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7.2.

2 Meio Biótico

Conforme já descrito, a Área de Influência Direta das intervenções pretendidas pelo Epreendedor
tem como universo espacial de análise o limite territorial que abrange os bairros da Barra da Tijuca,
Joá, Itanhangá, Recreio dos Bandeirantes, Grumari, Vargem Grande, Vargem Pequena e Camorim,
os quais (conforme será abordado no Meio Antrópico mais adiante) compõem a XXIV-RA, dentro
do que determina a atual divisão político-administrativa do Município do Rio de Janeiro.

Assim, neste contexto, muitos dados temáticos já descritos em relação a AII foram mantidos
embora para uma unidade territorial menor. De qualquer modo, em termos dos principais
ecossistemas identificados na AID, reforça-se a presença das grandes formações de florestas nas
porções extremo leste, ainda representada por parte do Maciço da Tijuca e na extrema oeste por
expressiva extensão do Maciço da Pedra Branca conjugadas às inúmeras áreas de florestas
alteradas. Junto às franjas dos maciços marcam presença as áreas antropizadas, emtremeadas por
campos antrópicos, bananais e algum tipo de agricultura típica de subsistência. No entanto, no
cenário em análise, cabe olhar com mais atenção para os corpos lagunares e os ecossistemas que
compõem seu conjunto de entorno, ponto focal e preocupante na região de interesse.

Importa salientar que, metodologicamente, serão enfocados na AII os ecossistemas e respectivas


comunidades vegetais /fitofisionomias e aspectos faunísticos para as lagoas e entorno mais
imediato, entenendo que, sob o ponto de vista biótico, são estes ecossistemas que apresentarão
relação direta com as intervenções pretedidas.

7.2.2.1.Descrição dos Ecossistemas e Estado de Conservação

Como mencionado acima se encontram presentes na AID, dentre os ecossistemas terrestres, as


florestas ombrófilas densas, incluindo suas porções alteradas e seus afloramentos rochosos e as
restingas. Dentre os aquáticos, as lagunas, rios / canais e porção marítima (dentro do raio de 2km _
vide Capítulo 3_Abordagem Metodológica) e, dentre os de transição, os brejos e os manguezais,
cujas principais descrições já foram apresentadas na abordagem do Meio Biótico na Área de
Influência Indireta.

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Assim pode-se considerar que na AID destacam-se os ecossistemas constituídos pelo Sistema
Lagunar da Baixada de Jacarepaguá, formado pelas lagunas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca,
Marapendi e Lagoinha, bem como pelas suas respectivas faixas marginais de proteção,
representadas pelos ecossistemas de brejo, manguezal e restinga de suma importância para os
estudos sobre o Meio Biótico. O conjunto de ecossistemas que constitui este universo de observação
tem sido o palco de profundas intervenções antrópicas, transformando importantes ecossistemas
responsáveis por inúmeros serviços de natureza ambiental, social e econômica, em gigantescos
depósitos de lixo e esgoto ao longo dos últimos trinta anos.

• Lagunas
A laguna de Jacarepaguá em virtude do grande e contínuo aporte de esgoto sem tratamento que lhe
chega principalmente através dos rios Marinho, Arroio Pavuna, de estações de tratamento com
funcionamento muitas vezes precário e da laguna do Camorim, por meio do Arroio Fundo, desde
2000, apresenta constantemente florações de cianobactérias hepatotóxicas (Microcistys aeruginosa)
o que as condena para qualquer tipo de uso de lazer, pesca e preservação da vida aquática, tendo em
vista o que estabelece a Organização Mundial de Saúde (OMS) e recentes dados divulgados pela
UFRJ quanto ao nível máximo aceitável de 20 mil células/ml enquanto que na laguna de
Jacarepaguá o nível já está apresentando nos períodos de maior reprodução cerca de 15 milhões de
células/ml. Além das cianobactérias, macrófitas aquáticas tais como Eichhornia crassipes,
aproveitando a disponibilidade de nutrientes provenientes do esgoto se multiplicam de forma
intensa, gerando novos desequilíbrios tanto pela proliferação de mosquitos em suas estruturas
flutuantes, como pela sua decomposição e redução dos já baixos níveis de oxigênio nas águas
lagunares.

A laguna do Camorim, atualmente um canal de ligação entre Jacarepaguá e Tijuca, recebe tanto a
carga de esgotos, algas tóxicas e macrófitas de Jacarepaguá como recebe expressivo volume de
esgoto do Arroio Fundo e indiretamente do canal do Anil. A laguna da Tijuca, passagem obrigatória
das águas provenientes de todo o sistema lagunar, recebe toda a carga de esgotos de toda a baixada
e a extravasa pelo Quebra-Mar na praia da Barra, mantendo sem condições de balneabilidade
praticamente durante todo o ano os trechos do Quebra-Mar e Pêpê. Nesta laguna também estima-se
que existam seis milhões de metros cúbicos de sedimentos e resíduos sólidos (lixo), depositados no
seu interior, causando nos períodos de baixa-mar de sizígia o desaparecimento de praticamente 60%
de seu espelho-dágua.

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A laguna de Marapendi, em virtude seu relativo isolamento geográfico para com o resto do sistema
lagunar e da pouca ocupação humana em comparação com as demais lagunas, apresenta condições
ambientais menos negativas, sem no entanto espacapar periodicamente de freqüentes mortandades
de peixes, principalmente próximo ao canal de Marapendi que se constitui numa área crítica em
virtude da pouca água para o grande volume de esgotos que lhe são lançados. Também em
Marapendi são observadas florações de cianobactérias, provavelmente transportadas até ela, através
do canal de Marapendi. Apesar de inteiramente dentro da APA de Marapendi, uma unidade de
conservação municipal, a laguna também vem sofrendo pela falta de infra-estrutura de
gerenciamento do seu patrimônio ambiental.

A Lagoinha, outra laguna inserida completamente dentro de uma unidade de conservação, neste
caso, o Parque Municipal Chico Mendes, também sofre com o lançamento generalizado de esgoto,
seja no canal da Taxas que desemboca em ambas as extremidades da laguna como do sistema de
águas “pluviais” que são usadas para o extravasamento de esgoto. Resultado desta situação
generalizável, é a proliferação descontrolada de Eichhornia crassipes que toma completamente todo
seu espelho dágua e é fonte de grande quantidade de mosquitos que utilizam sua estrutura flutuante
para a sua reprodução.

As faixas marginais das lagunas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca, apresentam formações de


manguezais e brejos, todos, sob a ação contínua de algas tóxicas, esgoto in natura e resíduos sólidos
de todos os tipos. Os mesmos apresentam ainda sua comunidade vegetal vigorosa apesar dos
tensores existentes, no entanto suas respectivas comunidades animais mostram-se contaminadas e
reduzidas em biodiversidade.

Em Marapendi basicamente o domínio é de manguezais que, no entanto, sofrem com a ação direta
de espécies exóticas tais como Terminalia cattapa e Casuarina equisetifolia, que as eliminam por
sombreamento. Na Lagoinha, brejos e formações de restinga formam as faixas marginais de
proteção sendo que os primeiros são constituídos por Thypha domingensis e a restinga por inúmeras
espécies de restinga.

• Manguezais

Os manguezais, associados às lagunas da Baixada de Jacarepaguá, apresentam-se sob diferentes


níveis de desenvolvimento estrutural, variando do arbustivo ao arbóreo, qualitativo, variando do
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domínio de uma única espécie vegetal à presença das três espécies vegetais arbóreas exclusivas
associadas com espécies vegetais de transição, e de diferentes estados de gerenciamento, variando
dos degradados aos em processo de recuperação.

De uma forma geral o ecossistema manguezal associado ao sistema lagunar e situado na AID,
apresenta-se constantemente sob a ação de tensores de natureza antrópica, dentre os quais destacam-
se:

1- Aporte e acúmulo crescente nas áreas de manguezais de sedimentos carreado pelas águas do
sistema de canais, arroios e das próprias lagunas originado pela ocupação desordenada da
Baixada de Jacarepaguá, materializado através do desmatamento de encostas e ocupação de
faixas marginais de proteção. Este tensor pode sufocar o sistema radicular superficial dos
manguezais pelo bloqueio das lenticelas, alterar padrões hidrodinamicos, bem como possibilitar
as condições para o aparecimento de espécies vegetais de transição e ou exóticas;

2-Overdose de nutrientes mais próximo aos pontos de lançamento de esgoto, associados com
ETEs e galerias de águas pluviais. Chama-se a atenção que até o momento (dezembro de 2005)
toda a região da baixada de Jacarepaguá não apresenta sistema de saneamento básico, estando o
tratamento existente, pulverizado em estações de tratamento de variada qualidade de tratamento,
provocando um processo de overdose de nutrientes generalizado em todo o sistema lagunar e
demais ecossistemas associados;

3-Aporte generalizado de resíduos sólidos (lixo) de origem humana, que principalmente nos
manguezais situados nas lagunas do Camorim e Tijuca adquirem uma situação de extrema
gravidade, em virtude do volume e da periodicidade diária de chegada de material. O depósito
desses resíduos sólidos no manguezal, dependendo do volume que podem ser encontrados no
seu interior, provocão danos mecânicos ou mesmo a morte aos indivíduos arbóreos, arbustivos e
principalmente às plântulas, bem como impermeabilizam o sedimento, impedindo a fixação e o
desenvolvimento de novos indivíduos;
4- O fogo proveniente dos depósitos de resíduos sólidos localizados próximos às áreas de
manguezais bem como de formações de taboais constituídos principalmente por Typha
domingensis e Acrostichum aureum, inúmeras vezes tem degradado extensas formações
arbustivas e arbóreas de manguezal principalmente na laguna de Marapendi;

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5-Aterro com supressão visando crescimento de malha urbana e ou criação de vias públicas.
A distribuição das formações de manguezal nas lagunas na baixada se dá de forma descontínua,
separada por formações de taboais (laguna da Tijuca) e outras comunidades vegetais (laguna de
Marapendi), apresentando também desenvolvimento estrutural bastante diferenciado reflexo de
todo o processo de perturbação ambiental pelo qual a região vem passando.

• Brejos
Os brejos que integram as faixas marginais de proteção do sistema lagunar estão submetidos aos
mesmos tensores já descritos para os manguezais, sendo que para os brejos, os incêndios e os
aterros constituem-se nos principais perigos para a sua existência bem como os mesmos acham-se
degradados principalmente pelo aporte de contaminantes orgânicos trazidos pela bacia hidrográfica
local. Destaca-se que pela sua capacidade de colonizar terrenos constituídos por pouquíssimo
sedimento e muita água, as formações de brejo progressivamente colonizam áreas assoeradas das
lagunas, reduzindo a superfície das lagunas bem como preparando esses terrenos, quando mais
consolidados, para futuras colonizações de manguezais. Também é importante destacar a
funcionalidade dos brejos que da mesma forma que os manguezais, funcionam como ecossistemas
filtradores, áreas de abrigo e alimentação para variada fauna.

• Restingas
Dentre os demais ecossistemas encontrados na AID, as restingas são as que ainda apresentam maior
biodiversidade, principalmente no que diz respeito à sua comunidade vegetal, bem como incluindo
inúmeras espécies vegetais ameaçadas de extinção no Município do Rio de Janeiro.Na análise da
Área de Influência Direta, as restingas incluídas neste universo espacial, apresentam-se bastante
impactadas pelas ações de natureza antrópica, dentre as quais destacam-se os seguintes tensores (1)
fragmentação e isolamento, (2) urbanização (supressão), (3) aterro (supressão), (4) fogo e deposição
de resíduos sólidos (simplificação qualitativa/estrutural e quantitativa); (5) invasão de espécies
exóticas e ruderais. Apesar de incluídas totalmente em unidades de conservação municipais, as
restingas da AID, continuam carecendo de um gerenciamento mais atuante tanto na conservação das
áreas ainda existentes como na recuperação das áreas degradadas ou em processo de degradação.

• Praias
Esta abordagem já foi contemplada abrangentemente quando da caracterização da Área de
Influência Indireta, cabendo registrar que a maior parte das praias da orla oceânica do município
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podem ser consideradas como do tipo reflectiva, isto é regularmente submetida a forte
hidrodinamismo. Em geral, esses tipos de praia são caracterizados por ter pouca diversidade e
riqueza de espécies da macrofauna por causa do forte hidrodinamismo (Veloso e Cardoso 1997). A
abordagem sobre as praias encontra-se detalhada na abordagem das áraes que poderão ser passíveis
de intervenção _ Áreas a serem Diretamente Afetadas.

• Costões Rochosos
Assim como em relação ao ecossistema de Praias, os Costões Rochosos também foram
contempaldos na sua abordagem mais ampla em relação à Área de Influência Indireta, cabendo
lembrar que este escossistema é a base física para um dos mais exuberantes e diversificados
ecossistemas marinhos _ “as comunidades bentônicas de substrato duro”. A combinação de fatores
físicos como marés, luminosidade, correntes, temperatura e outros, além de fatores biológicos
como competição e predação, fazem com que esses ambientes apresentem uma grande
biodiversidade de organismos e habitats, que contribuem não só para alimentação de populações
costeiras como também para pesquisas em diversas áreas como a ecologia. Sua caracterização
encontra-se mais detalhada na abordagem das Áreas a serem Diretamente Afetadas.

448
INSERIR MAPA AID_PRINCIPAIS ECOSSISTEMAS

449
7.2.2.2. Comunidades Vegetais mais Freqüentes e Principais Fitofisionomias

• Nos Ecossistemas de Transição

ƒ Em Relação aos Manguezais

o Na Laguna de Marapendi:

Fisiograficamente se caracterizando como manguezal de franja com algumas pouquíssimas


formações de bacia, apresentando a dominância de Laguncularia racemosa, de porte arbustivo
ao arbóreo, com a presença de Avicennia schaueriana também de porte arbustivo ao arbóreo
principalmente, esta última, associada a estreitas bacias justapostas a montante das margens da
laguna, como é observável próximo ao píer do condomínio Novo Leblon. A espécie Rhizophora
mangle naturalmente era das espécies exclusivas, a menos encontrada, observável apenas com
alguns poucos indivíduos arbóreos perifericamente ao condomínio Alfa Barra e junto ao cais de
atracação do condomínio Novo Leblon. Salienta-se, no entanto que a partir de 1994, por meio
de trabalhos de recuperação desenvolvidos por Moscatelli, vários trechos tanto do canal de
Marapendi como da própria laguna tem recebido grandes volumes de propágulos,
conseqüentemente desenvolvendo atualmente bosques arbustivos e arbóreos com as três
espécies. O porte arbóreo máximo estimado observado é de até 6-7 metros em indivíduos
arbóreos de Laguncularia racemosa situados próximos a Universidade Veiga de Almeida, que
provavelmente devem representar os primeiros indivíduos que chegaram a laguna após a
abertura do canal artificial.

Apresenta como espécies de transição ou não exlcusivas mais presentes: Acrostichum aureum,
Bacopa monierii, Dalbergia ecastophylum, Fimbristylis spadicea, Hibiscus pernambucensis,
Paspalum vaginatum, Schinus terebinthifolius, Sporobolus virginicus, Typha domingensis
Principais problemas: overdose de nutrientes em pontos próximos ao lançamento de esgoto;
incêndios, provocados por depósitos de resíduos; alteração topográfica; invasão e competição
por luz com espécies exóticas.

450
o Na Laguna da Tijuca:

Apresenta os manguezais estruturalmente mais desenvolvidos também em franja, com o


predomínio de indivíduos arbóreos de Rhizophora mangle formando bosques praticamente
monoespecíficos situados na periferia das ilhas da Pesquisa, Mangue Alto, São Jorge, Garças,
foz dos rios Cachoeira e Itanhangá e principalmente atrás dos shoppings Downtown, Cittá
América, Barra Shopping e nas glebas E e F situadas na região denominada Saco e Saquinho.
Nestas duas últimas há também a presença de Laguncularia racemosa e Avicennia schaueriana
de porte arbóreo bem como a associação de bromélias e orquídeas associadas naturalmente com
grandes árvores de Rhizophora mangle. Os indivíduos arbóreos nesta laguna podem alcançar até
a altura estimada de 16 metros.

Chama-se a atenção para uma intrincada relação entre as espécies exclusivas e as de transição
ou não exclusivas, principalmente com Acrostichum aureum, Hibiscus pernambucensis e
Paspalum vaginatum, analisado por alguns pesquisadores como resultado do processo de
assoreamento da laguna. Apresenta como espécies de transição ou não exlcusivas mais
presentes: Acrostichum aureum, Cyperus ligularis, Cybperus meyenianus, Cyperus
surinamensis, Dalbergia ecastophylum, Eleocharis caribea, Eleocharis mutata, Fimbristylis
spadicea, Hibiscus pernambucensis, Paspalum vaginatum, Schinus terebinthifolius, Sporobolus
virginicus, Typha domingensis

Principais problemas: overdose generalizada de nutrientes; incêndios em gramíneas e taboais


próximos; alteração topográfica pelo aporte de sedimentos e resíduos sólidos antropogênicos;
dano mecânico por grande aporte de resíduos sólidos antropogênicos; invasão e competição por
luz com espécies exóticas e de transição; supressão por crescimento da malha urbana.

o Na Laguna do Camorim:

As formações de manguezais em forma de franja estão localizadas quase que de forma contínua
numa das margens desta laguna que hoje praticamente é um largo canal de ligação entre as
lagunas da Tijuca e Jacarepaguá. As formações de manguezal desta laguna são dominadas por
indivíduos arbóreos de Rhizophora mangle e em menor número de Laguncularia racemosa com
uma altura média estimada entre 6 e 8 metros.
451
Principais problemas: overdose generalizada de nutrientes; dano mecânico e impermeabilização
do sedimento por grande aporte de resíduos sólidos antropogênicos; supressão e danos
estruturais em virtude de dragagens e construção de viadutos.
Apresenta como espécies de transição ou não exclusivas mais presentes: Acrostichum aureum,
Cyperus ligularis, Dalbergia ecastophyllum, Hibiscus pernambucensis, Paspalum vaginatum,
Schinus terebinthifolius, Sporobolus virginicus e Typha domingensis

o Na Laguna de Jacarepaguá:

Apresenta formações de manguezais apenas nas áreas mais próximas de contato com a laguna
do Camorim, frontalmente ao empreendimento Rio Office Park e a margem da laguna
compreendida entra a avenida Ayrton Senna e cabeceira do Aeroporto de Jacarepaguá. Esta
situação de distribuição espacial de dá provavelmente por essas áreas estarem mais
influenciadas pelos padrões de maré de sizígia e, conseqüentemente, de chegada de sal, o que
nas demais áreas da laguna mostra-se insuficiente para as necessidades da comunidade vegetal
de mangue. Salienta-se que a formação de manguezal atualmente existente em frente ao
empreendimento Rio Office Park foi criada em abril/maio de 1998 por Moscatelli a partir do
projeto paisagista Fernando Chacel, contando atualmente com indivíduos arbóreos e arbustivos
de Rhizophora mangle, Laguncularia racemosa e Avicennia schaueriana. Nas demais áreas que
naturalmente apresentavam manguezais, as mesmas apresentam Rhizophora mangle e
Laguncularia racemosa associada intimamente com as espécies não exclusivas Acrostichum
aureum e Hibiscus pernambucensis.

Principais problemas: overdose generalizada de nutrientes; dano mecânico por aporte de


resíduos sólidos antropogênicos; supressão em virtude de crescimento da malha urbana,
dragagens e construção de viadutos. Apresenta como espécies de transição ou não exclusivas:
Acrostichum aureum, Acrostichum danaefolium, Bactris setosa,, Dalbergia ecastophyllum,
Hibiscus pernambucensis, Paspalum vaginatum, Schinus terebinthifolius, Sporobolus virginicus
e Typha domingensis.

452
ƒ Em Relação aos Brejos

Se as formações, do ecossistema denominado restinga, dominavam espacialmente os cordões


arenosos e áreas paludosas com terrenos mais consolidados, as formações de brejos eram as que
dominavam os sedimentos pouco consolidados e constituíam-se como a comunidade vegetal
dominante espacialmente na Baixada de Jacarepaguá.

Da mesma forma que os demais ecossistemas, mas agravado pela ausência de qualquer
dispositivo legal que lhe confira proteção, os brejos têm sido e continuam sendo aterrados
visando a expansão da malha urbana, seja para a construção de loteamentos, condomínios,
favelas e shoppings bem como utilizados como áreas de bota-fora. As espécies encontradas nas
faixas marginais de proteção das lagunas são representadas por poucas espécies vegetais em
virtude das complexas condições ambientais as quais essas espécies são submetidas como de
forma semelhante ocorre com os manguezais sem, no entanto resistir a intensidade e
periodicidade da presença salina que ocorre com a comunidade vegetal de mangue.Nas faixas
marginais predominam as espécies Typha domingensis formando extensos taboais associados
com Acrostichum aureum e Paspalum vaginatum bem como extensas áreas dominadas pela
gramínea Paspalum densum associados eventualmente, onde a presença salina ligeiramente se
faz sentir, com Hibiscus pernambucensis e Dalbergia ecastophyllum.

• Nos Ecossistemas Terrestres

ƒ Em Relação às Restingas
As formações de restinga dentro da área considerada de inflência direta estão concentradas nas
lagunas de Marapendi e Lagoinha. Estas áreas se concentram principalmente nas unidades de
conservação municipais denominadas Área de Proteção Ambiental do Parque Municipal
Ecológico de Marapendi e Parque Ecológico Municipal Chico Mendes.

A Área de Proteção Ambiental do Parque Municipal Ecológico de Marapendi foi criada pelo
Decreto Municipal número 10.368 de 15/08/1991 e abrange a laguna de Marapendi, nas quais se
inclui a faixa de areia entre a laguna e o oceano (SMAC, 1998). Nestas áreas encontram-se
principalmente as seguintes espécies:
Allagoptera arenaria – guriri; Clusia lanceolata – clúsia; Tocoyena bullata – araçarana;
Eugenia sulcata, Eugenia rotundifolia, Eugenia ovalifolia – pitangueiras; Norantea brasiliensis
453
– rabo-de-arara (ameaçada de extinção); Aristolochia macroura - jarrinha; Epidendrun
ellipticum; Cyrtopodium paranäensis (ameaçada de extinção); Schinus terebinthifolius- aroeira;
Cereus fernambucensis- cacto; Manilkara subsericea – maçaranduba (ameaçada de extinção);
Ficus enormis e Ficus insipida – fícus.

Destaca-se ao redor da Lagoinha o parque Ecológico Municipal Chico Mendes está situado em
área de restinga, tendo sido criado pelo Decreto Municipal número 8.452 de 08/05/1989 com
uma área de 400.000 metros quadrados, representando os ecossistemas lagunar e de restinga
bem como apresentando espécies de fauna e flora raras e ou ameaçadas de extinção (SMAC,
1998).

Encontram-se nessa unidade de conservação as seguintes espécies (SMAC, 1998):


(1)Na mata paludosa- Fícus hirsuta – figueira molembá; Tabebuia cassinoides – pau-de-
tamanco (ameaçada de extinção); Aechmea nudicaulis – bromélia; Vrisea sp.- bromélia .
(2)Na parte arenosa- Inga fagifolia – ingá-mimoso; Rheedia brasiliensis – poroco; Pavonia
alnifolia – goeta (rara); Norantea brasiliensis; Bactris setosa – tucum; Aristolochia macroura –
jarrinha (ameaçada de extinção); Neoregelia cruenta – bromélia; Neomiranthes obscura –
cambuí-preto; Senna apoconita – cássia; Eugenia sp. – pitangueiras; Schinus terebinthifolius -
aroeira; Cyrtopodium paranäensis – sumaré-de-restinga; Epidendrum ellipticum – orquídea.

Em levantamentos de campo efetuados e não publicados por Moscatelli e Dias (2003) em


parcelas de restingas consideradas como Zonas de Ocupação Controlada (ZOC) dentro da Área
de Proteção Ambiental do Parque Municipal Ecológico de Marapendi tem sido encontrada tanto
uma expressiva variedade de espécies de restinga (algumas delas inclusive consideradas
ameaçadas de extinção), como uma completa falta de gerenciamento sustentável das mesmas,
onde é comum encontrar a abundância de espécies exóticas bem como ações recentes de
incêndios e deposição de resíduos sólidos nas mesmas, comprometendo de forma clara a
sobrevivência da comunidade vegetal nativa.

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Levantamento da Comunidade Vegetal na Área de Restinga em Zonas de Ocupação
controlada da APA de Marapendi __Sub-área 1( informações por Sub-área, conforme
Zoneamento realizado)
Nome da espécie Família Freqüência Habitat
Blutaparon portulacoides Amaranthaceae baixa Nativa
Schinus terebinthifolius Anacardiaceae elevada Nativa
Allagoptera arenaria Arecaceae elevada Nativa
Achyrocline satureoides Asteraceae baixa exótica, ruderal, ou
subespontânea
Emilia sonchifolia Asteraceae elevada exótica, ruderal, ou
subespontânea
Vernonia scorpiones Asteraceae baixa exótica, ruderal, ou
subespontânea
Cereus fernambucensis Cactaceae baixa Nativa
Pilosocereus arrabidea Cactaceae baixa Nativa
Maytenus obtusifolia Celastraceae baixa Nativa
Ipomoea imperati Convolvulaceae elevada Nativa
Ipomoea pes-caprae Convolvulaceae média Nativa
Mariscus pedunculatus Cyperaceae média Nativa
Chamaecyse thymifolia Euphorbiaceae elevada exótica, ruderal, ou
subespontânea
Sebastania corniculata Euphorbiaceae baixa Nativa
Canavalia rósea Fabaceae elevada Nativa
Chamaecrista flexuosa Fabaceae elevada exótica, ruderal, ou
subespontânea
Fabaceae 1 Fabaceae elevada exótica, ruderal, ou
subespontânea
Inga marítima Fabaceae elevada Nativa
Stylosanthes viscosa Fabaceae elevada exótica, ruderal, ou
subespontânea
Mollugo verticilata Molluginaceae baixa exótica, ruderal, ou
subespontânea

455
Mirsine cf. parvifolia Myrsinaceae baixa Nativa
Eugenia rotundifolia Myrtaceae elevada Nativa
Myrrhinium atropurpureum Myrtaceae baixa Nativa
Guapira pernambucensis Nyctaginaceae elevada Nativa
Melinis minutiflora Poaceae elevada exótica, ruderal, ou
subespontânea
Sporobolus virginicus Poaceae elevada Nativa
Mitracarpus sp. Rubiaceae elevada Nativa
Manilkara subsericea Sapotaceae média Nativa

Cobertura da subárea 1 (%)


Allagoptera arenaria 50
Guapira pernambucensis 10
Demais espécies 10
Área desnuda ou com detritos 30

Subárea 2 (idem)

Nome da espécie Família Freqüência Habitat


Blutaparon portulacoides Amaranthacea elevada Nativa
e
Schinus terebinthifolius Anacardiaceae elevada Nativa
Hidrocotyle bonarensis Apiaceae Baixa Nativa
Allagoptera arenaria Arecaceae elevada Nativa
Emilia sonchifolia Asteraceae Baixa exótica, ruderal, ou
subespontânea
Vernonia scorpiones Asteraceae média exótica, ruderal, ou
subespontânea
Cereus fernambucensis Cactaceae Baixa Nativa
Pilosocereus arrabidae Cactaceae Baixa Nativa
Ipomoea imperati Convolvulacea Baixa Nativa
e
Ipomoea pes-caprae Convolvulacea média Nativa

456
e
Chamaecyse thymifolia Euphorbiaceae elevada exótica, ruderal, ou
subespontânea
Sebastania corniculata Euphorbiaceae média Nativa
Chamaecrista flexuosa Fabaceae média exótica, ruderal, ou
subespontânea
Dalbergia ecastophyllum Fabaceae Baixa Nativa
Fabaceae 1 Fabaceae Baixa exótica, ruderal, ou
subespontânea
Inga marítima Fabaceae Baixa Nativa
Stylosanthes viscosa Fabaceae elevada exótica, ruderal, ou
subespontânea
Mollugo verticilata Molluginaceae Baixa exótica, ruderal, ou
subespontânea
Eugenia rotundifolia Myrtaceae Baixa Nativa
Myrrhinium cf. Myrtaceae Baixa Nativa
atropurpureum
Myrtaceae Myrtaceae Baixa Nativa
Guapira pernambucensis Nyctaginaceae elevada Nativa
Melinis minutiflora Poaceae elevada exótica, ruderal, ou
subespontânea
Sporobolus virginicus Poaceae elevada Nativa
Borreria cf. verticilata Rubiaceae Baixa Nativa
Mitracarpus sp. Rubiaceae elevada Nativa
Manilkara subsericea Sapotaceae Baixa Nativa

Coberturas da subárea 2 (%)


Allagoptera arenaria 60
Guapira pernambucensis 15
Demais espécies 5
Área desnuda ou com detritos 20

457
Subárea 3 (idem)
Nome da espécie Família Freqüên Habitat
cia
Blutaparon portulacoides Amarantacea Baixa Nativa
e
Schinus terebinthifolius Anacardiace elevada Nativa
ae
Apiaceae média Nativa
Hidrocotyle bonarensis
Allagoptera arenaria Arecaceae elevada Nativa
Achyrocline satureoides Asteraceae Baixa exótica, ruderal, ou subespontânea
Asteraceae 1 Asteraceae Baixa provavelmente exótica, ruderal, ou
subespontânea
Asteraceae 2 Asteraceae Baixa provavelmente exótica, ruderal, ou
subespontânea
Asteraceae 3 Asteraceae Baixa provavelmente exótica, ruderal, ou
subespontânea
Emilia sonchifolia Asteraceae elevada exótica, ruderal, ou subespontânea
Trichogoniopsis cf. Asteraceae Baixa Nativa
Podocarpa
Vernonia scorpiones Asteraceae média exótica, ruderal, ou subespontânea
Bromelia antiacantha Bromeliacea elevada Nativa
e
Neoregelia cruenta Bromeliacea média Nativa
e
Cereus fernambucensis Cactaceae elevada Nativa
Pilosocereus arrabidae Cactaceae elevada Nativa
Selenicereus setaceus Cactaceae média Nativa
Maytenus obtusifolia Celastraceae elevada Nativa
Bonama burchela Convolvulac elevada Nativa
eae
Ipomoea pes-caprae Convolvulac Baixa Nativa
eae
Euphorbiace elevada exótica, ruderal, ou subespontânea
Chamaecyse thymifolia ae
Canavalia rósea Fabaceae média Nativa
Chamaecrista flexuosa Fabaceae média exótica, ruderal, ou subespontânea
Dalbergia ecastophyllum Fabaceae média Nativa
Fabaceae 2 Fabaceae elevada exótica, ruderal, ou subespontânea
Inga marítima Fabaceae elevada Nativa
Fabaceae elevada exótica, ruderal, ou subespontânea
Stylosanthes viscosa
Abutiton cf. esculentum Malvaceae Baixa Nativa
Mollugo verticilata Molluginace elevada exótica, ruderal, ou subespontânea
ae
Eugenia rotundifolia Myrtaceae média Nativa

458
Eugenia uniflora Myrtaceae elevada Nativa
Myrrhinium atropurpureum Myrtaceae elevada Nativa
Myrtaceae 1 Myrtaceae elevada Nativa
Guapira pernambucensis Nyctaginace elevada Nativa
ae
Sporobolus virginicus Poaceae elevada Nativa
Borreria cf. verticilata Rubiaceae média Nativa
Rubiaceae Rubiaceae média exótica, ruderal, ou subespontânea
Tocoyena bullata Rubiaceae Baixa Nativa
Allophyllus puberulus Sapindaceae média Nativa
Paullinia weinmanniaefolia Sapindaceae elevada Nativa
Manilkara subsericea Sapotaceae elevada Nativa
Sideroxylon obtusifolium Sapotaceae elevada Nativa
Smilax rufecens Smilacaceae média Nativa
Verbenaceae Verbanaceae média exótica, ruderal, ou subespontânea

Coberturas da subárea 3 (%)


Allagoptera arenaria 50
Manilkara subsericea 20
demais espécies 20
Área desnuda ou com detritos 10
Fonte: Moscatelli & Dias; 2003

Como se percebe, nas subáreas pertencentes às zonas de ocupação controlada, muitas vezes
associadas às faixas marginais de proteção da laguna de Marapendi, foram observadas fortes
presenças de espécies invasoras e exóticas, que são características de locais degradados ou
alterados. Dentre essas, a ocorrência de espécies da família Asteraceae, Achyrocline satureoides,
Emília sonchifolia e Vernonia scorpiones, da família Euphorbiaceae, Chamaecyse thymifolia, da
família Fabaceae, Chamaecrista flexuosa e Stylosanthes viscosa, da família Molluginaceae,
Mollugo verticilata e da família Poaceae, Melinis minutiflora cujo nome vulgar é “capim-gordura”.
Essas espécies estão de acordo com Araujo (2000), no qual as citam como ruderais, exóticas ou
subespontâneas.

Outras espécies coletadas não foram determinadas por completo, somente chegando-se até a
família, pois há uma grande dificuldade em se determinar materiais estéreis, principalmente as que
estão incluídas no grupo de espécies ruderais, exóticas ou subespontâneas (a maioria dos espécimes
que estão até família se enquadra nesse grupo).

459
A subárea 3 foi considerada a com maior riqueza de espécies, sendo a única com formação de
moitas arbustivas de Guapira pernambucensis, Eugenia rotundifolia, Schinus terebinthifolius e
Myrrhinium atropurpureum, e a ocorrência de bromélias como, Bromelia antiacantha e Neoregelia
cruenta em seu sub-bosque.

De acordo com a lista de espécies ameaçadas de extinção do município do Rio de Janeiro publicada
pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (2000), algumas espécies encontradas nesse estudo se
enquadram na lista, dentre elas: Neoregelia cruenta, Inga maritima, Myrrhinium atropurpureum,
Syderoxylon obtusifolium & Manilkara subsericea.

De acordo com essa lista, são consideradas (VU) vulneráveis, N. cruenta, I. maritima, S.
obtusifolium, M. subsericea e (EN) em perigo, M. atropurpureum.

A subárea 3 tem a maior diversidade comparada com as outras duas, mesmo sendo um local muito
impactado com diversos resíduos sólidos (vidros de garrafas, restos de “despachos”, ferros de todos
os tipos e madeiras), e fortes sinais de incêndio. Além desse sinal de degradação em toda a restinga
de Marapendi, são observadas também, as espécies arbóreas exóticas como Casuarina
equisitifolium e Terminalia cattapa, caracterizando assim, a grande alteração ocorrida nessa
vegetação avaliada.

Em outro estudo desenvolvido por Moscatelli e Zamith (1995 – dados não publicados) a mesma
situação observada em 2003 era encontra em outra Zona de Ocupação Controlada (ZOC) da Área
de Proteção Ambiental do Parque Municipal Ecológico de Marapendi. As áreas de brejo
freqüentemente inundado a diversidade de espécies é limitada, predominando a taboa Typha
domingensis, ciperáceas, gramíneas e a samambaia do brejo Acrosticum aureum nos trechos mais
próximos da laguna, e Tibouchina clavata nas áreas um pouco mais afastadas e conseqüentemente
mais secas. Porém algumas espécies normalmente encontradas em áreas mais secas tais como
Guapira sp.e Maytenus sp. vicejam no local, indicando que com o controle dos tensores que hoje
(1995) atuam sobre a área pode-se lograr que a diversidade de espécies aumente.

Limítrofe a esta área sujeita à alagamentos e já nos limites do lote com a Zona de Conservação da
Vida Silvestre (ZCVS) encontramos uma pequena mancha de mata de restinga remanescente de
sucessivos incêndios. As espécies encontradas nesta área estão listadas, sendo características de
locais fortemente influenciados pelas variações de maré.
460
A presença de um indivíduo de Tabebuia cassinoides (pau-de-tamanco), espécie muito procurada
no passado para confecção de tamancos e caixotes, e que hoje se encontra em estado vulnerável
devido à destruição de seu habitat, sugere que outrora esta área era ocupada por uma floresta sujeita
a inundações. Os outros poucos indivíduos de outras espécies (Bactris setosa, Inga fagifolia, Ilex
amara, Pseudobombax grandiflorum. Desmoncus orthocanthos, Alchornea triplinervia, Ficus sp.,
etc) nos confirmam isto.

Nestas formações remanescentes de floresta de restinga periodicamente inundada, segundo Otero


(1984) é neste habitat que vive a borboleta Parides ascanius, inseto endêmico do Rio de Janeiro e
ameaçado de extinção. Após esta pequena mancha temos uma faixa de transição para o trecho de
restinga em solo mais seco. Nesta faixa ocorre uma grande concentração de Tibouchina clavata,
característica de regiões mais secas de brejos herbáceos. A constância de incêndios nesta área pode
ser percebida pela grande invasão de sapê, bem como pela presença de indivíduos isolados (Ocotea
notata, Guapira sp.) rebrotando de caules queimados.

É de se destacar nesta área a ocorrência de uma moita de Gaylussacia brasiliensis, ericácea que
vem se tornando rara na baixada de Jacarepaguá. A última área analisada tem características
distintas das anteriores no que se refere à periodicidade de inundações. Fazendo parte do início de
um cordão maré. Seu solo mais seco permite a ocorrência de uma diversidade maior de espécies (57
inventariadas). Possivelmente seria parte de uma comunidade arenoso, se encontra mais elevada e
menos sujeita à influência das variações de denominada de "thicket" de Myrtaceae.

A influência do fogo nesta área é marcante e sentida pelos mesmos indicadores mencionados
anteriormente (caules queimados, invasão por gramíneas, etc).A presença de um indivíduo arbóreo
de 10 metros de altura, 80 cm de dap, parcialmente tombado, nos permite supor que esta área
poderia ter sido anteriormente ocupada por uma floresta seca (Araújo e Henriques, 1984) devastada
pela retirada de vegetação e incêndios sucessivos.

O fato de inventariarmos numa pequena moita de restinga 57 espécies, dentre elas algumas de
grande significância ecológica como Norantea brasiliensis, Myrrhinium atropurpureum, Tocoyena
bullata, Cyrtopodim paranaense, bastante raros, nos revelam a importância de se preservar e
conservar estes locais. Próximo à cerca do Condomínio Malibú, notamos claramente como se dá o
chamado efeito de borda numa mancha remanescente de restinga. Para a construção de um acesso
461
dentro do condomínio, foi feito um aterro de saibro que favoreceu uma grande colonização de
capim colonião (Panicum maximum). Esta gramínea se aproveita dos incêndios freqüentes, devido
ao seu grande poder de rebrota, emitindo estolões na direção da restinga queimada, aumentando sua
área de ocupação e competindo com as espécies nativas. Apesar de todas estas agressões, a
vegetação aponta um esforço de recuperação. Uma das evidências do processo sucessional na área
é a colonização de clareiras entre a vegetação arbórea por Stigmaphyllon paralias. Essa espécie se
propaga relativamente rápido por estolões ocupando grandes áreas desmatadas, competindo com
gramíneas e demais plantas invasoras, permitindo que outras plantas mais sensíveis se estabeleçam,
sendo por isso considerada espécie pioneira no ecossistema restinga.

Neste estudo foram identificados 81 taxons de espécies herbáceas, arbustivas e arbóreas,


distribuídas diferentemente nas cinco zonas de estudo.A existência de algumas espécies
características de regiões alagadas (Blechnum serrulatum, Desmoncus orthocanthos, Cordia
verbenacea, etc) em quase todas as zonas demonstra que, embora sob diferentes graus de influência,
o fator proximidade do lençol freático está presente sendo, de certa forma, limitante para a
distribuição das espécies. Provavelmente as diversas áreas amostradas fazem parte da mesma
comunidade vegetal denominado Brejo Herbáceo, segundo Araújo e Henriques (1984), embora a
ocorrência de alguns indivíduos de Tabebuia cassinoides, Pseudobombax grandiflorum e Ficus sp,,
apontam algumas suposições sobre a existência anterior de uma Mata Alagada. A área 1, alagada
freqüentemente, possui o menor número de espécies amostradas (14), sendo 3 exclusivas
(Elaeocharis sp., Hydrocotyle bonariensis e Cladium jamaicensis). Na área 3 foram inventariadas
18 espécies que, com exceção de Bactris setosa, Cecropia, Ficus sp., Ilex amara e Tabebuia
cassinoides, exclusivas, ocorrem também simultaneamente em outras áreas. A área 4,
predominantemente ocupada por Tibouchina clavata e Lipostoma capitatum, conta com 13
espécies, sendo 5 ocorrentes apenas nesta área. Chama a atenção o fato de encontrarmos apenas
uma população de Gaylussacia brasiliensis, supostamente, sobrevivente única de sucessivos
incêndios. A maior diversidade de espécies foi claramente encontrada na área 5. Com 57 espécies
inventariadas, sendo 38 exclusivas, apresenta grande valor ecológico. A ocorrência de indivíduos de
Myrrhimium atropurpureum, Norantea brasiliensis, Cyrtopodium paranaense, atualmente bastante
raros na região confirmam isto.

É de se destacar o fato de que muitas das espécies inventariadas estão representadas por um número
muito pequeno de indivíduos, caso, por exemplo, de Pilosocereus arrabidae, onde apenas um foi

462
encontrado. Bastante escassos também foram os exemplares de Protium sp., Senna australis,
Capparis flexuosa, Abutilon esculentum e Vitex polygama.

• Nos Ecossistemas Aquáticos

ƒ Fluvial
A caracterização das principais comunidades vegetais e suas fitofisionomias nos ambientes
fluviais acabou por merecer levantamento mais específico, considerando as poucas informações
secundárias existentes. Assim, esta caracterização acabou sendo contemplada de modo mais
abrangente em relação à Área de Influência Indireta, cindo a ser mais detalhada junto aos rios e
canais que se constituíram nas Áreas que poderão vir a ser Diretamente Afetadas. De qualquer
modo, sabe-se que como comunidades vegetais características dos ecossistemas fluviais têm-se
as algas e as macrófitas, conforme serão melhor abordadas adiante.

• Marinho
Conforme foi descrito no Capítulo 3 _ Abordagem Metodológica , adotou-se como universo
espacial de análise o raio de 1km a partir da desemocadura do Canal de Sernambetiba
contemplando assim, dentro deste recorte, a Praia da Macumba em sua extensão até a Pedra do
Tapuã ( à esquerda desembocadura do Canal de Sernambetiba) e a Prainha ( à direita da
desembocadura), até a Pedra do Roncador.. Assim, encontram-se descritas abaixo as principais
comunidades vegetais e fitofisionomias identificadas nestes ecossistemas contemplando _ praia e
costão rochoso.

ƒ Praia e Costões Rochosos


Esta abordagem foi contemplada com mais abrangência em relação à Área de Influência Indireta e ,
pela necessidade de maior especificidade nestas informações, foi contemplada com mai detalhes em
relação ás áreas que foram estudadas como podendo vir a ser diretamente afetadas (ADAs) pelas
intervenções pretendidas pelo Empreendedor. Assim confore descrito no Capítulo 3_ Abordagem
Metodológica, este tema foi estudado considerando não só a faixade praia a ser objeto de
intervenção para a implantação dos molhes como também considerando raio de 1km a partir da
desembocadura do Canal de Sernambetiba, contemplando a Praia da Macumba até a Pedra de
Tapuã (à esquerda da desembocadura do Canal) e até a Prainha (considerando a Pedra do
Roncador). Desse modo, essa caracterização encontra-se contemplada nos estudos referentes ao
Meio Biótico / Áreas Diretamente Afetadas.
463
INSERIR MAPA AID_COBERTURA VEGETAL (vegetação)

464
7.2.2.3. Comunidades Faunísticas mais Freqüentes e Principais
Fitofisionomias

• Nos Ecossistemas Terrestres

A Área de Influência Direta é composta por regiões alagadiças, várzeas e baixadas litorâneas,
principalmente lagoas próximas ao mar. Estes ambientes, constituídos pelos ecossistemas de
restinga, manguezal e brejo, fazem parte do bioma Mata Atlântica, e como parte deste bioma,
também se encontram hoje fragmentados e reduzidos. As lagoas costeiras vêm sofrendo processo
antrópico acentuado, visto a enorme valorização dos terrenos litorâneos para a ocupação residencial.
Quanto aos impactos negativos sofridos destacam-se: a ligação destas com o mar para facilitar o
deslocamento de barcos até construções, aterramento, remoção da vegetação marginal para
aproveitamento da madeira (principalmente para lenha) e despejo de esgotos sem tratamento. No
litoral do Rio de Janeiro a degradação das lagoas costeiras cresce a ritmo rápido, restando apenas
poucas unidades isoladas do mar. As maiores lagoas, já ligadas ao mar, sofrem com a crescente
poluição (Rocha e Silva, 1992). Sendo assim, destaca-se grande variedade de espécies de hábitos
generalistas e mais adaptadas a áreas alagadiças, sendo grande a incidência de formas mais
adaptadas a crescente urbanização.

Os anfíbios endêmicos de provável ocorrência para a área do empreendimento são Hyla


pseudomeridiana, Scinax humilis, Xenohyla truncata, Hylodes nasus, Eleutherodactylus guenteri e
E. octavioi.Dentre os répteis ou anfíbios ameaçados de extinção que constam da lista da Prefeitura
do Rio de Janeiro (Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção) e que foram registradas na Área de
Influência Direta do empreendimento constam o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris, que
recentemente integrava também a lista de espécies em extinção do IBAMA), entre os répteis cita-se
o cágado-amarelo (Acanthochelys radiolata), este provavelmente já extinto (Rocha-e-Silva, 1992) e
o calango-de-cauda-verde (Cnemidophorus ocellifer).

Duas espécies foram introduzidas no Brasil, a lagartixa (Hemidactylus mabouia), animal de vasta
distribuição e perfeitamente adaptado a ambientes antrópicos, introduzida por navios africanos

465
transportadores de escravos e a rã touro (Rana catesbeiana), provavelmente introduzida através da
fuga de criatórios ou soltura indiscriminada.

Quanto a avifauna encontrada na AID, não são registrados representantes ameaçados de extinção,
segundo a lista oficial do IBAMA de espécies ameaçadas, mas, na listagem do Município do Rio de
1
Janeiro constam o biguatinga (Anhinga anhinga), o socó-boi (Tigrisoma fasciatum), o guará
(Eudocimus ruber), o colhereiro (Platalea ajaja), a marreca-caneleira (Dendrocygna bicolor), a
marreca-toucinho (Anas bahamensis), a marreca-preta (Netta erythrophtalma), o pato-de-crista
(Sarkidiornis melanotos), o pato-do-mato (Cairina moschata), a saracura-carijó (Pardirallus
maculatus), a saracurinha-do-mato (Amaurolimnas concolor), a saracura-do-mangue (Aramides
mangle), o papagaio-do-mangue (Amazona amazonica), o tico-tico (Zonotrichia capensis) e os
coleiros (Sporophila frontalis, S. falcirostris, S. collaris e S. bouvreuil).

Entre as aves introduzidas de ocorrência para a área de estudo estão a pomba-doméstica (Columba
livia), animal de grande distribuição no Estado, abundante em centros urbanos, assim como o pardal
(Passer domesticus). Introduzido da Europa, inicialmente no Rio de Janeiro, posteriormente teve
sua distribuição expandida por todo o Brasil. Outro passeriforme já introduzido há vários anos é o
bico-de-lacre Estrilda astrild

Entre as espécies comensais humanas o que mais se destaca é o urubu-comum Coragyps atratus,
que costuma se aglomerar em lixões a procura do alimento facilmente disponível.

Dentre os mamíferos, uma espécie reconhecida atualmente como ameaçada de extinção, segundo a
lista oficial do IBAMA, pode, ainda que eventualmente, ser observada na AID _ a lontra (Lontra
2
longicaudis), constando também da lista do Município do Rio de Janeiro Também, na lista do
Município do Rio de Janeiro e passível de ser emcontrada na AID cabe mencionar a capivara
(Hydrochaeris hydrochaeris), ambos sendo. animais perseguidos devido à caça predatória. Muito
interessante é o mão-pelada (Procyon cancrivorus), que lava seus alimentos na beira de rios e
córregos. Outra espécie comum é o rato d´água (Nectomys squamipes), animal semi-aquático,

1
Fauna Ameaçada de Extinção do Município do Rio de Janeiro; (Ferreira & Ernesto, 2000
2
(Conde et al., 2000),
466
encontrado sempre em locais próximos a coleções de água, assim como a cuíca de cauda grossa
(Lutreolina crassicaudata).

Duas espécies de roedores comensais humanos podem ser encontradas na AID _ Rattus rattus e
Mus musculus. A primeira ocupa apenas o ambiente peri-domiciliar, enquanto a segunda já coloniza
ambientes menos degradados. Os representantes da fauna introduzida são os primatas Callithrix
jacchus e C. penicillata.

Neste ambiente a fauna também se distribui entre os diversos hábitats. Na restinga, o pequeno porte
da vegetação permite apenas a ocorrência de espécies típicas de áreas abertas, ou que o utilizem em
alguns momentos do dia para realizarem a termorregulação. São mais comuns os lagartos Ameiva
ameiva, Cnemidophorus ocellifer, Tropidurus torquatus e Tupinambis merianae.

Também neste ambiente são encontradas espécies de anuros bem adaptadas às condições climáticas
desta fisionomia, como Sphaenorhynchus planicola, sobre a vegetação de ambientes alagados, e
uma série de anuros que utilizam bromélias como abrigo ou mesmo para completarem o seu ciclo
vital, como as pererecas Aparasphenodon brunoi, Scinax agilis e Trachycephalus nigromaculatus.
Lagartos como Hemydactylus mabouia, bem como os citados para a restinga herbácea-arbustiva,
além de serpentes como a jibóia (Boa constrictor), a cobra-cipó (Phylodrias olfersii) e as jararacas
(Bothrops jararaca) também são comuns neste ambiente.

Ambiente frequentado principalmente por aves características de áreas abertas, como o sabiá-da-
praia (Mimus gilvus). Outro representante típico das restingas é o tiê-sangue (Ramphocelus
bresilius), facilmente identificado pela coloração vermelha acentuada do macho. Entre os anatídeos
destaca-se o irerê (Dendrocygna viduata). Os gaviões Falco femoralis e F. sparverius também são
observados.

O sagui de tufos brancos (Callithrix jacchus), o morcego das frutas (Artibeus lituratus) e o morcego
cauda de rato (Molossus molossus) estão distribuídos por toda a área de influência direta do
empreendimento, podendo ser facilmente observados. Outros mamíferos encontrados em áreas de
restinga são os tatus e ouriços.

467
Já nas lagoas litorâneas, a ocupação direta destes ambientes se dá por répteis típicos de áreas
inundadas, como o cágado-de-barbicha (Phrynops geoffroanus), as cobras-d’água (Liophis miliaris
e Helicops carinicaudus) e alguns anfíbios, principalmente do gênero Hyla. O jacaré-de-papo-
amarelo (Caiman latirostris), como já mencionado, é considerado restritivo quanto à ocupação do
ambiente, ocorrendo em grande quantidade nas lagoas situadas na AID e nos canais que poderão ser
objeto de intervenção, até mesmo no Canal das Taxas, apesar do seu índice de poluição causado por
despejos indevidos de esgotos, sendo que esporadicamente alguns indivíduos são encontrados em
construções locais ou mesmo nos bairros residenciais mais próximos.

A maioria das espécies dependentes da presença de água pode ser registradas em outros ambientes,
principalmente matas, como Anhinga anhinga (biguátinga), várias espécies de garças (Ardeidae),
Tigrisoma lineatum (socó-boi), Porzana albicollis (sanã-carijó), Ceryle torquata e Chloroceryle
amazona (martins-pescadores), Certhiaxis cinnamomea (curutié) e Fluvicola nengeta (lavadeira).

Ao quadro a seguir buscam facilitar a cescrição mais abrangente acima.

Répteis de provável ocorrência para a Área de Influência Direta_2005

Nome Científico Nome vulgar Habitat


Família Boidae
Boa constrictor Jibóia Áreas florestais, campos,
restingas
Família Viperidae
Bothrops jararaca Jararaca Áreas florestais, campos,
pastagens, restingas, áreas
urbanas
Família Elapidae
Micrurus corallinus Coral-verdadeira Áreas florestais, restingas
Família Colubridae
Chironius bicarinatus Cobra-cipó Áreas florestais, campos,
pastagens, restingas
Chironius exoletus Cobra-cipó Áreas florestais, campos,
pastagens, restingas
Chironius fuscus Cobra-cipó Áreas florestais, campos,
pastagens, restingas
Chironius laevicolis Cobra-cipó Áreas florestais, campos,
pastagens, restingas
Chironius multiventris Cobra-cipó Áreas florestais, campos,
pastagens, restingas

468
Elapomorphus Áreas florestais, campos,
quinquelineatus restingas
Erythrolamprus aesculapii Cobra-falsa-coral Áreas florestais, campos,
restingas
Helicops carinicaudus Cobra- d´água Áreas florestais, campos,
restingas
Liophis miliaris Cobra-d´água Áreas florestais, campos,
restingas
Liophis poecilogyrus Cobra-de-capim Áreas florestais, campos,
restingas
Mastigodryas bifossatus Jararacussu-do-brejo Áreas florestais, campos,
restingas
Oxybelis aeneus Bicuda Áreas florestais, restingas
Oxyrhopus clathratus Cobra-coral Áreas florestais, campos,
pastagens, restingas
Oxyrhopus petola Cobra-preta Áreas florestais, campos,
restingas
Philodryas olfersii Cobra-verde Áreas florestais, campos,
restingas
Philodryas patagoniensis Parelheira Áreas florestais, campos,
restingas
Spilotes pullatus Caninana Áreas florestais, restingas
Waglerophis merremi Boipeva Áreas florestais, restingas
Xenodon neuwiedii Jararaquinha Áreas florestais
Família Geckkonidae
Hemidactylus mabouia Lagartixa-de-casa Campos, áreas urbanas
Família Scincidae
Mabuya agilis Lagarto Campos, restingas
Mabuya macrorhyncha Lagarto Campos, restingas
Família Tropiduridae
Liolaemus lutzae Lagartixa-da-areia Restingas
Tropidurus torquatus Lagarto-de-coleira Campos, pastagens, restingas
Família Teiidae
Ameiva ameiva Ameiva Áreas florestais, bordas de
mata, campos, pastagens,
restingas
Cnemidophorus ocellifer Calango Áreas florestais, bordas de
mata, campos, pastagens,
restingas
Tupinambis merianae Teiú Áreas florestais, bordas de
mata, campos, pastagens,
restingas
Família Amphisbaenidae
Leposternon scutigerum Cobra-de-duas-cabeças Baixadas
Família Alligatoridae
Caiman latiristris Jacaré-de-papo-amarelo Rios e lagoas de baixada
Família Chelidae
Acanthochelys radiolata Cágado-amarelo Rios e lagoas de baixada
Hydromedusa tectifera Cágado-pescoço-de-cobra Rios e lagos

469
Phrynops geoffroanus Cágado-de-barbicha Rios e lagos
Família Testudinidae
Geochelone carbonaria Jabuti piranga Áreas florestais, restingas
Fonte: Campbell & Lamar, 1989; Fernandes & Gandolfi, 2000; Franco, 1998; Haddad & Abe, 1999; Hatano
et al., 2001; IBDF, 1981; Marques et al., 2001; Rocha e Silva, 1992; Rocha et al., 2003; Rocha et al., 2000;
Sazima & Haddad, 1992; Vanzolini, 1972

Anfíbios de provável ocorrência para a Área de Influência Direta_2005


Nome Científico Nome Vulgar Hábitat
Família Bufonidae
Bufo crucifer Sapo-cururu Áreas florestais, áreas
urbanas, restingas
Bufo ictericus Sapo-cururu-grande Áreas florestais, áreas
urbanas, restingas
Bufo pigmaeus Sapo-cururu-pigmeu Restingas
Família Hylidae
Aparasphenodon brunoi Perereca-de-capacete Áreas florestais,
restingas
Hyla albomarginata Perereca-verde-de-coxas- Bordas de mata,
laranja baixadas
Hyla anceps Perereca-coral Baixadas
Hyla bipunctata Pererequinha-de-face- Baixadas
aureolada
Hyla elegans Pererequinha-de-moldura Bordas de mata,
baixadas
Hyla faber Sapo-ferreiro Bordas de mata,
clareiras, restingas
Hyla meridiana Pererequinha Baixadas
Hyla pseudomeridiana Pererequinha Bordas de mata,
baixadas
Phyllomedusa rohdei Perereca-verde Áreas florestais,
baixadas
Scinax alter Perereca Baixadas
Scinax fuscovaria Perereca Baixadas
Scinax perpusillus Pererequinha-das-bromélias Áreas florestais,
restingas
Scinax similis Perereca-do-banheiro Áreas urbanas, baixadas
Sphaenorhynchus planicola Pererequinha-verde-de- Baixadas
nariz-em-cunha
Trachycephalus nigromaculatus Perereca-grande-de-cabeça- Áreas florestais,
dura restingas
Xenohyla truncata Perereca-estranha-de- Restingas
focinho-truncado
Família Leptodactylidae
Adenomera marmorata Rãzinha piadeira Áreas florestais, áreas
urbanas
Leptodactylus fuscus Rã-assoviadora Baixadas

470
Leptodactylus mystacinus Rã Baixadas
Leptodactylus natalensis Rã-borbulhante Baixadas
Leptodactylus ocellatus Rã-manteiga Áreas florestais, áreas
urbanas, baixadas,
restingas
Proceratophrys boiei Sapo-de-chifres Áreas florestais
Thoropa miliaris Sapo-bode Áreas florestais,
restingas
Família Microhylidae
Stereocyclops incrassus Rã Baixadas
Stereocyclops parkeri Rã-achatada-do-aguaceiro Baixadas
Família Ranidae
Rana catesbeiana Rã-touro Áreas florestais, áreas
urbanas, baixadas,
restingas
Fonte: Abrunhosa, 2001; Caramaschi et al., 2000; Haddad & Abe, 1999; Haddad & Sazima, 1992; IBDF,
1981; Izecksohn & Carvalho-e-Silva, 2001.

Aves de provável ocorrência para a Área de Influência Direta_2005


Nome científico Nome vulgar Hábitat
Família Podicipedidae
Tachybaptus dominicus Mergulhão-pequeno Coleções de água
Família Sulidae
Sula leucogaster Atobá Áreas oceânicas e costeiras
Família Fregatidae
Fregata minor Tesourão-grande Áreas oceânicas e costeiras
Família Phalacrocoracidae
Phalacrocorax brasilianum Biguá Coleções de água
Família Anhingidae
Anhinga anhinga Biguá-tinga Áreas alagadas, lagos
Família Ardeidae
Ardea cocoi Socó-grande Áreas alagadas
Botaurus pinnatus Socó-boi-baio Áreas alagadas, lagoas
Bubulcus ibis Garça-vaqueira Campos, pastagens
Butorides striatus Socozinho Áreas alagadas, lagoas
Casmerodius albus Garça-branca-grande Áreas alagadas, lagoas
Egretta caerula Garça-azul Áreas alagadas, lagoas
Egretta thula Garça-branca-pequena Áreas alagadas, lagoas
Ixobrychus exilis Socoí-vermelho Áreas alagadas, lagoas
Nycticorax nycticorax Savacu Áreas alagadas, lagoas
Tigrisoma fasciatum Socó-boi Áreas alagadas, lagoas
Família Threskiornitidae
Eudocimus ruber guará Áreas alagadas, lagoas
Platalea ajaja Colhereiro Áreas alagadas, lagoas
Família Alcedinidae
Ceryle torquata Martim-pescador-grande Áreas alagadas, áreas

471
florestais
Chloroceryle amazona Martim-pescador-verde Áreas alagadas, áreas
florestais
Chloroceryle americana Martim-pescador-pequeno Áreas alagadas, áreas
florestais
Família Anatidae
Amazonetta brasiliensis Ananaí Áreas alagadas, lagoas
Anas bahamensis Marreca-toicinho Áreas alagadas, lagoas
Cairina moschata Pato-do-mato Áreas alagadas, lagoas
Dendrocygna bicolor Marreca-caneleira Áreas alagadas, lagoas
Dendrocygna viduata Irerê Áreas alagadas, lagoas
Netta erythrophtalma Paturi-preta Áreas alagadas, lagoas
Oxyura dominica Bico-roxo Áreas alagadas, lagoas
Sarkidiornis melanotos Pato-de-crista Áreas alagadas, lagoas
Família Cathartidae
Coragyps atratus Urubu Campos, pastagens, áreas
urbanas, restingas
Família Accipitridae
Elanus leucurus Gavião-peneira Campos, pastagens, áreas
urbanas, restings
Rupornis magnirostris Gavião-carijó Campos, pastagens, áreas
urbanas, restingas
Família Falconidae
Falco femoralis Falcão-de-coleira Pastagens, campos, restingas
Falco sparverius Quiriquiri Campos, pastagens, áreas
urbanas, restings
Polyborus plancus Caracará Pastagens, restingas, bordas
de mata
Família Cracidae
Penelope superciliaris Jacucaca Borda de mata, campos, beira
de rios e lagos
Família Rallidae
Aramides cajanea Três-potes Áreas alagadas, áreas
florestais
Aramides mangle Saracura-do-mangue Áreas alagadas
Gallinula chloropus Frango-d´água-comum Áreas alagadas
Laterallus melanophaius Pinto-d´água-comum Áreas alagadas
Pardirallus maculatus Saracura-carijó Áreas alagadas
Porphyrulla martinica Frango-d´água azul Áreas alagadas
Porzana albicollis Sana-carijó Áreas alagadas
Rallus nigricans Saracura-sanã Áreas alagadas
Família Jacanidae
Jacana jacana Jaçanã Áreas alagadas
Família Charadriidae
Vanellus chilensis Quero-quero Campos, pastagens, áreas
urbanas, restingas
Família Scolopacidae
Gallinago paraguaiae Narceja Brejos e banhados
Gallinago undulata Galinhola Brejos e banhados

472
Família Columbidae
Columba livia Pombo-doméstico Áreas florestais, campos,
pastagens, restingas, áreas
urbanas
Columbina minuta Rolinha-de-asa-canela Áreas florestais, campos,
pastagens
Columbina talpacoti Rolinha Campos, pastagens,
restingas, áreas urbanas
Leptotila verreauxi Juriti Áreas florestais, campos,
pastagens, restingas
Família Psittacidae
Amazona amazonica Papagaio-do-mangue Áreas florestais, manguezais
Brotogeris tirica Periquito-rico Borda de mata, áreas
urbanas, restingas
Família Cuculidae
Crotophaga ani Anú-preto Campos, pastagens, áreas
alagadas, restingas
Crotophaga major Anú-coroca Áreas alagadas
Guira guira Anú-branco Campos, pastagens, restingas
Tapera naevia Saci Áreas alagadas
Família Tytonidae
Tyto alba Suindara Áreas florestais, campos,
pastagens, áreas urbanas,
restingas
Família Strigidae
Glaucidium brasilianum Caburé Borda de mata, campos,
pastagens, restingas
Otus choliba Corujinha-do-mato Borda de mata, campos,
áreas urbanas, restingas
Speotyto cunicularia Coruja-buraqueira Campos, pastagens, áreas
urbanas, restingas
Família Nyctibiidae
Nyctibius griseus Urutau Áreas florestais, áreas
alagadas
Família Caprimulgidae
Chordeiles acutipennis Bacurau-de-asa-fina Campos, pastagens,
restingas, áreas urbanas
Hydropsalis brasiliana Bacurau-tesoura Borda de mata, campos,
pastagens, áreas urbanas,
restingas
Nyctidromus albicollis Curiango Áreas florestais, campos,
pastagens, restingas
Família Trochilidae
Amazilia fimbriata Beija-flor-de-garganta-verde Campos, restingas
Phaetornis idaliae Besourinho Restingas
Polytmus guainumbi Beija-flor-dourado-de-bico- Campos, restingas, áreas
curvo alagadas
Família Furnariidae
Certhiaxis cinnamomea Curutié Áreas alagadas

473
Furnarius rufus João-de-barro Campos, áreas urbanas,
restingas
Phleocryptes melanops Bate-bico Áreas alagadas
Família Tyrannidae
Arundinicola leucocephala Freirinha Áreas alagadas
Fluvicola nengeta Lavadeira-mascarada Áreas alagadas
Hemitriccus nidipendulus Tachuri-campainha Restingas
Pitangus sulphuratus Bentevi Áreas florestais, pastagens,
campos, áreas urbanas,
restingas
Pseudocolopteryx sclateri Tricolino Áreas alagadas
Tolmomyias flaviventris Bico-chato-amarelo Restingas
Tyrannus melancholicus Suiriri Áreas florestais, campos,
pastagens, áreas urbanas,
restingas
Família Hirundinidae
Stelgidopteryx ruficollis Andorinha-serrador Áreas alagadas, campos
Tachycineta leucorrhoa Andorinha-de-sobre-branco Áreas alagadas, áreas
urbanas
Família Troglodytidae
Donacobius atricapillus Japacanim Brejos
Thryothorus longirostris Garrinchão-de-bico-grande Restingas, campos
Troglodytes aedon Cambaxirra Bordas de mata, restingas,
campos, pastagens, áreas
urbanas
Família Muscicapidae
Turdus amaurochalinus Sabiá-poca Bordas de mata, campos,
pastagens, áreas urbanas,
restingas
Turdus rufiventris Sabiá-laranjeira Bordas de mata, campos,
pastagens, áreas urbanas,
restingas
Família Mimidae
Mimus gilvus Sabiá-da-praia Restingas
Mimus saturninus Sabiá-do-campo Bordas de mata, campos,
restingas
Família Motacillidae
Anthus lutescens Caminheiro-zumbidor Campos, beira de lagos, rios
e pântanos
Família Vireonidae
Hylophilus thoracicus Vite-vite Áreas florestais, bordas de
mata, campos, restingas,
áreas urbanas
Família Emberizidae
Agelaius cyanopus Carretão Áreas alagadas
Coryphospingus pileatus Galinho-da-serra Campos, restingas
Euphonia chlorotica Vivi Campos e pastagens, áreas
alagadas
Geothlypis aequinoctialis Pia-cobra Brejos, restingas

474
Leistes superciliaris Polícia-inglesa-do-sul Áreas alagadas, campos
Molothrus bonariensis Maria-preta Campos e pastagens,
restingas
Oryzoborus angolensis Curió Áreas florestais, áreas
alagadas
Oryzoborus maximiliani Bicudo Áreas florestais, áreas
alagadas
Ramphocelus bresilius Tiê-sangue Campos, pastagens, restingas
Saltator maximus Tempera-viola Áreas florestais, áreas de
baixada
Saltator similis Trinca-ferro Áreas florestais, áreas de
baixada
Sporophila bouvreuil Caboclinho Áreas alagadas, campos
Sporophila collaris Coleiro-do-brejo Áreas alagadas
Sporophila falcirostris Cigarra-verdadeira Áreas alagadas, campos
Sporophila frontalis Pichochó Áreas alagadas, restingas
Sporophila leucoptera Chorão Áreas alagadas, campos
Zonotrichia capensis Tico-tico Campos, pastagens, áreas
urbanas, restingas
Família Passeridae
Passer domesticus Pardal Campos, pastagens, áreas
urbanas, restingas
Família Estrildidae
Estrilda astrild Bico-de-lacre Campos, pastagens, áreas
urbanas, restingas
Fonte: Alves et l., 2000; Ferreira & Ernesto, 2000; Maciel & Magnanini, 1989; Reis, 1998; Rocha et al.,
2003; Sick, 1997; Silva, 1992; Souza, 2004; Venturini, 1996.

Mamíferos de provável ocorrência para a Área de Influência Direta_2005

Nome científico Nome vulgar Hábitat


Família Didelphidae
Caluromys philander Mucura Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Chironectes minimus Cuíca d´água Áreas florestais, restinga,
áreas alagadas
Didelphis aurita Gambá Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Gracilinanus agilis Catita Áreas florestais, restinga
Gracilinanus microtarsus Catita Áreas florestais, restinga
Lutreolina crassicaudata Cuíca-de-cauda-grossa Áreas florestais, restinga
Marmosa murina Cuíca Áreas florestais, restinga
Marmosops incanus Cuíca Áreas florestais, restinga
Metachirus nudicaudatus Cuíca Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,

475
restinga
Monodelphis brevicaudis Cuíca Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga
Philander opossum Cuíca-de-quatro-olhos Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga
Família Dasypodidae
Dasypus novemcinctus Tatu galinha Áreas florestais, restinga
Dasypus septemcinctus Tatu mirim Áreas florestais, restinga
Euphractus sexcinctus Tatu peba Áreas florestais, restinga
Família Myrmecophagidae
Tamandua tetradactyla Tamanduá mirim Áreas florestais, restinga
Família Bradypodidae
Bradypus torquatus Preguiça Áreas florestais, restinga
Família Emballorunidae
Rhynchonicteris naso Morcego Áreas florestais, restinga
Saccopterix bilineata Morcego Áreas florestais, restinga
Família Noctilionidae
Noctilio leporinus Morcego pescador Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Família Phyllostomidae
Anoura caudifer Morcego beija-flor Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Artibeus cinereus Morcego das frutas Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Artibeus lituratus Morcego das frutas Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Artibeus planirostris Morcego das frutas Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Carollia perspicillata Morcego de cauda curta Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Desmodus rotundus Morcego vampiro Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga
Diphylla ecaudata Morcego vampiro Áreas florestais, áreas
abertas, restinga
Glossophaga soricina Morcego beija-flor Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga
Micronycteris minuta Morcego de orelhas Áreas florestais, áreas
grandes abertas, restinga
Phyllostomus discolor Morcego Áreas florestais, área

476
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Phyllostomus hastatus Morcego falso vampiro Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Platyrrhinus lineatus Morcego de listras brancas Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Sturnira lilium Morcego de ombros Áreas florestais, área
amarelos urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Trachops cirrhosus Morcego Restingas
Uroderma bilobatum Morcego Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Uroderma magnirostrum Morcego Restingas
Vampyressa pusilla Morcego Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Família Molossidae
Molossus ater Morcego cauda de rato Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Molossus molossus Morcego cauda de rato Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Tadarida brasiliensis Morcego Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Família Vespertilionidae
Epitesicus furinalis Morcego Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Lasiurus cinereus Morcego Áreas florestais, restinga,
áreas alagadas
Myotis nigricans Morcego Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Myotis ruber Morcego Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Família Callithrichidae
Callithrix jacchus Sagüi de tufos brancos Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga
Callithrix penicillata Sagüi de tufos pretos Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga
Família Cebidae

477
Cebus apella Macaco prego Áreas florestais, áreas
abertas, restinga
Família Canidae
Cerdocyon thous Cachorro do mato Áreas florestais, áreas
abertas, restinga
Família Procyonidae
Nasua nasua Quati Áreas florestais, áreas
abertas, restinga
Procyon cancrivorus Mão pelada Áreas florestais, áreas
abertas, restinga, áreas
alagadas
Família Mustelidae
Gallictis vittata Furão Áreas florestais, áreas
abertas, restinga
Lontra longicaudis Lontra Áreas alagadas, lagoas
Família Sciuridae
Sciurus sp. Caxinguelê Áreas florestais, restingas
Família Muridae
Akodon cf. cursor Rato do campo Áreas florestais, áreas
abertas, restinga
Bolomys lasiurus Rato-do-mato Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga
Calomys laucha Rato-do-mato Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga
Mus musculus Camundongo Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga
Nectomys squamipes Rato d´água Áreas florestais, restinga,
áreas alagadas
Oligoryzomys nigripes Rato-do-mato Áreas florestais, áreas
abertas, restinga
Oxymycterus sp. Rato-do-brejo Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Rattus rattus Ratazana Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga
Rhipidomys mastacalis Rato do mato Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga
Família Erethizontidae
Sphiggurus villosus Ouriço Áreas florestais, restinga
Família Caviidae
Cavia aperea Preá Áreas florestais, áreas
abertas, restinga
Família Dasyproctidae
Dasyprocta leporina Cutia Áreas florestais áreas

478
abertas, restinga
Família Hydrochoeridae
Hydrochaeris hydrochaeris Capivara Áreas florestais, área
urbana, áreas abertas,
restinga, áreas alagadas
Família Leporidae
Sylvilagus brasiliensis Tapiti Áreas florestais, áreas
abertas, restinga
Fonte: Bergallo et al., 2000; Conde et al., 2000; Eisenberg & Redford, 1999; Emmons, 1990; IBDF, 1981;
Maciel & Magnanini, 1989; Mendes et al., 1999; Rocha et al., 2003; Venturini et al., 1996

479
• Marinha

ƒ Sobre a Carcinofauna

Crustáceos de Provável Ocorrência para a AII nas Áreas de Manguezais – 2005.

Nome científico Nome vulgar Hábitat


Família Grapsidae
Aratus pisonii Marinheiro Caules e raízes de
manguezais
Família Gecarcinidae
Cardisoma guanhumi Guaimum Áreas periféricas aos
manguezais
Família Ocipodidae
Uca sp. Chama-maré Áreas de sedimento mais
consolidado (areia) dos
manguezais
Família Grapsidae
Goniopsis cruentata Aratu Caules e raízes de
manguezais
Família Gecarcinidae
Ucides cordatis Caranguejo Uca Galerias escadas no
sedimento pouco
consolidado no interior dos
bosques de manguezais
Fonte: Comunicação pessoal Moscatelli

• Nos Costões Rochosos e na Praia da Macumba


Estas informações foram contempladas quando dos estudos do Meio Biótico para as Áreas
Diretamente Afetadas, considerando a necessidade de recorrer a dados primários.

480
• Nas Lagoas

ƒ Sobre a Ictiofauna

Os sistemas lagunares/estuarinos são representados por corpos d’água semifechados, que


apresentam volume de água variável e ligação parcial ou permanente com o sistema marinho
caracterizados por temperaturas e salinidades variáveis além de elevada turbidez. São utilizados por
várias espécies de peixes que fazem desses ambientes seus habitats ou transitam obrigatoriamente
por suas águas (espécies anádromas e catádromas) ou, ainda, penetram nele simplesmente à procura
de alimento (Yáñes-Aracibia et al., 1994). Diversos fatores, como por exemplo a salinidade
interagem na distribuição, abundância e dinâmica das populações de espécies de peixes
lagunares/estuarinos, que têm sido classificadas de acordo com sua tolerância à salinidade (Yáñes-
Aracibia & Nugent, 1977).

O Complexo Lagunar de Jacarepaguá, localizado em área que vem sofrendo com o processo de
ocupação acelerado e desordenado, tem sofrido com desequilíbrios ambientais e com modificações
importantes em suas comunidades aquáticasm de tal sorte que em anos anteriores à urbanização da
região foi descrito “a Lagoa da Tijuca apresentava águas limpas, piscosas e com extensa
variedade de peixes típicos de água salobra e salgada, dispondo de condições ambientais
favoráveis à vida e sua preservação” (Mossé et al., 1973 apud Andreata et al., 1990). Os
ecossistemas lagunares possuíam grande biodiversidade sendo áreas naturais de criadouro,
principalmente de peixes e crustáceos. Nos tempos que antecederam a intensificação da ocupação
humana, tais sistemas davam suporte à fauna e flora locais. As lagunas, nesta época, eram repletas
de peixes sendo comum, a presença do jacaré-de-papo-amarelo, ariranhas e lontras, além de uma
rica avifauna que transitava entre os ecossistemas das lagoas, pântanos e matas.

Alguns estudos contribuem para o conhecimento da biota aquática historicamente associada à


região, destacando-se, dentre estes, o trabalho de Correa (1936) que, ao descrever detalhadamente a
baixada (denominada pelo autor como um sertão carioca), aborda diversos aspectos acerca da fauna
presente em rios, lagunas e brejos da região, bem como descreve a atividade de pesca existente na
época. Estes dados serviram como base para outros estudos como o de Lamego (1974) que retratou
a biota local e sua influência sobre o processo de ocupação da baixada. Estudos específicos acerca
da ictiofauna associada aos ecossistemas da baixada tiveram início com os trabalhos de Travassos

481
(1954, 1955) que ao tratarem da taxonomia e da morfologia de algumas espécies de peixes
Characidae (Spintherobolus broccae e Deuterodon pedri) acabaram por fornecerem registro da
presença de tais taxa na região.

Contudo, apesar da grande importância ambiental e sócio-econômica dos sistemas lagunares,


poucos estudos sobre a ictiofauna do Sistema Lagunar de Jacarepaguá foram realizados. Os
ecossistemas paludiais e rios foram estudados por Bizerril & Araújo (1993) enquanto que estudos
taxonômicos e ecológicos sobre a ictiofauna foram realizados para a Lagoa de Jacarepaguá
(Andreata et al., 1992), Lagoa da Tijuca (Volcker & Andreata, 1982; Andreata et al., 1990a) e
Lagoa de Marapendi (Andreata et al., 1989; 1990b; Soares et al., 1991; Barbieri et al., 1992).

A região vem sofrendo uma rápida dilapidação de sua riqueza biótica, um fenômeno negativo com
forte previsibilidade, considerando a rapidez que o processo de urbanização se deu no local. A
ocorrência de processos de extinção local de espécies, certamente derivados do uso intenso das
áreas de baixada, da alteração dos regimes salinos dos corpos lagunares e da poluição dos sistemas
hídricos foi apontada por Bizerril & Araújo (1993). Contudo, apesar das perdas sofridas pela fauna
da região ainda é possível se observar um alto número de espécies no local. Ressalta-se que a
distribuição das espécies na região não é homogênea, podendo-se distinguir áreas praticamente
desprovidas de grupos nativos e regiões que parecem atuar como os bolsões locais de
biodiversidade (Bizerril & Primo,2001).

Apesar dos impactos sofridos por estes sistemas, ainda se evidencia nos mesmos uma ictiofauna
diversificada, quando comparada a outros sistemas lagunares e lacustres costeiros do Estado do Rio
de Janeiro. Dessa forma, os dados disponíveis sobre a região registram 35 famílias, incluindo 66
espécies de peixes nas lagoas de Jacarepaguá, Tijuca e Marapendi, (Tabela a seguir _ Ictiofauna
presente na Lagoa de Jacarepaguá, Lagoa da Tijuca e Lagoa de Marapendi.).

As lagunas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá apresentam caracteristicamente salinidade variável


inferior à das águas do mar. Várias espécies que freqüentam esses corpos d’água são eurihalinas,
suportando normalmentre as mudanças de salinidade devida a sua capacidade fisiológica de regular
a pressão osmótica dos seus fuidos corpóreos, possibilitando a esses animais a capacidade de
controlar o seu potencial osmótico (Andreata et al., 2001), sendo essa capacidade de regulação
osmótica, mais acentuada em espécies de origem marinha (Andreata et al. 1997). Muitas espécies
que vivem normalmente no mar podem penetrar e permanecer em águas salobras ou mesmo num
482
ambiente essencialmente de água doce (peixes anádromos e eurihalinos). Outras são formas de água
doce que podem tolerar um ambiente salobro ou até mesmo marinho (peixes catádromos). Algumas
espécies, contudo, têm tolerância restrita e suportam pequenas variações de salinidade (peixes
estenohalinos).

A influência de água doce nas lagunas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá pode ser considerado um
fator positivo. Várias espécies de peixes encontradas nas lagunas são provenientes dos cursos
d’água que nelas desembocam. O Caráter estenohalino de algumas espécies faz com que elas
prefiram viver na região de salinidade mais baixa. São peixes de origem dulcícola: Poecelia
vivípara, P. reticulata, Plalloptychus januarius, Jenynsia multidentata, Geophagus brasiliensis e
Tilapia rendalli.

Algumas espécies presentes em todas as lagunas caracterizam-se por utilizar os estuários como
rotas de migração que compõem suas estratégias reprodutivas e/ou alimentares. Entram nas lagunas
nos estágios larvar ou juvenil para posterior desenvolvimento (espécies marinhas lagoares). São
exemplos os robalos (Centropomus parallelus, C. undecimalis), as taínhas (Mugil liza), os paratis
(M. curema) e o bagre-urutu (Genidens genidens). Os mugilídeos (tainhas) são essencialmente
liminófagos, isto é, alimentam-se de matéria orgânica presente nos sedimentos. Outras podem ser
consideradas estuarino residentes, por fecharem o ciclo de vida nas lagunas da região (Andreata et
al., 1990b). Destas, os principais representantes são o peixe-rei (Xenomelaniris brasiliensis) e
alguns Gobiidae (Gobionellus boleosoma e G. oceanicus).

Tabela _ Ictiofauna presente na Lagoa de Jacarepaguá, Lagoa da Tijuca e Lagoa de


Marapendi.

483
484
485
Fonte: (Andreata et al., 1989, 1990a, 1990b, 1992; Barbieri et al., 1992; Bizzeril,
1996; Soares et al., 1991; Volcker & Andreata, 1982)

Além da salinidade, outras diferenças ambientais verificadas nos diversos pontos de um


ecossistema lagunar exigem que os organismos apresentem adaptações morfológicas
características. A grande diversidade morfológica verificada nos peixes habilita-os a
viverem em habitats bem diferenciados no ambiente lagunar. A forma do corpo e outras
características anatômicas ajudam a definir o modo de vida e comportamento de muitas
espécies, sendo portanto, a diversidade morfológica um parâmetro importante na
caracterização dos componentes de uma icitiofauna.

Entre as espécies registradas para as lagunas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, verifica-se


a presença de peixes que apresentam forma do corpo diferente da fusiforme (forma do corpo
característica e dominante nos peixes). Os linguados (Pleuronectiformes, com sua assimetria
na forma adulta os obriga a viverem apoiados no fundo das lagunas. Os linguados na fase
larval têm o corpo bilateralmente simétrico, habitando o plâncton. Quando adultos passam
por metamorfose adquirindo formato circular com simetria dorso-ventral, não possuindo
bexiga natatória e habitando o substrato.

Também vivendo sobre o substrato encontramos os gobídeos e eleotrídeos, conhecidos


vulgarmente como “maria-mole”, os bagres (Siluriformes) e os peixes referidos como
“cabrinha” (Triglidae). Todos, de hábito bentônico, apresentam a região ventral do corpo
plana e esbranquiçada, pela falta de pigmentação, e muitos não possuem bexiga natatória.
Os Gobiidae são peixes pequenos (10cm), com nadadeiras pélvicas usualmente unidas na

486
forma adulta, formando um disco adesivo que ajuda na locomoção e os mantém apoiados ao
substrato. Os “cabrinhas” (Triglidae) vivem em contato com o substrato e apresentam
anatomia curiosa salientando o grande desenvolvimento das nadadeiras peitorais que lhes
servem de “asa”, permitindo-os deixar o fundo e sair para fora da água para planar poruma
curta distância.A face ventral é plana como nos peixes bentônicos, locomovendo-se sobre o
substrato com as nadadeiras pélvicas auxiliadas pelas peitorais. Outros peixes, como o
peixe-cachimbo (Gasterosteiformes), que pertencem ao grupo do cavalo-marinho, possuem
o corpo fino, alongado, a cabeça com o focinho bem pronunciado e com boca rudimentar.

Outros grupos com morfologia não fusiforme são encontrados em estratos mais superficiais
da coluna d’água. Exemplos são os baiacus (Tetraodontiformes), cujo corpo é mais ou
menos esferóide e os dentes são fortes e adequados para triturar alimento duro. As
nadadeiras pélvicas são ausentes e a dorsal é oposta à anal. O peixe-agulha (Belonidae) que
apresenta corpo muito fino, alongado e aparelho bucal guarnecido de dentes pontiagudos,
porém frágeis.

Os peixes com corpo fusiforme, habitam os estratos intermediários ou mais superiores da


coluna d’água. São bons nadadores e muitos predadores vorazes como, por exemplo,
Centropomus parallelus (robalo) e Oligoplites saurus (guaivira). Os Clupeidae,
representados pelas sardinhas e savelhas, apresentam o corpo alongado e cabeça com
focinho pronunciado. Não possuem nadadeiras pélvicas e a dorsal é única de raios moles. Na
região ventral apresentam uma quilha serrilhada formada pela fusão de escamas.

Uma avaliação da distribuição vertical dos peixes do Sistema Lagunar de Jacarepaguá


evidencia a presença de dois grupos: peixes bentônicos, os que vivem no substrato; peixes
nectônicos, que pertencem ao necton. Estes são subdividos em peixes demersais, os que
buscam alimento no substrato ou no estrato acima dele e os peixes pelágicos, aqueles que
apresentam grande poder natatório e capturam suas presas acima da zona dos demersos e na
zona do plâncton.

Dentre as formas bentônicas registradas paras as lagunas destacamos a presença do silurídeo


(G. genidens) do grupo dos bagres, o linguado (A. Lineatus), gobídeos representados por 6
gêneros e 8 espécies, 2 espécies de eleotrídideos e uma espécie de triglídeo. Cabe destacar
que algumas formas desses grupos de teleósteos, especialmente Gobiidae e Eleotrididae, têm
487
capacidade de sobreviver em charcos e toleram águas de várias condições, até mesmo
estagnadas.

No estrato acima do fundo ocorrem os peixes referidos como demersais. Nas lagunas
ocorrem espécies provenientes do oceano e dos cursos de água doce. Estes últimos
representados pelos ciclídeos G. brasiliensis e T. rendalli (espécie exótica). G. brasiliensis é
onívoro,vivendo de pequenos crustáceos e anelídeos e também de material orgânico que
retira dos detritos acumulados no substrato.

Os peixes demersais de origem marinha são mais numerosos. Merece destaque o gênero
Centropomus, representado por duas espécies. Alimentam-se de pequenos peixes como os
barrigudinhos (Poecilídeos) e manjubas (Engraulídeos), sendo predadores de crustáceos,
principalmente camarões. Também são registrados 1 espécie de Sciaenidae e 7 de Gerreidae,
sendo 4 do gênero Gerres e 3 de Diapterus. São predadores alimentando-se de crustáceos e
moluscos. Outras formas, pertencentes às famílias Tetraodontidae e Monacanthidade, além
dos Gasterosteiformes, provavelmente entram nas lagunas com as águas das marés.

Os peixes pelágicos encontram-se abaixo do estrato superficial, sendo o domínio destes


peixes de movimentos natatórios rápidos, que normalmente são predadores vorazes. Os
peixes pelágicos que freqüentam as lagunas são principalmente de origem marinha, entrando
nos ecossistemas lagunares com a finalidade de se alimentar. Os Carangidae são registrados
somente para a Lagoa da Tijuca, com exceção de Trachinotus carolinus que também ocorre
em Marapendi. São peixes de mares tropicais e subtropicais de hábito costeiro ou
essencialmente pelágico. Caranx latus (xerelete) e Oligoplites saurus (guaivira) são
excelentes nadadores e alimentam-se provavelmente de clupeídeos (sardinhas) e
engraulídeos (manjubas). O efipídeo C. faber é normalmente encontrado em estuários e
bacias costeiras, ocorrendo apenas na Lagoa da Tijuca.

Os peixes filtradores geralmente têm alta fecundidade e são, em geral, abundantes na


comunidade de peixes, servindo de alimento para outras espécies. Entre as espécies mais
abundantes estão aquelas que se alimentam do plâncton, representadas nas lagunas pelos
Clupeiformes (clupeídeos e engralídeos). Os Clupeidae são representados pelos gêneros
Brevoortia e Sardinella; e os Engraulidade pelo gênero Anchoa. Todos apresentam o

488
aparelho branquial especializado para reter diminutas partículas alimentares presentes no
plâncton.

A laguna da Tijuca consiste no sistema lagunar que, dentro da baixada de Jacarepaguá, exibe
a maior riqueza de espécies, sendo marcado pelo predomínio de formas marinhas sobre as
demais categorias ecológicas consideradas. Em relação às espécies registradas na laguna, o
peixe-rei (Xenomelaniris brasiliensis) e os barrigudinhos (Poecilia vivipara e Jenynsia
multidentata) destacam-se como sendo os mais abundantes, verificando-se nítida segregação
de uso espacial influenciada pela salinidade. Assim, X. brasiliensis é apontada como a
espécie mais abundante nas áreas com maior influência salina, enquanto P. vivipara e J.
multidentata predominam nas áreas com menor gradiente de salinidade (Bizerril et al.,
1991).

A laguna da Tijuca, foi considerada como sendo de regime mixomesoalino e apresentando


três grandes regiões ictiogeográficas dentro de seus limites, definidas por Andreata et al.
(1990a), como:

Área 1 – Restrita ao canal da Joatinga, esta unidade é caracterizada por apresentar ictiofauna
composta por elementos marinhos acessórios e acidentais, os quais encontram-se
associados por espécies estuarino residentes (Xenomelaniris brasiliensis, Mugil liza e
Gobionellus boleosoma), de ampla distribuição na laguna;
Área 2 – Representa um trecho de transição entre um sistema eminentemente marinho (área 1) e um
complexo com ictiofauna essencialmente lagunar (área 3);
Área 3 – Correspondendo ao fundo da lagoa é, dentre as três áreas reconhecidas, caracterizada por
exibir menor diversidade biológica, possuindo suas ictiocenoses compostas essencialmente
pelos grupos estuarinos residentes, associados às espécies dulcícolas eurialinas (Poecilia
vivipara, Phallopthychus januarius, Jenynsia multidentata e Geophagus brasiliensis).
Os dados de salinidade nos últimos anos (ver item Caracterização Limnológica do Complexo
Lagunar de Jacarepaguá - Meio Físico) evidenciam que a laguna continua a apresentar o mesmo
regime salino, propiciando um gradiente de salinidade que se constitui em um dos principais
determinantes da zonação desse ecossistema, atuando diretamente no potencial osmótico dos
organismos (Ross & Epperly, 1985).

489
No estudo de Andreata et al. (1992), a laguna de Jacarepaguá foi caracterizada como um sistema
com baixa concentração salina, com valores oscilando entre 1 e 8 ppm no período de dezembro/90 a
fevereiro/91. No período de 1996 a 2005 o regime não se alterou (ver item Caracterização
Limnológica do Complexo Lagunar de Jacarepaguá - Meio Físico), mantendo-se a laguna na
condição oligohalina. Este aspecto encontra-se refletido na baixa riqueza de espécies, em um
arranjo marcado pela presença predominante de espécies estuarino-residentes, como o peixe-rei
(Xenomelaniris brasiliensis) e o Dormitator maculatus, associados à espécies dulcícolas eurialinos.

Grupos de peixes marinhos são raros e pouco freqüentes, limitando-se ao carapicu (Gerres aprion),
o bagre-urutu (Genidens genidens), a savelha (Brevoortia pectinata) e a sardinha (Sardinella
brasiliensis). Em termos quantitativos, as espécies Poecilia vivipara, Phallopthtychus januarius,
Jenynsia multidentata (Barrigudinhos), X. brasiliensis, Tilapia rendalli e Geophagus brasiliensis
são as mais abundantes.

As alterações sofridas por essa laguna, relativas às mudanças na qualidade da água derivadas do
lançamento de efluentes domésticos e industriais, exerceu fortes pressões seletivas sobre a
ictiofauna local, observando-se, atualmente, o predomínio de espécies dotadas de altos limites de
valência ecológica cujos hábitos oportunistas viabilizaram o estabelecimento de estoques
populacionais na área. São exemplos os Poeciliidae, Atherinidae, Cichlidae e grupos dulcícolas
como os tamboatás (Callichthys calichthys) e os mussuns (Synbranchus marmoratus), mais comuns
nas porções mais interiores da laguna (Bizerril & Primo, 2001).

Segundo Bizerril e Primo (2001), atualmente a Lagoa de Jacarepaguá apresenta três grandes
unidades ictiofanísticas, representando sistemas nos quais as condições ambientais encontram-se
refletidas em: 1) baixa diversidade faunística com predomínio de grupos estuarinos; 2) baixa
diversidade faunística com predomínio de grupos dulcícolas e 3) um setor que ainda concentra
maior riqueza de espécies.

De um sistema outrora dulcícola, a laguna de Marapendi exibe atualmente condições mesoalinas


derivada da comunicação deste sistema com a laguna da Tijuca pelo canal de Marapendi (ver item
Caracterização Limnológica do Complexo Lagunar de Jacarepaguá - Meio Físico). O estudo
disponível sobre a estrutura da ictiofauna deste sistema limita-se ao trabalho de Andreata et al.
(1990a), conduzido em sua maior parte durante período no qual a comunicação entre os dois

490
sistemas ainda era precária, realizada através de tubulões com diâmetro aproximado de cinco
metros, o que condicionava penetrações muito lentas de água de salinidade mais elevada.

Como resultado foi verificado participação de espécies caracteristicamente marinhos entre os taxa
amostrados na laguna de Marapendi. Os autores destacam, contudo, que em amostragens
complementares, realizadas após a retirada dos tubulões e abertura dos canais indicaram
modificações expressivas na composição específica e nos padrões de abundância das principais
espécies. Neste momento, foi constatada a penetração de juvenis de espécies marinhas antes pouco
abundantes, como pampos (Carangidae) e manjubas (Engraulididae), as quais passaram a constituir
componentes importantes, enquanto grupos dulcícolas, como o acará ou caraúna (Geophagus
brasiliensis) sofreram reduções evidentes na abundância e tiveram a distribuição restrita às áreas
menos salinas.

Devido à falta de informações mais recentes sobre a região é difícil precisar a atual estrutura e o
funcionamento da fauna aquática local. Contudo, a grande variedade de hábitos alimentares das
principais espécies registradas atualmente nas lagunas, incluindo espécies filtradoras, carnívoras,
onívoras e iliófagas, demonstra a complexidade da cadeia alimentar ainda existente no sistema.
Considerando as teias alimentares relativas às formas de peixes ocorrentes nas lagunas, é curioso
observar que os consumidores de segunda ordem são representados por uma série de predadores, a
maioria vinda do mar. Esses peixes são os carangídeos Caranx latus e Oligoplites saurus; o
efipídeo Chaetopterus faber; o cianídeo Micropogonias furnieri; o elopídeo Elops saurus e os
centropomídeos Centropomus undecimalis e C. paralellus.

Cabe também salientar que, das 66 espécies observadas nas lagunas poucas, têm apresentado
relevância econômica. Bizerril & Primo (2001), através de entrevistas com pescadores e
amostragens pontuais revelaram que os os paratis (Mugil curema), as savelhas (Brevoortia
pectinata), o peixe-rei (Xenomelaniris brasiliensis) e os carapicus (Gerres aprion) figuram entre os
itens mais freqüentes de pescado. Contudo, nos levantamentos juntos as três colônias de pesca
atuais na região, tilápia, tainha e robalo foram apontadas como as únicas espécies de peixes de
interesse econômico atualmente capturadas nas lagunas.

491
ƒ Sobre as Comunidades Lagunares Planctônicas

Segundo Barnes (1980), os sistemas lagunares representam 13% dos ambientes costeiros mundiais e
caracterizam-se por acumular matéria orgânica apresentando alta produtividade e biomassa, tanto
autotrófica quanto heterotrófica. São ambientes rasos, fato que associado ao regime de ventos
comuns nas áreas costeiras, quase sempre resultam em homogeinização da coluna d’água. Em geral
os sistemas lagunares sofrem impactos antropogênicos e têm sido considerados ecossistemas sob
estresse e em processo de eutrofização (Kjerfve, 1994).

As lagunas são ambientes tipicamente de deposição e sedimentação, acumulando contaminantes


oriundos de fontes urbanas e/ou industriais. No Sistema Lagunar de Jacarepaguá o impacto
antropogênico é evidenciado pela ocupação urbana desordenada que resulta no aporte de efluentes
sem nenhum tipo de tratamento, além nos assoreamentos e aterros acelerados das lagoas, causando
o estrangulamento dos canais de ligação com o mar. Tal fato tem acelerado modificações
significativas na composição das águas lagunares, aumentando excessivamente a proporção de água
doce; como conseqüência das dificuldades de troca de água entre as lagoas e o mar, tem ocorrido
periodicamente, grandes taxas de mortandade dos peixes. No caso da Lagoa de Jacarepaguá há que
se destacar a intensa atividade industrial exercida na região,cujos resíduos vão desaguar na lagoa
(Feema, 1982; Feema, 1984). Cabe destacar que as lagunas do complexo lagunar se
intercomunicam, distribuindo de forma mais ou menos homogênea as descargas que recebem
(Domingos, 2001).

O processo de eutrofização observado no Sistema Lagunar vem sendo apontado a pelo menos cerca
de 20 anos (Saieg-Filho, 1986). Embora uma década antes, Semeraro e Costa (1972) já relatavam a
primeira ocorrência de florações de cianobactérias, além de destacar a frequente ocorrência de
florações de dinoflagelados (Gymnodinium spp.) que conferiam coloração castanha às águas da
Lagoa de Jacarepaguá.

Uma das principais conseqüências do processo de eutrofização é o aumento relativo de


cianobactérias na comunidade fitoplanctônica, resultante, dentre outros fatores do acúmulo de
nutrientes. No complexo lagunar Jacarepaguá-Camorim-Tijuca florações de cianobactérias vem
sendo registradas desde 1990 (Fernandes, 1993), inclusive sendo registradas a ocorrência de cepas
produtoras de cianotoxinas (Magalhes e Azevedo, 1998).

492
Vários estudos já foram publicados enfocando diversos aspectos ligados à ecologia e/ou problemas
ambientais das lagunas do Complexo Lagunar de Jacarepaguá, como por exemplo a contaminação
por metais pesados (Fernandes et al., 1994) ou cianotoxinas (Magalhaes et al., 2001). Deste modo,
neste diagnóstico objetivamos a caracterização das atuais condições do Complexo Lagunar de
Jacarepaguá com base em informações recentes e/ou relevantes sobre as comunidades aquáticas das
lagunas.

Embora o Sistema Lagunar de Jacarepaguá tenha sido objeto de estudo sob diversos aspectos, um
dos principais componentes biológicos das comunidades aquáticas, o plâncton, têm tido pouca
atenção, sendo que, de nosso conhecimento, poucos estudos científicos foram realizados sobre as
comunidades planctônicas (fitoplâncton e zooplâncton). Assim, as informações mais recentes são
restritas aos estudos sobre as conseqüências de florações de cianobactérias sobre as comunidades
zooplanctônica e ictiofauna (Ferrão-Filho et al., 2002a, 2002b; Magalhães & Azevedo, 1998;
Magalhães et al., 2001) e sobre a dominância de cianobactérias no fitoplâncton (Domingos, 2001).
Estes estudos foram realizados entre 1996 e 1997, e restritos às Lagoas de Jacarepaguá, Camorim e
Tijuca.

Cabe destacar, que os estudos de Ferrão-Filho et al. (2002a e 2002b) constituem a única informação
publicada sobre o zooplâncton deste ambiente, o que aponta para a urgente necessidade de obtenção
de informações sobre a comunidade dos animais planctônicos. Entre dezembro de 1998 e novembro
de 1999, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente realizou, através de convênio com o Laboratório
de Ecofisiologia e Toxicologia de Cianobactérias da UFRJ, um monitoramento das florações de
cianobactérias nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca. Mais recentemente a FEEMA iniciou
um monitoramento do fitoplâncton das lagunas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá e, com exceção
da Lagoinha, vem coletando amostras nas lagunas desde fevereiro/2004, embora com periodicidade
variável. Contudo, esses monitoramentos não tiveram teve seus dados analisados e/ou publicados.

No período de agosto de 1996 a setembro de 1997 as mudanças sazonais na composição do


fitoplâncton da Lagoa de Jacarepaguá evidenciaram três períodos distintos (Domingos, 2001;
Ferrão-Filho et al. 2002). De agosto a dezembro/1996, a comunidade fitoplanctônica foi dominada
por Chlorophyceae (clorofíceas) e Bacillariophyceae (diatomáceas). As clorofíceas foram
representadas, principalmente, por espécies da Ordem Clorococcales, incluindo os Ankistrodesmus,
Coelastrum, Crucigenia, Monoraphidium, Oocystis, Scenedesmus e Tetrastrum. As diatomáceas

493
foram representadas principalmente por espécies da subclasse Centricae, destacando-se Cyclotela
sp.

Entre o final de dezembro e janeiro de 1997 foi observado o predomínio de cianobactérias,


especialmente Microcystis aeruginosa que contribuiu com 90% da biomassa fitoplanctônica total.
Entre janeiro e abril/1997 foi caracterizado por rápidas mudanças na estrutura da comunidade, com
a alternância na dominância entre as cianobactérias e outros grupos. De maio a setembro, contudo,
foi observada a completa dominância de cianobactérias, especialmente Microcystis aeruginosa
(72% a 80%) e Aphanizomenon sp. (9% a 11%).

Correspondentemente neste período (agosto/1996 a setembro/1997), a comunidade zooplanctônica


esteve constituída por sete espécies de rotíferos (Brachionus angularis, B. plicatilis, Filinia sp.,
Hexarthra oxyuris, Monomata sp. e Polyarthra sp.) dois cladóceros (Ceriodaphinia cornuta e
Moina Micrura) e um copepoda (Metacyclops mendocinus) (Ferrão-Filho et al. 2002a, 2002b).

Rotíferos e copépodos foram quantitativamente mais abundantes que os cladóceros, dominando a


comunidade durante todo o período estudado. Brachionus angularis e B. plicatilis foram os
rotíferos mais abundantes, sendo registradas densidades > 1.000 ind/L destas espécies em várias
ocasiões. Os cladóceros e copépodos foram menos abundantes, com densidades, em geral abaixo de
1.000 ind/L.

Rotifera foi utilizada na classificação de lagos na Estonia, sendo Brachionus spp, Anuraeopsis fissa,
Trichocerca sp. e Hexarthra mira, dentre outras, consideradas indicadoras de condições eutróficas
(Mäemets, 1983). Rotifera foi também, utilizado na classificação de ambientes aquáticos na
Inglaterra por Pontin & Langley (1993), sendo Keratella cochlearis e Brachionus angularis
considerados indicadores de condições eutróficas. Gannon & Stemberg (1978) sugerem o uso de
espécies de Rotifera como indicadoras da qualidade da água, e Pejler (1981) como monitores
ambientais.O predomínio de Rotífera pode ser considerado indicativo da eutrofização do ambiente,
tanto pelo acúmulo de matéria orgânica, como também pelo aporte de nutrientes oriundos dos
lançamentos urbanos e/ou industriais. Além disso, algumas das espécies que ocorreram são
indicadoras de poluição orgânica, Brachionus spp. (Ricci, 1987) e outras são consideradas
indicadoras de ambientes hipereutrofizados, como Polyarthra sp. e Filinia sp. (Koste, 1978).

494
Os estudos de Ferrão-Filho et al. (2002a) identificaram a temperatura, a salinidade e as florações de
cianobactérias como sendo os fatores controladores das populações zooplanctônicas na Lagoa de
Jacarepaguá. Assim, enquanto a temperatura teve influência positiva sobre o zooplâncton,
especialmente os cladóceros, a salinidade e a biomassa de cianobactérias tiveram impactos
negativos sobre as populações de cladóceros, enquanto que rotíferos e copépodos foram menos
afetados.

Fica evidente então que a degradação ambiental do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, que tem
resultado no acelerado processo de eutrofização das lagunas, tem efeitos graves nas comunidades
planctônicas, com redução da diversidade e biomassa e espécies zooplanctônicas e desenvolvimento
de florações com dominância de cianobactérias.

Atualmente, a comunidade fitoplanctônica das lagunas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá


apresenta uma baixa riqueza de espécies. Nos últimos dois anos foram registrados 24 táxons na
Lagoa do Camorim, 35 na Lagoa de Jacarepaguá, 37 na Lagoa da Tijuca e 40 na Lagoa de
Marapendi (vide tabela abaixo). Foi verificado o predomínio florístico das Chlorophyceae nas
lagunas de Jacarapaguá e Camorim, da Classe Bacillariophyceae na Lagoa da Tijuca e de
cianobactérias na Lagoa de Marapendi. (vide Figura adiante).

Relação dos taxa fitoplanctônicos registrados nas Lagoas de Jacarepaguá e da Tijuca no


período de fevereiro de 2004 a setembro de 2005 (dados

LAGOA DE JACAREPAGUÁ LAGOA DE TIJUCA


NOSTOCOPHYCEAE NOSTOCOPHYCEAE
(CIANOBACTÉRIAS) (CIANOBACTÉRIAS)
cf. Aphanizomenon cf. Aphanizomenon
Jaagnema sp. Jaagnema sp.
Gleiterinema sp. Geitlerinema sp.
Planktothrix sp. Pseudoanabaena sp.
Aphanocapsa Pseudoanabaena sp1.
Aphanothece sp. Merismopedia tenuissima
Merismopedia tenuissima Merismopedia sp
Merismopedia sp Microcystis aeruginosa
Microcystis aeruginosa Microcystis sp.
Microcystis sp. Synecocystis aquatilis
Synecocystis sp1 Synecocystis sp1
BACILLARIOPHYCEAE BACILLARIOPHYCEAE
(DIATOMÁCEAS) (DIATOMÁCEAS)
Chaetoceros sp. Chaetoceros sp.
Cyclotella sp. Cyclotella sp.
Thalassiosira sp. Cyclotella sp. 2

495
Navicula sp. Thalassiosira sp.
Cylindrotheca closterium (Nitzchia
PRASINOPHYCEAE closterium)
Pyramimonas sp Eunotia sp.
Pedinomonas sp. Navicula sp.
CHLOROPHYCEAE (CLOROFÍCEAS) PRASINOPHYCEAE
Ankistrodesmus sp. Pyramimonas sp
Closteriopsis sp. Pedinomonas sp.
Coelastrum microporum Nägeli CHLOROPHYCEAE (CLOROFÍCEAS)
Elakatothrix sp. Kirchneriella lunaris
Micractinium pulsillum Monoraphidium contortum
Monoraphidium contortum Monoraphidium convolutum
Monoraphidium sp. Monoraphidium sp.
Oocystis sp. Oocystis lacustris R. Chodat
Pediatrum duplex Scenedesmus alternans Reinsch
Scenedesmus acuminatus (Lagerheim)
Chodat Tetraëdron triangulare
Scenedesmus bicaudatus Dedus Chlorococcales unicelular
Scenedesmus quadricauda (Turpin)
Brébisson Chlamydomonas sp.
Scenedesmus sp. CRYPTOPHYCEAE (CRIPTOFÍCEAS)
Chlamydomonas sp. Cryptomonas sp1
CRYPTOPHYCEAE (CRIPTOFÍCEAS) Cryptomonas sp2
Cryptomonas erosa Cryptomonas sp3
Cryptomonas sp1 Cryptomonas sp
Cryptomonas sp Hemiselmis
DINOPHYCEAE (DINOFLAGELADOS) Cryptomonadales
DINOPHYCEAE
Protoperidinium sp (DINOFLAGELADOS)
Peridinium sp.
Prorocentrum sp.
Fonte: FEEMA

Relação dos taxa fitoplanctônicos registrados nas Lagoas de Camorim e de Marapendi no


período de fevereiro de 2004 a setembro de 2005

LAGOA DE CAMORIM LAGOA DE MARAPENDI


NOSTOCOPHYCEAE NOSTOCOPHYCEAE
(CIANOBACTÉRIAS) (CIANOBACTÉRIAS)
cf. Aphanizomenoon sp. cf. Aphanizomenon
Jaagnema sp. Arthrospira sp.
Gleiterinema sp. Jaagnema sp.
Pseudoanabaena sp. Geitlerinema sp.
Planktothrix sp. Lyngbya sp.
Merismopedia tenuissima Pseudoanabaena sp.
Merismopedia sp Planktothrix sp.
Microcystis aeruginosa Spirulina sp.
Microcystis sp. Merismopedia sp
Synecocystis sp1 Synecocystis aquatilis

496
BACILLARIOPHYCEAE
(DIATOMÁCEAS) Synecocystis sp1
Chaetoceros sp. Synechococcus sp.
Cyclotella sp. Chroococcus sp.
BACILLARIOPHYCEAE
Thalassiosira sp. (DIATOMÁCEAS)
Navicula sp. Chaetoceros sp.
Rhopalodia sp. Cyclotella sp.
CHLOROPHYCEAE
(CLOROFÍCEAS) Cyclotella sp.2
Dictyosphaerium pulchellum Wood Thalassiosira sp.
Cylindrotheca closterium (Nitzchia
Micractinium sp. closterium)
Monoraphidium contortum PRASINOPHYCEAE
Monoraphidium sp. Pyramimonas sp
Scenedesmus bicaudatus Dedus CHLOROPHYCEAE (CLOROFÍCEAS)
Scenedesmus spinosus Coelastrum microporum Nägeli
Scenedesmus sp. Dictyosphaerium sp.
Chlamydomonas sp. Didimocystis sp.
CRYPTOPHYCEAE
(CRIPTOFÍCEAS) Kirchneriella so.
Cryptomonas sp Monoraphidium contortum
Monoraphidium convolutum
Monoraphidium komarkovae Nygaard
Monoraphidium sp.
Oocystis lacustris R. Chodat
Oocystis sp.
Scenedesmus acuminatus (Lagerheim)
Chodat
Scenedesmus intermedius
Scenedesmus spinosus
Scenedesmus sp.
Tetraëdron triangulare
Chlamydomonas sp.
XANTHOPHYCEAE
cf. Istomoclorum
CRYPTOPHYCEAE (CRIPTOFÍCEAS)
Cryptomonas sp1
Cryptomonas sp2
Cryptomonas sp3
Cryptomonas sp
Fonte: FEEMA

497
Composição Florística - Jacarepaguá 2004/2005 Composição Florística - L. Camorim 2004/2005
Cianobactérias
Cianobactérias
36%
24% Bacillariophyceae
Dinophyceae
6% Bacillariophyceae 12%
Dinophyceae
15%
2%
Cryptophyceae Prasinophyceae
Prasinophyceae
6% 2%
2% Cryptophyceae
5%
Chlorophyceae
Chlorophyceae 43%
47%

Composição Florística - L. Tijuca 2004/2005 Composição Florística - L. Marapendi 2004/2005


Cryptophyceae
Chlorophyceae
Chlorophyceae Cryptophyceae 7%
30%
28% 2%
Dinophyceae
Prasinophyceae Dinophyceae 14%
2% 7%
Euglenophyceae Prasinophyceae
4% 2%

Bacillariophyceae Bacillariophyceae Cianobactérias


Cianobactérias
34% 16% 31%
23%

Fonte : FEEMA _ Contribuição relativa das classes de algas para a riqueza de espécies no fitoplâncton das Lagoas de Jacarepaguá, Camorim,
Tiujca e Marapendi, no período de fevereiro 2004 a setembro de 2005

498
Como esperado, em função da salinidade, os táxons registrados são freqüentemente observados
em sistemas salobros, como lagunas costeiras (Domingos et al., 1994; Huszar et al., 1998), ou
mesmo em sistemas marinhos costeiros, como a Baía de Sepetiba e Baía da Ribeira (Tenebaum
et al., 1991). Contudo, merece destaque a presença de espécies de cianobactérias registradas na
literatura como potencialmente produtoras de cianotoxinas: Aphanizomenon, Microcystis
aeruginosa; Planktothix e Synechocystis aquatilis.

A baixa riqueza de táxons reflete o acelerado processo de eutrofização das lagunas, em função
da descarga de rejeitos que recebe da área urbana e industrial através da bacia de drenagem.
Cabe destacar que a Lagoa de Jacarepaguá foi, segundo os critérios da OECD (1982) com base
nos dados de Clorofila a e transparência da água, classificada como um sistema hipereutrófico
(Domingos, 2001). A transparência da água nesse período variou entre 0,1 e 0,6m e a clorofila a
entre 65 e 304 μg/L (Ferrão-Filho et al., 2002a).

Os dados do monitoramento da SMAC entre 1998 e 1999 também registraram valores reduzidos
de transparência da água e elevadas concentrações de clorofila a. Esses dados refletem a
variação da penetração de luz na coluna d’água, como conseqüência da concentração de
material particulado em suspensão. Os valores observados para as Lagoas de Jacarepaguá,
Camorim e Tijuca são concordantes com outros ambientes eutróficos costeiros fluminenses
(Carmouze, et al., 1994).

De acordo com as recomendações da OMS (Chorus e Bartram, 1999), ambientes aquáticos com
predominância de cianofíceas não devem exceder 10 µg/L de clorofila a ou 20.000 células de
cianofíceas por mL, para serem utilizados em atividades de pesca e/ou recreação.

Os valores de clorofila a oscilaram no decorrer dos doze meses estudados, variando entre 0,0
µg/L e 9770,4 µg/L, sendo que 95% ficaram acima de 10µg/L. De maneira geral a Lagoa de
Jacarepaguá apresentou as maiores concentrações de clorofila a (Figura 2). Os maiores valores
de clorofila a foram observados no último trimestre de 1999, coincidindo com uma intensa
floração de cianofíceas.

A variação da concentração de clorofila a reflete a somatória das variações quali-quantitativas


da comunidade fitoplanctônica (variação da densidade e das espécies que compõe o
fitoplâncton) e as variações fisiológicas desses organismos. Portanto, os dados de clorofila a não
499
devem obedecer (sempre) uma relação direta com a quantidade de células fitoplanctônicas nas
amostras.

µg/L
3000
9770,4
2500
2000 JAC18
1500 JAC20
1000 Lim. O M S

500
0
14/12 13/1 12/2 14/3 13/4 13/5 12/6 12/7 11/8 10/9 10/10 9/11

a)

µg/L
3000
2500
2000
CAM 15
1500 Lim. O MS
1000
500
0
2/12 1/1 31/1 2/3 1/4 1/5 31/5 30/6 30/7 29/8 28/9 28/10

b)

µg/L
3000
2500
2000 T IJ03
T IJ02
1500
T IJ01
1000 Lim.O M S
500
0
2/12 1/1 31/1 2/3 1/4 1/5 31/5 30/6 30/7 29/8 28/9 28/10

c)
Figura 2: Variação dos valores de clorofila a nas: a) Lagoa de Jacarepaguá; b) Lagoa de Camorim
e c) Lagoa da Tijuca. A linha em verde representa o limite máximo da concentração de
clorofila a, estabelecido pela OMS, para corpos d’água utilizados em atividades de
recreação e/ou pesca.

500
A comunidade fitoplanctônica nas lagunas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá vem apresentando
densidades bastante elevadas desde meados da década de 90, quando foram registrados valores de
biomassa acima de 100 μg C/L, durante uma floração de cianobactérias (Domingos, 2001).

Os dados da SMAC obtidos entre 1998/1999 também registraram densidades elevadas variando
entre 104 e 107 células/mL. Em termos médios, a Lagoa de Jacarepaguá apresentou uma maior
concentração de células fitoplanctônicas com um número de células 10 vezes maior que nas demais
lagoas (Figura 3). Isto pode ser explicado por fatores como o tempo de residência da água maior
que nas Lagoas de Camorim e Tijuca. Além disso, a Lagoa de Camorim apresenta uma menor
qualidade de água, refletida pelos baixos valores de OD, que pode ter sido desfavorável ao
crescimento do fitoplâncton, enquanto que a Lagoa da Tijuca se caracteriza pela influência de água
marinha que é um fator de diluição da densidade celular.

Neste período foi registrado em 71% das 127 amostras analisadas, um número de células de
cianofíceas/mL superior a 20.000 (figura 4), violando os padrões estabelecidos pela OMS para um
local recomendado para recreação e/ou pesca. Este fato resultou em dominância de cianobactérias
durante boa parte do monitoramento (figura 5).

501
Número de células fitoplanctônicas x 106/mL
35

30


25

20
 JAC18
15 JAC20


10

5



0


  






 
 
 

5/1 2/2 9/3 7/4 4/5 1/6 6/7 3/8 14/9 6/10 4/11
1999

a)

Número de células fitoplanctônicas x 106/mL


3,5

3 

2,5

2
  CAM15
1,5

1

0,5   

      
0  
5/1 2/2 9/3 7/4 4/5 1/6 6/7 3/8 14/9 6/10 4/11
1999

b)

Número de células fitoplanctônicas x 106/mL


3,5

3

2,5

2
 TIJ01

TIJ02
1,5

TIJ03
1



0,5









  



0 

 




 

  
5/1 2/2 9/3 7/4 4/5 1/6 6/7 3/8 14/9 6/10 4/11
1999

c)
Figura 3: Variação do número de células fitoplanctônicas/mL de espécies fitoplanctônicas nas: a)
Lagoa de Jacarepaguá; b) Lagoa de Camorim e c) Lagoa da Tijuca (Dados SMAC
1998/1999).

502
Número de células de cianofíceas x 106/mL
35

30


25

20
 JAC18
JAC20
15
 Lim.OMS


10

 


 
   

0  
 
     


 
      
 
5/1 2/2 9/3 7/4 4/5 1/6 6/7 3/8 14/9 6/10 4/11
1999

a)

Número de células de cianofíceas x 106/mL


3,5

3 

2,5

2
 CAM15
1,5  Lim.OMS

1 

0,5   

 
      
0                  
5/1 2/2 9/3 7/4 4/5 1/6 6/7 3/8 14/9 6/10 4/11
1999

b)
Número de células de cianofíceas x 106/mL
3,5


2,5
 TIJ01
2

TIJ02
1,5
TIJ03
 Lim.OMS
1





0,5

 



  

     
  

0 









 
 



5/1 2/2 9/3 7/4 4/5 1/6 6/7 3/8 14/9 6/10 4/11
1999

c)
Figura 4: Variação do número de células de cianofíceas/mL nas: a) Lagoa de Jacarepaguá; b)
Lagoa de Camorim e c) Lagoa da Tijuca. A linha em verde representa a concentração
máxima de células de cianofíceas recomendada pela OMS para corpos d’água utilizados
para atividades de recreação e/ou pesca.

503
%
100 

  

 
 



80 

 
60
   JAC18

JAC20
40


20


0 


5/1 2/2 9/3 7/4 4/5 1/6 6/7 3/8 14/9 6/10 4/11
1999

a)

%
100      
  

80   

60

  CAM15
40


20


0  
5/1 2/2 7/4 4/5 1/6 6/7 3/8 14/9 6/10 4/11
1999

b)
%
100








   



80




 


60  TIJ01

 TIJ02
 

40

TIJ03


20




0 

 
5/1 2/2 9/3 7/4 4/5 1/6 6/7 3/8 14/9 6/10 4/11
1999

c)
Figura 5: Variação do percentual de dominância de cianofícea nas: a) Lagoa de Jacarepaguá; b)
Lagoa de Camorim e c) Lagoa da Tijuca.

As densidades de células do fitoplâncton registradas pelo monitoramento da FEEMA oscilaram


entre 7.605 (L. Tijuca) e 1,5 x 109 céls/mL (L. Jacarepaguá). Como observado no monitoramento da
SMAC as concentrações foram maiores na Lagoa de Jacarepaguá, sendo a densidade média superior
em 3 ordens de grandeza (figura 6).

504
L. Jacarepaguá L. Tijuca
1600 0,8
Milhões

Milhões
JAC03 0,7
1200 JAC01 TIJ01
0,6
TIJ02
0,5
células/mL

800
0,4

células/mL
0,3
400
0,2
0,1
0
0,0
4

04

5
04
4

5
04

5
4

5
4

l/0

/0
/0

/0
v0
t/0

t/0
/0

o/
n/
v/

o
ai

ai
ar

ju

fe
ou

04

05
04
4

5
04
se

5
4
fe

ag

ag
ju

5
4
m

l/0
/0

/0
v0
m

t/0

t/0
/0

o/

o/
n/
v/

ai

ai
ar

ju

fe
ou

se
fe

ag

ag
ju
m

m
m
L. Camorim L. Marapendi
1,4 2,5
Milhões

Milhões
1,2 MAR01
2,0
1,0 MAR05
1,5
0,8

células/mL
células/mL

0,6 1,0

0,4
0,5
0,2
0,0
0,0

5
04

5
4
04

5
4

5
4

l/0

/0

/0
/0
/0

v0
t/0

t /0
/0
4

04

05
04

5
4
04

5
4

n/
5
4

v/

o
ai
ai
l/0
/0

/0

ar
v0
t/0

ju
t/0
/0

fe
ou

se
fe

ag

ag
ju
o/

o/
n/
v/

m
m
ai
ai

m
ar

ju

fe
ou

se
fe

ag

ag
ju
m

m
m

Figura 6. Variação da densidade do fitoplâncton total nos pontos de coleta nas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca e Marapendi, entre
fev/2004 e set/2005 (dados monitoramento FEEMA).

505
Nas quatro lagunas foi observada grande variação nas densidades de células do fitoplâncton, sendo
observado um único pico, como em Marapendi e Camorim, e dois ou três como em Jacarepaguá e
Tijuca. A dinâmica da biomassa em ambientes hipereutróficos está absolutamente sujeita a eventos
abruptos e imprevisíveis, que condicionam uma seqüência de espécies controladas por fatores
externos, que podem trazer crescimento ou queda de biomassa de várias ordens de grandeza
(Alvarez Colbelas e Jacobsen, 1992; Smayda, 1980).

Uma avaliação dos dados apresentados evidencia um crescente incremento na biomassa


fitoplanctônica de 1996 até 2005. Com biomassa extremamente elevada sendo registradas em todas
as lagunas em grande parte do ano. Sendo que em muitos períodos esta biomassa elevada pode se
distribuir homogeneamente dentro das lagunas.

Além da densidade, a contribuição das classes de algas planctônicas também foi bastante
homogênea entre os pontos amostrais nas lagunas. Assim, fica evidenciada a dominância de
cianobactérias nas Lagoas de Jacarepaguá e Camorim e nos pontos mais internos das lagunas de
Marapendi (MAR01) e Tijuca (TIJ03). Os percentuais de contribuição das cianobactérias variaram
de 50% a 99% em Jacarapaguá, de 40% a 99% em Camorim, de 20% a 85% na Tijuca e de 2% a
99% em Marapendi (Figura 7).

A dominância ou predomínio de outros grupos do fitoplâncton, que não as cianobactérias, foi


observado nas lagunas da Tijuca e de Marapendi, especialmente nos pontos sob maior influência de
aportes sistema marinho (Figura 7). Destacam-se as clorofíceas (uma espécies de Chlorococcales
nãoidentificada), diatomáceas (Thalassiosira sp.) e criptofíceas (Cryptomonas sp. e Hemiselmis
sp.).

As espécies de cianobactérias que mais contribuíram foram: Aphanizomenon sp., Synechocystis


aquatilis, Planktothirx sp., Jaagnema subtilissima e Microcystis aeruginosa. Cabe ressaltar que esta
última não foi tão importante nas lagunas de Marapendi e da Tijuca. Nestas lagunas outras espécies
de cianobactérias filamentosas (Pseudoanabaena sp.) ou formas cocóides coloniais não
identificadas (Ordem Chroococcales) também apresentaram contribuições importantes.

Dentre as cianobactérias mencionadas, cepas tóxicas de espécies dos gêneros Aphanizomenon,


Synechocystis, Planktothrix e Microcystis são freqüentemente registradas na literatura mundial.
Sendo que cepas de Microcystis aeruginosa, produtoras de microcistinas já foram isoladas da Lagoa
506
de Jacarepaguá. Sendo inclusive detectada a contaminação de pescado por cianotoxinas (Magalhães
et al. 2001).

JAC01 JAC03
100% 100%

80% 80%

60% 60%

40% 40%

20% 20%

0% 0%
ou 4

se 5

ou 4

se 5
ag 4
04

04

ag 4
4

ag 5

ag 5
m 4

m 4
4

m 5
4
m 4

m 4

5
0

0
l/0

l/0
/0

/0

/0

/0
0

0
v0
t/0

t/0

v0
/0

t/0

t/0
/0
o/

o/

o/

o/
n/

n/
v/

v/
ai

ai

ai

ai
ar

ar
ju

ju
fe

fe
fe

fe
ju

ju
m

Cianobactérias Diatomáceas Outras Cianobactérias Diatom áceas Outras

Cam orim
100%

80%

60%

40%

20%

0%
ag 4

ou 4

se 5
04
ju 4

ag 5
m 4

m 5
4

5
m 4

l/0

0
/0

/0
0

v0
t/0

t/0
/0

o/

o/
n/
v/

ai

ai
ar

ju

fe
fe

Cianobactérias Diatom áceas Outras

TIJ01 TIJ02
100% 100%

80% 80%

60% 60%
40% 40%
20% 20%
0% 0%
ag 4

ou 4

se 5
04
ju 4

ag 5
m 04

m 5
4

5
m 4

ag 4

ou 4

se 5
04
ju 4

ag 5
m 04

m 5
4
l/0

5
m 4
/0

/0
v0
t/0

t /0
/0

l/0

0
/0

/0
v0
t/0
o/

o/

t/0
n/

/0
v/

o/

o/
n/
ai

ai

v/
ar

ju

fe

ai

ai
ar

ju
fe

fe
fe

Cianobactérias Diatomáceas
Cianobactérias Diatom áceas
Criptofíceas Clorofíceas Criptofíceas Clorofíceas
Outras Outras

MAR1 MAR2
100% 100%

80% 80%

60% 60%
40% 40%
20% 20%
0% 0%
ou 4

se 5
04

ag 4
4

ag 5
m 4

m 5

5
m 4

ou 4

se 5
04

ag 4
4

ag 5
m 04

m 5
4
m 4

5
0

0
l/0
/0

/0
0

t/0

v0
/0

t/0

0
l/0
/0

/0
v0
t/0
/0

t/0
o/

o/
n/
v/

o/

o/
n/
ai

ai

v/
ar

ju

ai

ai
fe

ar

ju
fe

fe
ju

fe

ju

Cianobactérias Diatomáceas Cianobactérias Diatom áceas


Criptofíceas Clorofíceas Criptofíceas Clorofíceas
Outras Outras

Figura 7. Variação da contribuição das classes de algas do fitoplâncton nos pontos de coleta nas
lagoas de Jacarepaguá , Camorim, Tijuca e Marapendi, entre fev/2004 e set/2005 (dados
monitoramento FEEMA).

507
µg/L
300
250
200
JAC18
150 JAC20

100
50
0
2/12 5/1 2/2 9/3 7/4 4/5 1/6 6/7 3/8 14/9 6/10 4/11

a)
µg /L
300
628,2
250
200
150 CAM15
100
50
0
2/12 5/1 2/2 9/3 7/4 4/5 1/6 6/7 3/8 14/9 6/10 4/11

b)
µg/L
300
250
200 T IJ01
150 T IJ02
100 T IJ03

50
0
2/12 5/1 2/2 9/3 7/4 4/5 1/6 6/7 3/8 14/9 6/10 4/11

c)

Figura 8: Variação da concentração de microcistinas em amostras fitoplanctônicas nas: a) Lagoa


de Jacarepaguá; b) Lagoa de Camorim e c) Lagoa da Tijuca. Os dados não apresentados
representam a ausência de microcistinas nas amostras analisadas. O máximo aceitável
para consumo diário, estabelecida pela OMS é de 1μg/L. (Dados SMAC 1998/1999).

O monitoramento da SMAC também avaliou a presença de microcistinas (hepatotoxina de


cianofíceas) em amostras de fitoplâncton das Lagoas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca (figura 8).
Nas três lagunas foi detectada a presença de destas cianotoxinas, em concentrações elevadas, sendo
que durante o período analisado, das três lagoas, a Lagoa de Jacarepaguá foi que apresentou maior
508
percentual de presença de microcistinas nas amostras fitoplanctônicas (51%). O aumento de
toxicidade a partir de junho coincidiu com o crescimento da população o gênero Microcystis.
Embora essas lagoas não sejam usadas para abastecimento público, a sua utilização para recreação
expõe a população ao risco de intoxicação por via respiratória. Já está devidamente estabelecido que
a prática de esportes aquáticos em ambientes com cianofíceas tóxicas pode levar a intoxicação
aguda pela absorção das toxinas através das vias respiratórias (Chorus e Bartram, 1999).

Com base nas estratégias morfológicas e funcionais do fitoplâncton (Reynolds, 1997), verificamos
que muitas espécies dominantes na lagoa são R-estrategistas, ou seja, espécies pequenas de rápido
crescimento, adaptadas a condições de elevada disponibilidade de nutrientes. As assembléias
observadas na lagoa foram formadas por espécies de cianobactérias, diatomáceas, flagelados e
clorococales, grupos freqüentemente dominantes em ambientes hipereutróficos (Alvarez-Cobelas &
Jacobsen, 1992). As elevadas concentrações de nutrientes inorgânicos presentes nas lagunas vêm de
encontro a esta estratégia.

Contudo, também foram dominantes espécies de cianobactérias de grande tamanho, com tolerância
à baixa intensidade luminosa caracterizadas por formarem florações em ambientes bem mesclados,
rasos e de baixas latitudes. Dentre estas destacamos Microcystis aeruginosa. As grandes colônias de
Microcystis podem assumir uma forma achatada e não arredondada, sendo uma estratégia para
aumentar a razão superfície volume e melhorar a captação de luz. Este adpatação ecofisológica já
foi observada para sistemas brasileiros (Huszar et al., 2000; Marinho e Huszar, 2002) e também
para a Lagoa de Jacarepaguá (Domingos et al., 2001).

Além do predomínio de Microcystis, também foi registrada a dominância de cianobactérias dos


gêneros Aphanizomenon, Planktothrix e Jaagnema. São espécies filamentosas que podem ser
consideradas como excelentes antenas para luz. Cabe considerar a importância da forma na
adaptação à baixa intensidade luminosa (Reynolds, 1997). Pois a adaptação morfológica traz mais
eficiência para a absorção de luz do que a concentração intracelular de pigmento, uma vez que a
interceptação da luz é primeiramente função da geometria e orientação da célula (Kirk, 1983).

Além dos aspectos de disponibilidade de N e P, o sucesso de cianobactérias não fixadoras de


nitrogênio nas lagunas pode estar associado aos elevados valores de pH e baixa disponibilidade de
CO2 livre, o que favorece este grupo de organismos do fitoplâncton (Shapiro, 1990).

509
Outro aspecto relevante a ser considerado é a influência marinha. Algumas espécies de diatomáceas
e dinoflagelados registradas, bem como Synechocytis, Pyramimonas podem ser consideradas como
espécies eurihalinas.

• Adaptação Espécies Vegetais com Inundações Periódicas

Destacam-se as adaptações produzidas pelas espécies arbóreas exclusivas de manguezal, tais como:

Rhizophora mangle:
Adaptações estruturais – desenvolvimento de caules aéreos que funcionam tanto para a
estabilização do vegetal em crescimento, como para a captação de oxigênio diretamente da
atmosfera, visto que os sedimentos são geralmente anôxicos;

Avicennia schaueriana:
Adaptações estruturais – desenvolvimento de sistema radicular superficial com projeções com
geotropismo negativo (pneumatóforos), saindo do substrato e por meio de lenticelas, capturando o
oxigênio diretamente da atmosfera;

Laguncuria racemosa
Adaptações estruturais – desenvolvimento de sistema radicular superficial com projeções com
geotropismo negativo (pneumatódios), menos desenvolvidas que no caso da espécie Avicennia
schaueriana, saindo do substrato e por meio de lenticelas, capturando o oxigênio diretamente da
atmosfera;

Rhizophora mangle:
Adaptações reprodutivas – desenvolvimento de estruturas denominadas propágulos, estrutura
intermediária entre uma semente e uma plântula, capaz de flutuação e de sobreviver durante meses,
mantendo sua vitalidade, até encontrar substrato adequado e desenvolver um novo indivíduo. Nas
espécies de manguezal a semente se desenvolve ligada à árvore-mãe, se desligando apenas após
completar seu desenvolvimento em forma de propágulo. Sua dispersão se dá pelos movimentos de
maré;

510
Avicennia schaueriana:
Adaptações reprodutivas – desenvolvimento de estruturas denominadas propágulos, estrutura
intermediária entre uma semente e uma plântula, capaz de flutuação e de sobreviver durante duas
semanas, mantendo sua vitalidade, até encontrar substrato adequado e desenvolver um novo
indivíduo.

Laguncuria racemosa
Adaptações reprodutivas – desenvolvimento de estruturas denominadas propágulos, estrutura
intermediária entre uma semente e uma plântula, capaz de flutuação e de sobreviver durante alguns
poucos dias, mantendo sua vitalidade, até encontrar substrato adequado e desenvolver um novo
indivíduo.

• Caracterização Fitofisionômica Específica nas Faixas Marginais de Proteção

Como já informado anteriormente, no item de “Comunidades Vegetais mais Freqüentes”, as


espécies vegetais presentes nas Faixas Marginais de Proteção das lagunas da Baixada de
Jacarepaguá, estão associadas aos ecossistemas de manguezal e brejo. Destaca-se a presença cada
vez mais insistente na paisagem perilagunar de espécies exóticas de grande capacidade de
sombreamento, crescimento e dispersão como é o caso de Terminalia cattapa, Casuarina
equisetifolia e Leucaena leucocephala, em resposta às intervenções humanas que alteram por
completo as condições naturais de topografia e consecutivamente de inundabilidade das faixas
marginais de proteção.

• Ictiofauna nos Canais


Também considerando a necessidade de recorrer a dados primários e mais localizados estas
informações acabaram por ser realizadas nos estudos do Meio Biótico nas Áreas a serem
Diretamente Afetadas.

511
INSERIR MAPA AID_FAUNA

512