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As características trágicas da intriga principal

Se nos debruçarmos sobre a intriga central de Os Maias, poderemos verificar que uma
das características fundamentais de que se reveste é a sua dimensão trágica. De facto, a
natureza e o percurso dos amores de Carlos e Maria Eduarda constituem uma história bem à
medida das tragédias gregas.

 Superioridade física e intelectual das personagens


 Afonso, Carlos e Maria Eduarda destacam-se no meio pequeno e medíocre em que
vivem pelas suas qualidades físicas, morais e intelectuais:
- retrato de Afonso (cap. I, p. 12);
- retrato de Carlos (cap. IV, pp. 96-99);
- descrição de Maria Eduarda (cap. VI, pp. 156-157).
 O destino
Ao longo da obra, são vários os momentos em que o destino é invocado.
(ver o manual, p. 145)

 Os presságios
A tragédia grega, na sua notável construção, vai preparando o espectador para o
desenlace trágico, fornecendo-lhe indícios subtis que apontam para esse desenlace.
São sinais que pressagiam o desfecho terrível, que prevêem a fatalidade
inultrapassável.
Também Os Maias estão povoados desses indícios, alguns deles já implicitamente
apontados no ponto anterior, já que eles se ligam, naturalmente, à força inexorável do destino
que se vai abatendo sobre as personagens.
(ver o manual, p. 146)

 As etapas

Toda a construção da intriga passa pelas etapas fundamentais da tragédia

Desafio Peripécia Reconhecimento Catástrofe

 Pedro desafia a ordem/ o destino (hybris) ao casar com Maria Monforte sabendo da
oposição do pai; também Maria Monforte desafia a ordem ao fugir com Tancredo e ao
separar os filhos; Afonso desafia as “paredes fatais” do Ramalhete.

 Guimarães encontra Maria Eduarda por acaso e faz revelações a Ega (mudança súbita
dos acontecimentos – peripécia, e reconhecimento – anagnórise).

 Carlos sabe que é irmão de Maria Eduarda e não resiste ao incesto voluntário – desafio à
moral vigente – climax.

 Catástrofe – morte física de Afonso, separação de Carlos e Maria Eduarda, morte social
da família.

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 O tema

O incesto era já o tema fulcral de uma tragédia como o Rei Édipo, de Sófocles. O
incesto, pelo seu carácter de ocorrência excepcional, está desde logo talhado para servir
uma acção que reúna dois requisitos importantes no contexto da estética da tragédia: a
impossibilidade de solução pacífica do conflito instaurado e o facto de atingir, com o seu
impacto destruidor, seres dotados de condição superior e acariciados pela felicidade.

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