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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

INSTITUTO DE PSICOLOGIA
Disciplina de Psicanálise I
Profª Lucianne Sant’ana

Resenha Capítulo VII A Interpretação dos Sonhos

Amanda Cunha Stefani 11411PSI063


Cintia Ozaki Travassos 11711PSI021
Resenha do capítulo VII da obra “A interpretação dos sonhos” de Sigmund Freud, 1900.
Segue-se então uma divisão por tópicos que seguiremos:
A) O esquecimento dos sonhos
Freud aponta a importância de todas minúcias do sonho, sendo os componentes
linguísticos, mesmo os que parecem não ter sentido, fundamentais para seu entendimento.
A aparente contradição da capacidade de se recordar do sonho ou fazer sentido do que foi
sonhado é explicada pela censura do sonho realizada sobre os pensamentos oníricos.
Para analisar um sonho, deve-se pedir que o paciente o repita, prestando atenção
então, o analista, nos pontos em que há modificação. Ali se encontra a pressão de
resistência.
A dúvida a respeito da veracidade das memórias é uma forma de resistência e deve
ser desconsiderada. Tudo o que interrompe o processo analítico é uma resistência. A
resistência produzida pelo recalque explica à amnésia ligada à estados mentais
dissociados.
Os pensamentos oníricos possuem conteúdos que podem ser dolorosos, então a
interpretação do sonho e acesso a esses conteúdos só é possível após reconciliar o
analisando com esses aspectos. O ponto em que o sonho mergulha na obscuridade, no
desconhecido, num emaranhado impossível de ser desfeito e que nada acrescenta a
interpretação dos sonhos é denominado umbigo do sonho.
Freud aponta que a associação livre através das cadeias de associações permitem
interpretar os sonhos pois sempre voltam a temas comuns, o conteúdo onírico. Marca
também que isso possibilita a resolução de sintomas histéricos. As representações
desconhecidas, involuntárias ou inconscientes surgem. A censura desloca uma associação
normal e séria para uma superficial e absurda. Esses são as bases da técnica psicanalítica:
as representações-meta conscientes são abandonadas e as representações-ocultas tomam
conta do fluxo de representações e que as associações superficiais são deslocamentos das
associações profundas e suprimidas.
B) Regressão
Os sonhos são atos psíquicos e sua força propulsora é um desejo que busca
realizar-se. A censura psíquica faz com que não se reconheçam esses desejos e que os
sonhos pareçam absurdos. Além da censura, a condensação do material psíquico, a
representação em imagens sensoriais e uma fachada inteligível compõem os sonhos.
Freud descreve então o aparelho psíquico em instâncias ou sistemas a fim de
facilitar a compreensão. Essa divisão não é espacial, mas temporal, considerando que a
excitação atravessa os sistemas numa sequência temporal. O aparelho possui
sentido/direção, indo da extremidade sensorial a motora. No sistema que recebe os
estímulos perceptivos recebe os estímulos mas não preserva sua memória, isto ocorre num
segundo sistema que transforma as excitações momentâneas em traços permanentes. Há
uma associação entre a percepção e os traços mnemônicos. As lembranças inconscientes
produzem efeitos.
Freud faz também a divisão das instâncias psíquicas em sistemas consciente e pré-
consciente, separados por uma barreira, e o inconsciente, a força propulsora dos sonhos.
O consciente é regido por uma força crítica, que também constitui a barreira entre os
sistemas.
Durante o dia, a resistência não permite que o conteúdo inconsciente atinja a
consciência, mas a noite a censura é diminuída e isso se dá nos sonhos. O trabalho de
condensação dos sonhos permite que as representações podem ter suas intensidades
transferidas de uma para outra, explicando esse funcionamento inverso do pensamento
para a sensorialidade. Percebe-se também a importância das lembranças, principalmente
sensoriais e que ocorrem na infância, no desenvolvimento das neuroses. Os sonhos são
também reedições de cenas infantis transferidas para cenas recentes.
C) Realização dos desejos
Os sonhos são realizações de desejos, infantis, que no adulto se concentram no
inconsciente. Os restos diurnos podem se imiscuir com o conteúdo inconsciente e
produzir algo que ultrapasse a censura onírica.
Encontramos sonhos que trazem satisfação na realização de desejos pois seus
elementos foram transformados de forma a estar em concordância com os elementos
conscientes. Já os sonhos de angústia, trazem a realização apesar da afetação negativa, ou
ainda, podem ser a expiação de uma culpa e se originam, neste caso, no ego e não
inconsciente, sendo uma reação aos desejos deste.
A realização do desejo corresponde à percepção da necessidade e a lembrança da
satisfação inicial guardada na imagem mnêmica. Outrora esse desejo foi resolvido de
forma alucinatória através da identidade perceptiva, porém a instituição do pensamento
permite que isso seja resolvido de outras formas. Assim, no sonhos temos a reaparição da
vida anímica infantil.
Na psicose, a barreira que separa o inconsciente das outras instâncias psíquicas
está fragilizada. Essa instância é dirigida pelos desejos. Com modificações aceitas pelo
consciente, conteúdos inconscientes ultrapassam a barreira que os separa.
D) O despertar pelos sonhos - A função dos sonhos - Sonhos de angústia
Freud entende que o conteúdo de sonhos são realizações de desejos inconscientes
e que o pré-consciente se concentra no desejo de dormir. O desejo onírico, pode explorar
diversas direções e caminhos, podendo ser censurado, e se concentrando por fim, numa
direção mais oportuna para se agrupar permanentemente. O trabalho do sonho requer
tempo para atingir um resultado, podendo ser comparado a fogos de artifício, que
demoram horas para serem preparados, mas se consomem em um momento. Quando
atinge certa intensidade, o processo onírico, atrai para si consciência e desperta o pré-
consciente, caso não atinja, ele permanece em estado de alerta, até pouco antes do
despertar, quando a atenção consegue vim ao encontro.
A função de sonhar pode não ter êxito, pensando em desejos incompatíveis,
quando há uma tentativa de realização de desejo, que fere o pré-consciente de forma
violenta, onde não é possível continuar dormindo. Aqui, existiria um rompimento do
sonho e a substituição por um estado de completa vigília. Os sonhos de angústia,
poderiam desta forma, ir contra a teorização de que os sonhos são a realização de desejos.
Porém, Freud salienta a um processo psíquico gerador de angústia pode constituir a
realização de um desejo, visto que o desejo faz parte de um sistema (Ics) que é repudiado
e suprimido por outro sistema (Pcs). A sintomatologia neurótica mostra que esses dois
sistemas se encontram em conflito, onde o Ics, é um escoadouro para a descarga de sua
excitação, um porta-escape, enquanto o Pcs vai controlar o Ics, até certo ponto. Os
sintomas são formados de forma a evitar uma entrada da angústia.
Parece ser angustiante para Freud, discorrer sobre os sonhos de angústias, porém
ele ressalta que esses sonhos, faz parte da psicologia de neuroses, essa que seria angústias
neuróticas que provém de fontes sexuais. A partir dessa postulação, ele poderia então
analisar sonhos de angústia, a fim de revelar o material sexual contido em seus
pensamentos oníricos, que ocorrem em sua maioria, em pessoas jovens.
O autor analisa seu próprio sonho e de outro jovem e considera o recalcamento,
para entender a origem da angústia, que seria um anseio obscuro e sexual que encontra
expressão apropriada no conteúdo visual de sonhos. As relações sexuais entre adultos,
para as crianças pode se caracterizar como algo estranho, que desperta angústia. A
criança, após o recalcamento, é incapaz de lidar com a excitação sexual, repudiando seus
pais por estarem envolvidos, transformando-se em angústia.
E) Os processos primário e secundário - Recalcamento
Na formação dos sonhos, Freud apresenta dois diferentes processos psíquicos
diferentes, onde um deles produz pensamentos oníricos perfeitamente racionais e o outro
de maneira irracional e desconcertante.
No aparelho psíquico, o principal objetivo seria o de evitar acúmulo de excitações,
o desprazer. Já a descarga de energia é sentida como uma forma de prazer, assim há uma
repetição de experiência de satisfação para que a excitação seja diminuída. Assim, o
desejo, um tipo de corrente no interior do aparelho, parte do desprazer e tende ao prazer,
sendo ele capaz de pôr o aparelho em movimento. O primeiro desejar é um investimento
alucinatório da lembrança de satisfação. Então, a atividade do Inconsciente é dirigida a
assegurar a livre descarga das quantidades de excitação, chamada de Processo Primário.
Aqui, tende-se a estabelecer uma identidade perceptiva, onde todas as percepções são
aceitáveis e não provoquem o desprazer.
Já no pré-consciente, tenta-se impedir uma descarga imediata, elevando seu nível,
que seria o processo secundário, que quando concluído a atividade de exploração do
pensamento, suspende-se a inibição e o represamento das excitações e lhes permite serem
descarregadas no movimento. Esse processo, tem como função diferir, diminuir e
modificar a descarga de energia imposta pelo processo primário. Tende-se estabelecer
aqui uma identidade de pensamento, onde todas as lembranças que formam os
pensamentos são aceitáveis.
O primeiro sistema, é incapaz de introduzir qualquer coisa desagradável,
conseguindo apenas desejar. Assim, é preciso que o segundo sistema catexize as
lembranças, inibindo a descarga a partir delas, o desprazer. Ele só conseguirá cumprir
essa função, se estiver em condições de inibir desenvolvimento do desprazer que provém
disso. Essa questão, é para Freud, a chave da teoria do recalque. Tudo que foge a inibição
é inacessível, nos dois sistemas, devido ao abandono em obediência ao princípio do
desprazer.
A partir dos sonhos é possível demonstrar que o recalcado continua a existir nas
pessoas normais e permanece capaz de atividades psíquicas. Eles são manifestações desse
material recalcado. Quando em vigília, o material recalcado da psique é impedido de se
expressar e é isolado da percepção interna, pelo fato que as contradições presentes nele
são eliminadas pela elaboração secundária. Porém, durante a noite, o material recalcado
consegue penetrar na consciência, sob a influência de um impulso para a formação de
compromisso. Por isso, a interpretação dos sonhos é a via régia que leva ao conhecimento
das atividades inconscientes da mente.
F) O inconsciente e a consciência - Realidade
O Inconsciente e o Pré-consciente são considerados como dois tipos de processos
de excitação ou modos de descarga, onde a representação desses dois sistemas psíquicos
é integrada por uma representação dinâmica e não tópica.
O Inconsciente, aquilo que é psíquico, é uma função em dois sistemas separados,
que acontecem na vida normal e na patológica. Para Freud, existem dois tipos de
inconsciente. Um que não é acessado pela consciência (Ics) e o outro que permite às
excitações depois de uma nova censura, chegar à consciência (Pcs). O pré-consciente
barra o acesso à consciência e controla o acesso a capacidade de um movimento
voluntário, regulando a distribuição da energia de catexia móvel, que é familiar sobre a
atenção.
O consciente, é sem memória pois é incapaz de reter traços das alterações. As
excitações que chegam ao órgão da consciência são de duas direções, as do sistema
perceptivo e do interno do aparelho psíquico. Na primeira, a excitação é determinada pela
qualidade e provavelmente submetida a uma nova revisão para chegar ao consciente, já
na segunda os processos quantitativos são sentidos qualitativamente como
prazer/desprazer, após serem submetidos a determinadas modificações, entrando na
consciência.
A consciência é capaz de perceber novas qualidades, contribuindo a dirigir as
quantidades móveis de energia psíquica e distribuindo de maneira conveniente. Já com a
percepção do prazer/desprazer, a consciência implica a descarga energética ao interno do
aparelho psíquico inconsciente que opera através de deslocamento das qualidades.