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1. PORQUE ESTUDAR FILOSOFIA.

I. PROBLEMA.
Há uma plena discussão entre filosofia e a fé cristã. Neste assunto, as
opiniões divergem de forma abrangente. Portanto, questões relevantes surgem
na discussão: a filosofia e a fé se complementam ou se repelem? Há espaço para
filosofia em nossa forma de pensar a teologia?
II. JUSTIFICATIVA.
1. Compreender e estudar filosofia e as correntes filosóficas nos trarão uma
visão dos pensamentos que influenciam diferentes áreas da sociedade e do
mundo. Por exemplo: por que há uma forte ênfase na discussão sobre aborto?
Grande influência de correntes como o Marxismo está por traz. Por que as
pessoas rejeitam padrões de beleza na arte? Há o dedo dos teóricos que
produziram o que se conhece por pós-modernismo.
2. A teologia sistemática vale-se da filosofia para formular um sistema a
partir das escrituras. Por exemplo: a formulação da doutrina da trindade surge
a partir do uso do método de dedução das passagens bíblicas, das quais surgem
as premissas:
a) Há um só Deus,
b) Há três pessoas que são Deus,
c)Há um só Deus em forma de triunidade.
3. A apologética, ramo de estudo que se detém em defender a fé cristã,
também recorre à filosofia para elaborar seus argumentos, bem como para
refutar as falácias construídas pelos inimigos da igreja.

III. DEFINIÇÃO.
Definir filosofia é uma tarefa um tanto complexa, pois não há um
consenso em sua de sua definição, porém há “definições” do que seja filosofia:
i. A ciência que estuda as partes constituintes fundamentais do
mundo.
ii. Uma atividade racional, centralizanda na argumentação e na
avaliação crítica das evidências.

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iii. Sua etimologia (φιλέω – amor e σοφία- conhecimento), o que
remete ao entendimento dos antigos gregos, que pensavam a
filosofia como uma forma de viver virtuosamente.
Das definições acima, talvez a que menos pareça com a filosofia
moderna é a terceira. Entretanto, vemos que as duas primeiras definições nos
trazem duas ideias distintas que dividem os filósofos atualmente quanto a
natureza da filosofia.
Quanto a natureza da filosofia, os teóricos dividem-se em duas tradições
que diferem tanto nos assuntos que abordam quanto na metodologia que
adotam:

A. Filosofia Analítica.
A filosofia analítica refere-se àqueles filósofos que tomam por objetivo desenvolver
argumentos lógicos e deduzir fatos com clareza e precisão. Esse tipo de filosofia
se identifica com a clareza matemática e científica em seus argumentos. A
distinção entre filosofia analítica e continental começou a ser definida na época
de importantes filósofos como Gottlob Frege, Bertrand Russell, Ludwig
Wittgenstein e G.E. Moore, quando estes queriam inaugurar um novo método
de filosofia baseado nas técnicas de lógica formal desenvolvidas por Frege e
Russell. O fundamento dessa técnica é uma definição clara dos termos
utilizados (o que é "verdade"? o que é "vida"?) e o desenvolvimento de
premissas e conclusões derivadas desses termos para resolver clássicos
problemas na filosofia

B. Filosofia Continental (ou especulativa).


A filosofia continental refere-se a um tipo de filosofia que se originou com
franceses e alemães do século 19 e 20. Às vezes essa tradição se
distingue devido ao estilo (mais literário, romântico e reflexivo, menos
analítico e menos dependente da lógica formal) ou às abordagens (culturais,
políticas, sobre a situação humana e seu significado). A filosofia continental
também era e é mais autoconsciente da influência da história e da cultura sobre
a interpretação humana. Apesar do nome "continental", referindo-se ao
continente europeu, esse nome é um tanto enganoso, já que os primeiros
filósofos analíticos também eram europeus. Os primeiros filósofos considerados

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continentais incluem Hegel, Schopenhauer, Kierkegaard, Marx, Nietzsche,
Husserl, Heidegger, Merleau-Ponty, Sartre, Gadamer, Horkheimer, Adorno,
Marcuse, Habermas e Foucault.
Tendo em vista a utilidade e importância das duas escolas, definiremos
filosofia como “[...] a análise crítica dos conceitos fundamentais da pesquisa
humana, a discussão normativa de como o pensamento e a ação humanos
devem funcionar, e a descrição da natureza da realidade” (GEISLER e
FEINBERG, p.16).

2. DISCIPLINAS DA FILOSOFIA.

I. A ÉTICA.

1. Definição – A ética é o uma disciplina da filosofia que trata de questões


comportamentais que se baseiam em determinadas regras, que é a moral. Ou
seja: a ética corresponde a discussão no que compete a fundamentação dos
valores que determinado grupo segue.

2. Metodologia da ética. – Justificar as ações éticas baseado em reflexão filosófica,


de modo que na ação seja encontrado um princípio.

3. Discussões da ética. – A primeira questão levantada na ética é se ela é


convencional ou natural. Surgem então duas perspectivas éticas. E as teorias
éticas sobre a moralidade podem ser divididas em três categorias, dependendo
do pressuposto: Teleológicas (pressupõe a importância dos fins), Deontológicas
(Pressupõe a importância dos meios) e Situacionais (pressupõe a importância
do contexto).

4. Tipos de ética:
Alguns tipos de éticas Teleológicas:
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A. Hedonismo. A finalidade da vida é alcançar o prazer. Alguns hedonistas criam
que a felicidade era alcançada pela ausência de dor e preocupações, e não pela
satisfação das paixões (Epicuro).

B. Utilitarismo. – A ética correta é a que traz vantagens e funciona (Hobbes e John


Stuart Mill).

C. Eudemonismo. – A busca da felicidade pela contemplação: Para Aristóteles, da


verdade absoluta; para Aquino, de Deus.
Alguns tipos de ética deontológicas:
D. Estoicismo. – Praticar as virtudes reprimindo as paixões.

E. Formalismo ético. – O critério da moralidade é absoluto e universal. Essa ideia


foi desenvolvida por Kant.

A ética Situacional é:
F. Relativismo ético. – Não há verdades absolutas. A ética é fruto do seu meio, das
relações humanas.

II. A ESTÉTICA.

1. Definição. – A estética se compromete em analisar a beleza, a arte, padrões, etc.


Ela relaciona-se com a ética em muitos aspectos.

2. Análise estética. – Alguns filósofos analisaram a arte e a beleza, e postularam


suas conclusões sobre o assunto:

A. Platão entendia que a arte é uma imitação da natureza.

B. Kant via a arte como uma expressão do homem, sem relação com o intelecto.
A captação do universal exprimindo-se no particular.

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C. Santayana definia a arte como sendo um prazer, sendo o bem último da vida.

D. Schopenhauer dizia que a arte era um escape, ou um ópio.

E. Cristãos e gregos entendiam a que a arte tinha uma finalidade pedagógica.


3. A discussão moderna da arte. – Alguns filósofos desassociam a estética da ética
afirmando que a arte é amoral. Não há nada de metafísico por traz da arte.
Entretanto, a arte não é produzida desassociada da metafísica, e assim por
diante. O artista é um ser que pensa, que crê, e que quer expressar suas ideias
por meio de suas obras. Dessa forma, a estética e a ética estão intimamente
associadas.

III. A LÓGICA.

1. Definição. – Em um sentido amplo, a lógica é o estudo da estrutura e dos


princípios relativos à argumentação válida, sobretudo da inferência dedutiva e
dos métodos de prova e demonstração, dedução; implicação.

2. Metodologia da lógica. – A lógica pretende estabelecer as regras do pensamento


a fim de distinguir o falso do verdadeiro. Assim, há dois tipos básicos de
raciocino na lógica: a dedução e a indução.

3. A lógica aristotélica. – A lógica aristotélica, também conhecida como lógica


clássica, é a forma de pensar e organizar um argumento dedutivamente.
Também chamada de lógica formal, pois seu interesse está na forma e
não no conteúdo. Essa forma também é chamada de silogismo.
A lógica aristotélica investiga as condições em que a conclusão de um
argumento se segue necessariamente de seus enunciados inicias (premissas).
O estudo das regras da lógica promove a capacidade de formular um
argumento lógico, bem como identificar um as argumentações não-válidas (as
falácias).

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IV. A EPISTEMOLOGIA.

1. Definição. – A epistemologia preocupa-se em investigar a origem e natureza e


o método de organização do conhecimento.
Está disciplina tenta responder perguntas como: como sabemos que
sabemos? Como conhecemos alguma coisa? O que é o conhecimento científico?
O cientista descreve, interpreta ou explica os fatos?

2. Por que estudar epistemologia. - Estudar epistemologia é estudar o que faz de


um tipo específico de conhecimento uma forma mais segura de conhecer
aspectos de nossa realidade; o que faz de nosso conhecimento específico de
aplicação prática de medicina, psicologia ou engenharia um corpo de
conhecimento mais preciso e seguro do que outros corpos de conhecimento
empíricos fundados unicamente na tradição oral ou experiência privada.
Estudar epistemologia é estudar as diferenças entre vários tipos de
conhecimento, como o prático, o filosófico, o religioso e o científico.

V. A METAFÍSICA.

1. Definição. – O nome significa “além do físico”, e corresponde à parte da


filosofia que se preocupa em estudar a realidade, as causas primeiras e os
primeiros princípios.
Era a principal disciplina da filosofia grega clássica. Os filósofos
modernos, como Hume e Kant, desprezaram a metafísica e derma forte ênfase
ao estudo do conhecimento. “A pergunta da metafísica é: por que as coisas são
em vez de não serem? O ser é a qualidade essencial de um ente sema qual ele
não pode subsistir” (LALANDE, 1960 – citando Descartes).

2. Metodologia da Metafísica. – Especular no que consiste a realidade. Considera


aquilo que existe (o físico, a natureza) e tenta desvendar no que ele consiste.

3. Questões da metafísica. – Quais as partes da realidade? Qual a natureza do


tempo e do espaço? Tudo tem uma causa, ou não?

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4. Metafísica dos gregos antigos. – Entre os gregos não havia a divisão entre
ciências da natureza e a metafísica. Nos seus tratados sobre a natureza também
havia especulações sobre a natureza da natureza: era alegado que tudo que
existe é formado por quatro elementos: água, fogo, terra e ar.

5. Metafísica e cosmologia. – Alguns confundem a metafísica com a cosmologia,


mas são dois ramos distintos, apesar de terem algumas coisas em comum.
Cosmologia é o estudo do mundo. Sua origem, sua constituição, sua
finalidade última, etc. entre os filósofos clássicos houveram várias teorias sobre
a constituição do mundo:

A. Tales de Mileto cría que o mundo era constituido por agua.


B. Platão pensou num mundo dualista, onde o mundo físico era uma cópia do
mundo superior e perfeito, o mundo das ideias.
C. Aristóteles partia da ideia de que o mundo era eterno, mas estava em constante
movimento de mudança, e, por isso, precisava de um ser que não se modifica,
e que seja a causa de todas as coisas, sendo o motor que a tudo move, mas
permanece imóvel.
D. Leucipo e Demócrito – Formularam a teoria atomista do mundo,
afirmando que tudo era composto por partículas indivisíveis,
invisíveis, chamadas átomos.

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3. INTERDISCIPLINARIDADE DA FILOSOFIA.

I. A FILOSOFIA SOCIAL E POLÍTICA.


A filosofia social e política está associada à ética, e está interessada nas
ações de um grupo ou sociedade.
No estudo sobre a sociedade surgem duas escolas de pensamento: as que
pensam nas causas dos problemas sociais (violência, crime, pobreza, guerras,
etc). Desta linha surgem as disciplinas como Sociologia, Antropologia, etc. E a
segunda linha de pensamento estuda os alvos que a sociedade precisa traçar, e
pensam na forma de governo e como ele deve ser. Desta linha surge a política.

II. A FILOSOFIA DA RELIGIÃO.


Por ser um fenômeno universal, a religião é foco dos estudos da
filosofia, e considerada como um fenômeno intrínseco à humanidade.
A partir do século XIX o fenômeno da religião passou a ser considerado
como algo primitivo, típico dos períodos menos evoluídos da humanidade. O
agnosticismo metafísico de Kant e o ceticismo de David Hume fizeram com
que Feuerbach, filósofo alemão que se dedicou a desmistificar a religião (e
principalmente o cristianismo), afirmasse que Deus era uma criação humana.
Uma projeção das virtudes mais excelentes do íntimo do ser humano.
Outro crítico da religião foi Karl Marx. Sua famosa declaração de que “a
religião é o ópio do povo” transmite um pouco do seu entendimento de que ela
era uma forma de manipular as classes socialmente oprimidas.
Diferentemente do que fora esperado pelos “profetas” do positivismo, a
religiosidade não caiu em declínio nos tempos modernos. Pelo contrário: há
uma crescente busca pelo misticismo, e uma grande queda do racionalismo, do
naturalismo e do ateísmo. O número filósofos da religião, cristãos, como
William Craig, Lee Strobel, Alvin Plantinga, Swidburn, etc. tem crescido
assombrosamente, bem como a aceitação de suas obras por parte do meio
acadêmico.
Vários são os assuntos tratados na filosofia da religião. Como, por
exemplo, a existência de Deus. Para Kant, existiam três argumentos para
comprovar a existência de Deus: o Ontológico, o Cosmológico e o Teleológico.

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Outros, conhecidos como “ateólogos”, desenvolveram argumentos para
desmentir a existência de Deus.
Um segundo assunto seria as discussões sobre os atributos de Deus: a
compatibilidade entre sua justiça e sua misericórdia; a tensão que há entre sua
onisciência e a liberdade do homem, etc.
Um terceiro assunto tratado pelos filósofos da religião é o problema do
mal. Hume desenvolveu uma espécie de dilema onde a bondade e a onipotência
de Deus não se harmonizariam com a existência do mal. Muitas teodiceias tem
sido feitas pelos filósofos cristãos, como por exemplo, a mais atual, escrita por
Alvin Plantinga, que desenvolve de forma analítica um forte argumento sobre
a relação entre o mal e os atributos de bondade e grandeza de Deus.

III. A FILOSOFIA DA HISTÓRIA.


O fator histórico é de suma importância para uma civilização. É
evidente que povos que não possuíam uma historiografia nem tinham interesse
nesse ramo, não construíram grandes civilizações.
Filosoficamente, há uma discussão sobre a objetividade e possibilidade
da história. A história é objetiva em si, mas quando é registrada, passa a ser
subjetiva, pois o historiador seleciona e interpreta os eventos; há limitações
temporais, culturais, ideológicas e de informações parciais.
O marxismo é uma das escolas de pensamento modernas que pensam a
história como um fator crucial para seu sistema. O homem é um ser histórico
envolvido numa luta econômica, que resultará em equilíbrio e felicidade
quando houver um nivelamento social, uma sociedade sem classes.
A filosofia na história também é um fator importante. Ao se estudar
história percebe-se que em diferentes momentos houveram diferentes formas
de pensar que influenciaram grandemente gerações. Por exemplo: René
Descartes, e seu pensamento, que exaltava a razão, influenciou toda Europa,
todas as áreas do conhecimento, inclusive a teologia.

IV. A FILOSOFIA DA CIÊNCIA.


A filosofia da ciência está preocupada em avaliar a metodologia
científica em si.
O cientista, por exemplo, o biólogo, está interessado em avaliar seu
objeto de estudo (seres vivos), fazendo experimentos, etc. O filósofo da ciência
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não: ele está interessado em avaliar como o biólogo construiu suas teorias,
formulou seus postulados, como chegou às suas conclusões.
Quais são as crenças fundamentais, os pressupostos filosóficos, que estão
na base da empreitada científica moderna caracterizada acima e sem as quais
ela não seria possível? Estabelecem-se aqui cinco, que para o tipo de busca
delimitado acima, são irredutíveis e necessárias. A primeira é a crença de que
o objeto existe independentemente da mente do observador, a isto chamaremos
Realismo Ontológico; a segunda é a crença na estabilidade, pelo menos em
alguns de seus aspectos, do objeto que se estuda, a isto chamaremos
Regularidade do Objeto; a terceira é a crença de que através do método
adequado, podemos vir a conhecer algo sobre o objeto, a isto chamaremos
Otimismo Epistemológico; a quarta é a assunção das leis básicas da lógica
clássica na formulação de argumentos válidos, os Pressupostos Lógicos, e, por
último e não menos importante, a crença de que podemos representar
adequada e estavelmente o mundo através da linguagem, a isto chamaremos
aqui, Representacionismo.

4. METODOLOGIA DA FILOSOFIA.
I. INTRODUÇÃO.

II. METODOLOGIAS ANTIGAS.

1. Maiêutica (método de Sócrates) – Consistia em fazer perguntas para que as


pessoas pudessem “dar luz” às suas próprias ideias. Assim, Sócrates considerava-
se um parteiro.
Sócrates cria que as ideias são inatas à mente humana, pois são fruto de
vidas passadas. Então, as perguntas só ajudam a extrair as ideias que já estão na
mente humana.

2. Reductio ad absurdum (método de Zenão) -


3. Dedução (Método de Aristóteles).

III. METODOLOGIAS MODERNAS.

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Filosofia Medieval.
Patrística.
A filosofia patrística foi uma escola medieval que foi marcada pelos conhecidos
pais da Igreja, que foram vários pensadores que se dedicaram a produzir textos
que explicassem a fé por meio da razão, ou a razão por meio da fé.

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