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Análise dos teores totais de CaO e MgO em rochas calcárias da

região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais


Giulia Mara Silva e Souza1, Leandra de Oliveira Cruz da Silva 1
1
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste

de Minas Gerais – Campus Barbacena

Introdução

A procura e aproveitamento de recursos minerais tem uma relação histórica com o


Brasil, já que desde sempre contribuem de maneira significativa para a economia
nacional (Farias, 2002). No país, os maiores produtores de calcário bruto foram
Minas Gerais (22,3%), Distrito Federal (20,4%), Sergipe (13,4%) e Ceará (11,0%). E
a produção beneficiada está concentrada em três estados: Minas Gerais (34,6%),
São Paulo (13,6%) e Paraná (12,6%) (DNPM, 2006).

Na região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais, onde está inserido o campus
Barbacena do IFSudesteMG, há ocorrência de rochas calcárias, as quais são
exploradas por importantes empresas do setor, para fins variados como, fabricação
de cimento, cal, corretores de acidez no solo, dentre outros.

A calcita (carbonato de cálcio – CaCO3) é o principal constituinte mineralógico do


calcário, e naturalmente existem, acompanhando o carbonato de cálcio, em maior ou
menor proporção, outros carbonatos como os de magnésio, ferro, manganês e mais
raramente de zinco, bário, etc (Sampaio e Almeida, 2005). No quadro 1 observa-se a
classificação dos calcários com base nos teores de óxidos de cálcio e magnésio.

Quadro 1. Classificação dos calcários

Tipo % CaO % MgO

Calcário calcítico 45 - 55 <5

Calcário magnesiano 31 - 32 5 _ 12

Calcário dolomítico 25 - 40 > 12

Fonte: http://www.incaper.es.gov.br/sistemas/servicos/images/Calagem.pdf

É possível a comparação das características das matrizes de rochas calcárias por


meio de análises químicas quantitativas e qualitativas, permitindo assim identificar a
finalidade adequada, considerando também os aspectos econômicos, sociais e
ambientais envolvidos. Frente ao grande número de aplicações das rochas
calcárias, torna-se interessante o estudo comparativo das mesmas, visando gerar
informações que contribuam para o uso eficiente desses materiais. Neste trabalho
foram realizadas a determinação de umidade pelo método gravimétrico, que baseia-
se na perda da umidade e substancias voláteis a 110ºC e na quantificação da
massa, devido à perda de água por evaporação, que é determinado por dessecação
direta em estufa a 110°C. Foram determinados os teores totais de óxidos de cálcio
(CaO) e magnésio (MgO) por volumetria utilizando o EDTA (ácido
etilenodiaminotetracético) como agente complexante, solução tampão em pH = 10, e
como indicador complexométrico, o corante orgânico Negro de eriocromo T.

Palavras-chave: recurso mineral, complexometria, gravimetria

Categoria: Nível Médio (BIC-Jr), Área: (a) Ciências Exatas e da Terra

Objetivo

Determinar a umidade e teor total de óxidos de cálcio e magnésio em amostras de


rochas calcárias da região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais, comparar os
resultados e discutir sobre as finalidades a que se destinam.

Material e Métodos

Umidade pelo método gravimétrico: foram utilizados cadinho de porcelana, espátula,


estufa, balança analítica, amostras (matriz 1 e matriz 2). Pesou-se cerca de 1,0 g
das amostras das duas matrizes em cadinhos de massa conhecida, os quais foram
colocados em estufa a 110ºC por 24 horas, colocou-se no dessecador até esfriar e
mediu-se a nova massa.

Determinação de cálcio e magnésio por complexometria: foram utilizados balões


volumétricos, béqueres, erlenmeyers, conta-gotas, vidro de relógio, bureta, estufa,
balança analítica, chapa de aquecimento, peagâmetro, carbonato de cálcio seco em
estufa, sal de EDTA dissódico seco em estufa, HCl concentrado, indicador negro de
eriocromo T, amostras das matrizes 1 e 2.

A solução tampão NH4OH/NH4Cl (pH=10) foi preparada medindo-se 0,8392g de


NH4Cl e 11,2 mL de NH4OH; adicionaram-se os dois em balão volumétrico de 1,0 L e
completou-se o volume com água destilada; aferiu-se o pH com auxílio do
peagâmetro, transferiu-se para um frasco e armazenou-se em geladeira.

O preparo da solução de Na2EDTA 0,01 mol L-1 consistiu na medida de 3,7224g de


Na2EDTA seco em estufa por 2 horas a 75ºC, transferência para balão volumétrico
de 1L e volume completado com água destilada.

Para o preparo da solução padrão de CaCO 3 0,01 mol L-1, mediu-se 0,4 g do CaCO 3,
previamente seco em estufa a 105ºC por 2 horas, em um béquer de 250,0 mL;
adicionou-se 25,0 mL de água destilada e 20 gotas de HCl concentrado, até total
solubilização; lavaram-se as paredes do béquer com água destilada e aqueceu-se
até a ebulição; adicionou-se 50,0 mL de água destilada, transferiu-se para um balão
volumétrico de 250,0 mL e completou-se o volume com água destilada.

Para a padronização do EDTA, adicionou-se, em um erlenmeyer de 250,0 mL, 10,0


mL da solução de CaCO3 preparada, 2,0 mL do tampão NH4OH/NH4Cl (pH=10) e 3
gotas do indicador negro de eriocromo T; titulou-se com o EDTA preparado. Este
procedimento foi realizado em triplicata.

As amostras foram preparadas medindo-se 0,2 g das matrizes secas, cada uma em
um béquer de 100,0 mL; adicionaram-se 20 gotas de HCl 6 mol L -1 e o béquer,
tampado com um vidro de relógio, foi aquecido em chapa de aquecimento até secar;
lavou-se o vidro relógio com água destilada recolhendo o líquido no próprio béquer e
aqueceu-se até secar; adicionou-se 1,0 mL de HCl 6 mol L -1 e 50 mL de água
destilada; aqueceu-se e ferveu-se por 5 min; filtrou-se recolhendo o filtrado num
balão de 100 mL e lavou-se 2 vezes com HCl 1:20 e com água destilada; completou-
se com água destilada.

Para a titulação complexométrica das amostras adicionou-se, em erlenmeyer de


250,0 mL, 5,0 mL da amostra preparada, 10,0 mL do tampão NH 4OH/NH4Cl (pH=10),
25,0 mL de água destilada e 5 gotas de negro de Eriocromo T; preparou-se a bureta
com o Na2EDTA e fez-se a titulação em triplicata para cada amostra. Para o branco,
adicionaram-se 25,0 mL de água destilada, 10 mL de tampão NH 4OH/NH4Cl (pH=10)
e 5 gotas de indicador negro de Eriocromo T. Verificou-se o pH com fita de pH
durante todo o processo.
Resultados e discussão

As principais análises que permitem julgar a qualidade do calcário são a soma dos
teores de CaO e MgO, mínima de 38% e seu valor de Poder Relativo de
Neutralização Total (PRNT). Não basta que o calcário tenha altos teores de CaO ou
de MgO é necessário também que ele se solubilize no solo. Quanto maior o valor de
PRNT, melhor é a qualidade do calcário (Filho et al, 2009). Na tabela 1 estão
apresentados os resultados da análise de umidade, pelo método gravimétrico, e os
teores de Ca e Mg das duas matrizes de rochas calcárias da região do Campo das
Vertentes.

Tabela 1. Resultados das análises gravimétricas e complexométricas das matrizes


de rochas calcárias

Análise Matriz 1 Matriz 2

Umidade (% de H2O) 0,06289 0,001720

Teor de CaO + MgO (%) 51,12 44,46

Os teores de umidade foram desprezíveis nas amostras avaliadas. Enquanto os


teores totais de cálcio e magnésio, dentro do esperado, uma vez que, para
caracterização como calcário espera-se encontrar teores totais acima de 38%.
Resultados semelhantes foram encontrados por Silva et al, 2010, e Schnitzle et al,
2000. Para uma classificação mais precisa, quanto ao tipo de calcário, análises que
permitem o cálculo individual dos teores de CaO e MgO estão em fase final de
execução. Além dessas análises, complementarão o trabalho análises do poder de
neutralização e dos teores de óxidos de ferro, as quais também estão sendo
finalizadas pela equipe executora deste trabalho. De posse de todos os dados, será
possível a discussão sobre a finalidade adequada aos tipos de calcários estudados.

Conclusão

As matrizes analisadas foram confirmadas como rochas calcárias e tiveram umidade


desprezível. A classificação completa depende de resultados laboratoriais que estão
sendo obtidos para finalização da pesquisa.
Referências bibliográficas

DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral, 2006. Anuário Mineral


Brasileiro 2006. Disponível em http://www.dnpm.gov.br/dnpm/paginas/anuario-
mineral/anuario-mineral-brasileiro-2006. Acesso em: 03 set. 2015.

Filho, M. B., et al. Correção da acidez do solo. 2009. Disponível em:


http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/arroz/arvore/CONT000fuv6gg6802wyiv
80166sqfcgaqd10.html#. Acesso em: 12 set. 2015.

Sampaio, J. A., Almeida, S. L. M., 2005. CT2005-132-00: Calcário e Dolomito –


Capítulo 15. Disponível em http://www.cetem.gov.br/publicacao/CTs/CT2005-132-
00.pdf, acesso em: 13 set. 2015.

Silva J. P. et al. Análise e classificação de calcários vendidos comercialmente


em lojas da região metropolitana de Belém. 50º Congresso Brasileiro de Química.
Cuiabá-MT. 2010. Disponível em http://www.abq.org.br/cbq/2010/trabalhos/4/4-205-
8343.htm. Acesso em: 13 set. 2015.

Schnitzle, E., et al. Proposta de análises rápidas de calcários da região de ponta


grossa por termogravimetria (TG), comparadas com titulações
complexométricas clássicas. Ciências exatas da terra, ciências agrárias e
engenharias, 6(1): 37-46, 2000. Disponível em
http://www.revistas2.uepg.br/index.php/exatas/article/view/745 Acesso em: 13 set.
2015.

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