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FOUCAULT – O Sujeito e o poder (Fichamento)

Por que estudar o poder: A questão do sujeito

1. O objetivo do autor, não é estudar o poder propriamente dito, mas, a “História dos diferentes
modos pelos quais, em nossa cultura, os seres humanos tornaram-se sujeitos”

2. A primeira parte, se baseia no estatuto da ciência, na filologia e na linguística

3. A segunda parte, se baseia nas “práticas divisórias”, mecanismos que consistem em dividir o
sujeito no seu interior e em relação aos outros: o doente e o sadio, o criminoso e o cidadão

4. Na terceira parte, que será de interesse desse trabalho, o modo pelo qual um ser humano se torna
um sujeito, como aprendem a se reconhecer, diante de um tema

5. O sujeito humano, quando colocado em relações de produção e de significação (enquanto se


torna sujeito), é também submetido a relações de poder muito complexas

6. A História e a teoria econômica, se mostraram bons instrumentos para estudar as relações de


produção, a linguística e a semiótica, para o estudo das significações, mas o autor se queixa de não
havermos desenvolvido ainda, instrumentos para a avaliação das relações de poder

7. Exemplos de “formas patológicas” e de “doenças do poder”: O fascismo e o estalinismo. Apesar


de sua singularidade, não são originais, utilizam e expandem mecanismos já presentes na maioria de
outras sociedades e utilizam as ideias e os artifícios de racionalidade política

8. A filosofia desde Kant, cumpre o papel de prevenir que os limites dados pela experiência sejam
ultrapassados. Com o surgimento do Estado moderno e consequente gestão política da sociedade, o
papel da filosofia é vigiar os excessos da racionalidade política

9. A racionalização da sociedade, deve ser considerada como um processo em vários campos,


relacionados a experiências fundamentais: loucura, doença, morte, crime, sexualidade etc.

10. O ponto de partida para a análise do poder, sua posição, seu ponto de aplicação e seus métodos é
a resistência que esse poder sofre. O antagonismo garante a análise do poder além da sua
racionalidade interna

11. Foucault sugere analisar o poder pelo seu antagonista: analisar a legalidade pela ilegalidade

12. Para além da definição das lutas antiautoritárias, deve-se definir o que elas tem em comum:

1) Transversalidades: Não se limitam a um único país, não estão limitadas a uma forma econoômica
nem política particular de governo

2) os seus objetivos são os efeitos de poder. Ex: Não se criticam as profissões pela sua
lucratividade, mas pelo poder que elas exercem sobre os outros

3) São imediatas por duas razões: Critica-se somente o poder próximo, que exerce ação sobre os
indivíduos, ataca-se o inimigo imediato e não o inimigo mor e também não procuram encontrar
solução para seus problemas no futuro (revolução, fim da luta de classe)

4) Questionam o estatuto do indivíduo: por um lado afirmam o direito de serem diferentes e por
outro, atacam o que separa o indivíduo dos outros, não são contrárias ao indivíduo, mas contra o
“governo da individualização”

5) Se opõem aos efeitos de poder relacionados ao saber, competência e qualificação, ou seja, contra
os privilégios do saber, mas, também são oposição às representações mistificadoras impostas as
pessoas

6) Todas essas lutas giram em torno da questão: Quem somos nós? Elas se recusam a aceitar as
abstrações do Estado de violência e economia e também da ideologia que ignoram a individualidade

13. Essas lutas contemporâneas se concentram mais em atacar as técnicas e formas de poder do que
uma classe ou as instituições

14. Esta luta que é uma forma de poder, marca a sua própria individualidade, o liga a sua identidade
e implica que os outros reconheçam a sua identidade e que ele reconheça no outro. É dessa forma
que o poder transforma os indivíduos em sujeitos.

15. Definição de sujeito: “sujeito a alguém pelo controle e dependência, e preso à sua própria
identidade por uma consciência ou autoconhecimento”

16. Os três tipos de luta: a) Contra as formas de dominação (étnica, social e religiosa), contra a
exploração que os separa daquilo que produzem, contra o que o liga a si mesmo e o submete aos
outros (sujeição, formas de subjetivação e submissão)

17. Apesar das lutas contra as formas de dominação não terem desaparecido, a luta contra as formas
de sujeição, ou especificamente sob a sujeição da subjetividade se torna cada vez mais importante

18. Os movimentos baseados na reforma foram marcados por uma crise de subjetividade, contra a
religiosidade e a moral imposta pela igreja católica na idade média]

19. Os mecanismos de sujeição devem ser analisados em suas relações com os mecanismos de
exploração e de dominação, no entanto, deve se levar em consideração que ele não se relaciona
apenas com esses mecanismos mas com uma rede complexa deles

20. Essa forma individual de luta, a da subjetividade, prevalece em nossa sociedade,


especificamente desde o surgimento do estado no Séc XVI e sua continuidade. Essa estrutura
política tende a ignorar os indivíduos, se ocupando apenas dos interesses da totalidade, ou seja, de
uma classe ou grupo de cidadãos

21. O poder do Estado, uma das razões de sua força, é um poder tanto individualizante quanto
totalizador

Interessante observar como que a impossibilidade de oposição nos Estados totalitários, e


consequentemente a sua padronização, aparecem nessa observação, Usar para caracterizar a
formação dos inimigos do Estado

22. O poder pastoral: Provém do cristianismo, única religião que se organiza na forma de igreja.
Postula que determinados indivíduos de distinta qualidade religiosa pode servir aos outros não
como príncipes ou magistrados, mas, como pastores. As características desse poder são:

→ Seu objetivo é assegurar a salvação em outra vida


→ Não manda apenas, mas, está disposto a se sacrificar pelos outros
→ Não cuida apenas da sociedade como um todo, mas de cada indivíduo, durante toda a vida
→ Necessita de conhecimento da mente das pessoas, de seus segredos e de seus hábitos, além, da
capacidade de direção sobre elas

Caracteriza bem os governantes totalitários, especificamente os militares

23. Essa forma de poder está vinculada ao indivíduo por toda a sua vida e está ligada a sua produção
de verdade – a sua própria verdade. Também se define por três oposições:

→ Orientada para a salvação (oposição ao poder político)


→ Oblativa – Voluntário - (Oposição ao princípio de soberania)
→ Individualizante (oposição ao poder jurídico)

24. O poder pastoral possui dois aspectos marcantes: 1) sua institucionalização eclesiástica, que
perde sua força desde o Séc XVIII e 2) sua ampliação fora dessa instituição

25. O “Estado Moderno” não deve ser considerado como uma “entidade que se desenvolve acima
dos indivíduos, ignorando o que eles são”, mas como uma estrutura sofisticada que integra
indivíduos enquadrando suas individualidades à modelos específicos, ou seja, que permite modelos
pré-determinados de individualidades

26. Outras observações sobre o poder pastoral:

→ A salvação em outro mundo, passa a ser considerada neste mundo. “salvação” adquire outros
significados como saúde, bem-estar, segurança, proteção. Os objetivos “mundanos” surgem dos
objetivos que uma vez foram religiosos

→ O poder pastoral sofre um reforço de sua administração, tanto de aparelhos do Estado ou de uma
instituição pública (como a polícia, por exemplo). Algumas outras vezes, também foi reforçado por
instituições privadas

27. A multiplicação dos agentes e objetivos do poder pastoral em torno de dois pólos: um
globalizante, que diz respeito a população e outro analítico, relacionado ao indivíduo. Ao invés de
poder pastoral e político se complementarem e rivalizarem, surgem uma série de poderes
individualizantes: Família, psiquiatria, educação, empregadores

28. O controle gera um paradigma a respeito da identidade: se trata de descobrir não o que somos,
mas, recusar o que somos. Criamos a imagem do que poderíamos ou queremos ser para nos
livrarmos da individualização e totalização promovida pelas estruturas do Estado (o “duplo
constrangimento político”)

29. O problema político, ético, social e filosófico de hoje consiste não apenas em se libertar do
Estado, mas, também de se libertar da individualização que a ele se liga através da promoção de
novas formas subjetividade em oposição a objetividade imposta

Como se exerce o poder?