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Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.17, n.4, p.

399-408, 2015 399


ISSN: 1517-8595
ANÁLISE DA CINÉTICA DE SECAGEM, CONTRAÇÃO VOLUMÉTRICA E
DIFUSÃO LÍQUIDA DA ACEROLA “IN NATURA”

Elisabeth de Moraes D’Andrea1, Ednilton Tavares de Andrade2,


Luiz Carlos Corrêa Filho3, Felipe Almeida de Sousa4, Vitor Gonçalves Figueira5

RESUMO

O objetivo deste trabalho foi a analisar da cinética de secagem e da contração volumétrica dos
frutos da acerola in natura (Malphighia emarginata DC), bem como, obter os valores de difusão
líquida durante o processo de secagem. Os frutos da acerola foram submetidos à secagem nas
temperaturas de 40ºC, 55ºC e 70°C. Ao longo da secagem foi analisado o comportamento do
fruto, como sua variação do volume e perda de água, até os frutos chegarem ao teor de água de,
aproximadamente, 0,25 b.s. Modelos matemáticos foram aplicados aos dados experimentais
para descrever o processo de secagem e contração volumétrica. Os modelos de Midilli e
Polinomial foram os que mais se adaptaram na descrição da cinética de secagem e contração
volumétrica, respectivamente. A difusão líquida aumenta com a elevação da temperatura do ar
de secagem apresentando valores entre 0,41 x 10-12 m²s-1 e 3,16 x 10-12 m²s-1.

Palavras Chave: pós-colheita, modelagem matemática

DRYING KINETICS, SHRINKAGE AND ANALYSIS OF LIQUID DIFFUSION OF


INDIAN CHERRY

ABSTRACT

The objective of this study was to examine the kinetics of drying and shrinkage of the the
indian cherry fruit in natura (Malphighiaemarginata DC), as well as obtaining the values of
liquid diffusion during the drying process. The fruits of the indian cherry were dried at
temperatures of 40 º C, 55 º C and 70 ° C. During the drying behavior was analyzed result, such
a change in volume and loss of water to reach the fruit moisture content of about 0.25 bs.
Mathematical models were applied to experimental data to describe the process of drying and
shrinkage. Models Polynomial and Midilli were most adapted to describe the kinetics of drying
and shrinkage, respectively. The liquid diffusion increases with increasing drying air
temperature with values between 0.41 x 10-12 m²s-1 and 3.16 x 10-12 m²s-1

Keywords: drying of indian cherry; shrinkage , liquid diffusion

Protocolo 16 2014 40 de 05/02/2015


1
Aluna de Mestrado em Engenharia em Biossistemas, UFF. Rua passo da Pátria, 156, São Domingos, CEP:
24210-240. Niterói-RJ E-mail: elisabethmdandrea@gmail.com
2
Professor Dr. do Departamento de Engenharia, UFLA, Campus da ULA, CEP: 37200-000. Lavras-MG, E-mail:
ednilton@deg.ufla.br
3
Aluno de Mestrado em Engenharia em Biossistemas, UFF. Rua passo da Pátria, 156, São Domingos, CEP:
24210-240. Niterói-RJ E-mail. lucaalbernaz@gmail.com
4
Aluno de Mestrado em Engenharia em Biossistemas, UFF. Rua passo da Pátria, 156, São Domingos, CEP:
24210-240. Niterói-RJ E-mail: felipealmeida_s89@hotmail.com
5
Aluno de Mestrado em Engenharia em Biossistemas, UFF. Rua passo da Pátria, 156, São Domingos, CEP:
24210-240. Niterói-RJ E-mail: figueiravitor@yahoo.com.br .
400 Análise da cinética de secagem, contração volumétrica e difusão líquida da acerola “in natura” D’Andre et al.

INTRODUÇÃO trabalho determinar o coeficiente de difusão


líquida para a faixa de temperatura estudada.
A aceroleira é uma planta tropical que
produz fruto constituído de uma drupa carnosa, MATERIAIS E MÉTODOS
ovóide, com grande valor nutritivo e pertence à
espécie Malpighia emarginata DC, com boa O presente trabalho foi desenvolvido no
adaptação a países de climas tropicais e Laboratório de Termociências (LATERMO)
subtropicais (Marino Neto, 1986). localizado na Escola de Engenharia no campus
O fruto possui considerável expressão da Praia Vermelha da Universidade Federal
econômica no agronegócio do país e para Fluminense em Niterói, Estado do Rio de
agricultura familiar. Em condições favoráveis Janeiro.
ao plantio a produtividade pode alcançar 62 Utilizou-se como matéria prima frutos de
toneladas por hectare. No mercado interno acerola in natura obtidos do comércio local,
brasileiro seu cultivo é conhecido desde os anos com teor de água inicial de aproximadamente
80, onde despertou expressivo interesse em seu 91%. Os frutos foram distribuídos de forma
elevado teor de vitamina C. (Freire, 2006). inteira na quantidade de três unidades por
Outro aspecto importante está no porte da bandeja, escolhidos visualmente pela forma e
planta que por ser baixo, facilita a colheita e coloração, para determinação das curvas de
práticas de manejo (Manica, 2003; Resende, contração volumétrica.
2005; Mendonça, 2011). Cerca de 90% da O experimento foi desenvolvido em três
produção de acerola cultivada em Sergipe é níveis de temperatura (40º C, 55º C e 70°C) e
exportada, sendo os principais destinos a Ásia e com velocidade do ar de secagem de 1,2 m.s-1.
a Europa (Freitas, 2006). As condições iniciais de teor de água da
A secagem se caracteriza pelo amostra foram obtidas por meio do método da
movimento da água do interior do produto até a estufa descrito pelo Instituto Adolfo Lutz
superfície da face externa do fruto, esse (1985) para cada temperatura estudada.
processo envolve diferentes mecanismos de Durante o processo de secagem, foram
transferência de calor e massa. A secagem de analisadas a perda de massa de água dos frutos
produtos agrícolas permite um prolongamento ao longo de todo o intervalo de tempo
na qualidade do produto e colabora na redução utilizando uma balança digital com precisão de
de perdas, promovendo um armazenamento por 0,001 para os procedimentos de pesagem e a
um tempo mais longo e, evitando, assim, a sua redução das dimensões: comprimento, largura e
rápida deterioração. profundidade, com o auxílio de um paquímetro
Durante o processo de secagem a redução digital.
de água nos produtos agrícolas provoca Durante os testes foram medidas as
alterações em suas propriedades físicas e essas temperaturas de bulbo seco e bulbo molhado
alterações tem sido investigada por diversos para determinação da umidade relativa do ar.
pesquisadores com a finalidade de otimizar os Com os valores obtidos
processos industriais, projetos e experimentalmente de massa inicial e massa
dimensionamento dos equipamentos utilizados final foi possível calcular o teor de água em
na pós-colheita (Lang e Sokhansanj, 1993). base seca.
A difusão líquida é o principal A partir dos dados de umidade relativa do
mecanismo de deslocamento da água no interior ar ambiente e temperatura média do ar, foi
do fruto da acerola, a qual sofre durante o possível à determinação da umidade relativa do
processo de secagem encolhimento e ar de secagem com auxílio do software
endurecimento da casca, podendo este processo GRAPSI, para cada temperatura do ar de
de redução da água no produto ser representado secagem.
pelas isotermas de sorção (Correia et al, 2006; Com os dados obtidos experimental-
Goneli, 2011). mente foi possível obter as curvas de cinética
Em função do exposto, o objetivo do de secagem, contração volumétrica e difusão
presente trabalho foi analisar a cinética de líquida, por meio de modelos matemáticos.
secagem e a contração volumétrica da acerola, O modelo matemático a que os dados
estimando e analisando as curvas de secagem e experimentais das temperaturas de 40º C e 55ºC
de contração e ajustando modelos matemáticos foram submetidos para descrever as isotermas
aos valores experimentais que representem cada de sorção da polpa de acerola foi o de BET
processo. E também faz parte do escopo deste (Equação 1) (Almeida, 2006).

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Análise da cinética de secagem, contração volumétrica e difusão líquida da acerola “in natura” D’Andre et al. 401

Xe C.a w 1  (n  1).(a w ) n  n.(a w ) n 1  ∑(𝑦−𝑦0 )2


   (1) 𝑋2 = (5)
X m 1  a w  1  (1  C ).a w  C.(a w ) n 1  𝐺𝐿𝑅

em que,
em que y = valor observado experimentalmente;
Xe = teor de água de equilíbrio, decimal (b.s.); y0 = valor simulado pelo modelo;
Xm = teor de água na monocamada molecular, n = número de observações experimentais;
adimensional; GLR = graus de liberdade do modelo.
C = constante dependente da temperatura;
n = número de camadas moleculares; e A taxa de redução de água durante a secagem
aw = atividade de água. dos frutos de acerola foi determinada por
(Corrêa et al., 2001), descrito na equação (6).
Devido à inexistência na literatura de
parâmetros, para descrever as isotermas de Mao − Mai
sorção da polpa de acerola à temperatura do ar TRA = (6)
Ms (ti −to )
de 70ºC, foi utilizado o programa XYEXTRAT em que,
versão 5.1 para extrair os pontos da curva do TRA = taxa de redução de água, em kg. kg-1.h-1;
gráfico apresentado por Miyake, 2008. Ma0 = massa de água total anterior, em kg;
Com base nos dados obtidos durante a Mai = massa de água total atual, em kg;
secagem foram desenvolvidas as curvas de Ms = matéria seca, em kg;
secagem em função do tempo, que representam to = tempo total de secagem anterior, em h;
a razão de umidade em função do tempo de ti = tempo total de secagem atual, em h.
secagem.
A razão de umidade do produto foi Para determinação da contração
determinada de forma analítica, conforme volumétrica e da difusão líquida, a forma do
equação (2) (Brooker et al., 1992). fruto foi ajustada a um esferoide (Figura 1),
permitindo melhor representação do volume,
𝑋 ∗ −𝑋𝑒∗ sendo as medidas de suas dimensões, obtidas
𝑅𝑋 = =
𝑋𝑖∗ −𝑋𝑒∗ por meio de um paquímetro digital ao longo de
6 1 𝑛2 .𝜋2 .𝐷.𝑡 3 2 toda a secagem. Utilizou-se para determinar o
2
∑
𝑛=1 2
𝑒𝑥𝑝 [− .( ) ] (2) volume a Equação (7) (MOHSENIN,1986):
𝜋 𝑛 9 𝑅

em que,  ( a 2 b)
V (7)
RX = razão de umidade do produto, 6
adimensional;
R = raio equivalente, m;
Xe* = teor de água de equilíbrio do produto,
decimal (b.s.);
n = número de termos;
Xi* = teor de água inicial do produto, decimal
(b.s.).

Os dados experimentais foram Figura 1 - Desenho esquemático de um cone


comparados com os valores calculados pelos elíptico suas dimensões características.
modelos, por meio dos erros médio relativo (P)
e estimado (SE), e teste do qui-quadrado (X2) O índice de contração volumétrica da
de acordo, respectivamente, com as equações a acerola (Ψ), durante a secagem foi determinado
seguir (Chen & Morey, 1989; Chen & Jayas, pela relação entre o volume para cada teor de
1998; Ryan, 2009), conforme equações (3), (4) água e o volume inicial, de acordo com a
e (5) respectivamente. Equação (8).
𝑉
100 |Y− Y0 | Ψ= (8)
P= ∑ (3) 𝑉0
n Y em que
Ψ = índice de contração volumétrica, decimal;
∑(𝑦−𝑦0 )2 V = volume em cada teor de água, m3;
𝑆𝐸 = √ (4) V0 = volume inicial, m3.
𝐺𝐿𝑅
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402 Análise da cinética de secagem, contração volumétrica e difusão líquida da acerola “in natura” D’Andre et al.

X0 = teor de água inicial, em % base seca;


Os ajustes feitos aos dados T = temperatura do ar de secagem, em ºC;
experimentais de secagem e das curvas de a, b, c = constantes dos modelos, adimensional;
contração volumétrica das amostras de acerolas (20) a (25) = Modelos matemáticos:
foram feitos pelo modelos matemáticos Exponencial adaptado, Linear adaptado,
representados nas Tabelas (1) e (2), Rahman adaptado, Bala & Woods adaptado,
respectivamente. Utilizou-se regressão não Corrêa adaptado e Polinomial adaptado.
linear, no programa Statistica 7.0 pelo método
Quasi-Newton. De acordo com Brooker et al. (1992), o
modelo de difusão líquida pode ser descrito
Tabela 1. Modelos matemáticos utilizados para segundo a lei de Fick que tem como objetivo
predizer o fenômeno de cinética de secagem. estudar o comportamento da difusão da água
Modelo Equação em função do gradiente de concentração.
(9) RX = exp (-k . t)
ⅆ𝑋 ∗ ⅆ ⅆ𝑋 ∗
(10) RX=exp(-k.tn) = (𝐷 ) (26)
ⅆ𝑡 ⅆ𝑥 ⅆ𝑥
(11) RX=exp(-(k.t)n) em que,
(12) RX = exp [[-a -(a2 + 4 .b.t)0,5]/2.b] X* = teor de água do produto, decimal (b.s);
(13) RX = a.exp(-k.t) + (1 - a) exp (-k1.t) D = coeficiente de difusão líquida, m2s-1;
(14) RX = 1 + at + bt2 t = tempo, s;
(15) RX=a.exp(-k.tn)+b.t x = distância em relação a um ponto de
referência no corpo, m.
(16) RX = a .exp (-k . t) + b
(17) RX = a .exp (-k.t) + (1-a) exp(-k.a.t) Para materiais homogêneos pode-se
(18) RX = a.exp(-k0 . t) + b . exp (-k1 . t) utilizar a equação (27) (Brooker et al, 1992):
(19) RX = a.exp(-k.t) + (1-a) .exp(-k .b.t)
ⅆ𝑋 ∗ ⅆ2𝑋 ∗ 𝑐 ⅆ𝑋 ∗
= 𝐷[ + ] (27)
em que, ⅆ𝑡 ⅆ𝑟 2 𝑟 ⅆ𝑟
RU = razão de umidade do produto,
adimensional; em que,
t = tempo de secagem, em h; r = espessura, m;
k, k0, k1 = coeficientes de secagem, em h-¹; c = 0 para corpos planos, 1 para corpos
a, b, c, n = constantes dos modelos, cilíndricos e 2 para corpos esféricos.
adimensional;
(9) a (19) = Modelos matemáticos: Newton, Para a determinação do modelo de
Page, Page Modificado, Thompson, Verna, difusão líquida foram utilizados os dados
Wang e Sing, Midili, Logaritmo, Exponencial experimentais, sendo os dados simulados
de 2 termos, Dois termos, Aproximação da obtidos por meio de regressão não linear, por
difusão, respectivamente (Brooker et al., 1992; meio do programa Statistica 7.0 pelo método
Corrêa et al., 2001; Alves et al., 2013). Quasi-Newton.

Tabela 2. Modelos matemáticos utilizados para RESULTADOS E DISCUSSÃO


predizer o fenômeno de contração volumétrica.
Modelo Equação O modelo matemático que se mostrou
(20) Ψ =(a(exp(bX(Tc)))) mais adequado para descrição do fenômeno da
secagem da acerola nas diferentes temperaturas
(21) Ψ =(a+(bX))Tc
foi o modelo de Midili, que apresentou os
(22) Ψ =(1+(a(X-X0)))Tb coeficientes de determinação acima de 99% e
(23) Ψ =(1-(a(1- exp(-b(X0-X)))))Tc erro médio relativo menor que 10%, sendo este
(24) Ψ =1/( a+b exp(X)) Tc o modelo utilizado para representar o fenômeno
(25) Ψ =(a+bX+cX2) Tc de secagem. Considera-se que valores de erro
médio relativo abaixo de 10% indicam um
em que,
razoável ajuste para as práticas propostas
Ψ = índice de contração volumétrica, em
(Mohapatra, 2005).
decimal;
A Tabela 3 apresenta as constantes dos
X* = teor de água do produto, decimal (b.s);
modelos estimados por meio de regressão, para

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Tabela 3 – Parâmetros obtidos para os modelos de cinética de secagem da acerola nas temperaturas do
ar de secagem de 40, 55 e 70°C.
Temperatura 40ºC
2
Modelo R P SE X2 A B K K0 K1 N
Newton 98,25 12,97 0,0426 0,00181 - - 0,01913 - - -
Page 99,81 5,14 0,0141 0,0009 - - 0,0064 - - 1,281
Page
99,81 5,14 0,0141 0,00019 - - 0,01956 - - 1,281
Modificado
Thompson 98,25 12,98 0,0430 0,00184 -1504,6 5,3655 - - - -
Verna 99,84 4,74 0,0132 0,00017 -1,7786 - - 0,0444 0,0317 -
Wang e Singh 99,61 6,19 0,0202 0,00040 -0,0155 0,00006 - - - -
Midilli 99,89 2,90 0,011 0,00012 0,9827 0,0004 0,0040 - - 1,419
Logaritmo 99,11 7,27 0,0307 0,00094 1,0941 -0,0411 0,0193 - - -
Exponencial
de dois 98,20 13,13 0,043 0,00184 0,0019 9,6115 - - -
termos
Dois termos 98,87 9,81 0,035 0,00122 0,5263 0,5263 0,0204 0,0204 -
Aproximação
99,84 4,74 0,013 0,00016 -1,7636 0,7114 0,0445
da difusão
Temperatura 55ºC
2
Modelo R P SE X2 A B K K0 K1 N
Newton 96,62 21,10 0,0591 0,0034 - - 0,0528 - - -
Page 99,75 4,31 0,0164 0,00026 - - 0,0160 - - 1,4087
Page Modificado 99,81 4,31 0,0141 0,00019 - - 0,0531 - - 1,4088
Thompson 96,62 21,10 0,0598 0,00357 -3077,2 12,616 - - - -
Verna 96,62 21,10 0,0605 0,00366 -0,1381 - - 0,0528 0,0528 -
Wang e Singh 99,40 8,36 0,0253 0,00064 -0,0395 0,0003 - - - -
Midilli 99,86 0,07 0,0055 0,00003 0,9658 0,0004 0,0104 - - 1,5471
Logaritmo 99,35 0,07 0,0051 0,00002 1,4660 -0,4338 0,0307 - - -
Exponencial de
99,61 5,96 0,0205 0,00042 1,9164 - 0,0818 - - -
dois termos
Dois termos 97,75 16,54 0,0500 0,0025 0,5399 0,5400 - 0,0578 0,0578
Aproximação da
99,70 5,05 0,0181 0,00032 -127,63 0,9933 0,1071 - - -
difusão
Temperatura 70ºC
2
Modelo R P SE X2 A B K K0 K1 N
Newton 98,13 12,86 0,0439 0,00192 - - 0,1007 - - -
Page 99,83 5,07 0,0137 0,00018 0,0552 - - 1,2659
Page Modificado 99,83 5,07 0,0137 0,00018 0,1015 - - 1,2659
Thompson 98,13 12,86 0,0448 0,00200 -2329,1 15,348 - - - -
Verna 98,13 12,86 0,0458 0,00209 -0,1000 - - 0,1007 0,1007 -
Wang e Singh 99,60 5,64 0,0207 0,00042 -0,0810 0,0017 - - - -
Modelo R2 P SE X2 A B K K0 K1 N
Midilli 99,93 0,07 0,0044 0,00001 0,9794 0,0027 0,0421 - - 1,4200
Logaritmo 99,39 0,16 0,0089 0,00007 1,1837 -0,1412 0,0083 - - -
Exp. dois termos 99,86 4,53 0,0123 0,00015 1,8290 - 0,1489 - - -
Dois termos 98,95 8,70 0,0351 0,00123 0,5342 0,5342 - 0,1092 0,1092 -
Aproximação da
99,86 4,47 0,0125 0,00015 -0,6727 0,4941 0,2929 - - -
difusão
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404 Análise da cinética de secagem, contração volumétrica e difusão líquida da acerola “in natura” D’Andre et al.

as temperaturas do ar de secagem de 40ºC, 55ºC temperatura do ar em 40º C resultou em maior


e 70ºC, com seus respectivos erros médio tempo de secagem (mais de quatro dias), em
estimado e relativo e coeficiente de comparação as outras temperaturas estudadas, o
determinação, para os distintos tratamentos. As que torna esta temperatura inviável como uma
Figuras (2), (3) e (4) apresentam as curvas de prática comercial, devido principalmente, ao
secagem desenvolvidas com o modelo de custo de energia para esta etapa. Já a
Midili. Pode-se observar pelas figuras que o temperatura do ar de 70ºC propiciou o menor
modelo se ajustou satisfatoriamente aos dados tempo de secagem (21 horas). Foi possível
experimentais para as diferentes temperaturas observar que a taxa de redução de água
de secagem da acerola. permaneceu adequada durante todo o
Observou-se que nas primeiras horas o experimento, demonstrando que a taxa de
fruto se adapta as condições de secagem, que secagem foi homogênea, não havendo variações
ocorre em taxa decrescente. A secagem com a excessivas neste parâmetro.

Taxa de Redução de Água (kg.kg .h )


-1
1,00 0,5

-1
0,90 40ºC Experimental 0,45
Razão do Teor de Água

0,80 0,4
40ºC Estimado
0,70 0,35
(adimensional)

0,60 0,3
Taxa de Redução de Água (40ºC)
0,50 0,25
0,40 0,2
0,30 0,15
0,20 0,1
0,10 0,05
0,00 0
0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0110,0120,0
Tempo (h)

Figura 2 – Curvas de secagem para temperatura de 40º C

1,00 2
Taxa de Redução de Água (kg.kg .h )
-1

0,90 55ºC Experimental 1,8


Razão do Teor de Água

-1

0,80 1,6
55ºC Estimado
(adimensional)

0,70 1,4
0,60 Taxa de Redução de Água (55ºC) 1,2
0,50 1
0,40 0,8
0,30 0,6
0,20 0,4
0,10 0,2
0,00 0
0 10 20 30 40
Tempo (h)

Figura 3 – Curvas de secagem para temperatura de 55º C

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Análise da cinética de secagem, contração volumétrica e difusão líquida da acerola “in natura” D’Andre et al. 405

1,00 2

Taxa de Redução de Água (kg.kg .h )


-1
0,90 1,8
70ºC Experimental
Razão do Teor de Água

-1
0,80 1,6
70ºC Estimado
(adimensional)

0,70 1,4
0,60 1,2
Taxa de Redução de Água (70ºC)
0,50 1
0,40 0,8
0,30 0,6
0,20 0,4
0,10 0,2
0,00 0
0 5 10 15 20 25
Tempo (h)

Figura 4 – Curvas de secagem para temperatura de 70º C

Conforme pode-se observar na Tabela baixos valores de erros médios relativos e


4, a análise dos dados indica que o modelo estimados em ambos os casos. Verificou-se,
Polinomial Adaptado ajustou-se também, que o modelo Bala & Woods
satisfatoriamente aos dados obtidos de Adaptado apresentou resultados satisfatórios.
contração volumétrica, apresentando
coeficientes de determinação de 96,56% e

Tabela 4 - Parâmetros obtidos nos modelos de contração volumétrica para as temperaturas de


40ºC, 55°C e 70°C
Modelo a b c P SE X² R2

Exponencial Adaptado 0,1672 0,1385 0,0520 12,79 0,0593 0,0035 94,46

Linear Adaptado 0,0317 0,0389 0,1743 18,65 0,0935 0,0087 86,27

Rahman Adaptado 0,0901 -0,0407 - 20,16 0,0999 0,0099 94,99

Bala & Woods Adaptado 0,7845 0,3076 0,0022 9,91 0,0512 0,0026 95,87

Corrêa Adaptado - - - - - - -

Polinomial Adaptado 0,3344 -0,0532 0,0109 9,2711 0,0467 0,0021 96,56

feijão (Resende et al., 2005) e para pinhão-


Na Figura 5 são apresentados os valores
manso (Siqueira et al., 2011).
experimentais de contração volumétrica para as
Os resultados obtidos de difusão líquida
temperaturas de 40ºC, 55ºC e 70ºC, ajustados
para as temperaturas de 40, 55 e 70°C, foram de
pelo modelo Polinomial Adaptado, em função
0,41 x 10-11, 1,98 x 10-11 e 3,16 x 10-11 m2s-1,
do tempo e observa-se na Figura 6 que a massa
respectivamente. Os valores do coeficiente de
de frutos de acerola teve seu volume reduzido
difusão líquida da acerola aumentam com a
em aproximadamente 20% em relação ao
elevação da temperatura do ar de secagem,
volume inicial, para uma redução no teor de
estando de acordo com os resultados obtidos
água de 10,2 para 1,2 b.s, estando de acordo
por Sousa et al. (2014) para morangos (entre
com outras pesquisa para outros produtos
1,14 x 10-11 e 5,64 x10-11 m2s-1).
agrícolas como mamona (Goneli et al., 2011),

Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.17, n.4, p.399-408, 2015
406 Análise da cinética de secagem, contração volumétrica e difusão líquida da acerola “in natura” D’Andre et al.

Segundo Madamba et al. (1996), os experimentalmente de difusão liquida dos frutos


valores para difusão líquida de produtos de morango se encontram nessa ordem de
agrícolas estão na ordem de grandeza de 10-9 a grandeza.
10-11 m2s-1, sendo que resultados obtidos

1
0,9
40ºC Experimental 40ºC Estimado
0,8
Contração Volumétrica

55ºC Experimental 55ºC Estimado


0,7 70ºC Experimental 70ºC Estimado
(adimensional)

0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0
0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0
Tempo (h)

Figura 5. Gráfico de contração volumétrica para temperaturas 40ºC, 55ºC e 70ºC em função do tempo,
em horas.

1,2
40ºC Experimental 40ºC Estimado
Contração Volumétrica (adminesional)

55ºC Experimental 55ºC Estimado


1
70ºC Experimental 70ºC Estimado
0,8

0,6

0,4

0,2

0
0 2 4 6 8 10 12

Teor de Água (decimal b.s)


Figura 6 - Gráfico de contração volumétrica para valores experimentais e estimados, pelo modelo
polinomial de segundo grau, da contração volumétrica da massa de frutos de acerola em função do
teor de água.

CONCLUSÕES acerola. Para fins comerciais a temperatura do


ar se secagem mais viável ao processo foi a de
O modelo de secagem em camadas 70ºC.
finas proposto por Midili foi o que melhor se A contração volumétrica do fruto de
ajustou aos dados experimentais de secagem da acerola é influenciada pela redução do teor de
Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.17, n.4, p.399-408, 2015
Análise da cinética de secagem, contração volumétrica e difusão líquida da acerola “in natura” D’Andre et al. 407

água, mas também ocorre uma relação de dos Frutos de Café Durante o Processo de
dependência com as condições do processo e da Secagem. Revista Brasileira de Engenharia
geometria do produto. O comprimento, largura, Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v.
a espessura e o diâmetro geométrico médio dos 6, n. 3, p. 466-470, 2002.
frutos sofrem redução de suas magnitudes com
a redução do teor de água. Na simulação, o Corrêa, P.C.; Resende, O.; Goneli, A.L.D.;
modelo Polinomial, dentre os seis modelos Botelho, F.M.; Nogueira, B.L. (2006).
testados, foi o que melhor representou o Determinação do coefiente de difução
fenômeno da contração volumétrica unitária dos líquida dos grãos de feijão. Brasileira De
frutos de acerola. Produtos Agroindustriais , VIII (2), 117-126.
Conclui-se também que a difusão
líquida aumenta com a elevação da temperatura Freire, J.L.O.; Lima, A.N., Santos, F.G.B, João
com valores entre 0,41 x 10-11 m2s-1 e 3,16x10-11 Marinu, V..L. Características Físicas de
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