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INTRODUÇÃO

O estudo busca analisar a composição corporal dos atletas de elite do Jiu-jitsu cearense e relacionar aos currículos, considerando as categorias por peso e graduação. O interesse pelo tema partiu da escassez de estudos sobre o assunto, vindo a presente pesquisa a contribuir para aumentar informações sobre a influência da composição corporal nos resultados das competições. A composição corporal refere-se ao percentual do peso corporal que é representado por gordura (% de gordura corporal) e a sua mensuração é baseada na assunção de que o peso corporal pode ser dicotomizado em peso corporal magro e peso de gordura (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 1996). Avaliar a composição corporal constitui um excelente componente num programa de aptidão física total, visto que os atletas geralmente são musculosos e com excesso de peso médio para a altura e idade, porém magros em termos de composição corporal (McARDLE et al, 1998).

A avaliação da composição corporal proporciona uma excelente oportunidade para repartir a dimensão macroscópica de uma pessoa em dois grandes componentes estruturais gordura corporal e peso corporal magro (McARDLE et al, 1998). O Jiu-jitsu é uma luta que surgiu na Índia antes do século XV, porém veio a tomar forma no século XVI, com a idéia de que a força está na agilidade. Dentre as Artes Marciais, é uma das mais sutis, considerando que nesta, o estudo da anatomia humana e seus pontos frágeis, o uso de alavancas, o princípio da física e flexibilidade harmonizado com a mente, resulta numa das mais requintadas artes (http://www.cbjj.com.br).

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Os praticantes de Jiu-jitsu são subdivididos em categorias de acordo com o peso corporal, sexo, idade e graduação, havendo variações significativas entre as categorias. 1.1 Objetivo a) O propósito deste do estudo é analisar a composição corporal de atletas de elite do Jiu-jitsu cearense nas diferentes categorias. b) Verificar a relação da composição corporal de atletas com o desempenho

esportivo.

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2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 - Histórico e Considerações sobre Jiu-Jitsu

O Jiu-jitsu é uma arte marcial milenar, já praticada na antiga Índia, como em todo oriente. Constitui uma luta que se baseia na utilização de estratégia, agilidade e rapidez de

movimentos, tendo como princípio utilizar o mínimo de força levando também o desenvolvimento do raciocínio e auto-confiança (SUGAI, 2000). Os seguidores do budismo, o desenvolveram, pois precisavam percorrer longínquos caminhos no interior da Índia, tentando se defender dos constantes assaltos de bandidos que infestavam a região (http://www.cbjj.com.br). O Jiu-jitsu foi introduzido no Brasil por Esai-Maeda, conde Koma, cônsul japonês no Pará, que reuniu um grupo de amigos e ensinou-lhes as técnicas secretas do Jiu-jitsu, dentre estes amigos estavam Luís França, os irmãos Ono e os irmãos Carlos, Gastão e Oswaldo Gracie. Posteriormente Carlos Gracie ensinou as técnicas aprendidas com o grande Koma a outro de seus irmãos Hélio Gracie. E este desenvolveu um método muito eficaz, denominado “Brasilian Jiu-jitsu”. A partir daí esse estilo começou a se expandir e o mestre Hélio Gracie provou que a sua criação era realmente eficaz, venceu várias outras formas de lutas em combates emocionantes (http://www.cbjj.com.br). Luís França e os irmãos Gracie transferiram residência para o Rio de Janeiro e lá começaram a transmitir ensinamentos aprendidos com o grande Esai-Maeda e em 1994 foi criada a Confederação Brasileira de Jiu-jitsu (http://www.cbjj.com.br).

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2.2 - Tipo de Modalidade Esportiva e Sistemas Energéticos Utilizados

A energia para a atividade muscular é gerada através da interação de três sistemas

metabólicos: (1) fosfagênios armazenados; (2) glicólise anaeróbia, e (3) metabolismo oxidativo. A utilização destes sistemas dependerá da intensidade e duração do exercício (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 1996).

  • - Metabolismo Anaeróbio

Um processo anaeróbio caracteriza-se por não requerer a utilização de oxigênio. A energia para a contração muscular pode ser gerada através de duas vias metabólicas anaeróbias: (1) fosfagênios armazenados e (2) glicólise anaeróbia (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 1996).

  • - Fosfagênios Armazenados

Um exercício de alta intensidade e curta duração (p.ex., 100 metros rasos no atletismo) é realizado através da utilização de energia derivada principalmente dos fosfagênios armazenados [ATP e fosfocreatina (PC)]. O ATP e a PC são compostos de alta energia que podem gerar energia para o uso imediato. O ATP é quebrado para a geração de energia, e a PC doa um fosfato para o ADP para a ressíntese do ATP. Este sistema pode ser ativado rapidamente e possui uma alta potência, mas a capacidade total para o desempenho de trabalho é limitada. Isto se deve primariamente às pequenas quantidades de ATP e PC armazenadas (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 1996).

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  • - Glicólise Anaeróbia

A segunda via anaeróbia, a glicólise anaeróbia, é utilizada no início do exercício mantido, antes da ativação total dos sistemas de transporte de oxigênio e é também importante durante o exercício sustentado de alta intensidade, o qual requer mais energia do que a que pode ser gerada através dos processos aeróbios. A glicólise envolve uma série de reações que degradam a glicose até piruvato ou lactato, dependendo da disponibilidade de oxigênio. Se uma quantidade suficiente de oxigênio esta sendo oferecida às células, como num exercício em steady-state, principalmente o piruvato é formado. Contudo, se uma quantidade insuficiente de oxigênio esta sendo oferecida às células, como num exercício de alta intensidade, formar-se-á lactato. O sistema glicolítico pode ser rapidamente ativado, mas a potência máxima e a capacidade total de trabalho são ainda limitadas (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 1996).

  • - Metabolismo Aeróbio

A maior parte da energia necessária para uma atividade física prolongada, com uma duração superior a aproximadamente três minutos, é gerada através do metabolismo aeróbio (ou oxidativo). As vias aeróbias para a produção de energia incluem o ciclo do ácido tricarboxílico (ATC), também denominado de ciclo de Krebs ou ciclo do ácido cítrico, e a cadeia de transporte de elétrons. O ciclo de Krebs degrada o acetil CoA (formado a partir do piruvato ou gorduras) em CO2 e átomos de hidrogênio (elétrons). Os elétrons são então enviados para a cadeia de transporte de elétrons para a fosforilação oxidativa e a subseqüente ressíntese de ATP (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 1996).

A potência metabólica máxima do sistema oxidativo é baixa, mas, uma vez que as gorduras liberadas do tecido adiposo podem ser utilizadas como uma fonte de energia, a capacidade total deste sistema torna-se substancialmente grande. As moléculas de ácidos

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graxos são transformadas em acetil CoA e átomos de hidrogênio através da oxidação beta,

para que ocorra a entrada no ciclo de Krebs e na cadeia de transporte de elétrons. A

capacidade de distribuição de oxigênio para a musculatura esquelética em atividade é critica

para o desempenho de um exercício físico prolongado, e o consumo máximo de oxigênio

(VO2 máx.) é um índice importante da capacidade de manutenção do desempenho durante um

determinado trabalho mecânico (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 1996).

O principal fator determinante da maior ou menor proporção com que os três

sistemas básicos de liberação de energia. ATP-PC, glicólise anaeróbia lática e metabolismo

aeróbio, serão utilizados em cada atividade físico-desportiva é, sem dúvida, o tempo de

duração da mesma durante um empenho máximo (DAL’MOLIN KISS, 1987). A figura 1

abaixo estabelece uma relação de tempo e do sistema energético predominante, relacionados

também à distâncias correspondentes em atletismo (Adaptado de MATHEWS; FOX, 1976

apud DAL’MOLIN KISS, 1987).

 

Glicólise

 
 

ATP-PC

Anaeróbia

 

O 2

 

I

I

I

I

I

I

AERÓBIO % 0

10

20

30

40

50

60

70

80

90

100

 

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

I

ANAERÓBIO % 100

90

80

70

60

50

40

30

20

10

0

TEMPO (mins) :10

:20

:45 1:45

3:45

14:

29:

135:

DISTÂNCIA (m)

100

200

400 800

1500

5000 10000 42000

Figura 1 Fontes energéticas primárias, de acordo com o tempo de duração da

atividade: exemplificam-se com as distâncias correspondentes em atletismo (Adaptado de

MATHEWS; FOX, 1976).

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Mathews & Fox (1974), sugerem que em lutas a participação percentual de cada

sistema energético seria: ATP-PC (85%), glicólise anaeróbia lática (10%) e metabolismo

aeróbio (5%) (DAL’MOLIN KISS, 1987).

2.3 - Composição Corporal

A constituição, a composição e o tamanho corporal de um atleta têm papéis

importantes na determinação do sucesso esportivo. Uma das principais preocupações diz

respeito à massa gorda e a massa magra (isenta de gordura) (WILMORE ; COSTILL, 2001).

A medida da composição corporal de atletas tem sido de interesse de cientistas e

de especialistas em medicina esportiva, que pesquisam adaptações em resposta ao exercício.

Tipicamente, o que se observa é que atletas e indivíduos fisicamente ativos são mais magros

do que as pessoas sedentárias, independentemente do sexo. No entanto, mesmo atletas, as

mulheres apresentam relativamente maior quantidade de gordura corporal, quando

comparadas aos homens atletas, qualquer que seja a modalidade esportiva e a posição em que

o atleta joga (WILMORE, 2001; ADA, 2000). Além desses fatores, Malina (1982), ressalta as

diferenças em relação à etnia, em que atletas negros apresentam menor adiposidade que os

outros grupos étnicos.

Ainda em relação ao perfil fisiológico do atleta, pode-se usar as informações de

composição corporal para estimar o peso corporal ideal para que o atleta apresente um bom

rendimento ou classificar competidores por peso para certas modalidades esportivas, tais

como lutas e fisioculturismo. Para atletas do sexo masculino, os especialistas concordam que

o mínimo de gordura não seja inferior a 5%, porque uma quantidade de gordura corporal é

necessária para a manutenção das funções normais fisiológicas assim como do metabolismo

(HEYWARD ; STOLARCZYK, 2000). O Colégio Americano de Medicina Esportiva

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ACSM, recomenda também o mesmo percentual para lutadores adultos e para adolescentes o

mínimo de gordura de 7%.

Para que se otimize o desempenho físico, geralmente são desejados baixos níveis

de gordura corporal, principalmente nas modalidades esportivas, como por exemplo na

ginástica olímpica, lutas, a ginástica rítmica desportiva e em algumas provas de atletismo. Por

outro lado, é importante o aumento da massa magra, pois seu aumento relaciona-se com o

bom desempenho das atividades que requerem bastante força e potência (ADA, 1993;

ADA,2000; WILMORE, 2001).

2.3.1 - Avaliação da Composição Corporal

Ao passar dos anos foram criadas diversas formas de classificar e analisar o

homem em relação ao seu tipo físico e sua constituição.

Uma técnica muita conhecida, que expressa a proporcionalidade corporal, é o

IMC (índice de massa corporal), um índice morfológico muito utilizado como preditor de

sobrepeso e obesidade, ele é expresso pela massa do indivíduo em quilogramas dividido pela

estatura em metros elevado ao quadrado (IMC = MC / Est², onde MC = massa corporal, Est =

estatura). Este índice, embora tenha uma utilização questionável em relação a uma avaliação

individual, em estudos populacionais é bastante utilizado, por conseguir representar o excesso

de gordura corporal em grandes populações quando seus valores médios são elevados, pois na

maioria das pessoas o excesso de massa corporal não é ocasionado por uma grande

quantidade de massa magra (COSTA, 2001).

A maior limitação deste índice, está no fato de considerar apenas a massa e a

estatura para avaliar a composição corporal, não considerando as quantidades proporcionais

dos diversos componentes corporais. Deste modo, um indivíduo pode ter uma grande massa

corporal e não ser obeso, mas sim ter uma grande quantidade de massa muscular, sendo,

portanto um método não eficaz para avaliação de esportistas e atletas.

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Segundo Heyward (2000), existem várias técnicas para a determinação da

composição corporal, podendo-se classificar esses procedimentos de determinação em

métodos diretos, indiretos e duplamente indiretos.

  • - Método Direto

A dissecação de cadáveres é a única metodologia considerada direta; nesse

método ocorre a separação dos diversos componentes estruturais do corpo humano, a fim de

se verificar sua massa isoladamente e estabelecer relações entre eles e a massa corporal total.

Dessa forma, podemos perceber a dificuldade de estudos envolvendo esse procedimento, o

que justifica a pequena quantidade de pesquisa com cadáveres e a utilização de metodologias

mais acessíveis (COSTA, 2001).

  • - Métodos Indiretos

Entre os métodos indiretos mais utilizados atualmente, e que servem de referência

para a validação de métodos duplamente indiretos estão a densitometria e a absortometria de

raios X de dupla energia.

  • - Densitometria

Entre os métodos indiretos utilizados no estudo da composição corporal, um dos

mais freqüentes e de maior validade é a determinação da densidade corporal. Neste sentido, a

utilização dos valores de densidade corporal como referências para o estudo, está alicerçada

na teoria de que a densidade de gordura corporal é consideravelmente menor em relação a

outras estruturas do corpo, consequentemente quanto maior a quantidade de gordura em

proporção a massa corporal de uma pessoa, menor será a densidade de todo o corpo

(GUEDES, 1994).

As formulas para determinar a densidade corporal de cada indivíduo varia

conforme a idade e o sexo. Embora essa técnica de análise da composição corporal seja

chamada de “padrão ouro” e ainda seja um dos métodos mais usados para propósito de

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pesquisa, ele tem seus pontos fracos. O erro padrão ainda é de cerca de 2% a 2,5%. Por causa

desses erros, Heyward recentemente observou que a pesagem hidrostática não deve ser

considerada como “padrão ouro”.

  • - Absortometria de Raios X de Dupla Energia (DXA, DEXA)

A absortometria radiológica de dupla energia (DXA) é uma técnica

computadorizada de raios X, que permite a visualização de imagens dos tecidos corporais e

tem sido usado para avaliar o conteúdo mineral ósseo, a massa livre de gordura e a gordura

corporal. Podendo também ser usada para avaliar a gordura visceral profunda (WILLIAMS,

2002).

  • - Métodos Duplamente Indiretos

Os procedimentos duplamente indiretos são validados através de um método

indireto, mais freqüente a pesagem hidrostática e a absortometria de raios X de dupla energia

(DXA), sendo que os mais utilizados em estudo de campo são impedanciometria e a

antropometria (COSTA, 2001).

  • - Impedância Bioelétrica (BIA)

A velocidade e a relativa simplicidade de execução do método da impedância

elétrica representam uma grande vantagem de sua utilização na academia, no clube ou na

clínica. A principal limitação desse método surge quando o avaliado apresenta alterações em

seu estado de hidratação, sendo que, para a realização da análise da composição corporal pela

impedância bioelétrica é necessário uma participação decisiva do avaliado, que deve seguir e

obedecer a uma série de procedimentos prévios ao teste, sem os quais, seu resultado poderá

ser comprometido (LUKASKI apud COSTA, 2001).

Procedimentos:

Não utilizar medicamentos diuréticos nos sete dias que antecedem o teste;

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Manter-se em jejum pelo menos nas 4 horas antes do teste;

Não ingerir bebidas alcoólicas nas 48 horas anteriores ao teste;

Não realizar atividade física extenuante nas 24 horas anteriores ao teste;

Urinar pelo menos 30 minutos antes do teste;

Permanecer pelo menos 5 a 10 minutos deitado em decúbito dorsal, em total

repouso antes da execução do teste.

Além disso, é importante ressaltar que as únicas equações de impedância

bioelétrica desenvolvidas em populações brasileiras foram as de Carvalho (1998) e Yonamine

(2000), que se baseavam em amostras de estudantes de 12 a 14 anos, respectivamente

(COSTA, 2001).

Além dos problemas citados, parece que ainda permanecem vários outros. Entre

estes podemos citar a operação de indivíduos muito obesos, no atleta magro e aos indivíduos

mais velhos. A BIA pode também subestimar a massa corporal magra de atletas e

superestimar a massa corporal magra de obesos (LOHMAN et al, apud WILLIAMS, 2002).

- Interactância de infravermelho

Interactância de infravermelho (NIR), é um método de campo relativamente novo

para estimar a composição corporal. Comparando os métodos de dobras cutâneas (DOC) e

impedância bioelétrica (BIA), que tem sido validadas e aperfeiçoadas ao longo dos anos de

pesquisa, o NIR ainda está nos estágios iniciais de desenvolvimento (HEYWARD;

STOLARCZYK, 2000).

- Antropometria

As medidas utilizadas na estimativa de composição corporal são muito simples,

como peso, estatura, perímetro, diâmetro ósseo e espessura de dobras cutâneas. Dentre estas,

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uma das mais utilizadas são as dobras cutâneas, principalmente quando o objetivo é estimar

somente o percentual de gordura corporal.

As dobras mais utilizadas são ao do bíceps, tríceps, subescapular, suprailíaca,

abdominal e panturrilha média. Para medi-las pode-se usar qualquer lado do corpo, no

entanto, é convenção internacional que se use o lado direito (McARDLE, KATCH ; KATCH,

1998).

Pode-se analisar os valores das dobras cutâneas em si, individualmente, em cada

local, ou analisar as somas dos valores das dobras de uma determinada região, ou ainda,

utilizar-se de equações que transformam as medidas das dobras cutâneas em quantidades de

gordura corporal.

2.3.2 - Composição Corporal x Rendimento

Os primeiros estudos em atletas olímpicos revelaram que a composição corporal

estava relacionada a um alto nível de rendimento na maioria dos esportes, ou seja, na maioria

dos esportes o percentual de gordura dos vencedores era menor e a massa magra maior

(CURETON, 1951; KOHLRAUSH, 1970 apud McARDLE; KATCH; KATCH, 1998).).

Existem diferenças nas dimensões corporais entre diferente grupo de atletas

dentro de um determinado esporte. De Garay et al. (1966) ressaltaram que nadadores

campeões, nos diferentes estilos, apresentavam menor percentual de gordura, mas valores que

variavam de 9 a 13% de gordura, maiores circunferência do tórax, parte superior do braço e

coxa, assim como comprimentos maiores dos membros superiores e inferiores que seus

congêneres que não estavam entre os 12 melhores classificados.

As atividades esportivas devem ser classificadas de acordo com as características

particulares e das exigências do esporte. Maratonistas campeões apresentaram um percentual

de gordura de 2,7%, enquanto arremessadores de peso de elite com valores de 18,1 % de

gordura (In: McARDLE; KATCH ; KATCH, 1998).

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Foram analisados lutadores colegiais de Iowa e Minnesota (EUA). Os lutadores

“qualificados” eram autorizados a lutar em uma de 12 categorias de pesos diferentes; os

lutadores “campeões” competiam nas finais estaduais ou das federações. Exceto para a idade

e pregas cutâneas, havia pouca diferença nas características físicas dos lutadores qualificados

e campeões de Iowa e Minnesota. Entretanto, e como mostrado pelas medidas das dobras

cutâneas, os campeões eram nitidamente mais magros (apresentavam um menor % de godura)

que seus companheiros de equipe menos bem-sucedidos. Como a diferenças no peso corporal

eram pequenas entre os grupos, os lutadores de elite competiam em verdade com um peso

corporal magro “mais pesado”. Esse fator pode ter contribuído muito para o seu sucesso numa

determinada classe de luta (McARDLE; KATCH ; KATCH, 1998).

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3 - METODOLOGIA

3.1 População e Local de Estudo Atletas de jiu-jitsu da Academia do Corpo, situada na Rua Joaquim Nabuco, 1308 na cidade de Fortaleza no estado do Ceará. O local foi escolhido devido ser o ambiente de trabalho do profissional que realizou o estudo, facilitando desta forma a coleta dos dados necessários. Foram selecionados atletas de jiu-jitsu avaliados nos meses de abril a junho do ano de 2003 totalizando 10 indivíduos que se enquadraram nos seguintes critérios:

  • a) Estar classificado como atleta de jiu-jitsu competidor

  • b) Ter graduação igual ou superior a faixa azul

  • c) Estar treinando regularmente ao menos 3 vezes por semana

Na coleta de dados foram utilizados, uma balança antropométrica Welmy, um compasso de

dobras cutâneas Cescorf e um paquímetro Somet.

O protocolo utilizado para a determinação da composição corporal foi o de Guedes

tomando-se a medida de 3 dobras cutâneas: tríceps, supraíliaca e abdômen, e para a definição do peso ósseo os diâmetros bicondiliano (fêmur) e biestilóide rádio-ulnar (pulso), além da medida de peso e altura. Protocolo da Composição Corporal de Guedes (1994): É de característica brasileira, com uma amostragem do sul do país (FERNANDES, 1999). Pontos de dobras cutâneas (DC) Pela razão de todos os atletas serem do sexo masculino, apresentaremos os pontos referentes a este sexo:

Tríceps, supra-ilíaca e abdômen. Equações para cálculos Homens: DENS = 1.17136 0.6706 log (TR + SI + AB) Onde:

DENS valor predito da densidade corporal TR espessura da DC triciptal SI espessura da DC supra-ilíaca

AB

espessura da DC abdominal

Equação proposta por SIRI: G% = [(4.95 / DENS) 4.50] x 100

15 4 - RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados foram tabulados do Microsoft Excel e analisados através
15
4 - RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados foram tabulados do Microsoft Excel e analisados através de estatística
descritiva (média e desvio padrão) e apresentados em gráficos de barras.
No Gráfico 1 pode-se observar as características antropométricas (peso corporal
total, estatura e índice de massa corporal) dos 10 atletas de elite do Jiu-Jitsu cearense
comparando os resultados médio destes com o Homem Referência de Behnke (In: McARDLE
et al., 1998). Os atletas de Jiu-Jitsu são em média 8,9 kg mais pesados e 6,9 cm mais altos que
o Homem Referência. Em relação ao índice de massa corporal eles diferem em média em 1
kg/m². Esses resultados corroboram com as evidências que atletas de elite são em sua maioria
mais pesados e altos que não atletas (McARDLE et al., 1998).
15

16

16 O Gráfico 2 demonstra que o percentual de gordura médio dos atletas de elite do

O Gráfico 2 demonstra que o percentual de gordura médio dos atletas de elite do

Jiu-Jitsu cearense é menor que o Homem Referência de Behnke. Há um consenso na

comunidade científica que a constituição, a composição e o tamanho corporal de um atleta

tem papéis importantes na determinação do sucesso esportivo. Uma das preocupações diz

respeito, ao percentual de gordura corporal, à massa gorda e a massa magra (WILMORE;

COSTILL, 2001).

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Quadro1 Resultados das medidas antropométricas e da composição corporal de atletas de elite do Jiu-Jitsu (n=10)

               

P.

P.

Peso

Estatura

IMC

% Gordura

P. Gordo

P. Magro

Músculos

ósseo

Residual

Faixa

kg

cm

kg/m²

%

kg

kg

kg

kg

kg

Roxa

78,2

177

24,96

16,89

13,21

64,99

34,52

11,62

18,85

Roxa

61,8

162

23,55

9,94

6,14

55,66

30,6

10,17

14,89

Azul

95,2

179

29,71

15,75

14,99

80,21

45,86

11,41

22,94

Roxa

80,3

184

23,72

12,91

10,37

69,93

37,63

12,95

19,35

Roxa

78,5

181

23,96

8,61

6,84

71,66

40,84

11,9

18,92

Preta

74,6

174

24,64

13,5

10,07

64,53

35,8

10,76

17,98

Preta

83,2

177

26,56

14,42

12

71,2

38,67

12,48

20,05

Marrom

70,7

177

22,57

6,3

4,45

66,25

37,68

11,53

17,04

Roxa

86,8

181

26,49

13,51

11,73

75,07

41,69

12,46

20,92

Roxa

79,6

177

25,41

21,2

16,88

62,72

32,08

11,46

19,18

Média

78,89

176,9

25,2

12,43

9,98

68,83

37,537

11,674

19,012

DP

8,99

5,95

2,0

4,28

3,96

6,91

4,58

0,83

2,17

Mínimo

61,8

162

22,6

6,3

4,45

55,66

30,6

10,17

14,89

Máximo

95,2

184

29,7

21,20

16,88

80,21

45,86

12,95

22,94

A relação maior percentual de gordura X maior massa muscular, não pôde ser

considerada verdadeira, pois entre os atletas avaliados, existem 2 casos extremos. Dois atletas

na faixa roxa apresentaram pesos semelhantes (78,5 e 79,6 kg com diferença de 1,1 kg),

percentuais de gordura bastante diferenciados (8,61% e 21,2% com diferença de 12,56%) e o

atleta de menor peso nesta faixa (78,5 kg) apresentou o maior peso muscular (40,84 kg) do

que o que estava com 79,5 kg e tinha peso muscular de 32,08 kg, ou seja, uma diferença 8,76

kg (Quadro 1).

Em relação ao % de gordura, constatou-se que somente três atletas apresentaram

percentuais abaixo de 10%, o que sugere que atletas expoentes de jiu-jitsu não necessitam

manter baixos percentuais de gordura. A média do estudo foi de 13,303% (Quadro 1).

O IMC (MC/Est², onde MC = massa corporal, Est = estatura em metros ao

quadrado), embora tenha uma utilização questionável em relação a uma avaliação individual,

em estudos populacionais é bastante utilizado, por conseguir representar elevados, o excesso

de gordura corporal em grandes populações quando os seus valores médios são, pois na

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maioria das pessoas o excesso de massa corporal não é ocasionado por uma grande

quantidade de massa magra (COSTA, 2001).

Considerando o IMC, é evidente que este índice morfológico não pode ser

utilizado, pois os quatro maiores resultados equivalem a indivíduos com percentuais de

gordura que variam de 13,51% a 21,2% e peso muscular de 32,08 kg a 45,86 kg, o que

significa que embora o IMC seja semelhante entre estes quatro atletas à composição corporal

dos mesmos é bastante diferenciada (Quadro 1).

18 maioria das pessoas o excesso de massa corporal não é ocasionado por uma grande quantidade

O Gráfico 3 ressalta que os atletas de Jiu-Jitsu têm uma maior massa magra (peso

magro em média de 68,83Kg) que o Homem Referência (61,7 kg), ou seja uma diferença de

7 kg em média.

19

19 O Gráfico 4 destaca que os resultados médios do peso muscular, restante e ósseo dos

O Gráfico 4 destaca que os resultados médios do peso muscular, restante e ósseo

dos atletas de elite também são superiores ao do Homem de Referência, sendo que a mais

importante diferença esta no peso muscular onde os atletas do presente estudo possuem em

média 37,54 kg, enquanto o homem referência tem 31,3 kg de músculos, ou seja uma

diferença média de 6,24 kg.

20

20 O Gráfico 5 ressalta as diferenças no percentual de gordura dos atletas de elite do

O Gráfico 5 ressalta as diferenças no percentual de gordura dos atletas de elite do

Jiu-Jitsu nas diferentes categorias (Pena 61 a 66,9, Leve 67 a 72,9; Médio- 73 a 78,9,

Meio pesado- 79 a 84,9, pesado 85 a 90,9, Super pesado 91 a 96,9). O que vem de encontro

com a literatura cientifica, a qual confirma existir diferenças na composição corporal entre

atletas dentro de um determinado esporte de acordo com a posição do jogo ou as categorias de

peso corporal (McARDLE et al., 1998). Para atletas do sexo masculino, os especialistas

concordam que o mínimo de gordura não seja inferior a 5%, porque uma quantidade de

gordura corporal é necessária para a manutenção das funções normais fisiológicas assim como

do metabolismo (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000).

21

21 O Gráfico 6 faz uma comparação com as espessuras de dobras cutâneas em três locais

O Gráfico 6 faz uma comparação com as espessuras de dobras cutâneas em três

locais diferentes em atletas de elite em arremesso de disco, lutadores campeões, lutadores

qualificados e os resultados médios dos atletas de elite do Jiu-Jitsu cearense. Estando estes

com dobras cutâneas (adiposidade) semelhantes aos lutadores qualificados de um estudo De

Clarke (1974) e levemente acima dos campões de um estudo De Housh (1989). Entretanto em

relação aos arremessadores de disco os atletas do presente estudo possuem menor quantidades

de gordura corporal subcutânea.

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5 - CONCLUSÃO

A avaliação da composição corporal permite quantificar os principais componentes

estruturais do corpo: músculo, osso e gordura. A análise dos resultados deste estudo, que tem

como objetivo verificar a composição corporal de atletas de elite do Jiu-jitsu nas diferentes

categorias relacionando com o desempenho esportivo permite tirar as seguintes conclusões:

O presente estudo nos leva a concluir que a composição corporal interfere no

rendimento, co-relacionando muito bem os atletas do jiu-jitsu cearense com pesquisas

anteriormente realizadas com lutadores, sugere-se porém que estudos complementares sejam

realizados envolvendo testes físicos (50 m e de 40'' de corrida), para que seja possível

relacionar os resultados dos mesmos à quantidade de massa muscular, % de gordura e o

currículo dos atletas.

Outra conclusão, é que o componente da massa corporal mais importante e que

maiores valores apresentou é o peso muscular, fator decisivo na performance do atleta de jiu-

jitsu.

23

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