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SUMÁRIO

1 TURISMO ................................................................................................... 4

2 CONCEITO DE TURISMO.......................................................................... 4

3 BREVE HISTÓRIA DO TURISMO .............................................................. 6

4 TIPOS E FORMAS DE TURISMO ............................................................ 10

5 DIFERENÇAS ENTRE CATEGORIAS DE VIAJANTES, VISITANTE,


VERANISTA, TURISTA E EXCURSIONISTA ........................................................... 11

6 TURISMO RURAL .................................................................................... 12

7 ELEMENTOS BÁSICOS DO TURISMO RURAL ...................................... 13

8 AGROTURISMO ....................................................................................... 14

9 DEFINIÇÃO: ............................................................................................. 14

10 PRINCÍPIOS DO AGROTURISMO........................................................ 16

11 A EXPERIÊNCIA BRASILEIRA ............................................................. 17

12 O ESPAÇO URBANO E O ESPAÇO RURAL ....................................... 18

13 DEFINIÇÕES DE MEIO RURAL............................................................ 20

14 CARACTERIZAÇÃO DO TURISMO RURAL ......................................... 23

15 A PRESERVAÇÃO DA ATIVIDADE ORIGINAL .................................... 26

16 A VALORIZAÇÃO DA VIDA NO CAMPO E DA CULTURA LOCAL ...... 28

17 A UNIDADE DE PRODUÇÃO RURAL VISTA COMO UM SISTEMA .... 32

17.1 Identificação e inserção da unidade de produção ........................... 32

17.2 Estrutura e funcionamento da unidade de produção ....................... 33

17.3 Aspectos econômicos e financeiros ................................................ 33

18 ATRATIVOS TURÍSTICOS .................................................................... 34

18.1 a) Pode se desenvolver em áreas que não disponham,


necessariamente, de paisagens com recursos turísticos extraordinários: ............. 36

1
18.2 b) Necessita de reduzidos volumes de investimentos em relação a
outros segmentos: ................................................................................................. 36

18.3 c) Propriedades rurais geralmente estão localizadas próximas aos


núcleos emissores: ................................................................................................ 37

19 A “EXPERIÊNCIA” NO TURISMO RURAL ............................................ 37

20 A VIVÊNCIA NO MUNDO RURAL......................................................... 38

21 ESTRUTURA TURÍSTICA ..................................................................... 40

22 SERVIÇOS OFERECIDOS E ATIVIDADES PRATICADAS PELO


VISITANTE 41

23 QUALIDADE DE SERVIÇOS NO AGROTURISMO .............................. 44

24 AGROINDÚSTRIA ................................................................................. 46

25 AGROINDUSTRIA: PRODUTOS ORGÂNICOS .................................... 49

26 SISTEMAS ............................................................................................ 50

27 NORMATIZAÇÃO .................................................................................. 50

28 CERTIFICAÇÃO .................................................................................... 52

29 INDICAÇÃO GEOGRÁFICA .................................................................. 55

29.1 1) Entenda....................................................................................... 57

29.2 2) Prepare a documentação ............................................................ 57

29.3 3) Pague a taxa ............................................................................... 57

29.4 4) Inicie o pedido ............................................................................. 57

29.5 5) Acompanhe ................................................................................. 58

30 VALORES DOS PRODUTOS ORGÂNICOS ......................................... 58

31 PREÇOS DOS ORGÂNICOS ................................................................ 60

32 ESTRUTURA DE MERCADO................................................................ 60

33 AGROINDÚSTRIA DO QUEIJO ............................................................ 61

34 Mercado mineiro .................................................................................... 64

34.1 Características do queijo ................................................................. 64

2
35 TURISMO CULTURAL .......................................................................... 65

36 ARTESANATO ...................................................................................... 67

BIBLIOGRAFIA ............................................................................................... 71

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1 TURISMO

O turismo é visto como um dos fenômenos sociais mais importantes do nosso


tempo, acessível a cada vez mais pessoas ávidas por viajar pelas mais diversas
motivações. Apresenta distintos conceitos tratados de formas abrangentes, pois cada
área o conceitua do seu ponto de vista. Essa observação pode ser compreendida de
forma clara nas definições de Beni (2007, p. 34) que identifica que no campo
acadêmico, nas empresas e nos órgãos governamentais há três dimensões para o
conceito de turismo: a econômica, a técnica e a holística.
O turismo está envolto por uma série de ideias e conceitos ligados ao tema
viagens e ao deslocamento. Pode remeter ao turista a ideia de férias, ao
empreendedor a ideia de lucro, aos trabalhadores a ideia de geração de emprego e
renda e à comunidade autóctone a ideia de desenvolvimento local (PANOSSO
NETTO, 2010).
O crescimento da atividade do turismo faz com que muitos autores o observem
de maneiras diferentes. Como uma indústria [...] “muito mais que uma indústria de
serviços, é fenômeno com base cultural, com herança histórica, meio ambiente
diverso, cartografia natural, relações sociais de hospitalidade, troca de informações
interculturais” (MOESCH, 2000, p.20). O somatório que esta dinâmica sociocultural
gera parte de um fenômeno recheado de objetividade-subjetividade, que vem a ser
consumido por milhões de pessoas (MOESCH, 2000).
O turismo é entendido por Fonseca Filho (2007) como uma “prestação” de
serviços e, portanto, deve ser diferenciado do termo indústria que passa a ideia de
que a “indústria do turismo” produz de maneira seriada seguindo um determinado
padrão, sendo que na realidade o produto turístico, por ser a somatória de serviços,
infraestruturas e equipamentos turísticos, não é produzido aos moldes das indústrias,
é intangível e impossível de ser estocado.

2 CONCEITO DE TURISMO

A palavra “turismo” surgiu no século XIX, porém, a atividade estende suas


raízes pela história. Vários conceitos de turismo foram elaborados ao longo do tempo

4
para definir essa atividade. Na década de 40, Hunziker e Krapf, citados por Ignara
(2003. p.12), definiam turismo como: […] o conjunto das inter-relações e dos
fenômenos que se produzem como consequências das viagens e das estadas de
forasteiros, sempre que delas não resultem um assentamento permanente nem que
eles se vinculem a alguma atividade produtiva.
Em 1963, reúne-se em Roma a Conferência das Nações Unidas sobre o
Turismo e as Viagens Internacionais para tentar um consenso sobre o conceito de
turismo. Dessa forma, se elabora o primeiro conceito de turismo:
Atividade desenvolvida por uma pessoa que visita um país diferente daquele
de sua residência habitual, com fins distintos do de exercer uma ocupação
remunerada, e por um período de tempo de pelo menos 24 horas
Esse conceito sofrerá várias modificações ao longo dos anos, incorporando,
principalmente elementos provenientes das pesquisas quantitativas. Atualmente a
Organização Mundial do Turismo – OMT assim define a atividade do turismo:
O turismo é um fenômeno social, cultural e econômico, que envolve o
movimento de pessoas para lugares fora do seu local de residência habitual,
geralmente por prazer. (NACIONES UNIDAS / UNWTO, s/d, p. 1).
Uma definição bem mais recente foi proposta por Mathieson e Wall, citados por
Ignara (2003. p.13), para os quais o turismo poderia ser considerado como: […]
movimento temporário de pessoas para locais de destinos externos a seus lugares de
trabalho e moradia, às atividades exercidas durante a permanência desses viajantes
nos locais de destino, incluindo os negócios realizados e as facilidades, os
equipamentos e os serviços criados, decorrentes das necessidades dos viajantes.
Uma das definições brasileiras mais conhecidas de turismo é a do pesquisador
Mario Carlos Beni, que entende o turismo como [...] “um elaborado e complexo
processo de decisão sobre o que visitar, onde, como e a que preço” (Beni, 2007, p.
35).
Em termos da legislação, pode-se considerar a Lei nº 11.771 de 17 de setembro
de 2008, que dispõem sobre a Política Nacional do Turismo e o define como:
“atividades realizadas por pessoas físicas durante viagens e estadas em lugares
diferentes do seu entorno um período inferior a 1 ano, com finalidades de lazer,
negócios ou outros”.

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Também há o entendimento de que o turismo possui ciclos de vida próprios,
com fases diferentes e sequenciadas. Para Butler (1980), as destinações turísticas
tem um ciclo de vida próprio. A partir de um entendimento orgânico, o autor afirma que
há, primeiramente, um estágio de exploração da localidade. Nesse estágio o futuro
destino não possui infraestrutura específica ao atendimento dos viajantes que, em
pequenos números, não alteram o ambiente físico e social e geram pouca ou nenhuma
importância econômica para a localidade.
O segundo estágio apresentado por Butler (1980) é chamado de engajamento
ou envolvimento, pois é nesse momento que surgem algumas facilidades aos
viajantes e se inicia o processo de difusão do local.
O estágio seguinte é o de desenvolvimento. Nessa fase o mercado local, por
meio de propaganda feita em centros emissores de turistas, divulga produtos e
serviços destinados a atender à crescente demanda e, assim, a localidade se define
como um destino turístico. Nessa fase é comum que o número de turistas exceda o
número de habitantes do local.
O quarto estágio é o de consolidação, caracterizado pela diminuição do
crescimento do número de turistas e da manutenção e estabilidade do número
absoluto de visitantes – que ainda é maior do que o número de habitantes. Butler
(1980) aponta o quinto estágio como uma fase de estagnação caracterizada pela
percepção dos problemas (ambientais, sociais e econômicos) relacionados ao
elevado número de turistas em relação aos recursos disponíveis no local. Para o autor,
os problemas criados pelo turismo afastam os turistas, fazendo com que o destino
“saia da moda”. (SCÓTOLO; PANOSSO NETTO, 2014, p.41).

3 BREVE HISTÓRIA DO TURISMO

A palavra “turismo” surgiu no século XIX, porém, a atividade estende suas


raízes pela história. Certas formas de turismo existem desde as mais antigas
civilizações, mas foi a partir do século XX, e mais precisamente após a Segunda
Guerra Mundial, que evoluiu como consequência dos aspectos relacionados à
produtividade empresarial, ao poder de compra das pessoas e ao bem-estar
resultante da restauração da paz no mundo (RUSCHMANN, 1997).

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Fonte: blogdeacebedo.blogspot.com.br

O turismo iniciou-se no século XVII, quando os primeiros sinais de crescimento


industrial começaram a afetar a vida estabelecida há séculos.
O aumento da riqueza, a ampliação da classe de comerciantes e a
secularização da educação estimularam o interesse por outras culturas e pelo
conceito de que viajar era uma forma de educação.
No decorrer dos séculos, os homens viajaram de acordo com seus meios
materiais disponíveis, seus conhecimentos adquiridos e suas convicções em vigor.
Houve momentos mais propícios à prática das viagens e momentos menos propícios.
Um dos momentos favoráveis é este que está se vivendo nas últimas décadas.
As viagens, uma das manifestações do lazer, fazem parte da programação da grande
maioria das pessoas, sobretudo para aquelas que vivem em países desenvolvidos
(Figura 2).
O século XX abriu as portas para a prática do turismo em grande escala, graças
às transformações proporcionadas pela Revolução Industrial. O turismo passa a
integrar a vida das nações.

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Fonte: guia.folha.uol.com.br

Segundo a Confederação Nacional do Comércio do Rio de Janeiro, a história


do turismo no Brasil começa em 1904, com a aprovação da primeira lei de incentivos
fiscais para a construção de hotéis no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. O turismo
começou a se firmar no país como atividade de grande importância socioeconômica.
A chegada do primeiro grupo organizado de turistas ao Rio de Janeiro, a bordo
do vapor Byron, em julho de 1907, desperta a curiosidade da população e é notícia de
destaque nos jornais. Também no ano de 1907, dois importantes avanços legais
trouxeram impactos altamente positivos para a atividade turística: o direito a férias
remuneradas (já assegurado na Europa décadas antes) e a isenção de impostos aos
cinco primeiros grandes hotéis da cidade. E em 1908, exatamente um século depois
da chegada da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro, pode-se dizer que a hotelaria
brasileira atingia sua maioridade, com a inauguração do Hotel Avenida, símbolo da
hotelaria carioca (CNC, 2007, p. 27).
Grandes alterações urbanas promovidas no Rio e em São Paulo,
especialmente nas primeiras décadas do século XX, afetaram a localização e o
conceito arquitetônico dos novos hotéis. O alargamento de avenidas, a verticalização
e o uso intenso de automóveis traçaram perfis diferenciados nas principais cidades do
país. Assumindo papel de destaque na paisagem paulistana, surgem os hotéis
Excelsior, Terminus e São Paulo (CNC, 2007, p. 28).

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Nos anos de 1920, a próspera capital paulista vivia uma Belle Époque, com a
inauguração de luxuosos hotéis e de imponentes palacetes, em meio a um processo
de embelezamento da cidade (Figura 3). Bons exemplos dessa fase são o Hotel
Terminus, na Avenida Prestes Maia, com mais de 200 quartos, e o Hotel Esplanada,
com 250 quartos. Construído ao lado do Teatro Municipal, o Esplanada tornou-se o
ponto de encontro da elite paulistana. Outro marco da época é o Hotel Central, na
Avenida São João, o primeiro hotel de quatro pavimentos na cidade (CNC, 2007, p.
27).
Passados cinco séculos desde o desembarque dos primeiros estrangeiros nas
terras brasileiras, o Turismo representa hoje o terceiro produto de exportação na
balança comercial brasileira, abaixo apenas da soja em grão e do minério de ferro,
com uma arrecadação em torno de US$ 4 bilhões somente com a entrada de turistas
estrangeiros. No setor doméstico, os desembarques totalizaram 24,3 milhões de
passageiros nos primeiros sete meses do ano, indicando um aumento de quase 20%
Com relação ao ano anterior. Hoje, a cadeia produtiva do turismo continua a
fazer história e a promover o desenvolvimento do Brasil. (CNC, 2007).
O turismo, uma prática social que se consolida com a modernidade, é apontado
como um dos fenômenos mais importantes de nosso tempo, acessível a cada vez
mais pessoas ávidas por viajar pelas mais diversas motivações — desfrutar momentos
de prazer, realizar negócios, cuidar da saúde ou participar de eventos num lugar
distante do habitual. Trata-se de um fenômeno histórico complexo que causa impactos
na economia, no planejamento e na gestão de localidades, nas condições de
mobilidade, nas políticas de preservação ambiental, nas relações de hospitalidade e
alteridade (CASTRO, 2013, p.2)
Apesar da recente popularização mundial da prática do turismo, o turismo rural
e pesquisas sobre tal modalidade, tem origem no final do século XIX na Europa
(Áustria e Suíça), porém, assim como outras modalidades de turismo dessa época,
estava restrito às elites. Em virtude do desenvolvimento econômico pautado na
industrialização e das conquistas trabalhistas nos países europeus, ambos ocorridos
na década de 1950, a partir do fim da Segunda Guerra, o turismo rural desponta como
atividade planejada, com destaque para a França, Espanha e Itália.

9
4 TIPOS E FORMAS DE TURISMO

O grande desenvolvimento da atividade turística nos últimos anos criou a


necessidade de se elaborarem classificações para melhor compreender as inúmeras
e diferentes características das viagens, e também para possibilitar a quantificação do
setor em termos comparáveis entre países, ou mesmo regiões.
Todavia, a própria dinâmica se confirma como um obstáculo na classificação
do turismo e, por consequência na elaboração de categorias que sejam
suficientemente abrangentes. Nesse sentido, a Conferência Internacional de
Estatísticas do Turismo organizada pela OMT em 1991, e cujas recomendações foram
posteriormente adotadas pela Comissão Estatística das Nações Unidas, teve os
seguintes objetivos:
O desenvolvimento de uma definição uniforme e integrada e de um sistema de
classificação das estatísticas do turismo.
A implementação de uma metodologia para determinação do impacto
econômico do turismo e do desempenho dos vários setores da indústria.
O estabelecimento simultâneo de um meio de diálogo entre os governos e a
indústria turística e um programa coerente de coleta de informação turística.
Basicamente a prática do turismo é composta por três formas:
Turismo Interno: praticado por residentes de um determinado país que viajam
unicamente no interior desse país.
Turismo Receptivo: compreende-se todo o conjunto de serviços de apoio e
assistência destinados à recepção de pessoas provenientes de outras regiões do país
ou do exterior.
Turismo Emissor: caracteriza-se pelo movimento de pessoas que viajam para
fora do local habitual de residência, atraídas pelas ofertas de outras regiões do país
ou do exterior.
É importante ressaltar que existem países ou regiões que se caracterizam no
setor de viagens como receptivos, outros como emissivos. Conforme dados da
Organização Mundial do Turismo (OMT), o turismo receptivo mundial tem crescido
com maior rapidez nos países em desenvolvimento, tanto com relação à entrada de
turistas quanto em ingresso de divisas, fator que demonstra melhor distribuição de
recursos econômicos entre países nessa atividade.
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Atualmente, as formas de se praticar as atividades relacionadas ao turismo
podem ser divididas em relação à organização da viagem como: turismo individual ou
turismo organizado.
O turismo individual é aquele praticado em viagens sem a intervenção de uma
empresa (agência de viagens especializada). Os viajantes tomam as devidas
providências por conta própria: documentação, reserva nos meios de transporte,
hospedagem, levantamento de material sobre o destino, roteiros entre outros itens.
Nesse caso, não é possível estabelecer previamente um orçamento preciso.

5 DIFERENÇAS ENTRE CATEGORIAS DE VIAJANTES, VISITANTE,


VERANISTA, TURISTA E EXCURSIONISTA

 Veranista: indivíduos que habitualmente passa o verão fora do local


onde reside.
 Viajante: São os indivíduos que se deslocam entre dois ou mais lugares
dentro ou fora do país.
 Visitante: São as pessoas que se deslocam para um lugar diferente de
onde mora. O tempo de permanência deve ser inferior a 12 meses.
 Excursionista: todo o indivíduo que em sua viagem permanece um
tempo inferior a 24 horas fora do local em que residência, mas sem pernoitar.
Com a finalidade de recreio, esporte, saúde, motivos familiares, estudos,
peregrinação religiosa ou negócio.
 Turistas: toda pessoa, sem discriminação de etnia, sexo ou religião entra
em um território contratante diferente do local de residência, com um prazo
superior a 24 horas e inferior a 12 meses com o objetivo de lazer, esporte,
saúde, motivos familiares, estudos, peregrinação religiosa ou negócio.

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Fonte: Gonçalo Lopes, 2010

6 TURISMO RURAL

Conforme afirma Sousa (2000), o turismo no meio rural é uma atividade que
deve ser economicamente sustentável, ecologicamente correta, socialmente justa e
verdadeiramente rural.
A visão simplista do rural como agrícola vai ficando totalmente superada, pelo
menos como campo de análise, já que novas funções vão sendo consolidadas e
incorporadas nas estratégias de reprodução de muitas das famílias que habitam esse
espaço. (ELESBÃO, 2007, p. 58).
O deslocamento de pessoas das áreas urbanas para as rurais, possuem
aspectos motivadores. A motivação que ocasiona o deslocamento do turista ao mundo
rural está ligada ao imaginário rural dos urbanos e à busca por espaços com valores
ecológicos, simbólicos e culturais a apreciar, bem como por lugares autênticos, com
belas paisagens, com níveis mais baixos de poluição, ruídos e agitação que as
cidades, no intuito de resgatar a nostalgia da vida próxima à natureza, a memória e
12
as raízes históricas no passado, de obter novas experiências e conhecimentos.
(FUCKS; SOUZA, 2010, p. 100).
O Turismo Rural caracteriza-se por satisfazer as necessidades de todos os
envolvidos, ou seja, de quem oferece e de quem recebe, promovendo uma alternativa
de desenvolvimento para as comunidades rurais por meio da diversificação dos polos
turísticos, como oportunidade de novas fontes de renda, de diminuição do êxodo rural,
como intercâmbio cultural e consciência ecológica. (SANTOS, 2004, p. 30).
A especificidade do Turismo Rural é a produção agropecuária da propriedade
rural convertida em produto turístico.

7 ELEMENTOS BÁSICOS DO TURISMO RURAL

A atividade do Turismo Rural deve ser obrigatoriamente em harmonia com os


seguintes interesses:
 Da comunidade local
 Do turismo
 Do meio ambiente

A harmonização destes fatores significa garantir a sustentabilidade da atividade


através dos três elementos básicos:
 Elementos culturais/antrópicos
 Elementos ecológicos
 Elementos econômicos

O turismo, enquanto forma moderna de intercâmbio material entre o homem e


a sua natureza externa, se comparado à agricultura, por exemplo, altera
substancialmente tal interação ao inserir mudanças qualitativas ao nível das relações
de trabalho, tendo em vista que a natureza preservada se configura como um
importante atrativo turístico. Diante disso, tem-se uma nova forma de incorporação do
trabalho humano ao espaço (BEDIM, 2008, p.11).

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8 AGROTURISMO

Dentro da realidade brasileira, o desenvolvimento de regiões rurais deve ser


entendido como fundamental para a sociedade como um todo e como uma das poucas
possibilidades restantes para a superação do quadro desordenado de desequilíbrio
econômico, social, ambiental e territorial que se alastra por todo o país (Guzzatti:
Tures, 2011).
Segundo Turnes (1996), as diretrizes norteadoras deste processo de
desenvolvimento rural devem considerar que:
a) A agricultura familiar deve ser a base de um novo modelo;
b) A cooperação e a solidariedade entre os atores sociais locais são
fundamentais para a manutenção da sustentabilidade dos processos de
desenvolvimento;
c) A melhoria da qualidade de vida das populações rurais, através da criação
de infraestrutura social, é um fator determinante para a perenidade dos projetos
econômicos locais;
d) A geração de oportunidades de ocupação da mão de obra e renda deve
constituir-se em meta estratégica. Neste sentido, a revalorização dos espaços locais
deve prever a criação de novas oportunidades de trabalho, priorizando as populações
mais jovens.

9 DEFINIÇÃO:

Agro Turismo é uma modalidade de turismo praticada no meio rural, por


agricultores familiares dispostos a compartilhar seu modo de vida com os habitantes
do meio urbano.

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Fonte: demalaecuia.net

Os agricultores, mantendo suas atividades agropecuárias, oferecem serviços


de qualidade, valorizando e respeitando o meio ambiente e a cultural local (PARRA;
CHEHADE, 2006).
Os estudos de Campanhola et al. (2000) indicam ser o agroturismo “as
atividades internas à propriedade, que geram ocupações complementares às
atividades agrícolas, as quais continuam a fazer parte do cotidiano da propriedade,
em menor ou maior intensidade, devem ser entendidas como parte de um processo
de agregação de serviços aos produtos agrícolas e bens não-materiais existentes nas
propriedades rurais (paisagem, ar puro, etc.), a partir do ‘tempo livre’ das famílias
agrícolas, com eventuais contratações de mão-de-obra externa.”
Beni (2002, p. 32) apresenta o seguinte conceito de agroturismo: “[...]
deslocamento de pessoas para espaços rurais, em roteiros programados ou
espontâneos, com ou sem pernoite, para fruição dos cenários e observação, vivência
e participação em atividades agropastoris.”
O conceito seguinte do pesquisador Guzzati, 2003, pressupõe, de forma clara,
o intercâmbio dos agricultores familiares com o visitante. O agroturismo “é um
segmento do turismo desenvolvido no espaço rural por agricultores familiares
organizados, dispostos a compartilhar seu modo de vida, patrimônio cultural e natural,
mantendo suas atividades econômicas, oferecendo produtos e 80 serviços de
qualidade, valorizando e respeitando o ambiente e a cultura local e proporcionando
bem estar aos envolvidos” (GUZZATTI, 2003, p. 53).

15
10 PRINCÍPIOS DO AGROTURISMO

A incessante busca de modelos e estratégias, para reforçar a ideia de


desenvolvimento do agroturismo, faz com tenhamos princípios a serem seguidos, nos
quais vemos abaixo:
• A recepção dos turistas pelos agricultores familiares é parte integrante da
atividade do estabelecimento rural;
• Os agricultores familiares que recebem turistas desejam mostrar o seu
trabalho e o meio ambiente onde vivem (contato com os animais, conhecimento sobre
plantas, o ritmo da estação do ano etc.);
• A recepção e convívio do agricultor e sua família com o turista ocorre num
clima de troca de experiências e de respeito mútuo;
• O agroturismo deve praticar preços acessíveis;
• O agroturismo se constitui num fator de desenvolvimento local, contribuindo
para manter o meio rural "vivo" - demográfica, cultural e ambientalmente – com
perspectivas de futuro para os seus jovens;
• O agricultor garante a qualidade dos produtos e dos serviços oferecem;
• Os serviços de agroturismo são oferecidos em habitações adaptadas,
oferecendo conforto, higiene e segurança;
• Os serviços agroturísticos são planejados e organizados pelos agricultores
familiares.
É preciso ressaltar que essa modalidade de turismo é moderna e profissional,
sem perder a ruralidade. De acordo com (VILARINHO, 1998) o turismo rural familiar
que valoriza o meio ambiente e a cultura local, torna-se uma opção para o
desenvolvimento rural, contemplando os setores econômicos capazes de criar
atividades comerciais alternativas, como o objetivo de proporcionar a manutenção da
população nos seus locais de origens. Assim o turismo rural apresenta a possibilidade
de gerar empregos num curto espaço de tempo e a um custo razoavelmente baixo, se
comparado aos demais setores econômicos.

16
11 A EXPERIÊNCIA BRASILEIRA

No contexto brasileiro, Bricalli (2005, p. 41) afirma que “todos os


empreendimentos que proporcionem lazer, recreação, descanso ou qualquer outra
atividade ligada ao turismo, desde que estejam localizados em áreas rurais, podem
ser classificados como turismo no espaço rural”, de modo que o turismo no
espaço/meio rural abrange diversas modalidades turísticas.
Essas modalidades criam diferentes formas de nomear essa atividade turística,
entretanto, existe diferenças conceituais entre turismo rural e agroturismo. Carla
Novaes (2004, p. 5) apresenta a definição de turismo rural da Organização Mundial
do Turismo (OMT), que também destaca o turismo como atividade complementar e
integrada à agropecuária. “O Turismo Rural refere-se a lugares em funcionamento
(fazendas ou plantações) que complementam seus rendimentos com algumas
atividades turísticas, oferecendo geralmente alojamento, refeições e oportunidades de
adquirir conhecimentos sobre as atividades agrícolas”.
Um conceito apresentado pela Embratur em 1998, entendia o turismo rural
como o “conjunto de atividades turísticas desenvolvidas no meio rural, comprometido
com a produção agropecuária, agregando valor a produtos e serviços, resgatando e
promovendo o patrimônio cultural e natural da comunidade”. (EMBRATUR, 1998, p.
14).
O conceito de turismo no espaço rural também é adotado pelo governo federal,
e abrangeria todos “os equipamentos localizados na área rural que desenvolvem
atividades de lazer, recreação, esportivas, de eventos, não apresentando,
necessariamente, vínculo com a produção agropecuária e a cultura rural. ” (PNTRAF,
2004, p. 7). A experiência do Brasil demonstra que as diversas iniciativas de turismo
que são realizadas no meio rural podem conviver de forma democrática.
Além disso, muitas parcerias são possíveis, sendo baseadas em princípios de
complementariedade entre ações de turismo rural e agroturismo. No entanto, isso só
é possível quando está claro as diferenças e a possibilidade de coexistência entre os
diferentes segmentos de turismo desenvolvidos no espaço rural.
A expansão do agroturismo, segmento relativamente novo no Brasil, insere-se
no momento em que o setor turístico passa por um profundo processo de
transformação para adequar-se às novas exigências de um mercado, que não está
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interessado somente nos pacotes e destinos mais badalados – e padronizados. Esta
nova tendência, a procura por experiências diferenciadas, muitas vezes de forma
independente, faz com que as operadoras de turismo se especializem cada vez mais
na oferta de produtos segmentados. Isso contribui diretamente para a consolidação
de novos nichos, como turismo religioso, histórico, de montanha, entre tantas outras
denominações.
De forma geral, entendemos que o agroturismo apresenta todos os atributos do
turismo rural, sobretudo pelo fato de ser uma atividade realizada no espaço rural, e ter
como principais atrativos as atividades agropecuárias, os produtos para-agrícolas e o
modo de vida rural. Ocorre, porém, que o diferencial do agroturismo em relação ao
turismo rural diz respeito à participação direta e/ou indireta do turista em atividades
comuns dos agricultores, como plantio, colheita, ordenha, entre outras. Nesse sentido,
toda a oferta de agroturismo poderia ser classificada como turismo rural, porém, nem
toda a oferta de turismo rural pressupõe a existência do agroturismo”. (CANDIOTTO,
2007, p. 197.
O pesquisador Beni (2002) afirma que dois aspectos distinguem o agroturismo
do turismo rural:
1. A produção agropastoril é a maior fonte de renda da propriedade do
agroturismo, de modo que o turismo gera uma receita complementar.
2. As próprias atividades agropastoris constituem o principal diferencial
turístico, de modo que o turista pode participar ou não da rotina da propriedade.

12 O ESPAÇO URBANO E O ESPAÇO RURAL

Há pessoas que moram na cidade, outras que moram no campo.


As pessoas que moram na cidade formam a comunidade urbana e as pessoas que
vivem no campo formam a comunidade rural. Na comunidade urbana, há muitas
coisas em comum, por exemplo, alguns serviços como eletricidade, água e esgoto
tratados, transportes coletivos, comunicação, rede de bancos e um comércio muito
variado.
Nas cidades, as casas ou apartamentos são construídos bem junto uns dos
outros.

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Fonte: br.pinterest.com

A zona rural, também chamada de campo, fica afastada da cidade. As


habitações são distantes uma das outras e as propriedades, mesmo que pequenas,
reservam uma privacidade. Os serviços públicos de forma geral, quando existem, são
precários, essenciais para a organização rudimentar da vida social, como redes de
eletricidade, telefonia e um comércio incipiente nas vilas dos lugarejos.
Entretanto, a compreensão tradicional do rural como o lugar do atraso e da
rusticidade e do urbano como o lugar do progresso e da modernidade, não pode mais
ser tida como absoluta. Tanto o rural como o urbano tem passado por grandes
transformações que fazem com que estes espaços tenham características distintas
dessa visão ultrapassada. O processo de modernização da agricultura, seguido pela
explosão das facilidades do acesso aos meios de comunicação, transformaram
profundamente a realidade do meio rural (LINDNER et al, 2009, p.2).
Essa transformação está relacionada ao crescimento das atividades não-
agrícolas no Brasil. Simultaneamente a isto, diminui a supremacia das atividades
agrícolas no meio rural. Essa mudança advém do contínuo declínio da capacidade da
agricultura de manter e gerar postos de trabalho, além do crescimento de atividades
geradoras de ocupações rurais não-agrícolas (LAURENTI, 2000).

19
Essas atividades não-agrícolas fazem com que o rural assuma novas funções.
Dentre as “novas funções” do campo que ganham cada vez mais destaque estão as
atividades de lazer, como o turismo em área rural, segundas residências e
aposentadorias rurais.
Entretanto, as relações entre o rural e o urbano não foram sempre,
historicamente, definidas pela heterogeneidade ou pela polaridade, mas sim pelo tipo
de sociedade, agrária ou urbana que vivia em determinado espaço.
Mesmo os conceitos que se poderiam pensar os mais precisos e objetivos são
calcados nas representações várias existentes sobre o aspecto da realidade que se
pretende conceituar. Assim, por exemplo, o conceito de rural utilizado nas pesquisas
do IBGE (PNADs, Censos...) é o seguinte: o que o município define como rural em
seu plano diretor.
Ora, o plano diretor do ordenamento espacial dos municípios é elaborado por
uma equipe de técnicos, mas é submetido à aprovação das câmaras municipais. Ou
seja, são critérios políticos que definem, em última análise, o que é urbano e o que é
rural.
E os políticos não decidem com base em critérios racionais, mas com base na
tradição e nas representações que eles têm do que é o rural, já que esta história de
fazer conceitos precisos e objetivos é um problema das ciências sociais e não da
política. Concluindo, podemos dizer que o conceito de rural está passando por uma
reelaboração (SIQUEIRA; OSÓRIO, 2001, p. 77).

13 DEFINIÇÕES DE MEIO RURAL

Diversos autores escreveram sobre o turismo rural. Você saberia definir o que
é “meio rural”? Considera-se território rural um espaço físico, geralmente contínuo,
compreendendo cidades e campos (terrenos fora do perímetro urbano em que
geralmente predominam as atividades agrícolas ou as pastagens de gado),
caracterizados por critérios multidimensionais, como: ambiente; economia; sociedade;
cultura; política e instituições; uma população que, como em todos os lugares do Brasil
e do mundo, possui grupos sociais diferentes e se relaciona e interage com o meio.

20
Fonte: www.smartkids.com.br

Tais critérios fazem com que os territórios rurais se diferenciem dos territórios
urbanos, principalmente pela destinação da terra, ou seja, pelo uso que se faz dela,
notadamente direcionado para as práticas agrícolas, e pela noção de ruralidade, ou
seja, o valor que a sociedade contemporânea atribui ao meio rural e que contempla
as características mais gerais desse meio: a produção; a paisagem e a biodiversidade
(a variedade de espécies animais e vegetais); a cultura e um modo de vida típicos,
identificados pelas atividades agrícolas, pela cultura comunitária e pela identificação
com os ciclos da natureza. Também podemos definir turismo no meio rural como:
"Todas as atividades praticadas no meio não urbano, que consistem em
atividades de lazer no meio rural em várias modalidades definidas com base na oferta:
agroturismo; turismo ecológico ou ecoturismo; turismo de aventura; turismo de
negócios; turismo de saúde; turismo cultural; turismo esportivo, atividades estas que
se complementam ou não". (GRAZIANO DA SILVA et al., 1998: 14).
A base do conceito é a dimensão econômica, o rural se caracteriza por um
determinado tipo de atividade: a produção de alimentos através da criação de plantas
e de animais. A esta atividade econômica, estão vinculados todos os outros traços
que caracterizariam o rural, como a diferença ambiental, já que no rural o contato com
a natureza é direto e constante, e a própria atividade econômica que lhe é peculiar é
realizada ao ar livre (SIQUEIRA; OSÓRIO, 2001).

21
Fonte: meioambiente.culturamix.com

A concepção de meio rural aqui adotada baseia-se na noção de território, com


ênfase no critério da destinação da terra e na valorização da ruralidade. Assim,
considera-se território um espaço físico, geograficamente definido, geralmente
contínuo, compreendendo cidades e campos, caracterizados por critérios
multidimensionais, como ambiente, economia, sociedade, cultura, política e
instituições, e uma população com grupos sociais relativamente distintos, que se
relacionam interna e externamente por meio de processos específicos, onde se pode
distinguir um ou mais elementos que indicam identidade e coesão social, cultural e
territorial (BRASIL, 2003).
Nos territórios rurais, tais elementos manifestam-se, predominantemente, pela
destinação da terra, notadamente focada nas práticas agrícolas, e na noção de
ruralidade, ou seja, no valor que a sociedade contemporânea concebe ao rural. Tal
valor contempla as características mais gerais do meio rural: a produção
territorializada de qualidade, a paisagem, a biodiversidade, a cultura e certo modo de
vida, identificadas pela atividade agrícola, a lógica familiar, a cultura comunitária, a
identificação com os ciclos da natureza (BRASIL, 2003).
Não se pretende aprofundar essa discussão, mas destacar que, para os fins
deste estudo, a definição de rural tem como base características fundamentais das na
paisagem e na ruralidade.

22
14 CARACTERIZAÇÃO DO TURISMO RURAL

A paisagem rural – também composta pelo ser humano, sua cultura, suas
práticas sociais e de trabalho – é um dos principais fatores de atratividade do Turismo
Rural. As principais características dessa atividade referem-se a elementos,
condições e aspectos que compõem a paisagem rural e configuram a ruralidade e
seus principais atrativos. Conhecer essas características é fundamental para se
entender a real diferença entre o chamado Turismo no Espaço Rural e o Turismo
Rural (LOTTICI KRAHL, 2003, p.49 e 50). Elas podem ser abordadas sob a
seguinte síntese:
a) Quanto à escala

.
Fonte: noticias.uol.com.br

Pequena escala – uma das principais características do Turismo Rural se refere


à pequena capacidade de atendimento simultâneo de turistas, de modo a permitir
atendimento personalizado (sem espera, sem filas, sem barulho, sem aglomerações)
e a causar menor impacto ao meio.

23
b) Quanto à localização

O empreendimento de Turismo Rural geralmente está situado em locais


aprazíveis, em propriedades cujas paisagens tipicamente rurais materializem o
imaginário do turista, em contraponto à paisagem urbana (Figura 10).
c) Quanto às atividades agropecuárias

Outra característica básica do segmento é a manutenção das atividades


produtivas tradicionais da propriedade e/ou das práticas e costumes relacionados a
essas atividades, não as abandonando em virtude do sucesso conseguido com o
turismo.

d) Quanto à qualidade da paisagem

Conservação dos recursos naturais – manutenção das condições dos


mananciais, do solo, preservação ou recuperação da flora e da fauna nativas, inclusive
dos aspectos paisagísticos;
Conservação das características arquitetônicas e utilização de materiais
construtivos típicos da região – utilização de materiais, equipamentos e serviços
turísticos em harmonia com o meio rural;
Cuidados com as instalações e lidas agropecuárias – cuidados que permitem
ao turista observar ou participar das rotinas das atividades tradicionais da propriedade,
sem descaracterizar o processo produtivo em função de sua presença.

e) Quanto aos aspectos culturais

Manutenção dos elementos e das estruturas tradicionais – manifestações


folclóricas, culinária, produção artesanal, técnicas construtivas, celebrações, valores,
modos de vida e ideais das comunidades rurais, além de elementos que referendem
a história da região e das famílias.

f) Quanto à diversificação dos serviços oferecidos

A diversidade de serviços oferecidos ao turista depende da especificidade do


ambiente, da economia, da história, das tradições, da cultura popular, das
24
características étnicas, da exploração agropecuária, em relação à propriedade e à
região. O que é oferecido ao turista varia em função do que é produzido ou é mais
característico na propriedade ou na região.
Assim, pode-se dizer que para ser Turismo Rural, deve-se oferecer ao turista a
oportunidade de desfrutar das particularidades das propriedades rurais e das
peculiaridades da região, especialmente aquelas relacionadas às atividades
agropecuárias. O atendimento precisa ser personalizado, para transmitir a
hospitalidade do campesino ao visitante. O centro de interesse do turista que se
desloca para áreas rurais está no conjunto constituído pela atividade produtiva, pela
natureza e pelo modo de vida, que diferem da paisagem e do ritmo urbano (LOTTICI
KRAHL, 2003.) (Figura 11).

Fonte: romanticoschales.com.br

Outra característica do segmento é o chamado “empoderamento” das


comunidades, já que ele é um motivador para que a sociedade se organize para gerir
a atividade turística de forma participativa. Isso cria um ambiente favorável à
manutenção das características rurais da região, utilizando os recursos locais e os
conhecimentos derivados do saber das populações, valorizando-os (LOTTICI KRAHL,
2003, p 24.).

25
Segundo Perkins e Zimmerman (1995), o empoderamento é uma construção
que liga forças e competências individuais com sistemas naturais e organizacionais
de ajuda. Importará, portanto, desenvolver comportamentos proativos de mudança
social, envolvendo organizações e recursos em torno da construção de comunidades
responsáveis. O caminho será o da intervenção social e comunitária com indivíduos e
organizações, consubstanciada em projetos de desenvolvimento, de combate à
exclusão social, de promoção de direitos, desenhados no, e para, os âmbitos local e
regional (GONÇALVES et al, 2013).

15 A PRESERVAÇÃO DA ATIVIDADE ORIGINAL

O agroturismo é uma a atividade que faz o homem e sua família permanecerem


no campo. Faz preservar e recuperar nosso espaço rural e natural com suas
características originais. Assim, a interação entre o homem do campo e suas origens
se mantem, perpetua e também:
 Promove a preservação e recuperação de nossa história.
 Alimenta as atividades agrícolas tradicionais.
 Gera receita para o espaço rural.
O agroturismo é um segmento que apresenta desenvolvimento em áreas rurais
produtivas, usando como meio de hospedagem as próprias propriedades, que
procuram se adequar ao novo hóspede, para atender suas necessidades, mostrando
como viver em contato direto com o meio ambiente, participando das várias atividades
agropecuárias desenvolvidas no meio ambiente rural, e mostrando também a
importância do homem do campo para a sobrevivência do ser humano nos grandes
centros urbanos.
Também fazer o turista perceber as inúmeras ofertas de produtos naturais de
origem local ou regional, mostrando a cultura local, a gastronomia típica e todo o mais
que a natureza oferece, esperando em troca somente ser preservada. Para que haja
um desenvolvimento pleno da atividade turística no meio rural é preciso que haja
harmonia entre a comunidade rural, o meio ambiente e o turismo. Esses elementos
unidos poderão garantir a sustentabilidade da atividade rural.

26
O desenvolvimento da atividade rural tem que começar com a conscientização
de que é importante preservar e cuidar, para que se possa explorar deixando que
gerações futuras possam também preservar, cuidar e explorar. Percebemos que a
atividade rural vem sendo desenvolvida muitas das vezes, sem a consciência da
importância da preservação e o cuidado de causar o mínimo dando ao meio ambiente.
Sabemos que atualmente todos procuram meios de agregar valores aos seus
produtos, buscar novas fontes de renda a sua produção, sobreviver das suas
atividades, mas, sem esquecer-se da importância da preservação daquilo que
exploram, para que continue sustentável.
Desta forma, a quatro elementos-chave que configuram a sustentabilidade
(economia, cultura, sociedade e meio ambiente) devem envolver o turismo nas áreas
rurais com uma importância redobrada, nutrindo e enriquecendo o desenvolvimento
da atividade turística, ao mesmo tempo em que se configuram na matéria-prima da
atividade, isto é, nos próprios recursos que favorecem e influenciam na demanda para
o meio rural (Figura 12).

Fonte: Verrazi, 2008, p 32.

Neste contexto, a garantia da sustentabilidade do desenvolvimento turístico


necessita que algumas condições sejam cumpridas, tais como:

 A participação da sociedade local no desenvolvimento da atividade;

27
 A limitação das capacidades de carga dos atrativos – naturais e
socioculturais;
 a atuação sobre as infraestruturas e equipamentos, adaptando-as aos
recursos turísticos a fim de preservá-los contra possíveis agressões, dentre
outros.

Desta forma, o desenvolvimento do turismo rural será racional e embasado na


filosofia da sustentabilidade, supondo contribuições importantes ao meio rural como:

 Melhora nas condições de vida da população local; contribuição para a


reativação econômica de zonas deprimidas;
 Geração de rendas complementares; incorporação do trabalho
remunerado da mulher; estabilização da população local ao campo;
 Manutenção das atividades agropecuárias e artesanais;
 Manutenção e recuperação do patrimônio arquitetônico tradicional;
 Conservação do meio ambiente;
 Enriquecimento cultural da população local.

16 A VALORIZAÇÃO DA VIDA NO CAMPO E DA CULTURA LOCAL

A industrialização crescente intensificou a urbanização, aumentando a


destruição da natureza, colocando-a a disposição de poucos homens com seus
interesses de lucro e poder, desprezando assim o interesse coletivo pela
sustentabilidade.
Neste contexto, a cultura rural acabou sendo ignorada ou considerada como
sinônimo de atraso e retrocesso, e diante disso, cresceu assustadoramente a
submissão e dependência do campo em relação às cidades. Uma realidade que
passou a ser imposta a inúmeras comunidades rurais, que se tornaram apenas
espaços produtores de matérias-primas e produtos direcionados ao consumo da
sociedade urbano-industrial (ANDRADE, 2012).

28
Fonte: www.mda.gov.br

Assim, o patrimônio ambiental contido nessas comunidades passou a ser


constantemente utilizado de forma predatória, desrespeitando sua capacidade de
suportar tais impactos e resultando em problemas socioambientais. Sugiram então
conflitos entre os espaços rural e urbano e entre grandes produtores rurais, ansiosos
por lucro, e pequenos agricultores ligados à terra, da qual obtêm o difícil sustento
(Figura 13).
Diante desse consumo exacerbado, que gera dilapidação ambiental,
disparidades sociais, incertezas e ausências de perspectivas, resta ao pequeno
produtor resistir, mantendo seu vínculo harmônico com a terra de seus ancestrais, ou
sucumbir, atendendo à voracidade do sistema opressor. Se a alternativa escolhida for
a segunda, não há outro caminho: a contínua exploração dos recursos naturais até
sua exaustão, criando o rompimento definitivo com a realidade rural, levando-o a
procurar por novas oportunidades nas cidades.
Ao ser expulso, o homem do campo rompe com sua cultura de contato
sustentável com a terra, levando-o a vislumbrar os atrativos dos grandes centros
urbanos e a criar fantasias que serão posteriormente transformadas em frustração e
exclusão. Ao se dirigir à cidade grande em busca de melhorias e sem qualificação,
sem emprego, sem perspectivas, ele e sua família estarão condenados à inserção nas
problemáticas periferias, na maioria dos casos sem direito a condições dignas de vida,

29
ampliando os índices de dominação, exploração, degradação e alienação, já tão
comuns na sociedade atual.
As populações rurais da que trabalham no agroturismo buscam reinserção
econômica, social, política e até tecnológica, pela sua reafirmação, redefinição e
atualização de seus modos de vida e construção de alternativas.

Fonte: www.mda.gov.br

O índice de evasão do campo hoje é cada vez mais expressivo, e os filhos de


pequenos produtores não apresentam mais a mesma vontade de permanecer no
campo e trabalhar com a terra, de modo que, migram para a cidade em busca de
melhores condições de vida. Sendo assim, é preciso que haja pessoas, projetos e
políticas públicas voltadas para tal problemática, empreendendo ações que propiciem
soluções eficazes e eficientes para que este quadro seja revertido.
Para a viabilidade de se realizar o desenvolvimento local através do turismo
dependeria da equalização de cinco objetivos:
 Preservação/conservação ambiental;
 Manutenção da identidade cultural;
 Geração de ocupações produtivas de renda;
 Desenvolvimento participativo
 Qualidade de vida.
30
Alguns elementos importantes são considerados fatores de desenvolvimento
local e de valorização cultural.
A manutenção da identidade cultural dos lugares como próprio fator de
atividade turística; uma construção de uma via democrática para o desenvolvimento
de certas localidades, articuladas pelo turismo como fator estruturante de valorização
das suas potencialidades ambientais e culturais, com a participação da população
local na construção ativa desse processo (BENEVIDES, 2002, p. 25).
A riqueza cultural de uma comunidade, ao ser preservada como forma de
manutenção do grupo, é utilizada como fomento ou elemento potencializador para a
atividade turística, principalmente neste momento onde cresce o interesse pela
pluralidade étnica e pela diversidade cultural existente nas diversas sociedades.

Fonte: www.noticiasjp.com

Parte-se do pressuposto de que a atividade turística pode contribuir para o


etno-desenvolvimento local e para o enriquecimento da relação entre turistas e
residentes, por meio de um aproveitamento balizado nos princípios da
sustentabilidade cultural (SILVA, 2010, p. 3)
Assim, o patrimônio cultural implica sentidos de permanência, pertencimento e
persistência, considerando-se que a produção material e simbólica de uma
determinada comunidade torna-se elo de identificação do grupo a um ethos cultural
comum, vetor de transmissão e compartilhamento de memórias individuais e coletivas,

31
e das tradições. Essas são reinterpretadas e reconfiguradas no presente, porém,
mantendo-se o substrato que lhe deu origem (SILVA, 2010, p. 3).

17 A UNIDADE DE PRODUÇÃO RURAL VISTA COMO UM SISTEMA

A administração rural surgiu no começo do século XX junto às universidades


de ciências agrárias, na Inglaterra e Estados Unidos, nos chamados “land grant” com
a preocupação de sobretudo, analisar, a credibilidade econômica e as técnicas
agrícolas (Hoffmann, 1987).
A administração rural passa por várias transformações estruturais e
comportamentais frente à nova ordem mundial de globalização, consumindo conceitos
antigos e reconhecendo suas teorias na busca do aperfeiçoamento organizacional
para a empresa rural. Nestas perspectivas podemos definir a empresa rural como
“aquelas que exploram a capacidade produtiva do solo por meio do cultivo da terra da
criação de animais e da transformação de determinados produtos agrícolas” (Marion,
2005 p. 24).
As novas concepções administrativas atualmente podem definir as bases de
atuação e desenvolvimento da empresa rural. Assim, é preciso ressaltar alguns
aspectos importantes de uma unidade de produção:

17.1 Identificação e inserção da unidade de produção

Esse aspecto diz respeito à localização e o tipo de inserção da unidade


produtiva no meio físico e sócio econômico, o que pode influenciar o seu
desenvolvimento. Nesse sentido, cabe identificar se existem projetos de
desenvolvimento público ou privado para o desenvolvimento da região.
Caracterização do meio natural, sua aptidão e capacidade de uso, estado de
conservação das características físicas e químicas do solo, fertilidade, práticas de
controle dos processos erosivos perante diferentes condições climáticas e de
mecanização.

32
17.2 Estrutura e funcionamento da unidade de produção

Composição da Unidade de Produção perante seus equipamentos, instalações,


máquinas, veículos, terra, mão-de-obra e seu rebanho. Trata-se da gestão pela qual,
o produtor conduz a sua unidade produtiva, em relação às discussões sobre o que
produzir como produzir, quais recursos podem ser utilizados, e como dispõem da
estrutura para realizar a produção (Figura 16).

17.3 Aspectos econômicos e financeiros

Através dos resultados físicos da UPA, se conseguem os resultados globais e


os resultados específicos de cada atividade. Para determinar o fluxo de caixa da
propriedade durante seu ano agrícola, com entradas e saídas de dinheiro. A
propriedade nos últimos anos vem evoluindo seu plantel de maquinários para se
adequar às atividades desenvolvidas, conforme sua necessidade de produção no ano
agrícola.
A agricultura está passando por um período de modificações perante novas
tecnologias expostas, mas hoje grande parte da produção de alimentos está
concentrada nas pequenas unidades de produção familiar que produzem alimento
para população. As unidades de produção estão investindo em atividades mais
seguras que gerem uma renda mensal mais estável e de menos risco para o produtor.
Buscam-se meios com maior viabilidade econômica e remuneração para o produtor
(LUCCA; SILVA, 2012, p. 177).
Dessa forma, as atividades do agroturismo na unidade de produção agrícola
merecem importância sobre a ação de planejadores comprometidos não somente com
a conservação dos recursos naturais, como com a geração de renda e melhoria no
padrão de vida e equidade social para as comunidades locais. O agroturismo é forma
de geração de renda no meio rural e ainda promove um contato direto dos turistas
com o dia – a – dia nas propriedades agrícolas, e com os costumes do campo havendo
assim uma interatividade campo x meio urbano (CEPAGRO, 2007).
Agroturismo são atividades turísticas que acontecem em ambiente rural, porém
o local continua a exercer suas atividades agrícolas. Neste caso, o turismo seria uma
atividade rentável e complementar.
33
18 ATRATIVOS TURÍSTICOS

Os atrativos turísticos exercem papel fundamental para o desenvolvimento do


turismo receptivo, uma vez que compõem a oferta turística diferencial de uma
localidade, ou seja, são os principais responsáveis pela atratividade das regiões
turísticas, que geram os fluxos turísticos. A qualidade da oferta desses atrativos
impacta diretamente no posicionamento do destino no mercado turístico (SEBRAE,
2014).
Enquanto negócio, o atrativo turístico precisa ser gerido como qualquer
empresa, possuir uma gestão eficaz, ter estrutura mínima para receber clientes,
oferecendo experiências positivas de forma organizada e profissional, a fim de
produzir resultados positivos.

Fonte: Sebrae-SP, 2014, p. 9.

Os atrativos turísticos são únicos e cada um deles possui valor e capacidade


de atração específicos. Portanto, possuem diferentes características, potenciais e
estruturas para a recepção de turistas.

Os atrativos turísticos constituem a oferta turística diferencial de uma


determinada região turística, pois são responsáveis por promover os fluxos turísticos.
O consumidor escolhe o destino que irá visitar, em função da experiência turística que

34
esse destino oferece. Ele primeiro decide se deseja praticar atividades de aventura ou
vivenciar atividades rurais, ou ainda, visitar monumentos históricos e culturais etc.,
entre as inúmeras possibilidades. Na sequência, ele opta pelo destino turístico que
proporcione as atividades e experiências escolhidas.
Existe outro tipo de oferta turística: a oferta turística técnica. Ela é composta
pelos equipamentos e serviços existentes no destino, que dão suporte para o
desenvolvimento da atividade turística, como: meios de hospedagem, meios de
alimentação fora do lar, agências de turismo receptivo, manifestações culturais,
artesanato, serviços de apoio ao turista, entre outros.

Oferta Oferta
Circuito
turística turística
turístico
diferencial técnica

Circuito Turístico: Conjunto de recursos e/ou atrativos turísticos, distribuído em


um espaço geográfico determinado (que apresenta vários eixos de deslocamento,
permitindo diversos itinerários), que deem identidade peculiar e diferenciada ao local.
Pode organizar-se formalmente por meio de consórcios ou outras formas associativas.
A existência de circuitos turísticos conduz à formatação de produtos turísticos atrativos
e de roteiros, facilitando assim, o acesso da região a mercados consumidores.
O bom funcionamento do sistema produtivo do turismo receptivo rural ou
urbano depende da oferta turística diferencial e da oferta turística técnica. Porém, a
oferta turística diferencial é decisiva para atrair os turistas e iniciar a “engrenagem”
que movimenta esse sistema. As características do conjunto de atrativos turísticos
influenciam diretamente na identidade e vocação turística do destino (turismo rural,
cultural, de aventura, de natureza, entre outros), indicando possibilidades de
constituição de negócios e das tipologias de turismo que podem ser implementadas e
consolidadas (Sebrae, 2014).

35
Existe uma tendência atual na busca do natural, do orgânico, do particular,
fatores que contribuem para a valorização do Turismo Rural. Dessa forma, os
elementos que o caracterizam devem ser estimulados visando se aprimorar as
atividades, os produtos e serviços ofertados pelas propriedades rurais.
A paisagem, a natureza, a cultura, o modo de vida das comunidades
tradicionais; os processos produtivos, a proximidade e a hospitalidade são os
principais fatores de atratividade do Turismo Rural. Neste sentido, é preciso identificar,
na região e no âmbito das propriedades rurais, os atrativos capazes de materializar
as expectativas e os desejos dos turistas. É preciso, ainda, explorar algumas
possibilidades oferecidas pelo Turismo Rural, as quais devem ser convertidas em
vantagens práticas:

18.1 a) Pode se desenvolver em áreas que não disponham, necessariamente, de


paisagens com recursos turísticos extraordinários:

Esses recursos são importantes atrativos turísticos, mas a valorização da


paisagem natural não se restringe apenas à sua existência. O fundamental é que, para
o turista, a paisagem represente um indicador de que ele está fora do seu ambiente
de rotina. Assim, a fauna, a flora, a topografia e o uso do solo trazem as marcas da
cultura e das comunidades residentes, fazendo desses elementos atrativos pelo fato
de constituírem uma paisagem tipicamente rural e que, portanto, se contrapõem ao
cotidiano do turista.

18.2 b) Necessita de reduzidos volumes de investimentos em relação a outros


segmentos:

Não é preciso, necessariamente, criar estruturas na região e nas propriedades,


e sim adaptar as que já existem de modo a garantir conforto e segurança aos turistas.
Tais estruturas podem ser residenciais ou de serviço, mas devem manter suas
características rústicas. Nesse caso, o turista não busca luxo, e sim autenticidade e
certa rusticidade, mas com qualidade e conforto.

36
18.3 c) Propriedades rurais geralmente estão localizadas próximas aos núcleos
emissores:

A localização facilita o deslocamento dos visitantes, que podem visitar as


propriedades rurais, ainda que disponham de apenas um dia ou de um final de
semana. A curta distância torna o Turismo Rural uma atividade acessível a mais
pessoas.

19 A “EXPERIÊNCIA” NO TURISMO RURAL

Experiência é o conhecimento adquirido pela prática ou observação. Para


oferecer experiência turística é necessário superar os aspectos triviais e
convencionais do turismo receptivo, como propiciar a encenação de atores para contar
história de determinado local turístico. Além do aspecto lúdico e prazeroso, o turista
rural tem a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos, interagir e experimentar
uma situação que fica marcada por muito tempo.
A vivência no mundo rural é uma prática que propicia a participação do turista
em lidas, oficinas ou atividades que sejam atípicas ou incomuns. Portanto, são as
situações em que o turista realmente participa, se envolve e interage. Ele é mais do
que um expectador. Um exemplo comum é a participação em oficina culinária, que faz
parte da visita ao atrativo turístico rural.
Outros exemplos de experiências e vivências, que podem ser oferecidas nos
atrativos turísticos rural:
 Dramatizações para contar uma história, um “causo” uma lenda.
 Apresentações de grupos culturais (teatro, música e dança) e folclóricos.
 Gastronomia típica para degustação e participação de oficinas
culinárias.
 Reprodução de “atmosfera, ambiente e cenário”, tornando determinado
local com características temáticas.
 Oficinas (culinária, cerâmica, vinho, cachaça, artesanato, pintura, queijo,
pães, bolos e muitas outras).
 Rotina: participação de plantio ou colheita de produtos, cuidados com
animais e preparo de refeições ou prato típico.
37
Fonte: ooutrolado.com

20 A VIVÊNCIA NO MUNDO RURAL

A vivência do agroturismo é caracterizada por atividades lúdicas e do dia-a-dia


das propriedades rurais, tais como: ordenha, coleta de ovos, cavalgada, coleta de
frutas e verduras, gastronomia, entre outras.
Salles (2006) cita algumas atividades de vivência desenvolvidas nas
propriedades, tais como:
 Hortas orgânicas;
 Hortas medicinais;
 Pomares;
 Ordenha;
 Tosquia;
 Trato;
 Trilhas;
 Cavalgadas;
 Pesca.

38
O perfil do turista que procura pelo turismo rural, enquadra-se como
mediocêntricos: pessoas motivadas pela quebra da rotina, busca pelo descanso,
aventura, gastronomia e tratamento de saúde; e experimentais: desejam conhecer e
experimentar modos de vida diferentes. As características destes perfis é a busca por
vivenciar novos jeitos de vida, e também a quebra da rotina, fatores encontrados nas
propriedades rurais, que desenvolvem a atividade turística. Outro fator que caracteriza
os turistas que buscam por esta atividade é o contato com a natureza (Mtur, 2010).
A atividade turística de vivência é geradora de novas experiências pessoais e
sensoriais. Ela promove o encontro com a história, com a cultura, com os valores,
sabores, momentos e àquele sentimento bucólico ao qual só o campo nos remete.
Nesse sentido, Sun Tung e Ritchie, (2011, p.1369) afirmam que o papel central dos
planejadores do turismo é: ''Facilitar o desenvolvimento de um ambiente (ou seja, o
destino) que aumenta a probabilidade de que os turistas podem criar suas próprias
experiências memoráveis de turismo”. Os autores ainda definiram experiência turística
como.
Uma avaliação individual subjetiva (afetiva, cognitivo e comportamental) de
eventos relacionados à sua atividade turística que começa antes (ou seja,
planejamento e preparação), durante (ou seja, no destino), e depois da viagem (ou
seja, o recolhimento). (Sun Tung e Ritchie, 2011, p. 1369).

Fonte: www1.folha.uol.com.br

39
Por fim, o turismo no mundo rural e suas nuances vem apresentando
considerável crescimento e pode ser uma alternativa para a sustentabilidade e
sobrevivência dos pequenos agricultores, pois incentiva a diversificação das
atividades no campo e gera trabalho para os membros da família, mas não se deve
esquecer que uma atividade como esta deve ser bem planejada, com participação de
todos os atores envolvidos, para evitar impactos irreversíveis à natureza, e,
principalmente no que diz respeito à cultura e tradições locais.

21 ESTRUTURA TURÍSTICA

A atividade turística requer investimentos em infraestrutura de meios de


hospedagens e de lazer. É sabido que estes objetos técnicos juntamente com o
quadro sócio ambiental, caracterizam os lugares turísticos e podem favorecer o seu
desenvolvimento. Neste contexto, o turismo passa a ter papel fundamental na
produção do espaço e na valorização do rural, podendo também melhorar a condição
de vida da população local. Entretanto, para que as comunidades possam usufruir dos
benefícios gerados pela atividade turística, torna-se necessário preservar não apenas
os atrativos naturais, mas também a cultura da população local (CORREA, 2006, p.7).
Em função disso, como outros empreendimentos econômicos, as atividades
relacionadas a lazer/turismo, também requerem apoio do poder público em diferentes
escalas, principalmente no que diz respeito a melhoria da infraestrutura viária,
divulgação, elaboração de normas para regulamentar a atividade, bem como a sua
fiscalização. Portanto, seu desenvolvimento deve estar alicerçado na interação de
diferentes atores, tanto público quanto privado, envolvendo as escalas local/regional,
nacional/global.
Os equipamentos e serviços turísticos rurais englobam tudo o que está
relacionado às áreas de recreação, lojas, aos banheiros, aos restaurantes, à estrutura
de hospedagem, aos vestiários, aos locais de descanso, caminhos, destinação do lixo,
água, energia elétrica, entre outros (Figura 20). No empreendimento do agroturismo,
cada área tem um uso específico, conforme suas características e suas necessidades
estruturais. No entanto, é preciso levar em conta que todas as instalações deverão
ser projetadas em harmonia com o meio ambiente.

40
22 SERVIÇOS OFERECIDOS E ATIVIDADES PRATICADAS PELO VISITANTE

O meio rural oferece uma série de serviços e atividades aos seus visitantes.
Neste item, apresentam-se alguns serviços e equipamentos turísticos, bem como
atividades turísticas que podem ser desenvolvidas nas propriedades rurais ou na
região:
a) Serviços e equipamentos turísticos: serviços, edificações e instalações
indispensáveis ao desenvolvimento da atividade turística e que existem em função
dela:
 Hospedagem – estabelecimentos que oferecem alojamento e serviços
necessários ao conforto do hóspede. No Turismo Rural, as maiores frequências
são fazenda-hotel/ hotel-fazenda, hospedagem domiciliar (quarto nas
propriedades rurais, cama e café, alojamento) e pousada;
 Alimentação – pode ser oferecida por restaurantes tradicionais ou por
propriedades rurais, que geralmente oferecem café colonial, almoço e jantar
com pratos típicos, degustação de produtos caseiros;
 Guiamento, condução e recepção – atendimento e orientação ao turista
individual ou em grupo, via centro de informações turísticas, agências e
operadoras de turismo receptivo, guias ou condutores locais (muitas vezes os
próprios agricultores, artesãos ou proprietários rurais);
 Transporte no local – serviços específicos para deslocamento no
destino: ônibus de excursão, vans, traslados, bem como veículos rurais
(passeio de trator, de charrete).

b) Atividades que podem ser praticadas pelo visitante: atividades cuja prática
estão relacionadas ao meio rural, encontradas nas propriedades rurais brasileiras:

 Atividades agropecuárias
 Agricultura – cultivo de espécies vegetais úteis para a alimentação
humana e animal ou como matéria-prima para indústria têxtil, farmacêutica etc.
Plantação de cereais, frutas, hortaliças, leguminosas etc.;
 Criação de animais – inclui todos os tipos de manejo de animais:
bovinocultura, caprinocultura, ovinocultura, suinocultura, piscicultura etc.

41
 Atividades de transformação – referem-se à transformação de matéria-
prima vegetal, animal ou mineral: produção agroindustrial (compotas, doces,
bebidas, farinhas, panificação, laticínio, ervas, polpas) ou manual (facas, panos
e bordados, mesas, instrumentos musicais);
 Atividades ecoturísticas – atividades de interação com a natureza, que
incentivem o comportamento social e ambientalmente responsável: trilhas,
observação da fauna (pássaros, borboletas, jacarés, peixes) e da flora
(espécies vegetais nativas, parques, etc.), caminhadas na natureza, trilhas,
banhos de cachoeiras e rios, cicloturismo;
 Aventura – atividades recreativas e não competitivas que envolvem
riscos controlados e assumidos: arvorismo, bóia-cross, rapel, tirolesa,
montanhismo, mountain-bike, trekking, turismo fora de estrada;
 Atividades interativas com gado – abrangem atividades que envolvam a
interação do homem com cavalo, jumento, burro, boi, carneiro etc para
desempenho de alguma lida no campo ou para lazer, esporte e aventura:
ordenha, cavalgadas, campeadas, torneios, comitivas, tropeadas ou outras
denominações regionais, passeios de carroça, rodeio, hipismo;
 Pesca – compreende a prática da pesca amadora: pesque-pague, pesca
em rios, lagos, represas;
 Atividades esportivas – compreendem os jogos e disputas competitivas,
com a presença de normas definidas: corrida de moto, de bicicleta, de aventura,
rali, canoagem, caça e tiro;
 Atividades pedagógicas – atividades de cunho educativo que auxiliam
no processo ensino-aprendizagem, comumente promovidas por escolas e
realizadas pelos respectivos grupos de estudantes. É o chamado Turismo Rural
Pedagógico, um recurso motivador de aprendizagem, capaz de auxiliar na
formação dos alunos - reforçando conceitos como o de cidadania, consciência
ambiental e patrimonial – e de fornecer experiências de vida em grupo: aulas
práticas interpretativas do ambiente, palestras informativas, vivências e
experiências variadas nos ambientes visitados, incluindo participação em
colheitas, ordenhas, trato de animais;

Atividades culturais
42
Manifestações populares – acontecimentos ou formas de expressão
relacionados à música, dança, teatro, artes plásticas, literatura, folclore, saberes e
fazeres locais, práticas religiosas ou manifestações de fé: rodas de viola, folia de reis,
crenças, catira, rezas, novenas, “contação de casos”;

Fonte: g1.globo.com

Produção de artesanato – objetos produzidos manualmente ou com


equipamentos rudimentares, em pequena escala, característicos da produção de
artistas populares da região, utilizando matéria-prima regional; (Figura 21).
Observação da arquitetura típica ou histórica – contempla as construções
típicas do campo (açude, capela, curral, estufa), as técnicas e materiais construtivos
peculiares ou da região (pau-a-pique, sapé, madeira, pedra e outros) e as construções
históricas (engenho, alambique, casa de farinha, vinícola);
Visita a museus e casas de cultura – locais destinados à apresentação, guarda
e conservação de objetos de caráter cultural ou científico: museu da cachaça, museu
do folclore, vinícola desativada, moinho;
Gastronomia – práticas e conhecimentos relacionados com a arte e técnica de
cozinhar. Relaciona-se com o aprendizado e a degustação de pratos de consumo
tradicionais da região, utilizando ingredientes locais.

43
23 QUALIDADE DE SERVIÇOS NO AGROTURISMO

A qualidade de um serviço é fator determinante no desenvolvimento da


atividade turística. Entretanto, é um conceito particularmente subjetivo que pode, no
entanto, ser caracterizado através de alguns indicadores.
Uma forma de maximizar a chance desta relação, prestadores de serviços —
turistas ser bem sucedida é estabelecer um referencial de qualidade que garanta
confiabilidade nesta relação. Para prestar um conjunto de serviços que atenda e/ou
exceda as expectativas dos clientes faz-se necessário conhecer quais são suas
necessidades e desejos, e a partir daí, estabelecer critérios que harmonizem as
práticas relativas a comercialização deste serviço.
.

Fonte: www.booking.com

A qualidade de uma experiência turística dependente de uma variedade de


fatores, o que dificulta a adoção de uma definição clara e precisa. O fato de o produto
turístico ser o resultado da conjugação de uma série de subsistemas, tanto do ponto
de vista dos poderes públicos quanto da iniciativa privada, com elementos de natureza
tangível e intangível, agrava essa dificuldade (MOREIRA, 2010).
A importância da qualidade na atividade turística vem sendo percebida pelos
diferentes órgãos que atuam no setor, inclusive por aqueles que se dedicam

44
diretamente à atividade do turismo em área rural, e algumas iniciativas neste sentido
começam a ser discutidas e implementadas em alguns lugares (Figura 22).
A qualidade de serviço percebida pelo cliente pode ser considerada como um
julgamento sobre a superioridade desse serviço que é o resultado das diferenças entre
as expectativas e as percepções do cliente (Parasuraman et al., 1985;
Grönroos, 1990). Cronin e Taylor (1922; 1994) defendem que a qualidade do
serviço deveria estar baseada nas percepções do cliente relativamente aos serviços
prestados. Para Albrecht e Bradford (1992) a qualidade representa a capacidade que
um serviço tem para satisfazer uma necessidade, para resolver um problema ou para
fornecer valor acrescentado.
Apesar das várias definições sobre o que qualidade realmente significa, um
denominador comum sobressai: a satisfação das necessidades dos clientes. Assim,
pode concluir que a qualidade está fortemente relacionada com a satisfação dos
clientes e está é alcançada quando as expectativas dos clientes igualam ou superam
as suas experiências e percepções (MOREIRA, 2010).
O Plano Nacional do Turismo (PNT) para 2003 a 2007, desenvolvido pelo
ministério do turismo, traz em seu conjunto de programas um pacote voltado para a
questão da qualidade, denominado macro programa de qualidade do produto turístico.
Abrangem duas vertentes, uma delas relacionada à normatização da atividade
turística e outra, referente a um programa de qualificação profissional.
A ABRATURR — Associação Brasileira do Turismo Rural desenvolveu um
programa de capacitação com foco na qualidade, que foi incorporado pelo Ministério
do Turismo e foi apresentado no documento Diretrizes para o Desenvolvimento do
Turismo Rural no Brasil (2003). Este documento propõe como sua quinta diretriz a
capacitação voltada para a preparação de agentes e atores envolvidos na atividade
para atuarem voltados para a qualidade. Indica como estratégias a identificação das
diferentes necessidades de capacitação; a avaliação de programas, metodologias e
possíveis parceiros; a elaboração conjunta de políticas, programas e projetos
específicos de profissionalização; a promoção de 47 cursos de qualificação e
aperfeiçoamento profissional; o apoio e promoção de cursos e seminários de
capacitação em desenvolvimento local e regional; o apoio e promoção de eventos
locais, regionais, nacionais e internacionais.

45
24 AGROINDÚSTRIA

No final da década de 90 do século XX, surgem programas de estímulo a


agroindústrias familiares em todo país. A agregação de valor aos produtos da
agricultura familiar é mais que uma tradição, é uma forma de aumentar a renda das
famílias rurais, valorizar a cultura e gerar ocupação. A atividade da agroindústria é
uma das grandes alternativas de agregação de valor ao produto rural, com o
beneficiamento do produto “in natura”. Com a implantação do turismo na propriedade,
isto se potencializa, na medida em que a comercialização do produto pode se dar
dentro da própria propriedade, suprimindo o custo de distribuição e contribuindo para
diversificar os atrativos do empreendimento (Figura 23).
.

Fonte: www.emater.pr.gov.br

Por meio da agroindústria artesanal, o alimento é processado e conservado,


sem que haja adição de elementos químicos, como aditivos e conservantes artificiais.
Isso é possível graças às várias tecnologias que seguem o método tradicional, cultural
e regional de transformação de alimentos. Com isso, os alimentos duram mais e não
perdem suas características específicas (cor, sabor e aroma).
Diversos estudos, tem mostrado que as agroindústrias familiares, de modo
geral, têm encontrado dificuldades para sua consolidação. Dentre os empecilhos,
podemos citar como fundamental a incompatibilidade da escala de produção das

46
agroindústrias familiares com as exigências dos grandes circuitos de mercado,
pautada pela padronização e regularidade no fornecimento (SIVEIRA, 2010).
Junto a isso, vieram exigências sanitárias buscando a legalização dos
empreendimentos de processamento artesanal de alimentos, através de investimento
em instalações e equipamentos, exigidos pela legislação sanitária vigente.
A pressão da legislação sanitária vigente leva a um processo de substituição
de procedimentos artesanais de produção por procedimentos industriais, onde o
fundamento é a padronização do produto, a garantia de que aquela marca não
apresenta variação nem em qualidade, nem em características do produto, devido a
procedimentos técnicos e operações de máquinas sob rígido controle, enquanto o
artesanal é o império do como fazer, da variável humana, da diferenciação (Silveira;
Heinz, 2005).
Nesse contexto, surge o problema com a inflexibilidade da legislação diante de
uma pequena escala de produção e um consumo quase imediato, situação da
produção artesanal desenvolvida na agricultura familiar. Associando qualidade a
estrutura física, a legislação condena esta produção artesanal à informalidade, pois
seria necessário um investimento necessário para sua regularização, além de suas
possibilidades e interesse.
E, justamente nas pequenas unidades de processamento de alimentos, “a
qualidade dos alimentos (...) está mais ligada à qualidade da matéria prima, à saúde
e higiene das pessoas que manipulam os alimentos, à higiene das instalações, ao
fluxograma operacional dos trabalhos da agroindústria etc.” (PREZZOTTO, 2002, p.9).
Diante de tal realidade, “a questão fundamental é quais critérios de qualidade
devem ser adotados em circuitos locais e regionais de produção, distribuição e
consumo, considerando que seu contexto é diverso da base epistêmica de que parte
a legislação sanitária” (SILVEIRA & ZIMERMANN, 2004, p. 219).
Dessa forma, uma série de estratégias implementadas no sentido de buscar a
viabilização econômica das propriedades rurais e que, ao mesmo tempo, podem
aumentar a atratividade turística de determinados territórios, a saber:
-Beneficiamento e processamento mínimo de matérias-primas de origem
animal ou vegetal, transformando-as em embutidos, conservas, produtos lácteos,
compotas, bebidas, artigos de vestuário, decorativos, utilitários etc. Esses processos

47
agregam valor e qualidade à produção agropecuária ou ao extrativismo, além de servir
como aproveitamento do excedente.

Fonte: www.sul21.com.br

b) Apresentação dos produtos: utilização de embalagens especiais que


valorizem a aparência dos produtos e o uso de materiais recicláveis e da região,
destacando a identidade local.
c) Produção de alimentos ambientalmente correta: a sociedade valoriza cada
vez mais métodos sustentáveis de produção de alimentos para se ter uma
alimentação saudável e ambientalmente correta. Destacam-se as práticas baseadas
na agroecologia, agricultura orgânica, agricultura ecológica, agricultura biodinâmica e
outras (Figura 24).
d) Diversificação da produção: plantio e criação de variadas espécies – de
plantas e animais – a fim de proporcionar ao turista novos sabores e experiências,
devendo ser privilegiadas as plantas e os animais da região.
e) Certificação dos produtos: selos orgânicos, de comércio justo e solidário, de
origem: a certificação é mais uma garantia para o turista de que está de fato
consumindo um alimento de qualidade (Figura 25).

48
25 AGROINDUSTRIA: PRODUTOS ORGÂNICOS

Alimentos livres de agrotóxicos têm ganhado a simpatia e a preferência de


consumidores em todo o mundo. A busca por uma alimentação mais saudável tem
feito com que o consumo aumente de 15 a 30% ao ano no Brasil, e este sistema
produtivo alcance cada vez mais destaque no mercado. O rótulo “orgânico” é aplicado
às mercadorias produzidas de acordo com normas de controle que vão da produção
à comercialização, passando pela manipulação e o processamento.

Fonte: www.portaldoagronegocio.com.br

Grande parte dos estudos sobre a agricultura orgânica certificada enfatiza a


importância dos seus benefícios econômicos, sociais e ambientais e as oportunidades
que ela traz para os PBR. Entretanto, segundo Fonseca (2005), deve-se considerar a
AO de forma mais realista. De forma geral, a agricultura orgânica:
a) É um setor ainda muito pequeno, com exceção da produção de alguns
produtos em determinadas regiões ou países;
b) Enfrenta pontos de estrangulamento na produção, comercialização e
institucionalização que precisam ser superados. Destacam-se o acesso a mercados e
os prêmios nos preços que são frequentemente incertos mesmo em mercados de
exportação e normas técnicas não adequadas às diferentes realidades tecnológicas,
econômicas, políticas, geográficas, climáticas e culturais;

49
c) Os procedimentos complexos de importação e questões envolvendo os
procedimentos de avaliação da conformidade como a certificação de produtos e a
acreditação de OC’s de produtos precisam ser reconhecidos pelos compradores;
d) Os efeitos dos subsídios e de outras medidas de apoio nos PAR sobre a
competitividade dos produtos orgânicos dos PBR, que competem com produtos
orgânicos produzidos localmente ou regionalmente, são problemas preocupantes;
e) A preferência dos consumidores dos PAR pelos produtos locais e o
reconhecimento da garantia da conformidade ligada a reputação de marcas
comerciais locais é uma realidade nos PAR, principalmente em alguns países da
União Europeia (UE);
f) É preciso distinguir analiticamente duas categorias de sistemas de AO: a
produção orgânica certificada, inspecionada, verificada e atestada como tal e a
produção orgânica de fato (BRASIL. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E
ABASTECIMENTO, 2007).

26 SISTEMAS

Os produtores de orgânico destacam que a atividade tem impacto ambiental


positivo, como a ampliação dos ecossistemas locais e a redução do aquecimento
global. A prioridade desse sistema é empregar matéria orgânica e adotar boas
práticas que harmonizem os processos biológicos. Os produtos orgânicos são
provenientes de sistemas baseados em processos naturais.
As técnicas para obter o produto orgânico incluem manejo da matéria orgânica,
uso de adubação verde e biofertilizantes, consórcio e a rotação de culturas, emprego
de sementes crioulas ou de variedades mais resistentes e adaptadas e utilização de
controle fitossanitário biológico, mecânico ou cultural. Estes fatores garantem a
qualidade dos alimentos orgânicos.

27 NORMATIZAÇÃO

As primeiras normas privadas internacionais na agricultura orgânica foram


estabelecidas no início da década de 1980 pela Ifoam, reeditadas desde então a cada

50
dois ou três anos (IFOAM, 2002). Após discussão por nove anos, ao fim da década
de 1990, a Comissão do Codex Alimentarius (Codex Alimentarius Commission – CAC)
estabeleceu diretrizes internacionais para produção vegetal e processamento de
produtos da agricultura orgânica, e para produção animal em 2001 (CAC/GL 32, 1999,
rev. 2001).
A legislação brasileira estabelece três instrumentos para garantir a qualidade
dos alimentos: a certificação por auditoria, os sistemas participativos de garantia e o
controle social para a venda direta sem certificação.
Os agricultores que buscarem a certificação por auditoria ou participativa
poderão utilizar o selo oficial nos seus produtos. O selo é fornecido por organismos
de avaliação de conformidade credenciados pelo Ministério da Agricultura. Eles são
os responsáveis pelo acompanhamento e fiscalização dos produtos.
Os grupos de agricultores familiares que quiserem atuar na venda direta
recebem uma declaração de cadastro emitida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento - Mapa. O governo federal tem estimulado, em parceria com
entidades públicas e privadas, a difusão da agricultura orgânica com cursos de
capacitação, promoção de feiras orgânicas para o escoamento dos produtos e
certificação da produção. A certificação garante a origem e a forma produtiva do
alimento que chega ao consumidor, atestando que a produção está em harmonia com
o meio ambiente.
Assim, para que possam comercializar seus produtos no Brasil com
"Orgânicos", os produtores devem se regularizar de uma das formas a seguir:
 Obter certificação por um Organismo da Avaliação da Conformidade
Orgânica (OAC) credenciado junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento - MAPA; ou
 Organizar-se em grupo e cadastrar-se junto ao MAPA para realizar a
venda direta sem certificação.

Quando o produtor se cadastrou apenas para venda direta sem certificação,


não pode vender para terceiros, só na feira (ou direto ao consumidor) e para as
compras do governo (merenda e CONAB).
Quando o produto é certificado, pode vender seu produto em feiras, mas,
também, para supermercados, lojas, restaurantes, hotéis, indústrias, internet etc

51
28 CERTIFICAÇÃO

A certificação pode ser entendida como um sistema de coordenação vertical de


cadeias produtivas, visando a garantia de qualidade do produto e/ou processo, de
acordo com as necessidades específicas dos consumidores, sejam estes imediatos
ou finais (LEONELLI, 2012). Um conceito amplo de certificação, segundo Nassar
(1999), “é a padronização de atributos de um produto, processo ou serviço, garantindo
que tais produtos se enquadram em normas pré-definidas”.
Com legislação própria desde 2003, a produção orgânica passou a ser
certificada obrigatoriamente desde 2011 no mercado brasileiro, com um selo
específico para o consumidor identificar o produto. A ação busca diferenciar os
orgânicos e informar o que está por trás da agricultura ecológica. O produtor deve
fazer parte do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, o que é possível apenas
se estiver certificado por um dos três mecanismos: Certificação, Controle da venda
direta, participativo de garantia.
Pesquisas internacionais demonstram que alimentos orgânicos apresentam,
em média, 63% a mais cálcio, 73% mais ferro, 118% mais magnésio, 178% mais
molibdênio, 91% mais fósforo, 125% mais potássio, 60% mais zinco que os alimentos
convencionais. Possuem menor quantidade de mercúrio (29%), substancia que pode
causar doenças graves (Journal of Applied Nutricion, 1993). Valores nutritivos e
benefícios dos Alimentos Orgânicos:
 Vitalidade comprovada cientificamente.
 Maior concentração de nutrientes, vitaminas, sais e proteínas (ex:
vitamina C e outros antioxidantes, além de compostos fenólicos).
 Possibilitam uma menor necessidade de calorias.
 Maior vida de prateleira.
 Redução de contaminações ambientais, animais e humanas.
 Redução das doenças degenerativas.

A certificação tem sido um instrumento competitivo para produtores de frutas,


por exemplo, que procuram responder às necessidades dos mercados, seja interno
ou externo. Conhecendo esta realidade, Machado (2002), afirma que:

52
O sucesso da utilização da estratégia de certificação de frutas, legumes e
verduras depende da capacidade de monitoramento, poder de exclusão e reputação
da organização externa escolhida para garantir a conformidade com os padrões
adotados pelo varejo moderno. O domínio dos supermercados na comercialização de
alimentos e a crescente concentração do varejo, com grandes redes internacionais
adquirindo supermercados brasileiros, têm levado à internacionalização de padrões,
o que pode induzir ao entendimento de que, em pouco tempo, a certificação deixará
de interessar apenas a produtos exportáveis e assumirá importância também para os
produtos de consumo interno. Ou seja, quem não produzir com qualidade não
conseguirá espaço para seu produto, nem mesmo no mercado interno (MACHADO,
2002, p. 64).
Para conseguir a certificação é preciso seguir alguns passos e se adequar as
modificações exigidas atualmente pela legislação brasileira.

Fonte: www.projetosegundafeira.com.br

A primeira mudança é no nome. A certificação agora é conhecida


como Mecanismos de Controle para a Garantia da Qualidade Orgânica. Como podem
observar, são mecanismos, no plural mesmo. Há três formas de certificação, ou
melhor, de mecanismos de controle já vistos acima. E esta é a segunda grande
mudança na forma de garantir a qualidade orgânica do produto (CERVEIRA, 2015).

53
Desde 2011 foram oficializados três diferentes formar de “certificar” o produto
orgânico. Reparem nas aspas, pois cada tipo tem, como resultado, diferentes formas
de mostrar ao consumidor que o produto é orgânico (Figura 27).
A primeira forma foi denominada Certificação, que nada mais é do que uma
forma de avaliar a qualidade dos produtos orgânicos. O mecanismo da certificação se
dá por meio de empresas públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos. Essas
empresas realizam inspeções e auditorias, seguindo procedimentos básicos
estabelecidos por normas reconhecidas internacionalmente e, é claro, adequadas à
legislação em vigor. Um desses procedimentos básicos é não ter nenhum tipo de
ligação com o processo produtivo que estão avaliando (CERVEIRA, 2015).
A segunda forma é denominada Sistemas Participativos de Garantia
(SPG), caracterizados pelo controle social e pela responsabilidade solidária, podendo
abrigar diferentes métodos de geração de credibilidade adequados a diferentes
realidades sociais, culturais, políticas, territoriais, institucionais, organizacionais e
econômicas. O controle social é feito por intermédio da geração de credibilidade,
necessariamente reconhecido pela sociedade, organizado por um grupo de pessoas
que trabalham com comprometimento e seriedade. Ele é estabelecido pela
participação direta dos seus membros (consumidores, produtores) em ações coletivas
para avaliar a conformidade dos fornecedores aos regulamentos técnicos da produção
orgânica, ou seja, avaliar o comprometimento dos produtores com as normas exigidas
para esse tipo de produção. Já a responsabilidade solidária acontece quando todos
os participantes do grupo se comprometem com o cumprimento das exigências
técnicas para a produção orgânica e responsabilizam-se de forma solidária nos casos
de não cumprimento delas (CERVEIRA, 2015).

54
Fonte: www.toninhovespoli.com.br

O último mecanismo é chamado de Controle Social pela Venda Direta. A venda


direta é aquela que ocorre entre o produtor e o consumidor final, sem intermediários
(Figura 28). A legislação brasileira também aceita que a venda seja feita por outro
produtor ou membro da família que participe da produção e que também faça parte
do grupo vinculado à Organização de Controle Social (OCS). Nesse caso, é possível
ser considerado orgânico sem necessidade de seguir os outros processos de garantia
de orgânico. Esse grupo participante precisa necessariamente estar cadastrado no
Ministério da Agricultura, que emitirá uma declaração de que o membro do grupo é
considerado orgânico (CERVEIRA, 2015).

29 INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

O registro de Indicação Geográfica (IG) é conferido a produtos ou serviços que


são característicos do seu local de origem, o que lhes atribui reputação, valor
intrínseco e identidade própria, além de os distinguir em relação aos seus similares
disponíveis no mercado. São produtos que apresentam uma qualidade única em
função de recursos naturais como solo, vegetação, clima e saber fazer (know-how ou

55
savoir-faire). O Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI é a instituição que
concede o registro e emite o certificado (BRASIL. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA,
2015).
A Indicação Geográfica (IG) é usada para identificar a origem de produtos ou
serviços quando o local tenha se tornado conhecido ou quando determinada
característica ou qualidade do produto ou serviço se deve a sua origem. No Brasil,
existem duas espécies ou modalidades de Indicação Geográfica: “Indicação de
Procedência (IP)” e “Denominação de Origem (DO)”. (BRASIL. MINISTÉRIO DA
AGRICULTURA, 2015).
A Lei da Propriedade Industrial 9.279 de 14 de maio de 1996 – LPI/96,
considera indicação geográfica a indicação de procedência e a denominação de
origem, dando ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI, a competência
para estabelecer as condições de registro das indicações geográficas no Brasil (INPI,
2015).
A indicação de procedência refere-se ao nome do local que se tornou
conhecido por produzir, extrair ou fabricar determinado produto ou prestar
determinado serviço (INPI, 2015).
A denominação de origem refere-se ao nome do local, que passou a designar
produtos ou serviços, cujas qualidades ou características podem ser atribuídas a sua
origem geográfica (INPI, 2015)
A relação entre Indicação Geográfica e território é apresentada por Jeziorny
(2009, p. 148): “Concluímos que as indicações geográficas e o território formam uma
espécie de simbiose, pois não existe indicação geográfica sem o território, ao passo
em que o próprio território pode se desenvolver por meio da construção de uma
indicação geográfica”. Assim, a IG se constitui, segundo as normas brasileiras, em um
ato declaratório que, de acordo com sua tipologia, será uma Indicação de Procedência
ou uma Denominação de Origem.
É possível entender, então, que, quando um território possui um produto ou
serviço com diferencial e que este possa ser declarado como IG, são gerados
impactos não somente aos produtores e à cadeira produtiva ligada ao produto com
IG, mas para todo território circundante. Assim, os produtos que possuem Indicação
Geográfica são capazes de gerar um incremento no preço de venda e, com isso,

56
contribuir para a agregação de renda e ainda corroborar economicamente o
desenvolvimento territorial.
Agora vamos entender passo a passo como proceder para solicitar a Indicação
Geográfica segundo o Guia básico de indicação geográfica, do Instituto Nacional de
Propriedade Industrial – INPI.

29.1 1) Entenda

A Indicação Geográfica (IG) é usada para identificar a origem de produtos ou


serviços quando o local tenha se tornado conhecido ou quando determinada
característica ou qualidade do produto ou serviço se deve a sua origem. No Brasil, ela
tem duas modalidades: Denominação de Origem (DO) e Indicação de Procedência
(IP).

29.2 2) Prepare a documentação

Para fazer uma solicitação de IG, é preciso cumprir certos


requisitos: produtores ou prestadores de serviços devem estar organizados numa
entidade representativa; deve haver um regulamento de uso do nome geográfico e a
comprovação da existência de uma estrutura de controle, entre outros. Também são
necessárias comprovações específicas às espécies da IP ou DO.

29.3 3) Pague a taxa

Confira os valores das taxas. Cooperativas e outros grupos têm direito a


desconto. Emita e pague a Guia de Recolhimento da União (GRU).

29.4 4) Inicie o pedido

Com a documentação pronta e a Guia paga, você pode fazer o pedido na sede
do INPI, no Rio de Janeiro (Rua Mayrink Veiga, 9 - térreo), ou na representação do
INPI em seu estado na representação do INPI em seu estado. Você também pode

57
fazer a solicitação por via postal, com aviso de recebimento. O endereço é Rua
Mayrink Veiga, 09, 21º andar - Centro do Rio de Janeiro - CEP é 20090-910.

29.5 5) Acompanhe

O processo passará por diferentes etapas, que poderão exigir do usuário o


envio de novos documentos. Entenda o processamento do pedido. Para não perder
prazos, é importante acompanhar o pedido por meio da consulta à Revista da
Propriedade Industrial (RPI), publicada às terças-feiras.

Fonte: loja.ibge.gov.br

30 VALORES DOS PRODUTOS ORGÂNICOS

Os preços dos produtos orgânicos variam muito no tempo, em razão das


tendências da estação de produção e consumo, mas também de um lugar de mercado
para outro em um mesmo país. Os produtos orgânicos apresentam preços mais altos
que o produto convencional (de 20 a 200% mais caros), dependendo do produto e do
ponto de venda. Parte desse prêmio no preço é resultado das diferenças nos custos
de produção e de distribuição.

58
Os processos de comercialização e distribuição de produtos orgânicos são
complexos. Eles envolvem processos de limpeza, classificação, embalagens
informativas e distribuição pulverizada para atingir os consumidores que ainda estão
se formando, além de driblar os grandes atacadistas cujo critério tem, em grande
parte, base em quantidade e preço.
O Ministério da Agricultura divulgou, em janeiro de 2016, números sobre o
mercado de orgânicos no País. Em 2014, a agricultura orgânica movimentou cerca de
R$ 2 bilhões e a expectativa é que, em 2016, esse número alcance R$ 2,5 bilhões,
segundo o setor (BRASIL. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, 2016). Em 2015, o
faturamento do setor foi estimado em R$ 2,5 bilhões.
Nas últimas cinco temporadas, o lucro com produtos considerados saudáveis
dobrou e atingiu a marca de US$35 bilhões. “A estimativa é de que este mercado
continue com o crescimento na ordem de 35- 40% ao ano. O setor está em plena
ascensão e deve permanecer assim no futuro”, avalia Ming Liu, Coordenador
Executivo do Organics Brasil.
Principal responsável pela comida que chega às mesas das famílias brasileiras,
a agricultura familiar responde por cerca de 70% dos alimentos consumidos em todo
o País. O pequeno agricultor ocupa hoje papel decisivo na cadeia produtiva que
abastece o mercado brasileiro: mandioca (87%), feijão (70%), carne suína (59%), leite
(58%), carne de aves (50%) e milho (46%) são alguns grupos de alimentos com forte
presença da agricultura familiar na produção (BRASIL. MINISTÉRIO DA
AGRICULTURA, 2015).
Atualmente, há 11.084 produtores no Cadastro Nacional de Produtores
Orgânicos, gerenciado pelo Mapa. O banco de dados é liderado pelos estados do Rio
Grande do Sul (1.554), São Paulo (1.438), Paraná (1.414) e Santa Catarina (999). A
área de produção orgânica no Brasil abrange 950 mil hectares. Nela, são produzidas
hortaliças, cana-de-açúcar, arroz, café, castanha do Brasil, cacau, açaí, guaraná,
palmito, mel, sucos, ovos e laticínios. O Brasil exporta para mais de 76 países. Os
principais produtos exportados são açúcar, mel, oleaginosas, frutas e castanhas
(BRASIL. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, 2015).

59
31 PREÇOS DOS ORGÂNICOS

Nos principais países, o setor produtivo orgânico é dominado por pequenos


comerciantes, caracterizados por baixa disposição para fornecer dados sobre preços,
o que resulta em mercados com baixa transparência. Apesar de ser possível a
obtenção de amostras de preços notadamente ao nível do varejo, o alcance a séries
históricas é bastante limitado (SEBRAE, 2010).
Para resumir a questão do preço, pode alimentos orgânicos está relacionado
ao local de compra, ao tipo de produto e a outros fatores relativos ao processo
produtivo. A escala de produção orgânica é geralmente baixa, o que implica em
maiores custos com mão produto. Some-se a isso o custo de embalagens para
diferenciar produtos orgânicos de convencionais, sobretudo em supermercados
(SEBRAE, 2010).
Por último, os preços são maiores devido a custos adicionais com o processo
de certificação, perdas na classificação, financiamento das estruturas de estocagem
e para embalagens de exportação. A durante o processo de conversão. São elevados
os custos intrínsecos ao período de transição da agricultura convencional para a
orgânica, na medida em que produtos gerados durante o mencionado período, não
podem ser vendidos como orgânicos, só o sendo depois de concluído o período de
conversão e as análises dos resultados, e mediante o acolhimento das
recomendações das certificadoras (SEBRAE, 2010).

32 ESTRUTURA DE MERCADO

O mercado para produtos orgânicos caracteriza pequenos e médios


produtores, sendo que normalmente atividades ligadas à exportação. O
processamento é predominantemente realizado por grandes empresas, cabendo às
pequenas atender o mercado de nicho, sendo a distribuição realizada por diferentes
canais (SEBRAE, 2010).

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Fonte: aguadachuva.files.wordpress.com

A venda para agentes intermediários varejistas poderá ocorrer via lojas


especializadas em produtos orgânicos, lojas de produtos naturais, varejões que
revendem hortifrútis em geral, feiras livres convencionais e supermercados e suas
redes. As vendas também se realizam a empresas de (food service redes de fast food)
e a mercados institucionais (hospitais públicos e merenda escolar) (SEBRAE, 2010)
(Figura 31).
Outro canal de distribuição a ser considerado é o realizado por atacadistas no
Brasil, cujos principais clientes são as empresas distribuidoras exclusivas de produtos
orgânicos, que revendem seus produtos a grandes redes de supermercados ou aos
consumidores. Finalmente, comercializa-se através de empresas no exterior, a saber:
exportadoras atacadistas, processadoras e redes de supermercados (SEBRAE,
2010).

33 AGROINDÚSTRIA DO QUEIJO

De acordo com o último Censo Agropecuário realizado pelo IBGE – Instituto


Brasileiro de Geografia e Estatística, o PIB da Agricultura Familiar mineira atingiu
R$5,7 bilhões, ou seja, cerca de 10% da receita total obtida pelo agricultor familiar no

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Brasil. A Agroindústria Rural de Pequeno Porte se insere como uma alternativa para
reversão das condições sociais desfavoráveis no meio rural através da agregação de
valor.
A pequena indústria traz a possibilidade de gerar renda e ocupação. Moreira
Júnior (1999) citado por Bortoli Neto e Moreira Júnior (2001) apresenta a empresa
familiar como uma organização em que tanto a gestão administrativa quanto a
propriedade são controladas, na sua maior parte, por uma ou mais famílias, e dois ou
mais membros participam da força de trabalho, principalmente os integrantes da
diretoria.

Fonte:economia.uol.com.br

O modo artesanal da fabricação do queijo em Minas Gerais foi registrado como


patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Conselho Consultivo do Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O veredicto foi dado em reunião do
conselho realizada no Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte. O presidente do
Iphan e do conselho ressaltou que a técnica de fabricação artesanal do queijo está
“inserida na cultura do que é ser mineiro” (Figura 32).
Aprovado em 15 de maio de 2008, o registro no Inventário Nacional de
Referências Culturais destaca a forma tradicional de se fazer queijo em quatro regiões

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do estado: Serro, no Nordeste; Serra da Canastra, na região central; Salitre/Alto
Parnaíba, ou Serra do Oeste; e Araxá, no Triângulo Mineiro.
A Serra da Canastra localiza-se na região sudoeste de Minas Gerais, na qual
estão inseridos os municípios onde é produzido o típico queijo da Canastra: Bambuí,
Madeiros, Piumhi, São Roque de Minas, Tapiraí, Vargem Bonita e Delfinópolis – e
reúnem perto de 1.500 produtores, de acordo com a Empresa de Assistência Técnica
e Extensão Rural – Emater – MG (Figura 33).

Fonte: economia.uol.com.br

Juntos, esses sete municípios produzem uma média de 6.000 toneladas por
ano, em uma área de 7.452 km². Cerca de 30 desses produtores já estão cadastrados
para ter o selo de inspeção do Instituto Mineiro de Agropecuária e do Sistema
Brasileiro de Inspeção (Sisbi). Equivalente ao SIF (Secretaria de Inspeção Federal),
esse selo permite a venda em todo o território nacional, mas não a exportação
(TIEPPO, 2015).

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A marca - Região do Queijo da Canastra, que contempla a iguaria tombada
como Patrimônio Cultural e Imaterial Brasileiro, e certificada pelo Instituto Nacional de
Propriedade Industrial (INPI) com o selo Indicação Geográfica (IG), na modalidade
Indicação de Procedência (IP), que garante sua origem, já é conhecida em todo o
país.

34 MERCADO MINEIRO

As perspectivas para o mercado do leite em 2015 foram de preços firmes para


o produtor, porém em patamares mais baixos que no ano passado.
 34 bilhões de litros de leite: foi o recorde da produção anual brasileira
de leite em 2014, atendida por mais de 500 mil produtores.
 180 litros por habitante: é o consumo per capita no Brasil, conforme o
preconizado pela Organização Mundial da Saúde.
 906 indústrias processadoras e 25 mil empregados diretos: é o número
de fabricantes de Minas, responsáveis pelo processamento de 6,7
bilhões de litros previstos em 2015.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo – Abiq, Fábio


Scarcelli, afirma que o aumento do consumo fora de casa – em restaurantes, por
exemplo - foi uma das principais razões para o crescimento da demanda por queijos.
Além disso, o avanço da renda da população também contribuiu. "O food-service
cresce a taxas superiores ao varejo", observa. A Abiq tem 80 associados no Brasil,
que respondem por 70% da produção nacional de queijos. "Esse dado mostra que há
potencial para crescer", reforça o presidente da Abiq. Também há potencial para
diversificação, já que atualmente 70% do queijo consumido no Brasil são dos tipos
mozarela, prato e requeijão (ABIQ, 2015).

34.1 Características do queijo

A altitude e o clima são determinantes para as características do Queijo da


Canastra. Para a produção da iguaria são utilizados de 10 a 12 litros de leite, coalho
e fermento lácteo natural, tirado do próprio soro. Depois de pronto, o queijo entra em
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maturação por cerca de 22 dias. O processo considerado importante para agregar
ainda mais qualidade ao produto. Abaixo uma tabela de classificação de queijos
quanto ao processo de fabricação.

Fonte: www.abiq.co

35 TURISMO CULTURAL

O turismo é uma das atividades econômicas que envolve diretamente ou


indiretamente vários setores da economia de uma região ou país, e o fator humano,
sujeito da ação, está presente em todas as atividades, quer seja como consumidor ou
como prestador de serviços, implicando dessa forma no relacionamento interpessoal,
com suas atitudes, experiências, cultura e modo de viver.
O turismo cultural é um dos segmentos do mercado turístico, consiste na visita
a determinado destino com o objetivo de conhecer a cultura local em sua forma de
expressão, como museus, galerias, arquitetura, sítios históricos, o folclore, a
gastronomia, o artesanato, a arte, crenças e tradições, festas e outros que

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caracterizam o modo de ser e de viver de um povo com suas características
singulares. Explicitando melhor, Barreto (2000) diz que:
O turismo cultural no sentido mais amplo seria aquele que não tem como
atrativo principal um recurso natural. As coisas feitas pelo homem constituem a oferta
cultural, portanto turismo cultural seria aquele que tem como objetivo conhecer os
bens materiais e imateriais produzidos pelo homem. (BARRETO, 2000, p. 21).

Fonte: www.turismo.pr.gov.br

O Ministério do Turismo conceitua turismo cultural que compreende as


atividades turísticas relacionadas à vivência do conjunto de elementos significativos
do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo
os bens materiais e imateriais da cultura” (Ministério do Turismo).
As características básicas ou fundamentais do turismo cultural não se
expressam pela viagem em si, mas por suas motivações, cujos alicerces se situam na
disposição e no esforço de conhecer, pesquisar e analisar dados, obras ou fatos, em
suas variadas manifestações, como: representações religiosas, rotas e roteiros,
festivais de música, cinema e teatro, manifestações populares, lendas, exposições de
arte, entre outras.
Na delimitação conceitual do turismo cultural, o termo cultura é natural, puro e
amplo, pois abrange tanto a cultura própria do turista como o conjunto de hábitos,

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ideias e criações que ele pode assimilar ou não, em seu contato com novas realidades
e convivências diferentes (CAMPOS et al, 2012).

Fonte: www.flickr.com

A manifestação artesanal passa por processos de transformação na sociedade,


cuja análise revela aspectos sutis para a compreensão da relação do indivíduo com o
trabalho, com o ato de criar e, mesmo, com seu cotidiano. O artesanato carrega
consigo a ideia do popular e que tem como destino a reprodução do que é tido como
tradição, como memória (CAMPOS et al, 2012).
Percebe-se assim, que o artesanato é um atrativo que compõe o produto
turístico pertinente ao turismo cultural, e que, portanto, deve ser explorado com
responsabilidade em todos os seus aspectos, para que este seja para os seus
consumidores, não só um objeto comum, mas uma recordação típica do local visitado
(Figura 35).

36 ARTESANATO

O artesanato, em todo o mundo, voltou a ser valorizado. O artesanato vem


ganhando destaque no Brasil e no mundo, impressionando aqueles que têm
curiosidade em saber de onde vem e como é feito. Assim, o artesanato passou a ser
explorado com grande repercussão no setor turístico. De acordo com pesquisa

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realizada pelo SEBRAE (1999), a identidade de um país é, em grande parte medida,
construída com elementos recorrentes em seus produtos e serviços, sejam estes de
origem industrial ou artesanal.

Fonte: www.nordestecerrado.com.br

No Brasil, depois de décadas de abandono, entidade como o Sebrae, SESC –


Oficina de Arte Popular Brasileira - ou o programa de Artesanato e Geração de Renda
do Conselho da Comunidade Solidária, diversas ONGs e designers promovem hoje o
revigoramento, o resgate do artesanato baseado em nossas tradições culturais,
abrindo caminhos para uma possível nova realidade no design brasileiro. E,
principalmente, contribuindo para a recuperação da confiança em nossa capacidade
de criação. O artesanato é gerador de lazer, emprego e renda.
Estes projetos têm o objetivo de abrir novos mercados para produtos
artesanais, respeitando a cultura de cada local e a criatividade de seus profissionais,
pois a tecelagem manual representa um universo comercial cada vez mais valorizado
(Figura 36).
Os artesão e artesãs que residem no meio rural não dispensam suas atividades
rurais. Em razão disso, o artesanato insere-se como um complemento no orçamento
da agricultura e pecuária familiar, assim como nos povos e nas comunidades
tradicionais, propiciando uma interação com as atividades econômicas e turísticas
(EMATER, 2015).

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Dentre os atrativos culturais o artesanato vem se destacando
consideravelmente no setor turístico por ser um produto de grande valor histórico-
cultural. Conforme Ribeiro (2003), a primeira mais importante condição de atração
turística é sem dúvida, a beleza e a diversidade ambiental e cultural de locais
receptivos e as regiões brasileiras manifestam o que tem de mais rico e diversificado
destes aspectos (FRANÇA, 2005).
Liberdade e diversidade são atributos do trabalho criativo, são também palavras
que podem definir nosso tempo. A esses valores agregamos a qualidade.
Entendendo-se está como sinônimo de pesquisa e inovação no conceito, na forma e
na escolha de materiais e de técnicas, é também qualidade de execução, respeito à
ecologia e uma dose de poesia. Podemos dizer que, hoje, também faz parte da
qualidade uma atenção às raízes culturais do próprio país, ou região (FRANÇA, 2005).

Fonte: SEBRAE, 2014

Assim, promover a integração e socialização de conhecimentos e experiências,


nas áreas de artesanato e agroturismo com vistas à qualificação da ação

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extensionista, e considerando as relações de gênero, raça e etnia são um dos
objetivos do trabalho artesanal.
Segundo pesquisa do Sebrae sobre o perfil do artesão brasileiro, 41% possuem
ensino médio completo, 20% ensino fundamental completo e 20% ensino superior
completo (Figura 37).
Quanto a profissão principal, 60% dos entrevistados tem o artesanato como
principal fonte de renda. E no tocante a participação familiar no empreendimento, 33%
conta com essa colaboração.

Fonte: SEBRAE, 2014

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BIBLIOGRAFIA

CEPAGRO. Agroturismo. Disponível em <http://www.cepagro.org.br/projetos/

Agrotur.html>>. Acesso em 02/04/2007.

FRANCISCO JÚNIOR, J.C. Processo de desenvolvimento do ecoturismo em

Brotas. In: OLIVEIRA, C.G.S. ET AL (ED). I Congresso Brasileiro de Turismo (1999:


Piracicaba). Anais. Piracicaba: FEALQ, 1999. p.229-233.

PORTUGUEZ, A. P. Agroturismo e Desenvolvimento Regional. São Paulo, SP:


Mussite, 1999.

PIRES, P dos S. A dimensão conceitual do ecoturismo. Turismo – Visão e Ação. V.


1, n. 1, p. 75-91, 1998.

RIBEIRO, M. Turismo rural em Portugal. In: ALMEIDA, J. A.; RIEDL, M., FROEHLICH,
J.M., (Ed). Turismo rural e desenvolvimento sustentável. Santa Maria: Departamento
de Extensão Rural/UFSM, 1998. p. 169-190

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