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ANÁLISE CRÍTICA REFLEXIVA DAS HABILIDADES E COMPETÊNCIAS

DOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TECNOLÓGICA NO


QUE TANGE AOS CRITÉRIOS DE SELEÇÃO E FORMAÇÃO CONTINUA-
DA: O CASO DA SECITEC DE BARRA DO GARÇAS / MT

Jenaina Nasser
Kariny da Costa Cruz
Sidney Ribeiro de Andrade
INTRODUÇÃO

O caráter pessoal deste trabalho dá-se no limite da percepção da forma de ingresso dos
professores no antigo Cenfor, depois transformado em Ceprotec e mais recentemente,
após extinta a autarquia, no final de 2007 denominada simplesmente Secitec, os pri-
meiros professores foram contratados para ministrar aulas no Cenfor mediante seleção
simples, indicados pelos órgãos de classe aos quais pertencem em 2002 e permanecem
até hoje ou entregaram seus currículos e projetos e foram chamados para trabalhar a
seguir.

Logo a seguir, em 2004, houve o primeiro e único concurso público do então Ceprotec
no qual foram aprovados para Barra do Garças oito professores dos quais somente três
permaneceram na unidade.

Observa-se que no decorrer do tempo a escola foi construindo um corpo funcional en-
tre contratados e efetivos, hoje, com grande número de profissionais em exercício não
existe um programa de formação continuada e a contratação não obedece a critérios
únicos, sendo criadas bancas esporádicas e de acordo com a demanda são buscados no
mercado, profissionais que atendam àquele perfil desejado. Ocorre que, por vezes, fi-
camos com curso em aberto até a contratação do professor ou ele é ministrado as par-
tes gerais até se encontrar o profissional da área específica.

A presente pesquisa pretende delinear uma proposta para a seleção dos professores
para a unidade de Barra do Garças bem como a instituição de programas de formação
continuada nas áreas de docência, instrumentalização e inovação.

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A relevância, no aspecto da cientificidade dá-se no sentido de que em se seguindo os
mesmos pressupostos teóricos e aplicando as mesmas bases deverá ser possível chegar
a resultados com grande nível de semelhanças em outras unidades de ensino da Seci-
tec, sendo, portanto, perfeitamente possível a aplicação dos resultados que se espera
obter neste estudo nas demais unidades de ensino.

Socialmente falando, buscamos evidenciar a importância da reflexão crítica do traba-


lho docente, estabelecendo alguns dos dilemas enfrentados pelos professores a partir
do cotidiano, para que ele de maneira subsidiada promova a reflexão da prática e a su-
peração de paradigmas.

Para se chegar aos resultados pretendidos foi utilizada a pesquisa teórica, na qual se
procurou avaliar a formação docente no contexto da educação profissional e tecnológi-
ca, com relação aos métodos de abordagem, a pesquisa se apoiou no método dedutivo,
partindo do geral, ao observar a formação de professores, como foram formados os do-
centes da Secitec Barra do Garças/MT. O método de procedimento utilizado foi o mo-
nográfico com a finalidade de conhecer, estabelecer parâmetros sobre os nossos pro-
fessores, conhecer suas características e foi combinado com o método funcionalista,
para se entender a forma como a sociedade se estrutura em um sistema organizado de
acordo com suas funções.

A técnica de pesquisa utilizada é a pesquisa de campo, segundo LAKATOS (1999,


p.85) “...é aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conheci-
mentos acerca de um problema do qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese
que se queira comprovar, ou ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre
eles.” Os instrumentos de pesquisa foram: pesquisa bibliográfica, para embasar o es-
tudo no ponto que se determinou, observação assistemática, de comportamento, usos e
costumes, depoimentos pessoais e o questionário fechado em censo com os professores
da Secitec de Barra do Garças.

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1 ESTUDO SOBRE HABILIDADES E COMPETÊNCIAS DOCENTES NA
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA

Estudos diversos apontam para a deficiência na formação do professor. Gramski ao es-


crever para seu filho Juliano afirmava: “O sistema escolar que segui era muito atrasa-
do” (MIGUEL, 2002 apud GRAMSCI, 1948. in MANACORDA, 1977, p. 17); Os estu-
dos Grasmcinianos revelam a evolução da educação italiana partindo da educação ope-
rária que busca formar mão de obra em contraposição à formação burguesa que forma
os pensadores, a exemplo do Brasil, desde os paradigmas tayloristas e fordistas com o
surgimento das indústrias após a segunda guerra mundial a escola se orientou de manei-
ra dicotomizada ou para a formação de acordo com o saber fazer ou o saber ser.

A formação dos professores que atuam na contemporaneidade está contida, grande


parte no intervalo da década de 1970 a 2000 ou seja, na sua maioria frutos da educação
compulsória, na qual as famílias operárias quando tinham acesso à escola se formava
para o trabalho, nos cursos técnicos, sendo a educação superior de bacharelado ou as
licenciaturas de acesso privilegiado à classe dominante, aos filhos dos industriais e se-
nhores feudais ainda existentes na pessoa de grandes fazendeiros. Apenas uma peque-
na parcela da classe operária conseguia acesso à universidade, e as profissões emer-
gentes à epoca eram as engenharias, medicina e outras, sem, no entanto adentrar no
foco do ensino e pesquisa tão profundamente como hoje o é. Dessa maneira, os profis-
sionais que atuam na docência, em sua maioria sofrem os reflexos da formação que re-
ceberam e acabam reproduzindo sem sequer perceber.

O ser docente da contemporaneidade precisa se orientar com o foco no aluno, propor-


cionar a oportunidade de ensino e aprendizagem ou o ensino-aprendizagem, que consi-
dera o processo como uma mão dupla. Exige-se uma série de competências profissio-

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nais que devem ser percebidas, assimiladas e praticadas pelos professores. Para com-
petências profissionais docentes tomamos como base o seguinte: “Competência é a fa-
culdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, in-
formações etc) para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações”.
(PERRENOUD, Philippe, 2000)

Para KUENZER (2005, p.3) “O que confere, pois, especificidade à função do educa-
dor é a compreensão histórica dos processos pedagógicos, a produção teórica e a or-
ganização de práticas pedagógicas...” mas compreender exatamente essa especifici-
dade e suas implicações é uma tarefa um tanto árdua, já FREIRE (1996) aposta na for-
mação humanista, partindo da compreensão do contexto no qual o cidadão está inseri-
do e situando-o como sujeito ativo no processo conhecendo os fatores que o predispo-
nibilizam ao conhecimento; então a função docente passa por uma série de competên-
cias atitudinais.

O professor convive em seu cotidiano com as realidades mais díspares e muitas vezes
não está preparado metodológica e psicologicamente para tanto. É comum vermos pro-
fessores após os primeiros anos de contato com os estudantes apresentarem sintomas
de doenças como a síndrome de burnout e outras devido à falta de equilíbrio emocio-
nal decorrente da realidade escolar.

Seja de qual nível de educação, ele é o testemunha das crianças que foram para a esco-
la sem se alimentar, é ele quem percebe as marcas de agressão física e por vezes psico-
lógica com o retraimento dos alunos que sofrem violência doméstica, presencia o mo-
mento em que seus alunos começam a se envolver com as companhias equivocadas e
irem em direção às drogas, à violência e à marginalidade. Pouco a pouco, vê seus alu-
nos tão capazes, cheios de energia canalizarem-na em sentido oposto ao da educação
se distanciando cada vez mais dos bancos escolares usando-os às vezes apenas como
referência ou “ponto”(grifos nossos).

São eles, os professores que, ao perceberem esses problemas se manifestando em seus


alunos, muitas vezes pela aproximação tentam, de alguma maneira auxiliar, conversan-
do com os alunos, pais de alunos e acabam em sua grande maioria por perceber que os
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pais nem sempre se importam ou mesmo já desistiram de seus filhos, abandonando-os
à própria sorte e, aos professores e à escola resta apenas, quando for o caso comunicar
aos órgãos competentes a ausência contínua destes alunos, principalmente o Conselho
Tutelar da Infância e Adolescência, uma obrigatoriedade da Lei de Diretrizes e Bases
da Educação em seu Art. 12 inciso VIII diz que à escola cabe a seguinte responsabili-
dade:

VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da Comarca e ao


respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quan-
tidade de faltas acima de cinqüenta por cento do percentual permitido em lei.(Inciso incluí-
do pela Lei nº 10.287, de 20.9.2001)(LEI 9394/96)

Esse quadro de miséria, de violência, vivido no cotidiano escolar pelo professor que
tenta, por vezes inutilmente, modificar uma situação, unindo esforços contra as dificul-
dades de relacionamento entre esses alunos e suas famílias, entre grupos de etnias, ra-
ças diferentes é objeto de diversos estudos e o filme francês “Quando Tudo Começa”
do cineasta Bertrand Tavernier trata desse cotidiano no interior francês relatando a po-
breza, descaso do governo e precariedade da escola em atuar por conta das limitações
impostas pelo sistema educacional fechado e a pouca vontade política. A mensagem de
todo o filme que fica é a fala do diretor daquela escola Daniel Lefèbvre (Philipe Torre-
ton) quando diz que “somente os loucos chegam até o topo, os inocentes”. Esta afirma-
ção vai servir para os alunos e também para os professores.

Na educação de adultos a situação não é diferente, convivemos diariamente com mães


que deixam seus filhos com vizinhos, amigos, pais para irem à escola e, outros pais e
mães que trazem seus filhos consigo por não ter com quem deixar, além de terem pas-
sado o dia todo trabalhando e à noite mesmo exaustos, buscarem na escola uma forma-
ção seja ela profissional por intermédio dos cursos de formação inicial e continuada,
cursos técnicos ou tecnológicos ou ainda a conclusão da educação de maneira formal
com o ensino médio e o ensino superior. Muitas vezes tem dificuldade de aprendiza-
gem pelo simples cansaço, chegando a dormir em sala de aula e o professor a se per-
guntar quais as metodologias a serem utilizadas para que estes alunos consigam ficar
acordados até o término das aulas às onze da noite.

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Frente a essa realidade e a aparente inépcia do Estado, muitas vezes o professor se vê
desarmado, sem como reagir, a quem recorrer e isso certamente se reflete nas mais di-
versas áreas da sua vida. A preparação que o docente recebe quando é licenciado não
passa por esse cotidiano, resume-se às técnicas, metodologias e práticas didáticas,
quando o professor é oriundo de cursos de bacharelado, fazendo apenas a complemen-
tação metodológica básica está ainda menos municiado que o anterior. A atividade do-
cente vai exigir uma dedicação que supera os limites da sala de aula, uma competência
em lidar com pessoas quase em estado de arte e que nem sempre o professor traz con-
sigo inata ou adquire ao longo de sua formação.

Paulo Freire já dizia que a educação é uma tarefa “impossível” dada a sua complexida-
de e o fato de se ter que relacionar com pessoas, indivíduos que trazem consigo uma
identidade única e são oriundos das mais diversas realidades e em “A Pedagogia da
Autonomia” estimula a adoção de postura positiva frente à pressão sofrida pelos pro-
fessores em sua rotina diária quando diz:

Partindo de que a experiência da miséria é uma violência e não a expressão da preguiça


popular ou fruto da mestiçagem ou da vontade punitiva de Deus, violência contra que de-
vemos lutar, tenho, enquanto educador que ir me tornando cada vez mais competente sem
o que a luta perderá a eficácia. (FREIRE, 1996, p.80).

A diferença entre o esperado do professor e os fatores como os opressores e a falta da


capacitação é enorme e as experiências das relações entre alunos e professores podem,
ao invés de levar o professor às reflexões propostas por Paulo Freire fazer com que o
docente por vezes se sinta despreparado, desmotivado, sem esperanças de mudar as si-
tuações pré-existentes e se isola, reage de maneira negativa e por vezes chega a entrar
em depressão com a enormidade de situações que fogem a seu controle.

Um dos agravantes que se soma a isso é a responsabilidade que ele assume e a despro-
porcionalidade com sua tarefa. Começa com a preparação de conteúdos para a aula ou
para as aulas, geralmente se atua em mais de uma instituição e lida com diversas tur-
mas heterogêneas ao mesmo tempo, quando não com diversas matérias dentro de sua
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especialidade. A preparação de metodologias, de avaliações, de atividades comple-
mentares, seguidas pelos registros representam toda a parte burocrática e só aí já há um
desdobramento do professor para conseguir apresentar conteúdos coerentes que dêem
a oportunidade da problematização para o processo ensino-aprendizagem com signifi-
cado. A parte de registros burocráticos tende a ser deixada em segundo plano, sendo
ouvido comumente de diversos professores que gostam do convívio com os alunos,
mas a parte burocrática é um limitante.

Nessa perspectiva o professor vive os dias atuais em uma situação de dilema, a profis-
são, além de ser um ato de amor e doação é uma questão extremamente mercadológica
e as duas coisas dificilmente combinarão entre si: de um lado a atenção à um mercado
crescente no qual qualquer um pode ser professor, bastando seguir os métodos eficazes
dos princípios taylorista, pensando em períodos de docência, quando os profissionais
podem ser facilmente descartados e substituídos por “sangue novo” e de outro o pro-
fessor com visão política, ideologias e que atua no sentido de educação no contexto
das problemáticas sociais acabam se chocando pois um só profissional deve atender à
todas estas expectativas e as competências docentes vão se avolumando a tal ponto que
o professor estafa, caso não tenha uma base sólida de formação, a vocação natural para
o ato de educar e que é necessário que se tenha competências que na maioria das ve-
zes vão contra o primeiro papel do professor na expectativa do mercado formar rapida-
mente um educador.

Se o professor é um agente de mudanças para a educação é preciso que se entenda


também que esse professor vem de uma realidade social, ele existe como pessoa antes
da sala de aula, tem uma família, seu círculo de relacionamentos e precisa estar inteiro
em todos os seus ambientes de convivência, portanto é necessário que se tenha o devi-
do cuidado em relação não só à formação desse profissional como também aos aspec-
tos psicológicos que o envolvem. Celso Vasconcellos em seu texto “Competência pe-
dagógica na perspectiva de Paulo Freire” fala sobre esse dilema vivido em sua função
de agente de mudança da educação para uma educação pelo amor, educação libertado-
ra, qual o papel do docente e sua formação:

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Temos a convicção de que, para se mudar a educação, o professor tem um papel absoluta-
mente fundamental, isto é, qualquer que seja a alteração a ser feita, passa necessariamente
por ele. Por isto o docente tem de ser cuidado, resgatado em seu valor e dignidade. Este
resgate implica os aspectos básicos como salário, condições de trabalho, valorização so-
cial. Um outro elemento muito relevante é a formação. Pela assertiva logo acima de Freire,
fica clara a compreensão de que a competência não é algo inato. O professor melhor for-
mado pode desempenhar muito mais adequadamente sua atividade de mediar a aprendiza-
gem e desenvolvimento humano de todos os seus alunos, no horizonte de um projeto liber-
tador. (VASCONCELLOS, 2007, p. 6)

A referência à citação de Paulo Freire no texto acima se baseia no fato que, na visão de
mercado espera-se a formação do professor de maneira aligeirada, superficial, como se
este já viesse pronto o que não é fato e, com isso, apto apenas à transmissão de conhe-
cimento. Caso se deseje mudar a educação, não pode ser esta a formação do professor,
uma vez que esperamos a superação da educação positivista, da educação bancária
para a construção de conhecimento que se dá pela mediação. Antes de se falar em me-
diação com os alunos é preciso formar o sujeito professor para enfrentar aquele coti-
diano citado no início do texto, ora, os alunos são pessoas e professores também o são
e a sua formação é um ato complexo e que depende do envolvimento.

Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro a tarde. Ninguém nasce
educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como
educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática. (FREIRE, 1991: 58
apud VASCONCELLOS, 2007, p. 6).

Esse cuidado, resgate de valor e dignidade de que fala Vasconcellos aliado à certeza de
que é necessário um processo de reflexão na formação docente, reflexão que se faz
partindo da teoria à prática, da prática retornando à teoria para, em seguida a prática
pensada vão ser orientadores de uma formação docente voltada à gestão do conheci-
mento propiciando-lhe o amparo e as bases para interagir com a comunidade escolar,
com o governo, a família e em todas suas relações com o mundo exterior. Quando esse
diálogo não ocorre, muitas vezes o professor tende a, em desarmonia com a prática
profissional buscar rotas de fuga, pois se avolumam: o estresse, a exaustão mental que
incapacita, o questionamento dos papéis de cada ator envolvido no processo ensino-
aprendizagem e o negativismo como prática cotidiana e isso pode ser sintoma de um

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dos males contemporâneos decorrentes da atividade docente, chamado de “Síndrome
de Burnout”1.

A síndrome de Burnout é hoje conhecida como a doença que afeta quem lida com pes-
soas e o professor diuturnamente vivencia situações diversas, tendo sido notado nas es-
colas um aumento em licenças para tratamento de saúde, atestados médicos e queixas
de depressão, estafa e estresse, aliados ao desinteresse pela profissão e busca de isola-
mento.

Professor lida com relacionamentos, e a relação principal se dá no processo de ensino e


aprendizagem em uma via de mão dupla, para tanto, Perrenoud classifica como sendo
dez as competências necessárias à formação docente:

1. Organizar e dirigir situações de aprendizagem;


2. Administrar a progressão de aprendizagens;
3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação;
4. Envolver os alunos em suas aprendizagens, em seus trabalhos;
5. Trabalhar em equipe;
6. Participar da administração da escola;
7. Informar e envolver os pais;
8. Utilizar novas tecnologias;
9. Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão e
10. Administrar sua própria formação contínua.

Desse modo, há que se perceber o professor como um ser completo, multifacetado e


atento às mais diferentes realidades sociais nas quais está inserido, participando delas
de maneira positiva, ativa. Na opção do profissional pela prática docente, deve ele es-
tar cônscio dessa responsabilidade, observar atentamente item a item antes mesmo de
se decidir a ser ou não docente.

1
“Burnout é um tipo de estresse ocupacional que acomete profissionais envolvidos com qualquer tipo
de cuidado em uma relação de atenção direta, contínua e altamente emocional”. (Maslasch & Jackson,
1981; 1986; Leiter & Maslach 1988; Maslasch, 1993; Vandenberghe & Huberman, 1999; Maslach &
Leiter, 1999 in Carlotto, 2002)
10
2 DIAGNÓSTICO DO CONTEXTO E AS INFLUÊNCIAS DAS FORMAÇÕES
ACADÊMICAS DOS PROFESSORES DA SECITEC DE BARRA DO GAR-
ÇAS/MT NAS PRÁTICAS EM SALA DE AULA

O objetivo da presente pesquisa foi o de identificar como o docente atual ingressou na


instituição. Buscar informações de como o professor percebe a orientação pedagógica
e sua importância, a preparação das aulas, o planejamento escolar, investigar a origem
da formação docente, as experiências e o porquê da decisão de se tornar um professor
no intuito de tentar traçar diretrizes norteadoras para um processo seletivo que premie
a isonomia, a orientação segura ao professor, com foco na inteiração, problematização
e formação contínua de forma a dar suporte à atividade docente.

Responderam ao questionário dezesseis professores da Secitec de Barra do Garças de


um total de dezoito, sendo que os dois professores que não responderam não foram en-
contrados para tanto. A primeira pergunta foi com relação à forma de ingresso na insti-
tuição, questionando o seguinte:

“Como você entrou para o Ceprotec?

8
7
Proc. Seletivo
6 Simplificado
5 Indicação
4
3 Concurso
Público
2
Análise de
1
Currículo
0
Ingresso

Ilustração 1

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A forma de entrada demonstra a diversidade no que se refere à forma de contratação.
Significa dizer que o caminho está sendo traçado, é preciso consolidar uma estratégia,
colocada em prática e acertada para que com o passar do tempo ao se constituir o pes-
soal permanente por meio de novos concursos estes atendam de fato às necessidades
regionais e a Secitec adote uma política de seleção e recrutamento de pessoal unifica-
da.

A pergunta número dois refere-se aos aspectos pedagógicos e questiona-se o seguinte:


“Ao entrar para o Ceprotec você teve orientação a respeito dos cursos nos quais
ministraria aulas, como matriz curricular completa, professores que atuavam
junto com você no curso?” O objetivo dessa pergunta era a percepção do todo, saber
se a esse professor que ingressava e ainda ingressa na Secitec é dado a conhecer o con-
junto - o todo ou apenas os fragmentos – parte da realidade? Qual a visão que norteia
essa prática pedagógica? Interacionista ou positivista? Interacionista é aquela que bus-
ca integrar o sujeito ao todo, fazendo parte do contexto do aprendizado, ele vai intera-
gir com o objeto de aprendizado e dessa maneira construir eu próprio saber e a forma-
ção positivista é aquela baseada na transmissão o professor ensina e o aluno aprende
fragmentada em disciplinas com terminalidade em sí mesmas e que em pouco ou nada
se comunicam com as demais.

Nesta pergunta haviam três possibilidades de respostas e os resultados foram os se-


guintes:

12
7
6
5
4
SIM
3 NÃO
2 EM PARTE
1
0
Orientação
Pedagógica

Ilustração 2

Celso Vasconcellos fala sobre como deve ser tratado o professor, sobre o respeito que
a ele deve ser dado em seu artigo “A competência docente na perspectiva de Paulo
Freire”:

Temos a convicção de que, para se mudar a educação, o professor tem um papel absoluta-
mente fundamental, isto é, qualquer que seja a alteração a ser feita, passa necessariamente
por ele. Por isto o docente tem de ser cuidado, resgatado em seu valor e dignidade. Este
resgate implica os aspectos básicos como salário, condições de trabalho, valorização so-
cial. Um outro elemento muito relevante é a formação. Pela assertiva logo acima de Freire,
fica clara a compreensão de que a competência não é algo inato. O professor melhor for-
mado pode desempenhar muito mais adequadamente sua atividade de mediar a aprendiza-
gem e desenvolvimento humano de todos os seus alunos, no horizonte de um projeto liber-
tador. (VASCONCELLOS, 2007, 67-68).

Há que se criar um padrão de trabalho a ser seguido pelas coordenações pedagógicas


para que independente de quem esteja no cargo o trabalho aconteça a contento e a es-
cola funcione dentro da visão funcionalista proposta com uma resposta única a todos
os anseios.

Na questão número três, a pergunta feita foi: “Você já tinha experiência anterior
com a elaboração dos documentos pertinentes à prática docente tais como: plano
de curso, plano de ensino, plano de aula, plano de ação e diários?” A resposta a
esta questão ficou da seguinte maneira:

13
7 7
7
6
5
4 SIM
3 NÃO
2 EM PARTE
2
1
0
Experiência Anterior

Ilustração 3

As respostas obtidas nesta questão dão uma clara identificação da responsabilidade da


coordenação pedagógica frente à recepção de professores, houve aí um empate entre
quem afirmou conhecer de fato os procedimentos burocráticos e pedagógicos e quem
afirmou categoricamente não os conhecer sendo que quem afirmou não os conhecer
ainda tem seu número acrescido dos que responderam em parte, pois pressupõe-se um
conhecimento vago, insatisfatório, o que faz com que a escola seja a responsável pelo
preenchimento dessas lacunas.

Na questão de número quatro a pergunta é a seguinte: “Sua formação docente deu-


se:” e as respostas ficaram conforme ilustra o gráfico abaixo:

10

8
Graduação
6
Especializaçã
4 o

2 Prática

0
Formação Docente

Ilustração 4

14
Nesta questão, algumas pessoas marcaram mais de uma opção, mas de modo geral, a
grande maioria afirmou ter se formado inicialmente na prática para, a partir daí cons-
truir seus pressupostos teóricos sobre o processo de ensino-aprendizagem.

A questão número cinco tem a função tanto de investigar a experiência docente ante-
rior quanto de confrontar com as questões anteriores, o texto da questão é o seguinte:
“Sua experiência docente ao ingressar no Ceprotec/Secitec?”. As respostas obtidas
estão demonstradas no quadro abaixo:

4
3,5
Educação
3 Fundamental
2,5
Ensino Médio
2
1,5
Ensino Superior
1
0,5
Educação
0
Experiência Profissional
Docente

Ilustração 5

Essa questão confrontada com a questão número três deixa perceber se o professor já
tinha experiência anterior e não conhecia a parte de registros, ou se houve falseamento
nas respostas.

Na última questão, de número seis teve o objetivo de identificar a motivação docente,


perguntamos: “Quais, dentre os fatores citados abaixo mais influenciaram na sua
decisão de se tornar um professor?” As respostas obtidas podem ser conferidas no
gráfico abaixo:

15
9
8
Remuneração
7
6
Status
5
4
Vocação
3
2
Acaso/oportuni
1 dade
0
Motivação

Ilustração 6

Nesse caso observou-se que ninguém escolheu remuneração nem mesmo status, as op-
ções votadas e com um empate técnico ficaram em vocação com nove votos e acaso ou
oportunidade com oito votos sendo que uma pessoa marcou as duas opções. A vocação
é um ponto positivo, se o docente que está em nossa instituição optou por gostar, por já
demonstrar uma vocação natural isso, por sí só já é um ponto positivo.

16
3 DIRETRIZES PARA A SELEÇÃO DE DOCENTES DA EDUCAÇÃO PRO-
FISSIONAL E TECNOLÓGICA

A Secitec é a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e suas escolas são as res-


ponsáveis por desenvolver educação de qualidade em centros de excelência, para tanto
precisam ter em seu quadro permanente e temporário, pessoal altamente capacitado,
aptos a trabalhar com pesquisa, ensino e extensão. São professores, técnicos adminis-
trativos e técnicos de apoio educacional que passaram por concurso público. Para se
manter a escola em um nível de qualidade é necessário a formação continuada dos pro-
fissionais que atuam na educação profissional e tecnológica e o foco deve ser sempre
orientado ao mercado de trabalho e a inserção do trabalhador neste.

3.1 Seleção de Professores

A seleção de professores prioritariamente deverá se dar por concurso público de pro-


vas e títulos, levantadas as demandas locais dentro do planejamento da Secretaria de
Estado. No entanto, para atender à necessidade de contratação imediata e de curta du-
ração as contratações deverão atender ao princípio da isonomia, possibilitando por
meio de divulgação na casa civil, na internet no site da instituição e na mídia local bem
como no mural da escola que todos que atendam aos requisitos exigidos possam parti-
cipar do processo seletivo.

3.2 Contratação Professor Auxiliar

Após levantadas as demandas e em se constatando a não existência de pessoal do qua-


dro de efetivos nem a previsão de concurso, far-se-á a seleção de professores auxiliares
para suprir essa necessidade imediata.

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As contratações deverão ser feitas mediante processo seletivo simplificado constando
de três etapas: na primeira delas a análise de currículo na qual serão verificadas a for-
mação do profissional, sua titulação de graduação e de pós-graduação com pontuação
atribuída especificamente a cada item. A experiência profissional relatada deverá ser
comprovada para que seja também pontuada. Em cada processo seletivo deverão estar
estabelecidos de forma clara a pontuação para os critérios estabelecidos com a finali-
dade de dar lisura a todo processo.

Na segunda fase que consta da entrevista classificatória o candidato passará por uma
banca composta por no mínimo três servidores sendo um professor efetivo, um mem-
bro da coordenação pedagógica e um servidor indicado pelo diretor quando não o pró-
prio. Para a entrevista será elaborado um roteiro e ao final da mesma a banca se reunirá
para decidir se o candidato passa ou não a próxima fase da aula de desempenho didáti-
co.

Em o candidato sendo aprovado para a aula de desempenho didático haverá o sorteio


do tema e horário que será publicado no mural a instituição em até vinte e quatro horas
após a entrevista.

Na aula de desempenho didático será observado o planejamento do professor com a


apresentação do plano de ensino, sua postura, clareza nas idéias e adequação ao tema
proposto. As aulas poderão ser somente expositivas e dialogadas bem como por opção
da banca de acordo com a área contar com os recursos didáticos.

3.3 Planejamento Escolar

Para qualquer atividade que se inicie é preciso de um plano, um caminho seguro para
seguir, na educação essa tarefa é complexa, cheia de meandros que vão se
desvendando e proporcionando surpresas mesmo àqueles que são os mais experientes
educadores, sempre há algo novo, uma vertente ainda não pensada, um caminho não
caminhado, uma surpresa para a qual ainda não se tem uma resposta pronta e é
necessário estabelecer um plano para emergencialmente superar, atender, em uma aula,
18
diversos são os momentos nos quais os professores podem ser inquiridos e não estar
preparados para uma de raciocínio específica. A respeito de planejamento,
VASCONCELLOS (2002, p.78) afirma:

“Discutir conceitos (de planejamento, de projeto, por exemplo) pode parecer “perda de
tempo”, sendo que o mais importante seria discutir o como fazer. Ocorre que, com
freqüência, as idéias mais interessantes sobre a prática acabam advindo justamente da
clareza conceitual. Quanto mais se aprofunda o conceito, maior o grau de liberdade, de
autonomia do sujeito-professor. Pela negativa: quanto menor a fundamentação, maior a
necessidade de receita, de modelo.”

O Plano Político e Pedagógico vai tratar da organização didática e pedagógica


constitui, portanto, o cerne de toda instituição educacional por expressar as políticas
que norteiam a práxis, o caminhar da escola. PPP, na visão de LIBÂNEO é:

“O projeto representa a oportunidade de a direção, a coordenação pedagógica, os


professores e a comunidade, tomarem sua escola nas mãos, definir seu papel estratégico na
educação das crianças e jovens, organizar suas ações, visando a atingir os objetivos que se
propõem. É o ordenador, o norteador da vida escolar”: J. C. Libâneo2

A aula não pode se dissociar do todo, do planejado e para isso o Planejamento Político
e Pedagógico é feito como uma intermediação com a participação de toda a
comunidade escolar, com os professores, pais de alunos, alunos, servidores como um
todo para que seja de fato participativo. Quando isso não ocorre o que existe é apenas
um arremedo de projeto político e pedagógico e não uma proposta consistente e
coerente com a prática em sí, a função do professor, é portanto, mesmo antes de entrar
em sua aula, estar consciente da proposta pedagógica da escola, mediar, participar
ativamente da elaboração desta proposta.

A escola passa hoje por modificações e seu perfil precisa se adequar às realidades

2
O Projeto Político Pedagógico. Disponível em: http://vicenteoficina.blogspot.com/2007/12/o-projeto-poltico-pedaggico-o-
projeto.html acessado em 30/05/2008.
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impostas, a necessidade de um ensino com significado faz-se presente em nosso
cotidiano. Na dimensão da formação continuada e em consonância com o
planejamento escolar há que se pensar que:

A velha e ainda não superada escola, com sua centralização e excessiva regulamentação, já
não é adequada para o novo princípio educativo. De quase campo de concentração deverá
constituir-se em espaço de prazer, no qual não se aprende apenas rigidamente sentado
olhando para o quadro e ouvindo o professor, mas em todas as relações que se estabelece-
rem no seu interior. De espaço de salas tradicionais, em espaços de salas-ambiente, labora-
tórios e bibliotecas; de espaço rigidamente regulamentado e autoritário, em espaço demo-
crático de discussão, elaboração e acompanhamento coletivo de normas que sejam deter-
minadas pelas finalidades do processo educativo, de modo a substituir o disciplinamento
imposto externamente pela disciplinamento assumido e produtivo, onde o coletivo permita
a cada um desenvolver-se como indivíduo e como humanidade. (KUENZER, 2005, p.8-9).

O Plano de Curso é outro elemento importantíssimo para a instituição. O plano de


curso é o roteiro, o caminhar, como o curso vai acontecer dentro das diretrizes traçadas
pela instituição, de acordo com as políticas pedagógicas e conforme os Parâmetros
Curriculares Nacionais para a área específica que se quer ofertar.

No momento de planejamento coletivo, como fase que precede o início das aulas, a
coordenação pedagógica, além de apresentar a instituição, sua visão, missão e o
andamento institucional, bem como ao menos participar à equipe o PPP como já está
construído, deve tratar de técnicas novas de mediação do conhecimento, auxiliar os
professores na elaboração de seus planos de ensino, pois muitos são os professores
novos, que por diversas vezes sequer fizeram plano de ensino ou ministraram aulas,
criam-se então as semanas pedagógicas, ou semana de planejamento coletivo. Muitos
professores dizem que essas semanas são improdutivas, mas cabe a nós nos
perguntarmos se de fato estamos repensando o nosso papel como atores no processo
educacional.

É nesse momento que deverão ser discutidos os projetos interdisciplinares, eles serão o
fio condutor a ligar as disciplinas, matérias, competências, como quiserem chamar. As
ações da escola devem ser decididas pela escola com planejamento prévio, e não em
cima da hora e individualmente por este ou aquele professor, a escola deve ter

20
calendário de eventos e cumprir esse calendário.

Para cada professor traçar o seu roteiro de condução da matéria é necessário que ele
faça o planejamento do conteúdo de acordo com a ementa proposta no plano de curso e
as bibliografias que o plano de curso sugere, no entanto sempre revisando estas
bibliografias e planejando a melhor forma de adequar os conteúdos à realidade que se
defronta e isso é feito no plano de ensino, ele é o planejamento na esfera micro na qual
o professor na sua discricionariedade elenca as formas metodológicas para a mediação
dos conteúdos propostos, o aprofundamento ou a visão mais ampla em determinados
assuntos para cada tipo de curso, as técnicas de exposição de conteúdo, as técnicas e
instrumentos de avaliação, enfim é o caminho a ser percorrido pelo docente e alunos
daquela disciplina. O esboço é elaborado pelo professor e apresentado aos alunos, que
devem opinar e participar da construção de seu plano de ensino, pois afinal trata-se de
um pacto, um acordo de conduta entre ambas as partes.

O plano de aula é a fase final da preparação do professor, compõe a proposta de


trabalho deste em relação àquele momento específico, quais são as técnicas que
pretende utilizar, de maneira geral, são as linhas que o professor segue, não
rigidamente, afinal quando se trabalha com pessoas tem-se a dimensão do diálogo, mas
sempre com um fio condutor, dentro de um contexto, com um referencial teórico.
Sabedor da realidade que engloba, após o diagnóstico da turma, número de alunos,
grau de desenvolvimento, comprometimento, segue-se a programação específica da
aula que deve conter de acordo com a proposta do método científico três momentos:
introdução, desenvolvimento e conclusão. No planejamento da aula, o docente deve
levar em conta, quais são os conteúdos a serem trabalhados, quais os métodos e
técnicas que estão relacionados aos objetivos que se pretende atingir e previstos no
plano de ensino, e como será feita a avaliação e acompanhamento dessa aula.

Segundo MORAES (2004, p.8):“A aula reflete a concepção que a escola e o professor
tem de educação, de ensino e de aprendizagem. O plano de aula refletirá essa
concepção. A aula, muito freqüentemente, reflete concepções tradicionais de

21
educação.” Assim pensando e na busca pela superação destas concepções, o professor
deve estruturar meios de construir novas práticas pedagógicas, implantar a educação
problematizadora em cada aula, percebendo quando o aluno se motiva e como o aluno
se motiva para a busca do conhecimento, não apenas se embasando na boa e velha aula
expositiva, sem jamais desmerecê-la pois é exatamente nela, que se utilizada
corretamente, principalmente na aula inicial e em momentos chave que o aluno
percebe no professor a consistência necessária à docência, como o velho ditado: “A
mulher de César é honesta porque parece ser honesta”. Não basta ao professor saber
ele precisa demonstrar que sabe e a melhor oportunidade de fazê-lo, segundo o
professor Doutor José Nogueira ainda é na “Boa e velha aula expositiva”3 agora, para
além da exposição que em excesso e de maneira contínua torna-se enfadonha, é
importante viabilizar novas técnicas de ensino, principalmente com foco na prática,
além de outras como painéis, seminários.

O trabalho pedagógico coletivo, que pressupõe a participação de todos, dos alunos, dos
professores e das coordenações, existem ainda as pesquisas de campo, os seminários,
os projetos de extensão envolvendo o grupo de professores que vão proporcionar ao
aluno a oportunidade de construir conscientemente um saber desejado e orientado.
Segundo VILLAS BOAS:

É preciso levar em conta que a prática de trabalho pedagógico coletivo é uma conquista:
ele jamais resultará de uma imposição. Para que se desenvolva trabalho coletivo com os
alunos é necessário que exista essa prática entre os professores.4

No desenrolar da aula é responsabilidade do professor mediar, observar quem


participa, como participa, corrigir quando as visões equivocadas começam a permear
as discussões, quando o tempo está sendo indevidamente utilizado para questões não
relativas ao trabalho proposto, mas sem ter a pecha de general. O professor deve ser
um líder carismático, se importar com o aluno que não consegue acompanhar o ritmo
3
Citação pessoal do Professor Doutor José Nogueira de Moraes em diversos momentos de planejamento
nas Faculdades Cathedral de Ensino Superior onde é diretor geral e um dos mantenedores.
4
VILLAS BOAS, Benigna Maria de Freitas In CASTANHO, Sérgio e CASTANHO, M. Eugênia
(Orgs.) O que há de novo na educação superior: do projeto pedagógico à prática transformadora.
Campinas, SP: Papirus, 2000. p.135.
22
dos demais alunos, pois como no filme “Nenhum a menos” não é nossa função deixar
ninguém à margem do caminho, e muitas vezes os que ficam, os que desistem pode ter
sido por nossa responsabilidade. Se houvéssemos planejado um pouquinho mais ao
perceber aquele olhar perdido, aquele olhar vago, desinteressado, haveríamos
detectado que algo não ia bem e disparado mecanismos de contornar a situação na
pedagogia freireana do amor, da esperança.

Quando no início do texto citamos Gramsci e o fato de o sistema escolar que ele
vivenciou ter sido fraco, alencamos aqui um dos motivos: em diversas ocasiões, nós
não estamos preparados para a arte da docência, o ato de planejar uma aula como a
regência que esta deve ser, nem o cuidado em proporcionar situações de aprendizagem
e levamos apenas como mais uma profissão em um sistema no qual desacreditamos e
por vezes esquecemos que lidamos com pessoas, sentimentos, aspirações. Gramsci
vivenciou isso nitidamente conforme se vê no trecho de BLANK (2002, p.63-73).

As recordações escolares do período de sua infância são da escola como instituição autori-
tária, discriminatória e que, muitas vezes, pela má qualificação de seus mestres, afogava os
interesses infantis, como aconteceu com ele, que sentiu podadas suas inclinações para as
ciências, porque seus professores do pequeno ginásio municipal de Santu Lissurgiu, não
souberam orienta-lo, se é que perceberam no aluno tais inclinações.

O professor que planeja não os perde no caminho, antes recupera-os, desde que estes
assim queiram, pois somos sabedores que muitos existem também que apenas entram
na escola com a finalidade de “ver se gostam” e logo se desencantam, desistindo ao
primeiro sinal de dificuldade e nossa função é encarar a educação como um projeto de
mão dupla na qual ocorra o ensino e a aprendizagem além de simplesmente o
cumprimento do programa estabelecido pela ementa. VASCONCELLOS (2002, p.
120) afirma que “Fundamentalmente, o compromisso do educador é ajudar os
educandos a aprenderem a pensar, refletir, adquirir estruturas mentais e dominar os
conceitos básicos daquela área de conhecimento.”

23
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante dos desafios de elaborar critérios de seleção de docentes para atuarem na edu-
cação profissional e tecnológica na Secitec de Barra do Garças e discutir a formação
continuada destes fica a certeza que o foco da educação está nos alunos, em suas ne-
cessidades é de primordial necessidade para a escola e preparar os seus docentes para
esta realidade, torna-los mediadores, valoriza-los é um pressuposto para uma educa-
ção de qualidade.

O conhecimento sempre se renova, o mundo muda em uma velocidade vertiginosa e o


docente deve acompanhar a evolução das ciências, a materialização de novos saberes.
Já passamos da era da informação e estamos entrando em um novo tempo no qual a
atitude é o que conta e o docente deve demonstrar a sua em relação à própria formação
para que possa atuar como um ser que promove a mudança histórica, dialética e não
apenas na transmissão de conteúdos.

Formar esse professor, para a missão de educador em uma realidade contemporânea é


um desafio que deve ser aceito por quem se propõe a formar profissionais em uma re-
gião tão próspera como a nossa, se queremos que nossa realidade melhore e mudar a
realidade, promovendo a não-aceitação de que a cidadania deva ser para todos e fun-
ção da educação profissional devemos começar pela escola.

Para tanto é necessária e premente a implantação de critérios únicos de seleção e recru-


tamento de docentes, sempre se atentando para a vinculação do profissional formado
na área de atuação, com especialização, mestrado e doutorado. A pesquisa apontou
que em diversos casos a Secitec foi a primeira experiência docente, fato esse aceito
pelo motivo de a instituição ser recente e não ter ainda definido nem a sua marca como
nome e perfil de atendimento, o que leva a instituição à obrigatoriedade de formar o
seu professor para que este forme seus alunos em futuros profissionais.

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