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Aristóteles apresenta uma explicação natural da origem do Estado, pois parte do pressuposto de

que o ser humano tem uma tendência natural para a sociabilidade, uma vez que tem necessidades inatas
que só se satisfazem socialmente, tais como: a necessidade de autopreservação e a necessidade de
reprodução. São as relações entre homem e mulher e entre senhor e escravo que dão origem à família,
que , por sua vez, dão origem às aldeias, e estas, por fim, dão origem à cidade-estado.Deste modo, o
Estado é um organismo natural sem o qual não seria possível compreender o ser humano. Segundo a sua
perspetiva, o Estado é a finalidade natural do ser humano e responde à sua natureza social e política,
tendo como horizonte o bem-estar da comunidade através da promoção da justiça e a distribuição do
poder político pelos cidadãos. As leis que orientam a cidade-estado não são arbitrárias e a sua
autoridade é racional.

John Locke defende que a origem do Estado não é natural e que resulta de um contrato social. Este
filósofo inglês afirma que inicialmente o ser humano viva em “estado de natureza”, isto é, um estado
de perfeita liberdade, completa igualdade e plena independência. O ser humano agia apenas de acordo
com a lei natural, que determinava que todos se orientassem pelo princípio da conservação do género
humano e que cada um se orientasse pelo princípio da conservação pessoal, apresentando, deste modo,
os três direitos naturais fundamentais: direito à vida, à liberdade e à propriedade. Contudo, os direitos
individuais estavam constantemente expostos a ameaças. Na perspetiva de Locke, seria a ausência de
organização o principal fator para o fim do estado de natureza. As inconveniências do estado natural
conduzem assim a que o ser humano crie um contrato social, concedendo ao Estado a sua liberdade
natural para em troca adquirir uma liberdade civil fundada na lei, que garante a proteção dos seus
direitos. O ser humano deve, deste modo, aceitar a autoridade do Estado porque esta foi-lhe concedida
voluntariamente. Todavia o poder do estado não é absoluto mas sim limitado e revogável. Todavia, o
poder do Estado não é absoluto pelo que se encontra limitado pelas condições do pacto social: se estas
não forem cumpridas, o contrato perde validade e legitimidade. O poder do Estado é, por isso,
revogável.

A teoria de Rawls assenta na ideia de que uma sociedade só será justa na medida em que confirme
a inviolabilidade dos direitos do indivíduo enquanto pessoa e proporcione, através da cooperação de
todos, o máximo de vantagens mútuas possível. Para fundar a sociedade justa, é necessário
estabelecer-se um contrato social (contrato fictício e hipotético) de forma a escolher os princípios
basilares que orientarão o seu funcionamento. Para que a escolha dos princípios da justiça seja feita
com total imparcialidade, todos os indivíduos devem partir da mesma posição – posição original – e
devem encontrar-se hipoteticamente cobertos por um véu de ignorância, isto é, cada indivíduo,
ignorante relativamente à sua situação social e características naturais, deve-se colocar numa pior
situação social, de forma a favorecer sempre aqueles que a pudessem vir a ocupar. Desta forma, são
definidos o princípio da igual liberdade e o princípio da diferença. O princípio da igual liberdade garante
que as liberdades fundamentais são respeitadas, nunca podendo ser postas em causa. Já o princípio da
diferença defende os interesses daqueles que se encontram em pior posição na sociedade. Este
princípio afirma que todos são diferentes, tendo características naturais que os colocam em situação
de desigualdade e que todos devem ter a oportunidade de aceder a funções/cargos sociais, em pé de
igualdade. O princípio da diferença é secundário relativamente ao princípio da igual liberdade pelo que
só se poderá pensar na distribuição de riqueza e de benefícios respeitando o princípio da igual
liberdade.