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2ª Edição Eletrônica

Poesia

CÉLIA LAMOUNIER
Autora

Capa e Edição Eletrônica: L P Baçan

Outubro de 2009
Londrina - PR

Direitos exclusivos para língua portuguesa:


Copyright © 2009 da Autora e Convidados

Distribuição exclusiva através da


Biblioteca Virtual "Célia Lamounier” e SCRIBD.

Autorizadas a reprodução e distribuição gratuita


desde que sejam preservadas as características originais da obra.

Visite o site e conheça o trabalho de Célia Lamounier.

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ÍNDICE
A Editora 4
Número 10 5
Número 11 11
Número 12 23
Número 13 27
Número 14 43
Número 15 48
Número 16 51
Número 17 56
Número 18 64
Número 19 67
Número 20 70

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CÉLIA LAMOUNIER

Nasceu em 19.07.43, em Itapecerica, MG, onde reside atualmente, filha


de Raymundo Nonato de Araújo e Isaura Lamounier de Araújo.
Advogada, divorciada, aposentada TCE/MG, escritora e jornalista.
Presidente Academia Itapecericana de Letras e Cultura.
Sócia da Academia Municipalista de Letras de MG.
Instituto Histórico e Geográfico de MG – IHGMG ( e + outras).
Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – AJEB.
REBRA – ACLCL – AVBL Academia Virtual Brasileira de Letras.
Vice presidente Clube da Serena Idade de Itapecerica, MG.

Obra Literária: Livros publicados:


Entardecer de Lágrimas - 1978
Cidades e Trovadores - 1982
Sirgas e Organsins – 1986
Itapecerica antologia l – 1993
Passo a Passo – 1998
Dicionário dos Padres de Itapecerica/2001
No site Avbl o livro virtual - Passo a Passo - 2002
Verbete – Dicionário de Mulheres de Hilda Hubner – RS
Dicionário de Poetas Contemporâneos RJ/91(e + outros)
Participação em 50 antologias nacionais com premiações
Sites com trabalhos da autora:
www.celialamounier.net
www.celialamounier.hpg.com.br
www.notivaga.com
www.avbl.com.br - ensaios
www.celialamounier.hpg.com.br
www.itapecericamg.cjb.net
www.blocosonline.com.br/literatura
www.vaniadiniz.pro.br
www.jamulher.hpg.ig.com.br
www.usinadeletras.com.br
http://planeta.terra.com.br/arte/ateneu
www.geocities.com/~rebra/autores/622port.html

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Nº 10 - abril/2004
Nossa antologia @teneu Poesi@

1 - Convite
Nossa antologia do grupo Ateneu , denominada @teneu.poesi@ lançada
na BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE SÃO PAULO no Stand da
Editora Scortecci no dia 23.04.04 horário das 11:30 às 15:30.

É um livro que surgiu do idealismo de poetas virtuais provando que o


sonho, quando nasce em mentes férteis pode desabrochar para a realidade e
deixar de ser sonho para se tornar uma realidade... A coletânea, com 220
páginas, é composta por sonetos, rondéis, pantuns, literatura infantil, poetrix,
haicais e versos livres.
O prefácio foi escrito pelo fundador do Ateneu, Valdez Cavalcanti.
A introdução pelo poeta Anselmo Cordeiro (Net 7 Mares). A contra-capa
por Angela Bretas.
A arte da capa por Angélica T Almstadter. A revisão por Lizete
Abrahaão.
Tesouraria e distribuição aos cuidados de Célia Lamounier. Coordenação
final por Angela Bretas.
Estes são 20 poetas que fazem parte desta coletânea:
Ângela Bretas - Angélica Teresa Almstadter - Anselmo Cordeiro (Net 7
Mares) - Arlete Andrade - Belvedere Bruno - Célia Lamounier de Araujo -

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Cristina Pires - Elane Tomich - Fátima Cunha - José F. Marques de Souza
(Zéferro) - Lílian Maial - Lizete Abrahão - José-Augusto de Carvalho -
Lucelena Maia - Nathan de Castro - Olga Matos - Simone Barbariz - Valdez
de Oliveira Cavalcanti - Vanderley Caixe - Vanderli Medeiros.

2 - Apreciação por Sônia van Dijck: Internautas em letra de


forma
Ainda que persistam aqueles que não simpatizam com a rede mundial de
comunicação, a internet está aí para ficar e se aperfeiçoar: para o bem e para o
mal. Contatos, encontros, debates, intercâmbios, cumplicidades, causas nobres
e interesses vis e até paixões..., na realidade virtual. Nas veredas da web, o
homem continua homem humano, como já disse Riobaldo.
Pois, foi, justamente nesse jogo de trocar e-mails, repassar textos, criar
amizades e vencer distâncias, que se formou um grupo de amigos eletrônicos,
amantes da poesia. Ainda que tenham textos em sites pessoais e/ou de
literatura, eles desejaram ser cúmplices na "letra de forma", que dizem ser
"fonte", e passaram para a materialidade do papel.
O título da antologia não deixa dúvida de que os autores pertencem à
nação dos internautas: @teneu-poesi@ (São Paulo: Scortecci, 2003). As
colunas gregas e o note book da capa informam, que estamos ainda numa
primeira geração dessa nova nacionalidade: fixação no passado e orientação
para o presente. A permanência do passado está revelada em algumas formas
de composição escolhidas: o soneto, por exemplo. E aí está um gênero difícil
por excelência, pois deve obedecer a regras de metrificação e de acentuação
consagradas pela Poética.
Confesso que, salvo Vanderley Caixe, desconhecia os integrantes da
antologia. Naturalmente, por falta de atualização de minhas leituras ou por não
ser tão constante internauta.
Por felicidade, a antologia começa com um texto em tom de cantiga: "Lá
vai a menina...". A autora fala da gravidez precoce, em linguagem simples,
com a leveza da canção e um certo acento lúdico; esses recursos afastam o
texto do manifesto ou do panfleto. O surpreendente é que a autora, logo em
seguida, retoma a retórica romântica, abandona a leveza. Algumas autoras
assinam textos com temática explicitamente erótica. Escrevem sem reservas,
quebrando tabus ideológicos, rompendo com a hipocrisia. Vozes femininas
que se afastam da assexualidade angelical. Florbela Espanca e Louise Labé
gostariam de ler "A cereja", pág. 150, discurso que celebra o prazer: beleza
pura (e gostosa...).
Mas, a antologia também pode agradar ao leitor mais convencional. As
mulheres ainda não se livraram completamente do peso da tradição que lhes

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foi imposta, e alguns textos preferem temáticas abstratas e vistas como
elevadas ou edificantes. O leitor saberá encontrar esses textos.
Embora os varões não predominem nesse livro, são uma boa mostra do
imaginário masculino. Alguns dizem mesmo que desejam, que devoram, que
possuem a amada. Permanência do canibalismo amoroso ou afastamento do
"bom mocismo"? Mas, nem sempre, conseguem livrar-se do estereótipo da
"mulher casta" ou "inacessível", como se desejo, prazer e transgressão fossem
atributos exclusivos do masculino. Não posso pedir que os homens escrevam
como José F. Marques de Souza, pág. 107, que fala de fazer amor, tentando
entender ou interpretar o que acontece com a parceira. Fingimento? – o
imaginário feminino não é contra o fingimento, José.
E por falar nisso, além de ser excelente aproveitamento da cultura
popular, é muito lindo o "Canto de uma donzela apaixonada no dia do
casamento", pág. 188: tentativa de tradução da paixão, da entrega e da rebeldia
femininas. Forjamento da dicção feminina: "flor de macambira" autêntica.
Esse é para ser relido e repassado na internet.
Como persigo o máximo de economia verbal (ponto de vista
personalíssimo), considerando o tempo multimidiático em que vivemos e
nosso instrumento de trabalho, destaco como preferência: "Recolhimentos" e
"Sós", pág. 57, o "Hai-Cai" da pág. 63 e, especialmente, o "Hai Cai" da pág.
161: síntese; poema que fala de poesia (metalinguagem); retomada de uma
forma tradicional da cultura oriental; mas se o texto é bem feito e feito no
cuidado da palavra exata, deixa de ter idade ou passaporte, e vira poesia - esse
hai kai eu gostaria de ter escrito; é uma felicidade que alguém tenha pensado
nele antes de mim.
Como tenho o privilégio de conhecer a travessia poética de Vanderley
Caixe, não posso deixar de retomar algumas de minhas opiniões sobre seus
textos. Eis um poeta bissexto: por resistir à confissão lírica, raramente escreve
ou mostra o que escreve. E Vanderley não só é lírico quando interioriza as
angústias de "Dionila camponesa", como dá força de libelo a seu discurso em
defesa dos direitos humanos. Sua poesia se faz de versos brancos e livres,
quase sempre fugindo das palavras "preciosas". Às vezes explode na confissão
da solidão, como em "Não importa!" (cujo original integra meus arquivos) ou
em "Se você soubesse...", ainda que, nesse último, cometa o arbítrio de julgar
que os dias da amada são todos iguais ("são marias"), por não saber ou não
querer saber que a saudade dela se renova a cada amanhecer. O discurso
amoroso de Vanderley sempre traduz a ausência da amada, por circunstâncias
ou por decisão do Eu. A solidão tematizada em seus textos resulta, por um
lado, de um Eu lírico que resiste à cumplicidade amorosa e, por outro lado, de
um Eu lírico que prefere exaltar a militância, ainda que nessa experiência

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continue só, na angústia de experimentar como seus os padecimentos do
Outro. Para confirmar o que digo veja-se "Lá embaixo, a escória", ou releia-se
o elegíaco "Dionila camponesa".Como toda antologia que reúne material
livremente escolhido pelos autores, essa também não se caracteriza pela
unidade (seja temática, seja formal). Cabe ao leitor encontrar suas preferências
entre os 20 autores reunidos.

3 - MINHA HOMENAGEM EMOCIONADA AO ATENEU -


Elane Tomich
Ontem, véspera de mim amanheceu. Vi crescer em meu jardim, a flor da
minha poesia tímida , entre vinte despertares de vinte sábios sabiás.Que
alegria foi receber a caixa grande do correio, carregada de sonhos tão mais
belos quanto mais divididos. Senti-me irmã de todos vocês , pois nunca tive a
arca cheia, mas mas sempre o suficiente pra dividi-la ao meio e aumentar os
dividendos. Senti-me alegre no abraço de um todo chamado amizade. O canto
do Ateneu inebria tanto que o besouro besta, tromba nas paredes, pensa que é
poeta. Meu jardim é cor, é o poema que carrega fragrância nos versos que só a
poesia transforma em essência,no centro do Ateneu, como o sol, faz sua
morada em corações ribeirinhos.Transparentes, os ribeirinhos falam no ouvido
das pedras, poesia espelho de face nua onde se refletem mil imagens.Imagens
de sons , de alegria e lamento que em seu ouvido cruel foi lançado ao
esquecimento.
O Ateneu tem vinte estações: a do trem de passageiros, a primavera, a do
amor primeiro, a da próxima parada onde alguns dirão adeus, o verão, a das
chuvas, a do embarque ao amor eterno, a do lenços brancos, o outono, a do
vôo dos pássaros de arribação, a que demora chegar, aquela onde está sentada
a saudade, a dos velhos tempos, a dos raios onde existe um raio só de luz no
sol dos nossos caminhos, a que está no fim do túnel onde sempre é futuro,
pura fantasia, a estação primeira da mangueira, um corpo
balanceado,chiqueirado de desejos, o inverno, a chegada, a seca,a do último
desembarque.
Vinte vidas , vinte ecos, vinte vozes que, viajando juntos, ainda muito se
encontrarão em outras paragens de outras viagens.
Tão lógico, e ao mesmo tempo tão desconexo que escorre em muitas
lavras porque veio de outras vidas. Estrada amada, literal estrada ... onde viajo
meus sonhos, mudanças.Quem sabe não seria a minha chance seguir com esse
rastro permanente?
Curvas generosamente sensuais, beleza tão pálida quanto a lua. Linha
reta, linha torta, nesta vida leve traço, vou deixando meu abraço. Noite de
ilusão de viagens, de gemidos inefáveis de dores solitárias, de caminhos sem

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volta. Farei projetos novos de novos projetos .Penso agora em escalar altos
montes e me refugiar entre os monges. Darei minhas descarnada mãos aos
cânticos, que me guiarão ao cimo das colinas
Enfim, poetas do Ateneu, numa torre, poetando ao som de um sino e cá
embaixo uma escada, levando ninguém a nada... Coisa de gente sem
tino,simbiose de amor desesperado, onde o que cada um que cada um dá
também recebe! Poemas de marfim esculpidos no vento, ao feitiço de
incenso.Na cor do poema em mim, quando o esculpiste ao vento por magia
ardeu incenso.
Sopram neste Ateneu, ventus sanctus! Ergue-te boreas! e oblata ao
mundo todos estes nossos cantos.
PS** usei de forma aleatória, um pouquinho do dizer de cada um.
Obrigada, meus amores.

4 - Lucelena Maia na BIENAL, sobre o Encontro:


De longe, do outro lado da rodovia, os olhos fecharam raio de visão ao
alto, no livro, símbolo da 18a Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
Faltava muito pouco... quase nada... nada mais.
A porta do táxi, agora, aberta, deixava à mostra um enorme pavilhão,
todo ele dominado por estandes, prateleiras, livros e muitas pessoas.
Tudo, estava só começando.
Um grande encontro aconteceria entre público e autor, entre autor e seu
próprio livro, entre autor e outros autores, entre amigos da literatura, amigos
do virtual, amigos em tempo real, em espaço real, no mesmo espaço de tempo,
no mesmo espaço físico.
Sobrava expectativa, faltavam palavras para dizer o que os olhos
registravam.
Não faltava mais nada, nem palavras, tudo era energia, alegria, sorriso e
felicidade.
Um brinde com vinho branco selou o encontro, que foi, também,
celebrado com boa pinga e tanajuras.
Abraços não faltaram. Piadas, também não, nem elogios.
Sequer parecíamos poetas, estávamos mais para crianças que acabaram
de ganhar um presente. Talvez, o melhor presente do ano.
Quem lá estava lembrou dos ausentes, fazendo um grande elo de
pensamento, o único pensamento possível naquele momento....
"Do trabalho ousado resultou @teneu.poesi@, e, ainda que um vento
forte sopre os poetas para cantos diferentes haverá esta antologia recolhendo-
os, um a um: Angela, Angélica, Anselmo, Arlete, Bel, Célia, Cris, Elane,

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Fátima, ZéFerro, Lílian, Lizete, José-Augusto, Lucelena, Nathan, Olga,
Simone, Valdez, Vanderley e Vanderli - imortalizando-os."
Haverá, sempre, em lembrança à 18a Bienal - o Herculano poeta e seu
largo sorriso amigo, vivo, dentro de cada um de nós.
Haverá o ar discreto de Valdez, a simpatia da Angela, sapequice do
ZéFerro, a sobriedade do Nathan, espontaneidade da Fatinha, Lílian
contagiando com seu olhos azuis, Kika eufórica, chegando atrasada, Arlete
que não aproveitou quase nada, Anselmo, um ser tranqüilo e eu... Que,
saboreei cada olhar amigo guardando-os no meu livro @teneu.poesi@ por
todos autografado. lucelena maia 25/04/2004
- PARABÉNS ao grupo ATENEU... Com abraços da Célia
Lamounier!

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Nº 11 - julho de 2004
ZEFERRO para amigos Ateneu

José F.Marques de Souza


engenheiro e poeta de Quixeramobim CE

QUEM SOU EU? - Zéferro, 16/03/2003.

Eu sou filho da caatinga


Da casa de pau a pique
Corpo fechado a mandinga
Brabo como xiquexique
Nascido só pra sofrer
Curtido pela estiagem
Só não sei esmorecer
Não me assusto com bobagem
Sou caboclo do sertão
Pego touro pelas pontas
Roço milho e feijão
De secas perdi as contas
Se quiser saber quem sou
Sou cabra que não se vence
Lhe digo, pois perguntou!
Sou um macho cearense!

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1 - Canção para amiga que parte - 25.12.02 JF Marques para Angélica

Minha amiga por que tu vais partir


Deixando este vazio dolorido
E a dor que minha alma vai ferir
D’ausência do teu vulto tão querido?

Amiga, cabedal tão precioso


Que nem mesmo o amor substitui
Saudade, sentimento doloroso
Quando vem, de repente nada flui

Tu sabes que estarei à tua espera


Guardando para ti o teu lugar
Somente tu completas a quimera

De ter o ombro amigo pra chorar


A vida não será mais como era
Mas eu não deixarei de te lembrar.

TEUS OLHOS - Zéferro. 17/05/2003

Se faltasse pra mim a luz do sol


Se a lua não mais brilhasse linda
Inda assim eu teria o arrebol
Nesse olhar que só tem beleza infinda!

Se nesta vida ao homem falta a luz


Se no escuro só pode tatear
É um olhar como este que o conduz
Pras belezas da vida admirar

Tu bem sabes o encanto que nos prende


Com esse olhar que perfura o coração
E o meu pobre peito a ti se rende
Inflamado da mais louca paixão

Por que usas, oh deusa esse feitiço


Pra deixar-me escravo inteiriço?

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2 - Recebendo no Ateneu a Vanderli:
Zéferro 29/11/2002

Entre as coisas deste mundo


Coisas belas que eu vi
Está esse olhar profundo
Dos olhos de juriti
Que me tocam o coração
Com a benção da ternura
Levam-me à Promissão
Da felicidade pura
Encravados nesse rosto
De mulher pura de raça
Insinuando o gosto
Feminilidade e graça
Quais lagos azuis de abismo
Com mistérios de sereia
Com eles sempre eu cismo
E canto feliz na areia!
E seus versos me conduzem
Sem resquício de acaso
Aos prazeres que produzem
Inspirações do Parnaso
Dos deuses a escolhida
Para os céus encantar
Dos homens é a querida
Ao desejarem sonhar!

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3 - Recebendo no Ateneu a Célia - Zéferro 30/11/2002

Venham todos os deuses do Parnaso


Entoar a canção mais bela e pura,
Pois não foi a magia do acaso,
Que nos fez desfrutar tanta ventura!
E a nós bardos, a nós resta a doçura,
Encantada da musa que deu azo
Aos meus versos falando de candura
Desta deusa, mulher feita de encanto!
Que transforma em hino o meu pranto!

Bafejando a graça da poesia


Com seus versos de amor ou de tristeza
Seja o canto heróico ou elegia
Ela traz para nós tanta beleza
Que nos faz embalar em nostalgia
E sorver a paixão com inteireza
Ela é bela qual deusa ou mulher
É o prêmio maior que o bardo quer!

O Ateneu seja aqui sua morada!


Lhe faremos um trono de esplendor
Será por todos nós a exaltada
Com versos de paixão e puro amor
Não pode a poetisa inspirada
Negar a seus fiéis seu esplendor
De vate, de mulher, de bem amada!
De Zeus, e deste bardo, seu cantor!
......
E agora já conheço um bem que o Carnaval
Nos faz, oh como é triste, uma só vez por ano!
É revelar tesouros pro gáudio do mortal
Que passa toda vida sofrendo desengano
Portanto vou sonhar um sonho animal
Mas vou inda imprecar, pois tinha muito pano!

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4 - Para a querida PRENDA
Zéferro 22/11/2002

Pelas coxilhas vai a Prenda bela


Fogosa, altaneira, revoltosa!
Não aceita porteira nem cancela
Ciente do seu estro, tão formosa!

Herdeira do fragor de mil batalhas


Dotada com o fulgor da Poesia
Bordando camisolas ou mortalhas
A todas emprestando sua magia

Não há quem não a queira pra sua musa


Inspiração heróica e viril!
Só de uma qualidade ela abusa

É o seu grande amor pelo Brasil


Quero render-lhe o preito mais profuso
E o ósculo na face, mais gentil!

CORDEL - Zeferro para Prenda


Si tu num kanta kordel Teu ribuliso é dimais
Mexi kum sangui da jenti I akaba nossa paiz
Eita xina da mulesta Ela num diz, ela faiz
...........
Tu é xina kantadera Di puizia i repenti
Eu só sô um zémininu Inkabuladu, inusenti
Pur ki é ki tu martrata I num tem pena da jenti?

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5 - Zéferro. 19.set 2003 - PARA A DIABA
"Aut insanit homo, aut versus facit"
Eu até que sou bem quieto Se não encontro fogueira
Gosto de jogar confetes Para rir da brincadeira
Reconheço o valor Mas respeito a bandeira

Se ela está arriada É o luto que m’espera


Eu gemo então de saudade Lembrando tudo que era
Mas controlo o meu fogo Buscando outra cratera

O umbigo é formoso É o centro da paixão


Tocar nele é perigoso Faz despertar o vulcão
Tem um jeitinho manhoso Por favor não cobre, não!

As pernas que são cruzadas São sinal de malvadeza


Escondem tanto tesouro Tanta obra de beleza
Enlouquecem cavilosas Causando bruta tristeza

O homem foi condenado Ao arrego prematuro


A mulher foi premiada Pode sentar-se no muro
Depois que o homem se foi Pode jogar no monturo

Assim carece que os dois Concordem no combinado


Do paraíso esperado Pois só dois abrem as portas
Assim ninguém fica só E ninguém se vai frustrado

Quem começa não importa Importa como termina


Brincadeira proibida É bom mesmo s’incrimina
O Zéferro se ferrou A Diaba é assassina

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6 -Zéferro, 10 .05.04 - LOAS para CRISTINA
"AUT INSANIT HOMO, AUT VERSUS FACIT"

Beijar essa face linda


É um prazer que me encanta
Traz-me a ventura infinda
Da delícia que é tanta

Exaltar a poetisa
Cantar loas à mulher
Ao poeta realiza
É só isto que ele quer

Eu não sei o que mais amo


Se sua mente ou beleza
Eu só sei que sempre a chamo
Pr'alegrar minha tristeza

Ela é bela como um fado


E me deixa encantado!

SEMPRE TEU! - Zéferro, 04/07/2003


Em resposta a Cristina Pires:

"Adormecer no frescor da madrugada"


Ao morreres deixarás desesperada
Esta minmh'alma tão triste, soluçando,
E no fresco acordar da madrugada
Eu irei te acompanhar, sempre te amando!
Não desejarei ouvir mais qualquer nota,
Meu canto será somente um lamento!
Minha vida seguirá na tua rota,
Só contigo hei de ter renascimento!
E o frio toque do orvalho na aurora
Virá junto com o gelo do meu peito,
Que no desespero só lamenta e chora...
Dormiremos juntos, oh musa querida,
No enlevo deste amor mais que perfeito
E ainda serei teu na outra vida!

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7 - Para Elane - Zéferro, 04.12.03

Tu é a minh'a fulô
Kum xero di manaká
Eu ti mandu meus zamô
Ki eu tô loko pra ti dá
Eu tô tronxo di sodadi
Ti kerenu juntu a mim
Purkê tu é a bondadi
A beleza du jardim
Tu é gazela di rasa
Muierãum pra mais di mil
Ondi tu passa tu arrasa
Mais bunita num si viu
Mi dexa todu in braza
Mi trepanu nas paredi
Inrolo us dedu dus pé
Fiku torradu di sedi
Improranu kafuné
Kerenu ti furungá
Nu kangoti tão xerozo
I depois ti akoxá
Kuma gibóia nu boti!
Zédoidaum

8 - Para WATFA - ZeFerro 01.06.04

Watfa, rosa brejeira


Vens alegrar nossa vida
Com a alma de mineira
E de nós muito querida
Quero dar-lhe as boas vindas
E dizer-lhe que me alegra
Ao saber que gente linda
Nosso grupo agora integra
Se por acaso me deve
Não precisa me pagar
Me dá só momento breve
Para lhe admirar
Desculpo até seu irmão

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Amado por todos nós
Mas um grande trapalhão
Mais cretino dos avós
Será mais uma das musas
Que enfeitam o Ateneu
Não aceito se recusa
Aceitar-me em himeneu
Sou humilde cearense
Respeitador e modesto
Desprovido de pertences
Bom caráter manifesto
Não tenho grande estudo
E sou pobre como Jó
E não sou um cabeludo
Meu cabelo foi pro pó
Já disse o que queria
Eis minha candidatura
Uma coisa pediria
Não conte à "cavalgadura"

9 - Para o Poeta José Augusto de Carvalho


Responde, Senhor! - Zéferro
"Aut insanit homo, aut versus facit" - SP 27.01.04

O Homem foi feito à imagem do Senhor


Para exercer o seu santo Mandamento
E na Terra criar o reino do Amor
Que é de todos o mais belo sentimento
À Mulher, foi-lhe dada Graça e Beleza...
E a missão de cobrir a Vida com Ternura
Eis as origens da Humana Realeza
Que honraria o Criador e a Criatura!
Mas logo o Homem se tornou a Besta Fera
Que imola o seu irmão sem ter piedade
A Mulher tornou-se fêmea e desespera
Pondo a Carne ao sabor da Vaidade
Aonde vai a Humanidade, oh meu Deus?
Será que ainda Tu nos chamas Filhos teus?

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10 - Zéferro, 24/04/2003 - AMIGOS
"A gente não faz amigos, reconhece-os"
Vinicius de Moraes

Da vida, na estrada, atormentado,


Vai o homem cumprindo a sua sina
Mas precisa estar acompanhado
Pois ela pode ser bela ou ferina
Carece de um amor que o inspire
E traga belo sonho ao seu viver
E lhe faz falta o amigo que retire
Com ele as agruras do sofrer
São ambos cabedais de sua ventura
Pra ambos o seu peito estremece

Se o amor é fruto de procura


O amigo, não se faz, se reconhece!
E se aquele causa um vendaval
É este quem amaina o seu mal

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11 - RÉU CONFESSO - Zéferro, 12-out-03
Dedicado à insigne Poetisa e Delegada Dra.Stella Benedictis
Rendo a vós o louvor que tenho mais Pois tornais esta vida diferente
E por vires do solo abençoado Pelos deuses, os santos e orixás
Vos dedico o martelo agalopado Com ternura, o meu canto é veraz!

Quando Deus fez a Bahia Povoou-a de baianos


Esses benditos fulanos Mensageiros d’alegria
Que cultivam a poesia Descontraída, inspirada,
Amiga, civilizada Agora Ele envia
Toda envolta em magia Essa bela delegada

Vai ser lindo de ouvir A sua voz de prisão


Vai tocar o coração A fúria dela sentir
Eu não vou querer fugir A vida cá fora é dura
Com ela é só ventura Seus versos a escutar
Com sua voz vou sonhar É felicidade pura!

Vou ficar bem comportado Pra ser longa minha pena


Com ela perto, serena! Não quero ser libertado
Justiça deixa de lado Eu tenho os meus direitos
Não quero saber de eitos Vou viver vida encantada
Pertinho da delegada Eis meus sonhos mais perfeitos!

E por falar em poesia Vou ouvi-la com enlevo


E o mais que me atrevo É louva-la noite e dia
Com a minha algaravia Pois que sou pobre poeta
Minha verve é discreta Vou pedir ao Padim Ciço
Me abençoe o toutiço Pra bem cantar a dileta!

Vou cantar sua beleza E a sua inteligência


A sua douta clemência E a sua inteireza
Combatendo a malvadeza Fazendo versos com alma
Combatendo a dura trauma Desta dura Humanidade
Com toda civilidade A ela eu dou a palma

Mulher, mãe e amazona Veio nos dar os seus brilhos


Com os seus versos, seus filhos Como quem beleza clona!
Pois do estro é a dona Disposta a espargir
Para quem quiser ouvir O seu cantar mavioso
Em baianês primoroso Emoldurando o sentir!

Sê bem-vida, oh Estela Aqui terás só amigos


Nossos peitos, teus abrigos! Brilharás como a estrela
Que encanta só de vê-la Nós estamos bem felizes
Contentes como petizes Agora vou me calar
Ansioso pra escutar As belezas que tu dizes!

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12 - A prece da minha devoção terrena
MULHER
Zéferro, 09/07/2003

Eu queria ter palavras portentosas no meu estro


Pra cantar com estardalhaço o que penso da mulher
Mas a mim pobre poeta só ficou verso canhestro
Pra falar deste amor com que minh'alma sempre a quer

Deus, na criação do mundo, esmerou-se na beleza


E criou a perfeição como só ele é capaz
Mas deixou bem reservado o lugar da realeza
Para a dona dos meus sonhos de quem não esqueço jamais!

Colocou em um só corpo o bendito dom materno


E do seio que amamenta também fez a tentação
Reuniu o paraíso e as chamas do inferno
E num corpo de demônio fez florir um coração

Que é fonte de carinho e manancial de ventura


Ora fera pelo filho ora amante apaixonada
Eu te quero oh mulher pois que tu és ou santa pura
Ou a ninfa que me doa a fantasia mais ousada

Por mais bela que te vistas sempre nua eu te vejo


E os olhos de minh'alma te admiram a bondade
Ou o corpo ensandecido enlouquece por teu beijo
Mas somente a ti eu vejo como és na realidade

Gloriosa criação, tu justificas o viver


E o homem tu transformas em gigante ou anão
Eu te amo sobre tudo e te amarei até morrer
Venturoso com teu sim ou desgraçado por teu não!

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Abraços da Célia Lamounier

22
Nº 12 - setembro de 2004
Nosso OURO nas Olimpíadas

1 - Nathan de Castro - poeta residente em Divinópolis MG


Para Daiane dos Santos – BRASILEIRINHA

A menina com nome de princesa


é amiga das canções da gravidade
e de todos os Santos da leveza
que residem no Olimpo. A claridade

dos teus saltos dourados de beleza


já cravaram no chão da eternidade,
as medalhas dos sonhos e a pureza
do sorriso de Estrela. A liberdade

tem o doce sabor dos teus carpados


que enfeitam com orgulho o nosso povo
carente de momentos de alegria.

Brasileirinha, o bronze, a prata e o ouro


são apenas metais... Nossos tesouros
são a esperança, a fé e a poesia.
Tesouros que cravaste em nosso peito.

2 - ATENAS, 2004 (recebi esta mensagem enviada pela MEG).

Maratona: A última e mais importante prova do atletismo nas Olimpíadas.


Vanderlei Cordeiro de Lima, um brasileiro de origem humilde destaca-se e
assume a liderança absoluta da prova. (É o retrato que representa tantos
brasileiros lutadores e esforçados, cuja Olimpíada diária é a da luta pela
sobrevivência.)

23
Ele havia se preparado com afinco. Muito treino, muito sacrifício, uma
estratégia inteligente, e parecia surpreender o mundo esportivo, correndo em
direção a uma histórica medalha de ouro...
MAS... Um louco consegue burlar a segurança Movido por interesses
escusos, agarra-o e derruba-o. Quase consegue afastá-lo da competição.
Vanderlei é ajudado por espectadores, já que praticamente não havia
segurança. Redobra seus esforços, superando o incrível obstáculo. Adentra o
Estádio do Coliseum em terceiro lugar, para receber a medalha de bronze.
Valeu!!! Vanderlei...

3 - ALEGRIA! MUITA ALEGRIA PELO SOLO DO BRASIL!


OURO NO VOLLEY MASCULINO (Mercedes)

Quero enviar o meu abraço a nossos GOLDEN BOYS, todos vitoriosos...


Pela brilhante conquista Todos nós sabíamos que eles seriam vencedores,
mas, como o negócio é perigoso, não poderíamos contar com o ouro antes do
apito final. Eles mereceram e cada dia mais acredito que DEUS É MESMO
BRASILEIRO Abraço a todos, campeões de todas as modalidades. Sinto
imensamente o que aconteceu com a meninas do Voley Ninguém sabe
explicar.
Bacios a todos e um abraço aos meus amigos italianos pelo segundo
lugar.
Jandyra Adami-Belo Horizonte - 29.08.2004

4 - Maria Pia escreveu para Vanderley:

O ENGRAÇADO É QUE, SE O VANDERLEI TIVESSE GANHADO


"EM CONDIÇÕES NORMAIS" A MEDALHA DE OURO, NÃO
TERÍAMOS A CHANCE DE VER ALGO MAIS INÉDITO: A ATITUDE
DE VANDERLEI...
ESTA SIM VALE OURO!!! E UM OURO INCORRUPTÍVEL; QUE,
NEM O TEMPO NEM A FERRUGEM CORROMPEM... ALGO
REALMENTE VALIOSO E RARO!!!VANDERLEI, SE VOCÊ É UM
"MARATONISTA DE OURO", MUITO, MUITO MAIS VOCÊ É "SER
HUMANO DE OURO" TAMBÉM ACHO QUE VOCÊ "TEM O DIREITO À
MEDALHA DOURADA", MAS, CONTINUE SORRINDO (SIM, NÃO SÓ
POR SIMPLICIDADE, COMO MUITOS DE NÓS VAMOS DIZER - E
OUTROS, PENSAR...), POIS A "VERDADEIRA MEDALHA" VOCÊ JÁ A
CARREGA... ELA É O SEU CORAÇÃO. "FORÇA, AGILIDADE,

24
DESTREZA, SUPERAÇÃO FÍSICA TÊM O SEU VALOR... MAS, "A
BONDADE", ESTA PERMANECE PARA SEMPRE!"
Maria Pia

5 - Recordando Gabriella:

OLÍMPIADAS
Célia Lamounier

A medalha é uma vida


Que se joga de cabeça
Alma e corpo E sangue e ar.
Vem gingando O corpo torto
Pés cruzados Cabeça já retardada
Pelo esforço Imensa garra
Tamanha luta Alma a puxar.

E em toda a terra Milhões de seres


Emocionados Frente à TV
Torcem, retorcem As mãos levantam
Para amparar... E Deus sorri:

Na terra de Los Angeles


Gabriella desmaiada
Cruza a reta final.

25
PÁTRIA AMADA
Nilson Matos Pereira

Quisera sim que houvesse uma só língua


Pois é bobagem a Torre de Babel
Assim, sem precisar de tradutores
Todos leriam nesse meu papel
Quisera sim que os povos desse mundo
Não fossem separados por países
Nem por estados e nem por cidades...
Seriam certamente mais felizes
Quisera sim que toda a humanidade
Usufruísse igual padrão de vida
Tivesse o mesmo Deus, a mesma crença
E nem por raça fosse dividida
Quisera sim que fossem solidários
Os habitantes todos dessa terra
Ninguém faria mal para ninguém
Não haveria crimes e nem guerra
Quisera sim que nossa independência
Não precisasse ser comemorada
Quisera sim ser cidadão do mundo
Para que a terra fosse a pátria amada
Araranguá, 070904

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Abraços da Célia Lamounier

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Nº 13 - outubro de 2004
Conheçam um Resumo ATENEU
Ateneu
Resumo Semanal das Actividades do Grupo Ateneu
27/09 - 03/10/2004

1- Apocalipse Cumprido
Adelmario Sampaio

O ator em si amarrado Na falsa bolha branca Manejador da palavra Esconde


dor mais franca
Sangue descendo ao rio Manchas talhadas de frio Que contrafé estanca
Fome gritada ao ouvido A boca assassina impele Coração manso não viu Ódio
curtido que fede
Rádios de toda cidade Discurso sem caridade A nova lei não impede
Homens que dizem crer Amante noutra chacina Em liberdade ilusória Oferta
noutra propina
A pregação já nodosa Da solução enganosa O pecador recrimina
Profetas que ouvirão O mesmo anal da mentira De boca em boca serão Deuses
que deuses fira
Todos de olhos vermelhos A guerras dos evangelhos O ódio espalhando gira
E mais um olho em brasa Línguas por si repartidas Sem coesão a palavra Jesus
rasgado em tiras
Não há pobre que não siga Não há ímpio que se diga Do partido das mentiras
Pragas de trevas no céu Inferno de novo milagre Anunciado outro deus Ainda
novo em idade
Outra opressão ao fiel Mais anjos de Beliel Mascarados de verdade

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2- Inocência - Angélica T. Almstadter

Façam silêncio um instante; Morreu a inocência, Cultivada desde


menina. Num suspiro de carência; Se foi da minha retina. Silêncio! Nessa
noite ansiosa, Morreu a ingenuidade, Suspirando amorosa.
O que eu faço agora? Nessa ilha de desejos, Imersa na maturidade, Desse
corpo de saudade.
Façam silêncio por um instante; Para que eu vele minha inocência, Com
sussurros de amante, Visitada pela coerência.

Silêncio! Para que eu guarde com cuidado; O beijo comportado,


Os sonhos não vividos, E essa porção de recados, Amarelados e
esquecidos.
Façam silêncio por um instante; Para eu chorar pela inocência, Que
morreu nesse leito;
No abraço doce e insinuante, Imposto pela vivência, Que agora lateja no
peito.

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3- Lamento - Arlete de Andrade

Atravessa-me o peito
Esta espada profundamente n’alma!
Grande é o meu sofrimento!
Esvai-se profusamente minhas forças.
Se me atormenta o arrependimento, também não
Posso tornar a ver o passado, não tivesse ele,
Quando presente, passado tão sorrateiramente.
Era moço e tão belo;
Tão faceiro e encantador!
Dói essa ferida que não fecha,
Incerto é o meu lamento...
É caminhar embaixo de um sol escaldante
E mirar o oásis...delírio!
Pega-me pelas mãos o destino, e me conduz.
Deixo-me levar como um menino
Pelas mãos da mãe.
Ah! Se eu pudesse encontrar
O vento que soprava,
A mesma estrela que brilhava,
Quando eu, ainda livre, podia
Caminhar a seu lado.
Qualquer agonia de espera é melhor
Do que o que não pode ser...
Estou em terra estranha,
Num lugar onde não falam minha
Língua, não usam meus costumes,
Não vivem o que acredito.
Sou culpada pelo que sinto,
Condenada pelo que quero.
Nem mesmo posso arrancar de mim
Essa lâmina.
Posta. Ainda que esmoreça se
Arranca-la morrerei.

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4- Te Necessito - Célia Lamounier

Encantada pela MÚSICA


deixei meus passos
a te procurar...
E na loucura da poesia
nasceram estrelas.
Minhas mil noites
se fizeram dia.
Te necessito
trouxe a primavera
do fogo a acender
desejos esquecidos,
de semente nascendo
para ser flor
no encontro da vida.
Te necessito
acordou marés e ondas
criou mar revolto
e pintou cores
de renascimento.
A magia do som
faz carícias no corpo
esquecido de amores
e o espírito livre
suavemente viaja
de volta no espaço
a sonhar entregas e beijos.
Te necessito
é linda oração de cantar !

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5- Versos Agônicos... - Cristina Pires
Tenho as mãos calejadas pelas águas,
E a voz enregelada pelos fados
Moribundos de Outonos arroxados,
Que fenecem nas vísceras das fráguas!

Tenho guardadas chuvas fesceninas,


E mares rebelados, indigentes...
Na minha alma, os rastos das serpentes,
E no seio murcho, os uivos das retinas.

Tenho o corpo cruciado de mofinos


Olhares, e no ventre morto um fio
De sangue de um famélico anidiano!

Tenho a agonia dos versos maninos


Nos braços, e no meu leito sombrio,
Um grito escaveirado, inumano!...

6 - Somos Responsáveis - Faiçal Tannús


Penso muito nas minhas obrigações
Entendo que sou sim, compromisso
Ninguém é só "fruto de embriões"
A fé me diz ,sou mais que isso!
Sabedoria na palavras proferidas,

Ouvidos atentos às vozes da razão


A mim não pertence só minha vida
Outras dependem da minha formação
Um exemplo vale mais que sermão

Na indecisão, somos sempre falhos,


Poderemos ouvir, maquinas em ação:
Alguém executando o nosso trabalho!

" Eu gostaria"- jamais fez coisa alguma


"eu tentarei"- já fez mais que uma
" Eu quero"- faz milagres, em suma!

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7- Aragem - Gerson F. Filho

Desatei os laços
Cobri os espaços
O frio e o vazio
Não fazem morada
No meu coração.

Rompi os sortilégios
Quando minha alma
Fugiu dos teus encantos
Tanto quanto foram
A queda, a saída o pranto.

Lança-me quanto espanto


Vendo no final a solidão
Desvanecer e se tanto
Abrir espaço um regaço
Liberdade! Enfim sem ilusão.

8 - Solidão Poética - Herculano Alencar

Estou só! E, de tão sozinho,


ouço os ecos dos meus pensamentos,
flutuando os mares, navegando os ventos,
desmanchando os sonhos em redemoinhos.

Estou só, bem no meio do caminho,


entre o cais do desencontro e a saudade,
entre o porto do adeus e a eternidade,
um lugar tranqüilo pra fazer um ninho

e aninhar os filhos desta solidão:


A lassidão, o ócio, a paz displicente,
povoando a mente feito inspiração;

maturando os versos, vão, suavemente,


verter os amores do meu coração.
Me deixando só... Só eu... finalmente!

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9 - Ainda Te Espero - Lizete Abrahão

Meu amor, vem de uma vez me amar!


Eis, aqui, o teu templo sagrado,
Onde esta mulher, ara ao luar,
Quieta, espera o corpo do amado

As mãos sobre os seios de cetim


Fremem pelo querer, em apelo;
(Longe choram os sons dum flautim,
Em mim vibram; são meu pesadelo!)

As horas andam, incertas, lentas,


Tento não lembrar de ti...Loucura!
Teus braços em mim é o que quero!

Pede, meu corpo, tuas mãos sedentas


Tu és o fogo da minha cura
A caminho!...Vem!...Ainda te espero!

10-Como Se Fosse Uma Onda... - Maria Thereza Neves

Quero escancarar todas as minhas portas


arrancar todas vidraças,
todas as capas da razão!

Quero desnudar todas as intenções


descobrindo ao acaso a poesia
que se faz em versos
todas as minhas emoções ...

E no desapego despojado das nuas mãos


escorregar sobre todas as praias
no clamor,fulgor das ondas
como se uma onda fosse
alcançar a imensidão
tocando a sensualidade das peles
com a alma,
a sensibilidade dos corações.

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11-Vivência Irretocável - Mônica F. Camargo

Envolto em bem estar coração amanhece


e graciosamente pássaros canto entoam
Com suavidade raiar do sol então aquece
e precioso sentir em pensamentos voam

Chegam em toques sons do teu carinho


no repente da manhã paixão que sonhei
E no orvalho de amor vens de mansinho
deslizando a emoção que em ti alcancei

Felicidade domina passos...estou amando


em lampejos...desejos fluem em profusão
E ansiedade vai tua imagem aproximando
acelerando em segundos pulsar do coração

Braços do tempo para mim te embalam


no alaranjado entardecer que te espero
Vilslumbrar teu beijo sensações exalam
teus mistérios desvendar... como quero

Entrelaçados entre afagos simultaneos


com enlevo absorvidos amados se isolam
no ar revelações em gestos espontâneos
Bocas na força que atraem corpos colam
em delicioso descompasso...dois corações
e sintonia desloca prazer em dimensões
na mais sedutora e sensual... das visões

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Vem abrigo no manto do anoitecer
cálido abraço por êxtase ostentado
No deleite de carícias à entorpecer
é o paraíso... estamos lado a lado
E com tantos encantos por viver
na linguagem do amor sem limite
maleável cumplicidade por amar
e aroma gostoso de paixão no ar
deixam a sensibilidade envolver
e nos lábios... te amo...prender

Doce trama pelo destino tecida


rotas de felicidade desconhecida
Permitem sensualidade invadir
com emoção de amar à consumir
e ternura perfumada no ar fluir

Páginas de romance douradas


beleza d'alma em letras gravradas
Linda ventura no coração marcada
por vivência irretocável
com tua presença sorrindo
por conquista... adorável
na tua ausência resistindo
E... com desenvoltura amante
amor em patamar extasiante
Nós... um encontro marcante
juntos um ritmo emocionante

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12- Fragilidade - Morgana Meirelles

Que faço eu aqui sentada


Nesta espera insensata
A medir horas e datas
Na teimosia obstinada
Com a certeza do nada

Que faço eu desta dúvida que vaza


Da minha alma agoniada
No tormento de quem já foi amada
O momento é faca afiada

Que faço eu desta angústia danada


Quando a esperança não é solidária
Com esta ternura solitária
Que há muito se fez cilada

Que faço eu desta saudade


Que liberta minha vontade
De reviver com intensidade
O tempo que o amor se fez felicidade
Na minha pele em tempestade

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13- Preciso Te Falar - Nathan de Castro

Preciso te falar da flor-de-lis


nos olhos da canção do amor maior,
dos sonhos e explosões primaveris
quando a saudade acende o meu cantor.

Preciso te falar do quanto a quis


na relva de um poema ao pôr do sol
e adormecer beijando a cicatriz.,
para salvar meu verso de arrebol.

Preciso te falar do amor, Luana,


do amor da terra quando bebe a chuva
e o da brisa que canta na folhagem

da araucária feliz junto à choupana.


Saudades, festivais, beijos de uva...
Escuta o verso e vem nessa viagem!

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14-Festa das Flores - Nilson Matos Pereira

Primavera vem chegando


Colorida. Que beleza!
Com flores desabrochando
Canta a bela natureza

Alegre a flora renasce


Nesse milagre divino
Só não muda a triste face
Do mendigo peregrino

Tampouco a do governante
Do poderoso e do rico
Sofre o povo ignorante
Com ele me identifico

Sem terra, casa e comida


Família se desespera
Só tem desgosto na vida
Nada muda a primavera

Brilha o sol no céu de anil


Revigorando a floresta
Enquanto geme o Brasil
Os floristas fazem festa

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15- Poço Raso - Olga Matos

Tem dia que odeio o mundo!


Morbidamente leio-me em curva!
Enrosco –me e a morte vem com tudo!
Finjo fortaleza e ela muda o rumo.

Faz revoadas , baixos volteios...


Espreita-me. Enfrento-a,
cara a cara ou finjo que não vejo?
Na dúvida vivo meio a meio!

Rouba-me o verso ou o deixa torto.


espremo o verbo e extraio uma gota
meio tonta e a verve enceta outro!

Então , esqueço fado moribundo,


penso viver e amar todo mundo!
Abraço-me! Alço-me do fundo

16- Colibri - Valdez O. Cavalcanti

Olho contrito, com olhar sereno,


As linhas bem traçadas do teu rosto;
E quanto mais te olho... me apequeno,
Mais sinto um amargo de desgosto...

E foste... colibri, foste tão cedo,


Furtiva, amaciando os passos,
Curtir no além a dor do teu segredo,
Deixando-me tão só... com meus fracassos.

Nas horas das manhãs de rutilâncias,


Calculo, com frêmito, as distâncias
Que te separam deste vil asceta...

Pensando me juntar ao colibri...


Pois não há que viver, viver sem ti,
Nem há razão de ser... do ser poeta!

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17- Saindo de Cena - Vanderli Medeiros

Cansei dessa cena


desse folhetim barato
com jeito de botequim
Cansei da repetição do ato
estou saindo dessa comédia de fato
Não quero mais viver essa farsa
nem fazer parte de toda essa trapaça
Chega de comédia com cara de tragédia grega
quero mais é distância
dessa hipocrisia envolta em fantasia
Deixo de vez o palco
limpo o camarim
e volto p'ra vida
retomo os meus valores
Estou de partida
não quero mais nada
nem amores nem valores
nem sonhos
recauchutados
Quem fica
que feche as cortinas
p'ra mim
é o fim
The end!

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18-O Papel - Watfa Ramos

À frente, a folha em branco,


num convite à reflexão,
sussurra bem baixinho:
"Desnuda tua’alma,
deixa que flua sobre mim
o quê te fere assim."
Minhas trêmulas mãos,
em consentida obediência,
vão traçando os rabiscos,
que em seus arabescos,
bordam meu imo assim.
Em anuência ao papel,
vou derramando meu fel.
Retiro de mim a essência,
sem vestígio de inocência,
e deixo ali no registo
a prova de que existo,
inda que em amargura.
Sem traços de ternura.
E ali está a folha.
Ela e eu,
eu e ela,
na composição
que, inda assim,
se faz bela.

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19 - V I D A - Zéferro

A vida é um caminho tortuoso


do qual só se conhece uma ponte
eu marcho para ela, curioso,
buscando, ao chegar, novo horizonte.

Não sei se ao cruzá-la nós deixamos


a carga acumulada no caminho
e temos o alívio onde chegamos,
ou se ainda resta algum espinho!

Só sei que a esperança nos sustenta


de algo melhorar dentro de nós,
por isso cada um de nós enfrenta
a vida, pois o sonho vem após.

Eu quero tudo novo começar


pois destas dores não quero lembrar!

Resumo ATENEU elaborado & formatado por: Cristina Pires

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Abraços da Célia Lamounier

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Nº 14 - NOVEMBRO DE 2004

1- A PAZ NA INTERNET - Célia Lamounier

Numa época de violência exagerada, cujo motivo certamente a maioria das


pessoas entende ser advinda da globalização (onde filmes, videogames e
noticiários estão criando as novas gerações; onde a educação, o culto a ética,
moral, elegância e cavalheirismo são palavras do passado; onde família,
carinho e cuidados com as crianças, os idosos, as grávidas são leis que ficam
no papel) é que um mundo novo se abre para internautas (viajantes do espaço)
- o mundo virtual da Internet.

Habitado por seres privilegiados, de algum poder aquisitivo e


conhecimentos gerais, sonhadores e idealistas em sua maioria. Uma grande
meta, uma enorme responsabilidade, um dever essencial: CRIAR UM
MUNDO NOVO. Que mundo deve ser este? Onde o pensamento viaja em
segundos, onde a PAZ e todas as qualidades humanas sejam o alicerce desse
mundo. Onde o auxílio, a ajuda mútua, o respeito e o aperfeiçoamento sejam
os caminhos. Onde os poetas saibam cantar a beleza da vida. Onde o amor
universal envolva a todos e os internautas possam dar-se as mãos e abraçar o
infinito do amor universal. Este há de ser o mundo novo!

E assim será quando todos se conscientizarem da grandeza de participar,


da beleza e da perfeição que está em nossas mãos criar - um mundo sem
distâncias, sem muros, vivenciando a obra do onipotente Deus Criador do
mundo e dos seres. Que Deus ajude sempre aos seus filhos! Que este mundo
novo esteja sempre envolto na PAZ e na solidariedade universal.

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2- A PAZ NA INTERNET - ZéFerro

Ao Homem coube a inteligência


Para tornar-se o rei da Natureza
Carece-lhe portanto indulgência
E amar ao seu irmão com inteireza
Se hoje a palavra é veloz
Que ela só transmita o amor
Usemos com brandura nossa voz
Para levar a paz e não a dor
Assim iremos todos construir
Um mundo onde valha existir

3- A PAZ NA INTERNET - João Nery de Araujo

Este novo mundo virtual será no futuro um lugar realmente de paz,


porém na atualidade ele é um terreno de ninguém onde os oportunistas
invadem computadores alheios para roubar. O mais comum que se vê é
publicação de pornografia. As pessoas que se sentiam presas para se mostrar,
agora estão livres para dizer o que querem, mostrar o que querem, não se
importando com quem irá ver ou ler. Tal como no mundo da dita realidade, os
poetas, que sempre se julgaram pobres de dinheiro, rejeitados pela sociedade,
estão criando e propagando seus escritos. Com poucos cruzeiros as pessoas
podem alugar um computador, se divertir e procurar cultura. A única
barreira que existe é o idioma. Fora isso, o mundo está livre para todas as
pessoas. Os poetas e os artistas encontram um mundo para sua vida, e quem
gosta de poesia ou de artes tem onde procurar. O mundo virtual é mágico, ele
está bem de acordo com o que a TV nos mostra, a mistura da ciência, da
magia e da bruxaria. Eu estou fazendo a minha mágica neste momento,
dizendo o que penso a pedido de uma pessoa amiga que está muito longe. O
triste ainda é que existe muita gente boba gastando espaço e tempo dos
outros, veiculando mensagens que em nada melhoram a vida de cada um. Tem
muita gente embasbacada com o poderio da internet e em todo santo dia elas
mandam mensagens com imagens imensas. Tem gente que vive para repassar
tudo que chega na sua caixa postal, sem ter um juízo crítico sobre o que estão
enviando. Quem tem juízo crítico e amadurecimento pessoal pode usufruir
muito com a internet, mas a maioria continuará tal como estava na sua vida,
perdidos, solto no ar, borboletando em tudo, sem beber dessa água sagrada
que é a internet.

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4- PAZ E AMOR NA INTERNET - Nilson Matos Pereira

Internet é coisa boa


Ninguém pode duvidar
Recebe qualquer pessoa
Que queira participar
De quando em quando destoa
Pois alguém quer bagunçar
Mas não consegue se impor
A turma do deixa disso
Com a paz tem compromisso
E volta a reinar o amor
Araranguá, 12.11.04

5- A PAZ NA INTERNET - Jandyra Adami

É preciso que as pessoas voltem a ter o antigo romantismo que havia


entre os povos, mesmo no começo da internet, onde havia mais respeito pelo
ser humano. Hoje somos surpreendidos por textos ironizando um amigo,
queixando de roubos de textos e outras coisas. É preciso que cada um se
conscientize de que esta é uma oportunidade divina que tivemos para manter
contatos imediatos com amigos que moram longe, fazer amizades
maravilhosas. Não percam seu tempo em brigas, que não levarão a nada a
não ser o desgosto do próprio veneno que se atira nos outros.
Tenham sempre em mente que este é um presente que recebemos e
devemos tratá-lo com o carinho que merece. Vamos ser amigos...Vamos nos
dar as mãos e unir nossos corações num único pensamento: A PAZ NA
INTERNET
Jandyra Adami- Belo Horizonte- Minas Gerais

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6-A PAZ NA INTERNET

pensei sonhar um mundo poesia


MariaTherezaNeves - Juiz de Fora 04/03/03

pensei sonhar um dia


união na diferença
da família,
das nações,
dos povos

paz surgindo como as estrelas


reacendendo
unindo mãos de todas as cores

homens abrindo olhos para a nova luz sobre a terra


apagando elementos rudes do Mundo

pensei sonhar um dia


esculpir na alma do mundo
a visão idealista do poeta
do sonho, da paz e da harmonia
com raízes germinando flores
sem cinzas ou guerras
adubos de sentimentos profundos
consciência mútua
da palavra justa

pensei sonhar um dia


pensar como poeta
esculpir como artista
um mundo como poesia
unindo todos os povos.

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7- Tristeza Virtual - Lizete Abrahão - Jun./2000/04

Como é que se pode magoar alguém sem nem saber a quem?...


Alguém que não se conhece e que logo se esquece?
Esse é o grande mal do mundo virtual!
Perigo dos gráficos sinais, onde um não é jamais...
Ambíguos, insuficientes, magoando tanta gente...
Alegrias são geradas; outras, aniquiladas...Saudades...
À solta, enganos que se alimentam, verdades que se lamentam...
No engano que abala, a tristeza é quem fala.
Saber o que dizer...o que escrever...buscar a paz.
Saber ler, interpretar e calar? Só o grande o faz...

VAMOS DAR AS MÃOS, INTERNAUTAS!

Ógui Lourenço Mauri - CEN


Não!... Não foi este o Mundo Virtual
que tempos atrás me deu boas-vindas!...
Tenho saudade daquelas atitudes lindas,
predominantes no relacionamento pessoal.
Não havia este bulício no ambiente cibernético,
prevalecia a amizade em todas as situações,
as mensagens sadias aproximavam corações,
num intercâmbio menos ríspido e mais poético.
Vamos dar as mãos e retomar a fraternidade,
devolver ao contato virtual o instrumento de paz,
reeducar o internauta como um mediador eficaz
para acabar com os conflitos e tanta atrocidade.
Façamos desta rede universal uma grande corrente.
Vamos dar as mãos!... A amizade pede passagem!
Deixemos a crítica contumaz em prol da homenagem.
Abaixo a maledicência, tão em voga, ultimamente!
Com toda certeza, não foi este o Mundo Virtual
que nos deu tantos amigos logo à nossa chegada.
A nave está fora de rota e a tripulação desnorteada,
queremos a PAZ de novo, tudo voltando ao normal!

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Abraços da Célia Lamounier

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Nº 15 - DEZEMBRO DE 2004

Colar de Trovas Nacional


O CRIME JAMAIS COMPENSA
Colar de Trovas Nacional
coordenado por Célia Lamounier de Araújo

1ª - O CRIME JAMAIS COMPENSA


pois benefícios não traz.
Melhor perdoar desavença
e viver no mundo em paz.
Trova de Linamar/82 – Campinas SP
2ª- E viver no mundo em paz
sorrindo para as crianças
obrigação de quem traz
no coração esperanças.
Raymundo Nonato - Itapecerica/82 - MG
3ª- No coração esperanças,
na alma desejos de amar,
jamais pensar em vinganças
- a vida é bela a cantar!
Célia Lamounier - Belo Horizonte/82
4ª - A vida é bela a cantar
em sons que só nós ouvimos,
que outros nem podem sonhar,
nós, trovadores, sentimos.
Murilo Teixeira G.Valadares/95
5ª- Nós, trovadores, sentimos
quando sofridas crianças,
pobres, menores, arrimos,
perdem cedo as esperanças.
Conceição P Abritta, B.H./95

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6ª- Perdem cedo as esperanças
todos aqueles que vão
as suas tristes lembranças
guardando no coração.
Humberto Del Maestro, ES/95
7ª- Guardando no coração
a semente da bondade,
onde existe gratidão
o crime jamais invade.
Áurea Venâncio,Divinópolis/95
8ª - O crime jamais invade
quem se faz preso em Jesus
e sabe na adversidade
suportar a sua cruz.
Renato Báez, São Paulo/95
9ª- Suportar a sua cruz
sem violência ou sem queixume,
é encher a noite de luz
e o dia encher de perfume.
Albertina Moreira Pedro, RJ/95
10ª - E o dia encher de perfume
dessas rosas, que beleza!
É um quadro que resume
O primor da natureza.
Carlos Ribeiro Rocha, BA/95
11ª- O primor da natureza
ver destruído me dói:
obra de Deus, com certeza...
e a moto-serra destrói.
Eugênia M. Rodrigues, Rio Novo - MG
12ª - E a moto-serra destrói
pelas mãos do homem bruto...
Levando o planeta herói
A pagar grande tributo.
João Nery Araújo, Ipatinga/95
13ª- A pagar grande tributo,
ordeno aos réus, por sentença
de s a b e r a b s o l u t o:
O CRIME? JAMAIS COMPENSA!
Célia Lamounier, setembro/95

49
Academia Itapecericana de Letras e Cultura – MG

Colar de Trovas publicado no jornal Gazeta do Oeste de Itapecerica

Coluna de Célia - Movimento PAP (Paz-Amor-Progresso)

50
Nº 16 - DEZEMBRO DE 2004
CIRANDINHA DE POEMÍNIMOS
Abrindo - "Se procurar bem, você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida mas
a poesia (inexplicável) da vida"
Carlos Drummond de Andrade

1-Laboratório poético
Herculano Alencar

Poeta:
Laboratório mental;
Alquimia;
Embriogênese...

Poesia:
Química emocional;
Filoginia;
Psicogênese...

Poeta e poesia
São apenas a magia
Da mais ousada ousadia
De um embrião cerebral.

51
2-Tempestade Poética
zéferro
quando a pressão dos sentimentos
se combina com o frio na alma,
na mente surge
o turbilhão da poesia
que é o escape
que o coração emprega
para evitar a loucura que se aproxima.

3- LONGE DE MIM
Célia Lamounier - 07.11.04

Longe o poeta
em versos chega - turbilhão
aquecendo o frio.

A saudade no verso,alquimia
é abraço que conforta
e alegra o dia.
Chega, apesar de longe
a mensagem - poesia
Troca solidão por alegria.

A vida de repente
é luz - magia
de coração contente.

52
4- Ocultos Sentidos
Maria Thereza Neves

invisíveis aos olhos


o que pensamos-sentimos
palavras ausentes
da alma que sangra
perfurando o peito-lamento.

espelho que despe


não transparece
o nó da garganta
que se agiganta
fundo lugar-esquecido
os ocultos sentidos!
JF/MG-17/07/2004

5- Ser poeta
Vanderli Medeiros

Ser poeta é
deixar o coração falar e fantasiar,
em sua poesia,
deixar um rastro de sua vida
e de seus sentimentos;
escritos no mundo,
para a eternidade...

6- Tu(meu mistério)
Lizete Abrahão -05.10.01/02

Veludo tua boca,


Brisa tuas mãos,
Pirilampos teu olhar.
De céus é o teu amor
(Palavra louca...)
Segredos os teus vãos,
Mistérios a desvendar,
Sem medos de me expor

53
7- Faço Poesia
Elane Tomich 06.12.04

pelo profundo pesar


e alegria
de ter nascido
e por tentar
entender
esta folia
sem sequer ter
morrido.

8- SIM E NÃO
Nilson Matos Pereira

Para a verdade, meu sim


Para a mentira. meu não
Perfume? Só de jasmim
Novela não. Não tem fim
Nem pra triste solidão

Dou meu sim para os amigos


Sejam ou não virtuais
Para os novos e os antigos
E perdão aos inimigos
Pois quero viver em paz
Araranguá SC -061204

9- D O R E S
Arlete de Andrade

Destes gritos, de dores, eu quase ensurdeço,


e em meus infernos, clamando, desço,
como se o autoflagelo, a mim pudesse libertar!
As vozes ecoam mesmo quando não quero,
minha alma repete, choro, desespero:
quebro as correntes...agora posso voar.

54
10-T E M P O
Chico Steffanello

"Há dias que eu não tenho poesia,


Minha mente está quieta,
Minha alma vazia"

Fechando: "Quando se ama, não é preciso


entender o que acontece lá fora, porque
tudo passa a acontecer dentro de nós".
(Paulo Coelho)

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Abraços da Célia Lamounier

55
Nº 17 - Janeiro de 2005
TSUNAMI
Tenho mensagens com retratos de antes e depois. Célia

1-Tsunami
Angélica T. Almstadter - 29.12.04

Boa Noite? Nossos olhos de ressaca ainda não conseguiram adormecer sem
pavor,
o corpo estremece e a alma sacudida sente frio e calor ao mesmo tempo...
os pensamentos se chocam procurando entre si...respostas...
Porque a mãe terra se aborreceu tanto e sacudiu teu manto... Tirou tudo do
lugar...
Fecho os olhos e vejo a grande bocarra avançando feroz ...lambendo e
engolindo tudo que conseguiu encontrar pela frente... Não houve gritos ou
preces para aplacarem a fúria da natureza ...
que descontrolada...desconsolada...resolveu mostrar tua ira...
Perdoa mãe terra o sangue derramado sobre teu seio...
Perdoa a violência das palavras e dos gestos...a guerra sem fim...
Perdoa as bombas armadas ...na calada das madrugadas...Perdoa o tiroteio...
Cessaram os gritos...já não há mais pavor...só sussurros e o medo...
As águas serenas vêm beijar as praias ...chorar baixinho pelos que se foram...
olhar pelos que ficaram...sem rumo e sem destino...
No dia em que as águas quase tocaram os céus...e ameaçadoras lavaram a
terra, o vento se calou... cúmplice da terra e das águas ...a vida girou no eixo
da Terra...confusa...
e em difusas lágrimas, chorou ...
Enquanto os cacos de vida procuram seus pedaços fragmentados...uma
grande inquietação circula na nossa veia... convida à reflexão... Rasgamos
nosso pranto de mangas arregaçadas...ou vamos morrer lamentando as dores
do mundo, com os braços cruzados...
beijos muitos - Angélica T. Almstadter

56
2-Tsunami
Angélica T. Almstadter - 05-01-05

No dia que Deus estava triste;


E pôs seus olhos pra chorar...
A Terra mudou de lugar.
Não havia um dedo em riste,
Do criador a ordenar,
Que o mar se acalmasse.
Enquanto a Terra se contorcia,
Pelas dores em suas entranhas,
Deus cobriu o rosto pra orar;
Sem entender as coisas estranhas,
Que sua criação repetia...todos dias.
E das lágrimas de Deus,
O mar se agigantou;
Vomitou a dor das heresias,
A aflição das guerras,
Varreu o luxo do desamor,
E longe do aceno de Deus;
O sangue do teus filhos...bebeu

57
3-Perdão Humanidade!
Maria Thereza Neves

Chora o Mar pelo que fez


recorda do se lançar em ondas sem pensar
num sentimento-dor profunda
que gritava, berrava o peito
contorcia
arrebentando
extravasando raiva-maremotos
mostrando a revolta da natureza
avançando,
derramando sangue de tantos inocentes
não percebendo a tristeza
a mágoa do homem
que perde filho, família, amigos, abrigos...
Sem nada entender continua a crueldade inocente...
Hoje vaga sem destino ou tino
arrependido
querendo voltar, retroceder,apagar
e na calmaria descansar
na maresia poetar, voltar a inspirar
esquecer o dia dos impensados
irrefletidos passos
e se entregar ao banco dos réus
devolver vidas, pedir perdão
ao vermelho que cobriu tantos chãos
e as lágrimas da humanidade!
JF/MG-30/12/04-22h40

58
4- Fato consumado - Gerson F. Filho

Então tu, ó mar, azul profundo


Lançaste teus longos braços
E com ele, instalou-se a dor
A desditosa lágrima, o pranto
Bastou aquele único movimento
Ao seu discernimento, bem no fundo
Desses seus mistérios molhados
Que na areia, fazem imenso recanto
Foi assim, só um aviso, simples
Se nós, simplesmente pudéssemos
Definir a dor da perda, a surpresa
No reconhecer, a brevidade da vida
Rápida e dolorosamente varrida
No humor do mar, no vento, na brisa.

5- MAREMOTO - Elane Tomich

A dádiva da tempestade
incita-me ao mar remoto
onde o azul se transforma
em porquês de maremoto.
Lavei minhas poucas verdades
onde a pergunta se forma.

Lá onde o mar vira espelho


mirei-me no inverso do verde
em ponto de incerta beleza.
Então vi o quanto era velho
sentir o que sentido perde,
no proceder da certeza.

Entre o verde e o azul,


prefiro o acontecimento
de vadiar no destino
em ondas de norte a sul
na vírgula do advento,
do sem fim ser inquilino.

59
Lá, onde o mar se contorce
qual dança de naja encantada,
dunas guardando o segredo
calado espanto no aporte
às águas dos afogados
e às cinco mágoas do medo.

Parece interrogação
entrando dentro da gente
imenso não sei do mar,
de curvas faz furacão,
De dúvidas, meio ambiente
em verde de azul chorar
http://www.elanetomich.com.br

6-HAI CAI - TSUNAMI


© Nathan de Castro

Ondas provocadas?
Lágrimas da natureza?
Tsunami atômica?
###

7- HAI-CAI
Célia Lamounier

Mundo iluminado
No fim... eis o tsumani
dando seu recado
###

8- Hai Cai
ElaneTomich

água no avesso
do espelho era mágoa
matou seu anverso
###

60
9-Tsumani
Faiçal

Nome de serpente
veneno em ondas
dizimando gente
###

10-Theca Angel:

Dor infinita na
crista espumante
Vida tão linda e vencida
###

11-Belquis:

Monstros de Poseidón
eclipse de sóis
água salgada nas almas
###

12-Rosélia Martins:

Não há filho com toda a fortaleza


que possa o travar o ímpeto
da grande mãe Natureza
###

13-Tsumani
Antonieta E. Manzieri:

Chegou de surpresa,
ceifou tantas vidas
acabou com a natureza.
###

61
14- Tsunami
Querrién ® Caracas-Venezuela

Muchedumbre de niños miraban la belleza horizontal retozando dentro


de las playas Indostánicas preciosas, divirtiéndose como alegres inocentes, el
Sol brindaba su calor en forma de luz maravillosa… Sin embargo, hubo un
celaje… Nadie se dio cuenta de su pronto ensombrecer, un segundo de
silencio, luego: Llegó "El Tsunami o Maremoto" ...Tu susurro entre la mente,
es tañido de homicidio, ruina, asesinato natural del hábitat donde vivimos,
allí, donde estallan los avatares de una muerte acicalada. Sigiloso abatió el
porvenir de la Indonesia, con turbulenta furia sobre el "Galle, de la Sri
Lanka", ennegreciéndola.
¡Mar! quién tragó escombros de ciudades costaneras, alrededor del -
Índico Oceánico-, vomitando luego de tres días, decenas de miles de
cadáveres elevando la cifra de víctimas del poderoso Maremoto del Domingo
de Diciembre veintiséis, a más de mil millares de cetrinos cuerpos, dejando
ver los tintes lívidos sin vida, desde sus entrañas destrozadas.
"Tragedia humana que nos ha dejado a todos, por demás inconsolables"
Devastación causada por el gigantesco paroxismo del Tsunami, en el
sureste asiático, siendo imposible, casi, rescatar sobrevivientes y asistir a
millones de personas que enfrentan enfermedades, infecciones, sufrimientos y
contagios, entre tantos cadáveres en descomposición, por el atragante, de
vandálicas olas.
Se predice, que lo peor puede estar aún por venir, debido a los
fenómenos por epidemias, desde la descomposición de cuerpos y la falta del
agua potable que podría matar a muchas personas, más. -Por qué nos hiciste
esto, Dios mío-.
Lamentó profundamente una anciana mujer, en su aldea de pescadores
en Nadu Tamil, de la India devastada. Sin quedarle flujos por llorar ¿Qué
hicimos para enojarte...? -Esto es mucho peor que la misma muerte- "La
ferocidad inmensurable del desastre, es increíble" Indonesia y Sri Lanka,
divulgaron que hay más de miles entre miles de víctimas exterminadas.
"Hay tantos, pero tantos desaparecidos" gemían los familiares. En la
India; él archipiélago donde están las islas "Andaman y Nicobar".
A una de ellas, el oleaje causado por el terremoto submarino, destruyó a
dos terceras partes de sus pobladores.
Con una magnitud de 9,0º en la escala de Ritcher; estimando que es el
terremoto bajo el mar, más titánico, ocurrido en el mundo en cuarenta años, y
el cuarto de en la última centena calendario. Movimiento telúrico, que rasgó
el fondo del mar en las Islas Indonesas del Sumatra provocando un -Tsunami-

62
que se desplazó a gran velocidad al través del mar de Andaman, azotando Sri
Lanka, el Sur de India, Las Islas Maldivas, Malasia, Myanmar y los
Balnearios de Tailandia, llenos de turistas que festejaban sus vacaciones
navideñas.
El poder de la inconmensurable, ola, llegó hasta lugares tan remotos
como el este de África, donde también dejó miles de provincianos muertos en
Kenya, las islas Seychelles, Somalia y Tanzania. Las aldeas de pescadores,
los puertos y los recursos marinos quedaron arrasados. Sin energía ni
comunicaciones, miles de casas y edificios fueron destruidos.
En Indonesia "Aceh", provincia norteña, llamada - El campo de la
muerte - fue la que estuvo más cerca del epicentro, donde incontables
cadáveres estaban amontonados en las calles.
Más de mil personas murieron en un campo deportivo cuando una ola de
la altura de un edificio de tres pisos, los barrió por completo.
Muchísimos hoteles destruidos a lo largo de la playa de "Khao Lak, en
Tailandia" Balneario, imán de turistas: Escandinavos, Alemanes,
Finlandeses, Checoslovacos, Suecos e Italianos, donde comenzó a "escupir"
literalmente cientos de cadáveres hinchados, despedazados y en estado de
putrefacción. En Khao Lak los hoteles de playas fueron derribados desde sus
cimientos.
El desastre es considerado único, como para abarcar un área tan grande
y tantos países a la vez; el cálculo de esta devastación es indefinido, ni
siquiera podríamos imaginar el costo para estas comunidades, más aún para
los pescadores y aldeas, de gentes de mar, que simplemente fueron eliminados
para siempre del mundo.
Ha sido el peor día en la historia en Sri Lanka, que ahora está entre
escombros frente al mar, en la devastada Galle.
Millones de personas sin hogar, de las costas meridionales de Sri Lanka,
más de 1,5 millones de personas, están sin hogar, muchos se alojaron
apretujados, en templos budistas, hospitales y escuelas; como pueden.
En ese clima de ansiedad, se sospecha brote de epidemias producidas
por aguas contaminadas y por los miles de restos de humanos y animales en
visible estado de putrefacción.
¡Dios Apiádate De Ellos. Entre Un Rezo Universal Lo Suplicamos!
Querrién ® Caracas-Venezuela

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Abraços da Célia Lamounier

63
Nº 18 - Abril de 2005
"Nueva Poesía Hispanoamericana"

¿Que es lo que llamamos naturaleza sino un poema oculto bajo una


escritura misteriosa?
Lord Byròn ediciones tiene el honor de anunciarles la publicación de la
antología titulada "Nueva Poesía Hispanoamericana" que en su edición
octavalleva como subtitulo "¿Que es lo que llamamos naturaleza sino un
poema oculto bajo una escritura misteriosa?" de Schelling.
En esta edición la antología de 110p. tiene como eje temático - La
Naturaleza. Esta antología ha sido compilada por el poeta peruano Leo
Zelada (premio de poesía Orpheu, Brasil, 2001).

Entre los poetas que han participando de esta publicación nuestra, se


encuentran los más destacados exponentes de nuestra poesía contemporánea
como son:
1 -Jaime Siles,poeta,catedrático y critico literario español.
2–Felipe Benítez Reyes,poeta español.
3-Luis Antonio de Villena,poeta y ensayista de España.
4-Antonio Cisneros,poeta peruano.
5-David Huerta,poeta de México.
6- Eduardo Llanos, poeta chileno.
7-Ricardo Costa,poeta argentino.
8-Manuel Lozano, poeta argentino.
9- Ernesto Kahan, poeta israelí-argentino, vice presidente del Congreso
Mundial de Poetas y Academia Mundial de Arte y Cultura (UNESCO).
10–Jeannette L. Clarión,poeta mexicana.
11-Juan Carlos Gómez Rodríguez,poeta español.
12-Alfonso Chase, poeta de Costa Rica.
13-Antonio García, poeta de España.
14-Celina Sampedro,escritora y poeta española.

64
15- Wenceslao Serra Deliz,poeta puertorriqueño.
16-Enrique Verastegui, poeta peruano,Beca Guggenheim.

Al lado de los cuales estan los poetas:

Humberto Garza(México),José Martín Hurtado (México),Aníbal Crespo


Ross (Bolivia),
Ana Maria Fuster(Puerto Rico),Maria Eugenia Caseiro(Cuba),Jaime
Hales(Chile)Txanba Payes(El Salvador),Jaime Rosa(España),Hilda Interiano
de Payes(Honduras),Antonio Pérez Morte (Espana), Agustín Garcia-
Espina(España),Margarita Solari(Uruguay),Celia Altschuler(Puerto
Rico),Héctor Corredor Cuervo( Colombia),Cristina Ruberte Paris(España).A
ellos habría que agregarse jóvenes y talentosos poetas como Julio Cesar
Aguilar(México),Teresa Domingo Cátala(España),Marco Antonio
Madrid(Honduras),Isabel Alamar(España), Maria Pliego
Domínguez(México), Iván Humanes(España), mas otros y también Célia
Lamounier de Araújo,poeta de Brasil.

Esta 8va edición de nuestro proyecto editorial ha tenido repercusión


en el ámbito continental al haber salido publicadas entrevistas y
reseñas de la antología en importantes diarios de América Latina como
EL Excelsior, El Norte de México y el Liberal del Sur, El Clarín de
Argentina, El Comercio, Peru21 y Liberación de Perú, La Estrella,
Primera Hora y Claridad de Puerto Rico(USA),HOY de el Salvador, El
Deber de Bolivia, en los Diarios de Tarragona, Aragón e info.-Cádiz
de España, en el diario árabe "Hedayah",en el diario Israelí Aurora
entre otros. En revistas como La Resonance(Francia), Barcelona Review
(España),Biblioteca virtual "Miguel de Cervantes" (España),Crónica
Literaria(Argentina),"Actualidad literaria"(España),Museo Salvaje
(Argentina),Agulha(Brasil),Literatura Cubana (USA),Actualidad Austral
(Chile); En importantes agencias internacionales de noticias como EFE
(España),Todito.com de TV azteca,(México), LIBRUSA con sede en Miami
(USA),Agencia de noticias Libros y Letras(Colombia).También ha habido
entrevistas radiales y programas de TV de Perú, México y España.

Esta es pues la muestra más significativa de la nueva poesía


hispanoamericana (01 a 8va edición) que sé esta escribiendo en nuestra lengua
después
de los grandes poetas posmodernistas en América Latina y en España luego
de la generación del 50.Como dice el compilador el poeta peruano Leo

65
Zelada "En esta antología están expresadas la mayoría de las
tendencias actuales de la poesía actual: el neorromanticismo Erótico,
la nueva poesía social, la poesía del ciber-espacio y la estética de
la posmodernidad".

La antología ha sido presentada exitosamente el día 18.07.04 en la feria


internacional del libro de Lima, el 04.08.04 en "La Casa de la Integración" del
Instituto Internacional de Integración del Convenio Andrés Bello, La Paz
Bolivia, el 08.12.04 en la universidad Tecnológica de El Salvador y esta 8va
edición será presentada este año 22.04.05 en España, Estados Unidos,
México, y Argentina en 05.05.05.

Según las palabras del poeta y ensayista peruano Leo Zelada compilador de
esta Antología:
"Ésta es la primera antología que se presenta ante el lector hispano-hablante de
los nuevos poetas de nuestro firmamento poético, ellos y su poesía serán los
responsables
ante el tiempo de la vigencia de nuestra valiosa tradición literaria".
Sean bienvenidos a la lectura de nuestra publicación
"Nueva Poesía Hispanoamericana".
Lord Byròn Ediciones - Lima Peru

Poetica II
leozelada@yahoo.com

"Siempre hay una banca vacía para reposar la soledad del poeta.En los
claustros de la pontificia catedral se desliza como dragón sigiloso
el bardo tratando de ocultar su inmanente presencia.
Duro es entonces el trabajo del aedo,cincelar fonemas en hermosas
gemas de mampostería, atrapar imágenes como mariposas de colores a lo
eterno: revelaciòn ataraxia, energía esencial, puro conocimiento.
La poesía es sólo un texto".
8va edición - Antologia "Nueva Poesía Hispanoamericana".
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Abraços da Célia Lamounier

66
Nº 19 - Junho de 2005
Poemínimos

Ciranda da Saudade

Coordenada por Celiazul


*************
Ontem deitei-me com tua saudade,
sonhei com tua presença e acordei com tua ausência...
1-Angélica T. Almstadter - 05.01.05
***********
... e na manhã seguinte, sem saber o que pensar,
olho tua fotografia como se pudesse te tocar...
2-Angela Lara - 13.04.05
***********
Saudade... Ressurreição do ontem que enriquece o hoje
criando alento para o amanhã.
3-Célia Lamounier - 05.01.05
***********
Num atentado à insanidade
ontem é hoje em tempo de saudade
4-Elane Tomich
***********
Saudade, um passo à frente,
olhando lá atrás, pelo espelho da memória...
5-Faiçal
***********
Ter saudade é revisitar lembranças exiladas,
no sótão da memória .
6-Lizete Abrahão

67
***********
Saudade é o perfume inesquecível
que exala do que foi bom.
7-Najah ÐL® - 13.04.05
***********
Saudade batendo lanho, em meu lombo dolorido
tinge de cinza meu sonho, desbotando o colorido...
8-Lisieux
***********
Saudade... Da certeza de ter vivido momentos lindos....
O agradecimento por ter tido o prazer de vivê-los.
9-LuliCoutinho
***********
Desejo da presença, dos braços...
Daquele que orientou meus primeiros passos.
10-Mifori
***********
Na solidão dos dias tristes é na sua saudade
que encontro consolo para o presente.
11-TecaMiranda
***********
Saudade - Lembrar meus tempos de criança
quando meu pai brincava comigo.
12-Pedro Valdoy
***********
Acordei destemperado, lembrei-me que ontem não te vi
Estou sem sal mas com muita saudade
13-Pablo Nykçaht
***********
A saudade não me devora .
Ao contrário, ela me revigora...
14-Watfa
***********
Ontem fomos um mundo de amor, findo na desilusão!...
Hoje sem amanhã!... Na condição a saudade...
15-Carmen Ortiz (Cristal)
***********

68
Saudade é a canção de dor
de um coração solitário
16-Zena Maciel
***********
Saudade tem rima sem dor não...
É frio correndo o chão. Amor cortado com facão.
17-Soraia Maria
***********
Saudade...um sentir ambíguo
Por vezes é companhia...por vezes é solidão fria....
18-Priscila de Loureiro Coelho
***********
Saudade é um vazio
que preenche todos os meus poros
19-Lara
***********
Duas linhas
Saudade é ter saudade na segunda linha
Das lembranças deixadas na primeira
20-Sérgio Souza
***********
Saudade: nunca se sabe ao certo
se dá alegria à vida ou vontade de morrer...
21-Clevane Pessoa (metade de uma trova...)
***********
A sensação de perda que temos
é a dor da saudade que sentimos.
22-Hilza M. Barranco.
***********
Infinito
No vazio do céu cheio de estrelas
tão vazio quanto uma lua cheia
claro ... é a saudade.
23-Dreyf
*************

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Abraços da Célia Lamounier

69
Nº 20 - Novembro de 2005
Preparando corações para o NATAL

FELIZ NATAL FELIZ NATAL FELIZ NATAL FELIZ NATAL FELIZ


NATAL FELIZ NATAL FELIZ NATAL

Da Antologia do Natal - Francisca Clotilde/Chico Xavier:

A noite é quase gelada... Contudo, Mariazinha é a menina de outras


noites que treme, tosse e caminha...
Guizos longe, guizos perto... É Natal de paz e amor. Há muitas vozes
cantando: - "Louvado seja o Senhor!"
A rua parece nova qual jardim que floresceu. Cada vitrine enfeitada
repete: "Jesus nasceu!"
Descalça, vestido roto, Mariazinha lá vai... Sozinha, sem mãe que a beije,
menina triste, sem pai.
Aqui e ali, pede um pão... Está faminta e doente. - "Vadia, saia
depressa!" - É o grito de muita gente.
- "Menina ladra" - outros dizem. - "Fuja daqui, pata feia! Toda criança
perdida deve dormir na cadeia."
Mariazinha tem fome e chora, sentindo em torno o vento que traz o
aroma do pão aquecido ao forno.
Abatida, fatigada, depois de percurso enorme, estira-se na calçada...
Tenta o sono, mas não dorme.
Nisso, um moço calmo e belo surge e fala, doce e brando: - Mariazinha,
você está dormindo ou pensando?
A pequenina responde, erguendo os bracinhos nus: - Hoje é noite de
Natal, estou pensando em Jesus.
- Não recorda mais alguém? E ela, a chorar, disse: - Eu penso também,
com saudade, em minha mãe que morreu...
- Se Jesus aparecesse, que é que você queria? - Queria que ele me desse
um bolo da padaria...

70
Depois de comer, então - E a pobre sorriu contente - Queria um par de
sapatos e uma blusa grande e quente...
Depois... queria uma casa, assim como todos têm... Depois de tudo... eu
queria uma boneca também...
- Pois saiba, Mariazinha, eu lhe digo que assim seja! Você hoje terá tudo
aquilo que mais deseja.
- Mas, o senhor quem é mesmo? E ele afirma, olhos em luz: - Sou seu
amigo de sempre, Minha filha, eu sou Jesus!...
Mariazinha, encantada, tonta de imensa alegria, pôs a cabeça cansada nos
braços que ele estendia...
E dormiu, vendo-se outra, em santo deslumbramento, aconchegada a
Jesus na glória do firmamento.
No outro dia, muito cedo, quando o lojista abre a porta, um corpo caiu,
de leve... A menina estava morta.

FELIZ NATAL FELIZ NATAL FELIZ NATAL FELIZ NATAL FELIZ


NATAL FELIZ NATAL FELIZ NATAL

UM PRESENTE PARA JESUS

Acordei nesse primeiro dia de Dezembro com vontade de comprar um


presente para Jesus, afinal, não existe maior amigo que o Mestre dos Mestres,
e no dia 25 o aniversário é Dele. Sai cedo de casa e fui ao maior shopping-
center da cidade, e pensei primeiramente numa camisa branca, mas quando vi
que o branco mais branco da terra ainda era cinza perto da sua pureza, fiquei
com vergonha e desisti.
Em outra vitrine vi um sapato de couro, lindo e caríssimo, mas quando
lembrei dos seus pés calçados pelas sandálias da missão cumprida, achei que
não existiria na Terra algo tão confortável que merecesse seus pés.
Uma caneta, foi isso que a próxima vitrine me aprensentou, uma linda
caneta de marca famosa, seria um lindo presente, mas lembrei-me que Ele
nunca escreveu nada, tudo que Ele falou, mostrou na prática, servindo e
amando sempre.
Lembrei-me que um dia Ele falou que não tinha sequer um travesseiro
para recostar sua cabeça, e pensei no melhor travesseiro de plumas de uma
loja especializada em sono, era importado e muito confortável, mas lembrei-
me que os justos dormiam tranqüilos e que Ele jamais usaria o travesseiro.
E, assim fui olhando as vitrines, abotoaduras de ouro, malas de viagem,
bebidas finas, comidas importadas, tudo supérfulo, tudo matéria que o tempo

71
iria corroer. Confesso que sai um pouco chateado do Shopping, afinal eu saíra
para comprar um presente para Você Jesus, e não havia achado nada.
Na porta do Shopping um menino muito miudinho sorriu para mim,
perguntou meu nome e eu o dele, ele riu e me estendeu a mão , tinha o rosto
muito sujo, as mãos encardidas, perguntei pela sua mãe, ele deu de ombros,
sobre seu pai, nem sabia onde estava... perguntei se ele queria tomar um
lanche, ele sorriu um sim, pegou na minha mão.
Na porta do Shopping olhou para suas roupas e olhou para mim, sabia
que não estava corretamente vestido, peguei-o no meu colo, era a senha para
ser feliz, seus olhinhos miúdos percorriam aquelas luzes, enfeites e pessoas
bonitas como se fosse um filme de Walt Disney...
Na lanchonete sentou na cadeirinha giratória e sorriu como "reizinho" , e
entre uma montanha de batatas fritas, ríamos felizes como dois velhos amigos.
Falamos sobre bolinha de gude, pipas e bola de futebol, coisas
importantes para o ser humano, principalmente quando somos crianças.
Devoramos dois lanches, e quando perguntei se ele queria um sorvete gigante
como sobremesa, seus olhos brilharem feito o sol, pedi um instante, e fui até o
caixa, quando voltei com os sorvetes na mão ele já não estava ali... Por
instantes pensei que tinha ido ao banheiro, ou estaria olhando a lanchonete,
mas ali não estava mesmo.
Foi quando sobre a caixa de batatas vazias vi um papelzinho, um
bilhetinho escrito com letra miúda que dizia assim: "Obrigado pelo melhor
presente de aniversário que poderia me dar: Fizeste feliz um dos meus
pequeninos do mundo!
Assinado, Jesus

(Obs - não consegui descobrir o nome do autor)

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UM NATAL DIFERENTE - Jandyra Adami

Naquela tarde de NATAL, Lavínia resolveu ir visitar um ASILO, onde


idosos, esquecidos pela família, viviam, ou seja, esperavam o tempo passar.
São tantas pessoas que sofrem o abandono dos familiares!!! São colocados em
asilos, como se não valessem nada, como se a vida, vivida na riqueza ou na
pobreza, não tivesse significado algum. Lavínia foi caminhando pelos
corredores frios do prédio e logo chegou ao pátio, onde dezenas de velhinhos a
olhavam, procurando em seu olhar, um pouco de ternura e de amor. Ela ia

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acenando a um e outro, quando seus olhos fixaram numa senhora, que com
olhar tristonho, observava a vida, que passava no movimento das nuvens, no
bater das asas dos pássaros, no vento que derrubava folhas de árvores em sua
cabeça grisalha.
Lavínia aproximou-se dela. Tinha um porte elegante, deixando
transparecer em suas roupas rotas, um "quê" de elegância, de altivez... - Como
é seu nome, senhora? - Meu nome é Jacyra, minha jovem. Por que pergunta? -
Porque sua figura me chamou a atenção. Tem algo de belo que ficou em seu
rosto, embora envelhecido pelo tempo... - E pela tristeza, minha filha. -
Tristeza ? Por que ? - Eu fui uma jovem feliz, muito cortejada. Moça de
sociedade, como diziam... - E como veio parar aqui, neste lugar tão diferente
de seus costumes? - Tive uma vida de luta e com sacrifício conseguí
independência financeira e social. Casei... fui feliz. Perdi meu pai... minha
mãe...Os irmãos nunca ligaram para mim... - E a senhora, nunca teve filhos? -
Sim. Tive um. Razão de minha vida. Viveu conosco até encontrar a mulher
amada e casar-se. Foi uma festa linda e luxuosa. Meu marido e eu fizemos
tudo para que ele fosse feliz. E a vida continuou... - E, onde está seu marido ?
- Era meu companheiro de todas as horas... Coitado... Partiu, sentindo o
abandono do filho. - Mas, como seu filho os abandonou?
- Na verdade, ele se afastou de nós no dia em que começou a namorar a
tal moça que escolheu para casar. Ficava mais com ela do que conosco. Como
dizia Ghiaroni: "...e de repente, uma mulher bonita, surgindo o rouba e a velha
mãe aflita, ainda se volta para abençoá-los..." - E ele é feliz? - Não sei. Depois
que meu marido partiu e fiquei sozinha, vim parar aqui. - Curtir a solidão
mesmo tendo parentes em várias cidades. Não conheço meus netos, não
recebo visitas. Quando você se aproximou de mim, senti o coração pulsar de
alegria. - Você é uma moça muito boa. Bonita e caridosa. Não sabe o valor de
sua visita para uma velha abandonada... - Que isso minha amiga!!! Virei
sempre visitá-la. Prometo. Vou trazer fotos de papai, mamãe e meu irmão. -
Como é o nome de seu pai? - Meu pai é Alberto, minha mãe Eugênia e meu
irmão Ruddi. São nomes de família, creio. - Lindos nomes, minha querida.
Um desses, era o nome do meu marido.
- Por que chora, senhora? Os nomes trouxeram recordações boas ou más?
- Claro que boas. Saber dos nomes de seus familiares deixa a gente mais
próxima uma da outra. Posso falar neles como se fossem meus conhecidos:
seus pais, seu irmão, você. - Ainda bem. Não queria que minha visita a
magoasse!!! - Você nem imagina como estou feliz, Lavínia. Bonito nome,
sabia? - Bem, agora vou embora. Tenho que fazer mil coisas. Confesso que
adorei conhecer a senhora e voltarei sempre. Sinto que nossos corações batem
igualmente juntos, de felicidade. Lavínia beijou a mulher e saiu, com a certeza

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de ter feito uma boa ação. E Jacyra, deixando as lágrimas rolarem pelo seu
rosto, balbuciou baixinho: - Vai com Deus, minha neta...

Jandyra Adami - http://www.berju.uaivip.com.br/textos/texto62.htm

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MENSAGEM - Carlos Leite Ribeiro:

Que a felicidade não dependa do tempo, nem da paisagem,


nem da sorte, nem do dinheiro.
Que ela possa vir com toda a simplicidade,
de dentro para fora, de cada um para todos.
Que as pessoas saibam falar,
calar, e acima de tudo ouvir.
Que tenham amor ou então sintam falta de não tê-lo.
Que tenham ideal e medo de perdê-lo.
Que amem ao próximo e respeitem sua dor,
para que tenhamos certeza de que viver vale a pena!...

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NATAL
Crônica de Célia Lamounier de Araújo

Natal? Feliz nascimento de uma criança que veio para salvar a


humanidade... Feliz momento de salvação que se repete ano a ano... E que
Jesus possa renascer em todos os corações! Esta é a essência histórica do
Natal. Mas, era uma vez um Papai Noel que, na noite de Natal, era esperado
com bolos e castanhas, árvores verdes, presépios, missa do galo, cartas e
sapatinhos pendurados. Um Papai Noel que visitava todos os lares, deixava
presentes e, muito mais que isso, deixava paz e amor em todos os lares.
Lembro-me bem de ver nossa mãe arrumando a mesa para ele, antes de
colocar as crianças para dormir. E as cartinhas ficavam ali bem visíveis. Uma
noite de sonhos e mágicas. De manhãzinha todos se levantavam para ver a
mesa, a xícara, o bolo partido. Sim, ele esteve aqui! Nos sapatos perto da
árvore, sempre alguma coisa dava certo com os pedidos das cartas. E Papai

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Noel ainda respondia por escrito, dizendo: "Muito obrigado, os biscoitos
estavam uma delícia, continuem sempre bonitas, tirem notas boas, levem um
abraço para os amiguinhos, nasceu Jesus".
Saudades do meu pai. Eram coisas assim que o "velhinho" escrevia e
pensávamos que Papai Noel era Deus, pai de Jesus. Só podia ser isto, pois,
mistério! Ele conseguia passar em todas as casas onde houvesse crianças,
numa noite apenas. E vestidas de pastorinhas, no dia de Natal, íamos cantar
nas casas onde havia presépios. Passaram-se os anos. As histórias foram-se
misturando, as gerações se sucedendo e agora, parece, o Natal mudou. A
árvore de Natal é falsa, os presentes são comprados sem surpresas, o silêncio e
o sonho foram trocados pela música altissonante. Não há expectativas, não há
chaminés nem missa do galo, não há mais pastorinhas. O Papai Noel não
visita as casas, multiplicou-se pelas lojas, até emagreceu e deixou de ser
velho. Estranho! Nossa geração não conseguiu manter viva a tradição, não
conseguiu transmitir a fé, não conseguiu criar aquela felicidade simples.
E o menino... O menino renasce em poucos corações... A hóstia foi
trocada pela bebida, a fantasia morreu.

PS – Mesmo assim, ainda lhe desejo um Feliz Natal, leitor.


Talvez você ainda possa fazer renascer o Menino no coração de alguma
criança, neste Natal.

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Leitor, saiba que nós gostamos D+ de você


Abraços da Célia Lamounier

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