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As técnicas de estudos
arqueológicos
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8-10 minutos

O termo arqueologia é uma adaptação latina dos termos


gregos “arkhaio” (antigo,primitivo) e “logia” (estudo,
teoria), o qual podemos encontrar em documentos que
remontam já ao século VIII – quando foram iniciados os
primeiros estudos sobre estátuas que haviam sido
encontradas por um fazendeiro de um pequeno vilarejo em
Nápoles. Em meados deste mesmo século, escavações
incentivadas pelo próprio rei resultaram na “descoberta” do
sítio arqueológico de Pompéia, em 1749.

Contudo foi a partir do século XIX que os estudos


arqueológicos cresceram de forma impressionante, a partir
da iniciativa de escavações realizadas por homens e
mulheres que eram membros de grandes famílias de
aristocratas ou burgueses. Ao escavarem locais pela
Europa, África e Oriente Médio, estas pessoas ficaram sem
saber como definir os períodos históricos aos quais
correspondiam os materiais encontrados como pontas de
lança, ferramentas e outros tipos de materiais feitos em
pedra, bronze e ferro, assim como ossadas de ancestrais

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hominídeos que, para eles, mais pareciam macacos do que


homens.

Tido como o mais antígo fóssil de um hominídeo, este crânio de


um Salehantropus Tchadensis é datado (com base na
estratigrafia) em aproximadamente 6 milhões de anos e foi
encontrado por Michel Brunet, em 2002. Fonte: Wikimedia

Por este motivo, estes autores criaram um novo período


histórico, que chamaram de Pré-História para “encaixar”
estes achados numa linha temporal. Este termo significa
“antes da História” e trazia a ideia de que, antes de
desenvolver a escrita o ser humano não teria uma
história. Um termo que, nos dias de hoje consideramos
errôneo já que, mesmo sem escrever, os nossos ancestrais
foram sim capazes de deixar vestígios de suas histórias por
meio de objetos, pinturas rupestres, fósseis e resquícios de

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ocupações em regiões por todo o mundo.

De qualquer forma, a primeira tentativa de organização


temporal destes materiais foi realizada pelo banqueiro
escandinavo Christian Jürgensen Thomsen que
colecionava antiguidades e decidiu se dirigir até o Museu
Nacional da Dinamarca com uma “pilha de tralhas” que
contava com pontas de flechas e lanças, assim como
lâminas em bronze, ferro e pedra. Neste momento, ele
desenvolveu ali um método de datação destes objetos,
baseado na tecnologia utilizada para fazê-los. Desta
maneira, ele criou a divisão entre a Idade da Pedra, do
Bronze e do Ferro.

O trabalho do arqueólogo exige centenas de horas em pesquisas


de campo, onde estes estudiosos ficam expostos às interpéries do
tempo. Não é facil não!! TEM QUE GOSTAR!

A partir de então, o estudo sobre os homens pré-históricos


teve enorme desenvolvimento e contou com inúmeras
escavações, realizadas por curiosos (como o já citado

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“Picareta de Machu Picchu”, Hiran Bingham) que viam a


possibilidade de lucros com a exploração e venda
destes materiais para colecionadores. Fato que deu
início a um verdadeiro mercado de contrabando destes
objetos, algo que infelizmente permanece até os dias de
hoje. Além disso, estes “pesquisadores” perceberam a
importante necessidade de desenvolver estudos com
auxílio de intelectuais de diversas áreas e, desde então, as
escavações arqueológicas contam com métodos de
datação muito específicos, e reúnem cientistas
internacionais.

Hoje os historiadores dependem do auxílio destes


conhecimentos e métodos de pesquisa, que nos ajudam
(junto com a arqueologia) a construir um panorama
abrangente sobre a História. Dentre ele, podemos citar:

Paleontologia: Estudo da vida de todos os organismos


que viveram na Terra. Esta ciência foi fundamental para
entendermos melhor “A Origem da Vida” e é a ciência que
estuda os Dinossauros…

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Esqueleto de Tyrannosaurus Rex, que fica no PAlais de la


Decouverte, em Paris. RAWR!!! #nãoresisti FONTE: Wikimedia

Filologia: Estudo das línguas e da literatura, que nos ajuda


a compreender melhor as formas de comunicação
desenvolvidas pelo ser humano, através do tempo.

Zoologia: fundamental para nos auxiliar a conhecer mais


sobre a dieta de nossos ancestrais, assim como as suas
relações com a natureza, os especialistas desta ciência
biológica estão cada vez mais presentes nos sítios
arqueológicos.

Botânica: o conhecimento sobre as plantas e formas de


adaptação das mesmas com o passar do tempo é
importante para realizar estudos em locais que marcam a
presença humana, como restos de fogueiras. Isto porque,
os grãos, sementes, madeira (e até mesmo o pólem)
encontrados nas escavações nos ajudam a compreender o
nível de desenvolvimento agrícola dos homens antigos.

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Uma laje mostrando samambaia provável ou folhagem


“samambaia semente”, bem como gimnospermas de folhas largas
e com folhas de agulhas. Este material é parte do estudo do Dr.
Patrick Herendeen. Fonte: National Geographic

Antropologia: o estudo das relações humanas é primordial


para que possamos encadear melhor os usos de objetos
encontrados, assim como a organização social dos
hominídeos antigos.

Estratigrafia: o estudo da sequência de camadas de terra


pode ser entendido como o primeiro passo para a
exploração do sítio arqueológico e determina há quanto
tempo vestígio se encontra no lugar. Neste sentido, é
importante ter em mente que, quanto mais fundo cavamos,
mais antigos são os vestígios que encontramos no sítio
arqueológico.

Decaimento do Carbono-14: uma das mais utilizadas


formas para datação dos objetos encontrados em sítio
consiste no cálculo de idade do fóssil, baseado na
quantidade de isótopo de carbono-14 residual. Este isótopo
radiativo é presente na atmosfera terrestre e está presente
em todos os seres vivos que o absorvem por meio da
respiração. Todavia, com “meia-vida” de 5.637 anos, o
carbono-14 nos permite determinar a existência destes
fósseis com precisão em até 60.00 anos.

Análise de DNA: Tido como um dos métodos mais atuais


de pesquisa, a recuperação de DNA a de ossos e dentes
pode ser utilizada para para rastrear trajetória das
migrações e investigar origem de plantas e animais

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domésticos.

Tronco com as marcações temporais, baseado em estudos


dendrocronológicos. FONTE

Dendrocronologia: esta ciência consiste em entender a


variação de espessura dos anéis em caules de árvores
para determinar o tempo de vida destes seres.

Termoluminescência: esta é uma técnica de estudo


utilizada para determinar o tempo de um objeto de
cerâmica e se baseia na luminosidade de certos materiais,
quando aquecidos. A Termoluminescência é observada
normalmente apenas durante o primeiro aquecimento, e
não no reaquecimento, sendo que não é uma forma de
transformação do calor em luz.

Estas são apenas as principais ciências que acompanham


o estudo arqueológico, mas existem também pessoas que
se especializaram em deduzir usos e formas de construção
de objetos em pedra e cerâmica, por meio de tentativas em
reconstruir cópias, baseados na tecnologia que era
possível utilizar em determinados períodos.

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Como podemos ver, conhecer sobre os estudos


arqueológicos é algo fascinante e implica conhecimentos
interdisciplinares que unem intelectuais das mais diversas
áreas, com objetivo de construir um olhar mais abrangente
sobre o processo de desenvolvimento do ser humano.
Todas estas técnicas exigem paciência, concetração e,
acima de tudo, muita força de vontade para passar horas
debruçado sobre um objeto, com objetivo de entender
melhor sua construção e os usos que teve em um
determinado período histórico.

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