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A AGENDA DE DESAFIOS E DIÁLOGOS DA APRENDIZAGEM NA

ESCOLA COM A UTILIZAÇÃO DE TECNOLOGIAS DE


INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

Samira Kfouri1 - Unopar


Soraia Kfouri Salerno2 - UEL
Julia Kfouri Silva3 - UEL

Grupo de Trabalho – Comunicação e Tecnologias


Agência Financiadora: FUNADESP

Resumo

O presente artigo apresenta algumas considerações em relação ao uso de tecnologias na sala


de aula. A incorporação das novas tecnologias de Informação e Comunicação ainda é vista
como um acessório imediatista e neste sentido ainda é vista com desconfiança, medo,
ressalvas e muitas vezes acabam por não ser usadas principalmente por falta do
reconhecimento de seu potencial pedagógico, sendo muitas vezes vista pela ótica do domínio
da ferramenta. O objetivo do presente trabalho foi avaliar como e com quais características
pedagógicas se tem garantido a qualidade educacional pelo viés de outros diálogos possíveis e
necessários para a utilização consciente dos recursos multimidiáticos pelos professores da
rede pública de ensino, na perspectiva de averiguar a forma como o processamento da
informação vem sendo percebido e compreendido. Como material de pesquisa, foram
selecionados autores que contribuem com pesquisas nesta temática da Teoria do
processamento de Informação na perspectiva cognitivista, Comunicação e Educação, e ainda a
evidência ou não dos novos aportes teóricos como ensino híbrido, sala de aula invertida estão
sendo discutidos e incorporados ou não pelos professores. Verificar ainda se a perspectiva de
entrelaçamento dos diálogos necessários para a compreensão do uso de TIC é reconhecida
como necessária. Esse trabalho, inicia um procedimento de observação e coleta de dados a
partir da incorporação da percepção da presença ou não desses diálogos da área de Ensino,
Educação com outras áreas Como Comunicação e Tecnologia, no desenvolvimento de
pesquisas produção de materiais com estes recursos, visando um melhor desempenho de sua
função como ferramenta facilitadora na construção do conhecimento.

Palavras-chave: Ensino. Metodologias. Processamento da informação.

1
Doutora em Comunicação Social. UMESP/SP. Coordenadora do Programa em Metodologias para o Ensino de
Linguagens e suas Tecnologias. Pesquisadora da FUNADESP. E-mail samira.kfouri@unopar.br
2
Doutora em Educação UNICAMP. Professora Universidade Estadual de Londrina. Pesquisadora na área de
Políticas Educacionais e Gestão Escolar: soraiaks@gmail.com
3
Mestranda em Educação Universidade Estadual de Londrina (UEL), E-mail: kfouri.tutel@unopar.com.br

ISSN 2176-1396
18212

Introdução

A presença das Novas Tecnologias de informação e Comunicação, no cotidiano da


escola e no significado de ser aluno e professor têm sido ampliadas, assim como ampliam-se
as possibilidades e as necessidades de novos diálogos. Sem dúvida passamos a assumir papéis
diferentes daqueles antes típicos em relação a informação e conhecimento. Essa perspectiva
real do uso das redes de acesso a informação, no entanto tem provocado simulações e
situações negativas dos conceitos de acesso ao conhecimento, pois torna o ciberespaço num
lugar onde tudo pode ser considerado. Esta situação trazida para a escola, pode em muitas
situações provocar equívocos quando o aluno é levado a assumir uma postura proativa em que
a coautoria, o autodidatismo e a colaboração, provocando posturas outras, e não a do acesso
ao conhecimento, mas com uma expertise em acessar a informação, quando falamos em TIC
na escola. Em relação ao professor, enquanto aquele que por muito tempo foi visto como o
único detentor do saber, agora, atua como mediador, facilitador, incentivador e animador do
educando no processo de formação, sem que isto esteja presente em sua formação, na forma
de diálogos com áreas imprescindíveis. Porém em ambos os casos e posições temos a hipótese
que nos provoca a pergunta qual o papel da escola no processamento da informação que deve
leva-la ao acesso do conhecimento?
Para Freinet (1969) a escola popular do futuro seria a escola do trabalho, do mesmo
modo que no feudalismo houve a escola feudal; que a Igreja manteve uma educação a seu
serviço; ou ainda que o capitalismo engendrou uma escola bastarda com sua verborréia
humanista, que disfarça sua timidez social e imobilidade técnica. O autor complementa que
quando o povo chegar ao poder, terá sua escola e sua pedagogia. Assim, não esperemos mais
para adaptar nossa educação ao novo mundo que está nascendo.
O que se tem percebido ainda, após décadas neste cenário é uma discussão das áreas
envolvidas de forma superficial e fragmentária sob os aspectos convergentes sobre assumir ou
não assumir as TIC, em meio a defesas e acusações, sem dar conta de sua incompletude e
dinâmica, quando as mesmas apresentam-se com possibilidades pedagógicas que contribuem
e continuarão contribuindo para a compreensão das relações que vão além da apropriação
mecânica, promovendo resultados científicos, que apontam desempenhos importantes
relativos à cognição humana, com transformações importantes nas formas de ensinar e
aprender, ressignificando as mediações em possibilidades e alternativas.
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As últimas décadas têm sido marcadas por estudos importantes em relação ao uso de
TIC, no cotidiano das escolas e avançando em possibilidades de mudanças significativas para
produção de conhecimento na perspectiva da relação professor-aluno. A ciência da
informação trás contribuições importantes que incorporam de maneira significativa conceitos
como ações colaborativas e interdisciplinares nas estratégias de Ensino e no uso dos recursos
de aprendizagem, em uma ligação estreita e eficaz com a tecnologia de informação nos
processos pedagógicos mediados. Sendo a principal função da escola possibilitar o acesso e
produzir conhecimento, abre-se nestes resultados apontados um excelente cenário de
mudanças e reconhecimento das atividades que se realizam no cenário educativo.
A Internet e as tecnologias digitais fizeram emergir um novo paradigma social,
descrito por autores, como sociedade da informação ou sociedade em rede alicerçada no poder
da informação (CASTELLS, 2003), sociedade do conhecimento (HARGREAVES, 2003) ou
sociedade da aprendizagem (POZO, 2004).
Segundo Hargreaves (2003, p.33) um mundo onde o fluxo de informações é intenso,
em permanente mudança, é “onde o conhecimento é um recurso flexível, fluido, sempre em
expansão e em mudança”. Um mundo desterritorializado, onde não existem barreiras de
tempo e de espaço para que as pessoas se comuniquem. Uma nova era que oferece múltiplas
possibilidades de aprender, em que o espaço físico da escola, tão proeminente em outras
décadas, neste novo paradigma, deixa de ser o local exclusivo para a construção do
conhecimento e preparação do cidadão para a vida ativa.
Neste artigo, o que se pretende é demonstrar estes avanços, para que estudos paralelos,
deixem de ser paralelos e integrem e interajam com abordagens com intuito de diálogos
elucidativos para a compreensão do uso consciente e claro de tecnologias no processo
educacional.

Outros Diálogos Necessários

Entre os outros diálogos, podemos exemplificar que a Ciência da Informação, a


Comunicação assim como demais campos do conhecimento, precisam ser incorporados aos
processos de formação para o uso das novas Tecnologias e suas abordagens as quais
permitam o aprimoramento pelo diálogo de saberes entre os sujeitos que estão presentes e
constituem os processos de ensino e aprendizagem, principalmente no que diz respeito a sala
de aula e a relação professor aluno, sujeitos que promovem a mediação do processos
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pedagógicos incluindo as metodologias, as estratégias de Ensino e os recursos para a


transposição didática dos conteúdos.
O objetivo principal, desta análise é contribuir e incentivar estudos que promovam
estas conexões entre os sistemas de informação, comunicação, ensino, que envolvem os
sujeitos na busca da aprendizagem. Para efetuar essa função, as áreas de ensino e educação
têm nas ciências necessariamente estudos relativos à comunicação humana de modo geral,
especificamente organização, representação e uso da informação e suas linguagens.

É através desse enfoque, que pode reunir disciplinas de cunho sociológico,


psicossocial e sócio discursivo, que se definirá a comunicação midiática como
fenômeno de produção do sentido. Mas sem ingenuidade. O objeto da ciência é
também construído. (CHARAUDEAU, 2012, p.28).

As indagações teóricas científicas de como as pessoas aprendem, têm sido as


perguntas que ainda pairam no cenário pedagógico e ainda com respostas e soluções estáticas,
sem a complementariedade, que só se constrói fora de atitudes territorialistas e com resposta
que piram apenas em como fazer. Dentre as três principais conclusões sobre a ciência da
aprendizagem, estão as premissas de que é importante sempre e de forma dinâmica entender o
novo papel do processo de ensino e de aprendizagem, isto sempre foi o norteador, em
discurso da formação de professores e que agora é preciso assumir. Isso significa que,
independentemente da estratégia de ensino a ser utilizada o professor deve proporcionar ao
aluno e a ele mesmo o ir além da retenção da informação, o aprendiz e o professor também se
incorpora nesta posição, necessita ter um papel ativo que o leve a dar significado e
compreensão sobre a informação segundo conhecimentos prévios, construir novos
conhecimentos, e saber aplicá-los em situações concretas.
As implicações educacionais dessa afirmação são claras. Mas especificamente com
relação à sala de aula, o Ensino e a aprendizagem com uso de ovas Tecnologias como estamos
assistindo socialmente ela terá de ser repensada na sua estrutura, bem como na abordagem
pedagógica que será utilizada, não só para o uso das TIC, porém com certa responsabilidade
sobre elas, pelo seu avanço potencializador de possibilidades, pois nos discursos atuais,
pairam sobre estas a responsabilidade da qualidade em seu devir.
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Entretanto, é necessário esclarecermos o que significa conhecimento e como ele


difere da informação. A informação será tratada aqui como os fatos, os dados que
encontramos nas publicações, na Internet ou mesmo o que as pessoas trocam entre
si. Assim, passamos e trocamos informação. O conhecimento é o que cada indivíduo
constrói como produto do processamento, da interpretação, da compreensão da
informação. É o significado que atribuímos e representamos em nossas mentes sobre
a nossa realidade. É algo construído por cada um, muito próprio e impossível de ser
passado o que é passado é a informação que advém desse conhecimento, porém
nunca o conhecimento em si. (VALENTE, 1999, p.3).

O mesmo autor lembra que o processo de ensino e aprendizagem baseado na


transmissão de informação, já foi criticado por John Dewey há mais de um século como sendo
antiquado e ineficaz (DEWEY, 1916). Com este argumento é que as aulas expositivas partem
do pressuposto de que todos os estudantes aprendem no mesmo ritmo e absorvendo
informação ouvindo o professor, porém ainda sem a consciência de que o papel da escola em
sua ação educativa vai além da simples informação. Na verdade, a sala de aula tradicional é
um subproduto do industrialismo, idealizada na concepção da linha de montagem
(VALENTE, 1999).
Contudo, é preciso considerar que esse tipo de atuação não pode ser visto como uma
ação convencional envolvendo uso de alternativas metodológicas com o uso de Tecnologias
de informação. As interações com o aluno devem ser realizadas enfatizando a construção de
conhecimento. Isso somente pode acontecer quando o professor, aluno, pedagogos participam
das atividades de planejamento, observação, reflexão e análise do trabalho que o aluno está
desenvolvendo com seus pares. Assim, essa abordagem de significa criar condições para o
professor “estar junto”, ao lado do aluno, vivenciando e auxiliando-o a resolver seus
problemas. Nesse sentido, essa abordagem vai além do repasse convencional do uso do
material didático pois deve tornar possível que a informação vá além do simples fato de estar
informado mas se a mesma foi apreendida e assimilada de forma a garantir que o aluno tenha
condições de criar processos de construção de conhecimento.
O reconhecimento das interfaces existentes entre os campos das ciências necessárias,
que se intercruzam, mutuamente, ainda que tardiamente, pois sempre foi assim, beneficiam o
acesso e produção de conhecimento papel central da escola. O acesso aos conhecimentos
produzidos, as aprendizagens integram uma ação comunicativa das comunidades humanas
desde os primórdios de sua existência, mas que o próprio desenvolvimento das sociedades os
distanciou, a comunicação e a educação.
O que é inevitável em relação ao uso das TIC é que essas dificuldades têm sido cada
vez mais visíveis e apresentadas e precisam ser superadas à medida que as tecnologias digitais
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de informação e comunicação estão sendo utilizadas na educação e passam a fazer parte das
atividades de sala de aula, como já o é no cotidiano de todos os envolvidos. Essas tecnologias
têm alterado a dinâmica da escola e da sala de aula como, por exemplo, a organização dos
tempos e espaços da escola, as relações entre o aprendiz e a informação, as interações entre
alunos, e entre alunos e professor.
O encontro entre o campo da educação com as outras ciências e suas especificidades,
se mostram cada vez mais necessárias e importantes para a compreensão de suas utilidades e
responsabilidades sociais, culturais e do mundo do trabalho, papéis inerentes ás instância
formativas, pois na construção desses campos de saber, concomitantemente constituíram-se
lógicas específicas demarcadas no tempo e no espaço, e dotadas de características que se
amalgamaram nas sociedades como fruto do desenvolvimento social e do progresso
tecnológico.
A presença e a dinâmica das novas tecnologias potencializaram a circulação e
produção da mídia e dos diálogos que incorporaram outras áreas do saber; no caso da
educação, concepções estas que ressignificaram o papel da escola e de aprendizagem
construídas historicamente que colocam e deslocam a centralidade do processo comunicativo
e dialogal na relação de ensino-aprendizagem, de uma forma alterando essa relação, ora,
compartilhando-o em busca das experiências da vida cotidiana, criando formas colaborativas
e proativas para os sujeitos envolvidos.
Cria-se assim aproximações necessárias antes não existentes entre os campos da
educação, informação e comunicação, no mínimo, as quais sugerem uma demanda de uma
flexibilização e criação dos modelos estabelecidos, ficando notável a necessidade de que o
acesso e o uso desses meios e equipamentos em si já compõem uma nova forma de aprender e
de apreender as realidades humanas e a necessidade de um esforço rompimento anunciado das
barreiras impostas ao modelo exclusivo de transmissão do conhecimento para o
desenvolvimento dos meios de comunicação ativas, híbridas e colaborativas.
Assim diante das considerações acima expostas, esta pesquisa, em fase inicial,
pretende, pelo acompanhamento e observação de professores voluntários de escolas da
Educação Básica, que possuem alguns equipamentos de TIC, considerados relevantes,
verificar a cultura e a consciência tecnológica dos mesmos ao planejar as atividades escolares
de transposição didática dos conteúdos.
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Desafios para a Educação e para a Escola

Ao planejar e pensar a implementação e utilização das novas TIC a escola precisa estar
fortemente apoiada nos indicativos teóricos que sustentam formas e intencionalidades para
sua utilização em situações de ensino e aprendizagem, na produção do conhecimento para
formar sujeitos capazes de continuar a aprender ao longo da vida, com ou sem a presença de
modelos. Isso não é uma tarefa fácil. Não somente pelo uso das Tecnologias, mas pelo pensar
e fazer sobre elas. Indagações como qual o papel da escola - local que durante séculos,
apresentou-se e representou o papel de único para se ensinar e aprender, para que ao assumir o
uso de TIC não provoque um confronto em detrimento dos diálogos possíveis e necessários,
já existentes para uma utilização consciente e necessária.
Com a intenção de contribuir para a disseminação de um conhecimento mais
elaborado para utilização de TIC na escola, é que esta pesquisa, iniciou um acompanhamento
e posterior análise do cotidiano do professor em meio a estas situações, onde o maior desafio
ainda tem se demonstrado como uma cobrança de forma utilitarista e não compreensiva e
colaborativa das possibilidades híbridas destas metodologias com a presença de recursos
digitais, além de uma consciência pedagógica de sua utilização. Esta atuação descrita, provoca
não só uma mudança de equipamentos, mas um conhecimento histórico da produção humana
que tem criado interfaces importantes na sociedade em todos os ambientes, provocando assim
as ciências de modo integrado apresentarem possibilidades através de seus diálogos.
Diante destes desafios, uma das contribuições mais importantes que a escola deve
buscar é o de preparação de si mesmos, na busca de aprender sobre e da preparação dos
alunos para estes desafios de aprender junto. Em outras palavras uma gestão que ultrapassa o
simples “ensinar o quê”, para “ensinar como e com”.
Alguns autores entre eles, Pozo e Postigo (2000) indicam tipos de capacidades que
garantem uma efetiva gestão meta cognitiva do conhecimento, essenciais ao sucesso numa
sociedade informatizada e que são elas competências para a aquisição de informação,
competências para a interpretação da informação, competências para a análise da informação,
competências para a compreensão da informação e competências para a comunicação da
informação. Esta realidade a escola e os seus responsáveis têm sido levados a modificações
em os métodos e técnicas de ensino e pensar em formas eficientes e eficazes para
acompanhamento dos alunos que já convivem com as novas Tecnologias em sociedade do
conhecimento acessado por ela e produzido por ela. Diante deste cenário está a escola e os
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seus envolvidos precisam pensar a aplicação de seus métodos e técnicas no ensino e pensar
em formas eficientes e eficazes para preparar os estudantes para a sociedade do
conhecimento, “estamos na era em que os docentes devem colocar-se como mestres e
aprendizes, na expectativa de que, por meio da interação estabelecida na «comunicação
didática com os estudantes, a aprendizagem aconteça para ambos” (LENCASTRE, 2009, p.1).
Pozo (2004), argumenta que é inevitável que a escola e os profissionais envolvidos
repensem as formas de ensinar, pois converter os sistemas culturais em instrumento de
conhecimento e fazer uso epistémico deles, requer apropriação de novas formas de aprender e
se relacionar com o conhecimento, permitindo o aprimoramento do pensamento crítico e
reflexivo, tentando despir-nos da ignorância e da alienação e descortinando as possibilidades
de emancipação nos vários segmentos sociais.
A cultura que se estabelece em meio a realidade e a presença das TIC é a que passa
pelo uso das tecnologias percebe-se aí como hipótese nesta pesquisa que as parceiras no
processo de construção do saber e pela formação de professores permitem aproximar pessoas
de diferentes origens sócio econômicas, propiciando o aparecimento de espaços para troca de
informações e partilha de conhecimentos. Isto torna-se um desafio para a escola, pois ensinar
em plena era digital contribui para criar

oportunidades nunca antes vistas para tornar o ensino uma profissão apaixonante e
motivadora, que faça diferença para a sociedade futura. Tais oportunidades
relacionam-se a novos papéis, novos conteúdos e novos métodos de ensino e
aprendizagem. (VEEN; VRAKKING, 2009, p.14).

Acredita-se que o uso das tecnologias em contexto educativo, não vai resolver todos os
problemas da educação, mas que o seu uso responsável, com objetivos claros e definidos,
poderá ser um fator de contribuição importante, com implicações na construção de uma nova
identidade para o professor, que diante das tecnologias.

Considerações Finais

A característica marcante do atual cenário social é a de uma completa incerteza. Tem-


se muito a construir e pensar sobre os rumos que a educação deverá tomar para que de fato
possa atender às necessidades das pessoas que vivem numa sociedade em constante mudança,
e onde a informação temos caminhado a passos lentos para uma realidade dinâmica como a
presença da tecnologia, como usá-la, tornou-se um grande desafio para a Educação Escolar.
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Neste sentido, vários desafios se levantam, como por exemplo a garantia de


democratização do acesso às mais variadas realidades em nosso país, meios e fontes por onde
circula a informação para que possamos construir uma sociedade pautada nos princípios de
equidade. Outro desafio é, como desenvolver competências e habilidades para transformar
essa informação em conhecimento e assim desenvolvermos o gosto por aprender ao longo da
vida, tendo em contas valores como sejam a solidariedade, o respeito, a diversidade, a
interação, a colaboração, a criatividade e sobre tudo, a nossa capacidade de ousar, de inventar,
de inovar e, ao mesmo tempo, de sermos capazes de avaliar os riscos dos nossos atos. Para
Carneiro (2001), a educação pode ajudar-nos a compreender o que a humanidade aprendeu
acerca de si mesma, pode ajudar-nos a contextualizar a nossa existência, pode ajudar a
prepararmo-nos para a mudança ou para decidir sobre o nosso próprio futuro. Isto porque a
Internet e as tecnologias digitais promoveram a criação de novos espaços de interação e
comunicação entre as pessoas, aumentando as possibilidades de se construir o conhecimento
para si e também para uma comunidade inteira numa perspectiva que beneficia pessoas com
hábitos diferenciados e estilos de aprendizagem próprios
Aqui vale ressaltar que quando falamos de educação, não falamos apenas dos
contextos formais. Acreditamos que nessa forma de organização social, os quais devem ser
destaque também os contextos não formais e informais de aprendizagem.
A sociedade da informação traz consigo uma característica referida por Castells (2002)
como sendo uma lógica de redes, onde várias vozes se juntam para buscar, alterar e
reconfigurar a informação. É esse esforço conjunto que pode contribuir significativamente
para que a sociedade da informação caminhe para uma sociedade do conhecimento,
permitindo que esta adote também uma cultura aprendente, na qual seremos capazes de
analisar criticamente a informação, identificando-a como fidedigna (ou não) para, a partir daí,
estabelecer uma relação como os conhecimentos prévios, possibilitando a ocorrência de uma
aprendizagem significativa, pautada em fundamentos epistemológicos.
Conscientes que esta realidade, pode ser analisada sob vários aspectos ou seja, apesar
de termos agora espaços propiciadores de interação e troca de conhecimentos, exista e
dependência da forma e dos objetivos como são utilizados o fato de virem a ser espaços de
aprendizagem possibilitam a criação de uma comunidade de aprendentes.
O grande desafio dos envolvidos nas ações da Escola está em se ter claro qual será o
papel da escola enquanto instituição de ensino. Este desafio que vem ocupando a atenção de
muitos investigadores e que não está isenta de polêmica; o andamento inicial desta pesquisa
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tem como hipótese que a escola vai continuar a ser um local propiciador ao desenvolvimento
do ser humano. Porém é preciso ter claro que não será o único e não faz sentido que se vejam
estes dois mundos – a educação formal e informal, o presencial e o virtual, mas como
parcerias importantes.
Ensinar numa sociedade conectada com acessos híbridos deve nos provocar a uma
cultura aprendente não é tarefa fácil, mas são os professores que terão a grande
responsabilidade de serem os catalisadores da sociedade do conhecimento (HARGREAVES,
2003).
Podemos concluir ainda que quanto a utilização tão somente das tecnologias no espaço
educativo, não cumpre todos os desafios que a escola já tem a terá, mas consolida o papel da
escola frente a esta situação e que o seu uso responsável, com objetivos claros e definidos,
deverá trazer a cultura da competência humana e profissional daquele que fará a
intermediação no processo de ensino e aprendizagem, o professor, ao estabelecer outros tantos
diálogos necessários. Isto implica a construção de uma cultura para o professor, que diante
das tecnologias, deverá estar preparado para agir neste novo cenário: um professor capaz de
ressignificar a aprendizagem e estimular a produção coletiva - de forma autônoma e
organizada através das redes digitais, pois somente assim a educação será capaz de atender as
demandas de um futuro próximo.

REFERÊNCIAS

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CHARAUDEAU, P. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2012.

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