You are on page 1of 143

0

FAACZ - FACULDADES INTEGRADAS DE ARACRUZ


DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO

RUBIENE CALLEGARIO

ANÁLISE DA EXPANSÃO URBANA DE COLATINA/ES

ARACRUZ
2012
1

RUBIENE CALLEGARIO

ANÁLISE DA EXPANSÃO URBANA DE COLATINA/ES

Trabalho Final de Graduação apresentado ao curso


de Arquitetura e Urbanismo da FAACZ - Faculdades
Integradas de Aracruz, como requisito parcial para
obtenção do titulo de Bacharel em Arquitetura e
Urbanismo.
Orientador: Prof. Daniel Oliveira Cruz
Co-orientador: Prof. Msc. Ivana Souza Marques

ARACRUZ
2012
2

RUBIENE CALLEGARIO

ANÁLISE DA EXPANSÃO URBANA DE COLATINA/ES

Trabalho Final de Graduação apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo da


FAACZ – Faculdades Integradas de Aracruz, como requisito parcial para obtenção
do titulo de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.

Aprovada em 03 de Dezembro de 2012.

COMISSÃO EXAMINADORA

o
Prof Esp. Daniel Oliveira Cruz
Faculdades Integradas de Aracruz

Profª. Msc. Ivana Souza Marques


Faculdades Integradas de Aracruz
3

AGRADECIMENTOS

Ao término desse trabalho não posso deixar de agradecer a todos aqueles que me
ajudaram a cada dia para a realização desse grande sonho.

Primeiramente a Deus por estar sempre ao meu lado.

Aos meus pais por todo incentivo e dedicação durante esses anos e a minha família
pelo apoio e força.

A todos os meus amigos, principalmente aqueles que conquistei na faculdade, em


especial a vocês Erildo, Nirllania e Luciander por todo companheirismo, apoio e
principalmente por todas as alegrias vivenciadas.

Um agradecimento especial, a Daniel Oliveira Cruz e Ivana Souza Marques, meus


orientadores, que sem os quais não teria conseguido alcançar todos os objetivos
propostos.

A todos os professores que conheci nesses 5 anos, por todo conhecimento


adquirido.

A você meu amor, Ronaldo Júnior, por todo o carinho, paciência, compreensão e por
estar sempre ao meu lado me ajudando.

A galera da Secretaria Municipal de Obras pela força, pelos dias de folga para fazer
o trabalho e em especial ao querido amigo arquiteto Claudio Gouveia pelas aulas de
Corel Draw.

As chefinhas Cristiane Locatelli e Michelle Cecato pela oportunidade e por todo


aprendizado, além da paciência, compreensão e força.

A todos vocês mencionados, e a todos que torceram pelo meu sucesso e me


ajudaram nesse caminhada, MUITO OBRIGADA!!!!
4

RESUMO

O crescimento das aglomerações de pessoas nas cidades vem potencializando cada


vez mais o processo de urbanização. Esse crescimento, muitas vezes desordenado,
acarreta problemáticas urbanas como a ocupação das margens dos rios, áreas de
encostas e até mesmo áreas de preservação permanente, ocorridos muitas vezes
pelo não cumprimento de leis ou até mesmo pela mal gestão da própria
administração publica. Devido a esses fatores é necessário o controle dessa
expansão urbana a fim de organizar e planejar o crescimento dos vazios urbanos
existentes em algumas cidades. Neste sentido, o objetivo do trabalho é realizar um
estudo para a identificação das áreas de expansão na cidade de Colatina e
classificá-las de forma adequada quanto ao uso e ocupação do solo, buscando um
crescimento ordenado para essas porções. Os procedimentos metodológicos
utilizados compreendem em pesquisas bibliográficas embasados nas temáticas
pertinentes; trabalhos de campo para realização de um diagnostico da cidade e
produção de material fotográfico; coleta de dados junto ao poder publico municipal e
confecção de mapas permitindo simplificar o conteúdo apresentado. Desse modo,
verificou-se que Colatina possui grande potencial econômico e de desenvolvimento
o que atrai mais pessoas para a região. Possui vazios urbanos com grandes áreas o
que permite sua expansão, embora essas áreas encontram-se em topos de morro,
definidos pelo Código Florestal como áreas de preservação permanente.

Palavras-Chave: crescimento desordenado, expansão urbana, planejamento urbano.


5

LISTA DE FIGURA

Figura 1: Vista da cidade de Blumenau que foi construída entre vales e na margem
do rio, 2010. .............................................................................................................. 24

Figura 2: Ruas alagadas no Rio de Janeiro, 2011. ................................................... 24

Figura 3: Deslizamento em Teresópolis, Rio de Janeiro, 2011. ................................ 25

Figura 4: Esquema de trabalhos de Haussmann em Paris, 2009. ............................ 26

Figura 5: Esquema de taxa de ocupação .................................................................. 34

Figura 6: Mapa de localização de Uberlândia. .......................................................... 43

Figura 7: Taxas de crescimento da população (1940/2000) ..................................... 44

Figura 8: Localização/divisão dos bairros do setor sul de Uberlândia. ...................... 45

Figura 9: Subdivisão socioeconômica do setor sul de Uberlândia. ........................... 46

Figura 10: Vista Cidade Mossoró/RN ........................................................................ 48

Figura 11: Principais eixos de expansão urbana de Mossoró. .................................. 50

Figura 12: Principal centro de Maracás. .................................................................... 51

Figura 13: Mapa expansão urbana de Maracás de 1930 a 2005 .............................. 52

Figura 14: Fluxos intra e interurbanos de Maracás. .................................................. 53

Figura 15: Núcleo Antonio Prado, 1889 .................................................................... 54

Figura 16: Francilvânia, 1860 .................................................................................... 55

Figura 17: Ocupação desordenada às margens do Rio Doce, 1918 ......................... 55

Figura 18: Construção da Estrada de Ferro Norte do Rio Doce, 1927 ...................... 56

Figura 19: Construção da Ponte Florentino Avidos, 1926 ......................................... 56

Figura 20: Estrada de Ferro na Av. Getulio Vargas, 1910 ......................................... 57

Figura 21: Retirada dos trilhos da Av. Getulio Vargas, 1975 ..................................... 58

Figura 22:Pinhão Manso ........................................................................................... 69

Figura 23: Terminal Rodoferroviário Colatina ............................................................ 70


6

Figura 24: Folder de divulgação Edifício Residencial ................................................ 71

Figura 25: Climas do Brasil: Classificação de Köppen .............................................. 72

Figura 26: Mapa e Tabela das Zonas Urbana de Colatina ........................................ 74

Figura 27: Bacia Hidrográfica Rio Doce .................................................................... 75

Figura 28: Uso e Cobertura da Terra, 2010............................................................... 82

Figura 29: Viaduto BR-259 ........................................................................................ 87

Figura 30: Estrada de Ferro Vitoria Minas e Estação Ferroviária Colatina ................ 89

Figura 31: Aeroporto regional de Colatina ................................................................. 89

Figura 32: Implantação e ampliação da variante da Rodovia ES-080 ....................... 90

Figura 33: Localização ETE Barbados ...................................................................... 93

Figura 34: Escola Conde de Linhares ....................................................................... 98

Figura 35: Entrada Principal, IFES Campus Itapina .................................................. 99

Figura 36: Entrada IFES Campus Santa Margarida, Colatina ................................... 99

Figura 37: Projeto Enrocamento.............................................................................. 107

Figura 38: Enrocamento em Colatina ...................................................................... 107

Figura 39: Projeto a ser implantado na área do enrocamento. ............................... 108

Figura 40: Configuração Atual do Aeródromo, 2000 ............................................... 115


7

LISTA DE FOTOS

Foto 1: Polo industrial para implantação de novas industrias ................................... 71

Foto 2: Encontro do Rio Santa Maria do Rio Doce com Rio Doce ............................ 76

Foto 3: Rio Pancas em área urbana .......................................................................... 77

Foto 4: Avenida Getulio Vargas, principal centro de atividades comerciais da cidade.


.................................................................................................................................. 80

Foto 5: Avenida Silvio Avidos, centro de atividades do bairro São Silvano. .............. 80

Foto 6: Área de Pastagem na zona rural de Colatina ................................................ 83

Foto 7: Rodovia ES 080 no bairro Carlos Germano Naumann.................................. 86

Foto 8: Rodovia ES 248 que dá acesso a Linhares .................................................. 86

Foto 9: Principal rua do bairro Aeroporto .................................................................. 88

Foto 10: Rua pavimentada do bairro Carlos Germano Naumann ............................. 88

Foto 11: Trecho da ampliação da ES 080 próximo a BR 259 ................................... 90

Foto 12: Acesso ao Polo Industrial na BR 259 .......................................................... 91

Foto 13: ETA no Bairro Nossa Senhora Aparecida ................................................... 92

Foto 14: Coleta Seletiva em Colatina ........................................................................ 93

Foto 15: Hospital e Maternidade Silvio Avidos .......................................................... 95

Foto 16: Fachada Principal Pronto Socorro de Atendimento .................................... 96

Foto 17: Hospital e Maternidade São José ............................................................... 96

Foto 18: Santa Casa de Misericórdia ........................................................................ 96

Foto 19: Unidade de Saúde da Família, bairro Carlos Germano Naumann .............. 97

Foto 20: Ponte Florentino Avidos sobre Rio Doce................................................... 103

Foto 21: Rio Santa Maria do Rio Doce .................................................................... 103

Foto 22: Construções as margens do Rio Doce sem afastamento ......................... 104

Foto 23: Calçadão Avenida Beira Rio ..................................................................... 104


8

Foto 24: Trechos do Rio Doce com vegetação ....................................................... 105

Foto 25: Construções as margens do Rio Santa Maria ........................................... 106

Foto 26: Casas construídas sem afastamento na margem do Rio Pancas ............. 106

Foto 27: Reserva de Itapina .................................................................................... 109

Foto 28: Degradação encontrada na reserva em Itapina ........................................ 109

Foto 29: Horto Florestal em Santa Fé ..................................................................... 110

Foto 30: Hortinho Municipal no bairro Perpétuo Socorro ........................................ 112

Foto 31: Penitenciária de Segurança Média em Colatina ....................................... 116

Foto 32: Avenida Silvio Avidos, bairro São Silvano ................................................. 123

Foto 33: Variante da ES 080 nas proximidades do acesso ao polo industrial ......... 124

Foto 34: Polo industrial em implantação ................................................................. 124

Foto 35: Polo industrial a ser implantado para industrias farmacêuticas ................. 125

Foto 36: Áreas de pastagem nas proximidades do aterro sanitário ........................ 129
9

LISTA DE MAPAS

Mapa 1: Expansão dos loteamentos entre 2000 a 2012 ........................................... 59

Mapa 2: Mapa Localização Cidade ........................................................................... 61

Mapa 3: Novo Perimetro Urbano de Colatina ........................................................... 62

Mapa 4: Densidade Demográfica, IBGE 2010........................................................... 65

Mapa 5: Distritos de Colatina .................................................................................... 66

Mapa 6: Clima do Espirito Santo, IBGE .................................................................... 73

Mapa 7: Principais Afluentes Rio Doce ..................................................................... 76

Mapa 8:Tipos de solo em Colatina ............................................................................ 78

Mapa 9: Relevo de Colatina ...................................................................................... 79

Mapa 10: Principais pontos de atividades comerciais ............................................... 81

Mapa 11: Zoneamento de Colatina ........................................................................... 84

Mapa 12: Sistema Viário de Colatina ........................................................................ 85

Mapa 13: Localização Aterro Sanitário ...................................................................... 94

Mapa 14: Edificações de Saude ................................................................................ 95

Mapa 15: Edificações de ensino................................................................................ 98

Mapa 16: Legislações Incidentes ........................................................................... 101

Mapa 17: Áreas improprias para ocupação ............................................................. 102

Mapa 18: Localização do Horto Florestal Santa Fé................................................. 111

Mapa 19: Localização Hortinho Bairro Perpétuo Socorro ....................................... 112

Mapa 20: Zona Aeroportuária segundo a Portaria nº 1.141/GM5/87 ...................... 116

Mapa 21: Áreas de Risco ocupadas ........................................................................ 118

Mapa 22 : Acessos do Polo Industrial Alto Belli ...................................................... 126

Mapa 23: Localização dos loteamentos nas terras da Familia Vitalli ...................... 128

Mapa 24: Estimuladores e Inibidores de Crescimento ............................................ 131


10

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Principais impactos ambientais das atividades humanas .......................... 22

Tabela 2 :População residente por situação de domicilio (1940 - 2010) ................... 44

Tabela 3 :Loteamentos criados entre 2000 a 2012 ................................................... 60

Tabela 4: População residente, por gênero e situação do domicilio. ........................ 63

Tabela 5: Estrutura etária da população ................................................................... 63

Tabela 6: Indicadores do mercado de trabalho ......................................................... 64

Tabela 7: População ocupada (P.O.), segundo faixa de rendimento de todos os


trabalhos.................................................................................................................... 64

Tabela 8: População ocupada (P.O.), segundo posição na ocupação ...................... 64

Tabela 9: Situação geográfica ................................................................................... 65

Tabela 10: Produto Interno Bruto, 2009 .................................................................... 67

Tabela 11: Distribuição setorial da população ocupada em % .................................. 67

Tabela 12: Agricultura e produção florestal, 2010 ..................................................... 68

Tabela 13: Pecuária, 2010 ........................................................................................ 69

Tabela 14: Características das Zonas Urbanas do Município ................................... 74

Tabela 15: Unidades de Saúde ligadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), 2011 ... 95

Tabela 16: Escolas por modalidade de ensino, 2011 ................................................ 98

Tabela 17: Áreas Verdes em Colatina ..................................................................... 114

Tabela 18: Parâmetros para a Definição das Diretrizes Gerais de Desenvolvimento


do Sistema .............................................................................................................. 115
11

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 13

1 O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO (E PLANEJAMENTO) NO BRASIL......... 16

1.1 PROCESSO DE URBANIZAÇÃO NO BRASIL ............................................... 16

1.2 ESTRUTURAÇÃO DO ESPAÇO URBANO .................................................... 18

1.2.1 A centralidade e as áreas de expansão no contexto do crescimento


das cidades....................................................................................................... 19

1.2.2 Impactos ambientais da urbanização .................................................. 21

1.3 INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO ....................................... 26

1.3.1 Plano Diretor .......................................................................................... 28

1.3.1.1 Zoneamento ..................................................................................... 30

1.3.1.2 Índices Urbanísticos ......................................................................... 31

1.3.2 Leis de ordenamento territorial e ambiental ....................................... 35

1.3.3 Planejamento Estratégico da Cidade ................................................... 37

1.3.4 Estatuto da Cidade ................................................................................ 40

2 ESTUDOS DE CASO......................................................................................... 43

2.1 EXPANSÃO URBANA DO SETOR SUL DA CIDADE DE UBERLÂNDIA – MG:


UM ESTUDO DOS PROCESSOS DE EXCLUSÃO E SEGREGAÇÃO
SOCIOESPACIAL .................................................................................................. 43

2.2 O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DA CIDADE DE MOSSORÓ/RN: DOS


PROCESSOS HISTÓRICOS À ESTRUTURA URBANA ATUAL .......................... 48

2.3 PRODUÇÃO E EXPANSÃO URBANA NAS PEQUENAS CIDADES: ESTUDO


DE CASO SOBRE MARACÁS – BA ...................................................................... 51

3 O MUNICÍPIO DE COLATINA ........................................................................... 54

3.1 ASPECTOS HISTÓRICOS E EVOLUÇÃO URBANA...................................... 54

3.2 ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS ............................................................... 61


12

3.2.1 Aspectos Gerais .................................................................................... 61

3.2.2 Aspectos Econômicos .......................................................................... 66

3.3 ASPECTOS AMBIENTAIS.............................................................................. 72

3.3.1 Clima....................................................................................................... 72

3.3.2 Hidrografia ............................................................................................. 75

3.3.3 Topografia e tipo do solo ...................................................................... 78

3.4 INFRAESTRUTURA E USO DO SOLO .......................................................... 79

3.4.1 Uso do solo ............................................................................................ 79

3.4.2 Sistema Viário ........................................................................................ 85

3.4.3 Saneamento ........................................................................................... 91

3.5 EQUIPAMENTOS PUBLICOS ........................................................................ 94

3.5.1 Saúde...................................................................................................... 94

3.5.2 Educação ............................................................................................... 97

4 ANÁLISE DA EXPANSÃO .............................................................................. 100

4.1 LEGISLAÇÃO APLICADA ............................................................................ 100

5 IDENTIFICAÇÃO DOS ESTIMULADORES E INIBIDORES DA EXPANSÃO 121

5.1 ESTIMULADORES ....................................................................................... 121

5.2 INIBIDORES ................................................................................................. 128

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 136

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 138


13

INTRODUÇÃO

O aumento do êxodo rural, intensificado pela mecanização das atividades rurais e


pelos fatores atrativos que as cidades oferecem sobre parte da população rural,
como exemplo a oferta de empregos e melhores condições de vida, impulsionou o
crescimento da população, modificando o espaço urbano da cidade e garantindo
uma nova realidade social.

As transformações ocasionadas no meio ambiente, em busca de melhores


condições de vida, provocaram impactos no meio trazendo consequências graves
para todo o planeta como a ocupação de terras nas margens dos rios, contaminação
da água, impermeabilização do solo, o parcelamento do solo em topos de morros,
dentre outros.

Os problemas decorrentes da falta de planejamento são responsáveis por problemas


oriundos da formação das cidades como a pobreza e a exclusão social, de uma
camada significativa da população.

Diante dessa realidade, percebe-se a importância do planejamento não apenas para


organizar o espaço construído ou consolidado, mas principalmente para criar
diretrizes capazes de auxiliar o desenvolvimento das áreas de expansão buscando
reduzir os impactos causados no processo de urbanização.

A cidade de Colatina, localizada no Espírito Santo, não teve seu desenvolvimento


diferente da maioria das cidades brasileiras. Passou por várias transformações onde
vale destacar a retirada da EFVM do centro da cidade (principal marco de
desenvolvimento econômico), a construção da Ponte Florentino Avidos permitindo a
ocupação do lado norte do Rio Doce, dentre os vários outros processos de
expansão da cidade até a configuração da paisagem atual. A criação de
loteamentos, condomínios residenciais, nova delimitação do perímetro urbano fazem
parte do processo de urbanização da cidade que, segundo o IBGE, teve um
aumento populacional significativo (5.151 mil habitantes) em cinco anos.

Colatina é um território dividido devido a presença do Rio Doce que corta a cidade
ao meio. As transformações e impactos causados pelo homem são vistas
principalmente às margens desse rio, onde existem residências construídas sem o
14

afastamento correto e que devido a isso são atingidas em períodos de enchentes.


Esse é um dos impactos ambientais potencializados devido o seu processo de
desenvolvimento e sua forma de ocupação.

O crescimento da cidade veio ocorrendo de forma desordenada até a elaboração do


Plano Diretor Municipal, instrumento de planejamento, aprovado em 2007, que já
não se mostra eficaz na busca do desenvolvimento ordenado, visto que nos ultimo
cinco anos a população teve um aumento populacional, segundo o IBGE, de 5.151
mil habitantes, além do crescimento intenso dos loteamentos e industriais.

Colatina possui grande potencial de desenvolvimento e expansão territorial mas,


devido sua topografia, possui regiões inadequadas para a habitação possuindo
grandes vazios em áreas com declividade acima de 45%, sendo inviável o
parcelamento do solo naquele local.

A escolha da temática expansão urbana se justifica pelo fato da cidade escolhida


apresentar vazios urbanos com grandes áreas, estrategicamente localizados, e não
possuírem critérios de ocupação previsto nas leis municipais, uma vez que, com a
nova delimitação do perímetro urbano, alguns deles passam a fazer parte da área
urbana (antes rural) tendo outros critérios para ocupação.

Sendo assim a proposta do presente trabalho tem por objetivo realizar um estudo da
expansão urbana da cidade de Colatina.

Como objetivos específicos, pretende:

 Analisar como ocorreu o processo de ocupação na cidade;


 Investigar os impactos causados pela ocupação;
 Identificar as áreas vazias existentes;
 Avaliar, segundo a legislação incidente, os locais adequados para a
expansão.

Para atingir os objetivos propostos a metodologia foi dividida em 3 momentos:

a. No primeiro momento, buscou-se aprender, através de uma analise


bibliográfica, os fatores determinantes no processo de urbanização e
desenvolvimento de uma cidade. Para isso utilizou-se pesquisas bibliográficas
através de artigos de jornais e revistas, publicações, livros e trabalho
15

acadêmicos além de uma pesquisa documental com o objetivo de identifica e


quantificar os variados aspectos da sociedade colatinense;
b. No segundo momento da pesquisa, realizou-se um diagnostico da cidade a
fim de fazer uma caracterização do município para a analisa do seu processo
de urbanização juntamente com seus impactos e progressos;
c. No terceiro momento, buscou-se compreender sua evolução urbanística
através de um estudo cartográfico produzido a partir do diagnostico realizado,
podendo assim identificar as áreas passiveis de expansão e a partir daí fazer
uma analise de uso e ocupação tendo como resultado a classificação dessas
áreas.

Neste sentido, buscando desenvolver o objeto de estudo, o trabalho foi estruturado


em cinco capítulos:

O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO (E PLANEJAMENTO) NO BRASIL – o capitulo


contempla a fundamentação teórica do trabalho a fim de identificar os principais
agentes no processo de urbanização e planejamento urbano no Brasil e como estes
afetam a estruturação de um espaço urbano. Para este capitulo utilizou-se autores
como Maricato (2000), Ferrari (2009), Araujo (2009) e Villaça (1999), dentre outros.

ESTUDOS DE CASO – esse capitulo engloba os estudos de caso utilizados como


referencia para a elaboração do trabalho, buscando mostrar características
semelhantes a cidade de Colatina a fim de auxiliar e direcionar o desenvolvimento
do trabalho.

O MUNICÍPIO DE COLATINA – capitulo onde se encontra o diagnóstico realizado


na cidade, identificando através de mapas e fotos, as características da cidade
relevantes para o desenvolvimento dos objetivos do trabalho.

PROPOSTA DE EXPANSÃO – neste capitulo são apresentados os resultados


obtidos através da pesquisa realizada tanto teórica quanto pratica. Nele serão
apresentados a sobreposição dos mapas realizados identificando as possíveis áreas
de expansão de Colatina bem como sua classificação de uso.
16

1 O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO (E PLANEJAMENTO) NO


BRASIL

O presente capítulo contempla a fundamentação teórica contendo os assuntos


referenciais para o embasamento do trabalho como urbanismo moderno, processo
de urbanização do Brasil, estruturação do espaço urbano.

1.1 PROCESSO DE URBANIZAÇÃO NO BRASIL

Se os dias do auge do planejamento urbano atestavam que o fato da


urbanização era evidente, a natureza da urbanização era tudo, menos
óbvia. Falava-se em “atração” das cidades (sobre a “população”) pela
variedade de oportunidades de vida que ofereciam – o que deixava
inexplicada a massa de subproletariado que se avolumava nas
aglomerações urbanas. E quando a „atração da cidade‟ foi substituída pela
„repulsão do campo‟, chegava-se mais próximo da essência do processo,
sem ainda expressa-la, contudo, com clareza conceitual. (DEÁK & SCIFFER
(ORGS.), 1999, p.14-15).

O processo de urbanização do Brasil ocorreu de maneira diferente dos países de


primeiro mundo, pois esses passaram pela Revolução Industrial e seu processo de
urbanização ocorreu entre cem e duzentos anos, já no Brasil esse processo durou
cinquenta anos, ocorrendo simultaneamente com a industrialização, e não como
consequência dele como nos países desenvolvidos. (RAIA JÚNIOR, 1995 apud
LIMA, 1998).

Segundo Maricato (2000, apud Molinari, 2006, p.18),

O processo de urbanização compreende um paradoxo e se relaciona a um


„desenvolvimento urbano às características de uma sociedade de raízes
coloniais, que nunca rompeu com a assimetria em relação à dominação
externa e que, internamente, tampouco rompeu com a dominação fundada
sobre o patrimonialismo e o privilégio‟.

No período compreendido entre as décadas de 1940 e 1950, percebem-se


mudanças profundas nos planos urbanísticos das cidades brasileiras. O Estado, com
a intenção de substituir importações, passa a investir na industrialização, fazendo
17

com que a burguesia industrial assuma a hegemonia política na sociedade.


(MOLINARI, 2006)

Em 1950 duas medidas fundamentais foram tomadas: a promulgação da Lei das


Terras e a supressão de fato da importação dos escravos. A primeira refere-se à
existência do trabalho „livre‟, ou seja, do trabalho assalariado, e a segunda livrava a
nova relação de trabalho – o assalariamento – da competição da escravidão,
acelerando a transição da antiga para a nova. (DEÁK & SCHIFFER – ORGS, 1999)

Neste panorama, trabalhadores sem meios de subsistência e em busca de melhores


condições de vida iam para as cidades onde se tornavam assalariados na produção
e circulação de mercadorias.

No processo, as cidades, além de começarem a crescer, iam perdendo


suas características em contraponto ao campo, uma vez que incorporavam
agora a produção de mercadorias para se transformarem em aglomerações
urbanas. (DEÁK & SHCIFFER (ORGS.), 1999, p.16).

Com a ascensão do processo de urbanização, o solo passa a ser mais disputado


nos moldes capitalista. Tendo em vista essa valorização do solo, destaca-se a
especulação imobiliária que visa tirar proveito desse processo buscando conter ou
guardar algo na intenção de levar vantagem assim que surgir uma necessidade de
lucro.

Vários fatores fazem com que uma determinada área seja mais valorizada, seja sua
infraestrutura, localização estratégica ou facilidade de acessos, e aproveitando-se
desses benefícios as imobiliárias especulam o preço da terra.

Essa prática ainda que gere benefícios para as cidades e lucro para seus
investidores, é prejudicial às cidades. Os tecidos urbanos ficam extremamente
rarefeitos num ponto e densos em outros, a infraestrutura sobrecarregada numa
área e subutilizada em outra, além de gerar maiores distancias a serem percorridas.
(FERRARI, 2009)

Devido a esses e outros problemas advindos do processo de urbanização, que veio


se intensificando ao longo dos anos, surgem iniciativas, por parte do estado e das
administrações publica, com o objetivo de planejar o crescimento e desenvolvimento
do espaço urbano de maneira organizada, como é o caso da elaboração
e,implementação Plano Diretor Urbano que será visto mais adiante.
18

Com esse pensamento nasce a ideia de planejamento, particularmente, o


planejamento urbano, que tem o ideal de criar soluções para as consequências
advindas do rápido processo de urbanização.

Essas soluções devem ser avaliadas se são realmente eficazes no combate aos
problemas de ocupação ocasionados nas cidades, uma vez que, existe um processo
de implantação do planejamento que requer investimentos políticos, e muitas vezes
não se mostram interessados.

A busca por soluções na tentativa de resolver ou amenizar os problemas


acarretados pela ocupação sem planejamento, acaba ocasionando uma descrença
por parte da população, uma vez que não se vê nenhuma dessas medidas sendo
aplicadas, tornando a sua participação na elaboração desses projetos ainda mais
difícil. A visão que se tem de crescimento desordenado muitas vezes se dá pelo fato
de falta de infraestrutura e de equipamentos sociais que nada tem a ver com os
planos e sim com a administração publica.

O planejamento urbano não é um plano milagroso que irá sanar todos os problemas
existentes na cidade, pelo contrario, ele cria medidas para a organização do espaço
urbano a fim de evitar problemas futuros e minimizar os impactos nos espaços já
consolidados.

1.2 ESTRUTURAÇÃO DO ESPAÇO URBANO

O espaço consiste, em epítome, no lugar onde as relações capitalistas são


reproduzidas com todas as suas manifestações de contradições e conflitos.
O espaço é como um ator, capaz, não de criar, mas de regular e de
condicionar a vida. (Lefebvre, 1974 apud Frazão, 2009 p.8).

O espaço urbano, entre outros, compõe-se por um complexo de usos da terra


próximos entre si. Fragmenta-se em diversas áreas: centro da cidade, áreas
industriais, áreas residenciais. Tais divisões se articulam ocorrendo entre elas
19

relações espaciais. O espaço urbano nada mais é que um reflexo da sociedade que
nele vive. (CORRÊA, 1995)

O espaço urbano assume, portanto, uma dimensão simbólica que, todavia,


varia conforme os diferentes grupos sociais, etários etc. Mas o cotidiano e o
futuro próximo acham-se enquadrados num contexto de fragmentação
desigual do espaço, levando à conflitos sociais, como greves operárias e
movimentos sociais urbanos.” (Ferrari, 2009 p.21).

Na realidade, esse complexo de usos da terra é a organização espacial da cidade,


ou do espaço urbano, que se mostra de forma fragmentada, mas que mantendo
relações entre si fazem com que a cidade funcione.

1.2.1 A centralidade e as áreas de expansão no contexto do crescimento das


cidades

O crescimento de uma cidade se manifesta inicialmente pela ocupação física em um


espaço rural ou em um vazio na malha urbana. A partir daí ocorre em todas as
direções, geralmente privilegiando eixos com maior acessibilidade. Essa expansão
urbana ocorre devido a um complexo de fatores sociais e econômicos, sendo que o
aumento das atividades econômicas cria uma cadeia de reações que reflete na
sociedade e vice versa, fazendo com que esse processo aumente cada vez mais.
(FRAZÃO, 2009)

O surgimento das centralidades em determinadas cidades se justifica pelo fato de


seu processo de expansão, elas se desenvolveram a partir de um local, ou eixo de
acesso, ou até mesmo uma edificação podendo esta ser uma igreja, fazendo com
que a maior concentração de pessoas situe-se ali, desenvolvendo aquele centro
mais rapidamente, e posteriormente tendo ele como marco de referencia no
crescimento da cidade.

As cidades brasileiras, em geral, seguem o mesmo traçado regular, resultado do


processo de colonização, que se desenvolve a partir de um ponto principal. Iniciam-
se com o desenvolvimento de um pequeno centro comercial ao redor de um ponto
inicial, seja este uma igreja ou uma estação ferroviária. (LIMA, 1998)
20

O centro é instituído pelo processo de concentração de áreas industriais,


residenciais, atividades comerciais, de serviços e de valores materiais e simbólicos
em uma área da cidade e, entre outras aquelas reservadas para uma futura
expansão. Em algumas pequenas cidades o centro se destaca como marco inicial
da cidade. (CORREA, 1995).

Nos espaços ao redor dos centros surgem as periferias, que segundo Reynaud,
1993 apud Souza, não se opõe de forma absoluta ao centro, pelo contrário, a ele se
integram.

A zona periférica do centro tem como características: o uso semi-intensivo


do solo (com atividades que se beneficiam da acessibilidade da área
central), a ampla escala horizontal (com o preço da terra menos elevado do
que o do núcleo central), o limitado crescimento horizontal (pois a maioria
das empresas se instala no núcleo central), a área residencial de baixo
status social (local de residências populares e de baixa classe média,
muitas delas deterioradas, como os cortiços) e o foco de transportes inter-
regionais. (FRAZÃO, 2009 p.28).

Esse processo de desenvolvimento das cidades faz com que ocorra um


espalhamento urbano, que segundo Silva (1993), podem ocorrer como
consequência de dois processos: baixas densidades em zonas residenciais
resultantes de grandes lotes individuais; e descontinuidade na ocupação do solo
urbano, onde parcelas (lotes) ficam, a princípio, sem uso, sendo utilizadas mais
tarde, quando zonas mais distantes forem ocupadas. No Brasil o espalhamento se
deve a formação de grandes vazios urbanos.

Essas áreas vazias e sem ocupação apresentam-se nas cidades, geralmente como
abandonadas, transformando-se em depósitos de lixos e focos de insetos,
escapando ao controle das fiscalizações das prefeituras e muitas vezes são apenas
objetos da especulação imobiliária.

„A presença de vazios no tecido “urbanizado” das cidades implica em consequências


prejudiciais ao seu desenvolvimento”. (FERRARI, 2009 p.114)

É preciso identificar a formação dessas áreas na cidade devido aos problemas que
envolvem, além de identificar sua localização e seu papel na malha urbana.
(FERRARI, 2009)

Sendo assim, faz-se necessário a realização de um diagnostico sobre o uso e


ocupação do solo nas cidades, uma analise das causas e consequências desses
21

vazios, para que com a compreensão desses fatores encontre soluções dos
problemas de desenvolvimento das cidades e embasamento para processos de
planejamento urbano.

1.2.2 Impactos ambientais da urbanização

O crescimento acelerado e desordenado agregado com a concentração das pessoas


em núcleos urbanos, tem provocados impactos ambientais diversificados, além de
conflitos fundiários, sociais e institucionais. (JUNIOR, 2007)

Para o CONAMA1 o conceito de impacto ambiental é qualquer alteração das


propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causadas por
qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades do homens e que
afetam direta ou indiretamente: a saúde, a segurança e o bem estar da população;
as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do
meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais

Conforme visto, os impactos ambientais são geralmente alterações provocadas pelo


homem, destacando os principais tipos de impactos ambientais urbanos, a Tabela 1,
mostra, segundo Mota (1999), os principais impactos ambientais das atividades
humanas.

1
Conselho Nacional do Meio Ambiente - é o órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do
Meio Ambiente, que dispõe pela Política Nacional do Meio Ambiente sendo responsável por
estabelecer normas e critérios para a preservação, melhoria e recuperação dos recursos ambientais.
(Lei Nº 6.939 de 31 de Agosto de 1981)
22

Tabela 1: Principais impactos ambientais das atividades humanas


ATIVIDADES IMPACTOS AMBIENTAIS
- Alterações Climáticas
- Danos à flora e fauna
- Erosão do solo
- Empobrecimento do solo
DESMATAMENTO
- Assoreamento de recursos hídricos
- Aumento do escoamento da água
- Redução da infiltração da água
- Inundações
- Alterações na drenagem das águas
MOVIMENTOS DE TERRA - Erosão do solo
- Assoreamento de recursos hídricos
- Aumento do escoamento da água
IMPERMEABILIZAÇÃO DO - Redução da infiltração da água
SOLO - Problemas de drenagem
- Inundações
Problemas de drenagem
ATERRAMENTOS DE RIOS, - Assoreamento
RIACHOS, LAGOAS, ETC. - Inundações
- Prejuízos econômicos e sociais
- Danos à fauna e flora
- Desfiguração da Paisagem
DESTRUIÇÃO DE
- Problemas ecológicos
ECOSSISTEMAS
- Prejuízos às atividades do homem
- Danos sociais e econômicos
- Poluição ambiental
 Prejuízos à saúde do homem
 Danos à fauna e flora
EMISSÃO DE RESÍDUOS  Danos materiais
 Prejuízos às atividades
 Danos econômicos e sociais

- Alterações de caráter global


 Efeito estufa (aumento da temperatura; elevação do nível
EMISSÃO DE GÁS
dos oceanos; alterações nas precipitações;
CARBONO,
desaparecimento de espécies de animais e vegetais).
CLOROFLUORCARBONO,
METANO, ETC.  Destruição da camada de ozônio; aumento da radiação
ultravioleta; riscos às diversidades genéticas, câncer de pela
catarata).
Fonte: MOTA, Suetônio. Urbanização e Meio Ambiente. Rio de Janeiro. Ed. ABES, 1999.

As ocupações urbanas são responsáveis pela maioria dos impactos ambientais,


porém, não há como impedir o processo de crescimento das cidades. O que não se
deve permitir são as ocupações irregulares.(JUNIOR, 2007)

A falta de planejamento é a grande vilã das ocupações irregulares pois ocasionou


graves consequências negativas ao meio ambiente, como por exemplo as
queimadas, desmatamentos, impermeabilização do solo, assoreamentos dos rios,
23

alterações na topografia, ocupações irregulares, além da precariedade do


saneamento, disseminação de favelas, desemprego e violência nos centros urbanos.

Em geral, é nas grandes cidades onde se manifestam os problemas ambientais,


trazendo consequências que afetam não apenas o meio ambiente, mas todo
planeta.

Nas cidades, principalmente nas de maior porte, as ações do homem


ocorrem de forma intensa e rápida, provocando modificações, muitas vezes,
irreversíveis, com prejuízo para o ambiente e para si próprio. (MOTA, 1999
p.27)

Com o aumento na busca por espaços para habitação, os conflitos sociais


aumentaram e o mercado imobiliário entra em ação tornando a terra mercadoria,
favorecendo classes econômicas privilegiadas com áreas de melhor acesso e
infraestrutura, deixando as classes de menor poder aquisitivo nas as periferias das
grandes cidades. (Ferreira, Sampaio, Silva e Matos)

Essas ocupações periféricas, geralmente irregulares, ocorrem em locais onde a


topografia não é favorável e com possíveis restrições ambientais como áreas de
encostas de morros, fundos de vales, margem de rios e outras áreas de risco.

A transformação do meio onde vive, a fim de satisfazer as necessidades físicas e


naturais, é a principal prática do homem que vem transformando e destruindo cada
dia mais o meio ambiente.

Para satisfazer suas necessidades, o homem provoca modificações no


ambiente, seja através dos recursos naturais ou pela emissão de resíduos.
No processo de urbanização essas modificações ocorrem de forma mais
intensa. (MOTA, 1999 p.52).
Como exemplo desse tipo de ocupação desordenada temos a cidade de Blumenau
que foi habitada entre vales e à margem do Rio Itajaí. Vários foram os impactos
causados no processo de urbanização da cidade. A mata existente foi derrubada
para a construção de casa, desprotegendo o solo; a margem do rio foi habitada,
prejudicando sua vazão e acarretando problemas aos moradores em épocas de
enchentes; ocupação das encostas por fazendas deixando o solo vulnerável a
deslizamentos; canalização dos córregos para melhorar a acessibilidade da cidade,
piorando a permeabilização do solo aumentando as chances de enchentes e por fim,
a retificação dos ribeirões, desequilibrando o fluxo da água causando enxurradas em
algumas regiões.
24

Além desse exemplo da cidade de Blumenau (Figura 1), pode-se encontrar também
imóveis de classe média alta construídos sem licença em encostas, ilhas e faixas
marginais de proteção de cursos d‟águas.

Figura 1: Vista da cidade de Blumenau que foi construída entre vales e na


margem do rio, 2010.
Fonte: FERNANDES, Bruno.

A ocupação irregular das margens é a principal causa de assoreamento dos rios e


consequentemente das inundações. Como vitima de níveis alarmantes de enchente
tem-se a cidade do Rio de Janeiro (Figura 2 e 3), além das construções irregulares
localizadas em encostas e áreas de preservação também atingidas em épocas
chuvosas.

Figura 2: Ruas alagadas no Rio de Janeiro, 2011.


Fonte: SANTHIAGO, Marcell.
25

Figura 3: Deslizamento em Teresópolis, Rio de Janeiro, 2011.


Fonte - DANTAS, Gilson.

A ocupação da cidade de Colatina também ocorreu de maneira desordenada e sem


planejamento, ocasionando problemas típicos desse tipo de ocupação. Construções
em áreas com declividade superior a 45%, ocupações próximas a encostas,
edificações às margens dos Rios Doce, Pancas e Santa Maria, estreitamento do
leito do rio através de aterro, canalização de córregos, falta de tratamento de esgoto,
são alguns dos problemas encontrados na cidade como consequência de sua
ocupação.

Com base no que foi estudado fica claro que a busca por soluções para os
problemas ambientais deve se dar por esforços políticos, institucionais, sociais e
também pela aplicação dessas leis existente em prol da preservação do meio
ambiente.

Sendo assim, é importante que no planejamento não seja levado apenas em


consideração características do meio físico de uma cidade, mas também as formas
de apropriação dos recursos naturais e a aplicabilidade das leis existentes para que
sejam respeitadas e preservadas corretamente, trazendo benefícios não só para a
cidade, mas especialmente para a população.
26

1.3 INSTRUMENTOS DO PLANEJAMENTO URBANO

O planejamento urbano tem como principal objetivo a organização do espaço, das


funções e das atividades da cidade, por isso surgiu como respostas aos problemas
que as cidades vinham passando antes, durante e após o urbanismo moderno.

O planejamento local surge nos últimos séculos, como uma tentativa de


ordenar o caos gerado pela industrialização, que estava levando as cidades
à imobilidade e a condições limites de insalubridade. Com o aumento da
circulação de pessoas e mercadorias, a primeira atenção foi dada ao
sistema viário, progressivamente evoluindo para o ordenamento de usos e
as preocupações sociais, econômicas e administrativas, que foram
colocadas na origem do caos físico. Daí ter iniciado nas áreas urbanas, com
uma visão física e curativa (MORAIS, 2002, p. 118 apud BATISTELA 2007
p. 31).

O conceito de planejamento é distinto em suas diversas realidades, mas no


planejamento urbano possui sempre foco em ordenar o desenvolvimento. Segundo
Araujo (2009), no Brasil podemos encontrar o conceito de plano urbanístico como
sendo:

O programa técnico político legal fixador das diretrizes para o


desenvolvimento e expansão urbana, louvado em fatores humanos e sócio
econômicos, visando assegurar a ordenação disciplinada da cidade e boa
qualidade de vida dos seus habitantes. (ACKEL FILHO 1992 p 258 apud
ARAUJO 2009 p 27)
A expressão “planejamento” surgiu na Inglaterra e nos Estados Unidos e teve sua
evolução na França a partir do século XVII com o Plano Haussman (Figura 4).

Figura 4: Esquema de trabalhos de Haussmann em Paris, 2009.


Fonte: BENEVOLO, Leonardo.
27

O planejamento surge na tentativa de responder aos problemas que as cidades


vinham enfrentando e que o urbanismo moderno não corrigiu e aqueles que ele
causou, surgindo inicialmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. (SABOYA, 2008)

No Brasil o inicio do planejamento urbano deu-se entre 1930 a 1950 onde se


destacaram a elaboração de vários planos de organização territorial e também
quando começaram as primeiras propostas de zoneamento devido aos conflitos de
uso e ocupação do solo.

A evolução do planejamento urbano no Brasil caminhou simultaneamente


com a criação das faculdades de arquitetura e urbanismo, a exemplo da
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo FAU/USP, criada em 1948, e
também pelas pressões exercidas pelas entidades de classe de
engenheiros civis e arquitetos para a elaboração de planos diretores,
portanto, com a difusão de conceitos, métodos e técnicas, e com a
formação de novos profissionais. (VILLAÇA1999, apud MAGLIO 2005, p.3)

O planejamento visa a ordenação do espaço físico e a provisão dos elementos


relativos às necessidades humanas, de modo a garantir um meio ambiente que
proporcione uma qualidade de vida indispensável a seus habitantes. (MOTA 1981
apud LOSSARDO 2010)

Neste sentido, além de ter a função de organizar a cidade desenvolvida deve se


preocupar com o desenvolvimento que ainda está por vir, não pode ser limitado,
deve ser adaptável às diversas possibilidades e mudanças que a cidade irá passar.
E outro fator de fundamental importância nesse processo é a participação popular
expressando suas reais necessidades para que sejam agregadas a esse
instrumento que tem como principal foco garantir o bem estar dos habitantes.

A única incerteza que se tem é se esses planos irão resolver, de fato, os problemas
das cidades, pois tem-se a visão de que o crescimento desordenado é o causador
de todos os problemas que a cidade enfrenta sendo que isso não é verdade, pois
problemas como falta de infraestrutura em certos locais são causados devido a má
qualidade da administração, que prioriza a “urbanização” de áreas mais valorizadas
com população de classe media alta com interesses políticos.

Sendo assim deve-se buscar a interação desses dois agentes na elaboração de


planos capazes de organizar e ordenar o crescimento das cidades, além da
participação da população, descrente diante de tantas tentativas que não deram
28

certo, mas que é indispensável para que se trabalhe cada vez mais próximo da
realidade existente

1.3.1 Plano Diretor

O plano diretor é o instrumento básico da política municipal de desenvolvimento e


expansão urbana, que pareceu no Brasil pela primeira vez no Plano Agache do Rio
de Janeiro em 1930, tem como objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das
funções sociais da cidade e garantir o bem estar de seus habitantes. (BRAGA e
CARVALHO 2001 apud BRAGA)

O Estatuto da cidade estabelece que o Plano Diretor Municipal é um instrumento de


ordenamento territorial urbano devendo definir qual deve ser o uso e as
características de ocupação de cada porção do território, fazendo com que todo os
imóveis cumpram sua função social.

Plano diretor é um documento que sintetiza e torna explícitos os objetivos


consensuados para o Município e estabelece princípios, diretrizes e normas
a serem utilizadas como base para que as decisões dos atores envolvidos
no processo de desenvolvimento urbano convirjam, tanto quanto possível,
na direção desses objetivos. (SABOYA, 2007, p. 39).

No Brasil sua regulamentação está prevista pela Constituição Federal, art. 182, que
estabelece as diretrizes gerais da política urbana e tem por objetivo ordenar o pleno
desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem- estar de seus
habitantes, e também pelo estatuto da cidade que veio regulamentar os arts. 182 e
183 da Constituição Federal que define as bases para a elaboração do Plano
Diretor, as quais são resumidas abaixo.

1. Quanto à obrigatoriedade do Plano, a mesma foi estendida às seguintes

situações:

 cidades pertencentes a regiões metropolitanas e aglomerações urbanas;

 cidades localizadas em áreas de especial interesse turístico;


29

 cidades em área de influência de empreendimentos ou atividades com


significativo impacto ambiental.

2. Quanto ao conteúdo do Plano, o Estatuto fixou os seguintes elementos


mínimos:

 delimitação das áreas urbanas onde poderão ser aplicados o


parcelamento, a edificação ou a utilização compulsória, previstos no Artigo
183 da Constituição Federal, considerando, no entanto, a existência de
infraestrutura e de demanda para a utilização.

 A delimitação das áreas urbanas passíveis de incidência do Direito de


Preempção (direito que confere ao Poder Público municipal a preferência
para aquisição de imóveis urbanos);

 O estabelecimento das diretrizes para a delimitação das áreas urbanas


nas quais a Outorga Onerosa do Direito de Construir poderá ser
implementada;

 O estabelecimento das diretrizes para a delimitação das áreas urbanas


passíveis da aplicação de operações urbanas consorciadas;

 Definição das diretrizes para a autorização da transferência do direito de


construir por proprietários de imóveis urbanos.

 Sistema de acompanhamento e controle da execução do plano.

No que se refere ao processo de elaboração do Plano, o Estatuto determina


também, alguns princípios:

 O Plano Diretor deverá englobar o território municipal como um todo (zonas


urbana e rural);

 O Plano Diretor deverá ser revisto, pelo menos, a cada dez anos;

 A participação da sociedade na elaboração e implementação do Plano Diretor


deverá ser garantida através de audiências públicas, debates e publicidade e
acesso aos documentos produzidos.

O plano diretor deve ser elaborado e conduzido sob a coordenação do poder publico
municipal, mas, garantida a participação do diferentes agentes sociais de forma
democrática e negociada, sem perder de vista que sempre estará em jogo, na
30

definição das diretrizes e ações do plano, interesses públicos e interesses de grupos


de pressão, e que o interesse publico não é necessariamente igual ao interesse de
todos em uma sociedade plural. (MAGLIO 2005)

1.3.1.1 Zoneamento

O zoneamento, existente no Brasil há mais de um século, sempre foi constituído por


leis que definiam o que era permitido e proibido em cada parte da cidade.

Segundo Batistela (2007) tem a função de dividir a cidade em áreas e definir


funções, atividades, usos e critérios para a construção das edificações fazendo com
que a cidade cresça e se desenvolva de forma correta e ordenada.

Deve-se pensar se essa caracterização sempre ocorre de maneira correta sendo


feita com critérios visando um melhor desenvolvimento da cidade, e não para
garantir benefícios para determinadas localidades devido intervenções dos donos de
terras e também dos poderes econômicos.

Segundo Villaça (2005) essas leis tem sido formuladas apenas para atenderem os
interesses das classes dominantes.

O zoneamento pode ser entendido como o conjunto de normas que faz uma leitura
da cidade com projeções de cenários presentes, esperados e futuros definindo
parâmetros de uso e ocupação do solo das diversas áreas da cidade.

Batistela (2007) afirma que o zoneamento foi concebido como uma ferramenta de
planejamento e constitui o conjunto de normas que regulam o uso do solo mediante
a divisão de distritos ou zonas nas quais certas atividades são proibidas e outras
permitidas.

Ainda, segundo Nery Jr. (2002) para a totalidade do espaço urbano, que fica todo
ele dividido em zonas, nas quais são definidos os parâmetros de uso e de ocupação
dos terrenos ou, também, apenas em parte dele, de forma pontual na cidade cuja
norma abrange uma determinada área da cidade, uma ou algumas ruas, um trecho
de rua ou bairros.
31

Consiste na divisão das zonas urbanas e de expansão urbana de um


município em zonas menores, claramente definidas e delimitas para as
quais são prescritos: os tipos de uso do solo permitidos (residencial,
comercial, industrial e institucional); as taxas, coeficientes ou índices de
ocupação e aproveitamento dos lotes pelas construções; os recuos mínimos
com relação às divisas do lote, gabaritos de altura das construções, áreas e
medidas mínimas dos lotes, densidades demográficas e algumas outras
normas urbanísticas. (FERRARI, op. cit. p. 213 apud BORGES, 2007, p.29).

Segundo Nery Jr.(2002) um destacado jurista brasileiro Jose Afonso da Silva


também apresentou sua definição sobre zoneamento urbano:

O zoneamento constitui, pois, um procedimento urbanístico, que tem por


objetivo regular o uso da propriedade do solo e dos edifícios em áreas
homogêneas no interesse do bem-estar da população. Ele serve para
encontrar lugar para todos os usos essenciais do solo e dos edifícios na
comunidade e colocar cada coisa em seu lugar adequado, inclusive as
atividades incômodas. Não é modo de excluir uma atividade indesejável,
descarregando-a nos Municípios vizinhos. Não é meio de segregação racial
ou social. Não terá por objetivo satisfazer interesses particulares nem de
determinados grupos. Não será um sistema de realizar discriminação de
qualquer tipo. Para ser legítimo, há de ter objetivos públicos, voltados para a
realização da qualidade de vida das populações.

O zoneamento urbano é uma forma de planejamento físico territorial que assegura a


distribuição adequada do solo em área urbana, com padrões urbanísticos que
regulam o uso da terra e das edificações, gabarito das construções, taxa de
ocupação, taxa de permeabilidade, afastamentos mínimos, aberturas de vãos, além
de questões de estacionamento e área mínima de lotes.

1.3.1.2 Índices Urbanísticos

A Lei de Uso e Ocupação do Solo disciplina o uso e ocupação do solo do território


municipal e define a distribuição espacial das atividades socioeconômicas e da
população na cidade através do zoneamento, sendo assim é de fundamental
importância para a vida urbana. Institui normas que estabelecem parâmetros sobre
todos os aspectos das construções. (VAZ, 1996)

As leis de zoneamento urbanístico são utilizadas há longo tempo no Brasil.


São de responsabilidade municipal e inspira-se em rígidos conceitos de
ordenação que visam tornar as cidades eficientes, colocando cada
edificação, cada atividade e cada grupo humano em seu devido lugar.
(SANTOS, 1987, p. 26 apud BATISTELA, 2007, p.72).
32

O zoneamento urbano é constituído de duas partes: a primeira é composta por


mapas identificando as diferentes zonas que dividem a cidade; e a segunda é
composta por um texto que estabelece as regras que serão aplicadas em cada uma
das diferentes zonas. Essas regras dizem respeito, normalmente, ao uso, a altura e
a área das novas edificações. (BATISTELA, 2007)

Segue abaixo a classificação e definição dos diferentes tipos de zonas, bem como
seus índices urbanísticos, segundo USAID (1964, apud Cunha, 2006, p 40 – 42).

 Zonas residenciais - 40% da área de uma cidade é destinada para as zonas


residenciais, incluindo ruas, propriedades e edifícios públicos. Tipos usuais de
zonas residenciais: zonas residenciais uni familiares e zonas residenciais
multifamiliar. Para as zonas residenciais é interessante que suas áreas
apresentem topografia discretamente acidentada, para se tornarem
interessantes, atraentes e puder ser drenadas sem exigir despesas,
facilitando o estabelecimento de estradas e serviços de utilidades públicas.
São particularmente indicadas as áreas próximas a lagos, rios e parques. Na
medida do possível, as áreas residenciais localizam-se até uma distância
conveniente dos locais de trabalho e de compras, não devendo afastar-se,
também, dos centros de recreação, instituições educacionais e culturais da
comunidade (USAID, 1964).
 Zonas comerciais - Os usos comerciais não ocupam mais de 2 a 5 % da
parte urbanizada. As zonas comerciais podem ser subdivididas em zonas
centrais e de bairro (local). Segundo USAID (1964) apud BATISTELA (2007),
em geral, as zonas comerciais centrais requerem ruas e passeios largos, boa
rede de transporte coletivo e sistemas de utilidade pública de grande
capacidade. O comércio local ou de bairro tem a vantagem de estar mais
próximo às residências, mas deve ser controlado para evitar efeitos danosos
para a comunidade através do zoneamento de usos e outras posturas.
 Zonas industriais - Para a localização das zonas industriais deve ser
considerado que tipo de indústria será instalada. Os tipos de indústrias
maiores e mais pesadas normalmente procuram localizar-se na periferia da
cidade. Para indústrias pesadas, principalmente a de natureza incômoda, se
aconselha à localização também na periferia, a sotavento da cidade, de forma
33

que os odores, fumaças e vapores sejam soprados para longe e não


alcancem a área urbana. As indústrias leves podem localizar-se próximas aos
centros urbanos. As indústrias que procuram essas localizações são
geralmente de pequeno vulto, exigem apenas uma área limitada de terreno
por operário e não são incômodas para a vizinhança (USAID, 1964).

Ainda segundo USAID (1964, apud Cunha, 2006) os índices urbanísticos propostos
para cada zona servem para regular as densidades urbanas, além de estipular um
regime volumétrico. Esses índices são:

 Índice de Aproveitamento (IA): é o quociente entre a área máxima


construída e área total do lote.
 Taxa de Ocupação (TO): é o quociente entre a projeção horizontal máxima
da edificação e a área total do lote. Tem como objetivo garantir uma reserva
de área livre para cada edificação.

O índice de aproveitamento (IA) associado à taxa de ocupação (TO) determinará,


com alguma flexibilidade, o número de pavimentos da edificação.

 Cota mínima de terreno (CM): é a fração mínima de terreno necessária para


cada economia residencial. Juntamente com o índice de aproveitamento, visa
limitar o número de residências em cada lote, a fim de controlar a densidade.

Os afastamentos de fundos e laterais têm como objetivo garantir os padrões


mínimos de conforto e higiene (ventilação, insolação e reserva de área
livre), pois determinam uma distância mínima entre as edificações vizinhas,
dependendo da altura das mesmas. O afastamento frontal ou de
ajardinamento tem como objetivo amenizar a paisagem urbana, sendo
utilizado mais intensamente em zonas residenciais. Nas zonas comerciais,
geralmente esse tipo de afastamento é dispensado, pois é muito importante
a ligação das lojas com a via de circulação. (CUNHA, 2006, p.42)

Conforme CARVALHO e BRAGA (2001 apud Braga, p.104) os índices urbanísticos


são classificados como:

 Coeficiente de aproveitamento: a razão entre a área construída e a área do


lote, onde a área construída é a soma das áreas dos pisos cobertos do
edifício;
 Taxa de ocupação: a razão entre a área ocupada e a área do lote, onde a
área ocupada é a área da projeção horizontal do edifício no lote (Figura 5);
34

Figura 5: Esquema de taxa de ocupação


FONTE: SABOYA, Renato. Guia de referencia dos parâmetros urbanísticos, 2007.

 Recuo: a distância que separa as divisas do lote da projeção horizontal do


edifício, podendo ser frontal, lateral ou de fundos;

 Área mínima do lote;

 Frente mínima do lote;

 Gabarito: indica geralmente a altura máxima permitida dos edifícios, podendo


ser indicado pelo número de pavimentos ou pela altura em metros; muitas
vezes é indicado em proporção à largura do logradouro. É adotado com
menor frequência do que os demais índices. Este índice vem sendo
substituído pelo coeficiente de aproveitamento.

Em síntese, o zoneamento de uso e ocupação, divide a cidade em zonas


homogêneas, para as quais são designados usos (segregados ou mistos) e
especificadas as densidades de ocupação através de índices urbanísticos como o
coeficiente máximo de aproveitamento, a taxa de ocupação máxima, os recuos
mínimos, a área mínima dos lotes, a frente mínima dos lotes e o gabarito máximo
das edificações. (CARVALHO e BRAGA, 2001 apud BRAGA, p.10).

Esses índices não passam de formulas que auxiliam no controle do crescimento


urbano, visto que, devem ser analisados conforme a realidade de cada cidade,
diagnosticando todos os aspectos necessários para sua elaboração. São vinculados
ao zoneamento embora sua importância seja ate maior, pois são eles que definiram
o que pode e o que não pode cabendo ao zoneamento apenas a classificação das
áreas quanto ao tipo de uso, residencial, comercial, expansão, entre outros.

A aplicação correta dos índices urbanísticos implicará num crescimento correto das
cidades, segundo o que foi planejado, mas deve estar atento as mudanças ocorridas
35

nas formas de expansão a fim de que acompanhe essa transformação atualizando


seus valores conforme seus critérios de desenvolvimento, planejando também sua
revisão após determinado tempo.

1.3.2 Leis de ordenamento territorial e ambiental

Para complementar o diagnóstico, desenvolve-se nesta etapa uma avaliação da


legislação pertinente a situação encontrada na região. Para isso foram estudados
documentos de âmbito Federal, Estadual e Municipal.

A primeira lei a ser comentada, é a que se refere ao Novo Código Florestal, Lei Nº
12.651 de 25 maio de 2012, que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa e
revoga as leis nº 4.771/65 e 7.754/89 e dá outras providencias.

Trata-se de uma legislação bastante abrangente nas questões florestais, aplicável


tanto no ambiente urbano quanto no rural, reservas indígenas e unidades de
conservação. (SANTOS, 2009)

Como relevante para o trabalho em questão tem-se o Capitulo II, art. 4° que
considera áreas de preservação permanentes, em zonas urbanas ou rurais:

I. as faixas marginais de qualquer curso d‟água natural, desde a borda da calha


do leito regular, em largura mínima de:
a. 30 (trinta) metros, para os cursos d‟água de menos de 10 (dez) metros
de largura;
b. 50 (cinquenta) metros, para os cursos d‟água que tenham de 10 (dez)
a 50 (cinquenta) metros de largura;
c. 100 (cem) metros, para os cursos d‟água que tenham de 50
(cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura;
d. 200 (duzentos) metros, para os cursos d‟água que tenham de 200
(duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura;
e. 500 (quinhentos) metros, para os cursos d‟água que tenham largura
superior a 600 (seiscentos) metros.
36

Outra legislação incidente que trata das questões ambientais é a Resolução


CONAMA nº 004, de setembro de 1985 que dispõe sobre a criação das reservas
ecológicas.

A resolução considera como Reserva ecológica as formações florísticas e as áreas


de florestas de preservação permanente mencionadas no Artigo 18 da Lei nº
6.938/81, bem como as que estabelecidas pelo Poder Público de acordo com o que
preceitua o Artigo lº do Decreto nº 89.336/84. (Art. 1°, Resolução Nº 004/85)

Em âmbito estadual tem-se a Política Florestal do Estado do Espirito Santo,


representada pela Lei 5.361/1996 que considera de preservação ambiental, em seu
art. 7º, as florestas e áreas de preservação que objetivam, exclusivamente, a
produção de benefícios ambientais e culturais, previstas na legislação federal,
estadual e municipal.

Outra legislação de muita significância para este diagnostico são as que se


referem ao Parcelamento do Solo Urbano, tanto em âmbito federal, estadual e
municipal, representadas pelas leis 6.766/1979, 7.943/2004 e 4.227/96
respectivamente.

A Lei 7.943/2004 relata em seu art. 8º que somente será admitido o


parcelamento do solo para fins urbanos em zonas urbanas, ou de expansão
urbana delimitadas pela lei municipal de perímetro urbano.

A Lei Municipal que contempla o novo perímetro urbano da cidade de Colatina


é a Lei 5.789/2011.

O Código Municipal de Meio Ambiente, lei nº 5045/2004, também de âmbito


municipal, regula a ação do Poder Público Municipal e sua relação com os
cidadãos e instituições públicas e privadas, na preservação, conservação,
defesa, melhoria, recuperação e controle do meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
além de definir instrumentos da Política Municipal de Meio Ambiente.

Além dessas a cidade possui o Plano Diretor Urbano, representado pela Lei
5.273/2007 que é um instrumento básico de políticas para o desenvolvimento
municipal e planejamento das funções publicas de interesse comum, além do
Código de Obras, Lei 4.226/1996, que trata das questões referentes a
37

construção, reforma, ampliação, demolição e qualquer movimento de terra


efetuado no Município.

Para finalizar, a cidade possui um aeroporto de âmbito regional, sendo assim


este tem que ter uma zona de proteção aeroportuária. Para isso tem-se as
seguintes leis:

 A Lei 7.565 de 19 de janeiro de 1986 que dispõe sobre o Código Brasileiro de


Aeronáutica que em sua Seção V trata das Zonas de proteção, definindo
também os planos de proteção;

 A Resolução CONAMA nº 4 de 09 de outubro de 1995 que rege a área de


segurança aeroportuária (ASA) ;

 Portaria nº1.141/GM5, de 08 de dezembro de 1987, que dispõe sobre as


Zonas de Proteção e Aprova o Plano Básico de Zona de Proteção de
Aeródromos, o Plano Básico de Zoneamento de Ruído, o Plano Básico de
Zona de Proteção de Helipontos e o Plano de Zona de Proteção de Auxílios à
Navegação Aérea e dá outras providências.

1.3.3 Planejamento Estratégico da Cidade

O Plano Diretor Municipal e a Lei Orgânica são atualmente os principais


instrumentos de planejamento urbano no Brasil. Embora garantam ao município um
grande potencial de desenvolvimento urbano, necessitam de um longo prazo para
que sua implementação seja eficaz. (PFEIFFER, 2000)

O planejamento urbano não deve ficar limitado somente a área do município e


planejar o futuro apenas como continuação do que vem ocorrendo, devem ser
aproveitadas e criadas novas oportunidades e estratégias de desenvolvimento, o
que não é considerado nos instrumentos tradicionais.

Para lidar com esses processos dinâmicos de mudança e transformações surge o


Planejamento Estratégico, desenvolvido inicialmente no setor privado.
38

O Planejamento Estratégico representa a transposição de conceitos do


planejamento de empresas para o planejamento urbano, sendo utilizado em várias
cidades inclusive no Brasil. (SABOYA, 2008)

O planejamento estratégico é aquele onde são definidas as diretrizes gerais


da organização. É base para a formulação dos demais planejamentos e é
elaborado pela cúpula para um período considerado longo prazo. (NETO e
PEREIRA, 2008, p. 6)

Segundo Saboya (2008), se diferencia do planejamento tradicional por ênfase maior


em:

a) ações;
b) consideração dos “stakeholders”, entendidos como todos aqueles indivíduos,
grupos ou organizações que têm algum interesse e/ou que podem de alguma
maneira influenciar no processo de planejamento;
c) atenção às ameaças e oportunidades externas, bem como aos pontos fortes
e fracos internos;
d) atenção aos competidores existentes ou potenciais.

Antes do planejamento estratégico acreditava-se que o planejador tinha a decisão


final não sendo necessária a participação das outras partes, ao contrario do
Planejamento Estratégico que incorpora a noção de que é necessário o
envolvimento de todos os atores importantes para a implementação das estratégias.

Torna-se o mais adequado pois está voltado para uma realidade dinâmica, de
acordo com as transformações das cidades, sendo relativamente simples, flexível e
permanente já que envolve o município à novas oportunidades com pensamento em
longo prazo.

O Planejamento Estratégico incorpora a noção de cidade como parte de um


contexto mais amplo, seja ele regional, estadual, nacional ou até mesmo
mundial. Com isso, elimina a tendência de se analisar a cidade como um
organismo estanque, fechado em si mesmo. (SABOYA, 2008)

Bryson (2004, apud Saboya, 2008) sugere as seguintes etapas para o Planejamento
Estratégico:
39

1. Iniciar e pactuar um processo de planejamento estratégico: inicia-se aqui


a negociação entre os principais decisores sobre a necessidade do PE.
Também é feita a analise dos stakeholders.
2. Identificar os requisitos legais: fase onde é listado e analisado os requisitos
que o município deve obedecer;
3. Esclarecer a missão e os valores: objetivo Maximo entendido como um
meio para se alcançar um valor maior;
4. Avaliar os ambientes interno e externo: avalia externamente as ameaças e
oportunidades que estão fora do domínio do planejador, já internamente faz-
se uma avaliação dos pontos forte e fracos do município;
5. Identificar as questões estratégicas: ponto critico do processo onde se
identifica as questões e desafios fundamentais a serem enfrentados para o
município cumprir sua missão;
6. Formular as estratégias para responder às questões: desenvolve
estratégias capazes de responder as questões identificadas na etapa anterior;
7. Revisar e adotar as estratégias ou o plano estratégico: etapa onde o
planejamento estratégico deve ser aprovado oficialmente pelos órgão
competentes antes de ser implementado;
8. Definir a visão de futuro: descrição de como o município devera ser depois
que o plano for implementado com sucesso;
9. Desenvolver um processo de implementação do plano estratégico:
desenvolver plano de ação para possibilitar a implementação das estratégias
definidas;
10. Reavaliar as estratégias e o processo de planejamento
estratégico: avaliação dos resultados alcançados após um determinado
período para subsidiar ajustes ou ate mesmo novos processos de
planejamento estratégico.

Já para PFEIFFER (2000) o Planejamento Estratégico possui dois propósitos:

1. Concentra e direciona as forças de uma organização, fazendo com que seus


membros trabalhem na mesma direção;
2. Analisa o entrono da organização buscando adaptá-la a ele para reagir aos
desafios que irão surgir além de ter a intenção de conduzir a organização pelo
desenvolvimento e não por fatores externos e não controláveis.
40

Diante dessa analise entende-se que o planejamento, a partir das prioridades, busca
encontrar meios para eliminar ou diminuir os obstáculos que ameaçam o
desenvolvimento municipal, afim de saná-los.

O envolvimento de todos os atores do processo é fundamental e enriquece a visão


do problema, indo no sentido de alcançar um maior realismo.

Outro ponto forte do planejamento estratégico é a concentração em fatores-chave,


indo em contrapartida com os planos tradicionais que realizam grandes diagnósticos
atuando sobre todos os aspectos, porém se mostrando ineficaz no combate aos
problemas. (SABOYA, 2008)

Com a tendência atual de se pontuar problemas mais importantes a fim de resolve-


los mais rapidamente, o planejamento estratégico se mostra mais eficaz que os
demais, embora ainda com algumas falhas, já que trabalha com esse principio.

1.3.4 Estatuto da Cidade

Com o objetivo de traçar diretrizes gerais para o desenvolvimento urbano dos


municípios brasileiros, foi aprovada e sancionada em 2001 a Lei Federal 10.257,
mais conhecida como Estatuto da Cidade. Essa lei estabelece normas de ordem
publica e de interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do
bem estar coletivo e da segurança dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambienta.
(PRIETO, 2006)

A lei regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal. O artigo 182


estabelece que a política de desenvolvimento urbano tem o objetivo de ordenar o
desenvolvimento das funções sociais da cidade, e o artigo 183, institui o usucapião,
possibilitando a regularização de áreas ocupadas por favelas, invasões ou
loteamentos clandestinos. (Constituição Federal de 1988)

O Estatuto da Cidade reafirma os princípios básicos estabelecidos pela


Constituição da União, preservando o caráter municipalista, a centralidade
do plano diretor como instrumento básico da política urbana e a ênfase na
gestão democrática. (CARVALHO, 2001)
41

O estatuto da cidade é compreendido como um conjunto de princípios e de


instrumentos utilizados para alcançar finalidades desejadas de uma concepção de
cidade e de gestão urbana. (OLIVEIRA & BESSA, 2008)

Segundo Carvalho e Braga (2001), em termos gerais, podemos considerar como


sendo três os principais objetivos do Estatuto da Cidade:

1. promover a reforma urbana e combate á especulação imobiliária;

2. promover a ordenação do uso e ocupação do solo urbano e;

3. promover a gestão democrática da cidade.

A lei impõe uma nova dimensão ao planejamento urbano adequando os


instrumentos de políticas publicas para o desenvolvimento urbano, além de
promover uma maior articulação entre os segmentos da sociedade local, garantindo
a presença dos cidadãos nas decisões através da gestão democrática.

O Estatuto da Cidade estabelece a gestão democrática, garantindo a


participação da população urbana em todas as decisões de interesse
público. A participação popular está prevista e, através dela, as associações
representativas dos vários segmentos da sociedade se envolvem em todas
as etapas de construção do Plano Diretor – elaboração, implementação e
avaliação – e na formulação, execução e acompanhamento dos demais
planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano municipal.
(OLIVEIRA, 2001 p. 8).

O crescimento e a expansão urbana sem planejamento resultaram em problemas no


uso do solo, o que gerou o surgimento de loteamentos clandestinos e favelas,
ausência de infra estrutura e equipamentos além dos problemas com pouca ou
precária disponibilidade de áreas e o elevado preço das terras, que retratam o uso
desigual do solo. Esses fatores são fundamentais para a luta a favor de uma gestão
urbana democrática. (OLIVEIRA, 2001)

Para que sejam tratados os problemas quanto ao uso e ocupação do solo urbano, o
Estatuto amplia a obrigatorieadade do Plano Diretor, que segundo o Art. 40º da Lei
10.257/2001 é um instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão
urbana.
42

Enfim, as diretrizes gerais do Estatuto da Cidade buscam orientar a ação dos


agentes responsáveis pelo desenvolvimento e mostra que as cidades devem ser
pensadas como um todo, e não de maneira setorizada, e assim serem planejadas.
43

2 ESTUDOS DE CASO

Nesse capitulo serão abordados os estudos de caso utilizados como análise


comparativa à proposta do trabalho, buscando cidades que possuam características
semelhantes com a cidade de Colatina, para direcionar e auxiliar o desenvolvimento
do trabalho. Para isso foram escolhidos o estudos da expansão urbana do setor sul
da cidade de Uberlândia, a análise do processo de urbanização da cidade de
Mossoró e a produção e expansão urbana nas pequenas cidades tendo como
estudo de caso a cidade de Maracás - BA.

2.1 EXPANSÃO URBANA DO SETOR SUL DA CIDADE DE UBERLÂNDIA – MG:


UM ESTUDO DOS PROCESSOS DE EXCLUSÃO E SEGREGAÇÃO
SOCIOESPACIAL

O trabalho trata de uma dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós


Graduação em Geografia, cujo objetivo foi realizar um estudo do crescimento urbano
do setor Sul da cidade de Uberlândia/MG (Figura 6), que apresenta significativa
diferenciação socioespacial resultando na fragmentação do espaço urbano e no
surgimento de problemas sociais.

Figura 6: Mapa de localização de Uberlândia.


Fonte: SILVA, 2012.
44

A produção do espaço urbano do setor Sul de Uberlândia possibilita variados tipos


de estudos, devido à forma como seu crescimento vem ocorrendo no decorrer dos
anos (Figura 7). Processos que ocorrem normalmente na expansão das cidades
determinam o surgimento de um espaço fragmentado e segregativo. (SILVA, 2012)

Figura 7: Taxas de crescimento da população (1940/2000)


Fonte: SILVA, 2012

O crescimento da cidade também pode ser observado na Tabela 2, através da sua


densidade demográfica. (SILVA, 2012)

Tabela 2 :População residente por situação de domicilio (1940 - 2010)

Fonte: SILVA, 2012

O setor sul da cidade vem se desenvolvendo devido as amenidades que oferece,


mas também pela saturação dos centros e pelas novas formas de moradia de luxo
que começaram a disseminar na cidade, em especial nesse setor. Essas novas
45

formas de moradias são condomínios horizontais e verticais que vem representando


uma nova configuração ao local oferecendo aos moradores maior conforto e
modernidade. (SILVA,2012)

A constituição do setor ocorreu de maneira espontânea, como em Colatina. As


grandes fazendas foram dando local a pequenas vilas que posteriormente obtiveram
regularização por meio de loteamentos. Outros bairros surgiram com planejamento
visando a valorização do local.

Atualmente o setor sul agrega uma população superior a 120 mil habitantes sendo
constituída por 17 bairros (Figura 8) que de modo geral foi ocupado por tanto por
parte dos incorporadores imobiliários e pelos proprietários fundiários e também pelas
ações publicas que direcionam os melhores serviços para a região, em especial a
área central do setor, sendo conhecida como “sul elitizado”. (SILVA, 2012)

Figura 8: Localização/divisão dos bairros do setor sul de Uberlândia.


Fonte: SILVA, 2012

A partir do estudo realizado observou-se que não se deve afirmar que o setor sul
seja destinado a atender determinados grupos de renda, devido a diversidade de
classe sociais encontradas no local e também devido ao direcionamento de
expansão, que se encontra voltado para a região, atendendo as diversas classe,
sendo os grupos de alta renda com os condomínios horizontais, a classe média com
os condomínios verticais e a classe mais baixa com os loteamentos populares.
(SILVA, 2012)
46

Essa particularidade possui semelhança com a Colatina devido as variadas classe


sociais encontradas e a diversificação dos vetores de expansão, que permite essa
mistura de classes sociais.

Outra característica semelhante entre as cidades é a importância dos loteamentos


no processo de desenvolvimento territorial. O setor sul de Uberlândia computa uma
absoluto de 104 loteamentos aprovados. Já Colatina apresenta uma grande
expansão por parte dos loteamentos nos últimos 10 anos o que também indica
possíveis vetores de expansão.

Uma questão muito importante abordada no trabalho é a segregação socioespacial


que o setor sul apresenta podendo ser divido em quatro subáreas socioeconômicas
(Figura 9) sendo:

 Elevado Padrão Aquisitivo;


 Médio Padrão Aquisitivo;
 Baixo Padrão Aquisitivo;
 Muito Baixo Poder Aquisitivo.

Figura 9: Subdivisão socioeconômica do setor sul de Uberlândia.


Fonte: SILVA, 2012

Essa questão também é identificada em Colatina em relação aos loteamentos


novos, onde se identifica claramente para qual publico será direcionado.
47

Após todo o diagnostico onde foram considerados aspectos relevantes a evolução


do setor sul o trabalho faz um estudo de todo processo de expansão urbana levando
em consideração uma característica marcante: o processo de diferenciação
espacial.

Para a realização de todo esse estudo houve a necessidade por um suporte teórico
que fez com que se desenvolvesse uma fundamentação teórica sobre o espaço
urbano, a dinâmica espacial enfatizando os problemas intensificados com o
crescimento das cidades. Um estudo sobre a compreensão da temática especifica
da pesquisa, também foi de fundamental importância, para que pudesse chegar ao
estudo apresentando a configuração atual da dinâmica de expansão do setor sul,
observando as tendências urbanas que o crescimento vem seguindo.

A consulta e o estudo de documentos da Prefeitura Municipal e suas respectivas


secretarias, entrevistas com profissionais do ramo, levantamento e analise de artigos
publicados, livros, dissertações e teses, a realização de trabalhos de campo foi
necessária para a constatação das questões levantadas na pesquisa, a utilização de
mapas ajudou na representação da realidade simplificando o conteúdo da pesquisa.
Todos esses elementos foram necessários para a coleta de dados para a realização
e conclusão do trabalho.

Sua localização estratégica, servindo de passagem para outros estados, a base


econômica anteriormente agricultura e atualmente comércio atacadista, são
características que se assemelham com Colatina que devem ser levadas em
consideração.

Além do acervo teórico que apresenta o trabalho, sua estruturação e


desenvolvimento e principalmente o estudos e a identificação das tendências de
expansão urbana do setor sul de Uberlândia, irão auxiliar no entendimento e
elaboração dos novos vetores de expansão urbana de Colatina e contribuir na
definição de itens importantes dentro desse contexto.
48

2.2 O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DA CIDADE DE MOSSORÓ/RN: DOS


PROCESSOS HISTÓRICOS À ESTRUTURA URBANA ATUAL

Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós Graduação em


Arquitetura e Urbanismo, na área de concentração Forma Urbana e Habitação que
tem como principal objetivo analisar a relação entre a divisão territorial e o processo
de expansão urbana da cidade de Mossoró no Rio Grande do Norte (Figura 10).

Figura 10: Vista Cidade Mossoró/RN


Fonte: PINHEIRO, 2006

A cidade de Mossoró foi escolhida propondo uma abordagem que contribui para
explicar os processos que ocorrem nas cidades de pequeno e médio porto, como é o
seu caso. (PINHEIRO, 2006)

A expansão urbana da cidade desde sua formação é idêntica ao processo natural de


urbanização brasileiro cujo crescimento é determinado pelo desenvolvimento
capitalista além de ser desorganizado. Sua expansão se dividiu em especializações
econômicas o que determinou vários momentos de expansão na cidade. Enfim,
somente dentro do contexto histórico e conceitual foi possível explicar a expansão
urbana dessa cidade desde a sua formação até os dias atuais, tratando-se de um
processo multidisciplinar. (PINHEIRO, 2006)
49

O trabalho mostra todo o processo de evolução da cidade desde o período colonial


até a configuração atual identificando os principais causadores ao longo dos anos
desse processo. (PINHEIRO, 2006)

O trabalho começou seu desenvolvimento com a seguinte pergunta: Que fatores


impulsionam a expansão urbana de uma cidade? Buscou-se com referencias em
diversos autores a respostas para todas as questões referentes ao processo de
expansão, com foco a cidade de Mossoró, que foi compreendido através da
investigação da sua estrutura territorial articulada a outras. Para isso foi dividido em
três etapas:

Divisão territorial do trabalho; Especialização Econômica; Expansão Urbana. Além


dessa divisão o desenvolvimento do trabalho (capítulos) foi divido a partir dos
momentos de expansão da cidade. (PINHEIRO, 2006)

A pesquisa foi desenvolvida em três momentos:

 Analise bibliográfica, buscando aprender os fatores marcantes da


urbanização do município;
 Estudo Cartográfico, a fim de compreender a evolução urbanística;
 Estabelecer forma de expansão e suas causas.

Partindo em busca de responder a pergunta feita no inicio do trabalho, realizou-se


um diagnostico criterioso em todos os períodos de expansão avaliados.

A coleta de dados para esse desenvolvimento foi feita através de artigos,


publicações, materiais cartográficos, dados estatísticos, leis, decretos, plano diretor
e pesquisa de campo com observações, entrevistas e desenhos.

Com todo esse processo obteve-se como resultado, os moldes de transformações


ocorridos no espaço urbano destacando suas causas e efeitos na configuração da
cidade.

Ao longo de seu processo observa-se problemas decorrentes da ocupação sem


planejamento também identificados na cidade de Colatina, como as construções as
margens do rio e o não cumprimento de leis importantes na preservação dessas
áreas. Embora haja características semelhantes com a cidade de Colatina, Mossoró
se apresenta bem mais desenvolvida e infraestruturada.
50

Além dessas questões outra característica semelhante e importante são os eixos de


expansão urbana (Figura 11) identificados como sendo as principais rodovias e a
ferrovia o que se assemelha com Colatina que possui seus principais estimuladores
de expansão em proximidades das principais rodovias.

Figura 11: Principais eixos de expansão urbana de Mossoró.


Fonte: PINHEIRO, 2006

A pesquisa teórica, o diagnostico detalhado com identificação dos usos do solo,


caracterizações dos espaços urbanos, a confecção dos mapas, a aplicabilidade das
51

leis nos processo de expansão e a identificação de suas falhas, irão contribuir na


realização da pesquisa da cidade de Colatina.

2.3 PRODUÇÃO E EXPANSÃO URBANA NAS PEQUENAS CIDADES: ESTUDO


DE CASO SOBRE MARACÁS – BA

A trabalho trata de uma pesquisa monográfica da Universidade Estadual do


Sudoeste da Bahia que busca compreender o processo de produção e a expansão
do espaço urbano em Maracás, a partir da análise da atuação diferenciada de cada
um dos agentes produtores desse espaço.

A cidade de Maracás localiza-se na região Sudoeste da Bahia passando por rápidas


e intensas transformações no seu processo de desenvolvimento.

Sua configuração territorial resulta de vários processos, sofrendo diversos


desmembramentos ate chegar a configuração atual. A evolução da cidade se
caracteriza pela criação de um centro (Figura 12) que a partir do qual ocorreu sua
evolução. Essa sede surgiu devido a doação de um lote para a construção da Igreja
Matriz. (SOUZA, 2009)

Figura 12: Principal centro de Maracás.


Fonte: SOUZA, 2009
52

Essa característica é vista em Colatina, já que seu desenvolvimento começou pelo


lado sul do Rio Doce se desenvolvendo primeiro e a partir de então é considerado
até hoje como centro da cidade. O lado Norte como foi se desenvolver após a
construção da ponte florentino ávidos desenvolveu seu centro mais tardiamente. O
centro dessa região é a primeira região explorada no inicio da colonização que teve
um desenvolvimento de comercio e serviços maior que as demais regiões que foram
surgindo.

O processo de ocupação das áreas é feito em sua maioria por loteamentos sendo
que os principais agentes responsáveis são os proprietários-loteadores que definem
a classe social a que eles irão pertencer. Outro agente responsável pela expansão
urbana da cidade são os loteamentos populares a fim de atender a necessidade de
moradia das pessoas de baixa renda. (SOUZA, 2009)

A cidade é cortada por uma rodovia estadual que trouxe uma nova dinâmica
econômica para a sede e auxiliou em seu processo de expansão urbana (Figura 13).
(SOUZA, 2009)

Figura 13: Mapa expansão urbana de Maracás de 1930 a 2005


Fonte: SOUZA, 2012

Assim é observado em Colatina não somente com a Rodovia que corta a cidade
(Rodovia ES-080) mas também com as Rodovias ampliadas para retirar o trafego
53

intenso de carga pesada do centro da cidade o que valorizou essas áreas


colocando-as como estimuladores de expansão urbana, uma vez que, são
localizadas próximas a grandes vazios urbanos.

Outro fator de destaque no processo de evolução da cidade de Maracás são os


fluxos intra e interurbanos (Figura 14) realizados através das vias e rodovias.

Figura 14: Fluxos intra e interurbanos de Maracás.


Fonte: SOUZA, 2012

A fundamentação teórica sobre os principais conceitos ligados a pesquisa, o


diagnostico e a identificação através dos mapas irão auxiliar na elaboração do
diagnostico da cidade de Colatina e na elaboração dos mapas para melhor
entendimento do trabalho.
54

3 O MUNICÍPIO DE COLATINA

O presente capítulo mostra o diagnostico da cidade contendo em seu histórico,


informações relevantes sobre clima, hidrografia, topografia, tipo do solo,
infraestrutura e dados relevantes à caracterização do município para a analise clara
e correta de seu processo de urbanização juntamente para o entendimento das
benfeitorias do mesmo. Além disso, faz uma abordagem sobre a legislação, onde
identifica os principais problemas ocorridos referentes ao não cumprimento das
principais leis.

3.1 ASPECTOS HISTÓRICOS E EVOLUÇÃO URBANA

A história de Colatina tem seu início em 1888 com a chegada dos primeiros
imigrantes italianos. Vindos do lado sul do Rio Doce, através do Rio Santa Maria e
encontravam-se em confluência com Rio Mutum em Boapaba, surgiu assim em 1889
o Núcleo Antônio Prado (Figura 15).

Figura 15: Núcleo Antonio Prado, 1889


Fonte: PMC, 2012

As primeiras casas de Colatina começaram a surgir em 1892.


55

Em 1857 o Engenheiro Nicolau Rodrigues dos Santos França delimitou 30 km de


terra entre os Rios São João e Pancas (atual córrego São Silvano) criando a
Francilvânia (Figura 16), que mais tarde veio se chamar São Silvano.

Figura 16: Francilvânia, 1860


Fonte: PMC, 2012

A elevação de Colatina a capital de Estado, em 1916, levou a sérios problemas de


ocupação desordenada (Figura 17), devido as grandes quantidades de imigrantes
que vinham em busca de moradia e tratamento de saúde. Colatina transformou-se
em Vila e pertencia ao Município de Linhares, mas em 26 de Dezembro de 1920 foi
emancipada se tornando Cidade. A comemoração de sua emancipação acontece
em 22 de Agosto, data da emancipação de Linhares.

Figura 17: Ocupação desordenada às margens do Rio Doce, 1918


Fonte: PMC, 2012
56

O nome da cidade foi escolhido pelo engenheiro Gabriel Emílio da Costa em


homenagem à Dona Colatina, esposa do ex-governador do Estado, Muniz Freire.

A exploração do lado norte do Rio Doce, começou com a determinação do


Presidente do Estado ES, Florentino Avidos, da construção de uma ferrovia
ESTRADA DE FERRO NORTE DO RIO DOCE (Figura 18) incluindo uma ponte que
ligava as duas margens do rio (Figura 19) em 1926. Essa estrada de ferro ligaria a
Cidade de São Mateus.

Figura 18: Construção da Estrada de Ferro Norte do Rio Doce, 1927


Fonte: PMC, 2012

Figura 19: Construção da Ponte Florentino Avidos, 1926


Fonte: PMC, 2012
57

Em 1928 toda superestrutura da ponte, com 750 metros, foi concluída. A partir do 7º
km de via férrea concluído, desistiu-se da ideia da ferrovia. Ate 1940 a ponte era
coberta de pranchões de madeira, e a partir dai construíram o piso de concreto.
Mesmo não concluído a ponte Florentino Avidos foi um verdadeiro marco na
colonização do Norte Capixaba.

Além da ponte, outro fato importante para o desenvolvimento da região foi a


construção da Estrada de Ferro Vitoria Minas em 1906, passando pelo centro da
cidade (Figura 20), ganhando importância, pois passava a ter comunicação direta
com a Capital do Estado. Foi a partir dai, que teve o início o seu desenvolvimento
urbano.

Figura 20: Estrada de Ferro na Av. Getulio Vargas, 1910


Fonte: PMC, 2012

Com o progresso advindo com a estrada de ferro e a ponte a cidade desenvolveu


tanto em serviços básicos, quanto comércios e indústrias.

Em 1975, no mandato de Paulo Stefenoni, os trilhos da EFVM foram retirados da


Avenida Getúlio Vargas (Figura 21), levando a estação ferroviária para o atual bairro
Luiz Iglesias, onde está ate hoje.
58

Figura 21: Retirada dos trilhos da Av. Getulio Vargas, 1975


Fonte: PMC, 2012

Esse fato marcou mais uma etapa no desenvolvimento da cidade, que teve seu
processo de industrialização no início dos anos 70, colocando-a como uma das
maiores economias do Estado, tendo também um grande potencial de expansão.

A partir daí o processo de ocupação de Colatina não ocorreu de maneira diferente


da realidade da maioria das cidades brasileiras.

As terras da cidade compradas pelas famílias que chegavam para a instalação de


fazendas e cultivo de café, concentravam-se nas mãos de poucos, surgindo as
ocupações irregulares por aqueles que não possuíam poder aquisitivo melhor.

Esse processo de ocupação aliado a falta de planejamento e a grande demanda de


pessoas que chegava nas cidades, resultou numa série de problemas que deixaram
consequências na cidade até hoje.

As ocupações às margens dos rios, construções em áreas de risco e em áreas de


preservação são alguns dos exemplos das sequelas deixadas por esse crescimento
desordenado.

Com o desenvolvimento, criaram-se leis e projetos para o planejamento e


organização do espaço já constituído em busca de melhorar a paisagem urbana
deixada pelo processo de ocupação irregular e garantir maior conforto e segurança
aos moradores dessas áreas, além de traçar diretrizes para novas ocupações.

O desenvolvimento da infra estrutura e da economia ao longo dos anos passou a


propiciar melhores condições na cidade, e como consequência o parcelamento do
59

solo foi proliferando, fazendo com que as terras antes adquiridas para o cultivo de
café, se tornassem loteamentos, possibilitando a conversão de um espaço rural em
terra urbana, valorizada e mercantilizada em pedaços.

Na ultima década os loteamentos particulares são os principais responsáveis pela


expansão territorial da cidade.

Conforme o Mapa 1, nos ultimo 12 anos foram loteadas 24 glebas urbanas, sendo
04 desse total loteamentos populares feitos através do programa Minha Casa Minha
Vida entre parceria da prefeitura com o Governo Federal.

Mapa 1: Expansão dos loteamentos entre 2000 a 2012


Fonte: ArcGIS, adaptado pelo autor, 2012

A Tabela 3 mostra o nome e data de implantação dos loteamentos identificados no


mapa anterior.
60

Tabela 3 :Loteamentos criados entre 2000 a 2012


LOTEAMENTO DATA
1 Residencial Riviera 2000
2 Residencial Riviera II 2001
3 Vila Noêmia 2003
4 Residencial Village Jardins 2005
5 Noêmia Vitalli 2005
6 Américo Ferrari 2006
7 Monte Olimpio 2006
8 Casa do Menino 2006
9 Residencial Village Jardins II 2007
10 Residencial Bosque da Princesa 2007
11 Residencial Sol Nascente 2007
12 Residencial Itajuby 2007
13 Residencial Recanto dos Pássaros 2008
14 Residencial Jardim Tropical 2009
15 Residencial Riviera III 2010
16 Parque Monterrosso 2010
17 Nilson Soella 2010
18 Morelatto 2010
19 Santa Clara 2010
20 Morelatto I 2011
21 Vista Linda 2011
22 Alvorada 2011
23 Condomínio Parque das Violetas 2011
24 Residencial Caminho da Floresta 2011
25 Villa Verdi 2012
FONTE: PMC, elaborado pelo autor, 2012

Como visto, o crescimento da cidade vem acelerado, e a expectativa é de que


continue, visto que, a cidade possui projeto de instalação de dois polos industriais
em sua área urbana (um já em fase de implantação) além de outros indicadores de
expansão. Isso torna necessário a adoção de medidas para ordenação e
planejamento do solo urbano dos vazios existentes para ocupação, podendo
proporcionar aos habitantes uma cidade com melhores condições de vida.
61

3.2 ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS

3.2.1 Aspectos Gerais

A cidade de Colatina localiza-se na região Centro Oeste do Estado do Espírito Santo


às margens do Rio Doce (Mapa 2), a 129 km da capital Vitória e a 71 metros de
altitude em relação ao nível do mar.

Mapa 2: Mapa Localização Cidade


Fonte: Elaborado pelo autor, 2012

Sua população, segundo o censo do IBGE de 2010, é de 111.788mil habitantes


sendo 88% desse total residente em área urbana (Mapa 3) e sua área é de
1.423.277km².
62

Mapa 3:Novo Perimetro Urbano de Colatina


Fonte: Elaborado pelo autor, 2012
63

Desse total 54.291 são do sexo masculino e 57.497 são do sexo feminino (Tabela
4), sendo que maior parte desse publico é jovem e adulto com faixa etária entre 20 e
34 anos, conforme a Tabela 5.

Tabela 4: População residente, por gênero e situação do domicilio.

Fonte: Perfil Dados Gerais IBGE, 2012

Tabela 5: Estrutura etária da população

Fonte: Perfil Dados Gerais IBGE, 2012

A Tabela 6 mostra que maior parte da população está em idade ativa (97,9%) porém
somente 57,9 % desse total encontra-se com algum tipo de ocupação.
64

Tabela 6: Indicadores do mercado de trabalho

Fonte: Perfil Dados Gerais IBGE, 2012

Dentre esse total de pessoas ocupadas a renda mensal mínima varia de 1 a 2


salários mínimos (Tabela 7), sendo a maioria empregados em empresas privadas
(Tabela 8).

Tabela 7: População ocupada (P.O.), segundo faixa de rendimento de todos os


trabalhos

Fonte: Perfil Dados Gerais IBGE, 2012

Tabela 8: População ocupada (P.O.), segundo posição na ocupação

Fonte: Perfil Dados Gerais IBGE, 2012


65

A densidade demográfica (Mapa 4) do município varia de 1000 a 1500hab/km² na


área urbana e 5 a 10hab/km² na área rural. (IBGE, 2010)

Mapa 4: Densidade Demográfica, IBGE 2010


Fonte: ArcGIS, adaptado pelo autor, 2012

Têm como municípios limítrofes (Tabela 9): Pancas, São Roque do Canaã, Itaguaçu,
Marilandia, Baixo Guandu, Linhares, João Neiva, Governador Lindenberg e São
Domingos do Norte.

Tabela 9: Situação geográfica

Fonte: Perfil Dados Gerais IBGE, 2012


66

O município possui seis distritos (Mapa 5): Ângelo Frechiani, Baunilha, Boapaba,
Graça Aranha, Itapina e a Sede.

Mapa 5 :Distritos de Colatina


Fonte: Geobases, adaptado pelo autor, 2012

3.2.2 Aspectos Econômicos

Colatina vem se desenvolvendo em diversos setores ao longo dos anos, o que atrai
principalmente a população da área rural e também pessoas de municípios vizinhos
que buscam melhores condições de vida.

A Tabela 10 indica o peso da economia do município, possuindo um PIB, em 2009,


de 1.724.502, além do destaque do setor terciário com 75,91% das atividades.
67

Tabela 10: Produto Interno Bruto, 2009

Fonte: Perfil Dados Gerais IJSN, 2012

Dentre as atividades existentes na região, as industrias, o comercio e as atividades


de prestação de serviços (Tabela 11) são as que mais se desenvolvem.

Tabela 11: Distribuição setorial da população ocupada em %

Fonte: Perfil Dados Gerais IJSN, 2012

A cidade se destaca na Região Centro Oeste por possui o maior polo de confecção
do estado, o que a denominou como Capital do Polo de Confecções segundo a Lei
Estadual 9.786/2012. É uma das maiores potencialidades econômicas da região
onde existem, segunda uma reportagem da TV Gazeta Norte, cerca de 520
empresas instaladas no polo e destas, 78% são micros, 19% pequenas e 3%
grandes.

A maior novidade no setor da moda na cidade é o Shopping Atacadista Moda Brasil


que possui mais de 70 lojas com marcas de todo o estado além de restaurante,
68

serviços bancários, estacionamento e muito mais, tendo como publico alvo lojistas
de todo o estado do Espirito Santo, Sul da Bahia, Leste de Minas Gerais e Norte
Fluminense (RJ).

As atividades no setor da agropecuária também são desenvolvidas na região, já que


maior parte do seu território pertence a área rural.

Na agricultura (Tabela 12) tem-se o cultivo da lavoura com destaque para o café
conilon e a cana de açúcar, a silvicultura, a extração vegetal e atualmente a
fruticultura. Já na pecuária (Tabela 13) a criação de rebanho bovino para corte e
leite é o que fortalece a atividade, aproveitando sua vasta área de pastagens.

Tabela 12: Agricultura e produção florestal, 2010

Fonte: Perfil Dados Gerais IJSN, 2012


69

Tabela 13: Pecuária, 2010

Fonte: Perfil Dados Gerais IJSN, 2012

Como alternativa para diversificar os investimentos agrícolas, foi criado na cidade


em 2011 o Polo Pinhão Manso Capixaba (Figura 22).

Figura 22:Pinhão Manso


Fonte: PORTAL DO AGRONEGOCIO, 2011

O pinhão manso é um arbusto grande, de crescimento rápido e sua semente, devido


a composição, produz óleo com qualidade necessária para se transformar em
biodiesel. (Portal do Agronegócio, 2011)
70

Com isso o governo do estado, juntamente com a prefeitura, firmou parceria com a
Nòvabra Energia ES S.A. para o fomento da cultura do pinhão, que vem sendo
desenvolvida.

Além de todos os produtos e atividades supracitados, o desenvolvimento no setor


industrial vem crescendo a cada dia. O primeiro investimento nesse setor foi em
2006 a criação de um terminal de cargas (Figura 23) e um polo industrial na região
de Maria Ortiz, com o propósito de proporcionar maior desenvolvimento econômico e
social e consolidar uma nova fronteira logística no Espirito Santo. Ele surgiu como
alternativa para escoar os granitos das jazidas concentradas no norte capixaba.

Figura 23: Terminal Rodoferroviário Colatina


Fonte: FREIRE, Frederico.

Projetos não param de surgir para alavancar o setor industrial. Neste ano foi iniciado
a construção de outro polo industrial (Foto 1), mais próximo da sede urbana da
cidade. Esse polo está sendo criado para a implantação de novas indústrias e para
abrigar as indústrias de confecção da cidade. A ideia é retirar as indústrias de
confecção de dentro da cidade, visando desocupar terrenos situados em locais com
alto valor imobiliário.
71

Foto 1: Polo industrial para implantação de novas industrias


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Outro setor em desenvolvimento é a extração de rochas ornamentais que


atualmente, segundo o superintendente da Secretaria Municipal de Desenvolvimento
Econômico, Wilson Zipinotti, conta com pouco mais de 20 empresas atuando na
extração, beneficiamento e exportação.

A cidade está passando, devido a esse desenvolvimento, por um “boom imobiliário”.


Nos últimos anos, com a expansão territorial em diversos pontos da cidade a
construção de loteamentos se intensificou, fazendo com que as atividades
imobiliárias aumentassem sua produção, criando novos empreendimentos (Figura
24) e gerando um mercado mais competitivo, o que antes não existia.

Figura 24: Folder de divulgação Edifício Residencial


Fonte: Construtora KMS
72

Projetos arrojados, diferentes, com opções para todas as demandas e facilidades de


pagamento por parte da construtoras e financeiras contribuiu para abrir as portas
desse setor altamente lucrativo, anteriormente quase inexplorado.

3.3 ASPECTOS AMBIENTAIS

3.3.1 Clima

A área de influencia está inserida na região de clima AW, Tropical Chuvoso de


Savana, segundo a classificação de Wladimir Köppen. Este clima (Figura 25) é
caracterizado por um verão quente com copiosas precipitações e um inverno ameno
e bastante seco. (RIMA – Rodovia ES 080 (Variante de Colatina).

Figura 25: Climas do Brasil: Classificação de Köppen


Fonte: Classificação Climática de Koppen no mundo e no Brasil
73

De acordo com a classificação do IBGE (Mapa 6), o clima da cidade varia de


quentes semiúmidos a úmido possuindo de 3 a 5 meses secos.

Mapa 6:Clima do Espirito Santo, IBGE


Fonte: ArcGIS modificado pelo autor, 2012

Através das zonas naturais (Figura 26) observa-se que normalmente a época mais
chuvosa ocorre de novembro a dezembro, e a mais seca de maio a setembro, com
temperatura variando na maior parte do território de 18° a 34° (Tabela 14).
74

Figura 26: Mapa e Tabela das Zonas Urbana de Colatina


Fonte: PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL PROATER 2011 – 2013
disponível em / http://www.incaper.es.gov.br/proater/municipios/Noroeste/Colatina.pdf

Tabela 14: Características das Zonas Urbanas do Município

U – chuvoso; S – seco; P – parcialmente seco

Fonte: PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL PROATER


2011 – 2013 disponível em http://
http://www.incaper.es.gov.br/proater/municipios/Noroeste/Colatina.pdf
75

3.3.2 Hidrografia

Colatina é cortada pelo Rio Doce e está inserida na Bacia Hidrográfica do Rio Doce
(Figura 27), que abrange os estados de Minas Gerais (230 municípios) e o Espírito
Santo (26 municípios).

Figura 27: Bacia Hidrográfica Rio Doce


Fonte: Agrosoft Brasil - disponível em http://www.agrosoft.org.br/agropag/219809.htm

A Bacia do Rio Doce é a maior do estado do Espírito Santo possuindo uma área de
83.500km² sendo 86% em Minas Gerais e 14% no Espírito Santo.

O município de Colatina possui como principais afluentes (Mapa 7) do Rio Doce no


lado sul do rio: Rio Santa Maria do Rio Doce (Foto 2); e no lado norte do rio: Rio
Pancas (Foto 3) .
76

Mapa 7: Principais Afluentes Rio Doce


Fonte: Geobases modificado pelo autor

Foto 2: Encontro do Rio Santa Maria do Rio Doce com Rio Doce
Fonte: Acervo Pessoal, 2012
77

Foto 3: Rio Pancas em área urbana


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

O Rio Doce foi vitima das irregularidades ocorridas no processo de desenvolvimento


da cidade.

No inicio do desenvolvimento da cidade o Rio Doce sofreu com um enrocamento


feito nas proximidades da atual Rodoviária da cidade a fim de ampliar a Av. Beira
Rio, e em 2005 foram iniciadas as obras de um novo enrocamento com o mesmo
objetivo, causando o estreitamento do leito do rio o que prejudica ainda mais a
cidade já que o centro da cidade se localiza na parte baixa do rio doce onde ocorre
os transbordamentos em épocas de enchentes.

Além disso a falta de afastamento devido as ocupações a sua margem, ausência de


mata ciliar e degradação das margens, vem aumentando com o passar dos anos o
processo de assoreamento do rio.

Atualmente, além do assoreamento, um grave problema que o Rio Doce enfrenta é o


lançamento de esgoto domestico e industrial sem tratamento.

Uma medida para resolver esse problema foi tomada pela Administração Publica em
parceria com o governo do estado que é o Programa Rio Doce Limpo que visa
construir uma Estação de Tratamento de Esgoto para tratar 100% do esgoto
coletado pelo município.
78

Devido a essas situações torna-se necessário a atenção das autoridades da cidade


e outras que fazem parte da Bacia do Rio Doce, para a situação atual encontrada,
um rio assoreado e poluído por esgotamentos sanitário o que prejudica a saúde
publica além de perturbar o equilíbrio ecológico do meio ambiente.

3.3.3 Topografia e tipo do solo

O solo predominante no território de Colatina são o latossolo vermelho e amarelo


(Mapa 8), apresentando fertilidade média e acidez moderada, é distrófico e possui
pH em torno de 5,0. (PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO
RURAL PROATER 2011 – 2013)

Mapa 8: Tipos de solo em Colatina


Fonte: Geobases adaptado pelo autor, 2012

Segundo Perfil Dados Gerais do IBGE (2012) o relevo (Mapa 9) do município varia
de ondulado a montanhoso.
79

Mapa 9: Relevo de Colatina


Fonte: ArcGIS adaptado pelo autor, 2012

3.4 INFRAESTRUTURA E USO DO SOLO

3.4.1 Uso do solo

O uso do solo predominante na área urbana da cidade é residencial. As atividades


comerciais se concentram na sede do município (Foto 4) e na Av. Silvio Avidos (Foto
5), localizada em São Silvano (Mapa 10). Nos bairros, em geral, também são
encontrados em menor escala atividades de comercio e serviços locais.
80

Foto 4: Avenida Getulio Vargas, principal centro de atividades comerciais da cidade.


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Foto 5: Avenida Silvio Avidos, centro de atividades do bairro São Silvano.


Fonte: Acervo Pessoal, 2012
81

Mapa 10: Principais pontos de atividades comerciais


Fonte: Geobases, modificado pelo autor, 2012

Na área rural, encontram-se segundo a Figura 28, áreas de afloramento, alagáveis,


cultural, mata, mineração, floresta plantada e predominância de áreas de pastagens
(Foto 6).
82

Figura 28: Uso e Cobertura da Terra, 2010


Fonte: IJSN, 2012
83

Foto 6: Área de Pastagem na zona rural de Colatina


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Além dessa análise, vale destacar os usos definidos pelo zoneamento urbano (Mapa
11), que são:

 Residenciais;
 Industriais;
 Uso diverso;
 Proteção Ambiental;
 Especial;
 Proteção aeroportuária.

Vale destacar que, as zonas definidas pelo zoneamento, em alguns casos, estão em
desacordo com a realidade encontrada na cidade.
84

Mapa 11: Zoneamento de Colatina


Fonte: Elaborado pelo autor, 2012
85

3.4.2 Sistema Viário

A cidade possui sistema viário composto por vias locais, municipais, estaduais e
uma rodovia federal (Mapa 12). As principais vias estaduais que passam pelo
município são:

Mapa 12: Sistema Viário de Colatina


Fonte: ArcGIS adaptado pelo autor, 2012

ES 080 (Foto 7) – que corta toda cidade dando acesso ao Norte a São Domingos do
Norte e ao Sul a Santa Tereza;
86

Foto 7: Rodovia ES 080 no bairro Carlos Germano Naumann


Fonte: Acerco Pessoal, 2012

ES 248 (Foto 8) – inaugurada em 2009 liga Colatina a Linhares pela margem


esquerda do Rio Doce.

Foto 8: Rodovia ES 248 que dá acesso a Linhares


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

A BR 259 (Figura 29) é uma rodovia federal, que passa pelo município dando
acesso ao Leste a capital Vitória e a Oeste ao estado de minas Gerais.
87

Figura 29: Viaduto BR-259


Fonte: PMC, 2012

Inaugurada em novembro de 2007, pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, a


conhecida Rodovia do Contorno que reúne viaduto, trecho de oito quilômetros de
asfalto (ampliação da BR-259) e ponte sobre Rio Pancas. Esse contorno foi criado
para desviar o grande fluxo de veículos e o transporte de carga pesada do centro da
cidade, dando acesso direto a segunda ponte da cidade, principal ponto de
escoamento para outras regiões.

As rodovias estaduais e federal que passam pelo município são asfaltadas e


possuem boas condições de tráfego. As principais vias municipais também são
asfaltadas (Foto 9) sendo as demais (vias locais) pavimentadas com bloco de
concreto sextavado (Foto 10). Na sede do município praticamente não existem vias
sem pavimentação, sendo encontradas apenas nas localidades rurais.
88

Foto 9: Principal rua do bairro Aeroporto


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Foto 10: Rua pavimentada do bairro Carlos Germano Naumann


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Além das rodovias, o sistema viário conta com a ferrovia EFVM (Estrada de Ferro
Vitoria Minas) (Figura 30) e um aeroporto de âmbito regional (Figura 31).
89

Figura 30: Estrada de Ferro Vitoria Minas e Estação Ferroviária Colatina


Fonte: TERRAFOTOLOG, 2012

Figura 31: Aeroporto regional de Colatina


Fonte: BENACHIO, Marinelson.

Nesse ano, 2012, foi iniciado a implantação e pavimentação da Rodovia ES-080


(Variante de Colatina) no trecho entre o entroncamento da BR-259 (Rodovia do
Contorno) e o entroncamento com a ES-080 (Ponte do Pancas) (Figura 32).
90

Figura 32: Implantação e ampliação da variante da Rodovia ES-080


Fonte: Estudo de Impacto Ambiental das Obras na Rodovia ES 080 – Variante Colatina

Essa novo traçado de acesso à cidade tem por objetivo estabelecer uma rota
alternativa para os veículos da região noroeste, além de evitar o trafego intenso na
área urbana que não possui estrutura viária para absorver toda a demanda. Essa
rota terá acesso na área urbana da cidade pela Rodovia do Contorno (Foto 11), fator
de grande importância, pois estará ligada ao acesso de entrada do Polo Industrial
(Foto 12), que está sendo construído na cidade, nas margens da mesma rodovia

.
Foto 11: Trecho da ampliação da ES 080 próximo a BR 259
Fonte: Acervo Pessoal, 2012
91

Foto 12: Acesso ao Polo Industrial na BR 259


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

3.4.3 Saneamento

O SANEAR – Serviço Colatinense de Meio Ambiente e Saneamento Ambiental – é


responsável pelo abastecimento e tratamento de água, coleta e tratamento de
esgoto, tratamento de resíduos sólidos, pela limpeza urbana, preservação e
conservação de parques e jardins e pela coleta e destinação final do lixo.

O tratamento de água é realizado em duas estações de tratamento de água – ETA‟s:

 ETA I: localizada no bairro Marista;

 ETA II: localizada no bairro Nossa Senhora Aparecida (Foto 13);


92

Foto 13: ETA no Bairro Nossa Senhora Aparecida


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

O tratamento de esgoto, segundo o Sanear, é feito em apenas 5% da cidade e os


outros 95% vão para o Rio Doce. (GLOBO TV, 2012)

Neste ano foi lançado o Programa Rio Doce Limpo que é um projeto que integra o
Programa Colatina Cidade Sustentável, que prevê 100% do tratamento de esgoto
coletado pelo município, com isso será construída uma ETE – Estação de
Tratamento de Esgoto. O projeto faz parte do PAC - Programa de Aceleração ao
Crescimento, do Governo Federal.

A nova ETE ficará localizada no bairro Barbados (Figura 33) e conta ainda com a
criação de um cinturão verde em seu entorno, para a contenção de possíveis odores
já que os ventos dominantes vão em direção ao centro da cidade.
93

Figura 33: Localização ETE Barbados


Fonte: GLOBO TV, adaptado pelo autor, 2012

Recentemente, foi implantado na cidade o sistema de coleta seletiva (Foto 14), que
busca separar lixo úmido do lixo seco para facilitar o processo de reciclagem e
destino do lixo seco.

Foto 14: Coleta Seletiva em Colatina


Fonte: Acervo Pessoal, 2012
94

O lixo da cidade é destinado a um aterro sanitário (Mapa 13) que contempla


sistemas de controle ambiental com sistemas de impermeabilização do solo, sistema
de drenagem de águas pluviais, de gases e líquidos percolados (chorume), além de
monitoramento geotécnico.

Mapa 13: Localização Aterro Sanitário


Fonte: ArcGIS adaptado pelo autor, 2012

3.5 EQUIPAMENTOS PUBLICOS

3.5.1 Saúde

O município é equipado com edificações de saúde (Mapa 14) com 331 tipos de
prestadores de serviços (Tabela 15), o que atrai um significativo volume das
populações municipais rurais e de outros municípios de seu entorno. Como
principais hospitais públicos estão o Hospital e Maternidade Silvio Avidos (Foto 15),
onde também funciona o Pronto Socorro (Foto 16), o Hospital São José (Foto 17)
que além de atendimento publico possui uma ala para atendimento particular e a
Santa Casa de Misericórdia (Foto 18) que também conta com pronto Atendimento.
95

Mapa 14: Edificações de Saúde


Fonte: Geobases, adaptado pelo autor, 2012

Tabela 15: Unidades de Saúde ligadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), 2011

Fonte: Perfil Dados Gerais IBGE, 2012

Foto 15: Hospital e Maternidade Silvio Avidos


Fonte: Acervo Pessoal, 2012
96

Foto 16: Fachada Principal Pronto Socorro de Atendimento


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Foto 17: Hospital e Maternidade São José


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Foto 18: Santa Casa de Misericórdia


Fonte: Acervo Pessoal, 2012
97

Além dos hospitais são encontradas na maioria dos bairros as USF – Unidade de
Saúde da Família (Foto 19), que fazem atendimentos de consultas e alguns exames
e em pontos estratégicos da cidade, situam-se as Farmácias Populares que
distribuem medicamentos gratuitamente, perante encaminhamento médico a toda
população.

Foto 19: Unidade de Saúde da Família, bairro Carlos Germano Naumann


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

3.5.2 Educação

O município possui um total de 198 instituições de ensino (Tabela 16) possuindo


escolas municipais em todos os bairros (Mapa 15), duas escolas estaduais, sendo
que a escola Conde de Linhares (Figura 34), reinaugurada recentemente, possui
ensino técnico integrado. No município também se encontram dois polos do IFES –
Instituto Federal do Espirito Santo, sendo um localizado em Itapina (Figura 35) que
oferece cursos técnico e superior nas áreas agrícolas e ambientais; o outro se situa
no bairro Santa Margarida (Figura 36) oferecendo cursos técnico e superior nas
áreas de exatas e de tecnologia.
98

Tabela 16: Escolas por modalidade de ensino, 2011

Fonte: Perfil Dados Gerais IJSN, 2012

Mapa 15: Edificações de ensino


Fonte: Geobases, adaptado pelo autor, 2012

Figura 34: Escola Conde de Linhares


Fonte: FOLETTO, Paulo.
99

Figura 35: Entrada Principal, IFES Campus Itapina


Fonte: MARTINS, David Leandro Sperandio

Figura 36: Entrada IFES Campus Santa Margarida, Colatina


Fonte: IFES disponível em: http://www.ifes.edu.br/campus-colatina

Além das escolas encontradas na área urbana da cidade, algumas localidades rurais
possuem escola para os anos iniciais. As escolas com ensino médio e superior
(IFES ou faculdades particulares) só se encontram na área urbana.
100

4 ANÁLISE DA EXPANSÃO

4.1 LEGISLAÇÃO APLICADA

Ao se projetar sobre a cidade as legislações estudadas anteriormente (Mapa 16),


observa-se que além da falta de planejamento não houve o cumprimento de leis
importantes para a preservação de recursos naturais e também para conforto e
segurança da população. Como resultado final (Mapa 17) observa-se uma grande
área da cidade que não deveria ser ocupada.
101

Mapa 16: Legislações Incidentes


Fonte: Elaborado pelo autor, 2012
102

Mapa 17: Area improprias para Ocupação


Fonte: Elaborado pelo autor, 2012
103

O Rio Doce, que corta toda a cidade, onde se situa a ponte Florentino Avidos (Foto
20) possui 650 metros de largura, sendo assim, segundo o Código Florestal deveria
ser respeitado uma faixa marginal de 500 metros de largura mínima, como sendo
área de preservação permanente. O Rio Santa Maria (Foto 21) possui
aproximadamente 30 metros de leito e o Rio Pancas aproximadamente 40 metros,
sendo assim deveria ter sido respeitado uma faixa marginal em ambos de 50 metros
de largura.

Foto 20: Ponte Florentino Avidos sobre Rio Doce


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Foto 21: Rio Santa Maria do Rio Doce


Fonte: Acervo Pessoal, 2012
104

Além do Código Florestal, a lei municipal 5.273/2007, Plano Diretor Municipal, relata
em seu art. 120º que para cursos d‟água maior que 50 metros de largura a faixa
marginal de preservação será de 50 metros.

A situação encontrada na cidade é bem diferente da exigida pelas leis. A evolução


territorial da cidade acarretou vários problemas, dentre eles a ocupação às margens
dos rios existentes no perímetro urbano. Toda a margem norte do Rio Doce (Foto
22) é habitada sem nenhum afastamento e a margem sul possui construções um
pouco mais afastadas porem encontra-se sem nenhum afastamento o calçadão da
Avenida Beira Rio (Foto 23), observando-se alguns trechos com vegetação próxima
ao rio (Foto 24).

Foto 22: Construções as margens do Rio Doce sem afastamento


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Foto 23: Calçadão Avenida Beira Rio


Fonte: Acervo Pessoal, 2012
105

Foto 24: Trechos do Rio Doce com vegetação


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

O Rio Santa Maria (Foto 25) e o Rio Pancas (Foto 26) também não possuem
nenhum tipo de afastamento tendo construções muito próximas a seu leito, que em
períodos de enchentes ficam alagadas.
106

Foto 25: Construções as margens do Rio Santa Maria


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Foto 26: Casas construídas sem afastamento na margem do Rio Pancas


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

No inicio do processo de ocupação da cidade, parte da margem sul do Rio Doce foi
aterrada nas proximidades da atual rodoviária, e em 2005, foram iniciadas as obras
do enrocamento no Rio Doce (Figura 37), com o objetivo de ampliar a Avenida Beira
Rio. No maior trecho foram avançados para dentro do rio 160 metros e na menor 70
107

metros (Figura 38). A ampliação foi de 1300 metros com um aterro de 130.000m².
(PMC, 2012)

Figura 37: Projeto Enrocamento


Fonte: PMC, 2012

Figura 38: Enrocamento em Colatina


Fonte: BARCELOS, Audifax.

Durante a obra, houve uma paralisação pelo Ministério Publico Federal exigindo os
estudos de impacto ambiental solicitados pelos órgãos ambientais federais. A
elaboração do projeto data da década de 90, onde foram realizados os estudos
ambientais, conhecidos como EIA-RIMA. Em 2001, o projeto foi apresentado ao
IBAMA, que liberou o inicio das obras. (PMC, 2012)

Foi uma obra de grande impacto para a cidade, pois estreitou o leito do rio naquele
ponto diminuindo seu percurso, o que prejudica a cidade em períodos de enchentes.
108

Por outro lado, a área possui um projeto de urbanização (Figura 39) com a finalidade
de torná-la um espaço publico de lazer que atualmente é palco de alguns shows e
eventos realizados na cidade.

Figura 39: Projeto a ser implantado na área do enrocamento.


Fonte: PMC, 2012

Além da faixa marginal ao redor de cursos d‟água o Código Florestal define como
área de preservação permanente em seu art. 4º, os topos de morros, montes,
montanhas e serras, com altura mínima de 100 (cem) metros e inclinação média
maior que 25%. Em Colatina, são encontradas essas áreas em diversos pontos da
cidade devido a sua topografia, porém a maioria delas já ocupadas. Devido ao seu
crescimento sem planejamento essas áreas foram sendo habitadas, o que ocorre
até os dias atuais, como é visto nos loteamentos populares da PMC.

Algumas delas ainda encontram-se sem ocupação, porém em locais com fortes
estimuladores de crescimento o que futuramente poderá auxiliar no processo de
ocupação.

Segundo a Resolução Conama nº 004/85 estabelece em seu art. 3º, que são
reservas ecológicas as florestas e formações de vegetação natural situada ao longo
dos rios cuja largura mínima será:

II - de 5 (cinco) metros para rios com menos de 10 (dez) metros de largura;

- igual á metade da largura dos corpos d'água que meçam de 10 (dez) a 200
(duzentos) metros;

- de 100 (cem) metros para todos os cursos d'água cuja largura seja superior a 200
(duzentos) metros;

Sendo assim, deveria ser obedecido uma faixa de 200 metros ao redor do Rio Doce,
15 metros no Rio Santa Maria e 20 metros no Rio Pancas, conforme observado no
Apêndice 5.
109

Existe no distrito de Itapina uma área de Reserva da Biosfera da Mata Atlântica


(Foto 27) criada em 1999 pela Prefeitura Municipal de Colatina através de
desapropriação, com o principal objetivo de preservar a fonte de água fornecedora
da região porque sua cabeceira estava ameaçada pelo desflorestamento para
formação de cafezais. (SANEAR, 2012)

Foto 27: Reserva de Itapina


Fonte: Acervo Pessoal, 2011

Esta reserva possui uma área de 105 hectares sendo 25 hectares de remanescentes
da mata atlântica. Está sendo criada nessa área uma unidade de conservação,
através de parceria entre o poder público local, o Instituto Estadual de Meio
Ambiente (IEMA) e o Instituto Terra. A reserva, em estágio avançado de degradação
(Foto 28), tem grande importância ecológica para aquela região, bem como para
recuperação das fontes naturais de água, que inclusive abastecem parte da cidade.

Foto 28: Degradação encontrada na reserva em Itapina


Fonte: Acervo Pessoal, 2011
110

Através de uma parceria com o Instituto Terra está acontecendo a recuperação da


reserva, onde já foi concluído o replantio de mudas em mais de 20 hectares da
reserva e a manutenção em 50 hectares da área. Essas ações de proteção e
reflorestamento formam a etapa suplementar no inicio do reflorestamento da
reserva, juntamente com a parceria com a empresa Samarco e pretende a total
recuperação florestal em 2014 graças ao projeto aprovado pelo Instituto Terra junto
a iniciativa BNDES Mata Atlântica. (Instituto Terra, 2012)

Possui também o Horto Florestal Santa Fé (Foto 29) criado pela Lei Municipal n.º
3.662, de 14 de setembro de em 1.990, dentro do Programa Hortos Florestais do
Governo do Espírito Santo, através de uma ação integrada e articulada pelo
Governo do Estado, BANDES – Banco de Desenvolvimento do Estado do Espírito,
GERES – Grupo Executivo para Recuperação Econômica do Estado do Espírito
Santo, Municípios, empresas privadas, como a CVRD – Companhia Vale do Rio
Doce e Aracruz Celulose S.A., produtores rurais, e os mais diversos setores
organizados da sociedade capixaba.

Foto 29: Horto Florestal em Santa Fé


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Situado em Santa Fé (Mapa 18), Colatina – ES, à cerca de sete quilômetros do


centro da cidade, 02(dois) quilômetros da segunda ponte sobre o rio Doce e 500
111

metros do Aeroporto Regional do Norte do Espírito Santo, possuindo uma área total
de 145.255,91m2, com mais de 85% da área está revegetada. (SANEAR, 2012)

Mapa 18: Localização do Horto Florestal Santa Fé


Fonte: Elaborado pelo autor, 2012

Foi instalado no horto o viveiro de produção de mudas e a implantação das


seguintes Unidades de Conservação que compõem o Horto Santa Fé: sistema agro
florestal, floresta de uso múltiplo, bosque tropical, pomar de frutos tropicais, floresta
de palmito, e viveiro de mudas de espera. Além da realização de diversos eventos
no seu Centro de Vivência, propriedades rurais, escolas, creches, associações
comunitárias

Outro Horto encontrado no município é o Hortinho Municipal (Foto 30), localizado no


Bairro Perpétuo Socorro (Mapa 19) consiste em uma área de 5.918m² de extensão,
antigamente conhecido por “Barreiro”, por possuir grande quantidade de
argila,chamada “Betinga”, em seu território.
112

Foto 30: Hortinho Municipal no bairro Perpétuo Socorro


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Mapa 19: Localização Hortinho Bairro Perpétuo Socorro


Fonte: Elaborado pelo autor, 2012
113

Hoje o SANEAR, gerencia a área que tende a transformá-lo em Parque Ecológico,


dessa forma a comunidade poderá ser atendida através de trilhas, oficinas e por
visitas monitoradas que poderão ser agendadas com a Educação Ambiental da
Companhia.

Além de todas essas áreas relatadas o SANEAR está realizando um estudo de


mapeamento das áreas verdes do município para iniciar um projeto de recuperação
das mesmas. Nessa pesquisa já foram relatados 1.466.392 m² de áreas verdes
(Tabela 17).
114

Tabela 17: Áreas Verdes em Colatina


LOCAL QUANTIDADE ÁREA TOTAL
Aeroporto 3 11.959,95
Ayrton Senna 2 254.120,23
Alvorada 2 36.268,30
Américo Ferrari 4 16.463,45
Moacyr Brotas 1 22.876,55
Beluar Ville 4 7.612,44
Bosque da princesa 1 55.417,25
Casa do Menino de Colatina 2 19.892,82
Columbia 4 57.181,23
Condomínio Brotas 1 1.860,81
Condomínio Caminho da Floresta 1 4.498,18
Condomínio Parque das Violetas 1 4.217,83
Jardim Planalto 1 35.022,05
Morada do Sol 4 43.643,82
Morada do Vale – Barbados 1 19.998,86
Morelatto 1 26.550,36
Nilson Soela 1 28.514,83
Noêmia Vitalli 6 41.651.67
Parque das Águas 1 104.940,16
Parque dos Jacarandás 3 66.336,08
Parque Monterosso 1 17.398,29
Recanto dos Passaros 3 21.246,67
Reynaldo Guerra 2 5.656,68
Residencial Alto da Lagoa 3 30.667,07
Residencial Colibris 1 42.560,95
Residencial Itajuby 1 6.183,93
Residencial Jardim Tropical 2 26.506,74
Residencial Riviera I 2 66.809,34
Residencial Sol Nascente 1 5.667,26
Residencial Villa Verdi 7 137.304,01
Riviera II 2 56.127,27
San Diego 1 8.600,00
Santa Clara 2 57.730,00
Santa Helena 1 14.690,35
Santa Margarida 1 15.769,09
Santa Monica 2 1 7.986,72
Villageo Pancieri 3 25.961,66
Vista da Serra 1 29.527,85
Vista Linda 1 7.465,71
Colatina Velha – Atrás Posto Girassol 1 4.463,70
Lace – Atrás Viação São Roque 1 19.042,44
Fonte: SANEAR, 2012
115

Em se tratando do Código Brasileiro de Aeronáutica, temos no município um


aeródromo que localiza-se a 5km do perímetro urbano, é um aeroporto regional de
médio porte (Tabela 18), sua pista possui 1300 metros de comprimento (Figura 40),
seu pátio está de acordo com o Plano Básico de Zona Proteção de Aeródromos, sua
pista é asfaltada e o uso do solo no entorno é predominantemente rural e com baixa
ocupação do solo, o que no futuro poderá facilitar sua ampliação. (PAEES, 2000)

Tabela 18: Parâmetros para a Definição das Diretrizes Gerais de Desenvolvimento do Sistema

Fonte: PAEES, 2000

Figura 40: Configuração Atual do Aeródromo, 2000


Fonte: PAEES, 2000

A Portaria nº1.141/GM5, de 08 de dezembro de 1987 define as restrições quanto ao


uso do solo estabelecidas no Plano Básico de Zoneamento de Ruídos (Mapa 20).
116

Mapa 20: Zona Aeroportuária segundo a Portaria nº 1.141/GM5/87


Fonte: Elaborado pelo autor, 2012

A área ao redor do aeroporto de Colatina,é considerada pelo PAEES como de uso


predominantemente rural, sendo localizado naquela região o Horto Florestal Santa
Fé. Porém localiza-se próximo ao Aeroporto a Penitenciária de Segurança Média
(Foto 31) da cidade inaugurada em julho de 2005 com 300 vagas.

Foto 31: Penitenciária de Segurança Média em Colatina


Fonte: Acervo Pessoal, 2012
117

A portaria define em seu art. 69º que são permitidos a produção e extração de
recursos naturais; serviços Públicos ou de Utilidade Pública, comercial, recreação e
lazer ao ar livre e atividades de transporte.

As área utilizadas como horto florestal e penitenciária se enquadram dentro dos


usos definidos por essa portaria.

Já a Área se Segurança Aeroportuária estabelecida pela Resolução CONAMA nº 4


de 09 de outubro de 1995 não pode ser identificada uma vez que o Córrego Santa
Fé, onde está localizado o aeroporto, não está mapeado pela PMC no mapa da
cidade, sendo apenas identificado no Zoneamento a Zona de Proteção
Aeroportuária.

Quanto ao parcelamento do solo temos as Leis de Parcelamento do Solo do Espirito


Santo (Lei 7.943/2004), a de Colatina (Lei 4.227/1994) e a Lei 5.273/2007 que
estabelecem que não é permitido o parcelamento do solo em terrenos situados em
encostas, com declividade igual ou superior a 30%, sendo encontrados na cidades
áreas ocupadas com percentual acima de 45% (Mapa 21).
118

Mapa 21: Areas de risco ocupadas


Fonte: Elaborado pelo autor, 2012
119

O Plano Diretor Municipal, lei 5.293/2007 possui algumas contradições quanto ao


zoneamento. Em seu art. 88º diz que o território do Município de Colatina fica
subdividido nas seguintes zonas de uso, conforme observado no Mapa 11 visto
anteriormente:

I - Zonas de Uso Rural – ZUR;

II - Zonas Urbanas de Comunidades Rurais – ZUCR;

III - Zonas Industriais – ZI;

IV - Zonas Residenciais – ZR 1, 2, 3, 4 e 5;

V - Zonas de Usos Diversos – ZUD 1, 2 e 3;

VI - Zonas Especiais de Interesse Social – ZEIS 1, 2 e 3;

VII - Zonas de Proteção Ambiental – ZPA 1, 2 e 3;

VIII - Zonas de Expansão Urbana – ZEU;

IX - Zonas de Proteção Aeroportuária – ZPAE;

X - Zonas Especiais – ZE 1 e 2.

As zonas de expansão urbana definidas na lei em razão da necessidade do


crescimento urbano regular do município, não são definidas no mapa de
zoneamento. Assim como as Zonas de Uso Rural e Zonas Urbanas de
Comunidades Rurais. As Zonas de Proteção Ambiental divididas em quatro também
não são definidas corretamente no mapa.

Além disso podem ser encontrado na cidade construções e até mesmo loteamentos
permitidos em locais impróprios segundo o PDM, que são tolerados e liberados a
critério do Conselho Municipal do Plano Diretor.

Outro aspecto que visa, entre outros, o interesse político é a Lei Municipal
5.789/2011, que contempla o novo perímetro urbano da cidade de Colatina.
Esse novo perímetro foi criado apenas para abranger áreas, antes rurais, que
serão utilizadas para implantação de polos industriais. Não deixa de ser
beneficio para cidade uma vez que esses empreendimentos ajudam no seu
desenvolvimento.

Diante dessas abordagens observa-se a necessidade da implantação de algum


instrumento de planejamento urbano com o objetivo de ordenar a expansão dos
120

vazios urbanos existentes, a fim de que, se desenvolvam de forma organizada


trazendo benéficos para a cidade, e também é necessário a revisão do PDM atual
que além de estar desatualizado perante a realidade da cidade, visa em alguns
parâmetros benefícios políticos para determinadas áreas, não se preocupando
muitas vezes com a correta classificação do solo.
121

5 IDENTIFICAÇÃO DOS ESTIMULADORES E INIBIDORES DA


EXPANSÃO

Após as análises apresentadas no capítulo anterior, com base nos elementos e


demais aspectos que provocaram e provocam o avanço do tecido urbano na cidade
de Colatina, este capítulo se propõe apresentar de forma crítica o que definiu-se
como elementos estimuladores e inibidores de crescimento municipal.

5.1 ESTIMULADORES

Nesta vertente, os estimuladores são fatores que contribuem para o


desenvolvimento, sendo eles equipamentos públicos ou privados que atraem, para a
cidade, uma demanda significativa de pessoas, ou ainda eixos e projetos viários que
proporcionarão maior fluxo de pessoas e melhores acessos as cidades vizinhas,
facilitando a ligação entre elas.

De forma contrária, os inibidores são fatores que atrapalham esse crescimento,


agindo diretamente sobre os estimuladores, fazendo que não tenham a mesma
eficiência no processo de expansão. Pode ser de estímulo local, características
físicas da própria cidade, como a própria topografia ocasionando áreas de risco, a
presença de importantes cursos d‟água ou ainda, a falta de investimentos da
administração publica que fortalece a consolidação de áreas precárias
(assentamentos subnormais).

Tais fatores, tanto os estimuladores quanto os inibidores, são de grande importância


no estudo da expansão urbana, pois a partir deles podem-se definir quais são
realmente as áreas propicias ao crescimento, ficando mais fácil sua classificação
quanto o uso do solo, pois a partir do estimulador existente no local já se consegue
direcionar qual uso será difundido naquele local.

É fato que a cidade de Colatina possui grandes áreas vazias que tendem, com o
passar dos anos, a serem ocupadas. Para avaliar esse crescimento, seguindo a
122

ideia inicialmente mencionada serão categorizados os estimuladores que poderão


auxiliar no desenvolvimento dessas áreas, bem como os inibidores do crescimento.

Para melhor entendimento e espacialização os estimuladores podem ser agrupados


da seguinte forma:

 Centralidades de comércio e serviços;


 Novos núcleos urbanos/ Crescimento imobiliário;
 Novos projetos viários e novos eixos;
 Instituições educacionais publicas e privadas.

As centralidades de comercio e serviços surgem juntamente com a formação de


novos núcleos urbanos, que são iniciados através dos novos loteamentos que vem
surgindo na cidade. A oferta de serviços, as condições favoráveis das áreas
loteadas (facilidades de acessos, condições climáticas favoráveis, etc.) atraem
pessoas para esses novos núcleos, desenvolvendo esses locais e seus serviços,
que com o passar dos anos acabam se tornando independentes dos centros
urbanos já consolidados, possibilitando assim o surgimento de novos centros.

Esses loteamentos vão surgindo a medida que os proprietários decidem


mercantilizar suas terras e esse surgimento pode acarretar em novas centralidades
para cidade, pois alguns dos núcleos de loteamentos vão surgindo distantes do
centro urbano da cidade, criando nesses locais áreas para o desenvolvimento de
comercio e serviços para atender a demanda local mas podendo com o passar dos
anos podem se tornar novas centralidades para a cidade. Em Colatina, um exemplo
disso pode ser observado no bairro São Silvano (Foto 32), que com seu
desenvolvimento passou a ser independente em serviços do “centro” da cidade,
fazendo uma divisão na cidade e criando uma disputa entre as mesmas.
123

Foto 32: Avenida Silvio Avidos, bairro São Silvano


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Embora o “centro urbano” da sede da cidade seja mais desenvolvido, São Silvano
não necessita de seus serviços básicos (bancos, supermercados, comércio) para
atender a população do lado norte da ponte. É claro que a oferta do centro da cidade
é mais diversificada porém, o bairro não deixa a desejar para a população de seu
entorno.

Os projetos viários vêm surgindo na necessidade de desviar o trafego intenso e


pesado vindo do norte do estado do centro da cidade. Ao mesmo tempo, criam
importantes eixos de ligação com outras cidades, possibilitando maior integração
entre Colatina e as cidades vizinhas, o que aumenta o fluxo de novas pessoas na
cidade.

Ao mesmo tempo que os investimentos viários auxiliam no crescimento, a criação de


rotas alternativas nas áreas periféricas desvia o fluxo de pessoas de alguns bairros
afastados do centro, que se localizam justamente nas proximidades de rodovias que
fazem acesso a outras cidades. Um exemplo disso é o bairro Carlos Germano
Naumann, cortado pela rodovia ES 080 que dá acesso as cidades do norte do
Espirito Santo (Nova Venécia, São Domingos).
124

Com a implantação da variante da ES 080 (Foto 33) que fará um desvio na rodovia a
partir do distrito de Ponte do Pancas dando acesso a BR 259 (Rodovia do
Contorno), todo o trafego que passava pelo bairro e acabava contribuindo com seu
desenvolvimento através dos serviços que oferece, não irá mais existir o que vai
acarretar na inibição do seu crescimento. Em consequência disso toda região por
onde irá passar a variante poderá ser desenvolvida, especialmente às proximidades
da BR 259, pois além da variante está em fase de implantação um polo industrial
(Foto 34) que irá abrigar empresas da região e novas empresas nos setores
moveleiros e de confecção.

Foto 33: Variante da ES 080 nas proximidades do acesso ao polo industrial


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

Foto 34: Polo industrial em implantação


Fonte: Acervo Pessoal, 2012
125

Outro importante estimulador de crescimento e expansão da cidade é a implantação


de dois polos industriais. Um, já em fase de implantação, nas proximidades da BR
259 (Foto 35) mais voltado para industria moveleira e de confecção, e outro (Polo
Industrial Alto Belli) na ES 248 (Foto) que dá acesso a Linhares, priorizando as
industrias farmacêuticas.

Foto 35: Polo industrial a ser implantado para industrias farmacêuticas


Fonte: Engeste Engenharia, 2012

O polo industrial que se encontra em instalação, possui em seu entorno grandes


áreas de pastagem e algumas zonas residenciais, além do aterro sanitário. Sendo
assim, com a passagem da variante no local, a predominância de uso do solo dessa
região será provavelmente de uso misto, sendo que a maior parte será de uso
industrial e comércio/serviços e em minoria o uso residencial, visto que nas
proximidades do local possuem loteamentos novos com grande expectativa de
desenvolvimento.

Um grande contribuinte no desenvolvimento desse polo industrial é a logística,


principalmente, com a implantação da variante, em desenvolvimento, facilitando o
escoamento de suas mercadorias, o que irá contribuir no desenvolvimento
econômico da cidade.

O outro polo industrial terá uma contribuição um pouco maior no desenvolvimento de


uma região ainda não explorada, além de trazer para a cidade um tipo de atividade
126

ainda não desenvolvido, o que atrairá a atenção de profissionais da área


farmacêutica em busca de oportunidades de trabalho. Também possui uma boa
logística (Mapa 22) já que encontra-se na ES 248 que dá acesso a Linhares e a
Marilândia.

Mapa 22: Acessos do Polo Industrial Alto Belli


Fonte: Engeste Engenharia, 2012

As instituições educacionais públicas e privadas são importantes, no


desenvolvimento da cidade, pois trazem uma demanda significativa de pessoas das
áreas rurais e até de outras cidades que não possuem esses serviços ou cursos em
suas regiões. Esse desenvolvimento é mais presente nos bairros em que se
instalam.

Pessoas de outras regiões vem para Colatina em busca de estudo, principalmente


nas escolas de ensino superior e técnico, instalam-se na cidade durante a
elaboração do curso e, encontrando mercado de trabalho, permanecem na cidade.
Como exemplo pode-se citar o curso de Arquitetura e Urbanismo que não existia na
cidade até esse ano, sendo encontrado agora tanto na UNESC (instituição privada)
quanto no IFES (instituição publica) o que irá trazer para Colatina uma demanda de
alunos que antes eram direcionados para Aracruz e Vitória por serem as únicas
instituições que ofereciam o curso. Não só este curso, mais os novos cursos que
ambas as faculdades oferecem trazem para cidade novas pessoas que contribuem
em seu processo de desenvolvimento.Atualmente um setor que vem se destacando
como estimulador de crescimento é o setor imobiliário que vem expandindo através
127

de novos loteamentos, da venda de imóveis na planta (pratica que não existia


anteriormente na cidade),do surgimento de novas empresas no ramo da qualificação
e até mesmo na oferta de qualificação do setor.

Esse crescimento ocorre devido as grandes áreas, ainda em território rural,


pertencente a algumas famílias tradicionais da cidade, que buscam como
investimentos o loteamento de suas terras. Esse fato auxilia no processo de
urbanização mais ao mesmo tempo é responsável pela especulação imobiliária que
supervaloriza algumas regiões criando assim uma exclusão social e destinando
essas terras apenas a uma pequena parcela da população.

Essas áreas de novos loteamentos possuem localizações em vários pontos da


cidade, podendo ser divida pela população abrangente, seja alto, médio ou baixo
poder aquisitivo. Possuem grande relevância para o entorno onde se situam, pois
iniciam o desenvolvimento de áreas antes não ocupadas, possibilitando assim o
surgimento de vários segmentos nos setores de comércio e serviços para atender a
demanda que se instala no local, possibilitando mais tarde a expansão de novas
áreas ao seu redor e até mesmo um novo tipo de uso do solo.

Como exemplo dessas áreas familiares que vem sendo loteadas, tem-se as terras
da famílias Vitalli, que veio se dividindo e hoje abriga os seguintes loteamentos,
localizados no Mapa 23:

 Vila Noêmia;
 Residencial Village Jardins;
 Noêmia Vitalli;
 Residencial Village Jardins II;
 Residencial Bosque da Princesa;
 Parque Monterosso;
 Santa Clara;
 Condomínio Parque das Violetas;
 Condomínio Caminho da Floresta.
128

Mapa 23: Localização dos loteamentos nas terras da Família Vitalli


Fonte: Elaborado pelo autor, 2012

Além desses loteamentos, a família ainda possui terras que provavelmente terão o
mesmo uso. A cidade possui vários núcleos urbanos que tendem a crescer e criar
novas centralidades que irão contribuir para o desenvolvimento e expansão de
algumas áreas vazias da cidade.

5.2 INIBIDORES

Além da importância dos estimuladores no processo de crescimento da cidade, não


se pode esquecer da ação dos inibidores que acabam dificultando e até mesmo
impedindo o desenvolvimento de alguma áreas.

Nesse âmbito destacam-se:

 Elementos existentes na cidade;


 Características físicas da cidade;
 Falhas na administração pública;
129

 Restrições contidas na legislação federal, estadual e municipal.

Um elemento de grande impacto para o meio ambiente e que também pode se


tornar um inibidor de crescimento da região onde se encontra é o aterro sanitário
que está localizado no acesso da variante da ES 080 na BR 259 e próximo ao polo
industrial. Além de inibidor de crescimento é grande causador da poluição hibrida,
devido à contaminação dos lençóis freáticos e também pela liberação de gases.

Por estar localizado em uma região com grandes estimuladores de crescimento,


acredita-se que isso irá atrapalhar parte desse desenvolvimento devido aos fatores
negativos que possui. Em seu entorno, atualmente encontram-se grandes áreas de
pastagens (Foto 36), porém são áreas propícias ao crescimento devido a
localização, aos estimuladores presentes e a topografia, todavia a presença do
aterro acabará inibindo o desenvolvimento do uso residencial nessa área,
destinando a região apenas ao uso comercial e industrial.

Foto 36: Áreas de pastagem nas proximidades do aterro sanitário


Fonte: Acervo Pessoal, 2012

A ferrovia, principal responsável pelo desenvolvimento econômico da cidade na


década de 70, hoje é um inibidor para os bairros por onde passa, pois além da área
de proteção que possui em seu entorno, os ruídos e a trepidação que ocasiona,
acaba afastando a possibilidade de surgimento de novos núcleos urbanos nessas
áreas.
130

No inicio do desenvolvimento da cidade seu surgimento foi indispensável para o


crescimento da economia local, mas atualmente beneficia a cidade apenas com o
transporte de passageiros, apenas passando na cidade à caminho de outras
regiões. Por não estar completamente fora do perímetro urbano gera alguns
incômodos e prejuízos para a população que reside em suas proximidades,
dificultando e até mesmo inibindo o crescimento dessas áreas.

Com isso percebe-se a importância da identificação desses estimuladores (Mapa 24)


e inibidores, pois embora a cidade possua grandes áreas vazias passiveis de
crescimento, essa análise do entorno é fundamental para saber se realmente irão se
desenvolver da maneira esperada, e com a identificação dos inibidores fica fácil
direcionar esse desenvolvimento para áreas com melhores localizações e atrativos,
afastando o crescimento de elementos que possam vir atrapalhar seu
desenvolvimento futuro, além de facilitar a identificação dos seus usos, perante aos
estimuladores identificados.
131

Mapa 24: Estimuladores e Inibidores de Crescimento


Fonte: Elaborado pelo autor, 2012
132

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho desenvolveu-se na tentativa de definir critérios de ocupação para as


áreas de expansão urbana, identificadas através da sobreposição de mapas (analise
de legislação, áreas urbana consolidada, área livre).

Ao finalizar, deparou-se com um resultado não muito promissor. A cidade possui


grandes áreas de expansão urbana, porém com restrições de uso, perante as leis
estudadas. Para considera-las como áreas de expansão e assim então classifica-las,
optou-se em fazer uma analise criteriosa para definir se realmente são áreas
adequadas para a expansão da cidade.

A analise foi realizada, observando que as áreas de expansão encontradas na área


urbana da cidade são consideradas como topos de morro segundo o Código
Florestal, as quais deveriam se tornar áreas de preservação permanente, porém
atualmente devido a sua topografia, a cidade já possui ocupações localizadas
nessas áreas. Um exemplo dessas ocupações são os loteamentos populares,
implantados pela Prefeitura Municipal de Colatina em parceria com o Governo
Federal, para a retirada de famílias de áreas de risco. Com base nisso, percebe-se o
não cumprimento de leis federais no desenvolvimento da cidade.

Diante da realidade de expansão de Colatina, percebe-se que o desenvolvimento


dessas áreas irá continuar, pois a boa localização, a acessibilidade e vista de toda a
cidade as tornam alvos da especulação imobiliária que devido a esses e outros
fatores elevam seus preços, tornando-as acessíveis a pequena parcela da
população e propondo a criação de bairros de luxo. Sendo assim é sabido que,
devido ao histórico de desenvolvimento urbano de Colatina, essas áreas em pouco
tempo estarão ocupadas.

Em contrapartida, identificou-se a grande área territorial que a cidade possui


localizada na área rural, com grandes possibilidades de expansão. Algumas dessas
áreas encontram dificuldades de crescimento devido a distância em que se
encontram da área urbana. Porém, existem outras, mais próximas ao centro, com
pequenos núcleos urbanos iniciados que não se desenvolvem com maior rapidez
por não estarem dentro de perímetro urbano, além de outros aspectos.
133

O limite do perímetro urbano também é um inibidor de crescimento, principalmente


para essas áreas rurais, pois sua delimitação geralmente visa interesses políticos.
Como exemplo disso, tem-se a nova delimitação do perímetro urbano que se deu
devido as áreas de implantação dos dois polos industriais.

Diante desses fatos observa-se que não se pode definir uma maneira de
crescimento da cidade, pois os espaços vazios encontrados na área urbana são,
segundo o Código Florestal, considerados áreas de preservação, mas que tem uma
tendência a serem ocupados, devido ao histórico de crescimento da cidade. Por
outro lado, não se pode afirmar que a melhor maneira de expansão seja para área
rural, devido as dificuldades que possuem e também pela criação de novos núcleos
urbanos que poderão retirar o fluxo de pessoas do centro urbano consolidado, o que
não traria benefícios para a cidade.

Sendo assim, através do desenvolvimento do trabalho observou-se a importância do


estudo da cidade e dos seus espaços de crescimento para a análise de sua
expansão, pois através disso pode-se propor instrumentos de planejamento urbano
capazes de controlar esse crescimento e até mesmo impedi-lo em determinadas
áreas, como é o caso dos topos de morro em Colatina. Outro fator importante é o
papel da administração publica, que deve deixar de lado seus interesses e buscar o
que é melhor para o desenvolvimento da cidade e para seus habitantes.
134

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Agrosoft Brasil. Disponível em: http://www.agrosoft.org.br/agropag/219809.htm.


Acesso em 15 set 2012.

ARAUJO, Ronaldo de Sousa. Modificações no planejamento urbanístico. 1 ed.


São Paulo. Ed. Nobel, 2009.

BARCELOS, Audifax. Equilíbrio de investimentos no ES. 2010. Disponível em: <


http://audifaxbarcelos.blogspot.com.br/>. Acesso em 10 set 2012.

BATISTELA, Tatiana Sancevero. O Zoneamento Ambiental e o desafio da


construção da Gestão Ambiental Urbana. 2007. Dissertação (Mestrado) –
Universidade de Brasília, Brasília, 2007

BENACHIO, Marinelson. Disponivel em:


http://www.marinelson.com.br/colatina/fotospage/aeroporto01.htm. Acesso em: 10
ago 2012

BENEVOLO, Leonardo. Livro História da Cidade. Disponível em:


<http://arquitetandoblog.wordpress.com/2009/04/08/haussmann-e-a-reforma-de-
paris/>. Acesso em: 18 out

BESSA, Fabiane Bueno Lopes Netto; OLIVEIRA, Cleide de. Estatuto da cidade e
desenvolvimento sustentável: necessidade de plano diretor para os Municípios
com menos de vinte mil habitantes. [In línea] Conselho Nacional de Pesquisa e
Pós-graduação em Direito (COPENDI), 17 p, 2008. Disponível em:
http://www.conpedi.org/manaus/arquivos/anais/salvador/fabiane_bueno_lopes_netto
_bessa.pdf. Acesso em 20 ago 2009.
BRASIL. Lei nº 7.565 de 19 de dezembro de 1986. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7565.htm>. Acesso em: 02 out 2012.
135

BRASIL. Resolução CONAMA nº4, de 11 dezembro de 1995. Disponível em: <


http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=182>. Acesso em: 02 out
2012.

BRASIL. Portaria nº 1.141/GM5, de 08 de dezembro1987. Disponível em: <


http://www2.anac.gov.br/biblioteca/portarias/portaria1141.pdf>. Acesso em: 02 out
2012.

BRASIL. Lei 6.766 de 19 de dezembro de 1979. Dispõe sobre o Parcelamento do


Solo Urbano e dá outras Providências. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6766.htm>. Acesso em: 02 out 2012.

BRASIL. Resolução CONAMA nº 004, de 18 de setembro de 1985. Disponível em:


< http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res85/res0485.html>. Acesso em: 02 out
2012.

BRASIL. Lei nº 12.561, de 21 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da


vegetação nativa .Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-
2014/2012/Lei/L12651.htm>. Acesso em: 02 out 2012

BRAGA, Roberto. Política urbana e gestão ambiental: considerações sobre o plano


diretor e o zoneamento urbano. In: CARVALHO, Pompeu F. de; BRAGA, Roberto
(orgs.) Perspectivas de Gestão Ambiental em Cidades Médias. Rio Claro: LPM-
UNESP, 2001. P. 95 – 109.

BORGES, Marília Vicente. O Zoneamento na cidade do Rio de Janeiro: gênese,


evolução e aplicação. 2007. Dissertação (Mestre em Planejamento Urbano e
Regional) –Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.

CARVALHO, Sonia Nahas de. Estatuto da Cidade aspectos políticos e técnicos


do plano diretor. São Paulo Perspectiva. Vol. 15. Nº 4. 2001. Disponível em: <
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-88392001000400014&script=sci_arttext>.
Acesso em: 08 set 2012
136

Classificação Climática de Koppen no mundo e no Brasil. Disponível em: < http://


murilocardoso.com/2012/01/20/mapas-classificacao-climatica-de-koppen-do-mundo-
e-do-brasil/>. Acesso em: 08 ago 2012.

Construtora KMS. Disponível em:


<http://www.kmsimoveis.com.br/lancamento_imovel.aspx?guid=47101374-04EB-
490E-AE3B-1E8AE25F1F20#>. Acesso em: 10 set 2012.

CORRÊA, Roberto Lobato. O Espaço Urbano. 3ª edição. São Paulo: Editora Ática.
Série Princípios, 1995.

CUNHA, Patrícia Oliveira Vieira. Plano Diretor e Configuração Espacial:


Organização espacial e configuração da malha urbana. Dissertação (Mestre em
Planejamento Urbano e Regional) –Universidade Federal Rio Grande do Sul, Porto
Alegre.

DANTAS, Gilson. Região serrana do Rio: chuva, capitalismo e naturalização das


tragédias. 2011. Disponível em:< http://www.ler-qi.org/spip.php?article2745>.
Acesso em 18 out 2012.

DÉAK, Csaba; SCHIFFER, Suely Ramos (ORGS). O Processo de urbanização no


Brasil. São Paulo. Ed. Universidade de São Paulo, 1999.

ESPIRITO SANTO (Estado). Lei N° 5.361, de 30 de dezembro de 1996. Disponível


em: < http://www.idaf.es.gov.br/Download/Legislacao/DRNRE%20-
%20LEI%20N%C2%B0%205.361,%20de%2030%20de%20dezembro%20de%2019
96.pdf>. Acesso em: 02 out 2012.

ESPIRITO SANTO (Estado). Lei 7.943, de 16 dezembro de 2004. Disponível em: <
http://www.idaf.es.gov.br/Download/Legislacao/DRNRE%20-
%20LEI%20N%C2%BA%203.384%20ALTERADA%20PELA%20LEI%20N%C2%B0
%207.866%20de%202004.pdf>. Acesso em: 02 out 2012.
137

ESPIRITO SANTO (Estado). Lei nº 4.227 de fevereiro de 1996. Disponível em: <
http://www.legislacaoonline.com.br/colatina/images/leis/html/L42271996.html>.
Acesso em: 02 out 2012.

ESPIRITO SANTO (Estado). Lei nº 5.789 de 17 novembro de 2011. Disponível: <


http://www.legislacaoonline.com.br/colatina/images/leis/html/L42271996.html>.
Acesso em: 02 out 2012.

ESPIRITO SANTO (Estado). Lei nº 5.045 de 23 dezembro de 2004. Disponível em:


< http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/827924/lei-5045-04-colatina-0>. Acesso em:
02 out 2012.
ESPIRITO SANTO (Estado). Lei nº 5.273, de 12 março de 2007. Disponível em: <
http://www.legislacaoonline.com.br/colatina/images/leis/html/L52732007.html>.
Acesso em: 02 out. 2012.

ESPIRITO SANTO (Estado). Lei nº 4.226 de 12 fevereiro de 1996. Disponível em:


< http://www.leismunicipais.com.br/cgi-local/showinglaw.pl>. Acesso em: 02 out
2012.
Estudo de Impacto Ambiental das Obras na Rodovia ES 080 – Variante
Colatina. Disponível em <http://www.der.es.gov.br/ugp/mamb/eia.pdf>. Acesso em
01 set 2012

FOLETTO, Paulo. Disponível em: <


http://blogdopaulofoletto.wordpress.com/2011/08/09/09082011-deputado-visita-a-
escola-estadual-conde-de-linhares-em-colatina/>. Acesso em 20 out 2012

FERRARI, Walter Junior. A Expansão Territorial urbana de Marechal Candido


Rondon – a produção da cidade a partir do campo. Dissertação (Mestre em
Geografia) – Universidade Federal da Grande Dourado, Dourados, 2009.

FERNANDES, Bruno. Ocupação Desordenada. Disponível em: <


http://www.issonaoenormal.com.br/post/ocupacao-desordenada>. Acesso em: 01 out
2012
138

FERREIRA,Daniela Figueiredo; SAMPAIO, Francisco Edison; SILVA, Reinaldo Vieira


da Costa; MATTOS, Sílvio Costa. Impactos Socioambientais provocados pelas
ocupações irregulares em áreas de interesse ambiental. Trabalho Acadêmico
(Pós Graduação em Gestão Ambiental) – Universidade católica de Goiás, Goiás.

FRAZÃO, Dulcineia da Costa. Expansão urbana, nucleações e a formação de


centralidades no Distrito Federal: o caso do Gama. Dissertação (Mestre em
Geografia, Brasília, 2009.

FREIRE, Frederico. Panorâmico. Disponível em:<


http://www.panoramio.com/photo/17119718>. Acesso 10 set 2012

GEOBASES. Disponível em: <


http://www.geobases.es.gov.br/publico/AcessoNavegador.aspx?id=142&nome=NAV
EGADOR_GEOBASES>.

GLOBO TV. Projeto promete 100% de esgoto tratado em Colatina. Jornal ESTV 1ª
Edição. 2012. Disponível em: < http://globotv.globo.com/tv-gazeta-es/estv-2a-
edicao/v/projeto-promete-100-de-esgoto-tratado-em-colatina-no-centro-oeste-do-
es/1979716/>. Acesso em 09 set 2012.

IFES. Disponivel em: http://www.ifes.edu.br/campus-colatina. Acesso em: 09 set


2012

INSTITUTO TERRA. Instituto Terra avança na recuperação da Reserva de


Itapina. 2011. Disponível em: <
http://www.institutoterra.org/noticias_27_setembro_2011.htm>. Acesso em 03 out
2012.

JUNIOR, Wilson Martins de Carvalho. Os impactos ambientais decorrentes da


expansão urbana: o caso da colônia agrícola Vicente Pires – Brasília/DF.
Dissertação ( Mestre em Geografia) – Universidade de Brasília, Brasília, 2007.
139

LIMA, Renato da Silva. Expansão Urbana e Acessibilidade – o caso das cidades


médias brasileiras. Dissertação (Mestre em transportes) – Universidade de São
Paulo, São Paulo, 1998.

LOSSARDO, Luiz Fernando. Caracterização das Potencialidades e Fragilidades


Ambientais do meio físico de parte do município de Santa Rita do Passo
Quatro (SP). 2010. Dissertação (Mestrado em Engenharia Urbana) – Universidade
Federal de São Carlos, São Carlos, 2010

MAGLIO, Ivan Carlos. A sustentabilidade ambiental no planejamento urbano do


Município de São Paulo: 1971-2004. 2005. Tese ( Doutor em Saúde Publica) –
Universidade de São Paulo, 2005.

MARTINS, David Leandro Sperandio.Panoramio. Disponivel em:


http://www.panoramio.com/photo_explorer#view=photo&position=27&with_photo_id=
46822836&order=date_desc&user=5454915. Acesso em: 10 ago 2012.

MOLINARI, Natalia Manfrin. Expansão urbana de Franca – 1970 a 2004: Conflitos


e Atores. Dissertação (Mestre em Urbanismo) – Pontifícia universidade católica de
Campinas, 2006.

MOTA, Suetônio. Urbanização e Meio Ambiente. Rio de Janeiro. Ed. ABES, 1999.

NERY JR., José Marinho. Um Século de Política para poucos: o zoneamento


paulistano 1886 – 1986 – 1986. 2002. Tese. Universidade São Paulo, 2002.
Disponível em: < http://jmarinho.sites.uol.com.br/sumario.html>. Acesso em 12 ago
2012.

NETO, Flávia Curi; PEREIRA, Keli Silva. Planejamento Estratégico para


Municípios. Trabalho Acadêmico (Pós-Graduação em Administração Publica) –
Fundação Getulio Vargas, Rio de Janeiro, 2008.

PFEIFFER, Peter. Planejamento estratégico municipal no Brasil: uma nova


abordagem. [ Textos para discussão Nº 37]. Brasília: ENAP, 2000
140

PINHEIRO, KARISA LORENA CARMO BARBOSA. O Processo de Urbanização da


cidade de Mossoró: Dos processos históricos à estrutura urbana. Dissertação
(Mestre em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade federal do Rio Grande do
Norte, Natal, 2006.

PRIETO, Élisson Cesar. O Estatuto da Cidade e o Meio Ambiente. Artigo para o


VI Congresso Brasileiro de Direito Urbanístico, São Paulo, 2006. Disponível em: <
http://www.ibdu.org.br/imagens/OEstatutodaCidadeeoMeioAmbiente.pdf>. Acesso
em: 14 set 2012.

SABOYA, Renato. Guia de referência dos parâmetros urbanísticos. 2007.


Disponível em: <
http://www.urbanidades.arq.br/docs/saboya_2007_guia_parametros.pdf>. Acesso
em: 12 ago 2012.

SABOYA, Renato. Planejamento Estratégico de Cidades – Parte 1. 2008.


Disponível em: < http://urbanidades.arq.br/2008/05/planejamento-estrategico-de-
cidades-parte-1/>. Acesso em: 15 out 2012.

SILVA, Kássia Nunes da. Expansão urbana do Setor Sul da cidade de Uberlândia
– MG: um estudo dos processos de exclusão e segregação socioespacial.
Dissertação (Mestre em geografia) – Universidade federal do Uberlândia, 2012.

SANTOS, Carlos Eduardo de Santana. A Expansão Urbana sobre os


Remanescentes Florestais situados no entorno da Avenida Luis Viana Filho,
Salvador – BA. Dissertação (Mestre em Engenharia Ambiental Urbana) –
Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009.

SOUZA, Naiara. Produção e expansão urbana nas pequenas cidades: estudo de


caso sobre Maracás – BA. Monografia. Universidade Estadual do Sudoeste da
Bahia, Bahia, 2009.
141

OLIVEIRA, Isabel Cristina Eiras de. Estatuto da Cidade para compreender. Rio de
Janeiro: IBAM/DUMA, 2001.

Prefeitura Municipal de Colatina. Disponível em: < http://www.colatina.es.gov.br>.


Acesso em 12 ago 2012

PAEES. Portaria nº783/GC5, de 21 de dezembro de 2000. Disponível em: <


http://www2.transportes.gov.br/PNLT/DVD_AA/Plano_Aeroviario/paeES.pdf>.
Acesso em: 02 out 2012

PERFIL DADOS GERAIS. Instituto Jones dos Santos Neves. Vitoria - ES, 2012.
Disponível em:
<http://www.ijsn.es.gov.br/Sitio/attachments/1339_Perfil_DadosGerais.pdf>. Acesso
em: 03 out 2012

PORTAL DO AGRONEGOCIO. Incaper realiza simpósio sobre pinhão-manso em


Colatina. 2011. Disponivel em: <
http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?id=51238>. Acesso em: 18
out 2012

Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural Proater 2011 – 2013


Disponível em<
http://www.incaper.es.gov.br/proater/municipios/Noroeste/Colatina.pdf>. Acesso em
01 set 2012

SANEAR. Serviço Colatinense de Meio Ambiente e Saneamento Ambiental. 2012.

SANTHIAGO, Marcell. De quem é a culpa? 2011. Disponível em:


<http://marcellsanthiago.blogspot.com.br/2011_01_01_archive.html>. Acesso em: 18
out 2012.
VILLAÇA, Flávio. Brecht e o Plano Diretor. [2005]. Disponível em:<
http://www.flaviovillaca.arq.br/pdf/brencht_pd.pdf>. Acesso em: 15 out 2012.
142

VAZ, José Carlos. Legislação de uso e ocupação do solo. DICAS nº 77, 1996.
Disponível em: <http://www2.fpa.org.br/formacao/pt-no-parlamento/textos-e-
publicacoes/legislacao-de-uso-e-ocupacao-do-solo>. Fundação Perseu Abramo.
Acesso em 12 mar 2012.