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07/06/2018 TEORIA DO MULTIMETRO DIGITAL - Eng e Prof Mário Goretti

TEORIA DO MULTIMETRO DIGITAL

Usar o Multímetro

Usar um multímetro é algo muito


importante para quem trabalha em
informática, na área da electrotecnia e
electrónica, é um aparelho que nos
permite fazer medições de grandezas
eléctricas.
Serve de grande ajuda nas mais variadas
situações sendo indispensável, e
obrigatório.
Vou direccionar este pequeno how to para
a informática não havendo grande
necessidade de algo muito explicativo e
intensivo, a ideia é apenas mostrar os
aspectos mais importantes como funciona
e como se usa.

O Multímetro: É um aparelho que permite


a medição de várias grandezas eléctricas,
tais como intensidades de corrente,
tensões eléctricas, resistência eléctricas,
capacidades, indutâncias, frequências,
temperaturas, entre outras…
Existem dois tipos de multímetro, os
analógicos e os digitais, vou aqui abordar
apenas os digitais pois são mais fáceis de
utilizar e a visualização do valor é
imediata e são também os mais fáceis de
encontrar, até nos chineses, vejam lá!!
Como já deu para reparar este pequeno
aparelho permite várias leituras reduzindo
assim a necessidade de usar vários para
as diferentes grandezas.
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Mas antes de avançarmos mais, acho


necessário que se tenha umas noções
muito básicas sobre electricidade para
que se saiba o que se vai medir e porquê.

Corrente Eléctrica:

A electricidade é uma forma de energia,


que é comum a toda a matéria.
Os átomos são constituídos basicamente
por um núcleo (protões e neutrões) e por
electrões que giram em torno desse
núcleo.
Quando se diz que um corpo está
carregado positivamente, diz-se que tem
falta de electrões, e quando está
carregado negativamente, tem electrões
em excesso.
Ao movimento orientado dos electrões do
potencial negativo para o positivo, dá-se
o nome de corrente eléctrica, mas este
fenómeno só acontece se houver
diferença de potencial entre eles
estiverem interligados por meio de um
material condutor
Existem vários tipos de corrente, mas
apenas vou falar na corrente contínua
(CC, DC) e na corrente alternada (CA,
AC).
A corrente proveniente da rede eléctrica
nacional e alternada sinusoidal, tem uma
determinada frequência, que no nosso
país é de 50Hz, ou seja 50 alternâncias
por segundo, onde a tensão e a corrente
variam no tempo, e mudam o seu sentido,
não sendo unidireccional e representa-se
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por um gráfico deste género:

A corrente contínua não é proveniente da


rede eléctrica, na maioria das vezes
resulta da rectificação da corrente
alternada, que é o que acontece nas
fontes de alimentação dos computadores,
e pode ser proveniente de pilhas, baterias
e não só.
Neste caso não existe mudança de
sentido e o gráfico poderá ser deste
género, podendo ser completamente
contínua ou ter oscilações, mas sempre
com uma única direcção:

Grandezas Eléctricas:

Bem depois de uma explicação muito


resumida, sobre a corrente eléctrica,
talvez seja a oportunidade de passar para
as grandezas que caracterizam este
fenómeno.
Antes de passar para as medições das
mesmas, vou tentar resumir algumas das
grandezas mais usadas, e as principais
que um multímetro comum consegue
medir.

Potencial Eléctrico. Diferença de


Potencial

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A grandeza física potencial eléctrico,


representa-se por V, e tem como unidade
no SI (Sistema Internacional de Unidades)
o volt, este nome está relacionado com o
nome do cientista italiano Alessandro
Volta (1745-1827), que se destacou pela
criação do primeiro gerador
electroquímico, conhecido por pilha de
Volta.
Para que haja uma corrente eléctrica são
necessários dois potenciais diferentes
ligados entre si por um meio condutor, a
isto designa-se por diferença de potencial
(d.d.p.). Também é comum dizer-se
tensão (U), ou voltagem.
Para medir essa diferença de potencial
utiliza-se um Voltímetro, que está incluído
nos mais vulgares multímetros, a tensão é
sempre medida em paralelo, nunca em
serie senão puff fez-se o chocapic!!! O
voltímetro tem duas pontas de prova, uma
vermelha e uma preta, a vermelha é
ligada ao potencial positivo e a preta à
massa, ou ao negativo, mede-se nos
terminais dos componentes
adequadamente, no + e -. Pode ver-se no
esquema abaixo a colocação do
voltímetro em paralelo no circuito:

Intensidade de Corrente Eléctrica

Como já referi acima, o deslocamento


orientado de portadores de carga constitui
uma corrente eléctrica, essa pode ser
maior num condutor do que noutro, o que
leva a que a quantidade de electrões
livres em movimento seja maior num

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condutor do que no outro.


A unidade SI é o ampere, cujo símbolo é
um A, em homenagem ao físico francês
André Marie Ampere (1776-1836).
Para simplificar a 1 ampere equivale uma
intensidade de corrente em que circulam
6,25x10^18 electrões por segundo,
através da secção de um condutor, é
muito electrão!!!!
Para se efectuar a medição de tal
intensidade utiliza-se um Amperímetro
(também incluído nos multímetros), mede-
se sempre em serie, ou seja vai haver
sempre a necessidade de interromper o
circuito para se poder colocar o
multímetro, como mostra a figura:

Resistência Eléctrica

A resistência eléctrica é comum de todas


as substâncias, e é basicamente a
oposição à passagem da corrente
eléctrica, que difere de substancia para
substancia. Os materiais caracterizam-se
por serem Bons ou maus condutores de
electricidade, um facto que pode ser muito
importante é a temperatura a que essa
substância se encontra submetida, pois a
resistência também varia com a
temperatura. Aos maus condutores
também é costume chamar de isoladores,
a conhecida fita isoladora não conduz a
corrente eléctrica, as pastas térmicas
podem ou não conduzir a electricidade,
bem como os líquidos de WC.
A grandeza física é representada por um
R, e tem como unidade no SI, o ohm, que

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usa como símbolo o ómega Ω, em


homenagem a George S. Ohm (1787-
1854) físico e matemático Alemão.
A medição da resistência de um certo
material é efectuada num ohmímetro (tb
se encontra o multímetro) mas ao
contrário do que se faz no
voltímetro/amperímetro não se pode
efectuar a medição se esse material
estiver sob tensão. Para se efectuar a
medição basta para isso, colocar as duas
pontas de prova nos terminais de um
componente, como que se estivesse a
medir tensão mas sem haver tensão
nesse componente.

Lei de Ohm

Muitas vezes falada, a lei de ohm


relaciona estas três grandezas.
A lei de ohm diz-nos que a diferença de
potencial aos terminais de um fio condutor
metálico, filiforme e homogéneo à
temperatura constante é directamente
proporcional à intensidade que a percorre.

A expressão matemática:

R=U/I

Também se pode dizer que:

P=U x I, ou seja, a potência em Watts, é


igual ao produto da tensão pela
intensidade.

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Muito basicamente e só na intenção de


dar umas luzes sobre electricidade,
também existe o condensador, muito
utilizado nas motherboards, placas
gráficas, placas de som e afins. Os
condensadores (e não capacitadores ou
capacitores, como muitas das vezes
aparece) têm a característica de
armazenar cargas eléctricas, mas não vou
adiantar muito mais, é um componente
um pouco mais complicado, mas também
muito importante!!!

É preciso ter em atenção que num


multímetro, existem várias escalas de
medição, e que essas escalas podem ser
em corrente alternada e corrente
continua, portanto convém saber se o que
vamos medir é alternado ou contínuo,
dentro de um computador temos
unicamente corrente continua. No caso
das resistências não interessa pois vamos
medir sem haver carga eléctrica.

Usar o Multímetro parte 2

O multímetro como já foi dito é um


aparelho de medida, que nos permite ler
mais do que uma grandeza eléctrica.
Depois de tentar explicar as 3 principais
grandezas eléctricas, vou-me virar para o
principal objectivo deste tutorial, o
Multímetro e como usa-lo, e aqui está ele
com saúde:

O modelo que uso, é um DT-64 da


Univolt, não é nada de especial mas serve
bem para quem está a aprender este
ofício.
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Este modelo como se pode ver na


imagem abaixo está envolvido numa
borracha amarela protectora à volta do
corpo de plástico, já a antever muitas
quedas e não só, mesmo para protecção
dos componentes electrónicos muito
sensíveis.

Na imagem já se pode ter uma noção da


aparência geral do multímetro, é claro que
pode variar de modelo para modelo, as
cores, os botões, o selector, as ranhuras
etc.
Para começar, é preciso ter em mente
uma coisa, é preciso saber o que vamos
medir e como!!
Na 1º já se falou nisso, medições em
paralelo e em série, e que volts se medem
em paralelo, amperes em série, e Ohms
fora do circuito e sem a presença de
corrente eléctrica, mas no geral quase
todos os multímetros têm aquele selector
no centro.

Fica aqui uma imagem legendada:

Na imagem acima pode observar-se o


display, o selector, e os terminais onde
vamos ligar as pontas de prova que vêm
com o multímetro.

Vou focar agora apenas o selector e os


terminais, dado que o restante não
interessa muito agora para aqui.

Selector
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Aqui encontramos um quadrante com


várias opções à escolha, para as
seleccionar basta rodar o selector.
O quadrante encontra-se dividido em
várias partes, correspondentes ao que o
multímetro pode medir, no meu caso, ele
pode medir, tensões, intensidades,
resistências, frequência, temperatura,
capacidades, testar díodos etc.
Para o que se viu mais atrás, vai nos
interessar apenas, as tensões,
intensidades, resistências, e por ventura
temperatura, se bem que não tem assim
muito que saber.
Um dado muito importante e que importa
reter, é que sempre que vamos efectuar
uma medição, seja de corrente seja de
tensão, devemos de saber o seguinte:
-- Se é CC ou CA, e escolher
adequadamente no selector.
-- Ter uma vaga ideia do valor máximo
possível que vamos medir, para que
quando se vá medir se escolha o valor do
selector mais próximo do que vamos
medir. Por exemplo se formos medir 20V
devemos de escolher sempre o divisor
mais perto, sempre para cima, ou seja
neste caso temos exactamente o valor
20V no selector, mas não vamos escolher,
vamos optar pelo seguro e escolher o
200V. O procedimento é sempre este,
seja que valor for, se não temos a certeza
escolhes o maior no selector e vamos por
indução em erro, Se for numa fonte de
alimentação o divisor mais usado é o de
20V, pois as tensões são de 12V, 5V e
3.3V, neste caso o divisor de CC.

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-- Também é importante que se coloque


as pontas de prova no sítio correcto.

Terminais para ponta de prova

Para se poder efectuar as medições são


necessárias duas pontas de prova, uma
com a cor vermelha, e outra com a cor
preta.

Essas pontas são conectadas no


multímetro numa parte especial, e que
tem de se ver com muita atenção, pois ao
mínimo erro e pode-se meter água.
Na imagem abaixo, a figura mostra
precisamente esses terminais onde
iremos ligar as pontas, repare que existe
um terminal preto, e 3 vermelhos.

Quando se efectua uma medição coloca-


se sempre a ponta de prova preta no
terminal que diz COM, e nunca a
movemos da li, pois a ponta que se move
consoante o que vamos medir é a
vermelha.
O facto de termos amperes de um lado e
Volts/Ohms/frequência deve-se á
principalmente á necessidade de que os
amperes medem-se em serie e os volts
em paralelo.
Da esquerda para a direita, o podemos
ver um A por cima do terminal, e que nos
diz que temos de medir amperes usando
aquele terminal, mas tb nos indica em
baixo que só aguenta até 20A durante
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15segundos no máximo, e que não tem


protecção de fusível, logo no campo de
medida do multímetro seja em CA ou CC
quando vamos medir mais de 200mA
devemos de conectar a ponta vermelha
neste terminal, e seleccionar no
quadrante os 20A respectivos.
A seguir a esse temos um terminal que
diz mA, quando o que vamos medir é
inferior a 200mA, devemos de conectar
aqui a ponta de prova, seja em CC ou CA,
este está protegido por fusível, fusível
este que pode fundir, e que mais à frente
veremos como substituir.
Temos então o COM, onde ligamos a
ponta de prova preta.
A seguir temos um único terminal que
devemos de ligar quando vamos medir
resistências, frequências ou tensões,
tendo em atenção sempre a tenção que
vamos medir, aqui tb não importa que seja
CC ou CA.
Penso que a parte das ligações e de
como preparar o multímetro para a
medição já foi abordada muito
resumidamente.
Vou agora mostrar os 3 quadrantes que
são mais usados

Ohmímetro:

Como se pode ver na imagem, o


ohmímetro tem um campo de selecção
que vai desde os 200 Ohm até aos 200
Mega Ohm, não nos podemos esquecer
que se deve de medir de preferência fora
do circuito, ou quando este não tem
corrente eléctrica a circular.
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Medição da resistência de uma


resistência, de notar que os sinais + e -,
em nada afectam a medição numa
resistência:

Voltímetro:

Como podemos ver o multímetro tem a


tensão dividida em duas parte, CC e CA,
logo quando formos medir temos de
escolher, e depois é só escolher o valor
que se adapta ao que vamos medir, no
caso de CC vai desde 200mV até
1000Volts!!!!
Deixo aqui uma imagem da medição da
tensão num molex, mais propriamente a
linha dos 12V. Para se efectuar a medição
das linhas, seja 12V, 5V ou 3.3, basta
colocar a ponta de prova vermelha no fio
de cor correspondente, e a ponta de
prova preta num fio preto da fonte, neste
caso para medir os 12V, colocarei a
vermelha no amarelo e a preta no preto.
Temos de ter em atenção que podemos
medir a tensão em “vazio”, ou com o
conector ligado a um componente, como
pode ser o caso de uma gráfica, estando
assim a medir com carga, que como
sabemos no caso da gráfica poderá estar
em Idle ou Full. No caso da gráfica a
medição é feita no conector PCI auxiliar,
já que a PCI não fornece energia
suficiente para as gráficas da actualidade,
já lá vai o tempo das S3Trio… como
temos 3 pinos amarelos e três pretos,
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escolhemos um preto e um amarelo ao


acaso, e depois é só colocar a ponta
vermelha num amarelo, e a preta num
preto.
Para se medir por toda a fonte o
procedimento é sempre igual, avisando no
entanto que se deve ter muito cuidado
com as pontas pois pode-se provocar um
curto-circuito. No caso da ficha que liga à
motherboard, basta aceder a um site que
forneça os valores das tensões de cada
pino de ligação.

Medição da linha de 5V numa ficha


molex

Medição da linha de 12V numa ficha


molex

Medição de 5V, na entrada de uma


drive de DVD.

Medição de 12V, na entrada de uma


drive de DVD.

Amperímetro:

Do mesmo género do voltímetro, dividido


em CC e CA e varia desde 2mA até 20A.
Não vou aqui referir como medir
intensidade em fontes, apenas o vou
mostrar o consumo de uma resistência,
num circuito simples, pois numa fonte a
medição de intensidade já requer algo
mais, e é um procedimento perigoso e
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desaconselhado a quem tem menos


prática.

Bem, acabo aqui meu tutorial, tentei fazer


o melhor que pude, tive a ajuda do
Ricardo Guerra que me corrigiu alguns
erros que tinha, orientou, e ajudou quando
precisei, o meu obrigado e a toda a gente
que colaborou e pode colaborar ainda.
Coloquei aqui o tutorial, pode conter
erros, como é óbvio, e se puderem ou por
PM, ou mesmo aqui, avisem-me.
Obrigado.
Finaliza-se um dos trabalhos da OC7,
realizado por mim, a bibliografia consiste,
em 2 livros e a minha cabeça pensadora:

Manuel Rocha, Electrotecnia para o 9º


ano de escolaridade, Editorial Presença.
José V. C. Matias, Práticas laboratoriais
de electrotecnia e electrónica 10º ano,
Didáctica Editora.

Espero que gostem e que acima de tudo,


aprendam alguma coisa!!

Como usar o multímetro

Artigo : Como utilizar um multímetro digital

Um multímetro digital oferece a


facilidade de mostrar
diretamente em seu visor, que
cha mamos de display de
cristal líquido, ou simplesmente
display, o valor numérico da
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grandeza medida, sem termos


que ficarmos fazendo
multiplicações (como ocorre
com multímetros analógicos).

Um multímetro digital pode ser


utilizado para diversos tipos de
medidas, agora iremos citar as
três mais comuns:

- tensão elétrica (medida em


volts – V).

- corrente elétrica (medida em


amperes – A).

- resistência elétrica (medida


em Ohms – - letra
ômega).

Além destas ele pode ter


escalas para outras medidas
específicas como: temperatura,
freqüência, semicondutores
(escala indicada pelo símbolo
de um diodo), capacitância,
ganho de transistores,
continuidade (através de um
apito), etc.

Em multímetros digitais o valor da escala já indica o


máximo valor a ser medido por ela, independente da
grandeza. Temos abaixo uma indicação de valores
encontrados na prática para estas escalas:

Escalas de tensão contínua: 200mV, 2V, 20V, 1000V


ou 200m, 2, 20, 1000.

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Escalas de tensão alternada: 200V, 750V ou 200,


750.

Escalas de resistência: 200, 2000, 20K, 200K, 2M ou


200, 2K, 20K, 200K, 20000K.

Escalas de corrente contínua: 200u, 2000u, 20m,


200m, 2A, 20A ou 200u, 2m, 20m, 200m, 2, 10.

Escalas de corrente alternada: 2A, 10A ou 2, 10.

A seleção entre as escalas pode ser feita através de


uma chave rotativa, chaves de pressão, chaves tipo
H-H ou o multímetro pode mesmo não ter chave
alguma, neste caso falamos que o multímetro digital
é um equipamento de auto-range, ou seja, ele
seleciona a grandeza e a escala que esta sendo
medida automaticamente. Em alguns casos podemos
encontrar multímetros que tem apenas uma escala
para tensão, uma para corrente e uma para
resistência, este tipo de multímetro também é auto-
range, nele não é preciso se procurar uma escala
específica para se medir um determinado valor de
tensão.

Uma coisa muito importante ao se usar um


multímetro digital é saber selecionar a escala correta
para a medição a ser feita. Sendo assim podemos
exemplificar algumas grandezas com seus
respectivos nomes nas escalas:

Tensão contínua = VCC, DCV, VDC (ou um V com


duas linhas sobre ele, uma tracejada e a outra
continua ).

Tensão alternada = VCA, ACV, VAC (ou um V com


um ~ sobre ele).

Corrente contínua = DCA, ADC (ou um A com duas


linhas sobre ele, uma tracejada e uma continua).
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Corrente alternada = ACA (ou um A com um ~ sobre


ele).

Resistência = Ohms,

Para medirmos uma tensão é necessário que


conectemos as pontas de prova em paralelo com o
ponto a ser medido. Se quisermos medir a tensão
aplicada sobre uma lâmpada devemos colocar uma
ponta de prova de cada lado da lâmpada, isto é uma
ligação em paralelo.

Para medirmos corrente com um multímetro digital,


devemos colocar ele em série com o ponto a ser
medido. Se quisermos medir a corrente que circula
por uma lâmpada devemos desligar um lado da
lâmpada, encostar neste ponto uma ponta de prova e
a outro ponta deve ser encostado no fio que soltamos
da lâmpada. Isto é uma ligação em série (é
importante frisar que a maioria do multímetros digitais
só medem corrente contínua, portanto não devem ser
usados para se medir a corrente alternada fornecida
pela rede elétrica. Encontramos corrente contínua em
pilhas. Dínamos e fontes de alimentação, que são
conversores de tensão e corrente alternada em
tensão e corrente continua).

Para medirmos resistência devemos desligar todos


os pontos da peça a ser medida (uma lâmpada
incandescente, por exemplo, deve estar fora do seu
soquete) e encostarmos uma ponta de prova em
cada lado da peça. No caso de uma lâmpada
incandescente encostamos uma ponta de prova na
rosca e outra na parte inferior e metálica do conector
da lâmpada.

Todas estas medidas devem ser feitas com


critério e nunca devemos encostar as mãos em
nenhuma ponta de prova durante uma medida,
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caso isto aconteça corremos o risco de levarmos


um choque elétrico e/ou termos uma leitura
errada. Treine bastante como manipular as
pontas antes de começar a medir tudo por aí.

Uma coisa importante de se perceber é que a grande


maioria dos multímetros digitais tem 3 ou 4 bornes
para a ligação das pontas de prova. Normalmente um
é comum e os outros servem para medição de
tensão, resistência e corrente. A indicação dos
bornes sempre mostra para quais escalas eles
podem ser usados. Preste atenção. Eis abaixo um
exemplo de como eles estão dispostos:

Borne comum, normalmente indicado por COM – é


onde deve estar sempre ligada a ponta de prova
preta.

Borne indicado por V/Ohms/mA – nele deve estar


conectada a ponta de prova vermelha para a
medição de tensão (contínua ou alternada),
resistência

e corrente na ordem de miliamperes.

Borne indicado por A – a ponta de prova vermelha


deve ser ligada nele para a medição de corrente
continua ou alternada (observação: a grande maioria
dos multímetros digitais não mede corrente
alternada, verifique se existe uma escala em seu
instrumento para isto antes de fazer a medição).

O quarto borne em um multímetro pode ser utilizado


para a medição de correntes continuas mais
elevadas, como exemplo, até 10A. Neste caso a
indicação no borne seria 10A ou 10 ADC.

Quando um multímetro apresenta escalas para


medição de capacitância ou ganho (beta) de
transistores normalmente eles tem conectores
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específicos para isto. Estes conectores estão


indicados no painel do instrumento. É bom lembrar
que capacitores devem ser sempre descarregados
antes da medição. Para fazer isto coloque os seus
dois terminais em curto usando uma chave de fenda
(se o capacitor tiver mais de um terminal positivo ele
deverão ser colocados em curto com o terra
individualmente).

Multímetros digitais normalmente mostram uma


indicação que a bateria está se esgotando, isto
normalmente é feito, através de um símbolo de
bateria que aparece continuamente ou que fica
piscando no display. Quando isto ocorrer troque a
bateria, multímetros digitais com bateria “fraca”
costumam apresentar um grande erro em suas
leituras. Caso a leitura precise ser monitorada
durante um longo tempo este problema poderá fazer
com que você acredite que uma tensão, ou corrente,
está variando, quando ela está fixa e é a bateria do
multímetro que está fraca.

A chave de liga-desliga de um multímetro digital pode


ser uma das posições da chave rotativa como pode
ser uma chave ao lado do instrumento. Deixe sempre
desligado o multímetro caso não o esteja utilizando.

A maioria dos multímetros digitais que existem a


venda são chamados de multímetros digitais de 3 ½
dígitos (3 dígitos e meio). Isto quer dizer que ele é
capaz de medir grandezas de até 3 números
completos mais meio número. Vamos exemplificar
para ficar mais fácil:

suponha que você vai medir uma tensão de 1250V


na escala de 1500V, a leitura que aparecerá no
display será de 1250, ou seja:

- primeiro número = 1 - este dígito é considerado ½


dígito pois não pode assumir outro valor maior que 1.
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- segundo número = 2 - este dígito é considerado um


dígito inteiro, pois pode assumir valores entre 0 e 9.

- terceiro número = 5 - este dígito é considerado um


digito inteiro, pois pode assumir valores entre 0 e 9.

- quarto número = 0 - este dígito também é


considerado um digito inteiro, pois pode assumir
valores entre 0 e 9.

Ao ligar um multímetro de 3 ½ dígitos apareceram no


display apenas três dígitos, mas não se assuste é
assim mesmo (caso o tenha ligado em uma escala
de tensão ou corrente, nas escalas de resistência
aparecerá um número 1 no lado esquerdo do
display).

Entendendo os múltiplos e sub-multiplos das


grandezas

Vimos que temos escalas indicadas por diversos


valores: 200mA, 2000mV, 20K, mas o que é isto.

Para explicar vamos estudar uma grandeza por vez:

Tensão elétrica – a tensão elétrica é medida em


volts (V).

Seus submúltiplos são milivolts (mV) e microvolts


(uV).

Seu múltiplo mais usado é o kilo-volt (KV).

Sempre que façamos uma medida menor que 1 volt o


multímetro poderá nos indicar assim:

0,9 ou assim: 900

traduzindo: estamos medindo um valor de tensão de


0,9V, portanto a indicação no display, dependendo da
escala utilizada pode ser 0,9 ou 900.
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Se estivermos em uma escala indicada por mV o


valor apresentado será 900 e corresponderá a
900mV, se estivermos numa escala indicada por volts
o valor será 0,9 e corresponderá a 0,9V.

Veja as comparações abaixo:

1V = 1.000mV = 1.000.000uV

1.000V = 1KV (1 x K = 1 x 1000 = 1.000V).

500V = 0,5KV (0,5 x K = 0,5 x 1000 = 500V).

Quando colocamos a letra K depois de um valor de


tensão estamos multiplicando este valor por 1.000
(mil), é por isto que 1.000 volts é igual a 1KV.

Se você estiver usando um multímetro digital na


escala de 1000V e medir 10V aparecerá no display o
seguinte: 10

Se for na escala de 200V aparecerá o seguinte: 10,0

Perceba que o ponto mudará de posição


dependendo da escala mas a leitura será sempre a
mesma. Este mesmo critério, do ponto mudar de
casa, é usado na medida de qualquer grandeza.

Analise estes exemplos e faça outras leituras para


praticar. Coloque o seu multímetro em uma escala
superior a 200VCA (volts de tensão alternada, que é
a tensão que temos na rede elétrica, tomadas, etc).

Escolha, por exemplo, a escala de 750 VCA e faça a


medição, o que aparecerá? Algo próximo a isto: 127
que você já sabe que é igual a 127 volts alternados.

Veja se o seu multímetro tem uma escala mais baixa


do que 750, porém, superior a 127 VCA. Vamos
supor uma escala de 200 VCA, qual será a leitura

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07/06/2018 TEORIA DO MULTIMETRO DIGITAL - Eng e Prof Mário Goretti

agora? Algo próximo a: 127,1 que você já sabe que é


igual a 127,1 volts alternados.

Qual a diferença de uma escala para a outra? A


diferença está na precisão da leitura. Quanto mais
próximo estiver a escala do valor medido maior a
precisão. Você pode perceber isto no exemplo acima.
Na escala de 750 medimos 127 e na escala de 200
medimos 127,1.

Então é correto se começar a medir pelas escalas


mais baixas?

Não, muito pelo contrário. Se você fizer isto você


corre o risco de danificar o seu multímetro. Sempre
se começa a medição pela escala mais alta e, se for
possível, se abaixa a escala para se ter uma leitura
com mais precisão.

Mas pode-se mudar de escalas com o multímetro


fazendo a medição?

Não, isto pode danificar o seu aparelho. Primeiro se


separa as pontas de prova do lugar medido, depois
se muda a escala e somente agora é que se volta a
fazer a medição, encostando as pontas de prova,
novamente.

O que representa um sinal de – (menos ou negativo)


antes do número no display?

Representa que você ligou a ponta de prova (+)


vermelha no negativo ou vice-versa. Inverta as
pontas e este sinal sumirá.

Corrente elétrica – a corrente elétrica é medida em


Amperes (A).

Seu sub-multiplos são miliamperes (mA) e


microamperes (uA).

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Seu múltiplo mais usado é o kiloampere (KA).

É comum termos em multímetros digitais várias


escalas de mA. As leituras feitas nestas escalas
podem ser lidas diretamente, ou seja, se fizermos um
medição na escala de 200mA e aparecer 45,
estaremos medindo 45mA.

Também é comum em multímetros digitais termos


uma escala separada para a medição de corrente na
ordem de amperes. Se numa escala de 10A
obtivermos a leitura de 2,00 é que estamos medindo
2A. Se nesta mesma escala medirmos 0,950 é que
estamos medindo 0,95A ou 950mA.

Veja as comparações abaixo:

1A = 1.000mA = 1.000.000uA

1.000A = 1KA (1 x K = 1 x 1000 = 1.000A)

500A =0,5KA (0,5 x K = 0,5 x 1000 = 500A)

Da mesma forma que na tensão o K representa o


valor numérico multiplicado por 1.000 (mil).

Se você for medir uma corrente continua de 50mA na


escala de 10A o valor lido será 0,05 que
corresponderá a 50mA. Mas para ter mais precisão é
aconselhável se usar uma escala mais baixa como,
por exemplo, a de 200mA.

Então é correto se começar a medir pelas escalas


mais baixas?

Não, muito pelo contrário. Se você fizer isto você


corre o risco de danificar o seu multímetro. Sempre
se começa a medição pela escala mais alta e, se for
possível, se abaixa a escala para se ter uma leitura
com mais precisão.

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Mas pode-se mudar de escalas com o multímetro


fazendo a medição?

Não, isto pode danificar o seu aparelho. Primeiro se


separa as pontas de prova do lugar medido, depois
de muda a escala e somente agora é que se volta a
fazer a medição, encostando as pontas de prova,
novamente.

O que representa um sinal de – (menos, negativo)


antes do número no display?

Significa que a corrente está circulando, por dentro


do multímetro, no sentido inverso, você deve ter
conectado a ponta positiva no negativo ou vice-versa.

Resistência elétrica – a resistência elétrica é


medida em Ohms ( ).

Seus múltiplos são kiloohms (K ) e megaohms


(M ).

Seu submúltiplo mais usado é miliohms (m ).

1 Ohm = 1.000 m

1.000 Ohms = 1 K

1.000.000 ohms = 1 M

Quando colocamos a letra K depois de um número


estamos multiplicando este número por mil, portanto
470K é igual a 470.000 ohms.

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Quando colocamos a letra M depois de um número


estamos multiplicando este número por 1 milhão,
portanto 10M é igual a 10.000.000 ohms.

Em um multímetro digital a máxima resistência


possível de ser medida por uma escala corresponde
ao valor da escala, assim, se tivermos uma escala de
200 ohms poderemos medir uma resistência com um
valor de 200 ohms para menos. Se medirmos uma
resistência de 100 ohms a parecerá no display o
número 100. Sempre que medirmos um valor maior
do que o máximo valor da escala aparecerá um
numero 1 no lado esquerdo do display. Isto indica
que devemos tentar medir esta resistência em uma
escala maior.

Estas escalas de resistência (preferivelmente a mais


baixa) podem ser usadas para a verificação de curto-
circuitos e de continuidade ou não de interruptores,
fiações elétricas, fusíveis, lâmpadas, trilhas de cobre,
etc. Alguns multímetros tem uma escala que apita
quando sua pontas de prova são encostadas, com
esta escala somos capazes de verificar se pontos
estão em curto ou ligados apenas com o ouvido, sem
a necessidade de olhar para o display.

Em elétrica, na maioria das vezes, mediremos


valores baixos de resistência ou verificaremos se
dois pontos não estão em curto (estaremos então
medindo valores muito elevados de resistência e
devemos usar escalas mais altas. Caso não exista
curto entre os dois pontos um número 1 aparecerá no
lado esquerdo do display).Em eletrônica temos uma
infinidade de valores que podem ser encontrados.

Para utilizar corretamente e com eficiência um


multímetro digital é interessante que você meça
valores de tensão, corrente e resistência conhecidos,
mude de escalas e perceba as diferenças. Preste
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sempre muita atenção no ponto e na escala para


fazer a leitura correta. Lembre-se que:

O ponto mudará de posição dependendo da


escala mas a leitura será sempre a mesma. Este
mesmo critério, do ponto mudar de casa, é usado
na medida de qualquer grandeza.

Observações finais:

Um multímetro digital deve ter no mínimo:

- Escalas para tensão alternada.

- Escalas para tensão continua.

- Escalas para corrente continua.

- Escalas para resistência.

Para a medição de corrente alternada é mais fácil e


prático o uso de alicates amperiométricos que podem
fazer esta leitura sem estar em série com o circuito
(sem interrompe-lo). Uma alicate amperiométrico
digital também terá as mesmas escalas (pelo menos
as 4 básicas: tensão alternada, tensão continua,
corrente continua e resistência) de um multímetro
digital, porém ele possui uma “garra” capaz de
envolver o fio e medir a corrente que circula por ele.
Mas é bom lembrar que este tipo de alicate só mede,
desta forma, corrente alternada. Isto acontece devido
a medição do campo eletromagnético.... mas isto é
uma outra história.

Artigo : Como utilizar um multímetro digital

Autor : José Dirceu

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Se você já descobriu que fio de luz não serve


somente para amarrar cachorro, e que tomada não é
focinho de porco, seu próximo passo no mundo da
eletrônica é aprender a usar um multímetro.

Mas antes de usar o dito cujo, vamos a algumas


lições básicas de física, mais precisamente de
elétrica. Para realizar 90% dos consertos domésticos
você não precisa ser um engenheiro eletrônico.
Basta entender quais as unidades básicas, o que
significam e sua relação. Vamos lá?

Voltagem. Voltagem é a diferença de potencial entre


um ponto e outro. Como sabemos corrente elétrica é
a transferência de elétrons por meio de um condutor
(fio). Os elétrons passam de um lado do fio para o
outro por um simples motivo: os elétrons são
forçados por um campo a caminharem todos em uma
mesma direção forçando sua passagem entre o pólo
com o maior potencial e o pólo com o menor
potencial. É algo como duas caixas d'água ligadas
por um cano. Enquanto houver diferença de nível
entre uma caixa e outra a água vai fluir pelo cano até
atingir este equilíbrio. Assim também é na
eletricidade. Um gerador, uma tomada, uma pilha, na
realidade são geradores de diferença de potencial. A
voltagem é justamente a medida desta diferença.
Quanto maior a voltagem maior a força com a qual os
elétrons tentarão passar pelo condutor. A medida de
voltagem é o Volt, representado pela letra V.

Resistência. Ok, pensemos agora no cano que liga


as duas caixas d'água. Quanto mais espesso este
cano mais água vai poder passar por ele, ou seja,
sua resistência à passagem da água será menor.
Assim também é na eletricidade. Quanto mais
espesso um fio menor sua resistência à passagem
dos elétrons. Mas e se o cano tiver algo impedindo a
passagem da água, algo como uma pedra o algo que
entupa parcialmente o cano? O óbvio: a resistência à
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passagem da água vai aumentar. Na eletricidade


esta pedra no caminho dos elétrons é chamada
resistência, ou seja, é algo que atrapalha a circulação
dos elétrons de um lado para o outro do condutor. A
resistência influencia diretamente no volume de
elétrons que circula pelo fio. A resistência é medida
em Ohms, representada pela letra ômega ()W, do
alfabeto grego.

Intensidade de corrente. O óbvio: é o volume de


elétrons que passa pelo fio. Pela mesma analogia da
água, a intensidade do volume de água que passa
pelo cano depende da diferença de nível entre as
caixas (diferença de potencial) e da resistência do
cano. Na eletricidade a intensidade de corrente
depende da Voltagem entre os pólos do condutor e
da resistência entre estes pólos. A intensidade de
corrente é chamada Amperagem e é medida em
Ampéres, representada pela letra A.

Ok. Fácil! Então vamos para a relação básica da


eletricidade:

V=RxI onde V é a Voltagem, R a Resistência e


I a Intensidade de Corrente

Faça testes:

Se V=220 volts (a tomada da sua casa) e a


resistência de um circuito (fio+resistência) é de 100
ohms, qual será a intensidade de corrente? Resposta
2,2 ampéres. Uma corrente razoável.

Ah! Então quanto menor a resistência maior a


intensidade de corrente? Então se eu ligar um bom
condutor (fio de cobre), que tem uma resistência
baixíssima, entre um pólo da tomada e o outro o
resultado seria uma corrente altíssima? Exatamente!
Isso causaria um grande pipoco que queima tudo,
chamado de curto-circuito. Não tente isso em casa!
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São estas coisas que mediremos em um multímetro:


Voltagem, Amperagem e Resistência. Vamos lá?

1- Familiarizando-se com um multímetro

Multímetro é um aparelho como


este ao lado. Antigamente eles
eram caríssimos. Hoje, em
qualquer bom camelódromo, você
encontra deles aos montes.
Escolha um de boa aparência e
que funcione, pelo menos.

O Multímetro possui contatos


como estes ao lado, onde se
encaixam as agulhas de medição.
A preta vai sempre no encaixe
COM. A vermelha vai depender
do que estamos medindo. No
multímetro ao lado, a vermelha se
encaixa no primeiro contato para
medir-se intensidade de corrente
(amperagem) até 10 ampéres. No
segundo contato encaixa-se a
agulha vermelha caso se queira
medir correntes até
200miliampéres (0,2 ampéres).
No último contato encaixa-se a
agulha vermelha para medir-se
Voltagem e Resistência.

Encaixe as agulhas conforme o


tipo de medição que você vai
efetuar. As agulhas ao lado estão
encaixadas para medir Voltagem
ou Resistência. A vermelha é o

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pólo positivo, a preta, o pólo


negativo.

Fora os encaixes o Multímetro


tem um seletor de funções como
este ao lado. Ele serve para se
escolher o que vai ser medido.
Existe uma regra de ouro para as
medições: começa-se a medição
pela maior escala, e conforme
vamos medindo vamos descendo
a escala em busca da precisão
Como? Exemplo. Ao medir a
voltagem de uma tomada (ACV)
eu inicialmente não sei seu valor.
Por isso eu coloco na maior
escala (750Volts, como na foto ao
lado). Se o resultado da medição
no visor for menor que a próxima
escala (menor que 200V como na
foto ao lado), pode-se mudar o
seletor para a escala de 200V e
refazer a medição. Medir acima
da escala máxima pode danificar
o multímetro.

2- Questões de segurança!

Antes de começarmos a mexer de verdade com


eletricidade vale lembrar: ELETRICIDADE MATA! Por

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isso, se não souber o que está fazendo, não faça.

O corpo é um condutor de energia elétrica.


Dependendo da voltagem da fonte, podemos levar
um choque suficiente para matar. Por isso todo
cuidado é pouco.

Instrumentos movidos à pilha e bateria têm menos


chance de machucar seriamente se houver um
engano pois a voltagem é baixa. As tomadas de
casa, por outro lado, possuem voltagem alta e podem
machucar seriamente.

Alguns aparelhos acumulam energia mesmo quando


desconectados da tomada. Uma televisão, por
exemplo, acumula energia suficiente para eletrocutar
alguém mesmo quando desconectada da tomada.
Por isso, tenha cuidado.

3- Medição de Resistência

Como vimos a resistência é a capacidade que um


material tem de conduzir energia elétrica. Cobre é um
bom condutor de energia elétrica. Borracha é um
péssimo condutor, tão ruim que é usado como
isolante.

A medição da resistência é especialmente útil para


nós para determinar curto-circuito. Um curto circuito
ocorre quando entre um ponto e outro de um circuito
a resistência é próxima de zero. Onde há um curto
circuito, se os pólos deste circuito forem ligados em
uma fonte a tendência é a fonte produzir uma
corrente elevada, danificando-a ou danificando o
circuito (aquele pipoco, lembram?). Ou seja, se
formos ligar uma fonte (pilha, tomada) nos pólos de
um circuito (cabo, etc.) o curto-circuito é indesejável.

Por outro lado, o curto-circuito serve também para


medirmos a continuidade de um cabo. Se medirmos
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em uma ponta e na outra de um cabo, se o


multímetro acusar curto-circuito significa que o cabo
está OK, ou seja, que ele não está rompido.

Vejamos então como medir resistência com um


multímetro.

Ligue o multímetro selecionando


a maior escala de resistência
(letra )W . No multímetro da foto
ao lado pode-se escolher também
a escala de curto, ou seja, aquela
que acende uma luz se houver
curto entre os pólos.

Vamos testar? Ligue o multímetro


na escala de curto (ou qualquer
outro) e encoste as agulhas entre
dois pontos de um mesmo
condutor (usei como exemplo
uma tesoura). Veja que o
multímetro mede uma resistência
no visor próxima a zero e acende
a luz de curto. Se ligarmos estes
dois pontos da tesoura em uma
tomada de 220Volts a corrente
que passaria entre eles seria de
220/1,2 = 183 Ampéres. Com
certeza derrubaria o disjuntor da
sua casa e você levaria um basta
susto com o pipoco (isso é muito
perigoso!)

Mas usemos esta medição agora


para medirmos se dois pinos de

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um cabo não estão em curto.


Coloque o multímetro em posição
de medir curto e coloque os pólos
(agulhas) um em cada pino. Se o
multímetro não medir nada eles
não estão em curto (nem
conectados) se medir algo pode
haver ligações (ou curto) entre os
pinos, dentro do cabo.

Para medir a continuidade de um


cabo coloque a agulha de um
lado e do outro do cabo, nos
pinos que deveriam estar ligados
um ao outro pelo cabo (portanto
em curto) se a luz acender
significa que a continuidade do
cabo está garantida (ele não está
rompido).

E se eu encostar uma agulha na


outra? Simples, o multímetro vai
acusar um curto circuito.

Antes de seguirmos adiante vale aqui mais duas


ressalvas quanto à medições de resistência.

A primeira delas é que o multímetro calcula a


resistência aplicando ao circuito a voltagem da pilha
que tem dentro dele (do multímetro) e medindo a
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intensidade de corrente resultante desta voltagem.


Com estes dois valores ele calcula a resistência,
como vimos lá em cima. Em circuitos muito delicados
esta voltagem aplicada pelo multímetro pode
danificar o circuito. Por isso não use a medição de
resistência em circuitos muito delicados.

A segunda é que não se deve ligar o multímetro em


posição de medir resistência a uma fonte de
voltagem. Ao fazer isso a fonte externa pode
danificar o multímetro seriamente além de causar
perigo a quem o opera.

4- Medição de Voltagem

Mede-se Voltagem de algo que produza uma


diferença de potencial. Uma tomada, uma pilha, uma
bateria, etc. A voltagem é medida entre os pólos
deste gerador. Mas cuidado. Há diferenças entre
tomadas elétricas e baterias. Tomadas elétricas são
geradores de corrente alternada (não têm positivo
nem negativo). Já pilhas e baterias são geradores de
corrente contínua (têm positivo e negativo). Cada um
se mede de um jeito. Medir errado pode queimar o
multímetro ou provocar o famoso pipoco.

Para medirmos corrente alternada


(tomada de casa,
transformadores de 220 para
110V, estabilizadores, etc.)
coloca-se o seletor do multímetro
na escala ACV. Lembre-se:
começa-se a medição pela maior
escala (750Volts, como na foto ao
lado). Se o resultado da medição
no visor for menor que a próxima
escala (menor que 200V como na
foto ao lado), pode-se mudar o
seletor para a escala de 200V e
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refazer a medição. Medir uma


voltagem acima da escala
máxima pode danificar o
multímetro. Coloque as agulhas
uma em cada polo da tomada e
leia o valor da voltagem (em
Volts) no medidor. Lembres-se
que a voltagem da tomada é alta.
Por isso não encoste a mão nos
condutores nem deixe que eles
encostem um no outro.

Para medir a voltagem de uma


fonte de corrente contínua (pilha,
bateria) coloque o seletor em
DCV, encoste a agulha vermelha
no pólo positivo

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