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WICCA

Este é um trabalho de criação e coadunação de vários textos e materiais referentes à Religião da Grande Deusa e de Seu
Consorte. Como a Wicca é uma religião viva, que possui um código moral simples e benevolente: SEM PREJUDICAR
NINGUÉM REALIZE SUA VONTADE, desenvolvi este trabalho para ser o depositário do meu modo de ver, amar,
louvar e seguir a Grande Mãe e o Grande Pai.
ÍNDICE

APRESENTAÇÃO 1

AS RAÍZES DA ANTIGA RELIGIÃO 1


O DIVINO FEMININO 5
O SURGIMENTO DO CRISTIANISMO 6
TEXTO COMPLEMENTAR: UMA HISTÓRIA DE PERSEGUIÇÕES 9
OS DEUSES 11
BRUXARIA E WICCA 13
MAGIA 13
BRUXARIA, INSTRUMENTOS E NUDISMO 13
BRUXARIA E ECOLOGIA 14

A WICCA 16

INTRODUÇÃO 16
PANORAMA ATUAL DO NEO-PAGANISMO 17
VALORES MATRIFOCAIS 19
A CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA 20
O INDIVIDUALISMO RELIGIOSO 20
CONCLUSÕES 21
MAIS UM POUCO SOBRE A WICCA 22

A DEUSA 26

O DEUS 30

A ALMA DA WICCA 50

A INSTRUÇÃO DO DEUS 50
A INSTRUÇÃO DA DEUSA 50
O CREDO DAS BRUXAS 51
RESOLUÇÕES DA BRUXA 52
CAVALARIA WICCA 53
AS TREZE METAS DA WICCA 54
USANDO O "BLESSED BE" 54
A PIRÂMIDE DOS BRUXOS 55
TÁBUA DE ESMERALDAS 56
O CONSELHO WICCAN 57
DESPERTAR 58

OUTRAS TRADIÇÕES 59

XAMANISMO 59
"SAUNA SAGRADA" 60
ESTADOS ALTERADOS DE CONSCIÊNCIA 60
INSTRUMENTOS DE PODER 61
OS ANIMAIS DE PODER 65
STREGHERIA 66
ASATRÚ 67

COVEN 70

A HIERARQUIA DENTRO DOS COVENS 71

INSTRUMENTOS 74

A VASSOURA 74
A VARINHA MÁGICA 75
INCENSÓRIO 75
O CALDEIRÃO 76
O ATHAME 76
AS BOLAS DE CRISTAL 76
O CÁLICE 77
O SINO 77
TÚNICA 77
BURIL 78
VELA 78
LIVRO DAS SOMBRAS 78
ALTAR 79
O PENTAGRAMA 80
OS CRISTAIS 81
A ESPADA CERIMONIAL 81

SÍMBOLOS 82

CÍRCULO MÁGICO 82
A RODA DO ANO 88
...CONTINUANDO A FALAR SOBRE A RODA DO ANO 91
PENTAGRAMA 93
ORIGENS, RITOS E CRENÇAS. 93
DO RENASCIMENTO ATÉ HOJE 94
ANIMAL TOTEM 96

RITUAIS 98

RITUAL DE AUTO-INICIAÇÃO 98
RITUAL DE AUTO-DEDICAÇÃO 101
RITUAIS DE MENSTRUAÇÃO 104
CONSAGRAÇÃO DOS ELEMENTOS DA NATUREZA 106
RITUAL DE CASAMENTO WICCANIANO 107
RITUAL DO ANIMAL GUARDIÃO 110
RITUAL DA LUA - PUXAR A LUA PARA BAIXO 110
MASSAGEM PURIFICADORA E ENERGIZANTE COM AS PLANTAS 110
O COBRE, METAL DE CURA E DE AMOR 111
BANHO (AMOR) 111
RITUAL DAS VELAS 111
AS CORES DAS VELAS E SEUS SIGNIFICADOS 112
ALGUMAS INFORMAÇÕES ÚTEIS SOBRE A QUEIMA DAS VELAS. 113
HORÁRIOS PLANETÁRIOS 114

INVOCAÇÃO WICCANA 118

INVOCAÇÃO DOS QUATRO CANTOS 119


CONJURAÇÃO DOS QUATRO 122
INVOCAÇÃO SIMPLES 123
INVOCAÇÃO DE SALOMÃO 124
INVOCAÇÕES DE CIÊNCIA E DE INTELIGÊNCIA 125
INVOCAÇÃO DA DEUSA 126
INVOCAÇÃO DA DEUSA II 126
INVOCAÇÃO DO DEUS 127
INVOCAÇÃO DO DEUS II 127
INVOCAÇÃO DA LUA ORVALHADA 127

EXERCÍCIOS 128

VISUALIZAÇÃO 128
EXERCÍCIO DE LEVITAÇÃO 129
EXERCÍCIO DE LEVITAÇÃO (2) 130
EXERCÍCIO DA SOMBRA 130
EXERCÍCO DA RESPIRAÇÃO 130
EXERCÍCIOS DE CONCENTRAÇÃO 130
VISUAIS 130
AUDITIVOS 131
SENSORIAIS 131
GUSTATIVIOS 131
DIÁRIO MÁGICO 132
AUMENTANDO SUA VISÃO 133

FEITIÇOS 136

TABELA DE CORRESPONDÊNCIA 1 138


TABELA DE CORRESPONDÊNCIA 2 139
MAGIA DOS ELEMENTOS 140
FORÇA NEGATIVA DOS QUADRANTES 140
DEVOLUÇÃO DE FORÇAS NEGATIVAS 141
TALISMÃ 142
FEITIÇOS DO ANO 143
RITUAIS DAS LUAS CHEIAS DO ANO 144
MAGIA COM AUXÍLIO DOS GNOMOS 145
CHÁ PARA AFASTAR ENERGIAS NEGATIVAS 145
ENCANTAMENTO PARA INTUIÇÃO 145
FEITIÇO DA RAIVA 145
PODER INTERIOR 146
PARA A PROTEÇÃO 146
PARA A ELEVAÇÃO ESPIRITUAL 146

ELEMENTAIS 147

TEXTOS COMPLEMENTARES 150

LEIS DE TRÍADES 150


PORQUÊ A WICCA NÃO É CELTA 150
EGRÉGORAS 152
AS 7 LEIS HERMÉTICAS 152
UMA BRUXA É ASSIM: ESTRANHA GENTE. 153
COMO É EM CIMA, COMO É EMBAIXO, E COMO É EM BAIXO É EM CIMA 155
EU SOU PAGÃ HOJE NO BRASIL 156
A WICCA E O MILÊNIO DA DEUSA 158
OS SABBATS HÍBRIDOS 159
TEXTO PARA INICIANTES 160
BRUXAS DE NASCENÇA??? 160
COMO SE TORNAR BRUXA OU BRUXO. 161
WICCA É A RELIGIÃO NÃO DOGMÁTICA. 164
ROSÁRIO DA DEUSA 166
COMUNIDADES WICCAN 167
LEI DE THELEMA 170
ERVAS E SIGNOS 176
O ROMANCE DA DEUSA... 177
MITO DA CRIAÇÃO 180
O MITO DA DESCIDA DA DEUSA 180
A RELAÇÃO DO HOMEM COM O DIVINO 181
MEDITAÇÃO PARA O HOMEM 184
MEDITAÇÃO PARA A MULHER 185
MISTÉRIOS FEMININOS 187
SOMBRAS 197

PERGUNTAS 201

LIVROS 204

BIBLIOGRAFIA 209
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APRESENTAÇÃO

Esse texto introdutório tem como objetivo esclarecer o


que é a Bruxaria. Se você é daqueles que ainda acha
que não existem bruxos - apenas bruxas, e que estas
voam numa vassoura, comem criancinhas, têm um nariz
pontudo com uma verruga e adoram Satanás, então siga
em frente com esta leitura e descubra que foi enganado
;-)
Não temos a intenção de converter ninguém; apenas de
informar os interessados. A ausência total de
proselitismo é uma característica marcante da Bruxaria,
só aqueles que ouviram, compreenderam e aceitaram o
chamado da Deusa é que adentram nos caminhos da
Arte.
Respeitamos e damos boas vindas a todos que optam
pela Bruxaria, mas jamais coagimos alguém nesse
sentido, pois é comum entre os bruxos a noção de que
todas as religiões são formas diferentes de se atingir o
mesmo objetivo.
O fato de alguns de nós nos chamarmos de "bruxos", de
eventualmente fazermos rituais nus (isso hoje em dia é
raro, mas existe), usarmos instrumentos, entre os quais,
pequenas espadas chamadas athames, praticarmos
magia e cultuarmos um Deus de Chifres, facilita a vida
daqueles que querem nos atribuir características
demoníacas.

Religião? Sim, religião! Há quem argumente que o termo "religião", por vir do latim religare
(religar as pessoas ao divino) não é apropriado para designar a Bruxaria, visto que os bruxos têm
suas "raízes profundas na Mãe Terra e seus olhos voltados para o céu", além do princípio da
imanência (segundo o qual o divino está dentro de cada um de nós). Assim, Bruxaria não seria
uma religião, pelo simples fato de que o bruxo já está mais do que ligado à divindade. Esse
argumento é válido, mas acontece que, o sentido do termo "religião" mudou e não mais remete a
religar o homem ao divino e sim a conjunto de crenças, cultos, dogmas e rituais.

As Raízes da Antiga Religião

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Quando iniciamos o estudo de algo que nos é novo, a primeira pergunta que nos vem à mente é:
“de onde surgiu?”. Portanto, nada mais correto do que usar a história da Arte como ponto de
partida.
De onde veio a Wicca? Como se tornou o que é hoje? O que ela é hoje? Wicca é uma palavra do
inglês arcaico que quer dizer “bruxo” (plural wicce). Os seguidores da Religião Wicca são
chamados de Wiccanianos, Wiccans ou bruxas(os). A palavra bruxo(a) aplica-se (ou ao menos
deveria ser aplicada APENAS) aos representantes da Arte. Já a palavra WARLOCK que
significa " aquele que rompe o juramento" é usada para apontar traidores da Grande Mãe. Bruxos
que se renderam a armadilhas como: PODER, EGO, DINHEIRO, ORGULHO e que assim
desvirtuaram o verdadeiro intento da Arte, isso quando não a renegaram abertamente passando a
adorar o demônio pseudocristão (o que é estranho, visto que este ao qual chamam de demônio-
mor não existe) ou a fazer críticas contra a Arte em que se desenvolveu.
Há quem diga que seu significado é “sábio”, mas isso não corresponde à verdade. A palavra tem
sua origem na raiz indo-européia ‘wikk-’, significando ‘magia’, ‘feitiçaria’. O nome Wicca é o
mais usado para denominar nossa religião. Ela também é conhecida como Bruxaria, Feitiçaria,
Antiga Religião e Arte dos Sábios, ou, simplesmente, A Arte.

As origens da Bruxaria remontam à aurora da humanidade. Nossas crenças começaram a tomar


forma no Paleolítico, há aproximadamente vinte e cinco mil anos. Neste período, o ser humano
era nômade, e suas principais fontes de subsistência eram a caça e a coleta. Tudo era misterioso
para o homem e a mulher do paleolítico: o trovão, o sol, a escuridão... Para eles, o mundo era um
lugar perigoso, cheio de forças que deveriam ser temidas, respeitadas e reverenciadas.
Com o tempo, a idéia das forças foi evoluindo para a idéia de Deuses. A primeira imagem de um
Deus a surgir perante os primeiros homens foi a do Deus de Chifres. Para que o clã nômade
sobrevivesse, uma das principais atividades era a caça: dela provinham carne para alimentar-se,
peles para vestir-se, ossos e chifres para fazer instrumentos. Os animais considerados mais
valiosos, cujo abate cobria de honras àquele que o realizava, eram animais que possuíam chifres,
como cervos e bisões. Assim, o ser humano primitivo começou a perceber a presença do Grande
Provedor, a idéia de um Deus das Caçadas, dotado de chifres, símbolo de seu poder.

Alguns membros do clã iniciaram a prática de atividades de caráter mágico-religioso, compostos


por um elemento religioso (esboços de rituais e mitos dedicados à adoração do Deus de Chifres,
forças da natureza e espíritos dos antepassados) e por um elemento mágico (práticas que
tentavam atrair a benevolência destas divindades e espíritos, a fim de manipulá-la para interesses
práticos do clã). Neste momento estava se delineando algo que se assemelhava muito grosso
modo com uma classe sacerdotal.

Estes ‘sacerdotes’ realizavam ritos do que hoje é denominado magia simpática, ou seja, práticas
baseada na atração dos semelhantes. Pintavam-se cenas de membros do clã vencendo e abatendo
animais cobiçados, para garantir o sucesso da próxima caçada. Miniaturas destes mesmos
animais eram confeccionadas, em osso, chifre ou barro, e então se simulava sua caça e abate.
Estes ritos eram geralmente dirigidos por um destes ‘sacerdotes’, geralmente usando a primeira
de todas as túnicas: peles de animais e uma máscara dotada de chifres.
Em Trois Frères, na França, existe uma pintura de doze mil anos, conhecida como “Le Sorcière”
(“O Feiticeiro”). É a figura de um homem vestido de peles, com cauda e chifres de cervo. À sua
volta, paredes cobertas por pinturas de animais em caçadas. A seus pés, uma saliência na rocha,
constituindo um altar. Mas as caçadas não eram a única coisa que faziam o clã sobreviver.

Havia um Mistério: o da fertilidade. O clã precisava continuar. De tempos em tempos, a barriga


das mulheres crescia, e, ao fim de algumas luas, delas surgia um novo membro da tribo,
pequeno, mas que crescia com o passar do tempo. Os animais também tinham filhotes, e isso
garantia o alimento das futuras gerações.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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A chave de todo esse Mistério era a mulher, aquele enigmático ser que, se já não bastasse ser a
única responsável pela continuação da tribo (ainda não havia a consciência da participação do
homem na reprodução), também alimentava as crianças com leite de seu próprio corpo. Além
disso, aquela criatura mágica vertia sangue de dentro de seu corpo em algumas ocasiões, mas
mesmo assim não morria. Todas estas constatações levaram nossos antepassados a perceber a
presença da Suprema Criadora, daí o surgimento em suas mentes de uma Deusa da Fertilidade,
uma Grande Mãe.

Figuras pré-históricas desta Deusa são incontáveis. Uma das mais famosas é a Vênus de
Willendorf: seu corpo parece uma grande massa disforme da qual se destacam um gigantesco par
de seios e uma proeminente barriga grávida. Ela não tem pés nem braços, e seu rosto está
coberto. Estas características são comuns a várias outras ‘Vênus’ pré-históricas, e se devem à
ênfase que o ser humano primitivo dava ao aspecto de fertilidade da mulher. A Deusa era a
Grande Mãe Natureza, fonte de toda a vida. Com o tempo, os homens foram se conscientizando
de seu papel na reprodução, e o aspecto de fertilizador passou a ser mais um dos atributos do
Deus de Chifres. Ele tornou-se filho da Deusa, pois dela era nascido, e também seu amante, pois
a fertilizava para que um novo ser surgisse. A partir desta concepção, novos ritos foram
adicionados às práticas mágico-religiosas, onde se esculpiam ou pintavam-se animais ou
humanos copulando, e todo o clã entregava-se ao ato sexual, já tendo recebido a graça dos
Deuses.

No Neolítico, o ser humano desenvolveu a agricultura, e começou a formar aldeias e povoados.


Com a descoberta das técnicas de plantio, a Deusa assumiu para os homens e mulheres de então,
maior importância, passando a apresentar também o aspecto de guardiã da colheita. O Deus de
Chifres começou a ganhar uma nova face, a de alegre Deus das Florestas, protetor dos animais e
criaturas dos bosques. Quando o homem adquiriu a noção das estações do ano, esboçaram-se as
primeiras idéias sobre a Roda do Ano. Havia um período quente e fértil, onde se realizavam as
colheitas e a natureza mostrava todo seu esplendor. Neste período, reinava a Deusa em seu
aspecto de Mãe Fértil. Mas havia outro período, frio e escuro, quando as folhas das árvores
secavam e caíam e tudo parecia estar morto.

O povo voltava a depender da caça para sobreviver, pois não podia viver só dos alimentos
armazenados. Quem regia este período era o Deus das Caçadas, que também adquiria seu novo
aspecto de Sombrio Senhor da Morte (nesta época nasceram também os primeiros conceitos
sobre a vida após a morte). Surgiram então os primeiros mitos sobre a descida da Deusa ao
mundo subterrâneo, que, séculos mais tarde, tomaria forma definitiva na Grécia, com o mito de
Perséfone, e na Mesopotâmia, com a lenda de Ishtar.
As culturas desenvolveram-se com o passar dos séculos, e novos aspectos dos Deuses foram
descobertos. Cultos religiosos se estruturaram, centrados nos ciclos de nascimento, morte e
renascimento da natureza. O tempo da plantação e o tempo da colheita eram muito importantes,
marcados com festividades, assim como o período do recolhimento do gado e a época de sua
liberação ao pasto. Nestas datas, juntamente com as de mudanças de estação, realizavam-se
encenações de mitos nos quais um Deus Velho morria para um Deus Jovem nascer,
representando a morte da antiga colheita e o nascimento de uma nova. Estes cultos possibilitaram
o refinamento da classe sacerdotal, que chegou ao requinte de gerar representantes como os
druidas, sacerdotes celtas que encantaram os gregos e romanos com sua profunda filosofia e
integração com a natureza. Sua erudição era admirável, e acumulavam funções como a de
legisladores, médicos, poetas, bardos e guardiões da tradição oral.

Na Grécia Antiga, floresceram os Cultos de Mistério, dos quais devem destacar-se os Ritos de
Elêusis e os Mistérios Órficos. Também foram de grande importância os cultos dionisíacos.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Deve-se ter em mente que estas são linhas gerais do início da bruxaria, que se confunde com o
surgimento das primeiras manifestações religiosas humanas. O que está relatado acima
aconteceu, em épocas diferentes, nos mais variados lugares. É verdade que nem tudo ocorreu
exatamente da mesma maneira em todos os lugares: enquanto no Crescente Fértil da
Mesopotâmia nasciam avançadas civilizações, na Europa ainda vivia-se de caça e coleta.

Mas o que impressiona e é importante não são as diferenças, e sim as semelhanças dos primeiros
esboços de religião. Nosso objetivo, com a pequena exposição acima foi dar ao estudante noções
de como foi o surgimento da idéia dos Deuses e seu desenvolvimento.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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O Divino Feminino

A Deusa foi a primeira divindade cultuada pelo homem pré-histórico. As


suas inúmeras imagens encontradas em vários sítios históricos e
arqueológicos do mundo inteiro representavam a fertilidade - da mulher e
da Terra. Por ser a mulher a doadora da vida atribuiu-se à Fonte Criadora
Universal a condição feminina e a Mãe Terra tornou-se o primeiro contato
da raça humana com o divino.
Mas afinal, quem é essa Deusa? Só o fato de termos que fazer essa
pergunta demonstra o quanto nossa sociedade ocidental formada sob a
égide da mitologia judaico-cristã se afastou de nossas origens. Fomos
criados condicionados por uma cosmologia desprovida de símbolos do
Sagrado Feminino, a não ser Maria, Mãe Divina, que não tem os atributos
divinos, que são reconhecidos apenas ao Pai e ao Filho e é substituída na
Trindade pelo conceito de Espírito Santo. Maria é, quando muito, a intermediária para a atuação
dos poderes do Deus... "Peça à Mãe que o Filho concede..." Mas Maria não é a Deusa, senão um
de seus aspectos mais aceitos pela sociedade patriarcal, de coadjuvante do Deus, reproduzindo o
fenômeno social do patriarcado em que a mulher auxilia o homem, mas sempre lhe é inferior e,
por isso, deve submeter-se à sua autoridade.

Não somos feministas nem queremos partir para discursos feministas, mas tão somente constatar
que a ausência de uma Deusa nas mitologias pós-cristãs se deve ao franco
predomínio do patriarcado. Predomínio esse que nos trouxe, ao final do
século XX, a uma sociedade norteada pelos valores da competição
selvagem, da sobrevivência do mais forte, da violência ao invés da
convivência, do predomínio da razão sobre a emoção. Mas a Deusa está
ressurgindo. Desde a década de 60, reafirmando-se nas últimas, a
descoberta da Terra como valor mais alto a preservar sob pena de não
mais haver espécie humana fez decolar a consciência ecológica e o
renascimento dos valores ligados à Deusa: a paz, a convivência na
diversidade, a cultura, as artes, o respeito a outras formas de vida no planeta.

Cultuar a Deusa hoje significa reconsagrar o Sagrado Feminino, curando, assim, a Terra e a
essência humana, quer sejamos homens ou mulheres, visto que nossa psique contém aspectos
masculinos e femininos. Aceitar e respeitar a Deusa como polaridade complementar do Deus é o
primeiro passo para a cura de nossa fragmentação dualística interior. A Deusa é cultuada como
Mãe Terra, representando a plenitude da Terra, sua sacralidade. Sobre a Terra existimos e, ao
fazê-lo, estamos pisando o corpo dela, aqui e agora, muito diferente da crença em um deus
Onipotente e distante, que vive nos céus. A Deusa é a Terra que pisamos, nossos irmãos animais
e plantas, a água que bebemos, o ar que respiramos, o fogo do centro dos vulcões, os rios, as
cores do arco-íris, o meu corpo, o seu corpo... A Deusa está em todas as coisas... Ela é Aquela
que Canta na Natureza... O Deus Cornífero seu consorte, segue sua música e é Aquele que Dança
a Vida... Cultuar a Deusa não significa substituir o Deus ou rejeitá-lo. Ambos, Deus e Deusa são
da mesma moeda, as duas faces do Todo. A Deusa é a criadora primordial, o Deus o primeiro
criado, e sua dança conjunta e eterna, em espiral, representa a eterna dança da vida.

A Deusa também é a Senhora da Lua e, mais uma vez, a explicação desse fato remonta às
cavernas em que já vivemos. O homem pré-histórico desconhecia o papel do homem na
reprodução, mas conhecia muito bem o papel da mulher. E ainda considerava a mulher envolta
em uma aura mística, porque sangrava todo mês e não morria, ao passo que para qualquer dos
homens sangrar significava morte. Portanto, a mulher devia ser muito poderosa, ainda mais que

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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conhecia o "segredo" de ter bebês... É fácil entender porque a mulher era identificada com a
Deusa, ou, melhor dizendo, porque a primeira divindade conhecida tinha que ter caracteres
femininos.../ Ainda mais quando as pessoas descobriram que a gravidez durava 10 lunações e a
colheita e o suceder das estações seguia um ciclo de 13 meses lunares. O primeiro calendário do
homem pré-histórico foi mostrado nas mãos da famosa estatueta da Vênus de Laussel, que
segura em sua mão um chifre em forma de crescente, com 13 talhos que representam as
lunações. Por sua conexão com a Lua e a mulher, a Deusa é cultuada em 3 aspectos: a Donzela,
que corresponde à Lua Crescente, a Mãe representada na Lua Cheia e a Anciã, simbolizada na
Lua Decrescente, ou seja, Minguante e Nova.
Na tradição da Deusa a Donzela é representada pela cor branca e significa os
inícios, tudo o que vai crescer, o apogeu da juventude, as sementes plantadas
que começam a germinar, a Primavera, os animais no cio e seu
acasalamento. Ela e a Virgem, não só aquela que é fisicamente virgem, mas
a mulher que se basta, independente e auto-suficiente. Como Mãe a Deusa
está em sua plenitude. Sua cor é o vermelho, sua época o verão. Significa
abundância, proteção, procriação, nutrição, os animais parindo e
amamentando, as espigas maduras, a prosperidade, a idade adulta. Ela é a
Senhora da Vida, a face mais acolhedora da Deusa.
Por fim, a Deusa é a Anciã, que é a Mulher Sábia, aquela que atingiu a
menopausa e não mais verte seu sangue, tornando-se assim mais poderosa
por isso. Simboliza a paciência, a sabedoria, a velhice, o anoitecer, a cor preta. A Anciã também
é a Deusa em sua face Negra da Ceifeira, a Senhora da Morte. Aquela que precisa agir para que o
eterno ciclo dos renascimentos seja perpetuado. Esta é o aspecto com que mais dificilmente nos
conectamos, porém, a Senhora da Sombra, a Guardiã das Trevas e Condutora das Almas é
essencial em nossos processos vitais. Que seria de nós se não existisse a morte? Não poderíamos
renascer, recomeçar... Desta forma, é fácil compreendermos porque a Religião da Deusa postula
a reencarnação. Se nós fazemos parte de um universo em constante mutação, que sentido haveria
em crermos que somos os únicos a não participar do processo interminável da vida-morte-
renascimento? Essa realidade existe no microcosmo do ciclo das estações, da colheita que tem
que ser feita para que se reúnam as sementes e haja novo plantio.

É justamente por isso que aqueles que seguem o Caminho da Deusa celebram a chamada Roda
do Ano, constituída pelos Oito Sabbats celtas que marcam a passagem das estações. Ao celebrar
os Sabbats cremos que estamos ajudando no giro da Roda da Vida, participando assim de um
processo de co-criação do mundo.

Por tudo o que dissemos fica fácil entender porque os caminhos, cultos e tradições centrados na
Deusa são religiões naturais, fundamentadas nos ciclos da natureza e no entendimento de seus
elementos e ritmos. Estas práticas de magia natural usam a conexão e correlação dos elementos
da natureza - Água, Terra, Fogo e Ar, as correspondências astrológicas (signos zodiacais,
influências planetárias, dias e horários propícios, pedras minerais, plantas, essências, cores, sons)
e a sintonia com os seres elementais (Devas Guardiões dos lugares, Gnomos, Silfos, Ondinas,
Salamandras, Duendes e Fadas).

O Surgimento do Cristianismo
Ao contrário do que se pensa, o cristianismo não foi imediatamente adotado pelo povo europeu
ao ser declarado religião oficial do Império Romano. Esta conversão dos Romanos ao
catolicismo teve motivos políticos, e não teve grande penetração fora dos centros urbanos. A
grande massa da população permaneceu fiel a seus deuses antigos. Os cultos antigos, então,

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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receberam a denominação pejorativa de “pagãos” (“pagani”, plural de paganu, ‘ morador do
campo’), por ter como foco de resistência à nova religião o povo dos campos, longe das cidades
e das zonas de comércio e ensino. Os missionários -cristãos, com o tempo, passaram a ter mais
aceitação nas cidades, mas continuavam sendo repelidos no campo, nas montanhas e nas regiões
distantes, verdadeiros enclaves da Antiga Religião. Houve ainda uma tentativa de reativar o
paganismo e o culto aos Deuses antigos como religião oficial do Império Romano. Esta última
esperança deveu-se ao Imperador Juliano (conhecido como “O Apóstata”), que reinou no século
IV EC. Mas, como sabemos, essa tentativa não foi frutífera, derrubada pela própria conjuntura da
época, onde já se pressentia o poder de manipulação, domínio e intriga do cristianismo,
evidenciado nos séculos seguintes. Um dos ardis utilizados pelos manipuladores por trás do
cristianismo era o de apropriar-se de festividades pagãs como comemorações religiosas de sua
própria religião. Assim, por exemplo, o festival do solstício de inverno, onde se comemorava o
nascimento do Deus-Sol, transformou-se no Natal cristão. Também o festival de Samhain,
comemorado em intenção dos mortos, recebeu o nome de Dia de Todos os Santos, logo seguido
pelo dia de Finados. A despeito destas tentativas, as tradições pagãs continuaram mantendo sua
força. A partir de um decreto do papa Gregório, os pseudocristãos também se apossaram dos
locais sagrados da Antiga Religião e, derrubando os templos ali existentes, erigiram suas igrejas.
Os Deuses de cada santuário foram transformados em santos e santas (um exemplo é Santa
Brígida, da Irlanda, na verdade a Deusa Bhríd, protetora do fogo e dos partos). Quando os
pseudocristãos (o termo pseudocristãos será usado neste texto para identificar os monstros que se
auto-intitularam cristãos com o único propósito de manipular as nações e as pessoas
verdadeiramente cristãs que começaram a surgir) deram-se conta da importância da Deusa-Mãe
para as pessoas, aumentaram a proeminência da Virgem Maria no culto cristão. Mitos e práticas
pagãs foram, sistematicamente, absorvidas, distorcidas e transformadas em ritos -cristãos.
Esculturas de temas pagãos foram incluídos em igrejas e capelas. O maior exemplo de
sincretismo entre costumes pagãos e cristãos é o cristianismo irlandês, que ainda hoje conserva
hábitos célticos mesclados a liturgias cristãs. Os padres tinham a seu favor o tempo, o poder e a
força. Os pagãos tinham que lutar sozinhos contra a profanação de seus templos, crenças e
costumes. Desta maneira, o povo simples dos campos foi acostumando-se à nova religião, e,
gradualmente, foi sendo convertido. Mas os sacerdotes restantes da Antiga Religião não se
renderam à nova ordem. Juntamente com pessoas ainda fiéis às antigas crenças, mantiveram o
culto ao Deus de Chifres e à Deusa Mãe.

As crenças pagãs, enfatizando a adoração aos Deuses e a realização dos festivais de fertilidade,
foram amalgamando-se à magia popular, criando a Bruxaria Européia. A magia popular consistia
em um conjunto de feitiços feitos com o uso de ervas, bonecos e diversos outros meios. Estes
feitiços tinham como objetivo a cura, a boa sorte, atrair amores, e fins menos nobres, como a
morte de algum inimigo. São práticas desenvolvidas a partir do que restara da magia simpática
pré-histórica, unidas ao conhecimento xamânico dos povos bárbaros. Os teólogos pseudocristãos
passaram então a sustentar que a Bruxaria não existia. Assim, pretendiam terminar com a
credibilidade dos bruxos e anular sua influência. Foi um período de relativa paz para a Arte. Mas
logo os pseudocristãos perceberam que seus esforços para exterminar completamente o
paganismo não haviam dado resultado. Fizeram então mais uma tentativa: transformaram o Deus
de Chifres na personificação do Mal, do Antideus, do Inimigo. A teologia cristã já pressupunha a
existência de um antagonista a seu Jeová (o ‘Satan’ hebraico do Antigo Testamento e o
‘diabolos’ do Novo): um Inimigo. Ele ainda não possuía forma definida e, quando era
representado, o era em forma de serpente, como a que persuadiu Eva a comer a fruta da Árvore
da Sabedoria. Dando a seu Satã a forma do Deus de Chifres (notadamente de deuses agropastoris
como Pã e Sileno, dotados de cascos de bode e pequenos cornos), os pseudocristãos conseguiram
iniciar um clima de terror e medo em relação aos praticantes da Antiga Religião, o que os forçou
a praticarem seus ritos em segredo. Mas a era mais triste da Arte ainda estava por vir.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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A Era das Fogueiras A situação da Igreja até o século XIII era caótica. Facções adversárias
lutavam entre si, cada uma digladiando em favor de um dogma. Nos numerosos concílios
realizados, ora uma das facções impunha sua visão, ora outra. Isso favorecia um desmoralizante
‘entra-e-sai’ de dogmas, o que desacreditava a Igreja. Algumas destas facções também
criticavam a corrupção e o jogo de poder dentro da classe sacerdotal, e levantavam dúvidas sobre
o poder espiritual do papado. Foi então criado um instrumento de repressão: o Tribunal de Santa
Inquisição. Consistia em um corpo investigatório ignorante, brutal e preconceituoso, dirigido
pela ordem dos Dominicanos. Sua função primordial era a de acabar com as facções que se
opunham à Igreja (denominadas ‘heréticas’), através do extermínio sistemático de seus membros.
Exemplos destas facções ‘heréticas’ eram os cátaros, os gnósticos e os templários. Com o tempo,
os pseudocristãos perceberam outro uso para seu Tribunal. Ainda persistiam cultos aos Deuses
Antigos, e, graças à transformação do Deus de Chifres no Demônio Pseudocristãos, eram
acusados de delitos absurdos, como o canibalismo, a destruição de lavouras (acusar de tal crime
uma Religião dedicada à manutenção da fertilidade das colheitas é, no mínimo, ridículo) e
muitos outros. Foi então proclamada, em 1484, a Bula contra os Bruxos, pelo Papa Inocêncio
VIII. Neste documento, ele relacionava os crimes atribuídos aos bruxos e dava plenos poderes à
Inquisição para prender, torturar e punir todos aqueles que fossem suspeitos do ‘crime de
feitiçaria’. Em 1486 foi publicado o Malleus Malleficarum (‘Martelo dos Feiticeiros’), escrito
pelos dominicanos Kramer e Sprenger. O livro, absurdo e misógino, era um manual de
reconhecimento e caça aos bruxos, e, principalmente, às bruxas (o livro trazia afirmações
surpreendentes, como : “quando uma mulher pensa sozinha, pensa em malefícios”). A partir daí,
a Igreja abandonou completamente a postura de ignorar a Bruxaria: pelo contrário, não acreditar
na sua existência era considerada a maior das heresias. Iniciou-se então um período de duzentos
anos de terror, conhecido entre os bruxos como “Era das Fogueiras”. Mas os bruxos (e também
os hereges e inocentes: doentes mentais, homossexuais, pessoas invejadas por poderosos,
mulheres velhas e/ou solitárias) não pereciam só em fogueiras: eram também enforcados e
esmagados sob pedras. Isso quando não pereciam nas torturas, as quais são tão cruéis e sádicas
que não merecem nem ser mencionadas. A Inquisição tornou-se uma válvula de escape para as
neuroses da época: em época de forte repressão sexual, condenavam-se mulheres jovens, que
eram despidas em frente a um grupo de ‘investigadores’, tinham todo seu corpo revistado
diversas vezes, à procura de uma suposta ‘marca do diabo’, e, por fim, eram açoitadas, marcadas
a ferro e violentadas. Terminavam condenadas e executadas como bruxas. Seu crime: serem
mulheres jovens, belas e invejadas. Anciãs que moravam sozinhas, geralmente em companhia de
alguns animais, como gatos (daí a lenda da ligação dos gatos com as bruxas), eram alvo de
desconfiança e logo declaradas ‘feiticeiras’, e, assim, assassinadas.

A maioria das vítimas dos tribunais de Inquisição não eram verdadeiros praticantes da Arte, mas
muitos bruxos pereceram na mão dos pseudocristãos. Aproximadamente nove milhões de crimes
como este foram cometidos durante a Inquisição. Nunca uma religião demonstrou tanta
necessidade de exterminar seus antagonistas como o cristianismo. A perseguição aos bruxos não
se resumiu apenas ao países católicos: espalhou-se pela Europa protestante. Os protestantes não
se guiavam pelo Malleus Malleficarum, mas davam razão à sua paranóia através do uso de uma
citação do Antigo Testamento: “não deixarás que nenhum bruxo viva”. Na Era das Fogueiras, os
praticantes da Antiga Religião adotaram o único comportamento que lhes possibilitaria a
sobrevivência: “foram para o subterrâneo”, ou seja, mantiveram o máximo de discrição e segredo
possível. A sabedoria pagã só era passada por tradição oral, e somente entre membros da mesma
família ou vizinhos da mesma aldeia. Como técnica de proteção, os próprios bruxos ajudaram a
desacreditar sua imagem, sustentando que a Bruxaria não passava de lenda, ou disseminando
idéias de bruxos como figuras cômicas e caricatas, dignas de pena e riso. Por volta do final do
século XVII, a perseguição aos bruxos foi diminuindo gradativamente, estando virtualmente
extinta no século XVIII. A Bruxaria parecia, finalmente, ter morrido. Mas os grupos de bruxos

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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(“covens”) resistiam, escondidos nas sombras. Algo que surgiu nos primórdios da humanidade
não morreria assim tão facilmente.

Texto Complementar: Uma História de Perseguições


VALIENTE, DOREEN. An ABC of Witchcraft, Past and Present. St. Martin’s Press, 1973.

No intuito de tornar a religião cristã um religião universal e ampliar o poder da Igreja por
interesses puramente econômicos, começaram as perseguições aos adeptos da antiga religião,
culminando com tortura e morte de muitos inocentes. A sociedade começou a se fundamentar em
um alicerce cristão, porém deturpado por interesses diversos, sendo criada a carta "Maleus
Malleficarum" (O Martelo das Bruxas) estipulando condutas típicas que caracterizariam uma
pessoa como "bruxo", e quem fosse considerado tal, seria condenado. O simples ato de se despir
para se banhar em um lago isolado, um simples olhar de um rapaz "flertando" com uma moça ou
de usar ervas (infusões, chás) para o tratamento de enfermidades, eram suficientes para acusar
uma pessoa de bruxaria...
Esta era foi conhecida como Era das Fogueiras, onde os acusados (sempre confessos mediante
tortura) eram freqüentemente queimados vivos nas fogueiras. Isto serviu de exemplo para os que
ainda não eram convertidos ao cristianismo.
Muitos anos após, alguns grupos praticantes da Antiga Religião com prestígio dentro da
sociedade despertaram sua consciência com as perseguições e começaram a tomar certas
atitudes, influenciando altos juizes em várias porções da Europa. São vários os fatos que
contribuiram para o fim das perseguições.
Início do Século 9: Difundiu-se uma crença popular que feiticeiros e bruxos malignos existiam.
Eram vistos como pessoas demoníacas, principalmente as mulheres, que dedicam suas vidas a
prejudicar e matar pessoas através de feitiçaria e pactos demoníacos. A Igreja Católica da época
oficialmente afirmava que tais bruxos não existiam. Era uma heresia dizer que eles eram reais.
"Por exemplo, no século 5o., o Conselho eclesiástico de St. Patrick estabeleceu que 'Um Cristão
que acreditasse em vampiros, era o mesmo que declarar-se bruxo, confesso ao demônio; a lei
dizia que pessoas com crenças não poderiam ser aceitas pela Igreja a menos que revogue com
suas palavras o crime que cometeu.' Um capitólio da Saxônia (775-790) proclamou estes
esteriótipos da crença pagã: 'Se alguém, devoto do Demônio, seguindo as crenças Pagãs,
qualquer homem ou mulher considerado um bruxo, que por sua vez come carne humana, deverá
ser queimado na fogueira [bruxo confesso]... devendo assim receber a pena capital."

906: Regino de Prum, O abade das Trevas, escreve o "Canon Episcopi". Ele reforçava a
crença da Igreja de que os bruxos não existiam. Ele afirmava que algumas mulheres
desonestas e confusas podiam voar pelo ar com a Deusa pagã Diana. Embora isto não
acontecesse na realidade; Isto era visto como uma forma de alucinação.
975: Penalidades para bruxaria e uso de curas mágicas tornam-se severas. O
contricionário Inglês de Egbert preconizava (em parte...): "se uma mulher realiza bruxaria
, encantamentos e [usa] filtros mágicos, ela deverá se abster de comida por vinte meses....
se matar alguém com seus filtros, ela se absterá por sete anos.". A Abstenção consistia
apenas de pão e água.
1140: Gratian, um monge italiano, incorporou a Canon Episcopi na lei canônica.
1203: O movimento Cathar, um grupo de Cristãos Gnósticos, tornou-se popular na região
de Orleans, França e na Itália. Eles foram declarados Hereges pela Igreja. O papa
Inocencio III aprovou uma guerra genocida contra os Cathars. O último Catar que se tem
noticia foi queimado na estaca em 1321.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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1227: O Papa Gregorio IX propôs a Corte de Inquisição para prender, confessar e
executar hereges.
1252: O Papa Inocencio III autorizou o uso da tortura durante o processo de inquisição.
1258: O Papa Alexandre IV restringiu a inquisição a manter suas investigações à casos de
heresia. Não investigaram crença em feitiçaria a menos que hereges estivessem
envolvidos.
1265: O Papa Clemente IV reafirma o uso da tortura.
1326: A Igreja autoriza a inquisição para investigar casos de bruxaria. Sua maior
contribuição foi o desenvolvimento da "demonologia," a teoria da origem diabólica da
bruxaria e estudo dos demônios.
1330: Aumentou a crença popular que bruxos e feiticeiros malignos são aliados de Satã,
tinham relações sexuais com o demônio, raptavam e comiam crianças, etc.
1347 a 1349: A epidemia de peste negra dizimou uma porção considerável da população
Européia.
1430: Teólogos Cristãos começaram a escrever livros que "provavam" a existência dos
bruxos.
1450: A primeira Grande caçada aos bruxos iniciou na Europa. A Igreja Criou uma
imaginária religião do Demônio, utilizando esteriótipos que circulavam desde as eras pré-
cristãs. Eles afirmavam que os pagãos que cultuavam Diana e outros Deuses e Deusas
eram bruxos maus que raptavam bebês, matavam e comiam suas vítimas, vendiam suas
almas à satã, faziam pacto com o demônio, voavam pelo ar, realizavam encontros
secretos à noite, causavam impotência e infertilidade às pessoas, etc. Historiadores
afirmavam que estes genocídios religiosamente incitados foram motivados pelo desejo da
Igreja em obter maior número de adeptos (monopólio exclusivo), ou ainda como "uma
ferramenta de repressão, uma forma de guiar a massa para outras divindades superiores,
um joguete contra mulheres (eram desprezadas), ou um modo para pessoas comuns de
surrupiar colheitas pagãs, gado ou justificar morte de bebês e crianças." Walter Stephens,
um professor da Johns Hopkins University, propõem uma nova teoria: "Acho que os
bruxos eram "bodes expiatórios" de Deus." E ainda, o modo de explicar o mal no mundo
era atribuir a causa a bruxos e demônios.
1450: Johann Gutenberg inventou a imprensa, facilitando a propagação das leis da Igreja
e aumentando a insatisfação popular à imagem dos bruxos; isto facilitou em muito a
caçada às bruxas.
1474: O Papa Inocencio VIII publicou um bula papal condenando bruxos.
1480: Thomas de Brabant escreve o livro "Formicarius", que descreve a prossecução de
um homem por bruxaria. Cópias deste livro foram anexadas ao Malleus Maleficarum
anos mais tarde.
1486-1487: Inquisidores (Heinrich Kraemer) e Jacob Sprenger publicam o Malleus
Maleficarum (O martelo das bruxas). Este é um fascinante estudo destes autores que
odiavam mulheres. Ele descreve as práticas e condutas típicas para os bruxos, e métodos
para obter confissão, sendo posteriormente abandonado pela Igreja. Entretanto este
tornou-se a "bíblia" destas cortes seculares que condenavam bruxos.
1500: Durante o 14th século, constatou-se 38 acusações contra bruxos e feiticeiros na
Inglaterra, 95 na França e 80 na Alemanha. A caça aos bruxos foi acelerada. "Pela
escolha de conceder suas almas à práticas demoníacas teriam cometido crimes contra o
homem e contra Deus. a gravidade deste duplo crime denominado a bruxaria como um
crime excepcional, permitindo a suspensão de seus direitos de modo a punir por sua
culpa." Testemunhos de crianças foram aceitos. A tortura largamente foi utilizada com a
finalidade obter confissões. A falta de consistência nas confissões também foi aceita
como prova de culpa.
1517: Martin Luther fixou suas 95 teorias na porta da Catedral de Wittenburg, Alemanha.
Isto instigou a reforma Protestante. Nos Países Católicos, as cortes continuavam a

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queimar bruxos. Em Protestantes, eles eram enforcados. Alguns países protestantes não
admitiam a tortura.
1550 a 1650: Perseguições alcançaram seu pico nesta década. Estes foram chamados de
"TEMPOS ARDENTES." Foram muito concentrados no leste França, Alemanha e Suiça.
As perseguições ocorreram com maior frequência em locais onde havia conflitos entre
Católicos and Protestantes. Ao contrário da opinião pública, os bruxos suspeitos foram
perseguidos pelas cortes -- especialmente àqueles envolvidos com feitiçaria maligna.
Somente uma minoria respondia às autoridades da Igreja.
1563: Johann Weyer (b. 1515) publica um livro que agride as crenças pagãs. Chamado de
"De Praestigiis Daemonum" (Queda das almas), preconizava a não existência dos bruxos,
mas que Satan forçava que eles o seguissem. Ele rejeitava as confissões obtidas sobre
tortura e violência. Ele recomendava tratamento médico ao invés de tortura e execução .
1580: Jean Bodin escreve "De la Demonomanie des Sorciers". Ele afirmava que era
necessário punir os bruxos. Nenhum bruxo acusado deveria ser liberto se tivesse
evidencia que ela seria culpada. Se o inquisidor esperasse por evidências concretas,
nenhum bruxo seria preso, acreditavam eles.
1584: Reginald Scot publicou um livro que estava à frente de seu tempo. In Discoverie of
Witchcraft, ele afirmava que os poderes sobrenaturais não existiam. E mais: que as
bruxas não existiam.
1608: Francesco Maria Guazzo publica o "Compendium Maleficarum." Este discute
pactos entre bruxos e satã, a magia que os pagão utilizam para prejudicar pessoas, etc.
1609: Pânico contra bruxos na região Basca, Espanha. La Suprema, o corpo
governamental da Inquisição espanhola, reconheceu o acontecido e publicou o Edital de
Silência que proibia a discussão sobre bruxaria. O pânico da população desapareceu.
1610: Cessa a perseguição aos bruxos na Holanda, provavelmente devido ao livro de
Weyer, 1563.
1616: Uma segunda perseguição às bruxas foi em Vizcaya. Novamente um Edital de
Silêncio foi publicado pelo Tribunal de Inquisição. Entretanto o rei aboliu o edital e 300
bruxos confessos foram queimados vivos.
1631: Friedrich Spee von Langenfield, um sacerdote jesuíta, escreve "Cautio
criminalis". Ele condena as caçadas à bruxos e perseguições em Wurzburg, Alemanha.
Ele diz que o prisioneiro é confesso somente devido à torturas e não define a realidade.
1684: Foi executado na Inglaterra o último acusado de bruxaria.
1690's: Cerca de 25 pessoas morreram durante à louca caçada aos bruxos em Salem,
MA: um deles foi pisoteado devido a ele não entrar em processo de confissão; alguns
morreram nas prisões, o restante foi enforcado. Não houveram novas perseguições na
nova Inglaterra
1745: França cessa a execução de Bruxos.
1775: Alemanha cessa a execução de Bruxos.
1782: Suiça cessa a execução de Bruxos.
1792: A Polônia cessa a execução de Bruxos; O último país da Europa que a realizava.
1830: A Igreja finda a perseguição aos bruxos na América do Sul.

Os Deuses
O homem vivia em comunhão com a natureza, fazia parte dela, e dependia dela para tudo: vivia
de caça e coleta. Com o passar do tempo, as forças da natureza (i.e. as tempestades, o vento, o
Sol, a Lua, etc) passaram a assumir a forma de Deuses. Surgia então o Deus Cornífero: a

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personificação da caça e da fartura (os chifres simbolizavam fertilidade. Qualquer associação de
chifres ao "diabo" só veio surgir milhares de anos depois, com o advento do cristianismo). Ele
era cultuado para assegurar o bem estar de toda a comunidade.
A mulher era vista como um ser misterioso: era ela que gerava as crianças, dando continuidade à
vida. Então, paralelamente ao Deus Cornífero, surgia também à idéia de uma Deusa Mãe. Ela era
a personificação da fertilidade e da renovação, o símbolo do amor da Terra para com a
humanidade. Aquela que nos dá a água, o alimento e a vida!

Uma observação: essa introdução à teologia da Bruxaria baseia-se predominantemente na Wicca.


A Bruxaria é uma árvore grande, com diversos ramos e nem todos eles compartilham da crença
em um Deus Uno, na Grande Mãe, etc. A diversidade é enorme e isso só contribui para tornar
essa grande árvore mais bela e majestosa.
Prosseguindo com uma explanação wiccana: Existem atualmente algumas sub-tradições da
Wicca que renegam o princípio masculino, reverenciando apenas o Divino Feminino. Entretanto,
isso não está certo, afinal, se você existe, é porque você tem uma mãe e um pai (ou você foi
gerado(a) por partenogênese? acho que não...). Que haja uma ênfase no aspecto feminino da
deidade, tudo bem, pois há uma origem genuína para isso, mas a tendência de renegar o Divino
Masculino , apesar de compreensível (considerando os séculos de repressão da sociedade
patriarcal e da religião cristã), é artificial; mistura-se com o pensamento destrutivo de uma
facção do movimento feminista. O princípio feminino perde seu valor se não tiver o masculino
para fertilizá-lo e vice-versa!

Para a Wicca, existe um Princípio Criador, que não tem nome e está além de todas as definições.
Este princípio fez-se em duas grandes polaridades, que deram origem ao Universo e a todas as
formas de vida.

Princípio Feminino
A Grande Mãe representa a Energia Universal Geradora, o Útero de Toda
Criação. É a associada aos mistérios da Lua, da Intuição, da Noite, da
Escuridão e da Receptividade. É o inconsciente, o lado escuro da mente que
deve ser desvendado. A Lua nos mostra sempre uma face nova a cada sete
dias, mas nunca morre,representando os mistérios da Vida Eterna. Na
Wicca, a Deusa se mostra com três faces: a Virgem, a Mãe e a Velha Sábia,
sendo que esta última ficou mais relacionada à Bruxa na imaginação
popular. A Deusa Tríplice mostra os mistérios mais profundos da energia
feminina, o poder da menstruação na mulher, é também a contraparte
feminina presente em todos os homens, tão reprimida pela cultura patriarcal!

Princípio Masculino
Da mesma forma que toda luz nasce da escuridão, o Deus, símbolo solar da
energia masculina, nasceu da Deusa, sendo o complemento, e trazendo em
si os atributos da coragem, pensamento lógico, fertilidade, saúde e alegria.
Da mesma forma que o Sol nasce e se põe, todos os dias, o Deus nos
mostra os mistérios de Morte e do Renascimento. Na Wicca, o Deus nasce
da Grande mãe, cresce, se torna adulto, apaixona-se pela Deusa Virgem,
eles fazem amor, a Deusa fica grávida, o Deus morre no inverno e renasce
novamente, fechando o ciclo da nossa própria vida. Para alguns, pode
parecer meio incestuoso que o Deus seja filho e amante da Deusa, mas é
preciso perceber o verdadeiro simbolismo do mito, pois do útero da Deusa
todas as coisas vieram, e, para ele, tudo retornará. E, se pensarmos bem, as mulheres sempre
foram mães de todos os homens, pelo seu poder de promover o renascimento espiritual do ser
amado e de toda a Humanidade.

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Os seus nomes variam de uma tradição wiccaniana para outra, e algumas se utilizam de outros
panteões para representar várias faces e estados de ambos os deuses.

Mas o sentido profundo do simbolismo na Bruxaria só pode ser verdadeiramente entendido


através da meditação e do contato intuitivo com a energia dos Deuses.

Bruxaria e Wicca
Este é um assunto onde há muita controvérsia. Eis nossa opinião:
A Bruxaria de hoje certamente não é a mesma de centenas ou milhares de anos atrás. A maioria
dos bruxos modernos tenta restaurar ao máximo aquilo que se perdeu com tanto tempo de
perseguição (i.e A "Santa" Inquisição, e outras ferramentas de repressão). A Bruxaria moderna é
algo muito mais abrangente do que Wicca. Wicca é apenas uma tradição da Bruxaria. Entretanto,
nos dias de hoje a Wicca possui diversas "sub-tradições", como a Gardneriana, a Diânica, a
Alexandriana, etc.

O Wiccano acredita na Lei do Retorno Triplo. Muitos bruxos atualmente crêem que o retorno (de
todos os seus atos, sejam eles mágicos ou não) existe, e ocorre com a mesma intensidade, e não
multiplicado por três como os wiccanos afirmam. Diferenças de ponto de vista que não maculam
de maneira alguma a Arte.

Magia
Na Wicca, existe o "dogma da Arte" (para dogma leia-se aqui modo de pensar comum), um
código moral simples e benevolente, mas de grande aceitação e beleza: "FAZE O QUE TU
QUERES, DESDE QUE NÃO PREJUDIQUES NINGUÉM" ou, em outras palavras, você é
livre para fazer o que quiser, contanto que, de forma alguma, prejudique alguém - nem mesmo
você. (O Conselho Wiccaniano é extremamente importante e não deve ser esquecido na
realização de qualquer encantamento ou ritual mágico).

Que fique claro: a grande maioria dos bruxos da atualidade segue este dogma e, portanto, jamais
atacam ou manipulam as pessoas através de sua magia. Existem exceções, sim, e mesmo estas
não podem ser generalizadas.

Sim, praticamos magia. Entendemos por magia o direcionamento de energia, subjugando-a à


nossa vontade, a fim de provocar uma alteração desejada no ambiente.
Os conceitos de "bem" e "mal", ficam subjugados ao “dogma da arte”.

Bruxaria, Instrumentos e Nudismo


A maior parte dos bruxos modernos não pratica o nudismo ritual. Entretanto, alguns o praticam
porque consideram que seus corpos são sagrados e que, o uso de roupas pode atrapalhar o fluxo
de energia em alguns rituais.

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Quanto ao uso dos instrumentos: os bruxos costumam ter seus altares, com vários instrumentos,
cada um corresponde a um elemento da natureza e a uma polaridade (masculina ou feminina).
Alguns instrumentos são: vassoura, cálice, caldeirão, livro das sombras, pentagrama, athame,
entre outros que podem variar de uma tradição para outra. Mais uma vez esclarecemos: o que
descrevemos é um altar tipicamente wiccano; a variedade dentro da Bruxaria é muito grande.

Bruxaria e Ecologia
Acreditamos na Teoria Gaia, segundo a qual o Planeta Terra é um grande ser vivo. E nós
fazemos parte dele: somos como células de seu corpo.
Bruxaria e consciência ecológica estão intimamente ligadas. A Deusa Gaia é símbolo do amor da
Terra por nós, e também o amor que os bruxos têm para com a Terra.
Procuramos sempre nos esforçar para preservar e restaurar a natureza, seja através de nossos
hábitos ou através de magia, o que se chama de "curar a Terra".

Todos seres vivos devem ser respeitados. Esse é um dos motivos pelos quais fomos e ainda
somos tão perseguidos. Não é interessante para os grandes empresários e industriais que as
pessoas se oponham à destruição da Mãe Terra. Para eles, convém acreditar num Deus que fica
num céu distante, e que somos todos pecadores vivendo numa terra dominada pelo mal, onde
reina o Diabo e tudo é culpa dele. Mas não! Não concordamos com isso. Somos responsáveis
pelas escolhas que tomamos. Deus(a) está dentro de nós. Somos parte Dele(a). Ela(e) é a
natureza. Devemos preservá-la e harmonizarmo-nos com suas forças criadoras.

Lembrem-se sempre:

 A divindade é imanente ou interna, bem como transcendente ou externa. Isso é expresso


com freqüência nas frases como: "Tu és Deus" e "Tu és Deusa". Isso pretende representar
que os deuses tanto estão no Universo, no Planeta, quanto dentro de cada um de nós. Nós
somos manifestações dos Deuses.
 Amor e respeito pela Natureza como algo divino por direito próprio fazem da
conscientização ecológica e dessa atividade uma obrigação religiosa.
 Temos a convicção de que o seres foram feitos para viver vidas repletas de Amor, alegria,
prazer e humor. A concepção de "pecado original" inexiste.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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 O direito de agir como bem quiser desde que isso não prejudique ninguém, inclusive você
mesmo.
 O conhecimento de que, com treinamento e intenção apropriadas, as mentes e os corações
humanos são totalmente capazes de realizar a Magia.
 A importância da conscientização e celebração dos ciclos Solar e Lunar e também de
outros em nossas vidas.
 Uma grande Fé na capacidade das pessoas de resolverem seus próprios problemas e
dificuldades.
 Um total compromisso com o crescimento, evolução e equilíbrio pessoal e universal.

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A WICCA

Sobre a Nomenclatura Adotada


Vamos utilizar ao longo deste trabalho uma nomenclatura de origem inglesa, embora procuremos
traduzir para português os termos possíveis. No original, as denominações utilizadas para esta
religião são "Witchcraft", "Wicca", "The Craft" ou "The Old Religion", sendo os praticantes
geralmente conhecidos por "Witches" ou "Wiccans". Traduzimos os termos "Witchcraft" e
"Witch" por "Bruxaria" e "Bruxa/o", sendo grafados com maiúscula quando referidos à religião
ou aos seus praticantes e com minúscula quando referidos ao conceito popular do termo. A
palavra "Wicca", que tem a mesma raiz que "Witch" - vem do inglês antigo 'wicce', proveniente
da raiz saxônia 'wic' relacionada com religião e magia - não foi traduzida, por um lado por não se
conhecer o seu equivalente português (se é que existe) e por outro, devido ao seu uso se estar a
internacionalizar entre os Neo-Pagãos como designação desta religião. Por esta razão, e por
possibilitar uma abordagem mais objetiva do tema, pois que não leva à associação imediata com
as práticas populares conhecidas como "bruxaria" e com as quais pouco tem a ver, utilizaremos
as palavras "Wicca" e "Wiccans" para designar esta religião e os seus praticantes.
Quanto às expressões "The Craft" (A Arte) e "Old Religion" (Velha Religião), apenas serão aqui
utilizadas em citações.

INTRODUÇÃO
Ressurge no século XX uma religião que pretende celebrar de novo a natureza, que vai buscar a
sua inspiração nos antigos cultos pré-cristãos da "Grande Mãe", às celebrações dos ciclos anuais
das colheitas, ao culto do Deus da Terra que periodicamente morre e renasce e a toda uma série
de formas de expressão religiosa em que se encontra uma forte ligação à natureza e aos ciclos da
vida. Os objetivos do Paganismo são os do autoconhecimento, da harmonia com os ritmos e
ciclos naturais do sol e das estações, da compreensão dos poderes da natureza e a busca de um
novo equilíbrio do homem com o seu meio Não se baseia numa teologia única ou definida, não
possui profetas ou mestres. Baseia-se na experiência e sensibilidade de cada um e que queira e
seja capaz de praticar essa harmonia. Pode assim dizer-se que o Paganismo não pretende ser uma
religião de massas, mas pode ser considerada uma religião de "clero", ou seja, qualquer membro
é "sacerdote" na medida em que entra em contato direto com o divino e orienta práticas e rituais
religiosos.

Embora algumas correntes Pagãs afirmem que as suas tradições remontam à era Neolítica , ou
mesmo que o Paganismo é o sucessor linear daquela que terá sido a primeira religião da
humanidade, essas origens são muito discutíveis. Muito da inspiração do Paganismo será
proveniente de estudos efetuados sobre as religiões antigas, dos quais os mais citados são "O
Ramo Dourado" de Frazer, "As Máscaras de Deus" de Joseph Campbell e "The Witch-Cult in
Western Europe" de Margaret Murray. Nalgumas tradições pagãs os seus membros consideram-
se continuadores diretos destas religiões antigas. Houve provavelmente uma busca de idéias, de
processos, de rituais , uma outra visão do sagrado distinta da visão judaico-cristã que permeia as
culturas ocidentais.
Foi com base nesta outra visão, bem como nalgumas tradições populares européias, nos
ensinamentos de diversas escolas ocultistas, em técnicas usadas pelos xamãs e num sem número
de outras fontes que se foi construindo esta religião, chamada de Paganismo, Neo-Paganismo ou
Religião Antiga. Para ilustrar este processo, podemos aqui citar Starhawk, sacerdotisa norte-

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americana da Wicca: "A Wicca é realmente a Velha Religião, mas neste momento está a passar
por tantas mudanças e desenvolvimento que, na essência, está mais a ser recriada do que
revivida" (The Spiral Dance, 1979).

Dentro do Paganismo existem diversos ramos, cada um dos quais baseado em tradições e mitos
próprios. A Wicca é definida pela Pagan Federation (a Pagan Federation é uma organização
inglesa, fundada em 1971 para facilitar informações sobre o Paganismo e contrariar concepções
errôneas sobre esta religião.) como "...um caminho indicativo, uma religião de mistérios que guia
os seus iniciados a uma profunda comunhão com os poderes da Natureza e da psique humana,
conduzindo a uma transformação espiritual do indivíduo."

Uma freqüente utilização da magia, entendida como um conjunto de técnicas capazes de


manipular positivamente certas energias naturais, é a parte prática que mais distingue a Wicca de
outros ramos do Paganismo, que se dedicam quase exclusivamente ao ritual celebratório.

A divulgação pública da Wicca começou no fim dos anos 40/ inicio dos anos 50 na Inglaterra ,
com a publicação por Gerald Gardner das obras "High Magic's Aid", "Witchcraft Today" e "The
Meaning of Witchcraft", 1949, 1954 e 1959, respectivamente. O primeiro destes livros foi
redigido em forma de ficção devido às leis antibruxaria vigentes no Reino Unido até 1951.
Embora muito criticado na época por quebrar a longa tradição secretista da Bruxaria, com a
publicação destes livros, Gardner deu início a um movimento de expansão que até hoje não
parou. Da Inglaterra a Wicca passou para o resto da Europa e para os E.U.A., não tanto como
uma nova religião, mas mais como um incentivo à divulgação de conhecimentos até aí secretos e
a uma estruturação básica para uma forma de manifestação religiosa individual, já então
existente. A forma como o Paganismo em geral e a Wicca em particular se têm desenvolvido é,
com efeito, uma das suas características mais interessantes.

Existem hoje pessoas que se assumem como fazendo parte do movimento Neo-Pagão em toda a
Europa, na América do Norte, Brasil, Austrália e Nova Zelândia. Os ramos multiplicam-se, as -
Igrejas Pagãs são legalizadas em alguns países (E.U.A., Austrália, França) e estima-se que o
número de praticantes atinja as centenas de milhar, sem que nunca se tenha ouvido falar de
pregadores, «missionários», líderes carismáticos ou em apelos à conversão, semelhantes aos
usados por outras religiões e movimentos espirituais para a sua expansão. Podemos realmente
dizer que estamos perante "uma religião sem convertidos"(Adler,M.,1979).

Panorama atual do Neo-Paganismo


É difícil termos uma estimativa do número de praticantes da Wicca. Sendo uma religião baseada
em pequenos grupos ou mesmo em praticantes solitários, com poucas, ou nenhumas, relações
formais entre si, não existe nenhum organismo central que possua esse tipo de dados. Além desta
descentralização, ainda temos que contar com o fato de muitas pessoas não se sentirem à vontade
para reconhecer publicamente a sua prática. Com efeito, a Wicca quando designada por Bruxaria
ainda é confundida com as práticas das bruxas das aldeias, geralmente tidas como malévolas.
Fala-se imediatamente de adoração do diabo, invocação dos mortos, estranhas rezas para efeitos
suspeitos ou práticas pouco ortodoxas. Estas atitudes de rejeição tendem a mudar embora
lentamente em países com uma razoável implantação da Wicca e poucas tradições de bruxaria,
como é o caso dos E.U.A. Noutros países, como em Portugal, em que as condições são
precisamente as opostas, estas atitudes negativas mantêm-se. Neste contexto pensamos que é
mais simples uma pessoa apresentar-se como pertencente a uma das muitas religiões e «seitas»
cristãs existentes, ou como agnóstico, do que como Bruxa(o).

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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As estatísticas existentes acerca da comunidade pagã são feitas internamente e baseiam-se
principalmente em questionários difundidos em encontros e festivais, e através de organizações
de intercâmbio ou de livrarias e lojas do ramo. Dados mais precisos só são consistentes em
relação aos E.U.A. e Reino Unido. Noutros casos os dados são recolhidos através de um
inquérito elaborado e enviado a várias organizações e indivíduos da comunidade pagã e cujos
resultados são utilizados como estimativas ou indicadores gerais da implantação desses grupos.
Em muitos países, apenas sabemos da existência do movimento devido ao aparecimento de
livros e jornais pagãos. Passamos assim a um breve resumo dos dados de que dispomos sobre a
implantação do Paganismo:

E.U.A. - Em 1985 estimava-se que existissem entre 50 e 100 mil pessoas que se assumiam como
fazendo parte do movimento pagão. Este número correspondia a um crescimento explosivo em
relação aos números calculados sete anos antes. Calcula-se que o livro "The Spiral Dance" tenha
estado na origem da formação de centenas de novos grupos (Adler,M.,ed.1986).

Reino Unido - O número de pessoas ligadas ao ocultismo em geral era de cerca de 250 mil em
1989, das quais 67% manifestavam um sério interesse ou um forte empenhamento no Paganismo
e 68% um grau de interesse semelhante na Bruxaria.

Irlanda - Não obtivemos nenhuma informação sobre o número de praticantes, embora nos pareça
que esse número não deva ser desprezível. Na Irlanda é também a sede da "Fellowship of Isis",
organização pagã de intercâmbio que conta com 12.000 membros em 76 países. Vive neste país
um conhecido casal de Pagãos, os escritores Janet e Stewart Farrar, cujas obras servem de
«manual» para um sem número de grupos em todo o mundo e que fazem freqüentes declarações
públicas. Estes escritores estão neste momento prestes a publicar um trabalho que inclui uma
estimativa do número de Pagãos a nível mundial.

Holanda - De acordo com informações recolhidas no jornal "Wiccan Rede" existem cerca de 800
Pagãos na Holanda. O movimento pagão começou de forma visível em 1979 com a publicação
deste jornal, que refere um crescimento do número membros desde essa data e à medida que
aumenta a quantidade de literatura disponível em holandês.

França - Não nos foi fornecida qualquer informação pela "Wicca Françoise", a única organização
pagã francesa de que tivemos conhecimento. E que afirmam ter dependências na Grã-Bretanha,
U.S.A., Irlanda, Holanda, Bélgica, Suíça, Alemanha e Espanha.A Wicca françoise tem algumas
particularidades que pensamos ser exceção dentro da Wicca, como uma liturgia comum para
todos os associados, em latim, bem como um centralismo e sincretismo que parecem não se
encontrar nos restantes grupos da Wicca.

Brasil – Não se tem números quanto aos praticantes. Por enquanto, as únicas informações são
conseguidas através da Internet e de encontros como Encontro de Bruxos em Brasília (que já está
em sua Terceira edição) que contou em sua primeira edição com 300 participantes. Mas já é
notório o crescimento da Wicca no Brasil.

Outros países - Conseguimos algumas informações de Pagãos não inseridos em organizações, da


Alemanha, Itália e Finlândia que são as seguintes: existência de algumas centenas de Wiccans e
alguns milhares de Pagãos na Alemanha, cerca de 5000 na Itália e algumas dezenas na Finlândia.
Note-se que estes números são calculados a partir de dados recolhidos particularmente. Ainda
não foi possível contatar qualquer grupo em Portugal, embora saibamos já da existência de
filiados portugueses em organizações internacionais de intercâmbio.

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Valores Matrifocais
As grandes religiões atuais são baseadas em figuras e princípios masculinos. Deus, sacerdotes,
teólogos e a maioria dos santos, profetas e iluminados são homens ou são figurados como
homens. Grandes religiões como a Cristã, Islâmica e Judaica confrontam-nos com uma longa
sucessão de figuras paternas e de valores patriarcais. Este ênfase do masculino estende-se a todos
os domínios da sociedade ocidental: a inteligência analítica, o raciocínio linear, a frieza e o
controle de sentimentos, a força física, a capacidade de domínio são valores mais considerados
do que a intuição, a beleza, a compreensão e a capacidade de exprimir e partilhar sentimentos.
Durante séculos ou mesmo milênios, sobretudo na civilização judaico-cristã, os valores
femininos foram relegados para um segundo plano, chegando mesmo a serem identificados com
o mal, com o demônio. Esta situação deixou as pessoas, principalmente nos países protestantes,
cujas Igrejas não incluem o culto de Maria ou dos santos, sem uma referência feminina, sem algo
que defendesse, apoiasse e permitisse a expressão dum conjunto de sentimentos que dificilmente
se encaixa numa religião patriarcal.
O Paganismo propõe-se recuperar a complementaridade entre homem e mulher, entre macho e
fêmea, simbolizados na dupla Deus e Deusa, que não são superiores um ao outro, mas que se
complementam. Dentro do Paganismo a Wicca dá à Deusa um papel preponderante, quer nas
suas práticas quer nos seus mitos, criando assim o seu principal símbolo e mostrando a sua
importância fundamental quer para as mulheres quer para os homens:
"A importância do símbolo da Deusa para as mulheres não pode ser subestimada. A imagem da
Deusa inspira-nos, mulheres, para que nos olhemos como divinas /.../Através da Deusa,
/.../podemos passar para além das vidas estreitas e constrangidas e tornar-nos completas. A
Deusa também é importante para os homens. A opressão dos homens no patriarcado governado
por Deus-Pai é talvez menos óbvia mas não menos trágica que a das mulheres. Os homens são
encorajados a identificarem-se com um modelo que nenhum ser humano pode emular com
sucesso: a serem mini-governantes de estreitos universos." Nos países protestantes onde
dificilmente há lugar para a expressão dos valores femininos e onde não existe qualquer figura
feminina com caráter sagrado, esta perspectiva matrifocal (considera-se a Wicca matrifocal e não
matriarcal pois o que está em jogo não é quem detém o poder mas quem simboliza os valores
mais importantes. O domínio feminino decorre da importância dada aos valores inerentes à
mulher.) da Wicca, contribui para a sua divulgação tanto junto dos homens como das mulheres.
Segundo a "Wiccan Rede" holandesa "Muita gente é atraída pelo papel da mulher na Arte. Claro
que as mulheres saúdam a oportunidade de se envolverem ativamente num movimento espiritual
- e os homens vêem a Arte como uma oportunidade excelente para exprimirem a sua
feminilidade."
Este envolvimento tem aspectos curiosos, pelo menos nos E.U.A., onde foi dado um grande
impulso ao Paganismo quando, nos anos 70, grupos de feministas radicais começaram a
participar ativamente no movimento. As feministas, cuja atividade era essencialmente política e
que até aí mantinham uma atitude de desconfiança em relação aos valores religiosos, começaram
a aliar as ações com objetivos de transformação político-social com vista a uma maior igualdade
entre os sexos a aspectos mítico-simbólicos. Para isso, nada melhor que uma religião centrada
numa Deusa e em que os valores e símbolos femininos são os mais importantes. Esta junção
entre política, feminismo e Paganismo é exposta em "Dreaming the Dark", de Starhawk.
Existem igualmente diversos grupos e tradições de homossexuais, quer masculinos quer
femininos, que encontraram na Wicca um lugar onde podem exprimir livremente as suas
sensibilidades, com total aceitação pelos membros da restante comunidade. Esta participação é
considerada importante pela sua grande contribuição em termos de uma abertura a novas idéias e
a sensibilidades sociais minoritárias. Embora a grande maioria dos Wiccans seja heterossexual
que exprimem a ênfase especial dado à polaridade entre a Deusa e o Deus, há entre os membros
desta religião uma grande necessidade de encontrar novas respostas e novas perspectivas para o
papel dos sexos nas nossas sociedades - relativamente a este último aspecto e num clima de

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aceitação e respeito pela diferença enquadram-se àqueles que têm uma atitude diferente da que
foi estabelecida pela sociedade em geral.

A Consciência Ecológica
Sendo a Wicca uma religião da natureza, não é de espantar o seu interesse pelas questões
ambientais. Seja este interesse manifestado duma forma pública, através da colaboração com
movimentos ecologistas e da participação em manifestações de defesa das espécies ou do meio
ambiente, ou em privado tomando forma ritual ou mágico-simbólica, ele existe sempre como
parte imprescindível da religião Pagã. Os Wiccans sabem que
"...quanto mais se sintonizarem com o ambiente em que vivem e trabalham (...) mais
significativa se tornará a sua religião, mais efetivo será o seu trabalho psíquico, maior a sua
contribuição para o bem-estar e saúde de Gaia e mais realizadas e integradas estarão elas como
seres humanos." Este envolvimento com a natureza ultrapassa muito as formas profanas em que
se faz normalmente a abordagem dos problemas ecológicos, transpondo o assunto para um nível
em que a preservação da natureza/Gaia não tem apenas um interesse enquanto base material da
vida humana, mas adquire uma dimensão sagrada, uma importância de per si que pode justificar
mesmo o sacrifício de alguns interesses e benefícios humanos. No inquérito realizado em 1985
nos E.U.A. por Margot Adler, diversas pessoas referiram que chegaram à Wicca através do seu
interesse por questões ecológicas ou através do seu envolvimento com a natureza no seu dia-a-
dia. O Paganismo interpreta com maior profundidade estas questões ecológicas, uma vez que
considera a natureza e qualquer dos seus elementos tão sagrados como o Deus ou a Deusa. O
respeito pela natureza é assim um valor intrínseco e fundamental no Paganismo. Esta visão
distancia-se de uma visão bíblica, na qual, ordenando Deus ao Homem que domine toda a terra e
todas as criaturas viventes, pode justificar assim indiretamente a depredação que esse mesmo
Homem tem feito dos recursos naturais.
Os Pagãos não têm , no entanto, um tipo de visão apaixonada e irreal dos problemas do
ambiente. São cidadãos urbanos ou rurais, conscientes dos problemas que assolam o mundo de
hoje, que têm pela vida e pela humanidade um apreço tão grande como pela restante natureza. Os
indivíduos que vão parar na Wicca, através ou não do seu desejo de intervir na salvaguarda da
Terra, são pessoas que considerem o Homem e todas as outras criaturas viventes bem como os
espaços onde habitam como sagrados. O seu esforço é, portanto, dirigido simultaneamente no
sentido da salvaguarda da natureza e no melhoramento da condição humana.
Em "Dreaming the Dark" é feita uma descrição expressiva de como as diversas abordagens
política, religiosa, mágica e pessoal se conjugam numa mesma ação específica, como no caso da
contestação à construção de uma central nuclear numa zona sísmica da Califórnia: diversos
Pagãos protestaram publicamente em manifestações e, além disso, recorreram a rituais mágico-
religiosos, para reforço do protesto.

O Individualismo Religioso
A Wicca é uma religião em que não existem livros sagrados, nem profetas a justificá-los,
hierarquia ou dogmas. Não faz apelo a uma fé única e exclusiva, não tem mandamentos e
promove acima de tudo o respeito à diversidade. Não é também um sincretismo religioso porque
vários sincretismos são possíveis. É uma escolha pessoal para aqueles que sentem que a sua
percepção do sagrado não só não se enquadra nos esquemas tradicionais como é algo demasiado
individual para se sujeitar a conjuntos de regras e crenças que outros determinaram. As poucas
regras existentes na Wicca têm um caráter essencialmente funcional e são vistas não como
mandamentos de uma qualquer divindade ou profeta iluminado, mas como simples normas de
relacionamento entre pessoas que partilham interesses comuns. São apenas alguns princípios
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genéricos ligados a valores ecológicos e individuais de largo consenso e à liberdade de expressão
da religiosidade como é sentida e recriada por cada um. O seu espírito está bem patente na regra
básica "Faz o que quiseres desde que não faças mal", a única que todos os membros da Wicca
procuram seguir
Esta diversidade exprime-se nas práticas de diferentes pessoas ou grupos. Encontramos
indivíduos que se assumem como monoteístas, politeístas, panteístas, e adeptos de tradições para
quem apenas a Deusa é importante, ao lado de outras que dão o maior ênfase à polaridade, aos
rituais e nomes de divindades retirados de todas as religiões conhecidas (e por vezes mesmo de
obras fantásticas), nas mais variadas combinações cujos membros se relacionam num clima de
aceitação e harmonia. Nas grandes reuniões, como o Pagan Spirit Gathering realizado
anualmente no Winsconsin (E.U.A.) onde se juntam algumas centenas de pessoas, o
relacionamento pauta-se por respeito e aceitação. Durante uma semana realizam-se dezenas de
rituais e workshops das mais diversas tradições sem que haja o mais leve atrito «teológico». Pelo
contrário, o que se nota é uma constante curiosidade pelas crenças e rituais alheios e o desejo de
partilhar e conhecer diferentes vivências religiosas.
A Wicca tem a sua maior implantação nos países anglo-saxônicos, onde a longa tradição
democrática e o Protestantismo permitem um maior individualismo. Para além de práticas
individuais, os Pagãos agrupam-se em pequenos núcleos, tradicionalmente de 13 pessoas, cada
qual com as suas regras e tradições; ainda se podem juntar em grandes encontros (Mesmo em
encontros inter-religiões, como o Parliement of the World's Religions, que teve lugar em
Chicago em Agosto de 1993, há uma excelente harmonia entre os Pagãos e as outras crenças.
Neste encontro, que agrupou mais de 7000 pessoas, participaram cinco organizações pagãs não
tendo tido problemas de relacionamento com os representantes de outras igrejas ou cultos. A
única exceção foi a delegação da Igreja Ortodoxa Grega que abandonou os trabalhos como
protesto contra a participação de «hereges». (Informação retirada do Pagan Network News)).
Nestes encontros estendem-se ao campo religioso os princípios de liberdade de expressão e de
associação já há muito aplicados noutros setores da sociedade. Ao contrário de outras religiões e
de outras organizações não existe aqui uma estrutura hierárquica nem uma autoridade central.

Conclusões
O Neo-Paganismo surge numa época em que somos diariamente confrontados com o
aparecimento duma série de novas igrejas, seitas ou movimentos religiosos. Como tal torna-se
importante tentar situar o ressurgimento público do Paganismo neste contexto e perceber quais as
semelhanças e diferenças deste movimento religioso relativamente a outros.
Os movimentos pagãos estão a crescer e a aumentar o seu número de adeptos sem que, para isso
abordem as pessoas, as aliciem a tornar-se membros ou façam campanhas de divulgação pública.
Não há dúvida que algumas das características do Paganismo se encontram também em muitas
das novas Igrejas: rituais participativos e que conduzem a estados de êxtase, uma relação com a
divindade, mais próxima que nas Igrejas tradicionais, uma relação de proximidade, de
irmandade, entre os seus membros, uma utilização da magia e ritual para conseguir diversos
resultados práticos, como por exemplo, a cura de doenças.
Contudo existem diferenças. A primeira que se nota é uma quase completa ausência de
proselitismo. Não só os Pagãos não pretendem divulgar a sua religião porta a porta, como de um
modo geral, não dão evidências explícitas de pertencer a este movimento. Esta atitude não se
deve a uma intenção de sincretismo, já que a qualquer pessoa interessada pelo Paganismo são
dadas uma série de informações sobre rituais, grupos, publicações e atividades diversas. Parece-
nos que os pagãos optam por ter uma atitude discreta, pois pensam que a aproximação ao
Paganismo deve resultar de uma escolha individual ditada por interesses e necessidades
interiores de cada um. É filosofia adotada nesta comunidade «se estás interessado, procura-nos,
se te sentes bem fica onde estás». Esta discrição também se deve à falta de aceitação, ao medo e

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à desconfiança que a sociedade tem em relação aos Pagãos. Ainda há um estigma que evoca
sentimentos ambíguos quando nos referimos a Paganismo e Bruxaria. Ainda temos
reminiscências dos tempos passados, em que as bruxas eram queimadas e perseguidas.
Verificamos, no entanto, que existe cada vez maior número de organizações Pagãs com o
estatuto legal de Igrejas, lutando abertamente, e com bons resultados, pelo reconhecimento
público de que a Wicca em particular e o Paganismo em geral são movimentos religiosos tão
válidos com como qualquer outro.
Para compreender melhor esta aparente falta de empenhamento em granjear novos adeptos,
devemos ter presente a natureza da Wicca, as suas estruturas internas e os interesses que movem
os seus praticantes. Como temos visto, a Wicca é uma religião sem um credo único e sem textos
sagrados, baseada mais na ligação à natureza e ao arquétipo da Deusa Mãe e de seu Consorte e
nos sentimentos e inspirações pessoais dos seus praticantes, do que em quaisquer textos ou
ensinamentos. É assim uma religião com um cunho marcadamente individualista. À exceção de
algumas ocasiões festivas em que se reúne um grande número de adeptos (geralmente de
diversas tradições) para confraternizar e celebrar conjuntamente determinados momentos
significativos como, por exemplo, os Solstícios, os rituais são celebrados por pequenos grupos
independentes ou isoladamente.
A quase totalidade das organizações Pagã existentes tem principalmente um papel de
intercâmbio e apoio, não pretendendo dirigir ou controlar os seus membros, que provavelmente
não aceitariam qualquer espécie de controle. As tentativas pontuais conhecidas, nesse sentido,
não deram resultado.(Alex Sanders, fundador duma tradição conhecida por "Alexandrianismo" e
semelhante à de Gerald Gardner, intitulou-se a certa altura «Rei das Bruxas», considerando que o
grande número de pessoas que tinha iniciado na sua tradição lhe dava esse direito. Nem os seus
próprios discípulos o levaram muito a sério, e para a comunidade Pagã no geral esse título foi
apenas motivo de troça, quando não de repúdio.).
Dentro deste panorama, qualquer idéia de «conversão» ou «missionarismo» é algo, entendido
pelos Pagãos, como completamente alienígena. A Wicca é uma religião sem convertidos, uma
expressão compartilhada de um sentimento do Sagrado que lhe é próprio, não se conformando
com regras impostas do exterior, com regras que não sejam decorrentes da vontade individual.
Em virtude desta forte componente individualista e da ausência de um conjunto de normas
explícitas e vinculativas, não existe hierarquia religiosa. Cada membro deve, assim, decidir,
praticar e dirigir as suas práticas e rituais.

Mais um pouco sobre a WICCA


Uma religião natural baseada no que se pensa, eram as práticas de antigas religiões,
especialmente a celta, mais em consonância com as forças da natureza que o cristianismo e
outras modernas religiões do Ocidente. Contudo, mais que ver os wiccans como membros de
uma religião, é talvez mais certo vê-los como partilhando uma base espiritual da natureza e dos
fenômenos naturais. Pois os wiccans não têm credo escrito a que os ortodoxos devam aderir, nem
templos de pedra ou igrejas para adoração. Praticam os rituais em parques, jardins, florestas, ao
ar livre

Wicca é o nome de uma religião contemporânea neopagã, largamente “popularizada” pelos


esforços de um funcionário público reformado inglês chamado Gerald Gardner (finais de 40).
Nas ultimas décadas, Wicca espalhou-se em parte devido à popularidade entre feministas e
outros que buscam uma religião com uma imagem mais positiva da mulher e mais próxima da
terra. Como a maior parte das espiritualidades neopagãs, Wicca adora o sagrado como imanente
à natureza, retirando muito da sua inspiração de religiões da Europa não-cristãs e pré-cristãs.
"Neopagão" simplesmente significa "novo pagão" e vem dos tempos anteriores ao espalhar das

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atuais religiões monoteístas. Uma boa regra é que os Wiccans são Neopagãos, mas nem todos os
Pagãos são Wiccans.
Outra boa regra é que não há um conjunto de crenças ou práticas que constituam a Wicca,
embora uma regra se destaque: Não causes dano a ninguém, fazeis o que desejais. Também
alguns rituais parecem associar os Wiccans a fenômenos naturais como as estações, solstícios e
equinócios. Por exemplo, celebram o verão num rito de fertilidade chamada Beltane. Em vez de
rezarem a um deus não natural e para lá da experiência, parecem mais concentrados em ligarem-
se à natureza. Os seus rituais parecem metáforas para processos psicológicos. Cantam, dançam,
acendem velas e incenso. Usam ervas e podem favorecer ervas em detrimento das medicinas
tradicionais. Em rituais de grupo expressam os seus desejos de comunidade. Pedem bênçãos ao
norte, sul, este e oeste. Meditam. Rezam ao Deus e a Deusa.

Os Wiccans são uma religião da Natureza. Os seus rituais baseiam-se nas quatro estações; os
seus símbolos na ligação da vida humana à Natureza. Os wiccans cantam ao vento, ao ar, ao fogo
e a terra.
Agora um fato importante: muitos wiccans não se lembram de cantar aos furacões, aos tornados,
etc... Pensamos que se nos ligamos às forças naturais criativas, não devíamos ignorar as forças
destrutivas da Natureza, pois são tão abençoadas e naturais como a lua cheia. Devemos nos
lembrar que após todo levante da Mãe Natureza a vida continua e que estas forças não são (a
nosso modo de ver) destrutivas, mas sim de renovação.
Wicca, como a religião celta, permite às mulheres participação total nas suas práticas. As
mulheres e os homens são iguais. As mulheres na mitologia celta são invulgares. São
inteligentes, poderosas guerreiras, sexualmente agressivas e lideres de nações.

Finalmente, devemos notar que wicca não está relacionada com adoração satânica. Esta está
relacionada com a perseguição de "bruxas" pelos Pseudocristãos, especialmente durante a
Inquisição. O espírito da Inquisição, contudo, vive nos corações de muitos devotos
pseudocristãos que continuam a perseguir wiccans, entre outros, como adoradores do diabo. Os
modernos inquisidores não queimam pessoas. Em vez disso tentam abolir o Dia das Bruxas,
livros infantis que falem de bruxas, e qualquer nome, número ou símbolo que os pseudocristãos
associem a satanás. São as modernas vítimas de rituais satânicos tão iludidas como as bruxas
caçadas pelos pseudocristãos ao longo dos séculos que acreditavam que eram mesmo tão
diabólicas como os perseguidores diziam que eram? São as wiccans de hoje parte de uma
conspiração satânica? Jamais.

As bruxas da mitologia cristã eram conhecidas por terem sexo com Satanás e usar os seus
poderes para fazer o mal. O culminar da mitologia da bruxaria ocorreu do século 15 ao 18 na
descrição dos Sabbath. O Sabbath era considerado uma farsa ritual da Missa. Bruxas e feiticeiros
eram representados como voando em vassouras ou bodes, até ao Sabbath onde o Diabo (em
várias formas) representaria uma versão blasfêmica da Missa. Haveria danças obscenas, um
banquete com poções feitas em caldeirões, O banquete incluiria deliciosas criancinhas. A poção
era usada para bruxoar ou matar pessoas ou para mutilar o gado. Os iniciados recebiam uma
marca física, como uma garra debaixo do olho esquerdo. O Diabo era representado como um
bode ou um sátiro ou uma besta mística com chifres, garras, cauda e/ou asas: uma farsa de anjo,
meio homem meio besta. Um ato particular do Sabbath incluía o beijo ritual do traseiro do
Diabo, aparentemente uma farsa ao tradicional ato cristão de submissão, de ajoelhar e beijar a
mão ou o anel do clérigo. Numerosos testemunhos de Sabbath estão registrados.

Por exemplo, uma pastora, Anne Jacqueline Coste, relatou no meio do século 17 que durante a
noite de S. João ela e os seus acompanhantes ouviram um tremendo ruído e olhando para todos
os lados para ver de onde vinha pudemos ver sobre o monte, gatos, bodes, serpentes, dragões, e
toda a espécie de impuros animais, que faziam o seu Sabbath e fazendo terrível confusão, que

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diziam as mais sujas e sacrílegas palavras que se podem imaginar e enchendo o ar com as mais
abomináveis blasfêmias. Tais histórias foram contadas por séculos e eram aceitas pelos pios
pseudocristãos sem um traço de dúvida quanto à sua veracidade. Tais histórias eram
consideradas exatas.

Pierre de l’Ancre, no seu livro sobre anjos, demônios e feiticeiros publicado em 1610, afirma ter
assistido a um Sabbath. Eis a sua descrição:
"Eis os convidados da Assembléia, tendo cada um atrás de si um demônio, e saibam que no
banquete é apenas servido nada mais que a carne dos que foram enforcados, os corações de
crianças não batizadas, e outros estranhos e impuros animais, estranhos ao costume e uso do
povo cristão, tudo sem sabor e sem sal.""
As afirmações feitas em livros como o de l’Ancre e a descrição das atividades do Sabbath em
obras de arte ao longo de anos não eram consideradas ficções humorísticas nem manifestações
de espíritos perturbados. Essas noções, por absurdo que nos pareça, eram consideradas verdades
por milhões de pseudocristãos. O mais estranho é que muitas pessoas hoje acreditam em histórias
semelhantes acerca de comer crianças e a morte ritual de animais, combinadas com abuso sexual
e influências satânicas.

Deixamos aos Freudianos a interpretação destes persistentes mitos de criaturas satânicas com
chifres, cauda, e grande apetite sexual; de raptos e abusos sexuais, mutilação e morte de crianças;
de mulheres a esfregarem-se com ungüentos e voando para relações como um bode demoníaco; e
de poderes sobrenaturais como a metamorfose.

Certo que havia perseguições dos que mantinham uma ligação com o passado pagão. Mas é
difícil de acreditar que as descrições das bruxarias saiam das vitimas torturadas e mutiladas e não
das mentes dos seus torturados. Os poderes dos inquisidores eram tão grandes, as suas torturas
tão variadas e sádicas, que as vítimas acreditavam que estavam realmente possessas. As
crueldades duraram séculos. A caça às bruxas só foi abolida na Inglaterra em 1682. A caça nos
EUA teve o seu pico em 1692, em Salem, Massachusetts, onde dezenove bruxas foram
enforcadas. A última execução judicial teve lugar na Polônia 1793. A última tentativa de
execução teve lugar na Irlanda em 1900 quando dois camponeses tentaram queimar uma bruxa
na sua lareira.

Quaisquer que sejam as bases psicológicas para a criação de uma anti-Igreja, o resultado prático
foi uma Igreja mais forte e mais poderosa. Ninguém sabe quantas bruxas, heréticos ou feiticeiros
foram torturados ou queimados pela Inquisição, mas o medo que criou afetou toda a Cristandade.
Ser acusado de ser uma bruxa era igual a ser condenado. Negá-lo era provar a sua culpa: “claro
que uma bruxa dirá que não o é, e que não acredita em bruxarias. Lancem-na ao rio! Se afogar
então não é uma bruxa; se nadar, então saberemos que é bruxa e que o Diabo a ajuda. Tirem-na
da água e queimem-na, pois a Igreja não gosta de verter sangue”! Na verdade, a Igreja criou
um reino de terror superior em muitos aspectos aos de Stalin ou Hitler. Estes duraram apenas
alguns anos e restringiram-se a territórios limitados; o da Igreja durou séculos e estendeu-se a
toda a Cristandade. O terror da Igreja também se dirigiu em particular às mulheres. Não admira,
pois que as religiões atuais que se definem como pagãs e anticristãs se centrem nas mulheres.
Não é estranho que as religiões da Nova Era exaltem o que a Igreja condenou (como o egoísmo e
a sexualidade saudável mesmo entre homossexuais) e condenem o que a Igreja exaltou (tal como
a subserviência da mulher e a autonegação).

Infelizmente, a religião da Bruxaria perdeu o seu verdadeiro significado nos dias de hoje,
chegando até mesmo a ser confundida com o Satanismo.
A Bruxaria não é nada mais nada menos que uma religião pagã e que tem várias tradições, dentre
elas, a Wicca .

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A Wicca é uma religião de natureza xamanística, positiva, com duas Deidades reverenciadas e
adoradas em seus ritos.
A Wicca inclui a prática de várias formas de magia (não digo magia branca por que não há essa
diferenciação entre magia branca e magia negra na verdadeira Bruxaria, todas as magias são
feitas, SEMPRE, para o bem) e ritos para harmonização pessoal com o ritmo natural das forças
da vida marcados pelas fases da lua e pelas quatro estações do ano.
A Wicca é considerada por muitos uma religião monista, assim como panteísta, e faz parte do
ressurgimento ou movimento neopagão.
A Wicca é uma religião orientada para a natureza, e a maioria de seus membros está envolvida
de uma maneira ou de outra com o movimento ecológico e com as reivindicações ambientais e
atuais.
A Wicca não aceita o conceito arbitrário do pecado original ou do mal absoluto.
A Wicca não pratica qualquer forma de culto ao diabo, demônio ou qualquer entidade do mal.
A Wicca não converte membros de outras fés para o Paganismo.
O dogma principal de Wicca é o Conselho Wiccaniano, código moral simples e benevolente:
SEM PREJUDICAR NINGUÉM REALIZE SUA VONTADE.
Uma religião natural baseada no que se pensa eram as práticas de antigas religiões, mais em
consonância com as forças da natureza que o cristianismo e outras modernas religiões do
Ocidente. Contudo, mais que ver os wiccans como membros de uma religião, é talvez mais certo
vê-los como partilhando uma base espiritual da natureza e dos fenômenos naturais. Pois os
wiccans não têm credo escrito a que os ortodoxos devam aderir, nem templos de pedra ou igrejas
para adoração. Praticam os rituais em parques, jardins, florestas, ao ar livre.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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A DEUSA

Para entendermos corretamente quem é esta Divindade, temos que voltar até os primeiros povos
da Terra.
Quando os povos primitivos identificaram a mulher com a Terra e associaram a existência da
Terra a poderes divinos, consideraram que o poder que conspirou para que o Universo fosse
criado era feminino. Como só as mulheres têm o poder de dar a vida a outros seres, nossos
ancestrais começaram a acreditar que tudo tinha sido gerado por uma Deusa.

Os povos de neolítico e do paleolítico não conheciam Deuses masculinos. O conceito do ato


sexual como fator de fecundação inexistia, pois eles acreditavam que as mulheres engravidavam
deitadas ao luar, através do poder da Grande Deusa manifestada como a Lua. Em diversas partes
do mundo a Grande Deusa Mãe é associada à Lua, já que existia um poder maior que agia entre a
mulher e a Lua. Todas as religiões primais viam no poder feminino a chave para o Mito da
Criação e assim o Universo era identificado como uma Grande Deusa, criadora de tudo aquilo
que existia e que existiu. Nada mais lógico para uma sociedade em processo de evolução, pois
não é do ventre da mulher que todos nós saímos?

O culto a Grande Deusa remonta a Era de Touro. Nesta época o respeito ao feminino e o culto
aos mistérios da procriação eram muitos difundidos. Nas culturas primitivas a mulher era tida
como a única fonte da vida, tanto que os lugares onde ocorriam os partos eram considerados
sagrados e foram nestes lugares que surgiram diversos templos de veneração à Deusa.

Com o avanço da agricultura, a importância do solo passou a ser primordial e a Grande Mãe
Terra (a Deusa) se tornou o centro de culto das tribos primitivas. As mulheres eram consideradas
responsáveis pela fartura das colheitas, pois eram elas que conheciam os mistérios da criação.

As várias estatuetas femininas como as Vênus de Willendorf, de Menton e Lespugne,


representam a sacralidade feminina e os poderes mágicos e religiosos atribuídos à Deusa nas
épocas do Paleolítico e Neolítico. Ela esteve presente em todas as partes do mundo sob diversos
Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”
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nomes e aspectos: Kali na Índia, Ishtar na Mesopotâmia, Pallas na Grécia, Sekhmet no Egito,
Bellona em Roma e assim sucessivamente. As Grandes Deusas da Antiguidade exerciam o
domínio tanto sobre o amor como sobre a guerra.

Um dos símbolos da Grande Deusa é o caldeirão, que representa o mundo que ela criou e carrega
em seu ventre. Este objeto é associado à Deusa porque a criação se parece com o que se pode
realizar no interior do mesmo. O mundo é uma maravilhosa obra alquímica que a Deusa criou e
comanda através das manobras e poções realizadas em seu caldeirão, o lugar onde nasce a vida.
A Deusa é a energia Geradora do Universo, é associada aos poderes noturnos, a Lua, a intuição,
ao lado inconsciente, a tudo aquilo que deve ser desvendado, daí o mito da eterna Ísis com o véu
que jamais deve ser desvelado. A Lua jamais morre, mas muda de fase a cada sete dias,
representando os mistérios da eternidade e mutação. Por isso a Deusa é chamada de a “Deusa
Tríplice do Círculo do Renascimento“, pois também muda de face, assim como a Lua, e se
mostra aos homens de três diferentes formas como: A Virgem, A Mãe e A Anciã. Isso não difícil
de se entender, pois dentro de Wicca todas as múltiplas faces e aspectos da Deusa, nada mais são
do que a personificação e atributos da Grande Divindade Universal.

A Grande Deusa desempenha inúmeros papéis e funções e por isso muitos (wiccans ou não) a
denominam de várias formas, o que os seres humanos para simplificar chamaram de Deuses.
Para a Bruxaria todos os Deuses Antigos são a Grande Deusa Mãe multipersonificada. Quando
você invoca o nome de um determinado Deus, libera um tipo de energia específica que não
consegue ser liberada quando se invoca outra Divindade que desempenha papéis e funções
diferentes. (que na verdade são a mesma Deusa, que em sua Infinita compreensão permite ser
chamada por vários nomes para que seus filhos possam-na compreende-la melhor).

Na Tradição o aspecto Jovem da Deusa está associado à adivinhação, aos rios mágicos, à
clarividência e aos encantamentos. Seus rituais e invocações são realizados na Lua Crescente.
Sua cor é o branco por isso recebe o título de ALBEDO (Senhora da Alvorada). É a caçadora,
segura em suas mãos a trompa de vaca ou touro em forma de meia lua. É a deusa da fartura e é
ela a quem devemos reverenciar quando queremos garantir êxito no trabalho. Seus poderes são
os da compaixão, sabedoria e compreensão.

O aspecto de Mãe está associado à fertilidade, sexualidade e ao parto. Seus rituais e invocações
são realizados na Lua Cheia. Sua cor é o vermelho e por isso recebe o título de RUBEDO
(Senhora do entardecer ou do rubi). É a mãe que o possui no ventre o poder de dar a luz uma
nova vida. É a rainha da colheita, a mãe do milho e derrama sua abundância por toda a terra.
Segura em suas mãos um recipiente com labaredas de fogo, o qual tem o poder de realizar os
desejos daqueles que a cultuam. É a Deusa do amor e seus poderes são os da paixão, agilidade e
rapidez.

O seu aspecto de Anciã, de Grande Deusa Mãe é que conhece todos os segredos do Universo.
Ela está relacionada ao renascimento e a ligação com os outros mundos. Seus rituais de
invocação são realizados na Lua Minguante, que é o seu símbolo. Sua cor é o negro e por isso
recebe o título de Nigredo (Senhora da noite). É a mãe que conserva todos os poderes da
sabedoria e conhecimento. É ao mesmo tempo Deusa parteira e dos mortos, pois o poder que
leva as almas para a morte e o mesmo que traz a vida. Do seu ventre parte toda a vida e da vida
provém a morte. Segura em suas mãos um caldeirão e das misturas feitas em seu interior ela
comanda a sincronicidade de todo o Universo e intervém nos assuntos humanos para auxiliar
seus seguidores. Devido ao aspecto de velha é esta a personificação que representa o
conhecimento de todos os mistérios que só a experiência pode proporcionar. É a Deusa da
sabedoria. É ela a quem devemos recorrer e reverenciar nos momentos de dificuldades e
anulação de qualquer tipo de malefício. Ela é a Deusa da paz e do caos. Da harmonia e da

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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desarmonia. NIGREDO já passou pela jovialidade de ALBEDO, pela maturidade e entusiasmo
de RUBEDO. Acumulou toda a experiência, que só o tempo pode proporcionar, e distribui a
sabedoria por todo o mundo.

A Deusa já foi reverenciada em todas as partes do mundo sobre diferentes nomes e aspectos. Seu
nome varia, mas sempre foi venerada como o princípio feminino eterno e estático que está
presente em tudo e incluso no nada. Ela é o poder do feminino que dá vida ao mundo e fertiliza a
terra.
A Deusa não está ligada somente às manifestações da terra, pois ela representa as forças celestes.
Ela é a dona do céu noturno, guardiã dos sentimentos, do interior da alma humana e do destino
do homem. Ela é uma presença contínua que está além do tempo e do espaço.

Cultuar a Deusa não significa substituir o Deus ou rejeitá-lo. Ambos, Deus e Deusa são as
expressões da polaridade que permitiu que o Grande Espírito, o UNO, se manifestasse no
universo... São os dois lados de uma mesma moeda... as duas faces do Todo, ou sua divisão
primeira. Assim, crer na Deusa e no Deus ainda é crer em um Ser Supremo que, ao se bipartir,
criou o princípio masculino e o princípio feminino, o Yin e o yang, o homem e a mulher.

Por sua conexão com a Lua e a mulher, a Deusa é cultuada em 3 aspectos: a Donzela, que
corresponde à Lua Crescente, a Mãe representada na Lua Cheia e a Anciã, simbolizada na Lua
Decrescente, ou seja, Minguante e Nova.
Na tradição da Deusa a Donzela é representada pela cor branca e significa os inícios, tudo o que
vai crescer, o apogeu da juventude, as sementes plantadas que começam a germinar, a
Primavera, os animais no cio e seu acasalamento. Ela é a Virgem, não só aquela que é
fisicamente virgem, mas a mulher que se basta, independente e auto-suficiente.

Como Mãe a Deusa está em sua plenitude. Sua cor é o vermelho, sua época o verão. Significa
abundância, proteção, procriação, nutrição, os animais parindo e amamentando, as espigas
maduras, a prosperidade, a idade adulta. Ela é a Senhora da Vida, a face mais acolhedora da
Deusa.

Por fim, a Deusa é a Anciã, que é a Mulher Sábia, aquela que atingiu a menopausa e não mais
verte seu sangue, tornando-se assim mais poderosa por isso. Simboliza a paciência, a sabedoria,
a velhice, o anoitecer, a cor preta. A Anciã também é a Deusa em sua face Negra da Ceifeira, a
Senhora da Morte. Aquela que precisa agir para que o eterno ciclo dos renascimentos seja
perpetuado. Esta é o aspecto com que mais dificilmente nos conectamos, porém, a Senhora da
Sombra, a Guardiã das Trevas e Condutora das Almas é essencial em nossos processos vitais.
Que seria de nós se não existisse a morte? Não poderíamos renascer, recomeçar...

Desta forma, é fácil compreendermos porque a Religião da Deusa postula a reencarnação. Se,
fazemos parte de um universo em constante mutação, que sentido haveria em crermos que somos
os únicos a não participar do processo interminável da vida-morte-renascimento? Essa realidade
existe no microcosmo do ciclo das estações, da colheita que tem que ser feita para que se reúnam
as sementes e haja novo plantio. É justamente por isso que aqueles que seguem o Caminho da
Deusa celebram a chamada Roda do Ano, constituída pelos Oito Sabbats celtas que marcam a
passagem das estações. Ao celebrar os Sabbats cremos que estamos ajudando no giro da Roda da
Vida, participando assim de um processo de co-criação do mundo.

Por tudo o que dissemos fica fácil entender porque os caminhos, cultos e tradições centrados na
Deusa são religiões naturais, fundamentadas nos ciclos da natureza e no entendimento de seus
elementos e ritmos. Estas práticas de magia natural usam a conexão e correlação dos elementos
da natureza - Água, Terra, Fogo e Ar, as correspondências astrológicas (signos zodiacais,

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influências planetárias, dias e horários propícios, pedras minerais, plantas, essências, cores, sons)
e a sintonia com os seres elementais (Devas Guardiões dos lugares, Gnomos, Silfos, Ondinas,
Salamandras, Duendes e Fadas).

Os aspectos religiosos da Bruxaria podem levantar algumas perguntas. Quem são este Deus e
esta Deusa, estas 'figuras míticas'? Quais são os seus nomes, seus atributos, sua história? Como
as Bruxas conseguem se sintonizar com deidades tão pouco conhecidas, ou completamente
ignoradas, pelas outras pessoas? Estas perguntas são difíceis de responder, porque você não vai
encontrar duas Bruxas que descrevam a Deusa da mesma maneira - porque o contato com as
deidades é uma experiência absolutamente pessoal.
A Deusa e o Deus são conhecidos por milhares de nomes, a maioria deles retirado das Antigas
Religiões: Egípcia, Grega, Romana, Nórdica e Celta. Entretanto, qualquer que seja o nome que
se dê a Eles, todas as Deusas estão contidas dentro do conceito da Deusa. E todos os Deuses
estão contidos dentro do conceito do Deus.
A Deusa é a força feminina, uma parte da fonte primordial de energia que criou o Universo. Na
Bruxaria, ela está mais intimamente relacionada com a Lua. Não que as Bruxas venerem a Lua.
Nós simplesmente a vemos como um símbolo celestial do poder da Deusa.

Mas a maioria das Bruxas reverencia a Deusa em três aspectos, que correspondem às três fases
da vida: a Donzela, a Mãe e a Anciã. Este aspecto triplo também está relacionado às fases da
Lua. A Donzela corresponde às Luas Nova e Crescente, a Mãe à Lua Cheia e a Anciã à Lua
Minguante.
Ela também é associada à Terra. O planeta inteiro é uma manifestação da energia da Deusa, um
exemplo tangível do poder da Mãe Natureza.
As Bruxas vêem a Deusa em ação em sua vida cotidiana. O nascimento de uma nova idéia pode
mostrar o toque Dela. As flores desabrochando na primavera, em toda a sua glória, são vistas
como uma manifestação da abundância da Mãe Terra. Os processos da gravidez e do parto
também estão ligados à Deusa. Mas a Deusa é, indiscutivelmente, ligada às mulheres em geral,
sejam elas Bruxas ou não. A gravidez, a menstruação e outros mistérios femininos eram,
antigamente, celebrados com rituais religiosos.
Assim como os praticantes de outras religiões convencionais estabelecem uma relação pessoal
com as suas Deidades, as Bruxas também o fazem. Para nós, Bruxas, a Deusa está em toda parte:
na Terra, na Lua, no mar, na montanha - e dentro de nós mesmos.

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O DEUS

AS FACES DO DEUS CORNÍFERO

O Deus realmente é deixado de lado muitas vezes nos cultos pagãos, como se a energia da Deusa
pedisse essa dedicação exclusiva. Isto é verdade em parte, porque não é possível cultuar o Deus
adequadamente enquanto não mergulharmos na Deusa e nos despirmos do Deus do patriarcado.
Quando no curso de nosso caminho, está na hora do Deus voltar, a própria Deusa nos mostra seu
Filho, Consorte, Defensor, Ancião.
Falando rapidamente: o Deus Jovem é, antes de tudo, a Criança da promessa, a semente do sol
no meio da escuridão. Depois, é o Garoto do Pólen, o fertilizador em sua face mais juvenil, e trás
a energia da alegria de viver, o poder de se maravilhar ante as descobertas da vida, é o
experimentador, a face mais sorridente do sol matinal.
Dai surge o Deus Azul do Amor, o rapaz que cresceu e chegou na adolescência e desabrocha em
beleza e masculinidade, é o Jovem Deus da Primavera, percorre as Florestas e acorda a natureza.
Ele é o Apaixonado, aquele que primeiro busca a Deusa como a Donzela e propicia o encontro...
Ele é o Deus da sedução ainda inocente, que não conhece os mistérios da Senhora ainda... ele é
toda possibilidade.
Depois ele é o Galhudo e o Green Man... O Deus é o macho na sua plenitude, O Senhor dos
Chifres que desbancou o gamo rei anterior, ele é força e poder, músculos e vitalidade, ele cheira
a sexo e promessas. Ele é o Grande Amante, atraído irresistivelmente pela Senhora ele é o
Provedor, o Sustentador, o Senhor Defensor.
Ele é o Senhor das Coisas Selvagens, o Deus da Dança da Vida, O Falo Ereto, O Fertilizador.
Como Green Man ele também é o Senhor da Terra e sua abundância, o parceiro da Senhora dos
Grãos. O Senhor dos Brotos, aquele que cuida dos frutos e os distribui pela terra.
Mas o Deus é também O Trapaceiro, o Senhor da Embriaguez, o Desafiador e o Ancião da
Justiça. Ele nos faz seguir um caminho e nos perdemos pra conhecer o pânico de Pan... ele nos
deixa loucos como Dioniso ou perdidos nos devaneios de Netuno... ele é o Desafiador, seja nos
duelos, seja na guerra, na luta pela sobrevivência...ele é caprichoso e insidioso, ele nos engana,

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nos deixa desesperados e sorri porque esse é seu papel; estimular o novo, mostrar que nosso
desespero é inútil e só nos escraviza...
Como a Deusa, Ele está na fome e no fim da fome, na vida e na doença terminal, na luz e na
sombra, no que é bom para você e no que é mau... A Deusa nunca está só, ela tem sua
contraparte masculina e, no entanto, Ele só existe por amor a Ela... Aliás, todos nós somos fruto
dessa dança de amor.
O Deus é o Ancião sábio, o distribuidor da Justiça, seja a que se impõe com sabedoria ou raios...
Ele conhece os segredos dos oráculos, mas sabe que são Dela... ele é o repositório do
conhecimento, mas a sabedoria é Dela... ele lê os sinais da natureza, mas sabe que quem os
escreve é Ela.
E o velho sábio vai murchando e se transforma no Senhor da Morte... ele que é o Senhor de Dois
Mundos, pois no ventre dela, de volta, ele vive sua morte e a própria ressurreição. Mistério e
segredo, morte e retorno, Ele é o que atravessa os portais dos quais Ela é a Senhora.
Ele, o Caçador, que também faz o papel de Ceifador... Ele que ronda o leito dos moribundos e
dança a dança da morte. O Senhor dos esqueletos.
Ele que na dança da morte retoma o brilho do sol e sua face negra se ilumina, em uma explosão
impossível de conter, e Lugh nasce outra vez...
Ele que é pai, filho, bebê iluminado, amante selvagem, sábio educador... ele, o Deus que se
revela apenas pela Deusa.

O Deus Cornífero

O Deus Cornífero é o Deus fálico da fertilidade. Geralmente é representado como um homem de


barba com casco e chifres de bode. Ele é o guardião das entradas e do circulo mágico que é
traçado para o ritual começar. É o Deus pagão dos bosques, o rei do carvalho e senhor das matas.
É o Deus que morre e sempre renasce. Seus ciclos de morte e vida representam nossa própria
existência.

Ele nasce da Deusa, como seu complemento e carrega os atributos da fertilidade, alegria,
coragem e otimismo. Ele é a força do Sol e da mesma forma, nasce e morre todos os dias,
ensinando aos homens os segredos da morte e do renascimento. Segundo os Mitos pagãos o
Deus nasceu da Deusa, cresceu e se apaixonou por Ela. Ao fazerem amor a Deusa engravida e
quando chega o inverno o Deus Cornífero morre e renasce quando a Deusa dá a luz. Este Mito
contém em si os próprios ciclos da natureza onde no Verão o Deus é tido como forte e vigoroso,
no outono ele envelhece, morre no inverno e renasce novamente na primavera. Para a maioria
pode aparentar meio incestuoso, quando se afirma que o Cornífero seja filho e consorte da
Deusa, mas isto era extremamente comum aos povos primitivos onde os indivíduos se casavam
entre os próprios familiares. Além disso, o simbolismo do Mito deve ser observado, pois todas as
coisas vieram do ventre da Grande Mãe inclusive o próprio Deus e por isso para Ela Ele deve
voltar.
O culto ao Deus Cornífero surgiu entre os povos que dependiam da caça, por isso Ele sempre foi
considerado o Deus dos animais e da fertilidade, e ornado com chifres, pois os chifres sempre
representaram a fertilidade, vitalidade e a ligação com as energias do Cosmos. Além disso, a
Bruxaria surgiu entre os povos da Europa, onde os cervos se procriam com extremada
abundância, por isso eram frequentemente caçados, pois eram uma das principais fontes de
alimentação. Com o crescimento do Cristianismo e com a intenção do Clero em derrubar
Bruxaria, a figura atribuída ao Deus Cornífero acabou por personificar o Diabo e na atualidade
resgatar o status do Deus torna-se bastante difícil.

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O Deus Cornífero representa a luz e a escuridão, a imortalidade e a morte, a interrupção a
continuidade. Cernunos, como também é chamado, simboliza a força da vida e da morte. É o
amante e filho da Deusa, o senhor dos cães selvagens e dos animais. É ele que desperta-nos para
a vida depois da morte. Representa o Sol, eternamente em busca da Lua. Seus chifres na
realidade representam as meias-luas, a honraria e a vitalidade e não uma ligação com o Diabo.
Ainda hoje existe muito confusão a cerca da Bruxaria e isto se deve a Igreja Medieval que
transformou os Bruxos antigos em Feiticeiros do Demônio, por conveniência. O culto à Deusa
Mãe e aos Deus Cornífero é pré-cristão, surgiu milênios antes do catolicismo e do conceito de
Demônio, o qual jamais foi adorado, invocado, cultuado e reverenciado nas práticas pagãs ou
como deidade da Bruxaria.

A Arte Wiccaniana remonta os homens das cavernas e para entendermos o porque uma
divindade com chifres foi reverenciada pelos Bruxos de antigamente e é reverenciada até hoje
pelos Bruxos modernos temos que pensar como nossos antepassados.
Os chifres sempre foram tidos como símbolo de honra e respeito entre os povos do neolítico. Os
chifres exprimem a força e a agressividade do touro, do cervo, do búfalo e de todos animais
portadores dos mesmos. Entre os povos do período glacial uma divindade era representada com
chifres para demonstrar claramente o poder da divindade que o possuía.
Quando o homem saia em busca de caça, ao retornar à sua tribo colocava os chifres do animal
capturado sobre a sua cabeça, com a finalidade de demonstrar a todos da comunidade que ele
vencera os obstáculos. Graças a ele todo clã seria nutrido, ele era o “Rei”. O capacete com
chifres acabou por se tornar em uma coroa real estilizada.

Muitos Deuses antigos como Baco, Pã, Dionísio e Quíron foram representados com chifres. Até
mesmo Moisés foi homenageado com chifres pelos seus seguidores, em sinal de respeito aos
seus feitos e favores divinos.
Os chifres sempre foram representações da luz, sabedoria e conhecimento entre os povos antigos.
Portanto como podemos perceber, os chifres desde tempos imemoráveis foram considerados
símbolos de realeza, divindade, fartura e não símbolo do mal como muitos associaram e ainda
associam-nos. O Deus Cornífero é então o mais alto símbolo de realeza, prosperidade, divindade,
luz sabedoria e fartura. É o poder que fertiliza todas as coisas existentes na terra.
A Grande Mãe e o Deus Cornífero representam juntos as forças vitais do Universo.

O Deus Cornífero possui inúmeros nomes.


Ele é chamado de Consorte da Deusa, Doador de Vida, Senhor da Morte e Ressurreição, Deus
das Sementes, Flores e Frutas, Antigo Deus da Fertilidade, o Senhor da Dança.
Ele é conhecido por Cernunnos, Herne, Pan, Osíris, e
outros incontáveis nomes.
O Deus é adorado sob muitas formas e nomes, mas o
aspecto predominante venerado por nossos
antepassados foi o Deus Cornífero. O homem do
período Paleolítico de 12 mil anos atrás retratou
inúmeras vezes nas paredes das cavernas o Deus
Cornífero da Caça, um ser meio homem meio
animal.
O Deus Cornífero teve uma força dominante, mesmo
depois do aparecimento de novos Deuses. Esse
poderoso arquétipo continuou existindo durante 10
mil anos, depois de aparecer primeiramente em pinturas rupestres nas paredes das cavernas.

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Chifres sempre foram sinais de algo Divino. Na Babilônia, o grau de importância dos Deuses era
identificado pelo número de chifres atribuídos a Ele. Um exemplo principal é Ishtar, uma antiga
Deusa, detentora de sete chifres.
Alexandre, o Grande, se declarou um Deus depois de tomar o trono do Egito e, para demonstrar
o seu poder, encomendou uma pintura sua ornada de chifres de carneiro. O Alcorão chama
Alexandre de “Iskander Dh’l Karnain”, que quer dizer “Alexandra dos dois chifres”. Uma alusão
ao seu nome é preservada até hoje em Tradição Alexandrina, na qual o Deus é chamado de
Karnayana.
O Deus Cornífero simboliza a força masculina da Natureza. Ele é a “contraparte” da Deusa. Nós,
Wiccanos, vemos o Deus representado pelo Sol. Desde tempos imemoráveis, as mudanças das
estações foram percebidas como padrões diferentes de calor do Sol ou, então, do Deus. Nós,
Bruxos, celebramos as mudanças das estações com rituais especiais, chamados de Sabbats, que
ocorrem oito vezes por ano. Embora o Sol e o Deus ainda sejam vistos como originadores dessas
mudanças, a Deusa também é venerada nessas ocasiões, pois é através Dela (a Terra) e Dele (a
semente fertilizada e o Sol fertilizador) que todos seremos nutridos.
O Deus Cornífero é representado por um homem com cabeça de humano e pernas e chifres de
cabra ou cervo. Nos tempos antigos Ele era invocado antes de o homem sair para caçar, para
abençoar o caçador com sucesso e fartura. O Deus Cornífero não é só o Caçador, mas também é
considerado a própria caça. Ele era visto como um animal sacrificial, imolado para que o Clã
pudesse sobreviver durante os sucessivos meses de inverno. Ele é o Sol durante o dia, mas
também é o Sol da meia-noite. Ele é o Senhor da Luz, mas também da Escuridão da noite, das
Sombras, das profundidades da floresta, das profundezas do submundo.
Ele era reverenciado e invocado antes das sementes serem plantadas e novamente quando eram
colhidas. Ele se mostra na terra vivente, na grama, nas árvores e na vinha. Esse aspecto é o Deus
da Morte, que é enterrado como semente e que ressurge novamente verde e jovem na Primavera,
renascido do Útero da Grande Mãe. Ele se mostra também nas colinas estéreis e frias, nos ventos
indomáveis e nas planícies de Inverno.
O Deus Cornudo é o espírito de vegetação, das coisas verdes e crescentes, da floresta e do
campo. Dionísio, Adonis e muitos outros Deuses da vegetação e colheita eram freqüentemente
descritos como cornudos e eventualmente usavam chifres de touro, cabra, carneiro ou veado.
Muitos Wiccanos chamam o Deus de Cernunnos, que é a versão Céltica e Galo-romana do Deus
Cornífero. Um altar para Cernunnos foi descoberto debaixo do que é agora a Catedral de Notre-
Dame, em Paris, França. Herne, o Caçador, também é usado freqüentemente para designar o
Deus. Muitas variações dos nomes do Deus aparecem como nomes de alguns lugares na
Inglaterra. Cerne Abbas, na Inglaterra meridional, é um exemplo.
O Deus Cornífero foi transformado no “Diabo” cristão por aqueles que foram tentar difundir sua
fé na Europa Antiga. Muito antes de o Cristianismo emigrar dos desertos de Jerusalém, o Deus
Cornífero era tido como o símbolo da vida, da sexualidade, do êxtase, da liberdade e da
indomabilidade.
Muitas deidades Pagãs foram absorvidas pelo Cristianismo. Porém, o Deus Cornífero
transpareceu num semblante ameaçador os primeiros cristãos. Ele era um Deus animalesco e
sexual. Uma Divindade da noite e da floresta. Considerando que o Cristianismo era uma religião
praticada durante o dia, em templos, ele não teve lugar e teve que ser excluído. O Cristianismo
viu a sexualidade como a escuridão e o mal, e o Deus Cornífero foi identificado como o
princípio do mal, chamado por eles de Diabo. Ainda assim, o Deus Cornífero sobreviveu por
séculos de supressão e difamação.
Consideremos os muitos modos nos quais o Deus Cornudo sobreviveu. O folclore o retratou
como Robin Goodfellow e Puck. Puck é o personagem principal em Sonho de uma Noite de
Verão, peça na qual Shakespeare desenvolveu em um dia de Sabbat (Solstício de Verão-Litha) a
trama da história. O Homem Verde (Green Man) ainda é venerado em celebrações e é um
símbolo comum achado nas paredes das tavernas na Inglaterra.

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O Deus da Wicca não é Deus vingativo, transcendente, ideológico, que mora no céu. Ele é forte e
poderoso, mas não deve ser temido. O corpo dele é de um homem, mas os seus pés são patas, e
os chifres capturam os poderes dos céus, do Sol e das estrelas. Ele é Deus do constante renovar,
do movimento eterno, e é considerado a própria força crescente de vida. O Deus Cornífero é o
caçador, o guerreiro, o gerador, o Rei da terra, e representa ao mesmo tempo as mudanças e
verdades.
É o Deus visto com características duais. Ele é o Deus do Verão e do Inverno. Ele é o Rei do Sol,
o Rei do Milho e o Homem Verde, honrados no Verão. Ele é o Senhor do Submundo, o Caçador,
o Pastor e o Curandeiro, na sua face do Inverno. Ele é o Sol renascido no Solstício de Inverno
que traz vida e alegria, mas também o Senhor da Luz e da Morte.

Entrando em Contato com as Faces do Deus

Entrar em contato com a energia do Deus é um processo vital para a recuperação de nossos dons
perdidos ou esquecidos.
O Deus Conífero é o Senhor da fauna, flora e animais e nos coloca em contato com o nosso lado
mais animalesco e primitivo, capaz de nos conduzir ao centro de nossos mais puros instintos e
vitalidade plena.
O Deus, assim como a Deusa, possui também três aspectos: o Cornífero, o Homem Verde e o
Ancião.
Cada uma das faces do Deus está associada a um período da evolução humana e de nossa própria
vida.
Meditar com o Deus nos traz a possibilidade de contatarmos o nosso Eu mais profundo. Isso traz
um processo de integração total com a Natureza e os seus ciclos, além de possibilitar uma maior
interação com a vida e a humanidade como um todo.

O Cornífero
É a face do Deus que exerce domínio sobre as florestas. Ele é a
representação da Natureza intocada e de tudo o que é livre. Nesse aspecto o
Deus assume a face de Caçador e representa a renovação, virilidade, força,
fertilidade e vitalidade. O Cornífero exerce domínio sobre os animais

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selvagens e ferozes. Esteve em contato direto com a humanidade principalmente nos períodos
Neolítico e Paleolítico, onde os homens subsistiam principalmente da caça.
Os exemplos associados à face de Cornífero do Deus:
Cernunnos: Deus celta, portador de chifres é regente dos animais selvagens e bosques. Está
associado à fertilidade e fartura.
Pan: Deus grego dos campos e bosques. Está associado à vegetação, ao êxtase e ao vigor sexual.
Dionísio: Deus grego que assumia a forma de touro ou bode, ambos símbolos da fertilidade. Está
associado à fertilidade e tinha a capacidade de morrer e renascer.
Esus: Deus celta associado ao touro, que era acompanhado freqüentemente por três pássaros.
Posteriormente, foi identificado como Cernunnos. Está associado ao Submundo e muitas vezes
era representado brandindo um machado contra uma árvore.
Odin: Deus germânico associado à magia, à guerra e ao êxtase. Muitas vezes é representado
portando um capacete de chifres e acompanhado por um cervo.

Temas de rituais que usam o aspecto de Cornífero do Deus:


· Resgatar energia e proteção.
· Atrair coragem, garra e vigor.
· Começar um novo trabalho ou qualquer outro empreendimento.
· Trazer fertilidade e gravidez.
· Requerer o senso de comunidade ou família.
· Livrar-se de estresse.
· Invocar os poderes da fartura e prosperidade.
· Atrair o vigor sexual.
· Aumentar a percepção, os sentidos e instintos.
· Centralizar.
· Estabilizar situações.
· Resolver problemas difíceis.
· Neutralizar a inércia em uma dada situação.
· Atrair a prosperidade e riqueza.
· Trazer o poder da razão.

Meditando com o Cornífero

Material necessário:
· Uma vela marrom;
· Um tambor;
· Bastão.

Procedimento: Acenda a vela sobre o seu Altar. Trace o Círculo e invoque o Deus com o seu
Bastão, dizendo:

Chamo por Aquele que domina os campos, as montanhas, os vales e as charnecas, o Deus
Cornífero, Senhor da alegria e fertilidade para que esteja comigo.
Senhor dos sete galhos sagrados,
Venha a mim
Senhor dos animais,
Venha a mim.
Caçador de chifres da meia-noite,
Venha a mim.
Condutor da Eterna Dança,
Venha a mim.
Touro negro do anoitecer,

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Venha a mimm.
Astado Divino, Doador da vida,
Venha a mim!

Olhe fixamente para a chama da vela e comece a tocar o tambor. Deixe sua consciência
divagar por onde quiser, indo rumo a um bosque. Sinta as batidas do tambor e deixe que elas o
levem até esse bosque.

Siga as batidas do instrumento e cada vez bata mais forte, sentindo o coração da Terra
pulsar através das batidas do tambor, e caminhe através da sua mente ao bosque.

Ao chegar, peça mentalmente que o Deus se apresente a você na sua face de Cornífero.
Continue tocando o tambor, mas preste atenção ao bosque até que o Deus decida se aproximar de
você.

Quando ele se aproximar, converse com Ele, peça-lhe instruções e diga por que você foi
ao encontro Dele. Seja sincero.

O Deus conversará com você e o instruirá sobre como agir em relação à solicitação feita
por você.

Peça que Ele doe um pouco de seu poder e vitalidade a você. O Deus então lhe estende a
mão e quando a abre você vê um objeto, um símbolo, ou algo semelhante. O Deus entrega para
você. Esse é o portal de acesso pelo qual você poderá invocar a energia do Deus quando
necessário. Guarde-o, e, se possível, reproduza esse objeto ou símbolo em madeira, pedra ou
metal e tenha-o sempre junto de você.

Continue tocando o tambor. Aos poucos o Deus se afasta. Agradeça a Ele pela presteza
com que atendeu ao seu chamado e deixe-o seguir.

Continue tocando o tambor e deixe que suas batidas o tragam de volta à sua consciência
normal.. Bata cada vez mais rápido e intensamente e sinta-se voltando a ela.

Quando se sentir centrado, abra os olhos e agradeça mentalmente mais uma vez ao Deus.

Deixe a vela queimar até o fim em homenagem ao Cornífero.

O Homem Verde

O segundo aspecto do Deus é o Homem Verde (Green Man),


Ele é o Senhor da Colheita e de toda a Natureza cultivada.
Está relacionado aos grãos e ao desenvolvimento da
agricultura. Exerce domínio sobre a vida e o crescimento das
plantas. É ele que nos traz a alegria, a felicidade. Está
associado aos excessos e ao êxtase provocado pelo vinho, tão
sagrado para as culturas primitivas. Nessa face Ele assume
vários papéis, principalmente o de Filho e Amante da Deusa.

Os exemplos associados à face do Homem Verde do Deus

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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são:

Green Man: Uma Divindade que aparece em várias representações como um homem coberto de
folhas. Está associado às florestas, à alegria, à descontração. Sua face com múltiplas folhas
aparece em construções de antigas tabernas, espalhadas por toda a Europa, representando a sua
ligação com a embriaguez através do vinho. É o portador de alegria.

Baco: Deus romano da fertilidade e do vinho. Suas cerimônias sagradas, as bacanais,


eram marcadas por excessos de todos os tipos, principalmente os alcoólicos.

Dionísio: Aparece muitas vezes como o Deus da embriaguez. Segundo as crenças gregas,
ele era o criador do vinho e suas Sacerdotisas, as Mênades, corriam e dançavam nuas pelos
bosques, atordoadas pelo efeito do vinho (tido como o próprio Deus), agitando tochas e bastões
de tirso nas mãos, em homenagem ao Deus.

Sileno: O tutor de Dionísio e o líder dos Sátiros. Muitas vezes representado como um
Deus careca e barrigudo. Está relacionado à fertilidade e ao êxtase, em todas as suas
manifestações.

Temas de rituais que usam a face de Homem Verde do Deus:

· Invocar a mudança da essência de espírito.

· Invocar a energia de descontração.

· Atrair felicidade.

· Estabelecer transformações necessárias.

· Atrair o otimismo e a alegria.

· Invocar as energias de expansão e prosperidade.

· Aumentar a sensualidade, o erotismo e a espontaneidade.

· Libertar-se dos grilhões impostos pela sociedade.

· Abrir os caminhos para atrair oportunidades na vida.

· Atrair a jovialidade e o entusiasmo.

Meditando com o Homem de Verde

Material necessário:

· Uma vela verde;

· Cálice com vinho;

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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· Folhas verdes.

Procedimento: Coloque a vela sobre o Altar. Trace o Círculo Mágico e então a acenda. Espalhe
as folhas sobre o Altar enquanto invoca o Deus com as seguintes palavras:

Invoco a ti, Homem Verde dos bosques e das vinhas.

Invoco-o para que venha do seu mundo para compartilhar sua alegria e felicidade comigo.

Venha, Deus da face de folhas,

Deus que caminha entre as folhagens,

Quem semeia e faz brotar!

Invoco-o, Senhor.

Venha, compartilhe sua satisfação comigo.

Feche os olhos, respire profundamente por três vezes.

Imagine-se indo em direção a uma mata virgem. Sinta a energia mágica e comungue com
os Espíritos da Natureza que residem nesse lugar.

Sinta o cheiro das folhas, das árvores e da terra.

Coloque a sua mão esquerda no tronco de alguma árvore frondosa que você encontrar no
caminho e leve a mão direita em direção ao seu peito. Sinta o poder que ela tem de revigorar as
energias e renovar. Absorva o poder da Natureza. Aos poucos você percebe que a sua mão não
toca mais em um tronco, mas sim a mão de um homem todo vestido de folhas, com o rosto
coberto por elas, aparecendo só os olhos dele. Ele é o Homem Verde, o Green Man, o Senhor das
folhas verdes e das florestas. Ele sorri para você e lhe transmite todo seu poder de alegria e vida
através do seu toque.

Ele veio dos reinos escondidos abençoá-lo com a sua magia.

Permaneça alguns momentos sentindo a energia do Deus através de seu toque. Dialogue
mentalmente com Ele. Peça-lhe conselhos, deixe que Ele o instrua.

Continue absorvendo a energia e deixe-se levar pelas lembranças de quando era criança,
feliz e inocente. Como a sua infância se reflete na sua vida atual? Você vive a sua criança
interior em todas as suas potencialidades? Reflita. Busque respostas junto ao Homem Verde para
os seus problemas e as soluções para resolvê-los. Deixe Ele aconselhá-lo.

Quando tiver conversado tudo o que for necessário, agradeça ao Deus. Muitas brumas
começam a se formar ao seu redor até que você consiga mais ver nada, mas você continua
segurando a mão do Deus Verde. Aos poucos as brumas vão se dispersando e você percebe que
não está mais segurando a mão do Deus, mas, sim, tocando o tronco forte da árvore novamente.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Agradeça aos Espíritos da Natureza e retorne pelo mesmo caminho que você trilhou para
chegar lá.

Respire profundamente três vezes e abra os olhos.

O Ancião

O Ancião é a terceira face do Deus e representa o conhecimento acumulado e a sabedoria.


Exerce domínio sobre os conhecimentos ocultos e sobre a Magia. Ele é o Deus das Sombras,
aquele que conduz as almas dos homens ao Outro Mundo. Está relacionado ao início das
civilizações.

Os exemplos associados à face de Ancião do Deus são:

Dagda: O bom Deus dos celtas irlandeses. É o Deus que ocupa lugar preponderante entre
os Tuatha de Dannan. Seu título “Ollathir” significa “Pai de todos”.

Cronos: Deus grego do tempo e do destino dos homens. Ele castrou seu pai, Urano, e
assumiu o domínio do mundo. Para não perder seu trono engoliu todos os seus filhos, menos
Zeus, que mais tarde o suplantou e tornou-se o grande pai dos Deuses.

Teutates: O mais poderoso dos aspectos do Deus, entre os celtas, Teutates está associado
às guerras, mas aparece muitas vezes como um Deus da fertilidade e abundância. Era
considerado o Rei do Mundo.

Plutos: Deus grego das riquezas. Em uma de sua lendas ele aparece como um velho cego
que distribui riquezas e presentes de maneira aleatória e injusta.

Temas de rituais que usam de Ancião do Deus:

· Atrair conhecimento de todas as ordens.

· Entrar em contato com a sabedoria ancestral

· Aumentar o poder de magia inerente a cada um de nós.

· Encontrar soluções para os problemas.

· Transmutar energias.

· Transformar situações

· Banir energias maléficas.

· Afastar inimigos e pessoas indesejadas.

· Afastar o azar.

· Revelar segredos.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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· Estabelecer ligação com o inconsciente.

· Necessitar de proteção.

Meditando com o Ancião

Material necessário:

· Uma vela preta;

· Um cajado;

· Uma túnica preta com capuz.

Procedimento: Coloque a sua túnica, trace o Círculo Mágico e acenda a vela preta. Bata três
vezes no solo com o cajado, chamando o Deus Ancião:

Senhor que caminha nos reinos ocultos,

Eu chamo você.

Sombras, voz que me chama,

Deus que revela o seu mundo,

Venha a mim.

Você, que no sono profundo reacende os mistérios da noite.

Venha!

Senhor da magia e do conhecimento oculto,

Grande transformador e sábio,

Venha a mim.

Cubra a cabeça com o capuz e continue batendo no solo com o cajado. Feche os olhos e
siga a batida, indo em direção a uma caverna. Você chega à entrada e pede licença aos seres
daquele lugar para entrar.

A caverna é escura, mas à sua frente, lá no fundo, você pode ver um pequeno foco de luz.
Siga em direção à luz.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Lentamente você se aproxima da luz e percebe que ela provém de uma pequena fogueira
que está em uma ampla área, onde se encontra um Ancião, sentado em um trono. Ele carrega em
uma das mãos um cajado com muitos símbolos. Convida-o para sentar, apontando um banquinho
ao lado de Seu trono. Você senta e então Ele o abençoa com o cajado, tocando-o em seu chácara
do terceiro olho. Ao fazer isso, uma forte luz se espalha por toda a caverna. Esta luz é forte e de
poder regenerador, capaz de lhe dar acesso aos conhecimentos mais sagrados do Universo, que
só o Ancião pode lhe proporcionar.

Deixe-se ser invadido pela luz e pela força que o Ancião lhe transmite.

Ele lhe dá um dos símbolos que se encontra pendurado no seu cajado, dizendo que é um
presente dele para você. Guarde o símbolo e agradeça ao Ancião. Despeça-se, fazendo uma
inclinação de reverência com a cabeça e siga em direção à saída da caverna.

Nesse estágio da meditação, comece a bater novamente o seu cajado e deixe o som traze-
lo de volta à realidade. Acalme a sua mente, centre-se e abra os olhos.

Mistérios Masculinos

Para os primitivos povos caçadores, os animais selvagens eram manifestações do desconhecido.


A fonte de perigo e sobrevivência foi associada psicologicamente à tarefa de compartilhar o
mundo silvestre com esse seres. Ocorreu uma identificação inconsciente, que se manifestou nos
míticos totens meio humanos, meio animais das antigas tribos. Os animais tornaram-se tutores da
humanidade. Através de imitações, as naturezas separadas de humanos e animais foram
derrubadas e criou-se a União. O mesmo é verdade acerca das posteriores comunidades
agrícolas, as quais viram os ciclos de vida e morte dos humanos refletidos nos ciclos das
colheitas.

Joseph Campbell, Primitive Mythology

Os Mistérios Masculinos surgiram do culto matrifocal do período neolítico. Baseiam-se


na formação de cultos de caçadores e guerreiros necessários à sobrevivência do clã como um
todo. Esses subcultos não sofreram influência das mulheres do clã, que permaneciam nas aldeias
enquanto os homens estavam longe, caçando ou lutando contra inimigos. Eram períodos nos
quais os homens estavam as sós e juntos, longe das responsabilidades da comunidade familiar ou
da aldeia. Assim, livres das restrições da estrutura social estabelecida pelas mulheres, os homens
desenvolveram uma subcultura própria, refletindo seus desejos e necessidades exclusivamente
masculinos.

A Tradição Misteriosa Masculina pode ser dividida em até quatro categorias: o Caçador-
Guerreiro, o Sátiro, o Rei Divino-Deus Sacrificado e o Herói. Esses mistérios assciados aos
homens resumem bem os aspcetos da mentalidade e do comportamento masculinos. Assim,
podemos separar a maioria dos homens em uma ou mais das categorias acima. Como ocorre com
todas as generalizações (e estereótipos), esses aspectos comportamentais ou de mentalidade não
se aplicam a todos os indivíduos.

Iniciações envolvendo teste de bravura, força física, resistência ou tolerância à dor eram
aspectos de iniciação nos antigos cultos masculinos. Eram traços essenciais para a sociedade

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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masculina. Principalmente em razão do fato de que a caça de animais era perigosa, os inimigos
eram comuns, as lutas inevitáveis e os ferimentos físicos esperados. Assim, no início da
puberdade, quando os hormônios magicamente transformam garotos em homens, tinha início os
primeiros ritos de masculinidade.

O primeiro passo nessa iniciação transformativa era encontrar-se com o Monstro (o que
quer que isso representasse a uma certa comunidade). Há uma antiga lenda que envolve um clã
cuja aldeia estava sujeita aos horríveis sons de um monstro habitando nos bosques ao redor.
Somente os guerreiros/caçadores abandonavam a segurança da aldeia, e mesmo assim armados
até os dentes. O restante ouvia amedrontado os sons da incrível criatura. Os homens geralmente
voltavam trazendo descrições apavorantes desse perigoso monstro.

Quando um garoto atingia a puberdade, ele devia seguir os homens pelos bosques e
encarar a criatura. Durante a jornada, os homens gradualmente desapareciam entre as árvores
sem serem percebidos, até que o garoto ficasse na companhia de apenas deles, seu iniciador.
Quando se aproximavam do local de onde emanavam os sons, o garoto recebia uma lança; a
seguir o homem apanhava-o pelo braço e, bradando um grito de guerra, corria impelindo o
garoto rumo à clareira para atacar a criatura. No centro da clareira, um homem soprava um
enorme chifre de onde emanavam os horríveis urros do monstro. O garoto havia então matado o
monstro de sua infância e se tornara um homem.

Era prática dos Mistérios Masculinos criar histórias de bosques assombrados e monstros
terríveis. Serviam não só no exemplo acima, mas também para assegurar locais rituais privativos.
Isso foi particularmente importante durante a inquisição. O aldeão comum não desejava ingressar
em bosques onde forças sobrenaturais estivessem em ação.

O Caçador-Guerreiro

Os primeiros clãs humanos sobreviveram graças, em grande parte, aos caçadores e


guerreiros da tribo. Caçava-se o gamo, que fornecia alimento, agasalho e instrumentos
confeccionados com cifres e cascos. O alce se tornou um símbolo de provisões, e na sua natureza
de líder e protetor da manada, os caçadores primitivos identificaram algo do próprio clã. A
rivalidade entre os alces pelas fêmeas era, em muitos aspectos, simbólica das paixões com que os
próprios homens lutavam. Entre os gamos, o homem primitivo vislumbrou seus próprios
instintos sexuais e de liderança unidos no fervor da caçada (atualmente, diversos esportes suprem
essa importante função social nos homens). Ao observar os alces afastando os predadores com
golpes de suas galhadas, o homem aprendeu como utilizar a lança. Da íntima relação entre o
caçador e a caça, surgiu uma certa reverência e identidade espiritual. Os homens foram
provavelmente os primeiros a sigilar conceitos, o rastro de um animal passou a simbolizar esse
animal; ver esse símbolo significava a possibilidade de ver o próprio animal (o protótipo da
evocação). Ao reverter o processo, cria-se o símbolo e, portanto, cria-se a possibilidade de ver o
animal a ele associado. Dessa associação primitiva surgiu o pensamento mágico, e vemos que os
antigos entalhes e pinturas rupestres visavam evocar a presença de vários animais de caça.

Em tempos remotos, o membro mais valente e mais forte do clã assumia uma posição
elevada no culto do caçador-guerreiro, assim como o grande alce entre seu harém de fêmeas.
Esses eram os atributos mais importantes para assegurar sucesso na caça e na luta. Trajando
peles e os chifres de sua presa, o poder primitivo passava e seu espírito e ele se tornava o Mestre
dos Animais, Senhor da Floresta. Um dos mais interessantes aspectos dos Mistérios do Caçador-
Guerreiro concerne aos códigos de conduta formados numa sociedade basicamente violenta. À

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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medida que o homem se tornava menos bárbaro, estabelecia várias regras, principalmente
relacionadas às lutas. Incluem-se aqui regras acerca do tratamento dispensado aos prisioneiros,
quando um inimigo desarmado podia ou não ser morto, e assim por diante. Tal código de honra
pessoal tornou-se a pedra fundamental das sociedades masculinas.

Um homem que fosse respeitado por sua capacidade física e suas habilidades em combate
perderia rapidamente o respeito dos demais se demonstrasse falta de honra. Isso assinalou um
período no qual o homem interior era mias importante do que o exterior. Um exemplo moderno
seria o herói do esporte que demonstra pouco espírito esportivo em campo. A verdadeira força de
um homem não está em sua força física, mas em seu controle pessoal. Saber quando não
empregar seus atributos físicos (direta ou indiretamente) é a marca de um homem de honra.
Exemplos disso são a violência física e psicológica a crianças e mulheres.

Atualmente é comum ver os homens como um patriarcado maligno que nada mais fez
além de erradicar os antigos cultos da Deusa, e que continua a subjugar conscientemente as
mulheres. Contudo, isso não reflete a duradoura tradição dos Mistérios Masculinos, e os homens
geralmente demonstram um sacrifício impessoal por outros, especialmente os oprimidos e todos
aqueles que não são capazes de se defender. O melhor exemplo é o código de cavalheirismo
assumido por um cavaleiro. Apesar da opinião moderna de certos grupos políticos, o verdadeiro
homem não oprime ou abusa das mulheres. É, no entanto, natural aos homens competir e manter
papéis de liderança social, um fruto dos antigos impulsos que originaram os primeiros cultos ao
Caçador-Guerreiro.

O combate é uma experiência que, apesar não ser exclusiva ao homem, é vivida por uma
porcentagem muito maior de homens do que de mulheres. Na sociedade moderna, é um período
no qual os homens podem chorar e se abraçar sem a desaprovação social. No combate, os
homens voluntariamente sacrificam suas vidas pela de um amigo, na defesa de usa nação ou de
seus princípios e crenças. Essa é a verdadeira nobreza do homem, surgida de seu eu interior em
meio ao caos e o medo. Entretanto, também é verdade que na guerra são cometidas atrocidades, e
também isso tem origem na natureza humana. É importante compreender que não se trata de
comportamento instintivo; é a manifestação de ódio, preconceito, frustração e vingança. Deve ser
cuidada e cultivada, ao contrário dos traços nobres que são inerentes a nossas almas.

Há uma certa especulação sobre os sentimentos de raiva e ressentimento com relação às


mulheres, que teriam surgido nas sociedades patriarcais durante a transição de caçador-coletor
para agrícola. Foram as mulheres que estabeleceram o mito do Deus Sacrificado envolvendo os
homens. As antigas formas divinas do Mestre dos Animais e Senhor da Floresta deram lugar aos
deuses com pés de bode e Senhores da Colheita. As mulheres mantiveram as estruturas
religiosas, organizando e dirigindo a vida doméstica das pessoas da aldeia, e os homens
começaram a trabalhar nos campos. Onde antes o homem era o grande caçador, agora ele
caminhava por entre canteiros, plantando sementes. Onde antes ele arremessava sua lança contra
a presa, agora rasgava a terra com seu cajado.

Alguns historiadores e arqueólogos crêem que bandos de guerreiros nômades saíram em


cruzada contra os cultos matrifocais, numa tentativa de destruí-los (uma teoria amplamente
refletida na obra de Marija Gimbutas). É mais provável que as tribos patriarcais simplesmente
tenham se expandido em regiões mantidas por sociedades matrifocais como conseqüência de
alterações climáticas, crises de fome e/ou falta de caça. Seria o caso dos indo-europeus,
conhecidos como belicosos, e que simplesmente apanhavam aquilo que desejavam e
necessitavam, dominando toda e qualquer resistência por meio da espada. É pouco provável que
as sociedades matrifocais não possuíssem armas ou a habilidade de utilizá-las quando necessário,
mas no fim elas acabaram por não ser páreo para os exércitos invasores, e sua cultura foi

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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absorvida pelos conquistadores. Os conceitos e ícones religiosos dos vencidos foram substituídos
pelos dos vencedores, pois, segundo uma antiga lógica, os deuses que propiciam a vitória devem
ser mais poderosos do que os que permitem a derrota.

O SÁTIRO

As antigas imagens do sátiro e do centauro simbolizam a divisão no interior do homem


entre sua natureza mais elevada e a mais baixa. A metade inferior do corpo, animalística,
representava a natureza sexual e o desejo de ser indomável ou sem restrições. A parte superior da
figura representava seu intelecto e sua natureza espiritual, buscando equilibrar e governar seus
instintos e desejos básicos. Para muitos homens modernos, esse ainda é o dilema em que se
encontram. Os homens lutam contra o que os psicólogos chamam de libido ou Id. Esse desejo
básico está ligados aos três instintos fundamentais: autopreservação (instinto de sobrevivência),
reprodução (instinto sexual) e companhia (instinto de grupo). Ao contrário dos outros animais, a
humanidade aparentemente fundiu esses três instintos num quarto, o instinto religioso. É por
intermédio da religião que os humanos vêm desenvolvendo maneiras de lidar com seus medos e
desejos naturais.

Na sociedade moderna, os instintos masculinos foram canalizados em esportes e outras


formas de competição. Em tempos remotos, estavam incorporados a rituais que fortaleciam a
terra e a comunidade. Esses ritos, assim como os impulsos sexuais dos homens, eram controlados
e dirigidos pelas mulheres. Muitas mulheres atualmente ainda tentam controlar os instintos
sexuais dos homens ao protestar contra as revistas e vídeos masculinos. Os homens são
inerentemente visuais quanto ao estímulo sexual. Caminhos mentais se formaram há muito
tempo nessa área, derivando da exposição natural dos órgãos genitias femininos antes que o
homem fosse uma criatura ereta. Os genitais emitiam sinais sexuais, alguns deles associados ao
sangramento menstrual. A posição de coito normal era a entrada por trás, a qual necessitava de
concentração visual. A fêmea, face voltada para longe da atividade, formava trilhas menta onde
precisava mais da imaginação do que da visualização real para se estimular sexualmente.
Atualmente, os homens sentem atraídos por seios fartos e lábios vermelhos, reminiscências das
nádegas e da vagina expostas quando vistas por trás.

Em tempos remotos, as mulheres não associavam o prazer sexual de um homem num


ritual a algo negativo. Seu sêmen era mágico e gerava vida; portanto, era empregado como um
dos sagrados fluidos rituais e cerimoniais. Infelizmente, muitas pessoas hoje consideram um
ritual que inclua prazer sexual aos homens como algo perverso, manipulativo ou abusivo para as
mulheres. Essa repressão do poder dinâmico inerente aos homens criou uma fissura entre as
mentes consciente e inconsciente. Assim, a imagem de um sátiro simboliza o homem perdido
entre suas naturezas elevada e inferior. Em alguns casos, isso pode se manifestar num homem na
forma de uma incapacidade de compreender seus próprios sentimentos, o que o leva a buscar
válvulas de escape físicas para manter ou descobrir seu senso de identidade.

O REINO DIVINO / O DEUS SACRIFICADO

Em tempos remotos, a lei “só os mais fortes sobrevivem” era uma realidade verdadeira e
comum. Hoje, graças à medicina moderna e à tecnologia, nossa sociedade mantém vivos aqueles
que a Natureza permitiria morrer. (Isso não é um julgamento, mas uma simples observação.)

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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No sistema das tribos primitivas, os caçadores e os guerreiros possuíam papel importante
na estrutura social. Os mais valentes e argutos dentre eles eram honrados pela tribo e seguidos
como líderes. Em muitos casos, o bem-estar desse indivíduo afetava o bem-estar de toda a tribo.
Esse é um tema amplamente explorado no mito norte-europeu do Rei
Arthur. Merlin diz a Arthur que, caso tenha sucesso, a terra florescerá; caso
contrário, a terra fenecerá. Arthur então pergunta: “Por quê?” Ao que
Merlin responde: “Porque você é o Rei!” Mesmo atualmente, as doenças de
nossos líderes nacionais são minimizadas, eles estão sempre “se
recuperando gradualmente”. Para compreendermos essa relação íntima, devemos analisar certosz
aspectos e conexões. Enquanto Merlin diz a Arthur: “Você é a Terra, e a Terra é você”,
prosseguiremos em nossa jornada ao passado para descobrir essas antigas raízes.

Antes que os humanos aprendessem a cultivar plantações e a criar animais, a caça era
essencial para a vida. Sem caçadores capacitados, os clãs desapareceriam. A caça era uma
atividade perigosa, pois os humanos ainda não haviam se retirado da cadeia alimentar. As armas
primitivas exigiam que os caçadores se aproximassem muito da presa, e os ferimentos pessoais
eram corriqueiros. Muitos caçadores perderam a vida ou ficaram incapacitados como resultado
da caçada. Com o tempo, o caçador passou a guerreiro, arriscando sua vida pela tribo. As
necessidades da tribo, fosse por alimento ou por defesa, exigiam o envio de melhor caçador ou
guerreiro existente na tribo.

Com o passar do tempo, esse conceito evoluiu com a consciência religiosa e espiritual da
humanidade. O conceito de Deidade, bem como seu papel na vida e na morte, tomaram forma
em meio a rituais e dogmas. Conseqüentemente, surgiu a idéia de enviar o melhor elemento da
tribo diretamente aos deuses para assegurar favores. Essa foi a origem do sacrifício humano
(acreditava-se que os que se apresentavam voluntariamente acabavam por se tornar eles mesmos
deuses).

As oferendas não eram novidade para nossos ancestrais; muitas vezes alimento e flores
ou caçaram depositados perante os deuses. Um semelhante era considerado a maior oferenda que
uma tribo poderia fazer. Entre as oferendas humanas, o sacrifício de um voluntário era a
possibilidade máxima. Certamente, acreditava-se, os deuses garantiriam à tribo qualquer coisa se
alguém desejasse abrir mão de sua vida.

Em seu livro Western Inner Working (Weiser, 1983), William Gray aborda diversos
aspectos desse tema do Culto. Um deles está relacionado ver com linhagens sangüíneas. Ele
escreve:

Algo os impelia a Deidades, não o medo, tampouco a busca por favores, mas eles sentiam um
grau de afinidade entre eles próprios e os invisíveis Imortais. De modo extremo, eles percebiam
que eram aparentados à distância desses Deuses, e queria fortalecer tal relacionamento. Essa
faceta em membros específicos da raça humana apresenta uma certa prova de linhas genéticas
que remontam ao “Antigo Sangue” que se originara de fora da própria Terra.
Gray também demonstra como os reis e governantes acabaram por ser sacrificados (por
serem os “melhores” do clã) e como as linhagens sangüíneas eram importantes. Os regentes da
antiga Roma e do Egito eram considerados por seus povos os descendentes dos deuses, ou eram
eles mesmos deuses.

“O Culto ao Reinado” por Gray oferece um relato de como o sangue e a carne eram
distribuídos para o clã, e para a terra. Partes do corpo eram enterradas em campos cultivados
para assegurar a colheita. Pequenas porções do corpo e do sangue eram adicionadas ao banquete
sobre o qual Gray escreve:

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Eles concediam ao finado líder o mais honroso sepultamento possível – em seus
estômagos.

Esse tipo de mitologia também pode ser encontrado na mitologia cristã, onde o corpo de
Jesus é o centro do rito da comunhão. Após o fim de tais práticas, Gray nota que o costume
perdurou na forma de cremação em uma pira funerária.

No mito do Rei Divino/Deus Sacrificado, o sacrifício é apenas uma parte da história.


Sacrificar é enviar o que temos de melhor, mas e quanto a recuperá-los? Nos versos da Arte,
temos uma passagem onde se lê: “.. e devemos encontrá-los, reconhecê-los, relembrá-los e amá-
los novamente”. Para tanto, foram criados rituais que ocasionassem o renascimento desses
Deuses Sacrificados onde as linhagens eram cuidadosamente estudadas. Donzelas especiais eram
preparadas para carregar o rebento, geralmente virgens artificialmente inseminadas para que
nenhum pai humano fosse conhecido.

Com a evolução e o amadurecimento da consciência humana, os sacrifícios humanos


foram substituídos por sacrifícios animais (o ritual do bode expiatório) e posteriormente para
sacrifício vegetal. O mesmo mito se aplica ao sacrifício vegetal, e encontramos a “Deidade
comida” no pão e vinho (carne e sangue) dos rituais da Arte. Apesar do significado e da
preparação terem se perdido em muitos dos sistemas reconstruídos, eles ainda são preservados
por muitas das Antigas Tradições da Wicca.

Na antiga tradição, era através dessa conexão com o corpo e o sangue do Deus
Sacrificado que as pessoas se integravam com a Deidade. Esse é basicamente o conceito do rito
cristão da comunhão ou da Celebração da Eucaristia. Na “Última Ceia”, Jesus declara a seus
seguidores que o corpo e o vinho são seu corpo. A seguir, ele afirma que abrirá mão de sua vida
por seu povo, e pede-lhes que comam de sua carne e bebam do seu sangue (o pão e o vinho).

Acreditava-se que o sangue continha a essência da força vital. A morte do rei libertava o
sagrado espírito interior, e através da distribuição de sua carne e de seu sangue (às pessoas e à
terra), uniam-se a terra e o paraíso, e essa energia vital renovava o Reino. Resquícios dessa
prática ainda podem ser claramente observados na Antiga Religião, apesar de estarem velados e
altamente simbólicos.

O Rei Divino/Deus Sacrificado surgem em vários aspectos no desenrolar das eras. Sua
imagem se manifesta como o Jack-in-the-Green, o Hooded Man, O Green Man e o Hanged Man
(Enforcado) do tarô. Ele é o Senhor das Plantas, ele é a Colheita e, em seu lugar da Mãe Terra,
tampouco usurpa seu poder – ele é seu complemento e seu consorte.

A imagem do Green Man provavelmente simboliza da melhor forma possível o Rei Divino/Deus
Sacrificado. Ele é o espírito da Terra, manifesto em todas as formas vegetais. Ele é o poder
procriativo e a semente da vida. Sua face é oculta pela folhagem, mas ele está sempre atento. O
Green Man representa a relação do homem com a Natureza. O escritor William Anderson, em
seu livro The Green Man, diz:

Ele resume em sim mesmo a união que deve ser mantida entre a humanidade e a Natureza. Ele é
o próprio símbolo da esperança: afirma que a sabedoria do homem pode se aliar às forças
instintivas e emocionais da Natureza.

Ele é, com efeito, nossa ponte entre os Mundos. Ele está integrado ao Paraíso e à Terra, e
integrar-se a ele é integrar-se à Fonte de Todas as Coisas.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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O HERÓI

A trilha do herói não é específica a um determinado sexo. A grande maioria dos mitos e lendas
remanescentes associados a heróis envolvem homens. É agora parte de nossa Consciência
Coletiva como cultura ocidental, e assim é aqui que abordamos os mistérios. Para onde seguimos
depois é por nossa conta. Na Antigüidade, o caminho do herói incluía mulheres; resquícios de
heroínas ainda existem em lendas como as de Perséfone e Deméter, Inanna, Ísis e tantas outras.
Seja um homem a arriscar sua vida em combate, ou uma mulher a fazê-lo no parto, ambos são
atos de bravura dignos do caminho do herói. O caminho do Herói é um de auto-sacrifício pelo
bem-estar dos demais.

O herói incorpora os elementos pelos quais a cultura que o criou aspira. O herói preserva o que é
nobre, inspirador e valioso para uma sociedade, tudo entrelaçado em contos de Busca, desafio e
determinação. Joseph Campbell chama a isso de o feito praticado por muitos. Claramente,
percebemos que esses feitos dos heróis de qualquer cultura não diferem dos de outra. Nisso
vemos que a natureza do Herói é, sem dúvida, universal na cultura humana.

Nos níveis externos, o Herói abandona a segurança de sua tribo ou aldeia e parte ao encontro de
um monstro ou para cumprir uma tarefa, em ambos os casos servindo aos interesses de sua
comunidade. Num nível interno, cada um de nós é um herói que deve deixar a segurança do que
aprendeu e aventurar-se na Busca por conhecimento. O herói deve deixar uma condição e
encarar um desafio, por meio do qual possa elevar sua própria consciência. Em algumas vezes,
isso é feito deliberadamente; noutras ocorre quase acidentalmente ou como uma reação simples a
uma determinada situação. De qualquer forma, são três os elementos do caminho do herói:
partida, realização e retorno.

Na lendas celtas, o herói é geralmente atraído ao desconhecido por uma criatura qualquer que
posteriormente se transforma numa fada ou deusa. A aventura do herói se inicia nesse ponto da
história. Nas tradições do Egeu/Mediterrâneo, o herói geralmente parte numa Busca pré-
determinada com parâmetros definidos. À medida que a consciência espiritual e intelectual da
cultura amadurece, a aventura do herói se transforma com ela. A lenda do Rei Arthur é um
excelente exemplo de um mito que evoluiu com a consciência da cultura que o formou. Os
aspectos lunares anteriores podem ser posteriormente encontrados disfarçados no simbolismo
solar patriarcal.

Na Tradição Misteriosa, encontramos algumas similaridades interessantes entre a espada do Rei


Arthur e o cetro do Rei no santuário de Diana no Lago Nemi. Somente uma pessoa com
determinados poderes seria capaz de retirar a espada da pedra ou quebrar o galho do carvalho de
Nemi. Faze-lo, em ambos os casos, resultava em soberania. O Carvalho Sagrado representava o
deus solar e estava sob os cuidados do Guardião do Bosque. No Lago Nemi vivia uma mágica
ninfa da água conhecida como Egeria. Ela era associada ao curso d’água que corria da gruta de
Diana ao Lago Nemi, bem como ao próprio lago. Egeria em Nemi e a Senhora do lago associada
à lenda celta de Arthur podem ser uma só.

O bem-estar do Rei dos Bosques foi em parte atribuídos a essa relação com Egeria. De acordo
com Frazer (em The Golden Bough), o riacho de Egeria brotava das raízes do Carvalho Sagrado
de Nemi. O carvalho era a madeira utilizada para aquecer a forja onde espadas eram
confeccionadas; o carvalho produz temperaturas mais elevadas que outras madeiras. Assim, o
espírito do Deus Carvalho passava às chamas e, por conseqüência, à espada empunhada pelo Rei
dos Bosques. Esse mito pode muito bem estar por trás da lenda celta do Rei Arthur e da espada

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Excalibur. A espada mágica de Arthur fora incrustada na pedra de onde ele a retirou, e a ele foi
devolvida pela Senhora do Lago após ter isido partida num tolo desafio de combate. O galho
partido do Carvalho de Nemi foi um desafio de combate ao Guardião do Bosque. Era parte da
árvore enraizada na terra, plena com a água que brotava do riacho de Egeria. Não é difícil
perceber que a espada Excalibur sendo erguida do lago e o Galho de Carvalho que surge da
Árvore Sagrada do regato de Egeria são a mesma imagem.

Por vezes o herói é mais uma pessoa espiritual do que um aventureiro ou guerreiro. Ele(a) ensina
a transformação da consciência que é o verdadeiro objetivo da Busca do Herói. A Busca em si
representa as provações e descobertas necessárias para que se obtenha iluminação. Os períodos
negros de nossas vidas, representadas no simbolismo mítico pelo aprisionamento no ventre da
baleia, são períodos de provação pessoal. Na cerimônia de iniciação do primeiro grau Wiccano, o
iniciado deve encarar uma provação e que somente através do sofrimento ele poderá obter o
conhecimento e a iluminação.

A água representa a mente inconsciente, e a baleia representa o que se esconde pro trás. É parte
importante da Busca do Herói que este encare o monstro. Um elemento comum na maioria
dessas lendas é o que o monstro. Um elemento comum na maioria dessa lendas é o que Campbell
chama de auxílio sobrenatural. É aqui que o herói recebe algum tipo de arma mística para
enfrentar seus inimigos. Arthur retirando a espada Excalibur da pedra é um bom exemplo. O
monstro deve ser derrotado para que o herói cumpra sua Busca. Em outras palavras, o herói deve
derrotar o que criaturas como o dragão simbolizam (geralmente medo, insegurança ou egoísmo).
Uma vez que o dragão não mais bloqueia o caminho (ou guarda o tesouro), o herói então pode
prosseguir rumo a seu objetivo.

É dever do herói, tanto interna como externamente, compreender a relação pessoal com a
sociedade na qual vive. O herói deve também aprender a relacionar essa sociedade ao mundo
Natural no qual ela existe. Ademais, ele deve compreender a relação de tudo isso com o Grande
Cosmos. O herói deve começar sua busca por dentro e, assim na Terra como no Céu, ele
compreenderá o Macrocosmo através dos exemplos encontrados e solucionados no Microcosmo.
É disso que tratam os mitos de todas as épocas desde que os primeiros contos bárdicos foram
entoados.

(Retirado dos Livros Mistérios Wiccanos de Raven Grimassi e Wicca, A Religião da Deusa de
Claudieney Prieto)

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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O Deus Cornífero
O Senhor da Natureza

Sou um cervo de sete galhos


Sou um dilúvio solto na planície
Sou um vento nas águas profundas
Sou uma lágrima brilhante do Sol
Sou um falcão no penhasco
Sou um belo entre as flores
Sou um Deus que incendeia a cabeça com fumaça
Sou uma lança que mantém a luta
Sou um salmão no lago
Sou uma colina de poesia
Sou um javali selvagem
Sou um ruído ameaçador do mar
Sou uma onda do mar
Quem, senão eu, conhece os segredos dos dólmenes em estado bruto?

Sou o brilhante Deus,


Senhor do Sol,
Mestre de tudo aquilo que é Selvagem e livre,
Pai das mulheres e homens,
Amante da Deusa Lua.
Sou o som que você desconhece, mas que te chama.
Sou quem, no sono profundo, reacende os mistérios noturnos.
Resido dentro de você.
Venha, adentre em meu mundo e conhecerá a ti mesmo.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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A ALMA DA WICCA

A Instrução do Deus
Sou o radiante Deus dos céus, que inunda a Terra de valor, e guardo a
semente oculta da criação, que irá germinar e manifestar- se. Levanto
minha lança brilhante para iluminar a vida de todos os seres
diariamente trago meu ouro à Terra, fazendo retroceder os poderes da
escuridão.
Sou o senhor das coisas selvagens e livres. Corro pelo campo com o
cervo e me elevo como o sagrado falcão nos céus resplandecentes. Os
antigos bosques e lugares selvagens emanam meus poderes e os
pássaros em vôo cantam a minha sacralidade.
Sou a última colheita, que oferece frutos e grãos para que todos se
alimentem. Porque sem plantio não há colheita, sem inverno não há
primavera.
Adorem-me como o Sol da Criação, de mil nomes, o espírito do Cervo Astado, a colheita sem
fim. Vejam no ciclo anual dos festivais meu nascimento, morte e renascimento e saibam que esse
é o destino de toda a criação.
Sou a centelha da vida, o Sol radiante, o Doador de paz e do descanso e envio meus raios para
abençoá-los, iluminando os corações e fortalecendo as mentes de todos.

A Instrução da Deusa
Quando necessitar de alguma coisa, uma vez no mês e é melhor que
seja quando a lua estiver cheia, deverá reunir-se em algum local secreto
e adorar meu espírito que é a rainha de todos os sábios. Você estará
livre da escravidão e, como sinal de sua liberdade, apresentar-se-á nu
em seus ritos. Cante, dance e festeje, faça música e amor, todos em
minha presença, pois meu é o êxtase do espírito e minha é a alegria
sobre a terra. Pois minha é a lei do amor para todos os seres. Meu
segredo é que abre a porta da juventude e minha é a taça do vinho da
vida, que é o caldeirão de Ceridwen, que é o graal da imortalidade. Eu
concedo a sabedoria do espírito eterno e, além da morte, dou a paz e a
liberdade e o reencontro com aqueles se foram antes. Nem tampouco
exijo algum tipo de sacrifício, pois saiba eu sou a mãe de todas as
coisas e meu amor é derramado sobre a terra.
Eu que sou a beleza da terra verde e da lua branca entre as estrelas e os
mistérios da água invoco seu espírito para que desperte e venha até
mim. Pois sou o espírito da natureza que dá a vida ao universo. De mim todas as coisas vêm e a
mim todas as coisas devem retornar. Que a adoração a mim esteja no coração daquele que
rejubila, pois saiba, que todos os atos de amor e prazer são meus rituais. Que haja beleza e força,
poder e compaixão, jubilo e reverência dentro de você. E você que busca conhecer-me saiba que
a sua procura e ânsia serão em vão, ao menos que você conheça o mistério: pois se aquilo o que

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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busca não se encontrar dentro de você, nunca encontrará fora. Saiba, pois que estou com você
desde o inicio dos tempos, e sou aquela que é alcançada ao fim do desejo.

O Credo das Bruxas

"Ouça agora a palavra das bruxas,


os segredos que na noite escondemos,
quando a obscuridade era caminho e destino,
e que agora a luz nós trazemos.
Conhecendo a essência profunda,
dos mistérios da Água e do Fogo,
e da Terra e do Ar que circunda,
manteve silêncio o nosso povo.
O eterno renascimento da natureza,
a passagem do Inverno e da Primavera,
Compartilhamos com o universo da vida
que num Círculo Mágico se alegra.

Quatro vezes por ano somos vistos,


no retorno dos grandes Sabbats,
no antigo Halloween e em Beltane,
ou dançando em Lammas e Candlemas.
Dia e noite em tempos iguais vão estar,
ou o Sol bem mais perto ou longe de nós,
quando, mais uma vez, bruxos a festejar,
Ostara, Mabon, Litha ou Yule saudar.
Treze Luas de prata cada ano tem,
e treze são os covens também,
trezes vezes dançar nos Esbats com alegria,
para saudar a cada precioso ano e dia.

De um século a outro persiste o poder,


que através das eras tem sido levado,
transmitindo sempre entre homem e mulher,
desde o princípio de todo o passado.
Quando o círculo mágico for desenhado,
do poder conferido a algum instrumento,
seu compasso será a união entre os mundos,
na terra das sombras daquele momento.
O mundo comum não deve saber,
e o mundo do além também não dirá,
que o maior dos Deuses se faz conhecer,
e a grande magia ali se realizará.

Na natureza, são dois os poderes,


com formas e forças sagradas,
nesse templo, são dois os pilares,
que protegem e guardam a entrada.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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E fazer o que queres será desafio,
como amar a um amor que a ninguém vá bruxoar,
essa única regra seguimos a fio,
para a magia dos antigos se manifestar.
Oitos palavras o credo das bruxas enseja:
"Sem prejudicar a ninguém, faça o que deseja!”

Resoluções da Bruxa
Que eu seja como a que tece o pano na floresta, profundamente escondida.
Que eu possa fazer o meu trabalho sem interrupção.
Que eu seja uma exilada, se este é o sacrifício.
Que eu conheça a procissão sazonada do meu espírito e do meu corpo, e possa celebrar os
quartos em cruz, solstícios e equinócios.
Que cada Lua Cheia me encontre a olhar para cima, nas árvores desenhadas no céu luminoso.
Que eu possa acariciar flores selvagens, cobri-las com as mãos.
Que eu possa liberta-las, sem apanhar nenhuma, para viver em abundância.
Que meus amigos sejam da espécie que ama o silêncio.
Que sejamos inocentes e despretensiosos.
Que eu seja capaz de gratidão.
Que eu saiba ter recebido a alegria, como o leite materno.
Que eu saiba isso como o meu gato, no sangue e nos ossos.
Que eu fale a verdade sobre a alegria e a dor, em canções que soem como o aroma do alecrim,
como todo o dia e na antiguidade, erva forte da cozinha.
Que eu não me incline à auto-intefridade e a autopiedade.
Que eu possa me aproximar dos altos trabalhos da terra e dos círculos de pedra, como raposa ou
mariposa, e não perturbar o lugar mais que isso.
Que meu olhar seja direto e minha mão firme.
Que minha porta se abra aqueles que habitam fora da riqueza, da fama e do privilégio.
Que os que jamais andaram descalços não encontrem o caminho que chega a minha porta.
Que se percam na jornada labiríntica.
Que eles voltem.
Que eu me sente ao lado do fogo no inverno e veja as chamas brilhando para o que vier, e nunca
tenha necessidade de advertir ou aconselhar, sem que me peçam.
Que eu possa ter um simples banco de madeira, com verdadeiro regozijo.
Que o lugar onde habito seja como uma floresta.
Que haja caminhos e veredas para as cavernas e poços e árvores e flores, animais e pássaros,
todos conhecidos e por mim reverenciados com amor.
Que minha existência mude o mundo não mais nem menos do que o soprar do vento, ou o
orgulhoso crescer das árvores.
Por isso, eu jogo fora a minha roupa.
Que eu possa conservar a fé, sempre!
Que jamais encontre desculpas para o oportunismo.
Que eu saiba que não tenho opção, e assim mesmo escolha como a cantiga é feita, em alegria e
com amor.
Que eu faça a mesma escolha todos os dias e de novo.
Quando falhar, que eu me conceda o perdão.
Que eu dance nu(a), sem medo de enfrentar meu próprio reflexo.

(Rae Beth)

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Cavalaria Wicca

Sabendo que a Arte dos Sábios é a crença mais honrada e antiga da história da humanidade, ela
impõe que todas as Bruxas, no ato de respeitar os Antigos Deuses, os irmãos e irmãs da Arte, e
eles mesmos devem saber que:

I - Cavalaria é um alto código de honra, da qual é maioria originada do paganismo antigo, e deve
ser vivida por todos aqueles que seguem os caminhos antigos.

II - Todos devem saber que pensamentos e intenções colocadas na face da Terra, vão entrar
fundo nas profundezas de outros mundos, e retornará. Tudo o que você planta, você deve
colher.

III - É apenas preparando nossas mentes para sermos Deuses, que conseguiremos alcançar a
mente dos Deuses.

IV - Acima de tudo, ser sincero consigo mesmo.

V - A palavra de uma Bruxa deve ter a validade de algo assinado ou de uma testemunha de um
juramento. Dê apenas a sua palavra escassamente, e apegue-se a ela como à própria vida.

VI - Evite falar de doença para os outros, já que nem todas as verdades devem ser ditas.

VII - Não fale sobre outras pessoas, coisas que você apenas ouviu falar, já que a maioria das
coisas que são ditas, são apenas mentiras.

VIII - Seja honesto com os outros, e deixe claro que você também espera encontrar honestidade
nessas pessoas.

IX - A fúria do momento, joga loucura contra a verdade; ter a confiança de alguém é uma
virtude.

X - Pense sempre nas conseqüências de seus atos sobre os outros. Ataque sem fazer mal.

XI - Muitos covens devem ter várias visões de amor entre os membros e com os outros. Quando
um coven, um clã ou um grupo é visitado ou juntado, cada membro deve manter silêncio
sobre suas práticas e suportar a vontade de falar aos outros.

XII - Dignidade, delicadeza e bom-humor são coisas para ser admiradas.

XIII - Como uma bruxa, você tem poderes, e eles se tornam fortes, à medida que sua sabedoria
aumenta. Portanto, exercite como manejar sua força.

XIV - Coragem e honra prevalecem para sempre. Seus ecos permanecem quando a montanha se
transforma em pó.

XV - Garanta amizade para todos que você acha que merecem. Dando força às outras pessoas,
elas também darão força a você.
Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”
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XVI - Você nunca, jamais deve revelar os segredos de outra Bruxa ou Coven. Algumas pessoas
têm trabalhado duro durante muito tempo para conseguir certas coisas, e as tratam como
grandes tesouros.

XVII - Como há diferenças entre os praticantes dos caminhos antigos, aqueles que estão
nascendo não devem ouvir e nem ver nada.

XVIII - Aqueles que seguem o caminho dos Mistérios devem estar acima das reprovações dos
olhos do mundo.

XIX - As leis da terra devem ser obedecidas toda vez que possível e dentro da razão.

XX - Tenha orgulho de você mesmo, e procure atingir a perfeição do corpo e da mente. Já dizia a
Dama: "Como você pode se orgulhar de outra pessoa, se você não tem orgulho de si
mesmo?”

XXI - Aqueles que procuram os Mistérios devem se considerar escolhidos dos Deuses, já que
são eles que devem liderar a raça humana para os mais altos tronos e acima das estrelas.

AS TREZE METAS DA WICCA


01 - Conhecer a si mesmo
02 - Saber sua arte
03 - Aprender
04 - Usar o que você aprendeu com sabedoria
05 - Manter o balanço de todas as coisas
06 - Manter suas palavras verdadeiras
07 - Manter seus pensamentos verdadeiros
08 - Celebrar a vida
09 – Alinhar-se com os ciclos da Terra
10 - Respire e alimente-se corretamente
11 - Exercitar seu corpo e sua mente
12 - Meditar
13 - Honrar a Deusa e o Deus

Usando o "Blessed Be"


A maioria dos wiccanos usa o cumprimento ritual "Blessed Be" com muito orgulho, assim que dá
os primeiros passos nesta prática. Com reverência e alegria, concede inúmeros "Blessed Be", na
felicidade de sentir-se parte de uma comunidade mágica em expansão. Este uso indiscriminado é
praticado por wiccanos recentes ou experientes, todos pensando estar distribuindo uma bênção

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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corriqueira, um simples "Abençoado(a) Seja". Isto porque poucos sabem o significado e as
implicações de tal saudação.
Originariamente, o "Blessed Be" é a forma contraída de um cumprimento ritual wiccano, usado
com formalidade e intimidade, adaptado de uma prática celta mais antiga, que eu não
mencionarei. É também chamado de Beijo Quíntuplo. O cumprimento é realizado entre o
Sacerdote e a Sacerdotisa do Coven, ou pelos membros do Coven entre si, mas apenas entre
homens e mulheres, pois é a saudação do feminino pelo masculino e vice-versa.
A Sacerdotisa e o Sacerdote ficam frente a frente. O Sacerdote ajoelha-se diante dela, e beija
seus pés, dizendo: "Abençoados sejam, teus pés, que te conduzem pelo Caminho". Depois, beija
seus joelhos, dizendo: "Abençoados sejam teus joelhos, que se dobram diante do altar". Depois,
beija a região do útero dela, dizendo: "Abençoado seja teu ventre, que propaga a vida". Depois,
beija seus seios, dizendo: "Abençoados sejam teus seios, que nutrem a vida, formados em
beleza". Depois, beija seus lábios e diz: "Abençoados sejam teus lábios, que proferem os Nomes
Sagrados". Os dois se abraçam. Então, a Sacerdotisa ajoelha-se diante dele, beijando-o nos pés,
joelhos, genitais, peito e lábios, dizendo: "Abençoados sejam teus pés, que te conduzem pelo
Caminho. Abençoados sejam teus joelhos, que se dobram diante do altar. Abençoado seja teu
falo, que a tudo fertiliza. Abençoado seja teu peito, formado em força. Abençoados sejam teus
lábios, que proferem os Nomes Sagrados" (conforme beija cada local). Os dois se abraçam.
Portanto, ao cumprimentar outra pessoa com a forma "Blessed Be", concede-se ao outro
exatamente um beijo quíntuplo. Ele não deve ser oferecido a qualquer um, mas usado
criteriosamente e parcimoniosamente. É representante de confiança, intimidade e
reconhecimento sagrado.

Aigh vie dhuit! (Bênçãos e fortuna e sorte a vocês!)

Helora, filha de Aine.

A Pirâmide dos Bruxos

O Trabalho mágico de uma Bruxa ou Bruxo exige seriedade e quatro características básicas:

A-) SABER
1-) Conhecer a si mesmo.
2-) Conhecer sua arte.
a-) Saber o que fazer.
b-) Saber como fazer.
c-) Saber quando fazer.
d-) Saber quando não fazer.
3-) Saber o que você quer realizar.
a-) Especificar bem o que você vai fazer.
b-) Criar um sigilo com as palavras.
4-) Saber trabalhar com moderação.

B-) QUERER
1-) Acreditar em você mesmo.
2-) Acreditar na divindade.
3-) Acreditar em suas habilidades.
4-) Acreditar na abundância do Universo.
5-) Ter a vontade de praticar de novo e de novo.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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6-) Habilidades de meditação
a-) Praticar visualização.
b-) Praticar relaxamento.
c-) Praticar um estado alterado de consciência.
d-) Praticar para ser capaz de fazer rápido e certo.
7-) Ter em mente com muita clareza o porque você quer realizar essa operação mágica.
8-) Observar se sua vontade está corretamente direcionada.
a-) Observar se não vai influenciar negativamente outra pessoa.
b-) Observar os aspectos de não prejudicar ninguém.
c-) Usar uma ferramenta adivinhatória para checar se seus planos são válidos, se
está numa boa hora de pô-los em prática.

C-) OUSAR
1-) Ter a coragem de mudar as circunstâncias.
2-) Ter a coragem de controlar seu ambiente.
3-) Ser responsável por suas ações.
4-) Escolher o melhor curso de ação para o trabalho a ser feito.

D-) CALAR
1-) Aprender a manter a boca fechada antes do trabalho.
2-) Aprender a manter a boca fechada enquanto espera pelos resultados.
3-) Aprender a manter a boca fechada depois do trabalho.
a-) Proteger sua confiança.
b-) Proteger sua reputação.
c-) Proteger sua energia.

Silver RavenWolf

Tábua de Esmeraldas
“Isto é verdade, sem mentira, muito verdadeiro” (a verdade
nos três mundos).
“O que está embaixo é como o que está em cima” (Lei da
Analogia)
“E o que está em cima é como o que está em baixo” (Lei da
Correspondência)
“E como todas as coisas vêm e vieram do Um” (Lei do
número)
“Assim todas as coisas são únicas por adaptação” (Lei da
Adaptação)
“O Sol é seu pai; a Lua é sua mãe; o vento carregou-o no
ventre; a terra é sua nutriz” (os quatro elementos)
“Separarás a terra do fogo, o sutil do espesso, docemente
como Grande Indústria” (Arcano da Salvação, separação da
matéria do espírito)
“Ele sobe da Terra para o Céu, e de novo desce a Terra e
recebe a força das coisas superiores e inferiores” (Lei da
Evolução/Involução)
“Terás por esse meio toda glória do número e toda escuridão se afastará de ti. É a Força forte
de todas as Forças.” (Lei do Amor e do Sacrifício)

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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“Por que ele vencerá toda coisa sutil, e penetrará toda coisa sólida.” (É pela lei do amor que o
espírito move o Universo)
“Assim foi criado o mundo” (Lei da Realização)
“Disso saíram inúmeras adaptações cujo meio está aqui. Por isso fui chamado de Hermes
Trismegistus, possuindo as três partes da filosofia do mundo” (Divino, Astral e Físico)
“O que disse da cooperação do Sol está realizado e aperfeiçoado”

O Conselho Wiccan

A Lei Wiccana respeita


Perfeito amor, confiança perfeita
Viva e deixa viver
Dá o justo para assim receber
Três vezes o círculo traça
E assim o mal afasta
E para firmar bem o encanto
Entoa em verso ou em canto
Olhos brandos, toque leve,
Fala pouco, muito ouve
Pelo horário a crescente se levanta
E a Runa da Bruxa canta
Pelo anti-horário a minguante vigia
E entoa a Runa Sombria
Quando está nova a lua da Mãe
Beija duas vezes Suas mãos
Quando a lua ao topo chegar
Teu coração se deixará levar
Para o poderoso vento norte
Tranca as portas e boa sorte
Do sul o vento benfazejo
Do amor te traz um beijo
Quando vem do oeste o vento
Vêm os espíritos sem alento
E quando do leste ele soprar
Novidades para comemorar
Nove madeiras no caldeirão
Queima com pressa e lentidão
Mas a árvore anciã, venera
Se queimares, o mal te espera
Quando a Roda começa a girar
É hora do fogo de Beltane queimar
Em Yule, acende tua tora
O Deus de chifres reina agora
A flor, a erva, a fruta boa
É a Deusa que te abençoa
Para onde a água correr

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Joga uma pedra para tudo ver
Se precisas de algo com razão
À cobiça alheia não dá atenção
E a companhia do tolo, melhor evitar
Ou arriscas a ele te igualar
Encontra feliz e feliz despede
Um bom momento não se mede
Da Lei Tríplice lembre também
Três vezes o mal, três vezes o bem
Quando quer que o mal desponte
Usa a estrela azul na fronte
Cultiva no amor a sinceridade
Para receber igual verdade
Ou um resumo, se assim preferes:
'Se nenhum mal causar,
faz o que tu queres'.

Despertar
"Faça com que cada raiar seja tua vida
Sinta em tudo que te cerca a melodia
Faça de si mesmo teu caminho
Em crença, amor, verdade e confiança
Deixe que Ela faça parte do teu mundo
Então que Ela se torne sua própria vida
Dedique a si todo o seu amor e alegria
E cresça a cada instante como uma bela flor
Deixe que Ela sopre em tua vida
E cante em tudo aquilo que faz parte do teu mundo
Sinta-se parte e todo ao mesmo tempo
Viva intensamente e busque sua verdade
Seja pleno e seja aquilo que acredita
Busque dentro de si o teu caminho, sua melodia."

"Lua Mística"

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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OUTRAS TRADIÇÕES
Apresentaremos aqui um breve texto explicando um pouco sobre três das mais conhecidas
tradições Pagãs junto com a Wicca.

XAMANISMO

O xamanismo é a mais antiga prática espiritual, médica e filosófica


da humanidade. Hoje médicos, advogados, donas de casa,
psicólogos, espiritualistas, místicos, estudantes, executivos, e
pessoas das mais variadas crenças estão estudando e aplicando o
xamanismo.
Os rápidos resultados, introvisões de profundo significado, o contato
com realidades ocultas, a obtenção de autoconhecimento, a busca do
poder pessoal, contribuem para o interesse nas práticas.
O xamanismo é um conjunto de crenças ancestrais. Sua prática
estabelece contato com outros planos de consciência, a fim de obter
conhecimento, poder, equilíbrio, saúde.
Propicia tranqüilidade, paz, profunda concentração, estimula o bem
estar físico, psicológico e espiritual.
O xamã pode ser homem ou mulher. É o bruxo, o curandeiro, o
bruxo, o médico, o terapeuta, o conselheiro, o contador de estórias, o
líder espiritual, etc.. Ele é o explorador da consciência humana. O
praticante é levado a sair do torpor convencional, reconhecendo os seus limites, a sua limitada
visão pessoal do mundo, buscando um plano mais universal.
Através de um chamado interior ele vive um confronto existencial que o força a sair de uma zona
de conforto, do falso brilho, da alienação.
Reforçando a coragem e a determinação, o praticante mobilizado por visões, introvisões e
vivências, expande a sua consciência, podendo processar transformações de profundas
proporções na sua vida. O xamanismo resgata a relação sagrada do homem com o planeta.
Praticar xamanismo é ir em busca da excelência espiritual, é enxergar a realidade existente por
trás dos conceitos, é se harmonizar com as marés naturais da vida. É trilhar o Caminho Sagrado,
atravessando os portais da mente, das emoções, do corpo e do espírito.
A premissa básica é o reconhecimento que todos fazemos parte da Família Universal e tudo está
interligado. O praticante compreende o "Espírito Essencial" que está dentro dele mesmo, na
natureza e em todos os seres. Ele sabe quem ele é , e como se relaciona com o Universo. O
reconhecimento do caminho da verdade vem da expansão da consciência e a compreensão que o
verdadeiro poder está dentro de cada praticante, e provém do desenvolvimento de seus próprios
dons.
Hoje, no Planeta, a vibração está mais alta do que nunca. As pessoas se preocupam cada vez
mais com o autoconhecimento e fazem a si mesmo uma pergunta: “O que eu realmente devo
fazer na vida?”
Nesta busca deparam-se com barreiras, seja com relacionamentos, trabalho, saúde, carreira e etc..
O maior obstáculo para o crescimento é a inércia, que cria a insensibilidade, pois priva o
indivíduo de novas possibilidades, cria passividade com relação à vida. Cria falta de vitalidade,
limita a criatividade e predispõe ao papel de vítima. A consciência se limita a fugir, a ter medo.
A vítima fica sempre vivendo as sombras do passado e com medo do futuro.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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As práticas xamânicas compelem a mente a viver dentro do coração, até que a mente ignorante
seja destruída. Isso se manifesta quando o ser se revela espontaneamente.
Na verdade, o antigo modo de viver acaba, abrindo caminho para um jeito mais consciente.
Quando se aproxima o verdadeiro propósito da alma, tudo da natureza interior vem à tona. A
pessoa entra em um processo mais rápido de transformação pessoal. Quando convidamos o amor
para despertar poderes mais profundos, trabalhar nos desafios torna-se uma aventura.
O praticante explora a estrutura de sua própria consciência e vai compreendendo como os fatos
acontecem na sua vida, deixando de ser vítima das circunstâncias. Sente-se inspirado pelos
desafios e aprende a utilizar a energia de forma a caminhar no Amor - Paz e Luz.
Praticando a sabedoria das antigas tradições adaptadas ao mundo atual e ao estado atual da alma
humana, o trabalho é feito com tambores, canções, meditações, instrumentos de poder, danças,
respirações, visualizações, estórias, vivências e muito, muito amor.

"Sauna sagrada"
É o local onde oferecemos a água de nosso corpo para a Mãe Terra. Tradicionalmente é
confeccionada com Salgueiros, tendo a forma semelhante a uma nave espacial. Os mourões de
salgueiros são utilizados para formar a armação da tenda, e o número de salgueiros varia de
acordo com a intenção. O salgueiro por ser a árvore do amor é a preferida, porém podem ser
utilizadas as nativas.
A porta de entrada da tendas poderá ficar para o Leste ou Oeste, dependendo da intenção do
condutor. A tenda é construída diretamente sob a terra, tendo um buraco no centro. A armação da
tenda é recoberta por lonas.
Na cerimônia as pessoas reúnem-se na fogueira ritual, onde são esquentadas pedras, diretamente
no fogo, pelo período de aproximadamente três horas. São feitas evocações, e saudações ao fogo.
As pessoas vão entrando em fila na tenda, que já tem uma pedra para dar o pré-aquecimento. É
importante lembrar que as pedras guardam registros da Terra.
Ao entrar na tenda, cada pessoa passa pelo conduto, que faz evocações e purificações com uma
pena, preparando o participante para entrar.
Ao entrar ajoelhado o participante evoca o manara: "Por Todas As Nossas Relações”, e ocupa
um lugar dentro da tenda, dirigindo-se no sentido horário.
Quando todos estão dentro da tenda, o Guardião do Fogo, vai, a pedido do condutor, trazendo as
pedras quentes conforme a intenção do trabalho.
Após as pedras colocadas no centro da tenda, a porta é fechada, e começam as invocações,
jogando água e ervas nas pedras. São invocados os poderes das quatro direções, animais de
poder, canções, preces, etc..
O vapor começa a subir tomando conta da tenda, elevando a temperatura de forma intensa. Neste
momento, através da própria elevação da temperatura do ambiente, as pessoas começam a suar
purificando seu corpo, e entram em estado alterado de consciência, recebendo visões
esclarecedoras.
Nesta cerimônia podemos sentir que a Terra tem vida. Entrar na tenda é nascer de novo, une-se o
espiritual com o mental, aprendemos a abrir o nosso espírito, a ser pacientes.
A INIPI é uma cerimônia de cuidados e purificação .Abre nossos poros para liberar toxinas.
Ela simboliza o retorno ao útero da mãe. Uma tenda do suor, sem a cerimônia é apenas quente.
Com a cerimônia estaremos unidos a Terra, nos convertemos em parte integrante da Terra. Na
INIPI nos concentramos na purificação do físico, da mente, das emoções, do espírito.

Estados Alterados De Consciência


VISÕES - IMAGINAÇÃO
Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”
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Os estados alterados de consciência, não envolvem apenas o transe, e sim a capacidade de viajar
na realidade incomum com o objetivo de encontrar-se com espíritos animais, plantas, mentores,
obter insights, para curas, etc..
Os estados alterados de consciência incluem vários graus; Stanley Kryppner chega a classificar
20 estados diferentes de consciência . Eliade fala do êxtase, Castañeda fala do nagual. Nirvana,
samadhi, alfa, transe, satori, consciência cósmica, supraconsciência, etc.. também são nomes
para a mesma manifestação.
São através desses estados que conseguimos nos conectar com nossos mitos, símbolos, nossa
verdade interior. Conseguimos expandir a nossa percepção para os mistérios que estão guardados
em nós mesmos.
Aprendemos a sentir, ver e ouvir a energia. Nos religamos com o Sagrado e com a fonte criativa
de tudo o que nos acontece. Através da consciência ordinária, não conseguimos alcançar níveis
profundos do nosso ser.
Existem diversas técnicas ou rituais para se chegar a estados mais profundos de consciência,
dentre elas: tambores, danças, jejuns, plantas de poder, respirações, posturas corporais, etc..
Através dos estados alterados nos alcançamos uma experiência divina, acessamos uma fonte de
Sabedoria Superior, curamos nosso corpo, nos conhecemos melhor através das visões,
expandimos a nossa consciência.
No mundo inteiro administram-se placebos, que acarretam em diminuição da dor, náuseas,
ansiedades, etc..
O corpo não tem segredos, nunca mente, os pensamentos passados, ou presentes não passam sem
deixar sua marca corporal. As imagens comunicam-se com tecidos e órgãos, e até células para
promoverem mudanças.
Os xamãs compreendem, o nexo entre o corpo, alma e mente, num sentido espiritual. O trabalho
ritual do xamã tem efeito terapêutico direto, visualizar imagens vívidas e induzir estados
alterados de consciência, que conduzem a autocura.
Na medida em que adquirimos conhecimento deste sistema de defesa, podemos treinar nosso
sistema imunológico para funcionar com eficácia. Os cientistas já comprovaram que o sistema
nervoso central, não sabe diferenciar uma vivência real de uma vivência imaginária.
Nosso sistema imunológico é violentamente agredido por muitos tipos de comportamentos e
pensamentos. De acordo com pesquisas, imagens específicas, sentimentos positivos, sugestões,
aprender como reagir com fatores estressantes de modo relaxado, tem o poder de aumentar a
capacidade do sistema imunológico, no sentido de combater a doença.
Os caminhos do xamanismo são acima de tudo, espirituais, a prática xamânica compreende a
capacidade de entrar e sair de estados alterados. No xamanismo considera-se a doença como
originária do mundo espiritual. A maior atenção não é dada para os sintomas, ou a doença em si,
mas a perda de poder pessoal que permitiu a invasão da doença.
Sentimentos, pensamentos e imagens podem, na realidade, causar liberação de substâncias
químicas. Um equilíbrio químico é essencial à manutenção da saúde.
As imagens e visões são usadas como instrumentos para reestruturar o significado de uma
situação, de modo que ela deixe de criar sofrimento.
As imagens transmitem mensagens compreendidas pelo sistema imunológico. Elas ligam os
pensamentos conscientes aos glóbulos brancos.
Saúde é estar em harmonia com a visão do mundo. É uma percepção intuitiva do Universo e de
Todas as Suas Relações. No xamanismo aprendemos a nos comunicar com animais, plantas,
estrelas e minerais, conhecemos a morte e a vida e não vemos diferença entre elas. Expandimos
para além do estado ordinário de consciência para experimentar as vibrações do Universo.

Instrumentos De Poder

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Os xamãs sempre utilizaram objetos mágico-religiosos que lhes conferiam poder às cerimônias e
rituais, assim como os talismãs que os protegiam. Descrevo a seguir um dos mais conhecidos,
acrescentando que são infindáveis os instrumentos de poder utilizados nas práticas xamânicas.

TAMBOR
O tambor é considerado universalmente como um instrumento indispensável do xamanismo. É o
veiculo pelo qual os xamãs fazem suas viagens a outros mundos. O tambor também é usado para
invocar espíritos, para curas, para afastar espíritos malignos.
O tambor deverá adquirir uma alma antes de ser utilizado, alguns o preparam com banhos de
ervas, evocações, defumações, canções, preces, etc.. Deve ser honrado o sacrifício do animal e
da árvore, pois estes espíritos também falarão através do toque do xamã.
Os nativos norte-americanos associam o toque do tambor as batidas do coração da Mãe-Terra e
também ao som do útero. O tambor dá acesso a força vital através de seu ritmo.
O tambor é considerado o cavalo, ou a canoa, que leva ao mundo espiritual. É o instrumento que
faz a comunicação entre o Céu e a Terra, que permite ao Xamã viajar ao Centro do Mundo (
Eliade )
É utilizado por xamãs e sacerdotes do mundo inteiro, em diversos tamanhos e formas, como, por
exemplo, o Damaru (o instrumento de Shiva), os tambores japoneses, as tablas indianas, as
tumbadoras cubanas. É usado no Tantra, no Budismo Tibetano, nos cultos afro, tais como a
Umbanda e o Candomblé ( atabaques ). Neste último existe a prática do batismo dos atabaques,
onde são aspergidos por água benta; são oferecidas comidas dos santos, e os tambores envoltos
com as cores dos orixás a que foram consagrados. Nos cultos jeje-nagô os atabaques são
percutidos com varinhas ( aguidavis ), nos cultos de angola são percutidos com as mãos.
Os sons repetitivos e monótonos permitem ao xamã alterar sua consciência. O antropólogo M.
Harner relata uma pesquisa feita em laboratório, que o tambor produz modificações no sistema
nervoso, pois as batidas são de baixa freqüência, predominando o nível de freqüência do eletro-
encefalograma, por esse motivo, para conservação do transe, geralmente um assistente assume o
tambor. O tambor associado a cânticos, sinos, e outros instrumentos cria um ambiente muito
propício para o transe.
O chefe do tambor, ogã, tamborileiro, é o maestro da viagem, do transe. Os toques podem
aumentar o campo de força. Existem toques para cura, para guerra, para as jornadas.
A velocidade de toque para uma jornada xamânica varia de 150 a 200 batidas por minuto.

MARÁCAS E CHOCALHOS
Muito utilizados, principalmente na América do Sul, geralmente feitos de cabaça, ou chifres de
gado, o interior contém sementes ou pedras.
Possuem a mesma finalidade dos tambores, também são utilizados para aberturas de rituais e
exorcismos.

PEDRAS E CRISTAIS
Há um conto xamânico que o Criador vendo a escuridão da noite, pegou um cristal de quartzo e
despedaçou-o em milhares de pedaços, e jogando-os no Universo criou as estrelas.
Os aborígines australianos chamam os cristais de luz solidificada.
Pedras e cristais vêm sendo utilizados, pelas mais diferentes civilizações. Eles possuem
vibrações variadas de luz e som. No xamanismo norte-americano são chamados de Seres Pedra,
detentores dos registros da Mãe Terra.

TRAJES E MÁSCARAS
O simbolismo por trás dos trajes, representa a saída do mundo material para a entrada no mundo
espiritual. Os trajes cerimoniais se fazem presentes em todas as religiões: a batina do padre, a
paramentação dos orixás, os mantos dos bruxos e sacerdotes, o branco, as peles de animais, as
fardas e etc..

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O mesmo acontece com penas, cocares , que simbolizam também a iniciação. Os trajes
representam um microcosmo espiritual que se distingue do espaço profano em volta. Está
impregnado, através da consagração de forças espirituais. É como se adquirisse um novo corpo.
As máscaras encarnam poderes sobrenaturais, dando um meio ao homem para se aproximar de
forças divinas.

PAU-FALANTE
Utilizado especificamente por nativos norte-americanos. Trata-se de um pedaço de pau
consagrado para se apresente o "Sagrado Ponto de Vista" Neste ritual não pode ser utilizada
nenhuma palavra que não represente a verdade. Só fala quem estiver com o pau-falante na mão,
os demais permanecem em silêncio . É uma forma de honrar a sabedoria dos outros. São
empregados em reuniões, processos grupais, relacionamentos entre as pessoas, etc..

CACHIMBOS
É de uso corrente o cachimbo entre os xamãs do mundo inteiro. Para os nativos norte-
americanos, ele surgiu com a aparição da Mulher Novilho Búfalo Branco, na tribo Lakota.
Ela explicou que o fornilho representava a Terra , e o cano tudo o que nasce sobre a Terra.
O fornilho representa o aspecto feminino e o cano o masculino. A união dos dois simboliza o
princípio da criação, da fertilidade. O Cachimbo Sagrado é uma forma de oração, as preces são
enviadas através do cachimbo. A cada pitada de tabaco se está honrando o que os nativos
chamam de Todas As Nossas Relações (Mitakuye Oyassim), que são todas as manifestações da
vida da Criação, seres elementais, animais, insetos, peixes, pedras plantas, ancestrais, e etc..
O cachimbo também é utilizado por xamãs peruanos em rituais com plantas de poder, na magia
dos pretos velhos, por índios brasileiros em rituais de cura e exorcismo. O fato de alguns
cachimbos serem de uma peça só não tira o valor ritual.

OUTROS
Também são empregados em rituais, os paus-de-chuva, que simbolizam os movimentos das
águas, bastões de diferentes formas e adornos que precederam as varinhas mágicas.
Arcos e flechas, amuletos e talismãs, diferentes instrumentos musicais, raízes e sementes, cruzes
mandalas, e etc.. são usados de acordo com cada cultura.

A RODA MEDICINAL
As rodas, ou círculos, representam a totalidade. Na Índia é um instrumento para conduzir ao Eu
Profundo, e é chamada de Mandala. Segundo Jung, a mandala se encontra na própria alma
humana, aparecendo nos sonhos e em diversas imagens criadas pelo nosso inconsciente. O
círculo é o símbolo do Sol, do Céu e da Eternidade. O princípio masculino e feminino na China
(Yin-Yang) é simbolizado por um círculo dividido, em branco representando o Céu, e o preto a
Terra.
Os círculos aparecem no zodíaco, calendários, talismãs, pontos, templos, altares, etc..
O círculo é um símbolo para o entendimento do mistério da Roda da Vida. O homem olha o
mundo físico através de seus olhos, que são circulares. Assim como a Terra, a Lua, o Sol e os
Planetas. O tempo discorre de um movimento circular, e muitos ritos e cerimônias observam o
sentido horário. Os pássaros constroem seus ninhos em formas circulares, os animais delimitam
seu território em círculo.
Os índios americanos reconhecem a vida como um movimento circular, um caminho a ser
percorrido na Roda Medicinal, Roda de Cura.
Quando se constrói uma Roda Medicinal, edifica-se uma representação simbólica do Universo e
da Mente Universal, cujo Todo é conectado em sincronização harmônica com todos os seres.

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A Roda é um mapa da mente e a carta da vida. É um círculo de geração de poder, debaixo do
controle da mente, permitindo seu uso para achar nosso próprio caminho de autoconhecimento,
para mudar e transformar a própria vida.
As Rodas Medicinais dos nativos norte-americanos são constituídas de 36 pedras alinhadas de
forma circular. Existem várias versões, dependendo de cada tradição.
Servem também para rezar, meditar, contemplar, fortalecer nossa conexão com a natureza, etc..
Estudar a Roda Medicinal ajuda a lembrar a conexão com todos os aspectos do Universo. Cada
pedra na Roda Medicinal é uma ferramenta para ajudar você a entender traços de seu passado
que molda o presente e o futuro planetário.

AS PLANTAS DO PODER
Deus disse:
" Eis que vos dou toda a erva que dá semente sobre a Terra e todas as árvores frutíferas,
contendo em si mesmas a sua semente, para que vos sirva de alimento. "
Gênesis 1,29
Das plantas se obtém os princípios ativos empregados nos medicamentos. Deus nos uma
completa farmácia natural.
Umas alimentam, outras nos perfumam, outras nos purificam, nos acalmam, nos dão prazer, etc..
Porém, algumas plantas transportam a mente humana a regiões de maravilhas espirituais,
alterando a nossa consciência, levando-nos ao Mundo Profundo, reconectando-nos com os
nossos ancestrais.
O uso de Plantas Sagradas vem fazendo parte da experiência humana há milênios. Não podem
nunca serem confundidas com drogas que causam a dependência e colocam em risco a saúde de
quem as usa. A Planta é criação de Deus, a droga é uma criação humana.
As Plantas de Poder são ingeridas em rituais. Obedecem a preceitos mágico-religiosos e
proporcionam cura, autoconhecimento, expansão da consciência.
Conhecidas atualmente como plantas enteógenas ( entheos = Deus dentro ) são também
reconhecidas como; Plantas Mestres, Plantas Professoras, Plantas de Conhecimento, Plantas de
Poder, Plantas Sagradas.
As plantas de Poder, em suas diferentes espécies, participaram e participam de cerimônias rituais
em todos os continentes. Com o advento das obras de Castañeda, abriu-se uma porta para a
observação do uso de plantas para expansão da consciência, porém há sinais de sua utilização em
muitas escrituras sagradas.
Atualmente, existem comunidades religiosas que utilizam Plantas de Poder, como sacramento de
seus rituais tais como; a Igreja Nativa Americana que utiliza Peiote ( Don Juan ); o Catimbó, da
Jurema; O Santo Daime, a União Vegetal, e a Barquinha, da bebida Sacramental conhecida no
Peru como Ayauasca, e nas matas brasileiras com os nomes; iagé, nixi honi xuma, caapi.
As Plantas de Poder aumentam a percepção, a acuidade visual e auditiva, e transportam o
praticante para outras camadas vibracionais ou dimensões. A experiência é individual, algumas
pessoas têm visões, outras canalizam mensagens, fazem regressões, recebem insights, recebem
soluções para seus problemas com maior claridade, percebem as causas de suas doenças,
recebem cura, se conectam a arquétipos, aos mitos, aos medos, traumas, símbolos que estão no
inconsciente coletivo, visualizam entidades, viajam astralmente, etc...
O uso ritualístico de Plantas de Poder, proporciona, sem dúvida, uma experiência místico-
religiosa de beleza incomparável, proporcionando o samadhi, o êxtase, o nirvana, o encontro
com o Eu Superior, o transe.
Alerta - A busca pelas Plantas de Poder pode ser perigosa. Não são todos os que dizem conhece-
las, que as conhecem realmente. As Plantas de Poder só trazem resultados benéficos, se
utilizadas dentro de um fundamento espiritual. Consagradas em rituais e preparadas de forma
correta.

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Os Animais De Poder
SIMBOLOGIA ANIMAL
A simbologia animal está profundamente gravada no inconsciente coletivo da humanidade.
Herdamos sentimentos e recordações inconscientes que condicionam nosso comportamento
consciente.
Nas religiões antigas existem registros de rituais do homem e do animal em todos os hemisférios.
Exemplos como Ganesha, a divindade hindú, forma humana com cabeça de elefante; no Egito,
Thot, forma humana com cabeça de falcão; o peixe e a ovelha no cristianismo.
Na mitologia grega, entre os fenícios, maias, aztecas, índios norte-americanos, na Sibéria, nos
cultos africanos, no Peru, entre os aborígines australianos, entre os esquimós, índios brasileiros,
no taoísmo e etc..
Nos contos Jakata conta-se que Buda em seu "Grande Despertar " lembrou-se de encarnações
animais.
Jesus, um dia, disse aos seus discípulos: "Eis que vos enviou como ovelhas no meio de lobos;
portanto, sede espertos como as serpentes e simples como as pombas ". (Mateus, 10:16 )
A história também faz registros do Sermão aos Peixes, de Santo Antônio e São Francisco
pregando a palavra de Deus aos pássaros.
Também o símbolo dos Quatro Evangelistas: Mateus, o Anjo ou o Homem, marcando o
nascimento de Cristo; Marcos, o Leão, seu Evangelho começa no deserto; Lucas, o touro,
iniciando com Zacarias, que sacrificou o Gado; João, a Águia, porque através dela o Espírito de
Deus se manifesta.
Na astrologia os símbolos astrológicos são animais. Na astrologia chinesa idem. Nos chakcras,
há para cada vórtice um animal que carrega o bija ( semente ). A Kundalini é representada por
uma serpente.
A simbologia animal também está presente em todas as linhas de ocultismo, na alquimia, nas
cartas de tarô, nas runas, no I Ching, etc..

OS ANIMAIS NO XAMANISMO
No xamanismo passamos pela descoberta do animal guardião que está presente em cada um de
nós. Seja chamado de animal de poder, espírito protetor, nagual, aliado totem, animal guardião.
É o nosso alter ego, nosso duplo. Os animais estão mais próximos do que nós da Fonte Divina. O
animal é mítico, onírico. Quando compartilhamos de sua consciência animal, podemos
transcender o tempo e o espaço, e, as leis de causa e efeito. A natureza da relação entre o homem
e o animal é de origem espiritual. É o nosso instinto animal, nosso lado mais forte e menos
racional.
Os animais de poder são manifestações dos poderes arquetípicos ocultos, que estão por trás das
transformações humanas. Torna as pessoas com um corpo vigoroso, aumenta a resistência a
doenças, a acuidade mental, e a autoconfiança.
Eles auxiliam no diagnóstico de doenças, na realização de objetivos desafiadores, para aumentar
a disposição, auxiliam no autoconhecimento. Enfim, um aliado.
O antropólogo Michael Harner, em seu livro "The Way of The Shaman " descreve que quando
uma pessoa está doente ela está desanimada, ou seja ela perdeu sua força animal, está deprimida,
fraca e predisposta a adoecer.
No xamanismo realizamos uma ritual, com tambor, para que os praticantes se conectem com seu
animal, e também deixamos nosso animal aflorar através da " Dança do Animal ", uma outra
forma de evocação. No xamanismo, os praticantes costumam, também ter as sua canções, para
evocar o poder dos animais.
Cada animal traz seus talentos, ou uma essência espiritual, e através disso, cada um com sua
própria medicina, transmitem-nos a sua sabedoria. Vamos conhecer alguns deles :
Águia - Iluminação, a visão interior, invocada para poderes xamânicos, coragem, elevação do
espírito a grandes alturas.

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Aranha - Criatividade, a teia da vida, manifestação da magia de tecer nossos sonhos.
Baleia - Registros da Mãe Terra, sons que equilibram o corpo emocional, origens.
Beija flor - Mensageiro da cura, amor romântico, claridade, graça, sorte, suavidade.
Borboleta - Auto-transformação, clareza mental, novas etapas, liberdade.
Búfalo - Sabedoria ancestral, esperança, espiritualidade, preces, paz, tolerância.
Cavalo - Poder interior, liberdade de espírito, viagem xamânica, força, clarividência.
Cachorro - Lealdade, habilidade para amar incondicionalmente, estar a serviço.
Cobra - Transmutação, cura, regeneração, sabedoria, psiquismo, sensualidade.
Coiote - Malícia, artifício, criança interior, adaptabilidade, confiança, humor.
Coruja - Habilidades ocultas, ver na escuridão, a vigília, a sombra, sabedoria antiga.
Elefante - Longevidade, inteligência, memória ancestral, proteção, auto-suficiência.
Falcão - Precisão, preces ao Universo, mensageiro, olhar em volta, observar a distância.
Gato - Entendimento sobre mistérios, sensualidade, limpeza, visões místicas, independência.
Golfinho - Pureza, iluminação do ser, sabedoria, paz, amor, harmonia, comunicação.
Leão - Poder, força, majestade, prosperidade, nobreza, liderança, coragem, segurança.
Lobo - Amor, relacionamentos saudáveis, fidelidade, generosidade, ensinamento.
Morcego - renascimento, iniciação, reencarnação, habilidades mágicas.
Onça - Espreita, proteção do espaço, silêncio, observação, precisão.
Pantera - mistério, sensualidade, sexualidade, beleza, sedução, força, flexibilidade.
Sapo - Evolução, limpeza, transformação, mistério, humor, emoções.
Tartaruga - estabilidade, organização, longevidade, honra, paciência, sabedoria . urso -
introspecção, intuição, cura, consciência, ensinamentos, curiosidade.

REFLEXÃO
Neste momento deixe de lado idéias pré-concebidas. Tente ir além do raciocínio para chegar até
aquela parte de você que te conduziu para esta página.
O xamanismo é a magia natural. É uma abordagem que a sociedade nos tirou. É a busca
tradicional do autoconhecimento, da cura e do poder pessoal.
Sua pratica possibilita navegar na consciência individual e coletiva, onde você reconhecerá as
manifestações espirituais da natureza e de toda a "Criação Divina ".
As práticas xamânicas permitem ao espírito humano harmonizar-se com toda a Criação.
O xamanismo não é religião. Ele nos religa a uma fonte de sabedoria superior. Conduz o
praticante para descobrir o seu papel, sua finalidade na vida, sua evolução. Propicia uma nova
inspiração, uma nova visão do viver e de tudo o que foi vivido, mostrando maneiras de se
harmonizar com os acontecimentos naturais da vida.

AMOR - PAZ E LUZ!

STREGHERIA
Introdução
A Vecchia Religione, Stregaria ou Stregheria é uma velha
religião ligada a Natureza (como a Wicca). É a bruxaria
italiana. Em italiano temos palavras para designar bruxa e
bruxo que seriam strega e stregone, respectivamente. Há
também uma palavra para coven: boschetto.
Na Itália central, as bruxas adoravam a deusa Diana e seu
consorte, o deus Dianus. Fora de Roma, na região dos Montes
Albanos, elas se reuniam nas ruínas de um templo de Diana, às
margens do Lago Nemi.

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No século XIV, com uma mulher muito sábia que se "intitulava" Aradia, renasceu a Velha
Religião. Deste esforço, se formaram três tradições, que, em origem, eram uma só. As tradições
são conhecidas como Fanarra, Janarra e Tanarra. Coletivamente, são conhecidas como a Tríade
de Tradições.
A Fanarra é original do norte da Itália e são conhecidos como "Guardiões dos Mistérios da
Terra"; a Janarra e Tanarra são do centro da Itália. A Janarra é conhecida como "Guardiões dos
Mistérios da Lua" e a Tanarra, dos Mistérios das Estrelas. Cada tradição tem um "líder" chamado
Grimas. Ele deve ter conhecimento das outras duas tradições e sua função é fazer com que a sua
tradição continue.
Existe também a tradição Aridiana, proveniente da vila de Arida – dizem que a maior parte dos
discípulos de Aradia veio desta localidade no centro da Itália. A maioria dos praticantes
modernos da Stregaria segue essa tradição.
Como uma religião baseada na natureza, os Aridianos reconhecem a polaridade de gênero dentro
da Ordem Natural, e personificam isso como A Deusa e o Deus. O ano é dividido em meses do
Deus (outubro a fevereiro) e meses da Deusa (março a setembro). Ambos, Deusa e Deus, são
reverenciados e são iguais em importância. Um detalhe é que durante os meses do Deus, os
rituais são feitos com robes/túnicas e nos meses da Deusa, sem roupa alguma. Outra coisa é que
durante os meses do Deus, o sacerdote se ocupa de mais "incumbências" nos Esbats.
Os grupos (covens) da tradição Aridiana possuem diversos cargos. Estes são de Sacerdotessa e
Sacerdote; em seguida vem a Dama D’onore e La Guardiã, que são respectivamente, a Donzela
que auxilia a Sacerdotisa nos rituais, e o Guardião que é responsável pela segurança da
Sacerdotisa (o que de fato é interessante, pois não vivemos mais em uma época de perseguição,
ou não deveríamos). É interessante também ressaltar a similaridade com os sistemas gardneriano
e alexandrino. Os sacerdotes são a representação dos Deuses nas encenações dos rituais.

Pietra di Chiaro

ASATRÚ

História
Asatrú é uma das famílias Neo-Pagãs de religiões. Diferentemente da Wicca, que tem
gradualmente se envolvido com muitas tradições diferentes, a reconstrução do Asatrú tem sido

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baseada nos registros históricos sobreviventes; que tem sido mantida o mais próximo possível da
religião original das pessoas Nórdicas.
Asatrú ou Asatrú é uma palavra Islandesa, uma tradução da palavra dinamarquesa Asetro. Esta
ultima foi moldada pôr escolares na metade do século XIX. Isto foi intencionado a significar
crença nos Asir, os Deuses. Na Escandinávia, a religião foi chamada Forn Siðr (que significa o
Caminho Antigo), Forn sed (o Velho costume), Nordisk sed (costume Nórdico), ou Hedensk sed
(costume Pagão). As origens da religião estão perdidas na antiguidade. No seu cume, esta cobriu
todo o Norte da Europa. Em 1000 CE, A Islândia se tornou a antepenúltima cultura Nórdica a se
converter ao cristianismo. Suas motivações prioritárias foram econômicas. A Suécia foi
governada por um rei Pagão até 1085 CE.

O poeta Islândico Goþi Sveinbjorñ Beinteinsson promoveu o reconhecimento governamental do


Asatrú como uma religião legitima; isto foi concedido em 1972. Desde meados de 1970, a
religião tem estado sob um período de rápido crescimento nos paises formalmente Nórdicos, na
Europa e América do Norte.
Durante o começo do Século XX, O Partido Nacional Socialista na Germânia (Alemanha) sob a
liderança de Adolf Hitler, tentou perverter o Asatrú pelo enxertar de partes da religião nas
crenças Nazi racistas. Esta blasfêmia morreu no final da Segunda Guerra Mundial, apesar de
alguns grupos Neonazistas estarem tentando continuar sua pratica. Esta atividade não esta
relacionada de nenhuma forma na restauração do Asatrú como uma religião Neo-Pagã legitima.
Muitas pessoas expuseram o nome "Asatrú" através dos jogos de RPG, como o Mage: The
Ascension. (Publicado em português pela Editora Devir). Infelizmente, o Asatrú destes jogos são
apenas levemente semelhantes à religião de verdade.

Crenças do Asatrú
Asatrú é uma religião politeísta. Há três classes de Deidades no panteão Nórdico. Todas elas são
reconhecidas como seres viventes que estão envolvidas na vida humana:
Os Aesir: Estes são os Deuses da tribo ou clã, representando a Realeza, ordem, artesanato, etc.
Os Vanires: Estes representam a fertilidade da terra e forças da natureza. Eles são associados ao
clã, mas não são parte deste.
Os Jotnar: Estes são atualmente Deuses, mas são referidos como gigantes. Eles estão em um
constante estado de guerra com os Aesires. Eles representam caos e destruição. Como na batalha
de Ragnarok, muitos dos Deuses irão morrer, o mundo chegará a um fim e renascerá.
Valores de Vida: Eles seguem as Nove Nobres Virtudes: Coragem, Verdade, Honra, Fidelidade,
Disciplina, Hospitalidade, Labor, Auto-Confiança (Independência) e Perseverança. A família é
grandemente valorizada e honrada. Eles rejeitam quaisquer formas de discriminação baseada em
etnia, sexo, linguagem, nacionalidade, raça, orientação sexual, ou "outro critério separativo".
Origens: A humanidade é literalmente descendente dos Deuses. Uma deidade, Rig, visitou a terra
e foi pai da raça humana.
Od: Este é o presente do êxtase presenteado aos humanos pelos Deuses. É o que separa a
humanidade dos outros animais, e é a nossa ligação eterna com os Deuses.
História da Criação: Um poema Volüspá (Profecia da Vidente) contem uma estória da criação do
universo. Entre Muspelheim (A Terra do Fogo) e Niflheim a terra (ou pais) do Gelo estava um
espaço vazio chamado Ginnungigap. O fogo e gelo se moveram na direção um do outro; quando
eles colidiram, o universo passou a existir. Odin, Vili e Ve, mais tarde, criaram o mundo do
corpo de um gigante que eles tiveram que matar.

Rituais e Práticas Asatrú


Suas comunidades religiosas locais são chamadas de Kindreds, Hearths, Garths ou Hópr (no
caso da Skergard e da AVAB). "Padres” ou sacerdotes são chamados de Gothi (Godhi, Goði ou
Goþi), e as "madres" ou sacerdotisas são chamadas de Gythia (Gydhia, Gyðia ou Gyþia).

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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O Blot: Este é o ritual religioso mais comum; este é um sacrifício para os Deuses. Nos velhos
dias, como na maioria das antigas religiões, um animal era consagrado para as deidades e depois
morto. Este não era um suborno ou um método de capturar o poder do animal morrendo. Esta é
uma forma simples em que os antigos Nórdicos repartiam sua fartura com um presente para os
Deuses. Atualmente, o sacrifício animal foi substituído por outras oferendas como cerveja, suco
ou hidromel. Depois de tudo, os que estão presentes são borrifados com o liquido, ou bebida na
seqüência.
O Sumbel: Esta é uma celebração do ato de beber ritualmente, em que um chifre preenchido com
uma bebida é passado pelo grupo. Cada pessoa da um cumprimento; um brinde aos Deuses,
antigos heróis, um ancestral de alguém; ou uma história, canção ou poema. Ele ou ela então bebe
do chifre.
Profissão ou Adoção: Este é o ato de fazer um compromisso para o Asatrú pela exclusão de
quaisquer outros dogmas religiosos, pelo dar solenemente um juramento de aliança e parentesco
aos Deuses de Asgard, os Aesir e Vanir. Esta é uma cerimônia simples usualmente feita na
presença de um Gothi ou Gythia e o resto do Kindred, Hearth, Garth ou Hópr. Isto é tomado sob
um anel de juramento ou outro objeto sagrado.
Asatrú
Asatrú (também conhecido como Odinismo) é a antiga religião das longínquas terras do norte;
Germânia (Alemanha), Normandia, Suécia, Norte da Grã Bretanha, etc. A palavra vem da língua
nativa da Islândia significando "Verdadeiro (Sinceridade ou confiança também são validos) para
os ASA". Os Asa são os Deuses conhecidos como Æsires e Vanires. Muitos deles são
familiares, em nome pelo menos, para muitos de nós: Odin, Thor, Loki, Tyr, Baldur, HeimdallR,
Frigga, Freyja, FreyR, e outros. Os Æesires são primariamente deuses guerreiros, e geralmente
contados como mais elevados que os Vanires. Os Vanires são mais deuses da fertilidade e deuses
das riquezas, apesar de que eles também lutam. Uma vez as duas raças de deuses guerrearam
entre si. Finalmente uma trégua foi estabelecida e reféns foram trocados.
E a paz se estabeleceu, pelo menos entre os deuses. Asatrú também luta em prol do
restabelecimento da tradição familiar, amizade e tribal (dos kindreds*). Trabalhando em
conjunto com o fim de ajudar outros e fazer a cada um destes mais fortes.
Muitas das religiões atuais tendem a separar as pessoas e enfatizam o individuo. "VOCÊ" precisa
ser salvo! "VOCÊ" precisa salvar outros, assim então "VOCÊ" poderá ganhar um lugar mais
elevado no céu, Etc. Asatrú acredita que cada pessoa é dependente de outros e que somente
através de trabalhar conjuntamente que as pessoas poderão viver realmente em harmonia. Isto
não quer dizer que todos devem dividir tudo. Uma pessoa pode ser aquele que mantém a vila
suprida de madeira enquanto que outra cuida das ovelhas e outra faz os pães. Uma pessoa pode
proteger as outras com seu conhecimento das leis, outra pode cuidar das crianças, e ate mesmo
outra pode providenciar transporte para as mesmas. Os mundos são sustentados em conjunto e
alcançados pela arvore Axis-Mundi (mundial), Yggdrassil é acreditada também em Æsgardhr,
Muspelheim, Vanaheim, Midgardhr (nosso reino terrestre), Svartelfheim, Lightelfheim,
Jotunheim, Hel & Niffleheim são os Nove mundos do Odinismo. Estes são reinos dos Deuses,
humanos, elfos da luz, elfos da escuridão, anões, gigantes e outros. Estes mundos são conectados
pela Arvore Axis-Mundi e podem ser alcançados pelo trafegar nos galhos, raízes, membros e
troncos. Muitos são conectados via pontes especiais como Bifrost, a Ponte do arco-íris, que
conecta Midgardhr para Æsgaard, reino dos Deuses. Ha muitos mitos e lendas, muitos deuses e
raças, muitos demônios e espíritos malignos, muitos mundos, muitos rituais e formas de magia.
Tudo em tudo, Asatrú é uma religião rica e vibrante e, além disso, um modo de vida.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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COVEN

Coven ou Assembléia é nada mais nada menos, que um grupo de


Bruxos(as), que se unem num laço mágico, físico e emocional,
sob o objetivo de louvar a Deusa e o Deus, tendo em comum um
juramento de fidelidade à Arte e ao grupo.
Um Coven tem como filosofia "Perfeito Amor e Perfeita
Confiança". Isto quer dizer que dentro do Coven deverá
prevalecer a união, pois um Coven é, antes de tudo, uma família.

Tradicionalmente, ele abriga o máximo de treze pessoas, cada uma representando um mês do
ano, pois nas sociedades Matrifocais, o ano segue o Calendário Lunar de treze meses de 28 dias,
mais um dia, no total de 365 dias, dai a expressão, um ano e um dia, pois quando é iniciada, a
pessoa estuda durante esse período para, depois confirmar seus votos. O Calendário de 13 Luas,
também era usado pelos Maias, e é o que se afina melhor com os ciclos da Terra. Para um
estudante de Bruxaria, é muito importante se afinar com as fases da Lua. Quando esse número
excede, há uma divisão, e cria-se então os Clãs, formados de vários grupos originados de um
Coven inicial comum. Num grupo tão pequeno, todos se tornam de vital importância, e a falta de
qualquer membro é facilmente sentida.

Em Bruxaria, não existe nenhuma entidade hierárquica. O Coven não precisa ser associado a
nenhuma fundação "maior", como um grande "chefe" comandando tudo. No entanto cada
tradição tem sua organização própria sendo umas mais piramidais que outras ou ainda mais ou
menos fechadas em relação aos novos membros. O líder do Coven deve possuir sensibilidade e
poder interior para canalizar a energia do grupo, para dar início e interromper cada fase dos
rituais, ajustando a duração de acordo com o ânimo do grupo. Ele normalmente é escolhido pelo
próprio grupo. Geralmente tem seu cargo avaliado pelos membros e por si mesmo. Um
sacerdócio-mor, uma posição de liderança, não é um status vitalício... e sempre que necessário
outras pessoas podem tomar estas posições desde que dispostas a trabalhar e de comum acordo
com todo o grupo. Tensões por poder são comuns em todos os lugares. Nessas horas de disputa
mesquinha o ideal é que se afastem os membros envolvidos e que se escolha um outro para o
cargo. Moderação e diplomacia são sempre preferíveis a decisões ríspidas e autoritárias, mas
pulso firme no momento certo, assegura a estabilidade dos laços.

Para tornar-se membro de um Coven, o(a) Bruxo(a) deve primeiro encontrar um Coven e ser
iniciado, deve submeter-se a um ritual de comprometimento no qual os ensinamentos e segredos
internos do grupo são revelados. A iniciação é seguida de um longo período de treinamento,
onde a confiança do grupo é aos poucos conquistada. Ou, se não for possível encontrar um
Coven de portas abertas o(a) Bruxo(a) pode escolher uma tradição que admita a auto-iniciação e
formar seu próprio grupo de pessoas interessadas, que estudarão, se dedicarão e se tornarão, com
um pouco mais de esforço, um Coven...

Um Coven mantém encontros periódicos para o treinamento e exercícios, troca de experiências,


comemoração dos Sabás e Esbás, além de trabalharem juntos em outros rituais. A disciplina é
essencial na formação de uma consciência mágica comum ao grupo e de uma Egrégora (que é,
para simplificar, a força mágica do grupo e sua repercussão no Astral). Covens liberais e
democráticos em excesso se embaralham em coisas simples. Um pouco de ordem na casa,
objetividade e disposição para abrir mão das suas próprias opiniões em pró do grupo sempre
ajudam a concentrar esforços numa mesma direção.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Cada Coven tem seu próprio símbolo e nome, suas regras, suas características, seu método de
estudo e "carisma mágico próprio". Covens próximos podem e devem trocar influências, porém
sempre respeitando a individualidade de cada membro.
Mais que tudo, um Coven é um organismo, vivo, pulsante, que responde segundo seus membros.
Se alguém está doente, mal-intencionado, desequilibrado, angustiado, isso tudo se reflete no
desempenho do grupo, nos resultados dos rituais. Por outro lado se há alguém extremamente
bem, feliz, disposto, energizado, isso também é dividido com os membros que sentem a energia
do Coven. O Coven une seus membros muito além do plano físico, até mesmo no emocional. A
união é uma simbiose mágica ( ou ao menos deveria ser ). O que um sente é notado por todos, o
que um passa é sentido por todos. Reza o ditame:

"Os laços de um Coven são mais fortes que o sangue"

A Hierarquia Dentro Dos Covens


Este é um ponto absolutamente polêmico dentro da Wicca. Hoje em dia, a maior parte da Bruxas
dispensa este tipo de hierarquia. Mas, como informação, é preciso dizer que algumas Tradições
mantêm a prática de proceder a Três Iniciações diferentes para seus membros.

A Iniciação no Primeiro Grau é a entrada formal para a Religião Wicca, para aquela Tradição em
particular e para o Coven.
A Iniciação no Segundo Grau geralmente acontece depois de algum tempo de estudo religioso e
mágico dentro da Tradição.
A Iniciação no Terceiro Grau forma os chamados "Alta Sacerdotisa" e "Alto Sacerdote". Isso
pode ser descrito como o ápice do conhecimento dentro de uma Tradição específica. A Iniciação
no Terceiro Grau acontece, teoricamente, apenas depois que o membro completa um rigoroso
programa de estudo que engloba a Magia, a estrutura dos Rituais, a dinâmica de um grupo
mágico, a Mitologia da Wicca e diversas outras áreas.

Na nossa opinião, a hierarquia só deve existir se todos os membros do Coven se sentirem bem
com esta prática, e já que todos nós somos canais diretos com a Deusa e o Deus, poderemos
formar Covens sem a presença desta hierarquia. O que se deve evitar a todo custo é que acontece
“jogos de poder” dentro do Coven por causa desta hierarquia, senão, com o tempo, a Wicca se
transformará em apenas "mais uma Religião".

Não podemos deixar de mencionar uma experiência pela qual passou uma companheira nossa:
“...este foi - especificamente - o motivo que me levou a buscar o Caminho Solitário, por
enquanto. Eu recusei o posto de "Alta Sacerdotisa" em um Coven - simplesmente porque não
acredito que ninguém esteja "acima" de ninguém. Por mais anos de estudo que uma pessoa
tenha, ou por mais que ela esteja "à frente" dos outros membros em termos de estudo, eu acho
que isso é apenas uma questão de tempo. Eu já estudei muito, sim. Mas ainda estou aprendendo,
e muito, a cada segundo, a cada minuto, a cada hora de cada dia que passa. Eu jamais
conseguiria me colocar em uma posição "hierarquicamente superior" a ninguém só porque
fulano ou beltrano determinaram isto. E ponto.
Mas, infelizmente, este "jogo de poder" contamina muitas pessoas. E isto só acontece porque
existem outras pessoas dispostas a admirar e reverenciar o Ego de outras, admirar o "poder"
que estas pessoas exibem, em vez de prestar atenção em seu próprio Poder... Em vez de
reverenciar a Deusa e o Deus, por si sós... “

Resumindo: a Hierarquia dentro da Wicca é - realmente - polêmica. Muitas pessoas estão


interessadas na Wicca apenas como uma forma de aparecer na mídia e alimentar o próprio ego.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Mas outras acreditam, sinceramente, que é necessário passar por todo este processo de Iniciações
e Graus a fim de se sentirem seguras.

Lembrem-se sempre: “Se nenhum mal causar, faz o que tu queres”.

Se a escolha for por possuir graus hierárquicos, normalmente os membros são:

* - Alta Sacerdotisa - a líder feminina de um Coven, normalmente de 3º grau. Ela


representa a Deusa em um ritual e dá a palavra final em um Círculo.
* - Alto Sacerdote - o líder masculino de um Coven, normalmente de 3º grau. Ele
representa o Deus em um ritual.
* - Anciã(o) - um membro do Coven que mereceu seu 3º grau e que seja ou tenha sido
uma Alta Sacerdotisa ou Alto Sacerdote em seu próprio Coven.
* - Terceiro Grau - completa e total dedicação aos Deuses e à Comunidade Wicca.
* - Segundo Grau - completou o seu 1º grau e é qualificado para ensinar estudantes do
primeiro grau. É o grau do verbo "fazer".
* - Primeiro Grau - aquele que se dedicou a aprender a Arte. Este é o grau do verbo
"saber"
* - Dedicado - aquele que está aspirando o primeiro grau, e decide a dedicar-se aos
caminhos da Wicca.
* - Neófito - uma pessoa interessada em Wicca, mas que ainda não sabe nada relativo a
Arte.

Os Covens devem escolher uma Alta Sacerdotisa e Sacerdote que sejam democráticos e bons,
além de justos e sábios.

Outra opção é de a cada Lunação uma nova Sacerdotisa e um novo Sacerdote orientem os
trabalhos, mas, isso depende de cada Coven e de cada tradição.

As pessoas perguntam se é melhor ser uma Bruxa Solitária ou fazer parte de um


Coven. Isso depende do temperamento de cada um. As duas coisas têm suas vantagens
e problemas. Trabalhando sozinha, você tem liberdade e autonomia, sem depender da
opinião do grupo. Por outro lado, dentro de um Coven, você pode encontrar amizades
e pessoas com quem dividir suas idéias e dificuldades, pessoas mais experientes para
lhe ensinar e muita alegria nos rituais. Cabe a você determinar sua forma de trabalho, pois a
energia só flui num clima de muita alegria e descontração. O mais comum é encontrarmos
pessoas que comemoram os Sabás em grupo, mas mantêm um trabalho independente como
Bruxo Solitário.

Para se trabalhar num Coven é preciso que haja total afinidade entre os membros. Todas as
opiniões devem ser ouvidas para que se chegue a um consenso.

Ressaltamos mais uma vez: o Coven é formado por 13 pessoas, cada uma representando um mês
do ano, pois, nas Sociedades Matrifocais, o ano segue o Calendário Lunar de 13 meses de 28
dias, mais um dia, no total 365 dias. Daí vem a expressão "Um Ano e um Dia", pois, quando é
iniciada, a pessoa estuda durante esse período para, depois, confirmar seus votos. O Calendário
de 13 Luas também era usado pelos Maias, e é o que se afina melhor com os Ciclos da Terra.
Para um praticante de Bruxaria é muito importante se afinar com as fases da Lua. Rituais para
novos começos são feitos na Lua Nova. Quando queremos crescimentos devemos trabalhar na
Lua Crescente. A Lua Cheia é indicada para Rituais de prosperidade, fertilidade e trabalhos que
exijam grande dose de energia. Se quisermos nos livrar de energias negativas, doenças, etc,

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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devemos trabalhar na Lua Minguante, que também é conhecida como LUA NEGRA. Esse
conceito não tem nada a ver com o Mal, dizendo respeito ao lado obscuro da mente, que
devemos conhecer, pois é a negação desse lado negro que muitas vezes se transforma em ódio e
negatividade.

Agora, não é estritamente necessário que se tenha 13 pessoas no Coven, pois é melhor se
trabalharem duas ou três pessoas afinadas do que uma multidão que não se entende! Um Coven
problemático é uma grande dor-de-cabeça, e nenhuma energia positiva consegue fluir nessas
condições. Ao atingir mais que 13 membros, algumas pessoas do Coven podem optar por formar
seus próprios grupos interligados, dando origem ao que se chama de Clã. Dentro do Clã, todos os
Covens mantêm a sua independência e trocam informações.

Num Coven, todas as pessoas são iguais.


Obs: muitas vezes, usamos expressões no feminino durante o texto. Isso não
deve ser visto como se o homem fosse menos importante para a Wicca. Deve
haver um equilíbrio entre as energias masculina e feminina para que haja
harmonia em nossas vidas. Por isso não importa se nos chamarmos de bruxas
ou bruxos.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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INSTRUMENTOS

As ferramentas são Instrumentos importantes e necessários na Arte, usados em Rituais Wicca, e


tem sua origem perdida no tempo. São importantes focos de concentração, e podem alterar o
estado de consciência, por isso devem ser usados corretamente, com o propósito de fazer rituais,
invocar deidades, tirar negatividade, ou dirigir a energia através de nosso toque e intenção. Para
praticar Wicca você pode pelo menos ter algumas dessas ferramentas. Procure em lugares
especializados que você achará essas preciosidades. Alguns lugares nos Estados Unidos também
possuem catálogos, e é muito útil em alguns casos para achar ferramentas mais difíceis de serem
encontradas no Brasil.

Elas enriquecem os rituais e simbolizam energias. Algumas pessoas dizem que devemos usar as
ferramentas mágicas até acharmos que elas não nos tem mais utilidade, ou seja, enquanto nos
sentirmos confortáveis com elas. Depois de adquirido cada um dos instrumentos, comece a
familiarizar-se com eles, descobrindo suas energias e utilidades. É necessário que cada
instrumento passe por um ritual de purificação antes de ser utilizado. Aqui vai uma lista das
principais ferramentas usadas na Arte.

A Vassoura
Bruxas usam vassouras em magias e rituais. É uma ferramenta que simboliza
tanto a Deusa quanto o Deus. Talvez pela sua forma, a vassoura se tornou
uma poderosa ferramenta contra maldições e práticas de Magia Negra. Se
deitada sobre a entrada de uma casa, ela "varre" todos os spells que forem
jogados na casa ou em alguém que more nela. Se colocada embaixo do
travesseiro, ela traz bons sonhos e protege.
As Bruxas européias foram identificadas com a vassoura por causa das falas
populares, inventadas pelos perseguidores de Bruxas, que diziam vê-las
voando em suas vassouras. Isso é totalmente ridículo, visto que na verdade, a
vassoura era usada em danças nos rituais, e por isso, ligada ao ato de voar....
Ainda hoje, a vassoura é muito usada na Arte. Um Wiccaniano deve começar
o ritual "varrendo" o local com a Vassoura Mágica. Depois disso, o Altar é
construído, as ferramentas são carregadas e o ritual está pronto para começar.
Não é necessário que a vassoura toque o chão. Faça apenas os movimentos, visualizando que
você está tirando todas as forças negativas que estão naquele local. Ela purifica a área usada para
os rituais.
Como é um Instrumento de Purificação, a vassoura é ligada ao Elemento da Água, por isso, é
usada em todos os Rituais ligados a Água, assim como Feitiços do Amor e Trabalhos Psíquicos.
Algumas Bruxas colecionam vassouras, e mostram exuberantes variedades em seus materiais,
fazendo disso um Hobby muito interessante, chegando até a fabricá-las. Se você deseja fazer
uma Vassoura Mágica, deve tentar a antiga fórmula: um corpo de resíduo mineral, galhos de
vidoeiros e uma atadura de salgueiro. O resíduo mineral é para a proteção, o vidoeiro purifica, e
o salgueiro é sagrado para a Deusa. É claro que um galho de qualquer árvore ou arbusto deve
servir para substituir a vassoura.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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A Varinha Mágica
A varinha é um Instrumento de Invocação. É usado para dirigir a
energia, desenhar Símbolos Mágicos ou o Círculo, mexer coisas no
Caldeirão, ou até mesmo para invocar um Deus ou uma Deusa. É o
Instrumento do Elemento Fogo. A Varinha normalmente é feita de madeira, e há algumas
madeiras tradicionais usadas na "fabricação" de uma varinha: Salgueiro, Sabugueiro, Carvalho,
Macieira, Pessegueiro, Aveleira, etc...
Quando um Wiccaniano corta um galho de uma árvore, ele agradece à Natureza e pede
permissão para a mesma, para retirar o galho. Alguns Wiccanianos cortam o galho na junção da
árvore até sua extremidade, mas não é necessário. Qualquer galho forte e reto serve para se fazer
uma varinha. Algumas lojas vendem a varinha já pronta, como pode ser vistas em sites de venda
de Instrumentos de Wicca. Alguns livros dizem não haver problemas com uso de uma varinha já
pronta, fabricada por outra pessoa. Essas varinha prontas vendidas em alguns sites são muito
bonitas, bem fabricadas e com ótimo acabamento. Não é necessário que você use sempre a
mesma varinha pelo resto de sua vida, portanto use uma que você se sinta confortável e só mude
de varinha quando você achar que é necessário. Muitas vezes podemos demorar a encontrar
nossa varinha, mas não devemos nos impacientar e escolher a primeira que vemos a frente, pois
assim poderíamos escolher errado, quando você encontrar o material que mais harmoniza com
sua energia, então é hora de colhe-lo.
Numa noite de lua cheia, dirija-se a arvore ou a erva que tenha escolhido, sente-se o mais
próximo que puder dela, converse com ela, diga-lhe qual sua intenção, o porque de querer esta
planta e peça-lhe permissão para o corte. Este é o mais belo momento da bruxaria, pois
estabelecemos um elo tão grande com a planta, que podemos perceber o seu consentimento.
Após a planta lhe conceder o corte, pegue uma faca prata e virgem, preferencialmente em forma
de uma lua, e corte com delicadeza o galho escolhido, e no lugar no corte amarre um objeto seu
ou até mesmo uma mecha de cabelo, que será como um presente para a planta, um sinal de
gratidão.

Incensório
O incensório é uma base para deixar o incenso queimar. Pode ser comprada
ou feita por você mesmo. Não é necessário que o incensório seja bonito, ou
cheio de enfeites, varia de acordo com o gosto de cada pessoa.. Ele pode ser
simples, ou completo, isso depende de você. Se você não tem acesso a
nenhum lugar para comprar um incensório, você pode fazer um utilizando-se,
por exemplo, de uma taça ou copo, uma tigela ou uma concha funda com areia
e sal. A areia e o sal absorvem o calor, e evita que possa quebrar-se ou rachar-
se.
Os incensos são muito usados em rituais. Quando não se fala na necessidade
de utilizar um determinado tipo de incenso, use sua intuição para usar o incenso certo. Nas
cerimônias de Magia, o Deus e a Deusa podem ser vistos entre a fumaça feita pelos incensos.
Essa fumaça pode ser aspirada, nos deixando relaxados e algumas vezes até em estado de
consciência diferente. Esses rituais são feitos em lugares fechados, um incensório passa a ser de
muita importância, assim como o incenso, porém, em lugares abertos, o incenso pode ser
substituído por qualquer outro tipo de chama, e o incensório não precisa ser utilizado, já que se
pode colocar o incenso diretamente na terra. Alguns Wiccanianos ligaram o incenso ao Elemento
Ar, e são colocados frente às estátuas ou imagens da Deusa e do Deus.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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O Caldeirão
O Caldeirão é provavelmente o Instrumento mais difícil de ser encontrado hoje em
dia.
O Caldeirão é visto como um símbolo da Deusa pela Wicca, e manifesta
feminilidade e fertilidade. É ligado ao Elemento Água, e simboliza a reencarnação,
imortalidade e inspiração. É utilizado para rituais, cozinhar, fazer velas, incensos, etc... O
Caldeirão é normalmente feito de ferro e possui três pernas que o segura. Há várias formas e
tamanhos de Caldeirões, compre um já com um propósito delineado em sua mente, se você
pretende usá-lo apenas para fazer velas e cozinhar opte talvez por um de menor proporção, que
será mais fácil de chegar ao ponto de cozimento poupando-lhe tempo, não que um grande não
servirá, porém requer maior paciência e fogo mais forte.
Nos rituais de Primavera, o caldeirão pode ser cheio de água fresca e flores, durante o Inverno
pode ser acesa uma chama dentro do caldeirão, para simbolizar o retorno do calor e da luz do Sol
( o Deus ) o caldeirão ( a Deusa ).

O Athame
O Athame é um Instrumento de invocação do Deus e da Deusa. É
uma faca de dois gumes com um cabo preto e deve ser usado
apenas com propósitos ritualísticos. É o Instrumento do Elemento
Ar, e é usado para abrir e fechar o Círculo Mágico, para
simbolizar o encontro do Deus com a Deusa ( no caso de, por
exemplo, "cortar" a água ou o vinho simbolizando a Deusa, com o Athame que simboliza o Deus
) para canalizar a energia em determinado local, etc...
A espada pode ser também utilizada, já que possui as mesmas propriedades
do Athame, porém é mais difícil manuseá-la, e se o ritual for praticado em
lugares fechados, poderá haver o problema de espaço, e além do mais o
Athame é mais fácil de ser transportado.
O Athame deve ser consagrado no momento em que a Bruxa é iniciada, e
deve ser usado apenas por você, e por nenhuma outra pessoa mais. Não deve
ser nunca usado para cortar coisas ou fazer desenhos em que seja utilizado
sangue. A faca de dois gumes e de cabo branco, também chamada "Bolline",
é a que deve ser utilizada para cortar madeiras, ervas etc..., seu cabo é branco para que se consiga
distinguí-la do Athame ritualístico.

As Bolas de Cristal
As Bolas de Cristal de Quartzo são um símbolo importante na Magia. Hoje
em dia, as Bolas de Cristal ficaram populares, e não é tão difícil de se
encontrar, porém preste bastante atenção se você for comprá-la, não deixe que
o engane com um Bola de Vidro, que são muito parecidas com as de cristal e
bem mais baratas. Pode-se identificar uma Bola de Cristal verdadeira, pelo seu
preço, seu peso, temperatura. Essas bolas são usadas nas adivinhações, e um
meio de se ver as imagens que nossa mente produz. Em ritual Wiccaniano, a
Bola de Cristal, é usada para representar a Deusa, já que na sua forma ( esférica ) é um símbolo
da Deusa, assim como todas as rodas e círculos, e sua temperatura baixa, simboliza a profundeza
do Oceano, um domínio da Deusa.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Os Cristais devem ser usados para guardar energia e para receberem mensagens do Deus. Se
você tem uma Bola de Cristal, guarde-a com cuidado, além dela ser muito cara, é uma ótima
forma de aumentar a energia de um local, e é também muito usada em rituais de Lua Cheia.

O Cálice
O Cálice é o Instrumento do Elemento Água e representa a Deusa e a fertilidade. Ele
deve ser feito de qualquer material e é usado nos rituais com o propósito de guardar a
água ou outra bebida durante os rituais. É com o cálice que se compartilha as bebidas
ritualísticas entre irmãos da Arte, e também guarda a bebida oferecida à Deusa e ao
Deus.

O Sino
O Sino é um Instrumento mito antigo na magia. Tocar um Sino emana vibrações
que tem efeitos poderosos devido ao seu volume, tom e material de construção. O
Sino, ao contrário do que muitas pessoas pensam, é um Instrumento feminino e é
utilizado para Invocar a Deusa em alguns rituais, e dar o sinal de começo ou final de
alguns Spells. É também utilizado para afastar Espíritos ruins, assim como Evocar
Boas Energias. Algumas pessoas acreditam que colocando um Sino pendurado na porta, este vai
proteger e guardar a casa.

Túnica
Embora alguns Covens prefiram trabalhar " vestidos de céu",
completamente "nus", existe a opção de usar a Túnica, que é
tradicionalmente de cor negra, porque isola as energias negativas,
ótimas para serem usadas quando existe contato com grandes
multidões ou pessoas negativas, porque impede que a sua energia
seja "vampirizada". Ao contrário do que a maioria das pessoas
pensam, a cor negra não tem nenhuma ligação com o mal, muito
pelo contrário, ela representa o Útero Universal, do qual nasceu toda
a Luz, a Escuridão da Terra de onde germinam as sementes, mas não
se deve usar somente a cor negra, nós precisamos da vibração de
todas as cores, a não ser que você queira parecer Bruxo(a) ou
Esotérico(a), por mero exibicionismo. Trabalhar com a Túnica deve
ser a escolha do Coven, deve-se tomar muito cuidado, para que a
nudez absoluta, não atraia somente pessoas mal intencionadas. A
nudez deve ser um sinal de pureza, de libertação, de liberação de nossos tabus e medos. É
preciso que você tenha um coração puro diante dos Deuses e de nossos semelhantes, e se você
ficar inibida(o) pela nudez, tornará o ritual totalmente improdutivo, então se esse for o caso, é
melhor usar a Túnica, mas você deverá superar esses bloqueios, eles são frutos de uma moral
Judaico-Cristã repressiva, sendo que nos temos que nos apresentar diante dos Deuses, puros, sem
hipocrisia.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Buril
É um ferro usado para gravar nomes sagrados, símbolos em Athames, Espadas, etc...

Vela
Simboliza o Elemento Fogo. A Vela é o símbolo do seu pedido, enquanto ela queima, leva o seu
pedido para se misturar ao Elemento Éter.

Livro das Sombras


O Livro das Sombras é, essencialmente, o diário de um Bruxo, um diário
mágico.
A origem desse Livro, remonta ao tempo das perseguições. Proibidas de
compartilhar oralmente seus conhecimentos, as(os) Bruxas(os) da Idade
Média, escreviam seus conhecimentos e feitiços, em um Livro que ficava
escondido, por isso o termo "das Sombras", pela menção de que o Livro
deveria ficar oculto a qualquer preço, sob seu dono ter contra si, provas
incontestáveis de Bruxaria. Na Idade Média, esses Livros continham
essencialmente Poções, Feitiços, Encantamentos, Filtros, enfim, operações de magia não
trazendo nada sobre a pessoa que o escreveu, além de talvez, seu Nome Mágico, por motivos que
você pode imaginar.
Todas as tradições de ordem iniciática cobram de seus alunos a existência de um diário onde
sejam anotados todos os procedimentos mágicos, fatos interessantes do dia-a-dia,
aprimoramentos e coisas pertinentes à disciplina mágica.
Na tradição Wicca, esses dois aspectos foram fundidos num só recurso que recebe basicamente
dois nomes, ou é chamado de Grimoire que quer dizer Livro de Encantamentos como na Idade
Média, ou Livro das Sombras ( Book of Shadows - BoS).
Um Livro das Sombras funciona como um Grande Diário. Nele o aprendiz e mesmo o(a)
Bruxo(a) experiente anota os fatos de sua vida, referentes direta ou indiretamente com a
Bruxaria, copia rituais, relata acontecimentos, escreve feitiços ou mesmo poesias. Ele serve
como um Grande Avaliador do desenvolvimento mágico. Olhando as primeiras páginas, um
Bruxo, pode avaliar a quanto evoluiu no estudo e prática da Arte, comparar suas opiniões atuais
com as que tinha na época e assim fazer um grande balanço da sua vida na Magia.
Além disso, o hábito de escrever no seu Livro das Sombras, lhe traz a prática de um aspecto
muito favorável - A DISCIPLINA -.Essa disciplina na qual você se obriga a escrever seja todo
dia, seja três vezes por semana, ou seja, apenas quando acontecer algo relevante, lhe confere um
campo favorável no avanço do Treinamento Mágico, na medida que você tem, ( por vontade
própria, lembre-se ) de escrever, você acaba tendo que fazer alguma coisa, assim o Livro
funciona, como catalisador do processo de treinamento.
Se você pretende seguir o Caminho da Bruxaria, não deixe para depois a confecção do seu BoS,
ele pode ser um instrumento valiosíssimo no futuro. Não faça como algumas pessoas, que só
agora estão organizando o seu, e têm que se lembrarem de quase tudo o que aconteceu desde que
começaram a se interessar pela Bruxaria, assim sendo, muita coisa pode ter sido esquecida, a
ordem dos acontecimentos fica comprometida, e algumas coisas sutis do dia-a-dia, são
sepultadas definitivamente no esquecimento...

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Você pode começar, escrevendo um pequeno texto, explicando a você mesmo, o porque do seu
interesse pela Bruxaria... Talvez, um dias, após você ter morrido, ou quando ficar com mais
idade, alguém poderá ler o seu Livro e se interessar pelo assunto.
Você pode separar o seu BoS em 3 seções, ou mesmo ter Três Livros. Um Grimoire, onde você
anotará só os Feitiços e Exercícios, outro com Poemas e anotações pessoais, do dia-a-dia, que
efetivamente corresponderá ao seu Livro das Sombras, e outro ainda, com conhecimento de
Herbalismo, Cristaloterapia, Incensoterapia, e assim por diante. Fica mais fácil de você ir direto
ao que deseja consultar ou lembrar. Além disso, você fará um Compendium de conhecimento
sobre magia, na medida que terá à sua disposição um material confiável de consulta, avaliado por
você mesmo, e condizente com o seu modo de fazer as coisas, ou seja, personalizado.
Tradicionalmente, não se permite, que ninguém que não seja da Arte, toque no seu Livro, mas
permite que outros Bruxos(as) leiam as partes que você autorizar, ou mesmo que copiem
Encantos e Feitiços, para o seu próprio BoS, mas no entanto o Livro não pode ser emprestado.
Ele é materialmente e intimamente seu, e de mais ninguém. Pessoas que passam mesmas
experiências podem descrevê-las de diversas formas, o que é natural e saudável.
Outro motivo para não deixar qualquer pessoa ler o seu Livro, é que ele reflete todo o nosso
Mundo Mágico, o Mundo da Bruxaria, e algumas coisas podem chocar as pessoas incautas, ou
mesmo fazer com que você caia em descrédito junto à comunidade ou a seus familiares,
prejudicando a sua vida "normal".
Tradicionalmente, o Livro deveria ser um caderno normal, preto, escrito à mão e com folhas
numeradas. Mas pode ser uma agenda, um fichário, o importante é que você o faça.
Alguns acham que ele deve ser escrito a mão, assim a energia do Livro seria mais trabalhada
enquanto Livro Mágico, no entanto isso deve ficar a seu critério.

Disciplina é liberdade!!!

Deixemos registrado no Livro da Vida nossa mais pura intenção de Amor e Comunhão para com
o próximo e para com o Infinito.
"A Humanidade deixou seu Livro Sagrado às Sombras, mas haverá o momento em que ele será
aberto à Luz do dia!"

Altar

Sempre que possível uma Bruxa deve ter seu Altar, que deverá ser seu ponto de
ligação com os Deuses. Não precisa ser nada complicado ou luxuoso.
Tradicionalmente, ele deve ficar virado para o Norte. Uma vela preta é colocada
a Oeste simbolizando a Deusa, e uma vela branca a Leste para o Deus. No Altar
deve estar o Cálice, o Athame, o Pentagrama, a Varinha e outros objetos
utilizados nos rituais.

Também é comum se colocarem símbolos


para os Quatro Elementos, como uma pena para o Ar, uma
planta para a Terra, uma vela vermelha ou enxofre para o
Fogo e logicamente, Água para esse mesmo Elemento.
Muitas pessoas colocam um símbolo para a Deusa e o Deus,
como uma concha e um chifre, ou mesmo estátuas e gravuras
dos Deuses. Abuse de sua criatividade, pois o Altar é o seu
espaço pessoal, onde deve ser colocado todo o seu Amor. Se

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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por algum motivo, você não puder montar um Altar onde você mora, crie um espaço na sua
imaginação, pois o verdadeiro Templo está dentro de você, ou vá para a Natureza e faça dela o
mais lindo de todos os Santuários.

O Pentagrama
O Pentagrama pode ser feito de qualquer material, e até desenhado em
pedaços de pano, desenhado numa cartolina e depois cortado ou até mesmo no
chão. Ele é uma estrela de cinco pontas, e representa os cinco elemento: Água,
fogo, terra, ar e Éter (espírito) e que é usada para a proteção, sempre que
possível esteja com ele perto de você.

O Pentagrama é o símbolo de toda criação mágica. Suas origens estão perdidas no tempo. O
pentagrama foi usado por muitos grupos de pessoas aos longo da História como símbolo de
poder mágico. O Pentagrama é conhecido com a estrela do microcosmo, ou do pequeno
universo, a figura do homem que domina o espírito sobre a matéria, a inteligência sobre os
instintos.
Na Europa Medieval era conhecido como Pé de Druida e como Pé de Feiticeiro, em outras
épocas ficou conhecido como “Cruz dos Goblins”.
O Pentagrama representa o próprio corpo, os quatro membros e a cabeça. É a representação
primordial dos cinco sentidos tanto interiores como exteriores.

Além disso, representa os cinco estágios da vida do homem:


Nascimento - O início de tudo.
Infância - Momento onde o indivíduo cria suas próprias bases.
Maturidade - Fase da comunhão com as outras pessoas.
Velhice - Fase de reflexão, momento de maior sabedoria.
Morte - Tempo do término para um novo início.

O Pentagrama é o símbolo da Bruxaria. Os Bruxos usam um Pentagrama para representar a sua


fé e para se reconhecerem. O Pentagrama é tão importante para um Wiccaniano, assim como
uma cruz é importante para um cristão, ou como um Selo de Salomão é importante para um
judeu.
O Pentagrama representa o homem dentro do círculo, o mais alto símbolo da comunhão total
com os Deuses. É o mais alto símbolo da Arte, pois mostra o homem reverenciando a Deusa, já
que é a estilização de uma estrela (Deus) assentada no círculo da Lua Cheia (Deusa).

Cada uma das pontas possui um significado particular:

Representa os criadores, a Deusa e o Deus, pois eles


Ponta 1- Espírito - guiam a nossa vida e nos ajudam na realização dos
ritos e trabalhos mágicos. O Deus e a Deusa são

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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detentores dos quatro elementos e estes elementos são
as outras quatro pontas.
Representa as forças telúricas e os poderes dos
elementais da terra, os Gnomos. É a ponta que
Ponta 2- Terra -
simboliza os mistérios, o lado invisível da vida, a
força da fertilização e do crescimento.
Representa as forças aéreas e os poderes dos Silfos.
Ponta 3- Ar - Corresponde à inteligência, ao poder do saber, a força
da comunicação e da criatividade.
Representa a energia, a vontade e o poder das
Ponta 4- Fogo - Salamandras. Corresponde as mudanças, as
transformações. É a força da ativação e da agilidade.
Representa as forças aquáticas e aos poderes das
Ondinas. Está ligada às emoções, ao entardecer, ao
Ponta 5- Água -
inconsciente. Corresponde às forças da mobilidade e
adaptabilidade.

Portanto, o Bruxo que detém conhecimento sobre os elementos usa o Pentagrama como símbolo
de domínio e poder sobre os mesmos.

Os Cristais
Os cristais tem o poder de armazenar energia, filtrar energia, e é sempre interessante usá-los em
seu altar. Não saia que nem uma louca comprando qualquer pedra que encontrar, às vezes é
comum termos elas em jóias de família, mas caso não tivermos, você pode compra-las, mas
esteja ciente de como as pedras chegaram em suas mãos. E sempre que possível, deixe-as perto
de terra fértil, plantas em contato com a luz do Sol e da Lua.

A Espada Cerimonial
A espada cerimonial representa o elemento fogo e é o símbolo da força do bruxo. Em
certas tradições wiccanianas, a espada cerimonial é usada no lugar do athame pela
Alta Sacerdotisa de um coven, para traçar e apagar o círculo. A espada cerimonial,
como o punhal, pode também ser usada para controlar e banir espíritos elementais e
para guardar e direcionar energia durantes os rituais mágicos. Muitas vezes é
substituída pelo Athame.

NÃO SE ESQUEÇA QUE TODO OBJETO DEVE SER CONSAGRADO E


PURIFICADO, ANTES DE SER UTILIZADO.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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SÍMBOLOS

Círculo Mágico

Antes de iniciarmos o ritual, o lugar em que será traçado o Círculo deve ser varrido com a
Vassoura para eliminar qualquer negatividade. Mesmo assim, devemos evitar fazer rituais em
locais negativos. Na maioria das vezes, o Círculo é traçado no sentido horário durante os Sabás e
no sentido anti-horário para os Feitiços, em especial nos trabalhos para se banir energia
negativas.

Antes de iniciar o Ritual, tudo já deve ter sido planejado com antecedência, e as funções de cada
um já devem estar determinadas. Depois de traçado o Círculo, a sacerdotisa convida a Deusa
para entrar no Círculo, e o Sacerdote faz o convite ao Deus. Esse ritual de evocação dos Deuses
pode ser feito por outros membros do Coven se for o desejo da Sacerdotisa. Ela é a senhora do
Coven, sendo sua atribuição determinar as funções de cada um, bem como dirigir um ritual e
determinar seu andamento. Na falta de uma Sacerdotisa, essas atribuições vão para o sacerdote
do Coven. Cabe também à sacerdotisa explicar o porquê do ritual e de tudo o que será feito para
o Coven, naquela ocasião.

Os rituais são feitos após o crepúsculo, seguindo a Roda do Ano. Caso se trate de um ritual para
a realização de um Feitiço, é melhor seguir as tabelas de Horário Planetário, mas sem se prender
demasiadamente a eles, pois nem sempre se pode fazer o Ritual no dia e hora mais propícios.

Existem várias maneiras de se traçar um Círculo, você pode usar uma das mais simples:

1 - Pegue a Varinha Mágica ou o Athame e vá até o Norte.


2 - Visualize um raio, saindo da ponta do seu objeto escolhido.
3 - Dê uma volta, devagar, no sentido horário, até chegar novamente ao Norte.
4 - Então diga: - "Pelo poder da Deusa e do Deus, eu traço este Círculo Sagrado. Deste espaço
nenhum mal sairá, e nele nenhum mal poderá entrar"!

Depois de traçar o Círculo, começando pelo Norte, você deve invocar os Guardiões dos quatro
Quadrantes, acendendo uma vela.

COR QUADRANTE REPRESENTA ELEMENTO


Vermelha Leste Nascer do Sol AR
Branca Sul O Sol do meio-dia FOGO
Azul Oeste O Crepúsculo ÁGUA
Preta Norte A meia-noite TERRA

Agora se deve invocar a Deusa e o Deus, vá até o centro do Círculo e faça as invocações. Elas
podem ser as seguintes:

Deusa graciosa, você é a Rainha dos Deuses; A Lâmpada da noite; A criadora de tudo que
é selvagem e livre; Mãe das mulheres e dos homens; Amante do Deus e protetora de toda a
Wicca; Descenda, eu suplico; Com seu raio de força lunar; Aqui, sobre o meu Círculo.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Deus brilhante, você é o Rei dos Deuses; Senhor do Sol; Mestre de tudo que é selvagem e
livre; Pai das mulheres e dos homens; Amante da Deusa e protetor de toda a Wicca;
Descenda, eu suplico; Com seu raio de força solar.

ABRINDO O CÍRCULO

Começa então o Ritual de abertura do Círculo, e cada participante


agradece a Deusa por estarem presente e falam:

LESTE:> Salve os Guardiões das Torres do Leste. Venham juntar-


se a nós neste Círculo, Poderes do Ar, vinde! Vigiem este espaço
sagrado. Nós o saudamos! Todos ficam em forma de um
Pentagrama.

SUL :> Salve os Guardiões das Torres do Sul. Venham juntar-se a


nós neste Círculo, Poderes do Fogo, vinde! Vigiem este espaço
sagrado. Nós o saudamos! Todos ficam em forma de um
Pentagrama.

NORTE:> Salve os Guardiões das Torres do Norte. Venham juntar-se a nós neste Círculo,
Poderes do Terra, vinde! Vigiem este espaço sagrado. Nós o saudamos! Todos ficam em forma
de um Pentagrama.

OESTE:> Salve os Guardiões das Torres do Oeste. Venham juntar-se


a nós neste Círculo, Poderes do Água, vinde! Vigiem este espaço
sagrado. Nós o saudamos! Todos ficam em forma de um Pentagrama.

A Alta Sacerdotisa, ou Sacerdote, desenha o Pentagrama de Invocação


e o Ritual começa.

• Logo após, a Sacerdotisa e o Sacerdote realizam a Consagração do Vinho. A Sacerdotisa segura


o Cálice com ambas as mãos e diz:

"- Este é o Útero da Grande Mãe. Dele todas as coisas do Universo foram criadas."

• Então, o Sacerdote segura o Athame com as duas mãos e introduz a ponta no Cálice, tocando
levemente o vinho, enquanto diz:

"- Este é o Falo Divino. Este é o Poder da Fertilidade."

• A Sacerdotisa diz:

"- A União da Deusa e do Deus foi feita. Toda a vida foi criada. Abençoado seja o Amor dos
Deuses!"

• Todo o Coven responde:

"- Abençoado seja!"

• O Sacerdote retira o Athame do Cálice, beija a lâmina e recoloca no Altar.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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• A Sacerdotisa derrama um pouco de vinho no Caldeirão (ou no chão, se o ritual for ao ar livre).
Isto é chamado Libação, e representa uma oferenda aos Deuses. Depois, ela bebe um gole de
vinho, dá o Cálice ao Sacerdote, que, após beber, passa aos outros membros do Coven. O último
a beber devolve o Cálice à Sacerdotisa, que deve recolocá-lo no Altar. As funções do Sacerdote e
da Sacerdotisa podem mudar durante a Consagração, mas, nesse caso, se o Sacerdote segura o
Cálice, ele deve se ajoelhar diante da Sacerdotisa.

• Todos os membros devem beber vinho e comer um pedaço de pão, quando o ritual exigir que
ele seja compartilhado. Nesse caso, o primeiro pedaço também deve ser jogado no caldeirão
como oferenda.

• Depois da Consagração, os membros podem queimar suas oferendas e pedidos no Caldeirão.

• Nessa hora, todos devem dar as mãos e girar ao redor do fogo, para criar o Cone do Poder. Esse
é o nome da Grande Massa de energia criada durante o Ritual. Ela circula pelos corpos
energéticos de todos os membros do Coven e se junta num ponto acima do Círculo. Essa
concentração de energia recebeu esse nome porque os videntes dizem enxergá-la em forma de
cone, de onde vieram as representações de Bruxas e Bruxos usando chapéus pontudos. Muitos
dizem que essa forma auxilia a captação de poder, como acontece nas pirâmides. Se você quiser
testar é só fazer uns chapéus em forma de cone para o seu grupo. Se não ajudar em nada, pelo
menos é bem divertido!

• Cabe à sacerdotisa perceber quando o nível de energia atingiu um nível satisfatório. Então, ela
ergue os braços e todos imitam o seu movimento, lançando o Cone em direção ao Universo, para
que seus objetivos sejam realizados.

• Depois de enviado o Cone, todos devem entrar numa fase de relaxamento, onde se pode dançar,
ler poesias ou simplesmente partir para os Bolos e Vinho. Esse compartilhar de alimentos é uma
das partes mais importantes do Ritual, pois é através da sua Alegria que você faz a verdadeira
Comunhão com os Deuses.

• O Ritual não deve ter muitas formas rígidas cada um deve criar a sua própria forma de chamar
os Deuses. Não se desespere caso você gagueje ou esqueça aquele belo ritual decorado. Dê umas
boas risadas e vá em frente!

• Se você não tem senso de humor, esqueça a Wicca, pois você nunca será uma Bruxa!

• Isto não quer dizer que você possa entrar no Círculo para fazer palhaçadas, sem nenhum
respeito aos Deuses. A Bruxaria tem seus momentos de descontração e seriedade. Cabe a você
saber diferenciar as situações.

FECHANDO O CÍRCULO

A Alta Sacerdotisa e o Sacerdote agradecem à Deusa e ao Deus por terem estado presentes, e aos
Elementos.
Casa pessoa volta ao seu lugar e diz:

LESTE: > Salve os Guardiões das Torres do Leste. Poderes do Ar, nós agradecemos sua
presença aqui, como guardiões no nosso Círculo. Vão em paz, oh! grandes Guardiões do Leste,

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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com nossas bênçãos e nosso agradecimento. Obrigado e Adeus! Todos ficam em forma de
Pentagrama.

SUL: > Salve os Guardiões das Torres do Sul. Poderes do Fogo, nós agradecemos sua presença
aqui, como guardiões no nosso Círculo. Vão em paz, oh! grandes Guardiões do Sul, com nossas
bênçãos e nosso agradecimento. Obrigado e Adeus! Todos ficam em forma de Pentagrama.

NORTE: > Salve os Guardiões das Torres do Norte. Poderes da Terra, nós agradecemos sua
presença aqui, como guardiões no nosso Círculo. Vão em paz, oh! grandes Guardiões do Norte,
com nossas bênçãos e nosso agradecimento. Obrigado e Adeus! Todos ficam em forma de
Pentagrama.

OESTE: > Salve os Guardiões das Torres do Oeste. Poderes do Água, nós agradecemos sua
presença aqui, como guardiões no nosso Círculo. Vão em paz, oh! grandes Guardiões do Oeste,
com nossas bênçãos e nosso agradecimento. Obrigado e Adeus! Todos ficam em forma de
Pentagrama.

A Alta Sacerdotisa desenha o Pentagrama de expulsão e mais uma vez agradece, e só então se
fecha o Círculo com o Athame de novo, dizendo três vezes:

"O CÍRCULO SE DESFAZ, MAS ELE NUNCA SE ROMPE"

Ainda em forma de Pentagrama, faça uma meditação e visualize, o Círculo em tons de azul,
subindo em direção aos Deuses.
Feliz encontro, feliz partida, feliz encontro novamente. Que assim seja para o bem de todos!

É muito importante a criatividade nos Rituais. Eles não devem ser interrompidos, e, salvo em
caso de necessidade, nenhum membro deve sair do Círculo até o final. Se isso tiver que ser feito,
deve-se pular a Vassoura para não quebrá-lo, pois, se isso ocorrer, todo o Ritual de Abertura terá
que ser feito novamente.
Quem tiver algum problema de saúde não deve participar dos Rituais. Se alguma pessoa se sentir
mal, deve sair imediatamente do Círculo. Grávidas, pessoas idosas ou muito jovens devem ter
cuidados especiais. Pode-se iniciar as pessoas no Coven a partir dos 13 anos, ou, no caso das
meninas, após a primeira menstruação. Não é comum crianças pequenas nos Rituais, mas elas
podem participar de alguns Rituais em família. Para os que têm filhos, é aconselhável que se
criem Rituais leves para que as crianças conheçam os Deuses e desenvolvam seu Amor pela
Natureza. Um exemplo seria criar um Ritual simples para que as crianças consagrassem um
jardim ou pedissem aos Deuses proteção para seus bichinhos de estimação.

A Bruxa Solitária deve seguir os mesmos passos dados acima, com a diferença de que ela mesma
consagrará o Vinho e dançará em volta do Caldeirão para formar o Cone do Poder. Não se
preocupe, pois você, desde que tenha a necessária concentração, poderá formar um Cone do
Poder tão bom quanto um grupo de várias pessoas, especialmente se elas não estiverem em
sintonia. Mais adiante apresentaremos um Ritual de Auto-Iniciação, que serve de base para a
criação pessoal. se a pessoa estiver sendo iniciada num Coven, ela deve ser trazida para dentro
do Círculo e iniciada pela Sacerdotisa ou Sacerdote. Fará os mesmos votos dados na Auto-
Iniciação, e prometerá nunca revelar os nomes mágicos de seus companheiros do Coven. Em
muitos Covens, a pessoa é apresentada aos Quatro Quadrantes, enquanto a Sacerdotisa desenha
com o dedo um Pentagrama em sua testa e em seu coração. Então, a pessoa revela seu Nome
Mágico para o Coven e recebe seu Athame, seu Pentagrama e outros símbolos do Coven. Cada
grupo deve criar seu próprio Ritual de Iniciação, mas procurando evitar coisas como vendar os

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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olhos, amarrar ou encostar o Punhal no peito das pessoas, pois isto pode ser extremamente
desagradável. O Ritual de Iniciação é uma ocasião festiva e não um trote de faculdade! Depois
de Iniciada, a pessoa passará por um período de Um Ano e Um Dia de estudos para depois
confirmar seus votos. Se, em algum momento, ela decidir deixar o Coven, poderá fazê-lo sem
sofrer pressões, ameaças ou maldições. O Coven não poderá fazer com que ninguém jure coisas
absurdas nem interferir na vida particular de seus membros! Isto não cabe dentro da Wicca, e só
pessoas desequilibradas agem dessa forma! Todas as pendências devem ser resolvidas durante os
Esbas, de maneira amigável, e nunca durante os Rituais. Toda Bruxa deve ter a sua vida solitária
fora do Coven, sendo que este não deve se responsabilizar ou intrometer nessas atividades. O
Coven não pode exigir dinheiro para que as pessoas sejam iniciadas ou assistam aos rituais.

A seguir apresentaremos um ritual para proteção e realinhamento das energias que pode ser
realizado pelo membro do coven após os Sacerdotes terem iniciados o Ritual ou para ser
realizado pelo bruxo sozinho.

O círculo mágico tem duas funções:

1) Proteger das influências hostis ou distrações externas das influências psíquicas;


2) Conter, fortalecer e intensificar as energias criadas e invocadas no ritual.

O círculo mágico define o espaço do ritual, o perímetro do círculo marca a delimitação onde a
atenção é focalizada. A função protetora do círculo é criar um espaço sagrado para os
participantes que estejam com algum relativo distúrbio energético. Além disso, o círculo mágico
tem a função de não deixar que as energias contrárias perturbem ou causem algum problema no
decorrer do ritual. O círculo mágico está posicionado entre os mundos da realidade concreta e o
mundo dos Deuses. Dentro dele o Bruxo fica além de tempo, limite e espaço.

Traçando o Círculo Mágico

Material necessário:
1 Vela amarela
1 vela vermelha
1 vela marrom
1 vela azul
1 bastão (varinha) ou punhal

PROCEDIMENTO: Coloque a vela amarela no chão direcionada ao ponto leste, a vermelha ao


sul, a azul à oeste e a marrom ao norte. Acenda todas as velas, incensos e as velas que foram
colocadas no chão, nos pontos cardeais. Pegue o Punhal e comece a caminhar ao redor da área,
traçando o círculo mágico, dizendo:

"Eu traço este círculo mágico, para me proteger No decorrer deste ritual que se iniciará. Eu peço
à Deusa e ao Deus Para que estejam presentes aqui comigo! Eu chamo pelos Antigos Deuses da
Colina Para que se façam presentes, E para que possam me abençoar."

Vá até o ponto Norte, erga o Punhal e diga:

"Eu invoco os Guardiões das Torres de Observação do Norte, Os Elementais da Terra, para que
estejam comigo neste ritual. Sejam bem vindos"

Vá até o ponto leste, erga o punhal e diga:

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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"Eu invoco os Guardiões das Torres de Observação do Leste, Os Elementais do ar, para que
estejam comigo neste ritual. Sejam bem vindos"

Vá até o ponto sul, erga o punhal e diga:

"Eu invoco os Guardiões das Torres de Observação do Sul, Os Elementais do fogo, para que
estejam comigo neste ritual. Sejam bem vindos"

Vá até o ponto oeste, erga o punhal e diga:

"Eu invoco os Guardiões das Torres de Observação do Oeste, Os Elementais da água, para que
estejam comigo neste ritual Sejam bem vindos"

Deixar o Punhal sobre o altar, se dirigir até o ponto norte, elevar as mãos aos céus e dizer:

"Eu invoco a Deusa, Eu invoco o Deus, Eu invoco todos os Deuses Antigos da Colina do norte,
Para que estejam aqui comigo. Que aquela que é tão antiga quanto o tempo, A Senhora da Terra
e da Lua, Deusa da Magia e da Vida venha me abençoar. Oh, Deusa Mãe e traga poder a esta
prática ritual. Que o Deus dos bosques e das florestas, Senhor das fortes pegadas, Pai da
fertilidade, Venha me abençoar. Que Eles venham juntos trazer força e poder a este ritual. Eu
invoco Gwyn Up Nudd, o Senhor da matilha dos cães selvagens De orelhas pontudas e dentes
ferozes, Para que ronde além dos limites do círculo, Mantendo afastados os inimigos e as
energias que não sejam desejadas. Pelo poder do 3 vezes o 3, Que assim seja, E que assim se
faça!"

Com o Círculo aberto faça suas oferendas, danças ou o que seu coração pedir que você faça.
Após isto você estará pronta para fechar o Círculo.

Desfazendo o círculo mágico.

Pegue o punhal, e se dirija ao ponto norte erga-o, então diga:

"Eu agradeço aos Guardiões das Torres de observação do norte, Os Elementais da terra por terem
vindo e compartilhado comigo deste ritual. Sigam em paz"

Vá até o ponto leste, erga o Punhal então diga:

"Eu agradeço aos Guardiões das Torres de observação do leste, Os Elementais do ar por terem
vindo e compartilhado comigo deste ritual. Sigam em paz"

Vá até o ponto sul, erga o Punhal então diga:

"Eu agradeço aos Guardiões das Torres de observação do sul, O s Elementais do fogo por terem
vindo e compartilhado comigo deste ritual. Sigam em paz"

Vá até o ponto oeste, erga o Punhal então diga:

"Eu agradeço aos Guardiões das Torres de observação do oeste, Os Elementais da água por
terem vindo e compartilhado comigo deste ritual. Sigam em paz"

Volte-se novamente ao ponto norte, erga o Punhal e diga:

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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"Agradeço à Deusa, ao Deus, Agradeço a todos os Deuses antigos da Colina do Norte, Agradeço
a Gwyn Up Nudd, o Senhor da matilha dos cães selvagens E a todas as energias que estiveram
presentes comigo hoje Retornem agora ao local do qual vieram! Sigam em paz!"

Ande em volta do círculo no sentido anti-horário por 3 vezes, dizendo:

"Com o Punhal te construí, Com o Punhal eu te desfaço, Pela força mágica do Punhal eu te abro.
Que eu saia daqui, livre das doenças e insatisfações. Eu envio este círculo mágico novamente ao
centro do Universo, Para que ele esteja lá até o momento em for necessário A sua proteção
novamente. O círculo está aberto, mas não rompido. Feliz encontro, feliz partida e feliz encontro
novamente. Pelo poder do 3 vezes o 3 , Que assim seja, E que assim se faça."

A Roda do Ano
Existem oito datas principais na Wicca, conhecidas
como Festivais ou Sabás. Nos Festivais as(os)
Bruxas(os) fazem Rituais de adoração e
agradecimento aos Deuses.
Uma vez por mês, durante a Lua Cheia, nós também
nos reunimos nos chamados Ésbas. Esses encontros
são usados para se discutir assuntos referentes ao
grupo, para a realização de Feitiços e Rituais
extraordinários, bem como para estudos e realização
e exercícios de relaxamento, visualização, etc. Um
Coven deve ser como uma grande família, portanto
ele também pode se reunir, para passear, viajar, ir
ao cinema, ao futebol, simplesmente para jogar
conversa fora, ou para Obras de Melhoria do nosso
Planeta, como por exemplo trabalhos em prol da
Ecologia, dos animais, dos Direitos das Pessoas
Humanas, ou de Pessoas Carentes.

A Roda do Ano - Representada pelos Oito Sabás, tem por objetivo, sincronizar a nossa energia
com as Estações do Ano, ou seja, com os ciclos do Planeta Terra e o Universo. Ela descreve o
Caminho do Sol durante o ano, representando as várias faces do Deus: - Seu nascimento,
crescimento, união com a Deusa, e finalmente seu declínio e morte. Da mesma forma que o Sol
nasce e se põe todos os dias, e da mesma forma que a Primavera faz a Terra renascer após o
Inverno, o Deus nos ensina que a Morte é apenas um ponto no Ciclo Infinito de nossa evolução,
para podermos renascer do Útero da Mãe.

Para algumas Tradições da Wicca, o ano se inicia no Solstício de Inverno, é conhecida como
Halloween ou Dia das Bruxas, mas seu nome tradicional é Samhain, que significa "Sem Sol",
referindo-se ao tempo de Inverno. Essa época também é correspondente ao Ano Novo Judaico.

SABATH NORTE SUL


Lammas Lugnasadah - Festa Agrícola 01 de Agosto 02 de Fevereiro
Mabon Equinócio de Outono 21 de Setembro 21 de Março
Semhain Halloween 31 de Outubro 01 de Maio

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Yule Solstício de inverno 21 de Dezembro 21 de Junho
Imbloc /Canddlemas 02 de Fevereiro 01 de Agosto
Ostara Equinócio da Primavera 21 de Março 21 de Setembro
Beltane Fogo de Belenos 01 de Maio 31 de Outubro
Litha Solstício de Verão 21 de Junho 21 de Dezembro

Candlemas, Beltane, Lammas e Semhain são grandes Sabás.


Solstícios e Equinócios são pequenos Sabás

Yule - Solstício de Inverno - HN - (21 de Dezembro ) - HS ( 21 de Junho) - É desta data antiga


que se originou o Natal Cristão. Nessa época a Deusa dá à Luz o Deus, que é reverenciado como
Criança Prometida. Em Yule é tempo de reencontrarmos nossas esperanças, pedindo para que os
Deuses rejuvenesçam nossos corações e nos dêem forças para nos libertarmos das coisas antigas
e desgastadas. É hora de descobrirmos a criança dentro de nós e renascermos com sua pureza e
alegria. Coloque flores e frutos da época no Altar, Se quiser, pode fazer uma árvore enfeitada,
pois essa é a antiga tradição Pagã, onde a árvore era sagrada e os meses do ano tinham nome das
árvores. Como é a noite mais longa do ano, onde a Deusa é reverenciada como a Mãe da Criança
Prometida ou do Deus Sol, que nasceu para trazer Luz ao Mundo. Da mesma forma, apesar de
todas as dificuldades, devemos sempre confiar em nossa própria Luz Interior.

Candlemas - Festa do Fogo ou Noite de Brigit - HN - (02 de Fevereiro) - HS (01 de Agosto) -


Este Sabá é dedicado à Deusa Brigit, Senhora da poesia, da Inspiração, da Cura, da Escrita, da
Metalurgia, das Artes Marciais, e do Fogo. Nessa noite, as(os) Bruxas(os) colocam velas cor de
laranja ao redor do Círculo, e uma vela acesa dentro do Caldeirão. Se o Ritual é feito ao ar livre,
pode-se fazer tochas e girar ao redor do Círculo com elas. A Bruxa mais jovem da Assembléia
pode representar Brigit, entrando por último no Círculo, para acender, com sua tocha, a vela do
Caldeirão, ou a Fogueira, se o Ritual for ao Ar Livre, que representaria a Inspiração, sendo
trazida para o Círculo pela Deusa.
Os membros do Coven devem fazer poesias, ou cantar em homenagem à Deusa Brigit. Pedidos,
agradecimentos ou poesias, devem ser queimados na Fogueira ou no Caldeirão, em oferenda, no
fim do Ritual. O Deus está crescendo e se tornando mais forte para trazer Luz de volta ao
Mundo. É hora de pedirmos proteção para todos os jovens, em especial para os de nossa família
e os do Coven. Devemos mentalizar que o Deus está conservando sempre viva dentro de nós a
chama da saúde, de coragem, da ousadia e da juventude. o Altar deve ser enfeitado com flores
amarelas, alaranjadas ou vermelhas. A consagração deve ser feita pelos membros mais jovens do
Coven.

Equinócio de Primavera - Ostara - HN - (21 de Março) - HS (21 de Setembro) - Ostara é o


Festival em homenagem à Deusa Oster, Senhora da Fertilidade, cujo símbolo é o Coelho. Foi
desse antigo Festival que teve origem a Páscoa. Os membros do Coven usam grinaldas, e o Altar
deve ser enfeitado com as flores da Época. É um costume muito antigo colocar ovos pintados no
Altar. Eles simbolizam a fecundidade e a renovação. Os ovos podem ser pintados crus e depois
enterrados, ou cozidos e comidos enquanto mentalizamos nossos desejos. Nesse caso utilize
tintas não tóxicas, pois podem provocar problemas de saúde se ingeridas. Use anilinas para bolo,
ou cozinhe os ovos com casca de cebolas na água, que dará uma cor dourada.
Antes de comê-los, os membros do Coven devem girar de mãos dadas em volta do Altar, para
energizar seus pedidos. Os ovos devem ser decorados com símbolos mágicos, de acordo com sua
criatividade. Os pedidos devem ser voltados à "Fertilidade", em todas as áreas.

Beltane - A fogueira de Balenos - Festa da Primavera - HN (01 de Maio) - HS - (31 de


Outubro) - Beltane é o mais alegre e festivo de todos os Sabás. O Deus, que agora é um jovem
Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”
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no auge de sua fertilidade, se apaixona pela Deusa, que em Beltane, se apresenta como a Virgem
e é chamada "Rainha de Maio". Em Beltane, se comemora esse amor que deu origem a todas as
coisas do Universo. Beleno é a face radiante do Sol, que voltou ao mundo na primavera. Em
Beltane, se acendem duas Fogueiras, pois é costume, passar entre elas, para se livrar de todas as
doenças e energias negativas. Nos tempos antigos, costumava-se passar o gado e os animais
domésticos entre as Fogueiras com a mesma finalidade. Dai, veio o costume de "Pular a
Fogueira", nas festa Juninas. Se não houver espaço, duas Tochas ou mesmo duas Velas podem
ter a mesma função. Deve-se ter o maior cuidado para evitar acidentes! Uma das mais belas
tradições de Beltane é o MAYPOLE, ou MASTRO DE FITAS. Trata-se de um mastro enfeitado
com fitas coloridas. Durante o Ritual, cada membro escolhe uma fita de sua cor preferida ou
ligada a um desejo. Todos devem girar trançando as fitas, como se estivessem tecendo seu
próprio destino, colocando-nos sob a proteção dos Deuses. É costume em Wicca jamais se casar
em Maio, pois esse mês é dedicado ao casamento do Deus com a Deusa.

Litha - Solstício de Verão - HN (21 de Junho) - HS (21 de Dezembro) - Nesse dia o Sol atingiu
sua plenitude. É o dia mais longo do ano. O Deus chega ao ponto máximo de seu poder. Este é o
único Sabá em que às vezes se fazem Feitiços, pois seu poder de magia é muito grande. É hora
de pedirmos coragem, energia e saúde. Mas não devemos nos esquecer que, embora o Deus
esteja em sua plenitude, é nessa hora que ele começa declinar. Logo Ele dará o último beijo em
sua amada, a Deusa, e partirá no Barco da Morte, em busca da Terra do Verão. Da mesma forma,
devemos ser humildes para não ficarmos cegos com o brilho do sucesso e do Poder. Tudo no
Universo é cíclico, devemos não só nos ligarmos à plenitude, mas também aceitar o declínio e a
Morte. Nesse dia, costuma-se fazer um Círculo de pedras ou de velas vermelhas. Queimam-se
flores vermelhas ou Ervas Solares ( como a Camomila) juntamente com os pedidos no Caldeirão.

Lammas - Lughnasad ou Festa da Colheita - HN (01 de Agosto) - HS (02 de Fevereiro) -


Lughnasad era tipicamente uma festa agrícola, onde se agradecia pela primeira colheita do ano.
Lugh é o Deus Sol, na Mitologia Celta, ele é o maior dos guerreiros, que derrotou os Gigantes,
que exigiam Sacrifícios Humanos do povo. A tradição pede que sejam feitos bonecos com
espigas de milho ou ramos de trigo representando os Deuses, que nesse festival são chamados de
Senhor e Senhora do Milho. Nessa data deve-se agradecer a tudo o que colhemos durante o ano,
sejam coisas boas ou más, pois até mesmo os problemas são veículos para a nossa evolução. O
outro nome do Sabá é Lammas, que significa "A Massa de Lugh". Isso se deve ao costume de se
colher os primeiros grãos e fazer um pão comunitário, que deve ser consagrado junto com o
vinho e repartido dentro do Círculo. O primeiro gole de vinho e o primeiro pedaço de pão devem
ser jogados dentro do Caldeirão, para serem queimados junto com os papéis, onde são escritos os
agradecimentos, e grãos de cereais. O Boneco representando o Deus do Milho, também é
queimado, para nos lembrar de que devemos nos livrar de tudo o que é antigo e desgastado, para
que possamos colher uma nova vida.
O Altar é enfeitado com sementes, ramos de Trigo, espigas de Milho e Frutas da época.

Mabon - Equinócio de Outono - HN (21 de Setembro) - HS (21 de Março) - No Panteão Celta,


Mabon, também conhecido como Angus, era o Deus do Amor. Nessa noite devemos pedir
harmonia no amor e proteção para as pessoas que amamos. Esta é a segunda colheita do ano. O
Altar deve ser enfeitado com as sementes que renascerão na Primavera. O chão deve ser forrado
com folhas secas. O Deus está agonizando e logo morrerá. Este é o Festival em que devemos
pedir pelos que estão doentes e pelas pessoas mais velhas, que precisam de nossa ajuda e
conforto. Também é nesse Festival que homenageamos as nossas Antepassadas Femininas,
queimando papéis com seus nomes no Caldeirão e lhes dirigindo palavras de gratidão e bênçãos!

Semhain - Halloween ou Dia das Bruxas - HN (31 de Outubro) - HS (01 de Maio) Este é o mais
importante de todos os Festivais, pois dentro do Círculo, marca tanto o fim, como o início de um

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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novo ano. Nessa noite, o véu entre o nosso mundo e o mundo dos mortos se torna mais tênue,
sendo o tempo ideal para nos comunicarmos com os que já partiram. As(os) Bruxas(os) não
fazem Rituais para receber mensagens dos mortos, e muito menos para incorporar Espíritos. O
sentido do Halloween é nos sintonizarmos com os que já partiram para lhes enviar mensagens de
amor e harmonia. A noite de Semhain pronuncia-se (SOUEN) é uma noite de alegria e festa, pois
marca o início de um novo período em nossas vidas, sendo comemorado com muito Ponche,
bolos e doces. A cor do Sabá é negro, sendo o Altar adornado com maçã, símbolo da Vida
Eterna. O vinho é substituído pela sidra ou pelo suco de maçã, deve-se fazer muitas brincadeiras
com dança e música. Os nomes das pessoas que já se foram são queimados no Caldeirão, mas
nunca com uma conotação de tristeza!
No Altar e nos Quadrantes não devem faltar as tradicionais Máscaras de Abóboras com velas
dentro.
Antigamente as pessoas colocavam essas abóboras nas janelas para espantar os maus Espíritos e
os Duendes que vagavam pelas noite de Semhain. Essa palavra significa 'Sem Luz", pois nessa
noite o Deus morreu e o mundo mergulha na escuridão. A Deusa vai ao Mundo das Sombras em
busca de seu amado, que está esperando para nascer. Eles se amam, e, desse amor, a semente da
Luz espera no Útero da Mãe, para renascer no próximo Solstício de Inverno como a Criança da
Promessa.
A Roda continua a girar para sempre. Assim não há motivo para tristezas, pois aqueles que
perdemos nessa vida irão renascer, e, um dia, nos encontraremos novamente, nessa jornada
infinita de evolução.

OBS: As datas fornecidas sem destaque são as do Hemisfério Norte, as com destaque são as do
Hemisfério Sul, ( onde vivemos ). Muitas pessoas preferem usar as do nosso Hemisfério, outras
preferem manter as do Hemisfério Norte. Isso depende do gosto de cada um, mas, no Brasil, não
existem as quatro estações, sendo que muitas regiões, têm um Verão permanente ou uma estação
chuvosa, o que torna difícil adaptar os Sabás aos aspectos da Natureza.

...continuando a falar sobre a Roda do Ano


Certifique-se de saber o que são egrégoras antes de prosseguir com esta leitura.
A Roda do Ano é um conjunto de oito Sabbats, que por sua vez são dias sagrados, com datas
específicas, ligados ao clico do Sol.
Quatro deles estão ligados aos antigos ritos europeus de colheita e plantio e às anitgas cerimônias
de caça. São eles: Samhain, Imbolc, Beltane e Lughnasadh*. Os outros quatro, Yule, Ostara,
Litha e Mabon* relacionam-se aos soltícios e equinócios.

Acontece que quando no Hemisféio Norte é Solstício de Verão (Litha), aqui no Sul é Solstício de
Inverno (você deve ter aprendido isso no ensino básico), e portanto, devemos comemorar Yule, e
não Litha. Será que devemos mesmo?
Aqui entra o importante conceito de egrégoras. Obviamente, a egrégora da Roda do Ano do
Norte é muito mais forte do que a do Sul (pois há muito mais bruxos e há mais tempo lá do que
aqui) e isso influi muito nos rituais de Sabbats. Influi tanto que alguns bruxos so Sul optam por
ignorar o frio do inverno e celebrar o auge do Sol (Litha) no dia mais curto do ano, ou seja, o
extremo oposto. É uma opção...

Outros bruxos do Sul, no entanto, optam por inverter as datas do Norte e celebrar os Sabbats de
acordo com o ciclo solar no Hemisfério Sul, pois é aqui que nós moramos. É verdade que a
egrégora da Roda do Ano do Sul é muito fraca se comparada com a do Norte, mas será que a
egrégora é mais importante do que o significado real dos Sabbats e do que a natureza do lugar
onde vivemos? Talvez não, especialmente nos solstícios e equinócios... Além do que a egrégora

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da Roda do Ano do Sul vêm aumentando sua força com o crescimento do Paganismo em países
como Austrália e Brasil, por exemplo.

Uma boa solução seria inveter as datas dos solstícios e equinócios, adaptando-as à realidade do
ciclo solar no Sul, e mantr as datas do Norte nos outro quatro Sabbats para aproveitar a egrégora
do Norte. Seria... se não fosse pelo fato de ela simplesmente acabar com a Roda do Ano,
transformando-a em uma "Bagunça do Ano" ou coisa assim, ou seja, isso quebraria a sequencia
dos Sabbats, e dos significados que eles têm no ciclo dos Deuses... Totalmente inviável!

Cabe ao bruxo (solitário) ou ao coven optar pelo Norte ou pelo Sul.

*Estes são os nomes celtas dos Sabbats, mas existem outros.

A roda do ano nada mais é do que os dias do ano nos quais os rituais wiccanos são realizados. Os
rituais seguem as estações do ano por isso você poderá notar diferenças nas rodas do hemisfério
norte com as do hemisfério sul. A roda do ano para os wiccanos não tem começo nem fim
simboliza o eterno ciclo da natureza, a roda do ano servia na antiguidade para agradecer uma boa
plantação e colheita por isso segue as estações do ano. Acredita-se também que essa celebração
servia para mostrar as fases dos deuses representando seus estágios na vida e a mudança de
formas do Deus cornífero para se unir a grande Deusa. A roda do ano possui 8 grandes sabás que
simbolizam o ciclo agrário que vai do plantio até a colheita. A baixo descreverei a roda do ano
do hemisfério norte e do sul.

Norte
Candlemas - 2 de Fevereiro
Equinócio da Primavera - 21 e 22 de Março
Beltane - 1º de Maio
Solstício de Verão - 21 e 22 de Junho
Lammas - 1º de Agosto
Equinócio de Outono - 21 e 22 de Setembro
Samhain - 31 de Outubro
Solstício de Inverno - 21 e 22 de Dezembro

Sul

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Candlemas - 1º de Agosto
Equinócio da Primavera - 21 e 22 de Setembro
Beltane - 31 de Outubro
Solstício de Verão - 21 e 22 de Dezembro
Lammas - 2 de Fevereiro
Equinócio de Outono - 21 e 22 de Março
Samhain - 1º de Maio
Solstício de Inverno - 21 e 22 de Junho

Pentagrama
O SÍMBOLO MÁGICO DAS ANTIGAS TRADIÇÕES, E ATÉ HOJE

Desde os primórdios da humanidade, o ser humano sempre se sentiu envolto


por forças superiores e trocas energéticas que nem sempre soube identificar.
Sujeito a perigos e riscos, teve a necessidade de captar forças benéficas para se
proteger de seus inimigos e das vibrações maléficas. Foi em busca de imagens,
objetos, e criou símbolos para poder entrar em sintonia com energias superiores
e ir ao encontro de alguma forma de proteção.
Dentre estes inúmeros símbolos criados pelo homem, se destaca o PENTAGRAMA, que evoca
uma simbologia múltipla, sempre fundamentada no número 5, que exprime a união dos
desiguais. As cinco pontas do pentagrama põem em acordo, numa união fecunda: o 3, que
significa o PRINCIPIO MASCULINO, e o 2, que corresponde ao PRINCÍPIO FEMININO. Ele simboliza,
então, o ANDRÓGINO.
O pentagrama sempre esteve associado com o mistério e a magia. Ele é a forma mais simples de
estrela, que deve ser traçada com uma única linha, sendo conseqüentemente chamado de "LAÇO
INFINITO".
A potência e associações do pentagrama evoluíram ao longo da história. Hoje é um símbolo
onipresente entre os neopagãos, com muita profundidade mágica e grande significado simbólico.

Origens, ritos e crenças.


Um de seus mais antigos usos se encontra na Mesopotâmia, onde a figura do pentagrama
aparecia em inscrições reais e simbolizava o poder imperial que se estendia "aos quatro cantos do
mundo". Entre os Hebreus, o símbolo foi designado como a Verdade, para os cinco livros do
Pentateuco (os cinco livros do Velho Testamento, atribuídos a Moisés). Às vezes é
incorretamente chamado de "Selo de Salomão", sendo, entretanto, usado em paralelo com o
HEXAGRAMA. Na Grécia Antiga, era conhecido como Pentalpha, geometricamente composto de
cinco pontas. Pitágoras, filósofo e matemático grego, grande místico e moralista, iniciado nos
grandes mistérios, percorreu o mundo nas suas viagens e, em decorrência, se encontram
possíveis explicações para a presença do pentagrama, no Egito, na Caldéia e nas terras ao redor
da Índia.
A geometria do pentagrama e suas associações metafísicas foram exploradas pelos pitagóricos,
que o consideravam um emblema de perfeição. A geometria do pentagrama ficou conhecida
como "A PROPORÇÃO DOURADA", que ao longo da arte pós-helênica, pôde ser observada nos
projetos de alguns templos. Para os agnósticos, era o pentagrama a "ESTRELA ARDENTE" e, como
a Lua Crescente, um símbolo relacionado à magia e aos mistérios do céu noturno. Para os
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druidas, era um símbolo divino e, no Egito, era o símbolo do útero da terra, guardando uma
relação simbólica com o conceito da forma da pirâmide. Os celtas pagãos atribuíam o símbolo do
pentagrama à deusa Morrigan.
Os primeiros cristãos relacionavam o pentagrama às cinco chagas de Cristo e, desde então, até os
tempos medievais, era um símbolo cristão. Antes da Inquisição não havia nenhuma associação
maligna ao pentagrama; pelo contrário, era a representação da verdade implícita, do misticismo
religioso e do trabalho do Criador. O imperador Constantino I, depois de ganhar a ajuda da Igreja
Cristã na posse militar e religiosa do Império Romano em 312 d.C., usou o pentagrama junto
com o símbolo de chi-rho (uma forma simbólica da cruz), como seu selo e amuleto. Tanto na
celebração anual da Epifania, que comemora a visita dos três Reis Bruxos ao menino Jesus,
assim como também a missão da Igreja de levar a verdade aos gentios, tiveram como símbolo o
pentagrama, embora em tempos mais recentes este símbolo tenha sido mudado, como reação ao
uso neopagão do pentagrama. Em tempos medievais, o "Laço Infinito" era o símbolo da verdade
e da proteção contra demônios. Era usado como um amuleto de proteção pessoal e guardião de
portas e janelas. Os Templários, uma ordem militar de monges formada durante as Cruzadas,
ganharam grande riqueza e proeminência através das doações de todos aqueles que se juntavam à
ordem, e amealhou também grandes tesouros trazidos da Terra Santa. Na localização do centro
da "Ordem dos Templários", ao redor de Rennes du Chatres, na França, é notável observar um
pentagrama natural, quase perfeito, formado pelas montanhas que medem vários quilômetros ao
redor do centro. Há grande evidência da criação de outros alinhamentos geométricos exatos de
Pentagramas como também de um Hexagrama, centrados nesse pentagrama natural, na
localização de numerosas capelas e santuários nessa área. Está claro, no que sobrou das
construções dos Templários, que os arquitetos e pedreiros associados à poderosa ordem
conheciam muito bem a geometria do pentagrama e a "Proporção Dourada", incorporando aquele
misticismo aos seus projetos. Entretanto, a "Ordem dos Templários" foi inteiramente dizimada,
vítima da avareza da Igreja e de Luiz IX, religioso fanático da França, em 1.303. Iniciaram-se os
tempos negros da Inquisição, das torturas e falsos-testemunhos, de purgar e queimar,
esparramando-se como a repetição em câmara-lenta da peste negra, por toda a Europa.
Durante o longo período da Inquisição, havia a promulgação de muitas mentiras e acusações em
decorrência dos "interesses" da ortodoxia e eliminação de heresias. A Igreja mergulhou por um
longo período no mesmo diabolismo ao qual buscou se opor. O pentagrama foi visto, então,
como simbolizando a cabeça de um bode ou o diabo, na forma de BAPHOMET, e era BAPHOMET
quem a Inquisição acusou os Templários de adorar. Também, por esse tempo, envenenar como
meio de assassinato entrou em evidência. Ervas potentes e drogas trazidas do leste durante as
Cruzadas, entraram na farmacopéia dos curandeiros, dos sábios e das bruxas. Curas, mortes e
mistérios desviaram a atenção dos dominicanos da Inquisição, dos hereges cristãos, para as
bruxas pagãs e para os sábios, que tinham o conhecimento e o poder do uso dessas drogas e
venenos.
Durante a purgação das bruxas, o Deus Cornífero, chegou a ser comparado com o diabo (um
conceito cristão) e o pentagrama - popular símbolo de segurança - pela primeira vez na história,
foi associado ao mal e chamado "Pé da Bruxa". As velhas religiões e seus símbolos caíram na
clandestinidade por medo da perseguição da Igreja e lá ficaram definhando gradualmente,
durante séculos.

Do renascimento até hoje


As sociedades secretas de artesãos e eruditos, que durante a inquisição viveram uma verdadeira
paranóia, realizando seus estudos longe dos olhos da Igreja, já podiam agora, com o fim do
período de trevas da Inquisição, trazer à luz o Hermetismo, ciência doutrinaria ligada ao
gnosticismo surgida no Egito, atribuída ao deus TOTH, chamado pelos gregos de HERMES
TRISMEGISTO, e formada principalmente pela associação de elementos doutrinários orientais e
neoplatônicos.

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Cristalizou-se, então, um ensinamento secreto em que se misturavam filosofia e alquimia, ciência
oculta da arte de transmutar metais em ouro. O simbolismo gráfico e geométrico floresceu, se
tornou importante e, finalmente, o período do Renascimento emergiu, dando início a uma era de
luz e desenvolvimento.
Um novo conceito de mundo pôde ser passado para a Europa renascida, onde o pentagrama
(representação do número cinco), significava agora o MICROCOSMO - símbolo do Homem
Pitagórico, que aparece como uma figura humana de braços e pernas abertas, parecendo estar
disposto em cinco partes em forma de cruz; o Homem Individual. A mesma representação
simbolizava o MACROCOSMO, o Homem Universal - dois eixos, um vertical e outro horizontal,
passando por um mesmo centro. Um símbolo de ordem e de perfeição, da Verdade Divina.
Portanto, "o que está em cima é como o que está embaixo", como durante muito tempo já vinha
sendo ensinado nas filosofias orientais.
O pentagrama pitagórico - que se tornou, na Europa, o de Hermes, gnóstico - já não aparece
apenas como um símbolo de conhecimento, mas também como um meio de conjurar e adquirir o
poder. Figuras de Pentagramas eram utilizadas pelos bruxos para exercer seu poder: existiam
Pentagramas de amor, de má sorte, etc. No calendário de Tycho Brahe "Naturale Magicum
Perpetuum" (1582), novamente aparece a figura do pentagrama com um corpo humano
sobreposto, que foi associado aos elementos. Agripa (Henry Cornelius Von de Agripa
Nettesheim), contemporâneo de Tycho Brahe, mostra proporcionalmente a mesma figura,
colocando em sua volta os cinco planetas e a Lua no ponto central (genitália) da figura humana.
Outras ilustrações do mesmo período foram feitas por Leonardo da Vinci, mostrando as relações
geométricas do Homem com o Universo. Mais tarde, o pentagrama veio simbolizar a relação da
cabeça para os quatro membros e conseqüentemente da pura essência concentrada de qualquer
coisa, ou o espírito para os quatro elementos tradicionais: terra, água, ar e fogo - o espírito
representado pela quinta essência ( a "Quinta Essentia" dos alquimistas e agnósticos).
Na Maçonaria, o homem microcósmico era associado com o Pentalpha (a estrela de cinco
pontas). O símbolo era usado entrelaçado e perpendicular ao trono do mestre da loja. As
propriedades e estruturas geométricas do "Laço Infinito" foram simbolicamente incorporadas aos
72 graus do Compasso - o emblema maçônico da virtude e do dever.
Nenhuma ilustração conhecida associando o pentagrama com o mal aparece até o século XIX.
Eliphas Levi (Alphonse Louis Constant) ilustra o pentagrama vertical do homem microcósmico
ao lado de um pentagrama invertido, com a cabeça do bode de Baphomet (figura panteísta e
mágica do absoluto). Em decorrência dessa ilustração e justaposição, a figura do pentagrama, foi
levada ao conceito do bem e do mal.
Contra o racionalismo do século XVIII, sobreveio uma reação no século XIX, com o
crescimento de um misticismo novo que muito deve à Cabala, tradição antiga do Judaísmo, que
relaciona a cosmogonia de Deus e universo à moral e verdades ocultas, e sua relação com o
homem. Não é tanto uma religião mas, sim, um sistema filosófico de compreensão
fundamentado num simbolismo numérico e alfabético, relacionando palavras e conceitos.
Eliphas Levi foi um expositor profundo da Cabala e instrumentou o caminho para a abertura de
diversas lojas de tradição hermética no ocidente: a "Ordem Temporale Orientalis" (OTO), a
"Ordem Hermética do Amanhecer Dourado" (Golden Dawn), a "Sociedade Teosófica", os
"Rosacruzes", e muitas outras.
Levi, entre outras obras, utilizou o Tarot como um poderoso sistema de imagens simbólicas, que
se relacionavam de perto com a Cabala. Foi Levi também quem criou o TETRAGRAMMATON - ou
seja, o pentagrama com inscrições cabalísticas, que exprime o domínio do espírito sobre os
elementos, e é por este signo que se invocavam, em rituais mágicos, os silfos do ar, as
salamandras do fogo, as ondinas da água e os gnomos da terra" ("Dogma e Ritual da Alta Magia"
de Eliphas Levi). A Golden Dawn, em seu período áureo (de 1888 até o começo da primeira
guerra mundial), muito contribuiu para a disseminação das raízes da Cabala Hermética moderna
ao redor do mundo e, através de escritos e trabalhos de vários de seus membros, principalmente

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Aleister Crowley, surgiram algumas das idéias mais importantes da filosofia e da mágica da
moderna Cabala.
Em torno de 1940, Gerald Gardner adotou o pentagrama vertical, como um símbolo usado em
rituais pagãos. Era também o pentagrama desenhado nos altares dos rituais, simbolizando os três
aspectos da deusa mais os dois aspectos do deus, nascendo, então, a nova religião de Wicca. Por
volta de 1960, o pentagrama retomou força como poderoso talismã, juntamente com o crescente
interesse popular em bruxaria e Wicca, e a publicação de muitos livros (incluindo vários
romances) sobre o assunto, ocasionando uma decorrente reação da Igreja, preocupada com esta
nova força emergente.
Um dos aspectos extremos dessa reação foi causado pelo estabelecimento do culto satânico - "A
Igreja de Satanás" - por Anton La Vay. Como emblema de sua igreja, La Vay adotou o
pentagrama invertido (inspirado na figura de Baphomet de Eliphas Levi). Isso agravou com
grande intensidade a reação da Igreja Cristã, que transformou o símbolo sagrado do pentagrama,
invertido ou não, em símbolo do diabo. A configuração da estrela de cinco pontas, em posições
distintas, trouxe vários conceitos simbólicos para o pentagrama, que foram sendo associados, na
mente dos neo-pagãos, a conceitos de magia branca ou magia negra. Esse fato ocasionou a
formação de um forte código de ética de Wicca - que trazia como preceito básico: "Não desejes
ou faças ao próximo, o que não quiseres que volte para vós, com três vezes mais força daquela
que desejaste".
Apesar dos escritos criados para diferenciar o uso do pentagrama pela religião Wicca, das
utilizações feitas pelo satanismo, principalmente nos Estados Unidos, onde os cristãos
fundamentalistas se tornaram particularmente agressivos a qualquer movimento que envolvesse
bruxaria e o símbolo do pentagrama, alguns wiccanos se colocaram contrários ao uso deste
símbolo, como forma de se protegerem contra a discriminação estabelecida por grupos religiosos
radicais. Apesar de todas as complexidades ocasionadas através dos diversos usos do
pentagrama, ele se tornou firmemente um símbolo indicador de proteção, ocultismo e perfeição.
Suas mais variadas formas e associações em muito evoluíram ao longo da história e se mantêm
com toda a sua onipresença, significado e simbolismo, até os dias de hoje.

Animal Totem
O seu Animal Totem é aquele que, queira ou não, estará sempre presente, a
seu lado. Fazendo com que você reaja à determinadas situações. Na maioria
das vezes, a linguagem do povo é sábia, existem determinadas afirmações
como: Tal pessoa tem olhos de Lince, aquela pessoa reage tal qual uma
Cobra, aquele é esperto como uma Raposa, e por ai vai.. Mas o que será que isso quer dizer? Não
seria a crença inconsciente de que temos um animal totem que nos guia?
Utilizar um animal não é escravizá-lo, como alguns autores de livros dão a entender.
Transformar-se nesse animal é para que algumas coisas sejam facilitadas, o que você não poderia
fazer usando o seu próprio corpo.
A técnica utilizada de animais em projeção, é muito usada pelos Índios, sendo
os Xamãs aqueles que a dominam. Como é uma técnica que depende em
primeiro lugar da sensibilidade, não é ensinada de uma maneira comum. É
necessário que você sensibilize dentro de você o animal, para que possa utilizá-
lo.
É muito importante que você vivencie o reino em que o Mundo Animal vive, ou seja, o Reino da
Natureza. É também muito importante, que você tenha dentro de si, o compromisso com a
Grande Mãe, que saiba escutar o vento, que sinta o cheiro da chuva dias antes dela chegar, que
conheça o céu que a abriga e principalmente, que se sinta inteiramente integrada aos Reinos
Vegetal, Animal e Vegetal. Isso é, em harmonia com os animais, as plantas e as pedras.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Somente depois de uma vivência plena com a Grande Mãe, é, que você verá que não precisa
chamar por um determinado animal, ele por si virá até você, para ajudá-la.
A seguir na tabela abaixo, você terá o horóscopo dos Índios Norte-Americanos. Como ele foi
idealizado por um povo do Hemisfério Norte, foi feita a adaptação para o Hemisfério Sul
seguindo a mesma lógica dos Índios Norte-Americanos, que é a dos ventos e das estações. Este
horóscopo é um dos primeiros passos de entrada no Mundo da Grande Mãe, pois nele, você não
se verá como o espécime humano "todo poderoso", mas como uma partícula integrada à outros
reinos.
Este horóscopo chama-se a "RODA DA CURA", para os Índios. Use-o e estará vivendo em
harmonia com o Grande Mistério, a Grande Mãe, o Grande Espírito.

Animal Totem Data Início Data Término


Corvo 21 de Março 19 de Abril
Cobra 20 de Abril 20de Maio
Coruja 21 de Maio 20 de Junho
Ganso 21 de Junho 22 de Julho
Lontra 23 de Julho 22 de Agosto
Lobo 23 de Agosto 22 de setembro
Falcão 23 de Setembro 23 de Outubro
Castor 24 de Outubro 21 de Novembro
Gamo 22 de Novembro 21 de Dezembro
Pica-pau 22 de Dezembro 19 de Janeiro
Salmão 20 de Janeiro 18 de Fevereiro
Urso marrom 19 de Fevereiro 20 de Março

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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RITUAIS

Não é nosso objetivo apresentar Rituais para serem copiados, e sim dar uma base para que todos
criem os seus próprios rituais, de acordo com suas características e possibilidades.

Ritual de Auto-Iniciação

O Ritual de Auto-Iniciação é um compromisso entre você e os Deuses, portanto


deve ser feito em absoluta solidão. Escolha uma Lua Cheia, próxima de seu
aniversário. Se possível vá a algum lugar próximo à Natureza. - Uma casa de
campo ou praia, é o ideal. - No dia do Ritual, procure estar em contato com a
Natureza. Tire o dia para descansar. Afaste-se um pouco da televisão, dos jornais
e de todas as possíveis fontes de notícias negativas e de violência. Esqueça as
contas, os problemas de família, e desligue o telefone. Escolha um local em que
você não possa ser interrompido. Antes do Ritual, limpe cuidadosamente o local onde ele será
realizado, mentalizando que todas as energias negativas estão saindo juntamente com a poeira.
Se você tiver uma Vassoura Mágica, use-a.
Tome um banho relaxante. Um banho com pétalas de rosa e algumas gotas de perfume é o ideal.
Este Ritual pode ser feito ao ar livre, mas como a pessoa deve estar nua, eu acho melhor fazê-lo
num recinto fechado para não atrair curiosos, e, principalmente para não ter problemas com as
autoridades.

Você pode seguir à risca o Ritual abaixo, ou usá-lo como base para criar o seu próprio Ritual, o
que é bem melhor, pois você deve usar suas próprias palavras para se dirigir aos Deuses, sem
ficar copiando ou simplesmente decorando texto elaborados por outras pessoas.
Você deve ter em mãos os materiais necessários para o Ritual:

Uma vela preta representando a Deusa;


Uma vela branca representando o Deus;
Quatro velas para os quadrantes, sendo uma vela
preta para o quadrante Norte, uma vela branca para o
quadrante Sul, uma vela vermelha para o quadrante Leste, e
uma vela azul para o quadrante Oeste. Essas são as cores da
tradição Celta, se quiser, pode mudá-las;
Um incensório com incenso de seu agrado;
Um pires com sal marinho;
Uma vasilha com água de fonte, de rio, ou se for
difícil de conseguir pode ser água mineral comprada. Procure
nunca usar em seus Rituais água de torneira;
Um Athame, ou um punhal de sua escolha;
Um cálice de vinho tinto (caso você não possa ingerir bebidas alcoólicas, substitua por
um suco de maçã ou mesmo água);
O Ritual deve ser feito após o crepúsculo. Deixe que o local escolhido receba a luz da Lua por
alguns minutos. No dia do Ritual, procure não comer carne e nem tome drogas de espécie
alguma. Faça um jejum ou coma frutas e verduras.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Quando for para o Círculo, tenha a certeza de que levou o material necessário para não ter que
sair e interromper o Ritual. Se houver outras pessoas na casa, peça para que você não seja
interrompido(a) durante aquele período.

Durante o Ritual, você deve estar nu(a), sem jóias ou qualquer outro adorno. Os cabelos devem
ficar soltos, se forem compridos. O objetivo do Ritual é nos apresentarmos aos Deuses de forma
mais natural possível.

Acendas as velas em seus respectivos quadrantes, que devem ser determinados com o auxílio de
uma bússola antes do Ritual. Monte o Altar ao Norte, com a vela da Deusa à esquerda e a vela do
Deus à direita.

No Altar também devem estar o Cálice, o Athame, o Sal, a Água e o Incenso, que deve ser aceso
na vela da Deusa. Você também pode colocar no Altar coisas que sejam importantes para a sua
vida e outros objetos de seu agrado. Lembre-se que a liberdade é a essência da Bruxaria!

Apague as luzes, e deixe que somente a luz das velas ilumine o aposento.

Segure o Athame com ambas as mãos e trace o Círculo Mágico, no sentido horário, começando
pelo Norte, diga com energia e máxima concentração:

"Em nome da Deusa, eu traço este Círculo de Proteção! Dele nenhum mal sairá.
Dentro dele, nenhum mal poderá entrar. Pelos Guardiões dos Quatro Quadrantes da
Terra, eu convido todos os Elementais da Terra, do Ar, do Fogo e da Água para
entrarem neste Círculo e me auxiliarem nesta iniciação".

Volte ao Norte, beije a lâmina do seu Athame e coloque-o novamente no Altar. Pegue o Sal,
jogue três punhados na Água e diga:

"Abençoado seja o Sal que purifica esta Água".

Segure a vasilha com a água salgada e dê três voltas ao redor do Círculo, em sentido horário,
enquanto deixa cair algumas gotas no chão. Volte ao Norte e diga:

"Da mesma forma que o Sal purificou a Água, que minha vida seja purificada pelo Amor da Grande
Mãe".

Pegue o Incenso e dê três voltas ao redor do Círculo no sentido horário, volte ao Norte e diga:

"Abençoada seja esta criatura do Ar, que leva até aos Deuses a minha oferenda de Alegria!"

Fique de fronte para o Altar e diga:

"Eu, (diga seu nome completo), compareço diante dos Deuses de minha livre e
espontânea vontade, abrindo meu coração para as verdades e ensinamentos da
Wicca.

Juro perante aos Deuses, jamais usar meus conhecimentos para prejudicar
qualquer criatura viva ou para finalidades egoístas.

Juro nunca fazer em meus Rituais de Wicca nada que cause dor, sofrimento, humilhação ou medo à
nenhuma criatura viva.
Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”
100
Juro defender meus irmãos e irmãs na Arte, bem como divulgar a Wicca para todos os que desejarem
aprender, sem jamais tentar converter ninguém às minhas crenças ou menosprezar as crenças alheias.

Juro amar o Planeta Terra, procurar sempre harmonia com toda a Natureza, e, acima de tudo, colocar
sempre a vida humana acima de interesses materiais.

Juro nunca prejudicar meus irmãos da Arte, ou revelar seus nomes mágicos, embora eu tenha o direito
e a obrigação de me defender contra energias ou pessoas negativas que queiram me prejudicar ou
fazer mal aos que eu amo.

A partir de agora, não existem nenhuma parte de mim que não seja dos Deuses; portanto, meu corpo é
sagrado. Nenhuma parte dele é impura ou vergonhosa. Meu corpo merece todo o respeito, como fonte
divina de vida e de prazer.

A partir de agora, a verdadeira autoridade sobre mim, virá somente dos Deuses. Não aceitarei nenhum
tipo de opressão, nem ficarei do lados daqueles que oprimem meus semelhantes em busca de poder.

A partir de hoje, lutarei para que a justiça do Deus e Amor da Deusa sejam estabelecidos na Terra.

Assim seja!"

Peque o Cálice, derrame um pouco de Vinho no chão e diga:

"Da mesma forma que o vinho se derramou, que o poder me seja tirado se eu não cumprir meu
juramento".

Molhe o dedo no Vinho, desenhe um Pentagrama no ponto entre as sobrancelhas e diga:

"Que meus pensamentos sejam guiados pela Luz dos Deuses".

Molhe novamente o dedo e desenhe um Pentagrama em cada pálpebra dizendo:

"Que meus olhos vejam o poder dos Deuses em toda a Natureza".

Molhe o dedo no Vinho, desenhe um Pentagrama na boca dizendo:

"Que minhas palavras sejam para propagar o Amor dos Deuses".

Molhe o dedo, e trace um Pentagrama no seu coração, dizendo:

"Que a grande Mãe esteja em meu coração, para que eu tenha compaixão por todos os seres humanos
e por todas as criaturas".

Molhe novamente o dedo e trace um Pentagrama na região do seu sexo, dizendo:

"Que meu sexo seja abençoado pelos Deuses, para que haja fertilidade em minha vida".

Molhe os dedos e trace um Pentagrama em cada um dos seus pés, dizendo:

"Que meus passos me levem pelos caminhos da Felicidade, e que os Deuses guiem todos os meus
passos".

Segure o Cálice com ambas as mãos, beba o Vinho, deixando um pouco no fundo e diga:

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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"Este é o útero da Grande Mãe. Dele eu vim, e para ele voltarei com Alegria! Que assim seja, para o
bem de todos!"

Jogue o resto do Vinho no chão.

O Ritual em si está terminado, mas você ainda pode ficar mais alguns minutos no Círculo para
meditar sobre Bruxaria e em todas as promessas assumidas.

Obs: Se você quiser assumir um nome mágico, assim que derramar o Vinho no chão diga:

"De agora em diante, meu nome perante os Deuses é (diga seu nome mágico)".

Este nome deverá ser conhecido somente por você, ou você poderá optar por dize-lo a seu
Coven! Dentro de um ano e um dia, você poderá fazer um novo Ritual para confirmar seus votos,
mantendo ou alterando seu nome mágico.

O Ritual de Auto-Iniciação é uma data de muita alegria, portanto não fique preocupada(o) se
errar algumas palavras ou esquecer alguma coisa. Nem fique preocupada(o) se você não souber
falar palavras bonitas. O mais importante é o que está em seu coração e os Deuses conhecem
muito bem as palavras ditas com sinceridade. Se você não tiver os materiais necessários ou um
ambiente propício, improvise, dentro das suas condições, use sua imaginação, pois o mais
importante, o que realmente vale, é o Amor e a Devoção que você sente pelos Deuses.

Ritual de Auto-Dedicação
Antes de se iniciar como bruxo(a) Wiccaniano(a) você deverá passar por um ritual de dedicação
onde se comprometerá com os Deuses a estudar e praticar a Antiga Arte durante um ano e um
dia, mas tenha em mente que este é um período mínimo de estudo para você ter idéia de como as
coisa funcionam na Wicca... um verdadeiro Bruxo(a) não se faz apenas neste período e sim com
o tempo e com o estudo.

Apenas após esse período caso ainda queira seguir o caminho da Wicca você deverá se iniciar.
Bem você deve se estar perguntando porque 1 ano e 1 dia? Nosso calendário é diferente do
Gregoriano para nós os meses tem 28 dias (4 fases lunares de 7 dias cada) daí se somarmos
teremos: 28 dias x 13 meses = 364 dias mais 1 dia para termos os 365 dias do ano, daí a
expressão 1 ano e 1 dia.

O ritual a seguir foi adaptado dos livros: "A Dança Cósmica das Feiticerias, Feitiçaria - A
Tradição Renovada e Wicca - A Feitiçaria Moderna".

Se você deseja se tornar um bruxo e não pode ser iniciado por um Coven (ou se prefere trabalhar
como um Bruxo Solitário) pode iniciar-se na Arte e dedicar-se à Deusa e ao seu Consorte
realizando o ritual de Auto-Iniciação em uma noite de lua cheia ou crescente, em qualquer um
dos 8 Sabaths ou no seu aniversário.

No dia escolhido procure meditar sobre a importância do passo que você pretende dar e sinte em
seu coração se essa é a sua verdadeira vontade. Nesse dia evite comer carne vermelha ou
qualquer alimento que tenha recebido aditivos químicos, prefira frutas e legumes, procure
também evitar o contato prolongado com muitas pessoas, os humores variados podem influênciar

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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o equilíbrio de suas energias. Lembre-se que todo Bruxo precisa ter em mente os 4 Poderes
Tradicionais:

Saber, Ousar, Querer e Calar.

Para este ritual você vai precisar de:

Caldeirão
Água da Fonte ou Mineral
Athame
Cálice
Uma Vela Preta
Uma Vela Branca
Incensário com Incenso de Jasmim ou Mirra
Vinho Tinto que deverá ter passado a noite anterior à luz da Lua Crescente ou Cheia para
ter sido energizado.
Maçã
Rosas Brancas e Rosas para enfeitar o altar
Sal Marinho

Ao entardecer comece a preparar seu quarto ou o local escolhido para o ritual, arrume seu altar
com o caldeirão cheio de água da fonte ou mineral, o athame e o cálice. Prepare o incensário
com um incenso de Jasmim ou Mirra, enfeite o altar com rosas coloridas, coloque a vela preta do
lado esquerdo simbolizando a Deusa e a vela branca do lado direito simbolizando o Deus,
coloque a maçã próxima ao caldeirão junto com a garrafa de vinho tinto.

Um pouco antes do horário programado tome um banho ritualistico para se limpar de todas
energias negativas, utilize um pouco do sal marinho misturado a água, neste momento tenha em
mente que seu corpo está sendo purificado dos velhos conceitos, à partir de agora você estará se
preparando para um novo nascimento :

O Nascimento para a Antiga Arte: a visão que você tinha até então dará lugar a uma nova forma
de pensar e sentir os outros a sua volta.

Ao término do banho não utilize nenhuma toalha, deixando que seu corpo seque-se naturalmente,
não vista nenhuma roupa ( ao fazer este ritual não utilize : anéis, brincos, pulseiras, relógio, ...
deixe seu cabelo solto, você deverá se apresentar aos Deuses como você nasceu ).

Dirija-se ao local escolhido para o ritual, antes de começar pegue sua vassoura e varra todo o
local, não deixe que os pelos da vassoura toquem o chão, enquanto varre mentalize todas as
energias negativas sendo varridas.

Trace no chão um círculo, salpique um pouco de sal ( simbolizando o elemento Terra ) sobre o
círculo para consagrá-lo dizendo:

Com o sal eu consagro e abençôo este círculo


Sob os nomes divinos da Deusa e do seu Consorte: O Deus Chifrudo
Abençoado Seja!

Acenda o incenso e volte-se aos 4 pontos enquanto diz:

Salve Guardiões das Torres de Observação do Leste Poderes do Ar!

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Salve Guardiões das Torres de Observação do Sul - Poderes do Fogo !
Salve Guardiões das Torres de Observação do Oeste - Poderes da Água !
Salve Guardiões das Torres de Observação do Norte - Poderes da Terra !
Que a força dos elementais me protejam e me guiem.
Que Assim sejá e que Assim se faça para o bem de todos!

Acenda as velas e diga:

O fogo esta aceso


O ritual começou.
O círculo está montado entre os mundos.
Além dos limites do tempo onde a Noite e Dia, Nascimento e Morte,
Alegria e Tristeza tornam-se uma só coisa.
Que nenhum mal aqui possa entrar ou sair.
Que assim seja e assim se faça para o bem de todos.

Sente-se no centro do círculo, voltado para o Norte e feche seus olhos, sinta toda a energia que
existe dentro de você, saiba que a Grande Mãe vive dentro do seu coração, quando se sentir
pronto, coloque-se de joelhos, segure o athame com as duas mãos e aponte-o para o céu dizendo:

Eu te invoco e te chamo Oh Deusa Mãe criadora de vida e alma do Universo infinito.


Pela chama da vela e pela fumaça do incenso eu te invoco para abençoar este ritual.
E para garantir a minha admissão na companhia dos teus filhos amados.
Oh Bela Deusa da vida e do renascimento que é conhecida por muitos nomes divinos.
Neste círculo consagrado à luz de velas eu me comprometo a te honrar, a te amar e a te servir.
Enquanto eu viver prometo respeitar e obedecer à tua lei de amor a todos os seres vivos.
Prometo nunca revelar os segredos da Arte a qualquer homem ou mulher que não pertença ao
mesmo caminho.
E juro aceitar o Conselho Wiccaniano de "Sem prejudicar ninguém farei o que quiser"
Oh Deusa Rainha de todas as Bruxas, abro meu coração e minha alma para ti.
Que assim seja!

Pegue a maçã e parta-a em duas, coloque as duas metades em cima do altar, pegue a taça e
encha-a de vinho , erga-a e diga :

Eu te invoco e te chamo Oh Grande Deus Chifrudo dos pagãos, Senhor das matas verdes e Pai de
todas as coisas selvagens e livres.
Pela chama da vela e pela fumaça do incenso eu te invoco para abençoar este ritual.
Oh Grande Deus Chifrudo da morte e de tudo que vem depois, que é conhecido como :
Cernunnos, Attis, Pã, Daghda, Fauno, Frey, Odin, Lupercus e por muitos outros nomes, neste
círculo consagrado à luz de velas eu me comprometo a te honrar, a te amar e a te bem servir
enquanto eu viver.
Oh Grande Deus Chifrudo da paz e do amor, abro meu coração e minha alma para ti.
Que assim seja!

Introduza o athame na taça e diga:

A Sagrada União foi feita, e dela geram todas as coisas!


Beba o vinho sabendo que ele representa o sangue da Deusa, aquele que tudo fertiliza, saiba que
através dele tudo pode ser alterado. Magia é transformação, deixe que Ela lhe toque e lhe
transforme.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Feche os olhos e deixe os sentimentos tomarem conta de você, caso escute alguma voz ou sinta
alguma presença não se assuste: Confie na Grande Mãe e em seu filho. Abra os olhos e coma a
maçã.

Quando se sentir pronto abra o círculo dizendo :

O círculo esta fechado, porém não esta encerrado.


Que o poder sempre esteja comigo quando eu precisar.
Encerro agora este círculo !
Que assim seja e que assim se faça para o bem de todos.

A Auto - Dedicação esta completa, deixe as velas e o incenso queimarem até o fim, nesta noite
durma sem roupa de preferência.... no dia seguinte pegue os restos das velas e o pó do incenso e
enterre em um jardim ou vaso.

Rituais de Menstruação

Vamos mencionar alguns rituais básicos para quem está iniciando a recuperação de seus poderes
de mulher, alguns rituais para conexão com a força do ventre e do sangue.

1) Recuperar o bom relacionamento com o sangue menstrual

Muitas mulheres vêem o sangue menstrual com as marcas que o patriarcado lhe colocou: sujo,
nojento, desagradável...

Bem, para ser uma bruxa você tem que destruir esses pensamentos e essas sensações e recuperar
a sacralidade de seu sangue menstrual. Acostume-se com seu sangue menstrual. Toque nele,
cheire-o, brinque com ele...unte uma vela vermelha, perceba o cheiro que exala quando for
esquentando. Passe-o no corpo, veja sua linda cor e textura.
Tome como regra NUNCA MAIS reclamar de sua menstruação. NUNCA MAIS maldiga o
momento em que estiver menstruada, NUNCA MAIS reclame de incômodos....Ao fazer isso se
perde uma quantidade enorme de poder!!! Ao invés disso, perceba como seu poder psíquico
cresce. Faça de sua menstruação um tempo de celebração como mulher.

2) Sugestão de celebração menstrual

 velas vermelhas,
 uma granada ou cornalina,
 flores de hibisco ou outras flores vermelhas
 seu jarro menstrual
 vinho tinto
 bolo
 incenso de artemísia ou canela

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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 uma pedra chata, recolhida por você em uma cachoeira ou rio ( mais ou menos com uns
20 cm ou um pouco mais, e um pouquinho pesada, para você poder colocar sobre o
ventre e fazer uma certa pressão)

Acenda os incensos e unte as velas com seu sangue, acendendo-as. Coloque a pedra achatada a
sua frente e desenhe nela com seu sangue símbolos da Deusa: espirais, labirintos, triskelions, etc.
Deixe no altar suas pedras de cornalina e granada e as flores. Pegue a pedra grande já desenhada,
deite-se e coloque-a sobre o útero.

Feche os olhos e comece a se tornar consciente apenas da pedra e do peso sobre seu ventre.
Respire no ventre e se conecte com ele. Veja a cor que está aparecendo. Torne-se consciente do
grande poder que o sangue menstrual implica, porque iguala você e a Deusa no processo da
Criação. Medite sobre a pequena morte que a menstruação representa. Lembre de quanto sangue
já verteu para que a humanidade chegasse aqui e perceba a irmandade que une todas as mulheres
que existem e que existirão. Viaje para dentro de seu útero, percebendo-o como que forrado em
rico veludo vermelho... Ande por ele procurando o fluxo de sangue ... Veja uma grande piscina
de sangue e banhe-se nela. Recupere suas forças nesse processo, recupere o poder de seu ventre.

Veja seu ventre pulsando com essa energia vermelha, saudável e luminoso. Encerre a meditação
e imante as flores com essa energia do sangue. Consagre o vinho tinto e o beba em homenagem a
Senhora do Oceano de Sangue, não sem antes fazer uma libação. Coma o bolo. Faça uma
oferenda para a Mãe Terra, com parte do vinho, do bolo e com um pouco do seu sangue
colocado sobre a terra.

3) Para melhorar cólicas e diminuir a TPM

Mulheres em conexão com seu ventre, mulheres que assumem o poder da bruxa não têm- salvo
patologias mais complexas e mesmo assim raramente- cólicas e problemas com sua
menstruação...

Regra número um para obter a conexão é se expor a luz da lua todas as noites por alguns
segundos ao menos. A atitude mental deve ser a de fazer coincidir as fases do ciclo com as da
lua. Assim, menstrua-se entre minguante e nova, está-se fértil na cheia...mesmo que sua
menstruação não seja assim, vc pode fazer com que o ciclo mude. Se for do tipo que menstrua
com a lua cheia, imagine as fases inversamente. Toda noite olhe para o céu e veja a lua. Peça sua
força para seu ventre e visualize o que deveria estar acontecendo nele de acordo com a fase da
lua.

Você vai se surpreender com a rapidez da resposta. Seu ciclo muda em média, em 3 meses.

Faça um diário lunar, ou seja, todos os dias, por 6 meses, anote o dia do mês, a fase da lua (
contando assim: primeiro dia da crescente, segundo da crescente, primeiro da cheia e assim por
diante), como se sente física, mental e psicologicamente. Assim descobrirá em que lua você é
mais forte, qual sua lua de poder em qual prefere estar recolhida. Isso é essencial para quem
trabalha com magia lunar.

 CORNALINA - pedra ideal para colocar sobre o ventre. Diminui as cólicas pela energia
que concentra.

4) Sacola e jarro menstrual

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Faça um saquinho de couro ou pano vermelho, colocando dentro objetos de poder ligados à
menstruação...Um buzio (que representa a vagina), contas vermelhas, granadas, pétalas de rosa,
um desenho de sua vulva em vermelho, uma espiral, uma lua em vermelho sangue. Imante-a e
carregue na bolsa quando estiver menstruada, deixando em seu altar o resto do Mês.

Pinte um jarro de vermelho e use-o exclusivamente para fazer a oferenda de seu sangue à Mãe
Terra. Coloque água nele e lave seu absorvente. Leve a água com sangue para a natureza ou
regue um vaso em sua casa ou apartamento, mentalizando que está agradecendo à Mãe por
compartilhar seu poder com você.

5) Partilhar e festejar

Busque outras bruxas (ou outras mulheres que se interessem pelo tema, mesmo que não sejam
bruxas) e partilhe com elas histórias e segredos, experiências e meditações, insights que você
teve durante a menstruação.

Se todas estiverem acertadas com o ciclo lunar, menstruarão mais ou menos nos mesmos dias do
Mês. Recuperem o costume ancestral das mulheres que se reuniam em seu Tempo da Lua para
partilhar dos poderes próprios das mulheres. Celebrem, festejem, cantem e dancem esse tempo
que a Mãe nos dá como privilégio e do qual temos que nos orgulhar.

Bruxas são poderosas, o poder do sangue é delas.

Que a Senhora do oceano de Sangue nos abençoe.

Consagração dos Elementos da Natureza


Para que o Altar não absorva nenhuma energia negativa, é fundamental reverenciar os objetos
que o compõe pelos quatro elementos.

Trace uma cruz imaginária sobre ele com os quatro pontos cardeais. (Norte, Sul, Leste e Oeste).

 No Norte, ponha Sal.


 No Oeste, 1 cálice com água
 No Leste, 1 incenso
 No Sul, 1 vela.

É importante que as pontas da cruz estejam apontando para a direção certa.


A seguir faça uma prece de agradecimento à todas energias e inicie as consagrações.

Passe Sal, representante do Elemento TERRA, sobre todos objetos dizendo:

Eu, ( fale o seu nome ), saúdo a Terra, a Natureza, todos os seus Elementos e sua força. Eu
agradeço por tudo com que a Terra me presenteia todos os dias de minha vida.
Eu, ( fale o seu nome), peço que a energia da Terra, esteja presente e que me traga coragem
estímulo, disciplina, conforto, estabilidade, saúde.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Eu, ( fale o seu nome ), proclamo que esses objetos pertencem a mim, devem responder só a
mim, me ajudar e proteger.

Respingue a Água do cálice, representante do Elemento Água, em todos objetos dizendo:

Eu, ( fale o seu nome ), saúdo todos os Elementais e as Deusas da Água.


Eu, ( fale o seu nome ), agradeço a Água por toda a água que existe no planeta, pela água que
bebo e de que necessito para viver.
Eu, (fale o seu nome), peço ao Elemento Água, intuição, clareza, visão, energia, força mágica
Eu, (fale o seu nome), declaro que todos esses símbolos pertencem a mim e a mais ninguém, que
eu os amarei e eles me amarão e servirão de canal.

Acenda o Incenso, representante do Elemento Ar, espalhe sua fumaça sobre os objetos dizendo:

Eu, ( fale o seu nome ), saúdo e invoco todos os Elementos e Deuses do Ar.
Eu, ( fale o seu nome ), agradeço ao Elemento Ar, pelo ar que eu respiro, pelos ventos, pela
inteligência, pela criatividade, pelas minhas virtudes racionais.
Eu, ( fale o seu nome ), peço ao Elemento Ar, capacidade de raciocínio, clareza de idéias,
condição de criar e ser feliz.
Eu, (fale o seu nome) declaro que a partir de agora essas ferramentas mágicas me pertencem e
a mais ninguém, e me passarão todas as energias positivas do Elemento Ar.

Segure a Vela acesa, representante do Elemento Fogo, e repita as seguintes frases:

Eu, ( fale o seu nome ), saúdo e invoco todos os Elementos e Deuses do Fogo.
Eu, ( fale o seu nome ), peço a intuição sagrada e a energia curativa e criadora do Fogo para a
minha vida.
Eu, ( fale o seu nome ), agradeço ao Fogo pela vida.
Eu, (fale o seu nome), declaro que todos esses instrumentos mágicos serão meus, só servirão
para os mais nobres fins, e me protegerão e cuidarão de mim enquanto eu viver.

Por fim faça novamente uma oração de agradecimento, e o Ritual estará encerrado.

"LEMBRE-SE, TODA VEZ QUE QUISER ACRESCENTAR UM OBJETO NOVO AO SEU


ALTAR, ANTES DEVERÁ CONSAGRÁ-LO.

Ritual de casamento Wiccaniano

Antes da cerimônia, é importante que toda a área seja consagrada com sal, água, e qualquer
incenso purificador, como, cedro, olíbano, sálvia ou sândalo.

Monte o altar ao Norte, e coloque tudo necessário:

2 Velas brancas - 1 Incensório - 1 prato com Sal e Terra - 1 Varinha - O Athame ou Espada
cerimonial - 1 Xícara com Óleo de Rosaa para consagração - 1 Cálice com água - 1 Cristal de
quartzo as alianças de casamento - 1 Fita branca - 1 Fita azul - A vassoura - Vinho - Bolo de
compromisso (receita no final)

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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A alta Sacerdotisa ou Sacerdote, traça o círculo no sentido horário, com o Athame ou Espada, e
após cada convidado ser abençoado com saudações e Incenso, faça soar o Sino para dar início a
cerimônia.

Os noivos deverão estar no círculo de mãos dadas. Abençoe-os novamente com Incenso e
saudações e coloque-os de frente para você e o altar. Os convidados ficarão em torno do
perímetro do círculo, de mãos dadas formando uma corrente humana.
De frente para os noivos, levante as mãos para o céu e diga:

NESTE SAGRADO CÍRCULO DE LUZ REUNIMO-NOS EM PERFEITO AMOR E


PERFEITA VERDADE.
OH! DEUSA DO AMOR DIVINO, EU TE PEÇO QUE ABENÇOE ESTE CASAL, O SEU
AMOR E SEU CASAMENTO PELO TEMPO QUE VIVEREM JUNTOS NO AMOR.

Segure o prato com o Sal e Terra diante deles para que coloquem a mão direita no mesmo,
enquanto o Sacerdote ou Sacerdotiza diz:

ABENÇOADOS SEJAM PELO ANTIGO E MÍSTICO ELEMENTO TERRA.


QUE A DEUSA DO AMOR EM TODA SUA GLÓRIA ABENÇOE-OS COM AMOR,
TERNURA, FELICIDADE E COMPAIXÃO, PELO TEMPO QUE VIVEREM AMBOS.

No altar, o casal deverá voltar-se para Leste. Soe o Sino 3 vezes e envolva-os com o incenso,
diga:

ABENÇOADOS SEJAM PELA FUMAÇA E PELO SINO SÍMBOLOS DO ANTIGO E


MISTICO ELEMENTO AR.
QUE A DEUSA DO AMOR EM TODA SUA GLÓRIA, ABENÇOE-OS COM A
COMUNICAÇÃO, CRESCIMENTO INTELECTUAL E SABEDORIA PELO TEMPO
QUE VIVEREM AMBOS.

Coloque novamente o Sino no altar, o casal deverá voltar-se para o Sul. Dê a cada um uma vela
branca, que deverão segurar com a mão direita. Acenda as velas, pegue a Varinha e segure acima
deles dizendo:

ABENÇOADOS SEJAM PELA VARINHA E PELA CHAMA SIMBOLOS DO ANTIGO


E MISTICO ELEMENTO FOGO
QUE A DEUSA DO AMOR EM TODA SUA GLÓRIA, ABENÇOE-OS COM
HARMONIA, VITALIDADE, CRIATIVIDADE E PAIXÃO PELO TEMPO QUE
VIVEREM AMBOS.

Coloque a Varinha no altar, o casal deverá voltar-se para o Oeste, segure o Cálice com água e
respingue sobre a cabeça deles, enquanto diz:

ABENÇOADOS SEJAM PELO ANTIGO E MÍSTICO ELEMENTO ÁGUA.QUE A


DEUSA DO AMOR EM TODA SUA GLÓRIA
ABENÇOE-OS COM AMIZADE, INTUIÇÃO CARINHO E COMPREENÇÃO PELO
TEMPO QUE VIVEREM AMBOS.

Coloque o Cálice no altar. Unte a testa deles com o Óleo de RosaS, e segure o Cristal de quartzo
sobre eles, como símbolo sagrado do reino espiritual, enquanto diz:

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


109
QUE A DEUSA DO AMOR EM TODA SUA GLÓRIA ABENÇOE-OS COM UNIÃO,
HONESTIDADE E CRESCIMENTO ESPIRITUAL PELO TEMPO QUE VIVEREM
AMBOS.
QUE O DEUS E A DEUSA INTERIOR DE CADA UM GUIE-OS NO CAMINHO RETO
E QUE A MAGIA DO SEU AMOR CONTINUE A CRESCER PELO TEMPO QUE
PERMANECEREM JUNTOS NO AMOR,
POIS O SEU CASAMENTO É UMA UNIÃO SAGRADA DOS ASPÉCTOS FEMININO E
MASCULINO DA DIVINDADE.

Coloque o Cristal novamente no altar e consagre as alianças do casamento com sal e água,
enquanto diz:

PELO SAL E PELA ÁGUA EU CONSAGRO ESTES BELOS SÍMBOLOS DO


AMOR.QUE TODAS AS VIBRAÇÕES NEGATIVAS, IMPUREZAS E OBSTÁCULOS
SEJAM AFASTADOS DAQUI!
E QUE PENETRE TUDO O QUE É POSITIVO, TERNO E BOM.
ABENÇOADAS SEJAM ESTAS ALIANÇAS NO NOME DIVINO DA DEUSA
ASSIM SEJA. ASSIM É E ASSIM SERÁ.PARA O BEM DE TODOS

Os noivos trocam as alianças proferindo as promessas que escreveram antes da cerimônia.


Após, consagre as Fitas da mesma maneira que fez com as alianças, segure-as lado a lado, e o
noivo e a noiva deverão segurar uma extremidade e dêem um nó enquanto expressam seu amor
um pelo outro. Amarre-as pelo meio e diga:

PELO NÓS NESTA CORDA SEJA O SEU AMOR UNIDO.

Pegue as Fitas com os nós e amarre juntas as mãos dos noivos. Visualize uma luz branca de
energia da Deusa e de proteção circundando o casal, enquanto suas auras se unem em uma só. Os
convidados deverão aclamar

AMOR AMOR AMOR

Após haver centralizado o poder trazido para os noivos e para o casamento deles, permaneça
alguns minutos em silêncio e depois retire as Fitas dizendo:

PELO PODER DA DEUSA E DE SEU CONSORTE EU OS DECLARO MARIDO E


MULHER PELO TEMPO QUE VIVEREM AMBOS QUE VIVAM JUNTOS NO AMOR
ASSIM SEJA, ASSIM É E ASSIM SERÁ, PARA O BEM DE TODOS

Os convidados, podem agora aplaudir, agradeça a Deusa e ao Deus desfaça o círculo, coloque a
vassoura horizontalmente no chão para que os noivos pulem juntos por ela.
Deve ser festejado por todos com vinho consagrado e bolo de compromisso que deverá ser
cortado com a espada cerimonial do coven.

Bolo de compromisso

1 xic. de manteiga - 1 xic. de açúcar - 1/2 xic. de mel - 5 ovos - 2 xic. de farinha de trigo - 2
col. de sopa de casca de limão ralada - 2 1/2 col de sopa de suco de limão - 1 colher de chá
de água de rosas - 1 pitada de manjericão

Se necessário dobre a receita!

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


110

Numa tigela apropriada bata a manteiga e o açúcar até ficar leve e com bolhas.
Adicione mel e misture bem. Coloque os ovos um a um, batendo bem cada um. Adicione a
farinha aos poucos, misturando bem em cada porção. Bata as raspas de limão, o suco, a água de
rosas e o manjericão a erva do amor.
Forre uma forma untada para pão (22X12X7) com folhas de gerânio rosa e despeje a massa.
Asse o bolo em forno pre-aquecido a 350° por 1h15min.. Retire do forno e deixe descansar por
20 min. antes de desenformar.

Decore com glacê ou sua preferência

Ritual do Animal Guardião


Deite-se num lugar tranqüilo, faça uma contagem de 7 a 1, procurando relaxar todo o corpo.
Imagine-se entrando numa caverna escura, onde encontrará vários animais. Pergunte à cada um
deles, se é o seu Animal Guardião. Se o Animal ficar em silêncio e ir embora, a resposta é
negativa. O Animal que lhe responder será o seu Guardião, por toda a vida. Não revele à
ninguém o seu Guardião!

Ritual da Lua - Puxar a Lua para baixo


Esse Ritual deve ser feito antes de um Sabá ou Feitiço.
Sente-se com a coluna ereta, imagine que uma Grande Lua Cheia está sobre a sua cabeça e
invade todo o seu corpo. Mantenha essa visualização de olhos fechados por alguns minutos.
Depois, se estiver num espaço aberto, olhe para a Lua, se estiver em um espaço fechado, abra os
olhos e relaxe por alguns instantes.
Esse Ritual é feito somente por mulheres. Para o homem, é mais comum imaginar ou fazer
incidir o reflexo da Luz no espelho, para depois imaginar que essa Luz entra pelo Chackra
Frontal - (espaço entre as sobrancelhas)

Massagem Purificadora e Energizante com as Plantas


As plantas são poderosíssimos centros de energia, e até um simples passeio ao bosque ou a uma
floresta traz bem-estar. Contudo a massagem e a touch therapy (terapia do toque) feitas com
determinadas plantas podem apressar processos de cura e de purificação.
Abrace um eucalipto e apoie a testa no tronco, se tiver necessidade de refrescar e acalmar as vias
respiratórias.

Deite-se e apoie as plantas dos pés em um carvalho adulto, mas não velhíssimo, se quiser entrar
em contato com as forças da Natureza e readquirir energias perdidas ou agredidas pelo estresse.
Massageie o rosto com folhas de feto, de deseja readquirir o bom humor.

Abrace um cipreste, para recuperar-se de uma grande perda, de uma desilusão, ou se os


problemas do dia-a-dia o fizerem perder a serenidade.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


111
Sente-se embaixo de um limoeiro, se sentir ameaçado pelas forças negativas.

Acaricie seu corpo com uma flor de hibisco, antes de se vestir para um encontro amoroso.

Faça uma massagem, suave e lentamente, com um coco, que levará embora energias negativas e
reativará suas barreiras energéticas.

De manhã cedo, caminhe com os pés descalços em um gramado úmido de orvalho, se quiser
reativar a circulação e eliminar resíduos negativos.

Passe pétalas de rosas nas têmporas e na testa, se estiver com uma forte dor de cabeça.

A touch terapy é aconselhável que seja feita com a planta viva, não poluída, na primavera e no
verão, quando a Natureza está no máximo de sua potência.

O Cobre, Metal de Cura e de Amor


Desde os tempos antigos, este metal é considerado um talismã da saúde e do amor, seu campo
energético cura os pequenos achaques do homem, estimula o bom humor e o relacionamento
com os outros. Use-o na forma de anel e, quando quiser purificá-lo, exponha-o aos raios de
Vênus, ao entardecer. Durante esse processo faça uma oração pedindo a Deusa e ao Deus que
carreguem o cobre com as energias que você precisa.

Banho (amor)
Este banho ritual aumenta a sua sensibilidade e ajuda na troca de energias com o(a) seu(ua)
parceiro(a).
Coloque em um balde ou bacia água quente (sem estar fervida) e coloque as seguintes essências;
dez gotas de ylang-ylang*, dez gotas de sândalo*, dez gotas de essências de rosas*, dez gotas de
almíscar* e um punhado de cravo. Depois de tomado o seu banho normal, pegue o balde e com a
ajuda de uma caneca, vá molhando novamente o seu corpo com essa água. Comece pela cabeça e
vá molhando todo o restante do corpo. Feito isso, seque-se naturalmente, sem auxílio da toalha.
Quando já estiver seco, coloque mais algumas gotas de almíscar nas palmas das mãos e acaricie
o seu corpo todo.

Ritual das Velas


Na Arte, as Velas são usadas para aumentar o poder de um encantamento, ou para influenciar um
poder em particular. Elas simbolizam a transformação da vontade em energia, elevando-a ao
Plano Astral. Você pode notar que enquanto a Vela é consumida, ela vai desaparecendo,
evaporando-se.

As velas são por vezes usadas juntamente com ervas e outros auxiliares dos encantamentos,
todos apontando para um objetivo em comum. Escolha a vela correspondente ao seu objetivo e
com o seu Athame, grave nela os seus desejos. Para isso você pode usar siglas, símbolos,
abreviações e tudo o mais que lhe convier. Depois use um óleo apropriado para ungir a vela,
qualquer óleo que tenha o objetivo em comum com o do encantamento. Não unte o pavio da
vela.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


112

Para untar uma vela, use a Mão do Poder, é a mão que você mais usa, esfregue a vela com
movimentos circulares ou em espiral. Se você deseja que alguma coisa venha até você, esfregue
a vela da ponta para a base. Se deseja remover alguma coisa, esfregue da base para a ponta. Role
a vela sobre as ervas correspondentes e finalmente coloque-a no castiçal.

Suspenda as mãos ao lado da vela, mentalmente envie seus desejos para ela e acenda a vela
dizendo:

"Vela de poder, Vela de força, crie os meus desejos aqui, nessa noite. Poder flua do fogo desta
Vela. Atenda o desejo de meu coração, as minhas palavras tem força, a vitória esta ganha. Assim
digo, Assim seja!

Este encantamento está feito".

A Vela não pode ser apagada, deve arder até o fim. É normal que ela evapore totalmente, mas
caso haja resíduos, retire-os com o Athame, cuidadosamente e jogue-os em Água corrente ou aos
pés de uma Árvore, ou jardim.

As Cores das Velas e seus Significados


BRANCA - É a mistura de todas as cores. Alinhamento Espiritual, Limpeza, Saúde,
Verdade, Poder, Pureza, Grandes Realizações, Totalidade. Usada em Rituais que envolvam
Energia Lunar.
AMARELA - Intelecto, Criatividade, Unidade, trazendo o poder da concentração e da
imaginação para o Ritual, use em Rituais onde você deseja obter de outros uma confidência
ou persuadir alguém. Simboliza também a Energia Solar. Ação, atração, Inspiração e
Mudanças Súbitas.
ROSA - Favorece o romance, a amizade, é uma cor usada em Rituais para desenvolver
sentimentos amorosos, cor da feminilidade, honra, serviço e favorece o diálogo em mesa de
refeição familiar. Despertar Espiritual, Cura de Espírito e Comunhão.
VERMELHA - Saúde, Energia, Potência Sexual, Paixão, Amor, Fertilidade, Força,
Coragem, Vontade de Poder, aumenta o magnetismo em um Ritual. Energia dos Signos de
Áries e Escorpião.
PRATEADA OU CINZA CLARO - Remove a negatividade encoraja a estabilidade,
ajuda a desenvolver as habilidades psíquicas. Atrai a Energia da Grande Mãe, Vitória,
Meditação, Poderes Divinos Femininos.
ROXA OU PÚRPURA - Poder, Sucesso, Idealismo, Progresso, Proteção, Honras,
Quebra de má sorte, Afasta o mal, Adivinhação, Altas manifestações psíquicas, ideal para
Rituais de independência, contato com as Entidades Astrais. Energia de Netuno.
MAGENTA - Combinação de vermelho com violeta, esta cor oscila com alta freqüência,
para Rituais que necessitem de uma ação rápida ou um poder bem elevado, ou uma saúde
espiritual urgente, rápidas mudanças, cura espiritual e exorcismo.
MARROM ou CASTANHO - Cor da Terra, equilíbrio, para Rituais de força material,
elimina a indecisão, atrai o poder de concentração, estudo, telepatia, sucesso financeiro.
Serve também para encontrar objetos que foram perdidos.
ÍNDIGO - Cor da inércia, para parar pessoas ou situações, use em um ritual que requeira
um elevado estado de meditação, neutraliza a magia lançada por alguém, quebra
maledicência, mentiras ou competição indesejável. Equilíbrio do Karma. Energia de Saturno.
AZUL ROYAL - Promove a alegria e a jovialidade, use-a para atrair a Energia de Júpiter
ou para qualquer Energia que você queira potencializar.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


113
AZUL CLARO - Cor espiritual, ajuda nas meditações de devoção e inspiração. Traz Paz
e tranqüilidade para a casa, irradia a Energia do Signo de Aquário, sintetiza as situações.
AZUL - Cor primária e espiritual para os Rituais que necessitam de harmonia, luz, paz,
sonhos e saúde. Simboliza a verdade, inspiração e sabedoria, poder oculto, proteção,
compreensão, fidelidade, harmonia doméstica e paciência.
VERDE CLARO - Importante componente num Ritual Venusiano, atrai o amor,
fertilidade e relação social.
VERDE ESCURO - Cor da ambição, cobiça, inveja e ciúme, coloca as influências destas
forças num Ritual.
VERDE - Promove prosperidade, fertilidade, sucesso, abundância, generosidade,
casamento, equilíbrio, estimula Rituais para a boa sorte, dinheiro, harmonia e
rejuvenescimento.
CINZA - Cor neutra. Ajuda a meditação, na magia, esta cor simboliza confusão, mas
também nega ou neutraliza a influência negativa.
PRETA - Abre os níveis do inconsciente, usada em Rituais para induzir um estado de
meditação, simboliza também a negatividade à ser banida. Nos casos de Rituais de
devolução, reversão, desdobramento, anulação de forças negativas, discórdia, proteção,
libertação, repele a magia negra e formas mentais negativas. Energia de Saturno.

Algumas informações úteis sobre a queima das velas.


1 - Quando acender uma vela, use sempre fósforo, nunca isqueiro, a ação de "riscar" o fósforo é
simbólica.

2 - Você deverá saber exata e precisamente o que deseja.

3 - A vela, ao ser impressa com o seu desejo pelo Athame, torna-se um receptáculo desse desejo.

4 - A conversão gradual da vela em Elemento Fogo, é uma transferência Alquímica da matéria


em Espírito. O seu pedido é de fato transmitido de sua própria consciência universal - espiritual
atráves do "médium" da vela. Ela é portanto, o seu elo de ligação com a Mente Universal, a qual
é a fonte de todo conhecimento e de todos os milagres. O Fogo, representa o Espírito, o oposto
da matéria, o qual é criado pela chama da vela.

5 - Se prestarmos atenção quando acendemos as velas, podemos identificar algumas mensagens:

Vela não acende prontamente O Elemental pode estar com dificuldades para ancorar
Vela queimando com luz azulada Indica a presença de Anjos e Fadas
Chama vacilante Devido às circunstâncias, seu pedido terá algumas mudanças
Chama que levanta e abaixa Você está pensando em várias coisas ao mesmo tempo
A chama lança chispas no ar O Elemental utilizará uma pessoa para falar o que deseja
A chama solta fagulhas Você terá desapontamento antes do pedido ser realizado
A chama parece uma espiral Seus pedidos serão alcançados, estão sendo levados
Pavio se divide em dois Seu pedido foi feito de forma dúbia
A ponta do pavio brilha Mais sorte e sucesso

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


114
A vela chora muito Dificuldades para o pedido ser realizado
Sobra um pouco de pavio e cera Faça mais orações

Horários Planetários
HORA DOMINGO SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO
06.00 Sol Lua Marte Mercúrio Júpiter Vênus Saturno
07.00 Vênus Saturno Sol Lua Marte Mercurio Júpiter
08.00 Mercúrio Júpiter Vênus Saturno Sol Lua Marte
09.00 Lua Marte Mercúrio Júpiter Vênus Saturno Sol
10.00 Saturno Sol Lua Marte Mercúrio Júpiter Vênus
11.00 Júpiter Vênus Saturno Sol Lua Marte Mercúrio
12.00 Marte Mercúrio Júpiter Vênus Saturno Sol Lua
13.00 Sol Lua Marte Mercúrio Júpiter Vênus Saturno
14.00 Vênus Saturno Sol Lua Marte Mercúrio Júpiter
15.00 Marte Júpiter Vênus Mercúrio Saturno Sol Lua
16.00 Lua Marte Mercúrio Júpiter Vênus Saturno Sol
17.00 Saturno Sol Lua Marte Mercúrio Júpiter Vênus
18.00 Júpiter Vênus Saturno Sol Lua Marte Mercúrio
19.00 Marte Mercúrio Júpiter Vênus Saturno Sol Lua
20.00 Sol Lua Marte Mercúrio Júpiter Vênus Saturno
21.00 Vênus Saturno Sol Lua Marte Mercúrio Júpiter
22.00 Mercúrio Júpiter Vênus Saturno Sol Lua Marte
23.00 Lua Marte Mercúrio Júpiter Vênus Saturno Sol
24.00 Saturno Sol Lua Marte Mercúrio Júpiter Vênus
01.00 Júpiter Vênus Saturno Sol Lua Marte Mercúrio
02.00 Marte Mercúrio Júpiter Vênus Saturno Sol Lua
03.00 Sol Lua Marte Mercúrio Júpiter Vênus Saturno
04.00 Vênus Saturno Sol Lua Marte Mercúrio Júpiter
05.00 Mercúrio Júpiter Vênus Saturno Sol Lua Marte

VÊNUS
Vênus governa Libra e Touro, o que faz com que os nativos desses signos esbanjem charme e
beleza. A influência de Vênus em taurinos e librianos, desperta neles um incrível bom gosto para
as artes, um sentimentalismo exagerado e um pouquinho de preguiça, o que pode os deixar um
pouco acomodados.

MERCÚRIO
Um dos mais "quentes" do Sistema Solar. Esse Planeta rege Gêmeos e Virgem, fazendo com que
as pessoas nascidas sob esses signos sejam muito inteligentes, versáteis e tenham enorme
facilidade para se comunicarem com as pessoas e fazerem novas amizades. Porém, quando
querem, essas pessoas podem ser cínicas e ficam extremamente nervosas quando algo não lhes
agrada.

MARTE
Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”
115
Arianos e Escorpianos são governados por esse Planeta. talvez, seja por esse motivo que pessoas
desses signos gostem sempre de liderar, tomar decisões e sempre estejam prontas para defender
os mais fracos, contra alguma injustiça. Possuem uma sensibilidade fora do comum, mas as
vezes são agressivos e imprudentes.

JÚPITER
Esse, Planeta rege os signos de Sagitário e Peixes. Quem é desses signos está sempre de bem
com a vida, é otimista e muito leal com os amigos. Possui também muita facilidade para falar
outros idiomas. No entanto, esses signos possuem como pontos negativos a sensibilidade
exagerada, muita presunção e um certo autoritarismo.

SATURNO
Esse Planeta, influencia os signos de Capricórnio e Aquário. Se você é um desses signos, possui
muita confiabilidade, é paciente e cheio de prudência ( por vezes em excesso). Crises de
depressão e problemas ósseos são comuns nesses nativos.

NETUNO
Idealismo, espiritualismo, criatividade, são algumas marcas que Netuno imprime em Peixes.
Certas vezes os piscianos são muito sentimentais, delicados, sem objetividade, displicentes e ...
relaxados. Cuidado isso pode atrapalhar.

URANO
É o principal regente dos Aquarianos que geralmente são gentis, independentes, versáteis e
originais em tudo o que fazem. Sempre gostam de ser diferentes. É por esse motivo que, às
vezes, os aquarianos são chamados de excêntricos.

PLUTÃO
Escorpião é regido por Plutão, que faz com que os escorpianos tenham o dom de dar a volta por
cima quando alguma coisa dá errado. Além disso, possuem grande talento para ganhar dinheiro.
Mas quando algo não os agrada, ele pode se tornar uma pessoa fria e sádica.

SOL
Regente de Leão, esse Planeta influencia os leoninos na altivez, na criatividade e na
generosidade, que é a marca principal desse signo. Pelas crianças, sentem um imenso amor. Mas,
se o brilho de alguém ou de alguma coisa for maior que o brilho do leonino, pode-se tornar
arrogante, vaidoso ao extremo e muito pretensioso.

LUA
Quem nasceu em Câncer, que é o signo regido pela Lua, geralmente é muito simpático, paciente
e tem a memória superaguçada. No entanto, o canceriano, às vezes, se torna extremamente
ingênuo, intolerante e muda de humor facilmente, assim como as fases da Lua.

A FORÇA DOS PLANETAS

Os Planetas interferem totalmente em nosso dia a dia. Invocar a força e a Energia Positiva que
eles emanam só vai ajudá-la a atingir mais rápido seus objetivos.

USA-SE A ENERGIA DO SOL PARA:


A Cura, expandir a consciência, reforçar as características positivas da personalidade, atrair boas
energias para o futuro, realçar seu auto-estima. Ter mais autoridade, segurança, equilíbrio, novas
idéias e sucesso e também para afirmar-se profissionalmente.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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USA-SE A ENERGIA DA LUA PARA:


Estimular sentimentos de família, de maternidade e de proteção; aumentar a popularidade a
intuição, a espiritualidade; abrir os canais com o inconsciente por meio de sonhos.

USA-SE A ENERGIA DE MERCÚRIO PARA:


Desenvolver a espiritualidade e acreditar na força da fé; Ter sucesso nos estudos, aumentar o
carisma e auto-estima; Estimular o raciocínio, a espontaneidade, a criatividade e a expressão de
idéias.

USA-SE A ENERGIA DE VÊNUS PARA:


Pedir mais harmonia, paz, alegria, amor, união em todos os setores da vida; Ter facilidade em
expressar a afetividade e se integrar com os outros; Para atrair pessoas e o ser amado; Para
incrementar a sexualidade, a beleza e os relacionamentos.

USA-SE A ENERGIA DE MARTE PARA:


Concretizar um objetivo, seja qual for a área, estimular a criatividade e praticidade; Ter coragem,
fibra e ímpeto para dar início à projetos pessoais.

USA-SE A ENERGIA DE JÚPITER PARA:


Ter fartura, prosperidade, bom humor, jovialidade, a proteção do Anjo da Guarda, conforto,
elevação da espiritualidade, clareza de visão, percepção para o futuro; Para transmitir
conhecimento, ensinar e definir metas.

USA-SE A ENERGIA DE SATURNO PARA:


Pedir justiça, compreensão de superiores, dignidade, honra, disciplina, estabilidade, conservação
de bens materiais, realização pessoal, abertura da mente e a satisfação das necessidades.

USA-SE A ENERGIA DE NETUNO PARA:


Desenvolver a espiritualidade, o amor pelo próximo, a fantasia, o sonho, a visão, a clarividência,
o sexto sentido, e superar o medo da morte.

USA-SE A ENERGIA DE URANO PARA:


Revolucionar o que faz parte de nossas vidas e trazer mudanças positivas aos grupos a que
pertencemos; Ter capacidade de fazer algo pela coletividade, favorecer assuntos relativos à
amizade.

USA-SE A ENERGIA DE PLUTÃO PARA:


Transformar os sentimentos negativos em positivos, estimular a coragem, a auto-confiança e a
renovação de pensamentos e sentimentos.

Planeta Signo Pedra Incenso Erva Vela Fruta Flor


Sol Leão Pedra do Sol Alecrin Manjericão Laranja Melão Margarida
Lua Câncer Pedra da Lua Jasmim Alfazema Azul Claro Melancia Rosa Branca
Gêmeos e Quartzo / Flor de
Mercúrio Menta Amarela Laranja Crisântemo
Virgem Citrino Laranjeira
Cravo da
Vênus Touro e Libra Quartzo Rosa Rosa Rosa Maçã RosaCor de Rosa
Índia
Marte Áries Obsidana Canela Arruda Vermelha Goiaba Cravo Vermelho

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


117
Júpiter Sagitário Lápis Lazuli Verbena Louro Violeta Uva Amor Perfeito
Verde
Saturno Capricórnio Malaquita Cedro Cavalinha Abacaxí Ciprreste
Escura
Água Verde
Urano Aquário Violeta Flor de Romã Kiwi Estrelitzia
Marinha Clara
Azul
Netuno Peixes Ametista Flor de Lótus Madressilva Coco Lírio Branco
Escura
Flor de
Plutão Escorpião Granada Âmbar Branca Amora Copo de Leite
Amora

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


118

INVOCAÇÃO WICCANA

De certo modo, esta é a essência de todos os rituais


Wiccanos, e certamente a única parte
indispensável. Os ritos Wiccanos são como que
uma harmonização com os poderes que são a
Deusa e o Deus; todo o resto é cerimonial. (Apesar
de dever, obviamente, gerar consciência ritual.
Rituais ao ar livre raramente precisam de tanta
invocação porque os Wiccanos já estão cercados
pelas manifestações naturais das deidades.)

O termo "invocação" não deve ser interpretado


muito literalmente. Refere-se, em geral, a orações
ou versos orais, mas podem também consistir de
música, dança, gestos e canções.

Há muitas invocações à Deusa e ao Deus no livro "Livro de Sombras das Pedras Erguidas".
Sinta-se à vontade para utilizá-los quando criar seus próprios rituais, mas lembre-se de que as
invocações espontâneas são geralmente mais eficazes do que muitas das antigas orações.

Se você escreve suas próprias invocações, pode desejar incorporar um verso. Séculos de
tradições mágicas atestam o valor das rimas. Certamente, tornam as invocações muito mais
fáceis de serem memorizadas.

A rima também acessa o inconsciente, ou mente psíquica. Ela entorpece nossa mente social,
material e intelectual e permite que ingressemos na consciência ritual.

No momento da invocação propriamente dita, não se irrite se esquecer uma palavra, pronunciar
algo de modo errado ou perder completamente o fio da meada. Isto é muito natural e é
normalmente uma manifestação de fadiga, estresse ou um desejo de ser impecável dentro do
círculo.

A invocação requer uma disposição de abrir-se a si próprio à Deusa e ao Deus. Não precisa ser
um desempenho prístino. Como a maioria dos rituais se inicia com uma invocação, esta é, num
certo sentido, a hora da verdade. Se a invocação não for sincera, ela não estabelecerá contato
com a Deusa e com o Deus, e o ritual que se segue não passará de uma formalidade.

Pratique a invocação da Deusa e do Deus, não apenas em ritual como também diariamente
durante sua vida. Lembre-se: a prática Wiccana não se limita às Luas Cheias e aos Sabbats - é
um completo estilo de vida.

Num sentido mais metafísico, a invocação é um ato de dois estágios. Não só invoca a Deusa e o
Deus, mas também nos desperta (muda nossa consciência) para aquela parte de nós que é divina
- nossa essência inviolável, intransmutável: nosso elo com Os Antigos.

Em outras palavras, ao invocar, não só chame pelas forças mais elevadas, como também as
deidades que habitam nosso interior, aquela fagulha de energia divina que existe dentro de todas
as criaturas vivas.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


119

Os poderes por trás de todas as deidades são um só. Eles residem em todos os humanos. Isso
explica o porquê de todas as religiões serem semelhantes em sua essência, e o porquê funcionam
para seus respectivos seguidores. Se apenas um modo de acessar a Deidade fosse possível,
haveria apenas um ideal religioso. Isso jamais ocorrerá.

O conceito de que a Deusa e o Deus habitam nosso interior pode parecer egoísta (somos todos
divinos!), mas apenas de um ponto de vista desequilibrado. Sim, quando algumas pessoas
aceitam esta idéia passam a agir como se fossem realmente divinos. Ver a divindade no interior
de todos os outros humanos é que consegue equilibrar esta noção.

Se por um lado somos, de certa forma, imortais (nossas almas certamente o são), nós não somos
"os Imortais". Não somos os seres universais, transcendentes, eternos, que são cultuados em
todas as religiões.

Chame pela Deusa e pelo Deus com amor e sinceridade, e seus rituais serão abençoados e bem-
sucedidos.

As invocações não deixam de ser um tipo de oração mais complexo, e sua prática aumenta, e
muito, nosso contato com as forças ocultas da Natureza.

Invocação dos Quatro Cantos


"O Iniciado, apoderando-se do pensamento, que produz as diversas formas, se torna senhor das
formas e as faz servir ao seu uso." O Ar, a Água, a Terra e o Fogo (formas elementais) separam e
especificam, por uma espécie de esboço, os espíritos criados no Movimento Universal
Inteligente. Evocando os Elementos, entramos em contato com toda parte, pois o Espírito elabora
e fecunda a matéria pela vida; toda matéria é animada; o pensamento e a Alma estão em toda
parte. Para evitarmos as interferências dos fenômenos provocados pelos Elementais, temos que
possuir a Vontade mais poderosa, a fim de dominarmos, por uma elevada razão e uma grande
severidade, as correntes invisíveis que podem ser ocasionadas.

Para isso, não podemos ter medo da água, pois necessitamos dominar as Ondinas. Não teremos
medo do fogo, porque ordenaremos as Salamandras. Não nos abrigaremos dos ventos, nem
teremos medo de alçar às alturas, porque dominaremos os Silfos e os Gênios. E não temeremos
os elementais da Terra, porque os espíritos inferiores só obedecem a um poder que lhes
provamos. Mostramo-nos seus Senhores até no seu próprio elemento.

Com a Ousadia e o Exercício, conquistamos o Poder incontestável, impondo aos Elementos o


Verbo Puro da nossa Vontade por Consagrações especiais para o Ar, ao Fogo, à Água e à Terra.
Este é o começo indispensável de todas as operações Mágicas. Mas antes, com o Sinal Mágico,
da cruz, é preciso vencê-los nas suas forças, sem nunca se deixar subjugar pelas nossas fraquezas
e pelas "fraquezas" deles. Sabemos que a cruz surgiu muito antes do Cristianismo e a ele não
pertence exclusivamente. Para nós, representa as oposições e o equilíbrio quaternário de todos os
elementos. Portanto, é reservado aos Iniciados o Sinal-da-Cruz em sua forma original. Esta é a
maneira correta; ao longo dos anos, a Igreja e seus militantes profanaram os significados e
simbolismos.

O Iniciado leva a mão à testa e diz: - A TI PERTENCEM... Leva a mão ao peito: - O REINO...
Bota a mão no ombro esquerdo: - A JUSTIÇA... No ombro direito: - E A MISERICÓRDIA...

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


120
Depois, com a mão direita erguida para o céu e a esquerda em direção à Terra, fala: - NOS
CICLOS GERADORES! TIBI SUNT MALCHUT ET GEBURAH ET CHESED PER
AEONAS. (em latim, mesmo!) Este Sinal Mágico, da cruz, deve ser feito sempre, antes e depois
de qualquer desenvolvimento de Desejos, Vontades e Verbos - As operações mágicas. As
consagrações e outras Evocações que estão a se encontram a seguir, foram retiradas de Grimoires
de diversos autores, tais como Agrippa, Albert Le Grand, Papus e Eliphas Levi. Devemos
lembrar que as orações devem ser criadas e produzidas, palavra por palavra, pelo próprio
Iniciado, numa verdadeira alquimia das Vontades expressas por suas palavras. Portanto, o que
você irá ler não deve ser tomado como uma "receita", e sim como um estímulo para o Iniciado
buscar suas próprias palavras na expressão Pura de suas Vontades.

Agora sim, podemos dar início às Consagrações (Ar e Água) e ao Exorcismo (Fogo e Terra).
Consagramos o Ar soprando para os quatro pontos cardeais, dizendo:

SPIRITUS DEI FEREBATUR SUPER AQUAS, ET INSPIRAVIT IN FACIEM HOMINIS


SPIRACULUM VITAE. SIT MICHAEL DUZ MEUS, ET SABTABIEL SERVUS MEUS
IN LUCE PER LUCEM FIAT VERBUM HALITUS MEUS; ET IMPERABO
SPIRITIBUS AERIS HUJUS, ET REFROENABO EQUOS SOLIS VOLUNTATE
CORDIS MEIS, ET COGITATIONE MENTIS MEAE ET NUTU OCULI DEXTRI.
EXORCISO IGITUR TE, CREATURA DERIS, PER PANTAGRAMMATON ET IN
NOMINE TETRAGRAMMATON, IN QUIBUS SUNT VOLUNTAS FIRMA ET FIDES
RECTA. AMEN. SELA FIAT.

Em seguida, recitamos a oração aos Silfos: “Espírito de sabedoria cujo


sopro dá e retoma a forma de todas as coisas. Tu, diante de quem a vida
dos seres é uma sombra que muda e um vapor que passa. Tu, que sobes
às nuvens e que caminhas nas asas dos ventos. Tu, que expiras, e os
espaços sem fim são povoados. Tu, que aspiras, e tudo o que de ti vem a ti
volta: movimento sem fim na estabilidade eterna, sê eternamente bendito.
Nós te louvamos e te bendizemos no império móvel da luz Criada, das
sombras, dos reflexos e das imagens, e aspiramos, incessantemente, à tua
imutável e imperecível claridade. Deixa penetrar até nós o raio de tua inteligência e o calor
do teu amor: então o que é móvel ficará fixo, a sombras será um corpo, o espírito do ar será
uma alma, o sonho será um pensamento. E nós não seremos mais arrastados pela
tempestade, porém seguraremos as rédeas dos cavalos alados da manhã e dirigiremos o
curso dos ventos da tarde, para voarmos diante de ti. Ó Espírito dos espíritos, ó alma
eterna das almas, ó sopro imperecível de vida, ó suspiro criador, ó boca que aspiras e
expiras a existência de todos os entes, no fluxo e refluxo da tua eterna palavra, que é oceano
divino do movimento e da verdade. Amém”.

Consagramos, depois a água pela imposição das mãos e pelo sopro das palavras:

FIAT FIRMAMENTUM IN MEDIO AQUARUM ET SEPARET AQUAS AB AQUIS,


QUAE SUPERIUS SICUT INFERIUS, ET QUAE INFERIUS SICUT QUAE SUPERIU,
AD PERPETRANDA MIRACULA REI UNIUS. SOL EJUS PATER EST, LUNA MATER
ET VENTUS HANC GESTAVIT IN UTERO SUO, ASCENDIT A TERRA AD COELUM
ET RURSUS A COELO IN TERRAN DESCENDIT. EXORCISO TE CREATURA
AQUAE, UT SIS MIHI SPECULUM DEI VIVI IN OPERIBUS EJUS, ET FONS VITAE,
ET ABLUTIO PECCATORUM. AMEN.

Seguimos, então, com a Oração das Ondinas:

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


121
“Rei do terrível mar, vós que tendes as chaves das cataratas do céu, e
que encerrais as águas subterrâneas nas cavernas da Terra. Rei do
dilúvio e das chuvas da primavera, a vós que ordenais à umidade, que
é como que o sangue da Terra, de tornar-se seiva das plantas, nós vos
adoramos e vos invocamos. A nós, vossas móveis e variáveis criaturas,
falai-nos nas grandes comoções do mar, e tremeremos diante de vós.
Falai-nos também do murmúrio das límpidas águas, e desejaremos o vosso amor. Ó
imensidão na qual vão perder-se todo os rios do ser, que sempre renascem em vós! Ó
oceano das perfeições infinitas! Altura de que vos mirais na profundidade. Profundidade
que exalais na altura, levai-nos à verdadeira vida pela inteligência e pelo amor! Levai-nos à
imortalidade pelo sacrifício, a fim de que sejamos dignos de vos oferecer, um dia, a água, o
sangue e as lágrimas, pela remissão dos erros. Amém”.

Para exorcizarmos o Fogo, jogamos sal e pronunciamos três vezes os três nomes dos gênios do
fogo: Miguel, rei do Sol e do raio; Samael, rei dos vulcões; e Anael, príncipe da Luz Astral. A
seguir, recitamos a oração das Salamandras:

“Imortal, eterno, inefável e incriado pai de todas as coisas, que és levado no carro sem
cessar rodante dos mundos que giram sempre. Dominador das imensidades etéreas, onde
estás ereto no trono do teu poder, de cima do qual teus olhos formidáveis descobrem tudo e
teus belos e santos ouvidos escutam tudo, atende aos teus filhos, que amaste desde o
nascimento dos séculos; porque a tua dourada, grande e eterna majestade resplandece
acima do mundo e do céu das estrelas; estás elevado acima delas, ó fogo faíscante. Aí, tu te
acendes e te conservas a ti mesmo pelo teu próprio esplendor, e saem da tua essência
regatos inesgotáveis de luz, que nutrem teu espírito infinito. Este espírito infinito alimenta
todas as coisas e faz este tesouro inesgotável de substância sempre pronta à geração que
elabora e que se aprimora das formas de que a impregnaste desde o princípio. Deste
espírito tiram também sua origem estes reis mui santos que estão ao redor do teu trono e
que compõem a tua corte, ó pai universal! Ó único! Ó pai dos felizes mortais e imortais.
Criaste, em particular, potências que são, maravilhosamente, semelhantes ao teu eterno
pensamento e à tua essência adorável. Tu as estabeleceste superiores aos anjos, que
anunciam ao mundo as tuas Vontades. Enfim, nos criaste na terceira ordem no nosso
império Elemental. Aqui, o nosso contínuo exercício é louvar e adorar os teus desejos.
Aqui, ardemos, incessantemente, aspirando possuir-te. Ó pai! Ó mãe! Ó mais terna das
mães! Ó arquétipo admirável da maternidade e do puro amor! Ó filho, flor dos filhos! Ó
forma de todas as formas, alma, espírito, harmonia e número de todas as coisas! Amém”.

A seguir, passamos a exorcizar a Terra:

“Rei invisível, que tomastes a Terra para apoio e que cavastes os seus abismos para enchê-
los com a vossa onipotência. Vós, cujo nome faz tremer as abóbadas do mundo, vós que
fazeis correr os sete metais nas veias da pedra, monarca das sete luzes, remunerador dos
operários subterrâneos, levai-nos ao ar desejável e ao reino da claridade. Velamos e
trabalhamos sem descanso, procuramos e esperamos, pelas doze pedras da cidade santa,
pelos talismãs que estão escondidos, pelo cravo de imã que atravessa o centro do mundo.
Senhor, tende piedade dos que sofrem, desabafai os nossos peitos, desembaraçai e elevai
nossas cabeças, engrandecei-nos. Ó estabilidade e movimento. Ó dia envolto de noite, ó
obscuridade coberta de luz! Ó Senhor, que nunca retende convosco o salário de vossos
trabalhadores! Ó brancura cristalina, ó esplendor dourado! Ó coroa de diamantes vivos e
melodiosos! Vós que levais o céu no vosso dedo, como um anel de safira, vós que escondeis
embaixo da Terra, no reino das pedrarias, a semente maravilhosa das estrelas, vivei, reinai
e sede o eterno dispensador das riquezas que nos fizeste guardas. Amém”.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Estas são as relações de todos os Elementais na composição Universal, com seus respectivos
soberanos:

•Gob, para os Elementais da Terra;


•Djin, para as Salamandras;
•Pralda ou Peralda, para os Silfos; e
•Niksa ou Nikse, para as Ondinas.

REINOS GÊNIOS INFLUÊNCIAS SIGNOS INSTRUMENTO


MÁGICO
Oriente / leste Silfos Biliosos Águia Pentáculo ou punhal
Meridianos / Sul Salamandras Sangüíneos Leão Tridente ou vela
Ocidente / oeste Ondinas Fleumáticos Aquário Taça
Septembrine /norte Gnomos Melancólicos Touro Espada ou moeda

Conjuração dos Quatro


Quando os espíritos Elementais nos atormentam, ou nos inquietam, pronunciamos em voz alta a
Conjuração dos Quatro:

CAPUT MORTUUM IMPERET TIBI DOMINUS PER VIVUM ET DEVOTUM


SERPENTEM.
CHERUBM, IMPERET TIBI DOMINUS PER ADAM IOTCHAVAH!
AGUILA ERRANS, IMPERET TIBI DOMINUS PER ALAS TAURI.
SERPENS, IMPERET TIBI DOMINUS TETRAMMATON PER ANGELUM ET
LEONEM!
MICHAEL, GABRIEL, RAPHAEL, ANAEL!
FLUAT UDOR PER SPIRITUM ELOHIM.
MONEAT TERRA PER ADAM IOT-CHAVAH.
FIAT FIRMAMENTUM PER IAHUVEHU-ZEBOATH.
FIAT JUDICUM PER IGNEM IN VIRTUDE MICHAEL.

Anjo de olhos mortos, obedece, ou escorre-te com esta água santa.


Touro alado, trabalha ou volta à Terra, se não queres que te aguilhoe com esta espada.
Águia acorrentada, obedece a este signo, ou retira-te diante deste sopro.
Serpente móvel, arrasta-te a meus pés, ou seja atormentada pelo fogo sagrado e evapora-te
como os perfumes que queimo nele.
Que a água volte à água. Que o fogo queime. Que o ar circule. Que a terra caia na Terra,
pela virtude do Pentagrama, que é a estrela da manhã, e em nome do Tetragrama, que está
escrito no centro da cruz luminosa. Amém.

É desta maneira que o Iniciado fica pronto e ativo como os Silfos, flexível e atento às imagens
como as Ondinas, enérgico e forte como as Salamandras, laborioso e paciente como os
Elementais da Terra.

CUIDADOS

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


123
As Operações da Magia não estão isentas de perigos, pois temos que agir, sempre
conscientemente, com base fundamentada na suprema, absoluta e infalível Vontade.

É extremamente desaconselhável fazer da Magia um passatempo, uma prova de poderes.


Ninguém se diverte impunemente com os mistérios da vida e da morte, e tudo em Magia deve
ser tratado com seriedade e com a maior reserva.

Nunca ceda ao desejo de convencer os outros pelas Operações Mágicas. Isso porque os efeitos
mais surpreendentes nunca seriam suficientes como provas para as pessoas não-Iniciadas.
Mostrar prodígios para alguém ou acreditar na Magia é, para o Iniciado, tornar-se indigno ou
incapaz da Magia.

Não se vanglorie com as obras que operou. A Tradição sempre recomenda o silêncio dos doentes
que são curados; e, se este silêncio for guardado fielmente, o Iniciado nunca será crucificado
antes da conclusão de toda a sua obra.

Outra precaução que nunca devemos esquecer é não fazer qualquer operação quando estivermos
doentes.

O Homem verdadeiramente Homem só pode Querer o que deve, razoável e justamente, fazer.
Por isso, impõe silêncio aos desejos e ao seu temor, para escutar a voz da Razão, no silêncio
absoluto.

Um Homem assim é um rei natural e um sacerdote espontâneo para as multidões errantes. É por
isso que o objeto da Iniciação se chama, desde as antigas Iniciações, Arte Sacerdotal ou Arte
Real. Para praticar a Magia, só será considerado um verdadeiro Bruxo se puser acima de todas as
fraquezas da Natureza.

Para dominar e submeter os espíritos elementais é preciso nunca abandonar-se aos defeitos que o
caracterizam. Assim, nunca um espírito leviano e caprichoso governará os Silfos. Nunca uma
natureza débil, fria e inconsciente será senhora das Ondina; a cólera irritas as Salamandras e a
grosseria cúpida faz de cada um joguete dos Gnomos.
Porém, é preciso ser pronto e ativo como os Silfos, flexível e atento às imagens como as
Ondinas, enérgico e forte como os Salamandras, laborioso e paciente como os Gnomos.

Invocação Simples
Tenha consigo o seguintes materiais (serão utilizados na representação dos Elementais da
Natureza).

1 moeda antiga (para o elemento Terra)


1 cálice ou taça com água mineral até a borda (para o elemento Água)
1 incenso de sua preferência (para o elemento Ar)
1 vela branca (para o elemento Fogo)

Faça uma cruz no chão, representando os pontos cardeais: Norte, Sul, Leste e Oeste.
Coloque a moeda no ponto marcando Norte; o cálice com a água no ponto Oeste; o incenso (de
preferência em um incensário) no ponto marcado por Leste e finalmente, no ponto Sul coloque a
Vela Branca.
Faça uma oração qualquer (a que você mais goste), antes de começar a invocação.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Primeiramente, pegue a moeda na mão e segure-a firmemente, dizendo:

"EU (seu nome) SAÚDO A TERRA, A NATUREZA, TODOS OS SEUS ELEMENTOS E


A SUA FORÇA. EU AGRADEÇO POR TUDO QUE A TERRA ME PRESENTEIA
TODOS OS DIAS DA MINHA VIDA. PEÇO QUE A ENERGIA DA TERRA ESTEJA
SEMPRE PRESENTE E ME TRAGA CORAGEM, ESTÍMULO, DISCIPLINA,
CONFORTO, ESTABILIDADE E SAÚDE. EU PEÇO A TERRA QUE,
REPRESENTADA POR ESTA MOEDA, ME PROTEJA E ME AJUDE SEMPRE. ASSIM
SEJA."

Coloque a moeda de volta no lugar. Em seguida, erga o cálice (ou taça) de água para o céu e
diga:

"EU (seu nome) SAÚDO TODOS OS ELEMENTAIS E AS DEUSAS DA ÁGUA.


AGRADEÇO À ÁGUA POR TODA A ÁGUA EXITENTE NO PLANETA, PELA ÁGUA
QUE BEBO E DE QUE NECESSITO PARA VIVER. PEÇO AO ELEMENTO ÁGUA
INTUIÇÃO, CLAREZA, VISÃO, ENERGIA, FORÇA MÁGICA. EU PEÇO QUE A
ÁGUA CONTIDA NESSA TAÇA ME PROTEJA E ME AJUDE SEMPRE. ASSIM
SEJA."

Coloque a taça com a água no lugar. Depois, acenda o incenso e espalhe sua fumaça pelo ar,
dizendo:

"EU (seu nome) SAÚDO E INVOCO TODOS OS ELEMENTAIS DO AR. AGRADEÇO


PELO AR QUE RESPIRO, PELOS VENTOS, PELA INTELIGÊNCIA, PELA
CRIATIVIDADE, PELAS MINHAS VIRTUDES RACIONAIS. PEÇO AO ELEMENTO
AR CAPACIDADE DE RACIOCÍNIO, CLAREZA DE IDÉIAS, CONDIÇÃO DE CRIAR
E SER FELIZ. EU PEÇO QUE A FUMAÇA DESTE INCENSO QUE SE DESPRENDE
NO AR ME PROTEJA E ME AJUDE SEMPRE. ASSIM SEJA."

Novamente, coloque o incenso no seu lugar. Agora é a vez da vela. Acenda-a e diga:

"EU (seu nome) SÁUDO E INVOCO TODOS OS ELEMENTAIS DO FOGO. PEÇO A


INTUIÇÃO SAGRADA E A ENERGIA CURATIVA E CRIADORA DO FOGO.
AGRADEÇO AO FOGO PELA VIDA. EU PEÇO QUE O CALOR QUE SE DESPRENDE
DA CHAMA DESTA VELA SIVAM PARA OS MAIS NOBRE FINS, BEM COMO NA
MINHA PROTEÇÃO E CUIDANDO DE MIM, ENQUANTO EU VIVER. ASSIM SEJA."

Agora, que a invocação chegou ao fim, você deve tomar os seguintes procedimentos: a moeda,
servirá como um amuleto de proteção e auxílio, então leve-a sempre carregue-a consigo; tome a
água do cálice. Essa água, que fez parte da invocação, ajuda nas realizações mágicas (feitiços ou
dicas mágicas) que você realizará. Já o incenso e a vela, deixe-os queimar até o fim. O que
sobrar (o pó do incenso e a cera derretida da vela) é para ser jogado em um jardim ou a uma
árvore bonita e frondosa ou na água corrente de um rio limpo.

Invocação de Salomão

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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(Traduzida quase literalmente do hebreu)

Anjos da luz iluminai meu caminho


Gloria e eternidade!
Tocai meus ombros e conduzime aio caminho da vitória.
Misericórdia e Justiça!
Sede o eqüilibrio e o explendor da minha vida
Inteligência e Sabedoria!
Dai-me a caroa
Espíritos de Malchuth indicai-me as colunas sobre as quais se apoia o templo

Ö Gedualel! Ó Geburae! Ó Tiferet! Ó Binael!


Sede meu amor!

Ruach Hochmael!
Sede minha luz, sede o que éreis e o que sereis
O Pahaliah! Guardai!
Guardai minha pureza
Ó Eetheriel! Guiai meus passos
Ischin! Sede minha força em nome de Shaday!
Querubim! Sede minha força em nome de Adonay!

Beni-Elohim! Sede meus irmãos em nome do filho e pelas vistudes de Zebaoth.


Elohim! Combatei por mim em nome de Tetragammoton!
Malachin! Protegei-me em nome de Jehovanh.
Seraphin! Depurai meu amor em nome de Eloah!
Hashmalim iluminai-me com os esplendores de Eloim e de Schechinah
Aralim! Operai. Ofanim! Girai e resplander
Mary-yaoth da Quadosh! Shaday!
Adonay! Jotchavah! Eie-zereie!
Alleluia! Alleluia! Alleluia!!!

Invocações de Ciência e de Inteligência


Estas invocações fazem-se com cerimonial bem mais sério e firme. tratando-se de um
personagem célebre, é preciso meditar durante vinte e um dias sobre sua vida, seus escritos, fazer
uma idéia de seu aspecto pessoal, seus hábitos e sua voz, falar mentalmente e imaginar suas
respostas, trazer consigo retrato fotográfico, pintura, desenho,etc; ou em falta, seu nome e
sobrenome num bilhete que se trará sobre o coração, submeter-se a um regime absolutamente
vegetal durante vinte e um dias e a um severo jejum durante os últimos sete dias finais.
Nessas condições, chegando o momento supremo, o operador veste seus trajes de bruxos e fecha-
se no quarto destinado à invocação, no qual deve ter preparado um altar mágico. O quarto deverá
estar hermeticamente fechado, se opera a noite, mas se opera durante o dia, deixa-se uma
pequena abertura do lado onde deve bater o sol na hora da invocação; coloca-se na frente dessa
abertura um prisma, um globo de cristal cheio de água.
Se opera à noite coloca-se um lâmpada de azeite, de maneira a deixar sair sua luz sobre a fumaça
do perfumador que está sobre o altar. Sãoestes preparativos que tem por objetivo dar ao agente
mágico os elementos necessários para obter o aparecimento do fantasma (corpo astral que estará
se invocando).

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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O braseiro do fogo sagrado tem que ser colocado no centro do oratório e o altar dos perfumes a
pouca distância. Ao invocar cumpre virar-se para o oriente a fim de orar, e para o ocidente a fim
de invocar. Deve estar o mais absoluto silêncio. Deve estar vestido com trajes mágicos e coroado
de verbena, banhar-se antes de começar a cerimonia teurgica e todas as suas roupas interiores
tem que ser rigorosamente limpas.
Começa-se por um oração apropiada às crenças do morto e que ele mesmo deveria aprovar se
fosse vivo. Para os grandes homens da antigüidade pode-se recitar os hinos órficos, os versos de
ouro de Pitágoras, as máximas de Jamblico, etc. Para a invocação das almas pertencentes a
religião do Judaísmo ou Cristianismo será conviniente recitar a invocação salomônica, seja
hebre, seja em outra qualquer língua, mais que tenha sido familiar a pessoa que se estiver
invocando. Uma vez terminada a invocação salomônica, espera-se sossegadamente que apareça,
no espaço o corpo astral do defunto. Esta manisfesta-se por uma luz tênue a prinípio, que pouco
a pouco vai se intesificando, até tornar uma forma de contorno imprecisos.
O bruxo então, com todo o respeito e afeto lhe dirigirá a palavra suave e docemente, e a aparição
fantástica parecerá tomar corpo embora flutuante e transparente como uma nuvem. O invocador
despedirá o espírito com as seguintes palavras:

"Que a paz seja contigo, eu não quis pertubar a sua tranqüilidade, não sofras nem me faça
sofrer. Procurarei corrigir-me em tudo quanto possa ofender-te. Reze e rezarei contigo e
para ti. Rogo comigo e para mim e volte ao teu grande sono, esperando o dia que
despertaremos juntos. Silêncio e Adeus."

Invocação da Deusa
Ó crescente dos céus estrelados
Ó florida das planícies férteis,
Ó fluente dos sussurros do oceano,
Ó abençoada da chuva suave,
Ouça meu cnato dentre as pedras erguidas,
Abra-me para sua luz mística,
Desperte-me para suas tonalidades prateadas,
Esteja comigo em meu rito sagrado

Invocação da Deusa II
Graciosa Deusa
Rainha dos Deuses,
Lanterna da noite,
Criadora de tudo o que é silvestre e livre
Mãe dos homens e mulheres,
Amante do Deus Cornudo e protetora de todos os Wiccanianos:
Compareça, eu peço
Com seu raio lunar de poder,
Cá em meu círculo!

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Invocação do Deus
Deus brilhante,
Rei dos Deuses,
Senhor do sol
Mestre de tudo que é silvestre e livre
Pai dos homens e mulheres;
Amante da Deusa e protetor de todos os Wiccanianos,
Compareça, eu peço,
Com seu raio solar de poder,
Cá em meu círculo!

Invocação do Deus II
Ó grande Deus,
Animal e homem,
Pastor dos animais e Senhor da terra,
Eu o convido a comparecer aos meus ritos,
Nesta noite mágica.
Deus do vinho, Deus das vinhas,
Deus dos campos e Deus do gado,
Compareça a meu círculo com seu amor
E envie-me suas bençãos.
Ajude-me a curar,
Ajude-me a sentir,
Ajude-me a promover o amor e o bem estar,
Senhor das florestas, Senhor dos campos,
Esteja comigo enquanto minha mágica ocorre!!!!

Invocação da Lua Orvalhada


Ó preguiante, orvalhada lua a navegar pelo céus,
Que brilha para todos,
Que flui atráves de todos.
Luz do mundo.
Donzela, mãe, anciã,
Ser criativo, Ser refrescante,
Diana, Ísis, Cibele, Ceridwen
Olhe com nossos olhos, ouça com nossos ouvido,
Toque com nossas mãos, respire com nossas narinas,
Beije com nossos lábios, abra nossos corações,
Penetre em nós!
Toque-nos, transforme-nos, faço-nos um todo.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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EXERCÍCIOS

Visualização
Esta é a mais básica e ao mesmo tempo avançada técnica utilizada em Magia Wicca. A arte de
utilizar nossa mente para "VER" o que não está presente fisicamente, é um poderoso instrumento
de magia utilizado em muitos Rituais Wiccanianos. Um exemplo disso, é a criação do Círculo
Mágico, onde a habilidade do Wiccaniano em visualizar seu poder pessoal fluindo para formar
uma esfera de Luz brilhante ao redor da área do Ritual. Essa visualização, assim, direciona o
poder que realmente cria o Círculo, ele não se cria sozinho.

Devido a sua utilidade para alterar nossas atitudes e vidas, alguns livros atualmente têm sido
escritos sobre a visualização, cada um deles prometendo mostrar os segredos da visualização.
Felizmente, quase todos nós já possuímos essa habilidade, pode até não estar ajustada com
perfeição, mas com a prática ela virá com toda a certeza.
Você consegue neste momento, ver em sua mente o rosto de seu melhor amigo ou o da artista
que você menos aprecia? E a peça de roupa que mais usa? E a fachada de sua casa? Seu
automóvel ou seu dormitório?

Isto é visualização. Visualização é o ato de ver com a mente e não com os olhos. A visualização
mágica é ver algo que não existe neste instante, pode ser um Círculo Mágico, uma pessoa curada,
um talismã com poder etc...!

Podemos gerar energia, e, enquanto isso formar uma imagem em minha mente de alguma coisa
de que necessito. Então visualizo o que quero, vejo-me sentindo a felicidade que este desejo
realizado me trará, tudo o que for possível visualizar o mais perto do real possível. A seguir,
direciono a energia para fortalecer a visualização, para que ela se manifeste.

Em outras palavras, a visualização "programa" o poder. Isso pode ser explicado como uma forma
de energia mental. Ao invés de criar uma imagem física, criamos figuras em nossa mente.
Pensamentos são, definitivamente, objetos. Nossos pensamentos afetam a qualidade de nossas
vidas, se reclamarmos sempre de uma dificuldade, e fazemos uma visualização de quinze
minutos para modificar isto, estes quinze minutos de energia terão de lutar contra 23 horas e 45
minutos diários de programação negativa auto-induzida. Portanto devemos manter nossos
pensamentos alinhados e em ordem à nossos desejos e necessidades.

A Visualização pode ajudar nesses casos, para utilizar esta ferramenta, tente exercícios simples
amplamente conhecidos dentro da Magia Wicca.

Exercício 1 - Sente-se ou deite-se confortavelmente de olhos fechados. Relaxe seu corpo, respire
fundo e acalme sua mente. Figuras continuarão a surgir em sua mente, escolha uma delas e
mantenha-a. Não permita que surjam outras imagens senão aquela que você escolheu. Mantenha
todos os pensamentos ao redor dessa imagem, mantenha-a o mais que puder, deixando-a em
seguida sumir e finalizando assim nosso exercício. Quando puder reter uma imagem por mais de
alguns minutos, passe ao próximo exercício.

Exercício 2 - Escolha uma imagem e retenha-a em sua mente. Você pode optar por tê-la
fisicamente presente e estudá-la antes, analisando cada detalhe - o modo como as sombras se

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


129
formam - suas texturas - suas cores e até mesmo um odor. Pode escolher uma pequena forma
tridimensional, como uma Pirâmide, ou ainda algo mais complexo como uma imagem da Deusa
surgindo dos mares ou uma maçã madura.
Após estudá-la atenciosamente, feche seus olhos e veja o objeto diante deles, como se estivessem
abertos. Não olhe para o objeto novamente com seus olhos físicos mas sim com sua imaginação
mágica, com seus poderes de visualização.
Quando puder manter essa imagem por mais de cinco minutos, prossiga.

Exercício 3 - Este é mais difícil e de natureza realmente mágica. Visualize algo, qualquer coisa,
mas de preferência algo que você nunca tenha visto. Por exemplo: um legume de Júpiter. É roxo,
quadrado, com um pé de largura, coberto de pêlos verdes, com cerca de 1 cm., e com pintinhas
amarelas com cerca de 2 cm. Ok?
Este é, obviamente um exemplo. (hahaha)
Agora feche seus olhos e veja - realmente este legume em sua mente. Ele nunca existiu, você o
está criando por meio de visualização, com sua imaginação mágica. Torne esse legume real.
Vire-o em sua mente para que possa vê-lo de diversos ângulos, a seguir deixe que ele
desapareça.
Quando puder sustentar qualquer imagem criada por cerca de cinco minutos, avance para o
próximo exercício.

Exercício 4 - Este é o mais difícil. Mantenha uma imagem criada (como por exemplo o legume
de Júpiter) em sua mente, com os olhos abertos. Tente mantê-lo visível, real, palpável. Olhe
fixamente para uma parede, olhe para o céu, ou contemple uma rua movimentada, mas veja o
legume lá. Torne-o tão real que possa tocá-lo. Experimente-o sobre uma mesa ou sobre a grama
debaixo de uma árvore.
Se nos dispusermos a utilizar a visualização para alterar o nosso mundo, e não apenas no
nebuloso mundo que existe por detrás de nossas pálpebras, devemos praticar tais técnicas com os
olhos abertos. O verdadeiro teste de visualização está em nossa capacidade de tornar o objeto ou
estrutura visualizado real e parte de nosso mundo.

Exercício de Levitação
Primeiro todos os membros do Coven se reúnem e fazem um exercício de relaxamento. Quando
todos estiverem bem relaxados, escolha uma pessoa do coven para levitar. Essa pessoa deve estar
totalmente concentrada, com pensamentos leves. Ela senta como um índio e todos ficam em sua
volta. Ela deixa o corpo e a alma leves como uma pena, e seu corpo deve permanecer duro como
uma tábua. O Coven pode perceber que já está na hora certa de fazer a levitação quando suas
mãos e seus braços começarem a ficar tão leves a ponto de flutuarem no ar. Dessa forma, quatro
pessoas vão levitar essa uma. Suas mãos devem estar num formato de arma (pense em você
atirando com uma arma, que seria sua mão: junte as duas mãos, e deixe apenas o polegar e o
dedo indicador sem dobrar. Os outros dedos devem se enganchar). Cada uma dessas quatro
pessoas deve pôr seu dedo em forma de arma em um determinado lugar. Duas vão segurar
embaixo das axilas e as outras duas embaixo do joelho. Todos devem ter em mente que a pessoa
que será levitada está muito, muito leve. Assim, todos levitam a pessoa na mesma hora.
No começo, pode não dar certo porque todas as pessoas do Coven devem estar preparadas para a
levitação. Se uma pessoa não acreditar, a levitação não acontece.
Treine bastante. Não é um exercício difícil, embora muitas pessoas não consigam acreditar que
dá certo.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


130

Exercício de Levitação (2)


Esse é um exercício muito simples que pode ser feito a qualquer hora.
Não conte aos membros do Coven que você estará fazendo esse tipo de exercício. Simplesmente
diga que irão fazer um exercício e que você irá conduzi-los.
Não é necessário que se abra um círculo. As pessoas podem ficar sentadas no chão como índios,
ou então podem sentar-se à mesa. As mãos devem estar ou sob a mesa ou então sob as pernas, no
caso das pessoas estarem sentadas no chão.
Diga para que todos relaxem. Após alguns minutos de meditação, diga para todos sentirem-se
leves, como se estivessem voando. Se as pessoas realmente estiverem leves, você perceberá que
seus braços começarão a levantar, sem que eles percebam o que está acontecendo. O corpo estará
em total equilíbrio com a mente.

Exercício da Sombra
Pegue uma folha de papel e uma caneta ou lápis, fique numa posição em que lhe agrade, esqueça
nomes, barulhos, e etc. Observe uma cena que você ache interessante e deixe que sua mão se
solte, aos poucos serão criados formas a base do que seu espírito sente.Esse exercício não é para
testar seus talentos artísticos, e sim o do seu espírito.

Exercíco da Respiração
Sente-se em grupo no mínimo 2 pessoas, relaxe e respire profundamente, sinta a energia do
grupo agora imagine que as más energias, estão saindo e se transformando em boas energias,
agora imagine que você está sugando estas energias, agora sinta novamente a energia e perceba
como mudou.

Exercícios de Concentração
Visuais
Coloque alguns objetos à sua frente, por exemplo, um garfo, uma faca, uma cigarreira, um lápis,
uma caixa de fósforos, e fixe o pensamento em um deles, durante algum tempo. Memorize
exatamente sua forma e sua cor. Depois feche os olhos e tente imaginar esse mesmo objeto t ão
plasticamente quanto ele é, na realidade. Caso ele lhe fuja do pensamento, tente chamá-lo de
volta. No início você só conseguirá lembrar-se dele por alguns segundos, mas com alguma
perseverança e repetição constante, de um exercício a outro o objeto tornar-se-à cada vez mais
nítido, e a fuga e o retorno do pensamento torna-se-ão cada vez mais raros.
Não devemos assustar-nos com alguns fracassos iniciais, e se nos cansarmos, devemos passar ao
objeto seguinte. No começo não se deve praticar o exercício por mais de dez minutos, mas
depois deve-se aumentar a sua duração gradativamente até chegar a meia-hora.
Depois de superarmos esse etapa podemos prosseguir, tentando imaginar os objetos com os
olhos abertos. Os objetos devem tornar-se visíveis diante de nossos olhos como se estivesse
suspensos no ar, e tão pláticos a ponto de parecerem palpáveis. Não devemos tomar
conhecimento de nada que esteja em volta, além do objeto imaginado. Nesse caso também
devemos controlar as perturbações com a ajuda do colar de contas. O exercício será bem

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


131
sucedido quando conseguirmos fixar nosso pensamento num objeto suspenso no ar, sem
nenhuma interferência, por no mínimo cinco minutos seguidos.

Auditivos
Depois da capacidade de concentração visual, vem a capacidade auditiva. Nesse caso a força de
auto-sugestão tem no início uma grande importâmcia. Não se pode dizer diretamente: "Imagine o
tic-tac- de um relógioo" ou algo assim, pois sob conceito "imaginação" entende-se normalmente
a representação de uma imagem, o que não pode ser dito para os exercícios de concentração
auditiva. Colocando esse idéia de um modo mais claro, podemos dizer: "Imagine estar ouvindo o
tic-tac de um reógioo". Para fins elucidativos usaremos essa expressão; portanto, tente imaginar
estar ouvindo o tic-tac de um relógio de parede. Inicialmente você só conseguirá fazê-lo durante
alguns segundos, mas com alguma persistência esse tempo irá melhorando gradativamente e as
perturbaçõess diminuirão. Depois, você deverá tentar ouvir o tic-tac de um relógio de bolso ou
de pulso, e ainda, o badalar de sinos nas mais diversas modulações. Faça outras experiências de
concentração auditiva, como toque de gongo, pancadas de martelo e batidas em madeiras; ruídos
diversos, como arranhões, arrastamento dos pés, trovões, o barulho suave do vento soprando e
até o vento mais forte de um furacão, o murmúrio da água de uma cachoeira, e ainda, a música
de instrumentos como o violino e o piano. Neste exercício o importante é concentrar-se só
auditivamente e não permitir a interferência da imaginanação plástica. Caso isso aconteça, a
imagem deve ser imediatamente afastada; no badalar dos sinos, por exemplo, não deve aparecer
a imagem dos sinos, e assim por diante. O exercícioestará completo quando se conseguir fixar a
imaginação auditiva por no mínimo cinco minutos.

Sensoriais
O exercício seguinte é a concentração na sensação. A sensaçãp escolhida pode ser frio, carlor,
peso, leveza, fome, sede, e deve ser fixada na mente até se conseguir mantê-la, sem nenhuma
imaginação auditiva ou visual, durante pelo menos cinco minutos. Quando formos capazes de
escolher e de manter qualquer sensação, então poderemos passar ao exercício seguinte.

Gustativios
A última concentração nós sentimos é o paladar. Sem pensar numa comida ou bebida ou
imaginá-la, devemos concentrar-nos em seu gosto. No início devemos escolher as sensações de
paladar mais básicas, como o doce, o azedo, o amargo e o salgado. Quando tivermos conseguido
firmá-las, poderem os passar ao paladar dos mais diversos temperos, conforme o gosto do
aprendiz. Ao aprender a fixar qualquer um deles, segundo a vontade do aluno, por no mínino
cinco minutos, então o objetivo do exercício terá sido alcançado.
Constataremos que esta ou aquela concentração será mais ou menos difícil para um ou outro
aprendiz, o que é um sinal de que a função cerebral do sentido em questão é deficiente, ou pelo
menos pouco desenvolvida, ou atrofiada. A maioria dos sistemas de aprendizado só leva em
conta uma, duas, no máximo três funções. Os exercícios de concentração realizados com os
cinco sentidos fortalecem o espírito e a força de vontade; com eles não aprendemos não só a
controlar todos os sentidos e a desenvolvê-los, como também a dominá-los totalmente. Eles
sãode extrema importância para o desenvolvimento mágico, e por isso não devem ser
desdenhados.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


132

Diário Mágico
Em nossa casa, assim como em nosso corpo e nossa alma, precisamos sempre saber o que fazer e
como fazê-lo. Por isso nossa primeira tarefa é nos conhecermos a nós mesmos. Todo sistema
iniciciático, de qualquer tipo, sempre impõe essa condção. Sem o auto-conhecimento não existe
a escalada verdadeira.

Adote um diário mágico e tome nota de todas as facetas negativas de sua alma. Esse diário deve
ser de uso exclusivo e não deve ser mostrado e ninguém; é um assim chamado livro de controle,
só seu. No autocontrole de seus defeitos, hábitos, paixões, impulsos e outros tracós
desagradáveis de carácter, você deve ser rígido e duro consigo mesmo. Não seja condescendente
consigo próprio, não tente embelezar nenhum de seus defeitos e deficências. Medite e reflita
sobre si mesmo, desloque-se a diversas situações do passado para lembrar como você se
comportou aqui ou ali, quais os defeitos e deficiências que surgiram nessa ou naquela situação.
Tome nota de todas as suas fraquezas, nas suas nuances e variações mais sutis. Quanto mais você
descobrir, tanto melhor. Nada deve permanecer oculto ou velado, quer sejam defeitos e fraqueza
mais evidentes ou mais sutis. Aprendizes especialmente dotados conseguiram descobrir centenas
de defeitos nos matizes mais tênues; dispunham de uma boa capacidade de meditação e de
penetração profunda na própria alma. Lave a sua alma até que se purifique, dê uma boa varrida
em todo seu lixo.

Essa auto-análise é um dos trabalhos mágicos prévios mais importantes. Muitos sistemas ocultos
negligenciam-no, e por isso também têm pouco sucesso. Esse trabalho prévio na alma é a coisa
mais importante para o equilíbrio mágico, pois sem ele não há possibilidade de uma escalada
regular nessa evolução. Devemos dedicar alguns minutos de nosso tempo, na parte de manhã e
também à noitinha, ao exercício de nossa auto-crítca. Dedique-lhe também alguns instantes
livres de seu dia; use esse tempo para refletir intensamente se ainda há alguns defeitos
escondidos, e ao descobri-los coloque imediatamente no papel, para que nenhum deles fique
esquecido. Sempre que topar com algum defeito, "Não hesite, anote-o imediatamente!".

Caso você não consiga descobrir todos seus defeitos em uma semana, prossiga por mais uma
semana com essas pesquisas até que seu assim chamado "registro de pecados" esteja
definitivamente esquematizado. Depois de conseguir isso em uma ou duas semanas passe para o
exercício seguinte. Através de uma reflexão precisa, tente atribuir cada um dos defeitos a um dos
quatro elementos. Arranje uma rubrica, em seu diárioo, para cada um dos elementos, e anote
abaixo dela os defeitos correspondentes. Coloque aqueles defeitos sobre os quais você tiver
alguma dúvida, sob a rubrica "indiferente". No decorrer do trabalho de desenvolvimento, você
terá condições de determinar o elemento correspondente a cada um dos defeitos.

Assim por exemplo, você atribuirá ao elemento fogo os seguintes defeitos: irritação,
ódio,ciúmes,vingança, ira. Ai elemento ar atribuirá a leviandade, a fanfarronice, a
supervalorização do ego, a bisbilhotice, o esbanjamento; ao elemento água, a indiferença, o
fleomatismo, a frieza de sentimentos, a transigência, a negligência, a timidez, a teimosia, a
inconstência. Ao elementoi terra atribuirá a susceptibilidade, a preguiça, a falta de consciência, a
lentidão, a melancolia, a falta de regularidade.

Na semana, reflita sobre cada umas das rubricas e divida-a em trêss grupos. No primeiro grupo
coloque os defeitos mais evidentes, que o influenciam com mais força, e que surgem já na
primeira oportunidade, ou ao menos estímulo. No segundo grupo coloque aqueles defeitos que
surgem mais raramente e com menos força. E no terceiro, na ultima coluna, coloque finalmente
aqueles defeitos que chegam à expressão só de vez em quando e em menor escala. Isso deve ser

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


133
feito desse modo também com todas as outras rubricas de elementos, inclusive com os defeitos
indiferentes. Trabalhe sempre escrupulosamente, e você verá que vale a pena!

É exatamente desse modo que devemos proceder com as características boas de nossa alma. Elas
também deverão ser classificadas sob as respectivas rubricas dos elementos; e não se esqueça das
três colunas. Assim por exemplo, você atribuirá ao elemento fogo a atividade, o entusiasmo, a
determinação, a ousadia, a coragem. Ao elemento ar atribuirá o esforço, a alegria, a agilidade, a
bondade, o prazer, o otimismo, e ao elemento água: a sensatez, a sobriedade, a fervosidade, a
compaixão, a serenidade, o perdão, a ternura. Finalmente, ao elemento terra: atribuirá a atenção,
a perseverança, a escrupulosidade, a sistematização, a pontualidade, o senso de responsabilidade.
Através desse trabalho você obterá dois espelhos astrais da alma, um negro com as
características anímicas ruins, e um branco com os traços bons e nobres do seu carácter. Esse
dois espelhos mágico devem ser considerados dois autênticos espelhos ocultos, e fora o
proprietário, ninguém tem o direito de olhar para eles. Caso lhe ocorra, ao longo do seu trabalho
de evolução, mais uma ou outra característica boa ou ruim, ele ainda poderá incluí-la sob a
rubrica correspondente. Esses dois espelhos mágicos dão ao bruxo a possibilidade de reconhecer,
com bastante precisão, qual dos elementos é o predominante em seu caso, no espelho branco ou
negro. Esse reconhecimento é necessário para se alcançar o equilíbrio mágico.

Aumentando sua Visão


O olho humano normal é capaz de detectar a luz de um palito de fósforo em uma noite escura a
uma distância de quinze milhas.É capaz de dectetar a luz de uma vela a uma distância de 30
milhas. Quando uma pessoa, que não sofra de cegueira noturna, passa em um local brilhante
iluminado para outro obscuro, seus olhos podem tornar-se até duas mil vezes mais sensível a luz.
O olho é a base mais importante dentre todos os sentidos do homem, e um dos mais
extraordinários órgãos do corpo humano.

No entanto muitas pessoas têm dificuldades com seus olhos. Possivelmente a metade da
população jovem não enxerga bem sem lentes corretivas, sendo que com a idade esta número
aumenta. A maioria das pessoas mais velhas sofre do que se chama "visão de meia idade",ou
presbiopia, que é causada pela atrofia do músculoo ciliar no olho e por um gradual
endurecimento da lente cristalina que é usada para focalizar.

Há algo de estranho nisso, porque todos os órgãos do corpo humano parecem ser capazes de
auto-regeneração, especialmente nas pessoas jovens. Como dizem os médicos, medicus curat,
natura sanat: o médico trata, a natureza cura. Somente o olho é a exceção a esse privilégio, e
somente o olho deve em todos os casos, se ajustar ao que um profissional do ramo chamou de
"aquelas valiosas muletas" - os óculos.

Isso soa estranho a um oculista, que está acostumado a questionar teorias ortodoxas sobre isto e
aquilo, mas isso tambémm soou estranho para pelo menos um oculista - o ocultista nova-
iorquino chamado Willian Horatio Bates.

O Dr. Bates acredita, que os óculos externos podem estar puxando o olho fora de forma em uma
pessoa com problemas visuais e que, se essa situação for corrigida, a pessoa será capaz de
enxergar normalmente sem o uso de lentes corretivas. Se isto for verdade, significa o fim de uma
grande e poderosa indústria. E sendo esse o caso, não é de surpreender que as teorias de Bates
encontraram pouco eco entre os fabricantes de óculos.

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Uma intensa campanha de propaganda foi iniciada para convencer as pessoas de que elas
precisavam continuar comprando óculos para sempre. Foi mostrado que algumas das teorias de
Bates eram completamente extravagantes, e sugeriu-se, com base nisso, que seus métodos não
funcionariam.
Entretanto, o fato é que eles funcionam. Harris Gruman, especialista em olhos, que avaliou as
teorias e os métodos de Bastes, escreveu que "apesar de suas hipóteses e teorias, (Bates)
encontrou alguns métodos valiosos para socorrer a vista humana. O tempo tem provado do que
eles são valiosos, e por isso o mundo deveria ser-lhe grato".

Lawrence Galton menciona uma mulher que tinha somente um décimo da visão o normal, e que
poderia, portanto, ser considerada quase cega. Depois de poucos meses de tratamento visual ela
passou num teste de direçãoo de veículos com 20/40 da visão. Em dois anos sua visão tornou-se
completamente normal.
A base disso é bastante simples: a visão consiste de três processos: sentir, selecionar e perceber.
Somente o primeiro deles - sentir - tem a ver com os olhos. Selecionar e perceber acontecem
inteiramente no cérebro.
"A origem de qualquer erro de refração", escreveu ele, "e simplesmente um pensamento - um
pensamento errado - e seu desaparecimento é tão rápido quanto o pensamento espairece".

Existem várias maneiras de inverter esse processo. O Dr. Forbes Winslow cita um "oculista
eminente" dizendo que "a luz é nociva aos olhos na proporção que os raios vermelhos e amarelos
prevalecem". Ele produzem o que ele chama de "excitamento cerebral e visual" - tensão (stress)
em linguagem moderna - "seguindo de debilidade de retina", Quebra-luzes que favorecem a
calma, e cores calmantes, como azul, produzem menos tensão e melhor visão.

Outra técnica é a que Bates chama defixação cental. A média de distancia de leitura é quatorze
polegadas. A melhor claridade é obtida dentro de um círculo de uma polegada e meia de
diâmetro. Esta é parte da página impressa que produz uma imagem exatamente no centro da
retina.
Desde que é nesse circulo de uma polegada e meia que se pode ser melhor, é obtido que você
deseja orientar seus olhos de modo que, para onde quer que deseje olhar, produza uma imagem
naquela área. Seu cérebro tem que se esforçar mais para analisar imagens na borda da retina. Isso
produz pressão, que causa um erro de acomodação, o qual produz mais pressão, e assim
sucessivamente. Entretanto, quando você está olhando, você precisa estar certo que você está
olhando diretamente para o que quer que seja que você esteja olhando. Simples como é esse
princípio, ele não ocorre a muitas pessoas que são treinadas em óptica.

Para encorajar a fixação central, Bates recomenda exercícioo de mobilidade e oscilação. Da


próxima vez que você estiver andando pela rua, olhe as pessoas do outro lado da mesma. Olhe
diretamente para a primeira pessoa, então permita que seus olhos passem calmamente de pessoa
para pessoa. A cada vez, olhe diretamente para seu alvo.
Depois de ter tentado isso, tente mover seus olhos para a frente e para traz de modo que você
tenha a ilusão de coisas "oscilado" de um lado para outro. Este é essencialmente um exercício de
relaxamento. Evite olhar fixamente, conserve seus olhos nivelados enquanto você oscila, e
permita-se pestanejar. Pestanejar não o somente relaxa o olho, como ajuda a mantê-los limpos, e
oscilando você terá a idéiade olhar calmamente, sem pressão.

Apresentarei aqui somente mais um exercício de Bates. É aquele que é mais interessante para os
ocultistas. Aquele que desejam trabalhar com o sistema mais completo de Bate, melhor farão se
obterem um dos excelentes manuais que foram publicados. Especialmente recomendado é The
Art of Seeing, de Aldous Huxley. Não o somente foi escrito por um dos grandes homens de letras

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da Inglaterra, como também é amplamente encontrado nas bibliotecas públicas. Quanto a não, eu
recomendaria a palma para aqueles que tem visão até 20/20.
Como a oscilação, a palma é um exercício de relaxamento. Diferentemente da oscilação, é feito
com os olhos fechados, usualmente depois de outro exercício ocular.
O que você deve fazer é cobrir seus olhos fechados com as palmas das suas mãos. Seus olhos
devem estar relaxados e não deve haver tensão em suas mãos e nem nos músculos de sua face.
Você não deve esfregar os olhos com as palmas. Permita somente que suas palmas toquem
ligeiramente as pálpebras e, enquanto você faz isso, visualize um mar de escuridão.
Bates diz que, a medida em que você não veja a escuridão enquanto estiver fazendo esse
exercício, está sofrendo de tensão mental e consequentemente pressão. "Quando você puder
palmar perfeitamente", escreveu ele, "você verá um campo tão negro que é impossível lembrar,
imaginar, ou enxergar coisa mais negra, e quando for capaz disso, sua visão será normal".
Aldous Huxley recomenda o exercício mental quando o método normal é impossível.
Simplesmente feche os olhos e imagine que você cobriu com suas palmas. Certamente não é tão
efetivo quanto usar as mãos, mas em todo caso extremamente benéfico.

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136

FEITIÇOS
Todo Ritual que não seja de adoração, isto é, que seja feito para se alcançar um
propósito, ou realizar algum desejo é chamado Feitiço ou Encantamento, sendo
uma das partes mais procuradas da aprendizagem. Basicamente existem:
Feitiços de Cura
Feitiços de Amor
Feitiços da Prosperidade
Feitiços de Proteção
Feitiços para Elevação Espiritual
Quase todos os desejos e problemas humanos se encaixam numa dessas
categorias. Dentro da Wicca não se faz Magia Maléfica, pois acreditamos que
tudo o que fizermos voltará para nós multiplicado por três!
A Magia Maléfica não é só aquela em que se deseja o Mal para outras pessoas,
ou Rituais com o uso de Sangue e Sacrifícios. Magia Negra, também pode ser,
interferir no Livre Arbítrio de outras pessoas. Isso acontece muito em Feitiços de Amor, pois
várias pessoas pedem para casar com determinada mulher, ou para o marido voltar, ou fazer a
filha largar daquele namorado meio esquisito. Enfim, interferir na vida alheia. Nos parece que as
pessoas não têm a menor preocupação com a vontade dos outros. Para tristeza das "mães bem-
intencionadas", suas filhas têm o direito de escolher os seus relacionamentos e dar cabeçadas na
vida, pois, talvez seja até uma necessidade cármica, para a sua própria evolução como Ser
Humano, além de que, temos o péssimo hábito de julgar as pessoas pela aparência, e, na maioria
das vezes, somos vítimas de nosso preconceito e em nome dele cometemos injustiças. É muito
melhor que se faça um Ritual de Proteção, para que os Deuses orientem seus filhos no caminho
certo, e deixar que eles vivam suas vidas com o mínimo de interferências. Lembremos sempre
que uma experiência que seja afastada hoje de nossa vida pode e deverá voltar em outra época,
seja nesta ou em outra vida!

Quanto ao tema Feitiços de Amor, correto, seria pedir aos Deuses, para que lhe mostrassem a
pessoa certa para lhe fazer feliz e também ser feliz ao seu lado, pois raramente as pessoas que
pedem Feitiços de Amor, se preocupam com a felicidade do outro. Agora, se você tem certeza
que alguém te ama, mas existem obstáculos ao seu bom relacionamento, um Feitiço pode ser
feito para afastar esses obstáculos.

Sempre que terminar um Feitiço diga: "QUE SEJA PARA O BEM DE TODOS!", Confie na
sabedoria dos Deuses, pois a visão deles é muito mais ampla que a nossa.
Wicca é uma tradição Lunar, assim sendo, todos os Rituais devem ser feitos após o pôr do Sol, a
não ser que seja uma emergência. Cada Fase da Lua tem o seu significado. Preferimos fazer
quase todos os Feitiços na Lua Cheia. Feitiços de banimento é que são feitos na Lua Minguante,
mas preste bem atenção no que você for fazer, é uma fase perigosa. Algumas tradições mágicas
não aconselham que as mulheres menstruadas trabalhem em magia nesse período, mas para nós
da Wicca, entendemos que é a fase de maior poder, especialmente quando a Lua coincidir com o
Feitiço.

Existem vários Feitiços de acordo com a energia utilizada.


Energia Natural - É a energia dos Elementos da Natureza, como Ervas, Cristais, Componentes
Animais e também o uso das linhas de força do Planeta, também conhecidas como Força
Telúrica.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


137
Energia Elemental - É aquela em que a Bruxa pede ajuda à seres ligados aos Quatro Elementos (
Água, Fogo, Ar, Terra ), isto é, trabalha com Gnomos, Fadas, Salamandras, Silfos, Dragões,
Ondinas, e outros seres do Mundo Astral.
Energia Planetária - Como o próprio nome diz, é o trabalho com as Energias dos Planetas. As
Bruxas, de um modo especial, trabalham com a chamada Energia Lunar, pois a Lua é um refletor
não só da Energia Solar como da Energia de todos os Planetas de nosso sistema.
Energia Divina - É quando a Bruxa trabalha diretamente com os Deuses, invocando seu poder
para o trabalho de Magia.
Energia Pessoal - É aquela gerada interiormente, ou seja, da própria fonte de Energia Interna da
Bruxa. Essa Energia é chamada KUNDALINI, é a mais poderosa das forças, pois é a energia
sexual, que trabalhada da maneira correta, te dá o poder da Clarividência e da Clariaudição, entre
outros.

Resumo: Quando a Bruxa ergue o Cone do Poder, ela está gerando seu próprio poder pessoal ,
através da Energia Sexual, ou está drenando Energia de alguma das fontes citadas acima. O mais
comum é utilizarmos várias dessas fontes durante um Feitiço. Um exemplo, podemos utilizar a
Energia das Plantas, e Água energizadas pela Lua, carregamos com nossa Energia Mental, e
ainda chamar os Elementais e os Deuses para nos ajudar.

Nunca Trabalhe após as refeições, e, no dia dos Feitiços, procure não comer carne ou ingerir
bebidas alcoólicas. Evite quaisquer tipos de droga ou calmantes, e tome os remédios só
estritamente necessários.
Nunca faça um Feitiço, quando estiver doente, ou esgotada fisicamente, a não ser em
emergência.

Um Ritual pode consumir muita Energia, mais do que Ginástica Aeróbica ou uma partida de
Futebol, portanto, cuidado.
Não seja como certas pessoas esseencialmente espiritualistas, que descuidam do corpo físico, e
depois se intitulam de Bruxas, lembre-se esse corpo lhe foi dado, você têm a obrigação de cuidar
muito bem dele, de mantê-lo saudável, caso contrário, você nunca será verdadeiramente uma
Bruxa.
Prefira alimentos naturais, tome vitaminas e pratique algum tipo de esporte, aulas de Artes
Marciais são ótimas, ou faça caminhadas de preferência em praias ou bosques, onde tenha muito
verde...

Nunca esqueça de traçar um Círculo quando for fazer algum Feitiço ou Magia. Acostume-se a
chamar os Deuses e Elementais, para auxiliá-la, sempre tome um banho antes de cada Ritual, e
procure determinar exatamente o que vai fazer, para que não haja dúvidas durante a execução. Se
você tiver um animal guardião, pode chamá-lo para ficar em sua companhia durante a Magia.

Você deve montar o Altar com as Velas do Deus e da Deusa, colocar pelo menos um símbolo
para os Quatro Elementos, um Incenso apropriado, Ervas e outros materiais. As Ervas devem ser
queimadas dentro do Caldeirão. O Fogo, deve ser o foco de sua concentração, gire em torno dele,
para criar o Cone do Poder, o sucesso de um Feitiço, depende muito mais de sua força de
concentração, do que a dos materiais usados. Você pode criar um Mantra, que será repetido
enquanto você gira ao redor do Caldeirão. Esse mantra pode ser uma palavra que tenha a ver
com o Feitiço. Uma canção, ou ainda uma rima criada de acordo com o seu desejo, como por
exemplo:

"Forças da Terra e do Fogo.


Forças da Água e do Vento,
Protejam eternamente,

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


138
O amor de meu pensamento".

À primeira vista pode parecer meio bobinho, mas é uma poderosa forma de alterar a sua
consciência, porque para se fazer um Feitiço é importante que se tenha DESEJO,
CONCENTRAÇÃO, VISUALIZAÇÃO E EXPECTATIVA.
É preciso ter um forte DESEJO, pois um Feitiço depende e muito da carga emocional que você
conseguir projetar nele, você precisa saber exatamente o que quer, e permanecer firme nessa
idéia.

É necessário ter uma boa dose de CONCENTRAÇÃO PARA que não se desvie do seu objetivo
e possa manter uma imagem fixa de seu desejo durante o Ritual. Para que nosso DESEJO atinja
os níveis mais profundos de nossa mente é necessário que ele seja expresso em imagens, pois o
Inconsciente trabalha através de símbolos e não de palavras.
É importante que você consiga fazer uma VISUALIZAÇÃO do seu desejo realizado, num
quadro dos mais perfeito possível, por exemplo, se você está visualizando uma fruta, o certo é
você imaginar seu gosto, seu perfume, sua textura e assim por diante, a boa Visualização leva em
conta todos os sentidos e aspectos.

Finalmente você precisa de uma EXPECTATIVA favorável. Isto é, você tem que acreditar
realmente que seu Feitiço vai funcionar. Muitas vezes, esta é a parte mais difícil, pois precisa
manter o Espírito confiante de uma criança, mas as pessoas, com o passar dos anos, aprendem a
duvidar, especialmente se o Feitiço demorar algum tempo para se realizar. Todo o Universo, tem
o seu tempo certo. O nosso conceito de tempo, é diferente do conceito de tempo dos Deuses e
dos Elementais.

Para concentrar as Energias em Feitiços, usa-se um Condensador Psíquico, isto é, uma


substância que ajuda a concentrar as energias, e um dos melhores é o sangue, substância vital,
mas como, em Wicca não é utilizado, pois seu sangue é sagrado, e não deve ser maculado,
utilizamos outras substâncias. Pode-se usar a Camomila. Faça um chá bem forte com essa erva,
coe, deixe esfriar, e, durante o Feitiço deixe cair algumas gotas no material utilizado. A
Concentração de Energias será muito mais rápida e fácil.

Sempre que encerrar um Feitiço diga: "Que o Feitiço se realize, PARA O BEM DE TODOS"!
Isso evitará resultados desagradáveis.

Por último, é preciso ter paciência e até aprender com seus próprios erros, pois quando se está
engatinhando no Mundo da Bruxaria, nem tudo corre exatamente como desejamos. Muitas vezes
um Feitiço falha porque VOCÊ não estava num dia propício, ou precisa um pouco mais de
concentração, ou não havia honradez e justiça no pedido, ou você não tinha merecimento para
que este se realizasse. Isso tudo vem com o tempo.

O mais importante, é que você consiga se harmonizar com as Forças da Natureza. Se liberte dos
preconceitos, e encontre o caminho da alegria.

Tabela de Correspondência 1
DIA ASTRO ELEMENTO COR FINALIDADE
Domingo Sol Olíbano Dourado Saúde, prosperidade, e proteção
Segunda Lua Jasmim Branco Intuição e mudanças

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Terça Marte Pinho Vermelho Vitória em competições
Quarta Mercúrio Sândalo Amarelo Estudos, papéis, cartas e viagens
Quinta Júpiter Cedro Púrpura Sucesso, negócios e disputas judiciais
Sexta Vênus Benjoim Verde Amor
Sábado Saturno Mirra Negro Morte e destruição do que é velho

OBS: Muito cuidado com a Energia de Saturno, ela é muito destrutiva e perigosa para quem não
tem vivência em Feitiçaria!!!

Tabela de Correspondência 2
ASTRO NÚMERO PLANTA
Sol 6 Canela, Louro, Girassol, Camomila e Arruda
Lua 9 Jasmim, Agrião, Abóbora, Papoula, Banana e Limão
Marte 5 Pimenta, Coentro, Pinho, Arruda e Gengibre
Mercúrio 8 Mangerona, Lavanda, Salsa e Orégano
Júpiter 4 Anis, Erva Cidreira, Sálvia, Figo, Chicória e Dente de Leão
Vênus 7 Rosa, Morango, Sabugueiro, Verbena, Violeta e Acácia
Saturno 3 Tamarindo, Chuchu, Beterraba, Amor Perfeito e Patchuli

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Magia dos Elementos


Quando for preparar algum feitiço pedindo auxílio aos elementais lembre-se:

TERRA:
Este Elemento está ligado à conquistas materiais, à saúde e ao trabalho. Sua influência é ideal
para quem busca segurança e determinação para começar um projeto novo, etc.
PARA ALCANÇAR UMA GRAÇA JAMAIS FAÇA O SEU PEDIDO NA LUA
MINGUANTE
PARA LIVRAR-SE DO INDESEJÁVEL, REALIZE ESSE RITUAL NA LUA
MINGUANTE

ÁGUA
A energia da Água pode estimular a intuição e ajudar a expressar os sentimentos com mais
facilidade. Atua também em questões práticas, como adquirir jogo de cintura em situações
complicadas, vencer a timidez.
FAÇA ESTE RITUAL NA LUA CRESCENTE OU LUA NOVA

FOGO
Se você está meio desanimada, a vibração do Elemento Fogo, certamente vai lhe proporcionar
mais entusiasmo e otimismo, para pôr em prática seus objetivos. aumenta também a criatividade
e o bom humor.
ATENÇÃO: NÃO REALIZE ESSE RITUAL NA LUA MINGUANTE

AR
O Elemento Ar pode ser requisitado para desenvolver a inteligência, o lado racional, a memória e
a capacidade de comunicação verbal e corporal.
Superindicado para vésperas de extenuantes trabalhos mentais. O simples fato de acender um
Incenso, aprimora suas qualidades relacionadas ao Ar dentro de você.
ESSE RITUAL PODE SER FEITO EM QUALQUER LUA
Queime um incenso (de preferência, relacionado ao seu Signo) e energize seu ambiente de
trabalho ou aquele canto de sua casa onde você costuma estudar.
Mentalize o que deseja, e, BOA SORTE!!!

Força negativa dos quadrantes


Inicie pedindo licença, permissão e proteção ao deus e à deusa. Feche o círculo a partir do local
em que você estiver localizado, indo para a sua esquerda e diga 3 x

"O CÍRCULO ESTÁ FECHADO"

E marque os pontos cardeais cada um com o seu elemento correspondente, tenha dentro do
círculo todos os objetos que voce deverá usar durante o ritual (espelho, adaga, ou athame ou
espada).

Faça o cone do poder – comece imaginando uma luz na cor que vc desejar descendo sobre vc e
parando no seu coração, ao sentir-se repleto dessa energia levante os braços e metalize a mãe
terra recebendo essa energia emanada de você, ao sentir que foi o suficiente desça seus braços
até a altura do peito e mentalize na sua frente as pessoas ou situações que nescessitem dessa

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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energia colorida, quando sentir que foi suficiente abaixe e coloque a palma das mãos no chão
devolvendo o restante da energia que ainda está em você para a mãe terra. Está feito o cone do
poder.

Agora dentro do círculo pegue na sua mão direita o espelho com o lado reflexivo voltado para o
norte e na sua mão esquerda a adaga com a ponta voltada para cima e voltado para o norte diga
3x as seguintes palavras...

“ELEMENTOS E ELEMENTAIS NO NORTE NESTE MOMENTO EU DEVOLVO PARA O


NORTE TODA E QUALQUER ENERGIA RUIM, NEGATIVA OU DESCOMPENSADA
QUE TENHA SIDO ENVIADA PARA MIM, PELA FORÇA DA DEUSA, EU LIBERO,
LIBERTO E PORDOO, QUE ASSIM SEJA, QUE ASSIM SEJA E ASSIM É,... EU
AGRADEÇO AOS ELEMENTOS E ELEMENTAIS DO NORTE.”

De uma pausa, respire profundamente, e solte com força o ar no sentido de soltar as


negatividades e impurezas vindo deste elemento e em seguida faça o mesmo direcionando-se
para o leste, depois o sul e depois o oeste.

Ao terminar o ritual descanse seus objetos no chão, faça uma meditação sobre o que você sentiu
e percebeu,.. Agradeça profundamente ao deus e a deusa e a todos os elementais pelos
ensinamentos recebidos e encerre o ritual dizendo 3x

"O CÍRCULO SE DESFAZ MAS ELE NUNCA SE ROMPE".

Agora recolha os objetos colocados nos pontos cardeais e abra o círculo, iniciando a abertura
onde você terminou o fechamento.

Devolução de Forças Negativas


LUA NOVA

Com um espelho na mão direita, uma adaga ou athame na mão esquerda, vire para o norte,
mostre o espelho e a adaga.

"QUE TODA A ENERGIA NEGATIVA, VINDA DO NORTE SEJA DEVOLVIDA PARA O


NORTE COM A FORÇA DOS ELEMENTAIS DO NORTE". (GNOMOS E DUENDES)

NORTE: Salvem os guardiões das torres do Norte. Venham juntar-se à nós neste círculo.
Poderes da Terra, vinde! Vigiem este espaço sagrado. Nós os saldamos!

Todos ficam em forma de pentagrama.

Com um espelho na mão direita, uma adaga ou athame na mão esquerda, vire para o leste,
mostre o espelho e a adaga.

"QUE TODA A ENERGIA NEGATIVA, VINDA DO LESTE SEJA DEVOLVIDA PARA O


LESTE COM A FORÇA DOS ELEMENTAIS DO LESTE". (SILFOS)

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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LESTE: Salvem os guardiões das torres do Leste. Venham juntar-se à nós neste círculo. Poderes
do Ar, vinde! Vigiem este espaço sagrado. Nós os saldamos! Todos ficam em forma de
pentagrama.

Com um espelho na mão direita, uma adaga ou athame na mão esquerda, vire para o sul, mostre
o espelho e a adaga.

"QUE TODA A ENERGIA NEGATIVA, VINDA DO SUL SEJA DEVOLVIDA PARA O SUL
COM A FORÇA DOS ELEMENTAIS DO SUL". (SALAMANDRAS)

SUL: Salvem os guardiões das torres do Sul. Venham juntar-se à nós neste círculo. Poderes do
Fogo, vinde! Vigiem este espaço sagrado. Nós os saldamos! Todos ficam em forma de
pentagrama.

Com um espelho na mão direita, uma adaga ou athame na mão esquerda, vire para o oeste,
mostre o espelho e a adaga.

"QUE TODA A ENERGIA NEGATIVA, VINDA DO OESTE SEJA DEVOLVIDA PARA O


OESTE COM A FORÇA DOS ELEMENTAIS DO OESTE". (ONDINAS)

OESTE: Salvem os guardiões das torres do Oeste. Venham juntar-se à nós neste círculo. Poderes
da Água, vinde! Vigiem este espaço sagrado. Nós os saldamos! Todos ficam em forma de
pentagrama.

Agradecer a grande mãe pedir proteção do arcanjo miguel. dentro do circulo sagrado

Talismã
O talismã tambem e um objeto mágico que você mesmo pode confeccionar. Siga o passo-a-passo
e não deixe de carregá-lo, pois a todo o instante, ele estará atuando em seu favor na realizacao de
projetos, no amor e em tudo que desejar.

Em primeiro lugar, descubra seu numero protetor pela soma dos algarismos correspondentes a
cada letra de seu nome. Consulte a tabela alfanumérica.
1 2 3 4 5 6 7 8 9
ABCD E WGF I
J KS MNX OHP
QL - T - U Z - -
YR- - - Ç - - -
- - - - - V - - -
Adicione 3 para cada til (~) que o nome tiver; e 7 para cada acento circunflexo (^)
EXEMPLO:
ROSÂNGELASIMÕES
2+7+3+1+5+7+5+2+1 + 3+9+4+7+5+3 = 64;
some os acentos: 64 +7+3 = 74
reduza à uma só casa decimal: 7+4=11 ; 1+1 = 2

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


143
O número protetor eqüivale inicialmente à quantidade de objetos que deve conter o talismã. No
nosso exemplo, Rosângela terá que escolher dois elementos - um cristal e um galhinho de guiné,
por exemplo - de acordo com a relação a seguir.

2. Opções de elementos para o talismã (escolha somente a quantidade que eqüivale ao seu
número pessoal).
moeda
figa de madeira
botão de rosa seco
cristais
galhinho de arruda seco
galhinho de guiné seco
galhinho de alecrim seco
sementes de alfazema
sementes de erva-doce
cravo
canela em pau
imã
conchas do mar
búzio

3. O próximo passo é personalizar o talismã, acrescentando um outro objeto com os seus fluídos.
Ex: um anel ou brinco que você não usa mais.

4. Escolha um saquinho de pano da cor que simboliza aquilo que você mais deseja na vida.
rosa para o amor
verde para a saúde
amarelo para conquistas materiais
azul claro para a serenidade e paz
azul escuro para a evolução espiritual
vermelho para a proteção e coragem

5. Em uma folha pequena de papel, escreva a lápis seu nome completo, data do nascimento e
dobre.

6. Ponha tudo dentro do saquinho e costure à mão com linha branca grossa.

7. Deixe por três dias ao Sol e ele estará pronto para ir com você a todos os lugares, protegendo-a
e trazendo-lhe sorte!

Feitiços do ano
Janeiro – Deus Janus é um mês de poder do começo ao fim, dizem que os 12 primeiros dias de
Janeiro são poderosos para rituais de novos começos. Sirva as visitas e parentes brownies (bolos
de chocolate com nozes). Os brownies são os espíritos guardiões do mês de janeiro.
Fevereiro – Deusa romana Februa. É o mês das fadas caseiras, é apropriado enfeitar os vasos de
plantas com laços vermelhos. No último dia do mês coloque uma cabeça de alho nas janelas para
proteger a casa durante o restante do ano.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Março – Deus Marte, Deus da guerra. Recolher água da chuva em potes para encantamentos. Os
guardiões são os Silfos, quando chove muito, os Silfos estão festejando, não é bom reclamar!!
Abril – Afrodite. Acredita-se que os amores nascidos no mês de abril são duradouros. Os
guardiões são os elfos, duendes que adoram dançar ao som de flautas, ouvir essas músicas
atraem os elfos que invadem nosso sono com sonhos proféticos.
Maio – Deusa Maya, comum vestir-se de verde para homenagear Gaia, mãe terra.
Junho – Deusa Juno. Mit. Romana. Nessa época acreditava-se que a borboleta se tornava
sagrada, quem consegue avistá-la, atrairá boa sorte.
Julho – Imp. Júlio César. Guardiões são os Duendes dos bosques, ao oferecer uma maça à eles
em agradecimento aos 7 meses passados, terão sorte na 2ª metade do ano.
Agosto – Imp. Augusto. O girassol é a flor consagrada, dar ou receber trará prosperidade.
Setembro – Quem olhar para lua crescente desse mês, poderá pedir algo perdido.
Outubro – O mais mágico dos meses, Acreditava-se que a mãe Natureza transformava criaturas
encantadas em formigas, para expiarem os humanos. Pratinhos com açúcar pela casa o
recepcionarão com alegria.
Novembro – É um mês para refletir sobre os ciclos. Acreditavam-se que as criaturas mágicas que
saíram no Halloween ainda estavam entre nós, é um mês limiar entre os 2 mundos. (para bruxas
do HS o ano começa em maio, pois comemoramos em 30 de Abril). Por isso no ultimo dia do
mês, faça um altar com as representação dos 4 elementos, agradeça e diga que eles serão bem
vindos no ano seguinte.
Dezembro - Na noite de 14 de dezembro, faça uma lista com todos os seus desejos realizados
durante o ano. Plante uma semente para cada desejo realizado e agradeça a Deusa, pedindo
renovação de sua fé, para que no próximo Ano, você possa plantar mais sementes. Para atrair
espíritos guardiões, enfeite sua casa com arranjo de várias contas e vela verde no centro, quando
o final do ano se aproximar, peça aos guardiões que protejam seu lar durante o ano que entrar.

Rituais das luas cheias do ano


Comemore a 1ª lua cheia do ano, acendendo 1 vela branca no 1º degrau da escada de sua casa
(ou faça uma escada de livros próximo a porta), isso significa que você está disposta a receber
todas as luas do ano.
Quando a lua cheia cair no ultimo dia do ano, prepare-se, pois vem por aí um ano cheio de
momentos mágicos, para isso, deixe dormir sob os raios do luar uma flor azul, na manhã seguinte
guarde-a dentro de pertences que você leve aonde for.

Lua cheia de março – Peça permissão para tirar 7 folhas de 7 arvores diferentes, deixe-a dormir
sob o luar, coloque-as depois em um saquinho e carregue com você, esse amuleto tem o poder de
aumentar seu magnetismo pessoal. Um belo ritual para atrair os Elementais em março, faça uma
cara na maçã com cravos. Coloque em um recipiente com pouquinha água, e deixe dormir no
luar. Essa antiga brincadeira atrai os Elementais que trazem alegria e magia ao lar.

Lua cheia de Abril – homenagem aos Elfos, coloque balas e doces dentro de um círculo de
açúcar. Dizem que nessa noite eles saem para brincar, e vendo esse gesto, proporcionam dias de
muita alegria.

Lua de maio, è a lua do amor da Deusa e do Deus, olhe para ela e peça seu verdadeiro amor.

Lua de junho – É a lua da dança, alegria e música, vista-se de branco, coloque música e dance a
dança da lua cheia, tem o poder de revigorar.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Lua de julho – Conte seus sonhos as crianças como contos. A Deusa lua transforma as histórias
em realidade.

Lua de Agosto – Lua da fertilidade. Faça uma magia para um caminho fértil e próspero, fazendo
um plantio simbólico, plantando 11 grãos diferentes e enterre-os. Peça a lua que transforme seu
potencial em realizações.

Lua de setembro – Faça uma magia de amor, coloque 7 pétalas de rosas em um pires e deixe-a
sob o luar, no dia seguinte veja qnts pétalas desapareceram. Quanto maior, maiores as chances
de seu pedido ser alcançado.

Lua de Outubro – Lua das bruxas, já q no HN comemora-se Samhain, faça uma magia antiga,.
Acenda uma vela branca e peça paz, uma rosa e peça amor, uma amarela e peça prosperidade, ao
lado de cada vela coloque uma rosa da mesma cor. No dia seguinte ofereça as rosas as pessoas
que estejam necessitando de paz, amor, prosperidade. Lembre-se é dando que se recebe.

Lua de Novembro – Lua do Portal, pois é por ela que os seres mágicos que invadiram nosso
mundo, voltam para o mundo encantado, devemos nos despedir deles agradecendo pela alegria
que deixaram. Dizem que se olharmos para a lua os veremos passar.

Magia com auxílio dos Gnomos


Faça uma caixinha com uma casca de Noz e coloque ali 3 trevos de três folhas, 3 grãos de milho,
e um cristal, enterre o tesouro e ofereça aos gnomos da terra. Eles ficarão tão felizes com o
presente que retribuirão generosamente com a energia da Prosperidade.

Chá para afastar energias negativas


Faça um chá com casca de maçã, hortelã e mel. Tome o chá e concentre-se que as energias
negativas estão indo embora.

Encantamento para intuição


Para comunição psíquica: faça um chá de roseira, sente-se numa cadeira confortável, enquanto
toma o chá, pense em algumas pessoas que podem estar precisando de seua ajuda. Sinta uma
onda de sentimentos delicados saindo de você e indo para elas.

Feitiço da Raiva
Visualize um círculo de luz a sua volta. Segure uma pedra negra em suas mãos e eleve-a a sua
frente. Concentre-se e projete toda a sua raiva na pedra. Jogue agora, a pedra com toda a sua
força para fora do círculo, em um lago, mar, córrego, que você visualizou e diga:

COM ESSA PEDRA


A RAIVA SE IRÁ
ÁGUA CONTENHA-A
NINGUÉM A ACHARÁ

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


146

Poder Interior
Use um quadrado de tecido carmesim, cheio de folhas de Louro, Flores de Sabugueiro,
Rosamarinho, Folhas de Carvalho, Folhas de Azevinho ou Baga e Visgo. Amarre com um fio
azul e borde ou desenhe seu próprio símbolo pessoal.

Para a proteção
Faça um Altar para a sua família. Pegue uma Druza de Cristal. Projete em cada ponta do cristal a
imagem das pessoas que você deseja proteger. Elas ficarão ali representadas. Cada vez que você
lavar a Druza, reforce a programação, todas as Quintas-feiras, acenda um Incenso, permeie o
cristal com sua fumaça, e deixe-o queimando ao lado.

Para a elevação espiritual


Tome um banho de óleo de lavanda, que a deixará calma. Abra o seu coração e perdoe alguém
que te agrediu. Reflita no poder do perdão.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


147

ELEMENTAIS
Os Elementais, normalmente se apresentam àqueles que possuem uma maior sensibilidade para
poder vê-los, na forma que imaginamos que eles sejam. Um exemplo disso é que as informações
que temos sobre os Elementos da Terra - os Gnomos - é que são uns homenzinhos de mais ou
menos 30cm de altura, possuem barbas compridas, etc... Por que se nos apresentam assim?
Porque eles vão ler a nossa mente, processar a imagem de produzimos à respeito deles, e assim
eles irão se apresentar à nós.

Em cada região, os Elementais irão se apresentar de uma forma diferente, como por exemplo na
Europa. As mulheres tem a pele clara, cabelos loiros e olhos azuis, portanto as Ondinas que são
os Elementais da Água, irão se apresentar dessa forma, bem diferente da nossa Iara, que também
é uma Ondina, mas com aparência de uma Índia, assim como as pessoas do interior, vêem o
Saci-Pererê, que na realidade é um Gnomo. Mas o mais importante não é a aparência deles, e sim
sabermos preservá-los perto de nós. São criaturas doces, maravilhosas, que podem nos ajudar, e
muito, a todo momento, desde que sejamos puros, honestos e sensíveis, adoram ser tratados com
muito amor e carinho.

Água - Assim como os Gnomos tem suas funções


limitadas junto aos Elementos da Terra, os
Elementais da Água - as Ondinas - atuam na
Essência Invisível e Espiritual, - O Éter Úmido - A
beleza é uma característica comum aos Elementais
da Água. São sempre cheios de graça, simetria, onde
quer que sejam encontradas, representadas na arte,
em esculturas.O Elemento Água, que sempre foi
identificado como sendo um símbolo feminino, é
muito natural que os Elementais da Água sejam
simbolizados como fêmeas. As Ondinas, estão sub-
divididas em vários grupos, algumas habitam as Cataratas, Mares, onde podem ser vistas entre os
vapores, outras habitam os Pântanos, Brejos e Charcos, outras ainda habitam em Lagos de
Montanhas.
De um modo geral, quase na totalidade, as Ondinas são muito parecidas com seres humanos,
tanto na sua forma, como tamanho - as que habitam os Rios e Fontes, tem proporções menores -
Normalmente vivem em Cavernas de Corais, nos Juncais, às margens dos Rios ou das Praias. As
Ondinas, servem e amam sua Rainha, Necksa. Elas são antes de tudo, seres emocionados,
amigáveis com os humanos, à quem gostam de servirem. Muitas vezes, são representadas
cavalgado em Golfinhos e em outros grandes Peixes, essas Sereias tem um amor muito grande
pelas flores e plantas, às quais servem de maneira devotada e inteligente quanto aos Gnomos.
Antigos poetas diziam que o canto das Ondinas "O Canto das Sereias" eram ouvidos no vento
Oeste, e que suas vidas, eram consagradas à beleza da Terra Material.

Terra - Os Elementais que vivem no Éter Terrestre são denominados geralmente de Gnomos.
Assim como há seres humanos em evolução através dos elementos físicos e
objetivos da Natureza, também existe várias espécies de Gnomos em
desenvolvimento e evolução através do Corpo Etérico da Natureza. São
conhecidos também chamados "Espíritos das Árvores, os homenzinhos velhos da
floresta. Sua casas são por eles construídas com substâncias parecidas com o

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Alabastro, o mármore e o Cimento, mas a verdadeira substância é desconhecida no plano físico (
3ª dimensão ), já que todos os Elementais vivem na 4ª dimensão. Cada arbusto, cada flor, cada
planta, cada árvore, tem o seu Espírito da Natureza, que freqüentemente usa o Corpo Físico da
planta como sua habitação. Quando uma planta é cortada e morre, seu Elemental morre junto
com ela, mas enquanto existir o menor traço de vida nessa planta, ela mostrará a presença de seu
Elemental Guardião. Pense bem antes de cortar uma planta, veja se é mesmo necessário, e se o
for, peça permissão antes de tal intento. Os Gnomos sempre se colocam à disposição do ser
humano, desde que nunca seja usado seus poderes de uma maneira egoísta, para adquirir o Poder
Temporal. Uma atitude dessa faz com que estes Elementais se voltem com toda a sua fúria
àqueles que os decepcionam.
Os Gnomos são governados por um rei, pelo qual têm um grande amor e referência. Seu nome é
Gob, por isso seus súditos são freqüentemente chamados de Gobelinos.

Existem provas abundantes, que as crianças, até por volta dos sete anos de idade, por sua pureza,
freqüentemente vêm os Gnomos, porque seu contato com o mundo material ainda não está
completo, ainda não adquiriram defeitos psicológicos, sendo assim funcionam mais ou menos
conscientemente nos mundos invisíveis. O comportamento dos Gnomos ou Duendes varia em
geral baseiam-se em atitudes humanas por estarem próximos aos homens. Essa aproximação é
sempre favorecida quando o ser humano está mais frágil e sensível. Os Gnomos são os
Guardiões dos Minerais, com capacidade até de transformar Rocha em Cristal. Os Duendes, são
ligados à Terra e geralmente conseguem controlar imprevistos da Natureza. Tanto Gnomos
quanto Adoram fazer brincadeiras e esconder coisas. Alguns possuem orelhas pontudas e
grandes e tem grande quantidade de pêlos no corpo. Quando confiam no homem, se tornam fiéis
e grandes protetores.

Fogo - O Terceiro grupo de Elementais, são representados pelos Salamandras, que vivem no Éter
atenuado e espiritual que é o Invisível Elemento Fogo. Sem elas, o fogo material não existiria,
um fósforo não pode ser aceso, e nem a pólvora explodiria. O ser humano é incapaz de se
comunicar adequadamente com as Salamandras, pois ela reduz a cinzas, tudo que delas se
aproxima. Antigos místicos, preparavam incensos especiais de ervas e perfumes, para que
quando queimados, pudessem provocar um vapor especial, e assim formar nos seus rolos as
figuras das Salamandras, sentindo assim a sua presença. Muitas Salamandras são vistas em
formas de bolas ou línguas de fogo, correndo através dos campos ou adentrando nas casas. No
Brasil, chamam essas aparições, ou "fenômenos" de Fogo-Santileno". A maioria dos místicos
afirmam que as Salamandras são seres gigantes, imponentes, flamejantes em roupas fluídas,
como se fosse uma armadura de fogo. São as mais poderosas dos Elementais e tem como seu
regente Djin. Antigos sábios sempre foram advertidos para manter distância delas, pois os
benefícios que seus estudos trariam, não seria proporcional, ao preço que se pagaria por eles.
Possuem especial influência sobre os indivíduos de temperamento ígneo e tempestuoso. Tanto
nos animais, quanto no homem, as Salamandras trabalham através do emocional, por meio de
calor corpóreo, do fígado e da corrente sangüínea. Sem a sua assistência, não haveria calor.

Ar - No último discurso de Sócrates, tal como foi preservado no Fédon de Platão, o filósofo
condenado à morte diz: - "acima da Terra, existem seres vivendo em torno do ar, tal
como nós vivemos em torno do mar, alguns em ilhas que o Ar forma junto com o
Continente; e numa palavra, o ar é usado por Eles, tal qual a água e o mar são por
nós, e o Éter é para nós. Mais ainda, o temperamento das suas estações é tal, que Eles
não têm doenças e vivem muito mais tempo do que nós, e têm visão e audição e

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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todos os outros sentidos muito mais aguçados do que os nossos, no mesmo sentido que o Ar é
mais puro que a Água e o Éter do que o Ar. Eles também têm seus templos e Lugares Sagrados,
em que os Deuses realmente vivem, e Eles escutam sua vozes e recebem suas respostas; são
conscientes de sua presença e mantêm conversação com Eles, e Vêem o Sol, e vêem a Lua, e
Vêem as Estrelas, tal como realmente são. E todas suas bem-aventuranças, são desse gênero"...
Eles são os mais altos de todos os Elementais, o seu Elemento Nativo é o de mais alta taxa
vibratória. São os Silfos, que têm como líder um Silfo chamado Paralda, e vive na mais alta
montanha da Terra. Acredita-se que os Silfos reúnem-se em torno da mente dos sonhadores, dos
artistas, dos poetas, e os inspiram com seu alto conhecimento das maravilhas e obras da
Natureza. São de temperamento alegre, mutável e excêntrico.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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TEXTOS COMPLEMENTARES

Leis de Tríades

Leis das Almas


O princípio espiritual que nos anima precisa descer a matéria (encarnação) para se individualizar,
para constituir e depois desenvolver, por um moroso trabalho secular, suas faculdades latentes e
o eu consciente. De degrau em degrau, esse princípio engendra para si organismos apropriados
às necessidades de sua evolução, formas perecíveis que abandona ao cabo de cada existência
(morte física), como trajo usado, para buscar outras mais belas, melhor adaptadas às exigências
de suas tarefas, cuja importância cresce de uma para outra.

Enquanto lhe dura a ascensão, ele se mantém solidário com o meio em que ocupa, preso aos seus
semelhantes por certas afinidades, concorrendo para o progresso de todos, ao mesmo tempo que
para o seu próprio progresso, todos trabalham.

Passa de vida em vida, pelo crisol da humanidade, sempre mais amplo, sempre diversos, a fim de
adquirir virtudes, conhecimentos, novas qualidades. Quando auferiu de um modo tudo o que lhe
ele podia dar em ciência e em sabedoria, eleva-se ao convívio de melhores sociedades (mundos
mais elevados), a esferas mais bem aquinhoadas, arrastando consigo todos aqueles a quem ama.

Porquê a Wicca não é Celta


Obs.: Este é um texto feito por um irmão seguidor das Tradições Célticas, e achamos válido
coloca-lo aqui à guisa de informação. Embora em algumas partes deste texto este irmão se
apresente bastante indignado com esta afirmação de alguns wiccans equivocados, ela é
correta pois a Wicca não é a antiga tradição Céltica.

A Wicca é certamente uma senda valida e poderosa para aqueles que verdadeiramente a
percorrem e a entendem. Entretanto há um emaranhado de pessoas que acreditam que a Wicca
seja descendente dos caminhos e modos religiosos dos Gaelicos ou outros povos Celticos (ou
"Celtas" como uma nomenclatura generalizante). Este simplesmente não é o caso.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Ao contrário do que é amplamente e erroneamente disseminado por alguns que se dizem


Wiccanos, a Wicca não nasceu da cultura celta. Ela pode ter alguns princípios baseados nela,
quando foi reestruturada no início do século 19, mas não tem sua origem na Magia Celta.

Listamos abaixo algumas das diferenças mais gritantes entre as duas práticas:

1) A Wicca atribui a Deidade Masculina para o Sol e a Feminina para a Lua. A religião celta é
menos definitiva no sexo das divindades. Existem referências a divindades masculinas e
femininas, tanto para o Sol, quanto para a Lua. A mitologia celta é específica para cada clã, com
muitas variações e especificações, desta forma, torna-se muito ampla e complexa. Não existem
Deuses principais, para os celtas. Todos os Deuses possuem igual importância, sejam os do Sol,
da Lua, dos Rios, dos Lagos, das Estradas, do Trovão ou das Casas.

2) A Wicca é originária e primariamente baseada no Princípio UNO que se bipolarizou. A


religião celta é politeísta e animista.

3) A moralidade wiccana é baseada no conceito do "não prejudique ninguém", semelhante às


filosofias cristã e hindu de não prejudicar/ferir os outros. Já a moralidade celta é embasada
primariamente (assim como a nórdica) no conceito de "heroismo", de Honra Pessoal. Como
resumiu Diogenes Laertius: "Os Deuses devem ser reverenciados, nenhum mal deve ser feito e a
honra deve ser mantida". Ou, como os próprios celtas diziam: Verdade em nossos corações,
Força em nossos braços e Totalização em nossas línguas - essa última afirmativa, no sentido de
que as palavras de um celta sempre refletem seus sentimentos e atitudes, sendo defendidas da
maneira necessária para a manutenção de sua honra.

4) A Wicca tem um conceito limitado ou pouco desenvolvido1, dos "Outros Mundos". Na


religião celta, a interatividade entre estes "Outros Mundos" e o nosso próprio é, muitas vezes, o
embasamento central da prática religiosa.

5) A Wicca é uma religião invocatória e que leva ao êxtase2. Na prática celta, estes são aspectos
secundários ao cerimonial e à moralidade.

6) A Wicca cria espaços sagrados3. A religião celta vê o espaço sagrado como onipresente
(embora ele possa ser reconhecido e demarcado para finalidades devocionais e cerimoniais).

7) A Wicca é uma religião iniciatória. A religião celta tem elementos iniciatórios (os Ritos de
Passagem, que acompanham seus adeptos por toda a vida, sendo, em verdade, parte dela,
celebrando-a).

8) A Wicca usa os elementos clássicos. (Terra, Fogo, Água e Ar e ainda, mais tarde
acrescentado, Akasha). Na tradição celta, o que mais se aproxima deste conceito de elemento (no
sentido de representar o "material" que forma as "coisas") são os Dúile (a palavra não tem termo
adequado de tradução para nenhuma língua), que representam 9 aspectos do Eu, em relação com
9 aspectos do Cosmo, em relação com 9 aspectos de direcionamento, todos representados por 9
"ferramentas mágicas". (Os Celtas cultuam ainda a magia nos 3 Reinos: Terra, Mar e Céu -
Land, Sea and Sky.)

9) A Wicca não dá ênfase a nenhuma mitologia (na verdade, o praticante é incitado a fazer uma
"salada" devocional)4. Na tradição celta, a mitologia é central e vital, formando a base da prática
mágica, dos rituais e dos ensinamentos.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Fora isso, a visão celta de suas divindades não é como a que hoje se dissemina. Um celta não
cultua seus Deuses no sentido que a cultura judaico-cristã dissemina, ou seja, com subserviência.
Os Deuses não estão "acima" de nós, estão próximos de nós, vivendo lado a lado, como amigos,
parentes ancestrais, companheiros de batalha e festa, para o melhor e o pior. Um celta não se
coloca humildemente à mercê de seus Deuses. Ele Os encara com honra e orgulho, sendo dignos
da atenção e dos favores de seus Deuses.

Assim sempre foi, assim sempre será.

Notas:
1–
Esta afirmação é inválida pois existe sim um conceito mais profundo na wicca sobre os outros mundos,
basta apenas que o interessado busque isso!
2 –
A Wicca é “também” invocatória, mas seus princípios mais importantes estão baseados no Amor,
devoção e respeito para com os Deuses, para com a Terra e para com seus semelhantes!
3–
A wicca não cria espaços sagrados, Sagrado é todo o espaço criado pelos Deuses, o que se cria são
espaços devocionais e de oração!
4 –
Talvez seja essa a afirmação mais difícil de se explicar pois grande parte dos wiccans adoram os
deuses de outros panteões como se fossem aspectos e faces da Deusa e do Deus. Sobre isso cabem
discussões maiores e mais profundas que não serão tratados aqui neste momento.

Egrégoras
"Egrégora é o resultante, nos mundos internos, dos conceitos aglutinados, das emoções, das
palavras e ações simbolizadas em seguidores de um culto ou fé específicos ao longo da história".

Simplificando, Egregora poderia ser definida como uma energia resultante da união de várias
outras energias. Em nível de exemplo, podemos citar o amor de um núcleo familiar, a energia
que mantém uma família unida. Caso essa egregora fosse dissipada, a família se dissiparia, pois
não haveria identificação entre seus membros. Não haveria, assim, vínculo entre eles.

As 7 Leis Herméticas
A tradição da ciência baseia-se nos princípios herméticos, que são paralelos aos princípios da
Nova Física: Tem suas origens em Hermes (Deus Grego), Thot (Deus Egípcio) e Mercúrio (Deus
Romano).
Obs.: todos representam os mesmos princípios.

As 7 leis herméticas são importantes para a feitiçaria:

1ª ) Lei do Mentalismo: O universo é mental ou Mente. Isso significa que todo universo
fenomenal é simplesmente uma criação mental do TODO... Que o universo tem sua existência na
Mente do TODO.
Uma outra maneira de dizer isso é: "tudo existe na mente do Deus e da Deusa que nos 'pensa'
para que possamos existir. Toda a criação principiou como uma idéia da mente divina que
continuaria a viver, a mover-se e a ter seu ser na divina consciência."
"O Universo e toda a matéria são consciência do processo de evolução."

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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2ª ) Lei da Correspondência: "Aquilo que está em cima é como aquilo que está embaixo."
Essa lei é importante porque nos lembra que vivemos em mais que um mundo. Vivemos nas
coordenadas do espaço físico, mas também vivemos em um mundo sem espaço e nem tempo.
A perspectiva da Terra normalmente nos impede de enxergar outros domínios acima e abaixo de
nós. A nossa atenção está tão concentrada no microcosmo que não nos percebemos o imenso
macrocosmo à nossa volta. O principio de correspondência diz-nos que o que é verdadeiro no
macrocosmo é também verdadeiro no microcosmo e vice-versa.
Portanto podemos aprender as grandes verdades do cosmo observando como elas se manifestam
em nossas próprias vidas.
Por isso estudamos o universo: para aprender mais sobre nós mesmos.
Na menor partícula existe toda a informação do Universo.

3ª ) Lei da vibração: Todas as coisas se movimentam e vibram com seu próprio regime de
vibração. Nada está em repouso.
Das galáxias às partículas sub-atômicas, tudo é movimento.
Todos os objetos materiais são feitos de átomos e a enorme variedade de estruturas moleculares
não é rígida ou imóvel , mas oscila de acordo com as temperaturas e com harmonia com as
vibrações térmicas do seu meio ambiente. A matéria não é passiva ou inerte, como nos pode
parecer a nível material, mas cheia de movimento e ritmo. Ela dança.

4ª ) Lei da Polaridade: A polaridade é a chave de poder no sistema hermético. Tudo é dual. Os


opostos são apenas extremos da mesma coisa. Energia negativa (-) é tão "boa" ou "má" quanto
energia positiva (+).

5ª ) Lei do ritmo: Tudo está em movimento, a realidade compõe-se de opostos. E os opostos se


movem em círculos.
As coisas recuam e avançam, descem e sobem, entram e saem. Mas também giram em círculos e
espirais. A lei do ritmo nos assegura-nos que cada ciclo busca sua complementação. A grande
roda da vida esta sempre fazendo um circulo. O que se muda é o tamanho desse círculo.

6ª ) Lei do Gênero: O principio hermético do gênero diz que todos tem componentes masculinos
e femininos. É uma importante aplicação da lei da polaridade.
Em todas as coisas existe uma energia receptiva feminina e uma energia projetiva masculina, a
que os chineses chamavam de Yin Yang (e o que os bruxos chamam de Deusa e Deus).

7ª ) Lei de Causa e Efeito: Em sua forma tradicional, a lei de causa e efeito diz que nada
acontece por acaso, que para todo efeito existe uma causa, e que toda causa é, por sua vez, um
efeito de alguma outra causa.

Uma Bruxa é assim: estranha gente.


É gente de conteúdo interno que transcende a compreensão medíocre, simplória. É gente que tem
idealismo na alma e no coração, que traz nos olhos a luz do amanhecer e a serenidade do ocaso.
Tem os dois pés no chão da realidade. É gente que ri, chora, se emociona com uma simples carta,
um telefonema, uma canção suave, um bom filme, um bom livro, um gesto de carinho, um
abraço, um afago. É gente que ama e curte saudades, gosta de amigos, cultiva flores, ama os
animais. Admira paisagens. Poeira traz lembranças de chão curtido de sonhos passados. Escuta o
som dos ventos. Dança a dança do mundo pelo simples prazer de dançar. É gente que tem tempo
para sorrir bondade, semear perdão, repartir ternura, compartilhar vivências e dar espaço para as
emoções dentro de si. Emoções que fluem naturalmente de dentro de seu ser! É gente que gosta

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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de fazer as coisas que gosta, sem fugir de compromissos difíceis e inadiáveis, por mais
desgastantes que sejam. Gente que semeia, colhe, orienta, se entende, aconselha, busca a verdade
e quer sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto. É gente
muito estranha as Bruxas. Gente de coração desarmado, sem ódio e preconceitos baratos. Gente
que fala com plantas e bichos. Dança na chuva e alegra-se com o sol. Cultuam a Lua como
Deusa e lhe faz celebrações... Eh!!Gente muito estranha essas Bruxas. Falam de amor com os
olhos iluminados como par de lua cheia. Gente que erra e reconhece, cai e se levanta, com a
mesma energia das grandes marés, que vão e voltam em uma harmoniosa cadência natural.
Apanha e assimila os golpes, tirando lições dos erros e fazendo redentores suas lágrimas e
sofrimentos.
Amam como missão sagrada e distribuem amor com a mesma serenidade que distribuem pão.
Coragem é sinônimo de vida, seguem em busca dos seus sonhos, independente das agruras do
caminho. Essa gente, vê o passado como referencial , o presente como luz e o futuro como meta.
São estanhas as Bruxas! Acreditam no poder do feminino, estão sempre fazendo da maternidade
a sua maior magia e através da incessante luta pela paz chegam a divindade de existir pelo amor
da Grande Mãe, a natureza. Da mesma forma que produzem um belíssimo visual, de elegância
refinada com as raias da vaidade, se vestem como verdadeiras Bruxas medievais a caminho do
patíbulo. Iluminam de beleza e jovialidade o corpo físico com habilidade mágica e com
facilidade transforma-se, permitindo-se um sóbrio aspecto de velha senhora, a depender da lua
nos seus espirítos. Cultuam as sagradas tradições como forma de perpetuar as leis que regem o
universo, passam de geração para geração a fonte renovadora da sabedoria milenar. São fortes e
valente, ao mesmo tempo humildes e serenas. São leoas e gatinhas.
São muito estranhas as Bruxas. Com a mesma habilidade que manuseiam livros codificados, o
fazem com panelas e vassouras... São aventureiras e criam raízes, dançam rock, valsa e polka,
danças sagradas, e inventam o que precisa ser inventado. Criam e recriam. Contam contos e
histórias de fadas, e carochinhas, contam suas próprias histórias... Falam de generosidade e de
todas as deidades em exercício constante, buscam a plenitude como propósito...
Interessante essa gente, essas Bruxas!
Se obrigam tarefas, de evoluir, de amar e dividir... falam de desapego em plena metrópole , em
meio as tecnologias.
Cantam mantras e Músicas populares, mas se emocionam com as folclóricas. Mexem com ervas
e chás, são primitivas e avançadas. Pulam da mesa do rei para um abrigo montanhês com o
mesmo sorriso enigmático de prazer e sabedoria que iluminava a face das suas ancestrais.
Degustam um pão artezanal, receita medieval da velha senhora das montanhas com a mesma
gula que o fazem em um banquete cinco estrelas, com pães ultra sofisticados daquela celebridade
da cozinha francesa.
Amam em esteiras e em grandes suites, desde que estejam felizes, pois ser feliz é sempre a única
condição dessa gente estranha. É gente que compra briga pela criança abandonada, pelo velho
carente pelo homem miserável, pela falta de respeito humano... é gente que fica horas olhando as
estrelas, tentando decifrar seus mistérios, e sempre conseguem. Gente que lê em fundos de
xícaras, em bolas de cristal, tarot, com pedras, na areia, nas nuvens, no fogo, no copo d’água...
são muito estranhas!
Oram para elementais, anjos e gnomos. Falam com intimidade com os Deuses e lhes chamam
para um círculo, fazem fogueiras e dançam em volta... Viajam de avião, a pé, de carro e em
lombos de animais, agradecendo pelas oportunidades que a vida lhes dá... aliás, essa gente
estranha agradece por tudo, até pela dor, que chamam de mãe, pois acreditam que é a forma mais
rápida para a evolução...Se reúnem em escolas iniciáticas que chamam de coven, para
mutualmente se bastarem, se protegerem se resguardarem, resgatar valores, estudar, muito
estranhas são as Bruxas. Mas estranha mesmo é a fé que as mantém vivificadas ao longo de
cinco mil anos. Que seja abençoada toda essa gente estranha...e desconfio que é deste tipo de
gente que a DEUSA precisa para o terceiro milênio...

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Como é em cima, como é embaixo, e como é em baixo é em cima


Na Magia cita-se, várias vezes, a regra "Como é em cima, como é embaixo, e como é em baixo é
em cima". É uma regra "hermética". Este termo popular, muito em voga entre os alquimistas
antigos, serve para abranger o conhecimento esotérico de todas as culturas antigas. Surgiu no
Ocidente depois do século. XII, com a divulgação de uma série de obras atribuídas a Hermes
Trismegisto (três vezes grande) foi uma personagem mítica. Foram-lhe atribuídas muitas obras
pertencentes aos neoplatônicos egípcios
O Deus egípcio Thot, que simboliza o Intelecto, foi identificado pelos gregos com o próprio
Hermes, na época de Platão (por volta do século 400 a.C.).

Thot-Hermes foi citado como a fonte de todas as invenções e sabedoria secreta, de quem
Pitágoras e Platão teriam obtido as suas idéias. Por outras palavras, estes filósofos recorreram à
tradição dos Mistérios e às ciências esotéricas arraigadas na cultura dos povos do Ocidente, para
escreverem as suas obras.
O número de obras atribuídas a Hermes é enorme. Clemente de Alexandria menciona a
existência de 42, no seu tempo (século 9 a.C.. II a III), número um tanto incerto.

A mais conhecida de todas as obras é a Tábua de Esmeralda (em latim, Tabula Smaragdina), que
é citada por todos os alquimistas desde a Idade Média. Atribuem-lhe uma origem misteriosa: a
Tábua teria sido gravada numa esmeralda (e daí o seu nome), por Hermes em pessoa, e
encontrada no seu túmulo. é este, precisamente, o cenário que encontramos na obra rosacruciana
intitulada Fama Fraternitatis Rosae Crucis, ao referir-se ao túmulo de Cristão Rosacruz
(Christian Rosenkreuz). O texto da Tábua parece ser uma tradução de um texto árebe do século.
X, por sua vez traduzido de um original grego mais antigo (século IV?).

Para quem está a par da doutrina hermética e alquímica, a leitura destas linhas está cheia de
sentido. Encontra-se aí a doutrina da unidade cósmica, defendida pelos modernos cientistas, e o
princípio da analogia e das correspondências entre todas as partes da criação.

No segundo parágrafo encontramos a frase que nos interesa: "O que está em cima é como o que
está embaixo, e o que está embaixo é com o que está em cima para a consumação dos milagres
da unidade."

Diz-nos, é sua maneira, que toda a vida está unida por um a espiral de harmonias. Vamos dar um
exemplo, para ajudar a compreender como isto é possível.
Talvez a música nos dá uma boa ajuda. Quando se toca uma nota qualquer, dá-se origem a uma
série de "outras notas", que não se ouvem. Tecnicamente, são conhecidas por "harmônicos". Se
pudéssemos congelar uma nota musical, verificaríamos como estes sons mantêm entre si uma
relaçãoo matemática. Por meio de experiências simples é possível comprovar esta realidade,
claramente descrita nos estudos básicos da teoria musical.

Se estudarmos a lei da ressonância harmônica encontraremos o fundamento da teoria


cosmogônica de um universo criado segundo leis harmônicas - no sentido musical do termo.

Se examinarmos o teclado de um piano veremos que existem oito oitavas. A nota dó3 , por
exemplo, repete-se oito vezes. O primeiro dó émuito grave e o último muito agudo. Se se tocar
um dó,vê-se que os outros também vibram.
Este exemplo permite-nos compreender como se faz o raciocínio por analogia, isto é, como se
pode concluir de um caso conhecido para outro, em virtude de certas características semelhantes.

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E ajuda-nos também a entender que o Todo é uma unidade com as suas diversas partes (mundos
ou planos, regiões, etc.). Cada uma dessas partes é um conjunto equivalente aos outros. Por sua
vez, cada um diversos elementos correspondem-se um a um. Deste modo, um elemento de cada
parte representa simbolicamente e influência, por simpatia, outro elemento de um mundo ou
plano diferente. E assim podemos dizer, na verdade, "que aquilo qu e está em baixo, é como
aquilo que está em cima". Por outras palavras, "sempre que os laços forem atados cá na Terra,
não poderão ser desatados no céu, sendo o inveso igualmente verdadeiro.”

Entre outras obras temos o célebre apócrifo denominado Livro dos XXIV Filósofos, onde está a
célebre definição de Deus: "círculo cujo centro está em toda a parte e a circunferência em parte
nenhuma".

A simples experiência de encostar o ouvido a um piano ou viola revela uma inesperada vastidão
de sons. Esta ressonância não existe nos instrumentos electrónicos, onde apenas se obtêm efeitos
artificiais, por meio de reverberadores. A consciência moderna apenas reconhece na música a
estrutura exterior e imediatamente audível.
Que atribui o número um ao som fundamental (ou 1º "harmónico"), o 2 ao 2º "harmónico", uma
"oitava" acima, etc.

Referida por Platão, no Timeu. Se considerarmos o períododo de rotação da Terra, de 23 horas,


56 minutos e 4 segundos, o que totaliza 86 164 segundos, e dividirmos a unidade por este
número, teremos a frequência de 0.000.001.160.576 hz.; 24 oitavas acima temos a frequência
194,75 hz, que é a da nota sol. A expressão "música das esferas", usada hoje em dia sem
conhecimento de causa, readquire, assim, o verdadeiro significado.

Eu sou pagã hoje no Brasil

Eu sou pagã hoje no Brasil e vivo a religião da Deusa em amor e sinceridade, caminhando e
aprendendo a fluir com os ritmos da natureza. Eu procuro viver em beleza, para que a beleza me
envolva. Conheço a Deusa e a cada dia mais a compreendo um pouco, sabendo que jamais
acabarei essa tarefa, o que enche minha vida de propósito e riqueza. Encontro a Deusa na face de
cada pessoa que cruza meu caminho, mesmo as que me são desagradáveis.

Eu sou pagã hoje no Brasil e meu corpo dói com cada notícia de água envenenada, natureza
esgotada, animais maltratados, extermínios e queimadas insanas... Conheço a Lua no meu
próprio sangue, mesmo quando as nuvens a encobrem no céu. Vivo os ciclos da natureza e
celebro as datas ancestrais, danço, canto e comemoro os grandes e pequenos Sabbats. A cada
fase da Lua saúdo-a em grupo ou sozinha, mas nunca deixo de sorrir para cada um de seus
mistérios.

Eu sou pagã hoje no Brasil e uso a magia para melhorar minha vida e das pessoas que me
procuram, aprendendo com meus erros e renovando minha capacidade de reconhecer o universo
como um milagre de magia e perfeito equilíbrio. Conheço os diversos mundos e busco trazer
deles o que melhor condiz com minha realidade e as necessidades que surgem nos giros da Roda
da Vida, aprendendo a lição dos ciclos.
Eu sou pagã hoje no Brasil e luto para me conhecer cada vez mais, vendo minha sombra e
acolhendo o que posso integrar, conhecendo a Deusa Negra em minha vida e aprendendo a amá-
la. Como pagã também vejo a sombra coletiva de nossa nação e não fecho os olhos quanto ao
crime, a violência, a corrupção, a posse da terra, a miséria e a fome. Como pagã sou

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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revolucionária, não conformista, universalista e ardorosa defensora das liberdades, mantendo a
unidade da consciência ecológica a sabendo a importância de defender o direito de quem pensa
diferente de nós.

Eu sou pagã hoje no Brasil e vejo com inquietação nossa religião se tornar mais conhecida e
visada. Combato a ignorância esclarecendo todos os que se interessam pela bruxaria, mostrando
que somos pessoas normais, com vidas normais e não espetáculos de salão. Sofro com a
incompreensão, muito mais pelos outros do que por mim. Admiro quem se mantém fiel ao
Caminho mesmo diante de dificuldades familiares e sociais e faço valer nossas leis de não
discriminação religiosa.

Eu sou pagã hoje no Brasil e percebo a importância de conscientizar as pessoas de sua própria
auto-imposta escravidão. Vejo a importância de agir e viver de acordo com meu poder pessoal e
abençoo cada chance de transformação que a vida me traz. Como bruxa, tenho orgulho de ser
mulher, de falar a outras mulheres sobre nossa irmandade básica e de ver os homens tocados pela
Deusa como os companheiros ideais e a única esperança de uma sociedade feita de parceria e
soma de capacidades.

Eu sou pagã hoje no Brasil e celebro a Roda do Ano criando junto com os deuses e com as
pessoas que me cercam a dança ancestral, refazendo os caminhos já trilhados por nossos
antepassado de uma maneira nova e em consonância com nosso tempo. Levo minhas crianças às
celebrações lunares e solares, desejando que elas cresçam cada vez mais em consciência, auto-
determinação, independência e liberdade. Que elas possam fazer a magia do amor modificar os
mundos.

Eu sou pagã hoje no Brasil, vivendo em cidades grandes sou uma bruxa urbana que descobre a
natureza nos locais mais inusitados. Danço minhas danças de poder nas danceterias, ou vou para
parques. Sempre que posso busco a mata., o cerrado e a praia. Compro meus instrumentos em
shoppings ou os faço com minhas mãos . Me reabasteço na natureza e dou poder a tudo que me
cerca, vivificando com minha magia tudo o que faço, de escrever um texto a preparar um
almoço, da roupa que uso ao modo como me movimento. Descubro a riqueza da minha terra, da
herança indígena às contribuições européias e africanas, e as honro em meus rituais sem esquecer
que a Deusa não tem nacionalidade, e fala todas as línguas.

Eu sou pagã hoje no Brasil e conheço muitos pagãos, cada vez mais gente que acorda do
pesadelo das visões retilíneas do universo e passa a sonhar o doce sonho da Terra. Nessas
pessoas descubro meus irmãos de alma, meus companheiros de caminho, meus parceiros na
dança espiral. Me orgulho de viver em um tempo em que a Deusa sorri e podemos retribuir seu
sorriso em alegria e liberdade. Nunca mais os tempos da fogueira!

Eu sou pagã hoje no Brasil e vejo mais e mais gente ouvindo o Chamado da Senhora. Eu sou
pagã hoje no Brasil e a cada dia vejo aumentar a responsabilidade de orientação e auxílio que
devemos dar aos mais novos na Arte, como expressão de nosso compromisso com os Antigos.

Eu sou pagã hoje no Brasil e sei que temos um dos maiores movimentos wiccanianos do mundo
na atualidade, e busco me integrar às iniciativas e eventos que façam uma ponte entre nós e
nossos irmãos de outros países, sabendo que isso fortalece nossos elos e o paganismo como um
todo.

Eu sou pagã hoje no Brasil e sei como é difícil explicar a alguém que não o seja o que significa
essa sensação única de ser integrado à Mãe e ser único e múltiplo, unido, completo e sagrado.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Eu sou pagã hoje no Brasil e a respiração de cada ser vivo deste planeta, e a pulsação de cada
estrela além, bate no compasso do meu coração, pois eu sei que Dela é toda vida e todo amor.

A Wicca e o milênio da Deusa


"A Terra é nossa mãe
Devemos cuidar Dela
Seu solo é sagrado
E sobre ele andamos"
( Canção xamânica)

Todas as vezes que alguém pergunta sobre minha religião e eu respondo que sou uma bruxa
wiccaniana, há um certo tipo de susto ou estranheza. Algumas pessoas riem, outras me
perguntam onde estacionei a vassoura, a maioria pergunta: "mas você é uma bruxa do bem não
é?" . Isso tudo só revela o quanto as pessoas em geral, o mundo ocidental se afastou do
conhecimento da bruxaria como um sacerdócio ou culto da Terra, da Grande Deusa .

A Wicca, ou bruxaria moderna, é a religião da Deusa e seu Consorte. Nós bruxas e bruxos somos
Sacerdotisas e Sacerdotes dessa religião.
No centro de nosso culto existe a crença de que tudo o que existe faz parte do corpo sagrado de
nossa Deusa: nossos corpos, os animais, as plantas, os cristais, a terra, as estrelas e planetas, ao
ar, o fogo, o vácuo.... Imagine o Todo. Só podemos compreender a idéia do Todo por alegorias
ou por poesia., nossas mentes não conseguem abarcar a realidade do universo. Esse Todo é a
Deusa e o Deus que celebramos. Cremos que todas as coisas e seres vivos são unidos em uma
Grande Teia, que a Deusa, como Grande Aranha Tecelã, criou em fios de luz nascidos de sua
própria essência divina, de seu corpo.

Ser wiccaniano, então, é crer na sacralidade de tudo que nos rodeia, é ver em tudo a Grande Mãe
Criadora. Certamente isso nos obriga a uma postura de defesa da vida e da Terra, em quaisquer
circunstâncias. Esse o motivo pelo qual esperamos que o novo milênio seja o Milênio da Deusa,
um tempo de descoberta e reconhecimento pelas pessoas em geral dessa sacralidade que
aprendemos a conhecer.
Certamente não buscamos novos adeptos para nossa religião. A bruxaria é avessa ao
proselitismo. Mas cremos que o retorno da Deusa à mente das pessoas, à consciência de todos é
uma realidade inafastável. Começou aos poucos, na década de 60, enraizou-se na década de 80 e
às portas de um tempo novo é talvez a única esperança de sobrevivência de nossa espécie.

Há uns quinze anos o grande público não ouvia falar da Deusa. Hoje é comum. Seja na
psicologia, na antropologia, seja pelo resgate das mitologias antigas. O que importa não é
reconhecer a Deusa em um sentido religioso, mas sim conhecê-la dentro de si: aquela parte de
nós que privilegia o diálogo aos conflitos, que cria, que está pronta a amparar e cuidar, a que tem
piedade pelos animais, reconhece a igualdade básica de todos os seres vivos, que valoriza as
curas alternativas e as terapias holísticas... Tudo isso é a Deusa dentro de cada pessoa. E ela fala
cada vez mais alto, e cada vez mais as pessoas ouvem a sua voz.

Ela é que resgata a sabedoria que o Chefe Seattle nos legou: " O que acontecer com a terra
acontecerá com os filhos da terra."

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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O que nós wiccanianos esperamos do próximo milênio?


Que a Deusa seja cada vez mais reconhecida, pelo preservar do planeta, pelo fim das guerras e da
fome, pela uso adequado, respeitoso e racional dos recursos naturais, pela benção de cada ato da
vida. Que todos, independentemente de sua religião, louvem a Vida como valor maior e
reconheçam a magia de estar vivo, aqui e agora. Que o Deus Consorte nos ensine a dança do
amor e que cada um de nós aprenda a Ter ouvidos capazes de ouvir a doce canção que Ela canta
em tudo o que existe.
Um dia, no novo milênio, todos sonharão o doce sonho da Terra. Eu creio nisso, pois a vida é
mágica e essa magia é capaz de transformar um mundo todo.

Os Sabbats Híbridos
Tendo em vista a polêmica das celebrações pelas datas do hemisfério norte, sul ou o sistema
misto, é freqüente que os wiccanianos brasileiros encontrem dificuldades para celebrar em
conjunto. Embora muitos solitários desejem encontros nos Sabbats, a dificuldade de cada um
celebrar por este ou aquele sistema, acaba impedindo ou dificultando muito essa reunião.
A análise de Roda do Ano e sua estrutura circular foram objeto de longas reflexões e estudos por
nós.
Dessa análise nos resultou uma proposta de conciliação das diversas opções de celebração,
desenvolvendo o que denominamos SABBATS HOLÍSTICOS.
Os Sabbats Holísticos são reflexos de nossos estudos sobre a correspondência astrológica da
Roda do Ano.
Como o Zodíaco, cremos que a Roda do Ano é universal, e guarda com o mapa astrológico
profundas afinidades. Embora haja 12 signos e apenas 8 sabbats, é indiscutível que a estrutura
circular da Roda e do Mapa Astrológico fala de uma série de pares de opostos, que guardam
entre si relação de complementaridade.
Nele se identificam signos e casas que expressam a oposição e complementaridade. No zodíaco
falamos que há EIXOS DE COMPLEMENTARIDADE, que seriam:

Áries/ libra - Eixo dos relacionamentos


Touro/ escorpião - Eixo da vitalidade
Gêmeos/ sagitário - Eixo do conhecimento
Câncer/ capricórnio - Eixo parental
Virgem/ peixes - Eixo das realidades

Na Roda do Ano temos 8 sabbats que correspondem a 4 celebrações que ocorrem nos equinócios
e solstícios e 4 que ocorrem no signo fixo de cada elemento.

Beltane e Samhain - Eixo dos Portais


Mabon e Ostara - Eixo das Sementes
Lammas e Imbolc - Eixo da Nutrição
Yule e Litha - Eixo do Sol

O reconhecimento da oposição e complementaridade de cada sabbat permite a celebração dos


Sabbats Híbridos uma celebração holística para permitir a conciliação e reunião dos wiccanianos
no Brasil.

Podemos atestar a eficácia plena da celebração de SABBATS HOLÍSTICOS desde o 1º BBB,


em 1999. No mesmo círculo, que reuniu 3 centenas de wiccanianos. Na ocasião, celebramos ao

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


160
mesmo tempo Imbolc e Lammas, permitindo que todos os que até se reuniram celebrassem, cada
um a seu modo, a Roda conforme sua opção individual.
O que se deve fazer é centrar a celebração no assunto comum dos sabbats opostos, depois
realizando os ritos típicos de cada um e finalizando com a conexão com a natureza local, que
especialmente no Brasil tem peculiaridades e formas mil.
Imbolc e Lammas: Se centram na Nutrição - Em Imbolc o Deus se alimenta do Leite e a Deusa é
a Donzela dos grãos. No Lammas Ela é a Mãe do Milho e Ele é o Milho sacrificado, o pão que
traz a vida no mundo. Fica fácil perceber a proximidade dos temas, inclusive porque em ambos
os sabbats se fazem tradicionalmente bonecas de palha de milho e trigo representando a Donzela
ou a Mãe.
Ostara e Mabon: São os Sabbats das Sementes, ou seja, em Mabon escolhemos e guardamos as
melhores sementes, que serão plantadas no próximo Ostara. Em Ostara as sementes são
possibilidades, em Mabon as sementes são a colheita, que prosseguirá o eterno ciclo.
Yule e Litha: São os Sabbats do Sol, ou do Deus. Em Litha o dia do auge do sol traz em si a
semente da escuridão (pois no dia seguinte no auge se inicia o decréscimo do sol) e em Yule é
exatamente o inverso: no dia máximo da escuridão nasce o Menino da Promessa que é a semente
da luz, que voltará na primavera.
Beltane e Samhain são os sabbats que mais parecem opostos. Para alguém que veja o tema
superficialmente pode ser difícil, à primeira vista, compreender sua relação de
complementaridade. Em Beltane há o encontro sexual em que a Deusa engravida: é o tempo de
concepção. No Samhain é a hora da Ceifeira, a Deusa mata o Deus Ancião; é tempo de morte,
mas o Deus retorna a ele mesmo no ventre grávido da Deusa. È claríssima a relação vida/morte.
Poderíamos ter optado por chamar este eixo de Sabbats da Vida e da Morte, ou até Sabbats do
Ventre, mas optamos por denominá-los "Sabbats dos Portais", não só porque é pela mesma porta
- o Ventre da Deusa - que se entra nos domínios da Vida e da Morte, mas também porque nessas
duas ocasiões da Roda os portais entre os mundos estão abertos, possibilitando o esgarçar dos
véus. Embora seja comum na literatura especializada mencionar essas ocorrências apenas no
Samhain, não podemos esquecer que Litha é a Noite das Fadas, num tempo de portais abertos.
Assim nossa opção é centrar a celebração dos Sabbats dos Portais no contato com os outros
mundos.

Texto para Iniciantes


Bruxas de Nascença???
Essa questão de sobre ser ou não bruxa é muito comum entre as pessoas. E tentaremos ser
simples ao responder indagações muito comuns:
-Como uma pessoa vira bruxa ou wiccan? Como começa a prática?
-Uma pessoa nasce bruxa? A bruxa tem poderes especiais?
- Qualquer um pode ser bruxa/o?
Meus amigos , não existe tal coisa como alguém nascer ou não bruxa.
Simplesmente porque a bruxaria é - como qualquer outra - uma religião e ao nascermos não me
consta que haja alguma marca, determinação biológica, fator genético ou pares cromossômicos
que produzam o interesse pela bruxaria ou habilidade nela! Alguém nasce católico, budista ou
espírita? É claro que não, então o que justificaria alguém "nascer" bruxa?
Aliás, esse assunto nos lembra a Inquisição, na parte que o manual dos inquisidores mandava
procurar "marcas de nascença" da bruxaria, como verrugas ou manchas na pele... Enfim , um
papo elitizante, cheio de preconceitos.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Uma religião nos é transmitida por nossa família ou é fruto de uma escolha pessoal nossa quando
crescemos. Seus modos de culto, preceitos, rituais são aprendidos como qualquer outra coisa
que seja cultural em nossas vidas. Vamos traçar um paralelo com a religião praticada pela
maioria dos brasileiros: a católica. Uma criança é apresentada pelos pais a sua fé e igreja no ato
do batismo, mas ainda não é um membro ativo da mesma. Quando tem por volta de 8 ou 9 anos
ela aprende catecismo, ou seja, é treinada nos costumes, rituais e práticas dessa religião e se
torna um membro ativo no culto quando toma sua primeira comunhão.
Antes que alguém diga algo isso não tem nada a ver com religiões patriarcais - em todas as
culturas da Deusa as sacerdotisas passavam por períodos de aprendizado.
Não há outro modo de alguém ser desta ou daquela religião.
Olha, falando bem claramente, esse tipo de papo de "bruxa só é quem nasce bruxa", só pode ter
duas intenções:
- "glamourizar" a bruxaria, dar a ela um charme especial, dizendo que é uma prática de "poucos
escolhidos", o que valoriza a posição "privilegiada" da pessoa que a emite e dá a esta a sensação
de poder de DISCRIMINAR, ou seja, essa pessoa quer se dar ao direito de dizer batendo seu
carimbinho : "esta é bruxa" , "esta não é bruxa"....
- essa pessoa não tem paciência, nem saco, nem o dom de ensinar alguém ou compartilhar seus
conhecimentos e inventou um belo meio de excluir as pessoas que a procuram. Lindo né? Ou
seja: por hipótese, um músico aprendiz procura alguém mais experiente em dado setor e pede
conselhos, ajuda, orientação. Daí a pessoa, de saco cheio e com má vontade fala:" Ihhhhhhhhh
nem dá para te ajudar, porque você nasce ou não nasce sabendo tocar violão!" Bem, o absurdo é
claro e patente.
E dá na mesma, porque se podem ensinar todas as técnicas de violão para alguém e ele
absolutamente não ter nada a ver com aquilo e nunca mais dedilhar as cordas... Se vc aprende
sobre bruxaria e não sente o chamado, vai partir em sua busca espiritual para outros caminhos....
e esquecer a bruxaria, mas por um ato de julgamento e vontade, não por não ter heranças de
nascimento!
A única hipótese de essa afirmação de que alguém, "já nasceu bruxa" ser levada a sério é se ela
for entendida de forma metafórica, ou seja, se quer significar que a pessoa se sente conectada à
natureza, se tem dons que a aproximam da bruxaria, se tem um interesse e um chamado natural
pelo tema. Mas esta afirmação jamais pode servir para , utilitariamente, afastar pessoas da
bruxaria.
E ficamos preocupados quando vemos pessoas começarem a julgar outras por esses padrões
deturpados, mais ainda quando vemos iniciantes preocupados com uma questão dessas, quando
deviam estar preocupados em saber se QUEREM ou não ser bruxos, não se vovó fulana ou tia
fulaninha fazia ou não chazinhos e xarope de eucalipto ( como se só isso revelasse uma bruxa!)
Dizemos e repitimos sem o menor medo de errar: É BRUXA/O QUEM QUISER

ADOTAR A BRUXARIA COMO RELIGIÃO, ou seja, pode ser qualquer pessoa.


É BRUXA QUEM SINCERAMENTE ESTIVER RESPONDENDO AO CHAMADO DA
DEUSA E SEU CONSORTE
É BRUXA QUEM QUISER, DE CORAÇÃO ABERTO E SEM LIMITAÇÕES MENTAIS E
ESPIRITUAIS, COLOCAR-SE A SERVIÇO DA DEUSA TRÍPLICE

Como se tornar bruxa ou bruxo.


É muito comum as pessoas me perguntarem como se tornar bruxa ou bruxo. Há as mais
diferentes expectativas incluídas nessa pergunta, mas em geral, se pode dizer que as pessoas
estejam querendo informações sobre a prática da bruxaria.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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É preciso desde o início de esclarecer que não basta alguém se filiar a um grupo para entrar na
bruxaria. Aliás, no mais das vezes, o início do caminho é sempre solitário. Não busque mestres
ou líderes, primeiro saiba o que é a bruxaria wicca e descubra se é dessa maneira que você deseja
viver. Lembre-se, também que a wicca não é uma religião convencional, ou seja, ela não tem
sacerdotes e seguidores (como uma igreja católica com padres e fiéis, por exemplo). A wicca é
uma religião iniciática, o que significa que só é wiccaniano quem, após um tempo de preparo,
resolve assumir o sacerdócio da Deusa Tríplice e seu Consorte.

Fazemos aqui um parênteses para esclarecer que tudo for dito aqui se refere à bruxaria wicca,
chamada de bruxaria moderna, ressurgida na Inglaterra no início de século XX. Essa explicação
se faz necessária para que não haja confusão com muitas outras práticas que as pessoas também
chamam de bruxaria. A palavra bruxa/o, na linguagem comum, tem mil significados. Aqui essa
palavra é encarada como a pessoa que se dedica à prática da wicca, que é uma religião pagã, cujo
maior valor é a vida e que busca o equilíbrio e aperfeiçoamento contínuo de seus participantes,
visando sua integração cada vez maior à natureza.
Wicca é uma religião e, como tal, pode ser aprendida e adotada por qualquer pessoa que com ela
se sinta sintonizado. É muito comum ouvir argumentos de que só uma pessoa com
"hereditariedade de bruxos" poderia se dedicar à bruxaria. Na wicca isso é pura tolice. Os Deuses
Antigos não escolhem suas sacerdotisas e sacerdotes por olharem seu pedigree ou sua árvore
genealógica...para ingressar na Wicca só há um requisito: que você deseje se tornar sacerdotisa
ou sacerdote da Deusa e seu Consorte.
Também se escuta com frequência que somente mulheres podem se dedicar à prática da bruxaria.
Isso não é verdade. A wicca é uma religião aberta a homens e mulheres, embora haja grupos que
prefiram trabalhar com apenas um dos sexos. Como a liberdade entre nós quanto à forma de se
organizar é absoluta, cada um deve buscar o que lhe convém.
Ingressar na prática da bruxaria significa querer irmanar-se com a natureza, começar um
caminho mágico de percepção diferenciada do universo, com uma profunda sensação de
integração e integridade. Significa responsabilizar-se por sua vida e seus atos, reconhecendo que
tudo o que você vive é produto de suas escolhas.
Um outro questionamento frequente sobre ser brux@ é feito pelas pessoas da seguinte maneira:
"Você é uma bruxa do bem? Ou do mal?". Essa pergunta é fruto de um modo de pensar que
caracteriza o mundo ocidental, profundamente arraigado nas mentes criadas na civilização
judaico-cristã, e que se chama maniqueismo. Por essa visão do mundo, há sempre dualidades que
se opõem: deus e diabo, bem e mal, preto e branco, luz e trevas, nós - os salvos, os escolhidos e
os outros- os errados, os maus.
Os pagãos em geral ( entre os quais se encontram @s brux@s)- pessoas que praticam uma
espiritualidade ligada aos antigos povos pré-cristãos, as chamadas Religiões da Terra, não vivem
de acordo com padrões de julgamento maniqueistas. Não cremos em bem oposto a mal, muito
menos na existência de algum inimigo poderoso e concorrente da Divindade (ou seja, não
acreditamos que exista um demônio ou coisa semelhante). Cremos que tudo que há no universo
contem em si o Todo, ou seja, aquilo que chamamos de bem ou mal é apenas fruto de nossa
experiência subjetiva. Muito bem isso é expresso em um pensamento de Richard Bach:

" O que a lagarta chama de Fim de Mundo o mestre chama de Borboleta".

Logicamente reconhecer que não exista nada completamente bom, nem mal, ou ainda reconhecer
que o universo e a magia não são brancos, nem negros, mas têm uma infinidade de tons de cinza,
não implica se poder dizer que as bruxas e bruxos pratiquem o mal ou não sigam um código de
conduta.

Vejamos: As brux@s wiccanianas praticam uma religião em que o valor maior é a Vida.
Também crêem que a Deusa criou o Universo ligando todos os seres e todas as coisas formando

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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a Grande Teia da existência. Essa teia une todos os seres, assim, o que cada um faz afeta o Todo.
Creio que é bem fácil compreender porque nossa religião dispensa mandamentos, promessas de
recompensas ou castigos para que as pessoas não cometam más ações... Só estamos sujeitos a um
mandamento chamado Wiccan Rede ou a Lei (ou Dogma) da Arte: "Faze o que quiseres se a
ninguém prejudicares".
Não há na visão de mundo de um@ brux@ a possibilidade de acreditar-se joguete entre seres
poderosos bons e maus, nem deuses e demônios. Wicca é um caminho de reconhecimento e
desenvolvimento do poder pessoal - não poder sobre os outros, mas poder de se conhecer,
determinar sua vida e desenvolver ao máximo os dons com que você foi dotado pelos Deuses. O
Universo não é uma história de mocinhos e bandidos, defensores do bem contra defensores do
mal. O universo é o Todo, o Todo é a Deusa Primordial , cujo corpo sagrado é formado por tudo
o que existe. Por essa foram de ver o mundo um@ wicanian@ não mata alguém, por exemplo,
não porque estaria descumprindo um mandamento, mas sim porque reconhece que o desrespeito
à vida afeta a el@ mesm@ porque abala a Grande Teia.
Saber que para um@ brux@ tudo o que existe é sagrado dá uma dimensão de como a vida se
transforma quando resolvemos seguir o caminho da bruxaria, ou a Arte, como dizem alguns. Não
há mudança de comportamento, ninguém dita regras. Suas escolhas, desde que feitas de acordo
com a lei da Arte, são questões exclusivamente pessoais. Você encontrará brux@s que são
vegetarianas e que comem carne, bruxas que se vestem de preto e as que não gostam dessa cor,
brux@s que são fumantes ou não, brux@s que se abstém de álcool e as que adoram um drink na
happy hour, etc...
Se há tantas diferenças entre as pessoas que praticam a bruxaria wicca, o que é ser brux@? Ser
brux@ é viver como brux@ , isso significando viver de acordo com os eternos ciclos da
natureza, celebrando as mudanças e os ritmos da Lua e do Sol e reconhecendo nesses ciclos
eternos os Deuses Antigos.

E como alguém adota a wicca como sua religião?

Na verdade , é muito simples:

você tem o interesse;


se informa a respeito - isso é o que a maioria das pessoas fala, que se deve estudar muito
conhece as bases da religião e DECIDE:

Você está pronto para cultuar a Deusa e seu Consorte, mudando sua religião?
Você está pronto para transformar sua visão de vida completamente, percebendo o que
significa ser parte da criação como um pedaço do corpo sagrado da Deusa?
Você está pronto a assumir que é o único responsável por tudo o que ocorre na sua vida
e que seus atos influenciam todos os seres que se interligam na teia cósmica da criação?
Você está pronto a viver sua vida inteira - não apenas os atos ritualísticos - de forma
mágica, ou seja, sabendo que a sua vontade é capaz de moldar a realidade e seus atos
geram consequências com as quais tem de arcar?
Você está pronto a ver a natureza e todos os seres como seus irmãos, inclusive pessoas
que ajam diferente em termos de crenças, opções, opiniões, atos? Você está pronto a
aceitar as diferenças dos outros e conviver na diversidade, que é reflexo da própria
multiplicidade da Deusa?
Você aceita o compromisso de agir como um Filho da Terra e reconhecer sua
sacralidade, assumindo sua porção de trabalho no processo de cura do planeta , da
humanidade e no seu próprio equilíbrio interior?

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Talvez estas perguntas pareçam complicadas para vocês... Se tornar bruxa é como se apaixonar!
É fruto de uma mudança interna, um processo de se entrar em compasso com o bater do coração
da Terra e reconhecer que ele é o pulsar do coração do grande Sol do centro do universo.

Praticar os rituais é uma decisão muito simples se você passar por todas essas decisões. Você
aprende o método e as formas dos rituais, como qualquer religião. Mas seus atos ritualísticos
serão vazios e desprovidos de poder se não colocar neles toda sua paixão, intenção, energia e
vontade! Se já passou pelas fases do SABER- adquirindo conhecimentos - e do QUERER
(tomou as decisões acima)- agora é hora de OUSAR. E ousar é PRATICAR, erguer seu Athame,
apontar as direções e invocar os elementos, abrir seu círculo e chamar Deusa e o Deus para os
fins que você quiser - afinal esta é a religião do perfeito amor da perfeita liberdade (lembrando-
se sempre do dogma da Arte!!!).

Começar a praticar é uma decisão só sua. Seguir o Caminho vem por si só...Foi o que todos nós
fizemos, nós que aprendemos nos livros, mas descobrimos na alma o amor que nos levou à Arte.
Alma essa que também é parte da Deusa, pois ela é a "anima mundi", a alma do mundo.

Se depois de tudo isso você ainda tiver dúvidas sobre se deve ou não se tornar brux@, responda:

Você ouviu o chamado da Senhora?

Ela canta sua Canção sagrada em tudo o que existe, sussurra na brisa nas folhagens, grita nos
relâmpagos, ruge nos vulcões. Ela geme em cada grito de dor, se faz ouvir no choro do recém
nascido e do moribundo, na altivez do leão e nas patas da gazela. Ela chora nas queimadas da
amazônia, é ferida nas guerras, se encontra na fome e na satisfação da fome. Ela é vida e é
morte. É a terra com seus frutos abundantes e a Ceifeira que traz a morte e a putrefação, de
onde a vida torna a brotar....

Ela canta sua canção mais bela quando a Lua enche nos céus .. é a Senhora das águas que
correm, trazendo vida ao planeta... sua música é a complexa sinfonia sem fim das vastidões das
galáxias e suas notas mais brilhantes são cada uma das estrelas.

Se você ouviu algum dia tudo isso, não há lugar no universo onde você possa se esconder do
chamado da Deusa e nessa hora, se você simplesmente responder ao chamado e escolher o
Antigo Caminho, será uma brux@.

Seja bem vind@! Blessed be!

Wicca é a religião não dogmática.


O que é Wicca? Não vamos nos perder em considerações vagas sobre "há mil wiccas diferentes",
"essa é a sua versão de wicca, etc". Existe algo que é praticado por mais de doze milhões de
pessoas no mundo que se chama Wicca e ela tem algum conteúdo para podermos defini-la,
concordam? É muito simples, falemos da wicca em geral, o que alguém tem que fazer para poder
dizer "Eu sou um wiccaniano" ( independentemente de tradições, formalismos, etc). Quem
pratica wicca:

1. Cultua a Deusa Tríplice e seu Consorte, vendo na natureza e seus ciclos sua essência e
respeitando a vida como valor máximo;
2. Adere ao dogma da Arte (faça o que quiseres se a ninguém prejudicar);

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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3. Submete-se à Lei Triplice;
4. Sabe que só é wiccaniano quem é iniciado - ou seja, a prática é iniciática. Não há leigos
na wicca. Só há gente que já é iniciado ou está se preparando para uma iniciação.

Bem, e quem é um wiccaniano?Uma sacerdotisa ou um sacerdote da Deusa e do Deus.


Se a Wicca é algo iniciático e essa iniciação cria SACERDÓCIO (e não existe ninguém que
afirme o contrário) como pode deixar a wicca de ser uma religião? Na wicca não há Igreja, no
sentido de órgão politico-religioso, como organização e sede central, mas isso não tira dela o
conteúdo de religião, que é, modernamente, um conjunto de crenças, cultos, dogmas e rituais no
intuito de ligar o homem a seus Deuses.
Fora das religiões algum outro tipo de associação forma sacerdócio? Obviamente a resposta é
negativa, embora haja correntes minoritárias na wicca que a professem. Alguns defendem a idéia
de que a wicca é apenas um sistema mágico, o que leva à conclusão que uma pessoa pode
praticar wicca e ter outra religião... Essa idéia podia até ter sentido no início da wicca, quando
não se havia ainda estabelecido a Thealogia (estudo da Deusa) que é sua base atual sedimentada
na década de 70 e 80. Mas essa idéia vem perdendo cada vez mais adeptos e certamente se
extinguirá. Que sentido tem alguém dizer "sou um sacerdote da Deusa" mas sou cristão, espírita,
budista, muçulmano?????
Um sacerdote é alguém que é investido pelos deuses que cultua de poderes especiais... Como é
possível pertencer a um movimento iniciático que cultua deuses e ainda querer dizer que ele nada
tem de religião??? O que é religião então??? Se a resposta for que religião é a igreja nos moldes
do patriarcado, pelos Deuses! Está na hora de urgentemente essa pessoa mudar seus conceitos.
Vencida a idéia do ser ou não uma religião, que sempre me parece uma hipótese de há muito
superada pela realidade da wicca no mundo, vamos falar de dogmas.

Falamos que " A wicca é uma religião não dogmática" e depois dizemos que existe um "dogma
da Arte". Isso é uma contradição? Não, isso só revela que a palavra dogma foi empregada em
sentidos diferentes. Quando dizemos que a wicca é uma religião não dogmática estamos falando
do dogma do modo que ele é entendido pelos cristãos. O que é um dogma da igreja católica? É
uma verdade de fé. Uma coisa que não tem qualquer explicação lógica mas que se você for
católico não é autorizado a discordar. Isso não há na wicca, não há verdades de fé.O dogma da
Arte, chamado originariamente de Wiccan Rede, não é uma verdade de fé, é simplesmente uma
regra que não se discute, só se obedece. É uma norma a ser seguida por todo mundo que deseja
ser wiccaniano, não se pode discutir isso. É um contrato de adesão, ou você aceita ou não entra
na wicca, só isso. Perceberam a diferença do sentido da palavra dogma? É uma regra inafastável,
não uma verdade de fé absurda à luz da razão.Há outras regras na wicca que decorrem de sua
natureza e também não podem ser mudadas. Por exemplo: eu não posso querer praticar wicca
desvinculada da natureza, não estarei praticando wicca se fizer sacrifícios de sangue (porque a
wicca é a religião cujo valor máximo é a vida), não deverei entrar na wicca se não creio em
algum tipo de reencarnação (por causa do mito do eterno retorno, que decorre na crença dos
ciclos eternos da natureza), não serei wiccan se não crer nos deuses e entregar minha vida a eles
por amor (que é o sentido da iniciação)...

Não se pode discutir a forma do culto, o que cada um escolhe fazer, desde que esteja de acordo
com o básico acima exposto. E na verdade é tão pouco, não acham? Para chegar às conclusões
expostas acima, temos que declarar que basta alguém olhar o que é a wicca no mundo hoje para
saber que se trata de um simples exercício de raciocínio... Como vivem os wiccanianos? Que
fazem? Quais as semelhanças que podemos observar além dos múltiplos individuais? Nossas
respostas se baseiam nisso. É tão simples... Você entrega sua vida à Deusa e seu Consorte e eles
fazem o Caminho. Há uma liberdade tão ampla dentro do exposto acima e as regras são tão
poucas que nos espantamos com o quanto as pessoas ficam repetindo a história de dogma X
liberdade...

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Rosário da Deusa
A intenção desta atividade é apresentar a vocês um método diferente e prático de contato e
meditação diária com a Deusa. Criar o hábito de meditar aumenta consideravelmente nossa
conexão, facilitando o trabalho mágico e o auto-conhecimento, pelo conhecimento das facetas da
Deusa e de como Ela age em nossas vidas.
Para realizar tal trabalho, é necessário que tenhamos um Rosário da Deusa, feito de contas
coloridas, dispostas de 3 em 3, das seguintes cores: preta, azul, cinza, laranja, amarelo, vermelho,
violeta, anil, verde e branco.
A proposta, após ter o rosário é conhecer cada face da Deusa e construir o Templo Interior.
Visualiza-se um templo, que tem 3 pátios externos, 3 internos e os últimos 3 são os chamados
pátios da sabedoria.

O preto é a cor da Criadora de Tudo. Ela é a origem de tudo o que há, e deve ser vista como uma
grande estrela, um coração de luz de imenso poder, que gerou tudo o que existe. Ela traz a noção
do Todo. Feche os olhos e imagine a imensidão do cosmos, tenha a noção do Espaço. Ela contém
todos os mistérios da Deusa: tempo, espaço e criação.Faça uma lista de palavras cujos atributos
lhe sugiram a palavra "Deusa"; que pontos da sua vida estão mais pressionados? Que impulso
você necessita para conhecer melhor suas possibilidades? Qual é a base da sua vida?

No azul você encontra a Energizadora, que corresponde ao primeiro Pátio externo. Ela é pura
energia sexual e vibração. Ela contém a dádiva da liberdade ilimitada. Ela é ao mesmo tempo
loucura, entrega, embriaguez, energia vital . Seu lema é "tudo em excesso". Ela nos impulsiona
além dos limites auto-impostos e contra tudo o que nos tolhe. Ela é a Senhora da pura alegria
incontida. Seus símbolos são o Arco-íris e o Tambor. Medite: o que o mantém ativo quando a
rotina o sufoca? Que atividades lhe fornecem energia? Que áreas da sua vida precisam ser
energizadas? Como você se transforma ao ser energizado?

No cinza encontra-se a Medidora, que ocupa o segundo pátio externo. Ela mede o fio da vida.
Esta face nos fala de nossos limites, pois a liberdade ilimitada é a destruição do individual. Seus
símbolos são a Roda e a Roca de Fiar. A medidora contém as funções do correr do tempo e da
memória, os ciclos da natureza, as fases da lua. Medite: Quais os limites definidos na sua vida?
Quem fez esses limites? Que áreas da sua vida precisam da Medidora?

Na cor laranja você encontra a Protetora, no terceiro pátio externo. Ela protege os limites que a
Medidora estabeleceu, surgindo para proteger a Criação. Seus símbolos são o Arco e o Escudo.
Seja como guerreira, parteira ou protetora da infância, esta face da Deusa é a que surge da
maternidade e da necessidade de defesa dos filhos. Medite: descreva sua protetora ideal. Liste as
pessoas que o protegeram ao longo da vida. E as que você protegeu. De que forma você precisa
ser protegido? E como oferece proteção aos outros?

No amarelo você penetra no primeiro pátio interno, que é o da Iniciadora. Como diz seu nome,
Ela fornece a possibilidade da iniciação nos mistérios, mas exige uma profunda transformação,
que implica em um verdadeiro renascimento. Seus símbolos são o Caldeirão e a Caverna.
Medite: o que você imagina que se esconde para você atrás da porta dos mistérios? Por quais
iniciações já passou em sua vida? Quais os iniciadores que conheceu, em todos os campos

No vermelho você conhece a Desafiadora, no segundo pátio interno. Ela é a ceifadora implacável
de tudo que não tem função, das estruturas, idéias, crenças, hábitos e pensamentos que não
cabem mais na sua vida. Seus símbolos são a Caveira e o Labirinto do renascimento.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Medite: Quais os desafios que a vida lhe oferece? Você vê os obstáculos como algo a
ultrapassar? Quais os padrões repetitivos que a vida vive jogando em cima de você?

A Libertadora vem a seguir, com a cor violeta e o terceiro pátio interno. Os processos da
Iniciadora e da Desafiadora nunca se concluem sem dor, assim, a Libertadora vem nos livrar da
lembrança dolorosa, nos colocando em seu símbolo, a Crisálida de onde surge uma Mariposa,
bem como nos mostrando o símbolo da Corrente partida, que nos desconecta de nossas
limitações do passado. Ela explora plenamente a natureza do sacrifício (tornar sacro), tornando
todas as coisas sagradas, religando-as a seu objetivo original.

Com o anil entramos no primeiro pátio da sabedoria, o da Tecelã. Este é o reino da Deusa que
tece a teia da vida, quer como a Mulher Aranha, que tece a teia de tudo o que existe e interliga os
seres nela, quer como a bruxa, Senhora da Magia, que molda o mundo. A Tecelã tem por
símbolos a Máscara (porque se apresenta mutável) e a Teia de Aranha. É Ela que fala pelos
oráculos, que ensina o poder da magia e a responsabilidade com o uso deste.
Medite: Para onde você direciona seus poderes criativos? Que máscaras você usa no mundo?
Como usaria seus poderes mágicos? Em que áreas da sua vida você sofre mais decepções
consigo mesmo?

No verde conhecemos o segundo pátio da sabedoria, que pertence à Preservadora. Ela fala dos
modos como nos nutrimos e preservamos nosso lares e nosso fogo interior. Ela é a Senhora dos
Grãos, a Terra verde e plena de frutos, a cornucópia inesgotável, Senhora do fogo das lareiras.
Seus símbolos são um pote cheio de grãos e a fogueira.
Medite: o que mantém sua vida, do ponto de vista físico, mental, criativo, emocional e espiritual?

As contas brancas nos conduzem ao ultimo dos pátios antes de retornarmos ao coração da
Criadora de Tudo. É a sala Daquela que Dá Poderes, cujos símbolos são um espelho e um
cachimbo. Essa face é a da Senhora da Compaixão e aceitação de todos os seres. Ela nos torna
conscientes de nossos dons, fazendo com que aflorem no serviço da Deusa. Ela é a Deusa agindo
no mundo.
Medite: quais são seus tesouros? Que dons você tem e não exercita? De que forma você dá ou
tira poderes de si mesmo?

O Rosário da Deusa é um trabalho rico e depois de se conhecer cada face e construir o templo
interior, se pode realizar uma variedade grande de estudos revendo cada face e conectando-a com
as outras. É um trabalho profundamente transformador, se feito em uma dimensão mágica.

Comunidades Wiccan
Existem várias tradições Wicca, leia com muita atenção, analise, pense, e veja se você se encaixa
em alguma tradição... Wicca não é apenas Wicca...e se ao final deste texto você sentir que é a
wicca o seu caminho mas que você não se encaixa em nenhuma destas tradições, não se
preocupe, quem sabe não é a Deusa e seu Consorte chamando você para uma nova Canção e uma
Nova Dança?

1- GARDNERIAN WICCA
Gerald B. Gardner é o avô de pelo menos quase todos os Neo-Wicca. Foi iniciado por um
Coven de Bruxas numa região da Inglaterra em 1939, por uma Alta Sacerdotisa de Nome
"Old Dorothy" Clutterbuck.

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Em 1949, ele escreveu um romance chamado "High Magic's Aid" - ( Auxílio de Alta
Magia), que tratava de assuntos de Bruxaria Medieval, na qual boa parte da magia era
usada por aquele Coven. Em 1951, a última Lei contra a prática da Bruxaria foi anulada
(primeiramente por causa das pressões dos Espíritas) e Gardner escreveu "Witchcraft
Today" ( Bruxaria Atual), que fala muito dos rituais e tradições daquele Coven.
Gardnerismo é tanto uma tradição como uma família, e a linhagem é uma árvore
genealógica. A Alta Sacerdotisa comanda o Coven, e os princípios de amor e confiança
presidem. O Book of Shadows é seguido mais que em qualquer outra tradição
Wiccaniana, mas as pessoas ficam livres por fazerem adaptações, desde que preservem a
forma original.
Os membros trabalham nus, e são chamados de "esnobes da arte", já que foram os
primeiros na tradição da Arte nos Estados Unidos, e são responsáveis pelo renascimento
da Arte. Porém, são pessoas normais, que também fazem piadas, se divertem e fazem
ótimas festas.
Cada Coven que segue a tradição gardneriana é autônomo, e guiado pela Alta
Sacerdotisa. Ela pode pedir ajuda à sua Rainha ( A Sacerdotisa que a treinou ) para
aconselhá-la a qualquer hora . Isso mantém a linhagem e cria um rio de líderes e
professores experientes e sábios.
A reencarnação e o Conselho da Wicca - ( Sem prejudicar ninguém, realize suas vontades
) - são pontos básicos da tradição. Os Covens são normalmente formados por homens e
mulheres, já que acreditam que os pares homem/mulher provocam um certo balanço. A
maioria dos trabalhos é feito com a energia que interage o Cavalheiro e a Dama,
representados pelos casais do Coven, pela dança, pelo canto, etc...
Como muitas tradições da Wicca, os gardnerianos possuem três graus. Uma gardneriana
deve ser de terceiro grau para que se torne uma Alta Sacerdotisa. A Alta Sacerdotisa e o
Alto Sacerdote são responsáveis por conduzir o círculo, treinar os membros do Coven, e
preservar e passar os ensinamentos da Arte Gardneriana.
Muitas Bruxas gardnerianas sem dúvida possuem materiais que não aparecem escritos,
porém, dão ênfase no segredo, então eles têm sido um grande mistério mesmo no mundo
social da Wicca. Sua Alta Sacerdotisa pode ser chamada de Dama (*****) o nome da
Alta Sacerdotisa, e o Alto Sacerdote pode ser chamado de Cavalheiro ( *****) o nome do
Alto Sacerdote.

2 - ALEXANDRIAN WICCA
A tradição alexandriana é muito próxima da gardneriana, com algumas mudanças ( uma
das principais é que eles usam o Athame como símbolo do Elemento Fogo e a Varinha
Mágica como símbolo do Elemento Ar A maioria dos rituais são muito simples, o que os
deixam em grande débito com a Magia Cerimonial. É também uma tradição polarizada,
onde há ênfase na sexualidade do homem e da mulher. Muitos rituais têm a morte ou a
ressurreição de um Deus ou uma Deusa como tema.
A tradição alexandriana foi criada por Alex Sanders (com sua esposa Maxine Sanders )
que foi iniciado pela sua avó em 1933. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o
nome Alexandrian não se refere à Alex Sanders, e sim à Antiga Alexandria.
Parecida com a tradição gardneriana, essa tradição tende a ser mais eclética e liberal.
Alguns gardnerianos impõe regras severas, como por exemplo ficar nú durante os rituais,
que têm sido apenas uma opção aos praticantes da Alexandrian Wicca.
Mary Nesnick, uma americana iniciada na tradição gardneriana e na alexandriana, achou
uma "nova tradição" chamada Algard. Essa tradição traz junto os ensinamentos da
Gardnerian Wicca e da Alexandrian Wicca. Isso foi possível devido às grandes
similaridades entre as duas tradições.

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3 - DIANIC WICCA
A Arte Dianic, inclui dois caminhos diferentes:
3.1 - Um caminho achado no Texas por Morgan McFarland e Mark Roberts, que dão
prioridade à Deusa em sua teologia, mas honram o Deus Chifrudo o seu amado
consorte. Os Covens são mistos, incluindo tanto homens quanto mulheres. Esse
caminho, é também chamado de "Old Dianic", e ainda há muitos Covens que seguem
essa tradição no Texas.
3.2 - O outro caminho, normalmente chamado de "Bruxaria Feminista Diânica", foca
exclusivamente a Deusa e consiste de Coven formado apenas por mulheres. Isto tende
ter uma estrutura não-hierárquica, e os membros do Coven utilizam-se de decisões
que a fazem simples e criativa. São grupos políticos feministas, normalmente ligadas
entre si emocionalmente. Há uma grande presença de lesbianismo nesse movimento,
porém não acontece em todos os Covens.

4 - IGREJA DA WICCA
A Igreja da Wicca foi fundada por Gavin e Yvonne Frost. Eles oferecem cursos por
correspondência como marca na Wicca. A Igreja da Wicca foi recentemente iniciada,
incluindo uma Deusa que eles reverenciam. A Igreja da Wicca se denomina Igreja de
Batismo da Wicca.
Gavin e Yvonne chamam sua tradição de Wicca-Celta. É como uma mistura de Alta
Magia com Magia Eclética, com um pouco de cultura Celta. Por instante, eles usam três
círculos, um dentro do outro, feito de sal, enxofre e ervas com runas e símbolos entre os
círculos, ao invés de apenas o Círculo. Eles também usam um Athame, com o cabo
branco, e não usam com o cabo preto, enquanto todas as tradições que se têm notícias,
usam o de cabo preto. Algumas pessoas acreditam que a Wicca que eles trabalham não
deve ser chamada de Celta, porém como muitas das coisas que foram colocadas por eles,
são vindas de outras tradições, a tradição seguida por Yvonne de Gavin deveria se chamar
Frostim. Yvinne e Gavin têm sido sempre mais públicos que qualquer outra tradição ( os
cursos aparecem em várias revistas ), e por isso eles têm ganho críticas de vários grupos
da Arte, uma vez que uma das palavras do Bruxo é MANTER SILÊNCIO...

5 - GEORGIAN WICCA
Se tivesse uma palavra para descrever a tradição georgiana, esta seria Eclética. Mesmo
que o material dos estudantes tenham vindo da tradição alexandriana, eles não seguem o
caminho à risca. George Patterson - ( o fundador da tradição ) - sempre diz: - "Se
funcionar use, se não funcionar, não use". As pessoas crêem que a tradição georgiana
tende a ser muito superficial, já que não seguem apenas uma tradição. É claro que há, por
exemplo, muitos tipos de rituais de iniciação, mas os membros da Arte sempre darão uma
vantagem para a tradição que eles seguem, seja Dianic, Gardnerian, Alexandrian, etc...

6 - DISCORDIANISM ( ERISIAN )
O movimento erisiano é descrito como "Desorganização Irreligiosa não-profética". Tudo
começou com o princípio da Discórdia, ou Como Eu Achei a Deusa, e o que fiz quando
eu a encontrei. O tema central é "O Chaos é mais importante que a ordem"., assim
ilustrando a História da Maldição de Greyface. Humor é uma característica do
movimento erisiano, mas não devemos levar isso como uma brincadeira. Profundas
experiências têm acompanhado a prática erisiana. É um jogo relativo a percepção, onde
demonstra que o absurdo é tão válido como o mundano, e o chaos, ou ambos. Os efeitos
do movimento erisiano sobre um indivíduo pode dar medo; totalmente liberal. Mesmo
assim, muitas pessoas imaturas tentam jogar com o jogo erisiano, achando que vão obter
algum crescimento espiritual.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Lei de Thelema
Faze o que tu queres há de ser toda a Lei
O princípio Thelemico está dedicado aos altos propósitos de segurança da Liberdade do
Indivíduo e de seu crescimento em Luz, Sabedoria, Compreensão, Conhecimento e Poder;
mediante Beleza, Coragem e Sapiência;
A lei de Thelema está encravada no Livro da Lei, recebido por Aleister Crowley em 1904, e com
este, uma mensagem de revolução do pensamento humano, da cultura e religião baseados no
simples axioma: "Faze o que tu queres há de ser toda a Lei - Amor é a lei, amor sob vontade".
Essa Lei, resumida na palavra Thelema, não é para ser interpretada como uma licença para
satisfazer cada capricho vivido, porém antes um mandato a descobrir a sua única e Verdadeira
Vontade e persegui-la; deixando outros fazerem o mesmo em seus únicos e próprios e caminhos.
"Todo homem e toda mulher é uma estrela".

Amor é a lei, amor sob vontade.


Paz, Tolerância, Verdade;
Saudações em Todos os Pontos do Triângulo;
Com Respeito à Ordem.

A Quem Interessar possa.


Thelema ("Télêma") é uma palavra Grega que significa "vontade" ou "intenção". Ela é também o
nome da nova filosofia espiritual que foi erguida à quase cem anos e está agora tornando-se
gradualmente estabilizada ao redor do mundo.
Uma das primeiras menções a esta filosofia ocorre no clássico Gargantua e Pantagruel escritos
por Francois Rabelais em 1532. Um episódio desta aventura épica conta-nos da fundação da
"Abadia de Thelema" como uma instituição para o cultivo das virtudes humanas, que Rabelais
identificou como sendo por completa oposta às prevalecentes propriedades Cristãs do momento.
A única regra da Abadia de Thelema era: "Faze o que tu queres há de ser toda a Lei". Essa tem
sido uma das crenças básicas da filosofia Thelemica hoje.
Embora tocada sobre vários proeminentes e visionários pensadores nos cem anos seguintes, a
semente de Thelema plantada por Rabelais eventualmente veio a dar frutos na primeira parte
deste século, quando desenvolvida por um inglês chamado Aleister Crowley. Crowley foi um
poeta, autor de vários livros, montanhista, magista e membro de uma sociedade oculta conhecida
como Ordem Hermética da Aurora Dourada (Hermetic Order of Golden Dawn). Em 1904,
enquanto viajava pelo Egito, com sua esposa Rose Kelly, Crowley tornou-se inexplicavelmente
envolvido em uma série de eventos no qual ele clama inaugurar um novo aeon da evolução da
humanidade. Esses fatos culminaram em Abril, quando Crowley entrou em um estado de transe e
escreveu os três capítulos de 220 versos que veio a ser chamado O Livro da Lei (também
conhecido como Liber AL e Liber Legis). Entre outras coisas, esse livro declarou: "A palavra da
Lei é Thelema" e "Faze o que tu queres há de ser toda a Lei".
Crowley gastou o resto de sua vida desenvolvendo a filosofia de Thelema, tal como revelado
pelo Livro da Lei. O resultado foi uma volumosa produção de comentários e trabalhos
relacionados à magick, misticismo, yoga, qabalah e outros assuntos ocultistas. Virtualmente
todos esses escritos levaram a influência de Thelema, tal como interpretada e entendida por
Crowley em sua capacidade como profeta do Novo Aeon.
Uma teoria defende que cada capítulo do Livro da Lei está associado, em particular, com um
aeon da evolução espiritual da humanidade. De acordo com isto, o Capítulo Um caracteriza o
Aeon de Ísis, quando o arquétipo da divindade feminina era eminente. O Capítulo Dois relata o
Aeon de Osíris, quando o arquétipo do deus morto tornou-se proeminente, e as palavras da
religiões patriarcais foram estabelecidas. O Capítulo Três proclama o alvorecer de um novo
aeon, o Aeon de Hórus, a criança de Ísis e Osíris. É neste novo aeon que a filosofia de Thelema

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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será completamente desvelada à humanidade, e será estabelecida como o primeiro paradigma
para a evolução espiritual das espécies.
Alguns desses elementos essenciais da crença em Thelema são:

"Todo homem e toda mulher é uma estrela."


O significado disto geralmente é tomado que cada um indivíduo é único e têm seus próprios
caminhos em um universo espaçoso, onde eles podem mover-se livremente sem colisão.

"Faze o que tu queres há ser toda a Lei." e "tu não tens direito senão faze o que tu queres."
Muitos Thelemitas esperam que toda pessoa possua uma Verdadeira Vontade, uma simples
motivação abrangente por suas existências. A Lei de Thelema determina que cada pessoa siga
sua Verdadeira Vontade para alcançar satisfação na vida e liberdade das restrições da suas
naturezas. Pois duas Verdadeiras Vontades não podem estar em real conflito (de acordo com
"Todo homem e toda mulher é uma estrela"), essa Lei também proíbe alguém de interferir na
Verdadeira Vontade de qualquer outra pessoa.
A noção de absoluta liberdade para um indivíduo seguir sua Verdadeira Vontade é uma das
nutridas entre os Thelemitas. Essa filosofia também reconhece que a principal tarefa de um
indivíduo que inicia o caminho de Thelema, é primeiro descobrir sua Verdadeira Vontade,
através de métodos de auto-exploração tal como a magick. Além disso, toda Verdadeira Vontade
é diferente, e por isso cada pessoa tem um único ponto de vista do universo, ninguém pode
determinar a Verdadeira Vontade para outra pessoa. Cada pessoa deve chegar a descobrir por
elas próprias.
É claro, com a ênfase sobre a liberdade e individualidade inerente em Thelema, as crenças de
qualquer dado Thelemita são provavelmente para diferenciar daqueles de qualquer outro. No
Comento anexado ao Livro da Lei é estabelecido que: "Todas as questões do Livro da Lei devem
ser decididas apenas por apelo aos meus escritos, cada qual por si mesmo." Nisso, Thelema mal
pode ser classificada como um "religião", uma vez que ele engloba uma vasta área de crenças,
desde ateísmo ao politeísmo. O importante é que cada pessoa tem o direito de completar-se
através de quaisquer credo e ações que são melhor adequados para eles (desde que eles não
interfiram na vontade de outros), e somente eles mesmos estão qualificados para determinar
quais são.

ALEISTER CROWLEY

“Nascí em Stratford-on-A von. É uma estranha coincidência que um lugar tão pequeno tenha
dado ao mundo seus dois maiores poetas - já que não se pode esquecer Shakespeare."
A forma de Aleister Crowley começar sua autobiografia já é capaz de dar uma idéia daquele que
mais tarde viria a ser conhecido como "A Grande Besta do Apocalipse", e responsável pelas
grandes inovações na prática mágica do século vinte. Nascido em 1875 com o nome de Edward
Alexander, Crowley descendia de uma família de classe média inglesa, com pai e mãe de
formação presbiteriana, responsável em grande parte pela revolta e indignação do filho desde os
primórdios de sua vida. "Minha vida sexual logo se mostrou muito intensa, mas eu tinha
aprendido que o sexo era um desafio à prática cristã era degradação e danação", diz ele nas
Confissões.
No começo de sua adolescência, Edward Crowley - que trocaria seu primeiro nome para
Aleister, por razões mágicas - foi enviado para uma escola sustentada pela comunidade religiosa
de seus pais. Ali, leu pela primeira vez o livro Cabala Revelada, do escocês McGregor Mathers,
que na época chefiava uma sociedade secreta conhecida como Golden Dawn. Crowley

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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apaixonou-se logo pelo livro, principalmente pela incapacidade de compreender o que estava
escrito, e a partir desta época os gostos e tendências do jovem estudante começaram a mudar:
Edward Waite, Eliphas Levi e outros famosos ocultistas do século 19 passaram a ser sua leitura
preferida. Para fechar o circulo, durante uma aula de química Crowley é apresentado a Sir Cecil
Jones, um alquimista, que termina apresentando formalmente o pedido de inscrição de Crowley
na Golden Dawn. Com a força de vontade que iria lhe acompanhar pelo resto da vida, ele
começa a dedicar-se exclusivamente ao estudo das artes mágicas, fazendo o possível para galgar
no menor espaço de tempo os dez graus de iniciação da sociedade secreta.
Tudo indica que Aleister Crowley já nasceu um mago. Talvez tenha sido uma explosão de fogos
de artifício que quase o matou, quando tinha 14 anos, talvez fosse mesmo reação ao ambiente
familiar (como querem os estudiosos de sua vida), o fato é que Crowley possuia faculdades
extremamente despertas. Seu senso de direção era mais desenvolvido do que o da maioria das
pessoas, e sua capacidade de persistência e concentração deixava a todos boquiabertos. Nas
aplicações mundanas de suas faculdades - montanhismo e xadrez - ele sempre era considerado
um adversário de respeito, mesmo pelos mestres destes dois esportes. E foi com esta persistência
e obstinação que Crowley começou a subir hierarquicamente dentro da Golden Dawn.
Seu primeiro grande questionamento a respeito das artes mágicas foi o de relacionar os
fenômenos esotéricos com os desejos que movem o ser humano: poder, liberdade, conhecimento.
"Eu logo aprendi que as condições físicas de um fenômeno mágico eram semelhantes as de
qualquer outro fenômeno. Quando se chega a esta conclusão, o sucesso fica dependendo apenas
da habilidade de despertar em si mesmo o gênio criativo. O principal mal-entendido da magia
reside no fato de que os vários elementos da operação tais como manifestações espirituais,
nomes mágicos, segredos, armas e roupas - acabam por esconder o verdadeiro objetivo da magia,
e terminam iludindo o próprio mágico", diz ele, afirmando que a maioria dos magos acaba por
esquecer a razão que os levou à magia.
Desta maneira, Crowley achava - com toda razão - que os processos conscientes são sempre
intencionais nos seres humanos; o homem não é, de maneira nenhuma, uma criatura passiva num
universo ativo. Ele pode transformar a realidade em sua volta, desde que não se iluda nem com
seu poder, nem com a nova realidade que irá criar. Por causa desta crença, a primeira atitude sua
é questionar e reformular uma série de rituais da Golden Dawn. Sob o nome de Conde Wladmir
Svareff
- um de seus grandes sonhos era pertencer à aristocracia -, ele aluga um apartamento em Londres
e começa a sua guerra dentro da sociedade secreta. Para aumentar mais ainda seu prestígio, vai
até a Escócia e proclama a todos que irá realizar a Magia de Abramelin).
Crowley, entretanto, jamais realizaria esta operação, já que a sua prática requer um certo
isolamento e ele não era capaz de permitir-se a isto. Conta-se que, durante sua permanência na
Escócia, a casa onde trabalhava conseguia ficar tão escura que Crowley tinha que acender as
luzes para ler, apesar de ser pleno dia e o sol brilhar intensamente lá fora. Seu caseiro acabou
ficando louco e foi acusado de tentar matar a própria mulher . Diante de certas pressões do lugar,
Crowley abandonou a Escócia, brigou com o poeta inglês Yeats (que a esta altura também
trilhava o caminho das artes mágicas) e foi para o México, onde dedicou a maior parte do seu
tempo tentando fazer com que sua imagem desaparecesse do espelho.
A tarefa de dissipar a própria imagem pode parecer bastante infantil; entretanto, os escritos de
Crowley desta época deixam bastante clara sua tentativa de descobrir novos horizontes para a
aplicação da vontade. E como a vontade não opera no vácuo, era necessário um roteiro, um
ritual, um drama, um propósito. "Para Aleister Crowley, a Grande Besta do Apocalipse, a magia
é muito mais uma arte que uma ciência", afirma Chris Ottis.
Baseado nisto, Aleister Crowley resolve lançar mão de tudo que consiga enriquecer
criativamente a realidade que o cerca. Encontra uma prostituta nas ruas da Cidade do México e
faz dela imediatamente sua Grande Prostituta da Babilônia. Credita a si mesmo o título de "A
Grande Besta do Apocalipse” e publica vários livros. Encontra-se com Allan Bennet, que lhe
ensina a prática da ioga e o introduz no misticismo oriental. Mais tarde, Crowley afirmaria que

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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viu Bennet flutuando no ar, de pernas cruzadas, durante uma de suas meditações.
Mas o México parece ser pouco para as incríveis pretensões da Besta: de volta a Paris, conta para
Mathers suas experiências com ioga, sendo friamente recebido pela comunidade mágica da
Europa - que parece desinteressada em qualquer novidade fora de suas bases ortodoxas,
enquanto se preocupava com a notoriedade que Crowley estava ganhando. A esta altura, ele já é
uma pessoa conhecida sendo personagem de um livro de Somerset Maugham, The Magicían.
Procurando aumentar ainda mais esta popularidade, escreve uma carta à prefeitura da
cidadezinha onde mora, reclamando a ausência de um prostíbulo nas suas redondezas. A carta
ganha espaço em numerosos jornais, e o carisma de Crowley cresce.
A partir desta época, o que a Grande Besta chama de "magia sexual" começa a ganhar espaço na
sua vida. Correm rumores de amplas orgias nos vários endereços onde Crowley se instala. Ele
mesmo casa-se com Rose, cunhada de Sir George Kelly - um famoso pintor que tinha se
seduzido pelas artes mágicas - e propõe à sua nova esposa um casamento aberto, com ela
podendo ter relações com quaisquer admiradores. No livro A History of Orgies (Hearst
Corporation, 1960), Burgo Partridge fala de festas patrocinadas pela Grande Besta, onde "as
mulheres, normalmente aristocratas, entravam no salão sob o disfarce de máscaras ou pinturas
faciais. A partir daí, orgias indescritíveis começavam a acontecer." A realidade deve ter sido bem
diferente e bem mais simples; entretanto, o próprio Aleister Crowley alimentava as fantasias em
torno de sua pessoa, para conseguir - como conseguiu - uma divulgação mais ampla de suas
atividades e de seu trabalho.
O duelo dos grandes magos Rose vem mudar por completo a vida da Grande Besta quando, no
Museu do Cairo, sente-se inspirada e aponta para a estátua de Ra-Hoor-Khuit, um dos nomes do
deus Hórus, e que tem no catálogo do museu o número 666. Rose começa a instruí-lo sobre
como invocar Hórus, através de um ritual que ele próprio não acredita, mas que termina sendo
coroado de sucesso. O resultado é a conversa com seu Anjo Guardião, e a psicografia do Livro
da Lei, ditado por Aiwass.
O Livro da Lei é talvez o trabalho mais importante de Aleister Crowley. Resumo de vários
conceitos sociais, religiosos e até mesmo políticos, em suas páginas se propõe a responder a uma
série de perguntas para as quais a humanidade não conseguiu encontrar uma solução. O próprio
Crowley afirma não entender grande parte do que lhe foi ditado, mas considera-o como o mais
importante momento de sua vida, e se propõe a estudá-lo. A principal proposta da obra está na
frase "Faça o que você quiser" (Do what Thy will),sugerindo uma nova era de liberdade aos
conceitos humanos. Nas sociedades esotéricas derivadas ou associadas à filosofia crowleyana, o
Livro da Lei é considerado a obra máxima do conhecimento.
De volta a Paris, Crowlev procura afastar Mathers do seu caminho, proclamando-se o Grande
Mago da Golden Dawn. Mathers promete enviar fortes correntes mágicas contra o Grande Mago,
e três cães de Crowley aparecem mortos. Este, por sua vez, clama haver invocado 49 demônios
que arrasarão com Mathers, mas o duelo de magos termina apenas enfraquecendo politicamente
a Golden Dawn. Crowley então funda sua própria sociedade secreta, a Silver Star ou A:. A:.
passando a publicar o jornal Equinócio dos Deuses (que sai duas vezes por ano, no equinócio e
no solstício), e revela os livros secretos da Golden Dawn. Desta forma, democratiza o
conhecimento da magia, colocando seus segredos ao alcance de todos.
Mas a Grande Besta ainda não está satisfeita com sua notoriedade, e procura ampliá-la ainda
mais através de golpes de marketing que fariam inveja aos comunicadores de hoje. Publica um
trabalho sobre sua obra, assinando como F. C. Füller, um general inglês; oferece, como se fosse
uma instituição, um prémio de 100 libras para o melhor ensaio a respeito daquilo que escreveu. E
com isto consegue despertar o interesse da intelectualidade européia.
Em 1910, Aleister Crowley é iniciado no uso da mescalina e da heroína, criando uma série de
sete ritos - Os Ritos de Elêusis - para utilizar a droga como forma de se obter o êxtase religioso .
As pessoas que conheceram a Grande Besta nesta época são unânimes em afirmar que a
quantidade de heroína que ele consumia (11 gramas por dia) seria capaz de matar em
pouquíssimo tempo qualquer ser vivo.

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Crowlev, entretanto, parece dotado de superpoderes, já que, além da extraordinária tolerância à
droga, continua praticando o alpinismo. Ë desta época o relato de Showell Styles, no livro On
The Top ofthe World: "O desafio era o monte Kanchenjunga, que deveria ser escalada pela
primeira vez por cinco alpinistas - três suíços, um italiano e um inglês chamado Aleister
Crowley. Crowley, que tinha sido escolhido para líder da expedição, era talvez o mais
extraordinário praticante do alpinismo mundial. Quando atingiram os 20.400 pés, no campo VII,
os suíços convocaram uma conferência para destituir Crowley das funções de liderança, já que
este era exageradamente cruel com os guias locais. Crowley não aceitou a idéia, e a expedição
resolveu retornar, exceto pela Grande Besta, que continuou a escalada.
Na descida, os suíços foram pegos por uma avalanche que matou quase toda a expedição.
Crowley, subindo, ouviu os gritos de socorro, mas recusou-se a ajudar quem quer que fosse.
Mais tarde escreveria para um amigo seu, dizendo: "Acidentes em montanhas são muito
desagradáveis: eu prefiro ficar longe deles".
Os poderes de Aleister Crowley também pareciam trabalhar a seu favor. Entre as muitas histórias
narradas a seu respeito, conta-se que num assalto, em Calcutá, ele conseguiu ficar invisível
diante dos ladrões.
Durante a Primeira Guerra Mundial, a Grande Besta vai para Nova York, onde cria uma pequena
comunidade mágica em Greenwich Village. Sua força de vontade continua imensa - era capaz de
comer e beber durante dias, para depois jejuar até que seu peso voltasse ao normal. Um escritor
americano, William Seahrook, conta que Crowley irradiava um poder semelhante ao de
Gurdjieff, com quem também tivera a oportunidade de estar. Certa vez, Seabrook pediu a
Crowley uma demonstração de poder. A Grande Besta pegou seu amigo e os dois caminharam
até uma parte relativamente deserta da Quinta Avenida, onde Crowlev passou a seguir de longe
um dos transeuntes, imitando todos os gestos deste. A determinada altura, Crowley agachou-se e
saltou para trás; o sujeito a quem imitava fez a mesma coisa, levando um tombo e estatelando-se
no chão. Seabrook e Crowley foram ajudá-lo a levantar-se, enquanto o atônito pedestre
procurava inutilmente uma casca de banana para responsabilizar sua queda.
Apesar de todos estes poderes, a vida do Grande Mago da Golden Dawn, da Grande Besta do
Apocalipse, ou dos outros vários títulos que Crowley atribuía a si mesmo, parecia estar entrando
numa fase de declínio. Algumas complicações de ordem física fazem com que ele escolha Cefalú
na Sicília, como sua próxima morada. Lá, resolve criar uma experiência social que culminaria
sua obra mágica: a Abadia de Thelema. Criada dentro dos padrões do Livro da Lei, a abadia era
o local onde qualquer expressão da vontade e do desejo eram permitidas. Vários escritores,
atrizes e pessoas ligadas à arte e à cultura convergiram para os domínios de Crowley. Lá
praticavam-se rituais que iam desde as mais simples invocações até a morte de animais e os ritos
de fertilidade. Crowley escreve Diary of a Drug Friend, falando de seus experimentos com
heroína, e as pessoas começam a comentar a respeito de orgias e drogas dentro da Abadia de
Thelema. Uma mulher, Betty May, termina abandonando Cefalù e escrevendo um artigo para o
jornal inglês Sundav Express, onde denuncia cópulas com animais e sacrifícios de sangue.
As autoridades sicilianas, desgostosas, pedem a Crowlev que abandone o local. Daí por diante. o
declínio da Grande Besta é inevitável. Expulso da Sicília, proibido de entrar na França e na
Inglaterra, a Grande Besta é abandonada pelos amigos e aumenta seu consumo de heroína. Vem
a morrer a 5 de dezembro de 1947, com 72 anos, e parecendo "um velho coronel aposentado",
segundo as palavras de Burt Welsh.
À parte seu narcisismo exagerado e uma certa tendência para acreditar em super-raças (que mais
tarde Hitler transformaria em ação), a obra de Crowley deixou uma marca indelével no
pensamento do início do século. Sua própria "perversidade" não passava de um golpe
publicitário, sedutor o suficiente para fazer dele uma figura notória - e a maior parte das pessoas
que o conheceram afirmam que ele poderia ser chamado de um homem frio, mas nunca de um
homem mau. Sua extensíssima obra - tanto em literatura como em artes mágicas - tornou
acessível o conhecimento que antes era privilégio de uma elite, e ampliou a possibilidade de se
chegar ao conhecimento através de outros caminhos, além daqueles que nos são permitidos em

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


175
nossa formação ocidental. Não queremos dizer com isto que seus passos mereçam ser seguidos -
Crowley pertence a uma outra época, e, hoje em dia, determinados exageros que ele cometeu
seriam considerados coisas sem sentido e ultrapassadas. Mas o princípio de sua filosofia, "faça o
que quiseres", é um princípio bem antigo e bastante válido. Cada um o utiliza dentro das suas
próprias possibilidades, e Crowley o utilizou para viver uma vida pelo menos diferente da
maioria das pessoas de sua época. Se ele conseguiu o que queria - e acreditamos que não tenha
conseguido - é irrelevante; seu nome ficará sempre ligado à quebra de tabus, e isto, por si só, já é
uma grande vantagem.
William James diz que um homem pode jogar um jogo durante vários anos, com um alto grau de
técnica, sem que consiga progredir além de determinado estágio. Até que um dia, sem qualquer
aviso, o jogo começa a jogar com o homem, e a partir dali ele não comete mais erros.
Acreditamos que Aleister Crowley não tenha visto este dia, porque se perdeu nas próprias
fantasias que criou; mas não tenham dúvidas de que chegou muito perto.

Crowlerianas
“Mas quanto ouro vocês me darão pelo Segredo das Riquezas Infinitas? Então disse o primeiro e
mais estúpido: Mestre, isso não é nada; mas aqui estão cem mil libras.
Isto eu aceitei condescendente, e sussurrei em sua orelha este segredo:Um otário nasce a cada
minuto."
(Aleister Crowley, O LIVRO DAS MENTIRAS, trad. J. Heyss)

O mundo do rock passou a associar a figura de Aleister ao satanismo após Ozzy Osbourne gravar
uma música intitulada “Mr. Crowley”. Sua casa na Sicília foi comprada por Jimmy Page
guitarrista do Led Zepelin.

Quando em julgamento sob acusação de obscenidade pelos seus livros pornográficos cheios de
tintas sadô-masô e pagãs, ao ouvir do juiz que era um dos piores homens do mundo, respondeu:
"Refuto tal acusação, Meretíssimo. Eu não sou um dos piores homens do mundo. Eu sou O pior
homem do mundo..."
A magia foi renomeada por ele para Magick por força da combinação numérica de suas letras.
"O número 666 chama-se Aleister Crowley"
Esta frase encontra-se na música "Sociedade Alternativa". Aleister Crowley chamava a si mesmo
de A Besta 666. Um sonho de Raul Seixas era publicar em inglês sua obra máxima, a que ele
chamou de "Opus 666" (a capa ele já havia escolhido e teria sido a mesma que saiu no LP "A
Pedra do Gênesis". Neste mesmo LP, ele musicou o Liber Oz e deu o nome de "A Lei").
A referência mais comum ao número 666 está na Bíblia em Apocalipse cap.13 ver. 18, que diz:
"Quem tiver inteligência, calcule o número da Besta, porque é o número de um homem, e
seu número é 666."
Curioso é que se dermos o valor 100 à letra "A", 101 á letra "B", 102 à letra "C" , veremos
combinações interessantes que dão a soma 666: como Hitler ou os Papas que denominam a si
Vigário do Filho de Deus, em latim "VICARIUS FILII DEI". A soma do valor romano das letras
correspondentes ao título é igual a 666 ou seja
VICIVILIIDI
5 1 100 1 5 1 50 1 1 500 1
666 = Papa (pode?)

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Ervas e Signos

"NÃO SE ESQUEÇA DE TOMAR UM CHÁ ANTES DE DORMIR".

O que muitas vezes parece receita de avó pode funcionar de verdade. Algumas ervas possuem
substâncias que ajudam a curar ou aliviar os sintomas de várias doenças físicas e mentais e são
utilizadas até na composição de remédios. De acordo com a astrologia, é possível detectar os
pontos fracos e sensíveis dos 12 signos do zodiaco e a erva ideal, que proporciona equilíbrio e
harmonia para cada um deles.

ÁRIES
É comum o ariano não saber como se controlar - a impulsividade é uma de suas características
mais marcantes. MIL FOLHAS é o nome da erva que atua no sistema nervoso e diminui a
ansiedade. Com ela podem ser feitos chás para beber ou jogar no corpo após o banho

GÊMEOS
Trabalhador incansável, o geminiano expõe-se muito à agitação. Essa inquietude pode se refletir
em problemas de estôbruxo e pele. A HORTELÃ PIMENTA é indicada nos casos de estresse ou
diante dos lapsos de memória. Além de fazer chá, suas folhinhas podem ser mascadas.

TOURO
Aquele que nasce sob o signo de Touro, geralmente, não consegue demonstrar seus sentimentos,
sem valorizar suas idéias com facilidade. Quando a garganta fica presa, travada, a MALVA entra
em ação, aliviando esse incômodo. Ela pode ser usada em chás, banhos ou gargarejos.

CÂNCER
A sensibilidade à flor da pele deixa a pessoa de Câncer vulnerável a ambientes carregados de
energias negativas. A ARTEMISIA usada em banhos e chás pode auxiliá-la nesse sentido, pois
ajuda a superar os medos, a renovar os ânimos e a espantar os maus fluídos.

LEÃO
O exagerado esforço mental, comum na vida de quem nasceu sob o signo de Leão, gera um
cansaço físico muito grande. Nessas horas, é de uma injeção de disposição de que ele precisa. O
ALECRIM - utilizado em banhos e chás - é revigorante e dá um chega para lá na depressão.

LIBRA
Algumas incertezas são suficientes para abalar o sistema nervoso do libriano. Aumentar a auto
confiança e colocar as idéias em ordem é do que necessita para conquistar tudo aquilo que
deseja. A ALFAZEMA - proporciona o equilíbrio e pode ser usada em banhos ou chás.

VIRGEM
A mania de pensar em cada detalhe de tudo o que faz é muito desgastante e prejudicial quando
levada ao extremo. Quem é do signo de Virgem tem que se policiar, com freqüência, para que
isso não aconteça. Um chá de ERVA-DOCE é ótimo para acalmar.

ESCORPIÃO

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Na maioria das vezes, a pessoa regida por Escorpião demora para identificar suas reais vontades,
além de Ter dificuldade para dar o primeiro passo - por isso, sempre acaba tendo de remediar ao
invés de prevenir. A CARQUEJA é uma erva que garante a iniciativa.

SAGITÁRIO
A busca de novos desafios e o excesso de trabalho físico e intelectual são constantes na vida das
pessoas de Sagitário, que muitas vezes sente-se esgotado. Tensão e dores musculares, tornam-se
freqüentes, deixando-o ainda mais abalado. Um banho ou um chá de SÁLVIA combate esse
estresse.

AQUÁRIO
A mente de quem é de Aquário não tem sossego! É difícil desligar-se dos problemas que o
cercam antes de encontrar uma solução. Isso pode levar à insônia, à indigestão ou à falta de
apetite. A MELISSA, além de calmante, ajuda a eliminar vícios físicos e mentais.

CAPRICÓRNIO
A rigidez consigo mesmo e com todo mundo pode levar aquele que nasceu sob o signo de
Capricórnio a viver cheio de bloqueios. É hora de dar um jeito e começar a aproveitar melhor
suas oportunidades. A erva CAVALINHA, em forma de chá ou no banho de imersão, expulsa a
negatividade.

PEIXES
O pisciano é do tipo que vive no mundo dos sonhos. Levar a vida com um pouco de ordem e
disciplina e com os pés no chão é o seu grande desafio. Colocar os pés de molho em água quente
com MANJERICÃO é a dica para manter a mente em sintonia com a realidade do dia-a-dia.

Os textos a seguir são de extrema beleza, embora possam causar estranheza em alguns iniciantes
da Arte, e aqui estão por demonstrarem alguns aspectos importantes para do crescimento de cada
wiccan. “São ficção? São verdades?” Na verdade são importantes fontes de leitura para aqueles
que buscam suas verdades!

O romance da Deusa...
...ou um pequeno conto sobre a criação de tudo o que existe.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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No coração das trevas ecoou um grito, EU SOU A LUZ, e numa explosão luminosa brilhou a
primeira fonte de luz do universo.
E a luz cresceu, rodopiando em seu próprio eixo aquela chama luminosa transformava matéria
negra em alimento para sua luz. Os poderes do caos se organizavam na criação de algo Maior.
Um novo grito se ouviu, agora do coração da luz, EU SOU O PODER, e rodando ainda com
maior velocidade. Formava um cone de energia luminosa que crescia como uma serpente
clareando tudo que antes era caos.
Dentro de seus corações as forças do caos, decidiram sufocar a luz, aquilo que os cegava e os
machucava deveria terminar. Apenas o maior entre eles acreditou que a luz era boa, e
acostumando sua visão, se maravilhava e se apaixonava pela novidade, todos os demais cerraram
fileiras contra o escândalo. Compactaram-se formaram uma grande barreira e passaram a
envolver aquilo que os feria. A dor daquele que se apaixonou pela luz, ao ver que ela poderia se
extinguir, se transformou em força, e cresceu tanto dentro dele, ao ponto que sem poder se conter
gritou EU AMO VOCÊ, e explodiu em luz e fogo.
Cercados os poderes caóticos perderam completamente a visão, para onde que olhassem a luz os
cegava, perdidos e cegos eles dispersaram e se esconderam nos profundos abismos do Universo.
No centro de tudo os dois pontos luminosos transformavam matéria, cresciam, duas enormes
serpentes de fogo ígneo, se maravilhavam uma com a outra, como numa dança se volteavam,
enroscavam-se trocavam matéria, alimentavam-se uma da outra.
Quem era o Deus ? Quem era a Deusa ?
A força feminina da criação, o encanto da Deusa seus atrativos despertaram o espirito masculino
da proteção, mas agora, se misturavam, copulavam, eram um só, dois poderes ligados pela
atração, duas forças em busca de um objetivo.
Os poderes do caos também se juntaram para apagar a luz , mas não perceberam o prazer de estar
juntos e por isto tiveram que fugir, se esconder, estes nunca se uniram, sempre solitários
amargam suas penas com o ódio e a intransigência, e só pensam em destruir, em terminar com a
ordem e voltar ao nada onde inertes deixam os milênios passarem.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


179

Porém junto à Deusa e o Deus, ainda maravilhados um com o outro, as duas serpentes cósmicas,
não param de crescer e se amar, e num dado momento, fundem as suas pontas e um circulo de
fogo se forma, é tal a felicidade de sentir as ondas de energia fluírem de um para o outro num
fluxo constante e ininterrupto, que eles circulam a tal velocidade, como uma roda de fogo neste
orgasmo cósmico, que deles se desprendem as galáxias , os sois e os planetas, parindo o universo
por força do sexo e do amor.
Deste parto cósmico da vagina flamejante foi criado o universo, e desta energia também
nasceram os seus filhos, filhos do seu espirito, os Deuses.
Esgotados depois de transformar a matéria caótica em tudo que existe, a Mãe e o Pai repousaram
sobre sua criação. E os filhos de seu espirito os deuses trabalharam febrilmente na manutenção
do que eles construíram, enquanto o ódio dos poderes do caos crescia.
Levantaram-se da noite varias vezes, mas nunca unidos e eram facilmente rechaçados. Apenas
uma vez o mais forte dos poderes do caos uniu em torno de si um exercito de espíritos e
varreram partes do universo envolvendo a luz, mas a eles foi dado combate pelos filhos da deusa,
que terminaram vitoriosos, mas permitiram que existissem as zonas de caos formando o
equilíbrio que sustenta tudo.
“As pessoas não conhecem o Amor. O que elas chamam de Amor, na verdade, é somente uma
projeção em cima de outra pessoa. O Amor não existe de alguém para alguém. O Amor é. Ele
não é para alguém, simplesmente é. O Amor é um estado vibratório que, quando alcançado, a
pessoa vibra tão intensamente que se liga ao Infinito. O Amor direcionado para alguém, até
mesmo para a divindade, é um aspecto projetivo da personalidade. Daí o amor e o ódio serem

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


180
irmãos gêmeos. Ambos são aspectos projetivos. Um projeta o aspecto de luz, outro projeta o
aspecto de caos”
Todo o universo é formado pelo corpo da Deusa e do Deus, que estão presentes até mesmo das
zonas escuras,
Tudo que existe é parte do amor dos dois, galáxias, planetas , estrelas, buracos negros (que são
portais para o mundo do caos) e tudo que existe neles é parte do corpo dos dois, até mesmo os
opositores são parte deles, pois nada resiste a força da atração, a força do amor.
Quem dirá então o que acontece conosco, tocados por uma simples seta do desejo, muitas vezes
a simples visão de alguém nos leva a viajar o universo em busca daquilo que os olhos viram por
apenas um segundo, e esta força de atração é tão grande que buscamos e trazemos para nosso
lado o objeto de nossa paixão. Ou que nossas palavras escritas se identifiquem tanto com o outro
que nos transformamos em musas ou “musos” que inspiram versos ou imagens que circulam
pelo mundo. E quando concretizamos uma de nossas paixões, e o amor e o sexo acontecem, um
vulcão entra em erupção dentro de nós, terremotos e vendavais são pouco perto da força que
geramos que num orgasmo recria o universo.
Então ... Deuses e Demônios fazem parte do romance da Deusa com o Deus, são lados de luz e
sombra, são muitas vezes a face da mesma moeda.
Tudo é fruto do amor dado ou negado, da paixão desesperada correspondida ou não, que criam
zonas de luz e trevas, e despertam os deuses ou demônios em nossas mentes, nos dando prazer
ou sofrimento, alegria ou tristeza, já que o bem e o mal não existem na natureza, mas sim na
nossa cabeça.

Mito da Criação
(Por Starhawk)

Solitária, majestosa, plena em si mesma, a Deusa, Ela, cujo nome sagrado, não pode ser jamais
dito, flutuava no abismo da escuridão, antes do início de todas as coisas. E quando Ela mirou o
espelho curvo do espaço negro, Ela viu com a sua luz o seu reflexo radiante e apaixonou-se por
ele. Ela induziu-o a se expandir devido ao seu poder e fez amor consigo mesma e chamou Ela de
"Miria, a Magnífica".
O seu êxtase irrompeu na única canção de tudo que é, foi ou será, e com a canção surgiu o
movimento, ondas que jorravam para fora e se transformaram em todas as esferas e círculos dos
mundos. A Deusa encheu-se de amor, que crescia, e deu à luz uma chuva de espíritos luminosos
que ocuparam os mundos e tornaram-se todos os seres.
Mas, naquele grande movimento, Miria foi levada embora, e enquanto Ela saía da Deusa,
tornava-se mais masculina. Primeiro, Ela tornou-se o Deus Azul, o bondoso e risonho deus do
amor. Então tornou-se no Verde, coberto de vinhas, enraizado na terra, o espírito de todas as
coisas que crescem. Por fim, tornou-se o Deus da Força, o Caçador, cujo rosto é o sol vermelho,
mas no entanto, escuro como a morte. Mas o desejo sempre o devolve à Deusa, de modo que Ela
circula eternamente, buscando retornar em amor.
Tudo começou em amor; tudo busca retornar em amor. O amor é a lei, mestre da sabedoria e o
grande revelador dos mistérios.

O mito da descida da deusa

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


181
Dea, nossa Dama e Deusa, soluciona todos os mistérios, até mesmo o mistério da Morte. Assim
sendo, ela partiu rumo ao Submundo em sua nau, pelo sagrado rio da Descida. A seguir ela se
deparou com o primeiro dos setes portais do submundo. E seu guardião a desafiou, exigindo uma
de suas vestes para que ela passasse, pois nada pode ser dado sem que algo seja oferecido em
troca. E a cada um dos portais a deusa teve que pagar o preço da passagem, pois os Guardiões
assim lhe diziam: “Despe-te de suas vestes, e livra-te de tuas jóias, pois não há nada que possa
trazer a nossos domínios”.
Assim, Dea cedeu suas jóias e suas vestimentas aos guardiões, e foi conduzida como um ser vivo
que busca ingresso no Reino dos Mortos e dos Poderosos. No primeiro portal ela deixou seu
cetro, seguido de sua coroa, no terceiro seu colar, no quarto seu anel, no quinto a sua guirlanda,
no sexto suas sandálias, e no sétimo seu vestido. Dea permaneceu nua e foi apresentada, e tal era
sua beleza que ele próprio se ajoelhou quando ela entrou. Depondo sua espada e coroa aos pés
dela aos pés dela aos pés dela, disse: “Abençoados são seus pés, pois te trouxeram por esta senda
.” Ele então se ergueu e disse a Dea: “Fica comigo, eu te imploro e deixa seu coração por mim
ser tocado.”
E Dea respondeu a Dis: “Mas eu não te amo, pois por que fazes com que todas as coisas que e
com as quais me delicio venham a fenecer e a morrer ?”
“Minha Senhora”, respondeu Dis: “é contra a idade o destino que falas. Não tenho poder, pois a
idade faz com que tudo que eu amo pereça, mas quando os homens... quando os homens morrem
ao fim do seu tempo lhes dou repouso, paz e força. Por algum tempo eles habitam com a lua, e
com os espíritos da lua; então podem retornar ao reino dos vivos. Mas és tão adorável e te peço
para que não retornes, mas que vivas cá comigo”
Ao que ela respondeu: “Não, pois não te amo”. Então Dis disse: “Se recusas a me abraçar, deves
prostar-te perante o açoite da morte.” Respondeu a Deusa: “Se assim é, assim seja, tanto
melhor!” Dea então ajoelhou-se em submissão perante a morte, e esta açotou-a tão levemente
que ela gritou: “Reconheço a tua dor, a dor do amor.”
Dis ergueu-a e disse: “És abençoada, minha Rainha e minha Dama.” A seguir ele lhe deu os
cinco beijos de iniciação dizendo: “Somente assim podes ambicionar sabedoria e prazer.”
E ele ensinou-lhe todos os seus mistérios, e lhe deu o colar que é o círculo do renascimento. E
ela lhe transmitiu todos os seus mistérios, do cálice sagrado que é o caldeirão do renascimento.
Eles se amaram e se uniram um ao outro, e por um período Dea viveu nos domínios de Dis.
Pois três são os mistérios na vida do homem: nascimento, sexo e morte (e o amor controla
todos). Para atingir o amor, devemos retornar ao mesmo tempo e local dos que amaram antes. E
devemos encontrar, reconhecer, lembrar e amá-los novamente. Mas para que possamos renascer
devemos morrer e ser preparados para um novo corpo. E para morrer devemos nascer, mas sem
amor não podemos nascer entre os nossos semelhantes.
Mas nossa Deusa tende a favorecer o amor, o prazer e a alegria. Ela protege e cuida de suas
crianças ocultas nessa vida e na próxima. Na morte ela revela o caminho que leva a comunhão
com ela, e na vida ensina a magia do mistério do Círculo (existente entre os mundos dos homens
e dos deuses).

Da tradição Aridiana, Raven Gimassi, way of the strega


Texto extraído do livro: Os Mistérios Wiccanos

A relação do homem com o Divino


A Bruxaria vem do início da humanidade, uma época que tudo era misterioso e hostil para o ser
humano. Não entendiam e temiam o trovão, o sol, a noite. Tudo era mistério.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


182
Um dos primeiros e grandes mistérios no entanto estava ali mesmo, transitando entre eles. Era a
figura da mulher. E qual o seu mistério? o mistério da fertilidade. A fertilidade então era um
atributo apenas da mulher uma vez que o homem desconhecia sua participação na concepção.
Por isto a figura da mulher ter sido a figura principal durante muito e muito tempo dentro das
clãs. Daí o princípio feminino.
E como se não bastasse perpetuar a espécie, ainda alimentava o recém nascido com alimento
extraído do próprio corpo. Podemos supor que estas constatações deram origem a uma
concepção mágica, digna de respeito e veneração. Uma Divindade da Fertilidade, uma Grande
Mãe, a Deusa.
Figuras pré-históricas desta Deusa são incontáveis. Uma das mais famosas é a Vênus de
Willendorf: seu corpo parece uma grande massa disforme da qual se destacam um gigantesco par
de seios e uma proeminente barriga grávida. Ela não tem pés nem braços, e seu rosto está
coberto.
A Deusa era a Grande Mãe Natureza, fonte de toda a vida.
Com o tempo, os homens foram se conscientizando de seu papel na reprodução, e o aspecto de
fertilizador passou a ser um atributo do homem. Junto a este, ele já se relacionava com o mundo
divino e mágico através dos simbolismo com o qual buscava boa sorte nas caçadas.
Em Trois Frères, na França, existe uma pintura de cerca de dez mil anos, conhecida como "Le
Sorcière" ("O Feiticeiro"). É a figura de um homem vestido de peles, com cauda e chifres de
cervo. Podemos pensar então que nesta época tomou forma na mente do ser humano primitivo a
idéia de um Deus das Caçadas, dotado de chifres, símbolo de seu poder.
Este Deus de Chifres era então filho da Deusa, pois dela era nascido, e também seu amante, pois
a fertilizava para que um novo ser surgisse.
Começava aí, a tentativa do ser humano interagir com a natureza. Carl Jung, formado na
psicanálise de Freud e posteriormente criador da Psicologia Analítica, em seu livro The Man and
his Symbols, diz: "Existem alguns índios na América do Sul que afirmam serem araras
vermelhas, apesar de saberem muito bem que lhes faltam penas, asas e bico. Isto porque, no
mundo primitivo, as coisas não tem fronteiras tão rígidas como as das nossas sociedades
“racionais”. O que os psicólogos chamam identidade psíquica ou participação mística, foi
afastado do nosso mundo objetivo”.
A partir do desenvolvimento da agricultura, o homem começou a formar aldeias e povoados. A
Deusa assumia maior importância, pois neste momento ela acumulava também o aspecto da
guardiã da colheita. Seu filho e consorte, o Deus de Chifres, ganhou também uma nova faceta,
tornando-se o Deus das Florestas, protetor dos animais e criaturas dos bosques. Daí derivando
Pã e outras divindades conforme a região.
Podemos daí extrair a origem da Deusa (a Grande Mãe) e o Deus de Chifres (o Deus Cornífero)
divindades adoradas em todos os seguimentos das religiões pagãs com as suas devidas
transformações devido ao momento histórico, localização geográfica e passado de um povo.
Adquirindo a noção das estações do ano, esboçaram-se as primeiras idéias sobre a Roda do Ano.
Durante o inverno, as árvores estão sem suas folhas, os animais se recolhem, os dias são muito
curtos e as noites, longas. Lentamente, conforme os dias vão ficando mais longos e a primavera
se aproxima, a Natureza parece se espreguiçar. É a época de preparar o solo. Com a chegada do
verão, a Natureza explode em vida e fertilidade. É a época de semear. Enquanto o ano continua
sua roda, o outono chega e, novamente, as folhas começam a cair. É a época de colher e
armazenar para o inverno que novamente se aproxima.
Quem regia este período era o Deus das Caçadas, que também adquiria seu novo aspecto de
Sombrio Senhor da Morte (nesta época nasceram também os primeiros conceitos sobre a vida
após a morte). Surgiram então os primeiros mitos sobre a descida da Deusa ao mundo
subterrâneo que, séculos mais tarde, tomaria forma definitiva na Grécia, com o mito de
Perséfone, e na Mesopotâmia, com a lenda de Ishtar. (não nos ateremos aos desdobramentos
desta relação mágica do homem com o mundo, apenas citamos aqui Perséfone e Ishtar como

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


183
exemplos, como fizemos anteriormente citando Pã, referindo-se as novas faces do Deus de
Chifres).
As culturas desenvolveram-se com o passar dos séculos, e novos aspectos dos Deuses foram
descobertos. Cultos religiosos se estruturaram, centrados nos ciclos e nascimento, morte e
renascimento da natureza. O tempo da plantação e o tempo da colheita eram muito importantes,
marcados com festividades, assim como o período do recolhimento do gado e a época de sua
liberação ao pasto. Nestas datas, juntamente com as de mudanças de estação, realizavam-se
encenações de mitos nos quais um Deus Velho morria para um Deus Jovem nascer,
representando a morte da antiga colheita e o nascimento de uma nova.
Estas concepções foram se desenvolvendo e se ramificando conforme as regiões. Novos ritos
foram desenvolvidos e adicionados às práticas mágico-religiosas .
Podemos pensar que estas são linhas gerais do inicio da Bruxaria, que confunde-se com o
surgimento das primeiras manifestações religiosas humanas. Uma pequena exposição para dar ao
estudante, noções de como foi o surgimento da idéia dos Deuses e seu desenvolvimento. Seus
desdobramentos geraram as várias religiões pagãs existentes e revividas nos dias de hoje.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


184

Meditação para o Homem


Procure um lugar tranquilo, meio escuro e acenda um incenso e uma vela branca, diga as
seguintes palavras:

" Eu sou o vento que sopra pelos mares, eu sou o macho selvagem, eu sou a águia no penhasco,
eu sou rápido como o gavião, eu sou guerreiro de muitas batalhas, eu sou forte como uma lança,
eu sou a ponta da espada, eu sou a pele do tambor que conclama a guerra, eu sou a corda da
harpa, eu sou o campeão dos fracos, eu sou a vista da montanha mais alta, eu sou a sabedoria do
poço mais fundo, eu sou o vencedor do dia e da noite. Sempre vivi. Já fui de tudo."

Quando estiver recitando estes versos, detenha-se naqueles que mais clamarem em seu interior e
repita-os. Ao sentir que o tempo e o espaço foram alterados, visualize a mão do cavaleiro
Lanceloth, (seu animus) saindo da fumaça do incenso.

A mão do cavaleiro Lanceloth of The take , empunha uma magnífica espada. No seu dedo
repousa o anel mágico. Lanceloth aproxima sua mão de você de modo que seu anel fica bem
nítido, observe o desenho e a ornamentação do anel.

Este anel lhe foi dado pela Dama do Lago (sua anima) e ele tem o poder de destruir todos os
encantamentos ( ilusões e tentações do caminho).

Ao meditar sobre o anel, concentre-se em pelo menos uma dúvida, preocupação ou insegurança
sobre sua vida material ou espiritual.

Sinta que a força de Lanceloth está com você, e o ajuda em qualquer dificuldade. Sinta também, o
poder de todos seus ancestrais masculinos, de todos os cavalheiros e guerreiros fluir em você.

Ao fazer isso, visualize um brilho emanar do anel e envolvê-lo. O calor deste brilho cobre seu
corpo, até que você irradie essa luminosidade sobrenatural.

Fique sob a presença desta luz por alguns instantes, e inspire-a Deixe-a invadir seu coração e
pulmões ao respirar. Imagine essa luz penetrando nos músculos de seu peito e ombros.

Após alguns momentos a luminosidade começa a diminuir e você vê apenas a fumaça do incenso.

Volte ao seu estado normal de consciência repetindo uma ou outra frase do canto acima. Termine
seu exercício com a frase final do canto:

"Sempre vivi. Já fui tudo."

Faça o exercício uma vez por semana.

(Exercício da Tradição Arthuriana)

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


185

Meditação para a Mulher

Você deve procurar por um lugar escuro, calmo, e de preferencia num dia que não possa ser
incomodado.

Queime o incenso de sua preferencia e acenda uma vela branca.

Recite os seguintes versos inspirado no Antigo Canto de Armegin:

"Eu sou o vento que sopra pelos mares, eu sou a fêmea selvagem, eu sou águia no penhasco, eu
sou rápida como o gavião, eu sou a guerreira de muitas batalhas, eu sou forte como uma lança, eu
sou a ponta da espada, eu sou a pele do tambor que conclama a guerra, eu sou a corda da harpa,
eu sou a campeã dos fracos, eu sou a vista da montanha mais alta, eu sou a sabedoria do poço
mais fundo, eu sou a vencedora do dia e da noite.

Sempre vivi. Já fui tudo!"

Quando estiver recitando esses versos, detenha-se naqueles que clamarem mais em seu interior e
repita-os.

Ao sentir que o tempo e espaço foram alterados, visualize a mão da Dama Morgana (sua anima),
saindo da fumaça do incenso.

A mão de Morgana Le Fay empunha um magnífico cálice e no seu dedo repousa o anel mágico.
Morgana aproxima sua mão de você, de modo que seu anel fica bem nítido.

Observe o desenho e a ornamentação do anel. Este anel, foi lhe dado por Merlin O sábio (seu
animus) e ele tem o poder de destruir todo os encantamentos ( ilusões e tentações do caminho).

Ao meditar sobre o anel, concentre-se em pelo menos uma dúvida, preocupação ou insegurança
sobre sua vida. Sinta a força de Morgana está com você e que a ajuda em qualquer dificuldade.

Sinta também, o poder de todos os seus ancestrais femininos, de todas as Damas e guerreiras fluir
em você .Ao fazer isso, visualize um brilho emanar do anel e envolvê-la

O calor deste brilho cobre seu corpo, até que você também irradie essa luminosidade
sobrenatural.

Fique sobre a presença da luz por alguns instantes e inspire-a.

Deixe-a invadir seu coração e pulmões ao respirar. Imagine esta luz penetrando em seus músculos
do peito e ombros.

Após alguns momentos, a luminosidade começa a diminuir e você volta a ver apenas a fumaça do
incenso. Volte ao seu estado normal de consciência, repetindo uma ou outra frase do canto acima.

Termine seu exercício com o canto final:

"Sempre vivi. Já fui de tudo."

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


186
Faça esse exercício 1 vez por semana.

* Visualizando Morgana: Morgana Le Fay ( o arquétipo da sacerdotisa) Mostra que era uma linda
mulher de cabelos vermelhos usando roupas e ornamentos medievais. Porém você pode visualizar
qualquer imagem de mulher significativa a sua vida.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Mistérios Femininos
O fluxo de sangue sempre foi direta e intimamente ligado aos Mistérios Femininos. Sempre foi
através do sangue ou de sua ausência que os estágios da vida de uma mulher eram definidos;
desde a primeira menstruação, a ruptura do hímen, o sangue do parto, até a menopausa. A
menstruação também está ligada às fase da lua, onde na maioria das mulheres, o ciclo começa
com a lua nova e a ovulação na lua cheia. Geralmente as mulheres que ficam mais tempo
expostas à luz natural estão mais sintonizadas com esse ciclo. Na Velha Religião sempre esteve
mais relacionado à vida, pois flui da vagina, que era considerada um portal mágico, de onde a
vida surge. O período em que uma mulher estava menstruada era propício à cura, pois o sangue
tende a absorver energia astral. Dessa forma, ela poderia absorver a energia astral de uma pessoa
doente, para depois aterrá-la, através de seu próprio sangramento.

O sangue menstrual também sempre foi usado para fertilizar sementes, ou era misturado a água
para estimular o crescimento das plantas. Era também utilizado para ungir os mortos, garantindo
assim o renascimento, já que esse sangue jorrava do portal da vida. No que se relaciona a energia
lunar vemos a lua cheia, a face mãe, onde trabalhamos e formulamos o que queremos em nossa
vida. É nesse período que o sangue é carregado com nossas intenções mágicas.

Na minguante potencializamos nossas intenções a fim de direcioná-los de maneira positiva. Até


que na nova, o sangue é liberado carregado de nossas intenções. Durante a crescente, costuma-se
estudar e preparar o solo, potencializando as sementes nossos desejos e intenções para o próximo
plantio na lua cheia. Diante disso, podemos perceber que o período ou o sangue menstrual é
favorável em todos os ritos que envolvem fertilidade, cura e renovação. Para usá-lo com outra
finalidade, é necessário carregá-lo durante a lua cheia. O uso de anticoncepcionais interfere, pois
o ciclo fica condicionado ao uso de um medicamento e não às fase da lua. Além do mais o
sangue vai conter resíduos do medicamento. Os dias propícios são os de maior fluxo; o bem estar
e a disposição para realizar um ritual vai variar de acordo com a pessoa. Mas isso só se é
possível descobrir através da prática. É muito importante que as mulheres voltem a ter um bom
relacionamento com seus ciclos menstruais. Discernimento, identificação, alinhamento e um
diário lunar auxiliarão.

O sangue menstrual tem um poder muito maior que o sangue, pois além de ser sangue, veículo
da vida, tem também o poder da ovulação, o poder do útero, que é estupendo, presente em si.
Esse sangue pode ser usado para feitiços, consagrar objetos mágickos ou mesmo fortalecer o uso
de suas ervas através da alimentação das mesmas com água misturada a esse sangue. Na verdade
não existe um ritual próprio para colher esse sangue. Só ressalvo que não deverá ser recolhido de
absorventes íntimos.
O Ideal é que se deixe secar numa vasilha destampada e depois de seco raspado e transformado
em pó, chamado então de pó da lua Esse pó inclusive pode ser misturado a cosméticos e cremes
para rejuvenescimento das células mortas da pele. Foi uma pincelada rápida, mas o assunto é
bem mais extenso. Só uma observação... Essa prática também é considerada de certa forma como
um tipo de sacrifício aos Deuses. Existe um livro, acho que encontrará aí no Brasil, chamado: Na
casa da Lua - Jason Elias e Katherine Ketchan.

Vem das primeiras culturas humanas, o pensamento que a misteriosa magia da criação residia no
sangue feminino em total e aparente harmonia com a LUA, e o qual era algumas vezes retido no
útero para "coagular-se" em um bebê. Os homens olhavam este sangue com sagrado temor, como
a essência da vida, inexplicavelmente liberado sem dor, totalmente estranho para a experiência
masculina.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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A maior parte das palavras para menstruação também queria dizer algumas coisas como:
incompreensível, sobrenatural, sagrado, espírito e divindade. Como a palavra Latina sacer (
sacer, -cra, - crum : inviolável, venerado, que não pode ser tocado, sem ser manchado ou
manchar), antigas palavras árabes para "puro" e "impuro",eram ambas aplicadas para sangue
menstrual e somente para isto. Os Maoris afirmavam explicitamente que as almas humanas são
feitas de sangue menstrual , o qual quando retido no útero "assumia forma humana e crescia até
tornar-se homem". Os Africanos dizem que o sangue menstrual é um "coágulo que amolda-se em
homem", Aristóteles dizia o mesmo : a vida humana é feita do "coagulum" (o que liga, o que
reúne) do sangue menstrual. Plínio chamava o sangue menstrual "a substância material da
geração", capaz de formar "um coágulo, o qual depois no processo do tempo rapidamente cresce
e toma a forma de um corpo". Esta primitiva noção da função pré-natal do sangue menstrual era
ainda o pensamento das escolas médicas da Europa até o séc. 18.

Idéias básicas sobre sangue menstrual vem da teoria Hindu de como a Grande Mãe criava, sua
substância tornava-se espessa e formava um coalho ou coágulo, sólida matéria é produzida como
uma "crosta". Esta era a maneira como ela dava o nascimento ao cosmos, e as mulheres
empregam o mesmo método em menor escala. De acordo com Daustenius, "O fruto no útero é
nutrido somente pelo sangue da mãe...."

Os Índios da América do Sul dizem que toda humanidade foi feita de "sangue menstrual" no
princípio. A mesma idéia prevalece na antiga Mesopotâmia, onde a Grande Deusa Ninhursag fez
a raça humana de barro e impregnou-a com o "sangue da vida". Sobre os nomes alternados de
Mammetun ou Aruru a Grande, a Potter, ela ensinou as mulheres a formar bonecas de barro e
untá-las com sangue menstrual como um encanto de concepção , um pedaço de mágica que "deu
base" ao nome de ADAM, do feminino ADAMAH, que significa "barro sangüíneo" uma idéia
que os estudiosos mais delicadamente traduziram para "terra vermelha".

A história Bíblica de Adão foi plagiada de um mito da criação contado pelas mulheres mais
antigas recontando a criação do "homem" do barro e do sangue da LUA. E a história da criação
do Alcorão no qual Allah diz " faça o homem de sangue fluído"; ( a autora usa flowing blood, e
flow quer dizer fluxo menstrual) mas na Arábia pré-Islâmica , Allah era a Deusa da criação, Al-
Lat. Os Romanos também tinham traços do mito da criação original. Plutarco dizia que o homem
era feito da terra, mas o poder que fazia o corpo humano crescer era da LUA, fonte do sangue
menstrual. A vida de muitos deuses dependiam do poder milagroso do sangue menstrual. Na
Grécia era eufemisticamente chamado de "vinho vermelho sobrenatural" dado para os deuses
pela Mãe Hera em sua forma virginal, como Hebe. A raiz dos mitos do Hinduísmo revela a
natureza deste "vinho". Houve um tempo todos os deuses reconheciam a supremacia da Grande
Mãe, manifestando ela mesma como o espírito da criação (Kali-Maya).Ela "convidava-os para
banhar-se do sangue menstrual do seu útero, beber dele; e os deuses em sagrada comunhão,
beber da fonte da vida e banhar-se nele, e serão secretamente abençoados para os céus" Para este
dia, as roupas mantidas com o sangue menstrual da Deusa eram grandiosamente agraciadas
como encantamento da cura.

W.R. Smith relata que o valor da goma da acácia como um amuleto "está em conexão com a
idéia de que é um coágulo de sangue menstrual, i.e., que a árvore é uma mulher".

Para as cerimônias religiosas, os aborígenes Australianos pintam suas pedras sagradas, churingas
- amuletos -, e eles mesmos com vermelho ocre, declarando que isto era realmente sangue
menstrual.

O segredo esotérico dos deuses, era que eles tinham poderes místicos de longevidade,
autoridade, e criatividade que vinham da mesma essência feminina.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


189

O deus Nórdico Thor, por exemplo, alcançou a terra mágica de encantamento e vida eterna por
banhar-se em um rio cheio com o sangue menstrual das "mulheres gigantes" - que eram as
Matriarcas Primais, "as Primeiras Poderosas" que governavam os deuses mais antigos antes que
Odin trouxesse seus "Asiáticos" do leste. Odin adquiriu supremacia roubando e bebendo o "sábio
sangue" do triplo caldeirão do útero da Mãe-Terra, a mesma deusa tripla conhecida como Kali-
Maya no sudeste Asiático.

O roubo de Odin do mágico sangue menstrual se deu paralelamente á quando Indra roubou a
ambrosia da imortalidade . O mito Indiano chamava o sagrado fluído Soma - em Grego, "o
corpo"-, porquê a raiz da palavra oriental referia-se a uma mística substância do corpo. Soma foi
objeto de um sagrado respeito e do qual as interpretações são muitas: Soma era produzida pela
mistura, agitação do mar primal (o "oceano de sangue" de Kali ou ás vezes "o mar de leite") Ou
Soma foi segregado pela Lua-Vaca. Ou Soma foi carregado no "pote branco" (ventre) de Mohini
a Feiticeira. Ou a fonte de Soma foi a LUA.

Ou de Soma todos os deuses nasceram. Ou Soma era o nome secreto da Deusa Mãe e a parte
ativa da "alma do mundo". Soma era bebida por sacerdotes nas cerimônias sacrificiais e
misturado com leite como um encantamento de cura; então não era leite. Soma foi especialmente
reverenciado no "somvara", Monday, o dia da LUA. Em uma cerimônia antiga chamada Soma-
vati, mulheres da Maharashtra circundavam o sagrado símbolo do feminino, a árvore do figo,
sempre que a LUA Nova caía numa segunda.

Alguns mitos diziam que a Deusa sob o nome de Lakshmi, "Fortune" ou "Soberana", deu Soma
para Indra para torná-lo rei dos Deuses. A sua magia, poder, e curiosamente a capacidade
feminina para a gravidez, veio da bebida mística de Lakshmi. Bebendo direto da Deusa, Indra se
tornou como ela; o Monte do Paraíso com seus quatro rios, "muitas-cores" como os véus do
arco-íris da Deusa, rico em gado e vegetação frutífera. Do sangue da Deusa veio a sua sabedoria.
Similarmente, os gregos acreditavam que a sabedoria do homem ou deus foi centrada no seu
sangue, a matéria da alma dada pela sua mãe. Os faraós egípcios se tornavam divinos pela
ingestão "do sangue de Ísis", a soma parecida a ambrósia chamada sa. O sinal hieroglífico disto
era o mesmo que o sinal da vulva, um yonico laço como aquele do ankh, ou Cruz da Vida.
Pintado de vermelho, este laço, curva, significa a genitália feminina e o Portão do Paraíso. Os
amuletos enterrados com o morto especificamente oravam à Ísis para divinizar o defunto com
seu sangue mágico.

O mesmo elixir da imortalidade recebia o nome de "amrita" na Pérsia. Algumas vezes era
chamado o leite da Deusa Mãe, algumas vezes bebida fermentada, algumas vezes sangue
sagrado.E sempre em associação com a LUA. O orvalho e a chuva se tornavam seiva vegetal,
seiva se tornava o leite da vaca, e o leite então era convertido em sangue: - Amrita, água, seiva,
leite e sangue representavam estados diferentes de um mesmo elixir. O vaso ou cálice deste
fluído imortal é a LUA.

Os reis Celtas se tornavam deuses por beber o "hidromel vermelho" distribuído (preparado) pela
Rainha Fada, Mab, cujo nome antigamente era Medhbh ou "hidromel". Então ela deu uma
bebida dela mesma, como Lakshmi. O nome Céltico deste fluído era "dergflaith", que significa
também "cerveja vermelha" ou "soberania vermelha".

Na Bretanha Céltica, ser manchado com vermelho significava ser escolhido pela Deusa como um
rei.

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A mesma cor de sangue implicava apoteose após a morte. O paraíso pagão ou "Fairyland" estava
no centro uterino da terra, lugar da mágica Fonte da Vida. Um velho manuscrito no Museu
Britânico diz que a Fênix vive lá para sempre. A Sagrada Montanha ou "mons veneris" continha
ambos os símbolos feminino e masculino: a Árvore da Vida e a Fonte da Eterna Juventude, e
depois obviamente menstrual, o qual era dito que transbordava todo mês LUNAR, uma vez.

Os homens da igreja medieval insistiam que o vinho da comunhão bebido pelas bruxas era o
sangue menstrual, e eles podem estar certos. O famoso mago Thomas Rhymer se uniu a um culto
de feiticeiras sobre a tutela da Fada Rainha, que contou à ele que ela tinha “Uma garrafa de
vinho púrpura aqui em meu colo”, e convidou-o para a deitar sua cabeça no colo dela. Claret era
a tradicional bebida dos reis e também um sinônimo para sangue; e literalmente significa
"iluminação". Havia um ditado, "O homem na LUA bebe claret", uma conexão com a idéia de
que o vinho representa sangue LUNAR.

Romances medievais e o movimento do amor cortês, depois narrado por cultos de bruxas, foram
fortemente influenciadas pela tradição Tântrica, na qual o sangue menstrual era de fato o vinho
de poetas e sábios. Isto é ainda especificado no Rito da Mão Esquerda do Tantra onde a
sacerdotisa personificando a Deusa precisava estar menstruando, e após o contato com ela o
homem pode executar ritos que farão dele "um grande poeta, um Senhor do Mundo" que viaja
nas costas de um elefante como um rajah.

Em ambas as sociedades antigas do oeste e do leste, o sangue menstrual carrega a autoridade


soberana do espírito porquê era o meio de transmissão da vida do clã ou tribo. Entre os Ashanti,
meninas ainda são mais recompensadas que os meninos porque a menina é a portadora do
"sangue" (mogya). Este conceito é claramente caracterizado na Índia, onde o sangue menstrual é
conhecido como a flor de Kula ou o nectar de Kula, o qual tem uma íntima conexão com a vida
da família. Quando uma garota menstrua a primeira vez, se diz ela ter "nascido para a Flor". A
correspondente palavra Inglesa flor, tem um importante significado literal de "aquilo que flui",
flower, flows.

A Deusa Inglesa das flores era Blodeuwedd, uma forma da Tripla Deusa em associação com os
sacrifícios dos antigos reis. A lenda de Welsh diz que todo o corpo dela era feito de flores - como
nenhum corpo era -, em acordo com a antiga teoria da formação do corpo a partir do sangue da
"flor".! O nome dela sugere o casamento do sangue, e o mito fez dela a esposa de muitos heróis
assassinados, recordando a velha idéia que o sangue divino da Deusa tinha de ser periodicamente
renovado pelo sacrifício humano.

A Bíblia também chama o sangue menstrual de flor (Leviticus 15:24), precursor da "fruta" do
útero (a criança). Assim como as flores misteriosamente contém nela um futuro fruto, assim o
sangue uterino era a lua-flor supondo conter a alma de futuras gerações. Esta era a idéia central
de um conceito matrilinear de um clã. A palavra Hebraica para sangue, dam, significa "mãe" ou
"mulher" em outras línguas Indo-Européias (e.g. dam, damsel, madam, la dama, dame) e também
"a menstruação" (damn) .

A Grande Mãe Sumeriana representava sangue maternal e cavidade, nomes como Dam-kina e
Damgalnunna. Do seu ventre fluíam os Quatro Rios do Paraíso, algumas vezes chamados rios de
sangue o qual é a "vida" de todo corpo (carne).

Seu primogênito, o Salvador, era Damu, a "criança de sangue".

Damos ou "mãe-sangue" era a palavra para "povo" na matriarcal Micenas. Outro símbolo da
antiguidade comum do rio-sangue da vida era o tapete vermelho, tradicionalmente o piso para

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reis sagrados, heróis e noivas. A religião Chinesa do Tao, "o Caminho", ensinava doutrinas
Tântricas suplantadas pelo Confucionismo ascético-patriarcal. Taoístas dizem que um homem
pode se tornar imortal (ou uma vida longa) absorvendo sangue menstrual, chamado o suco
vermelho yin, do Portão Misterioso da mulher, de outro modo conhecida como a Gruta do Tigre
Branco, símbolo da energia feminina de dar-vida. Os sábios Chineses chamavam este suco
vermelho de essência da Mãe-Terra, o princípio yin que dá vida para todas as coisas. Eles
alegam que o Imperador Amarelo se tornou um deus por absorver o suco yin de cento e doze
mulheres.

Um mito Chinês diz que a Deusa -Lua Chang-O, que controlava a menstruação, foi ofendida
pelo marido por causa do ciúme de seus poderes. Ela deixou seu marido, que brigava com ela por
que ela possuía todo elixir da imortalidade, e ele não tinha nada, e ele estava ressentido. Ela deu
as costas a ele e foi morar na LUA para sempre, do mesmo modo que Lilith deixou Adão para
viver por conta própria no "Mar Vermelho". Chang-O proibia os homens de assistir o festival
Chinês da LUA, o qual era celebrado somente por mulheres, na LUA cheia do equinócio
outonal.

A China Taoísta considerava o vermelho uma cor sagrada associada com mulheres, sangue,
potência sexual e poder criativo. O branco era a cor do homem, sêmen, influência negativa,
passividade e morte. Esta era a idéia básica do Tantra da essência dos homens e mulheres: o
princípio masculino era visto como "passivo" e "inerte - em repouso"; o princípio feminino como
"ativo"e "criativo", o reverso da posterior visão patriarcal.

A cor do sangue feminino sozinho era freqüentemente considerado um potente encantamento. Os


Maoris convertiam qualquer coisa em sagrada por colori-lá de vermelho e chamam a cor
vermelha de sangue menstrual. Os Ilhéus de Andaman pensavam que a tinta cor vermelha era
uma poderosa medicina, e pintavam pessoas doentes de vermelho em reforço á cura delas.
Hottentots saudavam sua Deusa Mãe como a primeira "que tem o corpo pintado de vermelho"
ela era divina porque nunca derramou ou perdeu sangue menstrual. Algumas tribos Africanas
acreditavam que o sangue menstrual sozinho, mantido em um pote coberto por nove meses, teria
o poder de tornar-se um bebê.

Os ovos de páscoa, clássicos símbolos do útero da Deusa Eostre, eram tradicionalmente


coloridos de vermelhos e colocado em covas para fortalecer o morto. Este hábito comum na
Grécia e no sudeste da Rússia, pode remontar ás origens das covas Paleolíticas e as mobílias do
funeral ornadas com ocre, para assemelhar-se com o útero da Mãe-Terra do qual o morto poderia
"nascer novamente ".

Tumbas antigas em toda parte tem mostrado os ossos do morto cobertos por um vermelho ocre.
Algumas vezes tudo na tumba, incluindo as paredes, tinham a cor vermelha.

J. D. Evans descreveu um poço-túmulo em Malta cheio de ossos vermelhos ornados que encheu
de medo os trabalhadores que insistiam que os ossos estavam cobertos de "sangue fresco".

A cerimônia de nascer-novamente da Austrália mostrou que os Aborígenes ligavam o


renascimento com o sangue do útero. O cântico executado em Ankota, a "vulva da terra",
enfatizado na cor vermelha circundando o devoto. "Uma trilha reta está se abrindo diante de
mim. Uma cavidade subterrânea está se abrindo diante de mim. Um profunda senda está se
abrindo diante! de mim. Vermelho eu sou como o coração da chama do fogo. Vermelha,
também, é a cavidade na qual estou em repouso. Imagens como estas ajudam a explicar porque
algumas das mais antigas imagens da Deusa, como Kurukulla no oriente e sua contraparte
Cybele no ocidente, estão associadas com cavernas e a cor vermelha.

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Místicos Gregos foram "renascidos" no rio Estige, por outro lado conhecido como Alpha, "O
Princípio. Este rio fere sete vezes o interior da terra e emerge como um santuário yonico perto da
cidade de Clitor (Grego Kleitoris) sagrada para a Grande Mãe. Estige era o fluxo sangüíneo da
vagina da terra; suas águas foram acreditadas com o mesmo respeitoso poder que o sangue
menstrual.

Deuses Olímpicos juravam sua completa ligação pelas águas do Estige, como os homens na terra
juravam pelo sangue de suas mães.

A morte simbólica e o renascimento tinham ligação com o batismo nas águas do Estige, como
em muitos outros rios sagrados do mundo todo. O próprio Jesus foi batizado na versão Palestina
do Estige, o rio Jordão. Quando um homem se banhava sete vezes neste rio "seu corpo se tornava
novamente como o corpo de uma criança" (2 Reis 5:14). Na tradição Grega a jornada para a terra
dos mortos significava atravessar o Estige; na tradição Judaico-Cristão era atravessar o Jordão.
Este é o mesmo "rio de sangue" atravessado por Thomas Rhymer no seu caminho para a Terra
das Fadas.

A devoção Tântrica do sangue menstrual se introduziu no mundo Greco-Romano antes da era


Cristã e estava bem instalada no período Gnóstico. Estes devotos providos de "ágape" - "deleite
de amor" ou "casamento espiritual" – praticado pelos Cristãos Gnósticos como os Ofitas. Outro
nome para o "agape" era "synesaktism", "O Caminho de Shaktism" significando o Tântrico culto
à yoni. Synesaktism foi declarada heresia antes do século 7. Subseqüentemente o "deleite de
amor" desapareceu, e as mulheres foram esquecidas de participarem diretamente na devoção
Cristã de acordo com a regra de São Paulo (1 Timóteo 2: 11-12) .

Epiphanius descreve a prática da "agape" por Cristãos Ofitas, enquanto deixava claro que estas
atividades sexuais heréticas enchia-o com terror:

Apresentem-se e celebrem o "deleite de amor") agape com teu irmão. A mulher e o homem
pegam a ejaculação do homem nas suas mãos, erguem-se oferecendo para o Pai, o Ser Primal de
Toda Natureza.

" E quando as mulheres estavam menstruadas, eles faziam a mesma coisa com a menstruação
delas.

E eles liam na Revelação, "Eu vi a árvore da vida com seus doze tipos de frutos, produzindo seus
frutos á cada mês" ( Rev. 22:2) , e eles interpretam isto com uma alusão para o incidente mensal
da menstruação feminina.

O significado destes sacramentos Ofitas para seus praticantes é facilmente recobrado do


semelhante Tântrico. Comer a substância viva da reprodução era considerado mais "espiritual"
que comer o corpo morto do deus, mesmo transmutado em pão e vinho, o pensamento do
simbolismo era o mesmo:

Quando o sêmen, vazado pelo fogo da grande paixão, cai para o lotus da "mãe" e misturado com
o elemento vermelho dela, ele conquista "a mandala convencional ( estilizada) do pensamento de
encantamento" O resultado da mistura é saboreado pela união "pai-mãe (Yab-Yum), e quando
eles alcançam a passagem eles podem gerar concretamente uma especial alegria, beatitude . . . a
bodhicitta - o líquido resultante da união do sêmem e do sangue menstrual - é transferido para o
yogi . . . Isso dá poderes a sua correspondentes místicas veias e centros concluir a função da
linguagem do Buda . O termo "iniciação secreta" vem de experimentar a substância secreta.

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Na linguagem oculta do Tantra, dois ingredientes do Grande Rito são sukra, semem, e rakta,
sangue menstrual. A sacerdotisa que oficia tinha que estar menstruada então suas energias
lunares eram em fluxo. Ela incorporava o poder de rakta, algumas vezes convertido rukh ou ruq,
cognato do Hebraico ruach, "espírito" e do Árabe ruh, e ambos significam "espírito" e "cor
vermelha".

Do princípio ao fim todo Tantra e crenças relacionadas a fusão do vermelho feminino e o branco
masculino foi "uma simbólica conjunção profundamente importante".

Os Sufis, que praticam seus próprios tipos de Tantrismo, dizem que ruh era feminino e vermelho.
Sua contraparte masculina sirr, "consciência", era branco. Vermelho e branco as cores alternadas
no Sufi halka ou círculo mágico, correspondendo ao Chakra Tântrico e chamado de "a unidade
básica e o verdadeiro coração do Sufismo ativo" O rosário Árabe que alterna contas vermelhas e
brancas tem o mesmo significado: homens e mulheres ao redor do círculo, como em muitas
danças folclóricas Européias. Vermelho e branco são as cores que usam alternando mulheres e
homens dançarinos no "círculo da fada" das feiticeiras da Irlanda pagã, onde a Deusa é
reverenciada com o mesmo nome da mãe terra Tântrica, Tara.

Homens e mulheres se alternam como no chakra Tântrico, dançam em direção contrária aos
ponteiros do relógio ou à maneira da lua. As cores vermelha e branca "representam o mundo das
fadas".

Os ritos que são frequentemente presididos pelas mulheres mais velhas, se deve aos antigos que
acreditavam que as mulheres pós-menopausa eram as mais sábias dos mortais porque elas
retinham permanentemente o seu "sábio-sangue". No século 17 A. D. , escritores Cristãos ainda
insistiam que as mulheres mais velhas estavam cheias de poder mágico porque o sangue
menstrual ainda permanecia em suas veias. Esta era a verdadeira razão porquê as mulheres mais
velhas eram constantemente perseguidas por bruxaria. O mesmo "sangue mágico" que as fez
líderes nos antigos sistemas de clãs fez delas objetos de medo para a nova fé patriarcal. Porque o
sangue menstrual ocupava uma posição central nas teologias matriarcais, e era realmente sacer –
terrivelmente sagrado-os ascéticos pensadores patriarcais demonstraram um medo histérico dele.
As Leis de Manu dizem que se um homem se aproximar de uma mulher menstruada irá perder
sua energia, sabedoria, visão, força e vitalidade.O Talmud diz que se uma mulher menstruada
andar entre dois homens, um dos homens certamente irá morrer. Pela regras dos Brahmans o
homem que tiver contato íntimo com uma mulher menstruada irá sofrer uma punição mais severa
que a punição para os Brahmanicídio, que é o pior crime que a Brahman pode imaginar.
Os mitos Védicos foram designados para dar apoio á lei, assim como o mito de que Vishnu
ousou copular com a Deusa Terra enquanto ela estava menstruada, e que por isto deu á luz
monstros que quase destruíram o mundo.

Esta era a propaganda patriarcal contra o Maharutti Tântrico ("Grande Rito"), no qual o sangue
menstrual era o ingrediente essencial. No templo-caverna de Kali, a sua imagem jorra o sangue
dos sacrifícios do seu orifício vaginal para banhar o falo sagrado de Shiva enquanto as duas
divindades formam o lingam-yoni, e os devotos acompanham em súplica, em uma orgia
planejada para dar apoio à força de vida cósmica gerada pela união de homem e mulher o branco
e o vermelho. Neste Grande Rito, Shiva se torna o Primeiro Ungido, assim como a sua contra-
parte Meio-Oriente . A tradução Grega para o Primeiro Ungido é Christos. Patriarcas Persas
seguem a liderança Brahman em sustentar que mulheres menstruadas devem ser evitadas igual a
veneno. Elas pertenciam ao diabo, eram proibidas de olhar para o sol, de sentar-se na água, de
falar com um homem, ou de contemplar o fogo do altar. Um relance de olhar de uma mulher
menstruada era temido como um olhar da Górgona. Zoroastrianos crêem que qualquer homem

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que deitar com uma mulher menstruada poderia gerar um demônio, e seria punido no inferno por
ter derramado sujeira de sua boca.

A religião Persa incorporou as crenças dos povos primitivos que a primeira, o início da
menstruação foi causada pela copulação com uma serpente sobrenatural. As pessoas ainda não
informadas sobre a paternidade supuseram que a mesma serpente tornava as mulheres férteis,
ajudava-as a conceber a criança. Algumas destas crenças prevaleceram na Creta Minóica, onde
mulheres e serpentes eram sagradas, mas os homens não. Línguas antigas davam a serpente o
mesmo nome que Eve, cujo significado é "Vida";e a maioria dos mitos antigos mostram o casal
primal não como Deusa e um Deus, mas uma Deusa e uma serpente. O útero da Deusa era o
jardim do paraíso no qual a serpente vivia.

Phrygian Ophiogeneis, "Serpente-nascida Gente" diz que o primeiro ancestral macho era a
Grande Serpente que residia no jardim do paraíso. Paraíso era o nome da Deusa-como -Virgem,
identificada como Mãe Hera (Terra), que em sua forma virgem era Hebe, a pronuncia Grega de
Eve. A Virgem Hera concebeu por partenogênese a serpente oracular Python, do "Templo-
útero," Delphi. Serpentes morando nas entranhas da Mãe Terra,eram supostas de possuir toda
sabedoria, estando em contato com o "sábio sangue" do mundo.

Um dos segredos dividido pela mulher primordial e sua serpente era o segredo da menstruação.
Persas afirmavam que a menstruação foi trazida para o mundo pela primeira mulher, que eles
chamavam Jahi a Prostituta, uma desafiadora como Lilith, do Pai Celestial.

Ela começou a menstruar pela primeira vez depois de copular com Ahriman, a Grande Serpente.
Depois ela seduziu "o primeiro homem honrado," que anteriormente vivia sozinho no jardim do
paraíso e somente por companhia o divino touro sacrificial. Ele não sabia nada de sexo até Jahi
ensiná-lo.

Os Judeus emprestaram muitos detalhes destes mitos Persas. A tradição rabínica dizia que Eve
começou a menstruar somente depois que ela copulou com a serpente no Éden, e Adam era
ignorante de sexo até Eve ensiná-lo. Foi muito acreditado que o primeiro filho nascido de Eve,
Caim, não foi gerado por Adam mas pela serpente. Crenças ligando serpentes com gravidez e
menstruação apareceram através da Europa por muitos séculos. Chegando aos tempos modernos,
camponeses alemães ainda pensavam que mulheres poderiam ser fecundadas por serpentes.

Seja que tenha sido iniciada por uma serpente ou não, derramar sangue inspirava um medo
mortal entre patriarcas Persas e Judeus (Leviticus 15). Rachel roubou com sucesso o teraphim
(deus da família) de seu pai porque ela escondeu-o sobre a sela do camelo e sentando-se nele,
falou ao pai que estava menstruada e ele não ousou aproximar-se dela (Gênesis 31). Atualmente
Judeus ortodoxos se recusam a cumprimentar uma mulher porque ela poderia estar menstruada.
Existem muitos tabus similares. A poção mais temida do mundo antigo era a "lua-bálsamo"
coletado por bruxas da Tessália, e que era o primeiro sangue menstrual de uma garota derramado
durante um eclipse da LUA.

Plínio dizia que o toque de uma mulher menstruada poderia murchar frutas do campo, azedar
vinhos, enevoar espelhos, enferrujar o ferro e cegar as facas. Se uma mulher menstruada colocar
a mão numa colméia, as abelhas iriam embora e nunca mais voltariam. Se um homem deitasse
com uma mulher menstruada durante um eclipse, ele logo ficaria doente e morreria. Cristãos
herdaram dos antigos patriarcas superstições horrorosas. St. Jerome escreveu: "Nada é tão
impuro que uma mulher nos seus períodos; o que ela tocar ficará impuro". Regulamentos
penitenciais do séc. 7 impostas por Theodore, Bispo de Canterbury, proibia mulheres
menstruadas de tomar a comunhão ou mesmo entrar na igreja. Do séc.8 ao séc.11, era lei das

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igrejas proibir o acesso de mulheres menstruadas nas igrejas. Até mesmo em 1684 ainda era o
costume que mulheres menstruadas ficassem do lado de fora da igreja. A superstição chegou ao
século 20, quando um texto médico Escocês citou uma velha rima com a repercussão de que o
sangue menstrual poderia destruir o mundo inteiro:

“Oh! Mulher menstruada, tu és um diabo


Do qual toda natureza deveria ser rigorosamente resguardada.”

Mulheres cristãs foram ordenadas a desprezarem a "sujeira" de seus próprios corpos, como em
uma Regra para os Anacoretas (ermitãos): " Não é você formada do limbo da alma? Não é você
sempre cheia de sujeira?.

Autoridades médicas do século 16 ainda repetiam as velhas crenças que "demônios eram
produzidos pelo fluxo menstrual". Um dos demônios nascidos do sangue menstrual era o
lendário basilisk com seu olhar venenoso. A lenda evidentemente nasceu do clássico mito da
Górgona com seu cabelo de serpente e olhar sangüineo, que petrificava os homens pelo seu
olhar. A Górgona e a cruz vermelha do sangue menstrual eram antes a marca dos mais potentes
tabus, do Polynesian "tupua", sagrado, mágico, aplicado especificamente para o sangue
menstrual.

Assim como os primitivos atribuíam poderes benéficos para o sangue menstrual junto de seu
temor á ele, camponeses medievais pensavam que ele poderia curar, alimentar, fertilizar. Alguns
acreditavam que uma mulher menstruada poderia proteger uma colheita andando em torno do
campo, ou expondo seus genitais á ele. Mulheres camponesas carregavam sementes para os
campos, em trapos manchados com seu sangue menstrual: uma continuação do costume das
sacerdotisas da fertilidade Eleusianas. Alguns doutores acreditavam que este sangue poderia
curar leprosos, ou agir como um poderoso afrodisíaco . Ciganos diziam que uma mulher pode ter
o amor de qualquer homem com uma poção de seu próprio sangue menstrual. Como um
mediador da reencarnação, este sangue era algumas vezes chamado como remédio para a própria
morte. Romances foram associados a este universal cura-tudo como o "sangue de uma virgem
nobre", como uma sábia mulher revelou para Galahad. O mesmo impeliu Luís XI a tentar afastar
a morte bebendo o sangue de uma adolescente. Superstições Vitorianas pensavam que uma
criança concebida durante um período menstrual poderia nascer com a placenta, e teria poderes
ocultos. Os médicos do séc. 19 herdaram de seus antecessores noções de feitiçaria e do mal, e
mantiveram a idéia de que mulheres menstruando não era saudável; e copular com elas poderia
infectar o homem com uretrite ou gonorréia. Dr. Augustus Gardner dizia que doenças venéreas
eram passadas de mulher para homem e não vice-versa. Falando sobre os tabus menstruais dos
primitivos, antropologistas descrevem as mulheres como "fora de controle", "sofrendo de
doenças menstruais", ou "derrubadas com a malatia comum ao seu sexo". Um médico escreveu
neste século "Nós não podemos deixar de enfatizar a importância destes retornos mensais como
períodos de pouca saúde, dias que as ocupações normais devem ser suspensas ou modificadas".
Em nossos dias assim como na Idade Média, a igreja Católica que ainda considera a si mesma
uma firme instituição teológica em avanço, tem como argumento contra a ordenação das
mulheres, a noção de que a sacerdotisa (madre) poderia poluir o altar. Isto não impede a
ordenação de mulheres pós menopausa, mas diferentes desculpas são achadas para isto. O
sagrado "sangue da vida" usado para ser feminino e real; agora é masculino e simbólico. "

Riane Eisler ainda afirma: ". . . eram impiedosamente perseguidos pelas autoridades da Igreja os
que rejeitavam a noção de que a mulher é de uma ordem inferior e não espiritual, o mesmo

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acontecia com as chamadas feiticeiras e outras mulheres que se apegavam a vestígios da
adoração pré-histórica de uma Grande Deusa e de seu filho divino, o Deus Touro ( que se tornou
o diabo de chifres na iconografia cristã)."

Não é difícil de perceber como a mulher deixou de reconhecer em si mesma o princípio divino.
Quanto ao touro tenho lido muitas referências sobre os planetas que estarão alinhados no signo
de touro em maio, mas se a astrologia bebe em fontes mitológicas, não podemos ignorar: o mito
da Deusa e do Touro, de Ísis e seus touros sagrados (Serapium), de Mitra (deus solar Persa) e seu
touro sacrificial, do Minotauro ser híbrido gerado por uma humana e que também foi sacrificado,
Zeus- touro e Europa. A astrologia designa o signo de touro como nutrição, sustento, bases
econômicas, a mitologia se refere á isso e também á fertilidade e ao sangue sacrificial.

Em algum momento o símbolo do sangue menstrual (símbolo do feminino divino - geração da


vida) representado como símbolo em sangue sacrificial, degenerou-se e perdeu-se a noção do
símbolo. Podemos observar essa transferência de poder através do sangue sacrificial do touro
(símbolo de potência masculina) sagrado. Em algum momento as mulheres ainda tinham
consciência de sua parte divina (período neolítico) e a humanidade fez a transição de sistema
econômico e de sistema social "o sistema de parceria" para o sistema de dominação, vigente em
nossos dias. O arcano da lua guarda "o mistério lunar" de nossas irmãs distantes, que a taróloga
Bárbara Walker soube tão bem descrever neste belo texto.

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Sombras

É muito difícil os seres humanos se relacionarem com algo chamado A SOMBRA, ou seja, tudo o
que sua personalidade consciente rejeitou para formar o EU que se apresenta ao mundo. Com
isso, a personalidade de cada um de nos é formada pelo que vem da luz, o ego, mas o que não
percebemos conscientemente é que também é formada em grande parte pela sombra.

Como em um iceberg o ego é a pontinha fora da linha da régua.

Porque é importante sabermos disso? Tendo consciência do que é nossa sombra poderemos
conhecer a nós mesmos de uma maneira plena. Sua sombra traz dentro dela tudo o que você
rejeitou. Se você é leal, sua sombra é desleal, se você é honesto, sua sombra mente, se você é
ordeiro sua sombra ama a desordem...

Mas a sombra tem uma riqueza potencial enorme, porque guarda qualidades que você também
não tem. Por exemplo, se você é tímido, sua sombra é arrojada, se você é medroso, sua sombra é
valente, se você é rígido sua sombra é flexível e adaptável...

Cremos que já deu para vocês imaginarem como o trabalho com a sombra pode ser importante e
rico. Ela pode fornecer a você qualidades que você não tem e que podem te ajudar muito na vida.
Mas há um preço a pagar. Qual seria ele?

Sabemos que a sombra é algo tem sido profundamente rejeitado por nós, quando não nos
trabalhamos psicologicamente, que essas riquezas da sombra não estão facilmente disponíveis...
Estão profundamente enterradas no inconsciente. E como faze-las vir à luz?

Tem um jeito: encarar sua sombra de frente.

Quando as pessoas começam a ver isso, muitas se assustam e nunca mais voltam a um trabalho
total de autoconhecimento. Um trabalho de autotransformação é um trabalho seríssimo.
Especialmente para aqueles que crêem que são "bons", "guerreiros da luz", "certinhos".

Falo isso porque quanto mais uma pessoa vive essas personagens boazinhas, anjinh@s, que
espalham luz e bondade onde passam, maior é o abismo que separa a sombra do ego. Se você é
daquelas pessoas que nunca se permite uma irritação, que nunca xinga, que nunca grita e que
jamais perde a paciência, se você é uma pessoa sempre legalzinha, agüentando qualquer coisa que
te façam de boca calada ou oferece a outra face, se você aparenta ser sempre Zen e que nada te
perturba... bem , você é um sério candidato a ser vítima do que se chama em psicologia uma
revolta da sombra. Ou então já alcançou um nível de Ser Ascenço, o que normalmente é o mais
difícil, a não ser, é claro, que você se sinta no mesmo patamar de Ghandi, Jesus Cristo, Arádia e
outros. Falando francamente, se você fosse assim nem estaria lendo este texto, então... mãos à
obra!

Vocês já viram aquele número de malabarismo nos circos em que a pessoa se equilibra em uma
tábua solta sobre um cilindro? Quanto maior for a tábua, mais difícil o equilíbrio. Quanto mais as
pernas ficam próximas, mais fácil é... pois é, imagine que cada perna é ego e sombra e entendam
o exemplo... uma pessoa que dá vazão a sua sombra, que morde quando é cutucada, que xinga,
briga, chuta em revolta, que não dá a outra face, que não finge que não está zangada e odeia...
essa pessoa pode ser muito mais equilibrada do que as que fingem que nada as afeta ou que
sempre passam por cima de tudo, ou pior, que se compadecem de quem as agride...

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Uma explosão da sombra pode se dar de mil maneiras, desde uma maneira bombástica como o
cara bom pai de família e bom marido e trabalhador que um dia pega uma arma, entra numa
lanchonete e fuzila todo mundo, até a pessoa que não agüenta mais e um dia manda o casamento
por espaço os filhos pra marte e vai morar com os índios no Xingu...

Conhecer e acatar nossa sombra, por exemplo, que odeia, grita, rosna, ameaça os inimigos é parte
essencial de uma psique saudável, porque é só aceitando nossa condição humana é que seremos
capazes de conhecer quem realmente somos.

Um ser consciente sabe que aceitar as manifestações da sombra é o caminho do poder pessoal e
do equilíbrio e que não há atalhos que o evitem. Emoções como ira, raiva, ódio, cobiça, gula ,
luxúria, preguiça, são HUMANAS

Nenhum de nós escapa delas, e o resto é fingimento e hipocrisia.

Colocamos de propósito palavras que lembram os 7 pecados capitais católicos, que nos faz ter
tanta dificuldade com o trabalho com a sombra é justamente o arquétipo cristão: ser sempre bom ,
só fazer o bem ,nunca agredir ninguém, nunca se irar....

Cuidado sempre com as doutrinas da escravidão, das doutrinas da CULPA.

Pois as sombras que se alimentam desse sentimento chamado CULPA são sempre monstruosas...

Continuando...

"Lembre-se que mesmo as feridas tratadas ainda deixam cicatrizes, que são justamente o que faz
de você o que você é. Suas virtudes e seus defeitos são reflexos de suas experiências.
Mas preste atenção para uma coisa... as cicatrizes não causam problemas, cicatrizes são só
cicatrizes. E as piores cicatrizes são aquelas das feridas que são constantemente "cutucadas", ou
lembradas.

Uma borboleta quando bate as asas em Pequim não faz chover em Nova York?
Cicatrizes fechadas podem ser lembradas e relembradas, até como aprendizado e não vão doer
não.. as que doem são aquelas que ainda estão infeccionadas.. que foram "esquecidas" numa
tentativa inútil de se apagar a dor.."

Quando nos tornamos pagãos uma das primeiras coisas que temos que ter em mente é que
SOMOS CRIADORES DE NOSSO UNIVERSO, COMO OS DEUSES ANTIGOS. É por isso
que celebramos a Roda do Ano: somos co-criadores da realidade e, portanto, fazemos o ano
acontecer junto com os Deuses.

Ter essa visão da realidade implica que SABEMOS QUE OS FATOS DE NOSSA VIDA NELA
ESTÃO PORQUE NÓS OS PUSEMOS. Não existe isso de "os desígnios dos deuses", "estou
maus porque a Deusa quis", "tudo culpa do vampiro". Tudo isso é bobagem.

Nós mesmos e mais ninguém somos responsáveis pelo que acontece em nossas vidas.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Sim, cremos que haja espíritos, cremos que muitas vezes eles interagem com pessoas e podem
até prejudicá-las por influencias sutis, MAS a tendência das pessoas no Brasil, especialmente, é
adotar uma postura completamente ilusória de que tudo o que acontece com uma pessoa é
problema causado por espíritos.

Enfim, o que importa é se você acredita que isso seja real ou não. Eis o problema: você acredita?
SE é sim, tenha em mente uma coisa: absolutamente ninguém, nem os deuses, podem fazer algo
na sua vida se você não deixar!

Um certo analista que ao falar da sombra dava a seus pacientes o seguinte conselho: "Uma má
ação por dia traz saúde e alegria" hehehehe Logicamente era uma brincadeira, não um incentivo
á prática de "más" ações. Mas tinha um significado simbólico. O que isso queria dizer?

Fomos criados, a maioria de nós, tendo que sufocar nossos legítimos sentimentos de ódio, raiva,
ciúme, dor, vaidade, poder...(se são sentimentos bons ou ruins não nos cabe julgar neste
momento) Fomos criados para ser "Bons", "viver o lado luz", fomos criados para nos sentir
culpados a cada vez que essas emoções afloram. Pois é: a sombra, para que não chegue a uma
explosão espetacular (por exemplo: não se chegue a atos de terrorismo, ou a metralhar gente em
cinema, ou a abandonar a família e a profissão ou outras menos espetaculares) precisa de ser
acolhida por nós.

E como se faz isso?

Deixando de tentar sufocar as legítimas expressões da sombra, deixando de tentar fugir dela.

Por exemplo, por mais que saibamos que no caso TERRORISTAS X EUA não há certo e errado,
não há mocinhos e bandidos, o nosso sentimento pode nos dizer que adoraríamos explodir uns
terroristas. Há os que vêem a mesma notícia e resolvem que adorariam explodir mais uns prédios
de NY...

A simples liberdade de deixar a sombra se expressar em palavras que não virarão atos e não se
sentir culpado por elas já é um enorme alívio na pressão interna da sombra. Saber que podemos
sim, odiar esse terroristas e até querer amaldiçoá-los, é libertador. SE eu não me culpo, minha
sombra se satisfaz, porque sabe que é acolhida, que há um espaço no mundo para ela, que eu a
respeito. Mas ela não dita minhas ações e, pois, não vai me levar ao desequilíbrio.

É muito importante essa liberdade verbal, pois para quem foi criado nas doutrinas
tradicionalmente ocidentais, por exemplo, até o proferir palavras "más" é proibidíssimo...

OK, palavras constróem, elas tem poder, mas quando elas liberam a sombra o poder delas não
destrói, nem você, nem os demais.

VOCÊ pode achar isso muito simples, mas é real e funciona.

Por exemplo, o que é a "má ação por dia que dá saúde e alegria"?

Imagine alguém programado para ser sempre caridoso, e isso ser uma pressão psicológica na
vida dele. Um dia esse cara tem mil trocados no bolso e aparece um pedinte, e por alguma razão,
ele nega a caridade. Isso pode ser uma "má ação" que satisfaça a sombra dele, permitindo, até,
que mais tarde, ele doe uma soma grande para caridade sem se sentir obrigado e, pois, sem estar
escravizado pela sombra. Ao dar dinheiro sem culpa e sem pressão da sombra ele está exercendo
um de seus sagrados direitos: ser livre.

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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Outros exemplos de pequenas concessões que podemos fazer à sombra sem grande potencial
ofensivo é xingar quem desejarmos, falar palavras mordazes, deixar de cumprir favores... A lista
pode ser enorme, o importante é compreender que não é possível se saber qual será o tributo a
pagar à sombra, se não a conhecermos.

Por exemplo, para uma pessoa orgulhosa da sua auto-suficiência o tributo á sombra pode ser
simplesmente pedir ajuda, enquanto para alguém que aceita ajuda numa boa, o mesmo ato não
tem nenhum conteúdo de sombra.

O que falamos acima vale genericamente, porque quase todo mundo por hábito ou criação,
sufoca os sentimentos citados. Mas só se sabe mesmo o que fazer se olharmos a questão do
equilíbrio da sombra de um ponto de vista subjetivo.

Portanto o que alguém faz para conseguir o equilíbrio da sombra não é o que você ou outras
pessoas devem fazer. Só sabemos como é nossa sombra quando passamos a nos observar. O que
te irrita? O que te revolta? O que te prende? Quais são seus grilhões? Quais seus medos? Como
você vê, a resposta é muito pessoal. :)

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PERGUNTAS
Perguntas mais frequentes

Eu posso ser uma bruxa? Como alguém se torna bruxa?


A bruxaria é uma religião pagã, e, como tal, ingressar nela é
fruto, simplesmente, de uma escolha pessoal, que se faz após
sentirmos um impulso que costumamos denominar o chamado
da Deusa.

Como começar? O que é a prática da bruxaria?


Se você tem o impulso de se tornar uma bruxa ou bruxo é porque os deuses antigos despertaram
seu coração e alma.
Praticar é muito simples. Basta que você comece a celebrar os rituais das fases da lua e do curso
do Sol durante o ano, conectando-se com a natureza e uma antiguissima forma de as pessoas se
integrarem a ela.

Como eu sei se devo começar? O que é ouvir o chamado da Deusa?


Ouvir o chamado da Deusa é sentir o impulso de buscar as antigas religiões da Terra, e pode se
expressar das mais diversas formas, mas frequentemente é um amor muito grande por isso,
lembranças de outras vidas em que praticamos esses mesmos ritos, o fato de se emocionar diante
dos espetáculos da natureza, se alegrar e sofrer com ela... Não é raro ouvirmos que o chamado se
revelou como uma sensação de que a pessoa ao encontrar a bruxaria "se sentiu em casa".
O chamado não é a simples curiosidade, é uma apelo insistente, um impulso muito difícil de
ignorar que você sente de conhecer e se integrar à bruxaria.

"Vc ouviu o chamado da Senhora? Ela canta sua Canção sagrada em tudo o que existe,
sussurra na brisa nas folhagens, grita nos relâmpagos, ruge nos vulcões. Ela geme em cada grito
de dor, se faz ouvir no choro do recém nascido e do moribundo, na altivez do leão e nas patas da
gazela. Ela chora nas queimadas da amazonia, é ferida nas guerras, se encontra na fome e na
satisfação da fome. Ela é vida e é morte. É a terra com seus frutos abundantes e a Ceifeira que
traz a morte e a putrefação....
Ela canta sua canção mais bela quando a Lua enche nos céus .. é a Senhora das águas que
correm, trazendo vida ao planeta... sua música é a complexa sinfonia sem fim das vastidões das
galáxias e suas notas mais brilhantes são cada uma das estrelas.
Se vc ouviu algum dia tudo isso, não há lugar no universo onde vc possa se esconder do
chamado da Deusa e nessa hora, se vc simplesmente responder ao chamado e escolher o Antigo
Caminho, será uma brux@. "

É possível ser bruxa conservando minha religião anterior?


Não cremos que seja possível ser de outra religião e querer praticar a bruxaria, pois “a wicca é
uma religião”. Todas as bruxas e bruxos iniciados são sacerdotes da wicca, assim, é incompatível
praticar qualquer outra religião. Além disso, bruxos são pagãos, ou seja, não acreditam nem
aceitam para si os mandamentos das religiões dominantes, baseadas na mitologia judaico- cristã,
ou quaisquer outras.

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Para ser bruxa eu preciso ter poderes especiais? Vou adquirir poderes mágicos se virar uma
bruxa?
Uma bruxa tem os mesmos dons que qualquer pessoa tem em potencial. Os dons que costumam
ser chamados sobrenaturais, como telepatia, telecinese, clarividência e tantos outros são
capacidades naturais dos seres humanos em geral. Bruxas abrem sua mente para essa realidade e,
pois, livres das amarras da mente racional, podem mesmo fazer essas coisas. Mas qualquer um
pode, basta se dedicar a descobrir e desenvolver seus dons.

Só mulheres podem ser bruxas?


Não, podem ingressar na wicca homens e mulheres, livremente. A verdade é que wicca é um
caminho mágico lunar e feminino. Isso significa apenas que ele é centrado no divino feminino,
ou seja, o elemento essencial da bruxaria é o culto à Deusa. Se faz bruxaria cultuando em
equilíbrio a Deusa e o Deus, se faz bruxaria cultuando apenas a Deusa, mas está fora da bruxaria
moderna um culto ou sistema mágico que se baseie apenas no divino masculino, só no Deus.
Homens não são "wiccanianos de segunda classe", muito pelo contrário, homens tocados pela
Deusa são imprescindíveis dentro da wicca. Mas devem desaprender os conceitos machistas da
sociedade comum, aprendendo a ver em cada mulher a Deusa encarnada. E as mulheres a verem
em cada homem a presença do Deus. E vice-versa.
Há igualdade de importância entre homens e mulheres na wicca.

Eu posso praticar a bruxaria em minha própria casa? A bruxaria tem templos?


O templo da bruxaria é a Natureza, não obstante, conforme a disponibilidade de cada um, os
rituais possam também ser feitos em recintos fechados.
A bruxaria pode sim ser praticada em casa.

Posso praticar sozinha ou preciso de um grupo?


Sim, a prática solitária é tão válida e plena quanto a prática em grupo. Não saia em busca de
grupos, quando chegar a hora de ter essa experiência, a Deusa a enviará a você. No início celebre
sozinha e aprenda a conhecer e seguir os ritmos da Lua e do Sol, fazendo também seus.

Eu preciso ter um mestre na bruxaria?


Não, a bruxaria independe de mestres. O que você necessita é estudar, informar-se a respeito e
depois de decidir praticar, estabelecer seus vinculos com a Deusa Triplice e seu Consorte. Isso se
dá com a pratica dos rituais e com um viver mágico.

Como eu vou me iniciar? Quem vai me iniciar?


Essa preocupação nem deveria estar presente na cabeça de novatos, porque antes de sequer
cogitar se iniciar você terá que ter praticado wicca por pelo menos um ano e um dia (tempo de
uma Roda do Ano).
A primeira coisa a se praticar é estabelecer a conexão com a Deusa, pois é Ela a única Iniciadora.
Se ao final de pelo menos um ano e dia (pode ser mais, se você ainda não se sentir preparado,
mas nunca menos) você estiver decidido a entregar sua vida aos Deuses antigos, você pode
procurar um iniciador ou até fazer sua auto-iniciação.
Muito cuidado com pessoas que prometem iniciação por apostilas, ao fim de cursos ou pela
internet. Isso é impossível. Iniciação implica conhecimento, vínculo mágico e convivência entre
Iniciador e Iniciando. Não se deixe enganar!

Bruxas fazem rituais satânicos? Adoram o demônio, fazem pactos com satanás?
Bruxas sequer acreditam que exista um ente que se chame diabo ou que seja um inimigo de seu
Deus... nossos deuses personificam o todo, tudo o que existe no universo.

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Como não acreditamos que o diabo exista não podemos fazer rituais satânicos ou pactos com um
ser que é estória da carochinha, feita para assustar e controlar a mente dos que temem essa figura
lendária.
Não se presta culto ao que não existe. Bruxaria nada tem a ver com satanismo, e não existe algo
que se chame "bruxa satânica". Se algum dia você ouvir alguém se intitular assim, saiba que é
uma falsa bruxa.

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LIVROS

Aqui estão listados alguns livros relacionados a Bruxaria e Magia em geral. As opiniões aqui
expressas são de vários irmãos na Arte recolhidos na Internet. Não temos a pretensão de fazer
uma análise profunda de cada um, apenas damos nossa opinião com a intenção de orientar as
pessoas na hora de escolher um livro.

A Bruxa Solitária, de Rae Beth - Básico e escrito sob a forma de diálogos, contém o essencial da
prática da wicca.

O Livro Mágico da Lua, D. J. Conway - Excelente compêndio de rituais, mitologia, feitiços e


atividades de celebrações wiccanianas. Como qualquer outra obra da mesma autora, recomendo
entusiasticamente. Não pode faltar em nenhuma biblioteca.

Magia Celta, D. J. Conway - A tradução portuguesa foi resumida, o que prejudica a obra, mas
ainda assim é leitura obrigatória para quem deseja conhecer as tradições celtas.

Elementos da Deusa, Caitlin Matthews - Leitura mais que obrigatória. Um livro simples e
curto, mas que oferece um sistema de meditação com as nove faces da Deusa que é vital para o
aprofundamento do conhecimento e conexão com Ela. Dele condensei o texto "Rosário da Deusa".
A autoria de Caitlin Matthews é sempre indicativa de excelentes livros de wicca.

Oito Sabás para Bruxas, de Janet e Stuart Farrar - Excelente livro sobre a roda do Ano, embora
se refira aos rituais próprios da tradição alexandrina e não remeta a costumes mais gerais. É parte
de uma obra bem maior, que não foi traduzida, "The Witches Bible", que contém os rituais da
tradição Alexandrina ( inclusive iniciação nos 3 graus) esboçados.

O Deus dos Magos, de Janet e Stuart Farrar - O título original é " O Deus das bruxas". Único
livro em português sobre o Deus de chifres. Muito útil, contém ao final um compêndio com deuses
de muitas mitologias, breve explicação e materiais para usar em seus rituais.

Feitiçaria a Tradição Renovada - Evan John Jones e Doreen Valiente. Livro muito
interessante, embora não diga respeito exatamente à wicca, mas a uma forma de wicca muito
influenciada pela witchcraft (bruxaria tradicional). Mesmo assim é leitura obrigatória, oferecendo
uma visão muito rica da bruxaria moderna e escrito por uma das suas fundadoras, Doreen
Valiente, autora de muitos textos hoje considerados sagrados na wicca

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Guia Essencial da Bruxa Solitária e A Verdade sobre a Bruxaria Moderna, Scott


Cuninghan - livros básicos e simples, que oferecem uma visão de wicca muito difundida a partir
da prolífica obra do autor. Pessoalmente não é dos meus escritores prediletos.

Wicca a Bruxaria Moderna - Gerina Dunwich. Livro para iniciantes. A tradução imperfeita
pode levar a confusões uma vez que materiais como "sangue de pombo", que é uma resina vegetal
de cor vermelha, por exemplo, parecem que são sangue de animal mesmo, o que leva as pessoas a
pensarem que se trata de sacrifícios. Afora isso e algumas outras imperfeições é um bom livro,
mas não e´ dos meus preferidos.

Autobiografia de uma feiticeira e Conversas com uma Feiticeira , de Lois Bourne . Livros
básicos e de interesse geral, embora não acrescentem muito se vc já leu Starhawk e às vezes
apresentem algumas crendices como se fizessem parte da wicca. Da mesma autora é o recente
Dançando com feiticeiras, do qual considero a aquisição simplesmente perda de tempo e dinheiro
o livro se limita a enumerar os "prodígios" da autora como bruxa, além de em certa parte denegrir
a imagem de seu iniciador Gerald Gardner. Um livro completamente dispensável que não entendo
porque uma editora se deu ao trabalho de traduzir para o português.

O Mundo de Uma Bruxa, de Patricia Crowther, Um livro para quem deseja saber as "fofocas" e
tolas disputas de "quem sabe mais" da época em que a Wicca surgiu na Inglaterra. A autora,
gardneriana, se ocupa o tempo todo em dizer que só ela é wiccaniana de verdade e denigre a
tradição alexandrina, demonstrando todo seu preconceito contra os outros praticantes de wicca.
Um livro simplesmente infeliz e inútil, a não ser como relato histórico de "fofocas" e animosidade
pessoal. Outro que se lamenta uma editora tenha se dado ao trabalho de traduzir.

O Amor Mágico, Laurie Cabot . Um compêndio de rituais de amor, muito rico e interessante,
especialmente na parte de Deusas e Deuses ligados ao tema.

O Despertar da Bruxa em cada Mulher, Laurie Cabot - um livro não específico para
wiccanianos, porém interessante por referir-se à mitologia e rituais de diversas deusas celtas.

A Deusa no Escritório, Z. Budapest - Livro pequeno e genial, mostra da vasta obra da autora.
Pena seja seu único livro traduzido para o português.

"A Verdade Sobre a Bruxaria Moderna" - Scott Cunningham.


É bem genérico, tratando mais da parte teórica do que da prática. Sua linguagem simples, abordando a
Tradição Wiccana de maneira um pouco superficial, porém sensata, o torna ideal para todo iniciante ou
curioso. Derruba os "mitos" nos quais a pessoa ainda possa acreditar. Se você pretende seguir A Arte e

Sem prejudicar ninguém realize sua vontade. “Abençoado Seja!”


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quer esclarecer alguém acerca desse caminho que escolheu, dê este livro a essa pessoa. Bom apenas para
os iniciantes, aqueles ainda bem desinformados que não tem idéia do que seja A Arte.

"Guia Essencial da Bruxa Solitária" - Scott Cunningham.


Este já se aprofunda um pouco mais na prática da Bruxaria Wicca, trazendo informações gerais sobre os
dias sagrados, magia, correspondências, etc. Dá uma noção básica a quem está começando, mas ainda é
um pouco superficial. Coloca a Deusa e o Deus no mesmo patamar como achamos que deve ser.
Linguagem bastante simples. Pode ser lido em seqüência ao "A Verdade Sobre a Bruxaria Moderna"
desse mesmo autor. É um guia "Essencial" no sentido de que é básico, mas nem de longe é suficiente.

"Magia Natural" - Scott Cunningham.


Outro livro muito bom, como todos desse autor. Direcionado para iniciantes também.
Embora não seja um livro de Bruxaria (a religião), e sim de magia, é indicado para Bruxos pois a magia
natural descrita aqui é a mesma magia usada pela maioria dos Wiccanos e Bruxos em geral. Expande um
pouco a visão dos 4 elementos para quem está começando. Uma falha desse livro é que ele deixa a desejar
na parte teórica: faltam reflexões e explicações. Por outro lado, é bastante direto e prático.

"Enciclopédia de Cristais, Pedras Preciosas e Metais" - Scott Cunningham.


O nome diz tudo. Traz as correspondências elementais e astrológicas de cada "pedra". Além das
informações genéricas sobre o uso de cada "pedra" (gema, pedra, cristal, resina, etc) na cura, e na magia
geral, ainda traz exemplos de feitiços a se fazer aproveitando o poder de cada uma.

"O Poder da Bruxa" - Laurie Cabot.


Mais do que recomendado. É básico pra qualquer bruxo que se preza. É fascinante a parte em que ela
mostra que magia e ciência são compatíveis e devem caminhar lado a lado como era antigamente. Esse
livro ensina a desenvolver e utilizar um pouco do poder da mente, elemento ausente na maioria dos livros
do gênero, mas é um pouco pobre em termos de informações sobre deidades, dias sagrados etc. Indicado
para todos, principalmente quem está começando.

"O Despertar da Bruxa em cada Mulher" - Laurie Cabot.


Ótimo em mitologia. De resto é direcionado ao público feminino. Muito polarizado.

"Amor Mágico" - Laurie Cabot.


Pra quem está na arte e sabe da mesma. Um curioso ou desinformado pode fazer muita besteira. Mas para
o bruxo ou a bruxa é muito interessante, principalmente aqueles a procura de amor.

"A Dança Cósmica das Feiticeiras" - Starhawk.


Excelente para quem tem coven ou pretende formar um. Vários exercícios, práticas, rituais e feitiços!
Tem várias dinâmicas. Dá uma boa introdução ao trabalho em transe, desmistifica a Iniciação. É um livro
"politicamente correto". Rico em informações sobre o Deus e a Deusa, bem como em correspondências
das mais variadas. Traz um exemplo de ritual para cada Sabá. Uma leitura que definitivamente
acrescentará a seus conhecimentos. Um ponto negativo é que como muitos outros livros dessa lista, tem
forte tendência feminista.

"Os Mistérios Wiccanos" - Raven Grimassi.


Ótimo livro. Recomendado pra quem já é da Arte e tem familiaridade com ela. Mostra de onde veio a
Bruxaria, a Wicca tradicional e como ela se tornou o que é hoje. Rico em informações sobre mitologia,
povos antigos, sobre os celtas, magia wiccana avançada, entre muitos outros temas. O autor revela
diversos segredos da autêntica Wicca tradicional inéditos para quem é de fora, porém, não dá os detalhes..
Em algumas partes, ele "fala o milagre, mas não fala o santo" e isso às vezes irrita. Livro
predominantemente teórico, mas com valiosas informações sobre prática. Com certeza é ume leitura que
expandirá seus conhecimentos acerca de tudo relacionado à Bruxaria. Valor histórico indiscutível. Não é
recomendado para iniciantes, pode assustar e dar um nó no cérebro.

"Revelações de uma Bruxa" - Márcia Frazão.

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Apesar da autora ser "diânica" demais, é bom pra iniciantes no caso de ser do sexo feminino, se for do
masculino, você deve saber ler. Porque pode se incomodar com o feminismo chato da autora. Passa um
sentimento de "Oh.. não estou só" para o bruxo/bruxa que lê. Fora isso, não acrescenta muita coisa...

"A Cozinha da Bruxa" - Márcia Frazão.


Recomendamos só pra quem já tem familiaridade com A Arte . Livro inteiro de feitiços e sortilégios.

Demais livros da Márcia Frazão.


Podem ser úteis desde que se saiba ler. Os livros são falhos (e muito falhos) no sentido de que
desconsideram o Divino Masculino. Seus livros tem tendência "marketeira", à futilidade e ao romance.
São dispensáveis para o praticante sério e que tem fome de informação, exceto no quesito herbalismo, em
que ela dá um show (apesar de discordarmos de alguns pontos). Outro detalhe é que nem todos podem
fazer as coisas como ela diz. Como ter as ervas em casa, uma cozinha como a dela, etc...

"Autobiografia de uma Feiticeira" - Lois Bourne.


Ótimo livro, recomendado pra todas as pessoas.

"Conversas com uma Feiticeira" - Lois Bourne.


Idem.

Dançando com Feiticeiras" - Lois Bourne.


Livro de memórias dessa escritora e bruxa inglesa. Fala muito de sua convivência com Gerald Gardner.
Algumas referências práticas e teóricas sobre a Bruxaria

"Bruxa Solitária: Lições a Aprendizes de Bruxaria" - Rae Beth.


Assim como O Guia Essencial da Bruxa Solitária, é direcionado ao praticante solitário. Muito bom pra
iniciantes e dispensável para veteranos. Completa O Guia Essencial da Bruxa Solitária. Desmistifica. Traz
correspondências e noções básicas.

"Wicca: A Feitiçaria Moderna" - Gerina Dunwich.


Bom livro pra quem esta começando e pra quem já está na Arte. Tem algumas coisas controversas. Traz
feitiços, informações gerais.

"Segredos da Magia do Amor" - Gerina Dunwich.


Muito interessante. Tem algumas receitas tradicionais da Bruxaria, mas alguns ingredientes você nem
consegue achar mais.

"Ritos e Mistérios da Bruxaria Moderna" - Claudiney Prieto.


Pra Iniciantes. Considerado um livro de médio pra bom.

"A Religião da Grande Deusa" - Claudio Crow.


Pra veteranos. Muito bom. A história da nossa religião.

"Livro Mágico da Lua" - D.J.Conway.


Muito bom. Para todos. INDISPENSÁVEL. Fala muito sobre deuses e deusas, mitologia.

"Remexendo o Caldeirão" - Ligia Amaral.


Hmmm... nada que você não encontre em qualquer livro pra iniciantes. É meio ruim...não recomendamos.

"O Despertar das Bruxas" - Júlia Maya.


Não compre esse livro. A autora provavelmente assistiu ao filme: "JOVENS BRUXAS" e resolveu
escrever o livro. Ridículo. O símbolo máximo do Pinkismo. Mantenha-se afastado desse livro ou, se
puder, faça uma fogueira com ele e depois enterre.

"O Caminhos da Jovem Feiticeira" - Luiza Lagoas


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Parecido com o Anterior. Não compre.

"Como se Iniciar na Bruxaria" - Hans Holzer


Não recomendamos.

Sobre Runas:

"Iniciação às Runas", de Ligia Amaral Lima. (Básico)


"Elementos das Runas", de Bernard King;.
"A Magia das Runas - Suas Origens e Poder Oculto", de Michael Howard.

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Bibliografia

Mavesper Cerridwen – Textos Diversos.

Doreen Valiente - Livro BibliografiaWiccan/OsMistériosWiccanos, de Raven Grimassi

Gerina Dunwich - Wicca - A Feitiçaria Moderna - Editora: Bertrand Brasil - publicado em 1992 - Rio de
Janeiro. Titulo Original : Wicca Craft

Adler, Margot - "Drawing Down the Moon", Beacom Press, Boston,1979.

Léo Artése, terapeuta e acupunturista. Autor do livro " O Vôo da Águia" Uma Iniciação aos Mistérios e a
Magia do Xamanismo ( Editora E. Roka ).

Scott Cunningham , "Guia Essencial da Bruxa Solitária", Editora Gaia. Tradução de Cláudio Quintino.
Todos os direitos reservados à Editora.

Circle Network News - Publicação trimensal de Circle, Winscosin.

Campbell, Joseph - "The Masks of God", Viking Press, Nova Iorque, 1959-1962.

Cunningham, Scott - "Wicca", Llewellyn Publications, St.Paul,1988.

Eliade, Mircea - "Tratado de História das Religiões", Payot, Paris, 1949. - "O Sagrado e o Profano", Livros
do Brasil, Lisboa, 1956.

Farrar, Janet and Stewart - "The Witches Way", Hale, London, 1984. - "The Life and Times of a Modern
Witch", Piatkus Books, Londres, 1987. - "O Deus dos Bruxos", Ed. Siciliano, S.Paulo, 1989.

Frazer, James - "The Golden Bough", Papermac, Londres, 1922.

Gardner, Gerald - "High Magic's Aid", Houghton, Londres, 1949. - "Witchcraft Today", Rider, Londres,
1954. - "The Meaning of Witchcraft", Aquarian Press, Londres, 1959.

Graves, Robert - "The White Goddess", Farrar,Straus & Giroux, Nova Iorque, 1948.

Murray, Magaret - "The God of the Witches", Daimon Press, Essex, 1931. - "The Witch-cult in Western
Europe", Oxford Press, Londres, 1921.

Starhawk - "The Spiral Dance", Harper & Row, S.Francisco, 1979. - "Dreaming the Dark", Beacom Press,
Boston, 1982.

Daniel Pellizzari ou Fr. k-ouranos 333, 0° NOX - e-mail: mojo@w3.to

Graça Lúcia Azevedo / Senhora Telucama - Salvador – Bahia - Brasil

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