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NOSSO CAIS INTEGRAÇÃO | MOBILIDADE | PAISAGEM CULTURAL

Diretrizes de Intervenção para o Cais José Estelita Junho 2012

Universidade Católica de Pernambuco Workshop do Curso de Arquitetura e Urbanismo

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Professores

Andrea Dornelas Câmara Ana Luisa Rolim Arthur Baptista Clarissa Duarte Câmara Isabella Leite Trindade José Nilson Andrade Pereira Maria de Lourdes Carneiro da C. Nóbrega Múcio Jucá

Ex-alunos

Amanda Monteiro de Farias Edvan Isac Filho Julyana Alecrim Borges

Alunos

Daniel Chaves Jonathan melo Leandro Fidelis Maria Amélia Medeiros Clarissa Estima Renato Menezes

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Apresentação

Através deste documento são expostos os resultados obtidos no desenvolvimento do workshop de desenho urbano elaborado para a área do Cais José Estelita, que ora abriga antigos equipamentos da Rede Ferroviária (RFFSA) e foi recentemente leiloada à iniciativa privada, no bairro de São José, Recife |PE. Este workshop foi promovido pelo Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Pernambuco.

Recente e polêmico projeto desenvolvido para a área (denominado

“Novo Recife”), movimentos populares, que propõem a ocupação do Cais José Estelita (“Ocupe Estelita”), vídeos veiculados em redes

sociais, depoimentos de profissionais da área da arquitetura e urbanismo, e, principalmente, a inquietação de professores, alunos e ex-alunos da UNICAP motivaram a realização deste workshop, que é uma resposta acadêmica para os diversos aspectos urbanísticos que

permeiam a área de intervenção.

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Sumário

  • 1. O conhecimento do sítio

    • a. A área. Considerações sobre a impermeabilidade do local

    • b. Elementos históricos

    • c. Os principais eixos viários

    • d. Usos predominantes na área

    • e. Gabaritos

  • 2. Diretrizes de intervenção para a elaboração de um projeto arquitetônico / urbanístico para a área

    • a. Considerar a viabilidade construtiva e econômica

    • b. Trabalhar a permeabilidade física e visual

    • c. Implementar o sistema de espaços verdes

    • d. Introduzir soluções relacionadas à mobilidade / trabalhar a ideia

  • de rua compartilhada

    • e. Considerar o patrimônio histórico

    • f. Promover a integração do sítio (habitantes / espaço construído)

    • 3. Recomendações para uma intervenção

      • a. Considerar o patrimônio histórico construído

      • b. Criar sistema de áreas verdes

      • c. Considerar linhas de força linhas de integração sistema viário.

    A permeabilidade da área e sua mobilidade.

    • d. Definir um plano de quadra gerado a partir da consideração do

    patrimônio histórico construído, do sistema de áreas verdes, das

    linhas de força. O espaço de ocupação.

    • e. Estabelecer diversas dimensões para um zoneamento para a área

    5

    f.

    Considerar

    o

    sistema

    viário

    como

    elemento

    integrador

    do

    território

     
    • 4. Uma possível solução (princípios norteadores para a elaboração de um plano de massa)

      • a) Implementando sistemas de áreas verdes

      • b) Considerando o patrimônio histórico existente

      • c) Considerando a integração do sistema urbano

      • d) Propondo um plano de quadra que seja uma resultante das

    necessidades urbanas

    • 5. Imagens REFERÊNCIAS

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    • 1 O CONHECIMENTO DO SÍTIO

    7

    • 1. O conhecimento do sítio Antes de haver uma proposta para diretrizes de ocupação na área, chamada aqui de área de intervenção, é necessário entender onde esta área está inserida no contexto urbano da cidade. Para tal, toma-se como referência o seu entorno imediato (figuras 01 e 02). Assim, diversos aspectos tanto da área de intervenção quanto do seu entorno e contexto construído, são aqui considerados e posteriormente analisados, pois, esses aspectos, como serão aqui demonstrados, são também condicionantes para o desenvolvimento desta, ou qualquer, proposta que venha a ser desenvolvida no local, como será demonstrado a seguir.

    7 1. O conhecimento do sítio Antes de haver uma proposta para diretrizes de ocupação na

    Figura 01. A área de intervenção e o seu entorno imediato.

    8

    8 Figura 02. Fotografia da área de intervenção e seu entorno imediato. Fonte: Prefeitura da Cidade

    Figura 02. Fotografia da área de intervenção e seu entorno imediato. Fonte:

    Prefeitura da Cidade do Recife, 2003.

    • a. A área. Considerações sobre a impermeabilidade do local Uma primeira consideração a ser feita trata da impermeabilidade do local. Atualmente, a área de intervenção encontra-se murada. Não há permeabilidade nem física, nem visual daqueles que circulam seja na Avenida Sul, seja na Avenida Engenheiro José Estelita, vias que a margeiam. A área funciona como uma barreira entre estas duas avenidas. Constata-se que esta impermeabilidade acarreta: i) a inexistência de vigilância social, fazendo com que na Avenida Engenheiro José Estelita, por exemplo,

    9

    não haja fluxo de pessoas, apenas de automóveis e ii) a segregação dos habitantes ou usuários que utilizam a área compreendida entre a área de intervenção e a linha do metrô (ver figura 03).

    9 não haja fluxo de pessoas, apenas de automóveis e ii) a segregação dos habitantes ou

    Figura 03. Área segregada da cidade junto à área de intervenção.

    Como resultado desta segregação, neste trecho da cidade encontram-se imóveis sem uso e/ou em elevado estado de degradação. Ressalte-se que três limites são determinantes para a compreensão deste aspecto morfológico, que resulta na segregação espacial da área e funcionam como barreiras urbanas, são eles: o complexo viário Joana Bezerra (Viaduto João Paulo I), a linha do metrô e a Bacia do Pina.

    10

    • b. Elementos históricos

    Tanto na área de intervenção quanto no seu entorno

    imediato constata-se a presença de diversos elementos históricos. A

    tabela da figura 04 elementos.

    e

    o

    mapa

    da

    figura

    05

    apresentam esses

    1

    Igreja de São José do Ribamar

       

    Preservação

    2

    Fortaleza de São Thiago das Cinco Pontas

     

    federal

    3

    Linha férrea

     

    4

    Galpões Cais José Estelita

       

    5

    Igreja de São José

     

    Preservação

    municipal

    6

    Cilos

     

    Elementos

    7

    Armazéns do Cais José Estelita

       

    preserváveis

    Figura 04. Tabela com os elementos históricos da área em análise.

    Um trecho da área de intervenção encontra-se sob proteção do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), por se tratar do entorno de um monumento tombado, a Fortaleza de São Thiago das Cinco Pontas. A área do forte, que margeia a área de intervenção, também é considerada Zona Especial de Preservação Histórica 1 (ZEPH), Setor de preservação Rigorosa (SPR) segundo atual Plano Diretor Municipal (ver mapa da figura 05)

    1 Segundo legislação municipal: as áreas formadas por sítios, ruínas e conjuntos antigos de relevante expressão arquitetônica, histórica, cultural e paisagística, cuja manutenção seja necessária à preservação do patrimônio histórico-cultural do município.

    11

    11 Figura 05. Mapa com elementos de preservação e zonas de preservação. c. Os principais eixos

    Figura 05. Mapa com elementos de preservação e zonas de preservação.

    • c. Os principais eixos viários Margeia a área de intervenção a principal via de ligação entre a zona sul (Boa Viagem) da cidade e os bairros do Recife, Santo Antonio e São José, a Avenida Engenheiro José Estelita. As Avenidas Sul e Imperial, que deveriam também servir de integração entre a zona norte e sul da cidade são pouco utilizadas, fazendo-se integrar a zona norte com bairros como Afogados e Imbiribeira.

    12

    Já a Avenida Dantas Barreto, inicialmente projetada para este fim (unir o Centro da cidade à zona sul) também não completou seu objetivo. Encontra-se sub utilizada como via de circulação, palco do comércio de rua existente.

    Analisando as vias arteriais existentes percebe-se que as mesmas não cruzam a área de intervenção, contribuindo ainda mais para o isolamento do que chamamos aqui área segregada (Fig. 03). Habitantes e usuários desta área não possuem acesso direto aos principais eixos viários, seja do Complexo Joana Bezerra, seja do Cais José Estelita (ver principais vias no mapa da figura 06).

    12 Já a Avenida Dantas Barreto, inicialmente projetada para este fim (unir o Centro da cidade

    Figura 06. Mapa com os principais eixos viários.

    13

    Analisando-se o sistema viário existente na área de estudo é possível identificar vias cuja continuidade pode servir como eixos de integração física e visual (ou linhas de força que podem vir a unir o território), ver mapa da figura 07.

    Percebe-se também, através desta mesma análise a relevância da Avenida Dantas Barreto para a área. A Avenida com aproximadamente 50m de largura corta o território de São José e se impõe nas principais perspectivas do bairro (figura 08).

    13 Analisando-se o sistema viário existente na área de estudo é possível identificar vias cuja continuidade

    Figura 07. Mapa com a demarcação dos principais eixos de integração física e visual (linhas de força) da área a partir do sistema viário existente.

    14

    14 Figura 08. Fotografia onde se vê a relevância da Avenida Dantas Barreto no tecido urbano

    Figura 08. Fotografia onde se vê a relevância da Avenida Dantas Barreto no tecido urbano existente e a sua possibilidade de integração à área de intervenção.

    • d. Usos predominantes na área Margeia a área de intervenção uma área de usos predominantemente habitacional e de serviços. Com edificações degradadas e em péssimo estado de conservação - provavelmente resultante de anos de isolamento promovido por um sistema viário não integrado, cujo uso ferroviário da área de intervenção também não auxiliou para que a mesma fosse integrada aos demais sistemas urbanos.

    15

    Já a área onde se encontra a Fortaleza de São Thiago das Cinco Pontas, hoje utilizado como museu, que também abriga equipamentos como o TRE (Tribunal regional Eleitoral) pode ser identificada como zona de uso institucional. Ao passo que, mais, ao leste, situa-se o efervescente comércio popular do bairro de São José (fig. 09).

    15 Já a área onde se encontra a Fortaleza de São Thiago das Cinco Pontas, hoje

    Figura 09. Mapa com a localização dos usos predominantes da área.

    e.

    Gabaritos

    O entorno da área de intervenção está caracterizado pela presença predominante de edificações com até 4 pavimentos. De um modo geral, é possível identificar três áreas com características

    16

    comuns: o sítio histórico do Bairro de São José, o conjunto existente ao longo dos eixos viários da Avenida Sul e Rua Imperial, e trecho do Bairro do Cabanga.

    A ocupação mais antiga está localizada no sítio histórico do bairro de São José, e está predominantemente caracterizada por casas e sobrados com duas águas e variação de gabarito de dois a quatro pavimentos. Nesse contexto, as torres das diversas igrejas localizadas neste Bairro ainda se destacam na paisagem urbana.

     

    O antigo eixo

    de ligação entre o Centro

    da

    Cidade e

    a

    localidade

    de

    Afogados

    (Rua

    Imperial

    /

    Avenida

    Sul)

    está

    caracterizado

    por

    edificações

    onde

    predominam

    dois

    e

    três

    pavimentos.

     
     

    No

    Bairro do Cabanga, localizado

    a sudoeste

    da

    área

    objeto

    de

    estudo,

    predominam

    residências

    com

    um

    e

    dois

    pavimentos.

     

    17

    18

    2 DIRETRIZES DE INTERVENÇÃO PARA A ELABORAÇÃO DE UM PROJETO ARQUITETÔNICO / URBANÍSTICO PARA A ÁREA

    19

    2.

    Diretrizes de intervenção para a elaboração de um projeto arquitetônico / urbanístico para a área

    Quais

    são

    os

    aspectos

    morfológicos

    que

    devem

    ser

    levados em consideração em

    um

    projeto

    de

    intervenção

    arquitetônica e urbanística para a área do Cais José Estelita?

    Os ativistas que promovem o movimento contra a realização do projeto “Novo Recife” questionam aspectos como: a) a ausência de espaços públicos do novo projeto, uma área antes pertencente à Rede Ferroviária vai a leilão e torna-se privada; b) a altura dos edifícios projetados. Edificações que promovem um “paredão” entre a área de rio e o cais, e, c) a não discussão da Função Social do terreno (neste caso, um terreno público arrematado em leilão). Por outro lado, aqueles que arremataram a área em leilão procuram ocupar a área e ter lucros.

    Como é possível atender aos interesses daqueles que adquiriram o terreno, e, ao mesmo tempo, como os aspectos levantados pelos ativistas podem ser traduzidos como diretrizes propriamente ditas para a realização de um projeto de intervenção urbana?

    A partir do entendimento destes aspectos e levando-se em consideração as configurações morfológicas do sítio urbano onde o Cais está inserido (vistas no item 1 deste documento que trata do conhecimento do sítio) as discussões promovidas na realização deste workshop apontaram as seguintes diretrizes para a elaboração de um projeto para área:

    20

    • a. Considerar a viabilidade construtiva

    • b. Trabalhar a permeabilidade física e visual

    • c. Implementar o sistema de espaços verdes

    • d. Introduzir soluções relacionadas à mobilidade / trabalhar a ideia de rua compartilhada

    • e. Considerar o patrimônio histórico

    • f. Promover a integração do sítio (habitantes / espaço construído) A tabela da figura 10 demonstra os principais interessados nessas diretrizes propostas.

    Ações

    Interessados

    • a. Considerar a viabilidade construtiva

     

    Incorporadores

    • b. Trabalhar a permeabilidade física e visual

     

    População

    • c. Implementar o sistema de espaços verdes

     
    • d. Introduzir

    soluções

    relacionadas

    à

    mobilidade / trabalhar a ideia de rua compartilhada

    • e. Considerar o patrimônio histórico

     
    • f. Promover a integração do sítio (habitantes / espaço construído)

    Figura 10. Tabela demonstrando as diretrizes e os principais interessados na sua execução.

    • a. Considerar a viabilidade construtiva e econômica É notório que a área do Cais José Estelita está abandonada e sem uso já há alguns anos. Essa condição indesejada caracteriza um vazio urbano, bastante prejudicial para a ambiência urbana e para a dinâmica econômica da cidade.

    21

    É notório também que a ocupação de um vazio urbano

    pode ser determinante na definição de

    um

    novo

    ciclo

    de

    desenvolvimento

    do

    entorno,

    que

    neste

    caso

    específico

    está

    composto

    pelos Bairros de São

    José

    e

    Cabanga e pelo

    conjunto

    localizado ao longo do eixo viário da Avenida Sul e Rua Imperial.

    Ademais, é crucial considerar a viabilidade construtiva e econômica do empreendimento proposto, neste caso traduzido em números relativos à área construída total, do mix de usos e resposta à legislação existente. Fica evidente que a viabilidade construtiva do empreendimento é resultante de estudos de viabilidade econômica realizados pelo grupo empreendedor.

    O objetivo deste documento não é questionar esses números, posto que há o entendimento que a viabilidade do empreendimento é crucial para a ocupação da área em questão. O objetivo é contribuir para a elaboração de solução espacial e construtiva mais coerente com o contexto urbano do entorno. Existem diversas soluções arquitetônicas e urbanísticas possíveis, e cada uma dessas pode repercutir diretamente no contexto urbano e econômico do entorno.

    É justamente a solução de ocupação da área (em suas diversas condicionantes construtivas e espaciais) que pode fomentar, ou não, o desenvolvimento da dinâmica urbana e econômica desta área da cidade. O objetivo desse documento é contribuir para a tomada de decisão em prol de uma solução que possa agregar mais valor ambiental, econômico, social e espacial para a cidade.

    22

    • b. Trabalhar a permeabilidade física e visual

    Elaborar

    um

    projeto

    levando

    em

    consideração a

    permeabilidade

    física

    e

    visual

    é

    buscar

    na

    arquitetura

    a

    ser

    construída características físicas que contribuam com a segurança do

    lugar.

    O estimulo à utilização das áreas livres públicas está diretamente relacionado às relações existentes entre o espaço público com as áreas privadas que ali existem. Para que esse estímulo aconteça é fundamental assegurar no planejamento das áreas urbanas: i) a vigilância social e ii) a variedade de usos e funções nas edificações existentes.

    • i) a vigilância social

    Para

    se

    atender à necessidade de segurança é

    fundamental estimular a vigilância social. Para tanto, medidas como o estimulo à permeabilidade visual entre os espaços públicos e privados e à diversidade de atividades nos térreos das edificações demonstram-se determinantes. A presença de usuários dos diversos meios de deslocamento é também característica condicionante da segurança. “As calçadas devem ser utilizadas sem parar: é a única maneira de aumentar o número de olhos presentes na rua e de atrair os olhares que se encontram no interior dos edifícios” (Jacobs. 2000,

    p.37).

    Desta

    forma,

    a

    vigilância

    social

    parece

    refletir

    mais

    diretamente no uso do espaço público do que os alarmantes índices

    23

    da violência urbana, posto que, normalmente, a decisão dos transeuntes é condicionada pela presença e/ou diversidade de usuários em tais espaços, e não necessariamente pela presença de policiamento e dispositivos tecnológicos de vigilância.

    Todavia, as interfaces construídas, ou seja, a relação direta entre o espaço público e a edificação nele existente, é um elemento que parece nunca ter sido considerado nas legislações urbanas da cidade do Recife2.

    Em se tratando de bairros de classe média e alta, principalmente nos edifícios e conjuntos residenciais construídos nos últimos dez anos, os elementos de interface entre o lote privado e o espaço público adjacente são quase sempre muros altos e cegos, chegando alguns a sete metros de altura em relação ao nível da calçada (ver exemplo da representação gráfica dos afastamentos existentes na Lei de Uso e Ocupação do Solo da Cidade figura 4 do artigo 78 que apresenta os afastamentos da Zona Preferencial 1 ou ZUP 116.176/96, (figura 11).

    2 Em 2001, com a instituição da Lei nº 16.719/01, também conhecida como a Lei dos 12 Bairros, são admitidos elementos divisórios no paramento desde que atendam a uma altura máxima de 2,00m e tenham pelo menos 70% de sua superfície vazada, assegurando a integração visual entre o espaço do logradouro e o interior do terreno. Essa determinação contempla os bairros do Derby, Espinheiro, Graças, Aflitos, Jaqueira, Parnamirim, Santana, Casa Forte, Poço da Panela, Monteiro, Apipucos e parte do bairro Tamarineira que passam a constituir Área de Reestruturação Urbana ARU.

    24

    24 Figura 11. Ilustração dos afastamentos existentes na Lei de Uso e Ocupação do Solo da

    Figura 11. Ilustração dos afastamentos existentes na Lei de Uso e Ocupação do Solo da Cidade figura 4 do artigo 78 que apresenta os afastamentos da Zona Preferencial 1 ou ZUP 116.176/96 e perspectiva esquemática da mesma ilustração elaborada pelos autores.

    Considerando a tendência de aglomeração de tipos semelhantes de construção em uma mesma rua ou localidade,

    constataremos a formação de grandes paredões ou “fortificações”

    diante de espaços públicos transformados em “fossos”. Com isso, evidentemente, passamos a ter espaços e eixos urbanos absolutamente desapropriados ao uso humano. Quem deseja, de livre e espontânea vontade, transitar em lugares sem a mínima permeabilidade visual, sem alguma vigilância social e carente de

    atrativos paisagísticos?

    Observa-se então que tanto as características físicas do edifício e suas interfaces quanto à definição do tipo de atividade ou uso instalado no térreo e primeiros pavimentos das edificações é

    25

    decisiva no

    tocante

    referidas interfaces.

    à dinâmica urbana das áreas adjacentes

    às

    ii)a variedade de usos

    Segundo Jacobs (2000, p.37) o requisito básico para vigilância nas ruas é um número substancial de estabelecimentos e outros locais públicos dispostos ao longo das calçadas do distrito, isto a qualquer hora do dia, pois dessa forma as pessoas terão razões para percorrer, conhecer e utilizar os percursos públicos existentes.

    Assim, outro fator relacionado à interface construída e sua relação com o espaço público são as atividades ou usos instalados no térreo e primeiros pavimentos das edificações. A tradição modernista de planejamento legou a Cidade do Recife uma prática de

    zoneamento que separa as diversas atividades urbanas em “bolsões” ou “pólos” monofuncionais. O resultado foi o desestímulo aos deslocamentos a pé e, consequentemente, o enfraquecimento da diversidade e vigilância sociais, naturais a espaços públicos multifuncionais.

    • c. Implementar o sistema de espaços verdes O sistema de espaços verdes ou sistemas de espaços abertos procura estabelecer um sistema interconectado de parques, passeios, jardins e espaços abertos criando um meio urbano mais amigável ao pedestre. Esta rede de espaços abertos permite uma conexão do meio ambiente urbano através de uma rede de corredores (passeios, parques lineares) e conectores (praças, parques

    26

    e jardins) procurando garantir uma percepção de continuidade do território podendo servir tanto como espaços de recreação como necessidades de circulação. Deste modo, para gerar este sistema de espaços abertos deve-se levar em consideração uma sequência de atividades, as condições de acesso e os percursos pensado desde a escala humana.

    Em

    relação ao sistema de espaços livres a intenção do

    projeto deve ser de garantir a continuidade dos elementos que compõem a rede e sua conexão com os elementos naturais de interesse e conservação.

    Além disso, a existência de um sistema espaços verdes, de preferência com cobertura vegetal, é de fundamental importância para qualidade de vida dos cidadãos em uma área urbana.

    Estes

    ajudam

    na amenização do micro-clima urbano

    reduzindo o efeito das ilhas de calor, no controle das emissões de

    CO2 produzido pelo tráfego, e servem de espaço para práticas sociais, lazer e contemplação.

    Porém, o isolamento destas áreas dificulta a coleta de seus benefícios. Por isso, torna-se importante que os espaços verdes de uma área urbana sejam pensados em seu conjunto e constituam um sistema interligando vegetação natural preservada, hidrografia, praças, parques, ruas e avenidas arborizadas.

    27

    • d. Introduzir soluções relacionadas à mobilidade / trabalhar a ideia de rua compartilhada Segundo Joaquin Sabaté (2008) o sistema de mobilidade urbana é um fator chave das transformações urbanísticas da cidade- territorio. A área em questão constitui-se um bolsão, isolado por muros e antigos galpões no tecido urbano existente. Para que haja mobilidade em um novo projeto a ser proposto, esta área deve ser integrada ao tecido urbano de forma a considerar não apenas os principais eixos de circulação existentes, mas, as edificações existentes e seus usos. Considera-se primordial agir em prol da mobilidade inclusiva (que propicie a integração seja dentro do sistema, seja com as demais áreas adjacentes), da qualidade das calçadas e demais superfícies de deslocamento, bem como buscar a coerência nas escalas das edificações adjacentes às vias. As proporções dos elementos construídos devem ter, sempre, a escala humana como principal referência, particularmente no térreo e primeiros pavimentos das edificações, cujas interfaces interferem diretamente na sensação e percepção dos transeuntes que as margeiam. A implantação coerente do mobiliário urbano e o ordenamento da vegetação são outras medidas relativas à qualidade espacial.

     

    Em

    busca

    de

    uma

    mobilidade

    é

    também

    importante

    considerar o compartilhamento dos espaços públicos entre seus

    diversos

    atores.

    Conforme

    Hamilton-Baillie

     

    (2010)

    a

    filosofia

    de

    28

    espaços compartilhados (Shared Spaces) é uma emergente prática, lançada em 2003, para conciliar pessoas, lugares e o tráfego. O conceito de espaço compartilhado visa reduzir a dominância de veículos, sem segregá-los, tornando as ruas movimentadas mais amigáveis aos pedestres.

    A ideia central do espaço compartilhado é o conceito de integração que contrasta com o princípio de segregação das modalidades de transporte. Este princípio remonta desde antes das visões urbanísticas de Le Corbusier e da publicação do Buchanan Report nos anos 1960 e resulta na separação do espaço urbano em por diferentes funções criando recintos exclusivos, passagens subterrâneas, passarelas, barreiras e controles de tráfego.

    A rua compartilhada é um espaço comum criado para ser compartilhado por pedestres, ciclistas e veículos motores (públicos e particulares) em baixa velocidade compatível com a segurança do pedestre e da realização de suas atividades.

    Os espaços compartilhados tornam a rua disponível para o uso de residentes e comerciantes locais (restaurantes, cafés). Em geral podem ser ruas locais com uma superfície no mesmo nível, sem calçadas ou rampas, mas com árvores, plantas, mobiliários, áreas de estacionamento e outros recursos que limitem a velocidade de veículos. Mas há um grande número de possíveis soluções que podem ser desenvolvidas para conciliar os interesses de pedestres e motoristas, num espaço público de qualidade. A rua compartilhada não deve ser confundida com outras práticas como: zonas de

    29

    pedestres, superfícies compartilhadas e amenização por engenharia de tráfego. A idéia é criar um espaço público com diferentes usos e interações sociais, atividades comerciais e brincadeiras de crianças, além de permitir diferentes modos de deslocamento de acesso ao local.

    Espaços compartilhados representam uma nova filosofia para superar o princípio da segregação de modalidades de transporte e abre novas oportunidades para desenvolver um ambiente mais inclusivo e acessível. Assim, abre espaço para soluções de acessibilidade que vão além da simples aplicação de parâmetros descritos na NBR 9050/2004 atingindo os princípios da filosofia do Desenho universal (Universal Design).

    De acordo com Mace et all. (1998) e divulgado pelo Center for Universal Design sediado na Schooll of Design of North Carolina State University – EUA, a definição do Desenho universal é: “o

    projeto de produtos e ambientes aptos para o uso do maior número de pessoas sem necessidade de adaptações nem de um projeto

    especializado”. Esta filosofia de projeto é uma exigência legal

    conforme o decreto-lei 5.296/2004 e é uma garantia de qualidade

    para que o espaço seja realmente público (acesso irrestrito).

    • e. Considerar o patrimônio histórico Para que o patrimônio histórico seja integrado ao projeto de intervenção se faz necessário compreender que muitas das edificações existentes no sítio compõem o que se chama aqui de área

    30

    de arquitetura portuária e industrial. Patrimônio formador da paisagem urbana recifense.

    A cidade do Recife, por estar implantada junto a um porto marítimo natural, configurou-se como entreposto comercial desde a sua colonização. A cidade tem assim uma estreita relação com as atividades portuárias e suas dinâmicas, que foram ao longo da história, transformadoras do seu espaço urbano e consequentemente da sua paisagem (figura 12).

    30 de arquitetura portuária e industrial. Patrimônio formador da paisagem urbana recifense. A cidade do Recife,

    Figura 12. Transformações da paisagem do Recife e a preservação da sua arquitetura portuária. Alfândega do Recife no século XIX, na imagem da esquerda. Antiga Alfândega atual Shopping Paço Alfândegana imagem da direita. Fonte:

    Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural, Prefeitura do Recife.

    Do princípio da colonização, aos dias atuais, tanto o Bairro do Recife quanto o Bairro de São José sofreram transformações no seu tecido urbano decorrentes das atividades portuárias que lá ocorreram. O Porto e consequentemente a arquitetura que o compõe são, ora agentes, ora testemunhas da história da cidade e têm assim uma estreita relação com a morfologia urbana existente (ver figuras 13 e 14 onde aparecem os aterros promovidos no Bairro de São José decorrentes da atividade portuária).

    31

    31 Figura13. Vista aérea do início dos aterros no bairro de São José, fotografia tirada do

    Figura13. Vista aérea do início dos aterros no bairro de São José, fotografia tirada do Zeppelin (anos 1930). Fonte: Prefeitura da Cidade do Recife / Empresa de Urbanização do Recife.

    Discussões internacionais referentes à proteção e conservação da herança cultural e natural mundial geram documentos (denominados Cartas Patrimoniais) referenciais para a definição de políticas públicas de preservação em diversos países, inclusive o Brasil.

    Especificamente em Pernambuco, a preservação foi primeiramente instituída em 1928 pelo Governo do Estado; este

    aplicou

    uma

    lei

    específica

    visando

    à

    preservação

    dos

    seus

    32

    monumentos, elaborando uma lista de edifícios aos quais atribuiu valores históricos e artísticos (SILVA, 2001, p.56).

    32 monumentos, elaborando uma lista de edifícios aos quais atribuiu valores históricos e artísticos (SILVA, 2001,

    Figura 14. Vista aérea do Cais de Santa Rita em processo de aterro. Sem data. Fonte: Empresa de Urbanização do Recife.

    Essa lei estadual privilegiava a preservação de monumentos isolados, não existindo a figura da preservação de sítios ou conjuntos urbanos, como o identificado pelas atuais Zonas Especiais de Preservação Históricas (ou ZEPH) existentes atualmente no zoneamento da cidade do Recife. Esta postura preservacionista também era identificada nos primórdios da preservação a nível

    33

    federal, que efetivamente teve início com a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) entre os anos de 1936 e 1937.

    Apenas na década de 1970 o reflexo das novas posturas que apontavam a necessidade da preservação dos conjuntos urbanos pôde ser visto no Brasil. Esta nova abordagem é expressa através do Documento de Brasília (1970) e do Documento de Salvador (1971), dos quais foi signatário o Governo de Pernambuco 3 .

    Partindo, assim, do princípio da preservação dos conjuntos urbanos, o Recife incorpora as recomendações do Plano de Preservação dos Sítios Históricos da Região Metropolitana do Recife (PPSH-RMR) elaborado pela FIDEM, à legislação de preservação municipal, inicialmente através da Lei n o 13.957 do ano 1979.

    A lei de 1979 instituiu “normas gerais de proteção a sítios, conjuntos antigos, ruínas e edifícios isolados cujas expressões arquitetônicas ou históricas tivessem real significado para o patrimônio cultural da cidade do Recife”; disciplinando a preservação desses bens; e autorizando a criação de zonas especiais de preservação. Originários desta lei foram aprovados sucessivos decretos municipais, que instituíram os atuais 33 sítios históricos (ou ZEPH) do Recife.

    3 Trajetória da preservação do Recife. Departamento de Preservação dos Sítios Históricos- DPSH. (RECIFE, 2005).

    34

    Apesar do entendimento da necessidade de preservação de sítios urbanos, e não apenas de edifícios isolados, as discussões internacionais em torno da preservação consideraram a

    necessidade de serem desenvolvidas estratégias para integrar a evolução orientada da paisagem e a preservação das áreas de paisagem cultural como parte de uma política que abranja a totalidade da paisagem e que estabeleça a proteção unificada dos interesses culturais, estéticos, ecológicos, econômicos e sociais do respectivo território (Recomendação Europa, 1995).

    Assim, destaca-se aqui, em especial, a Recomendação Europa, de setembro de 19954. Este documento versa sobre a conservação integrada das áreas de paisagens culturais como integrantes das políticas paisagísticas. As definições e conceitos contidos neste documento auxiliam na compreensão da necessidade de preservar e conservar as edificações que fazem parte do complexo portuário do Recife. Entendendo que estas edificações são testemunhas e atores do processo histórico de formação da cidade do Recife, que teve o seu porto como principal núcleo de atividades econômicas.

    Compreende-se aqui que as edificações hoje existentes nos bairros do Recife e São José, que servem (ou serviram), que estão relacionadas (ou estiveram relacionadas) às atividades portuárias são integrantes da paisagem histórica da cidade.

    4 Adotada pelo Comitê de Ministros em 11 de setembro de 1995, por ocasião do 543º encontro de vice-ministros. Conselho Europa Comitê de Ministros.

    35

    Entendendo-se

    aqui a definição

    de

    paisagem

    como

    a

    sugerida pela Recomendação Europa (1995).

    Paisagem é considerada em um triplo significado cultural, porquanto, é definida e caracterizada da maneira pela qual determinado território é percebido por um indivíduo ou por uma comunidade; dá testemunho ao passado e ao presente do relacionamento existente entre os indivíduos e seu meio ambiente; ajuda a especificar culturas e locais, sensibilidades, práticas, crenças e tradições.

    As edificações que compõem o conjunto da arquitetura portuária são elementos constituintes da paisagem da cidade do Recife, compreendida, neste caso como parte da Paisagem Cultural do Recife. O conceito de áreas de paisagem Cultural é aqui compreendido também seguindo a definição da Recomendação Europa (1995).

    As áreas de paisagem cultural partes específicas, topograficamente delimitadas da paisagem, formada por várias combinações de agenciamentos naturais e humanos, que ilustram a evolução da sociedade humana, seu estabelecimento e seu caráter através do tempo e do espaço e quanto de valores reconhecidos têm adquirido social e culturalmente em diferentes níveis territoriais, graças à presença de remanescentes físicos que refletem o uso e as atividades desenvolvidas na terra no passado, experiências ou tradições particulares, ou representação em obras literárias ou artísticas, ou pelo fato de ali terem ocorridos fatos históricos.

    Instituídas na década de 1970 /

    1980, as posturas que

    nortearam a criação das Zonas Especiais de Preservação Histórica,

    36

    que conformam os atuais sítios a serem preservados no Recife não levaram em consideração os conceitos e definições constantes na Recomendação Europa, visto que esta recomendação só ocorreu em 1995. Ressalta-se aqui a importância em se reavaliar as posturas da

    preservação dos territórios

    históricos

    da

    cidade,

    à

    luz

    da

    Recomendação Europa de 1995, levando-se em conta que os mesmos são testemunhos da história e cultura da cidade.

    Ainda no âmbito da preservação observa-se que parte do acervo físico existente na faixa litorânea dos bairros do Recife e São José é composta por edificações e equipamentos que compõem o Patrimônio Industrial da cidade do Recife. Este patrimônio é constituído pelo acervo construído resultante do processo de industrialização, ocorrido no Recife a partir do século XIX. Dentro deste acervo destaca-se o Patrimônio Ferroviário existente e remanescente da 2ª Via férrea do Brasil instalada no bairro de São José ainda no século XIX.

    Entende-se

    aqui

    como

    Patrimônio

    Industrial

    os

    monumentos da industrialização que segundo Beatriz Mugayar Kuhl

    (2008) referem-se,

    não apenas à arquitetura dos edifícios relacionados com as unidades de produção, mas se volta a todo o complexo de edifícios que pode compor um conjunto industrial fábrica, enfermaria, escola, etc além de abarcar unidades de produção de energia e meios de transportes; ademais, concerne também a edifícios pré-fabricados (total ou parcialmente), que são fruto do processo de industrialização.

    37

    Entende-se assim que as edificações que constituem a arquitetura portuária são remanescentes físicos e consequentemente bens culturais que contam, a sua maneira, a história do processo de formação da cidade do Recife e devem ser preservados. A figura 15 ilustra a área hoje existente nos bairros do Recife e São José que abrigam as edificações que compõem o conjunto arquitetônico de arquitetura portuária recifense.

    37 Entende-se assim que as edificações que constituem a arquitetura portuária são remanescentes físicos e consequentemente

    Figura 15. Área demarcada em amarelo que abriga elementos da arquitetura portuária do Recife.

    38

    Não se pretende a partir da demarcação da área aqui

    delimitada como de arquitetura portuária impedir que nela ocorram

    novas construções, mas, sugere-se um olhar criterioso para que,

    quando nela ocorram novas edificações, as mesmas venham a ser

    inseridas como intervenções em um sítio de natureza histórica, ou

    seja, que estas intervenções ocorram de forma contextualizada, de

    forma a não apagar nas construções existentes os traços da história

    da cidade.

    Duas abordagens auxiliam no entendimento desta forma

    de se intervir no espaço que abriga uma preexistência de caráter

    histórico. Uma primeira definição de Gracia (1992, p. 310) para

    arquitetura contextual:

    Arquitetura contextual- Entendemos por arquitetura contextual

    aquela que, sem utilizar os recursos da mimese superficial nem a

    analogia direta, estabelece uma rara simbiose com o contexto;

    prolongando-o ou revalorizando-o através de um esforço de

    indagação formal orientado desde o próprio contexto; tratando de

    salvar o conflito entre a individualidade dos objetos e as leis

    estabelecidas na construção da cidade.

    [

    ...

    ]

    sua

    particularidade

    consiste

    em

    colocar

    a

    serviço

    da

    contextualização a globalidade do problema de desenho. Digamos

    que sua importância está em comprometer-se com o princípio de

    continuidade diacrônica da forma da cidade. Deve entender-se,

    portanto, que a continuidade que estas intervenções procuram não é

    redundante nem homogeneizadora, podendo favorecer a presença de

    elementos de exceção que atuem como agentes de uma dialética

    reformadora e criativa.

    39

    E uma segunda definição dada por Andrade Júnior (2006)

    para arquitetura contextualista:

    Arquitetura contextualista - esta abordagem corresponde àquelas

    intervenções que, em lugar de simplesmente atuar em contraste com

    as preexistências ou repetir de maneira literal e anacrônica os seus

    diversos aspectos formais, buscam reinterpretá-los de maneira

    criativa e moderna. A palavra-chave aqui é mimese, não no sentido

    de imitação, mas no sentido de uma reprodução criativa, de uma re-

    criação.

    Pode-se dizer que estas intervenções, além de buscarem referências

    tipo-morfológicas nas preexistências, remetem também ainda que

    abstratamente à sua macicez e possuem proporções de cheios e

    vazios próximas àquelas da arquitetura do entorno, ainda que com

    desenhos e formas diversos. Além disso, nestas novas arquiteturas

    são utilizados materiais semelhantes aos das construções vizinhas ou,

    pelo menos, de mesma densidade e cor.

    Acredita-se que ao se intervir de forma contextualizada,

    não apenas no sítio demarcado, mas, nas edificações existentes

    possa-se garantir a preservação e a leitura da paisagem existente.

    Garantindo-se assim a preservação da Paisagem Cultural recifense.

    • f. Promover a integração do sítio (habitantes / espaço construído)

    A lógica do urbanismo contemporâneo inclui o resgate do

    sentido da rua como espaço para a interação social e não apenas

    como corredor exclusivo de circulação de veículos automotores. A

    40

    rua

    deve

    ser

    tratada

    como

    palco

    principal

    das

    trocas

    sociais

    contemporâneas.

     

    Entretanto, é notório que, de modo geral, o espaço

    urbano do Recife não tem sido planejado de maneira a estimular o

    uso qualitativo e compartilhado da rua. Como resultado, são poucas

    as áreas da cidade onde os pedestres circulam, e notadamente,

    algumas dessas estão justamente localizadas no Centro da Cidade.

    Isso se torna particularmente preocupante em relação aos

    nossos visitantes. Ora, o espaço público é o lugar onde os turistas

    conhecem a cidade, seus cidadãos e a cultura local, mas, no Recife, se

    os nossos cidadãos rejeitam o espaço público, como irá o visitante se

    identificar com a cidade?

    Para reverter esse quadro, visando estimular a população

    a utilizar permanentemente os espaços públicos urbanos, é

    importante atender, entre outras, a necessidade essencial da

    segurança.

    Em que pese os altos investimentos realizados pelo poder

    público em diversas cidades e Estados, é reconhecido que as soluções

    mais definitivas para o problema da segurança passam por uma nova

    lógica de organização do espaço de nossas cidades, tornando-as mais

    democráticas e capazes de incentivar a permanência das pessoas na

    rua.

    É importante ressaltar que das poucas áreas da cidade do

    Recife onde o espaço público funciona como agregador e motivador

    41

    da dinâmica urbana voltada ao pedestre está justamente no entorno

    urbano da área do Cais José Estelita, notadamente no Bairro de São

    José. Nesta área da cidade, a circulação de pedestres na rua é

    evidente, gerando maior dinâmica urbana e fomentando a economia

    de pequena e média escala de comércio e serviços.

    Dentro desse contexto, e objetivando potencializar essa

    importante qualidade urbana, faz-se necessário INTEGRAR a área do

    Cais José Estelita com o entorno urbano. É necessário promover uma

    continuidade de espaços de circulação de pedestres e ciclistas entre

    esta área e os Bairros de São José e Cabanga, assim como o conjunto

    ao longo do eixo da Avenida Sul e Rua Imperial.

    É

    importante

    entender

    essa

    área

    como

    extensão

    do

    Centro da cidade do Recife, e com isso, promover a sua integração

    espacial com o Bairro de São José.

    42

    3 RECOMENDAÇÕES PARA UMA INTERVENÇÃO

    43

    3 Recomendações para uma intervenção

    Através das análises e discussões desenvolvidas e aqui

    apresentadas sobre a área de intervenção estabelece-se aqui

    recomendações para a área levando-se em consideração que nela

    venha ocorrer uma intervenção arquitetônica.

    A

    primeira

    parte

    desse texto, aqui denominada

    “Construindo Recomendações” apresenta os diversos princípios que

    devem nortear o desenvolvimento do projeto arquitetônico e

    urbanístico para a área do Cais José Estelita. Essas recomendações

    estão aqui divididas em seções como forma de melhor dissertar

    sobre o assunto.

    A segunda parte apresenta uma simulação de ocupação

    da área em questão. Para o desenvolvimento desse estudo, foi

    considerada aproximadamente a mesma área construída da proposta

    apresentada pelo consórcio responsável pelo Projeto Novo Recife.

    A decisão em apresentar alternativa de ocupação para a

    área considerando potencial construtivo semelhante visa

    inicialmente respeitar a viabilidade construtiva e econômica do

    empreendimento, e também demonstrar que outras possibilidades

    de ocupação da área, que promovam integração social, respeito ao

    patrimônio e inclusão social são possíveis e viáveis. E é isso que se

    busca estimular: a definição mais realista do “Novo Recife”, para

    além da publicidade imobiliária.

    44

    • a. Considerar o patrimônio histórico construído

    Face o exposto, salienta-se a importância da preservação

    dos elementos que compõem o conjunto da arquitetura portuária da

    área (linha férrea, galpões e silos) como bens culturais. Demarcam-se

    assim zonas de preservação onde edificações são preservadas e

    podem vir a ser utilizadas com usos de interesse público, tais como:

    teatros, museus, memorial do Porto do Recife, etc. (figura 16).

    Entende-se que os projetos desenvolvidos levando em

    consideração esses elementos devem considerar a postura de

    intervenção contextualista, já exposta neste documento.

    44 a. Considerar o patrimônio histórico construído Face o exposto, salienta-se a importância da preservação dos

    Figura 16. Demarcação de elementos preserváveis.

    45

    • b. Criar sistema de áreas verdes

    A demarcação das zonas de preservação configura, neste

    caso, áreas que podem vir auxiliar na constituição de um sistema de

    áreas verdes. Propõe-se que essas áreas, sejam tratadas como

    parques (com mobiliário adequado, pista de caminhada, ciclovias,

    áreas diversas de recreação / contemplação / esportes) que venham

    atender a população que lá já se encontra, a população que venha

    ocupar a área de intervenção e a camada da população que venha

    frequentar os equipamentos culturais (definidos nos edifícios

    históricos) a serem inseridos (figura 18).

    45 b. Criar sistema de áreas verdes A demarcação das zonas de preservação configura, neste caso,
    45 b. Criar sistema de áreas verdes A demarcação das zonas de preservação configura, neste caso,

    Figura 17: Elevado destinado ao uso para ferrovia localizado no sul de Manhattan, mantido como patrimônio industrial e transformado em parque público. (Fonte:

    Architect’s Newspaper)

    Ressalte-se que equipamentos como os silos existentes

    também podem, após intervenção vir a serem utilizados como

    equipamentos culturais ou de lazer.

    46

    • c. Considerar linhas de força linhas de integração sistema viário. A permeabilidade da área e sua mobilidade.

    Face o já exposto, o sistema viário existente pode, e deve,

    ser utilizado para compor vias de integração de todo o sistema com

    as áreas adjacentes. Assim, são identificadas, dentro do sistema

    existente de vias, linhas de força que podem agregar valor ao traçado

    urbano existente promovendo sua integração e auxiliando na

    composição de um plano de quadra (figura 18).

    46 c. Considerar linhas de força – linhas de integração – sistema viário. A permeabilidade da

    Figura 18. Demarcação de um sistema de áreas verdes que integram todos os equipamentos culturais / históricos (por meio de parques, vias de pedestres e

    47

    cilclovias) e indicação de linhas de força (vias) importantes para integração do sistema.

    d.

    Definir um plano de quadra gerado a partir da consideração do

    patrimônio histórico construído, do sistema de áreas verdes, das

    linhas de força. O espaço de ocupação.

    Diferentemente das posturas de desenho urbano já

    adotadas para a área, o plano de quadra sugerido surge a partir da

    demarcação de todos os outros elementos de interesse da população

    (sistemas de áreas verdes, vias integradoras e preservação do

    patrimônio construído).

    47 cilclovias) e indicação de linhas de força (vias) importantes para integração do sistema. d. Definir

    Figura 19. Plano de quadra (parcelamento do solo) sugerido para a área.

    48

    Entende-se que através deste partido é possível atingir um

    potencial construtivo para a área, agregando à mesma, qualidades

    espaciais que atendam os interesses tanto dos investidores quanto

    da população de uma forma geral que também quer usufruir dos

    espaços a serem projetados (figura 19).

    • e. Estabelecer diversas dimensões para um zoneamento para a área

    Compreende-se que os usos (habitação, comércio,

    serviços, etc.) a serem inseridos na área podem auxiliar tanto na

    integração da área de intervenção quanto na dinâmica urbana

    existente (comércio de São José, serviços das Avenidas Sul e Imperial)

    potencializando-a. Como também, esses usos podem colaborar com

    a própria manutenção da intervenção a ser proposta (contribuindo

    com o seu uso constante).

    Esta utilização constante depende de uma variedade de

    usos existente. Entende-se que a mono funcionalidade de uma área

    gera movimento apenas em determinado horário (exemplo: o

    movimento de pessoas gerado pelo uso comercial é inexistente no

    período da noite ou nos finais de semana). Propõe-se assim um

    zoneamento que leve em consideração tanto as proximidades com os

    equipamentos existentes quanto a utilização dos edifícios que por

    ventura forem projetados. Assim a área deve ser zoneada em duas

    dimensões:

    • i) Um zoneamento horizontal, onde é observada a proximidade do

    parcelamento do solo proposto à área comercial de São José.

    Equipamentos como hotéis, edifícios garagem, ou mono funcionais

    49

    com comércio e serviços a serem localizados mais próximos do Forte

    das Cinco Pontas (ver figura 20).

    49 com comércio e serviços a serem localizados mais próximos do Forte das Cinco Pontas (ver

    Figura 20. Zoneamento horizontal. Uso misto (habitação, comércio e serviços) localizado a sudoeste. Equipamentos de serviços (hotéis, edifícios garagem, etc.) localizados a nordeste.

    ii) Um zoneamento vertical, onde os edifícios propostos absorvem

    em seus pavimentos os diversos usos (figura 21).

    Comércio e serviços no térreo e sobreloja (promovendo o uso

    constante da rua e dos espaços públicos com o movimento de

    pessoas)

    Estacionamentos nos pavimentos acima das lojas (de forma a não

    promover “paredões” que separem o transeunte urbano do edifício,

    promovendo sua integração com o sistema verde e as vias).

    50

    Habitação nos pavimentos de maior altura.

    Além desses quesitos que tratam especificamente do

    zoneamento proposto é importante observar o tratamento a ser

    dado para os espaços públicos a serem projetados. Para que seu uso

    ocorra é imprescindível: sombrear passeios (com o uso de marquises

    e/ou formação de galerias), garantir calçadas amplas e garantir a

    passagem de bicicletas (ver figura 21).

    50  Habitação nos pavimentos de maior altura. Além desses quesitos que tratam especificamente do zoneamento

    Figura 21. Zoneamento vertical. Comércio e serviços localizados no térreo e sobreloja. Estacionamentos nos pavimentos superiores ao comércio. Habitação nos pavimentos mais altos.

    51

    • f. Considerar o sistema viário como elemento integrador do território

    As vias de circulação da área devem ser pensadas como

    integração (física e visual) das diversas zonas do projeto (área

    habitacional, área para hotel / serviços, área para equipamentos

    culturais e sistemas de áreas verdes) tanto com as áreas adjacentes

    (área segregada apresentada no mapa da figura 03) quanto com os

    bairros limítrofes ao Cais José Estelita (ver figura 22).

    51 f. Considerar o sistema viário como elemento integrador do território As vias de circulação da

    Figura 22. Mapa com novas possibilidades de vias no sistema.

    Algumas diretrizes são então lançadas:

    52

    f.1.

    Dotar

    a

    área

    de

    intervenção

    de

    eixos

    (vias

    de

    pedestres) para integração da área segregada ao sistema e vice-

    versa.

    f.2.

    Dotar

    a

    área

    de

    intervenção

    de

    vias

    (vias

    para

    automóveis/ pedestres) para integração da área segregada ao

    sistema e vice-versa.

    f.3. Reforçar o eixo existente da Avenida Dantas Barreto.

    Percebe-se a possibilidade de integração da área do Cais José Estelita

    com o bairro de São José e além desta integração física é notória a

    presença da Avenida Dantas Barreto na paisagem urbana existente

    como um marco histórico e visual.

    f.4 Compor a solução viária preferencialmente com túneis.

    Dessa forma o Forte das Cinco Pontas é novamente descortinado

    para o mar e no seu entorno, como parte do sistema verde, pode ser

    constituído um parque urbano para o Recife (com a localização de

    diversos equipamentos culturais a serem implantados nos galpões

    históricos existentes).

    53

    54

    • 4 UMA POSSÍVEL SOLUÇÃO (PRINCÍPIOS NORTEADORES PARA A

    ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE MASSAS)

    55

    4 Uma possível solução

    A partir da elaboração de um plano de massa para a área

    do Cais José Estelita e seu entorno imediato é possível estabelecer

    parâmetros construtivos (gabaritos das edificações, percentual de

    parques e áreas verdes, forma das edificações e recuos, etc.) ou

    seja, parâmetros legais para a construção na área - e ao mesmo

    tempo analisar quais as ações mitigatórias que são realmente

    pertinentes para o entorno. Ações essas que possam realmente

    contribuir com a valorização deste trecho da cidade.

    Defende-se aqui a instituição de parâmetros específicos

    para a área de intervenção (através da elaboração de um estudo de

    massa), pois, entende-se que o projeto proposto para a área

    (chamado “Novo Recife”) utiliza dos parâmetros da antiga Lei de Uso

    e Ocupação do Solo, como uma estratégia de incorporação e ao

    mesmo tempo, os parâmetros do atual Plano Diretor não estabelece

    um estudo específico para a área, nem compreende este trecho da

    cidade como área de valorização da paisagem cultural.

    Assim, foram traçados aqui princípios norteadores para a

    elaboração de um plano de massa, de forma a considerar todo o

    estudo da área e as diretrizes traçadas através deste documento.

    a) Implementando sistemas de áreas verdes

    No plano de quadra proposto toda a área constitui um

    grande sistema de áreas verdes. Este sistema interliga todas as

    praças já existentes (praça das Cinco Pontas, Praça Sérgio Loreto), o

    entorno do Forte das Cinco Pontas e o Cais José Estelita. Neste

    56

    sistema, que funciona como um grande parque urbano é possível

    implementar ciclovias, área para a prática de esportes, áreas verdes e

    de contemplação, etc.

    Demarcação do sistema de áreas verdes
    Demarcação do sistema de
    áreas verdes

    Figura 23. Plano de massa proposto para a área do Cais José Estelita, com a demarcação do sistema de áreas verdes.

    Considera-se que toda a extensão da linha férrea pode

    também vir a ser considerada como um parque e propicia-se também

    a integração visual do Forte das Cinco Pontas com o mar através da

    demolição do viaduto das Cinco Pontas5 (resgatando sua antiga

    5 Esta demolição é prevista no projeto “Novo Recife” como ação mitigatória.

    57

    função de arquitetura de defesa marítima). Especialmente se forem

    propostos túneis (neste trecho) de ligação entre a zona sul com o

    Bairro do Recife (ver figuras 23 e 24).

    Trecho de possíveis túneis Demarcação do sistema de áreas verdes Ligação Forte - Mar
    Trecho de possíveis túneis
    Demarcação do sistema de
    áreas verdes
    Ligação Forte - Mar

    Figura 24. Plano de massa proposto para a área do Cais José Estelita, com a demarcação do sistema de áreas verdes e a ligação do Forte das Cinco Pontas ao mar através da implementação de túneis nos trechos demarcados.

    b) Considerando o patrimônio histórico existente

    Propõe-se a manutenção dos elementos construtivos (ou

    mesmo parte desses elementos) que contam a história da cidade.

    Assim, galpões, silos, linha férrea pode ser incorporados a

    58

    intervenção. Todos esses elementos podem vir a sofrer intervenções

    de forma que estes venham a abrigar novos equipamentos como:

    teatros, museus, galerias, áreas esportivas, centros culturais, etc. (ver

    figuras 25 e 26). Manutenção Manutenção silos Manutenção de galpão dos galpões
    figuras 25 e 26).
    Manutenção
    Manutenção silos
    Manutenção
    de galpão
    dos galpões

    Figura 25. Elementos preserváveis. Ao menos um galpão próximo ao viaduto Capitão Temudo, silos, todos os galpões próximos ao Forte das Cinco Pontas.

    Trecho da linha férrea existente (patrimônio industrial do

    Recife) pode estar inserido no sistema de área verde, formando um

    grande parque linear que além de prover toda a intervenção de

    qualidade ambiental, integra as edificações do entorno ao sistema

    proposto (ver figura 26).

    59 Manutenção linha férrea
    59
    Manutenção
    linha férrea

    Figura 26. Trechos da linha férrea podem estar inseridos no sistema de áreas verdes proposto.

    c) Considerando a integração do sistema urbano

    Eixos de integração, que partem do sistema viário

    proposto, são considerados, de forma a interligar a área que aqui

    chama-se “área segregada” ao Cais José Estelita, contribuindo com

    sua integração ao sistema e consequentemente com a sua

    valorização. Propõe-se também a continuidade da Avenida Dantas

    Barreto interligando a área ao centro comercial do bairro de São José

    e facilitando a ligação entre zona sul e centro da cidade (figura 27).

    60

    3 2 1 Área segregada 1 Integração pedestres 2 Integração pedestre/veículos 3 Integração pedestre/veículos
    3
    2
    1
    Área segregada
    1
    Integração pedestres
    2
    Integração pedestre/veículos
    3
    Integração pedestre/veículos

    Figura 27. Figura mostrando o eixo de integração para pedestres, eixos de integração pedestres / veículos, e a área segregada.

    A integração também é proposta quando se percebe a

    necessidade de que a arquitetura proposta venha a ser tão

    permeável quanto o sistema viário.

    É recomendável se trabalhar a permeabilidade física e

    visual da área para que assim seja possível se ter uma permanente

    vigilância social (ver figura 28).

    61

    Integração física/visual por entre as edificações.
    Integração física/visual por
    entre as edificações.

    Figura 28. Figura mostrando a integração física/visual por entre as edificações. Unindo o sistema de áreas verdes.

    d) Propondo um plano

    necessidades urbanas

    de quadra que seja uma resultante das

    Mesmo que não seja possível criar fórmulas, talvez haja motivadores

    políticos e ideológicos que podem influenciar os projetos urbanos de

    diferentes maneiras. Ainda hoje, por exemplo, perdura uma árdua

    disputa entre aqueles que propõem discussões sobre a qualidade do

    espaço urbano em termos de valor imobiliário (

    ...

    )

    e aqueles que

    insistem que os aspectos intangíveis, como a formação de

    comunidade e a felicidade dos usuários, são os verdadeiros

    determinantes para o projeto urbano. (

    ...

    )

    na realidade, a abordagem

    que provavelmente trará maiores benefícios para todos os atores será

    um meio-termo que permita o florescimento da comunidade e o lucro

    dos investidores imobiliários. (Walt, Waterman, 2012)

    62

    Compreende-se a importância da parceria público-privada

    para o empreendimento da intervenção proposta.

    Compreende-se também que há um desejo latente de

    camadas da população que a intervenção nesta área venha a

    contemplar a todos, não apenas uma camada da população, que, por

    ventura, adquira apartamentos na área.

    Quadra destinada a habitação/ estacionamento/ comércio e Quadra destinada a serviços/ comércio e estacionamento
    Quadra destinada a habitação/
    estacionamento/ comércio e
    Quadra destinada a serviços/
    comércio e estacionamento

    Figura 29. Figura demarcando as quadra destinada a habitação (pavimentos superiores), estacionamento (pavimentos intermediários) e comércio/serviço (pavimentos térreos e sobrelojas) e a quadra destinada a serviços (hotéis, flats) com comércio/serviços (no térreo), estacionamento (nos pavimentos intermediários)

    Partido dessa premissa, o plano de quadra surge como um

    resultante dos interesses comuns da população, aqui destacadas:

    63

    trabalhar a permeabilidade física e visual, implementar o sistema de

    espaços verdes, introduzir soluções relacionadas à mobilidade,

    considerar o patrimônio histórico e promover a integração do sítio.

    Dessa

    forma,

    a

    verticalização

    proposta

    leva

    em

    consideração tanto o zoneamento horizontal (item “e”, figura 19)

    quanto o zoneamento vertical (item “e”, figura 20). Entendendo-se

    que, dessa forma, serão incorporados não apenas os valores

    imobiliários, mas, também os valores de convivência cidadã, pois

    haverá a integração das áreas pública e privadas através das

    interfaces construídas (figura 29).

    64

    5 IMAGENS

    65

    65
    65

    66

    66
    66

    67

    67

    68

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