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Aristóteles

 As sociedades são delimitadas pelo território e pelas leis, de tal modo que
o governo e as leis são superiores a todos e a todos obrigam;
 As sociedades têm como objetivo satisfazer os interesses dos indivíduos;
 São constituídas sociedades organizadas pela instituição da lei que se
aplica e regula as pessoas e as suas relações num determinado território,
sendo que este circunscreve a jurisdição da lei, mas é também a lei que
o estabelece.

Cidade Apenas governada pela lei

Qualquer pessoa que habita na cidade é


cidadão, independentemente da comunidade a
que pertence, desde que não conflita com a lei.
Lei Território
Política: arte de governar/administrar a
cidade.

Cidade: território politicamente organizado e delimitado, em que as relações


entre os sócios/cidadãos estão reguladas pela lei.

Para Aristóteles, a organização em cidades (criação humana), a


existência conjunta num território delimitado e organizado pela lei decorre da
natureza humana.

Todos os homens nascem em comunidade, sendo que esta é, portanto,


anterior ao indivíduo, às sociedades e às cidades. A origem da comunidade está
na família, na medida em que dois indivíduos diferentes põem algo em comum,
dando origem a um novo indivíduo que nasce na família, a primeira comunidade
na qual está inserido. Na família, existem normas e regras, mas não leis.

As famílias relacionam-se umas com as outras, formando tribos ou


aldeias; ainda que todas as famílias tenham regras e costumes diferentes, não
se opõem umas às outras. Criam-se, então, normas que possam regular a sua
convivência e evitar conflitos. Tratam-se de normas comuns aplicáveis a todos.

Deste modo, a cidade/Estado surge da falta de cumprimento das “leis” da


aldeia, regulando a coexistência das pessoas de diferentes aldeias.
O Estado não tem
necessariamente de ser
FAMÍLIA • Espaço privado democrático nem defender os
interesses da maioria dos
cidadãos; assim que existem
ALDEIA • espaço público vários a formas de o administrar
(vários regimes políticos).

 O que é a natureza
CIDADE/ESTADO
humana? - Aristóteles

Para cumprir a natureza


humana, terá de surgir o
Estado. O ser humano não nasce de forma completa e realizada na
natureza, tem de se desenvolver para conseguir realizar a sua própria
natureza. O horizonte de Aristóteles diz que o Homem tem de ir criando,
ao longo da vida, a sua natureza, pois nasce incompleto, tendo um
horizonte de realização, um fim – TELOS. Ao atingirmos esse fim,
cumprimos a natureza.

Todas as coisas que existem têm a sua própria ENTELEQUIA –


finalidade que as permitem realizar-se. Deste modo, o ser humano nasce
como um animal racional, ainda que os bebés não possuam a sua razão
em pleno. Segundo Aristóteles, apenas cumpre a sua finalidade quando
atingem a felicidade. Entende-se por felicidade aquilo que é o bem para
o ser humano, isto é, exatamente aquilo que este procura em todos os
seus atos, tendo em vista ele próprio. Esta busca explica todas as suas
ações e são os caminhos que toma na busca pela felicidade que o levam
ao encontro com o Estado.

Para o ser humano alcançar a felicidade, o Estado tem de existir e


sem a felicidade, o ser humano não cumpre a sua natureza. As suas
escolhas podem visar bens menores, particulares, bens individuais, mas
nem todos os bens levam ao alcance da felicidade. Assim, deve usar a
sua razão para entender quais os bens que lhe trarão mais felicidade, ou
seja, o maior bem.
Ao magoar outros na busca da felicidade, o ser humano está a legitimar
que o magoem, devendo aprender a escolher o seu bem maior.

Ser humano = Ser dialógico: seres sociais; comunicam a razão através


do diálogo, sendo assim que formam a sua racionalidade. Por conseguinte, a
falta de seres racionais, faz com que se tornem seres irracionais.
Seres Sociais

Alcançar bens maiores que


não conseguiriam sozinhos
Felicidade
Satisfazer necessidades que
sozinhos não conseguiriam

A comunidade é anterior ao indivíduo, pois já nasce inserido numa: a


família.

Comunidade: satisfaz todas as necessidades do ser humano, como o diálogo,


a racionalidade, necessidades afetivas, emocionais, cognitivas ou materiais.

As necessidades afetivas são mais importantes do que as necessidades


físicas, uma vez que estas, bem como as cognitivas e emocionais só podem ser
satisfeitas pela família, ou seja, a primeira comunidade. É nesta comunidade que
se estabelecem as regras e os valores que vão regular a forma como o ser
humano se relaciona em comunidade, de modo a satisfazer as suas
necessidades sem nunca prejudicar as necessidades dos outros.

A família não é suficiente para a satisfação de todas as necessidades do


ser humano, levando ao estabelecimento de relações com outras famílias,
aumentando as possibilidades de satisfazer as necessidades, sendo que, por
outro lado, estas também aumentam, pois passa a ter acesso a muitos mais
bens. Entra, então, na aldeia. Estabelecem-se relações nas aldeias para
satisfazer necessidades próprias, o que pode gerar conflitos, uma vez que os
laços de amizade são facilmente quebráveis, na medida em que, quando um
indivíduo satisfaz as suas necessidades, pode impedir outro de satisfazer as
suas.

Os valores e regras que o ser humano tem para se relacionar com os


outros diferem de família para família, podendo gerar conflitos na aldeia. Não há
forma de punição para aqueles que impedem os outros de serem felizes, isto é,
para o mais forte. Daqui, ocorre o surgimento do Estado como forma de
ordenar e regular as relações com o objetivo da felicidade do maior número de
pessoas, de forma à maioria usufruir do bem comum, para regular as relações
no âmbito da aldeia.

O Estado serve para:

 Impor o laço da justiça;


 Educar os cidadãos.

As relações socias entre seres humanos vão-se tornando mais


complexas: surgem mais pessoas e diferentes e, à medida que se vão
relacionando com outros, vão criando mais necessidades. Deste modo, as
regras que regulam as relações também se tornam mais complexas.

Cada indivíduo apresenta a sua dimensão ética formada no seio da sua


família, de maneira que esta difere de pessoa para pessoa, assim que todos têm
dimensões éticas diferentes. Deste modo, surge a lei que regulará as relações
entre as pessoas, pois, quando nem todos têm os mesmos valores, procuram
satisfazer as suas necessidades em detrimento das dos outros, levando a
conflitos.

Caso não exista Estado, a natureza do Homem não se realiza.

O estado organiza-se de diferentes maneiras, sendo que a forma como


este se organiza reflete a sociedade e esta reflete-se no Estado. Existe, portanto,
uma relação mútua entre o Estado e a Sociedade.

Regime Político: organização de uma determinada comunidade.


Um regime político é instituído pela sociedade, tendo em vista a felicidade.

Segundo Aristóteles, existe um critério que dita o caráter dos regimes


políticos segundo o número de pessoas que detêm o poder. também de acordo
com o mesmo, todos os regimes políticos querem o bem maior, no entanto,
também todos podem tornar-se no seu polo oposto que visa apenas o bem
particular (corrupção).

Regimes políticos:

 Monarquia: poder de um sobre todos; esse promove o bem comum. Pode


derivar para a tirania, no qual o poder é exercido em função dos
interesses do tirano.
 Aristocracia: o poder de alguns sobre os outros; os Estado é uma cúpula
que exerce o poder sobre os outros todos. Pode derivar para a oligarquia,
na qual as pessoas exercem o poder para bem próprio.
 Democracia: poder de todos sobre todos. Pode derivar para a anarquia,
na qual todos exercem o poder em função dos seus interesses pessoais.

Para Aristóteles, o regime ideal era a realeza, uma mistura de monarquia


com aristocracia. Apresenta um rei limitado no seu poder por um conjunto de
aristocratas. Assim, o poder não era concentrado, mas não o suficiente para
gerar uma tirania.

Ex.: da democracia ateniense nem todos são cidadãos, mas todos esses podem
fazer as leis, regulando a sua vida em sociedade. Todos são iguais. Não é uma
democracia representativa como a que vigora atualmente em Portugal, por
exemplo. Assim, ninguém era representado nem ninguém se fazia representar.
Daqui sai a perfeita articulação dos bens particulares com o bem comum, através
da discussão, que é a base da política.

O Estado limita a liberdade individual, na medida em que é uma força


impositiva e punitiva para fazer cumprir a lei, que também limita a liberdade, pois
é sancionatória. Este só existe se for dotado de poder. Caso os indivíduos não
reconheçam a legitimidade do Estado, este não é legítimo. Posto isto, ou se
altera a forma como o Estado exerce o seu poder, ou então este começa a
exercer o seu poder à força.
A legalidade do Estado reside na lei, na medida em que esta limita os
seus poderes. Quanto aos cidadãos, a sua legitimidade reside do
reconhecimento que os cidadãos têm acerca da legitimidade.

Legalidade ≠ legitimidade

Outro caso que pode ocorrer é o cidadão estar de acordo com a lei, mas
não com a forma como esta é aplicada.

De acordo com Aristóteles, a atividade do Estado era legitimada pelos


cidadãos, que tinha em vista o bem comum.

John Locke

O filósofo adota uma perspetiva moderna e contratualista: o Estado


decorre de um contrato, artifício construído pelo Homem. O contrato estipula os
termos do poder e autoridade do Estado

O exercício teórico de perceção do Estado:

Estado de Natureza:

Os indivíduos existem num estado de natureza, habitando o plante Terra,


tal como outras espécies vivem segundo a natureza pela natureza. Todos os
indivíduos são iguais, procuram satisfazer as suas necessidades pela razão.
Nesta situação, não há Estado, pois não há necessidade de relações, no entanto,
não deixa de ser um Estado, pois existem leis naturais que regulam a existência
humana.

a) Lei natural (divina): lei que existe e decorre da natureza humana


(direitos inalienáeveis):
i. Direito à vida;
ii. Direito à liberdade;
iii. Direito à propriedade: direito que temos de nos
apropriarmos dos bens da natureza. É este que distingue a
corrente liberalista da socialista.

Segundo o Estado de Natureza de Locke, os indivíduos são como átomos,


pois não estabelecem relações (atomismo).
De todos os direitos, o Direito à Propriedade será aquele que gerará
conflitos, ainda que todos os direitos não subsistam uns sem os outros, uma vez
que são interdependentes.

 Todas as leis inventadas servem para preservar a Lei Natural.


Qualquer lei que vá contra esta não é válida.

Posso apropriar-me de qualquer bem? E se mais pessoas quiserem o


mesmo bem que eu?

À primeira pergunta, Locke responde que sim, dado que, na teoria, haverá
recursos suficientes para todos. Relativamente à segunda pergunta, Locke diz
que apenas temos direito à propriedade que adquirimos pelo nosso
trabalho e que só nos podemos apropriar da terra que consigamos trabalhar
pelo nosso corpo.

Deste modo, a propriedade leva à desigualdade, uma vez que nem todos
os Homens tem a mesma força de trabalho, porque a natureza constitui seres
mais fortes e outros mais fracos e porque nem todos possuem a mesma vontade
de trabalhar. É daqui que sai a distinção entre ricos e pobres.

Assim, como não há forma de preservar a coexistência desigual no Estado


de natureza, geram-se conflitos, surgindo o Estado de guerra.

Estado de Guerra:

Surge no momento em que a lei natural é violada. A lei do mais forte passa
a vigorar, levando a que, no limite, só sobre o mais forte que, inevitavelmente,
morrerá.

De modo a evitar este Estado, os homens livres decidem associar-se,

criando uma sociedade (“união dos átomos”), estabelecendo relações uns com
os outros para defender os interesses particulares de cada um, sendo este um
interesse comum. Todos os indivíduos são livres de quererem ou não fazer parte
desta sociedade, no entanto, quem não tem essa vontade ou abandona o local
ou então submeter-se-á às novas regras sem o seu consentimento.

O objetivo principal dessa sociedade é estabelecer um contrato social,


que originará o Estado civil (Governo Civil).
A origem do Estado é, então, contratualista e a sua principal função é
impedir que o Estado de natureza passe para o Estado de guerra.

Ao entrar em sociedade civil, todos estão dispostos e concordam


livremente em abdicar de um pouco da sua liberdade para a ceder ao soberano.
Essa liberdade cedida corresponde ao poder que o soberano terá para fazer
cumprir a lei natural e punir que não o fizer. Assim, o soberano tem poder e é o
mais forte de todos os cidadãos. A liberdade dos indivíduos só pode ser limitada
pelo soberano no cumprimento da lei natural. Ainda assim, mesmo que o
soberano seja o mais forte, todos os indivíduos juntos são mais poderosos,
nomeadamente no caso do primeiro abusar do seu poder.

Quando o contrato social é quebrado pelo soberano, os cidadãos voltam


a receber a liberdade que haviam cedido anteriormente. Caso o soberano
continue a governar em tirania, Locke diz que a única solução é apelar aos céus.

O liberalismo assenta na liberdade individual do indivíduo, sendo que todos


são individualmente livres, chegando ao ponto de serem tão livres que nenhuma
autoridade lhes é imposta.

Racionalidade ► Liberdade

No caso de um indivíduo não reconhecer a autoridade da sua família,


torna também impossível reconhecer a autoridade que o poder político exerce
sobre si, sendo que este apenas é legítimo se for consentido por todos aqueles
que são seus “subordinados”.

 Antes de Locke:

Deus (Rei)

Súbditos

 Após Locke:
Súbditos Rei

O direito à propriedade é a raiz do capitalismo.

O direito à propriedade individual decorre do direito à liberdade


individual.

Tais ideias surgem em John Locke, porque em Inglaterra não havia o


direito à propriedade (terras).

Locke propõe o contrato social com vista à instituição de um Estado por


pessoas igualmente livres, que deleguem um soberano, conferindo-lhe uma
parte das suas liberdades.

Se tal contrato for quebrado pelo soberano, os cidadãos deixam de ser


obrigados a obedecer-lhe, mas continuam a ser obrigados a respeitar a lei
natural, a mais importante, segundo o filósofo inglês.

No que respeita a escolha do modelo político a adotar pelas partes do


contrato social, Locke diz que cabe aos cidadãos decidir, mas deixa uma
sugestão.

Proposta de Locke: uma monarquia na qual o rei tem poderes limitados. Terá
apenas o poder da prorrogativa – aprovar ou vetar as leis, fazendo cumprir a
lei natural e fazer algumas leis, nomeadamente, no que toca às reações
diplomáticas. Controla ainda o poder judicial e executivo e pode propor
alterações para os três poderes.

 Poder tripartido:
Poder
Judicial

Poder Poder
Legislativo Executivo

Na perspetiva de Locke, o poder menos concentrado apresenta menos


probabilidade de ser corrompido. Assim, a sua sugestão implica a noção de
checks and balances (equilíbrio dos poderes), através da qual estes se controlam
mutuamente (autorregulam-se), de modo a garantir o cumprimento da lei
natural e todas as clausulas estipuladas no contrato social.