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EÇÃ
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O
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Cadernos de

Segurança
e Saúde
no Trabalho
pagbranca.qxd 22.01.07 17:57 Page 1
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Apresentação

A o longo de sua história, o Brasil tem enfrentado o problema da exclusão social que
gerou grande impacto nos sistemas educacionais. Hoje, milhões de brasileiros ainda
não se beneficiam do ingresso e da permanência na escola, ou seja, não têm acesso a um
sistema de educação que os acolha.
Educação de qualidade é um direito de todos os cidadãos e dever do Estado; garantir o
exercício desse direito é um desafio que impõe decisões inovadoras.
Para enfrentar esse desafio, o Ministério da Educação criou a Secretaria de Educação
Continuada, Alfabetização e Diversidade – Secad, cuja tarefa é criar as estruturas necessárias
para formular, implementar, fomentar e avaliar as políticas públicas voltadas para os grupos
tradicionalmente excluídos de seus direitos, como as pessoas com 15 anos ou mais que não
completaram o Ensino Fundamental.
Efetivar o direito à educação dos jovens e dos adultos ultrapassa a ampliação da oferta
de vagas nos sistemas públicos de ensino. É necessário que o ensino seja adequado aos que
ingressam na escola ou retornam a ela fora do tempo regular: que ele prime pela qualidade,
valorizando e respeitando as experiências e os conhecimentos dos alunos.
Com esse intuito, a Secad apresenta os Cadernos de EJA: materiais pedagógicos para o
1.º e o 2.º segmentos do ensino fundamental de jovens e adultos. “Trabalho” será o tema da
abordagem dos cadernos, pela importância que tem no cotidiano dos alunos.
A coleção é composta de 27 cadernos: 13 para o aluno, 13 para o professor e um com
a concepção metodológica e pedagógica do material. O caderno do aluno é uma coletânea
de textos de diferentes gêneros e diversas fontes; o do professor é um catálogo de ativi-
dades, com sugestões para o trabalho com esses textos.
A Secad não espera que este material seja o único utilizado nas salas de aula. Ao con-
trário, com ele busca ampliar o rol do que pode ser selecionado pelo educador, incentivan-
do a articulação e a integração das diversas áreas do conhecimento.

Bom trabalho!

Secretaria de Educação Continuada,


Alfabetização e Diversidade – Secad/MEC
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Sumário

TEXTO Subtema

1. Os riscos de cada jornadaRelicostumes 6


2. Equipamentos de proteção individual 8
3. O direito dos passivosDiversidades regionais 12
4. Ambiente tem de ser saudável Maturidade social 13
5. Dinheiro com gosto de sangueMiscigenação 14
6. As CIPAS são portas de entrada Crítica social 18
7. Proteger é de lei Trabalhadores 19
8. Local de risco Cultura suburbana 20
9. O templo da saúdea luta dos negros 21
10. Ler/Dort: fatores de risco Ambiente de trabalho 22
11. Na forma da lei Identidade nacional 23
12. Reunião de OIT/UNAIDS sobre AIDS

e o mundo do trabalho na América commbiente de trabalho 28


13. Na corda bamba Índios do Brasil 26
14. Os males do barulho e culi28
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15. Pioneers go first Direitos civis 29


16. Foram-se os dedos Origenhadores 30
17. Modelo mexicanondios do Brasil 32
18. Completely beneficial 37
19. Na construção civil, o perigo é a dermatose causada pelo cimento Olhos38

20. Mercedes Benz promove acordo mundial pela saúde do trabalhador Art41

21. Pacto contra o regime de escravidãorte culinária 42


22. Leis nós temosArte culinária 44
23. A saúde na sociedade 24 horasArte culinária 46
24. Responsabilidade, a parte da empresaArte culinária 47
25. A voz do corpoArte culinária 48
26. O que é assédio moral no trabalho?a 50
27. Índios do Xingu ameaçados por DST, diabetes e obesidadeArte culinária52

28. Sóbria decisãoArte culinária 56


29. Fora, amianto!Arte culinária 63
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Riscos do ambiente de trabalho


TEXTO 1

OS RISC OS
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Foto: Ce

6 • Segurança e Saúde no Trabalho


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RISCOS E SEUS AGENTES

1
Risco de acidente
Qualquer fator que coloque o trabalhador em situação vulnerável e possa
afetar sua integridade e seu bem-estar físico e psíquico. São exemplos de
risco de acidente: as máquinas e equipamentos sem proteção, probabilidade de
incêndio e explosão, arranjo físico inadequado, armazenamento inadequado, etc.

2
Risco ergonômico
Qualquer fator que possa interferir nas características psicofisiológicas
do trabalhador, causando desconforto ou afetando sua saúde. São exem-
plos de risco ergonômico: levantamento de peso, ritmo de trabalho excessivo,
monotonia, repetitividade, postura inadequada, etc.

Foto: Xxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx

3
Risco físico
Consideram-se agentes de risco físico as diversas formas de energia a
que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, calor, frio,
pressão, umidade, radiações ionizantes e não-ionizantes, vibração, etc.

4
Risco químico
Consideram-se agentes de risco químico as substâncias, compostos ou pro-
dutos que possam penetrar no organismo do trabalhador pela via respirató-
ria, na forma de poeiras, fumos, gases, neblinas, névoas ou vapores, ou que sejam,
pela natureza da atividade, de exposição, possam ter contato com o organismo ou
ser absorvidos por ele através da pele ou por ingestão.

5
Risco biológico
Consideram-se agentes de risco biológico bactérias, vírus, fungos, parasitos,
entre outros.

Extraído de www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/lab_virtual/tipos_de_riscos.html

Segurança e Saúde no Trabalho • 7


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Normas de segurança
TEXTO 2

( )
EQUIPAMENTO DE
PROTEÇÃO
INDIVIDUAL
Todo trabalhador tem direito a dispositivos
que preservem sua integridade física

Considera-se EPI, para os fins de aplicação Atendidas as peculiaridades de cada ativi-


desta Norma, todo dispositivo de uso indi- dade, o empregador rural deve fornecer
vidual destinado a preservar e proteger a aos trabalhadores os seguintes EPI:
integridade física do trabalhador.
O empregador rural é obrigado a fornecer, I - Proteção da cabeça:
gratuitamente, EPI adequados ao risco e em a) capacete de segurança contra impactos
perfeito estado de conservação e funciona- provenientes de queda ou projeção de
mento nas seguintes circunstâncias: objetos;
a) sempre que as medidas de proteção b) chapéu de palha de abas largas e cor
coletiva forem tecnicamente inviáveis ou clara para proteção contra o sol, chuva,
não oferecerem completa proteção con- salpicos, etc.;
tra os riscos de acidentes de trabalho c) protetores de cabeça impermeáveis e
e/ou doenças profissionais; resistentes nos trabalhos com produtos
b) enquanto as medidas de proteção cole- químicos.
tiva estiverem sendo implantadas;
c) para atender a situações de emergência.

8 • Segurança e Saúde no Trabalho


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II - Proteção dos olhos e da face: III - Proteção auditiva:


a) protetores faciais destinados à proteção Protetores auriculares nas atividades em
contra lesões ocasionadas por partículas, que o ruído seja excessivo.
respingos, vapores de produtos químicos IV - Proteção das vias respiratórias:
e radiações luminosas intensas; a) respiradores com filtros mecânicos para
b) óculos de segurança para trabalhos que trabalhos que impliquem produção de
possam causar ferimentos provenientes poeira;
do impacto de partículas, ou de objetos b) respiradores e máscaras de filtro químico
pontiagudos ou cortantes; para trabalhos com produtos químicos;
c) óculos de segurança contra respingos c) respiradores e máscaras de filtros com-
para trabalhos que possam causar irrita- binados (químicos e mecânicos) para ati-
ção e outras lesões decorrentes da ação vidades em que haja emanação de gases
de líquidos agressivos; e poeiras tóxicas;
d) óculos de segurança contra poeira e d) aparelhos de isolamento, autônomos
pólen. ou de adução de ar para locais de tra-

Segurança e Saúde no Trabalho • 9


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Te x t o 2 / Normas de segurança

balho onde o teor de oxigênio (O2) d) operações com equipamentos elétricos;


seja inferior a 18% (dezoito por cen- e) tratos com animais, suas vísceras e detri-
to) em volume. tos e na possibilidade de transmissão de
doenças decorrentes de produtos infec-
V - Proteção dos membros superiores: ciosos ou parasitários;
Luvas e/ou mangas de proteção nas ativi- f) picadas de animais peçonhentos.
dades em que haja perigo de lesões provo-
cadas por: VI - Proteção dos membros inferiores:
a) materiais ou objetos escoriantes, abrasi- a) botas impermeáveis e com estrias no
vos, cortantes ou perfurantes; solado para trabalhos em terrenos úmi-
b) produtos químicos tóxicos, alergênicos, dos, lamacentos, encharcados ou com
corrosivos, cáusticos, solventes orgâni- dejetos de animais;
cos e derivados de petróleo; b) botas com biqueira reforçada para tra-
c) materiais ou objetos aquecidos; balhos em que haja perigo de queda de

10 • Segurança e Saúde no Trabalho


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materiais, objetos pesados e pisões de Compete ao empregador rural, exigir de


animais; seus subcontratantes de mão-de-obra,
c) botas com cano longo ou botina com quanto aos EPI:
perneira onde existam animais peço- a) instrução e conscientização do trabalha-
nhentos; dor quanto ao uso adequado;
d) perneiras em atividades nas quais haja b) substituição imediata do equipamento
perigo de lesões provocadas por materi- danificado ou extraviado;
ais ou objetos cortantes, escoriantes ou c) responsabilidade pela manutenção e
perfurantes; esterilização.
e) calçados impermeáveis e resistentes em Compete ao trabalhador:
trabalhos com produtos químicos; a) usar obrigatoriamente os EPI indicados
f) calçados de couro para as demais ativi- para a finalidade a que se destinarem;
dades. b) responsabilizar-se pela danificação dos
EPI, que pode ser ocasionada pelo uso ina-
VII - Proteção do tronco: dequado ou fora das atividades a que se
Aventais, jaquetas, capas e outros para pro- destinam, bem como pelo seu extravio.
teção nos trabalhos em que haja perigo de
lesões provocadas por: Compete aos órgãos regionais do Minis-
a) riscos de origem térmica; tério do Trabalho:
b) riscos de origem mecânica; a) orientar os empregadores e trabalhado-
c) riscos de origem meteorológica; res rurais quanto ao uso dos EPI, quan-
d) produtos químicos. do solicitados ou em inspeção de rotina;
b) fiscalizar o uso adequado e a qualidade
VIII - Proteção contra quedas com dos EPI.
diferença de nível:
Cintas e correias de segurança. O Ministério do Trabalho poderá determi-
nar o uso de outros EPI, quando julgar
Os EPI e roupas utilizados em tarefas em necessário.
que se empregam substâncias tóxicas ou
perigosas serão rigorosamente higienizados
e mantidos em locais apropriados, onde não
possam contaminar a roupa de uso comum
do trabalhador e seus familiares. Extraído de http://www.ceset.com.br/dbf/ler/NRR_41.pdf

Segurança e Saúde no Trabalho • 11


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Ambiente insalubre
TEXTO 3

O DIREITO DOS
PASSIVOS
Cigarro no trabalho é insalubridade

Ilustração: Alcy
e pode dar direito a adicional
Renato Pompeu

O
artigo 192 da Consolidação das Leis mante, e assim recebem substâncias ainda
do Trabalho garante adicional de até mais perigosas do que o próprio fumante.
40 por cento do salário no caso de o O artigo 192 da Consolidação das Leis
ambiente de trabalho ser insalubre. Nos do Trabalho foi originalmente concebido
últimos anos, juristas têm considerado que para os casos de insalubridade provocados
o trabalhador não-fumante tem direito a por substâncias tóxicas oriundas da ma-
esse adicional, no caso de o fumo ser per- téria-prima ou que surgem a partir das al-
mitido no local de trabalho. terações físico-químicas provocadas pelo
Os médicos há décadas constataram processo de trabalho. Também foi conce-
que os chamados fumantes passivos, isto é, bido para o caso de ambientes de trabalho
aqueles que aspiram a fumaça emitida pe- naturalmente insalubres, como minas sub-
los cigarros, charutos e cachimbos e pelos terrâneas cheias de gases tóxicos, ou am-
pulmões daqueles que, estando no am- bientes em que há riscos de explosão.
biente, efetivamente fumam, correm o risco Afinal, quando a CLT entrou em vigor, nos
de sofrer todos os males provocados pelo anos 1940, ainda não havia consciência dos
tabaco, a partir do câncer do pulmão até riscos em que incorrem os fumantes pas-
ataques cardíacos. Entre fumantes e não- sivos – na verdade nem estava prevista a
fumantes, morrem por ano no mundo, se- insalubridade causada por agrotóxicos, se-
gundo estatísticas da Organização Mundial jam fertilizantes, sejam pesticidas. Atual-
de Saúde, 3 milhões de pessoas, por causa mente, porém, muitos juristas consideram
de males causados pelo tabagismo. que o tabagismo passivo está incluído na
Os não-fumantes, ou fumantes pas- insalubridade e dá direito ao adicional de
sivos, correm riscos até maiores do que os salário.
fumantes, pois inalam a fumaça saída
imediatamente da ponta do cigarro, sem
passar pelo filtro que fica na boca do fu- Renato Pompeu é escritor e jornalista.

12 • Segurança e Saúde no Trabalho


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Saúde e sustentabilidade
TEXTO 4

AMBIENTE TEM DE SER


SAUDÁVEL
Washington Novaes dores. Também se quer saber quais as
conseqüências da instalação no Brasil de
empresas poluidoras que são impedidas de

V
ivem dizendo que os atuais padrões funcionar em seus países de origem e aqui
de produção e consumo no mundo encontram as facilidades de uma legislação
são insustentáveis, que estão muito ou fiscalização que não funcionam direito.
acima da capacidade da biosfera terrestre Quais as conseqüências para a população
de repor os recursos naturais consumidos. do fato de alguns Estados oferecerem
Também se diz que é insustentável a atual vantagens a empresas poluidoras para se
concentração de renda no mundo, com instalarem em seus territórios? Quais as
apenas 20 por cento de toda a população conseqüências sociais de as empresas
da Terra, aqueles que habitam os países restringirem cada vez mais a admissão de
industrializados, detendo 80 por cento da trabalhadores a partir de determinada
renda do planeta. Tudo isso representa a idade? (Algumas já não contratam
mais grave crise no mundo de hoje. ninguém com mais de 30 anos.)
Há, entretanto, um ângulo dessa dis- É uma discussão difícil, principalmen-
cussão que só agora está começando a apa- te no momento em que as empresas lutam
recer, mas que já envolve alguns setores para permanecer num mercado altamente
sociais no Brasil, principalmente na área competitivo. Mas é preciso criar regras para
sindical. É a que trata da sustentabilidade proteger as pessoas. Sem elas, não haverá
dos recursos humanos, que são as pessoas quem consuma. Nem quem produza.
que integram o mercado de trabalho.
Pergunta-se, por exemplo, quais os
Washington Novaes, Jornalista, é supervisor geral do Repórter Eco
efeitos da exigência de uma produtividade e consultor de meio ambiente da TV Cultura - SP.
cada vez maior sobre a saúde de trabalha- Extraído de http://www.tvcultura.com.br

Segurança e Saúde no Trabalho • 13


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Acidentes de trabalho
TEXTO 5

DINHEIRO
COM GOSTO
DE SANGUE
Érico Verissimo

A
travessou o pátio interno da fábrica. Os grandes pavi-
lhões de concreto pareciam estremecer ao ritmo das
máquinas. Eugênio ouviu aquela pulsação surda que
lhe sugeria o bater dum enorme coração subterrâneo. Ela
lhe dava uma vaga angústia, causava-lhe um indefinível
temor: dir-se-ia a aflição dum homem que sente no subsolo
o agitar-se duma subumanidade que trabalha com silêncio
seus propósitos de destruição. O atroar das máquinas era
um ruído ameaçador.
O escritório lhe pareceu mais frio e convencional que
nos outros dias. Sentou-se à mesa, abriu uma das gavetas,
remexeu nos papéis... Não encontrando os que procurava,
chamou a secretária, uma rapariga magra de ar cansado.
– Boa tarde, D. Ilsa. Alguém me procurou?
– Não senhor, ninguém.
– Onde estão aquelas folhas que vão para o Ministério
do Trabalho?
– Na gaveta do centro.
Tornou a abrir a gaveta e encontrou os papéis.
– Tem razão, cá estão eles.
Pô-los em cima da mesa, tomou da caneta.
– A senhora anda muito pálida e com jeito de cansada.
Por que não tira umas férias?

14 • Segurança e Saúde no Trabalho


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Assinava os papéis automaticamente, sem revisá-los.


Sentia agora um interesse fraternal pela secretária. A cria-
tura tinha um jeito encolhido de passarito doente.
– E a dor nas costas... ainda não passou?
– Às vezes, quando me deito, ela vem.
– Deve ser da posição em que fica quando escreve à
máquina. Precisa cuidar-se, D. Jisa.
A moça sorria, meio constrangida.
Eugênio se perguntava a si mesmo o que era que de
repente o fazia assim tão solícito, tão atencioso, como um
irmão mais velho. concluiu que era porque tinha pena da
moça: pena de todos os que sofriam. Por um breve instante
se sentiu reconciliado consigo mesmo. Entretanto seu eu
puro e implacável lhe cochichou que se ele se demonstrava
assim fraternal para com a secretária e para com os outros
empregados da fábrica era para com essa atitude comprar a
cumplicidade, a boa vontade e a simpatia deles. Porque
todos ou quase todos sabiam da sua situação de inferiorida-
de naquela firma. Não passava dum manequim, dum autô-
mato que assinava papéis preparados pelos que realmente
entendiam do negócio, pelos que trabalhavam de verdade
mas que no entanto, em questões de ordenado, se achavam
muito abaixo dele. Aquela gente sabia que ele ali era apenas
o marido da filha do patrão. E, mostrando-se benevolente e
atencioso, ele como que procurava comprar-lhes pelo menos
a tolerância, já que a simpatia não era possível.
Escreveu o nome com raiva, a pena rasgou o papel, um
pingo de tinta saltou e espalhou-se no centro da folha. A
secretária avançou com a prensa de mata-borrão.
– Obrigado.
O telefone tilintou. Eugênio levantou o fone ao ouvido.
– Alô! Aqui fala Eugênio. (Tinha escrúpulos de dizer
“doutor” Eugênio, podia parecer um acinte aos que não
eram formados, ou uma exibição vaidosa) – Quem?... ah!...

Segurança e Saúde no Trabalho • 15


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Te x t o 5 / Acidentes de trabalho

Ficou escutando em silêncio, enquanto seu rosto se


enevoava numa expressão de contrariedade.
Repôs o fone no lugar e ergueu-se. No pavilhão no 3, o
chefe das máquinas o esperava. Tinha apanhado um de seus
homens a escrever imoralidades numa das paredes do lava-
tório. Queria que Eugênio visse com seus próprios olhos.
Tratava-se dum operário chamado Galvez, que já estivera
preso como agitador comunista: Era um sujeito perigoso –
garantia o chefe das máquinas –, um tormento de desordem.
Eugênio encaminhou-se para o pavilhão no 3. Ia contra-
riado. Tinha horror a questões daquela natureza, era-lhe
desagradável tratar com o pessoal da fábrica, resolver
pendências, dar conselhos, aplicar sanções... Seria mil vezes
melhor viver longe de todas aquelas coisas!
– Galvez é um patife! – disse o homem com os lábios
apertados. – Venha ver.
Seu rosto era uma máscara de pedra.
– Onde está ele?
Entrou. Deu três passos sobre o chão de cimento do
pavilhão. E, como ao sinal dum invisível e cruel contra-regra
que estivesse apenas esperando a sua entrada em cena, algo
de pavoroso aconteceu.
– Galvez! – berrou o alemão.
Sua voz, que tinha uma qualidade metálica, soou acima
do surdo matraquear das máquinas. Eugênio olhou na dire-
ção em que o outro lançara o grito. E viu, horrorizado, que
a polia grande de uma das máquinas naquele instante
apanhava o corpo dum operário. Ouviu-se um grito agudo.
O corpo rodopiou enrolado na polia e depois, como um
boneco de pano, foi lançado ao ar, caindo longe no meio de
outras máquinas. Houve um momento de atarantamento.
De todos os lados partiam exclamações. O alemão precipi-
tou-se para a tábua dos comutadores e puxou a chave geral.
As máquinas pararam. O silêncio que se seguiu gelou o

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sangue de Eugênio. Os homens correram numa só direção.


Trouxeram depois um corpo ensangüentado e o puseram
aos pés de Eugênio, como se – deus cruel – ele tivesse pedi-
do aquele sacrifício. Fazendo um enorme esforço para
vencer o tremor das pernas, ele se inclinou. Não havia mais
nada a fazer. O crânio do operário estava todo esfacelado,
seu rosto absolutamente irreconhecível. O corpo perdera
quase a forma humana. No chão ao redor do cadáver, se
formava uma poça de sangue.
O pavor estrangulava aqueles homens, reduzindo-os ao
silêncio. Os olhos do chefe das máquinas se conservaram
frios e seu rosto era uma máscara inumana de pedra.
Quando tornou a sentar-se à sua mesa, Eugênio teve a
impressão de que saíra dali não apenas havia vinte minutos
mas sim vinte anos. Sentia-se mais velho, mais cansado e
amargurado. Ficou com os cotovelos fincados na mesa, as
mãos segurando o rosto, a olhar fixamente para o tinteiro.
Do pátio interno chegava até ele, através das janelas, um
rumor de vozes.
– Mandem tocar de novo as máquinas – disse o gerente.
– Não podemos ficar parados. Tempo é ouro.
Ouro... Por que era que os homens não se esqueciam
nunca do ouro? Ouro lhe lembrava outra palavra: sangue.
Tempo também era sangue. Ouro se fazia com sangue.

Trecho do livro Olhai os Lírios do Campo, Porto Alegre, Globo, 1981.

Segurança e Saúde no Trabalho • 17


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Prevenção de acidentes
TEXTO 6

AS CIPAS SÃO PORTAS DE ENTRADA

A
CIPA, Comissão Interna de Pre- •Que os cipeiros vão as reuniões bem pre-
venção de Acidentes, é velha co- parados, com clareza dos problemas que
nhecida dos trabalhadores brasi- serão discutidos: devem organizar a
leiros. Foi criada em novembro de pauta de reivindicações e discutir os pro-
1944, por ato do Presidente Getúlio blemas por ordem de prioridade.
Vargas. Ao longo desses mais de sessen- •Que os funcionários tomem cuidado
ta anos, muita coisa mudou no Brasil, para não se deixar envolver por falsas
mas na estrutura de funcionamento promessas de solução dos problemas
das CIPAs, quase nada.
No dia-a-dia, os “cipeiros” C I P A
que os cipeiros indicados costu-
mam fazer. Não esquecer que
eleitos pelos companheiros eles representam os interesses
encontram muitas barrei- da empresa.
ras para desenvolver suas
•Que o cipeiro acompanhe a
funções, mas, apesar dos
investigação dos acidentes e
problemas impostos pela S
A

EG Ç levante suas possíveis causas.


lei e pelos patrões, devem URAN
Isto também é válido quando hou-
continuar procurando utilizar a
ver suspeita ou diagnóstico de doenças.
Cipa como instrumento de organiza-
ção e de melhores condições de traba- •Os cipeiros devem ter em mente que
lho e saúde. Para isso é fundamental: foram eleitos pelos companheiros de tra-
balho para representá-los. Por isso, é
•Que os cipeiros eleitos trabalhem em
fundamental discutir com eles e encami-
conjunto e de forma organizada em
nhar suas reivindicações.
torno dos principais objetivos.
Sem o apoio dos colegas, os cipeiros
•Que nunca trabalhem rachados, pois a
não têm força para negociar com a em-
desunião enfraquece a luta.
presa. Buscar informação e assessoria no
•Que façam um planejamento de traba- sindicato também é importante.
lho, para cada mandato, pois ele é muito
curto e sem organizar o trabalho não se
obtêm conquistas. Extraído de Livro da CIPA, publicação da FUNDACENTRO – MTE.

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Prevenção de acidentes
TEXTO 7

PROTEGER É DE LEI
O equipamento individual, em certos casos, é obrigatório

Por que usar EPI? reduzindo os riscos de intoxicações. O


EPI (Equipamento de Proteção Indivi- uso de EPI é uma exigência da legislação
dual) são ferramentas de trabalho que trabalhista brasileira e o seu cumprimen-
visam proteger a saúde do trabalhador to poderá acarretar processos, além de
rural que utiliza produtos fitossanitários, multas aos infratores.

AS VIAS DE EXPOSIÇÃO SÃO:

Ilustração: Alcy

INALATÓRIA ORAL OCULAR DÉRMICA


P NARIZ P BOCA P OLHOS P PELE

A função básica dos EPI é proteger o rante o manuseio ou a aplicação de pro-


organismo do produto tóxico, minimizando dutos fitossanitários é considerada acidente
o risco de contaminação. Intoxicação du- de trabalho.
Extraído e adaptado de http://www.andef.com.br/epi/

Segurança e Saúde no Trabalho • 19


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Cuidados com o local de trabalho


TEXTO 8

!
LOCAL
DE RISCO
Os trabalhadores passam a ter voz ativa na análise
dos perigos típicos de seu ambiente profissional

D
urante muito tempo acreditou-se que Obviamente, essa falsa visão não inte-
o problema dos acidentes e doenças ressa aos trabalhadores, embora ainda hoje
relacionados ao trabalho era assunto esteja presente em muitas empresas. A
para engenheiros de segurança, médicos, análise dos riscos nos locais de trabalho
gerentes e outros especialistas. Pensava-se deve contar com a vivência, o conhecimen-
que só eles tinham conhecimento para to e a participação dos trabalhadores, já
analisar os riscos e propor soluções. Nessa que são eles que realizam o trabalho coti-
visão, os trabalhadores seriam meros e diano e sofrem seus efeitos. Portanto, são
passivos coadjuvantes, apenas para forne- eles os mais indicados para identificar,
cer informações ou se submeter aos exames eliminar e controlar os riscos.
e responder perguntas aos médicos. Isso
quando não eram acusados como responsá-
Extraído de www.instcut.org.br/pub3.htm
veis pelos acidentes... Série: Cadernos de Saúde do Trabalhador - Nº3

20 • Segurança e Saúde no Trabalho


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Cuidados com o corpo


TEXTO 9

O TEMPLO DA SAÚDE
Nosso corpo é uma máquina perfeita, mas exige manutenção

J
á diz a sabedoria popular que nosso
corpo é nosso maior tesouro. E o
povo sabe muito. O nosso corpo é
nossa morada e nossa melhor ferramen-
ta. A ciência ensina que ele é uma má-
quina perfeita, feito para durar e fun-
cionar por muito tempo. Comer, andar,
correr, dan- çar, nadar no rio ou no mar,
tomar chuva de vez em quando, des-
cansar e dormir são cuidados impor-
tantes que devemos ter para que esta
máquina funcione de maneira equilibra-
da e supra suas próprias necessidades.
Sentimentos, sensações e atitudes não
estão fora de nosso corpo. Eles têm funções
diferentes e sustentam a vida tanto quanto
a respiração, a digestão ou a circulação de
nosso sangue. O corpo é bom para trabal-
har, para brincar, para descansar, para
amar, para estar com outro corpo. E,
evidentemente, ninguém vive sem um
corpo!
Nosso tesouro, morada, máquina é
sempre bonito.
Estar de bem com ele é sinal de muita
saúde..

Trecho do livro Crianças em Férias - Alcides P. da Fonseca - Quatá -


SP, 1943, citado em CUT – Todas as Letras, Caderno do Educando.

Segurança e Saúde no Trabalho • 21


10•CA08T10P3.qxd 15.12.06 00:04 Page 22

Conseqüências do excesso de trabalho


TEXTO 10

LER /DORT:
FATORES
DE RISCO O uso excessivo
do teclado pode
causar LER/DORT

O Ministério da Saúde adverte:


repetir movimentos sem pausas causa inflamação

L
ER/DORT significa lesão por esforço por tempo prolongado, esforço físico, in-
repetitivo e distúrbios osteomusculares variabilidade de tarefas, pressão mecâni-
relacionados ao trabalho. A sigla foi ca sobre determinadas partes do corpo,
criada para identificar um conjunto de trabalho muscular estático, choques e
doenças que atingem músculos, tendões impactos, vibração, frio etc.
e membros superiores (dedos, mãos, pu- Outros fatores, como exigência de
nhos, antebraço, braços e pescoço). São ritmo intenso de trabalho, conteúdo das
inflamações provocadas por atividades do tarefas, pressão, autoritarismo das chefias
trabalho que exigem movimentos ma- e avaliação de desempenho baseados em
nuais repetitivos, continuados, rápidos ou produtividade também favorecem o apa-
vigorosos, durante um longo período de recimento de LER/DORT. Entretanto, pa-
tempo. ra que esses fatores sejam considerados
Não há uma causa única e determina- como de risco, é preciso observar sua
da para a ocorrência de LER/DORT – vá- intensidade, duração e freqüência.
rios fatores podem contribuir para seu
surgimento: repetitividade de movimen-
Extraído do Protocolo de Investigação, Diagnostico, Tratamento e
tos, manutenção de posturas inadequadas Prevenção de LER / DORT. Ministério da Saúde / 2000 – pg. 10.

22 • Segurança e Saúde no Trabalho


11•CA08T11P3.qxd 15.12.06 00:06 Page 23

Conseqüências do excesso de trabalho


TEXTO 11

NA FORMA
DA LEI
Empresa é condenada

Foto: Sebastião Moreira / AE


a indenizar trabalhadora
com LER/DORT

U
ma funcionária da empresa CMR –
Indústria e Comércio Ltda. entrou
com reclamação na 1a Vara do
Trabalho de Jundiaí, SP, pedindo indeni-
zação por danos morais e materiais pela zem exercícios de alongamento e respirató-
doença que adquiriu no trabalho. Conde- rios, a fim de evitar a LER/DORT (distúrbio
nada em 1a instância, a empresa recorreu osteomuscular relacionado ao trabalho).
ao Tribunal Regional do Trabalho alegan- Não adotando essas medidas, a empresa
do que não teve culpa pela doença da tra- deverá indenizar o funcionário por danos
balhadora. morais e materiais pela doença adquirida
Para a empresa, a empregada não era em decorrência do trabalho realizado.
submetida a ritmo acelerado de trabalho, A perícia realizada concluiu que a
já que cumpria jornada semanal de 36 a funcionária adquiriu LER/DORT no braço
40 horas. Mas a empresa foi condenada esquerdo, o que limitou a força e execução
pelo Tribunal a pagar uma indenização de de movimentos repetitivos, e que por isso
R$ 50 mil à trabalhadora. ela ficou impedida de desempenhar o seu
O juiz da 5a Câmara do Tribunal Regio- trabalho de costureira.
nal do Trabalho da 15a Região – Campinas, Para o juiz, a empresa agiu com culpa,
SP, deu a seguinte sentença: pois, embora soubesse que a atividade exigia
O empregador é obrigado a conceder movimentos repetitivos, não incluiu nenhu-
aos empregados intervalos extras para ma pausa extra, o que poderia evitar os efei-
descanso quando as atividades exigirem tos maléficos do trabalho desenvolvido.
movimentos repetitivos. Também deve
permitir e exigir que seus funcionários reali- Extraído de www.observatoriosocial.org.br/portalcontent/view/759/112/

Segurança e Saúde no Trabalho • 23


12•CA08T12P3.qxd 12/16/06 1:28 AM Page 24

Cuidados com o corpo


TEXTO 12

Foto: Dida Sampaio / AE

REUNIÃO DE OIT/UNAIDS
SOBRE AIDS E O MUNDO
DO TRABALHO NA AMÉRICA
24 • Saúde e Segurança no Trabalho
12•CA08T12P3.qxd 12/16/06 1:28 AM Page 25

A
Organização Internacional do Traba- Na reunião se discutiu sobre a maneira
lho, OIT, está propondo que se inten- de abordar o tema HIV/AIDS no local de
sifique nos locais de trabalho a mobi- trabalho. Foram discutidas ações que po-
lização contra o HIV/AIDS na América derão ser levadas adiante por governos,
Latina e no Caribe. empregadores e trabalhadores.
“Precisamos de mobilização, mobiliza- Desde 2000 existe o Programa
ção e mais mobilização”, disse o diretor- OIT/AIDS, que cuida especialmente de en-
geral da OIT, Juan Somavia. “Nosso frentar os desafios gerados pela pandemia
desafio é fazer com que o local de traba- no local de trabalho e que atualmente
lho seja um local de proteção, prevenção, coopera com os esforços nacionais em mais
atenção e esperança no coração da respos- de 40 países.
ta ao HIV e à AIDS.” Para Somavia, um desafio fundamen-
Cerca de 2 milhões de pessoas vivem tal é lutar contra a discriminação – um dos
com o vírus na América Latina e 600 mil princípios da Agenda de Trabalho Decente
morreram nos últimos 20 anos. A estimati- promovida pela Organização –, de forma a
va é de que cerca de 500 pessoas contraem garantir a vida laboral de pessoas afetadas
o vírus diariamente na região, conforme e seu acesso a um tratamento adequado:
informação divulgada no encontro “AIDS e “É possível contribuir para eliminar o
o mundo do trabalho na América Latina e medo, a desconfiança, o estigma e a
no Caribe”, realizado em Brasília em 2005. discriminação”.
“O local de trabalho é um reflexo da As ações no local de trabalho também
sociedade”, disse Somavia, acrescentando são consideradas fundamentais para inten-
que “a lógica do compromisso da OIT é sificar a prevenção por meio da educação e
clara: a pandemia golpeia com maior força de medidas práticas de apoio aos traba-
os indivíduos em idade produtiva”. Segun- lhadores e proporcionar atenção e trata-
do dados divulgados na reunião, no mento.
mundo, 36 milhões de pessoas em idade
produtiva estão afetadas pelo HIV/AIDS. Extraído de www.oitbrasil.org.br/news/nov/ler_nov.php?id=1439

Para maiores informações sobre OIT/AIDS: www.ilo.org/aids

Saúde e Segurança no Trabalho • 25


13•CA08T13P3.qxd 20.01.07 13:05 Page 26

Ambiente de trabalho
TEXTO 13

Ilustração: Alcy

NA CORDA
BAMBA
As ameaças ao e
quilíbrio emocio
nal do trabalha
dor

26 • Segurança e Saúde no Trabalho


13•CA08T13P3.qxd 14.12.06 17:29 Page 27

A
pesquisa "Assédio Moral no Traba- agressivas, estão também: “chefe falar mal
lho: Impactos sobre a Saúde dos de você em público”; “proibir seus colegas
Bancários e sua Relação com Gênero de falar/almoçar com você”; “forçar você a
e Raça", realizada pelo Sindicato dos pedir demissão” e “insinuar e fazer correr
Bancários de Pernambuco em 2006, apon- boato de que você está com problema men-
tou que mais de 40% dos bancários de todo tal ou familiar”. Esta última é a situação
o país sofrem agressões morais no trabalho mais freqüente entre as mulheres. Já para
e quase um terço dos trabalhadores do os entrevistados do sexo masculino é o fato
setor se diz estressado. Foram ouvidos de o chefe “não lhe dar qualquer ocupa-
2.609 trabalhadores e trabalhadoras de ção”.
bancos públicos e privados de todo o país. De acordo com os pesquisadores, a vio-
De acordo com o estudo, as agressões lência moral é “a exposição do trabalhador
duram quase o ano todo: metade dos casos a situações constrangedoras com objetivo
ocorre várias vezes por semana. A maior de desestabilizar a relação no ambiente de
queixa é de que “o chefe o enche de traba- trabalho, diminuir a auto-estima e atentar
lho”. Outras situações descritas: “O chefe à dignidade da pessoa”. A diferença entre a
prejudica sua saúde”; “Dá instruções confu- falta de educação e o assédio moral, é “usar
sas e imprecisas”; “Pede trabalhos urgentes de valores culturais, sexuais ou que deixem
sem nenhuma necessidade”. a pessoa fragilizada para humilhá-la, para
Entre as 20 situações colocadas como atingir a dignidade”.

SUICÍDIO
A pesquisa também mostra que 4,37% dos ban- Os sintomas de depressão muitas vezes apare-
cários já pensaram em suicídio devido à pressão cem porque a pessoa pensa que a culpa é dela, está
emocional que sofrem no trabalho. “Tremores nas com esse peso e não consegue distinguir o que é
mãos”, “falta de apetite” e “chorar mais do que de erro dela e o que é do chefe.
costume” foram outros itens mencionados. Mais da metade das mulheres e um pouco
A principal conseqüência relatada pelas vítimas menos dos homens entrevistados se dizem estres-
é nervosismo, tensão ou preocupação. Em menor sados. Diferentemente do esperado, boa parte das
escala, o bancário dorme mal, se cansa com facilida- agressões morais sofridas pelos bancários no am-
de, se sente triste, tem dores de cabeça, dificuldade biente de trabalho não são feitas pelo chefe. Ele
para realizar com satisfação suas atividades, sente- continua sendo o maior agressor, mas não o único.
se cansado o tempo todo, tem sensações desagra- Os colegas, inclusive os subordinados, são aponta-
dáveis no estômago e má digestão. dos por boa parte dos entrevistados.

Fonte P http://www.cut.org.br/

Segurança e Saúde no Trabalho • 27


14•CA08T14P3.qxd 15.12.06 00:07 Page 28

Riscos do ambiente
TEXTO 14

OS MALES DO
BARULHO
O
barulho nas fábricas é um grave pro-
blema que ainda está longe de ser
resolvido, e a surdez profissional tal-
vez seja o seu efeito mais conhecido.
Durante a década de 1980, ela foi a
principal moléstia entre os metalúrgicos e
atingia mais de 60% da categoria. Lutou-
se muito para diminuir o barulho nas fábri-
cas, e esse esforço, somado às novas tecno-
logias, permitiu uma sensível redução do
número de casos da doença. O uso obriga-
tório de protetores auditivos, por exemplo,
contribuiu para essa redução.

Coração em perigo Normas não são seguras


Uma pesquisa realizada com quatro mil pacientes É interessante notar que a maior parte das ocorrências
cardíacos, na Alemanha, levou à conclusão de que de problemas cardíacos foi em trabalhadores de empre-
homens que vivem ou trabalham em ambientes sas com níveis de ruído próximos dos 85 decibéis – con-
muito barulhentos correm um risco 50% maior que siderados saudáveis pelas normas internacionais de segu-
os demais de sofrer ataques cardíacos. Para as mu- rança e saúde. Mas se mesmo assim estão colaborando
lheres, o risco é triplicado. Os pesquisadores con- para o aumento dos riscos cardíacos, sua segurança deve
cluíram que os problemas cardíacos são causados ser reavaliada pelos responsáveis pelas normas.
pela maior liberação de hormônios ligados ao
estresse provocado pelo barulho. Extraído de http://www.smabc.org.br/mostra_materia.asp?id=6199

28 • Segurança e Saúde no Trabalho


15•CA08T15P3.qxd 20.01.07 13:11 Page 29

Direito ao trabalho decente


TEXTO 15

PIONEERS GO FIRST
The United Kingdom laws were the inspiration for other countries

Workers’ health and safety • both workers and employers have a legal

A
ll workers, whether they are perma- responsibility to look after health and
nent staff, agency or contractors, safety at work together?
need to be aware of issues that affect • workers who contribute to health and
their health and safety at work. safety at work are safer and healthier
These web pages are about helping than those who do not?
workers become more aware of the health
and safety issues that affect them and
their responsibilities, so they can play
their part in improving health and safety GLOSSARY
whether. se
in the workplace.
health. saúde
become. tornar-se
Did you know that:
aware of. consciente(s) de
• all workers have a right to work in places improving. melhorar
where risks to their health and safety are to join. unir-se
properly controlled? The primary respon- trade union. sindicato
sibility for this is down to the employer. both. ambos; tanto um quanto o
• workers have a right to join and be repre- outro
sented by a trade union?
Fonte P http://www.hse.gov.uk/workers/

Segurança e Saúde no Trabalho • 29


16•CA08T16P3.qxd 15.12.06 00:08 Page 30

Acidentes de trabalho
TEXTO 16

FORAM-SE OS
DEDOS
O
operador de máquinas João Roque que recebe pouco mais de R$ 500,00 e
Correia Neto, de 20 anos, teve qua- está gastando cerca de R$ 400,00 em
tro dedos da mão esquerda esmaga- medicamentos.
dos quando operava uma calandra sem pro- “Se o pessoal na fábrica não fizesse
teção (sensor) na Usimatic, em São uma vaquinha e meu pai não ajudasse no
Bernardo, no dia 5 de maio de 2006. Apesar aluguel não sei como seria”, conta. “A
de imediatamente levado por companhei- empresa e a agência ficam me jogando de
ros ao hospital, João teve amputados os um lado para outro sem resolver nada”,
dedos anular e médio nesta semana. protesta ele.
O trabalhador era contratado pela Sobre a perda dos dedos, João revela
Premium Serviços Temporários Terceiri- que está tentando se conformar. “Sei que
zados e estava apenas há dois meses na vou ficar muito abalado. Não tem dinheiro
Usimatic. Seu contrato venceria dia 12. no mundo que pague. Ainda mais agora,
Casado, pai de um filho de três meses e que estou no começo da carreira”, lamenta.
com o aluguel atrasado, o metalúrgico O diretor do Sindicato, José Paulo
reclama que não recebe qualquer ajuda Nogueira, disse que a luta agora é para
da empresa ou da agência sequer para garantir a João todos os direitos previstos
comprar remédio. na convenção coletiva e na legislação. “A
“O ferimento dói pra caramba e piora fábrica tem de assumir suas responsabili-
com todo esse frio. Eles passaram uns dades”, avisa.
comprimidos mais fortes, mas não tenho “Era previsível que este acidente com
dinheiro para comprar”, reclama João, o João iria acontecer. O pior é que ele

30 • Segurança e Saúde no Trabalho


16•CA08T16P3.qxd 15.12.06 00:08 Page 31

poderia ter sido evitado”. O autor da


denúncia é Clayton Luciano, do CSE na
Usimatic. Ele conta que, quando a máqui-
na foi instalada, a empresa foi informada
pela CIPA de que a falta do sensor pode-
ria provocar algum acidente.
“O problema é que a Usimatic é omis-
sa na questão da segurança do trabalha-
dor, eles só querem produção”, prossegue
Clayton. Ele mesmo perdeu quatro falan-
ges de uma mão em uma prensa. Só depois
do acidente a empresa trocou as máquinas.
“O técnico de segurança é sobrinho do
patrão e só faz o que a empresa manda,
nunca escuta o cipeiro”, diz o membro do
CSE. Outra crítica é a jornada absurdamen-
te longa que os encarregados obrigam os
trabalhadores a cumprir. “Eles ameaçam
com demissão quem não fizer horas extras.
O acidente de agora ocorreu por esse exces-
so de pressão”, afirma Clayton.
João teve os dedos esmagados às 3h30
da manhã, quando seu horário é das 13h40
às 22h. Mesmo assim estava sozinho,
aumentando o estresse da longa jornada.
Quando esticou a mão para pegar a peça,
encostou no cilindro da calandra. A máqui-
na puxou sua mão e triturou os dedos.
Se a calandra tivesse um sensor fun-
cionando como deveria, o acidente com o
rapaz não teria acontecido.

Trecho extraído da Tribuna Metalúrgica do ABC.Terça-feira, 30 de


maio de 2006. Publicação do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Segurança e Saúde no Trabalho • 31


17•CA08T17P3.qxd 15.12.06 00:09 Page 32

Prevenção de acidentes
TEXTO 17

MODELO las normas para


las Comisiones de
Seguridad e Higiene

MEXICANO en el Trabajo son


muy rigorosas

CONCEPTOS BÁSICOS Estos pueden clasificarse en dos grupos:


DE SEGURIDAD EN EL TRABAJO a) Condiciones Inseguras:
Se refieren al grado de inseguridad que
Seguridad en el Trabajo es el conjunto pueden tener los locales, la maquinaria,
de acciones que permiten localizar y evaluar los equipos, las herramientas y los pun-
los riesgos, y establecer las medidas para tos de operación.
prevenir los accidentes de trabajo. b) Actos Inseguros:
La seguridad en el trabajo es respon- Es la causa humana que actualiza la
sabilidad compartida tanto de las autori- situación de riesgo para que se produzca
dades como de empleadores y trabajadores. el accidente. Esta acción lleva aparejado
Cuando se presenta un accidente en la el incumplimiento de un método o
empresa intervienen varios factores como norma de seguridad, explícita o implíci-
causas directas o inmediatas de los mismos. ta, que provoca dicho accidente.

Las condiciones inseguras más frecuentes son:

•Estructuras o instalaciones de los o inexistente en la maquinaria, en el


edificios y locales deteriorados, equipo o en las instalaciones.
impropiamente diseñadas, construidas •Herramientas manuales, eléctricas,
o instaladas. neumáticas y portátiles, defectuosas
•Falta de medidas de prevención y o inadecuadas.
protección contra incendios. •Equipo de protección personal
•Instalaciones en la maquinaria o defectuoso, inadecuado o faltante.
equipo impropiamente diseñadas, •Falta de orden y limpieza.
construidas, armadas o en mal esta- •Avisos o señales de seguridad e
do de mantenimiento. higiene insuficientes, faltantes o
•Protección inadecuada, deficiente inadecuados.

32 • Segurança e Saúde no Trabalho


17•CA08T17P3.qxd 15.12.06 00:09 Page 33

Los actos inseguros más frecuentes que los trabajadores realizan


en el desempeño de sus labores son:

• Llevar a cabo operaciones sin • Viajar sin autorización en vehí-


previo adiestramiento. culos o mecanismos.
• Operar equipos sin autorización. • Transitar por áreas peligrosas.
• Ejecutar el trabajo a velocidad • Sobrecargar plataformas, carros,
no indicada. montacargas, etc.
• Bloquear o quitar dispositivos • Usar herramientas inadecuadas.
de seguridad. • Trabajar sin protección en luga-
• Limpiar, engrasar o reparar res peligrosos.
maquinaria cuando se encuen- • No usar el equipo de protección
tra en movimiento. indicado.
• Realizar acciones de manteni- • Hacer bromas en el sitio de tra-
miento en líneas de energía bajo.
viva, sin bloqueo.

Los factores que pueden propiciar la ocurrencia de la condición o del acto


inseguro, como causas indirectas o mediatas de los accidentes son:

1 2
La falta de capacitación y Características personales: la
adiestramiento para el pues- confianza excesiva, la actitud
to de trabajo, el desconoci- de incumplimiento a normas
miento de las medidas preventi- y procedimientos de trabajo esta-
vas de accidentes laborales, la blecidos como seguros, los atavis-
carencia de hábitos de seguridad mos y creencias erróneas acerca de
en el trabajo, problemas psicoso- los accidentes, la irresponsabilidad,
ciales y familiares, así como con- la fatiga y la disminución, por cual-
flictos interpersonales con los quier motivo, de la habilidad en el
compañeros y jefes. trabajo.

Segurança e Saúde no Trabalho • 33


17•CA08T17P3.qxd 15.12.06 00:09 Page 34

Te x t o 1 7 / Prevenção de acidentes

La supervisión debe hacerse, de acuer-


Los controles de seguridad que
do con las necesidades, en forma periódica
deben considerarse en los centros
de trabajo son: (diaria, semanal o por lo menos mensual)
y siguiendo una guía que contenga los
A) CONTROLES DE INGENIERÍA: puntos por comprobar, que debe comple-
• Diseño de procesos con seguridad. mentarse con la observación de otros de-
• Aislamiento por sistemas cerrados. talles importantes de seguridad.
• Sistemas de extracción y humidifi- En esta actividad, las Comisiones de
cación. Seguridad e Higiene deben apoyar a las au-
• Protecciones en los puntos de opera- toridades, para que se dé cumplimiento a
ción y mecanismos de transmisión. la normatividad.
• Diseños ergonómicos. El orden y la limpieza en la prevención
de los riesgos de trabajo, son de gran
B) CONTROLES ADMINISTRATIVOS: importancia, ya que la falta de los mismos
• Supervisión. en los centros laborales son las causas de
• Rotación de personal. un gran número de accidentes, especial-
• Descansos periódicos. mente en: incendios, explosiones, contacto
• Disminución del tiempo con corriente eléctrica; golpeado por:
de exposición. caídas, resbalones y sobreesfuerzos.
Además, con el orden, la limpieza y la
C) EQUIPO DE PROTECCIÓN PERSONAL: prevención de riesgos de trabajo, se obtiene
• Caretas. un ambiente más agradable para el de-
• Mandiles. sarrollo de las actividades laborales.
• Mascarillas. El Reglamento Federal de Seguridad,
• Guantes. Higiene y Medio Ambiente de Trabajo,
• Zapatos de seguridad, etc. establece que los patrones tienen la
obligación de proveer el equipo de protec-
ción personal necesario para proteger la
La supervisión, como una actividad integridad física, la salud y la vida de los
planeada, sirve para conocer oportuna- trabajadores; que éstos deben usarlo
mente los riesgos a que están expuestos invariablemente en los casos en que se
los trabajadores, antes de que ocurra un requiera, y que para su selección, los
accidente o una enfermedad de trabajo, empleadores deben realizar un análisis de
que pueda provocar una lesión o la pérdi- los riesgos a los que aquéllos se exponen
da de la salud del trabajador. (artículo 101).

34 • Segurança e Saúde no Trabalho


17•CA08T17P3.qxd 15.12.06 00:09 Page 35

Las Comisiones de Seguridad e Higiene deberán vigilar:

1. Que el equipo de protección perso- 3. Que el equipo se mantenga en ópti-


nal se seleccione de acuerdo con los mas condiciones higiénicas y de
riesgos a que estarán expuestos los funcionamiento; y
trabajadores. 4. Que sea utilizado por los trabajado-
2. Que el equipo sea facilitado siem- res en forma adecuada y correcta.
pre que se requiera.

Las propias Comisiones de Seguridad •Polainas construidas con materiales


e Higiene reportarán a los patrones y a de acuerdo con el tipo de riesgo, que
las autoridades del trabajo, cualquier puedan quitarse rápidamente en caso
falla en el cumplimiento de estas disposi- de emergencia.
ciones. El equipo de protección personal •Calzado de seguridad.
más usado para seguridad, por región •Mandiles y delantales construidos
anatómica, es: con materiales adecuados al trabajo y
a) Protección de la cabeza tipo de riesgo de que se trate.
•Casco de seguridad, de diseño y •Cinturones de seguridad o arneses;
características adecuadas. cuerdas de suspensión o líneas de vida
b) Protección de la cara y los ojos y equipos de protección semejante.
•Caretas, pantallas o cualquier otro
equipo de protección contra radiaciones Riesgos de Trabajo:
luminosas más intensas de lo normal, "Son los accidentes y enfermedades
infrarrojas y ultravioletas, así como con- a que están expuestos los trabajadores
tra cualquier agente mecánico. en ejercicio o con motivo del trabajo"
c) Protección del cuerpo y de los (artículo 473, Ley Federal del Trabajo).
miembros
•Guantes, guanteletes, mitones, man- Accidente de Trabajo:
gas y cualquier otro equipo semejante, "Es toda lesión orgánica o pertur-
construido y diseñado de tal manera bación funcional, inmediata o poste-rior,
que permita los movimientos de o la muerte, producida repentinamente
manos y dedos, y que pueda quitarse en ejercicio, o con motivo del trabajo,
fácil y rápidamente. cualesquiera que sean el lugar y el

Segurança e Saúde no Trabalho • 35


17•CA08T17P3.qxd 15.12.06 00:09 Page 36

Te x t o 1 7 / Prevenção de acidentes

tiempo en que se preste. Quedan inclu- introduzcan en el organismo a través


idos en la definición anterior los acci- de las vías respiratorias, digestiva o
dentes que se produzcan al trasladarse por la piel y que den lugar a intoxica-
el trabajador directamente de su domi- ciones agudas o muerte
cilio al lugar del trabajo y de éste a • Asfixia por inmersión (ahogados)
aquél" (artículo 474, Ley Federal del • Mordedura o picadura de animales
Trabajo). El responsable de dar aviso sobre los
Los accidentes de trabajo no solamente accidentes de trabajo es el patrón.
ocurren en el local cerrado de la fábrica o La Ley Federal del Trabajo, en su artícu-
negociación, sino también en cualquier lo 504, fracción V establece, entre otras, la
otro lugar, incluyendo la vía pública que siguiente obligación a los patrones:
use el trabajador para realizar una labor de "Dar aviso a la Secretaría del Trabajo y
la empresa, así como cualquier medio de Previsión Social, al Inspector del Trabajo y
transporte que utilice para ir de su domi- a la Junta de Conciliación Permanente o a
cilio al centro de trabajo y de éste a aquél. la de Conciliación y Arbitraje, dentro de las
Se les llama tipo o mecanismo de acci- 72 horas siguientes, proporcionando los
dente de trabajo a las formas según las siguientes datos o elementos:
cuales se realiza el contacto entre los traba- 1. Nombre y domicilio de la empresa;
jadores y el elemento que provoca la lesión 2. Nombre y domicilio del trabajador, así
o la muerte. Los más frecuentes, son: como su puesto o categoría y el monto
• Golpeado por o contra... de su salario;
• Atrapado por o entre... 3. Lugar y hora del accidente, con expre-
• Caída en el mismo nivel sión suscinta de los hechos;
• Caída a diferente nivel 4. Nombre y domicilio de las personas
• Al resbalar o por sobreesfuerzo que presenciaron el accidente; y
• Exposición a temperaturas extremas 5. Lugar en que se presta o haya prestado
• Contacto con corriente eléctrica atención médica al accidentado.
• Contacto con objetos o superficies con
temperaturas muy elevadas que pue-
dan producir quemaduras
• Contacto con sustancias nocivas, tóxi-
cas, cáusticas o de otra naturaleza,
que provoquen daños en la piel o en
Texto publicado pela Subsecretaría del Trabajo, Seguridad y Previsión
las membranas mucosas, o bien se Social. Dirección General de Seguridad y Salud en el Trabajo del
México

36 • Segurança e Saúde no Trabalho


18•CA08T18P3.qxd 12/16/06 1:57 AM Page 37

Cuidados com o corpo


TEXTO 18

COMPLETELY BENEFICIAL Glasbergen

“I exercise every morning before work.


It increases my energy, reduces stress, and makes me smell
so bad that nobody comes into my cubicle to bother me.”

http://www.selfhelpmagazine.com/psychtoons/glasbergen/workout.gif

Segurança e Saúde no Trabalho • 37


19•CA08T19P3.qxd 15.12.06 01:32 Page 38

Riscos do ambiente de trabalho


TEXTO 19

NA CONSTRUÇÃO
CIVIL, O PERIGO É A

Foto: Marcos D’Paula / AE

38 • Segurança e Saúde no Trabalho


19•CA08T19P3.qxd 15.12.06 01:32 Page 39

DERMATOSE
CAUSADA PELO CIMENTO

O
cimento, a massa de cimento ou •Nessa fase, deve evitar o contato com
concreto, quando em contato fre- cimento até as mãos ou os pés melho-
qüente com a pele de muitos trabal- rarem.
hadores da construção civil, pode: •Será preciso usar luvas e/ou botas ao
•Ressecar, irritar ou ferir as mãos, os pés voltar ao trabalho.
ou qualquer local da pele onde a massa •Se for obrigado a trabalhar ou insistir
de cimento permanecer por certo tempo. em fazê-lo com as mãos ou os pés irri-
•Produzir reações alérgicas, e isso de- tados ou feridos poderá piorar e até
pende do contato do cimento com essas ficar alérgico ao cimento.
partes do corpo. •Se sofrer algum arranhão ou ferimento
Se as mãos ou os pés de um trabal- no serviço, deve procurar rapidamente
hador da construção civil estiverem feridos pelo socorro médico. Antes disso, é pre-
ou irritados após contato com o cimento, ciso lavar bem o local ferido com água
ele deve fazer o seguinte: corrente e sabão ou sabonete, e desin-
•Procurar o serviço médico da empresa. fetar com água oxigenada.
•Caso esse serviço não exista, o traba- •A dermatose ocorrida no serviço é como
lhador deverá procurar o posto de saú- se fosse acidente de trabalho. Deve,
de mais próximo de sua casa ou de seu pois, ser tratada pelos serviços médicos
trabalho. do SUS que atendem a esses casos. Se

Segurança e Saúde no Trabalho • 39


19•CA08T19P3.qxd 15.12.06 01:33 Page 40

Te x t o 1 9 / Riscos do ambiente de trabalho

isso acontecer, a empresa de-verá emitir •Se a bota furar ou rasgar, deve ser tro-
a Comunicação de Acidente do cada rapidamente. Não trabalhe com
Trabalho (CAT), a fim de assegurar o bota furada ou rasgada
salário do trabalhador e o tratamento •Pó ou cavaco de madeira dentro dos
integral da dermatose gratuitamente. sapatos ou das botas pode irritar os pés.
Para proteger sua pele, siga estas O melhor é usar meias de futebol.
recomendações: •Se entrar massa ou calda de cimento
•Na preparação da massa de cimento use pelos furos ou rasgos da bota, pode
luvas e botas de borracha forradas inter- provocar dermatoses graves nos pés.
namente. •Se cair massa de cimento ou calda de
•Não trabalhe descalço ou de sandália concreto dentro da bota, o trabalhador
havaiana, ou de bermuda. deve retirar a bota e a meia imediata-
•Se sua roupa estiver suja de massa ou mente e lavar os locais atingidos.
calda de cimento ou concreto, troque-a •Não deixe a calça úmida de calda do
logo que possível. cimento em contato com a pele.
•Deve-se evitar trabalhar de bermuda, o •Nunca use o agitador sem proteção e
melhor é usar calça comprida. Trabalhar sempre use óculos de segurança, luvas,
de sandália havaiana prejudica a pele: botas e capacete.
botas de borracha ou couro protegem •Se cair concreto dentro da luva ou bota,
os pés. deve-se lavá-los imediatamente, assim
•Sempre que possível, quando trabalhar como as mãos e os pés. Isto evitará feri-
em contato com a massa de cimento, mentos e queimaduras pelo cimento.
use luvas de borracha forradas. •Ao final do trabalho diário, os pés e as
•Luvas ou botas rasgadas ou furadas são mãos devem ser muito bem lavados,
um perigo! Precisam ser trocadas ime- para retirar restos de cimento que
diatamente. ficaram na pele e nas unhas.
•Se cair massa ou calda de cimento den-
tro da luva, é preciso retirá-la imediata-
mente e lavar as mãos e as luvas por den-
Extraído da cartilha Dermatose profissional na Construção civil
tro e por fora. Deixe escorrer toda a água. causada pelo cimento, publicação da FUNDACENTRO – MTE

40 • Saúde e Segurança no Trabalho


20•CA08T20P3.qxd 14.12.06 18:20 Page 41

A luta pelo trabalho decente


TEXTO 20
Foto: Robson Fernandes / AE

MERCEDES BENZ PROMOVE


ACORDO MUNDIAL PELA
SAÚDE DO TRABALHADOR
A
direção da Mercedes Benz e o Co- segurança”, disse Valter Sanches, secretá-
mitê Mundial dos Trabalhadores rio geral da Confederação Nacional dos
assinaram protocolo estabelecendo Metalúrgicos da CUT. Outro avanço é que
princípios de saúde e segurança a serem tais princípios valem também para os tra-
seguidos em todas as fábricas da multi- balhadores nas empresas fornecedoras.
nacional. Princípios que devem, a partir de agora,
A empresa se compromete a desenvol- constar do contrato entre a Mercedes e as
ver processos integrados de saúde e segu- terceiras. “É mais uma bala na agulha
rança, garantindo todos os investimentos para melhorar a qualidade dos empregos
necessários. A prevenção das doenças ocu- nas fornecedoras e terceiras, exigindo
pacionais e de acidentes de trabalho passa investimentos”, comentou Sanches.
a fazer parte das metas da empresa. A Mercedes tem fábricas em 21 paí-
“É um avanço, pois a Mercedes colo- ses e emprega 372 mil trabalhadores.
cou no papel as conquistas acumuladas
pelos trabalhadores na área de saúde e Extraído de http://www.smabc.org.br/mostra_materia.asp?id=6888

Segurança e Saúde no Trabalho • 41


21•CA08T21P3.qxd 14.12.06 18:23 Page 42

A luta pelo trabalho decente


TEXTO 21

PACTO CONTRA O
REGIME DE ESCRAVIDÃO
Trabalho decente e trabalho escravo não se resolvem da noite para o dia

Trabalhador mantido em regime


escravo em fazenda no interior do
Rio Grande do Sul: mais de 30
pessoas foram libertadas depois
que a situação foi denunciada.

Foto: Ricardo Wolffenbuttel

42 • Segurança e Saúde no Trabalho


21•CA08T21P3.qxd 14.12.06 18:23 Page 43

N
a Conferência Internacional Empre- problemas possíveis de eliminar num hori-
sas e Responsabilidade Social 2006, zonte razoável.
realizada pelo Instituto Ethos, foram
analisados os desafios de disseminar me- Empenho na Busca
lhores práticas de promoção do Trabalho O presidente do Instituto Observatório So-
Decente e de avançar na aplicação do Pacto cial, Kjeld Jakobsen, apresentou algumas
de Combate ao Trabalho Escravo. metas e objetivos ligados ao trabalho
decente, dizendo que o principal é verificar
Utopia ou Possibilidade? e medir os problemas trabalhistas. E afir-
A socióloga Laís Abramo, diretora da mou que não é de responsabilidade do
Organização Internacional do Trabalho Instituto resolver esses problemas, mas
(OIT) no Brasil, apresentou conceitos cria- apresentá-los de forma que as empresas e
dos pela OIT que estão incluídos na Agenda organizações ligadas ao trabalho, por
Nacional do Trabalho Decente. Segundo exemplo, os sindicatos, se empenhem na
ela, “entende-se por trabalho decente um busca pelo trabalho decente.
trabalho adequadamente remunerado,
exercido em condições de liberdade, eqüi- Agenda para Diálogo
dade e segurança, capaz de garantir uma A Agenda Nacional do Trabalho Decente
vida digna”. procura demonstrar quais os aspectos a
A socióloga reconheceu que o pensamento ser abordados para chegar ao respeito às
pode ser chamado de utópico, mas acredi- normas internacionais do trabalho, à pro-
ta que cada sociedade deve definir quais as moção do emprego de qualidade, à exten-
possibilidades e necessidades a ser aborda- são da proteção social e, principalmente,
das e persegui-las com afinco: “O trabalho ao diálogo social, ponto em que o Brasil
decente é uma condição fundamental para tem avançado imensamente nos últimos
a superação da pobreza, a redução das anos.“Nenhum desses problemas se resol-
desigualdades sociais, a garantia da gover- ve da noite para o dia, por isso, estamos
nabilidade democrática e o desenvolvimen- lutando para acabar com eles de forma
to sustentável”, declarou Laís Abramo. organizada e multidimensional”, finalizou
Apesar de a Agenda propor diversos planos Laís Abramo.
para o combate ao trabalho escravo e ao
trabalho infantil, entre outros, ainda não é Extraído de http://www.gestaosindical.com.br/atualidades/materia.asp?
um programa. Para a socióloga, esses são idmateria=256

Saúde e Segurança no Trabalho • 43


22•CA08T22P3.qxd 14.12.06 18:30 Page 44

Direito ao trabalho decente


TEXTO 22

LEIS NÓS TEMOS


No que diz respeito às atividades ao ar livre, elas são incrivelmente detalhadas

21.1 Nos trabalhos realizados a céu aberto, é obrigatória a exis-


tência de abrigos, ainda que rústicos, capazes de proteger os
trabalhadores contra intempéries. (121.001-7 / I1)

21.2 Serão exigidas medidas especiais que protejam os traba-


lhadores contra a insolação excessiva, o calor, o frio, a umida-
de e os ventos inconvenientes. (121.002-5 / I1)

21.3 Aos trabalhadores que residirem no local do trabalho, deve-


rão ser oferecidos alojamentos que apresentem adequadas
condições sanitárias. (121.003-3 / I1)

21.4 Para os trabalhos realizados em regiões pantanosas ou


alagadiças, serão imperativas as medidas de profilaxia de
endemias, de acordo com as normas de saúde pública.
(121.004-1 / I2)

21.5 Os locais de trabalho deverão ser mantidos em condi-


ções sanitárias compatíveis com o gênero de atividade.
(121.005-0 / I1)

21.6 Quando o empregador fornecer ao empregado moradia


para si e sua família, esta deverá possuir condições sanitárias
adequadas. (121.006-8 / I1)

21.6.1 É vedada, em qualquer hipótese, a moradia coletiva da


família. (121.007-6 / I1)

44 • Segurança e Saúde no Trabalho


22•CA08T22P3.qxd 14.12.06 18:30 Page 45

21.7 A moradia deverá ter:


a) capacidade dimensionada de acordo com o número de
moradores; (121.008-4 / I1)
b) ventilação e luz direta suficiente;(121.009-2 / I1)
c) as paredes caiadas e os pisos construídos de material
impermeável. (121.010-6 /I1)

21.8 As casas de moradia serão construídas em locais arejados,


livres de vegetação e afastadas no mínimo 50 m (cinqüenta
me-tros) dos depósitos de feno ou estercos, currais, estábulos,
pocilgas e quaisquer viveiros de criação. (121.011-4 / I1)

21.9 As portas, janelas e frestas deverão ter dispositivos capazes


de mantê-las fechadas, quando necessário. (121.012-2 / I1)

21.10 O poço de água será protegido contra a contaminação.


(121.013-0 / I1)

21.11 A cobertura será sempre feita de material impermeável,


imputrecível, não combustível. (121.014-9 / I1)

21.12 Toda moradia disporá de, pelo menos, um dormitório,


uma cozinha e um compartimento sanitário. (121.015-7 / I1)

21.13 As fossas negras deverão estar, no mínimo, 15 m (quinze


metros) do poço; 10 m (dez metros) da casa, em lugar livre
de enchentes e à jusante do poço. (121.016-5 / I2)

21.14 Os locais destinados às privadas serão arejados, com ven-


tilação abundante, mantidos limpos, em boas condições sani-
tárias e devidamente protegidos contra a proliferação de inse-
tos, ratos, animais e pragas. (121.017-3 / I1)

Fonte P NR21 do Ministério do Trabalho e Emprego

Segurança e Saúde no Trabalho • 45


23•CA08T04P2.qxd 14.12.06 18:32 Page 46

Excesso de trabalho
TEXTO 23

A SAÚDE NA SOCIEDADE 24 HORAS


D
e acordo com o recenseamento de shopping centers e supermercados, hotéis,
2000, no Brasil há cerca de 64 mi- cinemas, restaurantes, academias de ginás-
lhões de pessoas ocupadas em vários tica, clubes sociais e esportivos etc.
tipos de trabalho. Quase metade delas tra- Como se pode observar, além dos servi-
balha mais que as 44 horas semanais pre- ços essenciais, há uma quantidade cada vez
vistas na Constituição como a jornada maior de produção de bens e prestação de
máxima de trabalho semanal. serviços que funcionam o tempo todo. Para
Assim sendo, existe muita gente que, que esses bens sejam produzidos e os servi-
além de trabalhar mais que o número de ços prestados, aumenta a população que
horas semanais previstas em lei, ainda o faz trabalha em turnos, em horário noturno ou
em horário noturno. em horários irregulares.
Calcula-se que mais de 10% da popu- Não há como negar, portanto, a exis-
lação brasileira ativa trabalha em turnos ou tência de uma "sociedade 24 horas", que
à noite. Talvez essa porcentagem seja até depende de um grande contingente de
maior, já que a oferta de serviços que fun- trabalhadores. Trabalhadores estes sujeitos
cionam dia e noite, inclusive nos fins de à exposição de fatores que podem estragar
semana e feriados, aumentou muito de a sua saúde.
alguns anos para cá: são serviços de teleco-
municações, de processamento bancá- Fonte P (São Paulo em Perspectiva ISSN 0102-8839 versão impressa
rio, de distribuição de correspondência, São Paulo Perspec. v.17 n.1 São Paulo jan./mar. 2003 - fragmento)

46 • Segurança e Saúde no Trabalho


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Normas de segurança
TEXTO 24

RESPONSABILIDADE
A PARTE DA EMPRESA
A legislação trabalhista específica
para a indústria e a aplicação de
produtos tóxicos prevê que: ar
e m f a l h
Qu
É obrigação do empregador
o b r i g a ções
P fornecer os EPI adequados ao trabalho
nestas s er
P instruir e treinar quanto ao uso dos EPI
p o d e r á
P fiscalizar e exigir o uso dos EPI
n s a b i l i z ado
P repor os EPI danificados respo
É obrigação do trabalhador
P usar e conservar os EPI

O
empregador poderá responder na dos pelas indústrias sobre os EPI que devem
área criminal ou cível, além de ser ser utilizados para cada produto.
multado pelo Ministério do Traba- O papel do engenheiro agrônomo
lho. O funcionário está sujeito a sanções durante a emissão da receita é fundamen-
trabalhistas, podendo até ser demitido por tal para indicar os EPI adequados, pois,
justa causa. além das características do produto, como
É recomendado que o fornecimento de a toxicidade, a formulação e a embalagem,
EPI, bem como treinamentos ministrados o profissional deve considerar os equipa-
sejam registrados através de documentação mentos disponíveis para a aplicação (costal,
apropriada para eventuais esclarecimentos trator de cabina aberta ou fechada, tipos de
em causas trabalhistas. pulverizadores e bicos), as etapas da mani-
Os responsáveis pela aplicação devem pulação e as condições da lavoura, como o
ler e seguir as informações contidas nos porte, a topografia do terreno, etc.
rótulos, bulas e nas Fichas de Informação
de Segurança de Produto (FISPQ) forneci- Extraído de http://www.andef.com.br/epi/

Segurança e Saúde no Trabalho • 47


25•CA08T25P3.qxd 14.12.06 18:56 Page 48

Cuidados com o corpo


TEXTO 25

A VOZ DO CORPO As reclamações do organismo podem ser ao


mesmo tempo inoportunas e salvadoras

Moacyr Scliar

E
le não saberia dizer exatamente quando isso aconteceu, mas
lá pelas tantas começou a ouvir a voz de seu corpo. Ou, me-
lhor dizendo, as vozes eram várias. Mas tinham um carac-
terístico comum: sempre reclamavam. “Você está acabando
conosco”, protestavam os pés quando ele tinha de assistir a algu-
ma cerimônia sem poder sentar. “Você está me castigando com
essa comida”, gemia o estômago cada vez que ele comparecia a
um jantar da empresa. Ele escutava, apreensivo, tais protestos,
rezando para que não fossem audíveis, para que ficassem só entre
ele e o corpo, inesperadamente transformado em adversário.
Por algum tempo optou por ignorar as reivindicações. Mas,
então, ocorreu o incidente que mudou sua existência. Ele estava
numa reunião importante, com dois diretores da companhia em
que trabalhava, quando, de repente, ouviu uma voz surda, caver-
nosa, vinda das profundezas do ventre:
— Quero ir ao banheiro.
Era o intestino, claro. E o pedido tinha fundamento: saíra
apressado, sem tempo de fazer as necessidades. Agora vinha a
cobrança.
Mas não podia ir ao banheiro, não naquele momento. De
modo que sussurrou:
— Agora não dá. Esta reunião é muito importante.
— Você disse alguma coisa? – perguntou um dos diretores,
franzindo o cenho. Ele desconversou: não, não dissera nada, res-
mungara algo para si próprio. O homem ainda desconfiado
voltou à longa agenda da reunião, mas aí ele ouviu de novo a
voz, insistente:

48 • Segurança e Saúde no Trabalho


25•CA08T25P3.qxd 14.12.06 18:56 Page 49

Ilustração: Alcy
— Vamos ao banheiro, ou faço aqui mesmo, e você vai mor-
rer de vergonha.
Era uma ameaça terrorista, obviamente, mas ele sabia que
era para valer. Levantou-se e, pedindo desculpas, disse que tinha
de ir ao banheiro.
— O momento não é oportuno – disse o outro diretor, num
tom ácido, ominoso, um tom que continha uma clara advertên-
cia: se você sair desta sala, seu emprego pode ir para o espaço.
Mas agora ele já não agüentava mais. Saiu correndo, embara-
fustou pelo banheiro. E ficou lá muito tempo: o intestino, numa
espécie de brincadeira perversa, resolvera funcionar lentamente.
Mas foi sua sorte. Porque, enquanto ele estava sentado no
vaso, quatro seqüestradores entraram na sede da empresa e
levaram os dois diretores. Que ainda estão em lugar incerto e
não sabido.
Com o que ele resolveu mudar de vida. Pediu demissão do
emprego, mora num sítio, onde passa a maior parte do tempo de
papo para o ar. Só que o dinheiro economizado está para termi-
nar, e a mulher (de quem está separado) quer saber o que
pretende fazer no futuro. Ele não diz nada. Aguarda pela voz do
corpo. Que, no entanto, nunca mais se fez ouvir.

Trecho do do livro O Imaginário Cotidiano, de Moacyr Scliar


Editora Global – São Paulo – 2a edição 2002.

Segurança e Saúde no Trabalho • 49


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Riscos do ambiente de trabalho


TEXTO 26

O QUE É A Organização
Internacional do
ASSÉDIO MORAL Trabalho classifica
a violência como
NO TRABALHO? praga global

Ilustração: Alcy

A
OIT considera a exposição dos tra- métricas, em que predominam condutas
balhadores e trabalhadoras a si- negativas, relações desumanas e aéticas
tuações humilhantes e constrange- de longa duração, de um ou mais chefes
doras, repetitivas e prolongadas durante dirigida a um ou mais subordinado(s),
a jornada de trabalho e no exercício de desestabilizando a relação da vítima com
suas funções, sendo mais comuns em o ambiente de trabalho e a organização,
relações hierárquicas autoritárias e assi- forçando-a a desistir do emprego.

50 • Segurança e Saúde no Trabalho


26•CA08T26P3.qxd 12/16/06 1:30 AM Page 51

Caracteriza-se pela degradação deli- dade e impondo aos trabalhadores um


berada das condições de trabalho em que sofrimento perverso.
prevalecem atitudes e condutas negativas A humilhação repetitiva e de longa
dos chefes em relação a seus subordina- duração interfere na vida do trabalhador e
dos, constituindo uma experiência subje- trabalhadora de modo direto, comprome-
tiva que acarreta prejuízos práticos e tendo sua identidade, dignidade e relações
emocionais para o trabalhador e a orga- afetivas e sociais, ocasionando graves da-
nização. A vítima escolhida é isolada do nos à saúde física e mental*, que podem
grupo sem explicações, passando a ser evoluir para a incapacidade laborativa,
hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, desemprego ou mesmo a morte, constitu-
culpabilizada e desacreditada diante dos indo um risco invisível, porém concreto,
pares. Estes, por medo do desemprego e nas relações e condições de trabalho.
da vergonha de serem também humilha- A violência moral no trabalho consti-
dos, associado ao estímulo constante à tui um fenômeno internacional, segundo
competitividade rompem os laços afetivos levantamento recente da Organização
com a vítima e, freqüentemente, reprodu- Internacional do Trabalho (OIT) com
zem e reatualizam ações e atos do agres- diversos países desenvolvidos. A pesquisa
sor no ambiente de trabalho, instaurando aponta distúrbios da saúde mental rela-
o “pacto da tolerância e do silêncio” no cionados com as condições de trabalho
coletivo, enquanto a vítima vai gradativa- em países como Finlândia, Alemanha,
mente se desestabilizando e fragilizando, Reino Unido, Polônia e Estados Unidos.
“perdendo” sua auto-estima. As perspectivas são sombrias para as duas
O desabrochar do individualismo próximas décadas, pois, segundo a OIT e
reafirma o perfil do “novo” trabalhador: Organização Mundial da Saúde estas
“autônomo, flexível”, capaz, competitivo, serão as décadas do “mal, estar na globa-
criativo, agressivo, qualificado e empre- lização”, em que depressões, angústias e
gável. Estas habilidades o qualificam para outros danos psíquicos, relacionados com
a demanda do mercado, que procura a as novas políticas de gestão na organiza-
excelência e saúde perfeita. Estar “apto” ção de trabalho e que estão vinculadas as
significa responsabilizar os trabalhadores políticas neoliberais.
pela formação/qualificação e culpabilizá-
los pelo desemprego, aumento da pobre-
za urbana e miséria, desfocando a reali- Extraído de http://www.assediomoral.org/site/assedio/AMconceito.php

Segurança e Saúde no Trabalho • 51


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Saúde indígena
TEXTO 27

ÍNDIOS DO XINGU AMEAÇADOS


POR DST, DIABETES E OBESIDADE
Apesar de ter bom atendimento médico, os índios do Xingu estão
ameaçados por doenças modernas, como câncer de colo de útero,
obesidade, hipertensão e diabetes.

O
médico sanitarista Douglas Rodri- propostas para a Funai reassumir o siste-
gues é coordenador do projeto Xingu ma. Acho que isso vai ser uma catástrofe,
da Universidade Federal de São pois a Fundação não tem estrutura nem
Paulo (Unifesp) e responsável pelo atendi- gente qualificada para um trabalho desse
mento médico de 2.263 índios que vivem porte. Já demonstrou isso.
nas aldeias do Médio e Baixo Rio Xingu.
Nesta entrevista, ele conta como enfrenta o ISA: Por que o trabalho da Funasa não
desafio de estancar o avanço de “novas” funciona direito?
enfermidades, como as doenças sexual- Douglas Rodrigues: Porque a Funasa con-
mente transmissíveis (DSTs), obesidade, tinua trabalhando com os índios como no
hipertensão e desnutrição infantil. tempo em que controlava malária no meio
do mato. As pessoas precisam entender que
ISA: Como o senhor avalia o sistema de o trabalho de saúde indígena é muito
saúde indígena atual? complexo. São 400 mil índios aldeados no
Douglas Rodrigues: Eu sou do tempo em Brasil, mas cada grupo de mil é diferente de
que a Fundação Nacional do Índio (Funai) outros mil e estes de outros 500 e por aí vai.
era a responsável pela saúde indígena e Assim, os critérios comuns de saúde públi-
acompanhei a mudança a partir de 1999, ca, como um médico para dois mil habitan-
com a entrada da Funasa (Fundação Na- tes – que valem para cidades como São
cional de Saúde) e a criação dos Distritos Paulo –, não servem para os índios do
Sanitários Especiais Indígenas os Dseis, e a Xingu, nem para os ianomâmis, onde talvez
inclusão dos indígenas no atendimento seja necessário um médico para 500, 300
pelo SUS, Sistema Único de Saúde. A habitantes. Os índios são muito vulneráveis,
melhora é inquestionável, mas existem estão em locais distantes e de difícil acesso.

52 • Segurança e Saúde no Trabalho


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Foto: Brant Olson


Galpão comunitário em aldeia Araweté, no Xingu: diversidade dos povos complica o servço médico.

ISA: Qual a mudança necessária mais Xingu é uma delas, graças à presença da
urgente? Unifesp.
Douglas Rodrigues: Preparar as associa-
ções indígenas para defender os direitos ISA: Qual o diferencial do Xingu?
dos índios junto ao Estado e brigar por Douglas Rodrigues: O diferencial do aten-
esses direitos. E não agir como no mode- dimento de saúde no Xingu é que tem uma
lo atual, que as torna dependentes do universidade por trás, que atua na região
financiamento, e elas ficam com o rabo há mais de 40 anos e que acumulou conhe-
preso. Hoje, o que mais se encontra nas cimento sobre a população indígena e tem
coordenações regionais são os “consulto- o seu apoio. Sei de ONGs e associações indí-
res”, muitas vezes apadrinhados políticos genas que ficam seis meses sem receber
em cargos totalmente loteados, com salário. E se não há dinheiro para salário,
muita rotatividade e nenhum entendi- também não tem para gasolina, para
mento do trabalho. Cada um que entra motor, para remédio. E isso é para as
quer reinventar a roda. Isso ocorre em ações que chamamos de curativas. As de
todos os lugares, com raras exceções, e o promoção de saúde, que são as que deve-

Segurança e Saúde no Trabalho • 53


27•CA08T27P3.qxd 15.12.06 00:12 Page 54

Te x t o 2 7 / Saúde Indígena

riam ser priorizadas neste modelo, nem de colo de útero é uma doença nova, apare-
chegam a acontecer. ceu há uns quinze anos no parque. Quan-
do comecei a trabalhar no Xingu, há 25
ISA: Qual deveria ser a prioridade, anos, uma gripe derrubava um índio adul-
prevenção ou cura? to e forte na rede, com 39 graus de febre, o
Douglas Rodrigues: Tem que ter recursos pulmão chiando. Era um agente agressor
para as duas coisas. A prevenção é funda- novo. Com o tempo, os organismos vão se
mental para evitar doenças no futuro, adaptando às infecções e as manifestações
mas há momentos em que você precisa de clínicas deixam de ser tão intensas.
recursos, humanos e financeiros, para
cuidar das doenças que estão acontecen- ISA: As doenças modernas são mais
do naquela hora. O ideal é que as doen- ameaçadoras do que a tuberculose, gripe
ças fossem tão poucas que se pudesse ou malária?
trabalhar basicamente com prevenção. Douglas Rodrigues: Sim. O Xingu não é
Mas na situação atual isso nunca vai mais um lugar isolado, as pessoas entram e
acontecer, pois não há recursos para saem o tempo todo, ficam em permanente
melhorar a saúde indígena. Então ficamos contato com a sociedade branca, e com isso
sempre apagando incêndio, correndo vem o contágio. Diminuiu a incidência das
atrás da doença. E ainda tendo que esco- doenças chamadas tradicionais, mas há
lher quais tratar, pois muitas vezes só dá outras doenças surgindo, muitas delas liga-
para cuidar das que oferecem risco de das ao estilo de vida mais sedentário e à
vida. alimentação. Antes a malária matava terri-
velmente, até a década de 1980 apareciam
ISA: Quais são os principais problemas 30 ou 40 casos semanalmente, enquanto
de saúde no Xingu? hoje esse número é registrado ao longo de
Douglas Rodrigues: Há uma epidemia de um ano. Em compensação, naquela época
câncer de colo de útero. Em abril de 2006 não havia praticamente casos de hiperten-
operamos 21 mulheres com lesões graves, são arterial, obesidade ou diabetes. Há
uma proporção altíssima, já que só há cerca aldeias com quase 40 pessoas hipertensas,
de 900 mulheres sexualmente ativas no precisando tomar remédios. Tivemos dois
parque, que é o grupo de risco para o HPV, óbitos por acidente vascular cerebral, os
o vírus causador das lesões. Algumas paci- primeiros da história do Xingu. Já há índios
entes morreram pela demora nos diagnós- usando marca-passos, devido a cardiopatias
ticos e realização das operações. O câncer conseqüentes de hipertensão arterial.

54 • Segurança e Saúde no Trabalho


27•CA08T27P3.qxd 15.12.06 00:12 Page 55

ISA: Quais os outros impactos desta ções sexuais, que entre os índios é de um
mudança no estilo de vida dos índios a dois anos, exatamente para evitar que
do Xingu? venha um filho atrás do outro. A tradição
Douglas Rodrigues: A mudança de hábi- manda que o homem não mexa com a
tos alimentares leva a dois extremos: obesi- mulher até o filho começar a andar. Por
dade e desnutrição, principalmente nas isso é que muitos homens têm duas ou
grávidas, nas crianças e nos idosos. A três mulheres. Hoje em dia ninguém res-
desnutrição em crianças praticamente não peita mais isso. E dizem que é “porque é
existia, e hoje temos 15 a 20% das crianças assim que os brancos fazem”. É comum
menores de cinco anos com algum grau de ver mulher grávida e amamentando, que
desnutrição. No Xingu não temos casos daqui a algum tempo vai ter sete, oito cri-
graves, tirando uma ou outra exceção. Mas anças para dar de comer, a roça vai ter
isso está avançando e é intrigante. Como que aumentar, e a mãe acaba cuidando
pode ter criança desnutrida numa aldeia mais de uns do que de outros. Portanto,
com tanta fartura de alimentos? A conclu- os problemas de saúde não são por falta
são, a partir dos relatos dos próprios ín- de comida.
dios, é que isso tem a ver com mudança de
hábitos relativos aos cuidados com as crian- ISA: A obesidade também é problema?
ças. Por exemplo, alimentação especial. No Douglas Rodrigues: Também. Antigamen-
Xingu, uma criança pequena não come te todo mundo remava seus barcos para
uma série de coisas, só um ou outro peixe, cima e para baixo. Agora é só barco a motor.
ela se alimenta basicamente de caldos. Esse Cortavam madeira no machado, agora é
hábito está se perdendo. Os antigos Kaiabi com motosserra. E estão consumindo mais
contam que antigamente as crianças anda- sal e açúcar. Gastando menos energia nas
vam com uma cuiazinha cheia de farinha atividades diárias, e tendo comida o tempo
de peixe para comerem quando tivessem todo, o cara fica obeso e pode desenvolver
fome, isso não existe mais. As roças estão diabetes. Esse problema atinge os índios
diminuindo, a rapaziada está mais interes- norte-americanos desde a década de 1960
sada nas coisas da cidade do que em abrir e agora está acontecendo no Brasil. São
roça. Querem mais é arrumar emprego e ameaças importantes, atuais, e a Funasa
comprar o arroz e o feijão. não está nem pensando em tratar, o negó-
Outra coisa que está acabando no cio deles é vacinar e controlar diarréia.
Xingu é o intervalo interpartal, o período Extraído de http://www.metaong.info
durante o qual o casal não mantém rela- Texto adaptado de entrevista concedida a Bruno Weis, do ISA

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Cuidados com o corpo


TEXTO 28

SÓBRIA DECISÃO

Foto: Caio Guatelli / AE

56 • Segurança e Saúde do Trabalhador


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Doença muitas vezes favorecida pela atividade


profissional, o alcoolismo tem sido enfrentado
por empresas e seus funcionários dependentes

Krishma Carreira acidente de trânsito, ferimentos e demis-


são. O patrão toleraria um acidente de
trânsito, mas não um empregado bêbado.
Esta história já está no passado de

G
eraldo mal abre os olhos pela manhã Geraldo de Souza, hoje com 45 anos e há
e com a luz do dia vem uma vonta- 13 sem beber. “Antes, eu não tinha iden-
de visceral: bebida! Quando menos tidade. Eu nem me olhava no espelho.”
espera está com o copo de cachaça na mão Ele atribui à conquista da abstinência a
trêmula. Sem fome, segue para a fábrica. realização de antigos sonhos. Fez curso
De vez em quando, corre para o armário de fotografia. Comprou apartamento –
onde esconde uma garrafa. Um gole, outro, onde vive com a mulher e dois filhos –,
e volta ao trabalho. Na saída, mais um que temeu perder durante a era dos
trago. Por dia, enxuga duas garrafas e, por porres. E virou atleta. No futuro pretende
causa disso, chega a dar o cano quinze dias pedalar 535 quilômetros até Belo Hori-
por mês. Geraldo está com 32 anos e come- zonte, sua cidade natal.
çou a beber aos 18. Geraldo ainda vive uma luta diária
Na época, arrumou emprego de insta- contra o vício. “Quando vejo alguém
lador de cortinas. “No final do serviço, o tomando uma cervejinha me dá vontade,
cliente pagava uma bebidinha.” Logo mas eu resisto.” Ele é dependente químico.
começou a tomar cerveja todos os dias. Um A Organização Mundial de Saúde conside-
dia, a situação saiu de controle. Depois de ra que o alcoolismo é doença – que não tem
beberem umas e outras, Geraldo e o cura, mas tem controle. Está em quarto
companheiro de trabalho começaram a lugar na lista das doenças que mais inca-
trocar socos enquanto o amigo dirigia, por pacitam os trabalhadores. Pode ter causa
causa da divisão da gorjeta. Saldo: um hereditária, psicológica, sociocultural ou

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todas juntas. Segundo o Centro Brasileiro Programas de prevenção e de recupe-


de Informações sobre Drogas Psicotrópicas ração de dependentes químicos dentro das
(Cebrid), 11,2% dos brasileiros são alcoó- empresas – públicas e privadas – são cada
latras. No Nordeste, a média chega a vez mais comuns, ainda que a embriaguez
16,9%. Quem começa a beber com menos habitual ou em serviço possam levar à
de 15 anos tem quatro vezes mais chances demissão por justa causa. Edson Lisboa,
de se tornar dependente do que quem superintendente regional do Sesi do Rio
começa entre os 15 e os 21. Grande do Sul, acompanhou de perto uma
experiência de sucesso que tem 11 anos e
Muito a oferecer beneficiou mais de 100 mil trabalhadores.
Antônio Ribeiro Santos tomou a Com orçamento de 30 mil reais, o Sesi faz
primeira pinga aos 10 anos, em casa, com durante um ano e meio um mapeamento
o pai. “Disseram: ‘este é homem pra sobre os problemas de uma empresa em
valer’”, lembra. Antônio é alcoólatra em relação ao álcool e outras substâncias
recuperação há 15 anos. Parou de beber químicas. Com o levantamento em mãos,
com terapias em grupo e com o apoio dos são traçadas ações específicas para cada
amigos, e ainda faz parte do programa de fábrica. A identidade dos dependentes é
ajuda aos dependentes químicos da Ford, preservada.
onde trabalha há 13 anos. O grupo, de 24 Num universo de 73 firmas atendidas,
pessoas, reúne-se a cada quinze dias o consumo de álcool diminuiu, em média,
durante duas horas para apoio mútuo e 13%. As faltas, 8%. Os atrasos, 32%. E os
troca de experiências. acidentes de trabalho, 34%. Para 70% dos
“O grupo está mais forte a cada dia. alcançados pelo programa, o ponto de
Aqui é uma família”, diz Ana Maria Feli- partida para enfrentar a dependência
ciano, assistente social da companhia, foram as empresas, que deixaram de
que lembra casos de recuperação, como o perder 50 milhões de reais com os impac-
de um funcionário que pegou um carro tos da doença – de gastos com atendimen-
na linha de produção para beber na porta- to a perda de produtividade.
ria. “A pessoa em recuperação tem muito
a oferecer para a firma. Depositaram Ver o fundo
confiança em mim e me deram até função O programa de controle e recupera-
com maior responsabilidade”, diz um ção de dependência química desenvolvido
integrante do grupo, que chegou a ficar pela Embraer detectou que o álcool apare-
internado por um mês e em cujo trata- ce em quarto lugar na lista de drogas mais
mento a fábrica empregou 7 mil reais. consumidas e que aproximadamente 13%

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dos 14 mil funcionários da empresa têm


relação problemática com a bebida. “Nos
Sintomas da Síndrome de
últimos seis anos, houve uma redução de
Dependência do Álcool e
53% no número de faltas na empresa”,
Explicação
comemora Carmine Sarao, diretor de RH
da Embraer. A companhia estende ações P Estreitamento do repertório de beber – No
de recuperação à participação da família, início, a pessoa bebe alguns dias, em outros
faz exames toxicológicos e usa bafômetros não. Com o aumento da dependência,
periodicamente nos funcionários. “Desde começa a beber todos os dias, principalmente
à noite. Depois, passa a ingerir bebidas no
2000, para cada trabalhador identificado
almoço até chegar a beber ao acordar. No
no exame toxicológico, outros dois procu-
auge, bebe de hora em hora.
raram ajuda voluntariamente”, completa
Carmine. P Priorização do comportamento da busca
O exame é polêmico. O médico João do álcool – A pessoa passa a beber até nas
Carlos Dias, da Associação Brasileira de situações socialmente inaceitáveis (no tra-
balho, no carro etc.)
Psiquiatria, diz que o exame só pode ser
realizado se for consentido pelo trabalha- P Aumento da tolerância ao álcool - O
dor ou por acordo coletivo, e não pode dependente passa a beber mais para ter o
ser usado de forma punitiva. “Tem que mesmo efeito e consegue fazer tarefas com
fazer parte de um programa de preven- altas concentrações de álcool no sangue.
ção e dar direito ao contraditório. O P Sintomas repetidos de abstinência – No
exame mostra que o trabalhador usa uma começo, os sintomas são leves e incapacitam
substância química, mas não indica se ele pouco. A intensidade deles aumenta com o
é dependente. Ele pode ser útil em profis- tempo. Exemplos: tremores, náusea, cãibras,
sões cujo erro pode prejudicar seriamen- inquietação, depressão e pesadelos.
te outras pessoas, como no caso de um P Consumo de álcool para aliviar ou evitar
piloto de avião”, explica Dias. os sintomas de abstinência – Nas fases
Jefferson Luiz da Silva era funcionário mais severas, o dependente bebe pela
da Embraer, trabalhava na administração manhã para sentir-se melhor. Mas este sin-
do aeroporto de São José dos Campos (SP) toma também está presente nas fases inici-
e várias vezes chegou bêbado ao trabalho. ais: a pessoa pode sentir a ansiedade
“Eu maltratava as pessoas, assustava. diminuir após beber, sem atribuir isso à
abstinência.
Como conseguia ficar algum tempo sem
beber, até um ano, eu achava que não era
alcoólatra. Mas bastava começar. Quando

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eu abria a garrafa tinha que ver o fundo. Ao lado: cartaz de estímulo


a freqüentadores de clínica
Saí da casa da minha mãe por causa do para dependentes de álcool.
descontrole”, descreve. Aos 31 anos, Jeffer-
son procurou ajuda na empresa. “O trata-
mento é excelente porque o alcoólatra
conta com uma estrutura e tem motivação.”
Profissões de alto risco
Ele não bebe há 15 anos e mudou de ativi-
dade: hoje, é consultor de empresas que Edith Seligmann Silva, professora da Fundação
desejam implantar programas de preven- Getúlio Vargas, médica e especialista em psi-
ção e recuperação de dependentes. quiatria e saúde pública, aponta as profissões
nas quais há maior ocorrência de alcoolismo:
Empresa lúcida
1. Atividades socialmente desprestigiadas
Para a médica e professora da Funda- por envolverem atos ou materiais considera-
ção Getúlio Vargas, Edith Seligmann, dos desagradáveis ou repugnantes;
ajudar funcionários em vez de punir é, além
de inteligente por parte da empresa, uma 2. Situações em que a tensão gerada é cons-
tante e elevada, especialmente quando não
questão de justiça, já que algumas ativida-
ocorrem apoio social ou reconhecimento:
des favorecem o alcoolismo. Quem exerce
um trabalho muito perigoso, por exemplo, P Trabalho perigoso;
pode passar a beber compulsivamente para P Trabalho mental intensivo sob altas exigên-
“anestesiar”. O agente penitenciário Luiz da cias de desempenho e rapidez;
Silva Filho, diretor de saúde do sindicato P Trabalho que exige auto controle emocional
da categoria em São Paulo, reitera a expli- intenso e constante (exemplos: funcionários
cação da professora. “Em geral, após seis públicos que atendem pessoas, bancários,
vendedores etc.);
meses de trabalho como agente penitenciá-
rio a pessoa começa a ter problemas com P Trabalho monótono, que gera tédio e insa-
drogas; é estressante demais suportar tanta tisfação;
pressão. Temos muitos problemas com P Trabalho em situação de isolamento (como
agentes alcoólatras.” vigias, maquinistas de trem etc.);
As profissões monótonas também P Atividades que envolvem afastamento pro-
podem gerar problemas com álcool, pois longado do lar (mineração, viajantes comerci-
a bebida passa a ser usada como recurso ais, etc.).
compensatório que gera euforia e prazer.
Atividades que causam afastamento

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Foto: Vidal Cavalcante / AE

Segurança e Saúde do Trabalhador • 61


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prolongado do lar também podem ajudar Foi uma conquista para quem chegou a
no desenvolvimento de dependência. O morar em um porão e até mesmo a dormir
Itamaraty mantém um programa dirigi- no local de trabalho após se separar da
do a diplomatas que abusam do álcool. mulher. Antônio bebia quando acordava.
Médicos são também grandes vítimas da Bebia no almoço. Antes de chegar em
doença. A proximidade constante da casa. Antes de dormir... Perdeu o controle
morte e a exigência de auto- e três empregos. “Fiquei
(…) fui chamado na
controle convidam para um displicente, chegava ao
escola do meu filho
drinque. trabalho com ressaca... Em
porque ele estava com
“Os programas de um deles eu analisava
problemas. Perguntei
prevenção que podem efeti- projetos, mandava execu-
para a psicóloga qual
vamente apresentar resulta- tar e dava problema por-
era o problema dele e
dos são aqueles que primei- que eu não tinha racioci-
ela disse que era eu.
ro vão estudar, com nado direito. Depois que
Levei um choque e deci-
participação de especialistas me separei, fui chamado
di me tratar. estou sem
e dos próprios funcionários, na escola do meu filho
beber há 15 anos.
as condições do ambiente de porque ele estava com
trabalho e as relações que ele proporcio- problemas. Perguntei para a psicóloga
na”, alerta a professora Edith. “A partir daí, qual era o problema dele e ela disse que
identifica-se como surge o risco. O segun- era eu. Levei um choque e decidi me
do passo é desenvolver as transformações tratar. Estou sem beber há 15 anos. No
dos aspectos nocivos do trabalho.” Para começo foi muito difícil; hoje me acho
isso, a empresa também precisa empreen- importante. Vou em festa e me policio
der um esforço semelhante ao do depen- diariamente. Parei de beber com ajuda de
dente: admitir que tem problemas. terapia e não precisei tomar medicamen-
to.” Antônio pode não ter decifrado os
“Levei um choque e decidi me tratar” motivos da dependência, mas o conforto
Antônio Ribeiro Santos tem 52 anos e, dos amigos e o sorriso dos filhos foram
hoje, considera-se um vencedor. “Eu gosto bons motivos para se livrar dela.
de viver intensamente...” Chefe do serviço
do departamento de trânsito da prefeitura
de Diadema (SP), Antônio conseguiu
comprar uma casa para viver com os pais. Texto de Krishma Carreira disponibilizado pela Agência Carta Maior

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Riscos do ambiente de trabalho


TEXTO 29

FORA, AMIANTO!
O Brasil é fortemente
criticado por usar
amianto, apontado
Xxxxxxxxxx
como causa de boa
parte dos casos de
câncer dos pulmões

Washington Novaes
Foto: Xxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx

R
ecentemente, a França divulgou um tem regras de controle, ao contrário da que
relatório apontando o amianto como era mais utilizada na Europa. Mas os cien-
responsável por uma catástrofe que tistas afirmam que não há muita diferença
matou 35 mil pessoas em 30 anos, e ainda entre as duas. Tanto que a Grã-Bretanha já
Xxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxXxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxXxxxxxxxxxxxx
causará a morte de outras
xxxxxxxxxxxxmilhares de pes- proibiu também a crisotila.
soas nos próximos 25 anos. Na França, Enquanto isso, no Brasil, não se con-
assim como em mais 41 países, a substân- segue chegar a uma conclusão a respeito,
cia é proibida, mas no Brasil, apesar de embora muitos representantes do meio
vários Estados terem aprovado a lei proi- ambiente, da saúde e dos trabalhadores
bindo, como Pernambuco, Rio Grande do sejam favoráveis ao banimento do amianto,
Sul e Rio de Janeiro, além de vários muni- usado principalmente em caixas d’água,
cípios, em São Paulo e Mato Grosso do Sul tubulações e telhas.
o amianto continua sendo explorado. Não faz sentido protelar uma decisão
Nosso país é um dos maiores consumi- quando a saúde da população está em jogo.
dores e exportadores de amianto da varie-
dade crisotila. Os produtores alegam que
Extraído do portal virtual da TV Cultura
esta variedade não é prejudicial à saúde e www.tvcultura.com.br

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eja_expediente_Seguranca_2382.qxd 1/26/07 3:28 PM Page 64

Expediente
Comitê Gestor do Projeto
Timothy Denis Ireland (Secad – Diretor do Departamento da EJA)
Cláudia Veloso Torres Guimarães (Secad – Coordenadora Geral da EJA)
Francisco José Carvalho Mazzeu (Unitrabalho) – UNESP/Unitrabalho
Diogo Joel Demarco (Unitrabalho)

Coordenação do Projeto
Francisco José Carvalho Mazzeu (Coordenador Geral)
Diogo Joel Demarco (Coordenador Executivo)
Luna Kalil (Coordenadora de Produção)

Equipe de Apoio Técnico


Adan Luca Parisi
Adriana Cristina Schwengber
Andreas Santos de Almeida
Jacqueline Brizida
Kelly Markovic
Solange de Oliveira

Equipe Pedagógica
Cleide Lourdes da Silva Araújo
Douglas Aparecido de Campos
Eunice Rittmeister
Francisco José Carvalho Mazzeu
Maria Aparecida Mello
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Equipe de Consultores (Câmara Brasileira do Livro. SP, Brasil)
Ana Maria Roman – SP Segurança e saúde no trabalho / [coordenação do projeto
Antonia Terra de Calazans Fernandes – PUC-SP Francisco José Carvalho Mazzeu, Diogo Joel Demarco,
Armando Lírio de Souza – UFPA – PA Luna Kalil]. -- São Paulo : Unitrabalho-Fundação
Interuniversitária de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho ;
Célia Regina Pereira do Nascimento – Unicamp – SP Brasília, DF : Ministério da Educação. SECAD-Secretraria de
Eloisa Helena Santos – UFMG – MG Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2007,
Eugenio Maria de França Ramos – UNESP Rio Claro – SP -- (Coleção Cadernos de EJA)

Giuliete Aymard Ramos Siqueira – SP Vários colaboradores.


Lia Vargas Tiriba – UFF – RJ Bibliografia.
ISBN 85-296-0063-0 (Unitrabalho)
Lucillo de Souza Junior – UFES – ES
ISBN 978-85-296-0063-5 (Unitrabalho)
Luiz Antônio Ferreira – PUC-SP
Maria Aparecida de Mello – UFSCar – SP 1. Higiene do trabalho 2. Livros-texto (Ensino Fundamental)
3. Segurança do trabalho I. Mazzeu, Francisco José Carvalho.
Maria Conceição Almeida Vasconcelos – UFS – SP II. Demarco, Diogo Joel. III. Kalil, Luna. IV. Série.
Maria Márcia Murta – UNB – DF 07-0384 CDD-372.19
Maria Nezilda Culti – UEM – PR Índices para catálogo sistemático:
Ocsana Sonia Danylyk – UPF – RS 1. Ensino integrado : Livros-texto :
Osmar Sá Pontes Júnior – UFC – CE Ensino fundamental 372.19

Ricardo Alvarez – Fundação Santo André – SP


Rita de Cássia Pacheco Gonçalves – UDESC – SC
Selva Guimarães Fonseca – UFU – MG
Vera Cecilia Achatkin – PUC-SP

Equipe editorial
Preparação, edição e adaptação de texto: Pesquisa iconográfica e direitos autorais:
Editora Página Viva Companhia da Memória

Revisão: Fotografias não creditadas:


Ivana Alves Costa, Marilu Tassetto, iStockphoto.com
Mônica Rodrigues de Lima,
Apoio
Sandra Regina de Souza e Solange Scattolini
Editora Casa Amarela
Edição de arte, diagramação e projeto gráfico:
A+ Desenho Gráfico e Comunicação