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Aline Azevedo Caniçais RA: 001200400325

Michele de Cássia dos Santos Ramos RA: 001200400253

Orientadora: Profa. Ms. Milena P. R. Sperling

RELATO DE CASO -

APLICAÇÃO DE PROTOCOLO FISIOTERAPÊUTICO PARA

REABILITAÇÃO PULMONAR EM UMA PACIENTE

PORTADORA DE ASMA PERSISTENTE MODERADA –

GRAVE

Bragança Paulista

2007
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Aline Azevedo Caniçais RA: 001200400325

Michele de Cássia dos Santos Ramos RA: 001200400253

Orientadora: Profa. Ms. Milena P.R. Sperling

RELATO DE CASO –

APLICAÇÃO DE PROTOCOLO FISIOTERAPÊUTICO PARA

REABILITAÇÃO PULMONAR EM UMA PACIENTE

PORTADORA DE ASMA PERSISTENTE MODERADA –

GRAVE

Trabalho de Conclusão de Curso do Curso de


Fisioterapia da Universidade São Francisco
sob a orientação da Prof.ª Msª Milena P. R.
Sperling, como exigência parcial para
conclusão do curso de graduação.

Bragança Paulista

2007
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CANIÇAIS, Aline Azevedo; RAMOS, Michele de Cássia Santos. Relato de caso –


aplicação de Protocolo Fisioterapêutico para Reabilitação Pulmonar em uma paciente
portadora de asma persistente moderada – grave. Monografia defendida e aprovada na
Universidade São Francisco – Bragança Paulista – em 04 de Dezembro de 2007 pela banca
examinadora constituída pelos professores:

___________________________________________________________________
Profª. Ms. Milena P. R. Spearling
USF – orientadora

___________________________________________________________________
Profª. Drª. Rosimeire Simprini Padula
USF – examinadora

___________________________________________________________________
Prof. Ms. Fabiano Pinheiro Peres
USF - examinador
12

Aos nossos pais,

pelo amor incondicional oferecido a nós durante toda a nossa vida.


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AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradecemos a Deus por este momento tão sublime, pelo ar que
respiramos, pelas forças renovadas, por tudo o que somos. A Ele seja dada toda honra,
glória, domínio e poder. Ao Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. No qual não seríamos
nada sem a fé que depositamos nEle; e por nos proporcionar a conclusão de mais uma
etapa da vida que se consuma neste trabalho.

Aos nossos pais e a toda nossa família pela confiança e apoio; por terem suportado
com paciência e carinho as nossas ausências. Pessoas que são de suma importância para
nós e que influenciam diretamente no que somos. Por serem nossos amigos fiéis e
confidentes e que não mediram esforços para que nós chegássemos até esta etapa das
nossas vidas.

Aos amigos e colegas pelo incentivo e pelo apoio constantes, que nos ajudaram nesta
caminhada.

À profª e Drª Rosimeire S. Padula pelo convívio, apoio, incentivo, compreensão,


amizade e pela paciência na orientação metodológica, que tornaram possível a conclusão
deste trabalho.

Agradecemos à orientação temática da profª Msª Milena P. R. Sperling; em especial,


ao prof. Ms. Fabiano P. Peres pela indispensável atenção e colaboração; e à professora
Juliana Terra por todo apoio e incentivo.

Muito obrigado a todos vocês!!!


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“No caminho da sabedoria te ensinei e, pelas carreiras direitas

te fiz andar ”

(Provérbios 4: 11)
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CANIÇAIS, Aline Azevedo; RAMOS, Michele de Cássia Santos. Relato de caso – aplicação
de Protocolo Fisioterapêutico para Reabilitação Pulmonar em uma paciente portadora de
asma persistente moderada – grave. 2007. 42f. Monografia (Graduação em Fisioterapia) –
Curso de Fisioterapia da Unidade Acadêmica da Área de Ciências Biológicas e da Saúde da
Universidade São Francisco, Bragança Paulista.

RESUMO

Introdução: A Asma é uma doença inflamatória crônica responsável por altas taxas de
morbidade e mortalidade em todo o mundo; o sedentarismo é adotado pelos indivíduos
como mecanismo protetor da dispnéia, que é o principal sintoma causado pela obstrução ao
fluxo aéreo. Este sintoma pode agravar-se ainda mais pela redução da atividade física,
comprometendo as Atividades de Vida Diária (AVD`s) e prejudicando a qualidade de vida
dos indivíduos. Por meio de um Protocolo Fisioterapêutico para Reabilitação Pulmonar
(PFRP) é possível interferir nos sinais e sintomas presentes, melhorando a capacidade
funcional e restituindo a independência. Objetivo: Analisar a eficácia do PFRP em uma
paciente com diagnóstico de Asma persistente moderada - grave. Métodos: Participou do
estudo uma voluntária, com diagnóstico clínico de Asma persistente moderada - grave, com
idade de 55 anos. Antes e após o PFRP, foram realizados os seguintes procedimentos:
Teste de Caminhada de Seis minutos (TC6); Teste Ergoespirométrico utilizando um sistema
de detecção eletrônica do limiar ventilatório dois; questionário sobre freqüência de
Inaloterapia domiciliar com broncodilatador; questionário sobre as AVD’s; questionário
Whoqol abreviado. Resultados: Após o PFRP, houve um aumento de 180 metros na
distância percorrida, ausência da percepção de dispnéia e inalteração da percepção de dor
em membros inferiores no TC6; aumento de 46,2% do valor obtido do Consumo Máximo de
Oxigênio (VO2máx.); aumento de 110 segundos de permanência no Teste
Ergoespirométrico; a aptidão cardiorrespiratória passou de “Boa” para “Excelente”, onde o
limiar anaeróbio manteve-se inalterado; a Inaloterapia domiciliar com uso de broncodilatador
passou de três vezes ao dia para duas vezes semanais; ausência de dificuldades para
tomar banho, fazer caminhada e varrer o chão, permanecendo com dificuldade mínima para
subir escadas e passar pano no chão; aumento da Qualidade de Vida no domínio físico,
psíquico e ambiental. Conclusão: De acordo com os dados obtidos, o PFRP aplicado
mostrou-se eficaz em uma paciente com diagnóstico de Asma persistente moderada –
grave, pois conseguiu interromper o ciclo vicioso (sedentarismo devido à dispnéia e fadiga)
presente em pacientes com pneumopatias obstrutivas.

Palavras-chave: Asma; Reabilitação Pulmonar; Condicionamento físico; Qualidade de vida.


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ABSTRACT

Background: Asthma is a chronic inflammatory disease responsible for high rate of morbity
and mortality all over the world; sedentarism is adopted by individuals as a protector
mechanism for dyspnea, which is the main symptom caused by airway obstruction. This
symptom can get worse by physical activity reduction, compromising activity of daily living
and damaging subjects’ quality of life. Through a Physiotherapeutic Protocol for Pulmonary
Rehabilitation (PPPR) it is possible to interfere in present signs and symptoms, improving
functional capacity and restoring independence. Objective: analyze PPPR efficacy in a
patient with moderate-severe persistent asthma diagnosis. Methods: one voluntary
participated of the study, with clinic diagnosis of moderate-severe persistent asthma, with 55
years. Before and after PPPR, it was performed the following procedures: 6 – minute walk
test (6MWT); ergoespirometric test using an electronic detection system of ventilatory
threshold two; questionnaire about home inhaled therapy frequency with bronchodilator;
questionnaire about activity of daily living; Whoqol abbreviated questionnaire. Results: After
PPPR, there was an increase of 180 meters on traveled distance, dyspnea perception
absence and unchanged pain perception in lower limbs on 6MWT; increase of 46,2% in
obtained value of maximal oxygen uptake (VO² max); increase of 110 seconds of
permanence in ergoespirometric test; cardiorespiratory aptitude passed of “Good” to
“Excellent”, in which anaerobic threshold remained unchanged; home inhaled therapy with
bronchodilator use passed of 3 times a day to 2 times weekly; absence of take shower
difficulties, walking and sweep the floor, remaining with minimum difficult to raise steps and
pass cloth on the floor; increase of quality of life on physical, psyche and environmental
control. Conclusion: In accordance with obtained data, the applied PPPR showed to be
effective in a patient with moderate-severe persistent asthma, because it managed to
interrupt the present vicious cycle (sedentarism due to dyspnea and fatigue) in patients with
obstructive diseases.

Key Words: ASTHMA; PULMONARY REHABILITATION; PHYSICAL ENDURANCE;


QUALITY OF LIFE.
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ...................................................................................9
2. OBJETIVOS.......................................................................................15
2.1 Objetivo geral....................................................................................15
2.2 Objetivos específicos........................................................................15
3. MÉTODO..........................................................................................16
3.1 Voluntário..........................................................................................16
3.2 Materiais............................................................................................16
3.3 Procedimentos..................................................................................16
4. RESULTADOS .................................................................................19
5. DISCUSSÃO.....................................................................................23
6. CONCLUSÃO...................................................................................28
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........................................................29
ANEXOS ..................................................................................................34
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1. INTRODUÇÃO

As doenças respiratórias crônicas estão entre as principais causas de doença e de


morte em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou dados de que
de 100 a 150 milhões de pessoas em todo o mundo (4 a 12% da população) sofrem de
Asma, com as taxas aumentando em todos os grupos etários. O mercado de remédios para
Asma e para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) movimenta cifras anuais que
oscilam entre 146 a 208 bilhões de dólares, representando entre 31 a 45 bilhões de
unidades vendidas a cada ano (CAMPOS, 2004).
No Brasil, em 2004, o Sistema Único de Saúde registrou 367.036 internações por
Asma, ao custo de R$ 123.285.091,76 (CAMPOS, 2004); sendo de crescente prevalência,
variando de 10% a 20% entre a população, dependendo da região e da faixa etária
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2007). Os dados aqui apresentados revelam a importância da
Asma como problema de Saúde Pública em todo o mundo, causando sofrimento humano e
enormes prejuízos financeiros, impactando a qualidade de vida e provocando número
elevado de mortes (CAMPOS, 2004).
A Asma é definida como uma doença inflamatória crônica caracterizada por hiper-
responsividade das vias aéreas inferiores e por limitação variável ao fluxo aéreo, reversível
espontaneamente ou com tratamento. Manifesta-se clinicamente por episódios recorrentes
de sibilância, dispnéia, aperto no peito e tosse, particularmente à noite e pela manhã ao
despertar. Resulta de uma interação entre genética, exposição ambiental e outros fatores
específicos que levam ao desenvolvimento e à manutenção dos sintomas (III CONSENSO
BRASILEIRO NO MANEJO DA ASMA, 2002).
A inflamação brônquica constitui o mais importante fator fisiopatogênico da Asma. É
resultante de interações complexas entre células inflamatórias, mediadores e células
estruturais das vias aéreas (III CONSENSO BRASILEIRO NO MANEJO DA ASMA, 2002).
A Asma pode ser classificada quanto à gravidade em intermitente e persistente, e
dentre essa, leve, moderada e grave. Estima-se que 60% dos casos de Asma sejam
intermitente ou persistente leve, 25% a 30% persistente moderada e 5% a 10% persistente
grave. A avaliação usual da gravidade da Asma pode ser feita pela análise da freqüência e
da intensidade dos sintomas e pela função pulmonar (COCKCROFT et al, 1996), como
apresentado na tabela seguinte:
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Intermitente Persistente Leve Persistente Persistente Grave


Moderada
Sintomas < 1 vez/semana > 1 vez/ semana e < 1 Diários mas não Diários
falta de ar, aperto no vez/dia contínuos contínuos
peito, chiado e tosse
Atividades -Em geral normais -Limitação para -Prejudicadas -Limitação diária
grandes esforços -Algumas faltas ao -Falta freqüente ao
-Falta ocasional ao trabalho ou escola. trabalho e escola.
trabalho ou escola -Faltas ocasionais ao -Sintomas com -Sintomas com
trabalho ou escola exercício moderado exercícios leves (andar
(subir escadas) no plano)
Crises* -Ocasionais (leves) -Infreqüentes -Freqüentes -Freqüentes- graves
-Controladas com -Algumas requerendo -Algumas com ida à -Necessidade de
broncodilatadores, sem curso de corticóide emergência corticóide sistêmico,
ida à emergência -Uso de corticóides internação ou com
sistêmicos ou risco de vida
internação
Sintomas noturnos** Raros Ocasionais Comuns Quase diários
< 2 vezes/mês > 2 vezes/mês e < 1 > 1 vez/semana >2 vezes/semana
vez/semana
Broncodilatador para < 1 vez/semana <2 vezes/semana >2 vezes/semana e < > 2 vezes/dia
alívio 2 vezes/dia
PFE ou VEF1 nas Pré-bd > 80% previsto Pré-bd > 80% ou Pré-bd: entre 60% e Pré-bd < 60% previsto
consultas previsto 80% previsto
* Pacientes com crises infreqüentes, mas que coloquem a vida em risco, devem ser classificados como portadores de asma
persistente grave.
** Despertar noturno regular com chiado ou tosse é um sintoma grave.
(III CONSENSO BRASILEIRO NO MANEJO DA ASMA, 2002).

O Diagnóstico Funcional é obtido através da Espirometria, onde a obstrução das vias


aéreas é caracterizada por redução do VEF1 inferior a 80% do previsto e da relação VEF1
/CVF (Índice de Tiffeneau) inferior a 75% em adultos e a 86% em crianças, que desaparece
ou melhora significativamente após uso de broncodilatador, resultando em um aumento do
VEF1 de 7% em relação ao valor previsto após inalação de β2 de curta duração (III
CONSENSO BRASILEIRO NO MANEJO DA ASMA, 2002).
A resposta ao broncodilatador não é sinônimo de Asma, pois muitos asmáticos,
especialmente nos graus extremos de obstrução ao fluxo aéreo, respondem pouco ou nada
ao broncodilatador, sendo que nesse estágio predomina a característica obstrutiva (JUNIOR
et al, 2000).
A Asma e a DPOC, comprometem a vida de uma elevada proporção da população,
causando sofrimento e altos custos financeiros e sociais, representando dois sérios
problemas de Saúde Pública na maior parte do mundo. O impacto econômico do binômio
Asma e DPOC sobre o indivíduo, sobre sua família e sobre a sociedade é enorme, e vem
aumentando em relação direta com o envelhecimento da população (CAMPOS, 2004).
Porém, apesar de a DPOC apresentar limitação crônica ao fluxo de ar de forma
progressiva e acompanhada pela presença de processo inflamatório exacerbado dos
pulmões à inalação de substâncias nocivas (WEST, 1996), é necessário se fazer a
diferenciação entre essa doença e a Asma.
Na DPOC ocorre a combinação de duas doenças: a Bronquite Crônica (que acomete
vias aéreas de condução e é caracterizada pela tosse crônica e expectoração de secreções
20

durante, no mínimo, três meses a um ano, consecutivamente) e o Enfisema Pulmonar


(distensão dos espaços aéreos distais ao bronquíolo terminal) (JEFFERY, 1998).
A Asma, geralmente, surge na infância ou adolescência, não tendo como causa o
tabagismo e suas alterações inflamatórias são reversíveis com o tratamento. No entanto,
existem indivíduos que apresentam um misto das duas doenças, o que torna a sua
distinção, às vezes, bastante difícil (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PORTADORES DE
DPOC, 2007).
O risco de morte devido à Asma ainda não foi definido, mas alguns aspectos devem
chamar a atenção, como: Asma há mais de cinco anos; persistência de sintomas crônicos;
hospitalização prévia; uso freqüente de corticosteróides orais no tratamento das
agudizações; idas freqüentes ao Pronto-Socorro; subestimativa da gravidade da doença;
relatos de crises que evoluem rapidamente; forma grave da doença; necessidade de três ou
mais remédios no tratamento; presença de distúrbios emocionais; dificuldade na percepção
da doença ou incapacidade de cooperar; subemprego de corticosteróides ou de
broncodilatadores e dificuldade em seguir o esquema terapêutico (CAMPOS, 2004).
Portanto, para corrigir ou minimizar as disfunções provocadas pela Asma e também
para limitar sua progressão, são utilizados vários meio de tratamento, dentre eles o
farmacológico e o não- farmacológico (III CONSENSO BRASILEIRO NO MANEJO DA
ASMA, 2002).
O protocolo de tratamento farmacológico foi elaborado pelo Ministério da Saúde, em
parceria com sociedades científicas brasileiras de Pneumologia e Tisiologia, de Pediatria, de
Alergia e Imunopatologia e de asmáticos e universidades. Tem como finalidade orientar às
pessoas com Asma, subsidiando, tecnicamente, os profissionais de saúde (MINISTÉRIO DA
SAÚDE, 2007).
Os medicamentos para Asma podem ser divididos em duas categorias, conforme o
objetivo da sua utilização: fármacos para melhora dos sintomas agudos (com rápido inicio
de ação) e fármacos para manutenção (usados para prevenir os sintomas).
Os fármacos para melhora dos sintomas agudos são os β2-agonistas (como o brometo
de ipratrópio e aminofilina), podendo ser de curta ação (como o salbutamol, a terbutalina e o
fenoterol) com efeito de aproximadamente quatro a seis horas; ou de longa ação (como o
salmeterol e o formoterol), com efeito de até 12 horas. Os fármacos para manutenção são
os corticoesteróides inalatórios (que reduzem o número e a ativação das células
inflamatórias e a hiperresponsividade das vias aéreas) e os corticoesteróides sistêmicos
(que são essenciais nas exacerbações quando não há resposta satisfatória aos
broncodilatadores); cromonas; antagonistas de leucotrienos (têm efeito antiinflamatório que,
com o uso prolongado, reduzem a hiperresponsividade das vias aéreas e também tem efeito
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protetor na broncoconstrição induzida pelo exercício) (III CONSENSO BRASILEIRO NO


MANEJO DA ASMA, 2002).
O tratamento não-farmacológico inclui a realização de um treinamento físico, pois o
sedentarismo é adotado pelos pacientes, através da redução das suas atividades, como
mecanismo protetor da dispnéia, que é o principal sintoma dos pacientes portadores de
obstrução ao fluxo aéreo, sendo que este sintoma pode agravar-se ainda mais pela falta de
atividade física (FUNCHS-CLIMENT et al, 1999).
O descondicionamento físico acarreta em um aumento da fadiga, com uma maior
inatividade física, prejudicando as Atividades de Vida Diária (AVD’s), formando um ciclo
vicioso (BREUKINK et al, 1998) que provoca alterações psicológicas como ansiedade,
depressão e dependência (STEINER et al, 2001). Esses fatores consequentemente
prejudicam a qualidade de vida desses pacientes (WEAVER et al, 1992), tendo todas essas
alterações agravadas substancialmente com a progressão da doença (HAJIRO et al, 1999).
Diversos meios de tratamento têm sido utilizados para corrigir ou minimizar alterações
como descondicionamento físico, piora da qualidade de vida e limitar a progressão das
doenças de caráter obstrutivo. Dentre eles o tratamento farmacológico; oxigenoterapia;
suporte ventilatório e a Reabilitação Pulmonar (GOLD, 2001).
A Reabilitação Pulmonar deve ser constituída de um programa multidisciplinar para
aperfeiçoar o desempenho físico e social, a autonomia e a melhora da qualidade de vida dos
pacientes (AMERICAN THORACIC SOCIETY, 1999). Esta não visa melhora direta nos
níveis da função pulmonar como alterações dos parâmetros fisiológicos, valores
espirométricos, gasometria arterial e função pulmonar (MORGAN et al, 1997).
Os principais objetivos da Reabilitação são a prevenção das complicações
pulmonares e gerais do organismo (OLIVEIRA et al, 1999); diminuição da freqüência,
duração e exacerbação das crises e redução do número de internações (BRITISH
THORACIC SOCIETY, 2001); redução da demanda respiratória; da sensação de dispnéia e
melhora da qualidade de vida (NEDER, 2001).
Quando comparado com outros tipos de tratamentos como uso de fármacos, o
exercício físico tem se mostrado mais eficaz na melhora da capacidade funcional dos
pacientes (DOURADO et al, 2004).
A fisioterapia tem papel muito importante na Reabilitação Pulmonar, atuando com o
objetivo de interferir nos sinais e sintomas presentes no paciente, melhorando a capacidade
funcional e restituindo sua independência. Para isso, a fisioterapia dispõe de várias
condutas como a higiene brônquica e o recondicionamento físico (COCKCROFT et al,
1996). Há também várias evidências que os exercícios resistidos de membros inferiores e
superiores devem ser incluídos no Programa de Reabilitação Pulmonar (CELLI, 1995).
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O recondicionamento físico é constituído por treino aeróbio, que possui vários


benefícios como o aumento da concentração de enzimas oxidativas mitocondriais, da
capilarização dos músculos treinados, do Consumo Máximo de Oxigênio (VO2máx) e
diminuição do tempo de recuperação da creatina fosfato (CP) (POWERS et al, 2000).
Esses benefícios resultam em aumento da distância percorrida no Teste de
Caminhada de Seis minutos (TC6), na melhora do desempenho verificado na aplicação de
questionários de avaliação da qualidade de vida e no alívio da intolerância ao exercício
(AMERICAN THORACIC SOCIETY, 1999).
O TC6 é uma forma prática e fácil para observar a capacidade de tolerância do
paciente com doença pulmonar obstrutiva (BUTLAND, 1982), sendo fácil sua aplicação e
eficiente o seu propósito (BRUNETTO, 1996).
Através do Teste Ergoespirométrico é possível determinar a capacidade aeróbia,
pela obtenção dos dois índices de limitação funcional mais empregados, que são o VO2máx
e o limiar anaeróbio. Portanto, pode e deve ser utilizado para a avaliação de atletas,
sedentários, cardiopatas e pneumopatas (NETO et al, 2001).
O consumo de oxigênio (VO2) é uma medida objetiva da capacidade funcional, ou seja,
da capacidade do organismo em ofertar e utilizar o oxigênio para a produção de energia. O
VO2 aumenta linearmente com o trabalho muscular crescente, sendo considerado máximo
(VO2máx) quando nenhum aumento adicional ocorre com o incremento de cargas. É
determinado pela capacidade de se aumentar o débito cardíaco e direcionar o fluxo
sanguíneo para os músculos em atividade (NETO et al, 2001).
Outro índice que reflete satisfatoriamente a aptidão física é o limiar anaeróbio, que
pode ser definido como a intensidade de esforço, ou o consumo de oxigênio, acima da qual
a produção de ácido láctico supera sua própria remoção, provocando hiperventilação.
Indivíduos não treinados apresentam, em geral, limiar anaeróbio em torno de 50% a 70% do
VO2máx (NETO et al, 2001).
O protocolo de Naughton pode ser utilizado para a realização desse teste, devido as
suas indicações: idosos e sedentários; pacientes com evolução recente de infarto agudo do
miocárdio; portadores de insuficiência cardíaca compensada; indivíduos em programa de
reabilitação cardíaca; dessa forma pode ser indicado para a realização de testes
submáximos (MASTROCOLLA, 1995).
A fraqueza muscular contribui para a intolerância ao exercício em pacientes
portadores de doença pulmonar obstrutiva (AMERICAN THORACIC SOCIETY, 1999),
sendo o principal acometimento em membros inferiores (GOSSELINK et al, 1996).
O treino combinado, constituído por exercícios aeróbio e anaeróbio, pode ser
utilizado no Programa de Reabilitação Pulmonar para um maior ganho de condicionamento
(STORER, 2001).
23

Levando-se em consideração que as doenças pulmonares de caráter obstrutivo são


um problema de saúde pública, que cada vez mais a sua incidência tem aumentado e,
considerando que esses pacientes têm um prejuízo do condicionamento físico, levando ao
isolamento social, limitação das atividades de vida diária e conseqüente piora da qualidade
de vida, observamos a necessidade de investigar e aplicar um Protocolo Fisioterapêutico
para Reabilitação Pulmonar (PFRP) para pacientes portadores dessa doença.
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2. OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral

Analisar a eficácia de um Protocolo Fisioterapêutico de Reabilitação Pulmonar em


uma paciente com diagnóstico de Asma persistente moderada - grave.

2.2 Objetivos específicos

- Verificar se há aumento do nível de condicionamento cardio-respiratório;


- Verificar se há redução da freqüência da utilização de Inaloterapia associada à
broncodilatador;
- Verificar se há aumento do desempenho na realização das AVD´s;
- Verificar se há ganho na qualidade de vida.
25

3. MÉTODO

3.1 Voluntário

Participou do estudo uma voluntária, do sexo feminino, com diagnóstico clínico de


Asma persistente moderada - grave, com idade de 55 anos. Foi usado como critério de
exclusão do estudo os pacientes com doenças locomotoras, doenças neurológicas e
pacientes com Teste Ergométrico positivo para isquemia miocárdica.

3.2 Materiais

Os materiais utilizados neste estudo foram: Termo de Consentimento Livre e


Esclarecido (Anexo 1); Ficha de avaliação respiratória (Anexo 2), utilizada antes e após a
aplicação do Protocolo de estudo; Escala de Borg (BORG, 2000) utilizado no Teste de
Caminhada de Seis minutos para percepção do esforço; Ficha para aplicação da
Ergoespirometria (Anexo 3), realizado antes e após a aplicação do Protocolo; Tabela de
Cooper (Anexo 4) utilizado no Teste Ergoespirométrico para classificação da aptidão
cardiorrespiratória); Questionário sobre AVD’s (Anexo 5), aplicado antes e após o protocolo;
Questionário de avaliação da qualidade de vida Whoqol abreviado (ORGANIZAÇÃO
MUNDIAL DA SAÚDE, 1998), aplicado antes e após o protocolo; Ficha de controle (Anexo
6), utilizada no inicio e no final de cada sessão.
Os equipamentos utilizados na aplicação do PFRP foram: Ventilômetro FlowMET
Micromed®; Máscara MSC-01, média/adulto Micromed®; Cabeçal para máscara MSC-02
Micromed®, Pneumotacógrafo PTC-02 e Linhas de Ar (Dupla, 1/16” 150cm) para máscara
MSC02 Micromed®; Cinta Transmissora não Codificada e Tira Elástica POLAR® T31
Micromed®; Sensor FC (Freqüência Cardíaca) específico para uso com Cinta Transmissora
não codificada Micromed®; Esteira eletromagnética Imbrasport Millenium Classic C1®;
Esfigmomanômetro Premium®; Estetoscópio Litmann Cardiologic®; Termômetro clínico
Incoterm®; Oxímetro de pulso Nonin® Onyx -9500; Inalador ultra-sônico Respira Max®;
Flutter® Newmed; Leg – Press Tônus®; Halteres de 500g, 1kg, 2Kg e 3Kg; Caneleiras de
1Kg, 2Kg e 3Kg.

3.3 Procedimentos

Para a realização desse estudo, o projeto de pesquisa foi previamente encaminhado


e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Francisco (USF);
protocolo CAAE: 0090.0.142.000-07.
26

As pesquisadoras responsáveis pelo estudo solicitaram à Pneumologista do Hospital


Universitário São Francisco (HUSF) o encaminhamento de pacientes portadores de Asma
persistente moderada – grave, onde apenas uma paciente foi incluída no estudo, sendo que
os demais não participaram devido às intercorrências durante a pesquisa.
A paciente selecionada foi esclarecida a respeito dos objetivos e procedimentos do
estudo pelas pesquisadoras. Após concordar em participar do estudo, assinou o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido.
Foi solicitado que a paciente apresentasse o laudo da Espirometria para confirmação
do diagnóstico clínico de Asma persistente moderada – grave e o laudo do Teste
Ergométrico negativo para isquemia miocárdica, estando de acordo com os critérios de
inclusão da pesquisa.
Antes do início da aplicação do PFRP foi realizada uma avaliação inicial por meio da
Ficha de Avaliação Respiratória; no qual incluía a realização do TC6 e escala de Borg para
percepção do esforço. Ao repouso e após a realização do TC6, os seguintes dados eram
mensurados: Freqüência Cardíaca (FC), Freqüência Respiratória (FR), Pressão Arterial (PA)
e Saturação de Oxigênio (SatO2); Escala de Borg para percepção de dispnéia e dores em
membros inferiores; e a mensuração da distância percorrida.
Foi solicitado que a paciente respondesse ao questionário sobre a realização das
AVD’s; e descrevesse a freqüência de utilização de Inaloterapia com broncodilatador
(domiciliar). Também foi aplicado o questionário de avaliação da qualidade de vida Whoqol
abreviado, composto por 26 questões, que correspondem a quatro domínios: Físico,
psíquico, Social e Ambiental.
Em seguida, a paciente foi submetida a um Teste Ergoespirométrico utilizando um
sistema de detecção eletrônica do limiar ventilatório 2 (dois) onde foi aplicado o Protocolo
de Naughton (HESPANHA, 2005).
Antes da realização do Teste Ergoespirométrico, foram mensurados os seguintes
dados: PA; FC; Peso e Altura (para obter o índice de massa corpórea). Foram dadas as
seguintes orientações à paciente antes do início do Teste: a cada estágio do protocolo a
velocidade e a inclinação aumentariam; a mesma não poderia falar durante o Teste e
deveria respirar de uma forma natural com a máscara. Poderia interrompê-lo a qualquer
momento caso não se sentisse bem, fazendo sinal com a mão, caso contrário o Teste seria
interrompido somente quando se atingisse a FC submáxima; quando questionada pelas
pesquisadoras sobre seu estado, deveria fazer um sinal positivo com a mão se estivesse se
sentindo bem.
Após as orientações, foi realizada a colocação da máscara na paciente um minuto
antes do teste, para adaptação. Posteriormente, a paciente subiu na esteira, a máscara foi
conectada ao Ventilômetro, o freqüencímetro foi posicionado próximo ao processo xifóide do
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esterno e o esfigmomanômetro foi colocado no membro superior esquerdo. O Teste foi


iniciado com aquecimento de cinco minutos, com velocidade mínima e sem inclinação da
esteira. Um minuto antes de cada mudança de estágio, era aferida a PA da paciente e esse
valor era registrado no software Galileu®; a FC foi obtida por meio do sensor conectado ao
computador, sendo que esses dois valores foram registrados em cada estágio. Após
atingida a FC submáxima, o Teste pré e pós- PFRP foi interrompido, sendo que a paciente
permaneceu na esteira, com velocidade mínima e sem inclinação, durante cinco minutos,
para desaquecimento. Os valores de PA e FC eram aferidos novamente após o término do
desaquecimento. Todos os testes e questionários foram realizados antes e após a aplicação
do PFRP, sendo os resultados registrados em planilhas eletrônicas.
A paciente selecionada foi submetida à aplicação do PFRP elaborado pelas
pesquisadoras, com freqüência de treinamento de duas vezes semanais, com duração de
duas horas cada sessão, durante oito semanas consecutivas. Antes e após cada sessão,
foram avaliados os sinais vitais e registrados na Ficha de Controle.
O PFRP era composto por Manobras de Higiene Brônquica: inaloterapia (soro
fisiológico a 0,9% com broncodilatador segundo prescrição médica); e flutter® . Em seguida
era realizado auto-alongamento de dez segundos para os seguintes músculos: flexores,
extensores e inclinadores da coluna cervical; extensores de ombros; flexores e extensores
dos cotovelos; flexores, extensores e abdutores do quadril; flexores e extensores dos
joelhos; flexores plantares. O mesmo era realizado após os exercícios, com duração de 30
segundos cada auto-alongamento.
O exercício aeróbio foi realizado em uma esteira, com um treino intervalado, sendo
que um minuto era realizado com 75% FC pico (145 bpm - obtida no Teste Ergométrico) e
dois minutos eram de descanso ativo com 65% da FC pico. Na primeira semana a duração
foi de 12 minutos; na segunda semana de 16 minutos e, a partir da terceira semana, 20
minutos.
O exercício anaeróbio foi realizado com carga estipulada de acordo com a tolerância
da paciente, com o intervalo de um minuto entre as séries.

EXERCÍCIOS SÉRIES REPETIÇÕES


Leg- Press 2 10
E.A.R. isquiotibiais 2 10
E.A.R. triceps sural 2 10
Diagonal de MMSS 2 15
E.A.R. biceps (alternado) 2 15
E.A.R. triceps braquial 2 15
E.A.R. abdutores do ombro 2 15
E.A.R. peitorais 2 15
E.A.R. rombóides 2 15
E.A.R. abdominais 2 15

Legenda: E.A.R (exercício ativo resistido); MMSS (membros superiores).


28

4. RESULTADOS

O estudo foi realizado em uma paciente, do sexo feminino, com idade de 55 anos. O
resultado do TC6 que constava na Ficha de Avaliação Respiratória, está representado na
Tabela 1, sendo realizado antes e após o PFRP. Este demonstrou que a paciente obteve
uma diferença de 180m após o treinamento.

Tabela 1 – Distância percorrida no TC6, em metros, pré e pós PFRP.

Pré - PFRP Pós - PFRP


Distância percorrida (metros) 390 570

Antes e após o TC6 foi aplicada a Escala de Borg para percepção de dispnéia e dor
em membros inferiores (MMII), demonstrada no Gráfico 1; onde é possível observar que
antes da realização do PFRP a percepção de dispnéia relatada era 5 e, após, relatou
ausência da dispnéia. Porém, em relação à percepção de dores em MMII não houve
alteração, permanecendo com a mesma percepção.

10
9
8
7
6 5 Sensação de dispnéia
5
Dores em MMII
4
3 2 2
2
1 0 0 0 0 0
0
Repouso Pós-Teste Repouso Pós-Teste

TC6 TC6

Gráfico 1 - Escala de Borg para percepção de dispnéia e dores em MMII.

Conforme observado na Tabela 2, os valores de FC Submáxima; FC obtida e VO2 máx


previsto eram fixos, no Teste Ergoespirométrico pré e pós - PFRP.
29

O VO2 máx obtido era de 22,57 ml/Kg/min pré-PFRP e, após, o valor foi de 32, 99
ml/Kg/min, sendo possível observar um aumento de 10,42 ml/Kg/min. O valor do Déficit
Aeróbio funcional (FAI) passou de – 23,45 % para – 47, 52%, ou seja, diminuiu 24,07% em
relação ao valor pré - PFRP. O tempo de permanência no teste pré-PFRP foi de 923
segundos e, no teste pós-PFRP de 1033 segundos; permanecendo 110 segundos a mais. A
aptidão cardiorrespiratória mostrou-se “Boa” no Teste pré-PFRP e “Excelente” pós-PFRP,
segundo a Tabela de Cooper.

Tabela 2
Pré - PFRP Pós - PFRP
FC submáxima (bpm) 140 140
FC obtida (bpm) 140 140
VO2máx previsto (ml/Kg/min) 22,34 22,34
VO2máx obtido (ml/Kg/min) 22,57 32,99
FAI (%) - 23,45 - 47,52
Duração total do teste (segundos) 923 1033
Aptidão cardiorrespiratória (Cooper) Boa Excelente

Os valores da Tabela 3 correspondem ao momento em que a paciente atingiu o VO2


no limiar anaeróbio durante o Teste. No Teste pré-PFRP o limiar foi atingido no estágio 5; no
tempo 779 segundos; com inclinação da esteira de 10,5%; a FC no limiar foi de 133 bpm e o
VO2 no limiar anaeróbio foi de 17,13 ml/Kg/min. No Teste pós-PFRP os valores foram de:
5/6; 899 segundos; na transição da inclinação de 10,5 para 14%; 128 bpm; 17,13 ml/Kg/min,
respectivamente.

Tabela 3
Pré - PFRP Pós - PFRP
Estágio 5 5/6
Tempo (segundos) 779 899
Inclinação (%) 10,5 10,5/14
Freqüência Cardíaca (bpm) 133 128
VO2 no Limiar Anaeróbio (ml/Kg/min) 17,13 17,13
30

Inicialmente à realização do PFRP, a paciente apresentava uma freqüência de


realização de Inaloterapia domiciliar com uso de broncodilatador (prescritos pela
pneumologista) de três vezes por dia, devido ao seu quadro intenso de dispnéia durante
suas atividades. Porém, após o treinamento, foi relatada uma diminuição acentuada da
freqüência de inalações, sendo realizadas apenas duas vezes na semana, descrito na
Tabela 4.

Tabela 4 - Freqüência de Inaloterapia (domiciliar) com broncodilatador pré e pós PFRP

Pré-PFRP Pós-PFRP
Soro fisiológico (0,9%) com Bromidrato
de fenoterol (6 gotas) e brometo de 3 vezes/ dia 2 vezes/ semana
ipratrópio (12 gotas)

No questionário sobre a realização de AVD’s (Tabela 5) foi possível identificar que


antes do PFRP a paciente apresentava bastante dificuldade percebida através de fadiga
e/ou dispnéia para realizar as seguintes atividades relacionadas a cuidados pessoais: tomar
banho, subir escadas e fazer caminhada; e a cuidados domésticos: passar pano no chão,
varrer o chão e lavar roupa. Após o PFRP, relatou apenas dificuldades mínimas
relacionadas a passar pano no chão e subir escadas.

Tabela 5 – Dificuldades referentes às AVD´s apresentadas antes e após PFRP

CUIDADOS PESSOAIS ANTES APÓS


Tomar banho X(*) ------------
Subir escadas X X
Fazer caminhada X -------------
CUIDADOS DOMÉSTICOS
Passar pano no chão X X
Varrer o chão X -------------
Lavar roupa X -------------
31

No Gráfico 2 é possível identificar que, no domínio Físico o valor pré-PFRP foi de 54 e


no pós-PFRP de 79, apresentando um aumento de 25 pontos; no domínio Psíquico o valor
foi de 71 e 75, apresentando um aumento de 4 pontos; no domínio Social não houve
alteração da pontuação; no domínio Ambiental o valor foi de 56 e 63 pontos, apresentando
um aumento de 7 pontos; respectivamente.

100
90
79
80 75
71
70 63
58 58 56
60 54
Pré-PFRP
50
Pós-PFRP
40
30
20
10
0
Físico Psíquico Social Ambiental

Gráfico 2 - Whoqol Abreviado


32

5. DISCUSSÃO

Com o presente estudo verificou-se que o PFRP proposto foi efetivo por promover
aumento da distância percorrida verificada no TC6. Segundo Redelmeier et al (1997), um
aumento de 54 metros na distância percorrida é clinicamente significativo, mostrando que o
protocolo aplicado na pesquisa é efetivo para o aumento da capacidade de tolerância ao
exercício, pois registrou um aumento de 180 metros na distância percorrida após o PFRP.
Através dessa pesquisa também pudemos identificar que o TC6 pode ser utilizado
como parâmetro de evolução dos pacientes submetidos a Programas de PFRP, como
confirmado na pesquisa de Ribeiro et al (1994) e de Brunetto et al (1998), pois, em todos
esses estudos, foi possível verificar um aumento da distância percorrida pós-treinamento.
Esta pesquisa demonstra que oito semanas consecutivas de treinamento pode ser
eficaz para um resultado de maior desempenho ao exercício; porém, o estudo de Troosters
et al (2000), afirma que é possível obter valores significativamente maiores no desempenho
máximo de exercício (demonstrado no TC6) quando realizado o treinamento por apenas seis
semanas, período menor ao realizado nesse estudo.
No II Consenso Brasileiro sobre DPOC (2004) foi determinado que a distância
percorrida no TC6 é um fator preditor de mortalidade mais importante do que idade, VEF1,
índice de massa corpórea ou presença de co-morbidades em pacientes portadores de
DPOC, o que reforça a importância deste teste simples.
A sensação de dispnéia avaliada através da Escala de Borg no final do TC6, diminuiu
após oito semanas de PFRP, onde a sensação de desconforto pré-PFRP foi de 5 e pós-
PFRP estava ausente. Este resultado contradiz ao apresentado por Zanchet et al (2005),
que constatou em seu trabalho que não houve melhora da percepção de dispnéia após seis
semanas de PFRP, provavelmente devido ao curto período de treinamento.
Porém, a presente pesquisa coincide com o resultado apresentado por Goldstein et al
(1998), onde afirmaram que a dispnéia diminui após o PFRP; e com Rodrigues et al (2002)
que, em relação à avaliação da percepção do esforço obtiveram resultados estatísticos
significativos (p < 0,05), no sentido de os pacientes referirem menos dispnéia após o teste.
Brunetto et al (1998) afirmaram que todos os pacientes submetidos à fisioterapia relataram
redução do desconforto respiratório, como comprovado em nossa pesquisa.
Analisando a Escala de Borg após a realização do PFRP, podemos constatar que não
houve alteração da percepção relacionada com dores em membros inferiores,
permanecendo com percepção 2. Porém, esse fato pode ser interpretado como aumento da
força muscular de membros inferiores, justificada com a manutenção da mesma sensação
após um esforço significativamente maior, ou seja, uma maior distância percorrida; o mesmo
resultado obtido no trabalho de Zanchet et al (2005).
33

Acreditamos que a paciente poderia ter relatado uma diminuição da percepção de dor
em membros inferiores após o treinamento, mesmo com o aumento da distância percorrida,
se o Protocolo aplicado nessa pesquisa tivesse abordado com mais ênfase o treinamento
dos membros inferiores, como é exaustivamente comprovado pela literatura, que classifica
como grau de evidência “A”, devido a inúmeras pesquisas que comprovam a eficácia desse
treinamento.
Após a aplicação do PFRP foi possível identificar, por meio do Teste
Ergoespirométrico, um aumento de 10,42 ml/Kg/min (46,2% do valor obtido pré-PFRP) do
VO2máx. Esse dado pode significar que houve uma diminuição da limitação central da
captação de oxigênio expressa pela diferença arteriovenosa, ou seja, uma melhora dessa
captação durante o exercício aeróbio.
Através desse resultado, podemos verificar que houve uma melhora expressiva da
capacidade funcional cardio-respiratória pós-PFRP, ou seja, da capacidade do organismo
em ofertar e utilizar o oxigênio, estando diretamente relacionado com o débito cardíaco e
com o direcionamento do fluxo sanguíneo para os músculos em atividade. Através desse
dado, verificou-se que a paciente obteve um maior desempenho de trabalho muscular
durante o exercício aeróbio, que apresenta uma relação diretamente proporcional ao
VO2máx obtido.
O trabalho de Cochrane et al (1990) composto por 18 pacientes asmáticos, mostrou
que, após um programa de treinamento físico com duração de três meses, houve um
aumento de 62% do VO2máx obtido em relação ao previsto; já o presente estudo obteve um
aumento de 147,7% desse valor, com apenas dois meses de intervenção.
Esses resultados também estão de acordo com a pesquisa de Bernard (1999) que,
após aplicação de treinamento aeróbio e anaeróbio, encontraram aumento significativo na
capacidade de exercício constatado através do aumento do VO2máx.; e de Fransssen
(2004), que observaram efeitos benéficos na tolerância ao exercício evidenciado pelo
aumento do VO2máx. pós-PFRP.
No entanto, o estudo apresentado por Silva (2001) mostrou que os indivíduos
asmáticos apresentaram uma diminuição do VO2máx. após um PFRP, contradizendo com
os resultados obtidos na presente pesquisa.
O FAI é uma medida indireta e individual, com base em cálculos pré-estabelecidos,
obtido através do VO2 previsto e do VO2 obtido; à medida que, quanto mais negativo o valor,
menor o déficit apresentado pela paciente.
Quanto à duração total do teste, a paciente permaneceu 110 segundos a mais em
relação ao teste pré-PFRP para atingir a FC submáxima, o que pode sugerir um melhor
condicionamento cardio-respiratório.
34

De acordo com a tabela de Cooper, referente à aptidão cardio-respiratória individual


(relacionada com a idade e o nível de atividade física), a classificação obtida pós-PFRP
passou de “Boa” para “Excelente”.
O limiar anaeróbio foi quantificado de forma direta, por meio do limiar ventilatório
(caracterizado exclusivamente em função das trocas gasosas), sendo este de forma indireta,
por meio do Teste Ergoespirométrico. O valor de 17,13 ml/Kg/min do VO2 do limiar
anaeróbio atingido pela paciente permaneceu inalterado, no teste pré e pós-PFRP.
De acordo com Powers et al (2000), o aumento da capacidade do músculo em extrair
oxigênio após treinamento, deve-se ao aumento da quantidade de mitocôndrias, da
densidade capilar, conseqüentemente aumentando o fluxo sanguíneo muscular; onde essas
alterações estruturais ocorrem como resposta fisiológica ao treinamento. Essas alterações
poderiam ter ocorrido caso o treinamento aplicado no estudo tivesse duração maior de
tempo, ou poderiam ter sido iniciadas, mas não de forma plena.
O valor do VO2 do limiar anaeróbio da paciente corresponde a 51% do VO2máx. da
mesma, sendo possível classificá-la como não treinada; pois indivíduos não treinados
apresentam valor do VO2 do limiar de 50 a 70% do VO2máx., onde indivíduos treinados
apresentam valores acima de 85%.
Houve um aumento do tempo de 120 segundos para atingir o VO2 do limiar anaeróbio,
em relação ao teste pré-PFRP, o que corresponde à transição do estágio 5 para o 6, onde
há aumento da inclinação da esteira de 10,5 para 14%. A FC na qual o limiar foi atingido,
diminuiu 5 bpm, o que pode sugerir um aumento da força contrátil do miocárdio (volume de
ejeção), para manter o débito cardíaco necessário durante o exercício; ou seja, a paciente
conseguiu atingir o mesmo VO2 do limiar anaeróbio, com um maior tempo de Teste, sob um
esforço maior e com uma FC menor o que, provavelmente, significa uma melhora da sua
aptidão cardiorrespiratória.
No entanto, o protocolo de Naughton utilizado para a realização do Teste
Ergoespirométrico pode fazer com que o paciente interrompa precocemente o teste, devido
ao aumento do recrutamento de fibras musculares do tipo II (fibras glicolíticas) pelo fato do
referido protocolo utilizar de inclinação crescente ao longo do teste. É sabido na literatura
que quanto maior a tensão e força exercida pela musculatura envolvida no exercício, maior
será o recrutamento de fibras do tipo II, as quais utilizam como fonte energética o
metabolismo anaeróbio, tendo como produto final o lactato; consequentemente esse
acúmulo pode levar a hiperventilação, alterando o limiar ventilatório.
A freqüência de realização de Inaloterapia domiciliar com uso de broncodilatador
diminuiu consideravelmente após a realização do PFRP, passando de três vezes ao dia
para duas vezes semanais.
35

Podemos associar esse fato com a diminuição da sensação de dispnéia devido à


interrupção do ciclo vicioso de descondicionamento físico; pois segundo FUNCHS-CLIMENT
et al (1999) à medida que aumentamos a capacidade de tolerância ao exercício, através do
condicionamento físico, diminuímos a sensação de dispnéia (apresentando uma relação
inversamente proporcional).
Antes da realização do PFRP a paciente apresentava bastante dificuldade percebida e
relatada através de fadiga e/ou dispnéia, para realizar as seguintes atividades que exigem
maior esforço dos membros superiores: tomar banho, varrer o chão, passar pano no chão e
lavar a roupa. Segundo o estudo de Velloso et al (2006), as atividades mais simples e as
mais complexas exigem um maior trabalho de membros superiores; sendo que músculos
como trapézio, peitoral menor, escalenos e intercostais apresentam uma dupla função, ou
seja, participam do posicionamento dos membros superiores e da ventilação.
Portanto, essas dificuldades podem ser justificadas pela mudança no padrão de
recrutamento dos músculos respiratórios, que deixam de participar da ventilação para
participar do posicionamento dos membros superiores, levando a um padrão de respiração
rápida e superficial, acarretando em dispnéia e fadiga percebida durante a realização das
AVD’s.
Após a aplicação do PFRP, que era composto também por exercícios de membros
superiores, foi possível constatar a ausência de dificuldade nas seguintes atividades: tomar
banho, varrer o chão e lavar a roupa, justificada pela melhora da performance obtida através
do aumento da resistência dos membros superiores e da diminuição da demanda
ventilatória durante atividades com esse segmento.
Porém, somente na atividade de passar pano no chão, a paciente relatou ainda
dificuldade, apesar de mínima. Porque, provavelmente, essa atividade apresente um grau
de esforço maior comparada com as outras atividades o que, talvez, poderia ser suprida se
o PFRP fosse realizado por um período mais longo de tempo.
Os resultados dos trabalhos disponíveis na literatura indicam que os exercícios de
membros superiores com levantamento de peso sem suporte são os que oferecem
resultados mais satisfatórios, pois a maioria das AVD´s assemelham-se a esses exercícios.
Por isso, seus efeitos benéficos podem ter maior relevância clínica, contribuindo para tornar
o paciente mais independente, mais ativo fisicamente e, portanto, mais seguro; como
relatado na revisão de Severo et al (2006) e verificado no presente estudo.
Apesar de todas as observações citadas acima, as pesquisas relacionadas a esse
treinamento são sustentadas por estudos observacionais ou controlados, com menos
resultados consistentes para suportarem uma recomendação. Portanto, Fronteira et al
(2001), descrevem que o treinamento de membros superiores ainda é classificado em Nível
de Evidência “B”.
36

Ciente dessa situação, sugerimos mais pesquisas para tornar possível a padronização
de treinamento de membros superiores, envolvendo a descrição do tipo, duração, freqüência
e intensidade do exercício, nos PFRP; modificando o nível atual de Evidência “B” para “A”.
Em relação à atividade de subir escadas que envolve um maior esforço de membros
inferiores, a paciente relatou grande dificuldade para realizá-la antes do PFRP. Porém ainda
apresenta dificuldade, mas em intensidade mínima. Acreditamos que essa dificuldade ainda
persista porque o protocolo utilizado aborda poucos exercícios para membros inferiores;
mesmo sabendo que o treinamento de membros inferiores é evidência “A”, segundo a Joint
ACCP/AACVPR (1997).
Após a aplicação do PFRP, podemos identificar, através da ferramenta avaliativa
Whoqol, a melhora na qualidade de vida nos domínios: Físico (principalmente), Ambiental e
Psíquico, exceto Social. De acordo com Britto et al (2002), a qualidade de vida está
relacionada com a saúde, que influencia nas habilidades de realizar e desfrutar as AVD’s;
onde a dispnéia é o principal sintoma que produz impacto mais significativo na qualidade de
vida. Dessa forma, à medida que é interrompido o ciclo vicioso (de sedentarismo devido à
dispnéia), torna-se possível abolir os prejuízos ligados à inatividade física e a qualidade de
vida.
No trabalho de Travensolo et al (2006), mesmo com um número pequeno de
pacientes, os resultados encontrados pós-PFRP, apresentaram uma melhora nos valores do
questionário sobre qualidade de vida em pacientes asmáticos.
Portanto, é possível afirmar que os PFRP resultam em ganhos na qualidade de vida
dos pacientes portadores de pneumopatia obstrutiva, sendo confirmado também pelas
pesquisas de Funchs-Climent et al (1999). Dessa forma, a aplicação de uma ferramenta
avaliativa é extremamente importante para identificar a qualidade de vida dos pacientes.
Segundo Britto et al (2002), através dessa ferramenta, é possível avaliar, reavaliar e
comprovar os benefícios das intervenções terapêuticas aplicadas.
O PFRP aplicado não era composto por palestras educativas sobre a asma, porém
conversas em um âmbito não formal eram abordadas, entre a paciente e as pesquisadoras;
o que, provavelmente, poderia ter influenciado no aumento dos valores obtidos pós-PFRP,
referente à qualidade de vida; sendo que essa observação também foi citada por Travensolo
et al (2006), em sua pesquisa.
No entanto, por essa pesquisa ser um Estudo de Caso, é necessário um número maior
de voluntários para comprovação da eficácia desse PFRP. Deve-se também realizar um
maior número de estudos sobre o comportamento da Asma frente á um PFRP, pois a
literatura é escassa e inclui somente pacientes portadores de DPOC, mesmo sabendo que,
embora as doenças possuam fisiopatologias distintas, ambas apresentam o mesmo ciclo
vicioso (de sedentarismo devido à dispnéia e fadiga).
37

6. CONCLUSÃO

Após a aplicação do PFRP, foi possível observar aumento do nível de


condicionamento cardio-respiratório e diminuição da sensação de dispnéia e cansaço;
redução da freqüência de Inaloterapia associada à broncodilatador; melhora no
desempenho da realização das AVD´s e ganho na qualidade de vida, principalmente no
domínio físico.
Portanto, de acordo com os resultados obtidos nesse estudo, pode-se verificar que o
PFRP aplicado mostrou-se eficaz em uma paciente com diagnóstico de Asma persistente
moderada – grave, pois conseguiu interromper o ciclo vicioso presente em pacientes com
pneumopatias obstrutivas.
38

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43

ANEXOS
44

ANEXO 1- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

TERMO DE CONSENTIMENTO
COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA- CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA
SAÚDE

RELATO DE CASO - APLICAÇÃO DE PROTOCOLO


FISIOTERAPÊUTICO PARA REABILITAÇÃO PULMONAR EM UMA
PACIENTE PORTADORA DE ASMA PERSISTENTE MODERADA –
GRAVE

Responsáveis: Profa. Ms. Milena P. R. Sperling


Aline Azevedo Caniçais
Michele de Cássia dos Santos Ramos

Eu,______________________________________________,______anos, portador
do RG_____________________________,
residente____________________________________________________, dou meu
consentimento livre e esclarecido para participar como voluntário do projeto de pesquisa
supracitado, sob a responsabilidade dos pesquisadores: Profa. Ms. Milena P. R. Sperling,
docente da disciplina de Fisioterapia aplicada à Cardiologia e Pneumologia do curso de
Fisioterapia da Universidade São Francisco – Campus Bragança Paulista; Aline Azevedo
Caniçais e Michele de Cássia dos Santos Ramos, acadêmicas do curso de Fisioterapia da
Universidade São Francisco – Campus Bragança Paulista.
Assinando esse termo de consentimento, estou ciente de que:
1- O presente estudo tem por objetivo analisar a eficácia do protocolo de reabilitação
pulmonar em uma paciente com diagnóstico de Asma persistente moderada – grave,
comprovado por laudo espirométrico.

2- Previamente será realizada uma avaliação inicial (respiratória); em seguida a paciente


será submetida um Teste Ergoespirométrico, sendo que este pode ser interrompido (antes e
após a Reabilitação Pulmonar) caso prefira. Antes do início da realização da Reabilitação
Pulmonar, a paciente deverá responder ao questionário sobre a realização das Atividades
45

de vida diária; questionário de avaliação da qualidade de vida e descrever a freqüência de


Inaloterapia com broncodilatador. A freqüência do treinamento será de duas vezes
semanais, com duração de duas horas cada sessão, pelo período de oito semanas
consecutivas. Posteriormente serão reaplicadas as avaliações e questionários realizados
antes da aplicação do Protocolo de Reabilitação Pulmonar, sendo que os resultados serão
registrados em planilhas eletrônicas, para futura análise.

3- Obtive todas as informações necessárias para poder decidir conscientemente sobre


minha participação na referida pesquisa.

4- Meus dados pessoais serão mantidos em sigilo e os resultados gerais obtidos através da
pesquisa serão utilizados apenas para alcançar os objetivos do trabalho exposto acima,
incluindo sua publicação na literatura especializada.

5- Estou de acordo que minha imagem seja utilizada para exposição parcial com objetivos
científicos e com a utilização de uma tarja sobre os olhos.

6- Caso surja alguma intercorrência deverei procurar pessoalmente a Clínica de Fisioterapia


da USF, ou solicitar através do telefone da referida clínica (11) 4034- 8133, que contatem a
responsável pela pesquisa - Profa Ms. Milena P. R. Sperling.

7- Poderei contatar o Comitê de Ética em Pesquisa para apresentar recursos ou


reclamações em relação à pesquisa através do telefone: (11) 4034- 8009.

8-Poderei contatar os responsáveis pelo estudo, sempre que necessário, pelo telefone: (11)
4892-1341.

9- Caso eu decida não participar mais da pesquisa não serei prejudicado em nenhum
tratamento posteriormente realizado nas dependências da Clínica de Fisioterapia da USF.

10- Esse termo de consentimento é feito em duas vias, sendo que uma permanecerá em
meu poder e outra com o pesquisador responsável.
Bragança Paulista, _________ de _______________________________________de 2007.
Voluntário: ________________________________________________________________.
Profa. Ms. Milena P. R. Sperling _______________________________________________.
Aline Azevedo Caniçais: _____________________________________________________.
Michele de Cássia dos Santos Ramos: __________________________________________.
46

ANEXO 2 - FICHA DE AVALIAÇÃO RESPIRATÓRIA

DATA / /
Nome__________________________________________________________________
Idade ____________ DN / / Sexo_______________________
Estado Civil_____________________________________________________________
Endereço_______________________________________________________________
______________________________________________________________________
Telefone:_______________________ CEP___________________________
Profissão____________________________ Ocupação______________________
Diagnóstico Clínico_______________________________________________________
Queixa principal _________________________________________________________
Anamnese______________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
Exames Complementares__________________________________________________
______________________________________________________________________
Laudo da espirometria____________________________________________________
Médico responsável______________________________________________________
Laudo do teste de esforço__________________________________________________
Médico responsável ______________________________________________________
Antecedentes___________________________________________________________
______________________________________________________________________
Oxigênio Domiciliar ___ Não ___ Sim Quanto tempo_______ Dose_______
Concentrador___________ Torpedo________ Oxigênio Líquido_____________
História Social e fatores de risco
Tabagismo ___Sim ___Não ANOS/MAÇO ________ Parou há______
Etilismo ___Sim ___Não Obesidade ___Sim ___Não
Sinais e Sintomas
Tosse _________________________________________________________________
Expectoração ___________________________________________________________
Dispnéia _______________________________________________________________
Dor torácica ____________________________________________________________
47

Cianose _______________________________________________________________
Exame Físico
Tipo de tórax: ___________________________________________________________
Padrão respiratório: _____________________ Ritmo respiratório ________________
Palpação: ______________________________________________________________
______________________________________________________________________
Expansibilidade: _________________________________________________________
Musculatura acessória: ___________________________________________________
Ausculta Pulmonar: ______________________________________________________
______________________________________________________________________
Sinais Vitais
PA:_______ FC: _______ FR: ______ Tº _______ Sat.O2________

Teste de Caminhada de seis minutos (TC6)

FC FR PA SaO2 Sensação Dores


de em
Dispnéia MMII
Repouso
Pós-
este(6ºmin.)

Horário do teste:________ Interrupções: _____________


Distância percorrida (DP) _________m.
48

ANEXO 3- FICHA PARA APLICAÇÃO DA ERGOESPIROMETRIA

Nome: _____________________________________________________ Idade:_______


Peso:_______(Kg) Altura: _________(cm) FC submáxima: ________(bpm)
Repouso: FC__________(bpm) PA_________(mmHg) SatO2 ________(%) FR______(rpm)
Temperatura_________(ºC)
Umidade relativa do ar: _______(%) Temperatura ambiente: ________(ºC).

Protocolo de Naughton

Estágio Velocidade (KM/H) Elevação (%) Tempo (min) Freqüência Cardíaca (FC)
1 1,6 0 3
2 3,2 0 3
3 3,2 3,5 3
4 3,2 7,0 3
5 3,2 10,5 3
6 3,2 14,0 3
7 3,2 17,5 3
8 3,2 25,0 3

Referência do protocolo: HESPANHA, R.F. Ergometris- Bases fisiológicas e metodologia


para prescrição do exercício- Rúbio, 2005.
49

ANEXO 4 – TABELA DE COOPER – MULHERES

Idade 13 -19 20 – 29 30 – 39 30 - 39 50 – 59 60 – 69
Muito Ruim < 25,0 < 23,6 < 22,8 < 21, 0 < 20, 2 < 17,5

Ruim 25,0- 30,9 23,6 – 28,9 22,8 – 26,4 21,0 – 24,4 20,02 – 22,7 17,5 – 20,1

Regular 31,0 – 34, 9 29,0 – 32,9 27,0 – 31,4 24,5 – 28, 9 22,8 – 26,9 20,2 – 24,4

Boa 35,0 – 38,9 33,0 – 36,9 31,5 – 35,6 29,0 – 32, 8 27,0 – 31,4 24,4 – 30,2

Excelente 39,0- 41,9 37,0 – 40,9 35,7 – 40,0 32, 9 – 36, 9 31,5 – 35,7 30,3 – 31,4

Superiores > 42,0 > 41,0 > 40,1 > 37,0 > 35,8 > 31,5
50

ANEXO 5 – QUESTIONÁRIO SOBRE AVD’S

Marque um ” X “ onde você apresenta dificuldade (falta de ar/ fraqueza) nas seguintes
atividades, relacionadas à:

1. Cuidados Pessoais
a- ( ) Pentear o cabelo
b- ( ) Tomar banho
c- ( ) Subir escadas
d- ( ) Fazer caminhada
e- ( ) Escovar os dentes
f- ( ) Trocar de roupa

2. Cuidados Domésticos
a- ( ) Passar pano no chão
b- ( ) Varrer o chão
c- ( ) lavar roupas
d- ( ) Arrumar a cama
e- ( ) fazer compras
9

ANEXO 6 - FICHA DE CONTROLE

Nome: ______________________________________________________

Variáveis PAi : PAf: FCi: FCf: FRi: FRf: Tºi: Tºf: SatO2i: SatO2f: APi: APf:

sessão
semana

sessão

Legenda: P.A.i (pressão arterial inicial), P.A.f (pressão arterial final); F.C.i (freqüência cardíaca inicial), F.C.f (freqüência cardíaca final); F.R.i (freqüência
respiratória inicial), F.R.f (freqüência respiratória final); Tºi (temperatura corporal inicial), Tºf (temperatura corporal final); Sat.O2i (saturação arterial de
oxigênio inicial), Sat.O2f (saturação arterial de oxigênio final), APi (Ausculta Pulmonar inicial); APf (Ausculta Pulmonar final).