho.
o ordenamento jurídico admite a possibilidade da averbação, no registro de nascimento do filho, da alteração
do patronímico materno, permitindo, assim, a inclusão do patronfmíco do padrasto em decorrência de novo
casamento da genitora.

03. IPJ/CE/2008/FCC) Sobre o nome civil da pessoa natural é correto afirmar que:
a) o prenome é imutável, somente sendo admissível a sua substituição por apelidos públicos notórios.
b) será admitida a substituição do prenome em razão de fundada coação ou ameaça decorrente da colaboração
com a apuração de crime, por determinação, em sentença, de Juiz competente, ouvido o Ministério Público.
c) até dois anos após ter atingido a maioridade civil, poderá o interessado, independentemente de motivação,
e após a audiência do Ministério Público, alterar o nome, desde que não prejudique os apelidos de família,
averbando-se a alteração, que será publicada pela imprensa.
á) poderá ser averbado no registro civil o nome abreviado usado como firma comercial, mas não em outra atividade
profissional.
e) os oficiais do registro civil não registrarão prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores, salvo
por requerimento expresso de ambos os genitores perante duas testemunhas ou mediante autorização judicial,
ouvido o representante do Ministério Público.

04. (ANALIS/JUD/TSE/CAD. 1/2007/CESPE -adaptada) A respeito das pessoas físicas e jurídicas, assinale a
opção correta.
Por meio do nome civil a pessoa natural é identificada no seu ambiente familiar e no meio social; por isso, o
nome é imutável, exceto se a mudança decorrer da adoção de menor ou do casamento.

OS. (Procurador Judicial- Pref. Mun. Serra Negra/SP) Toda pessoa tem direito ao nome, e segundo o artigo 16
do CC, nele estão compreendidos:
a) O nome e o sobrenome.
b) O agnome e o patronímico.
c) O nome e o patronímico.
d) O prenome e o sobrenome.

06. (MPF- Procurador da República/2011) Em relação as afirmativas abaixo:


O direito ao nome não decorre do fato de estar ligado ao registro da pessoa natural, mas de ser o sinal exterior
que individualiza e reconhece a pessoa na sociedade;
li. O agnome, termo atualmente em desuso, designa os títulos nobiliárquicos ou honoríficos, apostos antes do
prenome;
111. O pseudônimo, em qualquer circunstância, goza da mesma proteção legal conferida juridicamente ao nome;
IV. Na adoção, o filho adotivo pode conservar o sobrenome de seus pais de sangue, acrescentando porem o do
adotante.
Das proposições acima:
a) I e 11 estão corretas;
b) 11 e 111 estão corretas;
c) lll e IV estão corretas;
d) Nenhuma está correta.

.•.1.J.'ia-_____v__L__2___c~,_c-L_3____~a~L_4____ ~ s o 1 6 o I
Art. 17. O nome da pessoa não pode ser empregàdo por outrem em publicações ou representações que
a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja Intenção difamatória.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Proteção legal ao nome e ao pseudônimo. Assim como acontece com o nome:, o pseudônimo
adotado para atividades lícitas não pode ser empregado por outrem em publicaçóes ou rqncsemações
82
p11Qdtl@t6~jQ§$1tl1 \l Art. H

que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória (art. 17 ele art.
19 do CC/02). Além disso, sem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda comer-
cial ou para fins eleitorais, artísticos ou de qualquer outra espécie (PEREIRA, Caio Mário da Silva.
Instituições de Direito Civil; Introdução ao Direito Civil. Teoria Geral de Direito Civil, vol. I. Rio
de Janeiro: Forense, 2004, p. 247).

A proteção que o sistema jurídico confere ao nome, principal elemento na identificação de


um sujeito, não pode ser considerada de modo absoluto, pois há de ser ponderada com a liberdade
de informar, nos limites traçados pela Constituição Federal. Cite-se como exemplo a inscrição do
nome do devedor em cadastros negativos de instituições de proteção ao crédito. No entanto, se a
inscrição ocorrer de modo indevido, surge pretensão de reparação pelo abalo de ordem moral sofrido.

Axiônimo
NOME
Agnome

Alcunha
Apelidos

Hipocorístico
Psedônimo
(codnome)

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

STJ 346 - Dano moral. Divulgação. Nome. Noticiário. Trata-se de ação de indenização por dano moral pela
divulgação, em noticiário de rádio, do nome completo e do bairro onde residia a vítima de crime de estupro.
Ressalta a Min. Relatora que há limites ao direito da imprensa de informar, isso não se sobrepõe nem elimina
quaisquer outras garantias individuais, entre as quais se destacam a honra e a intimidade. (...) Outrossim, o
prazo prescricional em curso quando diminuído pelo novo Código Civil só sofre a incidência de sua redução
a partir de sua entrada em vigor. Assim, a decisão a quo está de acordo com a jurisprudência deste Superior
Tribunal. Com essas considerações, entre outras, a Turma não conheceu do recurso. Precedentes citados:
REsp 717.457-PR, DJ 21/5/2007; REsp 822.914-RS, DJ 19/6/2006; REsp 818.764-ES, DJ 12/3/2007; REsp 295.175-
RJ, DJ 2/4/2001, e REsp 213.811-SP, DJ 7/2/2000. REsp 896.635-MT, Rei. Min. Nancy Andrighi, j. 26/2/2008. 3• T.

Danos morais. Matéria jornalística. Publicação de foto sem autorização.2. Julgada improcedente ação de
indenização por danos morais. ante a publicação de notícia jornalística de agressão e homicídio, motivado por
homofobia, praticado por "skinheads", contra jovem, que era acompanhado pelo autor, em praça da capital
paulista, é adequada, contudo, nas circunstâncias do caso, concernente à vida privada, a procedência da ação
pelo fato da publicação não autorizada de foto e nome do autor. 3. O provimento judicial está adstrito tanto ao
pedido quanto à causa de pedir, delimitada pelos fatos narrados na inicial, conforme o princípio da substancia-
ção adotado pelo ordenamento jurídico pátrio. Assim, encontra-se o Magistrado vinculado aos fatos narrados
na inicial, o que lhe permite aplicar a lei que entende adequada à resolução da lide, mesmo que não apontada
pelo autor. REsp 1.235.926,rel. Min. Sidnei Beneti,j. 15.3.12. 3° T. (lnfo 493, 2012)
83
Art. 18 iiiiiii•II•.M1Rfii•'d-1}t!iill;tdh1
3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (JUIZ/TRT/SR/2007/1" ETAPA- adaptada) Assinale a alternativa correta acerca da disciplina do Código Civil
sobre os direitos de personalidade:
O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham
ao desprezo público, desde que presente a intenção difamatória, bem como, sem autorização, não será utilizado
em propaganda comercial.

H!:i 1 E

Art. 18. Sem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda comercial.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Uso do nome. O presente artigo não se confunde com o anterior. Aqui há clara especificidade de
~plicação,valendo-se o legislador de uma pontual determinação em relação ao uso não autorizado para fins
comerciais. Isto se dá em dois aspectos: em um primeiro, pode-se notar que o uso do nome poderá transmitir
grau de confiabilidade, mesmo que mencionado de forma aleatória na propaganda- a proteção, porranro,
alcança os consumidores, evitando-se que seja enganosa a mídia; em um segundo aspecto, resguarda-se
rodo o universo moral do autor, que existe ao lado dos direitos patrimoniais autorais, evitando-se que a
pessoa tenha seu nome vinculado à obra, artefato ou elemento de forma indevida. Anote-se ainda que
a finalidade comercial e as vantagens obtidas com a utilização indevida do nome da pessoa natural ~ão
precisam ser diretas, sendo vedado também qualquer benefício indireto de tal utilização.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 278 - Art.! S. A publicidade que venha a divulgar, sem autorização, qualidades inerentes a deter-
minada pessoa, ainda que sem mencionar seu nome, mas sendo capaz de identificá-la, constitui violação a
direito da personalidade.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

Dano. Imagem. Nome. Guia. Plano. Saúde. O nome é um dos atributos da personalidade, pois faz reconhecer
seu portador na esfera íntima e em suas relações sociais. O nome personifica, individualiza e identifica a pessoa de
forma a poder impor-lhe direitos e obrigações. Desse modo, a inclusão dos nomes dos médicos recorridos em guia
de orientação de plano de saúde sem que haja a devida permissão é dano presumido à imagem, o que gera indeni·
zaçâo sem que se perquira haver prova de prejuízo. REsp 7.020.936, rei. Min. Luis Salomão, 17.2.11. 4" T. (lnfo463, 2011)

4. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (ANALIS/JUD/TRE/MS/2007/FCC- adaptada) No que concerne aos direitos da personalidade é correto afirmar
que:
Em se tratando de pessoa pública o nome desta poderá ser utilizado em propaganda comercial, ainda que sem
autorização.
(@:j E I
Art. 19. O pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Modificação do nome. Totalidade ou parcialidade. A regra da imutabilidade do nome não é
absoluta, dai h lar-se em princípio da imutabilidade relativa. Existem diversas hipóteses que permi-
tem alcc.:r,tçóes elo prenome, sendo citadas as mais comuns: (a) registro do nome expóe seu portador
84
Art 19

ao ridículo (art. 55, LRP); (b) prenome registrado com erró gráfico evidente (art. llO, LRP); (c) alte-
ração fundada na coação ou ameaça decorrente da colaboração com a apuração de crime (padgrafo
único, art. 58, LRP); (d) substituição por apelidos públicos notórios (art. 58. LRP); (e) adoção (art.
1.627, CC/02 e art. 47, §5°, ECA) e (f) casamento, separação ou divórcio (art. 1.565, §§ l 0 e 2c).
Perceba-se que em algumas das hipóteses referidas a possibilidade de alteração não se limita apenas
do prenome, mas também ao sobrenome. É possível, por exemplo, a qualquer dos cônjuges acresce:em
ao seu sobrenome o sobrenome do outro e, inclusive, mantê-lo, mesmo nos casos de separação cu
divórcio, em caso de prejuízo para sua identificação, por se tratar de direito personalíssimo.
Por sua vez, o sobrenome ou patronímico, pode ser alterado: (a) quando da adoção (art. 47, ~ )"
do ECA); (h) pelo casamento, divórcio ou separação judicial, como já mencionado; (c) pela inclusão de
sobrenome de ascendente, como o sobrenome avoengo; (d) para a inclusão de sobrenome de padrasro
ou madrasta, de acordo com art. 57,§ 8° da LRP, incluído pela conhecida "Lei Clô".

Acréscimo de sobrenome do cônjuge após a celebração do casamento. Aos cônjuges é permitido in:luir
ao seu nome o sóbrenome do outro, ainda que após a data da celebração do casamento, porém deverá ser por
meio de ação judicial. REsp 910.094, Rei. Raul Araújo,j. 4.9.12. 4" T. (lnfo 503, 2012)

Direito civil. Alteração do assento registra! de nascimento. União estável. Inclusão do sobrenomE do
companheiro. t possível a alteração de assento registra! de nascimento para a inclusão do patronímicc do
companheiro na constância de uma união estável, em aplicação analógica do art. L565, § 1°, do CC, desde =tue
seja feita prova documental da relação por instrumento público e nela haja anuência do companheiro :ujo
nome será adotado. REsp 1.206.656, rei. Min. Nancy Andrighi,j. 16.10.12. 3° T. (lnfo 506, 2012}

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (CONFEF- Advogado/2011) t certo afirmar:


1. Nas fundações, há de início um patrimônio despersonalizado, destinado a um fim. /l.o contrário das sociedzd?s
e associações, que são uma reunião de pessoas, uma coletividade, as fundações assentam sua razão de SEr no
património para certa finalidade.
11. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendido o prenome e o sobrenome.
111. Não é possível desconsiderar a pessoa jurídica usada para fraudar credores.
IV. O pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome.
Analisando as proposições, pode-se afirmar:
a) Somente as proposições I, 11 e IV estão corretas.
b) Somente as proposições 11 e IV estão corretas.
c) Somente as proposições I, 111 e IV estão corretas.
d) Somente as proposições 11 e 111 estão corretas.

02. (Fundação Casa- Analista Administrativo/Advogado/2011) Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a les<'o,
a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lec Tal
previsão, constante do artigo 12, caput do Código Civil, poderia, portanto, ser apl cada para garantir dirEit:Js
da personalidade, tais como de:
a) dispor do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte, com objetivo cientifico, de forma c;ratuita
ou onerosa.
b) utilizar pseudônimo para atividades lícitas, gozando das proteções que sao dadas ao nome.
c) liberdade de divulgação de escritos de uma pessoa, mesmo que isso atinja a honrz, boa fama ou a respeilabi-
lidade desta.
d) usar nome de pessoa em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, desde que n lo
haja intenção difamatória.
e) disposição do próprio corpo, ainda que não haja exigência médica, desde que isso não contrarie os bons cos-
tumes.

85
Art. 20 Qii!I'•'I•I!J\jijf}1•$1NNiil@~1

')' se autorizadas, ou se neçessárlas à administração da ' >~~u~·J}lilfll.itenÇão da ord.ern.


à ão ae'escritos,' a tr~nsmlssão da palavra, ou a p . ,, á ex~óslÇiio ó'u a utilliaç~ci.
Íó:ferf.lrôiÕidàs; a. séU,'tequerh'ri:ellto'íi:!S'em<preJúl~oq~ lr);den!zaçãó que, .
~,à,bOjlfam~ qua respeitabilidade, ou ses:;destinaré~ afins·cornerciais.
{;~t~~d~~é 0:\Órto oude ause~te, são partes l~giti~as pái<J ~eq~erer essa proteção
~;~w~~~~~~~llt~~;Pú.Q.s. çt!!scent:leJJ.tes.
•C:~,··',

1. BREVES COMENTARIOS
Espécies de imagem e sua proteção. O art. 20 trata da proteção à integridade moral, ou seja,
um conjunto de providências destinadas à tutela da higidez e do equilíbrio psicológico do ser hu-
mano. Por esta razão, o sentido conferido à expressão "integridade psíquica" é amplo, abrangendo,
dentre outros aspectos, a proteção e tutela da imagem, privacidade, honra e nome da pessoa natural.
A proteção à imagem :la pessoa natural deve incluir todo o conjunto de características que
permitem St!a identificação no meio social, abrangendo as noções de - (a) imagem-retrato, (b)
imagem-atributo e (c) imagem-voz. Essa é a melhor maneira de compreender o Enunciado 278 das
Jornadas de Direito Civil do CJF.
A noção de imagem-rer.rato relaciona-se à representação da pessoa pela soma das características
fisionômicas que determinam seu aspecto visual, não se confundindo com a imagem-atributo, que
diz respeito ao modo como a pessoa se apresenta e se comporta em sociedade, ou seja, sua reputação.
Já a noção de imagem-voz relaciona-se ao timbre sonoro, que tanto quanto a fisionomia permite a
identificação de um indivíduo.
A exposição e/ou a utilização da imagem de uma pessoa exigem autorização dela própria. Mas pode-
-se relativizar tal proteção se a divulgação da imagem for necessária i1 administração da justiça ou à ma-
nutenção da ordem ptiblica. Em se tratando de violação a direito de imagem, a obrigação da reparação
decorre do próprio uso indevido do direito, não havendo de se cogitar da prova da existência de prejuízo.
O dano consiste na própria t~tilização indevida da imagem (vide REsp 267529/RJ, Rei. Ministro SÁLVIO
DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA, julgado em 3/10/2000, DJ 18/12/2000, p. 208).
O dispositivo em anáLse serve de ponto de partida, no âmbito do Código Civil, para a necessi-
dade de ponderação de interesses quanto à utilização da imagem contra a vontade do indivíduo, em
relação ao exercício da liberdade de expressão e de imprensa, tema com forte repercussão no campo
do direito constitucional.
O parágrafo único do ut. 20 do CC/02 trata da legitimidade para requerer a proteção à imagem.
Desnecessário anotar que ao rol aqui descrito pode ser aplicado subsidiariamente o disposto no art.
12 do Código vigente, ou seja, na ausência das classes relacionadas poder-se-ia conferir legilimidade
para qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STJ 221 São civilmente responsáveis pelo ressarcimento de dano, decorrente de publicação pela imprensa,
tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação.

STJ 403.1ndepende de p·ova do prejuizo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa
com fins econômicos ou ·:omerciais.

STJ 63. São devidos direit-:>s autorais pela retransmissão radiofônica de músicas em estabelecimentos comerciais.

~ STJ 228. t inadmissível o interdito proibitório para a proteção do direito autoral.

STJ 261. A cobrança de d reitos autorais pela retransmissão radiofônica de músicas, em estabelecimentos hote-
leiros, deve ser feita conforme a taxa média de utilização do equipamento, apurada em liquidação.

86
Art. 20

3. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado so- Arts. 12 e 20: 1) as disposições do art. 12 têm caráter geral e aplicam-se, inclusive, às situações
previstas no art. 20, excepcionados os casos expressos de legitimidade para requerer as medidas nele estabe-
lecidas; 2) as disposições do art. 20 do novo Código Civil têm a finalidade espedfica de regrar a projeção dos
bens personalíssimos nas situações nele enumeradas. Com exceção dos casos expressos de legitimação que se
conformem com a tipificação preconizada nessa norma, a ela podem ser aplicadas subsidiariamente as regras
instituídas no art. 12. ·

Enunciado 275- Arts. 12 e 20. O rol dos legitimados de que tratam os arts. 12, parágrafo único, e 20, parágrafo
único, do Código Civil também compreende o companheiro.

Enunciado 279- Art.20. A proteção à imagem deve ser ponderada com outros interesses constitucionalmente
tutelados, especialmente em face do direito de amplo acesso à informação e da liberdade de imprensa. Em caso
de colisão, levar-se-á em conta a notoriedade do retratado e dos fatos abordados, bem como a veracidade destes
e, ainda, as características de sua utilização (comercial, informativa, biográfica), privilegiando-se medidas que
não restrinjam a divulgação de informações.

4. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS
Dano moral. Direito de informar e direito à imagem. 1. A ofensa ao direito à imagem materializa-se com a
mera utilização da imagem sem autorização, ainda que não tenha caráter vexatório ou que.não viole a honra ou
a intimidade da pessoa, e desde que o conteúdo exibido seja capaz de individualizar o ofendido. REsp 794.586,
rei. Min. Raul Araújo,j. 15.3.12. 4"T. {lnfo 493, 2012)

~ Direito civil. Direitos da personalidade. Utilização de imagem de pessoa pública sem autorização. Finalidade
exclusivamente econômica. Existência de dano moral. Ainda que se trate de pessoa pública, o uso não autorizado
da sua imagem, com fins exclusivamente econômicos e publicitários, gera danos morais. A jurisprudência do
STJ firmou-se no sentido de que a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins
econômicos ou comerciais independe de provz do prejuízo (Súm. 403/STJ). Assim, a obrigação de indenizar,
tratando-se de direito à imagem, decorre do próprio uso indevido desse direito, não havendo, ademais, que
se cogitar de prova da existência de prejuízo. Cuida-se, portanto, de dano "in re ipsa", sendo irrelevante que se
trate de pessoa notória. REsp 1.102.756, rei. Min. Nancy Andrigui, j. 20.11.12. 3" T. {lnfo 509, 2012)

Direito autoral. Remasterização.lndenizaçâo. Violação de direito autoral moral determinadora da vedação


de reprodução sem o consentimento do autor, mas inviável o recolhimento de exemplares já objeto de ampla
circulação nacional e internacional, de modo que a consequência é a indenização por dano ao direito autoral
moral, sem prejuízo do recebimento de "royalties" pelos exemplares já vendidos, em valor a ser apurado em
liquidação por arbitramento. REsp 1.098.626, re.l. Min. Sidnei Beneti, j. 13.12.11. 3" T. {lnfo 489, 2012)

Direito autoral. Indenização. Obra. Divulgação. Trata-se de ação de indenização por danos materiais e
morais em que se busca o ressarcimento pela reprodução eletrônica de obra intelectual sem autorização do
autor. O recorrente cedeu material didático de sua autoria a professor, preposto da recorrida, apenas para
que fosse utilizado para consulta, mas não para a divulgação por meio da internet. Ocorre que, como todos
os materiais utilizados nas salas de aula da recorrida eram disponibilizados em seu sítio eletrônico, a referida
obra foi disponibilizada na página eletrônica da instituição de ensino. O juízo singular julgou improcedente o
pedido ao fl'ndamento de que não foi provado o dano material nem caracterizado o dano moral. O tribunal
"a quo" entendeu que, por não haver prova da negligência da instituição de ensino, estava descaracterizada
a conduta ilícita dela, ficando, assim, afastada sua responsabilidade por eventual dano. Pretende o recorrente
que sejam reconhecidas a violação dos arts. 29, 30, 38, 50, 52, 56 e 57 da Lei 9.610/98, uma vez que os direitos
autorais presumem-se feridos quando não há autorização para a divulgação do trabalho, bem como a ofensa
aos arts. 932, 111, e 933 do CC. Para os efeitos da aludida lei, que regula os direitos autorais, considera-se publi-
cação o oferecimento de obra literária, artística ou científica ao conhecimento do público por qualquer forma
ou processo. A reprimenda indenizatória justifica-se pela simples circunstância de o trabalho do recorrente ter
sido disponibilizado no sítio da recorrida sem sua autorização e se!TI menção ciMa de sua autoria. Dessa forma,
a recorrida falhou no dever de zelar pela verificação de autenticidade, autoria e conteúdo das publicações rea-
lizadas em sua página na Internet, independentemente da boa-fé com que tenha procedido. Assim, ressalta-se
a configuração da responsabilidade objetiva da instituição de ensino pela conduta lesiva de seu professor. O
prejuízo moral do recorrente ficou evidenciado na frustra,ção de não conservar inédita sua obra intelectual pelo
tempo que lhe conviria. Por outro lado, não ficou evidenciado o alegado prejuízo patrimonial, pois a indenização
por dano material requer a comprovação detalhada da efetiva lesão ao patrimônio da vítima, desservindo para
a sua constatação meras aspirações, suposições e ilações sobre futuros planos, como na espécie. REsp 1.201.340,
rei. Min. Maria Gal/otti, 3.11.11. 4" T. (lnfo 486, 2011)
87
Art. 20 liiiil!all•f,~jijj\}i•!!ti~tüill;lijhj

Direitos autorais. Evento público. Rodeio. Com o advento da Lei 9.610/98 (Lei dos Direitos Autorais), não
se exige a utilidade econômica do event9 como condição para a cobrança de direitos autorais, ou seja, esses
direitos podem ser cobrados também nas hipóteses em que a execução pública da obra protegida não é feita
com o intuito de lucro. REsp 996.852, rei. Min. Luis Salomão, 21.6.11. 4° T. (lnfo478, 2011)

Direitos autorais. Evento religioso. Trata-se da possibilidade de cobrança de direitos autorais por ter a re-
corrente realizado execuções musicais e sonorizações ambientais quando da celebração da abertura do ano
vocacional em escola, evento religioso, sem fins lucrativos e com entrada gratuita. O evento sem fins lucrativos,
com entrada gratuita e finalidade exclusivamente religiosa não conflita com a exploração comercial normal da
obra (música ou sonorização ambiental), assim como, tendo em vista não constituir evento de grandes propor-
ções, não prejudica injustificadamente os legítimos interesses dos autores. Prepondera, pois, neste específico
caso, o direito fundamental à liberdade de culto e de religião frente ao direito de autor. REsp 964.404, rei. Min.
Tarso Sanseverino, 15.3.11. 3° T. (lnfo 466, 2011)

Indenização. Contrafação. Programa. Computador. Trata-se de ação indenizatória cumulada com obrigação
de não fazer na qual o recorrente alega que, em ação cautelar de antecipação de provas, ficou demonstrado que
o recorrido usava, sem licença, programa de computador de sua titularidade. O montante indenizatório deve ser
de dez vezes o valor de mercado de cada um dos programas indevidamente utilizados. O simples pagamento
pelo contrafator do vaio r de mercado de cada exemplar apreendido não corresponderia à indenização pelo
dano decorrente do uso indevido. Se assim fosse, o contrafator teria que pagar apenas o valor que expenderia
se usasse legalmente o programa. REsp 1.785.943, rei. Min. Luis Salomão, 15.2.11. 4° T. (lnfo 463, 2011)

Indenização. Direitos autorais.l. Comprovado que a obra artística foi utilizada sem autorização de seu autor
e sem indicação de autoria, nasce o direito de recomposição dos danos materiais sofridos. REsp 889.300, rei. Min.
Luis Salomão, 7°.3.11. 4° T. (lnfo465, 2011)

Indenização. Reprodução. Obra. Local público. A reprodução desautorizada de imagens das esculturas do
artista plástico recorrido em cartões telefônicos da recorrente impõe o dever de indenizar o autor da obra pelos
danos materiais suportados. REsp 951.521, rei. Min. Aldir PassarinhoJr., 22.3.11. 4° T. (lnfo 467, 2011)

Direito autoral. Retransmissão. Rádio. TV. Quarto. Hotel. t devida a cobrança pelo Escritório Central de
Arrecadação e Distribuição (ECAD) relativa aos direitos autorais pela retransmissão de aparelho de rádio e tele-
visão nos quartos de hotéis e motéis, por serem considerados locais de frequência coletiva segundo o disposto
no art. 68, § 3°, da Lei 9.610/98 (aplicação da Súm. 63/STJ). A hipótese dos autos está toda baseada na citada
legislação. REsp 7.117.391_ rei. Min. Sidnei Beneti, 27.4.17. 2" S. (lnfo 470, 2011)

Multa. Juros. Mora. Ecad. Relação extra contratual. Embora se reconheça aos titulares do direito autoral a
prerrogativa de fixar valores referentes à utilização das suas obras artísticas em face da natureza privada dos
seus direitos, no que toca às consequências decorrentes das ilicitudes praticadas contra as obras de espírito, na
falta de previsão expressa da Lei 9.610/90, é de ser respeitado o estabelecido na legislação civil, em detrimento
do regulamento de arrecadação do Ecad. REsp 1.094.279, rei. Min. Massomi Uyeda, 16.6.11. 3" T. (lnfo 477, 2011)

Indenização. Contrafação. Softwares. A sanção do parágrafo único do art. 103 da Lei 9.610/98 tem sua aplicação
condicionada à impossibilidade de identificação numérica da contrafação.- A pena pecuniária imposta ao infrator
não se encontra restrita ao valor de mercado dos programas apreendidos. Inteligência do art. 102 da Lei 9.610/98-
"sem prejuízo da indenização cabível"- Na fixação do valor da indenização pela prática da contrafação, observada
a razoabilidade, devem ser considerados os seguintes itens balizadores: (i) o fato de que desestimule a prática
ofensiva e cbste o enriquecimento sem causa do titular dos direitos autorais violados; (ii) o fato de inocorrência de
comercialização dos produtos contrafaceados. REsp 1.016.087, rei. Min. Nancy Andrighi, 6.4.10. 3• T. (lnfo 429, 2010)

Direito autoral. Baile. Carnaval. t devido o pagamento de direitos autorais por utilização de obras musicais em
espetáculos carnavalescos promovidos por entidades recreativas (Clubes), seja quando em vigor a Lei 5.988/73,
a qual exigia o intuito de lucro direto ou indireto, seja na égide da Lei 9.610/98, a qual não mais prevê tal pres-
suposto. REsp 703.368, rei. Min. Vasco Giustina, 4.3.10. (lnfo 425, 2010)

Direitos autorais. Clínica médica. I. "A Lei 9.610/98 não autoriza que a disponibilidade de aparelhos de rádio
ou de televisão nos quartos de motéis e hotéis, lugares de frequência coletiva, escape da incidência da Súmula
63/STJ" (REsp 556340). 11. A aplicação da multa prevista no art. 109 da Lei 9.610/98 demanda a existência de
má-fé e intenção ilícita de usurpar os direitos autorais, aqui inocorrentes. REsp 142.426, rei. Min. Aldir Passarinho
Jr., 18.2.10. 4° T. (lnfo 423, 2010)

Responsabilidade objetiva. Reprodução. Obra. No âmbito dos direitos autorais, não se pode negar a adoção da
responsabilidade objetiva na reparação dos danos causados aos autores das obras intelectuais, nos termos do art.
5°, XXVII, da CF, CDC e lei 9.610/98 (Lei dos Direitos Autorais- LDA), que se preocupam em proteger os direitos do
autor, prevendo punições civis ao transgressor. REsp 1.123.456, rei. Min. Massami Uyeda, 19.10.10. 3'T. (lnfo 452, 2010)
88
Art. 21

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (MPE-SC- Promotor de Justiça - SC/2013) Salvo se alltorizadas, ou se necessárias à administração da justiça
ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmlss_ão da palavra, ou a publicação, a ex-
posição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo
da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a
fins comerciais. O psudônimo adotado pela pessoa para atividades lícitas, goza da proteção que se dá ao nome.
ifi!i:l 1 c

Art. 21. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará
as providências necessárias-para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Imagem versus privacidade. Não confundir a possibilidade de rclativizaç:ã:> da proteção do direito
à imagem de pessoas notórias (art. 20) com a preservação de sua privacidade (art. 21). Muito embora não
exista nenhum direito absoluto, aqui não há de se fazer as mesmas concessões, ?Ois todos têm direito à
intimidade de sua vida privada. Não é possível tornar públicos aspectos íntin:os do indivíduo, muitas
vezes levados ao conhecimento de terceiros, sem contexto. Assim, a privacidade conferida a questões
existenciais não deve ser confundida com aspectos patrimoniais de nossa personalidade, como o sigilo
bancário, que muitas vezes, por determinação judicial, para formar a convkção do magistrado em
processo para apuração de ilícitos, pode ser acessado. Tradicionalmente, costuma-se resumir o direito à
privacidade da pessoa natural como o "direito de estar só". Contudo, o contexto social e toda a evolução
jurisprudencial dos últimos anos demonstram que reduzir a proteção à privacidade apenas a esse aspecto
não é suficiente. Além da garantia à inviolabilidade de seu domicílio, ao sigilo de sua correspondência
e ao segredo profissional- aspectos que historicamente contribuíram para a ccnformação da proteção
à privacidade -, deve-se assegurar ao indivíduo a possibilidade de controlar aquilo que diz respeito ao
seu modo de ser no âmbito mais íntimo da vida privada (como as escolhas existenciais relativas aos
seus sentimentos, à orientação sexual, política e religiosa, etc.), excluindo do cor,hecimento de terceiros.

'
2. ENUNCIADOS DE JORNADAS

Enunciado 404- Art. 21: A tutela da privacidade da pessoa humana compreende os controles espacial, con-
textual e temporal dos próprios dados, sendo necessário seu expresso consentinento para tratamento de
informações que versem especialmente o estado de saúde, a condição sexual, a origem racial ou étnica, as
convicções religiosas, filosóficas e políticas.

Enunciado 405- Art. 21: As informações genéticas são parte da vida privada e não podem ser utilizadas para
fins diversos daqueles que motivaram seu armazenamento, registro ou uso, salvo -:·)m autorização do titular.

3. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR

O dano moral deve ser visto como violação do direito à dignidade, estando nela in!eridos a inviolabilidade ela
intimidade, da vida privada, da honra e da imagem. Dessa forma, havendo agressão 3 honra da vítima, é cabível
indenização. (STJ, REsp no 531335, Min. Rei. Nancy Andrighi, DJ 19/12/2008).
Dano moral. Nepotismo cruzado. Reportagem televisiva. Não é a simples divulgação da imagem que gera o
dever de indenizar; faz-se necessária a presença de outros fatores que evidenciem c o:>xercício abusivo do direito
de informar ou mesmo de divulgar a imagem, causando situação vexatória no caso das pessoas públicas, assim
denominadas pela doutrina. REsp 1.237.401, rei. Min. Maria Gallottí, 21.6.11. 4° T. (lnfo "'78, 2011)

Indenização. Danos materiais e morais. Exame involuntário. logo, mesmo que o indivíduo não queira ter
conhecimento da enfermidade que o acomete, a informação correta e sigilosa SO)re o seu estado de saúde
dada pelo hospital ou laboratório, ainda que de forma involuntária, tal como no caso, não tem o condão de
afrontar sua intimidade, na medida em que lhe proporciona a proteção de um direito maior. REsp 1.195.995, rei.
p!ac. Min. Massami Uyeda, 22.3.11. 3° T. (lnfo 467, 2011)

89
Art. 22 lfiiii!•I1•6J\1Qt}i•b~jfbjiii;Whj

~cÂ~iroio 1Í1'"' ilA ÀosêticiA


.· ~~.~ÇM,t~.Q~~.!,I~/!9WW~PQS.B~NS 'QOJ\.~~EI~JE .
: . •··•· Á..t. ~i. [)é~!'pareÇendo uma p~sso~ do seu dpmidlíó'sêm dtila h~ver notfcl~,sen~9 houv~r déixa<lo
' t~iJ~~~~f\Í:atiti;l ô4'~(!)t..~ráP,or!' i'JúP.rjí cail;íifá?l1liriístràr·lhe o~ ~~ns; ~júli:,.arequerimento de qualquer
int~íes.sado 0 u d 0 M.inlstêrlo Público,declar~rá a ausência, e nomear·lhe·á curador. ·

1. BREVES COMENTÁRIOS
Conceito de ausência. Uma pessoa pode ser considerada ausente quando se desconhece seu
paradeiro e antes do seu desaparecimento tal pessoa não cuidou de deixar um representante ou
administrador para zelar por seu patrimônio. Ainda, é possível considerar alguém ausente quando
c responsável indicado para cuidar dos interesses de outrem não queira (ou não possa) exercer ou
continuar o mandato, ou os seus poderes sejam insuficientes para tanto. Em suma, não presença +
folta de noticias, quanéo reconhecidas judicialmente, ensejam a decretação da ausência.
Não se está diante de um caso de incapacidade, mas sim de situação que exige cuidado acerca dos bens
de dete~minado indivíduo, não de sua pessoa. É a necessidade de se resolver situações patrimoniais de titu-
laridade do ausente que fàz com que se busque uma solução judicial para aquela situação fática indefinida.
Fases do procedimento. O que interessa no estudo da ausência é a análise das diferentes fases
cl.e seu procedimento. Inicia-se com a curadoria dos bens do ausente, passando pela sucessão provi-
sória, até se chegar à sucessão definitiva. Destaque-se a gradação entre cada uma das fases, que se
relaciona com a maior (ou menor) probabilidade de reaparecimento do ausente. Ou seja, à medida
que se avança nas fases, menor a preocupação com o retorno do ausente.
Frise-se, ainda, que o ausente não é incapaz, mas é a ausência uma forma de morte presumida,
quando da abertura da sucessão definitiva.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 156 Art. 198: Desde o termo inicial do desaparecimento, declarado em sentença, não corre a
prescrição contra o ausente.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

STJ 357- Declaração de ausência. Desnecessidade. Comprovação. Bens. O pedido de declaração de ausência
tem por finalidade resguardar os Interesses do ausente, que pode reaparecer e retomar sua vida, para, após
as cautelas previstas em lei, tutelar os direitos de seus herdeiros. Logo, havendo interessados em condição de
suceder o ausente em direitos e obrigações, ainda que os bens deixados sejam, a princípio, não arrecadáveis,
pode se utilizar o procedimento que objetiva a declaração. A comprovação da propriedade não é condição síne
qua non para a declaração de ausência, nos termos dos arts. 22 do CC/2002 e 1.159 do CPC. Assim, a Turma deu
provimento ao recurso para cassar o acórdão recorrido e a sentença a fim de que prossiga o julgamento do
processo no juizo de origem. REsp 1.016.023-DF, Rei. Min. Nancy Andrighi, j. 27/5/2008. 3• T.

4. QUESTÕES DE CONCURSOS
1
i 01. (DEF/PUB/SP/2007.fFCC- adaptada) João, solteiro e sem ascendentes ou descendentes, desapareceu de seu
ií domicilio há 06 me~es e não há notícias de seu paradeiro. Não deixou representante ou procurador para a ad·

~
ministração dos seus bens. À luz do Direito vigente, é correto afirmar: O requerimento de ausência só poder <i
ser formulado par ~a rente até o terceiro grau ou pelo Ministério Público.
í: 02. (ANALISTA/TRT/17• Região/2009/CESPE) A declaração de ausência acarreta a incapacidade do ausente .

l
.
03. (TJ/ES- Analista Judiciário/2011) A ausência é uma causa de incapacidade reconhecida pelo Código Civil, de
maneira que, se ela for declarada judicialmente, deve-se nomear curador ao ausente.

. :•:&:4::u:==l===~E===~2===~E-=u=.--3--__-_E-_:;
90
Art. 23

.~· : ·:, ·, :· '\·, . ·. ,·.. >:·· . . ., · . . , ·. :·. , ,;,. ·.: ::.< . ,', · ··.: J~; ;::~;<:}.'; ~2t.';.;,l:;·:~\;;;:,:.'i[L, ;o:~.(};.i~:--// .
. Art. 23. T~mbém se declarará a ausência, e :Se nome'!rá curador,qU<:~!ldó () <l~s~.[itfdeixa.fmâ~~afáJ!p;,
que não queira ou não possa exercer ou continuar o mandato, ou se ós seus podereS'fo~êirli InsufiCientes..

I. BREVES COMENTÁRIOS
Curadoria dos bens do ausente. A ação começa com a nomeação de um curador para os bens do
ausente. No momento da nomeação, caberá ao magistrado fixar a extensão dos poderes e obrigações
conferidos ao curador, de acordo com as circunstâncias do caso, já que este será o responsável pelos
bens durame a fase da arrecadação.
O leitor deve atemar para a existência de dois prazos diversos quanto à duração desta fase de
curadoria. Se o desaparecido não deixou ninguém que o represente o prazo será de 1 ano (prazo
mínimo); caso tenha ele deixado alguém para representa-lo e este não mais possa ou queira exercer
o munus, o prazo mínimo passará a 3 anos. Não confunda: estes prazos mínimos para a duração da
curadoria; não há prazo mínimo para que se requeira a abertura do processo de ausência.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Juiz/TJ/T0/2007/1 FASE/CESPE- adaptada) Julgue os itens a seguir, relativos à pessoa natural.
111. Ainda que o desaparecido tenha deixado representante, será declarada a ausência do representado e nomeado
um curador, se, por algum motivo, o representante não puder ou não quiser realizar os atos necessários para
a gestão dos bens e negócios do desaparecido. Assim, para a declaração de ausência, além dos pressupostos
fáticos, exige-se a sua declaração judicial. Essa sentença perde a eficácia com o retorno do ausente.
•cq•.•.j,•jr-1--C--,

Art. 24. O juiz, que nomear o curador, fixar-lhe-á os poderes e obrigações, conforme as, circunstâncias,
observando, no que for aplicável, o disposto a respeito dos tutores e curadores.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Normas para a função de curador. Como bem informam FARIAS & ROSENVALD (Curso de
Direito Civil, v. 1., 2012. p. 368: ''A primeira fase (curatela dos bens do ausente) tem início por provoca-
ção de qualquer interessado (cônjuge, companheiro, parente, credor...) ou do Ministério Público, dando
coma ao juiz de que uma determinada pessoa desapareceu do seu domicílio, dela não havendo notícias.
Comprovado o desaparecimento, o juiz, ouvido o Ministério Público, declara a ausência, determinando, na
mesma decisão, a arrecadação dos bens do ausente, a publicação de editais durante um ano, reproduzidos
de dois em dois meses, anunciado o levantamento dos bens e convocando o ausente a retomar a posse de
seus bens (CPC, art. 1.161 -art. 745 CPC) e, finalmente, nomeando um curador para os bens do ausente".

Art. 25. O cõnjuge do ausente, sempre que não esteja separado judicialmente, ou de fato por mais de
dois anos antes da declaração da ausência, será o seu legítimo curador.
§ 1° Em falta do cônjuge, a curadoria dos bens do ausente incumbe aos pais ou aos descendentes, nesta
ordem, não havendo impedimento que os iniba de exercer o cargo.
§ 2° Entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos.
§ 3° Na falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a escolha do curador.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Legitimados para exercer a função de curador. O art. 25 apresenta o rol dos legitimados ao
exercíc:o da curatela dos bens do ausente. Atenção para não confundir a ordem dos legitimados para
exercício da curatela dos bens do ausente com a ordem de vocação hereditária que define a sucessão
legítima. No primeiro caso, no que concerne à curadoria dos bens do ausente, os ascendentes precedem
aos descendentes e não o contrário, conforme preconiza o art. 1.829 do CC/02.
91
Art. 26

Embora não exista referência no texto do dispositivo em análise, deve ser conferida ao compa-
nheiro a mesma posição atribuída ao cônjuge (vide Enunciado 97 do CJF), sem distinções.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 97- Art. 25: no que tange à tutela especial da família, as regras do Código Civil que se referem
apenas ao cônjuge devem ser estendidas à situação jurídica que envolve o companheiro, como, por exemplo,
na hipótese de nomeação de curador dos bens do ausente (art. 25 do Código Civil).

3. QUESTÕES DE CONCURSO

01. (Cespe- Cartório- TJ-DFT/2014) Acerca da capacidade e personalidade civil das pessoas naturais, assinale
a opção correta.
a) A emancipação voluntária pode ser concedida por ato conjunto dos pais, ou por um deles na falta do outro,
mediante homologação judicial, ouvido o MP.
b) Somente depois de decretada a interdição por sentença constitutiva é que se reconhece a incapacidade civil,
:om efeitos ex nunc, sendo inviável a declaração de nulidade de alienação de imóvel realizada por pessoa por-
tadora de anomalia psíquica, ainda que se comprove que a enfermidade era anterior à instituição da curatela.
c) A curatela do ausente poderá ser deferida a requerimento de qualquer interessado ou do MP, sendo o legítimo
curador o cônjuge do ausente, desde que não esteja separado judicialmente ou de fato por mais de dois anos
antes da declaração de ausência, direito que se estende ao companheiro.
d) O menor relativamente incapaz tem capacidade civil mediante assistência, notadamente para aceitar mandato,
fazer testamento e ser testemunha em atos jurídicos.
e) Em razão do princípio da inalterabilidade do nome, o parentesco por afinidade em linha reta não autoriza a
averbação, no registro de nascimento de enteado ou enteada, do nome da família de seu padrasto ou madrasta,
ainda que haja a concordância destes.

02. (DEF/PUB/SP/2007/FCC- adaptada) João, solteiro e sem ascendentes ou descendentes, desapareceu de seu
domicilio há 06 meses e não há noticias de seu paradeiro. Não deixou representante ou procurador para a
administração dos seus bens. Aluz do Direito vigente, é correto afirmar:
O curador, nomeado pelo juiz. prosseguirá como representante legal da herança, mesmo aparecendo herdeiros.

c 1 2 E

~SEÇÃO 11 - IJA SUCESSÃO PROVISÓRIA


--------------------------
Art. 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou representante ou
procurador, em se passando três anos, poderão os interessados requerer que se declare a ausência e se abra
provisoriamente a sucessão_

I. BREVES COMENTA RIOS


Sucessão provisória. Prazos. Escolhida a pessoa a quem competirá a procuradoria dos bens
do ausente, segue-se o processamento da ação, na forma do disposto no art. 745, CPC, ou seja, o
juiz mandará publicar editais durante um ano, reproduzidos de dois em dois meses, anunciando a
arrecadação e chamando o ausente a entrar na posse de seus bens. Ocorrendo o comparecimento do
ausente, quer seja pessoalmente ou através de procurador ou de quem o represente, ou ainda havendo
certeza de sua morte, cessará imediatamente a fase de curadoria.
No entanto, passado um ano da publicação do primeiro edital sem que se saiba do ausente e não
tendo comparecido seu procurador ou representante, poderão os interessados requerer que se abra
provisoriamente a sucessão (art. 745, § to, CPC) pondo fim à fase da curatela. O rol dos interessados
está previsto no art. 27 do C:C:/02. Não havendo interessados no prosseguimento da ação, cumpre ao
Ministério Público requerer a abertura da sucessão provisória (art. 28, § to, CC/02). O prazo para
tal providência será de três anos no caso de o ausente ter deixado algum representante.
92
O Novo CPC, em razão das novas tecnologias da Informação, mormente a internete, alte-ou o disposto acerca da
publicação do edital, expandido o espectro material do mesmo. Assim, a notificação editalfcia do art. 745 passa
a ocorrer na rede mundial de computadores, no sitio do tribunal a que estiver vinculado e na plataforma de editais do
Conselho Nacional de Justiça, onde permanecerá por 1 (um) ano, ou, não havendo sitio, no órgão o'icia/ e na imprensa
da comarca, durante 1 (um) ano, de 2 (dois) em 2 (dois) meses.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (DEF/PUB/SP/2007/FCC- adaptada) João, solteiro e sem ascendentes ou descende1tes, desapareceu de seu
domicilio há 06 meses e não há notícias de seu paradeiro. Não deixou representar te ou procurador r:: ara a
administração dos seus bens. A luz do Oireito vigente, é correto afilmar:
Em se passando 2 (dois) anos, poderão os interessados requerer a declaração de ausência, abrindo-se prcviso-
riamente a sucessão.

02. (Procurador Judicial- Pref. Mun. Serra Negra/SP) Nos termos do artigo 26 do CC, poderão os interessados
requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão, decorrido um ano da arrecadação dos
bens do ausente, ou, se ele deixou representante ou procurador, em se passando:
a) Três anos.
b) Dois anos.
c) Quatro anos.
d) Cinco anos.
«<tJ:i 1 E 2 A

Art. 27. Para o efeito previsto no artigo anterior, somente se consideram interess~cos:
I -o cônjuge não separàdo judicialmente;
11 -os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários;
111 -os que tiverem sobre ~,s bens do ausente direito dependente de sua morte;
IV -os credores de obrlgaçaes vencidas e não pagas.

1. BREVES COMENTÁRIOS '


Cônjuge separado. Deve-se compatibilizar a interpretação do inciso primeiro do dispositivo
em análise às posteriores alterações legislativas no que concerne à dissolução do casamento. Não
devem ser considerados interessados cônjuges separados, pela via judicial ou extrajudicial (vide Lei
n° 11.441/2007). Numa interpretação sistêmica do rratamento conferido à curadoria dos bens do
ausente, é possível afirmar que ao rol do art. 27 poderia ser acrescentado o Ministé:io Público, por
força do disposto no art. 28, § 1° do Código vigente.

Art.28. A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá ef~íto cento e oitenta
dias depois de publicada pela imprensa; mas, logo que passe em julgado, proceder-se-á à abertura dotes-
tamento, se houver, e ao Inventário e partilha dos bens, como se o ausente fosse falecído.
§ 1° Findo o prazo a que se refere o art. 26, e não havendo interessados na sucessão provisória, cumpre
ao Ministério Público requerê-la ao jufzo competente.
§ 2° Não comparecendo herdeiro ou interessado para requerer o inventário até trinta dias depois de
passarem julgado a sentença que mandar abrir a sucessão provisória, proceder-se-á à arrecadação dos bens
do ausente pela forma estabelecida nos arts. 1.819 a 1.823.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Efeitos da sucessão provisória. Anote-se que neste momento do procedin:enro para tutela dos
bens do ausente, a sentença que determinar a abertura da sucessáo provisória cnseja apenas o re.:o-
nhecimento de morte presumida, uma vez que é possível o retorno do ausente a qualquer momento.
93
Arl29 llli1Jiell•l&1Qt}i•$jUijill;t!1h1
Não havendo apresentação do legitimado, o Ministério Público, vencido o prazo de trinta dias, irá
requerer a abertura de processo de jacêncía e vacância da herança, observando-se que durante este,
surgindo herdeiro, e respeitadas regras específicas, retomar-se-á o inventário comum.

2. QUESTÃO DE CONCURSO
01. (MPE-SC- Promotor de Justiça- SC/2013) Asentença que determinar a abertura da sucessão provisória só pro-
duzirá efeito cento e oitenta dias depois de publicada pela imprensa; mas, logo que passe em julgado, proceder-
-se-á à abertura do testamento, se houver, e ao inventário e partilha dos bens, como se o ausente fosse falecido.
i§d:l c

Art. 29. Antes da partilha, o juiz, quando julgar conveniente, ordenará a conversão dos bens moveis,
sujeitos a deterioração ou a extravio, em imóveis ou em títulos garantidos pela União.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Proteção ao patrimônio mobiliário. O processo que disciplina a curadoria dos bens do ausente tem
por fim atender à função social dos bens do desaparecido, pois, dentre outras medidas assecuratórias, é
dirigido para garantir a possibilidade de geração de frutos. Quando estes bens puderem sofrer processo
de depreciação acelerada ou perda, deve o magistrado, quer seja provocado ou ex officio, determinar a
sua conversão em valor, permitindo-se, para tal finalidade, a aquisição de imóveis ou títulos garantidos
pela União. Assim, o valor que representava o acervo patrimonial deixado pelo ausente estará protegido.
O ausente não é '.:m fugitivo, não se pode antecipar (e nem mesmo interessa) o motivo de seu
desaparecímemo. Deve a Justiça cuidar para que o seu patrimônio, sob a perspectiva do valor, esteja
preservado. Além disso, interesses de terceiros devem ser resguardados, como no caso do art. 1.571,
§ 1°, que viabiliza a dissolução do matrimônio.

Art. 30. Os herdeiros, para se imitirem na posse dos bens do ausente, darão garantias da restituição
deles, mediante penhores ou hipotecas equivalentes aos quinhões respectivos.
§ 1• Aquele que tiver direito à posse provisória, mas não puder prestar a garantia exigida neste artigo,
será excluído, mantendo-se os bens que lhe deviam caber sob a administração do curador, ou de outro
herdeiro designado pelo juiz, e que preste essa garantia.
§ 2• Os ascendentes, os descendentes e o cõnjuge, uma vez provada a sua qllalid<!de de herdeiros,
poderão, independentemente de garantia, entrar na posse dos bens do ausente.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Proteção ao patrimônio do ausente. Apesar do inventário e da partilha de bens, os herdeiros
devem se comportar prevendo o retorno do ausente, razão por que somente serão empossados nos bens
daquele, se oferecerem garantias de sua eventual restituição, o que implica dizer que aquele que tiver
direito à posse provisória, mas não puder prestar a garantia exigida, será excluído, mantendo-se os
bens que lhe deviam caber sob a administração do curador, ou de outro herdeiro designado pelo juiz,
e que preste essa garantia (art. 30). Mas não é só. Deverão capitalizar metade do> frutos e rendimentos
oriundos dos bens recebidos em favor do ausente e prestar anualmente contas ao juiz competcme.
Inexistência de caução por parte dos herdeiros necessários. Importame ressaltar que a exigên-
cia de garantias para a administração (mesmo que provisória) dos bens do auseme não se aplica aos
denominados herdeiros necessários, vale dizer, aos ascendentes, aos descendentes e ao cônjuge (art.
30, § 2°), que além d~ estar autorizados a entrar na posse dos bens do ausente sem prestar garantias,
poderão f.'lZer seus wdos os frutos e rendimentos obtidos com a administração de seus respectivos
quinhões.
94
Art. 31

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Juiz/TJ/T0/2007/1 FASE/CESPE- adaptada) Julgue os itens a seguir, relativos à pessoa natural.
11. Aberta a sucessão provisória dos bens do ausente, os herdeiros devem prestar garantia para se imitirem na posse
dos bens que lhes cabem, além de terem a obrigação de capitalizar a metade de seus rendimentos e prestar contas
anualmente ao juiz competente. No entanto, quando os herdeiros forem ascendentes, descendentes, cônjuge ou
companheiro, estes estarão dispensados de tais exigências para a imissão na posse provisória dos bens do ausente.
nu , c

Art. 31. Os imóveis do ausente só se poderão alienar, não sendo por desapropriação, ou hipotecar,
quando o ordene o juiz, para lhes evitar a rufna.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Bens de raiz. Os imóveis são uma forte garantia de valor para o patrimônio, daí somente po-
dendo ser alienados de forma excepcional, devidamente fundamentada, especialmente quando tal
providência é necessária para resguardar a integralidade do acervo de bens do ausente. Justifica-se tal
restrição pelo fato dos sucessores, nesta fase do procedimento, possuírem posse precária, meramente
provisória, do acervo patrimonial do ausente.

Art. 32. Empossados nos bens, os sucessores provisórios ficarão representando ativa e passivamente o
ausente, de modo que contra eles correrão as ações pendentes e as que de futulo àquele forem movidas.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Sucessão em ações e legitimidade ativa/passiva dos sucessores. A transferência dos bens do
patrimônio do ausente para os seus sucessores não gera apenas vantagens para os contemplados. Como
possuidores, ainda que de modo provisório, devem defender os bens que lhes foram confiados. Sobre
o tema ver ainda as observações constantes do art. 36.

Art. 33. O descendente, ascendente ou cônjuge que for sucessor provisório do ausente, fará seus todos
os frutos e rendimentos dos bens que a este couberem; os outros sucessores, porém, deverão capitalizar
metade desses frutos e rendimentos, segundo o disposto no art. 29, de acordo com o representante do
Ministério Público, e prestar anualmente contas ao juiz competente.
Parágrafo único. Se o ausente aparecer, e ficar provado que a ausência foi voluntária e injustificada,
perderá ele, em favor do sucessor, sua parte nos frutos e rendimentos.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Titularidade dos herdeiros necessários em relação aos frutos. Atenção para não confundir
a titularidade dos direitos descritos neste artigo. Há de se distinguir o bem principal dos acessórios,
pois os herdeiros necessários terão direito apenas aos frutos (v.g. rendimentos juros, aluguel etc.) dos
bens que estiverem em sua posse, embora ainda não possam ser considerados proprietários destes.
Como já afirmado anteriormente, em observância ao tratamento constitucional conferido às
entidades familiares, e ao modelo plural c diversificado de famílias atualmente praticado em nosso
país, deve-se incluir no rol dos herdeiros necessários o companheiro com quem convivia o ausente
ames do desaparecimento.
Direito das demais classes de sucessores. Por outro lado, os demais sucessores, especialmente
os herdeiros colaterais, durante a f:lSe da sucessão provisória, somente poderão fazer sua metade dos
frutos e rendimentos, devendo resguardar a outra parte para eventual retorno do ausente. Contudo, se
o desaparecimento for voluntário e injustificado, esses sucessores capitalizarão tudo, nada entregando
dos fruros e rendimentos no caso de retorno daquele que havia sido declarado ausente.
95
Art. 34 liiill!ellaf$jQi}i•!Jjff!jill;fdhj

Art. 34. O excluído, segundo o art. 30, da posse provisória poderá, justificando falta de'm~io~, ~equerer
lhe seja entregue metade dos rendimentos do quinhão que lhe tocaria.

1. BREVES COMENTÁRIOS

Proteção à pessoa. O dispositivo, além de resguardar a diversidade patrimonial, visa proteger


exatamente aquele dos sucessores que possa estar em condição de vulnerabilidade. Isto denota a opção
do Código Reale em proteger a dignidade da pessoa humana.

Art. 35. Se durante a posse provisória se provar a época exata do falecimento do ausente, considerar-
-se-á, nessa data, aberta a sucessão em favor dos herdeiros, que o eram àquele tempo.

1. BREVES COMENTÁRIOS

Morte real do ausente. Durante a fase da sucessão provisória duas coisas podem ocorrer para
cessar o complexo processo de curatela dos bens do ausente: (a) prova da época exata do falecimento
do ausente, que implica abertura da sucessão em tal data, e (h) rerorno do ausente, que implica ex-
tinção de rodos os direitos sobre seus bens, embora o dever de preservação destes se estenda até sua
efetiva entrega ao ausente.

Art. 36. Se o ausente aparecer, ou se lhe provar a existência, depois de estabelecida a posse provisórià,
cessarão para logo as vantagens dos sucessores nela imitidos, ficando, todavia, obrigados a tomar as medidas
assecuratórias precisas, até a entrega dos bens a seu dono.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Medidas assecuratórias. A obriga~~áo do sucessor é de proteger o acervo parrimonial do
ausente que lhe foi confiado, garantido destinação consentânea com sua função social e a boa-fé
objetiva dos usos e costumes do lugar, agindo com as características de zelo e prudência, esperadas
de qualquer guardião. Dessa forma, aplicações ou investimentos arriscados com os bens sob sua
tutela devem ser evitados. Tal obrigação estende-se até a efetiva devolução dos bens ao ausente,
em caso de seu retorno.

···---····-----------_;:_ __________
~SEÇÃO 111 -DA SUCESSÃO DEFINITIVA
Art. 37. Dez anos depois de passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão pro-
visória, poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e o levantamento das cauções prestadas.

I. BREVES COMENTÁRIOS

Sucessão definitiva. Ocorrcncia. Solicitação. A sucessão definitiva inicia-se dez anos depois
de passada em julgado a sentença <]UC concede a abertura da sucessão provisória. Neste momento
poderão os interessados requerer o leva mamemo das cauções prestadas, simação que pode ser anteci-
pada, provando-se que o auscnrc tenha oitenta anos de idade, c que de cinco anos datam as últimas
notícias dele.
Diante da hipótese de morre presumida, mesmo após aberta a sucessão definitiva do ausente,
é possível o seu regresso ou o retorno de algum de seus descendentes ou ascendentes. Neste caso,
não se tendo ainda ultrapassado os dez anos seguintes à abertura da sucessão definitiva, aquele
ou estes haverão tão só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-rogados em seu
lugar, ou o preço que os herdeiros c demais interessados houverem recebido pelos bens alienados
depois daquele tempo.
96
I!Qhi•IM•fitJQt$1•$1 Art. 38

FONTE: EHRHARDT JR., Marcos. Direito Civil- Parte Geral e LINDB. 2.ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2011.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STF 331 -legítima a incidência do imposto de transmissão "causa mortis" no inventário por morte pr~sumida.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (UEL- Delegado de Polícia- PR/2013) Com relação às Pessoas Naturais, consoante disposto na Parte Geral
do Código Civil vigente, considere as afirmativas a seguir.
São objetos de registro público e versam sobre os fatos e atos da pessoa natural: o nascimentc; os casamentos;
o óbito; eventualmente a emancipação; a interdição e sua eventual baixa; bem como a possível sentença de-
claratória de ausência ou morte presumida.
11. Os atos que são objeto de averbação em registro pLlblico restringem-se ao casamento, às sentenças que decre-
tarem a nulidade ou a anulação deste, ao divórcio, à emancipação que restrinja de forma rel2tiva ou absoluta
a capacidade para os atos da vida civil e os que reconhecerem a filiação.
111. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixa co representante
ou procurador a quem caiba admihistrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer herdeiro, dedarará a
morte presumida e determinará que se abra a sucessão provisória.
IV. Se o ausente regressar nos dez anos seguintes à abertura da sucessão definitiva, este haverá só os bens existentes
no estado em que se acharem, os sub-rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados
houverem recebido pelos bens alienados depois daquele tempo.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e 11 são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas 111 e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, 11 e 111 são corretas.
e) Somente as afirmativas 11, 111 e IV são corretas.

02. (DEF/PUB/SP/2007/FCC- adaptada) João, solteiro e sem ascendentes ou descendentes, deoapareceu de seu
domicilio há 06 meses e não há notícias de seu paradeiro. Não deixou representante ou procurador para a
administração dos seus bens. Aluz do Direito vigente, é correto afirmar:
Poderá ser declarada a sucessão definitiva de João, 10 (dez) anos após transitada em julgado a sentença que
concedeu a sucessão provisória.
B c I
Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o ausente conta oitenta anos
de idade, e que de cinco datam as últimas notícias dele.

97
Art. 39 QiiiJ!tlpt!$jQt}iH!\jUJIII;f!j~J

1. BREVES COMENTÁRIOS
Antecipação da sucessão definitiva. A sucessão provisória pode ter seu fim antecipado tanto
pela prova da morte, quanto pela provável condição de morte real, que é estabelecida neste artigo.
Note-se que o prazo de cinco anos não está vinculado à declaração de ausência nem ao desapareci-
mento, mas sim à última notícia existente.

;> ':-~é,':,.?{.::::~/ ~.:)7.::. ,. -·. :- Y~~;;>.r;:;r~Jt:r:tr{-~~'·:·-'·::/: ?p·:·_ :"·~· · , .<> .,


Art. 39: Regiéssanddb ~use~fe nostl~~ ~no~ sJ~uintt!s ;if:j~iturada sucessão definitiva, ou algum à
de seus descend~(!t~s,44 a~f!indef!te~, aqu~ÍI! O\J es~es f:!averãc? s.(>);>~ bfi!li.s .E!l<iS~E![ltE!S l)o ~stado em que
se acharem, os sub-rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem
recebido pélos bens alienados depois daquele tempq~' ·
Parágrafo único. Se, nos dez. anos a que se refer~ este artigo, o ausente não regressar, e nenhum in-
teressado promover a sucessão definitiva, os bens arrecadados passarão ao domfnio do Munldplo ou do
Distrito Fede~al, se locan~ados nas respectivas circunscrições, Incorporando-se ao domínio da União, quando
situados em território federal.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Ausência de sucessores. Transmissão para a Fazenda Pública. Na remota hipótese de ne-
nhum interessado promover a sucessão definitiva do ausente e t;unpouco ter ocorrido o regresso do
ausente ou seus herdeiros, ultrapassado o prazo referido acima (dez anos da abertura da sucessão
definitiva), os bens arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se lo-
calizados nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da União, quando situados
em território federal.

Além dos efeitos patrimoniais provocados pela ausência, deve-se, por fim, consignar que a aber-
tura da sucessão definitiva constitui causa de dissolução da sociedade conjugal, na forma prevista no
art. 1.571, § 1°, do CC/02.

Sintetizando a ausência, suas fases seguem o seguinte plano:

Se a pessoa desapareceu deixando representante, que


não pode, não quer ou não tem poderes para bem
administrar o património, o prazo será de três anos de
curadoria após a declaração de ausência. Do contrário,
não deixando ninguém, será de 1 (um) ano.
São legitimados para requerer a declaração de
ausência: qualquer interessado ou o Ministério
Público.
Mero curador São aplicáveis ao curador as disposições referen·
Curadoria
1-3 anos (administrador)- tes à tutela e à curatela, no que forem cabíveis.
dos bens
Detenção
Tem o cônjuge/companheiro do ausente preferência
em ser curador, salvo se separado judicialmente ou de
fato (neste caso, por mais de 2 anos). Não havendo tal
pessoa, será deferida aos pais (pais, não ascendentes!)
ou aos descendentes, sempre seguindo esta ordem
legal. e respeitando o fato de que os mais próximos
excluem os mais remotos. Não havendo ninguêm que
preencha tais requisitos, será nomeado um terceiro
pelo Juiz.

98
Art.38

O tempo de duração desta fase é, regra, 10 anos.


Pode, contudo, ser aberta a próxima etapa, findan-
do esta se, cumulativamente, o ausente tiver mais de
oitenta anos de idade e a última notícia dele já tiver,
pelo menos, cinco anos.
Também poderá ocorrer a certeza da morte, sendo
o processo de ausência findado para a abertura do
inventário.
São legitimados a requerer a abertura da sucessão
provisória: o cônjuge não separado judicialmente {a
mera separação de fato não retira a legitimidade- e,
cuidado, não trata o Código do divórcio pois, neste
caso, não é mais a pessoa "cônjuge"); os presumidos
herdeiros, sejam eles legítimos ou testamentários (in-
clusos os legatários); os que tiverem qualquer direito
legalmente vinculado à morte do ausente (como os
Possuidor provisó- antigos fideicomissários); os credores de obrigações
rio: os bens ficam vencidas e não pagas; o Ministério Público (subsidia-
10 anos
sob a posse provi- riamente);
Sucessão {podendo
sória dos herdeiros,
provisória ser abre- Para resguardar o patrimônio, o juiz poderá, antes
em havendo o retor-
viada) de efetivada a partilha, converter 'os bens móveis de
no do ausente serão
fácil extravio ou deterioração em imóveis ou títulos
a ele devolvidos.
da União;
Os herdeiros legítimos que não forem necessários de-
verão caucionar para ingressar na posse;
Dentre os herdeiros havendo quem não possa prestar
a caução, será entregue o bem (ou bens) ao adminis-
trador ou a herdeiro que puder caucionar. Metade
dos frutos que seriam recebidos pelo herdeiro, que
não caucionou, serão entregues ao novo herdeiro
imitido (e o outro receberá a outra metade -lembre-
-se que é metade da metade, logo, um quarto). Os
demais frutos deverão ser capitalizados para aguar-
dar o retorno do ausente, se este for culpado pela
ausência perderá os frutos em favor dos herdeiros.
Os imóveis do ausente são inalienáveis durante este
prazo, ressalvada desapropriação ou autorização ju-
dicial para que se evite a ruína.

Conforme artigo 39 do CC - Regressando o ausente


nos dez anos seguintes à abertura da sucessão defini-
Proprietário reso- tiva, ou algum de seus descendentes ou ascendentes,
lúvel: os potenciais aquele ou estes receberão só os bens existentes no
herdeiros receberão estado em que se acharem os sub-rogados em seu
os bens a titulo de lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessa-
propriedade resolú- dos houverem recebido pelos bens alienados depois
Sucessão vel. Em havendo o daquele tempo.
10 anos
definitiva retorno do ausente
será resolvida a pro- Passando o referido prazo sem qualquer manifestação
priedade, receben- de um eventual interessado os bens serão entregues à
do o que retornou Fazenda Pública (lembrando-se que sempre se incor-
poram ao Município ou DF, dependendo da localização
os bens no estado
dos mesmos). Pode ocorrer, contudo, que o bem es-
em que deixou.
tando em Território (se voltar a existir um) deverá ser
agregado ao patrimônio da União.

99
Art. 40 liiill!eiiM•fltjijf}i•$jiil;ll•l[ili

~tiTQto n- DAS ~ESSOAs'.i~'~iotc~s


~êÍ\Pifutó I ;_ nís~b~1çÕe~ G~~Ais ·

1. BREVES COMENTÁRIOS
Conceito de Pessoa Jurídica. A criação do conceito de pessoa jurídica veio atender à necessidade
de permitir que um grupo de pessoas pudesse participar do tráfego jurídico como uma unidade, desde
que observados determinados requisitos que permitem a participação desses entes na vida jurídica
nas mesmas condições das pessoas naturais.
Um dos princípios mais importantes para a formação do conceito de pessoa jurídica é o da
autonomia. Não se deve confundir a pessoa jurídica com as pessoas que a integram. Tanto a pessoa
jurídica como cada um de seus membros são sujeitos de direito autônomos. Cada um possui identi-
dade e patrimônio próprios e inconfundíveis.
Além da capacidade jurídica autônoma e de sua autonomia patrimonial, a existência das pessoas
jurídicas está condicionada ao reconhecimento estatal, pois existe necessidade de registro. do aro
constitutivo para determinar o início de sua existência legal. Além disso, algumas espécies de pessoa
jurídica necessitam de autorização estatal para funcionamento, corno as instituições financeiras· e os
planos de saúde, embora esta não seja a regra geral.
Classificação das Pessoas Jurídicas. Pode-se subdividir a classificação das pessoas jurídicas em
três grandes grupos, a partir dos seguintes critérios: (a) nacionalidade, (b) regime jurídico a que estão
submetidas e (c) estrutura interna. Perceba-se que o lugar da constituição, vale dizer, da criação, da
pessoa jurídica determina sua subordinação a determinado sistema jurídico, distinguindo as pessoas
jurídicas nacionais das empresas estrangeiras. Estas últimas possuem diversas restrições de atuação
em território nacional, conforme descrito no § I 0 do art. 167 e nos arts. 190 e 222, todos da CF/88.
Levando-se em conta o tipo de regime jurídico a que estão submetidas, ressalta-se que as pessoas
jurídicas de direito público dispõem de prerrogativas que prevalecem sobre os interesses individuais,
ao contrário do que ocorre com as pessoas jurídicas de direito privado, para as quais vigora o regime
da igualdade jurídica, não se admitindo tratamento diferenciado.
Cabe aqui apresentar uma subdivisão. De acordo com o disposto no are. 40 do CC/02, as pessoas
jurídicas de direito público se dividem em: (a) externas e internas e (b} da administração direta e indireta.

2. INFORMATIVOS DEJURISPRUDf:NCIAS

STF 516- HC: Impetração em favor de Pessoa Jurídica e Não Conhecimento- 1 A pessoa jurídica não pode figurar
como paciente de habeas corpus, pois jamais estará em jogo a sua liberdade de ir e vir, objeto que essa medida
visa proteger. Com base nesse entendimento. a Turma, preliminarmente, em votação majoritária, deliberou
quanto à exclusão da pessoa jurídica do presente writ, quer considerada a qualificação como impetrante, quer
como paciente.( ... ) HC 92921/BA, rei. Min. Ricardo Lewandowski, 19.8.2008. (HC-92921)

Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno:


1-a União;
11- os Estados, o Distrito Federal e os Territórios;
111 - os Municípios;
IV- as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela lei no 11.107, de 2005)
V- as demais entidades de caráter público criadas por lei.

100
l!'!i;JaiM•fiJ.iQJ.~i•fll Art. 42

2
•Pafágr~fo ÚniÇci. Sat":o dlsp6~ição em contrãríb, ~s pessô~sjurfdicás ~~ di~/~qlútilrb~/ai~Ge ~H;~wa
~~1~~~~~~~~··~~.4rr~í~<l.Pi'~ág~;.~eg~rtg~r n~ !i~~J~~,~~r1 9,l!~PW.~P,.~~'~,;,(~€!9~~.~,,~t~; ~~Nf,,~qp~~'~
' ' '"'' ,.", '/.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Pessoas jurídicas de Direito Público Interno. Segundo o disposto no art. 41 do CC/02, são
pessoas jurídicas de direito público interno: a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios,
os Municípios, as autarquias (inclusive as associações públicas) e as demais entidades de caráter pú-
blico, criadas por lei, como, por exemplo, as agências reguladoras. Ano:e-se que elas são civilmente
responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito
regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo (art. 43, CC/02).
Conforme o disposto no parágrafo único do art. 41, salvo disposição em contrário, as pessoas
jurídicas de direito público a que se t::nha dado estrutura de direito privado regem-se, no que couber,
quanto ao seu funcionamento, pelas normas do Código Civil. Enquadram-se neste grupo empresas
públicas e sociedades de economia mista que prestem serviços públicos.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STJ 333- Cabe mandado de segurança contra ato praticado em licitação promovida por sociedade de economia
mista ou empresa pública.

3. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 141 -Art. 41: A remissão do art. 41, parágrafo único, do CC às "pessoas jurídicas de direito público,
a que se tenha dado estrutura de direito privado', diz respeito às fundações públicas e aos entes de fiscalização
do exercício profissional.

4. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

STJ 345- Corte. Energia Elétrica. lnadimplemerto. Agências. INSS. A Turma entendeu que o corte no forneci-
mento de energia elétrica, quando se trata de pessoa jurídica de direito público, é indevido apenas nas unidades
cujo funcionamento não pode ser interrompido, como hospitais, prontos-socorros, centros de saúde, escolas e
creches.(... ). REsp 848.784-RJ, Rei. Min. Eliana Calmon, julgado em 9/2/2008.

5. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (DEF/PUB/ES/2009/CESPE)- De acordo com o Código Civil, julgue os itens seguintes.


A União, os estados, o DF e os municípios são, de acordo com o Código Civ I, as únicas pessoas jurídicas de
direito público Interno.

02. (Procurador Judicial- Pref. Mun. Serra Negra/SP) Assinale a alternativa inc::rreta nos temos do artigo 41 do
CC. São pessoas de direito público interno.
a) A União.
b) Os Municípios.
c) As autarquias, inclusive as associações públicas.
d) A Santa Sé.
E 2 o I
Art. 42. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que
forem regidas p!!lo direito internacional público.

101
Art43 lililll•lil•ttiRtii•'ifflilm•11Mi
1. BREVES COMENTÁRIOS

Pessoas jurídicas de Direito Público Externo. No art. 42 do CC/02, encontra-se a definição


das pessoas jurídicas de direito público externo que são os Estados estrangeiros e todas as pessoas
q•.1e forem regidas pelo direito internacional público (Inglaterra, Itália, Santa Sé, Organização das
Nações Unidas- ONU, Organização Internacional do Trabalho- OIT etc.) .

. ·. ·. Art.• 43. As pessoasJ~ridi~~s t\~ dir~itó púbH~o intern~ .são dvllmel)te respons~veis por atos dos seus
· agéntes que ilessà'quah,dade ca4sêrn d~nós,a ~ercelros, ressalvádo direito regressivo .contraos ca,usadores
se
do dano, houver, porBarte'dest~s, cúl~a ~u dolo.. · •

1. BREVES COMENTÁRIOS

Responsabilidade das pessoas jurídicas de Direito Público Interno. Atente-se para o disposto
no § 6° do art. 37 da Constituição Federal: "as pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou
culpa". O artigo em comento faz remissão simples à responsabilidade das pessoas jurídicas de direito
público interno, não se devendo compreender serem as demais isentas de responder pelos atos de
seus prepostos. Isto por que a utilidade prática do disposto nos arts. 40 a 43 do Código vigente deve
ser entendida "como meramente classificatória e com finalidade de exclusão das pessoas jurídicas que não
rejam regidas pelo direito prit1ado" (LÔBO, Paulo Luiz Netto. Direito Civil. Parte Geral. São Paulo:
Saraiva, 2009, p. 173).

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

STF 418- Responsabilidade Civil do Estado e Ato Omissivo( ...) A Turma, por maioria, negou provimento a
recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul que,
aplicando o princípio da responsabilidade objetiva do Estado, julgara procedente pedido formulado em ação
indenizatória movida por vitimas de ameaça e de estupro praticados por foragido do sistema penitenciário
estadual, sob o fundamento de falha do Estado na fiscalização do cumprimento da pena pelo autor do fato,
que, apesar de ter fugido sete vezes, não fora sujeito à regressão de regime- v. Informativos 391 e 399.
Afastaram-se, na espécie, semelhanças do caso concreto com precedentes do Supremo em que rejeitada a
responsabilidade do Estado em razão de ato omissivo. Considerou-se caracterizada a falha do serviço, a ensejar
a responsabilidade civil do Estado recorrente, bem como se entendeu presente o nexo causal entre a fuga do
apenado e o dano s:>frido pelas recorrentes, haja vista que, se a Lei de Execução Penal houvesse sido aplicada
com um mínimo de rigor, o condenado dificilmente teria continuado a cumprir pena nas mesmas condições
que originariamente lhe foram impostas e, por conseguinte, não teria a oportunidade de evadir-se pela oitava
vez e cometer o delito em horário no qual deveria estar recolhido ao presídio. Vencido o Min. Carlos Velloso
que dava provimento ao recurso. Precedentes citados: RE 130764/PR (DJU de 7.8.92); RE 172025/RJ (DJU de
19.12.96); RE 136247/RJ (DJU de 18.8.2000). RE 409203/RS, rei. orig. Min. Carlos Velloso, rei. p/ acórdão Min.
Joaquim Barbosa, 7.3.2006. (RE-409203)

STF 431 -Responsabilidade Civil do Estado e Servidor de Fato A Turma iniciou julgamento de recurso ex-
traordinário interposto contra acórdão do tribunal de justiça local que, reconhecendo a responsabilidade
civil objetiva do Estado do Ceará, condenara-o a indenizar família de policial de fato morto em horário em
que prestava serviço ao fundamento de que o Poder Público, ao permitir tal situação, assumira os riscos
consequentes, não importando os motivos do crime. Sustenta-se, na espécie, ofensa ao art. 37, § 6°, da CF
>ob a alegação de ausência de responsabilidade do Estado-membro, uma vez que a conduta danosa fora
praticado por terceiro, sem vínculo com a Fazenda Pública. O Min. Gilmar Mendes, relator, deu provimento ao
recurso por considerar inexistente o nexo de causalidade entre a atividade de policial exercida pela vítima e
sua morte, independentemente do fato daquela exercer a função de modo irregular. Asseverou que o agente
causador do óbito era estranho aos quadros da Administração Pública e que cometera o delito motivado
por interesse privado, decorrente de ciúme de sua ex-companheira. Após, o julgamento foi adiado em
li virtude do pedido de vista do Min. Eros Grau. RE 341776/CE, rei. Min. Gil mar Mendes, 13.6.2006. (RE-341776)
il:
'I 102
Arl. 44

STF 436- Responsabilidade Civil do Estado e Agente Público A Turma negou provimento a recurso extraordinário
em que se sustentava ofensa ao art. 37, § 6°, da CF. ao argumento de ser cabfvel o ajuizamento de ação indenizatória
diretamente contra o agente público, sem a responsabilização do Estado. No caso, a recorrente propusera ação de
perdas e danos em face de prefeito, pleiteando o ressarcimento de supostos prejufzos financeiros decorrentes de
decreto de intervenção editado contra hospital e maternidade de sua propriedade. Esse processo fora declarado
extinto, sem julgamento de mérito, por ilegitimidade passiva do réu, decisão mantida pelo Tribunal de Justiça
local. Em face disso, entendeu-se que, se eventual prejuízo ocorresse por força de agir tipicamente funcional,
não haveria como se extrair do citado dispositivo constitucional a responsabilidade per saltum da pessoa natural
do agente. Essa, se cabfvel, abrangeria apenas o ressarcimento ao erário, em sede de ação regressiva, depois de
provada a culpa ou o dolo do servidor público. Assim, concluiu-se que o mencionado art. 37, § 6°, da CF, consagra
dupla garantia: uma em favor do particular, possibilitando-lhe ação indenizatória contra a pessoa jurídica de
direito público ou de direito privado que preste serviço público; outra, em prol do servidor estatal, que somente
responde administrativa e civilmente perante a pessoa jurídica a cujo quadro funcional pertencer. A Min. Cármen
Lúcia acompanhou com reservas a fundamentação. RE 327904/SP, rei. Min. Carlos Britto, 15.B.2006. (RE-327904}

~ STF 458- Responsabilidade Civil dos Prestadores de Serviço Público e Terceiros Não Usuários O Tribunal iniciou
julgamento de recurso extraordinário interposto contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado de
Pernambuco que, com base no princípio da responsabilidade objetiva (CF, art. 37, § 6°}, condenara a recorrente,
empresa privada concessionária de serviço público de transporte, ao pagamento de indenização por dano moral
a terceiro não usuário, atropelado por veículo da empresa. O Min. Joaquim Barbosa, relator, negou provimento ao
recurso por entender que a responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço
público é objetiva também relativamente aos terceiros não usuários do serviço.( ... } Ademais, reputou ser indevido
indagar sobre a qualidade intrínseca da vítima, a fim de se verificar se, no caso concreto, configura-se, ou não, a hi-
pótese de responsabilidade objetiva, haja vista que esta decorre da natureza da atividade administrativa, a qual não
é modificada pela mera transferência da prestação dos serviços públicos a empresas particulares concessionárias
do serviço. Após os votos dos Ministros Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Carlos Britto que acompanhavam o
voto do relator, pediu vista dos autos o Min. Eros Grau. RE 459749/PE, rei. Min. Joaquim Barbosa, 8.3.2007. (RE-459749}

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FCC- Procurador Judicial- Prefeitura Recife-PE/2014) João, fiscal do Município do Recife, mancomunado
com José, funcionário de empresa prestadora de serviço público, exigem propina de Joaquim, pequeno em-
presário, que se recusa a pagar o valor. Como vingança, João e José forjam a existência de irregularidades no
estabelecimento de Joaquim. Aproveitando-se de um momento de distração, José coloca substância proibida
sob o balcão do estabelecimento. Logo depois, João autua Joaquim pela posse da substância. Em razão desta
autuação, Joaquim sofre danos morais. Entretanto, um cliente de Joaquim filma a prática delituosa, fornecendo
subsídios para a desconstituição do auto de infração e para a formulação de pedido de compensação contra
a) João, José e o Município do Recife, solidariamente, tendo este ação de regresso contra João e José.
b} Município do Recife e, subsidiariamente, contra João e José.
c) João e José, solidariamente, e, subsidiariamente, contra o Município do Recife, que terá ação de regresso somente
contra João.
d) João e José, apenas, embora solidariamente.
e) João e José, solidariamente, e, subsidiariamente, contra o Município do Recife, que terá ação de regresso contra
João e José.
i@:i A

Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:


I- as associações;
11 -as sociedades;
111 -as fundações.
IV- as organizações religiosas; (Incluído pela Lei no 10.825, de 22.12.2003}
v- os partidos polfticos. (lnclufdo pela Lei no 10.825, de 22.12.2003)
VI-as empresas individuais de responsabilidade limitada. (lnclufdo pela Lei n° 12.441, de 2011)(Vigência)

103
Art. 44 lilill!elll•f!J\jQf'fi•§~jlii;Jitll§j

§1• São livres a criação, a organização, a e~t'ruturação interna e o funcionamento das drganizaçoes
religiosas, sendo vedàdo ao poder púb,lico negar•lhes ~eçonhecimento ou registre dos atos constitutivos e
' .. .
n•
necessários ao seu fu~éfi:mamento. (lnCÍÚfdd r:íe'ii:iíl:el 10.825, de 22.12.2003) .
§2• As disposições concernentes às associações aplicam-se subsidiariamente às sociedades que são
objeto do Livro 11 da Parte Especial deste Código. (lncluido pela Lei n• 10.825, de 22.12.2003)
§ 3° Os partidos polfticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. (ln-
cluido pela Lei n• 10.825, de 22.12.2003)

1. BREVES COMENTÁRIOS
Pessoas jurídicas de Direito Privado.Corporações e Fundações. Depois da análise dos cri-
térios da nacionalidade e do regime jurídico, abordar-se-ão as pessoas jurídicas de direito privado
e sua estrutura interna. De início, é possível perceber a existência de dois grupos bem definidos:
as corporações e as fundações. As diferenças entre esses dois grupos são bem nítidas. Enquanto as
corporações caracterizam-se pela pessoalidade, isto é, por envolver um conjunto de pessoas que se
reúnem visando à realização de fins internos, as fundações, por vontade de seu instituidor, voltam-se
para fins externos, pois o aspecto dominante é o material, consubstanciando-se basicamente num
patrimônio destinado a um determinado fim.
As corporações ainda podem ser subdivididas em dois grupos: associações e sociedades. O ele-
mento distintivo se consubstancia na finalidade economica, vale dizer, as associações não têm fins
econômicos, dirigindo sua atuação para finalidades recreativas, culturais, assistenciais, desportivas,
dentre outras. Já as sociedades distinguem-se por ser o lucro o interesse comum de seus sócios,
subdividindo-se ainda em sociedades simples e sociedades empresárias.
Não se pode confundir atividade econômica, vale dizer, intenção de buscar lucro (que caracteriza
o grupo das sociedades), com impedimento para geração ele renda destinada à mantença da própria
pessoa jurídica. Embora não exista a intenção dos membros de uma associação em repartir o resultado
obtido com suas atividades, não cst<Í a associação impedida de gerar renda para pagamento de seu
quadro funcional ou aumento de seu patrimônio para incremento dos objetivos sociais.
A partir da edição da Lei 10.825/03, o legislador empresta tratamento diferenciado às organizações
religiosas e aos partidos políticos, tradicionalmente classificados como meras espécies de associações,
conforme reconhece o Enunciado 142 do CJF. A utilidade central dessa classificação é reforçar a icleia
de liberdade de organização e funcionamentO, o que, cnrrctanto, "não afasta o controle de legalidade
e legitimidade constitucional de seu registro, nem 11 possibilidade de reexame, pelo judiciário, da compa-
tibilidade de seus atos com a lei e com seus estatutos" (Enunciado 143 do CJF).

Organizações religiosas reúnem pessoas com o propósim de culto, por meio de doutrina e riwal
próprios, para a manifestação da espiritualidadc humana. Por sua própria natureza, não podem ter
finalidade econômica, não se admitindo o desenvolvimento ele atividades empresariais, jornalísticas ou
educacionais como sua principal área de atuação, ainda que os resultados econômicos sejam voltados
para dar sustentação a projetos desenvolvidos pda comunidade religiosa.
Em 8 ele janeiro de 2012 entrou em vigor a alrcraçáo introduzida no an. 44 elo CC/02 pelo
advento da Lei 12.441/11, que incluiu no rol das pessoas jurídicas de direito privado a empresa indi-
vidual de responsabilidade limitada (EIREL!), além de acrescentar ao texw da codificação vigente
o art. 980-A. Trata-se de pessoa jurídica constituída por apenas uma pessoa, à qual se aplicam, no
que couber, as regras previstas para as sociedades li miradas.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 142- Art. 44: Os partidos políticos, os sindicatos e as associações religiosas possuem natureza
associativa, aplicando-se-lhes o Código Civil.
104
Art. 44

Enunciado 143- Art. 44: A liberdade de funcionamento das organizações religiosas não afasta o controle de
legalidade e legitimidade constitucional de seu registro, nem a possibilidade de reexame pelo Judiciário da
compatibilidade de seus atos com a lei e com seus estatutos.

Enunciado 144- Art. 44: A relação das pessoas jurídicas de Direito Privado, constante do art. 44, incs.l a V, do
Código Civil, não é exaustiva.

Enunciado 280- Arts. 44, 57 e 60. Por força do art. 44, § 2", consideram-se aplicáveis às sociedades regJiadas
pelo Livro 11 da Parte Especial, exceto às limitadas, os arts. 57 e 60, nos seguintes termos: (A) Em havendo previsão
contratual, é possfvel aos sócios deliberar a exclusão de sócio por justa causa, pela via extrajudicial, cabendo
ao contrato disciplinar o procedimento de exclusão, assegurado o direito de defesa, por aplicação analógi:a
do art. 1085; (B) As deliberações sociais poderão ser convocadas pela iniciativa de sócios que representem 115
(um quinto) do capital social, na omissão do contrato. A mesma regra aplica-se na hipótese de criação, pelo
contrato, de outros órgãos de deliberação colegiada. (I Jornada de Direito Comercial) 3. A Empresa Individual
de Responsabilidade Limitada - EIRELI não é sociedade unipessoal, mas um novo ente, distint> da pessoa do
empresário e da sociedade empresária.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FCC- Promotor de Justiça- PE/2014) Considere as seguintes entidades sem fins lucrativos:
I. Sindicatos e associações de classe ou de representação de categoria profissional.
11. Pessoas jurídicas com finalidade de experimentação não lucrativa de novos modelos socioprodutivos e de
sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e crédito.
111. Organizações sociais.
IV. Pessoas jurídicas de direito privado com finalidades de promoção de direitos estabelecidos, construção de novos
direitos e assessoria jurídica gratuita de interesses implementares.
V. Instituições religiosas ou voltadas para a disseminação de credos ou cultos.
Podem qualificar-se como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público- QSCIP
a) lleiV.
b) I e IV.
c) I e 111.
d) 111 e V.
e) 11 e 111.

02. (Cespe- Cartório- TJ- BA/2014) No que se refere às pessoas jurídicas, assinale a opção correta.
a) Personalidade é atributo da dignidade do homem, motivo pelo qual a pessoa jurídica não tem oersona!idad2.
b) A constituição de associação para fins não econômicos implica direitos e obrigações recíprocas aos associados.
c) A personalidade jurídica das sociedades civis poderá ser anulada ou extinta pelo Poder Judici.írio quardo se
verificar abuso do direito de personalidade com vistas a atingir os bens dos sócios ou administradores.
d) Caso não haja cláusula estatutária sobre a destinação dos bens em caso de extinção da fundação, ocorrendo a inu-
tilidade da referida pessoa jurídica, o património da entidade deverá reverter ao instituidor, ou aos seus sucessores.
e) A existência de organizações religiosas vincula-se à inscrição do ato constitutivo em cartório de registro c e
pessoas jurídicas.

03. (FCC- Juiz de Direito Substituto- PE/2013) São pessoas jurídicas de direito privado, segundo o Código Civ I.
a) os partidos políticos e as empresas individuais de responsabilidade limitada.
b) as fundações e os condomínios em edificação.
c) as pessoas jurídicas que forem regidas pelo direito internacional público, quando as respectivas sedes se achare:n
em países estrangeiros.
d) as associações, inclusive as associações públicas, em razão da atividade que exercerem.
e) as organizações religiosas e as autarquias.

04. (Cespe- Juiz de Direito Substituto- MA/2013) Assinale a opção correta no que se refere a disposições :~eras
do Código Civil.
a) Caso um profissional que tenha negócios nas cidades A, B e C seja demandado judicialmente por fato ocorrido na
cidade C e a demanda tenha relação com o exercício de sua profissão, essa cidade será considerada o domicílb
do profissional para esse fim.

105
Art. 45 liiiill•lll•f1Rti4•J!\!Iildi•Jb'4i
b) Devem ser registrados em registro público os nascimentos, casamentos e óbitos; a emancipação por outorga
dos pais ou por sentença do juiz; a interdição por incapacidade absoluta ou relativa e a sentença declaratória
do restabelecimento de sociedade conjugal e de ausência e de morte presumida.
c) Consideram-se interessados para o requerimento de declaração de ausência e de abertura provisória da sucessão,
após três anos do desaparecimento da pessoa do seu domicilio, sem dela haver noticia, o cônjuge não separado
judicialmente, os herdeiros necessários, legítimos ou testamentários; os que tiverem sobre os bens do ausente
direito dependente de sua morte e os credores do ausente.
d) Entre os bens reciprocamente considerados, o bem principal é o que existe sobre si, absoluta e concretamente,
e acessório, aquele cuja existência supõe a do principal; assim, quando se vende um imóvel, o vendedor, de
acordo com essa regra, não pode retirar, por exemplo, o condicionador de ar instalado em um dos cômodos da
casa se a retirada não estiver previamente pactuada, uma vez que o acessório segue o principal.

05. (DPE/CE/2008/CESPE) Sobre as normas do Código Civil atinentes aos bens e às pessoas juridicas, julgues os
itens a seguir.
As sociedades são pessoas jurídicas de direito privado, mesmo que tenham como sócios ou acionistas entes de
direito público interno.

06. (PROC/TCE/Al/2008/FCC) As organizaçõe> religiosas são classificadas como:


a) pessoas juridicas de direito público interno, se não tiverem ramificações em outros países e de direito público
externo, se tiverem ramificações em outros países.
b) entes despersonalizados, embora seus atos constitutivos possam ser registrados em cartório.
c) pessoas jurídicas de direito público externo, sempre que constituídas em outros países, ainda que exercendo
atividade no território brasileiro.
d) pessoas jurídicas de direito privado, podendo, entretanto, o poder público negar-lhes reconhecimento ou
registro de seus atos constitutivos.
e) pessoas jurídicas de direito privado, sendo vedado ao r;oder público negar-lhes reconhecimento e registro dos
atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento,

O'l. (TRE/MA/2009/CESPE - adaptada) Considerando o que dispõe o Código Civil a respeito das pessoas
naturais, das pessoas jurídicas e do domicilio, assinale:
Os partidos políticos não são considerados pessoas jurídicas, pois não detêm personalidade.

08. (TRE/RN- Técnico Judiciário- Area Administrativa/2011) De acordo com o Código Civil brasileiro, os partidos
políticos, as organizações religiosas e as associações são pessoas jurídicas de direito
a) público,
b) privado.
c) público, privado e privado, respectivamente.
d) público, público e privado, respectivamente.
e) privado, privado e público, respectivamente.
A I 2 E I 3 A 4 A 5 c 6 E 7 E 8 B I
Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato consti-
tutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo,
averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito
privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Começo da existência. Registro. A criação de uma pessoa jurídica envolve a manifestação de
vontade mediante um aro constitutivo, um negócio jurídico através do qual se expressa a vontade
criadora de um ser distillto de seus instituidores. Existem vários modelos de ato constitutivo, a de-
pender da espécie de pessoa jurídica. Denomina-se estatuto o ato constitutivo das associações civis,
fundações de direito privado e das cooperativas, enquanto contrato social é o modelo adotado por
sociedades. O registro do aro constitutivo para as pessoas jurídicas, a teor do dispostO no art. 45 do
CC/02, determina o início de sua existência legal, Já que sua eficácia é constitutiva.
106
Arl. 45

A depender do tipo de pessoa jurídica, independentemente do registro civil, pode ser necessária
a apresentação dos atos constitutivos noutros órgãos, para fins de cadastro e de reconhecimento,
como ocorre com os partidos políticos (art. 7° da Lei 9.096/95 e art. 17, § 2°, da CF/88) e com os
sindicatos (art. 8°, I e li, da CF/88).

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

~ DIREITO CIVIL. INDENIZAÇÃO REFERENTE AO SEGURO DPVAT EM DECORR~NCIA DE MORTE DE NASCI·


TURO. A beneficiária legal de seguro DPVAT que teve a sua gestação interrompida em razão de acidente
de trânsito tem direito ao recebimento da indenização prevista no art. 3•, I, da Lei 6.194/1974, devida
no caso de morte. O art. 2• do CC, ao afirmar que a "personalidade civil da pessoa começa com o nascimen-
to", logicamente abraça uma premissa insofismável: a de que "personalidade civil" e "pessoa• não caminham
umbilicalmente juntas. Isso porque, pela construção legal, é apenas em um dado momento da existência da
pessoa que se tem por iniciada sua personalidade jurídica, qual seja, o nascimento. Conclui-se, dessa maneira,
que, antes disso, embora não se possa falar em personalidade jurídica - segundo o rigor da literalidade do
preceito legal-, é possível, sim, falar-se em pessoa. Caso contrário, não se vislumbraria qualquer sentido lógico
na fórmula "a personalidade civil da pessoa começa", se ambas- pessoa e personalidade civil- tivessem como
começo o mesmo acontecimento. Com efeito, quando a lei pretendeu estabelecer a "existência da pessoa•, o
a
fez expressamente. É o caso do art. 6° do CC, o qual afirma que "existência da pessoa natural termina com a
morte", e do art. 45, caput, da mesma lei, segundo o qual "Começa a existência legal das pessoas jurídicas de
direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro". Essa circunstância torna eloquente
o silêncio da lei quanto à "existência da pessoa natural". Se, por um lado, não há uma afirmação expressa sobre
quando ela se inicia, por outro lado, não se pode considerá-la Iniciada tão somente com o nascimento com vida.
Ademais, do direito penal é que a condição de pessoa viva do nascituro- embora não nascida- é afirmada sem
a menor cerimônia. É que o crime de aborto (arts. 124 a 127 do CP) sempre esteve alocado no titulo referente a
"crimes contra a pessoa" e especificamente no capítulo "dos crimes contra a vida". Assim, o ordenamento jurí-
dico como um todo (e não apenas o CC) alinhou-se mais à teoria concepcionista- para a qual a personalidade
jurídica se inicia com a concepção, muito embora alguns direitos só possam ser plenamente exercitáveis com o
nascimento, haja vista que o nascituro é pessoa e, portanto, sujeito de direitos- para a construção da situação
jurídica do nascituro, conclusão enfaticamente sufragada pela majoritária doutrina contemporânea. Além disso,
apesar de existir concepção mais restritiva sobre os direitos do nascituro, amparada pelas teorias natalista e
da personalidade condicional, atualmente há de se reconhecer a titularidade de direitos da personalidade ao
nascituro, dos quais o direito à vida é o mais importante, uma vez que, garantir ao nascituro expectativas de
direitos, ou mesmo direitos condicionados ao nascimento, só faz sentido se lhe for garantido também o direito
de nascer, o direito à vida, que é direito pressuposto a todos os demais. Portanto, o aborto causado pelo aci-
dente de trânsito subsume-se ao comando normativo do art. 3° da Lei 6.194/1974, haja vista que outra coisa não
ocorreu, senão a morte do nascituro, ou o perecimento de uma vida intrauterina. REsp 1.415.727-SC, Rei. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 4/9/2014.

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Cespe- Procurador do MP junto ao TCE-PB/2014) No que se refere às pessoas jurídicas e aos bens, assinale
a opção correta.
a) O uso comum dos bens públicos é sempre gratuito.
b) A existência das pessoas jurídicas de direito privado tem início com a inscrição do ato constitutivo no respectivo
registro, precedida, quando se fizer necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo.
c) Para criar uma fundação, o seu instituidor deve fazer, por escritura pública ou testamento, dotação especial de
bens livres, sendo imprescindível que indique a finalidade a que se destina a fundação, pois, se insuficientes
os referidos bens para constituí-la, estes serão obrigatoriamente incorporados em outra que se proponha ao
mesmo fim.
d) Em caso de abuso caracterizado pelo desvio de finalidade, a possibilidade de desconsideração da personalidade
jurídica, para a extensão dos efeitos de certas e determinadas relações de obrigações ao patrimônio dos ad·
ministradores da pessoa jurídica, decorre de construção jurisprudencial, não havendo previsão expressa nesse
sentido no atual Código Civil.
e) Consideram-se benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem, ainda que não decorram da
intervençiío do proprietário, possuidor ou detentor.
107
Art. 46 liiiiJ!elll•f$jQfh}1U$Jiii;JI•ilffi~J

02. (DPE/CE/2008/CESPE) Sobre as normas do Código Civil atinentes aos bens e às pessoas jurfdicas, julgues os
itens a seguir.
As pessoas jurfdicas de direito privado adquire:n sua existência própria com a assinatura de seu ato constitutivo.
Esse ato constitutivo deverá revestir-se de forma pública, por instrumento público ou por testamento, salvo
quando se tratar de fundações de direito público, que são criadas por lei.

03. (PROC/MUN/SOROCABA/2008/VUNESP) No registro civil das pessoas jurídicas, serão inscritos os atos cons-
titutivos:
a) das sociedades limitadas.
b) das sociedades em conta de participação.
c) das sociedades em comum.
d) dos partidos polítkos.
e) das pessoas jurídicas de direito privado.

04. (AUD/TCEIAL/2008IFCC) A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado começa:
a) com a autorização ou aprovação do órgão competente do Poder Executivo, para iniciar o seu funcionamento.
b) com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, tendo sido abolida, depois da Constituição Federal de
1988, qualquer exigência de autorização ou aprovação do Poder Executivo, independentemente da atividade
a ser exercida.
c) pela celebração do contrato de sociedade, pela aprovação de seu estatuto nos casos das associações e pelo
registro do testamento ou lavratura de escritura pública da instituição, no caso das fundações.
d) com a publicação no Diário Oficial de seus atos constitutivos.
e) com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou
aprovação do Poder Executivo.

OS. (ANALIS/JUD/TSE/CAD. 1/2007/CESPE- adaptada} A respeito das pessoas físicas e jurídicas, assinale a opção
correta.
Os bens pertencentes a pessoa jurfdica e os bens que integrem o estabelecimento empresarial são de proprie-
dade dos seus sócios, em comunhão ou condomínio, na proporção representada pelas quotas da sociedade
limitada ou pelas ações da sociedade anônima.

06. (ANALIS/JUD/TJ/PEI2007/FCC- adaptada} No que concerne às pessoas jurídicas, é correto afirmar:


O poder público poderá negar o reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao funciona-
mento das organizações religiosas.

07. (ANAC/2009/CESPE} A criação de sociedades de economia mista e empresas públicas deve, necessariamente,
ser autorizada por lei.

08. (TRE/MA/2009(CESPE- adaptada} Considerando o que dispóe o Código Civil a respeito das pessoas naturais,
das pessoas jurfdicas e do domicílio, assinale:
A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado começa com o início das atividades.

09. (PGE/RO- Procurador do Estado Substituto/2011 ). A eficácia do registro da pessoa jurídica é


a) declaratória.
b) constitutiva.
c) resolutiva.
d) suspensiva.
e) devolutiva.
iffii:i 1 B 2 E 3 E 4 E 5 E 6 E 7 c 8 E 9 B I
Art. 46. O registro declarará:
1- a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver;
11- o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores;

108
11\!j;t.IM•f;~iQtii•Ji!l Art. 46

:;/ ' '<. ·!'í/i'f~%~clci ~~;'~ue ·~~ ad~l;niStra erepresenta, ativa e p~~siv~Mentê~jodtçial e extrêljfrdlcialme~téf
•.. ·.' I\''- Se ó at() CCl~St\rutiv~ é r~formáyel hl)it()ij~fíte iiJ a~rni!lls~raçãó/êde:C(a~·~odó;
v ~ú;dsniembro~re.~~ofi&~m.~~.~~8;~u'~W;~ríarnénte, pelas 6or{gàçõés sdciats;
, VI- as cqndições de extinç~o dapessoa.M(dka e o desti.no do seu patrimÔnio, nesse caso.

1. BREVES COMENTÁRIOS

Composição do registro. Convém atentar para os elementos que devem constar do ato consti-
tutivo da pessoa jurídica que será submetido ao registro. Basicamente, este deverá conter a descrição
da pessoa jurídica que está sendo criada, os responsáveis por sua criação, a finalidade e a duração
desta, com indicação do modo de administração e responsabílização dos seus integrantes (art. 46,
CC/02), sem prejuízo de requisitos especiais exigidos por lei específica.
Compete aos cartórios de registro civil de pessoas jurídicas, através do procedimento previsto
no art. 121 da Lei de Registros Públicos, o registro dos estatutos das associações civis, fundações de
direito privado e organizações religiosas, devendo-se, para tanto, observar as circunscrições territoriais
de suas respectivas sedes. Já o registro público de empresas mercantis, mantido pelas Juntas Comerciais
de cada estado da federação, é o local apropriado para o registro das sociedades empresárias (art. 985
ele art. 1.150 do CC/02).

As sociedades de ·advogados devem ser registradas no respectivo Conselho Seccional da OAB


(art. 15, Lei 8.906/94) de sua sede, indicada no contrato social. Por outro lado, os Partidos Políticos
devem ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral; as Sociedades Anônimas de capital aberto para
viabilizarem a emissão de oferta pública de ações, necessitam de registro ~a Comissão de Valores
Mobiliários- CVM.
Em algumas hipóteses, há uma obrigatoriedade de autorização especial, é o que lembram FARIAS
& ROSENVALD (Curso de Direito Civil, v.[, 2012. p. 416.): "pode, ainda, ser necessária uma prévia
autorização estatal para a formação de algumas pessoas jurídicas, como os estabelecimentos bancá-
rios, de seguro, de montepio e caixas econômicas (salvo as cooperativas e os sindicatos profissionais
e agrícolas legalmente organizados), as empresas de mineração (Decreto-Lei n° 227/67- Código de
Mineração) e as empresas de exploração e aproveitamento industrial das águas e da energia elétrica
(Decreto n° 24.643/34 - Código de Águas)". Além disso, recorde-se que as Fundações necessitam
de aprovação de seus estatutos por parte do Ministério Público local.
Pendência do registro. Enquanto não efetivado o registro do ato constitutivo, o sistema
jurídico não reconhece a personalidade da pessoa jurídica. Nessa situação, considera-se que
aquele ser é irregular, mera sociedade de fato, cuja relação entre os membros é disciplinada pelo
estatuto ou contraw social. Tais entes são denominados pelo Código Civil vigente de sociedades
não personificadas, e, enquanto não inscritos os atos a elas pertinentes, devem ser aplicadas,
subsidiariamente c no que com ele forem compatíveis, as disposições relativas às sociedades
simples (art. 988 do CC/02).
Mesmo os sujeitos sem personificação sào titulares de direitos e deveres, uma vez que o atribmo
da personalização não é condição essencial para figurar numa relação jurídica. Entes não personifi-
cados são entidades que mesmo sem preencher os requisitos previstos no ordenamento jurídico para
atribuição de personalidade jurídica, são reconhecidas como sujeitos de direito, detêm capacidade e
podem, em situações específicas, participar de uma relação jurídica. Dentre ~stas entidades, além do
nascituro e da sociedade de fato, é possível destacar a família, a massa falió, as heranças jacente e
vacante (vide arrs. 1.819 a 1.823 do CC/02), o espólio (613 CPC- art. 1.797 do CC/02), a sociedade
em coma de participação (arts. 991 a 996 do CC/02) e o condomínio cdilício.
109
Art. 47 lillil!•lll•bf1Qti#•lfkJiii;JI•lUf!~i

Associações

Éstatutos

Contrato
social

Cooperativas

Sociedades
anônimas

Tribunal Superior
Eleitoral

Ministério
do Trabalho

Fonte: EHRhARDT JR., Marcos. Direito Civil- Parte Geral e LINDB. 2.ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2011.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Consulplan- Cartório- TJ- MG/2015) Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com
a inscrição do a:o constitutivo no respectivo registro. O registro declarará, EXCETO:
a) a denominação. os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver.
b) o nome e a indiv1dualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores.
c) as disposições para liquidação da pessoa jurídica.
dl se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo.

02. {MP/AM/Promotor/2007- adaptada) A respeito das pessoas naturais e jurídicas, assinale a opção correta.
No ato constitutivo da pessoa jurídica de direito privado, faz-se necessária a inscrição de seu domicílio, que deve
coincidir com a sede de sua administração, ou com a residência de seu proprietário ou de seu administrador,
salvo no caso de se eleger domicílio especial. Quando a pessoa jurídica tiver multiplicidade de domicílios, ela
pode ser demandada em qualquer um deles.

c 2 E I

Art. 47. Obrigam a pessoa jurídica os'atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes
definidos no ato constitutivo.

110
Art. 48

1. BREVES COMENTÁRIOS
Atos intra e ultra vires. As pessoas jurídicas, apesar de capazes juridicamente, sofrem com a impos-
sibilidaJe fisica de manifestação, desta forma necessária se fàz a nomeação de administradores que, como
bem ensina Pontes de Miranda, "presenrarâo" estas entidades. Presentar, e não representar, porque não
há uma vontade base, como na representação, mas simples interesse abstrato. Sobre estes administradores
impende o dever de se manter dentro dos limites de poder do ato constitutivo, visto serem nulos os atos
praticados além destes, cânone da Teoria dos Aws Ultra Vires. Contudo, adota-se a Teoria da Aparência
para responsabilizar a pessoa jurídica pelos prejllizos causados a terceiros de boa-fé, ainda que provocados
por atos praticados por sócio, em violação de disposições do contrato social (atos ultra vires), o que não
implica automática desconsideração da personalidade jurídica, em face da necessidade de comprovação da
ocorrência dos requisitos previstos no art. 50 do CC/02. Logo, não se deve confundir desconsideração da
personalidade (a consequência) com a prática de atos ultra vires, que só podem ser a causa da desconside-
ração se demonstrado o abuso da personalidade, ou seja, o desvio de finalidade ou a confusão patrimonial.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 145 -Art. 47: O art. 47 nao afasta a aplicaçao da teoria da aparência.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

Responsabilidade civil. Ato illcito. Sócios administradores. Discute-se no REsp se o reconhecimento da divisi-
bilidade da obrigação de reparar os prejuízos decorrentes de ato i licito desnatura a solidariedade dos sócios admi-
nistradores de sociedade limitada para responderem por comprovados prejuízos causados à própria sociedade em
virtude de má administração. Ficou comprovado que todos os onze sócios eram administradores e realizaram uma má
gestão da sociedade autora, acarretando-lhe prejuízos de ordem material e nao há incompatibilidade qualquer entre
a solidariedade passiva e as obrigações divisíveis, estando o credor autorizado a exigir de qualquer dos devedores
o cumprimento integral da obrigação, cuja satisfação não extingue os deveres dos coobrigados, os quais podem
ser demandados em ação regressiva. As obrigações solidárias e indivisíveis têm consequência prática semelhante,
qual seja, a impossibilidade de serem pagas por partes, mas sao obrigações diferentes, porquanto a indivisibilidade
resulta da natureza da prestação (art. 258 do CPC), enquanto a solidariedade decorre de contrato ou da lei (art. 265 do
CC/02). Nada obsta a existência de obrigação solidária de coisa divisível, tal como ocorre com uma condenação em
dinheiro, de modo que todos os devedores vão responder integralmente pela divida. Em regra, o administrador não
tem responsabilidade pessoal pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em decorrência de regulares
atos de gestão. Todavia, os administradores serão obrigados pessoalmente e solidariamente pelo ressarcimento do
dano, na forma da responsabilidade civil por ato iHcito, perante a sociedade e terceiros prejudicados quando, dentro de
suas atribuições e poderes, agirem de forma culposa. REsp 1.087.142, rei. Min. Nancy Andrighi, 18.8.11. 3° T. (lnfo 481, 2011)

4. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (ANAUS/JUD/TJ/PE/2007/FCC- adaptada) No que concerne às pessoas jurídicas, é correto afirmar:


Obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato
constitutivc.

Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administraçao coletiva, as decisões se tomarao pela maioria de votos
dos presentes, salvo se o .ato constitutivo dispuser de modo diverso.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular as decisões a que se refere este artigo, quando
violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude.

L BREVES COl'viENTÁRIOS
Administraçáo c<>letiva. Responsabilidade. Se pela lei ou pelo conrrato social a administracâo
da pessoa jurídica li vc: r de ser exercida de modo coletivo, as deliberações deverão ser tomadas pela
maioria de votos dos presentes, salvo disposição específica do ato constitutivo. O direito de anular
deliberação de administradores decai em três anos.
111
Art. 49 iiiiii!•IIM•iik!$1ei$jlild!Uiit!!\,
2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (TRT 8 -Jcb:do Trabalho Substituto a• região/2014) Analise as proposições a seguir e marque a única alter-
nativa que contempla as afirmações corretas:
I. Avontade humana criadora, a observância das condições legais para a sua instituição e a licitude de seu objeto
são pressupostos existenciais da pessoa jurídica.
11. Segundo elenco disposto no Código Civil em vigor, são pessoas de direito público interno: a União; os Estados,
o Distrito Federal e os Territórios; os Municípios; e as autarquias, inclusive as associações públicas. As pessoas
jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade
causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte
destes, dolo ou culpa grave.
111. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas
pelo direito internacional público.
IV. As organizações religiosas são pessoas jurídicas de direito privado, sendo-lhes conferida liberdade de criação,
organização, estruturação interna e de funcionamento, não podendo o poder público negar-lhes reconhecimento
ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento.
V. Salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso, segundo a disciplina do Código Civil em vigor, prevalece
a regra geral da maioria absoluta para as decisões da pessoa jurídica submetida à administração coletiva.
a) Estão corretas apenas as afirmações I, 111 e IV.
b) Estão corretas apenas as afirmações 11 e V.
c) Estão corretas apenas as afirmações I, IV e V.
d) Estão corretas apenas as afirmações 11 e 111.
e) Estão corretas apenas as afirmações I, 11 e V.

02. (FCC- Analista Judiciário- Judiciária- TRT 1/2013) A empresa Y, que atua no ramo de cosméticos, situada na
cidade do Rio de Janeiro, tem administração coletiva exercida pelos seus dez sócios, nos termos preconizados
pelo seu Estatuto Social. Em uma reunião de diretoria, á maioria dos presentes decide tomar uma decisão para o
futuro da empresa que contraria o estatuto social e a lei. Neste caso, para Manoel, um dos sócios, inconformado
com a decisão tomada pela diretoria da empresa, o direito de anular esta decisão decairá, de acordo com o CC, em
a) três anos.
b) um ano.
c) dois anos.
d) quatro anos.
e) cinco anos.

03. (ANALISTA/JUO/TJ/PE/2007/FCC- adaptada) No que concerne às pessoas jurídicas, é correto afirmar:


Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões serão tomadas necessariamente pela maioria de
votos dos presentes.
A 2 A 3 c

Art. 49. Se a administração da pessoa jurídica vier a faltar, o juiz, a requerimento de qualquer interessado,
nomear-lhe-á administrador provisório.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Administração ad hoc. Este administrador provisório será remunerado conforme determi-
nação do magistrado, se a espécie de pessoa jurídica comportar ral pagamento. Essa figura não se
confunde com a do síndico, necess;Íria nos casos em que ingressa a pessoa jurídica em processo
falimentar. O administrador provisório é figura estranha a ral processo, mantendo a administração
de uma pessoa jurídica com higidez patrimonial até que o sucedam os administradores eleitos.
Situações de divisão de interesses ou conflitos internos podem gerar esta necessidade transitória.
Note-se que este artigo é clara implicação da função social das pessoas jurídicas, que não se
restringe às formas empresariais.
112
Art. 50

2. QUESTÁO DE CONCURSO

01. (ANALIS/JUD/TJ/PE/2007/FCC- adaptada) No que concerne às pessoas jurídicas, é correto afirmar:


Se a administraçao da pessoa jurídica vier a faltar, o juiz, de offcio, nomear-lhe-á administrador provisório.

<f/?,·;/j,.,J:.,,t>i;·.,_,'' "'.;:i,):r>o·,fL .. ·;: , ·.. .: ... •, :i.,·;;,/~~~~:·../':>:,\/{,'··.;~··.. ·.·:· · ...·:!{<·.·,:<.>·:~;, <·:>.· '<::};'~~;,;;
·, Ao. so. Em cas() de abuso da personalic;ladejurldicà; taráétei'izado j:lelddesvlo Be ôlipela ..
..!\coqfu~~o pí!trlmonlai,.PÇ,c;ll! <>}1.!1~ · · · .· eririll!ntq d<! p<Jrte, ou c;lo.Mlnlstério Pc .. lía.~~oJhe ·.
~{~\éQt,~berlntÉ!rVirnciptbcess(},que:(Ís . ·. . . •. êft;I.S é'de~emlil)adas relaçõés déobrjgaçpessÉ!jâril ~ster)dÍqos ·.
• :' aiísliens;particiilarés dosà'c;lri)lpi$tra(;iq(es .. sQ;Çítis da pessoa jurídica, .
,);,~: :~· /~·'·/f'<·f.i'·"'/
•. ';''> ·';(;./' ·': ·.• ~·.·
'• ·;·'.·:.··/·'.· .. ;

1. BREVES COMENTÁRIOS
Desconsideração da personalidade jurídica. O princípio da separação do patrimônio da pessoa
jurídica do patrimônio dos seus membros não pode ser utilizado como instrumento para se perpetrar
fraudes ou permitir que alguém se esquive de cumprir a lei ou obrigações contratualmente contra-
ídas, empregando-se a personalidade jurídica como uma espécie de escudo para ocultar sócio ou
associado apanhado em alguma irregularidade. Também não se permite que os membros da pessoa
jurídíca atuem desvinculados de suas finalidades para se eximirem de responsabilidades em prejuízo
de terceiros de boa-fé.
Neste cenário, desenvolve-se· a teoria da disregard oflegal entity, entre nós denominada teoria da
desconsideração da pessoa jurídica, através da qual se permite ao magistrado, nos casos de prejuízos
a terceiros provocados por abuso de poder, prática de atos ilícitos, violação de norma estatutária,
dentre outras hipóteses, levantar o véu da pessoa jurídica, ou seja, admite-se que o credor busque no
patrimônio dos sócios "a satisfoção da obrigação que não pode ser tttendida pelo p.1trimônio da empresa"
(FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Direito Civil. Teoria Geral, 5" ed. Rio de
Janeiro: Lumen Juris, 2006, p. 277).
Trata-se de medida excepcional e episódica, motivo por que não é razoável conferir-lhe am-
plitude exacerbada, tampouco conçedê-la sem o crivo do devido processo legal, uma vez que a
partir de sua utilização torna-se ineficaz o ato constitutivo da pessoa juríd.ica em relação ao ter-
ceiro prejudicado pelas condutas indevidas de sócios, praticadas de modo abusivo, permitindo ao
prejudicado dirigir sua pretensão diretamente contra o patrimônio dos sócios, para que respondam
com seus próprios bens.
Importante anotar que o mesmo raciocínio aplicado aos integrantes do quadro social da
pessoa jurídica também prevalece em relação àqueles que, não integrando a pessoa jurídica
propriamente- os administradores não sócios-, dela se valem para prática de atos abusivos por
seu intermédio.
Da análise do dispositivo extraí-se que o magistrado não pode, de ofício, ignorar a autono-
mia patrimonial da pessoa jurídica para combater eventuais fraudes perpetradas através dela,
devendo decidir apenas por provocação das partes (ou do Ministério Público) e quando verificada
a ocorrência de alguma forma de abuso, aqui caracterizado pelo (a) desvio de finalidade, vale
dizer, afastamento do objeto social descrito no ato constitutivo, ou (b) confusão patrimonial,
isto é, quando não ocorre a separação do patrimônio do sócio e da pessoa jurídica. Em qual-
quer das duas hipóteses, necessária a demonstração de efetivo prejuízo para ensejar a suspensão
transitória da personalidade jurídica.
Percebe-se, então, que ao contrário do que ocorre no Código de Defesa do Consumidor (art. 28),
o Código Civil adota a denominada teoria maior da desconsideração, pois não basta o simples
prejuízo do credor para afastar a autonomia patrimonial da pessoa jurídica.
113
Art. 50 lliiil!aiii•J}jQl$1•4Jlii;Jitll§'l

Fonte: EHRHARDT JR., Marcos. Direito Civil - Parte Geral e LINDB. 2.ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2011.
A compreensão destas duas teorias foi objeto de indagação de questão discursiva:

* DISCURSIVA ·

01. {TJ-DF- Juiz de Direito- DF/2008} No pertinente a "Teoria da Desconsideração da Pessoa {ou persona-
lidade) Jurídica", apesar de ser uma "ferramenta jurídica" de grande valia nos tempos modernos, sua
aplicação não fica ao alvedrio da parte ofendida, eis que necessários determinados pressupostos para
tal desiderato.
Assim, quanto aos pressupostos para sua incidência, conforme relação jurídica travada entre as partes,
doutrina e jurisprudência os subdividem em duas categorias: teoria maior e teoria menor.
a) Explique, resumidamente, as duas teorias;
b} Qual, de forma justificada, a teoria agasalhada pelo Código Civil?

Anote-se ainda que as pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não eco-
nômicos estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica (Enunciado 284 do CJF) e
que a teoria da desconsideração pode ser invocada pela pessoa jurídica em seu favor (Enunciado 285
do CJF), prescindindo da demonstração de sua insolvência (Enunciado 281 do CJF), pois o mero
encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica, por si s6, não basta para caracterizar abuso
de personalidade jurídica (Enunciado 282 do CJF).
Desconsideração inversa. Ainda é possível a desconsideração da personalidade jurídica "inversa"
para alcançar bens de s6cio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com
prejuízo a terceiros, como, por exemplo, o marido, empresário, que amevendo divórcio, transfere bens
da entidade familiar para a pessoa jurídica, visando frustrar a partilha com seu cônjuge.

O CPC (Lei 13.105/15), cem vigência a partir de 17 de março de 2016, regula, entre os artigos 133 e 137, o incidente
de desconsideração da personalidade jurídica. A inserção de tal expediente vem se alinhar a uma melhor
técnica, dando ao procedimento de desconsideração maior clareza, fundamento e respeito ao contraditório.
Fato é que a desconsideração vem ganhando cada vez mais força, na busca pela solidificação de um sistema
contrário ao abuso e à má-fé. As decisões que lastreiam a medida tutelam a um só tempo o crédito e a circulação
de riquezas. Com isto, mais valores podem estar no mercado, mais seguros se tornam o investimento, enfim, a
desconsideração, apesar de se tratar de medida de natureza judicial, encontra-se intimamente ligada a uma maior
fluidez de mercado e de elevação do grau de confiança.
Com n espaço ganho pela medida, surgiram, em razão do vazio legislativo, incertezas e diferenciações que ge-
ravam riscos para as partes, que não poderiam antecipar movimentos processuais ou compreender o que viria
pela frente. Prazos, decisões, tudo advinha da construção dos Tribunais. Agora, com o CPC, contamos com um
procedimento que, se não imune a críticas, ao menos dará um norte para a caminhada.

114
Adentrando ao procedimento, nota-se que o legislador apresentou dois caminhos para a desconsideração
(já incluindo, no parágrafo 2° do art. 133, CPC, a desconsideração inversa): através de pedido próprio na petição
inicial (sendo realizada a citação, ab initio, do sócio ou da pessoa jurídica ou por instauração de incidente, em
qualquer fase do procedimento (conhecimento ou execução), sendo o ponto solucionado por decisão interlo-
cutória (logo, desafiando agravo de instrumento, art. l.OlS,IV, CPC- e se em sede de Tribunal, desafiará agravo
interno, art. 136, pu, CPC).
O incidente provocará a suspensão do feito, até a sua devida solução (art. 134, § 3°, CPC), não ocorrendo tal sus-
pensão se requerido diretamente na inicial (art. 134, § 2°, CPC), quando as partes atingidas pela desconsideração
(sócio ou pessoa jurídica) poderão questionar o cabimento legal da medida em suas devidas respostas. Note-se
que o Código, em razão de contemplar a desconsideração em suas duas formas (normal e inversa), menciona a
citação seja do sócio (na normal) seja da pessoa jurídica (na inversa).
Estão legitimados a requerer o incidente tanto a parte quanto o Ministério Público, nos feitos em que atue como
custos legis. A redação do art. 133, CPC não deixa dúvidas quanto a tal possibilidade d.eferida ao Parquet, não
sendo possível restringir tal legitimidade às situações em que atue como parte. Do contrário, se restritiva fosse a
visão do legislador, teria determinado a legitimidade apenas da parte, sem fazer qualquer menção ao MP.
O novel legislador processual curou bem da técnica ao determinar que em qualquer hipótese (pedido na exordial
ou incidente) deverá o requerente demonstrar os pressupostos legais da desconsideração. Assim, além de
não ingressar nas diferentes teorias (já vistas acima), evitou dar azo ao nascimento de um novo debate ou de
novos pressupostos. Pressupostos da desconsideração são de natureza material, o procedimento, de natureza
adjetiva. Uma bela lição dada ao legislador civil, que vez por outra confunde "alhos e bugalhos" (a ver todo um
titulo dedicado à prova no Código Civil).
Através da percepção da estrutura dada pelo CPC ao incidente, deve este ser o mais célere possível. Disto resulta que
serão o sócio ou a pessoa jurídica citados para, em 15 dias, responderem (ou adotar a postura que lhe convier
sob as penas da lei) e requererem as provas. Se necessária a produção de prova oral. deverá ser designada audiência
para tanto. Aqui cabe uma observação: melhor seria que o legislador determina-se um espectro probatório menor,
restringindo as provas basicamente à pericial e à documental. Isto porque, ou a fundamentação da desconsideração é
por demais simples (como causos crassos de fraude ou situações em que se adote a teoria menor) ou são de tamanha
densidade que exigem perícias e documentos. Pela experiência forense, impedir a produção de prova oral em nada
prejudicaria a situação, podendo esta ser aceita somente em circunstâncias especiais. Contudo, nada impede que as
partes, no início do incidente, realizem negócio processual pontual para definir limites probatórios para o mesmo.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 7°- Art. 50: só se aplica a desconsideração da personalidade jurídica quando houver a prática de
ato irregular e, limitadamente, aos administradores ou sócios que nela hajam incorrido.

Enunciado 51 -Art. 50: a teoria da desconsideração da personalidade jurídica- disregard doctrine- fica po-
sitivada no novo Código Civil, mantidos os parâmetros existentes nos microssistemas legais e na construção
jurídica sobre o tema.

Enunciado 146 -Art. 50: Nas relações civis, interpretam-se restritivamente os parâmetros de desconsideração
da personalidade jurídica previstos no art. 50 (desvio de finalidade social ou confusão patrimonial). (Este Enun-
ciado não prejudica o Enunciado no 7).

Enunciado 281- Art. 50. A aplicação da teoria da desconsideração, descrita no art. 50 do Código Civil, prescinde
da demonstração de insolvência da pessoa jurídica.

Enunciado 282- Art. 50. O encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica, por si só, não basta para
caracterizar abuso de personalidade jurídica.

Enunciado 283 - Art. 50. É cabível a desconsideração da per>onalidade jurídica denominada "inversa" para
alcançar bens de sócio que se valeu da I para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros.

Enunciado 284- Art. 50. As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não econômicos
estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica.

Enunciado 285 - Art. 50. A teoria da desconsideração, prevista no art. 50 do Código Civil, pode ser invocada
pela pessoa jurídica em seu f avo r.

115
Art. 50 iiiill!tiiM•f$iQt$1•@\jllhii.JI§i

Enunciado 406- Art. 50: A desconsideração da personalidade jurídica alcança os grupos de sociedade quando
estiverem presentes os pressupostos do art. 50 do Código Civil e houver prejuízo para os credores até o limite
transferido entre as sociedades. (I Jornada de Direito Comercial) 9. Quando aplicado às relações jurídicas em-
presariais, o art. 50 do Código Civil não pode ser interpretado analogamente ao art. 28, § 5•, do CDC ou ao art.
2', § 2•, da CLT.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

~ Limites à aplicabilidade do art. 50 do CC.


O encerramento das atividades da sociedade ou sua dissolução, ainda que irregulares, não são causas, por si
sós, para a desconsideração da personalidade jurídica a que se refere o art. 50 do CC. EREsp 1.306.553-SC, Rei.
Min. Maria Isabel Gal/otti, DJe 12.12.14. 2• 5. (lnfo STJ 554)

~ DIREITO CIVIL. LEGITIMIDADE ATIVA PARA REQUERER DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DE PERSONALIDA·


DE JURIDICA. Se o sócio controlador de sociedade empresária transferir parte de seus bens à pessoa jurídica
controlada com o intuito de fraudar partilha em dissolução de união estável, a companheira prejudicada, ainda
que integre a sociedade empresária na condição de sócia minoritária, terá legitimidade para requerer a des-
consideração inversa da personalidade jurídica de modo a resguardar sua meação. REsp 1.236.916-RS, Rei. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 22/10/2013 (Informativo n• 0533).

~ STJ 302- Desconsideração. Personalidade Jurídica. Ação Autônoma.( ...) O Superior Tribunal tem decidido pela
possibilidade da aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica nos próprios autos da ação
de execução, sendo desnecessária a propositura de ação autônoma. Precedentes citados: REsp 521.049-SP, DJ
3/10/2005; REsp 598.111-AM, DJ 21/6/2004; RMS 16.274-SP, DJ 2/8/2004; AgRg no REsp 798.095-SP, DJ 1•/8/2006,
e REsp 767.021-RJ, DJ 12/9/2005. REsp 331.478-RJ, Rei. Min. Jorge Scartezzini, julgado em 24/10/2006.

STJ 356- Desconsideração. Personalidade Jurídica. Pressupostos. Houve a desconsideração da personalidade


jurídica (disregard doctrine) da empresa devedora, ao imputar ao grupo controlador a responsabilidade pela
dívida, sem sequer as instâncias ordinárias declinarem presentes os pressupostos do art. 50 do CC/2002. Houve
apenas menção ao fato de que a cobrança é feita por um órgão público e que a empresa controlada seria simples
longa manus da controladora. Daí a violação do art. 131 do CPC, visto que não há fundamentação nas decisões
das instâncias ordinárias, o que leva a afastar a extensão do arresto às recorrentes em razão da exclusão da
desconsideração da personalidade jurídica da devedora, ressalvado o direito de a recorrida obter nova medida
para a defesa de seu crédito acaso comprovadas as condições previstas no retrocitado artigo. Anotou-se não se
cuidar da chamada teoria menor: desconsideração pela simples prova da insolvência diante de tema referente
ao Direito Ambiental (art.4• da lei n• 9.605/1998) ou do Consumidor (art. 28, § 5•, da lei n• 8.078/1990), mas sim
da teoria maior que, em regra, exige a demonstração do desvio de finalidade da pessoa jurídica ou a confusão
patrimonial. Precedente citado: REsp 279.273-SP, DJ 29/3/2004. REsp 744.107-SP, Rei. Min. Fernando Gonçalves,
julgado em 20/5/2008.

STJ 463 Desconsideração. Personalidade jurídica, Indenização. Limite. Quotas sociais. No REsp, discute-
-se a possibilidade de, em razão da desconsideração da personalidade jurídica da sociedade empresária e, em
ato continuo, com a autorização da execução dos bens dos sócios, a responsabilidade dos sócios ficar limitada
ao valor de suas respectivas quotas sociais. Segundo o min. rei., essa possibilidade não poderia prosperar, pois
admitir que a execução esteja limitada às quotas sociais seria ten.erário, indevido e resultaria na deses-
tabilização do instituto da desconsideração da personalidade jurídica. Explica que este hoje já se encontra
positivado em nosso ordenamento jurídico no art. 50 do CC/02 e, nesse dispositivo, não há qualquer restrição
acerca de a execução contra os sócios ser limitada às suas respectivas quotas sociais.( ... ). REsp 1.169.175, Rei. Min.
Massami Uyeda, j. 17.2.2011. 3• T.

STJ 462- Desconsideração. Pessoa jurídica. Requisitos. A Turma negou provimento ao recurso especial e rei-
terou o entendimento de que, para a desconsideração da pessoa jurídica nos termos do art. 50 do CC/02, são
necessários o requisito objetivo - insuficiência patrimonial da devedora - e o requisito subjetivo- desvio de
finalidade ou confusão patrimonial. REsp 1.141.447, Rei. Min. Sidnei Beneti, j. 8.2.2011. 3·' T

Desconsideração da personalidade jurídica inversa. Considerando-se que a finalidade da disregard doctrine


é combater a utilização indevida do ente societário por seus sócios, o que pode ocorrer também nos casos em
que o sócio controlador esvazia o seu patrimônio pessoal e o integraliza na pessoa jurídica, conclui-se, de uma
interpretação teleológica do art. 50 do CC/2002, ser possível a desconsideração inversa da personalidade jurí-
dica, de modo a atingir bens da sociedade em razão de dívidas contraídas pelo sócio controlador, conquanto
preenchidos os requisitos previstos na norma. A desconsideração da personalidade jurídica configura-se como
116
Art. 50

medida excepcional. Sua adoção somente é recomendada quando forem atendidos os pressupostos específic·:>s
relacionados com a fraude ou abuso de direito estabelecidos no art. 50 do CC/2002. REsp 948.117, rei. Min. Narcy
Andrighi, 22.6.10. 3• T. (Jnfo 440, 2010)

Legitimidade. Desconsideração. Personalidade jurfdica.A desconsideração da pessoa jurídica consiste na


possibilidade de ignorar a personalidade jurldica autônoma de entidade sempre que essa venha a ser utilizada
para fins fraudulentos ou diversos daqueles para os quais foi constitulda. Quando houver abuso, desvio de fina-
lidade ou confusão patrimonial entre os bens da sociedade e dos sócios, caberá a aplicação do referido instituto.
Uma vez que desconsiderada a personalidade jurldica, tanto a sociedade quanto os sócios têm legitimidade
para recorrer dessa decisão. REsp 715.231, rei. Min. João O. Noronha, 9.2.10. 4• T. (lnfo 422, 2010}

4. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR
A excepcional penetração no à mago da pessoa jurídica, com o levantamento do manto que protege essa ince-
pendência patrimonial, exige a presença do pressuposto espedfico do abuso da personalidade jurldica, con a
finalidade de lesão a direito de terceiro, infração da lei ou descumprimento de contrato. {STJ, REsp no 876974/
SP, Min. Rei. Nancy Andrighi, DJ 27/08/2007).

5. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Cespe- Defensor Público- OPU/ 2015) Considerando a existência de relação jurídica referente a determina :lo
objeto envolvendo dois sujeitos, julgue os próximos itens.
Caso um dos sujeitos da relação jurídica seja uma sociedade, admite-se excepcionalmente a desconsideracão
da regra de separação patrimonial entre a sociedade e seus sócios com o intuito de evitar fraude, situação ~m
que haverá a dissolução da personalidade jurídica.
Caso a referida relação jurídica consista em um negócio jurídico de compra e venda e seu objeto seja um b~m
imóvel, não havendo declaração expressa em contrário, será considerado integrante desse imóvel seu mobiliário,
uma vez que o acessório deve seguir o principal.
Se a norma jurídica regente da referida relação jurídica for revogada por norma superveniente, as novas dispo-
sições normativas poderão, excepcionalmente, aplicar-se a essa relação, ainda que não haja referência expressa
à retroatividade.

02. {Vunesp -Juiz de Direito Substituto- PA/2014) No que diz respeito à desconsideração da personalidade
jurídica, assinale a alternativa corr~ta.
a) Possui como objetivo preservar a dependência da pessoa jurídica com o sócio ao coibir os atos praticados pelos
seus sócios.
b) Visa à anulação da personalidade jurídica quando não for possível encontrar bens do sócio que satisfaçam a
obrigação.
c) A insolvência ou falência da pessoa jurídica, acarretando no inadimplemento de suas obrigações, caracte:iza
sua desconsideração.
d) A desconsideração inversa é o afastamento do princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica J:ara
responsabilizar a sociedade por obrigação do sócio.
e) A personalidade jurídica da sociedade se confunde com a personalidade jurídica dos sócios, por isso o sócio
pode postular em nome próprio direito de entidade.

03. (UFPR- Defensor Público- PR/2014) Assinale a alternativa correta sobre as Pessoas Jurídicas.
a) A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado inicia-se com a formalização de seu ato constitut vo,
independentemente de sua inscrição no respectivo registro.
b) São pessoas jurídicas de direito privado as associações, as sociedades, as fundações, as organizações religicsas
e os partidos políticos. As empresas individuais de responsabilidade limitada, de acordo com o Código Civil
em vigor, não são consideradas pessoas jurídicas, pois sua personalidade se confunde com a do empresiirio
individual.
c) A desconsideração da personalidade jurídica, por decisão judicial, quando ocorre fraude e abuso de direito
contra credores, importa na dissolução ou anulação da sociedade, para todos os efeitos.
d) Ocorre a desconsideração inversa quando é afastado o princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica
para responsabilizar a sociedade por obrigações do sócio, quando ele, por exemplo, registra bens pessoais em
nome da pessoa jurídica em prejuízo de terceiros.
117
Art. 56 liiiii!•III•I1Ptii•t!\1111;JI•IIíf!~1

e) Desde que comprovada a culpa desta, a pessoa jurldica é responsável pela reparação civil de danos que seus
empregados ou prepostos causarem a terceiros no exerdcio do trabalho que lhes competir, ou em razão dele.

04. (TRT 8- Juiz do iTabalho Substituto 8• reglão/201-» Analise as questões e assinale a única alternativa IN-
CORRETA:
a) Traço peculiar às associações civis é sua finalidade não econômica, o que não lhe impede de gerar renda neces-
sária à manutenção de suas atividades e pagamento de seu quadro funcional.
b) O órgão do Ministério Público, ou qualquer Interessado, pode promover a extinção de uma fundação quando esta
se tornar illcita, impossível ou for inútil a finalidade visada, ou ainda quando vencido o prazo de sua existência.
Nessas hipóteses, salvo disposição em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, o património da fundação
será incorporado em outra, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante.
c) Contemplando a teoria da desconsideração da personalidadejurfdica- disregard doctrine- o Código Civil em
vigor estabelece que, em caso de abuso da personalidade jurídica, pode o juiz decidir, de ofício ou a requeri-
mento da parte, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens
particulares dos a:lministradores ou sócios da pessoa jurídica.
d) Os administradores das associações podem ser destituídos por deliberação privativa de assembleia geral espe-
cialmente convoc3da para esse fim, cujo quorum será o estabelecido no estatuto.
e) Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no res-
pectivo registro, pecedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se
no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo.

OS. (Cespe- Cartório- TJ-DFT/2014) Acerca da desconsideração da personalidade jurídica, assinale a opção correta.
a) Configurado o ilidto praticado por sociedade em detrimento do cónsumidor, as sociedades consorciadas e as
coligadas respondem solidária e obj~tívamente pelo e·;ento danoso.
b) No Código Civil brasileiro, é prevista a desconsideração da personalidade jurídica em caso de abuso caracterizado
pelo desvio de firalidade ou confusão patrimonial, de modo a assegurar ao credor acesso aos bens particulares
dos administradores e sócios da empresa para a satisfação de seu crédito.
c) Por ausência de previsão legal. a atividade que favorece o enriquecimento dos sócios em prejuízo econômico
da sociedade nãc enseja a desconsideração da personalidade jurídica se a obrigação crediticia não decorrer de
relação de consu1'10.
di No Código de Defesa do Consumidor, é prevista a desconsideração da autonomia da pessoa jurídica nos casos
de práticas abusi•as, infração da lei, fato ou ato ilícito, desde que se configure fraude ou abuso de direito.
e) Não incide a hipétese de desconsideração da personai'dade juridica nos casos de encerramento ou inatividade
da empresa jurídica por má administração do fornecedor, em prejuízo do consumidor.

06. (Cespe- Analista do MPU/2013) Julgue os Itens que se seguem, referentes à pessoa jurídica.
Conforme entendimento do STJ, em relação à desconsiceração da personalidade jurídica, o ordenamento jurídico
pátrio adotou a denominada teoria maior da desconsideração.
A pessoa jurídica pode sofrer dano moral nos casos de violação à sua honra subjetiva.

07. (Juiz/TRT/11R/2007/I FASE/FCC) A desconsideraçãoCCia personalidade jurídica, segundo o direito positivo


vigente, visa
a) anular, por ato do Juiz, os negócios jurídicos realizados pela pessoa jurídica com desvio de finalidade ou quando
houver abuso de poder por parte dos administradores.
b) extinguir a pessoa jurídica quando agir com desvio de finalidade ou ocorrer confusão patrimonial.
c) estender, por ate• do Juiz ou de autoridade administrativa, os efeitos de certas relações de obrigações aos bens
particulares dos administradores ou sócios da pessoa juridica.
d) estender, por ato do Juiz, os efeitos de certas relações de obrigações aos bens particulares dos administradores
ou sócios da pessoa jurídica.
e) estender, por ato do Juiz e somente em ação autônoma proposta pelo Ministério Público ou por qualquer
interessado, os efeitos de certas relações de obrigações aos bens particulares de sócios e administradores de
pessoa jurídica, nos casos de desvio de finalidade ou confusão patrimonial.

08. (DPGU/Oefensor/2007) A respeito das pessoas jurídicas, julgue o item abaixo.


A desconsideração da personalidade jurídica de uma sociedade é permitida nos casos em que há desvio de seu
objetivo social, independentemente da verificação de abuso da personalidade jurídica, da intenção de fraudar a
lei ou de causar :Jrejuízos à própria sociedade ou a terceiros. Por isso, depois de despersonalizada a sociedade,
os bens particulares dos sócios e dos administradores respondem pela dívida da pessoa jurídica.

118
Art. 50

09. (MP/AM/Promotor/2007- adaptada) A respeito das pessoas naturais e jurídicas, assinale a opção correta.
A desconsideração da personalidade jurídica é instrumento apto a responsabilízar a pessoa física pelo uso abusivo
daquela, exigindo-se para a decretação o atendimento de pressupostos espedficos relacionados com a fraude ou o
abuso de direito em prejuízo de terceiros. Todavia, dispensasse a propositura de ação autônoma, podendo referida
desconsideração ser concedida incidentalmente no próprio processo de execução, a requerimento da parte ou do MP.

10. (PGM/VITÓRIA/2007) A respeito da pessoa natural e jurídica, julgue os itens que se seguem.
No caso de abuso da personalidade jurídica, isto é, quando os sócios de uma empresa causarem prejufzos a ou-
trem pelo mau uso de sua autonomia patrimonial, o juízo pode desconsiderar de ofício a personalidade jurídica
e determinar a extinção dessa empresa, ou afastar a separação patrimonial entre a sociedade e seus membros.

11. (PGE/AL/2008/ UNB/CESPE) Por vezes, a autonomia patrimonial da pessoa jurídica pode dar azo à realização
de fraudes, o que pode ensejar a sua desconsideração. Com base nessa teoria, assinale a opção correta.
a) Se o juiz decidir pela desconsideração da pessoa jurldica, a consequência mediata será a invalidade do seu ato
constitutivo.
b) Para que o juiz decida pela desconsideração da pessoa jurídica, é necessário que haja abuso da personalidade
jurídica, o que se caracteriza pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial.
c) Diante dos princípios que norteiam as relações contratuais, como a boa-fé objetiva e a lealdade, mostra-se
suficiente à desconsideração da pessoa jurídica a insolvência do respectivo ente coletivo que, a toda evidência,
traga prejuízo aos credores.
d) A teoria da desconsideração tem sido alvo de críticas por impedir a preservação da empresa.
e) Embora tenha sido fruto de construção jurisprudencial, hoje a teoria da desconsideração da personalidade
jurídica tem respaldo legal e passou a ser aplicada como regra.

12. (Juiz/TJ/RR/2008/FCC) A doutrina do disregard of legal entity tem por finalidade superar ou desconsiderar a
personalidade jurídica de pessoas jurídicas,
a) para atingir opatrimônio dos sócios ou administradores, sempre que se verificar fraude contra credores, o que,
na legislação brasileira, será possível por decisão judicial a requerimento da parte ou do Ministério Público.
b) responsabilizando-lhes os administradores e, para isto, considera inexistente a personificação.
c) para atingir o patrimônio dos sócios, sempre que se verificar confusão patrimonial, permitindo a legislação
brasileira que a desconsideração se dê por ato administrativo ou judicial.
d) responsabilizando-lhes os sócios ou administradores, mas sem considerar nula a personificação, apenas a
tornando ineficaz para certos atos.
e) para atingir o patrimônio dos sócios, implicando. na legislação brasileira, a declaração de nulidade de seus esta-
tutos ou atos constitutivos no que se referir à distinção entre a personalidade jurídica dos sócios e da sociedade.

13. (PJ/PE/2008/FCC) A desconsideração da pessoa jurídica:


a) será configurada apenas com a insolvência do ente coletivo, sem outras considerações.
b) não ocorre no direito brasileiro, dada a separação patrimonial entre pessoas físicas e jurídicas.
c) restringe-se às relações consumeristas.
d) implicará responsabilização pessoal, direta, do sócio por obrigação original da empresa, em caso de fraude ou
abuso, caracterizando desvio de finalidade ou confusão patrimonial.
e) prescinde de fraude para sua caracterização, bastando a impossibilidade de a pessoa jurídica adimplir as obri-
gações assumidas.

14. (ANALIS/JUD/TJ/PE/2007/FCC- adaptada) No que concerne às pessoas jurídicas, é correto afirmar:


Na hipótese de confusão patnmon1al não caberá a desconsideração da personalidade jurídica para atingir os
bens particulares dos sócios.

15. (ANAC/2009/CESPE)- No que se refere aos diversos tipos societários e às formas de responsabilização de seus
sócios, julgue os próximos itens.
A teoria da desconsideração da personalidade jurídica não se aplica aos tipos societários que adotam a forma
de responsabilidade limitada dos sócios.

16. (MP/RN/2009/CESPE- adaptada) Com relação ao direito das coisas, ao de família, ao das sucessões bem como
à teoria da desconsideração da personalidade jurídica, assinale a opção correta.
Para a validade e eficácia da aplicação da teoria da desconsideração da pessoa jurídica no que concerne ao abuso
da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou confusão patrimonial, é imprescindível
a demonstração do estado de insolvéncia da pessoa jurídica.
119
Art. 51 lillll!eiiM•$1R:t\$1•4Jlll;il•lliji\1
17. (ECT- Analista de Correios- Advogadof2011) Há abuso de personalidade jurídica quando os atos destinados à
sua representação e gestão, editados sob a aparência da legalidade da forma, exorbitam os interesses da pessoa
jurídica e atingem resultados que, ao mesmo tempo em que a prejudicam, produzem, ilicitamente, benefícios
ou vantagens diretas ou indiretas aos seus sócios ou administradores.

18. (TRF 5 -Juiz Federal Substltutof2011) A respeito da teoria da desconsideração da personalidade jurídica,
assinale a opção correta.
a) Pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos não são atingidas pela referida teoria.
b) É possível que a própria pessoa jurídica invoque em seu favor a teoria da desconsideração.
c) O encerramento irregular da pessoa jurídica basta para caracterizar o abuso da personalidade jurídica.
d) Para a aplicação dessa teoria, é crucial que se comprove a Insolvência da pessoa jurídica.
e) Por ser necessariamente interpretada de forma estrita, essa teoria não é admitida na forma inversa.

19. (Câmara Municipal Patos de MinastMG- Advogado/2011) Assinale a alternativa CORRETA:


a) O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, hou-
ver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato
social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento
ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.
b) A União, os Estados, o Distrito Federal e o Município, em caráter concorrente e nas suas respectivas áreas de
atuação administrativa, baixarão normas relativas à produção, industrialização, distribuição e consumo de
produtos e serviços.
c) Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros, verdadeiros e em linguagem de fácil com-
preensão, não podendo conferir informações negativas referentes a período superior a dez anos.
d) É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas, recusar a venda de bens ou a
prestação de serviços, diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento em dinheiro,
cheque ou cartão de crédito, ressalvados os casos de intermediação regulados em leis especiais.

20. (FMS- Advogado/2011) Em relação à pessoa jurídica, é correto afirmar que:


a) é pessoa jurídica de direito privado a autarquia.
b) é pessoa jurídica de direito público o partido político.
c) em caso de abuso da personalidade jurídica, pode o juiz decidir que os efeitos de certas obrigações sejam
estendidos aos bens particulares dos sócios.
d) é inaplicável às pessoas jurídicas a proteção dos direitos da personalidade.
e) se a administração da pessoa jurídica vier a faltar, o juiz, de ofício, nomear-lhe-á administrador provisório.

21. (CREMESP- Advogado/2011) Quanto à despersonalização da pessoa jurídica, assinale a alternativa correta.
a) Consiste em uma escolha do credor, para alcançar plenamente o patrimônio da pessoa jurídica, desde que
utilizada para fins fraudulentos.
b) t efeito da ação contra ela proposta; o credor não pode, previamente, despersonalizá-la, endereçando a ação
contra os sócios.
c) A identificação do desvio de formalidade nas atividades da pessoa física deve partir da efetiva constatação de
abuso da personalidade jurídica.
d) Não poderá ser requerida pelo Ministério Público, ainda que lhe caiba intervir no processo em que houve o
abuso de direito.
e) Adesconsideração da personalidade jurídica exige ação autônoma para que se produza, para que seja possível
atingir os bens de seus sócios.
r-----~r---.-----.------r-----r-----~----~

Art. St. Nos cas~s de clis~oh.Jção da pesso~jurídic~ OLI_cassada a autprização para seu funcionamento,
ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua;
§ 1• Far-sé~á, no registro ~Ode a pessoa jllrfdléa estivetlnscritã, a averbação de sua dissolução.

120
Art. 52

1. BREVES COMENTÁRIOS
Despersonalização versus desconsideração. Não confundir a despersotzalizaçáo, ou seja, a
dissolução judicial (extinção em caráter definitivo da pessoa jurídica) com a desconsideração, mero
afastamento provisório, ou seja, transitório e episódico da autonomia patrimonial da pessoa jurídi-
ca. Em geral, a dissolução judicial da pessoa jurídica não se opera de modo instantâneo. Se ainda
existirem bens em seu acervo patrimonial, faz-se necessário proceder-se a liquidação (ver arts. l.036
a 1.038 do CC/02). Por fim, deve-se atentar que o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica
produz efeitos ex nunc.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Direitos da personalidade e Pessoa Jurídica. A pessoa jurídica surge pela vontade de un:a ou
mais pessoas, que ao procederem de acordo com os requisitos do sistema jurídico, criam um st:jeíto
de direito que, embora personificado, é não h~mano, vale dizer, não tem existência biológica. Por
conseguinte, apesar de ter aptidão genérica para a prática de atos da vida civil, não tem permissão
para a prática de atos para os quais "o atributo da humanidade é pressuposto, como casar, adotar, doar
órgãos e outros" (COELHO, Fábio lllhôa. Manual de Direito Comercial, 13" ~d. São Paulo, Saraiva,
2002, p. 154).
Do mesmo modo, a pessoa jurídica não se sujeita aos institutos da tutela, curatela e ausência.
Mas, como adverte Paulo Lôbo, .a pessoa jurídica, salvo naquilo que é inerente à pessoa natural, re-
clama os atributos oriundos da personalidade: nome, domicílio, bens, direitos de auror, propriedade
intelectual, nacionalidade, dentre 011tros direitos da personalidade compatíveis (LOBO, Paulo Luiz
Neno. Direito Civil.Parte Geral. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 171). Nesse sentido, a Súmula 227
do Superior Tribunal de Justiça: "a pessoa jurídica pode sofrer dano moral". Logo, apesar de não terem
direitos da personalidade, atribuídos apenas ao ser humano, possuem proteção a eles análoga.
Este é o norte para que se pudesse responder à indagação feita pelo CESPE, em 2014:

.. (TRF 4- JUIZ FEDERAL- 2014- CESPE) Narbal, sócio-gerente da empresa "latidnios e Frios Alfajor LTDA"
teve seu nome inscrito no cadastro negativo de proteção ao crédito, comprovando-se, a posterlori, que
tal registro fora Indevido, uma vez que a dívida tinha sido quitada de forma parcelada. O sócio ajuizou,
assim, a demanda reparatória respectiva. A empresa, algum tempo depois, também ajuizou demanda
reparatória por danos morais, alegando que aquela inscrição indevida do seu sócio teria impedido
obtenção de empréstimo junto a Caixa Econômica Federal para o financiamento do plano de expansão
industrial, sendo lesada em sua reputação, por via reflexa. Com base no enunciado acima, responda:

...
{ )

c) a pessoa jurídica pode ser vítima dessa espécie de dano?

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STJ 227- A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.

121
Art51 liiill!tiii•'$1Qf}1tt}jlil;11·1lf!\1
3. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Ettuncladlo 286 -Art. 52. Os direitos da personalidade são direitos inerentes e essenciais à pessoa humana,
decorrentes de sua dignidade, não sendo as pessoas juddicas titulares de tais direitos.
f
4. INFORM.I\TIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS 1
'I
;
J
~ DIREITO CIVIL INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS A PESSOA JURIDICA DE DIREITO PÚBLICO. A pessoa
jurídica de direito público não tem direito à indenização por danos morais relacionados à violação da
honra ou da imagem. A reparação integral do dano moral, a qual transitava de forma hesitante na doutrina e
jurisprudênciê, somente foi acolhida expressamente no ordenamento jurídico brasileiro com a CF/1988, que alçou
ao catálcgo dos direitos fundamentais aquele relativo à indenização pelo dano moral decorrente de ofensa à
ronra, imagem, violação da vida privada e intimidade cas pessoas (art. 5°, V e X). Por essa abordagem, no atual
cenário constitucional, a indagação sobre a aptidão de alguém de sofrer dano moral passa necessariamente
pela investigação da possibilidade teórica de titularização de direitos fundamentais. Ocorre que a inspiração
imediata da ~ositivação de direitos fundamentais resulta precipuamente da necessidade de proteção da esfera
individual da pessoa humana contra ataques tradicion;;lmente praticados pelo Estado. Em razão disso, de modo
geral, a doutrina e jurisprudência nacionais só têm reconhecido às pessoas jurídicas de direito público direitos
fundamentais de caráter processual ou relacionados à proteção constitucional da autonomia, prerrogativas ou
competência de entidades e órgãos públicos, ou seja, :lireitos oponiveis ao próprio Estado, e não ao particular.
Porém, em se tratando de direitos fundamentais de natureza material pretensamente oponíveis contra parti-
culares, a jurisprudência do STF nunca referendou a tese de titularização por pessoa jurídica de direito público.
::om efeito, o reconhecimento de direitos fundamentais- ou faculdades análogas a eles -a pessoas jurídicas
de direito p(blico não pode jamais conduzir.à subversão da própria essência desses direitos, que é o feixe de
faculda:les e garantias exercitáveis principalmente contra o Estado, s'ob pena de confusão ou de paradoxo
consistente em ter, na mesma pessoa, idênticd posição juridica de titular ativo e passivo, de credor e, a um
só tempo, devedor de direitos fundamentais. Finalmente, cumpre dizer que não socorrem os entes de direito
público os t=róprios fundamentos utilizados pela jurisprudência do STJ e pela doutrina para sufragar o dano
moral ca pessoa jurídica. Nesse contexto, registre-se que a Súmula 227 do STJ ("A pessoa jurídica pode sofrer
dano moral") constitui solução pragmática à recom~osição de danos de ordem material de difícil liquidação.
Trata-se de resguardar a credibilidade mercadológica ou a reputação negociai da empresa, que poderiam ser
paulati11amente fragmentadas por violações de sua imagem, o que, ao fim, conduziria a uma perda pecuniária na
atividade empresarial. Porém, esse cenário não se verifica no caso de suposta violação da imagem ou da honra
de pessoa jurídica de direito público. REsp 1.258.389'PB, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 17/12/2013
(Informativo no 0534).

Direito administrativo. Responsabilidade civil. Dano moral. Pessoa jurídica. Honra objetiva. Violação.
Pessoa jurídica pode sofrer dano moral, mas apenas cw hipótese em que haja ferimento à sua honra objetiva,
isto é, ao conceito de que goza no meio social. Embora a Súm. 227/STJ preceitue que "a pessoa jurídica pode
sofrer :!ano moral", a aplicação desse enunciado é restrita às hipóteses em que há ferimento à honra objetiva
da entidade, ou seja, às situações nas quais a pess•:•a jurídica tenha o seu conceito social abalado pelo ato
!licito, ente1dendo-se como honra também os valores morais, concernentes à reputação, ao crédito que lhe é
atribukio, cualidades essas inteiramente aplicáveis às pessoas jurídicas, além de se tratar de bens que integram
o seu patrimônio. REsp 1.298.689, rei. Min. Castro Meira, j. 23.10.12. 2" T. (In fo 508, 2012)

5. QUESTÓES DE CONCURSOS

01. (CEFET- Promotor de Justiça- BA/2015) Assinale 3 alternativa INCORRETA sobre as disposições gerais acerca
das pessoas jurídicas, constante do Código Civil Brasileiro:
a) A desconsideração da personalidade jurídica podert. ser decretada em duas hipóteses: abuso da personalidade
jurídica, caracterizada pelo desvio de finalidade, ou :onfusão patrimonial.
b) O Miristér o Público, quando lhe couber intervir no processo, poderá requerer a desconsideração da persona-
lidade jurídica.
c) A des.cons der ação da personalidade jurídica pode acarretar que os efeitos de certas e determinadas relações
de ol:rigacões sejam estendidos aos bens particula-es dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.
d) Começa a existéncia legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no res-
pecti·Jo re~istro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se
no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo.
e) A prcteçà) dos direitos da personalidade não se aplica às pessoas jurídicas.
122
Art. 53

02. (Cespe- Analista do MPU/2013) Acerca da responsabilidade civil, julgue os itens subsecutivos.
Caso o paciente morra em decorrência de ter recebido tratamento médico inadequado, a teoria da perda de
uma chance poderá ser utilizada como critério de apuração da responsabilidade civil por erro médico, de acordo
com entendimento do STJ.
Ainda que demonstrada a ocorrência de ofensa injusta à dignidade da pessoa humana, faz-se necessária a
comprovação da dor e do sofrimento para a configuração de dano moral.

03. (Juiz/TRT/SR/2007/1• etapa- adaptada) Marque a alternativa:


O Direito Cívil estende às pessoas jurídicas a proteção dos direitos da personalidade, no que couber, havendo
possibilidade de, inclusive, sofrer dano moral.

04. (CREMESP- Advogado/2011) Determinada empresa, que comerclaliza uma marca famosa, teve seus produtos
falsificados e colocados no mercado à venda. Diante da violação que atinge sua identidade, a empresa ingressou
com a ação de reparação de danos em face do falsificador.
Em razão desses fatos, assinale a alternativa correta.
a) A empresa somente tem direito a pleitear indenização por danos materiais, correspondente ao que deixou de
lucrar com a venda dos produtos falsificados.
b) Não há danos materiais a serem reclamados e tampouco morais, uma vez que pessoa jurídica não pode reclamar
ofensa a direitos de personalidade.
c) Não há direito civil a ser amparado entre a empresa e o falsificador, uma vez que este tema é afeito à responsa-
bilidade penal.
d) Certos direitos de personalidade são extensíveis às pessoas jurfdicas, e, entre eles, encontra-se a identidade,
podendo a empresa reclamar danos morais.
e) A identidade da empresa não engloba o conceito de honra, protegido juridicamente como direito da persona-
lidade.

lffi!:i 1 e !2 cel3 c I4 D

Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos.
Parágrafo unico. Não há, entre os associados, direitos e obrigações reCíprocos.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Direito de associação. A reunião de pessoas em associações goza de amparo constitucional,
sendo livre a sua criação, independentemente de qualquer autorização estatal, estando o Poder Público
proibido de interferir sem seu funcionamento (art. 5°, incisos XVII e XVIII, CF/88). Em nosso sis-
tema, por conseguinte, a regra é a da intervenção mínima do Estado nas associações, que só poderão
ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas arividades suspensas por decisão judicial (art. 5°, inciso
XIX, CF/88). Vale registrar ainda que embora ninguém possa ser compelido a associar-se ou perma-
necer associado, as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para
representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente (art. 5°, incisos XX e XXI, CF/88).

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 534 - art. 53' As associações podem desenvolver atividade econômica, desde que não haja finali-
dade lucrativa.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

STJ 390 -Pessoa Jurídica. Natureza Filantrópica. Justiça Gratuita. A Corte Especial, por maioria, conheceu dos
embargos e lhes deu provimento, sufragando a tese de que, no caso das pessoas jurídicas sem fins lucrativos,
de natureza filantrópica, benemerência etc.. basta, corno as pessoas físicas, a simples declaração da hipossufi-
ciência coberta pela presunção juris tantum para a concessão da Justiça gratuita. EREsp 1.055.037-MG, Rei. Min.
Hamilton Carvalhido, julgados em 15/4/2009.

123
Art. 53 liiiil!•lil.t}jQJii•t}jiii;JI•Iltfit1
4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (MPE-SP- Promotor de Justiça - SP/2015) Considere o seguinte enunciado: as associações e as fundações
apresentam traços que as aproximam, mas não se confundem, por terem natureza jurídica diversa. Diante disso,
aponte a alternativa que demonstra a verdadeira distinção existente entre elas:
a) As associações têm finalidade lucrativa e as fundações não possuem objetivo de lucro.
b) As associações são pessoas jurídicas de direito privado e as fundações sã? pessoas jurídicas de direito público.
c) As associações não podem exercer atividade econômica e as fundações podem ter atividade rentável.
d) As associações, pelo objetivo social. integram o chamado Terceiro Setor e as fundações, ausente tal propósito,
não desenvolvem ações de interesse social.
e) As associações têm seu elemento principal nas pessoas e as fundações têm seu elemento essencial no património.

02. (Cespe- Analista Judiciário- Direito- TJ- SE/2014) Julgue os itens a seguir, relativos a pessoas, bens e
negócios jurídicos.
Associação é uma pessoa jurídica de caráter pessoal, e sua estrutura está fundamentada em património dedicado
à realização de fins não econômicos.

03. (FMP- Cartório- TJ- MT/2014) Quanto às pessoas jurídicas, assinale a afirmativa correta.
a) Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados serão convertidos em títulos da dívida
pública até que, aumentados com os rendimentos, perfaçam capital bastante.
b) Para criar uma fundação, far-lhe-á o seu instituidor, por instrumento público ou instrumento particular firmado
na presença de cinco testemunhas, e nesta última hipótese o valor do acervo patrimonial não pode ser superior
a quarenta salários mfnimos, dotação especial de bens, especificando o fim a que se destina e declarando, se
quiser, a maneira de administrá-la.
c) Aplica-se a doutrina do disregard legal entity quando, a requerimento dos credores, se constatar a insuficiência
do património da pessoa jurídica para satisfazer obrigações líquidas e certas, vencidas e vincendas.
d) Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos, inexistindo,
entre os associados, direitos e obrigações recíprocos, nem intenção de dividir resultados.
e) Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a elaboração, via escritura pública ou
instrumento particular firmado por duas testemunhas, dos respectivos atos constitutivos.

04. (FCC- Analista Judiciário- Judiciária- TRT 1/2013) A Fundação Juju foi regularmente criada para atuar
no benefício de crianças carentes e está em plena atividade na cidade do Rio de Janeiro. Uma das pessoas
competentes para gerir e representar a Fundação Juju pretende alterar o seu estatuto. Para tanto, a alteração
não pode contrariar o fim da Fundação e, além disso, deverá ser deliberada
a) pela maioria absoluta dos competentes para gerir e representar a fundação e aprovada pelo órgão do Ministério
Público, com possibilidade de suprimento judicial caso este de negue a aprovação.
b) por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação e aprovada pelo ôrgao do Ministério
Público, com possibilidade de suprimento judicial caso este denegue a aprovação.
c) pela maioria simples dos competentes para gerir e representar a fundação e homologada pelo Juiz competente,
após aprovação pelo Ministério Público.
d) pela maioria absoluta dos competentes para gerir e representar a fundação e homologada pelo Juiz competente,
após aprovação do Ministério Público.
e) por todas as pessoas competentes para gerir e representar a fundação e homologada pelo Juiz competente,
após aprovação do Ministério Público.

05. (PROC/TCM/RJ/2008/FGV) A respeito das associações, não é correto afirmar que:


a) são pessoas jurídicas de direito privado.
b) são vinculadas a fins não econômicos.
c) os sócios estabelecem entre si direitos e obrigações.
d) são reguladas por estatutos.
e) permitem a existência de associados com vantagens especiais.

06. (AUD/TCE/SP/2008/FCC) Será possível distinguir uma associação de uma sociedade se aquela:
a) se constituir apenas de pessoas físicas e esta se constituir por pessoas físicas e por pessoas jurídicas.
124
IIW;UIMtf!fjQ§}itf!tt
b) nao possuir bens e esta possuir bens.
c) for institufda por dotação de bens mediante escritura pública ou testamento e esta por um contrato.
d) tiver prazo determinado de existência e esta não tiver prazo determinado de existência.
e) não tiver fins econômicos e se esta tiver fins econômicos.

07. (ANALISTA/TRT/17• Reglão/2009/CESPE) Nas associações, nao há direitos e obrigações recíprocos entre os
associados.

08. (DEF/2009/FCC- adaptada) Considerando as pessoas das associações, assinale:


Entre as pessoas que as constituem inexiste reciprocidade de direitos e obrigações.

09. (DEF/2009fFCC- adaptada) Considerando as pessoas das associações, assinale:


Não têm fim econômico.

10. (Prefeitura Municipal de Nova Iorque/MA- Advogado/2011) Assinale a alternativa incorreta.


a) Se o estatuto de uma fundaçao não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazc.,
em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao Ministério Público.
b) Para que se possa alterar o estatuto de uma fundação é mister que, dentre outras exigências, a reform3 s~ja
deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação.
c) O estatuto de uma associação, necessariamente conterá o modo de constituição e funcionamento dos .:.rgáos
deliberativos e administrativos.
d) Na constituiçao de uma associação, o estatuto poderá instituir categorias de associados com vantagens especiais
sobre outras categorias.
e) Em uma associação, compete privativamente à Assembleia Geral destituir os administradores e alterar o estatt.to.
Bem como a convocação dos órgãos deliberativos far-se-á na forma do estatuto, garantido a 20% (vinte per
cento) dos associados o direito de promovê-la.

11. (FCC - Analista Judiciário - Administrativa - TRT 1/2013) Sobre as associações, de acordo com o C:\dcg:>
Civil brasileiro, é correto afirmar:
a) Compete privativamente à assembleia geral especialmente convocada alterar o estatuto de uma assoe ação,
cujo quórum para aprovação será sempre de, no mfnimo, dois terços dos associados.
b) Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a 'ransferência daque:a não
importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição
diversa do estatuto.
c) A convocação dos órgãos deliberativos far-se-á na forma do estatuto, garantido a um sexto dos assocadcs c
direito de promovê-la.
d)

e)

Art. 54. Sob pena de nUlidade, o estatuto das associações conterá:


i- a denominação, os fins ea sededa·associação;
' . .
11- os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos assoCiados;
111- os direitos e deveres dos associados;
IV- as fontes de recursos para sua manutenção;
V- o modo de constituição e de funcionamento dos Órgãos 'deliberativos; .(Redação dada pela Lei no
11.127, de 2005)
VI- as ~ondiÇÔes para a alteráção das disposiçpes est<Jtutárias e pa(á a ~i~s~(dção.
yu ~a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. (lnclurqo pel~ L~i no 11.127,d~ 2005)
125
Art. 55 liiilllellltlil\jQf}i•J;~Jiil;lltllf;~j

I. BREVES COMENTÁRIOS
Estatuto mínimo. O conteúdo mínimo indispensável ao estatuto para o funcionamento de
uma associação está previsto no art. 54 do CC/02. Como já destacado anteriormente, as associações
caracterizam-se pela união de pessoas sem atividades lucrativas, vale dizer, não existe intenção de
se buscar resultado econêmico para os seus associados. A Assembleia Geral é o órgão máximo na
estrutura organizacional éa Associação.

> í_ . :.'. ',"_·.' __ '·. ":'·:>~·:<·,_'·: ._', ,'. ,-----·>.-:--·,- __ ;. :·._·_ ·:-·.~_-:<<
Art; 5$. Os assodaâc!.d~vern ter iguais direitos, rrias o estat~tcíifii~8e'ráliiÍ~iitUfr:~~tegoiÍá;coíh vahtá-
J .' ..

gens especiais: ' ' , '· i, ..; :(. '

1:
1. BREVES COMENT.'\.RIOS
ji

Distribuição do ônus e do bônus associatiYo. Estas categorias especiais de associados estão
situadas no espaço da aumnomia da vontade dos instituidores da pessoa jurídica c atendem as ne-
cessidades e conveniências do caso concreto, podendo se apresentar sob diversas formas: associados,
remidos, que não pagam ;;.s taxas de manutenção; associados, proprietários, fundadores, beneméritos,
honorários, dentre outras formas.
Atente-se que estas qualidades especiais possuem limitaç,ão lógica, pois é direito básico do as-
sociado votar, ter acesso às estruturas culturais e/ou recreativas. Não se pode criar uma forma de
associado que não tenha estes direitos mínimos, visto que seria de um todo incongruente. Não tendo
direito a isto, o que restaria ao associado, já que não pode ele auferir vantagem de natureza econômica
direta? Daí a restrição.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Juiz/TJ/OFT/2007- adaptada) Analise as proposições e assinale a única alternativa correta.


111. Dada igualdade que deve existir entre os sócios, estatuto de associação instituída para fins desportivos não
pode instituir categoria ::le sócios com vantagens esp?ciais.

Ri:l E I
Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto nãodispusero contrário.'
Parágrafo único: Se o associado for titular de quota ou fração lde~Ldo p~trlmônio (la' associaçiÍ~, a
transferência daqu~la não importará, de per si, na atribuição da.qualidade tlll associado ao a\::lquirente ou
ao herdeiro, salvo dispo:.i~ãó diversa do estatuto. · ·

1. BREVES COMENTÁRIOS
Cotas que não traru5ferem a qualidade de associado. Conforme art. 55, dentre as categorias
especiais de associados podem alguns associados obter cotas que referendam pane do patrimônio
da própria associação. A transferência da quota patrimonial aqui referida, em caso de morte do
seu titular, não importa na atribuição da qualidade de associado, salvo previsão estatutária nesse
sentido. Isto se dá, em razão da larga natureza personalíssima observada nas associações, tanto
assim é que possível se úJrna a criação de uma associação sem qualquer patrimônio afetado, visto
que elas necessitam, basi:;amente, da congregação de vontades direcionadas a fins não econômicos.

Art. 57. A exclusãp é o as~oçiado só é admissível havenqo justa causa, assim reconhecida em procedi-
mento que assegure direito \::IJ! defesa e \::le recurso, nos termos previstos nó estatuto. (Reda~ão dada pela
Lei no 11.127, de 2005) ·

126
Art. 58

1. BREVES COMENTÁRIOS
Exclusão do associado. A associação serve de amparo a um desejo coletivo, em que se busca
manter uma atividade proveitosa a todos, mas de flm não econômico. A liberdade de se associar e de
se manter associado tem natureza constitucional, por isso para que se possa, forçadamente, excluir
alguém, necessário que seja respeitado todo o conjunto de garantias da carta maior, ou seja, o devido
processo legal em rodos os seus aspectos (englobando tanto o contraditório quanto a ampla defesa).

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 280- Arts. 44, 57 e 60. Por força do art. 44, § 2°, consideram-se aplicáveis às sociedades reguladas pelo
livro 11 da Parte Especial, exceto às limitadas, os arts. 57 e 60, nos seguintes termos: (a) Em havendo previsão contra-
tual, é possível aos sócios deliberar a exclusão de sócio por justa causa, pela via extrajudicial, cabendo ao contrato
disciplinar o procedimento de exclusão, assegurado o direito de defesa, por aplicação analógica do art. 1085; (b) As
deliberações sociais poderão ser convocadas pela iniciativa de sócios que representem 115 (um quinto) do capital
social, na omissão do contrato. A mesma regra aplica-se na hipótese de criação, pelo contrato, de outros órgãos de
deliberação colegiada.

Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido legi-
timamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na lei ou no estatuto.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Alcance do estatuto. O estatuto é a lei maior da associação, mas nem mesmo este ato constitutivo
pode suprimir os direitos básicos de um associado, ligados à estrutura da associação. Nenhum estatuto
está acima dos direitos e deveres fundamentais garantidos no texto constitucional e na legislação infra-
constitucional. As limitações aqui mencionadas podem derivar de penalidades, como a suspensão de uso
de certas áreas, aplicação de multas etc. Recomenda-se interpretação em conjunto com os arts. 55 e 57.

Art. 59: Compete privativamente à assembleia geral: (Redação da~a pela Lej no 11.127, de 2005)
I- destituir os administradores; (Redação dada pela lei no 11.127, de 2005)
11- alterar o estatuto. (Redação dada pela lei no 11.127, de 2005)
Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e 11 deste artigo é exigido deliberação
da assembleia especialmente convocada para esse fim, cujo quórum será o estabelecido no estatúto, bem
como os critérios de eleição dos administradores. (Redação dada pela lei no 11.127, de 2005)
Art. 60. A convotaçãodos órgãos deliberativos far-se-á na forma do estatuto, gàrantido a 1/5 (um quinto)
dos associados o direito de promovê-la. (Redação dada pela lei n• 11.127, de 2005)

1. BREVES COMENTÁRIOS
Formas de quóruns. Importante observar, em relação aos dispositivos em análise, que para o fun-
cionamento de uma associação e a instalação de reuniões ou asscmbleias entre seus associados existem,
pelo menos, três quóruns possíveis: (a) o quórum ele convocação, baseado, na omissão do estatuto, em
1/5 (art. 60); (b) quórum de instalação, não definido legalmente, mas necessário para que se iniciem os
trabalhos de uma assembleia; (c) quórum de deliberação, também não estabelecido em mínimo legal,
e que pode vir diferenciado para primeira e segunda convocação. No cotidiano, há de se atentar para a
possibilidade de representação por procurador legalmeme habilitado para participação em assembleias,
o que interfere na aferição de existência de número de associados para início dos trabalhos.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 577 - A possibilidade de instituição de categorias de associados com vantagens especiais admite
a atribuição de pesos diferenciados ao direito de voto, desde que isso não acarrete a sua supressão em relação
a matérias previstas no art. 59 do CC.
127
Art. 61 liiill!eiiM•f$iRti\1•f$JIIi;ll•ll§i
~ Enunciado 280- Arts. 44, 57 e 60. Por força do art. 44, § 2•, consideram-se aplicáveis às sociedades reguladas
pelo Livro 11 da Parte Especial, exceto às limitadas, os arts. 57 e 60, nos seguintes termos: (A) Em havendo previsão
contratual, é possfvel aos sócios delibérar a exclusão de sócio por justa causa, pela via extrajudicial, cabendo
ao contrato disciplinar o procedimento de exclusão, assegurado o direito de defesa, por aplicação analógica
do art. 1085; (B) As deliberações sociais poderão ser convocadas pela iniciativa de sócios que representem 1/5
(um quinto) do capital social, na omissão do contrato. A mesma regra aplica-se na hipótese de criação, pelo
contrato, de outros órgãos de deliberação colegiada.

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (lESES- Cartórios- TJ- MS/2014) No caso das associações civis, compete privativamente à assembleia geral:
I. Indicar o conselho fiscal.
11. Destituir os administradores.
111. Alterar o estatuto.
IV. Contrair financiamentos em nome da associação. A sequência correta é:
a) Apenas as assertivas 11 e 111 estão corretas.
b) Apenas as assertivas I e IV estão corretas.
c) Apenas a assertiva 111 está correta.
d) As assertivas I, 11, 111 e IV estão corretas.

02. (UEL- Delegado de Polícia- PR/2013) Com relação ao que dispõe o Código Civil acerca das Pessoas Juridicas,
considere as afirmativas a seguir.
I. São pessoas jurfdicas de direito privado as associações, as sociedades, as fundações, as organizações religiosas,
os partidos políticos e as empresas individuais de responsabilidade limitada.
11. A exclusão do associado só é admissível se for verificada uma justa causa, assim reconhecida em procedimento
que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos em seu estatuto.
111. As associações são constituídas mediante ato formal e por escritura pública pela união de pessoas que se orga-
nizem para fins não econômicos. O ato constitutivo determina aos associados direitos e obrigações reciprocas.
IV. A criação de uma fundação depende de um conjunto de fatores, a saber: união de pessoas sem fins lucrativos,
existência de patrimônio que dê suporte para suas ações e um instrumento particular, subscrito e elaborado
pelo advogado.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e 11 são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas 111 e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, 11 e 111 são corretas.
e) Somente as afirmativas 11,111 e IV são corretas.

03. (OEF/2009/FCC- adaptada) Considerando as pessoas das associações, assinale:


A competência para promover modificações no estatuto é da assembleia geral.

:c:.,:d:,p:======A=====2====A===-- ___ c1
Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio lfquido, depois de deduzidas, se
for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de
fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição
municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes:
§ 1• Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da
destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as
contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação.
§ 2° Não existindo no Munidpio, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver
sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à
Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União.

128
IIW;Itii•MJRtii"!~J Art. 62

1. BREVES COMENTÁRIOS
Destinação do patrimônio em caso de dissolução. Dissolvida a associação, o remanescente
do seu patrimônio líquido será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto,
ou, omisso este, por deliberação dos associados, a instituição municipal, estadual ou federal, de fins
idênticos ou semelhantes (art. 61).
Anote-se também que se aplicam, subsidiariamente, as disposições concernentes às associações,
às sociedades, nos termos do que disciplina o art. 44, § 2°, do CC/02.

2. ENUNCIADOS DE JORNADAS

Enunciado 407- Art. 61: A obrigatoriedade de destinação do patrimônio liquido remanescente da associação
à instituição municipal, estadual ou federal de fins Idênticos ou semelhantes, em face da omissão do estatuto,
possui caráter subsidiário, devendo prevalecer a vontade dos associados, desde que seja contemplada entidade
que persiga fins não econômicos.

3. QUESTÓES DE CONCURSOS

01. (DEF/2009/FCC- adaptada) Considerando as pessoas das associações, assinale:


Quando da dissolução e liquidação, os valores remanescentes de recursos são destinados a outras entidades
de fins idênticos ou semelhantes.

02. (DEF/2009/FCC- adaptada) Considerando as pessoas das associaÇões, assinale:


Sujeitam-se à dissolução compulsória através de decreto de prefeito, governador de estado ou do presidente
da república, conforme com a extensão da área em que atuam.
c I 2 E

~CAPÍTULO 111 -DAS FUNDAÇÕES


Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura púbiica ou testamento, dotação es-
pecial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se qúiser, a maneira de administrá-la.
Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de: (Redação dada pela lei no 13.151, de 2015}
I- assistência social; (lnclufdo pela lei no 13.151, de 2015}
11- cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico eartfstico; (Incluído pela lei no 13.151, de 2015)
111- educaç~o; (Incluído pela lei no 13.151, de 2015}
IV- saúde; (Incluído pela lei no 13.151, de 2015)
V- segurança alimentar e nutricional; (lnclufdo pela lei no 13.151, de 2015}
VI- defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável;
(Incluído pela lei no 13.151, de 2015}
VIl - pesquisa cientffica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de
gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; (lnclufdo pela Lei
no 13.151, de 2015)
VIII - promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos; (Incluído pela Lei no
13.151, de 2015}
IX- atividades religiosas; e (lnclufdo pela lei no 13.151, de 2015}
X- (VETADO}. (Incluído pela lei no 13.151, de 2015)

1. BREVES COMENTÁRIOS
Forma de criação das Fundações Privadas. Pode-se definir uma fundação como um patrimô-
nio que foi afetado, vale dizer, destinado a uma finalidade específica pela vontade de seu instituidor,
manifestada por ato inter vivos (escritura pública de dotação de bens) ou mortis causa (testamento).
129
J.rt.62 liiiiJ!•III•ij~jQ§}itl$jllldi•11§1

':'erceba-se, então, que esta espécie de pessoa jurídica não é formada por pessoas naturais. Resume-se
a um conjunto de bens reunido por ato unilateral do instituidor, cuja aquisição de personalidade
exige a observância de duas fases distintas. Inicialmente cria-se a fundação com a definição dos bens
a serem destinados à finalidade escolhida pelo instituidor, o que se denomina ato de instituição; em
seguida, elabora-se o estatuto que disciplinará seu funcionamento.
Atuação do legislador em prol de maior elasticidade nos fins da fundação. Segundo o disposto,
anteriormente, no parágrafo único do art. 62, tão só se poderia constituir uma fundação para fins religiosos,
morais, culturais ou de assistência. No entanto, existia enunciado do CJF que apontava no sentido de que
a enumeração não .>eria taxativa, isto é, não seria exaustiva, permitindo-se outras finalidades, desde que
excluídas as fundações com fins lucrativos (Enunciado n° 9). A compreensão, ao ver deste trabalho, deve
co::1tinuar sendo a mesma, mas a lei 13.151/2015, aproximando o dispositivo da realidade social, ampliou
o rol, passando a abarcar outras finalidades que também podem ser alcançadas pela forma fundacional.
Contudo, mesmo sendo ampliado o rol, não há fundamentos para que se afaste a visão de que tais finali-
dades, apresentadas em lista, são meramente exemplificativas, podendo a inteligência humana apresentar
outras possibilidades além das reconhecidas. Logo, mesmo estando fora da lista, mas desde que respeitado
o espírito de atuação e relevo social, não há impedimento para a adoção de outros fins.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

• Enunciado 8° -Art. 62, parágrafo único: a constituição de fundação para fins científicos, educacionais ou de
promoção do meio ambiente está compreendida no CC, art. 62, parágrafo único.

Enunciado 9° -Art. 62, parágrafo único: o art. 62, parágrafo único, deve ser interpretado de modo a excluir
apenas as funda·;ões com fins lucrativos.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

STF 438- Criação de Fundação e Inexigibilidade de Autorização por Lei O Tribunal concedeu mandado de segu-
rança impetrado pelo Banco do Brasil para anular decisão do Tribunal de Contas da União que fixara o prazo de
180 dias para que o impetrante providenciasse, junto ao Presidente da República, o encaminhamento de projeto
de lei ao Congresso Nacional para formalizar a criação da Fundação Banco do Brasil - FBB, em face do disposto
no art. 37, XIX, da CF e do art. 2°, a, do Decreto-lei 900/69 {"Art. 2° Não serão instituídas pelo Poder Público novas
fundações que náo satisfaçam cumulativamente os seguintes requisitos e condições: a) dotação específica de
património, gerido pelos órgãos de direção da fundação segundo os objetivos estabelecidos na respectiva lei de
criação;"). Entendeu-se que, em razão de a FBB ter sido instituída em 16.5.86, o art. 37, XIX e XX da CF/88 e a Lei
7.596/87- que alterou o Decreto-lei 900/69-, por serem posteriores, não seriam a ela aplicáveis. Quanto ao art. 2°,
a, do Decreto-lei 900/69, considerou-se que, apesar de vigente à época da instituição da FBB, somente alcançaria
as fundações instí:uídas pelo Poder Público integradas no âmbito da Administração, desempenhadoras de função
desta, ou seja, 'undações públicas. Asseverou-se que a inserção dessas fundações no quadro da Administração
Indireta veio a ocorrer, nos termos do disposto no art. 1° do Decreto-lei 2.299/86 e no art. 1° da Lei 7.596/87, tendo
o último previsto a instituição de fundação pública para o desenvolvimento de atividades estatais "que não exijam
execução por órg3os ou entidades de direito público". Com base nisso, concluiu-se que a FBB, por perseguir fina-
lidades privadas e não atividade própria de entidade da Administração Indireta federal, não estaria incluída entre
aquelas referidas pelo art. 2° do Decreto-lei 900/69. Esse preceito também seria inaplicável ante a circunstância de
o Banco do Brasil não estar abrangido pela expressão "Poder Público" nele contida. Por fim, reputou-se inexequível
a exigência dirigida ao Banco do Brasil, na medida em que dependente de ato positivo do Presidente da República.
Os Ministros Cá-men Lúcia e Joaquim Barbosa acompanharam o relator quanto à conclusão, não se comprometendo
com a tese acerca da natureza jurídica da FBB. MS 24427/DF, rei. Min. Eros Grau, 30.8.2006. {ADI-24427)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FEPESE- Promotor de Justiça- SC/2014) Analise o enunciado da questão abaixo e assinale se ele é falso ou
verdadeiro:
{ ) Para criar uma fundação, o seu instituidor, fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens
livres, especificar,do o fim a que se destina, e devendo declarar, no ato de instituição, a maneira de administra-la.

130
lli9;J•IM•b~iRtii•t!J\j Arl. 63

02. (Cespe- Cartório- TJ-DFT/2014} Em relação à forma de constituição, aquisição de personalidade jurídica,
controle e extinção das fundações, assinale a opção correta.
a) No atual Código Civil, não se admite revogação de fundação, por testamento posterior, para a instituição de
herdeiro.
b) As fundações públicas com personalidade de direito privado ingressam no mundo jurídico mediante autorização
legislativa, enquanto as fundações de direito privado adquirem personalidade por melo de inscrição de seu estatuto
no registro civil das pessoas jurídicas, podendo ambas serem extintas por decisão da maioria de seus membros.
c) As fundações instituídas como autarquias pelo poder público estão sujeitas ao controle financeiro e orçamentário
do MPF e dos MPs estaduais, conforme o âmbito de sua atuação.
d) Pode-se instituir fundação, como disposição de última vontade, por testamento público, cerrado ou particular,
observados, em cada caso, os requisitos legais.
e) A escritura pública firmada pelo instituidor da fundação não pode ser retificada no que diz respeito à composição
dos órgãos de administração.

03. (PROC/TCM/RJ/2008/FGV} A fundação pode ser criada por:


a) testamento.
b) escritura particular.
c) documento levado a registro no Cartório de Títulos e Documentos.
d) escritura pública.
e) testamento e escritura pública.

04. (MP/RN/2009/CESPE- adaptada) No que concerne a fundações, bens, obrigações, casamento, direito real e
sucessório, assinale a opção correta.
Pode ser criada uma fundação por meio de testamento particular mediante dotação de bens livres, determinando-
-se o fim a que se destina e, facultativamente, o modo de administrá-la.

'dl' 1 F I2 D I3 E 4 c I
Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados serão, se de outro modo
não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Insuficiência de bens para a criação. É comum que seja cobrado em concursos esta regra,
devendo-se atentar que não há necessidade de igualdade de fins, bastando sejam semelhantes. Com
isso, caberá ao Ministério Público apontar entidade que preencha, a partir do desejo do instituidor,
os requisitos de similaridade. Não existe previsão legal quanro ao que deve ser feito na hipótese de
não existir nenhuma fundação com finalidade semelhamc à da que está sendo extinta. Caio Mário
da Silva Pereira entende que nesta situação devem-se aplicar as regras relativas à herança vacante, que
implicam transferência dos bens para o Estado, ex vi do disposto no art. 1.822 do CC/02.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (TRE/RN- Técnico Judiciário- Area Administrativa/2011) Quando insuficientes para constituir a fundação,
os bens a ela destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor,
a) destinados à União.
b) incorporados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante.
c) destinados ao Estado onde estiverem localizados.
d) destinados ao Município onde estiverem localizados.
e) a família deverá dar a destinação adequada.

iffii:i 1 B I
131
Art. 64 liiill!•lil•f$jQf}i•fltjlii;JI•IItf!t1

Art; 64. Constitufda a fundação por negócio jurfdico entre vivos, o instituidor é obrigado a transferir-lhe
a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em nome
dela, por mandado judicial.

l. BREVES COMENTÁRIOS
Personalidade da Fundação e do Instituidor. Por ser uma uníversitas bonorum, a personalidade
jurídica da fundação não deve ser confundida com a de seu instituidor, não tendo ele, em regra, uma
vez criada, qualquer ingerência sobre a fundação. Somente o terá se, sendo vivo, vier a presidi-la ou
integrar um de seus conselhos, nos termos do que for definido no estatuto. O conselho administrador,
ou outro órgão que se assemelhe, deverá cuidar para que a pessoa jurídica instituída tenha meios de,
a partir do patrimônio inicial, manter e/ou ampliar sua atuação. Assim, é este patrimônio base que
servirá de referência. Sobre o tema ver ainda o disposto no art. 63.

Art. 65. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo ciência do encargo,
formularão logo, de acordo com as suas bases (art. 62), o estatuto da fundação projetada, submetendo-o,
em seguida, à aprovação da autoridade competente, com recurso ao juiz.
Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não h~vendo
prazo, em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao Ministério Público.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Atuação do Ministério Público. O estatuto que disciplina o funcionamento da fundação ne-
cessita de aprovação do Ministério Público para poder ser levado a ser registrado no Cartório de
Registro de Pessoas Jurídicas. Só após tal providência é que a fundação adquire personalidade c todos
os direitos e deveres a ela inerentes. O Ministério Público não é competente apenas para aprovar o
estatuto da fundação, mas também para indicar modificações que julgar necessárias ou até mesmo
para denegar sua aprovação ou eventual alteração que se mostre necessária para que ela continue
atingindo os fins estabelecidos pelo instituidor.
Em qualquer das hipóteses mencionadas, é possível requerer ao juiz o suprimento de cal aprova-
ção. A finalidade da fundação não pode ser modificada, nem mesmo por vontade unânime de seus
dirigentes, do mesmo modo que é vedada, por qualquer forma, a alienação dos seus bens, "porque
ma existência é que assegura a concretiztlçáo dos fins visados pelo instituidor" (GONÇALVES, Carlos
Roberto. Direito Civil Brasileiro, vol. I, 4a cd. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 207).

FARIAS & ROSENVALD (Curso de Direito Civil. v.I, 2012. p. 408 sintetizam roda a elaboração
das Fundações nas seguintes fases: (a) fase de dotação ou de instituição; (b) fase de elaboração dos
estatutos; fase de aprovação dos estatutos pela autoridade; (d) fase de registro.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Vunesp- Cartório- TJ- SP/2014) A respeito das pessoas jurídicas, conforme disposição expressa prevista
no Código Civil, é correto afirmar:
a) no geral, as pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes
que, nessa qualidade, causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano
apenas em caso de dolo ou fraude.
b) aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo ciência do encargo, formularão logo,
de acordo com as suas bases, o estatuto da fundação projetada, submetendo-o, em seguida, à aprovação do
Ministério Público, com recurso ao juiz.
c) começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a formalização, por instrumento particular,
do contrato social ou estatuto, uma vez que o registro, neste caso, é meramente declaratório.
132
Art. 66

d) em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimo-
nial, pode o juiz decidir, de offcio, a requerimento da parte, ou do Ministério Público, mesm:> quando não lhe
couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos
aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.

Art. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas.
§ 1° Se funcionarem no Distrito Federal ou em Território, caberá o encargo ao Ministério Públicó do
Distrito Federal e Territórios. (Redação dada pela lei no 13.151, de 2015) ·
§ 2° Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo1 em cada um deles, ao res:
pectivo Ministério Público.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Ministério Público dos Estados. Competência. O art. 66 do CC/02 dispõe que compete ao Minis-
tério Público do Estado a atribuição de fiscalizar a atuação das fundações, não obstante c § 1° do referido
dispositivo atribuía ao Ministério Público Federal tal encargo em relação às fundações em funcionamento
no Distrito Federal. Após o julgamento da ADIN 2.794-8, consolidou-se o entendimento de que a atri-
buição do MP do local de velar pelas fundações não exclui a necessidade de fiscalização de tais pessoas
pelo MPF nos casos de fundações instituídas ou mantidas pela União (incluindo autarquias e empresas
públicas federais) ou que desta recebam recursos. A lei 13.151115, vigente desde o dia 28/07/2015, realinhou
a redação à determinação do STF e à compreensão doutrinária, consolidando a atribuição do MPDFT.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 10- Art. 66, § 1°: em face do principio da especialidade, o art. 66, § 1°, ceve ser interpretado em
sintonia com os arts. 70 e 178 da LC no 75/93.

Enunciado 147- Art. 66: A expressão "por mais de um Estado", contida no § 2° do ar!. 66, não exclui o Distrito
Federal e os Territórios. A atribuição de velar pelas fundações, prevista no art. 66 e seus pará9rafos, ao MP local
- isto é, dos Estados, DF e Territórios onde situadas - não exclui a necessidade de fis:alização de tais pessoas
jurídicas pelo MPF, quando se tratar de fundações instituídas ou mantidas pela União, autarquia ou empresa pú-
blica federal, ou que destas recebam verbas, nos termos da Constituição, da LC no 75/93 e da Lei de Improbidade.

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01, (CEFET- Promotor de Justiça- BA/2015) Conforme o artigo 62 do Código Civil Brasile ro, para criar uma
fundação far-lhe-á o seu instituidor, por escritura pública ou testamento, dotação especial d~ bens livres, espe-
cificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. Sobre o papel do Ministério
Público em relação às fundações, é CORRETO afirmar que:
a) Como se trata de ato vontade, com base no princípio que assegura a todo cidadão maior e capaz autonomia
para a prática de ato jurídico, não cabe qualquer intervenção do Ministério Público.
b) Quando a criação da fundação decorre de lei, cabe a intervenção do Ministério Públi-:o.
c) Para criação de uma fundação é obrigatória a intervenção do Ministério Público.
d) Para a criação de uma fundação de direito privado não é imprescindível a intervenção do Ministério Público.
e) Caberá a intervenção do Ministério se o instituidor criar a fundação através de escritura pública.

02. (AGU/Procurador/2007). A propósito da veladuradas fundações pelo Ministério Público, julgue os itens seguintes.
Se uma fundação estender suas atividades por mais de um estado, independentemente de ser federal ou esta-
dual, sua veladura caberá ao Ministério Público Federal.
De acordo com o STF, cabe ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios velar pelas fundações públicas
e de direito privado em funcionamento no DF, sern prejuízo da atribuição, ao Ministério Público Federal, da
veladura das fundações federais de direito público que funcionem, ou não, no DF ou nos eventuais territórios.
iitJ:i 1 c 2 E, c I
133
Art. 67 '''''''•'ll•t!\1Pti\i.t}flll;11tllif!ti
!\rt~ 67. Para qu~ se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a,réf9rrn~:
1- seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação;
11- não contrarie ou desvirtue o fim 'desta;
111- seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) dias, findo
o qual ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz suprl:la, a requerimento do interessado.
(Redação dada pela Lei n° 13.151, de 2015)

1. BREVES COMENTÁRIOS
Alteração do Estatuto. Requisitos. O dispositivo em análise destaca a importância de se pre-
servar e respeitar a vontade do instituidor. O poder reformador dos estatutos está condicionado à
existência, de modo cumulativo, os requisitos indicados no esquema abaixo:

213 dos
representantes o Respeito à
finalidade o Anuência
do MP
Alteração do
estatuto

A Lei 13.151/2015, buscando evitar que os pedidos de alteração estatutária fluíssem de forma
incerta e sem prazo, estabeleceu o prazo de 45 dias para a m'lnifestação do MP, presumindo a nega-
tória em caso de transcurso in albis. Seja com a negativa direta, seja por presunção, a parte interessada
poderá recorrer ao Judiciário para ver reconhecida a alteração proposta.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FMP- Cartório- TJ- MT/2014) No que diz com as pessoas jurídicas, assinale a afirmativa correta.
a) O ato de dotação ou instituição de uma fundação, que compreende a reserva ou a destinação de bens livres,
com a indicação dos fins a que se destinam e a maneira de administrá-los, somente pode ser feito por ato inter
vivos, mediante escritura pública.
b) Se a pessoa designada pelo instituidor não elaborar o estatuto no prazo de 180 dias, o Ministério Público deverá
ajuizar ação civil pública objetivando destinar os bens instituídos a outra fundação que se proponha a fim igual
ou semelhante.
c) A regularização da sociedade de fato, com o registro de seu ato constitutivo, produz efeitos pretéritos, retroa-
gindo estes ao período anterior, em que permaneceu como sociedade irregular.
d) Compete privativamente à assembleia geral nas associações, independentemente do que dispuser o estatuto,
como expressão máxima do espírito democrático que deve animar as pessoas jurídicas de tal natureza, eleger
os administradores pelo voto direto e secreto.
e) Os fins e os objetivos da fundação, depois de instituída, não podem ser modificados nem mesmo pela vontade
unânime de seus di'igentes.

02. (MP/CE/2009/FCC) A alteração de estatuto de uma fundação depende de que a reforma seja deliberada:
a) por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação, mas se a alteração não houver sido apro-
vada por votação unânime, os administradores da fundação, ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério
Público, requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la, se quiser, em dez dias.
b) pela maioria absoluta dos competentes para gerir e representar a fundação e de que seja aprovada pelo órgão
do Ministério Público, e, caso este a denegue, poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado.
c) pela unanimidade dos competentes para gerir e representar a fundação, dependendo porém sua eficácia de
(i
aprovação pelo órgão do Ministério Público.
li
li
d) por três quartos dos competentes para gerir e representar a fundação, mas somente se a deliberação não for
I! unânime deverá ser aprovada pelo órgão do Ministério Público, e, caso este a de negue, poderá o juiz supri-la,
ili a requerimento do interessado.
li e) pela unanimidade dos competentes para gerir e representar a fundação, se a alteração contrariar o fim desta.
,rI'
134
Art. 68

03. (Fundação Casa- Analista Administrativo/Advogado/2011) Para que se possa alterar o estatuto de uma
fundação, é necessário que a reforma
a} recaia sobre fundação cujo prazo de existência é previamente definidc.
b} recaia sobre estatuto que não tenha sido elaborado pelo instituidor.
c) seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação.
d) mantenha somente os fins para os quais foi constituída, que poderão ser religiosos ou de assistência.
e) não aprovada por unanimidade seja comunicada à minoria, para impugná-la, se quiser, no prazo de cinco dias.

h·'·' 1
E I 2 A I 3 c

Art; 68. Quan~o a alteração não houver sido aprovada por votação unânime, os administradores da
fundação, ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público, requererão que se dê ciência à minoria
venCida para impugná-la, se quiser, em dez dias.

L BREVES COMENTÁRIOS
Direito da minoria dos administradores. Aqui um pomo interessante, a decisão não poderá
aplicar qualquer regra de quebra de affictio, visto que as fundações não estão ligadas à pessoas, mas
sim são um patrimônio afetado, ao qual o sistema legal atribui personalidade. A minoria poderá, sim,
demonstrar a lesividade do ato, de modo a evitar-se uma ação ruinosa para a Fundação. Atente-se
que o prazo é decadencial.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Procurador Judicial- Pref. Mun. Serra Negra/SP) Segundo o artigo 68 do CC, quando a alteração não houver
sido aprovada por votação unânime, os administradores da fundação, ao submeterem o estatuto ao órgão do
Ministério Público, requererão que dê ciência à minoria vencida para impugná-la, se quiser, em:
a) 15 dias.
b) 5 dias.
c) 48 horas.
d) 10 dias.

Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo
de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção,
incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto,
em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Responsabilidade pela dissolução. Vencido o prazo de su:1 existência ou se a finalidade a que
visa a fundação se rornar ilícita, impossível ou inútil, determina o an. 69 do Código vigente que o
órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promowrá a extinção, incorporando-se o
seu patrimônio, salvo disposição em contrário no ato constinuivu ou no estatuto, a outra fundação,
designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelham''·

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (MPE/PR- Promotor Substituto/2011). Acerca das fundações, assinale a alternativa correta:
a) tratando-se de fundação instituída mediante testamento, a incumbéncia de elaborar os estatutos respectivos
será sempre do Ministério Público, salvo se o próprio instituidor já os tiver elaborado,
135
Art. 70

b) o veto do Ministério Público a uma alteração que tenha sido realizada no estatuto de uma fundação somente
admitirá suprimento judicial se a decisão houver sido tomada pela unanimidade dos administradores da fun-
dação.
c) ao Ministério Público Federal cabe, com exclusividade, velar por todas as fundações que funcionarem no Distrito
Federal ou em mais de um Estado-membro.
d) constatando o desvio de finalidade por parte da fundação, deverá o Ministério Público promover sua extinção,
sendo que o patrimônio da fundação extinta será sempre atribuído ao Estado-membro em que ela tiver sua
sede.
e) a fundação pode ser constituída por prazo determinado, sendo que, vencido tal prazo, terá o Ministério Público
a legitimidade para lhe promover a extinção.

02. (UEL- Delegado de Polfcia- PRI2013) Sobre as Pessoas Jurídicas, nos moldes estabelecidos pelo vigente
Código Civil, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
() A União, os Estados, o Distrito Federal, os Territórios, os Municípios, as autarquias e as associações públicas são
consideradas pessoas jurfdicas de direito público interno.
() Em todos os casos em que a pessoa jurídica de direito privado tiver administração coletiva, como é o caso das
associações, a Lei prevê um prazo prescricional de dois anos para se obter a nulidade das decisões eivadas de víc1o.
() As associações, as sociedades, as fundações, as organizações religiosas e as empresas individuais de responsa-
bilidade limitada, também conhecidas como EIRELis, são pessoas jurídicas de direito público interno.
() Em caso de dissolução de uma associação, o remanescente de seu patrimônio liquido pode ser destinado a uma
outra entidade de natureza associativa, se isso foi previamente designado em seu Estatuto.
() Famoso artista, mediante instrumento particular registrado em serventia de títulos e documentos, constituiu
uma fundação, mas não transferiu os bens imóveis. O Ministério Público pode promover ação para obrigar a
transferência.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
a) V, V, F, F, F.
b) V, F, V, V, F.
c) F, V, V, F, V.
d) F, V, F, F, V.
e) F, F, V, V, F.
2

HÍTULO 111- DO DOMICÍLIO


Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Conceito de domicílio. Diferenciações. Residência e Habitação. Denomina-se domicílio o
lugar que pode ser caracterizado como a sede jurídica dos negócios c interesses da pessoa. É onde
ela se presume presente, pois é o espaço físico no qual habitualmente celebra atos jurídicos, encontra
amigos e parentes, guarda seus pertences pessoais etc. Não sendo só um centro de negociações, mas
também familiar e social, para onde se dirigem convites, canas, extratos bancários, revistas e comas
de consumo.
Para melhor compreensão do conceito de domicílio, é necessário distingui-lo das noçôes de ha-
bitação e residência. O mero local que serve transitoriamente para moradia denomina-se habitação
(período de hospedagem num quarto de hotel ou aluguel de uma casa na praia para passar as férias,
por exemplo). Prepondera nesta noção seu caráter acidental ou transitório, ou seja, não existe intenção
de permanência, ao contrário, a ocupação do espaço físico é episódica, vale dizer, eventual.

Já a residência seria um estágio intermediário enrre a habitação e o domicílio, do qual, embora exis-
ta intenção de permanência, pode o indivíduo ausemar-se temporariameme. Ressalte-se que enquanto
as noções de habitação e residência pertencem ao mundo dos f.:tos, baseando-se primordialmente
136
'''''d·••·6t14§$1.tt\j Arl 70

num elemento material (lugar), o conceito de domicílio tem natureza jurídica, exigindo para sua
configuração, além do elemento material (objetivo)- residência-, um elemento imaterial (subjetivo),
que pode ser definido como intenção de permanência.

Especial
(de eleição)

Incapaz-
Ocasional menor, tutelado
-aparente ou curatelado
{lugar onde encon- (o mesmo do seu
trado, já que não representante Servidor público
existe residência ou assistente) (o lugar em que
habitual- art. 73) exercer perma-
nentemente
suas funções)

Fonte: EHRHARDT JR., Marcos. Direito Civil- Parte Geral e LINDB. 2.ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2011.

2. ENUNCIADOS DE JORNADAS

Enunciado 408- Arts. 70 e 7° da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro: Para efeitos de interpretação
da expressão "domicílio" do art. 7° da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, deve ser considerada,
nas hipóteses de litígio internacional relativo à criança ou adolescente, a residência habitual destes, pois se trata
de situação fática i'lternacionalmente aceita e conhecida.

3. QUESTÓES DE CONCURSOS

01. (UESPI- Delegado de Polícia- Pl/2014) Acerca do domicílio, assinale a opção CORRETA.
a) Rejane possui um filho, Lutero, que é incapaz. Lutero está em Fortaleza com sua tia, pode·se afirmar ou e o
domicílio de Lutero é Fortaleza, porque o domicílio do incapaz é o do local onde se encontra.

137
Arl71 lliill!•llll.t•I•UIMilijlllsl
b) As partes contratantes podem especificar, nos contratos celebrados por escrito, o domicilio onde serão exercidos
os direitos e obrigações resultantes dos mesmos, a es:e domicilio chamamos de domicilio de eleição.
c) Agostinho vive em Parnaíba, e passa férias em Teresina. Écorreto dizer que o domicílio de Agostinho é Teresina.
d) Célia vive alternativamente em Altos e Campo Maior, sabendo que Altos é o primeiro domidlio de Célia, pode-se
afirmar que somente Altos é seu domicílio.
e} Maria estabeleceu sua residência com ânimo definitivo em Teresina, pode-se dizer então que Teresina é o do-
micilio de Ma ria.

02. (Juiz/TRT/11R."2007/I FASE/FCC) José, servidor público federal, sendo proprietário de um imóvel na cidade de
São Paulo, alugou-o para Antônio. Findo o prazo contratual e tendo de mudar-se para aquela cidade em razão
de transferênda, onde proverá cargo efetivo, que deseja exercer durante dois anos, tempo suficiente para obter
sua aposentacloria, o locador notificou o locatário, para desocupar a casa. Neste caso, a notificação do locador:
a) constitui ato j·Jridico e José terá apenas residência em São Paulo, mas não terá domicílio.
b) e a fixação do domicilio constituem ato jurídico e o domicílio de José será voluntário.
c) constitui ato jurídico, mas não é negócio jurídico e José terá domicílio necessário em São Paulo.
d) e a fixação do domicílio constituem, respectivamente, negócio jurídico e ato jurídico, e José terá domicílio
voluntário.
:) e a fixação do domic!lio constituem, respectivamente, ato jurídico e negócio jurídico e José terá domicflio
volunt!lrio en São Paulo.

03. (ANALISTA/TRT/17• Região/2009/CESPE) O domicílio voluntário da pessoa natural poderá subsistir ante a
superveniên:ia do domicílio legal ou necessário.
GJ:i , E I 2 c I 3 c

Art. 71. Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-
·se-á domicilio seu qualquer delas.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Obrigatoriedade do domicílio. O Brasil segue a teoria da obrigatoriedade de domicílio, aceitando
a pluralidade ào mesmo. Desta forma, criam-se meios de presunção do domicílio, quando este não
está claro ou patente. Contudo, a adoção desta forma de pluralidade esbarra no problema de determi-
nabilidade, solucionado no presente artigo. Qualquer dos domicílios poderá ser utilizado, em havendo
pluralidade. Alente-se que certas formas domiciliares são específicas, devendo preferir as demais, como
as inerentes a certo contrato. Sobre o tema ver a LINDB, especialmente arts. 7 a 12, quer versam sobre
a aplicação das normas no espaço, relacionando-se ainda com a fixação da competência processual.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STF 483 - Ê dispensável a prova da necessidade, na retomada do prédio situado em localidade para onde o
proprietár' :l pretende transferir residéncia, salvo se mantiver, também, a anterior, quando dita prova será exigida.

3. QUEST.\0 DE CONCURSO

01. (FCC- Analista Judiciário- Area Judiciária- TRT 2/2014) José Silva possui residências em São Paulo, onde
vive no•Je meses por ano em razão de suas atividades profissionais, bem como em Trancoso, na Bahia, e em São
Joaquim. Santa Catarina, onde alternadamente 'liVe nas férias de verão e inverno. São seus domicílios
a) qualquer •Jma dessas residências, em São Paulo, Trancoso ou São Joaquim.
b) apenas a residência que José Silva escolher, expressamente, comunicando formalmente as pessoas com quem
se relaci01e.
c) apenas a residência em que José Silva se encontrar no momento, excluídas as demais no período correspondente.
d) apenas São Paulo, por passar a maior parte do ano nessa cidade.
e) apenas Siío Paulo, por se tratar do local de suas atividades profissionais.
Art. 72

02. (DEF/PUB/ES/2009/CESPE) De acordo com o Código Civil, julgue os itens seguintes.


No que concerne a domicílio, é correto afirmar que, tendo uma pessoa natural vivido sucessivamente em diversas
residências, qualquer uma delas será consider~da como domicilio seu.

A I 2 E

Art. 72. t. também domicilio da pessoa natural, quanto às relações concern.Eintes à profissão, o lugar
onde esta é exercida.
Parágrafo único. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um deles constituirá dÓmkn'io
para as relações que lhe corresponderem.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Pluralidade de domicílio. Existe ainda outra hipótese de pluralidade de domicílio no art. 72
do CC/02, que também considera domicílio, quanto às relações concernentes à profissão, o lugar
onde esta é exercida. Tendo em conta o fato de que muitos indivíduos possuem mais de uma relação
de trabalho, o parágrafo único do mencionado artigo dispõe que "se a pessoa exercitar profissão em
lugares diversos, cada um deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem". Estas formas
apresentam-se, normalmente, de forma especial, apenas existindo para as relações a elas concernentes.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (PROC/TCE/AL/2008/FCC) A pessoa natural tem domicílio plural:


a) quando for itinerante.
b) quanto às relações concorrentes à profissão, quando a exercitar em lugares diferentes.
c) se for absoluta ou relativamente incapaz, e residir em lugar diverso de seu representante ou assistente.
d) se for militar da Marinha ou da Aeronáutica.
e) se for servidor público ou preso que aguarda julgamento.

02. (Procurador do Município de Londrina/PR/2011) "O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece
a sua residência com ânimo definitivo." Sobre o domicílio, assinale a afirmativa INCORRETA:
a) É também considerado domicílio da pessoa natural, o local de exercício da profissão, para todos os fins da vida
civil.
b) O agente diplomático do Brasil que, citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem designar onde tem,
no país, o seu domicílio, poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro
onde o teve.
c) Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado

.,
domicílio para os atos nele praticados.
d) O domicílio do Municlpio é o lugar onde funciona a administração municipal.
o
a. e) Se o exercício profissional se der em lugares diversos, cada um deles constituirá domicílio para as relações quE
lhe corresponderem.
B I 2 A

le
io Art. 73. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência habitual, o lugar onde for
encontrada.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Residência., Domicílio. Os conceitos de residência e domicílio tüo são coincidentes. Uma pessc
te. pode rer um só domicílio e mais de uma residência. Mesmo o sujeito que não possui residência, ret
domicílio, pois, nestes casos, considera-se domicílio o lugar onde for enconrrado (arr. 73). Para mai<
aprofundamenro quanto a estrt diferença, remete-se o leitor aos comcm:írios do art. 70.
13
Art. 74 Uilil!tiiiMtl•I•IUMtAI!UI
2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (lESES- Cartórios- TJ- MSI2014) Ter-se-á por domicilio da pessoa natural:
I. Aquela que não tenha residência habitual, o lugar onde for encontrada.
11. O lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo.
111. Quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida.
IV. Se caso estive presa, será o local onde cumpre a sentença. A sequência correta é:
a) Apenas as assertivas I e 11 estão corretas.
b) Apenas a assertiva 111 está correta.
c) As assertivas I, 11, 111 e IV estão corretas.
d) Apenas as assertivas I e IV estão corretas.

02. (AUDITCEIALI2008IFCC) A pessoa natural que não tenha residência habitual:


a) considera-se domiciliada no último lugar onde o teve.
b) não tem domicilio.
c) terá por domicilio o lugar onde for encontrada.
d) terá por domicílio a Capital Federal.
e) terá por domicilio o local onde nasceu ou onde tiver sido registrada no serviço de Registro Civil.

03. (TREIMAI20091CESPE- adaptada) Considerando o que dispõe o Código Civil a respeito das pessoas nàturais,
das pessoas jurídicas e do domicílio, assinale:
O cigano sem residência habitual é considerado sem domicilio.
c 2 c 3 E

Art. 74. Muda-se o domicflio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de o mudar.
Parágrafo único. A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares,
que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não fizer, da própria mudança, com as circunstâncias que
a acompanharem.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Espécies de domicílio. Costuma-se classificar o domicílio em duas espécies, que dependem da forma
de sua constituição. Denomina-se voluntário aquele cuja fixação depende exclusivamente da vontade do
sujeito, ou seja, de ato jurídico decorrente de sua autonomia privada, diferentemente do que ocorre com
o domicílio necessário ou legal, que decorre de um fato previsto em lei, independentemente da vontade
do interessado, conforme hipóteses previstas no arr. 76 do CC/02. A importância do elemento vontade
para a fixação do domicílio voluntário fica bem evidente no disposto no art. 74 do CC/02, que permite
a alteração do domicílio, desde que haja transferência de residência com manifesta intenção de mudá-lo.
Nora-se que o domicílio é oriundo de uma estrutura física vinculada a um elemento subjetivo,
o animus manendi (vontade de permanecer). Para a mudança, resta então patente, ser necessário não
apenas a alteração física do centro de relações, mas sim a vontade de alterar seu domicílio.

2. ENUNCJADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STJ 58- Proposta a execução fiscal, a posterior mudança de domicilio do executado não desloca a competência já fixada.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FCC- Analista Judiciário- Area Judiciária- Oficial de Justiça- TRT 1912014) Pedro transferiu sua residên-
cia, de Maceió para Florianópolis, com a intenção manifesta de se mudar. Apesar de notória, porêm, Pedro não
informou à municipalidade de Maceió sobre sua mudança. Seu domicflio
140
Art. 75

a) continuará a ser Maceió até que comunique a mudança à municipalidade de Florianópolis.


b)
c)
d)
continuará a ser Maceió até que comunique a mudança à municipalidade de Maceió.
será tanto Florianópolis quanto Maceió.
passou a ser Florianópolis.
I
I
e) passou a ser incerto.

iffii:l o

Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicilio é:


1- da União, o Distrito Federal;
11- dos Estados e Territórios, as respectivas capit~is;
111 -do Município, o lugar onde funcione a administração municipal;
I
IV- das demais pessoas jurídicas, o lugar onde.(uncionarem as respectivas diretorias e administrações,
ou onde elegerem domicflio especial no seu estatuto ou atos constitutivos.
§ 1° Tendo a'pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será con·
siderado domicilio para os atos nele praticados.
I
§ 2° Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicflio da pessoa
jurídica, no tocante às obrigações contraídas p01" cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimer,to,
sito no Brasil, a que ela corresponder.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Domicílio da Pessoa Jurídica. Entende-se por domicílio da pessoa jurídica de direito p~ivado
o lugar onde exerce seus direitos e responde por suas obrigações, isto é, o local que constar de seus
atos constitutivos, ou supletivamente, aquele em que costuma funcionar o seu órgão de representação
(diretoria ou administração).

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 55 -Arts. 968, 969 e 1.150: o domicílio da pessoa jurídica empresarial regular é o estatutário ou o
contratual em que indicada a sede da empresa, na forma dos arts. 968, IV, e 969, combinado com o art 1.150,
todos do Código Civil.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (ANS/DIREIT0/2007/FCC) Uma pessoa jurídica de direito privado estrangeira tem a respectiva diretoria s<:diada
em Bordeaux (França) e possui filiais no Brasil. Nesse caso, no que concerneàs obrigações contraídas pelas filiais
situadas no Brasil, haver-se-á por domicílio dessa empresa:
a) o lugar em que está sediada a diretoria (Bordeaux·França).
b) o lugar da filial situada no Brasil a que a elas corresponder.
c) a capital do Estado estrangeiro onde está sediada a diretoria.
d) a capital do Estado brasileiro onde estiver a filial a que a elas corresponder.
e) o lugar que corresponder à principal filial brasile'ra.

02. (AOV/CDVITÓRIA/2007/FJPF) No caso de a pessoa jurídica de direito privado ter estabelecimentos, agênóas ou
sucursais em municípios diferentes, o seu (da pessoa jurídica) domicílio, para os atos jurídicos neles (muni:ípios
diferentes) praticados, será:
a) o determinado por lei municipal especifica;
b) a capital do Estado em que estiver sua sede;
c) o fixado pela lei Orgânica do município em que estiver sua diretoria ou administração:
d) cada um desses municípios;
e) o escolhido pela própria pessoa jurídica.
Art. 76 liiiil!•llllti•IUUMIBI!UI
03. (TJ/PE- Juiz Substituto/2011) A pessoa jurídica "X" qJe tem sede na Capital do Estado e estabelecimento em
diversos municípios do interior, em um desses munidpios contratou os serviços da oficína mecânica •y• para
manutenção de seu; veículos mas não pagou pelos serviços prestados. Tendo •y• de demandar a devedora no
domicílio dela, é possível aJuizar a ação 75
a) somente na Capital do Estado, porque nela se encontra a sede da devedora.
b) em qualquer comar:a, dentro da qual a devedora possua estabelecimento.
c) na comarca a que p2rtencer o município no qual o contrato foi celebrado.
d) apenas na comarca a que pertencer o município onde se encontrar o principal estabelecimento da devedora.
e) em qualquer comarca do Estado, de livre escolhd do credor, porque o domicílio na Capital estende seus efeitos
para todo o limite t.o?rritorial do Estado.

UH , s 1 2 o I 3 c

Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o marítimo e o preso.
Parágrafo único. O domicílio do incapaz é o do sea representante ou assistente; o do servidor público,
o lugar em que exercer permanentemente suas funções; o do militar, onde servir, e, sendo da Marinha ou
da Aeronáutica, a sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado; odomarltimo, onde
o navio estiver matriculado; e o do preso, o lugar em que cumprir a sentença.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Domicílio Necessário (legal). Como nosso país admite a pluralidade domiciliar, é possível a
coexistência de don~.icílio voluntário e necessário, razão pela qual a pessoa poderá considerar seu
domicílio qualquer um deles, desde que observados os requisitos legais.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Vunesp- Procurador Município- Prefeitura São Paulo- SP/2014) Acerca das regras de domicilio estabe-
lecidas pelo Códiço Civil de 2002, assinale a alternai va correta.
a) As pessoas jurídios de direito público interno possLem domicílio fixo, na capital do país.
b) O incapaz possui comi cílio próprio e facultativo, inde::>endendo do domicílio de seu representante ou assistente.
c} No atual sistema não se admite a pluralidade de domicílios para a pessoa física.
d) O servidor público possui domicílio necessário, sendo o local onde exerce permanentemente suas funções.
e) A pessoa jurídica que conta com mais de um estabelecimento tem domicílio exclusivo em sua sede.

02. (FCC- Analista .'udiciário- Judiciária- TRT 1/2013) Sobre o domicílio, de acordo com o Código Civil, é
INCORRETO afirmar:
a) O militar do Exército tem por domicílio, em regra, a sede do comando a que se encontrar imediatamente su-
bordinado.
b) A pessoa jurídica de direito privado, possuindo diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles
será considerado domicílio para os atos nele praticêdos.
Cl O Agente Diplomático do Brasil que, citado no estrargeiro, alegar extraterritorialidade sem designar onde tem,
no país, o seu domicílio, poderá ser demandado no :Jistrito Federal ou no último ponto do território brasileiro
onde o teve.
d'1 Se a administraç2o de pessoa jurídica de direito privado tiver sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da
pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas ::>o r cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento
situado no Brasil, a que ela corresponder.
e) O domicílio do 111arítimo é necessário e é considerado o lugar onde o navio estiver matriculado.

03. (FINEP/ANAliSTA/2009/CESPE) José é marítimo e se encontra embarcado no navio Mar Aberto, registrado/
matriculado no porto de Salvador - BA, que está atracado no porto de Santos - SP, com carga de produto
químico originária de Camaçari - BA. Tendo como referência essa situação hipotética, assinale a opção correta
acerca do domiolio, conforme estabelecido no Código Civil.
a) O domicílio de José é o lugar em que for encontrado, denominado domicílio aparente ou ocasional.
142
Arl. 77

b) O domicílio de José é o porto de Santos- SP, onde se encontra atracada a embarcação em que ele trabalha.
c) José é considerado como pessoa sem domicílio, por não possuir residência com ânimo definitivo.
d) O domicílio de José é o comando a que estiver imediatamente subordinado.
e) O domicílio de José é Salvador, lugar onde está registrada/matriculada a embarcação.

04. (MP/RN/2009/CESPE- adaptada) No que concerne a fundações, bens, obrigações, casamento, direito
real e sucessório, assinale a opção correta.
Deve ter domicílio necessário o preso ainda não condenado.

os. (Procurador Judicial- Pref. Mun. Serra Negra/SP) Assinale a alternativa incorreta com base no artigo 76 do
CC. Têm domicílio necessário:
a) O servidor público.
b) O marítimo.
c) O capaz.
d) O preso.
i§lj:l o 2 A 3 E 4 E 5 c

Art. 77. O agente diplomático do Brasil, que, citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem
designar onde tem, no país, o seu domicilio, poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto
do território brasileiro onde o teve.

1. BREVES COMENTÁRIOS
A questão do agente diplomático. O agente diplomático do Brasil, que, citado no estrangeiro,
alegar extraterritorialidade sem designar onde tem, no país, o seu domicílio, poderá ser demandado
no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve (art. 77). Este ponto é
fundamental, pois para que se possa, no futuro, solicitar a homologação ele semcnça, necessário que
se faça prova da regular citação. O atual sistema de Direito Internacional Privado apresentar também
formas diretas de cooperação, como as aplicadas em matéria de alimentos.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STF- Súmula 59 - Imigrante pode trazer, sem licença prévia, automóvel que lhe pertença desde mais de seis
meses antes do seu embarque para o Brasil.

STF- Súmula 60- Não pode o estrangeiro trazer automóvel quando não comprovada a transferência definitiva
de sua residência para o Brasil.

STF- Súmula 61 - Brasileiro domiciliado no estrangeiro, que se transfere definitivamente para o Brasil, pode
trazer automóvel licenciado em seu nome há mais de seis meses.

STF- Súmula 62- Não basta a simples estada no estrangeiro por mais de seis meses, para dar direito à trazida
de automóvel com fundamento em transferência de residência.

STF- Súmula 63- É indispensável, para trazida de automóvel, a prova do licenciamento há mais de seis meses
no pais de origem.

3. QUESTÁO DE CONCURSO

01. (Vunesp- Cartório- TJ- SP/2014) Em relação ao domicilio da pessoa natural, assinale a alternativa correta.
a) O domicílio do incapaz é o lugar em que for encontrado.
b) O domicílio do marítimo é o porto em que o navio estiver atracado.
c) O domicílio do preso é o local da sua última residência no país.
d) O agente diplomático do Brasil, que, citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem designar onde tem, no país,
o seu domicílio, poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve.

143
Art. 78

02. (TRE/RN p Técnico Judiciário- Area Administrativa/2011) Tobias é agente diplomático do Brasil. Citado no
estrangeiro, alegou extraterritorialidade sem designar onde tem, no país, o seu domicflio. Neste caso, Tobias,
I
I
a)
b)
poderá ser demandado no domidlio de seus ascendentes ou no Distrito Federal.
deverá ser demandado obrigatoriamente no Distrito Federal.
l
c) deverá ser demandado obrigatoriamente no último ponto do território brasileiro onde teve domicílio.
d) deverá ser demandado obrigatoriamente no domicilio de seus ascendentes e, na falta deles, no último ponto
do território brasileiro onde o teve.
e) poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde teve domicílio.

o 1 2 E

Art. 78. Nos contratos escritos, poderão os contratantes especificar domidlio onde se exercitem e cum-
pram os direitos e obrigações deles resultantes.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Domicílio especial ou de eleição. Alguns autores preferem adotar uma classificação tríplice para
o domicílio da pessoa natural, apontando, ao lado das categorias domicílio voluntário e necessário,
uma terceira categoria, denominada domicílio especial ou de eleição. Tal hipótese não configura uma
categoria autônoma, pois, na verdade, trata-se de um caso especial de domicílio voluntário, no qual
a fixação do domicílio tem origem contratual (art. 78), com efeitos apenas entre as partes e para o
negóciO que foi instituído.
Efeitos da fixação do domicílio. No âmbito do Código Civil, a fixação do domicílio também
determina a regra geral sobre o local do pagamento das obrigações (art. 327), enquanto o desapare-
cimento de alguém de seu domicílio implica o início de todo processo para decretação de ausência
(art. 22). Além disso, existe disposição legal que impõe a necessidade de o tutor residir no domicílio
do menor tutelado (art. !.732). No Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), admite-se que
a ação de responsabilidade civil do fornecedor ele produtos e serviços seja proposta no domicílio do
autor (art. 101), sendo consideradas abusivas, e, portanto, nulas ele pleno direito, cláusulas contratuais
que estabeleçam obrigações que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, como as que
determinam de modo compulsório que o foro ele eleição é o domicílio do fornecedor.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STF 335- É válida a cláusula de eleição do foro para os processos oriundos do contrato.

STF- Súmula 59 -Imigrante pode trazer. sem licença prévia, automóvel que lhe pertença desde mais de seis
meses antes do seu embarque para o Brasil.

STF- Súmula 60- Não pode o estrangeiro trazer automóvel quando não comprovada a transferência definitiva
de sua residência para o Brasil.

STF - Súmula 61 - Brasileiro domiciliado no estrangeiro, que se transfere definitivamente para o Brasil, pede
trazer automóvel licenciado em seu nome há mais de seis meses.

STF- Súmula 62- Não basta a simples estada no estrangeiro por mais de seis meses, para dar direito à trazida
de automóvel com fundamento em transferência de residência.

STF- Súmula 63- É indispensável, para trazida de automóvel, a prova do licenciamento há mais de seis meses
no país de origem.

STF 331- É legítima a incidência do imposto de transmissão "causa mortis" no inventário por morte presumida.

STF 335 -É válida a cláusula de eleição do foro para os processos oriundos do contrato.
144
lli9;UIM.t$jQt\ief$j Art. 78

srF. 483·~··~·ó;;~~~;á~~;·;·~;~~~··ó~·~~~~;~;d·~·ó~;·~~·;~·~~~~·~i;·ó~··~;Úi~··~~~~~ó~··~·~·i~~~iió~~i~·~~;~·~~ó~·~
proprietário pretende transferir residência, salvo se mantiver, também, a anterior, quando dita prova será exigida .
............................................................................................................................................................................"'''''''''''''
STJ 58- Proposta a execução fiscal, a posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência
já fixada .
..........................................................................................................................................................................................
STJ 221 - São civilmente responsáveis pelo ressarcimento de dano, decorrente de publicação pela imprensa,
tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação.
··························································································································································································
STJ 227- A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.

STJ 333- Cabe mandado de segurança contra ato praticado em licitação promovida por sociedade de economia
mista ou empresa pública.

STJ 342 - No procedimento para aplicação de medida sócio-educativa, é nula a desistência de outras provas
em face da confissão do adolescente.

STJ 358- O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial,
mediante contraditório, ainda que nos próprios autos.

Enunciado 1•- Art. 2•: a proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos
direitos da personalidade, tais como nome, imagem e sepultura.

Enunciado 2•- Art. 2•: sem prejuízo dos direitos da personalidade nele assegurados, o art. 2° do Cóçligo Civil
não é sede adequada para questões emergentes da reprogenética humana, que deve ser objeto de um estatuto
próprio.

Enunciado 3•- Art. 5°: a redução do limite etário para a definição da capacidade civil aos 18 anos não altera
o disposto no art. 16, I, da Lei no 8.213/91, que regula específica situação de dependênçia econômica para fins
previdenciários e outras situações similares de proteção, previstas em legislação especial.

Enunciado 4•- Art.ll: o exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária. desde que
na o seja permanente nem geral.

Enunciado s•- Arts. 12 e 20: 1) as disposições do art. 12 têm caráter geral e aplicam-se, inclusive, às situações
previstas no art. 20, excepcionados os casos expressos de legitimidade para requerer as medidas nele estabe-
lecidas; 2) as disposições do art. 20 do novo Código Civil têm a finalidade específica de regrar a projeção dos
bens personalíssimos nas situações nele enumeradas. Com exceção dos casos expressos de legitimação que se
conformem com a tipificação preconizada nessa norma, a ela podem ser aplicadas subsidiariamente as regras
instituídas no art. 12.

Enunciado 6•- Art. 13: a expressão "exigência médica" contida no art. 13 refere-se tanto ao bem-estar físico
quanto ao bem-estar psíquico do disponente.

Enunciado 7•- Art. 50: só se aplica a desconsideração da personalidade jurídica quando houver a prática de
ato irregular e, limitadamente, aos administradores ou sócios que nela hajam incorrido.

Enunciado a• -Art. 62, parágrafo único: a constituição de fundação para fins dentificos, educacionais ou de
promoção do meio ambiente está compreendida no CC, art. 62, parágrafo único .
...................................................................................................................................................................
Enunciado 9°- Art. 62. parágrafo único: o art. 62, parágrafo único, deve ser interoretado de modo a excluir
apenas as fundações com fins lucrativos .
..................................................................................................................................................................
Enunciado 10- Art. 66, § 1°: em face do princípio da especialidade, o art. 66, § 1°, deve ser interpretado em
sintonia com os arts. 70 e 178 da LC no 75/93 .
..................................................................................................................................................................................
Enunciado 40 - Art. 928: o incapaz responde pelos prejuízos que causar de maneira subsidiária ou excepcio-
nalmente como devedor principal, na hipótese do ressarcimento devido pelos adolescentes que praticarem
atos infracionais nos termos do art. 116 do Estatuto da Criança e do Adolescente, no âmbito das medidas sócio-
·eclucativas ali previstas .
........................................................................................................................................................................
Enunciado 41 -Art. 928: a única hipótese em que poderá haver responsabilidade solidária do menor de 18
anos com seus pais é ter sido emancipado nos termos do art. 5°, parágrafo único, inc. I. do novo Código Civil.

145
Art. 78

~ Enunciado 51 -Art. 50: a teoria da desconsideração da personalidade jurídica - disregard doctrine- fica po-
sitivada no novo Código Civil, mantidos os parâmetros existentes nos microssistemas legais e na construção
jurldica sobre o tema.
Enunciado 55- Arts. 968, 969 e 1.150: o domicílio da pessoa jurídica empresarial regular é o estatutário ou o
contratual em que indicada a sede da empresa, na forma dos arts. 968, IV, e 969, combinado com o art. 1.150,
todos do Código Civil.

Enunciado 97 - Art. 25: no que tange à tutela especial da família, as regras do Código Civil que se referem
apenas ao cônjuge devem ser estendidas à situação jurfdica que envolve o companheiro, como, por exemplo,
na hipótese de nomeação de curador dos bens do ausente (art. 25 do Código Civil).

~ Enunciado 138- Art. 3°: A vontade dos absolutamente incapazes, na hipótese do inc. I do art. 3°, é juridicamente
relevante na concretização de situações existenciais a eles concernentes, desde que demonstrem discernimento
bastante para tanto.

Enunciado 139- Art. 11: Os direitos da personalidade oodem sofrer limitações, ainda que não especificamente
previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de direito de seu titular, contrariamente à boa-fé objetiva
e aos bons costumes.

Enunciado 140- Art. 12: A primeira parte do art. 12 do Código Civil refere-se às técnicas de tutela específica,
aplicáveis de oficio, enunciadas no art. 461 do Código de Processo Civil, devendo ser interpretada com resultado
extensivo.

Enunciado 141- Art. 41: A remissão do art. 41, parágrafo único, dó CC às "pessoas jurídicas de direito público,
a que se tenha dado estrutura de direito privado", diz respeito às fundações públicas e aos entes de fiscalização
do exerclcio profissional. , ,

Enunciado 142 - Art. 44: Os partidos políticos, os sindicatos e as associações religiosas possuem natureza
associativa, aplicando-se-lhes o Código Civil.

Enunciado 143 -,Art. 44: A liberdade de funcionamento das organizações religiosas não afasta o controle de
legalidade e legitimidade constitucional de seu registro, nem a possibilidade de reexame pelo Judiciário da
compatibilidade c e seus atos com a lei e com seus estatutos.

Enunciado 144- Art. 44: A relação das pessoas jurídicas de Direito Privado, constante do art. 44, incs.l a V, do
Código Civil, não é exaustiva.

Enunciado 145- Art. 47: O art. 47 não afasta a aplicação da teoria da aparência.

Enunciado 146- Art. 50: Nas relações civis, interpretam-se restritivamente os parâmetros de desconsideração
da personalidadejuridica previstos no art. 50 (desvio de finalidade social ou confusão patrimonial). (Este Enun-
ciado não prejudica o Enunciado n" 7).

Enunciado 147 -Art. 66: A expressão "por mais de um Estado", contida no § 2° do art. 66, não exclui o Distrito
Federal e os Territórios. A atribuição de velar pelas fundações, prevista no art. 66 e seus parágrafos, ao MP local-
isto é, dos Estados. DF e Territórios onde estão situadas- não exclui a necessidade de fiscalização de tais pessoas
jurídicas pelo MPF, quando se tratar de fundações instituídas ou mantidas pela União, autarquia ou empresa pú·
blica federal, ou que destas recebam verbas, nos termos da Constituição, da LC n° 75/93 e da Lei de Improbidade.

Enunciado 155- Art. 194: O art. 194 do Código Civi de 2002, ao permitir a declaração ex officio da prescrição
de direitos patrimoniais em favor do absolutamente incapaz, derrogou o disposto no§ 5° do art. 219 do CPC.

Enunciado 156- Art. 198: Desde o termo inicial do desaparecimento, declarado em sentença, não corre a
prescrição contra o ausente.

Enunciado 197- Arts. 966, 967 e 972: A pessoa natural, maior de 16 e menor de 18 anos, é reputada empresário
regular se satisfizer os requisitos dos arts. 966 e 967; todavia, não tem direito a concordata preventiva, por não
exercer regularmente a atividade por mais de dois anos.

Enunciado 203 -Art. 974: O exercício da empresa por empresário incapaz, representado ou assistido somente
é possível nos casos de incapacidade superveniente ou incapacidade do sucessor na sucessão por morte.

Enunciado 272- Art. 10. Não é admitida em nosso ordenamento jurídico a adoção por ato extrajudicial, sendo
indispensável a atuação jurisdicional, inclusive para a adoção de maiores de dezoito anos.
146
Art. 78

Enunciado 273- Art. 10. Tanto na adoção bilateral quanto na unilateral, quando não se preserva o vinculo com
qualquer dos genitores originários, deverá ser averbado o cancelamento do registro originário de nascimento
do adotado, lavrando-se novo registro. Sendo unilateral a adoção, e sempre que se preserve o vínculo originário
com um dos genitores, deverá ser averbada a substituição do nome do pai ou da mãe natural pelo nome do
pai ou da mãe adotivos.

Enunciado 274- Art. 11. Os direitos da personalidade, regulados de maneira não-exaustiva pelo Código Civil,
são expressões da cláusula geral de tutela da pessoa humana, contída no art. 1°, 111, da Constituição (princípio
da dignidade da pessoa humana). Em caso de :olisão entre eles, como nenhum pode sobrelevar os demais,
deve-se aplicar a técnica da ponderação.

Enunciado 275- Arts. 12 e 20. O rol dos legitimados de que tratam os arts. 12, parágrafo único, e 20, parágrafo
único, do Código Civil também compreendem o companheiro.

~ Enunciado 276- Art.13. O art. 13 do Código Civil, ao permitir a disposição do próprio corpo por exigência mé-
dica, autoriza as cirurgias de transgenitalização, em conformidade com os procedimentos estabelecidos pelo
Conselho Federal de Medicina, e a consequente alteração do prenome e do sexo no Registro Civil.

Erunciado 277- Art.14. O art. 14 do Código Civil, ao afirmar a validade da disposição gratuita do próprio corpo,
com objetivo científico ou altruístico, para depois da morte, determinou que a manifestação expressa do doador
de órgãos em vida prevalece sobre a vontade dos familiares, portantc, a aplicação do art. 4° da Lei no 9.434/97
ficou restrita à hipótese de silêncio do potencial doador.

Enunciado 280- Arts. 44, 57 e 60. Por força do art. 44, § 2°, consideram-se aplicáveis às sociedades reguladas
pelo Livro 11 da Parte Especial, exceto às limitadas, os arts. 57 e 60, nos seguintes termos: a) Em havendo previsão
contratual, é possível aos sócios deliberar a exclusão de sócio por justa causa, pela via extrajudicial, cabendo
ao contrato disciplinar o procedimento de exclusão, assegurado o direito de defesa, por aplicação analógica
do art. 1085; (B) As deliberações sociais poderão ser convocadas pela iniciativa de sócios que representem 1/5
(um quinto) do capital social, na omissão do contrato. A mesma regra aplica-se na hipótese de criação, pelo
contrato, de outros órgãos de deliberação colegiada.

Enunciado 281 -Art. 50. A aplicação da teoria da desconsideração, descrita no art. 50 do Código Civil, prescinde
da demonstração de insolvência da pessoa jurídica.

Enunciado 282- Art. 50. O encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica, por si só, não basta para
caracterizar abuso de personalidade jurídica.

Enunciado 283 - Art. 50. É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada "inversa" para
alcançar bens de sócio que se valeu da I para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros.

~ Enunciado 284- Art. 50. As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não económicos
estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica.

Enunciado 285 - Art. 50. A teoria da desconsideração, prevista no art. 50 do Código Civil, pode ser invocada
pela pessoa jurídica em seu favor.

Enunciado 286- Art. 52. Os direitos da personalidade são direitos inerentes e essenciais á pessoa humana.
decorrentes de sua dignidade, não sendo as pessoas jurídicas titulares de tais direitos.

Enunciado 576- O direito ao esquecimento pode ser assegurado por tutela judicial inibitória.

Enunciado 577 -A possibilidade de instituição de categorias de associados com vantagens especiais admite
a atribuição de pesos diferenciados ao direito de voto, desde que isso não acarrete a sua supressão em relação
a matérias previstas no art. 59 do CC.

147
LIVRO 11- r
I.
i
DOS BENS l
l

1. NOTA INTRODUTÓRIA
Considerações sobre o objeto de uma relação jurídica. Sob o ponto de vista jurídico, bem
é aquilo que pode ser objeto de uma relação jurídica, vale dizer, "utilidades materiais ou imateriais
que podem ser objeto de direitos subjetivos" (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson.
Direito Civil Teoria Geral, 5a ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p. 306). Carlos Roberto
Gonçalves ensina que todo direito tem seu objeto, sobre o qual se desenvolve o poder dos sujeitos de
direito, como inStrumento de realização de suas finalidades jurídicas (GONÇALVES, Carlos Roberto.
Direito Civil Brasileiro, vol. I, 4a ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 233).
Anote-se que a expressão econômica (patrimonialidade) não é requisito essencial para que um bem
possa se rornar objeto de uma relação jurídica, uma vez que o ordenamento vigente também protege
os direitos da personalidade, independentemente do fato de terem existência material ou não. Além
disso, prestações, ou seja, uma conduta humana (comissiva ou omissiva, que enseje uma obrigação de
dar, fazer ou não fazer) também pode ser obje:o de uma relação jurídica.
Importante perceber que a noção jurídica de bem é mais ampla do que a econômica, pois não
fica restrita às coisas suscetíveis de apreciação pecuniária, abrangendo tudo aquilo que atende a nossas
necessidades e está amparado pela ordem juridica. Logo, pode-se afirmar, com base nas lições de
Orlando Gomes, que "todo bem econômico é jurídico, mas a recíproca não é verdadeira, pois nem
todo bem jurídico é econômico".
Patrimônio. Apresentada a noção de bem, vale destacar ainda o conceito de patrimônio. Cos-
mma-sc afirmar que o patrimônio ·seria a projeção econômica da personalidade, consistindo num
conjumo unirá rio c indivisível, uma vez que pertence a uma só pessoa e não pode ser fracionado, não
se admitindo que alguém possa ter vários patrimônios.
Francisco Amaral define patrimônio como um complexo de relações jurídicas que reúne os direitos
e obrigações de uma pessoa, que forma uma universalidade de direito apreciável pecuniariamente,
abrangendo crédims (ativo) e débicos (passivo) de uma pessoa, ou seja, a totalidade dos bens corpóreos
ou incorpóreos, atuais ou futuros, desde que dotados de expressão econômica. (AMARAL, Francisco.
DireitoCivil Introdução, 5• ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2003, p. 339).
Para os fins desta obra, deve-se destacar que o Código Civil, ao disciplinar os bens, tratou basi-
camente de sua classificação, rendo eliminado do texto vigente referência aos critérios relacionados à
suscetibilid,tdc de negociação (coisas de comércio x coisas fora do comércio), bem como transferido
para a parrc especial (direico patrimonial das famílias) o regramcnto relativo ao bem de família.
Critérios de classificação. O legislador apresenta o disciplinamento da matéria em três subdi-
visôes, que dependem ora da própria individualidade do bem (arts. 79 a 91), ora da sua relação com
outros bens imegranres do patrimônio de determinado sujeito (arts. 92 a 97), ora do próprio sujeito
que é o seu rirular (arts. 88 a 103).
Utilizando-se o critério da indivichialidade, ou seja, analisando-se cada bem isoladamente em
suas qualidades Físicas e/ou jurídicas, sem considerar sua relação com outros, é possível estabelecer
cinco care~orias de bens, que serão descritas em seguida, iniciando-se pela classificação que tem como
elememo disrimivo a mobilidade.
149
Art. 79 1Jiiil!•lllfiiB•M•t!fj•lliâU~fi1JjrlM$$ij\jUj:JM~i

~TÍTULO ÚNICÔ- DAS DIFERENTES CLASSES DE BENS


~CAPITULO 1- DOS BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS
~SEÇÃO 1- DOS BENS IMÓVEIS
0
--~------------------------~~------
Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente.

1. BREVES COMENTÁRIOS

Bens imóveis. Se existir possibilidade de transporte, sem destruição ou alteração de sua substância,
estar-se-á dia:1te de um bem móvel. Quando tal hipótese não existir, tem-se um bem imóvel, tradicional-
ment·~ denominado bem de raiz, noção que compreende o próprio solo c tudo quanto se lhe incorporar,
natural ou artiflcíalmente (art. 79, CC/02). Vale destacar que nos termos do art. 176 da CF/88 as jazidas,
em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade
distinta da do solo, para efCiro de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, razão pela qual
embora a propriedade do solo abranja a do espaço aérec e subsolo correspondentes, em altura e profundidade
úteis ao seu exercício (art. 1.229, CC/02), não pode o proprietário realizar a exploração dos mesmos, salvo
os recursos minerais de emprego imediato na construção civil, nos limites estabelecidos em lei.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 11 - Art. 79: não persiste no novo sistema legislativo a categoria dos bens imóveis por acessão
·ntelectual, não obstante a expressão "tudo quanto se lhe incorpora natural ou artificialmente", constante da
parte final do art. 79 do CC.

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Cespe- Analista Legislativo- Consultor Legislativo- Câmara dos Deputados/2014) Julgue os próximos
itens, acerca dos direitos de posse e de propriedade.
O propr etário pode opor-se a todas as atividades que sejam realizadas por terceiros no espaço aéreo e no
subsolo de sua propriedade.

02. (TJ/PI/Juiz/2007- adaptada) Com relação aos ben!, julgue os itens a seguir.
São bens írnóveis por natureza o solo e tudo aquilo que é a ele aderente em estado de natureza, isto é, o que
não é re;ultante co trabalho da cultura do homem. Sao bens imóveis por acessão física as árvores destinadas ao
corte, os arbustos, as sementes lançadas à terra ou qualquer planta fixada ao solo pelas raizes, cuja existência
resulta da ação do homem.

03. (Juiz/TJ/SP/2009/VUNESP) Considerados em si mesmos, os bens podem ser


a) públícos e particulares.
b) principais e acessórios.
c) imóveis pela própria natureza, benfeitorias e pertenças.
d) móveis e imóveis.

I2 E 3 D I
Q Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais:
I -os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram;
li- o direito à sucessão aperta.

1. BREVES C0.\1ENTÁRIOS

lnH}veis por definição legal. Este artigo, de simples redação, traz em seu bojo um notável
coneúdo. Primeiramente, deve o leitor atentar que a mobilidade ou imobilidade se aplica a todos
os ':Jens. sendo eles coisas ou não. Do mesmo modo, as ações também recebem esra classificação,
150
DW;UIIIeUhj:l§~~~ Art. 80

justificando, por exemplo, a necessidade de outorga conjugal. Siga a seguinte regra: a natureza do
bem atrai a qualidade do direito real e da ação. Assim, se o bem é imóvel, também o serão o direito
sobre ele (propriedade, por exemplo) e a ação que o protege. De outra feita, o direito à sucessão aberta,
sem se importar que tipos de bens o componham, será sempre imóvel.

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

~ Direito civil. Renúncia à herança por procurador. Requisitos formais. A constituição de procurador com poder
especial para renunciar à herança de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo deve ser feita por instru-
mento público ou termo judicial para ter validade. Segundo o art. 1.806 do CC, a renúncia da herança deve constar
expressamente de instrumento público ou termo judicial. Tal formalidade é uma decorrência lógica do previsto
nos arts. 80, 11, e 108 do mesmo diploma legal. Segundo o art. 80, 11, considera-se bem imóvel a sucessão aberta.
Já o art. 108 do mesmo código determina que a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos
que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior
a trinta vezes o maior salário mínimo. Assim, se a renúncia feita pelo próprio sucessor só tem validade se expressa
em instrumento particular ou termo judicial (art. 1.806 do CC), a transmissão de poderes para tal desiderato deverá
observar a 'l1esma formalidade. REsp 1.236.671, Rei. p!ac. Min. Sidnei Beneti, j. 9.10.12. 3° T. (lnfo 506, 2012)

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Cespe- Analista legislativo- Consultor legislativo- Câmara dos Deputados/2014) Com relação aos
bens, julgue os itens seguintes.
O direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel para os efeitos legais.

02. (Cespe- Juiz de Direito Substituto- MA/2013) Com base na jurisprudência do STJ, assinale a opção correta.
a) A aplicação financeira de proventos de aposentadoria mantida por um dos consortes durante a vigência do
matrimônio, sob o regime de comunhão universal de bens, não deve ser partilhada em inventário, dado o caráter
alimentar do investimento.
b) A Caixa Econômica Federal é parte ilegltima para responder por vicias de construção nos casos em que ela,
ao mesmo tempo, promova o empreendimento, tenha responsabilidade na elaboração do projeto com suas
especificações, escolha a construtora e(ou) negocie os imóveis, visto que essas atividades, que visam garantir
o sucesso do empreendimento, são inerentes à de agente financeiro em estrito senso.
c) A aplicação da sanção imposta pelo Código Civil em referência à demanda de repetição de indébito, consistente
na exigência de pagamento em dobro por dívida já paga, pressupõe a existência de pagamento indevido, sendo
prescindível a demonstração de má-fé do credor.
d) A sucessão aberta é considerada bem imóvel, por isso a constituição de procurador com poder especial para
renunciar a herança de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo só terá validade se realizada por
instrumento público ou termo judicial.

03. (MP/AM/Promotor/2007- adaptada) Quanto à sucessão legítima e testamentária, assinale a opção correta.
Abre-se a sucessão causa mortis com o falecimento do autor da herança. O direito à sucessão aberta é conside-
rado bem imóvel mesmo que o acervo hereditário se constitua exclusivamente de bens móveis, ou de direitos
pessoais, ou de ambos. E o direito dos coerdeiros será indivisível, até que se ultime a partilha dos bens.

04. (OAB/PB/2008/VUNESP) Consideram-se imóveis para os efeitos legais:


a) o direito à sucessão aberta.
b) as energias que tenham valor econômico.
c) os direitos pessoais de caráter patrimonial.
d) os materiais definitivamente separados de um prédio.

05. (PROC/TCE/RR/2008/FCC- adaptada) No que se refere aos bens:


O direito à sucessão aberta é um bem incorpóreo considerado como imóvel para os efeitos legais.

06. (DEF/PUB/ES/2009/CESPE) De acordo com o Código Civil, julgue os itens seguintes.


Os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram bem como o direito à sucessão aberta, são consi-
derados bens imóveis para os efeitos legais, de acordo com o Código Civil.

iffih 1 c 2 D 3 c 4 A 5
Art. 81 iiiiii!•libitB•I•f$1•'''4;13}iiJi9Miit1•'i:l§~h'l

O Art. 81. Não pe~dem o caráterd~ lmó~eis: . ·

1;_as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro focal;
11- os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Bens que permanecem sendo considerados im6veis apesar de alterações transit6rias. Os
bens imóveis podem ser classificados em três grupos: (a) imóveis por natureza; (h) imóveis por aces-
são natural e (c) imóveis por acessão artificial (=industrial). Na primeira classificação enquadra-se
apenas o solo (subsolo, superfície e espaço aéreo), uma vez que sempre que algo lhe adere tem-se uma
espécie de im6vel por acessão. Esta pode ser natural (curso d'água, pedra, vegetação nativa e o que
mais se agregar ao solo sem interferência do homem) ou artificial, produto da atuação do homem
sobre o solo. Trata-se das construções e plantações, que se incorporam ao solo de modo permanente.
Importante destacar que as construções provisórias, por se destinarem a fins específicos e temporários
(stands em reiras, parques de diversões, circos e pavilhões de exposições etc.), não são consideradas bens
imóveis por acessão artificial. Por outro lado, nos termos do disposto no art. 81 do CC/02, não perdem o
caráter de imóveis as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas
para outro local, bem como os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempre-
garem. Neste diapasão, interessante destacar que existe disciplinamento específico para os materiais de
construção. Enquanto não forem empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirindo essa
qualidade os provenientes da demolição de algum prédio, ex vi do disposto no art. 84 do CC/02.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (FCC- Analista Judiciário- Area Judiciária- TRF 4/2014) Considere as seguintes hipóteses:
I. Mario removeu sua casa pré-fabricada para outro local, retirando-a do solo e colocando-a em veículo especial.
11. Maria possui direito real sobre o veiculo marca X, modelo Y, ano 2012.
111. Carmelita possui direito à sucessão aberta.
IV. Marta removeu as janelas de sua moradia e colocou-as, durante a realização de outros serviços, em um depósito
para posterior recolocação no local em que se encontravam.
Nestes casos, de acordo com o Código Civil brasileiro, são exemplos de bens imóveis os indicados APENAS em
a) I, 111 e IV.
b) li e IV.
c) I e 11.
d) ll,llleiV.
e) I e 111.

02. (Cespe- Cartórios- TJ- SE/2014) Acerca dos bens considerados em si mesmos e dos reciprocamente consi-
derados, assinale a opção correta.
a) Desde que separados do bem principal, os frutos e os produtos podem ser objeto de negócio jurídico.
b) Não se pode, por simples negócio jurídico, alterar a característica da divisibilidade do bem.
c) O direito à sucessão aberta será considerado bem móvel se o acervo deixado pelo falecido for composto apenas
por bens móveis.
d) Os materiais separados de um prédio em decorrência de demolição readquirem a qualidade de bens móveis.
e) São considerados bens fungíveis os móveis e os imóveis que possam ser substituídos por outros da mesma
espécie, qualidade e quantidade.

03. (FMP- Cartório- TJ- MT/2014} Quanto aos bens, assinale a afirmativa correta.
a) Não perdem o caráter de imóveis as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, foram
removidas para outro local.
b) O principio de que o acessório segue o principal aplica"se, como regra geral, às pertenças.

152
I!Qi;lelli•U~j:lij~hj Art. 82

c) Consideram-se benfeitorias os melhoramentos e acréscimos sobrevindos ao bem, sem a intervenção do pro-


prietário, possuidor ou detentor.
d) Ares derelicta é coisa sem dono, porque nunca foi apropriada, como a caça solta ou o pescado, mas pode sê-lo,
pois se acha à disposição de quem a encontrar ou coletar, embora essa apropriação po~sa sofrer restrições de
natureza ambiental.
e) É considerado bem móvel o direito à sucessão aberta na hipótese do acervo patrimonial deixado pelo de cujus
ser constituído apenas de bens móveis.

04. (ANALIS/JUD/EXEC/MAND/TRF 2•R/2007/FCC) Consideram-se bens imóveis:


a) os materiais provenientes da demolição de algum prédio.
b) os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados.
c) os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reintegrarem.
d) os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações.
e) as energias que tenham valor econômico.

A 2 o l 3 A 4 c

~SEÇÃO 11- DOS BENS MÓVEIS


Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem
alteração da substância ou da destinação econômico-social.

1. BREVES COMENTÁRIOS

Bem móvel e suas características. Encontra-se a definição de bem móvel no an. 82 do CC/02
como aquele suscerível de movimento próprio (móvel por natureza), ou de remoção por força alheia
(móvel propriamente dito), sem alteração da substância ou da destinação econômico-social. O dispositivo
citado permite ainda a construção doutrinária de uma terceira subclassificação, der.ominada ben móvel
por antecipação, empregada para se referir a bens que embora incorporados ao solo, furam rnohilizados
pela vontade humana em face de uma função econômica, como, 11. g., uma safra .ainda não co:hida.
Atente-se para a utilidade de tal classificação. Em relação à forma de aquisi-;ão, pode-se afirmar
que os irnóvei~ só podem ser adquiridos por escritura pública registrada no Cartó:io de Registro de
Imóveis de onde estiver situado o bem, ao conmírio do que ocorre com os bens móveis que pc:xl::rn ser
adquiridos pela rradiçáo, dispensando, por conseguinte, o registro. Independentemente do valor do
bem imóvel, sua alienação ou oneração depende do consentimento (outorga) do cônjuge (art. 1.647,
CC/02), o que n;1o se faz necessário no caso de móveis.
.
Imóveis ~~ !."'~"( >;-J ,Móveis
Só podem ser adquiridos por escrituras pública Adquirem-se pela tradição, c.u seja,
Forma da
registrada no Cartório de Registro de Imóveis de efetiva entrega da cois;;; logc, dis-
aquisição
onde estiver situado o bem pensam registro.

Prazos para aqui si-


Maiores (15, 1Oou 5 anos) Menores (5 ou 3 ;,ncs;
ção por usucapião

Necessidade de con- Independentemente do valor do bem, via de regra,


Não é nece~sário o conserrti-nento
sentimento do cõn- sua alienação ou oneração depende do consen·
do cônjuge
juge para alienação timento (outorga) do cônjuge (art. 1.647, CC/02)
Natureza jurídi-
ca do contrato de Comodato Mútuo
empréstimo i
Direito de
Hipoteca Penhor (exc·"to navios e ae·onaves)
garantia incidente

153
Art. 83 liiiil!•lllflld•M•V~J•lljâ;IMilt19t~Sit1•lj:l@~hj

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (TRE/RN- Técnico Judiciário- Area Administrativa/2011) Uma nota de R$ 100,00 e um saco de arroz são bens
a) lnfungfvels e consumíveis.
b) móveis e infungíveis.
c) móveis e fungfveis.
d) móveis e indivisíveis.
e) imóveis e consumíveis.

02. (TRT 14- Técnico Judiciário- Area Administrativa/2011) José adquiriu uma área de terras e nela construiu
uma pequena casa. Adquiriu cinquenta cabeças de gado, um trator, madeira para construção de um curral e
diversas ferramentas para agricultura. Consideram-se bens móveis:
a) as cabeças de gado e a madeira para construção do curral, somente.
b) o trator e as ferramentas para agricultura, somente.
c) as cabeças de gado, o trator, a madeira para construçác do curral e as ferramentas para agricultura.
d) as ferramentas para agricultura, somente.
e) o trator, a madeira para construção do curral e as ferramentas para agricultura, somente .

•«.~.~.'IL______c~L_-2_____
c:J

o Art. 83. Consideram-se móveis para os efeitos legais:

I -as energias que tenham valor económico;


11 -os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes;
111- os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações.

I. BREVES COMENTARIOS
Bens móveis por determinação legal. A classificação dos bens de acordo com a mobilidade,
tradicionalmente refere-se a bens corpóreos. Entretanto, visando a conferir maior segurança jurídica
para certos bens incorpór.;os, o legislador estabeleceu nos arts. 80 e 83 do código vigente que certos
bens imateriais devem ser equiparados, para fins d,, proteção, a coisas imóveis ou móveis. Trata-se
de escolha arbitrária, rendo o legislador avaliado a necessidade e conveniência de se conferir maior
ou menor grau de proreçáo jurídica àqueles.
Por fim, resta anotar que embora o Código Civil estabeleça que navios c aeronaves estejam su-
jeitos à hipoteca {an. 1.473, incisos VI c VII), dircim real de garantia tradicionalmente relacionado
a bens imóveis, estamos diante de bens móveis propriamente ditos, vale dizer, meios de transporte,
cuja necessidade de maior proteção ensejou a criação desta exceção legal.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (UEPA- Delegado de Polícia- PA/2013) Sobre o regime jurídico dos bens, assinale a alternativa correta.
a) Os bens públicos de use comum do povo e os de uso especial podem ser alienados desde que previamente
sejam desafetados e exista autorização legislativa para a alienação.
b) Os bens públicos dominicais são aqueles destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal,
estadual, territorial ou municipal, inclusive de suas autarquias.
c) Os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem, perdem o caráter de imóveis
~ enquanto fisicamente desatrelados da edificação.

I
d) Os bens naturillrnente divisíveis jamais perdem essa característica, ainda que por livre vontade das partes.
'
e) As benfeitorias úteis terT por fim conservar o bem ou evitar sua deterioração.

02. (DPE/CE/2008/CESPE) Sobre as normas do Código C vil atinentes aos bens e às pessoas jurídicas, julgue os

lIi itens a seguir.

~~
154
'''9;1•'''•"hj:ljthj Art. 84

São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, e também os bens que podem ser removidos sem alte-
ração de sua substância econômica. Os materiais destinados a uma construção mantêm a qualidade de móveis
enquanto não forem imobilizados com a sua utilização. Assim, não perde a característica de imóvel o telhado
provisoriamente separado da casa.

03. (PJ/PE/2008/FCC) Consideram-se, dentre outros, bem móveis para os efeitos legais:
a) as energias que tenham valor econômico.
b) o direito à sucessão aberta decorrente da declaração de ausência ou óbito.
c) as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local.
d) os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reintegrarem.
e) os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram.

04. (ANS/DIREIT0/2007/FCC- adaptada) A respeito das diferentes classes de bens, é correto afirmar que:
São considerados bens móveis, para os efeitos legais, os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram.

OS. (TRE/MA/2009/CESPE- adaptada) De acordo com o disposto no Código Civil a respeito dos bens, assinale:
Os direitos autorais de um escritor são considerados como móveis para os efeitos legais.

06. (Fundação Casa- Analista Administrativo/Advogado/2011) As energias que tenham valor econômico, os
direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes, os direitos pessoais de :aráter patrimonial e as
respectivas ações são bens
a) reciprocamente considerados.
b) divisíveis.
c) públicos.
d) móveis.
e) fungíveis e consumíveis.
A 2 c 3 A 4 E 5 c 6 o I

Art. 84. Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam sua
qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Classificação de bens empregados em construções. O artigo visa a evitar possível confusão com o
art. 81, li. Assim, o dispositivo aqui analisado abarca tanto materiais novos quamo já usados, desde que,
neste caso, sejam utilizados em obra diversa da qual foram retirados. Se os materiais retirados serão reem-
pregados na mesma obra, permanecem, quando deslocados, como imóveis, conforme regra do art. 81, li.

~SEÇÃO 111 - OOS BENS FUNGÍVEIS E CONSUMÍVEIS


Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade
e quantidade.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Possibilidade de substituição. O critério distintivo para separação dos bens fungíveis e infungí-
veis reside na possibilidade de substituição da coisa por outra de mesma espécie, qualidade e quantidade
(art. 85), ou melhor, o cerne da questão repousa na individuação do bem. São infungíveis bens que
não podem ser substituídos sem que isso modifique o seu comeúdo. Nesta categoria enquadram-se
um manuscrito raro, um quadro de um artista famoso, dentre outros. A fungibilidade não decorre
apenas da natureza das coisas, podendo também resultar da lei ou da vontade das partes, o que implica
concluir que mesmo fungível por natureza (selo, maçã, xícara de açúcar etc.), determinado bem pode
se tornar infungível diante dos interesses envolvidos; basta que, por exemplo, um bem que sirva de
objeto de contrato de empréstimo seja oriundo de uma coleção (no caso do selo) ou ainda destinado
para fins exclusivamente de ornamentação (no caso da maçã).
155
Art. 86

Consequências da classificação. No campo do direito obrigacional existem diversas consequên-


cias do enquadramento dos bens de acordo com sua fungibilidade: o credor não é obrigado a receber
prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa (art. 313); a compensação efetua-se entre
dívidas líquidas, vencidas c de coisas fungíveis (art. 369); o depósito de coisas fungíveis, em que o
depositário se obrigue a restituir objetos do mesmo gênero, qualidade e quantidade, regular-se-á pelo
disposto acerca do mútuo (art. 645), dentre outros.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Cespe- Juiz de Direito- PB/2015) Assinale a opção correta com relação a bens.
a) O entendimento sumulado pelo STF é no sentido de que, em regra, o adquirente de imóvel responde pelas
benfeitorias realizadas pelo locatário.
b) A lei veda a instituição de bem de famflia por um dos cônjuges sem a outorga do outro.
c) A proteção dos bens corpóreos e dos incorpóreos pode ser realizada por meio de tutela possessória.
d) A infungibilidade de um bem pode decorrer da manifestação de vontade da parte.
e) Os produtos são acessórios produzidos com periodicidade, e sua retirada não prejudica a substância da coisa
principal.

02. (TJ/PI/Juiz/2007- adaptada) Com relação aos bens, julgue os itens a seguir.
I. Os bens móveis fungíveis podem ser objeto dos contratos de mútuo, por serem passíveis de substituição por
outro bem da mesma espécie, qualidade e quantidade, seja por vontade das partes ou por serem naturalmente
fungíveis.

03. (TRE/MA/2009/CESPE- adaptada) De acordo com o disposto no Código Civil a respeito dos bens, assinale:
Garrafas de um vinho raro emprestadas por um colecionador para exposição em uma feira de vinhos são con-
sideradas, no caso, bens fungíveis.

04. (Prefeitura Municipal de Tijucas- Advogado/2011) Conforme disposto no Código Civil, assinale a alternativa
correta.
a) Os bens públicos estão sujeitos a usucapião.
b) Consideram-se imóveis para os efeitos legais as energias que tenham valor econômico.
c) São úteis as benfeitorias que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore.
d) São bens públicos dominicais as estradas, ruas e praças.
e) São fungíveis os bens móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade.

o 1 2 c 1 3 E I 4 E

Art. 86. São consumfveis os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância,
sendo também considerados tais os destinados à alienação.

1. BREVES COMENTÁRIOS
A questão do exaurimento. O elemento distintivo desta classificação é verificar se o bem se
exaure com o primeiro uso. Uma lata de refrigerame sorvida no dia queme de verão é exemplo de bem
consumível, uma vez que o uso imporca destruição da própria substância, diferentemente do livro que
se leva para ler enquamo se aprecia o mar. Este permitirá uso constante, sem atingir sua integridade,
sendo classificado como bem inconsumível. Imponame anotar que a "destruição imediata" do bem,
mencionada no art. 86, nem sempre significa desaparecimento físico da coisa, pois o bem destinado
à alienação é também considerado consumível em face de sua destinação econômica. Desse modo,
se determinado bem, inconsumível por natureza (um carro, por exemplo), for destinado à venda,
torna-se, para o vendedor, um bem consumível, pelo exaurimento de sua finalidade. É o que também
ocorre com o dinheiro, cuja consuntibilidade é jurídica.
156
IIN;Ielll•l•t1:1MhJ Art. 81

2. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR
·~i·~··E~-~~-~-;~;~~d~-d~-b~~~-i~-~~~~~~~-~~~-~-~~·~;~~~~:·~·ã;·{;~~j:;;~~-~~~ã~·d·~·d~~ó·~;;~:·~~·~i·~~·~·d~~·~~·~~·d~·~;;;;~~
atípico as regras do mútuo. Precedentes. (STJ, AGA n• 446296, Min. Rei. Massami Uyeda, DJE 17/03/2008)

3. QUESTÓES DE CONCURSOS

01. (TRT 23 -Juiz do Trabalho Substituto 23• região/ 2014) Assinale a alternativa CORRETA, segundo a regra
do Código Civil:
a) São fungíveis os bens móveis ou imóveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e
quantidade.
b) São consumíveis os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância, sendo também
considerados tais os destinados à alienação.
c) Os bens naturalmente divisíveis somente podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei.
d) Os bens públicos dominicais não podem ser alienados.
e) O uso comum de quaisquer bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido legalmente
pela União.

iifJ:i 1 B I
~SEÇÃO IV- OOS BENS DIVISÍVEIS
Art. 87. Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na sua substância, diminuição
considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam.

l. BREVES COMENTÁRIOS
Possibilidade de fracionamento. O critério distimivo para se separar bens indivisíveis dos
bens divisíveis repousa na possibilidade de fracionamenco da coisa, desde que a partição do bem náo
implique: (a) alteraçáo na sua substância, (b) diminuição considerável de valor e (c) prejuízo do uso
a que se destinam condições previstas no are. 87 do CC/02. A divisibilidadc dos bens não depende
apenas de suas próprias características físicas, porquanto bens naturalmente divisíveis podem tornar-se
indivisíveis por dererminaçáo da lei ou por vontade das panes, conforme previsto no art. 88 do CC/02.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (TRF 5 -Juiz Federal Substituto 5• região/2015) No que se refere a bens, assinale a opção correta.
a) Os bens dominicais, diferentemente dos demais bens públicos, se submetem primordialmente às regras do
direito privado.
b) Os bens incorpóreos não admitem usucapião, mas, como regra, admitem tutela possessória.
c) A consuntibilidade que um bem gera é incompatível com a infungibilidade.
d) A divisibilidade, ou não, de uma coisa, sob o aspecto jurídico, decorre de um critério utilitarista.
e) Os bens acessórios são aqueles que, não sendo partes integrantes do bem principal, se destinam de modo
duradouro ao uso de outro.

02. (FCC- Analista Judiciário- Area Judiciária- TRT 19/2014) Por ocasião da morte de Benedita, um de seus
herdeiros, Bento, propóe que seu anel de noivado, que compõe um dos bens da herança, seja dividido entre ele
e o irmão, Sebastião, com o derretimento do ouro e o fracionamento de um grande diamante que o ornamenta.
Sebastião se opõe, no que
a) não está certo, pois os bens móveis são divisíveis por natureza.
b) está certo, pois os bens infungíveis não podem ser alienados.
c) não está certo, pois, com o emprego da técnica correta, este anel pode ser dividido em partes iguais.
d) está certo, pois este anel é um bem indivisível, vez que o fracionamento causaria diminuição considerável de
seu valor.
e) não está certo, pois, com a morte de Benedita, este anel passou a ser um bem fungível.

157
M.8ll IJiillleiiiUid•M•bVI•liêij;lij~ilfjB!!f}it.1•1j:lijtf'1

03. {FCC- Juiz de Direito Substituto- PE/2013) Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis
a) por vontade das p'lrtes, não podendo exceder de cinco anos a indivisão estabelecida pelo doador ou pelo
testador.
b; por vontade das partes, que não poderão acordá-la por prazo maior de cinco anos, insuscetível de prorrogação
ulterior.
ci apenas por dispcsi:;áo expressa de lei.
dl por disposição e,;pressa de lei ou pela vontade das partes, desde que, neste caso, o prazo de obrigatoriedade

I
da indivisã·:> não ultrapasse dez anos.
e) apenas pela vontade das partes.

<>4. {PGE/AL/2008/ UNB/CESPE- adaptada) No que tange às disposições legais sobre os bens, assinale a opção
correta.
I Ertre os cr.térios utilizados pela lei para definir o bem indivisível encontra-se o do valor econômico.
i&l:i1 olz ol3 Al4 c

Art. 88. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei ou
por vontace das partes.

L BREVES CO:MENTÁRIOS
A natureza divisível da coisa pode não ser determinante. A utilidade desta classificação é
par:icularmeate relevame no estudo do direito das obrigações (art. 259), sendo sempre importante
ao devedor saber se o credor permite o pagamento parcial, por exemplo. Cite-se ainda que no campo
éo direito das coi;as ramo é possível aos condôminos pleitear a divisão da coisa comum para ex-
rin.;áo do condon:ínio (art. 1.320), quanto pactuar a indivisibilidade desta por prazo não superior
a c.nco anos; não o·:J:;tantc, o condômino em coisa indivisível está obrigado a respeitar o direito de
preferência dos demais, ou seja, só está autorizado a vender a sua parte a estranhos se outro consorte
não a quiser (art. 504).

QUEST.i\.0 DE CONCURSO

01. (Cespe- Analista legislativo- Consultor legislativo- Câmara dos Deputados/2014} Com relação aos
cens, julgue os itens seguintes.
•. indivisibilidade de um bem naturalmente divisível p:>de ser estabelecida por meio de negócio jurídico.

02. !"'R0C/TCE/RRI200B/FCC- adaptada} No que se refere aos bens:


:)s bens naturahwnte divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei ou por vontade das partes.

03. (TRE/MA/2009/CESPE- adaptada} De acordo com o disposto no Código Civil a respeito dos bens, assinale:
:Js bens r,aturalrr ente divisíveis não se podem tornar indivisíveis pela vontade das partes.

iftJ:I 1 c I 2

V - DOS BENS SINGULARES E COLETIVOS


Art. 89. São singulares os bens que, embora reunidos, se consideram de per si, independentemente
d·JS dema's:

L BREVES COMEN'IÁRIOS
Individualidade x Conjunto. Singulares são bens considerados independentemente dos demais,
::>u seja, que conserv;un sua individualidade ainda que estejam reunidos com outros da mesma espécie
(art. 89, CC/02). Coletivos s~o bens considerados em conjunto e que podem ser objeto de relações
juddicas próprias. Para os fins previsros no Código Civil, os bens coletivos não constituem apenas na
158
I!QI;UIIIUetj:I@U~J Art. 90

soma dos bens singulares que os compõem, pois passam a ser consideradas em conjunto, "formando
um todo único, que passa a ter individualidade própria, distinta da dos seus objetos componentes, que
conservam sua autonomia funcional" (DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro.
Teoria Geral do Direito Civil. 24• ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 339).

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Juiz/TRT/SR/2007/2• ETAPA) Das alternativas abaixo, marque a correta em relação aos bens singulares:
a) São compostos pelo solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente.
b) São suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da
destinação econômico-social.
c) São móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade.
d) São os que se podem fracionar, sem alteração na sua substância, diminuição considerável de valor ou prejuízo
do uso a que se destinam.
e) São os que, muito embora reunidos, consideram-se de per si, independentemente dos demais.
•'"11ff!111:11ir--r-E---,

Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertirentes à mesma
pessoa, tenham destinação unitária.
Parágrafo único. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas próprias.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Bens coletivos. Os bens coletivos costumam ser subdivididos em universalidades de fato e uni-
versalidades de direito. No primeiro grupo situam-se bens singulares, corpóreos e homogêneos, que
foram unidos pela vontade humana para a consecução de um fim, como ocorre com uma biblioteca.
No segundo grupo, tem-se um conjunto de relações jurídicas relativas a determinada pessoa, que
representam valor econômico unitário (v. g., massa falida, herança etc.)
Embora a universalidade de fato tenha destinação unitária, eles podem ser objeto de relações
jurídicas próprias (art. 90, CC/02); logo, numa exposição de arte no interior de uma galeria, é per-
feitamente possível adquirir-se apenas um dos quadros ou parte deles.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 288- Arts. 90 e 91. A pertinência subjetiva não constitui requisito imprescindível para a configuração
das universalidades de fato e de direito.

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (FMP- Cartório- TJ- MT/2014) Quanto aos bens, assinale a afirmativa correta.
a) As apólices da divida pública são bens móveis, mas passaram a ser tratadas como imóveis por disposição do atual
Código Civil, desde que oneradas com a cláusula de inalienabilidade, que pode ocorrer por doação ou testamento.
b) A classificação dos bens em públicos e privados assentou-se no critério subjetivo da titularidade, sendo que os
bens públicos são divididos em: uso comum do povo e dominiais. Exemplo clássico dos bens de uso comum do
povo são as ruas e praças; dos bens dominiais são os prédios utilizados ao funcionamento de uma determinada
pessoa jurídica de direito público interno.
c) A diferença nuclear entre frutos naturais e industriais é a presença ou ausência da periodicidade de reprodução.
Enquanto os frutos naturais nascem e renascem da coisa sem desfalcar a sua substância, os frutos industriais
dela se retiram ao mesmo passo que diminuem de quantidade.
d) Existe correlação absoluta entre as coisas fungíveis e consumíveis.
e) A universalidade de fato é a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação
unitária, e os bens que formam tal uníversitas factí podem ser objeto de relações jurídicas próprias.
159
Art. 91

02. (ANS/DIREIT0/2007/FCC- adaptada) A respeito das diferentes classes de bens, é correto afirmar que:
Os bens que formam universalidade de fato não podem ser objeto de relações jurídicas próprias.,
lffii:it el2 e

Art. 91. Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas
de valor econômico.

L BREVES COMENTÁRIOS
Universalidades de direito. No que concerne às universalidades de direito, deve-se lembrar que
a saída de algumas das relações jurídicas que a compõem não faz desaparecer o remanescente. Desse
modo, se parte dos bens que compõem a herança necessita ser alienada para responder pelas dívidas
do falecido, o que remanescer continua a ser considerado um bem coletivo, isto é, uma universalidade.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 288- Arts. 90 e 91. A pertinência subjetiva não constitui requisito imprescindível para a configuração
das universalidades de fato e de direito.

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (PGE/AL/2008/ UNB/CESPE -adaptada) No que tange às disposições legais sobre os bens, assinale a opção correta.
Os bens coletivos podem constituir-se em universalidade de fato, mas não em universalidade de direito.

id-!:1 1 E

•CAPÍTULO 11 -DOS BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS


Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aqueÍe cuja exis-
tência supõe a do principal.

L BREVES COMENTÁRIOS
Existência independente de outra coisa. Tradicionalmente, o estudo dos bens reciprocameme
considerados é apresentado de forma binária, dividindo-se na an;ílise dos bens principais e dos bens
acessórios. O elemento distintivo entre as categorias é bem simples: o principal existe independen-
temente de qualquer outro bem, enquanto o acessório tem sua existência condicionada à existência
do principal. Falta ao bem acessório a autonomia (soberania) do bem principal, que não precisa de
outros bens para desempenhar as funções a que está destinado.

Art. 93. São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo
duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Pertenças ,. Partes integrantes. Com o advento do Código Civil vigente, duas novas categorias
de bens, que ameriormenre só eram referidas pela doutrina, passaram a ser tratadas pelo legislador
no art. 93: as pertenças e as partes imegranres.
Partes integrantes podem ser definidas como bens que estão cão unidos à coisa principal que, dela
I
I
separadas, esta restaria incompleta, uma vez que a conexão com a coisa principal forma um só todo.
Em outras palavras, trata-se de bens desprovidos de existência material própria, que se incorporam
ao bem principal para tornar possível o seu uso, v. g., pneus de um automóvel e as telhas de uma
casa, não sendo objeto de relações jurídicas próprias.
160

·.li.
I!PI!!•III•lt~j:l§lhi Art. 93

Pertenças são bens que conservam sua individualidade e autonomia, mas cncomram-se subor- I
dinados ao principal por razões socioeconômicas (uso, ao serviço ou ao aformoseamento), sem que
exista algum tipo de incorporação iiqllele, como ocorre com as máquinas agrícolas e os animais
de uma fazenda, aparelhos de ar condicionado, equipamentos de segurança elerrónica, elevadores, I
I
objetos de decoração, instalados numa residência. Tradicionalmente são bens m6veis, mas não há I
restrição a que sejam imóveis, desde que assim conste no registro imobiliário. Além disso, a relação
de pertencialidade não desaparece quando transitoriamente ocorrer distanciamento do bem principal,
uma vez que o vínculo estabelecido decorre de ato de vontade do proprietário. Desse modo, os bens
\
que se consubstanciam em pertenças podem ser removidos temporariamente para fins de limp,eza,
reparos ou manutenção preventiva, por exemplo.

2. ENUNCIADOS DE JORNADAS
...................................................................................................................................................... , •••••• - ••••••••••••••••••••.• h••••

Enunciado 535- art. 93: Para a existência da pertença, o art. 93 do Código Civil não exige elemento subjetivo
como requisito para o ato de destinação.

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Fundatec- Procurador do Estado- RS/2015) Assinale a alternativa INCORRETA


a) Trata-se de universalidade de direito o complexo das relações jurfdicas dotadas de valor e:onômico.
b) Bens naturalmente divisíveis são aqueles passíveis de fracionamento, muito embora possam se tornar indivisíveis
por vontade das partes.
c) Salvo se o contrário resultar da lei, quando relacionados ao bem principal, os negócios juríjicos não abrangem
as pertenças.
d) Readquirem a qualidade de bens móveis os provenientes da demolição de algum prédio.
e) São pertenças os bens que, constituindo partes integrantes, se destinam ao aformoseamento de outro.

02. (Cespe- Analista Judiciário- Direito- TJ- SE/2014) Julgue os ítens a seguir, relativos a pessoas, bens e
negócios jurídicos.
Pertenças são bens individuais que podem ser produtos, frutos ou benfeitorias do bem :Yindpal.

03. (Cespe- Analista Legislativo- Consultor legislativo- Câmara dos Deputados/2014í Julgue os itens sub-
sequentes, relativos aos bens jurídicos e aos negócios jurídicos.
As chamadas pertenças são os bens que, considerados parte integrante de outro bem, se destinem ao uso,
serviço ou aformoseamento desse bem.

04. (Cespe- Analista Judiciário- Area Judiciária- CNJ/2013) A respeito da regulamentaçã::> de bens estabe ecida
pelo Código Civil ora em vigor. julgue os itens seguintes.
Se dois indivíduos firmarem um negócio jurídico cujo objeto seja um bem principal, entãc tal negócio abrangerá
necessariamente as pertenças e os bens acessórios.

os. (AGU/PROCURADOR/BA/20il7/CESPE). No Código Civil de 2002, no capitulo da parte geral dedicaco aos
bens reciprocamente considerados, introduziu-se a figura das pertenças, verdadeira rcvidade legislativa no
âmbito do direito privado brasileiro. A respeito dos bens reciprocamente considerados, .ulgue os itens a ~eguir.
São pertenças os bens que, constituindo partes integrantes, destinam-se, de modo duradoJro, ao uso, ao serviço
ou ao aformoseamento de outro.

06. (TJ/PI/Juiz/2007- adaptada) Com relação aos bens, julgue os itens a seguir.
111. Os frutos e os produtos s5o considerados bens acessórios, que advem do bem principal. A percepção dos frutos
não causa a destruição da coisa principal, mas a percepção ou extração dos produtos diminui a existência e a
substância do bem principal. As pertenças também são bens acessórios, sendo que elas não são partes inte-
grantes do bem principal. mas o embelezam ou lhe são úteis.

07. (PGE/Al/2008/ UNB/CESPE- adaptada) No que tange às disposições legais sobre os bens, assinale a opção
correta.
Embora as pertenças não se destinem de modo duradouro, ao uso, ao serviço, ou ao aformoseamento de um
bem, constituem partes integrantes do bem.
161
Art. 94 liilil!ai11UIB•I•4i•11iâ;Jâhifjrl!$$it1UJ:1#~~1
08. (MP/RN/2009/CESPE- adaptada) No que concerne a fundações, bens, obrigações, casamento, direito real e
sucessório, assinale a opção correta.
São pertenças os pneus instalados em um automóvel.

09. (Porto de Santos- Especialista portuário 11/Advogado/2011) Quanto aos bens e à legislação que os rege,
assinale a alternativa correta.
a) Considera-se bem móvel, para efeitos legais, o direito à sucessão aberta.
b) Os bens naturalmente divisfveis não se podem se tornar indivisfveis.
c) São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao
serviço ou ao aformoseamento de outro.
d) São infungíveis os móveis que podem substituir-se par outros da mesma espécie, qualidade e quantidade.
e) O uso comum dos bens públicos somente pode ser gratuito e utilizado conforme estabelecido pela administração
a que pertencerem.

E I 2 E I 4 E I 5 E I 6 c I 1 E I 8 E I 9 c

Art. 94. Os negócios jurfdicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças,
salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Via de regra, as pertenças não seguem o bem principal. Atenção para o conteúdo do art. 94
do CC/02, sempre cobrado em provas de concursos públicos: "os negócios jurídicos que dizem respeito
ao bem principal não abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de
vontade, ou das circunstâncias do caso".

Enquanto no silêncio das partes os acessórios seguirão o destino do principal, as pertenças, por
seu tempo devem ser mencionadas, caso contrário, estarão fora da negociação. Imagine a compra de
uma fazenda. Para que os rratores que a compõem possam estar incluídos, será necessária menção
expressa. Já os celeiros, por serem acessórios, estarão inclusos automaticamente.
Interessante indagar acerca do destino das partes integrantes. Como o grau de vínculo é extremo,
seguirão o principal, salvo menção direta.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (AGU/PROCURADOR/BA/2007/CESPE). No Código Civil de 2002, no capítulo da parte geral dedicado aos
bens reciprocamente considerados, introduziu-se a figura das pertenças, verdadeira novidade legislativa no
âmbito do direito privado brasileiro. A respeito dos bens reciprocamente considerados, julgue os itens a seguir.
Em regra, os negódos jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças.

02. (PROC/TCE/RR/2008/FCC- adaptada) No que se refere aos bens:


Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar
da lei, da manifestilção de vontade, ou das circunstâncias do caso.

03. (DEF/PUB/ES/2009/CESPE) - De acordo com o Código Civil, julgue os itens seguintes.


As pertenças não SEguem necessariamente a lei geral de gravitação jurídica, por meio da qual o acessório sempre
I, seguirá a sorte do principal. Por isso, se uma propriedade rural for vendida, desde que não haja cláusula que
li aponte em sentido contrário, o vendedor não estará obrigado a entregar máquinas, tratores e equipamentos
1\ agrícolas nela utilizados.

Ii Art. 9S. Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de
negócio jurídico.

·~ 162
UN;UIIIUO~j:Jj~fj Art. 96

I. BREVES COMENTÁRIOS
Frutos e Produtos. Frutos são as utilidades que o bem principal produz periodicamente e em
constante renovação, sem alteração de sua substância. Podem se classificar de acordo com a natu-
reza desta renovação ou de acordo com o momento em que se encontram, vale dizer, levando-se
em consideração seu estado em relação ao bem principal. Consideram-se naturais os frutos que se
renovam organicamente (vegetais e animais), sem interferência humana direta, e industriais aqueles
que dependem da intervenção do homem para ser gerados, como, v. g., utensílios produzidos numa
fábrica (bens manufaturados). Quando os frutos se constituem pelas rendas produzidas pelo uso de
bens (aluguel, juros, dividendos), temos os rendimentos, também chamados frutos civis; estes são
devidos periodicamente ao proprietário pelo fato de outrem estar utilizando a coisa frugífera, como
ocorre numa locação, por exemplo.
Existe outra classificação para a categoria dos frutos, elaborada por Clóvis Beviláqua, que leva em
coma o estado do acessório em relação ao principal, a saber: frutos pendentes (ainda não separados),
percebidos ou colhidos (já separados), estantes (separados, armazenados ou estocados para venda),
percipiendos, (já deveriam ter sido separados, mas isso não ocorreu) e consumidos (não mais existem
por terem sido utilizados).
Aplica-se aos produtos, no que couber, a disciplina dos frutos, em especial o disposto no art. 95 do
CC/02, que permite sejam objeto de negócio jurídico, ainda não estejam separados do bem principal.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Cespe- Analista legislativo- Consultor Legislativo- Câmara dos Deputados/2014} Com relação aos
bens, julgue os itens seguintes.
Os frutos e os produtos, para que possam ser objeto de negócio jurídico, devem estar separados do bem principal.

02. (PGE/AL/2008/ UNB/CESPE- adaptada} No que tange às disposições legais sobre os bens, assinale a opção
correta.
Os frutos e produtos somente poderão ser objeto de negócio jurídico depois de separados do bem principal,
sob pena de nulidade.
E 2 E I
Art. 96. As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias.
§ 1° São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, ainda
que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor.
§ 2° São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem.

§ 3° São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Classificação das benfeitorias. As benfeitorias podem ser definidas corno obras realizadas sobre
um bem (móvel ou imóvel) com o objetivo de conservação, melhoramento, ou simplesmente para
embelezamento ou recreio, conforme descrito no art. 96 do CC/02.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Cespe- Analista Judiciário- Area Judiciária- CNJ/2013} A respeito da regulamentação de bens estabelecida
pelo Código Civil ora em vigor, julgue os itens seguintes.
Caso determinado imóvel receba benfeitorias destinadas a conservá-lo ou a evitar-lhe a deterioração, tais
benfeitorias serão classificadas como necessárias.
163
Arl97 Diiiii!•lilfll9•M•4i•1iê§djhi§'jM!$}iti•lj:lijthj
02. (TREIMAI2009ICESPE- adaptada) De acordo c?m o disposto no Código Civil a respeito dos bens, assinale:
São benfeitorias úteis as que têm por fim conservar a coisa ou evitar que ela se deteriore.
c 1 2 E

Art. 97. Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem sem
a intervenção do proprietário, possuidor ou detentor.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Eventos naturais não configuram benfeitorias. É essencial para sua configuração que tais
acréscimos ou melhoramentos sejam produtos da ação humana voluntária, e não decorrentes de
eventos naturais, nos termos do art. 97 da codificação vigente.
Se o objetivo do responsável pela introdução da benfeitoria for o aumento ou a facilitação do uso da
coisa, temos benfeitorias Úteis. As intervenções sobre a coisa principal, ainda que o tornem mais agra-
dável ou forem de elevado valor, caso não aumentem o uso habitual do bem, constituem a:: benfeitorias
voluptuárias, que não se confundem com as necessárias, destinadas à conservação da coisa, mediante
I
providências destinadas a prevenir estragos, garantir segurança ou evitar deterioração do bem principal.

Importantê assinalar que a classificação apresentada acima não tem caráter absoluto, por depen-
der das circuns'~âncias, ou seja, da funcionalidade da coisa, avaliada de acordo com a sua destinação
econômico-social. Desse modo, a instalação de uma garagem numa casa pode ser enquadrada como
benfeitoria útil (aumento da funcionalidade do bem) ou necessária (por questões de segurança); já a
construção de uma quadra de esportes para um clube recreativo (necessária) deve ser enquadrada de
modo diferente de idêntica construção numa mansão (voluptuária).
Benfeitorias e tutela da posse. A relevância jurídica do estudo das benfeitorias evidencia-se nas
situações em que estes acréscimos são introduzidos por terceiros que não o proprietário da coisa, como
comodatários e locatários. Dispõe o art. 1.219 do CC/02 que "o possuidor de boa-fé tem direito à
indenização das benfeitorias necessárias c úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem
pagas, a levantá-las, quando o puder, sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção
pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis". Anote-se que ao possuidor de má-fé serão ressarcidas
somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem
o de levantar as voluptuárias (art. 1.220).

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Cespe- Analista legislativo- Consultor legislativo- Câmara dos Deputados/2014) Julgue os próximos
itens, acerca dos direitos de posse e de propriedade.
O possuidor de má-fé terá direito de ressarcimento pelas benfeitorias necessárias, havendo, quanto a elas, o
direito de retenção, sendo vedado, por outro lado, o levantamento das benfeitorias voluptuárias.

02. (Cespe- Analista legislativo- Consultor legislativo- Câmara dos Deputados/2014) Com relação aos
bens, julgue os itens seguintes.
Os acréscimos sobrevindos ao bem são considerados benfeitorias e passíveis de indenização, ainda que não
haja a intervenção do proprietário, do possuidor ou do detentor.

03. (ANS/DIREIT0/2007/FCC- adaptada) A respeito das diferentes classes de bens, é correto afirmar que:
Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do
proprietário, possuidor ou detentor.

04. (FCC- Juiz de Direito Substituto- PE/2013) Considera-se possuidor de boa-fé


a) apenas aquele que ostenta título de domínio.
164
Art. 98

b) somente aquele que ostentar justo título.


c) todo aquele que a obteve sem violência ou que não a exerce de modo clandestino.
d) aquele que ignora o vicio, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa.
e) o que se mantiver na posse durante o período necessário à usucapião ordinária.
c··a·a·,,--------e_,I--2----E~--3----c_,--4----E~

~CAPÍTULO 111 -IJOS BENS PÚBLICOS


Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público
interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Bens públicos. O dispositivo em análise trata da classificação dos bens em rckção ao sujeito titular
do domínio, razão pela qual não é necessário nem a análise das coisas em sua individualidade, tampouco
o estudo de sua relação com outras coisas existentes no comércio. Busca-se aqui, simplesmente, classificar
a coisa em função do regime jurídico a que se encontra submetido o titular do di:reito sobre o bem. A
classificação é feita por exclusão, sendo considcradc bem particular tudo aquilo que não for bem público
(art. 98).

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS


·······················································································································································································
Enunciado 287 - Art. 98. O critério da classificação de bens indicado no art. 98 do Codigo Civil não exaure a
enumeração dos bens públicos, podendo ainda ser classificado como tal o bem perte;,cente a pessoa jurídica
de direito privado que esteja afetado à prestação de serviços públicos.

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (lESES- Cartórios- TJ- MS/2014) São exemplos de bens públicos:


I. Rios, mares, estradas, ruas e praças.
11. Estradas, ruas e coletivos urbanos.
111. A sede do Supremo Tribunal Federal.
IV. Logradouros em geral.
A sequência correta é:
a) Apenas as assertivas I, 111 e IV estão corretas.
b) Apenas a assertiva I está correta.
c) Apenas as assertivas I e 11 estão corretas.
d) Apenas a assertiva 11 está correta.

02. (Juiz/TRT/8R/2007/1' etapa- adaptada) A resçeito dos bens públicos:


São públicos os bens do domínio nacional pertEncentes à administração pública direta ou indireta; todos os
outros são particulares, seja qual for a pessoa a cue pertencerem.
ld;\:i 1 A 2 E I
V Art. 99. São bens públicos:
1- os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;
11 -os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da ad-
ministração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias;
111- os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direitc público, como objeto
de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades.
Parágrafo único. Não dispondo a lei em comrário, consideram-se dominicais o~ bens pertencentes às
pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privadc-.

165
Art. 99 IJilll!elllf!IBei•I$1UijidihltjH§}ifh1•ll:ljtf.j
1. BREVES COMENTÁRIOS
Classificafáo dos bens públicos. A classificação dos bens públicos é apresentada no art. 99.
Bens de uso co::num do povo são aqueles cuja destinação não pode ser objeto de nenhuma forma de
rescrição que favorece interesses particulares em detrimento de toda a coletividade. São bens cujo uso
dispensa autori~ção prévia (estradas, ruas, praças etc.).
Enquadram-se na categoria de bens de uso especial aqueles que foram destinados ao atendimen-
to de necessidades públicas (v. g., imóvel onde foi edificado uma escola ou hospital público). Bens
dominicais são aqueles que embora integrem o patrimônio de uma entidade de direito público, não
estão diretame.:ue afetados à realização de nenhum serviço público.
Os bens públicos de uso comum e os de uso especial, por sua própria natureza de serviço ao pú-
blico, não podem ser objeto de alienação ou objeto de usucapião. Anote-se também que se consideram
públicos, em raz.'ío de sua destinação a determinado serviço de interesse coletivo, bens pertencentes
a pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado.

2. ENUNCI.illOS DE SÚMULA DE JUIUSPRUDÊNCIA

STF 340- Cesde a •tigência do código civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser
adquiridos pc r usucapião.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

STJ 297 - Usucapião. Bem. Sociedade. Economia Mista. A Turma reiterou o entendimento segundo o qual o
bem pertencente à sociedade de economia mista pode ser objeto de usucapião. REsp 647.357-MG, Rei. Min.
Castro Filhc, julgado em 19/9/2006.

STJ 344- Açã::> Discriminatória. Usucapião. Terras devolutas.(...) O STF já firmou entendimento de que o usucapião
de terras p(b.icas é vedado desde o advento do CC/19' 6 (Súm. no 340-STF). Ressaltou, ainda, que, se a falsidade
do documento de registro paroquial não tivesse sido comprovado, restaria a discussão acerca de sua natureza
jurídica. Ademais, a posse não se presume, vedação essa que vale tanto para a prova da sua existência no mundo
dos fatos como para o dies a quo da afirmação posses>ória. Por último, afastou a multa de lo/o sobre o valor da
causa, considerando que os embargos de declaração opostos tiveram propósito de pré-questionamento.(. .. ).
REsp 847.397-SP, Rei. Min. Herman Benjamin, j. 12/2/2C08. 2• T.

STJ 385 Usucap ão. Imóvel. Rede ferroviária. Cinge-se a matéria à viabilidade da propositura de ação de
usucapião d~: bem imóvel pertencente à rede ferroviária. O Min. Relator entendia que, uma vez desativada a
via férrea e, consequentemente, afastado o bem de sua destinação de interesse público, o imóvel perdeu o
caráter especial, motivo pelo qual passou a ter natureza de bem particular pertencente à sociedade de econo-
mia mista, :>ortanto passível de usucapião. Mas o Min. Carlos Fernando Mathias (Juiz convocado do TRF da 1'
Região), discordan:lo do Min. Relator, entendeu tratar-se de bem incluído entre os da União, conforme o art. 1°
do DL n" 9J60/1946. Além de também mencionar as Leis 3.115/1957 e 6.428/1977, ressaltou que a recente Lei
no 11.483/2007, com a redação dada ao inciso 11 do art. 2" pela Lei nº 11.772/2008, dispôs que os bens imóveis
da extinta RFFSA kam transferidos para a União. Diaote disso, a Turma, por maioria, conheceu do recurso da
União e lhe deu provimento. REsp 242.073-SC, Rei. originário Luis Felipe Salomão, Rei. para acórdão Min. Carlos
Fernando Mathias (Juiz convocado do T"F da 1,, Região), julgado em 5/3/2009.

Usucapião.lmóvel urbano. Registro. Ausência.A inexistência de registro imobiliário do bem objeto de ação
de usucapi3o não induz presunção de que o imóvel s-2ja público (terras devolutas), cabendo ao Estado provar
a titularidade do terreno corno óbice ao reconhecimento da prescrição aquisitiva. REsp 964.223, rei. Min. Luis
Salomão, 1.3.:0.11. 4° T. (lnfo 485, 2011)

4. QUESTÃO DI~ CONCURSO

01. {ANALIST/.IUD/TRF/2R/2007/FCC) Considere:


Praças, rua> e estradas.
11. Edifícios destinados a estabelecimentos da administração pública estadual.
111. Terrenos des:tinad·JS a serviços de autarquia municipal.
IV. Rios e mares.

166
lll!J;UIIItlehj:ljU~J Art.100

São bens públicos de uso especial os indicados APENAS em


a) I, 11 e 111.
b) leiV.
c) 11.
d) 11 elll.
e) 111.

02. (Juiz/TRT/SR/2007/1• etapa- adaptada) Marque a alternativa:


O uso comum dos bens públicos só pode ser gratuito, pois são destinados à utilização pela sociedade que já
paga os impostos, sendo vedado o uso oneroso dessa classe de bens.

03. (PJ/CE/2008/FCC) Passam a integrar o domfnio do Municfpio as vias e praças, os espaços livres e as áreas des-
tinadas a edifícios públicos ou outros equipamentos urbanos, constantes do projeto e do memorial descritivo
do loteamento,
a) desde o registro da escritura de venda dessas áreas, que o loteador necessariamente fará ao Município, incum-
bindo a este a avaliação.
b) com o decreto expropriatório dessas áreas.
c) com o pagamento de indenização devida ao loteador pela desapropriação das áreas referidas.
d) desde o registro da escritura de doação dessas áreas, que o loteador deve fazer ao Município.
e) desde a data do registro do loteamento.

04. (TJ/PE- Juiz Substituto/2011) Os imóveis a seguir mencionados pertencem:


Imóvel 1 -a uma pessoa jurfdica de direito privado, mas de que o Estado é acionista;
lmóvel2 -a uma autarquia, onde funciona hospital para atendimento gratuito da população;
Imóvel 3- a um loteamento urbano aprovado e registrado, para servir de praça pública, mas cujo terreno não
foi objeto de desapropriação;
lmóve14- ao município que o recebeu, por ser a herança vacante, e que permanece sem destinação.
Esses imóveis são classificados, respectivamente, como bens:
a) particular; público de uso especial; público de uso comum do povo; público dominical.
b) público de uso especial; público de uso especial; particular por falta de desapropriação; público dominical.
c) particular; público de uso comum do povo; público de uso comum do povo; público de uso especial.
d) público dominical; público de uso especial; particular, por falta de desapropriação mas que se tornará público
pela usucapião; público dominical.
e) particular; público de uso especial; particular que só se tornará público por desapropriação; público dominical.

'dl' 1 o 1 2 E I 3 E I 4 E I

Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto
conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Possibilidade de alteração da classificação. Obviamente a qualificação de bem como público
pode ser alterada, mediante desafetação de sua finalidade. Somente desafetado pode o bem cair no
comércio. Neste espectro publicista, vale observar que os bens públicos não estão atrelados ao uni-
verso privado. O STJ já s~ posicionou no sentido de que os bens públicos não estão atrelados à lei de
locação, mormente no espectro das "luvas" (REsp. 56612-6 RS).

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (TJ/PI/Juiz/2007- adaptada) Com relação aos bens, julgue os itens a seguir.
A alienação dos bens públicos de uso comum do povo e dos de uso especial dependerá de prévia alteração
de sua natureza jurídica, segundo lei específica. Assim, os bens públicos suscetíveis de valoração patrimonial
podem perder a inalienabilidade que lhes é peculiar, pelo instituto da desafetação.
167
Art. 101

02. (PROC/TCM/RJ/2008/FGV) A respeito dos bens públicos, é correto afirmar que:


a) são inalienáveis, exceto quando desafetados, á.utorizando a lei ordinária sua venda.
b) são inalienáveis, exceto se lei complementar autorizar sua alienação.
c) são sempre inalienáveis.
d) são inalienáveis, se forem de uso especial.
e) são inalienáveis, se forem de uso comum.

03. (Procurador do Municipio de londrina/PR/2011) Quanto aos bens públicos, marque V para as afirmativas
verdadeiras e F para as falsas:
( ) Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua
qualificação, conforme determinado em lei.
( ) Os bens públicos dominicais não podem ser alienados.
( ) Rios, mares, estradas, ruas e praças são bens públicos de uso comum, inalienáveis a qualquer tempo e sob
qualquer destinação.
A sequência está correta em:
a) V, F, F
b) V,V,F
c) V,V,V
d) F, F, V
e) F, V, V
•&·i:l c 2 A 3 A

Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.

I. BREVES COMENTÁRIOS
É possível alienar bens dominicais. Atenção para o modo de alienação dos bens dominiais.
Apesar de não estarem afetados a nenhum serviço público específico, sua alienação deverá observar a
forma pública e transparente, normalmente seguindo a estrutura de um leilão. Busca-se, através desse
processo licitatório, a proposta mais vantajosa para o dtular do bem. Não se confunde alienar com a
concessão de uso de bem público, medida especial e criada sem que se transfira a titularidade do bem.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STJ 103 -Incluem-se entre os imóveis funcionais que podem ser vendidos os administrados pelas forças armadas
e ocupados pelos servidores civis.

3. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR

Ressalte-se que somente ê possível a transferência de domínio de bens imóveis pertencentes ao Poder Público
quando se tratar de bens dominicais. Tanto os bens de uso especial- como se classificam os bens mencionados
-quanto os de uso comum do povo são inalienáveis enquanto conservarem essa destinação. (STJ, AR no 1157,
Min. Rei. Denise Arruda, OJE 26/11/2007).

V Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Impossibilidade da usucapião de bens públicos. Atenção para as controvérsias em relação a
este dispositivo. Diversos autores vêm sustentando a possibilidade de prescritibilidade dos bens pú- I
blicos, pelas mais variadas razões (c isto vem influenciando várias decisões judiciais). Aduz-sc, por
exemplo, que o princípio da função social deve sempre orientar o julgador ao apreciar as pretensões
168
Il
lliji;I•IIIHthj:lâ~bj Art. 102

declaratórias de usucapião, sendo tal princípio, ao mesmo tempo, pressuposto e limite ao exercido do
direito de propriedade, que cada vez mais passa a ser compreendido numa perspectiva funcionalizada.
Contudo, o posicionamento do STF, estampado na Súmula 340, deixa patente que, como regra geral,
não podem os bens públicos, em sua totalidade, ser objeto de usucapião.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STF 340- Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem
ser adquiridos por usucapião.

3. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR

~ É possível reconhecer a usucapião do domínio útil de bem público sobre o qual tinha sido, anteriormente, ins-
tituída enfiteuse, pois, nesta circunstância, existe apenas a substituição do enfiteuta pelo usucapiente, não
trazendo qualquer prejuízo ao Estado. Recurso especial não conhecido. (STJ, REsp no 575572, Min. Rei. Nancy
Andrighi, DJ 06/02/2006).

4. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Cespe- Analista Legislativo- Consultor Legislativo- Câmara dos Deputados/2014) Com relação aos
bens, julgue os itens seguintes.
Há entendimento pacífico no Supremo Tribunal Federal no sentido de que os bens dominicais não podem ser
adquiridos por usucapião, contudo, observadas as exigências de lei, podem ser alienados.

02. (UEL- Delegado de Polícia- PR/2013) Sobre as diferentes classes de bens previstas no Código Civil, considere
as afirmativas a seguir.
1. São bens imóveis os direitos reais sobre imóveis, as ações que os asseguram, a sucessão aberta e os materiais
provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem.
11. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham
destinação unitária. Esses bens podem ser objeto de relações jurídicas próprias.
111. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou mediante retribuição, conforme for estabelecido legal-
mente pela entidade a cuja administração pertencerem.
IV. Os bens públicos dominicais são insuscetíveis de cessão, doação, constituição de garantia e alienação. Por serem
essenciais ao serviço público, seu uso por particular deve ser temporário e mediante remuneração.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e 11 são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas 111 e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, 11 e 111 são corretas.
e) Somente as afirmativas 11, 111 e IV são corretas.

03. (UEG- Delegado de Polícia- G0/2013) O regime jurídico dos bens é dividido em três grandes modalidades,
os bens considerados em si mesmos, os bens reciprocamente considerados e os bens públicos. Cada uma dessas
modalidades é subdividida. De qual modalidade cada um dos tipos de bens a seguir fazem parte, respectiva-
mente, considerando a seguinte ordem: bens considerados em si mesmos, bens reciprocamente considerados
e bens públicos?
a) Bens de uso comum do povo, bens de uso especial e benfeitoria.
b) Bens fungíveis, pertenças e bens dominicais.
c) Bens imóveis, bens móveis e pertenças.
d) Bens consumíveis, bens imóveis e bens de uso comum do povo.

04. (PROC/TCE/AL/2008/FCC) NÃO são suscetíveis de aquisição por usucapião:


a) os bens cujo domínio conste do serviço de registro de imóveis corno pertencentes às pessoas absolutamente
incapazes e os bens das autarquias.
169
Art.103 Qiilll•lllfllB•I•bt\1•Ujijdjfii:J\jrl§j1ftit1j:J;thj
b) os bens dominicais da União, dos Estados e dos Municípios, bem como os gravados com cláusula de impenho-
rabilidade por disposição testamentária.
c) quaisquer bens móveis e os bens públicos de uso comum do povo.
d) as terras devolutas e os imóveis gravados por testamento com cláusula de inalienabilidade.
e) os imóveis de que o possuidor for titular de propriedade resolúvel e os bens cujo domínio constante do serviço
de registro de imóveis pertencer a menor de dezesseis anos ou a um pródigo.
•cq•,•,,•,--,----,-.~--2---E_,J--3----B-rJ-4----A-,

Art. 103. o uso c~mum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido
legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem.

L BREVES COMENTÁRIOS
Uso dos bens públicos. A estrmura de uso de um bem público é regulada pelo Direito Admi-
nistrativo, contudo, insta aqui salientar que o uso gratuito é excepcional, devendo ser justificado de
forma especial. Isto porque, mesmo n<\ Administraçáo Pública, a lógica de que se está com um bem
de terceiro (o povo) qualquer ato de liberalidade rem formataçáo de exceçáo.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA


Relação das súmulas aplicáveis aos artigos 79 ao 103:

STF 340- Desde a vigência do código civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser
adquiridos por usucapião.

STJ 103 -Incluem-se entre os imóveis funcionais que podem ser vendidos os administrados pelas forças armadas
e ocupados pelos servidores civis.
Relação dos enunciados aplicáveis aos artigos 79 ao 103:

Enunciado 11 - Art. 79: não persiste no novo sistema legislativo a categoria dos bens imóveis por acessão
intelectual, não obstante a expressão "tudo quanto se lhe incorpora natural ou artificialmente", constante da
parte final do art. 79 do CC.

Enunciado 287 - Art. 98. O critério da classificação de bens indicado no art. 98 do Código Civil não exaure a
enumeração dos bens p(lblicos, podendo ainda ser classificado como tal o bem pertencente a pessoa jurídica
de direito privado que esteja afetado à prestação de serviços públicos.

Enunciado 288- Arts. 90 e 91. A pertinência subjetiva não constituí requisito imprescindível para a configuração
das universalidades de fato e de direito.

2. QUESTÓES DE CONCURSOS

01. (Vunesp- Delegado de Policia- SP/2014) Com relaç3o aos bens públicos, é correto afirmar que
a) os de uso especial e os dominicais são inalienáveis. ina::fmitindo desafetação.
b) podem ser de uso gratuito ou retribuído, conforme disposição legal.
c) os rios, mares, ruas e praças constituem bens de uso especial.
d) os de uso especial são aqueles bens públicos revestidos de estrutura de direito privado.
e) apenas os dominicais estão sujeitos à usucapião.

RJ:i B I

170
LIVRO III-
DOS FATOS JURÍDICOS

NOTA INTRODUTÓRIA- NEGÓCIOS


PROCESSUAIS

O novo Código de Processo Civil trouxe profunda inovação na teoria dos negócios jurídicos
processuais, figura que já existia no sistema processual (como exemplo, na desistência), mas que foi
rotalmente reestruturada e reconcebida, gerando praticamente uma nova teoria a ser desbravada. A
novel codificação trata do tema (de forma mais detida) em seus artigos 190 e 191 e, a partir deles
iniciamos nossa análise (sempre sob a ótica civilista):

Art. 190. Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição, é lícito às partes plenamente capazes
estipular mudanças no procedimento para ajustá·lo às especificidades da causa e convencionar sobre os seus
ônus, poderes, faculdades e deveres processuais, antes ou durante o processo.
Parágrafo único. De ofício ou a requerimento, o juiz controlará a validade das convenções previstas neste artigo,
recusando-lhes aplicação somente nos casos de nulidade ou de Inserção abusiva em contrato de adesão ou em
que alguma parte se encontre em manifesta situação de vulnerabilidade.
Art. 191. De comum acordo, o juiz e as partes podem fixar calendário para a prática dos atos processuais, quando
for o caso.
§ 1• O calendário vincula as partes e o juiz, e os prazos nele previstos somente serão modificados em casos
excepcionais, devidamente justificados.
§ 2• Dispensa-se a intimação das partes para a prática de ato processual ou a realização de audiência cujas datas
tiverem sido designadas no calendário

Cabe-nos, primeiramente, compreender o negócio jurídico com o ato de vontade que objetiva
determinados e desejados efeitos, sob a aprovação da lei Tal conceito, que se reputa suficiente mas
não definitivo, está calcado na eterna lição de José de Abreu Filho, a panir dos esmdos de Ruggiero,
acerca dos três vértices do negócio jurídico (declaração de vontade, efeitos c aprovação).
Por outro lado, seguindo a visão coerente e amalizada de Claudio Luiz Bueno de Godoy (in
Teoria Geral do Direito Civil. [coord. Renan Lotufo e Giovanni Ettore Nanni], São Paulo: Atlas,
2008. pp. 385 a 408), deve-se entender que tanto vontade quanto lei se equilibram para delinear
o negócio jurídico, não mais se seguindo uma visão meramente voluntarista (vontade) ou preceptiva
(lei), mas uma construção da vontade calcada nos limites c nas perspectivas permitidas em lei. Não se
concebe o negócio jurídico como um ato voluntarístico ilimitado, o que contrariaria a própria
essência do sistema civil pátrio. Apesar de a função social e a boa-fé, em suas amplas dimensões,
serem princípios que buscam reforçar a vonmde em sua raiz, não se pode negar que, ao lado da or-
dem pública, servem como limitadores do abuso e do desvio, limites sóbrios para a manifestação da
vonrade. E, aqui, ingressa-se nos negócios processuais.
171
Art. 104 liiijl!•ll•ltll@•l9I•IIIH!ItJ!9•1
Negócios processuais ou negócios jurídicos processuais são, provavelmente, a grande inovação
advinda com o CPC. Não que tal categoria não existisse no CPC de 1973 (o que se pode exemplificar
com a desistência da ação), mas tamanho relevo foi a ela dado na atual codificação, em vigor a partir
de 2016, que pode-se considerar que o Brasil ganhou, finalmente, uma estrutura legal para os negócios
processuais. São eles manifestação do princípio do respeito ao autorregramento da vontade, defi-
nido por DIDIER (Fredie Didier, Princípio do respeito ao autorregramento da vontade no Processo
Civil, in Negócios Processuais [coord. Antônio do Passo Cabral e Pedro Henrique Nogueira, 2015.
Salvador: Editora JusPodivm, pp. 19 a 26) como um complexo de poderes que podem ser exercidos pelos
mjeitos de direito, em níveis de amplitude variada, de acordo com o ordenamento jurídico. Segundo o
autor, o referido princípio é composto de quatro liberdades: (a) de negociação; (b) de criação; (c) de
estipulação; e (d) de vinculação Tais liberdades são conhecidas da teoria do negócio no universo
privado e passam a ser reconhecidas na esfera publicista do processo civil.
Tais negócios processuais, que nascem declarações de vontade negocia!, destacam uma clara elevação
de importância do papel das partes que, de conduzidas, passam a co-condutoras do processo, não
apenas se limitando ao impulso inicial, mas viabilizando uma profunda intervenção no feito, desde
a convenção de arbitragem, passando pelo calendário processual (art. 191, CPC) c chegando à pos-
sibilidade de constituição de negócios processuais arípicos (art. 190, CPC). E, com isto, a teoria dos
negócios jurídicos, revisitada, ganha novo fôlego, ampliando ainda mais a influência e a necessidade de
cooperação para a formação da vida social. A cooperação processual, singularmente o elemento mais
destacado pelos negócios processuais, passa a ser estimulada diretamente e profundamente pelo sistema
legal. Não se pode pensar o negócio processual, assim como em qualquer negócio jurídico bilateral,
sem que se tenha uma profunda cooperação entre as partes, sob pena de uma jornada infrutífera c
vã. Com isto, a teoria dos negócios processuais torna-se catalisado r do espírito de cooperação- art.
6°, CPC - (como as convenções em matéria de produção de prova, a fixação de prazos processuais
especiais etc.), colaborando para o alcançar da verdade real no processo. E, apesar de autônomos,
direito material e processo devem caminhar juntos, na incessante busca pela pacificação social.
Acima, afirmou-se que o negócio jurídico nasce de uma declaração de vontade negociai, e pode
parecer ao leitor que se está a afastar a importância da vontade em si mesma. Pelo contrário, o que
se rem é uma maior clareza conceitual, visto que a vontade é elemento interno, concebido no âmago
do sujeito, ampla c ilimitada em sua concepção; por ourro lado, a declaração desta vontade, elemento
externo, exposto, de uma vontade negociai (que deseja efeitos permitidos em lei) é limitada, conhece
limites claros especificados em lei e nos costumes. Não é da substância de nenhum negócio jurídico
nascer de urna clcclaraçáo ele vontade ilimitada, assim como não é dado ao sistema legal limitar tal
vontade de maneira dcs;trrazoada. Equilíbrio é a palavra; limite com razáo, o destino.

~TÍTULO 1-00 NEGÓCIO JURÍDICO

o- Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:


I- agente capaz;
~CAPÍTULO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS

11 -objeto lícito, possível, determinado ou determinável;


111- forma prescrita ou não defesa em lei.

I. BREVES COMENTÁRIOS

Os diferentes planos do mundo jurídico. O dispositivo em análise não trata apenas dos re-
quisitos de validade do faro jurídico. É possível retirar elementos relacionados com a sua própria
existência. Quando, por exemplo, o inciso I se refere à capacidade do agente, pode-se inrerpretar
H2
IU•iijll~li;l•ltlliiti;Jt;WU#$bl91thjQ;UI9tl1161t1 Art. 104

tal exigência levando-se em consideração tanto a verificação da efetiva manifestação de vontade


(pressuposto de existência) como a análise da liberdade da vontade do agente no momento de sua
manifestação (pressuposto de validade). Os comentários a este livro do Código Civil serão apresenta-
dos na perspectiva da teoria do fato jurídico, situando o fenômeno jurídico em três planos distintos:
existência, validade e eficácia.
Em geral, relaciona-se o art. 104 apenas com o plano da validade do negócio jurídico, que cos-
tuma ser descrito como uma fase de controle de qualidade em que se deve perquirir se os elementos
constituintes do fato jurídico apresentam defeitos que influem em sua perfeição, isto é, em sua con-
formidade com o previsto no ordenamento jurídico.

de qualidade. Aqui
se verifica adequação
obrí$a~Çria do Mundo. aos requisitos ·
doJ)lreito. Aqui não do sistema. Nem todos • ,.
se cqgita invalidade os fatos jurídiCos passar~\'. '
ou ineficácia. Ingressam por este plano. É
todos os fptos objeto necessário que a vontade
da incidência de norma seja elemento cerne
jurídica sobre suporte do suporte fático para
fático suficiente. ingresso nessa dimensão.

Fonte: EHRHARDT JR., Marcos. Direito civil- parte geral e LINDB. 2.ed. Salvador: Editora Juspodillm, 2011.

Invalidade e suas espécies. A consequência desta não adequaçáo aos ditames do ordenamento é a
sanção da invalidade. O tratamento que cada or(!enamemo t!ispmsa quanto às consequêncías da decreta-
ção da invalidade varia em razão dos interesses da política kgislariva. Para situações mais severa.;. onde o
interesse em jogo é o da própria coletividade, ou seja, onde se violam normas de ordem pública, oestina-se
a nulidade, que, na maioria dos casos, quando reconhecida imp.:de a produção dos deitos próprios do ato
jurídico (acarreta em sua inefldcia), bem como qualquer wHaliva de sanação do vício detectado.
Do outro lado, tu anulabilidade o interesse em jogo,; privado, ou seja, está adstrito a particulares,
tendo em vista que os efeitos sáo relativos apenas às pa ru:s. Neste caso, o sistema admite que tais
atos jurídicos, mesmo eivados de ddeitos, produzam su.t cCicácia específica até que sejam :ou náo)
descontituídos, o que releva a possibilidade de serem sanados. pela confirmação ou pelo decurso do
tempo (MELLO, Marcos Bernardes. Teoria do faw Jurídico: Plano de Validade. 6. ed. São Paulo:
Saraiva, 2004, p. 61).
Capacidade do agente. Trata-se de elemento indispensável à validade do negócio jurídico,
devendo ser aferido no momento da pr<Ítica do ato. Relaciona-se a possibilidade de figurar numa
relação jurídica, por si próprio, razáo pela qual seu c"'"Jn exige o conhccimemo das hipóteses de
173
Art. 1114 liiiill•lg•ltlfi@HUHI•fiiJ;J!UIR•I
incapacidade absoluta (art. 3°) c de incapacidade relativa (art. 4°), previstas taxativamente no Có-
digo Civil. Anote-se que a perda da capacidade por fato superveniente à prática do ato não invalida
o negócio celebrado, tampouco a aquisição de capacidade após a conclusão do negócio é suficiente
para remover o vício invalidante.
Capacidade "' Falta de Legitimação. Não pode uma pessoa encarregada de zelar pelos negócios
de outra trair tal confiança c praticar atos em benefício próprio, pois evidente a indevida confusão
de imcresscs. Incapacidade não se confunde com falta de legitimação, ou seja, a proibição legal para
a prática de determinados atos jurídicos destinada a proteger interesses de terceiros em situações
que configurem conflitos de interesses. Em sitllações especiais (vide arts. 1749, I; 1647, 580 do
CC/02), embora capaz, encontra-se o indivíduo privado da prática de determinado ato por conta de
sua posição na relação jurídica, como ocorre, por exemplo, na vedação do tlltor de adquirir bens do
tutelado ou do ascendente de vender ao descendente sem o consentimento dos demais descendentes
c do seu cônjuge (art. 496 do CC/02). Nos exemplos mencionados não se busca proteger pessoas
sem condições de discernir (=incapazes), mas sim resguardar interesses de terceiros. Tal constatação
faz com que alguns autores relacionem a legitimação como uma forma especial de capacidade para
determinados atos da vida civil. Neste sentido, Sílvio Venosa esclarece que aferir legitimação impli-
ca verificar a pertinência subjetiva de um titlllar de um direito com relação a determinada relação
jurídica (Direito Civil. Parte Geral, vol. 1. São Paulo: Atlas, 2007, p. 139, nora 1). Legitimação, por
conseguinte, pode ser entendida como "uma condição especial para celebrar determinado tlto ou negócio
jurídico" (TARTUCE, Flávio. Direito Civil. Lei de introdução c Parte Geral, vol 1, 2 ed. São Paulo:
Mérodo, 2006, p. 120-1.), não devendo ser confundida com legitimidade, uma das condições da ação,
matéria afeta ao campo processual (art. 17, CPC), embora, não raro, tais expressões sejam utilizadas
indistintamente como sinônimas.
Objeto lícito, possível e determinável. A compatibilidade do objeto do negócio com os bons
costumes, a moml e a ordem jurídica definem, ou náo, sua licitude. Quanto à possibilidade, esta se
divide em possibilidade física ou possibilidade jurídica, sendo necessário destacar proibições legais
como as constantes dos arts. 426 e 548. O objeto do ato jurídico deve ser qualificado e individuali-
zado, até o momento da execução do negócio.
Forma prescrita ou não defesa em lei Em nosso sistema jurídico vigora o princípio da liberdade
das formas (art. I 07), regra geral que para ser afastada exige manifestação expressa das partes (vide
art. 109 do CC/02) ou previsão legal (ares. 108, 1.535 e 1.5.%). Denomina-se solene o negócio jurídico
que depende de determinada forma para ter validade, enquanto que a expressão ndo solene identifica
atos jurídicos quando sua forma é livre, isto é, quando ;I exteriorização da vontade dos agentes ocorre
pela palavra escrita, por meio de gestos ou simplesmente de modo verbal.
Breve visão dos fatos. Compreender os aconteci me mos que possuam interesse ao Direito (acon-
tecimentos jurígenos) e separá-los de acomccimcmos que se deem no mundo dos fatos e somente a
este ~mportem é de fundamental relevo para o sistema Civil. Assim, seguindo-se o esquema a seguir,
pode-se perceber que o conceito de FATO abrange os FATOS MATERIAIS (acontecimentos que
não interessam ao mundo do direito, pois não causam nele qualquer efeito) e os FATOS JURÍDI-
COS (acontecimentos que criem, modifiquem ou exri11guam direitos). Percebe-se, então, em corre
lógk:o, que é necessário aprofundar o estudo dos brus iurídicus, por serem eles de efetiva relevància
para o Direito.

::--J'este sentido, deve-se realizar segunda dilcrenciaç;lo. De um lado há faros jurídicos que decorrem
de s:mples eventos naturais, sem intervenção da vonradc hunwta (FATOS JURÍDICOS NATURAIS)
e, de outro, há os fatos jurídicos que necessitam, em ma origem, da presença voluntária humana
(FATOS JURÍDICOS HUMANOS). A morre de uma r"s no pasto em razão de um raio enquadra-se
174
I~Uii!Jitild•l•liiiU;JtMU4HUijUtjQ;I•Iijj\}1ih1hj Arl.104

na primeira classe; já o casamento, é espécie da segunda. Atente-se que os fatos jurídicos naturais
podem ser de comum ocorrência, previsíveis ORDINÁRIOS) c há os que, em razão de sua própria
existência ou de sua extensão, são incomuns (EXTRAORDINÁRIOS).
Dando continuidade à análise dos faros jurídicos humanos, serão eles fracionados em atos jurídicos
(em que a vontade humana é fundamental) e os atos-fatos, que sucedem em um meio-termo entre a
vontade (que existe) e a desnecessidade de que esta esteja direcionada a algum fim (como o que ocorre
no achado de tesouro, quando o achado - realizado por terceiro -deverá se dar por causa eventual).
Por fim, os atos jurídicos são fracionados em negócios jurídicos (em que a vontade humana é plena
e controla não apenas a ocorrência, mas também os efeitos decorrentes do ato, sempre em respeito à
lei- como nos contratos e testamentos) c os atos jurídicos em sentido estrito (sendo a vontade apenas
a mola propulsora de efeitos previamente ordenados na lei - como no reconhecimento de filhos).

!
!
8
Fonte: Figueiredo, Luciano Lima & Figueiredo, Roberto Uma. Direito Civil- Obrigações e Responsabilidade
Civil (Coleção Sinopses para Concursos). 3. ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2014.

'+ (MP-RJ/PROMOTOR- 2016) Faça a distinção entre os planos da existência, validade e eficácia dos negócios
jurídicos. (Resposta objetivamente fundamentada.)

2. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. RECONHECIMENTO DA NULIDADE DO CONTRATO E SEU EFEITO


SOBRE AÇÃO ORDINÃRIA DE RESOLUÇÃO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL LOCALIZA-
DO EM LOTEAMENTO IRREGULAR. Deve ser extinto sem resolução de mérito o processo decorrente do
ajuizamento, por loteador, de ação ordinária com o intuito de, em razão da suposta inadimplência dos
adquirentes do lote, rescindir contrato de promessa de compra e venda de imóvel urbano loteado sem
175
Art. 104 liltii!•IW•I•I~!jij•iijl•llii;JI•llQ•I

o devido registro do respectivo parcelamento do solo, nos termos da Lei 6.766/1979. De fato, o art. 37,
caput, da Lei 6.766/1979 (que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano) determina que é "vedado vender
ou prometer vender parcela de loteamento ou desmembramento não registrado". Além disso, verifica-se que
o ordenamento juridico exige do autor da ação de resolução do contrato de promessa de compra e venda a
comprovação da regularidade do loteamento, parcelamento ou da incorporação, consoante prevê o art. 46 da
Lei 6.766/1979: o "loteador não poderá fundamentar qualquer ação ou defesa na presente Lei sem apresentação
dos registros e contratos a que ela se refere". Trata-se de exigência decorrente do princípio segundo o qual a
validade dos atosjurfdicos dependem de objeto !feito, de modo que a venda irregular de imóvel situado em lotea-
mento não regularizado constitui ato jurídico com objeto ilícito, conforme afirmam a doutrina e a jurisprudência.
Dessa forma, constatada a ilicitude do objeto do contrato em análise (promessa de compra e venda de Imóvel
loteado sem o devido registro do respectivo parcelamento do solo urbano), deve-se concluir pela sua nulidade.
Por conseguinte, caracterizada a impossibilidade jurídica do pedido, o processo deve ser extinto sem resolução
do mérito, nos termos do art. 267, VI, do CPC. REsp 1.304.370-SP, Rei. Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
julgado em 24/4/2014 (Informativo n• OS43).

~ Efetuada e concluída a transação, é vedado a um dos transatores a rescisão unilateral, como também é obrigado
o juiz a homologar o negócio jurfdico, desde que não esteja contaminado por defeito insanável (objeto ilícito,
incapacidade das partes ou irregularidade do ato). (STJ, REsp n•6S0795, Min. Rei. Nancy Andrighi, DJ 15/08/2005).

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Reis & Reis- PGM- Santana do Jacaré- Procurador/2015) É um acontecimento que se dá proveniente de
uma origem seja ela natural ou humana que ao seu surgimento repercute consequências jurfdicas.
a) Ato administrativo;
b) Fato Administrativo;
c) Fato Jurídico;
d) Ato ilfcito.

02. (TRT 8- Juiz do Trabalho Substituto s• regiãof2014) Analise as proposições a seguir e marque a única alter-
nativa que contempla as afirmações CORRETAS:
O fato jurfdico em sentido estrito corresponde a todo acontecimento natural para o qual não concorra a atuação
humana, podendo ser classificado como ordinário (fato da natureza de ocorrência comum) ou extraordinário
(aquele inesperado, imprevisível).
11. O ato jurídico em sentido estrito constitui simples manifestação de vontade, sem conteúdo negociai, que deter-
mina a produção de efeitos legalmente previstos. Não obstante despidos de conteúdo negociai, aplicam-se ao
ato jurídico em sentido estrito, no que couber, as mesmas disposições estabelecidas no Código Civil em vigor
para o negócio jurídico.
111. Ainda que o Código Civil vigente estabeleça que a capacidade do agente seja um dos requisitos de validade do
negócio jurfdico, a incapacidade de uma das partes não pode ser invocada pela outra em beneficio próprio, nem
aproveita aos cointeressados capazes, s3lvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum.
IV. Quando a lei não dispuser em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que
visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a
trinta vezes o maior salário mínimo vigente no Pais. De igual forma, celebrado o negócio jurídico com cláusula
que condicione sua validade à subscrição instrumento público, este será da substância do ato.
V. Segundo o Código Civil vigente, na celebração do negócio jurídico, a reserva mental é irrelevante para com-
prometer a manifestação de vontade, salvo se conhecida do destinatário.
a) Está correta apenas a afirmação 111.
b) Estão corretas apenas as afirmações 11, IV e V.
c) Estão corretas apenas as afirmações I e IV.
d) Está correta apenas a afirmação 11.
e) Estão corretas apenas as afirmações I, 111 e V.

03. (lESES -Cartórios- TJ - MSI2014} Quanto à validade do negócio jurídico e seus requisitos, assinale a alter-
nativa INCORRETA:
176
Art. 105

a) Validade do negócio jurídico dependerá de objeto licito, possível, determinado ou determinável.


b) Validade do negócio jur!dico dependerá de forma prescrita ou defesa em lei.
c) Validade do negócio jurídico dependerá de agente capaz.
d) Validade do negócio jurídico dependerá de previsão legal.

04. (Cespe- Analista Judiciário- Direito- TJ- SE/2014) Com relação aos contratos e da responsabilidade civil,
julgue os itens que se seguem.
O dano decorrente de ato il!cito por abuso de direito tem natureza objetiva, aferível independentemente de
culpa ou dolo do agente.

os. (MPE-SC- Promotor de Justiça- SC/2013) Segundo o Código Civil, a validade do negócio jurídico requer
apenas dois requisitos, ou seja, agente capaz e objeto licito, possível, determinado ou determinável.

06. (ANAC/2009/CESPEl São requisitos de validade do negócio jurídico: agente capaz; objeto licito, possível, de-
terminado ou determinável; e forma prescrita ou não defesa em lei.

07. (ANALISTA/TRT/17• Região/2009/CESPE) Todo ato jurídico se origina de uma emissão de vontade, mas nem
toda declaração de vontade constitui um negócio jurídico.

os. (MP/RN/2009/CESPE- adaptada) No que se refere aos negócios jurídicos, ao direito de empresa e aos direitos
reais de garantia, assinale a opção:
A forma de realização do negócio e a vontade do agente constituem elemento; acidentais do negócio jurídico.

09. (TCE/ACRE/2009/CESPE- adaptada) A respeito da disciplina dos negócios jurídicos no Código Civil, assinale:
Os negócios solenes não são a regra no direito brasileiro. No entanto, se a norma legal impõe forma especial
para a realização do ato, diz-se que o negócio é ad solemnitatem. Exemplo disso é o testamento.

RH1 c\2 s\3 c\4 c\s e\6~7 c\s e\9 c

Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em beneficio
próprio, nem aproveita aos co-interessados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito
ou da obrigação comum.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Alegação de incapacidade relativa por outrem. Considera-se capn aquele que tem condições
de agir por si mesmo no mundo jurídico. Estamos tratando da capacidade de exercício, obtida, no
caso das pessoas naturais, quando se atinge a maioridade ou se anr~cipam os seus efeitos (emanci-
pação). Vale destacar que o menor relativamente incapaz não pode invocar sua idade, para eximir-se
de uma obrigação, se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de
obrigar-se, declarou-se maior, consoante prescreve o art. 180 do CC/02. Privilegia-se neste ponto a
boa fé que deve reger todas as relações negociais (art:. 113 c/c art. 422 CC/02) e a vedação de venire
contra foctum proprium. Atenção ainda para o disposto no art. 2(\.) do CC/02, pois perde a qualidade
de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos. Sobre o tema ver ainda o disposto nos
ares. 158 e 181 do CC/02.

Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídtco se for relativa, ou se cessar
antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Exceção ao art. 104. Se no art. 104 nos foi apresentada a regra geral (o negócio jurídico só deve
ter validade se seu objeto for lícito, possível e determinado), no a nigo em análise consta uma exceção
a essa regra. O objeto do negócio está relacionado ao que o m.:dor pode exigir do devedor, ou seja, a
uma prestação, que se consubstancia numa conduta humana destinada a um dar, f:tzer ou não fazer
177
Art.107 Qliiii•IIU•IU#HUHUflil;fl•lld•l
alguma coisa. O objeto do negócio jurídico deve ser possível, pois diante da impossibilidade (material
ou jurídica), via de regra, cessa para o devedor a responsabilidade, resolvendo-se a obrigação.
A impossibilidade deve ser objetivamente considerada, isto é, oponível a todos, pois não se consi-
dera impossível uma obrigação que o devedor, por algum motivo de ordem particular (v.g. condição
de saúde), não pode executar, mas que é facilmente realizada por um terceiro. Por isso o disposto
prescreve que impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se
cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado.
Ainda em ~dação ao objeto, deve-se consignar que não se faz necessário a determinação da
pretensão já no momento de seu surgimento, contanto que possa de algum modo, ser determinada
quando se torne exigível.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (JUIZ/TRT/24R/2007/I FASE- adaptada) Assinale a alternativa:


A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada
a condição a que ele estiver subordinado.

f:ti:l 1 c

Art. 107. A. validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei
expressamente a exigir.

L BREVES COMENTÁRIOS
Forma livre. A liberdade de formas, adotada no Brasil, vige sempre que não houver disposição
contrária. Como regra, pode-se observar o exemplo do recibo, que se pode fazer pela forma particular,
mesmo em contratos de forma pública. A esta regra da liberdade deve-se anexar a regra da vinculação
de forma, uma vez que, salvo disposição expressa, o distrato se fàz pela forma do contrato.
A infração à forma determinada na lei gera a invalidade do negócio jurídico, o que se depreende
do art. 104, li!. Conrudo, mesmo nulo, pode-se aplicar o insriruro da conversão, na forma do art.
170, aproveitando-se, sempre que for possível, o que foi realizado.

Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios
jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre
imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País.

L BREVES COMENTÁRIOS
Segundo o disposto no artigo em comento, a não observância da f(mna nos negócios jurídicos
imobiliários que tenham por objetivo a consrimição, transferência, modificação ou renúncia de direitos
reais, induz a nulidade do instrumento, sendo o negócio existente, porém inválido.
Procuração por escritura pública. Atente-se ainda para o fàro ele que se o ato a ser praticado
exige escritura pública, a mesma exigência alcançará a procuraçáo, por conta da necessária unidade
do aro constitmivo. O referencial de valor mencionado no dispositivo, nos termos do Enunciado
289 do CJF é o :1ue foi atribuído pelas panes contratantes, e não qualquer outro valor arbitrado pela
Administração Pública com finalidade tributária.
Cessão de direitos heredit<Írios. Além disso, deve-se levar em consideração que por força do
disposto no inciso I! do art. 80, os direitos hereditários são considerados bens imóveis, razão pela
qual, na hipótese de tais direitos constituírem objeto de contrato de cessão (art. 1.793), também se
exige escritura pública para a prática do aro.
178
IU••t!JUil;lt]lliiiU;IMti#UtlijU~jQ;J•I9:J\$11t!1~i Art. 108

Legislação extravagante. Na legislação especial existem diplomas que permitem a utilização de


instrumento particular, como ocorre com os contraros de venda e compra de imóveis com alienação fidu-
ciária (Lei n° 9.514/97) e com os contratos sob o Sistema Financeiro de Habitação (Lei n° 4.380/1964)

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 289- Art. 108. O valor de 30 salários mínimos constante no art. 108 do Código Civil brasileiro, em
referência à forma pública ou particular dos negócios jurídicos que envolvam bens imóveis, é o atribuído pelas
partes contratantes e não qualquer outro valor arbitrado pela Administração Pública com finalidade tributária.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

Prevalência do valor atribufdo pelo fisco para aplicação do art. 108 do CC.
Para a aferição do valor do imóvel para fins de enquadramento no patamar definido no art. 108 do CC- o qual
exige escritura pública para os negócios juridicos acima de trinta salários mfnimos deve-se considerar o valor
atribuído pelo Fisco, e não o declarado pelos particulares no contrato dt: compra e venda. REsp 1.099.480-MG,
Rei. Min. Marco Buzzi, DJe 25.5.15. 4° T. (lnfo STJ 562)

DIREITO CIVIL E PROCESSO CIVIL PREÇO A SER DEPOSITADO PARA O EXERC[CIO DO DIREITO DE PREFE-
RÍ:NCIA EM ARRENDAMENTO RURAL Não se pode olvidar que a escritura pública é um ato realizado perante
o notário que revela a vontade das partes na realização de negócio jurídico, revestida de todas as solenidades
prescritas em lei, isto é, demonstra de forma pública e solene a substância do ato, gozando o seu conteúdo de
presunção de veracidade, trazendo maior segurança jurídica e garantia para a regularidade da compra. Com
efeito, referido instrumento é requisito formal de validade do negócio jurídico de compra de imóvel em valor
superior a 30 salários mínimos (art. 108 do CC), justamente por sua maior segurança e por expressar a realidade
econômica da transação, para diversos fins. Outrossim, não podem o arrendador e o terceiro se valerem da pró-
pria torpeza para impedir a adjudicação compulsória, haja vista que simularam determinado valor no negócio
jurídico publicamente escriturado, mediante declaração de preço que não refletia a realidade, com o fito de
burlar a lei- pagando menos tributo. REsp 1.175.438-PR, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 25/3/2014
(Informativo no 0538).

Documento estrangeiro. Tradução. Meio. ProvaComo a ausência de tradução do instrumento de compra e


venda, redigido em espanhol, contendo informações simples, não comprometeu a sua compreensão pelo juiz
e pelas partes, possibilidade de interpretação teleológica, superando-se os óbices formais, das regras dos arts.
157 do CPC e 224 do CC/02 ... VI. A exigência de registro de que trata os arts. 129, § 6°, e 148 da Lei 6.015/73,
constitui condição para a eficácia das obrigações objeto do documento estrangeiro, e não para a sua utilização
como meio de prova. REsp 924.992, rei. Min. Tarso Sanseverino, 19.5.11. 3" T. (lnfo 473, 2011)

Anulação. Compra e venda de imóvel. Terceiro de má-fé. A recorrida celebrou contrato particular de permuta
de imóveis com um consórcio de construtoras no qual asseverou que cederia um terreno e receberia em troca,
após a construção do edifício, alguns apartamentos e lojas comerciais. Em outra cláusula, as partes estipula-
ram condição resolutiva, com a determinação de que, em caso de inadimplemento, deveria ser restabelecido
o status quo ante. Posteriormente, em cumprimento a uma terceira cláusula contratual. houve a outorga de
escritura pública de compra e venda do terreno destinado à construção em face do consórcio, sem qualquer
referência acitada cláusula resolutiva. As obras de construção do edifício não foram concluídas, ocorrendo o
inadimplemento da avença. Apesar disso, a construção inconclusa foi vendida para a recorrente, sendo o imó-
vel registrado em seu nome. No intuito de desfazer o negócio jurídico, a recorrida propôs ação de rescisão do
contrato de permuta de imóveis entabulado com o consórcio e anulação do contrato de compra e venda deste
com a recorrente. Não houve prescrição ou decadência quadrienal da ação para anular o contrato de compra e
venda realizado pela recorrente e pelo consórcio por vício de dolo, pois a ação foi proposta no mesmo ano do
contrato que visa anular. Ademais, a presunção de veracidade dos registros imobiliários não é absoluta, mas
"juris tantum", admitindo-se prova em contrário da má-fé do terceiro adquirente. REsp 664.523, rei. Min. Raul
Araújo, j. 21.6.12. 4° T. (lnfo 500, 2012)

Direito civil. Renúncia à herança por procurador. Requisitos formais. A constituição de procurador com
poder especial para renunciar à herança de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo deve ser feita
por instrumento público ou termo judicial para ter validade. Segundo o art. 1.806 do CC, a renúncia da herança
deve constar expressamente de instrumento público ou termo judicial. Tal formalidade é uma decorrência ló-
gica do previsto nos arts. 80, 11, e 108 do mesmo diploma legal. Segundo o art. 80, 11, considera-se bem imóvel
a sucessão aberta. Já o art. 108 do mesmo código determina que a escritura pública é essencial à validade dos
179
Art.109 iiiiii!•IM•I•ifljdelril•fiii;JIUiijal
negócios jurldicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre
imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mlnimo. Assim, se a renúncia feita pelo próprio sucessor
só tem validade se expressa em instrumento particular ou termo judicial (art. 1.806 do CC), a transmissão de
poderes para tal desiderato deverá observar a mesma formalidade. REsp 1.236.671, Rei. p/ac. Min. Sidnei Beneti,
j. 9.10.12. 3° T. (lnfo 506, 2012)

4. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Vunesp- Cartório- TJ- SP/2014) Não dispondo a lei de modo contrário, a escritura pública é da substância
do ato:
a) na cessão dos direitos à sucessão aberta, assim como do quinhão de que disponha o coerdeiro.
b) nas convenções de condominio edilício, em que haja atribuições de frações ideais do terreno.
c) no compromisso de compra e venda relativo a imóveis loteados urbanos.
d) nos contratos de compra e venda de imóveis com alienação fiduciária.

02. (Cespe- Analista do MPU/2013) Em relação aos negócios jurídicos, julgue os seguintes itens.
Salvo se a lei dispuser em contrário, a escritura pública é essencial à validade do negócio jurídico que vise à
constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóvel de valor superior a trinta
vezes o salário mini mo vigente.

03. (Juiz/TRT/24R/2007/I FASE- adaptada) Assinale a alternativa:


Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à
constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta
vezes o maior salário mlnimo vigente no País. ·
•i!•.•®J=:r-----A--Ir-2----c~!--3----c-.

Art. 109. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é
da substância do ato.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Quando a forma do ato é pactuada pelas partes. Vigora entre nós o princípio da liberdade das for-
mas, salvo quando esta, por expressão imposição legal, for da substância do ato (art. 109, CC/02), hipótese
em que sua inobservância acarreta nulidade. Importante lembrar que na maioria dos casos a forma do ato
destina-se unicamente para fins de prova (forma ad probatíonem) não sendo substancial (ad sttbstantiam),
ou seja, requisito de validade do próprio negócio. Nesse sentido, dispõe o art. 183 do CC/02: "a invalidade
do imtrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este puder prouar-se por outro meio".

Cite-se, como exemplo, a cessão de direitos hereditários. Já que o art. 80, inciso II os considera
"bens imóveis" (por determinação legal), se eles forem objeto de cessão, tal negócio deve ser cele-
brado obrigatoriamente por escriwra pública. Sobre o tema ver ainda o Enunciado 289 do CJF que
considera que a referência a trinta salários mínimos que consta no art. 108 do CC refere-se ao valor
atribuído pelas partes ao objeto do negócio.

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

Direito civil. Renúncia à herança por procurador. Requisitos formais. A constituição de procurador com poder
especial para renunciar à herança de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo deve ser feita por instru-
mento público ou termo judicial para ter validade. Segundo o art. 1.806 do CC, a renúncia da herança deve constar
expressamente de instrumento público ou termo judicial. Tal formalidade é uma decorrência lógica do previsto
nos arts. 80, 11, e 108 do mesmo diploma legal. Segundo o art. 80, 11, considera-se bem imóvel a sucessão aberta.
Já o art. 108 elo mesmo cód'go determina que a escriturJ pública é ess2ncial à validade dos negócios jurídicos
que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior
a trinta vezes o maior salário mínimo. Assim, se a renúncia feita pelo próprio sucessor só tem validade se expressa
em instrumento particular ou termo judicial (art. 1.806 do CC), a transmissão de poderes para tal desiderato deverá
observar a mesma formalidade. REsp 1.236.671, Rei. p/ac. Min. Sidnei Beneti,j. 9.10.12. 3° T. (lnfo 506, 2012)
180
Arl110

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (TRT 23- Juiz do Trabalho Substituto 23• região/2014) Sobre negócio jurídico, é CORRETO afirmar-se à luz
do Código Civil:
a) A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa ou se ces~ar depois ée ser
realizada a condição a que ele estiver subordinado.
b) No negócio jurídico celebrado com cláusula de não valer sem instrumento público, este é da s~bstância d:> ato.
c) Nas declarações de vontade se atenderá à intenção nelas consubstanciada, prevalecendo, porém, o sentido
literal da linguagem.
d) A validade da declaração de vontade depende de forma especial, salvo se a lei dispuser em sentidc contrário.
e) A validade do negócio jurídico requer agente capaz, objeto lícito e forma prescrita em lei.

o Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental c e
não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Reserva mental. Deve-se ter cuidado co o o tratamento dispensado pelo CC/02 à reserva men-
tal, uma vez que o dispositivo não encontra correspondente no CC/16. O que tàzcr quando ccorre
divergência entre a vontade real e a vontade que foi declarada?

Na reserva mental, conforme lição de Nelson Nery e Rosa Maria de Andrade Nery (Código
Civil Comentado. São Paulo, RT, 2007, p. 297) emite-se uma declaração de vontade não querida
em seu conteúdo (tampouco em seu resultado), tendo por único objetivo enganar o declaratário. O
importante é investigar se a pessoa a quem fOi dirigida a declaração de vontade não queria/tinha
conhecimento da reserva mental, pois a parcr daí as diferentes conscquências previstas no sistema
serão implementadas; se o destinatário não tinha conhecimento subsiste o negócio (ele existe;; mas
se a manifestação feita com reserva mensal era conhecida, não existe o negócio, cabe1:do ao magis-
trado, independentemente de provocação pronunciar a inexistência do ate praticado, decisão que
tem eficácia retroativa (ex tunc).
Para configuração da reserva mental deve estar presente a intenção de enganar o destinatário da
manifestação ele vontade, sendo irrelevante ~e tal conduta tem ou náo obje:ivo de prejudicá-lo (ou
a terceiros). Para além disso, sendo o objetivo ilícito, tem-se, na realidade, ;;imulaçáo ou negócio a
ela equiparado.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (MPF- Procurador da República/2015) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:


a) A ordem legal de nomeação do curador de interdito tem caráter absoluto.
b) o mútuo feneratício não é mais contemplado no sistema jurídico brasileiro.
c) Os bens acessórios são objetos corpóreos que podem ou não seguir o bern principal.
d) A reserva mental ilícita, conhecida do declaralário, equipara-se, quanto aos efeitos, a simulação.
02. (Cespe- Procurador do Estado- Pl/2014) Assinale a opção correta acerca dos atos e fatos jurídicos e da
decadência.
a) Na representação, em nenhuma hipótese pode o representante utilizar seus poderes para celebra negócio em
que o destinatário da declaração de vontade do representado seja o próprio representante.
b) A reserva mental não tornará o negócio inválido, salvo se a outra parte tiver conhecimento dessa reserva.
181
Art. H1 liliiii•II•I•IMjdelijUflildlaJiij•l
c) o negócio nulo gera efeitos até o momento em que houver pronunciamento judicial a seu respeito, por meio
de sentença desconstttuti\•a, ou pelo seu desfazimento voluntário pelas partes.
d) O prazo inicial para a contagem do prazo decadencial se dá corrn1 violação do direito.
e) Considere a seguinte situação hipotética.
Duas pessoas celebraram contrato de locação de uma residência na qual o locatário tinha a real intenção de
residir. Entretanto, locador e o locatário, de comum acordo, fizeram constar no instrumento do negócio que se
tratava de locação comercial.
Nessa situação, se, der; ois de algum tempo, o locador quiser rescindir o contrato, ele poderá valer-se das normas
referentes à locação comercial, mais favoráveis ao proprietário, pois o Código Civil dispõe que, nas declarações
de vontade, se atenderá mais ao sentido literal da lingoagem do que à intenção nelas consubstanciada.

03. (Cespe- Cartório- TJ- BA/2014) Acerca dos negócio; jurídicos, assinale a opção correta.
a) A simulação resultant~ do mnluio entre os contratanti!s não pode ser alegada por um deles como causa de
nulidade do negócio jJrídico.
b) É irrelevante a reserva mental desconhecida pelo destinatário da declaração de vontade.
c) São ilícitas as condições meramente potestativas.
d) Configura o estado de perigo, que torna anulável o negócio jurídico, o fato de uma pessoa sob premente ne-
cessidade se obrigar a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta.
e) Para anular negócio jurídico em decorrência da lesão, exige-se a configuração do dolo de aproveitamento.

04. (PROC/MUN/SP/2008/FCC -adaptada) Analise as seguintes afirmativas:


I. fl. manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que
manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.

05. (ANALIS/JUD/TSE/CAD. 1/2007/CESPE- adaptada) Acerca dos fatos e atos jurídicos:


Por reserva mental entende-se a manifestação de vontade diversa da real intenção do agente. A reserva mental
é indiferente à validade do negócio jurídico, exceto quando o destinatário da manifestação de vontade efetuada
com reserva mental tiver conhecimento da mesma.

06. (TJ/MS/2009/VUNESP- adaptada) Observe as asserti•Jas a seguir:


I. A sentença que pronunciar a inexistência do ato pratic3do com reserva mental irregular tem eficácia ex nunc,
atingindo o ato após seu tr!\nsito em julgado.

07. (FCC- Defensor Público- AM/2013) São nulos os atos


a) praticados com a reserva mental de se descumprir a avença, tenha ou não conhecimento do fato o destinatário
da manifestação.
b) emanados de erro substan·:ial que poderia ser percebido por pessoa de díligéncia normal, em face das circuns-
tãncias do negócio.
c) quando a lei taxativamente os declarar nulos ou lhes proibir a prática sem cominar sanção.
d) praticados sob coação ou em fraude contra credores.
e) praticados pelos relati;amente incapazes.

Art. 111. O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for
necessária a declaração de vontade expressa.

l. BREVES COMENTÁRIOS
Efeitos do silêncio. O trecho do código entre os arts. l l l e 114 rdÚc·se a interpretação do
negócio jurídico. Come regra geral, pode-se destacar o disposto no a n. 112 (prevalece a intenção
sobre o sentido literal da linguagem na análise das declarações de vorlf;rdcl. Nada obstante, não é
possível considerar como verdadeira a máxima "quem cala consenrc". U silêncio é ambíguo por sua
própria nar.ureza, e considerado isoladamente, vale dizer, desprovido da .m;ílise das circunstâncias
182
I~Uif!IIUidUtlliiU;JijWdHHUdUfjij;UIH§}ilt!l;J Art. 111

fáticas, não pode ser considerado unilateralmente por nenhum dos figurantes do negócio para impor
obrigações ao outro.
Em suma, o silêncio, em si mesmo, não tem valor jurídico. Na interpretação do ato jurídico,
deve se levar em consideração o conteúdo da declaração de vontade, investigando-se a intenção dos
contratantes, servindo a boa-fé (art. 113) como parâmetro que leva em conta a natureza do negócio
e a finalidade pretendida pelas partes. Agir com observância da boa-fé é comportamento exigível em
rodas as fases negociais, fomentando-se a lealdade e confiança das relações.

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

DIREITO CIVIL. DISPENSABILIDADE DA EMISSÃO DA APÓLICE PARA O APERFEIÇOAMENTO DO CONTRATO


DE SEGURO. A seguradora de veículos não pode, sob a justificativa de não ter sido emitida a apólice de
seguro, negar-se a indenizar sinistro ocorrido após a contratação do seguro junto à corretora de seguros se
não houve recusa da proposta pela seguradora em um prazo razoável, mas apenas muito tempo depois e
exclusivamente em razão do sinistro. Isso porque o seguro é contrato consensual e aperfeiçoa-se tão logo haja
manifestação de vontade, independentemente da emissão da apólice, que é ato unilaterõl da seguradora, de sorte
que a existência da relação contratual não poderia ficar a mercê exclusivamente da vontade de um dos contratantes,
sob pena de se ter uma conduta puramente potestativa, o que é vedado pelo art. 122 do CC. Ademais, o art. 758 do
CC não confere à emissão da apólice a condição de requisito de existência do contrato de seguro, tampouco eleva
esse documento ao degrau de prova ta rifada ou única capaz de atestar a celebração da avença. Além disso, é fato
notório que o contrato de seguro é celebrado, na prática, entre corretora e segurado, de modo que a seguradora não
manifesta expressamente sua aceitação quanto à proposta, apenas a recusa ou emite a apólice do seguro, enviando-a
ao contratante juntamente com as chamadas condições gerais do seguro. A propósito dessa praxe, a própria SUSEP
disciplinou que a ausência de manifestação por parte da seguradora, no prazo de quinze dias, configura aceitação
tácita da cobertura do risco, conforme dispõe o art. 2•, caput e§ 6•, da Circular SUSEP 251/2004. Com efeito, havendo
essa prática no mercado de seguro, a qual, inclusive, recebeu disciplina normativa pelo órgão regulador do setor, há
de ser aplicado o art. 432 do CC, segundo o qual, "se o negócio for daqueles em que não seja costume a aceitação
expressa, ou o proponente a tiver dispensado, reputar-se-á concluído o contrato, não chegando a tempo a recusa".
Na mesma linha, o art. 111 do CC preceitua que"o silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o
autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa". Assim, na hipótese ora analisada, tendo o sinistro
ocorrido efetivamente após a contratação junto à corretora de seguros, se em um prazo razoável não houver recusa
da seguradora, há de se considerar aceita a proposta e plenamente aperfeiçoado o contrato. De fato, é ofensivo à
boa-fé contratual a inércia da seguradora em aceitar expressamente a contratação, vindo a recusá-la somente depois
da notícia de ocorrência do sinistro. REsp 1.306.364-SP, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 20/3/2014
(Informativo n• 0537).

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Cespe- Procurador do Estado- PGE-BA/2014) Acerca dos negócios jurídicos, julgue os itens a seguir.
O silêncio de uma das partes pode, excepcionalmente, representar anuência, se as circunstâncias ou os usos o
autorizarem e não for necessária a declaração expressa de vontade. CERTO

02. (FCC- Analista Judiciário- Area Judiciária- TRT 9/2013) Em relação à interpretação do negócio jurídico, é
correto afirmar que
a) quaisquer negócios jurídicos onerosos interpretam-se estritamente.
b) na vontade declarada atender-se-á mais à intenção das partes do que à literalidade da linguagem.
c) a renúncia interpreta-se ampliativamente.
d) o silêncio da parte importa sempre anuência ao que foi requerido pela outra parte.
e) como regra geral, não subsiste a manifestação da vontade se o seu autor houver feito a reserva mental de não
querer o que manifestou.

03. (PROC/MUN/SP/2008/FCC- adaptada) Analise a seguinte afirmativa:


11. O silêncio sempre importará anuência, como manifestação da vontade, quando as circunstâncias ou os usos
locais o autorizarem.
c 2 B 3 E I
183
Art. 112 liiil!!tl••ull@t!dullll;!ul@

Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao
sentido literal da linguagem.

l. BREVES COMENTÁRIOS
A dúvida primordial é: como descobrir o que desejavam as partes? Observe leitor que o
Código Reale, ao tratar de "incenção", seguindo a linha de outras codificações, não se ocupa da
suposição do pensamenco, mas de um conjunto de pomos e elementos que se detectem no negócio,
como forma de se precisar o que pretendiam as partes.
Em suma, "a interpretação do ato negocia! situa-u na seara do conteúdo da declaração volitiva, pois
o intérprete do sentido negocia! não dwe ater-se, unicamente, à exegese do negócio, ou seja, ao exame
gramatical de seus termos, mas sim em fixar a vontade, procurando suas consequências jurídicas, inda-
gando sua intenção, sem se vincular, estritamente, ao teor linguístico do ato negocia!. Caberá, então, ao
intérprete investigar qual a real intenção dos contratantes, pois sua declaração apenas terá significação
quando lhes traduzir a vontade realmente existente. O que importa é a vontade real e não a declarada;
daí a importância de se deSI!endrtr a intenção consubstanciada na declaração" (DINIZ, Maria Helena.
Código Civil Anotado, 12• Ed. Sáo Paulo: Saraiva, 2006, p. 152)
Silvio Venosa adverte que apesar do paralelismo entre a interpretação da lei e a dos negócios
jurídicos, o intérprete deve atentar para o fato do sentido geral da lei, uma vez que dirigida a número
indeterminado de pessoas, ao contrário do que ocorre com o negócio jurídico, normalmeme dirigido
apenas aos seus figuranccs(C6digo Civil Interpretado, 2" Edição. São Paulo: Atlas, 2011, p. 123).
Existem outros dispositivos do CC/02 que tratam ela interpretação e merecem atenção especial,
a saber: arts. 819 e 843, que tratam, respectivamente, do contrato de fiança e ela transação c ainda
o are. 1.899, regra sobre a interpretação elos testamentos.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (MPE-SC- Promotor de Justiça - SC/2013) Nas declarações de vontade nunca se atenderá à intenção nelas
consubstanciadas pelo agente, mas sim, unicamente, ao sentido literal da linguagem.

02. (PROC/MUN/SP/2008/FCC- adaptada) Analise a seguinte afirmativa: Nas declarações de vontade se atenderá
mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem.

E I 2 c

Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua
celebração.

Da interpretação do negócio jurídico. A boa-11: pode significar a ausência de dolo ou de von-


radc lesiva, conhecida como boa-fé subjeriva, c muiro utilizada no Direito das Coisas c no Direito
ck Família. A boa-fé tratada no presente artigo com esta não se confunde. Tem natureza objetiva,
rcrratando a necessidade de uma condura positiva, sempre no scncido do respeito e cuidado entre :1s
partes, o conhecido treu und g!auben elo § 242 do BGB.
Qualquer ncg6cio jurídico, por mais simples, necessita de pleno respeito entre as partes. A e B,
.!pesar ele buscarem, em ilma compra c venda, objetivos diferentes, devem a si e a todos, o respeito à
expecrativa criada. Daí que a boa-fé é sempre socializada. Mesmo quando se está diante do dever de
sigilo, como nos contratos de know-how, mda a sociedade passa a ter interesse, posro que o desrespeito
de um refletirá na solidez de todos os demais acordos.
184
ltl•ll;lljii;\•1•Uik•l;lfi8~1âB•Iijl•ttQ;I•Id§$ilt!!hj Art. 113

Caso o hermeneuta se depare com duas saídas de interpretação, necessário que ele opte por aquele
que respeita o primordial cânon do sistema civil, a boa-fé. Para uma melhor compreensão, veja-se
comentário ao art. 422 CC.
Ao lado desta função interpretativa, a boa-fé objetiva ainda importará em criação de deveres
anexos ou secundários (art. 422) e como limite de exercício do direito subjetivo (art. 187).

1. ENUNCIADOS DAS JORNADAS


..........................................................................................................................................................................................
Enunciado 166- Arts. 421 e 422 ou 113: A frustração do fim do contrato, como hipótese que não se confunde
com a impossibílidade da prestação ou com a excessiva onerosidade, tem guarida no Direito Brasileiro pela
aplicação do art. 421 do Código Civil .
..........................................................................................................................................................................................
Enunciado 302- Art.1.200 e 1.214. Pode ser considerado justo título para a posse de boa-fé o ato jurídico capaz
de transmitir a posse ad usucapionem, observado o disposto no art. 113 do Código Civil.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STF 489. A compra e venda de automóvel não prevalece co11tra terceiros, de boa-fé, se o contrato não foi
transcrito no registro de títulos e documentos.

3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

Contrato. Seguro. Vida. Interrupção. Renovação.l. No moderno direito contratual reconhece-se, para além
da existência dos contratos descontínuos, a existência de contratos rei acionais, nos quais as cláusulas estabe-
lecidas no instrumento não esgotam a gama de direitos e deveres das partes. 2. Se o consumidor contratou,
ainda jovem, o seguro de vida oferecido pela recorrida e se esse vínculo vem se renovando desde então, ano
a ano, por mais de trinta anos, a pretensão da seguradora de modificar abrutamente as condições do seguro,
não renovando o ajuste anterior, ofende os princípios da boa fé objetiva, da cooperação, da confiança e da
lealdade que deve orientar a interpretação dos contratos que regulam relações de consumo. 3. Constatado
prejuízos pela seguradora e identificada a necessidade de modificação da carteira de seguros em decorrên-
cia de novo cálculo atuarial, compete a ela ver o consumidor como um colaborador, um parceiro que a tem
acompanhado ao longo dos anos. Assim, os aumentos necessários para o reequilíbrio da carteira têm de ser
estabelecidos de maneira suave e·gradual, mediante um cronograma extenso, do qual o segurado tem de ser
cientificado previamente. Com isso, a seguradora colabora com o particular, dando-lhe a oportunidade de se
preparar para os novos custos que onerarão, ao longo do tempo, o seu seguro de viela, e o particular também
colabora com a seguradora, aumentando sua participação e mitigando os prejuízos constatados. 4. A intenção
de modificar abruptamente a relação jurídica continuada, com simples notificação entregue com alguns meses
de antecedência, ofende o sistema de proteção ao consumidor e não pode prevalecer. REsp 1.073.595, rei. Min.
Nancy Andrighi, 23.3.11. 2" S. 1/nfo 467, 2011)

Correção monetária. Renúncia. O recorrente firmou com a recorrida o contrato de' prestação de serviços jurí-
dicos com a previsão de correção monetária anual. Sucede que, durante os seis anos ele validade do contrato, o
recorrente não buscou reajustar os valores, o que só foi perseguido mediante a.;;jo ele cobrança após a rescisão
contratual. Contudo, emerge dos autos não se tratar de simples renúncia ao direito a correçao monetária (que
tem natureza disponível), pois, ao final, o rewrrente, movido por algo além da libNalídade, visou à própria
manutenção do contrato. Dessarte, o princípio da boa-fé objetiva torna inviável a prHensão de exigir retroati-
vamente a correção monetária dos valores que era regularmente dispensada, pleito que, se acolhido, frustraria
uma expectativa legítima construída e mantida ao longo de toda a relação proces;uill, dai se reconhecer presente
o instituto da "supressio". REsp 1.202.514, rei. Min. Nancy Andrighi, 21.6.11. 3" T. (lnfo 478. 2011)

Seguro. Vida. Suicídio. Trata-se, no caso, de saber se, nos contratos de seguro de vida, o suicídio do segu-
rado de forma objetiva, isto é, premeditado ou não, desobriga as seguradoras do paqamcnto da indenização
securitária contratada diante do que dispõe o art. 798 do CC/02. O fato de o suicídio ter ocorrido no período
inicial de dois anos de vigência do contrato de seguro, por si só, não exime a companhia sequradora do dever
de indenizar. Para que ela não seja responsável por tal indenização, é necessário que comprove inequivoca-
mente a premeditação do segurado. O art. 798 do CC/02 não vai de encontro ás Súrm. 105/STF e 61/STJ, mas as
complementa, fixando um período de carência no qual, em caso de premedit3ção, a cláusula de nao indenizar
é válida. Segundo os princípios norteadores do novo Código Civil, o que se presume é a boa-fé, devendo a

185
M.114 liiiill•II•UI{Ijrl•IBisfiii;JI•liij•l
má-fé ser sempre comprovada. Assim, o referido art. 798 da lei subjetiva civil vigente deve ser interpretado
em conjunto com os arts. 113 e 422 do mesmo diploma legal, ou seja, se alguém contrata um seguro de vida
e, depois, comete suicídio, não se revela razoável, dentro de uma interpretação lógico-sistemática do diploma
civil, que a lei estabeleça uma presunção absoluta para beneficiar as seguradoras. O próprio tribunal "a quo",
expressamente, assentou que os elementos de convicção dos autos evidenciam que. na hipótese, o suicídio não
foi premeditado.AgRg no Ag 1.244.022, rei. Min. Luis Salomão, 13.4.11. 2" S. (lnfo 469, 2011)

Promessa. Compra e venda. Responsabilidade.O fato de ter deixado o devedor na posse do imóvel por
quase 7 (sete) anos. sem que este cumprisse com o seu dever contratual (pagamento das prestações relativas
ao contrato de compra e venda), evidencia a ausência de zelo com o patrimônio do credor, com o consequente
agravamento significativo das perdas, uma vez que a realização mais célere dos atos de defesa possessória di-
minuiriam a extensão do dano. 5. Violação ao principio da boa-fé objetiva. Caracterização de inadimplemento
contratual a justifi:ar a penalidade imposta pela Corte originária, (exclusão de um ano de ressarcimento). REsp
758.518, rei. Min. Vascc D. Giustina.. 17.6.10. 3" T. (lnfo439, 2010)

4. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Cespe- Analista Judiciário- Area Judiciária- TJ- CE/2014) Acerca de pessoas naturais e negócio jurídico,
assinale a opção correta à luz do Código Civil e da doutrina de referência.
a: Na concretização do negócio jurídico, o silêncio não tem consequência concreta a favor das partes.
b1 Todas as pessoas naturais, por possuírem capacidade de direito, podem praticar, por si próprias, a generalidade
dos atos da vida civil.
c) Considera-se termo a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do
negócio jurídico a evento futuro e incerto.
d• Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa- fé e os usos do lugar de sua celebração.
e) Se, da declaração de ~oontade, for detectado o falso motivo, o negócio jurídico será sempre anulado.

02. (Juiz/TRT/BR/2007/P etapa- adaptada) Marque a alternativa:


A interpretação dos negócios jurídicos deve estar baseada no princípio da boa-fé e nos usos do lugar de sua
celebração.

D 2 c I
Art. 114. Os negódos jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.

L BREVES COMENTÁRIOS
Interpretação dos negócios benéficos. Deve-se anotar que por dctermina~·ão legal os negócios
jurídicos benéficos e a renúncia náo podem receber interpretação extensiva. A n:núncia é ato unilateral
de vontade, cujos de: to; são regulados em diversas simaçôes ao longo do Código: arts. 191, 209, 275,
330, 375, 387, 688, 828, inciso li, 1.806, demre tantos outros.

2. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR
A confissão de dívcda em moeda estrangeira não se mosrra ilegal quando o negócio jurídico
diz respeito à importação e o credor reside no exterior. (STJ, REsp n" 108()().'!(,, i\! in. Rei. Nancy
A::1drighi, DJE 10112/2008).

3. QUESTÍ\0 DE CONCURSO

01. (Cespe- Técnico Judiciário- Area Administrativa- TJ- SE/2014) A respeito dos atos, fatos e negócios
jurídicos, julgue os pró:<imos itens.
Interpretam-se extensivamente os negócios jurídicos benéficos e a renúncia. ERRADO

02. (JUIZ/TRT/24R/2007/I FASE- adaptada) Assinale a alternativa:


Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.
186
U(•li!JOII;IeltllliU;JijWU4H•IijU~jij;lelijfjil61hj Art. 115

E 2 c

~CAPÍTULO 11- DA REPRESENTAÇÃO


Art. 115. Os poderes de representação conferem-se por lei ou pelo Interessado.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Representação. A representação convencional não foi objeto de disciplinamento na Parte Ge-
ral do Código Civil vigente. O tema é tratado entre as espécies de mandato e noutros dispositivos
dispersos, no direito de família e sucessões, especialmente no que se refere à representação legal. Ao
contrário do simples núncio ou mensageiro (emissário ou auxiliar), que apenas transmite mecanica-
mente, ou seja, reproduz a vontade de outrem, o representante, devidamente investido de poder para
representar, manifesta sua própria vontade no sentido de realizar negócio em nome do representado,
no interesse presumível deste, devendo proceder nos limites deste poder. Na busca pela precisão dos
conceitos, não se devem confundir os termos representante (mero partícipe) e parte na celebração de
determinado negócio jurídico, pois o primeiro, "ainda que participe na celebração do negócio jurídico,
nele não figura como pm·te, porque os eftitos se produzem na esferajurídica do representado" (NERY Jr.,
Nelson; Nery, Rosa Maria de Andrade. Código Civil Comentado. 7• ed. São Paulo: RT, 2009,
p. 339). A representação não é elemento do suporte fático, apenas ocorre para que este se forme e
entre no mundo jurídico. A eficácia do ato jurídico criado recairá sobre o representado e não sobre
o representante. Entre estes (representante e.represemado), em geral, costuma existir um negócio
jurídico anterior (contrato de mandato), em cujos termos os poderes conferidos devem ser exercidos.
Atente-se para o fato de que a outorga do poder de representação é manifestação unilateral (e
receptícia) de vontade, não se confundindo com o mandato, que como todo negócio jurídico bilate-
ral precisa de aceitação. No caso do representante legal deve-se notar que: (a) não é escolhido pelo
representado, pois a investidura decorre da lei; (b) necessita ser pessoa capaz ao tempo de receber
os poderes de representação e ao tempo de exercê-los; (c) deve exercer seus poderes com a mesma
diligência e atenção que dedica aos negócios próprios, sob pena de responsabilização; (d) não pode
substabelecer os poderes recebidos, pois a representação legal, via de regra, é exclusiva.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (lESES- Cartórios- TJ- MS/2014) Os poderes de representação poderão ser conferidos:
a) Exclusivamente por lei.
b) Privativamente e exclusivamente pelo interessado.
c) Exclusivamente por sentença judicial.
d) Por lei ou pelo interessado.

Art. 116. A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes, produz efeitos
em relação ao representado.

1. BREVES COMENTÁRIOS
O aw do representante vincula o representado. Aqui fixa o Código que os negócios se realizam
no interesse do rcpresemado. Quando o ator procede apenas para transmitir uma vontade, tem-se o
núncio, forma diferent( da represen<açáo, em que a mensagem é o fundamental.
Na representação agora estudada deve-se ter em mente que a limitação aqui determinada
somente vincula, em regra, representante e representado, visto que o terceiro de boa-fé, desde que
187
Art. 117 liiill!•ll•ulli#fluHuf!lmul@
justificável a situação, poderá se vale da Teoria da Aparência, exigindo do representado a execução
do ato. Este, por sua vez, poderá regredir 'em face do representante, agora sim, fazendo uso do
presente artigo.
Para fins de concurso, deve-se atentar que existe a chamada representação indireta, que ocorre
quando alguém realiza em nome próprio negócio que será transmitido a terceiro. Observe-se que
não há o efeito típico de proteção ao interesse, mas a interposição de pessoa para a realização
de um aro. Pense em um negociante que adquire carro clássico para depois transmiti-lo a um
interessado.

Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante,
no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo.
Parágrafo único. Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por
aquele em quem os poderes houverem sido subestabelecidos.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Autocontrato.É anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta
de outrem, celebrar consigo mesmo, simação que alguns doutrinadores denominam aurocomrato ou
contrato consigo mesmo. Em geral, diz respeito a hipóteses em que se caracteriza cont1iro de inte-
resses entre representante e representado, sendo de 180 dias (a contar da conclusão do negócio ou da
cessação da incapacidade) o prazo de decadência para se pleitear a anulação nessa hipótese. Atente-se
que havendo autorização de aurocontratar, como na procuração em causa própria, não há que se falar
em comraro geneticamente unilateral, visto existirem, juridicamente, duas partes.

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STJ 60- É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao mutuante, no exclusivo
interesse deste.

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (ANAUS/JUD/TSE/CAD. 1/2007/CESPE- adaptada) Acerca dos fatos e atos jurídicos:


É anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outro, celebra consigo mes-
mo. No entanto, considera-se sanado o defeito quando o representante substabelece os poderes que recebeu
do representado e o negócio é celebrado entre o substabelecido e o representante.

02. (JUIZ/TRT/24R/2007/I FASE- adaptada) Assinale a alternativa:


Salvo se o permitir a lei ou o representado, é nulo o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou
por conta de outrem, celebrar consigo mesmo.

----1 E I2 E

Art. 118. O representante é obrigado a provar às pessoas, com quem tratar em nome do representado,
a sua qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o fazendo, responder pelos atos que a
estes excederem.

!. BREVES COMENTÁRIOS
Prova da representação. Como aqui o Código Civil tratou da representação legal, deve-se atentar
que a pro,·;l ser:í o vinculo estabelecido pela lei. O pai. por exemplo, fàrá uso elos documentos compro-
lutcirios do \'Ínculo de filiação (certidão de nascimcnro, por exemplo). O tutor se ,·aled da sentença.
133
lil•ljllhi;l•l•liii•I;16W~IM•Idl•~1Q;l•IB$$11111~1 Arl.119

2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA

STF 644- Ao titular do cargo de procurador de autarquia não se exige a apresentação de instrumento de
mandato para representá-la em juízo.

3. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR
É desnecessária a autenticação de cópia de procuração e de substabelecimento, porquanto se
presumem verdadeiros os documentos juntados aos autos pelo autor, cabendo à p<.rte contrária arguir-
·lhe a falsidade. (STJ, AGREsp n° 1018427, Mín. Rei. João Otávio de Noronha, DJ 18/05/2009).

Art. 119. t anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com o represen-
tado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de. quem com aquele tratou.
Parágrafo único. t de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapa-
cidade, o prazo de decadência para pleitear-se a anulação prevista neste artigo.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Conflito de interesses. É completamente contrária à estrutura da representação a existência de conflito
entre o interesse do representante e os interesses do representado. Contudo, limita-se o Código a estabelecer
a anulabilidade, veja-se que esta conduta poderá determinar, também, a responsabilidade do representa me
por ato atentatório à boa-fé. Valendo-se ele de informações obtidas no executar da representação. Anote-
-se que para configuração da hipótese prevista no artigo em análise, h:í de se demonstrar q..1e o fàto era
ou deveria ser do conhecimento do terceiro que negociou com o representante. Sobre o tema importante
destacar a possibilidade de nomeação de curador especial na forma elo disposto no art. l.692 do CC/02.2.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (lESES- Cartórios- TJ- MS/2014) Quando o negócio for concluído pelo representarcte que estiver em conflito
de interesses com o representado, e se tal fato era ou devia ser do conhecimento dê quem com aquele tratou,
o negócio será:
a) Nulo.
b) Válido por seus efeitos até o instante em que o terceiro de boa-fé tive conhecimento do conflito de interesses
com o representado.
c) Anulável.
d) Válido tendo em vista a boa-fé de terceiros.

Art. 120. Os requisitos e os efeitos da representação legal são os estabelecidos nas normas respectivas:
os da representação voluntária são os da Parte Especial deste Código.

l. BREVES COMENTÁRIOS
Representação legal. A representação legal é imposm por lei, com a final:dad~ rk 'l'"' "ma pessoa
pratique atos em nome de outra. É. o exemplo dos país em relação aos fillws rn~rwrci c dos tuwres
e curadores em relação aos tutelados c curatelados. Em se tratando ele rcvcser.:a<;:ío imposta pela
norma legal, os limites e a parametrizaçáo da prática de atos jurídicos decorrem da própria norma.

Representação voluntária. No caso de representação voluntária, há uma ceri,·:rt;âo da vontade


das partes envolvidas. Ou seja, é uma pessoa (física ou jurídica) que confc:·" pcdern :1 nmra pessoa
(física ou jurídica), para que sejam praticados aros jurídicos em seu nome. H:í, rkst:rrl:, uma atuação
em nome alheio. Submete-se à.s regras do contrato de mandato.
189
~--------------------------------------------------_.luii~il~!!••~l•ll.-ll~•lul•lij•d•I!•Q~u~f~!~IIM;I.u1M!9~·~1

~CAPÍTULO 111- DA CONDIÇAO, DO TERMO E DO ENCARGO


Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes.
subordina o efeito do negócio jurfdico a evento futuro e incerto.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Elementos acidentais do negócio. A partir des:e dispositivo, começa-se a disciplinar o que a
doutrina tradicionalmente denomina "elementos acidentais dos negócios jurídicos" (acâdentalia negot-
ti). Qualificam-se como acidentais, uma vez que não estão relacionados com a existência do negócio
jurídico, donde se concluir por sua natureza acessória, consubstanciando verdadeiras aurolimitações
da vontade de cunho facultativo, destinadas a mudar os efeitos dos negócios jurídicos.
Condição "' Termo. Embora se refiram a eventos futuros, não há que se confundir a condição
com o termo. Na condição não existe certeza quanto à ocorrência do acontecimento (an. 121, CC/02),
embora este seja possível e até previsível. O resultado de aprovação um concurso, as condições cli-
máticas no dia de um espetáculo ("se chover amanhá, não haverá show") e o nascimento de uma
criança ("o médico disse que é para qualquer hora após o dia 20 do próximo mês") são exemplos
desta categoria, normalmente relacionadas a eventos futuros e incertos.
Não se considera condição um faro passado ou presente cujo resultado é ignorado pelas panes
(v. g.,bilhete da mega-sena relativo a concurso passac.o, cujo resulcado da extração é ignorado pelo
dono, que pretende repassá-lo a outrem por mais do qLe o preço da aposta mínima), o que leva alguns
autores a rotular tais situações como "condição imprópria".
Segundo Silvio Venosa, a condição atinge os efeiC)S dos negócios jurídicos se assim desejarem os
agentes, uma vez que "o ato sob condição apresenta-se como todo unitário, não deuendo rt comliçáo ser
compreendida como clriwula acessória. 7i·ata-se de elemento integrante do negócio. A condição agrega-
-se inarredaz,elmente tiO negócio, por vontade exclwh;a das partes, (...), e não por/e ser prcraída, como
elemento de validade e eficácia. Apesar de a condição não ser considerada a priori demento essencittl,
quando aposta a negócio toma-se essencial pam ele. 7i·ata-se de um elemento acidental do 11egóâo que se
agrega a ele" (Código Ci\·illnrerpretado, 2a Edição. São Paulo: Atlas, 2011, p. 131).

É possível estabelecer condições em testamento. Também é possível a milização de condições


em atos jurídicos unilaterais, como a promessa de recompensa e o testamento, no ema mo, a incerteza
que caracteriza a condição deve ser analisada sobre uma perspectiva objetiva. Evenrual dúvida do
figurante do negócio sobre a ocorrência ou não de determinado faro não configura condição.
Negócios puros não admitem condição. Por sua própria natureza, o casamenro, o reconhe-
cimento de filho, a emancipação, a adoção, a aceitação (ou renúncia) de heran<;a (arr. l.80R) não
podem ser praticados mediante condição.

A condiçfw depende da vontade das partes(,. conditio iuris). Para configuraç;ío da condiç:áo é
necessária à aceitação voluntária, pois caso a efidcia do negócio dependa de circunsráncia que derive
da lei ou da própria natureza do direito, estaremos diame de uma condição legal (condi rio iuri.l), como
ocorre no disposto no an. 172 do código civil, que admite a confirmação do negócio l'cbs panes,
para evitar o reconhecimento de sua invalidade, salvo direito de terceiro.
Oito de outro modo, tem-se condição quando, por vontade dos figurantes, institui-se cLíusula que
tem por objetivo modificar uma ou algumas das consequências naturais do negócio. Sem imf'lcmenro da
condição o negócio existe e é valido, embora ineficaz. Com seu implemcmo, o negócio rorll;hc dl·.:az.

I
Verifica-se a condição legal (conditio iuris), quando, "s,ml que haja declamção de tJomad<' r/.1; JMrrcs, a
lei subordina a cflcdcia de determinado rito ou 11egócio jurídico a ttvento futuro e incerro ou ltiilrlrt, quando
190
m•lf!ll~ii;{•I•IIIIUdMtfâHtlijl•hjQd•lijJ$ilh!~1 Art. 122

essa mesma eficácia é detemlinatÚJ pela própria essência e natureza do ato ou negócio jurídico" (NERY
JR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código Civil Comentado. São Paulo: RT, 2011, p. 350)

2. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR
A promessa de doação, como obrigação de cumprir liberalidade que se não quer mais praticar,
inexiste no direito brasileiro; se, todavia, é feita como condição de negócio jurídico, e não como
mera liberalidade, vale e é eficaz. (STJ, REsp n° 853133, Min. Rei. Humberto Gomes de Barros,
D]E 20/1112008).

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Cespe- Analista Legislativo- Consultor Legislativo- Câmara dos Deputados/2014) Acerca de negócio
jurídico e de ato jurídico lícito e Ilícito, julgue os itens seguintes.
A cláusula que deriva da vontade das partes e subordina o negócio jurídico a evento futuro e certo é denominada
condição.

02. (Juiz/TRF/SR/2007/CESPE) Julgue os itens a seguir, relativos aos negócios jurídicos e à prescrição.
Condição é cláusula de um negócio jurídico, a qual, derivada exclusivamente da vontade das partes, subordina
a eficácia ou a resolução do negócio jurídico à ocorrência de evento futuro e certo.

03. (TEC/SUP/MIN/RJ/2007/NCE) No que diz respeito aos elementos acidentais do negócio jurídico, a fixação de
um destes elementos no caso de morte de um animal no· decorrer da vida deste e uma outra cláusula, como a
morte de um animal dentro do ano de 2007, ambos, como meios hábeis a dar eficácia a um negócio jurídico,
constituem exemplos, respectivamente, de:
a) termo indeterminado e condição;
b) condição e condição;
c) encargo e condição;
d) termo indeterminado e encargo;
e) condição e encargo.

04. (PROC/TCM/RJ/2008/FGV) A afirmativa "Pagarei a coisa adquirida quando a revender" representa condição:
a) puramente potestativa.
b) simplesmente potestativa.
c) eventual.
d) resolutiva.
e) suspensiva.
E 2 E 3 A 4 8

Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons
costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o
sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes.

l. BREVES COMENTÁRIOS
Em geral, são lícitas todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes,
devendo-se destacar que os elementos acidentais, como a condição, apenas são admitidos nos atos
negociais de natureza patrimonial, mas não podem integrar os de caráter precipuamente pessoal, como
os direitos relacionados à personalidade (GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro,
vol. I, 4a ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 331-2).
Classificação das condições. A condição ptmJmerzte potestativa, aquela que depende de mero ca-
pricho, sujeitando todo o efeito do ato ao arbítrio exclusivo de uma das partes, é ilícita, por caracterizar
191
Art. 123 liilii!•I•"•I~IM•IBI•IIll;l!t!!R•I
abuso de poder econômico e/ou desrespeito ao princípio da boa-fé objetiva. Nessas situações, desapa-
rece qualquer vínculo volitivo entre as partes. Já as condições simplesmente potestatiuas são admitidas,
pois não dependem apenas da manifestação de vontade de uma das partes; dependem também de
algum acontecimento ou circunstância exterior que escapa ao seu controle, não caracterizando abuso
ou tirania. (v. g., "bicho" prometido pelo cartola ao time caso este vença uma partida decisiva etc.).
Nesta segunda hipótese, tem-se o arbitrium bani viri, tolerado pelo nosso sistema jurídico, conforme
se constata nos arts. 420 (arras penitenciais), 505 (retrovenda), 509 (venda a comento) e 513 (direito
de preferência) do CC/02, conforme lição de Nelson Nery e Rosa Maria de Andrade Nery (Código
Civil Comentado. São Paulo, RT, 2007, p. 309).

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

DIREITO CIVIL. DISPENSABILIDADE DA EMISSÃO DA APÓLICE PARA O APERFEIÇOAMENTO DO CONTRATO


DE SEGURO. A seguradora de veículos não pode, sob a justificativa de não ter sido emitida a apólice de
seguro, negar-se a indenizar sinistro ocorrido após a contratação do seguro junto à corretora de seguros
se não houve recusa da proposta pela seguradora em um prazo razoável, mas apenas muito tempo depois
e exclusivamente em razão do sinistro. Isso porque o seguro é contrato consensual e aperfeiçoa-se tão logo
haja manifestação de vontade, independentemente da emissão da apólice, que é ato unilateral da seguradora,
de sorte que a existência da relação contratual não poderia ficar a mercê exclusivamente da vontade de um
dos contratantes, sob pena de se ter uma conduta puramente potestativa, o que é vedado pelo art. 122 do CC.
Ademais, o art. 758 do CC não confere à emissão da apólice a condição de requisito de existência do contrato
de seguro, tampouco eleva esse documento ao degrau de prova ta rifada ou única capaz de atestar a celebra-
ção da avença. Além disso, é fato notório que o contrato de seguro é celebrado, na prática, entre corretora e
segurado, de modo que a seguradora não manifesta e:<pressamente sua aceitação quanto à proposta, apenas a
recusa ou emite a apólice do seguro, enviando-a ao contratante juntamente com as chamadas condições gerais
do seguro. A propósito dessa praxe, a própria SUSEP disciplinou que a ausência de manifestação por parte da
seguradora, no prazo de quinze dias, configura aceitação tácita da cobertura do risco, conforme dispõe o art.
2°, caput e§ 6°, da Circular SUSEP 251/2004. Com efeito, havendo essa prática no mercado de seguro, a qual,
inclusive, recebeu disciplina normativa pelo órgão regulador do setor, há de ser aplicado o art. 432 do CC,
segundo o qual, "se o negócio for daqueles em que não seja costume a aceitação expressa, ou o proponente
a tiver dispensado, reputar-se-á concluído o contrato, não chegando a tempo a recusa". Na mesma linha, o art.
111 do CC preceitua que "o silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não
for necessária a declaração de vontade expressa". Assim, na hipótese ora analisada, tendo o sinistro ocorrido
efetivamente após a contratação junto à corretora de seguros, se em um prazo razoável não houver recusa da
seguradora, há de se considerar aceita a proposta e plenamente aperfeiçoado o contrato. De fato, é ofensivo à
boa-fé contratual a inércia da seguradora em aceitar expressamente a contratação, vindo a recusá-la somente
depois da noticia de ocorrência do sinistro. REsp 1.306.364-SP, Rei. Min. luis Felipe Salomão, julgado em
20/3/2014 (Informativo n• 0537).

Allf'l!.. Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados:
~t.\f
I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas;
11 -as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita;
111- oJS condições incompreensíveis ou contraditórias.

l. BREVES COMENTÁRIOS

Tarnh,'m invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados (art. 123, CC/02): (a) as
omcliçôes ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; (b) as condições incompreensíveis ou contraditórias; e (c)
as condiç<ies física ou juridicamemc impossíveis, quando suspensivas. Nesse particular, o CC/02
considera inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, c as de não fazer coisa impossível
(art. !24).

Explica Venosa que a condição aposta a um negócio jurídico passa a integrá-lo como um
todo e dde náo pode mais ser dissociada (Código Civil Imerpretado, 2a Edição. São Paulo:
Adas, 20 li, p. 135), razão pela qual afirma Amália Alvarenga que nas hipóteses elencadas neste
192
IU•Ii!Jihi;JU·ilii•i;JNU#d•IMI.t~jQ;IUHf'filfdhj Art. 123

artigo, todo o negócio é inválido, e não somente a condição, sustentando que "se a condição i
impossível, ilícita ou incompreensível, o negócío jamais alcançará eficácia, de modo que, mesmo qtt(
sejam praticados os atos estruturais, esses serão inválidos" (Código Civil Interpretado. São Paulo
Manole, 2009, p. 138).
A impossibilidade física da condição depende do exame do caso concreto. Uma condição
pode ser impossível para uns, mas não para outros, portanto, exige-se a anál.ise das circunstâncias do
caso concreto. A condição fisicamente impossivd para uma pessoa normal (correr 100 metros raso;
abaixo de 10 segundos) poderá ser relativa se oposta a um velocista profissional.
A impossibilidade jurídica da condição só invalida o negócio quando suspensiva. Con-
forme prescrito no inciso I do artigo em exame, a invalidade dos negócios jurídicos subordinados
a condições juridicamente impossíveis, somente se verifica no caso de condições suspensivas, pois
caso a condição seja resolutiva "o negócio já possui, de início, plena eficácia, que nâo serd tolhid.t
pela condição ilegal" (VENOSA. Silvio de Sa~vo. Código Civil Interpretado, 2" Edição. São Paulc:
Atlas, 2011, p. 131).
Condiçao ilícita ., condição juridicamente impossível. Não há que se confundir condições
juridicamente impossíveis com condições ilídtas. "Estas são plenamente possíueis, embora proibidas ou
reprovadas pelo ordenamento jurídico (...) A condição ilícita sempre iltuard no plillw da ''"/idade, jd a
juridicamente impossíuel poderá estar uincul,zda à existência, caso a condição seja resolutiva'' (COST,\
MACHADO, Antônio Cláudio da. Código Civil Interpretado. São Paulo: Manole, 2009. p. 138)

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (lESES- Cartórios- TJ- MS/2014) Assinale a alternativa correta:


a) As condições puramente potestativas são lícitas, salvo nos contratos de adesão.
b) As condições ilícitas ou de fazer coisa ilícita inv3lidam o negócio jurídico.
c) As condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas, consideram-se não escritas e o negócio
jurídico é válido.
d) A condição suspensiva suspende o exercício, mas não a aquisição do direito.

02. (PGE/AL/2008/ UNB/CESPE) Com base na disciplina dos negócios jurídicos, :a da uma elas opçéies abili::o
apresenta uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada. Assinale a opção que apresenta a
assertiva correta.
a) Carlos prometeu dar a Carolina um apartamento que possui em bairro nobre :le Belo Horizonte MG, ca>o
ela passe no vestibular para o curso de medicina. Nessa situação, trata-se de encargo, haja vista existir una
determinação imposta por Carlos a que Carolina aderiu.
b) Carmen doou a Rejane um apartamento para que nele se mantenha uma casa de prostituição. Nessa situaçáo,
o encargo será considerado não escrito.
c) No dia 2 ele janeiro de 2009, Pedro celebrou com Ricardo contrato de locação de um imóvel residencial. Fiou
estipulado que o contrato começaria a vigora· no dia 1° de fevereiro seguinte. Nessa situação, il aquisiçao :lo
direito de locação está suspensa.
d) Sérgio prometeu doar a Paulo uma Ferra ri vernelha, ano 2007, se Paulo percorrer i Oquilômetro"
com esse veiculo. Nessa situação, será inválido o negócio jurídico.
e) Lia prometeu dar a Sílvia U$ 2 mil se esta for para Nova Iorque até janeiro de 2010. Nessa situaç"o. tr Jtd·se de
condição puramente potestativa, que é proibida pelo direito pátrio.

03. (TCE/ACRE/2009/CESPE- adaptada) A respeito da disciplina dos negócios jurídicos no Código Civil,
assinale:
Caso um contrato estipule, como condição resolutiva da avença, que a parte beneficiada realize alcJO juricli:a-
mente impossível, a consequência será a inva!idade elo contrato.

193
l.·.·j
Art.124 liiiiJ!•Ip•l•IUijBtl9Ufiii;JI•lli•l
'f

Art. 124. Têm-se por inexistentes as condições impossfveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa
Impossível.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Condições inexistentes. Uma vez que se tenha por inexistente a condição, permanece imaculado
o negócio jurídico, passando a não mais ser modulado em seus efeitos. Atente-se o leitor que enquanto
as condições de não fizer coisa impossível, não importando a espécie, são inexisremes, as condições
po>itivas, vinculadas a um acontecimento ou fato, somente serão desconsideradas se apresentadas na
for;:na resolutiva, compreendendo-se que as panes desejavam a produção de efeitos. Se apresentadas
na :'orma suspensiva, aplica-se o disposto no art. 123, inciso l do CC/02.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Consulplan- Cartório- TJ- MG/2015) De acordo com o Código Civil brasileiro, é correto afirmar:
a) Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível.
b) Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas dispo-
sições, estas terão valor, realizada a condição, mesmo se com ela forem incompatíveis.
c) Se for suspensiva a condição, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusao deste o direito
por ele estabelecid:>.
d) Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva, não é permitido praticar os atos mesmo que
destinados a conservá-lo.

Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurldico à condição suspensiva, enquanto esta se
não verificar: não se terá adquirido o direito, a que ele visa.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Efeitos da condição suspensiva. Dentre as diversas classificações apresentadas pela dotHritLl,
mertce destaque a que divide as condições em suspensivas e resolutivas. Enquamo as primeiras im-
pedem que determinado negócio produza efeitos ames de sua implemenração, as segundas extinguc:m
os efeitos desse a panir elo momento em que elas se realizarem.
Enquanto não efetivada a condição, vale dizer, verificada a ocorrência do evento fururo c incerto.
o ~:egócio, embora e:üstcnte c válido, fica com seus efeitos suspensos e desaparecerá do mundo jurídi-
co sem nenhuma efidcia, havendo frustração da condição. Nesse particular, vale consignar que '\c
algu~m dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer tjttamo àquela< nm·as
di5posiçóes, es-ras nib terão valor, realizada a condicão, se com ela forem incompatÍveis" (an. l2GJ.
Pdo exposto, necessário distinguir: (a) o estado de pendência, (b) o estado de implemento ou. J inda.
(c) o estado de frustração da condição quando da an~ílise dos efeitos do negócio sob condi,<ów, pois
consequências distir:tas decorrem do implemento da condição resolmiva, uma vez que "enquanto
esra se não realizar, vigorar;Í o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a condus:w deste: o Jireiw
por de es:abelecido" (arr. 127). É o caso, por exemplo, da doação sob subvenção pcriódic.L i\esse
sentido, dispôe o art. 128 que, sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para rodos os d~:iws.
o direito ;~ que ela se opõe.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. ICespe- Analista Legislativo- Consultor Legislativo- Câmara dos Deputados/2014) Acerca de ;wqócio
jurídico e de ato jurídico lícito e ilícito, julgue os itens seguintes.
19'4
UJtlf!jl~ii;Uitllllti;IMlljdtlijUt1Q;Uiijt}11fi1hj Arl. 126

O negócio jurídico realizado sob condição suspensiva deverá ser considerado válido se, antes do implemento
dessa condição, o objeto, inicialmente impossível, se tornar possível.

02. (Cespe- Cartório- TJ-DFT/2014) Com base no direito das obrigações, assinale a opção correta acerca dos
elementos acidentais e condicionais.
a) Em se tratando de obrigação moda!, diversamente da condição suspensiva, as partes subordinam os efeitos do
ato negociai a um acontecimento futuro e certo.
b) As obrigações mistas, que decorrem da vontade de um contratante e da atuação especial da outra parte, são
admissíveis por não invalidarem o negócio jurídico.
c) Em contrato de compra e venda, pendente condição suspensiva, não há direito adquirido ao cumprimento da
obrigação enquanto não seja implementada a cláusula firmada pelos contraentes.
d) No caso de a eficácia do negócio jurídico estar vinculada a evento futuro e incerto, verificado o pagamento
da prestação antes do implemento da condição, se esta não se realizar, extingue-se a obrigação, não cabendo
direito à restituição.
e) Na hipótese de compra e venda de imóvel rural sob a condição, em termo estabelecido, de o contrato se resol-
ver se não for efetivado saneamento público básico, caso não se efetive a condição, dissolve-se a obrigação,
e não há efeito retroativo, remanescendo os direitos reais concedidos na sua pendência até a desconstituição
judicial.

03. (AUD/TCE/AL/2008/FCCJ Difere a condição suspensiva do termo inicial porque aquela:


a) pode não derivar exclusivamente da vontade da parte, enquanto este sempre deriva da vontade das partes.
b) suspende apenas o exercício do direito enquanto este suspende a aquisição e o exercício do direito.
c) consubstancia evento futuro e certo, enquanto este, evento futuro e incerto.
d) pode referir-se a fato passado, enquanto este só pode referir-se a evento futuro.
e) suspende a aquisição e o exercício do direito enquanto este suspende apenas o seu exercício.

c 2 c 3 E I
Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela
novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatlveis.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Novas disposições sobre a coisa, enquanto pendente condição.A condição suspensiva impede
a aquisição do direito cnquanro esta não se realizar. Contudo, ocorrendo (ou frustrando-se) a condi-
ção, os negócios realizados sob sua pendência terão sua estrumra reavaliada, somente reconhecendo-
-os se forem compatíveis com a condição. Como exemplo, pode-se pensar na alienação de um bem
a terceiro, enquanro a propriedade dcsre aguardava a ocorrência de condição. Esta se verificando,
ineficaz será a venda (visro que considerada será venda de coisa alheia); frustrando-se a condição, a
venda será perfeita.

Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico,
podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.

L BREVES COMENTÁRIOS
Efeitos do negócio sob condição resolutiva. Estipulado num negócio sob condição resolutiva,
desde o seu aperfeiçoamento produzem-se os âeitos corno se fosse um negócio puro e simples (até
que o implemcmo da condição ràça cessar a sua efidcia, exatamente ao comrário do que ocorre com
a condição suspensiva).
195
liiiil!eiW•l•ldjH.tgUfiii;Jit11Rel
2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

Anulação. Compra e venda de imóvel. Terceiro de má-fé. A recorrida celebrou contrato particular de permuta
de imóveis com um consórcio de construtoras no qual asseverou que cederia um terreno e receberia em troca,
após a construção do edifício, alguns apartamentos e lojas comerciais. Em outra cláusula, as partes estipularam
condição resolutiva, com a determinação de que, em caso de inadimplemento, deveria ser restabelecido o status
quo ante. Posteriormente, em cumprimento a uma terceira cláusula contratual, houve a outorga de escritura
pública de compra e venda do terreno destinado à construção em face do consórcio, sem qualquer referência à
citada cláusula resolutiva. As obras de construção do edifício não foram concluídas, ocorrendo o inadimplemento
da avença. Apesar disso, a construção inconclusa foi vendida para a recorrente, sendo o imóvel registrado em seu
nome. No intuito de desfazer o negócio jurídico, a recorrida propôs ação de rescisão do contrato de permuta de
imóveis entabulado com o consórcio e anulação do contrato de compra e venda deste com a recorrente. Não
houve prescrição ou decadência quadrienal da ação para anular o contrato de compra e venda realizado pela
recorrente e pelo consórcio por vício de dolo, pois a ação foi proposta no mesmo ano do contrato que visa anular.
Ademais, a presunção de veracidade dos registros imobiliários não é absoluta, mas "juris tantum", admitindo-se
prova em contrário da má-fé do terceiro adquirente. REsp664.523, rei. Min. Raul Araújo,j. 21.6.12. 4" T. (lnfo 500, 2012)

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Cespe- Analista Judiciário- Area Judiciária- CNJ/2013) Acerca de negócios jurídicos, julgue os próximos itens.
A condição suspensiva subordina a eficácia do negócio jurídico à sua implementação. Já a condição resolutiva,
quando implementada, faz cessar os efeitos do negócio jurídico.

02. (Cespe- Analista Judiciário- Area Judiciária- CNJ/2013) Acerca de negócios jurídicos, julgue os próximos itens.
O silêncio das partes configura declaração de vontade, elemento essencial do negócio jurídico, e implica a
anuência tática e a aceitação dos termos do contrato.

03. (Juiz/TJ/DFT/2007) Analise as proposições e assinale a úníca alternativa correta.


As pretensões perpétuas, que se exercitam mediante ações declaratórias, são imprescritíveis.
11. Consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a ação de indenização do segurado em grupo contra
a seguradora prescreve em um ano, contado da comunicação do sinistro à seguradora.
111. Negócio jurídico submetido à condição resolutiva só se tem por formado, perfeito, quando verificada a condição.
a) apenas uma das proposições é falsa.
b) apenas uma das proposições é verdadeira.
c) todas as proposições são verdadeiras.
d) todas as proposições são falsas.

Art. 128. Sotlrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a que ela se
opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição
em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da
condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé.

1. BREVES COMENTAlUOS
Condição resolutiva em contratos de duração. A cbíusula resolutiva pode ser pactuada de
nodo expresso ou dciro lar!. 474, CC/02). Quando oposta em comratos de execução continuada,
mplemenrado o cn:nw, permanecem os aros já praticados, desde que compatíveis com a boa-fé,
una vez que o dolo do .1gcme em proveico próprio, quando verificado, impede (ou força, mediante
>resunçáo, a realizaç:1ol da condição. Para melhor compreensão, tenha-se que um imóvel produziu
rutos na pendênci.1 da condição. O seu atual proprietário fez deles uso, em total respeito à outra
•arre. Sobrevindo a condiçcio, pode-se aceitar que estes frutos continuem como sua propriedade.
96
11Jeifiiijil;l•i•liil•l;\f;W}Iji\•IMlthjij;l•lBJ}iih1h1 Art. 129

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Cespe- Analista Legislativo- Consultor Legislativo- Câmara dos Deputados/20141 A respeito dos ne-
gócios jurídicos, julgue os próximos itens.
Efetivada a condição resolutiva aposta a um negócio jurídico de execução continuada, não serão atingidos os
atos já praticados, sendo correto afirmar que, de regra, o implemento da condição resolutiva tem eficáda ex
nunc com relação às prestações executadas.
un, c

Art. 129. Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for ma idosa-
mente obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao contrário. não verificada a condição
maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aprovéita o seu implemento.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Interferência maliciosa nt> implemento da condição. A incerteza de sua ocorrência é marca d.H
condições. Tanto assim é que a morte, sem uma data prefixada de ocorrência, é termo e não ·:ond.içá:J
Desta forma, náo se pode acertar que uma das partes possa intervir na manifestação do acaso. Assim, c
sistema civil presume, de forma absoluta, a ocorrência ou não desta, sempre que a parte houver atuacc
de forma dolosa. Pode-se usar como exemplo o caso de intervenção no resultado de jogos de futebcl.
Provada a intervenção, a parte que teve um negócio a este resultado atrelado, desde que a ocorrência (cu
frustração) se dê pela atuação da outra parte, poderá requerer os efeitos do preser:te artigo.

Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou resolutiva, é permitido
praticar os atos destinados a conservá-lo.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Expectativa de direito e condição. A conservação não se confunde com a aquisição do direito.
Aquele que detém mera expectativa de direito pode promover medidas assecuratórias para a proteçã::J
do bem, resguardando sua integralidade para o caso de implementação da condição. Se issc ocorrt:,
poderá usufruir livremente do bem. Ou seja, é possível promover meios garantidores para a com·er-
sação da coisa mesmo contra o proprietário resolúvel.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. {Cespe- Analista Legislativo- Consultor Legislativo- Câmara dos Deputados/2014) Acerca de negócio
jurídico e de ato jurídico lícito e ilícito, julgue os itens seguintes.
t permitido ao titular de direito eventual praticar atos para conservação desse direito enquanto se martiver
pendente a condição suspensiva ou resolutiva.

02. {Juiz/TJ/T0/2007/1 FASE/CESPE- adaptada) Quanto aos negócios jurídicos, assinalA a opção correta.
o detentor de um direito eventual, na pendência da condição suspensiva ou resolutiva, não poder3 praticar
qualquer ato destinado à conservação do negócio ou à sua execução. Tal proibição decorre do caráter de even-
tualidade atribuído ao negócio, cuja aquisição ou r anutenção esteja subordinada ao implemento de condiçãc,
que, sobrevindo, opera a extinção do direito a que a ela se opõe.
c

V Art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito.

197
Art. 131 lliill!•ll•i•IN§Htlijl•flildi•119•1
1. BREVES COMENTÁRIOS
O termo e seus efeitos. Considera-se termo o dia ou momtnto em que começa ou se extingue
a eficácia de determinado negócio jurídico, o que pode ser fixado mediante lei ou por acordo de
vontades (termo convencional), hipótese que subordba a eficácia do negócio a evento futuro e certo
(AMARAL, Francisco. Direito Civil. Introdução. 6• ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2006, p. 472).
Francisco Amaral adverte que nem todos os negócios admitem termo, restando excluídos de seu âmbito
de alcance os negócios relativos à renúncia a heranç;c, adoção, emancipação, dentre outros que, por
reclamarem execução imediata ou se referirem a direitos personalíssimos, com ele são incompatíveis
(p. 473). Aplicam-se ao termo as disposições relativas às condições (art. 135). Distinguem-se, pois, o
termo inicial (=suspensivo) e o termo final (=resolutivo).
Termo inicial "' condição suspensiva. No estudo comparativo entre o termo inicial e a condi-
ção suspensiva, deve ser destacado que o termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do
direito (art. 131), diferentemente do que ocorre com a condição, que suspende a eficácia de ambos.
Ademais, conforme já apontado em comentários anteriores, diante de uma condição suspensiva nã<>
haverá direito adquirido (art. 125), sendo lícito, entretanto, que o beneficiário dela, como titular de
direito eventual, exerça atos de conservação da coisa (art. 130).

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Vunesp- Juiz de Direito Substituto- SP/2014) Assinale a opção correta.


a) O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito.
b) Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do
negócio jurídico a evento futuro e certo.
c) Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou resolutiva, não é permitido praticar os atos
destinados a conservi-los.
d) Subordinando-se a efcácia do negócio jurídico à condição suspensiva, adquire-se desde logo o direito a que
ele visa.

02. (Cespe- Técnico Judiciário- Area Administrativa- TJ- SE/2014) A respeito dos atos, fatos e negócios
jurídicos, julgue os próximos itens.
O termo inicial suspende o exerclcio do direito, mas não sua aquisição.

03. (FCC- Defensor Público- PB/2014) Cláudio firmou com seu filho Lucas contrato de doação por meio do qual
lhe transferiria a propriedade de imóvel no dia de seu trigésimo aniversário. Em caso de conflito de leis no
tempo, considerar-se-á que Lucas possui
a) expectativa de clireitc, pois o direito somente se adquire com o implemento ela condição suspensiva.
b) direito adquirido, por se tratar de direito a termo.
c) direito adquirido, por se tratar de direito sob condição suspensiva.
d) expectativa de direitc, pois o direito somente se adquire com o advento do termo.
e) direito adquirido, por se tratar de direito sob condição resolutiva.

04. (AUD/TCE/Al/2008/FCC) Difere a condição suspensiva do termo inicial porque aquela:


a) pode não derivar exclusivamente da vontade da parte, enquanto este sempre deriva da vontade das partes.
b) suspende apenas o exercício do direito enquanto este suspende a aquisição e o exercício do direito.
c) consubstancia eventc futuro e certo, enquanto este, evento futuro e incerto.
d) pode referir-se a fato passado, enquanto este só pode referir-se a evento futuro.
e) suspende a aquisição e o exercício do direito enquantc este suspende apenas o seu exercício.

OS. (PROC/BACEN/20091CESPE- adaptada) A respeito dos elementos, dos defeitos e da validade dos atos jurídicos,
assinale a opção correta.
A consequência da inserção de termo inicial ou suspensivo no contrato é o adiamento da aquisição do direito.

198
liU1t!JihldUtliiit1;JMU@d•lijl•hjQ;J•l9J$1161hj Art.132

A 2 c 3 8 4 E s E

Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, exclufdo o dia
do começo, e incluído o do vencimento.
§ 1• Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil.
§ 2• Meado considera-se, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia.
§ 3• Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar
exata correspondência.
§ 4• Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Como contar prazos de direito material. O artigo em comemo merece atenção, porque não é
cobrado de forma direta, mas sim através de menções em casos, muitas vezes passando os termos aqui
utilizados de forma imperceptível. O primeiro parágrafo estabelece regra de que não há vencimento
em dia não útil. Quando necessário o vencimento antecipado, haverá disposição especial. Anote-se
ainda que existem regras especiais para contagem de prazos processuais (sobretudo em relação ao
processo judicial eletrônico, que distingue, por exemplo, data de disponibilização da data de publi-
cação) e prazos para contagem do 11acatio legis (Lei Complementar n° 95/98).
O meado, expressão que no universo leigo tem medida aproximativa, em Direito Civil é uma
data, ou seja, o dia 15 de qualquer mês. Assim, nunca se ocupe em definir quantos dias tem o mês,
o meado será sempre o mesmo. Quando se uaca de contagem de ano, o artigo em comento replica
regra da Lei n° 810/49, que define o ano civil.

2. QUESTÓES DE CONCURSOS

01. (lESES- Cartórios- TJ- MS/2014) Para fins de prazo civil considera-se Meado:
a) Em qualquer mês, o seu décimo quinto dia, com exceção do mês de fevereiro, o qual será considerado o décimo
quarto dia.
b) A metade do prazo que a lei prever.
c) Em qualquer més, o dia quinze, independentemente de que o vencimento venha a cair em feriado.
d) Em qualquer mês, o seu décimo quinto dia, e se dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado
o prazo até o seguinte dia útil.

fill o I
Art. 133. Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do herdeiro, e, nos contratos, em proveito do
devedor, salvo, quanto a esses, se do teor do instrumento, ou das circunstâncias, resultar que se estabeleceu
a benefício do credor, ou de ambos os contratantes.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Presunção de prazo em favor do herdeiro e do devedor. O sistema civil busca resguardar
aquele que se apresenra como parte débil do negócio (devedor) ou o herdeiro, resolvendo eventuais
ambiguidades na contagem do prazo ou em sua fixação. Deve-se destacar que é o herdeiro o devedor
dos legados, razão pela qual se presume em seu benefício a fixação do termo final da obrigação.
Da interpretação do dispositivo fica evidente que o devedor pode cumprir a obrigação antes do seu
vencimento, mesmo contra a vontade do credor, embora este ainda náo tenha pretensão para exigi-la.
Trata-se de presunçãojuris rantum, pois é possível ao credor demonstrar que o prazo do negócio foi pac-
tuado em seu benefício, hipótese na qual não se: admitirà o pagamemo antecipado comra sua vontade.
199
Art. 134

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (TJ/SC -Juiz de Direito Substituto- SC/2013) Assinale a alternativa INCORRETA:


liiilll•ll•l•l~ijij•lijUflii;JUltB•I

l
f
a)

b)
Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do herdeiro, e, nos contratos, em proveito do credor, salvo,
quanto a esses, se do teor do instrumento, ou das circunstâncias, resultar que se estabeleceu a benefício do
devedor, ou de ambos os contratantes.
É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico.
i
I
i
c) A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois
que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis I
com a prescrição. ~
!
d) A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui bem de família para efeito !
de penhora. f
e) lndepende de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins
econômicos ou comerciais.
i
l
iffii:i A

Art. 134. Os negócios jurídicos entre vivos, sem prazo, são exeqüíveis desde logo, salvo se a execução
tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo.

I. BREVES COMENTÁRIOS
o
Prazo razoável. O sistema civil utiliza recurso de subsidiariedade para determinar o vencimento
das obrigações sempre que não houver d isposiçáo das partes, se for da natureza do negócio ou caso
se tratar de disposiçào legal, corno, por exemplo, no caso do mútuo de dinheiro, que possui prazo
subsidiário de trinta dias (art. 592, inciso f[ do CC/02).

Compete aos próprios figurantes do negócio jurídico a determinação do prazo em que deve
ser cumprida a obrigação. O di.,positivo em análise sornemc é aplicável quando auscme tal discipli-
namento, uma vez que o crl'dor da obrigaçáo não pode exigir o seu cumprimento ames do termo
estabelecido no negócio.
Anote-se que a expressão "desde logo" não deve ser compreendida em seu sentido literal, me-
recendo interpretação de acordo com as circunstâncias do caso concreto, denrro de um critério de
razoabilidade, pois a "satisLtção imediata" da obrigação pode depender de omros fatores. Num contrato
de fornecimento, por exemplo. h:í de se levar em consideração o tempo para a colheita de uma safra.
Num contrato de venda de cois.t futura (v. g. apartamento comprado "na planra") há de se considerar
o cronograma da obra, co11di~·óes clindticas e a l·àse em que se encontrava o empreendimento no
momemo da celebração do negócio. Se as panes não conseguirem fixar um prazo de comum acordo,
tal definição comperid ao magistrado.
Importante estudar tal dispo.sitico em conjunto com o disposto no art. 331 e no parágrafo
tini co do art. 397, que exige i tHerpdação judicial para constituição em mora nos casos de negócios
jurídicos sem prazo.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (PROC/TCE/Al/2008/FCC) Os negócios jurídicos entre vivos sem prazo:


a) equiparam-se aos negócios juricltcos sob condição suspensiva, porque sua eficácia sempre ficará na dependência
de evento futuro e incerto.
b) são exigíveis desde logo, e a constituição em mora independe de interpelação judicial ou extrajudicial, exceto
se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo.
c) devem ser executados dentro dco trinta (30) dias da celebração do ajuste, sob pena de o devedor incidir em mora.
200
l~l•ifjl}lliftltllllel;ftMli!«•IBI•hJQ;I•Idt1\ilfi!f4j Art. 135

d) são ineficazes, porque o prazo é da essência dos negócios jurídicos, salvo se, expressamente, a obrigação tiver
sido assumida para execução imediata.
e) são exigíveis desde logo, exceto se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo, mas
a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial.

litG~J 1 E

Art. 135. Ao termo inicial e final aplicam-se, no que couber, as disposições relativas à condição suspen-
siva e resolutiva.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Aproximações entre a condição e o termo. Como ambos os Í!lstitutos se referem a eventos futu-
ros, determina o legislador a aplicação de regras comuns, sempre que possível. Importante apontar que
diversos autores estabelecem diferença entre termo certo e termo incerto. Não se trata de confusão
com o instituto da condição, pois neste a incerteza é elemento estrmural. Ao contrário, denomina-se
termo incerto aquelas situações que, apesar de serem de ocorrência certa (e por isso definidas como
termo), não têm definido um momento (todos morreremos mas não sabemos quando). Por outro lado,
havendo certeza da ocorrência e do momento, está-se diante de um termo certo.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (TEC/SUP/MlN/RJ/2007/NCE) No que diz respeito aos elementos acidentais do negócio jurídico, a fixação de
um destes elementos no caso de morte de um animal no decorrer da vida deste e uma outra cláusula, como a
morte de um animal dentro do ano de 2007, ambos, como meios hábeis a dar eficácia a um negócio jurídico,
constituem exemplos, respectivamente, de:
a) termo indeterminado e condição;
b) condição e condição;
c) encargo e condição;
d) termo indeterminado e encargo;
e) condição e encargo.

fiJ:J A

Art. 136. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressa-
mente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Encargo, uma restrição imposta àquele que aceitou se beneficiar de uma liberalidade. Pode-
-se definir o encargo como uma autolimitaçáo típica dos negócios jurídicos gratuiws, que serve para
impor ao beneficiário um ônus (=restrição), normalmente atrelado a urna vantagem, como ocorre, por
exemplo, na doação de terreno feita por um torcedor fanático a um clube de futebol com a obrigação
ele ali construir um est;ídio, no pra1.0 estabelecido na própria escritura de doação. No encargo, o
ônus estipulado para recebimento de uma liberalidade não guarda equivalênda com o preço do bem
objeto do negócio jurídico, podendo consistir em obrigação de fazer, não fa1.er ou dar, uma vez que
sua expressão econômica é dado secundário. não servindo como forma de compensação (LOBO,
Paulo Luiz Netto. Direito Civil. Parte Geral. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 270).
Constituir um encargo significa criar um;, restrição ao beneficUrio de uma liberalidade, ou seja,
em qualquer ato jurídico de índole gratuita (testamentos, promessa de recompensa, renúncia, etc.) é
possível reduzir a extensão do benefício através do encargo, também chamado modo.
201
Arl.137 Qiiil!•ll•ltlll4fltld!ti!II;!I.Uij•l
Se não deve confundir encargo com condição. Este instituto pode ser utilizado para criar uma
obrigação ao fav·::>recido em benefício do próprio instituidor, de um terceiro ou até da coletividade,
mas não deve ser confundido com a condição. Ensina Venosa que ninguém pode ser obrigado a cum-
prir uma condição enquanto o encargo, uma vez aceito, caracteriza-se pela cocrcitividade, ou seja, a
obse:vância do encargo torna-se obrigatóri<l, após a:eitação do beneficiário, que fica sujeito ao seu
cumprimento (Código Civil Interpretado, 2a Edição. São Paulo: Atlas, 2011, p. 144).
Encargo não equivale a contraprestação. Deve-se atentar, ainda, que o encargo jamais se ca-
racteriza como contraprestação, uma vez que ninguém pode ser obrigado a aceitar uma liberalidade.
Deve sempre consistir numa obrigação lícita e possível, sob pena de ser considerado não escrito,
prevalecendo a liberalidade de modo puro e simples. Importante estudar o citado dispositivo em
conj.1nto com o> arts. 125 e 131, pois ao contrário do que ocorre com a condição suspensiva e o
termo, o encargo não suspende nem a aquisição nem o exercício do direito. Sua aplicação é bastante
comum nos contratos de doação e nos testamenros, merecendo destaque a disciplina dos arts. 555,
559 e 560, que disciplinam a revogação da doação com encargo.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (PUC- PR- Juiz de Direito Substituto- PR/2014) O mútuo e o comodato são modalidades de empréstimo.
Acerca deste •Jitim~ contrato, assinale a alternativa CORRETA.
a) O comodato~ contrato bilateral gratuito por meio de qual o comodante entrega bem fungível para uso do
comodatário, que se obriga a devolvê-lo.
b) O comodato admite a aposição de encargo.
c) Somente ber,s imóveis podem ser objeto de comodato, assumindo o comodatário a sua posse direta e o
comodante a posse indireta.
d) Sendo gratuit::> o comodato, o pagamento por parte do comodatário de taxas, impostos, despesas de condomínio
etc., desnatura o contrato, incumbindo ao comodante ressarcir tais despesas ao comodatário.

02. (Vunesp- Cartório- TJ- SP/2014) O encargo, nos negócios jurídicos,


a) não suspende nem a aquisição e nem o exercício do dir~ito, salvo quando expressamente imposto ao negócio
jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva.
b) mesmo sendc ilícito ou impossível, não invalida o negócic·, quando constituir o motivo determinante da liberalidade.
c) tem o efeito, sempre, de suspender a aquisição e o exercício do direito.
d) salvo disposicão em contrário, suspende só o exercício do direito, enquanto permanecer pendente, mas não a
sua aquisição pelo titular.

03. (TCE/ACRE/2009/CESPE- adaptada) A respeito da disciplina dos negócios jurídicos no Código Civil, assinale:
O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, de forma que não poderá ser imposto no ne-
gócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva, sob pena de haver descaracterização do instituto.

Art. 137. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o motivo determi-
nante da liberolidade, caso em que se invalida o negócio jurídico.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Efeitos do encargo ilícito ou impossível. Não pode o leitor tentar aplicar as regras dos termos c
condições aos encargos. Nestes a liberalidade, o intuito de beneficiar é claro, logo os empecilhos que
se apresentem deYc ser desconsiderados. Contudo, sendo ilíciro ou impossível e se firmando como o
motivo dctermbante da atuação (a deixa a um herdeiro para que ele crie uma fundação de incentivo
ao crime) o próprio negócio se invalidará.

202
IU•If!ll~ll;ltl•IIIIU;JMU«B•I91•;jQ;Iti9J'f\ilij!~j Art. 138

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

Leasing. Seguro. Abusividade.O CDC não exclui a principiologia dos contratos de direito civil. Entre as normas
consumeristas e as regras gerais dos contratos, insertas no Código Civil e legislação extravagante, deve haver
complementação e não exclusão. É o que a doutrina chama de Diálogo das Fontes. Ante a natureza do contrato
de arrendamento mercantil ou leasing, em que pese a empresa arrendante figurar como proprietária do bem,
o arrendatário possui o dever de conservar o bem arrendado, para que ao final da avença, exercendo o seu
direito, prorrogue o contrato, compre ou devolva o bem. A cláusula que obriga o arrendatário a contratar seguro
em nome da arrendante não é abusiva, pois aquele possui dever de conservação do bem, usufruindo da coisa
como se dono fosse, suportando, em razão disso, riscos e encargos inerentes a sua obrigação. O seguro, nessas
circunstâncias, é garantia para o cumprimento da avença, protegendo o patrimônio do arrendante, bem corno
o individuo de infortúnios. S. Rejeita-se, contudo, a venda casada, podendo o seguro ser realizado em qualquer
seguradora de livre escolha do interessado. REsp 1.060.515, rei. Min. Honildo Castro, 4.5.10. 4° T. (lnfo 433, 2010)

3. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (ANALIS/JUD/TRF 3R/2007/FCC) Quando a imposição de encargo ilícito constitui o motivo determinante da
liberalidade,
a) invalida-se o negócio jurídico.
b) substitui-se o encargo ilícito por outro lícito, a critério do juiz.
c) considera-se não escrito o encargo ilícito.
d) substitui-se o encargo ilícito por outro lícito, a critério do beneficiário.
e) reduz-se a liberalidade à metade do valor estipulado pelo disponente.

~CAPÍTULO IV- DOS OEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO


'SEÇÃO I - DO ERRO OU IGNORÂNCIA
--A Art.138. São a~li~ci~-;:;~;~Ó~ios j~~dl~~~. qu~;;-d;;;;d;~Í~;açô~-;-de vontade emanarem de erro
'fJ substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias
do negócio.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Erro. Costuma-se definir o erro como falsa representação da realidade. Nessas hipóteses, alguém ima-
gina que está se relacionando com determinada pessoa, ou negociando determinado objeto, sem perceber
-quer seja por distração, desconhecimento ou simples equívoco- que, de faro, trata-se de situação diversa.
Nem rodo erro enseja a invalidação do ato. Para saber se determinado engano configura erro
passível de desconstituição do aro por anulabilidade, basta perguntar à vítima o que ela faria se
soubesse da realidade. A resposta certamente será bem simples: não reria celebrado o negócio, que
apenas aparentemente se assemelhava ao que pretendia o agente.
Requisitos. O Código Civil exige como requisito para anulaçáo do negócio por erro que ele seja
substancial, isto é, relacionado a elementos essenciais do ato praticado, e que poderia ser percebido por
pessc>a de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio (art. 138, CC/02). Note-se que
a codificação se baseia no comportamento médio do grupo social, não exigindo habilitação técnica
ou especialização para sua configuração. Em resumo, ocorre erro substancial, passível de justificar
a anulação do negócio, quando o vício ern questão for escusável, vale dizer, nas situações em que
qualquer pessoa poderia cometê-lo em igualdade de circunstâncias.

2. ENUNCIADOS DAS JORNADAS

Enunciado 12- Art. 138: na sistemática do art. 138, é irrelevante ser ou não escusável o erro, porque o dispositivo
adota o princípio da confiança.
203
Art.139 liiiii!•ilaltljlijdeltlltjlii;JUJiijtl
3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Cespe- Analista Legislativo- Consultor Legislativo- Câmara dos Deputados/2014) Julgue os itens sub-
sequentes, relativos aos bens jurídicos e aos negócios jurídicos.
Caso ocorra erro, espécie de vício de consentimento, em determinado contrato, ainda que a parte a quem a
manifestação de vontade se dirija se ofereça para executá-la na conformidade da verdadeira vontade do ma-
nifestante, não haverá possibilidade de tal contrato ser validado, uma vez que o negócio jurídico nulo não é
passível de confirmação ou convalidação. ,

02. (FCC- Analista Judiciário- Área Judiciária- TRT 2/2014) Rabinho foi ao shopping com a intenção de comprar
um relógio de ouro, para combinar com suas inúmeras correntes do mesmo metal. De pouca cultura, adquiriu
um relógio folheado a ouro, apenas, que tentou devolver mas a loja não aceitou, alegando terem vendido
exatamente o que Rabinho pediu e não terem agido de má-fé. Se Rabinho procurar a solução judicialmente, 1
a)
seu advogado deverá pleitear a
nulidade do negócio jurídico, por embasamento em falso motivo. I
b) ineficácia do negócio jurídico, por erro incidental e abusividade do funcionário da loja ré. i
c)
d)
e)
anulação do negócio jun'dico, alegando lesão por inexperiência.
nulidade do negócio jurídico, por erro essencial quanto ao objeto principal da relação jurídica.
anulação do negócio jurídico, alegando erro substancial no tocante a uma qualidade essencial do relógio ad-
II
quirido.

03. (ADV/SENAD0/2008/FGV) Na sistemática do Novo Código Civil, se o erro é escusável, o negócio:


a) prevalecerá.
b) será declarado nulo.
c) poderá ser anulado.
d) será tido por inexistente.
e) fica sujeito à ratificação.

04. (Juiz/TJ/SP/2009/VUNESP) Erro substancial e dolo essencial viciam o ato jurídico porque
a) revelam má fé do contratante.
b) a vontade não é livremente manifestada.
c) impedem que o declarante tenha conhecimento da realidade.
d) tornam ilícito o objeto.
c 4 c]

Art. 139. O erro é substancial quando:


I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a
ele essenciais;
11- concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade,
desde que tenha influído nesta de modo relevante;
111 -sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do
negócio jurídico.

L BREVES COMENTAIUOS
Espécies de erro substancLd. O próprio texto legal enuncia as formas mais comuns de erro
substancial. Configura-se o crror ;,, "'~çotia, isto é, o erro em relação à natureza do negócio, quando
se pretende praticar certo aro c, no cmanro, realiza-se outro (r1.g., doação x compra e venda). Mas
quando a coisa concretizada no ato d,· vontade não era a pretendida pelo agente, tem-se o error in
corpore, ou seja, o erro em rclaçáo ao objcw principal da declaração.

Se o erro é relativo às qualichdcs essenciais do objeto, tem-se o error in substantia (comprar,


por engano, pen drive com cap.Kidadc de ;trmazenamento bem inferior à esperada, por exemplo).
204
l~f,JtiJifii;l•l•lilleldt,Wjl@•lijl•hjij;l•lâ§\iltJ!FI Art 140

Denomina-se error in persona quando o agente desconhece ou se engana acerca de aspecto essencial
da pessoa a quem se refira a declaração de vomade, como, por exemplo, quando a esposa ign.orava
vício comportamental do marido, vindo a descobri-lo dias após o casamento (art. 1.557, CC/02).
Erro ., Vício Redibitório. Não confundir erro com vício redibitório. Neste caso (vício), temos
erro objetivo sobre a causa do negócio (próprio objeto), pois esta contém um defeito oculto que
torna a coisa imprestável ao uso a que se destina ou reduz consideravelmente o seu valor. É o campo
das ações edilícias (redibitórias ou estimatórias), nas quais se exige que o vendedor se responsa.bilize
perante o comprador em face do princípio geral de garantia que decorre da cláusula geral de l:oa-fé.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (FMP- Cartório- TJ- MT/2014) Negócio jurídico. Defeitos. Quando alguém faz doação patrimonial a outrem,
supondo que este, em tempos idos, lhe havia doado uma medula óssea, o que não ocorreu, protagoniza:
a) erro substancial que interessa à natureza do ato (error in ipso negotia).
b) erro sobre o objeto principal da declaração (errar in ipso corpore rei).
c) erro sobre alguma das qualidades essenciais do objeto principal da declaração (error in substantia).
dl erro quanto à pessoa.
e) erro acidental.

Oi. (ANALIS/JUD/TRE/PB/2007/FCC- adaptada) No que concerne ao erro, um dos defeitos do negócio. ~rídico,
é correto afirmar:
O erro será substancial quando sendo de direito e não implicando recusa à aplicaç.'ic da lei, for o motivo único
ou principal do negócio jurídico.

o 1 2 c

V Art. 140. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Causa ., Motivo. Para a exata compreensão do dispositivo em análise, devem-se distinguir as
noções de causa e motivo. A primeira está relacionada ao escopo visado pelas partes, vale dzer, ao
fim econômico ou social do negócio. Já o motivo pode ser decorrente de razôes de ordem subjetiva,
que em princípio não interessam ao direito, logo não precisam ser mencionadas pelos contratantes.
Em suma, enquanto o motivo se relaciona à intenção, vale dizer, o impulso subjetivo qu.e leva o
agente a celebrar o negócio, a causa diz respeito à finalidade prática que se pretende obter em razão
do ato jurídico a ser celebrado.
Existia grande controvérsia sobre o terna durante a vigência da codificação anterior, pois o texto
do j<í revogado art. 90 do CC/16 confundia os conceitos, situação supe:ada na redação ;l[ual do
artigo em comemo.
Num contrato de compra e venda, fica fácil perceber que a CAUSA do negócio é a transferência
do domínio sobre a coisa (art. 481), sendo esta a base objetiva do negócio. O MOTIVO que ensejou
a celebração do negócio (que não necessita ser exteriorizado) pode ser necessidade financeira desinte-
resse em permanecer com o bem por motivo de viagem, o desejo de acumular capital para aquisição
de outro bem, a existência de problemas com os vizinhos, etc ....
Carlos Roberto Gonçalves exemplifica bem a questão: "se uma pessoa foz uma doaçãc à outra,
porque é informada de que o donatdrio é seu filho, a quem não conhecia, ou se é a pessoa que !h e salvou
a vida, e posteriormente descobre que tais fotos rzão são 11erdadeíros, a doação poderd ser anulad,z somente
205
Arl.141 liiillltii•I•IUi«Urll•flii;JI•IId•l
na hipótese de os referidos motivos terem sido expressamente declarados noinstrumento como razáo deter-
minante" (Direito Civil Brasileiro, vol. I, 4• ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 367).
Como explica Silvio Venosa, os motivos "sáo de ordem interna, psicológica, e náo devem interrJir
na estabilidade jurídica dos negócios. Se as partes, porém, erigem um dos motivos em razáo determinante
do negócio, ele se integra ao próprio, passa a fazer-lhe parte, gerando a anulabilidade se for ilwerídico ou
fitlso" (Código Civil Interpretado, 2• Edição. São Paulo: Atlas, 2011, p. 152). Atente-se que o motivo
que serve de fundamento de anulação do ato jurídico deve transcender a reserva mental c se tornar
conhecido dos contratantes.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (Cespe- Procurador do MP junto ao TCE-PB/2014) Considerando as disposições do Código Civil no que diz
respeito ao negócio jurídico e aos atos ilícitos, assinale a opção correta.
a) A confirmação pelas partes do negócio jurídico anulável deve ser expressa, ainda que parte do avençado já
tenha sido cumprida pelo devedor, ciente do vício que o inquinava.
b) Não comete ato ilícito aquele que exerce direito próprio em manifesto excesso aos limites impostos pelos bons
costumes.
c) É nulo o negóci:J jurídico celebrado por pessoa relativamente incapaz.
d) A escritura púbka é formalidade essencial à validade de negócio jurídico que objetive a transferência de direitos
reais sobre imóveis, independentemente de seu valor.
e) O erro referente ao motivo do negócio não o vicia, exceto se o falso motivo for expresso como razão determi·
nante.

02. (TJ/SC- Juiz de Direito Substituto- SC/2013) Assinale a alternativa INCORRETA:


a) Cessará, para os menores, a incapacidade pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante
instrumento público. independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se
o menor tiver dezesseis anos completos.
b) Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição per-
manente da integridade física, ou contrariar os bons costumes.
c) Decai em três ao os o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato
respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro.
d) É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser
cumprida a obrigação; por outro lado, compete apenas à autoridade judiciária brasileira conhecer das ações
relativas a imóveis situados no Brasil.
e) O erro é substancial quando interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma
das qualidades a ele essenciais; concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a
declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante; sendo de direito e implicando recusa
à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico.

03. (ANALIS/JUD/TRE/PB/2007/FCC- adaptada) No que concerne ao erro, um dos defeitos do negócio jurídico,
é correto afirmar:
O falso motivo sempre viciará a declaração de vontade e gerará a anulação do negócio jurídico.

04. (PROC/MUN/SP/2008/FCC- adaptada) Analise as seguintes afirmativas:


O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante.

Art. 141. A transmissão errõnea da vontade por meios interpostos é anulável nos mesmos casos em
que o é a declaração direta.

1. BREVES COMENTÁRIOS
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Anulabilidade na transmissão errônea da vontade. Sendo a hipótese de transmissão errônea da
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li vontade por meios interpostos (v.g., mensagem de e-mail recebida de modo truncado), ocorre vício passível
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I 206
11
Art. 142

de anulação, nos mesmos casos em que o é a declaração direta (art. 141). Assim, aquele que opta por
este caminho, de realizar um negócio por interposta pessoa (como quando pede a alguém que compre
um bem), justo que se possa também, desde que escusável, anular o acordo erroneamente concebido.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (PROC/MUN/RE/2008/FCC- adaptada) Considere as seguintes assertivas sobre os defeitos do negócio jurídico:
11. A transmissão errônea da vontade por meios interpostos é anulável nos mesmos casos em que o é a declaração direta.

02. (FCC- Analista Judiciário- Exec. Mandados- TRT 1/2013) Sobre o erro ou ignorância, de acordo com o
Código Civil Brasileiro, é INCORRETO afirmar:
2) O erro será substancial quando sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único
ou principal do negócio jurídico.
b) O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante.
c) O erro de indicação da coisa, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o negócio quando, por seu
contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa.
d) O erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade.
~~ A transmissão errônea da vontade por meios interpostos não é anulável ao contrário do que ocorre nos casos
de declaração direta.

c 1 2 E

Art. 142. O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade. não viciará
o negócio quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada.

1. BREVES COMENTÁRIOS
Erro Acidental. Importante frisar que o art. 142 do Código Civil faz referência a situações que
configuram erro acidental, por não serem suficientes à configuração de vício invalidame. Nesses ca-
sos, o engano está relacionado a meros aspectos secundários, passíveis de correção, por seu contexto
e pelas circunstâncias, sem prejuízo aos interessados.

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (MPE-SC- Promotor de Justiça- SC/2013) Em sede de defeitos do negócio jurídico expressa a lei civil que o
erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o negócio quando,
por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada.

02. (ANALIS/JUD/TRE/PB/2007/FCC- adaptada) No que concerne ao erro, um dos defeitos do negócio jurídico,
é correto afirmar:
O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, viciará o negócio jurídico
em qualquer hipótese.

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Art. 143. O erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade.

I. BREVES COMENTÁRIOS
Erro de cálculo não invalida a declaração da vontade. O simples erro de cálculo apenas
autoriza a retificação da declaração de vontade, contudo deve-se perceber que havendo um erro no
dlculo que se erigiu a motivo determinante do negócio (a parte calcula os juros e os percebe justos,
quando não são), poderá ocorrer a anulação do negócio.
207
Art. 144 iiiiil!tll•ltiii#fl•lijUflii;JI•ilijtl
2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (ANALIS/JliD/TRE/PB/2007/FCC- adaptada) No que concerne ao erro, um dos defeitos do negócio jurídico,
é correto afirmar:
o erro de cálculo poderá gerar a anulação do negócio jurídico, uma vez que restou viciada a declaração de
vontade.

02. (PROC/MUN/RE/2008/FCC- adaptada) Considere as seguintes assertivas sobre Ós defeitos do negócio jurídico:
IV. O erro de cálculo não gera a anulação do negócio jurídico, autorizando apenas a retificação da declaração de vontade.

E I 2 c I
Art. 144. O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação
de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante.

1. BREVES COMENTÁRIOS
A prioridade é a conservação do negócio. Numa inovação consentànea com o princípio da
conservação dos aros jurídicos, o Código vigente pre.,çrcve em seu art. 144 que o erro não prejudica
a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação ele vontade se dirige, se ofe-
recer para executá-lo na conformidade da vontade real do manifestante. lsro demonstra a busca pela
conservação do negócio jurídico, estampada em todo o sistema civil.

2. QUESTÃO DE CONCURSO

01. (UEl- Delegado de Polícia- PR/2013) A respeito dos fatos e atos jurídicos, como previstos no Código Civil,
assinale a alternativa correta.
a) Tratando-se de atos jurídicos eivados de vicio insanável, como erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo
ou lesão, o prazo para se intentar ação anulatória é de dois anos, contado a partir da celebração do negócio.
b) A condição é considerada como a cláusula que. derivando exclusivamente da vontade de uma das partes.
determina que o efeito do negócio jurídico fica subordinado a um evento futuro e incerto.
c) Em se tratando de erro, este não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifes-
tação de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante.
d) Para que se considere a coação como defeito do negócio, levam-se em conta o sexo, a idade e a desproporção
de altura e peso entre coator e coagido. O simples temor reverencial também é considerado atividade coatora.
e) É anulável o negócio jurídico que aparentemente confere ou transmite direitos a pessoas diversas daquelas às
quais realmente se transmitem, ou que contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira.

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~SEÇÃO 11 - DO DOLO
Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa.

l. BREVES COMENTÁRIOS
Dolo, vício de consentimento. N;io h;í que se confundir o vício do erro substancial com o
dolo. Se na primeira situação (art. U8) o ;!geme incorre sozinho em lapso acerca de circunst:lncia
relevante para a realização do negócio. 11.1 segunda tem-se induzimento malicioso à prática de um
aro prejudicial ao seu autor, embora proveitoso ao auwr do dolo ou a terceiro. A doutrina costumava
defender a diferenciação, ainda do dolo clll /Jo11us e malus (este invalidantc do negócio). O primeiro
será o exagero comercial (o melhor, mais barato etc.), compreendendo que este não invalidaria o
negócio encetado. Contudo, hoje, com a s·i"io de um sistema em que a boa-fé é marca, não se pode
aceitar qualquer informação, mesmo que i<lnc,·mc, que dcmrpc a realidade.
208
l~l•liiJI~ii;l•l•liii•I;JMti#H•ldl•b1Q;I•I9tii1!!1FI Art. 145

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIAS

STJ 375- Doação. Partilha. Dolo. Anulação. Noticiam os autos que mãe e irmãos convenceram ê irmã (autora, ora
recorrida) a abrir mão dos bens havidos na partilha da sucessão do pai, sob pretexto de resguardo do patrimônio
familiar, que estaria em risco por seu casamento e ela (a autora) foi induzida em erro ao crer que, participa :1do dos
negócios, receberia de volta os bens havidos na partilha. Todavia, a mãe fez distribuir, com reserva d: Lsufruto,
alguns bens aos outros dois filhos e ao tio da autora. Daí a ação de anulação de ato jurídko cumulada com perdas
e danos contra a mãe e os irmãos, na qual afirma ter sido ludibriada e dolosamente induzida a abrir não do seu
quinhão. Observa o Mín. Relator que a lide foi decidida nas instâncias ordinárias com explfcita fundamentação
nas provas produzidas (Sú