You are on page 1of 246

Erguei os

Olhos
e Vede
os Campos
Reflexões sobre Missões

Luiz Miguel de Souza Gianeli

Primeira Edição 2018

Diamantes Eternos
________________________________________________________
Copyright © Luiz Miguel de Souza Gianeli

Arte e Diagramação
Luiz Miguel de Souza Gianeli

Capa
Sammis Reachers

Revisão
Erika de Paula Sousa
erikadpsousa17@hotmail.com

www.diamanteseternos.blogspot.com.br/
Primeira edição – Agosto 2018

Impressão e publicação:
DIAMANTES ETERNOS
www.diamanteseternos.blogspot.com.br
Índice
Agradecimentos..........................................................................................................8
Prefácio.......................................................................................................................9

Parte 1 - ANTIGO TESTAMENTO......................................................................11


O Templo de Salomão e as Missões Mundiais..........................................................12
O Chamado de Eliseu.................................................................................................16
Todo Mundo Deve Adorar a Deus.............................................................................21
Consagração e Chamada ao Ministério......................................................................24
O Evangelismo e a Glória de Deus............................................................................32
Desperte para Pregar – Reflexão na Vida de Jonas...................................................37

Parte 2 - NOVO TESTAMENTO...........................................................................45


Amando Missões Como Jesus...................................................................................46
Rogando Por Mais Missionários................................................................................52
A Primeira Missão dos Discípulos.............................................................................57
Vivendo com Propósito, Assim Como Jesus.............................................................61
Erguei os Olhos e Vede os Campos!..........................................................................67
Missões Como Prioridade..........................................................................................74
Missões Transculturais – Por que se Envolver?........................................................82
Uma Visão Sobre Missões.........................................................................................86
Servir e Pregar Sem Desanimar.................................................................................90
Trabalhando Pelo Avanço da Obra de Deus..............................................................94
Missões, Por Jesus e Pela Cruz!.................................................................................99
Todos Nós Somos Chamados..................................................................................107

Parte 3 - SÉRIES....................................................................................................113
O Que Jesus Nos Ensinou Sobre Missões (1)..........................................................114
O Que Jesus Nos Ensinou Sobre Missões (2)..........................................................118
O Que Jesus Nos Ensinou Sobre Missões (3)..........................................................122
Mantendo Vivo O Chamado Ao Ministério (1).......................................................126
Mantendo Vivo O Chamado Ao Ministério (2).......................................................136
Mantendo Vivo O Chamado Ao Ministério (3).......................................................143
Mantendo Vivo O Chamado Ao Ministério (4).......................................................150
Missões Pela Morte Na Cruz (1)..............................................................................155
Missões Pela Morte Na Cruz (2)..............................................................................159
Missões Pela Morte Na Cruz (3)..............................................................................163
Missões Pela Morte Na Cruz (4)..............................................................................168
Um Modelo De Igreja Missionária (1).....................................................................173
Um Modelo De Igreja Missionária (2).....................................................................180
Um Modelo De Igreja Missionária (3).....................................................................187
Arrependimento e Missões (1).................................................................................194
Arrependimento e Missões (2).................................................................................203
Arrependimento e Missões (3).................................................................................209

Parte 4 - REFLEXÕES MISSIONÁRIAS...........................................................213


Evangelismo e Missões Entre os Jovens da Igreja...................................................214
Missões, Evangelismo e Tecnologia........................................................................218
O Valor Das Viagens Missionárias..........................................................................221
Meditação Missionária.............................................................................................225
Missões São Algo Interessante................................................................................226
Livros sobre Missões...............................................................................................227

ILUSTRAÇÕES MISSIONÁRIAS......................................................................230
Sobre o Autor...........................................................................................................244
Dedico esta obra a todos os missionários, evangelistas e
fundadores de igrejas espalhados pelo Brasil e pelo mundo.
Amados servos e servas, muitas vezes desconhecidos, que
vivem, e morrem, no cumprimento da Grande Comissão de
nosso Senhor Jesus Cristo.
Todo cristão ou é um missionário ou é um impostor.
Charles Haddon Spurgeon
AGRADECIMENTOS

Louvo e, de coração, agradeço ao nosso Bondoso e


Soberano Deus a oportunidade de concluir mais um livro
sobre Missões.
À minha esposa Débora e aos nossos filhos Agnes,
Annelise e Luigi, agradeço o amor incondicional, real e
revigorante, o companheirismo, a presença, o apoio ao meu
trabalho, o incentivo e paciência durante o mesmo; pela
alegria que são e trazem ao meu coração, pelo
fortalecimento na fé, por me levarem para mais perto do
Senhor e por viverem a Missão, me ensinando a cada dia.
Ao pastor Norival F. Andrade, pelo incentivo e apoio
ao nosso ministério e aos meus projetos literários — desde o
primeiro rascunho até agora —, bem como pelo prefácio
animador preparado com carinho para esta obra.
À Irmã Erika de Paula Sousa, pela excelente revisão
do texto e pela voluntariedade em participar deste projeto
missionário.
E ao Irmão Sammis Reachers, pela bela capa, pelas
ilustrações e pelo exemplo de escrever, editar, produzir e
compilar livros sobre Missões e Evangelismo, dentre outros
temas, e disponibilizá-los gratuitamente para a Igreja
brasileira, incentivando e promovendo a obra missionária
por meio da Internet. Amigo que fiz por intermédio da rede e
a quem já considero muito.

Que Deus abençoe e recompense a cada um.


Muito obrigado!

8
PREFÁCIO
Sinto-me privilegiado em prefaciar o livro de um
trabalhador do campo missionário. Mas, não somente isso,
um servo que se dispôs a ouvir e obedecer a Palavra de
Deus. A vontade deste servo submeteu-se plenamente à de
seu Senhor. E isto se estende à sua esposa e três filhos,
sendo estes últimos “nativos” do Campo Missionário.
Chamou minha atenção, seguida de profunda alegria,
ao longo da leitura do livro, ver a palavra “Deus” repetir-se
tantas vezes (juntamente com as demais pessoas da
Trindade — Jesus e o Espírito Santo). E isso reforça sua
dependência à soberania Dele, bem como a certeza de o
Pastor Luiz Gianeli estar livre das respostas humanistas,
hedonistas e egotistas que têm preenchido as páginas de
diversos autores cristãos. Seu coração está cheio de Deus e,
obviamente, isto se evidencia na forma que escreve. Em dias
em que até as livrarias cristãs estão repletas de livros de
autoajuda, com excessiva valorização do “eu”, podemos
encontrar nestas páginas uma negação de si mesmo e um
grande incentivo ao cuidado com o outro, através da
evangelização e com riquíssimas bases bíblicas.
A questão de Deus amar missões é justamente porque
Deus ama pessoas e deseja salvá-las. Assim sendo, o livro
nos enriquece de informações missionárias, começando pelo
Antigo Testamento e se fechando no Novo Testamento, a
nova aliança, através do chamado e envio de diversos
homens para a missão de anunciar a Mensagem de Deus.
Essa viagem pelas Escrituras nos encoraja a participar de
missões, a partir da graça de Deus apresentada em toda a
Escritura e manifestada definitivamente em Cristo Jesus,
por meio da cruz.
Como missionário por vocação, obviamente o pastor
Gianeli nunca deixa de desafiar o seu leitor para tal
obra, mesmo não sendo este possivelmente um vocacionado
para o campo mais distante. Seu ardor missionário e,
consequentemente, por já ver almas rendidas a Jesus, lhe
permitem desafiar a que todos, primeiramente, assumam
um compromisso de rendição ao Senhor Jesus Cristo.
9
Assim, o apelo não é “apelativo”, mas, sim, que se passe
pelo crivo bíblico de uma vida com e em Cristo, através do
arrependimento e confissão de pecados. As perguntas ao
fim de cada capítulo, dirigidas a nós, leitores, evidenciam
isto. Desta forma, não há como lê-lo passivamente, sem
reação, sem envolvimento. E isto acontece ao longo de todo
o livro. Ao citar as palavras de David Livingstone (referidas
nele), isso tudo fica muito evidente: “Deus, tendo um único
Filho, fez dele um missionário”.
“Erguei os olhos e vedes os campos” é uma leitura fácil,
agradável; sem, em momento algum, ficar na superfície das
Escrituras Sagradas. O livro está repleto de exemplos e
informações bíblicas que nos desafiam, buscando levar-nos,
desta maneira, a sermos coparticipantes desta visão
missionária. A maravilha da simplicidade está justamente
no fato de que o autor não é um teórico que se arrisca a
escrever sobre algo tão relevante, mas, justamente por sua
prática adquirida no campo missionário que, em parte, tive
o privilégio de conhecer, bem como seu ardor e amor pelas
almas perdidas — o que permitiu que ele escrevesse fácil
para nós, e nos proporcionasse uma leitura agradável e
atraente. Isto o credencia com suficiência. É excelente ser
desafiado por um livro através de alguém que o faz com
autoridade. Luiz M. Gianeli é um destes.
Termino este prefácio transcrevendo citações feitas pelo
autor, as quais refletem o seu ardor missionário explícito
em todo o livro, ou seja, uma mensagem que traga vida a
mortos. Estes foram os dizeres: “Não ir significa inércia,
estagnação, morte... Quando Jesus disse às suas igrejas
“IDE”, Ele quis fazer delas rios para abençoar o mundo e
livrá-las da desgraça de ser pântanos. Obedecer à ordem de
Jesus significa entender e viver. Desobedecer-lhe significa
rebelar-se para morrer... Ir significa libertar. Quando os
crentes vão, estão libertando e se libertando. Levam
liberdade e vida aos cativos e vão se libertando do egoísmo”
(“Quem há de ir por nós?”, p. 108).
Obrigado por este livro que fala.
Norival F. Andrade – Servo
Pastor da Primeira Igreja Batista de Monte Mor/SP
10
Parte 1
ANTIGO
TESTAMENTO

11
O Templo de Salomão e as Missões Mundiais
1 Reis 8.41-43

Nós tornamos o nome de Jesus conhecido no mundo


através da obra missionária. Mas isso não é algo novo; pelo
contrário, Deus sempre desejou a salvação de pessoas em
todas as nações. Missões nasceram no coração de Deus,
foram planejadas por Ele, ordenadas por Ele e executadas
por Ele desde o início dos tempos. Vemos isso claramente
ao longo da narrativa bíblica.
Nesta passagem do Antigo Testamento que,
aparentemente, não tem nada a ver com missões,
aprendemos muito sobre o amor de Deus pelos povos da
terra.
Salomão havia acabado de construir o Templo de
Israel e estava consagrando o mesmo a Deus, enfatizando
sua Glória. Naquela ocasião, todo o povo de Israel estava
reunido, os sacerdotes ofereciam sacrifícios, os músicos
cantavam e tocavam louvores a Deus; o rei deu um discurso
e depois orou ao Senhor pedindo suas bênçãos sobre aquele
local especial que, a partir daquele momento, seria
totalmente separado e consagrado para o Seu louvor.
Nos versículos 41 a 43, vemos Salomão falando sobre
os estrangeiros, sobre as pessoas das outras nações e sobre
a influência do templo na vida delas. E isso é muito
interessante e importante para nós, pois aprendemos que:

DEVEMOS TORNAR O NOME DE DEUS CONHECIDO EM


TODO O MUNDO!

Segundo o versículo 43, o objetivo do templo era


tornar o nome de Deus conhecido entre todos os povos da
Terra. Hoje, sabemos que este templo não existe mais,
entretanto, nós somos o templo do Espírito Santo; sim, nós,
os salvos, os crentes, aqueles que confiam em Jesus como
Senhor e Salvador, somos a atual habitação do Santo
Espírito de Deus.

12
O Templo de Salomão foi construído com o objetivo de
tornar o nome de Deus conhecido e trazer honra e glória a
Ele. Nós crentes, fomos salvos pelas mesmas razões: dar
honra e glórias a Deus e tornar o Seu nome conhecido (1 Co
6.19-20). E isso fazemos:
ATRAVÉS DA NOSSA VOZ (v.42). O povo de Israel tinha a
tarefa de anunciar sobre o amor e o poder de Deus a todos
os povos; tinham que falar disso aos estrangeiros que
encontrassem, tanto ali, e também quando viajassem. Deus
queria que, através do Seu povo, todas as nações
soubessem que só existia um único Deus verdadeiro e que
todos deveriam confiar somente Nele e amá-Lo de todo o
coração.
Salomão, sabendo que, com certeza, os estrangeiros
iriam ouvir sobre o Deus verdadeiro e viriam até Jerusalém
buscá-Lo naquele templo, pede a Deus que ouça suas
orações, responda a seus pedidos e lhes torne seus servos
também.
Hoje, Deus continua querendo ser conhecido em todo
o mundo e ainda deseja que o Seu povo O torne conhecido.
Ele nos ordenou isso através de Seu Filho, Jesus (Mc
16.15). E, se falarmos, com certeza, Jesus será conhecido
por todos aqueles que ouvirem as nossas vozes.
Devemos falar aos que estão perto (isso se chama
evangelismo) e também falar aos que estão longe (isso se
chama missões), mas o devemos fazer com amor, com
dedicação, esforço, com sacrifício, entendendo que essa é a
nossa missão: tornar o nome do nosso Deus e do nosso
Salvador Jesus Cristo conhecido através das nossas vozes.
Portanto, falemos de Jesus, muito e bem, hoje e sempre,
aqui e em todo o lugar, para que muitas pessoas O
conheçam através da nossa vida. Temos falado de Jesus?
Usamos nossas bocas e nossas vozes para anunciar o
Evangelho e falar das grandezas de Deus? Fazemos isso
muito ou pouco? Por quê?

ATRAVÉS DO NOSSO TESTEMUNHO (v.42): Salomão sabia


que os povos ouviriam falar da forte mão do Senhor e do
Seu braço estendido. O que significa isso? Significa que os
13
povos estrangeiros, de uma forma ou de outra, ouviriam
falar dos milagres e maravilhas que Deus havia feito e ainda
fazia pelo Seu povo Israel. Isso era o testemunho de vida
daquela nação que servia a Deus e desfrutava do Seu
cuidado e amor. Neste caso, não precisavam falar nada;
somente as obras de Deus em suas vidas eram motivos
suficientes para que outros soubessem que serviam ao
Deus verdadeiro.
Amados, não há como esconder coisas maravilhosas.
Os milagres que Deus faz em nossas vidas se tornarão
conhecidos! Nossa transformação, a mudança de
comportamento e atitude, nossa fé, nosso amor e nossa
fidelidade, falarão por si mesmos e todos perceberão que
temos algo especial em nossas vidas: Jesus Cristo. Que
milagre maravilhoso!
É claro que não podemos deixar de falar sobre o
nosso Deus e o nosso Salvador Jesus, afinal, a fé vem pelo
ouvir (Rm 10.17), mas, para aqueles a quem já falamos ou
não podemos falar, nosso testemunho funciona muito bem
— melhor do que nossas palavras. Por isso é tão importante
que demos um bom testemunho com nossas vidas, para
que elas anunciem a Deus e mais pessoas O busquem, se
interessem pelo Seu evangelho, creiam Nele, O temam e
sirvam.

RESULTADO: OUTRAS PESSOAS TEMERÃO A DEUS (v.41


e 43). Salomão sabia que pessoas de outros países viriam
até aquele templo buscar a Deus por “amor ao nome Dele”,
ou seja, porque reconheceram que Ele era o Deus
verdadeiro e que deviam buscá-Lo e amá-Lo, abandonando
seus deuses falsos. Além disso, Salomão pediu a Deus que
atendesse as orações dos estrangeiros para que “eles O
temessem”, ou seja, confiassem Nele assim como o povo de
Israel temia e confiava e para que soubessem que aquele
templo era mesmo a casa do Deus verdadeiro. Salomão não
tinha dúvidas de que estrangeiros se converteriam a Deus e
que O buscariam ali naquela casa; mesmo que não fossem
todos, mesmo que não fossem muitos, alguns estrangeiros,
com certeza, se converteriam a Deus através do testemunho
14
e da voz do povo de Israel e saberiam que aquele templo era
do Senhor.
Algo que podemos ter certeza, baseados nas
promessas de Deus, nas ordens de Jesus na Grande
Comissão, no caráter, no coração do nosso Deus e na
natureza de nossa missão, é que pessoas confiarão em Deus
através de nós.
Podemos ter certeza disso. Não serão todos, não serão
muitos e não será como queremos, mas alguns darão
ouvidos a nossa voz (na verdade, a voz do Espírito Santo
através de nós) e confiarão em Jesus como Salvador; outros
observarão nosso testemunho e também se converterão ao
Salvador. Enquanto Jesus não voltar e o Seu povo estiver
cumprindo sua missão de pregar o evangelho e tornar o
nome de Deus conhecido em todo o mundo, pessoas serão
salvas e igrejas fundadas, o nome de Deus conhecido e
glorificado e nós seremos úteis; e, na vinda do Senhor,
receberemos galardões.
CONCLUSÃO: E nós, amados, como temos vivido? Temos
tornado o nome de Deus conhecido no mundo? Temos
tornado o nome de Deus conhecido em nossa cidade, casa,
escola, trabalho e vizinhança? Devemos nos esforçar e fazer,
ao menos, o mínimo necessário: Orar pela salvação de
almas, entregar folhetos, convidar pessoas para o culto,
falar de Jesus e do Seu amor, dar um bom testemunho com
a nossa vida para que, assim como o Templo de Salomão,
cumpramos o propósito para o qual Deus nos criou e
salvou, tornando o Seu nome conhecido em todo o mundo.
Deus nos abençoe e nos capacite a cumprir esta
maravilhosa missão!

15
O Chamado de Eliseu
1 Reis 19.19-21

Deus nos criou para Sua glória. Ele nos chama e nos
salva para isso: servi-Lo e glorificá-Lo com nossas vidas!
Muitas vezes queremos servir a Deus, talvez temos este
desejo, até reconhecemos que devemos fazer isso, mas não
sabemos como; achamos que não temos capacidade, ou
queremos deixar para depois. Este texto nos mostra a
decisão de um homem que serviu a Deus e se tornou um
grande exemplo para nós. Este homem é o profeta Eliseu.
Temos aqui o chamado de Eliseu, com muitas lições
para nós. Deus o tinha escolhido para ser um profeta (v.16),
era jovem, apesar de ser careca (II Reis 2.23), tinha por
volta de 40 ou 50 anos. Uma pessoa normal, como cada um
de nós.
O chamado de Deus para que Eliseu O servisse como
Seu profeta tem muito a nos ensinar, e o principal é que:

NÓS PODEMOS SER USADOS POR DEUS!

Em toda a nossa vida, tanto na igreja, quanto no dia


a dia, independentemente de quem somos e do que
sabemos fazer, o importante é que Deus quer nos usar, nos
capacita para isso e nos chama para isso. Portanto, nós
podemos ser usados por Deus...

TRABALHANDO ONDE ESTIVERMOS (v.19). Muitas vezes,


sonhamos e queremos fazer grandes coisas para Deus, mas
não fazemos nada para Ele no dia a dia, onde estamos. Isso
é errado!
Deus não chama preguiçosos. Para sermos usados
por ele, precisamos estar trabalhando e servindo onde
estivermos — tanto na igreja, quanto em casa, no trabalho,
na escola, na rua, na vizinhança... enfim, em nosso dia a
dia.

16
Eliseu estava trabalhando quando Elias o encontrou. Não
ficava parado, fazia o que tinha de fazer enquanto esperava
a direção de Deus para uma tarefa específica.
Todas as pessoas que foram chamadas por Deus para o Seu
serviço estavam trabalhando: Moisés, Josué, Samuel, Davi,
Pedro, Tiago, João, etc.
Portanto, se quisermos ser usados por Deus, precisamos
servir, começar onde estivermos e com o que podemos:
mães e pais ensinando seus filhos em casa, evangelizando
amigos no trabalho ou na escola, ajudando na igreja com o
que sabemos, entregando um folheto, orando, visitando, etc.
Então, trabalhemos para Deus e Ele vai nos usar cada vez
mais em Sua obra.

ACEITANDO A SUA VONTADE (v.20). “[...] Já sabes o que fiz


contigo”. Foi o que Elias falou para Eliseu e ele sabia: “Deus
me escolheu para servi-Lo como Seu profeta”.
Precisamos reconhecer que, se é a vontade do Senhor, então
é o melhor para nós.
É necessário aceitarmos a vontade de Deus e servi-Lo acima
de tudo: família, sonhos, trabalho, lazer, enfim, acima de
nós mesmos.
Assim como Isaías, precisamos dizer: “Eis-me aqui, envia-me
a mim!” e não reagir como Jeremias ou Moisés que ficaram
inventando desculpas: “Não passo de uma criança”, “Não sei
falar direito.”
Não podemos lutar contra Deus e contra a Sua perfeita
vontade. Não devemos ser rebeldes, mas, sim, aceitar Sua
vontade e obedecê-Lo; servi-Lo por completo, com amor e
com alegria.
A vontade de Deus é sempre o melhor; muito melhor que a
nossa, é um prazer e não um peso, e nós somos salvos e
chamados para isso:

“No zelo, não sejais remissos, sede fervorosos de espírito,


servindo ao Senhor.” Rm 12.11

17
“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as
boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que
andássemos nelas.”
Ef 2.10

“não servindo à vista, como para agradar a homens, mas


como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de
Deus, servindo de boa vontade, como ao Senhor e não
como a homens.” Ef 6.6-7

“Assim, pois, importa que os homens nos considerem


como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de
Deus. Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é
que cada um deles seja encontrado fiel.”
I Co 4.1-2

“Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios


desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer aquele que o
arregimentou.”
II Tm 2.4

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação


santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de
proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das
trevas para sua maravilhosa luz.” I Pd 2.9

“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que


recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de
Deus.”
I Pd 4.10

QUEIMANDO O NOSSO PASSADO (v.21a): Eliseu amava


seu trabalho e seus equipamentos, mas queimou tudo para
obedecer ao chamado de Deus.
Precisamos fazer o mesmo, queimar nosso passado, que
seria esquecer, deixar para trás, abandonar, desfazer aquilo
que nos envolvia, para não ficarmos presos, com saudades e
querendo voltar e, melhor ainda, para não termos para o
que voltar.
18
Precisamos queimar tudo para que, nos momentos difíceis,
não sejamos tentados a voltar para trás e deixar o caminho
de Deus e Seu serviço, assim como Pedro e outros
discípulos fizeram com a pescaria no momento de grande
aflição, dúvida e insegurança (Jo 21.1-3).
Queime seu passado! Vai doer na hora, mas o que
vem pela frente é melhor, muito melhor, pois é a vontade de
Deus, a qual é “boa, agradável e perfeita”.

DISPONDO-NOS E OBEDECENDO/SERVINDO (v.21b): Em


outras palavras seria: servir a Deus com disposição, em
resposta ao Seu chamado.
Eliseu resolveu o que precisava e, imediatamente, foi servir
ao Senhor, tornando-se um aprendiz de profeta e, por fim, o
substituto de Elias.
Ele teve disposição, iniciativa, vontade e atitude. Não
foi obrigado, forçado ou empurrado, como muitas vezes
precisamos ser para fazer o que é certo, como evangelizar,
por exemplo.
Ele FOI, ou seja, deu o primeiro passo, deu o passo
certo, para frente, avançou.
David Livingstone (1813–1873), missionário e
explorador na África, disse: “Eu vou a qualquer lugar, desde
que seja em frente!”
Eliseu agiu assim, seguiu em frente, seguiu Elias,
serviu-o humildemente, aprendeu com ele antes de se
tornar um profeta (todos nós temos um tempo de
aprendizado, seja na igreja, em casa, numa doença, numa
dificuldade financeira, num seminário, instituto ou
faculdade) antes de servir a Deus por completo. Precisamos
ser humildes durante este tempo e aprender tudo o que
pudermos, para depois fazermos o melhor para Deus.

CONCLUSÃO: Em II Reis 2.1-14, vemos Eliseu


acompanhando e substituindo Elias, sendo usado por Deus
como Seu profeta, pois: estava trabalhando, aceitou o seu
chamado, queimou seu passado e dispôs-se a obedecer.
Eliseu tornou-se o sucessor do grande profeta Elias,
teve porção dobrada de seu Espírito, teve o dobro de poder e
19
realizou o dobro de milagres. Ele tornou-se conhecido como
um servo do Senhor e um homem de Deus por todo o seu
país e até em terras estrangeiras.
Levou o nome de Deus à exaltação em vários lugares
e a várias pessoas através do seu serviço e fidelidade. Foi
usado por Deus como um grande profeta.
Deus quer nos usar da mesma forma. Através do
nosso testemunho pessoal e, isso, desde a infância até o
ministério (se esta for a direção de Deus para nós).
Sendo assim, podemos ser usados pelo Senhor; vale a
pena, é o melhor. Obedeçamos, entreguemo-nos, aceitemos
o nosso chamado e sirvamos onde estivermos, como
pudermos, com o que soubermos, fazendo o nosso melhor
para Deus, com amor. Com certeza Ele nos usará.
Foi desta maneira que Jesus Cristo, nosso Senhor e
Salvador, foi usado pelo Pai, pois se dispôs a obedecê-Lo e
morreu por nós na cruz do Calvário, garantindo a nossa
salvação. Como nosso Senhor, sejamos usados por Deus,
deixemos que Ele nos use para Sua própria glória.

20
Todo Mundo Deve Adorar a Deus
1 Crônicas 16.23-36

Neste texto nós vemos que, logo após assumir o trono


de Israel e, com a bênção de Deus, estabilizar a nação, o rei
Davi começa a organizar o culto a Deus. Ele encoraja
(anima, motiva, pede) a um homem chamado Asafe (um dos
principais músicos de Israel e autor de vários Salmos) para
que o auxilie nesta sublime tarefa. E uma lição importante
que aprendemos na passagem, em especial no versículo 23,
é que:

TODO MUNDO DEVE ADORAR A DEUS!

POR ISSO DEVEMOS FALAR DELE A TODOS (v.23).


Observemos algumas verdades:
- Sua Salvação deve ser proclamada a todos os povos (v.23),
- Sua Glória deve ser anunciada a todos os povos (v.24) e,
- Suas Maravilhas devem ser proclamadas a todos os povos
(v.24).

É isto o que devemos fazer hoje: falar de Deus,


anunciar Quem Ele é, o que fez e o que pode fazer na vida
dos pecadores, que é salvá-los do pecado, da morte e do
inferno, o maior milagre que existe.
Temos falado de Deus? Nós O amamos a ponto de
desejar ardentemente que Seu nome seja conhecido?

PORQUE ELE É O ÚNICO E GRANDIOSO DEUS (v.25-27):


Nestes versículos Davi dá uma bela e poética descrição da
pessoa de Deus, de Seus atributos e qualidades, mostrando
quem, de fato, Ele é:
- Deus é Grande (v.25): No sentido de poder, força e posição;
- Digno de ser louvado (v.25): Ele merece ser adorado;
- Deus é Temível (v.25): É o único a quem devemos temer;
- Verdadeiro (v.26): Ao contrário dos ídolos, que são deuses
falsos, mentirosos e fabricados;
- Deus é o Criador de todas as coisas (v.26);
21
- Deus é Glorioso (v.27): Majestoso, formoso e belo.

Por isso todo o mundo deve adorá-Lo, por isso


devemos falar Dele, hoje e sempre. Deus é maravilhoso, é
único, é grande, enfim, é Deus, o único Deus verdadeiro, o
Todo-Poderoso e eterno. Precisamos crer neste Deus, amá-
Lo e adorá-Lo com todo o nosso coração e somente a Ele.
Já O adoramos assim? Você já adora o único Deus
com todo o seu coração e com toda a sua vida? Arrependa-
se dos seus pecados, creia em Jesus e faça isso hoje. Enfim,
viva para adorar a Deus!

PORQUE ELE MERECE NOSSA ADORAÇÃO (v.28-34):


Talvez nos perguntemos: “Mas porque devo fazer isso?”
“Qual a razão?”
Todos os povos Lhe DEVEM tributo, ou seja,
adoração, aquilo que Lhe é devido, que Lhe pertence, afinal,
Ele é Deus, o único Deus. Sim, toda a nossa glória Lhe é
devida. É Dele e para Ele. Ele merece, é digno (v.28-29).
Temos que Lhe trazer oferendas/ofertas. E a oferta
que Ele quer é a nossa vida, como sacrifício vivo (Rm 12.1-2
e Sl 51.17).
Temos que entrar em Sua presença — estar perto
Dele, o que só é possível por Jesus, que nos abriu o
caminho e é o próprio (João 14.6).
Temos que adorá-Lo na beleza de Sua santidade:
Reconhecer que Ele é Santo e sermos santos também em
todo o nosso procedimento.
Temos que tremer diante Dele (v.30): Ter medo,
respeito, reverência, pois Ele é o Criador e Sustentador de
toda a terra.
Temos que nos alegrar Nele (v.31-33): Ele é a nossa
alegria, a fonte de alegria verdadeira, a razão da verdadeira
alegria. Ele traz alegria para toda criação, que O adora por
Quem Ele é. Nós devemos fazer o mesmo!
Ele é o Rei Soberano e Supremo que governa o
universo e, além disso, um dia virá julgar a terra: Jesus
voltará e julgará nossos atos e pecados. Como nos

22
apresentaremos diante do Justo Juiz: Como você se
apresentará?
Ele é bom e devemos ser gratos por isso (v.34) e a Sua
misericórdia dura para sempre: não nos dá o castigo ou o
tratamento que merecemos.

CONCLUSÃO: Ele nos salva, é o Deus da nossa salvação, é


o nosso Salvador, enfim, é Jesus (Atos 4.12).
Ele nos ajunta como seu povo: Por Sua graça forma o
Seu povo, a Sua igreja, Seu corpo, Seus filhos, nos
separando, assim, do mundo.
Ele nos livra das nações, ou seja, nos salva do
mundo, que não é mais o lugar do salvo. Jesus morreu para
nos tirar de lá e nos dar nova vida (2 Co 5.17).
Devemos agradecê-lo por isso. Devemos nos gloriar em Seu
louvor e viver para louvá-Lo.
Devemos bendizê-Lo (elogiá-Lo) porque Ele é bendito
eternamente, hoje e sempre (v.36).
Todas as pessoas concordaram com Davi, disseram
“amém” (que assim seja) e louvaram ao Senhor. E nós, o
que faremos?
Temos adorado a Deus de verdade? Adoramo-Lo com
toda a nossa vida? Vivemos para Ele? Cremos somente
Nele? Você já é salvo por Ele? É feliz Nele? É grato a Ele?
Vive uma vida que O agrada? Creia em Jesus hoje e O
adore, pois todo mundo deve adorar a Deus!

23
Consagração e Chamada ao Ministério
Isaías 6.1-10

É do conhecimento geral que missões são o propósito


de Deus para nós como igreja de Cristo, mas precisamos
observar um aspecto mais específico, o da entrega pessoal
da vida para servirmos em tempo integral na obra de Deus.
Muitos já me perguntaram: “Como você sabe que
Deus lhe chamou para o ministério?”, “Como você tem certeza
de que Deus quer que você seja missionário ou pastor?”,
Como você sabe que Deus lhe quer no interior de Minas
Gerais e não em outro lugar?” Eu mesmo já fiz estas
perguntas e outras parecidas a outros pastores e
missionários. Talvez você já as fez também.
Na verdade, estas são questões subjetivas, muitas
vezes difíceis de explicar, ou mesmo entender, pois, como
também já ouvimos, missões têm uma base sobrenatural,
têm a ver com a fé, têm a ver com Deus, com o Espírito
Santo. Mas, por outro lado, nós também dificultamos as
coisas, pois quando pensamos em missões, pensamos
humanamente: “Qual o melhor método de fazer missões?”,
“Deus ainda não falou comigo!”, “Sou muito novo!”, “Sou
muito velho!”, “Minha igreja precisa de mim, posso servir a
Deus aqui!”, “Como poderei deixar tudo o que tenho e ir para
um lugar desconhecido?”, “Se eu não for, Deus manda outro
de qualquer jeito!”, “Não tenho dinheiro para isso!”, etc.
Portanto, vamos meditar em um trecho bíblico muito
conhecido, que nos esclarece um pouco sobre como saber a
vontade de Deus para nossas vidas e como isso se encaixa
na obra missionária: Isaías 6.1-10

Isaías vivia em Judá, o reino do Sul, anos antes deste


povo ser levado cativo pela Babilônia, mas já sob constantes
ameaças de guerra e cativeiro. O reino do Norte, Israel, já
havia sido levado cativo pela Assíria e o ambiente na região
e na nação era de pecado e esquecimento de Deus, os reis e
o povo viviam de forma imoral, depravada, idólatra, longe da
Palavra de Deus — não muito diferente de nossos dias e do
24
nosso país. É neste ambiente que Isaías vivia quando teve
uma visão de Deus e recebeu Seu chamado.
Nós sempre enxergamos este texto como um texto
sobre chamada ao ministério; sim, ele fala sobre isso, mas o
foco da passagem, o que vem antes da chamada, é a
consagração ao Senhor, e esta é a lição que queremos
enfatizar neste momento:

DEVEMOS NOS CONSAGRAR POR INTEIRO AO SENHOR!

E, através do exemplo de Isaías, veremos como


podemos nos consagrar totalmente ao Senhor.
Primeiramente:

BUSCANDO AO SENHOR NA ANGÚSTIA (v.1). Podemos


imaginar que Isaías passava por um momento de sofrimento
e angústia profundos, pois, por um tempo, ele ministrou
diante de um rei diferente, Uzias, o qual, ao contrário dos
reis anteriores, decidiu buscar ao Senhor e governar a
nação com a Lei de Deus em primeiro lugar. Com certeza,
Isaías, que exercia seu ministério entre a alta sociedade de
Judá, nos palácios, entre os nobres, os príncipes e os
governantes da nação, teve um período de alegria em sua
vida durante o reinado de Uzias que, muito provavelmente,
era seu amigo, mas agora as coisas haviam mudado. Este
rei, antes tão fiel e dedicado ao Senhor, no fim de sua vida,
se desviou, abandonou ao Senhor, desprezou Sua Palavra e
Seus mandamentos (II Rs 15.1-7, II Cr 26.1-23),
decepcionando Isaías e, agora, encontrava-se como morto,
após um período isolado, devido à lepra que contraíra como
castigo do Senhor. Era um momento de angústia e
sofrimento para Isaías, e ele, como Salomão havia falado
quando construiu o Templo, foi até este lugar santo, para
orar, clamar e buscar no Senhor o consolo para sua alma.
Ali ele encontra a resposta, encontra a Deus, que fala com
ele e o orienta quanto a sua vida e seu ministério dali em
diante.
Momentos de angústia e sofrimento são ocasiões
muito propícias para o Senhor falar conosco e nos
25
privilegiar com Sua doce voz de consolo, dando-nos a
direção que tanto precisamos. Vemos muito isso no livro
dos Salmos, no qual temos muitas orações a Deus em
momentos de aflição e dor. Crises são oportunidades de
tomarmos decisões que mudam nossas vidas, nos
aproximam mais do Senhor ou nos afastam completamente
Dele (II Cr 26). Nessas horas difíceis, devemos e precisamos
olhar para as alturas, para o céu, para o trono de Deus... e
não para o reino dos homens.
Deus é soberano, Isaías sabia disso e fez isso, olhou
para os céus, olhou para Deus. E o Senhor lhe dirigiu.
O que temos feito nos momentos de crise? Talvez você
esteja enfrentando crises em sua vida neste exato momento.
O que fará? O que faremos? Se quisermos ter a direção de
Deus para nossas vidas, precisamos nos consagrar
totalmente a Ele e, primeiramente, buscá-Lo nestas horas
de aflição.
Quando fizermos isso, poderemos dar o próximo
passo para a consagração total ao Senhor, que é:

RECONHECER QUEM DEUS É (v.1-4). Quando Isaías


buscou a Deus no templo, ele teve uma visão do Senhor, ele
pode ver quem Deus é, de fato, reconhecer quem era o Deus
a quem ele servia e isso o motivou a servi-Lo ainda mais e a
se consagrar totalmente a Ele. Ele viu um Deus:

Soberano: O dicionário define soberano como: “Que está


revestido da autoridade suprema. Que governa com absoluto
poder. Dominador, poderoso, influente. Que exerce um poder
supremo sem restrição nem neutralização. Diz-se de Deus e
da sua suprema autoridade. Excelso, magnífico, notável.”
Isaías viu o Senhor, identificado pelo apóstolo João como
Jesus, em João 12.41, assentado no trono como o Soberano
Deus.

Grandioso: Isaías viu um Deus imenso, magnificente,


imponente, nobre e maior do que tudo e todos.

26
Sublime: Viu também um Deus dotado de uma elevação
excepcional, perfeito, elevado em Suas palavras e atos. Deus
é o que há de mais elevado.

Rei dos reis: O Rei do Universo, que reina sobre toda a


humanidade, maior do que todos os outros reis da terra.

Senhor dos Exércitos: O comandante supremo do Seu povo,


o Deus vitorioso, que dá a vitória ao Seu povo.

Glorioso: Cheio de glória e honra, ilustre, notável.


Santo: Principalmente, um Deus Santo, Santo, Santo. Sem
pecado algum, separado de todo pecado e dos pecadores,
puro e perfeito.

Este foi o Deus que Isaías viu, e reconheceu quão


maravilhoso era o Deus que servia. Este é o mesmo Deus
que nós servimos! Este Deus maravilhoso é o nosso Deus, o
único Deus.
E aqui é importante repetirmos e enfatizarmos que,
segundo João, em seu evangelho, no capítulo 12 e nos
versículos 37 a 41, Isaías viu a Jesus Cristo; isso mesmo,
Jesus Cristo, o nosso Salvador e Senhor, o Rei dos reis e
Senhor dos senhores, aquele que morreu na cruz do
calvário e que voltará um dia para reinar com todo poder,
autoridade e glória. Jesus é Deus!
Nós também podemos ver a Deus e reconhecer quem
Ele é, pois só assim poderemos fazer a obra missionária
como Ele quer. Deus é revelado nas Escrituras, é nela que
podemos vê-Lo, bem como tudo o que precisamos saber
sobre Ele e sobre o Seu Filho Jesus Cristo. Foi pela Bíblia
que conhecemos a Cristo e, pela fé no que ela revela que
encontramos a salvação que Ele nos dá gratuitamente (Rm
10.17); e é por ela que devemos ver, dia a dia, quem Deus é
e quem Cristo é. E isso deve nos motivar a consagrarmos,
cada dia mais, todo o nosso ser ao Seu serviço, e a fazermos
isso com fidelidade, amor e dedicação, pois Ele é glorioso,
poderoso, majestoso e, principalmente, Santo.

27
E assim seguimos para o terceiro passo em direção à
consagração total a Deus, que, na verdade, é um passo
duplo:

RECONHECENDO E CONFESSANDO OS NOSSOS


PECADOS (v.5-7). Quando Isaías contemplou a Deus e
reconheceu quem Ele era, viu Sua santidade e então olhou
para si mesmo, reconheceu que era pecador, que era
conivente com o pecado do seu povo e se envergonhou
perante Deus, se humilhou perante o Senhor, reconheceu
que com pecado em sua vida não poderia ser totalmente
consagrado ao Soberano e nem ser usado por Ele na obra
da pregação; então, confessou o seu pecado, foi perdoado e
purificado por Deus, estando assim apto para servir,
integralmente, ao Senhor.
Queremos saber a vontade de Deus para nossas vidas
como cristãos? Queremos fazer missões? Isso é bom, mas
será que já paramos para avaliar como está a nossa vida
perante este Deus tão santo e soberano? Temos algum
pecado em nossa vida? Precisamos confessar algo a Deus
que tem nos impedido de sermos usados por Ele?
Nós não usamos nada sujo em nosso dia a dia. Deus
também não. Somos vasos em Suas santas mãos e, se
quisermos ser usados por Ele na obra missionária e se
quisermos saber Sua vontade para nossas vidas,
precisamos estar limpos, confessar e deixar todo e qualquer
pecado e, então, estaremos aptos para fazer a obra do
Senhor.
Para sermos totalmente consagrados a Deus
precisamos reconhecer, confessar e deixar nossos pecados;
e Ele, pela Sua Graça e por meio de Cristo, nos purifica de
todo pecado (I João 1.9).
Isaías fez isto e agora dá o quarto passo em direção à
consagração total a Deus, que é:

ACEITANDO O CHAMADO DE DEUS PARA A OBRA (v.8):


“Eis-me aqui, envia-me a mim”. Isaías, depois de buscar a
Deus na angústia, reconhecer quem Deus era e reconhecer
e confessar os seus pecados, enfim está com sua vida
28
totalmente consagrada a Deus e apto para ser usado por
Ele em Sua obra, pois está completamente disposto a servi-
Lo como, onde e quando Ele ordenasse. Podemos perceber
isso quando Deus o chama e ele responde:

Com Voluntariedade: Foi na hora! Isaías respondeu sem


questionar, sem duvidar e sem enrolar. Depois de tudo o
que tinha presenciado, ele não tinha dúvidas e poderia,
muito provavelmente, ter pensado algo assim: – “Se Deus
me chamou é porque Ele quer, é o melhor para mim, é o
melhor para Sua obra, Ele é poderoso para me usar, me guiar
e me sustentar, com certeza. Com um Deus grandioso como
este, nada pode ser melhor do que servi-Lo”.
Portanto, ele foi voluntariamente, se dispôs e se
entregou a Deus, aceitando o chamado para servi-Lo.
Se quisermos ser totalmente consagrados a Deus e
usados por Ele na obra missionária, precisamos aceitar o
Seu chamado com disposição, na hora em que Ele nos
chamar, sem medir esforços ou olhar para as dificuldades,
mas obedecer e atender; dizer como Isaías: “Eis-me aqui,
envia-me a mim” e não “Eis-me aqui, envia meu irmão...”.
Estamos dispondo nossas vidas nas mãos do Senhor
com voluntariedade? Estamos dispostos a atender o Seu
chamado ou temos desobedecido e fugido disso? Desta
forma, nunca poderemos ser totalmente consagrados ao
Senhor e nem fazer a obra missionária. Além disso,
precisamos aceitar o chamado de Deus...

Com Compaixão pelas Almas Perdidas (v.8-10): Deus estava


chamando Isaías para trabalhar e pregar ao povo de Judá
— um povo difícil, rebelde e duro, como o próprio Senhor
mostra ao profeta nos versículos seguintes. Mas era um
povo perdido, longe de Deus, que precisava ouvir a
mensagem do amor, perdão, misericórdia, justiça e juízo
divino. Era um povo ruim, iria causar sofrimento ao profeta;
ele iria, muitas vezes, pregar sem resposta positiva alguma,
veria o povo desprezando a sua pessoa, a sua mensagem e o
seu Deus... Isso era triste, mas o povo só fazia isso porque
estava longe do Senhor, perdido, preso ao pecado e ao
29
engano de satanás; portanto, somente ouvindo a mensagem
de Deus é que poderiam mudar seus corações, se
converterem e serem salvos. Isaías precisava ter compaixão
deste povo para aceitar o chamado de Deus. Ele teve
misericórdia, aceitou e foi.
Nós também precisamos ter compaixão pelas almas
perdidas. Só assim atenderemos ao chamado de Deus para
deixar tudo e dedicar nossas vidas à pregação do evangelho
aos perdidos em qualquer lugar do mundo e sob quaisquer
circunstâncias.
Jesus, em Mateus 9.36-38, teve compaixão das almas
perdidas. Nós devemos fazer o mesmo.
Paulo, em Romanos 9.3, teve compaixão do seu povo.
Somente quando entendermos a necessidade que os
perdidos têm de ouvir o evangelho e conhecer o Salvador
que nós conhecemos, é que teremos a disposição de
obedecer ao Seu chamado e pregar o evangelho a toda
criatura.

CONCLUSÃO: Para encerrar, vimos que Isaías passou por


um processo de consagração total a Deus e que, depois
disso, estava apto para saber a vontade do Senhor para sua
vida e se entregar totalmente na realização da obra de Deus.
Ele fez isso, e sabem qual foi o resultado? Ele fez a obra de
Deus, pregou a mensagem do Senhor à sua nação, fez a
obra do Seu Salvador, fez a diferença em sua sociedade,
marcou o mundo em que viveu como um profeta totalmente
consagrado Àquele que é Santo, era uma referência no
aconselhamento das pessoas da época, escreveu um dos
maiores livros da Bíblia, amou seu Deus até o fim, tendo
sido, segundo a tradição, morto por sua fé, serrado ao meio
dentro de um tronco de árvore, e é lembrado até hoje como
um dos maiores profetas e homens de Deus que já viveram.
Tudo porque ele se consagrou totalmente ao Senhor,
conheceu a vontade de Deus para sua vida, obedeceu e O
colocou em primeiro lugar.
E quanto a nós? Como tem sido nossa vida como
servos do Senhor? O que temos feito por Sua obra? O que
temos feito pela causa missionária? Será que somos
30
totalmente consagrados a Deus? Ou será que ainda falta
algo e, devido a isso, estamos sendo servos inúteis,
desobedientes, infrutíferos, que não fazem a diferença para
o Salvador e para o mundo perdido? Será que Deus não
quer algo a mais de nós? Sim, Ele quer! Ele quer que
sejamos totalmente consagrados; pois, então, nos mostrará
Sua vontade perfeita e nos usará grandemente em Sua
obra. Faremos missões e levaremos o evangelho aos
perdidos com toda disposição. Para isso, basta que
busquemos ao Senhor na angústia, reconheçamos quem o
nosso Deus é, reconheçamos e confessemos os nossos
pecados e, por fim, aceitemos o chamado de Deus com
voluntariedade e compaixão pelas almas perdidas.
Se quisermos fazer missões, precisamos ser
totalmente consagrados ao Senhor — totalmente —, só
então poderemos dizer como Isaías: “Eis-me aqui, Envia-me
a mim!” e fazer a diferença neste mundo, levando o
evangelho até aos confins da terra para a glória de Deus e
ver os resultados eternos desta consagração na glória com
Cristo.
Irmãos, como estamos diante de Deus neste
momento? Tomemos uma decisão e consagremo-nos
totalmente ao Senhor. Só assim poderemos fazer missões.
Amém!

31
O Evangelismo e a Glória de Deus
Ezequiel 2-3.11

Evangelismo e missões andam sempre juntos. Porém,


são dois lados diferentes da mesma moeda. Podemos definir
missões como levar o evangelho aos que estão longe e
evangelismo como levar o evangelho aos que estão perto.
Aprenderemos um pouco sobre o evangelismo pessoal na
vida do profeta Ezequiel e sua missão de levar a Palavra de
Deus ao seu próprio povo.
Durante o tempo do cativeiro da nação de Judá na
Babilônia, Deus chamou Ezequiel, filho de um sacerdote,
para levar uma mensagem ao seu próprio povo, uma
mensagem dura, de condenação, de castigo, sofrimento e
dor, porém uma mensagem divina, santa, importante e
necessária para o Seu povo. Este é o mesmo caso em
relação a pregação da Palavra de Deus para o povo hoje em
dia.
Ezequiel teve uma visão de Deus, contemplou um
pouco da Sua glória (tema constante no livro) e viu o Senhor
Jesus em glória, poder e majestade, caindo, então, sobre o
seu rosto, completamente humilhado e dominado de temor
(mesma atitude de Isaías em Isaías 6). Ali, Deus, por meio
do Seu Espírito, o levantou e o chamou para uma
importante e sublime missão: Levar Sua Santa Palavra ao
seu próprio povo, aos seus compatriotas. Uma missão
difícil, porém gloriosa. A mesma que Deus dá à Igreja, o Seu
povo hoje:

DEVEMOS LEVAR A PALAVRA DE DEUS AO NOSSO


POVO!

É isto que vemos nos versículos 2.3-4 e 7, 3.1,4 e 11.


“Assim diz o Senhor!” Esta é a nossa missão; falar da
Palavra de Deus àqueles que ainda estão cativos no pecado,
escravizados pelas trevas e por satanás, presos a este
mundo, cegos quanto ao seu destino, condenados ao fogo
eterno do inferno.
32
Assim como Ezequiel, Deus nos chama quando
estamos junto com nosso povo, no meio deles, todos cativos
(eles pela Babilônia, nós pelo pecado e por satanás), ele nos
chama do meio deles e nos dá a missão de falar com eles
uma mensagem dura, de condenação, que não gostam de
ouvir, porém, importante, divina e necessária. E devemos
fazer isso...

NA DEPENDÊNCIA TOTAL DO SENHOR (v.7-8): Antes de


tudo, Ezequiel prostrou-se humilhado e cheio de temor
diante do Senhor Jesus, demonstrando total submissão a
Ele (capítulo 1). Portanto, para alguém ser usado por Deus,
precisa, em primeiro lugar, prostrar-se aos pés de Jesus
Cristo, precisa humilhar-se diante Dele, reconhecê-Lo como
único Deus, como Senhor e Salvador, para assim ser
levantado do pó, receber o Santo Espírito e a capacidade
para servi-Lo.
O nome Ezequiel significa “Fortalecido por Deus” (ou
alguma variante disso, como, por exemplo, “Deus Fortalece”
ou “Deus vai Fortalecer”), e assim foi a vida deste profeta e a
de todo crente fiel a sua missão ao longo da história:
fortalecidos por Deus por meio de Seu Santo Espírito que
em nós habita. Atos 1.8 nos mostra isso claramente.
Também precisamos entender que, assim como
Ezequiel, temos que, diariamente, nos prostrarmos diante
de Cristo e Sua glória, para que Ele nos levante, nos encha
com Seu Espírito e nos capacite para Sua obra.
O que Deus ordena Ele capacita e dá suficiência para
que o façamos e faz o mesmo para que vivamos à altura do
Seu nome e do nosso sublime chamado.
O ‘trabalho’ é duro, o povo é duro, mas Deus também
nos faz “duros” para aguentar a dureza da missão, nos faz
fortes como diamante e soltando faíscas e fogo como a
pederneira (rocha sedimentar que solta fogo quando
esfregada).
Dependamos do Senhor, sejamos cheios do Seu
Espírito (Efésios 5.18) e, em Sua força e capacidade,
obedeçamos ao chamado. Vamos, anunciemos a Santa

33
Palavra ao nosso povo, proclamemos o evangelho aos
perdidos, falemos de Jesus aos cativos no pecado.

CHEIOS DA PALAVRA DE DEUS: Deus ordenou que


Ezequiel comesse um rolo com as divinas palavras ao povo
antes de cumprir sua missão, e foi o que fez; e ela lhe foi
doce como o mel na boca.
Podemos entender isso de forma figurada, mas a ideia
é que o mensageiro do Senhor precisa primeiro se alimentar
da Palavra de Deus, encher dela o seu interior, para só
depois, levá-la aos outros.
Precisamos nos alimentar da Palavra de Deus.
Jeremias (Jr 15.16) e João (AP 10.9-10) tiveram
experiências semelhantes e é o que Deus quer de nós.
Temos que nos encher dela, comê-la, pois é deliciosa, é o
nosso alimento espiritual (1 Pedro 2.2) e é mais doce do que
o mel (lembram-se do Salmo 19?).
Fazemos isso lendo a Bíblia diariamente, meditando
nela (Salmo 1), decorando versículos, estudando
sistematicamente, enfim, “devorando” a Palavra.
Deus pediu que Ezequiel ouvisse com atenção Sua
Palavra e nós devemos fazer o mesmo, guardá-la no coração
e, então, falar dela aos outros.
Temos que conhecer aquilo que pregamos. Deus tem
muito a dizer (o rolo dado a Ezequiel estava escrito dos dois
lados, sendo que, naquela época, os rolos eram,
normalmente, escritos de apenas um lado). Temos que
conhecer a Palavra de Deus, pois temos muito o que dizer
aos perdidos do nosso povo, mas precisamos saber,
conhecer, experimentar, viver e, só então, falar.
Só a Palavra de Deus adoçará nossa vida diante de
tão grande e difícil tarefa, só ela nos capacitará, afinal, é
dela que falaremos, portanto, temos que conhecê-la. A
Palavra de Deus é a expressão de Jesus, Sua revelação
perfeita e completa; ela nos sustenta, nos fortalece, nos
capacita e nos dá a verdadeira sabedoria (Salmo 119 e 2
Timóteo 3.16-17).
Portanto, alimentemo-nos com a Palavra de Deus.

34
INDEPENDENTEMENTE DOS RESULTADOS (2.3-7, 3.4-
11): Tal qual Isaías e Jeremias, Ezequiel foi comissionado
por Deus já sabendo que seu ministério teria resultados
desanimadores. Deus já o avisou que o povo era duro de
coração, rebelde, pecador, teimoso, que os ouvintes fariam
cara feia, tentariam assustá-lo, o ameaçariam e até o
atacariam (simbolizado pelos perigos da sarça —pequena
árvore espinhosa, dos espinhos e dos escorpiões), mas disse
que ele não deveria temer ou desistir.
Oposição, perigos e ataques ocorrerão, mas não
precisamos temer ou parar. Não podemos!
Além disso, não é difícil falar com o nosso próprio
povo, porque a língua e a cultura são as mesmas e nos
entendemos facilmente; contudo, tal qual o povo de
Ezequiel, eles não querem nos ouvir, não querem ouvir a
Deus, não gostam de ouvir Sua Palavra, enquanto os
estrangeiros, mesmo com língua e cultura diferentes e
sendo o trabalho bem mais difícil neste sentido, estão
prontos a ouvir os pregadores e, em geral, respondem ao
evangelho com mais facilidade (vide os missionários
estrangeiros que conhecemos e os frutos dos seus trabalhos
em nosso meio, bem como o frutífero trabalho missionário
de brasileiros que atuam no exterior).
Ezequiel iria enfrentar um povo duro, seria difícil e os
resultados mínimos, mas não era para ele desanimar e nem
focar-se nos resultados, mas em ser fiel a Deus, ao seu
chamado e a sua missão.
Lembremos disso: nosso povo não gostará de nossa
mensagem, não gostará de ouvir a verdade, nos rejeitará,
nos maltratará, achará loucura (Rm 1.16-17), simplesmente
não querem, não querem a Deus e não querem a Cristo,
mas temos que enfrentá-los e falar o que precisam ouvir:
sobre a condenação do pecado, sobre o Justo Deus, sobre
Seu amor, perdão e graça, sobre Jesus, Sua morte na cruz,
Sua ressurreição e Sua salvação oferecida ao que crê.
Por fim, devemos levar a Palavra de Deus ao nosso
próprio povo:

35
BUSCANDO SEMPRE A SUA GLÓRIA (DE DEUS): Enquanto
Deus falava com Ezequiel, lhe dando sua missão e
explicando os detalhes, ele viu e ouviu a glória de Deus, que
é bendita, abençoada e maravilhosa.
A glória de Deus é um tema frequente neste livro e na
vida de Ezequiel e deve ser também para nós – “Fazei tudo
para a glória de Deus!” 1 Co 10.31.
É pela glória de Deus que devemos pregar o
evangelho e levar Sua palavra aos perdidos, é por ela que
devemos viver, por ela devemos servir e obedecer. É Sua
glória que devemos buscar e almejar, ela é o nosso mote,
nossa vida, nosso alvo; e não o lucro financeiro, resultados,
números, recompensas ou reconhecimento. Apenas a glória
de Deus. Sua glória é tudo o que precisamos e aquilo que
realmente importa.
Ezequiel pregou baseado nisso, Paulo também, Jesus
da mesma forma. Portanto, esta dever ser a nossa
motivação ao pregar — a glória de Deus e ela somente!

36
Desperte para Pregar – Reflexão na Vida de Jonas
Jonas 1.5-6:

Jovens e adolescentes são conhecidos como “a força


ativa da igreja”. O que é um fato, devido à saúde,
disposição, força, energia e disponibilidade que os mesmos
possuem. Mas, infelizmente, esta é uma realidade que vem
mudando exageradamente nos últimos anos.
A história do povo de Deus e da Igreja foi marcada
por jovens ativos, dedicados e que fizeram a diferença na
igreja e na obra missionária: José no Egito, Davi contra
Golias, Estevão, o primeiro mártir, Timóteo, William Carey e
seus quatro amigos que fundaram uma sociedade
missionária que alcançou a Índia com o evangelho, os
jovens morávios, Jim Elliot e seus quatro amigos mártires
no Equador, dentre tantos outros. O próprio Senhor Jesus
era jovem e exerceu seu ministério com 30 anos de idade.
Até poucos anos atrás, era comum vários jovens
serem despertados para missões e para o ministério em
tempo integral. Rotineiramente víamos jovens dedicando
suas vidas por completo para servir a Deus, pregar o
evangelho, e muitos saíam de suas igrejas rumo aos
seminários e institutos bíblicos visando uma preparação
mais intensiva ao ministério (em 2001, quando ingressei no
Seminário Batista Regular do Sul, éramos mais de 20 novos
alunos na turma; em 2002, quando Débora entrou, eram
uns 30. Naquele ano, nosso seminário alcançou o maior
número de alunos de sua história: quase 90. Hoje, não
chega a vinte e, nos últimos anos, sempre corre o risco de
não iniciar novas turmas, sendo esta a mesma realidade de
outras instituições teológicas com as quais tenho contato).
No passado não tão distante, era muito comum juntas
missionárias criadas e mantidas por jovens, grandes
equipes eram formadas e viagens missionárias eram
realizadas, grupos de evangelismo e estudo bíblico nas
escolas, faculdades e universidades eram comuns, grandes
e marcantes projetos missionários e sociais eram
encabeçados ou executados por jovens e adolescentes.
37
Enfim, os jovens sempre foram parte fundamental no
cumprimento da grande comissão; obreiros fundamentais
na Seara do Senhor. Mas esta realidade mudou...
Uma pesquisa realizada pelo Pastor João Batista
Cavalcante realizada entre 400 jovens de sua denominação
e descrita na revista da EBD “Missões — o Grande Desafio
da Igreja”, da Editora Cristã Evangélica, revela as seguintes
informações: “88% dos jovens e 97% dos líderes não
pastores se dizem conscientes de seu lugar no corpo de
Cristo... entretanto, 91,5% dos crentes não participam de
algum trabalho de evangelização em escolas, 76,5% não
participam de grupos de estudos bíblicos nos lares, 97,5%
não participam de equipes de evangelização em condomínios,
e 92,8% não participam efetivamente na manutenção de
missionários.”
O que aconteceu com os jovens? Onde está a força
ativa da igreja? A mão de obra trabalhadora, dedicada,
esforçada, que se desgasta pelo reino de Deus e pela
salvação dos perdidos?
Infelizmente, como tantos adultos, estão dormindo,
cochilando, anestesiados e dopados, embriagados por uma
cultura perdida, caídos, prostrados, apáticos, egoístas,
indiferentes a tudo e a todos, dormindo o sono do egoísmo,
de ressaca do relativismo, do pós-modernismo, do
humanismo, da imoralidade, do entretenimento e do
consumismo. Nossa sociedade hoje estimula o sono dos
jovens, afirmando que a adolescência vai até os 30 anos (ou
até os 55, como afirma outra pesquisa recente), criando
jovens e adultos mimados, sem responsabilidade, sem
atitude, dependentes dos pais, que fogem de compromissos
sérios, que não querem se arriscar ou lutar por nada maior,
que não querem se casar, não querem ter filhos, não
querem servir nas igrejas, não querem servir a Deus, ao
próximo e, muito menos, pregar o evangelho aos perdidos.
O pecado nos amolece, nos enfraquece, dá sono, nos
torna apáticos, indiferentes e, portanto, inúteis. Entretanto,
mesmo sendo uma grande característica dos nossos dias,
isso não é algo novo, temos um caso no Antigo Testamento
que retrata perfeitamente esta realidade e que vamos
38
observar para tirar lições para nossa vida: o caso do profeta
Jonas.

O chamado de Jonas foi para pregar a condenação


aos ninivitas, cruéis e perversos inimigos de Israel, mas ele,
voluntariamente, desobedeceu, fugiu, foi disciplinado por
Deus, arrependeu-se, obedeceu, pregou e os resultados
disso foram o arrependimento e salvação de toda a cidade
de Nínive.
O fato que se destaca é que, em sua desobediência
pecaminosa, Jonas dormia profundamente, enquanto todos
ao seu redor estavam diante da morte iminente, devido à
tempestade que assolou o navio. Dormiu até ser acordado
pelo capitão e ser confrontado com sua tola,
incompreensível e inaceitável atitude.
O capitão perguntou: “O que se passa contigo? Como
pode estar agarrado ao sono?” ou, segundo a NVT: “Como
pode dormir numa situação dessas?”
Jovens, como podemos dormir diante da situação do
mundo ao nosso redor? Como podemos dormir diante de
milhões de pessoas perdidas sem Cristo, caminhando a
passos largos para o tormento eterno? Como?

NÃO PODEMOS DORMIR DIANTE DA SITUAÇÃO DO


MUNDO AO NOSSO REDOR!

Portanto, acordemos e façamos algo!

JAMAIS VIVENDO EM PECADO DELIBERADO (v.1-3): Ou


desobediência voluntária. Deus chamou Jonas para pregar
aos ninivitas e ele, pronta e voluntariamente, desobedeceu.
Este é o único caso nas Escrituras de um profeta que
recusou o chamado de Deus. Outros até questionaram,
temeram, lutaram, mas Jonas não, desobedeceu mesmo e
tentou fugir da presença do Senhor, indo para o lado
contrário.
Esta tem sido a marca de vida de muitos crentes hoje,
especialmente dos jovens. Desobediência deliberada e
descarada, fuga da vontade e da presença de Deus (como se
39
isso fosse possível... Salmo 139), disposição, muita
disposição, mas para fazer o que é errado ou inútil (festas,
lazer, diversões, mundanismo e pecado).
Muitos jovens de nossas igrejas deveriam estar num
seminário neste exato momento. Muitos deveriam estar
engajados em ministérios em suas igrejas locais, muitos
deveriam estar participando ativamente de projetos
evangelísticos em seu contexto de vida e em projetos
missionários a curto e longo prazo; muitos deveriam ser
missionários já em atividade no campo, implantando
igrejas, ganhando almas, traduzindo as Escrituras,
trabalhando como profissionais visando a entrada em
países fechados ao evangelho para pregar e testemunhar
por meio de sua profissão, mas estão desobedecendo,
fugindo e vivendo vidas apáticas e inúteis no reino de Deus.
Muitos, como Jonas, estão dormindo profundamente,
enquanto o mundo desaba ao nosso redor. Que tristeza, que
vergonha...
Com seu pecado, Jonas só desceu (para Jope, para o
porão do navio, onde dormiu profundamente, para o fundo
do mar e, por fim, para a barriga do peixe). O pecado e a
desobediência nos levam ao sono profundo e só nos fazem
descer na vida. Desobedecendo a Deus, nós dormiremos e
afundaremos. Não vale a pena!

PENSANDO NAS PESSOAS AO NOSSO REDOR E


PREOCUPANDO-NOS COM ELAS (v.4-6): Jonas, por seus
próprios motivos, não se preocupou com o povo de Nínive, o
que, humanamente falando, era compreensível, visto a
extrema maldade e crueldade dos ninivitas para com o povo
de Israel.
Mesmo que, humanamente falando, seja justificável
desobedecer a Deus, fugir para longe de Sua vontade e ficar
dormindo espiritualmente não é certo, não é correto, é
pecado e totalmente o contrário à vida cristã e ao exemplo
de Cristo.
Olhar para os outros implica em parar de olhar para
nós. Assim como Elias, que sofria diante das ameaças de
Jezabel; fugiu, isolou-se e, escondido numa caverna, dormia
40
numa depressão profunda. Era um sofrimento real, um
sofrimento forte do profeta, mas ele não podia ficar
dormindo, tinha trabalho a fazer, não estava sozinho e foi
ordenado a acordar, comer, se levantar e ir cumprir sua
missão, mesmo triste e depressivo (1 Rs 19). Deus falou:
“Que fazes aqui, Elias? Levante, coma e vá trabalhar!”
Por mais tentador ou normal que isso seja em nossa
sociedade, não podemos ser egoístas e pensar só em nós
mesmos, mas em Deus e no próximo. Como salvos,
precisamos pensar nos perdidos e preocuparmo-nos com
eles.
Por causa do pecado e da desobediência de Jonas,
todos naquele barco iriam morrer e ele dormia. Estavam
desesperados, amedrontados, angustiados, vendo a morte
iminente e todos os seus esforços sendo inúteis para livrá-
los disso.
Portanto, dormir em meio a isso é uma total
incoerência, é um absurdo, mas é um fato: nosso sono
espiritual levará outros à morte eterna, pois não faremos
nada, enquanto deveríamos estar ajudando.
Irmãos, como podemos dormir com o mundo
desabando ao nosso redor? Como podemos dormir com as
pessoas morrendo sem Cristo? Como podemos dormir
sendo que tantas pessoas nunca ouviram falar de Jesus,
nunca ouviram o verdadeiro evangelho? Como disse o
capitão do navio a Jonas: “Estamos loucos?”
Muitos jovens dormem espiritualmente devido ao
pecado e outros pela indiferença ou egoísmo, focados em
suas próprias vidas, carreiras, futuro, almejando o
reconhecimento, a estabilidade financeira, o sucesso, muita
diversão e prazeres, vivem apenas para si, dormindo
espiritualmente e nada fazem para mudar o mundo, para
expandir o reino de Deus, para ganhar almas, para que o
evangelho seja conhecido e o nome de Deus glorificado
sobre toda a terra.
Jonas tinha seus motivos para dormir, como muitos
hoje também têm, mas precisamos acordar mesmo assim,
confiar na soberania de Deus, obedecer Sua Palavra e ir

41
pregar aos perdidos, com fé, dedicação, amor, sacrifício.
Acordemos! Pensemos nos outros.
Jovem, não durma, outros precisam de você, não seja
egoísta, pense nos perdidos, preocupe-se com os que não
conhecem a Cristo, acorde, levante-se e vá pregar para eles.

LEMBRANDO-SE DE QUEM NÓS SOMOS (v.7-12): Quando


o capitão o acordou e o confrontou, Jonas foi levado à
presença dos demais marinheiros que, desesperados, faziam
de tudo para se salvarem da tempestade, lançando a carga
do navio ao mar e clamando aos seus deuses por
livramento.
Num ato soberano de Deus, ao jogarem sortes, a
culpa caiu sobre Jonas, que foi questionado sobre a razão
da tempestade, quem ele era, sua profissão e de onde vinha.
Jonas foi obrigado a confessar seu pecado e a se
lembrar de quem ele era: um profeta do Deus vivo, um servo
do Deus Soberano e Criador, um hebreu, membro do povo
escolhido de Deus. O que nos remete a 1 Pedro 2.9.
Ao dizer isto, todos ficaram amedrontados, pois
sabiam quem era o Deus de Israel. Que vergonha ao profeta
dorminhoco, mas, ao mesmo tempo, foi sua chance de se
arrepender, acordar e cumprir sua missão como pregador
da Palavra de Deus.
A grande ironia foi que o único naquele barco que
poderia fazer algo para mudar a situação era Jonas, mas ele
dormia... Era o único que conhecia ao Deus verdadeiro, o
único que conhecia Sua Palavra e Sua vontade. Portanto,
apesar de todo o seu pecado, sua desobediência e seu sono
profundo, Jonas era o único que poderia fazer algo e ajudar
aqueles marinheiros desesperados.
Vale observar que todo o esforço dos marinheiros era
completamente em vão, se Jonas não fizesse nada, eles
poderiam jogar fora tudo o que tinham no navio, clamar aos
seus deuses até o fim que, de qualquer jeito, morreriam
afogados. O mesmo vale para todos os incrédulos ao nosso
redor, tudo o que fazem pela própria salvação não serve
para nada, não pode salvá-los; estão completamente
perdidos e, por mais que se esforcem, rezem, orem, clamem
42
aos seus deuses, ofereçam sacrifícios, etc., permanecerão
condenados a uma eternidade sem Deus no inferno de fogo.
Mesmo dormindo ou cochilando, nós ainda somos os
que mais podem ajudar o mundo. Jovem, você é um salvo,
um filho de Deus, uma testemunha de Jesus e, no seu
ambiente e contexto de vida, seja o seu lar, sua vizinhança,
sua escola, faculdade, trabalho ou grupo de amigos, você é
quem mais conhece a Deus, quem mais conhece a Bíblia,
quem mais pode ajudar de fato. Portanto, acorde, levante-se
e ajude, pregue o evangelho, fale de Jesus, dê um bom
testemunho.
De forma vergonhosa, Jonas foi despertado por um
ímpio, um pagão, que o confrontou com sua atitude egoísta
e irracional, mas despertou, acordou, lembrou-se de quem
era, colheu os frutos do seu pecado e, por seu intermédio,
Deus salvou a vida de todos no barco e, dias depois, de toda
uma grande cidade. Tudo isso porque um profeta
desobediente e dorminhoco despertou, reconheceu quem
era, se importou com o próximo e cumpriu sua missão.
Imagine o que Deus pode fazer por nosso intermédio se nos
dispusermos a trabalhar, pregar e fazer aquilo para o qual
fomos salvos e chamados para fazer sem dormir e sem
desobedecer. Portanto, desperte e pregue!

CONCLUSÃO: Após ser despertado do seu sono, ter


confessado seu pecado e assumido a culpa pela tempestade,
Jonas foi jogado ao mar e salvo pela misericórdia de Deus,
dentro do ventre de um grande peixe. Ali ele orou, clamou a
Deus por ajuda, foi salvo e, por fim, obedeceu, não mais
fugiu, não mais dormiu, foi até Nínive, pregou e a cidade foi
salva da ira de Deus.
Em sua oração no ventre do peixe, Jonas compara
seu arrependimento com a ressurreição, com a volta da
sepultura. Isso é despertar para uma nova vida.
Isso é o que devemos fazer, isso é o que Deus espera
de nós, que vamos aos campos, que preguemos Sua
Palavra, que sejamos testemunhas de Jesus. Portanto,
acordemos, despertemos e evangelizemos no dia a dia,
entreguemos nossas vidas para sermos missionários,
43
fundadores de igrejas e evangelistas. Levantemo-nos,
deixemos tudo para trás e vamos pregar o evangelho aos
perdidos. Esta é a nossa missão, o nosso chamado. Não
podemos ficar dormindo, cochilando, escondidos, amuados,
trancados em nosso mundinho, alienados, desobedientes e
indiferentes ao mundo ao nosso redor. Não! Precisamos
despertar, acordar, levantar, pregar o evangelho e fazer a
diferença!

44
Parte 2
NOVO
TESTAMENTO

45
Amando Missões Como Jesus
Mateus 9.35-38

A obra missionária é grandiosa e temos, em Jesus


Cristo, nosso Senhor e Salvador, o maior e melhor exemplo.

Nesta passagem do evangelho de Mateus, Jesus


estava ainda no início do seu ministério, realizando alguns
milagre e curas, ensinando lições importantes aos
discípulos e ao povo, como, por exemplo, sobre o jejum, e
havia, há pouco tempo, chamado Mateus para ser um dos
seus discípulos. Nisso, durante Suas viagens por Jerusalém
e região, enquanto fazia milagres, ele para, abre seu coração
e lança um desafio aos seus doze discípulos (logo depois os
enviaria numa grande missão) e o desafio aqui é o mesmo
para nós, seus discípulos, hoje:

DEVEMOS AMAR MISSÕES COMO JESUS AMOU!

TESTEMUNHANDO ONDE ESTIVERMOS (v.35): Jesus fazia


o bem por todos os povoados e cidades pelos quais passava.
Curava os enfermos, fazia milagres, expulsava os demônios,
enfim, ajudava as pessoas que tanto precisavam Dele.
porém, durante isso tudo, Ele “Pregava o Evangelho do
Reino”, ou seja, a salvação, o Reino de Deus, o que
realmente importava e era eterno, uma mensagem da qual
aquelas pessoas, com almas eternas, precisavam. Jesus
anunciava a si mesmo como o Rei de suas vidas e que
necessitavam fazer parte do Seu reino perfeito e eterno.
Hoje nós não podemos fazer os milagres que Jesus
realizava, porém, podemos continuar fazendo o bem às
pessoas que estão ao nosso redor, e o melhor bem que
fazemos é “dar um bom testemunho da vida cristã” e
pregarmos o Evangelho onde estivermos. Onde estivermos...
Falar de Jesus, pregar o Evangelho do Reino, dar um
bom testemunho e fazer o bem, tudo isso deve fazer parte
de nossas vidas, devem ser atitudes normais e não raras ou
forçadas, devem ser práticas constantes do dia a dia e onde
46
estivermos, seja em casa, no trabalho, na escola, na
faculdade, no lazer, na rua, em todo e qualquer lugar.
Se quisermos amar missões como Jesus amou,
precisamos pregar aqui onde estamos. Se amamos a Deus,
a Jesus nosso Salvador e a Sua obra, iremos fazer o bem e
testemunhar em nosso dia a dia; e essa será a nossa vida,
pois assim deve ser a vida do crente. Qualquer estilo de vida
diferente desse está errado!

DEMONSTRANDO COMPAIXÃO PELAS ALMAS PERDIDAS


(v.36): Jesus olhava para as multidões com compaixão (dor
que nos causa o mal alheio; comiseração, dó, pena, piedade
— Dicionário Michaelis), ou seja, ele VIU a multidão, não
ficou indiferente diante daquela pessoas ao Seu redor ali,
que precisavam de ajuda.
Ele se importou com elas, deu atenção, tratou-as com
consideração; enfim, ele as amou!
Jesus percebeu que as pessoas naquelas multidões
estavam aflitas e exaustas, sofrendo no pecado, sem
conhecer a Deus, escravas nas garras de satanás, sem
esperança, sem paz, vivendo a rotina de uma vida vazia e
sem propósito. Jesus se importou com isso.
Viu que estavam perdidas, eram como ovelhas sem
pastor, ou seja, sem rumo, sem direção, sem liderança, sem
orientação, sem ninguém para ajudá-las, sem cuidado,
amor ou disciplina. Estavam ali, perdidas e deixadas à
morte sem conhecer o Bom Pastor — foi a essas mesmas
pessoas que Jesus ofereceu o perdão e o alívio em Mateus
11.28-30.
Tudo isso está em jogo aqui, a situação das pessoas é
muito séria, não é brincadeira e a lição é clara: Precisamos
ter compaixão das multidões deste mundo! Essas pessoas
estão aflitas e exaustas, como ovelhas que não têm pastor.
Precisamos mudar nossas atitudes e VER as
multidões, pois à medida que o tempo passa, nos
acostumamos a tratar as pessoas apenas como números,
vultos ou algo sem valor.
Precisamos dar atenção à situação espiritual das
pessoas ao nosso redor e no mundo e perceber que
47
precisam, URGENTEMENTE, de Jesus em suas vidas. Estão
perdidas, escravizadas pelo pecado, cegas por satanás,
vivendo vidas vazias e inúteis. Só esperando a condenação
no inferno, mas nós precisamos olhar para elas com
compaixão, sentir a dor delas, nos importar e decidir ajudá-
las, levando-lhes o evangelho de Cristo.
Mas para isso acontecer, precisamos mudar nossa
atitude, parar de nos preocuparmos somente conosco, de
nos importarmos apenas com nossas vidas e nossos
problemas, de achar que o mundo gira ao nosso redor,
parar de nos apegarmos a coisas vazias e passageiras; e,
assim, amar as almas perdidas!
Temos sentido compaixão pelas pessoas perdidas?
Qual a última vez que paramos para pensar na situação das
pessoas ao nosso redor? Qual a última vez que nos
preocupamos com as almas perdidas ao redor do mundo?
Por fim, qual a última vez que nos importamos com alguém
que não fosse nós mesmos ou a nossa família?

ORANDO POR MAIS MISSIONÁRIOS (v.37): Comparando o


mundo com uma seara, Jesus avisa seus discípulos que
existem poucos trabalhadores, ou seja, poucos crentes
dispostos a amar os perdidos e anunciar-lhes o Evangelho
da Salvação. Então pede que ROGUEM, ou seja, peçam por
favor, peçam insistentemente, supliquem, implorem que
Deus levante mais missionários e evangelistas.
Se é para rogarmos desta forma, é porque é uma
necessidade urgente e importantíssima.
Em se tratando de missões, existem muitas coisas
pelas quais devemos orar: pela salvação das pessoas, para
Deus abrir o coração delas para o evangelho, pela vida dos
missionários (proteção, saúde, força, coragem, disposição,
suprimento das necessidades, consolo, etc.). Porém,
especificamente, o que nosso Senhor Jesus nos ordenou a
orar foi “por mais missionários”, para que Deus levante
mais obreiros para Sua seara. E, infelizmente, oramos
pouco, ou nada, por isso...
Orar por mais obreiros é fundamental, pois se nos
importamos com missões, se temos compaixão das almas
48
perdidas, se já evangelizamos onde estamos e nos dispomos
a orar para que Deus levante mais missionários, seremos os
candidatos certos a esta tarefa — por isso poucos crentes
oram dessa maneira, pois não querem ir ao campo.
Recentemente, uma frase que se destacou para mim
no sentido de missões foi: “Não espere a pessoa certa, seja a
pessoa certa!”. E, juntamente com minha esposa, Débora,
temos o seguinte lema para nossa vida: “Quando oramos,
precisamos ter a disposição de sermos a resposta a nossas
orações!”
Portanto, amados, oremos por missões, oremos
muito, roguemos por mais missionários; mas tenhamos a
disposição de sermos um, pois Deus pode estar querendo
nos levantar para trabalhar em Sua seara.

SENDO UM MISSIONÁRIO (v.38): Seguindo a lógica do


ensino anterior, para amarmos missões como Jesus amou,
precisamos nos dispor a sermos missionários.
Jesus, com certeza, estava desafiando os discípulos
com a grandeza da tarefa que esperava por eles: alcançar o
mundo todo com o evangelho da salvação!
Quando disse que a seara é grande, que os
trabalhadores são poucos e que pedissem a Deus por mais
trabalhadores, era uma espécie de “indireta”, para que se
voluntariassem para tal tarefa — assim como os pais,
muitas vezes, pedem algo para seus filhos indiretamente;
como, por exemplo, estando somente a mãe e o filho, ela
pergunta: “Ninguém vai guardar estes brinquedos?” Para
bom entendedor, meia palavra basta...
Amados, a verdade é simples e triste: temos POUCOS
missionários para uma obra tão grande — pouquíssimos
obreiros para uma seara de 7 bilhões de pessoas.
Jesus mesmo afirmou isso, não é um exagero ou
sentimentalismo, são poucos obreiros mesmo diante da
grandeza da tarefa e da quantidade de pessoas que
precisam ouvir o evangelho.
Alguns missionários ainda se levantam, porém a
porcentagem é mínima diante do número de crentes e,
principalmente, diante do número de pessoas que precisam
49
ouvir. A realidade é triste: muitas pessoas para serem
ajudadas, poucos para ajudar; muitos morrendo sem
Cristo, poucos para anunciar; um grande trabalho a ser
feito, poucos para o realizar...
Um exemplo prático: quantos missionários já saíram
de nossas igrejas? Quantos estão se preparando agora para
serem missionários? Quantos já decidiram ser daqui a
algum tempo? Então...
Mas, por que temos tão poucos missionários? Em
João 4.31-38 podemos entender:
Foco e prioridades erradas: Somente coisas desta vida
estavam na cabeça dos discípulos. Coisas passageiras, sem
valor eterno. Descaso pela eternidade, pelos galardões e
pela volta de Cristo.

Descaso pela vontade de Deus: Essa é a nossa missão: a


Grande Comissão, alcançar os perdidos; e, mesmo assim,
não ligamos para isso, assim como os discípulos. Mas é
preciso entender que uma das maiores provas da salvação
de alguém é se quer conhecer e obedecer a vontade de
Deus!

Falta de compaixão: Desinteresse e insensibilidade diante


das necessidades dos outros — fruto do estilo de vida
corrido que levamos, o qual é materialista, egocêntrico,
individualista, relativista, preconceituoso, etc. Tudo errado.
Assim como os discípulos, só olhamos para nós e nossas
necessidades, enquanto outros estão morrendo sem Cristo.

Indisposição para trabalhar: Apesar de, na maioria, sermos


trabalhadores e de trabalharmos bastante, não o fazemos
para o Senhor, mas para nós mesmos. Os discípulos eram
assim. Enquanto é para nós, damos o sangue e o suor. Mas,
para Deus, não movemos uma palha. Estudamos anos para
nos formar com sucesso, mas não estudamos nada da
Bíblia para ensinar a outros. Mudamos para onde quer que
seja para exercer nossa profissão e ganhar um salário
melhor, mas não queremos sair de nosso lugar para ir
pregar o evangelho, e por aí vai...
50
É preciso mais trabalhadores. Juntemo-nos a estes
poucos e sejamos missionários, envolvamo-nos na obra
missionária, vivamos para pregar o evangelho, amemos
missões como Jesus amou... E, isso, como todo tipo de
amor, só provaremos na prática.

CONCLUSÃO: Irmãos, temos amado missões como Jesus


amou? Até que ponto a pregação do evangelho é importante
para nós? O quanto estamos envolvidos na obra
missionária?
Vamos olhar para o exemplo de Jesus, nosso
Salvador e Senhor e atender a seu chamado! Vamos amar
missões como Jesus amou e levar a mensagem de salvação
pela graça de Deus a todos os povos!

51
Rogando Por Mais Missionários
Mateus 9.35-38

O ato de “rogar” é definido pelo dicionário como “pedir


com insistência e humildade; suplicar, implorar, instar,
solicitar com empenho; exortar, insistir.” Ou seja, trata-se de
um pedido intenso por algo que realmente queremos.
Portanto, o que o pedido de Jesus destaca aqui é a
importância e urgência de mais obreiros em Sua grande
seara. Temos o privilégio de participar da obra de Deus e
pouco, ou nada, oramos sobre isso. Nos afastamos desta
responsabilidade, nos esquivamos ou, simplesmente, nem
percebemos nosso descaso. Mas precisamos orar e, não
somente orar, mas clamar, insistir, pedir e pedir muito por
mais obreiros, por mais missionários, por mais evangelistas,
enfim, por mais crentes dispostos e ativos na pregação do
evangelho aos perdidos.

PRECISAMOS ROGAR A DEUS QUE MANDE MAIS


MISSIONÁRIOS!

Esta é ordem clara de Jesus no v.38. E oraremos


assim...

ENTENDENDO QUE O EVANGELHO É NECESSÁRIO EM


TODO TIPO DE LUGAR (v.35). Jesus percorria todas as
cidades e aldeias (povoados) de Israel e, nestes locais,
pregava o evangelho e fazia o bem curando os doentes.
Precisamos observar que Ele trabalhava em ambos os
lugares sem desprezar nenhum deles. Ele percorria as
grandes cidades, com muitas pessoas, mas também os
locais pequenos, com poucas pessoas.
Em se tratando de evangelismo e missões, nós não
podemos escolher um tipo de local em detrimento de outro,
não podemos considerar um melhor do que o outro ou um
mais necessitado do que o outro. Ambos possuem
pecadores perdidos que precisam de salvação, que precisam
do evangelho e que precisam de Jesus.
52
O fato é que, de modo geral, os cristãos têm
desprezado as cidades pequenas, os vilarejos e povoados,
focando nas grandes metrópoles ou em cidades de grande e
médio porte. Tal postura tem gerado um grande número de
igrejas próximas (as vezes brigando entre si, disputando
membros e trazendo vergonha ao evangelho), enquanto
inúmeras pessoas ouviram pouco ou nada sobre Jesus.
Muitas cidades, inclusive no Brasil, não possuem uma
única boa igreja evangélica e nem a pregação fiel do
evangelho de Cristo. Precisamos repensar nossas
estratégias.
Quando estávamos para ir a Vargem Bonita/MG
(uma pequena e linda cidade do interior, aos pés da Serra
da Canastra, com cerca de dois mil habitantes), chegamos a
ouvir de alguém em posição de liderança na área de missões
o seguinte: “Para que ir até uma cidade de apenas dois mil
habitantes se, em (determinada cidade) só um bairro possui
treze mil?”.
Até hoje não sabemos se era um teste ou se a
pergunta refletia a opinião da pessoa, mas nossa resposta
foi que lá também precisavam de Cristo e que nesta outra
cidade grande já havia igrejas que poderiam realizar este
trabalho. Além disso, atualmente, uma determinada pessoa
tem criticado nossa ida para a cidade de Piumhi/MG (com
cerca de trinta e cinco mil habitantes), falando que a mesma
já tem muitas igrejas boas e não precisa de mais uma. Fica
claro que existe um conflito de opiniões entre nossas
igrejas.
Não sou contra missões urbanas; pelo contrário, elas
devem ser feitas e são importantíssimas, mas, em boa parte
dos casos, o que vemos são jovens e adultos que não
querem deixar a cidade grande, seus confortos e facilidades,
para irem a lugares pequenos, carentes e distantes... então
usam as missões urbanas como desculpas (se ainda o
fizessem, seria ótimo. Mas não é o que temos visto).
Jesus quer que trabalhemos em todos os lugares! O
mundo inteiro é o alcance da Grande Comissão (At 1.8),
contudo, a maioria dos crentes prefere continuar em suas
cidades grandes e médias, abarrotando as igrejas com
53
pessoas capacitadas, enquanto pequenas cidades, vilas,
povoados e tribos do interior continuam sem Cristo.
Nas cidades grandes, as próprias igrejas já
estabelecidas devem dar continuidade ao trabalho fundando
novas congregações, pontos de pregação, alcançando os
bairros mais afastados, realizando trabalhos sociais, etc.,
mas precisam também enviar obreiros aos locais onde elas
não podem, no dia a dia, alcançar as pessoas com o
evangelho. Por isso existem missões, por isso Jesus nos
manda rogar por mais missionários.

VENDO OS PERDIDOS COM COMPAIXÃO (v.36): Temos


aqui a mesma ideia de “erguer os olhos e ver os campos” que
observamos em João 4, que se trata de prestar atenção às
pessoas perdidas, ver que elas existem, reconhecer suas
necessidades (especialmente espirituais — de Deus, de
salvação) e ter compaixão por elas, sofrer por elas, sentir a
dor delas, enfim, amá-las como Jesus amou.
Jesus olhou para as pessoas e se compadeceu delas,
pois viu a situação em que estavam:
Aflitas e exaustas: Cansadas e sobrecarregadas pelo pecado
e suas consequências;
Como ovelhas sem pastor: Perdidas no pecado, sem Jesus,
sem Deus, caminhando para o inferno, sem qualquer rumo
ou direção na vida.
Tal situação é digna de compaixão, é urgente, é muito
séria! Jesus reconheceu isso e sofreu, compadeceu-se
dessas pessoas, dessa multidão, por isso pediu aos
discípulos para que rogassem por mais missionários. São
muitas pessoas assim ao redor do mundo.
Mas, para termos compaixão pelos perdidos,
precisamos vê-los, olhar para eles com atenção, reconhecer
sua triste e desesperadora situação espiritual e, por fim,
fazer alguma coisa.
Irmãos, vejamos os perdidos ao nosso redor e longe
de nós! VEJAMOS! São pessoas criadas à imagem e
semelhança de Deus, e não números. São vidas com almas
eternas e não apenas criaturas passageiras, são pessoas
amadas por Deus, mas afundadas em seus pecados,
54
infelizes nas trevas, se destruindo no pecado que tanto
amam, enganadas, confusas, vazias, fantoches nas garras
de satanás, que as cega e escraviza, caminhando a passos
largos para a condenação eterna no lago de fogo, separadas
de Deus por toda eternidade.
Precisamos VÊ-LAS e rogar por mais obreiros e
missionários para alcançá-las. Tiremos os olhos de nós
mesmos, tiremos os olhos deste mundo e, como Jesus,
vejamos os perdidos e roguemos por mais obreiros.

INDO AOS CAMPOS COMO MISSIONÁRIOS (v.37-38): O


resultado natural das palavras de Jesus aqui e do pedido de
oração intensa que colocou diante de seus discípulos, era
que ELES precisavam fazer alguma coisa. Precisavam, além
de rogar por mais obreiros, ser estes trabalhadores!
Como dizem por aí: “Para bom entendedor, meia
palavra basta!” No caso aqui, foram duas frases inteiras,
grandes e claras, pois Jesus se dirigiu diretamente aos doze
e disse algo que pode ser entendido, mais ou menos, assim:
“O campo é muito grande, tem muito trabalho para ser feito e
poucos trabalhadores. Vocês estão dispostos a serem estes
trabalhadores?”
Por isso entendemos que oramos pouco ou nada por
mais missionários, porque não queremos ser estes
missionários e sabemos que, quando oramos por algo,
precisamos ter a disposição de fazer algo a respeito.
“Quando oramos por algo, precisamos estar prontos
para ser a resposta!” Esta frase tem dirigido a vida de
minha família. Por duas vezes, em se tratando de coisas
grandes, Deus trabalhou desta forma conosco: primeiro
quando, por meses, oramos por um missionário para
Piumhi e o Senhor nos dirigiu para irmos. E, segundo,
quando oramos, também por meses, por um local ou
terreno para a igreja nesta mesma cidade e Deus nos dirigiu
a doar nossa casa para isso.
Infelizmente, algumas vezes, vemos crentes pedindo
oração pela salvação de almas, mas não querem ir até os
perdidos, não querem aproveitar as oportunidades, não
querem usar as portas abertas, não querem vencer o medo,
55
a vergonha e o preconceito. Desta forma, nem adianta
orarmos...
Precisamos rogar ao Senhor da seara que mande
obreiros para Sua seara, mas com a disposição de sermos
estes obreiros, de evangelizarmos os que estão perto de nós
e de irmos aos campos distantes e não alcançados como
pregadores do evangelho.

PRECISAMOS DE MAIS MISSIONÁRIOS!


Esta história de que “não podemos ser todos
missionários, pois se todo mundo for, quem vai ficar e servir
aqui?”, não cola, pois o contrário também é verdadeiro: “Se
todo mundo ficar, quem vai pregar aos de longe?” Basta
olharmos os números: quantos missionários temos?
Quantos enviamos nos últimos cinco ou dez anos? Quantos
se levantam de nossas igrejas anualmente para missões?
Quantos estamos preparando (na própria igreja ou em
seminários e institutos) para irem aos campos a curto e
longo prazo?
Não adianta, Jesus mesmo afirmou: Os obreiros são
POUCOS! Pois poucos querem trabalhar nos campos do
Senhor e não adianta rogar ao Senhor por mais obreiros se
nós não queremos fazer nossa parte; se não queremos ser
estes obreiros e se não temos a disposição de ser.

CONCLUSÃO: Vamos ROGAR a Deus que envie mais


obreiros para Sua seara: Entendendo que o evangelho é
necessário em todo tipo de lugar, Vendo os perdidos com
Compaixão e Indo aos Campos como Missionários. Assim
estaremos obedecendo ao Senhor Jesus, glorificando a Deus
e alcançando os perdidos com o evangelho! Que Deus nos
ajude a sermos trabalhadores fiéis!

56
A Primeira Missão dos Discípulos
Mateus 10.1-15

Falar de Jesus, pregar o evangelho e convidar


pessoas para os cultos... Tudo isso é um grande desafio.
Mas o que a Bíblia nos ensina sobre isso?
Em Mateus 10, logo após fazer muitos e grandes
milagres e de olhar para as multidões com compaixão,
clamando aos discípulos que fossem aos campos pregar
para as almas perdidas no pecado, Jesus lhes dá uma
missão, chama-os, convoca-os e envia-os para o meio do
povo, com o objetivo de pregarem o evangelho do Reino e
fazerem o bem. Diante desta primeira missão dada aos doze
discípulos de Jesus, nós temos muito a aprender sobre a
nossa própria missão.

DEVEMOS PREGAR O EVANGELHO AOS


PERDIDOS!

A missão dos discípulos aqui era única e específica,


porém alguns princípios são gerais e encontrados em outras
partes da Bíblia, valendo ainda como lição para nós, seus
discípulos hoje. Algumas coisas específicas somente para
eles são:

* Eles deveriam pregar somente em Israel e, de


preferência, somente aos judeus. Não era preconceito,
mas o fato é que Jesus queria preparar primeiramente o
seu próprio povo para recebê-lo como Rei.
* Eles deveriam pregar o “evangelho do Reino”, que trata
do reinado de Jesus na terra, algo totalmente ligado aos
judeus.

Por outro lado, hoje, nossa missão é pregar a TODAS as


pessoas em TODOS os lugares, e pregarmos o Evangelho da
Salvação pela Graça de Deus através da Morte de Jesus na
Cruz (Mateus 28.18-20, Marcos 16.15, Atos 1.8).

57
SABENDO QUE ESTA É A O NOSSA MISSÃO DADA POR
JESUS (v.1-7): Jesus é quem nos chamou e quer nos usar
como somos. Percebemos isso nos diferentes tipos de
apóstolos:
Cada um tinha uma personalidade, um passado,
características próprias, defeitos e qualidades, pessoas
normais, como eu e você, mas todos foram chamados por
Jesus e capacitados por Ele.
Todos somos pecadores, mas salvos pela graça de Deus e
só podemos servi-lO por causa de Sua maravilhosa graça.
Existem incrédulos no meio. Sempre existem. Alguns
podem até servir, se parecem com crentes, vivem e falam
como crentes, mas não são salvos, a exemplo de Judas e,
uma hora ou outra, se revelam. Judas era assim. Será que
você é? Caso ainda não seja salvo, arrependa-se e creia em
Jesus de verdade.

Jesus é quem nos capacita: Ele deu poder aos apóstolos e


Ele é quem nos dá as condições hoje. Certo ditado diz:
“Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os
escolhidos!” E sabemos que isto é verdadeiro segundo Atos
1.8.

Ele é quem cuida de nós: Precisamos confiar no seu


cuidado, pois Ele suprirá cada uma de nossas
necessidades. Além disso, temos que cuidar para não nos
embaraçarmos com as coisas materiais no meio do
caminho. Não podemos nos apegar às coisas materiais,
focar nossa vida nelas, ficar correndo atrás do que é
passageiro e nos preocuparmos apenas com isso, enquanto
a obra de Deus precisa ser feita.

FAZENDO O BEM ENQUANTO PREGAMOS (v.8): Enquanto


pregavam, os discípulos deveriam ajudar as pessoas com o
poder que Jesus lhes tinha dado, deveriam curar os
doentes, expulsar os demônios e fazer tudo isso de graça,
sem cobrar nada. O fato deles fazerem essas cosias
confirmava que a mensagem que elevavam era de Deus e

58
verdadeira, além de abrir o coração das pessoas para
ouvirem o evangelho.
Hoje não temos os mesmos poderes dado aos discípulos,
mas temos o poder de Deus em nós e as mesmas condições
de fazer o bem de outras formas: podemos ajudar as
pessoas, demonstrar amor, dar um bom testemunho tendo
uma vida reta e coerente com nossas palavras, gastar tempo
com elas, dar atenção aos seus problemas, visitá-las, ajudá-
las em suas necessidades (não só financeiras, mas
emocionais, de afeto) e devemos fazer isso de graça,
simplesmente por amor a Deus, pois tudo o que somos ou
temos, recebemos Dele.
Nosso testemunho é essencial para cumprirmos nossa
missão de pregar o evangelho, pois comprova a divindade de
nossa mensagem e dá crédito às nossas palavras (essa é
uma das razões pelas quais nossos evangelismos
impessoais e rápidos, têm pouquíssimos resultados, pois
não vêm acompanhados da bondade, e isto só se mostra
com o tempo).
Então, amemos, ajudemos, façamos o bem, tratemos as
pessoas com carinho, auxiliemos, demos um bom
testemunho e sempre de graça, por amor, com sacrifício,
pois tudo o que temos vem de Deus.

DEIXANDO OS RESULTADOS NAS MÃOS DO SENHOR


(v.11-15): Esta é uma questão importante, da qual todos
nós temos exemplos para contar; alguns positivos e, em sua
grande maioria, negativos. Jesus, sabendo disso, deu bons
conselhos aos seus discípulos quanto à forma de encarar os
resultados da pregação:

Alguns nos receberão, atenderão a nossa mensagem e


desfrutarão da paz e da salvação de Jesus: Isso é
maravilhoso, compensa todo esforço e sacrifício, traz glória
ao nosso Deus, alegria ao nosso coração, galardões eternos
e o progresso da obra de Deus.

Muitos rejeitarão a nossa mensagem e nos desprezarão:


Quanto a estes, devemos deixar nas mãos do Senhor, pois
59
Dele receberão maior condenação. Os que rejeitam a Jesus
sofrerão maior castigo do que Sodoma e Gomorra. Serão a
maioria e, apesar de ser muito difícil enfrentar essa
realidade, Deus é soberano e temos que confiar nisso e
continuar pregando.
Não precisamos nos preocupar com os resultados,
apesar de ser triste, ruim, difícil, frustrante e totalmente
incompatível com as filosofias modernas de crescimento de
igreja. Muitos rejeitarão nossa mensagem, esta é a
realidade. Nesse sentido, o que não podemos esquecer é que
não estão nos rejeitando, mas a Cristo Jesus, e nós
devemos ser fiéis a nossa missão, cumprirmos a nossa
tarefa, pregarmos o evangelho aos perdidos, para que
tenham a chance de ter uma nova vida com Jesus e, caso a
rejeitem, sejam indesculpáveis (2 Tm 4.1-5).
Vale ressaltar que hoje não sacudimos mais os pés e o
pó sobre os que rejeitam, mas deixamos os incrédulos e
rebeldes nas mãos do Senhor, sabendo que aqueles que
ouvem o evangelho e rejeitam a Cristo, sofrerão condenação
ainda pior. Porém, nosso maior desejo e oração, deve ser de
que os ímpios sejam salvos, transformados e perdoados por
Jesus Cristo, pois é isso que Ele quer fazer.

CONCLUSÃO: O mais importante é entender nossa missão,


nosso chamado, nossa vida. A responsabilidade que nos é
dada por Cristo é muito importante, é prioridade, é urgente
e precisamos ser fiéis. Precisamos pregar o evangelho aos
perdidos!

60
Vivendo com Propósito, Assim Como Jesus
Lucas 19.1-10 dentre outros textos

Em Lucas 19.1-10, lemos sobre o emocionante


encontro de Jesus com Zaqueu e, no fim desse encontro,
quando o publicano foi salvo e transformado pelo Salvador,
temos a declaração do próprio Senhor sobre o seu
propósito, pouco tempo antes de entrar em Jerusalém para
ser crucificado, e isso Ele afirmou claramente no verso 10:
“Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.”

DEVEMOS VIVER UMA VIDA COM PROPÓSITO, ASSIM


COMO JESUS!

Muitas pessoas na região da Serra da Canastra-MG,


quando questionadas sobre como estão vivendo,
respondem: “Vou Levando” ou “Vou indo, né?!” Em outras
palavras, estão dizendo que estão apenas vivendo, sem
propósito algum, sem uma missão ou um alvo na vida, só
estão deixando as coisas acontecerem dia a dia, vivendo por
viver...
Mas a vida do crente não deve ser assim. A vida do
salvo, do filho de Deus deve ter um propósito. Nós não
devemos viver por viver, mas viver para cumprir o propósito
que Deus tem para nós, assim como nosso Senhor e
Salvador viveu. Portanto, devemos viver uma vida com
propósito!

PORQUE NOSSO SALVADOR TINHA UM PROPÓSITO EM


SUA VIDA: No encontro com Zaqueu, Jesus afirmou sua
missão de vida, mas não foi a única vez em que declarou o
propósito dela, muitas vezes o fez. Ao olhar para o Senhor,
fica claro que ele tinha um propósito em sua vida e que a
mesma era marcada por este propósito.
Antes de nascer, no anúncio do anjo: “E lhe porás o
nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados
deles.” (Mateus 1.21)

61
Quando criança, ao falar com José e Maria, seus pais
humanos que o procuravam, disse: “Não sabíeis que me
cumpria estar na casa de meu pai?” (Lucas 2.49)
No início do seu ministério, afirmou: “Não penseis que
vim revogar a Lei ou os Profetas, não vim para revogar, vim
para cumprir.” (Mateus 5.17) e “A minha comida consiste em
fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra”
(João 4.34).
Nas conversas com os discípulos, disse: “tal como o Filho
do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e
dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20.28).
Mateus, comentando sobre o fim da vida de Jesus,
escreveu: “Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a
mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para
Jerusalém.” (Mateus 16.21) E o próprio Jesus também
afirmou: “Agora, está angustiada a minha alma, e que direi
eu? Pai, salva-me desta hora. Mas precisamente com este
propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome.” (João
12.27-28)
Diante de Pilatos, Jesus disse: “Eu para isso nasci e para
isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.”
(João 18.37)
E na sua morte, pregado na cruz, gritou: “Está
consumado!” (João 19.30). Ou seja, “Está acabado!”, “Está
completo!”, “Está feito!”, “Terminei o que vim fazer!”, “Concluí
a obra!”
Jesus sempre viveu com um propósito, com uma missão;
Ele veio cumprir a vontade do Pai, buscar e salvar os
pecadores perdidos e glorificar o nome de Seu Pai e assim o
fez. Concluiu Sua obra com perfeição.
Nosso Salvador não viveu uma vida “acidental”, não
viveu “levando” a vida, não deixou as coisas acontecerem
“por acaso”, pelo contrário, tudo o que fazia tinha um
propósito e estava relacionado a cumprir a missão que o Pai
lhe confiara, a de glorificar Seu nome e salvar os pecadores.
Nós devemos imitá-Lo nisso! Precisamos viver com um
propósito, assim como Cristo, glorificando a Deus em tudo e
levando o evangelho aos perdidos.

62
PORQUE JESUS TRANSMITIU SUA MISSÃO AOS SEUS
APÓSTOLOS: Quando voltou ao céu, Jesus passou o bastão
da sua missão aos discípulos. Deixou claro que o seu
objetivo era que eles continuassem a obra que ele havia
iniciado, a de glorificar a Deus pregando o evangelho aos
perdidos em todo o mundo.
Ao orar ao Pai, uma noite antes de ser crucificado,
disse: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os
enviei ao mundo” (João 17.18)
Depois de ressuscitar, apareceu aos discípulos e disse:
“Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (João
20.21)
E nas Suas últimas palavras, disse: “Mas recebereis
poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas
testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e
Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1.8)
Os apóstolos atenderam à voz do Mestre e viveram para
este propósito, o de pregar o evangelho. Dedicaram suas
vidas nesta missão e deram suas vidas para este propósito
sublime.
O apóstolo Paulo resume o sentimento de todos eles em
dois versos: “De sorte que somos embaixadores em nome de
Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em
nome de Cristo, pois, voz rogamos que voz reconcilieis com
Deus” (II Coríntios 5.20) e “Se anuncio o Evangelho, não
tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação,
porque ai de mim se eu não pregar o evangelho!” (I Coríntios
9.16). Paulo não pôde parar de falar às pessoas sobre o
amor e a salvação de Jesus, esse era o propósito de sua
vida até a morte, e deve ser o nosso também, afinal, Jesus
nos confiou esta missão, nos deu este propósito.

PORQUE HOJE, JESUS NOS CONFIOU ESTA MISSÃO: Se


devemos viver nos passos do nosso glorioso e determinado
Salvador, como fazemos isso? Vivendo com um propósito,
assim como Ele viveu.
Não podemos “vagar” pela vida, vivendo para agradar
a nós mesmos, dedicando nosso tempo a coisas materiais e
passageiras que nos prendem e dominam (TV, trabalho,
63
lazer, dinheiro, festas, móveis, eletrônicos, automóveis,
terras, casas, roupas, etc). Muitos dedicam toda a sua vida
a essas coisas, vivem em função disso e, automaticamente,
caminham sem propósito.
Como seguidores de Cristo, nossa vida tem um
propósito, que é viver para glorificar a Deus e testemunhar
do amor e da salvação de Jesus aos pecadores perdidos.
Não podemos viver uma vida sem sentido, sem rumo, sem
propósito, que só “vai levando”; pelo contrário, somos um
povo com uma missão e para essa missão devemos viver,
cada dia de nossas vidas, em todo lugar e em todo o tempo.
Nossa missão foi dada pelo próprio Senhor Jesus em
suas últimas palavras antes de voltar ao céu: “Toda
autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei
discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai,
e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas
as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco
todos os dias até a consumação do século” (Mateus 28.19-
20).
O apóstolo Pedro, anos depois, explicou nossa missão:
“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa,
povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de
proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das
trevas para sua maravilhosa luz” (I Pedro 2.9).
Portanto, TODA a nossa vida deve ser vivida com este
propósito, o de glorificar a Deus pregando sobre o amor e a
salvação de Jesus aos perdidos.
Missões não são somente algo que os missionários nos
lugares longínquos fazem. Devemos ser gratos pelo trabalho
e dedicação destas pessoas, orar por elas, apoiá-las
financeiramente e ajudá-las de todas a maneiras possíveis,
mas devemos cumprir a nossa missão no dia a dia,
pregando o evangelho onde estamos, aproveitando cada
uma das oportunidades que temos com aqueles que nos
rodeiam e nos entregarmos por inteiro para alcançarmos os
confins da terra com o evangelho de Cristo.
Devemos viver com este propósito dia a dia quando
vamos à escola, ao trabalho, ao supermercado, em casa e
no lazer, além de procurarmos ocasiões específicas para
64
pregar o evangelho, como tarde de evangelismo, viagens
missionárias, visitas a hospitais, orfanatos, asilos, etc.
Se procurarmos refletir o caráter de Cristo em todos os
momentos, os incrédulos ao nosso redor irão ter um
interesse cada vez maior por Jesus e poderemos
testemunhar a eles do seu amor e salvação.
Pedro nos ensinou: “Antes, santificai a Cristo, como
Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para
responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança
que há em vós” (I Pedro 3.15)
Podemos viver com esse propósito onde moramos,
orando por nossa comunidade, família, amigos e vizinhos, e
falando a todos os que pudermos sobre Jesus e a salvação
que só vem Dele, dando um bom testemunho em tudo o que
fazemos, falamos, ouvimos, vestimos, etc.; assim poderemos
levar nossa família e outros até Jesus e, pela graça de Deus,
viver com propósito e cumprir nossa missão.

CONCLUSÃO: Se entendermos isso e vivermos assim,


seremos muito mais felizes e satisfeitos, porque estaremos
vivendo para o que Deus nos chamou e não para nós
mesmos. Não ficaremos tão preocupados com dinheiro,
saúde, bens materiais, ou coisas passageiras, e nem
sofreremos tanto com os problemas, dificuldades e
perseguições, porque o nosso objetivo será o de pregar o
evangelho e levar almas a Jesus, cumprindo a missão que
Ele nos deu. Esse é o nosso propósito.
No fim de sua vida o apóstolo Paulo testemunhou
satisfeito: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por
libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o
bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a
coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz,
me dará naquele Dia, e não somente a mim, mas também a
todos quantos amam a sua vinda.” (2 Timóteo 4.6-8)
Charles Wesley, antigo evangelista, escreveu: “Oh! Se
eu tivesse mil vozes, Para meu redentor louvar; A glória do
meu Deus e Rei, E o triunfo de sua graça exaltar. Meu
gracioso Mestre e meu Deus, Ajuda-me a proclamar, E por

65
todo o mundo, inteiro, Teu nome sempre honrar!” (Hino “Mil
Vozes” ou “Línguas” composto em 1789)
Como estamos vivendo? Com um propósito como
nosso Senhor Jesus ou só estamos “levando a vida”?
Decidamos hoje viver com um propósito, aquele que Cristo
nos deu, cumprindo fielmente a missão para a qual fomos
salvos. Imitemos Jesus, vivamos como Ele, glorifiquemos ao
Pai e preguemos o evangelho!

66
Erguei os Olhos e Vede os Campos!
João 4.31-42

“O que os olhos não veem o coração não sente!”

Este ditado popular descreve o que muitos fazem para


não terem que tomar uma atitude diante de dificuldades
que estão a nossa frente. Na vida cristã, especialmente
quando falamos de Missões e Evangelismo, esta é a triste
realidade para boa parte dos crentes.
Nesta parte do evangelho de João, logo após a conversa
com a mulher samaritana, os discípulos se aproximam de
Jesus enquanto ela havia voltado para sua aldeia e lhe
oferecem comida. Ele diz que sua comida é fazer a obra de
Deus, ensina os discípulos sobre missões e evangelismo e,
no fim, muitos samaritanos creem em Jesus como Senhor e
Salvador de suas vidas. Temos aqui o primeiro caso de
evangelismo e missões transculturais, ou seja, fora de
Israel. Com isso, aprendemos que:

DEVEMOS ERGUER OS OLHOS E VER OS CAMPOS!

Este é o ensino claro do versículo 35, que seria o mesmo


que “Levantar os olhos”, como lemos na versão ACF. A ideia
aqui é a de se esforçar, prestar atenção, levantar a cabeça e
olhar para as pessoas (provavelmente os samaritanos
estavam chegando naquele exato momento e os discípulos
nem perceberam...). Olhar com atenção para ver que algo
precisa ser feito. E só ergueremos nossos olhos...

TENDO MISSÕES E EVANGELISMO COMO UMA


PRIORIDADE EM NOSSA VIDA (v.31-34): Para Jesus, fazer
a vontade do Pai e realizar Sua obra era a Sua comida, ou
seja, Sua prioridade maior na vida, mais do que se
alimentar, enquanto os discípulos estavam preocupados
apenas em matar a fome. Não há nada de errado nisso (se
alimentar e matar a fome), contudo, o foco da vida, a

67
prioridade, é o que está em jogo aqui e que Jesus quer nos
ensinar.
A prioridade de muitos crentes tem sido, não só a
comida, mas coisas inúteis e sem valor; passatempos, bens
materiais, pecado, ou coisas banais, fúteis e passageiras
desta vida, que não têm valor algum na eternidade. E por
estas mesmas coisas, lutam, correm, se esforçam, se
sacrificam. Isso é uma troca de valores e uma incoerência
total para o povo de Deus.
Jó havia dito que a Palavra de Deus era o seu alimento
(Jó 23.12) e Jesus foi além, dizendo que fazer a obra do Pai
era Sua comida. Este é o modelo e padrão para nós hoje.
O foco de Jesus estava na obra do Senhor e em Sua
santa e perfeita vontade. A obra do Pai aqui na terra é a
pregação do evangelho aos perdidos, a fundação de novas
igrejas, e a promoção do Reino de Deus, enfim, são missões.
Ele tinha as prioridades corretas, tendo o Pai no centro,
queria anunciar a mensagem de salvação, pregar o
evangelho, salvar vidas e fazer o bem. Valores eternos que
não se perdem com o tempo e não passarão com a Terra.
Precisamos ter como prioridade de vida o evangelismo e
as missões, assim como priorizamos tanto nossa
alimentação. Nossa comida também deve ser fazer a
vontade daquele que nos enviou e realizar a Sua obra, que é
evangelizar os perdidos e levar o evangelho ao mundo (Mt
28.18-20, At 1.8, Mc 16.15).
Hudson Taylor, missionário na China anos atrás, disse:
“Há necessidade de nos darmos pela vida do mundo. Uma
vida fácil, que a si mesmo não se negue, nunca será
poderosa. Produzir frutos exige suportar cruzes. Não há dois
cristos: um acomodado para os cristãos acomodados e um
que luta e sofre para os cristãos superiores. Há um só
Cristo.”
Se trabalhamos para o Senhor, mesmo que de forma
falha e fraca, continuemos com ânimo, dedicação e
fidelidade. Procuremos ser mais como Jesus e trabalhar
pela pregação do evangelho com todas as nossas forças (Ec
9.10).

68
O mundo pode zombar, desprezar e até nos maltratar,
mas continuemos firmes. Sabemos que o mundo admira e
valoriza quem se dedica em qualquer tipo de serviço ou
assunto (jogador de futebol, artista, político, ativista, etc.),
menos os que se dedicam pelas coisas espirituais, contudo,
nosso Salvador, que continua o mesmo, e que preferiu parar
e ajudar uma mulher sofredora ao invés de comer, quer que
sejamos como Ele, independentemente do que os outros
pensam ou falam. Tal qual Jesus, tenhamos como nossa
comida o fazer a obra de Deus.
O trabalho de missionário e evangelista pode ser
ridicularizado por muitos, mas enquanto os homens
desprezam, Cristo se agrada e é glorificado. Que nossa
comida seja fazer Sua obra, que evangelismo e missões
sejam as prioridades de nossas vidas.

ENTENDENDO COMO ESSA OBRA FUNCIONA (v.35-38): A


obra de evangelização e missões tem um funcionamento, o
qual precisamos compreender para trabalhar melhor, não
ficarmos frustrados e alcançarmos melhores resultados.

Visão dos campos (olhar para as pessoas): Esta é uma


ordem, portanto devemos obedecer. Parar e olhar, prestar
atenção e ver as pessoas e a necessidade delas de
conhecerem a Jesus e sua salvação. Inclui também ter a
visão do que Deus pode, quer e vai fazer, do que queremos
alcançar, do futuro... inclui fé.

Visão da hora certa e o lugar certo para cada ação: Como


evangelizar, a quem dar os estudos bíblicos, onde fundar
igrejas, em que área gastar mais tempo, investir mais
recursos, quanto tempo esperar, etc. Isso inclui ver as
pessoas como grupo e individualmente, os países, as
regiões, os estados, as cidades, os bairros, o quanto de
tempo investir e quando fazê-lo, etc. Por isso é necessário
comunhão com Deus, oração e dependência do Espírito
Santo, além de variadas tentativas e aprendizado com os
acertos e erros. Precisamos saber que, no aspecto prático da

69
evangelização e missões, muitas coisas só aprenderemos,
ou aperfeiçoaremos, no dia a dia.
1.
Visão do trabalho diferente dos servos do Senhor: Jesus fala
do semeador e do ceifeiro, dois trabalhadores diferentes
numa mesma obra, ambos importantes.
Precisamos entender a utilidade e a importância de cada
um dentro do serviço do Senhor, bem como o
companheirismo que deve existir entre os discípulos de
Cristo (união, amizade, bom relacionamento). Cada um de
nós tem uma tarefa diferente, bem como dons e talentos
diversos. Um planta a semente, outro rega, outro colhe, mas
o que importa é que Jesus salva e é glorificado (1 Co 3.1-
11); por isso não pode existir ciúme, inveja, brigas ou
intrigas entre os obreiros da seara.

Visão das recompensas: É preciso que tenhamos fé no


consolo do Senhor, dos galardões e das recompensas
eternas garantidas diante de tantas lutas, tristezas e
decepções.
Com certeza, o trabalho de evangelização e missões é
acompanhado de muitas lutas, decepções, tristezas e
motivos para desanimar. As pessoas têm o coração duro,
amam o pecado, estão cegas espiritualmente, poucos sãos
salvos por Cristo através do nosso trabalho e, além de tudo,
há a perseguição e nossos próprios pecados e fraquezas.
Sabendo disso, Jesus nos mostra aqui que há
recompensas reservadas para os trabalhadores fiéis.
Primeiro, são as próprias pessoas que se convertem, mesmo
sendo poucas, são preciosas e eternas. Estas pessoas
estarão conosco no céu por toda eternidade, quando todas
as coisas deste mundo estiverem passado.
Além disso, existem os galardões que nos esperam,
devido a nossa dedicação e fidelidade no serviço. Não podem
constituir nossa maior motivação, a glória de Deus já é, mas
o próprio Senhor Jesus nos lembrou deles. Os frutos valem
a pena!

70
“Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará
com júbilo, trazendo os seus feixes.” Salmo 126.6.

Sempre haverá frutos e recompensas!


SABENDO QUE AS CONVERSÕES OCORREM DE
MANEIRAS DIFERENTES (v.39-42): Vemos nestes
versículos a conversão de muitos samaritanos.
Alguns pelo testemunho da mulher (detalhe para a
grande mudança na vida dela, que antes evitava as pessoas
para não ser confrontada por sua vida pecaminosa, e agora
ia até elas para falar-lhes de Jesus que a perdoou – prova
de que a fé em Jesus é acompanhada por mudança de vida
e testemunho). Outros pelas próprias palavras e
testemunho do Senhor Jesus que ficou com eles dois dias.
O fato é que a salvação é sempre e somente pela fé em
Jesus que vem após a pregação do verdadeiro evangelho
(Rm 10.17). Contudo, nem todos são convertidos do mesmo
modo e da mesma maneira. Alguns se convertem logo após
ouvir a mensagem, outros demoram dias, semanas, meses e
até anos. Alguns creem naturalmente ao ouvir, outros
precisam ser chacoalhados por uma doença, a morte de
alguém querido, uma tragédia ou a algo assim, outros ainda
partem numa busca pela verdade, lutam contra ela,
estudam, pesquisam, aprendem, até que são convencidos
pelo Espírito Santo.
Alguns responderão ao evangelho recebendo a Cristo
após a pregação numa igreja, talvez num apelo, outros
numa conversa pessoal, numa visita, outros sozinhos, seja
na igreja, em casa ou em qualquer lugar que o Espírito
Santo levá-los à fé e ao arrependimento. O que importa é
que se arrependam dos pecados e creiam em Cristo de
verdade em resposta à pregação do evangelho.
Missões acontecem do jeito de Deus e no tempo de Deus.
A nós só nos cabe a fidelidade e nosso chamado e
obediência à grande comissão. Nunca será do mesmo jeito
ou como queremos. O Espírito trabalha de várias formas, só
temos que pregar, testemunhar, orar e confiar — isso não
muda! Muitos desanimam quando as coisas não saem do
seu jeito ou da mesma forma que em ministérios de amigos
71
e conhecidos, mas não podemos desanimar ou desistir;
Deus tem o jeito e tempo Dele, e é perfeito.

ANUNCIANDO SEMPRE A JESUS, O SALVADOR DO


MUNDO (v.42): Um detalhe importantíssimo no texto é a
conclusão que os moradores de Samaria chegaram sobre
Jesus: “sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do
mundo.”
Sim, Jesus é o Salvador do mundo. O único e verdadeiro
(1 Jo 4.14, At 4.12 e Jo 14.6, dentre outros textos). A
mulher e os samaritanos entenderam isso muito bem.
Só existe um Salvador, e este é Jesus Cristo. Se uma
pessoa quer ser salva dos seus pecados, da morte e da
condenação eterna no inferno, precisa crer no Senhor Jesus
e só Nele. Maria, Chico Xavier, Buda, Alá, ou qualquer outra
pessoa, nome ou ideia, não podem salvar ninguém, bem
como nossa família, os líderes religiosos (por mais famosos
que sejam) e nem nós mesmos por nossas obras. Só existe
UM Salvador e este é Jesus, o Filho de Deus que se
encarnou e carregou nossos pecados na cruz!
Esta é a mensagem que devemos e precisamos anunciar.
Não uma religião, não uma denominação e não um
evangelho social (muito em moda hoje em dia entre vários
evangélicos). Só o evangelho de Jesus Cristo pode salvar os
pecadores, perdoar seus pecados, dar-lhes a vida eterna
com Deus e a libertação da condenação eterna do inferno.
Só Jesus transforma completa e perfeitamente o homem, só
Ele reconcilia o pecador com o Santo e Justo Deus e nos
livra da ira vindoura.
Se levarmos qualquer outra mensagem e fizermos
apenas obras sociais, podemos disfarçar muitas coisas,
ajudar física e momentaneamente, mas não mudará nada
na eternidade e não estaremos obedecendo à grande
comissão. As pessoas continuarão perdidas em seus
pecados, separadas de Deus, anestesiadas e irão para o
inferno ao morrerem.
Elas precisam é do Salvador, de Jesus, e é a Ele que
devemos anunciar. Você já tem Jesus? Reconhece que
precisa Dele tal qual os samaritanos? Nós que o
72
conhecemos, temos anunciado Seu amor e salvação aos
perdidos?

CONCLUSÃO: Qual tem sido o lugar de missões e


evangelismo em nossas vidas? Temos nos dedicado a estes
ministérios tão importantes, cujos resultados são eternos?
Quais têm sido as nossas prioridades de vida? Temos
imitado o nosso Senhor Jesus ou somos como os discípulos,
preocupados apenas com as coisas desta vida?
Devemos nos dedicar à evangelização e missões, como
Jesus, em obediência a Ele e para a glória do Pai!

73
Missões Como Prioridade
Atos 1.1-11

Por que eu, juntamente com minha família, estou no


interior de Minas Gerais como missionário? Por que existem
missionários? Por que as igrejas fazem missões? Qual é a
base da obra missionária? E o que Deus fala em Sua
Palavra sobre isso?
Certa vez li uma frase interessante: “Se não tivermos
propósitos bem definidos, dificilmente chegaremos em algum
lugar”.
Irmãos, nosso Deus é um Deus de propósitos muito
bem definidos. Ele sabe exatamente aonde quer chegar e
onde deseja nos levar. Deus tem propósitos definidos para
sua Igreja e deseja que ela realize os propósitos que Ele
estabeleceu para ela.
A Igreja de Cristo precisa saber seus propósitos,
precisa saber para que existe e como deve agradar a Deus, e
um desses propósitos é missões e vemos isso em Atos 1.1-
11.
Aqui começa o livro de Atos; temos as últimas
palavras de Jesus ressurreto e a base e o alicerce para todo
o restante do livro, sendo isto o que definiria o início da
Igreja cristã e o início das missões mundiais.
Lucas, inspirado pelo Espírito Santo, nos mostra que, desde
o início da Igreja, missões era algo principal na vida dos
salvos, e a lição que devemos aprender é que, assim como
para a Igreja primitiva, devemos ter missões como
prioridade em nossas vidas!

DEVEMOS TER MISSÕES COMO PRIORIDADE EM


NOSSAS VIDAS!

PORQUE MISSÕES SÃO UM PROJETO DIVINO (v.8):


Sempre que eu ouvia a frase “O coração de Deus é missões”
eu me perguntava se esta frase tinha base bíblica, se fazia
sentido ou não e, agora, no campo como um missionário,
estudando, lendo e pregando sobre missões, entendo que,
74
biblicamente, o coração de Deus não é só missões, tem
outras coisas nele, mas que a obra missionária nasceu, sim,
no Seu coração, que Ele ama esta obra e que a planejou
perfeita e detalhadamente, e nos deixou as diretrizes em
Sua Palavra.

Começou com Deus e é enfatizada por Ele: Vemos o Amor de


Deus pelas nações em toda a Bíblia, desde o início. Por
exemplo:
Em Gênesis 12 temos a chamada de Abraão e a
promessa de que nele seriam benditas (abençoadas) todas
as famílias da terra.
Nos Salmos vemos claros exemplos do amor de Deus
por todos os povos e Seu desejo de que O conheçam e sejam
salvos — Sl 67.2: “para que se conheça na terra o teu
caminho e, em todas as nações, a tua salvação”. Sl 96:3:
“Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos,
as suas maravilhas”. E muito outros versículos como estes.
Nos quatro evangelhos vemos Jesus e, como disse
David Livingstone (missionário e explorador na África) –
“Deus, tendo um único Filho, fez dele um missionário”,
enviando-O ao mundo para salvar os pecadores (Lc 19.10,
Fp 2.5-11).
A Grande Comissão: Quase todas as últimas palavras
de Jesus antes de Sua Ascensão foram ordens para
fazermos missões: Mt 28.18-20, Mc 16.15, Lc 24. 45-49, Jo
20.21-22 e At 1.8. Sabemos que, de modo geral, as últimas
palavras de alguém são muito importantes, revelando os
mais profundos anseios do coração.

Só Pode ser Realizada no Poder de Deus, através do Espírito


Santo: Todas estas ordens de pregarmos o evangelho ao
mundo vêm acompanhadas da promessa de recebermos o
Espírito Santo e termos a autoridade e poder de Jesus nos
acompanhando.
Missões começam no poder do Espírito Santo, Ele é o
Chefe de Missões, é o agente divino na obra missionária.
Uma igreja cheia do Espírito Santo irá evangelizar e
fazer missões. É uma incoerência uma igreja dizer-se cheia
75
do poder do Espírito Santo mas não ter visão missionária e
não evangelizar.
Da mesma forma, um crente cheio do Espírito Santo
irá amar a obra missionária, orar, contribuir e se entregar a
ela. É incoerência alguém dizer-se cheio do Espírito Santo e
não amar, orar, ou contribuir com a obra missionária.
Somente com o Espírito Santo podemos cumprir a
ordem de Deus. Precisamos de ajuda do alto. A salvação de
almas é algo sobrenatural, espiritual, divino; portanto,
precisamos do poder de Deus para realizar esta, que é a
mais sublime das tarefas.
Edson Queiroz, no livro “A Igreja Local e Missões”
escreveu: “É impossível fazer a obra de missões sem o poder
do Espírito Santo. É impossível haver poder do Espírito Santo
sem visão missionária”. Ele está certíssimo!
No livro de Atos, a Igreja fez a grande obra que fez por
causa do Espírito Santo. Havia um avivamento espiritual e,
logo em seguida, um grande movimento missionário. No
capítulo 2 temos pessoas de muitas nações, no capítulo 8
temos Filipe e o eunuco etíope, no capítulo 13 temos o
Espírito Santo separando Paulo e Barnabé para a obra
missionária e no capítulo 17, versículo 6, lemos que os
cristãos transtornavam o mundo.
Como está a nossa vida em relação à obra
missionária? A resposta define muito sobre a nossa vida
espiritual e nosso relacionamento com Deus.
Todos os salvos têm o Espírito Santo habitando em si,
portanto não temos desculpas para não realizar missões.
Precisamos orar para que Deus vá à frente e prepare
os campos missionários para a recepção do evangelho. Foi o
que fizemos antes de irmos para Vargem Bonita/MG e
ainda fazemos em Piumhi/MG.
Lembremo-nos: Uma evidência de uma igreja que está
submissa e dirigida pelo Espírito Santo é que ela está
realizando missões.
A segunda razão pela qual devemos ter missões como
prioridade em nossas vidas é:

76
PORQUE DEUS NOS CONFIOU ESTE PROJETO (v.8): Ele
nos escolheu para realizarmos missões – “... e sereis minhas
Testemunhas...” Quem? Seus discípulos (v.6), nós, a Igreja,
nós, os salvos, eu e você.
Um bom exemplo disso é quando confiamos algo ou uma
tarefa a alguém. O que espera que a pessoa faça?
Simplesmente que cumpra aquilo e, de preferência, bem
feito. Basta pensarmos em nossos empregos, nas tarefas
delegadas no lar, nos serviços e trabalhos da igreja, etc. Se
Deus olhasse para nós agora, será que estaria satisfeito
com a nossa dedicação, fidelidade e responsabilidade para
com a obra missionária e a evangelização do mundo que
nos confiou?

Entendendo Que É Nossa Responsabilidade (v.8). Precisamos


entender bem isso, pois a obra missionária é uma tarefa
sublime e muito séria, é um privilégio para nós, mas
também uma imensa responsabilidade.
A Igreja é a agência de Deus na terra, foi a ela que
Cristo confiou a responsabilidade de tornar o Seu nome
conhecido entre todos os povos, portanto, esta é uma tarefa:
 Individual: Cada crente é uma testemunha de Cristo.
Eu e você.
 Coletiva: Todos nós, a Igreja como um corpo, cada
um fazendo a sua parte e juntos evangelizando e
fazendo missões.
Não é só tarefa dos pastores e missionários, mas de todo e
cada salvo, portanto, precisamos cuidar com acomodação.

Estabelecendo Prioridades Corretas (v.6). Aqui, mesmo


depois de tudo o que tinha acontecido (vida, morte e
ressurreição de Cristo), os discípulos ainda estavam
preocupados com um reino físico, um reino neste mundo, o
reino de Israel restaurado, no qual eles poderiam reinar, ter
glória, fama e serem livres do poder de Roma.
Demonstraram que suas prioridades eram materiais e
terrenas, e não espirituais e eternas. Isso é triste.
Jesus, vendo isso (v.7), responde com dureza,
cortando o assunto e deixando claro que as prioridades na
77
vida deles deveriam ser com o reino espiritual de Deus, com
a pregação do evangelho ao mundo e não com o reino
material, pois este, Deus, no tempo Dele, iria estabelecer.
Os discípulos não tinham que se preocupar com isso, mas
confiar em Deus, entregar tudo nas mãos Dele e esperar o
tempo de Deus e almejar a volta gloriosa de Cristo.
Quais têm sido as prioridades de nossas vidas?
Espirituais ou materiais? Como indivíduos, nos
preocupamos mais com o reino de Deus ou com nossa
família, nossos empregos, nossos bens materiais, nossa
posição, nosso futuro? Almejamos a volta de Cristo ou só
nos preocupamos com coisas deste mundo?
Como Igreja, nos preocupamos mais com a
propagação do reino de Deus sobre a terra ou com nosso
templo, nossos móveis, nossos instrumentos, nossa música,
nossa aparência na sociedade (como tristes exemplos,
vemos igrejas que se preocupam mais com música,
construção e conforto, tanto que tiram sustento dos
missionários, não enviam missionários, não fazem nada por
missões e até reclamam de seminaristas que não voltam e
não dão “retorno”, como se a Igreja de Cristo fosse uma
empresa...). Isso é egoísmo, portanto, pecado.
Sabemos que algumas pessoas têm mais facilidade
que outras, porém, todos nós fomos chamados e
capacitados para esta tarefa (Jo 15.16, I Pd 2.9). E, se não
fazemos missões, é porque elas não são prioridade em
nossas vidas e, simplesmente, porque não queremos.
Algumas perguntas para reflexão: temos evangelizado?
Temos ganhado almas para Cristo? Temos orado por
missões? Temos contribuído financeiramente com missões?
Estamos dispostos a nos entregar totalmente à obra como
missionários? Missões são nossa prioridade?
Se não fazemos missões, falhamos no nosso propósito
de existir. Lembremo-nos: Deus nos confiou esta obra
maravilhosa, Ele nos escolheu para esta missão.
E a terceira e última razão pela qual devemos ter
missões como prioridade em nossas vidas é:

78
PORQUE O MUNDO TODO PRECISA CONHECER JESUS
(v.8). O Alcance da Obra Missionária é Universal.
Tanto aqui, quanto em todos os outros versículos da
Grande Comissão, vemos isto enfatizado: “Todo o Mundo,
Toda Criatura, Até Aos Confins da Terra.” Isso é claro!
Aqui, Jesus apresenta os quatro tipos de lugares onde
devemos ser testemunhas Dele:

Jerusalém: Cidade onde os discípulos estavam quando


receberam a ordem. Eles testemunharam ali. Devemos
testemunhar em nossa cidade, onde estamos, onde
moramos, trabalhamos e estudamos, mas isso não se trata
de missões — é evangelismo. Porém, se já envolve o
trabalho de fundar uma congregação em outra localidade
distante da nossa, outro bairro, outra região, um vilarejo,
zona rural, então já é missões, que avança em três níveis:
Judeia: Província que tinha Jerusalém como capital. A ideia
é perto geograficamente e perto culturalmente, como por
exemplo, cidades vizinhas, mesma região, mesmo estado.

Samaria: Era uma região mais afastada, mas não tão longe;
com cultura diferentes. A ideia é perto geograficamente,
porém longe culturalmente. Podemos aplicar a outros
estados brasileiros, a tribos ou grupos étnicos diferentes
dentro do Brasil e a países sul-americanos.

Confins da Terra: Todos os povos e nações do mundo. A


ideia é longe geograficamente e longe culturalmente. Pode
se referir a qualquer tribo, língua ou nação, por mais
afastados que estejam ou mais diferentes que sejam. Vale
lembrar que, em Apocalipse 5.9, lemos que haverá pessoas
de todos estes lugares na glória.

Simultaneidade: É Interessante notar que o versículo traz a


ideia de simultaneidade, ou seja, a Igreja de Cristo deve
estar atuando nestes lugares ao mesmo tempo. “Tanto
em..., quanto em... e até...” Para isso, ela precisa começar
em algum lugar.

79
O que pregar? Não pode haver dúvida sobre qual mensagem
deve ser pregada neste nosso testemunho, pois é a mesma
que todos os povos precisam: a mensagem da salvação pela
graça de Deus, através da fé em Cristo Jesus, o Deus-
homem, que viveu uma vida santa, morreu na cruz do
calvário em nosso lugar para pagar pelos nossos pecados,
foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia (I Co 15.3-4), e
que devido à eficácia deste sacrifício, Deus está pronto a
salvar todo aquele que crer em Cristo como Salvador e
Senhor, dando-lhe a vida eterna.

CONCLUSÃO: Os apóstolos e a igreja primitiva entenderam


esta mensagem, pregaram o evangelho no mundo todo,
fizeram missões e foram usados por Deus. Foi esta
mensagem que chegou até nós um dia e que transformou
nossas vidas e, de uma forma ou de outra, através da obra
missionária feita por alguém. Portanto, agora é a nossa hora
de levar esta mensagem a outros para que também possam
ser transformados por Cristo; e podemos fazer isso:
1. Orando por missões.
2. Contribuindo com missões.
3. Envolvendo-nos com um missionário e apoiando-o no
campo.
4. Evangelizando onde estivermos.
5. Indo ao campo como missionários.

Irmãos, devemos ter missões como prioridade em nossas


vidas! Afinal, missões são um projeto divino. Deus nos
confiou este projeto e o mundo todo precisa conhecer Jesus.
Se não fizermos missões, não veremos a graça de
Deus ser exercida através de nós; mas, se fizermos, Deus
nos usará, ganharemos almas, começaremos novas igrejas,
veremos Deus agir com Sua graça e, como aconteceu com
os apóstolos e a Igreja primitiva que entenderam esta
mensagem, pregaram o evangelho no mundo todo, fizeram
missões, foram usados por Deus e, como diz Atos 17.6,
“abalaram o mundo”, nós também teremos esta experiência
maravilhosa. Que possamos ter missões como prioridade

80
em nossas vidas e abalar o mundo com a mensagem do
evangelho Salvador de Cristo Jesus. Que Deus nos abençoe!

81
Missões Transculturais – Por que se Envolver?
Atos 17.16-3

Por que nos preocuparmos com os povos distantes?


Por que ajudar missionários indo às nações tão diferentes
do Brasil? O que temos a ver com isso? Por que não os
deixamos como estão? Afinal, já têm suas religiões...

Em Atos 17 lemos sobre a visita de Paulo a Atenas


(grande e idólatra cidade da Grécia) esperando seus
companheiros Silas e Timóteo para continuarem as viagens
missionárias (nas quais pregavam o evangelho em várias
cidades e países). Enquanto ficou ali naquela, pregou o
evangelho de Jesus Cristo aos atenienses e nos ensinou
grandes e importantes lições sobre Missões Transculturais.

DEVEMOS NOS IMPORTAR COM A SALVAÇÃO DOS


OUTROS POVOS! (v.30)

PORQUE É A VONTADE DE DEUS (v.30). Deus deseja que


todas as pessoas, em todos os lugares, se arrependam e
creiam em no Seu Filho Jesus. Paulo sabia disso, portanto
se importou com a vida do povo de Atenas. Sabia que Deus
queria salvá-los e queria que ouvissem o evangelho de
Jesus Cristo.
Deus não leva em conta os tempos de ignorância, no
qual os povos viveram sem conhecer a Jesus. O que deixa
claro que, ter religião, seja ela qual for, mas não ter Jesus
como único Salvador, é viver em ignorância, pois só Jesus
salva (Jo 14.6).
Para fortalecer o argumento, vejamos outras passagens
bíblicas que enfatizam o amor e o desejo de Deus pela
salvação de todos os povos (ênfase minha):

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o


poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de
todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e
do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas
que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos
82
os dias, até a consumação dos séculos. Amém”.
Mateus 28.18-20

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho


a toda criatura”. Marcos 16.15

“Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as


Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha
que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre
os mortos, E em seu nome se pregasse o arrependimento e a
remissão dos pecados, em todas as nações, começando por
Jerusalém. E destas coisas sois vós testemunhas”.
Lucas 24.45-48

“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir


sobre vós, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém
como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da
terra.” Atos 1.8

“Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso


Salvador, Que quer que todos os homens se salvem, e
venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus,
e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo
homem”. 1 Timóteo 2.3-5

PORQUE É A NOSSA MISSÃO (v.16-18). Além de saber que


era a vontade de Deus que o atenienses ouvissem o
evangelho, Paulo sabia que era sua responsabilidade
pregar-lhes essa maravilhosa mensagem. Ele não deveria
ficar esperando outros, torcendo para que outros
chegassem ou ficar de braços cruzados e indiferente. Ele
sabia que tinha que fazer, pois era salvo, conhecia a
verdade e fora chamado por Deus para isso. O mesmo vale
para nós hoje, como os versículos citados mostram que
devemos ir e ser testemunhas.
Amados, pregar o evangelho aos perdidos é a nossa
missão, nossa tarefa, nossa responsabilidade. Temos que
pregar aqui onde estamos e ir até aos confins da terra. Por
isso fazemos Missões Transculturais, por isso enviamos
83
missionários aos povos distantes, oramos por eles e os
sustentamos na realização de tão sublime obra. Não
esperemos pelas pessoas certas, sejamos as pessoas certas!

PORQUE JESUS É O ÚNICO SALVADOR (v19-31): Paulo se


importou com os atenienses, pois mesmo sabendo que eles
eram “muito religiosos”, como ele mesmo citou (v.16), sabia
que estavam perdidos, pois Jesus é o único Salvador e, sem
Ele, os povos estão perdidos:

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida,


ninguém vem ao Pai, senão por mim.” João 14.6

“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do


céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual
devamos ser salvos.” 1Timóteo 2.3-5

Diante desta realidade, assim como Paulo, a


mensagem que devemos pregar é que todos são pecadores,
amados por Deus, que enviou Seu Filho para salvá-los, este
Filho, Jesus, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou
para dar a vida eterna a todo o que Nele crer. Simples!

PORQUE OS RESULTADOS VALEM A PENA (v.32-34)! Por


fim, Paulo chegou à conclusão de sua mensagem, sendo
interrompido por vários dos ouvintes que não gostaram do
que ele falou, porém, apesar destes que não gostaram,
outros tiveram um pouco de interesse e o desejo de ouvir
mais e alguns confiaram em Cristo como Salvador. A
pregação do Evangelho sempre produz esses resultados:

Rejeição: Raiva, ódio, irritação, zombaria, desprezo por parte


de alguns (o que leva à maior condenação dos mesmos),
apesar de que, um dia, podem se arrepender, pois já
ouviram a verdade.

Curiosidade: Um leve interesse, vontade de ouvir mais, um


sentimento de que é tal mensagem é importante, que pode
haver uma verdade além do que conhecem ou acreditam.
84
São aqueles que vão sendo ganhos aos poucos, mas que
têm o coração e a mente despertados para Cristo.

Salvação: Alguns vão se converter, mesmo que sejam


poucos, mas vão crer na mensagem do Evangelho, vão se
arrepender dos pecados, receberão a Cristo como Salvador
de suas vidas e, por esses, vale a pena todo esforço,
sacrifício, oração, contribuição, luta e sofrimento. Cada
pessoa que se converte, é uma alma livre da perdição eterna
e um companheiro nosso no céu. Que alegria, que galardão,
que bênção!

CONCLUSÃO: Portanto, vamos pregar aqui e longe! Vamos


fazer missões transculturais na Índia, em Moçambique, e
onde mais pudermos, seja indo, orando ou contribuindo,
afinal, esta é a vontade de Deus, é nossa missão, Jesus é o
único Salvador e os resultados valem a pena.
Sejamos fiéis! Nós somos frutos de trabalho
missionário e devemos levar essa mensagem adiante.
Façamos missões, é um privilégio, é uma grande
responsabilidade, é uma grande bênção, pessoas de todos
os lugares serão salvas e nosso Deus será glorificado!

85
Uma Visão Sobre Missões
Romanos 10.1-15

Neste texto podemos ver o que são missões e como


praticá-la em três aspectos, sendo que, o ensino principal é
claro: precisamos pregar o evangelho!

PRECISAMOS PREGAR O EVANGELHO!

COM UM CORAÇÃO MISSIONÁRIO (v.1). Com um coração


como o de Paulo, o grande missionário, a mesma atitude
dele, a mesma postura. Ele tinha:
Um bom desejo em seu coração: Que seu povo fosse salvo.
Ele desejava tanto, que estava disposto a ser condenado se
isso pudesse salvá-los: “Porque eu mesmo desejaria ser
anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos,
meus compatriotas, segundo a carne” - Romanos 9:3. Isso é
amor verdadeiro, como o de Cristo por nós (Mt 9.35-39).
Uma súplica a Deus: Ele orava, clamava e suplicava a Deus
para que o seu povo fosse salvo.
Súplica se trata de uma oração intensa, clamor, rogo.
Não é um pedido qualquer, mas algo que desejamos muito e
lutamos em oração por aquilo, insistimos.
Precisamos ter a mesma atitude de amor pelos
perdidos, interesse por suas vidas, preocupação com o
destino de suas almas, desejo pela salvação de suas vidas e
orar intensamente a Deus neste sentido.
Enquanto não tivermos tal coração, tal sentimento,
não faremos missões e não evangelizaremos os que estão ao
nosso redor. Precisamos parar de pensar só em nós, e
pensar mais nos outros, nos perdidos, tanto nos que estão
perto, quanto nos que estão longe, e fazer alguma coisa
para que sejam salvos do pecado e tenham a vida eterna por
meio de Jesus.

PRECISAMOS PREGAR O EVANGELHO!

86
COM A MENSAGEM CORRETA (v.2-13): Falando do povo
judeu que tanto amava, Paulo mostra o porquê de eles
estarem perdidos: Não tinham a fé correta, não tinham fé no
objeto correto. Eram religiosos, dedicados, sinceros, mas
perdidos.
Não saber a verdade leva à condenação, mesmo sendo
sincero: Zelo por Deus, mas sem entendimento, não salva
(v.2). Se zelo pelo Deus verdadeiro não salva, quanto mais
zelo pelos deuses errados.
Zelo significa paixão, fervor, dedicação, cuidado,
firmeza e sinceridade. Nada disso adianta se a pessoa não
conhece o Deus verdadeiro, sua Palavra, sua vontade e o
seu Filho Jesus.
É preciso conhecer o Deus verdadeiro e a Jesus
Cristo, o seu Filho: “E a vida eterna é esta: que te conheçam
a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele
que tu enviaste.” João 17.3.
Este conhecimento precisa ser intelectual,
experimental e pessoal.

Criar sua própria verdade leva à condenação: Justiça


própria, sem a justiça de Deus não salva (v.3-4). A Justiça
de Deus é Cristo: “Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus
Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há
diferença.” Romanos 3:22.
Tentar se justificar sem Cristo é impossível. Somos
pecadores e condenados por isso. Tentar se justificar
sozinho, pelas boas obras ou pela religião é rejeitar a Cristo,
é rejeitar a Deus, não salva ninguém e leva à condenação
eterna. Não tem jeito — o pecador só é salvo pela justiça de
Cristo, crendo Nele como Salvador.
Por isso precisamos fazer missões, pois, mesmo com
suas religiões, boas obras e justiça própria, os povos não
conhecem a Cristo e estão perdidos (Ef 2.8-9).

Rejeitar a verdade leva à condenação (v.3): Os Judeus não


se sujeitaram à justiça de Deus, ou seja, mesmo sabendo e
conhecendo a verdade, decidiram rejeitar a Jesus e não o

87
receberam como Senhor e Salvador. Estavam condenados
por isso.
Sabendo que é impossível cumprir toda a lei (v.5 e Tg
2.10), ninguém pode confiar em sua própria justiça para ser
salvo. Somente Jesus cumpriu toda a lei e satisfez a justiça
de Deus, por isso pode salvar o pecador que Nele crê.
Da mesma forma, ninguém pode exigir sinais, visões
ou acontecimentos extraordinários para crer (v.6-7). Subir
ao céu para ver a Cristo, ou trazer Cristo dentre os mortos,
nada disso adianta. É preciso crer na Palavra de Deus, pois
a salvação é pela fé e não por sinais e milagres.
O que salva o pecador é a fé em Cristo Jesus (v.5 e
13, At 16.31, Jo 3.16). Invocar é chamar, pedir por ajuda,
pedir por salvação. O que envolve:
- Crer na Palavra que está perto (v.8);
- CONFESSAR a Jesus com a boca e CRER com o coração
(v.9-10). Jesus é quem salva, só é preciso crer Nele e
declarar isso publicamente;
- Quem crê é salvo e não é mais confundido (v.11). Agora
pertence a Deus;
- E isso é válido para qualquer pessoa na face da Terra
(v.12). Deus não faz acepção, ama e salva a todo pecador
que crê no seu Filho. Ele é rico em graça e amor para com
todos.

PRECISAMOS PREGAR O EVANGELHO!

COM O MÉTODO CORRETO (v.14-15): Paulo continua


mostrando a necessidade de levarmos esta mensagem para
que os pecadores conheçam a Jesus e creiam Nele. Este é o
método certo para missões, o método de Deus, a Grande
Comissão, o evangelismo e a obra missionária.
Usando várias perguntas retóricas e uma sequência
lógica e crescente, ele nos desafia a pregar somente a Jesus:

Como as pessoas invocarão (chamarão) aquele em quem não


creram? (v.14);
Como as pessoas crerão naquele de quem nada ouviram?
(v.14);
88
Como as pessoas ouvirão se não há quem pregue? (v.14);
Como os crentes pregarão se não forem enviados? (v.15);
E conclui as perguntas com uma citação de Isaías
52.7 afirmando que os pés dos que anunciam as Boas-Novas
(o Evangelho) são muito formosos (v.15). Quão maravilhosa,
importante e bem-vinda é a mensagem que estes pés
carregam. A figura aqui é a do mensageiro, numa cultura
sem telefone, internet ou qualquer outro meio de
comunicação atual, que chega trazendo boas notícias.
Temos os pés formosos? Aos olhos de Deus que tipo
de pés nós temos? Estamos anunciado o evangelho aos
nossos amigos, conhecidos e familiares? Temos feito
missões? Temos que ir como missionários, temos que enviar
missionários.
Este é o método de Deus: evangelismo perto e
missões longe. Temos que pregar, temos que anunciar a
Jesus, é o único jeito das pessoas serem salvas.

CONCLUSÃO: Como o apóstolo Paulo, nos importamos com


os perdidos? Temos compaixão deles? Nos preocupamos
com o destino eterno de suas almas? Oramos pela salvação
deles? Ou somos indiferentes?
Temos pregado o evangelho? Temos anunciado a
mensagem da salvação? Temos participado da obra
missionária indo, enviando, orando ou sustentando? Temos
que fazer isso.
Você crê em Jesus como Senhor e Salvador e somente
Nele ou tem confiado em si mesmo, na religião, nas obras
ou em sua sinceridade e justiça própria? Se ainda está
apegado a qualquer uma destas coisas, arrependa-se
imediatamente e creia somente em Jesus.

89
Servir e Pregar Sem Desanimar
2 Coríntios 4.8-18

Muitas vezes sofremos por servir a Cristo e, diante


disso, vários cristãos pensam em desistir. São perseguições,
desprezo, maus-tratos, zombaria, críticas, abandono,
solidão, cansaço, ingratidão, aparente vitória do mal,
aparente silêncio de Deus, a maldade crescente no mundo,
as igrejas diminuindo, etc. Diante destas tristes realidades,
nossas forças vão se acabando, a tristeza dominando e a
vontade de desistir aumentando. Mas é nessa hora que
precisamos voltar para a Palavra de Deus e buscar nela o
consolo e a direção para nossas vidas.

Nesta passagem de 2 Coríntios, dos versículos 1 ao 8, o


apóstolo Paulo está falando do seu ministério de servir a
Jesus Cristo e pregar o evangelho; ele relata o privilégio que
é estar nesta obra, bem como a responsabilidade e os
desafios que encontra no meio dela. Fala também dos
incrédulos que rejeitam a Cristo e do inimigo, satanás, que
trabalha contra para que as pessoas não se convertam ao
Salvador. Então, no verso 8 começa a descrever os
sofrimentos que passava por servir a Deus e pregar o
evangelho, fala das dores, tristezas, desilusões, e da
vontade de desistir; mas, no verso 16 chega à conclusão
enfatizando que não tem como desanimar ou desistir e nos
ensina que:

NUNCA DEVEMOS DESANIMAR DE SERVIR A DEUS E


PREGAR O EVANGELHO POR CAUSA DO SOFRIMENTO!

PORQUE O SOFRIMENTO TRAZ O CONSOLO E


CONFORTO DE DEUS (v.8-9): Com certeza, passaremos por
muitos sofrimentos em razão de servirmos a Deus e
pregarmos o evangelho. A Bíblia diz que somos atribulados
(pelos problemas), perseguidos (pelos inimigos) e abatidos
(pela dor, cansaço e ingratidão), mas, junto a isso, Deus não

90
nos deixa desanimar, não nos desampara e não permite que
sejamos destruídos.
Deus está sempre conosco e, de uma forma ou de outra,
Ele nos consola; seja na leitura da Bíblia, num culto, num
hino, na família, nos irmãos em Cristo, etc., mas Ele o faz.

PORQUE O SOFRIMENTO NOS TORNA MAIS PARECIDOS


COM JESUS (v.10-12): Quanto mais sofremos por Cristo,
mais parecidos com Ele ficamos. Se tudo estiver bem, não
buscaremos muito a Deus. Seremos mais facilmente levados
ao pecado e não desenvolveremos tanto nossa vida
espiritual. Porém, quando o sofrimento chega, nós oramos
mais, nos humilhamos mais, dependemos mais de Deus,
confessamos os pecados, fugimos deles, queremos agradar a
Deus e fazer o certo.
Ao sofrer por Cristo, lembramos do que Ele sofreu por
nós e valorizamos mais isso. Além disso, se estamos
dispostos a sofrer por amor a Cristo, Ele nos usará, Seu
poder se manifestará em nós, nos abençoará e nos
capacitará para sermos mais como Ele e a andar nos seus
passos.

PORQUE SOFREREMOS, MAS OUTROS SERÃO SALVOS


ATRAVÉS DE NÓS (v.13-15). O que mais alegrava o coração
de Paulo no sofrimento e o motivava a não deixar de pregar
a evangelho e servir a Deus, era saber que estava sofrendo
para levar outros à salvação. Ele sofria para e por pregar,
mas, através de sua pregação, pessoas, como os coríntios,
por exemplo, estavam confiando em Cristo e sendo salvas.
Nele operava a morte (o sofrimento), mas nos seus
ouvintes a vida (a salvação).
Sim, vamos sofrer neste mundo por servir a Cristo, mas
vale a pena! Nossa fidelidade e testemunho serão usados
por Deus para que outros se interessem por Cristo e sejam
salvos e, só por isso, valerá a pena todo o sofrimento que
passarmos aqui, pois uma alma vale mais que o mundo
inteiro, como indicou o próprio Senhor Jesus.

91
PORQUE O SOFRIMENTO NOS FAZ CRESCER
ESPIRITUALMENTE (v.16). O sofrimento fez de Paulo um
homem humilde e dependente de Deus. Já falamos sobre
isso, mas, quanto mais sofremos, melhores espiritualmente
ficamos. Com Paulo foi assim.
Algo que o sofrimento faz é nos atacar, machucar, ferir,
causar dor, mas só no exterior, na carne e no corpo. O
nosso espírito ele não pode destruir, pois podemos estar
sofrendo e orar do mesmo jeito, lembrar dos versículos da
Bíblia, falar com Deus, confiar e nos apegar às suas
promessas, etc.
Sofrendo, nos tornamos mais humildes e dependentes de
Deus, pensamos mais nas coisas espirituais e menos nas da
Terra, buscamos mais ao Senhor, oramos mais, lemos mais
a Bíblia e a nossa comunhão com Deus aumenta. O nosso
espírito se fortalece e nos tornamos pessoas melhores
espiritualmente. Glória a Deus por isso!
Porém, quando desistimos, pioramos e ficamos como os
incrédulos.

PORQUE O SOFRIMENTO NÃO SE COMPARA COM OS


GALARDÕES ETERNOS QUE TEMOS NO CÉU (v.17-18):
Outra coisa que motivava Paulo a continuar eram os
galardões, ou seja, as recompensas eternas que receberia
no céu das mãos de Jesus por sua fidelidade. Ele afirma
que estes prêmios, além de serem eternos, são gloriosos e
incomparavelmente melhores do que as coisas da Terra.
Ao mesmo tempo, o sofrimento é leve e passageiro;
dói na hora, mas acaba logo. Não vale a pena abandonar a
Cristo, desistir de segui-Lo ou parar de pregar o evangelho.
As coisas ruins acabam logo, mas as maravilhosas
recompensas de Deus são eternas.
Paulo repete isso em Romanos 8.17-18 – “E, se nós
somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de
Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele
padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.
Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo
presente não são para comparar com a glória que em nós há

92
de ser revelada”. Portanto, se sofremos com Cristo, com ele
seremos glorificados. Amém!

CONCLUSÃO: Portanto, amado, se você está sofrendo e


pensando em desistir, se as lutas têm sido grandes, as
perseguições constantes e parece que não tem valido a pena
servir a Cristo e pregar o seu evangelho, mude de opinião
agora, aceite o sofrimento como bênção de Deus, apegue-se
à Ele, busque e desfrute do Seu consolo e conforto, apegue-
se às Suas promessas. Lembre-se do sofrimento de Cristo
em seu favor e do fato de que Ele não desistiu da cruz por
amor a nós. Pense nos galardões, nas pessoas que serão
salvas através de sua vida e continue.
Vamos continuar firmes, animados, consagrados,
esforçados, pois vale a pena, com certeza, por Cristo, pois
“ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o nosso
interior se renova de dia a dia, pois a nossa leve e
momentânea tribulação, produz para nós eterno peso de
glória, acima de toda comparação”. Amém!

93
Trabalhando Pelo Avanço da Obra de Deus
2 Tessalonicenses 3.1-5

A cada ano que passa, precisamos refletir: “O que eu


fiz por missões?”
Uma pesquisa recente apontou que cada crente
investe cerca de R$ 0,30 em missões por ano... Somente
trinta centavos! E nós, o quanto investimos? Ou melhor, e
eu, quanto investi?
Precisamos nos perguntar: Quantas pessoas
evangelizei? Quantas pessoas convidei para os cultos?
Quantos folhetos entreguei? Quantas vezes orei pelos
missionários? Sei o nome deles? Presto atenção à leitura de
suas cartas? Participo do sustento financeiro dos
missionários?
Constantemente precisamos reavaliar nossas
prioridades e nosso envolvimento com a obra missionária e
faremos isso agora considerando o texto bíblico de II
Tessalonicenses 3.1-5

O contexto aqui trata dos conselhos finais do apóstolo


Paulo à igreja de Tessalônica. São pedidos de oração que
ele, como missionário, faz aos irmãos daquela igreja e de
palavras de ânimo para que continuassem fazendo a obra
de Deus. Diante disso, a lição principal que aprendemos
aqui é:

PRECISAMOS TRABALHAR PELO AVANÇO DA OBRA DE


DEUS!

Mas, como fazemos isso?

COM MUITA ORAÇÃO PELA PREGAÇÃO DO EVANGELHO


(v.1-2). Precisamos orar mais por Missões, gastar mais
tempo na presença de Deus intercedendo pelo avanço da
obra missionária e da pregação do evangelho ao redor do
mundo. Temos que conversar com o Soberano Senhor e nos
abrir com Ele sobre Missões e evangelismo.
94
Intercedendo pelos pregadores do evangelho: Devemos orar
especificamente pelos missionários, evangelistas,
fundadores de igrejas, pelos pastores, enfim... por todos os
crentes fiéis que, direta ou indiretamente, estão engajados
nesta sublime missão.
Orar por usas vidas espirituais, por força nas lutas e
desafios do dia a dia, pela saúde, por suas famílias, pelo
sustento de que necessitam, pela proteção do mal, por
sabedoria no campo e por frutos do trabalho.
Intercedendo pela própria pregação do evangelho: Também
devemos orar pela propagação e glorificação da Palavra de
Deus e do evangelho entre os perdidos. Temos que clamar a
Deus pela clareza em sua apresentação por parte dos
mensageiros, pela conversão de almas ao único Deus e
Salvador Jesus Cristo, por mudanças de vida, enfim, pelo
agir sobrenatural do Espírito Santo.
Precisamos orar pelo “lançar da semente” para que o
santo Evangelho se espalhe pelo mundo e produza frutos
para a glória de Deus.
Intercedendo pela proteção de Deus: Existem homens maus
e perversos e nem todos recebem a fé. Sabemos disso pela
Palavra de Deus e por experiência própria.
Enquanto a obra missionária é realizada, inimigos se
levantarão e servos de satanás se colocarão em oposição a
ela. Haverá ataques diretos e indiretos, atos de maldade,
perseguição, infiltração de lobos em pele de ovelhas,
homens e mulheres que servirão como pedra de tropeço ao
evangelho, calúnias, mentiras, extrema incredulidade,
rejeição.
Precisamos orar para que Deus proteja os
missionários, suas famílias — especialmente seus filhos —,
as igrejas, os novos convertidos e os mantenedores destes
ferozes inimigos da cruz de Cristo.

TRABALHANDO COM FÉ NA FIDELIDADE DE DEUS (v.3):


Paulo lembra aos tessalonicenses que Deus é fiel, que é Ele
quem nos confirma em Sua obra e que Ele é quem nos
guarda do maligno.

95
Precisamos ter plena convicção de que Deus é a base
e a fonte do nosso trabalho e não as pessoas ou as
circunstâncias. Precisamos ter fé para obedecer a Grande
Comissão e o chamado de Deus e, desta forma, ir, pregar,
trabalhar na seara do Senhor, lutar, nos esforçar e, se
necessário, nos sacrificarmos. Isso é fé!
Ao pregarmos o evangelho, precisamos ter fé de que
Deus nos capacitará, nos dará o poder mediante Seu Santo
Espírito (At 1.8), salvará vidas e fará milagres. Tudo
depende Dele e não de nós, precisamos apenas ser fiéis.
Paulo vivia assim e sabia, na prática, que Deus
sempre cumpre o que promete; que faz Sua obra prosperar
e a pregação do evangelho dar frutos eternos para Sua
própria glória. Precisamos confiar nisso.
Irmãos, o Senhor confirmará nosso trabalho, nossa
vida e nos guardará e protegerá do maligno, confiemos nisso
e trabalhemos com dedicação e fé na fidelidade Dele.

PRATICANDO CONTINUAMENTE O QUE DEUS NOS


MANDAR (v.4). Na obra de Deus precisamos obedecer
sempre o que Ele quer. Os tessalonicenses já faziam e iriam
continuar, e o mesmo vale para nós: constância, firmeza e
perseverança!

Evangelismo pessoal: É o falar de Cristo aos que estão


perto, obedecendo a “Grande Comissão” de Mt 28.18-20, Mc
16.15 e At 1.8. Podemos incluir aqui a entrega de folhetos
evangelísticos e os convites para que pessoas cheguem aos
cultos para ouvir a pregação do evangelho; enfim, todas as
tentativas e esforços para que pessoas próximas a nós
conheçam a Jesus.

Contribuição: Devemos participar financeiramente da


manutenção da obra missionária, contribuindo
regularmente no sustento dos que estão longe, servindo e
pregando o evangelho em lugares nos quais não podemos
estar.
Muitas igrejas adotam o sistema de “Promessa de Fé”,
no qual cada membro se compromete a doar uma quantia
96
mensal para Missões além dos seus dízimos e ofertas.
Particularmente, eu gosto muito deste sistema, pratico
desde a juventude e o adotamos nas duas igrejas que
iniciamos. Porém, com Promessa de Fé ou não, precisamos
contribuir e apoiar a obra missionária, com certeza, com
mais do que R$ 0,30 por mês...

Ir aos campos como missionário: Precisamos atender ao


chamado de Deus e alguns precisam se levantar e partir
para a linha de frente da batalha, ir para lugares e povos
pouco ou nada alcançados pelo evangelho, fundar novas
igrejas, anunciar Jesus, abrir pontos de pregação em seus
lares, iniciar novas congregações, participar de viagens
missionárias, dedicar férias ou outros períodos para auxiliar
trabalhos em andamento, enfim, “pôr a mão na massa”.

Vida fiel: Precisamos, dia a dia, viver em santidade,


compromissados com Deus e com Sua obra, trabalhando
fielmente em nossas igrejas, nos envolvermos no ministério,
testemunharmos em casa, no trabalho, na escola, na rua e
nos dedicarmos pelo avanço do reino de Deus em todo
lugar, a todo tempo, hoje, sempre e cada vez mais e melhor.

VIVENDO O AMOR DE DEUS E NA CONSTÂNCIA DE


CRISTO (v.5): Este amor tão grande e perfeito que, por meio
de Cristo nos alcançou e encheu nosso coração (Rm 5.5)
deve ser compartilhado com os outros, com os irmãos em
Cristo e, especialmente, com os perdidos. Assim como Paulo
amava, assim como Cristo amava (Mt 9.35-38) e assim
como os missionários amam os não alcançados, nós
também devemos amar, de verdade, o nosso próximo.
Este amor é provado pela compaixão, pelo sacrifício,
pelo serviço, pela dedicação, pelo envolvimento na obra,
pela compreensão da situação do mundo e pela entrega da
vida para fazer algo tentando ajudar. Não existe outro jeito;
o amor verdadeiro é provado por ações e não existe amor
maior do que dar a vida pelos que amamos (Jo 15.13).
Pregar o evangelho é uma grande prova de amor!

97
Jesus nos amou e se entregou na cruz pela nossa
salvação. Como temos refletido este amor aos que ainda não
O conhecem? Precisamos fazer isso e de forma constante,
ou seja, sempre, não somente uma vez ou outra na vida. É
necessário que sejamos estáveis e que sempre
transmitamos o amor de Cristo ao mundo. Temos feito isso?
Temos vivido assim? Temos amado?

CONCLUSÃO: É necessário avaliar nossas vidas sobre o que


e o quanto temos feito por missões e evangelismo. Afinal de
contas, o que temos feito pelo avanço da obra de Deus no
mundo? O que faremos daqui para frente? Qual será nossa
atitude para com a pregação do evangelho aos perdidos e as
almas que padecem sem o Salvador? Que possamos refletir
e tomar algumas decisões daqui para frente, atendendo aos
conselhos de Paulo e imitando Jesus. Sim, vamos trabalhar,
mais e mais, pelo avanço da obra de Deus no mundo!
Vamos pregar o evangelho e vamos fazer missões!

98
Missões — Por Jesus e Pela Cruz!
Colossenses 1-3

Não só enquanto se trata de missões, mas toda a vida


do cristão deve ser marcada pela lembrança e demonstração
e anúncio de Cristo Jesus e Sua morte na cruz. Este deve
ser o foco de nossa vida, o nosso objetivo, a nossa decisão e
esforço diário.
Jesus Cristo, por Sua Cruz, foi quem nos salvou e
nos transformou. Ele deve nortear nossa vida e ações
diárias e nos dar forças para suportar qualquer dificuldade
que o anúncio dessa mensagem possa nos trazer. Portanto:

DEVEMOS VIVER PARA ANUNCIAR JESUS!

Fazer Missões transculturais, evangelizar onde


estamos, testemunhar com nossa vida diária, etc., Tudo em
nossas vidas deve ser Jesus e Sua cruz, tudo em nós deve
anunciar essa mensagem, tudo e sempre.
Nos versículos 24 a 29 do capítulo 1, Paulo reconhece
o seu chamado como missionário e afirma que dedicava sua
vida para isso, mesmo que sofresse (e se alegrava ao sofrer
por Cristo), declarando que esse ministério de anunciar a
Jesus é glorioso, e nós fazemos parte dele. Além disso,
temos o privilégio de conhecer mais sobre Jesus do que os
santos do Antigo Testamento, para os quais, muita coisa
ainda era um grande mistério.
Este era o ministério do apóstolo, mas era o dos
colossenses também e, através do seu exemplo, Paulo
queria motivá-los e encorajá-los a cumpri-lo com fidelidade.
O mesmo vale para nós hoje, pois somos chamados para
anunciar Jesus e Sua cruz e devemos viver para isso.

PORQUE ELE NOS SALVOU. Através do anúncio de seu


evangelho:
- hoje somos salvos porque, assim como os Colossenses,
ouvimos o evangelho,

99
- e ouvimos o evangelho porque alguém nos anunciou;
alguém trouxe a mensagem de Jesus crucificado até nós. No
caso deles, foi Epafras.
- saímos das trevas para o reino de Jesus, no qual devemos
crescer no conhecimento do nosso Deus e nos fortalecer
Nele.
Este é o primeiro assunto abordado por Paulo, é a
forma como introduz sua carta e é a primeira verdade a que
chama atenção dos irmãos de Colossos, fazendo-os lembrar
e pensar no que era mais importante em suas vidas: a
salvação.
A salvação é nossa maior riqueza, o nosso maior bem,
a nossa esperança e alegria. Sendo assim, ela deve ser a
motivação para anunciarmos Jesus aos perdidos, pois, um
dia, alguém nos anunciou, e hoje somos salvos.
Epafras foi o missionário que anunciou o evangelho
aos colossenses, foi chamado por Paulo de “conservo” (servo
junto) e fiel ministro de Cristo. Naquele momento a vida
deles era nova por causa dessa mensagem que ouviram e
deviam viver para Cristo e anunciar a mensagem de Sua
cruz a outros.
Algumas verdades sobre a nossa salvação são
importantes aqui: fomos libertos por Cristo do império das
trevas (escravidão do pecado, domínio de satanás, da
condenação ao inferno, da separação eterna de Deus, do
vazio no coração, da vida destruída, etc.), fomos
transportados para o reino de Jesus, o Filho amado de Deus
e, Nele, temos a redenção (salvação, libertação do pecado), o
perdão dos pecados, a vida eterna, a reconciliação com
Deus, paz, nova vida, etc.
Tudo isso Paulo repete, em outros termos, durante o
livro, enfatizando a importância dessa verdade.

PORQUE ELE É DIGNO DO PRIMEIRO LUGAR EM NOSSAS


VIDAS. Jesus deve ter a preeminência em nossas vidas, pois
este é o seu lugar.
Preeminência significa: “que está acima dos outros,
mais alto, elevado, superior” e primazia: “primeiro lugar,
superioridade, excelência”.
100
Jesus é Deus, é o Supremo e Soberano Senhor do
Universo. É o maior e o primeiro, acima de tudo o que
existe. É o criador de tudo, é o Senhor e dono da igreja. É
quem nos reconciliou com Deus através de sua morte na
cruz. Portanto, deve ser o primeiro em nossas vidas em
tudo, tudo mesmo e o tempo todo.
Para Paulo era assim, tanto que falou dele, ao menos
65 vezes nos 95 versículos da carta, seja em citações direta
ao Seu nome, Seus títulos ou pronomes. Essa ênfase em
Jesus era o que motivava Paulo a pregar tanto o evangelho,
a suportar as aflições e a fazer tanta diferença nos lugares
por onde passava. O mesmo deve acontecer conosco.
Jesus é Tudo, é o maior, o melhor, o único e
incomparável. Por isso Paulo o enfatiza tanto nesta carta.
Esse é o foco principal do livro: Jesus, Jesus e Jesus, em
tudo e para tudo na vida. Essa era a realidade na vida de
Paulo e deve ser a da nossa, pois Jesus é o mais
importante. Devemos viver para anunciá-Lo.
A mensagem do livro é que nada pode ocupar o lugar
que é de Jesus e que ele deve ser o foco, a razão, a
motivação e o Senhor (dono) de nossas vidas em todas as
áreas: espiritual, relacionamento com Deus, ministério,
missões, família, relacionamentos interpessoais, trabalho,
estudos, lazer, planos, etc. Jesus é a chave e a solução para
todas as áreas de nossas vidas e ministério. Devemos pregá-
lo por amor a Ele, dependendo Dele, confiando Nele,
entendendo a importância Dele, em gratidão a Ele e em
fidelidade e submissão total a Ele.
Jesus deve ser o primeiro e não nós mesmos, nosso
lazer, a família, o trabalho, o dinheiro, os sonhos, a
comodidade, ou seja lá o que for. Jesus deve ter a
preeminência — sempre o primeiro lugar.
Jesus deve dirigir nossas vidas e Sua pessoa e Sua
obra na cruz devem nortear nossas ações diárias (tudo o que
fazemos) e nossas motivações (o porquê fazemos). Jesus
deve ocupar nossos pensamentos, deve nos dirigir em
nossas decisões e deve nos motivar a fazer missões e a
pregar o evangelho.

101
Nossas igrejas, ministérios, projetos, famílias, e
qualquer outra atividade, devem ser centralizadas em
Jesus, somente em Jesus. Se vivermos assim, com Cristo
em primeiro lugar, evangelizaremos e faremos missões. Ele
é digno disso, merece a preeminência, Ele é Deus!
Muito do que vemos hoje na vida dos crentes é uma
troca de prioridades, a centralidade e o senhorio de Cristo
estão sendo deixados de lado e esquecidos. Viver para
agradá-Lo acima de tudo, gratidão pela salvação e o
anúncio dedicado do Seu evangelho não são mais
considerados como prioridade em nossas vidas; temos que
reconhecer isso, nos arrepender e deixar Cristo reinar em
nossos corações e viver para anunciá-Lo, afinal, Ele é Deus
e é digno disso.

PORQUE ELE É MAIOR DO QUE QUALQUER FILOSOFIA


OU RELIGIÃO DESTE MUNDO. Muitas religiões ou
filosofias, inclusive nas igrejas “evangélicas”, estão sendo
pregadas e ensinadas mundo afora, mas todas são vazias,
erradas, enganadoras, superficiais e inúteis quando
comparadas a Cristo, pois só Ele pode salvar e transformar
vidas.
Algumas ideias estavam entrando na igreja de
Colossos e tirando Jesus e Sua cruz do centro da vida da
igreja e dos crentes: filosofias humanistas, legalismo,
misticismo e ascetismo — as mesmas ideias que dominam o
mundo hoje através das igrejas, seitas e religiões.
Algumas até parecem boas, conseguem adeptos e, ao
menos externamente, mudam a vida de algumas pessoas,
mas não salvam, não transformam, não perdoam, não dão
paz, não preenchem o vazio do coração, não dão vida
eterna, não trazem alegria; pelo contrário, confundem,
atrapalham, levam ainda mais as pessoas à perdição e, o
pior de tudo, afastam-nas de Cristo, o único que poderia
salvá-las.
Não podemos achar que se existem outras igrejas,
seitas, religiões ou filosofias espalhadas por aí, então não
precisamos anunciar a Jesus; pelo contrário, precisamos
anunciar ainda mais.
102
O pentecostalismo exagerado (do rodopio, do
sapatinho de fogo, do “cai-cai”, etc.), igrejas legalistas e
frias, os neopentecostais e a teologia da prosperidade,
megaigrejas (com propósitos e a “gosto do freguês”),
catolicismo (mesmo o carismático e o popular propagado
pelos padres Fábio de Melo e Marcelo Rossi), seitas
(congregação Cristã, Testemunhas de Jeová, os mórmons),
espiritismo, psicologia, ateísmo, humanismo, budismo,
hinduísmo, islamismo, religiões tribais, candomblé, boas
obras, ecumenismo, etc., nada disso pode ajudar as pessoas
— não em relação à eternidade e à salvação de suas almas.
Não podemos deixar estas mentiras entrarem em
nossas igrejas e nem achar que podem ajudar as pessoas de
fora. Por isso, precisamos e devemos pregar a Jesus, e este
crucificado. Somente isso, e devemos fazer com coragem,
ousadia, firmeza e perseverança, pois somente Jesus pode
salvar as pessoas perdidas neste mundo.
Já deveríamos ter feito isso há mais tempo, muita
coisa seria diferente (digo por Piumhi, Vargem Bonita e São
Roque de Minas, onde temos desempenhado nosso
ministério), mas não podemos continuar demorando, pois
temos a verdade, temos a cura, temos a salvação, e
precisamos levá-la aos perdidos enquanto é tempo.
Jesus é maior e melhor do que qualquer outra coisa
nesse mundo. É Dele que as pessoas precisam — mesmo
sem saberem —, somente Dele, e por isso devemos viver
para anunciá-Lo.

PORQUE NA CRUZ ELE VENCEU TODO O MAL (v.2.14-15).


Sua cruz é a garantia da nossa vitória!
É dito que o Imperador Constantino se converteu ao
cristianismo após uma visão na qual leu a frase: “Por esta
cruz vencerás!” No caso dele não tem sentido, mas no nosso
é a verdade, pois é o que a Bíblia nos diz.
Devemos fazer missões pela cruz, porque nela é que
Jesus consumou Sua obra, garantiu a nossa salvação,
pagou nossos pecados, venceu o mal e nos garantiu a
vitória em nossa missão.

103
Na cruz, Jesus cancelou a nossa dívida impagável
para com Deus, a dívida pelos nossos pecados e nos
libertou da escravidão da lei, cravando tudo isso no
madeiro, sendo pregado em nosso lugar e por amor a nós.
Na cruz, Jesus venceu o diabo e os demônios,
humilhou-os e os expôs ao desprezo. Jesus triunfou sobre
eles, portanto, mesmo que o mundo inteiro jaz no maligno,
Jesus é maior e Sua cruz nos garante a vitória na obra
missionária e na evangelização dos perdidos.
Em 2002, numa conferência missionária da Missão
Batista Brasileira Fundamentalista, realizada na Igreja
Batista do Calvário em Pinhais-PR, ouvi uma frase do
falecido Pr. Gérson Rocha que nunca mais esqueci: “O diabo
nunca vence, apenas trabalha para levar mais pessoas em
sua derrota!”
Esta é a certeza que temos ao nos dedicarmos à obra
missionária. É uma verdade incluída na grande comissão,
quando Jesus disse: “... Toda autoridade me foi dada no céu
e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos em todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.”
(Mt 28.18-19)
Fazendo missões, estamos entrando num campo
inimigo, hostil e perigoso. Seremos odiados sem motivo,
desprezados, perseguidos, nos sentiremos como um “peixe
fora d’água” (nós nos sentimos assim em Vargem Bonita no
início de nosso ministério, como se estivéssemos
completamente perdidos).
Temos que nos lembrar que o inimigo tem dominado
as pessoas, enganado-as, cegados os seus entendimentos e
elas estão perdidas em seus delitos e pecados. Estão a vida
inteira acostumadas com o erro, seus estilos de vida
pecaminosos e suas religiões, portanto, não podemos
estranhar que eles não gostem de alguém que “chega de
repente”, pessoas desconhecidas, diferentes e que começa a
chamá-los ao arrependimento, a uma nova fé e a uma
mudança de vida. É claro que não irão gostar e, por isso, a
obra missionária não é fácil; haverá lutas, dificuldades,
sofrimentos, tristezas, decepções, angústia, desânimo e
muitas dúvidas quanto ao sucesso da missão. Desde o
104
início esta tem sido a nossa realidade no campo, portanto,
afirmamos com toda a convicção que é necessário
perseverança (falaremos mais sobre isso adiante).
Mas é nessas horas que devemos nos lembrar da cruz
de nosso Senhor Jesus e confiar que, por mais distante de
nossa visão esteja, a vitória na obra virá. Jesus venceu todo
o mal na cruz e, por isso, onde Seu evangelho for fielmente
pregado, haverá conversões, haverá arrependimentos,
haverá mudanças de vidas, haverá uma luz brilhando nas
trevas, mesmo que seja em pequeno número, mesmo que
não seja do jeito e na quantidade que queremos, mas Cristo
sempre vai salvar pecadores, porque Sua Cruz garante isso.
Vale lembrar aqui que não estou falando de um
determinismo de vitória, como o pregado por certos grupos,
ou que estou dizendo que TODOS os trabalhos missionários
darão certo e muitas almas serão salvas; não, infelizmente,
alguns projetos não dão certo, por vários fatores, algumas
igrejas locais são destruídas, alguns missionários destroem
suas vidas e ministérios e muitos crentes vivem totalmente
derrotados no pecado e fora da vontade de Deus. Mas a
vitória é certa de uma forma geral, ou seja, COM CERTEZA
vidas serão salvas e igrejas fundadas, se o evangelho de
Jesus for pregado fielmente e com perseverança.
Nossa salvação é prova da vitória de Jesus na cruz e
nossas igrejas também. Portanto, devemos viver para
anunciar a Jesus, sabendo que Sua cruz nos garante a
vitória (não vitória como o mundo vê, mas a verdadeira
vitória, a vitória eterna). Devemos nos envolver na obra
missionária, indo ao campo, enviando irmãos ao campo,
sustentando os que lá estão, orando por eles e participando
ativamente da obra missionária.

CONCLUSÃO: Amados, qual tem sido nossa atitude em


relação ao evangelismo e à obra missionária? Ou melhor,
qual tem sido nossa atitude para com Jesus e Sua Cruz em
nossa vida diária?
Temos que nos lembrar que devemos viver para
anunciar a Jesus! Este é o nosso chamado, esta é a nossa
vida: porque somos salvos, porque Jesus é digno do
105
primeiro lugar, porque Ele é maior que qualquer religião e
porque Sua Cruz nos garante a vitória.
Vivamos assim, amados! Vale a pena, por Jesus, por
Sua cruz, em gratidão e obediência. Assim, nossa vida será
útil, seremos usados por Deus, almas serão salvas, vidas
serão transformadas e igrejas fundadas e nós seremos parte
disso.

106
Todos Nós Somos Chamados
Textos variados

“Eu não tive um chamado, li uma ordem e obedeci!”


Esta foi a resposta de Sophie Müller, missionária entre os
índios no Amazonas, quando questionada sobre o seu
chamado para ser missionária.
Missões e chamado, sentimento e obediência — este
tem sido um conflito longo e difícil de ser resolvido na vida
dos crentes e da Igreja de Jesus Cristo ao longo do anos.
Porém, tem sido muito prejudicial, pois enquanto
discutimos e esperamos um “chamado” especial de Deus, a
obra missionária é deixada de lado, a evangelização dos
perdidos é esquecida e a fundação de novas igrejas em
campos não alcançados é cada vez menor. Será que isso
está certo? Será que esta á a vontade de Deus? Este é o Seu
plano para Sua igreja?

TODOS NÓS SOMOS CHAMADOS PARA A OBRA


MISSIONÁRIA!

TODOS os salvos — todos mesmo —, sem exceção,


devem se envolver na obra missionária e participar dela
ativamente. Como crentes individuais e como Igreja,
precisamos pregar o evangelho e trabalhar na implantação
de novas igrejas, alcançando os povos não alcançados.
Todos nós devemos fazer missões!

ENTENDENDO E ACEITANDO A NOSSA MISSÃO: Todos


nós, como crentes, temos uma missão, que é “IR por todo o
mundo e PREGAR o evangelho a toda criatura!”. Este é um
mandamento claro e direto dado pelo nosso Senhor e
Salvador Jesus em Mt 28.18-20, Mc 16.5, Lc 24.46-48 e At
1.8. Aqui, temos o que chamamos de “A Grande Comissão”.
Irmãos, o que precisamos entender e ACEITAR é que
Jesus nos deu uma ordem, um mandamento, e que
precisamos obedecer. Não é uma opção, uma alternativa,
uma escolha ou algo a ser feito se der vontade, se tivermos
107
um sentimento especial ou se tivermos um chamado divino
e sobrenatural.
Já temos um chamado, que é divino, sobrenatural,
dado pelo próprio Deus encarnado, Jesus Cristo. O que nos
resta á obedecer, ir, pregar, anunciar. A Grande Comissão é
um chamado divino e sobrenatural, não precisamos de
outro.
No livro de Atos vemos que, após o início maravilhoso
da Igreja de Cristo, com muitas pessoas se convertendo a
Cristo, a igreja se acomodou, cresceu e parou, ficou por ali e
não saiu, não foi pelo mundo pregando para toda criatura.
Até o capítulo 7, após a morte de Estevão, quando veio a
perseguição e Deus fez com que os crentes fossem
espalhados por outras cidades e países e, na perseguição,
pregassem o evangelho aos perdidos.
Na comodidade não fizeram nada, só queriam crescer
e desfrutar, se acomodaram, pararam e desobedeceram.
Comodidade demais prejudica a obra missionária, mata o
crente e mata a Igreja de Cristo. Não podemos nos
acomodar, não podemos parar, não podemos nos acostumar
com este mundo! Temos de ir. Estamos aqui para isso,
fomos salvos para isso e é o nosso chamado, é a nossa
missão.
Nas Palavras do falecido Pr. Gerson Rocha:

“Não ir significa inércia, estagnação, morte... Quando


Jesus disse IDE às suas igrejas, Ele quis fazer delas rios
para abençoar o mundo e livrá-las da desgraça de ser
pântanos. Obedecer à ordem de Jesus significa entender e
viver. Desobedecer-lhe significa rebelar-se para morrer... Ir
significa libertar. Quando os crentes vão, estão libertando e
se libertando. Levam liberdade e vida aos cativos e vão se
libertando do egoísmo.” (Livro “Quem há de ir por nós?”)

Entendemos isso? Aceitamos tal realidade? Então,


obedeçamos e façamos missões. JESUS entendia e aceitou
sua missão, sem questionar ou reclamar. Deixou tudo e veio
nos salvar, cumpriu fielmente Sua missão até o fim.

108
ENTENDENDO E ACEITANDO NOSSA IDENTIDADE COMO
SALVOS (I Co 4.1-13): Neste texto, no qual o apóstolo Paulo
está tratando os pecados de orgulho, soberba e divisão na
igreja em Corinto, ele nos mostra quem realmente somos
como salvos. Ele fala diretamente de si e de Apolo
(missionários e pregadores daqueles dias), mas o faz de tal
forma que leva os crentes coríntios a pensarem, se
arrependerem e entenderem quem eles também eram:
Escravos. A palavra “ministro” usada neste texto se refere a
um escravo, literalmente a um remador inferior num navio
com três níveis de remo. Paulo entendia e aceitava que era
um escravo de Cristo, um escravo inferior, um servo, sem
vontade própria, alguém que existe para servir ao seu dono
e cumprir suas ordens.
É isso que somos, irmãos: ESCRAVOS de Cristo; por
isso devemos obedecê-lo.
Despenseiros. Esta palavra se refere a um mordomo ou
administrador, trata-se de uma pessoa de confiança,
responsável por cuidar das coisas de seu senhor. Continua
sendo um servo, mas com grandes responsabilidades.
Naquele tempo, devido às distâncias, à dificuldade de
locomoção e à falta de comunicação, uma pessoa para ficar
cuidando das propriedades de um rico, precisava ser de
total confiança.
E o que Paulo está nos ensinando é que é exatamente
isso que se espera de nós: FIDELIDADE. Deus espera isso
de nós, as almas perdidas esperam isso de nós e é assim
que Jesus quer nos encontrar em Sua volta: fiéis.
Irmãos, fidelidade em cumprir nossa missão como
escravos de Cristo, é o que Deus espera de nós e é assim
que devemos viver. Qualquer tipo de vida longe disso ou
fora disso, está errado, é uma vida inútil dentro do plano
eterno de Deus e é desobediência à Sua Palavra.
Agir assim trará infelicidade e uma vida sem
propósito diante do Deus que nos salvou e nos chamou.
Fomos criados e salvos para a Sua glória, para o Seu
serviço, enfim, para a pregação do evangelho (1 Pd 2.9) e é
assim que devemos viver.

109
Além disso, tal identidade nos dá a garantia de
sofrimento, o qual precisamos aceitar e ter a disposição de
suportar (v.8-13). Paulo, Apolo e os demais passaram por
isso; muitos missionários durante a história e atualmente
passam por isso, pois entenderam e aceitaram quem são.
Temos de fazer o mesmo! É isso o que somos: escravos,
chamados para sofrer por Cristo.
Nate Saint, um dos cinco missionários mortos no
Equador na década de 50, como retratado no filme “Terra
Selvagem”, disse ao seu filho, quando perguntado se
atiraria nos índios caso fossem atacados: “não podemos
atirar nos waodani, eles não estão preparados para o céu
como nós estamos”. Ele e seus amigos estavam dispostos a
morrer por Cristo, tal como aconteceu, para que pessoas
perdidas e isoladas, ímpias e más, pudessem ser salvas e
perdoadas por Jesus, como realmente aconteceu anos
depois.
E nós, temos entendido e aceitado nossa identidade
como escravos e despenseiros de Deus? Nosso Senhor
Jesus aceitou e se fez servo por amor a nós, nos deu o
exemplo e nos deu sua vida. E nós, o que faremos?

VOLUNTARIANDO-NOS PARA A MISSÃO (Is 6 e Mt 9.35-


38): Atitude, disposição e voluntariedade são fundamentais
na obra missionária.

O Chamado de Isaías: Um dos textos mais usados para


falarmos sobre “chamado” missionário é o de Isaías capítulo
6. Contudo, não adianta esperarmos um chamado daquele,
pois Jesus não nos dará determinada visão, Ele já nos deu
a Bíblia e os mandamentos claros e completos; só resta
obedecer.
Por outro lado, o que vemos aqui, é mais um exemplo
de “voluntariedade” do que de chamado propriamente dito.
Deus apresentou a situação ao profeta e perguntou a quem
enviaria, Isaías se prontificou e se voluntariou dizendo: “Eis-
me aqui, envia-me a mim!”
Irmãos, a situação é clara: milhões de pessoas
morrem diariamente, sem Cristo, em todo o mundo.
110
Inúmeras são as cidades do Brasil e do mundo sem
nenhuma igreja que prega o verdadeiro evangelho de Cristo;
muitas outras sem nenhuma igreja evangélica. Inúmeras
são as pessoas ao nosso redor ainda sem salvação, as seitas
avançando e pregando uma mensagem falsa e deturpada,
afundando os perdidos ainda mais em condenação, além do
pecado crescendo e nosso mundo indo de mal a pior e,
diante de tudo isso, temos a iminência da volta de Jesus
Cristo. Precisamos de chamados específicos para pregar o
evangelho e fazer missões? NÃO! Precisamos é de
voluntários que atendam o chamado que Jesus já nos fez.
Temos nos voluntariado?

O convite de Cristo: Em Mateus 9.35-38, um dos meus


textos preferidos das Escrituras, temos um grande desafio
sobre missões e evangelismo. Assim como fez com Isaías,
Jesus apresenta aqui a triste situação do mundo para seus
discípulos, dá o exemplo, sente a dor dos perdidos, mostra a
necessidade de mais obreiros (trabalhadores) nesta seara
tão grande e, por fim, pede que os discípulos orem a Deus, o
Senhor da seara, pedindo que envie mais ceifeiros para sua
seara.
Os discípulos já haviam sido chamados para serem
pescadores de homens. Não precisavam de um novo
chamado, mas apenas atender o apelo de Jesus e se
voluntariarem para o trabalho. Eles demoraram muito para
entender isso. Não saíram pelo mundo após a grande
comissão ser dada por Cristo, nem mesmo após a grande
perseguição de Atos 8; foi preciso ainda mais tempo até que,
enfim, deixassem seus costumes e preconceitos e
obedecessem ao Senhor Jesus, saindo pelo mundo e
pregando o evangelho. Isto fizeram enfim, inclusive dando a
vida por Cristo nos mais remotos lugares do mundo como
nos diz a tradição.
Irmãos, a seara é grande e poucos são os ceifeiros
(voluntários para trabalhar, pois crentes temos muitos...).
Desta forma, precisamos orar para que Deus mande mais
trabalhadores e nos voluntariarmos para sermos um deles.

111
Conta-se de dois jovens crentes morávios que se
venderam como escravos para falar de Cristo aos escravos
numa ilha isolada. Exemplo de voluntários que entenderam
o que é ser crente, que não amaram a própria vida, mas ao
Senhor Jesus e as almas perdidas.
Somos voluntários? Temos atendido ao chamado do
mestre? Jesus atendeu o chamado do Pai, voluntariou-se
dentro do plano eterno de Deus para se sacrificar em lugar
do pecador. Ele “espontaneamente” deu sua vida por nós
(João 10.18). Precisamos imitá-lo!

CONCLUSÃO: Charles Spurgeon, num sermão sobre


missões de 1.856, resumiu o seguinte sobre a razão de não
termos tantas conversões como no início da Igreja e mesmo
comparado com anos passados:

“Eu penso ser capaz de mostrar algumas razões pelas


quais a nossa santa fé não é tão próspera quanto costumava
ser. Em primeiro lugar, nós não temos mais homens
apostólicos. Em segundo lugar, os missionários não iniciaram
seu trabalho no estilo apostólico. Em terceiro lugar, nós não
temos igrejas apostólicas para apoiá-los. E em quarto lugar,
nós não temos a influência apostólica do Espírito Santo na
mesma medida em que eles tiveram nos tempos passados.”

Que tipo de crentes somos, irmãos? Com certeza,


diferentes dos crentes do início da Igreja e de muitos
crentes do passado. Fazemos muito pouco por missões
porque pensamos demais, esperamos demais, planejamos
demais, e obedecemos de menos. Mas temos uma missão,
irmãos. Temos um chamado. Todos nós precisamos pregar
o evangelho, ir pelo mundo, fazer missões, fundar igrejas,
tornar Jesus Cristo conhecido. Só precisamos obedecer.

112
Parte 3
SÉRIES

113
O Que Jesus Nos Ensinou Sobre Missões (1)
João 4.34-35

Sempre ouvimos que missões são algo importante,


que devemos fazer missões, que missões são o coração de
Deus, etc. Mas, e Jesus? O que Ele falou sobre missões?
Será que Ele ensinou alguma coisa sobre isso?
Primeiro, foi Jesus quem nos deu as ordens para
pregarmos o evangelho em todo o mundo, o que chamamos
de “A Grande Comissão” (Mt 28.18-20, Mc 16.15 e At 1.8).
Entretanto, além de nos dar esta ordem, Ele nos deu
também o exemplo de como fazer e nos ensinou muito mais
sobre esta maravilhosa tarefa. Aqui vamos analisar o que
Ele nos ensina em João, capítulo 4.

Neste capítulo, temos o famoso encontro de Jesus


com a mulher samaritana. Uma conversa especial, cheia de
lições preciosas para todos nós. Mas, em se tratando de
missões, dois versículos se destacam, junto com as próprias
atitudes do Salvador: o 34 e o 35.
Neles, Jesus afirmou que os campos estão prontos
para a ceifa, ou seja, que as vidas das pessoas no mundo
estão prontas para serem alcançadas com o evangelho e
serem salvas por Cristo. E, isso, mesmo nos lugares mais
impensados, como Samaria. No nosso caso, seriam povos
inimigos, afastados socialmente ou diferentes
culturalmente.
Jesus ilustrou e mostrou essa realidade na prática,
ao passar pela cidade de Samaria, que era inimiga dos
judeus, e, ao dar atenção a uma mulher desprezada e
conversar com ela. Esta se converteu e foi usada por Deus
para que outros samaritanos fossem salvos, perdoados e
transformados por Jesus Cristo.
Vejamos algumas lições que aprendemos neste
grande acontecimento:

DEVEMOS LEVAR O EVANGELHO A TODO O MUNDO!

114
INDO CONTRA A CULTURA. Jesus decidiu ir contra a
cultura de seu povo, a tradição e os costumes de sua época
para evangelizar esta mulher e as outras pessoas em
Samaria.
Os judeus não se davam com os samaritanos, não
viajavam por Samaria e não conversavam com mulheres
publicamente. Jesus fez tudo isso numa única ocasião e a
mulher foi salva.
Nós devemos ir contra a cultura, os costumes e
tradições de nosso povo para ganharmos almas para Cristo.
Temos que falar de Jesus a todos, mesmo as pessoas mais
desprezadas, estranhas e que, aparentemente (aos nossos
olhos), não têm chance de salvação. Temos que ir contra a
cultura do “egocentrismo”, ou seja, não devemos pensar só
em nós mesmos, mas nas necessidades dos outros (a
filosofia de que cada um tem sua religião, que não podemos
ofender outros falando de Jesus, que as pessoas não
gostam de ouvir sobre morte, arrependimento, céu e
inferno, etc.), tudo isso deve ser combatido por nós, atacado
com a prática da evangelização e de missões, mesmo onde
for proibido e mesmo que nos custe algo.

DECIDINDO FALAR DE JESUS. Jesus DECIDIU passar por


Samaria, a Bíblia diz que “era-lhe necessário” (v.4) passar
por ali, ou seja, Ele decidiu ir exatamente àquele lugar.
Ficou com este propósito firme para pregar, evangelizar e
ganhar almas naquela cidade e para ajudar aquela mulher
sofrida.
Temos que fazer o mesmo, temos que DECIDIR
evangelizar, decidir ir até alguém e falar de Cristo, decidir
ter o propósito firme e fazer o que Jesus nos mandou;
evangelizar, orar, contribuir com os missionários e ir pregar
aos perdidos. E isso no dia a dia, em casa, na escola, no
trabalho, na rua, onde estivermos. Decidir e fazer, não
apenas saber que temos esta missão, não apenas dizer:
“Sim, vou fazer”, mas fazer mesmo; decidir e pregar, custe o
que custar!

115
FALANDO A VERDADE EM AMOR. Jesus falou sobre a
salvação, não desviou o assunto para coisas sem
importância, não se deixou levar pelas conversas
“religiosas” da mulher, falou com amor, mas com seriedade,
foi sincero e falou o que ela precisava ouvir: arrependimento
dos pecados e fé em Jesus para ser perdoada e salva.
Temos que fazer o mesmo, falar do evangelho de
Jesus, da necessidade de arrependimento e da fé somente
em Jesus Cristo, não desviar para assuntos de religião
como as pessoas gostam de fazer para fugir da
responsabilidade (exemplo de pessoas que, ao serem
abordadas com a necessidade de salvação, já falam sobre o
dízimo, sobre pastores ladrões, sobre as variadas e
diferentes igrejas, sobre os pecados dos crentes que
conhecem, etc.). Temos que ter amor, mas falar a verdade
com sinceridade e clareza, mostrando a seriedade do pecado
e a solução, que é Cristo. Sem medo e sem se importar com
as reações (mesmo as negativas), pois é isso que as pessoas
precisam e é isso que Deus nos ordenou falar. Jesus fez
isto.

AMANDO AS PESSOAS ACIMA DAS COISAS. Jesus se


preocupava com a vida das pessoas mais do que com as
coisas do mundo, mais até do que com as suas
necessidades pessoais, pois enquanto os discípulos estavam
preocupados em comer, pensando em pão e almoço, Jesus
estava pensando na necessidade de salvação dos
samaritanos que estavam perdidos, caminhando para o
inferno. Ele estava preocupado em ajudar aquela mulher
que sofria tanto por causa dos seus pecados e de sua
separação do único Deus verdadeiro.
Temos que ter a mesma atitude, pensar mais nas
pessoas perdidas e na salvação de suas almas do que com
as coisas passageiras deste mundo. Precisamos deixar de
ser egoístas e de só pensar em coisas materiais, em bens,
em dinheiro, em diversões, em sonhos e em viver buscando
estas coisas (para as quais nos esforçamos, nos
sacrificamos, gastamos e lutamos). A vida das pessoas é
mais importante até do que nossas necessidades pessoais.
116
Precisamos estar dispostos a abrir mão de muita coisa, para
levar o evangelho aos perdidos, como os missionários
fizeram e muitos ainda o fazem.

CONCLUSÃO (v.39-42): Pessoas se converterão a Cristo!


Muitas pessoas em Samaria se converteram através desta
atitude de Jesus, não somente a mulher que Ele
evangelizou ao lado do poço, mas também outras pessoas
que tiveram contato com ela, ouvindo e vendo o seu
testemunho. Jesus ficou mais dois dias ali, ensinando a
Palavra de Deus.
Quando obedecermos ao chamado de Deus, pregamos
o evangelho e fizermos missões, pessoas se converterão a
Cristo, pessoas serão salvas do pecado, da morte, do inferno
e viverão para sempre no céu com Cristo; e isto é
maravilhoso!
Vale a pena obedecer ao Senhor, vale a pena pregar o
evangelho, vale a pena fazer missões. Ver as pessoas se
entregando a Cristo é muito especial, nos torna úteis, alegra
nosso coração, agrada a Deus e traz recompensas e bênçãos
eternas. Façamos isso, então, e vejamos Deus fazer grandes
milagres. Jesus nos ensinou isso!

117
O Que Jesus Nos Ensinou Sobre Missões (2)
Mateus 9.35-38

As duas ocasiões em que Jesus falou sobre Missões,


sobre as quais temos meditado nestes dois capítulos, nos
ensinam lições bem parecidas. Em ambas podemos ver o
coração do Salvador cheio de amor e compaixão pelas
pessoas perdidas.
Nesta passagem, Jesus e seus discípulos estão
caminhando pelas cidades e povoados de Israel e, durante o
caminho, Jesus para e fala algumas coisas sobre
evangelização e missões, que tocam profundamente em
nossos corações, nos desafiando a fazer a vontade de Deus.
Considera-se que a lição principal é:

DEVEMOS TER COMPAIXÃO DAS ALMAS PERDIDAS

Compaixão significa “sentir a dor do outro”, “sofrer


com o outro”. Está ligado ao amor verdadeiro e se aplica a
nos importarmos com o sofrimento do próximo. Como
cristãos, sabemos que não existe sofrimento pior do que
estar separado de Deus, viver na escravidão do pecado e
estar condenado ao inferno. Mas é justamente nesta
situação que se encontra a maioria das pessoas ao nosso
redor e em nosso mundo. Precisamos ter compaixão deles.
Jesus caminhava por seu país, por várias cidades e
povoados e, em cada local, observava a multidão sem Deus,
perdida em seus pecados, condenada e sem paz. Assim, Ele
sentiu o sofrimento das pessoas, a dor espiritual, o vazio na
alma, a falta de esperança e alegria, a perdição em que
caminhavam, vivendo suas vidas de forma medíocre, cheia
de sofrimento e caminhando a passos largos rumo ao
inferno. Jesus teve compaixão delas, sabendo que estavam
como ovelhas perdidas, aflitas e exaustas, sem o Pastor, ou
seja, sem Ele mesmo.
Ao nosso redor temos multidões de pessoas na
mesma situação. E, assim como nosso Senhor, devemos ter
compaixão delas.
118
Compaixão não é ter “dó” da situação social, política
ou econômica em que as pessoas se encontram (mesmo que
fiquemos tristes e lamentemos por isso), mas “compaixão”
da situação espiritual horrível em que se encontram,
perdidas no pecado, sem Deus e condenadas ao inferno.

FAZENDO O BEM ONDE ESTAMOS (v.35): Jesus observava


a multidão perdida, mas não ficava parado, fazia o que
podia para ajudá-los. Sendo o Messias, além de falar do
evangelho de Deus, Ele ensinava a Palavra do Pai, visitava
as pessoas na sinagoga (espécie de igreja dos judeus) e
curava os doentes de suas enfermidades.
Ele ajudava as pessoas, demonstrava amor por elas,
interesse pelos seus problemas e dificuldades e falava
aquilo que eles precisavam ouvir: o evangelho de Deus.
Nós devemos fazer o mesmo. É claro que não somos
“messias”, com o poder de curar, mas devemos demonstrar
compaixão fazendo o bem onde estivermos, evangelizando,
dando bom testemunho, orando pelas pessoas, visitando-as
nas suas enfermidades e ajudando-as em suas
necessidades naquilo que pudermos (levar ao médico, dar
uma cesta básica, comprar um remédio, acompanhar na
solidão etc.).
Fazer o bem onde estamos é o primeiro passo para
demonstrarmos compaixão pelas almas perdidas,
lembrando sempre que o mais importante para ajudar um
incrédulo é falando a ele do Evangelho de Jesus Cristo.

ORANDO POR MAIS MISSIONÁRIOS (v.37-38). Usando a


mesma expressão de João 4, Jesus falou mais uma vez que
a seara é grande (o campo cheio de almas prontas para
serem salvas), mas que os obreiros (pessoas para
trabalharem nessa seara) são poucos. Então, ele dá uma
ordem: Que roguemos ao Pai Celestial que envie mais
trabalhadores para Sua seara.
Amados, o mundo precisa de mais pessoas dispostas
a evangelizar, o mundo precisa de mais missionários. O
mundo é muito grande, os perdidos são bilhões e o número
de pessoas dispostas a irem falar de Jesus é mínimo. Então
119
devemos orar e rogar (pedir com ênfase, implorar) para que
Deus envie mais trabalhadores (missionários) ao campo.
Portanto, precisamos orar pelos missionários e para
que Deus levante mais obreiros, orar para que Ele toque
nos corações de mais crentes para que decidam obedecer e
pregar o evangelho, irem ao mundo falar de Jesus, fundar
igrejas, ensinar a Bíblia e tornar o nome de Jesus conhecido
entre os perdidos.
Uma prova de nossa compaixão pelos incrédulos é o
fato de nos importarmos com eles a ponto de orarmos por
suas vidas, pela salvação de suas almas e para que Deus
envie missionários até eles para que ouçam o evangelho,
creiam em Cristo e sejam salvos.
Temos orado pelos missionários? Temos orado por
mais missionários? Temos orado pela salvação das pessoas
em outros países, povos e cidades que ainda não ouviram o
evangelho? Temos que orar e com a disposição de que esses
futuros missionários sejam irmãos de nossas igrejas, sejam
nossos próprios parentes, nossos filhos, ou nós mesmos... O
que nos leva ao terceiro passo:

INDO AO CAMPO COMO MISSIONÁRIOS (v.37-38). Já que a


seara é grande e os trabalhadores são poucos, que devemos
orar para que Deus levante mais missionários e evangelistas
e que devemos viver tendo compaixão dos perdidos, o mais
natural é que tenhamos a disposição de entregarmos a
nossa própria vida a Deus para sermos instrumentos em
Suas mãos. Precisamos ser os missionários e evangelistas,
pessoas usadas por Deus para levar a mensagem de
salvação de Seu Filho Jesus às pessoas perdidas.
Jesus teve essa compaixão de forma real e verdadeira,
tanto que a provou entregando-se pelos perdidos que amou.
Ele deu sua própria vida para salvar aqueles que
precisavam do amor do Pai. Jesus é o nosso maior exemplo
e também devemos nos entregar, se realmente temos
compaixão e amor pelos perdidos e por Deus.
A maior prova de amor e compaixão é quando nos
entregamos por alguém (Jesus mesmo disse isso em João
15.13). E, para demonstrar nosso amor e compaixão pelos
120
perdidos, nada melhor do que entregar nossas vidas como
missionários, ou seja, sermos pessoas dispostas a deixar
tudo e todos para falar do Salvador Jesus àqueles que ainda
não O conhecem. Graças a Deus pelos missionários
espalhados pelo mundo, fazendo exatamente isto.
Nós temos que começar demonstrando amor e
compaixão falando de Jesus aqui onde estamos, para
aqueles que estão perto de nós e, ao mesmo tempo, fazer o
possível para alcançar os que estão longe, com a disposição
e decisão de ir para onde Deus quiser. Temos esta
disposição? Se não, precisamos tê-la, pois esta é a vontade
de Deus para os crentes e é o desejo de Jesus para todos
que Ele salvou e chamou. Vamos! Deus está nos chamando.
Obedeçamos e vamos! Deus nos capacitará, usará e
abençoará.

CONCLUSÃO: Qual tem sido nossa atitude em relação às


almas perdidas? Temos demonstrado compaixão e amor por
elas? Estamos preocupados com a triste situação espiritual
em que se encontram? Vamos ser como Jesus, agir como
Ele e obedecer ao Seu chamado. Tenhamos compaixão,
evangelizemos onde estamos, demos um bom testemunho e
façamos o bem a todos, orando por mais obreiros e indo aos
campos como missionários. Deus nos abençoe!

121
O Que Jesus Nos Ensinou Sobre Missões (3)
Atos 1.6-11

Uma das desculpas mais usadas por quem não quer


evangelizar ou que não o faz de jeito nenhum é: “Não sei
como fazer!”, “Não tenho capacidade”, “Tenho vergonha, não
sei falar direito!”, “Não conheço direito a Bíblia!”, “As
pessoas não vão me ouvir!” e até, “Não tenho o dom de
evangelizar!” além de outras parecidas. Quando observamos
estas justificativas, vemos claramente que todas elas são
focadas em nós mesmos, em nossas dificuldades, medos e
limitações. De início, todas estas desculpas podem até
parecer justas, mas será que são mesmo? Vejamos este
texto no livro de Atos, no qual Jesus ensina um pouco mais
sobre evangelização e Missões.

Neste contexto, Jesus acabara de ressuscitar e estava


novamente na presença de seus discípulos, consolando-os,
reanimando-os e preparando-os para continuarem a obra
para a qual Ele os havia chamado e treinado: pregar o
Evangelho em todo o mundo! E, diante disso, aprendemos
que:

DEVEMOS VIVER COMO TESTEMUNHAS DE JESUS!

Testemunha é alguém que viu algo, que presenciou,


viveu, experimentou, sabe e deve falar sobre determinado
assunto ou pessoa. Os discípulos eram testemunhas da
vida, morte e ressurreição de Cristo, bem como da
transformação que Ele fez na vida de cada um deles.
Da mesma forma, nós, os que hoje conhecemos a
Cristo, somos testemunhas do Seu poder, amor, graça e
misericórdia em nossas vidas e da transformação que Ele
opera no que crê. Portanto, devemos viver como
testemunhas Dele.

NÃO FOCANDO A NOSSA VIDA EM COISAS TERRENAS


(v.6-7): Assim que Jesus, ressurreto, apareceu novamente
122
aos discípulos, consolando-os naquele momento de
profunda tristeza e acabando com seus medos, eles já foram
perguntando sobre assuntos de menor importância do que a
salvação das almas perdidas. Eles queriam saber se Jesus
iria começar a reinar imediatamente, se acabaria com o
domínio romano na Judeia e daria aos seus discípulos um
lugar de honra no reino restaurado de Israel, como havia
prometido. A cabeça e o coração deles ainda não estavam
concentrados nas coisas espirituais e na vida eterna, mas
nas coisas da Terra, passageiras. Ainda não haviam
entendido que o mais importante é o céu e a vida eterna.
Jesus disse que aquilo não era da conta deles, ou
seja, assuntos relacionados ao tempo do reino de Jesus na
terra pertencem somente a Deus e não aos homens, por
isso, não devemos ficar querendo saber dessas coisas ou
preocupados com elas, mas temos que nos focar naquilo
para o qual fomos salvos: a pregação do evangelho.
Nós também temos a tendência de ficar só pensando
em assuntos interessantes, mas não essenciais, tendemos a
ficar discutindo sobre escatologia, tribulação, anticristo e
assuntos relacionados ao futuro e, pior do que isso, alguns
ficam, de verdade, preocupados em “reinar” aqui na terra,
ou seja, em ganhar dinheiro, possuir bens, viver tranquilo e
sem problemas, etc., mas não se importam com o reino de
Deus e com a salvação das almas perdidas.
Temos que parar de nos preocuparmos com as coisas
terrestres, passageiras e fora do nosso alcance, e temos que
viver para fazer aquilo que devemos fazer, que é o nosso
chamado: pregar o evangelho, falar de Jesus para que mais
pessoas sejam salvas e vivam no céu com Cristo por toda
eternidade. Os discípulos, após essa conversa, entenderam
isso e viveram para pregar o evangelho e ganharam muitas
almas para Cristo em muitos lugares. Temos que fazer o
mesmo.

SABENDO QUE TEMOS O PODER DO ESPÍRITO SANTO


PARA NOS CAPACITAR (v.8): Os discípulos ainda estavam
inseguros quanto a esta tarefa, tinham medo, não se
sentiam capazes e estavam envergonhados por terem
123
abandonado a Jesus. O Salvador, sabendo disso, deixou
bem claro que não fariam aquela grande obra na própria
força, sabedoria ou capacidade deles, mas com o poder de
Deus: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito
Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém,
quanto em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da
terra.” Seria no poder do próprio Deus que habita nos salvos
que os discípulos fariam a obra e nós também. Vale lembrar
que os discípulos eram homens simples, sem muito estudo,
humildes e, muitas vezes, brutos; mas, no poder de Deus,
na dependência Dele e em total obediência, fizeram a
diferença, como nós também podemos.
Nós também temos medo desta tarefa, temos
vergonha do nosso passado, nos achamos incapazes por
causa das nossas limitações, imperfeições, dificuldades e
problemas e, pensando assim, somos mesmo,
completamente, incapazes de realizar a obra mais especial e
importante do mundo, que é representar a Jesus como suas
testemunhas e falar do seu amor aos perdidos.
Porém, este versículo nos deixa claro que é o poder de
Deus que nos capacita; é o Espírito Santo quem opera em
nós e nos usa. Não precisamos nos preocupar com nossas
dificuldades, apenas obedecer a Deus, fazer o que Ele pede
e pronto — o poder e os resultados são Dele. O que Ele quer
de nós é apenas fidelidade.
Não precisamos ter medo de evangelizar, pois temos o
maior poder do mundo em nós. Temos o poder do próprio
Deus Todo-poderoso. O Espírito Santo nos capacita, Deus
nos usa e nos abençoa. Basta termos a disposição, e Ele
fará a obra.
Então, não importa a nossa idade, nosso jeito de
falar, nossa escolaridade, nosso sotaque, o tom da nossa
voz, etc. Simplesmente confiemos, obedeçamos e deixemos
Deus demonstrar Seu poder através de nossas vidas,
falemos de Jesus aos outros e sejamos testemunhas fiéis de
nosso Senhor.

ESPERANDO A VOLTA DO NOSSO SALVADOR JESUS (v.9-


11): O último momento dos discípulos com Jesus, logo após
124
ouvirem esta ordem e incentivo, foi vendo-O subindo ao céu
e desaparecendo entre as nuvens, no exato momento em
que dois anjos apareceram para eles afirmando que Jesus
voltaria da mesma forma como o viram subir.
Não é por acaso que a ordem de pregarmos o
evangelho dada por Jesus está junto de sua ascensão ao
céu e da promessa de sua volta, pois as duas coisas estão
completamente ligadas: os discípulos deveriam pregar o
evangelho porque Jesus iria voltar; é uma certeza. E
deveriam pregar até que Ele voltasse, porquanto depois não
seria mais preciso.
Como Jesus ainda não voltou, devemos continuar
pregando o evangelho, falando de Jesus e vivendo como
suas testemunhas em todos os lugares do mundo. Devemos
fazer isso até que Ele volte. Não sabemos quando será,
então, devemos continuar porque Ele vai voltar, julgará o
mundo e levará ao céu os que Nele confiam. Portanto, quem
não tiver confiado em Cristo, estará perdido por ocasião de
Seu retorno. Assim, devemos pregar para que mais pessoas
sejam salvas e subam com Jesus ao Céu.
Amados, Jesus voltará (isso é certo), e nós, como
suas testemunhas, devemos falar Dele a todas a pessoas,
até que Ele volte e seja glorificado em nós e por nós, com
muitas vidas salvas pelo Seu amor e graça.

CONCLUSÃO: Amados, sejamos, então, testemunhas do


nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Façamos como Pedro
e João que, quando torturados e presos por falar de Jesus
disseram: “pois nós não podemos deixar de falar das coisas
que vimos e ouvimos” (Atos 4.20). Que o Senhor nos
capacite! Amém!

125
Mantendo Vivo O Chamado Ao Ministério (1)
2 Timóteo 1

Nos próximos capítulos, iremos meditar juntos nesta


carta pastoral, pela qual Deus tem falado muito comigo
como pastor e missionário. A Bíblia é maravilhosa, mas
existem momentos que algumas passagens se destacam,
estão ali, sabemos do seu valor, mas somente em
determinadas circunstâncias é que percebemos o seu poder
em nossas vidas.
Esta é uma carta pastoral, mas totalmente aplicável à
vida do missionário, pois o mesmo também é um pastor,
tem de exercer o papel de pastor e, de qualquer maneira, o
que está em foco aqui é o caráter do obreiro, sua atitude em
relação ao ministério e a pregação do evangelho no mundo.
Nestes capítulos, vamos considerar como devemos encarar o
ministério, especialmente o missionário e pastoral e que
tipo de coração e vida devemos desenvolver para a
realização dessa obra maravilhosa.

Ao olharmos para o capítulo 1 de II Timóteo, podemos


entender o contexto desta carta tão preciosa, dirigida a
Timóteo; foi escrita por Paulo quando ele estava preso em
Roma devido a sua fé em Cristo e por pregar o evangelho de
Jesus Cristo. Pelo que percebemos, ele ouve que Timóteo,
pastor da Igreja na cidade de Éfeso, está desanimando e
querendo desistir de servir ao Senhor em virtude dos
problemas que enfrentava.
Pelas palavras de Paulo, podemos perceber que
Timóteo, apesar de fiel e dedicado a Deus, era um homem
bastante sensível, meio depressivo e com tendências ao
desanimo, precisando de empurrões de ânimo muitas vezes
seguidas.
Muitos de nós, senão todos, em determinados
momentos somos como Timóteo — fiéis, mas sensíveis — e
tendemos a desanimar e desistir quando as coisas estão
difíceis. Então, assim como este jovem pastor, devemos
aprender com as santas palavras do apóstolo Paulo.
126
Vivemos numa época de depressão e de grande
desânimo. No geral, as pessoas são tristes, não se alegram
com nada, procuram evitar, ao máximo, qualquer tipo de
sofrimento, mas, em geral, sofrem por tudo. Fidelidade,
paciência e perseverança não mais caracterizam as pessoas,
pois basta olhar para os casamentos, as famílias, os
empregos e as escolas. Poucos lutam e permanecem até o
fim, a desistência, o abandono, e o egoísmo imperam nas
vidas e nos corações; o mesmo vemos nas igrejas: pouca
firmeza e constância, porém, muito desânimo, abandono,
desistência e pouquíssima perseverança, principalmente
nos dias difíceis.
Diante dessa realidade, como devemos reagir? Como
devemos viver? Será possível lutar contra a correnteza e
sermos diferentes? Será possível vencer o desânimo e
permanecermos firmes nos caminhos de Deus, servindo ao
Senhor Jesus Cristo? E quando tratamos deste assunto
dentro do ministério pastoral e missionário?

Paulo começa a carta declarando o seu carinho a


Timóteo e desejando graça, misericórdia e paz da parte de
Deus e de Jesus (pois só Dele é que vem estas coisas de
verdade e só por elas podemos realizar nosso ministério e
viver a vida cristã) e então lembra a Timóteo e a nós que:

DEVEMOS MANTER SEMPRE VIVOS O NOSSO


CHAMADO AO MINISTÉRIO!

“Reavives o dom de Deus que há em ti!” Aqui se refere


ao dom do pastorado, ao chamado ao ministério, ao
privilégio de viver para pregar o evangelho. Reavivar
significa trazer de volta a vida algo que está morto. Em
outra versão diz “despertes”, que é acordar algo que está
dormindo, e o sentido é o mesmo: é possível enterrar nosso
dom e nosso chamado por causa de fatores externos ou
mesmo internos, apagá-los, fazê-los dormir e até sumir;
mas precisamos mantê-los vivos, e isso exige esforço,
dedicação, consagração, uma decisão diária e dependência

127
total de Cristo e Sua graça. Neste capítulo, focaremos nas
razões que Paulo nos dá para agirmos assim:

VALORIZANDO A SOBERANIA DE DEUS EM NOSSA VIDA


(v.3-6 e 9-11): Soberania é o atributo de Deus que O revela
como aquele está no controle de todas as coisas (inclusive
da nossa vida) e isso o tempo todo, que nada acontece sem
Sua permissão, determinação ou vontade. Que tudo está
dentro dos Seus planos e propósitos. Deus é soberano e
Paulo sabia disso; Timóteo também, mas precisava se
lembrar e nós precisamos nos lembrar disso para
mantermos vivo o nosso chamado ao ministério.
Timóteo estava sofrendo por servir ao Senhor e as
dificuldades estavam fazendo-o desanimar, parar de
trabalhar e a questionar o sucesso do seu ministério
pastoral. Nesses momentos, parece que desistir do chamado
é a melhor solução — o que é um engano total! A solução é
lembrar que Deus é Soberano em nossa vida e sempre O foi!
Temos que valorizar isso.
Deus NUNCA perde o controle das coisas, pois
sempre é e será Soberano. Ele nunca falha, nunca erra e
tudo acontece debaixo dos seus planos e sob Sua permissão
e controle perfeito.

Ele Planejou a nossa Salvação desde a Eternidade (v.8-12 e


1-6). A salvação de um pecador por meio de Jesus Cristo foi
planejada por Deus antes da criação do mundo, antes dos
tempos eternos. Naquele tempo, Deus já havia decidido
enviar Seu único Filho Jesus para morrer na cruz, pagar o
preço pelos nossos pecados, ser sepultado, ressuscitar ao
terceiro dia e salvar todo aquele que Nele crer.
Naquele tempo, Deus já pensava em nós, já sabia
TUDO sobre nós, nosso nascimento, nossa família, nossa
vida, nossos atos, nossos pecados e já planejava nos salvar
através de Seu Filho Jesus (Salmo 139). Isso é amor, isso é
Soberania, isso é perfeição e isso é digno da nossa
lembrança e da nossa valorização, especialmente nos
momentos de dificuldade, para mantermos vivos o nosso
chamado e cumprirmos a nossa missão como cristãos.
128
É uma salvação perfeita, totalmente por causa de
Cristo e Seu sacrifício na cruz, não por nossas obras ou
méritos, é uma salvação completa e eterna, maravilhosa e
segura, especial demais para ser enterrada, esquecida ou
inutilizada.

Ele nos levou à salvação desde a nossa infância (v.3-6).


Nesse ponto da epístola, Paulo cita o exemplo de Timóteo e
também o seu próprio, e nisso vemos que TUDO em nossa
vida, não somente desde a infância, mas desde a vida dos
nossos pais, avós, bisavós, tataravós, estava contribuindo
para a nossa salvação e, se somos salvos, é porque Deus
tem um propósito em nossas vidas (que não é apenas nos
salvar do inferno, mas nos usar em Sua obra e nos usar na
pregação do evangelho aos perdidos).
Paulo cita seu exemplo, agradecendo a Deus por
conhecer o Deus verdadeiro desde a infância (mesmo não
conhecendo ainda a Jesus), pois seus antepassados já
conheciam e serviam a este Deus, o único Deus, o Deus
verdadeiro, o Deus de Israel.
Paulo também faz Timóteo se lembrar de seu próprio
exemplo, pois a fé no Deus verdadeiro começou com sua avó
Loide, passou para a mãe dele, Eunice, e depois para ele.
Era uma fé de família. Muito importante notarmos aqui a
influência dos pais na conversão dos filhos. Normalmente,
quando os pais creem em Jesus e o amam com suas vidas,
passarão essa fé aos filhos que também se converterão a
Jesus. Este é o plano de Deus.
Também é importante lembrarmos que, de uma forma
ou de outra, tudo o que acontece em nossas vidas, e até na
vida dos nossos pais e avós, serviu para nos levar até Jesus.
Se não na infância, na adolescência ou na idade adulta. Não
importa: tudo contribuiu para nos levar até Cristo Jesus e
para colocarmos nossa fé Nele. Isso é a soberania de Deus.
Tudo o que nos aconteceu, sejam os problemas, as alegrias,
as mudanças de casa ou cidade, as pessoas que passaram
ou saíram de nossa vida e até nossos pecados e suas
consequências, tudo foi usado por Deus para nos levar até o
Evangelho e a crer em Jesus como Senhor e Salvador.
129
Precisamos valorizar isso e, desta forma, manter vivo o
nosso chamado sempre, pregarmos o evangelho
constantemente, ir ao campo missionário e servir ao Senhor
Jesus sem parar, desanimar, desistir ou abandonar. Como
somos salvos, este é o propósito de nossa vida.
Se você ainda não crê em Jesus, faça isso agora.
Creia Nele e seja salvo! Se já crê, viva para anunciá-Lo, pois
Deus o salvou para isso.

DISPONDO-NOS A SOFRER POR CRISTO (v.7-8 e 12): Na


época de seminário, devido aos muitos e variados problemas
que ali passávamos, costumávamos dizer: “A única coisa
que me mantém aqui é a convicção do chamado”. No
ministério, esta convicção será muito mais real e
necessária. As dificuldades de um seminarista são
pequenas e simples perto das que enfrentamos no
ministério e no campo missionário.
Muitas vezes ouvimos: “Nunca duvide no vale o que
Deus lhe revelou no monte!” E isso é real na vida cristã e no
ministério.

Nossa Salvação Inclui o Sofrimento por Causa de Cristo (v.8 e


12): Paulo lembrou a Timóteo que nossa salvação inclui
inúmeras bênçãos, como, por exemplo, perdão dos pecados,
nova vida, paz com Deus e vida eterna no céu... Entretanto,
lembrou-o também que outra característica da salvação é o
sofrimento, sim, sofrimento por causa de Cristo. Isto está
incluído no pacote da salvação e faz parte das bênçãos
espirituais.
Jesus mesmo disse, em João 15.18-20: “Se o mundo
vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim.
Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu,
mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do
mundo, por isso é que o mundo vos odeia. Lembrai-vos da
palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu
SENHOR. Se a mim me perseguiram, também vos
perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também
guardarão a vossa.”

130
Somos seguidores de Jesus, e se o mundo O odeia,
também nos odiará. Cristo muda a nossa vida e nos dá um
viver correto, longe do pecado; portanto, é algo que
incomoda a maioria das pessoas que querem viver no
pecado e nas trevas sem serem confrontadas ou
incomodadas.
O mundo “jaz no maligno” (1João 5.19), ou seja, o
diabo domina e coordena todas as coisas no sistema
perverso deste mundo; o pecado reina, a maldade impera, a
depravação é considerada normal, a iniquidade é
institucionalizada, a impiedade é ensinada e estimulada e,
se alguém quer servir a Jesus e ser diferente, é visto como
inimigo, doido, diferente e retrógrado, sendo zombado,
desprezado, maltratado, perseguido, torturado e até morto
(recentemente uma equipe humanitária foi morta
covardemente no Afeganistão).
Desprezo, rejeição, perseguição, abandono, etc. —
tudo isso faz parte do nosso chamado ao ministério e à vida
cristã, pois somos participantes da vida de Cristo e Ele
sofreu e sofreu muito por nós. Da mesma forma, sofreremos
por Ele.
Se somos chamados ao ministério, não nos
espantemos com o sofrimento, mas aceitemos isso desde já
e nos preparemos para as lutas e perseguições, sem
desanimar ou desistir de servir ao Senhor.

Nossa salvação inclui coragem e poder para servir a Cristo


(v.6-7). Nossa tendência no sofrimento e na perseguição é
desanimar, desistir ou se envergonhar do Salvador, mas
não deve ser assim; porque Deus não nos deu um espírito
de covardia, mas de poder, amor e moderação e, por isso,
não podemos desanimar, desistir ou nos envergonharmos
de Jesus.
Antes, assim como Paulo, devemos ser corajosos e
servi-Lo até o fim, sem desistir, sem ceder ao medo e sem
ter vergonha. Devemos lutar até o fim pela fé, testemunhar,
mesmo que zombem, e não nos importarmos tanto com o
que os incrédulos falam, pensam ou fazem em relação a
nós.
131
Coragem, fé, amor e perseverança são as qualidades
que devem marcar o crente, por isso não podemos desistir
do Senhor na hora dos sofrimentos, mas aceitá-los e vencê-
los pelo poder de Deus.

Nossa salvação tem recompensa eterna, enquanto o


sofrimento aqui é passageiro (v.12). Paulo fala mais uma vez
que sofre por causa de Cristo e por viver para servir ao
Salvador, mas não se envergonha disso, pelo contrário, se
alegra, porque sabe que confia num Deus poderoso e
soberano que é perfeita e totalmente capaz de nos guardar e
manter a nossa salvação (depósito/tesouro) até o dia final.
O sofrimento aqui na terra é passageiro, por pior que
seja. Mas a salvação que Jesus nos deu é eterna; e por isso
vale a pena servir ao Senhor no ministério, porque os
resultados também serão eternos.
VIVENDO DE FORMA DIGNA DA NOSSA SALVAÇÃO (v.13-
18)

Mantendo o Padrão do evangelho (v.13a): Paulo fala para


Timóteo “manter o padrão das sãs palavras”, que se referem
ao evangelho, à Palavra de Deus, e fala isso na hora em que
Timóteo estava fraco, desanimado e pensando em desistir.
Isso é interessante demais, pois vemos que o padrão
de Deus para a vitória e a recuperação é completamente
diferente do nosso. Enquanto pensamos na desistência, em
fugir dos sofrimentos, em abandonar nosso chamado e, até
em voltar ao pecado (como muitos, infelizmente, estão
fazendo), Deus nos ensina que, para permanecermos firmes
e bem, precisamos aceitar o sofrimento e manter uma vida
santa e reta.
Para suportar as lutas, Timóteo deveria manter um
padrão de vida digno do evangelho, como também continuar
vivendo em santidade, fidelidade, justiça, retidão e longe do
pecado, amando a Deus, desviando-se do mal, servindo ao
próximo e, é claro, imitando a Jesus.
Isso é o mesmo que devemos fazer diariamente para
mantermos vivo o nosso chamado ao ministério: viver ainda
mais de tal forma que agrademos ao nosso Deus e a Jesus
132
Cristo, nosso Senhor, que O glorifiquemos, O exaltemos, ou
seja, viver ainda mais de forma correta e seguindo o ensino
das Escrituras.
Se estiver sofrendo e com vontade de desistir,
abandone o pecado e aproxime-se de Deus, deixe o erro e
viva de forma correta.
Vivendo em amor e fé (v.13b): Outra coisa que Paulo
desafiou Timóteo a fazer no momento de dificuldade e
tristeza foi viver em amor e com fé.
O amor é a característica mais importante da fé
cristã, e devemos praticá-lo se quisermos permanecer
firmes com Jesus sem desistir de servi-Lo ou segui-Lo.
Esse amor envolve o amor pelo próprio Deus, o amor
por Jesus Cristo, nosso Salvador, pelo próximo, a quem
servimos, pela obra de Deus, a qual fomos chamados, e o
amor pelos inimigos que nos fazem sofrer. Jesus é o nosso
modelo e o amor é a chave da vitória.
A fé é a virtude que nos fará permanecer firmes,
mesmo sem entendermos ou vermos nada em nossa frente
(algo muito comum no ministério e na obra missionária). Fé
é confiar, confiar em Deus e em Sua soberania, confiar no
Seu amor, em Sua sabedoria, fidelidade e cuidado. Confiar
em Seu plano e em Sua Palavra perfeita.
A fé em Jesus nos manterá de pé (como Pedro quando
andou sobre as águas), nos livrará da queda e da
desistência, nos manterá ao lado do Salvador e nos dará
força para continuarmos no caminho certo sem desistir.
A perda da fé e do amor são fatores fundamentais
para deixarmos de permanecer firmes com Jesus no meio
do sofrimento. Mas, não deve ser assim. Devemos sempre
renovar nossa fé e nosso amor, para permanecermos firmes
com nosso Salvador Jesus, mesmo em meio aos maiores
sofrimentos.
Está sem fé? Perdeu o amor? Peça ao Senhor que os
renove em sua vida, e Ele o fará! Permaneça firme e Ele o
honrará.
Perseverança com Cristo (v.14-18): Um último fator, muito
decisivo, destacado por Paulo a Timóteo, sobre a nossa
firmeza com Jesus em tempos difíceis, é a perseverança.
133
Paulo deixou bem claro sobre a importância disso na vida
do servo de Deus para não desistir e não abandonar o
Senhor em tempos difíceis ou em qualquer outra situação.
Perseverar é a qualidade de não desistir nunca, nem
mesmo quando as coisas estão difíceis. É a qualidade de
continuar fazendo o que é certo até o fim, sem parar, sem
desanimar; perseverança é fidelidade, compromisso,
firmeza.
Paulo pede a Timóteo para “guardar o bom depósito”,
ou seja, permanecer firme na salvação (o bom depósito, o
bom tesouro) pelo poder do Espírito Santo que em nós
habita (o selo da nossa salvação). Mostrou que, pelo poder
de Deus, é possível permanecermos firmes com Jesus
mesmo em tempos difíceis.
Além disso, Paulo dá o exemplo a Timóteo de pessoas
que abandonaram a Cristo, desistiram de servi-Lo e de
outros que permaneceram fiéis, mesmo nas dificuldades,
sendo nossos exemplos:
- Fígelo e Hermógenes abandonaram a Cristo, a Paulo e a
obra de Deus, trazendo grande sofrimento aos irmãos em
Cristo e grande perda na obra de Deus.
- Já Onesíforo não abandonou Paulo mesmo sofrendo, não
se envergonhou de estar com ele mesmo sendo um preso e,
muitas vezes, deu ânimo ao cansado apóstolo. Procurou
Paulo até o encontrar e o auxiliou nos momentos difíceis.
Paulo ora a Deus que conceda misericórdia a ele e sua
família. Deus é assim, lembra-se dos que permanecem fiéis
a Ele, sem desistir. Devemos fazer o mesmo, pois isso trará
recompensas eternas.
Perseverar nos ajudará a vencer as crises e o
desânimo. Por outro lado, desistir só nos fará perder as
bênçãos de Deus e nos impedirá de sermos úteis em Sua
obra. Não é fácil, mas é o certo e vale a pena!
Vale a lembrança de que uma das doutrinas
fundamentais da fé cristã é a “Perseverança dos Santos”.
Portanto, perseveremos com Cristo até o fim!

CONCLUSÃO: Amados, mantenhamos vivo o nosso


chamado. Não desistamos do ministério, não paremos de
134
servir a Cristo e de pregar o evangelho; permaneçamos
ativos, pregando, ensinando, trabalhando, pois só assim
poderemos realizar a obra missionária, veremos novos
campos sendo alcançados, novas igrejas nascendo e almas
sendo salvas. Mantenhamos vivo o nosso chamado, hoje e
sempre!

135
Mantendo Vivo O Chamado Ao Ministério (2)
2 Timóteo 2

Continuando o assunto do capítulo anterior, vemos


que, como Timóteo, devemos manter vivo o nosso chamado
ao ministério. E, observando o que Paulo escreveu ao jovem
pastor com tendências ao desânimo, aprendemos que:

DEVEMOS NOS FORTIFICAR NA GRAÇA DE DEUS PARA


CUMPRIRMOS NOSSO MINISTÉRIO!

Paulo inicia o capítulo nos mostrando onde podemos


renovar as nossas forças: na GRAÇA de Deus! Não podemos
nos fortificar em nós mesmos, em nossa sabedoria,
inteligência, criatividade ou em outra coisa qualquer; mas
somente na graça de Deus, a mesma pela qual fomos
salvos, a mesma que nos mantém de pé. Só pela graça de
Deus podemos manter vivo o nosso chamado ao ministério e
só por ela podemos nos manter fortes em um ministério
atuante e perseverante.
Timóteo não deveria fazer tudo sozinho, Paulo o
aconselha a fazer discípulos e transmitir para outros o que
havia aprendido dele. Timóteo deveria procurar homens fiéis
e idôneos, ensiná-los e treiná-los para que pudessem
transmitir a mensagem a outros e manter o ciclo de ensino
do evangelho. Essa é uma das tarefas do missionário, uma
das partes do nosso chamado, mas também é
responsabilidade de todos os crentes. Mas, como fazemos
isso?

LUTANDO FIELMENTE POR CRISTO (v.1-13): Paulo chama


Timóteo a participar com ele dos sofrimentos por causa de
Cristo. Esta era uma das razões pela qual Timóteo estava
desanimando do ministério e se afastando de Paulo. Então o
apóstolo o lembra que, como crente e ministro do
Evangelho, ele está em uma guerra, uma guerra espiritual,
uma guerra por Cristo Jesus. Portanto, é impossível não
lutar ou sofrer.
136
Amados, a vida cristã é uma guerra, e os ministros
estão na linha de frente. Os missionários, de forma
específica, são os responsáveis por entrar no campo inimigo
e enfrentar as trevas diretamente. Não é fácil, e traz
sofrimento, muito sofrimento, dor, perdas e angústias.
Uma guerra é algo triste, feio e doloroso e as perdas
são grandes, existe muita dor, sofrimento, tristeza e morte.
E a figura de uma guerra para ilustrar a causa de Cristo,
não é exagerada, mas um retrato fiel e verdadeiro do que é
servir a Cristo num mundo mal, caído e dominado pelo
pecado, do que é ser um missionário e pregar o evangelho
em um território dominado por satanás (falo isso por
experiência própria pelo que passamos em Vargem Bonita
no início do trabalho missionário ali). Estamos numa
guerra, e naturalmente temos que suportar o sofrimento
que isso traz. Mesmo para os vitoriosos (nesse caso nós, que
lutamos por Cristo), as dores e perdas são reais.

Como soldados, temos que lutar e não nos envolver com


coisas deste mundo (v.4): Estamos em serviço, no
cumprimento do nosso chamado; haja vista que fomos
alistados por Cristo e o nosso objetivo deve ser agradá-Lo,
portanto, não podemos nos envolver em negócios desta vida.
Por “negócios desta vida” entendemos: dinheiro,
trabalho, lazer, pecado, enfim... tudo que é passageiro, que
não pode ser a nossa prioridade, nossa meta, nosso alvo,
coisas que ocupam o nosso pensamento, coração e esforço.
Infelizmente, a maioria dos crentes tem vivido assim,
como um soldado desertor, que vive para si, enquanto a
luta acontece, seus irmãos estão sofrendo e sendo mortos e
as almas perdidas indo para o inferno. Estão de tal forma
apegados a este mundo que se anestesiaram para a
realidade, para as coisas espirituais e eternas, para aquilo
que é prioridade, que é o nosso dever. Realidade
lamentável...
Da mesma forma, esta tem sido a atitude de muitos
ministros do evangelho, pastores, líderes e missionários,
nem sempre por mal, mas por descuido, uma queda que

137
acontece aos poucos. Por isso precisamos tomar cuidado,
muito cuidado.
Esta é uma tentação que enfrentamos, especialmente
depois de um tempo, quando a empolgação inicial do
ministério passa e a rotina chega, quando os sonhos e
esperanças de almas sendo salvas e igrejas fundadas são
abafados pela imensa rejeição ao evangelho, pelo desprezo
geral pela Palavra de Deus, pelo descaso total para com o
Senhor Jesus por parte dos incrédulos e pelas perseguições
que nos sobrevêm.
É comum, em momentos assim, procurarmos
algumas coisas para relaxar, distrair, aliviar a pressão,
ajudar no sustento, etc., mas que, com o tempo, se tornam
prioridade, ocupam todo o nosso tempo, dominam nossa
mente, coração e esforço, tirando-nos da batalha,
diminuindo nossa força espiritual e impedindo-nos de
glorificar o Salvador como deveríamos.
Mas um bom soldado não pode parar de lutar; antes,
deve encarar o sofrimento de frente, como parte de sua vida,
de seu chamado... e deve lutar até o fim. Não é fácil, e por
isso precisamos da graça de Deus, Seu favor e bondade
imerecidos, para nos mantermos fortes e perseverarmos na
obra até o fim.
Temos ainda a figura do atleta, que deve lutar
seguindo as normas. Somos como atletas e devemos seguir
as ordens de nosso Mestre (treinador) se quisermos vencer e
não fazer nossa própria vontade. E também a figura do
lavrador, e como tal, devemos trabalhar bastante se
quisermos desfrutar dos frutos. Em nosso caso, a alegria de
ver almas sendo salvas, igrejas sendo fundadas, vidas
transformadas e a Palavra de Deus conhecida (v.10).
Precisamos nos LEMBRAR de Jesus sempre, em meio
ao sofrimento, para Nele, encontrarmos forças e assim
cumprir nossa missão, sabendo que iremos sofrer, podemos
até ser presos como Paulo, mas a Palavra de Deus nunca
estará algemada, então continuamos pregando e algumas
pessoas serão salvas, pois a Palavra de Deus não está presa
e nem pode ser. Portanto, precisamos suportar tudo, para

138
que outras pessoas sejam salvas por Cristo, esta é nossa
tarefa, nossa missão e este é o nosso chamado.
E aqui um detalhe (v.11-13): Caso não sejamos bons
soldados e caso vivamos para nós mesmos, envolvidos com
coisas desta vida, seremos desertores e estaremos negando
a Cristo e Ele também nos negará. Nós já morremos com
Ele (para o pecado, para a velha vida e para o mundo) e
iremos reinar com Ele, mas se formos infiéis, Ele será fiel e
cumprirá esta palavra: nos negará!
Ministério é algo sério, missões são algo sério,
devemos fazê-las como um bom soldado em serviço, lutando
até o fim, mesmo sofrendo até a morte, se for preciso (como
Paulo), para a glória do nosso Senhor e Salvador Jesus.

VIVENDO UMA VIDA APROVADA POR DEUS (v.14-18):


Como ministros do evangelho, Deus quer que vivamos vidas
aprovadas por Ele e, no contexto, especialmente na questão
do manejo da Sua Palavra. Precisamos conhecer bem a
Bíblia e saber usá-la corretamente, tanto em seu estudo
quanto em sua apresentação.
As discussões que devemos evitar aqui, bem como os
falatórios inúteis e profanos, se referem a assuntos vazios,
inúteis, errados, anti-bíblicos e até pecaminosos,
especialmente aqueles apresentados como se fossem
espirituais, úteis e importantes, mas que só nos levam a
perder tempo, brigar e nos afastar de Cristo.
Não saber usar a Palavra de Deus nos levará a falar,
pregar e ensinar besteiras, heresias, doutrinas sem
fundamento, assuntos sem conteúdo. Acabaremos nos
apegando a temas banais e não tão importantes e
acabaremos discutindo sobre o que não importa. Vale
lembrar aqui de pessoas sem conteúdo que apelam por não
terem argumentos. Não podemos ser assim.
Não saber manejar bem a palavra nos leva ao risco de
aceitarmos (e até inventarmos) novas doutrinas, erradas e
falsas e, ao invés de aproximarmos as pessoas de Jesus,
nós as afastaremos Dele. Que perigo, irmãos! Isso é muito
sério.

139
A tentação e a pressão para aceitarmos a teologia da
prosperidade, o ecumenismo, o mundanismo, o relativismo,
as filosofias da igreja com propósitos, da igreja emergente e
outras heresias, coisas essas que corroem como câncer ou
gangrena (a ideia é de algo ruim, mas silencioso, que vai
destruindo por dentro, e aos poucos, até que destrói a vida
que existe ali) será grande, mas se manejarmos bem a
Palavra de Deus, não cairemos nestes erros.
Portanto, essa história de que o missionário não
precisa ser “bom de Bíblia” é papo furado, é desculpa para
boi dormir. Nossa missão é muito séria, porque a Palavra de
Deus é sagrada e poderosa, mas precisa ser usada da forma
certa, pois se usada erroneamente, causa muitos males
(como vemos nos dias de hoje). Os missionários, assim
como os pastores, precisam ser especialistas na Palavra de
Deus, obreiros aprovados, que não têm do que se
envergonhar, que manejam bem a Palavra da verdade, que a
conhecem e que vivem o seu conteúdo.
Então, estudemos bastante, aprendamos mais e mais
das Sagradas Escrituras, conheçamos, saibamos usar,
leiamos, meditemos, cresçamos, não tenhamos do que nos
envergonhar (seja diante das testemunhas de Jeová,
mórmons, adventistas, espíritas, católicos, ateus,
muçulmanos, neopentecostais) para não cairmos nos erros
doutrinários ou termos que viver de falatórios inúteis. Só
assim cumpriremos nosso ministério. Mas também para
isso precisamos da Graça de Deus, pois por nós mesmos é
impossível. Não somos capazes, mas Sua graça nos
capacita.

FUGINDO DE TUDO O QUE NÃO PRESTA (v.19-26): Por


fim, Paulo mostra que, por sermos conhecidos de Deus e
professarmos o Seu Santo nome, devemos nos afastar da
injustiça, de tudo o que é errado, de tudo o que não presta.
Na igreja de Cristo, assim como numa casa, existem
objetos úteis, limpos e honrados e outros sujos, inúteis e
sem honra (ficam assim com o tempo, o mau uso e a falta
de higiene).

140
Na igreja, isso se define pela comunhão com Cristo,
fidelidade e santidade ou pela falta disso. Sempre será
assim, afinal, o inimigo implanta o joio no meio do trigo do
Senhor; mas que os desonrados não sejamos nós, pastores,
líderes ou missionários.
Precisamos nos fortalecer na Graça de Deus para nos
afastarmos do pecado e sermos vasos úteis nas mãos do
Senhor.
Se há pecados, devemos nos purificar, com
arrependimento verdadeiro e confissão a Cristo (1Jo 1.9) É
melhor tratar os pecados antes de entrar no ministério ou
no campo missionário, pois poderá doer mais e ser mais
difícil abandonar ou lidar com as consequências depois.
Isso inclui FUGIR dos pecados, das paixões da
mocidade, que incluem não só a imoralidade sexual em
suas mais variadas formas possíveis, mas também o desejo
de grandeza, realização e sucesso (se quiser isso não vá
para o campo missionário e não seja um pastor); também
inclui a ignorância no trato com as pessoas, o autoritarismo
(isso é pecado e totalmente contrário ao ensino bíblico sobre
pastorado e o exemplo de Jesus), a grosseria ou ignorância
na hora de tratar os pecados do povo (mesmo que dê
vontade, não é certo, pois não os ajudará a se livrarem das
armadilhas do diabo, com as quais se prenderam e nem a
voltarem à sensatez dos caminhos de Cristo). Um
missionário não pode ser briguento, ignorante, irado, mas
diferente dos ímpios, que já vivem assim.
Todos esses pecados são tentações no ministério,
tentações de um missionário, mas devemos nos apegar à
graça de Cristo para não cairmos neles. Antes, os
vencermos e sermos úteis nas mãos do nosso Oleiro, assim
como nosso querido Senhor Jesus Cristo foi, é e sempre
será.

CONCLUSÃO: Caso vivamos assim, fortalecidos na graça de


Deus, cumpriremos o nosso ministério e ajudaremos
pessoas a serem salvas das garras do diabo, a se
arrependerem do pecado, a voltarem à sensatez e a serem
salvas por Cristo Jesus. Esta é a nossa missão. É por isso
141
que vale a pena sermos fiéis e é isso que vai contar na
eternidade. Para sermos missionários, precisamos
diariamente considerar estas verdades. Portanto,
fortifiquemo-nos na graça de Deus e cumpramos fielmente o
nosso ministério!

142
Mantendo Vivo O Chamado Ao Ministério (3)
2 Timóteo 3

“Dias difíceis! Últimos dias! Dias maus! Fim do


mundo!” E por aí vai! São com expressões assim que muitas
pessoas têm definido o mundo nos dias em que vivemos e,
de tanta coisa ruim que acontece, alguns acham que é
impossível viver bem, feliz ou, até mesmo, corretamente em
meio a tanta maldade. Afinal, é possível viver bem em dias
maus?
Realmente, o mundo está ruim, muito ruim, mas será
que é impossível viver bem e corretamente? O que a Bíblia
diz sobre isso? Vejamos o que Paulo escreveu a Timóteo no
capítulo 3 de sua segunda carta.

Aqui, o apóstolo — que está escrevendo para Timóteo


há quase 2.000 anos — o aconselha sobre como viver nos
dias difíceis que passavam, como crente e como pastor. Já
naquela época, como em toda a história da igreja, os
cristãos imaginam e sentem estar vivendo nos últimos dias.
Cada conselho dado aqui vale para nós crentes hoje,
de forma clara, real, direta e prática e valerá para toda a
cristandade em todos os tempos até à volta gloriosa de
nosso Senhor Jesus Cristo. O fato é:

PODEMOS VIVER BEM MESMO NUM MUNDO MAL

SABENDO QUE NOSSO MUNDO É MAL MESMO (v. 1-4):


Temos que entender que esta é a realidade e aceitar isso.
Não tem como mudar, apenas quando Cristo voltar. Não
adianta criar expectativas irreais. Vivemos num mundo
caído e o pecado, a maldade e o erro imperam.
Paulo trata dos últimos dias, que compõem o período
desde que escreveu esta carta até a volta de Jesus. Isto é o
que caracteriza “Os últimos dias” na Bíblia. Todo o período
desde o início da Igreja até a volta de Jesus. Sendo que o
mal vem aumentando gradativamente a cada dia (ao menos
em sua aceitação e exposição).
143
O que precisamos entender é que o mundo é mau, o
pecado e a maldade são características gerais e marcantes
da sociedade em que vivemos e que isso irá piorar, dia após
dia, até que Jesus volte e restaure todas as coisas.
Não há como diminuir isso, ou pensar que vá
melhorar com políticos, reformas sociais, novas leis, etc.,
não, só irá piorar, então temos que aceitar e nos adaptar,
vivendo diferente e não esperando nada melhor.
Obviamente, a única luz no mundo é a igreja de
Jesus Cristo, os salvos, nós, os crentes. Como tais, temos a
missão de manter e preservar o que há de bom no mundo,
pois somos luz e sal da terra (Mateus 5.13-16). O mundo
está em trevas, o diabo reina (1 João 5.19) e o pecado
domina. Temos que saber disso e estar preparados, sem nos
iludirmos ou esperarmos algo melhor, visto que é
impossível, mas agirmos como uma força restritiva, ao
menos, impedindo o avanço da maldade no que depender de
nós, e isso no poder do Espírito Santo.
Entendendo e aceitando isso, não nos iludiremos e
nem nos apegaremos a este mundo, mas nos apegaremos a
Deus e à eternidade na glória. É assim que viveremos bem
mesmo neste mundo mau e cumpriremos nosso ministério
com fidelidade.

AFASTANDO-NOS DAS PESSOAS MÁS (v.5-9): Algumas


características das pessoas em nosso mundo são:

Egoísmo: Cada um só pensa em si e preocupa-se apenas


consigo mesmo.

Avareza: Amor ao dinheiro e a busca desenfreada por ele


acima de tudo, inclusive das pessoas e o próprio Deus.

Jactância: Orgulho e arrogância. As pessoas se consideram


melhores e mais importantes que os outros, além de
buscarem tal posição.

Arrogantes: Idem acima.

144
Blasfemadores: Blasfemam (falam mal, zombam) de Deus,
da Bíblia, da Igreja, da família, enfim, de todas as coisas
boas.

Desobediente aos pais: Não obedecem aos pais, não os


respeitam.

Ingratos: Não são agradecidos a Deus, aos pais ou a outras


pessoas, nem a Jesus.

Irreverentes: Fazem o mal e cometem pecados como se fosse


algo engraçado, bom, divertido ou indiferente, zombam do
bem (o melhor exemplo sãos os programas de humor da
televisão).

Desafeiçoados: Sem afeto natural, sem carinho, sem amor,


sem “face”, distorcendo a bela imagem de Deus em nós.

Implacáveis: Sem dó nem piedade, sem misericórdia, enfim,


violentos e cruéis.

Caluniadores: Mentirosos, falam mal uns dos outros,


fofoqueiros, maldosos e interesseiros.
Sem domínio de si: Descontrolados, fazem o que querem e o
que têm vontade; não se controlam, mesmo que tenham que
passar por cima dos outros, mesmo que tenham que fazer o
mal, mesmo que prejudiquem a quem quer que seja. O
contrário do domínio próprio, que é parte do fruto do
Espírito (Gl 5.22).

Cruéis: Maus, perversos, assassinos e violentos.

Inimigos do bem: Odeiam o que é bom, o que é certo, o que é


de Deus e o que é bíblico. Lutam contra a verdade e
perseguem quem vive certo (exemplo: são inimigos da
família, do casamento, da fidelidade, da Igreja, da Bíblia e
do próprio Deus — como ateus, ativistas da comunidade
LGBT e da militância gay, esquerdistas extremos, etc.

145
Nunca houve tanta luta formal e organizada contra o que é
certo como em nossos dias).

Traidores: Abandonam quem os ama, não cumprem as


promessas, não são fiéis, machucam e não se importam.

Atrevidos: Fazem coisas absurdas e perversas na maior


naturalidade, todo tipo de pecado relacionado à imoralidade
de forma aberta e espontânea.

Enfatuados: Cheios de si.

Mais amigos dos prazeres que amigos de Deus: Amam mais


os prazeres e as coisas do mundo do que ao Deus Criador
que deveria ser a fonte suprema da alegria e satisfação
humana.

Tem forma de Piedade: Mesmo sendo tão maus, alguns


ainda se fazem de bons — como políticos, religiosos, líderes
humanistas, vendedores, aliciadores, traficantes, etc.;
pessoas que prometem ajudar os outros, têm lábia,
aparência e enganam intencionalmente.

E ainda por cima, Paulo nos lembra que eles entram


nas casas (muitas vezes pela televisão, música ou internet),
vão atrás das pessoas cheias de pecados e que são levadas
por qualquer mentira e enganam a muitos, levando-os para
mais longe de Deus e para uma vida ainda pior, longe de
Jesus e da salvação.
Uma observação pertinente, é que os heróis de nossos
dias, bem como os grandes vultos do esporte e da cultura
pop, admirados, celebrados e imitados por grande parte da
juventude, carregam não só uma, mas várias (se não todas)
destas características profanas e perversas. Que tragédia
quando os crentes aceitam, apóiam e imitam isso...
O que Paulo aconselha a Timóteo e a nós, é a FUGIR
destas pessoas, não dar atenção a elas, não nos
envolvermos com elas, não seguirmos seus conselhos, não
sermos seus amigos, não apoiarmos suas causas. Fugir
146
para longe, viver distante e nem se aproximar. Diante deste
perigo, todo cuidado é pouco.
Pessoas assim odeiam a Deus, odeiam a verdade e
lutam contra ela, resistem ao que é certo, zombam de Cristo
e atrapalham outros de irem ao Salvador. Quanto a estes,
não temos outra escolha se quisermos viver bem, temos que
nos afastar deles, fugir e ir para longe (não nos
envolvermos). Caso contrário, seguindo a mesma vida
ímpia, será impossível vivermos bem e cumprirmos nosso
ministério.
Obviamente, este afastamento não indica isolamento,
desprezo ou indiferença para com os perdidos, pois
precisamos alcançá-los com o evangelho, testemunhar do
amor de Cristo e oferecer-lhes a salvação e o perdão pela
graça de Deus, e isso implica relacionamento. O que está
em jogo aqui é o envolvimento demasiado, a imitação do
estilo de vida pecaminoso, a aceitação do que é errado e a
cumplicidade com o que não agrada a Deus (2 Co 6).
Como está o nosso envolvimento com os ímpios?
Cuidemos! Fujamos! Sejamos diferentes! Sejamos como
Cristo!

IMITANDO OS SERVOS DE DEUS (v.10-13): Ao mesmo


tempo em que fugimos dos ímpios, se quisermos viver bem
neste mundo mau, precisamos nos aproximar daqueles que
amam a Deus. Precisamos nos envolver com os servos de
Deus, precisamos imitar aquele que vivem bem, que vivem
certo, que andam nos santos e eternos caminhos do Senhor
Jesus Cristo.
Timóteo deveria olhar para Paulo e imitá-lo, seguir
seu exemplo, ser fiel como ele, trabalhar para Deus como
ele, encarar os problemas como ele e estar disposto a sofrer
como ele, pois “quem quiser viver de forma santa neste
mundo, seguindo a Cristo, sofrerá perseguições”. Esta é uma
promessa aos salvos, é uma certeza que temos, e saber
disso nos ajuda a viver melhor no mundo mau, mesmo
sofrendo por Cristo.
Olhamos demais para quem não presta e destruímos
nossa vida por causa disso (celebridades, famosos, ricos
147
deste mundo, líderes religiosos famosos, etc.), mas não deve
ser assim. Temos que olhar e imitar a Jesus, a Paulo, aos
missionários fiéis, aos pastores fiéis, aos crentes fiéis,
dedicados e consagrados. Estes devem ser nossos amigos,
nossos conselheiros, nossos exemplos de vida e aqueles a
quem admiramos e imitamos.
Somente agindo assim é que poderemos viver bem no
meio deste mundo mau. A quem temos imitado,
acompanhado e dado ouvidos?

PRATICANDO A PALAVRA DE DEUS (v.14-17): Paulo


ordenou a Timóteo a que “permanecesse” naquilo que
aprendeu, ou seja, na Palavra de Deus.
Timóteo havia desfrutado do privilégio de aprender a
Bíblia desde que era criança e devia permanecer firmado
nela, praticando e seguindo seus ensinos, amando-a e
obedecendo aos seus mandamentos.
A Bíblia é o manual de instruções de Deus para nossa
vida e é tão perfeita, mas tão perfeita, que pode nos tornar
perfeitos também (maduros e completos), pois foi dada pelo
nosso Criador, aquele que nos conhece e sabe de tudo o que
precisamos.
A Bíblia é útil para nos ensinar (nos mostrar a
verdade e o que é certo), para nos repreender (nos levar a
reconhecer nossos pecados e sentir tristeza por eles e nojo
deles), para nos corrigir (nos levar de volta ao caminho certo,
a uma vida certa, nos levar para perto de Deus e nos
consertar), e para nos instruir na justiça (nos manter no
caminho certo e perto de Deus).
A Bíblia é perfeita, é inspirada por Deus e nada do
que há nela nos levará ao erro, mas tudo é bom e nos levará
a uma vida feliz, santa e boa, mesmo no meio de um mundo
mau e perverso.
Não importa quem somos, quem é a nossa família,
qual nossa idade, qual o local no qual moramos ou a nossa
classe social, porque se confiarmos na Palavra de Deus, se
seguirmos Seus ensinos e obedecermos Seus mandamentos,
viveremos bem, ainda que no meio de um mundo horrível.
Seremos diferentes, seremos luz, sal, seremos servos de
148
Deus e úteis para fazer o bem e ajudar outros neste mundo.
Enfim, cumpriremos fielmente nosso ministério.

CONCLUSÃO: Como está a nossa vida hoje? A sua vida?


Está ruim? Não está bem? Avaliemos como temos vivido,
abandonemos o pecado e sigamos os conselhos de Paulo a
Timóteo: Aceitemos que o mundo é mau mesmo, afastemo-
nos das pessoas más e perversas, apeguemo-nos e imitemos
as pessoas fiéis a Deus e amemos, pratiquemos e
permaneçamos firmes na santa e perfeita Palavra de Deus.
Assim, poderemos viver bem mesmo no meio deste
mundo mau. Jesus viveu assim e nos capacita a isso se
confiarmos Nele. Paulo viveu assim, muitos outros têm
vivido. Basta crermos em Jesus e vivermos para Ele.
Você já tem Jesus como seu Salvador? Quer deixar
sua triste vida? Entregue seu coração para Cristo, creia
Nele e O siga de todo o coração!

149
Mantendo Vivo O Chamado Ao Ministério (4)
2 Timóteo 4

Temos visto nesta carta, os conselhos do Apóstolo


Paulo ao jovem pastor Timóteo e aprendemos como devemos
nos portar no ministério, seja ele pastoral, missionário ou
ainda na ministério cristão da pregação do Evangelho.
Depois de três capítulos de ensinos claros, sérios e
profundos, Paulo se despede, com palavras fortes, que
desafiam qualquer pregador, bem como todo cristão
verdadeiro. São as palavras finais do apóstolo e muito
valiosas para todos nós, portanto, prestemos atenção a elas,
para que possamos ter vidas e ministérios fiéis.

DEVEMOS VIVER PARA PREGAR A PALAVRA DE DEUS!

Isto é o que vemos nos versículos 1 e 2. Devemos


pregar o evangelho, anunciar Jesus e isso sempre, quer
tenhamos oportunidade ou não. Este é um pedido
encarecido do apóstolo Paulo a Timóteo, um rogo, ele está
implorando para que o jovem pastor pregue o evangelho de
Cristo e que viva para isso. O mesmo vale para nós.
Além disso, é um pedido feito diante de Deus e de
Cristo Jesus, que um dia nos julgará pela forma como
vivemos e cumprimos nossa missão de pregar o evangelho.
Não existe outra vida apropriada ao salvo.
Devemos pregar a Palavra de Deus, falar dela,
anunciá-la, insistir, corrigir (o erro), repreender (o pecado),
exortar (aconselhar)... mas tudo isso com paciência, muita
paciência e com doutrina. Ou seja, com conteúdo bíblico e
profundo (não adianta falar algo sem substância). É assim
que eu e você devemos viver: Pregando o puro evangelho de
nosso Senhor Jesus Cristo. E fazemos isso...

INDEPENDENTEMENTE DA REAÇÃO DOS OUVINTES (v.1-


5): Paulo prepara Timóteo para um tempo no qual as
pessoas não suportariam ouvir a verdade do evangelho e
esse tempo já chegou. Vivemos nele: as pessoas não
150
suportam (odeiam, detestam, têm pavor) a Palavra de Deus.
Todavia, não podemos deixar de pregar por causa da má
receptividade das pessoas.
O que os seres humanos desejam, são pregações que
agradem a seus ouvidos, que não confrontem seus pecados,
mas alimentem suas cobiças (prosperidade, por exemplo). E
não a mensagem de Cristo.
Por causa disso, se recusam, prontamente, a dar
ouvidos à verdade. Não vão querer aceitar, não querem nem
ouvir, nem avaliar ou parar para pensar se aquilo é certo ou
não. Entretanto, qualquer mentira que lhes for contada,
aceitarão prontamente e se entregarão aos enganos do
diabo (aceitarão qualquer religião, filosofia, pensamento,
ideia, menos a verdade, menos a Jesus Cristo).
Entretanto, assim como Timóteo, devemos ser fiéis ao
nosso ministério e não medir o nosso sucesso pela recepção
dos ouvintes, temos que pregar, ser sóbrios (equilibrados,
moderados, controlados, sem excessos ou exageros) em
todas as coisas e cumprir cabalmente (totalmente, nos
mínimos detalhes) o nosso chamado, fazendo o trabalho de
um evangelista (mesmo não sendo um ou não tendo este
dom — faz parte do chamado missionário, pastoral e cristão
pregar o evangelho) e suportar as aflições que nos
sobrevirão por causa da nossa pregação.
Essa é a nossa missão como crentes, e é assim que
devemos encarar nosso ministério — pregando a Palavra,
pregando o evangelho... pregando e pregando,
independentemente da recepção dos ouvintes.
Você já tem a Cristo como Seu Salvador ou ainda tem
rejeitado a verdade? Arrependa-se e creia Nele agora! Se já
O tem, viva para pregar Seu evangelho.

VIVENDO HOJE, ALMEJANDO O ENCONTRO COM CRISTO


(v.6-8): Agora, Paulo dá suas palavras finais de despedida e
mostra o desejo do seu coração: estar com Cristo na glória.
Dá seu testemunho reconhecendo que o dia de sua morte
está chegando e se oferece a Deus como um sacrifício.
Paulo sabe que cumpriu seu ministério, sabe que
lutou como um bom soldado de Cristo, sabe que completou
151
sua carreira e que guardou a fé (não abandonou ao Senhor,
não desistiu, não deixou a Jesus por nada). Um exemplo
para Timóteo (que ainda estava começado a carreira, e para
nós).
Devemos viver a vida cristã almejando terminá-la
assim também, com a consciência tranquila de que fizemos
o que deveríamos ter feito, que fomos fiéis ao nosso
chamado e que lutamos por Cristo até o fim. Devemos viver
de tal maneira que nos alegremos ao pensar no encontro
com Cristo e esperemos isso, e não nos entristeçamos ou
nos envergonhemos por termos sido infiéis.
Paulo sabia que a coroa da justiça lhe estava
reservada, e lhe seria dada pelo próprio Senhor Jesus, mas,
como ele mesmo disse, também está reservada a todos os
que amam a vinda do Senhor. Portanto, podemos ter essa
coroa reservada para nós também, caso amemos sua vinda,
caso oremos por sua vinda, caso vivamos de tal forma que
demonstre o quanto pensamos na eternidade e não que
estamos apegados a este mundo passageiro.
Apenas falar que amamos a Cristo e que almejamos
Seu retorno não conta. Precisamos viver de tal maneira que
se prove isto, fielmente, cumprindo o nosso ministério e
pregando a Palavra de Deus. Assim estaremos, de verdade,
pensando na eternidade e garantindo a nossa coroa.
Como terminaremos nossa vida? Como nos
encontraremos com Cristo? Com a sensação do dever
cumprido ou com vergonha por não termos feito o que
podíamos? Vivamos como Paulo e nos alegremos no
encontro com o Salvador.
Você está preparado para o encontro com Cristo ou
ainda está perdido em seus pecados? Arrependa-se e creia
em Jesus como seu Salvador, seja perdoado e tenha paz
quanto à eternidade!

ENTENDENDO O VALOR DOS RELACIONAMENTOS


PESSOAIS NO MINISTÉRIO (v.9-21): “Pessoas são mais
importantes do que coisas!” Esta era uma frase falada pelo
meu pastor durante minha adolescência e início da
juventude, que me marcou demais e reflete algumas
152
verdades importantíssimas quanto ao ministério e à vida
cristã sobre o valor dos relacionamentos pessoais no
ministério, como é evidente nas palavras de Paulo.
Na prática seria, resumidamente, isto: amizade,
humildade, simpatia, interesse pessoal e sincero,
envolvimento pessoal, amor, carinho, cuidado, atenção,
lembrança (nomes, datas, etc.).
As últimas palavras de Paulo nessa carta, apesar de
refletirem o estilo de despedida das correspondências da
época, falam de pessoas, que estavam perto ou longe dele,
que marcaram sua vida, que o ajudaram ou decepcionaram,
que o acompanharam e acompanhavam ou que o
abandonaram.
Ele lembra o nome delas, envia saudações, mostra
que se preocupava com cada um, que guardava boas
recordações, que desejava o bem e, se possível, gostaria de
rever alguns, de ter a companhia de alguns e de servir ao
Senhor junto deles antes do fim.
Vemos nestas palavras a amizade verdadeira, o
perdão, a reconciliação e grande humildade (no caso de
Marcos, por exemplo, a quem, anteriormente, o apóstolo
havia rejeitado em sua equipe, inclusive brigando com seu
grande amigo Barnabé), cuidado com a saúde (Tíquico) e
conhecimento dos nomes e das situações específicas das
pessoas.
Muitos pastores ou missionários falham nesse ponto,
pois isto exige envolvimento, tempo, esforço, atenção e
vários não sabem nem o nome de suas próprias ovelhas...
Mas essa é, justamente, a essência do ministério pastoral e
missionário: cuidado pessoal com as ovelhas, envolvimento
íntimo com as pessoas, amor por aqueles que foram
comprados com o sangue de Cristo.
Pessoas não são números, são vidas, amadas por
Deus e colocadas debaixo do nosso cuidado. Elas precisam
disso e tal amor e envolvimento fará maior efeito do que
pregações e estudos bíblicos (apenas palavras). Esta foi uma
preciosa lição que aprendemos durante os anos de
ministério em Vargem Bonita/MG, entendendo o valor de
cada pessoa, de conhecê-las, bem como as suas vidas, seus
153
costumes, suas dificuldades e necessidades. Desta maneira,
podíamos fazer parte de suas vidas e ajudá-las melhor com
o evangelho da Graça de Deus.
Deixo ainda uma observação sobre esta questão:
Devemos fazer isso por amor a Cristo, sem esperar nada em
troca, pois as pessoas falham, muitas vezes são ingratas e
nos abandonam — Demas abandonou ao Senhor por causa
das coisas do mundo, deixou a Paulo e seu ministério. Que
não sejamos como ele, nunca! Além disso, existirão pessoas
que farão o mal aos servos do Senhor, como o tal Alexandre
o Latoeiro, que resistia e ia contra os ensinos do apóstolo.
Não podemos esperar nada diferente em nossas vidas e
ministérios.
Tudo isso envolve um alto custo, mas que devemos
estar dispostos a pagar, por amor a Cristo, afinal, provamos
nosso amor por Ele amando as pessoas, envolvendo-nos em
suas vidas, importando-nos com elas, mantendo o contato,
e assim por diante. Isso faz parte do nosso chamado e da
nossa missão de pregar o evangelho e ensinar a Palavra de
Deus.

CONCLUSÃO: Por fim, Paulo termina sua carta no versículo


22 desejando que o Senhor Jesus fosse com o espírito de
Timóteo e que Sua Graça fosse com ele; e é assim que
terminamos, reconhecendo que só por Cristo Jesus e por
Sua Graça em nossas vidas é que poderemos cumprir o
nosso ministério e sermos fiéis na pregação do evangelho.
Portanto, apeguemo-nos a Cristo Jesus e desfrutemos de
Sua maravilhosa graça, para sermos os missionários, os
pastores, os obreiros e os crentes que o Senhor deseja que
sejamos. Paulo foi assim, Timóteo, muito provavelmente,
também atendeu aos conselhos do apóstolo. E nós, como
viveremos? Que seja pregando a Palavra de Deus. Que o
Senhor nos abençoe!

154
Missões Pela Morte Na Cruz (1)
Colossenses 3.1-17

Uma das mais marcantes histórias sobre missões é a


dos jovens morávios. Dá para acreditar que é a história de
dois jovens? O que pensaríamos disso nos dias de hoje?
Alguém faria isso em nossos dias?

Neste contexto, Paulo está falando com os salvos, que


conforme o capítulo 2 e versículo 20, já morreram para o
mundo. Ele afirma que ressuscitamos com Cristo e como
devemos viver por causa disso. Tal vida era a marca de
Paulo e dos jovens morávios e deve ser a nossa marca, dos
salvos, dos que morreram e ressuscitaram com Cristo.
Sim, nós morremos e ressuscitamos com Cristo! E tal
realidade deve nos levar a três atitudes extremamente
importantes e fundamentais:

BUSCAR AS COISAS DO ALTO (v.1): Nós salvos


ressuscitamos com Jesus, junto com Ele e por causa Dele.
Ressuscitamos para uma nova vida, na qual podemos
entender as verdades espirituais e eternas, a realidade do
mundo, as bênçãos e a vontade de Deus. Isto nos capacita a
viver corretamente, tendo a pregação do Evangelho e a obra
missionária em grande estima.
“Buscar as coisas lá do alto” se refere a buscar a
Deus e Suas coisas: Sua Palavra, Sua vontade, Seu serviço,
o que é eterno, Sua glória, as almas perdidas, evangelismo,
missões e os galardões eternos.
O “buscar” envolve esforço, luta, procura, disposição
e o querer. Isso é correr atrás, mas, infelizmente, muitos
jovens cristãos, bem como os adultos, têm é corrido das
coisas do alto e não para elas. Não querem se envolver,
participar ou viver para Deus, mas para si mesmos, para o
pecado e para o mundo.
Crente, você tem vivido para as coisas do alto? Já
morreu para os rudimentos deste mundo? Lembremo-nos
de Jesus, cuja comida era fazer a vontade do Pai (Jo 4.34),
155
dos jovens morávios e de Paulo. Evangelismo e Missões
fazem parte das coisas do alto.

PENSAR NAS COISAS LÁ DO ALTO (v.2): Pensar, aqui, é


dispor a mente e colocar no coração. Portanto, toda
disposição de nossa mente, como mortos para o pecado e
ressurretos com Cristo, deve apontar para as coisas do alto,
de Deus e eternas.
Buscamos o que pensamos, pensamos no que
gostamos, gostamos do que priorizamos e valorizamos.
Diante disso, o buscar as coisas do alto depende
diretamente de pensar nas coisas do alto. O primeiro ponto
está diretamente ligado a este.
Aquilo que queremos, corremos atrás, e agimos assim
com aquilo que ocupa nosso pensamento, ou seja, as coisas
que gostamos, gastamos tempo, valorizamos, investimos,
lemos, assistimos, ouvimos, acessamos, conversamos, nos
preocupamos, etc.
Não devemos pensar nas coisas desta terra que são
pecaminosas, carnais e demoníacas e não devemos priorizar
as outras que, mesmo sendo boas ou neutras, são
passageiras, inúteis, sem propósito eterno e sem valor
diante de Deus e de Cristo.
No que temos pensado? O segredo está em Filipenses
4.8. Ali, vemos que Jesus deve ocupar nosso pensamento,
bem como a Bíblia, pois ambos refletem tudo o que é
verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama,
cheio de virtude e de louvor.
Irmãos, pensemos no Salvador, ocupemos nossas
mentes com as coisas do céu, meditemos na eternidade, na
Bíblia, nas almas perdidas, no inferno, no julgamento final,
na cruz, enfim, pensemos em Jesus.

MATAR NOSSA CARNE — NOSSA NATUREZA TERRENA


(v.3 e 5-11): Na posição, diante de Deus e por causa de
Cristo, já estamos mortos, mas, na prática, devemos matar
nossa carne diariamente. É uma decisão diária, é a prática
da fé e vida de santidade.

156
Fazer morrer é o mesmo que matar, é considerarmo-
nos mortos, é crer que morremos com Cristo, para o
pecado, para o mundo e para nós mesmos, é entender que
fomos crucificados com Cristo e, então, nos separarmos,
nos afastarmos, tirarmos de nossa vida tudo o que é
pecaminoso, que não agrada a Deus, que é contra a Sua
Palavra e que não presta. Segundo o pastor John
MacArthur, é “o esforço consciente para destruir o pecado
remanescente em nossa carne” (Bíblia de Estudo MacArthur,
p. 1632). E isso envolve:

Todo tipo de imoralidade (v.5): Aquilo para o que os


incrédulos estão correndo, nós devemos fugir; como José,
que saiu correndo quando assediado pela esposa de Potifar.
Precisamos ‘matar’ essas coisas em nossas vidas,
tirar todo e qualquer resquício de pecado e da velha
natureza, assim como faziam os hebreus com o fermento na
época da páscoa, varrendo até os cantos das casas. Irmãos,
nós morremos para a imoralidade e revivemos para a
santidade; portanto, matemos nossa natureza terrena!

Avareza (amor ao dinheiro), que é idolatria (e a raiz de todos


os males — 1Tm 6.10): Outro fator determinante na vida das
pessoas hoje em dia é o desejo intenso de ganhar dinheiro.
E isto tem direcionado cada área da vida, como estudos,
trabalho, carreira, família, casamento, relacionamentos,
amizades, diversão, sonhos, etc. E, por isso, muitos acabam
deixando Deus e o Seu reino de lado — especialmente
missões. Portanto, matemos isso em nossas vidas, já
morremos para o mundo, o dinheiro não importa mais,
afinal, um morto não leva nada e esta é uma grande
verdade para alguém que morreu com Cristo e nasceu para
uma nova vida.
Estas são duas marcas de nossa sociedade, em
especial dos jovens. A juventude, inclusive os crentes, têm
colocado o foco de suas vidas nisso, seu tempo, suas forças,
seus sonhos, seus alvos: “Prazeres, diversão e riquezas!”
Lazer, diversão e curtição, é tudo o que importa. Aproveitar
a vida é o lema geral e o futuro aqui ocupa lugar
157
predominante: carreira, estudos, profissão, faculdade,
estabilidade financeira, etc. Mas tudo isso é foco neste
mundo, no terreno, no passageiro. É foco em si mesmo, é
egoísmo, é pecado. Infelizmente, muitas vezes os jovens
cristãos agem assim com o apoio e incentivo dos pais.
Lamentável...
Poucos crentes têm vivido para a eternidade, poucos
vivem para Deus, poucos pregam o evangelho ou almejam
fazê-lo e, um número ainda menor, faz qualquer coisa
relacionada a missões. Enfim, os crentes não estão mais
pensando e buscando as coisas do alto.
Em certa ocasião, o apostolo Paulo afirmou: “Se alguém
aspira ao episcopado, excelente obra almeja!” 1Tm 3.1. Mas
o que os jovens cristãos estão almejando? Para que os
jovens cristãos estão vivendo?
Lembremo-nos de que mortos não têm vontade, não exigem
nada, não buscam glória; e que os ressurretos vivem para
Deus, para Jesus, cheios do Espírito Santo. Vivem para a
eternidade.
Irmãos, temos matado nossa carne? Jovem, você tem
matado sua carne? Tem feito morrer sua natureza terrena?
Ou vive para o pecado e o mundo? Vive para Jesus ou para
si mesmo? Prega o evangelho e está disposto a fazer missões
e a morrer por Cristo, ou não?

CONCLUSÃO: Jim Elliott, missionário morto na década de


50 pelos índios aucas do Equador, os mesmos para os quais
foi pregar o evangelho de Cristo e que se converteram
depois, disse:

“Não é tolo aquele que abre mão do que não pode guardar
para ganhar o que não pode perder.”

Ele tinha razão, tanto que viveu e morreu assim.


Nossa morte e ressurreição com Cristo muda
completamente nossa vida. Como está a sua? Entreguemo-
nos por inteiro para uma vida dedicada e consagrada a
Deus. Entreguemo-nos para missões!

158
Missões Pela Morte Na Cruz (2)
Gálatas 6.14-16

A Glória Sublime da Cruz

A cruz — tão conhecida, tão usada, tão falada; mas


tão incompreendida.
A cruz de Cristo não foi um acidente. Pelo contrário,
foi soberanamente planejada antes da fundação do mundo,
executada na história do mundo, para mudar o mundo,
para mudar nossa história, mudar nossas vidas. Diante
disso, a cruz deve ser nossa maior glória, como lemos em
Gálatas 6.14-16.

Neste contexto, Paulo está escrevendo aos crentes


gálatas, enfatizando Jesus e sua morte na cruz, pois o povo
ali estava, pouco a pouco, voltando à lei, às regras, e
deixando Cristo de lado, focando apenas em si mesmos, em
suas obras, na religião e não na graça salvadora de Deus.
Paulo deixa claro que religião não salva, que obras
não salvam e que os que buscam isso tornam-se
orgulhosos, arrogantes e soberbos, gloriando-se em si
mesmos e não em Deus, não em Jesus e não na cruz.
Portanto, diferente disso,

DEVEMOS NOS GLORIAR SOMENTE NA CRUZ DE


JESUS!

Isso é, devemos nos alegrar nela e por causa dela,


comemorar, exultar, exaltar, nos orgulharmos, só na cruz,
só em Jesus.
Mas o que isso tem a ver com missões? Simples:
Aquilo com o que nos orgulhamos, nos alegramos e
exaltamos, será o foco de nossa vida, será o pensamento de
nossas mentes, o assunto de nossos lábios, a razão de
nossa existência, o motivo de nosso louvor e nos dará o
desejo de proclamar, de tornar conhecido.

159
A cruz será nossa vida, anunciá-la, nossa missão.
Assim como era para Paulo, que se gloriava somente na
cruz e vivia para anunciar sua mensagem. Isso é
evangelismo, isso são missões!

PORQUE NELA ESTAMOS MORTOS (v.14): Algo que poucas


vezes ouvimos é que não foi somente Jesus quem morreu
na cruz do calvário, mas também nós morremos com Ele.
Cada salvo, cada verdadeiro crente, todo aquele que crê em
Cristo, foi crucificado com Ele e também morreu naquela
cruz (1 Co 5.14).
Jesus foi nosso substituto, tomou nosso lugar para
nos salvar do pecado, da morte e do inferno, mas não foi só
isso, Ele também foi o nosso representante; nós estávamos
Nele, morremos com Ele. E isso fica claro nos ensinos
enfáticos de Paulo:

Morremos para o mundo (Gl 6.14 e Col 2.20-23): Aqui, Paulo


trata do sistema caído, mau e demoníaco deste mundo, ou
seja, o modo como a sociedade caminha, a forma de pensar
das pessoas, a maneira de viver e de encarar a vida neste
mundo. Além disso, na cruz, o mundo também morreu para
nós. É uma morte dupla.
Por isso, não podemos amar o mundo e nem as coisas
do mundo (1Jo 2.15-17). Quem vive para o mundo não pode
fazer missões.
Morremos para o pecado (Rm 6.1-14): Jesus nos salvou da
condenação do pecado no momento em que O recebemos
como Salvador, e nos salvará da presença do pecado
quando voltar. Contudo, hoje Ele nos salva do poder do
pecado.
Na cruz, fomos salvos e libertos da escravidão do
pecado (Jo 8.31-36). Portanto, não precisamos mais viver na
prática do pecado, não somos mais obrigados a pecar, o
pecado não tem mais domínio sobre nós. Precisamos confiar
na Palavra de Deus e crer neste fato, assim não viveremos
mais pecando. Quem vive pecando não pode fazer missões.

160
Morremos para nós mesmos (Gl 2.20 e 5.24): Nossa carne foi
crucificada com Cristo, nossos prazeres, desejos e vontades
pecaminosas. Não vivemos mais para nós mesmos. Cristo
vive em nós, e vivemos para Cristo. Isso é o que significa
levar a cruz, em Mateus 16.24. Lembremo-nos mais uma
vez: “Morto não faz nada, não faz exigências, não procura os
próprios interesses!”
Como mortos, não nos importaremos de sofrer por
Cristo, de perder por Cristo, de passar por perseguições,
privações ou qualquer outro resultado da obra missionária,
pois tais marcas nos identificam com Cristo; assim como
Paulo em Gl 6.17, muitos missionários ao longo da história
e inúmeros cristãos ainda em nossos dias — especialmente
nos países onde há perseguição. Temos tais marcas em
nossas vidas?
Morte não é extinção, é separação! Portanto, estamos
separados destas coisas, não podemos mais ser dominados
por elas, nem pelo mundo, nem pelo pecado, nem por nós
mesmos.
Na posição, já estamos mortos com Cristo; na prática,
devemos nos considerar MORTOS (Rm 6.11). Isso envolve
uma decisão diária. É uma atitude que vem pela fé na
Palavra de Deus e pela obediência à mesma (1 Co 9.25-27).
Já morremos com Cristo?

DEVEMOS NOS GLORIAR SOMENTE NA CRUZ DE


JESUS!

PORQUE NELA ESTAMOS VIVOS! (Gl 6.15). A cruz é um


instrumento de morte, de extermínio, mas também de vida,
de nova vida. Por causa da cruz de Cristo somos novas
criaturas (2 Co 5.17); e como tais:

Não somos nós que vivemos, mas Cristo vive em nós (Gl
2.20). Ele é a nossa vida e nossa vida é toda Dele. Que
bênção, que privilégio, que realidade maravilhosa!

A vida que agora temos, vivemos pela fé em Jesus, o Filho de


Deus que nos amou e se entregou por nós: Nossa fé está
161
firmada em Jesus, só Nele, não em outra coisa ou pessoa
qualquer. O amor de Jesus deve sempre voltar nossas
mentes para Ele (Rm 5.8, Jo 3.16 e Jo 15.13).
Sendo mortos com Cristo e salvos por Ele, nós
também ressuscitamos com Ele, nascemos de novo, temos
nova vida, somos filhos de Deus, novas criaturas, temos
novos objetivos e novas ambições. Jesus vive em nós, somos
Dele e temos a vida abundante e eterna. A cruz nos deu
vida verdadeira e é assim que devemos viver (Cl 3.1-4).
Missões fazem parte desta nova vida e a pregação do
evangelho aos perdidos é o foco desta nova vida. É assim
que funciona uma vida voltada para Deus. Uma vida cuja
cruz é a única glória, alegria e orgulho.
Já vivemos com Cristo? Já nascemos de novo? Já
ressuscitamos com Ele para uma nova vida? Primeiro, é
necessário morrer com Ele, crendo Nele e sendo salvo por
Sua Graça.

CONCLUSÃO: Jesus viveu assim, Paulo tentava a todo


custo viver assim e nós devemos viver assim. Creiamos na
Palavra de Deus, creiamos em Cristo e desfrutemos das
bênçãos da cruz: Morte e Vida!
Irmãos, gloriemo-nos na cruz de Jesus. Somente
Nela, não em nós mesmos, no mundo ou na religião, só na
cruz e anunciemos sua mensagem até o fim. Gloriamo-nos
na cruz? Façamos isso!

162
Missões Pela Morte Na Cruz (3)
2 Coríntios 5.11-6.3

Já vimos que, na cruz, morremos com Cristo, que


estamos crucificados com Ele e que, por causa disso,
também ressuscitamos para uma nova vida. O foco do salvo
não é mais este mundo e não deve ser, mas sim as coisas de
Deus, as coisas eternas — o que realmente importa. Dentro
disso, veremos um texto que liga esta realidade diretamente
com a pregação do evangelho e a obra missionária. Este
texto é 2 Coríntios 5.11-6.3.

Nesta passagem das Escrituras, Paulo está falando do


sofrimento da vida aqui na terra e da esperança do céu para
o salvo, além da vida de fidelidade e do julgamento diante
do Senhor Jesus; então, ele testemunha do seu zelo por
anunciar somente Jesus e sua cruz e do ministério da
reconciliação que todo o crente tem e, isso, usando como
base o grandioso amor de Cristo. Com isso, observando o
versículo 14, aprendemos que:

O AMOR DE CRISTO DEVE NOS CONSTRANGER!

Ou seja, mexer profundamente conosco, tocar em


nossos corações e mudar nossas vidas.

A COMPREENDER QUE MORREMOS COM ELE (v.14-17):


O amor de Cristo foi demonstrado em Sua morte na cruz
como nosso substituto, mas também como nosso
representante. Quando Jesus morreu ali, nós morremos
com Ele (para o mundo, para nós mesmos e para o pecado)
e a compreensão disso, bem como sua aceitação pela fé,
mudam nossa vida, mexem conosco, nos levam a servi-Lo, a
pregar o Seu evangelho e a fazer missões, enfim... a cumprir
o ministério da reconciliação.
No versículo 15, vemos que agora é Jesus quem vive
em nós e não devemos viver mais para nós mesmos, afinal,

163
morremos; mas devemos viver somente para Ele, que
morreu e ressuscitou para nos salvar.
No verso 16, vemos que Cristo não é só mais uma
pessoa para nós, não é somente um nome, mas a nossa
própria vida, o nosso Senhor, nosso Salvador, o nosso
Deus.
No verso 17, lemos que somos novas criaturas, pois
ressuscitamos com Cristo. Todas as coisas antigas, da velha
vida, da incredulidade e da perdição já passaram, foram
encravadas na cruz; agora tudo se fez novo. O foco agora é
em Deus, no espiritual, no eterno, no que é próprio de um
filho de Deus ressurreto, de um cidadão do céu, de um
salvo por Jesus.
A compreensão de nossa morte com Cristo é
fundamental para fazermos missões e a gratidão por seu
amor demonstrado ali é expressa numa vida voltada para
Ele e para o anúncio do Seu evangelho. Compreendemos
que morremos com Cristo? Aceitamos este fato? Cremos no
que a Bíblia diz? Vivemos a nova vida com Cristo?

O AMOR DE CRISTO DEVE NOS CONSTRANGER:

A BUSCAR SOMENTE SUA GLÓRIA (v.11-13 e 16): A glória


Daquele que morreu por nós. Por isso, não iremos (e não
devemos) buscar a glória humana, seja a nossa própria ou a
de qualquer outra pessoa.

Não a nossa glória (v.11-12): Não podemos buscar nossa


própria glória, pois estamos mortos com Cristo. Morto não
quer nada, não busca nada, não exige nada. Não existe
qualquer sentido nisso.
Paulo não buscava sua própria glória, mas somente a
de Cristo, não queria aparecer, ser reconhecido, não
recomendava a si mesmo, mas tudo o que fazia era
buscando a glória de Cristo e o bem dos perdidos e dos
irmãos em Cristo (da Igreja).
Hoje, o cristianismo tem sido usado para buscar
glória pessoal, mas isso é errado, pecaminoso e totalmente
contrário ao que Jesus ensinou e viveu e ao que Paulo e
164
toda a Bíblia nos ensinam. Ainda mais quando se trata de
missões. Na pregação do evangelho não há lugar para a
glória pessoal; em missões, não existe lugar para isso,
antes, é renúncia, sacrifício, entrega total, abnegação, morte
pessoal. Como disse João Batista: “É necessário que ele
cresça e que eu diminua.” (João 3:30)

Não à glória de outras pessoas (v.12 e 16): Paulo cita os que


se gloriam na aparência e não no coração e afirma que,
depois de salvos por Cristo, a ninguém conhecemos
segundo a carne, ou seja, nossa religião e fé não é algo
carnal, focado neste mundo ou em pessoas, mas no Deus
verdadeiro que ressuscita os mortos e em Jesus, nosso
Salvador.
Foi Jesus quem morreu por nós e não outra pessoa
qualquer. Só Jesus é digno de glória e não outros seres
humanos, reais ou imaginários. A salvação em Cristo tem
como propósito restaurar a glória de Deus em nós e nos
levar a buscar, somente, a glória de Cristo. Buscar a glória
de outros, mesmo que em nome da “religião” ou da “fé” é
idolatria, hipocrisia e, portanto, pecado.
Isso é se gloriar na aparência, e a aparência deste
mundo passa:

“E os que usam deste mundo, como se dele não


abusassem, porque a aparência deste mundo passa.
1 Coríntios 7:31

“E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que


faz a vontade de Deus permanece para sempre.”
1 João 2:17

Muitos crentes vivem para buscar sua própria glória


ou a de outros (supostos santos do passado ou líderes
religiosos do presente), amam e idolatram pessoas do
mundo, fazem propaganda, apoiam, exaltam e se
enlouquecem. Fazem de tudo por seus “ídolos”, gastam o
que podem (e o que não podem) e se sacrificam por eles.
Isso, por si só, já é completamente errado, irracional e
165
pecaminoso, é idolatria; mas o pior: no geral, os ídolos das
pessoas são homens e mulheres cujas vidas são
completamente imorais e sem Deus, como determinados
jogadores de futebol (ou atletas famosos em geral), atores e
atrizes, cantores e cantoras, bandas, pessoas da mídia (TV,
internet, sociedade) e até personagens fictícios, como super-
heróis, por exemplo.
Isso é o cúmulo da incoerência quando sabemos que
Cristo deveria estar no centro de nossas vidas e a busca por
Sua glória no foco do nosso viver.
A glória de quem temos buscado? A cruz deve nos
constranger a buscar somente a de Cristo.

O AMOR DE CRISTO DEVE NOS CONSTRANGER

A NOS DEDICARMOS AO MINISTÉRIO DA


RECONCILIAÇÃO – (v.18-6.3). Por fim, Paulo conclui o
capítulo mostrando que toda a obra da nossa salvação vem
de Deus e que Ele nos reconciliou consigo mesmo por meio
de Jesus e, juntamente com isso, nos deu um ministério, o
ministério da reconciliação. O que seria isso?
É a missão, a tarefa e o trabalho de tornar Jesus
conhecido aos perdidos, para que, crendo Nele, também
sejam reconciliados com Deus.
Na cruz, nossos pecados foram imputados em Jesus e
só por meio Dele é que uma pessoa pode se reconciliar com
Deus. E nós devemos anunciar tal mensagem maravilhosa
de amor, graça, misericórdia e perdão.
Além disso, Paulo afirma que somos ‘embaixadores’
de Deus, ou seja, representantes do nosso Deus entre os
perdidos, representantes do nosso lar celestial neste
mundo. É isso que somos: trabalhadores de Deus aqui em
missão. Não somos turistas, mas forasteiros, não somos
moradores, mas peregrinos. E, enquanto durar nossa
caminhada aqui, precisamos anunciar o evangelho, pregar a
mensagem de salvação, fazer missões e exercer o ministério
da reconciliação.
Irmãos, a obra missionária é o ministério da
reconciliação em ação. É o viver este ministério em tempo
166
integral. Todo crente deve viver assim e alguns devem ir aos
campos distantes e não alcançados fazer o mesmo.
Isso inclui ROGAR aos homens que se reconciliem
com Deus. Sim! Nós vamos implorar que creiam, orar por
eles, chorar por eles, sofrer por eles, para que creiam em
Jesus e sejam salvos. Isso não é vergonha, humilhação ou
decepção, mas o nosso trabalho, o fruto da salvação, e a
atitude normal de quem morreu com Cristo e busca
somente a Sua glória.
Tal ministério é um privilégio! Deus nos chama de
cooperadores (6.1) e não cumpri-lo é desprezar a graça de
Deus. Paulo nos exorta a não fazer isso. Hoje é o dia da
salvação, e como Deus nos salvou, salvará outros.
O apóstolo também nos exorta a não darmos motivo
de escândalo em coisa alguma para não censurar
(prejudicar, atrapalhar, impedir) o ministério, e só faremos
isso se o amor de Cristo nos constranger de verdade, se nos
considerarmos mortos com Cristo e se buscarmos a glória
do Salvador acima de tudo.
Irmãos, temos cumprido nosso ministério? Temos
sido reconciliadores? Temos pregado o evangelho? Jesus
cumpriu seu ministério de reconciliação com perfeição,
Paulo viveu e morreu para isso, muitos crentes e muitos
missionários têm feito isso. E nós?

CONCLUSÃO: O amor de Cristo tem nos constrangido a


ponto de mudar nossas vidas e nos tornar crentes fiéis e
dedicados na pregação do Evangelho? Compreendemos que
morremos com Ele? Isso é a chave de tudo. Buscamos só a
glória de Cristo Jesus? Temos nos dedicado ao ministério da
reconciliação, seja aos que estão perto (evangelismo) ou aos
que estão longe (missões)? Façamos isso. Sejamos
constrangidos pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo!

167
Missões Pela Morte Na Cruz (4)
Filipenses 3.15-21

Inimigos da Cruz de Cristo

Missões são uma batalha, uma grande e terrível


guerra e, como toda batalha, há inimigos, adversários e
oponentes, aqueles que vão contra, que se opõem, que
atrapalham, que querem impedir que o obra de Deus seja
realizada.
Existem os inimigos diretos, como o diabo e seus
anjos (os demônios) e os incrédulos decididos a impedir o
avanço do evangelho, mas, também, como em todo exército,
os inimigos infiltrados, aqueles que estão no meio, que
parecem ser companheiros, porém são inimigos. Paulo nos
fala sobre a existência destes em nossas igrejas em
Filipenses 3.15.21

Neste capítulo, Paulo continua falando aos crentes de


Filipos a que se alegrem no Senhor (v.1) e pede que se
guardem dos “cães”, dos “maus obreiros” e dos “da
circuncisão” (v.2), pois estes eram homens que estavam na
igreja, mas não em Cristo, que buscavam a própria Glória e
não de Jesus (v.3), que confiavam na carne (nas obras) e
não na obra do Salvador na cruz (v.4), ao contrário de
Paulo, que, por causa de Cristo e da Sua cruz, abriu mão de
tudo para servi-lo, honrá-lo e anunciar Seu amor (v.5-14).
Então, Paulo convida os crentes para imitá-lo e a
outros que vivem como ele, pois aqueles que se gloriam na
carne, que não confiam plenamente em Cristo e que pregam
as obras são inimigos da cruz de Cristo.
Diferente dos inimigos da cruz, Paulo havia decidido
sofrer por Cristo e conformar-se com Ele na sua morte.
Paulo considerava-se um morto com Cristo, um crucificado
com Ele; por isso abriu mão de qualquer coisa desta vida.
Ele sabia que estava morto para este mundo, para o pecado
e para si mesmo, mas vivia para Cristo e Cristo vivia Nele
(v.9-10).
168
Por isso Paulo foi o missionário que foi, por isso
pregou tanto o evangelho em tantos lugares e a tantas
pessoas, ganhou muitas almas, fundou várias igrejas e foi
tão usado por Deus. E nós, nos parecemos com Paulo?
Temos imitado sua maneira de viver? Ou nos parecemos
mais com os inimigos das cruz? Será que, porventura, não
somos inimigos da cruz de Cristo? E você?

PRECISAMOS AVALIAR SE SOMOS, OU NÃO, INIMIGOS


DA CRUZ DE CRISTO!

Isto é, precisamos fazer uma autoavaliação, olhar para


nossa própria vida, para o nosso interior e considerar se
realmente estamos na fé, se realmente cremos em Jesus, se,
de fato, morremos com Ele na cruz, se vivemos para Ele, se
Ele vive em nós, se pregamos o evangelho e se fazemos
missões, ou a razão de não o fazermos. E para isso, é
simples, basta considerar o que Paulo fala nos versos finais
do capítulo:

VERIFICANDO QUEM É, DE VERDADE, O NOSSO DEUS


(v.19): Não é fácil identificar um inimigo da cruz, pois o
mesmo não é um adversário externo. O texto trata de
pessoas de dentro da igreja, supostos crentes, os quais não
afirmavam se opor a Cristo, a sua obra na cruz ou à
salvação que Ele oferece, mas não viviam de acordo com
isso, não buscavam a semelhança com Cristo, não
buscavam a santidade na vida, passavam-se por amigos do
Senhor e até alcançavam a posição de liderança e destaque
dentro da comunidade local.
Contudo, o que declarava a inimizade com a cruz era
o “deus” deles, que não era o Deus verdadeiro ou o Senhor
Jesus Cristo, mas o próprio “ventre”, ou seja, eles mesmos.
Adoravam-se, amavam-se, idolatravam-se (Rom 16.17-18).
O ‘EU’ era o deus destas pessoas.
O ventre como deus se refere a várias coisas, como:
confiança na religião e nas obras humanas, regras sobre
alimentos (judaizantes na igreja de Filipos) e a entrega total
e a busca intensa pelos apetites da carne. Em resumo, tudo
169
isso leva ao egoísmo. São pessoas que só pensam em si,
cujo mundo gira em torno dos seus próprios umbigos e que
se consideram o centro do universo.
Tais pessoas não estão crucificadas com Cristo, ainda
não morreram na cruz, não têm Jesus como seu Deus,
Senhor e Salvador, enfim... não são salvas (Rm 8.5-8).
Quem é o nosso Deus? O que nossa vida prova sobre
isso? Será que não somos inimigos da cruz de Cristo? Se, ao
olhar para o seu interior, reconhecer que é um inimigo da
cruz, arrependa-se, receba o perdão que Cristo oferece,
creia Nele, seja salvo, torne-se um filho de Deus, um servo
do Senhor, um pregador do evangelho, um missionário.

VERIFICANDO, DE VERDADE, ONDE ESTÁ O NOSSO LAR


(v.20): Nada melhor do que o nosso lar, não existe lugar
igual. Nós o amamos, temos prazer nele, é o nosso refúgio,
consolo e descanso. Ali está nossa família, nosso alimento e
nossa segurança. Mas, a nível de eternidade, onde está o
nosso lar? No céu ou na terra?
Se o nosso lar é o céu, não nos importaremos de
morar em qualquer lugar neste mundo para servir ao
Senhor, para fazer missões, pregar o evangelho, fundar
igrejas e espalhar o Reino de Deus.
Onde está o nosso tesouro, ali está o nosso coração
(Mt 6.21). Portanto, como cidadãos do céu não estaremos
apegados a cidade alguma, a comodidade alguma, a cultura
ou a pessoas, mas à cruz, a Jesus, ao céu e a eternidade.
Por outro lado, quem ama este mundo e tem seu
coração aqui, que faz desta terra seu lar e desta vida a
razão de sua existência, é um inimigo da cruz de Cristo,
pois a despreza, não anuncia sua mensagem, não vive por
ela, não a leva a sério, não a experimentou, ainda não está
morto, ainda não foi crucificado com Cristo e não pertence a
Ele.
O versículo 20 diz que tais pessoas só pensam nas
coisas terrenas e só se preocupam com elas mesmas, pois é
a este mundo que amam, vivem aqui com prazer, e querem
continuar vivendo. Não pensam em largar ou deixar e não

170
podem nem pensar em abrir mão de coisas desta vida para
servir ao Senhor, pregar o evangelho e fazer missões.
Glênio Fonseca Paranaguá, no livro “Cruz Credo – O
Credo da Cruz”, corretamente afirmou:
“Quem conhece a glória da cruz não se ressente da vida de
isolamento ou desprezo determinada pela soberania do
Senhor.”

Então, com o que temos nos preocupado? No que


temos pensado? Onde está o nosso coração? Qual é o nosso
verdadeiro lar?

VERIFICANDO, DE VERDADE, QUAL É A NOSSA


ESPERANÇA (v.21): O verso 19 começa dizendo que o
destino dos inimigos da cruz de Cristo é a perdição, ou seja,
a condenação eterna, o inferno, o lago de fogo e a separação
eterna de Deus. Portanto, não lhes resta uma boa
esperança.
Além disso, a glória deles (aquilo em que se gloriam,
se orgulham, se alegram e em que confiam) é para a
confusão, vergonha e desonra própria, pois confiam em si
mesmos, em suas obras e méritos pessoais, nas coisas sem
valor, enfim, nesta vida. Portanto, por maior que sejam as
esperanças de um inimigo da cruz de Cristo, elas só o
levarão à dor, vergonha, sofrimento e condenação, pois não
estão firmadas em Cristo, não estão seguros e firmes, mas
cairão e se destruirão.
Na verdade, a esperança de um inimigo da cruz de
Cristo se limita apenas a esta vida e, como Paulo falou em 1
Co 15.19, se a nossa esperança em Cristo se limita apenas
a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. No
fundo, todo inimigo da cruz é infeliz, é vazio, é amedrontado
com seus próprios pecados e falhas, com sua hipocrisia e
com sua falsa espiritualidade. Sabe que, ao se encontrar
com Cristo, a vergonha será imensa e a condenação eterna.
Por outro lado, a esperança de quem foi crucificado
com Cristo está no céu, na glória, na eternidade. Esperamos
a volta do nosso amado Salvador, a transformação do nosso
corpo abatido pelo pecado no corpo da glória, semelhante ao
171
de Cristo e a certeza de que Ele reinará com poder e
autoridade, sujeitando a si todas as coisas, por toda
eternidade. Que esperança bendita! Que esperança
maravilhosa!

CONCLUSÃO: Existe ainda o fato de que os inimigos da


cruz podem até falar da cruz, mas o fazem de modo
disfarçado, omitem verdades fundamentais, adulteram a
mensagem e preferem bajular os ouvintes a falar a verdade.
Na obra missionária isso não funciona, pois só o
verdadeiro evangelho pode salvar vidas. Apenas o
verdadeiro evangelho pode trazer perdão, regeneração e
nova vida ao pecador. Por isso não podemos mercadejar a
Palavra, trocar o seu anúncio fiel por uma mensagem que
agrada aos ouvintes.
Somos salvos, crucificados com Cristo, pregadores do
evangelho e servos fiéis ou inimigos da cruz? O que nossa
vida reflete? Quem é o nosso Deus? Onde está nosso lar?
Qual é a nossa esperança? A solução está sempre em Jesus.
Se você já é salvo por Cristo, considere-se morto com
Ele, crucificado com Ele e pregue o Seu evangelho, viva para
anunciar Seu amor, vá aos campos e olhe para a
eternidade.
Se você ainda é um incrédulo, se ainda está perdido
em seus delitos e pecados, arrependa-se, creia em Jesus,
confie Nele, seja salvo por Ele da escravidão do pecado, da
morte e do inferno, recebendo, de graça, a nova vida que
tem valor eterno e viva para o Salvador, para anunciá-los
aos perdidos. Não seja mais um inimigo da cruz. Deixe
Jesus reconciliá-lo com o Pai e seja um filho, seja salvo,
olhe para Cristo.

172
Um Modelo De Igreja Missionária (1)
Filipenses 1

A Igreja de Filipos foi fundada por Paulo em sua


segunda viagem missionária, como relatado com muitos
detalhes em Atos 16. Lídia foi a primeira convertida e a
igreja se reunia em sua casa. Uma jovem possessa foi
liberta de satanás pela graça de Deus, Paulo e Silas foram
presos após expulsarem o demônio dela e, na prisão,
aconteceu a comovente conversão do carcereiro, bem como
o famoso verso: “crê no Senhor Jesus e será Salvo, tu e a tua
casa.” At 16.31
É, portanto, uma carta muito pessoal do apóstolo
Paulo e mostra o profundo envolvimento, amor e carinho
dele para com a igreja e vice-versa. Era uma igreja local
missionária, sempre apoiando Paulo em seu ministério. E a
alegria é um assunto constante no livro — alegria no
Senhor, alegria em servir, alegria pelas pessoas salvas, pelo
evangelho e por missões. E, neste primeiro capítulo,
especialmente no versículo 27, aprendemos que:

DEVEMOS VIVER DE MODO DIGNO DO EVANGELHO!

E, isto, acima de TUDO (de qualquer outra coisa,


ideia ou pessoa, inclusive de nós mesmos). Precisamos viver
o que cremos e o que pregamos!
Viver de modo digno do evangelho é viver de modo
condizente com as boas novas de Cristo, de acordo com ele,
como resultado dele em nossas vidas, dando frutos,
servindo a Deus, glorificando o Salvador, testemunhando
aos perdidos e fazendo a diferença. Enfim, é viver uma vida
de acordo com a grandeza da mensagem que pregamos e
como resultado de tão boas notícias.
Temos que viver em integridade, em total
conformidade com aquilo que cremos e anunciamos.
Diferente disso, nosso cristianismo é sem sentido e
incoerente.

173
É atribuída a São Francisco de Assis a seguinte frase:
“Pregue o Evangelho. Se necessário, use palavras!” É uma
frase bonita, porém errada. O evangelho significa as “Boas
Novas” de Deus aos homens, as boas notícias. E notícias
são faladas, anunciadas e pregadas. Contudo, como
resultado destas boas notícias, nossa vida precisa ser
diferente, coerente com elas, em resposta a elas. E aqui
Paulo nos desafia a viver uma vida de acordo com o
evangelho que pregamos; e isso acima de tudo e de todos.
1) POR CAUSA DA NOSSA SALVAÇÃO – A BOA OBRA QUE
DEUS REALIZA EM NÓS — (v.3-11): Paulo inicia sua carta
falando aos filipenses da certeza de que Deus, que começou
a boa obra em nós, irá completá-la até o dia de Cristo Jesus
(Sua volta, nosso encontro com ele, nossa glorificação).
Esta “boa obra” refere-se ao evangelho. É a nossa
salvação por meio de Jesus Cristo. Quando Deus salva
alguém, Ele o faz por completo e, apesar de ser uma obra
totalmente Dele — Ele quem começou, quem sustenta e
quem terminará —, Deus usa pessoas como instrumentos.
No caso dos filipenses, foram Paulo e Silas. Por causa de tão
grande e maravilhosa salvação, vivamos de modo digno do
evangelho. E Ele realiza esta salvação:

Usando pessoas que nos amam (v.3-11): Somos salvos pela


boa obra de Cristo em nós, pela graça e pelo amor de Deus,
desde que recebemos o evangelho, trazido por alguém.
Paulo amava os Filipenses e amava muito. Este é o
reflexo do coração de um verdadeiro missionário e deveria
ser de todo cristão:
- Dava graças por tudo o que recordava deles (v3):
Pensava neles e agradecia a Deus; guardava boas
lembranças e boas recordações (embora, com certeza,
tivesse outras ruins).
- Sempre orava/suplicava a Deus por todos eles, e com
alegria – v.4: Oração é prova de amor.
- Trazia cada um em seu coração – v.7: Amor real,
carinho. Faziam parte dele, estavam com ele.
- Sentia saudades de todos – v.8
- Desejava e orava que aumentassem em amor – v9
174
- Desejava e orava que desfrutassem de uma vida cristã
correta, proveitosa e frutífera – v.11
Fica subentendido que tal amor era compartilhado,
ou seja, era algo mútuo entre o missionário fundador e a
igreja, sendo algo que deveria caracterizar nossas vidas e
igrejas hoje em dia também. O amor é marca do verdadeiro
crente (Jo 15.13), é a virtude mais elevada e a que
permanecerá (1 Co 13.13).
Um dia alguém nos amou a ponto de trazer o
evangelho até nós, de trabalhar para fundar nossa igreja, de
nos pastorear, ensinar, aconselhar, exortar, disciplinar,
ajudar, ou, ao menos, tentar nos ajudar. Devemos valorizar
tal amor e passá-lo adiante com o evangelho.
E muitos destes, assim como Paulo, ainda nos trazem
no coração, nos amam e lembram-se de nós com carinho.
Foi por meio desses que conhecemos a Cristo, fomos salvos
e somos parte da boa obra de Deus. Por amor, podemos
alcançar outros da mesma maneira.
Um detalhe importante, aqui, está no fato de que a
alegria de Paulo eram os crentes de Filipos, pessoas que
amou e levou a Cristo. Qual é nossa alegria? Pessoas ou
coisas? Jesus ou nós mesmos? O Evangelho ou o mundo?
Vale a pena refletir sobre isso e avaliar nossa vida e nossas
alegrias.
Missões são isso: pecadores amando outros
pecadores e levando a eles o evangelho. Se estamos aqui
hoje é porque alguém nos amou e ainda nos ama. Temos
vivido de modo digno deste evangelho maravilhoso e
gracioso? Lembramos dos que nos amam? Valorizamos o
que fizeram e fazem? Retribuímos este amor?
A segunda razão pela qual devemos viver de modo
digno do evangelho, é:
POR CAUSA DA SOBERANIA DE DEUS EM NOSSAS VIDAS
(v.12-26): Na sequência da carta, Paulo começa a falar de
situações difíceis pelas quais passou, que eram conhecidas
dos filipenses, provavelmente deixando-os tristes e
preocupados, mas Paulo conforta-os mostrando a soberania
de Deus em sua vida mesmo no meio das tribulações, e

175
como tudo isso contribuiu para o progresso do evangelho.
Duas verdades se destacam aqui:
O Evangelho é mais importante que nós: Paulo não temia
sofrer ou até mesmo morrer se isso servisse para o
progresso do evangelho, para que mais pessoas ouvissem de
Jesus e para que mais igrejas nascessem. O seu desejo era
glorificar a Deus com sua vida e sua morte (v.21).
Foi esta convicção que dirigiu a vida dos missionários
ao longo da história e que deve dirigir a dos missionários
hoje, bem como de cada pastor, obreiro e todo cristão. Vale
lembrar de Jim Elliot e seus amigos no Equador.
Em última análise, tudo o que acontece conosco, inclusive as
coisas mais ruins, devem contribuir para o progresso do
Evangelho no mundo: Paulo foi preso por pregar o
evangelho, era um sofrimento terrível e injusto; mas Deus,
em sua soberania, usou isso para que:
- Ele pregasse para toda a guarda pretoriana e demais
soldados romanos.
- Muitos irmãos fossem motivados a pregar mais e com
mais coragem o evangelho devido a esta situação.
- Alguns começassem a pregar tentando deixar Paulo
mais triste (talvez querendo mostrarem-se mais fiéis ou
que tinham mais frutos que ele). Porém, mesmo com a
motivação errada, o evangelho estava sendo anunciado.
Isso nos mostra uma nova dimensão de um verso tão
conhecido e amado: “Sabemos que todas as coisas cooperam
para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são
chamados segundo o seu propósito.” (Rm 8.28) Olhando por
este prisma, tudo o que acontece em nossa vida está
debaixo do controle e permissão de Deus e coopera para o
nosso bem e para o propósito de Dele. E, dentro deste
propósito, a prioridade é sermos mais como Cristo e que
anunciemos Seu evangelho a todo o mundo.

Alguns exemplos práticos disso podem ser: ficar


doente e ser internado num hospital, o que é algo ruim, mas
que gera oportunidades para pregar aos médicos e outros
doentes. A Igreja em Vargem Bonita começou assim. Outra

176
situação seria ter o carro quebrado e, com isso, a
oportunidade de testemunhar aos mecânicos, etc.
Em qualquer tribulação que enfrentarmos, devemos
confiar na soberania do Senhor, glorifica-Lo com nossas
vidas, dar bom testemunho cristão e aproveitar a
oportunidade para pregar o evangelho.
Lembremos: A alegria de Paulo era ver Cristo sendo
anunciado. Qual é nossa alegria?
E a terceira razão pela qual devemos viver de modo
digno do evangelho é:

POR CAUSA DA LUTA QUE TEMOS PELA FRENTE – (v.27-


30): O desejo de Paulo era, estando perto ou longe dos
filipenses, ouvir que estavam unidos e firmes lutando pela
fé evangélica.
Neste mundo estamos numa luta, uma grande
guerra, séria e feroz. Não contra as pessoas, não contra os
incrédulos, mas contra satanás e os demônios (é uma
batalha espiritual — Ef 6.10), mas que envolve os
incrédulos e todos aqueles que não conhecem a Jesus e o
evangelho.
O mundo é um campo de batalha. A obra
missionária, a pregação do evangelho e a fundação de novas
igrejas significam ir direto ao território do inimigo. São a
verdadeira linha de frente nesta guerra. É, portanto, uma
batalha espiritual cruel, feroz e muito, muito difícil. Por
isso, temos que viver de modo digno do evangelho para
podermos sair vitoriosos nesta batalha.
Paulo nos mostra aqui como devemos lutar por nossa
fé, e como lutar pelo evangelho:

Com Firmeza v.27: Termo militar que indica permanecer


firme em seu posto independentemente do que esteja
acontecendo ou que venha pela frente. Saber que Deus nos
colocou aqui e é aqui que devemos ficar.
Com União v.27: Sem união, não venceremos a batalha
espiritual. Não podemos ser um exército desunido, separado
e dividido.

177
Precisamos viver em um só espírito, como “uma só
alma”, ou seja, como “uma só pessoa”, com o mesmo
pensamento, mesma atitude, mesmo desejo. Precisamos
estar tão ligados, que nossa vida pareça uma só pessoa, um
só corpo, que é o que somos, o corpo de Cristo.
Temos que lutar juntos, pois, como dizem por aí:
“Juntos somos mais fortes!”
Com Ousadia e Coragem v.28: Os adversários tentarão nos
intimidar (desanimar, nos fazer desistir, nos amedrontar,
nos machucar e até nos matar). Foi o que fizeram com
Neemias, com Paulo e até com Jesus. Vale lembrar as
Palavras do Senhor para Josué antes das terríveis batalhas
que enfrentaria: “Não to mandei eu? Sê forte e corajoso, não
temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu
Deus, é contigo, por onde quer que andares.” Josué 1.9.
Não podemos ser covardes, medrosos ou tímidos,
afinal, somos salvos. Os incrédulos é que estão perdidos e
cegos. O máximo que podem fazer é nos matar. Mas somos
salvos eternamente.
Com a disposição de sofrer por Cristo v.29: Lembrando que
sofrer por nosso Senhor Jesus é um privilégio, uma graça
nos concedida, assim como a fé Nele.
Isso é forte e quase não é falado em nenhuma Igreja:
O presente gracioso de Deus para nós não é somente o de
crer em Jesus como Senhor e Salvador, mas o de SOFRER
por Ele.
Fomos salvos para sofrer por Jesus, para sofrer pelo
evangelho. Portanto, precisamos ter a disposição de sofrer
por isso. Seja a rejeição, o desprezo, a zombaria, a
humilhação, maus-tratos, machucados, perdas, dor e até
mesmo a morte. Isso faz parte da vida cristã; está incluído
no pacote do evangelho, especialmente se vivermos de modo
digno dele e se estivermos cumprindo a Grande Comissão
com alegria. Estamos dispostos a isso? Somos salvos
realmente?
Com o exemplo de Paulo (v.30): Toda a Igreja em Filipos
sabia o quanto Paulo sofria por amor a Cristo e pelo
evangelho. Muitos haviam sido testemunhas e frutos do que
ele passou ali mesmo, na cidade deles, ganhando-os para
178
Cristo e iniciando aquela igreja. Dentre tudo que ele sofreu,
temos açoites, prisão e perseguição.
Assim como eles, nós também devemos imitar a Paulo
e seu exemplo, bem como o de outros missionários e
cristãos fiéis que têm sofrido por Cristo ao redor do mundo
e ao longo da história da Igreja, estejam eles diretamente
ligados a nós ou não. Estes irmãos devem ser nossos
modelos e exemplos de vida e não os ímpios do mundo, da
mídia ou da ficção. Isso é viver de modo digno do evangelho.
É como os fiéis que devemos viver, como eles devemos lutar
pelas boas novas. Isso é viver de modo digno do evangelho.
Uma aplicação é relevante aqui: Irmãos, temos lutado
pelo evangelho? Temos vivido de modo digno dele dentro
deste terrível combate espiritual e eterno? Temos sido
vitoriosos ou derrotados na vida cristã? Somos soldados
úteis ou inúteis? Corajosos ou medrosos? Parecidos com
Paulo e outros crentes fiéis ou parecidos com o mundo e os
ímpios?

CONCLUSÃO: Nossa responsabilidade é viver de modo


digno do Evangelho, primeiro por causa da nossa salvação,
depois por causa da soberania de Deus em nossas vidas e,
por fim, em razão da grande luta que temos pela frente.
Paulo viveu assim, cheio de Cristo, cheio do
evangelho e cheio de amor. Provou tudo isso quando passou
por Filipos e, devido a sua vida digna do Evangelho, agora
aquela igreja, para a qual ele escreve, existia e podia
continuar espalhando o amor de Deus, pregando o
evangelho e fazendo missões.
E nós, temos vivido de modo digno do evangelho?
Como Igreja? Como crentes? Vivemos em amor? Vivemos o
que cremos? Vivemos o que pregamos? Pregamos o
evangelho? Fazemos Missões? Vivamos assim, irmãos! É o
que Deus quer de nós, é para isso que nos salvou e Ele nos
capacita e capacitará. Vivamos de modo digno do evangelho!

179
Um Modelo De Igreja Missionária (2)
Filipenses 2

Continuamos com a carta de Paulo aos Filipenses,


uma igreja nascida da obra missionária e atuante na
mesma.
No capítulo 2 desta epístola, temos uma das mais
belas passagens de toda a Bíblia, um dos textos teológicos
mais claros e profundos sobre a humilhação de Jesus seu
autoesvaziamento e sua autorrenúncia (aquilo que os
teólogos chamam de ‘Kenosis’), para ser nosso Salvador,
dando-nos assim um maravilhoso exemplo de humildade.
Com isso, aprendemos que:

DEVEMOS VIVER EM COMPLETA HUMILDADE!

Um dos resultados de vivermos de modo digno do


Evangelho é que seremos humildes. Lembremos que o livro
(a carta de Paulo aos filipenses) é uma sequência, o
pensamento e ensino de Paulo está interligado, com um
capítulo dando continuidade ao outro. Sendo assim, uma
igreja missionária é uma igreja humilde.
O dicionário Michaellis define humildade da seguinte
forma: “Virtude que nos dá o sentimento de nossa fraqueza.
Modéstia. Demonstração de respeito, de submissão.”
Já o Aurélio, diz o seguinte: “Virtude que nos dá o
sentimento da nossa fraqueza. Modéstia, pobreza. Respeito,
reverência; submissão.”
No texto bíblico, parece se tratar de uma palavra
inventada por Paulo que dava a ideia de ser inferior,
miserável, pobre. Enfim, somos nada. E é isso mesmo;
humildade é não querermos ser mais do que somos, é
deixar o orgulho, a arrogância e a prepotência totalmente de
fora do nosso caráter. É nos considerarmos inferiores e
menores que os outros. Isso é humildade, uma virtude que
o Senhor enfatiza muito em Sua Palavra. Fundamental na
vida cristã e na obra missionária.

180
HUMILHANDO-NOS UNS PERANTE OS OUTROS (v.1-4):
Paulo apela aqui para a exortação que Cristo nos dá, para
Sua consolação de amor, para a comunhão que temos no
Espírito Santo (como membros do mesmo corpo, família de
Deus e irmãos) e para os afetos e misericórdias que estão
“entranhados” em nós (o amor de Deus derramado em
nossos corações) para que sejamos humildes, e afirma que
isso completaria sua alegria:

União e unidade (v.2): Precisamos pensar a mesma coisa, ter


o mesmo amor, sermos unidos de alma, ter o mesmo
sentimento. Isso é fruto da humildade e não do orgulho e do
egoísmo.

Nada de egoísmo (v.3): Não devemos fazer NADA por


partidarismo ou vanglória, ou seja, só porque queremos,
gostamos ou preferimos; nada para aparecer, receber
créditos, méritos, elogios, glória própria ou benefícios. Mas
tudo deve ser feito somente para a glória de Deus.

Os outros acima de nós (v.3): Esta é a essência da


humildade. Colocar os irmãos acima de nós, os outros
acima da gente, em primeiro lugar, antes, dar a preferência,
enfim, considerá-los melhores e mais importantes.

Compartilhar (v.4): Não podemos olhar para as coisas como


se fossem somente nossas, e também não devemos ficar
buscando aquilo que seria apenas para nosso uso pessoal,
mas ter a disposição de possuir para o bem dos outros,
saber dividir, compartilhar, emprestar, dar, doar. Não
podemos ter apego às coisas materiais, mas nos
importarmos com as necessidades dos irmãos. Tanto nas
questões materiais, quanto espirituais.
A humildade leva à união, e estas são características
fundamentais para que uma igreja seja missionária, se
envolva com a grande comissão, participe ativamente da
pregação do evangelho aos perdidos e da fundação de novas
igrejas ao redor do mundo.

181
Temos agido em humildade uns para com os outros?
Somos unidos? Somos missionários? Para fortalecer o
argumento, Paulo dá um exemplo prático, o melhor de
todos: Jesus! Portanto, devemos viver em completa
humildade:

IMITANDO O EXEMPLO DE CRISTO (v.5-11): Temos que ser


humildes como nosso Salvador foi e ter o mesmo
sentimento Dele, a mesma atitude, a mesma decisão: nos
humilharmos pelo bem dos outros.

Não fez questão de grandeza (v.6): Não devemos querer ser


ou ter mais. Jesus é tudo, cheio de glória e digno de honra,
mas não fez questão disso, antes, esvaziou-se para nos
salvar.

Esvaziou-se (v.7): Esvaziar-se é abrir mão do que tem e do


que é, assumir a forma de servo (escravo), assemelhar-se
aos homens e ser reconhecido como eles. E missões são
isso! Jesus não deixou de ser Deus, simplesmente,
voluntariou-se e decidiu viver sem o uso total de Seus
atributos, em virtude de Sua missão e de Sua identificação
conosco.
O missionário não deixa de ser quem é, mas abre mão de
tudo para identificar-se com o povo para o qual vai servir,
assim como Cristo fez.

Foi obediente (v.8): Jesus se humilhou ao ponto de obedecer


ao Pai, mesmo que sua obediência custasse a própria vida.
Obediência é fruto de humildade, pois os orgulhosos
querem mandar ou fazer somente a sua própria vontade,
jamais submetendo-se a ordens. Como Cristo, temos que
obedecer o mandamento da Grande Comissão.

A glória é toda de Cristo e em toda a terra (v.11): Após sua


humilhação e morte, veio a ressurreição e a glória. O Pai
exaltou o filho acima de todo nome (v.9) e, diante Dele, todo
joelho, em todo lugar, se dobrará (v.10), além de que toda
língua confessará que Ele é o Senhor para a glória do Pai.
182
Quando nos humilhamos por Cristo, Ele é exaltado. Esse é
o alvo de nossas vidas e da obra missionária: a glória de
Deus em toda a terra!

David Livingstone disse: “Deus, tendo um único Filho,


fez dele um missionário!” Sim, Jesus se fez um missionário e
isso envolve humilhação, submissão, entrega, enfim,
humildade. E nós, estamos dispostos? Temos de estar,
temos que fazer. É a nossa missão.
Devemos nos humilhar, não para buscar nossa
própria glória (o que seria uma grande incoerência...), mas
para buscar a glória de Jesus Cristo nosso Salvador, para
que joelhos se dobrem diante Dele e para que línguas O
confessem como Senhor.
Se vivemos cheios de orgulho e egoísmo, Cristo não
será glorificado e pessoas não se converterão a Ele. Se
quisermos que nossas igrejas sejam missionárias,
precisamos de humildade e união, buscando a glória de
Cristo acima de tudo. Por isso, precisamos imitar o exemplo
de nosso Salvador.
Também devemos viver em completa humildade:

DESENVOLVENDO A NOSSA SALVAÇÃO (v.12-18): Neste


ponto da carta, Paulo pede que os irmãos de Filipos
obedeçam seu conselho, como já faziam, e que desenvolvam
a salvação deles com temor (de Deus — que é o princípio da
sabedoria — Pv 1.7) e com tremor (medo do Senhor
soberano, admiração e respeito).
O que isso tem a ver com a humildade? Tudo! Afinal,
se somos humildes, dia a dia reconheceremos que
precisamos crescer, melhorar, mudar, sermos mais parecido
com Jesus, servir melhor ao Senhor e uns aos outros,
pregar mais o evangelho, fazer mais missões, etc. Jamais
podemos nos achar fiéis ou maduros demais ao ponto de
não precisar crescer.
Para que a nossa salvação se desenvolva, Paulo dá
algumas dicas:

183
Fazer tudo sem reclamar ou brigar (v.14): Humildade em
prática, domínio próprio, autocontrole.

Brilhar neste mundo de trevas (v.15): Sermos irrepreensíveis,


sinceros e inculpáveis no meio de um mundo perverso e
corrupto. Enfim, sermos completamente diferentes do
mundo e fazer a diferença nele! O mesmo que Jesus
ensinou em Mateus 5.14-16 sobre sermos sal da terra e luz
do mundo.

Preservar a Palavra da Vida (v.16): Precisamos preservar o


evangelho e a Palavra de Deus. Preservá-lo em nossa vida,
em nossa fé, perseverando, pregando, ensinando, treinando
as novas gerações e oferecendo o evangelho aos perdidos
(missões).
Estas são algumas maneiras de desenvolvermos a
salvação que Cristo nos deu, e a quarta maneira de
vivermos em completa humildade, é:

HONRANDO OS QUE DÃO SUAS VIDAS POR AMOR A


CRISTO (v.12-30): Precisamos honrar e valorizar os
missionários e obreiros que têm dedicado suas vidas pela
obra do Senhor, pela pregação do evangelho, por missões e
por nós.

Primeiramente aos que investiram em nós (v.12, 16-18):


Paulo queria que, mesmo distante dele, os filipenses
desenvolvessem a salvação e que ficassem firmes no
evangelho para que o seu trabalho entre eles não fosse em
vão e nem inútil.
Estava pronto a ser oferecido em sacrifício por eles,
desde que permanecessem firmes na fé. Isso era sua alegria
e deveria ser também para os filipenses. Temos humildade
para valorizar o trabalho e esforço dos que investiram em
nós? O Missionário fundador de nossa igreja? Quem nos
ganhou para Cristo? Pastores que já cuidaram e cuidam de
nós?
Os que, no momento, estão dando suas vidas por Cristo e
pelo evangelho.
184
– o Pastor Timóteo: cujo caráter era aprovado e servia ao
evangelho (v.22).
– o obreiro Epafrodito (v.25): chamado de irmão,
cooperador, companheiro de lutas, mensageiro e auxiliar.
Era um crente da igreja de Filipos, que foi enviado para
ajudar Paulo e que agora estava regressando como o
portador da epístola. Este irmão teve a disposição de sofrer
e até de morrer por amor a Cristo e pela causa do
evangelho. Agora estava voltando para casa com a carta de
Paulo nas mãos, curado por Deus de uma doença grave e o
apóstolo pede aos filipenses que o recebam com alegria e
honra.
Irmãos, é assim que precisamos agir com os
missionários e obreiros que trabalham fielmente em nossos
dias — tratá-los com alegria, amor, carinho e honrá-los,
pois o que estão fazendo é a obra mais maravilhosa que
existe: estão dando suas vidas pela pregação do evangelho a
toda criatura na face da Terra. E, nesta missão, eles:
 Estão longe de suas famílias e culturas;
 Lutam com a adaptação ao campo, aos costumes,
línguas e culturas dos povos (mesmo dentro do próprio
país);
 Não têm todas as facilidades e recursos que temos em
nossas cidades;
 Passam por problemas de saúde e perdas nas famílias
(como todas as pessoas normais;
 Sofrem e morrem por servir a Deus e pregar o
Evangelho onde é proibido;
 E estão dispostos a enfrentar estas coisas por amor a
Deus, a Cristo, ao Evangelho e aos perdidos.
E nós, como os tratamos?
Precisamos ter humildade para honrar homens e
mulheres, como Epafrodito. Temos feito isso? Como
podemos honrá-los? Valorizando o trabalho deles, orando
por eles, auxiliando financeiramente, sabendo que existem e
pelo que passam (prestar atenção às cartas é uma boa
maneira de isso acontecer), recebê-los bem em nossos lares
e igrejas, visitá-los, auxiliá-los nas lutas e dificuldades, dar
o apoio que precisam para realizar a obra de Deus onde não
185
podemos estar e imitá-los com nossas vidas. Temos
humildade para isso? Devemos ter!

CONCLUSÃO: A Igreja de Filipos fazia isso e os resultados


foram maravilhosos: viram a obra de Deus se expandir pelo
mundo com a participação deles, missionários (como Paulo)
sabiam que podiam contar com apoio desta amada igreja
em todas as áreas de suas vidas e ministérios, eles se
desenvolviam na fé e glorificavam a Deus com suas vidas
fazendo a obra missionária e crescendo como igreja local.
A igreja de Filipos era uma igreja que funcionava,
porque os irmãos se esforçavam para viver em humildade e
para fazer missões com humildade. Com isso, Deus os
abençoava.
Façamos o mesmo, sejamos humildes uns Para com
os outros, imitando o exemplo de nosso Senhor Jesus
Cristo, desenvolvendo nossa salvação e honrando os
que dão suas vidas por amor a Cristo. Vivendo desta
maneira, veremos, o quanto amadureceremos como
cristãos, o quanto cresceremos espiritualmente como igreja,
como andaremos unidos no mesmo propósito de glorificar e
obedecer a Deus e, principalmente, o quanto faremos
missões. E o melhor, do jeito certo, do jeito que Deus quer,
com humildade, união e amor. Que Deus nos abençoe!

186
Um Modelo De Igreja Missionária (3)
Filipenses 3 e 4

Nesta meditação final no livro e Filipenses,


trataremos de um tema central do livro, repetido e
enfatizado pelo apóstolo Paulo, que é tão importante para
nós cristãos em nossa vida diária e na realização da obra
missionária: Alegria (v.3.1 e 4.4)!

DEVEMOS NOS ALEGRAR NO SENHOR JESUS!

Ou seja, devemos ser uma igreja alegre, precisamos


ser crentes alegres, evangelizar com alegria e fazer missões
com alegria. E, isso, faremos:

CUIDANDO COM OS INIMIGOS DA SUA CRUZ (v.3.2-3 e


17-21): Chamados por Paulo de cães, maus obreiros, de
falsa circuncisão (3.2), que confiam na carne (3.3) e de
inimigos da cruz de Cristo (3.18), cujo destino é a perdição,
cujo deus é o ventre, cuja glória é sua infâmia (ou seja, o
pecado, a perda da honra, o erro) e que só se preocupam
com coisas terrenas.
No contexto, Paulo está afirmando que tais pessoas
estão nas igrejas, infiltradas, não se declaram inimigas, se
dizem cristãs, se dizem obreiras, mas não são; não são nem
salvos. Na verdade, odeiam a Cristo, são inimigos de Sua
cruz, pregam a salvação por obras, pregam o legalismo,
pregam o mundanismo, estimulam o pecado, pregam o
amor ao mundo e às coisas desta terra, não se preocupam
com a eternidade e, portanto, não fazem missões e impedem
a igreja de fazê-las. Existem muitos que se dizem crentes,
mas que, na verdade, são inimigos da cruz.
Pessoas assim tiram a alegria do povo de Deus,
acabam com a alegria da igreja, atrapalham o evangelismo e
a obra missionária, tiram Cristo do foco e só criam
problemas. Temos que tomar cuidado com estas pessoas,
nos afastarmos delas, não dar ouvidos aos seus ensinos e,
de forma alguma, imitá-las, pelo contrário, devemos imitar a
187
Paulo e a outros que andam como ele, colocando Cristo em
primeiro lugar e a mensagem da cruz como razão de vida.
A quem temos dado ouvidos? A quem temos imitado?
Tomemos cuidado com falsos pregadores da prosperidade,
mensageiros das seitas ou lobos dentro de nossas
congregações!
Também devemos nos alegrar no Senhor Jesus:

COLOCANDO-O ACIMA DE TUDO (v.3.3-4.1): Ao contrário


dos inimigos da Cruz, Paulo colocava Jesus acima de tudo e
de todos. E, não somente isso, por Jesus e pelo evangelho,
ele abriu mão da própria vida e de tudo o que tinha ou
poderia ter: fama, status, poder, riquezas, posição,
reconhecimento, etc.... O que ele queria, era pregar o
evangelho de Jesus, ver pessoas salvas do pecado, ver
igrejas fundadas e o nome de Jesus glorificado. Que
exemplo para nós!

O lucro do mundo é perda e lixo perto de Jesus (v.3.7-8): Ele


é muito melhor, maior e mais sublime do que as melhores
coisas deste mundo. Não tem comparação. Paulo vivia
assim.
- Refugo/escória perto de Jesus (v.3.8): Esta palavra nos
passa a ideia de resíduos, resto, aquilo que é deixado de
lado, ou seja, algo completamente sem valor. É assim que
as coisas deste mundo, mesmo as melhores, mais valiosas e
importantes são, quando colocadas diante do Salvador: lixo!
E é por causa de lixo que muitos crentes não têm
vivido uma vida de alegria; por causa disso que muitos têm
deixado de evangelizar e, principalmente, de fazer missões.
Isso é um grave pecado, é muito errado. Trata-se de uma
troca grosseira de valores. Infelizmente, muitos de nós não
fazem missões por causa de lixo!

O alvo é a semelhança com Cristo, conformando-nos com ele


em Sua morte (v.3.9-11): Nada de justiça própria, apenas
Sua graça, nada de obras, mas fé, justificados por Jesus
somente, conhecendo-O e desfrutando do poder de Sua
ressurreição, comungar (compartilhar) dos Seus
188
sofrimentos, sermos parecidos com Ele na morte e, um dia,
como Ele e totalmente por causa Dele, alcançarmos a
ressurreição dos mortos.
Temos aqui o oposto de Romanos 12.1, ou seja, não
devemos nos conformar com este mundo, como o fazem os
inimigos da cruz, mas nos conformarmos com Cristo e seu
sofrimento. E isso são missões e evangelismo em ação,
como parte da vida e como razão e fruto da salvação.
Cristo se entregou para nos salvar e devemos nos
entregar para que Ele salve mais alguns, mesmo que, para
isso, seja necessário sofrer e até morrer.

Avançando na Fé (v. 3.12-16). Como já vimos anteriormente,


precisamos desenvolver a nossa salvação (v. 12). Aqui,
Paulo fala que fomos “conquistados por Cristo Jesus”, que
um dia nos salvou, venceu na cruz e nos conquistou; e este
Salvador maravilhoso quer que nós desenvolvamos a
salvação que nos concedeu. Lembremo-nos que esta é a
segunda vez na epístola que Paulo trata deste assunto. A
primeira foi no capítulo 2, versículo 12.

Esquecer o Passado (v.13): Ou seja, não devemos nos apegar


ao passado e esquecer de viver o agora. Isto inclui:

- Pecados e Erros: Se estas coisas nos impedem de


melhorar, precisamos deixá-las, confessá-las, pois Deus nos
perdoou em Cristo na cruz (I Jo 1.9). Jesus é maior que
nosso passado. Mesmo que as consequências nos lembrem
deles, devemos confiar no perdão perfeito que Jesus
conquistou na cruz.

- Vitórias e Acertos: Se já fizemos alguma coisa para Deus


no passado não devemos deixar de melhorar ou de fazer
mais agora, pois estamos aqui é para servi-LO mais e mais
por meio de Cristo.
Já fizemos algo? Graças a Deus! Que ótimo! Então,
vamos melhorar e fazer mais e não parar. Ter feito algo no
passado não é justificativa para não fazer mais no presente
e no futuro.
189
Procurar Galardões (v.14): Galardões são recompensas que
Deus nos dará em virtude de nossa fidelidade e serviço a
Ele prestados, para que, ao chegarmos na presença de
Jesus Cristo, possamos depositá-los aos pés Daquele que
morreu na cruz por nós, nos dando o maior de todos os
presentes, a salvação, o céu, a vida eterna.
Lembremo-no que evangelismo e missões trazem
galardões. Paulo entendia muito bem isso.

Um Passo de Cada Vez (v.16). Não devemos querer fazer


tudo de uma só vez, como, por exemplo, conhecer toda a
Bíblia rapidamente, ajudar todos os missionários ao mesmo
tempo, ganhar todas as pessoas na mesma semana, etc.
Não, uma coisa de cada vez. Temos que prosseguir de
acordo com o que temos alcançado, passo a passo,
conforme a capacidade que Cristo nos dá, e assim,
melhorando dia a dia para a glória de Deus.

Nosso lar é o céu (v.3.20-21). Por isso, não podemos nos


apegar a este mundo passageiro, mas à eternidade, onde
tudo será infinitamente melhor e estaremos juntos de
Jesus. Por Ele, seremos transformados e a humilhação
daqui não será lembrada, tudo será glória e alegria eterna,
debaixo da soberana mão do Salvador. É nisso que devemos
nos apegar, isso deve nos dar alegria e motivação corajosa
para fazer missões. É a nossa certeza, a nossa bendita
esperança!
A terceira maneira para nos alegrarmos em nosso Senhor
Jesus é:

CONFIANDO NELE NO DIA A DIA (v.4.2-9). A alegria


verdadeira e constante vem da fé em Cristo, não só para a
salvação, mas para o nosso caminhar no dia a dia. É disso
que Paulo trata na parte final de sua carta. Por exemplo:
Para a resolução dos problemas pessoais (v.4.2-3). A
confiança em Cristo nos ajudará a pensarmos
concordemente no Senhor (Jesus é o centro de nossas vidas
e relacionamentos). Devemos andar em harmonia e Jesus
nos capacita a isso, apesar de nossas diferenças.
190
Precisamos sentir a mesma coisa, possuir o mesmo pensar
e nos entendermos bem.
União e paz trazem alegria para a Igreja. Brigas e
desentendimentos, por outro lado, tiram-na totalmente de
nossa realidade, tanto que é justamente disso que Paulo
fala logo em seguida, sobre o alegrarmo-nos no Senhor (v.4).
Mesmo sendo cooperadores no evangelho, por intrigas
e discórdias pessoais, podemos acabar brigando como
Evódia e Síntique, e isso destrói o testemunho da Igreja,
impede-nos de frutificar e elimina completamente a obra
missionária.

Para o nosso Contentamento (v.4.5). Nossa moderação ou


contentamento deve ser conhecido de todos e deve ser algo
visível e evidente. Isso inclui estarmos contentes com as
pessoas que Deus colocou em nossas vidas e aquilo que
somos, bem como as coisas que temos, seja como crentes
individuais ou como igreja.
Nossa satisfação deve estar em Cristo e não no que
queremos. Nossa alegria deve vir Dele e do que Ele nos dá.
E, pelas Escrituras, sabemos que Ele está perto de nós (Mt
28.20), e isso deve nos motivar a uma vida de satisfação e
contentamento plenos.

Para cuidar de nossas ansiedades (v.4.6-7). Não podemos


andar (viver) ansiosos ou preocupados com nada, mas
colocar tudo diante de Deus em oração e súplicas. Isso é fé
verdadeira, o que demonstramos ao orar e descansar no
Senhor.
Quando fazemos isso, Ele nos dará Sua paz, que é
maior do que podemos entender, e até imaginar, e guardará
nosso coração e nossa alma por meio de Seu Filho. Jesus é
a nossa alegria e a nossa paz. Que maravilha!
Para controlar nossos pensamentos e nossas ações (v.8-9).
Jesus é quem deve encher nossa mente e dominar nossos
pensamentos, e não as coisas deste mundo. Sua Palavra
deve ser o foco de nossa meditação e não o pecado, o mal ou
aquilo que é vazio e passageiro. Isso definirá nossa alegria,

191
bem como nossas atitudes e nosso envolvimento em
missões.
O versículo 8 é uma descrição perfeita de Jesus e de
sua Palavra e é justamente isso o que deve encher e
dominar nossos pensamentos:
“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é
respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que
é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e
se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso
pensamento.”
Ao ler este lindo verso, só podemos pensar em Jesus,
Jesus e Jesus.
Desde a adolescência tenho ouvido e lido a seguinte
frase: “Semeia-se um pensamento, colhe-se uma ação,
semeia-se uma ação, colhe-se um hábito, semeia-se um
hábito, colhe-se um caráter, semeia-se um caráter, colhe-se
um destino!” E isso é uma clara verdade, para bem ou para
mal.
Se pensarmos biblicamente, viveremos corretamente,
evangelizaremos e faremos missões. Imitaremos Paulo e
outros servos fiéis do Senhor e Ele estará conosco, dando-
nos toda a paz que precisamos, controlando nossos passos
e dando-nos uma vida alegre em Cristo.
Por fim, nos alegramos no Senhor Jesus:

CONFIANDO NELE PARA FAZERMOS MISSÕES (v.4.10-20).


Concluindo sua carta, Paulo agradece aos irmãos de Filipos
pelo envolvimento deles em seu trabalho missionário e
declara toda sua alegria por causa disso.
No versículo 10, sabemos que eles ajudaram Paulo
com ofertas mais de uma vez. Portanto, sustentar o
missionário era o padrão de vida da igreja, seu costume e
sua marca. Não era algo esporádico, mas comum e normal.
Nos versículos 11 a 13 observamos que Paulo, como
missionário, já havia aprendido a viver contente em toda e
qualquer situação. E, com Jesus, estava ensinando aos
irmãos de Filipos, e a nós, que é possível o salvo viver
contente mesmo nas dificuldades, afirmando que podia
enfrentar tudo em Cristo, que o fortalecia. O mesmo
192
princípio valia para os filipenses e ainda vale para nós.
Precisamos aprender isto.
Nos versos 14 a 17 lemos que os filipenses fizeram
bem associando-se com Paulo na manutenção de seu
ministério, pois, juntamente com o apóstolo, também
recebiam, em formas de frutos, a salvação de almas, a
gratidão e as recompensas eternas.
Investir em missões gerava crédito aos filipenses e
gerará para nós ao participarmos ativamente do sustento e
ministério dos missionários na atualidade.
Ainda nos versículos 18 a 20, aprendemos que eles
participavam da obra missionária, supriam as necessidades
de Paulo, estavam oferecendo sacrifícios agradáveis e
aceitáveis a Deus e tinham a certeza de que Deus supriria,
por meio de Jesus, todas as suas necessidades. Irmãos,
esta é nossa certeza também: Quando investimos em
missões, agradamos a Deus, ajudamos os missionários e
Deus nos sustenta em todas as nossas necessidades (não
caprichos...).
Por Jesus e com Jesus devemos fazer missões e com
alegria. Vale a pena!

CONCLUSÃO: Devemos nos alegrar em nosso Senhor Jesus,


cuidando com os inimigos da sua Cruz, colocando-O acima
de tudo e de todos, confiando Nele no dia a dia e, por fim,
confiando Nele para fazermos Missões.
Temos sido uma igreja alegre? Temos vivido uma vida
de alegria? Temos feito missões com alegria? Jesus é nossa
alegria? Avaliemos nossa vida e a vida de nossa igreja a luz
de Filipenses e, com Jesus e por Jesus, vivamos alegres,
cumprindo a missão que Ele nos confiou, que é levar Seu
evangelho, Sua luz e Sua alegria a todos os perdidos até aos
confins da terra.

193
Arrependimento e Missões (1)
Salmo 51

O Arrependimento de Davi

Paul Washer costuma enfatizar o seguinte: “A


evidência de que um dia você recebeu a salvação é que
continua se arrependendo e crescendo em Cristo.”
O arrependimento faz parte integral da vida cristã, do
início ao fim; do dia da conversão até o dia da morte.

“Arrependimento verdadeiro é muito mais do que uma


tristeza pelo pecado ou erro, mas é uma mudança completa
de vida, tanto do pensamento, quanto da ação. Literalmente
é dar meia volta, se converter.”

Pedro, dirigindo-se ao povo judeu que, constrangido


com a sua pregação do evangelho, foi lhe perguntar o que
devia fazer, disse: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos,
para que sejam apagados os vossos pecados, e venham
assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos
3.19)
O arrependimento dos pecados e a fé em Cristo são
intimamente ligados na conversão de um pecador e o
arrependimento é a mensagem das Escrituras do início ao
fim, era a mensagem dos profetas no A.T., foi a mensagem
de João Batista, de nosso Senhor Jesus e dos apóstolos
após Ele. Por isso, deve ser a nossa mensagem hoje:
“Arrependei-vos e crede no evangelho!” (Mc 1.15)
O crente, durante sua jornada cristã, ainda precisa se
arrepender dos seus pecados diariamente, constantemente,
sempre que preciso, com humildade, temor e fé no sacrifício
de Jesus na Cruz em nosso favor. Ainda somos pecadores e,
infelizmente, cairemos em pecados até o encontro com
nosso Salvador e a glorificação que resultará disso.
O arrependimento verdadeiro é provado com a
confissão sincera dos pecados a Deus (1 Jo 1.9) e pelo
abandono do erro: “O que encobre as suas transgressões
194
nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará
misericórdia” (Pv 28.13)
A ausência de arrependimento impede nossas orações
de serem ouvidas. O salmista afirmou: “Se eu no coração,
contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido.” (Sl
66.18)
A tristeza profunda pelo pecado, causado pelo
Espírito Santo de Deus, produz vida, nova vida, algo melhor
(2 Co 7.9-10), mas a tristeza do mundo que não passa de
remorso, sentimento de culpa, vergonha, temor da
descoberta e medo das consequências produz morte. Por
isso vemos tantas pessoas cometendo suicídio, vivendo em
depressão profunda, assassinando o próximo e, cada vez
mais, praticando outros e piores pecados.
Portanto, uma das provas de que somos salvos é
quando, verdadeiramente, nos arrependemos dos nossos
pecados. Quando ficamos profundamente tristes por eles,
quando somos incomodados pelo Espírito Santo, quando
sabemos que pecamos contra nosso santo Deus e então
confessamos nossos erros ao Senhor, confiamos no Seu
perdão, na Sua purificação e abandonamos completamente
nossos erros, mudando totalmente o rumo e a direção de
nossa vida.
Enfim, o que isto tem a ver com evangelismo e
missões? TUDO! Tendo esta compreensão básica do que é o
arrependimento verdadeiro e de como ele faz parte da vida
do cristão, veremos três casos de servos de Deus do
passado que, em razão do seu verdadeiro arrependimento,
viveram uma vida de pregação do evangelho, de testemunho
da graça e misericórdia de Deus, alcançaram vidas com sua
mensagem e foram instrumentos nas mãos do Senhor,
glorificando o Seu nome, levando vidas à salvação e
edificando o povo de Deus e Sua Igreja.
São eles: Davi, Jonas e Pedro. Começaremos com
Davi e sua conhecida e comovente oração de
arrependimento no Salmo 51.

195
O Salmo 51 é um salmo de Davi, o quarto dos
chamados “Salmos Penitenciais”, ou seja, de confissão e
arrependimento.
Foi escrito aproximadamente um ano após o salmista
ter cometido adultério com Bate-Seba e ter, logo em
seguida, assassinado seu marido, Urias, e outros fiéis
soldados do exército de Israel, para encobrir a gravidez
indesejada, fruto do relacionamento pecaminoso.
Davi foi um servo de Deus exemplar e muito fiel,
exceto neste caso que manchou sua vida e seu testemunho,
como é destacado em 1 Reis 15.5 e passou cerca de um ano
numa insensibilidade espiritual, uma espécie de anestesia
espiritual, uma vida inútil, falsa, hipócrita, fingida e sem
sentido, só vindo a se arrepender quando o profeta Natã foi
até ele e o confrontou com seu terrível pecado (2 Samuel
12.1-14).
Isso é uma prova de que SEMPRE é Deus quem
busca o pecador, tanto para salvá-lo (Lc 19.10) quanto para
restaurá-lo, como foi aqui com Davi e com Pedro anos
depois, dentre outros. Portanto, se alguém vem até nós e
nosso pecado é revelado, isso não é motivo de raiva, mas de
alegria, pois é Deus nos buscando para restaurar nossa
vida e nossa comunhão com Ele. Apesar da vergonha e das
consequências, isso demonstra a graça, o amor e a
misericórdia do Senhor para conosco.
Outra verdade aqui expressa é que é possível um
salvo viver numa medíocre, insensível, hipócrita e inútil
vida espiritual se estiver escondendo pecados cometidos em
oculto. Não é o certo, não é a vontade de Deus, não deveria
ser assim, mas infelizmente acontece.
Desta forma, este salmo atinge um nível pessoal de
angústia muito profundo e se torna tão real para todos nós,
pois, assim como Davi, somos pecadores miseráveis e, vez
ou outra, caímos em erros grosseiros que afligem nossa
vida, esmagam nossos ossos, destroem-nos por dentro, e só
no Senhor Deus, podemos encontrar perdão, restauração e
uma nova vida por meio de Seu Filho Jesus Cristo, nosso
Senhor e Salvador. Sendo assim, aprendemos com Davi
que:
196
DEVEMOS ENGRANDECER A DEUS POR SUA GRAÇA E
NOS ENCHER DE PROFUNDO NOJO PELO PECADO!

OBSERVANDO A DESGRAÇA DO PECADO NA VIDA DO


SALVO (v.1-4). Davi usa várias palavras diferentes para
descrever seu pecado ao longo da confissão. Por exemplo:

Transgressões: Que significam desobediência à Lei de Deus.


Iniquidades: Refere-se à perversidade e à maldade. Pecados:
A mais conhecida e comum que, literalmente significa errar
o alvo, ou seja, errar o alvo de Deus para nossa vida.
Com isso, ele mostra o quanto sabia ser séria sua
situação. Além disso, reconheceu sua natureza pecaminosa
(v.5), sabia que era pecador desde o nascimento e que em si
não existia nada de bom, apenas o pecado. Aqui é um dos
textos-chave das Escrituras para compreendermos a
doutrina da depravação total, que explica a situação real de
cada ser humano na face da Terra: caído, perdido, escravo
do pecado e separado de Deus.
Dentro da realidade da desgraça que o pecado causa
na vida do salvo, temos:

Culpa constante na alma, angústia, peso, aflição intensa – 3:


Vergonha, hipocrisia, ocultação do pecado, mentira, medo
de ser descoberto, etc.

Dor em todo o corpo, dor até nos ossos, estrutura de todo


corpo abalada (v.8): Pecado não confessado afeta, e muito, a
nossa saúde. Lendo os livros de Jay Adams, um renomado
conselheiro cristão, ele enfatiza que muitos dos problemas
físicos e mentais de nossas dias são consequências diretas
da culpa guardada dos pacientes.

Perda da comunhão com Deus (v.11a): Obviamente o pecado


não confessado nos afasta do Senhor.

Perda do poder do Espírito Santo, perda dos dons,


habilidades, oportunidades, capacidades e privilégios dados
por Deus (v.11b): Davi não temia perder sua salvação, mas a
197
perda da bênção especial para ser o rei e líder espiritual da
nação de Israel, o povo de Deus que dependia, totalmente,
da ação do Espírito Santo de Deus nele.

Perda da alegria da vida e, em especial, da alegria da


salvação (v.12): O pecado tira nossa alegria e impede de
desfrutarmos da alegria que Deus nos dá por meio de Seu
Filho.

Perda de uma vida Reta e Firme (v.12): Espírito reto ou


voluntário significa firmeza, jovialidade, disposição, retidão,
vida correta, força, estar de pé, ter condição para servir ao
Senhor e cumprir Sua vontade, o que só vem através do
Espírito Santo. O pecado impede isso.
Perda do testemunho (v.13): Devido ao pecado, não podemos
ajudar outros a crerem em Deus, a se arrependerem ou a se
converterem. Davi sabia disso e temia.

Perda do louvor sincero (v.15): Davi não tinha alegria ou


sinceridade em louvar enquanto vivia em pecado. Ele sabia
que era algo falso. Isso é terrível para alguém que, como
Davi, é chamado para louvar, servir e liderar.
Perda das oportunidades de servir a Deus no culto público
(v.16): Davi sabia que de nada adiantava oferecer sacrifícios
ou ofertas no culto mantendo pecados escondidos, pois
tudo seria em vão, uma verdadeira hipocrisia e não seria
aceito por Deus.

Sofrimento para todo o povo de Deus (v.18): Todo a nação de


Israel sofria pelo pecado e queda do seu rei. Um povo
derrotado diante de Deus, sem a possibilidade de crescer ou
se desenvolver. Quando pecamos, sofremos e fazemos nossa
família sofrer e, especialmente, o povo de Deus, sua igreja.
No pecado de Davi podemos ver que o mesmo pode
ser algo prazeroso na hora em que é cometido, porém é
destruidor, maligno e horrível, traz a desgraça e a dor à vida
de QUEM o pratica, a desonra ao Senhor e ao Seu nome,
bem como Sua tristeza e o Seu castigo (disciplina), além do
sofrimento dos que estão ao nosso redor. A triste verdade
198
está relatada a primeira parte de Romanos 3.23: “Porque o
salário do pecado é a morte...”
Temos reconhecido isso em nossas vidas?
Reconhecemos a seriedade do pecado ou o tratamos como
algo qualquer, como brincadeira ou sem importância?
Temos sentido estes sintomas em nossas vidas quando
pecamos, ou não ligamos para o pecado e não sentimos
nada ao praticá-lo? Se isso acontece, é preciso que haja
conversão, pois tal insensibilidade não é fruto do Espírito
Santo. Se é o seu caso agora, busque imediatamente o
perdão de Deus...
Também devemos engrandecer a Deus por Sua graça
e nos encher de profundo nojo pelo pecado:

DESFRUTANDO DO SEU MILAGROSO E MARAVILHOSO


PERDÃO (v.1-4 e 6-14). Mesmo completamente culpado,
Davi buscou o perdão e a restauração em Deus. Mas não de
qualquer jeito, buscou muito, intensamente, pediu, clamou,
implorou, pediu de novo e rogou.
Assim como Davi, devemos nos arrepender de
verdade dos nossos pecados!
No versículo 4, vemos que Deus é o único que pode
perdoar nossos pecados, pois todo pecado é, antes e acima
de tudo, contra Ele. Por ser Santo, puro e reto. José, no
livro de Gênesis, entende isso muito bem quando rejeitou
pecar com a esposa de Potifar (Gn 39.9).
Podemos buscar o perdão em Deus, e DEVEMOS
fazer isso, porque Ele é infinitamente misericordioso,
gracioso e bondoso. Davi só buscou o perdão do Senhor
porque sabia que só Ele, sendo tão misericordioso, poderia
perdoar tamanho pecado.
Deus perdoa e restaura a vida do pecador
arrependido que o busca, confessa e deixa a iniquidade (Pv
28.13 e I Jo 1.9), como o fez com Davi, mas as
consequências permanecem, além do castigo e da
disciplina, pois Ele é Santo e Justo (v.4).
Reconhecemos o quanto Deus é misericordioso? Não
existe pecado que Ele não possa perdoar, Ele é maior do
que o nosso pecado e Suas misericórdias não têm fim (Lm
199
3.22-23). Arrependamo-nos e confessemos os nossos
pecados a Deus e, por Ele, sejamos perdoados e
restaurados.
E, por fim, devemos engrandecer a Deus por Sua
graça e nos encher de profundo nojo pelo pecado:

PASSANDO PELO PROCESSO DA RESTAURAÇÃO. A


restauração de um pecador caído não é algo imediato (o
perdão, sim). Davi levou um tempo para se levantar e o
mesmo acontecerá conosco em maior ou menor grau. E este
processo envolve:

Reconhecimento do pecado: É o primeiro passo para ser


perdoado por Deus, mesmo que tal reconhecimento só
venha depois da intervenção de outra pessoa, como o
profeta Natã fez com Davi. Lembremo-nos que é Deus quem
está agindo para nos restaurar. Davi reconheceu isso (2 Sm
12.13).

Arrependimento, dor, vergonha e tristeza profunda pelo


pecado: É preciso reconhecer o quanto o pecado é horrível,
errado, destruidor e contra Deus. Não banalizá-lo.
Contrição, humilhação, quebrantamento total do coração
(v.16-17): Deus não queria sacrifícios ou ofertas, afinal, Ele
não pode ser “comprado”. Para perdoar e restaurar um
pecador, Ele quer humilhação e nada de orgulho,
arrogância ou atitude indiferente para com o pecado (agir
como se não fosse nada).
Confissão: Davi confessou o seu pecado a Deus, ao profeta
Natã e ao seu povo (primeiro os ouvintes deste hino já no
tempo em que foi escrito e, ao longo dos anos, à todos os
crentes que leem estas Palavras). Por que ele fez isto?
Devido ao fato de seu pecado ser público e à sua posição de
autoridade e liderança, tanto política, quanto espiritual. Os
textos de I Jo 1.9 e Pv 28.13 precisam ser relembrados aqui.

Rogo pelo perdão, purificação, limpeza e transformação:


Sendo o Senhor o único que pode nos limpar e perdoar

200
completamente do pecado, é a Ele que devemos pedir, com
súplicas, o perdão.
No original Davi pediu (v.2) “multiplica lavar-me”. Seu
pecado era tão grande, sabia que estava tão sujo que
precisava de inúmeras lavagens (visão humana de limpeza).
Ele também menciona o hissopo, que era um
instrumento feito de plantas usado no A.T. pelos sacerdotes
para aspergir com sangue as pessoas e purificá-las da lepra
ou do contato com algum morto, para que pudessem
participar das cerimônias no templo novamente. A ideia
aqui é que Davi queria estar purificado e limpo para servir a
Deus novamente.
Toda menção a hissopo, lavar, aspergir, limpar ou
purificar neste salmo é para nos ensinar que todo o perdão
vem do sacrifício de Cristo na cruz e do seu sangue
derramado ali, simbolicamente “aspergido” sobre nós,
portanto, todas as nossas orações por perdão devem ser
acompanhadas de pensamentos voltados para este grande
sacrifício de Jesus e de fé na suficiência dele em nos
purificar. Reflitamos nestas profundas passagens do Novo
Testamento:

“e sem derramamento de sangue não há remissão”


Hb 9.22

“no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos


pecados, segundo a riqueza da sua graça”
Ef 1.7
“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz,
mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de
Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.”
I Jo 1.7

CONCLUSÃO: No versículo 19, vemos Davi já alegre e certo


do perdão e restauração vindos de Deus, tanto que está
pronto a cultuar ao Senhor e oferecer os sacrifícios de
gratidão, aliás, alguns resultados do perdão e restauração
de Deus ao pecador arrependido são: paz interior e paz com
Deus, alegria, vida reta e firme, desejo de buscar outros
201
pecadores para o Senhor, o ensino do amor e do Seu perdão
aos outros, o desejo pela conversão de outras pessoas
(evangelismo e missões), um louvor musical sincero,
humildade, o desejo pelo bem do povo de Deus, a Igreja,
gratidão e um serviço dedicado ao Senhor.
Um dos principais resultados do arrependimento é o desejo
de que outros também desfrutem da misericórdia e do
perdão de Deus. É uma nova disposição no testemunhar, no
evangelizar, no espalhar a Palavra de Deus ao mundo
perdido. Aqui encontramos a associação entre o
arrependimento dos pecados com as obras de evangelismo e
missões.
Portanto, se tivermos pecado, ou quando pecarmos,
arrependamo-nos, confessemos imediatamente a Deus,
abandonemos todo o erro, confiemos em Jesus e
desfrutemos do Seu perfeito perdão e restauração — o que
inclui o testemunho do Seu amor aos perdidos, o
evangelismo onde estamos e a obra missionária aos não
alcançados.
O fato é: “devemos engrandecer a Deus por Sua graça
e nos encher de profundo nojo pelo pecado!”

202
Arrependimento e Missões (2)
Jonas 2

O Arrependimento de Jonas

Pecado é errar o alvo, e Jonas errou feio.


Voluntariamente, decidiu ir para longe do lugar para o qual
Deus o enviou e, sendo um profeta (mensageiro e porta-voz
do Senhor), isso piorou a situação.
Jonas deliberadamente decidiu pecar. Ele escolheu
isso, tinha suas razões, e não era medo, vergonha e
dificuldade para anunciar a mensagem divina (desculpas
que normalmente usamos para fugir de nossa
responsabilidade como testemunhas do evangelho), mas
ódio dos assírios, inimigos profundos de Israel e queria que
fossem condenados e destruídos por Deus por conta de sua
maldade para com seu povo. Este é um tipo de sentimento
difícil para nós, brasileiros, entendermos, mas outras
nações envolvidas em guerras e massacres históricos
compreendem muito bem.
Ele quis fugir da presença do Senhor (1.3 e 10) e,
como disciplina, Deus o expulsou de sua presença,
enviando-o para dentro do grande peixe (2.4). Ali, no mais
improvável “submarino”, Deus, ao mesmo tempo em que
disciplinou Jonas, salvou sua vida, o levou ao
arrependimento do seu pecado e a uma mudança de
pensamento e de atitude, que resultou numa profunda e
humilde oração de arrependimento e numa conversão do
profeta.
Mais uma vez, vale lembrar a frase de Paul Washer: “A
evidência de que um dia você recebeu a salvação é que
continua se arrependendo e crescendo em Cristo.” Portanto,
aprendamos com a oração de Jonas, especialmente no verso
9, que:

PRECISAMOS RECONHECER QUE A SALVAÇÃO


PERTENCE A DEUS!

203
Ele salva a quem quer e quando quer. Tanto a
salvação da alma, quanto do corpo (livramentos, curas e
milagres, como o de Jonas). O profeta fujão conclui sua
oração com esta afirmação usando um jogo de palavras com
a salvação de sua vida, bem como o desejo do Senhor pela
salvação dos assírios, mas o fato é: a salvação pertence a
Deus e, por isso, precisamos ser gratos por desfrutá-la, pois
não merecemos e, de forma nenhuma, podemos privá-la a
outros pecadores.

CONHECENDO-O E A SUA PALAVRA: Jonas conhecia o


Senhor, era um profeta Dele, um mensageiro, um porta-voz
do Deus de Israel. Sabia quem Ele era e recebia diretamente
Dele a palavra.
Por isso, assim como a maioria de nós, pecou porque
quis; não era inocente, não foi pego de surpresa, nada
aconteceu por acaso, mas decidiu pecar por suas próprias
razões. Ele conhecia o Senhor e a Sua Palavra.
Sua oração no ventre do grande peixe é uma prova do
quanto conhecia a Palavra de Deus, pois é formada por um
conjunto de citações dos Salmos e trechos do Antigo
Testamento. Este fato é usado por alguns críticos para
questionar a veracidade do livro de Jonas, mas, na verdade,
é mais uma prova do valor da Palavra de Deus, conhecida
pelo profeta, decorada por ele, guardada em seu coração e
sendo lembrada e utilizada na hora da necessidade. Um
exemplo para nós e um modelo de como podemos orar
citando trechos bíblicos e aplicando-os a nossas vidas e
situações.
Jonas orou, pois sabia que Deus era misericordioso
para perdoá-lo. Mas como sabia disso? Porque O conhecia,
bem como a Sua santa e perfeita Palavra e, baseado nisso,
orou, foi perdoado pelo Senhor, teve sua vida salva,
restaurada e pôde, enfim, obedecê-Lo, indo pregar aos
assírios.

“Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado;


coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus.”
Salmo 51.17
204
Nós conhecemos a Palavra de Deus? Lemos e
meditamos nela todos os dias? Sabemos trechos ou
versículos de cor? Sabemos o que ela fala de pecado,
arrependimento, evangelismo e missões? Conhecemos o
Deus da Palavra?
Então, arrependamo-nos dos nossos pecados
baseados na Bíblia e não em nossas emoções, sentimentos,
pensamentos ou opiniões. Ela é que nos chama ao
arrependimento e nos ensina que Deus perdoa todo o que,
arrependido, confessa e deixa o erro. É nela que
aprendemos que Jesus morreu para nos perdoar e purificar
e que ressuscitou para nos restaurar, transformar e usar.
Infelizmente, algumas denominações que se dizem
evangélicas, mas não o são, como a Congregação Cristã no
Brasil, ensinam, enfaticamente que, depois de pecar, é certo
que Deus não perdoa mais e, como resultado disso, muitas
pessoas se entregam à depressão e ao pecado, não crendo
em mais nada, não buscando e não aceitando nenhuma
ajuda ou a mensagem de outra igreja. Desta forma, acabam
rejeitando o verdadeiro evangelho e o maravilhoso e gracioso
perdão do Deus verdadeiro. Isso é completamente errado e
provém do fato de que não conhecem a Deus. Mas nós
conhecemos, Nele está o perdão.
“Contigo, porém, está o perdão, para que te temam.”
Salmo 140.4

RECONHECENDO A DOR QUE A DESOBEDIÊNCIA E O


PECADO TRAZEM.
Morte: Romanos 6.23 afirma que o salário do pecado é a
morte, e Jonas experimentou isso de perto.
Alguns teólogos creem que Jonas, literalmente,
morreu, por causa das expressões abismo (v.2) e sepultura
(v.6). De qualquer forma, ele chegou muito perto da morte,
talvez pensou que morreria ao ser jogado no mar, mas
simbolicamente “morreu”, pois sua situação era terrível e
irreversível.
Alguns pecados podem nos levar a este ponto: à
morte ou para perto dela ou para uma vida de quase morte
(agindo como um morto-vivo, um zumbi, ou seja, uma vida
205
inútil, sem a bênção de Deus, sem pregação do evangelho,
sem testemunho, sem vida.

Disciplina de Deus (v.3): Jonas sabia que passava por aquilo


como castigo de Deus e reconhecia que a mão do Senhor
pesava sobre ele. Se somos, de verdade, filhos de Deus, Ele
nos disciplinará quando pecarmos, visando nosso
arrependimento e nossa restauração, pois nos ama, o que é
descrito, com detalhes, em Hebreus 12.4-13.
Estamos sendo disciplinados pelo Senhor? No fundo,
nós sabemos ou, ao menos, desconfiamos se isto está
acontecendo, portanto, precisamos nos arrepender dos
nossos pecados, confessá-los a Deus e desfrutar do seu
perdão e restauração.
Porém, antes de pecar, precisamos lembrar das
consequências e dizer não ao erro e à desobediência.
Entretanto, se já caímos, Deus, em sua infinita graça e
misericórdia, está pronto a nos perdoar e a nos restaurar,
mesmo que, algumas, ou muitas, sequelas permanecerão,
talvez até o fim de nossas vidas.
Acredita-se que Jonas, devido a outros casos de
pessoas resgatadas vivas de dentro de peixes, ficou todo
deformado fisicamente, com espécies de queimaduras
profundas, rugas imensas, enfim, quase irreconhecível. O
perdão existe, mas as cicatrizes permanecem. Precisamos
avaliar o custo da desobediência...

DECIDINDO SERVIR A DEUS COM NOSSA VIDA (v.7-9).


Ele se lembrou do Senhor (v.7). Mudança de pensamento é a
base do arrependimento. Precisamos tirar o pensamento do
pecado ou de nós mesmos e o direcionarmos para Deus.
Jonas fez isso quando já estava desfalecendo, e foi o mudar
de sua mente que lhe trouxe ao processo de restauração.
Lembrar quem Ele é, de Seus atributos, de Sua
misericórdia, graça e amor e buscar Nele o Seu perdão.
Lembrar e buscá-Lo, orar pedindo Sua ajuda, clamando por
Sua graça, implorando por misericórdia, sabendo que a
salvação pertence a Ele e que, se existe alguém que pode

206
nos ajudar, nos perdoar e nos restaurar, esse alguém é
nosso Senhor.

Pensou nos idólatras (v.8): Os incrédulos estão perdidos,


entregues à idolatria vã (inútil, vazia), longe Daquele que é
misericordioso. Jonas não queria ser igual a eles (pois é
assim que vive um crente sem arrependimento, igual ou
pior que os incrédulos idólatras) e, salvo daquela terrível
situação, poderia ajudar os mesmos a se arrependerem e se
converterem.

Demonstrou gratidão (v.9): Jonas se entregou a Deus como


sacrifício e lembrou o Senhor do cumprimento de seus
votos. Iria se sacrificar pelo Senhor e por Sua Palavra,
mesmo que precisasse ir aos inimigos assírios e fazer o que
deveria ter feito antes (nem sempre temos uma segunda
chance de cumprir nossos votos ao Senhor...).
Que votos são estes que Jonas citou? Provavelmente
votos que fez no navio no momento de desespero ou, ainda
antes, quando decidiu servir ao Senhor e foi chamado como
profeta e mensageiro. Eles envolviam o pregar aos assírios,
e foi o que ele fez.
“Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado;
coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus.”
Salmo 51.17
Assim como Davi no Salmo 51, Jonas queria
demonstrar seu arrependimento pregando e testemunhando
aos perdidos, queria ver pecadores se convertendo ao
Senhor. Mais uma vez vemos a clara ligação entre o
verdadeiro arrependimento e a obra de evangelização e
missões.
Em momentos de desespero ou de pecado é comum
fazermos votos ao Senhor e, diante da realidade do Seu
perdão, precisamos cumpri-los em gratidão à Sua
misericórdia e em obediência à Sua Palavra. Isso é sinal
claro de verdadeiro arrependimento e não de algo “da boca
para fora”. Lembremo-nos das sérias advertências de
Salomão sobre o uso indevido de votos ao Senhor e da

207
necessidade urgente de cumpri-los, bem como do juízo que
votos tolos trazem (Eclesiastes 5.1-7).
Jonas arrependeu-se e mudou completamente de
atitude. Temos que fazer o mesmo.

CONCLUSÃO: TEMOS QUE FAZER O QUE DEUS QUER


QUE FAÇAMOS (2.10 – 3.1-4): E isso é pregar o evangelho e
fazer missões, compartilhar o amor de Deus, Sua graça,
misericórdia e salvação àqueles que estão perdidos em seus
pecados.
Perdoado, Jonas mudou de atitude e enfim obedeceu,
lutou contra sua carne, foi a Nínive e pregou a mensagem
do Senhor. O povo se arrependeu, confiou na Palavra do
Senhor e a cidade foi salva do juízo iminente.
Mesmo relutante, o profeta arrependido foi usado por
Deus. E é isso que Deus quer fazer conosco, nos perdoar e
nos usar, se, de verdade, estivermos arrependidos. Ainda
que relutantes e com nossas falhas e dificuldades pessoais.
Se desfrutamos do perdão de Deus, nosso desejo será
o de compartilhar tal perdão aos perdidos. Foi assim que
Davi agiu, foi assim que Jonas agiu e é assim que Jesus
quer que nós vivamos.
O arrependimento verdadeiro resulta na pregação do
evangelho aos perdidos. Temos pregado? Temos mudado?
Temos melhorado? Temos evangelizado e feito missões?
Quando compreendemos que a salvação pertence ao
Senhor e que, por Sua graça e misericórdia fomos alvos
dela, iremos ter o desejo de, um jeito ou de outro, fazer todo
o possível para que outras pessoas conheçam a Jesus.
Iremos pregar, testemunhar e fazer missões.

208
Arrependimento e Missões (3)
Mateus 26, Lucas 22.61, João 21.15-23 e Atos 2.14-36

O Arrependimento de Pedro

“A evidência de que um dia você recebeu a salvação é que


continua se arrependendo e crescendo em Cristo.”

Esta é uma frase muito verdadeira na vida de Pedro,


pois o grande apóstolo caía e falhava constantemente devido
ao seu temperamento explosivo e empolgado. Mas, pela
graça de Deus, sempre se arrependia, sendo perdoado e
restaurado pelo Senhor Jesus.
O pecado e a queda de Pedro começaram quando foi
orgulhoso diante de Jesus e dos demais discípulos,
considerando-se melhor e mais espiritual que os demais (Mt
26.31-35), piorou quando agiu na violência cortando a
orelha de Malco e fugiu deixando Jesus sozinho (47-56), e
chegou ao fundo do poço no momento em que negou Jesus
por três vezes seguidas (69-75).
O processo de arrependimento e restauração de Pedro
foi marcado por alguns fatos:

O OLHAR FIXO DE JESUS (Lc 22.61): Este é um detalhe


importantíssimo que apenas Lucas registra. Logo após a
terceira negação, mesmo de longe, Jesus olhou para Pedro e
fixou o olhar em seu discípulo. Mesmo sob julgamento e
tortura, Cristo voltou Seus olhos para o discípulo traidor, o
que fez Pedro se lembrar das palavras do Mestre. Então,
saiu dali e chorou amargamente.
Particularmente, acredito que foi um olhar de amor,
de graça e de misericórdia, que quebrou Pedro por dentro,
despedaçando-lhe interiormente. De qualquer forma,
porém, foi um olhar fixo, que o deixou envergonhado. Mas
foi o olhar do Salvador, o olhar confrontação, o olhar da
restauração.
Mesmo quando pecamos, Jesus está olhando para
nós. Não podemos esconder nada do Deus onipresente e
209
onisciente, entretanto, existe o olhar fixo do Senhor em seus
discípulos, afirmando que está vendo, que sabe, que nos
conhece, que se importa conosco, que nos ama como filhos,
que não nos quer ali, que deveríamos parar de pecar, que
deveríamos mudar e voltar para perto Dele.
O olhar fixo de Jesus deveria nos impedir de pecar
ou, ao menos, fazer-nos voltar, imediatamente, para Ele,
completamente arrependidos.

O CHORO DO ARREPENDIDO: Três dos quatro evangelistas


descrevem o choro de Pedro após sua tríplice negação. Ele
chorou e chorou muito. Chorou por seu pecado. Sentiu
profunda tristeza pelo pecado!
Mateus nos diz que ele “chorou amargamente” e Lucas
afirma que “desatou a chorar”. O fato é que Pedro chorou e
chorou muito.
Choro não significa arrependimento verdadeiro,
contudo, normalmente vem acompanhando o mesmo. O
choro é uma reação ao nosso erro, um reflexo da tristeza
profunda, do quebrantamento, da vergonha e da dor do
erro.
Pedro, que era um homem rude, demonstrou com seu
choro um arrependimento verdadeiro. Contudo, sua
restauração não foi algo imediato ou rápido, o choro foi
apenas a primeira parte disso tudo, de um longo processo.
Contudo, vale a pena pensarmos sobre isso: temos
chorado por nossos pecados? Ficamos tristes ao ponto de
chorar pelo que comentemos contra o Santo Deus, contra
nosso Salvador Jesus e contra as pessoas que nos cercam,
família, igreja, amigos? Ou temos nos tornado tão
insensíveis ao ponto de não sentir mais nada pelo erro
contra Deus?

O TRABALHAR AMOROSO E PODEROSO DE JESUS (Jo


21.15-23): Aqui, vemos Jesus buscando o discípulo
arrependido, porém apático. Pedro ficou depressivo,
desanimado, triste e querendo voltar à sua vida antiga de
pescador (21.3) e estava levando os outros consigo (líder é
líder até no desânimo).
210
No meio disso, Jesus aparece, faz um milagre e
depois senta para conversar com Pedro. Ali, com perguntas
claras e confrontadoras, Jesus mostra para Pedro o que
queria dele — não um líder desanimado voltando ao
trabalho e à ocupação secular e levando outros consigo (um
depressivo influencia outros, ainda mais um líder como
Pedro), mas que cumprisse sua missão, que liderasse os
apóstolos na pregação do evangelho, que apascentasse suas
ovelhas, enfim, que provasse que amava de verdade a
Jesus, e não somente “da boca para fora”.
Assim como aconteceu com Davi e com Jonas, na
restauração de Pedro, o que vemos é um Deus deseja que o
arrependido mude o rumo de sua vida e prove isso servindo-
O com dedicação e amor. Isso fica evidente na pregação do
evangelho, no testemunho público da fé, na edificação da
igreja e na participação ativa na obra missionária.
Era isso o que Jesus queria de Pedro, é isso o que Ele
quer de nós, isso é a prova do verdadeiro arrependimento.
Assim como fez com Pedro, Jesus vem até nós e nos
confronta, desejando a nossa restauração, visando tornar-
nos úteis novamente. E Ele faz isso através de uma
pregação no culto, de uma visita pastoral, do contato com
algum irmão, numa leitura bíblica diária, em algum
acontecimento rotineiro (ou fora da rotina), etc. Mas é certo
que Ele vem até nós e, de forma amorosa, porém forte e
poderosa, trabalha para nos restaurar.

O RESULTADO – A PREGAÇÃO DO EVANGELHO AOS


PERDIDOS (At 2.14-36): Após assumir seu papel de líder
depois da ascensão de Jesus (At 1.15), e de ser cheio do
Espírito Santo (At 2.1-12), Pedro assume seu papel como
pregador do evangelho, como testemunha de Cristo, como
porta-voz do Senhor e, de forma corajosa, firme, simples,
bíblica e ousada, comunica o evangelho ao povo judeu que,
em grande número (três mil pessoas) e arrependido dos
seus pecados, vai até Jesus, sendo salvo pela fé Nele (2.37-
41).
Esta é uma das verdadeiras provas do verdadeiro
arrependimento: o pecador restaurado e perdoado indo até
211
outros pecadores para anunciar-lhes o amor e o perdão de
Jesus. Foi o que Davi fez, o que Jonas fez e o que Pedro fez.
E é o que devemos fazer!
Estamos realmente arrependidos dos nossos
pecados? Temos provado isso com uma mudança de vida
que sai da estagnação e da depressão para uma vida útil de
trabalho dedicado no reino de Deus e de pregação do
evangelho? Temos compartilhado com os perdidos o perdão
e a misericórdia do Senhor? Temos falado de Jesus?
Por fim, eu pergunto: está arrependido dos seus
pecados? Confesse-os a Deus, abandone-os totalmente,
volte-se para o Senhor, desfrute do Seu perdão conquistado
na cruz e saia para pregar, testemunhar e compartilhar tão
grande perdão com os perdidos.
Tem algo de que precise se arrepender hoje? Precisa
resolver algo com Deus? Confessar? Abandonar? Faça isso
e, imediatamente, saia para pregar, testemunhando da
misericórdia de Deus em sua vida, fale de Jesus e do seu
evangelho da graça, envolva-se em missões, vá aos campos,
dê sua vida pela causa de Cristo. Lembremo-nos, o
verdadeiro arrependimento é provado pela pregação do
evangelho.

212
Parte 4
REFLEXÕES
MISSIONÁRIAS

213
Evangelismo e Missões Entre os Jovens da Igreja

Missões devem estar no centro da vida da Igreja e isso


inclui a mocidade (adolescentes e jovens). Portanto, a igreja
precisa aos jovens sobre missões, envolvê-los nesta obra e
fazer o possível para que amem a Grande Comissão. Mas
isso não acontece naturalmente, pelo contrário, é necessário
muito investimento, seja de tempo, ensino e programações.
Neste artigo, vamos listar algumas dicas práticas
visando um maior envolvimento na obra de missões da
igreja e uma maior participação da juventude na grande
comissão. Não é nada definitivo, apenas algumas ideias que
podem ser úteis.

1) PROGRAMA DE INSTRUÇÃO: A instrução para os


jovens começa junto a toda a igreja, pois a mesma deve,
pelo menos, ter um culto focalizado em missões durante o
mês, onde haverá uma ênfase maior no assunto em
questão.
Neste culto podemos ter um desafio sobre missões,
testemunhos de missionários ou irmãos envolvidos na obra,
uma oferta especial destinada para o sustento dos
missionários pode ser recolhida (muitas igrejas, como a
nossa, adotas o sistema de “Promessa de Fé”), além de
momentos de oração pelos missionários e suas famílias.
Além disso, na classe de batismo e novos membros
deve ser tratado este assunto de uma forma simples, mas
clara e objetiva em, ao menos, uma das lições. Os membros
devem, desde o início, entenderem a importância de missões
dentro da igreja e, na medida do possível, já fazerem parte
disso.
Em se tratando dos jovens, algumas ideias mais
específicas seriam, por exemplo, a realização de uma
reunião focalizada em missões por mês, assim como para a
igreja. Pode parecer utopia, porém, tenho certeza que Deus
abençoaria muito mais a igreja e a mocidade se esta fosse a
realidade. Nesta reunião, as mensagens e os estudos devem
ser específicos dentro do tema, informações sobre povos não
214
alcançados, campos abertos para o trabalho, notícias sobre
os missionários, testemunhos (sempre que possível),
orações pelos obreiros, desafios de entrega de vida para a
obra missionária, ofertas direcionadas, etc.

2) PROJETOS MISSIONÁRIOS: Primeiramente, os jovens


devem recolher uma oferta especial para algum missionário.
Pode ser todo mês ou durante dois ou até seis meses para o
recolhimento total e envio aos obreiros. Tudo depende dos
planos e objetivos preestabelecidos, mas o envolvimento
num projeto deste, no qual os próprios jovens escolhem o
missionário a quem enviarão a oferta, fará com que eles
estejam um pouco mais por dentro da obra, vivendo a
missão. Se tornará algo mais pessoal e, portanto, valioso.
Além disso, uma programação especial por semestre,
na qual os jovens podem se vestir a caráter, representando
algum país ou estado, apresentar informações sobre os
campos, cantar hinos e corinhos sobre missões e pregação
do evangelho aos perdidos, trazer comidas e bebidas típicas
de lugares diferentes, ou algo semelhante, seria muito
interessante e marcante. Participei de atividades assim em
minha igreja durante a adolescência e juventude e foram
experiências inesquecíveis e marcantes.
Outra coisa, mais simples, seria envolver os jovens
com pesquisas sobre campos e missionários para
apresentarem no domingo de missões na igreja ou até
mesmo nas reuniões da mocidade. Incentivá-los também a
se corresponderem com os missionários por cartas, e-mails
ou mensagens (até mesmo pelas redes sociais); assim
teriam notícias atualizadas, uma responsabilidade na área
constantemente e um desafio para obedecerem, além do
envolvimento pessoal com os servos e servas do Senhor na
frente da linha de batalha.

3) VIAGENS MISSIONÁRIAS: Considero esta opção como


maravilhosa. Enquanto jovem, não tive a oportunidade de
participar de algo assim com minha igreja, portanto, nunca
participei de uma em grupo, mas, durante o tempo de
seminário, ouvi muitos relatos e testemunhos de igrejas que
215
o fizeram e, desde o início do ministério missionário, tive o
privilégio de receber dez grupos diferentes ao longo dos
anos. Tenho plena certeza de que é uma grande bênção,
tanto para a igreja que recebe a ajuda, quanto para os
jovens e para a igreja que realiza a viagem.
Algumas igrejas realizam uma viagem missionária
com os jovens por ano. Sinceramente, para mim (e para a
maioria das igrejas que conheço), isso parece um pouco
difícil ou completamente fora da realidade, contudo, se a
igreja e os jovens têm condições para tal, seria
interessantíssimo e muito edificante para todos.
Em minha experiência ministerial, sei que a maioria
de nossas igrejas brasileiras não tem condições de bancar
uma viagem desta para os jovens, mesmo para cidades ou
estados próximos, então, a primeira coisa que faria era
entrar em contato com um missionário conhecido, veria as
possibilidades, pesquisaria os preços das passagens e
transporte, despesas da viagem, estadia, etc., oraria e então
levaria o projeto aos jovens (e para toda igreja) e explicaria
as condições e exigências para a participação, que seriam:
ser salvo, batizado, frequente aos cultos e programações da
igreja, matriculado na escola dominical, frequente nas
reuniões da mocidade, fidelidade nos dízimos e ofertas (se
trabalharem, é claro), bom testemunho, o desejo de
participar e a aprovação dos pais (ressaltando que casos
especiais seriam tratados mais especificamente). Depois de
aprovados iria propor, um ano antes, que economizassem, a
cada mês, uma parte da quantia total (sempre as viagens
deveriam ser iniciadas um ano antes). Talvez faria um
concurso na EBD ou na mocidade para ajudar nas despesas
dos mais necessitados, e, até o dia da viagem, falaríamos e
oraríamos sobre o campo para o qual iríamos e pelo
missionário que ali trabalha, e no tempo certo, partiríamos
para a aventura.

Observações: Preciso dizer que eu, como pastor ou


responsável pelos jovens, devo ser o exemplo para eles em
todas as áreas que me propuser a envolvê-los, incluindo
missões. Devo orar por missões, ofertar com amor, manter
216
contato com missionários, participar de viagens
missionárias, ensinar bem e constantemente sobre missões
na igreja, pregar periodicamente sobre missões, etc. Tal
conselho é válido para todos os líderes de jovens ou
professores da EBD.

217
Missões, Evangelismo e Tecnologia

Num certo sábado pela manhã, no clube bíblico para


as crianças realizado na Igreja Batista de Vargem Bonita,
minha esposa Débora concluiu a história de William Carey,
destemido missionário inglês que trabalhou na Índia, há
muitos anos. dddddddddddddddddddddddddddddddddddd
Como nas outras partes da história, eu era um dos mais
atentos... hehehe (pois gosto muito das histórias dos
missionários do passado, elas me inspiram e me desafiam a
continuar. Me encanto com elas até hoje, inclusive quando
estou contando para as crianças). Mas algo se destacou
acima do restante:
Em determinado momento de seu ministério, após
traduzir a Bíblia para o bengalês (um dos idiomas indianos),
William entregava a Bíblia para pessoas que soubessem ler
para que as mesmas lessem o livro de Deus para seus
familiares, amigos e vizinhos. Por mais incrível que possa
parecer, e provando o poder da Palavra do Senhor, várias
pessoas se converteram a Cristo apenas ouvindo a leitura
que, em média, durava vários anos.
Entretanto, até aqui tudo bem, Deus é Soberano, Sua
Palavra é viva e eficaz, a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus
(Rm 10.17), etc., entretanto, me chamou a atenção o fato de
que os indianos, mesmo tendo suas religiões, paravam para
ouvir a leitura de um livro que falava de um outro "Deus"
além dos milhares que eles possuíam. E ficavam ali por
horas, apenas ouvindo, dia após dia, semana após semana,
mês após mês e ano após ano.
Algo inimaginável para mim e para a maioria das
pessoas que me cercam. Não que eu considere a Palavra de
Deus tediosa, muito pelo contrário, entretanto, na realidade
em que vivemos, não consigo imaginar um grupo de pessoas
reunido apenas para ouvir a leitura de um livro, ainda mais
da Bíblia (alvo de inúmeros preconceitos tolos por parte dos
incrédulos e até por muitos crentes).
Como missionário, prego o evangelho e ensino a
Bíblia várias vezes e de várias maneiras. Exponho o texto,
218
dou aulas, cantamos os salmos, desenho as histórias
bíblicas, usamos visuais infantis, assistimos a filmes
bíblicos, usamos PowerPoint e Datashow, e por aí vai... tudo
para tentar chamar a atenção do povo para a maravilhosa
mensagem do amor de Deus através de Seu Filho Jesus.
Mas, nada... (ou quase nada), pois poucos se interessam,
muitos nem sequer querem ouvir e, por mais dinâmica que
a apresentação do evangelho seja, boa parte das pessoas
não se interessa, nem um pouco, em parar e escutar. É
uma triste realidade!
Mas o que tem a ver o tecnologia do título?
Bem, ainda durante a história, pensei no quanto nossa
sociedade ocidental e moderna é viciada em tecnologia. São
novidades fantásticas a cada dia, o que motiva as pessoas a
não se acostumarem com nada, a não ter concentração, a
não saber parar, ouvir e, muito menos, prestar atenção.
Tudo é descartável, rápido, desinteressante... Algo terrível
para os pregadores do evangelho (meus colegas pregadores
entendem isso com certeza).
Já li e ouvi muitos comentários de que a tecnologia é
boa para a propagação do evangelho, tais como televisão,
música e internet, e concordo; porém, na prática, tenho
visto o contrário. Estas supostas ferramentas têm sido
usadas mais por Satanás para atrapalhar a vida das
pessoas, confundi-las e afastá-las ainda mais de Jesus e de
Sua cruz.
Sei que Deus usa tudo e podemos fazer uso dessas
coisas quando estiverem ao nosso alcance como boas
ferramentas, mas imagino como seria bom se tivéssemos
menos "inutilidades tecnológicas" para perder tempo e
parássemos mais para ouvir a leitura da Palavra do nosso
Deus. Se o povo não tivesse tantas "novidades" para ocupar
seu tempo e parasse, mesmo que por curiosidade, para
ouvir os verdadeiros pregadores do Evangelho, em toda a
sua simplicidade e profundidade, talvez, como no passado,
mais almas seriam salvas para Cristo e mais perto de Deus
nós, crentes, estaríamos. Creio que vale a nossa reflexão
sobre o assunto!

219
Observação 1: A Vida de William Carey é um exemplo! Caso
não conheçam sua história, procurem saber mais; existem
inúmeros livros, histórias infantis e até filmes (olha a
tecnologia aqui de novo... hehe) que nos contam um pouco
mais da vida e da obra deste servo do Senhor.

Observação 2: Durante o ano de 2012, juntamente com a


missionária Janaína Neves, que na época nos auxiliava no
ministério em Vargem Bonita-MG, realizamos uma
programação, no mínimo, diferente, com as adolescentes da
igreja: semanalmente nos reuníamos para a leitura da
Bíblia. Sim, para simplesmente lermos juntos a Palavra de
Deus. Foi um período muito bom e, até para a nossa
surpresa, durou bem mais do que imaginávamos.
Agradecemos a Deus por esta oportunidade, pois
aprendemos que é possível os jovens pararem para ler e
ouvir, ao menos um pouco, a Escritura Sagrada.

220
O Valor Das Viagens Missionárias

Durante os doze anos no campo missionário,


recebemos dez viagens missionárias, algumas realizadas por
uma única igreja e outras por um grupo misto de irmãos
vindos de várias congregações.
Em cada uma dessas oportunidades, a visita desses
irmãos de longe foi marcante para nossas vidas, igrejas e
ministério.
Todas tiveram seus frutos, alguns imediatos e
grandes, outras deixaram frutos pequenos e lentos, que
apareceram ao longo dos anos (alguns continuam
aparecendo até hoje).
Pessoas se converteram a Cristo, decisões foram
tomadas, as igrejas ficaram mais conhecidas na cidade e
muitas pessoas ouviram, ouviram e ouviram o evangelho
salvador de Cristo Jesus. Aliás, este é o principal propósito
de qualquer atividade evangelística e missionária.
Entretanto, destaco aqui o que, pessoalmente, fez
mais diferença para mim e minha família como
missionários, ao recebermos estas equipes em nossas casas
e nas igrejas que implantávamos tanto em Vargem Bonita,
quanto em Piumhi:

Primeiramente, o amor pela obra missionária: Todos


esses irmãos e igrejas precisaram gastar muito para
chegarem aqui e fazer o que fizeram. Cada viagem exigiu
grande esforço, tempo, dinheiro e também o abrir mão do
descanso de dias preciosos de férias ou feriados para
auxiliarem num trabalho missionário que se iniciava. É algo
realmente marcante, importante e cada vez mais raro.

A amizade que fizemos: É maravilhosa a comunhão que


temos nos dias que passamos juntos, as brincadeiras, as
risadas, as lágrimas, o compartilhar das experiências, as
conversas de apoio e desafio mútuo e o amor e carinho tão
grande entre pessoas que antes nem se conheciam. Isso só
é possível em Cristo, e é muito especial. Débora e eu sempre
221
nos recordamos dos momentos inesquecíveis com cada uma
dessas equipes e louvamos a Deus por cada vida,
guardando-as em nossos corações. Até as experiências
consideradas ruins, como a resolução de problemas, as
exortações necessárias e os desentendimentos, serviram,
pela graça de Deus, para fortalecer o amor e a amizade em
Cristo Jesus.

O verdadeiro testemunho cristão: Lembro-me


perfeitamente do quanto isso foi importante para o povo de
Vargem Bonita, uma cidade onde a Igreja Batista não era
conhecida antes da nossa chegada e o testemunho
"evangélico" e religioso, em geral, não era dos melhores.
Portanto, o testemunho dado pelos irmãos nos dias
que passaram aqui conosco foi essencial para mostrar ao
povo, tanto incrédulos, quanto crentes, que é possível crer
em Cristo, servi-Lo, viver longe do pecado e ser feliz, alegre e
sorridente ao mesmo tempo. Até hoje, conversando com as
pessoas da igreja e com alguns moradores da cidade, algo
que eles enfatizam é a alegria do "povo de fora", como
costumam dizer. Sim, é possível ser crente e feliz.

Nova visão missionária para os participantes: Muitos


irmãos que estiveram aqui em alguma dessas viagens,
declararam em conversas posteriores o quanto a experiência
dos dias no campo modificou ou aumentou a visão
missionária. Isso é ótimo e real, pois passar alguns dias
longe de casa, sair da rotina, conhecer os missionários
pessoalmente, ver de perto como é o trabalho missionário, o
contato com o povo, a evangelização e as dificuldades do
início de uma igreja, com certeza ajudam a entender,
valorizar e amar mais a obra de Deus.
Isso alegra demais nosso coração e esperamos que
motive esses irmãos a fazerem ainda mais pela causa de
Cristo e até a se entregarem como missionários também.

Um perigo: Entretanto, dentre tantas bênçãos oriundas


destas viagens, deixo um alerta relacionado a um terrível

222
comportamento repetitivo que tenho observado ao longo dos
anos: o abandono da fé por parte de muitos destes jovens.
Infelizmente, tem sido comum uma grande parte
destes amados, tão usados por Deus durante as viagens,
algum tempo depois se desviarem dos caminhos do Senhor,
abandonando suas igrejas, voltando para práticas e
comportamentos mundanos, negando a Cristo e, em alguns
casos, até blasfemando com suas vidas ou palavras.
Dói o coração ver pessoas tão queridas, que
anunciaram o evangelho, nos auxiliaram em momentos tão
importantes e fizeram tanto pela obra de Deus, rejeitarem o
Salvador e, com suas atitudes, negarem tudo o que falaram
e fizeram nas viagens missionárias.
Não tenho uma solução ao problema, contudo, deixo
o recado aos pastores e líderes para que orem e trabalhem
neste sentido, procurando auxiliar os jovens em suas vidas
cristãs também após o período da viagem missionária.
Concluo expressando minha tristeza quanto a esta
realidade e comprometendo-me a orar pelo arrependimento
e retorno destes amados amigos aos santos e perfeitos
caminhos do Senhor.

Conclusão: Somos gratos a Deus por esses irmãos e igrejas


que já estiveram conosco. Essas equipes foram
maravilhosas e temos muita saudade de todos. Além disso,
oramos para que a semente que foi lançada por eles possa
germinar e ainda dar muitos frutos para a glória de Deus.
Se sua igreja pensa em fazer uma viagem para
auxiliar algum missionário ou uma igreja que está
começando, façam! Não desanimem, façam essa viagem,
esforcem-se, sacrifiquem-se, orem, e vão, isso fará a
diferença na vida do obreiro que recebê-los e na vida de
vocês também, vale a pena, com certeza vale a pena.

Romanos 1.8-12 - "Primeiramente dou graças ao meu Deus


por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o
mundo é anunciada a vossa fé. Porque Deus, a quem sirvo
em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha
de como incessantemente faço menção de vós, Pedindo
223
sempre em minhas orações que nalgum tempo, pela vontade
de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco. Porque
desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a
fim de que sejais confortados; Isto é, para que juntamente
convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como
minha."

224
Meditação Missionária

Ser missionário é um grande desafio e fundar igrejas


não é fácil. Fazemos isso pela segunda vez e muitas coisas
se repetem, outras são completamente novas. Nada é igual;
porém, muitas vezes parecido.
Há dias em que tudo parece que vai dar certo... em outros,
que nada acontecerá.
Humanamente falando, não temos certeza alguma, mas
biblicamente, toda a certeza.
Alguns se convertem, muitos rejeitam, inúmeros são
os contatos, mas poucos os que permanecem; vários
visitantes, só que a maioria desaparece.
É muito trabalho a fazer, mas nada depende de nós; o
serviço é nosso, mas a obra é do Senhor. Somos ceifeiros e
semeadores, mas Deus é o Senhor da seara. Às vezes há
muito apoio, outras vezes grande solidão...
O fato é que não sabemos de muita coisa, apenas que
devemos obedecer e agir em fidelidade, pregar o evangelho
do Senhor Jesus Cristo, dar um bom testemunho e amar as
pessoas, sempre com sacrifício e esperança, imitando o
exemplo do Filho de Deus.
Vivendo como peregrinos e forasteiros, sem morada
certa, sem apego ao mundo, estando aqui, mas sem
pertencer ao "aqui", olhando para o céu, para a eternidade,
para Jesus e sua cruz.
E assim vamos, Débora, Agnes, Annelise, Luigi e eu,
obedecendo ao chamado do Mestre e vivendo pela fé,
aprendendo a cada dia, lutando, crescendo, caindo,
levantando, rindo, chorando, correndo e parando...
E isso basta, pois nosso Deus verdadeiro não muda e
nunca falha; é fiel e, em tudo e em todas as circunstâncias,
será glorificado.
O que valerá a pena na eternidade é nossa obediência
ao Senhor e as almas salvas, mesmo que poucas. Jesus é o
que importa, Jesus, Sua Palavra e Sua glória.

225
Missões são algo interessante...

Missões são algo interessante... Passamos tanto


tempo nos dedicando a algumas pessoas, visitando, orando,
evangelizando, dando estudos bíblicos, convidando para os
cultos, buscando, levando, ajudando, conversando,
aconselhando, apoiando, etc., e os frutos não vêm, as
pessoas não se convertem e, então, quando menos se
espera, enquanto, por exemplo, estou arrancando o mato da
frente de casa, alguém aparece perguntando se sou pastor e
qual a minha igreja, respondo e a pessoa promete uma
visita. Não acredito muito (doze anos ouvindo isso...) e, de
repente, ali está, a pessoa participando do culto, pedindo
um estudo bíblico, demonstrando interesse por Jesus e pela
Palavra de Deus e, pela fé, recebendo o Senhor como
Salvador.
Que bênção! Isso só confirma que a obra é de Deus,
somos apenas servos, Ele é quem busca, convence e salva o
pecador. Toda glória seja dada a Cristo!

“Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.”


Lucas 19.10

226
Livros sobre Missões

Recentemente o blog “Veredas Missionárias”


compartilhou uma lista com muitos dos livros sobre
missões publicados no Brasil (faltaram os meus ali... kkkk)
e, inspirado nisso, decidi compartilhar com vocês TODOS os
livros sobre Evangelismo e Missões que já li na vida, desde
que era um pré-adolescente, até as leituras mais recentes e
profundas.
Esta é apenas uma lista de lembrança. Não estou
posicionando os livros em ordem de qual seria "melhor" e
nem em ordem alfabética. Meu desejo é apenas o de
compartilhar com aqueles que amam missões e se
interessam pelo assunto, os livros que Deus usou, de uma
forma ou de outra, para me despertar diante de tão sublime
obra.
Todos foram importantes e, de um jeito ou de outro,
fazem parte da pessoa e do missionário que sou hoje e
daquilo que entendo sobre a Grande Comissão.
Tem livros de todos os tipos: Biografias, Teologia,
História, Infantis, Manuais, etc. E serão apresentados com
algumas informações básicas, como o autor e a editora.
Deixo claro que a indicação do livro não significa que
concordo com tudo sobre o autor ou a editora que o publica,
e nem mesmo com tudo o que o livro diz, mas, com certeza,
sua leitura será edificante, desafiadora, bíblica e importante
na vida do cristão que quer, de alguma maneira, entender
melhor e participar mais da missão que Cristo nos confiou
(Mt 28.18-20, Mc 16.15, At 1.8). Espero que seja uma lista
útil e que você possa ler, ao menos, algumas destas
preciosas obras:

1. Daktar - Diplomata em Bangladesh – Viggo B. Olsen – Editora


Batista Regular
2. Fazendo Progresso - Dugal B. Smith – Editora Batista Regular
3. Evangelização e Missões - Jon Piper – Editora FIEL
4. Evangelismo - Uma coisa que você não pode fazer no céu - Mark
Cahill – Sheed Publicações
227
5. O Segredo Espiritual de Hudson Taylor
6. Alicerces Firmes – Da Criação Até Cristo – Trevor Mcllwain –
MNTB
7. Um Judeu errante no Brasil - Salomão L. Ginsburg – Juerp
8. O Fator Melquisedeque (A Eternidade em nossos corações) – Don
Ricahrdson – Vida Nova
9. O Totem da Paz – Don Ricahrdson – Editora Betânia
10. Senhores da Terra – Don Ricahrdson – Editora Betânia
11. O Contrabandista de Deus – Irmão André – Editora Betânia
12. Evangelismo e Evangelização – Mark Dever – Editora FIEL
13. O Piloto das Selvas - Russell T. Hitt e Walter Kaschel – Editora
Betânia
14. Através dos Portais do Esplendor – Elizabeth Elliot – Vida Nova
15. Até aos Confins da Terra – Ruth A. Tucker
16. Missões - Vale a Pena Investir? – Russel Sheed – Shedd
Publicações
17. Plantando Igrejas – Ronaldo Lidório – Cultura Cristã
18. Quem há de ir por nós? – Gérson Rocha – Editora Maranata
19. Por Esta Cruz Te Matarei – Bruce Olson – Editora Vida
20. Você Não Precisa de Um Chamado Missionário - Yago Martins –
Editora Concílio
21. Torturado por Amor a Cristo – Richard Wurmbrand – A Voz dos
Mártirers
22. Torturado por Sua Fé – Haralan Popov – Editora FIEL
23. Hebreus 11.38 – O Mundo Não Era Digno Deles – Marcone
Bezerra Carvalho – Morávios Publicações
24. Procurando os Perdidos – Roberto Sumner – Editora Batista
Regular
25. Perseguições no Cariri – Davi Smit – Publicação independente
26. A igreja Local e Missões – Edson Queiroz – Editora Vida Nova
27. A Vida de David Brainerd – Jonathan Edwards – Editora FIEL
28. Histórias Missionárias para Jovens – Jay Walsh – Editora Batista
Regular
29. Plantar Igrejas é para os Fracos – Mike MacKinley – Editora FIEL
30. Jonas - O missionário bem-sucedido que fracassou – Stuart Olyott
– FIEL
31. Um Guia Para a Fundação de Igrejas – Rev. Melvin L. Hodges –
Vida
32. Multiplicando Discípulos – Waillon B. Moore – Juerp

228
33. Evangelismo Pioneiro – Thomas Wade Akins – Junta de Missões
Nacionais da Convenção Batista Brasileira
34. Morrison na China – Francisco Amaral – CPAD
35. Um Recado para Ganhadores de Almas – Horatius A. Bonar –
Vida Nova
36. Força da Luz – Irmão André e Al Jansen – Editora Vida
37. A Rainha do Quarto Escuro – Christiana Tsai – Editora FIEL
38. Carey – O Pai das Missões Modernas – Arthur Ingleby – Edições
Cristãs
39. Missões – O Grande Desafio da Igreja – Revista de EBD – Editora
Cristã Evangélica
40. Evangelismo Pessoal e em Massa – Editora Batista Regular
41. Ti-Fam – APEC
42. Madugu – APEC
43. Um Milagre para Samuelito – APEC
44. Maria Slessor – APEC
45. John Paton – APEC
46. Chales Studd – APEC
47. David Livingstone – APEC
48. Amy Carmichael – APEC
49. Evangelização – A Igreja em Chamas – Robert L. Sumner –
Editora Batista Regular
50. Alicerces Firmes – Da Criação Até Cristo – Trevor Mcllwain –
MNTB
51. Alegrem-se os Povos - A Supremacia de Deus em Missões - John
Piper – Cultura Cristã
52. Negócios como Missão - O Potencial da Empresa no Reino de
Deus - Michael R. Baer - Publicações Transforma

Filmes:
Uma Chama na Escuridão – A História de William Carey
Primeiros Frutos – A História dos Jovens Morávios
Terra Selvagem
As Aventuras de Jim Elliot (desenho animado)
A História de Eric Liddell (desenho animado)
Hudson Taylor – Missionário na China

Sites:
Morávios – Conteúdo para Missões: http://moravios.org/
Veredas Missionárias: http://veredasmissionarias.blogspot.com.br/
229
Parte 5
ILUSTRAÇÕES
MISSIONÁRIAS

230
Nestas páginas finais, apresento uma seleção de
histórias reais e fictícias que irão lhe divertir, instruir e
inspirar o ímpeto missionário e evangelístico.1

ALMAS OU VIDAS PRECIOSAS CONDUZIDAS A CRISTO

Ignorando os circunstantes, certo homem, numa


reunião de avivamento, conduziu ao altar e à aceitação de
Cristo, um rapazinho conhecido seu. Mais tarde, quando se
referia a esse evento, seus olhos brilhavam e sua voz se
embargava pela emoção, porque aquele rapazinho tornou-se
um obreiro de fama mundial, conhecido como o missionário
William Taylor.
Um homem obscuro conquistou William Taylor, um
garoto da roça, para Cristo. William Taylor, feito homem,
pregou o evangelho com poder em quase todos os
continentes e em algumas ilhas dos mares. Ele, por sua vez,
conquistou milhares de almas para Cristo.
Conduzir os jovens a Cristo é o mais eficaz meio de
propagar o evangelho do reino. Quando um jovem se
entrega a Cristo e vive de acordo com a fé que abraçou no
Espírito do Mestre, ele tem uma existência inteira à sua
disposição para servir ao Senhor Jesus, que disse: "O que
crê em mim fará as obras que eu faço; e as fará ainda
maiores que estas". Pela fé, cumprindo nossa missão de
ganhar almas, poderemos achar outros imitadores de
William Taylor.

DAR

Demasiadas vezes damos ao Senhor apenas o que nos


sobrou depois de cuidarmos de todas as nossas faltas e
necessidades — como o garoto a quem foram dadas duas

1
Todas as ilustrações deste capítulo foram gentilmente cedidas pelo irmão Sammis Reachers
e adaptadas por mim.

231
moedas, uma para ele, e outra para o Senhor. A caminho da
escola, uma das moedas rolou para um esgoto de onde não
lhe era possível tirá-la. "Oh, oh!", disse o menino, "lá se foi a
moeda do Senhor!" Quantos de nós somos como este rapaz!
Qual é o nosso critério ao ofertarmos para missões? Eis
uma boa pergunta para hoje.

ENTREGA COMPLETA

"Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes


de todo o vosso coração" (Jr 29.13).
Em certa reunião, o assunto do missionário era o
amor de Deus. Um velho índio americano escutava-o
atentamente. Comoveu-se-lhe, então, o coração. Desejava
dar alguma coisa pessoal a um Deus que tanto fizera por
ele. Silenciosamente, saiu da reunião, voltando alguns
minutos depois com uma braçada de seus tesouros
terrestres. Colocando tudo aos pés do missionário, o velho
chefe soluçou: "Deus deu Filho favor índio, índio dá isto
para Deus".
A narrativa sobre o amor prosseguiu. O coração do
chefe transbordava. Pela segunda vez saiu do local da
reunião e voltou arrastando uma carga de seus bens
terrestres. Com a voz embargada pela comoção, chorando
brandamente, disse: "Deus deu tudo para índio, índio dá
tudo para Deus".
Que bela ilustração do que o Senhor deseja de cada
um de Seus filhos — tudo o que temos e somos,
consagração completa!
Dentre todos, o cristão que só entrega a metade de
seu coração é o mais infeliz. Não tem coragem para largar o
mundo, nem amor bastante para tornar Cristo supremo em
sua vida. Como disse alguém sabiamente, ele tem apenas
"religião suficiente para torná-lo infeliz". Pobres desses
espíritos perturbados, temerosos de voltarem para o
mundo, mas indispostos para seguirem ao Senhor, sem
reservas.

232
Unicamente quando colocamos tudo sobre o altar,
como o velho chefe indígena, podemos ser verdadeiramente
felizes, pois Deus diz: "Buscar-me-eis, e me achareis,
quando me buscardes de todo o vosso coração".

EVANGELHO, SUA PRÁTICA

"Eis que tu és para eles como quem canta canções de


amor, quem tem voz suave e tange bem; porque ouvem as
tuas palavras, mas não as põem por obra" (Ez 33.32).
Estava um missionário falando a um grupo de
hindus. De súbito, uma das senhoras se levantou e retirou-
se. Pouco depois voltou, ouvindo com mais atenção que
antes.
No final do culto, o missionário lhe perguntou o
motivo de sua saída.
— O senhor sabe... — respondeu ela — eu fui
perguntar a um de seus servos se o senhor realmente
pratica as coisas que prega. Ele me afirmou que sim, e eu
voltei mais interessada que antes. E estou ansiosa por ouvir
mais de alguém que vive aquilo que ensina aos outros.

OLHANDO PARA CRISTO

Conta o Dr. Stanley Jones que conversava com um


hindu de alta posição social, procurando convencê-lo a ser
cristão. A certa altura da conversa, o hindu argumentou; "O
Ocidente tem cometido muitos erros". "Concordo com o
senhor plenamente", respondeu o Dr. Jones. Mas o hindu
persistia. "Sem querer ofendê-lo, o senhor concorda que os
norte-americanos têm se mostrado falhos e têm errado na
política em relação a nós?" "Mas claro; estou plenamente de
acordo!" Um tanto contrafeito, o hindu lançou seu último
cartucho: "O senhor, Dr. Jones, o senhor mesmo tem
defeitos". E o experiente missionário concluiu: "Nem há
dúvida! Ninguém melhor do que eu para saber dos meus
defeitos! Mas, querido amigo, preste atenção ao que lhe
233
venho dizendo. Eu não prego ao senhor o Ocidente! Nem a
América do Norte! Nem Stanley Jones! Eu prego ao senhor e
ao seu povo o evangelho de Jesus Cristo! Que é que o
senhor pode alegar contra Jesus?" Rendeu-se então o
hindu, porque nada tinha contra Jesus.

FACE DE CRISTO - MISSÕES - PERDÃO - TESTEMUNHO

Um dia, um navio de guerra japonês ancorou na baía


de Nagasaki, Japão. Os cristãos daquela localidade foram
indicados para apresentar as boas-vindas à oficialidade e
aos marinheiros daquele barco, em nome da Igreja. O
capitão tomou a palavra, dizendo que tinha especial prazer
em falar por que ele se tornara cristão por um fato
acontecido em um dos parques de Nagasaki. Anos atrás, ele
havia atirado pedras numa missionária que estava
pregando o evangelho naquele parque. Quando percebeu
que havia ferido a senhora, tratou de fugir e se escondeu
por três dias. Foi quando as mais extraordinárias notícias
chegaram ao seu conhecimento: a missionária, cujo nome
era Umhoff, não queria que ele fosse preso, estava orando
por ele e querendo saber onde ele se encontrava, para lhe
oferecer perdão e sua amizade. Ouvindo isto, o jovem
resolveu procurar saber como servir ao Deus daquela
missionária. Agora, era um prazer para ele dar o seu
testemunho naquela mesma cidade onde ele tinha
aprendido o que quer dizer ser cristão.
Rita F. Snowden

FAZER O MELHOR

Certa vez, um cantor famoso foi convidado a dar um


concerto em benefício dos soldados da Primeira Guerra
Mundial.
O presidente da comissão que o convidou lhe disse:
"Como se trata de um benefício, não exigimos naturalmente
que o senhor apresente o que tem de melhor. Seu nome é
234
suficiente para atrair as multidões. Eu sugiro canções
simples que não exijam grande esforço de sua parte". Dizem
que o cantor sentiu-se ofendido e enchendo-se de orgulho,
respondeu: "Eu não me contento em fazer menos do que o
melhor que posso".
Assim como este cantor, nós, como cristãos, temos o
dever solene de tirar o máximo proveito de nossos dons,
talentos e oportunidades para cumprir fielmente, e da
melhor maneira possível, qualquer tarefa, seja grande ou
pequena em prol do reino de Deus. O Senhor espera que
façamos o melhor, não importa qual seja a obra que temos
em mãos. Estamos nós fazendo o melhor para ter a
aprovação do Mestre "Muito bem servo bom e fiel"?

IGREJA FORTE

"É forte a sua igreja?", perguntou um crente ao outro.


"Sim, muito forte!" "Quantos membros tem ela?" "Somos
setenta e seis." "Só? Então é gente de dinheiro?" "Ao
contrário, somos muito pobres..." "Como é então que sua
igreja é forte?" "Ora, é porque somos todos consagrados ao
trabalho do Senhor, vivemos na paz, amamo-nos uns aos
outros e procuramos juntos e em harmonia fazer a vontade
de Deus, pregando o evangelho e trabalhando pelo bem
comum. Qualquer igreja pode ser forte dessa maneira, com
quinhentos ou com apenas uma dúzia de membros."

IGREJAS EM RUÍNAS – PINTURA

Encomendou-se a certo pintor um quadro que


representasse uma igreja em ruínas. Poderíamos pensar
que ele pusesse na tela um edifício antigo com forma de
templo, caindo aos pedaços. Muito ao contrário, pintou um
belo e imponente templo, com lindos e multicoloridos
vitrais; através da porta aberta, podiam-se ver os caríssimos
bancos e o púlpito de alto custo e elevado valor artístico. No
meio de tanta riqueza, percebia-se o gazofilácio para as
235
ofertas dedicadas à obra evangelística e missionária. Seu
aspecto era de abandono, evidenciando que ali as ofertas há
muito não chegavam. Esta é a real figura de uma igreja
decadente; não evangeliza e, por conseguinte, perde a
consciência de sua missão.

LUZ DE CRISTO

Sob a fotografia de Peter Milne, pendurada numa


igreja descoberta nas pequenas ilhas de Novas Hébridas, lê-
se estas palavras: "Quando ele chegou, não havia luz.
Quando ele morreu, não havia trevas".
Quando Cristo veio ao mundo, não havia luz. Sobre
ele (citando Isaías), disse Mateus: "O povo que jazia em
trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra
da morte, resplandeceu-lhes a luz" (Mt 4.16).

TRILHAS MISSIONÁRIAS DE WESLEY

John Wesley preparava-se para seguir com destino à


Georgia, como missionário entre os índios, quando um
descrente tentou dissuadi-lo:
— Mas, que é isso? Missionário entre selvagens? Um
novo cavaleiro andante? Como foi que o quixotismo entrou
em sua inteligente cabeça? Com todos os dons que Deus lhe
deu, faria melhor figura aqui mesmo, sem necessidade de
sair a combater moinhos de vento.
Calmo, porém seguro de si mesmo, Wesley
respondeu:
— Amigo, se a Bíblia não for verdadeira, eu sou
realmente o louco de sua criação; mas se ela é de Deus,
então eu sou o homem de mente mais sã que possa existir.
Não está escrito que todo aquele que tiver deixado
casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou
filhos, ou campos, por causa do Seu nome, receberá muitas
vezes mais, e herdará a vida eterna?

236
IDE E PREGAI O EVANGELHO

Certo dia, ao romper da manhã, eu estava nas costas


da Fenícia e observava um aeroplano levantar voo. A bordo
daquela aeronave, estava o evangelista que havia trazido às
congregações daquelas terras bíblicas a mensagem viva do
evangelho. Duas horas depois, estaria ele em outro país,
onde igualmente entregaria a preciosa mensagem.
Quando o aeroplano sumiu-se no horizonte sob o céu
de cristal que cobria o Mediterrâneo, lembrei-me de Paulo e
Barnabé que, séculos atrás, partiram daquela mesma baía.
Embarcaram para navegar por semanas e semanas e
visavam chegar às terras pagãs, onde havia pontes para o
cristianismo. Não tinham juntas de missões para sustentá-
los, nem levavam nos bolsos cheques de turismo. A falta
destas coisas tão convenientes não os impediu de
empreenderem a viagem.
No mundo moderno, muitas são as oportunidades,
conveniências, recursos e estímulos para aqueles que
querem ser testemunhas da graça salvadora de nosso
Senhor. A necessidade maior é que sejamos testemunhas de
Cristo.
P. C. Krikorian (Líbano)

MALA CHEIA

Certo jovem crente se preparava para uma viagem.


Quando seu amigo veio buscá-lo, perguntou-lhe:
— Já arrumou suas coisas? Vamos? Tudo pronto?
— Quase — respondeu ele — só falta pôr mais umas
coisinhas na mala... — e começou a ler uma lista:
* um mapa
* uma lâmpada
* uma bússola
* um espelho
* alguns livros de poesia
* algumas biografias
* uma coletânea de cartas antigas
237
*um livro de cânticos
*um livro de histórias
*um prumo
*um martelo
*uma espada
*um capacete
A essas alturas, o amigo estava apavorado:
— Mas, colega, o carro já está cheio, não vai dar para
você levar tudo isso!
— Acalme-se, está tudo aqui, e mostrou-lhe sua
Bíblia.

PRECISA-SE DE LOUCOS

Este anúncio apareceu num jornal inglês no início do


século XIX:
“Precisa-se de homens para uma viagem arriscada.
Salário pequeno. Frio intenso. Longos meses de completa
escuridão. Perigo constante. Retorno duvidoso”.
O anúncio foi colocado por Sir Ernest Shackleton,
famoso explorador irlandês, quando se preparava para mais
uma expedição em demanda do Polo Sul. A resposta foi
impressionante, surpreendendo o explorador pelo número
tão grande de candidatos que atenderam ao chamado.
O apelo ao sacrifício sempre encontra resposta e
deveria ser também assim na vida cristã e no chamado à
obra missionária.
“Pela fé... alguns foram torturados... passaram pela
prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões.
Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a
fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de
ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados
(homens dos quais o mundo não era digno)...” Hebreus
11.35-38

238
PERSISTÊNCIA

O obreiro jamais pode desistir de trabalhar no reino


de Deus.
Embora sejamos, às vezes, tentados a desistir, por
causa do desânimo e das circunstâncias desencorajadoras,
Paulo nos ensina que não devemos jamais desistir, porque
Cristo prometeu ajudar-nos. Nosso Mestre, Jesus Cristo,
nos mostra que nosso trabalho para Deus traz a vitória,
mais cedo ou mais tarde.
Robert Morrison, missionário na China, no século
XIX, trabalhou doze anos sem resultados visíveis — apenas
uma única pessoa tornou-se cristã. Um missionário na ilha
de Madagascar trabalhou toda a sua vida sem resultados
tangíveis. Morreu este homem desapontado. Logo, um jovem
a quem ele havia influenciado começou a dar testemunho
de Cristo. E decidiu pregar o evangelho entre seu povo,
convertendo muitos.
Uma das minhas boas amigas orou durante cinco
anos para que seu esposo fosse com ela à igreja. Sua
persistência triunfou: seu esposo começou a frequentar a
igreja. A oração e o trabalho persistente realmente surtem
efeitos incalculáveis!
Nas orações, no evangelismo e na obra missionária,
sejamos persistentes, perseveremos! Gálatas 6.9

ENTREGA

"Usa-me, meu Salvador, para qualquer propósito, em


qualquer terreno, conforme a Tua vontade. Eis aqui meu
pobre coração, um vaso vazio; enche-o com Tua graça. Eis
aqui minha alma pecadora e aflita; desperta-a e refresca-a
com Teu amor. Toma o meu coração para Tua morada; a
minha boca para divulgar a glória do Teu nome; meu amor
e todos os meus recursos para o progresso da obra cristã.
Não permitas que minha fé jamais se enfraqueça ou
diminua, de modo que, seja quais forem as circunstâncias,
eu possa dizer: 'Jesus deseja usar-me e eu preciso dele'."
Dwight L. Moody
239
PODER DO EVANGELHO

Quando os primeiros missionários iniciaram suas


obras na Ilha de Fiji, desejavam ardentemente poder pregar
as Boas Novas ao rei Thakoban, que, persistentemente,
recusava deixar que os missionários penetrassem em sua
ilha.
Era ele famoso por sua crueldade e espírito perverso e
vingativo. Era orgulhoso de suas práticas pagãs e da arte de
guerra e não dispunha de tempo para ouvir pregações do
evangelho de Jesus Cristo.
Os missionários nunca desistiram de seu intento, que
era a conversão do rei Thakoban. Ao cabo de um longo
período de incessantes preces, tiveram eles a oportunidade
de falar das Boas Novas àquele chefe de coração
empedernido. O orgulho e a crueldade, que até então
dominaram a sua vida, desvaneceram-se diante da graça
salvadora de Jesus. A mudança que se operou em sua vida
foi logo manifestada; cessaram as suas práticas cruéis e
logo começou a mostrar amor pelo seu povo. Após sua nova
experiência, começou a fazer chegar até outros, que viviam
nas trevas, a notícia da luz que há em Cristo.
Na igreja construída como monumento à sua
memória, foi conservada a pedra dos sacrifícios pagãos que
ele antes oferecia, agora transformada em batistério da
igreja cristã. Esta pedra é o símbolo da graça salvadora de
Deus, experimentada pelo rei Thakoban e seus súditos.
Jesus Cristo traz alegria e paz à alma humana.

SOFRIMENTO E VITÓRIA

"De tal coisa me gloriarei; não, porém, de mim


mesmo, salvo nas minhas fraquezas." (II Co 12.5).
Quando da dedicação da Igreja Memorial Judson em
Nova lorque, o Dr. Edward Judson, disse o seguinte: "O
sofrimento e o sucesso caminham juntos. Se você está
sendo bem-sucedido sem sofrer, é porque outros, antes de

240
você, sofreram; se você está sofrendo sem ver o sucesso,
outros, depois de você, o obterão."
Bem-aventurados os que choram. Eles podem ser
felizes porque sabem que a dor, a aflição e a privação são as
dores de parto de uma nova criação e de um mundo melhor.
Eles podem ser felizes porque têm a consciência de que o
Supremo Artista, Deus, para produzir uma obra prima
digna, usa a sombra do Seu pincel. Eles podem ainda se
gloriar em suas lágrimas e cantar em honra da tristeza,
porque sabem que na economia de Deus, "se sofremos, é
porque também reinaremos com Ele".

SUPORTAI-VOS UNS AOS OUTROS

"Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que


deseja que lhe emprestes" (Mt 5.42).
Tantas vezes, ao sermos solicitados a ajudar certas
pessoas necessitadas, inclinamo-nos a perguntar: "São
cristãos? Estão procurando viver corretamente? Se não, por
que os haveríamos de ajudar?"
Há uma velha alegoria judaica, mais ou menos nesse
teor: “Um dia Abraão estava sentado à porta da tenda, como
tinha por costume, esperando hospedar estranhos, quando
viu, caminhando em sua direção, um homem de cem anos,
todo curvo e amparado em seu bordão, fatigado pelos anos
e pela viagem. Abraão o recebeu bondosamente, lavou-lhe
os pés, fê-lo sentar-se e lhe serviu a ceia.
O ancião comeu, entretanto, sem pedir a bênção de
Deus nem lhe dar graças. Ao ser-lhe perguntado por que
não adorava o Deus do céu, o velho disse a Abraão que
adorava unicamente o fogo, e não conhecia outro deus.
Diante desta resposta, Abraão em seu zelo, ficou indignado
a ponto de mandar embora o velho de sua tenda, expondo-o
às trevas, aos males e perigos da noite, sem proteção. Deus
chamou Abraão e perguntou-lhe onde estava o estrangeiro.
Ao que o patriarca respondeu: "Atirei-o para fora, pois não
Te adora". Deus, então, respondeu: "Eu o tenho suportado
por cem anos, se bem que ele me desonre, e tu não o
241
pudeste suportar por uma noite, sendo que ele não te
causou nenhuma perturbação?"
Em vista disso, diz a história, Abraão o chamou de
volta, foi hospitaleiro com ele, e proporcionou-lhe sábias
instruções.

A MEDICINA ADEQUADA

Uma missionária estava sozinha em um lugar da


China, muito doente, entre pessoas pagãs, e longe das
pessoas que poderiam ajudá-la. A missionária, no meio da
sua aflição, clamou a Deus em oração pedindo-lhe que a
ajudasse naquela situação tão difícil.
Do outro lugar da China, um comerciante enviou-lhe
várias caixas grandes de aveia escocesa, sem que a
missionária as tivesse pedido. Ela tinha uns potes de leite
condensado. Com estas duas coisas teve com que
alimentar-se e conservar a vida durante quatro semanas.
Depois deste tempo, a missionária se sentiu
perfeitamente bem de saúde.
Passado algum tempo, ela estava em um grupo de
várias pessoas cristãs entre as quais havia um médico, e
todos lhe pediram que relatasse com pormenores a sua
enfermidade.
Terminado isto, o médico disse: "Deus ouviu as suas
orações, e deu-lhe mais do que você pode imaginar; pois
para a enfermidade que você padeceu, nós os médicos
recomendamos como único alimento e medicamento a aveia
em flocos, cozida em água e leite até formar um líquido
espesso. Assim, pois, Deus providencialmente receitou-lhe e
enviou-lhe o remédio mais apropriado".
http://www.aguasvivas.ws/revista/42/maravilhas.htm

ORAÇÃO E PROTEÇÃO

Enquanto eu servia em um pequeno hospital, na


África, a cada duas semanas eu ia de bicicleta, por dentre a
242
selva, até uma cidade próxima, para comprar provisões.
Esta era uma jornada de dois dias e era necessário acampar
à noite, na metade do caminho.
Em uma dessas jornadas, cheguei à cidade, onde
planejava sacar meu dinheiro no banco, comprar
medicamentos e provisões e depois iniciar meus dois dias
de jornada de regresso ao hospital.
Quando cheguei à cidade, observei dois homens
brigando e um deles havia sido seriamente ferido. Tratei dos
seus ferimentos e ao mesmo tempo lhe falei do Senhor
Jesus Cristo. Viajei por dois dias, acampando à noite, e
cheguei em casa sem nenhum incidente.
Duas semanas depois, repeti minha jornada. Quando
cheguei à cidade, fui abordado por aquele jovem homem,
cujas feridas eu havia tratado. Ele me disse que sabia que
eu levava dinheiro e provisões. Prosseguiu dizendo-me:
“Alguns amigos e eu te seguimos até à selva, sabendo que
tu ias acampar à noite. Nós planejamos matar-te e tomar
teu dinheiro e medicamentos. Todavia, justamente quando
íamos atacar seu acampamento, vimos que estavas
protegido por 26 guardas armados!” Então comecei a rir e
lhe disse que com certeza eu estava sozinho no
acampamento, no meio da selva. O jovem homem apontou
em minha direção e me falou: “Não, senhor, não estavas só,
pois vi os guardas. Meus cinco amigos também os viram e
nós os contamos. Por conta desses guardas, nos
assustamos e te deixamos tranquilo.”
Quando da sua volta, o missionário contou isso no
sermão, um dos homens da igreja se pôs em pé,
interrompeu a mensagem e lhe perguntou se ele poderia
dizer exatamente em que dia isso se sucedeu. O missionário
contou à congregação o dia e então o homem que lhe
interrompeu contou esta história:
“Na noite do teu incidente na África aqui era manhã e
eu estava me preparando para ir jogar golfe. Estava a ponto
de sair de casa quando senti a urgência de orar por ti. De
fato, a urgência do Senhor era tão forte que chamei vários
homens da igreja para encontrarmo-nos aqui, no santuário,

243
para orar por ti. Poderiam os homens que se reuniram
comigo aqui naquele dia, colocarem-se de pé?”
Então, todos os homens que se reuniram naquele dia
se puseram de pé. O missionário ficou surpreso quando
aquele homem começou a contá-Los. Eram 26.
http://ilustreoseusermao.blogspot.com

244
Sobre o Autor:

Luiz Miguel de Souza Gianeli é casado com Débora Barbosa da


Silva Gianeli e pai de Agnes, Annelise e Luigi.
Bacharel em Teologia pelo Seminário Batista Regular do Sul
(SBRS), com Convalidação pela Faculdade Evangélica do Piauí
(FAEPI), tem trabalhado como missionário Batista na região da
Serra da Canastra, Centro-Oeste de Minas Gerais desde 2006,
onde, juntamente com sua família, fundou a Igreja Batista de
Vargem Bonita e a Igreja Batista Nova Esperança em Piumhi, na
qual servem atualmente.
Autor dos livros “A Missão de Neemias – Uma Perspectiva
para a Obra Missionária na Atualidade” pela editora
Crescendo e “Como Peregrinos e Forasteiros – Meditações em
Primeira Pedro” também escreve o Blog “Diamantes Eternos”
(http://diamanteseternos.blogspot.com.br/) sobre missões,
cristianismo, literatura e cultura.

Contato: prmiguelgianeli@hotmail.com
245

Related Interests