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RESUMO DE RESPONSABILIDADE CIVIL

Para Maria Helena Diniz: responsabilidade civil é a aplicação de medidas que


obriguem alguém a reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros em
razão de ato do próprio imputado, de pessoa por quem ele responde, ou de fato
de coisa ou animal sob sua guarda ou, ainda, de simples imposição legal.

- Violação de um dever jurídico e dano. Responsável é a pessoa que deve


ressarcir o prejuízo decorrente da violação de um precedente dever jurídico.

O conceito de Responsabilidade Civil decorre da cláusula geral em que todos


estão obrigados a não prejudicar ninguém.

Art. 944, CC: a indenização mede-se pela extensão do dano.

Princípio restitutio in integrum - prevê que a pessoa deverá ser ressarcida na


mesma medida do dano sofrido. Isto garantirá o retorno ao status quo ante.

O parágrafo único atenua a força do caput, ponderando situações em que a


efetiva reparação de dano possa prejudicar severa e desproporcionalmente
aquele que causou o dano - poderá o juiz reduzir equitativamente a indenização.

Antigamente era difícil distinguir a responsabilidade civil da penal, onde os casos


de dano eram resolvidos com a vingança

- A partir da CF a matéria cresceu em importância no ordenamento jurídico


brasileiro, com a previsão do direito à indenização.

- A responsabilidade civil visa restabelecer o status quo ante, ou seja, permitir


que a pessoa lesada volte à situação em que estava antes de sofrer o dano.

- Garantir que determinada pessoa não tenha que suportar o prejuízo do qual
não deu causa.

- Novos paradigmas: socialização dos riscos, exigência da solidariedade social


e da proteção do cidadão.

- Não haverá apenas uma busca de um culpado - a coletividade será chamada


a indenizar - mais ou menos como funciona no contrato de seguro. Isso significa
abandonar o caráter individualista ainda presente no Direito Civil - compreendê-
lo de forma mais compatível com a axiologia constitucional.
A responsabilidade civil surge em face do descumprimento obrigacional, pela
desobediência de uma regra estabelecida em um contrato (contratual ou
negocial) ou por deixar determinada pessoa de observar um preceito normativo
que regula a vida independentemente de relação obrigacional preexistente (resp
civil extracontratual ou aquiliana).

Direito Romano: o causador do dano era punido com a pena de Talião, prevista
na lei das XII tábuas. Ulpiano: haveria o dever de indenizar mesmo pela culpa
mais leve. É incorreto usar a expressão aquiliana para denotar a culpa atual,
contemporânea.

Direito Francês: Código Napoleônico, os elementos tradicionais da


responsabilidade civil são a conduta do agente - comissiva ou omissiva - a culpa
em sentido amplo - englobando dolo e a culpa stricto sensu - o nexo de
causalidade e o dano causado.

- Seguindo essa construção, o Direito Civil pátrio continua consagrando como


regra a responsabilidade com culpa, denominada responsabilidade civil objetiva.

- Passou-se a admitir outra modalidade de responsabilidade civil, aquela sem


culpa - teoria do risco - responsabilidade civil objetiva

De acordo com a teoria do risco, iniciaram-se debates para a responsabilização


daqueles que realizam determinadas atividades em relação à coletividade. Maior
atuação estatal e maior exploração em massa da atividade econômica - justificou
a aplicação da nova tese de responsabilidade sem culpa.

Novas relações impulsionadas pela Revolução Industrial, passou-se a perceber


que nem sempre seria possível identificar o culpado e delimitar sua conduta, o
que resultaria em diversas situações onde a vítima ficaria sem indenização.

- A partir do CC/16 começou as tentativas de incluir a nova vertente doutrinária -


trazendo a responsabilidade do Estado pelos atos comissivos de seus agentes.
A CF 88, no art. 37 6º também prevê a responsabilidade objetiva.

- O poder público foi atingido pela responsabilidade sem culpa em virtude da


amplitude de sua atuação diante dos cidadãos, tendo em vista a constatação de
que a prestação de serviços públicos cria riscos de eventuais prejuízos.
- Política nacional do meio ambiente - responsabilidade objetiva dos causadores
de danos ao meio ambiente - consagração do princípio poluidor pagador.

- Código Civil de 2002: passou a tratar especificamente da responsabilidade


objetiva, de forma geral no art. 927, parágrafo único, sem prejuízo de outros
comandos legais que também trazem a responsabilidade sem culpa.

- Surgimento de uma nova modalidade: culpa pressuposta.

TEORIA GERAL DA RESPONSABILIDADE CIVIL

Pressupostos da responsabilidade civil clássica subjetiva:

- Ação ou omissão do agente: conduta

- Culpa

- Relação de causalidade ou nexo de causalidade entre a conduta e o dano

- Dano

Com a inclusão da teoria do risco e, consequentemente, com a possibilidade de


responsabilizar independentemente da culpa, surgiu a responsabilidade objetiva,
cujos pressupostos são:

1. Ação ou omissão do agente: conduta

2. Risco

3. Relação de causalidade ou nexo de causalidade entre a conduta e o dano

4. Dano

AÇÃO OU OMISSÃO DO AGENTE

O ato humano comissivo ou omissivo, lícito ou ilícito, voluntário e objetivamente


imputável, do próprio agente, ou de terceiro, ou o fato de animal ou coisa
inanimada, que causa dano a outrem, gerand o dever de satisfazer os direitos
do lesado.

Ação - ato positivo, agir de maneira a modificar o mundo externo por meio de
movimentos concretos.
Omissão - ato negativo, abstenção, não-fazer juridicamente relevante. Tal
relevância deve-se ao fato de haver um dever legal que foi inobservado.

Não é necessário que a conduta configure uma ilegalidade, basta que cause um
dano a outrem e que este não tenha o dever de suportá-lo.

A conduta precisa ser VOLUNTÁRIA. Controlável pela vontade a qual se imputa


ao fato, de sorte que EXCLUÍDOS estarão os atos praticados sobre coação
absoluta; em estado de inconsciência, sob o efeito de hipnose, delírio febril, ou
por provocação de fatos invencíveis como tempestades, incêndios
desencadeados por raios, naufrágios, terremotos, etc.

Por fim, a conduta lesiva deve ser imputável. Imputabilidade é o conjunto de


condições pessoais que dão ao agente capcidade para poder responder pelas
consequências de uma conduta contrária ao dever; imputável é aquele que podia
e devia ter agido de outro modo.

- Ocorre a violação de um dever jurídico. Porém, os danos podem surgir de


situações que não são necessariamente obrigações civis, podem decorrer de um
descumprimento de um dever geral de cautela.

- Se a hipótese não estiver prevista na lei ou no regulamento, haverá ainda o


dever indeterminado de não lesar a ninguém, princípio que está implícito no art.
186 do CC

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou


imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito.

- A culpa contratual se dá no descumprimento das obrigações contidas no


contrato.

- Para que se configure a responsabilidade por omissão é necessário que exista


o dever jurídico de praticar determinado fato - não se omitir - e que se demonstre
que, com sua prática, o dano poderia ser evitado. Pode ser imposto por lei ou
resultar de convenção (dever de guarda, vigilância, de custódia) e até da criação
de alguma situação especial de perigo.

CULPA
Para a responsabilidade civil, o conceito de culpa que será levado em
consideração é a culpa em sentido AMPLO - LATO SENSU - o que inclui o dolo
e culpa em sentido estrito, ou seja, abrange toda espécie de comportamento
contrário ao Direito, intencional ou não. É conduta voluntária contrária ao dever
de cuidado imposto pelo direito, com a produção de um evento danoso
involuntário, porém previsto ou previsível.

Para que haja obrigação de indenizar, não basta que o autor do fato danoso
tenha procedido ilicitamente, violando um direito (subjetivo) de outrem ou
infringindo uma norma jurídica tuteladora de interesses particulares. A obrigação
de indenizar não existe, em regra, só porque o agente causador do dano
procedeu objetivamente mal. É essencial que ele tenha agido com CULPA: por
ação ou omissão voluntária, por negligência ou imprudência - art. 186 do CC.

- Quanto a natureza do dever violado

1. Culpa contratual: se tal dever se fundar em uma relação jurídica obrigacional


preexistente, terá a culpa contratual, respondendo o devedor por perdas e danos
nos termos do art. 389 do CC. Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o
devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices
oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. O credor deverá
comprovar a mora do inadimplente, mas não precisará demonstrar sua culpa,
porque em princípio todo inadimplemento se presume culposo. Ao devedor
competirá provar a ocorrência de caso fortuito ou outra causa excludente de
responsabilidade.

2. Culpa extracontratual: se o dever violado for o genérico, imposto pelo art. 186,
a culpa será extracontratual. Neste caso, a sua prova, a ser produzida pela
vítima, será imperiosa, ressalvadas as hipóteses de responsabilidades
independentemente de culpa.

- Modos de sua apreciação

1. Apreciação em concreto

2. Apreciação em abstrato

- Quanto a sua graduação


1. Culpa grave: é não prever o que todos preveem, omitir os cuidados mais
elementares ou descuidar da diligência mais evidente. Ex.: dirigir um veículo em
estado de embriaguez alcoólica ou em velocidade excessiva, ingressar em
cruzamento com semáforo fechado, etc. Equipara-se ao dolo, em seus efeitos.
Na realidade, a culpa grave é a decorrente de uma violação mais séria do dever
de diligência que se exige do homem mediano.

2. Culpa leve: quando a falta puder ser evitada com ação ordinária.

3. Culpa levíssima: é a falta só evitável com atenção extraordinária, com


extremada cautela.

O CC não faz nenhuma distinção entre dolo e culpa, nem entre os graus de
culpa, para fins de reparação de dano. Tenha o agente agido com dolo ou culpa
levíssima, existirá sempre a obrigação de indenizar, obrigação esta que será
calculada EXCLUSIVAMENTE SOBRE A EXTENSÃO DO DANO. Mede-se a
indenização pela extensão do dano e não pelo grau de culpa. A culpa, ainda que
levíssima, obriga a indenizar.

Exceção: parágrafo único do art. 944, em que confere ao juiz o poder de agir
equitativamente, facultando-lhe reduzir a indenização quando excessiva se
mostrar a desproporção entre o seu valor e o grau da culpa do responsável.

- Quanto ao conteúdo da conduta culposa

1. In committendo ou in faciendo: resulta de uma ação, de um ato positivo do


agente.

2. In omittendo: decorre de uma omissão, só tendo relevância para o direito


quando haja o dever de não se abster.

3. In eligendo: é a que decorre de má escolha do representante ou preposto

4. In vigilando: é a que resulta da ausência de fiscalização sobre pessoa que se


encontra sob a responsabilidade ou guarda do agente.

CÓDIGO CIVIL Art. 933 - as pessoas mencionadas no art. 932, pais, tutores,
empregadores, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos
praticados por terceiros ali referidos.
5. In custodiendo: decorre de falta de cuidados na guarda de algum animal ou
objeto. O art. 936 presume a culpa in custodiendo do dono do animal, mas não
de forma absoluta, pois admite a inversão do ônus da prova, permitindo-lhe
provar a culpa da vítima ou força maior com objetivo de elidi-la.

RELAÇÃO DE CAUSALIDADE

A relação ou o nexo de causalidade é requisito da Responsabilidade Civil e tem


também a função de estabelecer a medida para a obrigação de indenizar, sendo
da maior relevância quando o resultado danoso decorre de várias causas e
envolvendo vários agentes.

Teoria da equivalência das condições: toda e qualquer circunstância que haja


concorrido para produzir o dano é considerada como causa.

Teoria da causalidade adequada: somente considera como causadora do dano


a condição por si só apta para produzi-lo.

- Teoria da causalidade adequada: somente considera causadora do dano a


condição por si só apta a produzi-lo. Ocorrendo certo dano, temos que concluir
que o fato que o originou era capaz de lhe dar causa.
- Danos diretos e imediatos: entre a conduta e o dano, uma relação de causa e
efeito direta e imediata. É indenizável todo dano que se filia a uma causa, desde
que esta seja necessária, por não existir outra que explique o mesmo dano. Quer
a lei que o dano seja o efeito direito e imediato da inexecução.
Ex.: o acidentado, ao ser conduzido em uma ambulância para o hospital, vem a
falecer em virtude de tremenda colisão da ambulância com outro veículo,
responderia o autor do dano primeiro da vítima, o responsável pelo seu
ferimento, apenas pelos prejuízos de tais ferimentos oriundos. Pelos danos da
morte dessa mesma vítima em decorrência do abalroamento da ambulância,
responderia o motorista da ambulância ou o carro abalroador, ou ambos. Mas o
agente do primeiro evento não responderia por todos os danos, isto é pelos
ferimentos e pela morte.
Cada agente responde somente pelos danos que resultam direta e
imediatamente, isto é, proximamente, de sua conduta.
A Teoria da Causalidade Direta e Imediata, que aparentemente está positivada
no art. 403 do CC: ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas
e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela
direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual.
Não é indenizável o chamado dano remoto, que seria uma consequência indireta
do inadimplemento.
Ex.: se alguém sofre um acidente automobilístico no instante em que se dirigia
ao aeroporto para uma viagem de negócios, pode responsabilizar o motorista
causador do dano pelos prejuízos que resultarem direta e imediatamente do
sinistro, como as despesas médico-hospitalares e os estragos do veículo, bem
como os lucros cessantes, referentes aos dias de serviço perdidos. MAS não
poderá cobrar os danos remotos, atinentes ao eventuais lucros que poderiam ter
auferido se tivesse viajado e efetuado os negócios que tinham em mente. São
danos que se acham muito distantes deste e podem ter outras causas.
EXCLUDENTES DE CAUSALIDADE
Ainda assim, mesmo havendo uma relação de causalidade, existem situações
estabelecidas como excludentes do nexo de causalidade, ou seja, casos de
impossibilidade superveniente do cumprimento da obrigação não imputáveis ao
agente. São casos de fortuito, força maior, fato exclusivo da vítima ou de terceiro.
Estado de necessidade, legítima defesa, a culpa da vítima, o fato de terceiro, o
caso fortuito ou força maior e cláusula de não indenizar.
Ex.: se raio provocou o incêndio que matou os passageiros transportados pelo
ônibus, considera-se excluída a relação de causalidade, e o ato do agente (no
caso, o transportador) não pode ser tido como causa do evento.
- Concausas preexistentes NÃO eliminam a relação causal, considerando-se
com tais aquelas que já existiam da conduta do agente. Assim, por exemplo, as
condições pessoais de saúde da vítima, embora às vezes agravem o resultado,
em nada diminuem a responsabilidade do agente. Se de um atropelamento
resultam complicações por ser a vítima cardíaca ou diabética, o agente responde
pelo resultado mais grave, independentemente de ter ou não conhecimento da
concausa antecedente que agravou o dano.
- Causa superveniente, embora concorra também para o agravamento do
resultado, em nada favorece o agente.

DANO
Não pode haver reparação sem a existência do prejuízo. Por isso, o conceito
clássico de dano é que ele constitui uma diminuição do patrimônio.
Deve ser atual e certo. A certeza do dano afasta a possibilidade de reparação do
dano meramente hipotético ou eventual, que não poderá se concretizar.
Probabilidade objetiva que resulte do curso normal das coisas.
Dano, em sentido amplo, vem a ser a lesão de qualquer bem jurídico, e aí se
inclui o dano moral. Em sentido estrito, dano é a lesão ao patrimônio.
Indenizar significa reparar o dano causado à vítima, integralmente. Se possível,
restaurando statu quo ante, isto é, devolvendo-a ao estado em que se
encontrava antes do ato ilícito. Todavia, como na maioria dos casos se torna
impossível tal desiderato, busca-se uma compensação em forma de pagamento
de uma indenização monetária.
Para que o dano seja indenizável, é necessário que haja uma diminuição ou
destruição de um bem jurídico, patrimonial ou moral, a certeza do dano, a
causalidade, a subsistência do dano no momento da reclamação pelo lesado, a
legitimidade, a ausência de causas excludentes de responsabilidade.
O dano há de abranger aquilo que efetivamente se perdeu e aquilo que se deixou
de lucrar: o dano emergente e o lucro cessante.
Dano emergente é o efetivo prejuízo, a diminuição patrimonial sofrida pela vítima.
Representa a diferença entre o patrimônio que a vítima tinha antes do ato ilícito
e o que passou a ter depois.
Lucro cessante: é a perda de um ganho esperado.
Embora possa haver responsabilidade sem culpa, não se pode falar em
responsabilidade civil ou em dever de indenizar se não houve dano.

Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos


devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que
razoavelmente deixou de lucrar.

Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos
só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e
imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual.
Existem 2 tipos: o material e o moral.
Material: são mais fáceis de comprovar, com a possibilidade de diversos meios
de provas documentais.
- Tem legítimo interesse para pleitear indenização a pessoa que detinha a posse
do veículo sinistrado, independentemente de título de propriedade.
- Igual direito tem os herdeiros da vítima: transmitem-se com a herança.
- Ressalva-se que em caso de morte do chefe da família, a esposa e os filhos
menores têm legitimidade para pleitear a indenização não na condição de
herdeiros do falecido, mas na de vítimas, porque são as pessoas prejudicadas
com a perda do esposo e pai.
- Reconhecido o direito da companheira receber indenização.
Dano moral: tem uma acepção bem ampla, sendo uma agressão a um bem ou
atributo da personalidade. Não se restringe à dor, tristeza e sofrimento,
estendendo sua tutela a todos os bens personalíssimos. Em razão da natureza
imaterial, o dano moral é insusceptível de avaliação pecuniária, podendo apenas
ser compensado como a obrigação pecuniária imposta ao causador do dano,
sendo esta mais uma satisfação do que uma indenização. De comprovação mais
complexa e com alto grau de subjetividade, o arbitramento do dano moral
constitui um dos maiores desafios.
SÃO CUMULÁVEIS AS INDENIZAÇÕES POR DANO MATERIAL E DANO
MORAL ORIUNDOS DO MESMO FATO.
Ressarcimento - pagamento de todo o prejuízo material sofrido, abrangendo o
dano emergente e os lucros cessantes, o principal e os acréscimos que lhe
adviriam com o tempo e com o emprego da coisa.
Reparação: compensação pelo dano moral, a fim de minorar a dor sofrida pela
vítima.
Indenização: é reservada para a compensação do dano decorrente do ato lícito
do Estado, lesivo do particular, como ocorre nas desapropriações.
A CF usou como gênero, do qual ressarcimento e a reparação são espécies.
SÚMULA 387: É LÍCITA A CUMULAÇÃO DAS INDENIZAÇÕES DE DANO
ESTÉTICO E DANO MORAL.

O RISCO

O risco, apresentado no rol dos pressupostos da responsabilidade objetiva, está


embasado em uma teoria. A teoria do risco foi desenvolvida por doutrinadores
franceses para embasar a responsabilidade objetiva e diz que "todo prejuízo
deve ser atribuído ao seu autor e reparado por quem o causou,
independentemente de ter ou não agido com culpa"

A culpa é vinculada ao homem e o risco é ligado ao serviço, à empresa, à coisa,


ao aparelhamento.

O risco pode ser:

- Risco proveito

- Risco profissional

- Risco excepcional

- Risco criado

- Risco integral

Somente pode ser considerada situação de risco o que estiver previsto na


legislação.

931. Os empresários individuais e as empresas respondem independentemente


de culpa pelos danos causados pelos produtos postos em circulação.

932. Também são responsáveis pela reparação civil

i - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua
companhia

ii - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas


condições

iii - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no


exercício do trabalho que lhes competir ou em razão dele

iv - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se


albergue por dinheiro, mesmo que para fins de educação, pelos seus hóspedes,
moradores e educandos;

v - os que gratuitamente houverem participado dos produtos do crime, até a


concorrente quantia
art. 933: as pessoas indicadas nos incisos I a V AINDA QUE NÃO HAJA CULPA
DE SUA PARTE, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos

Art. 936: o dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se
não provar CULPA DA VÍTIMA OU FORÇA MAIOR

Art. 938: aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano
proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido.

Art. 12 do CDC: o fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e


o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela
reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de
projeto, fabricação, construção, montage,, fórmulas, manip, apresentação,
acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua utilização e riscos.

Art. 37. A adm pública direta e indireta de qualquer dos poderes da união,
estados e do DF e municípios obedecerá aos princípios da legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também ao seguinte:

- as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de


serviços públicos responderão pelos danos de seus AGENTES, nessa
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o
responsável nos casos de dolo ou culpa.

RESPONSABILIDADE DECORRENTE DO EXERCÍCIO ABUSIVO DO DIREITO

O direito de um termina quando começa o direito do outro. É o excesso no


exercício regular de um Direito está previsto no art. 187 do CC - também comete
ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os
limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa fé ou pelos
costumes.

A diferença está no fato de que não é ilícito utilizar os próprios direitos com a
intenção de lesar outra pessoa, sem ausência de um interesse sério e legítimo
ou exercê-lo fora da sua finalidade econômica e social. Nestas hipóteses, o
exercício do direito será considerado abuso e será tratado como se ilícito fosse.
Os maiores exemplos do exercício abusivo do Direito estão no direito de
vizinhança.

Ex: som em volume alto que toca na casa ou no bar após horário permitido;
poluição da água pelo lançamento de resíduos, recebimento de pessoas com
doenças contagiosas, deixar caixas de água abertas e depósitos que possam
acumular água, multiplicando a larva do inseto transmissor da dengue.

- O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as


interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam,
provocadas pela utilização de propriedade vizinha.

Proibem-se as interferências considerando-se a natureza da utilização, a


localização do prédio, atendidas as normas que distribuem as edificações em
zonas, os limites ordinários de tolerância dos moradores da vizinhança.

Agindo dentro dos limites legais, deixa de levar em conta a finalidade social e
econômica do direito subjetivo e, ao usá-lo desconsideradamente, prejudicar
alguém. Não há violação dos limites objetivos da norma, mas tão somente um
desvio dos fins sociais que ela visa atingir.

A responsabilidade indireta representa uma exceção ao princípio geral de que o


homem responde apenas pelos danos que ele próprio cause a alguém -
responsabilidade direta ou responsabilidade pelo fato próprio. Portanto, por ser
exceção, não comporta interpretação extensiva, sendo os seus casos previstos
de forma taxativa na legislação.

Para que a responsabilidade desborde do autor material do dano, alcançando


alguém que não concorreu diretamente para ele, é preciso que alguém esteja
ligado por um vínculo jurídico ao autor do ato ilícito, de sorte a resultar-lhe daí,
um dever de guarda, vigilância e custódia.

A responsabilidade pelo fato de outrem constitui-se pela infração do dever de


vigilância.

NÃO DEVE TRAZÊ-LA PARA O CAMPO DA RESPONSABILIDADE


SUBJETIVA.
A responsabilidade indireta ou complexa é objetiva e se dará
independentemente de culpa.

1. Pais sobre os filhos menores: é necessário que o filho seja menor, sob
autoridade e na companhia dos pais e que os pai estejam no exercício do poder
familiar.

- Se os pais emancipam o filho, voluntariamente, a emancipação produz todos


os efeitos naturais do ato, menos o de isentar os primeiros da responsabilidade
pelos atos ilícitos pelos atos praticados pelo segundo. Não acontece isso quando
a emancipação decorre do casamento ou das outras causas previstas no art. 5º
do CC.

2. Tutores e curadores: grande responsabilidade que o legislador trouxe para


estas pessoas que já estão exercendo um munus publicum.

Art. 928. O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele
responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios
suficientes. (Caso o incapaz possua posses)

A responsabilidade dos incapazes é SUBSIDIÁRIA, CONDICIONAL, MITIGADA


E EQUITATIVA.

- A indenização aqui deve ser equitativa, não terá lugar se privar do necessário
o incapaz ou as pessoas que dele dependem.

- A vítima somente não será indenizada pelo curador se este não tiver patrimônio
suficiente para responder pela obrigação.

3. Responsabilidade do empregador pelos atos lesivos de seus empregados:


atualmente é responsabilidade objetiva do empregador! Responde
objetivamente pelos danos causados por seus empregados, serviçais ou
prepostos.

Para caracterizar a responsabilidade do empregador ou comitente, não é


necessário que haja um contrato de trabalho entre estes e seus empregados,
prepostos ou serviçais, bastanto que exista uma relação de subordinação
voluntária entre os membros.

São requisitos:
- Dano causado pelo fato do empregado

- Ter o empregado cometio o fato lesivo no exercício de suas funções, ou seja,


durante o trabalho ou por ocasião dele.

- Relação de emprego ou dependência entre o causador do dano e o empregador


ou comitente

- A culpa do preposto ou do empregado

Aqui vale ainda a regra do art. 934 que trata do direito de regresso e a regra do
art. 942 que dispõe sobre solidariedade, dispositivos que não se aplicam para as
previsões de responsabilidade causadas por atos danosos causados por
incapazes.

- Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver
pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano por descendente
seu, absoluta ou relativamente incapaz.

- Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam


sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor,
todos responderão solidariamente pela reparação.

São solidariamente responsáveis com os autores os coautores e as pessoas


designadas no art. 932.

O fato do terceiro não exclui a responsabilidade, mas quem reparar o dano


causado por outrem, se este não for seus descendente, terá direito de reaver o
que pagou. O direito regressivo só deixará de existir se o autor do prejuízo for
um descendente, resguardando-se, assim, o princípio de solidariedade moral e
econômica pertinente à família.

É possível que a vítima cobre o prejuízo diretamente do empregado, valendo


aqui a regra da responsabilidade direta, o que exigirá prova de culpa.

- Sobre responsabilidade dos hotéis e hospedarias, mesmo para fins de


educação, considera-se que são prestadores de serviço e por isso deve se
subordinar às regras do CDC. Se trata de responsabilidade direta, fundada no
fato do serviço.
O mesmo vale para responsabilidade do dono do educandário pelos prejuízos
causados pelos educandos, respondem de forma objetiva pelos danos causados
aos seus alunos por defeitos na prestação dos serviços.

- Participantes, a título gratuito, em produto do crime - isso as torna


solidariamente responsáveis até a quantia na qual concorreram, mesmo que
penalmente inocentes. Isto ocorre porque independentemente de dolo ou culpa,
ninguém pode se locupletar do alheio.