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Exercícios sobre Memórias Póstumas

Estudar interpretação de textos é muito importante em provas como a do Enem. Cada vez mais os
vestibulares estão migrando de um conteúdo decorado para um exercício contextualizado e que
valorize o conhecimento de mundo do estudante. Os exercícios abaixo são todos baseados no livro
Memórias póstumas de Brás Cubas. O livro, escrito por Machado de Assis, é o marco inicial do
movimento realista no Brasil e presença constante nas provas de vestibulares. Se você quiser ver
uma aula completa de Literatura sobre este livro, assista lá no portal do Descomplica, site de
ensino do qual falamos no post que responde a pergunta se o Descomplica é bom mesmo como
dizem.

Exercício sobre o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas


Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em
primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo
nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou
propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a
segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua
morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
(Machado de Assis, in Memórias Póstumas de Brás Cubas)

1) Pode-se afirmar, com base nas ideias do autor-personagem, que se trata


a) de um texto jornalístico
b) de um texto religioso
c) de um texto científico
d) de um texto autobiográfico
e) de um texto teatral

2) Para o autor-personagem, é menos comum


a) começar um livro por seu nascimento.
b) não começar um livro por seu nascimento, nem por sua morte.
c) começar um livro por sua morte.
d) não começar um livro por sua morte.
e) começar um livro ao mesmo tempo pelo nascimento e pela morte.

3) Deduz-se do texto que o autor-personagem


a) está morrendo.
b) já morreu.
c) não quer morrer.
d) não vai morrer.
e) renasceu.

4) A semelhança entre o autor e Moisés é que ambos:


a) escreveram livros.
b) se preocupam com a vida e a morte.
c) não foram compreendidos.
d) valorizam a morte.
e) falam sobre suas mortes.

5) A diferença capital entre o autor e Moisés é que


a) o autor fala da morte; Moisés, da vida.
b) o livro do autor é de memórias; o de Moisés, religioso.
c) o autor começa pelo nascimento; Moisés, pela morte.
d) Moisés começa pelo nascimento; o autor, pela morte.
e) o livro do autor é mais novo e galante do que o de Moisés.
6) Deduz-se pelo texto que o Pentateuco
a) não fala da morte de Moisés.
b) foi lido pelo autor do texto.
c) foi escrito por Moisés.
d) só fala da vida de Moisés.
e) serviu de modelo ao autor do texto.

7) Autor defunto está para campa, assim como defunto autor para
a) introito.
b) princípio.
c) cabo.
d) berço.
e) fim.

8) Dizendo-se um defunto autor, o autor destaca seu (sua)


a) conformismo diante da morte.
b) tristeza por se sentir morto.
c) resistência diante dos obstáculos trazidos pela nova situação.
d) otimismo quanto ao futuro literário.
e) atividade apesar de estar morto.

8) Brás Cubas tinha muitos objetivos na vida. Um deles era tornar-se político, cargo
que alcançou no Rio de Janeiro, elegendo-se
a) presidente da república.
b) vereador no rio de Janeiro.
c) ministro na região Norte.
d) deputado no Rio de Janeiro.
e) Senador no Rio de Janeiro.

Gabarito dos exercícios de interpretação


3) Letra b

Quando o autor diz estar em dúvida quanto a começar o livro por seu nascimento ou sua morte,
na realidade está afirmando que já morreu. Também se pode chegar a essa conclusão quando ele se
diz um defunto autor.

4) Letra e

Além de se colocar como um defunto autor, prestes a escrever sobre a própria morte, o autor
afirma que Moisés também fez isso. Então, ambos falaram acerca de suas mortes. A resposta não
deve ser a letra a, embora também seja uma semelhança; mas é uma coisa genérica, de pouca
importância para o texto, que trata da morte do próprio autor.

…”
6) Letra c

No livro do autor, a morte aparecerá em primeiro lugar; Moisés fez diferente: colocou-a no fim.
E o autor afirma que a diferença entre seu livro e o Pentateuco é exatamente essa. Assim, deduz-
se, o Pentateuco foi escrito por Moisés.

7) Letra d
Autor defunto pode ser entendido como um autor que morreu, daí sua ligação com a
palavra campa. Já defunto autor seria alguém que morreu e que passa a atuar como autor,
para o qual, como se vê na linha 6, a campa se transformou em berço. Berço, aqui, simbolizando o
início de uma nova fase. Por isso a ligação entre defunto autor e berço.
8) Letra e

Como um defunto autor ele terá pela frente uma nova fase, em que atuará como autor.
Diferentemente do autor defunto, que não teria atividade alguma.

Quincas Borba, personagem criado por Machado de Assis, era autor de Humanitas, filosofia única, eterna,
comum, indivisível e indestrutível, que pregava a eterna luta do homem pela sobrevivência, ressaltando o
predomínio dos mais espertos.
Existe uma máxima sobre a qual ele resume suas explanações sobre essa filosofia. Assinale-a.

a) Devagar se vai ao longe.


b) Ao vencedor, as batatas.
c) Quem tudo quer tudo perde.
d) O essencial é invisível para os olhos.
e) Não se jogam pérolas aos porcos.

Considerando o que você já leu e/ou viu sobre o livro Memórias póstumas de Brás Cubas e atentando ainda para
as considerações que Brás Cubas faz no trecho lido quanto à maneira de começar a escrever seu livro,
responda: Brás Cubas contou sua história pelo “uso vulgar” ou ele fez de forma diferente?
Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai logo que teve aragem dos quinze
contos sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil.
— Dessa vez, disse ele, vais para Europa, vais cursar uma Universidade, provavelmente Coimbra, quero-te homem
sério e não arruador e não gatuno.
E como eu fizesse um gesto de espanto:
— Gatuno, sim senhor, não é outra coisa um filho que me faz isso.
Machado de Assis – Memórias póstumas de Brás Cubas
14. De acordo com essa passagem da obra, pode-se antecipar a visão que Machado de Assis tinha sobre as
pessoas e sobre a sociedade. A esse respeito, assinale a alternativa correta.

a) O amor é fruto de interesse e compõe o pilar das instituições hipócritas.


b) O amor, se sincero, supera todas as barreiras, inclusive as financeiras.
c) O caráter autoritarista moldava as relações familiares, principalmente entre pai e filho.
d) Havia medo de que a marginalidade envolvesse os jovens daquela época.
e) O amor era glorificado e apontado como o único caminho para redimir as pessoas.
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu
nascimento ou a minha morte. Suposto que o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a
adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem
a campa foi outro berço; o segundo é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.
Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
11. Essa é a abertura do famoso romance de Machado de Assis. Dentro desse contexto, já dá para se ver o
tipo de narrativa que será explorada. Assinale a alternativa correta a esse respeito.

a) A narrativa decorre de forma cronologicamente correta, de acordo com a passagem do tempo: infância,
juventude, maturidade e velhice.
b) A linearidade das ações apresenta cenas de suspense, dado o comportamento inusitado dos personagens.
c) Não há como prever o final da narrativa, já que seu enredo é, propositadamente, complicado.
d) A ação terá, como cenário, os diversos centros cosmopolitas do mundo.
e) O autor usa o recurso do flashback devido a sua intenção de iniciar o romance pelo “fim”.

Exercícios de interpretação
1. (FGV-SP) Sobre o romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é correto afirmar que:
a) marca o início do Romantismo na literatura brasileira.
b) o nascimento do filho do protagonista com Virgília redime a tristeza de Brás Cubas.
c) o contato de Brás Cubas com a filosofia do Humanismo é-lhe facultado pelo amigo Quincas Borba.
d) Marcela era realmente apaixonada por Brás Cubas.
e) as personagens femininas do romance têm a ingenuidade das heroínas românticas.

2. (UFMG) Considerando-se o narrador de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é INCORRETO
afirmar que ele:
a) aborda, de forma humorística, os temas trágicos da morte e da loucura.
b) apresenta, por intermédio de Quincas Borba, o sistema filosófico denominado Humanitismo.
c) convoca frequentemente o leitor a envolver-se na narrativa.
d) relata suas memórias, tendo como ponto de partida fatos decisivos de sua infância.

3. (UFMG) Todas as alternativas sobre o narrador de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, estão
corretas, EXCETO:
a) Analisa o ser humano, focalizando o seu lado negativo, seus defeitos morais.
b) Conta a história de forma regular e fluente, preocupando-se com a compreensão do leitor.
c) Informa que a causa de sua morte foi uma ideia fixa, a obsessão com o emplastro Brás Cubas.
d) Não hesita em apontar seus próprios erros e imperfeições, pois está a salvo dos juízos alheios.
e) Não vê com bons olhos a figura do crítico, chegando mesmo a ridicularizá-lo.

4. (UFMG) Todos os trechos extraídos de Memórias póstumas de Brás Cubas expressam a ideia de que o ser humano
sempre se mira num espelho social, o olhar do público, EXCETO:
a) “Então, — e vejam até que ponto pode ir a imaginação de um homem, com sono, — então, pareceu-me ouvir de
um morcego encarapitado no tejadilho: Sr. Brás Cubas, a rejuvenescência estava na sala, nos cristais, nas luzes, nas
sedas, — enfim, nos outros.”
b) “Minha mãe era uma senhora fraca, de pouco cérebro e muito coração, assaz crédula, sinceramente piedosa, —
caseira, apesar de bonita, e modesta, apesar de abastada; temente às trovoadas e ao marido. O marido era na Terra o
seu deus. Da colaboração dessas duas criaturas nasceu a minha educação (...)”
c) “Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a
disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação
é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo...”
d) “O alienista notou então que ele escancarava as janelas todas desde longo tempo, que alçara as cortinas, que devassara
o mais possível a sala, ricamente alfaiada, para que a vissem de fora, e concluiu: — Este seu criado tem a mania do
ateniense: crê que todos os navios são dele; uma hora de ilusão que lhe dá a maior felicidade da terra.”
e) “Pareceu-me então (e peço perdão à crítica, se este meu juízo for temerário!) pareceu-me que ele tinha medo — não
de mim, nem de si, nem do código, nem da consciência; tinha medo da opinião. Supus que esse tribunal anônimo e
invisível, em que cada membro acusa e julga, era o limite posto à vontade do Lobo Neves.”

5. (UFPE-adaptada) Observe e responda V (verdadeiro) ou F (falso). “Começo a arrepender-me desse livro. Não que ele me
canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco
da eternidade.”
( ) Este fragmento é de um romance pretensamente biográfico, escrito por um “defunto-autor”.
( ) A ironia, o pessimismo e o desmascaramento das ilusões estão presentes no livro.
( ) “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”. Frase de fim do romance, encerra
o desencanto do autor diante da vida.
( ) Memórias póstumas de Brás Cubas é seu primeiro romance, tendo sido escrito na fase romântica.
( ) O texto revela uma forma trabalhada, limpa e perfeita. Em sua obra, o rigor formal não exclui a clareza.
6. (Fuvest-SP) “Era uma flor, o Quincas Borba. Nunca em minha infância, nunca em toda a minha vida, achei um menino mais
gracioso, inventivo e travesso. Era a flor, e não já da escola, senão de toda a cidade. A mãe, viúva, com alguma cousa de seu, adorava
o filho e trazia-o amimado, asseado, enfeitado, com um vistoso pajem atrás, um pajem que nos deixava gazear a escola, ir caçar ninhos
de pássaros, ou perseguir lagartixas nos morros do Livramento e da Conceição, ou simplesmente arruar, à toa, como dous peraltas sem
emprego. E de imperador! Era um gosto ver o Quincas Borba fazer de imperador nas festas do Espírito Santo. De resto, nos nossos jogos
pueris, ele escolhia sempre um papel de rei, ministro, general, uma supremacia, qualquer que fosse. Tinha garbo o traquinas, e
gravidade, certa magnificência nas atitudes, nos meneios. Quem diria que... Suspendamos a pena; não adiantemos os sucessos. Vamos
de um salto a 1822, data da nossa independência política, e do meu primeiro cativeiro pessoal.”
A busca de “uma supremacia, qualquer que fosse”, que nesse trecho caracteriza o comportamento de Quincas Borba,
tem como equivalente, na trajetória de Brás Cubas,
a) o projeto de tornar-se um grande dramaturgo.
b) a ideia fixa da invenção do emplastro.
c) a elaboração da filosofia do Humanitismo.
d) a ambição de obter o título de marquês.
e) a obsessão de conquistar Eugênia.

7. (Fuvest) "Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não
conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boafortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto.
Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa
imaginará que não houve míngua nem sobra, e, conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este
outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: - Não tive filhos,
não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."
O texto evidencia, com clareza, pelo menos uma das características principais de Machado de Assis:
a) o pessimismo ingênuo dos escritores realistas e naturalistas do século XIX.
b) a linguagem rebuscada, de tal modo ambígua, que quase prejudica a compreensão do sentido.
c) um pessimismo irônico, disfarçado sob a aparência de conformidade indiferente.
d) o gosto pela frase lapidar, carregada de expressões inusitadas.
e) a capacidade de sintetizar, em apenas um parágrafo, todo o enredo do romance.

Gabarito:
1) c
2) d
3) b
4) b
5) V - V - V - F – V
6) b
7) c
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS - MACHADO DE ASSIS - (FRAGMENTO) COM GABARITO MEMÓRIAS
PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS Sim, eu era esse garção bonito, airoso, abastado; e facilmente se imagina que mais de uma
dama inclinou diante de mim a fronte pensativa, ou levantou para mim os olhos cobiçosos. De todas porém a que me cativou logo
foi uma... uma... não sei se diga; este livro é casto, ao menos na intenção; na intenção é castíssimo. Mas vá lá; ou se há de dizer
tudo ou nada. A que me cativou foi uma dama espanhola, Marcela, a “linda Marcela”, como lhe chamavam os rapazes do tempo. E
tinham razão os rapazes. Era filha de um hortelão das Astúrias; disse-mo ela mesma, num dia de sinceridade, porque a opinião
aceita é que nascera de um letrado de Madrid, vítima da invasão francesa, ferido, encarcerado, espingardeado, quando ela tinha
apenas doze anos. Cosas de Espanã. Quem quer que fosse, porém, o pai, letrado ou hortelão, a verdade é que Marcela não possuía
a inocência rústica, e mal chegava a entender a moral do código. Era boa moça, lépida, sem escrúpulos, um pouco tolhida pela
austeridade do tempo, que lhe não permitia arrastar pelas ruas os seus estouvamentos e berlindas; luxuosa, impaciente, amiga de
dinheiro e de rapazes. Naquele ano, morria de amores por um certo Xavier, sujeito abastado e tísico, --- uma pérola. Vi-a,
pela primeira vez, no Rossio Grande, na noite das luminárias, logo que constou a declaração da independência, uma festa de
primavera, um amanhecer da alma pública. Éramos dois rapazes, o povo e eu; vínhamos da infância, com todos os arrebatamentos
da juventude. Vi-a sair de uma cadeirinha, airosa e vistosa, um corpo esbelto, ondulante, um desgarre, alguma coisa que nunca
achara nas mulheres puras. --- Segue-me, disse ela ao pajem. E eu segui-a, tão pajem como o outro, como se a ordem me fosse
dada, deixei-me ir namorado, vibrante, cheio das primeiras auroras. A meio caminho, chamaram-lhe “linda Marcela”; lembrou-me
que ouvira tal nome a meu tio João, e fiquei, confesso que fiquei tonto. Três dias depois perguntou-me meu tio, em segredo,
se queria ir a uma ceia de moças, nos cajueiros. Fomos; era em casa de Marcela. O Xavier, com todos os seus tubérculos, presidia
ao banquete noturno, em que eu pouco ou nada comi, porque só tinha olhos para a dona da casa. Que gentil que estava a
espanhola! Havia mais uma meia dúzia de mulheres, --- todas de partido, --- e bonitas, cheias de graça, mas a espanhola... O
entusiasmo, alguns goles de vinho, o gênio imperioso, estouvado, tudo isso me levou a fazer uma coisa única; à saída, à porta da
rua, disse a meu tio que esperasse um instante, e tornei a subir as escadas. --- Esqueceu alguma coisa? perguntou Marcela de
pé no patamar. --- O lenço. Ela ia abrir-me caminho para tornar à sala; eu segurei-lhe nas mãos, puxei-a para mim, e dei-
lhe um beijo. Não sei se ela disse alguma coisa, se gritou, se chamou alguém; não sei nada; sei que desci outra vez as escadas, veloz
como um tufão, e incerto como um ébrio. MACHADO DE ASSIS. Memórias de Brás Cubas. In: obra completa. 1. v.
Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1985. p. 532-4. 3v. 1 – Transcreva do primeiro parágrafo as frases e expressões que caracterizam
Marcela e que opõem às personagens femininas tipicamente românticas. Não possuía a inocência rústica; mal chegara a
entender a moral do código; sem escrúpulos; luxuosa; impaciente, amiga do dinheiro e dos rapazes. 2 – Releia o segundo
parágrafo. Na caracterização de Marcela o narrador enfatiza a descrição física ou psicológica? Descrição física. 3 – A expressão
“morrer de amor” (linha 25) é ocorrência muito comum no Romantismo. Nesse texto, ela aparece utilizada em sentido irônico.
Copie da linha 24 a expressão responsável por esse efeito irônico. “Naquele ano...” 4 – No fim do terceiro parágrafo, o
narrador personagem justifica sua atitude (voltar e beijar Marcela), atribuindo-a a três fatores. Quais? O entusiasmo, alguns
goles de vinho e o gênio imperioso e estouvado. (FUVEST-SP) As questões 5, 6, 7 e 8 referem-se ao trecho seguinte: "Algum
tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a
minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a
primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é
que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo:
a diferença radical entre este livro e o Pentateuco." (Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas). 5. (FUVEST-SP) o
autor afirma que: vai começar suas memórias pela narração de seu nascimento. vai adotar uma seqüência narrativa invulgar. que o
levou a escrever suas memórias foram duas considerações sobre a vida e a morte. vai começar suas memórias pela narração de sua
morte. vai adotar a mesma seqüência narrativa utilizada por Moisés. 6. (FUVEST-SP) Definindo-se como um "defunto autor", o
narrador: pôde descrever sua própria morte. escreveu suas memórias antes de morrer. ressuscitou na sua obra após a morte.
obteve em vida o reconhecimento de sua obra. descreveu a morte após o nascimento. 7. (FUVEST-SP) Segundo o narrador,
Moisés contou sua morte no: promontório. meio do livro. fim do livro. intróito. começo da missa. 8. (FUVEST-SP) O tom
predominante no texto é de: luto e tristeza. humor e ironia. pessimismo e resignação. mágoa e hesitação surpresa e nostalgia. 9.
(E.E. Mauá-SP) Sobre o romance Memórias póstumas de Brás Cubas, não é correto afirmar que: é uma obra inovadora do processo
narrativo, que introduz o Realismo no Brasil. Brás Cubas atua como defunto-narrador, capaz de alterar a seqüência do tempo
cronológico. memorialismo exacerbado acaba por conferir à obra um caráter de crônica. constitui um romance de crítica ao
Romantismo, deixando entrever muita ironia em vários momentos da narrativa. revela crítica intensa aos valores da sociedade e ao
próprio público leitor da época. 10. (UFRGS) "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria" O
texto acima é: final do testamento de Quincas Borba, que faz de Rubião seu herdeiro, sob a condição de que cuide de seu cachorro.
um comentário de Bentinho, o protagonista de Dom Casmurro, cujo temperamento azedo e melancólico lhe valeu o apelido. a
conclusão pessimista do Dr. Bacamarte, ao final do conto O Alienista, após dedicar sua vida ao estudo da "patologia cerebral".
desabafo do "defunto-autor" das Memórias Póstumas de Brás Cubas, ao final da narrativa. a reflexão do Conselheiro Aires ao
encerrar a narrativa do drama de Flora, em Esaú e Jacó.

Capítulo LIV — A pêndula


Saí dali a saborear o beijo. Não pude dormir; estireime na cama, é certo, mas foi o mesmo que nada. Ouvi as horas todas da
noite. Usualmente, quando eu perdia o sono, o bater da pêndula fazia-me muito mal; esse tiquetaque soturno, vagaroso e seco
parecia dizer a cada golpe que eu ia ter um instante menos de vida. Imaginava então um velho diabo, sentado entre dois
sacos, o da vida e o da morte, e a contá-las assim:
— Outra de menos...
— Outra de menos...
— Outra de menos...
— Outra de menos...
O mais singular é que, se o relógio parava, eu davalhe corda, para que ele não deixasse de bater nunca, e eu pudesse contar
todos os meus instantes perdidos. Invenções há, que se transformam ou acabam; as mesmas instituições morrem; o relógio é
definitivo e perpétuo. O derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a
hora exata em que morre.
Naquela noite não padeci essa triste sensação de enfado, mas outra, e deleitosa. As fantasias tumultuavam-me cá dentro,
vinham umas sobre outras, à semelhança de devotas que se abalroam para ver o anjo-cantor das procissões. Não ouvia os
instantes perdidos, mas os minutos ganhados.
ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992 (fragmento).
O capítulo apresenta o instante em que Brás Cubas revive a sensação do beijo trocado com Virgília, casada com
Lobo Neves. Nesse contexto, a metáfora do relógio desconstrói certos paradigmas românticos, porque

a.

o narrador e Virgília não têm percepção do tempo em seus encontros adúlteros.


b.

como “defunto autor”, Brás Cubas reconhece a inutilidade de tentar acompanhar o fluxo do tempo.
c.

na contagem das horas, o narrador metaforiza o desejo de triunfar e acumular riquezas.


d.

o relógio representa a materialização do tempo e redireciona o comportamento idealista de Brás Cubas.


e.

o narrador compara a duração do sabor do beijo à perpetuidade do relógio.

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