You are on page 1of 100

FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO

Elisabete Maria Macedo Lopes

O contributo das atividades lúdicas na aprendizagem de


L1 e L2

Relatório/ Mestrado de Estágio Pedagógico apresentado em Ensino do Português para o


3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário e Espanhol para o 3º Ciclo do Ensino Básico e
Secundário

Professor Orientador: Professor Doutor Manuel Ramos

2013

Classificação: Ciclo de estudos:

Dissertação/relatório/Projeto/IPP:

Versão definitiva
2
FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO

Elisabete Maria Macedo Lopes

O contributo das atividades lúdicas na aprendizagem de


L1 e L2

Relatório/ Mestrado de Estágio Pedagógico apresentado em Ensino do Português para o


3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário e Espanhol para o 3º Ciclo do Ensino Básico e
Secundário

Professor Orientador: Professor Doutor Manuel Ramos

2013

3
Resumo

O presente trabalho tem por objetivo a reflexão sobre a utilização de atividades


lúdicas na aprendizagem de L1 e L2. Como os professores se deparam, no dia a dia,
com alunos cada vez mais desmotivados e desinteressados, ficam dificultados tanto o
papel do professor, como o do próprio aluno, e a desejável sintonia no processo de
ensino-aprendizagem, que a todos beneficiaria, fica seriamente comprometida. Segue-
se, implacável, o insucesso escolar.
É aí que surge, como recurso alternativo e/ou estratégico, o lúdico, cuja principal
finalidade é cativar/ motivar os alunos para a aprendizagem e levá-los, à custa do prazer
e da satisfação que das atividades lúdicas é possível extrair, à compreensão. De outra
forma os conteúdos inerentes ao estudo da língua materna e estrangeira não seriam
fáceis de reter. A consciência desta realidade fez com que achasse ser necessário o
desenvolvimento desta temática, que se me apresenta desafiadora e atrativa.
A nível estrutural, o presente trabalho apresenta, depois da introdução do tema, o
enquadramento teórico, no Capítulo I, cuja finalidade é fundamentar a aplicação prática
apresentada no Capítulo III, em que apresentarei propostas didáticas desenvolvidas e
trabalhadas em ambiente de sala de aula, durante o estágio pedagógico, entre outras. No
meio fica o Capítulo II, reservado a uma breve caracterização da escola, do núcleo de
estágio e das turmas com as quais trabalhei e abordei este tema. A partir da análise dos
dados apresentados ao longo destes capítulos foi possível aferir algumas conclusões no
âmbito deste projeto de investigação. A elas reservei o Capítulo IV.

Palavras Chave: Lúdico, motivação, aprendizagem, L1 e L2.

4
Abstract

The aim of the current work is a reflection on the use of recreational activities in
the process of learning a First Language and a Second Language. Every day teachers
have to face students increasingly unmotivated and uninterested, which makes difficult
not only the role of the teacher but also the one of the student and, because of this, the
desirable harmony in the teaching-learning process, that would benefit all, becomes
seriously endangered. Following this there is the, implacable, academic failure.
Bearing in mind the reasons above, the recreational activities appear as an
alternative and/or a strategic resource, which aims to captivate / motivate students for
the learning process and lead them, due to the pleasure and satisfaction that is possible
to achieve through recreational activities, to the comprehension. If it wasn’t the case, it
wouldn´t be easy to retain the contents inherent to the study of a mother tongue and a
foreign language. The awareness of this reality has made me feel necessary to research
about this theme, which I consider to be challenging and attractive.
Structurally, this work presents, after the introduction of the theme, the
theoretical framework, in Chapter I, in order to substantiate the practical application
presented in Chapter III, in which it will be presented the didactic proposals, among
others, developed and worked in a classroom environment, during the teaching
traineeship. In the middle there is Chapter II, reserved for a brief description of the
school, the core of the traineeship and the classes with which I have worked and dealt
with. From the analysis of the data presented in these chapters was possible to assess
some conclusions in the context of this research project. To them I have reserved
chapter IV.

Key Words: recreational, motivation, learning, L1 and L2.

5
Agradecimentos

Foi uma longa e árdua caminhada e, por isso, quero agradecer ao meu
Orientador, o Professor Doutor Manuel Ramos, pela sua ajuda, apoio, compreensão e
disponibilidade.
Agradeço aos meus Orientadores de estágio, a Professora Ana Rosa Silva e o
Professor Joaquim Lopes, por toda a dedicação, apoio e amizade.
Agradeço à minha amiga e colega de estágio Maria Manuel por todos os
momentos que partilhámos e por mutuamente nos termos apoiado e conseguido manter
estáveis quando tudo parecia ruir. Fomos umas valentes!
Aos meus amigos, o meu muito obrigada pelo vosso apoio e carinho.

Para o fim, deixo-vos a vós, razão da minha existência e da minha essência,


minha adorada família! Aos meus pais, o meu muito obrigada por tudo, aos meus
irmãos por me apoiarem sempre e, finalmente, agradeço ao meu marido por todo o
apoio, compreensão e, principalmente, por não me deixar desistir. Obrigada a todos vós!

Nesta caminhada, que se mostrou mais longa do que havia inicialmente suposto,
vivi a experiência mais maravilhosa da minha vida: fui mãe! Dedico, pois, esta
dissertação à minha filha Mariana, o bem mais precioso que na vida tenho e que me faz
ver o mundo com outros olhos!

A todos, obrigada!

6
Lista de abreviaturas utilizadas

L1 – Língua materna (Língua Portuguesa)


L2 – Língua segunda (Língua Espanhola)
LE – Língua estrangeira
ELE – Espanhol Língua Estrangeira
UD – Unidade Didática

7
Índice Geral

Introdução …………………………………………………………………………….10

Capítulo I – O lúdico …………………………………………………………………13


1. O lúdico
1.1. O lúdico e o seu significado/ importância ao longo dos tempos……...14
1.2. O lúdico e a pedagogia ……………………………………………….18
1.3. O lúdico no processo ensino-aprendizagem ………………………….21
1.4. A componente lúdica e o papel do professor ………………………....24
1.5. Os alunos e a dimensão lúdica …………………………………..........28
1.6. O lúdico na aprendizagem de L1 e L2 ………………………………..31
1.7. A motivação, momento privilegiado para a apresentação de conteúdos
lúdicos. Dois tipos de motivação……………………………………………….35

Capítulo II – O contexto em que se desenvolveu o tema ……………………..…….39


1. A Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira …………………………...40
2. O núcleo de estágio ……………………………………………….........41
3. Caracterização das turmas ………………………………………….......41

Capítulo III – O contributo das atividades lúdicas na aprendizagem de L1 e L2:


aplicação prática ……………………………………………………………………..44
1. Objetivo da aplicação prática ………………………………………....45
2. Propostas de atividades lúdicas realizadas durante o estágio pedagógico a
Língua Portuguesa (L1) e a Língua Espanhola (L2) ...................................47
2.1. A motivação, momento privilegiado para a apresentação de
conteúdos lúdicos ....................................................................................47
2.2. Outros momentos da aula, outros exemplos de atividades: .............54
2.2.1. Língua Portuguesa – L1 .........................................................54
2.2.2. Língua Espanhola – L2 ..........................................................63
3. Outras propostas didáticas para Língua Portuguesa (L1) e para Língua
Espanhola (L2) .............................................................................................76

8
Capítulo IV – Conclusão …………………………………………………………......85
Referências bibliográficas ……………………………………………………………89
Índice de Autor .............................................................................................................93
Anexos …………………………………………………………………………………95

9
As atividades lúdicas podem ser a luz que faltava para iluminar as mentes dos alunos.
Marli P. dos Santos (2010: 9)

Introdução

O ensino é, para nós, professores, um mundo cheio de desafios, dificuldades,


barreiras e incertezas que têm que ser ultrapassadas e vencidas. É nosso dever estar bem
informados e alertar para as mais variadas e inesperadas situações que vão surgindo no
nosso percurso enquanto formadores e cabe-nos essencialmente fazer com que os
nossos alunos se sintam parte de toda a comunidade educativa, onde eles são o centro
do nosso trabalho, estudo e pesquisa. Torna-se, assim, necessário que os discentes
entendam a escola como potenciadora de saberes, aquisição de valores para a vida e, por
isso, é preciso senti-la de forma plena para que aprendam, evoluam com mais satisfação,
mais realização e, desta forma, sejam alunos mais interessados e motivados pelo seu
próprio processo de ensino-aprendizagem e dele tenham mais consciência.
A minha escolha pela temática do contributo das atividades lúdicas na
aprendizagem de L1 e L2 residiu principalmente por sentir que é cada vez mais
necessário e urgente termos, na sala de aula, alunos mais motivados e mais interessados
pelas matérias lecionadas e, dessa forma, alcançarem resultados mais positivos.
Acredito que o lúdico seja uma mais valia no processo da aprendizagem dos alunos e, se
na realidade, o podermos tornar num recurso auxiliar de motivação e de despertar neles
o gosto pelo desafio, pela aprendizagem e pela criatividade, então é importante colocá-
lo em prática. Devemos, no entanto, estar cientes de que não é uma tarefa tão simples
como aparentemente possa parecer, pois é necessário ter em atenção uma série de
fatores na hora de pensar, delinear e planificar uma atividade lúdica para trabalhar com
os alunos na sala de aula.
Quero frisar que o meu interesse por este tema, que para muitos pode ser
interpretado como um tema menor ou até indispensável na sala de aula é o de reforçar
que há mais uma ferramenta, mais um recurso valioso que todos conhecemos,
valorizamos e que nos acompanha a vida inteira, o lúdico. A componente lúdica está
presente no nosso quotidiano em diversas situações e em todas as fases da nossa vida,
embora seja muito mais visível e imediato na fase infantil. À medida que crescemos a

10
dimensão lúdica, a necessidade de brincar, de sermos espontâneos ainda assim continua,
mas de uma forma diferente como é expectável, pois faz parte do crescimento e
amadurecimento. Contudo, todos gostamos e temos momentos de lazer, de deleite, de
descompressão relacionados na sua maioria com momentos lúdicos, por exemplo: jogos
de cartas com os amigos, jogos de tabuleiro, palavras cruzadas, sopa de letras, jogos de
mímica, jogos de memória, quebra-cabeças, etc. De referir ainda, que a prática deste
tipo de jogos/ atividades pode ajudar como terapia psicológica e pode, inclusive, ajudar
em algumas doenças porque de forma descontraída trabalham a memorização e a
agilidade de raciocínio.
Este relatório procura essencialmente despertar nos docentes um interesse
crescente pela utilização das atividades lúdicas como um recurso capaz de provocar
mudanças na motivação e interesse dos nossos alunos e, por conseguinte, numa maior e
melhor realização no processo ensino-aprendizagem.
Darei início a este estudo pela parte teórica, analisando a questão do lúdico,
primeiramente num plano abstrato e teorético, que parte do geral para o particular,
fundamentando deste modo o seu contributo para uma aprendizagem mais eficaz e
efetiva e pondo em relevo o seu valor. Em relação à parte prática, apresentarei algumas
propostas didáticas elaboradas por mim e colocadas em prática durante o estágio
pedagógico em L1 (Língua Portuguesa) e L2 (Língua Espanhola). Além delas, irei
apresentar mais algumas propostas de atividades lúdicas para ambas as disciplinas, pois
as aulas que administrei durante o meu estágio ao longo de várias UD (Unidades
Didáticas) foram, apesar de tudo, limitadas, quer em termos de número, quer em termos
de temáticas. Nesta parte prática, pretendo referir todo o processo, contextualizando a
apresentação e desenvolvimento de cada atividade lúdica, assim como avaliá-la e referir
os pontos que podem ser melhorados ou mesmo alterados. De facto, só colocando em
prática as várias atividades apropriadas às turmas e aos alunos, é que conseguimos
receber o seu “feedback” e perceber se a atividade resultou ou não e qual a razão ou
razões para tal.
Para mim, este tema é importante porque visa fundamentalmente tornar as aulas
mais aprazíveis e simplificar as matérias que, muitas vezes se apresentam abstratas e
difíceis para um espírito jovem; mas o mais importante é esperar que os alunos estejam
mais despertos para a aprendizagem, mais interessados, mais motivados e que consigam
obter melhores resultados; e mais do que reconhecerem que a escola é importante para a

11
sua formação, é sentirem-se bem com o aprender, o descobrir uma relação diferente
com a escola, não a vendo como um castigo ou obrigação, mas sobretudo como um
lugar onde desenvolvem as suas competências, afiam as suas habilidades, assim como a
criatividade, a socialização, o lugar onde se formam cidadãos melhores.

12
Capítulo I – O lúdico

13
1. O lúdico

Em todos os tempos, para todos os povos, os brinquedos evocam as mais sublimes


lembranças. São objectos mágicos, que vão passando de geração a geração, com um
incrível poder de encantar crianças e adultos. (Velasco, 1996)

1.1. O lúdico e o seu significado/ importância ao longo dos tempos

lúdico
(latim ludus, -i, jogo, divertimento, distracção, escola
primária + -ico)
adj.
1. Relativo a jogo ou divertimento. = RECREATIVO
2. Que serve para divertir ou dar prazer.
priberam.pt

Lúdico tem a sua origem na palavra latina “ludus” e, como a definição do


dicionário comprova, relaciona-se com jogo, divertimento, distração e prazer1. Se
atendermos, nestas quatro palavras, facilmente nos apercebemos que todas elas têm um
carácter positivo e apelativo e, por isso mesmo, o lúdico acaba por ser quase sinónimo
de algo que nos atrai, que nos motiva e que desperta em nós (crianças, adolescentes e
adultos) reações positivas e de descompressão do dia a dia, da vida agitada e atribulada
a que todos estamos sujeitos.
O ato de brincar e jogar faz parte da condição humana e é-nos inerente: “As
atividades lúdicas representadas pelos jogos, brinquedos e dinâmicas são manifestações
presentes no cotidiano das pessoas e, portanto, na sociedade desde o início da
humanidade.” (Marli P. dos Santos, 2010: 11). Desde a Antiguidade que o jogo ou o
lúdico fazem parte do quotidiano, estão presentes das mais variadas formas e são vários
os autores que tratam e relevam a importância que os jogos têm na nossa formação
enquanto cidadãos e o desenvolvimento que proporcionam, as sensações que
transmitem de descontração, de lazer, de brincar e ao mesmo tempo a sua relação com a
aprendizagem. O lúdico, como é óbvio, está mais presente na infância mas é importante
em todas as idades. A criança precisa de sentir-se atraída pelos jogos ou brincadeiras
que lhe propomos para o seu desenvolvimento psicomotor, a linguagem, a socialização,
a autoconfiança, o pensamento, o afeto (…)

1
Significa ainda escola primária, o que revela a ligação e proximidade entre este nível de ensino inicial e
a pedagogia centrada no jogo
14
Si hacemos un breve recorrido histórico comprobamos que son muchos los autores que
mencionan el juego como parte importante del desarrollo del niño. Entre los filósofos que
abordan este tema está Platón, uno de los primeros que reconoce el valor práctico del juego.
Asimismo Aristóteles en varias de sus obras alude al tema del juego como parte del proceso
de formación.2

Como já havia referido, são vários os autores que estudaram e que se


debruçaram sobre o lúdico, sobre os jogos. Como podemos verificar, Platão e
Aristóteles, dois dos filósofos mais conceituados da Antiguidade Clássica, também
abordaram esta temática e reconheceram o valor prático dos jogos e a sua importância
no processo de formação. Segundo o autor Ferrari (2003: 7):

Platão foi o principal deles e forma, com Aristóteles, as bases do pensamento ocidental. A
educação, segundo a concepção platônica, deveria testar as aptidões do aluno (...) formulou
modelos para o ensino por que considerava ignorante a sociedade grega de seu tempo. Por
seu lado, Aristóteles, que foi discípulo de Platão, planejou um sistema de ensino bem mais
próximo do que se praticava realmente na Grécia de então, equilibrado entre as atividades
físicas e intelectuais e acessível a grande número de pessoas.

Ludus est necessarius ad conversationem humanae vitae.3

São Tomás de Aquino4, principal pensador da época medieval, com esta frase
acaba por valorizar o brincar como sendo essencial à vida humana. Defende que o ser
humano tem necessidade de repousar, descansar e que o faz através do brincar. É
preciso notar que, na época medieval, a cultura estava essencialmente centrada na
religião. O filósofo defende ainda a importância do brincar no ensino: este não deveria
ser enfadonho, nem aborrecido pois dessa forma comprometeria seriamente a
aprendizagem.

2
FUENTES, N. Charo, El componente lúdico en las clases de ELE.
marcoELE. revista de didáctica ELE / ISSN 1885-2211 / núm. 7, 2008, pp.3-4:http://marcoele.com/el-
componente-ludico-en-las-clases-de-ele/
3
Tomás de Aquino, Suma teológica II-II, 168, 3, ad 3.
LAUAND, Jean, Deus Ludens - O Lúdico no Pensamento de Tomás de Aquino e na Pedagogia
Medieval, 2000: WWW.hottopos.com/notand7/jeanludus.htm
4
Tomás de Aquino (Roccasecca, 1225 - Fossanova, 7 de março 1274) foi um
padre dominicano, filósofo, teólogo, distinto expoente da escolástica, proclamado santo e Doutor da
Igreja cognominado Doctor Communis ou Doctor Angelicus pela Igreja Católica.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_de_Aquino

15
Avançando na História e voltando-nos para a era contemporânea, do século XX,
encontramos uma obra intitulada Homo Ludens do autor Johan Huizinga, um historiador
holandês, que atribuiu ao jogo um papel tão fundamental como a reflexão e o trabalho.
A sua obra dedica-se ao estudo do jogo como fenómeno cultural. Para o autor jogo era:

[…] uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados


limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente
obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e
de alegria e de uma consciência de ser diferente da “vida quotidiana.” (2004: 33)

Dois autores incontornáveis no que toca ao desenvolvimento e aprendizagem da


criança são os psicólogos Jean Piaget5 e Lev Vigotsky6. Ambos reconhecidos pelo
contributo que as suas teorias trouxeram para uma compreensão mais ampla e
abrangente sobre a construção do conhecimento na criança, e também, a importância
que ambos reconhecem na utilização do lúdico para o seu desenvolvimento e para a sua
aprendizagem.
De acordo com Piaget (1978), “o desenvolvimento da criança acontece através
do lúdico. Ela precisa de brincar para crescer, precisa do jogo como forma de
equilibração com o mundo”. O autor reforça uma questão particularmente importante,
de que “o jogo não pode ser visto apenas como divertimento ou brincadeira para
desgastar energia, pois ele favorece o desenvolvimento físico, cognitivo, afectivo e
moral” (1967: 32), Piaget defende, portanto, que o jogo ajuda à construção do
conhecimento, logo tem que ser encarado como um elemento fundamental na
aprendizagem e no ensino.

5
Sir Jean William Fritz Piaget (Neuchâtel, 9 de agosto de 1896 - Genebra, 16 de setembro de 1980) foi
um epistemólogo suíço, considerado um dos mais importantes pensadores do século XX. Defendeu uma
abordagem interdisciplinar para a investigação epistemológica e fundou a Epistemologia Genética, teoria
do conhecimento com base no estudo da génese psicológica do pensamento humano. Adaptado:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Piaget
6
Lev Semenovitch Vygotsky (Orsha, 17 de Novembro de */*1896, — Moscou, 11 de Junho de 1934) foi
um psicólogo bielo-russo. Pensador importante em sua área foi pioneiro na noção de que o
desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida.
Veio a ser descoberto pelos meios académicos ocidentais muitos anos após a sua morte, que ocorreu em
1934, por tuberculose, aos 37 anos. Adaptado: http://pt.wikipedia.org/wiki/Vigotsky

16
Segundo o autor Lev Vigotsky (1989):

O lúdico influencia enormemente o desenvolvimento da criança. É através do lúdico que a


criança aprende a agir, a sua curiosidade é estimulada, adquire iniciativa e autoconfiança,
proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração.7

Vários foram os autores8 das mais diversas áreas, além dos referenciados
anteriormente, que dedicaram pesquisas e estudos sobre a questão do lúdico, dos jogos
como meio de desenvolvimento cognitivo e da aprendizagem. Ao longo dos tempos o
lúdico foi encarado de diferentes formas, primeiramente com jogos coletivos e mais
direcionados para os adultos. Posteriormente direcionou-se mais para a criança e para os
seus benefícios quando aliado à educação. Reconheceram a utilidade do lúdico, na
questão do prazer e do agradável, e de que a brincar também se aprende, se cresce, se
adquirem competências, autonomia, mais criatividade (…)
Como há um considerável número de teorias sobre a importância do lúdico e da
sua dificuldade numa só definição, cito a autora Marli P. dos Santos:

(…) Todo o ser humano sabe o que é brincar, como se brinca, por que se brinca, mas a
grande dificuldade surge no momento em que se pretende formular um conceito claro sobre
o lúdico. Nesse momento, as palavras são insuficientes, pois há necessidade de abandonar a
emoção e mergulhar nas trilhas da razão. Será que, para ter credibilidade, o lúdico tem que
ser racionalizado? Por que cada pessoa não pode conceituar o lúdico pelo que sente e não
pelo que as palavras possam dizer? Assim, o lúdico teria um conceito sentido pela emoção
e não pela razão, mais vivido e menos teorizado. Talvez seja por isso que não há consenso
quando se define o brincar. (2010: 11)

7
MONTEIRO, J. L. Jogo, interactividade e tecnologia: uma análise pedagógica. Cadernos da pedagogia
ano I vol. 01 janeiro/julho de 2007, p.130.
http://www.cadernosdapedagogia.ufscar.br/index.php/cp/article/viewFile/11/11
8
Podemos referir nomes de outros autores que se dedicaram a estudos e teorias que ligam lúdico/jogo
com o ensino como: Rosseau, Pestalozzi, Dewey, Frobel, Decroly, Roger Caillois, Bruner, entre outros.
17
1.2. O lúdico e a pedagogia

Tanto as atividades lúdicas quanto a educação são indispensáveis à vida humana quando
situadas como ingredientes que ofereçam melhoria para a qualidade de vida das pessoas.
Santa Marli P. dos Santos (2010: 9)

A escola deve ser um local de formação para a vida e não ser encarada, por uma
parte dos alunos, como uma obrigação, um castigo que lhes é imposto sem qualquer
recompensa. Se detivermos a nossa atenção nesta questão que muitos dos nossos alunos
sentem dessa forma a escola, verificaremos que o nosso papel como professores torna-
se mais dificultado, dado que os alunos não se sentem motivados, nem interessados em
aprender, em ter aquela “curiosidade” sã de quererem saber sempre mais, de indagarem
constantemente. Daí que, para despertar tal curiosidade, sobretudo nos alunos mais
novos, seja necessário ligar o ensino ao lúdico, mas sem infantilizar.
O sistema educativo, como qualquer outro sistema, tem que se atualizar
constantemente, tem que estar a par de iniciativas que auxiliem e tentem diminuir o
insucesso e o abandono escolar, o desinteresse dos alunos, a desconcentração, a
indisciplina na sala de aula, entre outros fatores. É muito importante recorrer a
estratégias, entre as quais as estratégias que recorrem no lúdico, para elevar o interesse
dos estudantes, a participação na sala de aula e, em consequência, os resultados
escolares.
Justamente a autora Marli P. dos Santos aponta a utilização das atividades
lúdicas como uma estratégia viável no futuro da educação, uma vez que estas tendem a
ser mais abertas, criativas e dinâmicas. Salienta a importância das práticas pedagógicas
estarem em constante atualização e, por isso, deve-se procurar sempre alternativas que
auxiliem no sucesso escolar:

As práticas pedagógicas atuais têm por tarefa construir competências, buscar novos
conhecimentos, procurar métodos ativos, tornar as disciplinas menos rígidas, respeitar os
alunos, utilizar didáticas mais flexíveis, buscar avaliações mais formativas, usar novas
tecnologias e tratar os alunos através de técnicas reflexivas. Essas práticas tendem, no
futuro, a mudar a educação e um dos caminhos viáveis pode ser a utilização das atividades
lúdicas, pois estas têm a possibilidade de ajudar na busca de mudanças, uma vez que
tendem a ser mais abertas, criativas e dinâmicas. (2010: 21)

18
Através dos jogos lúdicos as crianças brincam e aprendem, juntam-se aqui dois
ingredientes essenciais à vida humana: o prazer e o conhecimento. Se, na realidade, os
pudermos juntar e continuar a desenvolver atividades com componente lúdica e que
estas nos acompanhem pelo nosso percurso como indivíduos e profissionais, então
gratamente reconhecemos que o lúdico, quando aliado à pedagogia, torna-se num
elemento importante e enriquecedor. Como um recurso auxiliar, contribui para que a
aprendizagem dos nossos alunos possa ser mais produtiva e eficaz, pois tudo gira em
torno dessa questão: da aprendizagem ser mais efetiva e que os nossos discentes sintam
prazer em aprender e ainda que isso sobressaia nos resultados alcançados.
O lúdico torna-se assim numa mais valia, numa ferramenta que, bem trabalhada,
bem elaborada, pode obter resultados muito positivos e, por isso, é necessário que lhe
seja dedicado mais tempo, mais estudo, que seja implementado de uma forma mais
marcante e percetível nas escolas e no ensino.
Uma outra autora, Tezani (2004) defende a importância do jogo na educação
escolar, aponta os benefícios da sua utilização e realça o facto de este ser muito
relevante na educação escolar:

O jogo não é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos, ao contrário,


corresponde a uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de extraordinária
importância na educação escolar. Estimula o crescimento e o desenvolvimento, a
coordenação muscular, as faculdades intelectuais, a iniciativa individual, favorecendo o
advento e o progresso da palavra. Estimula a observar e conhecer as pessoas e as coisas do
ambiente em que se vive. Através do jogo o indivíduo pode brincar naturalmente, testar
hipóteses, explorar toda a sua espontaneidade criativa.

Outro autor ainda, Prieto Figueroa, reconhece também a importância dos jogos
didáticos para a educação, uma vez que estes contribuem para o desenvolvimento e
aprendizagem dos alunos. Reconhece ainda o jogo como sendo um elemento essencial à
vida humana e que afeta de forma diferente cada fase. Destaca o jogo livre para a
criança e o jogo sistematizado para o adolescente:

El juego, como elemento esencial en la vida del ser humano, afecta de manera diferente
cada período de la vida: juego libre para el niño y juego sistematizado para el adolescente.
Todo esto lleva a considerar el gran valor que tiene el juego para la educación, por eso han
sido inventados los llamados juegos didácticos o educativos, los cuales están elaborados de
19
tal modo que provocan el ejercicio de funciones mentales en general o de manera particular.
(1984: 85)

Se, na realidade, o lúdico pode e deve ser um aliado com o ensino, a verdade é
que se verifica por parte das escolas e de muitos educadores alguma relutância em
explorar este recurso estimulador, potenciador e capaz de desenvolver competências
e inteligências como nos refere Marli P. dos Santos:

A escola, de modo geral, tem-se preocupado pouco com o valor prático da ludicidade. Os
educadores exigem que os alunos prestem atenção, contem histórias, demonstrem memória,
tenham pensamento lógico, criatividade e imaginação, mas quando oferecem atividades
lúdicas, estas estão dissociadas do contexto do aluno e, também, de qualquer tipo de
aprendizagem. Eles não têm o hábito de desenvolver habilidades e nem de usar os jogos
como estratégias de intervenção psicopedagógica. Portanto, não aproveitam o lúdico para
afiar as habilidades e de desenvolver competências e inteligências. (2010: 13)

É fundamental que se perceba a importância das atividades lúdicas aplicadas


num contexto bem definido, com regras claras e precisas tanto para os professores,
que levam a atividade para a sala de aula, como para os alunos, que a vão realizar.
Muitos educadores ainda confundem e apresentam este tipo de atividades fora do
contexto lecionado na aula, apresentam-nas como simples passatempo, recreio e,
desta maneira, obviamente não desenvolvem nem aproveitam as competências e
habilidades para a aprendizagem. Esta problemática centra-se mais nas escolas de
modelo mais tradicional, onde o aluno é mero espetador e ouvinte, tem um papel
passivo e onde o professor ocupa o papel central e monopolizador. Todavia, tem-se
notado um esforço para que a escola seja aberta a mudanças, visto ser necessário que
o sistema educacional evolua, atualize e se coloque a par de iniciativas que se
mostrem produtivas e eficazes no processo ensino-aprendizagem.

“Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola,
mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis,
sem valor para a formação do homem.” (Carlos Drummond de Andrade)

20
1.3. O lúdico no processo ensino-aprendizagem

aprendizagem
s. f.
1. Acto ou efeito de aprender.
2. Tempo durante o qual se
aprende. = APRENDIZADO
3. Experiência que tem quem
aprendeu. =APRENDIZADO

Adaptado de priberam.pt

“ O processo de ensino aprendizagem deve ser algo prazeroso que nos dê vontade de
continuar.”
Maria Clara Fraga Lopes

“ É importante a vontade de aprimorar o conhecimento: tudo é motivo para aprendizagem e


crescimento. Nunca perca a curiosidade e a vontade de progredir, independente de sua
idade.”
Perfect Liberty

“Por aprendizagem significativa, entendo, aquilo que provoca profunda modificação no


indivíduo. Ela é penetrante, e não se limita a um aumento de conhecimento, mas abrange
todas as parcelas de sua existência.”
Carl Rogers

“ A alegria que se tem em pensar e aprender faz-nos pensar e aprender ainda mais.”
Aristóteles

A aprendizagem representa na vida de qualquer ser humano o desenvolvimento


do conhecimento e processa-se de diferentes formas nas diferentes fases da vida:
bebé, criança, adolescente, adulto e idoso. Em todas elas, a aprendizagem deve
possuir características que a tornem digna de interesse, que se deseje saber e
aprender mais, que se tenha curiosidade em indagar, prazer e alegria no descobrir/
conhecer novos conteúdos. Logo, “aprender” deveria relacionar-se com interesse,
prazer, alegria e, desta forma, o processo ensino-aprendizagem seria certamente mais
cativante, motivador e com bons resultados.
No entanto, as escolas têm-se deparado com sérios problemas (já referido no
ponto anterior) e estes têm sido abordados no sentido de encontrar respostas capazes
21
de provocar mudanças, de alcançar estratégias que consigam inverter esta situação
tão complicada no sistema educativo. Um recurso que tem vindo a despertar cada vez
mais a atenção das escolas e, claro, dos professores é a utilização do lúdico na
aprendizagem, pois quando se aprende de forma agradável, de forma mais
descomprimida, por norma conseguem-se melhores resultados. Na realidade, é
necessário recorrer a ferramentas que possam ser uma mais valia no que concerne à
aprendizagem dos nossos alunos, ao seu interesse e motivação por aquilo que estão a
aprender.
Macedo, Petty & Passos (2005: 10) “O que significa aprendizagem? Propomos
(…) que consideremos as diferentes partes que compõem essa palavra: a+ aprendiz+
agem. O sufixo –agem que substantiva o verbo a+ prender. Prender é o mesmo que
atar, fixar, pregar em. Seu correspondente etimológico – apreender – significa
abarcar com profundidade, compreender, captar. O prefixo a- (ad-), indica
aproximação, movimento em direção a (…)”. Segundo os autores, a aprendizagem
deve ser realizada de forma, a que tenhamos a capacidade de fixar/ ligar e
compreender os conteúdos adquiridos, pois a aquisição de conhecimentos que
fazemos durante a nossa vida faz parte de um processo evolutivo e gradual.
Quando falamos em ensino-aprendizagem falamos obviamente de um processo,
pois o que se pretende é que se progrida, se evolua e que, através de diversos
métodos aplicados no sistema educativo, este obtenha certos resultados, neste caso,
pretende-se obviamente o sucesso dos nossos alunos, a obtenção de bons resultados.
Surge-nos então um caminho viável, o lúdico, que necessita de mais estudos, de mais
atualizações principalmente pelos professores, para que a sua implementação seja
cada vez mais visível e significativa, nas salas de aula e fundamentalmente nos
nossos alunos.
A propósito do lúdico como ciência, a autora Marli P. dos Santos defende:

A ludicidade, como ciência, fundamenta-se em quatro eixos: o sociológico, o psicológico, o


pedagógico e o epistemológico. Sociológico, porque a atividade de cunho lúdico engloba
demanda social e cultural. Psicológico, porque se relaciona com o processo de
desenvolvimento e aprendizagem do ser humano em qualquer idade em que se encontre.
Pedagógico, porque se serve tanto da fundamentação teórica existente como das
experiências educativas provenientes da prática docente. Epistemológico, porque tem
fontes de conhecimentos científicos que sustentam o jogo como fator de desenvolvimento.
(2010: 18)
22
A anterior citação comprova a importância do lúdico e os quatro eixos nos quais
assenta, daí a autora definir “ludicidade” como uma ciência, mas logo de seguida fala
das resistências que os agentes da educação têm contra o lúdico e que é de difícil
implementação na escola, devido a variados fatores:

Não é fácil transformar uma realidade e isso não acontece de uma hora para a outra, pois as
práticas docentes são diversas, as concepções dependem de cada educador, pois os
educadores, mesmo leccionando a mesma disciplina e trabalhando na mesma escola,
diferem em suas concepções. Por outro lado, sabe-se que uma mudança só ocorre ao longo
de um período e, para que aconteça, é necessário que existam pessoas inovadoras, criativas
e capazes de incentivar a busca por novos caminhos que possam levar à transformação.
(2010: 21)

As mudanças não são fáceis de ocorrer, exigem uma série de circuntâncias e, no


que concerne ao sistema educativo, implicam obviamente diversas práticas docentes,
várias disciplinas, programas curriculares que têm que ser cumpridos, muita
burocracia e claro está, é preciso também que haja educadores que sejam criativos,
que estejam recetivos não só à mudança como serem eles próprios agentes dessa
mudança. Desta forma, poderão, quem sabe, levar outros colegas a serem mais
inovadores e buscarem estratégias para melhorarem a aprendizagem dos alunos.
Tudo converge para que o processo ensino-aprendizagem seja mais eficaz, produtivo,
agradável e de interesse para a mente, tanto de quem aprende como de quem ensina.
As vantagens do lúdico ficam mais uma vez assinaladas neste texto de Juliana
Tavares. As vantagens do seu uso ultrapassam em muito o campo da escola:

[…] o lúdico pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento do ser humano,
seja ele de qualquer idade, auxiliando não só na aprendizagem, mas também no
desenvolvimento social, pessoal e cultural, facilitando no processo de socialização,
comunicação, expressão e construção do pensamento. Vale ressaltar, porém, que o lúdico
não é a única alternativa para a melhoria no intercambio ensino aprendizagem, mas é uma
ponte que auxilia na melhoria dos resultados por parte dos educadores interessados em
promover mudanças.9

9
MAURÍCIO, Juliana Tavares. Aprender brincando: O lúdico na aprendizagem, p.18.
http://www.profala.com/arteducesp140.htm

23
1.4. A componente lúdica e o papel do professor

Professor |ô| (latim professor, -oris)


s. m.
1. Aquele que ensina uma arte, uma actividade, uma
ciência, uma língua, etc.
2. Pessoa que ensina em escola, universidade ou noutro
estabelecimento de ensino. = DOCENTE
[…]
5. Entendido, perito.
adj.
6. Que ensina.
Adaptado de priberam.pt

O professor é um dos elos mais importantes dentro do chamado sistema


educativo. Como a própria definição diz: o professor é aquele que ensina, portanto, que
instrui.
O papel do professor foi-se modificando ao longo dos tempos. Nos dias de hoje,
o educador é visto cada vez mais como um orientador e mediador, abandonando assim o
papel central e autoritário que lhe estava confinado na designada “escola tradicional”.
Também o papel passivo dos alunos pertence cada vez mais ao passado. Hoje os alunos
têm um papel mais central e ativo e estão mais conscientes do seu próprio processo de
ensino-aprendizagem.
Alunos estimulados e motivados é o desejo e ambição de todos os docentes, pois
não há nada mais significativo do que ensinar alunos que queiram efetivamente
aprender e que gostem de estar na escola, e não a sintam como uma “prisão”. É nesse
sentido que a escola necessita de procurar soluções, respostas capazes de manter os
alunos motivados, incentivados para o ensino-aprendizagem. E, os professores têm um
papel bastante ativo neste sentido, pois são eles que lidam diretamente com os alunos e
que mais facilmente se apercebem do desânimo, da indisciplina, do desinteresse, da
falta de motivação, das dificuldades cognitivas, etc.
Como defendem as autoras Santos e Balancho, é necessária uma mudança da
educação e, para isso é preciso mudar mentalidades; e acrescentam ainda que cabe ao
professor o papel mais preponderante, pois ele deverá ser o mais lúcido e conhecedor da
realidade escolar:

24
[…] Essa “atitude” pressupõe a capacidade de mudar a educação por dentro, provocando a
alteração das mentalidades de todos os protagonistas do processo educativo. A iniciativa
cabe, necessariamente, ao professor, porque ele deverá ser, de entre todos, o mais lúcido
dos protagonistas: … pela vocação de sujeito atento, que opera e que transforma; … pelo
posicionamento estratégico que ocupa; … pela sua cosmovisão, favorável, por inerência de
funções, à activação dos mecanismos que conduzem à comunicação aberta; … pela
capacidade de definição de uma “atitude pedagógica” assente no diálogo criativo.10

De facto, os educadores/ professores procuram alternativas e estratégias capazes


de tornar o seu trabalho mais eficiente e mais produtivo, porque entenderam que as
atividades lúdicas são uma grande valia na tentativa de alcançar uma aprendizagem
mais significativa quer como alunos quer como pessoas. Marli P. Dos Santos (2010: 7)
fala precisamente desse afã dos professores em captar a atenção dos seus alunos e
tornarem o seu ensino mais atraente, aguçar também à adoção de práticas lúdicas:

Os profissionais de educação, na sua grande maioria, têm a intenção de fazer um trabalho


pedagógico mais eficiente; por isso, nesse meio, a discussão sobre a melhoria do ensino
tem-se voltado para a busca de alternativas que tornem o ensino mais atraente e que
proporcionem uma aprendizagem significativa pela via do prazer, do afeto, do amor e do
despertar de emoções, pois a falta de concentração dos alunos, o desinteresse pelas aulas, a
indisciplina, a ansiedade, a falta de capacidade de memorização, de lógica e de apropriação
dos conteúdos tem sido a tónica das discussões escolares. Os educadores já perceberam
também que a atividade lúdica é uma das mais educativas atividades humanas e não serve
somente para aprender conteúdos escolares, mas também para afiar habilidades e educar as
pessoas a serem mais humanas.

E noutro passo:

O educador do novo milênio deve promover novos e estimulantes desafios, contextualizar


conteúdos, outrora ministrados sem valor prático, pois, enquanto o aluno não perceber a
utilidade do que aprende na escola para a sua vida, sentirá os conteúdos sem significado e a
escola desnecessária.11

10
SANTOS, Ana Maria Ribeiro dos, BALANCHO, Maria José S, A criatividade no ensino do português,
1992, p.8.
11
SANTOS, Santa Marli P. Dos, O brincar na escola – Metodologia Lúdico-vivencial, coletânea de
jogos, brinquedos e dinâmicas, 2010, p. 23.
25
Obviamente o professor ao traçar, delinear e planificar uma atividade de
componente lúdica precisa estar ciente do que pretende. Necessita definir objetivos
claros e precisos, e aspeto muito importante, tem de atender sempre aos grupos de
alunos aos quais vai aplicar a atividade, pois este é um dos principais fatores que
contribuem ora para uma maior implementação das atividades lúdicas no processo
ensino-aprendizagem, ora para a inibição de as colocar em prática, no caso de em
turmas mais difíceis, com alunos mais perturbadores. Por isso, as regras, na hora de
elaborar uma atividade lúdica, serem de extrema importância.
Receios de falhar vão existir sempre. Há que ter em conta que no ensino todos os
materiais a que recorremos, que elaboramos e que adaptamos são pensados para o
desenvolvimento e aprendizagem dos nossos alunos, para o seu sucesso. Há sempre
uma espécie de incerteza quando levamos à sala de aula um material diferente dos
habituais, mas é importante fazê-lo pois o nosso trabalho, enquanto professores, é,
acima de tudo, conseguir que os nossos alunos se sintam interessados.

Para Celso Antunes (2001), naturalmente que um professor empenhado e


preocupado com o sucesso dos seus alunos terá mais hipóteses de despertar a sua
atenção e acabará por ver os seus esforços recompensados:

Um professor que adora o que faz, que se empolga com o que ensina, que se mostra
sedutor em relação aos saberes de sua disciplina, que apresenta seu tema sempre em
situações de desafios, estimulantes, intrigantes, sempre possui\ chances maiores de obter
reciprocidade do que quem a desenvolve com inevitável tédio da vida, da profissão, das
relações humanas, da turma [...]

E noutro passo, a propósito da adaptação do professor aos novos tempos:

O professor do século XXI precisa se adequar às transformações tecnológicas, adquirindo


novas competências e habilidades para que possa não só ensinar como também “aprender a
conhecer, aprender a fazer, aprender a viver junto e aprender a ser.” Antunes (2001)

26
Marli P. dos Santos tem uma posição muito semelhante face ao papel do
professor e ao lúdico:

(…) o educador lúdico deve ser um profissional sério, que estuda, que pensa, que
pesquisa, que experimenta, dando um caráter de cientificidade a seu trabalho e, ao mesmo
tempo, uma pessoa que vivencia, que chora, que ri, que canta e que brinca, dando um
carácter de humanização ao trabalho escolar. Esse conceito possibilita vislumbrar um
educador holístico que une razão e emoção. Se ele agir assim em sala de aula possivelmente
os alunos terão uma formação diferenciada. (2010: 23-24)

27
1.5. Os alunos e a dimensão lúdica

“Há um mundo a ser descoberto dentro de cada criança e de cada jovem. Só não consegue
descobri-lo quem está encerrado dentro do seu próprio mundo”. (Augusto Cury)

Nos pontos tratados anteriormente, já foi referida informação sobre a vantagem da


utilização de atividades lúdicas nas salas de aula, tendo estas como principal função a
motivação, o interesse e, claro, a melhoria dos resultados escolares dos nossos alunos.
Estes são o cerne de toda a nossa preocupação e razão suficiente para, procurar
iniciativas válidas que contribuam para um melhor desempenho dos seus processos de
ensino-aprendizagem.
O aluno tem que perceber as mudanças e as implementações das estratégias que
os professores levam à sala de aula e quais os seus propósitos, pois, se assim não
ocorrer, então o erro será do docente, e este não poderá sentir-se admirado por
determinada tarefa/ atividade não ter funcionado. No caso de lhes apresentar um jogo
didático, por exemplo, sem especificar o que realmente pretende com a atividade, o
mais passível de acontecer é que os alunos encarem isso como momento de pausa, de
recreio, de descontração e, tornem esse momento num grande tormento para o
professor, que não soube definir os limites e as regras para esse momento da aula.
Os alunos, assim como qualquer pessoa, gostam de se sentir estimulados e
desafiados, gostam de atividades que quebrem as rotineiras. É necessário inovação e,
por isso, defende-se o uso do lúdico como um recurso potenciador e apelativo para
despertar nos nossos alunos o seu poder de imaginação, a sua criatividade, a sua
capacidade de trabalhar em grupo, de respeitar colegas e professores, de resgatar o
interesse; pelo prazer de aprender.
Para Rubem Alves o lúdico tem a capacidade potenciadora de abrir novos
caminhos:

O lúdico privilegia a criatividade e a imaginação, por sua própria ligação com os


fundamentos do prazer. Não comporta regras preestabelecidas, nem velhos caminhos já
trilhados, abre novos caminhos, vislumbrando outros possíveis.12

12
ALVES, Rubem, A gestação do futuro, 1987.

28
Não confundamos a educação lúdica com a mera distração ou brincadeira vulgar.
Para Almeida (1994: 10), a educação lúdica está distante da conceção ingénua de
passatempo, brincadeira vulgar, diversão superficial. A educação lúdica é uma ação
inerente na criança, adolescente, jovem, adulto e aparece sempre como uma forma
tradicional em direção a algum conhecimento, que se redefine na elaboração constante
do pensamento individual em permutações constantes com o pensamento coletivo.
Trabalhar com atividades lúdicas permite aos alunos:

Desenvolver a criatividade, imaginação e a sociabilidade;


Reforçar os conteúdos lecionados;
Reforçar o respeito pelas regras, colegas e professores;
Aceitar diferentes opiniões;
Adquirir novas competências e habilidades;
Reforçar os laços com os seus companheiros, coesão grupal;
Saber lidar com os resultados (principalmente quando se perde ou erra);
Tornarem-se mais seguros e confiantes;
Serem mais espontâneos (o lúdico é inerente à condição humana) e uma
maior e melhor integração quer na turma, quer na escola;
(…)

O aluno é co-responsável na apresentação de atividades lúdicas. Cabe-lhe


também o sucesso ou fracasso de uma atividade, pois depende muito de como reage à
atividade proposta, e sabe-se que há situações em que os discentes não dão sequer
espaço para que o professor leve para a aula atividades ou jogos lúdicos devido,
principalmente, a fatores de indisciplina. Os alunos, pelo contrário, podem e devem até
fazer sugestões de atividades de componente lúdica aos seus professores e, se estas
resultarem eficazes, então mais motivos haverá para que este recurso seja aproveitado e
trabalhado na sala de aula; e que, desta forma, o ensino pareça mais atraente e apelativo
aos nossos alunos e, por conseguinte, a escola seja vista como um sítio mais agradável e
cheio de oportunidades.

Escola obrigatória que não é lúdica não segura os alunos, pois eles não sabem nem têm
recursos cognitivos para, em sua perspectiva, pensar na escola como algo que lhes será bom

29
em um futuro remoto, aplicada a profissões que eles nem sabem o que significam. As
crianças vivem seu momento. Daí seu interesse despertado por certas atividades, como
jogos e brincadeiras. Nessas atividades, o que vale é o prazer, o desafio do momento.
(MACEDO, PETTY & PASSOS, 2005: 17)

Termino com uma citação de Saint-Exupéry sobre cativar, pois relaciono-a com o
uso do lúdico nas escolas. É um recurso potenciador e pode-se optar por trabalhá-lo ou
não, mas caso o façamos e resulte tudo bem, então, passa a ser algo necessário para
tornar as aulas mais atrativas, ter os alunos mais interessados e motivados pela
aprendizagem, pelo saber.

Eu não preciso de ti. Tu não precisas de mim. Mas, se tu me cativares, e se eu te


cativar...Ambos precisaremos um do outro. A gente só conhece bem as coisas que cativou.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas! (Antoine de Saint-Exupéry)

30
1.6. O lúdico na aprendizagem de Português (L1) e Espanhol (L2)

A aprendizagem de línguas, tal como a aprendizagem de qualquer outra disciplina,


deve ser realizada com motivação, interesse, empenho… Contudo, sabemos que a
realidade escolar está longe de conseguir ser um espaço que reúna consenso quanto à
visão dos alunos sobre estar na escola e sobre aprender, como já foi anteriormente
referido.
Particularizando a questão do lúdico com a aprendizagem efetiva de línguas, neste
caso em estudo L1 – Língua Portuguesa e L2 – Língua Espanhola, que é o tema central
deste trabalho, não seria muito pertinente não me referir à aprendizagem da Língua
Inglesa, dado que é um bom exemplo, como língua universal que é. Os alunos começam
a aprendê-la logo na pré-primária, ainda bastante pequenos, e quando ainda têm tanto
que aprender e descobrir da sua própria língua.

As actividades propostas na língua estrangeira não pretendem ultrapassar ou escamotear a


maturidade e o domínio socio-cultural da criança. Muito pelo contrário, pretendem mostrar
novos horizontes através da realização das tarefas pedagógicas propostas por este ensino.
Seria, pois, não só pernicioso como também impraticável tentar, por exemplo, ensinar a
crianças de quatro anos de idade as horas em inglês uma vez que este é um conceito que
elas ainda não dominam, na generalidade dos casos, na sua língua mãe.13

Não será por acaso a inserção destas “atividades” como parte do seu processo de
desenvolvimento, através precisamente da componente lúdica pois está presente logo
nos primeiros meses de vida da criança. No 1º ciclo além das disciplinas “obrigatórias”,
as curriculares, os alunos têm as atividades de enriquecimento curricular, vulgo AECS,
que têm então essa pretensão de motivar os alunos através de atividades que lhes sejam
apelativas e despertem no aluno um maior interesse pelo saber, atividades que o
desafiem, que o tornem mais autónomo, mais sociável, onde demonstre também mais as
suas emoções e afetos. Desta forma, as crianças ao brincarem, ao jogarem estão a
aprender, estão a adquirir conteúdos. E, assim deveria continuar pelo ensino em diante,
pois se está comprovado que as atividades lúdicas são enriquecedoras, atrativas e
motivadoras “talvez”, não faça muito sentido erradicá-las, tornando as aulas
13
NOBRE, C. R. O jogo no ensino precoce da língua inglesa, p. 166.
<http://www.esecs.ipleiria.pt/files/f1424.1.pdf>

31
enfadonhas, daí eu acreditar que o lúdico pode alterar a relação entre aluno – escola-
aprendizagem.
Na aprendizagem das línguas precisamos igualmente de sentir os alunos
empenhados e interessados, para que o nosso papel enquanto professores seja o mais
bem sucedido. Para tal dependemos dos bons resultados dos nossos alunos.
Será que a aprendizagem de Português (L1) é mais eficaz que Espanhol (L2)?
Tratando-se da nossa língua, aquela que nos acompanha desde tenra idade e que
aprendemos espontaneamente, seria expectável que gostássemos de saber mais, de ler e
escrever bem, de compreender bem um texto, de conseguir argumentar, de saber utilizar
as estruturas gramaticais corretamente e, tudo isto, com muita motivação, dado que é a
nossa língua. Todavia, o que se verifica é que existem muitas dificuldades na
aprendizagem de Português (L1), levando o MEC14 a reforçar esta disciplina em carga
horária e fora da sala de aula para tentar suprir ou diminuir as dificuldades apresentadas
pelos alunos.
Em relação ao contributo do lúdico na aprendizagem de Português (L1), quase
não há literatura disponível que reflita seriamente esta temática, principalmente a partir
do 2º ciclo, ou seja, com alunos mais crescidos, depreendendo-se desta forma que, para
a aprendizagem da língua materna não será muito relevante a componente lúdica, apesar
de todos os benefícios e potencialidades apontadas e fundamentadas nos pontos
anteriores. Situação diferente verifica-se na aprendizagem de Espanhol (L2), onde a
importância dada à motivação, ao cativar os alunos pela aprendizagem de um novo
idioma tornam o lúdico num recurso indispensável para trabalhar os conteúdos em sala
de aula. Os professores de E/LE reconhecem o contributo das atividades lúdicas como
um elemento enriquecedor e potenciador de conseguir bons resultados, capaz de tornar a
aprendizagem mais efetiva, que é o verdadeiro cerne de toda esta temática.

Veja-se o testemunho de Fuentes:

Y por si faltan razones para su implementación en clase quizás convenga recordar que el
Plan Curricular publicado por el Instituto Cervantes aconseja, entre los procedimientos y
recursos para la práctica en el aula de español E/LE, la utilización de los juegos para

14
Ministério da Educação e da Ciência.
32
favorecer la creación de un ambiente relajado y motivador y obtener así el mayor provecho
de las actividades.15
En el momento en que la educación más tradicional da un paso más allá, pasando de la
formalidad en sus explicaciones y del protagonismo del professor como único representante
del acto educativo, a la idea de introducir actividades dinámicas en las que el discente pasa
a formar parte directa del proceso de enseñanza, descubrimos que el componente lúdico
cobra un papel fundamental en la programación. Los profesores nos adentramos en este
mundo descubriendo gratamente que “se aprende jugando en clase” y no sólo eso, sino que
todo lo que genera el juego a su alrededor facilita enormemente el proceso de aprendizaje,
las relaciones en el aula potenciando la integración y la cohesión grupal. (2008: 2)

Fuentes (2008: 7) afirma ainda:

Ya en el Marco común europeo de referencia para las lenguas: aprendizaje, enseñanza,


evaluación (MCER), se hace referencia al papel que desempeña el componente lúdico en el
aprendizaje y desarrollo de la lengua. 16

A questão continua e precisa de ser abordada, estudada e fundamentada no que


concerne à aprendizagem de Português (L1), pois se o lúdico é reconhecido como uma
ferramenta bastante útil e importante em ELE (aqui cabe ressaltar a importância referida
em Espanhol - L2) então é necessário alargar horizontes e mudar mentalidades, embora
creia que já se caminhe nesse sentido e seja muito importante para combater o insucesso
registado em L1, em particular.
As dificuldades no que respeita a Português (L1) e a desmotivação por parte dos
alunos não prejudica somente os resultados desta disciplina, acabando por interferir com
todas as outras, pois, se um aluno não possui os conhecimentos suficientes da sua
própria língua, vai deparar-se com sérios problemas também nos outros saberes. Aliás,

15
VV.AA. (1994) Plan Curricular del Instituto Cervantes. La enseñanza del español como lengua
extranjera. Instituto Cervantes.
http://www.cuadernointercultural.com/aprender-idiomas-con-actividades-ludicas-y-juegos/

16
Dentro del MCER( en el capítulo 4: El Uso de la lengua y el usuario o alumno, en el punto 4.3.:Tareas
y propósitos comunicativos hay un apartado que hace referencia a los usos lúdicos de la lengua,
recogiendo algunos ejemplos de juegos que se pueden llevar al aula de ELE. Centro Virtual Cervantes,
Marco común europeo de referencia para las lenguas: aprendizaje, enseñanza, evaluación, Instituto
Cervantes, 2002-2008. Disponível em: http://cvc.cervantes.es/obref/marco/

33
são vários os professores que relatam que os alunos não conseguem aprender a(s)
disciplina(s) porque não conseguem interpretar as questões colocadas pelos professores,
assim como não conseguem fundamentar, argumentar, exprimir-se quer a nível oral
quer de escrita.
Português (L1) permite a comunicação entre todos, a interação, a tomada de
decisões e, para isso, é necessário que os alunos compreendam a sua importância ao
longo das suas vidas, independentemente da profissão que venham a desempenhar, e
mais, pretende-se a formação de cidadãos criativos, críticos e aptos para tomar decisões.
É imprescindível que a escola, que os docentes, os pais, os alunos consigam
encontrar estratégias, iniciativas, mudanças capazes de contornar esta situação e fazer
dos nossos alunos melhores comunicadores, melhores escritores, melhores cidadãos,
melhores pessoas.
Friedmann (1996: 54) argumenta:

A escola é um elemento de transformação da sociedade, sua função é contribuir, junto com


outras instâncias da vida social, para que essas transformações se efectivem. Nesse sentido,
o trabalho da escola deve considerar as crianças como seres sociais e trabalhar com eles no
sentido de que sua integração seja construtiva.

Um dos caminhos apontados tem sido a componente lúdica, o uso de atividades


lúdicas, dinamizadoras e, por isso, a autora Marli P. dos Santos refere:

A formação lúdica se assenta em pressupostos que valorizam a criatividade, o cultivo da


sensibilidade, a busca da afectividade, a nutrição da alma, proporcionando aos futuros
educadores vivências lúdicas, experiências corporais, que se utilizam da ação, do
pensamento e da linguagem, tendo no jogo sua fonte dinamizadora. (1997: 14)

34
1.7. A motivação, momento privilegiado para a apresentação de conteúdos
lúdicos. Dois tipos de motivação.

A questão da motivação é fundamental no processo de ensino-aprendizagem,


principalmente quando prevemos que os estudantes vão ter dificuldade em entender
algum tipo de matéria, quer por ter a sua complexidade, quer por o momento em que
ocorre a aula ser inconveniente. Mas o que é a motivação em contexto escolar?

El término motivación se deriva del verbo latino “movere”, que significa `moverse´, `poner
en movimiento´ o `estar listo para la acción´. Cuando un alumno quiere aprender algo, lo
logra com mayor facilidade que cuando no quiere o permanece indiferente. En el
aprendizaje, la motivación depende inicialmente de las necesidades y los impulsos del
individuo, puesto que estos elementos originan la voluntad de aprender en general y
concentran la voluntad.17

Portanto, a questão da motivação é fundamental no processo de ensino-


aprendizagem como afirma a autora Caballero de Rodas, por implicar uma série de
variáveis importantíssimas para alcançar com sucesso os conteúdos curriculares. Vale a
pena citar esta autora, pondo em destaque a sua importância antes da exposição de uma
matéria algo mais difícil:

La motivación es una característica absolutamente indispensable para la adquisición


significativa de los contenidos curriculares, porque modifica variables como la atención, la
concentración, la persistência y la tolerancia a la frustración, todas ellas presentes y
determinantes del proceso de aprendizaje. (Caballero de Rodas et al, 2001: 102)18

O nosso papel, enquanto professores, centra-se precisamente na preocupação de


estarmos rodeados de alunos motivados, alunos interessados, alunos atentos e mais
participativos no processo de aprendizagem. Contudo, há um número significativo de
alunos desmotivados, desinteressados e que encaram a aprendizagem de conteúdos
como um trabalho forçado, custoso e desinteressante. Esta é, na verdade, uma realidade
cada vez mais frequente, muito devida à massificação do ensino e à desagregação da
instituição família.

17
PEÑA, Xóchitl de la, La motivación en el aula. http://www.psicopedagogia.com/motivacion-aula
18
SANTOS, Mª João, Actividades dinâmicas e a motivação nas aulas de língua estrangeira, 2010,
pág. 16. http://repositorioaberto.up.pt/bitstream/10216/55853/2/TESEMESMARIAJOAOSANTOS000
127197.pdf
35
Detetado / encontrado o problema, há que tentar procurar a solução ou soluções.
Neste caso em particular, devem-se procurar iniciativas e/ ou estratégias válidas capazes
de alterar comportamentos e de conseguir alcançar os objetivos pretendidos, pois os
alunos são o centro do nosso trabalho, e um professor também se sentirá muito mais
motivado se trabalhar com alunos interessados em aprender, em adquirir novos
conhecimentos, enfim, alunos motivados.
A motivação é um fator que atinge todas as pessoas, desde as mais jovens às
mais “crescidas”, e todos acabam por ser fortemente influenciados no dia a dia por este
fator, especialmente os mais jovens. Se nos sentirmos motivados para determinado
aspeto ou assunto, mais nos vamos empenhar, envolver, dedicar; pois, na realidade,
estamos a realizar algo que nos apraz, que nos agrada e estimula. O oposto também
acontece, a desmotivação, mas é necessário então um esforço maior para combater esse
estado que muito afeta e que é incapacitante, dado que não nos sentimos estimulados e
isso pode repercutir-se de uma forma menos positiva.
Há a destacar dois tipos de motivação: a motivação intrínseca e a motivação
extrínseca. Segundo os autores Lieury e Finouillet (1997: 51)19, “A motivação intrínseca
significa que o indivíduo vai realizar uma actividade unicamente por causa do prazer
que ela lhe proporciona”, enquanto a motivação extrínseca é definida pelos mesmos
autores como aquela que “(...) faz referência a todas as situações em que o indivíduo
realiza uma actividade para dela retirar qualquer coisa de agradável, tal como o
dinheiro, ou para evitar qualquer coisa de desagradável”.
Aplicando estes conceitos ao âmbito escolar, entende-se que um aluno que esteja
intrinsecamente motivado realiza as atividades propostas por gosto e satisfação,
enquanto que o aluno motivado extrinsecamente necessita de fatores externos, como por
exemplo: dinheiro, uma bicicleta nova, um jogo para a consola, etc, ou seja, precisa de
um estímulo extra para que se sinta motivado para realizar determinada tarefa/ atividade
com sucesso e, desta forma, lograr da recompensa.
A motivação é um dos fatores mais importantes para estimular os alunos para a
aprendizagem de conteúdos. Logo, é crucial levar à sala de aula atividades que
consigam despertar o interesse dos alunos e, deste modo, mantê-los com um espírito
dinâmico para o que vão aprender. O primeiro momento da aula, o início, é

19
SANTOS, Mª João, Actividades dinâmicas e a motivação nas aulas de língua estrangeira, 2010,
pág. 17. http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/55853/2/TESEMESMARIAJOAOSANTOS000
127197.pdf
36
precisamente o ideal para introduzir a motivação através de atividades de cariz lúdico,
ou seja, atividades que cativem, que sejam mais dinâmicas, mais agradáveis, mais
estimulantes para, precisamente, conseguir a atenção, o desejo e a ânsia para a matéria
que vão aprender.
Maria João Santos reconhece a sua utilidade e valor performativo:

(...) a actividade deveria ajudar os alunos a descobrir o tema da aula, a colocar em prática o
seu conhecimento prévio sobre o mesmo e, principalmente, deveria ajudar a aumentar os
níveis de motivação e os níveis de participação oral após a atividade. Acrescento ainda que
através da implementação das actividades dinâmicas queria mudar a perspectiva negativa
que os alunos possuem da sala de aula, algo obrigatório e até aborrecido, para uma
perspectiva positiva(...)20 (2010: 19)

Hoje, fala-se cada vez mais da importância da motivação dos nossos alunos, e
esta está intrinsecamente relacionada com a componente lúdica. O primeiro momento da
aula deve, então, dar primazia a atividades de cariz lúdico, pois pretenderá cativar os
alunos para um novo conteúdo, através de atividades que sejam motivadoras, que
despertem a curiosidade dos alunos em querer saber mais, que sejam atrativas, capazes
de fazer com que estes se sintam e mantenham interessados pela matéria que vai ser
introduzida. Este primeiro momento da aula é crucial para o que se seguirá durante essa
e as próximas aulas.
As atividades podem ser as mais variadas. Há que ter particular atenção ao
tempo aqui atribuído, cinco a dez minutos. Há muitas formas de as apresentar: podemos
mostrar uma imagem ou várias, um vídeo, um powerpoint, elaborar uma “chuva” de
ideias, uma canção, uma fotografia, etc. A intencionalidade é que com este tipo de
atividades os alunos se sintam mais entusiamados e interessados pelo que vão aprender
e, que consigam, através destas inferir o tema da aula, da UD a que vão dar início.
Portanto, não é uma perda de tempo ou um momento menos nobre da aula, mas um
momento preparatório que vai ter repercussões nas restantes atividades.
Segundo a autora Carmen Santos, a motivação é uma questão muito importante
e, apesar de todos os obstáculos que possam surgir, merece todo o esforço e entrega e
não o oposto, a desistência: “Motivar al alumno es una verdadera carrera de fondo, en la

20
SANTOS, Mª João, Actividades dinâmicas e a motivação nas aulas de língua estrangeira, 2010.
http://repositorioaberto.up.pt/bitstream/10216/55853/2/TESEMESMARIAJOAOSANTOS000127197.pdf
37
que hay que resistir hasta el final, en la que los obstáculos, la soledad, el desánimo no
son excusas para abandonar”.21

21
SANTOS, Carmen Díez, Didáctica – La motivación en clase de ELE, pág. 8.
www.uni-salzburg.at/pls/portal/docs/1/562804.PDF
38
Capítulo II – Contexto em que este tema se
desenvolveu

39
1. Caracterização da Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira - Espinho

A escola na qual realizei o meu estágico pedagógico foi a Escola Secundária Dr.
Manuel Laranjeira, em Espinho. O patrono da escola é Manuel Laranjeira. Foi médico
de profissão, um homem com um espirito brilhante e inquietante além do seu
temperamento apaixonado. A sua obra literária, de grande densidade dramática e de
aguda sensibilidade intelectual, repartiu-se por domínios diversificados como a poesia,
o jornalismo e o teatro.
A escola encontra-se em reconstrução, dado que, na realidade, já necessitava de
obras. Eu e a minha colega de estágio, a Maria Manuel, começámos a assistir e a dar
aulas nos chamados “contentores”, mas no fim do primeiro período as salas novas já
estavam prontas para receber os alunos e os professores. São salas muito acolhedoras e
que já possuem as condições necessárias e razoáveis para que, desta forma, se possa
trabalhar e criar um ambiente mais apropriado ao processo de ensino-aprendizagem.
No início do ano, quando me apresentei na escola fui recebida de forma
acolhedora por parte da Diretora da escola que se mostrou uma pessoa disponível para
nos ajudar no que precisássemos, contudo isso aconteceu por não acontecer quando
surgiram alguns problemas relacionados com o estágio em espanhol. Todavia, parece-
me que a escola é organizada, sente-se que toda a comunidade educativa se une para
alcançar os resultados a que se propõe. Nota-se uma participação mais ativa e
interessada por parte dos pais e responsáveis pela educação dos alunos, e isso é muito
positivo. Soma-se ainda a luta para combater o insucesso escolar e conseguir atingir
resultados positivos a determinadas disciplinas e, para isso; a escola tenta que os alunos
adquiram hábitos diários de estudo e de trabalho e que os que sentem mais dificuldades
na aprendizagem sejam acompanhados através de planos de melhoramento individuais.
A escola Dr.Manuel Laranjeira tem alunos do 5º ano até ao 12º ano, além dos
cursos profissionais e dos cursos QNO. É, por isso, uma escola que possui uma ampla
oferta educativa.
Aos alunos é-lhes oferecido uma grande variedade de atividades para que
possam aproveitar os seus tempos libres com ocupações úteis e saudáveis, o que acaba
por ser mais motivador para os discentes. É muito importante que as escolas tenham em
atenção esses aspetos, que haja tempo para o ensino e tempo para atividades com uma
vertente mais lúdica, mais recreativa que permitam aos alunos criar uma relação mais

40
estreita com a sua escola. A escola dispõe de uma biblioteca muito acolhedora, bonita e
muito bem equipada. Há também um serviço de psicologia e de orientação, que tem
como principal função ajudar os alunos a resolver os seus problemas e a discernir as
suas vocações, além de fazer com que estes se sintam acompanhados no seu percurso
académico.
De referir uma ferramenta muito importante e muito útil que já está presente na
grande maioria das escolas: “A página da escola”. É recurso muito útil quer para os
professores, quer para os alunos e pais. Aqui é possível consultar toda a oferta
educativa, o Projeto Educativo, planificações, manuais, critérios de avaliação, o jornal
da escola, atividades várias, etc. Alunos e professores dispõem ainda de uma plataforma
de E-learning (Moodle) que pode ser bastante útil e prático, uma vez que profesores e
alunos podem mostrar e ver trabalhos desenvolvidos nas várias disciplinas.
Na minha opinião a escola na qual realizei o meu estágio é organizada,
preocupada, dinâmica, interessada e para tudo isso contribuem todas as pessoas que lá
trabalham e/ ou estudam, não esquecendo o papel muito importante dos pais na escola.
Gostaria ainda de salientar e de agradecer a todos os funcionários, pois têm sido muito
simpáticos e muito atenciosos connosco.

2. Núcleo de estágio

Realizei o meu estágio pedagógico na Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira,


em Espinho. Eu e minha colega Maria Manuel Urbano realizamos o estágio a Língua
Portuguesa e a Língua Espanhola. Os nossos orientadores foram: a Língua Portuguesa a
Professora Ana Rosa Silva e a Língua Espanhola o Professor Joaquim Lopes.

3. Caracterização das turmas

As turmas às quais ministrei as minhas aulas durante o estágio pedagógico foram


seleccionadas pelos nossos orientadores, uma vez que conheciam as turmas. A
Língua Portuguesa ministrei as minhas aulas ao 8º e ao 12º ano de escolaridade.
Turmas de diferentes faixas etárias mas ambas interessadas, empenhadas e
motivadas. A Língua Espanhola, dei aulas a uma turma do 8º e outra do 11º (embora
englobasse duas turmas juntas). As turmas de espanhol foram mais difíceis de

41
trabalhar pois os alunos eram mais indisciplinados, alguns perturbadores e
desinteressados.
Os perfis das turmas fornecidos pelos nossos orientadores foram bastante
importantes para conhecermos melhor cada turma e, desta forma, tentarmos
implementar iniciativas/ estratégias adequadas na hora de levarmos à sala de aula as
Unidades Didáticas elaboradas por nós, professoras estagiárias.
Em relação às turmas de Língua Portuguesa, a turma B do 8º ano era constituída
por 29 alunos, com idades compreendidas entre os treze e catorze anos. Dei-lhes seis
das oito aulas que tinha que lecionar e confesso que gostei bastante de trabalhar com
eles. Apesar de ser uma turma grande, os alunos eram, no geral, interessados,
empenhados e muito participativos, havendo sempre alguns casos pontuais de
distração e alguma indisciplina.
Em relação à Turma E do 12º ano era constituída 25 alunos. Turma interessada,
empenhada e madura, embora pouco participativa, o que acabou por dificultar um
pouco a interação das aulas. Era necessário questionar bastante os alunos para
responderem ao que eu solicitava ou para opinarem sobre qualquer assunto. Apesar
de serem mais inibidos, eram trabalhadores, conscientes da fase académica em que
estavam e bastante responsáveis.
A Espanhol, como referi anteriormente, dei aulas a duas turmas: ao 8ºE e ao
11ºE/F. Ambas as turmas eram de nível A2, mas, como é óbvio, tive que ter em
atenção a diferença de idades, dado que existiam conteúdos que necessitavam de ser
desenvolvidos mediante a maturidade dos alunos. De salientar que as duas turmas
eram de ensino regular e que o 11º ano era de Humanidades e com espanhol
específico, ou seja, com sete blocos de quarenta e cinco minutos por semana, e que
no final do ano letivo iam realizar exame nacional, o que constituía uma grande
responsabilidade.
A turma do 8ºE era constituída por 27 alunos muito faladores, desatentos e com
dificuldades em obedecer a muitas das regras de bom comportamento que deveriam
ter em contexto de sala de aula. Notou-se que os alunos não tinham hábitos de
estudo e de trabalho e, quanto à disciplina em si, as dificuldades mais sentidas foram
na oralidade e na escrita. Todavia, apesar de tudo o que disse, sentia-se que
gostavam de aprender a língua espanhola e que não apresentavam muitas dúvidas
em nos entender.

42
Através das fichas informativas sobre os perfis de cada turma, deu para perceber
que pertenciam a um nível social médio/baixo, os seus pais tinham o ensino
obrigatório ou então só o ensino primário.
A turma do 11º (constituída por duas turmas juntas) tinha vinte e dois alunos,
sendo doze do 11ºE e dez do 11ºF. Era uma turma muito heterogénea, onde
encontrávamos alunos interessados e empenhados e outros completamente
desmotivados, desinteressados e sem qualquer vontade de trabalhar. Sentia-se que
alguns alunos já se preocupavam com o que gostariam de seguir a nível
universitário, enquanto outros não queriam saber rigorosamente de nada, estavam na
aula por estarem, demonstrando uma grande falta de responsabilidade e também de
maturidade. Alunos da área de Humanidades e muitos deles não gostavam sequer de
ler. Estavam na aula com uma atitude e uma postura de desinteresse e muito
relaxados,inconscientes de que no final do ano letivo iriam ter exame.
Em relação ao nível social, notou-se que era também turma heterogénea.
Tínhamos Encarregados de Educação com o ensino superior, outros com o ensino
obrigatório e alguns com o quarto ano de escolaridade.

43
Capítulo III – O contributo das atividades lúdicas
na aprendizagem de L1 e L2: aplicação prática

44
1. Objetivo da aplicação prática

Afinal, sem a presença e a participação de professores e alunos, o trabalho em sala de aula


não acontece. Esta é uma relação interdependente, em que um precisa do outro
reciprocamente, num contexto de trocas. Daí a importância de ambos para a sobrevivência
do sistema.
MACEDO, PETTY & PASSOS (2005: 37)

Todos nós, antes de exercermos uma profissão, somos primeiramente estudantes.


É através do ensino que adquirimos conhecimentos e competências para mais tarde
exercermos uma profissão e fazermos parte de uma sociedade onde é necessária a nossa
integração.
Foi precisamente no papel de estudante/ aluna que me deparei com o assunto que
trato neste meu relatório de estágio sobre o contributo das atividades lúdicas para a
aprendizagem, pois na maioria das disciplinas lecionadas não existiam atividades de
componente lúdica ou, quando ocorriam, muito esporadicamente, era porque sobrava
algum tempo e então jogávamos ao jogo da forca, por exemplo. Gostava quando
jogávamos. O ambiente na sala de aula era outro, já não era tão pesado e monótono mas
sim mais descontraído e interessante. A atividade era encarada como um momento mais
de brincadeira, menos sério, só à espera que a campainha tocasse.
Hoje em dia, no meu curto percurso e ainda curta experiência como professora
de Espanhol Língua Estrangeira, vejo o lúdico como um recurso fundamental para
complementar as matérias dadas na sala de aula. É uma ferramenta bastante importante
na minha opinião, pois contribui para um maior interesse, empenho e dedicação. Deixou
de ser encarada por muitos professores como passatempo ou brincadeira e passou a ser
vista e utilizada como um recurso sério, eficaz e capaz de mudar a visão de alguns
alunos que não gostam da escola, que a sentem como uma “prisão”, pois através da
utilização do lúdico consegue-se cativar os alunos, despertar interesse e, logo, melhorar
os resultados.
O meu objetivo ao abordar este tema é demonstrar que, ao recorrermos ao
lúdico, estamos a contribuir para um crescente interesse e motivação dos alunos pelo
processo ensino-aprendizagem, pelo conhecimento e sinto que é necessário recorrer a
estratégias que sejam fiáveis e que consigam contribuir para uma mudança no ensino. É
importante para o sistema educativo implementar novas iniciativas, pois este precisa de

45
inovar-se, atualizar-se, necessita de criatividade e de ação. O nosso papel enquanto
professores, e tendo uma relação mais próxima e direta com os discentes, é
precisamente perceber o que está bem e o que precisa de ser alterado. Também
precisamos de nos sentir motivados e para isso temos e devemos contribuir para as tais
mudanças, encarando os receios e as incertezas como algo cada vez mais intrínseco à
nossa profissão.
Nesta parte do relatório, a parte prática, pretendo demonstrar, com algumas
propostas de atividades lúdicas, o seu contributo na aprendizagem de Língua Portuguesa
- L1 e de Língua Espanhola – L2. Apresentarei algumas propostas de atividades para
ambas as disciplinas, atendendo às temáticas abordadas nas diferentes UD, que foram
pensadas, elaboradas e postas em prática por mim durante o estágio pedagógico. Como
forma de complementar esta vertente prática irei apresentar outras propostas a
comprovar a grande valia deste recurso didático e, por outro lado, mostrar que os alunos
anseiam por atividades que sejam diferentes, pois, se insistirmos sempre nos mesmos
exercícios, estes acabam por se tornar rotineiros e desinteressantes aos olhos de quem os
realiza. O lúdico torna-se num aliado quando utilizado em sala de aula para a aquisição
de conhecimentos ou consolidação dos mesmos.

Seja prudente com a novidade. Nunca a procure por ela mesma, mas pela melhoria que
poderá proporcionar ao seu trabalho e à sua vida. Essa melhoria depende tanto de você
como da própria novidade. (Celso Antunes)

46
2. Propostas de atividades realizadas durante o estágio pedagógico a Língua
Portuguesa (L1) e a Língua Espanhola (L2):

2.1. A motivação, momento privilegiado para a apresentação de conteúdos


lúdicos

Neste ponto proponho-me exemplificar dois momentos de início de aula,


integrados, portanto, na motivação, tanto para L1, língua portuguesa, como para L2,
língua espanhola, e demonstrar que o início de cada aula é um momento importante para
conseguirmos “prender”, “agarrar” o interesse dos nossos alunos e, com isso, alcançar
resultados mais positivos e motivadores também para nós, professores.

Língua Portuguesa – L1
Apresento duas motivações, dando como exemplo duas atividades de carácter
lúdico que apresentei nas turmas de Português (L1) ao 8.º e 12.º anos, respetivamente.

Turma do 8ºE – UD “O texto poético”


No início da segunda aula desta unidade didáctica de três aulas, ministrada a esta
turma, selecionei como atividade de motivação a imagem de uma menina vestida de
bailarina, uma vez que o poema por mim escolhido para levar à sala de aula, da poetisa
brasileira Cecília Meireles, intitulava-se “A Bailarina”. Antes de passar à audição do
poema, pedi aos alunos que olhassem a imagem projetada e que criassem uma chuva de
ideias a partir, precisamente, da palavra – bailarina. As ideias foram registadas no
quadro.
Fui fazendo questões, para que os estudantes fizessem associações e, desta
maneira, conseguissem recordar-se de vocabulário relacionado com o tema proposto. A
avaliar pela chuva de ideias, podemos dizer que a atividade acabou por resultar muito
bem. Para o sucesso, contribuíram as meninas que já tinham praticado “ballet” e
conheciam algum vocabulário mais específico.
Após esta atividade de enriquecimento vocabular e de motivação partimos para a
análise do poema.
A atividade resultou muito bem e isso acabou por se notar no decorrer da aula.
Os alunos gostaram bastante do poema e, em parte, foi devida a essa atividade prévia de
motivação, além da qualidade do poema. Como já referi anteriormente, em relação ao
47
perfil das turmas, esta em particular era, sem dúvida, interessada e empenhada e as
atividades levadas à sala de aula correram, no geral, todas muito bem. No fim de cada
aula lecionada a estes alunos sentia-me realizada e muito mais motivada.

A bailarina

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré


mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá


Mas inclina o corpo para cá e para lá.
—–
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
—-
Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu


e diz que caiu do céu.
—-
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
—-
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
—-

“A bailarina”, in Cecília Meireles, Ou isso ou aquilo, Civilização Brasileira.

48
Turma do 12.º E – UD “O texto lírico: Fernando Pessoa – Ortónimo”
Para esta turma do 12.º ano selecionei como atividade de motivação para início
de aula também uma imagem, embora, como é evidente, esta leitura é muito mais
profunda, o nível de exigência é claramente superior. No entanto, não deixa de ser
oportuno, mesmo para alunos bastante mais avançados, uma atividade de motivação. A
imagem selecionada prende-se com o poema levado à sala de aula para estudo: “Não sei
quantas almas tenho” de Fernando Pessoa. Com este poema pretendi introduzir a
temática da “fragmentação do eu”, dado que, nas aulas seguintes, os alunos iriam dar
início ao estudo dos heterónimos.
Apresentei de novo uma imagem, não só por ser oportuno, mas também porque
considero importante realçar a importância da leitura/ interpretação de imagens, pois
esta é uma atividade que pretende que os alunos desenvolvam e estimulem as suas
capacidades de observação, de perspicácia, de reflexão, ligação de ideias e partilha
dessas mesmas.
Esta turma, apesar de interessada e empenhada, era também um pouco inibida, o
que exigiu da minha parte uma maior interação com os alunos. Com esta atividade de
início de aula, tive que questioná-los, de estar em constante interatividade, para que eles
partilhassem os seus pontos de vista e os justificassem. A atividade decorreu da forma
esperada. Eu sabia que primeiro teria que cativá-los e depois tudo seria mais fácil e,
realmente foi o que aconteceu. As atividades de cariz lúdico são importantes e, por
vezes, decisivas em determinados conteúdos para conseguir a atenção, o interesse, a
motivação dos alunos.

49
Língua Espanhola – L2

Apresento duas motivações dando como exemplo duas atividades lúdicas, que
levei à turma de Espanhol (L2) do 11.º ano (E/F).

Turma do 11ºE/F – UD “Actividades de ocio y tiempo libre”


Como atividade de “precalentamiento” para dar início à nova UD, apresentei
uma canção do grupo “Los Planetas”, cujo título é “Un buen día”.
O perfil desta turma, ou melhor, turmas (duas turmas que se juntam) não era o
mais atrativo e motivador para se trabalhar, logo acabou por ser desde o início um
desafio, que sabia ser difícil, mas que, como já defendi anteriormente, é preciso um
esforço maior, procurar iniciativas para tentar alcançar mudanças de atitudes e levar ao
sucesso escolar.
Pedi aos alunos que ouvissem a canção e, em seguida, pedi-lhes que me falassem
sobre o(s) assunto(s) presentes na canção. Ia questionando-os, pois, no início, não se
mostraram muito recetivos, mas depois começaram a fazer sugestões e chegaram ao
tema que iria ser tratado nessa e na aula seguinte. Depois, outras atividades se seguiram,
ainda relacionadas com a canção.
A canção é uma das atividades que mais costuma resultar entre os alunos, até
porque pode ser trabalhada de várias formas. Sendo, por isso, um recurso auxiliar muito
válido e também eficaz atendendo aos objetivos definidos.

50
1. Vas a oír con mucha atención la canción Un Buen Día, del grupo Los Planetas, de
forma a que rellenes los espacios en blanco con las palabras en falta.

UN BUEN DÍA
Me he despertado casi __________ bares de siempre
y me he quedado en la cama la ventana
más de ________________________,
y ha merecido la pena.
pensar en ti unas cañas
Ha entrado el sol por _____________,
y han brillado en el aire
tebeos de Spiderman
algunas motas de polvo.
He salido a la ventana
buen rato dormir
y hacía una _________________________.
He bajado ________ para desayunar
y he leído en el Marca la tele
que se ha lesionado el niñato.
Y no me he acordado de ti tres cuartos de hora
hasta pasado un _______________.
Luego han venido estos por aquí un partido
y nos hemos bajado
a tomarnos ___________________, estupenda mañana
y me he reído con ellos.
He estado durmiendo hasta las seis la moto al bar
y después he leído
unos ____________________________, a las diez
que casi no recordaba.
Y he salido de la cama
He puesto _________ y había ___________
y Mendieta ha marcado un gol
realmente increíble. Canción del grupo Los Planetas - es un
Y me he puesto triste grupo de música indie, de la ciudad de
el momento justo antes de irme. Granada (España), que desarrolla su
actividad a partir de la segunda mitad de
Había quedado de nuevo a las diez la década de los años 90 y los primeros
y he bajado en _____________ años del siglo XXI.
hacia los ______________________,
donde quedaba contigo,
y no hacía nada de frío.
He estado con Erik hasta las seis
y nos hemos metido
cuatro millones de rayas.
Y no he vuelto a ________________
hasta que he llegado a casa,
y ya no he podido ____________
“Elaboración Propia”
Adaptada de: http://www.youtube.com/watch?v=cIp4cxoYzuA&feature=player_embedded

51
Turma do 11 E/F – UD “El mundo del trabajo”

Trabalhei com estes alunos cinco aulas, duas no início e as três últimas. Sem
dúvida, que estas três últimas correram melhor do que as duas primeiras. Comportaram-
se melhor, foram mais participativos, corresponderam ao que eu pretendia e senti que
estes alunos, apesar de problemas de indisciplina, falta de atenção e de interesse,
fizeram um esforço para que a aula corresse bem. Essa mudança dos alunos (não de
todos, mas da maioria) foi muito importante para mim, surpreenderam-me com a sua
mudança de atitude, facto que contribuiu para um melhor desempenho da minha parte.
Para dar início a esta UD, relacionada com o trabalho, projetei um Powerpoint
com várias imagens alusivas à temática que iríamos abordar. Facilmente os alunos
chegaram ao tema da(s) aula(s). De seguida propus a elaboração de uma chuva de ideias
sobre a palavra “Trabajo”, para que, desta forma, pudessem recordar e ampliar
vocabulário.
As atividades de motivação para o início da aula decorreram de forma muito
positiva e, desta maneira, os alunos trabalharam com mais empenho e concentração.

1ª clase - “PowerPoint”

A ver... ¿de qué vamos a hablar?

52
“PowerPoint”

“Elaboración propia”

Crear una lluvia de ideas relacionada con la palabra:


Competencia Responsabilidad

Profesiones
Preocupaciones
TRABAJO

Currículum vitae
Puntualidad
Estrés Sueldo/ salario
(…)

“Elaboración propia”

53
2.2. Outros momentos da aula, outras atividades:
2.2.1. Língua Portuguesa – L1

Proposta da atividade lúdica nº1 – “Provérbios e Quadras


Populares”

• Público alvo:
Turma do 8ºB, constituída por 29 alunos. Apesar de ser uma turma grande, os
alunos eram, no geral, interessados e participativos. Turma com bom aproveitamento.

• Enquadramento/ contextualização da atividade:


Esta atividade lúdica prende-se com a temática abordada nesta UD – O Texto
Poético. Ministrei 3 aulas de 90 minutos, e a atividade lúdica foi desenvolvida no final
da primeira aula.
A aula teve início com a audição e o visionamento do videoclip do poema
Primeiro Beijo, letra de Carlos Tê, cantado pelo intérprete Rui Veloso. Seguiu-se a troca
de impressões sobre a mensagem do poema, as imagens e a música. Posteriormente
procedeu-se à leitura e à sua análise.
Após a análise do poema seguiu-se a atividade lúdica relacionada com
Provérbios e Quadras populares, dado que no poema analisado os alunos já tinham
identificado alguns aspetos característicos da Literatura de Tradição Oral.
Primeiramente expliquei e forneci aos alunos o significado de Provérbio e de Quadra
Popular22 e só depois entreguei uma ficha formativa com dois momentos de
componente lúdica. Entreguei a ficha, li e expliquei aos alunos o que se pretendia.

• Formação23:
A atividade lúdica realizou-se aos pares. Poderia ter sido desenvolvida
individualmente, mas entendi que por ser importante e por a temática abordada também
se apresentar desafiadora, poderia colocar os alunos a trabalharem em grupo: trocando
ideias, sendo criativos, respeitando as diferentes opiniões e/ ou sugestões, além da
relação de entre ajuda ser um elemento essencial para as suas vidas.

22
Ver Anexo 1
23
A designação de formação tem que ver com a “forma de organização dos participantes” nas atividades.
Marli P. dos Santos. O brincar na Escola. (2010: 31).
54
Atividade Lúdica: 1.º momento: Provérbios

Ficha Formativa
1)
1.1. Ordena as seguintes frases de forma a (re)conheceres alguns Provérbios. Não te
esqueças de os pontuar correctamente.

a) amor se paga Amor com.


______________________________________________________________________

b) amores Arrufos namorados são dobrados de.


______________________________________________________________________

c) enquanto amor é dura O eterno.


______________________________________________________________________

d) dor amor há Onde há.


______________________________________________________________________

e) para quente frias coração amor sempre Mãos.


______________________________________________________________________

1.2. Qual é a palavra que está presente em todos os provérbios?


______________________________________________________________________

• Objetivos:
Formar frases com sentido;
Rever a pontuação;
Compreender a mensagem de cada provérbio (reside aqui a
intencionalidade maior desta atividade);
Perceber a importância e as situações do uso do provérbio;
Descobrir figuras de estilo;
Despertar a curiosidade dos alunos em quererem saber mais,
partindo de pesquisas ou perguntando aos pais, avós, etc.

55
Atividade Lúdica: 2º momento: Quadras Populares

2) Completa as seguintes Quadras Populares com as palavras que te são dadas, ou não,
tendo em atenção o sentido, a rima e a métrica.

a) Dei um _____, tu não _________ b) Adeus que me vou sem ______,


Suspirei, não deste ___________ Meu ____________ sem falar-te;
O meu __________ é _________ Minha boca sem dar ________ ;
O teu não sei de quem ________. Meus braços, sem ___________.

- coração; fé; ai; é; ouviste; teu. - beijos; abraçar-te; coração; ver-te

c) Os ________ da minha ________ d) O ______________ é triste,


São duas ___________________; Enquanto não tem flor;
_____________, são dois botões, É como ________________
Abertos, duas _______________. Enquanto não tem ________.

- azeitoninhas; fechados; amada;


rosinhas; olhos.
Bom trabalho!☺

• Objetivos:
Completar as quadras populares atendendo:
- à rima,
- ao sentido do poema,
- à métrica;
Entender a mensagem de cada poema;
Mostrar criatividade e vocabulário de forma a completar a última
quadra;
Leitura e entoação (no momento da correção da ficha, leitura
mais expressiva, trata-se de poesia e têm sempre alguma
dificuldade).

• Avaliação da atividade:
A atividade relacionada com Provérbios e Quadras Populares foi muito bem
recebida pelos alunos. Conseguiram de forma bastante eficaz atingir os objetivos
propostos, além de os sentir motivados, animados e alegres. Muito mais importante foi,
sem dúvida, sentir que gostaram do que aprenderam e da forma como foi realizado, pois

56
saíram da sala de aula a dizer provérbios e a tentar formar quadras. Superou as minhas
expectativas e fez com que a minha motivação para as aulas seguintes fosse muito
maior.

* Proposta de correcção da ficha

Ficha Formativa
1)
1.1. Ordena as seguintes frases de forma a (re)conheceres alguns Provérbios. Não te esqueças
de os pontuar correctamente.

a) amor se paga Amor com.


Amor com amor se paga.

b) amores Arrufos namorados são dobrados de.


Arrufos de namorados são amores dobrados.

c) enquanto amor é dura O eterno.


O amor é eterno enquanto dura.

d) dor amor há Onde há.


Onde há amor, há dor.

e) para quente frias coração amor sempre Mãos.


Mãos frias, coração quente, amor para sempre.

1.2. Qual é a palavra que está presente em todos os provérbios?


A palavra que está presente em todos os provérbios é: Amor.

2) Completa as seguintes Quadras Populares com as palavras que te são dadas, tendo em
atenção o sentido, a rima e a métrica.
a) Dei um ai, tu não ouviste b) Adeus que me vou sem ver-te,
Suspirei, não deste fé Meu coração sem falar-te;
O meu coração é teu Minha boca sem dar beijos ;
O teu não sei de quem é. Meus braços, sem abraçar-te.

- coração; fé; ai; é; ouviste; teu. - beijos; abraçar-te; coração; ver-te

c) Os olhos da minha amada d) O pessegueiro é triste,


São duas azeitoninhas; Enquanto não tem flor;
Fechados, são dois botões, É como o rapaz solteiro
Abertos, duas rosinhas. Enquanto não tem amor.
- azeitoninhas; fechados; amada

57
Proposta da atividade lúdica nº2 – “Palavras Cruzadas”

• Público alvo:
Turma do 12ºE, constituída por 25 alunos. Turma interessada e trabalhadora mas
pouco participativa. Esta última característica, a da inibição da turma, tornou o meu
trabalho um pouco mais difícil e desafiador. Turma responsável, com alunos maduros e
com bom aproveitamento.

• Enquadramento/ contextualização da atividade: A temática abordada


nesta UD foi o Texto Lírico: Fernando Pessoa – Ortónimo. Das oito aulas ministradas a
Português (L1), é de referir que cinco delas se prendem com a poesia (três aulas ao 8ºB
referido anteriormente e duas ao 12ºE). A proposta da atividade lúdica que aqui
apresento foi desenvolvida no final da segunda aula (e última), com a intencionalidade
de rever conteúdos abordados nestas duas aulas.
A primeira aula foi dedicada ao estudo e análise do poema Ela canta, pobre
ceifeira, de Fernando Pessoa, enquanto na segunda aula dedicámo-nos ao estudo de
outro poema do autor Não sei quantas almas tenho. Ao planificar estas duas aulas
pretendi que os alunos se sentissem motivados e interessados pelo estudo deste autor,
Fernando Pessoa, considerado o melhor poeta do séc. XX, com uma obra tão abrangente
e díspar fruto de uma personalidade tão “plural” que precisou de ser mais do que um
poeta e por isso “se desdobrou” em vários. Como atividade final elaborei umas palavras
cruzadas abordando a temática desta UD. Esta atividade de cariz lúdico foi pensada e
desenvolvida por mim a pensar precisamente nestes alunos, que embora muito
interessados não eram muito participativos, logo não faria muito sentido estar a fazer
mais perguntas de forma normal e rotineira. Portanto, para quebrar a atitude tão séria e
tão “pesada” das duas aulas, resolvi apresentar-lhes uma ficha com palavras cruzadas
com o intuito de os levar a resolvê-la de forma mais leve e agradável. Esta tarefa, válida
para esta turma concreta, poderia não sê-lo para outra turma.

• Formação:
Esta atividade lúdica desenvolveu-se de forma individual, pois os alunos eram
disciplinados, interessados e motivados. Além de que, pertencendo à faixa etária dos 17/

58
18 anos, entendi que os alunos iriam encarar a atividade como um desafio aos
conhecimentos adquiridos e que, por isso, encarariam a atividade como um desafio
pessoal por conseguirem fazer o seu próprio diagnóstico/ avaliação do que aprenderam.
Pretendi ainda que estes alunos, que já apresentavam alguma tensão por
frequentarem o 12º ano e de terem que realizar exames no final do ano letivo, tivessem
numa das minhas aulas um momento de lazer, aplicando contudo a matéria dada.

59
Proposta de atividade:
A) Resolve as seguintes palavras cruzadas:
Palavras na Horizontal
2. No último poema analisado Não sei quantas almas tenho, qual é a temática presente?
3. Fernando Pessoa criou outras personalidades distintas. Que nome atribuis a esse processo,
no contexto da criação literária?
4. Qual o nome do autor em estudo?
6. Que obras deste autor já estudaram?
7. Qual o nome do seu heterónimo conhecido como "O Mestre"?
9. Em que país passou uma parte da sua infância e adolescência?
10. Qual o título do primeiro poema que estudaram e que fala no fingimento poético?

Palavras na Vertical

1. Qual o nome do seu semi-heterónimo, que escreveu a obra Livro do desassossego que deu
origem ao filme que irão ver em breve?
5. Qual o sentimento associado à sua infância?
8. Poemas como "Isto", "Gato que brincas na rua", "Ela canta, pobre ceifeira"...fazem parte
de que obra?

60
• Objetivos:
Testar e consolidar os conhecimentos adquiridos sobre Fernando Pessoa:
- dados sobre a vida e obra do autor;
- conceitos;
- compreensão e identificação das temáticas abordadas.

• Avaliação da atividade:
Os alunos, logo que lhes disse que ia distribuir uma ficha com palavras cruzadas,
mostraram de imediato o seu entusiasmo e contentamento por realizarem uma atividade
lúdica mas séria e com a finalidade de verificar a apreensão dos seus conhecimentos.
Realizaram a atividade com motivação, com descontração, com prazer e, logo depois,
realizámos a sua correção.
A atividade correu muito bem. É um tipo de exercício que todos ou quase todos
gostam de realizar, pelo seu carácter cativante e ao mesmo tempo desafiador em
conseguir preencher todos os espaços. No final, fica a sensação de concretização, de
conquista e eleva a auto estima para aqueles que efetivamente conseguem responder a
todas as questões acertadamente. Senti que os alunos gostariam de ter/ realizar mais este
tipo de atividades nas aulas, pois o carácter lúdico cativa, atrai em todas as idades e
serve precisamente para quebrar rotinas que levam na maioria das vezes à desmotivação
e ao desinteresse; mas também sei que há um limite para este tipo de atividades que só
esporadicamente devem ser feitas.

61
*Soluções das palavras cruzadas
Palavras na Horizontal

2. FRAGMENTAÇÃO DO EU— No último poema analisado "Não sei quantas almas


tenho", qual é a temática presente?
3. HETERONÍMIA— Fernando Pessoa criou outras personalidades distintas. Que nome
atribuis a esse processo, no contexto da criação literária?
4. FERNANDO PESSOA— Qual o nome do autor em estudo?
6. MENSAGEM— Que obra deste autor já estudaram?
7. ALBERTO CAEIRO— Qual o nome do seu heterónimo conhecido como "O Mestre"?
9. ÁFRICA DO SUL— Em que país passou uma parte da sua infância e adolescência?
10. AUTOPSICOGRAFIA— Qual o título do primeiro poema que estudaram e que fala no
fingimento poético?

Palavras na Vertical

1. BERNARDO SOARES— Qual o nome do seu semi-heterónimo, que escreveu a obra


Livro do desassossego que deu origem ao filme que irão ver em breve?
5. NOSTALGIA— Qual o sentimento associado à sua infância?
8. CANCIONEIRO— Poemas como "Isto", "Gato que brincas na rua", "Ela canta, pobre
ceifeira"...fazem parte de que obra?

62
2.2.2. Língua Espanhola – L2

Proposta da atividade lúdica nº1 – “La profesión más original”

• Público alvo:
Alunos das turmas do 11ºE/F (duas turmas que se juntavam para ter a disciplina
de L2) perfaziam um total de vinte e dois alunos. Grupo muito heterogéneo, nível A2,
com discentes pouco motivados e com mais dificuldades ao nível da expressão oral e
escrita.

• Enquadramento/ contextualização da atividade:


Lecionei-lhes no total cinco das oito aulas (duas aulas 11ºE/F, três aulas 8ºE e
por fim mais três aulas ao 11º E/F). Esta atividade lúdica prende-se com a temática
abordada nesta UD “El mundo del trabajo” e foi desenvolvida na última aula, com a
duração de noventa minutos. Foi um desafio que me causou bastantes receios, pois os
alunos no geral não eram empreendedores, interessados e alguns deles eram mesmo
perturbadores.
Todas as atividades elaboradas por mim para o desenvolvimento desta UD, cuja
temática se relacionava com o trabalho, pretendeu perceber junto dos alunos o seu
sentimento em relação à crise que o país atravessava e também a realidade do país
vizinho, algo semelhante ao nosso, um tema muito atual pelas piores razões.
As duas primeiras aulas serviram para inserir o tema na turma, trocar
impressões, discutir ideias, alargar vocabulário relacionado com o tema do trabalho,
além de outras atividades, como: preenchimento de notícias, visionamento de imagens e
vídeos e ainda a aprendizagem de um novo tempo verbal o “Condicional simple”.
Na terceira e última aula, foi realizada a atividade de componente lúdica. Iniciei
esta última aula revendo os conteúdos lecionados na aula anterior; seguidamente
projetei uma imagem com um CV24 (curriculum vitae), para que os alunos mostrassem
a sua importância no que se refere à procura de emprego. A aula seguiu com a projeção
de mais duas imagens25 com profissões inusuais. Estas atividades de início de aula
serviram de preparação para as atividades que se seguiram. Tive que ter em conta que os
estudantes não deviam ter ainda experiência laboral, daí ter pensado e elaborado a
24
Ver Anexo 2
25
Ver Anexo 3
63
atividade que se segue centrada na simulação, onde os alunos tiveram que demonstrar
criatividade, originalidade na hora de realizar as tarefas pedidas.

• Formação:
Esta atividade desenvolveu-se em grupos. Resolvi fazer uma atividade diferente
com estes alunos, no geral difíceis e pouco interessados, para tentar precisamente
cativá-los e conseguir da sua parte uma adesão.
Cada grupo tinha que inventar/ criar uma profissão diferente e original e
completar o CV tendo em conta essa profissão. No final da atividade, os porta-vozes
escolhidos por cada grupo teriam que ler em voz alta a profissão escolhida assim como
o CV criado, pois o júri, composto pelo Professor Joaquim Lopes e pela Professora
Estagiária Maria Manuel Urbano, iriam selecionar a profissão mais original
acompanhada pelo CV.

64
Proposta da atividade:

En grupos:
1. Ahora vais a imaginar una profesión totalmente diferente, que debe ser
inventada por vosotros. Tenéis que ser creativos, pues a continuación vais a hacer
el currículum vitae relacionado con la profesión que habéis creado.

CURRÍCULUM VITAE
Nombre y apellidos

Domicilio

Teléfono/ Móvil

Correo electrónico

Nacionalidad

Fecha de nacimiento

Estudios/ Diplomas

Experiencia profesional/ de trabajo

Información complementaria

Aptitudes y competencias

Nota: Debéis ser muy creativos, imaginativos para que consigáis ganar el desafío
propuesto, pues va a haber un jurado (el Profesor Joaquim y la Profesora Maria
Manuel) que van a elegir la profesión más sorprendente, más original.

¡Buen Trabajo!☺

65
• Objetivos:
Compreender e aplicar os conteúdos apreendidos;
demonstrar criatividade e originalidade;
capacidade de trabalhar em grupo, respeitando os seus colegas e
as suas opiniões;
aplicar vocabulário apreendido sobre trabalho, profissões, etc;
trabalhar a expressão escrita e oral;
demonstrar interesse, empenho e motivação.

• Avaliação da atividade:
Já referi, anteriormente, o meu receio em levar à sala de aula esta atividade de
cariz lúdico, pois não sabia realmente com o que poderia contar por parte destes alunos.
É diferente quando são turmas nossas, quando já conhecemos bem os alunos e sabemos
previamente o que poderá correr melhor ou pior. Neste caso é mais incerto. Apesar de
todos os meus receios e ansiedade, a atividade proposta acabou surpreendentemente por
ser muito bem recebida e trabalhada pelos alunos, sendo preciso de vez em quando
impôr silêncio, tal era o entusiasmo e empenho por ganhar este desafio.
Na realidade, o facto de se tratar de uma simulação, de terem que ser criativos
deixou os alunos mais à vontade. Nesta fase da adolescência seria, efetivamente, mais
inibidor se tivessem que falar de si próprios, das suas vidas…
Os alunos manifestaram o seu contentamento e alguns até comentaram com o
seu Professor que deveriam realizar mais atividades deste tipo. O Professor Joaquim
Lopes admitiu que até ele ficou surpreendido com a atitude dos seus alunos. Foi a
minha última aula do estágio pedagógico e, depois de sentir que os alunos tinham
gostado da aula, que tinham trabalhado com interesse e com motivação, terminei com o
sentimento de dever cumprido e que há exercícios, atividades que conseguem despertar
o interesse dos alunos e fazê-los sentir-se bem com o processo de ensino-aprendizagem.
Todas as atividades foram pensadas tendo em conta as características destes
alunos face a L2 e tentar que eles se sentissem cada vez mais motivados pela
aprendizagem e estudo tanto da língua como da cultura espanholas.

66
Proposta da atividade lúdica nº2 – “Enfermedades y tratamientos”

• Público alvo:
Turma do 8ºE, constituída por vinte e sete alunos muito faladores, desatentos e
com dificuldades em obedecer a muitas das regras de bom comportamento que
deveriam ter em contexto de sala de aula. Comparativamente com a turma do 8º ano de
Português (L1), há uma grande diferença, quer em termos de comportamento quer de
aproveitamento.

• Enquadramento/ contextualização da atividade:


A temática abordada nesta UD intitulou-se “Antes y Ahora”. Ministrei três aulas
a esta turma, duas de noventa minutos e uma de quarenta e cinco. A proposta de
atividade ou conjunto de atividades de cariz lúdico que aqui apresento foi desenvolvida
na parte inicial da primeira aula. Esta proposta visou rever conteúdos lexicais como o
corpo humano, peças de vestuário, além de introduzir novos conteúdos como as
doenças, tratamentos e também a construção “particular” do verbo “doler”, partindo da
canção “A mi burro”, de Rosa León.
Como primeira atividade os alunos tiveram que ler a canção (que previamente
lhes distribui) e tentar preencher os espaços em falta na canção com algumas das
palavras da tabela, tendo em conta o sentido e a própria rima da letra da canção, além de
sublinharem vocábulos que lhes parecessem mais difíceis (para poder esclarecer as
dúvidas). Na realidade tratava-se de uma canção muito simples, infantil, com um
vocabulário acessível, de forma a que pudesse indagar o nível de conhecimentos já
adquiridos pelos alunos. Seguidamente a turma ouviu a canção e pôde comprovar as
respostas. Houve um momento de interação oral tomando por tema o contexto da
canção, de forma a demonstrarem a sua capacidade de compreensão e praticarem a
oralidade. Depois tiveram mais umas atividades como uma tabela síntese sobre a
canção, entre outras. Toda esta aula foi muito interativa e lúdica pois abordou vários
conteúdos, bastante léxico, já dado e outro introduzido pela primeira vez. Os exercícios
foram muito variados e pretenderam sempre manter os alunos motivados, pois como são
de difícil comportamento, as atividades foram pensadas para que não houvesse grandes
pausas.

67
• Formação:
Esta atividade desenvolveu-se de forma individual e em GG (grande grupo, a
turma), pois, como já referi, tratou-se do início de uma aula e também da introdução da
temática da UD “Antes y ahora”. Mas foi principalmente de forma individual que os
alunos trabalharam, pois eram alunos que se distraíam muito facilmente. Logo, pretendi
que cada um deles se preocupasse em resolver/ completar os exercícios da atividade,
envolvendo-se pelo carácter lúdico das atividades, e conseguisse sentir-se envolvido e,
por conseguinte, empenhado e motivado.

68
Proposta de atividade:
1. Lee con atención la siguiente canción y completa los espacios en
falta solamente con algunas de las palabras del recuadro.

_______________________

A mi burro, a mi burro
Le duele __________
Y el médico le ha dado
Una gorrita gruesa
Una gorrita gruesa
Mi burro enfermo está la garganta el pecho
Mi burro enfermo está
las orejas las piernas
A mi burro, a mi burro
Le duelen ___________
el cuello la cabeza
Y el médico le ha dado
Un jarro de cerveza el corazón
Un jarro de cerveza
Mi burro enfermo está las rodillas los oídos
Mi burro enfermo está

A mi burro, a mi burro
Le duele ____________
Y el médico le ha dado
Una bufanda blanca
Una bufanda blanca
Mi burro enfermo está
Mi burro enfermo está

A mi burro, a mi burro
Le duele ____________
Y el médico le ha dado
Gotitas de limón
Gotitas de limón
Mi burro enfermo está
Mi burro enfermo está

A mi burro a mi burro
Le duelen ___________
Y el médico le ha dado
Un frasco de pastillas
Un frasco de pastillas
Mi burro enfermo está
Mi burro enfermo está.
Rosa León
http://www.youtube.com/watch?v=kwB6KD8pzNo y “elaboración propia”

69
2. Enseguida vas a oír la canción y a comprobar tus respuestas.
3. Sugiere un título para esta canción.
4. Completa la siguiente tabla con la información presente en la canción:

Partes del cuerpo Tratamientos

Le duele

A mi burro

Le duelen

¡OJO!
(A mí) me
(A ti) te
Verbo Doler (A él/ella/Ud.) le duele la muñeca
A. ¿Qué te duele? (A nosotros/as) nos duelen los pies
B. Me duele la espalda. (A vosotros/as) os
(A ellos/ellas/Uds.) les

5. Completa las siguientes imágenes: ¿Qué les duelen?


“Elaboración propia” y Prisma Fusión A1/A2, de Equipo Club Prisma: Edinumen, Madrid, 2008

70
• Objetivos:
intuir o tema da aula através da canção;
compreender um texto;
inferir significados;
interação oral:
introduzir novos conteúdos e rever outros já dados;
demonstrar interesse e empenho pelos exercícios propostos.

• Avaliação da atividade:
Sendo a minha primeira aula dada a esta turma do 8ºE e sabendo que os alunos
desta turma gostavam da disciplina mas eram indisciplinados e muito desatentos, tive
obviamente receios. No entanto a aula decorreu de forma agradável e, em relação à
atividade principal, que foi a canção, os alunos reagiram positivamente, consideraram-
na engraçada e gostaram da imagem (pretendeu ser apelativa, sugestiva), acabando por
realizar as tarefas pedidas de forma mais ou menos ordeira. Reconheço que foi uma aula
um pouco “pesada” pela apresentação de vocabulário variado (tenha-se em conta que os
alunos vão esquecendo as matérias dadas e depois encaram tudo como se fosse
novidade), pois começou logo por não saberem o vocabulário relacionado com o corpo
humano e isso obrigou-me a fazer uma revisão mais demorada com os alunos, acabando
por comprometer a última atividade de EE (expressão escrita) que não foi possível
terminarem na aula. Contudo, considero que os alunos gostaram das atividades e
envolveram-se de forma agradável e aprazível, conseguindo resolver os exercícios com
sucesso.

71
*Proposta de correção:
“A mi burro”/ “Mi burro enfermo está”

A mi burro, a mi burro
Le duele la cabeza
Y el médico le ha dado
Una gorrita gruesa
Una gorrita gruesa
Mi burro enfermo está
Mi burro enfermo está la garganta el pecho

las orejas las piernas

A mi burro, a mi burro el cuello la cabeza


Le duelen las orejas el corazón
Y el médico le ha dado
Un jarro de cerveza las rodillas los oídos
Un jarro de cerveza
Mi burro enfermo está
Mi burro enfermo está

A mi burro, a mi burro
Le duele la garganta
Y el médico le ha dado
Una bufanda blanca
Una bufanda blanca
Mi burro enfermo está
Mi burro enfermo está

A mi burro, a mi burro
Le duele el corazón
Y el médico le ha dado
Gotitas de limón
Gotitas de limón
Mi burro enfermo está
Mi burro enfermo está

A mi burro a mi burro
Le duelen las rodillas
Y el médico le ha dado
Un frasco de pastillas
Un frasco de pastillas
Mi burro enfermo está
Mi burro enfermo está.
Rosa León

http://www.youtube.com/watch?v=kwB6KD8pzNo y “elaboración propia”.

2. Enseguida vas a oír la canción y a comprobar tus respuestas.


3. Sugiere un título para esta canción.
4. Completa la siguiente tabla con la información presente en la canción:

72
Partes del Tratamientos
cuerpo
La cabeza una gorrita gruesa
Le duele
La garganta una bufanda blanca
A mi burro
El corazón gotitas de limón

Le duelen Las orejas Un jarro de cerveza

Las rodillas Un frasco de


pastillas

¡OJO!
(A mí) me
(A ti) te
Verbo Doler (A él/ella/Ud.) le duele la muñeca
C. ¿Qué te duele? (A nosotros/as) nos duelen los pies
D. Me duele la espalda. (A vosotros/as) os
(A ellos/ellas/Uds.) les

6. Completa las siguientes imágenes: ¿Qué les duelen?

Soluciones: 3) Le duele el brazo; 4) Le duelen los ojos; 5) le duele la pierna; 6) Le duele


el estómago; 7) le duele el dedo; 8) le duelen las muelas

73
Na segunda aula, de quarenta e cinco minutos, introduzi na turma do 8º E um novo
tempo verbal “El Pretérito Imperfecto” do Indicativo e, depois de lhes explicar a
construção e os usos deste tempo verbal, entreguei uma ficha formativa26 para que
os alunos praticassem através de exercícios. O primeiro, para completar os espaços
em falta com o novo tempo verbal, enquanto o segundo exercício de componente
mais lúdica, contava de um crucigrama para preencherem também com o “Pretérito
Imperfecto”. O interessante foi ver que, depois da distribuição da ficha27 e da minha
leitura e explicação, os alunos começaram de imediato pelo segundo exercício, pois
o seu carácter lúdico levou-os a quererem solucionar o exercício. Daí a diferença e a
importância de alternarmos tipos de exercícios, ora lúdicos ora não lúdicos, para que
os alunos não se cansem de resolver sempre da mesma forma, independentemente
dos conteúdos.

• Proposta de atividade:
B. Resuelve el siguiente crucigrama en Pretérito Imperfecto de
Indicativo

26
Ver Anexo 4 – ficha completa.
27
Ver Anexo 5 – correção da ficha completa.
74
*Proposta de correção da atividade:

75
3. Outras propostas didáticas para Língua Portuguesa (L1) e para Língua
Espanhola (L2):

As atividades que proponho seguidamente são sugestões de componente lúdica


que poderiam ser desenvolvidas nas turmas em que apresentei as propostas
anteriores.

Proposta de atividades para Língua Portuguesa:

a) A atividade28 que se segue foi pensada para a turma do 8ºB, com a finalidade
de praticar principalmente a expressão escrita de uma maneira desafiadora e que exige a
criatividade dos alunos.
1) Os alunos são divididos em pequenos grupos;
2) Os grupos devem selecionar um porta-voz, para que no final se proceda à
leitura dos textos em voz alta;
3) Atentam nas palavras da tabela e, em conjunto, vão ter que redigir um
pequeno texto, coerente e coeso, onde coloquem todas estas palavras. A
selecção das palavras é aleatória;
4) Devem ser criativos. É aconselhável fazer um pequeno esquema antes de
passar à redação do texto, discutindo e partilhando ideias com os
companheiros, respeitando-se sempre;
5) No fim de redigirem o texto atribuam-lhe um título;
6) Proceder-se-á à leitura dos textos pelos porta-vozes e depois haverá a eleição
do texto mais imaginativo, mais coerente e coeso. Finalizaremos a atividade
com a eleição do grupo vencedor.

NOTA: Ao redigirem o texto devem ter em atenção: a ortografia, as


estruturas gramaticais, o uso de conectores, o vocabulário utilizado, a
pontuação, etc.

28
Atividade adaptada de: MACEDO, PETTY & PASSOS. Os jogos e o lúdico na aprendizagem escolar,
pp.64-65.

76
Amarelo
Escuro
Jardim
Comprar
Sincero
Estrada
Matemática
Viagem
Próximo
Irmão

• Objetivos da atividade:
Capacidade de trabalhar em grupo, respeitando as diferentes
opiniões, por isso aprendendo a ceder;
Serem criativos na hora de redigirem a história;
Conseguirem criar um texto com coerência, não se esquecendo de
nenhuma das palavras que estão na tabela;
Verificar a tenacidade/ vontade dos alunos diante do desafio
proposto;
Perceber as dificuldades mais sentidas na hora de escreverem um
texto sem um tema;
Capacidade de organização em termos de trabalho, tal como a
capacidade de organizar as ideias de forma coerente;
Perceber junto dos alunos as dificuldades mais sentidas no que
concerne à expressão escrita;
Saber a opinião dos alunos sobre o grau de exigência da
atividade, se gostaram, o que mudariam… O feedback é
importantíssimo para os professores, para podermos ir
melhorando o nosso desempenho e conseguirmos uma
aproximação crescente com os nossos alunos. Desta forma o

77
processo de ensino-aprendizagem far-se-á de forma mais
aprazível, mais cativante e mais eficaz.

• Conclusão:
A minha conclusão é meramente especulativa, mas tendo em conta o perfil da
turma, acredito que no final da atividade surgiriam textos interessantes e até
surpreendentes. São alunos motivados e que gostam que os desafiem, e se há a eleição
de um “melhor” texto, então sem dúvida que iria haver uma “disputa” saudável por essa
“conquista”.

b) Proposta de atividade para o 12º ano (turma E)

Como referi anteriormente, trata-se de uma turma de bom aproveitamento e


interessada, embora pouco participativa. Pensei numa atividade que pudesse despertá-
los mais para a participação, cooperação e oralidade.
A atividade que lhes propunha seria uma espécie de trivial, ou um jogo muito
conhecido divulgado pelos meios televisivos “Quem quer ser milionário?”. Este tipo de
atividade (adaptada) parece-me bastante desafiadora, interessante e competitiva, além
de que dá para rever vários conteúdos apreendidos como também dá para explorar um
só. A atividade lúdica iria decorrer da seguinte forma:

1) Os alunos dividir-se-iam em pequenos grupos;


2) Cada grupo iria pensar e escrever 5 questões com 3 hipóteses de resposta
(escrevendo a resposta correta no canto inferior direito) sobre matéria
abordada até então (no ano letivo a decorrer) em cinco pedaços de papel que
passariam a dobrar para depois serem metidos num saco. (A professora
78
acompanharia os grupos e as questões, para perceber se não se repetiriam,
em alternativa podia dar um tema a cada grupo).
3) Os grupos passariam à eleição do porta-voz;
4) Cada grupo poderia usufruir de 2 ajudas (das 3 hipóteses de resposta
passavam a ficar só com 2), cujos pontos seriam descontados no somatório
final de cada grupo;
5) A Professora faria o papel de apresentadora e faria as questões, além de
colocar no quadro a pontuação obtida (aqui em pontos, dez pontos por cada
resposta correta, com ajudas cinco pontos).
6) Cada grupo tiraria um papel com uma questão e a Professora lê-la-ia em voz
alta; o grupo confidenciaria e depois o porta-voz responderia). Assim
seguiria o jogo até ao final das questões.
7) Por fim somavam-se os pontos e encontraríamos o(s) grupo(s) vencedor(es).

• Objetivos da atividade:
Capacidade de trabalharem em grupo de forma ordeira e
responsável, cumprindo as tarefas designadas;
Respeitar os colegas dos outros grupos;
Rever as matérias já apreendidas anteriormente, avaliando os seus
conhecimentos e tomando consciência do seu processo de
aprendizagem;
Capacidade de formular questões apropriadas a um 12ºano;
Levar os alunos a sentirem-se mais descomprimidos, menos
tensos, pois o 12º ano é muito exigente e desenvolve em muitos
alunos muita ansiedade e stress.
Quebrar a rotina, despertar nos alunos um lado mais participativo,
mais competitivo, mais aprazível e agradável.

• Conclusão: Mais uma vez, faço uma conclusão hipotética. Mas,


conhecendo os alunos, acredito que de início poderiam ficar um pouco
“assustados” com a proposta, mas depois com o desenvolvimento e com

79
o decorrer do jogo entrariam no espírito da competição e iriam (cada
grupo) fazer de tudo para conseguir vencer o desafio. Creio que é uma
atividade interessante, desafiadora e que os levaria a serem mais
dinâmicos e mais espontâneos, portanto, a “soltarem-se” mais, a
deixarem-se envolver e revelar as suas emoções.

Proposta de atividades para Língua Espanhola:

a) Proposta de atividade para o 8º ano (turma E)

Como última atividade de componente lúdica para esta turma foi apresentado um
crucigrama para completar com os verbos no tempo verbal aprendido “El pretérito
imperfecto” do Indicativo. A atividade que sugeriria, relacionada com esta temática tem
a ver com um jogo em que os alunos teriam que “treinar” o novo tempo verbal, mas de
uma forma diferente e, na minha perspectiva, talvez mais atrativa e desafiadora. O
primeiro e grande desafio seria colocar estes alunos em grupos, e nesta atividade é o que
proponho. É uma turma mais difícil mas temos que experimentar as atividades também
com estes alunos, pois pode ser que nos surpreendam. Caso o façam negativamente, há
a necessidade de readaptar ou mesmo evitar este tipo de atividade.

A atividade lúdica decorreria da seguinte forma:


1) Informaria os alunos que iríamos trabalhar o novo tempo verbal;
2) Os alunos dividir-se-iam em grupos (selecionados por mim) e selecionariam
um porta-voz;
3) Explicar-lhes-ia a atividade, dizendo que tinha uns cartões com vários verbos
no Infinitivo, incluindo os três verbos irregulares do PI (Pret. Imperfecto), e passaria a
mostrá-los; depois colocaria esses cartões num saco;
4) Cada grupo teria que tirar à sorte um cartão, dizer em voz alta o verbo que
saiu e, em seguida, conjugá-lo no PI. O porta-voz teria que conferenciar por breves
momentos com os seus colegas e depois responderia.
5) A Professora atribuiria uma letra a cada grupo, colocá-la-ia no quadro. Depois
passaria a anotar os resultados, para que no final não existissem dúvidas e também,
desta forma, veríamos melhor o desempenho de cada grupo;

80
6) Depois de todos os cartões terem saído, a professora daria por terminado o
jogo, verificando os conhecimentos dos alunos, assim como as dificuldades sentidas e
nas quais seria preciso trabalhar mais com a turma. Assinalaria o(s) grupo(s)
vencedor(es), atribuindo um prémio simbólico.

• Objetivos da atividade:
Capacidade de trabalhar e cooperar em grupo;
Respeitar a opinião dos colegas;
Saber respeitar as regras de comportamento diante do jogo;
Praticar o novo tempo verbal dado – El Pretérito Imperfecto de
Indicativo;
Despertar o interesse e a motivação para a aprendizagem de L2
Verificar a aprendizagem efetiva da matéria dada e / ou as
dificuldades apresentadas pelos alunos;

81
Dar-lhes um voto de confiança para saber se poderia realizar mais
este tipo de atividades com eles ou não;
Maior sentido de responsabilidade e de consciencialização.

• Conclusão:
A minha maior dúvida nesta turma talvez resida quanto ao sucesso ou fracasso
deste tipo de atividade. Sei que os alunos iriam gostar: atividade diferente, mais atrativa,
desafiadora, mas, ao mesmo tempo estes mesmos fatores em determinadas turmas
poderiam ainda mostrar um pior comportamento e quase uma falta de controlo sobre os
alunos. Devido a envolverem-se tanto e com o quererem ganhar, esquecer-se-iam do
lugar onde estavam e perderiam a noção de limite e isso assustaria qualquer professor.
Contudo, quero crer que seria possível conseguir que o jogo corresse bem, sendo para
isso necessário antes de iniciar a atividade, explicar-lhes os objetivos assim como as
possíveis consequências.

b) Proposta de atividade para o 11º ano (turmas E/F)

Esta atividade lúdica foi retirada de um manual29, e coloco-a aqui como proposta
para o 11º ano, pois creio ser uma atividade de cariz lúdico interessante e que serviria
para perceber até que ponto os alunos – companheiros se conhecem uns aos outros.
Logo, é desafiadora e motivadora. Considero que é uma boa proposta para esta turma,
bastante heterogénea e pouco motivada. Ao contrário da atividade que pratiquei com
eles durante o estágio, em que realizaram uma atividade toda baseada na simulação,
neste caso vão dar a conhecer um pouco dos seus interesses e gostos à turma.
Considero uma atividade pertinente e interessante pelo seu carácter intrigante,
onde terão que adivinhar.

A atividade decorreria da seguinte maneira:


1) Entregar-lhes-ia uma ficha com a atividade;
2) De seguida pediria a um aluno, à sorte, que lesse o conteúdo da ficha;

29
ESPAÑOL 2 – Nivel elemental II, Porto Editora, Porto, 2007. Pág. 38.
82
3) Os alunos, individualmente, responderiam de forma direta e breve numa folha
sem identificação e, no fim entregá-la-iam à professora;
4) A professora recolheria os textos e selecionaria, de forma aleatória, alguns que
passaria a ler em voz alta para que os alunos adivinhassem de quem se trataria.

83
• Objetivos da atividade:
Rever e utilizar vocabulário já apreendido;
Interrogar-se sobre os seus próprios gostos e interesses;
Responder a todas as questões de forma sincera;
Compreensão escrita e oral;
Capacidade de reconhecerem os colegas e de respeitar os seus
gostos;
Constatar pontos que têm em comum, assim como os que são
totalmente diferentes. Dar-se a conhecer.

• Conclusão:
Acredito que esta atividade lúdica iria resultar bem, mas também levanto
algumas reservas: conhecendo alguns elementos da turma creio que iriam “sabotar” a
atividade, escrevendo tudo distorcido para brincar com os colegas. Poderia inserir-se
esta atividade relacionada com a temática dos interesses, gostos, preferências e o
inverso, pois serviria para elaborarem uma lista e terem consciência se realmente se
conhecem bem entre si.
Creio que é uma atividade que desperta nos alunos interesse e vontade em
adivinhar de quem se trata, por isso seria estimulante e produtiva, dado que os alunos
estariam a aplicar conteúdos adquiridos.

84
Capítulo IV - Conclusão

85
A elaboração deste relatório de estágio permitiu-me constatar precisamente o
que já sentia em relação à temática escolhida sobre o contributo das atividades lúdicas
na aprendizagem de Português (L1) e Espanhol (L2). Na minha curta experiência como
docente de Espanhol Língua Estrangeira, pude aperceber-me com mais clareza e
certezas acerca da importância do lúdico como um recurso pedagógico auxiliar e muito
potenciador para a aquisição e consolidação de conteúdos.
Durante o estágio pedagógico gostaria de ter podido desenvolver mais atividades
lúdicas com uma duração maior, assim como também uma atenção mais focalizada no
tema. Na realidade, isso não foi possível, pois lecionámos um número reduzido de aulas
a grupos de alunos que não são nossos e depois com planos de aulas bastante
específicos e limitados em termos de tempo que não permitiram desenvolver mais
atividades de carácter lúdico em Português (L1) e Espanhol (L2). Embora precise de
salientar que é em L1, como já havia referido na parte teórica deste trabalho, que reside
uma maior “relutância” em implementar atividades deste cariz, de forma mais percetível
e constante, pois são atividades que despertam os alunos para uma maior motivação,
empenho e envolvência na aprendizagem, creio que os alunos “reclamam” mais
exercícios deste tipo, pois desperta neles um lado mais espontâneo, mais dinâmico e
mais criativo.
A tentativa constante em suprir ou pelo menos diminuir o insucesso escolar, os
maus resultados, leva a que os professores tenham uma consciência mais desperta para a
tentativa de buscar/ procurar novas iniciativas e/ ou estratégias de forma a alcançar
resultados diferentes, que só serão atingidos com alunos mais interessados e motivados.
A motivação é o motor para uma melhor e mais eficaz aprendizagem, dado que na vida
de qualquer pessoa, se se faz aquilo de que se gosta, então sentir-se-á realizada e com
vontade de fazer ainda melhor. O nosso papel enquanto professores também reflete
muito esse aspeto, pois se trabalharmos com alunos motivados e com bom
aproveitamento, também nós nos sentimos mais motivados e realizados na nossa
profissão.
No geral, as atividades lúdicas que consegui levar à sala de aula para trabalhar
com os alunos durante o estágio pedagógico, correram bem e, em alguns casos, muito
bem, superando as minhas expectativas. Mas é necessário tomar atenção, pois cada caso
é um caso, e uma mesma atividade lúdica nunca funcionará de igual forma, mesmo com
turmas idênticas quanto mais quando se trata de turmas completamente distintas. É

86
muito importante pensar a atividade, desenvolvê-la, aplicá-la e no final perceber a
eficácia ou não das estratégias implementadas. Há todo um processo que tem que ser
cuidado, preciso, objetivo e tratado com seriedade.
Com o desenvolvimento deste trabalho senti que necessito explorar ainda mais
este recurso de componente lúdica, daí propor-me à elaboração de uma espécie de
portfolio, reunindo as atividades lúdicas levadas à sala de aula, entre outras que irei
certamente desenvolver, tanto para L1 como para L2. Quero ainda no final de cada
atividade realizada ficar com o registo por escrito, através de três ou quatro simples
questões para perceber o feedback dos alunos. Assim, juntaria à atividade desenvolvida
a opinião geral dos alunos, tirando uma conclusão mais precisa, pois o registo escrito é
importante e para este trabalho esse aspeto falhou-me, pois a preocupação maior não
estava ainda centrada num tema para o relatório de estágio, mas sim para as
planificações de cada aula ao mais ínfimo pormenor, ao desenvolvimento de cada UD,
etc. Com a opinião dos alunos por escrito não necessito de recorrer à memorização, até
porque, com o passar do tempo, é normal ir esquecendo determinados detalhes, logo
terei essa atenção nas minhas aulas, com os meus alunos. Eles são o centro dos nossos
estudos, pesquisas por novas estratégias, por implementar diferentes atividades de
forma a conseguirem obter resultados positivos e entender a escola, a sala de aula, os
professores, as matérias como um todo, que pretende torná-los melhores pessoas,
melhores cidadãos com maior e melhor formação.
A parte teórica juntamente com a parte prática deste relatório comprovam, do
meu ponto de vista a importância do recurso lúdico na sala de aula, neste caso em
particular no ensino-aprendizagem da língua materna (Língua Portuguesa) e da língua
estrangeira (Língua Espanhola), dado que constatei uma atitude mais positiva, mais
animada, mais agradável ao trabalhar com este tipo de atividades. Contudo, quero
referir que só se deverá aplicar uma atividade lúdica quando o professor a considerar
pertinente e enquadrada com o tema tratado, não tem que ser em todas as aulas, nem
num só momento da aula. Este é mais um recurso, uma estratégia que juntamente com
outras pretende um melhor desempenho dos alunos, das suas competências e
habilidades. Não se deve à partida descartar ou negar um recurso porque não se conhece
bem ou porque se tem receio de que possa não ocorrer o desejado, é sempre melhor
tentar inovar, tentar encontrar soluções do que simplesmente deixar-se ficar indiferente.

87
Penso que um professor nunca deverá ficar indiferente, pois dessa forma perder-se-ia
também a essência do que é ser-se professor.

88
Referências Bibliográficas

ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica - Técnicas e Jogos Pedagógicos. 6ª Ed.
Rio de Janeiro: Loyola, 2003.

ALVES, Rubem. A gestação do futuro. Campinas: Papirus, 1987.

ANTUNES, Celso. Como desenvolver as competências em sala de aula. Petrópolis:


Vozes, 2001.

ANTUNES, Celso. Alfabetização emocional: novas estratégias. 8. ed. Petrópolis:


Vozes, 2001.

CURY, Augusto. Pais Brilhantes e Professores Fascinantes. 9. ed. Rio de Janeiro:


Sextante, 2003.

FERRARI, Márcio. Grandes pensadores. Nova Escola. Editora Abril, 2003.

FRIEDMANN, A. Brincar: crescer e aprender. O resgate do jogo infantil. São Paulo,


Moderna, 1996.

FUENTES, N. Charo, El componente lúdico en las clases de ELE. marcoELE. revista


de didáctica ELE / ISSN 1885-2211 / núm. 7, 2008. Disponível em:
<http://marcoele.com/el-componente-ludico-en-las-clases-de-ele/>

LAUAND, Jean. Deus Ludens - O Lúdico no Pensamento de Tomás de Aquino e na


Pedagogia Medieval, 2000. Disponível em:
<http://www.hottopos.com/notand7/jeanludus.htm>

HUIZINGA, J. Homo Ludens. São Paulo: Perspectiva, 1991.

MACEDO, PETTY & PASSOS. Os jogos e o lúdico na aprendizagem escolar. Porto


Alegre: Artmed, 2005.

89
MAURÍCIO, Juliana Tavares. Aprender brincando: O lúdico na aprendizagem.
Disponível em: <http://www.profala.com/arteducesp140.htm>

MONTEIRO, J. L. Jogo, interatividade e tecnologia: uma análise pedagógica.


Cadernos da Pedagogia ano I vol. 01 janeiro/julho de 2007. Disponível em:
<http://www.cadernosdapedagogia.ufscar.br/index.php/cp/article/viewFile/11/11>

NOBRE, C. R. O jogo no ensino precoce da língua inglesa. Disponível em:


<http://www.esecs.ipleiria.pt/files/f1424.1.pdf>

PEÑA, Xóchitl de la, La motivación en el aula. Disponível em:


<http://www.psicopedagogia.com/motivacion-aula>

PIAGET, J. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imagem e


representação. Rio de Janeiro: Zanar, 1978.

PIAGET, J. O Raciocínio na Criança. Trad. Valerie Rumjanek Chaves. Rio de Janeiro:


Record, 1967.

PRIETO FIGUEROA, L.B. El juego. Principios generales de educación, Caracas,


Monte Ávila Editores,1984.

SAINT-EXUPÉRY, A. O Principezinho. Queluz de Baixo. Editorial Presença, 2003.

SANTOS, Ana Maria Ribeiro dos, BALANCHO, Maria José. A criatividade no ensino
do português, Col. Educação Hoje, Texto Editora, Lisboa, 1992, 6ª Edição.

SANTOS, Carmen Díez, Didáctica – La motivación en clase de ELE, pág. 8.


Disponível em: <www.uni-salzburg.at/pls/portal/docs/1/562804.PDF>

SANTOS, Mª João, Actividades dinâmicas e a motivação nas aulas de língua


estrangeira, 2010.
Disponível em: <http://repositorio-
aberto.up.pt/bitstream/10216/55853/2/TESEMESMARIAJOAOSANTOS000127197.pdf>
90
SANTOS, Santa Marli P. dos. O brincar na escola – Metodologia Lúdico-vivencial,
coletânea de jogos, brinquedos e dinâmicas. Vozes: Petrópolis, 2010.

SANTOS, Santa Marli P. dos. O lúdico na Formação do Educador. Vozes: Petrópolis,


1997.

TEZANI, Thaís Cristina Rodrigues. O jogo e os processos de aprendizagem e


desenvolvimento: aspectos cognitivos e afectivos, 2004.

VV.AA. (1994) Plan Curricular del Instituto Cervantes. La enseñanza del español
como lengua extranjera. Instituto Cervantes. Disponível em:
<http://www.cuadernointercultural.com/aprender-idiomas-con-actividades-ludicas-y-
juegos/>

VELASCO, Cacilda Gonçalves. Brincar, o despertar psicomotor. Rio de Janeiro:


Sprint, 1996.

Manuais escolares

Morgádez, Manuel del Pino, Luísa Moreira, Suzana Meira. (2007). Español 2 – Nivel
Elementar II, Porto, Porto Editora, 1ª Edição.

Morgádez, Manuel del Pino, Luísa Moreira, Suzana Meira. (2009). Es-pa-ñol tres pasos
– 10º Ano – Iniciação, Porto, Porto Editora, 1ª Edição.

Morgádez, Manuel del Pino, Luísa Moreira. ¡SOS Español! Porto Editora, Porto, [s.n].

Prisma Fusión A1/A2, de Equipo Club Prisma. (2008). Edinumen, Madrid.

91
Netgrafia
http://www.priberam.pt

http://marcoele.com/el-componente-ludico-en-las-clases-de-ele/

http://brinqueeaprenda.blogspot.com/
http://www.hottopos.com/notand7/jeanludus.htm

http://www.profala.com/arteducesp140.htm

http://www.pensador.uol.com.br/frases_sobre_aprendizagem

http://www.citador.pt/frases/citações/t/aprendizado/10

http://www.esecs.ipleiria.pt/files/f1424.1.pdf

http://www.brinquedoteca.org.br/si/site/0018031/p

http://pt.wikipedia.org/

http://dre.pt/pdf1sdip/2012/07/12900/0347603491.pdf

92
Índice de Autor

ALMEIDA, Paulo Nunes de – 29

ALVES, Rubem – 28

ANTUNES, Celso – 26; 45

CURY, Augusto – 28

FERRARI, Márcio – 15

FRIEDMANN, A – 34

FUENTES, N. Charo – 15; 33

LAUAND, Jean – 15

HUIZINGA, J – 16

MACEDO, PETTY & PASSOS – 22; 29; 30; 44

MAURÍCIO, Juliana Tavares – 23

MONTEIRO, J. L – 17

NOBRE, C. R. – 31

PEÑA, Xóchitl – 35

PIAGET, J – 16

PRIETO FIGUEROA, L.B – 19

93
SAINT-EXUPÉRY, A – 30

SANTOS, Ana Maria Ribeiro dos, BALANCHO, Maria José – 24; 25

SANTOS, Carmen Díez – 37; 38

SANTOS, Mª João – 35; 36; 37

SANTOS, Santa Marli P. – 10; 14; 17; 18; 20; 22; 23; 25; 27; 34

TEZANI, Thaís Cristina Rodrigues – 19

VELASCO, Cacilda Gonçalves – 14

94
Anexos

95
Anexo 1

Retirado da Planificação da UD – O Texto Poético (pág.9)


(…)
• A professora sistematiza este conteúdo, escrevendo no quadro e ditando
a informação relativa às características do provérbio e da quadra
popular.

Provérbio – curto enunciado que exprime um conselho popular, uma


verdade de bom senso ou de experiência e que se tornou de uso comum.

Quadra Popular – forma poética, oral ou escrita, constituída por quatro


versos, normalmente com rima cruzada. Temos notícia dela desde o
século XI. O trovador desta modalidade poética expressa todo um
pensamento em única estrofe, demonstrando o poder de síntese. As suas
características facilitam a sua memorização.

96
Anexo 2

¿Qué os gustaría ser de mayores? ¿Qué profesión escogeríais?

1- Toda esta clase va a centrarse en una simulación, una vez que vosotros aún
no tenéis experiencia laboral.

- ¿Qué necesitaríais en vuestra búsqueda de empleo?

En primer lugar un currículum vitae.

Es-pa-ñol Tres Pasos de Manuel Del Pino Morgádez, Luísa Moreira y Suzana Meira, Porto
Editora, pág.93.

97
Anexo 3

- Proyección de dos profesiones inusuales, para que puedan ayudar a los alumnos
en las actividades siguientes:

Limpiadores de chicles - La burda tarea de quitar los pegajosos chicles de las


calles, inmuebles y otras áreas de la ciudad, tiene a su propio profesional que
está destinado exclusivamente a ello.
http://www.google.pt/search?hl=ptPT&biw=1024&bih=475&tbm=isch&sa=1&q=limpiadores+de+chicles&aq=f&aq
i=&aql=&oq=

Médico de muñecos - Las marionetas y peluches son tratados como humanos:


tienen diseñadores que les visten y doctores que reparan las partes dañadas de
los muñecos.
http://www.google.pt/search?hl=ptPT&biw=1024&bih=475&tbm=isch&sa=1&q=m%C3%A9dico+de+mu%C3%B1
ecos&aq=f&aqi=&aql=&oq=

98
Anexo 4

A. Rellena los huecos con los verbos en Pretérito imperfecto de


indicativo.
1- (pensar, nosotros)........................que (estar, tú)......................... en casa.

2- Cuando (vivir, tú)..........................en Londres, siempre (comprar, tú).................. En


Harrold´s.

3- No (saber, ellos).................................. dónde (haber)..........................un cajero


automático.

4- Antes no (ver, nosotros)........................ muy bien pero ahora vemos muy bien porque
llevamos gafas.

5- En Navidades, los lunes (salir, nosotros)............................... a pasear todos los días.

6- Cuando (tener, yo).......................tres años no me (gustar).............................. comer


pescado.

7- En Navidades, normalmente (ver, ellos).................................. la televisión después de


comer.

8- En Semana Santa, los lunes por la tarde (ir, nosotros)...............................de compras.


9- A los siete años, no (ser, ellos)................................. muy altos.

B. Resuelve el siguiente crucigrama en Pretérito imperfecto de


indicativo.

“Elaboración propia” y ¡SOS Español!, de Luisa Moreira y Manuel del Pino Morgádez: Porto Editora,
Porto, pág. 43.
99
Anexo 5

A. Rellena los huecos con los verbos en Pretérito imperfecto de


indicativo.
1- (pensar, nosotros) pensábamos que (estar, tú) estabas en casa.

2- Cuando (vivir, tú) vivíamos en Londres, siempre (comprar, tú) comprabas En


Harrold´s.

3- No (saber, ellos) sabían dónde (haber) había un cajero automático.

4- Antes no (ver, nosotros) veíamos muy bien pero ahora vemos muy bien porque
llevamos gafas.

5- En Navidades, los lunes (salir, nosotros) salíamos a pasear todos los días.

6- Cuando (tener, yo) tenía tres años no me (gustar) gustaba comer pescado.

7- En Navidades, normalmente (ver, ellos) veían la televisión después de comer.

8- En Semana Santa, los lunes por la tarde (ir, vosotros) ibais de compras.

9- A los siete años, no (ser, ellos) eran muy altos.

B. Resuelve el siguiente crucigrama en Pretérito Imperfecto de


Indicativo.

“Elaboración propia” y ¡SOS Español!, de Luisa Moreira y Manuel del Pino Morgádez: Porto Editora, Porto, pág. 43.

100

You might also like