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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO – UFRJ

ESCOLA POLITÉCNICA
PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA PORTUÁRIA

ANÁLISE CRÍTICA DO SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA DO ALIMENTO


NO TERMINAL MARÍTIMO DE CARGA GERAL DE PONTA DA MADEIRA

Fábio Fernando Ferreira da Silva

Orientador:
Prof. M.Sc. Gerisval Alves Pessoa
2 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral de 2
Ponta da Madeira
São Luís – MA
2010

ANÁLISE CRÍTICA DO SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA DO ALIMENTO


NO TERMINAL MARÍTIMO DE CARGA GERAL DE PONTA DA MADEIRA

Fábio Fernando Ferreira da Silva

Esta monografia foi julgada adequada para obtenção do certificado de Engenheiro


Portuário tendo sido apresentada ao final do Curso de Especialização em
Engenharia Portuária ministrado pela Escola Politécnica da Universidade Federal do
Rio de Janeiro, UFRJ.

São Luis, 29 de junho de 2010.

---------------------------------------------------------------------------
Prof. M.Sc. Gerisval Alves Pessoa.
Orientador

---------------------------------------------------------------------------
Prof. M.Sc. Gilberto Fialho
Examinador

---------------------------------------------------------------------------
Prof._______________________________
Examinador
3 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral de 3
Ponta da Madeira

Aos meus pais e minha esposa pelos

cuidados, ensinamentos, amor e carinho

dedicados durante todos esses anos.


4 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral de 4
Ponta da Madeira
(Fábio Fernando)

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus! Aos meus pais Fernando e Graça, por


todo o amor, carinho, compreensão e paciência concedidos desde o momento que
nasci. Obrigado por me ensinarem a seguir sempre em frente, dando-me base para
formar minhas convicções. Obrigado pela formação moral. Agradeço ainda aos
meus irmãos que sempre estiveram ao meu lado. Agradeço a minha esposa Audrei
pelo amor, companheirismo, conselhos, cumplicidade e momentos abdicados para a
realização do objetivo de tornar-me Engenheiro Portuário
Agradeço novamente a Deus por Maria Fernanda, minha filha, que me faz
feliz todos os dias.
Agradeço ainda àqueles que dedicaram suas experiências para nossa
formação e aprendizado de vida durante, no início longos, mas no final curtos
dezoito meses: aos professores Hildebrando, Gilberto Fialho e Gerisval Alves
Pessoa e aos colegas de turma!
Agradecimentos especiais ainda aos companheiros da Vale que
colaboraram repassando suas experiências para a realização desta monografia:
Roger Palmer, Bruno Farias e Flavio Gurgel.
Enfim, a todas as pessoas que em algum momento de minha vida me
fizeram crescer.
5 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral de 5
Ponta da Madeira

“De tudo, ficaram três coisas: A certeza de que estamos

sempre começando... A certeza de que precisamos continuar...

A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...

Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo... Da

queda, um passo de dança... Do medo, uma escada... Do

sonho, uma ponte. Da procura, um encontro...”


6 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral de 6
Ponta da Madeira
Fernando Pessoa

LISTA DE FIGURAS

Págin
Figura
a
Figura 1: Ciclo PDCA ..................................................................................... 18
Figura 2: Áreas de atuação da Vale ............................................................... 50
Figura 3: Estrutura do terminal ....................................................................... 53
Figura 4: Estrutura de armazenagem ............................................................. 54
7 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral de 7
Ponta da Madeira

LISTA DE QUADROS

Quadros Página
Quadro 1: Equipamentos encontrados na movimentação de 30
diferentes tipos de carga especializada.................................................
Quadro 2: Requisitos críticos exigidos na movimentação de diferentes 31
tipos de carga ........................................................................................
Quadro 3: Padrão de classificação da soja no Terminal Marítimo de 55
Carga Geral ...........................................................................................
Quadro 4: Cadastramento do Terminal Marítimo de Carga Geral ........ 60
Quadro 5: Localização do Terminal Marítimo de Carga Geral .............. 61
Quadro 6: Infraestrutura do Terminal Marítimo de Carga Geral ........... 62
Quadro 7: Isolamento / acesso do Terminal Marítimo de Carga Geral.. 63
Quadro 8: Ambiente de atendimento ao público do Terminal Marítimo 64
de Carga Geral ......................................................................................
Quadro 9: Escritório do Terminal Marítimo de Carga Geral .................. 65
Quadro 10: Sistema de pesagem do Terminal Marítimo de Carga 66
Geral .....................................................................................................
Quadro 11: Sistema de amostragem do Terminal Marítimo de Carga 68
Geral .....................................................................................................
Quadro 12: Determinação de qualidade do produto do Terminal 70
Marítimo de Carga Geral .......................................................................
Quadro 13: Sistema de limpeza do Terminal Marítimo de Carga Geral 71
Quadro 14: Sistema de secagem do Terminal Marítimo de Carga 72
Geral .....................................................................................................
Quadro 15: Sistema de movimentação do produto do Terminal 73
Marítimo de Carga Geral .......................................................................
Quadro 16: Sistema de armazenagem do Terminal Marítimo de 77
Carga Geral ...........................................................................................
Quadro 17: Sistema de segurança do Terminal Marítimo de Carga 78
Geral .....................................................................................................
Quadro 18: Demais requisitos do Terminal Marítimo de Carga 81
Geral......................................................................................................
8 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral de 8
Ponta da Madeira

ÌNDICE

RESUMO .......................................................................................... 11
9 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral de 9
Ponta da Madeira
ABSTRACT ...................................................................................... 12
1 INTRODUÇÃO .................................................................................. 13
1.1 Justificativa ..................................................................................... 13
1.2 Objetivos .......................................................................................... 14
1.2.1 Objetivo Geral.................................................................................... 14
1.2.2 Objetivos Específicos......................................................................... 14
1.3 Estrutura do Trabalho .................................................................... 14
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................ 15
2.1 A Evolução da Gestão..................................................................... 15
2.2 Sistemas de Gestão......................................................................... 19
2.2.1 Sistema de Gestão em Segurança do Alimento ............................... 20
2.2.2 Sistema de Gestão do plano de APPCC .......................................... 20
2.2.2.1 Equipe de APPCC............................................................................. 21
2.2.2.2 Descrição do produto......................................................................... 21
2.2.2.3 Descrição do processo...................................................................... 22
2.2.2.4 Princípios de APPCC ........................................................................ 23
2.2.3 Boas Práticas de Fabricação ............................................................ 27
2.2.3.1 Perigo Biológico................................................................................. 27
2.2.3.2 Perigo Químico.................................................................................. 28
2.2.3.3 Perigo Físico...................................................................................... 29
2.3 Conceito de porto ........................................................................... 29
2.4 Estudos preliminares para implantação de um porto.................. 30
2.5 Operações portuárias .................................................................... 31
2.6 Requisitos para armazenamento.................................................... 32
3 METODOLOGIA DO TRABALHO ................................................... 47
3.1 Tipos de pesquisa ........................................................................... 47
3.1.1 Quanto aos meios.............................................................................. 47
3.1.2 Quanto aos fins.................................................................................. 48
3.2 Universo e amostra.......................................................................... 48
3.3 Coleta e tratamento dos dados...................................................... 48
3.4 Limitação do método....................................................................... 49
4 ESTUDO DE CASO .......................................................................... 49
4.1 Caracterização da empresa e do terminal .................................... 49
4.1.1 Histórico da empresa ........................................................................ 49
4.1.2 Histórico do terminal ......................................................................... 51
10 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 10
de Ponta da Madeira
4.1.3 Infra-estrutura do terminal ................................................................. 52
4.1.4 Caracterização do Terminal de Carga Geral .................................... 52
4.2 Operações de soja........................................................................... 55
4.2.1 Qualidade da soja ............................................................................. 55
4.2.2 Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal............. 56
4.2.3 BPF – Boas Práticas de Fabricação no Terminal.............................. 58
4.3 Comunicação e atualização............................................................ 58
4.3.1 Atualização do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento........ 58
4.3.2 Comunicação com o cliente .............................................................. 59
4.4 Lista de checagem a IN 03 do MAPA............................................. 59
4.4.1 Cadastramento.................................................................................. 60
4.4.2 Localização........................................................................................ 61
4.4.3 Infraestrutura...................................................................................... 61
4.4.4 Isolamento e acesso.......................................................................... 63
4.4.5 Ambiente de atendimento ao público................................................. 63
4.4.6 Escritório............................................................................................ 64
4.4.7 Sistema de pesagem......................................................................... 65
4.4.8 Sistema de amostragem.................................................................... 67
4.4.9 Determinação de qualidade do produto............................................. 68
4.4.10 Sistema de limpeza............................................................................ 71
4.4.11 Sistema de secagem......................................................................... 72
4.4.12 Sistema de movimentação de produto.............................................. 72
4.4.13 Sistema de armazenagem................................................................. 74
4.4.14 Sistema de segurança....................................................................... 77
4.4.4.15 Armazenamento de algodão em pluma sob estrutura de lona.......... 79
4.4.4.16 Demais requisitos.............................................................................. 80
5 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS................................................... 82
5.1 Discussão do sistema atual............................................................ 82
5.2 Pontos positivos do sistema atual................................................. 82
5.3 Pontos negativos do sistema atual................................................ 83
5.4 Propostas de melhorias.................................................................. 83
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................. 84
REFERÊNCIAS ............................................................................... 85
11 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 11
de Ponta da Madeira

RESUMO

Este trabalho visa estudar a situação atual do no Terminal Marítimo de Carga Geral
de Ponta da Madeira para adequação a Instrução Normativa 03 do MAPA. O SGSA
– Sistema de Gestão em Segurança do Alimento aplicado à movimentação de soja e
farelo de soja se figura como condição indispensável no referido terminal para a
garantia da qualidade de todo o processo, além da permanência da autorização para
recebimento e carregamento dos navios. Foi realizada inicialmente uma vasta
revisão bibliográfica sobre o assunto, conceitos, ferramentas, escopo e aplicação,
muitas delas em matérias internos da própria Vale, além de toda leitura e
entendimento da Instrução Normativa 03 do MAPA. Posteriormente, houve um
levantamento de dados consolidados e uma avaliação dos principais processos
operacionais que facilitassem identificar os pontos de destaque e pontos de
melhorias potenciais. Essas informações foram analisadas estratificadamentes de
acordo com os diferentes tipos de assuntos que envolvem a gestão do alimento,
iniciando com análise gerencial, passando por análise de documentos relativos ao
processo até chegar aos aspectos operacionais. Foi feita uma pesquisa descritiva e
exploratória utilizando-se pesquisa bibliográfica, documental e estudo de caso. Para
o estudo de caso foi realizado um levantamento e avaliação de gestão para que
facilitassem identificar os pontos de destaque e pontos de melhorias potenciais. Ao
final percebeu a grande parcela do sistema que se encontra com destaque
significativo, e então apresentar sugestões de melhoria fundamentadas nas
observações das informações realizadas.

Palavras-chave: IN 03; Instrução Normativa 03 do MAPA; SGSA; Sistema de


Gestão em Segurança do Alimento.
12 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 12
de Ponta da Madeira

ABSTRACT

This work focus to study the Food Safety Management System applied to transport
soybean and soybean meal at Ponta da Madeira Terminal to fit Instruction 03 MAPA.
The Food Safety Management System is included as a prerequisite in that terminal
for the quality assurance of the whole process, besides the permanence of the
authorization for collection and loading of ships. Was initially performed a
comprehensive literature review on the subject, concepts, tools, scope and
application, many of them in matters of internal self worth, and all reading and
understanding of Instruction 03 Later there was a survey of consolidated data and an
assessment of key operational processes that would help to identify the highlights
and points of potential improvement. This information was analyzed according to the
different types ofissues involving the management of food, starting with analysis and
management, through analysis of documents concerning the case until the
operational aspects. We conducted a descriptive and exploratory research using
literature search, document and case study. For the case study was a survey and
evaluation of management that would help to identify the highlights and points of
potential improvement. At the end realized the large portion of the system which is
especially significant, and then make suggestions for improvement based on
observations made of the information

Keywords: Food Safety Management System; GMP-B2 (Good Manufacturing


Pratices).
13 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 13
de Ponta da Madeira

1 INTRODUÇÃO

1.1 Justificativa

Por alguns anos, as empresas vêm administrando a prosperidade diante


de um mundo em crescimento econômico ano após ano, onde a economia mostrava
seu aparente vigor inesgotável, cenário esse que gerou ganhos para as empresas
poucas vezes vistos pelo mundo anteriormente. Grandes executivos olhavam para a
frente preocupando-se em como as empresas poderiam crescer mais. Não era uma
missão fácil, mas o mundo parecia conspirar a favor dos homens de negócio em
uma atmosfera de otimismo.

Foi então que, no final de 2008 parte do mercado financeiro se dissolveu


e a incerteza em relação ao presente e ao futuro passou a fazer parte da rotina. O
mundo mudou e está fazendo mudar as lideranças e a gestão de negócios de todos
os tipos, em todas as partes.

Neste novo cenário, os portos deixaram de ser apenas locais onde se


realizavam a movimentação, o armazenamento e o transbordo de cargas,
representando hoje um elo fundamental na reestruturação da matriz de transporte,
colaborando significativamente para a elevação da competitividade das empresas e
o aumento das exportações do país.

A gestão dos portos no Brasil tem evoluido principalmente após a


promulgação da Lei 8.630, batizada de Lei de Modernização dos Portos, de 1993,
14 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 14
de Ponta da Madeira
que fez com que os portos concorressem uns com os outros a fim de oferecer
serviços mais eficientes e mais baratos.

Este trabalho visa avaliar o sistema de gestão de segurança dos


alimentos a adequação do terminal de carga geral a Instrução Normativa 03 do
MAPA, a fim de gerar oportunidades de melhorias operacionais e garantir a
qualidade do serviço logístico para manter a competitividade do terminal.

1.2 Objetivos

1.2.1 Objetivo Geral

Analisar qualitativamente e quantitativamente o Sistema de Gestão de


Segurança do Alimento do Terminal Marítimo de Carga Geral da Vale no Estado do
Maranhão, de forma a apresentar oportunidades para adequação a Instrução
Normativa 03 do MAPA.

1.2.2 Objetivos Específicos

• Estudar a forma de operação do terminal sob a ótica da Gestão de Segurança


do Alimento.
• Estudar as instalações do terminal.
• Identificar oportunidades de melhoria na forma de operação e instalações para
adequação a IN 03 do MAPA.

1.3 Estrutura do trabalho

No capítulo 1, apresenta-se a justificativa do estudo, os objetivos (gerais e


específicos) e a estrutura do trabalho.
15 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 15
de Ponta da Madeira
No capítulo 2, é apresentada uma breve revisão da literatura existente
sobre os Sistemas de Gestão e um breve relato sobre os princípios básicos do
Sistema de Gestão de Segurança dos Alimento na atualidade. No fim do capítulo
são abordados pontos relevantes sobre a IN 03 do MAPA.

No capítulo 3, é apresentada a metodologia a ser utilizada durante o


processo de levantamento de dados e análise do Terminal, bem como as atividades
necessárias e os passos a serem seguidos até o atendimento dos seus objetivos
gerais e específicos.

No capítulo 4, é apresentado o estudo de caso da avaliação do sistema


de segurança do alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral de Ponta da
Madeira.

Após o estudo de caso, no capítulo 5, são discutidos os resultados.

No capítulo 6 são apresentadas as considerações finais acerca da análise


realizada.

2 REVISÃO BILBIOGRÁFICA

O presente capítulo visa a elucidação sobre modelos de gestão,


conceitos, evoluções e tendências e a influência da interligação de princípios de
administração e produção que caracterizam decisivamente o aumento da eficiência
operacional, respeitando padrões de qualidade, meio ambiente, condições de saúde
e segurança ocupacional e a própria responsabilidade social da organização, de
forma interligada.

Para tal, será descrito de forma sucinta o Sistema de Gestão de


Segurança do Alimento. Na parte final do capítulo são abordados pontos relevantes
sobre a IN 03 do MAPA.

2.1 A Evolução da Gestão


16 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 16
de Ponta da Madeira

Com o início do século XX, foram acentuadas as necessidades de


definição das variáveis impostas ao processo de industrialização. O aumento da
demanda e a incorporação de inovações na tecnologia de produção impuseram um
novo modelo de gestão.

A preocupação com a gestão, e o desenvolvimento de seu controle tem


sido intensificada ao longo dos anos, e cada vez mais ocorrem mudanças
significativas no processo de controle. No contexto atual de competitividade, com
normas de segurança e meio ambientes cada vez mais reguladoras, a qualidade não
se refere mais à qualidade de um produto ou serviço em particular, mas sim à
qualidade do processo como um todo, abrangendo tudo o que ocorre na empresa
(sistema), e definir e cumprir o processo de gestão de forma correta é essencial para
garantia de sua sobrevivência (CANO, 2006).

Cerqueira e Oliveira (2003) afirmam que:

“Cada uma das etapas da evolução da gestão está marcada por um nível
de complexidade específico, definido pelas exigências do mercado e pelo
foco dos negócios, representando o estado da arte do momento histórico.
Identificam-se quatro níveis de complexidade distintos, que se sobrepõem
na medida em que os mais recentes incorporam e aprimoram elementos
dos níveis anteriores: foco no produto, foco no processo, foco no sistema
de gestão e foco no negócio”.

Para cada nível de complexidade associa-se certo grau de


desconhecimento, ou uma incerteza. Qualquer afirmativa ou tomada de decisão
envolve risco. Na busca da melhor compreensão do ambiente de negócio, bem
como da redução dos riscos do processo de decisão, muitos estudiosos
desenvolveram teorias, técnicas e modelos visando fornecer ferramentas à gestão,
com base em informações confiáveis.

Em cada uma das etapas da evolução da gestão das organizações,


observa-se a ênfase em uma determinada abordagem ou em determinado estilo de
gestão: reativo, corretivo, preventivo ou preditivo. Ainda segundo Cerqueira e
Oliveira (2003), o grande marco na evolução da gestão está na quebra do
paradigma no qual o gestor dirige os seus esforços apenas para resolver problemas.
17 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 17
de Ponta da Madeira
“É chamado estilo reativo de gestão ou de gestão sobre os efeitos, porque a
preocupação é apenas com a correção do efeito indesejável, buscando eliminá-lo,
mitigá-lo ou mesmo propor concessões alternativas para os problemas
apresentados”. Nesta abordagem, após a ação ser tomada, quer seja de retrabalho,
de reparo, de refugo ou de reclassificação para uso alternativo, tudo continua como
antes, tendo em vista que o objetivo foi apenas eliminar ou mitigar os efeitos
indesejáveis. As causas permanecem no processo.

É uma questão de tempo para que as não-conformidades reapareçam, o


que representa quase sempre custo elevado de produção e desperdício, podendo
gerar insatisfação dos clientes ou de outras partes interessadas.

Uma significativa contribuição para a gestão foi a adoção do compromisso


com o aprimoramento contínuo, representado por um ciclo desenvolvido em 1930
por Walter A. Shewart, levado ao Japão por Edwards Deming em 1950, conforme
Milet et al. (1993), e que atualmente é conhecido por Ciclo PDCA (Figura 2),
correspondentes as iniciais P de plan (planejar), D de do (fazer, executar), C de
check (checar ou conferir), e A de action (ação corretiva), palavras inglesas,
implementadas em seis etapas. (Campos, 1999). Apenas as abordagens corretiva,
preventiva e preditiva proporcionam ganhos significativos para o conhecimento, pois
são instrumentos de aprendizado organizacional. Não que a abordagem reativa
deixe de ser importante ou necessária, mas o ganho que proporciona para o
conhecimento não é incorporado na gestão, uma vez que as causas dos problemas
não são eliminadas. Isso implicaria a necessidade de um sistema de informações
confiável, capaz de alimentar o processo de investigação e análise e de servir de
base para avanços futuros. A abordagem corretiva da gestão requer investigação,
identificação e análise das causas reais da não-conformidade.

O conhecimento e a compreensão dessas causas permitem a definição


de ações efetivas para impedir que as não-conformidades detectadas voltem a
ocorrer.
18 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 18
de Ponta da Madeira

Figura 1 – Ciclo PDCA


Fonte: Campos (1999)

As ações preventivas, por outro lado, são direcionadas para as causas


potenciais de não-conformidades. A gestão não deseja que ocorram; tendo em vista
o risco envolvido. Enquanto a ação corretiva visa evitar a repetição de uma não-
conformidade, a ação preventiva está dirigida para impedir ou minimizar a
probabilidade de sua ocorrência considerando todos os fatores envolvidos: produtos,
processos, recursos, padrões e requisitos. Todas as ações planejadas e
sistematizadas caracterizam-se como preventivas.

As ações reativas, corretivas e preventivas estão direcionadas para os


acontecimentos que se realizam no presente ou que têm potencial para ocorrer no
futuro. Todavia, os desafios a que as organizações estão submetidas exigem
predição, antecipação. As ações preditivas são aquelas que uma organização adota
para se antecipar às circunstâncias futuras que demonstram, pela análise das
tendências, estar na iminência de ocorrer. Exigem um monitoramento constante do
cenário de negócio, das novidades e das tendências de mercado, políticas,
tecnológicas e de costumes. A partir destas informações, a organização pode hoje
tomar decisões que, provavelmente, serão úteis no futuro. Apesar do alto risco
associado a estas decisões, as modernas organizações não podem se dar ao luxo
de esperar o futuro acontecer, sem que estejam minimamente preparadas.
19 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 19
de Ponta da Madeira
2.2 Sistemas de Gestão

Nos últimos anos tem-se visto o crescimento dos sistemas de gestão


como um caminho que as organizações estão trilhando no intuito de buscar
conformidade aos requisitos inerentes às funções qualidade, meio ambiente,
segurança e saúde ocupacional e responsabilidade social.

Chiavenato (2000) conceitua sistema como sendo “um conjunto de


elementos interdependentes, cujo resultado final é maior do que a soma dos
resultados que esses elementos teriam caso operassem de maneira isolada”.

Analisando-se sob o aspecto empresarial, os objetivos de um sistema de


gestão são o de aumentar constantemente o valor percebido pelo cliente nos
produtos ou serviços oferecidos, o sucesso no segmento de mercado ocupado
(através da melhoria contínua dos resultados operacionais), a satisfação dos
funcionários com a organização e da própria sociedade com a contribuição social da
empresa e o respeito ao meio ambiente.

Para que tais objetivos sejam alcançados, é importante a adoção de um


método de análise e solução de problemas, para estabelecer um controle de cada
ação. Há diversos métodos sendo utilizados atualmente. A maioria deles está
baseada no método PDCA – Plan, Do, Check, Act, que constitui-se em um
referencial teórico básico para diversos sistemas de gestão. A Figura 2 descreve a
sistemática de aplicação do método, onde cada uma das partes do método traz o
seguinte conceito:

• Plan (Planejar): estabelecer os objetivos e processos necessários para


fornecer resultados de acordo com os requisitos do cliente e políticas da
organização;
• Do (Fazer): Implementar os processos;
• Check (checar): monitorar e medir processos e produtos em relação às
políticas, aos objetivos e aos requisitos para o produto e relatar os
resultados;
20 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 20
de Ponta da Madeira
• Act (agir): executar ações para promover continuamente a melhoria do
desempenho do processo.

Há diferentes aspectos sob os quais podem ser analisados os sistemas


de gestão. Serão analisados neste trabalho aspectos referentes à eficiência
operacional e custos.

2.2.1 Sistema de Gestão em Segurança do Alimento

O Sistema de Gestão em Segurança do Alimento está baseado na norma


do PDV Quality Control of Feed Materials for Animal Feed, GMP+ B2: Quality Control
of Feed Materials, versão 28-03-2008 e seus anexos aplicáveis ao escopo de
prestação de serviços portuários.

O Sistema de Gestão de Segurança do Alimento do TPPM está


estruturado na implantação das BPF – Boas Práticas de Fabricação e a utilização da
ferramenta APPCC – Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle, junto à
conscientização e participação de todos os envolvidos com o processo. Para isto
conta com uma estrutura de controle de documentação, capacitação, treinamento e
verificação periódica da implementação do sistema.

O conceito de APPCC se aplica a todos os estágios da cadeia de


produção do alimento, desde a geração da matéria prima (plantio, cultivo, colheita,
criação animal, etc.), ao processamento, fabricação, distribuição, comercialização e
preparo para consumo.

2.2.2 Gestão do plano de APPCC

O processo de desenvolvimento do sistema de APPCC – Análise dos


Perigos e Pontos Críticos de Controle – envolve princípios básicos para sua
estruturação do estudo até sua correta implantação.
21 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 21
de Ponta da Madeira
Estes princípios tratam de estudos sistemáticos do produto em si, as
condições de processo, manuseio, armazenagem, distribuição e a forma de
utilização do produto no cliente. Cada princípio realizado de APPCC deve ser
validado em reunião com a equipe e evidenciado através das atas de reunião. A
partir dessas informações, são determinados os Pontos Críticos de Controle no
processo do Terminal Portuário de Ponta da Madeira, que são monitorados e
controlados para garantir a segurança do produto.

2.2.2.1 Equipe de APPCC

A Equipe de APPCC é a equipe multidisciplinar tem a responsabilidade de


levantar todos os dados de processo de cada produto (Soja em Grãos e Farelo de
Soja) movimentado pelo Terminal Portuário, realizando o estudo de cada linha e a
efetiva implantação do sistema de controle e monitoramento dos Pontos Críticos de
Controle determinados pela análise. Todas as análises, documentos utilizados pela
equipe são reunidas e organizadas em uma pasta como evidência do estudo
realizado e se encontra em poder do Coordenador/Líder de APPCC.

O resultado da análise da equipe é o Plano de APPCC que descreve a


identificação dos perigos em potenciais, avaliação do risco, medidas de controle,
determinação de pontos críticos, monitoramento dos PCC e ações corretivas em
caso de desvio.

2.2.2.2 Descrição do produto

Todo produto armazenado e movimentado pelo Terminal Portuário de


Ponta da Madeira na área de Carga Geral é descrito em uma especificação de
produto, elaborada pela equipe de APPCC. A especificação do produto tem a
finalidade de levantar as características principais do produto como:
22 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 22
de Ponta da Madeira
• Descrição genérica;
• Características físicas, químicas e tolerâncias;
• Possíveis contaminantes de acordo com o Anexo 01, quando aplicável;
• Etapas precedentes ao processo do Terminal Portuário;
• Etapas posteriores ao processo do Terminal Portuário;
• Condições de Armazenagem e Transporte;
• Uso pretendido pelo comprador;
• Legislações e Regulamentações aplicáveis.

Com estes dados é possível definir os perigos relacionados ao produto


para a realização do estudo. Nesta avaliação a equipe deve considerar sempre a
pior condição de uso do produto para que o estudo ofereça a melhor segurança em
relação aos controles preventivos que são estabelecidos.

A especificação é formalmente validada e aprovada na Reunião da


Equipe de APPCC, e registrada em ata de reunião.

2.2.2.3 Descrição do processo

Com a elaboração do fluxograma do processo temos informações claras e


simples de todas as etapas envolvidas no processo sob controle direto do Terminal
Portuário.

Os fluxogramas são validados e aprovados pela Equipe de APPCC.


Avalidação do fluxograma é realizada in loco (no local de processo) e evidenciada
através de seu registro em Ata de Reunião da Equipe de APPCC.

As etapas dos processos anteriores e posteriores ao Terminal Portuário


de Ponta da Madeira na GANOG estão indicadas na Descrição do Produto.
23 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 23
de Ponta da Madeira
2.2.2.4 Princípios de APPCC

Princípio 1 – Identificação e Análise do Perigo. A equipe deve identificar


cada perigo de contaminação (químico, físico e biológico) que o produto possa sofrer
em cada etapa durante o processo no Terminal Portuário. Essa identificação deve
considerar os aspectos de descrição do produto e do processo. A identificação dos
perigos deve ser realizada para cada produto. Para a identificação dos perigos, a
equipe de APPCC deve considerar:

• Os perigos das etapas anteriores, considerando também os perigos


potencialmente oriundos de outros terminais e armazéns;
• Os perigos com probabilidade de serem “adicionados” pelas atividades
realizadas dentro do Terminal Portuário.

Uma vez identificados os perigos, a equipe deve avaliar o risco que este
perigo pode oferecer ao produto. Este risco é avaliado segundo seu grau de
severidade associado à probabilidade de ocorrência. Para avaliação do risco utiliza-
se correlação entre severidade e probabilidade.

Embora existam dados sobre a avaliação quantitativa de riscos para


alguns perigos químicos e biológicos, nem sempre é possível a sua determinação
numérica. A estimativa de risco é, em geral, qualitativa, obtida pela combinação de
experiências, dados epidemiológicos locais/regionais (quando se tratar de
microrganismo) e informações em literatura específica. A equipe deve analisar o uso
pretendido do produto, as etapas posteriores, a forma de uso, pois a probabilidade
de ocorrência dependerá do processo do estudo em questão.

As medidas de controle preventivo são adotadas pela equipe conforme o


nível do risco avaliado para cada perigo, como aparece a seguir:

• Risco de Nível 1: Não há necessidade de uma medida preventiva;


• Risco de Nível 2: Existe a necessidade de uma medida preventiva periódica;
• Risco de Nível 3: Requer uma medida de controle baseada em Boas Práticas de
Fabricação;
• Risco de Nível 4: Requer um controle específico do perigo.
24 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 24
de Ponta da Madeira
As avaliações dos riscos são documentadas nos respectivos Planos de
APPCC referente a cada produto e para todas as etapas do processo. As medidas
de controle dos perigos que são identificados devem ser adotadas como medidas
preventivas de sua ocorrência. Essas medidas de controle são definidas no Plano de
APPCC e todos os PCC devem possuir uma medida de controle baseada em BPF
para prevenir ou reduzir o perigo a um nível aceitável. É de responsabilidade de a
equipe verificar e garantir que os requisitos estão sendo cumpridos.

Princípio 2 – Identificação dos PCC. Os Pontos Críticos de Controle se


localizam em qualquer ponto onde os perigos devem ser prevenidos, eliminados ou
reduzidos a níveis aceitáveis. Utilizando todas as informações sobre o produto e
processo, a equipe deve determinar para cada perigo de cada etapa do processo se
o mesmo é um Ponto Crítico de Controle (PCC). Para efetuar essa determinação é
utilizada uma árvore decisória de questões sobre o produto e processo, que
respondida corretamente, determina se uma etapa é um PCC ou não.

Para cada um dos perigos levantados, a equipe deve identificar as


medidas de controle para que este possa ser controlado.

Princípio 3 – Estabelecimento dos Limites Críticos. Para cada limite crítico


aplicável, deve haver uma ou mais medidas preventivas de controle associadas a
cada PCC identificado no processo, devendo ser adequadamente controladas para
assegurar a prevenção, eliminação ou redução do perigo a níveis aceitáveis. Cada
medida preventiva de controle estará associada aos limites críticos que servem
como fronteira de segurança de todos os PCC. O limite de segurança pode ser
adotado para evitar que os limites críticos sejam atingidos e/ou ultrapassados.

Princípio 4 – Estabelecimento do Monitoramento de PCC. O


monitoramento de todos os PCC, quando aplicável, identificado no Plano de APPCC
deve ser estabelecido pela Equipe de APPCC através do estabelecimento dos
limites críticos (tolerância), método, freqüência e local de realização do
monitoramento do PCC. Essas verificações são estabelecidas no Plano de APPCC
(PAPPCC).

O monitoramento do PCC permite verificar a eficiência e assegurar o


controle do perigo. Havendo qualquer tendência para uma eventual perda de
25 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 25
de Ponta da Madeira
controle, devem-se tomar medidas corretivas para retornar o processo dentro dos
níveis estabelecidos como ideal estes procedimentos são descritos nas
documentações de operação.

Princípio 5 – Ações Corretivas. Para qualquer não-conformidade que seja


verificada no sistema de APPCC, quando aplicável (desvio dos limites toleráveis no
monitoramento dos PCC, nãoconformidades de auditoria, produto não - conforme),
deve-se estabelecer uma ação corretiva de forma a assegurar o tratamento
adequado e prevenir a sua reocorrência.

A análise da ação corretiva deve ser realizada pela Equipe de APPCC ou


demais responsáveis envolvidos. Em casos de produto não - conforme, este deverá
ser prontamente segregado, identificado e controlado evitando contaminações de
produto, processo ou conseqüências ainda mais severas.

Princípio 6 – Verificação dos Sistemas de APPCC. Um dos objetivos mais


importantes da auditoria é a avaliação total do Sistema de APPCC, seu
monitoramento e as adequações e atendimento aos requisitos de BPF, que oferece
informações úteis à gerência para tomada de decisões. Entre outros objetivos da
auditoria está a verificação de PCC, quando aplicável, e de produto, a melhoria de
tecnologias, identificação da necessidade de treinamentos, determinação da
eficiência do sistema de controle de qualidade e verificação da qualidade de
produtos e serviços.

Além disso, o Terminal Portuário de Ponta da Madeira utiliza o resultado


das análises realizadas nos produtos pelos clientes para verificar seu sistema de
segurança do alimento.

A verificação de PCC, conforme necessidade estabelecida no plano de


APPCC, é responsabilidade do Coordenador de APPCC solicitar as análises para
verificação dos PCC, quando aplicável, de forma a assegurar a sua inocuidade
alimentar. As verificações são estabelecidas no próprio Plano de APPCC, podendo
ser realizadas das seguintes formas:

• Análise microbiológica no produto;


• Calibração de um instrumento de medição que supervisiona um PCC;
26 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 26
de Ponta da Madeira
• Auditorias.

Estas verificações devem seguir um plano de amostragem, metodologia


de análise, freqüência, registro e análise dos resultados que devem ser definidos
pela Equipe de APPCC durante reunião e documentados em procedimentos
específicos.

A equipe de APPCC deve pesquisar e analisar os resultados das


verificações de PCC, quando aplicável, definindo as ações a serem seguidas
conforme cada caso e registrar em ata de reunião. Caso seja verificado um desvio,
cabe à Equipe de APPCC juntamente com o Coordenador de APPCC, decidir quais
as Ações Corretivas são necessárias e dar a disposição correta para a não-
conformidade detectada. A ação corretiva deve ser registrada no formulário da SAC
– Solicitação de Ação Corretiva.

Princípio 7 – Documentação e Manutenção dos Registros. Todo o SGSA


deverá estar devidamente documentado em documentos específicos, cobrindo todo
o processo necessário para garantir a segurança do alimento do produto. A Equipe
de APPCC, juntamente com o Coordenador de Equipe de APPCC, discute, analisa e
define as formas de adequação para as BPF. Nas reuniões de equipe são reunidos
artigos, livros, trabalhos, especificações de materiais, históricos e levantamentos de
contaminações ocorridas anteriormente com produtos em questão, legislações
nacionais e internacionais vigentes relacionados com conceitos de APPCC,
microbiologia e tecnologia de alimentos.

Todas as reuniões da Equipe de APPCC são formalizadas através das


Atas de reunião da equipe. Em cada reunião é abordado um princípio da APPCC
para que sejam realizadas as análises e definidas todas as formas de Controle e
monitoramento dos PCC’s. Nas reuniões, também são discutidas as ações
corretivas resultantes das auditorias internas e outros assuntos de APPCC.

A equipe de APPCC reuni-se periodicamente para discutir e avaliar os


seguintes itens:

• Eficácia dos treinamentos realizados e necessidades de novos treinamentos;


27 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 27
de Ponta da Madeira
• Avaliação e acompanhamento de validade da Qualificação dos Prestadores de
Serviços (Lista de Qualificação);
• Verificar necessidade de modificações no processo, suas implicâncias no plano e
na documentação;
• Verificar a adequação da documentação do Sistema de Gestão em Segurança
do Alimento;
• Avaliar a existência de novas legislações, e, conforme apropriado, o impacto no
Sistema de Gestão em Segurança do Alimento;
• Programar as verificações do Sistema de APPCC (auditoria interna);
• Análise crítica dos resultados da verificação do Sistema de APPCC;
• Acompanhamento e verificação dos PCC de produto e seus respectivos
registros;
• Definição e acompanhamento de solicitação de ação corretiva (SAC);
• Verificação e acompanhamento de ação corretiva e preventiva;
• Verificar atualização da norma do PDV através de newsletters e visitas a
homepage do órgão.

2.2.3 Boas Práticas de Fabricação

As Boas Práticas de Fabricação são uma série de conceitos e normas


que estabelecem diretrizes de medidas preventivas, que seguidas corretamente
protegem e eliminam os perigos de contaminações nocivas ao produto alimentício.

Estes perigos podem ser as seguintes:

2.2.3.1 Perigo Biológico

Incluem os microorganismos patogênicos como, por exemplo, bactérias,


fungos, vírus e parasitas (microrganismos patogênicos ou produtores de toxinas, ex.
Salmonela). Quanto à severidade das contaminações pelos perigos biológicos elas
podem ser:
28 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 28
de Ponta da Madeira
• Alta – São as resultantes de contaminações por microorganismos ou suas
toxinas com quadro clínico muito grave. Exemplos: toxinas de Clostridium
botulinum, Salmonella typhi, Shigella dysenteriae, Vibrio cholerae O1, Brucella
melitensis, Clostridium perfringes tipo C, Vírus da hepatite, Listeria
monocytogenes (em alguns pacientes), Taenia solium (em alguns casos).

• Média – São as patologias resultantes da contaminação por microorganismos de


patogenicidade moderada, mas com possibilidade de disseminação extensa.
Exemplos: Escherichia coli enteropatogênica, Salmonella spp, Shigella spp,
Streptococcus hemolítico, Vibrio parahaemolyticus.

• Baixa – Patologias resultantes da contaminação por microorganismos de


patogenicidade moderada e com disseminação restrita. Exemplos: Bacillus
cereus, Clostridium perfringes tipo A, toxina do Staphylococcus aureus, maioria
dos parasitas, histamina e outros.

2.2.3.2 Perigo Químico

Associado a compostos químicos e/ou substâncias tóxicas que podem ser


resíduos inorgânicos ou orgânicos (como venenos, fertilizantes, pesticidas). Quanto
à severidade das contaminações elas podem ser:

• Alta – Contaminações diretas e grosseiras dos alimentos por substâncias


químicas proibidas ou certos metais, como o mercúrio, ou aditivos químicos
colocados em níveis excedidos ou acidentalmente adicionados que podem
provocar casos de alergias severas ou intoxicações que podem causar dano a
determinadas classes de consumidores.

• Baixa – A contaminação pode ser de ocorrência natural nos alimentos (derivados


de plantas, animais e microrganismos), ou substâncias químicas permitidas no
alimento que podem causar reações moderadas, como alergias leves e
passageiras.
29 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 29
de Ponta da Madeira

2.2.3.3 Perigo Físico

Objetos estranhos nocivos à saúde do consumidor (vidro, pedra, madeira,


plástico e metais) que podem causar enfermidades ou lesões ao consumidor. A
severidade das contaminações elas podem ser:

• Alta – Representados por objetos que podem causar danos ou causar injúrias,
como pedras, vidros, agulhas, metais e objetos pontiagudos ou cortantes,
podendo constituir em risco de vida.

• Baixa – Representados por objetos estranhos que normalmente não causam


diretamente injúrias ou danos à integridade física do consumidor, como sujeiras,
fragmentos biológicos etc.; que podem, porém causar o choque emocional ou
danos psicológicos, quando presentes no alimento.

As BPF devem assegurar que os envolvidos conheçam, entendam e


cumpram as normas estabelecidas para alcançar a higiene e segurança tanto de
pessoal como de processo, e condições adequadas no processamento para
conservar o produto em suas principais características de consumo ou de um
próximo processamento.

2.3 Conceito de porto

O conceito de porto pode ser definido como um sistema que faz o elo
entre o transporte marítimo e o terrestre, seja esse transporte de pessoas ou
mercadorias, de embarque ou desembarque. No que diz respeito especificamente
ao transporte de mercadorias, existe uma grande quantidade de tipos de
equipamentos que são utilizados. Os tipos desses equipamentos variam de acordo
com o tipo de carga que o porto é especializado em movimentar.
30 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 30
de Ponta da Madeira
Quadro 1 – Equipamentos encontrados na movimentação de diferentes tipos de carga
especializada

TIPOS DE CARGA EQUIPAMENTOS


Transportadores de correia, carregadores de navio,
Granéis sólidos viradores de vagões, pátios de estocagem, empilhadeiras,
recuperadoras, armazéns e elevadores de canecas
Granéis líquidos Bombas hidráulicas e oleodutos
Carga geral Guindastes e empilhadeiras
(Fonte: GOES FILHO, H.)

2. 4 Estudos preliminares para implantação de um porto

Os custos na implantação e operação de um porto são extremamente


elevados, portanto, os estudos preliminares na fase de construção do mesmo
precisam ser bastante criteriosos. Geralmente despende-se bastante tempo para
realização de tais estudos, pois cada projeto de um porto novo é completamente
diferente de outro projeto já realizado. Dentre algumas das variáveis responsáveis
por tal característica podemos citar: a direção das ondas, levantamento dos ventos
reinantes e dominantes, levantamentos batimétricos, variações periódicas de maré,
direção do transporte de sedimentos ao longo da costa, levantamentos de aspectos
e impactos ambientais, entre outras. Após a obtenção de todos esses dados, é
preciso verificar se determinada localidade é adequada para instalação e operação
do porto de acordo com o tipo de carga pré-determinada.
31 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 31
de Ponta da Madeira
Quadro 2 – Requisitos críticos exigidos na movimentação de diferentes tipos de
carga
TIPOS DE
REQUISITOS MOTIVAÇÃO
CARGA
Granéis Regiões com grandes Os navios que transportam granéis
sólidos profundidades sólidos possuem grandes calados1
O sistema de transporte de granéis
Granéis Regiões com média influência sólidos é composto de tubulações
líquidos de ondas flexíveis, portanto não exigem muitos
requisitos quanto ao abrigo
Regiões com pouca ou Os equipamentos têm pouca
Carga geral nenhuma influência de ondas e flexibilidade a ponto de exigirem de
corrente marítimas pouca movimentação da embarcação
(Fonte: GOES FILHO, H.)

2.5 Operações portuárias

Como já foram mencionados anteriormente, os custos para operar um


porto são bastante elevados, portanto a necessidade de um bom planejamento e a
contratação de profissionais experientes para realização de tal atividade é crucial
para que se chegue a resultados satisfatórios na escolha do porto.

As principais atividades que são de responsabilidade do porto são: a


atracação dos navios, o armazenamento de cargas, o embarque e o desembarque
de cargas, entre outras. O embarque e o desembarque podem ser considerados as
mais importantes atividades no porto, pois estão diretamente ligadas à exportação e
importação de mercadorias. Dependendo do tipo de carga, utilizam-se diferentes
tipos de equipamento para sua movimentação.

2.6 Requisitos para armazenamento

1
32 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 32
de Ponta da Madeira

O estabelecimento de procedimentos que visem a modernizar as


atividades de guarda e conservação de produtos agropecuários tem sido um dos
principais anseios reivindicados pelos segmentos que se relacionam com os
prestadores de serviços de armazenagem.

Um desses procedimentos é, sem dúvida, o estabelecimento de regras


para construção, instalação e funcionamento de estruturas de armazenamento. A
criação de normas para licenciamento de tais estruturas ou mesmo a idealização de
um sistema de certificação são alguns dos procedimentos que, ao lado de outros
fatores, podem ajudar a modernizar o setor de armazenamento.

Em seu Art. 2º, a Lei nº 9.973, de 29 de maio de 2000, criou o sistema de


certificação, com base no Sistema Brasileiro de Certificação instituído pelo
CONMETRO – Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade
Industrial, reconhecido pelo Estado Brasileiro, e que possui regras próprias e
procedimentos de gestão.

Já o Art. 16 do Decreto n. º 3.855/2001 estabeleceu, em seu Parágrafo 1º,


que o Sistema Nacional de Certificação de Unidades Armazenadoras será
desenvolvido de acordo com as regras e os procedimentos do Sistema Brasileiro de
Certificação, devendo dispor sobre as condições e a documentação exigíveis dos
interessados.

De acordo com essa legislação, a certificação é obrigatória para as


pessoas jurídicas que prestam serviços remunerados de armazenagem, a terceiros,
de produtos agropecuários, seus derivados, subprodutos e resíduos de valores
econômicos, inclusive de estoques públicos, podendo o Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento - MAPA ampliar a exigência para outras unidades
armazenadoras. As unidades armazenadoras não certificadas não poderão ser
utilizadas para o armazenamento remunerado de produtos agropecuários. Não há
restrição para que os armazéns não enquadrados como obrigatórios na legislação
participem voluntariamente do sistema e do processo de certificação.
33 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 33
de Ponta da Madeira
Os requisitos técnicos para Certificação de Unidades Armazenadoras em
Ambiente Natural foram definidos por Grupo de Trabalho, com representantes do
poder público e da iniciativa privada envolvidos com o setor armazenador.

As unidades armazenadoras foram enquadradas em função da sua


localização e de suas características operacionais em quatro níveis: de fazenda,
coletor, intermediário e terminal.

Os requisitos técnicos foram classificados como obrigatórios (O) e


recomendados (R), sendo os obrigatórios subdivididos em (O1), requisito obrigatório
no momento da vistoria da unidade armazenadora pela entidade certificadora; (O2),
requisito obrigatório para todas as unidades armazenadoras cujo início das obras se
dará após a publicação da Instrução Normativa n.º 12/2009, no Diário Oficial da
União – DOU em 12/05/2009, pelo MAPA; (O3), requisito obrigatório que deve ser
cumprido no prazo de até três anos após a publicação da IN n.º 12/2009 no DOU,
em 12/05/2009 pelo MAPA; (O4), requisito obrigatório que deve ser cumprido no
prazo de até cinco anos após a publicação da IN n.º 12/2009 no DOU, em
12/05/2009, pelo MAPA.

Os pontos de transbordos não se enquadram na exigência daCertificação,


visto que a função destas instalações não é a de armazenamento.

Os requisitos técnicos para Certificação foram definidos apenas para as


Unidades Armazenadoras em Ambiente Natural (inclusive os que utilizam sistema de
refrigeração), não estando previsto, portanto, a Certificação para os armazéns em
ambiente com atmosfera modificada.

Cabe à própria empresa enquadrar suas unidades armazenadoras quanto


ao nível em que deseja ser certificada, por meio de declaração própria. Destaca-se
que esse enquadramento não possui nenhuma correlação com as informações
relativas à localização contida no cadastro da Conab – Companhia Nacional de
Abastecimento.

É condição indispensável para a certificação que a unidade


armazenadora disponha de normas operacionais descritas que comprovem os
métodos e os processos utilizados para os serviços realizados, disciplinando e
34 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 34
de Ponta da Madeira
padronizando suas ações no que se refere à prestação de serviços de
armazenamento.

Devem ser certificadas todas as estruturas armazenadoras do mesmo


grupo, mesmo que com CNPJ diferentes, desde que prestam serviços para
empresas do mesmo grupo.

A IN 03 do MAPA, mescla as legislações federais que norteiam a


atividade de armazenamento no País. Contudo, cabe salientar que, além da
necessidade da observância dos requisitos técnicos recomendados ou obrigatórios e
da legislação, as unidades armazenadoras devem atender ao determinado na
legislação e nas normas pertinentes à atividade de armazenamento.

Certificação – É o reconhecimento formal, concedido por um organismo


autorizado, de que uma entidade tem competência técnica para realizar serviços
específicos. É um indicador para os usuários de que as atividades desenvolvidas
pelo prestador de serviços atendem ao padrão de qualidade, e que possuem os
requisitos técnicos mínimos estabelecidos no regulamento para o exercício daquela
atividade.

Unidade Armazenadora “em nível de fazenda” – Unidade armazenadora


localizada em propriedade rural, com capacidade estática e estrutura dimensionada
para atender ao próprio produtor.

Unidade Armazenadora coletora – Unidade armazenadora localizada na


zona rural (inclusive nas propriedades rurais) ou urbana, com características
operacionais próprias, dotada de equipamentos para processamento de limpeza,
secagem e armazenagem com capacidade operacional compatível com a demanda
local. Em geral, são unidades armazenadoras que recebem produtos diretamente
das lavouras para prestação de serviços para vários produtores.

Unidade Armazenadora intermediária – Unidade armazenadora localizada


em ponto estratégico de modo a facilitar a recepção e o escoamento dos produtos
provenientes das unidades armazenadoras coletoras. Permite a concentração de
grandes estoques em locais destinados a facilitar o processo de comercialização,
industrialização ou exportação.
35 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 35
de Ponta da Madeira
Unidade Armazenadora terminal – Unidade armazenadora localizada
junto aos grandes centros consumidores ou nos portos, dotada de condições para a
rápida recepção e o rápido escoamento do produto, caracterizada como unidade
armazenadora de alta rotatividade.

O sistema de amostragem compreende um conjunto de equipamentos e


normas operacionais que visam à obtenção de amostra representativa do lote da
mercadoria que está sendo avaliada.

Amostradores básicos:

• Calador para sacaria – Todas as unidades armazenadoras convencionais devem


ser dotadas de amostradores tipo calador para sacaria, para atendimento aos
Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade estabelecidos pelo MAPA.
• Calador para produto a granel – Todas as unidades armazenadoras de produto a
granel devem ser dotadas de amostradores tipo calador, que possibilitem a
obtenção de sub-amostras em diferentes alturas da carga.
• Amostrador pneumático – As unidades armazenadoras de produto a granel
podem ser dotadas de amostradores do tipo pneumático.
• Amostrador de fluxo – As unidades armazenadoras de produto a granel podem
ser dotadas de amostradores de fluxo.
• Sonda manual – As unidades armazenadoras de produto a granel, “em nível de
fazenda” e as coletoras, podem ser dotadas de sonda manual.
• Sistema de Homogeneização – Todas as unidades armazenadoras devem ser
dotadas de sistema de homogeneização.
• Arquivo de amostras – Todas as unidades armazenadoras devem ter arquivo
para armazenamento de vias de amostras.
• Normas e procedimentos para amostragem – Procedimento de amostragem para
produtos a granel para comprovar a metodologia adotada, a unidade
armazenadora tem normas operacionais referentes aos procedimentos adotados
para a amostragem para produtos a granel.

Na recepção e na expedição dos produtos a granel, estes são amostrados


usando, no mínimo, o número de pontos estabelecidos nos respectivos
Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade do MAPA.
36 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 36
de Ponta da Madeira
O produto coletado na amostragem é homogeneizado, extraindo-se
quantidades de amostras de acordo com o estabelecido nos respectivos
Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade do MAPA. O restante deve ser
reincorporado ao lote.

As amostras referentes aos produtos recebidos úmidos são guardadas


por três dias, e as relativas aos produtos secos e limpos (expedidos ou
armazenados) pelo prazo definido nos respectivos Regulamentos Técnicos de
Identidade e Qualidade do MAPA.

Determinador de umidade de fluxo – Recomenda-se que todas as


unidades armazenadoras a granel utilizem determinadores de umidade de fluxo.

Determinador de impurezas mecânico – Recomenda-se que todas as


unidades armazenadoras tenham determinador de impurezas que utilizem o meio
mecânico, com jogos de peneiras, de acordo com os respectivos Regulamentos
Técnicos de Identidade e Qualidade estabelecidos pelo MAPA.

Identificador de transgenia – As unidades ar mazenadoras podem ser


equipadas com kits para detecção de produtos transgênicos, conforme a legislação
vigente. Os métodos de determinação devem ser aprovados pelos órgãos
competentes.

Indicador de toxinas – Recomenda-se que as unidades armazenadoras


tenham procedimentos para avaliação de toxinas aprovados pelos órgãos
competentes.

Balança de precisão – Todas as unidades armazenadoras devem ter


balança com precisão mínima de 0,1 grama, para uso no laboratório de classificação
de grãos.

Balança hectolítrica – Recomenda-se que todas as unidades


armazenadoras tenham balança hectolítrica. Este equipamento é obrigatório para as
unidades armazenadoras que operam com trigo, aveia, centeio e cevada.
37 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 37
de Ponta da Madeira
Jogos de peneiras – As unidades armazenadoras devem possuir jogos de
peneiras, de acordo com os respectivos Regulamentos Técnicos de Identidade e
Qualidade do MAPA.

Acessórios (lupa, paquímetro, pinças,...) – Recomenda-se que todas as


unidades armazenadoras tenham lupa, paquímetro digital, pinças, mesa de
classificação e embalagens para amostras.

Procedimentos para determinação de matérias estranhas e impurezas -


Para comprovar a metodologia adotada, a unidade armazenadora deve dispor de
normas operacionais referentes aos procedimentos empregados para a
determinação de matérias estranhas e impurezas.

A primeira análise a ser realizada após a amostragem e a


homogeneização deve ser a determinação do teor de matérias estranhas e
impurezas. O teor de matérias estranhas e impurezas deve ser usado para o cálculo
do desconto de peso do produto, conforme a equação 1:

Qi = Pi* Ti/100 (1)

Em que,
Qi = quantidade de matérias estranhas e impurezas, kg;
Pi = massa inicial do produto, kg;
Ti = teor de matérias estranhas e impurezas do produto, %.

Procedimentos para determinação de umidade – Para comprovar a


metodologia adotada, a unidade armazenadora deve dispor de normas operacionais
referentes aos procedimentos empregados para a determinação de umidade.

A determinação de umidade deve ser feita com o produto isento de


matérias estranhas e impurezas. O cálculo da quantidade de água removida na
secagem é realizado pela equação 2:
38 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 38
de Ponta da Madeira
Qu= PiQi Ui  Uf  Uf (2)

Em que,
Qu = quantidade de água removida na secagem, kg;
Qi = quantidade de matérias estranhas e impurezas removida, kg;
Ui = teor de água inicial, % base úmida;
Uf = teor de água final, % base úmida.
Pi = peso inicial, kg

As unidades armazenadoras podem adotar tabelas próprias de quebra de


peso na secagem, desde que devidamente justificadas no manual de procedimentos
da unidade e especificadas nos contratos de depósitos ou de prestação de serviços.
No caso das cooperativas, quando armazenarem produtos dos cooperados é
dispensado a apresentação desses contratos. Recomenda-se que sejam feitas
aferições periódicas dos determinadores de umidade por meio dos fabricantes dos
equipamentos, por terceiros ou pela comparação dos métodos indiretos com os
determinadores de método direto. Recomenda-se que as unidades armazenadoras
tenham procedimentos para determinação de transgenia, de acordo com os métodos
aprovados pelo MAPA.

Caso a unidade armazenadora tenha procedimentos para determinação


de transgenia, ela deve dispor de normas operacionais, para comprovar a
metodologia adotada, de acordo com as instruções do fabricante dos Kits ou
metodologias utilizadas para esses testes, desde que aprovadas pelo MAPA.

O sistema de limpeza tem como objetivo reduzir o teor de impurezas e de


matérias estranhas existentes na massa de grãos, permitindo eficiente secagem e
adequada aeração para uma boa conservação. O sistema de limpeza é dotado das
máquinas de limpeza e/ou de pré-limpeza, em condições operacionais adequadas.
Cabe ao armazenador utilizar o sistema de limpeza mais adequado ao seu sistema
de secagem.

As unidades armazenadoras “em nível de fazenda”, coletoras e


intermediárias devem ser dotadas de sistema de limpeza, em condições
operacionais adequadas. Entretanto, nas unidades armazenadoras intermediárias
39 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 39
de Ponta da Madeira
que recebem produtos in natura limpos, fibras ou industrializados, o sistema de
limpeza não é obrigatório. Recomenda-se que as unidades armazenadoras terminais
possuam também sistema de limpeza.

O sistema de secagem é o processo de redução de água da massa de


grãos, objetivando a armazenagem segura dos produtos agrícolas.

As unidades armazenadoras “em nível de fazenda”, coletoras e


intermediárias devem ser dotadas de equipamentos e/ou de sistemas para secagem
de grãos, em condições operacionais adequadas, que também são recomendados
para as unidades armazenadoras terminais graneleiras.

Quando as unidades armazenadoras intermediárias receberem apenas


produtos in natura secos, fibras ou produtos industrializados, a existência de
equipamentos ou sistema de secagem de grãos não é obrigatória.

As unidades armazenadoras devem ser dotadas de sistema de proteção e


comando, instalações elétricas, iluminação e força, de acordo com as normas
vigentes, sobretudo a NR.º 10, do Ministério do Trabalho e do Emprego. São aceitas
como comprovação de conformidade as licenças de funcionamento emitidas por
prefeituras, órgãos de segurança ou ambiental.

Para que o armazenador possa proceder às adaptações necessárias às


exigências legais, foi concedido o prazo de até cinco anos, contado a partir da
publicação no DOU da IN n.º 12/2009, em 12/05/2009. Contudo, esse prazo
concedido nas normas do Sistema Nacional de Certificação de Unidades
Armazenadoras não exime a empresa armazenadora das responsabilidades sobre
qualquer evento.

As unidades armazenadoras para produtos a granel, “em nível de


fazenda”, coletoras e intermediárias, devem ser dotadas de sistema de termometria,
em condições operacionais adequadas. O sistema de termometria é recomendado
para unidades armazenadoras terminais.

O número de pontos de leitura deve ser compatível com o tipo da


estrutura e a capacidade estática da unidade armazenadora. Deve-se usar, no
40 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 40
de Ponta da Madeira
mínimo, um ponto de leitura a cada 100 m3 de capacidade estática, sendo os pontos
uniformemente distribuídos.

Toda unidade armazenadora, cuja construção ou ampliação se iniciar a


partir da publicação da IN n.º 12/2009, no DOU em 12/05/2009, deve possuir o
sistema de termometria. Para as unidades já existentes, haverá um prazo de até
cinco anos a contar da mesma data para a instalação ou adequação deste sistema.

As unidades armazenadoras a serem construídas a partir da publicação


da IN n.º 12/2009, no DOU em 12/05/2009, devem manter em arquivo o projeto do
sistema de termometria.

Qualquer que seja a natureza da unidade armazenadora, só será exigida


a existência do sistema de termometria em silos-secadores, se estes forem também
utilizados para o armazenamento de grãos ou sementes.

Nas unidades armazenadoras terminais não se configura como não


conformidade a inexistência do sistema de termometria. Caso exista este sistema,
também não se caracteriza como não conformidade se a distribuição não atender ao
mínimo de um ponto de leitura a cada 100 m3 de capacidade estática.

As unidades armazenadoras para produtos a granel, “em nível de


fazenda”, coletoras e intermediárias, devem ser dotadas de sistema de aeração, em
condições operacionais adequadas.

Para as unidades armazenadoras terminais o sistema de aeração é


recomendado.

As estruturas de armazenagem do tipo vertical devem ser dotadas de


sistema de aeração com fluxo de ar de, no mínimo, 0,05 metro cúbico por minuto,
para cada tonelada de capacidade estática. Nas estruturas horizontais a vazão
específica mínima deve ser de 0,1 metro cúbico por minuto, para cada tonelada de
capacidade estática.

Toda unidade armazenadora, cuja construção ou ampliação se iniciar a


partir da publicação no DOU da IN n.º 12/2009, em 12/05/2009, deve possuir o
41 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 41
de Ponta da Madeira
sistema de aeração. Para as unidades já existentes haverá um prazo de até cinco
anos a contar da mesma data para a instalação ou adequação deste sistema.

As unidades armazenadoras a serem implantadas a partir da publicação


no DOU, da IN n.º 12/2009, de 12/05/2009, devem manter cópia do projeto de
aeração disponível.

O sistema de aeração pode ser dotado de motores móveis, desde que


sejam obedecidas as vazões anteriormente especificadas.

A vazão estabelecida deve ser observada levando-se em consideração,


no caso de graneleiros, cada septo ou compartimento. Não se configura como não
conformidade a existência do sistema de aeração em unidades armazenadoras
terminais que não obedeça à vazão estabelecida para as unidades dos demais
níveis.

Recomenda-se que, para produtos armazenados a granel, as unidades


armazenadoras “em nível de fazenda”, coletoras, intermediárias e terminais sejam
dotadas de espalhador de grãos.

Higienização (e controle sanitário) nas unidades armazenadoras,


instalações físicas, equipamentos e pátio. Todas as unidades armazenadoras devem
ter um sistema descrito e documentado de limpeza e higienização da estrutura
armazenadora. Estas operações podem ser realizadas com equipe própria ou
mediante contrato com empresas prestadoras deste serviço. Este sistema deve
conter no mínimo a descrição da limpeza de toda a estrutura armazenadora,
equipamentos, compartimentos e pátio.

Todas as unidades armazenadoras devem ser dotadas de equipamentos


e acessórios (lona, cobra de areia, etc.) para controle de pragas e/ou manter
contrato com empresas habilitadas por órgão competente, para prestação de
serviços no controle de pragas e roedores.

Recomenda-se a utilização de barreiras físicas (telas) para evitar o


acesso de pássaros no interior das unidades armazenadoras.
42 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 42
de Ponta da Madeira
Todas as unidades armazenadoras convencionais devem ser dotadas de
estrados. Sempre que o piso da unidade armazenadora for de concreto
impermeabilizado ou de asfalto, este dispositivo é recomendado.

No caso de armazenamento utilizando big bag este dispositivo também é


recomendado.

Toda unidade armazenadora, cuja construção ou ampliação se iniciar a


partir da publicação da IN n.º 12/2009, no DOU em 12/05/2009, deve possuir
sistema de exaustão de ar, natural ou mecânico. Para as unidades já existentes
haverá um prazo de até cinco anos a contar da mesma data para a instalação ou
adaptação deste sistema.

As unidades armazenadoras “em nível de fazenda”, coletoras e


intermediárias devem ser dotadas, no mínimo, de um sistema de medição de
condições psicrométricas do ar.

É obrigatório que todas as unidades armazenadoras disponham de local


apropriado para a guarda de agrotóxicos, na forma prevista na legislação, sobretudo
o contido nas Leis n.º 7.802 e 189.974, de 11/07/1989 e 07/06/2000,
respectivamente, ou outras que vierem a substituí-las ou complementá-las.

Essa exigência não é necessária caso a unidade armazenadora possua


contrato com empresa habilitada por órgão competente, para prestação de serviços
no controle de pragas e roedores.

O sistema de secagem é o processo de redução de água da massa de


grãos, objetivando a armazenagem segura dos produtos agrícolas.

As unidades armazenadoras “em nível de fazenda”, coletoras e


intermediárias devem ser dotadas de equipamentos e/ou de sistemas para secagem
de grãos, em condições operacionais adequadas, que também são recomendados
para as unidades armazenadoras terminais graneleiras.

Quando as unidades armazenadoras intermediárias receberem apenas


produtos in natura secos, fibras ou produtos industrializados, a existência de
equipamentos ou sistema de secagem de grãos não é obrigatória.
43 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 43
de Ponta da Madeira
Procedimentos para comprovar a metodologia adotada, a unidade
armazenadora deve dispor de normas operacionais referentes aos procedimentos
adotados para a secagem de produtos.

Recomenda-se que o produto, ao entrar no secador, tenha no máximo 2%


de impurezas, e que a operação de secagem seja executada de tal forma que o
produto atinja os seguintes teores de umidade (ANEC 41):

Produto Teor máximo de umidade recomendado para armazenagem:

• Milho 13% • Cevada 13%


• Soja 13% • Centeio 13%
• Trigo 13% • Aveia 13%
• Arroz 13% • Feijão 13%
• Amendoim 8% • Sorgo 13%
• Milheto 13% • Canola 9%
• Café 12% • Girassol 9%

Esses percentuais podem variar de acordo com as condições climáticas e


operacionais, desde que não comprometam a segurança do produto.

Todas as unidades armazenadoras devem ser dotadas de sistema de


captação de material particulado, aprovado por meio de licença de funcionamento
expedida pelo órgão competente. São aceitas como comprovação de conformidade
as licenças de funcionamento emitidas por prefeituras, órgãos de segurança ou
ambiental.

Toda unidade armazenadora, cuja construção ou ampliação se iniciar a


partir da publicação no DOU da IN n.º 12/2009, em 12/05/2009, deve possuir
sistema de exaustão de ar, natural ou mecânico. Para as unidades já existentes
haverá um prazo de até cinco anos a contar da mesma data para a instalação ou
adaptação deste equipamento.
44 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 44
de Ponta da Madeira
Todas as unidades armazenadoras para produtos a granel devem ser
dotadas de sistema de ventilação para remoção de gases tóxicos dos ambientes
confinados e semiconfinados, de acordo com a legislação vigente, sobretudo o
contido na NR.º 33, do Ministério do Trabalho e do Emprego, ou outra que vier a
substituí-la.

Todas as unidades armazenadoras devem ser dotadas de sistema de


combate a incêndio que atenda às normas vigentes, definidas pelo Corpo de
Bombeiros estadual ou municipal. São aceitas como comprovação de conformidade
as licenças de funcionamento emitidas por prefeituras, órgãos de segurança ou
ambiental.

Para que o armazenador possa proceder às adaptações necessárias as


exigências legais, foi concedido o prazo de até cinco anos, a partir da publicação da
IN n.º 12/2009 no DOU, em 12/05/2009. Contudo, esse prazo concedido nas normas
do Sistema Nacional de Certificação de Unidades Armazenadoras não exime a
empresa armazenadora das responsabilidades sobre qualquer evento.

Recomenda-se que todas as unidades armazenadoras sejam dotadas de


equipamentos detectores de gases tóxicos (métodos de indicação).

Recomenda-se que as unidades armazenadoras atendam às orientações


e exigências legais para proteção contra fenômenos naturais.

Todas as unidades armazenadoras devem dispor PPRA - Programa de


Prevenção de Riscos Ambientais, conforme as exigências legais, sobretudo o
contido na NR.º 09, do Ministério do Trabalho e do Emprego.

Toda unidade armazenadora deve possuir profissional habilitado,


engenheiro agrónomo ou agrícola, para atuar como Responsável Técnico,
devidamente registrado no CREA – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e
Agronomia. A comprovação da atividade nesse Conselho dar-se-á por meio da ART
- Anotação de Responsabilidade Técnica.

É recomendado que a unidade armazenadora proceda, na entrada das


mercadorias, a uma avaliação visual e olfativa dos estoques recebidos, visando a
45 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 45
de Ponta da Madeira
evitar o recebimento de produtos contaminados com resíduos tóxicos. No caso de
constatação de contaminação do produto, o recebimento do lote deve ser suspenso.

Na suspeita da existência de contaminação do produto com resíduos


tóxicos, visíveis ou não, o Responsável Técnico pela unidade deve comunicar
imediatamente ao proprietário da mercadoria e adotar as medidas cabíveis.

A unidade armazenadora deve possuir programa de capacitação dos


empregados do quadro da empresa, elaborado pelo próprio armazenador. Para
aqueles que atuam nas áreas operacionais, o programa deve possibilitar
treinamento ou reciclagem que totalize, no mínimo, 24 horas anuais, nas áreas de
armazenagem.

O treinamento deve ser realizado por instituição habilitada na área de


armazenamento e atividades correlatas, ou por profissionais habilitados da própria
empresa.

Na primeira auditoria a empresa armazenadora deve apresentar apenas o


programa de capacitação dos empregados. Somente nas auditorias subseqüentes a
unidade armazenadora deve comprovar a realização dos cursos por meio de
certificados ou de declarações das entidades que ministraram o treinamento.

Toda ocorrência operacional relativa aos estoques depositados, desde o


recebimento até a expedição, deve ser registrada de forma auditável, de preferência
informaticamente, para que seja possível rastrear, por proprietário dos estoques, os
procedimentos que foram adotados durante o período de armazenamento, de
acordo com as orientações do Responsável Técnico.

Recomenda-se que todas as unidades armazenadoras procedam à


realização de testes para monitoramento de micotoxinas nos grãos recebidos para
armazenagem.

A unidade armazenadora deve possuir quadro de pessoal compatível com


o seu tamanho e a sua operacionalização, de acordo com declaração do próprio
armazenador.
46 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 46
de Ponta da Madeira
Recomenda-se que a unidade armazenadora possua plano de
manutenção preventiva e calibração de equipamentos.

Os documentos necessários para registro operacional e controle fiscal


são os seguintes:

Documentos para registro operacional


• Romaneios ou controles de recepção, onde devem constar informações, no
mínimo, sobre a identificação do proprietário da carga e do produto, a pesagem
(tara e bruto) e a qualidade do produto apurada no recebimento.
• Controle da operação de secagem, onde devem constar informações sobre o
produto, a identificação do operador, a data de realização, o período de operação
de secagem com o monitoramento da temperatura do ar de secagem, umidade
inicial e final, a temperatura e umidade relativa do ambiente (este último ponto
apenas para secagem de baixa temperatura).
• Controle das operações fitossanitárias, onde devem constar informações sobre a
identificação do produto, a quantidade do produto tratado, a data de realização, o
fumigante ou inseticida aplicado, a dosagem utilizada e o Responsável Técnico.
• Planilha de registro das leituras, no mínimo semanal, do sistema de termometria.
• Controle de aeração, onde devem constar informações sobre o produto, o
responsável pela operação (exceto sistemas automatizados), a data de
realização, o horário inicial e final, a temperatura e a umidade relativa do ar
ambiente.
• Relatórios, no mínimo mensais, das supervisões realizadas pelo Responsável
Técnico, para acompanhamento e controle das condições qualitativas dos
produtos armazenados.

Esses registros devem ser mantidos em arquivo enquanto durarem os


estoques, acrescido de um ano.

3 METODOLOGIA DO TRABALHO
47 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 47
de Ponta da Madeira

O trabalho será baseado no estudo bibliográfico sobre sistemas de


Gestão de Operações e Gestão de Segurança do Alimento no caso de um terminal
especializado em recebimento, estocagem e embarque de ferro gusa, soja e farelo
de soja.

3.1 Tipos de pesquisa

Segundo Vergara (2004, p.49), trata-se o estudo de caso de um


circunscrito de uma ou poucas unidades, entendidas essas como pessoa, família,
produto, empresa, órgão público, comunidade ou mesmo país. Tem caráter de
profundidade e detalhamento, podendo ser ou não realizado no campo e detalhado
quanto aos meios e aos fins.

3.1.1 Quanto aos meios

Foram utilizados três meios diferentes para o alcance os resultados: o


bibliográfico, o documental e estudo de campo.

No primeiro momento buscou-se o levantamento das referências em


livros, revistas, artigos, relatórios, publicações na internet e outros que pudessem
dar a sustentabilidade suficiente teórica ao estudo.

A segunda parte coube ao estudo de campo, estabelecendo-se um


período de anvisitações a área operacional, onde se teve acesso à parte
documental: manuais, procedimentos, registros de qualidade entre outros. Foi
elaborado um lista de checagem direcionada aos operadores e e supervisão da área
e utilizada também para verificação de itens e conformidades com Instrução
Normativa 03 do Ministério da Agricultura.
48 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 48
de Ponta da Madeira

3.1.2 Quanto aos fins

Trata-se de uma pesquisa de campo de cunho exploratório, descritivo e


analítico com a finalidade de coletar dados consistentes e que levem a uma análise
coerente para adequação a IN 03 do MAPA.

3.2 Universo e amostra

Compreende o campo de estudo da pesquisa área de Carga Geral do


Terminal Portuário de Ponta da Madeira trabalhando-se com uma amostra
significativa de toda área operacional.

3.3 Coleta e tratamento dos dados

O Levantamento e estudo técnico-documental e bibliográfico das


informações disponíveis sobre o Gestão de Operações e Gestão de Segurança do
Alimento será feito através do estudo e análise de documentos disponibilizados pelo
terminal, tais como documentos relacionados a procedimentos de padronização
interna, que sejam política da empresa, Procedimentos operacionais (PRO),
Relatórios de Turnos e históricos de operações.

Será utilizado uma lista de checagem contendo, explorando os dados que


permitem relacionar a situação atual da área ao atendimento IN 03 do MAPA.

Os dados serão agrupados, tabulados e processados em quadros para


facilitar a sua interpretação para melhor projeção dos resultados.
49 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 49
de Ponta da Madeira
3.4 Limitação do método

A pesquisa limitou-se a área de estocagem de grãos do Terminal em


função do risco de tornar-se muito abrangente, demandando mais tempo ao
pesquisador, além correlacionar dados não relevantes para o processo
investigatório, que desfocasse o cunho dos resultados.

4 ESTUDO DE CASO

De acordo com a estrutura do trabalho de avaliação proposta e


utilização, antes da análise do sistema através da observação dos itens do
diagnóstico propriamente dito é importante descrever algumas características mais
específicas do processo em estudo.

4.1 Caracterização da empresa e do terminal

4.1.1 Histórico da empresa

A empresa estudada, a Vale, atualmente é a maior companhia de


mineração diversificada das Américas, sediada no Brasil, com mais de 100 mil
empregados, entre próprios e terceirizados. É também, em nível mundial, a maior
exportadora de minério de ferro e pelotas, a segunda maior produtora de manganês
e a terceira maior produtora de ferro - liga de manganês além de caulim, niquel,
ouro, potássio e cobre. Tem projetos estratégicos expressivos para ampliar a
produção de cobre e de níquel.
50 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 50
de Ponta da Madeira

Figura 2 – Áreas de atuação da Vale


Fonte: sitio eletrônico da empresa

Para dar apoio ao desenvolvimento e escoamento da produção, a


empresa atua como uma operadora logística e prioriza projetos de geração de
energia voltados para o autoconsumo, de forma a garantir alta competitividade. Sua
malha ferroviária é a mais extensa do Brasil – mais de 13 mil km de linhas – um
caminho para receitas expressivas através do transporte de minérios, aço, soja,
contêineres e cada vez mais produtos, com um crescimento estimulado por soluções
logísticas de ponta: a empresa administra pátios, armazéns, terminais marítimos e
complexos portuários no Maranhão, Sergipe, Pará, Tocantins, Minas Gerais, Espírito
Santo e Rio de Janeiro, pelos quais passa boa parte da exportação brasileira.

As ferrovias que a empresa administra são a Estrada de Ferro Carajás


(EFC), a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), a Ferrovia Centro-Atlântica
(FCA), Ferrovia Norte Sul (FNS) e a MRS Logística (MRS) que transportaram mais
de 30.000 bilhões de toneladas quilômetro útil (tku) de carga geral para clientes em
2009. As principais cargas transportadas foram: produtos agrícolas, insumos e
produtos da indústria do aço, combustível, insumos para construção civil e produtos
florestais e outros.

Em 2009, os portos e terminais marítimos da empresa movimentaram


28,0 milhões de toneladas de carga geral e os serviços de logística geraram uma
receita bruta de R$ 3,0 bilhões. O transporte ferroviário de carga geral contribuiu
51 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 51
de Ponta da Madeira
com R$ 3,0 bilhões, os serviços portuários superior R$ 500 milhões, a navegação de
cabotagem e os serviços de transporte marítimo, com R$ 158 milhões.

No Maranhão está concentrado o escoamento de minério de ferro


produzido no Pará, na Serra dos Carajás. O embarque de carga é realizado através
do Terminal Marítmo de Ponta da Madeira, em São Luís, composto de três píeres:
Píer I, Píer II e Píer III, com capacidade atual para 130 milhões toneladas por ano.

Pelo Terminal Portuário de Ponta da Madeira além do minério de ferro,


pelotas e manganês, também são exportados soja, farelo de soja, concentrado de
cobre e ferro gusa, está previsto embarque de milho para o 2º semestre de 2010. Os
grãos vêm principalmente do Sul do Maranhão, parte da Bahia, Piauí e Tocantins.
Com a ampliação em andamento da Ferrovia Norte-Sul, em 2010 grãos de Goiás e
Mato-Grosso também serão exportados por Ponta da Madeira. O ferro gusa é
oriundo das usinas siderúrgicas localizadas ao longo da Estrada de Ferro Carajás
nos Estados do Maranhão e Pará.

4.1.2 Histórico do terminal

O Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, inaugurado em janeiro de


1986 foi inicialmente projetado para operar com minérios de ferro e manganês
principalmente destinado à exportação, mas desde cedo já demonstrou a sua
inclinação para ser grande.

Em 1988 iniciou a exportação de ferro gusa fomentando um grande


mercado para produtos semi-acabados ao longo da Ferrovia Carajás. Já em 1992,
ocorreu o primeiro embarque de soja, o que propiciou a abertura de um grande
mercado exportador no sul do Maranhão.

Para atender a esta demanda crescente, a empresa vem continuamente


investindo. Em 1994 inaugurou as operações pelo Píer II e em 1999 duplicou a sua
linha de embarque possibilitando atender a uma demanda superior a 50 milhões de
toneladas por ano. O Pier III entrou em operação em 2004, hoje o TMPM tem
52 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 52
de Ponta da Madeira
capacidade superior a 100 milhões de toneladas e o Pier IV está em construção,
ampliará a capacidade de embarque para 230 milhões de toneladas.

4.1.3 Infra-estrutura do terminal

O Estado do Maranhão, localizado na região Nordeste do Brasil é servido


por uma eficiente logística multimodal e está estrategicamente próximo dos
mercados norte-americano e europeu.

O Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (TMPM), localizado na margem


leste da Baia de São Marcos, em São Luís – MA, é o segundo em movimentação de
cargas do país, além de ser responsável pelo escoamento de mais de 80% de toda
a carga movimentada no Maranhão. O terminal atende navios graneleiros de até
420.000 TPB (Tonelagem de Porte Bruto). O terminal possui três píeres com
profundidades de 23, 18, e 22 metros, respectivamente. O Píer III, último a ser
construído em 2003, aumentou a capacidade de exportação de 58 para 84 milhões
de toneladas em 2005, o que o coloca entre os portos de maior capacidade no
mundo, possibilitando a atracação de navio SVLCC (Super Very Large Crude
Carrier) com total segurança.

4.1.4 Caracterização do Terminal de Carga Geral

O terminal de Carga Geral está localizado dentro do TMPM e movimenta


basicamente granéis sólidos de terceiros destinados à exportação. As cargas
movimentadas são ferro-gusa, soja em grãos e farelo de soja.

O terminal possui como estruturas de armazenagem de material 5 silos e


1 armazém de soja e farelo com capacidades estáticas de 21.000, 50.000, 23.000,
23.000, 46.000 e 23.000 toneladas, respectivamente, totalizando 186.000 toneladas
e 3 pátios de gusa com capacidade estática de 150.000 toneladas, além das
53 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 53
de Ponta da Madeira
estruturas de recebimento de materias (2 moegas ferroviárias para grãos, 2
tombadores de carretas e 2 plataformas de descarregamento ferroviário de ferro-
gusa). O projeto de ampliação da área de soja em grãos e farelo de soja está
aprovado com previsão de conclusão no segundo semestre de 2011, contém: uma
moega de descarga de vagões e um armazém de estocagem com capacidade de
45.000 toneladas.

Figura 3 – Estrutura do terminal


Fonte: Google Earth

Para embarque dos produtos recebidos e estocados, o terminal utiliza-se


do Píer II. Localizado na Baía de São Marcos, dentro do Complexo Portuário do
Itaqui, o Píer II (berço 105) é arrendado pela empresa junto à adiministradora
portuária do estado do Maranhão. O Píer II é uma instalação portuária de uso
privativo misto dentro da área do Porto Organizado do Itaqui, situado ao sul de
Ponta da Madeira. Seu píer de atracação é constituído por uma plataforma de
concreto armado com 280 metros de comprimento e 24,8m de largura, suportada
por estacas de concreto armado onde está instalada a via de rolamento dos
carregadores de navios, 1 exclusivo para embarque de cobre e outro para os demais
produtos: soja em grãos, farelo de soja, ferro gusa e até minério de ferro, se
necessário. O píer tem profundidade de 18m, projetado para operar navios até
155.000 TPB. Possui um dolfin (ponto de amarração do navio) de amarração ao
54 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 54
de Ponta da Madeira
norte, a uma distância de 26m da plataforma e recuado em relação à linha de
atracação. O carregamento é garantido por um shiploader com taxa máxima de
carregamento de 6.000ton/h para operações com ferro gusa e minério de ferro e
2.800ton/h para operações com soja em grãos.

Os principais processos do Terminal de carga geral são os seguintes:

• Descarga de farelo de soja e soja em grãos via modal rodoviário;


• Descarga de farelo de soja e soja em grãos via modal ferroviário;
• Armazenamento de Soja e Farelo de Soja nos armazéns e silos;
• Operação de embarque farelo de soja e soja em grãos nos navios;
• Descarga de ferro gusa via modal ferroviário;
• Empilhamento de ferro gusa;
• Operação de embarque de ferro gusa nos navios.

Figura 4 – Estrutura de armazenagem


55 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 55
de Ponta da Madeira

4.2 Operações de soja

4.2.1 Qualidade da soja

A posição do TPPM dentro da cadeia da soja é de armazenagem


intermediária e serviços portuários para exportação, classificado como Unidade
Armazenadora Terminal na IN 03 do MAPA. Os produtos armazenados e seguida
embarcados serão processados em indústrias de fabricação de ração animal (farelo
de soja) ou extração de óleo (soja).

A Vale não processa os produtos, presta apenas o serviço de logística e


armazenagem. A soja em grãos é classificada conforme padrão ANEC 41 quando
chega ao Terminal via modal rodoviário ou ferroviário e também é classificada
durante o embarque dos navios. Esta classificação no navio é realizada em conjunto
com os clientes: Embarcador e Comprador do produto. Uma vez embarcada a soja
dentro dos padrões internacionais, a Vale se isenta de qualquer responsabilidade
pela qualidade intrínseca e própria dos produtos, no que se refere a tipo, qualidade
biológica e/ou química, física e/ou outras.

QUADRO 3 – Padrão de classificação da soja do Terminal Marítimo de Carga Geral


Caracteristicas da Soja Padrão
Umidade 14% Máximo
Partidos E Quebrados 30% Máximo
Ardidos 5% Máximo
Avariados 8% Máximo
Impurezas 1% Maximo

Um dos fatores mais importantes para a garantia da qualidade da soja em


grãos em TMPM é o tempo de permanência do produto dentro dos silos e armazéns,
tempo este limitado a 60 dias. Caso o cliente, proprietário da soja não disponha de
navios para embarque do produto no prazo estabelecido, a Vale se isenta de
qualquer responsabilidade pela qualidade do produto se o tempo de armazenagem
56 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 56
de Ponta da Madeira
exceder o prazo de 60 dias. O controle dos níveis dos silos e armazéns é diário e
divulgado a todas as partes interessadas.

4.2.2 Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal

O Sistema de Gestão em Segurança do Alimento está baseado na norma


do PDV Quality Control of Feed Materials for Animal Feed, GMP+ B2: Quality Control
of Feed Materials, versão 28-03-2008 e seus anexos aplicáveis ao escopo prestação
de serviços logísticos do Terminal de Carga Geral de TMPM.

O Sistema de Gestão de Segurança do Alimento do TPPM está


estruturado na implantação das BPF e a utilização da ferramenta APPCC, junto à
conscientização e participação de todos os envolvidos com o processo. Para isto
conta com uma estrutura de controle de documentação, capacitação, treinamento e
verificação periódica da implementação do sistema.(MANUAL DO..., 2009)

A situação do TPPM dentro da cadeia da soja é a de desempenhar um


papel de armazenagem intermediária e serviços portuários para exportação, os
quais serão em seguida processados em indústrias de fabricação de ração animal
(farelo de soja) ou extração de óleo (soja).A Vale não processa os produtos em
momento nenhum, prestando só o serviço de logística e armazenagem, sendo
assim, a empresa se isenta da qualidade intrínseca e própria dos produtos, no que
se refere a tipo, qualidade biológica e/ou química, física e/ou outras.

Na garantia das condições adequadas de controle dos perigos de


contaminação devidos da prestação de seus serviços, conforme o cumprimento do
regulamentado do Manual de Qualiadade, a Vale entende: não ser responsável por
realizar testes de qualidade nos produtos (sejam estes finais, experimentais, de
amostra, de tipo, de características biológica, química, microbiológica, física ou
outros).

O Terminal foi certificado na GMP+ B2 em Outubro de 2006. Após a


certificação, anualmente ocorreram auditorias de manutenção para averiguar a
disciplina e implementação de melhorias nas operações com grãos e farelo.
57 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 57
de Ponta da Madeira
O conceito de APPCC se aplica a todos os estágios da cadeia de
produção do alimento, desde a geração da matéria prima (plantio, cultivo, colheita,
criação animal, etc.), ao processamento, fabricação, distribuição, comercialização e
preparo para consumo.

A equipe de APPCC, formada por representantes das áreas de operação,


manutenção, e qualidade do Terminal de Carga Geral de TMPM, reune-se
periodicamente para discutir e avaliar os seguintes itens:

• Eficácia dos treinamentos realizados e necessidades de novos treinamentos;


• Avaliação e acompanhamento de validade da Qualificação dos Prestadores de
Serviços (Lista de Qualificação);
• Verificar necessidade de modificações no processo, suas implicâncias no plano e
na documentação;
• Verificar a adequação da documentação do Sistema de Gestão em Segurança
do Alimento;
• Avaliar a existência de novas legislações, e, conforme apropriado, o impacto no
Sistema de Gestão em Segurança do Alimento;
• Programar as verificações do Sistema de APPCC (auditoria interna);
• Análise crítica dos resultados da verificação do Sistema de APPCC;
• Acompanhamento e verificação dos PCC de produto e seus respectivos
registros;
• Definição e acompanhamento de solicitação de ação corretiva (SAC);
• Verificação e acompanhamento de ação corretiva e preventiva;
• Verificar atualização da norma do PDV através de newsletters e visitas a
homepage do órgão.

4.2.3 BPF – Boas Práticas de Fabricação no Terminal


58 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 58
de Ponta da Madeira
As Boas Práticas de Fabricação são uma série de conceitos e normas
que estabelecem diretrizes de medidas preventivas, que seguidas corretamente
protegem e eliminam os perigos de contaminações nocivas ao produto alimentício.
Estes perigos podem ser Perigos Biológicos, Perigos Químicos e Perigos Físicos

As BPF devem assegurar que os envolvidos conheçam, entendam e


cumpram as normas estabelecidas para alcançar a higiene e segurança tanto de
pessoal como de processo, e condições adequadas no processamento para
conservar o produto em suas principais características de consumo ou de um
próximo processamento.

O Terminal possui procedimentos específicos para implementar e manter


as Boas Práticas de Fabricação, compondo o Manual de Boas Práticas de
Fabricação do terminal de grãos.

4.3 Comunicação e atualização

4.3.1 Atualização do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento

O Manual de Qualidade , assim como todo e qualquer documento


relacionado, é mantido atualizado quando qualquer aspecto abaixo seja alterado:

• Alterações na Norma do PDV, GMP+ B2 ou seus anexos;


• Modificações no fluxograma do processo;
• Modificação de produto;
• Alterações no escopo das atividades do Terminal Marítimo de Ponta da Madeira,
como inclusão de novos produtos.

Pelo menos, uma vez a cada dois anos, o manual do Sistema de


Segurança do Alimento e o Plano de APPCC devem ser atualizados. (MANUAL DO,
2009)
59 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 59
de Ponta da Madeira
4.3.2 Comunicação com o cliente

A área Comercial de Logística, através da GACNA – Gerência de


Atendimento a Clientes Norte, situada no complexo do Terminal Marítimo de Ponta
da Madeira comunica seu cliente de qualquer descarga ou embarque de produto
não-conforme, ou que esteja fora de suas especificações e requisitos. Os clientes e
partes interessadas são comunicados sobre o escopo de certificação do Terminal
Marítimo de Ponta da Madeira através de comunicações simples e/ou envio de cópia
do certificado.

4.4 Lista de checagem a IN 03 do MAPA

A área de grãos da Carga Geral do TMPM é classificada como Unidade


Armazenadora Terminal. Trata-se de unidade armazenadora localizada junto aos
grandes centros consumidores ou nos portos, dotada de condições para a rápida
recepção e o rápido escoamento do produto, caracterizada como unidade
armazenadora de alta rotatividade.

Abaixo segue avaliação de conformidade de cada requisito com IN 03 do


MAPA. Conforme legenda:

O1 - Requisito obrigatório no momento da vistoria da unidade


armazenadora pelo Organismo de Certificação de Produto – OCP

O2 - Requisito obrigatório para todas as unidades armazenadoras cujo


início das obras dar-se-á após a publicação da Instrução Normativa MAPA n.º 12 no
DOU, em 12/05/2009

O3 - Requisito obrigatório que deve ser cumprido no prazo de até 3 (três)


anos após a publicação da Instrução Normativa MAPA n.º 12 no DOU, em
12/05/2009
60 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 60
de Ponta da Madeira
O4 - Requisito obrigatório que deve ser cumprido no prazo de até 5
(cinco) anos após a publicação da Instrução Normativa MAPA n.º 12 no DOU, em
12/05/2009

R – Recomendável

NA – Não aplicável

4.4.1 Cadastramento

O cadastramento, de responsabilidade da Conab, tem como objetivo


apurar, sistematicamente, as informações sobre as unidades armazenadoras
(ambientes natural e artificial), registrando sua identificação, capacidade e
qualificação técnica, de modo a permitir o conhecimento da localização, da
capacidade estática e das características da rede armazenadora do País.

A comprovação do cadastramento perante a Conab dar-se-á por meio da


apresentação do número do CDA - Código da Unidade Armazenadora, disponível na
página www.conab.gov.br ou por meio de documento emitido pela própria Conab.

QUADRO 4 – Cadastramento do Terminal Marítimo de Carga Geral

Requisito Terminal Situação atual


1 – Cadastramento O1 Atende
Todos os silos estão cadastrados na página www.conab.gov.br

4.4.2 Localização
61 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 61
de Ponta da Madeira

É recomendado que, antes da construção da unidade armazenadora ou


da ampliação da sua capacidade estática, sejam feitos levantamento topográfico e
avaliação do lençol freático do local da obra, com vistas a evitar problemas futuros.

Toda unidade armazenadora, cuja construção ou ampliação de sua


capacidade estática se iniciar a partir da publicação da IN n.º 12/2009, no DOU de
12/05/2009, deve possuir sistema de drenagem adequado e observar as normas
ambientais quanto às atividades industriais próximas a centros urbanos e
mananciais, comprovada por meio da licença ambiental ou dos respectivos projetos.
São aceitas como comprovação de conformidade as licenças de funcionamento
emitidas por prefeituras, órgãos de segurança ou ambiental.

QUADRO 5 – Localização do Terminal Marítimo de Carga Geral

Requisito Terminal Situação Atual


2. Localização
Topografia R Atende
Drengagem O2 Atende
Lençol Freático R Atende
Não proximidade de centros urbanos R Atende
Não proximidade de mananciais R Atende
O terminal tem licença de funcionamento e licença ambiental.

4.4.3 Infraestrutura

A infraestrutura viária existente no recinto da unidade armazenadora deve


permitir trânsito permanente, sendo tal característica obrigatória para todas as
unidades armazenadoras.

A pavimentação será obrigatória para as unidades armazenadoras


coletoras, intermediárias e terminais. Essa pavimentação obrigatória se refere às
vias de rolamento existentes dentro do pátio da unidade armazenadora
(arruamento), por onde transitam os veículos de carga.
62 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 62
de Ponta da Madeira
Para execução e conclusão da pavimentação haverá um prazo de até
cinco anos para as unidades armazenadoras intermediárias e terminais, contados a
partir da publicação no DOU, da IN n.º 12/2009, em 12/05/2009.

É obrigatória a existência de meios de comunicação permanente da


unidade armazenadora com o público externo, por meio de sistema eletrônico ou
outro sistema usual.

A unidade armazenadora deve ser dotada de energia elétrica (própria ou


de concessionária) para possibilitar todas as atividades operacionais, desde o
recebimento até a expedição da mercadoria.

QUADRO 6 – Infraestrutura do Terminal Marítimo de Carga Geral

Requisito Terminal Situação atual


3 – Infraestrutura
Viária
Acesso permanente O1 Atende
Pátio pavimentado O4 Atende
Comunicação O1 Atende
Energia elétrica O1 Atende
O Terminal tem energia elétrica fornecida por concessionária, toda área
pavimentada, serviço de telefonia móvel e fixa; além de sistema de rádio para
comunicação com navio e praticagem
.

4.4.4 Isolamento / acesso

Todas as unidades armazenadoras devem possuir cerca ao redor dos


prédios e instalações, relacionados aos processos de armazenamento e
processamento, para impedir o acesso de pessoas estranhas à atividade, e de
animais. O acesso às instalações deve ser através de portões.
63 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 63
de Ponta da Madeira
Recomenda-se a existência de serviço de segurança interna e/ou externa,
e também de guarita de controle no portão de acesso principal, em todas as
unidades armazenadoras.

QUADRO 7 – Isolamento / acesso do Terminal Marítimo de Carga Geral

Requisito Terminal Situação atual


4 – Isolamento / acesso
Cerca e Portão O1 Atende
Segurança R Atende
Guarita de controle R Atende
O Terminal tem portaria de acesso, segurança interna, guarita de controle.
Apesar de não ter todo o complexo cercado, área é isolada, sem presença de
estranhos
.

4.4.5 Ambiente de atendimento ao público

No ambiente de atendimento aos clientes e usuários de todas as


unidades coletoras, intermediárias e terminais, a serem construídas a partir da
publicação da IN n.º 12/2009, no DOU de 12/05/2009, será obrigatória a existência
de estacionamento com acesso ao público (usuários/clientes).

Em todas as unidades armazenadoras é obrigatória a existência de


instalações sanitárias para atendimento aos clientes e usuários.

Para que o armazenador possa proceder às adaptações necessárias as


exigências legais, no tocante às instalações sanitárias, foi concedido o prazo de até
cinco anos, contado a partir da publicação da IN n.º 12/2009 no DOU, em
12/05/2009. Contudo, esse prazo concedido nas normas do Sistema Nacional de
Certificação de Unidades Armazenadoras não exime a empresa armazenadora das
responsabilidades sobre qualquer evento.

QUADRO 8 – Ambiente de atendimento ao público do Terminal Marítimo de Carga Geral


64 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 64
de Ponta da Madeira

Requisito Terminal Situação atual


5 – Ambiente de atendimento ao público
Estacionamento O2 Atende
Instalações sanitárias O4 Atende
O Terminal tem estacionamento em frente ao prédio da administração da
Carga Geral e possui instalações sanitárias nos tombadores de carretas, na
área externa, na área administrativa tem um masculino e outro feminino. Além
dos vestiários das equipes de operação e manutenção.

4.4.6 Escritório

É obrigatória a existência de instalações sanitárias para os funcionários e


demais pessoas que trabalham na unidade armazenadora, consoante a legislação
vigente.

Para que o armazenador possa proceder às adaptações necessárias as


exigências legais, no tocante as instalações sanitárias foi concedido o prazo de até
cinco anos, contado a partir da publicação da IN n.º 12/2009 no DOU, em
12/05/2009. Contudo, esse prazo concedido nas normas do Sistema Nacional de
Certificação de Unidades Armazenadoras não exime a empresa armazenadora das
responsabilidades sobre qualquer evento.

O escritório deve possuir um ambiente específico para arquivo dos


documentos e demais materiais de escritório, e também, deve possuir, no mínimo,
equipamentos de informática que possibilitem a geração de relatórios atualizados
sobre entradas, saídas e saldos de estoques, por produto e proprietário.

QUADRO 9 – Escritório do Terminal Marítimo de Carga Geral

Requisito Terminal Situação atual


6 – Escritório
Instalações sanitárias O4 Atende
Arquivos / almoxarifado O1 Atende
Informatização O1 Atende
65 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 65
de Ponta da Madeira
O Terminal tem instalações sanitárias na área administrativa tem um
masculino e outro feminino. Os controles são realizados em planilha
eletrônica, atualizados e divulgados diariamente. Existe um arquivo para
guarda de documentos porém, precisa ser ampliado. Não há almoxarifado, os
materiais de escritório são guardados em armários no próprio escritório com
padrão 5S.

4.4.7 Sistema de pesagem

É obrigatória a existência de balança de plataforma móvel nas unidades


armazenadoras convencionais “em nível de fazenda”, coletoras, intermediárias e
terminais.

É obrigatória a existência de balança de plataforma rodoviária nas


unidades armazenadoras a granel “em nível de fazenda”, coletoras, intermediárias e
terminais.

Recomenda-se que as unidades armazenadoras convencionais “em nível


de fazenda” e coletoras, disponham também de balança de plataforma rodoviária.
Para as demais unidades, esse equipamento é obrigatório.

No caso das unidades armazenadoras convencionais que possuem a


balança de plataforma rodoviária não será obrigatória a existência de balança móvel.

Recomenda-se a existência de balança de fluxo nas unidades


armazenadoras terminais a granel.

Conforme a legislação brasileira, todas as balanças devem ser aferidas


pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - Inmetro,
sendo esta aferição comprovada por meio de certificado emitido pelos Institutos de
Pesos e Medidas - IPEMs ou outro documento que venha a substituí-lo.
66 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 66
de Ponta da Madeira
Será considerada uma não conformidade a existência de balanças de
fluxo que não estejam aferidas. Este equipamento é recomendado, mas caso a
unidade armazenadora o possua deve ser de acordo com a legislação brasileira.

Na impossibilidade de possuir a balança rodoviária própria, a unidade


armazenadora deve apresentar contrato de uso de balança de terceiro, devidamente
aferida.

QUADRO 10 – Sistema de pesagem do Terminal Marítimo de Carga Geral

Requisito Terminal Situação atual


7 – Sistema de pesagem
Balança de plataforma móvel NA Atende
Balança de plataforma rodoviária O1 Atende
Balança de fluxo R Atende
O Terminal tem balanças rodoviárias nos tombadores de carretas certificadas
pelo Inmetro, contrato de manutenção com o fabricante da balança para
manutenções preventivas e corretivas. Também há balanças de fluxo na
descarga de vagões e no embarque dos navios.

4.4.8 Sistema de amostragem

O sistema de amostragem compreende um conjunto de equipamentos e


normas operacionais que visam à obtenção de amostra representativa do lote da
mercadoria que está sendo avaliada.

Todas as unidades armazenadoras de produto a granel devem ser


dotadas de amostradores tipo calador, que possibilitem a obtenção de sub-amostras
em diferentes alturas da carga.

As unidades armazenadoras de produto a granel podem ser dotadas de


amostradores do tipo pneumático.

As unidades armazenadoras de produto a granel podem ser dotadas de


amostradores de fluxo.
67 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 67
de Ponta da Madeira
Todas as unidades armazenadoras devem ser dotadas de sistema de
homogeneização.

Todas as unidades armazenadoras devem ter arquivo para


armazenamento de vias de amostras.

Para comprovar a metodologia adotada, a unidade armazenadora deve


dispor de normas operacionais referentes aos procedimentos adotados para a
amostragem para produtos a granel.

Na recepção e na expedição dos produtos a granel, estes devem ser


amostrados usando, no mínimo, o número de pontos estabelecidos nos respectivos
Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade do MAPA.

O produto coletado na amostragem deve ser homogeneizado, extraindo-


se quantidades de amostras de acordo com o estabelecido nos respectivos
Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade do MAPA. O restante deve ser
reincorporado ao lote.

Recomenda-se que as amostras referentes aos produtos recebidos


úmidos sejam guardadas por três dias, e as relativas aos produtos secos e limpos
(expedidos ou armazenados) pelo prazo definido nos respectivos Regulamentos
Técnicos de Identidade e Qualidade do MAPA.

QUADRO 11 – Sistema de amostragem do Terminal Marítimo de Carga Geral

Requisito Terminal Situação atual


8 – Sistema de amostragem
Amostradores básicos
Calador para sacaria NA Atende
Calador a granel O1 Atende
Amostrador pneumático R Atende
Amostrador de fluxo R Atende
Sonda manual NA Atende
Sistema de homogeneização O1 Atende
Arquivo de amostras O1 Atende
O Terminal tem contrato de serviços de amostragem com empresa autorizada
e registrada juntos aos órgãos competentes. A empresa possui calador a
68 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 68
de Ponta da Madeira
granel, sistema de homogeneização. O arquivo de amostras é do Terminal, o
prazo de guarda das amostras é até o término da safra anual

4.4.9 Determinação de qualidade do produto

É o processo de classificação e determinação da qualidade de um lote de


mercadoria. Este procedimento pode ocorrer em diferentes épocas, ao longo do
período em que o produto fica armazenado.

Todas as unidades armazenadoras devem ser dotadas de recinto para


análise das amostras.

Todas as unidades armazenadoras devem ter determinador de umidade


do tipo indireto, que permita a leitura com uma casa decimal.

Todas as unidades armazenadoras podem utilizar determinadores de


umidade do método direto, para aferir os determinadores de método indireto ou se
utilizarem de serviços de terceiros para promover a aferição destes determinadores
de umidade método indireto.

Recomenda-se que todas as unidades armazenadoras a granel utilizem


determinadores de umidade de fluxo e tenham determinador de impurezas que
utilizem o meio mecânico, com jogos de peneiras, de acordo com os respectivos
Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade estabelecidos pelo MAPA.

As unidades armazenadoras podem ser equipadas com kits para


detecção de produtos transgênicos, conforme a legislação vigente. Os métodos de
determinação devem ser aprovados pelos órgãos competentes.

Recomenda-se que as unidades armazenadoras tenham procedimentos


para avaliação de toxinas aprovados pelos órgãos competentes.

Todas as unidades armazenadoras devem ter balança com precisão


mínima de 0,1 grama, para uso no laboratório de classificação de grãos.
69 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 69
de Ponta da Madeira
Recomenda-se que todas as unidades armazenadoras tenham balança
hectolítrica. Este equipamento é obrigatório para as unidades armazenadoras que
operam com trigo, aveia, centeio e cevada.

As unidades armazenadoras devem possuir jogos de peneiras, de acordo


com os respectivos Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade do MAPA.

Recomenda-se que todas as unidades armazenadoras tenham lupa,


paquímetro digital, pinças, mesa de classificação e embalagens para amostras.

Para comprovar a metodologia adotada, a unidade armazenadora deve


dispor de normas operacionais referentes aos procedimentos empregados para a
determinação de matérias estranhas e impurezas.

Para comprovar a metodologia adotada, a unidade armazenadora deve


dispor de normas operacionais referentes aos procedimentos empregados para a
determinação de umidade.

QUADRO 12 – Determinação de qualidade de produto do Terminal Marítimo de Carga Geral

Requisito Terminal Situação atual


9 – Determinação de qualidade de produto
Recinto de anãlise O1 Atende
Determinador de umidade método indireto O1 Atende
Determinador de umidade método direto R Atende
Determinador de umidade de fluxo R Atende
Determinador de impureza mecânico R Atende
Identificador de transgenia R Atende
Indicador de transgenia R Atende
Balança de precisão O1 Atende
Balança hectolítica R Atende
Acessórios (lupa, paquímetro...) R Atende
Jogo de peneiras O1 Atende
O Terminal tem contrato de serviços de classificação com empresa
autorizada e registrada juntos aos órgãos competentes. A empresa possui
determinador de umidade método indireto, balança de precisão, jogo de
peneiras e acessórios. A identificação de transgenia é realizada por empresa
contratada pelos clientes proprietários do produto. O Terminal possui recinto
adequado para análise.
70 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 70
de Ponta da Madeira

4.4.10 Sistema de limpeza

O sistema de limpeza tem como objetivo reduzir o teor de impurezas e de


matérias estranhas existentes na massa de grãos, permitindo eficiente secagem e
adequada aeração para uma boa conservação. O sistema de limpeza é dotado das
máquinas de limpeza e/ou de pré-limpeza, em condições operacionais adequadas.
Cabe ao armazenador utilizar o sistema de limpeza mais adequado ao seu sistema
de secagem.

As unidades armazenadoras “em nível de fazenda”, coletoras e


intermediárias devem ser dotadas de sistema de limpeza, em condições
operacionais adequadas. Entretanto, nas unidades armazenadoras intermediárias
que recebem produtos in natura limpos, fibras ou industrializados, o sistema de
limpeza não é obrigatório. Recomenda-se que as unidades armazenadoras terminais
possuam também sistema de limpeza.

Para comprovar a metodologia adotada, a unidade armazenadora deve


dispor de normas operacionais referentes aos procedimentos empregados para a
limpeza dos produtos.

As operações de pré-limpeza e de limpeza devem ser executadas de tal


forma que o produto seja armazenado com até o percentual máximo previsto nos
Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade do MAPA, para cada produto. As
unidades armazenadoras devem utilizar as peneiras recomendadas, de acordo com
os respectivos Regulamentos Técnicos de MAPA.

QUADRO 13 – Sistema de limpeza do Terminal Marítimo de Carga Geral


71 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 71
de Ponta da Madeira

Requisito Terminal Situação atual


10 – Sistema de limpeza
Sistema de limpeza R Atende
O Terminal possui procedimentos e rotina de limpeza, foi montada nova
estrutura ( supervisor, técnicos, equipamentos ) para melhor atender a este
requisito.
4.4.11 Sistema de secagem

O sistema de secagem é o processo de redução de água da massa de


grãos, objetivando a armazenagem segura dos produtos agrícolas.

As unidades armazenadoras “em nível de fazenda”, coletoras e


intermediárias devem ser dotadas de equipamentos e/ou de sistemas para secagem
de grãos, em condições operacionais adequadas, que também são recomendados
para as unidades armazenadoras terminais graneleiras.

QUADRO 14 – Sistema de secagem do Terminal Marítimo de Carga Geral

Requisito Terminal Situação atual


11 – Sistema de secagem
Sistema de secagem R Atende
O Terminal não possui sistema de secagem. São realizadas amostragens no
recebimento do produto e no embarque para comparação. O tempo de
residência nos silos é de 60 dias no máximo.

4.4.12 Sistema de movimentação do produto

São compreendidos como sistema de movimentação interna de


mercadoria os dispositivos e equipamentos para recepção e expedição dos grãos e
de outros produtos, em condições operacionais adequadas, e os meios usados para
transporte dos produtos agropecuários na unidade armazenadora.
72 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 72
de Ponta da Madeira
Nas unidades armazenadoras que trabalham com produtos a granel é
obrigatória a existência de moegas cobertas, independentemente do material de
construção e de dimensões.

É obrigatória a existência de moegas cobertas nas unidades


armazenadoras convencionais que possuam sistemas como: pré-limpeza, limpeza,
secagem e seleção de produtos.

Para as unidades armazenadoras que trabalham exclusivamente com


fibras ou com produtos industrializados não é necessária a existência de moegas.
Também não se aplica a exigência de moegas para as unidades armazenadoras
intermediárias (na modalidade convencional) que não possuam sistema de pré-
armazenamento (limpeza e secagem).

É obrigatória para todas as unidades armazenadoras a existência de


equipamentos para transporte e movimentação do produto.

Silo “pulmão” deve ser entendido como uma extensão da moega, não
sendo, portanto, local para guarda e conservação de produtos agropecuários. Dessa
forma, esses silos não estão sujeitos as exigências de termometria e aeração, a
menos que sejam utilizados também para o armazenamento de produtos além do
tempo de realização das operações a que servem.

QUADRO 15 – Sistema de movimentação do produto do Terminal Marítimo de Carga Geral

Requisito Terminal Situação atual


12 – Sistema de movimentação do produto
Moega O1 Atende
Transporte / movimentação O1 Atende
O Terminal possui moegas: rodoviária e feroviária, cobertas. A descarga do
produto é realizada por gravidade, a abertura dos vagões e carroceria das
carretas é manual. O transporte é realizado através de transportadores de
correia das moegas até os silos de armazenagem. Na moega ferroviária há um
silo pulmão utilizado para aumentar a produtividade da descarga. O tempo de
estadia do produto no silo pulmão é de 4hs.
73 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 73
de Ponta da Madeira

4.4.13 Sistema de armazenagem

As unidades armazenadoras devem ser dotadas de sistema de proteção e


comando, instalações elétricas, iluminação e força, de acordo com as normas
vigentes, sobretudo a NR.º 10, do Ministério do Trabalho e do Emprego. São aceitas
como comprovação de conformidade as licenças de funcionamento emitidas por
prefeituras, órgãos de segurança ou ambiental.

Para que o armazenador possa proceder às adaptações necessárias às


exigências legais, foi concedido o prazo de até cinco anos, contado a partir da
publicação no DOU da IN n.º 12/2009, em 12/05/2009. Contudo, esse prazo
concedido nas normas do Sistema Nacional de Certificação de Unidades
Armazenadoras não exime a empresa armazenadora das responsabilidades sobre
qualquer evento.

As unidades armazenadoras para produtos a granel, “em nível de


fazenda”, coletoras e intermediárias, devem ser dotadas de sistema de termometria,
em condições operacionais adequadas. O sistema de termometria é recomendado
para unidades armazenadoras terminais.

O número de pontos de leitura deve ser compatível com o tipo da


estrutura e a capacidade estática da unidade armazenadora.

Toda unidade armazenadora, cuja construção ou ampliação se iniciar a


partir da publicação da IN n.º 12/2009, no DOU em 12/05/2009, deve possuir o
sistema de termometria. Para as unidades já existentes, haverá um prazo de até
cinco anos a contar da mesma data para a instalação ou adequação deste sistema.

As unidades armazenadoras a serem construídas a partir da publicação


da IN n.º 12/2009, no DOU em 12/05/2009, devem manter em arquivo o projeto do
sistema de termometria.
74 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 74
de Ponta da Madeira
Qualquer que seja a natureza da unidade armazenadora, só será exigida
a existência do sistema de termometria em silos-secadores, se estes forem também
utilizados para o armazenamento de grãos ou sementes.

Nas unidades armazenadoras terminais não se configura como não


conformidade a inexistência do sistema de termometria.

As unidades armazenadoras para produtos a granel, “em nível de


fazenda”, coletoras e intermediárias, devem ser dotadas de sistema de aeração, em
condições operacionais adequadas.

Para as unidades armazenadoras terminais o sistema de aeração é


recomendado.

Toda unidade armazenadora, cuja construção ou ampliação se iniciar a


partir da publicação no DOU da IN n.º 12/2009, em 12/05/2009, deve possuir o
sistema de aeração. Para as unidades já existentes haverá um prazo de até cinco
anos a contar da mesma data para a instalação ou adequação deste sistema.

As unidades armazenadoras a serem implantadas a partir da publicação


no DOU, da IN n.º 12/2009, de 12/05/2009, devem manter cópia do projeto de
aeração disponível.

A vazão estabelecida deve ser observada levando-se em consideração,


no caso de graneleiros, cada septo ou compartimento.

Não se configura como não conformidade a existência do sistema de


aeração em unidades armazenadoras terminais que não obedeça à vazão
estabelecida para as unidades dos demais níveis.

Recomenda-se que, para produtos armazenados a granel, as unidades


armazenadoras “em nível de fazenda”, coletoras, intermediárias e terminais sejam
dotadas de espalhador de grãos.

Higienização (e controle sanitário) nas unidades armazenadoras,


instalações físicas, equipamentos e pátio.
75 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 75
de Ponta da Madeira
Todas as unidades armazenadoras devem ter um sistema descrito e
documentado de limpeza e higienização da estrutura armazenadora. Estas
operações podem ser realizadas com equipe própria ou mediante contrato com
empresas prestadoras deste serviço. Este sistema deve conter no mínimo a
descrição da limpeza de toda a estrutura armazenadora, equipamentos,
compartimentos e pátio.

Todas as unidades armazenadoras devem ser dotadas de equipamentos


e acessórios (lona, cobra de areia, etc.) para controle de pragas e/ou manter
contrato com empresas habilitadas por órgão competente, para prestação de
serviços no controle de pragas e roedores.

Recomenda-se a utilização de barreiras físicas (telas) para evitar o


acesso de pássaros no interior das unidades armazenadoras.

Sempre que o piso da unidade armazenadora for de concreto


impermeabilizado ou de asfalto, este dispositivo é recomendado.

Toda unidade armazenadora, cuja construção ou ampliação se iniciar a


partir da publicação da IN n.º 12/2009, no DOU em 12/05/2009, deve possuir
sistema de exaustão de ar, natural ou mecânico. Para as unidades já existentes
haverá um prazo de até cinco anos a contar da mesma data para a instalação ou
adaptação deste sistema.

É obrigatório que todas as unidades armazenadoras disponham de local


apropriado para a guarda de agrotóxicos, na forma prevista na legislação, sobretudo
o contido nas Leis n.º 7.802 e 9.974, de 11/07/1989 e 07/06/2000, respectivamente,
ou outras que vierem a substituí-las ou complementá-las.

Essa exigência não é necessária caso a unidade armazenadora possua


contrato com empresa habilitada por órgão competente, para prestação de serviços
no controle de pragas e roedores.
76 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 76
de Ponta da Madeira

QUADRO 16 – Sistema de armazenagem do Terminal Marítimo de Carga Geral

Requisito Terminal Situação atual


13 – Sistema de armazenagem
Sistema de controle elétrico O4 Atende
Sistema de termometria R Atende
Sistema de aeração R Atende
Espalhador de grãos R Atende
Higienização das unidades armazenadoras, Atende
instalações físicas, equipamentos e pátio O1
Controle de pragas e roedores O1 Atende
Estrados NA Atende
Sistema de exaustão O4 Atende
Sistema de condições psicométricas do ar NA Atende
Local para guarda de agrotóxicos O1 Atende
As instalações elétricas do Terminal precisam ser adequadas, parte desta já
está adequada a NR 10. Não há sistema de termometria, sistema de aeração
nem espalhador de grãos. A higienização é realizada conforme procedimentos
operacionais, nos silos, moegas, transportadores, vias de acesso, áreas
administrativas, equipamentos. Porém, o registro precisa ser formalizado
como evidência da realização das higienizações. O controle de pragas é
realizado através de empresa qualificada e autorizada por órgão competente. O
sistema de exaustão opera nas moegas e túneis. Não há sistema de exaustão
nos silos 01, 03, 04, 05 e 06. Não há necessidade de local para guarda de
agrotóxicos visto que, a empresa responsável pelo comtrole de pragas leva
todo o seu material após cada visita na área.
77 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 77
de Ponta da Madeira
4.4.14 Sistema de segurança

Todas as unidades armazenadoras devem ser dotadas de sistema de


captação de material particulado, aprovado por meio de licença de funcionamento
expedida pelo órgão competente. São aceitas como comprovação de conformidade
as licenças de funcionamento emitidas por prefeituras, órgãos de segurança ou
ambiental.

Toda unidade armazenadora, cuja construção ou ampliação se iniciar a


partir da publicação no DOU da IN n.º 12/2009, em 12/05/2009, deve possuir
sistema de exaustão de ar, natural ou mecânico. Para as unidades já existentes
haverá um prazo de até cinco anos a contar da mesma data para a instalação ou
adaptação deste equipamento.

Todas as unidades armazenadoras para produtos a granel devem ser


dotadas de sistema de ventilação para remoção de gases tóxicos dos ambientes
confinados e semiconfinados, de acordo com a legislação vigente, sobretudo o
contido na NR.º 33, do Ministério do Trabalho e do Emprego, ou outra que vier a
substituí-la.

Todas as unidades armazenadoras devem ser dotadas de sistema de


combate a incêndio que atenda às normas vigentes, definidas pelo Corpo de
Bombeiros estadual ou municipal. São aceitas como comprovação de conformidade
as licenças de funcionamento emitidas por prefeituras, órgãos de segurança ou
ambiental.

Para que o armazenador possa proceder às adaptações necessárias as


exigências legais, foi concedido o prazo de até cinco anos, a partir da publicação da
IN n.º 12/2009 no DOU, em 12/05/2009. Contudo, esse prazo concedido nas normas
do Sistema Nacional de Certificação de Unidades Armazenadoras não exime a
empresa armazenadora das responsabilidades sobre qualquer evento.

Recomenda-se que todas as unidades armazenadoras sejam dotadas de


equipamentos detectores de gases tóxicos (métodos de indicação).
78 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 78
de Ponta da Madeira
Recomenda-se que as unidades armazenadoras atendam às orientações
e exigências legais para proteção contra fenômenos naturais.

Todas as unidades armazenadoras devem dispor deste Programa,


conforme as exigências legais, sobretudo o contido na NR.º 09, do Ministério do
Trabalho e do Emprego.

QUADRO 17 – Sistema de segurança do Terminal Marítimo de Carga Geral

Requisito Terminal Situação atual


14 – Sistema de segurança
Sistema de captação de material particulado O4 Atende
Sistema de ventilação em ambientes confinados e Atende
semi confinados O1
Sistema de combate de incêndio O4 Atende
Indicador ou detector de gases R Atende
Sistema de proteção contra fenômenos naturais R Atende
PPRA O1 Atende
O Terminal possui sistema de captação de material particulado, sistema de
ventilação em ambientes confinados e sistema de combate a incêndio. Porém
é pertinente reavaliação/modernização destes sistemas. Todo acesso a
ambientes confinados é precedido de medição de gases e avaliação do espaço
confinado por pessoa treinada e autorizada pela Gerência da área. Os silos 01,
03, 04, 05 e 06 não possuem sistema de exaustão. A área tem PPRA realizado e
atualizado conforme legislação vigente, sob responsabilidade do
Departamento de saúde e segurança do trabalho.

4.4.15 Armazenamento de algodão em pluma sob estrutura de lona

Requisito não estudado por não ser aplicado às intalações de soja em


grãos e farelo de soja.

4.4.16 Demais requisitos


79 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 79
de Ponta da Madeira
Toda unidade armazenadora deve possuir profissional habilitado,
engenheiro agrônomo ou agrícola, para atuar como Responsável Técnico,
devidamente registrado no CREA – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e
Agronomia. A comprovação da atividade nesse Conselho dar-se-á por meio da ART
- Anotação de Responsabilidade Técnica.

É recomendado que a unidade armazenadora proceda, na entrada das


mercadorias, a uma avaliação visual e olfativa dos estoques recebidos, visando a
evitar o recebimento de produtos contaminados com resíduos tóxicos. No caso de
constatação de contaminação do produto, o recebimento do lote deve ser suspenso.

Na suspeita da existência de contaminação do produto com resíduos


tóxicos, visíveis ou não, o Responsável Técnico pela unidade deve comunicar
imediatamente ao proprietário da mercadoria e adotar as medidas cabíveis.

A unidade armazenadora deve possuir programa de capacitação dos


empregados do quadro da empresa, elaborado pelo próprio armazenador. Para
aqueles que atuam nas áreas operacionais, o programa deve possibilitar
treinamento ou reciclagem que totalize, no mínimo, 24 horas anuais, nas áreas de
armazenagem.

O treinamento deve ser realizado por instituição habilitada na área de


armazenamento e atividades correlatas, ou por profissionais habilitados da própria
empresa.

Na primeira auditoria a empresa armazenadora deve apresentar apenas o


programa de capacitação dos empregados. Somente nas auditorias subseqüentes a
unidade armazenadora deve comprovar a realização dos cursos por meio de
certificados ou de declarações das entidades que ministraram o treinamento.

Toda ocorrência operacional relativa aos estoques depositados, desde o


recebimento até a expedição, deve ser registrada de forma auditável, de preferência
informaticamente, para que seja possível rastrear, por proprietário dos estoques, os
procedimentos que foram adotados durante o período de armazenamento, de
acordo com as orientações do Responsável Técnico.
80 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 80
de Ponta da Madeira
Recomenda-se que todas as unidades armazenadoras procedam à
realização de testes para monitoramento de micotoxinas nos grãos recebidos para
armazenagem.

A unidade armazenadora deve possuir quadro de pessoal compatível com


o seu tamanho e a sua operacionalização, de acordo com declaração do próprio
armazenador.

Recomenda-se que a unidade armazenadora possua plano de


manutenção preventiva e calibração de equipamentos.

QUADRO 18 – Demais requisitos do Terminal Marítimo de Carga Geral

Requisito Terminal Situação atual


16 – Demais requisitos
Responsável técnico O1 Não Atende
Monitoramento de resíduos tóxicos R Atende
Programa de treinamento e aperfeiçoamento técnico O1 Atende
Registros de ocorrências operacionais O1 Atende
Monitoramento de micotoxinas R Atende
Quadro de pessoal O1 Atende
Plano de manutenção preventiva e calibração dos Atende
equipamentos R
O Terminal possui programa de treinamento e aperfeiçoamento técnico
registrado junto ao RH (Trilha Técnica). As ocorrências operacionais são
registradas no relatório de turno, sistema Unilog para descarga de vagões,
sistema SGOP para embarque de navios e sistema GOPOR para as
ocorrências de acidentes portuários. O quadro pessoal é composto de
operadores, mantenedores, técnicos de limpeza, técnico de segurança,
analista de qualidade, programador, supervisores e gerente. Além de serviços
contratados como: Controle Integrado de Pragas, Amostragem e Classificação
de grãos.
5 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

5.1 Discussão do sistema atual


81 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 81
de Ponta da Madeira
De acordo com a estrutura do trabalho de avaliação proposta e
utilização, antes da análise do sistema através da observação dos itens do
diagnóstico propriamente dito é importante descrever algumas características mais
específicas do processo em estudo.

Após análise do sistema de gestão em segurança do alimento de acordo


com os 16 (dezesseis) requisitos da IN 03 do MAPA e diagnóstico consolidado e
informações atribuídas a cada requisito, observam-se as fraquezas e virtudes do
mesmo.

Os requisitos, exceto 1 (um), estão atendidos no sistema de gestão de


segurança do alimento no Terminal.

Para analisar o atual sistema de gestão, destacarão os seus pontos


fortes, que impactam nos resultados, e os pontos de melhoria.

O levantamento de oportunidades, foi realizado mediante análise crítica


do sistema com base nos conhecimentos baseados na Norma GMP B2, ANEC e IN
03 do MAPA.

5.2 Pontos positivos do sistema atual

A liderança compreende que gestão de segurança do alimento é


importante para mantenção da qualidade dos serviços prestados aos clientes e
sustentabilidade do negócio carga geral. A área possui certificação GMP, tem
APPCC implantado, procedimentos bem elaborados e cadastrados em sistema
próprio, acessível a todos empregados.

A carteira de investimentos foca a implantação melhorias e


manutenção/adequação em sistemas de recepção, transporte e armazenagem de
grãos.

Destaca-se também pelo cumprimento de regras para trabalhos em


espaços confinados, fortemente conhecida e aplicada por todos que trabalham na
área.
82 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 82
de Ponta da Madeira

5.3 Pontos negativos do sistema atual

A gerência da área é recente e deverá adequar sua estrutura


organizacional para atender à todas as demandas de produção, custo, atendimento
a cliente.... Desta forma a gestão de segurança do alimento está retomando o seu
devido destaque na área.

As instalações precisam de reformas para melhor armazenar os produtos


e assim, garantir a qualidade. A equipe precisa de treinamentos de revisão dos
conceitos e treinamento dos novos colaboradores que chegam à área.

O ponto negativo principal é a ausência na área de engenheiro agrônomo


registrado no CREA.

5.4 Propostas de melhorias

Conforme o estudo realizado do sistema de gestão e atendimento a IN 03


do MAPA verifica-se a necessidade da consolidação da gerência do Terminal
Marítimo de Carga Geral de Ponta da Madeira, adequando seu quadro de
colaboradores, em quantidade e qualidade para implementar as melhorias
necessárias e consolidar o referido Terminal como destaque na região.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo do Sistema de Gestão em Segurança do Alimento mostra-se


importante, visto que práticas imprescindíveis à movimentação dos produtos soja em
grãos e farelo de soja são adotadas e exigidas por norma.
83 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 83
de Ponta da Madeira
Durante a apresentação deste trabalho pôde-se conhecer todos os
perigos que envolvem as atividades de recebimento, armazenagem e embarque dos
produtos e os respectivos riscos associados a cada atividade do processo. Pôde-se
ainda conhecer a Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle – APPCC
(Equipe APPCC, PCC - tratamento e identificação, e os planos APPCC). Os planos,
que se encontram muito bem elaborados, são muito importante como ferramenta
nocontrole de qualidade do alimento,

Houve um levantamento de dados consolidado em uma lista de


checagem e avaliação de gestão que facilitassem identificar os pontos positivos e
negativos.

Essas informações foram analisadas e estratificadas de acordo com os


diferentes tipos de assuntos que envolvem a gestão do alimento, iniciando com
análise gerencial, passando por análise de documentos relativos ao processo até
chegar aos aspectos operacionais.

Concluiu-se que o sistema encontra sob controle visto a relação entre a


quantidade de itens com destaque significativo e os pontos positivos destacados e
as adequações para certificação na IN 03 do MAPA são de fácil execução.

Uma das principais dificuldades encontradas na aplicação do sistema de


gestão de qualidade é a cultura de que a gestão de segurança do alimento é mais
um sistema a ser seguido, e não uma ferrmaneta que ajuda a otimizar a produção.

A reavaliação do SGSA e a análise de suas condições de funcionamento


mostram que mesmo sob controle (o terminal foi reecertificado em janeiro de 2010),
algumas melhorias podem e precisam ser implantadas, principalmente aquelas
referentes às instalações, pessoas e estrutura da área discutidas nesta monografia.

REFERÊNCIAS

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Vitória, ES: [s.n.], 2008. 49 p. Apostila do curso de pós-graduação em engenharia
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84 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 84
de Ponta da Madeira
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Vantagem Competitiva. 10ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.

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85 Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança do Alimento no Terminal Marítimo de Carga Geral 85
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