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COLISÃO

NO AR
HELICÓPTERO E
ULTRALEVE

SEGURANÇA
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BRASIL · ANO 25 · Nº 289 · R$ 18,00 · € 4.00
A ÁGUA

AEROPORTOS
EMPRESAS AÉREAS QUESTIONAM NEBLINA
PRIVATIZAÇÕES DICAS PARA VOAR SEM
CONTRATEMPOS

PILOTOS
BRASILEIROS
NA PRIMEIRA
GUERRA

TECNOLOGIA
OS VEÍCULOS
AÉREOS URBANOS

GRIPEN
FÁBRICA
NO BRASIL CAMINHÕES
X AVIÕES
EBACE O IMPACTO DA
OS NOVOS MEGAPARALISAÇÃO
JATOS DE NA AVIAÇÃO
NEGÓCIOS

TURISMO
AERONÁUTICO
ISSN 0104-6233

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E D ITO R I A L

FÉRIAS
EM VOO AERO MAGAZINE
BRASIL · ANO 25 · Nº 289 · 2018

D
onos de aviões e helicópteros sabem que o planejamento DIREÇÃO
Publisher
de voo faz toda a diferença para o sucesso de uma missão. Christian Burgos - christian@innereditora.com.br

Neste período de férias, quando surge a oportunidade Diretora de Operações


Christiane Burgos - christiane@innereditora.com.br
de passear com a família, um dos itens mais importantes é a REDAÇÃO
meteorologia aeronáutica, nosso assunto de capa desta edição. Editor-chefe
Giuliano Agmont - giuliano@aeromagazine.com.br
Fizemos um criterioso levantamento apontando cada um dos Repórter
fenômenos capazes de interferir na viagem de quem pretende voar – Edmundo Ubiratan - edmundo@aeromagazine.com.br

com segurança – pelo Brasil ou para o exterior, nos dois hemisférios. Colaboradores
André Borges Lopes, Ernesto Klotzel, Rodrigo Duarte,
Um genuíno guia turístico aeronáutico. Paulo Marcelo Soares e Marcelo Migueres

O tema segurança é assunto também em mais dois artigos. Um ARTE


Diretor de Arte
que enfatiza a importância de coletes salva-vidas e lutuadores em Ricardo Torquetto - ricardo@innereditora.com.br

voos sobre a água, o que é muito frequente no Brasil, diante dos Assistente de Arte
Aldeniei Flávio Gomes Santos - arte@innereditora.com.br
casos de afogamentos após acidentes. O outro artigo trata das regras PUBLICIDADE / ADVERTISING
de voo visual tomando como base uma colisão no ar entre um publicidade@innereditora.com.br
+55 (11) 3876-8200 – ramal 11
helicóptero e um ultraleve, no Rio de Janeiro. Representante Comercial Brasil e América Latina
Ainda nesta edição, duas coberturas internacionais de peso. Teresa Rebelo – teresarebelo.inner@gmail.com

Fomos a Sydney, na Austrália, para acompanhar a assembleia geral INTERNATIONAL SALES


Estados Unidos
anual da Iata. Lá os executivos das principais empresas aéreas do Inner Publishing - sales@innerpublishing.net
Marketing - marketing@innereditora.com.br
mundo foram unânimes em questionar o formato das concessões FINANCEIRO
de aeroportos à iniciativa privada mundo afora, alegando que financeiro@innereditora.com.br

os governos privilegiam suas receitas financeiras de curto prazo PRODUÇÃO


Baunilha Editorial
em detrimento do controle de custos para operadores dos ASSINATURAS
investimentos de longo prazo. “Há uma crise de infraestrutura”, assinaturas@innereditora.com.br
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diz o CEO da Iata, Alexandre Juniac. Da Europa, trazemos as Distribuição Nacional pela Treelog S.A.
Logística e Distribuição
informações sobre a principal feira de aviação de negócios do ASSESSORIA JURÍDICA
velho continente, a Ebace, com boas novidades, como o anúncio Machado Rodante Advocacia
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dos novos Global 6500 e 7500, da Bombardier. FALE CONOSCO
Não poderíamos deixar de falar da paralisação dos info@innereditora.com.br | + 55 (11) 3876-8200

caminhoneiros que gerou desabastecimento no país e deixou muitos IMPRESSÃO


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aeroportos sem combustível. Mostramos como uma companhia DISTRIBUIDOR EXCLUSIVO PARA O BRASIL
aérea trabalha quando precisa gerenciar a quantidade de querosene Total Publicações

AERO Magazine é uma publicação


em suas aeronaves. A matemática é mais complexa do que parece. mensal da INNER Editora Ltda.
Por im, temos uma reportagem especial sobre os veículos aéreos
www.aeromagazine.com.br
urbanos elétricos, os chamados eVTOL, que prometem invadir as
A Inner Editora não se responsabiliza por opiniões,
principais metrópoles do mundo antes do que imaginávamos. ideias e conceitos emitidos nos textos publicados e
assinados na revista AERO Magazine, por serem de inteira
responsabilidade de seu(s) autor(es).

Bom voo,

Giuliano Agmont e Christian Burgos


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SUMÁRIO 30

22

40

22 E B AC E 2 018 48 IATA AGM 2018

As novidades da maior feira de Empresas aéreas questionam


aviação de negócios da Europa privatizações de aeroportos

30 AVI AÇÃO GERAL 56 AV IAÇÃO REGULAR

Um guia de turismo Como a aviação se comportou


aeronáutico para viajar durante a greve dos caminhoneiros
com segurança durante as férias

40 TE N D ÊN CI A
62 PILOTAGEM

A era dos veículos aéreos Colisão no ar entre


urbanos elétricos, os eVTOL helicóptero e ultraleve abre
debate sobre voo visual
8

66 SEG U R A N Ç A

A importância de coletes e flutuadores SEÇÕES


durante operações sobre a água
08 FIRST CLASS

10 CURIOSIDADES
72 AVI AÇ ÃO M I L I TAR

Saab inaugura unidade de 12 NA REDE


produção do Gripen no Brasil
20 AERO RESPONDE

76 H I STÓ R I A
82 AEROCLICK SPOTTER

Os aviadores brasileiros
na Primeira Guerra
FIRST CL A SS

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8 | MAGAZINE 2 8 9
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MAGAZINE 2 8 9 | 9
POR | E D M U N D O U B I R ATA N
CURIOSIDADES

UM GIRO PELOS AEROPORTOS


Reunimos algumas ótimas histórias sobre as bases terrestres da aviação. Os aeroportos
fazem parte do imaginário coletivo do transporte aéreo tanto quanto os aviões. Eles sempre
tiveram papel decisivo desde o momento em que o voo ganhou protagonismo.

CURVA DE 47 GRAUS UM ATERRO


PARA O POUSO NA CIDADE
Entre 1925 e 1998, o aeroporto de Kai Tak, em Hong Kong, foi MARAVILHOSA
um dos mais famosos do mundo. A aproximação para a pista 13
O aeroporto Santos Dumont foi ide-
se tornou notória por exigir uma pronunciada mudança de rumo.
alizado pelo urbanista francês Alfred
Sua operação só era possível com condições visuais, durante as
Agache e inaugurado em 1936. Para
quais as aeronaves faziam a aproximação através do chamado IGS
sua construção, foi necessário aterrar
(Instrument Guidance System), que, grosso modo, era uma forma
mais de 370.000 m 2 , com o uso de
modificada do ILS. Ao bloquear o Checkerboard Hill, aproado
mais de 2,7 milhões de metros cúbicos
com uma colina, o avião fazia uma curva de 47 graus, sem o uso
de areia. Sua localização se deu na
do piloto automático, para alinhar com a pista 13.
chamada Ponta do Calabouço, onde
no passado escravos eram levados para
serem açoitados. Com a proibição de
punições severas, o Estado brasileiro
optou por criar um local onde os
escravos podiam ser punidos com até
200 chibatadas.

AEROPORTOS
EXECUTIVOS
Há pouco mais de três décadas, o
crescimento da aviação de negócios
obrigou diversas cidades a contarem
com aeroportos dedicados à aviação
geral. Muitos possuem um tráfego de
aeronaves e de passageiros próximo
ao de aeroportos regionais da aviação O QUE O MCDONALD’S
regular. O aeroporto de Sorocaba, TEM A VER COM AVIAÇÃO?
no interior de São Paulo, foi criado
em 1943, mas apenas na última Se hoje o Vale da Califórnia é conhecido pelas empresas de alta tecnologia, até meados da década
década ganhou importância nacional. de 1950 às cidades que o compõem reuniam um sem-fim de pequenos aeroportos. A maioria
Atualmente, é base de apoio da deixou de existir, sem deixar nenhum legado. Porém, o aeroporto de Monrovia inspirou a criação
maioria dos fabricantes da aviação de de um dos maiores negócios da história. Em 1937, o empreendedor Patrick McDonald montou o
negócios que operam no país. Airdrome, uma lanchonete octogonal que vendia hambúrguer por 10 centavos. Com o sucesso do
negócio, ao lado dos filhos Maurice e Richard mudou a loja para San Bernardino, em 1940. Treze
anos depois, o visionário Ray Kroc adquiriu a lanchonete, que se tornou o McDonald’s.

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OS SEQUESTROS TERCEIRA PISTA
E OS DETECTORES EM CONGONHAS
Até meados da década de 1970, os aeroportos não Quando foi construído, o Aeroporto de Congonhas estava
exigiam nenhum tipo de fiscalização para embarque de localizado em uma região remota da capital paulista e
seus passageiros. Bastava se apresentar para o check-in seu projeto contemplava duas pistas paralelas e uma
e depois se dirigir ao avião. Com o aumento exponencial cruzando ambas. Até meados dos anos 2000 era possível
de sequestros nos Estados Unidos, posteriormente no ver o traçado original, com uma pequena saliência na
mundo, os aeroportos passaram a instalar detectores de pista principal.
metais, depois aparelhos de raios X e mais recentemente
scanners corporais.

QUEM FOI PISTAS CRUZADAS


PINTO MARTINS?

O aeroporto Pinto Martins homenageia o pioneiro aviador No pós-guerra os Estados Unidos iniciaram a
brasileiro Euclides Pinto Martins. Em 1922, foi um dos mem- construção de dezenas de grandes aeroportos no
bros da tripulação do voo que ligou as Américas, partindo território continental. Porém, com poucos dados
dos Estados Unidos. Além disso, esteve entre os pioneiros sobre a predominância do vento, os engenheiros
do desenvolvimento de tecnologias aeronáuticas. Pouco optavam por construir aeroportos com pistas que
antes de sua morte, aos 31 anos, tentou explorar petróleo se cruzavam. Isso possibilitava garantir a operação
em solo brasileiro. em diversas condições de vento.

MAGAZINE 2 8 9 | 11
POR | ERNESTO KLOTZEL E EDMUNDO UBIRATAN FACEBOOK.COM/AEROMAGAZINE
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NA REDE
ALTOS
E
BAIXOS
DA EMBRAER

ERJ-145 REVIVE SEGUNDO ACIDENTE


A regional norte-americana que somam 43 aeronaves em Aconteceu de novo. Durante
Piedmont Airlines está serviço. A chegada dos ERJ- a realização dos ensaios inais
desativando seus últimos 145 marca a sexta transição da da campanha de certiicação, o
turbo-hélices Dash 8 e promete Piedmont para novas aeronaves primeiro protótipo do Embraer
substituí-los pelos brasileiros desde 1962. A última mudança na KC-390 sofreu novo incidente,
Embraer ERJ 145. A companhia frota ocorreu em 1985, quando desta vez quando realizava
aérea, que opera os voos substituiu os turbo-hélices de testes de prova em solo, em
regionais da American Eagle, Havilland Canada DHC-7 pelos maio último. O avião saiu
utilizada os turbo-hélices Dash atuais Dash 8. O processo de da pista em Gavião Peixoto
8 nas principais rotas de baixa substituição da frota contará com (SP) e sofreu danos extensos
densidade, especialmente em aeronaves ERJ-145 disponíveis no nos três trens de pouso e
voos para pequenas cidades do mercado, marcando a primeira avarias na parte estrutural da
interior dos Estados Unidos. A grande modernização de frota fuselagem. A mesma aeronave
empresa deverá aposentar todos com modelo brasileiro após ter quase caiu ao apresentar
seus Dash 8-100 e Dash 8-300, sido retirado de produção. uma falha em voo no inal
de 2017. Toda a atenção da
comunidade internacional se
volta particularmente para
SOROCABA CERTIFICADO a tecnologia ly-by-wire, um
dos principais patrimônios
O centro de serviços da Embraer Sorocaba é o primeiro centro de tecnológicos da Embraer,
no aeroporto de Sorocaba, no serviços da Embraer no mundo usada em todas as suas linhas
interior de São Paulo, recebeu a ser autorizado e homologado a de produtos. O sistema
da Anac e da EASA certiicação realizar manutenções nas aeronaves resguarda o envelope de voo,
para realizar manutenções do E2 em operação. Além disso, traz ou seja, automaticamente
novo E190-E2, homologando a uma mudança para as instalações impede que o jato assuma uma
unidade a oferecer suporte aos de Sorocaba, que eram dedicadas condição de risco de estol.
clientes brasileiros e europeus. apenas à aviação de negócios.

12 | MAGAZINE 2 8 9
VOO MAIS LONGO DO MUNDO
O novo A350 XWB de alcance ultralongo completou seu 9.700 nm (17.964 km). Com a modiicação no sistema
primeiro voo. A nova versão terá um alcance superior a de tanques, foi possível aumentar a capacidade total de
qualquer outra aeronave comercial e deverá ser entregue combustível sem a necessidade da instalação de tanques
à Singapore Airlines no segundo semestre de 2018. adicionais, o que reduz o peso e o custo. O A350 XWB
A nova versão, baseada no A350-900, equipada com Ultra Long Range pode voar até 20 horas sem escalas,
motores Rolls-Royce Trent, recebeu um novo sistema de permitindo ligar de forma direta Cingapura a Nova York,
combustível que permite transportar mais 24.000 litros nos Estados Unidos, que deverá voltar a ser o mais longo
de querosene, o que signiica estender o alcance para voo comercial sem escalas do mundo.

PONTE ENTRE COREIAS


Após o histórico encontro entre
os líderes da Coreia do Sul e a do
Norte, em abril, a ICAO conirmou
que o regime do ditador Kin jong-
un enviou um pedido para operar
uma rota regular entre Pyongyang
e Seul. O voo deverá ser operado
pela companhia norte-coreana Air
Koryo, em viagens regulares entre
as duas capitais. Caso aprovada,
será a primeira ligação regular entre
os dois países desde a divisão do
território coreano, há quase 70 anos,
logo após o im da Segunda Guerra.
Nos anos 2000, as duas Coreias
realizaram voos fretados entre as
duas capitais, que foram cancelados
em meados de 2008 com o aumento
das tensões entre ambos os países.

MAGAZINE 2 8 9 | 13
NA REDE
AS FACES DA AIRBUS

50 ANOS...
A Airbus Helicopters está comemorando e voo pela primeira vez no
em
os 50 anos de existência do emblemático protótipo #2 do Gazelle, da Sud Aviation,
Fenestron, o rotor de cauda carenadoo depois integgrada ao primeiro protótipo do
utilizado por parte das aeronaves do fabricante Dauphin. N Nos anos seguintes, a coniguração
europeu. Desenvolvido pela então Su ud Aviation, tornou-se padrão
pa em diversos helicópteros dos
a solução Fenestron substituiu o tradicional rotor fabricantes que surgiram da Sud, incluindo a
de cauda (aberto e composto por duas, três ou quatro Aerospatiale, a Eurocopter e agora a Airbus Helicopters.
pás) por um rotor fechado que dá uma nova estética Uma segunda geração, em materiais compostos, com
à empenagem. Porém, a grande solução foi criar um um diâmetro 20% maior, foi lançada no inal dos anos
sistema composto por várias pás que, além de reduzir 1970. A terceira geração, instalada no H135, atenuou
o ruído, aumentava a performance e a segurança ainda mais o nível de ruído, com um rotor de pás
para pessoas em terra e para o próprio rotor em voo. assimétricas. Atualmente diversos projetos, inclusive na
Inspirada nos turbo fan e chamada originalmente modernização do H145, passaram a utilizar o conceito
Fenestrom (pequena janela), a tecnologia foi usada Fenestron.

MAIOR OPERADOR DO A320


CSERIES RENDE FRUTOS
A Luthansa realizou mais uma encomenda para a
Desde que foi adquirido pela Airbus, o família A320, ampliando o total de encomendado
programa CSeries acumula uma série para 122 unidades do A320neo e outras 273 do
de bons resultados. O mais recente A320ceo. Com um total de 395 aeronaves da família
é a encomenda de 30 aeronaves do A320 encomendadas, a aérea alemã se torna a maior
modelo CS300 pela Air Baltic, da cliente do modelo no mundo, atingindo um total com
Letônia. A empresa ainda possui mais de 450 aviões da família A320, superando assim
uma carta de opções para mais 30 a norte-americana American Airlines, que possui
aeronaves. A expectativa é que os 394 aeronaves da família A320 em serviço, sendo
primeiros aviões comecem a ser 219 apenas do modelo A321, o que a torna a maior
entregues no início de 2019. A Air operadora do modelo. A China Eastern Airlines detém
Baltic foi o cliente lançador do CS300, a segunda maior frota da família A320, com mais de
tendo atualmente oito aviões em 280 aviões em serviço. Contudo, possui a maior frota
serviço, além de previsão de receber em operação do A320, com 178 aviões. Atualmente, a
outros doze até o inal de 2019, além Luthansa é a sexta colocada, com pouco mais de 160
dos inclusos no novo pedido. modelos da família A320 em serviço.

14 | MAGAZINE 2 8 9
ETERNA GUERRA COMERCIAL
Uma decisão da Organização governos de Alemanha, abre caminho para possíveis
Mundial do Comércio (OMC) Espanha, França e países sanções de Washington
encerra disputa de 14 anos, do Reino Unido, aceitou sobre a União Europeia,
mas acirra disputa entre alterar subsídios aplicados a ampliando as mudanças na
Estados Unidos e Europa em empréstimos tomados para política externa e econômica
torno dos inanciamentos de desenvolver os modelos A380 do país promovidas pela
aeronaves. A Airbus informou e A350 XWB. A decisão em gestão Donald Trump. Como
que, juntamente com os prol dos norte-americanos contra-ataque, a União
Europeia espera decisão
semelhante, até o inal do
ano, em um processo no qual
a Airbus questiona o apoio
do governo dos Estados
Unidos aos programas
dos jatos 777 e 787. O
processo tem aumentando a
perspectiva de uma batalha
por sanções. A expectativa
da Boeing é que o
recurso seja decidido
a seu favor ainda
neste ano ou no início
de 2019, enquanto a
Airbus acredita que poderá
comprovar uma concorrência
tributária desleal.

VOO SUPERSÔNICO MAIS FLEXÍVEL


A FAA contemplou algumas realização de testes supersônicos
mudanças para permitir o sobre o continente. As duas
desenvolvimento de voos novas regras propostas serão
supersônicos civis. Entre publicadas no próximo ano,
elas estão a certiicação do mas devem manter a proibição
nível de ruído para aeronaves de voos regulares supersônicos
supersônicas e a facilitação para sobre o país.
obtenção de autorizações para

MAGAZINE 2 8 9 | 15
UM GIRO PELAS OFICINAS
NA REDE

REPAROS IRREGULARES NOS ROBINSON


A Robinson Helicopter emitiu um quaisquer pás fabricadas pela Robinson
alerta emergencial para o Brasil (incluindo as part number A016-4, C016-
após receber relatos de que pás 2 e C016-5) com sinais de descolamento
do rotor principal de helicópteros não podem ser reparadas e devem ser
R22 e R44 estão sendo reparadas imediatamente retiradas de serviço. O
e voltando ao voo depois de comunicado alerta de maneira enfática
aapresentarem descolamento. Ainda que qualquer pá do rotor principal que
de acordo com a Robinson, tais tenha sofrido reparo não autorizado não
reparo
reparos são expressamente proibidos e possui capacidade para operar. “O reparo
não foram autorizados, podendo levar não autorizado pode levar a um acidente
a situações catastróicas. Pelo boletim, fatal”, diz o documento.

É PROPRIETÁRIO
AIR INDIA NO CHÃO DE PC-12?
A principal empresa aérea da Índia, a Air India, A Pilatus acaba de criar um
paralisou parte da frota por novo plano de manutenção e
falta de dinheiro para inspeção. Os engenheiros do
manutenção, mesmo fabricante suíço desenvolveram
tendo lucro. O governo e certiicaram um modelo
indiano procura que estende os intervalos do
interessados em monoturboélice de 100/150
adquirir 76% de horas para 300 horas, o que
participação na signiica uma redução de
companhia, mas custo de mão de obra para
reconhece que as manutenção programada. Serão
dívidas desencorajam 20% para quem voa em média
potenciais 300 horas/ano ou 25 horas/
compradores. mês e 40% para quem voa mais
de 800 horas por ano. A nova
política de manutenção também
fornece tarefas pré-estabelecidas
em seis intervalos diferentes,
considerando horas de voo (FH)
ou meses do calendário (MO),
M XEQUE
F-35 EM o que ocorrer primeiro: 300 FH,
300 FH/12 MO, 600 FH, 600
O Departamento de Defesa
FH/12 MO, 1.200 FH/ 12 MO e
dos Estados Unidos suspendeu
2.400 FH/12 MO.
a aceitação de um novo lote
do F-35 Lightning II, até
que haja acordo de uma
questão contratual
com a Lockheed
Martin. O embate
contratual se dá em torno do
pagamento por manutenção.

16 | MAGAZINE 2 8 9
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NA REDE

GIGANTE DESMONTADO
Com a paralisação dos primeiros
A380, uma empresa alemã de
investimentos promete desmontar
dois aviões para o aproveitamento
de suas peças. Os motores já
foram arrendados ao fabricante
Rolls-Royce, para serem usados
como sobressalentes.

OFENSIVA
ORIENTAL

CONCORRENTE DE
MENOS ITENS OCIDENTAIS
BOEING E AIRBUS
O desenvolvimento do primeiro avião Com a mudança na com a francesa Safran.
de grande porte chinês, o CR929, tem política russa em relação A russa Aviadvigatel que
parceria da Rússia. O modelo, que a parcerias ocidentais, produz os motores PD-14,
deverá competir no mercado do Airbus a Sukhoi Superjet, que são uma das opções
A330neo e do Boeing 787 Dreamliner, que detém o controle de motorização para o
está sendo desenvolvido entre a chinesa do projeto SSJ100, Irkut MC-21, propôs um
Comac e a russa UAC. Um dos destaques anunciou que busca um modelo menor, designado
do CR929 é sua capacidade, que deverá parceiro local para o PD-10, para equipar o
ser, segundo a Sukhoi, de 281 assentos desenvolvimento de um novo Superjet. O passo
em três classes. Isso coloca o avião sino- novo motor para o avião. seguinte seria substituir
russo basicamente no mesmo mercado Atualmente, o SSJ100 é outros sistemas ocidentais,
do A330-900, que na coniguração equipado com os motores incluindo a suíte de
sugerida pela Airbus pode transportar SaM146, produzido pela aviônicos desenvolvida
287 passageiros em três classes. russa PowerJet em parceria pela Honeywell.

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A E RO R E S P O N D E
O QUE MUDA NA MINHA OPERAÇÃO

NO INVERNO?
O planejamento de voo deve levar em consideração um dos
maiores responsáveis por atrasos nos aeroportos das regiões
Sul, Sudeste e até Centro-Oeste do Brasil, o nevoeiro

odo ano passamos por São José dos Campos e Campinas.

T quatro estações climáti-


cas que trazem consigo
diferentes desaios para
aqueles que se deslocam
pelo meio aéreo. Diante da chegada
do inverno, pilotos e passageiros de-
vem estar cientes de que nem sempre
Na prática, isso signiica que em dias
e locais onde ocorrem nevoeiros, o
voo poderá não ser completado.
Esse tipo de situação exige um
maior planejamento dos pilotos e
uma clara e eicaz orientação aos
passageiros. Às vezes, realizar o voo
os voos poderão ser cumpridos nos no dia anterior no inal do dia ou à
horários planejados. noite, ou remarcar o voo para um
Com a amplitude térmica normal horário mais tarde, pode fazer com
desta época do ano, os dias quentes que não haja surpresas, pelo menos
contrastam com as noites frias e é por esse motivo, na hora de atender
justamente quando se baixa a tempe- a um compromisso mais distante.
ratura – com umidade do ar próxima Em linhas gerais, o nevoeiro
ou superior a 90% e ventos fracos se dissipa por volta das 09 ou 10
ou calmos –, é que se forma essa ca- horas da manhã, mas isso não é
mada baixa de nuvem, restringindo uma ciência exata. O que jamais
a visibilidade para menos de 1.000 poderá ser feito é forçar a barra e
metros horizontais. tentar realizar um voo sem que as
Em muitos aeroportos sem pro- condições mínimas de operação
cedimentos de pouso por precisão, e segurança sejam satisfeitas. Boa
onde não é possível a operação parte dos acidentes da aviação
com mínimos meteorológicos bem geral tem como fatores contri-
baixos, a decolagem ou pouso icam buintes situações de teto baixo no
inviabilizados. Normalmente, com aeroporto de destino ou desorien-
o nascer do sol e o aquecimento da tação espacial em voo visual entre
atmosfera, o nevoeiro se dissipa, mas nuvens. Os nevoeiros intensificam
há regiões em que ele ica presente essa situação.
por vários dias seguidos. As regiões Sul, Sudeste e
No estado de São Paulo (o mais Centro-Oeste são mais suscetí-
rico e com maior movimento aéreo veis a essas variações climáticas.
do Brasil), somente quatro aeropor- As informações meteorológicas
tos possuem aproximação por pre- disponíveis e as previsões cada vez
cisão com mínimos meteorológicos mais eficientes podem indicar qual
reduzidos: Congonhas, Guarulhos, a melhor decisão a ser tomada.

MAGAZINE 2 8 9 | 21
E B AC E 2018

NOVIDADES NO
VELHO CONTINENTE
Maior feira de aviação de negócios na Europa antecipa
lançamentos e aponta para uma reação do
mercado de aeronaves novas
POR | EDMUNDO UBIRATAN
de aeronaves privativas. Parado-
xalmente, mesmo em um período
marcado por redução nos negócios
na Europa, de acordo com a
Wealth-X, o continente assistiu a
um crescimento de 9% no número
de bilionários apenas entre 2016
e 2017. Demonstrando o poten-
cial de crescimento do segmento.
Porém, ao contrário de mercados
como o do Oriente Médio, onde
as novas gerações de bilionários
consomem exageradamente, o
mercado europeu assiste à ascensão
dos chamados millennials, jovens
com idade de até 38 anos, que ize-
ram fortuna e possuem preocupa-
ções e ansiedades diferentes da de
seus pais e avós. Preocupação com
custos está no mesmo patamar de
impacto ambiental, responsabilida-

A
Europa tem a segun- diversas rotas na Europa. Foram de social e real necessidade de cada
da maior frota de 37 aeronaves novas entregues em item a bordo.
aviação de negócios 2017, ante 76 em 2008.
do mundo, com Para muitos, o fato de diversos PILATUS PC-24
aproximadamen- fabricantes apresentarem em A suíça Pilatus é um dos fabri-
te 2.700 jatos, atrás apenas dos primeira mão na Ebace deste ano cantes com maior expectativa
Estados Unidos. Entre os turbo- seus lançamentos é um sinal de para o crescimento do mercado
-hélices, o velho continente ocupa coniança no ressurgimento do europeu. Podendo ser considera-
a terceira posição global, com 900 mercado europeu, que, na última da a anitriã da Ebace, a Pilatus,
unidades. Na última década, os década, sustentou-se com uma com os quatro primeiros PC-24
europeus absorveram 20% das boa base instalada de aeronaves já em serviço, diz estar preparada
entregas de jatos de negócios e graças a crises no restante do para entregar de 23 a 24 unidades
13% dos turbo-hélices do mundo, mundo, o que permitiu a compra do novo modelo este ano, passan-
o que ajuda a compreender a de aeronaves com pouco uso e va- do a 40 em 2019 e chegando a 50
importância da Ebace 2018. lores historicamente muito baixos. aviões por ano a partir de 2020.
Após os efeitos em cadeia Um dos entraves para os O jato leve promete revolucionar
iniciados em 2008 no mercado fabricantes era justamente a oferta a aviação de negócios, oferecen-
global, a Europa mergulhou em de aeronaves usadas. Ao contrá- do ao operador a capacidade de
sua mais grave crise inanceira rio de mercados como asiático e pousar e decolar de pistas não
e humanitária desde o im da árabe em que o comprador possui preparadas e curtas. Embora os
Segunda Guerra. A demanda por preferência por modelos novos, o aviões em serviço já possuam
negócios caiu signiicativamente, europeu historicamente não pos- condições de operar em pistas
impactando na compra de aviões sui restrições a produtos usados não pavimentadas, a Pilatus pro-
novos. Em 2008, na pré-crise, o com preços abaixo da média. mete demonstrar o potencial do
mercado europeu adquiriu 339 Após um crescimento constan- PC-24 oicialmente. A empresa
jatos de negócios diretamente dos te do PIB na última década, com espera realizar operações do novo
fabricantes. Nove anos depois, fo- a União Europeia registrando alta jato em pistas de grama e terra
ram apenas 121 aviões. Pior cená- de 2,4% em 2017, a demanda por nas próximas semanas.
rio se deu entre os turbo-hélices, negócios aumentou consideravel- Ainda que essa certiicação
considerados fundamentais para mente, exigindo a retomada do uso não seja exigida, autoridades e

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alguns compradores solicitaram Europa, graças a sua cabine larga 6500 oferecem ao menos 500 nm de
a comprovação técnica de o e alcance que permite atingir alcance adicional, bem como uma
avião e o motor operarem nessas basicamente qualquer destino economia de 13% em combustível.
condições. A Pilatus está testando entre os 28 países-membros da Segundo o fabricante, o Global
operações em pistas de terra e comunidade europeia. 5500, com 5.700 nm de alcance,
grama em combinação com apro- Outro bem-sucedido modelo poderá voar de São Paulo a Paris
ximações íngreme. A capacidade da Bombardier é o Global 6000, o sem escalas, enquanto o Global
de operar em condições extremas que levou o fabrciante canadense 6500 poderá ligar Londres a Hong
para um avião de negócios torna a lançar durante a Ebace os novos Kong em voo direto, com alcance
o PC-24 um potencial recordista Global 5500 e Global 6500. Basea- de 6.600 nm. Mais um destaque é o
de vendas na Europa, onde uma dos nos antecessores Global 5000 incremento no alcance de até 1.300
série de pistas curtas não permi- e 6000, os novos aviões recebem nm quando operando em condi-
tem operação de jatos, o que o melhorias como cabines redese- ções de clima quente e elevada alti-
coloca em posição de destaque. nhadas, asas aprimoradas, novos tude, graças aos novos motores com
O primeiro PC-24 de produção, motores Rolls-Royce e alcance maior empuxo e eiciência. Um
entregue ao operador PlaneSense ampliado, e podem ser certiicados dos destaques da performance para Bombardier
em fevereiro, havia registrado até a no próximo ano. ambos os aviões será a capacidade apresentou o
Ebace cerca de 300 horas de voo. Comparados com os modelos de operar em aeroportos restritos, primeiro Global
Ainda sobre a Pilatus, os existentes, os novos Global 5500 e como London City. 7500 na Ebace
PC-12 equipados com cinco pás,
da MT Propeller, acumularam
100.000 horas de voo. Segundo
o fabricante, o novo sistema
propulsor oferece um incremento
no desempenho de decolagem,
reduzindo em até 15% o com-
primento de pista necessário
e subida até 10% mais rápida,
melhorando em 4 nós a velocida-
de de cruzeiro. Além disso, por
sua maior eiciência, o modelo
obteve maior redução na vibração
interna, colocando o avião em
um nível de vibração semelhante
ao de um jato leve.

BOMBARDIER
GLOBAL 5500 E 6500
A canadense Bombardier é uma
das mais otimistas com a retoma-
da do mercado europeu. Além de
possuir no continente uma série
de fornecedores, e agora contar
com sociedade com a Airbus no
CSeries, a Europa continua sendo
seu segundo principal mercado,
representando 25% das entregas,
perdendo apenas para os Estados
Unidos. A família Challenger
300/350 continua sendo o prin-
cipal produto do fabricante na

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A Gulfstream O interior foi redesenhado, conta com um núcleo completa- para fornecer a melhor disponi-
deve receber recebendo assentos com nova mente novo, baseado nas recentes bilidade do motor. A turbina de
nos próximos arquitetura e tecnologias exclusivas, tecnologias do programa de de- baixa pressão possui três estágios
meses a que prometem elevar o conforto e monstração Advance 2. Segundo e foi construída em materiais
certificação dos
novos G500 e movimento sem maiores esfor- o fabricante, o motor possui um avançados, permitindo ao motor
G600 ços. O objetivo é proporcionar a novo compressor de alta pressão trabalhar com maior temperatura,
máxima ergonomia atendendo às de 10 estágios com seis estágios o que, aliado ao eixo de maior
necessidades de voos ultralongos. das aletas e discos de titânio com- eiciência, aumenta a capacidade
Outra novidade na nova arquite- binado com materiais avançados, de transmitir maior potência ao
tura, batizada Nuage, é a espregui- permitindo alcançar temperaturas fan. Ligas avançadas de níquel e
çadeira que se converte em uma mais altas e taxas de pressão mais revestimentos cerâmicos especiais
superfície plana, permitindo ao elevadas e, assim, melhorar a per- oferecem ainda maior eiciência
passageiro dormir completamente formance e a eiciência do motor. energética e aerodinâmica, de
na horizontal ou realizar refeições, Uma nova turbina de alta acordo com a Rolls Royce. O
ao estilo banquete, ao redor da pressão de 2 estágios foi proje- motor conta com 15.125 lbf (ISA
mesa. Para os pilotos, os dois aviões tada especialmente para o Pearl +15), com by-pass ratio de 4.8:1
receberão a suíte Bombardier 15, fornecendo aerodinâmica e overall pressure ratio de 43:1, o
Vision, que apresenta o primeiro aprimorada e melhor resfriamen- que o torna um dos mais avança-
sistema de visão combinada (CVS). to, incorporando um sistema de dos e eicientes do mercado.
Um dos destaques do lan- arrefecimento de caixa totalmente
çamento dos novos aviões foi o modular, visando incrementar a GULFSTREAM G500 E G600
anúncio da Rolls-Royce dos mo- eiciência e reduzir o consumo de A Gulfstream deve receber nos
tores Pearl 15, que devem equipar combustível. O sistema de mo- próximos meses a certiicação dos
os dois novos Global. Baseado nas nitoramento do motor está entre novos G500 e G600, que estão
últimas inovações desenvolvidas os mais avançados do mundo, em fase inal da campanha de
pelo fabricante britânico para contando com uma tecnologia in- ensaios em voo. Atualmente, os
a aviação comercial, o Pearl 15 teligente capaz de tomar decisões dois modelos estão realizando

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os ensaios de funcionalidade e categoria, e o bagageiro pressu- da suíte EASy, baseada na platafor-
coniabilidade, a última etapa do rizado possui 4,4 m³. ma Honeywell Primus Epic.
programa de certiicação. Até o A Dassault optou pelos mo-
momento, os protótipos voaram tores Pratt & Whitney PurePower CESSNA DENALI
mais de dois terços das 300 horas PW812D, que contam com a A Textron Aviation anunciou na
estabelecidas para conclusão do mesma tecnologia da série Pure Ebace que a produção do primei-
programa. A expectativa é rece- Power utilizada nos novos Airbus ro protótipo do Cessna Denali
ber na sequência a certiicação de A320neo, CSeries e Embraer E-Jet está em andamento, dentro do
FAA e EASA. E2, que melhoram a performance prazo estimado. O fabricante está
Os dois novos aviões pos- e reduzem drasticamente o ruído utilizando uma série de novas Ebace
suem grandes perspectivas para interno e externo, assim como o tecnologias de automação e apresentou
o mercado europeu, atendendo consumo. O alcance será de 5.100 robótica na produção da Denali, na Europa
às necessidades de usuários que nm voando Mach .85, o que o o que deve aumentar a qualidade os principais
necessitam voar entre os países da torna um potencial rival para os e a eiciência do produto na linha novidades do
mercado como
comunidade europeia, ao mesmo modelos norte-americanos no de montagem. Embora o avião o Falcon 6X e
tempo que permitem voar para mercado europeu. A cabine de pi- tenha construção metálica, a Denali
destinos intercontinentais. Embo- lotagem receberá a terceira geração Textron busca melhores soluções
ra a Gulfstream não comente pla-
nos para o futuro, nem mesmo se
algumas das tecnologias desenvol-
vidas para a família G500 e G600
podem ser adicionadas ao G650,
comenta-se no mercado que o
fabricante poderá desenvolver nos
próximos anos um projeto entre o
G280 e o G500.

DASSAULT FALCON 6X
Além de levar para a exposição
estática o Falcon 8X, o Falcon
2000LXS e o Falcon 900LX, a
Dassault concentrou esforços
na promoção do recém-lançado
Falcon 6X. O novo jato do fabri-
cante francês, lançado logo após
o cancelamento do programa
Falcon 5X, em decorrência de
problemas dos motores Silver-
crest, apresentou uma série de
melhorias nos quesitos conforto
e aerodinâmica. Atendendo a
pedidos dos principais clien-
tes do próprio Falcon 5X e de
demais modelos, a Dassault re-
desenhou toda a fuselagem, que
recebeu uma seção transversal
de 2,58 m de largura e altura
de 1,98 m, ampliando o espaço
interno. O volume da cabine é
de 52,3 m³, um dos maiores da

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Família TBM de montagem que permitam o andamento do programa dentro A cabine dos TBM, recém-re-
recebeu opção não apenas baixar os custos de do cronograma esperado. O pos- estilizadas, receberam melhorias
de aquecimento
produção, mas também melhorar sível cancelamento do programa em acabamento e opções de mate-
individual dos
bancos a performance da aeronave. será um duro golpe nas ambições riais. Outras novas características
Atualmente, o fabricante da Cessna em possuir um avião de dizem respeito mais diretamente
trabalha na produção da seção cabine larga, que, pela segunda vez aos pilotos, que se beneiciarão
de nariz, fuselagem, asas e cone consecutiva, enfrenta problemas. com melhorias no sistema de
traseiro dos três primeiros pro- Em 2008, o Citation Columbus iluminação do console central,
tótipos, enquanto uma equipe de teve seu desenvolvimento cance- complementando a cabine de co-
engenheiros conduz os ensaios lado por problemas relacionados mando e os painéis de fusíveis. A
estáticos de diversos sistemas. O `a crise econômica mundial. Além bússola standby da aeronave tam-
primeiro voo é estimado para o disso, a Textron recentemente en- bém foi alterada para uma posição
início de 2019. A Textron acredita cerrou a produção do monomotor ergonomicamente melhor.
no potencial do Denali especial- Cessna TTx, que mesmo com ele-
mente na Europa. Com valor vada performance não conseguiu HONDAJET ELITE
de US$ 4,9 milhões, o modelo é viabilizar suas vendas. Quem também anunciou me-
ligeiramente mais caro do que lhorias no projeto foi a Honda
bimotores a pistão, mas oferece TBM 910 E 930 Aircrat, que apresentou o
maior conforto interno, menores A Daher manteve sua campanha HondaJet Elite. A nova versão
custos operacionais e velocidade de vendas para a família TMB substituirá o atual HondaJet. O
superior, segundo a Cessna. 910 e TBM 930. O destaque foi novo modelo oferece uma série
O Denali e o novo Cessna a promoção da opção de aque- de aprimoramentos em relação
SkyCourier são as apostas da cimento elétrico dos bancos, ao modelo original. O destaque
Textron para o mercado, enquanto o primeiro oferecido para um é o alcance ampliado em 17%,
aguarda o desfecho para o progra- monoturboélice. Enquanto o pi- passando para 1.437 nm com
ma Citation Hemisphere, que foi loto estiver realizando o controle quatro passageiros. A carga útil
suspenso por problemas com o mestre de aquecimento da cabine, também subiu de 1.542 kg para
motor Silvercrest, da francesa Sa- os passageiros poderão selecionar 1.645 kg, enquanto a capacidade
fran. O motor, que inviabilizou o nos próprios assentos o nível de de combustível passou de 1.290
programa Falcon 5X, impactou na aquecimento, leve ou moderado, kg para 1.337 kg. A performance
continuidade do projeto original para melhorar o ambiente térmi- de decolagem também recebeu
do Hemisphere, impossibilitando co na cabine. aprimoramentos. Em condição

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ISA, com quatro a bordo, o avião
agora pode utilizar 1.196 m de
pista na corrida de decolagem.
A Honda ainda inseriu algu-
mas melhorias na suíte Garmin
3000, como controle automático
de estabilidade, proteção de
ângulo de ataque, capacidade de
calcular a distância de decola-
gem e display touchscreen, in-
cluindo novas telas com formato
40/60 no PFD e MFD.

NOVOS INTERIORES
EMBRAER
A Embraer teve como destaque o
anúncio da melhoria de interiores
e opções de serviços para sua
frota de aviões de negócios. O
fabricante brasileiro escolheu a melhorias para a cabine e cockpit Além de apostar em novas Ebace reúne
tecnologia de banda Ka da Viasat para os Legacy 450 e 500, incluin- tendências, a Airbus anunciou que segmentos
diversos como
para a conectividade de alta velo- do novos assentos que possuem está implementando uma série
linhas leves
cidade e capacidade nos Legacy encostos de banco redesenhado processos para reduzir os custos de no caso do
450 e Legacy 500. A solução da e o novo apoio de cabeça. Outras operação da família ACJ. A plata- HondaJet
Viasat estará disponível a partir melhorias para a família incluem a forma Skywise de coleta e análise de até aviões
do segundo trimestre de 2019 melhor altitude de cabine da cate- dados foi desenvolvida para auxiliar corporativos
nos aviões novos e também será goria (5.800 pés) e preparação para no planejamento dos serviços de como o ACJ
oferecida nos centros de serviços o FANS (Future Air Navigation manutenção e um novo programa
da Embraer para aeronaves já em System) que será utilizado pelos dedicado a operadores com baixa
operação. A expectativa é a de Estados Unidos. utilização (menos de 1.000 horas/
que a velocidade do serviço de ano) poderá estender os cronogra-
conectividade da Viasat chegue a AIRBUS COM HOLOGRAFIA mas de manutenção. Os checks A
16 Mbps, podendo ser ampliada Um dos destaques tecnológicos passam de semestral para anual; e os
conforme a expansão da rede de da Ebace 2018, a holograia mos- checks C passam para quatro anos,
satélites utilizados pela Viasat. trou seu potencial para a aviação, enquanto as veriicações estruturais
Essa solução em banda Ka é com- sonho da icção cientíica desde passam de seis anos para cada doze.
plementar ao sistema de conec- os anos 1960. A Airbus Corpo- O mercado de corporate jets
tividade AVANCE L5 da Gogo, rate Jets anunciou que a nova continua aquecido, o que tem
já instalado na família Legacy cabine Harmony, que está sendo atraído também atenção da Boeing
450 e Legacy 500, que oferecem estudada para os modelos ACJ, Business Jet, que manteve a cam-
velocidades superiores de acesso poderá contar com um mapa de panha de venda de seus projetos
à internet via redes 4G, e taxa de voo holográico e tridimensio- BBJ MAX, e de derivados de aviões
recebimento de dados de até 9.8 nal. A proposta é que um globo de grande porte, como o 787, 777
Mbps com cobertura no Estados terrestre seja apresentado na en- e 747-8. A melhora na economia
Unidos continental, áreas do trada da cabine e, durante o voo, global pode permitir diversos países
Alasca e Canadá. o passageiro poderá observar o atualizarem suas frotas governa-
Em 2017, a Embraer também andamento da viagem. Será pos- mentais, substituindo modelos des-
anunciou a escolha da Honeywell sível movimentar o globo com as tinados ao transporte presidencial,
para prover conectividade de da- mãos, observando em detalhes na maioria dos casos derivados de
dos no Lineage 1000E. A empresa o terreno sobrevoado e o mapa aviões dos anos 1980, por aeronaves
ainda apresentou uma série de da rota. mais novas.

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AV I AÇ ÃO G E R A L
GUIA
TURÍSTICO
PARA DONOS DE
AERONAVES
Vai viajar nas férias de julho?
Preparamos um roteiro para diferentes
destinos ao redor do globo com
dicas sobre os principais fenômenos
meteorológicos de cada região
P O R | MA R CE LO MIGUE R E S

stadia, roteiros, alimentação e itens do

E gênero são apenas parte do pacote de férias


para quem viaja com aeronave própria,
ou fretada. Donos de aviões e helicópteros
sabem (ou pelo menos deveriam saber)
que o planejamento de voo faz toda a diferença para
o sucesso de uma missão, sobretudo de lazer, com a
família. E um dos itens mais importantes nesta hora
é a meteorologia aeronáutica. É preciso levar em
conta cada um dos fenômenos capazes de interferir
na viagem... frio, calor, neve, umidade extrema,
nevoeiros, secura do ar, chuvas torrenciais,
tempestades de areia, turbulência e por aí
vai. Diante da proximidade do período
de férias, preparamos um apanhado
sobre o assunto com dicas para
quem pretende voar neste perío-
do de julho e agosto para o lazer,
apontando o que vai encontrar
na atmosfera pelo caminho,
no Brasil ou no exterior,
no Hemisfério Sul ou no
Hemisfério Norte. Vamos
ao mapa:
AMÉRICA DO SUL

O efeito cordilheira

típicos da madrugada e início da


manhã. Como sabemos, no inver-
no as frentes frias costumam se
enileirar em média a cada cinco
dias, sempre vindo do extremo
sul do continente, no sentido
sudoeste-nordeste. De acordo
com o experiente meteorologista
Fernando Marinho, há 30 anos
trabalhando no Centro Meteoro-
lógico do Galeão, instrutor de me-
ar, o que normalmente acaba sen- teorologia aeronáutica e também
do amenizado pela queda de tem- piloto privado, nesta época do ano
peratura à medida que ganhamos é preciso ter muita atenção com as
altitude. Neste aspecto, as pistas de correntes de jato atuantes entre os
Puerto Montt (SCTE), Santia- FL250 e 350, sobretudo no trecho
go (SCEL) e Bariloche (SAZS), entre Buenos Aires e Santiago. “Ao
com 295 t, 1.555 t e 2.776 t de sul do continente, ventos fortes à
elevação, respectivamente, não superfície vindos da Patagônia são
oferecem muitos problemas. No muito comuns e é preciso redo-
entanto, a Cordilheira dos Andes, brar a atenção nos procedimentos
a mais extensa cadeia de monta- de pousos e decolagens”, diz. O
Em boa parte do continente é nhas do planeta, com 8.000 km, previsor recorda que a região é crí-
inverno no meio do ano. As baixas estendendo-se por sete países, tica para a ocorrência de turbulên-
temperaturas são a atração prin- apresenta-se como um óbice que cia e relembrou o famoso acidente
cipal dos lagos andinos e das esta- não pode ser desprezado. Com com o voo Força Aérea Uruguaia
ções de esqui de Vale Nevado, no altitude média de 4.000 m (e pon- 571, em 1972, quando um bimotor
Chile, e Bariloche, na Argentina, to culminante de quase 7.000 m), turbo-hélice Fairchild FH-227D
por exemplo. É fato que o ar frio é além atingir 160 km de largura realizava procedimento de nave-
excelente para voar, uma vez que nos trechos mais largos, serve de gação estimada sobrevoando a
as moléculas tendem a se agrupar barreira natural para os ventos de cordilheira, quando sofreu com
em temperaturas baixas, tornando oeste vindos da costa do Pacíico. a turbulência orográica, caindo
a atmosfera mais densa. Porém, a Por outro lado, a turbulência oro- numa região de difícil acesso da
altitude do aeródromo tem que ser gráica (típica do topo de relevos) província de Mendoza, chamada
considerada nesta equação, uma inluencia sensivelmente no voo Vale das Lágrimas. De maneira
vez que a pressão atmosférica é de aeronaves que se aproximam improvável, o trágico evento teve
inversamente proporcional à ele- da famosa cordilheira. Para fechar 16 sobreviventes e deu origem a
vação do terreno. Assim, quanto a conta, não despreze eventuais vários livros e sete ilmes sobre o
menor a pressão, mais rarefeito é o nevoeiros pós-frontais, aqueles tema.

32 | MAGAZINE 2 8 9
AMAZÔNIA

Calor e umidade
sobre a loresta
A região, muito próxima à Linha Porém, para acessar o exuberante
do Equador, não possui muitas platô de quase piloto de
variações climáticas como no asas rotativas cuidado
restante do continente. Julho é com a turbulê de topos
verão em cerc de relevo, além de nevoeiros,
nacional, aci sobretudo no entardecer e no
mas não que i amanhecer, quando a umidade é
diferença marcante em relação maior. Em 1998, o ator Danton
ao restante da região Norte. Melo sofreu um grave acidente
O mês é menos chuvoso e um na região, quando o helicóptero
pouco menos quente, mas calor que o transportava, juntamente
e umidade são como verdadeiros com a equipe de reportagem do
carimbos do clima equatorial, programa Globo Ecologia, perdeu
garantidos pela loresta amazônica sustentação devido a turbulên-
que, apesar de ameaçada, ainda é cia orográica, fazendo com que
muito exuberante, além de contar a aeronave se chocasse contra
com a maior bacia hidrográica do o maciço. O acidente reabriu a
planeta. A atividade convectiva, discussão sobre as condições de
transportando umidade no senti- voo das empresas de táxi-aéreo no
do vertical ascendente, é tal qual país e, em particular, as restrições
uma fábrica de células de nuvens meteorológicas de voos de asas
cumulonimbus, as famosas CB, rotativas sob condições meteoro-
de longe as mais perigosas para lógicas adversas. Apesar disso, Boa
a aviação. Turbulência dinâmica, Vista (SBBV), Manaus (SBMN)
trovoadas e tempestades severas e Belém (SBBE) são aeroportos
são fenômenos que o piloto deve internacionais com boa estrutura
esperar neste cenário amazôni- de serviços e auxílios à navegação
co. O Monte Roraima tem sido aérea, atendem às necessidades
muito procurado por conta do dos aeronavegantes.
seu bioma e topograia peculiares.

A AZIN E 2 8 | 33
BRASIL CENTRAL

Amplitude térmica
e queimadas
Caldas Novas e Chapada dos
Veadeiros, em Goiás, e Jalapão, em
Tocantins, por exemplo, possuem
como característica meteorológica a
grande amplitude térmica (diferença
entre a máxima e a mínima tempe-
ratura do dia) e baixíssimos índices
de umidade relativa do ar, sobretudo
no meio do dia. Soma-se a isso a
elevação média da região que varia
entre 700 m e 1.200 m, é preciso
ter muito cuidado no MTOW
(Maximum Take Of Weight), que
é o valor máximo de peso que uma
aeronave pode decolar ao somarmos
passageiros, carga e combustível.
Cada modelo de avião possui a
especiicação técnica elaborada
pelo seu fabricante, dizendo quanto
uma aeronave pode pesar num dos
momentos mais críticos do voo,
a decolagem. No entanto, para os
praticantes de asa delta, parapente,
planador e balonismo, por exemplo,
a atividade está garantida graças às
correntes térmicas proporcionadas
pelo aquecimento diurno. Não
obstante, um complicador pode ser
a fumaça resultante de queimadas.
Vale lembrar que um incêndio em
outubro do ano passado consumiu
mais de 66.000 hectares da Chapada
dos Veadeiros, o que corresponde
a quase 30% da área do parque.
Os aeroportos de Caldas Novas
(SBCN), Goiânia (SBGO) e Palmas
(SBPJ), todos com boa estrutura
de serviços e auxílios à navegação
aérea, atendem bem às necessidades
dos aeronavegantes destes roteiros
do Brasil Central.

34 | MAGAZINE 2 8 9
SUL E SUDESTE DO BRASIL
Nevoeiros em regiões serranas
A maioria dos brasileiros não não só em Canela, mas na vizinha
está acostumada com frio e a Gramado e em muitas cidades
região Sul do país, dependendo da do centro-sul do país. De Porto
rigidez do inverno – muitas vezes Alegre ao Rio de Janeiro, tão logo
inluenciado por fenômenos sazo- passem as frentes frias, os centros
nais como El Niño e La Niña – se de alta pressão de núcleo frio
apresenta como excelente opção diicultam a formação de nuvens,
para “roteiros gelados”. Assim, as mas enchem de umidade a atmos-
serras gaúchas e catarinense (e al- fera, ligando o botão que dispara
gumas cidades serranas do Sudes- a possibilidade de nevoeiros em
te do país) registram temperaturas toda a região. O fenômeno, resul-
de um dígito e, ocasionalmente, tante da inversão térmica próxima
negativas. A cidade de Canela, à superfície, restringe bastante
na Serra Gaúcha, distante 120 a visibilidade matutina e muitas
km de Porto Alegre, possui um vezes a valores menores do que
aeródromo (SSCN) cuja excelente 200 m. Por outro lado, novamente
estrutura proporciona ao piloto as correntes de jato, ventos fortes
boas condições de segurança e vindo de oeste, apresentam-se
navegabilidade. Com seus 2.723 como um fenômeno que merece
t de elevação, pista asfaltada com atenção. Em latitudes na faixa de
1.260 m x 18 m, Canela opera do 30 graus, ele ocorre entre o FL 300
nascer ao pôr do sol, possui ba- e o FL400, justamente onde estão
lizamento noturno e PAPI numa boa parte das aerovias. “Um voo
das cabeceiras, além de abasteci- seguro começa com o planeja-
mento Qav e Avgas. Mesmo não mento adequado e as informações
sendo homologadas pelo DECEA, meteorológicas como metar, taf,
utiliza duas estações meteoroló- cartas sigwx e de prognóstico
gicas com informações de vento, de vento, além de imagens de
pressão atmosférica, temperatura satélite, estão disponíveis a todos
do ar, ponto de orvalho e até o ní- os aeronavegantes, se constituindo
vel da base de nuvens convectivas. em ferramentas essenciais para
E tudo ica disponível na página o sucesso da atividade aérea”,
do aeroclube na internet. Em ju- alerta o meteorologista Fernando
lho, nevoeiros são muito comuns, Marinho.

MAGAZINE 2 8 9 | 35
NORDESTE
Nuvens, chuvas e
turbulências pelo caminho
Para começar, esqueça a velha
máxima de que no Nordeste faz sol
o ano inteiro. Mentira! Há muitas
diferenças até no clima, dependen-
do da parte aonde se pretenda ir. A
porção norte da região, incluindo
Maranhão e Piauí deixa de sofrer a
inluência da zona de convergência
intertropical (ZCIT), que se afasta
em direção às baixas latitudes do
Hemisfério Norte. É uma região de
encontro dos ventos alísios, com
muita umidade, e grande aqueci-
mento, dando origem a formações
pesadas de nuvens CB, chuva forte
e turbulência. As rotas do Brasil
à Europa passam inevitavelmente
por esta formação e, durante o
planejamento de voo, o setor opera-
cional deine qual a aerovia onde as
nuvens estão menos aglomeradas.
O acidente do voo da Air France
447 na madrugada de 1º de junho
de 2009 não levou em consideração
estas informações, optando por
um caminho não-recomendado e
evitado pelas demais companhias
que passaram pelo local naquele
dia. Houve o congelamento da
sonda pitot e “uma reação ina-
propriada da tripulação diante da
perda momentânea das indicações
de velocidade”, de acordo com o
relatório da BEA, a agência fran-
cesa de investigação de acidentes
aeronáuticos. O equívoco causou
a morte de 228 pessoas. No sul da
Bahia são comuns nesta época do
ano turbulências entre o FL300 e
400. É fundamental o piloto estar
atento às mensagens SIGMET, ela-
boradas pelo Centro Meteorológico
de Vigilância de Recife (CMV-RE).
O site da Redemet (redemet.aer.mil.
br) é a principal fonte de consultas
do aeronavegante quando do seu
planejamento de voo.

36 | MAGAZINE 2 8 9
CARIBE
ESTADOS UNIDOS
Alerta para De vulcões a desertos,
ocorrência de ciclones climas variados
varia
Águas azuis-turquesa mornas, areia
branca e sol parece ser a combinação
ideal para muita gente. Assim, o Caribe
costuma ser uma opção de férias em
julho bastante concorrida. A primeira
pergunta que vem à mente de quem
viaja para esta região é a probabilidade
de ocorrência de furacões. A resposta
seria sim e não. Sim porque ela existe,
mas não porque é de apenas 1%.
Furacão, por deinição, seria “ciclone
tropical de núcleo quente, com ventos
contínuos de 118 quilômetros por hora
(65 nós), ou mais, no Atlântico Norte,
mar caribenho, Golfo do México e no
norte oriental do Oceano Pacíico. Este
mesmo ciclone tropical é conhecido
como tufão no Pacíico ocidental e
como ciclone no Oceano Índico”.
Numa escala gradativa, os ciclones
podem ser classiicados, com relação
à sua intensidade, em: perturbação
tropical, depressão tropical, tempestade
Num país de dimensões continen- os cuidados de
tropical, tufão e furacão – este, por sua
tais, assim como o Brasil, possui peso máximo d
vez, tem 5 níveis de intensidade, sendo
uma diversidade climática propor- conta da baixíss
1 o mais brando e 5 o mais forte. A boa
cional à sua extensão territorial. ar. No Pacíico, mais precisamente
notícia é que o tempo é irme e quente
Senão vejamos: a Flórida, quente no Havaí, são comuns as erup-
na maior parte da região. Calor e muita
e úmida lembra muito o padrão ções vulcânicas. Recentemente,
umidade devem ser considerados na
atmosférico caribenho. Com raras o Kilauea entrou em atividade,
hora da decolagem.
exceções, nas cidades mais próxi- causando preocupações em todo
mas ao Canadá a temperatura é o arquipélago. Sabemos que não
mais amena. O país também possui podemos prever quando um vulcão
regiões desérticas como o do Arizo- entrará em erupção e suas cinzas
na, por exemplo. O piloto brasileiro são potencialmente perigosas para
e paraquedista de alta performance a aviação. Na alta atmosfera, onde
Luigi Cani, em 2012, escolheu a circulam as aeronaves comerciais, a
região para bater o recorde mundial cinza vulcânica pode causar avaria
de velocidade em queda livre. no motor, daniicar as pás das
“Recebi orientações de consultores turbinas ou as sondas eletrônicas
da NASA que pediram que eu esco- de pitot. Na baixa atmosfera, os
lhesse um dia muito quente, numa danos são ainda maiores devido à
região desértica, pois as moléculas atividade convectiva que transporta
do ar estariam dispersas e o ar me- estas partículas de maneira ascen-
nos denso, favorecendo o meu voo dente. Assim, há o monitoramento
em baixa altitude. Assim, consegui constante das regiões atingidas
atingir 552 km/h”, completa Cani. pelas cinzas vulcânicas por meio de
Seguindo esta linha, a cidade de imagens de satélites e a consequen-
Las Vegas no estado de Nevada, te interdição do espaço aéreo. Uma
encravada no deserto, chega facil- consulta prévia aos sites especiali-
mente a temperaturas na casa dos zados da rede VAAC (Vulcanic Ash
40oC durante o dia e 25oC à noite. Advisory Center) é mais do que
Com altitude de 1.900 t, valem recomendável.

MAGAZINE 2 8 9 | 37
EUROPA

Ar quente e seco
Julho é verão no Hemisfério
Norte e em países com baixas
latitudes o sol se põe depois das
nove da noite. Em países como
Inglaterra, França e Alemanha, as
temperaturas são mais amenas,
raramente passando dos 25oC
durante o dia. Porém, mais ao sul
do velho continente, em Portugal,
Espanha e Itália, por exemplo,
podem superar facilmente os
30oC. A época tende a ser mais
seca, o que recomenda evitar
voos no meio do dia, quando os
índices de umidade relativa do
ar costumam ser menores. Esta
mistura de calor e baixa umida-
de foi especialmente trágica em
Portugal e na Espanha com in-
cêndios lorestais de proporções
jamais vistas naqueles países. A
fumaça chegou a prejudicar a
visibilidade em aeroportos do
norte lusitano e na Galícia, na
Espanha. De maneira geral, é
preciso tomar cuidado apenas
com a combinação alta tempera-
tura e altitude elevada, diicultan-
do sobremaneira procedimentos
de decolagens, principalmente
em cidades acima de 2.000 m de
altitude, na Suíça, França e Itália,
por exemplo. O experiente piloto
e instrutor Marcelo Vissotto,
há mais de 20 anos na Europa
e voando nos últimos pela ASL
Airlines, diz que as nuvens CB lá
possuem uma extensão vertical
bem menor do que no Brasil.
“As formações são bem isoladas
e é preciso tomar muito cuidado
quando sobrevoamos os Alpes e
os Balcãs por conta de turbuên-
cia, sobretudo em procedimentos
de pouso. Até aeronaves bastante
versáteis, como os ATR, sentem
bastante as mudanças de pressão,
sobretudo em baixas atitudes”,
explica.

38 | MAGAZINE 2 8 9
EMIRADOS ÁRABES

Evite operar ao meio-dia


Dubai e Abu Dhabi são os mais conhecidos emirados próprio, valem algumas dicas. Devida à
dos chamados Emirados Árabes Unidos, no Oriente baixíssima umidade relativa do ar (que pode
Médio, às margens do Golfo Pérsico. Prédios moder- chegar a apenas um dígito), o lugar seria
nos, com linhas arquitetônicas arrojadas em meio ao excelente para um cemitério de aviões, mas,
deserto fazem parte da paisagem. O investimento em como o objetivo não é prestar as últimas
turismo é proporcional ao sucesso das companhias homenagens a sua aeronave, pode-se dizer
aéreas locais. Não fosse assim, o lugar seria inabitável. que a densidade do ar, sobretudo ao meio-
Com calor escaldante (que pode chegar aos 50oC nesta -dia, praticamente inviabiliza decolagens de grandes
época do ano) e tempestades de areia, deinitivamente aeronaves neste horário. Não obstante, 90% dos voos se
pode-se dizer que é um lugar que não foi feito para se- concentram de noite e de madrugada, quando as tem-
res humanos. Para quem viaja com jato intercontinental peraturas são mais amenas e a umidade passa dos 50%.

SUL E SUDESTE DA ÁSIA


Ar úmido do oceano
Certamente você já ouviu falar das monções. no sul e sudeste asiáticos, especialmente em
Mas que fenômeno é esse? Monções são ventos países como Índia, Paquistão e Bangladesh. Em
que mudam de direção de acordo com as esta- pleno verão indiano, este fenômeno leva chuvas
ções do ano, levando ar úmido do oceano para torrenciais àquele país que podem durar uma
o continente no verão (entre junho e agosto) semana. Culturas irrigadas como o arroz, por
e ar seco da terra para o mar no inverno (de exemplo, dependem signiicativamente desta
dezembro a março). O fenômeno acontece apro- precipitação volumosa. A combinação chuva e
ximadamente em um quarto da área tropical calor são semelhantes à região amazônica e os
do planeta, mas seus efeitos são mais visíveis pilotos precisam ter muito cuidado.

MAGAZINE 2 8 9 | 39
TENDÊNCIA
CORRIDA
TECNOLÓGIC A
A evolução dos motores elétricos, os drones cada vez
mais versáteis e o envolvimento milionário das principais
indústrias aeroespaciais em programas-piloto explicam o
ritmo alucinante de lançamentos de veículos aéreos urbanos
compactos, os chamados eVTOL, para o transporte em
grandes metrópoles
P O R | ERNESTO KLOTZEL E GIULIANO AGMONT
Pipistrel é uma
das pioneiras em
aviação elétrica

DESAFIOS TECNOLÓGICOS

O
domínio total por exemplo, bateu recordes de
dos combustíveis Para a Siemens, não existem velocidade e subida.
fósseis nos meios dúvidas quanto à aceitação gra- Com a Airbus, o fabricante
de transporte dual da propulsão elétrica, julga- está desenvolvendo os oito moto-
parece inalmente da pelos alemães como sendo “o res para o projeto “City Airbus”,
prestes a ser abalado pela jovem futuro padrão de grande parte do um veículo revolucionário de pou-
propulsão elétrica que se faz sentir transporte aéreo, em cerca de 45 so e decolagem verticais (eVTOL)
cada vez mais em uma série de ou 50 anos”. Por enquanto, salvo para quatro passageiros, conside-
aeronaves leves projetadas princi- raros casos, a Siemens desenvolve rado o que talvez seja o precur-
palmente para o adestramento de uma série de protótipos das mais sor da era da “mobilidade aérea
pilotos. Com seus leves e ultrassois- diferentes faixas de potência para urbana”, com propulsão elétrica.
ticados motores elétricos avançados viabilizar projetos de asas ixas Com a mesma Airbus e a britânica
de acionamento direto das hélices de demonstração da versatilidade Rolls-Royce, o desenvolvimento se
para uma faixa de 50 kW a 2 mW, a da propulsão elétrica, como o concentra em um modelo de
Siemens AG alemã abriu caminho “E-Fan” da Airbus (uma aeronave 2 mW, o mais potente motor
para esta quebra de paradigma. com duas unidades de hélices elétrico atual, para um modelo
Deu origem a modelos prestes a carenadas montadas na cauda), “E-Fan X”, voltado à aviação regio-
serem fabricados em série, como o o já conhecido Extra 330LE nal, que deverá voar em 2020.
esloveno Pipistrel Alpha Electro, da acrobático (agora, com motoriza- Apesar das modernas baterias
mesma forma que também impul- ção elétrica) e o Magnus eFusion, de íons de lítio e dos avanços de
sionou uma verdadeira revolução para citar alguns. Os resultados empresas como a Siemens, os
em curso, a das aeronaves eVTOL, estão acontecendo. O Extra com desaios tecnológicos ainda são
para o transporte aéreo urbano. um motor Siemens de 260 kW, um obstáculo para um desenvolvi-

42 | MAGAZINE 2 8 9
Airbus e-fan

mento mais ambicioso da aviação tras do movimento mundial en-


elétrica, pois suas fontes de ener- volvendo indústrias aeronáuticas
gia estão muito longe de replicar consagradas e uma quantidade
o desempenho dos combustíveis maior de startups e inovadores.
fósseis. Quilo por quilo, o que- Eles nada têm em comum com
rosene de jatos tem cerca de 100 aicionados maravilhados com o
vezes mais energia do que uma que pequenos drones mais sois-
bateria. Por outro lado, a eiciência ticados podem lhes proporcionar
de um motor elétrico ante um tur- em incursões e fotos comanda-
bofan é de mais de 90% contra das remotamente.
cerca de 45% das turbinas. Nesta nova indústria, o
Existe ainda a solução híbrida desempenho e o potencial dos
para demandas de energia, já que, drones se revelam mais abran-
por muito tempo, não poderão gentes. Eles são conhecidos
ser supridas pelas baterias que co- genericamente por veículos conhecido como A3 implantado
Siemens
nhecemos hoje: um turbogerador eVTOL, denominação explicada no Vale do Silício dos Estados
e Airbus
relativamente pequeno, incorpora- pela capacidade de decolar e Unidos. Seu primeiro voo é es- trabalham
do à célula do futuro veículo aéreo pousar na vertical, deslocar-se perado para o inal de 2018, em em projetos
(pilotado ou autônomo) para a velocidades comparáveis a de Donauworth, na Alemanha. O que não usam
recarregar as baterias ou mesmo um helicóptero durante voo de CityAirbus para quatro passagei- combustíveis
atuar em paralelo com elas. Dii- cruzeiro e utilizar a energia de ros é pouco menor do que um fósseis
cilmente esta solução terá sucesso baterias para propulsão. helicóptero de igual capacidade
no transporte aéreo urbano, no Difícil acompanhar os e mede 8,0 x 8,0 m. Em fase
qual se deseja baixo nível de ruído projetos de eVTOL, que chovem anterior, o Vahana demonstrador
e de agentes poluentes e máxima de todos os lados. Seu grau de para um passageiro é também
automação para a autopilotagem evolução até o primeiro voo do criação da A3 e voará em 2020.
ou plena autonomia. protótipo ou demonstrador tam- Os eVTOL propostos para a
bém chega a confundir. Como mobilidade aérea urbana – se-
DOS DRONES AOS EVTOL contraponto, existem exemplos jam eles pilotados ou autôno-
Os veículos não pilotados ou como os da Airbus com seu mos – não lembram aeronaves
pilotados com grande grau de CityAirbus, que são produtos ou helicópteros que conhece-
autonomia são as colunas mes- de um novo polo de inovação mos hoje, embora possam ser

MAGAZINE 2 8 9 | 43
Embraer X eVtol
Uber

DeLorean

tenderem ser signiicativamente


Diversos fabricantes apostam no mercado mais silenciosos, mais acessíveis e
de veículos aéreos urbanos compactos mais ecológicos.
Um dos projetos-conceito é
o Pipistrel eVTOL, desenvolvido
em parceria com o programa
DuckVtol Uber Elevate. Ele utiliza sistemas
de propulsão dedicados tanto
para cruzeiro como para ascensão
vertical, e promete transportar
entre dois e seis passageiros. Lo-
calizada na Eslovênia, a Pipistrel
já produz entre seus 13 modelos
de aeronave dois que apresentam
propulsão totalmente elétrica.
Mais recentemente, a empresa
desenvolveu o Panthera, uma ae-
ronave de aviação geral de quatro
assentos de alto desempenho com
sistemas de propulsão modulares,
disponível em três versões: total-
mente elétrica, híbrida ou movida
a combustível.
Outra parceira do projeto
adaptados para operações de UBER INVESTE Uber Elevate é a Embraer X, que
pilotagem remota. Em geral, os EM TÁXIS-AÉREOS apresentou seu conceito para
muitos modelos propostos têm No segundo seminário Uber Ele- um veículo de transporte aéreo
inspiração nos drones adquiridos vate, realizado em maio deste ano urbano, fruto dos estudos de suas
em lojas de hobby: multirrotores, na cidade de Los Angeles para unidades de inovação indepen-
funcionando com hélices de avaliar as novidades em mobili- dentes sediadas nos Estados
passo ixo dentro de carenagens dade urbana, os olhos do mundo Unidos. Braço da Embraer voltado
em forma de anel (ducted fan) se voltaram para as maquetes de a negócios “disruptivos”, a empresa
ou totalmente livres. O protótipo aeronaves eVTOL. Seis empresas diz que o conceito eVTOL prevê
do CityAirbus é superdimensio- mostraram seus conceitos. A a criação de “uma aeronave de
nado para permitir adaptações Uber planeja operar uma rede passageiros para um ambiente
e modiicações rápidas: são oito de pequenas aeronaves elétricas urbano, com base em segurança,
motores Siemens de 100 kW em numerosas cidades ao redor experiência das pessoas, acessi-
para quatro anéis, cada qual do mundo para possibilitar voos bilidade econômica e com baixo
com dois conjuntos de hélices para até quatro pessoas em áreas impacto para as comunidades, em
contrarrotativas – potência de urbanas densamente povoadas. termos de emissões e ruído”.
sobra mesmo para o voo pairado Esses veículos elétricos de deco- Mais uma parceira do pro-
e alimentados por baterias de lagem e pouso verticais (eVTOL) jeto, a Aurora fornece mais de-
100 kWh de lítio. diferem dos helicópteros por pre- talhes de seu eVTOL. Fabricado

44 | MAGAZINE 2 8 9
Projeto Uber Elevate

com ibra de carbono e derivado cruzeiro de alta velocidade. No de asa ixa, com empuxo de Uber é um
de programas como o X-24A hub de destino, a aeronave faz um único motor traseiro, capaz dos principais
X-plane, atualmente em anda- a transição de volta para o voo de levar a uma velocidade de interessados
mento para o Departamento de vertical com o rotor para pouso. 241 km/h, com máxima de 321 nas tecnologias
Defesa dos Estados Unidos, o ve- A operação totalmente elétrica km/h. Tudo elétrico. de veículo
aéreo para uso
ículo da Aurora será usado para diminui ou elimina emissões e A ideia central é que o uso em grandes
transporte de passageiros ou poluição sonora para um voo de múltiplos pequenos rotores centros
carga de curta distância, apenas mais silencioso. Inicialmente elétricos torne a aeronave mais
civil em um primeiro momento, operado com um piloto de silenciosa do que um helicóp-
mas com possibilidade de servir segurança, o eVTOL foi pensado tero convencional ao mesmo
a missões militares no futuro. para operar de modo totalmente tempo que garanta redundância
A coniguração atual permite autônomo. A capacidade de voo em caso de pane, ou seja, mais
dois passageiros, incluindo o para aeronaves eVTOL é três segurança. A autonomia do
piloto e a bagagem. O plano de vezes mais eiciente do que a de eVTOL da Uber seria de 100 km
infraestrutura inclui “vertiports” uma aeronave multi-copter. por carga elétrica, com previsão
urbanos para embarque de A Uber também trabalha de missões de cerca de 25 milhas
passageiros e manutenção de ve- com uma visão própria de uma e recarga de 5 minutos entre as
ículos, que atenderão a serviços aeronave eVTOL. Conhecido viagens. O Uber projeta manter
“hub-to-hub”. Os primeiros voos como eCRM-003, o modelo seus eVTOL em operação
de testes estão previstos para mistura elementos de drone e contínua por cerca de 3 horas de
começar em 2020 em Dallas, no avião, com espaço para até qua- operação durante os períodos de
Texas, e Dubai, nos Emirados tro passageiros e suas bagagens. pico. Completam a lista de par-
Árabes Unidos. Possui quatro pares de hélices ceiros da Uber a Bell e a Karem.
A aeronave eVTOL da Auro- contrarrotativas para elevação Apesar de toda a repercus-
ra inclui oito rotores de elevação vertical. Em altitude de cruzeiro, são, a saída do idealizador do
para decolagem vertical e hélice entre 1.000 e 2.000 pés, o sis- projeto Uber Elevate, o diretor
e asa para fazer a transição para tema se reverte para operação de produtos Jef Holden, logo de-

MAGAZINE 2 8 9 | 45
Projeto
conceito Uber

desde 2016 e projeta um modelo de uma licença simples sem


de táxi autônomo. exigência de treinamento espe-
Outros proponentes incluem cial ou um exame médico mais
A VOOM INICIOU SUAS a Joby Aviation da Califórnia,
que tem como parceiros a aérea
rigoroso. A Volocopter fez uma
demonstração – sem passagei-
OPERAÇÕES EM SÃO JetBlue Airways e a Toyota, a
AeroMobil da Eslováquia e a
ros – em Dubai no ano passado
sem ter o congestionamento
PAULO OFERECENDO Lilium alemã cujo parceiro é a
Tencent, um gigante chinês em
urbano em mente e, sim, o dese-
jo do governo dos Emirados de
VOOS DE HELICÓPTEROS investimentos. Aliás, a chinesa instituir um serviço de táxi-
EHang de Guangzhou já regis- -aéreo urbano na cidade.
SOB DEMANDA trou com seu modelo 184 uma
velocidade de 130 km/h, uma VOOM, UMA
subida até 300 m e operação em EXPERIÊNCIA LOGÍSTICA
ambiente de tormenta. Existem no momento duas
Os órgãos que regulam a iniciativas para testar na prática
segurança de voo em diversos a operação típica de táxi-aéreo
pois da conferência da empresa, países têm, com toda a razão, urbano. A primeira tem como
noticiada pelos principais jornais uma aversão a riscos. O que cenário a cidade de São Pau-
de negócios dos Estados Unidos, signiica que mesmo sendo o ob- lo, escolhida entre dezenas de
deixa dúvidas sobre o que isso jetivo inal da mobilidade aérea metrópoles mundiais como a
pode signiicar para o futuro do urbana a autonomia ou auto- mais congestionada e problemá-
projeto. O que é certo é que o guiagem dos veículos colocados tica concentração demográica
Uber Elevate continuará, agora a serviço dos passageiros, seus do planeta para a mobilidade
sob o comando de Eric Allison, primeiros drones serão equi- urbana. Produto da incubadora
que tem experiência no desen- pados com controles manuais, A3 do Vale do Silício, a Voom
volvimento de carros voadores. exigindo um piloto licenciado a Fligths é uma subsidiária da
bordo. Tanto fabricantes como Airbus Helicopters que começou
PROJETOS MAIS ADIANTADOS os órgãos governamentais já de- a operar em São Paulo em 2017
Apesar do frisson em torno dos batem como aliviar as eventuais e também já opera na cidade do
projetos da Uber, quem se acha exigências iniciais de operação. México, igualmente caótica.
mais adiantado em termos de A Volocopter, por exemplo, O crescimento mensal da
voo é a Volocopter alemã, que espera que a Easa classiique plataforma tem sido de 200%
atraiu investimentos da Daimler seu “18-rotor ” como aeronave e o número de viagens diárias
(dona da Mercedes) e do fa- leve desportiva (LSA, na sigla aumentou 250% de, e para, oito
bricante de chips Intel. Ela tem em inglês), que então poderia helipontos escolhidos para as
voado seu veículo de 18 rotores ter como piloto um portador análises iniciais: seis na área

46 | MAGAZINE 2 8 9
metropolitana da cidade e mais
dois nos aeroportos de Congo-
nhas e Guarulhos. Ainda longe
da operação com a nova geração
de veículos autônomos, a Voom
usa helicópteros de operadores
tradicionais que dão credibilidade
aos voos. Uma das grandes lições
aprendidas nos primeiros meses
de operação é a imprevisibilidade
do tempo, responsável em casos
limite pelo cancelamento de 21
viagens no intervalo de apenas
1h30. Uma segunda experiência,
mais limitada, está sendo feita Uber
pela Airbus em Dallas, Texas. Pipistrel Elevate
Chamada de “Airbus Ride”, são eVtol eVtol
voos que podem ser agendados
de diferentes pontos da grande
metrópole a diversos eventos
programados no estádio AT&T,
como jogos de futebol americano
e apresentações artísticas.

SEGURANÇA, UM DESAFIO
O número máximo de acidentes
sérios envolvendo helicópteros
Volocopter Lilium
tolerado hoje por autoridades de
segurança de voo é de um aci-
dente fatal a cada um milhão de
horas voadas. Quando se pensa íses onde loresce uma indústria rança tolerado é de um acidente
no futuro, com os céus de grandes aeronáutica. Ninguém que tem por um milhão de horas voadas,
cidades completamente toma- capacidade tecnológica quer icar seriam cerca de 150 veículos
dos por centenas de pequenos de fora da grande corrida do de plataformas ou particulares
eVTOL decolando e pousando de século. Porém, por mais perfeitos totalmente vulneráveis – o que
dezenas de helipontos relativa- que sejam os eVTOL de quatro faria dos grandiosos planos de
mente próximos, é fácil concluir lugares, há o desaio do índice de mobilidade um natimorto.
o quanto a tecnologia dos drones segurança, que, segundo estima- Ninguém imagina que a po-
tem de evoluir, já que estarão tivas da própria indústria, deve larização pela qual passa o mun-
disputando espaço com as aero- aumentar em cerca de 100 vezes do da logística possa ser abatida
naves comerciais e militares. Eles para que o número de acidentes como um castelo de cartas,
têm muito a se aperfeiçoar em sérios seja tolerado. A aritmética embora não se saiba ainda quais
segurança dos próprios veícu- é primária: para que a mobili- os recursos em pesquisa e testes
los, automatismo em manobras dade aérea urbana nas grandes que serão mobilizados para o su-
anticolisão, supervisão do tráfego cidades seja resolvida, o ponto cesso do maior empreendimento
aéreo e assim por diante. de partida seriam 50.000 eVTOL de âmbito mundial que começa
As propostas de veículos voando 3.000 horas por ano – a despontar nas cidades mais
eVTOL estão surgindo com portanto, 150 milhões de horas afetadas pelo desenvolvimento
força total em quase todos os pa- no total. Como o índice de segu- acelerado e descontrolado.

MAGAZINE 2 8 9 | 47
PRIVATIZ AÇÕES
I ATA AG M 2018

EM DEBATE
Na assembleia geral de sua principal associação, empresas aéreas
denunciam crise de infraestrutura, questionam concessões de
aeroportos e reclamam do aumento de tarifas
POR | GIULIANO AGMONT, DE SYDNEY
s principais executivos das
maiores companhias aéreas
do mundo se reúnem
anualmente para dis-
cutir temas de interesse Desenhado para debater o futuro vez, traçam diretrizes sobre os
da indústria durante enquanto fomenta negócios no rumos da aviação regular.
a assembleia geral da presente, o Iata AGM disponibi- A razão de ser de uma
Associação Internacional liza salas especiais para reuniões entidade como a Iata é zelar pela
de Transporte Aéreo, a Iata. mais reservadas e promove uma rentabilidade de seus associa-
Em 2018, o encontro aconteceu feira de exposições paralelamente dos, o que vem surtindo efeito
pela terceira vez na cidade de às atrações do auditório princi- positivo nos últimos anos, com
Sydney, na Austrália, e teve como pal. Airbus e Boeing patrocinam lucros consecutivos. Neste ano,
anitriã a Qantas Airlines, que coquetéis e jantares em clima de a tendência se mantém, mas
impressionou os convidados logo confraternização. Neste ambien- com uma revisão para baixo
na abertura com um espetácu- te, durante dois dias intensos, das perspectivas iniciais. Em
lo promovido por aborígenes fabricantes de aeronaves, partes e seu discurso, o diretor-geral e
australianos no enorme palco peças interagem com presidentes CEO da Iata, Alexandre Juniac,
montado no International Con- e demais lideranças das empresas anunciou uma revisão das pers-
vention Centre (ICC) de Sydney. associadas à Iata, que, por sua pectivas de lucro das empresas

LIÇÕES DO MH370
Aviões serão rastreados e darão reportes a cada um minuto
Em 2018, o mundo registrou cinco acidentes e Operações de Voo (SFO) da Iata, novos
fatais, três com turbo-hélices (An148-100 recursos, já disponíveis, serão usados para
da Saratov, ATR 72 da Iran Aseman e evitar que algo similar volte a acontecer.
Dash8-400 da US-Bangla) e dois com jatos “As empresas deverão utilizar sistemas que
(Boeing 737-700 da Southwest e Boeing permitam rastrear seus aviões onde quer
737-400 da Cubana). Mas um dos mais que estejam, com reportes mínimos de 15
misteriosos acidentes da aviação ainda intriga minutos. Também se trabalha em um sistema
os operadores, o voo MH370 da Malaysian que faça esse monitoramento a cada minuto.
Airlines. De acordo com Gilberto López A previsão é a implementação para 2021,
Meyer, vice-presidente sênior de Segurança apesar de o custo ser muito elevado”.

50 | MAGAZINE 2 8 9
aéreas para 2018. A entidade recorde da indústria em 2017, de
apontou o crescimento do custo US$ 38 bilhões. Segundo a Iata,
do petróleo como o princi- em 2018 o gasto com combus-
pal responsável pelo resultado, tível no setor deverá atingir a
além dos investimentos com cifra de US$ 188 bilhões, o que “É UM ERRO VENDER
mão de obra. “As empresas representa 25% das despesas ope-
aéreas continuam trabalhando racionais, caso o barril estabilize ATIVOS AEROPORTUÁRIOS
PARA OBTER UMA
com margens bastante apertadas em US$ 70. O valor é superior ao
para compensar o efeito da alta veriicado no ano passado, quan-
do barril de petróleo (brent) no
mercado internacional”, discur-
do o total de gasto com combus-
tível foi de US$ 149 bilhões, uma INJEÇÃO DE DINHEIRO
sou Juniac.
A previsão de lucro dos ope-
alta de 10,3% em relação a 2016.
Em 2017, o barril apresentou
NO CURTO PRAZO”,
radores passa a ser de US$ 33,8 um preço médio de US$ 54,9, ALEXANDRE DE JUNIAC , DIRETOR-GERAL
bilhões, cifra inferior ao prog- conirmando um resultado sólido E CEO DA IATA
nóstico anterior, de dezembro das companhias, segundo avaliou
último, que era de US$ 38,4 bi- Juniac: “Em 2017, 4,4 bilhões de
lhões. Também inferior ao lucro passageiros viajaram a bordo de

MAGAZINE 2 8 9 | 51
aviões e 60 milhões de toneladas tornarem a operação mais cara
de carga foram transportados por conta das tarifas elevadas,
A FAVOR DAS por via aérea. Atualmente, somos não garantem a mesma eiciência
CONSOLIDAÇÕES uma indústria que gera 63 mi- dos aeroportos públicos nem
A visão do CEO da Iata sobre as lhões de empregos”. seus padrões de investimento”.
combinações de negócios entre A resolução aprovada por
os quatro principais fabricantes de
aeeronaves do mundo CONCESSÕES unanimidade durante a confe-
Estatísticas à parte, a 74ª edição rência foi pedir aos governos
O diretor-geral e CEO da Iata, Alexandre do Iata AGM marcou uma forte muita cautela ao considerar a
Juniac, pronunciou-se favoravelmente às
ofensiva da entidade em relação privatização de aeroportos. Em
consolidações da indústria aeronáutica. Airbus
aos processos de privatização resumo, o apelo é para que os
e Bombardier devem oficializar o acordo de
compra do programa CSeries pelos europeus a
dos aeroportos mundo afora. países, a despeito de seus proble-
partir de 1º julho enquanto Boeing e Embraer Para Juniac, há uma crise de mas inanceiros, “priorizem os
ainda negociam uma combinação de negócios, infraestrutura tendo em vista o benefícios econômicos e sociais
que deve culminar na venda da unidade de crescimento do transporte aéreo de longo prazo proporcionados
aviação comercial do fabricante brasileiro, nos próximos anos – serão quase por um aeroporto de operação
provavelmente neste segundo semestre. “Os 8 bilhões de passageiros daqui a efetiva, e não os ganhos inan-
acordos trazem a consolidação de projetos de duas décadas –, sem investimen- ceiros de curto prazo proporcio-
ótimas aeronaves e melhoram os negócios no tos correspondentes em pistas e nados por uma privatização mal
mercado de Bombardier e Embraer, consolidando terminais, sobretudo públicos. planejada”.
boas parcerias, resolvendo ainda problemas Na avaliação do presidente da Segundo a Iata, cerca de
financeiros e de parcerias e fornecedores”, Iata, os governos estão trans- 14% dos aeroportos no mundo
resume Juniac. ferindo para o setor privado o possuem algum nível de pri-
investimento em aeroportos, e vatização, respondendo pela
critica: “As privatizações, além de operação de pelo menos 40% do

52 | MAGAZINE 2 8 9
UMA VISÃO
SOBRE O
BRASIL
Um bate-papo com Peter
Cedra, vice-presidente
regional para Américas da
Iata, sobre o transporte aéreo
regular
r brasileiro. Ele comenta
os principais temas na pauta do
país,
í aqui discriminados por tópicos.
CÉUS ABERTOS
Medida positiva, vai aumentar a
competição, garantir melhores preços
para o consumidor e permitir a abertura
de novos destinos em todo o Brasil e
nos Estados Unidos. O passageiro terá
mais opções, sem precisar passar por
São Paulo para voar de Fortaleza para
Miami, por exemplo.
CUSTOS E COMBUSTÍVEL
Os custos são muito altos. O Brasil
precisa de reformas, utilizar a
experiência global. Ao tributar o
combustível, sendo um país que
produz combustível, o Brasil cobra por
um produto doméstico como se fosse
importado, o que penaliza sua própria
indústria. Reformas e mudanças
de pensamento são importantes, e o
resultado é favorecer os passageiros, que
terão tarifas mais baixas.
BAGAGENS
Defendemos reformas na
regulamentação. Hoje, no Brasil, as
empresas são proibidas de cobrar pelas
bagagens em voos internacionais,
protegendo apenas o consumidor. Isso
prejudica as empresas aéreas. Chile e
Argentina criaram novas regras que
permitem às empresas aéreas voarem de
maneira global, sem icar restritas, como
acontece no Brasil.
COMPANHIA DE BANDEIRA
Do ponto de vista de empresa aéreas,
tráfego global. “Os aeroportos do bem colocados no ranking da
não existe mais companhias de
setor privado são mais caros, sem consultoria Skytrax são públicos, bandeira, são empresas globais,
ganhos em eiciência ou níveis incluindo Changi (Cingapura) e competindo mundialmente. Se olhamos
de investimento. Isso contraria Incheon (Coreia do Sul). outros segmentos, temos empresas como
a experiência da privatização de O Brasil é um dos países mais Ford e Apple, que vendem seus produtos
companhias aéreas, que resultou ativos em relação à privatização em todo o mundo. O mesmo ocorre
em maior competição e preços de aeroportos. O governo espera com as empresas aéreas, que vendem
mais baixos para os consumido- superar 30 concessões ainda um serviço. As empresas latinas são
res. É preciso regulamentação nesta década. Para Peter Cerda, representantes da América Latina que
para evitar abusos, não aceitamos vice-presidente regional da Iata vendem seus produtos a nível global.
que privatizações aumentem para as Américas, o governo tem Isso é importante para a região, que
custos”, contestou Juniac, que utilizado as concessões como empresas como Latam, Gol e Avianca
reconheceu que não existe uma uma maneira de obter recursos tenham esse tipo de marca global
mesma solução para todos os rapidamente, não necessariamen- competindo e oferecendo serviços em
todo o mundo.
aeroportos, mas destacou que te priorizando uma operadora
cinco dos seis aeroportos mais que ofereça eiciência e preço

MAGAZINE 2 8 9 | 53
FORA
DO CORSIA
O mundo se impôs
como meta reduzir em
50% a emissão de
CO 2 até 2050, tendo
como comparação os
dados de 2005. O Brasil
não está entre os 73
países que integram o
projeto ambiental Corsia
(Carbon Offstting and
Reduction Scheme for
International Aviation),
da Iata.

mais baixo de tarifas. “O governo os 787 da empresa. Diante da re-


deve entender que o aeroporto dução de ciclos destes propulsores
tem de ser um estímulo impor- antes do overall imposta pela FAA,
tante para o desenvolvimento da em abril, houve um desajuste nos
economia de um país, realizando prazos de entrega dos motores, o
concessões de uma maneira que acabou comprometendo a dis-
transparente e com normas ponibilidade de aviões, obrigando
internacionais”. Na avaliação de a Latam a manter parte de sua
Brian Pearce, economista-chefe frota no solo.
da Iata, o problema é a forma Já no im do evento, um mo-
como privatizações e concessões mento constrangedor. Uma pia-
estão sendo feitas, com foco na da do CEO da Qatar Airways no
receita imediata. “É preciso mais momento em que era anunciado
incentivos para a competição”. como presidente do Conselho
Administrativo da Iata reper-
LATAM E QATAR cutiu negativamente. De modo
TRÁFICO Nos bastidores da assembleia descontraído, Akbar Al Baker
DE HUMANOS da Iata, via-se muita coisa, disse algo como “nenhuma
As empresas aéreas estão preocupadas com o mas ouvia-se pouco, já que mulher é capaz de fazer o meu
transporte ilegal de pessoas em suas aeronaves, a maioria das reuniões era trabalho, por ser muito desaia-
um problema transnacional que afeta mais de 160 fechada. Dos japoneses da dor”, causando ao mesmo tempo
países. Pelos cálculos de organizações internacionais, Mitsubishi conversando risos e caras feias na plateia de
cerca de 25 milhões de indivíduos sofrem em com potenciais clientes a jornalistas. Foi o suiciente para
regimes de privação, dos quais mais de 70% são executivos das principais precipitar uma série de matérias
crianças e mulheres, o que se converte em um indústrias divulgando acusando ele em particular e a
mercado bilionário para quem transporta essa seus números de mer- indústria do transporte aéreo
gente. A recomendação para quem trabalha cado. Os problemas com em geral de sexista, privilegian-
com aviação é: “Olhos atentos e muita novos motores foram pauta do homens em detrimento das
parcimônia”. em Sydney. Consta que o mulheres. Passado o calor do
CEO da Latam, Herinque momento, a Qatar soltou uma
Cueto, aproveitou o evento para nota protocolar airmando que a
tratar com a Boeing dos impasses empresa acredita na importância
provocados pelos motores Trent da presença das mulheres na
1000 da Rolls Royce, que equipam aviação.

54 | MAGAZINE 2 8 9
TRÁFEGO AÉREO MUNDIAL

ÁSIA | 15%

NO

ÁSIA-P %
AMÉRICA LATI

PESQUISA SOBRE PASSAGEIROS


Levantamento feito pela Iata mostra que...

...69% dos ...os maiores índices de ...apesar das ...64% dos ...73% usam a banda
passageiros insatisfação global críticas, 49% passageiros larga a bordo para
possuem entre são com bagagem dos passageiros preferem ser navegar na internet,
25 e 54 anos despachada e serviço preferem etiquetar identificados 62% para envio e
de idade de autodespacho de e despachar por por biometria, recebimento de
bagagem, seguidos conta própria a dispensando assim e-mails e 62% para
de sistemas de bagagem papel, telefones, uso de aplicativos de
imigração e controle e-mails etc. mensagens instantâneas

MAGAZINE 2 8 9 | 55
OS C AMINHONEIROS
AV I AÇ ÃO R EG U L A R

E A AVIAÇ ÃO
Bloqueios rodoviários causaram desabastecimento alarmante de combustível
nos aeroportos. Formulamos cinco perguntas cujas respostas dão uma ideia do
impacto da paralisação nas estradas no transporte aéreo
POR | EDMUNDO UBIRATAN E PAULO MARCELO SOARES
em média, 20 caminhões-tanque.
Considerando que um avião
comercial transporta uma média
de 1.800 kg de combustível para
cada hora de voo, ica fácil prever
que, caso o estoque não seja res-
posto no prazo correto, em pouco
tempo faltará combustível.
Diante da escassez de um
insumo tão vital para a aviação,
pilotos e despachantes opera-
cionais de voo precisaram fazer

D
esde o famigerado dedicados, vindos diretamente de cálculos como nunca, o que susci-
apagão aéreo, que reinarias, que abastecem seus tan- ta questões curiosas sobre o dia a
tornou caótica a ques de armazenamento por vias dia de um operador aéreo. Daí a
aviação brasileira subterrâneas. Os demais exigem ideia de sanar dúvidas que vieram
entre o inal de 2006 uma complexa rede de logística à tona durante a crise e ajudam a
e meados de 2007, os operadores [leia mais na edição 283] por meio explicar seu impacto no transpor-
de aeronaves não acompanhavam da qual as distribuidoras recebem te aéreo.
com tanta atenção uma crise na- diariamente mais de uma dezena
cional. Inicialmente tratada como de caminhões-tanque para manter Quanto um voo
uma greve pontual, a paralisação o estoque de seus reservatórios. típico consome
dos caminhoneiros no dia 21 de de combustível?
maio, em menos de 24 horas, mos- COMPLEXA REDE Em operações com aeronaves a
trou seu potencial sistêmico. Com Apenas a Shell, que detém jato, regidas pelo RBAC-121, a
o tráfego de caminhões bloqueado 30% do mercado, dispõe de 67 quantidade mínima de combus-
nas principais rodovias do país, terminais de distribuição com tível deve ser tal que a aeronave
houve desabastecimento. Filas de 70 pontos de abastecimento em possa voar até o seu destino,
carros se formavam em postos de aeroportos no Brasil inteiro. Em considerando mais 10% do tempo
combustíveis e famílias desespe- geral, as distribuidoras planejam de voo por segurança, com reserva
radas limpavam as prateleiras de o consumo de aeronaves com três para prosseguir para um aeró-
mercados para estocar produtos meses de antecedência. O sistema dromo de alternativa e, ainda, ter
de primeira necessidade enquanto depende de uma soisticada logís- querosene para voar 30 minutos a
produtores jogavam toneladas de tica para manter a operação aérea 1.500 pés acima da elevação deste
leite fora. Em algumas cidades, e uma eventual quebra em um aeródromo (a baixas altitudes o
houve falta quase completa de dos elos dessa cadeia comprome- consumo é mais elevado) depois
gasolina, diesel e álcool e, durante te rapidamente o abastecimento de chegar lá. No caso de turbo-hé-
alguns dias, parecia que o país de diversos aeroportos. lices, o regulamento exige que haja
vivia um interminável feriado. A paralisação dos caminho- combustível para voar até o des-
Apesar de exageros e pânico neiros fez os aeroportos brasi- tino, prosseguir para o alternado
desmedido em alguns casos, no leiros sentirem o peso da crise mais distante, mais 45 minutos de
transporte aéreo a situação se de modo um tanto dramático. voo em regime de cruzeiro. Some-
mostrou rapidamente perigosa. Aeroportos como o de Brasília, -se a isso o combustível necessário
A maioria dos aeroportos bra- por exemplo, possuem um esto- para o acionamento e taxiamento
sileiros depende de uma logística que de 3 milhões de litros, com até a cabeceira em uso.
de combustíveis baseada no trans- um consumo diário na ordem Para dar números: O avião
porte rodoviário. Entre os grandes de 1.200 milhões de litros. Para consome 2.000 kg na primeira
aeroportos do país, apenas Gua- manter a regularidade do sistema, hora e 1.800 kg na segunda hora
rulhos e Galeão possuem dutos o aeroporto recebe diariamente, em diante.

58 | MAGAZINE 2 8 9
CAOS AÉREO
Sete dias e 14 aeroportos sem combustíveis
No sétimo dia da greve, às 7h da manhã, ao menos 14 aeroportos ficaram
sem combustível. Entre eles estavam os de Aracaju (SE), Campina
Grande (PB), Carajás (PA), Goiânia (GO), Ilhéus (BA), João Pessoa (PB),
Joinville (SC), Juazeiro do Norte (CE), Maceió (AL), Petrolina (PE), Recife
(PE), São José dos Campos (SP), Uberlândia (MG) e Vitória (ES). No
dia 31 de maio, dez dias após o início da paralisação, dos 54 aeroportos
administrados pela Infraero, nove situados no interior do país ainda
estavam sem combustíveis.

Por que não encher o e é necessário um cálculo muito


tanque para ir e voltar? cuidadoso por parte dos operado-
Muitos passageiros se pergun- res para maximizar o payload, sem
tavam durante a crise: “Já que prejudicar a autonomia.
não tem combustível no destino, Toda aeronave possui também
por que não encher o tanque na um outro limitante: o peso máxi-
origem? Assim, não seria preciso mo de pouso MLW (Max Landing
abastecer no destino”. Bom, nem Weight). Este peso máximo
sempre isso é possível, por dois costuma ser algumas toneladas
fatores. Toda aeronave tem um abaixo do MTOW e a aeronave
peso máximo de decolagem não deve pousar acima do MLW,
MTOW (Max Take Of Weight), a não ser em casos excepcionais,
que varia em função do com- em emergência, pois sua estru-
primento da pista, obstáculos tura sofrerá um severo estresse.
no setor de decolagem e condi- Quanto mais combustível além
ções atmosféricas. Quanto mais do necessário levarmos, menos
combustível, menos peso extra payload disponível teremos. Pistas
(o famoso payload, que é a soma curtas, condições meteorológicas
do peso de passageiros e carga) o adversas ou falhas em voo podem
avião poderá levar, aumentando requerer um pouso com peso
os custos e diminuindo a receita abaixo do MLW. Esses são casos
do voo. extremos. Entretanto, em muitas
Normalmente, com a quan- ocasiões podemos levar mais com-
tidade máxima de passageiros e bustível do que o mínimo.
carga, não é possível abastecer os
tanques até enchê-los por com- Quando se pode
pleto. De maneira análoga, com levar mais combustível
os tanques em sua capacidade do que o mínimo?
máxima, não é possível trans- Existem duas situações típicas,
portar 100% da quantidade de uma determinada por fatores
passageiros e/ou carga. Aeroportos alheios ao controle do operador,
com pistas curtas, como o Santos a tankering fuel, e outra associada
Dumont, por exemplo, limitam a uma conveniência inanceira, o
ainda mais o peso de decolagem, abastecimento econômico:
malha de voos, cortando algumas
frequências, ajustando horários e,
em último caso, suspendendo o
serviço em algumas localidades.
Em segundo lugar, usa-se o tanke-
ring fuel sempre que possível.
As empresas podem ainda
programar escalas técnicas, onde
não há embarque ou desembarque
de passageiros, apenas reabasteci-
Tankering Fuel: muitos alguns poucos centavos por litro mento, caso haja algum aeroporto
aeroportos não têm suprimento pode signiicar um grande valor ao próximo com combustível. Todas
de combustível disponível, seja im de um mês de operações com essas medidas aumentam a carga
por limitações de infraestrutura, uma grande frota. Por isso, tende de trabalho de tripulantes e fun-
por uma eventual greve (como a a ser vantajoso abastecer mais cionários de diversos setores das
ocorrida recentemente) ou pelo combustível em um aeródromo empresas, geram atrasos, aumento
operador estar fora do horário onde o preço é mais baixo, a im de de custos e diminuição de receitas,
de funcionamento da empresa evitar ou reduzir a necessidade de em um setor que já trabalha com
fornecedora. Nestes casos, ao des- abastecer onde os preços são mais margens mínimas de lucro.
pachar um voo, deve-se assegurar altos. No entanto, há um problema:
que a aeronave tenha combustível transportar combustível aumenta Por que Guarulhos
suiciente para cumprir a etapa o peso da aeronave, o que eleva o e Galeão também
prevista, e também a seguinte, com consumo. Este aumento varia de tiveram problemas?
as reservas previstas na lei. Adicio- aeronave para aeronave, mas um Os aeroportos de Guarulhos
nalmente, deve-se adicionar valor típico se situa em 3%, ou seja, e Galeão possuem dutos que
combustível para cobrir a cada tonelada a mais trans- transportam o combustível para
o gasto da aeronave portada, gastam-se 30 kg apenas os aviões direto das reinarias,
POR QUE QUILO para, após o pouso para transportar o peso daquele sem a necessidade de caminhões.
E NÃO LITRO? no primeiro ae- combustível. Ou seja, podemos Mas, mesmo isso não é garantia
Na aviação regular, o abastecimento é ródromo, taxiar, deduzir que, a partir de uma certa de normalidade nas operações,
feito em quilos, não em litros. Ou seja, permanecer em quantidade, o custo do combustí- pois todos os serviços de suporte
a referência é medida em peso, não solo com o APU vel excedente transportado, ou a às operações de voo, como tratores
em volume. O motivo é que o peso é em funcionamen- limitação de payload, icam mais para pushback, ônibus para levar
constante, enquanto o volume varia to, acionar nova- caros do que a economia gerada. os passageiros para as posições
de acordo com a temperatura. mente os motores e As empresas possuem programas remotas, empilhadeiras e esteiras
taxiar para decola- que conseguem calcular a quan- para carregamento da carga nas
gem. A necessidade de tidade ideal de combustível que aeronaves, geradores auxiliares
tankering fuel pode limitar gera a máxima economia para um ou de emergência, caminhões de
o payload da aeronave, tornando determinado percurso e payload. abastecimento, entre outros itens,
o voo menos lucrativo, ou até dependem de óleo diesel, que não é
inviabilizá-lo economicamente. Como agem empresas transportado através destes dutos.
Abastecimento econômico: o aéreas na crise? Adicionalmente, estes aeroportos
preço do combustível sofre varia- Esta é uma questão que gera acabam por receber um luxo mui-
ções de um aeródromo para outro, curiosidade: como as empresas to maior do que o normal e atrasos
seja pela proximidade de uma rei- aéreas agem em uma situação de são inevitáveis. Além disso, empre-
naria ou por variações de alíquotas desabastecimento como a ocorrida gados e passageiros, dependentes
de impostos (no Brasil, há grandes durante a paralisação dos cami- dos serviços de transporte público,
oscilações pincipalmente por conta nhoneiros? Em primeiro lugar, podem simplesmente não ter como
de ICMS e incentivos iscais dos busca-se uma readequação (nível chegar ao aeroporto e também
estados). Mesmo uma diferença de ótimo de aproveitamento) da desequilibrar o sistema.

60 | MAGAZINE 2 8 9
A SUA REVISTA DE
AVIAÇÃO AGORA
TAMBÉM PARA TABLETS
E SMARTPHONES

TENHA ACESSO AO MELHOR

C O N T E Ú D O D E AV I A Ç Ã O D O

BRASIL AGORA NA MAIOR

B A N C A D I G I TA L D O M U N D O
COLISÃO
PI LOTAG E M

NO AR
Acidente no Rio de Janeiro entre ultraleve e helicóptero expõe o risco
de choque em voo entre aeronaves esportivas e homologadas,
o que requer mais atenção de pilotos
P O R | RODRIGO DUARTE

A
aviação experimen- produção e certiicação e também projeto, design, equipamentos a
tal ou a aviação por ter um custo bem inferior de bordo e até mesmo performance.
leve desportiva é aquisição na comparação com Muitas aeronaves dessa categoria
Montagem meramente ilustrativa

um importante produtos certiicados, essa aviação são realmente fantásticas.


polo de desenvolvi- vem sendo largamente difundida Porém, da mesma forma que a
mento de novos conceitos e teste e espalhada por todo o território certiicação da aeronave é menos
de tecnologias e produtos para brasileiro. De tão modernas e complexa, a certiicação dos
possivelmente serem aplicados desenvolvidas, algumas aeronaves pilotos desportivos e a exigência
na dita aviação proissional. Por se assemelham a aviões certiica- de treinamento também são bem
conter menos exigências legais de dos, o que vale para quesitos como menos rigorosas em relação às
de pilotos com habilitações de PP pode se deslocar nesse meio. Por GROTA FUNDA
(Piloto Privado), PC (Piloto Co- esse motivo, seguir regras de voo Recentemente, tivemos no Rio de
mercial) ou PLA (Piloto de Linha e ter um adequado planejamento Janeiro uma ocorrência desse tipo
Aérea). Mas esse “relaxamento” são medidas necessárias para se que, por sorte de ambos os pilotos
legal também implica em algu- garantir a segurança de voo. envolvidos, causou somente danos
mas restrições de operação. Essas Certamente, atrelado a essas materiais. Um helicóptero e um
aeronaves não podem carregar condições anteriores, saber onde ultraleve avançado colidiram próxi-
passageiros ou carga mediante se está e ter a consciência situa- mo à região conhecida como Grota
pagamento, nem sobrevoar áreas cional do ambiente onde se voa é Funda, causando danos na cauda do
povoadas, devendo ter suas opera- fundamental para evitar situações helicóptero e na asa do ultraleve.
ções restritas a voos em locais sem potencialmente perigosas como A região é conhecida por
densidade populacional. colisões em pleno ar. Muitos conter Rotas Especiais de He-
Ainda assim, mesmo em áreas consideram quase impossível de licópteros e Rotas Especiais de
desabitadas, essas aeronaves divi- acontecer uma situação como Aeronaves e estar próxima a um
dem o espaço aéreo com qualquer essa. Não é difícil, no entanto, clube de aeronaves experimentais
outro objeto ou animal que voe, encontrar referências a colisões bastante conhecido, o Clube CEU.
Terminal
sem qualquer distinção, exigindo aéreas nos relatórios de preven- Diariamente, há um luxo intenso
dos pilotos a mesma atenção de ção emitidos pelas mais diversas de helicópteros envolvidos na
qualquer outro meio de transporte. autoridades de investigação de exploração de petróleo na região,
Ou seja, as aeronaves experimen- acidentes. E as áreas de maior além de helicópteros que se deslo-
tais voam também entre pássaros, incidência dessas ocorrências são cam entre Rio de Janeiro e Angra
Zona de
aviões pequenos, helicópteros, aquelas próximas aos aeroportos e dos Reis e demais aeronaves que
Controle
aviões grandes, asas delta, para- em regiões de voo com alto luxo chegam e saem do Aeroporto de
-gliders, drones, enim, tudo o que de aeronaves. Jacarepaguá.
Zona de Tráfego
de Aeródromo

FL 195

FL 145
RJ - 1
FL 110

6500 ft
5500 ft Santa Cruz
RJ - 2
Aldeia

3500 ft Santa
3000 ft RJ - 3
2500 ft Cruz
Galeão RJ
1000 ft
70 ft
Solo
Campo Galeão RJ
Afonsos

MAGAZINE 2 8 9 | 63
Nos voos VFR, a Segundo relatos, o helicóp- ponto trágico) para uma de segurança de voo se aplicam
máxima que vale é tero estava voando com direção situação que estatisticamente a toda e qualquer aeronave, da
“Ver e Evitar”, sem a Angra dos Reis mantendo ocorreria mais cedo ou mais mais simples à mais complexa
esquecer que você 1.000 pés de altitude, seguindo tarde. Não existem números e garantir sua devida aplicação
pode estar em um as publicações aeronáuticas oiciais que comprovem as cabe ao piloto em comando.
espaço em que a
atenção requerida pertinentes e se comunicando na situações de riscos ocorridas Evidentemente, há espaço para
deve ser redobrada frequência de autocoordenação, nessa e em outras regiões do o convívio harmonioso de todas
como determinado para a região. país envolvendo aeronaves as vertentes da aviação existentes
De repente, o piloto avistou uma leves-experimentais com aviões hoje em dia, mas isso só é possível
aeronave em subida que o acertou e helicópteros, porém esse se havendo respeito mútuo entre
diretamente. O impacto se deu na tornou um assunto recorrente todos os atores desse cenário. As
parte inferior da deriva vertical nas “conversas de aeroporto”. divisões feitas no espaço aéreo já
situada no inal de seu rotor de O que especialistas em preveem áreas com as suas devidas
cauda, não havendo tempo para segurança de voo alertam e que vocações a im de suportarem de-
qualquer manobra evasiva. pilotos de aeronaves experi- terminados voos, restringindo ou
Consta que, em nenhum mentais precisam ter em mente liberando determinadas áreas.
momento, houve comunicação é que, ao realizarem seus voos, Não faz sentido aplicar res-
bilateral do piloto do avião com devem efetuar um planejamento trições de espaço aéreo Classe A
o do helicóptero na frequência igual a qualquer outro piloto e (somente voos IFR em grandes al-
determinada para o local. Am- não simplesmente sair voando titudes) a regiões de baixa altitude
bas as aeronaves conseguiram como se não houvesse riscos e sem auxílios de navegação. Por
retornar para suas bases somen- de se defrontar com situações isso há classiicações de espaço aé-
te com danos materiais, mas por de conlito de tráfego. Como se reo (de A até G). Nos voos visuais,
muito pouco esse acontecimen- sabe, as regras para certiicação a máxima que vale é “Ver e Evitar”,
to não se tornou uma tragédia. são bem menos rígidas, mas, mas sem esquecer de veriicar que
uma vez fora do solo, os crité- você pode estar em um espaço em
CASO ALARMANTE rios em voo se tornam iguais a que a atenção requerida deve ser
Esse foi o desfecho (até certo qualquer piloto. Os conceitos redobrada!

64 | MAGAZINE 2 8 9
Os melhores vinhos das melhores
importadoras em um clube único:
Mistral, World Wine, Winebrands, Qualimpor, Adega
Alentejana, Portus, Grand Cru,
Vinci entre outras.

Sempre vinhos pontuados por Robert Parker, ADEGA,


Wine Spectator ou Descorchados.

a c e s s e : w w w. c l u b e a d e g a . c o m . b r
S EG U R A N Ç A
COLETES QUE
SALVAM VIDA S
Voos de helicópteros sobre a água exigem equipamentos
e treinamento para evitar afogamentos após um acidente
POR | MARCELO GUERRANTE*, ESPECIAL PARA AERO MAGAZINE
U
ma análise de aci- de segurança relacionados à Anos depois, um helicóptero
dentes aéreos com operação aérea de aeronaves de do Grupo Pão de Açúcar, modelo
helicópteros em asas rotativas sobre a água. Sim, Agusta 109 (atual Leonardo 109),
voos sobre a água há requisitos para realização de afundou no litoral norte de São
mostra que uma tal operação. Segundo resume o Paulo com o ilho mais velho do
trágica história quase sempre se Sipaer (Sistema de Investigação e empresário Abílio Diniz, João
repete: tripulantes e passageiros Prevenção de Acidentes Aeronáu- Paulo Diniz, a bordo. João era
perdem suas vidas não pela queda ticos), a adoção de equipamentos triatleta e foi um dos sobrevi-
da aeronave em si, mas porque se de sobrevivência e a promoção do ventes da queda da aeronave. Ele
afogam, pois estavam a bordo de chamado Treinamento de Escape conseguiu nadar até a margem
helicópteros sem lutuadores, nem de Aeronave Submersa (HUET mais próxima e pedir ajuda. A
coletes salva-vidas disponíveis – Helicopter Underwater Escape namorada dele, Fernanda Vogel,
Reportagem do para seus ocupantes. Training) reduzem o risco de não teve a mesma sorte. Tentou
jornal O Estado Se você costuma voar de morte de tripulantes e passageiros nadar em direção à praia, mas
de São Paulo helicóptero, deve saber que nessas condições. acabou se afogando.
de 1992 existem aspectos importantes Desde a morte de Ulysses
ULYSSES E DINIZ Guimarães e de posse do elevado
Entre os casos mais emblemá- número de acidentes e fatalidades
tico está o de 12 de outubro no período, o ano de 2018 nos
de 1992, data em que o Brasil faz relembrar daquele fatídico
se despedia do então deputa- acidente. Isso porque o país
do federal Ulysses Guimarães, continua a colecionar vítimas nas
que presidira a Assembleia estatísticas de acidentes com heli-
Nacional Constituinte de cópteros nas águas brasileiras.
1988. O parlamentar viajava
de helicóptero entre Angra PERNAMBUCO E RIO
dos Reis e São Paulo quando, O primeiro ocorreu em janeiro
em meio a forte tempestade, a deste ano, quando um helicópte-
aeronave em que estava mer- ro modelo Robinson 44, operado
Acervo Estadão

gulhou no mar fluminense. por uma emissora de TV, caiu no


Todos os ocupantes morreram mar pernambucano, tirando a
e o corpo de Ulysses nunca vida de quatro pessoas. O segun-
foi encontrado. do, e mais recente, um helicóp-

68 | MAGAZINE 2 8 9
Coletes
salva-vidas para
helicópteros

tero modelo Bell 206 mergulhou lizados a uma distância e altura da


nas águas da praia da Barra da margem que, em regime autorro-
Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), tacional (power-of glide distance),
e o comandante da aeronave seja impossível a realização de um
acabou falecendo. pouso forçado em terra irme, no
Além das vítimas, os referidos litoral.
acidentes trazem consigo algo
em comum: os helicópteros não ROTAS ESPECIAIS
estavam equipados com lutuado- Depois de compreendermos as rados para dentro do mar. Acidentes na
res e não havia coletes salva-vidas diretrizes normativas gerais para Para se ter ideia, no Rio de água continuam
fazendo vítimas
à disposição dos passageiros o uso correto dos lutuadores e Janeiro, as aeronaves que decolam
no Brasil. Na p.
e tripulantes. Diante de tal dos coletes salva-vidas, é interes- do aeródromo de Jacarepaguá oposta, cartas de
constatação, parece fundamental sante deslocarmos nosso olhar com destino ao Aeroporto Santos voo visual do Rio
entendermos as regras nacionais para as atuais Rotas Especiais Dumont, ou qualquer outra e de Salvador
para condução das operações de Helicóptero (REH) ou Rotas cidade do litoral norte do estado,
aéreas sobre a água. Especiais de Aeronaves (REA) seguem pela Rota Praia e/ou pela
brasileiras. Tais corredores visuais Rota Litoral. Estes nomes não
AS REGRAS são cartografados pelo Departa- foram escolhidos por acaso, mas,
Inicialmente, o fabricante de mento de Controle do Espaço Aé- sim, porque os helicópteros que
helicóptero deve demonstrar para reo (Decea) e visam a um maior voam na região devem seguir
autoridade de aviação civil que, ordenamento do tráfego aéreo trajetórias próprias sobre o mar,
após o pouso de emergência na de aeronaves voando VFR, uma tendo como referências as prin-
água, a aeronave possui um com- menor interferência com tráfego cipais praias cariocas, facilitando,
portamento que evite ferimentos IFR, uma melhor utilização do assim, a orientação dos pilotos.
imediatos aos ocupantes e que espaço aéreo e uma atenuação
consiga manter um tempo de lu- dos efeitos de ruído sobre as SEGURANÇA PÚBLICA
tuação que seja suiciente para os cidades, além de prover melhores Outro fato inusitado é que o Rio
passageiros e tripulantes saírem referências visuais para os pilo- de Janeiro ainda convive com o
da aeronave com segurança. tos. No entanto, nas principais caos na segurança pública, que foi
Além disso, as normas foram cidades do litoral brasileiro, como além das favelas cariocas e hoje
cuidadosas ao exigir o uso de Rio de Janeiro, São Luís, Salvador, interfere diretamente na operação
dispositivos de lutuação nas Florianópolis, entre outras, os das aeronaves que trafegam sobre a
operações ofshore e nos voos rea- corredores visuais foram empur- cidade maravilhosa. O Decea se viu

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OS EQUIPAMENTOS
O colete salva-vidas e os lutu-
adores devem ser utilizados no
momento em que o pouso na
água é inevitável (ditching). Por
óbvio, se estamos voando em
rotas obrigatórias (corredores
visuais), onde o pouso forçado na
costa é impossível, devemos ser
cautelosos e nos equipar com tais
dispositivos para aumentarmos as
chances de sobrevivência.
Não custa lembrar que, após
os acidentes aéreos, os ocupan-
tes podem estar feridos e sem
condições físicas para manter a
lutuação, enquanto aguardam as
equipes de busca e salvamento.
obrigado a delimitar áreas geográ- Eduardo Magalhaes (SBSV) e Ademais, para alcançar a praia
icas onde o voo é proibido sempre qualquer praia do litoral sul baia- mais próxima a nado, as pessoas
que ocorrem conlitos armados ou no, a aeronave deverá ingressar devem ser dotadas de preparo físi-
onde existem fortes possibilidades no corredor AXEH e sobrevoar co similar ao dos triatletas. Como
dos projéteis atingirem as aero- os quase 15 km das águas da en- João Paulo Diniz, que conseguiu
naves em voo. Tudo isso faz com trada da Baia de todos os Santos, nadar até a areia e pedir socorro.
que as rotas visuais de helicóptero a apenas 1.000 t de altitude. No Mas de nada adiantará so-
se afastem ainda mais do litoral Maranhão, o piloto que decolar breviver ao acidente aéreo se os
carioca. Quer dizer, a praia é inal- de qualquer ponto da Ilha de São ocupantes não conseguirem sair
cançável nas situações de emergên- Luís, incluindo o aeroporto inter- da aeronave e usar os colete salva-
cia em que o planeio é requerido nacional, com destino a qualquer -vidas. E para que isso aconteça
sendo, portanto, inevitável o pouso cidade do estado deverá ingressar é fundamental que, pelo menos,
na água. nos corredores visuais com exten- dois aspectos sejam observados:
Em Salvador, nas rotas entre sos voos sobre a agua e a altitudes pilotos e passageiros devem ter
o Aeroporto Internacional Luís máximas de 1.500 t. conhecimento dos procedimentos
para evacuação de emergência na O ATSB ainda fez mais um
água, inclusive os procedimen- importante apontamento: revela
tos para abertura das saídas de que o afogamento é a principal
emergência; e que os tripulantes causa de morte nos acidentes de
tenham sido capacitados no Trei- helicóptero na água. Em outras
namento de Escape de Aeronave palavras, os ocupantes sobrevivem
Submersa (HUET). ao acidente, mas depois morrem
afogados. Por im, a autoridade
O TREINAMENTO de investigação australiana emitiu
Em um recente acidente aéreo, o Safety Advisory Notice (AO-
ocorrido este ano na Austrália, 2018-022-SAN-001), alertando
um helicóptero modelo EC135 os operadores aéreos sobre a im- É temerário, portanto, o Além de
decolou do heliponto de Port portância da realização periódica esquecimento do uso de lutua- equipamentos
Hedland com um piloto recém- do treinamento de HUET para dores e coletes salva-vidas, a não de segurança,
-contratado, um instrutor e um todos os tripulantes e passageiros realização dos treinamentos em tripulantes e
frequentes. passageiros
examinador para mais um voo HUET e a ausência na condução
frequentes devem
sobre o oceano. Após alguns mi- do brieing de segurança aos receber treinamento
nutos, a aeronave imergiu no mar LIÇÕES passageiros quando na realização para evacuação
australiano. O piloto perdeu a Se pudermos extrair as lições de qualquer voo sobre as águas
vida e seu corpo foi levado junto aprendidas ao longo dos anos, territoriais brasileiras. Salvam-se
com a fuselagem para o fundo do pode-se perceber, sem maior os passageiros da queda e per-
mar. O instrutor e o examinador esforço, que os helicópteros em dem-se vidas porque a água exige
de voo, no entanto, sobreviveram. operação no litoral brasileiro treinamento e equipamentos
A investigação preliminar da estão mais expostos à possibili- especiais. É preciso mudar essa
autoridade de investigação austra- dade de ditching, considerando cultura, ainal, como diria Albert
liana (Australian Transport Safety que as principais REAH/REH Einstein: “Insanidade é continuar
Bureau - ATSB) demonstrou que (corredores visuais) conduzem fazendo sempre a mesma coisa e
as pessoas que haviam sobrevivido as aeronaves para uma posição esperar resultados diferentes”.
ao acidente tinham realizado o geográica mais distante da costa
treinamento HUET havia menos e numa altura em que, em regime * Piloto de linha aérea e comercial
de três anos, enquanto o piloto autorrotacional, não será possível de helicóptero, Marcelo Guerrante é
que não se salvou o tinha feito alcançar um local para pouso especialista em segurança de voo e
havia 9 anos. forçado na margem. regulação de aviação civil.

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AV I AÇ ÃO M I L ITA R

A FÁBRIC A DA
GRIPEN NO BR A SIL
Saab inaugura instalações na Grande São Paulo para produzir
componentes e partes estruturais do novo caça da FAB
PO R | E D M U N D O U B I R ATA N , D E S ÃO B E R N A R D O D O C A M P O

rata-se da primeira vamente montados pelo Brasil. Ao trole brasileiro sobre a transfe-

T unidade de produ-
ção da Saab fora da
Suécia. Inaugurada
na cidade de São
Bernardo do Campo, na grande
São Paulo, a nova instalação da
empresa será responsável pela pro-
inal do contrato, existe a expecta-
tiva de produzir componentes para
aeronaves de diversos fabricantes.
“A fábrica já está se estruturando
para fazer parte de uma cadeia
global de suprimentos da Saab para
os mercados de aviação civil e de
rência de tecnologia acordada.
“Estamos transferindo conheci-
mento e capacidade de produção
de aeroestruturas complexas
para o Brasil, cumprindo nosso
acordo de ofset”, airma Franzén.
A escolha de São Bernardo
dução de partes das estruturas do defesa”, explica Mikael Franzén, do Campo, de acordo com a
Gripen NG. A unidade, chamada chefe da unidade de negócios Saab, deu-se pela localização
de Saab Aeronáutica Montagens Gripen Brasil. estratégica da cidade, próxima
(SAM) e situada em uma área de do Porto de Santos, do Aeropor-
aproximadamente 5.000 m², deverá PAPERLESS to Internacional de Guarulhos,
montar seções e sistemas desti- De acordo com a Saab, todo o de importantes rodovias e dos
nados aos aviões encomendados processo será paperless, ou seja, clusters aeronáuticos de São José
pelo Brasil, como o cone de cauda, livre de papéis, com todos os da- dos Campos e Gavião Peixoto.
freios aerodinâmicos, o wingbox e dos sendo oferecidos em telas de Evidentemente, uma série de
partes da fuselagem, tanto traseira computador. O fabricante alega acordos políticos, conduzidos ao
como dianteira, para as versões que a tecnologia, além de reduzir longo do processo de escolha do
monoposto e biposto. custos, oferece menor risco projeto F-X2, favoreceu a cidade,
Com isso, o programa Gripen de espionagem industrial. No berço político de Luiz Marinho,
NG avança no sentido de propor- entanto, analistas apontam riscos que é pré-candidato ao governo
cionar a montagem de parte dos em torno da real transferência do estado de São Paulo.
aparelhos no Brasil. A expectativa de tecnologia. “A vantagem do Após a montagem dos
é que a SAM tenha capacidade paperless evidentemente está na componentes na SAM, estru-
plena em 2024, ano de entrega do redução dos riscos de espiona- turas complexas serão enviadas
último lote de aviões encomenda- gem, da mesma forma que, de- para Gavião Peixoto, onde as
dos, quando terá um total de 200 pois de desligado o computador, aeronaves serão inalizadas e
funcionários, segundo o fabricante. ninguém mais terá acesso aos realizarão os ensaios em voo. A
Inicialmente, a Saab conirma dados”, alerta o consultor militar empresa sueca possui na cidade
que serão produzidos componen- Olavo Gomes. A Saab garante o chamado Gripen Design and
tes para os aviões que serão efeti- que o processo manterá o con- Development Network (GDDN)

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Primeiro Gripen em parceria com a Embraer. Lá para a próxima geração de caças contínua e redundante em toda a
brasileiro estão sendo realizadas uma série brasileiros”, airma Sergio Horta, sua extensão, sendo possível rece-
em fase de de ações de desenvolvimento da presidente da AEL Sistemas. ber entradas de teclas multifun-
montagem
versão brasileira do Gripen NG. cionais, touchscreen ou interfaces
na Suécia
NOVO MODELO externas. O display é similar ao
AKAER E AEL A versão atual é um protótipo com adotado pelo Lockheed Martin
Um dos destaques no projeto da mecânica, hardware e sotware, que F-35 Lightning II.
linha de montagem de compo- será usado no desenvolvimento e Outra característica do
nentes é a parceria com a brasi- ensaios de qualiicação do equipa- Gripen NG é o Helmet Mounted
leira Akaer, que detém 10% da mento para futuro uso da aeronave Display, denominado Targo, que
estrutura inanceira da unidade em voo. Desde a entrega do mode- é um avançado sistema de visuali-
brasileira. Ao mesmo tempo que lo B, no segundo semestre de 2017, zação integrado ao capacete. Os
a Akaer adquire 10% da SAM, a o novo modelo agrega uma série pilotos equipados com o Targo
Saab aumenta a participação na de melhorias e evoluções, como são capazes de localizar, rastrear,
Akaer de 25% para 28%, em uma nova placa gráica para aumentar identiicar e combater melhor os
operação de troca de ações. a capacidade de processamento alvos aéreos e terrestres, quan-
Outro anúncio feito pela Saab e o desempenho na apresentação do as imagens são exibidas no
foi a conclusão da terceira etapa de imagens; realização de testes visor do capacete, permitindo ao
do desenvolvimento do display de qualiicação como vibração piloto ter dados de combate para
panorâmico Wide Area Display. A (shaker) e de temperatura (burn- onde olhar. Com isso, o sistema
brasileira AEL Sistemas, responsá- -in); consolidação da coniguração proporciona maior consciência
vel pelo projeto, desenvolvimento inal de hardware; ampliação da situacional de combate.
e produção do WAD, entregou o maturidade e coniabilidade do
modelo C do sistema, resultado da sistema; e a agregação de diversas GRIPEN E/F
terceira etapa do desenvolvimento funcionalidades de sotware. Embora sejam derivados dos atu-
do display. O WAD é um sistema inte- ais Gripen C/D, os novos Gripen
“A entrega do modelo C ligente com tela panorâmica (19 NG são mais pesados do que seu
representa a absorção de tecnolo- x 8 polegadas) de alta resolução, antecessor, pois receberão melho-
gia no desenvolvimento do WAD que permite exibir uma imagem rias. Entre elas um reinamento

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aerodinâmico, incluindo novas rado ao antecessor. As mudanças swashplate, o sistema inclui uma Unidade
tomadas de ar maiores. Com permitirão uma maior carga útil e antena do radar inclinada, que gira brasileira da
Saab terá
maior peso foi necessário um re- raio de combate passou para 700 em eixo longitudinal, o que per- 5.000 m 2 e
projeto do trem de pouso princi- nm (1.300 km) com 30 minutos mite ampliar a área de varredura contará com
pal, que teve de ser deslocado da on station, similar aos principais para até 100 graus, ante um ângulo tecnologia
fuselagem para as raízes das asas, caças do mundo. de 60 graus dos radares AESA paperless
permitindo maior peso estrutural O avião recebeu ainda uma ixos. O IRST Skyward-G, de
e aumento de aproximadamente série de melhorias na capacidade busca e rastreio por infraverme-
40% da capacidade de combustí- de combate, como nova suíte de lho, possibilita um funcionamento
vel. Além disso, o avião recebeu sensores e WAD (na versão brasi- semelhante ao radar, porém, sem
o motor GE F414G, o mesmo do leira). Entre os principais sistemas emitir radiação eletromagnética,
Super Hornet, que oferece 35% a integrados aos novos aviões está fornecendo, assim, uma varredura
mais de empuxo quando compa- o radar AESA ES 05 Raven com de elevada discrição.

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H I S TÓ R I A

Inauguração da Escola Brasileira


instalada no Campo dos Afonsos
PIONEIROS
BRASILEIROS
EM CÉUS
EUROPEUS
Quando a Primeira Guerra Mundial começou, a
aviação ainda engatinhava na pátria de Santos
Dumont. Mas os poucos pilotos que voavam no
Brasil sonharam em lutar nas batalhas aéreas
sobre o velho continente
P O R | A ND R É B OR GE S LOPE S

odo brasileiro que foi assassinado em Sarajevo (então

T gosta de aviação já
ouviu falar dos pilotos
brasileiros que lutaram
na Segunda Guerra
Mundial e das façanhas heroicas
do “Senta a Púa” – a esquadrilha
da FAB que participou da cam-
província da Áustria-Hungria e
hoje capital da Bósnia e Herzego-
vina), dando início ao conlito na
Europa, contavam-se nos dedos os
brasileiros que sabiam pilotar um
avião – e todos eles “brevetados”
no exterior, em geral por iniciativa
panha da Itália em 1944-45. Mas individual e às próprias custas. Os
pouca gente sabe que essa não foi poucos aparelhos que voavam no
a primeira participação de avia- Brasil pertenciam a particulares.
dores do Brasil nos conlitos eu- Meses antes da conlagração
ropeus. Três décadas antes, alguns do conlito mundial, no dia 2 de
brasileiros enfrentaram grandes fevereiro, havia sido inaugurada a
diiculdades para tentar combater Escola Brasileira de Aviação, ins-
ao lado dos ases que desaiavam talada no Campo dos Afonsos, no
a morte sobre os campos ensan- Rio de Janeiro, onde já funcionava
guentados da Primeira Guerra. desde 1911 o Aeroclube Brasileiro.
No início da década de 1910, A empresa particular “Gino, Buc-
a aviação militar no Brasil era celli & Cia”, dirigida por aviadores e
apenas um sonho. Políticos e mecânicos italianos, fora contrata-
chefes militares não colocavam da pelo Exército para formar uma
muita fé no poder de combate primeira turma de 35 pilotos. A
daqueles frágeis aviões de madeira eles se somaram 25 oiciais da Ma-
e tela que, de tempos em tempos, rinha, que também tentava montar
faziam shows de acrobacias pelo a sua arma de aviação. A escola
país. Em julho de 1914, quando o enfrentou problemas: poucos ins-
arquiduque Francisco Ferdinando trutores, falta de peças de reposição

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norte da capital paulista. A escola
teve o apoio da Força Pública do
Estado de São Paulo (antecessora
da Polícia Militar) e já estava em
funcionamento no inal de 1913,
meses antes da EBA do Rio ser
aberta – mas tampouco foi adiante.
Faltavam peças e mão de obra. Seis
décadas depois, Edu revelou numa
entrevista outra diiculdade: “Eu
não tinha paciência para ensinar.
Me irritava com os alunos e eles de-
sistiam do curso. Montei a escola,
mas não formei nenhum piloto”.
O fracasso da escola não aba-
lou o prestígio de Chaves, famoso
no país por seus reides aéreos.
Em março de 1912, ele e Roland
Garros – então de passagem pelo
Brasil – inauguraram juntos a liga-
ção aérea entre Santos e São Paulo.
Poucos meses depois, Edu tentou
um voo direto entre São Paulo e
Rio, que por pouco não terminou
em tragédia. Um vazamento de
combustível obrigou-o a pousar
no mar seu Blériot, próximo a
Mangaratiba. Repetiria a façanha
Na foto do alto e de mecânicos especializados, fra- precisou que lhe fornecessem um com sucesso dois anos depois, em
com Roland Garros,
gilidade dos aparelhos e atrasos nos avião com motor de competição julho de 1914, já com um novo
Edu Chaves obteve
seu brevê em 1911 pagamentos por parte do governo. para que pudesse aprender a avião. Edu Chaves ainda come-
Com a entrada da Itália na Guerra, voar. Compensava o maior peso morava essa conquista quando as
a situação icou insustentável. Em com um grande talento. Não por tropas alemãs invadiram a França.
julho do mesmo ano, a EBA encer- acaso, em julho de 1911 obteve o Dias depois, apresentou-se no
rou suas atividades – antes mesmo seu brevê – o primeiro concedido consulado francês, colocando-se à
de formar um único piloto. pela escola a um civil brasileiro. disposição daquele país.
Dois meses depois, venceu a Apesar da prontidão do
AMIGO DO HERÓI competição “Les Prix des Escales”, piloto, as coisas se revelaram
Na época, um dos poucos brasilei- uma prova de 1.800 km com 27 mais complicadas. O Brasil estava
ros voadores era o civil Eduardo escalas, durante a qual conheceu neutro na guerra e Chaves só
Pacheco Chaves. Nascido em um jovem aviador francês: Roland conseguiu embarcar para a Europa
1887, ilho de uma rica família de Garros, futuro herói da França. em outubro. Retornou ao Brasil
cafeicultores paulistas, Eduardo No ano seguinte, Edu Chaves, dois meses depois, anunciando
estudava engenharia na Inglaterra como icaria conhecido, voltou que havia se alistado na aviação
quando foi seduzido pela nascente ao Brasil trazendo seis aviões francesa: “Venho à Pátria liquidar
aviação. Em 1911, mudou-se para Blériot XI, com os quais pretendia negócios, dentro de vinte dias
a França onde, orientado por montar, em sociedade com Cícero voltarei à França”. A estada no Bra-
Santos Dumont, matriculou-se Marques, uma escola de aviação. sil se prolongou além do previsto.
na Escola de Aviação Blériot, em Estabeleceu-se em Guapira, uma Só em dezembro de 1915 Edu
Étamps. Homem alto e robusto, fazenda da sua família na zona conseguiu retornar à Europa. Um

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navio inglês o deixou em Lisboa, aviação mundial ao completar, ao vida em um grave acidente. Base da RAF, em
de onde seguiu por terra. Em lado do mecânico francês Robert Por outro lado, em julho de Calshot, onde
fevereiro de 1916, apresentou-se à hierry, o primeiro voo entre Rio 1916, chegaram ao Rio de Janeiro militares brasileiros
aviação francesa. No mês seguinte, de Janeiro e Buenos Aires, num três pequenos hidroaviões norte- eram treinados
obteve o brevê militar. Seu amigo biplano Curtiss Oriole. O amigo -americanos Curtiss Modelo F,
Garros, derrubado sobre a Bélgica Garros, de volta à França após encomendados pela Marinha de
no ano anterior, amargava então fugir do cativeiro, morreu em Guerra. Com eles, veio o piloto e
uma longa temporada num campo combate sobre as Ardenas, poucos mecânico Orton Hoover. Na falta
de prisioneiros. dias antes do im do conlito. de opção, Hoover foi improvisado
Apesar da boa vontade, Edu como instrutor na nova Escola de
Chaves não chegou a combater na GUERRA NO MAR Aviação Naval. Em setembro, a
guerra. Incorporado como soldado Enquanto Edu Chaves enfrentava EAvN foi inaugurada e deu início
à Legião Estrangeira, recebeu treina- os percalços da guerra na França, à formação de pilotos. Em abril do
mento e participou como metralha- a aviação militar brasileira alter- ano seguinte, foram diplomados
dor em missões de patrulha aérea. nava revezes e avanços. Em 1915, os primeiros 13 aviadores militares
Mas foi traído por um problema a primeira experiência nacional formados no Brasil, sete da Mari-
de saúde: uma crise de reumatismo no uso de aviões em conlito nha e quatro do Exército. O então
o jogou por meses numa cama de havia resultado em fracasso. En- presidente da República, Venceslau
hospital. Dispensado da Legião, foi viado para fazer voos de reconhe- Brás, chegou voando à cerimônia,
reformado com o posto de cabo. cimento na Guerra do Contesta- trazido num Curtiss pilotado por
Retornou ao Brasil em novembro de do, nas lorestas do oeste de Santa um dos formandos da Marinha, o
1916, “contrariado e macambúzio”, Catarina, o piloto do exército tenente Virginius Delamare.
segundo os jornais. Ricardo Kirk (brevetado em Na Europa, já era evidente a
Quatro anos mais tarde, Étamps três anos antes) destruiu importância da aviação nos comba-
Chaves entraria para a história da três aviões e perdeu a própria tes. Nos mares, a guerra começava

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portos brasileiros. Em outubro de foi simbólica. Em julho de 1917,
1917, o Brasil declarou guerra à observadores do Exército, entre
aliança germânica. eles três aviadores, já haviam sido
A entrada do país na Guerra enviados à frente francesa para
Mundial foi acompanhada por coletar informações sobre novos
bravatas por parte de políticos e armamentos e táticas.
militares – que viam no conlito Uma divisão naval da Marinha
uma oportunidade de o Brasil ga- (sem os couraçados) foi enviada
nhar projeção no cenário interna- para patrulhar o litoral norte da
cional. Pandiá Calógeras, ministro África, mas, devastada no trajeto
da Guerra, chegou a acenar com pela epidemia de gripe espanhola,
o fantasioso plano de enviar 150 mal entrou em operação. No iní-
mil soldados à Europa – dez vezes cio de 1918, um grupo de pilotos
o efetivo do então obsoleto e mal militares brasileiros foi mandado
equipado Exército Brasileiro. A para treinamento nos EUA, Itália e
a colocar em xeque a neutralidade Marinha de Guerra dispunha de Reino Unido. Todos eram voluntá-
Os aviões de brasileira. No início de 1917, era dois poderosos navios couraçados rios e somente os solteiros podiam
combate do início grande a pressão para que o país ainda novos, mas não possuía nem optar pela Europa.
do século 20:
declarasse guerra à Alemanha e recursos nem pessoal capacitado
Short (no alto) e
Sopwith Camel seus aliados: navios cargueiros de para operar esses navios a milha- MORTE E GLÓRIA NOS ARES
bandeira brasileira, levando café e res de quilômetros de suas bases. O grupo mais numeroso foi
matérias primas, começaram a ser Na prática, o Brasil aumen- enviado para escolas da Royal
afundados por submarinos alemães tou a remessa de alimentos e Air Force, no Reino Unido – que,
– que tentavam impor um bloqueio matérias-primas estratégicas a após alguma hesitação, aceitou
naval ao Velho Continente. Em países aliados. Alguns dos navios recebê-los. Eram oito pilotos da
abril, os EUA entraram na Guerra e mercantes alemães coniscados Marinha (Manoel Vasconcellos,
o Brasil rompeu relações diplo- foram emprestados à França. Virgínius Delamare, Fabio Sá
máticas com o bloco germânico. Além disso, um hospital brasileiro Earp, Belisário de Moura, Heitor
Os afundamentos continuaram e com 500 leitos foi montado em Varady, Eugênio Possolo, Olavo
o governo brasileiro coniscou 42 Paris para atender aos feridos de Araújo e Lauro de Araújo) e
navios alemães que estavam em guerra. Mas a participação militar apenas um do Exército (Aliatar

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Martins). Dispondo de menos
aviadores, o Exército relutava em
colocar em risco o seu pessoal.
É provável que alguns deles
sonhassem em participar dos
famosos combates aéreos que
faziam a glória de ases como
Manfred von Richthofen, René
Fonck e Edward Mannock. Mas
num momento em que os pilotos
em ação no front já se contavam
aos milhares, a chegada de uma
dúzia de estrangeiros inexperien- os Estados Unidos e estagiaram
tes gerou mais preocupação que no US Naval Air Service. Outro
ajuda. Os brasileiros não falavam grupo, liderado pelo capitão-de-
bem o inglês, desconheciam os
aviões britânicos e não tinham
-corveta Protógenes Guimarães
(ex-diretor da EAvN), foi para
A PRIMEIRA GUERRA
treinamento em táticas de comba- Itália, onde os oiciais tiveram MOSTROU AO BRASIL
te. As estatísticas da RAF mostra- contato com os novos equipamen-
vam que, mesmo com formação tos e táticas na Escola Naval de A IMPORTÂNCIA DE SE
adequada, a vida média de um
piloto novato na linha de frente
Taranto. Nenhum deles participou
de missões de combate. FORMAR UMA FORÇA AÉREA
não superava três semanas.
De início, o grupo foi alojado ENFIM, UMA AVIAÇÃO
num centro de treinamento em Finda a guerra, a Inglaterra co-
Eastbourne, sul da Inglaterra, onde brou do Brasil gastos com estadia,
sua formação recomeçou do zero. instrução e treinamento dos pilo- no Campo dos Afonsos a Escola
Depois de algum tempo, passaram tos, além dos aviões destruídos. de Aviação Militar – responsável
a ensaiar missões de patrulha- Não deu resultado a tentativa de pela formação de aviadores e
mento e bombardeio. Nos meses incluir o Brasil no clube das na- mecânicos para o Exército até a
inais da guerra, alguns deles foram ções que deiniriam a geopolítica década de 1940. No im do mesmo
incorporados à Escola de Bombar- mundial no pós-guerra. Convida- ano, a Força Pública paulista
deiros de Patrulha da RAF na base da a participar da Conferência de reabriu sua escola de aviação com
de Calshot, de onde executaram Versalhes, a delegação brasileira novos equipamentos.
missões de patrulha antissubmari- ganhou o direito de incorporar os A Marinha se beneiciou com
no com armamento sobre o Canal navios alemães coniscados: uma a capacitação dos pilotos e contra-
da Mancha – o mais próximo que compensação pelos prejuízos so- tou, nos EUA, uma missão militar
chegaram do combate real. O gru- fridos no comércio. Mas icou de de instrução para a Aviação Naval,
po sofreu alguns acidentes e teve fora das grandes negociações. que ganhou uma prioridade que
duas baixas, o primeiro-tenente Os maiores benefícios vieram até então não tinha. Aeroplanos
Olavo Araújo, gravemente ferido de forma indireta: a guerra deixou e equipamentos novos foram
em uma capotagem no pouso, e o evidentes as limitações das nossas comprados nos EUA e na Itália,
segundo-tenente Eugênio Possolo, forças armadas e a importância de aumentando signiicativamente
que colidiu seu biplano Sopwith possuir uma aviação militar. Já em a disponibilidade de aparelhos.
Camel em voo com um avião 1919, um contrato entre Brasil e Além disso, começou a maturar na
pilotado por um inglês, resultando França estabeleceu a vinda de uma força a ideia de construir no Brasil
na morte de ambos. missão militar francesa ao Brasil, alguns dos seus aviões. Anos mais
Três aviadores da Marinha com o objetivo de modernizar o tarde, essa iniciativa daria origem
(Mario Godinho, Fileto Santos e Exército. No pacote, foram impor- aos treinadores Muniz e à Fábrica
Antônio da Silva Jr) foram para tados aviões franceses e criou-se do Galeão.

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CLICK Spotter
“Baron 58 e seu ronco inconfundível, com
um belo pôr do sol, em Uberaba (MG)”
Foto: Guilherme A.Sedassari - Uberaba Spotter
“JETNET Marketplace Manager tornou-se uma parte
crucial de nossas vidas diárias de negócios.”

“Eu adoraria para mantê-lo como um ingrediente secreto para o nosso sucesso,
mas porque os nossos amigos na JETNET são tão incrivelmente útil quando
chamamos, temos de apoiá-las! O programa Marketplace Manager é uma grande
adição ao seu serviço aeronaves Evolution.”

RENÉ BANGLESDORF Cliente desde 2008


CEO, Charlie Bravo Aviation, LLC

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