You are on page 1of 8

Os ambientes virtuais e as decisões financeiras de consumo e

investimento
Maria Aurilene Sales dos Santos, Valesca Vanda Batista Teixeira, Victor Daniel
Vasconcelos

Curso de Bacharelado em Ciências Contábeis – Universidade Federal do Ceara

execute.construtora@gmail.com, v.vanda@live.com, victordaniel.ufc@gmail.com


Abstract. This study aims to analyze how virtual environments have impacted
the financial decisions of individuals and / or investment. Using a case study,
a qualitative study was conducted, based on responses from 50 people about
their consumption decisions, financial planning and investment decisions.
Hypotheses were launched in the research, according to the mentioned theme
and it was found that individuals are influenced by social networks and group
behavior in the virtual environment in their consumption decisions,
individuals make little use of applications for their personal financial
management, the Virtual environment has been used intensively in consumer
decisions and little used for investment decisions.

Resumo. Este estudo tem como objetivo analisar como os ambientes virtuais
têm impactado nas decisões financeira de consumo e/ou investimento dos
indivíduos. Utilizando-se de estudo de casos, foi feito um estudo qualitativo,
baseado em respostas de 50 pessoas acerca de suas decisões de consumo, de
planejamento financeiro e investimento. Foram lançadas hipóteses na
pesquisa, conforme o tema mencionado e constatou-se que os indivíduos são
influenciados pelas redes sociais e pelo comportamento de grupo no ambiente
virtual nas suas decisões de consumo, os indivíduos fazem pouco uso de
aplicativos para sua gestão financeira pessoal, o ambiente virtual tem sido
usado de forma intensa nas decisões de consumo e pouco utilizado para
decisões de investimento.

1. Introdução
O crescimento econômico no Brasil, principalmente entre 2010 e 2014, foi um fator de
relevância para o aumentou do acesso dos brasileiros aos produtos eletrônicos e
consequentemente a produtos financeiros de consumos e investimentos, além de um
maior acesso ao ambiente virtual. Segundo IBGE (2015) 57,8 % dos domicílios
brasileiros têm acesso a Internet, no entanto, este crescimento do país não ocorre desde
2014, quando o PIB começou a cair, sem contar que a realidade atual é de taxa de juros
alta, desemprego crescente e perda do poder de compra do brasileiro. Com a conjuntura
presente nos dias atuais, espera-se um consumo racional por parte da população,
possibilitando um comportamento que leve a chamada utilidade maximizada, conforme
é mencionado nas teorias tradicionais. As teorias tradicionais abordam que os agentes
são racionais, ordenam de forma lógica suas ideias com a intenção de fazer a melhor
escolha, sempre prevendo com precisão eventos futuros, quando se deparam com
alternativas que envolvam incertezas (ROGERS; FAVATO; SECURATO, 2008). Estas
teorias mencionam também que o preço do ativo reflete todas as informações
disponíveis por quem emite, fazendo que os investidores não tenham um ganho
anormal, ou seja, o mercado é eficiente e reflete as informações que estão disponíveis
nos preços dos ativos (MUSSA et al., 2010). No entanto, nas últimas décadas os
modelos empíricos feitos com base nas teorias tradicionais vêm sendo questionados, os
fundamentos que sustentam o mercado como eficiente, como a arbitragem, estão se
mostrando mais fracos que o previsto e é nesse cenário de dúvidas que surge uma visão
diferente dos mercados financeiros, proposta pelas finanças comportamentais (JUNIOR;
IKEDA, 2004). Finanças comportamentais apresentam-se como uma nova divisão da
teoria financeira que possuem uma visão interdisciplinar envolvendo economia e
psicologia e tentam integrar aspectos psicológicos dos indivíduos tanto na precificação
dos ativos, como nos processos de avaliação, considerando que os agentes podem agir
de forma sem ser racional modificando o comportamento do mercado (KIMURA,
2003). E é nesta visão, envolvendo o comportamento dos indivíduos e analisando que
cada vez mais pessoas têm acesso a smartphones no Brasil e conforme mencionado
anteriormente, mais da metade dos domicílios brasileiros têm acesso a Internet no Brasil
(IBGE, 2015) e aliando esta questão com a crise econômica no nosso país, aplicativos
de gerenciamento de finanças pessoais estão sendo criados, como Guia Bolso e sendo
notável o aumento de vendas pela Internet no Brasil, como no estudo encomendado pelo
Google com a empresa ForresterResearch que indica as vendas pela Internet dobrando
até 2021, chegando a R$ 85 bilhões, que faz-se a seguinte pergunta de pesquisa: Como a
Internet e os ambientes virtuais tem impactado nas decisões financeiras de consumo
e/ou investimento dos indivíduos?

2. Metodologia
Este estudo tem natureza descritiva, foram feitas entrevistas com 50 pessoas, no período
01/05/2017 à 01/06/2017, cada entrevista em média durou 30 minutos e todas foram
gravadas, cada uma contou com 15 perguntas divididas em três grupos abrangendo o
comportamento das pessoas quanto às compras, planejamento financeiro e
investimentos, para cada grupo foram feitas cinco perguntas. As perguntas trataram de
como é feito o gerenciamento de suas contas, do seu planejamento financeiro e
investimentos e se você se você utiliza ambiente virtual nas decisões de compra, auxílio
no planejamento financeiro ou no investimento. Posteriormente as entrevistas foram
criadas categorias, para pergunta de ferramentas utilizadas para controle, planejamento
ou investimento criaram - se para primeira pergunta as categorias anotações em caderno,
planilhas do Excel, aplicativos, já na questão de ambiente virtual cita categoria pesquisa
de preços, avaliação dos produtos, informações em geral, entre outras e no caso de a
resposta for negativa a categoria não. Através dessas através dessas utilizou-se o método
de análise do conteúdo, este método tem como característica ter um conjunto de técnicas
para analisar documentos e obter informações detalhadas do objeto de estudo,
esclarecendo incertezas dos dados coletados (MOZZATO; GRZYBOVSKI, 2011). O
perfil dos entrevistados quanto à renda familiar apresentou um maior número de
respondentes na faixa entre R$ 1891,60 até R$ 3783,20 (34%) e 3783,20 até 9458 %
(38%) e quanto ao estado civil o maior número de respondentes foi de solteiros (38%) e
casados (48%).
3. Resultados e Discussão
As tabelas 1 e 2 mostram a análise, segundo as decisões de consumo dos indivíduos da
entrevista. Nota-se, segundo a tabela 1, que no grupo de controle dos gastos, 41,8% dos
entrevistados responderam que utilizam anotações no caderno para realizar tal controle e
32,8% mencionam planilhas do excel, o uso de aplicativos foi utilizado por 17,9%
ficando assim atrás de outras ferramentas.
Tabela 1. Ferramentas utilizadas para controle

Ferramenta utilizada para controle N %

Anotações em caderno 28 41,8

Planilhas do Excel 22 32,8

Aplicativos 12 17,9

Não tem controle 5 7,5

A tabela 2 mostra os motivos pelo qual as pessoas utilizam ambiente virtual nas suas
decisões de consumo, vale ressaltar pesquisa de preços (41 %), informações de produtos
(5,7 %) e anúncios (5,7 %) e o fato de somente uma pessoa não utilizar ambiente virtual
para suas decisões de consumo. Para justificar a resposta em pesquisas de preços um
entrevistado mencionou “Porque é uma fonte de pesquisa, você pode usar para comparar
preços, ajuda bastante”.
Tabela 2. Motivos para usar ambiente virtual

Motivos N %

Anúncios 3 5,7

Pesquisas de preços 41 77,4

Informações de produtos 3 5,7

Informações em geral 2 3,8

Com relação ao grupo planejamento financeiro as tabelas 3 e 4 vão ilustrar o


comportamento dos entrevistados. Na tabela 3 verifica-se que os entrevistados utilizam
mais como ferramenta para planejamento financeiro planilhas do excel (24,6%),
anotações em caderno (21,1 %), nota-se também que 24,6% dos entrevistados não
informaram como realizam seu planejamento financeiro.
Tabela 3. Ferramentas utilizadas para planejamento financeiro.

Ferramenta utilizada para


planejamento financeiro N %

Anotações em caderno 12 21,1

Planilhas do Excel 14 24,6

Aplicativos 9 15,8

A tabela 4 mostra o uso de ambiente virtual para planejamento financeiro, os maiores


motivos apresentados são: busca por dicas (37%) e busca por informações (14,8%), é
importante ressaltar que 37% das pessoas entrevistas não utilizam ambiente virtual para
tal.
Tabela 4. Motivos para usar ambiente virtual para planejamento financeiro.

Motivos N %

Busca por dicas 20 37

Busca por informações 8 14,8

Pesquisas em geral 1 1,9

Auxílio 2 3,7

Não utiliza 20 37

As tabelas 5 e 6 vão tratar sobre investimentos. A tabela 5 apresenta as ferramentas


utilizadas para investimentos, segundo os entrevistados, mostra-se que aplicativos
(13,5%) e planilhas do excel (5,8%) são os mais relevantes, nota-se que 50% não
informam e 13,5% não possuem investimentos.

Tabela 5. Ferramentas utilizadas para investimentos.

Ferramenta utilizada para investimentos N %

Acompanha saldos 2 3,8

Anotações em caderno 2 3,8

Aplicativos 7 13,5

Não informou 26 50

Não tem controle 5 9,6


Não tem investimentos 7 13,5

Planilhas do Excel 3 5,8

A tabela 6 cita os motivos de utilizar ambiente virtual para investir, mostra-se que
publicações em geral (6%) e anúncios (4%) foram os mais mencionados, apesar de
serem por poucas pessoas, nota-se que 40 % não informam e 44 % não utilizam
ambiente virtual para decisões de investimentos. Um entrevistado mencionou que“A
Internet é um mundo, posso ver experiências de sucesso, como as pessoas conseguem
ter bons rendimentos”, sendo introduzido na categoria publicações em geral.
Tabela 6. Motivos para utilizer ambiente virtual para investimentos.

Motivos N %

Anúncios 2 4

Comentários 1 2

Publicação de amigos 1 2

Publicações em geral 3 6

Não informou 20 40

Não utiliza 22 44

4. Conclusões
O trabalho teve como objetivo geral analisar como os ambientes virtuais tem impactado
nas decisões financeiras de consumo e/ou investimentos dos indivíduos, para isso
utilizou-se estudo de caso com entrevistas com 50 pessoas, posteriormente fez-se
categorias e uma análise do conteúdo das respostas.
Conforme visto nos resultados, a maioria dos entrevistados usam anotações no caderno
para controle de gastos, já para planejamento financeiro utilizam planilhas de excel e
investimentos o mais notado é aplicativo. No tocante aos motivos utilizados para
ambiente virtual nas decisões de consumo e planejamento financeiro os mais
respondidos foram pesquisas de preços e busca por dicas, respectivamente e quanto aos
investimentos, 44 % dos entrevistados não utilizam ambiente virtual para este item.
Conclui-se assim que o estudo foi relevante por ter verificado, sob a ótica de finanças
comportamentais que estão cada vez mais em voga, as decisões de consumo,
planejamento e investimentos com o ambiente virtual, visto que a maioria da população
hoje tem acesso à Internet e pode fazer compras, planejar financeiramente e realizar
investimentos por ela, e conforme mostrado nas proposições verifica-se que os
indivíduos são influenciados pelas redes sociais e pelo comportamento de grupo no
ambiente virtual nas suas decisões de consumo, os indivíduos fazem pouco uso de
aplicativos para sua gestão financeira pessoal e o ambiente virtual tem sido usado nas
decisões de consumo e pouco utilizado nas decisões de investimento.
6. Referências
Agência Brasil. Pesquisas revela que mais de 100 milhões de brasileiros acessam a
internet, set, 2016. Disponível em <http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-
tecnologia/2016/09/pesquisa-revela-que-mais-de-100-milhoes-de-brasileiros-
acessam-a-internet>. Acesso em 02 jun. 2017.
JUNIOR, Rabelo; SARAIVA, Tarcísio; IKEDA, Ricardo Hirata. Mercados eficientes e
arbitragem: um estudo sob o enfoque das finanças comportamentais. Revista
Contabilidade & Finanças, v. 15, n. 34, p. 97-107, 2004.
KIMURA, Herbert. Aspectos comportamentais associados às reações do mercado de
capitais. RAE-eletrônica, v. 2, n. 1, p. 1-14, 2003.
MOZZATO, Anelise Rebelato; GRZYBOVSKI, Denize. Análise de conteúdo como
técnica de análise de dados qualitativos no campo da administração: potencial e
desafios. Revista de Administração Contemporânea, v. 15, n. 4, p. 731-747, 2011.
MUSSA, Adriano et al. Hipótese de mercados eficientes e finanças comportamentais: as
discussões persistem. FACEF Pesquisa-Desenvolvimento e Gestão, v. 11, n. 1,
2010.
ROGERS, Pablo; FAVATO, Verônica; SECURATO, José Roberto. Efeito educação
financeira no processo de tomada de decisões em investimentos: um estudo a luz
das finanças comportamentais. In: II Congresso ANPCONT-Associação Nacional
dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Contábeis, Salvador/BA. 2008.