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A semântica estrutural de Greimas

Todo e qualquer tradução de sentido é um exercício metalinguístico. Qualquer que seja a


natureza do significante, o estudo da sua significação se encontra num nível metalinguístico.
A semântica é uma metalinguagem. E o objeto da semântica é descrever as línguas naturais na
sua qualidade de conjuntos significantes, mas elas só se deixam traduzir em si mesmas e por
outras línguas naturais. (clausura do universo semântico).

Estrutura elementar – a relação entre dois termos-objetos. Essa relação é conjuntiva e


disjuntiva ao mesmo tempo, pois requer que para apreender conjuntamente dois termos-
objetos é necessário que eles tenham alguma coisa em comum. Em contrapartida, para que
possam ser distinguidos é preciso que eles sejam de alguma forma diferentes.
Essa relação de conjunção e diferença é o que nos faz perceber o sentido, a diferença, a
descontinuidade, pois perceber é apreender diferenças, já que língua é diferença, é oposição.
Estrutura é, pois, a presença de dois termos vinculados por uma relação.
Essa é a natureza ambígua da relação. Essa mesma relação tem essa estrutura elementar.
Os termos-objetos não comportam isoladamente nenhuma significação. Portanto é ao nívl da
estrutura e não ao nível dos termos objetos (os elementos dela) que devem ser procuradas as
unidades significantes elementares.
Portanto, a estrutura elementar deve ser analisada não ao nível da oposição entre signos (paio
/ baio, pata /bata) mas sim ao nível da oposição /p/ : /b/. A sua oposição só é possível porque
se situa sobre um único e mesmo eixo, o da sonoridade.
A mesma observação se dá no plano semântico: as oposições branco/ preto , grande/pequeno
discriminam-se dentro de um eixo comum, o da coloração no primeiro caso e o da medida de
grandeza de um continuum.

A língua não é um sistema de signos, mas uma reunião de estruturas de significação.


A significação pressupõe a interveniência de uma relação: sem relação não há significação.

É um lugar virtual esse denominador comum entro termos-objetos.


Descrição estrutural da relação que indica o conteúdo semântico de que essa relação se
investe ou o eixo semântico.

O eixo semântico descreve as semelhanças e diferenças que opõe os componentes.

A / r (S) / B
Ou A / está em relação (S) com / B

O eixo semântico S é o resultado da descrição totalizadora, representa a substância do


conteúdo; o (r) é um pressuposto de interpretação.
O conteúdo da relação (S) , o eixo semântico, é metalinguístico.
EX: o eixo de sonoridade (S) pode ser interpretado como a relação (r) entre os elementos
sonoro (s1) e o elemento não-sonoro (s2).
Ex: moça r(sexo) moço ou melhor, moça (feminilidade) r moço (masculinidade)
Ou A (s1) r B (s2)
A s1 e s2, elementos mínimos da significação Greimas chama de semas.

Uma estrutura elementar de significação, pode ser concebida e descrita quer sob a forma de
uma eixo semântico, quer sob a forma de uma articulação sêmica (isto é, de traços distintivos,
semas).
A descrição sêmica é superior à descrição do eixo semântico e deve ser a preferida.

Para Greimas a estrutura elementar, fora de qualquer contexto significante, só pode ser
binária, pois ele se articula em dois semas, /s/ vs /não-s/
Termos sêmicos ------- representação --------- conteúdo sêmico correspondente
Positivo s (presença do sema s)
Negativo não-s (presença do sema não-s)
Neutro ---s (ausência de s e de não-s)
Complexo s + não-s (presença de eixo semântico S)

Estrutura profunda das línguas naturais.


Relação hierárquica hiponímica.
/s1/ e /s2/ enquanto partes, explicitam hiponimicamente a articulação do sema complexo /S/.
O S marca as injunções da regra que podem ser positivas ou negativas.

O quadrado semiótico de Greimas-Rastier fornece uma modelo possível para a leitura do


sentido de que se reveste o comportamento dos indivíduos dentro das praticas sociais. Essas
se expressam como linguagem, no sentido semiótico; e tais linguagens possuem sentido.
Quadrado como matriz produtora de significado.

O modelo propõe os princípios básicos de uma semiótica gerativa, pois passa do simples para o
complexo; e no seu interior a criatividade. Para Greimas, a criatividade não pode ser
confundida com aquilo que é anterior a manifestação da linguagem, com aquilo que é de
ordem psicológica: ela deriva das pressões exercidas por coações semióticas e pode ser
descrita no interior do quadrado.

Descrever, através da estrutura elementar, os modos pelos quais o sentido emerge, nos usos
metalinguísticos das línguas naturais. A totalidade S articula-se em s1 e s2, em semas que
constituem as partes constituintes.
É no ato concreto da comunicação, na instancia da manifestação linguística que o significante
se encontra com o significado.

As ordenações de unidades diferenciais é puramente descritiva ou metalinguística: nenhum


sema, nenhuma categoria sêmica pode ser tomada como idêntica a uma unidade léxica
manifestada no discurso. /Espacialidade/, /dimensionalidade/, /verticalidade/,
/horizontalidade/, /perspectividade/, /lateralidade/ são semas (unidades metalinguísticas),
cuja combinatória resulta um conjunto sêmico provisório capaz de descrever o plano de
conteúdo (semema) que pode assumir diferentes coberturas lexemáticas na instância de
manifestação das línguas naturais.
Sememas lexicalizados = lexemas para Greimas).
A base sêmica comum para os lexemas “alto”/ “baixo” é o sema /espacialidade/, e é o sema
/horizontalidade/ a base sêmica comum para os lexemas “curto/ “longo”.

Fazer a descrição do lexema (= semema) não mais coo um conjunto não-ordenado de semas,
mas sim como um conjunto de semas ligados entre si por relações hierárquicas. O lexema é
um lugar de convergência de semas provindos de categorias e de sistemas sêmicos diferentes.

O lexema é da ordem do acontencimento (ele pertence a parole) e por isso é submetido a


historia e a cultura.

As estruturas lexemáticas fixam um nível da isotopia discursiva (instância da manifestação). A


interpretação dos semas fixam a isotopia do código dessa narrativa.

Núcleo Sêmico
O semema é o lugar (virtual) de encontro se semas hierarquizados, provenientes de diferente
sistemas sêmicos.
Podemos definir o semema de dois modos;
1 – partindo do sema ex: o exemplo dado no de espacialidade.
2 – podemos partir do lexema, isto é, da unidade linguística mediante a qual os sememas se
manifestam, na instância da parole.
Greimas vê a partir do estudo do lexema.
O conteúdo positivo invariável de um lexema (semema) é chamado de núcleo sêmico. Mesmo
usando o lexema cabeça em vários contextos carregados de vários sentidos, há uma parte do
sentido de cabeça que permanece invariável.
As variações de “sentido” que observamos no exemplo de cabeça so podem provir do
contexto. O contexto deve comportar semas variáveis responsáveis pelas mudanças do sentido
holofrásico. As variáveis sêmicas constituem semas contextuais.

O número de semas contextuais é sempre mais reduzido do que o número de contextos em


que um lexema pode aparecer.

Semema como um efeito de sentido resultante da combinatória de um núcleo sêmico mais


semas contextuais.
Alguns semas são responsáveis pelos diferentes efeitos de sentido das frases.

O que significam os elementos do contexto que entram na constituição do semema?

Classema - sema comum à toda classe; são semas contextuais.


Ex: latir pode combinar-se nos contextos frásicos ou como classema “animal” ou com o
classema “humano”, permitindo engendrar efeitos-de-sentido (= sememas) diferentes.
Late – cão, raposa, cachorro-do-mato (animais); o orador, Diógenes, o imitador (Humanos).
Marcador semântico “uma espécie de voz”.
Semas invariantes – tem o estatuto paradigmático; são invariantes, membros do núcleo
sêmico. Se definem no interior de um código ou subcódigo: da espacialidade, da
temparalidade, etc;
Semas variantes – tem o estatuto sintagmático (por isso o classema /humano/ que pertence,
paradigmaticamente, a “orador”, pode ser apagado ou substituído pelo classema /animal/,
numa frase como o orador zurrou: os classemas estão submetidos às pressões sintagmáticas).

Ao invés de definir cada lexema separadamente, considerarmos a sequencia do discurso como


sendo o lugar do encontro de dois sememas, colocando-nos imediatamente no plano da
significação manifestada.

Os efeitos de sentido possuem planos de expressão de diferentes dimensões (lexemas,


paralexemas, sintagmas). Isso significa que o contexto constitui uma unidade discursiva
superior aos lexemas que o compõem – daí as transações intracontextuais de semas. Assim, o
contexto é um nível superior para uma nova articulação do plano do conteúdo, pois ele
funciona como um mecanismo regulador de compatibilidades /incompatibilidades

A frase “o cão late” tem a combinatória de dois sememas;

Duas mensagens – duas sequencias do discurso - são isotópicas quando possuem um ou mais
classemas em comum. Essa observação permite dar conta tanto do fato da permanência do
sentido nas operações repetidas de transcodificação (ou de tradução), quanto do fato análogo
da relativa invariância do sentido diegético dos textos. Os classemas pertencem a um nível
semântico superior e homogeneizando os sentidos intrafrásicos e interfrásicos, asseguram a
coerência do sentido textual (sentido holofrásico), mantendo, através das redundâncias (cuja
função é a de evitar a emergência do ruído semântico), a isotopia textual.