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Desenho

Técnico

EDUCAÇÃO SUPERIOR
Modalidade Semipresencial
Vanderlei Rotelli

Desenho Técnico

São Paulo
2017
Sistema de Bibliotecas do Grupo Cruzeiro do Sul Educacional
PRODUÇÃO EDITORIAL - CRUZEIRO DO SUL EDUCACIONAL. CRUZEIRO DO SUL VIRTUAL

R751d
Rotelli, Vanderlei.
Desenho técnico. / Vanderlei Rotelli. São Paulo: Cruzeiro do Sul
Educacional. Campus Virtual, 2017.
124 p.

Inclui bibliografia
ISBN: 978-85-8456-212-1

1. Computação. 2. Desenho técnico. I. Cruzeiro do Sul Educacional.


Campus Virtual. II. Título.
CDD 604.2

Pró-Reitoria de Educação a Distância: Prof. Dr. Carlos Fernando de Araujo Jr.

Autoria: Vanderlei Rotelli

Revisão: Selma Aparecida Cesarin, Márcia Ota, Claudio Brites e Luciene Oliveira da Costa Santos

2017 © Cruzeiro do Sul Educacional. Cruzeiro do Sul Virtual.


www.cruzeirodosulvirtual.com.br | Tel: (11) 3385-3009
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização
por escrito dos autores e detentor dos direitos autorais
Plano de Aula

Desenho Técnico

SUMÁRIO
9 Unidade I – Instrumentos

33 Unidade II – Vistas Ortogonais

53 Unidade III – Planta Baixa

71 Unidade IV – Cortes

91 Unidade V – Elevações

109 Unidade VI – Cálculo de Escadas


PLANO DE
AULA

Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem Conserve seu
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua material e local de
formação acadêmica e atuação profissional, siga estudos sempre
algumas recomendações básicas: organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
Assim: de se alimentar
e se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da hidratado.
sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário
fixos como o seu “momento do estudo”.

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.

No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão,
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.

6
Objetivos de aprendizagem
Instrumentos
Unidade I

» Familiarizá-lo(a) com os instrumentos de Desenho, os formatos de papéis que usamos, bem como com as Normas e
regras que seguimos para a execução dos desenhos.
» Faça uma leitura atenta, pois os conhecimentos que veremos aqui serão necessários nas próximas unidades.

Vistas Ortogonais
Unidade II

» Apresentá-lo às Projeções Ortogonais e o seu rebatimento em Épura.


» As Vistas Ortogonais são uma forma simples de transformarmos formas tridimensionais (ou como vimos na Unidade
anterior, os sólidos geométricos) em desenhos bidimensionais (ou como vimos na Unidade anterior, os planos).
» O rebatimento em Épura é apenas a forma que usamos para organizar esses planos, de maneira que, obedecendo a uma
NBR, todos os profissionais capacitados consigam comunicar as suas ideias e entenderem os projetos uns dos outros.
Unidade III

Planta Baixa
» Estudaremos a planta baixa, que é uma forma de desenho específica das engenharias e da Arquitetura – portanto, é
muito importante que você a conheça.

Cortes
Unidade IV

» Estudaremos, nesta unidade, os cortes arquitetônicos, que são complementos das plantas arquitetônicas estudadas na
unidade anterior.
» Esta linguagem é de fundamental importância no entendimento de um projeto de arquitetura. Utilizaremos para isso as
ferramentas que você adquiriu ao longo de nossos estudos, como: visão espacial, conhecimentos de desenho técnico,
além de, é claro, seu empenho e sua vontade.

Elevações
Unidade V

» Nosso objeto de estudo nesta unidade são as fachadas arquitetônicas. Fachadas ou elevações são as vistas ortogonais
de um edifício. Elas são uma das principais preocupações dos arquitetos, já que são a parte externa de um edifício e,
portanto, a parte mais visível do projeto. A definição sobre como serão as fachadas é uma das etapas mais demoradas
do projeto e que exige mais estudos.

Cálculo de Escadas
Unidade VI

» Estudaremos a Circulação Vertical em Edificações, veremos também os conflitos de circulação horizontal que podem
acontecer em projetos.
» Os conflitos de circulação podem ser evitados ainda na fase de anteprojeto, quando estudamos os usos e a circulação
que cada parte de uma edificação deve ter.
» As Circulações Verticais existem em qualquer edificação que tenha mais de um pavimento, elas são as maneiras que
temos de acessar os diferentes andares, através de escadas, elevadores ou rampas. Veremos os cálculos envolvidos
em seu projeto, bem como as formas que os arquitetos e projetistas têm para diminuir o impacto dessas construções.

7
I
Instrumentos

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Vanderlei Rotelli

Revisão Textual:
Prof. Me. Selma Aparecida Cesarin
a
Instrumentos
UNIDADE
I
Contextualização

Nesta Unidade, veremos as principais regras de Desenho Técnico e recordaremos alguns


conceitos que você já aprendeu em Geometria e que serão utilizadas em nossos estudos.
Fique atento aos materiais que serão apresentados e como você já os conhece, mas não
sabia que eles tinham esta utilidade.
Como será que profissionais de diferentes áreas conseguem desenvolver um projeto único?
Como um engenheiro civil consegue entender os desenhos de um arquiteto? Será que existem
algumas Normas que todos devem conhecer?
Sim, elas existem e são chamadas de NBRs.
Algumas das NBRs (Normas Brasileiras de Representação) que veremos podem lhe parecer
novas, mas elas estão presentes no seu cotidiano, seja na proporção das letras (que seguem
este padrão), seja na espessura das linhas (que são as mesmas utilizadas nos desenhos dos seus
manuais de aparelhos domésticos).
É interessante notar, já que falamos dos manuais dos seus aparelhos, como todos os desenhos
são feitos da mesma forma.
Será que isto é um acaso ou existe algum tipo de “regra” a ser seguida?
Nesta Unidade, vamos responder algumas perguntas tirar várias das suas dúvidas a este respeito.

10
Introdução ao Desenho Técnico

O Desenho Técnico, nosso objeto de estudo nesta Disciplina, é uma forma de expressão
gráfica que tem como função estabelecer um meio de comunicação entre o desenhista, ou seja,
o Arquiteto, o Engenheiro, o Projetista etc. e os clientes, fornecedores e executores do projeto.
Utilizando linhas, curvas, números e letras, estabelecemos um sistema de comunicação
comum aos vários tipos de Engenharia, Arquitetura, produção de mobiliário etc.
É necessário, entretanto, que nos acostumemos a estes símbolos da mesma forma que nos
acostumamos aos símbolos que representam as letras.
Dizemos, inclusive, que um Desenho Técnico é “lido”, isto é, você aprenderá a “interpretar”
um desenho como você interpreta um texto.
Para isso, trabalharemos primeiramente com as “regras” de Desenho Técnico (lembrando
a sua alfabetização, aprenderemos as formas e os tipos das letras e conheceremos os lápis
e cadernos) e, depois, com a visão espacial (pensando em nossa analogia, formularemos as
frases), a partir de desenhos bidimensionais (um conjunto de símbolos em uma folha de papel
ou uma tela de computador), você conseguirá enxergar os projetos em três dimensões.
Até o século XVIII, antes da popularização das técnicas de Gaspar Monge, o Desenho Técnico
não existia; quando um mestre construtor precisava descrever suas ideias, recorria muitas vezes
a modelos tridimensionais (maquetes) ou a desenhos feitos em proporção, sem o uso de escalas.
Monge, com suas regras e normas de Geometria Descritiva, é considerado o “pai” do Desenho
Técnico, já que muito do que ele criou, como as projeções ortogonais, por exemplo, continua
sendo usado até hoje.
Nos séculos XIX e XX, com o crescimento econômico e da construção civil, foi necessário que
os desenhos fossem normatizados.
A Comissão Internacional de Padronização (ISO, na sigla em inglês) criou as regras do que
hoje conhecemos como Desenho Técnico, representada no Brasil pela ABNT (Associação
Brasileira de Normas Técnicas).
Essas normas são a base dos desenhos utilizados nas diversas Engenharias, na Arquitetura,
no Design etc.
Nesses tempos de economia globalizada, um Desenho Técnico executado em qualquer parte
do mundo será entendido por qualquer pessoa treinada a lê-lo.
Isso é cada vez mais comum no Brasil, com o surgimento, inclusive, de escritórios especializados
em fazer o que chamamos de “tropicalizar” os desenhos, isto é, traduzir e adaptar as partes
escritas e os materiais sugeridos nos projetos.
Ressalte-se que o desenho necessita de adaptações mínimas, já que alguns materiais
específicos tem representação diferenciada.
A figura 1 representa, para um leigo, dois quadrados concêntricos, mas para um técnico,
pode ser a planta de uma construção, com as linhas paralelas representando as paredes.

11
Instrumentos
UNIDADE
I

Figura 1 – Dois quadrados concêntricos ou as paredes de um ambiente, dependendo do olhar

O Desenho Técnico é fundamental para os profissionais, pois é uma ferramenta comum de


comunicação, ou seja, é a maneira mais segura de um profissional se comunicar com o outro,
sem que apareçam dúvidas e erros.
O desenho, também, é uma forma barata e simples de evitar desencontros durante uma obra
ou a construção de um produto, já que a maioria das dificuldades pode ser vista e evitada ainda
na fase que chamamos de projeto, isto é, na fase de elaboração dos desenhos técnicos que
servirão de base para a efetiva construção da edificação ou do produto.
É claro que, com a evolução da tecnologia, hoje, a maior parte dos desenhos técnicos é
executada em computadores que, muitas vezes, ligados a impressoras em três dimensões, já
elaboram um protótipo ou uma maquete do projeto.
É necessário, porém, saber que todos os programas de computador se baseiam no desenho
manual e o seu conhecimento ainda é básico para todas as áreas. Isso quer dizer que os
programas CAD (Desenho Auxiliado por Computador, na sigla em inglês) são bastante utilizados
na preparação dos desenhos finais de qualquer projeto, mas a concepção e as fases de estudo
ainda são feitas a mão, com o auxílio de instrumentos de desenho, como veremos mais adiante.
Além disso, os softwares de desenho foram criados tendo como base as regras e os métodos
utilizados em Desenho Técnico.
Esses desenhos também são classificados de acordo com a etapa do projeto e o grau de
detalhamento que ele vai adquirindo (para mais detalhes, vide NBR 10647, que trata da
terminologia de projeto).
Geralmente, começamos com os croquis ou desenhos de estudo, que podem não ser
executados com instrumentos, mas estão sempre em alguma escala (geralmente alguma escala
reduzida, como veremos a seguir).
Depois desta fase, entramos na etapa dos desenhos de estudo; aí sim executados com os
instrumentos e de acordo com as Normas que veremos nesta Unidade.
Esta etapa de um projeto é uma das mais demoradas, pois é a fase em que as decisões mais
importantes sobre o edifício ou o objeto a ser construído são tomadas.

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Finalmente, entramos na fase do desenho definitivo, ou executivo, que pode ou não ser
executada em programas CAD.
O primeiro item a se conhecer em nossa caminhada são os formatos de papel utilizados e os
instrumentos de desenho (em nossa analogia com a alfabetização, seriam os lápis e os cadernos).
Os formatos de papel, ou pranchas indicados na NBR 10068 são da série “A”, isto é, derivam
do A0, conforme a figura a seguir.
É interessante saber que o formato A0 tem 1m2; o A1 tem 0,50m2 e assim por diante.
O papel sulfite que usamos no dia a dia é o tamanho A4, que vem desta normatização.
Os cartões de visita também vêm desta formatação, no tamanho A8, apesar de atualmente
este formato não ser respeitado.
A gramatura do papel também vem daí. Assim, quando você compra papel para a sua
impressora com 75 g/m2, quer dizer que uma folha A0 deste tipo de papel pesa 75 gramas.

Figura 2 – Modelo de divisão do formato “A”

Quadro 1 – Dimensões das Pranchas – Medidas em milímetros


A0 841 1189

A1 594 841

A2 420 594

A3 297 420

A4 210 297

13
Instrumentos
UNIDADE
I
Como veremos a seguir, os formatos maiores são dobrados de tal maneira que a parte frontal
fique no tamanho A4.
Na parte frontal da dobra, está o carimbo ou a legenda. Todos os nossos desenhos
devem, obrigatoriamente, ter um carimbo ou uma legenda com as identificações de autor,
desenhista e obra.
A colocação na parte frontal da folha permite que se localize uma determinada folha de
desenho, sem que seja necessário abri-la. Desta forma conseguimos determinar qual desenho
consta em cada uma das folhas (dependendo da complexidade do projeto, podemos ter algumas
dezenas de folhas de desenho).
A figura 3 indica a posição dos carimbos ou legendas, que também constam da Norma.

Figura 3 – Posição do carimbo, na folha vertical e na folha horizontal


Fonte: NBR 10068

Outra aspecto importante no desenho é a margem: um desenho nunca toca a borda da folha.
Para garantir isso, temos as margens. Um desenho também nunca deve tocar a margem, que
funciona como um pass-par-tout, ou seja, uma moldura para ele.
A margem tem outra função, que é a de prender a folha de desenho na pasta tipo arquivo de dois
furos, conforme você notará nas figuras 4 a 7, que demonstram o modo de dobrar cada formato.

Figura 4 – Detalhe do desenho da margem


Fonte: NBR 10068

14
Quadro 2 – Quadro com medidas das margens (as margens
superior e inferior seguem a medida da margem esquerda)

Formato Margem

A Dir. Esq.
A0 25 10
A1 25 10
A2 25 7
A3 25 7
A4 25 7

É interessante saber que os formatos maiores devem ser dobrados até atingirem o formato
A4, o que permite o arquivamento de qualquer formato em pastas, facilitando e padronizando
o trabalho. As dobras também devem ser executadas de acordo com esta Norma, conforme
as figuras 5 a 8.
Você deve ter notado, no Quadro 2, que a margem direita é sempre maior que a esquerda, certo?
Isso acontece porque o desenho é preso na pasta por esta margem maior, permitindo que ele
seja desdobrado sem necessidade de ser retirado da capa.

Figura 5 – Dobra do formato A0 – dimensões em milímetros


Fonte: NBR 13142

15
Instrumentos
UNIDADE
I

Figura 6 – Dobra do formato A1 – dimensões em milímetros


Fonte: NBR 13142

Figura 7 – Dobra do formato A2 – dimensões em milímetros


Fonte: NBR 13142

Figura 8 -– Dobra do formato A3 – dimensões em milímetros


Fonte: NBR 13142

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Os instrumentos que usamos na execução do Desenho Técnico garantem a exatidão e a
precisão do resultado final e, voltando à nossa analogia, estes instrumentos seriam as canetas,
lápis, borrachas etc., que são utilizados em nossa alfabetização.

Você Sabia ?
No desenho, estes instrumentos são:
- Régua “T” ou Prancheta com régua paralela, conforme a figura 9. De forma geral, todas as linhas
horizontais de um Desenho Técnico são feitas com o auxílio de uma destas réguas.

Figura 9 – Régua Paralela (à esquerda) e Régua “T” (à direita)

- Par de esquadros. Um deles com dois ângulos de 45 º, conforme a figura 10 e um deles com
30º/60º, conforme a figura 11. É interessante notar que, no caso de Desenho Técnico, os esquadros
não devem possuir gradação, ou medidas. Com estes esquadros, conseguimos executar a maioria
dos ângulos utilizados em desenho. No entanto, existem ainda esquadros móveis, ou ajustáveis,
que nos permitem fazer ângulos que sejam muito específicos, conforme a figura 12.

Figura 10 – Esquadro de 45º

17
Instrumentos
UNIDADE
I

Figura 11 – Esquadro de 30º/60º

Figura 12 – Esquadro móvel ou ajustável


Fonte: Thinkstock/Getty Images

• Compasso ou Circulômetro, conforme a figura 13, utilizado para a execução de círculos


e curvas no desenho.

Figura 13 – Compasso e Circulômetro


Fonte: Thinkstock/Getty Images

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• Lapiseiras e grafites (figura 14). No caso do Desenho Técnico, diferente do Desenho
Artístico, não utilizamos nenhum tipo de lápis, pois estes não nos dão a precisão necessária.
Trabalhamos com vários tipos de grafite, pois cada um nos dá um resultado diferente.
As grafites são classificadas de acordo com a sua dureza, sendo a grafite HB a média.
Quanto mais “H”, isto é, H, 2H, 4H e 6H, mais dura a grafite, portanto, mais fino e mais
limpo o traço a ser feito. Quanto mais “B”, ou seja, B, 2B, 4B e 6B, mais macia, e, logo,
mais largo e mais “sujo” o traço (dizemos que o traço é sujo, pois a grafite mais macia
solta mais resíduos). Como curiosidade: o lápis nº 2, que normalmente usamos durante
o nosso tempo na escola, equivale à grafite “B”.

Figura 14 – Lapiseira
Fonte: Thinkstock/Getty Images

Finalmente, chegamos ao escalímetro (figura 15), que é a régua utilizada em Desenho Técnico.
Todos os desenhos que executamos estão em escala, isto é, têm uma relação de redução ou
ampliação em relação ao objeto real.
Dificilmente desenhamos os objetos em escala natural, isto é, em seu tamanho real. De
maneira geral, os objetos são muito grandes ou muito pequenos para serem desenhados em
escala real, daí o uso constante do escalímetro em Desenho Técnico

Importante
Por exemplo, imagine que você criou um relógio de pulso. Você precisa passar a sua ideia para a
equipe que vai produzir este seu relógio. Caso você desenhe o relógio em sua escala natural, no
tamanho que ele terá quando pronto, seu desenho ficará bastante pequeno, o que dificultará o
entendimento e a execução das peças.

Neste caso, trabalhamos com uma escala de ampliação, ou seja, o desenho ficará
proporcionalmente maior do que a peça final.
Agora, imagine que você projetou uma casa e precisa enviar este projeto para a equipe
responsável pela construção. Caso você fosse desenhar a casa em escala natural, no tamanho
que a casa terá quando pronta, o seu desenho ficará do tamanho da casa!
Trabalhamos, então, com uma escala de redução, e o desenho ficará proporcionalmente
menor do que a casa.

19
Instrumentos
UNIDADE
I

Figura 15 – Escalímetro triangular


Fonte: Thinkstock/Getty Images

O escalímetro é uma régua triangular, com uma série de proporções (ou escalas) já prontas
para serem usadas nos desenhos.

Vale lembrar que o escalímetro não deve ser usado para execução dos traços, que as linhas
devem ser traçadas com as réguas ou os esquadros e nunca com o escalímetro.

No escalímetro, todas as medidas são feitas em metro, o que possibilita que qualquer pessoa
que precise se utilizar do desenho consiga obter qualquer cota (ou medida) que precisar.

Imagine uma escala como uma proporção, isto é, imagine uma linha que tenha 1 metro de
extensão; dividiremos esta linha, em 50 pedaços iguais; o resultado desta divisão é 1 metro em
escala 1:50 (lê-se um para cinquenta).

Agora, pegue esta mesma linha de 1 metro e vamos dividi-la em 20 pedaços iguais; o resultado
desta divisão é 1 metro em escala 1:20 (lê-se um para vinte).

Você consegue imaginar que o pedaço que resultou da primeira divisão é menor que o que
resultou da segunda divisão, certo?

Dizemos, por isso, que conseguimos detalhar um desenho melhor quanto maior for a sua
escala (ou seja, quanto maior o “pedaço” resultante da divisão).

Observe a figura a seguir (figura 16).

Figura 16 – Proporção entre a escala 1:100, acima, 1:50 ao centro e 1:20, abaixo

Aqui é possível observar a diferença entre 1 metro na escala de 1:20, na escala 1:50 e na
escala de 1:100.

20
Se você prestar atenção, notará que 1 metro em 1:20 equivale a 2,5 metros em escala 1:50,
e a 5 metros em escala 1:100.
Existem muito mais divisões entre o 0 e a marcação de 1 metro na escala 1:20 do que na
escala 1:100 e na de 1:50.
O que isso quer dizer? Que consigo detalhar muito mais o meu desenho em 1:20 do que nas
outras duas escalas.
Nesta imagem, também, você pode perceber que as marcações são de metro em metro, ou
seja, se eu pedir para que você marque dois metros em 1:100 ou 1:50, você marcará a distância
entre o 0 e o 2.
Na escala 1:100, cada marcação entre o 0 e o 1 metro, vale 0,1 metro, ou 10 centímetros,
ou seja, a precisão que consigo na escala 1:100 é de 10 centímetros; não consigo, por exemplo,
marcar com precisão a distância de 1 metro e 14 centímetros, apenas as distâncias de 1 metro
e dez centímetros, ou 1 metro e vinte centímetros.
Na escala 1:50, as marcações estão a cada 0,05 metros, ou 5 centímetros; a precisão do
desenho será de 5 centímetros, ou seja, será possível marcar 1 metro e quinze centímetros, mas
não 1 metro e 14 centímetros.
Na escala 1:20, por outro lado, temos muito mais divisões entre a marcação do 0 e 1 metro,
o que nos diz que é possível detalhar muito mais este desenho.
Se você quiser contar o número de divisões, perceberá que, nesta escala, conseguimos uma
precisão de 2 centímetros, ou seja, é possível marcar a distância de 0,02 m (2 centímetros)
com precisão.
Conseguimos executar, portanto, um desenho mais detalhado. Profissionalmente, dizemos que
esta é uma escala para a execução de desenhos de detalhes. Assim, na escala 1:50, executamos
o desenho da planta da casa (veremos isso mais adiante, no nosso curso, não se preocupe!!!),
mas não conseguimos fazer os desenhos de como será a fixação das portas, por exemplo.
Este detalhamento precisa ser feito em uma escala maior, como, por exemplo, 1:20 ou 1:25.
Apenas para que você fixe mais facilmente, veja a seguir uma pequena tabela com a precisão
de cada uma das escalas.
Dizemos que as escalas com menos precisão são escalas “menores” e as escalas mais precisas
são “maiores”:

Quadro 3 – Quadro de Escala e Precisão

Escala Precisão

1:125 e 1:100 10 cm
1:75 e 1:50 5 cm
1:25 e 1:20 2 cm

21
Instrumentos
UNIDADE
I
A palavra escala, nos desenhos, pode ser abreviada como “esc.”, de acordo com a NBR
08196, e deve ser colocada no carimbo ou legenda.
Caso você tenha vários desenhos na mesma prancha (lembre-se: o desenho deve ser
executado em uma única escala), em escalas diferentes, estas devem ser indicadas em cada
desenho, próximo ao título de cada um.
Mais raramente, você encontrará a escala “gráfica” em Desenhos Técnicos. Esta escala está
mais ligada à proporção do que as escalas que utilizamos normalmente. Geralmente, é utilizada
para adaptar o desenho ao tamanho da folha que temos a disposição.
Ela é simbolizada pela figura 17 e, diferente das escalas mais usuais acima, consta na NBR 6492.

Figura 17 – Escala Gráfica


Fonte: NBR 06492

Esta escala funciona com o auxílio de uma régua. No caso da figura 17, o espaço entre o
0 e o 5 equivale a cinco metros e possibilita a medida desta distância ou de seus múltiplos,
no desenho.
Outra regra que deve ser seguida nos Desenhos Técnicos diz respeito à caligrafia.
A escrita nos projetos não pode deixar espaço para dúvidas, sendo de fácil leitura para todas
as pessoas, e tem de ser padronizada.
A Norma 08402 fornece as orientações necessárias para que desenhemos as letras e determina
que elas têm de ser uniformes e legíveis.
É isto mesmo! Em um Desenho Técnico, as letras são desenhadas e, portanto, precisam de
treino para ser feitas.
Esta norma afirma que o tamanho das letras nunca pode ser inferior a 2,5 milímetros, e que
a proporção entre maiúsculas e minúsculas é 1/7, conforme a tabela abaixo:

Quadro 4 – Quadro de proporções entre as letras (medidas em milímetros)

Dimensões

Alt. Das maiusc. 3,5 5 7

Alt. Das minusc. 2,5 3,5 5


Dist. Entre linhas 5 7 10
Fonte: NBR 08402

22
A figura 18 mostra um modelo de letras, de acordo com a NBR.

Figura 18 – Letras “bastão”, de acordo com a NBR 08402


Fonte: NBR 08402

Agora, veremos as convenções empregadas em Desenho Técnico para as linhas e traços.


Isto mesmo!
Não se pode executar as linhas de qualquer modo: toda e cada linha colocada em um desenho
tem um significado.
Não podemos deixar linhas soltas ou “perdidas” em um desenho, pois a pessoa que vai ler
e consultar estes desenhos terá dúvidas a respeito do significado destas linhas e não terá como
saber se foi um erro ou um esquecimento.
Como vimos no começo, os desenhos são uma forma de comunicação e, portanto, não
podem dar margem a interpretações.
Um projeto deve ser executado exatamente como está no desenho. Logo, não pode haver
dúvidas a respeito de seu entendimento. Seu desenho deve ser claro e preciso.
A Norma que padroniza os tipos de linha é a 8403, que explica a respeito dos tipos e
espessura delas.
Sim, você leu corretamente! A espessura da linha faz diferença em um projeto.
É preciso que nos lembremos de que desenhamos para as outras pessoas e que o
projeto está muito claro na nossa cabeça, que sabemos exatamente o que queremos, mas
desenhamos para os outros, isto é, temos de passar a ideia que está em nossa cabeça para
os outros, tanto para as pessoas que efetivamente executarão nossas ideias, quanto para os
clientes que nos contrataram.
Pode parecer confuso, mas quanto mais convenções e padrões temos para nos ajudar, mais
garantia temos de que as outras pessoas entenderão mais simplesmente nosso projeto.
O quadro a seguir mostra os principais tipos de linhas utilizadas em Desenho Técnico.
Quando mais de uma linha pode ser utilizada para representar a mesma coisa, a Norma nos
diz para que utilizemos um único tipo.

23
Instrumentos
UNIDADE
I
Quadro 5 – Principais Tipos De Linhas Utilizados Em Desenho Técnico

Espessura e tipo Uso Linha

Contínua estreita Linhas auxiliares

Contínua média Linhas internas e linhas gerais

Contínua larga Linhas principais e contornos visíveis

Tracejada Projeções

Traço e ponto Eixos de simetria

Traço e ponto grossa Planos de corte

A seguir, na figura 19, um desenho no qual está mais claro o emprego de cada tipo de linha.

Figura 19 – Indicação de linhas


Fonte: NBR 06492

As linha contínuas grossas aparecem na indicação das paredes. Consideramos que estas
linhas estão mais próximas do observador e são demonstradas como linhas mais grossas.
As linhas de louças sanitárias são executadas com as linhas contínuas médias, pois
consideramos que estão mais distantes do observador.
A linha tracejada aparece na representação da janela, pois, nesse caso, a janela está acima
do plano de corte da planta.
Não se preocupe, veremos tudo isto de forma mais detalhada nas próximas Unidades. Aqui,
estamos apenas entendendo o uso das linha, ok?

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Finalizando esta Unidade, vamos entender como devemos fazer para comunicar para as
outras pessoas as medidas do que estamos desenhando.
Em Desenho Técnico, estas medidas são chamadas de “Cotas” e, para variar, temos um NBR
que padroniza as cotas, sua posição e sua proporção.
A NBR 10126 define cota como a representação gráfica das características do elemento, em
uma unidade de medida (em Arquitetura, a unidade de medida utilizada geralmente é o metro,
mas isto é mais uma convenção, ou seja, uma unidade de medida assumida pelas pessoas da
área, do que uma Norma).
As cotas são compostas por quatro elementos: as linhas auxiliares, ou linhas de chamada, a cota,
as linhas de cota, os limites da linha de cota e as cotas propriamente ditas, conforme a figura 20.

Figura 20 – Elementos da cota


Fonte: NBR 10126

A indicação de limite de cota, que vemos acima, geralmente é utilizada em Desenhos


Arquitetônicos, mas, novamente, trata-se de uma convenção, e não de uma norma.
Pode-se usar outros elementos como limite de cota, conforme a figura 21.

Figura 21 – Outras indicações de limites de cotas


Fonte: NBR 10126

Estas indicações são utilizadas, geralmente, em Desenhos Técnicos Mecânicos (repetindo,


isto é uma convenção, e não uma norma; tradicionalmente, nós as utilizamos dessa forma, mas
qualquer uma delas que optemos por usar estará correta).

25
Instrumentos
UNIDADE
I
De acordo com a NBR, devemos utilizar apenas um tipo de limite de cota em um Desenho.
Com relação aos espaçamentos utilizados para a cotagem de Desenhos, podemos utilizar as
medidas, conforme a figura 22:

Figura 22 – Afastamento de Cotas


Fonte: arq. Luiz Marcos Cintra

É possível notar, também, que as linhas de chamada não tocam o Desenho. Devemos
imaginar o Desenho, isto é, o projeto, como o que de mais importante há em uma prancha, e
todas as outras informações têm a função de auxiliar no seu entendimento.
Com relação ao posicionamento das cotas, ou dos valores numéricos, temos a figura 23
como indicação de que as cotas sempre estarão acima das linhas de cota, no caso das cotas
horizontais, e estarão à esquerda das linhas de cota, no caso das cotas verticais.
Podemos dizer que o posicionamento das cotas funciona como um caderno, isto é, você
sempre escreverá sobre a linha de cota.

Figura 23 – Posicionamento das cotas (sobre as linhas)


Fonte: arq. Luiz Marcos Cintra

26
No caso dos Desenhos Técnicos de Arquitetura, ainda temos a opção de utilizar as chamadas
“cotas internas”, que são cotas que marcam as distâncias entre paredes em uma construção,
conforme o exemplo da figura 24.

Figura 24 – Desenho Técnico Arquitetônico com cotas internas


Fonte: arq. Luiz Marcos Cintra

Estas cotas são usadas na fase de “anteprojeto”, isto é, quando o projeto ainda está em fase
de criação. Quando chegamos à fase de execução de um projeto, no que é chamado de “projeto
executivo”, será conforme a figura 25.
Este tipo de projeto, como veremos mais adiante, é o projeto que é enviado para o local da
obra, e deve conter todas as informações necessárias para a sua execução.
Como já foi dito aqui outras vezes, o Desenho Técnico deve conter todas as informações
necessárias possíveis, não deixando margem para dúvidas.

Figura 25 – Detalhe de um projeto executivo, com cotas externas

27
Instrumentos
UNIDADE
I

Atenção
Agora, só precisamos nos lembrar de algumas definições, para facilitar o estudo na próxima Unidade.
Você se lembra do que são:
- Ponto; - Reta; - Plano; - Sólidos?

Vamos rever juntos alguns destes conceitos.


O Ponto é uma entidade ideal, que não ocupa lugar no espaço. É claro que quando
desenhamos um ponto, ele tem um tamanho, mas, geometricamente falando, o ponto é apenas
um local no espaço.
A reta também é uma entidade ideal, pois tem apenas uma dimensão, isto é, apenas o
seu comprimento. Falando em termos geométricos, a reta é um conjunto infinito de pontos.
Novamente, quando desenhamos uma reta, obviamente existe uma espessura, mas,
geometricamente, existe apenas o comprimento.
O plano é uma entidade bidimensional, ou seja, possui largura e profundidade. Em termos
geométricos, o plano é um conjunto infinito de pontos e retas. A figura 26 deixará estes
conceitos mais claros.

Figura 26 – Representação de ponto, reta e plano

Finalmente, o sólido é uma figura que possui três dimensões: largura, profundidade e
altura. Em termos geométricos, o sólido é uma região fechada por planos. Existem dois tipos
de sólido, a saber:

- Sólidos regulares – compostos por planos regulares, como cubos, tetraedros etc.
Veja a figura 27.

28
Figura 27 – Sólido regular (cubo)

- Sólidos irregulares – compostos por planos irregulares, como cilindros, prismas etc.
Confira a figura 28.

Figura 28 – Sólido irregular (cilindro)

Vale notar que, neste primeiro momento, utilizaremos vários tipos de sólidos para aprender o
conceito de vistas ortogonais.

29
Instrumentos
UNIDADE
I
Material Complementar

Explore
Introdução ao Desenho Técnico (Apostila):
https://goo.gl/KK3TrA

Desenho Técnico – Adriano Pinto Gomes:


https://goo.gl/AkFEs3

Desenho Geométrico Prof. Jorge Henrique de Jesus Berrredo Reis:


https://goo.gl/cZzyvg

30
Referências

MONTENEGRO, Gildo A. Desenho de Projetos. São Paulo: Blucher, 2004.

NBR 06492 – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

MICELLI, Maria T. Desenho Técnico Básico. São Paulo: Ao Livro Técnico, 1999.

31
II
Vistas Ortogonais

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Vanderlei Rotelli

Revisão Textual:
Prof.a Esp. Márcia Ota
Vistas Ortogonais
UNIDADE
II
Contextualização

Você se localiza facilmente em um mapa de ruas? Você consegue entender as indicações?


E, quando você compra um produto novo, e tem de ler o manual de instruções? Já reparou
que existe um desenho no manual, que é igual ao aparelho, indicando botões e funções? Você
consegue associar o desenho, que está vendo, ao aparelho? Você consegue localizar os botões
e comandos a partir desses desenhos?
Estas perguntas simples mostrarão a você como muitas convenções, que estudaremos, já
são familiares, faltava apenas que você olhasse com “olhos técnicos”, de uma pessoa que sabe
reconhecer os erros e os acertos nos desenhos.
Existe uma maneira simples e eficiente de entendermos como tudo isto é feito. Assim, a partir
dos conceitos vistos na Unidade “Instrumentos”, você perceberá que o Desenho Técnico é
muito utilizado em nosso dia-a-dia.
Espero ter despertado a sua curiosidade! Mas fique tranquilo, essas perguntas serão
respondidas durante nossos estudos.

34
Vistas Ortogonais

Agora que já conhecemos os materiais e as principais orientações, vamos entender como as


coisas funcionam.
A primeira coisa que estudaremos são as projeções mongeanas (lembra-se do nosso amigo
Gaspar Monge ? Pois é, esta foi outra das suas contribuições). Projeção mongeana é uma
maneira de representar um sólido (que nós já vimos que é uma construção tridimensional)
em um plano (uma construção bidimensional), isto é, nosso amigo Gaspar Monge conseguiu
localizar construções tridimensionais em planos.
Dê uma olhada na figura 1:

. P.L
P.V .

P.H
.

Figura 1 – Representação em Perspectiva dos Planos de Projeção Mongeanos


Fonte: Acervo do Conteudista

Agora ficou mais claro o que Monge criou ? Essas são as projeções de um ponto “A”,
localizando-o no espaço. Os planos de projeção estão marcados como PV (Plano Vertical), PH
(Plano Horizontal) e PL (Plano Lateral). Esses Planos, é claro, são considerados em relação ao
objeto (você pode imaginar três lados de uma caixa, onde você projeta estes pontos).
Daqui a pouco, veremos outras aplicações, mas o que você precisa entender é que ele criou
uma maneira de acharmos um ponto no espaço. Vale destacar que fazemos isto ainda hoje,
trabalhando com coordenadas, isto é, você combina de encontrar um amigo na Rua X, na
esquina com a Rua Y; estas são as coordenadas que nós usamos (é claro que também usamos
coordenadas de altura, geometricamente falando, são as coordenadas no eixo Z, isto é, usamos
os três planos de Monge, mas como a maioria de nós não consegue voar, a coordenada de
altura é zero).

35
Vistas Ortogonais
UNIDADE
II
Depois de Monge pensar nessa maneira de descrevermos uma localização no espaço, ele
também criou uma maneira simples de executarmos os desenhos referentes a esta localização;
isto é chamado de projeção em épura (épura é o rebatimento, ou a abertura, dos planos de
projeção em uma superfície plana, ou seja, uma maneira de projetar em dois ou três planos
posicionados ortogonalmente, como na figura 1, um objeto colocado no espaço). Dê uma
olhada na figura 2:

P.V. P.L.

P.H.

Figura 2 – Projeção do ponto A em épura nos três planos


Fonte: Acervo do Conteudista

Dá para entender? O que o Monge criou foi uma maneira de podermos nos comunicar sem
a necessidade do objeto. Vamos pensar em um exemplo:
Você acabou de projetar, isto é, imaginar ou criar, uma cadeira; antes de Monge, a única
maneira de construir a cadeira, seria a sua própria mão de obra, isto é, você teria de ser a
pessoa a efetivamente construí-la. A ideia de Monge permite que você “projete”, ou desenhe
a cadeira em planos, geometricamente falando, as projeções mongeanas permitem que você
demonstre um objeto tridimensional através de desenhos bidimensionais; qualquer pessoa com
treinamento em Desenho Técnico será capaz de efetivamente executá-la.
Lembra-se que conversamos sobre visão espacial na Unidade anterior? É a isto que eu me
referia, isto é, você, com a prática, será capaz de, a partir das vistas (que é como chamamos estas
projeções), montar na sua cabeça a cadeira acima (ou qualquer outra coisa, como por exemplo,
o aparelho do seu manual). Se estiver um pouco complicado, não se preocupe, veremos mais
exercícios como este, para que você treine a sua visão – sim, você tem de treinar seu cérebro
para entender estas vistas.
Vamos ver juntos, de maneira gráfica, o exemplo da cadeira, sobre o qual nós já conversamos.
Temos a figura 3 a seguir:

36
Figura 3 – Cadeira em desenho tridimensional
Fonte: Acervo do Conteudista

Vamos lá: você criou a cadeira que estamos vendo acima, na figura 3. A cadeira, na sua
cabeça está pronta; você consegue visualizá-la como um objeto tridimensional. De acordo com
Monge, você pode projetá-la em pelo menos três planos, conforme a figura 4.

. P.L
P.V .

P.H
.

Figura 4 – Representação da cadeira em Perspectiva nos Planos de Projeção Mongeanos


Fonte: Acervo do Conteudista

Uma pessoa que tenha aprendido desenho técnico saberá que as três projeções se referem a
um mesmo objeto, e conseguirá associá-las para visualizar a cadeira montada. Não se preocupe
se você ainda não conseguir “montar” as projeções na sua cabeça, como já vimos, isto exige
um pouco de treino.

37
Vistas Ortogonais
UNIDADE
II
Nosso próximo passo é executar o desenho da cadeira em épura, ou seja, desenhar os planos
de projeção. Esta planificação é feita conforme a figura 5.

P.V. P.L.

P.H.

Figura 5 – Projeção em épura da cadeira


Fonte: Acervo do Conteudista

Agora ficou mais claro o são as projeções em épura ? Como a maior parte das dimensões de
uma cadeira (e da maioria dos objetos tridimensionais) são coincidentes, este tipo de projeção
permite que, a partir de uma projeção inicial, nós tenhamos parâmetros para as próximas.
Essas projeções tem, cada uma, um nome específico; cada projeção é chamada de vista; no
nosso exemplo, o plano horizontal é chamado de vista superior. Se você analisar a nossa figura 4
atentamente, notará que temos uma pessoa olhando de cima para baixo, e projetando no plano
horizontal, a imagem da cadeira vista “de cima”. Chamamos esta projeção, como vimos, de
vista superior; a projeção no plano lateral é chamada de vista lateral, e assim por diante. Esta
nomenclatura, aliás, é mais usada do que o termo projeção, ou seja, não dizemos projeção
lateral, mas sim, vista lateral.
Quando trabalhamos com projeções, utilizamos diedros, que são regiões formadas pelo
cruzamento dos planos horizontal e vertical, conforme a figura 6.

38
2 oD
ied
ro

1 oD
ied
ro

3o
Die
dro

4o
Die
dro

Figura 6 – Indicação dos diedros


Fonte: Acervo do Conteudista

No Brasil, a ABNT, através da Norma 10067 permite trabalhar no 1º e no 3º diedro. De


maneira geral, nós temos trabalhado no 1º diedro, conforme podemos perceber nas figuras que
temos utilizado.
Gostaria que você prestasse atenção em uma coisa que temos visto desde o começo da
Unidade, mas pode ter passado despercebida: temos sempre usado três planos de projeção,
ou três vistas; esse é o número mínimo de vistas que você precisa para conseguir entender um
objeto. Veja a figura 7 para entender o que quero dizer.

.
P.V

Figura 7 – Desenhos com uma única projeção


Fonte: Acervo do Conteudista

39
Vistas Ortogonais
UNIDADE
II
Conseguiu entender? Uma única vista não nos permite definir o objeto, pois muitas vezes
uma única projeção não nos fornece todas as informações a respeito de um objeto.
Veja, agora, a figura 8.

.
P.V

P.H
.

Figura 8 – Projeção em dois planos


Fonte: Acervo do Conteudista

Como podemos observar, duas projeções, muitas vezes também não são suficientes para que
possamos transmitir a complexidade de uma peça. Passamos, então, à figura 9.

. P.L
P.V .

P.H
.

Figura 9 – Projeção em três planos


Fonte: Acervo do Conteudista

40
Finalmente, podemos notar que o número mínimo de projeções, que necessitamos para
transmitir a ideia de um objeto, é três, isto é, são necessárias pelo menos três projeções para
que um técnico consiga entender sua ideia; estas projeções são, de acordo com o que vimos, as
vistas Frontal, Lateral e Superior, conforme a projeção em épura abaixo, na figura 10:

P.V. P.L.

P.H.

Figura 10 – Projeção em épura do objeto


Fonte: Acervo do Conteudista

Agora, conseguimos ver que as três projeções formam o objeto que queríamos representar;
está ficando mais fácil de você enxergar a peça ? No final da unidade, você fará alguns exercícios,
não se preocupe, mas vá se esforçando, pois a prática ajuda bastante na sua visão espacial.
Vamos estudar um outro exemplo. Acho que vai ajudá-lo a entender, já que esses conceitos
são muito importantes. Por isso, dê uma olhada na figura 11:

4
6
7

3
1

Figura 11 – Sólido regular


Fonte: Acervo do Conteudista

41
Vistas Ortogonais
UNIDADE
II
Como você percebeu, esse sólido representado na figura 11 tem sua projeções coloridas,
isto é, vamos trabalhar com cores diferentes em cada uma das faces que serão projetadas nos
planos. Desta forma, veremos algumas informações novas, e ainda acabaremos com as dúvidas
que você ainda possa ter.
Agora, vamos tratar das projeções, uma a uma. A projeção frontal, com as partes 1 e 2, ficará
conforme a figura 12, abaixo:

.
P.V

8
1
4
6
7
2

3
1

Figura 12 – Projeção frontal


Fonte: Acervo do Conteudista

Ficou claro ? Você deve ter notado que as partes 1 e 2 não estão no mesmo plano na peça,
isto é, de acordo com o desenho, a parte 2 está mais próxima do observador, enquanto a parte 1
está mais distante. Na projeção frontal, que vemos no plano atrás da figura, isto é indicado
através de uma linha, que aparece dividindo as partes 1 e 2. Vamos ver agora como ficará a
vista superior na figura 13.

6 4
7
2

3
1

8
7
6
5

P.H
.

Figura 13 – Projeção Superior


Fonte: Acervo do Conteudista

42
Nessa projeção, você também deve ter notado que temos partes da peça que estão em níveis
diferentes, ou seja, as distâncias que mudam em relação ao observador. As partes 3, 4, 5 e 6
estão em planos diferentes, que são representados novamente com linhas que separam cada
uma das partes.
Seguindo nossa sequência, agora temos de estudar como ficará a vista lateral. A figura 14 irá
nos mostrar esta projeção.

P.L
4 .

8
4
6
7 3
2

3
1

Figura 14 – Projeção Lateral


Fonte: Acervo do Conteudista

A vista Lateral dessa peça traz uma representação nova: a linha tracejada. Esse tipo de
linha representa o que chamamos de Arestas Ocultas. Como estamos olhando um objeto
tridimensional através de suas projeções ortogonais, algumas superfícies poderão ficar ocultas
atrás de outras. A forma de demonstrarmos essas superfícies para os outros observadores é
através da linha tracejada.
Como vimos na Unidade “Instrumentos”, em Desenho Técnico, a linha tracejada representa
uma projeção, isto é, algo que não está visível neste plano de desenho. Neste caso, estamos
representando a projeção de uma aresta que na verdade não é visível, ou seja, a peça que
estamos representando é feita de algum material que seja maciço. Por isso, não conseguimos
ver através desse material. Logo, a aresta que estamos representando em nossa vista lateral,
está “escondida”, portanto, aparece como se estivesse projetando uma aresta, um canto, que
é marcado como uma linha tracejada.
Vamos, agora, dar uma olhada na figura 15, em como ficarão as projeções dessa peça no
primeiro diedro, conforme vimos na figura 1.

43
Vistas Ortogonais
UNIDADE
II

4
P.L
. .
P.V 8

6 4
7 3
2
2
5
1
3
1

8
7
6
5

P.H
.

Figura 15 – Projeções da peça no 1° diedro


Fonte: Acervo do Conteudista

Esta é a maneira como esta peça será projetada no diedro, com as três vistas principais.
Agora, o que está faltando para que possamos compreender totalmente a peça é projetá-la em
épura, ou seja, colocar os três planos ortogonalmente uns em relação aos outros, planificando a
peça, conforme indica a figura 16.

P.V. P.L.

4
2

1 3

8
7 5
6

P.H.

Figura 16 – Projeção em épura


Fonte: Acervo do Conteudista

44
Você já deve ter percebido que estas três projeções funcionam bem com objetos que sejam
regulares, isto é, que sejam simétricos, que tenham as duas laterais definidas por uma única
projeção. O que acontecerá com um objeto que seja irregular, ou seja, tenha as laterais diferentes
(ou a vista inferior, ou a vista posterior, etc) ?
Mencionei para você o diedro, porque agora iremos estudar um objeto irregular, ou seja, que
não pode ser definido com apenas duas vistas, conforme a figura 17:

f
d

c a

Figura 17 – Sólido Irregular


Fonte: NBR 10067

Como você pode ver na figura 17, as vistas do objeto não simétricas, ou seja, se desenharmos
apenas três vistas dessa peça, não conseguiremos descrevê-la de maneira correta. Nesses casos,
o nosso diedro se tranformará em um cubo, conforme a figura 18:

C
A

D X
2 F
1
B 3
4

Figura 18 – As 6 projeções possíveis de um objeto


Fonte: NBR 10067

45
Vistas Ortogonais
UNIDADE
II
Conforme podemos ver na figura acima, podemos obter até seis projeções, ou vistas de um
único objeto. No desenho acima, as vistas 1, 2 e 3 são aquelas que temos utilizado até agora. As
vistas 4, 5 e 6 são necessárias, no entanto, para que consigamos efetivamente visualizar o objeto
como uma peça tridimensional.
As projeções em épura deste objeto ficarão conforme a figura 19.

D A C F

Figura 19 – Projeção em épura das 6 vistas do objeto


Fonte: NBR 10067

Ainda de acordo com a NBR 10.067, as projeções devem ser colocadas da seguinte maneira:
Vista Frontal – A – Posicionada no centro

Vista Superior – B – Posicionada abaixo

Vista Lateral Esquerda – C – Posicionada à direita e ao centro

Vista Lateral Direita – D – Posicionada à esquerda

Vista Inferior – E – Posicionada acima

Vista Posterior – F – Posicionada à direita

Com essas vistas conseguimos representar qualquer objeto, tornando possível a sua execução
por um profissional capacitado.

Como vimos, trabalharemos, na maior parte das vezes, com três vistas. Mas como elas são
construídas, isto é, como executamos os desenhos? Você já conseguiu entender como eles são
gerados, mas qual a maneira mais simples de fazê-los?

46
Trabalhamos com três regras simples, que auxiliam no desenvolvimento dos desenhos:
• Regra do alinhamento.
• Regra dos planos contíguos.
• Regra da Configuração.

A regra do alinhamento nos diz que um mesmo elemento do objeto, em vistas adjacentes,
está sobre o mesmo alinhamento, isto é, utilizam as mesmas linhas de chamada. Na figura 20,
abaixo, essa regra está indicada nas projeções em épura da cadeira que estudamos no começo
da Unidade. Para deixar mais clara esta regra, criei os pontos.

Dê uma olhada na figura 20:

P.V. P.L.

A B A=B

A B

P.H.

Figura 20 – Regra do Alinhamento


Fonte: Acervo do Conteudista

Você consegue enxergar como utilizamos as mesmas linhas para localizar os pontos os pontos
destacados A e B? Isto quer dizer que quando localizamos estes pontos em uma das vistas,
precisamos apenas rebatê-los para as vistas seguintes.
A Regra dos Planos Contíguos nos informa que a linha que separa duas áreas contiguas
em uma vista ortogonal indica que estas duas áreas não estão no mesmo plano, ou seja, todas
as vezes que vemos uma linha cheia indicada no desenho de uma vista, podemos afirmar
que as áreas que estão indicadas neste desenho estão a distâncias diferentes do observador,
conforme a figura 21.

47
Vistas Ortogonais
UNIDADE
II

A
B
A
A

B
A
B

B
A
B
A
B

Figura 21 – Regra dos Planos Contiguos


Fonte: Acervo do Conteudista

Como podemos ver na figura 21, os desenhos de projeção são iguais, mas todos nos passam
as mesmas informações, isto é, as faces que estão representadas estão em planos diferentes,
apesar de serem contíguas.
Finalmente, a regra das configurações, que nos informa que uma face plana do objeto será
projetada com a sua configuração, ou como uma reta. No primeiro caso, essa face está paralela
ou inclinada em relação ao plano de projeção. No segundo caso, a face é perpendicular em
relação ao plano de projeção. Isto ficará mais claro na figura 22.
A

C
B

Figura 22 – Regra das configurações


Fonte: Acervo do Conteudista

48
Podemos observar na figura acima que temos três faces sinalizadas como A, B e C. Na
figura 23, notamos nas projeções no diedro como, dependendo da vista que estudamos, que
estas faces variam entre segmentos de retas e planos. Por exemplo, no Plano Vertical (ou Vista
Frontal), a face A aparece como um segmento de reta, que coincide com o segmento de reta que
define a parte superior da face B, enquanto esta, por ser inclinada, aparece como um plano. No
Plano Horizontal (ou Vista Superior), aparecem as faces A e B, enquanto a face C é vista como
uma reta; finalmente, no Plano Lateral (ou Vista Lateral), vemos a face C, enquanto as faces A
e B são vistas como segmentos de retas.

B C

Figura 23 – Regra das Configurações – Épura


Fonte: Acervo do Conteudista

Acho que agora ficou claro como podemos trabalhar com as Projeções Ortogonais, e o seu
rebatimento em Épura. Novamente, temos as atividades de Sistematização, para que você
aprofunde seus conhecimentos e possa praticar os conhecimentos que adquiriu com esta
nossa Unidade.
Não se esqueça: recomendo que você dedique o tempo que precisar para fazer os exercícios,
estudando atentamente os enunciados e pensando em suas respostas.

49
Vistas Ortogonais
UNIDADE
II
Material Complementar

Explore
Método para desenho de projeções ortogonais:
https://goo.gl/pfzd3x

Projeções Ortogonais, Geometria Descritiva, Canhões e Fortalezas:


https://goo.gl/4Um5Nx

The Designer and Orthographic Drawing:


https://goo.gl/gzScAg

50
Referências

MONTENEGRO, Gildo A. Desenho de Projetos. São Paulo: Blucher, 2004.

NBR 06492 – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

MICELLI, Maria T. Desenho Técnico Básico. São Paulo: Ao Livro Técnico, 1999.

51
III
Planta Baixa

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Vanderlei Rotelli

Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
Planta Baixa
UNIDADE
III
Contextualização

Você já deve ter visto as plantas de apartamentos promocionais que são distribuídas nos
faróis das cidades, ou as propagandas em jornais e revistas, certo?
Você já prestou atenção nas semelhanças entre elas? E nas diferenças? Nesta unidade,
começaremos a entender como essas plantas são criadas. Começaremos a aprender tecnicamente
como são a concepção e as fases de um projeto – quando estamos falando sobre uma edificação
que ainda será construída, dizemos que estamos na fase de projeto, que é o momento de
concepção e alterações.
Utilizaremos, para isso, o conteúdo que você aprendeu nas unidades anteriores, continuando
a nos guiar pelas regras e convenções que temos visto até aqui, e aprendendo as normas
específicas desse tipo de desenho técnico.

54
Arquitetura

Como todos os nossos desenhos, esse também é normatizado pela ABNT. Nesse caso, porém,
temos várias normas que regem os vários tipos de desenho. Nos concentraremos aqui, no que é
chamado de anteprojeto de arquitetura. O anteprojeto, como o próprio nome diz, é feito antes
do projeto executivo, ou seja, é considerado a fase de “estudos” de um projeto de arquitetura.

As coisas funcionam da seguinte maneira: quando você contrata um arquiteto para que
ele faça o projeto da sua casa, são feitas algumas reuniões para que o profissional possa fazer
o levantamento das suas necessidades e das suas possibilidades. Nessa fase, é comum que o
arquiteto leve para as reuniões os croquis e estudos preliminares que tenham sido preparados
para você, contudo, ainda, ainda não são aplicadas aqui as NBR’s, pois, de maneira geral, esses
desenhos são apenas as primeiras ideias do que será o projeto da sua casa e, depois de mais
algumas etapas, a edificação.

Na fase de anteprojeto, utilizamos principalmente: a NBR 06492, que trata da representação


de projetos de arquitetura; a NBR 13531, que trata da parte técnica de um projeto de arquitetura,
como métodos construtivos e fluxogramas de obra; e a NBR 13532, que normatiza as fases e
os tipos de projeto de arquitetura. Para os nossos estudos, focaremos a parte de representação.

Nosso estudo nesta e nas próximas Unidades estará focado na representação técnica da
arquitetura. Nesta Unidade, estudaremos os vários tipos de plantas arquitetônicas. A norma
divide as plantas em três tipos, conforme abaixo:

• Planta de situação;

• Planta de locação ou implantação;

• Planta de edificação.

A planta de situação indica o formato, o tamanho e a identificação do lote, inserindo-o na


quadra, localizando ruas de acesso e pontos de referência para a localização do terreno. São
indicadas, também, a orientação geográfica, com a indicação do Norte (fundamental para a
execução de um projeto arquitetônico) e dos nomes de ruas e de acessos. Dizemos que a
planta de situação é uma planta esquemática, isso é, nem todos os elementos que deveriam ser
indicados em uma planta estão indicados; são indicados apenas os elementos principais, que
auxiliarão no entendimento do desenho. A escala desse desenho também não permite grande
detalhamento, pois trabalhamos sempre em escalas pequenas (1:500 ou 1:1000). Podemos,
também, usar algum tipo de hachura para destacar algum dos elementos necessários. Dê uma
olhada na figura 1:

55
Planta Baixa
UNIDADE
III

Figura 1 – Planta de situação

O próximo passo é aumentarmos o zoom e desenhar a implantação de nossa construção.


A planta de locação ou implantação serve para localizarmos o projeto dentro do lote ou
gleba. É uma vista superior e externa da edificação, e deve indicar as distâncias dos muros até
as paredes da construção e servirão de base para o início da construção. Além dos muros e da
edificação, devem constar: as calçadas; as árvores existentes ou a plantar; devem ser indicadas as
cotas ou medidas dos terrenos e dos afastamentos desses em relação às paredes da construção.
Dê uma olhada na figura 2:

2.50 m 20.00 m
2.00 m
Calçada

2.00 m
Rua

5.00 m

Figura 2 – Planta de Locação ou Implantação

56
Agora, daremos mais um zoom, para começarmos a pensar na definição da edificação.
Finalmente, temos a planta da edificação ou a planta baixa. Para criar essa planta, primeiro,
temos de visualizar a edificação, conforme a Figura 3:

Figura 3 – Edificação

Para criar a planta baixa, é necessário imaginar um plano horizontal que corte a edificação
da figura 3 a uma altura de 1.50 m, conforme a figura 4:

Figura 4 – Indicação do Plano de Corte

57
Planta Baixa
UNIDADE
III
Passado esse plano, retiramos a parte de cima da construção, ou seja, a parte que está acima
de 1.50m, que inclui toda a cobertura ou os andares superiores, conforme a figura 5:

Figura 5 – Corte Horizontal

Voltamos, agora, ao nosso amigo Monge, já que devemos olhar a parte que sobrou da edificação
como se estivéssemos observando uma vista superior, olhando a planta de maneira ortogonal, ou
seja, olhando a “projeção” desse desenho em um plano horizontal, conforme a figura 6:

Figura 6 – Planta Baixa

58
Você deve ter observado que temos vários tipos de linhas, várias espessuras. Vamos entender
essa simbologia agora.
Comecemos pelas linhas mais grossas, que representam as paredes da edificação. Se você
prestar atenção, verá que temos duas espessuras de paredes diferentes, isto é, temos dois “tipos”
de paredes. De maneira geral, em nossas construções, as paredes externas costumam ser mais
grossas do que as paredes internas, isso acontece porque as paredes externas, além de terem
uma função de isolamento térmico da edificação, ainda podem “embutir” a estrutura, ou seja,
podemos inserir a estrutura na parede. As paredes internas, de modo geral, são apenas paredes
de vedação e, de forma geral, funcionam apenas para dividir os ambientes.
A diferença de espessura é de 10 centímetros: as paredes externas têm 25 centímetros e as
internas têm 15 centímetros. Essa diferença de espessura é conseguida pela maneira como os
tijolos são assentados. As paredes externas são chamadas de paredes de um tijolo, enquanto as
paredes internas são chamadas de paredes de meio tijolo. Veja a figura 7, que representa um
tijolo com as suas medidas padrão:

Figura 7 – Tijolo de barro

Agora, na figura 8, você verá as duas formas de assentamento do tijolo, a parede de um tijolo
e a parede de meio tijolo:

Figura 8 – Parede de meio tijolo e parede de um tijolo

59
Planta Baixa
UNIDADE
III
Consideramos, ainda, que após os tijolos serem assentados, faremos o acabamento da parede.
Em termos de desenho, consideramos que haverá 2,5 centímetros de acabamento de cada lado
da parede, totalizando os 5 centímetros que estavam faltando (consideramos o reboco grosso, a
massa fina, a massa corrida e a pintura como os acabamentos que perfazem 2,5 centímetros).
A figura 9 ilustra esses conceitos:

Figura 9 – Espessuras de paredes

Você deve ter notado, também, que as linhas das paredes são as mais grossas no desenho.
Isso acontece porque elas são os elementos que estão mais próximos do observador, isto é,
depois de cortarmos nossa construção a 1,50 metros, os elementos mais altos, ou seja, mais
próximos dos seus olhos, são as paredes; e os mais distantes, os pisos, que são representados
por linhas mais finas (lembra-se das indicações de linhas da Unidade “Instrumentos”?). Isso é
chamado em Desenho Técnico de hierarquia de traços, ou seja, a ordem de espessura que as
linhas seguem. Quanto mais próximo dos olhos do observador, mais grosso é o traço.
Estas convenções ficarão mais claras na figura 10:

Figura 10 – Diferença no Peso gráfico das linhas

60
Agora, vamos analisar os diferentes símbolos usados no desenho. Para começar, estude a figura 11:

Figura 11 – Porta aberta e porta fechada

A figura 11 está indicando uma porta. Vale notar que a porta é a composição de dois
elementos, a saber: a folha de porta e os batentes. Na figura acima, temos o desenho das paredes,
a indicação dos batentes, que são fixados nas paredes, e a folha de porta e a sua varrida, isto é,
o “”percurso” que ela faz quando abre (representado por um arco de circunferência). Em uma
planta, as portas sempre são representadas abertas e com a indicação da sua varrida, com a
intenção de mostrar tanto aos clientes quanto aos outros profissionais técnicos a área que não
poderá ser utilizada, ou seja, o espaço que deverá ser deixado livre para que a porta possa ser
aberta e fechada sem interferência. Na figura acima, foi colocada a indicação da porta fechada,
apenas para que você repare no encaixe existente no batente, que faz a porta ficar vedada
quando estiver fechada.
Você percebeu que, falando em termos de peso gráfico, as linhas da porta na figura 11,
e mesmo as linhas da janela na figura 12, apesar de estarem próximas do observador, são
desenhadas mais finas? Isso se deve a hierarquia de traços, ou seja, as paredes são sempre
consideradas as linhas mais importantes do desenho e, portanto, as mais grossas. Como temos
o “zoom” de um detalhe da planta, essa diferença fica mais evidente; mas na planta como um
conjunto, tal diferença de espessuras pode não ser tão visível, embora exista e seja proposital.
Preste atenção agora na figura 12, que mostra a representação de uma janela:

Figura 12 – Detalhe da janela

61
Planta Baixa
UNIDADE
III
O que vemos nesse desenho é a representação da janela em planta. Estamos representando a
estrutura da janela – que é chamada de caixilho – e o vidro que foi seccionado pelo nosso plano
horizontal. A estrutura é representada pelos dois retângulos que estão nas pontas do desenho;
as duas linhas centrais paralelas representam, nesse tipo de desenho, o vidro, que é a vedação
da janela. Como vimos na figura 5, o vidro foi “cortado”, por isso o representamos dessa forma.
Se você prestar atenção na planta, na figura 6, verá que a janela do banheiro não é representada
da mesma forma que as outras. A explicação para isso é a altura do peitoril. Como vimos na
figura 4, o plano de corte é passado a uma altura de 1,50m, o peitoril – que é a altura de início
da janela, isso é, a distância entre o piso e a parte inferior da janela – é de 1,60m, ou seja, acima
do plano de 1,50m. É necessário, no entanto, que ela seja indicada, tanto para os clientes quanto
para as pessoas que irão executar a obra; e como fazer isso? Se você se lembrar da Unidade
“Instrumentos”, nos tipos de linha que vimos, você se recordará da linha tracejada, que é utilizada
para indicar projeções. Na Unidade “Vistas Ortogonais“, conhecemos essas projeções como
arestas ocultas. No caso do Desenho Técnico de Arquitetura, as linhas tracejadas representam
projeções de objetos que estão acima da linha de corte, ou seja, acima de 1,50m.
Observando a figura 6, temos uma linha tracejada em toda a volta da edificação, o que você
acha que está sendo representado com ela? Se pensou no telhado, você acertou. Essa linha é
chamada de projeção da cobertura, já que em uma planta baixa não temos como saber qual o
tipo de cobertura que será utilizada. No nosso caso, partimos de uma edificação existente, para
fins de explicação, mas, geralmente, quando criamos um projeto, começamos pensando na
planta baixa e ainda não sabemos qual tipo de cobertura que será utilizado – poderemos optar
por telhado, uma laje, entre outros. Como falamos no começo da unidade, estamos aprendendo
um anteprojeto de arquitetura, e muitas dessas definições são pensadas apenas na fase de
projeto executivo.
Agora, na figura 13, temos um detalhe da entrada:

Figura 13 – Porta de entrada com detalhe da soleira

62
Aqui você pode notar duas linhas paralelas na porta de entrada. Essas duas linhas representam
uma soleira – que é a parte inferior do vão da porta, no piso; uma soleira também pode indicar
uma mudança ou um arremate entre pisos em ambientes diferentes. Como estamos falando de
uma porta de entrada, a linha mais externa indica também um degrau; sempre que você tem a
entrada de uma edificação é aconselhável que se coloque um degrau de alguns centímetros. A
função desse degrau é evitar a entrada de água da chuva e de poeira.
Olhando a planta na figura 6, você também consegue visualizar a louça sanitária, a pia
no espaço da cozinha. A colocação desses equipamentos não é uma obrigação, de acordo
com a norma, mas geralmente eles são colocados por serem considerados itens fixos, isso é,
diferentes do mobiliário, que podem ser colocados e modificados de acordo com a vontade
do cliente. Esses equipamentos dependem de pontos de hidráulica, ou seja, precisam se ligar
aos canos de água que descem da caixa d’água e, também, estar ligados à rede coletora de
esgoto. É claro que podemos alterar a localização desses itens, mas por ser considerada uma
obra de porte médio, por convenção, essas peças são indicadas, pois se faz necessário que os
outros profissionais – como engenheiro civil, hidráulico, elétrico, além dos técnicos que farão
a instalação dos acabamentos e a construção propriamente dita – saibam para que lugar esses
equipamentos foram projetados pelo arquiteto.
O que vemos na figura 14, abaixo, é uma ampliação desse cômodo. A louça sanitária é
desenhada em vista superior, ou seja, de acordo com as projeções de Monge – estamos olhando
as projeções superiores das peças. Note também que o piso é colocado sob a louça sanitária,
portanto não o vemos quando está embaixo das peças. Lembre-se que em planta tudo o que
tiver de ser representado deverá ser desenhado em vista superior, mesmo as projeções, isso é,
se tivermos de desenhar, por exemplo, um armário sobre a pia, ele será representado como uma
linha tracejada (uma projeção de algo que está acima do plano de 1,50m, lembra?), a partir de
uma vista superior.

Figura 14 – Ampliação do Banheiro

63
Planta Baixa
UNIDADE
III
Além disso, você deve ter notado, no piso da residência, a colocação de uma representação
de acabamento, isso é, foi colocado, no que chamamos de áreas molhadas (Cozinha, Banheiros
e Área de Serviço), um desenho que está representando um tipo de cerâmica. A função dessa
representação (que é chamada de hachura) é justamente indicar quais são essas áreas molhadas
(que são assim chamadas porque podem ser lavadas), ou seja, não necessariamente esse
tamanho ou tipo de cerâmica serão utilizados na construção, mas qualquer pessoa treinada que
observar esse desenho saberá o que são esses espaços.
Conseguiu entender o que representamos em uma planta baixa? O que vimos até este ponto
são as informações mais imediatas que a planta nos fornece, isso é, até agora olhamos a planta
e estudamos as informações que o corte horizontal nos fornece; a partir de agora, contudo,
vamos adicionar as informações que são necessárias para o entendimento e a execução do
desenho e para a construção propriamente dita.
Olhando atentamente a figura 6, você notará que não temos nenhuma cota, ou seja, o
desenhista e o construtor dessa residência não saberão quais as medidas que devem utilizar.
Em um projeto, como já vimos na Unidade “Instrumentos“, devemos colocar todas as cotas
necessárias para a construção, tanto do desenho como da construção. É necessário, também,
que indiquemos o uso de cada ambiente – é claro que as áreas molhadas são mais facilmente
identificadas, mas e os outros ambientes? Podemos até deduzir quais serão os seus usos, mas
devemos evitar que outras pessoas precisem “imaginar” o que acontecerá em nossos projetos.
Lembre-se, também, que este é um projeto pequeno, pois, quanto maior o tamanho de um
projeto, maior a sua complexidade e maior ainda as possibilidades de uso.
A figura 15 já apresenta a planta baixa completa, de tal maneira que conseguimos entender o
anteprojeto de arquitetura; vamos, agora, ver os últimos detalhes do Desenho, e você perceberá
que tudo começa a fazer sentido.
0.50 m

Projeção da cobertura

6.00 5.00
0.10 1.00
1.30

0.00
Closet
X
3.85

Estar Dormitório
Cozinha
Banho
2.50

2.00
5.00

5.00

3.85 3.35
1.50

Figura 15 – Planta baixa com os dados necessários à execução

64
A primeira diferença que você notará em relação à planta apresentada na figura 6 é a colocação
das cotas. É claro que, quando esse desenho foi executado, as cotas já eram conhecidas, ou
seja, é impossível executar um desenho sem as medidas; mas as cotas não existem em uma
construção de verdade, são ferramentas que necessitamos antes e durante a construção, embora
depois sejam desnecessárias.
Você também percebeu, conforme vimos na Unidade “Instrumentos“, que estamos utilizando
as cotas externas, que vão de parede a parede. Você notará, contudo, que algumas cotas estão
“faltando”, pois não colocamos todas as cotas em um cômodo. Fazemos isso para evitar repetir
informações e também para deixar o desenho mais “limpo”, mas de uma forma que seja possível
obter todas as informações necessárias para o entendimento do desenho. Por exemplo, se você
olhar a figura 16, que é uma ampliação do closet, verá que não temos as duas cotas do closet,
falta a medida marcada como X.

5.00
1.30

Closet
X

Dormitório
5.00

3.35

Figura 16 – Ampliação do Closet

Por que essa cota não foi colocada? Apenas porque ela pode ser obtida de maneira simples,
com uma única subtração podemos chegar ao resultado (se subtrairmos da cota da parede
superior de 5,00m a cota da parede inferior de 3,35m, encontraremos a medida de 1,65m).
Como já vimos na unidade “Instrumentos“, quando estudamos os tipos de cota, utilizamos esse
tipo de estratégia nesse nível de desenho (anteprojeto). Quando entramos na fase de desenho
executivo, devemos colocar todas as cotas, evitando quaisquer dúvidas.
Continuando a falar sobre as cotas, indicamos também o tamanho da projeção da cobertura.
Essa projeção é chamada de beiral e tem uma função muito importante, que é a de afastar as águas
pluviais das junções das paredes com a cobertura. Essa junção é uma das partes mais delicadas da
construção, pois está sujeita a infiltrações que podem danificar a ferragem e o concreto.

65
Planta Baixa
UNIDADE
III
Você deve ter notado, também, que colocamos os usos de todos os ambientes, essa deve
ser outra preocupação do arquiteto. Em nosso exemplo, até em função do número reduzido de
cômodos, temos os usos relativamente claros em função da disposição e da circulação. Quando
temos um projeto mais complexo, essas indicações são fundamentais, pois alguns cômodos têm
funções específicas.
Finalmente, temos um elemento novo nesse desenho, que está destacado na figura 17:

Figura 17 – Cota de nível

Esse também é um elemento de cota, chamado de cota de nível. Lembra-se quando


conversamos sobre a soleira e foi dito que, no caso da porta de entrada, é sempre aconselhável
que coloquemos um degrau? Pois bem, esse é o símbolo técnico que indica um desnível. Você
vai se lembrar que, na Unidade “Vistas Ortogonais“, vimos a regra dos planos contíguos, que
nos diz que uma linha cheia indica que as áreas estão em planos diferentes – essa é a maneira
de indicar a diferença de nível em uma planta.
No caso do nosso anteprojeto, se você analisar o desenho, temos duas cotas de nível: uma
do lado externo da casa e outra na parte interna; o lado externo está sinalizado como 0,00m,
o lado interno como 0,10m. Isso significa que temos um degrau de 10 centímetros para entrar
na casa. De forma geral, sempre utilizamos como cota 0,00, ou nível 0,00, para a parte externa
da casa, já que esta é uma referência que não será alterada. A partir desse nível, podemos
encontrar os próximos. Outro ponto que vale a pena você notar é que essas cotas podem ser
negativas, isso é, se você quiser construir um porão, ou um estacionamento subterrâneo, a partir
da nossa cota de referência 0,00, você vai escavar o terreno, portanto, terá cotas abaixo de 0,00,
como, por exemplo: -3,00m. Essas cotas são indicadas dessa forma, com o sinal de negativo
antes do número. De forma geral, as cotas que estão acima do 0,00 e são, de acordo com essa
definição, positivas, não precisam ter a indicação do sinal +, como no nosso caso.
O nosso próximo passo na fase do anteprojeto é a planta layout. Essa planta conta com a
colocação do mobiliário, para que possa ser feito o estudo de circulação e fluxo. O resultado
final dessa planta é algo parecido com a figura 18:

66
0.50 m
Projeção da cobertura

6.00 5.00
0.00 0.10 1.00
Closet

1.30
3.85

Cozinha Dormitório
Estar
Banho

2.50
2.00

5.00

5.00
3.85 1.50 3.35

Figura 18 – Planta layout

A função da planta layout é a identificação e correção de eventuais problemas de espaço,


circulação e fluxo, já que na fase de anteprojeto é possível fazer qualquer alteração necessária.
No caso do nosso projeto, fica claro que nossa cozinha não é funcional, teremos problemas de
circulação e fluxo de alimentos – uma alteração simples na disposição do mobiliário irá resolver
nosso problema, sem a necessidade de alterações no espaço, conforme a figura 19 demonstra:

Figura 19 – Detalhe de layout alterado

67
Planta Baixa
UNIDADE
III
Após essa fase, onde são feitos todos os ajustes necessários para que o projeto fique o melhor
possível, tanto na visão do cliente quanto na visão do arquiteto, entram os demais profissionais
envolvidos nas várias etapas, como os especialistas em projetos de hidráulica, elétrica, ar-
condicionado, estrutura, etc.
Todos esses profissionais também trabalham com o uso de desenhos, na fase de projeto, ou
seja, ainda não entramos na fase do desenho executivo, que será formado pela junção de todos
esses projetos, que chamamos de complementares, e que foram feitos por cada especialista.
Com todos esses projetos prontos e compatibilizados, estudados e revistos para evitar
sobreposições e conflitos – como, por exemplo, a colocação de uma tubulação de água no
mesmo local de um eletroduto (o conduíte de fios elétricos) –, é gerado o projeto executivo. Esse
é o projeto que é enviado para o local da obra, e que é utilizado para a construção da edificação.
Chegamos ao final desta Unidade. Qualquer dúvida que você ainda tenha, revise o texto
e analise atentamente as figuras. Temos ainda as questões de avaliação, leia atentamente os
enunciados e observe cuidadosamente as figuras. Até a próxima unidade!

68
Material Complementar

Explore
Desenho Arquitetônico - Adriano Pinto Gomes:
https://goo.gl/oXfz32

Representação de projetos de arquitetura:


https://goo.gl/rp8tY5

69
Planta Baixa
UNIDADE
III
Referências

MONTENEGRO, Gildo A. Desenho de Projetos. São Paulo: Blucher, 2004.

NBR 06492 – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

MICELLI, Maria T. Desenho Técnico Básico. São Paulo: Ao Livro Técnico, 1999.

NBR 08403 – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

70
IV
Cortes

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Vanderlei Rotelli

Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
Cortes
UNIDADE
IV
Contextualização

Na unidade anterior, na qual falamos sobre planta baixa arquitetônica, você deve ter sentido
falta das informações sobre a altura das edificações, certo? O que acontece é que não coloca-
mos em plantas essas informações, pois não teríamos como juntar todos esses dados em um
único desenho.
Nesta unidade, vamos treinar mais um pouco sua visão espacial, apresentando como se
lê um outro tipo de desenho. Agora você verá como pensamos um edifício verticalmente,
perceberá que é bastante simples, depois que se entende o que está vendo. Como na planta
baixa, iremos estudar os cortes passo a passo e, rapidamente, você entenderá mais um
pouco a linguagem arquitetônica.
Comecemos?

72
Cortes Arquitetônicos

Agora que já entendemos o que é uma planta baixa arquitetônica, precisamos responder
uma pergunta: qual é o pé-direito da nossa casa? Antes, vamos entender o que é pé-direito: é
a distância entre o piso de uma casa e o seu teto (seja um forro, uma laje, ou qualquer outro
acabamento) – podemos dizer que é o espaço útil da altura da casa. Alguns especialistas dizem
que essa expressão vem dos tempos das construções antigas, com porões e sótãos, quando
muitas vezes você não tinha altura o bastante para “ficar em pé direito”, ou seja, tinha de ficar
curvado para não bater a cabeça no teto. Outros especialistas dizem que essa expressão se refere
a distâncias medidas em pés, e na posição direita, ou seja, perpendicular ao plano do solo.
Então, voltemos a pergunta inicial desta unidade: estudando a planta baixa arquitetônica,
qual é o pé-direito da nossa casa?
Se você concluiu que é impossível saber essa informação por meio da planta baixa, você
acertou. A planta baixa não nos dá nenhuma informação de altura, não é essa a função dela; ela
nos fornece informações de largura e profundidade, mas não de altura. Temos outra ferramenta
para obter essa informação, que vamos estudar agora: os cortes arquitetônicos.
Vamos, então, voltar à casa que estudamos na unidade “Planta Baixa “ para terminarmos
aquele projeto e para que você consiga identificar todos os desenhos que compõem qualquer
edificação. Caso você tenha esquecido, abaixo, na figura 1, temos a casa que havíamos criado.

Figura 1 – Edificação

Os cortes arquitetônicos, de acordo com a NBR 06492, são “planos secantes verticais”.
Para criar o corte, você deve imaginar um plano vertical que divida a casa em duas partes,
conforme a figura 2.

73
Cortes
UNIDADE
IV

Figura 2 – Indicação do plano de corte longitudinal

Os cortes podem ser feitos no sentido longitudinal (o sentido mais extenso da construção – no
nosso caso, imagine um corte que vá da cozinha ao quarto), conforme a figura 2, ou no sentido
transversal (a direção perpendicular à direção longitudinal – imagine, em nosso desenho, um
corte que vá do banheiro ao closet), conforme a figura 3.

Figura 3 – Indicação do plano de corte transversal

Depois da colocação do plano de corte, conforme as figuras acima, é que o corte começa
a se diferenciar da planta baixa. A primeira grande mudança, e que muitas vezes dificulta a
visualização de quem está começando a trabalhar, é não haver uma regra sobre o posicionamento
do plano de corte, isto é, quem decide em que ponto da edificação será feito o corte é o
projetista. Quando estudamos as plantas arquitetônicas, na unidade anterior, vimos que o

74
plano horizontal de corte deve ser colocado a 1,50m, e que olhamos ortogonalmente para
baixo, certo? Essa é uma norma e, portanto, deve ser obedecida, não deixando espaço para
mudança. No caso do corte, isso muda: o projetista tem liberdade para escolher o que mostrar
no projeto. A NBR 06492 recomenda que o corte seja posicionado em um local que demonstre
o maior número de detalhes possível da edificação. Existe uma convenção (você lembra que
isso quer dizer que é um tipo de acordo e não uma obrigatoriedade, certo?) que nos diz que pelo
menos um dos cortes deve passar pelas áreas molhadas (cozinha, banheiros e área de serviço,
lembra?), pelos elevadores e\ou pelas escadas; essas são consideradas áreas que necessitam de
mais detalhamento e, portanto, lugares ideais para serem “cortados”.

Outra diferença significativa é o fato de o projetista também poder escolher para qual dos lados
irá olhar, ou seja, quando cortamos nossa casa, conforme a figura 2, temos duas partes, certo?
Isso quer dizer que podemos olhar ortogonalmente para qualquer um dos dois lados do plano
de corte, conforme a figura 4 (para facilitar e diminuir o tamanho dos desenhos, trabalharemos,
a partir de agora, com os cortes transversais e depois veremos o corte longitudinal).

Figura 4 – Indicação das possibilidades de visualização do corte

Conforme a figura, você pode visualizar que teremos dois desenhos diferentes, como
demonstrado na figura 5.

Figura 5 – Opções de corte transversal

75
Cortes
UNIDADE
IV
A escolha de qual desses desenhos será mostrado dependerá do projetista e de qual das
imagens mostrará mais detalhes e será mais informativa. É possível que você use os dois
desenhos, isto é, você pode ter dois cortes, mas não é usual que os cortes sejam pensados dessa
forma, ou seja, não se passam dois cortes na mesma posição. Se o projetista quiser mostrar
os dois lados, o mais comum é que os cortes, mesmo os que olhem para direções diferentes,
passem em locais diferentes, conforme a figura 6.

Figura 6 – Posição dos cortes transversais

E, nesse caso, teremos dois cortes em locais diferentes, conforme a figura 7.

Figura 7 – Dois cortes transversais em posições diferentes

Você pode notar que teremos detalhes diferentes a mostrar, o que deixa os desenhos mais
claros, informativos e interessantes.

Bem, agora que você entendeu como podemos localizar os cortes, vamos analisar os desenhos
em detalhes. Para isso, vamos pegar o corte transversal AA, representado na figura 8.

76
Figura 8 – Corte AA

A primeira coisa que você deve ter notado é que nos referimos aos cortes por letra – podemos
ter o corte AA, o corte BB, o corte CC e assim por diante –, conforme a figura 9.
0.50 m

Projeção da cobertura

6.00 5.00
0.10 1.00
1.30

0.00
Closet
3.85

Estar Dormitório
Cozinha
Banho
2.50

5 5
2.00
5.00

5.00

3.85 3.35
1.50

Figura 9 – Planta baixa com indicação de corte

Logo, o corte AA está unindo às letras A e A. Outro detalhe que você deve notar é a
representação do corte em planta. Utilizamos a linha traço e ponto grossa, de acordo com
a NBR 08403, conforme vimos na unidade “Instrumentos“. Para evitar que o desenho fique
muito poluído, isto é, com um acúmulo muito grande de linhas, costumamos indicar o corte nas
paredes externas, de acordo com o desenho.
A direção para a qual estamos olhando no corte é indicada pelos triângulos localizados na
ponta da linha de corte. A NBR 06492 nos diz que, em projetos executivos, devemos usar a
indicação mostrada na figura 10, onde o número 3 representa o número da folha em que está o
desenho e o 341 representa o número do desenho nessa folha (lembre-se que para efeito didático,
estamos trabalhando com um desenho bastante simples, mas a complexidade de um projeto pode
ser quase infinita, e a única maneira de explicá-lo pode ser com uma infinidade de desenhos).

77
Cortes
UNIDADE
IV
341
3

Figura 10 – Indicação de corte, de acordo com a NBR 06392

É obrigatória a indicação do sentido do corte – com a prática, é possível entender o corte sem
essa indicação, mas, caso ela não seja colocada, o desenho estará errado.
Agora, analisando o corte, vamos analisar a espessura das linhas, ou a hierarquia dos traços.
Como apontado na unidade “Planta Baixa“, os objetos mais próximos do observador são indicados
com linhas mais grossas. No nosso caso, conforme o desenho 11, que é um detalhe do corte AA,
as paredes vistas em corte são as linhas mais grossas do desenho. Outra coisa que dizemos em
desenho é que essas paredes são mostradas em “corte”, enquanto as paredes que não estão em
corte, ou seja, as paredes que estão no “fundo” do desenho, são mostradas em “vista”.
A próxima coisa que vamos olhar são as portas. As portas em um corte, diferente de uma
planta, são mostradas fechadas. A função disso também é evitar a poluição do desenho (imagine
mostrar o interior de um ambiente com outra porta, outra janela, etc., em algum momento,
dependendo da complexidade do desenho, você perderia a noção de profundidade).
No nosso exemplo, temos duas portas, conforme a figura 11. Uma delas, mais à direita, é
mostrada em corte, enquanto a outra, mais à esquerda, é mostrada em vista. As duas estão
representadas fechadas. A porta vista em corte está alinhada pelo lado interno do ambiente e
nivelada com a parede. A outra porta é mostrada em vista, pois estamos olhando a porta de
frente – a linha tracejada indica o sentido de abertura da porta. Você pode considerar que o
vértice do tracejado é a maçaneta.

Figura 11 – Detalhe do corte (portas)

78
Agora, vamos olhar a figura 12, que nos mostra o detalhe da janela do banheiro.

Figura 12 – Detalhe do corte (janela)

Como você pode ver, a representação da janela em um corte é muito semelhante à


representação da janela em uma planta, como você deve se lembrar, até porque a estrutura de
uma janela é a mesma, se pensarmos sobre isso.
Outra novidade em relação à planta baixa é o aparecimento do telhado. Em uma planta,
vemos apenas a projeção da cobertura (seja um telhado ou uma laje); no corte, o telhado vai
aparecer com a sua estrutura, conforme a figura 13, que mostra um detalhe desse desenho.

Figura 13 – Estrutura do telhado

Nesse detalhe, você pode ver a estrutura de madeira, que é chamada de tesoura, e as telhas
em corte. Podemos notar também o forro, que é o acabamento interno de um telhado (o forro
pode ser de madeira, gesso, plástico, etc.).

A parte do telhado que está além da parede externa é o beiral, que aparece na planta como
uma linha tracejada e tem a função de proteger as paredes do clima externo.

79
Cortes
UNIDADE
IV
Para terminar, o que pode lhe despertar alguma dúvida, é a representação da fundação,
conforme a figura 14.

Figura 14 – Detalhe da fundação

Como você sabe, uma edificação não é construída diretamente sobre a terra; temos, antes,
de executar a fundação, que é a estrutura responsável por repassar as cargas de uma construção
para o solo. No caso de edificações simples, como a nossa casa do exemplo, temos as chamadas
fundações rasas – como sapatas e vigas baldrame. Em edificações maiores, temos as fundações
profundas – como estacas e tubulões.
Como havíamos conversado, estamos trabalhando ainda no anteprojeto, portanto, não
necessariamente esta fundação será a efetivamente executada; a ideia é indicar aos profissionais
envolvidos onde a fundação será locada. Representamos, também, como você pode ver, o solo
onde estará localizada a edificação, indicando o que é aterro e o que é solo natural.
Agora que entendemos a estrutura do corte, vamos colocar os acabamentos necessários da
mesma maneira que fizemos na planta. O corte pronto ficará como a figura 15.

Figura 15 – Corte completo

A primeira coisa que você deve ter visto são as cotas. Em um corte, são colocadas apenas
as cotas verticais, ou seja, as cotas de altura. Essas cotas são fundamentais para os projetos
complementares, pois auxiliarão os outros profissionais em seu trabalho, por exemplo:

80
o engenheiro eletricista precisa saber o pé-direito da casa para poder projetar a altura das
luminárias e da tubulação do ar-condicionado. Não deve ser colocada nenhuma cota horizontal,
ou seja, informações de largura ou profundidade, já que estas estão na planta baixa.

Gostaria que você percebesse que as informações se complementam, isto é, você não
pode ter a planta e não ter os cortes, assim como é inútil a planta sem os cortes. Você sempre
precisará de todas as informações para poder executar o melhor trabalho possível, ou seja, essas
informações se complementam, são várias e diferentes, embora a respeito de um único projeto.
Ainda falando sobre as cotas, você também percebeu as cotas de nível, certo? Elas aparecem
no corte para indicar as diferenças de altura existentes na edificação. Se você prestar atenção, essas
cotas apenas indicam a diferença de nível que já aparecia no corte, conforme o detalha da figura 16.

Figura 16 – Cotas de nível

Na planta, essas cotas aparecem também, mas só podemos visualizar efetivamente a diferença
com o corte.
No corte também são colocados os acabamentos das paredes – como você deve se lembrar,
um dos cortes tem que passar pelas áreas molhadas, para mostrar o acabamento das paredes
–, no nosso caso, as paredes do banheiro são revestidas com cerâmica 20cm x 20cm, conforme
a figura 17.

Figura 17 – Detalhe do revestimento do banheiro

81
Cortes
UNIDADE
IV
Aparecem também as vistas frontais do vaso sanitário (figura 18) e do chuveiro, que, como
vimos na unidade “Planta Baixa“, precisam ser representados. Enquanto na planta baixa
utilizamos as vistas superiores, usamos nos cortes as vistas frontais ou laterais, dependendo da
posição e da direção do corte em reação à planta.

Figura 18 – Detalhe da vista frontal do vaso sanitário

Outro detalhe que colocamos é a hachura da laje, isto é, um acabamento no corte da laje,
representando o material do qual ela é feita. No nosso caso, usamos uma hachura que representa
o concreto da laje, conforme a figura 19.

Figura 19 – Detalhe da laje

Outra coisa que temos de colocar em nosso corte, de acordo com a NBR 06492, é a
denominação dos compartimentos, ou seja, o uso de cada ambiente que foi cortado, como
na figura 15.
Finalmente, temos o box, visto em corte, que é representado por duas linhas paralelas, que
representam o vidro das portas.
E aí, você conseguiu entender o corte transversal? Viu como é simples? É só uma questão de
visão espacial, você tem que entender o que está vendo e como essas coisas estão sendo vistas.
Agora, vamos dar uma olhada no corte longitudinal, ou corte BB, no qual veremos algumas
coisas diferentes. Estude a figura 20.

82
Figura 20 – Corte Longitudinal ou corte BB

Vamos analisar alguns elementos que não apareceram no corte AA. A primeira diferença
que você deve ter visto são as janelas: nesse corte, elas aparecem em vista frontal. As janelas
aparecem fechadas e, para efeito de desenho técnico, os vidros são opacos, ou seja, não
enxergamos através deles. É o mesmo princípio utilizado ao desenharmos as portas fechadas:
não poluir o desenho.
Para confirmar essa convenção, você vê apenas uma parte da janela atrás do box, a parte de
baixo da janela está “oculta”. Já o chuveiro e o vaso sanitário, que no corte AA apareciam em
vista frontal, aparecem nesse corte em vista lateral.
Outro detalhe diferente em relação ao corte AA é que a estrutura do telhado é vista aqui em corte,
portanto, conseguimos contar o número de tesouras e visualizar a estrutura de ripas e caibros.
Podemos também perceber que o acabamento da cozinha é de meia parede de revestimento, ou
seja, metade da parede é revestida em azulejo e a outra metade tem acabamento em massa e pintura.
Vemos também os elementos que já estavam no outro corte, como as cotas e as paredes.
Gostaríamos de reafirmar a importância de saber ler o corte, pois um erro comum é o
representado na figura 20.

Figura 21 – Cortes

83
Cortes
UNIDADE
IV
Você consegue perceber o erro? Ou melhor, você consegue perceber qual corte está errado?
Por quê? Isso mesmo, é o corte da direita, ele está invertido. Esse é um erro muito comum
quando as pessoas estão começando a desenvolver a visão espacial; precisamos aprender a ler
a planta e saber em qual sentido precisamos desenhar o corte.
Há um modo muito simples de fazer isso: imagine que a sua mão direita está colocada na
posição do corte, a cozinha está sobre o seu dedão ou sobre o dedo mínimo? Agora coloque
a sua mão direita sobre o corte, a cozinha deve estar sobre o mesmo dedo, seja o dedão ou
o mínimo. Deu para você perceber como funciona? Esse é um detalhe ao qual temos de nos
ater, pois essa inversão pode causar problemas ao longo de uma obra. Você já imaginou se
um engenheiro, ao construir o penúltimo andar de um prédio, percebe que executou todos os
andares anteriores com o pé-direito errado? Ou que inverteu a posição de uma janela?
Cabe ao projetista verificar se está tudo em sua posição correta e corrigir eventuais erros.
De novo: lembre-se que o seu desenho tem que falar por si mesmo, você nem sempre estará
presente para explicar seus projetos – ou pode ser ainda que caberá a você conferir e indicar os
erros nos projetos de outros.
No caso de um edifício que tem vários andares, você já pode imaginar que o corte ficaria
muito grande e não caberia em uma folha de desenho. Para esses casos, a norma nos permite
usar o que é chamado de linha de interrupção de desenho, demonstrada na figura 22.

Figura 22 – Linha de Interrupção de Corte

O corte de um edifício ficaria conforme a figura 23.

Cobertura

Barrilete

19o Pav.

18o Pav.

17o Pav.

4o Pav.

3o Pav.

2o Pav.

1o Pav.

Térreo

Figura 23 – Corte de um edifício

84
O corte desse edifício pode ser chamado de corte esquemático, já que, muitas vezes, por uma
questão de escala, mesmo utilizando a ferramenta de interrupção do desenho, não é possível
executar os detalhes necessários à construção da edificação. Nesse caso, é comum que sejam
feitos detalhes de certas partes mais fundamentais à execução em uma escala ampliada. No
caso da figura 23, seria recomendável que tivéssemos pelo menos um detalhe da escada, como
o da figura 25.
De maneira usual, são feitos detalhes de todas as partes específicas para esse projeto, isto
é, muito do que é utilizado em uma construção segue medidas que são padronizadas – como
portas e janelas. Contudo, algumas coisas são projetadas especificamente para cada construção
– a escada, as colunas e pilares, os subsolos, o térreo, etc. – e variam de edifício para edifício,
portanto, devem seguir um detalhamento único, daí a necessidade da execução de desenhos
específicos para cada parte.
A NBR 06492 indica que os detalhes devem ser marcados conforme a figura 24, onde 2
representa o número do desenho na folha e 346 representa o número da folha. Isso significa
que se houver alguma dúvida em relação ao corrimão da escada ela será esclarecida nesse
detalhe – o construtor da obra (ou da escada, dependendo do caso) precisa procurar essa folha
e o respectivo desenho.

2
346

Figura 24 – Indicação de detalhe

Como conversamos no começo da unidade “Planta Baixa”, em função da complexidade


de um projeto, é muito comum que ele seja composto de várias páginas de desenhos e, em
muitos casos, teremos páginas apenas com detalhes – desde detalhes de escadas, passando
por detalhamento de caixilharia, até detalhes de fixação do revestimento exterior (no caso de
edifícios revestidos de pedras, por exemplo).

85
Cortes
UNIDADE
IV

Figura 25 – Detalhe da escada em escala maior

Finalmente, gostaríamos de mostrar outro tipo de corte. Eventualmente, você terá mais
coisas para indicar em um corte do que é possível, mas, ao mesmo tempo, não compensará o
trabalho de executar outro desenho. No nosso caso, imagine que você queira executar um corte
longitudinal que passe pela cozinha e pelo closet. O modo como temos executado os cortes até
agora não nos dará essa opção; ao mesmo tempo, como vimos acima, não vale a pena executar
outro desenho. Para esses casos, temos uma técnica que exige um pouco mais de atenção, mas
pode ser bastante útil: podemos deslocar o corte na planta.
Isso pode parecer estranho, mas, a partir dos desenhos indicados abaixo, temos certeza
que você entenderá o que significa fazer o corte “andar” (como dizemos usualmente). Olhe
atentamente a figura 26, deixamos a linha de corte inteira para que você possa acompanhar o
percurso que foi cortado.
0.50 m

Projeção da cobertura

6.00 5.00
1.30

0.00 0.10 1.00


Closet
B
3.85

Dormitório
Cozinha Estar
Banho
2.50

B
2.00
5.00

5.00

3.85 3.35
1.50

Figura 26 – Indicação do corte com deslocamento

86
Como você pode ver, nosso corte está passando pelas áreas que queremos detalhar no corte.
Em nossa edificação, o plano de corte ficará conforme a figura 28.

Figura 27 – Indicação do plano de corte

A partir daqui, vamos retirar a parte que não será visualizada no corte, de acordo com a
figura 28. Você consegue notar que, para a correta visualização da perspectiva, tivemos que
girá-la para deixar o corte de tal forma que você fosse capaz de enxergá-lo, correto?

Figura 28 – Visualização do corte

87
Cortes
UNIDADE
IV
Finalmente, a vista ortogonal do corte, que ficará conforme a figura 29.

Figura 29 – Corte Longitudinal com deslocamento

Dessa forma ficou fácil de entender, certo? A única “regra” que temos é em relação ao ponto
onde o corte pode ser deslocado, esse deslocamento deve ser feito dentro de um ambiente – no
nosso caso, deslocamos nosso corte dentro da sala.
Agora você precisa treinar a sua visão espacial para que se acostume com esse tipo de
linguagem visual. Você deve ter percebido que o treino vai te ajudar bastante; é claro que você
não encontrará esse tipo de desenho em qualquer lugar, mas revistas de arquitetura e decoração
ajudarão bastante com isso.

88
Material Complementar

Explore
Etapas do Desenho Arquitetônico:
https://goo.gl/1w6912

Desenho Arquitetônico:
https://goo.gl/k4r4kC

89
Cortes
UNIDADE
IV
Referências

MONTENEGRO, Gildo A. Desenho de Projetos. São Paulo: Blucher, 2004.

NBR 06492 – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

NBR 13532 – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

NBR 13531 – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

MICELLI, Maria T. Desenho Técnico Básico. São Paulo: Ao Livro Técnico, 1999.

90
V
Elevações

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Vanderlei Rotelli

Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
Elevações
UNIDADE
V
Contextualização

Nesta Unidade, estudaremos alguns tipos de representação projetual, que nos fornecem uma
outra visão dos projetos de arquitetura.
As elevações ou fachadas, nosso objeto de estudo, têm uma relação direta com as vistas de
Monge (lembra-se da unidade “Vistas Ortogonais”, certo?). Você se lembra do exemplo que
utilizamos a respeito das vistas do manual do seu aparelho eletrodoméstico? Podemos fazer uma
analogia direta entre essas vistas e as elevações ou fachadas arquitetônicas.
Com esse último tipo de representação, fechamos o desenho técnico arquitetônico. Além
dessa linguagem, estudaremos, também, os tipos de perspectiva e seus usos.
Quando você pega um folheto sobre o lançamento de um prédio, ou vê uma propaganda em
um Jornal ou revista, muito provavelmente o desenho que ilustra o anúncio é uma perspectiva,
na qual foram aplicadas cores e texturas, para que você consiga visualizar como o edifício ficará
depois de pronto.
Perspectivas podem ser classificadas como uma linguagem artística dentro do desenho
arquitetônico; isso não impede, é claro, que sejam utilizadas durante a fase de projeto para
servir de comunicação entre os vários profissionais e técnicos envolvidos no processo.

92
Elevações

Muito bem; agora que estudamos as Plantas e os Cortes Arquitetônicos, veremos a última
forma de linguagem de Desenhos de Arquitetura: as Elevações ou Fachadas.
De acordo com a NBR 06492, as fachadas são as representações gráficas dos planos
externos da edificação. Podemos considerar que cada fachada representa uma face de uma
obra arquitetônica. Semelhante ao que fizemos nos Cortes, consideramos que cada Fachada é
um Plano vertical, mas que, diferente dos Cortes, é externo a edificação.
A nomenclatura das Fachadas, diferente da nomenclatura dos Cortes, não usa letras. De
maneira geral utilizamos números, ou seja, fachada 1, fachada 2, etc. Podemos, também, utilizar
outras nomenclaturas para a denominação das fachadas, sendo que, em um mesmo projeto,
devemos usar sempre o mesmo critério. Podemos utilizar, além dos já citados números, o nome
da fachada, ou seja, Fachada Frontal, Fachada Lateral Direita, etc. Podemos, também, utilizar a
orientação geográfica, isto é, Fachada Norte, Fachada Leste, etc. No caso, ainda, de edificações
com duas fachadas, podemos utilizar a ordem de importância, quero dizer, Fachada Principal e
Fachada Secundária, e, finalmente, no caso de construções com acesso para mais de uma rua,
podemos também utilizar os nomes das ruas, ou seja, Fachada Rua A, Fachada Rua B, Fachada
Rua C, etc. O uso de qualquer uma delas é uma opção do projetista; como temos utilizado
o sistema de Vistas de Monge (lembra-se da unidade “Vistas Ortogonais“?) nós usaremos os
termos de Fachada Frontal, Fachada Posterior, etc.
Na figura 1, retomamos nosso objeto de estudo nas últimas unidades, ou seja, a casa que
havíamos projetado na Unidade “Planta Baixa“. Como você já viu, conseguimos desenhar
a planta e os cortes daquela edificação, mas qual será a aparência que ela terá depois de
pronta? Para responder a esta pergunta, precisamos executar as Fachadas. Esta é a peça gráfica
que define a aparência da construção. Aqui, você também notará, retomaremos alguns dos
conceitos de Monge que vimos na Unidade “Vistas Ortogonais“.

Figura 1 – Edificação

93
Elevações
UNIDADE
V
Agora vamos retomar alguns conceitos. O primeiro que temos de estudar e que influenciam
diretamente em nossas fachadas, é a implantação de nossa edificação no terreno, conforme vimos
na Unidade “Planta Baixa“. Vamos rever a implantação que utilizamos, na figura 2, abaixo.

2.50 m 20.00 m

200 m
Calçada

8.00 m
Rua

5.00 m

Figura 2 – Implantação

Agora vamos rever a Planta Baixa da nossa edificação, abaixo, na figura 3.


0.50 m

Projeção da cobertura

6.00 5.00
1.30

0.00 0.10
1.00

Closet
X
3.85

Dormitório
Cozinha Estar
Banho
2.50

2.00
5.00

5.00

3.85 3.35
1.50

Figura 3 – Planta Baixa

94
Podemos considerar que a nossa porta de entrada está na direção da rua, certo? Então
vamos considerar que esta será nossa Fachada Frontal (este é um critério que utilizamos com
frequência em Arquitetura, já que será a Fachada mais visualizada em uma construção). A partir
daí podemos nomear as próximas, conforme vimos com Gaspar Monge, e de acordo com a
figura 4, abaixo.

V.I.

V.F.
V.L.D.
V.L.E.
V.P.
V.S.

Figura 4 – Projeções das Fachadas

Conseguiu visualizar? É simples quando visto desta maneira, certo ? A grande diferença em
relação aos diedros de Monge, é que nossa fachada ou vista Frontal pode variar, isto é, somos
nós que escolhemos qual será a nossa vista Frontal, e não a posição no diedro. Agora vamos
fazer a projeção destas fachadas em épura, conforme a figura 5, abaixo

F.I.

F.L.D. F.F. F.L.E. F.P.

F.S.

Figura 5 – Projeção em épura das fachadas

95
Elevações
UNIDADE
V
Fácil, desta maneira? Agora temos um detalhe, que acho que você já percebeu.
No caso de Desenho de Arquitetura não temos uma Fachada Inferior, isto é, não podemos
enxergar a parte debaixo de uma casa, certo? Outra coisa, é que nossa Fachada Superior é na
verdade nossa Planta de Cobertura, ou seja, quando “olho” a casa de cima, estou na realidade
olhando a cobertura desta casa, logo, estou vendo a Planta desta Cobertura. Desta maneira,
utilizamos os Planos Lateral e Vertical, para ficar na analogia com Monge; o Plano Horizontal
que nos fornece a Vista Inferior e Superior não é utilizado., Portanto teremos a configuração
conforme a figura 6.

V.L.D. F.F. F.L.E. F.P.

Figura 6 – As quatro fachadas da edificação


Outro ponto que gostaria que você notasse, é que o número de fachadas pode variar conforme
o Projeto; na figura 7, abaixo, temos 6 fachadas diferentes; este é um caso claro onde serão
usados os números para a indicação de cada uma delas, mas de qualquer modo, a fachada que
consideramos a Principal, ou Frontal será denominada como Fachada 1, e assim por diante,
como podemos verificar.

5
4

6 3

2
1

Figura 7 – Edifício com múltiplas fachadas

Preste atenção como nomeamos as Fachadas com números; lembre-se que as letras são
reservadas para os cortes; como temos vistas ortogonais, observe que quando desenhamos
a Fachada 1, como na figura 8, as demais vistas aparecem distorcidas, conforme vimos na
Unidade “Vistas Ortogonais“, quando estudamos as Vistas Ortogonais.

1 2

Figura 8 - Fachadas em vista ortogonal

96
Agora vamos ver então como fica o desenho da fachada da nossa casa. Para começar,
trabalharemos com os traços, ou melhor, com a espessura dos traços. Como já estudamos
anteriormente, a hierarquia de traços funciona da mesma maneira nas Fachadas como na Planta
Baixa e nos Cortes, ou seja, quanto mais próximo do observador, mais grosso o traço. No caso
das Fachadas, também, é aceitável um pouco mais de “liberdade” artística, ou seja, podemos
colocar, além de sombra, texturas.
Nossa Fachada principal ficará conforme a figura 9.

Figura 9 – Fachada Frontal

A primeira coisa que você vai notar é que a linha mais grossa deste desenho é o Piso. Em
termos de Desenho Técnico, dizemos que isso é feito para “ancorar” o desenho. Em seguida,
veremos a parte da casa que está mais próxima do observador; no nosso caso, a cobertura;
os próximos objetos estão à mesma distância, ou seja, o reto da casa será representado com a
mesma espessura de linha.
Tenho certeza que você já se acostumou ao fato de nossos desenhos serem cotados, e,
portanto, notou que nosso Desenho de Fachada não tem nenhuma medida. Isto acontece
porque, de acordo com a NBR 06492, não podemos cotar as Elevações. Além disto, como
já disse antes, a Fachada nos permite uma maior “liberdade artística”, nos dando a opção de
demonstrar outros dados, que não as cotas; desta maneira, podemos representar, por exemplo,
os acabamentos e a sombra dos elementos destacados. Com estes acréscimos, nossa Fachada
ficará como a figura 10.

Figura 10 – Fachada Frontal com acabamentos

97
Elevações
UNIDADE
V
Como você pode ver, aplicamos a hachura de material, para que fique mais fácil e descritiva
a leitura do desenho, bem como a sombra referente às partes que estão salientes na fachada;
desta forma, continuamos com um desenho técnico, no sentido de ser fiel às medidas e às
proporções do Projeto Arquitetônico, mas o transformamos em um desenho mais ilustrativo do
resultado final esperado.
A figura 11 mostra algumas opções de hachuras que podem ser usadas nas fachadas,
dependendo do material que será utilizado no acabamento da edificação.
Você também notará que as hachuras indicadas são mostradas em vistas, isto é, são mostradas
para o observador externo, ou seja, para quem está observando as Fachadas.

Reboco Chapisco Concreto Tijolo

Pedra Cerâmico Pastilha Vidro

Figura 11 – Hachuras demonstrativas de materiais

Algumas outras coisas que podem ser detalhadas nas fachadas são portas e janelas, conforme
as figuras 11 e 12; lembrando sempre que os desenhos feitos devem estar em conformidade
com o Projeto Executivo, quer dizer, não podemos indicar um material ou acabamento que não
possa ser colocado na edificação (por exemplo, não podemos desenhar ou indicar uma porta
que tenha um vão de 1,00 m em um espaço de 0,80 m), pois podemos passar uma ideia falsa
para o cliente e uma confusão na execução da obra.

Figura 12 – Alguns exemplos de portas que podem ser usadas nos desenhos de fachada

98
Figura 13 – Alguns exemplos de janelas que podem ser usadas nos desenhos de fachada

Abaixo, seguem as outras três fachadas da nossa edificação, na figura 14.

Figura 14A – Fachada Lateral Direita

Figura 14B – Fachada Posterior

99
Elevações
UNIDADE
V

Figura 14C – Fachada Lateral Esquerda


Estas três fachadas completam a nossa edificação; novamente, não colocamos cotas em
desenhos de fachadas, mas podemos sinalizar os acabamentos que utilizamos, como a figura 14
A, ou adicionar uma legenda como na figura 14B.
Agora, gostaria de conversar com você sobre uma outra forma de visualização de projetos.
Estou falando sobre as perspectivas; na verdade, temos usado perspectivas para ilustrar os
nossos estudos desde a Unidade “Instrumentos“.
Perspectiva é uma representação tridimensional de um objeto ou de um projeto; através
de uma série de regras e técnicas, conseguimos passar a ideia de tridimensionalidade em
um plano bidimensional.
Esta é uma ferramenta que facilita muito a comunicação entre projetista e cliente e outros
profissionais. Temos vários tipos de perspectiva, que possibilitam esta comunicação, dependendo
basicamente da necessidade do desenhista para a escolha de cada um.
A perspectiva mais comum, e que consideramos a mais exata e técnica de todas, é a
isométrica, em que trabalhamos com três eixo que mantém o mesmo ângulo entre si (daí o
nome isométrica, que significa distância igual), conforme a figura 15. Esta é a perspectiva que
distorce menos os objetos representados, e que oferece a possibilidade de cotagem mais exata.
0o

12
12

0
o

120o

Figura 15 – Eixos equidistantes

100
Como você pode ver na figura 16, abaixo, todas as linhas em uma perspectiva isométrica
são paralelas a estes três eixos; dizemos que nesta perspectiva trabalhamos com Verdadeira
Grandeza (V.G.), isto é, trabalhamos com as medidas exatas do desenho; isto quer dizer que se
cada uma das faces deste cubo mede 1m, depois de determinada a escala do desenho, é esta a
medida que utilizarei.
Outra característica vantajosa desta perspectiva é o fato de podermos colocar as cotas, isto é,
o desenho tem todas as medidas necessárias à construção da peça. O que tem de ser observado,
é que todas as cotas são paralelas às arestas, ou seja, as cotas têm a inclinação dos eixos com
os quais estamos trabalhando.

1m
1m
1m

Figura 16 – Perspectiva isométrica

A figura 16 apresenta nossa edificação em Perspectiva Isométrica; você consegue notar que é
possível visualizar duas das quatro fachadas que criamos; a maneira que possuímos de mostrar
as fachadas faltantes, é “girar” a perspectiva, ou, como dizemos, fazer o desenho sobre um outro
ponto de vista; isto quer dizer que faremos um outro desenho mudando a posição do observador. O
resultado será a figura 17, abaixo. Você pode notar que não faz muita diferença a apresentação desta
perspectiva; isso nos diz que, da mesma forma que nos Cortes Arquitetônicos, cabe ao projetista
escolher o que será mostrado no desenho, e, desta forma, escolher o ângulo que

Figura – 17 - Perspectiva Posterior

101
Elevações
UNIDADE
V
Este tipo de perspectiva é mais utilizado em Desenho Mecânico, pois conseguimos passar
a visualização da peça inteira, com uma precisão que é necessária neste tipo de linguagem.
Observando a peça representada na figura 18, você notará que consegue imaginar o objeto de
maneira mais rápida e simples do que a partir das vistas, algo que temos estudado.

6,5 cm
8,0
cm
cm
3,5

Figura 18 – Peça em perspectiva isométrica

Outra diferença entre Desenho Técnico Mecânico e Desenho Técnico Arquitetônico, é que no
primeiro é possível fazer o chamado “Corte Perspectivado”, ou seja, podemos executar um Corte
em perspectiva, conforme a figura 19. Este tipo de desenho não pode ser feito para Projetos de
Arquitetura, pois são contra as Normas. No caso dos Desenhos Mecânicos, este tipo de Corte
serve para ilustrar, através de hachuras, o material em que a peça deverá ser fabricada; como
em Desenho Arquitetônico, temos um tipo de hachura para cada material a ser representado
(apenas como curiosidade, a hachura do desenho abaixo representa “ferro fundido”), ou seja,
o técnico que for executar a peça, saberá qual material utilizar, apenas lendo o desenho, sem
necessidade de nenhum tipo de legenda.

Figura 19 – Corte da peça em perspectiva

Você notou, também, que é possível executarmos o Corte em apenas uma secção da peça,
e não na peça toda (outra diferença em relação ao Corte Arquitetônico, onde só é possível
executar um corte contínuo).

102
Agora, para finalizar esta Unidade, veremos outros tipos de Perspectiva, que são utilizadas
para a visualização de edificações; para começar, temos a perspectiva Cavaleira.

Neste tipo de perspectiva, desenhamos duas das dimensões da peça em vista ortogonal (a
Vista Frontal) com a altura e a largura em V.G. (Verdadeira Grandeza), e as Vistas Lateral e
Superior em um ângulo de 30°, 45° ou 60°; o problema é que este desenho causa uma distorção
na peça, o que nos obriga a usar um fator de redução nestas duas outras vistas, ou seja, vamos
utilizar a V.G., reduzida na proporção abaixo:

Tabela de Redução
Ângulo 30° 45° 60°
Redução 2/3 1/2 1/3

De acordo com esta tabela, a figura 20, abaixo, indica as reduções que foram efetuadas com
as linhas tracejadas; como você pode notar, esta perspectiva causa uma grande distorção nas
peças, não sendo, portanto, muito usada.

45
30

o
o

60
o

Figura 20 – Exemplos de Perspectivas Cavaleiras

Agora temos as perspectivas com pontos de fuga; ponto de fuga é o lugar onde as retas se
encontram no infinito (lembra-se da definição de retas paralelas? Dizemos que estas retas se
encontram nos pontos de fuga). Trabalhamos com perspectivas que têm um, dois ou até três
pontos de fuga.

As perspectivas com um ponto de fuga são usadas principalmente para desenhos de interiores
de edificações, como a figura 21, abaixo, pois representam melhor um ambiente interno.

103
Elevações
UNIDADE
V

Figura 21 – Perspectiva interna


Suponha que no cubo representado na figura acima, as faces laterais e posterior sejam as
paredes, a face inferior seja o piso e a face superior seja o teto; desta forma, retiramos apenas
uma das paredes laterais, e conseguimos representar um ambiente; depois disso, podemos
colocar o mobiliário, e mostramos o resultado final, conforme a figura 22.

Figura 22 – Perspectiva interna com mobiliário

No caso de volumes externos e fachadas, usamos preferencialmente as perspectivas com dois


ou três pontos conforme a figura 23

Figura 23 – Perspectiva com dois pontos de fuga

104
A partir da “montagem” dos volumes, adicionamos os detalhes da fachada, e teremos como
resultado final a ideia de como ficará a edificação, conforme a figura 24, abaixo.

Figura 24 – Perspectiva da edificação com dois pontos de fuga

Finalmente, nos casos de desenhos com mais edificações, como por exemplo uma implantação
de um condomínio de edifícios, como a figura 25, podemos utilizar a perspectiva com três
pontos de fuga, que proporciona uma vista aérea das edificações.

Figura 25 – Perspectiva aérea, com três pontos de fuga

Encerramos assim, a nossa disciplina de Desenho Técnico; a próxima Unidade será uma
revisão do conteúdo visto até aqui; como sempre, temos os testes, para que você possa ter uma
ideia do seu progresso. Reforço a recomendação para que você leia os enunciados e estude as
ilustrações atentamente.

105
Elevações
UNIDADE
V
Material Complementar

Explore
Etapas do Desenho Arquitetônico:
https://goo.gl/1w6912

Desenho Técnico:
https://goo.gl/aL27Pn

Arquitetura: Temas de Composição. Roger H. Clark e Michael Pause:


https://goo.gl/7fpgRM

Diretoria Geral de Serviços Técnicos DGST:


https://goo.gl/jjPmPF

106
Referências

MONTENEGRO, Gildo A. Desenho de Projetos. São Paulo: Blucher, 2004.

MONTENEGRO, Gildo A. A Perspectiva dos profissionais. São Paulo, Blucher, 1986.

NBR 06492 – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

MICELLI, Maria T. Desenho Técnico Básico. São Paulo: Ao Livro Técnico, 1999.

NBR 08403 – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

107
VI
Cálculo de Escadas

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Esp. Vanderlei Rotelli

Revisão Textual:
Prof. Me. Luciene Oliveira da Costa Santos
a
Cálculo de Escadas
UNIDADE
VI
Contextualização

Você mora em um sobrado? Ou trabalha em uma empresa que se localiza em um edifício? Já


se perguntou como foi feita a escada?
Veremos juntos como executar os cálculos e os desenhos de escadas, elevadores e rampas.
Estas partes de nossos locais de trabalho e de nossas casas, quando bem feitas, têm a obrigação
de passarem despercebidas, pois são apenas o acesso entre os lugares aonde você precisa ir.
E esta é a ideia: se estas peças forem bem feitas e estiverem bem localizadas, você as utiliza
sem perceber, mas notará que a sua colocação e os cálculos envolvidos em seu projeto são
um pouco mais complicados do que temos visto até agora, mas, como você pode atestar, são
essenciais em um bom projeto!

110
Cálculo de escadas

Agora que você já entendeu o que é Planta Baixa, Corte e Fachada, vamos ver como aplicar
estes conceitos em uma edificação um pouco mais complexa, com mais andares, e, portanto,
com outros tipos de circulação e necessidades.

Em projetos de arquitetura, dizemos que trabalhamos com vários tipos de circulação. A mais
simples, e da qual já tratamos, mesmo que você não tenha percebido, é a circulação horizontal,
que é o fluxo de pessoas em um andar de uma construção. Quando você analisou a nossa
planta baixa e os espaços que foram criados através da disposição das paredes, você analisou
esta circulação horizontal. Tentamos, dentro das possibilidades, separar os tipos de usos em
uma edificação; em uma residência, consideramos três usos básicos, a saber: social, íntimo e
serviço. O ideal é que estes três usos tenham o mínimo possível de cruzamentos. A Planta Baixa
apresentada na figura 1 demonstra um caso com vários conflitos de circulação indesejados.

Figura 1 – Planta com confrontos

Dessa forma, na fase de anteprojeto, procuramos solucionar os conflitos de circulação; a


planta que acabamos de ver, quando feita a correta disposição das paredes e das portas, ficaria
conforme a figura 2:

111
Cálculo de Escadas
UNIDADE
VI

Figura 2 – Planta com conflitos minimizados


Como você percebeu, a mudança em algumas portas já resolve de maneira bastante simples
e eficiente os conflitos de circulação que tínhamos (conflitos, em termos de Arquitetura, são
cruzamentos indesejados; no caso da figura 1, as pessoas entravam na casa pelo dormitório, que
é uma área íntima, e que, por isso, só deve ser acessada pelos moradores; a entrada do banheiro
era pela cozinha, o que, além de anti-higiênico, gera um cruzamento de pessoas que estão indo
para locais diferentes da residência).
Agora, vamos tratar do que é chamado de circulação vertical, isto é, a forma como as pessoas
circulam entre os andares em uma edificação. Esta circulação é composta basicamente de três
tipos de projetos: escadas, rampas e elevadores; veremos cada tipo específico no decorrer desta
unidade, já que cada um possui as suas particularidades e o seu tipo exclusivo de cálculo.
Para começar, vamos estudar uma construção de dois andares (térreo + pavimento superior).
A edificação que estudaremos está representada pela perspectiva da figura 3.

Figura 3 – Edificação de 2 pavimentos

112
Vamos observar a Planta Baixa do térreo, que vai ficar conforme a figura 4.

Figura 4 – Planta do térreo

Agora já conseguimos identificar as partes da planta baixa mais facilmente, certo? Podemos
perceber qual é a entrada principal (localizada na sala), qual é a entrada de serviço (localizada
na cozinha) etc.
Temos apenas uma novidade, que você pode estar tendo alguma dificuldade em compreender.
O que você pode não estar entendendo é a escada, que aparece ampliada na figura 5, abaixo:

Figura 5 – Detalhe da escada

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Cálculo de Escadas
UNIDADE
VI
O que estamos vendo acima são as pisadas da escada, os patamares onde você pisa para
efetivamente subir (lembre-se de que o desenho acima é uma planta, o que significa que
estamos olhando o plano horizontal; como você recorda, vemos neste caso, apenas largura
e comprimentos e não alturas; por isso o que enxergamos da escada são as suas pisadas).
Dizemos que, de acordo com esse desenho, nossa escada tem a forma de U. A figura 6, abaixo,
observe as principais formas de escada utilizadas:

Figura 6 – Principais desenhos de escadas


Agora, quero lhe fazer uma pergunta: por que algumas pisadas foram desenhadas com linhas
contínuas e outras com linhas tracejadas? Já estudamos isso, lembra-se? As pisadas que foram
desenhadas com linha tracejada estão representando aquelas que estão acima do nosso Plano
de Corte Horizontal, ou seja, estão acima da altura padrão de 1,50m. Mais adiante, nesta
unidade, estudaremos em detalhes o projeto de uma escada.
A figura 7, abaixo, representa o pavimento superior:

Figura 7 – Planta do pavimento superior

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Você deve ter notado a diferença em relação ao pavimento térreo, certo? E não me refiro
apenas às paredes, que obviamente podem ter outro posicionamento, estamos nos referindo ao
desenho da escada. Como você pode perceber, agora a escada está desenhada inteiramente
com linha contínua. Por que isto acontece?
Observe a figura 8, abaixo

Figura 8 – Perspectiva da escada, com o Plano Horizontal de Corte na altura do térreo

Quando efetuamos o corte a 1,50 m de altura a partir do piso térreo, a parte que está acima
desse plano foi retirada junto com todo o pavimento superior da edificação; ou seja, quando
olharmos o Plano Horizontal de Corte, veremos apenas a parte da escada que ficou abaixo
dele; a parte que foi retirada tem de ser representada como uma projeção que, conforme já
estudamos, é desenhada com linha tracejada.
Agora dê uma olhada na figura 9:

Figura 9 – Corte do pavimento superior

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Cálculo de Escadas
UNIDADE
VI
Quando efetuamos o corte a 1,50m de altura a partir do piso do pavimento superior, a
escada ficou inteira em sua posição, entre o pavimento térreo e o pavimento superior; isto quer
dizer que, quando olharmos o Plano Horizontal de Corte do Pavimento Superior, veremos todas
as pisadas (se você prestar atenção, verá duas pisadas da escada no hall de entrada das suítes,
representada na perspectiva); então, quando desenharmos a planta do pavimento superior,
veremos a escada inteira, e, portanto, nenhuma parte em projeção. Aliás, esta é uma dica para
que você diferencie a planta do pavimento térreo da planta do pavimento superior, caso isto não
esteja claro em algum desenho, pois, no primeiro, a escada sempre terá uma parte desenhada
como projeção, ou seja, com linha tracejada.

Você deve ter notado que, além da escada desenhada com linha contínua, temos uma seta
de direção; isto acontece porque, no caso da Planta do Pavimento Superior, temos de indicar
qual dos dois lances da escada darão acesso ao pavimento térreo (mesmo tendo a indicação
de um guarda-corpo, como no desenho). Na planta do pavimento térreo, basta que olhemos
para o lance de degraus que está desenhado com linha tracejada e saberemos qual o lance será
utilizado para acessar o pavimento superior, o que não acontece no outro caso.

Temos duas NBRs sobre escadas: a NBR 05717 trata sobre espaços modulares para escadas,
versando principalmente sobre escadas em construções executadas em módulos pré-fabricados;
a NBR 09077, que veremos em detalhes agora, trata especificamente de saídas de emergência
em edificações. Como as escadas são consideradas parte das rotas de fuga das edificações, de
maneira geral, empregamos os cálculos indicados nessa norma.

A primeira coisa que temos de entender é que degrau é o conjunto de uma pisada (o
elemento horizontal, ou o patamar onde pisamos para subir ao próximo patamar) e um espelho
(o elemento vertical, ou a altura a ser vencida entre cada pisada), conforme a figura 10, abaixo:

bocel ≥1,5 cm

b Quina

≥1,5 cm
h

b
h= altura do degrau
b= largura do degrau
h

Figura 10 – Detalhe dos elementos de uma escada


De acordo com a NBR, a largura mínima de uma escada é de 0,90m; esta é a largura mínima
para que uma pessoa consiga passar, enquanto outra fica ao lado para permitir esta passagem,
conforme a figura 11.

116
Figura 11 – Largura da escada
Com relação às alturas, consta na norma o valor médio de 0,18m; este é o espelho ideal para
um degrau. Depois de várias pesquisas, descobriu-se que esta é a altura mais confortável para
uma pessoa vencer os lances de uma escada. A partir deste espelho ideal, obteremos o espelho
real, isto quer dizer que nem sempre conseguiremos usar este espelho.
A altura real do espelho é obtida a partir da divisão da altura de piso a piso pelo espelho
ideal; a figura 12, abaixo, demonstra qual é o vão a ser vencido; você pode notar que a altura
de piso a piso é diferente do pé-direito, que é a altura do piso ao forro; o vão total a ser vencido,
no nosso caso, é a espessura da laje somada ao pé-direito.

Figura 12 – Corte Esquemático

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Cálculo de Escadas
UNIDADE
VI
Agora que sabemos o que é o vão a ser vencido, a primeira coisa a fazer, é descobrir o
número de espelhos que precisaremos. Isto é feito pela divisão da altura total pela altura ideal
do espelho, conforme abaixo:
2,80 m (altura de piso a piso) / 0,18 m (altura ideal do espelho) = 15,55 (número
de espelhos)
Como você pode notar, esta divisão resultou em um número quebrado, ou seja, teremos
15 espelhos de 0,18 m e um espelho de 0,09 m. A NBR nos diz que todos os espelhos têm
de ser iguais, ou seja, não podemos ter este resultado (como vimos acima, as escadas são
parte das rotas de fuga, e, portanto, itens de segurança, e é extremamente importante que
todas as alturas sejam iguais, já que qualquer mudança entre esta relação de altura pode
causar sérios acidentes, principalmente em casos de emergência). Então temos de assumir
um número inteiro de espelhos; geralmente fazemos o arredondamento para baixo, por
uma questão de economia de espaço, já que mais espelhos implicam mais pisadas. Isto quer
dizer, em nosso caso, que teremos 15 espelhos. Quer dizer que vamos refazer esta conta
com o novo número de espelhos, ou seja:
2,80m (altura de piso a piso) / 15 (número correto de espelhos) = 0,187m
(altura exata dos espelhos)
A partir deste espelho, podemos calcular a largura da pisada utilizando a fórmula de Blondel
(Jacques-François Blondel, 1705 – 1774, arquiteto francês), que diz o seguinte:
2 espelhos + 1 pisada = 0,64m
Como já obtivemos o tamanho de nosso espelho no cálculo anterior, devemos apenas efetuar
uma simples substituição, que deixará a fórmula conforme abaixo:
(2 x 0,187m) + 1 pisada = 0,64m
1 pisada = 0,64m – 0,374m
1 pisada = 0,266m
Agora temos quase todos os dados necessários para a construção de nossa escada; como
você notou em nossas plantas, nossa escada é composta de dois lances de degraus e dois
patamares. O código de obras da cidade de São Paulo prevê que a cada mudança de direção
em uma escada (como no nosso caso) deve ser colocado um patamar; como nossa escada é
de uso privativo, este código determina patamares mínimos de 0,80m pela largura do lance
da escada; como nossa escada tem lances de degraus de 0,90 cm, podemos executar dois
patamares (conforme o desenho) de 0,90m x 0,90m.
Dê uma olhada na perspectiva da nossa escada, sem as paredes, na figura 13:

Figura 13 – Perspectiva da escada, sem as paredes

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O que estamos vendo são os degraus e os patamares da nossa escada. Ficou fácil de entender
agora, certo?
Só falta calcularmos o comprimento da escada. Isto fica fácil, agora que temos o número de
pisadas e o número de patamares (poderíamos ter optado por fazer apenas um patamar, isto é,
poderíamos ter escolhido um patamar com 0,90m x 1,80m).

O comprimento da escada é dado pela multiplicação do número de pisadas pelo seu tamanho.
O número de pisadas é calculado da seguinte maneira:
Número de pisadas = Número de espelhos – Número de patamares – 1
No nosso caso, este cálculo ficará da seguinte maneira:
Número de pisadas = 15 (espelhos) – 2 (patamares) – 1
Número de pisadas = 12

Talvez você esteja se perguntando por que não multiplicamos o número de pisadas pelo
número de espelhos direto. A primeira coisa é que temos dois patamares, o que significa que
temos dois espelhos a menos, pois estes patamares contam com pisadas, e têm a altura de um
espelho. O que talvez você não esteja entendendo é a razão do “- 1” no final a fórmula; temos
de descontar um dos espelhos porque a última altura já deixa no topo da escada, isto é, o último
passo deixa no pavimento superior, conforme a figura 14.

Figura 14 – Detalhe do último espelho e do pavimento superior

Para finalizar o cálculo do comprimento da escada, portanto, teremos:


Comprimento da escada = Número de Pisadas x Largura da Pisada

No nosso caso:
Comprimento da escada = 12 x 0,266m
Comprimento da escada = 3,192 m
O comprimento da nossa escada será de 3,192m divididos em dois lances de 1,596m
cada um.

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Cálculo de Escadas
UNIDADE
VI
Agora, veremos a representação de outro tipo de circulação vertical, que demanda um cálculo
de fluxo específico, que varia em função do uso de cada edificação, e que, portanto, não iremos
detalhar; estamos nos referindo sobre elevadores. O cálculo do número e do tamanho dos
elevadores de uma edificação é regulado pelo código de obras local e pode, por isso, variar. O
que mostramos na figura 15 é a representação de um elevador em uma planta.

Figura 15 – Desenho do andar tipo de uma edificação com mais de cinco andares
O que estamos vendo é o que chamamos de planta do andar tipo; isto quer dizer que esta é
a planta típica dos andares entre o térreo e a cobertura, podendo variar em número, mas não
em disposição. Queremos chamar a atenção para o detalhe abaixo na figura 16.

Figura 16 – Detalhe no recorte da laje


O “X” que está marcado nesta planta representa um “recorte” na laje, isto é, estamos indicando
que essa laje de piso do andar não é contínua, possuindo um recorte no lugar marcado; no caso
da nossa planta, esse recorte nos mostra onde está localizado o elevador. Todas as vezes em que
você observar um “X” como esse em uma planta, deve saber que o projetista está indicando um
recorte na laje, ou um vão entre os andares da edificação. Dependendo do uso a ser dado a essa
construção, esse é um detalhe que pode fazer uma diferença muito grande.

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Finalmente, vamos ver o último meio de circulação vertical: a rampa. Rampas são os meios
de circulação vertical menos utilizados em função da área que demandam em uma construção.

A NBR 9050, que versa sobre acessibilidade, nos diz que a inclinação máxima de uma rampa
para deficientes (que é a porcentagem também utilizada para pedestres) é de 8,33% (todas as
inclinações em um projeto de arquitetura são dadas em porcentagem, não em ângulos; em uma
obra, é mais simples executar uma inclinação em porcentagem do que em graus).

Essa porcentagem significa o seguinte: a cada metro linear percorrido, podemos subir
0,0833m, conforme a figura 17, abaixo:

Figura 17 – Indicação da inclinação de rampa

Como você pode imaginar, as áreas exigidas por uma rampa desse tipo são muito extensas;
para vencer uma diferença de altura de 1m, por exemplo, necessitaremos de pouco mais de
12m de rampa, conforme o cálculo abaixo:

1m / 0,0833m = 12,004m

No caso da rampa de deficientes, a NBR 9050, exige uma largura mínima de 1,20m em toda
a extensão da rampa, o que quer dizer que, para vencer o vão acima, serão necessários 14,40
m² de rampa.

Na cidade de São Paulo, se calcularmos o m² dos terrenos em um valor próximo a R$


5.000,00, isto quer dizer que um empreendedor deverá gastar algo como R$ 70.000,00 para a
execução de uma rampa para vencer a diferença de altura de 1m. Por isso é muito comum que
vejamos em empreendimentos comerciais que não estejam nivelados com a rua. As plataformas
elevatórias, mesmo com seu alto custo de instalação e manutenção, ainda representam um
custo menor do que a construção de uma rampa de acesso.

Outro tipo de rampa, e este inevitável, é a rampa para automóveis; a inclinação desta rampa
é bem maior do que a rampa para pedestres, mas ainda assim representa uma área considerável
em uma construção; a inclinação para automóveis é de 20%, ou seja, para cada 1 metro linear
percorrido, subimos 0,20m. Isso significa que para um desnível de 1m, precisaremos de 5m de
rampa; devido a este fator, uma saída muito utilizada por arquitetos, para diminuir o tamanho
das rampas, é a representada na figura 18 abaixo.

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Cálculo de Escadas
UNIDADE
VI

Figura 18 – Corte esquemático do subsolo

Você já consegue entender esse corte, certo? É o chamado corte esquemático, que nos diz
que o projetista deste estacionamento optou por diminuir o tamanho da rampa alterando o
pé-direito do subsolo, isto é, ele subiu um pouco a altura do piso térreo em relação à rua
(colocando alguns degraus para efetuar o acesso a este pavimento), e, portanto, conseguiu
descer uma altura significativamente menor para construir o estacionamento no subsolo. Dessa
maneira, com uma altura menor a ser vencida, a rampa pode ser muito menor do que se o
projetista tivesse optado por deixar o térreo no nível da rua.
Encerramos assim, a nossa disciplina de Desenho Técnico. A próxima unidade será uma
revisão do conteúdo visto até aqui. Como sempre, temos os testes para que você possa ter uma
ideia do seu progresso. Reforçamos a recomendação de que você leia os enunciados e estude
as ilustrações atentamente.

122
Material Complementar

Explore
Técnicas de Construção Civil e Construção de Edifícios:
https://goo.gl/U7zEr4

Noções de Estruturas Escadas e Rampas - Prof. Roberto Monteiro de Barros Filho:


https://goo.gl/2KGVMy

ARQ 5661 - Tecnologia de Edificação I - Prof. Anderson Claro:


https://goo.gl/US355Z

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Cálculo de Escadas
UNIDADE
VI
Referências

MONTENEGRO, Gildo A. Desenho de Projetos. São Paulo: Blucher, 2004.

NBR 06492 – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

MICELLI, Maria T. Desenho Técnico Básico. São Paulo: Ao Livro Técnico, 1999.

NBR 08403 – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

NBR 09077 – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Código de Obras e Edificações – Lei nº 11.228/92.

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