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Ponto dos Concursos

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ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA EM EXERCÍCIOS P/ TCU
PROFESSOR DEUSVALDO CARVALHO

AULA 07: EXERCÍCIOS DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E


ORÇAMENTÁRIA

Colega concursando!

Com a prorrogação da data da prova aproveite a oportunidade para


revisar seus estudos ou conseguir assimilar conteúdos que ainda
carecem de melhor entendimento.
É a oportunidade para você fazer uma revisão com muita
tranqüilidade e tentar fixar os tópicos importantes.

Desejo-lhe uma mente ILUMINADA na hora das provas e que a


sorte lhe acompanhe em todas as fases desse concurso, posto que
até mesmo os candidatos preparados precisam de sorte, assim,
espero, sinceramente, que ela esteja ao seu lado.

Agradeço de coração a todos por estarmos juntos nessa empolgante


jornada de concursos e tenham a certeza de que estou bastante grato
pela convivência, mesmo virtual, de pessoas que procuram o seu
espaço de forma democrática e através do MÉRITO.

Vá tranqüilo(a) para a prova com a certeza de que fez a sua parte e


que se não for desta vez é porque existem pessoas mais preparadas
do que você, ou seja, outros colegas que estão nessa batalha há
anos.

O importante é não desistir porque existem bons concursos em vista,


a exemplo da Polícia Federal.

Assim, nunca desista no primeiro ou segundo tropeço! Levante e


continue a caminhada de cabeça erguida, se assim fizer, cedo ou
mais tarde seus objetivos serão alcançados.

Conforme anunciado na aula anterior, esta nota de aula contempla só


questões de concursos de 2007/2008 (TCU e TST).

Na próxima e última nota de aula continuaremos resolvendo o


restante da última prova do TCU/2007 e mais questões de concursos
de 2008.

Atenção! No fim desta nota de aula estamos apresentando a lista com


todos os exercícios nela comentados, para que o aluno, a seu critério,
os resolva antes de ver o gabarito e ler os comentários
correspondentes.

Vamos continuar o nosso estudo com o ânimo de sempre e “garantir”


alguns preciosos pontos na prova do TCU?

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Lembrete! Antes de iniciar a resolução dos exercícios deixe ao seu


alcance o material de consulta: livros, notas de aula, normas etc.

Reflexão!
"Não procure felicidade dentro de outro ser humano e sim dentro do seu próprio coração.
Muitas vezes ela está tão perto que não conseguimos enxergá-la, pois o essencial é invisível
aos olhos".

Bom estudo!

1. (CESPE – Analista Judiciário – Contabilidade – TST/2008) Para fins


de cumprimento da chamada regra de ouro da Lei de
Responsabilidade Fiscal, computam-se também as operações de
crédito por antecipação de receitas, desde que liquidadas no mesmo
exercício em que forem contratadas.

Resolução
Ao Contrário do que se afirma no comando da questão, as
Antecipações de Receitas Orçamentárias - AROs NÃO são computadas
para efeito da “regra de ouro”, desde que liquidadas até o dia dez
de dezembro de cada ano.
Significa que as receitas de ARO PODERÃO ser incluídas entre as
receitas de capital quando não forem liquidadas até o dia dez de
dezembro de cada ano.
Essa inclusão é só para efeito de cálculo, cujo objetivo é verificar o
cumprimento da regra de ouro pelo Ente Federado, portanto, em
nenhuma hipótese as AROs são receitas de capital e nem receitas
orçamentárias.
Item Errado.

2. (CESPE – Analista Judiciário – Contabilidade – TST/2008) De


acordo com a atual legislação brasileira, a Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO) disporá sobre as alterações na legislação
tributária, que, para todos os fins, não estarão sujeitas aos princípios
da anterioridade e da anualidade.

Resolução
A LDO é criação da Constituição de 1988. O Presidente da República
deve enviar o projeto anual de LDO até oito meses e meio antes
do encerramento do exercício financeiro e o Congresso Nacional
deverá devolvê-lo para sanção até o encerramento do primeiro
período da sessão legislativa, que não será interrompida sem a
aprovação do projeto (art. 57, § 2º da CF).

No Congresso, o projeto de LDO poderá receber emendas, desde que


compatíveis com o plano plurianual. As emendas serão apresentadas
na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização –

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CMPOF, onde receberão parecer, sendo apreciadas pelas duas casas


na forma do regimento comum.

Da mesma forma que o PPA, o Presidente da República poderá enviar


mensagem ao Congresso Nacional para propor modificações no
projeto de lei da LDO, enquanto não iniciada a votação na CMPOF, da
parte cuja alteração é proposta.

O que a LDO estabelece?


A LDO Compreende as metas e prioridades (MP) da administração
pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício
financeiro subseqüente. Orienta a elaboração da lei orçamentária
anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e
estabelecerá sobre a política de aplicação das agências financeiras
oficiais de fomento.
De acordo com o § 2º do art. 165 da CF, a LDO deverá:
Compreender as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as
despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente;
Orientar a elaboração da Lei Orçamentária Anual;
Dispor sobre as alterações na legislação tributária; e
Estabelecer a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento

LDO

Metas Prioridades

Ainda existem outras matérias que podem ser tratadas na


LDO:
Estrutura e organização dos orçamentos;
Disposições relativas à dívida pública federal;
Disposições relativas às despesas da União com pessoal e encargos sociais;
Disposições sobre a fiscalização pelo Poder Legislativo e sobre as obras e
serviços com indícios de irregularidades graves; etc.
O Governo poderá inserir regras na LDO estabelecendo, por exemplo,
que não serão destinados recursos na LOA para as obras em
andamento com indícios de irregularidades apontadas pelo TCU.
Assim, o governo estaria vinculando a destinação de recursos
somente para aquelas obras que as irregularidades fossem sanadas.

Essência da LDO:
A LDO é o instrumento propugnado na Constituição Federal para fazer
a ligação (transição) entre o PPA (planejamento estratégico) e a lei
orçamentária anual - LOA.

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A Lei de Diretrizes Orçamentárias tem por função principal o


estabelecimento dos parâmetros necessários à alocação dos recursos
no orçamento anual, de forma a garantir, dentro do possível, a
realização das diretrizes, objetivos e as metas contempladas no plano
plurianual.
É papel primordial da LDO ajustar as ações de governo, previstas no
PPA, às reais possibilidades de caixa do Tesouro Nacional.

A LDO é, em realidade, uma cartilha que direciona e orienta a


elaboração do Orçamento Geral do Ente Público, o qual deve estar,
para sua aprovação, em plena consonância com as disposições do
Plano Plurianual.
A LDO está sujeita ao princípio orçamentário da anualidade porque
estabelece as Metas e Prioridades de governo para o período de um
ano.
Porém, essa norma não se sujeita ao princípio da anterioridade, posto
que entra em vigor no mesmo ano de sua elaboração e aprovação.
Item Errado.

3. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Recursos que, em decorrência de veto,


emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem
sem despesas correspondentes poderão ser utilizados, conforme o
caso, mediante créditos especiais ou suplementares, com prévia e
específica autorização legislativa.

Resolução
O § 8º do art. 166 da Constituição Federal estabelece a seguinte
regra:
§ 8º - Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de
lei orçamentária anual, ficarem sem despesas correspondentes poderão ser
utilizados, conforme o caso, mediante créditos especiais ou suplementares, com
prévia e específica autorização legislativa.
A situação prevista no § 8º do artigo 166 da constituição Federal
estabelece, em realidade, uma fonte de recursos destinada à abertura
de créditos adicionais com regramento constitucional.

A Lei nº. 4.320/64 estabelece que a abertura dos créditos


suplementares e especiais deverá ser justificada e com indicação das
fontes de recursos.
Atualmente as fontes de recursos estão estabelecidas na Constituição
Federal, na Lei nº 4.320/64, LOA e na LRF.
As fontes de recursos previstas na legislação acima citada são:
1. Superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior,
encerrado em 31/12 (art. 43, § 1º, inciso I, da Lei nº 4.320/64).
2. Os provenientes de excesso de arrecadação (art. 43, § 1º, inciso II, da Lei nº
4.320/64).

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3. Os resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de


créditos adicionais, autorizados em Lei (art. 43, § 1º, inciso III, da Lei nº
4.320/64);
4. O produto de operações de credito autorizadas, em forma que juridicamente
possibilite ao poder executivo realizá-las (art. 43, § 1º, inciso IV, da Lei nº
4.320/64).
5. Os resultantes da reserva para contingências, estabelecido na LOA (art. 5º,
inciso III, alínea b, da LRF).
6. Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto
de lei orçamentária anual, ficarem sem despesas correspondentes, desde
que haja prévia e específica autorização legislativa (art. 166, § 8º, da CF).
Vejamos um exemplo da situação apresentada na questão, fonte de
recursos nº 6 do quadro acima:
Suponha a seguinte situação hipotética:
O Projeto de Lei da LOA encaminhado ao CN da seguinte forma:
Receitas previstas 100
Tributária 50
De contribuições 30
Operações de crédito 20
Despesa fixada 100
Pessoal e encargos sociais 50
Obras públicas 20
Inversões financeiras 20
Pagamento de dívidas 10

Vamos supor agora que o projeto de lei foi alterado por emenda de
parlamentar, sendo rejeitado o pagamento de dívidas de $ 10
apresentado pelo Executivo e aprovado conforme a seguir
demonstrado:
Assim sendo, a LOA foi aprovada e encaminhada para sanção ou veto
do Presidente da República da seguinte forma:
Receitas previstas 100
Tributária 50
De contribuições 30
Operações de crédito 20
Despesa fixada 90
Pessoal e encargos sociais 50
Obras públicas 20
Inversões financeiras 20
Pagamento de dívidas ---

Nessa situação, no orçamento aprovado a receita ficou maior, ou


seja, existe uma sobra de recursos de $ 10.
Conforme o art. 166, § 8º da CF, esse valor poderá ser utilizado
como fonte de recursos para a abertura de créditos especiais ou
suplementares, com prévia e específica aprovação legislativa.

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Se o Executivo resolver utilizar essa fonte de recursos para utilização


em obras públicas, mediante abertura de crédito suplementar de $
10 e com prévia e específica aprovação legislativa e supondo que não
houve nenhuma outra alteração na LOA, no momento da abertura, o
orçamento ficaria assim:
Receitas previstas 100
Tributária 50
De contribuições 30
Operações de crédito 20
Despesa fixada (dotação atualizada) 100
Pessoal e encargos sociais 50
Obras públicas 30
Inversões financeiras 20
Observe que a dotação para obras públicas era de $ 20 e com a
abertura do crédito adicional suplementar de $ 10 essa dotação
passou para $ 30.
Atenção! O termo “com prévia e específica aprovação legislativa”
significa que o Executivo deverá obter do legislativo específica
autorização para utilizar essa sobra de recursos, ou seja, na
autorização deverá ser especificado onde e quanto o governo deverá
utilizar o recurso.
Essa fonte de recursos altera o orçamento? O assunto é polêmico!
Entretanto entendo que não há alteração da LOA, mas apenas
recomposição da situação anterior (projeto de lei).
Pode-se verificar que com a alteração da LOA no CN, o orçamento
ficou desequilibrado. Também, o governo não está obrigado a utilizar
essa fonte de recurso.
Entendo que para fins de concurso dificilmente será cobrado um
questionamento não pacífico na doutrina.
Item Certo.

A Lei n.º 4.320/1964, em seu artigo 11, classifica a receita


orçamentária em duas categorias econômicas: receitas correntes e
receitas de capital. Com a Portaria Interministerial STN/SOF nº.
338/2006, essas categorias econômicas foram detalhadas em receitas
correntes intra-orçamentárias e receitas de capital intra-
orçamentárias. A respeito da função das receitas intra-orçamentárias,
julgue o próximo item.

4. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Como se destinam ao registro de


receitas provenientes de órgãos pertencentes ao mesmo orçamento
do ente público, as contas de receitas intra-orçamentárias não têm a
mesma função da receita original, sendo criadas a partir de base
própria pela Secretaria do Tesouro Nacional.

Resolução

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As receitas correntes e de capital intra-orçamentárias são


classificadas da mesma forma que as receitas correntes e de
capital, ou seja, das receitas originais. Porém, atendem à
especificidade de se referirem a operações entre órgãos, fundos,
autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e outras
entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social da
mesma esfera governamental. A verdadeira função de tais receitas é
registrar operações entre órgãos do mesmo Ente Federado.

Essas receitas não são criadas a partir de base própria pela Secretaria
do Tesouro Nacional, mas sim a partir da codificação abaixo:
7000.00.00 – Receitas Correntes Intra-Orçamentárias;
8000.00.00 – Receitas Intra-Orçamentárias de Capital

Observe as regras da Portaria Interministerial STN/SOF nº.


338/2006:
Art. 1o Definir como intra-orçamentárias as operações que resultem de despesas de
órgãos, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e outras
entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social decorrentes da
aquisição de materiais, bens e serviços, pagamento de impostos, taxas e
contribuições, quando o recebedor dos recursos também for órgão, fundo,
autarquia, fundação, empresa estatal dependente ou outra entidade constante
desses orçamentos, no âmbito da mesma esfera de governo.

Art. 2o Incluir as seguintes classificações em nível de categoria econômica no


Anexo I da Portaria Interministerial STN/SOF no 163, de 4 de maio de 2001,
destinadas ao registro das receitas decorrentes de operações intra-orçamentárias:
I - 7000.00.00 – Receitas Correntes Intra-Orçamentárias; e
II - 8000.00.00 – Receitas de Capital Intra-Orçamentárias.

§ 1o A natureza de receita intra-orçamentária deve ser constituída substituindo-se


o 1o nível das categorias econômicas 1 ou 2 pelos dígitos 7, se receita intra-
orçamentária corrente ou 8, se receita intra-orçamentária de
capital, mantendo-se o restante da codificação.

§ 2o As classificações ora incluídas não constituem novas categorias


econômicas de receita, mas especificações das categorias econômicas corrente e
de capital.
Item ERRADO.

A Lei n.º 4.320/1964, em seu art. 11, classifica a receita


orçamentária em duas categorias econômicas: receitas correntes e
receitas de capital. Com a Portaria Interministerial STN/SOF n.o
338/2006, essas categorias econômicas foram detalhadas em receitas
correntes intra-orçamentárias e receitas de capital intra-
orçamentárias, constituindo, assim, contrapartida das despesas intra-
orçamentárias. Com relação ao efeito das contas de natureza intra-
orçamentária na consolidação das contas públicas, julgue o item
abaixo.

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5. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Com o novo detalhamento, as


despesas e receitas intra-orçamentárias poderão ser identificadas de
modo que se anulem os efeitos das duplas contagens decorrentes de
sua inclusão no orçamento.

Resolução
Legalmente as receitas orçamentárias são classificadas em dois
grandes grupos ou categorias econômicas: Receitas Correntes e
Receitas de Capital (art. 11, da Lei nº 4.320/64).

A categoria econômica da receita representa o 1º Nível e é


utilizado para mensurar o impacto das decisões do Governo na
economia nacional (formação de capital, custeio, investimentos etc.).
É codificada e subdividida da seguinte forma:
1. Receitas correntes;
2. Receitas de capital;
7. Receitas correntes intra-orçamentárias;
8. Receitas de capital intra-orçamentárias.

Fique atento! O Manual de Procedimentos da Receita Pública


aprovado pela Portaria Conjunta nº. 2, de 08 de agosto de 2007
inovou e incluiu nas categorias econômicas da receita: Receitas
correntes intra-orçamentárias e as Receitas de capital intra-
orçamentárias, porém, conforme a Portaria Interministerial
STN/SOF nº. 338/2006, que altera o Anexo I da Portaria
Interministerial STN/SOF nº. 163/2001, as mesmas não constituam
novas categorias econômicas da Receita, mas sim classificadas no
mesmo nível.

Receitas Correntes: classificam-se nessa categoria aquelas receitas


oriundas do poder impositivo do Estado e são as seguintes:
tributária e de contribuições; da exploração de seu patrimônio –
patrimonial; da exploração de atividades econômicas - agropecuária,
industrial e de serviços; as provenientes de recursos financeiros
recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando
destinadas a atender despesas classificáveis em despesas correntes –
transferências correntes; e as demais receitas que não se enquadram
nos itens anteriores – outras receitas correntes.

Segundo o Manual de Procedimentos da Receita Pública:


“São os ingressos de recursos financeiros oriundos das atividades operacionais,
para aplicação em despesas correspondentes, também em atividades operacionais,
que não decorre de uma mutação patrimonial, ou seja, são receitas efetivas”.

Receitas de Capital: de acordo com o art. 11, § 2º da Lei nº


4.320/64, com redação dada pelo Decreto-Lei nº 1.939/82, são as
seguintes:

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Provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de


constituição de dívidas; da conversão, em espécie, de bens e direitos;
os recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado,
destinados a atender despesas classificáveis em despesas de capital
e, ainda, o superávit do orçamento corrente.

As receitas de capital são representadas por mutações patrimoniais


que nada acrescentam ao patrimônio público, só ocorrendo uma troca
de elementos patrimoniais, isto é, um aumento no sistema financeiro
(entrada de recursos financeiros) e uma baixa no sistema patrimonial
(saída do patrimônio em troca de recursos financeiros).
Segundo o Manual de Procedimentos da Receita Pública:
“São os ingressos de recursos financeiros oriundos de atividades operacionais ou
não operacionais para aplicação em despesas operacionais, correntes ou de capital,
visando ao alcance dos objetivos traçados nos programas e ações de governo. São
denominados receita de capital porque são derivados da obtenção de recursos
mediante a constituição de dívidas, amortização de empréstimos e financiamentos
ou alienação de componentes do ativo permanente, constituindo-se em meios para
atingir a finalidade fundamental do órgão ou entidade, ou mesmo, atividades não
operacionais visando ao estímulo às atividades operacionais do ente”.
Importante! Cabe ainda destacar a distinção entre receita de capital e
receita financeira.

O conceito de receita financeira surgiu com a adoção pelo Brasil da


metodologia de apuração do resultado primário, oriundo de acordos
com o Fundo Monetário Internacional - FMI. Assim sendo, passou-se
a denominar como receitas financeiras àquelas receitas que não são
consideradas na apuração do resultado primário, como as derivadas
de aplicações no mercado financeiro ou da rolagem e emissão de
títulos públicos, assim como as provenientes de privatizações, entre
outras.

Receitas Intra-Orçamentárias
Conforme comentado, a Lei nº 4.320/64, em seu artigo 11, classifica
a receita pública orçamentária em duas categorias econômicas:
Receitas Correntes e Receitas de Capital.

Com a edição da Portaria Interministerial STN/SOF n° 338 de 26 de


abril de 2006, essas categorias econômicas foram detalhadas em:
Receitas Correntes Intra-Orçamentárias e Receitas de Capital
Intra- Orçamentárias.

Essa especificação deveu-se à necessidade de se evidenciar as


receitas decorrentes de operações intra-orçamentárias, ou seja,
operações que resultem, de um lado, de despesa de órgãos, fundos
ou entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade
social, e, de outro lado, receita de outros órgãos, fundos ou entidades

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também constantes desses orçamentos no âmbito da mesma esfera


de governo.

Portanto, receita de operações intra-orçamentárias são ingressos


oriundos de operações realizadas entre órgãos e demais entidades da
administração pública integrantes dos orçamentos de uma mesma
esfera de governo.

As receitas intra-orçamentárias constituem contrapartida das


despesas realizadas na Modalidade de Aplicação 91 – aplicação direta
decorrente de operação entre órgãos, fundos e entidades integrantes
dos orçamentos fiscal e da seguridade social, incluída na Portaria
Interministerial STN/SOF n° 163/2001 pela Portaria Interministerial
STN/SOF nº 688, de 14 de outubro de 2005.

Assim sendo, na consolidação das contas públicas, essas despesas e


receitas poderão ser identificadas, de modo que se anulem os
efeitos das duplas contagens decorrentes de sua inclusão no
orçamento.

Receitas Correntes Intra-Orçamentárias: Receitas correntes de


órgãos, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais
dependentes e outras entidades integrantes dos orçamentos fiscal e
da seguridade social decorrentes do fornecimento de materiais, bens
e serviços, recebimentos de impostos, taxas e contribuições, além de
outras operações, quando o fato que originar a receita decorrer de
despesa de órgão, fundo, autarquia, fundação, empresa estatal
dependente ou outra entidade constante desses orçamentos, no
âmbito da mesma esfera de governo.

As receitas correntes intra-orçamentárias serão classificadas da


mesma forma das receitas correntes. Porém, atendem à
especificidade de se referirem a operações entre órgãos, fundos,
autarquias, fundações, empresas estatais dependentes e outras
entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social da
mesma esfera governamental.

Receitas de Capital Intra-Orçamentárias: Receitas de capital de


órgãos, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais
dependentes e outras entidades integrantes dos orçamentos fiscal e
da seguridade social decorrentes do fornecimento de materiais, bens
e serviços, recebimentos de impostos, taxas e contribuições, além de
outras operações, quando o fato que originar a receita decorrer de
despesa de órgão, fundo, autarquia, fundação, empresa estatal
dependente ou outra entidade constante desses orçamentos, no
âmbito da mesma esfera de governo.

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As receitas de capital intra-orçamentárias são classificadas da mesma


forma que as receitas de capital. Porém, atendem à especificidade de
se referirem a operações entre órgãos, fundos, autarquias,
fundações, empresas estatais dependentes e outras entidades
integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social da mesma
esfera governamental.

As rubricas das receitas intra-orçamentárias deverão ser identificadas


a partir dos seguintes códigos:
7000.00.00 – Receitas Correntes Intra-Orçamentárias;
8000.00.00 – Receitas Intra-Orçamentárias de Capital

O mecanismo de formação do código dessas receitas consiste em


substituir a categoria econômica da natureza pelos dígitos 7, se
receita intra-orçamentária corrente, e 8, se receita intra-
orçamentária de capital. Os demais níveis deverão ser mantidos,
conforme a conta original.
Importante! Esses novos conceitos de receita podem ser novidade em
concursos! Se for cobrado nos próximos concursos acredito que
poucos acertarão.

Portanto, a codificação da categoria econômica da receita


orçamentária está estabelecida da seguinte forma: (1) para receitas
correntes, (2) para receitas de capital, (7) Receitas correntes intra-
orçamentárias e (8) para as Receitas de capital intra-orçamentárias.
Item CERTO.

A classificação funcional da despesa é composta de um rol de funções


e subfunções prefixadas. A subfunção representa uma partição da
função, com o objetivo de agregar determinado subconjunto de
despesa no setor público. Acerca da relação entre as funções e
subfunções, julgue o item seguinte.

6. (CESPE – ACE/TCU – 2007) As subfunções não poderão ser


combinadas com funções diferentes daquelas às quais estejam
vinculadas.

Resolução
A classificação funcional (por funções e subfunções) da despesa busca
responder basicamente à indagação “em que” área de ação
governamental a despesa será realizada.

Cada atividade, projeto e operação especial identificará a função e a


subfunção às quais se vinculam as despesas.

Importante! Principalmente o trecho em negrito! A classificação


funcional é representada por cinco dígitos. Os dois primeiros referem-

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se à função, que pode ser traduzida como o maior nível de


agregação das diversas áreas de atuação do setor público. A
função está relacionada com a missão institucional do órgão, por
exemplo, cultura, educação, saúde, defesa etc. que guarda relação
com os respectivos Ministérios.
Exemplificação dos dígitos:
Dígitos Função Subfunção
1º/2º - 12 Educação
3º/4º/5º - dígitos
361 – Ensino fundamental;
362 – Ensino médio;
363 – Ensino profissional;
364 – Ensino superior;
365 - Educação Infantil
366 - Educação de Jovens e Adultos
367 - Educação Especial

A atual classificação funcional foi instituída pela Portaria nº 42 de 14


de abril de 1999, do então Ministério do Orçamento e Gestão, atual
MPOG e é composta de um rol de funções e subfunções prefixadas,
que servem como agregador dos gastos públicos por área de ação
governamental nas três Esferas de Governo.

Trata-se de uma classificação independente dos programas de


trabalho. Por ser de aplicação comum, essa classificação é obrigatória
no âmbito dos Municípios, dos Estados, do Distrito Federal e da
União, cuja finalidade é permitir a consolidação nacional dos gastos
do setor público.

O que é função e subfunção da despesa?


Repetindo! A função representa o maior nível de agregação das
diversas áreas de despesa que competem ao setor público.

Inclusive, no Balanço Financeiro a despesa deverá ser classificada por


função, que é seu maior nível de agregação. A partir da função a
despesa é dividida em categoria econômica, grupo de natureza da
despesa, e assim sucessivamente, ou seja, tudo bem
“organizadinho”.
Não se esqueça!
Função Maior nível de agregação da despesa.
No balanço financeiro A despesa deverá ser classificada por função.
A subfunção representa uma partição da função, visando agregar
determinado subconjunto de despesas do setor público e identificar a
natureza básica das ações que se aglutinam em torno das funções.
A subfunção representa um nível de agregação imediatamente
inferior à função e deve evidenciar cada área da atuação
governamental, por intermédio da agregação de determinado

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subconjunto de despesas e identificação da natureza básica das ações


que se aglutinam em torno das funções.

Atenção! As subfunções podem ser combinadas com funções


diferentes daquelas às quais estão relacionadas na Portaria nº.
42/99.
As ações devem estar sempre conectadas às subfunções que
representam sua área específica.

Regra da matricialidade
Existe também a possibilidade de matricialidade na conexão entre
função e subfunção, ou seja, combinar qualquer função com
qualquer subfunção, mas não na relação entre ação e subfunção.
Deve-se adotar como função aquela que é típica ou principal do
órgão.

Assim, a programação de um órgão, via de regra, é classificada em


uma única função, ao passo que a subfunção é escolhida de acordo
com a especificidade de cada ação.
A exceção à matricialidade encontra-se na função 28 – Encargos
Especiais e suas subfunções típicas que só podem ser utilizadas
conjugadas.

Exemplificando as funções e subfunções

Funções Subfunções (partição da função)

031 – ação legislativa


01 – Legislativa 032 – controle externo
061 – ação judiciária
02 – Judiciária 062 – defesa do interesse público no processo judiciário
301 – atenção básica
302 – assistência hospitalar e ambulatorial
10 – Saúde
-----–
304- vigilância sanitária
Item ERRADO.

7. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Os créditos adicionais são autorizações


de despesa não computada ou insuficientemente dotada na Lei de
Orçamento, classificando-se, entre eles, os créditos especiais. Esses
créditos têm por finalidade atender a despesas imprevisíveis e
urgentes e exigem tramitação diversa da aplicada aos demais
créditos adicionais.

Resolução
A Lei nº. 4.320/64 regulamenta a matéria acerca dos créditos
adicionais da seguinte forma:
Art. 40. São créditos adicionais as autorizações de despesas não computadas ou
insuficientemente dotadas na Lei de Orçamento.
Art. 41. Os créditos adicionais classificam-se em:

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I - suplementares, os destinados a reforço de dotação orçamentária;


II - especiais, os destinados a despesas para as quais não haja dotação
orçamentária específica;
III - extraordinários, os destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de
guerra, comoção intestina ou calamidade pública.
Art. 42. Os créditos suplementares e especiais serão autorizados por lei e abertos
por decreto executivo.

Art. 43. A abertura dos créditos suplementares e especiais depende da existência


de recursos disponíveis para ocorrer à despesa e será precedida de exposição
justificativa

O § 3º do art. 167 da Constituição federal estabelece que a abertura


de crédito extraordinário somente será admitida para atender a
despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra,
comoção interna ou calamidade pública, observado o disposto no art.
62 (abertura por medida provisória – na União ou nos estados em
que suas constituições admitem a edição de MP).

Analisando a legislação acima transcrita pode-se verificar que os


créditos adicionais têm por finalidade:
São destinados a reforço de dotação orçamentária, ou
Suplementares seja, reforçar uma dotação existente na LOA.
São destinados a atender despesas para as quais não
haja dotação orçamentária específica, ou seja, despesas
Especiais
não dotadas ou não inseridas quando da aprovação da
LOA.
Segundo a CF somente será admitido para atender a
despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes
Extraordinários
de guerra, comoção interna ou calamidade pública,
observado o disposto no art. 62.
Observe que o comando da questão afirma que os créditos especiais:
“têm por finalidade atender a despesas imprevisíveis e urgentes e
exigem tramitação diversa da aplicada aos demais créditos
adicionais”.
Essa afirmação é falsa porque o texto refere-se aos créditos
extraordinários.
Item ERRADO.

8. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Conforme os efeitos produzidos, ou


não, no patrimônio líquido, a receita orçamentária pode ser
classificada como efetiva ou não-efetiva.

Resolução
Esses termos (receita efetiva e não-efetiva) têm visitado bastante as
provas de concursos!
A receita pública efetiva é a receita orçamentária que provoca
alteração positiva na situação líquida patrimonial, no momento do
reconhecimento da receita.

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A receita pública não efetiva é a receita orçamentária que não


altera a situação líquida patrimonial no momento do seu
reconhecimento.

Interpretação dos termos:


As receitas efetivas possuem as seguintes características próprias
que as identificam:
1º. Ingressos de disponibilidades de recursos não foram precedidos
de registro de reconhecimento do direito.

Exemplo: As receitas provenientes de crédito inscrito na dívida ativa


e de amortização de empréstimos foram precedidas de registro
contábil de reconhecimento de direito. Ou seja, antes de sua
arrecadação a administração pública procedeu ao registro de um
direito a receber. Portanto as receitas oriundas da dívida ativa e
amortização de empréstimos concedidos são receitas orçamentárias
não-efetivas. Importante! A receita da dívida ativa é classificada na
categoria econômica receitas correntes – outras receitas correntes.

2º. Não constituem obrigações correspondentes.


Exemplo: As receitas de capital originadas de operações de crédito
geram obrigações para a administração pública, posto que
representam dívidas contraídas para a realização de despesas
públicas. Assim sendo, são receitas não-efetivas.

Pode-se perceber, a partir dos conceitos acima, que todas as receitas


correntes, exceto aquelas provenientes de créditos inscritos na dívida
ativa, são receitas efetivas e as receitas de capital, não-efetivas.

Características das receitas efetivas:


Ingresso de recursos não precedidos de registro de reconhecimento de direito;
Receita arrecadada sem obrigações ou correspondências passivas;
Basicamente arrecadada de forma contínua e permanente, exceção quanto às
receitas financeiras;
Incluem-se basicamente todas as receitas correntes, exceto as provenientes da
dívida ativa;
Altera a situação líquida patrimonial, posto que se trata de fato modificativo.

Características das receitas não efetivas:


Ingresso de recursos precedidos de registro de reconhecimento de direito;
Receita arrecadada com obrigações ou correspondências passivas;
Arrecadação esporádica ou não permanente;
Receitas arrecadadas por mutação patrimonial;
Incluem-se basicamente todas as receitas de capital, tais como empréstimos
(operações de crédito), amortização de empréstimos concedidos, alienação de
bens, inclusive privatizações etc.;
Não altera a situação líquida patrimonial, posto que se trata de fato permutativo.
Conclusão: conforme os efeitos produzidos, ou não, no patrimônio
líquido (saldo patrimonial), a receita orçamentária pode ser

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classificada como efetiva ou não-efetiva, sendo que a efetiva altera o


patrimônio líquido e a receita não efetiva, NÃO altera.
Item CERTO.

Com relação à competência para legislar sobre orçamento, julgue o


item que se segue.

9. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Atualmente, compete à União, aos


estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre o
orçamento, limitando-se a União a estabelecer normas gerais e
cabendo aos estados exercer competência suplementar.

Resolução
Em obediência ao princípio constitucional da LEGALIDADE os
instrumentos de planejamento da administração pública (PPA, LDO e
LOA) devem ser apreciados pelo Poder Legislativo.
A Constituição Federal determina que as matérias orçamentárias
devem ser estabelecidas mediante leis de cada Ente da Federação.
Assim sendo, a matéria orçamentária obrigatoriamente tem que ser
estabelecida por lei. A competência orçamentária a qual estamos nos
referindo resume-se ao poder de editar as leis que tratam de matéria
orçamentária.

A competência para legislar sobre Direito Financeiro no Brasil é


concorrente entre a União, Estados e Distrito Federal.

Atenção! Não estamos falando de competência para criar uma receita


tributária (que é a competência tributária), mas sim de uma
competência para editar leis que tratam de matéria orçamentária. Essa
competência está prevista, inicialmente, no art. 24 da
Constituição.

Trata-se da competência concorrente para legislar sobre Direito


Financeiro (tributário), atribuída à União, aos estados e ao DF.
Observem os dispositivos que nos interessam no momento:
“Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre:
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico;
..........
§ 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a
estabelecer normas gerais.
§ 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a
competência suplementar dos Estados.
§ 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a
competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades.
§ 4º - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da
lei estadual, no que lhe for contrário.”

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Observe que no âmbito da competência concorrente não estão


incluídos os municípios. Isso não significa que eles não tenham
competência para legislar sobre Orçamento. Eles têm, sim, com base
no art. 30, incisos I e II, da Constituição:
Observe:
“Art. 30. Compete aos Municípios:
I - legislar sobre assuntos de interesse local;
II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;”
Para fins de concursos não podemos afirmar que os municípios
legislem concorrentemente com a União, os estados e o DF sobre
orçamento. Eles legislam sobre orçamento, mas exercendo uma
competência suplementar ou supletiva, fundada no art. 30 da
Constituição, que não se insere no âmbito da competência
concorrente.

A competência concorrente segue a sistemática descrita nos §§ 1º a


4º do art. 24, a saber:
1) À União compete estabelecer normas gerais;
2) Aos estados e DF compete suplementar as normas gerais da
União, mediante lei própria de cada um;
3) Caso não existam, ou deixem de existir, as normas gerais da
União, os estados e o DF exercerão a competência legislativa plena,
para atender a suas peculiaridades. Cada um editará leis sobre
normas gerais que obrigarão somente a eles próprios. A lei de
normas gerais de cada estado e do DF, entretanto, não deverá
observância a nenhuma outra, exatamente porque não existe, ou
deixou de existir, a lei da União sobre normas gerais. É isso que o
texto constitucional quer dizer com exercer a competência legislativa
plena.
4) A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a
eficácia da lei estadual ou do DF, no que lhe for contrário. Explica-se:
suponhamos que, na inexistência de lei federal (ou nacional, como
parte da doutrina prefere chamar), o estado “Y” editou integralmente
sua lei de normas gerais. Mais tarde, é editada uma lei de normas
gerais da União. Nesse caso, a lei estadual de normas gerais, editada
no uso da competência plena decorrente da inexistência anterior de
norma geral federal, ficará suspensa no que for contrária à lei
federal de normas gerais que foi editada depois. Não se trata de
revogação. Trata-se de suspensão de eficácia. Não é revogação
porque não existe hierarquia entre as pessoas políticas.

Uma lei federal não pode revogar uma lei estadual ou municipal. Uma
lei estadual não pode revogar uma lei municipal ou federal.

Conclusão: Compete à União, aos estados e ao Distrito Federal


legislar concorrentemente sobre o orçamento, limitando-se a União a
estabelecer normas gerais e cabendo aos estados exercer
competência suplementar.

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Item CERTO.

O legislador definiu para a execução financeira aplicada à


administração pública brasileira o regime misto, ou seja, o regime de
competência para as despesas e de caixa para as receitas, conforme
disposto no art. 35 da Lei n.o 4.320/1964. Contudo, o registro do
direito se dará no momento do fato gerador, em observância aos
princípios da competência e da oportunidade.
Acerca desse entendimento, julgue o item abaixo.

10. (CESPE – ACE/TCU – 2007) No momento da arrecadação, o ente


deverá registrar no sistema orçamentário a receita pelo regime de
caixa e, ao mesmo tempo, proceder à baixa do ativo anteriormente
registrado.

Resolução
O comando da questão não menciona a que tipo de receita se refere,
se corrente ou de capital, efetiva ou não-efetiva.

De acordo com os conceitos contábeis e orçamentários estabelecidos,


a Receita Orçamentária pode ou não provocar variação na situação
patrimonial líquida.

Assim, conforme os efeitos produzidos ou não no Patrimônio Líquido,


a Receita Orçamentária pode ser efetiva ou não-efetiva.

A 4ª Edição/2007 do manual de procedimentos da receita pública


aplicado à União, Estados, Distrito Federal e Municípios, elaborado
pela Secretaria do Tesouro Nacional, assim estabelece acerca da
receita efetiva e não-efetiva e sua classificação:
A Receita Orçamentária Efetiva é aquela que provoca alteração positiva na
situação líquida patrimonial, no momento do reconhecimento da receita.
A Receita Orçamentária Não-efetiva é aquela que não altera a situação líquida
patrimonial no momento do seu reconhecimento.
Arrecadação da Receita
É a aplicação do regime orçamentário de caixa descrito no art. 35 da Lei nº
4.320/64, que resulta em registro contábil em contas dos sistemas orçamentário e
financeiro, do ingresso de recursos entregues pelos contribuintes ou devedores,
provenientes de receitas reconhecidas anteriormente ou no momento do
recebimento.
Classificação da Receita
É o processo de classificação da receita arrecadada de acordo com o art. 11 da Lei
nº 4.320/64. Resulta em registro contábil nas naturezas de receitas orçamentárias
em contrapartida ao ingresso financeiro.
Recolhimento da Receita
É o depósito, na conta do Tesouro, relativo ao produto da arrecadação de receitas,
que resulta em registro contábil, e a compatibilização ou conciliação com a receita
classificada.

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Entendemos que Receita Pública Efetiva é aquela em que os ingressos


de disponibilidades de recursos não foram precedidos de registro
de reconhecimento do direito e não constituem obrigações
correspondentes e, por isso, alteram a situação líquida patrimonial.

A Receita Pública Não-Efetiva é aquela em que os ingressos de


disponibilidades de recursos foram precedidos de registro do
reconhecimento do direito e, por isso, não alteram a situação
líquida patrimonial.

Analisando as informações acima pode-se perceber que o comando


da questão se refere a um tipo de receita não-efetiva, haja vista que
existe menção de que na arrecadação da receita existe a baixa
concomitante do ativo anteriormente registrado.
Esses seriam exemplos clássicos de arrecadação de receita de capital
provenientes da alienação de bens ou da amortização de dívidas, nas
quais pelas suas arrecadações haveria registro da receita e
concomitante registro da saída dos bens e desaparecimento do direito
a receber no ativo do órgão.

Caso fosse o recebimento de receitas correntes provenientes de


tributos, por exemplo, não existe nenhuma baixa de ativo
anteriormente registrado.

Atenção! A receita tributária proveniente de dívida ativa é não efetiva


porque quando de seu recebimento existe baixa do direito a receber
do ativo permanente.

O CESPE apresentou gabarito CERTO, porém, entendo que essa


questão deveria ter sido anulada porque o comando da questão não
informa o tipo de receita arrecadada, deixando apenas implícito de
que se trata de receita não efetiva.

11. (CESPE – ACE/TCU – 2007) O Sistema de Contabilidade Federal


compreende as atividades de registro, de tratamento e de controle
das operações relativas à administração orçamentária, financeira e
patrimonial da União, com vistas à elaboração das demonstrações
contábeis.
Os órgãos setoriais desse sistema sujeitam-se à orientação normativa
e à supervisão técnica do Ministério do Planejamento, Orçamento e
Gestão, que é o órgão central do sistema.

Resolução
O comando dessa questão refere-se à Lei nº. 10.180 de 06 de
fevereiro de 2001 que Organiza e disciplina os Sistemas de
Planejamento e de Orçamento Federal, de Administração Financeira
Federal, de Contabilidade Federal e de Controle Interno do Poder
Executivo Federal, e dá outras providências.

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Atenção! Essa norma consta no edital TCU/2008.

É importante que o candidato consulte essa norma e atente-se para


as competências e objetivos dos diversos sistemas. Geralmente as
questões de concursos acerca dessas normas são exigidos
basicamente conceitos literais, a exemplo dessa questão.

Observe:
Art. 16. O Sistema de Contabilidade Federal compreende as atividades de registro,
de tratamento e de controle das operações relativas à administração orçamentária,
financeira e patrimonial da União, com vistas à elaboração de demonstrações
contábeis.
Art. 17. Integram o Sistema de Contabilidade Federal:
I - a Secretaria do Tesouro Nacional, como órgão central;
II - órgãos setoriais.
§ 1o Os órgãos setoriais são as unidades de gestão interna dos Ministérios e da
Advocacia-Geral da União.
§ 2o O órgão de controle interno da Casa Civil exercerá também as atividades de
órgão setorial contábil de todos os órgãos integrantes da Presidência da República,
da Vice-Presidência da República, além de outros determinados em legislação
específica.
§ 3o Os órgãos setoriais ficam sujeitos à orientação normativa e à
supervisão técnica do órgão central do Sistema, sem prejuízo da
subordinação ao órgão em cuja estrutura administrativa estiverem
integrados.

Art. 14. O Sistema de Contabilidade Federal visa a evidenciar a situação


orçamentária, financeira e patrimonial da União.
Art. 15. O Sistema de Contabilidade Federal tem por finalidade registrar os atos e
fatos relacionados com a administração orçamentária, financeira e patrimonial da
União e evidenciar:
I - as operações realizadas pelos órgãos ou entidades governamentais e os seus
efeitos sobre a estrutura do patrimônio da União;
II - os recursos dos orçamentos vigentes, as alterações decorrentes de créditos
adicionais, as receitas prevista e arrecadada, a despesa empenhada, liquidada e
paga à conta desses recursos e as respectivas disponibilidades;
III - perante a Fazenda Pública, a situação de todos quantos, de qualquer modo,
arrecadem receitas, efetuem despesas, administrem ou guardem bens a ela
pertencentes ou confiados;
IV - a situação patrimonial do ente público e suas variações;
V - os custos dos programas e das unidades da Administração Pública Federal;
VI - a aplicação dos recursos da União, por unidade da Federação beneficiada;
VII - a renúncia de receitas de órgãos e entidades federais.
Parágrafo único. As operações de que resultem débitos e créditos de natureza
financeira não compreendidas na execução orçamentária serão, também, objeto de
registro, individualização e controle contábil.
Conclusão:
Analisando as regras da norma acima transcrita pode-se verificar que
os órgãos setoriais do sistema NÃO se sujeitam à orientação
normativa e à supervisão técnica do Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão, mas sim da Secretaria do Tesouro Nacional –
STN, que é o órgão central do sistema.
Item ERRADO.

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12. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Segundo o disposto no art. 1.o do


Decreto n.o 93.872/1986 e no art. 56 da Lei n.o 4.320/1964, a
realização da receita e da despesa da União far-se-á por via bancária,
em estrita observância ao princípio de unidade de caixa, conhecido
como conta única.
Acerca do funcionamento da conta única, julgue o item que se segue.
O controle dos saldos e a transferência de recursos entre as unidades
gestoras são feitos pelo Sistema Integrado de Administração
Financeira (SIAFI).

Resolução
Depois de aprovada e publicada a LOA passa-se a efetiva execução
do orçamento.
Primeiramente a Unidade Orçamentária ou Administrativa recebe o
crédito, após realizar todos os procedimentos relativos às despesas e
estando em condições de pagá-la, receberá o recurso.

Portanto, primeiro executa o lado orçamentário (créditos) e, em


seguida, a parte financeira (recursos).

Uma vez publicada a LOA, inicia-se imediatamente os procedimentos


de execução orçamentária e de programação financeira.

A execução orçamentária é processada basicamente da seguinte


forma:

1º passo: A Secretaria de Orçamento Federal – SOF do Ministério do


Planejamento, Orçamento e Gestão – MPOG, gera automaticamente
no SIAFI, o documento Nota de Dotação – ND. Com esse documento
cria-se o crédito orçamentário e inicia a execução orçamentária
propriamente dita. No que se refere à movimentação de créditos e
recursos financeiros, a função da SOF se encerra nesse ponto.
2º passo: Com base no Decreto de programação financeira, a STN
inicia a movimentação (descentralização) de créditos. Só após o
recebimento do crédito é que as Unidades Gestores ou orçamentárias
estão em condições de efetuar a realização das despesas públicas.
A LRF estabelece que até trinta dias após a publicação dos
orçamentos, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes
orçamentárias, o Poder Executivo estabelecerá a programação
financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso (art.
8º da LRF).
Nos dois primeiros passos não houve nenhum reflexo financeiro, ou
seja, não ocorreu movimentação de recursos, apenas de crédito.
3º passo: Recebido o crédito, cabe a cada unidade contemplada
realizar os procedimentos relativos à execução das despesas

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(licitação, dispensa, inexigibilidade, tipo de despesa, empenho,


liquidação, etc.).
Com a transferência dos recursos começa a fase de desembolso para
pagamentos diversos, depois de cumpridos os estágios ou fases da
despesa (empenho e liquidação).
4º passo: A primeira movimentação de recursos é a liberação de
cota e deve ser realizada em consonância com o cronograma de
desembolso aprovado pela STN. Assim, cota é o montante de
recursos colocados à disposição dos Órgãos Setoriais de Programação
Financeira – OSPF pela Coordenação-Geral de Programação
Financeira – COFIN/STN mediante movimentação intra-siafi dos
recursos da Conta Única do Tesouro Nacional.
Portanto, atenção! Cotas são somente os recursos transferidos pela
STN para os OSPF.
5º passo: Liberação de repasses ou sub-repasses. Repasse
(transferência externa), é a movimentação de recursos realizada
pelos OSPF para as unidades de outros órgãos ou ministérios e
entidades da Administração Indireta, bem como entre esses; e sub-
repasse (transferência interna), é a liberação de recursos dos OSPF
para as unidades sob sua jurisdição e entre as unidades de um
mesmo órgão, ministério ou entidade.

Todos os procedimentos acima demonstrados são executados “on


line” via SIAFI.

A partir das transferências de repasses e sub-repasses, as unidades


gestoras, agora com os recursos em caixa, podem dar início à fase de
pagamento de seus compromissos (despesas).

Resumindo:
◊ Descentralização de créditos: É transferência de créditos entre unidade
gestoras;
◊ Descentralização interna de créditos (provisão): É a movimentação de
créditos entre unidades gestoras de um mesmo órgão ou entidades integrantes do
orçamento fiscal e da seguridade social, respeitada fielmente a classificação
funcional (art. 2º c/c o art. 3º do Decreto 825/93);
◊ Descentralização externa de créditos (destaque): É a descentralização de
créditos entre unidades gestoras de órgãos ou entidades de estruturas diferentes,
respeitada fielmente a classificação funcional (art. 2º, parágrafo único, c/c o art.
3º do Decreto 825/93);
◊ Descentralização de recursos financeiros: É a transferência de “dinheiro”
entre as Unidades Gestoras que compõem o sistema de programação financeira e
ocorre sob a forma de liberação de cotas, repasses e sub-repasses;
◊ Cota: É a liberação de recursos do órgão central para o setorial de programação
financeira;
◊ Repasse: É a liberação de recursos do órgão setorial de programação financeira
para entidades da Administração Indireta, e entre estas e ainda de um ministério
para outro;
◊ Sub-repasse: É a liberação de recursos dos órgãos setoriais de programação
financeira para as unidades gestoras de sua jurisdição e entre as unidades
gestoras de um mesmo ministério, órgão ou entidade.

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Conclusão:
O controle dos saldos e a transferência de recursos entre as unidades
gestoras são feitos pelo Sistema Integrado de Administração
Financeira (SIAFI).
Item CERTO.

13. (CESPE – ACE/TCU – 2007) De acordo com o princípio do


orçamento bruto, as receitas e despesas públicas devem constar da
lei orçamentária, de forma a possibilitar que nela se incluam apenas
saldos positivos ou negativos resultantes do confronto entre as
receitas e as despesas de determinado serviço público.

Resolução
O princípio do orçamento bruto estabelece que as receitas e despesas
devam ser demonstradas na LOA pelos seus valores totais, isto é,
sem deduções ou compensações.
Exemplo: a proposta orçamentária da União deve ser apresentada
sem as deduções dos recursos a serem transferidos aos fundos de
participação dos estados e municípios.
O princípio do orçamento bruto está previsto na parte final do art. 6º
da Lei nº 4.320/64. Esse artigo consagra dois princípios, a primeira
parte se refere ao princípio da universalidade, e a segunda, o do
orçamento bruto.
O art. 6º estabelece que todas as receitas e despesa constarão da Lei
de Orçamento pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções.
Atenção! Não confundir o princípio do orçamento bruto com o
princípio da universalidade.
A parte final do art. 6º da norma citada refere-se ao princípio do
orçamento bruto.
Observe a regra prevista na Lei nº. 4.320/64:
Art. 6o Todas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento
pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções.

Exemplificando o princípio: Suponha-se que existe previsão para a


União arrecadar $ 70.000.000,00 de Imposto de Renda (Pessoa
Física/Pessoa Jurídica) e $ 20.000.000,00 de Imposto sobre Produtos
Industrializados – IPI.
Desse valor total há previsão de repasse de $ 40.000.000,00 para o
Fundo de Participação dos Estados e Municípios – FPE/FPM.
Assim sendo, a proposta orçamentária da União foi elaborada assim:
RECEITAS VALOR $
Imposto de Renda – pessoa física/jurídica 30.000.000,00
Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI 20.000.000,00

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Total 50.000.000,00
Procedendo-se conforme apresentado acima, ou seja, sem a inclusão
(deduzindo) do Imposto de Renda a parcela a ser transferida aos
estados e municípios, a informação não estaria adequada, haja vista
a omissão de receitas.
Esse procedimento estaria em desacordo com o princípio do
orçamento bruto.
Portanto, o correto seria evidenciar na proposta orçamentária a
arrecadação bruta e o valor a ser transferido aos estados e
municípios.
Proposta orçamentária apresentada de acordo com o princípio do
orçamento bruto:
RECEITAS VALOR $
Imposto de Renda – pessoa física/jurídica 70.000.000,00
Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI 20.000.000,00
( - ) FPE/FPM (40.000.000,00)
Total 50.000.000,00
Conclusão:
De acordo com o princípio do orçamento bruto, as receitas e
despesas públicas devem constar da lei orçamentária pelos seus
totais (valor bruto sem deduções).
Admite-se na LOA informação acerca das receitas a serem devolvidas
ou transferidas, sem, no entanto, contrariar o princípio em comento.
Exemplo:
Receita tributária
Imposto de renda pessoa física 100.000.000,00
(-) Restituição do IRPF (10.000.000,00)
Item ERRADO.

14. (CESPE – ACE/TCU – 2007) O princípio do equilíbrio orçamentário


permanece, no Brasil, como norma de hierarquia constitucional.

Resolução
O princípio do equilíbrio orçamentário é doutrinário, ou seja,
reconhecido pelos estudiosos do Direito Financeiro (Contadores,
Economistas e Juristas).
No Brasil não existe nenhuma norma legal que determina o equilíbrio
entre receitas e despesas no planejamento orçamentário, ou seja, na
previsão de receitas e fixação das despesas.
Entretanto, a doutrina reconhece que o Executivo deva encaminhar a
proposta orçamentária ao Legislativo em equilíbrio (total das receitas
igual ao total das despesas). Porém, esse equilíbrio é apenas didático,
posto que o Legislativo pode alterar a proposta inicial e aprovar a
LOA em desequilíbrio (receita prevista maior do que as despesas
fixadas ou de forma diversa).

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Certamente na execução orçamentário de qualquer ente da federação


dificilmente ocorrerá equilíbrio, haja vista que a demanda por
investimentos é relevante e geralmente as receitas são insuficientes.
Item ERRADO.

15. (CESPE – ACE/TCU – 2007) O princípio da unidade orçamentária,


mais recentemente, foi relativamente esvaziado, passando-se a
admitir a existência de orçamentos setoriais, que, afinal, podem ser
consolidados em um único documento que permita a visão geral do
conjunto das finanças públicas. Diante de tal mudança, hoje já é
possível falar-se em um princípio da totalidade.

Resolução
Para essa questão apresentamos recurso ao CESPE no qual foi
devidamente acatado pelos seguintes motivos:

Observe o recurso apresentado:

A questão deve ser anulada pelos seguintes motivos:


O princípio da unidade orçamentária, realmente tem sido
relativamente esvaziado em virtude de orçamentos setoriais.
Essa afirmação é verdadeira, mesmo porque a CF/88, em seu art.
165, § 4º estabelece a possibilidade de que o governo implemente
planos e programas nacionais, regionais e setoriais em consonância
com o plano plurianual e apreciados pelo Congresso nacional.

Porém, no comando da questão existe afirmação de que os


orçamentos setoriais PODEM ser consolidados em um único
documento que permita a visão geral do conjunto das finanças
públicas.

Infere-se que o documento único mencionado seja a LOA. Os incisos


I, II e III do art. 165 da CF/88 determina que a LOA compreenda os
orçamentos fiscal, da seguridade social e de investimento das
estatais de todos os poderes, órgãos, fundos e entidades da
administração direta e indireta.
Essa regra constitucional consagra o princípio da unidade
orçamentária, ou seja, a LOA deve ser uma única peça (documento)
de todos os poderes, órgãos, fundos e entidades da administração
direta e indireta.

Assim sendo, mesmo que o governo implemente orçamentos


setoriais, estes devem estar em consonância com o PPA, LDO e LRF,
fazendo parte de um único instrumento de planejamento e devendo
fazer parte integrante da LOA.
A Lei 4.320/64 em seu art. 2º estabelece: “A Lei do Orçamento
conterá a discriminação da receita e despesa de forma a evidenciar a

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política econômica financeira e o programa de trabalho do Governo,


obedecidos os princípios de unidade, universalidade e anualidade”.

Ao estabelecer que a Lei de orçamento conterá a discriminação da


receita e despesa de forma a evidenciar a política econômica
financeira e o programa de trabalho do Governo essa norma também
consagra o princípio da unidade orçamentária DEVE SER
CONSOLIDADO em um único documento.
Assim sendo, os orçamentos setoriais não PODEM, mas sim DEVEM
ser consolidados em um único documento e se constituir um “anexo
da LOA”.
Item NULO.

LISTA DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA

1. (CESPE – Analista Judiciário – Contabilidade – TST/2008) Para fins


de cumprimento da chamada regra de ouro da Lei de
Responsabilidade Fiscal, computam-se também as operações de
crédito por antecipação de receitas, desde que liquidadas no mesmo
exercício em que forem contratadas.

2. (CESPE – Analista Judiciário – Contabilidade – TST/2008) De


acordo com a atual legislação brasileira, a Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO) disporá sobre as alterações na legislação
tributária, que, para todos os fins, não estarão sujeitas aos princípios
da anterioridade e da anualidade.

3. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Recursos que, em decorrência de veto,


emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem
sem despesas correspondentes poderão ser utilizados, conforme o
caso, mediante créditos especiais ou suplementares, com prévia e
específica autorização legislativa.

A Lei n.º 4.320/1964, em seu artigo 11, classifica a receita


orçamentária em duas categorias econômicas: receitas correntes e
receitas de capital. Com a Portaria Interministerial STN/SOF nº.
338/2006, essas categorias econômicas foram detalhadas em receitas
correntes intra-orçamentárias e receitas de capital intra-
orçamentárias. A respeito da função das receitas intra-orçamentárias,
julgue o próximo item.

4. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Como se destinam ao registro de


receitas provenientes de órgãos pertencentes ao mesmo orçamento
do ente público, as contas de receitas intra-orçamentárias não têm a
mesma função da receita original, sendo criadas a partir de base
própria pela Secretaria do Tesouro Nacional.

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A Lei n.º 4.320/1964, em seu art. 11, classifica a receita


orçamentária em duas categorias econômicas: receitas correntes e
receitas de capital. Com a Portaria Interministerial STN/SOF n.o
338/2006, essas categorias econômicas foram detalhadas em receitas
correntes intra-orçamentárias e receitas de capital intra-
orçamentárias, constituindo, assim, contrapartida das despesas intra-
orçamentárias. Com relação ao efeito das contas de natureza intra-
orçamentária na consolidação das contas públicas, julgue o item
abaixo.

5. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Com o novo detalhamento, as


despesas e receitas intra-orçamentárias poderão ser identificadas de
modo que se anulem os efeitos das duplas contagens decorrentes de
sua inclusão no orçamento.

A classificação funcional da despesa é composta de um rol de funções


e subfunções prefixadas. A subfunção representa uma partição da
função, com o objetivo de agregar determinado subconjunto de
despesa no setor público. Acerca da relação entre as funções e
subfunções, julgue o item seguinte.

6. (CESPE – ACE/TCU – 2007) As subfunções não poderão ser


combinadas com funções diferentes daquelas às quais estejam
vinculadas.
7. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Os créditos adicionais são autorizações
de despesa não computada ou insuficientemente dotada na Lei de
Orçamento, classificando-se, entre eles, os créditos especiais. Esses
créditos têm por finalidade atender a despesas imprevisíveis e
urgentes e exigem tramitação diversa da aplicada aos demais
créditos adicionais.

8. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Conforme os efeitos produzidos, ou


não, no patrimônio líquido, a receita orçamentária pode ser
classificada como efetiva ou não-efetiva.

Com relação à competência para legislar sobre orçamento, julgue o


item que se segue.

9. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Atualmente, compete à União, aos


estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre o
orçamento, limitando-se a União a estabelecer normas gerais e
cabendo aos estados exercer competência suplementar.

O legislador definiu para a execução financeira aplicada à


administração pública brasileira o regime misto, ou seja, o regime de
competência para as despesas e de caixa para as receitas, conforme
disposto no art. 35 da Lei n.o 4.320/1964. Contudo, o registro do

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direito se dará no momento do fato gerador, em observância aos


princípios da competência e da oportunidade.
Acerca desse entendimento, julgue o item abaixo.

10. (CESPE – ACE/TCU – 2007) No momento da arrecadação, o ente


deverá registrar no sistema orçamentário a receita pelo regime de
caixa e, ao mesmo tempo, proceder à baixa do ativo anteriormente
registrado.

11. (CESPE – ACE/TCU – 2007) O Sistema de Contabilidade Federal


compreende as atividades de registro, de tratamento e de controle
das operações relativas à administração orçamentária, financeira e
patrimonial da União, com vistas à elaboração das demonstrações
contábeis.
Os órgãos setoriais desse sistema sujeitam-se à orientação normativa
e à supervisão técnica do Ministério do Planejamento, Orçamento e
Gestão, que é o órgão central do sistema.

12. (CESPE – ACE/TCU – 2007) Segundo o disposto no art. 1.o do


Decreto n.o 93.872/1986 e no art. 56 da Lei n.o 4.320/1964, a
realização da receita e da despesa da União far-se-á por via bancária,
em estrita observância ao princípio de unidade de caixa, conhecido
como conta única.
Acerca do funcionamento da conta única, julgue o item que se segue.
O controle dos saldos e a transferência de recursos entre as unidades
gestoras são feitos pelo Sistema Integrado de Administração
Financeira (SIAFI).

13. (CESPE – ACE/TCU – 2007) De acordo com o princípio do


orçamento bruto, as receitas e despesas públicas devem constar da
lei orçamentária, de forma a possibilitar que nela se incluam apenas
saldos positivos ou negativos resultantes do confronto entre as
receitas e as despesas de determinado serviço público.

14. (CESPE – ACE/TCU – 2007) O princípio do equilíbrio orçamentário


permanece, no Brasil, como norma de hierarquia constitucional.

15. (CESPE – ACE/TCU – 2007) O princípio da unidade orçamentária,


mais recentemente, foi relativamente esvaziado, passando-se a
admitir a existência de orçamentos setoriais, que, afinal, podem ser
consolidados em um único documento que permita a visão geral do
conjunto das finanças públicas. Diante de tal mudança, hoje já é
possível falar-se em um princípio da totalidade.

Gabarito:
1E 2E 3C 4E 5C 6E 7E 8C 9C 10C 11E 12C 13E 14E 15NULO

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